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EU APENAS TOCO O BLUES...

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uem me contou esta historia foi Jaques Molina, o ilustre editor técnico de equipamentos da GP. Notivago inveterado, la estava ele em uma de suas perambulacoes pela divertida noite paulistana, na década de 1990, quando, 1nus1ta ' ' d amen t e, aca b ou con h ecen d o 0 guitarrista Phil Campbell, do Motorhead. O grupo britanico havia realizado uma apresentacao em Sao Paulo e, empolgado com 0 surpreendente encontro, Molina logo tratou de elogiar 0 guitarrista e dizer 0 quanto havia gostado do show. Sucintamente, Campbell respondeu: “Eu apenas toco 0 blues, cara, apenas toco o blues...” Mas, anal, o que o blues tem a ver com a banda de metal pesado liderada pelo baixista Lemmy Kilmister? Tudo. O blues permeia praticarnente todos os mais conhecidos estilos musicais que surgiram no século 20 — rock, jazz, country, pop, R&B e muitos outros. E o blues foi além de emprestar seus elementos musicais a outros géneros: virou quase sinonimo de tocar com emocao - o tal de feeling. A resposta de Phil Campbell a Jaques Molina demonstra essa qualidade e a imensa importancia do blues. Os solos mais famosos do género ja foram enaltecidos das mais diversas

uma atenta audiciio. Séio momentos marcantes de 60 guitarristas estrangeiros e 10 brasileiros. E a lista nio se restringe a artistas de blues, incluindo nomes como David Gilmour, Jack White, Danny Gatton, Herbert Vianna, entre outros, o que comprova am ' da mais ‘ are 1 evancia “ ' do género para a musica do século 20 e 21. Mergulhe fundo nessa viagem blueseira! - Para complementar nossa matéria de capa, publicamos uma licao que aborda os estilos de Buddy Guy e Guitar Slim e também uma entrevista com 0 bluesman brasileiro Nuno Mindelis, que fala sobre seu novo disco e seu inicio na guitarra, quando ainda morava em Angola. -Nesta edicao,prestamos homenagem a um dos maiores nomes da historia do violio. Paco de Lucia morreu no ultimo dia 24 de fevereiro. A musica perdeu um dos seus grandes icones eo amenco, seu mais famoso representante. Guilherme Zanini escreveu uma bela matéria que relembra a trajetéria do violonista espanhol, com uma declaracao exclusiva de John McLaughlin para Guitar Player Brasil. .

maneiras» mas hé mums teS°“*'°S es‘ condidos que nem todos conhecem. A matéria de capa desta edico é especial

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justamente por isso: traz uma selecao de 60 solos de blues nao muito aclamados, mas que, sem duvida, merecem destaque

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clarezeielas poderéo serpublicadas de Forma reduzida.

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ram gran es nomes a se cor as no rasl Sempre ouvl muito Nuno Mlndelis e, por lsso, estou buscando Albert Klng, que fol a dlca do meu ldolo na matérla sobreinfluénclas.

"$30 grandes gultarrlstas brasllelros e lnternacionals. Uma pena que um dos malores nao esteja nessa edlgao. Seu nome é The Edge. do U2. Para mlm, ele é 0 melhor do mundo em rltmlca e bons riffs, sem falar nos efeltos, que sao sua prlnclpal caracteristlca. Q¢araéf***|"-MlchelVllla L0b0

ThlagoAlves sempre um prazer ler mlnha Guitar Player. Fiquei emoclonado com 0 trlbuto a Hélclo Agulrra e também gostel multo da matéria de lnfluénclas. Estou ouvlndo um Michael Schenker em alto e bom som, em homenaId ‘ f I gem 3° me" ° ° que Se ° ' Douglas Ant6nlo E

“Com certeza, essa edlgao val ser especial, por trazer um trlbuto ao grande Hélclo ‘Gultarra' Agulrra." — Netto Flgueroa

Multo legal a matéria que traz as lnfluéncias dos gultarrlstas brasllelros. Estou pesqulsando varlos nomes que nao conheclae me aprofundando em alguns dos quals so havla ouvido

“Gu/tar Player sempre me surpreende. Maravllhosa edlgéo. Ja estou ansIoso!" — Sérglo Bloodfrozen Opaleiro e

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"Poxa, cadé 0Slash?!" — Weverton Coutlnho

“la vou garantir a revista més." — Tom Franklln

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falar. Crelo que reportagens assim sao Importantes para a formagao de um gultarrlsta, que, em mlnha opinlao, deve ouvir 0 maxlmo de muslca boa posslvel. - Kleber Ollvelra

meu poster do

DA VENEZUELA Fellcltagoes a todo pessoal da Gultar Player pela excelente revlsta. Sou da Venezuela e tenho vlndo ao Brasll ha trés anos por conta de trabalho. A partlr dal, tornel-me um asslduo leltor da GP. lntegrel uma banda de hard rock nos anos 1980. Embora eu la nao toque proflsslonalmente, contlnuo tocando por hobby, 0 que me da prazer e me mantém motlvado a seguir no maravllhoso mundo da muslca, sela rock, lazz, blues, metal ou fuslon estllos que vocés expoem na revlsta todo més. Segulrel sempre ao lado da GP. Alvaro Dlaz

“Nosso lnstrumento foi se desenvolvendo nas maos desses vlslonarlos das sels cordas e, o que é melhor, ha muitos anos eles vém sendo dlssecados e relatados pela Gultar Player — uma referéncla e fonte lnesgotavel para nos, gultarrlstas. Obrlgado, GP Braslll" — Luls Hypolltus

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MINHAHlSl[]R|A[0MABUllARRA A0517 anos, por algum motlvo qualquer, eu quls vlrar balxlsta — nem sabla exatamen-

te 0 que era Isso. Cheguel para meu pal e pedl um balxo. Ele disse: “Esta maluco? Va tocar vlolao prlmelro e depols conversamos.” Perguntel, entao, se poderla usar um dos seus vloloes e meu pal respondeu: “Nada dlsso, fllho, arranle um emprestado." Aqullo me delxou revoltado. mas consegul um vlolao. Tranquei-me no quarto e, em menos de dols meses, la tocava a muslca Terra de Glgantes, dos Engenhelros do Hawall. Mostrel a meu pal, que falou: “Poxa, vocé quer ser balxlsta mesmo?" E eu respondl: “N30, quero ser gultarrlsta proflsslonall” E asslm foi. Um belo dla, estava com a gultarra nas maos e passel a ‘devorar' o lnstrumento, com 0 sonho de um dla vlver da mlnha arte. Resultado: sou professor do lnstltuto Muslcal Rogérlo Valente, em Volta Redonda (RJ), ha mais de 8 anos; tenho uma banda de pop rock chamada Ultravolts; e toco no grupo Otryo, de muslca Instrumental. Consegul reallzar meu sonho: vlver de musical Vltor Karyello

Se vocé rem uma hlstoria legal sobre sua experiéncla como gu/tarrlsta, seja de equipamenlo, estudo, show ou outno assunto, env/e para gultarplayer@guitamIayencom.bn Vocé pode aparecerna segao Comunldade!

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liuilarllauer DIRETORAGERAL

Teresa Melo David Hepner

EDITOR-CHEFE DESIGN GRAFICO

Luiz Zonzinie Renato Canonico Jaques Molina

EDITOR TECNICO

DE EQUIPAMBITOS EDITOR TECNICO DAS

(QUAL

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ucos con AUDIO

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Flavio Gutok

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COLABORARAM NFSTA EDIQAO TEXTOS: Alexandre Spiga, André Martins, Fabio Carrilho, Guilherme Zanini, Henrique lnglez de Souza. Henry Ho,

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Homero Bit-tencourt, Kiko Loureiro, Mr. Fabian, Murilo Romano, Ricardo Giuffrida, Ricardo Vital e Tatiana Para.

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LEONARDO K LEIS

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Hooker em Mad

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Man Blues, por-

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Um dos mais

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que a muslca e

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so um B maior

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vos e bonltos é

Last Soul, do

e o solo quase

me chama

o solo que SRV

Black Country

nao sai das

atengao até

fez em Little

Communion.

notas do acor-

FOTOS:Baron Wolman/Atlas Icons, Ben Abker, Ben Barber, Chris Haakens, Chris Schwegler/Atlas Icons, Clayton Call, Cn‘stina Granato, David Gahr, David Spiwak. Erasmo Salomao, Fabian Gloeden, Frank White, Gllson Oliveira, Gustavo Anais, Harry Potts, Heinrich Klaffs, Ina Behrend, JJ. Losler, Jimmy Leslie, John Gardner, John Gulio, John Kadvany, John T. Comerford lll/F rank White Agency, Ken Settle, Kerri

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Say Whatl,

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de Stevie Ray

hole é o de

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de. Além disso.

Robert Johnson

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Hendrix, mas a

blues que ouvi

nao eleger The

Essa muslca me

lnterpretagao e

na vlda.

Thrill ls Gone,

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Kelting Laurens Van Houten/Frank White Agency, Leticia Miller. Marcelo Pretto, Michael Ochs Archives/Getty images, Neil Zlozower/Atlas Icons, Paul Haggard Renata Duarte, Robert Zuckerman, Scott Penner, Tom Beetz, Tracy Hart Vladimir Fernandes, W.W. Thaler-H. Weber Hildesheim.

Vaughan

TRADUQAO: Vera Kikuti.

transporta para

o feeling nesta

de B.B. King.

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o Mississippi e

regravacao me

Arrasador!

consigo vlsua-

insplram multo.

Antonio Gomes E—maIl: guitarplayer@guitarplayencom.br Tel: (II) 3044-1807

llzar todas as MARKETING ASSINATURA, NIJMEROS ANTERIORES

dlculdades de

um musico de

E VENDA DIRETA Tel: (II) 3044-1807 Email: sac@editoramelody.com.br Cootdenadnm: Mara Simoes Cinthia Alves

blues na época.

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Red House, de

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Aquela Introdu-

20.000 Exemplares

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Crossroads

com Stevie

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é llnda e. ao

Ray Vaughan

Para mlm. 0

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Parisienne

mesmo tempo.

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de gultarra é

Wa1kways.de

lnquletante — a

vivo na case

e o de Jim-i

mégico.

Gary Moore.

voz gutural de

El Mocambo.

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Robert Johnson

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e o vlolao to-

cao fol um dire-

Ele realmente

DUTRA

Tel; (ii) 3044-JBU7 Os editores nao se responsabilizam pelas

da gultarra para

cado de forma

to no queixo.

Eric Clatpon

expor todos os

visceral.

fo o deos oa gt lI5'f3.

opinioes emitidas por colaboradores em artigos assinados.

em Old Love.

sentimentos que

SITE GUITAR PLAYER

alguém pode ter.

Eclmr do contedo: Henrique lnglez de Souza

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cao é lnesque-

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GUITAR PLAYH! USA EDITOR IN CHIEF Michael Molenda MANAGING EDITOR Kevin Owens SBIIOR EDITOR Art Thompson ASSOCIATE EDITORS Matt Blackett, Barry Cleveland, Jude Gold CONSULTING E)I'I'OR5 Jim Campilongo, Joe Gore. Jesse Gress, Henry Kaiser, Michael Ross, Leni Stern, David Torn, Tom Wheeler

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“TUDO DEPENDE DE CONSEGUIR JUNTAR DUAS VOZES!”

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“Bandas de duas guitarras sio dificeis”, diz Brad Whitford. “Exigem certo nivel de comunicagio e, quando isso acontece, vocé percebe logo que escuta. Vi Eric Gales e Ericjohnson tocandojuntos na turné Experience Hendrix e eles zeram as pessoas chorar. Estavam se comunicando em um patamar diferente. Quando vocé ouve algo assim, se dé conta do que é possivel fazer. Nio acontece em um nivel verbal. Trata-se de vibrax com alguém de uma maneira forte, e isso requer um enorme compromisso com a msica.”

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PRODUZA SEUS PRQPRIOS TIMBRES “Parte desse lance esté no timbre. Nio hé nada pior do que ver dois caras tocando Les Paul e vocé nzio conseguir dizer quem esté. tocando o qué — ou nio conseguir escutar 0 que um dos caras esté fazendo —, porque tudo esté embolado. Em Last Child, do Aerosmith, meu som é um timbre pesado e sujo de humbucker e Joe coca com uma sonoridade limpa de single-coil. Estamos sempre conscientes de como iremos casar os dois sons de guitarra para que surja


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tes e inseri-las ali. E brilhante a maneira como combinam com a minha frase.”

CRIE PARTES ENTRELAQADAS

APLIQUE GROOVES UM POUCO DIFERENTES “Em se tratando de groove. nos dois gostamos da mesma coisa. mas eu diria que ele esta na porcio norte da batida e eu, na porcio sul. E uma das razoes de soarmos daquele jeito. Nos dois temos bom ritmo e, uma vez que vocé possui essa qualidade, todas as pequenas sutilezas podem se integrar a performance, 0 que mantém as coisas sempre interessantes."

“Vocé deve levar em consideracio as partes em si. Queremos que sejam como um relégio de péndulo, no qual vocé pode ouvir todas as diferentes engrenagens entrelacadas. O objetivo é obter um som a partir de todos esses elementos, e nio é legal ter duas partes que sio iguais. Soaria idiota. Em Last Child, toco um lick sem rulas nas cordas graves, exceto quando estou solando. Joe realiza 0 trabalho de temperar as coisas, colocando aqueles lances de cordas soltas e tudo mais. Acho que ele tocou com uma Stratocaster no estdio e trabalhou duro para criar aquelas par-

de complementar os licks legals que ele cria. Uma das tarefas é perguntar a mim mesmo: ‘O que Joe faria?' Nos procuramos pensar de um modo semelhante, porém, como abordamos de angulos cliferentes, nossas partes acabam no cando iguais. Essa é a intencao: duas

partes interessantes. E assim que se consegue criar algo legal e chamativo. Acho que fazemos um bom trabalho nesse sentido.” O Aerosmith é uma das melhores bandas de duas guitarras da historia. O talento de Brad Whitford e Joe Perry para confeccionar partes, grooves e timbres que se combinam com precisiio cinirgica estd no recente DVD do Aerosmith, Rock for the Rising Sun (Eagle Rock), um show espetacular lmado no japiio. Matt Blackett

OUQAEREAJA

“Grande parte disso funciona para nos porque é bastante orgnico. Sempre foi divertido tentar e encontrar uma forma

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NA ERA DAS MfDlAS DIGITAISEREDES 50ciais, 0 artista independente acaba tendo de assumir, em certa medida, também a funeo de produtor de si mesmo. E como se vocé fosse o presidente de uma empresa que oferecesse sua msica e tivesse de gerenciar todas as etapas do processo envolvido, desde a génese das composiqioes e cria<;5.o dos arranjos até montagem do grupo, gravagio do disco e distribuiqéio. A guitarrista Marlene Souza Lima encarou esse desao para concretizar seu primeiro album solo, My Way, um belo registro de seus temas autorais, voltados a linguagem do jazz brasileiro. Em entrevista, a

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instrumentista de Brasilia comcnta detalhes do disco, no qual se revela uma improvisadora inspirada e dc estilo proprio. Como surglu a oportunldade de fazer este seu prlmelro élbum solo? Este CD é um sonho antigo. Em 2007, quando comecei a fazer parte cle grupos da internet, mais especicamente do MySpace, senti a necessidade de ter um material registrado. Na época, com 0 boom da midia eletrénica, muitos contatos virtuais do Brasil e dos Estados Unidos me questionavam a respeito de nao haver CDs meus nos catalogos de sires I

especializados em vendas, como Amazon e CD Baby. Inicialmente, gravaria com apoio do governo, porém, devido a circunstancias adversas, rive de adiar por um tempo e acabei desenvolvendo o album de forma totalmente independente. Suas mslcas possuem estrutura bem jazzlstlca, com seges bem deflnldas para exposlgio dos temasepara os lmprovlsos. Jazz brasllelro serla uma boa deflnlgo para seu estllo? Sempre gostei de ouvir e estudar standards de jazz. Sinto que minha inspiragio ao compor vem de expor 0 tema e improvisar. Improvisos sempre me chamaram


Ha gravacoes de jazz em que 0 improviso é uma pintura a parte. Acho isso impressionante! Jazz brasiieiro é uma boa denicao para o tipo de trabalho que faqo, porque ha caracteristicas da msica brasileira, de que tanto gosto, misturados corn elementos do jazz norte-americano. Em geral, idealizo a estrutura clas miisicas em partes e improvisos, com os devidos ritorneatenco.

los. Mas isso néio é regra. A composicao surge e, as vezes, tenho de entender o que ela quer dizer. Falando especlcamente de sua performance na gultarra, como llda com a questo dos Improvlsos? Como desenvolveu essa habllldade? Meu major sonho é encontrar 0 caminho mais harménico que me leve ao que acredito ser o improviso perfeito. Nao sei se alcancarei isso algum dia, mas é o que sempre busco no instrumento, todos os dias. Iniciei meus estudos de guitarra com Nelson Faria, que me abriu as portas paraaguitarra jazz. Naquele periodo, costumava tirar msicas de ouvido, ler revistas especializadas como a Guitar Player americana e, mais tarde, a edicao brasileira — e decorar frases de jazz encontradas em métodos passados de mo em mao. Assisti a workshops de guitarristas diversos, como Victor Biglione, Lula Galvio e Marco Pereira. Meu ultimo professor foi o Mestre Curinga, a quem dediquei uma msica no CD, Curinga de Ouros. O que consldera lmportante para um

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bomlmprovlso? E necessario ouvir varios trabalhos para ter ideias, ter contato permanente com 0 instrumento para nao falhar na técnica, estudar com metronomo para obter a propria pulsacao, variar as células e acentos ritmicos para dar um outro colorido as frases e, 0 principal, ousar sempre. Sao muitas as inuéncias, mas Pat Metheny e John Scoeld lideram minha lista. Toda vez que ouco Scoeld, ele me ensina que a intencao da nota pode variar de acordo com a acentuacao que se da. Esse é o modelo de improviso que busco toda vez que pego a guitarra. Nao tento repetir as notas do mesmo jeito que ele faz, mas, sim, assimilar sua elaboraco contextual. Outros mestres importantes para mim so Wes Montgomery, George Benson, Hélio Delmiro, Toninho Horta, Mike Stem e Alemo. Vocé use um tlmbre queéuma asslnatu-

0 O unlverso gultarrfstlco nacional é multo amplo. A todo momento surgem gravacoes de jazz brasllelro. o que, as vezes, dlflculta dlstlngulr estlllstlcamente um gultarrlsta de outro. No caso de My Way, Marlene Souza Llma buscou uma llnguagem proprla. sem anular suas lnfluénclas de John Scofleld. Mike Stern e Héllo Delmlro. Em relagao aos lmprovlsos, os destaques flcarn para as falxas Curlnga de Ouros e Anjo de Guarda, An/0 da Guarda, nas quals Marlene apresenta solos lnsplrados, que valorlzam os contornos melodicos com grande clareza de ldelas. Ela também mostra-se uma composltora de senslbllldade, como em Ponto de Vista, na qual o vlolao dlaloga com o clarlnete de seu lrmao Léo Fllho, e em I Really Respect Your Declslon, que ecoa Lulz Bonfa. EC.

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ra sua, com chorus e reverb bem suaves. O que te atral nesse som em especial? Sinto-me bem com essas sonoridades mais limpas. Penso que seja pela simi1aridade com os timbres de Pat Metheny, John Scoeld e Mike Stern. Para fraseados com acentuacao livre, esses sons me permitem mais clareza. E uma questio de gosto pessoal. E interessante como um timbre pode remeter a um clima es~ pecico que a musica pede. No CD My Way, usei a pedaleira Boss GT-10, misturando chorus, reverb, compressor, delay e wah-wah. Na musica Uma Vinheta $etentista, na qual realizo uma homenagem as musicas que eram tocadas em desenhos animados, usei um delay bem acentuado, popularmente chamado de “reverb de banheiro”, para enfatizar o modo como eu ouvia o som da época. Sua mslca translta pordlversos rltmos, nio apenas samba e bossa, mas também

elernentos afrosedo funk. como anallsarla sues composlges pelo aspectorltmlco? Desde crianca, a mistura sonora em minha casa foi muito interessante. Creio que dai vem a diversidade. Mais tarde, ja tocando guitarra, z parte cie formacao de grupos distintos. Atuei em banda com repertério de composicoes de Hermeto Pascoal, em grupo de musicas de origem africana, em big band, em projetos cle fusion, jazz e msica brasileira. Se em cada som que fazemos carregamos um pouco do que ele nos dé, a integracao é inevitavel. Vejo que sou como muitos de nos, msicos: um liquidicador. Falando do seu hlstorlco, vocé vem de famllla de mslcos. Seu pal é saxofonlsta, certo? Como era sua relagio com a mslca dentro de casa? Sim, meu pai é saxofonista. Dizem que

meu pai e meu tio, que tinham um grupo musical, ensaiavam em casa e eu, ainda crianca, cava em cima do pessoal perturbando para tocar algum instrumento. Minha mae ouvia desdejames Brown a Dave Brubeck. Meu pai gostava de jazz, bossa nova, choro e samba-cancao. No periodo anterior ao que comecei a tocar guitarra, tive um grupo de choro com meu irmao Léo, que é clarinetista. Eu tocava violao de seis cordas e foi uma época muito gostosa e divertida. Faziamos festas e, as vezes, tinhamos de tirar musica de ouvido na hora, apedidos. O choro é uma escola muito rica e interessante. Fale de seus outros trabalhos atuals. Como tem sldo seu cotldlano musical? Os novos tempos trouxeram a possibilidade de nos mesmos sermos os responsaveis por nossa carreira prossional. Sendo assim, estou envolvida quase que inteiramente com a producao do meu trabalho musical. Além do projeto com meu grupo, formado por Rodrigo Salgado (baixo), Daniel Oliveira (bateria) e Jorge “Macarrao” Gracindo (percussao), tenho um duo de jazz com o baixista Péricles Monteiro e ministro aulas de jazz e improvisacao em meu instituto, Usina de Sons. Para 2014, pretendo gravar um DVD ao vivo, assim como apresentar shows pelo Brasil e exterior. El

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lario de bases

ALAMO LEALNASCEU NO RIO DE JANEIROE, aos 17 anos, na década de 1970, mudou-se para Londres, Inglaterra, onde come-

e frases em um violao de cordas de ago. Uma das msicas desse trabalho integra também o CD Blues na GP, lanqado em 2013. Além de dominar 0 instrumento, Leal é um profundo conhecedor do universo do blues. Seu bar’: de referéncias é enorme e ele compartilha parte de seu saber enciclopédico na entrevista a seguir.

tocar violao, inuenciado pela atmosfera do local e pelos amigos artistas. Depois, passou para a guitarra. Nessa longa estada em terras britanicas, teve a oportunidade de assistir a incontaveis shows de nomes lendarios da guitarra, como Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan, so para citar dois. Apesar de ter comegado a tocar em uma idade considerada avanqada para ta], ele se tomou um excelente msico, como mostra 0 étimo album gravado em pareceria com 0 gaitista Flévio Guimares (Blues Etilicos), Ain't No Strangers Here, no qual Alamo destila seu amplo vocabu<;ou a

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Vocemoroupormalsde30anosnaEuropa, ondeoonstru|usuacane|ramusk:aLComosur-

glualdeladesemudarpammndes? Foram 32 anos. Sai do Rio de ]aneiro no inicio de 1972. Um periodo muito turbulento, com tudo 0 que estava acontecendo na época - ditadura, repressio politica e tudo mais. Van'os amigos jé. I

tinharn ido, alguns haviam voltado e estavam se preparando para ir de novo. Foi quando achei que seria a melhor coisa a fazer. Jé nao dava para car em casa com meus pais, que também estavam passando por diculdades. Com meu pai sendo da esquerda entao, era um sufoco. Eu tinha uma queda por Londres, por causa da msica e cultura. Minha avé me deu a passagem de presente, vendi algumas coisas que eu tinha e acabou acontecendo. N50 sei se isso teve algum signicado para o meu estilo de tocar, mas teve enorme importancia para meu desenvolvimento, como pessoa e msico. Quando voltou ao Braslle como tem sldo arelnsergio no mercado musical do pals? Em setembro, serao dez anos desde


meu retomo ao pais. No comeco, para set sincero, nao estava muito concentrado na musica. Estava me adaptando ao dima, familia e amigos de infancia e curtindo 0 Brasil como residente, e nio como visitante. Aos poucos, fui me inteirando e recomecei a tocar. Foi uma experiéncia diferente para mim. Percebi que as coisas demoravam um pouco mais para acontecer, devido 5. enormidade do pais, além de o blues nio ser um estilo tao reconhecido aqui como na Europa e outros paises. Deixei tudo rolar naturalmente, sem pressa, curtindo tocar com amigos, 0 que faco até hoje, e isso facilitou o processo de adaptaco. As coisas estao acontecendo um pouco mais agora. Estou satisfeito. O élbum que vocé gravou com Flévlo Gulmares esté excelente. Como surgiu a parcerlae comoescolheramorepertrlo? Conheci o mtisico texano Steve James em um festival na Inglaterra, creio que em 1992. Ele havia passado pelo Brasil e comentou sobre 0 Blues Etilicos e o conhecimento do Flévio sobre Little Walter, James Cotton e o blues de Chicago em geral. S6 fui apresentado ao Flévio cerca de 15 anos depois, no Rio, pelo Otévio Rocha, guitarrista dos Etilicos, e nao demorou nem cinco minutos para eu perceber que tinhamos 0 mesmo gosto musical e inuéncias. Comentamos sobre fazer um projeto no futuro. Tocamos varias vezes juntos e, em 2012, apareceu a oportunidade de gravamos mtisicas em um estudio no Rio. N50 pensamos muito no repertorio, sirnplesmente misturamos um pouco do blues do Delta e de Chicago — algumas canciies de que ele gostava e outras que eu ja tocava em meus shows na Europa. Foi assim que surgiu o CD Ain't No Strangers Here. O élbum 6 formado por clésslcos, mas hi uma cancio compost: por vocés. ]ustamenteaquo dénomeao trabalho. Como fol o processode composlcio? E instrumental e foi baseada no folk blues do Mississippi, como John Hurt e outros daquela area. Muitas cancoes foram feitas por diversas artistas com base nessa melodia. Os acordes vio mudando de menor para maior, como Am, G, F, E. Tem um feeling como o de St. James Inrmary e de varias outras cancoes. Mudei a sequéncia de acordes em alguns lugares e o Flavio criou um tema com a gaita em cima daquilo. Tocamos ao vivo em um

show e, como a resposta foi muito boa, decidimos incluir na gravacao. Estamos planejando outro CD, provavelmente para este ano, fe vamos acrescentar algumas musicas autorais. Como folagravago do trabalho? Rapida e simples. Registramos tudo em duas sess6es ao vivo. Fiz a minha parte como se estivesse realizando um show em um dube. Usamos trés microfones — para voz, violao e ambiente e nao havia como refazer a voz ou o violéio base. Esse foi nosso planejamento antes de gravar. Registrei outro violao em uma faixa, apenas para dar uma cor. O Flavio gravou algumas junto comigo e outras em uma sala diferente, por questio de vazamento. Deixei a mixagem para ele e 0 Pedro Garcia, engenheiro de som, que tocou percussio e vassouras em duas faixas. Ficamos felizes com 0 resultado. Fale sobre o equlpamento que utlllzou nagravacio. Usei somente meu violao Taylor 312. Pensei em tocar 0 National na msica dojoe Louis Walker, Bluesi)‘yin', que tem um estilo bem Delta blues, mas, como tudo estava indo bem, decidimos nao mudaras posicoes

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dos microfones e acabei gravando com 0 Taylor. Nenhum amplicador foi usado. Vocé néo utlllza palheta e usa bastante

Olndlcadorparadestacarllnhasgraveseos demals dedos para atacar os acordes e notas.como chegouaessa técnica? Peguei esse estilo durante os anos 1980, quando me mudei para Bristol, no oeste de Londres. Era usado por muitos artistas de folk e blues da década de 1960 que tive a chance de ver tocando, como Dave Graham, John Martyn, Wizz Jones... A lista é enorme. Eles pegaram de Mississippi John Hurt, Big Bill Broonzy, Son House e outros musicos do Delta. O interessante é que eu gostava muito de escutar bluegrass e a técnica era chamada de “clawhammer”, com polegar e dedos. Foi assim que comecei. Meu amigo Steve Payne é um dos melhores que ja vi nesse sentido. Tocamos bastante juntos, quase 20 anos, e aprendi muito corn ele: como abafar as cordas, marcar o ritmo com a mao direita e atacar as cordas graves com 0 polegar e dedilhar 0 acorde simultaneamente. Ainda tenho muito a aprender. Muitos guitarristas utilizam os dedos para tocar, em vez da palheta. Em minha opiniao, traz um feeling diferente, um

contato direto da mio com as cordas. Nio sei explicar por qué, mas faz diferenca. 0 que vocé tocava nos anos de sua formagic muslcalequals foram suas malores lnfluénclas? Em 1973, comprei em Londres um Yamaha FG300, violao top da linha na época. Aprendi uns quatro acordes e tocava cancoes que tinham apenas esses acordes. Comecei a tocar de verdade em 1977. Na Europa, assisti a um show de Muddy Waters que me iluminou. Mergulhei em todos meus LPs de blues — do préprio Waters, de Robert Johnson, de B.B. King e um que é a minha biblia do blues acustico: Lightnin’ Hopkins, com Earl Palmer, na bateria, e Jimmy Bond, no baixo. Ficava escutando e tocando junto 0 tempo todo. Em 1979, realizei meu primeiro show como prossional e nio teve mais volta. Tive tantas inuéncias que é muito dicil lembrar de todas, mas aqui vio algumas: Rolling Stones, Muddy Waters, Howlin’ Wolf e Ray Charles sao enormes. Escutar o blues de Chicago e do Delta é um grande aprendizado. Adoro Luther Allison, como performer, guitarrista e cantor - um dos grandes pontos de referéncia em minha carreira. Sempre gostei de Lowell George (Little Feat) e seu fraseado incrivel no slide. Tem ainda Jimmie Vaughan, Anson Funderburgh, Kid Ramos eJoe Louis Walker, com quem toquei no festival de Caxias do Sul, em 2012. Sou também muito inuenciado pela guitarra base. Tenho uma fascinacio enorme por ritmo e groove. Nesse caso, entram Jimmy Nolen, Steve Cropper, James Burton e Cornell Dupree. N50 posso deixar de citar Chuck Berry e Keith Richards, que so idolos de uma geracao. Do ponto de vista da execugo, qual a colsa mals lmportante que vocé aprendeu sobre o blues? Aprendi trés coisas importantes, que sempre carrego dentro de mirn: simplicidade, respeito e honestidade com a msica.

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seydo Meu Aluno, um professor de guztarra apresenta aos leitores um de seus aprendizes de destaque. Este més, com/ersamos com André Christovam, um dos

grandes guitarristas do Brasil.

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ldade: 61 anos Quando comegou a tocar: “Toco desde os 12 ou 13 anos, quando escutel o dlsco Highway 61 Revisited, de Bob Dylan, em meados dos anos 1960", conta Carlos Eduardo. “Sempre me vlrel de vlolao e passei algum tempo fler— tando com Tom Joblm e cIa., prlncipalmente por causa das harmonlas, 0 que me deu certo conheclmento de acordes. Mas eu nao tlnha gultarra. Também gostava — e gosto até hole — de Beatlese Rolling Stones, culos albuns meu lrmao consegulu e trouxe para casa na época, quando essas bandas estavam surglndo. Nlnguém havla ouvldo falar deles. Curto também toda a galera que permeou o rock e o Jazz nas décadas passadas.”

Tempo de aula: Estuda com André Chrlstovam ha trés anos. Estllo: Blues com lnfluéncla lazzistlca. Por que toca bem: “Ele é meu aluno mais apllcado". aflrma Chrlstovam. “Mesmo com seus afazeres como arqulteto. sempre teve a dlsclpllna de chegar com 0 material da aula anterlor na ponta dos dedos ou multo bem encamlnhado. Compreendeu a proposta de

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Respeimdo mgsico bmsileim, André

Christovam tem cinco cilbuns solo langados. Leia uma entrevista especial com 0 guitarrista na edigo de setembro/2013. Ele dd aulas particulares em seu apartamento, em Srio Paulo (SP).

que, em um primelro estagio. aprende-se um vocabularlo muslcal para, em segulda, coloca-lo em prétlca em uma varledade de temas pertinentes ao obletlvo do aluno." Banda: Nao tem. Gultarrlstas preferldos: "A llsta é lmensa, mas chapel quando comprel Electric Ladyiand, do Hendrlx. Aquele mogo tlnha futuro... Hole, escuto bastante Kenny Burrell, George Benson. Larry Carlton e, por tabela, toda essa turma de que eu nunca havla ouvldo falar e que 0 André Chrlstovam vem me apresentado nas aulas, como Earl Hooker, Robben Ford e multos outros.” Gultarra: PRS Slnglecut e N. Zaganln Tele com dois captadores P-90. Amplicador: Roland Cube 80 Pedals: Boss RC-3 Loop Statlon Cabos: Mogami Cordas: Ernie Ball llsas Sonho: Carlos Eduardo responde: "A ldela é alcangar um patamar mlnimo de qualldade Funclona também como uma hlglene mental para mlm. Além dlsso. pode ser que, no futuro, eu monte uma banda de tlozlnhos, por que nao?"

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Vera Loca A0 Vlvo

[mi Records hé. 10 dez

anos, o Vera Loca tem construido uma so1i-

da carreira no cené-

rio do pop rock do sul do pais. Msicas como Maria Llicia e Borracho y Loco sio facilmente ouvidas nas radios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O quinteto gacho langou o DVD Vera Loca A0 Viva, gravado no Bar Opinio, em Porto Alegre. O registro mostra a banda

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em um momento de maturidade musical. A captagio de audio esté. excelente e as imagens valorizam a interagio entre palco

plareia, que, em boa parte da apresentagéo, canta os refries a plenos pulmoes. Do pop de Parece Que Foi Ontem ao rock vigoroso de Suadinha, 0 que se vé ao 1ongo das 19 faixas é um grupo que compoe excelentes cangoes, sem se esquecer de valorizar os timbres. As guitarras sio divididas entre Fabricio Beck, que também é vocalista, e 0 argentino Hernan Gonzalez, que dé uma aula com étima sonoridade e excelentes frases, como as de As Coisas Que Eu Te Disse Ontem, em que explora com maestria sua Gibson Les Paul e

Standard — esta faixa, alias, lembra 0 tipo de blues que Cazuza fazia. Em Vera Loca A0 Vivo, Gonzalez usa também uma Fender Stratocaster Custom Shop e uma réplica da guitarra de Brian May. Tudo plugado em urn Marshall Plexi e um Orange Rockerverb. Beck, por sua vez, empunha uma Fender Stratocaster plugada em um amp Serrano, além de um violio Martin. O DVD traz as participagoes de Duca Leindecker, do Cidadio Quem, e Veco Marques, do Nenhum de Nos, que toca banjo em Maria Lécia. O resultado é um sopro de bons ventos no pop rock nacional. Vale a pena conferir! GU/LHERME ZAN/NI


lan am ntns > Audio Ilavetewart LuckyNumbers Sony Muslc Dave Stewart costuma transformar a matéria-prima que trabalha em algo suculento. Desde os tempos de

Eurythmics, esse guitarrista, vocalista e produtor inglés encontra combinaeoes pop bastante atraentes. Com Lucky Numbers, tal habilidade veio destacada por levadas acsticas, blueseiras e country que incrementam o tipo de rock que ele faz. Every Single Night, Why Can’t We Be Friends e One Step Too Far s50 faixas féceis de serem absorvidas. Este é um album para qualquer hora do dia, desde que vocé esteja a m de curtir algo alegre. A caneio Lucky Numbers tem atmosfera de jam session, com solos de vérios instrumentos. Vlagem pop e envolvente. HENR/QUE INGLEZ DE SOUZA

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Scorpions

MTV Unplugged In Athens Sony Muslc Mesmo insistindo nas can<;6es consagradas de sempre, como Rock You Like a Hurricane, Still Loving Km, Big City Nights e Wind of Change, 0 Scorpions langa um bom registro acstico. A banda alemi soube temperar com a medida ideal e os ingredientes certos. Por exemplo, os convidados sao “desconhecidos” (do grande pblico). A esse respeito, alias, creio que poderiam ter chamado o ex-integrante Uli Jon Roth. Teria valorizado outro detalhe que considero acertado: o resgate de faixas oriundas da can'eira da banda nos anos 1970. Para alguém que gosta do quinteto, como eu, foi uma gmta surpresa ter deparado com Pictured Life e Speed;/’s Coming (esta, uma marca registrada de Roth). No geral, MTV Unplugged in Athens tem jeito de disco ao vivo dotado de bras e visceras, apesar de seguir o formato acstico superproduzido da MTV. H./.S.

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A guitarra lbanez Iron Label SIR70FD tem corpo de mogno, braco Nltro WlZBFd de maple/bubingo, escala de rosewood com friso e 24 trastesjumbo. A ponte é Gibraltar Standard. O modelo apresenta captadores DiMarzio Air Norton (brago), DiMarzio True

Velvet (meio) e DiMarzio The Tone Zone (ponte). Os controles consistem em um knob de volume. um botao de tonalidade e seletor de pickups de cinco posices. Equipo — Tel.: (11) 2199-2999 - www.equipo.com.br

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Esta belissima guitarra Gretsch

apresenta bloco central de spruce solido, que ajuda a evitar microfonias indesejéveis. O corpo é de maple com frisos, tanto na frente como atras. Tem brago de mople e escala de rosewood. Vem equipada com captadores de duas bobinas Super HiLo'Tron, ponte Adjusto-Matic e vibrato Bigsby B70. Pride Music - Tel.: (11) 2975-2711 www.gretsch.com.br

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O DigiTech Element XP oferece sons de 37 pedais, 12 amps e 9 caixas de

alto-falantes, além de 45 faixas de bateria e ritmos. O pedal de expresséo controla Whammy, wah ou volume em tempo real. Possui anador. Um jack para fones permite que vocé toque sem perturbar os vizinhos. Harman do Brasil - Tel.: (51) 3479-4000 — www.digltechaudio.com.br

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amplicador valvulado JVM410 combina alguns dos melhores timbres Marshall. Oferece uma vasta paleta sonora, que abrange desde os sons limpos do JTM45 plexi até 0 rugido do JCM800 e sonoridades modernas de alto ganho. Disponlvel em cabecote ou combo 2x12. Tem 100 watts de poténcia e quatro canais (clean, crunch, OD1 e OD2). As vélvulas s50 quatro ECC83, no pré—amp, e uma ECC83 e quatro EL34, na poténcia. O amp conta com controles independentes de volume, equalizagao. ganho e reverb para cada O

canal. Tanto o JVM41OH (cabegote) como o JVM410C (combo) vém

acompanhados de footswitch programével com seis chaves. Proshows -Tel.: (11) 3527-6900 - www.proshows.com.br

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Paco de lucia

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GUILHERME ZANINI Em 1967, Paco lancou seu primeiro LR Intitulado La Fabulosa Guitarra de Paco de Lucia, traz interpretacoes de musicas compostas por José Torregrosa. Nas dez faixas, ca claro que, aos 20 anos, 0 violonista ja era um musico completo, mostrando excelente técnica e sensibilidade nas interpretacées. No nal dos anos 1960 e inicio dos 70, Paco comecou a obter reconhecimento nos Estados Unidos e em toda a Europa. Sempre sério e discreto, evitava os holofotes, concentrando-se apenas em sua evolucao como instrumentista e compositor. Isso resultou em grandes discos e culminou naquele que, para muitos, é a obra-prima de Paco de Lucia. Almoraima (1976) traz elementos de outros estilos, inclusive de musica brasileira, e elevou Paco ao status de um do maiores nomes do violao mundial. O rétulo de violonista amenco permaneceu, mas foi além, e Paco passou a ser ouvido com mais atencao por outros publicos, como o do jazz. O resultado dessa ascenso de Paco de Lucia como compositor e instrumentista foi o interesse dc outros génios da guitarra pelo seu trabalho.

QUANDO GENIOS DA ARTE MORREM, O cliché nos obriga a dizer os legados de suas obras viverao para sempre. Com Paco de Lucia, nio sera diferente. Dono de um estilo unicoeuma técnicaimpressionante, o violonista espanhol morreu no ultimo dia 26 de fevereiro, aos 66 anos, vitima de ataque cardiaco, em uma praia de Cancun, no México. A morte de Paco foi amplamente divulgada pelos principais veiculos de co-

municacio do mundo, prova do respeito e admiracio que tinha de fis espalhados por todos os cantos do planeta. Na Espanha, a realeza se misturou aos fis na despedida ao musico e decretou luto ocial em todo o pais. Ao longo de sua carreira, Paco de Lucia se tornou um dos maiores nomes da cultura espanhola. Nascido no dia 21 de dezembro de 1947, na cidade de Algeciras, extremo sul da Espanha, Francisco Sanchez Gomez nome de batismo de Paco era 0 mais novo dos cinco lhos do violonista amenco Antonio Sanchez. Tendo o pai como professor, Paco de Lucia comecou a tocar ainda crianca e realizou sua primeira apresentaciio aos 11 anos, em uma emissora de radio de Algeciras. No ano seguinte, foi premiado em uma competicio de musica amenca em Jerez de la Frontera. Aos 14, Paco de Lucia (nome artistico dado em homenagem amae, Lucia) passou aacompanhar um grupo de danca e iniciou suas viagens pe1omundo.No comeco, as grandes inuéncias de Paco eram os violonistas Sabicas e Mario Escudero, ambos virtuosos. E foi nessa linha que Paco comecou a construir um estilo préprio, misturando os principios basicos da musica amenca, que aprendeu com seu pai, e a técnica veloz de Escudero e Sabicas.

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PARCERIA COM JOHN MCLAUGHLIN

EAL DIMEULA Em 1980, Paco de Lucia participou daquele que até hoje é apontado como um dos grandes encontros da historia do violio. Junto com John McLaughlin e A1 Di Meola, gravou o album ao vivo Friday Night in San Francisco (1980). No repertorio, temas instrumentais dos trés musicos, além dc Short Tales of the Back Forest, de Chick Corea, e Frevo Rasgado, de Egberto Gismonti. Considerado item

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Paco oz LUCIA

obrigatorio para violonistas e guitarristas do mundo todo, o disco alcancou sucesso comercial, com a incrivel ma.rca de sete milhoes de copias vendidas. Em 1983, chegou as lojas Passion, Grace registro fonograco do trio. Mesmo gravado em estdio, 0 formato era basicamente 0 mesmo de Friday Night in San Francisco, com os trés msicos tocando violao de forma espetacular, dando margem a todo virtuosismo que cada um guardava em seus dedos. Duas das seis msicas do disco — Chiquito e Sichia — sao de Paco de Lucia e evidenciam o quanto a msica amenca foi fundamental para 0 sucesso da parceria com Al Di Meola e John McLaughlin. Em 1996, os trés génios voltararn a se reunir para um novo trabalho. The Guitar Io traz nove temas compostos pelos violonistas, com excecio de Manhd de Carnaval, de Luiz Bonfé e Antonio Maria, mais uma prova da admiracao que a rnsica brasi1eira exerce em grandes mestres da guitarra. Diferentemente do primeiro encontro, o que se destaca nesse trabalho é a forca das 6* Fire, segundo

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interpretacoes, com atécnica mostrando-se menos evidente, embora ainda exuberante. O album também obteve sucesso comercial, chegando ao t0pO da parada da Billboard, na categoria Album de Jazz, em 1996. Sobre a morte de Paco de Lucia, Al Di Meola escreveu, em seu Facebook ocial, um depoimento de carinho e admiracéo pelo amigo: “Sua técnica foi muito além do que a de qualquer outro na msica amenca. Estou muito triste e sentirei a falta de Paco para sempre. Vou lembrar sempre dos nossos milhares de bons momentos e do nosso companheirismo musical.” John McLaughlin armou em seu Twitter: “Existe um buraco no meu coracao, onde Paco mora. Ele nos deixou, mas ainda vive em nossos coracoes e mentes.”

OBRA INCONTESTAVEL A0 longo dos anos 1980 e 90, Paco de Lucia tornou-se estrela intemacional, com reconhecimento da midia e dos msicos. Isso se deve, em grande parte, a qualidade dos discos lancados pelo violonista. Live... One Summer Night (1984) mostra 0

msico em plena forma. Ele toca com seu sexteto e explora ao maximo as possibilidades do violio. Paco estava em uma fase de amadurecimento técnico e artistico. Os elementos de outros estilos, principalmente o jazz, que ele incorporou ao seu estilo de tocar violio ampliou ainda mais seu vocabulario. Mesmo assim, costumava dizer que nunca perderia suas raizes musicais, pois, se as perdesse, deixaria de ser ele mesmo. O que gostava de fazer era trazer novas sonoridades para serem inseridas no amenco. Prova do seu fascinio e devocao as suas origens esté no disco Siroco (1987), em que Paco de Lucia, de forma brilhante, retorna ao amenco pu1'0. Diferentemente de outros trabalhos, ele preferiu usar seu violao acompanhado apenas de percussio, mostrando que o coracio amenco ainda pulsava forte. Todas as msicas de Siroco foram compostas por Paco. Outro trabalho que merece clestaque é Concierto de Aranjuez (1993), no qual Paco interpreta o concerto para violio escrito em 1939 por Joaquin Rodrigo. Nessa versao, Paco de Lucia é acompanhado


pela Orquestra de Cadaqués. A carreira do violonista também é marcada por participacoes em trabalhos de outros artistas. Além do meio instrumental, onde era um dos grandes nomes, ele emprestou seu fraseado amenco a msica pop. Alejandro Sanz e Bryan Adams convidaram Paco para gravar em seus trabalhos, apresentando a msica do instrumentista espanhol também as novas geracoes. Talvez o maior sucesso comercial com aparticipaco de Paco de Lucia seja Have You Ever Really Loved a Woman, de Bryan Adams, tema do filme Don Iuan deMarco (1995), estrelado por Johnny Depp. No videoclipe da cancao, Paco é um dos protagonistas e toca violéo junto com Adams. Mesmo em uma producio hollywoodiana, sujeita a indstria pop de entretenimento, 0 violonista nao perdeu sua esséncia e personalidade artistica. A partir da segunda metade da década de 1990, Paco diminuiu a frequéncia com que lancou discos, mas, ainda assim, dois élbuns sio dignos de uma audicio mais atenta: Luzia (1998) e Cositas Buenas (2004). Mesmo com uma queda na producao autoral, Paco de Lucia seguiu gravando com outros artistas e teve seu catalogo de élbuns classicos relancado, 0 que permite para os novos fas conhecerem a fundo a obra do violonista que, com sua técnica e carisma inigualaveis, difundiu o amenco pelo planeta.

RELAQAO COM O BRASIL Nos anos 1970, Paco de Lucia revelou-se admirador e pesquisador da msica brasileira. Elementos de bossa nova e choro forarn incorporados ao seu modo de tocar ao longo dos anos. Dentre os trabalhos de outros artistas para os quais contribuiu, Paco esteve presente em discos de Djavan, Raimundo Fagnere Raphael Rabello. O primeiro trabalho em que o violonista aparece dentro da MPB é Sorriso Nova, de Fagner, lancado em 1982. Ele voltaria a gravar corn Fagner naquele mesmo ano, no album Homenagem a Picasso, que traz também Mercedes Sosa e Rafael Alberti. A parceria com Djavan aconteceu em 1989, quando Paco gravou no disco Djavan. O belissimo solo de violao da xnsica Oceano foi registraclo pelo violonista espanhol. “O Mazzola, que produziuotrabalho junto comigo, estava envolvido navinda do Paco para 0 Brasil. Se

nio me engano,

faria alguns shows por aqui. Ento, surgiu a ideia de convida-lo para participar. Ele aceitou e fomos ao estdio", conta Djavan. “Chegando la, aconteceu uma situacao engracada. Colocamos a msica para 0 Paco ouvir e, no nal, ele me disse: ‘Djavan, sua cancio tem muita harmonia, nio sei se conseguirei tocar, pois so sei trés acordes’ [risos]. Eu respondi: ‘Paco, entao vai tocando esses seus trés acordes...’ No nal das contas, ele foi tocando e sentindo a mi’1sica Arrasou no violao com pericia e categoria incriveis. Ele era espetacular. Gravamos

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Em depoimento exclusivo para Guitar Player Brasil, john McLaughlin demonstra seu carinho e amizade por Paco de Lucia.

“Paco era um homem de verdade conslgo, com sua mslca e com os outros. Um

homem que tlnha verdadelra compalxéo e profunda compreensao da condlgao

humana. Tudo lsso fol revelado em sua mslca e em sua forma maravllhosa de tocar vlolao. Ter tldo a chance de trabalhar com Paco e ter felto mslca com ele sao algumas das malores béngaos da mlnha vlda. Dlzer que vou sentlr falta dele chega a ser uma redundancla. No lugar onde Paco vlvia ern rneu coracéo, hé agora um vazlo, que val car comlgo até eu me luntar a ele".

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PACO DE LUCIA tudo o que ele tocou e incluimos no solo e em algumas nuancas de Oceano”. Em 1992, Paco de Lucia tocou no disco Todos os Tons, de Raphael Rabello. Ele aparece na versao de Samba do Aviao, de Tom Jobim, em uma verdadeira aula de violao. Infelizmente, esta seria sua ltima participacio em um disco de musica brasileira. Assim como a musica bI‘2.Si1€iI‘3. inuenciou 0 trabalho de Paco de Lucia, ele também inspirou muita genre no Brasil. O violonista Custédio Ribeiro é um estudioso da obra do violonista espanhol e aluno de Ruben Diaz, discipulo e amigo pessoal de Paco. “Maestro Ruben Diaz é um eximio discipulo”, arma Ribeiro, “pois nio somente estudou todo o repertério e executa todas as pecas do Paco, mas também se aprofundou na técnica de maneira precisa e impecavel, assimilando corn exatido os detaaes mais complexos da mao direita e esquerda, 0 raciocinio de improvisacao para violao contemporaneo e as formas de estruturacao para compor”. Ribeiro salienta que o mais curioso é o fato de Paco nio ter sido um grande conhecedor de teoria musical: “O incrivel é que ele nio sabia ler msica nem os nomes dos acordes e nio conhecia os principios teéricos da harmonia, improvisacao e composicao musical. Talvez nem estivesse totalmente ciente de sua gigante contribuicio para 0 cenario musical, pois era um homem de on'gem muito humilde." Um detalhe revelado pelo violonista brasileiro é que Ruben atua como um dos consultores da marca de violoes Andalusian Guitars, criada a partir de uma ideia de instrumentos pensados por Paco. Mesmo assim, 0 génio espanhol seguiu el ao seu violo fabricado por Faustino Conde. Assim como Ribeiro, musicos do mundo todo dedicam horas diérias de estudo para aprender técnicas similares as de Paco de Lucia Seu imenso talento o levou da pequena Algeciras para os principais tearros do mund.Adi o ssemmacao ' a cu tura amenca pelo planeta tem um capitulo imporrame cha.mado Paco de Lucia Portanto, nunca é exagero usar 0 cliché de que seu legado permaneceré vivo por muitas geracoes de violonistas. -I

No nal

de 2013, Paco de Lucia realizou uma pequena turné pelo Brasil. Grande nome do violrio, 0 gaiicho Daniel Sri teve a oportunidade de conhecer 0 instrumentista espanhol. Ele falou a Guitar Player Brasil sabre esse enconrro e a inuéncia de Paco em seu modo de tocar.

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“Ao contrarlo de Baden Powell ou Raphael Rabello, que nos, no Brasll. vfamos a todo mornento na TV e tentavamos lmltar. Paco flcou multos anos povoando o imaginarlo dos vlolonlstas, até aparecerem os pr!melros vfdeos, que mataram nossa curiosidade. Perdl as contas de quantas vezes escutel Friday Night In San Francisco. Lembro com multo carlnho dessa época em que eu passava dlas e noltes colado no violao. Paco sempre fol uma referéncla de vlrtuoslsmo, mas reduzl-lo a lsso serla dlmlnulr muito sua arte. Ele teve domfnio total do lnstrumento. Fol um artlsta auténtlco e carismatlco, que soube fazer as escolhas corretas e conduzlu sua carreira até o topo da plramlde, onde ha lugar para poucos. Tive o prlvlléglo de estar um pouco com ele, em Porto Alegre, apos o concerto que reallzou em novembro de 2013. Paco parecla um pouco cansado de tantas vlagens e reclamou de dores nas costas. Dlsse que a coluna estava lhe matan~ do nos Ultlmos tempos, mas mostrou—se bem-humorado. Fez brlncadelras com a velhlce e perguntou que tlpo de mlirslca eu tocava. Perguntou também se o som do vlolao estava bom para 0 publlco e comentou que sempre saia dos shows pensando que poderla ter felto melhor. Mas quem asslstiu ao concerto pode comprovar que os dedos estavam em plena forma e que ele poderla tocar por mals cem anos."

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MURILO ROMANO INCOMPARAVEL. ESTEEUM 61'lMOAD.IE‘l'lvo para denir um dos guitarristas mais gravados da historia da musica. Brent Mason é sinonimo de prossionalismo e qualidade, caracteristicas que fazem dele um requisitado musico de estudio. Embora tenha consolidado sua reputacéio no country, ele domina com maestria diversos outros estilos, como rock, funk, blues e até mesmo jazz, como mostrou ao mundo em 2006, com o lancamento do CD Smokin’ Section. Ao lado de seu irmic Randy, que tocou bateria e algumas bases de guitarra e violao, Brent mostra uéncia e intimidade com 0 jazz, destilando seu veneno em fraseados de bebop e harmonias muito bem construidas. Quando 0 assunto é guitarra country, Mason dispensa apresentacoes e é referéncia em todos os aspectos, seja timbre, fraseado, técnica ou feeling. E muito comum ouvir guitarristas tocando ala Brent Mason em todos os cantos do mundo, principalmente depois do aclamado disco Hot Wired, lancado em 1997. Em 1999, saiu o album do supergrupo The Players, formado por Mason, Michael Rhodes (baixo), John Hobbs (teclados), Paul Franklin (steel guitar) e Eddie Bayers (bateria). Neste trabalho, Mason também canta em algumas faixas. Em uma carreira com mais de 25 anos, 0 guitarrista jé ganhou inumeros prémios, como 0 Grammy e o CMA (Country Music Association), e foi diversas vezes eleito guitarrista do ano pela ACM (Academy of Country Music). Em entrevista para Guitar Player Brasil, ele fala sobre seus equipamentos, revela experiéncias de sua carreira e da dicas valiosas.

Compus a maioria das musicas de Hot Wired em um mes, apos ter assinado contrato com a gravadora Mercury Records, de Nashville. Eu ja tinha um esboco de algumas composicoes. Outras eram apenas ideias. Para nalizar algumas delas, convidei outros compositores para trabalhar comigo e terminei as dernais sozinho. O disco foi gravado ao vivo em varios estudios na cidade de Nashville. John Kelton foi coprodutor e engenheiro de estudio. As primeiras faixas foram registradas no estudio Sound Emporium e a musica Gator Bite foi registrada no estdio do baterista Lonnie Wilson. Em diversas canc6es, gravei solos em overdub apenas para experimentar diferentes amplicadores e timbres. Quando ouvi a faixa Hot Wired depois da sesséio, tive a sensacio de que gravamos muito lento. John e eu acabamos usando um VSO [oscilador de velocidade varidvel] para deixa-la mais rapida. Mas lembre-se de que isso foi antes da gravacao digital — hoje, acelerar uma pista e manté-la na mesma tonalidade é algo feito sem qualquer problema. Naquela época, era totalmente analégico! A cancao foi originalmente gravada em A, mas, depois disso, tive de regravar todas as minhas partes em Bb. O élbum $mokIn’SectIon é mals focado no lazz do que na muslca country. Por qué? Fol algo planelado ou aconteceu naturalmente quando vocé e seu lrmio comeca-

O mundo da muslca mudou bastante nos ltlmos anos. Como vocé vé o mercado nos dlas atuals e o que tem felto para se adapter a essa nova realldade? O negécio da musica mudou muito, é verdade. Ha menos sess6es e os orcamentos para gravacoes so mais baixos. A tecnologia avancou a tal ponto que podemos gravar nossas partes em um computador e enviar os arquivos para qualquer lugar do mundo. Além disso, por meio de redes sociais e sites, é facil para o artista vender sua prépria musica. Essa é uma vantagem para as novas geracées, e é isso 0 que venho fazendo — ampliando minha visao, me adaptando, vendendo meus trabalhos dessa forma e ministrando clinicas selecionadas, pois minha agenda é bem cheia. Ainda considero meu trabalho como musico de estudio 0 meu principal ganha-pao. Seu prlmelro élbum solo, Hot Wlred, fol lancado em 1997. Em 2006, salu Smokln’ Section, que vocé gravou com seu lrmo Randy. Por que tanto tempo sem lancer um novo trabalho solo? Estou trabalhando para fazer um novo CD e tenho algumas ideias no fomo para este ano. So nao posso ser mais especico porque ainda estou estudanclo algumas opcoes. O longo espaco de tempo entre Hot Wired e Smokin’ Section foi devido ao meu trabalho como musico de estudio. Sou muito ocupado com minhas sess6es e é sempre assim. Casa de ferreiro, espeto de pau [risos]. E dificil arranjar tempo para meus préprios projetos. Jé faz um bom tempo que Hot Wired fol lancado, mas poderla dlzer como escreveu ascangoesecomo foloprocesso de grava-

ramatocarluntos? Meu innao Randy e eu somos amantes de jazz e sempre tocavarnos juntos quando criancas. Ouviamos Chick Corea, Oscar Peterson, Phil Woods, George Benson e Buddy Rich. Crescemos em um ambien-

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BRENT MASON te de msica country, mas havia também msicos inuenciados pelo jazz, como Buddy Emmons, Leon Rhodes, Roy Nichols, Bob Wills e os Texas Playboys, que tocavarn um estilo chamado Texas swing. Smokin’ Section foi um tributo a miisica que ouvimos e admiramos. Uma fusio de todas as coisas boas. Criarnos a maioria das cancoes no estdio. Tudo foi gravado de forma simples, sem muitos overdubs ou edicoes, portanto, se alguém encontrar algo “estranho", peco desculpas [risos]. Qualssoseus estllos muslcalseartlstas favorltos e o que tem ouvldo ultlmamente? Sempre ouvi diferentes estilos musicais. Meus guitarristas e artistas favoritos sio George Benson, Jerry Reed, Pat Martino, Jeff Beck, Roy Nichols, Albert Lee, James Burton, Larry Carlton, Jimi Hendrix, Buddy Emmons, Stevie Wonder, Marvin Gaye, Merle Haggard, Beatles, James Taylor, Donald Fagen e Ray Charles. Ainda ouco os mesmos artistas nos dias de hoje. E dicil achar algo melhor, nio é? [risos] Sobreodlsco do grupoThe Players,como foram escrltu as mslcas? Fol baseado em lam sessions ou cada um compos suas pr6prlas canges e mostrou para os outros? O album dos Players foi feito, em sua maior parte, por um esforco colaborativo. Todos nos reunimos e comecamos a tocar, colocando em pratica as ideias. Foi assim que criamos as cancoes. As poucas musicas que contam com vocais foram compostas individualmente. Quem cantou a miisica foi quem escreveu a msica, mas, mesmo nessas faixas, os arranjos foram feitos por todos nos. Planelam gravar um novo élbum? Sempre conversamos sobre gravar novamente em breve, mas é muito dicil reunir todos ao mesmo tempo no mesmo estudio, porque todos estamos sempre muito ocupados fazendo outras coisas. Por outro lado, sempre tocamos em um local aqui em Nashville chamado Third and Lindsley. Vocé é urn excelente cantor, como demonstram algumas das cangoes dos Players, especlalmente Lucky Man. Jé pensou em gravar um CD somente com rn6sIcas cantadas? N50 planejo fazer um album todo com vocais, mas, em meus préximos discos, provavelmente havera uma musica cantada. Adoro cantar. Sempre fui inspirado por grandes cantores e compositores e gosto muito de escrever cancoes. Mesmo em instmmentais, a composicao, a me-

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lodia e a estrutura sio os elementos que formam uma grande mtisica. Vocé jé trabalhou com a malorla das grandes estrelas da mslca. Qual fol o artlsta, mslco ou produtor com quem vocé mals aprendeu ou cou surpreso em relagin é manelra como ele llda com a mslca? Dificil escolher. 55.0 muitos momentos e grandes histérias. Lembro-me de um show com Ray Charles. Ele estava sentado a minha frente e estévarnos tocando algims blues na passagem de som. Ele parou no meio da msica e me disse: “Cara, adoro como vocé toca essa guitarra!" Aquilo fez

a minha noite! Poderia ir para casa sorrindo naquele momento. Quanto a produtores, quei impressionado com Robert “Mutt” Lange quando gravel élbuns da Shania Twain. Seus métodos sio muito diferentes do nonnal. Ele tem todas as partes de todos os instrumentos em sua cabeca e nunca se esquece de nada durante 0 processo. Lange nio escreve nenhuma partitura, mas mantém todas essas infonnacoes na mente e é muito meticuloso sobre todas as nuancas de cada nota tocada. Impressionante! Lembro-me também de quando, anos aués, trabalhei com outro grande produtor, o sau-


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BRENT MASON

equalizador Boss GE-7, que é sempre til. De vez em quando, uso um efeito de Leslie, phaser, Octavia, Univibe ou wah. Vocé costumava usar uma pedalelra bem malor alguns anos atrés. Por que mudou? E verdade, eu costumava utilizar uma pedaleira bem grande, que perdi na inundacio que ocorreu em Nashville no inicio de maio de 2010. A partir daquele momen~ to, montei algumas pedaleiras pequenas, pols niio gosto desses pedalboards de alta tecnologia, que sio todos vedados e protegidos por baixo. Em algum momento, um ou dois cabos que estao la dentro vio dar algum problema e nio vou conseguir mexer. Gosto de saber onde tudo esta para que eu possa consertar, caso necessario. E por isso que eu mesmo venho fazendo minhas pedaleiras. Quanto menos pecas, menos coisas para dar problema. Como desenvolveu a técnlca de tocar com dedelras? E uma das caracterfstlcas marcantes do seu estllo. Sempre tocou dessa forma? Meu pai costumava tocar com técnica de polegar e dedo 1, no estilo de Merle

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Travis. Aprendi essa abordagem com ele. Com o passar do tempo, fui modicando um pouco, principalmente depois de ouvir Jerry Reed e Chet Atkins. Realmente, isso se tornou uma das minhas caracteris~ ticas mais marcantes. Como fol sua formagéo musical? Teve aulas de gultarra? N50 tive treinamento formal de msica. Comeceiadescobrir acordeseharmonia sozinho, aos 14 ou 15 anos. Depois, comprei um livro de Sal Salvador, com o qual aprendi os nomes dos acordes.Amaioria do meu aprendizado foi dissecando escalas e licks de Pat Martino, George Benson ejoe Pass. Assim, fui percebendo e entendendo quais escalas combinavam com quais acordes. Para tirar frases crométicas, eu cava indo e voltando a ta, tentando descobrir onde as cordas soltas eram aplicadas nos licks de Jerry Reed e Chet Atkins. Para aprender bends, eu escutava guitarristas de countrye rock, como James Burton, Roy Nichols, Jeff Beck, Larry Carlton ejimi Hendrix. Conhece algum artlsta brasllelro?

Recentemente, z

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alguns trabalhos

com um produtor brasileiro que mora aqui em Nashville, chamado Alberto Vaz. Também gravei em um album de Chitiozinho e Xororé na década de 1990. Além disso, gravei as guitarras do CD da cantora Patricia Romania [Sentimento]. Gosto de tocar ritmos brasileiros e latinos, mas ra.ramente consigo fazer isso em Nashville. Jé velo ao Brasll alguma vez? Ainda néio tive a oportunidade e 0 prazer de visitar 0 Brasil. Adoraria tocar nesse belo pais. Ia me disseram que tenho fis brasileiros e agradeco por gostarem do meu jeito de tocar guitarra. Talvez eu tenha a chance de, em breve, agradecé-los pessoalmente.

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RICARDO VITAL FOTOS: VLADIMIR FERNANDES NUNO MINDELIS NASCEU EM ANGOLA.

morou no Canada e, por m, radicou-se no Brasil, em uma trajetoria longa e tortuosa, mas pontilhada por grandes alegrias. Durante a infancia, ainda em Angola, cou maravilhado pela msica, mas 0 dinheiro de seus pais era curto para comprar um violao de presente para uma crianca tao nova, especialmente pela incerteza daquele interesse ser real ou uma empolgaco

infantil efémera. A solucao do pequeno Nuno foi construir seus primeiros instrumentos com latas velhas, madeiras e arames. Ele passava horas brincando de descobrir notas e sonoridades. Aos nove anos, nalmente ganhou um violio de verdade e iniciou seu aprendizado, dicultado pela auséncia de professores e métodos especicos parao instrumento. Muito tempo depois, quando veio ao Brasil, trabalhou em areas nio relacionadas a musica, como em uma grande agéncia de aviacao, para pagar as contas caso a musica no desse resultado. Mas o reconhecimento chegou. Em 1994, j é tendo lancado dois discos, Blues 6’ Derivados (1990) e Long Distance Blues (1992), Mindelis recebeu destaque na GP americana, sendo muito elogiado pelo entio editor da revista, Jas Obrecht. Em 1996, lancou 0 sensacional e ja classico Texas Bound, no qual foi acompa-

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nhado pela cozinha da Double Trouble, banda de Stevie Ray Vaughan, formada por Tommy Shannon (baixo) e Chris Layton (bateria). Em 1998, a consagracio internacional veio em denitivo ao receber 0 prémio de melhor guitarrista de blues no concurso de 30 anos do aniversario da GP EUA. Em 1999, lancou mais um disco ao lado da Double Trouble, Blues on the Outside. Outros otimos albuns vieram depois: Twelve Hours (2003), Outros Nunos (2005, cantado totalmente em portugués) e Free Blues (2010). Seu mais recente trabalho é o excepcional Angels 6? Clowns (2013), produzido pelo renomado guitarrista e compositor Duke Robillard. Em um descontraido bate-papo de duas horas de duracao, Mindelis contou a GP detalhes de seu inicio e desenvolvimento no instrumento, relembrou como a histéria acabou interferindo em sua vida particular, falou sobre as gravacoes de seu mais recente CD e deu preciosas dicas sobre como absorver a linguagem do blues. ParecequeAnge|s& Clowns esté sendo multo bem recebldo, tanto no Brasll como no exterior. Estio saindo resenhas incriveis sobre esse disco. Esta tocando em radios no Canada, Estados Unidos e Europa — ré-

dio sica mesmo, nao apenas na intemet. Houve otimas criticas em jornais, revistas e blogs. O que as pessoas estio dizendo é muito forte, porque americano nio é facil. A competicio é muito grande e 0 nivel é muito alto. Para vocé ser aplaudido por la, precisa suar sangue. Como anallsarla o novo dlseo em comparagio com seus trabalhos anterlores? E um album em que fui mais compositor — ou, pelo menos, um compositor mais democratico. Texas Bound tem boas faixas, das quais tenho muito orgulho, mas continua sendo musica instrumental, que pensa mais na guitarra e no riff de rock and roll. Em Angels 6* Clowns, pensei um pouco mais no todo. As composicoes sic mais abertas. Trabalhei as letras com carinho e o objetivo foi criar melodias que as pessoas em geral, nao apenas amantes de guitarra ou de blues, ouvissem e gostassem. E isso aconteceu, tanto é que a radio Eldorado saiu tocando uma miisica do disco, It’s All About Love. Radios no Sul também tem tocado Angels 6* Clowns. Portanto, é um disco maduro, que valoriza a melodia, mas sem abrir mio das guitarras. Ha até alguns solos épicos, como em 27th Day, Angels 6* Clowns, It's All About Love e Miss Louise. Fiquei orgulhoso também pelo fato de que esses solos nio tiveram nenhum overdub.


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NUNO MINDELIS

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Fale sobre a abordagem de gravar ao vlvo com banda. Minha ideia inicial era fazer as guirarras ritmicas e os solos depois, algo que nunca faco. Meus discos saem sempre muito “a0 vivo”, muito irnperfeitos, como Texas Bound. Pensei: “Vou fazer com mais calma e me dar 0 direito de gravar primeiro as bases e os solos depois”. Mas isso nio aconteceu. Na hora, solei como se estivesse tocando ao vivo, mesmo pen~

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sando em refazer depois. Até falei para 0 Duke [Robillard] e os engenheiros: “Agora vamos refazer os solos”. Eles responderam: “Refazer 0 qué? Senta aqui". E me zeram escutar o que estava gravado. N50 quiseram refazer nada [risos]. Ha falhas nos solos, que poderiam ser corrigidas com overdubs, mas nio mexemos em nada. Mas houve faixas em que gravei o solo depois, como Hellhond, Happy Guy e (Haw?) to Make Love Stay. Nesses casos,

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registrei a base ja deixando espaco de proposito, para solar depois. Em Hellhond, o proprio Duke faz um solo — no total, ele gravou duas bases e um solo. A faixa jazz Breakfast at Lakewest também foi de primeira. Na verdade, aquilo era um solo que um dos malucos da banda inventou em It’s Only a Dream. A msica parava e a gente fazia aquilo no meio. O Duke disse: ‘1Acho legal esse jazz, mas nao ai!" Na mixagem, ele retirou o jazz e colocou como faixa extra. Pode reparar que It’s Only a Dream nao tem solo, porque jazz Breakfast at Lakewest era pra ser seu solo. Como funclona seu processo de composlgio? Para mim, compor é muito dicil e cansativo. A recompensa vem quando consigo alguma coisa. De 30 horas de angstia, pode sair um riff, uma frase ou algo que possa indicar um caminho promissor, por mais microscépico que seja. Tem uma histéria muito graticante. Eu estava fazendo um disco em portugués, viajando em algo que tivesse uma assinatura propria, que rne identicasse — no era propriamente um album de blues. Eu estava feliz de ter descoberto essa trilha, mas, na época, eu tinha um compromisso com a gravadora de registrar um album nos Estados Unidos. Mesmo assim, preferi me dedicar ao trabalho em ponugués. Porém, no auge da minha felicidade por ter encontrado um caminho apos ang1'1stias sucessivas, veio o ultimato para eu estar nos EUA em um més para gravar 0 disco. Foi doloroso para mim, porque teria de interromper o processo. O pessoal americano achava que eu jé tinha as msicas prontas e eu precisava ser rapido, porque o Duke havia sido convidado para tocar com Bob Dylan em uma tumé de 130 shows. Se eu nao viajasse para os EUA, so em 2016... Fiquei bem mal. Minha mulher me ajudou, porque me deu uma dura: “Vai la para baixo, no estdio, e nao saia sem um disco pronto!” Eu dizia que nao iria conseguir, porque estava em outra direcao, outra dimensao. Fiquei desesperado, sem saber o que fazer, e nao tinha coragem de falar para eles. Entio, obedeci minha mulher e fui para o estiidio. Comecei a rever algumas letras que amigos compositores me mandaram,

como John Williamson, Mike Bowden e Stephen Barry. Nio sei por qué, mas produzo mais sobre pressio. Em frente ao computador, com 0 violo na rnio,


fui lendo os textos

e

criando. No come-

co, o Duke cou meio reticente, porque mandei coisas que tinha na gaveta e ele

no se empolgou. Porém, quando enviei It's All About Love, Angels <8’ Clowns e 27th Day, ele disse, entusiasmado, que eu estava compondo hinos do rock. Houve uma fase em que mandei uma canciio por dia e o Duke falou: “Vocé esta compondo torrencialmentel” Eu respondi: “Sei la 0 que esté acontecendo” [risos]. O Stephen Barry ainda fez uma letra especial sobre minha relacio conturbada com 0 blues, de amor e édio. Happy Guy meio que brinca com essa historia, de que minha cabeca é blues, por mais que eu nao queira. Qual a sua oplnlio sobre o resultado nal no Album? Uma das coisas que mais me deixam feliz é ser reconhecido também como compositor. O Duke falava que jé. sabia que eu era um guitarrista feroz, mas cou surpreso de ter recebido um grande compositor. Um elogio e tanto, ainda mais se rratando de um americano que trabalha com Bob Dylan, Tom Waits... Uma baita credibilidade. A mulher do Duke chegou para mim e disse: “Obrigado por nos dar essas cancées maravilhosas.” Estou muito feliz com Angels 65’ Clowns, porque consegui fazer nio apenas mais um disco de guitarrista ou de blues, mas, sim, uma obra que supera esses conceitos simples. Apos 40 anos com o blues em minha cabeca, é normal procurar outras direcoes. Que ampllflcadores vocé utlllzou? Comecei gravando com um Fender Blues Deluxe modicado, que pertence ao Duke. Tem um timbre incrivel. Mas ele cou com medo que eu arrebentasse 0 amp, porque usei uma Schecter Tele, que produzia um drive muito forte. Passamos para um Fender Twin dos anos 1960, que tinha um som animal. Usei dois microfones no amp — um deles era um Sennheiser monstmoso e o outro eu nio lembro qual foi. O som do disco é analogico, gravado em rolo. Eles conseguiram uma sonoridade espetacular. Quals foram as gultarras? Usei a Gibson SG 1972, mas a que mais toquei foi a Schecter Tele, que ganhei em 1998 no concurso de aniversério de 30 anos da GP americana. E’ uma guitarra muito boa, uma das melhores que ja passaram pela minha mao. Gravei praticamente o disco inteiro com essa Schecter, inclusive os solos. Ela foi bas-

tante elogiada por la. Tem single-coil e humbucker. Pode soar “Fender-Fender” ou “Gibson-Fender". Seu knob de volume tem push-pull para cancelamento de bobina. Muito versétil. Usei também uma Fender Telecaster 1967, que pertencia a um engenheiro de la. Em Happy Guy, deixei distrajdamente o

wah no agudo maximo e achei que 0 som dessa guitarra estava agudissimo. Para compensar, tirei todo o agudo dela e coloquei o méximo de grave. Assim, consegui chegar a um timbre normal. Acabei gravando a musica com o wah no méximo e a guitarra regulada para neutralizar o agndo. S6 depois percebi que o wah estava

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um solo bem saturado. Ali, usei o pedal de forma consciente, para obter mais saturacéio. No geral, aumento o volume do amp e consigo 0 drive da val-

ligado. Falei que queria regravar, mas eles responderam: “Nao. Esse tipo de acidente é o que a gente mais gosta.” Toquei ainda uma Strato branca, do Duke. Muito boa. Acho que jazz Breakfast at Lakewest foi feita com ela. Utlllzou algum pedal? Uso um overdrive feito pelo John Greene, que é um cara que mexe com computadores e curte eletronica, mas nao é fabricante de pedais. Gosto mais da distorco vinda apenas da vélvula, mas ha partes mais saturadas que foram gravadas com esse pedal. Além disso, o Duke ligou a guitarra a um pré-amp dele. Algumas faixas tém esse meu pedalzinho, 0 wah e o pré-amp. O melhor timbre é 0 da guitarra plugada direto no amp, sem nada no meio. A unica coisa autorizada é 0 wah, em minha opiniao. A nao ser que vocé queira um drive articial audivel. Miss

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Louise tem

vula “gemendo”. 0 dlsco em portugués sal alncla em 2014? E 0 que desejo. Uma boa soluciio para um cara como eu, fortemente inuenciado por blues e rock, fazer um trabalho

bem pessoal. Esta é a marca que a gente deve tentar alcangar na vida. Sei que eu vou ter de fazer mais discos como Angels £5’ Clowns, porque a gravadora nos EUA quer outros. Vou ter de encontrar tempo para fazer as duas coisas. Nao sei se comseguirei fazer o album em portugués ainda em 2014 so se houver outro ultimato da patroa: “Desce la e terminal” [risos]. Além disso, este ano acontece a turné canadense, que vai levar alguns meses e

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vai me tomar tempo. Enquanto n50 me pressionarem air para os EUA fazer outro disco, vou tentando terminar este. Quanta de técnlca é necessérlo para tocar blues? A técnica é so parte da historia, um pedacinho, uns 10%. Posso estar errado em relacao a porcentagem, mas vocé tem de passar da fase de aprendizagem e se tornar um musico prociente. Ouve-se todo dia a frase: ‘Ah, o cara so sabe tocar répido, prero tocar pouca nota". Isso é verdade e pode ser uma questo de gosto, mas isso nio pode camuar uma falta de prociéncia. O cara que é bom fazendo pouca nota sabe tocar muita nota também. Ento, o essenclal é domlnar a linguagem? No caso do blues, uma grande porcentagem corresponde a linguagem. No adianta nem o musico dizer que é uma fusio, porque, para fazer qualquer fusio, ele tem de saber muito bem as regras. Caso contrério, vira uma barca sonora que néio signica nada. Para vocé fazer fuso, tem de dominar o género que esté fundindo, saber as regras muito bem para poder quebra-las. Prociéncia bem aprendida é o comeeo da histéria. Depois, vocé rem de ser um compositor. Cadé os grandes discos? Cadé as grandes musicas? Vocé precisa cuidar dessa parte também. N50 adianta ser o cara que martela, que tem técnica, porque isso é so parte da histéria. Vocé deve fazer algo memorével, discos e musicas que cam para sempre. Vocé precisa ter um monte de qualidades e isso, de forma geral, leva bastante tempo. O que pode encurtar esse eamlnho? Exlste algum atalho? Tem uma coisa importante: a questo de vocé ser arrebatado por um determinado género ainda em uma tenra idade, quando vocé é bem novo e esté vulneravel aquela informacio. Por que 0 blues no Brasil esté melhor hoje em dia? Quando houve o boom desse género por aqui, nos anos 1980, as crianeas ouviram esse estilo. Garotos de nove ou dez anos iam a meus shows. Naquela época, eu ja falava que aquele pessoal que pegou o blues no berco vai fazer o negécio mais bem feito. Pode colocar 0 Igor Prado nessa lista. Lembro que 0 Igor, certo dia, chegou para mim e disse que havia decorado um dos meus discos inteiro. Ele tocou na minha frente amiisica Hugs, que nio é nada sim-


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ples, um lance intrincado. Falei: “Vocé esta tocando melhor do que eu!”, porque eu jé nio tocava mais aquilo [risos]. Ele era muito novinho. Ouvir desde crianca é uma condicao. vocé nio teve professores ou amigos mals velhos que tenham te enslnadoatlrar as mslcas? N50, e me ressenti muito disso. Eu procurava, desesperadamente, alguém que pudesse me ensinar 0 que eu queria aprender. Eu encontrava apenas professores de piano classico. Para entender o lance, eu tirava as coisas do disco, 0 que nao era nada simples. Assim, fui decifrando clichés e técnicas que guitarristas usam, como bends, por exemplo. Eu diminuia a rotacao dos discos para tirar de ouvido. ao avia eos, nao avia nada e, p1or ' ainda, Angola vivia uma ditadura. Filmes como Woodstock eram proibidos e nao

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passavarn no cinema. Quando encontrava um cara que tocava rock em alguma banda de baile, eu pedia para me passar um acorde. Lembro-rne de aprender ligados com o guitarrista de uma dessas bandas.

Conhecer ligados aumentou muito as minhas possibilidades técnicas, mas foi dureza. Aprendi teoria fundamental — fusa, semifusa, compasso, solfejo e essas coisas na escola, mas eu queria mais do que isso. Queria ir ao cerne da msica que me interessava. Improvisacio, tive de fucar sozinho. Rock, blues e derivados, é possivel aprender sozinho. Jazz e MPB so mais complicados, é preciso formalizar um pouco mais 0 estudo. Vocé tlnha acesso a publlcagoes especlallzadas? ' " viajava a lugaAs vezes, mlnha mae res préximos de Luanda, como Africa do Sul. Certa vez, ela trouxe para mim um

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dicionario de acordes que continha todos os acordes possiveis e imaginaveis. Eu estava com uns 13 ou 14 anos e aquilo me a'udou, mas era até com lexo demais. Era ara a render acordes, mas nao ara forma-los. N50 explicava que uma triade basica tinha a tonica, a terca e a quinta. Era um livro gringo. Mas, fazendo um parenteses, eu perdi tudo aos 17 anos. A Fiquei com a roupa do corpo. O que aconteceu?

Houve uma guerra civil sangrenta em Angola. Os portugueses sairam do pais e 0 deixara.m na mao de vérios exércitos rivais. Foi um conito monstruoso. Doeu muito perder tudo. Isso inclui 2.000 LPs originais da Chess e da Stack, verdadeiros tesouros. Uma das coisas mais importantes do mundo para mim, hoje, seria poder olhar para tudo que perdi e falarz “Nao me lembrava disso aquil”, como aconteceu com este dicionério de acordes, do qual acabei de me lembrar. Além desse livro, acho que havia alguns outros, que traziam musiquinhas caretas, mas os acordes e conceitos basicos estavam la. Lembra-se de qual nlvel alcangou na gultarra quando alnda morava em Angola? Na época, eu estava cleslanchando no aprendizado e chegando a algum lugar, conseguindo deixar o sorn mais consistente e sendo convidado para gravacoes. Ganhei meu primeiro cache aos 14 anos, para um disco de gravadora grande, multinacional. O produtor me mandou chamar na escola e fui gravar com uma guitarra baratinha em um grupo de msica africana. A descolonizacao foi um negocio desastroso feito pelos portugueses e a gente foi obrigado a sair. N50 havia mais condi<;6es de car ali um lugar com mortes, sangue, falta de agua, de luz e de alimento. Havia colera, entao vocé tinha de passar em fogo vivo tudo que punha na boca. Eu tinha de acender um fogio e passar uma maca nas chamas para comer. A mesma coisa com o pio. Comecou a aparecer peste bubonica, por causa de cadaveres niio sepultados no tempo correto. E havia tiros e morteiros. Nada mais natural que os pais quisessem os lhos fora dali. Meu pai colocou a mim, minha mae e meu irmao fora de Angola e cou la, tentando organizar a saida e salvar nossas coisas. Em um primeiro passo, ll para 0

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Canada, ern 1975. Como retomou arelago comagultarra? Minha mae prometeu que me daria


NUNO MINDELIS *h“I)’§_R A

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uma Gibson caso eu passasse no exame do ultimo ano de ginasio. Com a guerra, acabou aquela histéria de Gibson, mas aquilo nio me saia da cabeca. No Canada, comecei a trabalhar em uma fabrica de camisas. Eu varria o lugar, carregava rolos de tecido, era ofce-boy, enm, uma espécie de faz-tudo. Com a grana de trés meses de trabalho, comprei a Gibson, que esta comigo até hoje. Tenho até o documento de compra e 0 manual original. Por que foram para o canadé? Minha familia vem de refugiados da Segunda Guerra. O lado da minha mae é todo de poloneses e ucranianos. Parte da familia foi para Portugal e a outra foi para os EUA e Canada. Encontrei varios primos no Canada e um deles era musico, de uma banda que chegou a ser bastante inuente em Montreal. Era a Albert Sabin Band, considerada a melhor de blues e rock na cidade. Este meu primo jé mandava discos para mim em Luanda. Quando eu tinha nove anos, ele enviou um single do B.B. King e disse: “Nuno, presta atencao nesse cara, porque ele é promissor" [risos]. O lado A era uma msica que jamais vou esquecer, chamada You and Me, e 0 lado B era So Excited. Quando cheguei la, a gente se encontrou. Fiquei mais ou menos urn ano no Canada. Continuei tocando quando podia. Volta e meia rolavam canjas. Meu primo chamava alguns amigos e cavamos tocando Eric Clapton e Blues Breakers e coisas desse tipo. Aproveitei para ver de perto tudo que ouvia em Angola. Nao lembro se era 0 Rainbow ou o Deep Purple, mas assisti ao Ritchie Blackmore. Vi Willy Dixon com Roy Buchanan, no Café Campus, em Montreal, com uma banda original da Chess. Era aquela turma toda que tocava corn Muddy Waters, Howlin’ Wolf e o proprio Willy Dixon. Foi magico. Eu chorava quase sem controle. Tinha 17 anos e os caras estavam la, na minha frente. De brinde, com Roy Buchanan na guitarra, o nico branco no palco, empunhando uma SG cereja. Meu primo falouz “Presta atencao nesse guitarrista." E era um lugar menor que 0 Bourbon Street. Assisti a shows de todos os artistas que vocé possa imaginar. Vi Gentle Giant ejethro 11111 no auge da carreira... Comoaconteceuamudangaparaomasll? Meu pai ainda estava em Angola e a gente nao sabia muito bem o que estava acontecendo. Nao havia telefone em Lu-

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anda e a comunicacao era complicada. De vez em quando, a gente conseguia saber que meu pai estava encaixotando as coisas da casa para poder sair de Angola. Depois, chegou a noticia de que a gente perdeu tudo, porque, apesar de ele ter conseguido encaixotar e guardar a1gumas coisas, o porto foi saqueado. Meu pai saiu de Luanda e foi para o Rio de Janeiro, onde minha mae ia encontra-lo. Fui com ela. Fiquei trés meses no Rio e depois vim para S50 Paulo. Cheguei ao Rio com a Les Paul e um pouco mais de roupa do que quando fui para 0 Canada. Quando sai de Angola, eu nao tinha nada, a nao ser um bottleneck que decidi levar. Foi dado a mim por um fa ainda em Luanda, um menino que andava atras de mim e me tinha como idolo da guitarra. Ele achou um tubo de metal em uma obra e falouz

“Nuno, seu bottleneck". Pus aquilo no e tenho até hoje.

bolso

Delxe um conselho para quem desela desenvolverallnguagem do blues nagultarra. Copie muito. Nao é errado copiar quando vocé esta em fase de aprendizado. Existe essa historia de dizerem que copiar nao esta com nada, que temos de criar nosso préprio lance. F. verdade, mas desde que vocé ja saiba tocar. Se vocé nao sabe, tem de copiar quem sabe. A logica é simples: para copiar igualzinho uma frase inteira do SRV, por exemplo, vocé precisa se apropriar da técnica que ele usou, e isso ja faz vocé aprender muito. Se vocé transpuser para a guitarra um fraseado de sax do Charlie Parker, ganhara' dez anos de técnica no tempo que levou para estudar isso, que pode ser, digamos, uns seis meses. Copiar nota por nota é uma receita que recomendo muito aos estudantes. Mas nio tenha pressa nesse processo, porque vocé pode acabar copiando errado porque encontrou urn jeito mais facil. Nao! Para, volta e copia igualzinho, nota por nota. I-Ioje em dia é até facil, pois ha videos e tudo mais. Se no meu tempo eu tivesse essas coisas, seria um baita atalho. Levei anos decifrando na cabecada... $1


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Ion Gomm

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RICARDO VITAL TALVEZ VOCENLOESTEIA FAMILIARIZADO

limpo. Para executar todas

com a msica de Jon Gomm, mas 0 vio~ lonista inglés esteve recentemente nas paginas da GP Brasil, em matéria sobre tecnologia publicada na edicio de janeiro/2014, na qual ele comentou sobre seu equipamento. Além disso, um de seus videos no YouTube, com a cancao Passi0nower, alcancou a incrivel marca de mais de cinco milhoes de visualizacoes. Se vocé ainda nao conhece 0 som desse msico, vale a pena assistir a esse video. E talvez vocé até tenha a chance de conferir Jon de perto, porque, em abril, ele realiza uma série de shows no pais. Gomm faz parte de uma leva de violonistas que esta subvertendo as regras do instrumento e, assim, obtendo sonoridades surpreendentes, como comprovam seus trés élbuns solo, Hypertension (2003), Don't Panic (2009) e Secrets Nobody Keeps (2013). Entretanto, ele nio se deixa enganar por truques técnicos e faz questio de que sua musica seja boa de escutar, mesmo que o ouvinte nao veja os malabarismos que suas mios realizam no violiio. Na entrevista a seguir, Gomm fala sobre sua técnica inusitada, suas principais inuéncias, 0 mundo virtual e 0 papel do msico independente.

violio, levo algumas semanas. Os vocais sio adicionados posteriormente. Mandei

ComoSeaetsNobodyKeeps fol gravado? Registrei tudo no estdio em meu quarto. Usei os captadores internos do meu violao, alguns pedais de efeito e dois microfones Line Audio CM3, que sao feitos a mic por um cara na Suécia. O som de violfio ocupa sete canais de audio, com todos os diferentes microfones e captadores. O equipamento mais importante que tenho sic algumas grandes telas acsticas dobraveis, nas quais posso car dentro, como uma cabine.E1as melhoram drasticamente a acstica do quarto. O processo de gravacao é bem répido, porque faco tudo em um unico take. Pratico uma cancio até meus dedos carem doloridos e, depois, tento conseguir um take

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as partes de

as faixas de audio para um produtor chamado Whiskas e 0 deixei fazer o que quisesse com 0 som, exceto adicionar mais instrumentos. Ele foi bastante sutil na major parte do tempo, mas ha alguns momentos com um reverb enorme e épico, inseridos pelo Whiskas. Ele é um mestre. VocéfezumabelaversodeMessageIna Bot1le.Teve alguma preocupaqoespeclca ao crlar um arranlo para um hlt radlofonlco? Adoro a versiio original do Police, uma banda incrivel. Para mim, esta cancio é triste e aterrorizante — sua letra é sobre pura solidao. Deixei a cancao mais melancolica e intensa, para combinar com a letra e melodia. Algumas das minhas vers6es soam parecidas com a original. Em Ain't Nobody, toco vérios elementos da gravacao original, porque fazer aquilo em um vio150 é muito divertido. Mas, as vezes, quero levar a cancio para um lugar totalmente novo, como é o caso de Message in a Bottle. uma das Instrumentals, Dance of the Last Rhlnqédedlcadaaovlolonlsta Thomas Leeb. Por qué? Como surglu esse tftulo‘? Compus a cancao para tocar na Africa do Sul, onde estio tentando preservar a populacio de rinocerontes e protegé-la dos cacadores. A forma como toquei violo foi inspirada no estilo de Thomas Leeb. Ele é um dos meus melhores amigos e essa é uma homenagem ao seu violao genial. Vamos falar sobre sua forma de compor. Vocé declarou que gosta de comegar com uma letra ou algumas palavras e tenta traduzl-la em mslca, buscando o estllo e cllma que mals comblnem com ela. Eu poderia pensar: “Que coisa legal posso fazer no violo? Talvez alguns slaps com harmonicos invertidos e tapping de oito dedos?” Isso nio é arte, é esporce. Em vez disso, comeco com 0 signicado. Penso no assunto sobre 0 qual eu gostaria de escrever uma cancio. No momento, estou compondo uma musica sobre The X Factor

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JON GOMM

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S50 tarraxas Keith Tuners para banjo, feitas por Bill Keith. Foram desenvolvidas por ele e Earl Scruggs especialmente para truques de anaeio como os que faqo. Esses truques so muito divertidos Adoro 0 modo como posso executar bends em harmonicos como eu costumava fazer na guitarra elétrica com o pedal Whammy — aquele tipo de som no qual Jeff Beck é um mestre. Um som etéreo, bonito, nada parecido com uma nota comum de guitarra. Vocé escreveu em seu Facebook sobre as pessoas carem surpresas com seu trabalho percusslvo no corpo do vlolao, que vocé consldera um klt de baterla.Fale sobre essa concepgao. Sim, o violio é uma bateria. Desde 0 inicio da guitarra espanhola ou do violao de cordas de ago difundido pelo blues, nos Estados Unidos, as pessoas usaram o vio150 para percussio. Ambos os estilos eram para danqar, mas nio havia bateria na msica. Portanto, bater no violao era um modo legal de produzir um ritmo para danear. E

ou Britain's Got Talent esses programas de talentos na televisao — e como eles me fazem sentir. Pode até soar urn tema bobo, mas a cangio esta saindo bastante emocional — é importante para mim falar sobre 0 modo como esses programas criam sonhos para criangas e depois os destroem. Quando tenho urn signicado para uma caneio, encontro a letra e 0 inicio de uma melodia. Depois, penso sobre o tipo de clima para a msica Rapido? Lento? Blues? Pop? Comojeff Buckley tocaria? Como poderia soar em um estilo tradicional chinés? Pode ser qualquer coisa, desde que combine com o sentido da cangio. Por m, pego o violo e crio um arranjo, no qual posso “pirar” tanto quanto queira, desde que nao machuque a canqio. Para compor com 0 signicado da musica, posso me manter livre no violao. Suas tarraxas sao customlzadas. O que ha de dlferente e qual a lmportncla delas na técnlca em que vocé mudaa anago de uma corda enquanto elaestésoando?

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uma grande caixa de madeira! Olhe para um cajén — é urn violao sern braeo. Integrar isso as notas é complexo. Vocé precisa encontrar técnicas que lhe permitam tocar uma nota e, ao mesmo tempo, acertar uma batida. Se vocé nao souber como bater, nao vai soar como msica Quando as pessoas fazem isso muito alto, soam como alguém construindo uma casa. Ougo muito isso no YouTube — musicos me mandam videos em que estio fazendo tapping com a mio esquerda e, com a direita, batem na madeira como um boxeador. Isso soa horrivel. Nio é suciente fazer algo, vocé precisa encontrar urn jeito cle fazer. Como costuma regular os pedals paramétrlcos que utlllza para alustar osom do vlolao? Equalizaeio paramétrica é 0 segredo do timbre, para amplicar ou gravar. Com uma unica banda de equalizaeio, vocé pode transformar um som feio em bonito. Muitos guitarristas tém medo disso, entéio usam pedais de equalizaeio


graca ou nenhuma equalizagao. Mas 0 procedimento é simples. Coloque o ganho bem alto e, lentamente, faea uma varredura pela frequéncia, do grave ao agudo. Quando soar ruim — tic ruim que vocé diga “Meus ouvidos esto doendo! O que esté acontecendo?" —, é porque vocé encontrou a frequéncia importante. Apenas a diminua, talvez so um pouquinho abaixo de zero, como -2dB. Tenho trés bandas de equalizagao em cada um dos meus trés captadores, entio sio nove bandas ao todo. Mlnha lmpressio, baseada prlnclpalmente em seu mals recente trabalho, é que vooé nip vé um dlsco apenas como uma colegio de canqes, mastambém como um todo ooerente. Estou errado? Que tlpo de oonoelto est! por trés desecrets NobodyKeeps? Sim, vocé esta errado [rakes]! Mas co muito feliz que vocé veja uma coeréncia. Escrevo can§6es individuals que reetem minha vida. Se estou depressivo, as can<;6es surgem desse meu momento. Um exemplo é meu recente single, Telepathy. E melancélica e dolorida. Msicas surgem tarnbém quando estou viajando. Se estou na Africa e descubro msica por la, posso experimentar ritmos e harmonias em uma composigio. Portanto, cada caneiio é um trabalho individual. A {mica coisa que elas tém em comum é 0 fato de serem pequenas histérias de minha vida naquele periodo, como um album de fotograa. No entanto, Secrets Nobody Keeps é um titulo importante. Foi como me senti quando meu video se tomou viral no You'Ihbe. Quando vocé descobre uma cangio online, é como um segredo, seu pequeno momento intimo e privado, sozinho com aquela msica. Mas ai vocé vai no Facebook e conta para todo mundo. N50 guarda o segredo. Foi assim que me tomei conhecido. Todas aquelas pessoas tiveram esse pequeno momento com minha caneio. Isso me deixa muito emocionado. Passlonower se tomou vlral e lsso te aludou a consegulr gigs, contatos etc. O que pensa sobre o papal da Internet para as artlstas lndependentes? Quando eu era crian<;a, odiava um certo tipo de msica pop, que me soava simples e esnipida. N50 quero dizer que o simples é ruim. Adoro msica simples e parte de minhas composiqoes é assim. Deixe-me fazer uma analogia com 0 futebol. Quando um jogadoréinteligente, ele pode imaginarum passe simples, ecaz e maravilhoso. Mas é

estpido quando goleiros chutam a bola o mais longe possivel esperando apenas que a bola chegueaum atacante.M1’1sicapode ser assim. E chato ouvir apenas “eu a amo, ela me ama, estou feliz" ou “e1a no me ama, estou triste", e uma melodia repetitiva de trés notas que soa como uma campainha. Isso no é arte. Mas muita gente gosta dessas coisas, que sio cativantes e muito féceis de fazer. Porém, nao tém valor, nao fazem as pessoas sentirem algo real. Eu estava competindo com esse tipo de msica, lutando contra essa maquina comercial. E estava perdendo, porque eles tinham dinheiro para publicidade e seus CDs eram vendidos em lojas. Eu era so um garoto com um violéio no quarto. Mas, agora, graqas a internet, vocé pode ser um garoto com um violéio no quarto, fazer um video e colocé-lo online. Pode usar ferramentas sociais para se comunicar com as pessoas. Pode mandar sua mlisica para o iTunes e Bandcamp para ser vendida ao lado de toda aquela msica estL'1pida.Vocé pode competir com aquilo e ganhar. Adoro isso. Que tlpo de mslca vocé tocava durante suafoi-magic? Eu ninha quatro anos quando comecei a ter aulas de violao classico e foi muito dicil para meu pai encontrar um professor que aceitasse um menino tao novo. Estudos simples, para iniciantes, foram as primeiras coisas que toquei. Quando eu tinha cinco ou seis anos, meu tio foi para a Espanha, em um feriado, e trouxe para mim um legitimo violao espanhol, que ainda tenho, e alguns songbooks dos Beatles, com lecras em espanhol. N50 falo espanhol, entio nio sabia qual cangao era qual. Tinha de aprender primeiro paradepois ouvir que mfxsica estava tocando! Lembra-se de obstéculos ou dlflculdades que teve no processo de aprendlzagem do lnstrumento e como fol capaz de superé-los? Aprender a tocar no tempo era dicil. Eu tinha um metronome e meu professor me fazia marchar de um lado para 0 outro no quarto, no tempo certo: esquerda, direita, esquerda, direita como um soldado. E acordes com pestana, cara, siio muito dificeis para mios pequenas. Alguns dos meus amigos, como Don Ross, tocam violoes fanned fret [com trastes inclinados]. E praticamente impossivel fazer uma pestana de F naquela coisa! Tenho muito respeito pela dor que passei quando crianga e jamais terei um violao no qual nao se possa tocar um F [risos]!

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JON GOMM

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Em abril, o violonista inglés realiza uma pequena turn? pelo pais. Conra as datas:

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de guitarrista de jazz, e Jennifer Batten, que usa tapping, mas em um contexto de rock. Adoro a maneira como Tom Morello e Jonny Greenwood criam sons novos e fantésticos na guitarra elétrica. Parecem

Qualsforam os artlstas que telnsplraram? Meu pai era critico musical e escrevia resenhas de shows, especialmente de blues. Como conhecia muitos mL'1sicos, eles sempre cavarn em nossa casa quando estavam em turné. Eram instrumentistas de blues underground fa.ntésticos, como Walter Trout, Bob Brozman e Sherman Robertson. Ficavam la em casa e eu pedia para eles me mostrarem licks, técnicas e outras coisas. Fui um garoto de sorte. Por causa do meu pai, vim a conhecer também lendas da msica, como B.B. King e Jack Bruce. Encontra-los nos bastidores e perceber que sao seres humanos, nao deuses, foi importante para mim. Seres humanos muito legais, mas ainda seres humanos. Falando especlflcamente sobre seu estllo, que vlolonlstas te lnfluenclaram e o que aprencleu com a mslca de cada um doles? Vocé costume cltar Preston Por ter comecado bem cedo, talvez eu tenha me entediado com as abordagens tradicionais. Entao, cava entusiasmado quando via alguém fazer algo diferente, quebrando as regras do violio. Aprendi partes de tapping de Joe Satriani, como Midnight, do disco Surng with the Alien. Estudei coisas de Stanley Jordan, gran-

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cientistas loucos. Qualquer coisa maluca, tenho de saber se faz. Ser um violonista ou guitarrista é muito divertidoz na primeira vez que vocé vé um msico tocando, é como assistir a um grande mégico, mas vocé 0 vé novamente e comeca a entender a “ilusao” até a magica se tornar sua - vocé se apropria dela. Também aprendi muito com meus conternporaneos. Tenho tido a sorte de fazer concertos com Andy McKee, Thomas Leeb, Pino Forastiere e Erik Mongrain ~ esses caras tém a mesma idade que eu e somos amigos. Sao grandes revolucionérios do instrumento. Vocé cltou Joe Satrlanl. Em uma entrevista, vocé dlsse ter aprendldo multas técnlcas de composlgao com ele. Sou graduado em jazz e sei um bocado de teoria. As vezes, as pessoas desmerecem guitarristas shred, dizendo que sao apenas técnica. Mas Satriani utiliza recursos de composicio da musica erudita e do jazz modal. Ele experimenta artisticamente. Minha cancio Passionower é modal, lidio. I

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Apaixonei-me por isso gracas ajoe Satriani e Steve Vai. Satriani usa pitch axis, uma tecnica com a qual vocé pode fazer qualquer acorde combinar com outro, qualquer um mesmo, desde que mantenha uma nota. Sempre aplico esse método, porque combina muito bem com utilizacio de cordas soltas em anacoes altemativas. Vocé tem uma forte relaqo com artes vlsuals. Exlste alguma llgago natural entre artes vlsualse mslca? Na verdade, nao curto artes misturadas. Nao gosto de ter videos ou projecao visual quando toco no palco. Isso distrai. Porém, gosto de pintar e criei todo o trabalho artistico do novo album. Nio sei pintar com técnica, portanto, é 0 oposto do jeito como toco violao. Mas é libertador criar alguma arte sem que haja expectativas para mim ou para 0 publico. E divertido ser ruim em algo [nkos].

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PELA EQUIPE DA GP EUA

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mas pouco conhecidos, juntamente com 0 mais ébvio, apenas para o caso de vocé ainda nio té-lo ouvido.

blues foram tocados na guitarra, portanto, vocé pode imaginar como foi dicil limitar nossa lista em apenas 50. Para comegar, eliminamos mais de uma d1’1zia de artistas e solos que jé foram amplamente celebrados e nio precisavam de uma mengio adicional. Anal, quem nio conhece o solo extraordinério de Eric Clapton em Crossroads ou de Jimi Hendrix em Red House? Porém, em vez de ignorar esses artistas, eles receberam o devido destaque no box Os 14 Fabulosos, em que indicamos um ou dois otimos solos,

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Excluimos alguns msicos lendérios que caram famosos por seus solos em viol6es, mas

nio foram bem-sucedidos quando pas-

saram para a guitarra elénica, como Tampa Red. Também deixamos de fora guitarristas

que tocavam fantésticas cangoes de blues

elétrico, mas

nio faziam

solos, como John

Lee Hooker. E, logo de cara, decidimos no

induir pioneiros do blues que usavam violio, como Roben Johnson, Son House e Blind Willie Johnson, porque, na maioria

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dos casos, eles tocavam sem acompanha-

mento e, portanto, nio “solavam” no mesmo sentido que os axtistas da nossa lista. Depois de brigarmos muito sobre quais guitarristas deveriam ser incluidos, os editores de Guitar Player Matt Blackett, Art Thompson e eu contamos com a ajuda adicional de quatro colaboradores conhecedores de blues: Teja Gerken, Jimmy Leslie, Adam Levy e Michael Ross. Vocé pode concordar com nossas escolhas ou nos xingar de burros, mas esperamos que se divirta ao ler essa selegtio tanto quanto nos divertimos ao escrevé-la.—BARRY CLEVELAND


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50 |NCRlVElS SOLOS DE BLUES

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O frontman do Black Keys, Dan Auerbach, nao é exibido, mas naturalmente emotivo. Esse maniaco por fuzz pode ser considerado responsavel, em grande parte, pelo ressurgimento do blues sujo na ltima década. Auerbach evita solos de guitarra proeminentes e quase nunca se afasta da pentatonica. “N50 sou um cara de solos”, disse a Guitar Player americana de fevereiro/2012, “mas adoro mandar ver". E é o que ele faz perto do nal do single Ohio, lancado separadamente do album Brothers (2010). O vibrato deste nativo da cidade de Akron, localizada no estado americano de Ohio, treme como os arrepios de um frio invemo congelante. No nal, Auerbach engata um wah-wah, produz feedback e, em seguida, sobe pelo braco da guitarra com rajadas de trémulo de

palheta até alcancar um dimax dramatico.

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CHUEK BERRY Deep Feeling Mesmo tendo gravado para a Chess Records, lar de Muddy Waters e Howlin’ Wolf, Charles Berry nio é conhecido como guitarrista de blues, mas, sim, como um dos inventores do rock and roll. No entanto, esse instrumental, Iancado no lado B de Day School (Ring! Ring! Goes the Bell), é um blues padrao de 12 compassos. Bem, talvez nem téo padrio assim, jé que Chuck insere um acorde V onde menos se espera. Além disso, ele tocou o solo com um pedal-steel nada comum — imagina-se que tenha sido uma Gibson Electraharp. Os bends de estilo country poderiam ter sido tocados por qualquer um, mas os slides uivantes sio puro Chuck Berry. - M.R.

U48 KEY BHTS Stormy Monday Richard Betts formou uma das maiores duplas de guitarristas de todos os tempos. Seu trabalho envolvia um embate frontal com a genialidade de Duane Allman, noite apos noite. No Fillmore East, em um show gravado para a posteridade, ele teve a dicil tarefa de seguir o solo incendiario de Duane no blues casca-grossa Stormy Monday. Apos Duane, entra o solo de orgio, em jazz valsa, de Greg Allman. Quando a banda ressurge, Betts inicia seus licks maliciosos e gritantes, os quais fonnam uma obra-prirna de energia, lirismo, entonacao e timbre que nada deixa a desejar a seu lendario parceiro. - M.R.

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IRE ‘BBNAMASSA Blues Deluxe Bonamassa comecou sua carreira prossional quando muitos garotos ainda estavam celebrando o bar mitzvah. No inicio, seu trabalho de blues era como 0 de um impressionista: no solo de Long Distance Blues, do album Blues Deluxe (2003), Joe se inspira em Eric Clapton. Dez anos depois, Bonamassa fundiu suas inuéncias e construiu seu proprio estilo, aprimorando sua forma de tocar com a preciso de um diamante e um timbre belissimo. Blues Deluxe é um blues lento extraido do primeiro album solo de Jeff Beck (um cover de Gambler Blues, de B.B. King). Joe comeca com trés minutos e cinquenta segundos de solo que viaja por B.B. King, Eric Clapton e Eric Johnson, todos impregnados de uma pesada dose de Bonamassa. - M.R.

DBYLE BRAM H4\l.L

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existe alguém que possui a atitude Stevie Ray Vaughan e incendeia sem copiar os licks de SRV, esse cara é Doyle Bramhall II. Neste tema lento em 12/8, Bramhall obtém todos os tipos de sonoridades legais de uma Stratocaster, incluindo trémolo assustador, sons estalados semilimpos e um timbre de solo massivo, de explodir o amplicador. Ele realiza um solo temético matador no meio da musica, mas poupa seu melhor material para o nal da cancio, quando ele induz um incrivel feedback uivante antes de mandar bends pod erosos e emotivos. ‘ S uas escol h as de notas e seu fraseado so sempre originais em parte, por ele ser canhoto —, mas 0 groove de Bramhall talvez seja seu maior trunfo. - M.B. Se

E LWN lBlSHP Red Dog Speaks

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Que tal um pouco de slide suculento tocado sobre um blues lento em E? Esse é 0 prato que Elvin Bishop serve em Red Dog Speaks (do album de mesmo nome). Como bonus, ele descreve seu ins-

trumento (Red Dog) na letra da musica. Quer ouvir uma Gibson ES -345 Stereo 1959 chorar? Aguarde até Bishop dizer “Speak, Red Dog” e preste atencao, pois ele manda um solo emocionante que combina notas digitadas e slides uidos tocados de forma relaxada e descontraida, privilegiando o estilo e a elegancia em vez de exibicionismo. - T.G.

MlKeE BLBQM Flli Ll) Albert’: Shuffle Quando Michael Bloomeld surgiu com a Paul Buttereld Blues Band, em 1964, ninguém havia escutado um estilo de tocar guitarra como aquele e nenhum album de blues tinha um aviso impresso que dizia: “Toque este disco alto.” Na verdade, os solos empolgantes de Bloomeld tinham mais a ver com a energia do rock do que o mistério do blues. Foi com 0 album Super Session, de 1968, gravado com Al Kooper e Stephen Stills, que Bloomeld se nnou nesta forma mais tradicional de blues, mas com uma energia atrevida que o distinguia dos tradicionalistas, o que lhe deu, acima de tudo, uma sonoridade inconfundivel. - M.R.

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Okle Dokle Stomp Podem-se ouvir ecos da era das big bands em gravacoes de Brown dos anos 1940 e inicio dos 50. A instrumentacio contava com metais, contrabaixo acustico e bateria com levada jazzistica. O rock and roll estava prestes a acontecer, mas ainda 115.0 havia chegado. A msica desse periodo de transicao é, as vezes, chamada de “jump blues” e a instrumental Okie Dokie Stomp, de Brown, é um excelente exemplo. A inuéncia de T-Bone Walker é evidente, especialmente em um lick que Brown repete: uma quarta com bend na terceira corda seguida por uma quinta na segunda corda. Ainda assim, Gate tinha sua propria identidade e a cancio é muito divertida de ouvir. - A.L. "

Johnt Blues Em 1971, 0 canal de televisio PBS colocou no ar o documentério Introducing Roy Buchanan A/K/A The World’s Greatest Unknown Guitarist e a percepcao do mundo em relaco ao potencial de uma Fender Telecaster mudou para sempre. Buchanan arrancou lamentos humanos e guinchos animals deste design simples de guitarra. Seu estilo de blues fundiu o chicken picking de James Burton com os bends expressivos de Albert King, ilustrando a conexio profunda entre country e blues. Tudo isso esta em ]ohn's Blues, faixa de seu primeiro disco. Aqui estio o timbre e a técnica que inspiraram Danny Gatton, Gary Moore ejim Campilongo e zeram Jeff Beck dedicar Cause We've Ended as Lovers para Buchanan. —MR

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When My Traln Pulls In O segundo voo na segunda faixa do disco de estreia de Gary Clark em uma grande gravadora, Black and Blu, é um solo repleto de fuzz e wa.h que ja comeca detonando. “Essa foi a primeira faixa gravada, e foi de um unico take”, revelou 0 acionado pela Epiphone Casino em matéria na GP americana de janeiro/2013. “Usei meu Fender Vibro-King e pisei em todos os meus pedals para fazer aquele solo”, armou. Ele atinge o ponto alto quando lanca um lick a la Chuck Berry na casa 12 e, depois, insere o G na casa 15 e o F# na casa 14 da corda E aguda. “Eu havia experimentado naquela regiio", disse Clark. “Toquei aquele lick repetidas vezes para construir um momento de alta energia. Estavamos ansiosos para provar que éramos capazes e havia uma sensacao irresistivel de ‘Vamos nessa!’” - J.L.

RY SEWER FeelIn’Bad Blues Em entrevistas, o guru do slide Ry Cooder revelou detalhes interessantes sobre suas guitarras envenenadas e equipamentos diferenciados. E sempre legal saber qual captador, compressor

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ou amplicador foi utilizado na tentativa de desvendar o som rnagico de Cooder, mas vamos encarar os fatos: o segredo é a pegada. Esta é a qualidade mais aparente em suas gravacoes mais cruas, como este belo dueto de guitarra e dolceola presente na trilha sonora do lme Crossroads. Cooder sempre evitou usar palheta e esta gravacao mostra como ele era bom com as mios. Trabalhando em anacio D aberto, Cooder apaga a linha que divide base e solo. Vocé pode se inspirar a pegar um slide e comecar a praticar - ou desistir para sempre. - A.L. '

Chlcken In the Kltchen Apesar de ter alcancado sucesso com um som mais polido ligado ao mainstream, Robert Cray pode tocar blues como poucos. Gravado ao vivo, Chicken in the Kitchen (de Cookin’ in Mobile) nio somente ilustra 0 mais belo timbre brilhante e fora de fase de Strato, mas também possui dois grandes solos. O numero dois esté repleto de linhas coesas cheias de surpresas, chegando ao ponto, em alguns momentos, de vocé se perguntar se Cray vai sair vivo dali. - T. G. '

C

Shake ‘Em on Down No North Mississippi Allstars, Luther Dickinson presta homenagem ao passado e traz ao presente 0 blues country cléssico por meio de maravilhosas guitarras Gibson e poderosos amps Marshall, além de ecos e outros efeitos ocasionais. Ele faz isso com uma Les Paul em anacao D aberto na cancio Shake ‘Em on Down, de Fred McDowell, que abre 0 album Hill Country Revue: Live at Bonnaroo (2004), assim como o trabalho de estreia do Allstars, Shake Hands with Shorty (2000). Quando Dickinson aplica slide nas cordas agudas, ataca com palheta de polegar as cordas graves e incorpora o méximo de cordas soltas, ele une docura do mel e sujeira rudimentar em uma harmonia deslumbrante. - l.L.


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BluesAfter Hours

mostra este shufe em tonalidade menor de seu disco de 1992, Robben Ford £3’ the

Fats é um dos instrumentistas mais obs-

Blue Line. Ele permanece em territério pentatonico nos primeiros quatro compassos e, nos quatro seguintes, colore suas frases com cromatismo ousado. Ford executa linhas ainda mais intrigantes nos préximos compassos, antes de pegar o trem expresso de volta para uma nalizacao arrojada. ~ A.L.

curos desta lista, mas, se vocé tem apetite pelo blues, precisa colocar um pouco de Hollywood em sua dieta. Seu estilo era impetuoso e elegante ao mesmo tempo. Frequentemente visto com uma Gibson ES-335, foi um sideman itinerante que realizou trabalhos com os Balsters, Muddy Waters e Canned Heat. Quanto ao poder cru do blues, é dificil bater sua maneira de tocar com a Hollywood Fats Band. Na sufocante Blues After Hours (de Deep In America/Larger Than Life, Vol. 2), ele mostra como construir um solo a partir de um inicio despretensioso para, depois, chegar a um climax incendiario e, em seguida, relaxar para o verso vocal seguinte. - A.L.

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Rory

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The Change In Me riff inspirado em La Grange, do ZZ Top, The Change in Me é uma musica enérgica. Gales toca licks melodicos que proporcionam um contraponto Baseada em um

dinamjco ao tema de sonoridade crunch. Como demonstram diversos videos no YouTube, Gales varia bastante o solo a cada noite, geralmente empregando um timbre moderno, encharcado de delay e alto ganho, além de sua grande habilidade em permitir que 0 solo respire e detone, alternadamente. - T.G.

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Prlson ofLove A palavra “uptown” é usada para descrever o blues com harmonias inspiradas no jazz — acordes que vao além dos tra-

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éissiil twl.

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Bullfrog Blues N50 é tarefa facil escolher o melhor solo de blues de Rory Gallagher, mas seu tra~ balho de slide em Bullfrog Blues é um sério canclidato. Deixando sua Strato caracteristica de lado (diversos videos no YouTube o mostram tocando uma Gretsch Corvette), Gallagher trabalha em anacio A aberto, com capotraste na casa 2. O solo explora licks sobre os acordes I, IV e V, nas posicoes das casas 5, 7 e 12, nao muito diferente do trabalho de slide que Gallagher executa ao violao, mas uma feroz quantidade de ganho produz um dos timbres mais arrasadores de slide elétrico que se pode encontrar. - T.G.

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apenas 1% do que ele era capaz de fazer,

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signica bends majestosos nas cordas agudas e graves, impressionantes melodias com single-noteseacordes, vibrato impetuoso, licks que simulam peda.l-steel, frases velozes, passagens cromaticas de cair o queixo, variacoes de volume e muito mais — tudo tocado com um tempo impecével. Como sentimos falta desse cara! - M.B. e isso

Please Send Me Someone t0 Love Em 1974, o solo de Amos Garrett em Midnight at the Oasis, de Maria Muldaur, estava em todas as radios. Ele deixou guitarristas do mundo todo pasmos com seus bends em trés cordas e fraseados lncomuns. Porém, Garrett ja havia impressionado as pessoas no ano anterior, com seu solo espetacular em Please Send Me Someone to Love, um classico de Percy Mayeld. O guitarrista canadense viaja pelas mudancas em um estilo mais préximo de Benny Carter do que de Albert King. Seus inconfundiveis bends em double-stops e pull-offs de duas cordas em intervalos largos, facilitados por suas mios enormes, sio assombrosos. Este solo foi composto com perfeicio — para improvisar algo tao impecével, so se ele fosse super-humano. M.R.

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Sure Got ColdAfter the Rain Fell Billy Gibbons é um dos melhores guitarristas de blues que existem, mas o repertério boogie do ZZ Top tende a fazer sombra para musicas como Sure Got Cold After the Rain Fell, uma joia em andamento lento encontrada no album Rio Grande Mud (1972). A canciio niio segue a forma classica de 12 compassos, mas Gibbons embeleza o groove em 12/8 como se assim fosse. Explorando um timbre levemente distorcido nos licks que executa em cima de uma gura ritmica arpejada,

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Blues Newburg

Gibbons mostra seu dominio sobre escolha e colocacio de notas, criando emocéio maxima durante a nalizacao estendida dami'1sica.- A.T. Pg;

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The Blue ' Pode-se dizer que David Gilmour nunca tocou nada que nio fosse blues, anal, 0 nome Pink Floyd foi criado em homenagem aos msicos de blues Pink Anderson e Floyd Council. O timbre e vibrato de Gilmour sempre foram referéncia sonora para o blues elétrico moderno. Ele tocou inmeros solos impressionantes com 0 Pink Floyd, mas The Blue, de seu disco solo On an Island (2006), merece mencéo por diversas razoes. Lembrando Albatross, do Fleetwood Mac, o solo rapi~ damente rompe os limites com um belo trabalho de pedal Whammy, inserido com precisio nos cléssicos licks de Gilmour, que apresentam 0 lindo timbre e o timing preciso que fazem dele uma lenda da guitarra. - M.R.

Darmy Gatton possuia um dominio tio grande de country, jazz, rockabilly e blues que é dificil apontar quando ele estava em seu momento mais “blueseiro”, mas esta musica é um bom ponto de partida. Traz

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DE BLUES

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Earl Hooker

Lonesome Dave Grissom ja impressionou a todos quando gravou Live at Liberty Lunch, de Joe Ely, em 1990, mas tem renado ainda majs seu estilo ao longo dos anos em trabalhos com 0 Storyville (que conta com a secao ritmica de SRV) e os Dixie Chicks. Tem de tudo em Lonesome Dave, faixa de seu primeiro disco solo: pedal point de érgao, licks de pedal-steel (Grissom foi autodidata e aprendeu a tocar licks de B-Bender sem

um B-Bender) e 0 peso do ZZ Top. Para se ter uma ideia, imagine os Bluesbreakers com Eric Clapton e Billy Gibbons encontrando Brent Mason e Albert Lee. Do comeco ao m, o bom gosto e a rnusicalidade de Grissom fazem cair o queixo, sem exibicionismos gratuitos. - M R. .

ele chegou a realizar experiéncias com eco, wah e outros efeitos, atraindo a atenco de Jimi Hendrix, mas esta primeira gravacao, sem Muddy, mostra um dos guitarristas mais originals de todos os tempos. - B.C.

HOW Blue Can You Get A cegueira e o estilo nao-convencional de tocar nunca impediram Healey de mostrar impressionantes performances de guitarra. Uma delas é encontrada em How Blue Can You Get, do lancamento péstumo Mess of Blues (2008). Healey p6e fogo em tudo, com linhas rapidas e bends dramaticos que desaam a realidade fisica de tocar uma guitarra deitada no colo. Se isso nio for suciente, visite o YouTube para ver também que Healey era um talentoso trompetista. Que msico incrivel! - A.T.

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It Hurts Me T00 Sem dvida,

Dust My Broom é a musica

que simboliza 0 mestre do slide Elmore James, mas ha muito mais tempero em

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Hurts Me Too, de Tampa

um monte de vezes esta gravaciio. James tira vantagem de seu timbre gutural, fazendo com que as notas se expressem em frases de estilo vocal. Com incrivel personalidade e conanca, o guitarrista diz tudo 0 que tem a dizer neste solo em anaeio D aberto. E 0 blues no mais exato sentido do termo. - A.L. 5'“

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58%!-NSQN

Earl Zebedee Hooker, primo de primeiro grau de John Lee, gravou esta msica ins-

Texas

maio de 1961, lancada no ano seguinte. Pouco tempo depois, Muddy Waters fez overdub dos vocals da faixa, mudou 0 titulo para You Shook Me e a lancou sob seu préprio nome. A cancao se tomou um cléssico do blues, tocado por famosos como Jimmy Page, Jeff Beck e muitos outros. Hooker executou licks imortais de slide em anaco padréio, 0 que, na época, era novidade para um guitarrista de blues de Chicago. Mais tarde, 3 de

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Red. Pode apostar que Ry Cooder ouviu

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seu cover de

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Blue Guitar

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1.»

Esta faixa do album Up Close (2010) conta com os convidados Jimmie Vaughan e Steve Miller (vocais), que apareceram em seu To

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estudio e 0 inspiraram a caprichar para a ocasiao. Conhecido por usar Stratocaster,

Eric Johnson tocou este solo — gravado em primeiro take — com uma Gibson Les Paul Standard 1959, apelidada de “Buddy”, ligada a um Fuzz Face e um Marshall de 100 watts. Com um timbre cortante, 0 feroz primeiro solo de Johnson alcanca


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Wind In Denver Este magnico guitarrista de slide da Lou-

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niveis celestiais. Tercas maiores tocadas no tempo soam surpreendentemente blueseiras, ejohnson ainda explora frases dirninutas e cromaticas para adicionar um tempero extra, mas sem forcar demais os limites do blues. - J.L. ,

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Playing Around

Alonzo “Lonnie” Johnson é mais conhecido pelo seu trabalho inovador em viol6es de 6 e 12 cordas no nal da década de 1920, incluindo seus famosos duetos com 0 guitanistade jazz Eddie Lang, em 1929,eagravacao de 6/88 Glide, em 1927, que traz 0 que hojeéconsideradooprimeiro solo de guitarra tocado com palheta Mas a carreira de ]ohnson continuou por décadas. Em 1947, ele comecou a tocar guitarra. Vocé encontraré étimos solos em suas musicas posteriores, mas a breve e interessante brincadeira em Playing Around, de 1949, apresentou movimentos que os primeiros roqueiros, como Eddie Cochran, ClifEGallup e Scotty Moore, explorariam alguns anos depois. - B.C.

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Born Into This “Eu estava escutando Eddie Hazel em Super Stupid e a Band of Gypsys, de Jimi

Hendrix, quando gravei este solo”, diz Wilson T. King. “Eu estava procurando um blues futuristico no que se refere a bends e timbres". Bem, ele conseguiu. Para isso, empunhou uma Strato 1969 com captadores DiMarzio Fast Track, plugada em um combo Marshall 2104 2x12 do inicio dos anos 1980 em volume maximo. E usou somente os dedos. King é conhecido por ampliar as fronteiras do blues e este solo apaixonante extrairia um largo sorriso de Hendrix. - B.C. '

Chief’: Blue Apesar de ser conhecido por sua técnica monstruosa, Greg Koch mostra um comedimento de bom gosto em grande parte deste blues lento. O resultado é saboroso. Koch explora de tudo nesses impressionantes sete minutos, misturando linhas maiores, menores e cromaticas e obtendo diversas notas em cada bend. E dificil escolher a parte mais legal, mas seus comoventes lamentos descendentes de pré~bends e triple-stops seriam fortes candidatos. Este solo possui timing, dinamica, humor, sensibilidade e estilo bombastico, sendo que todos os licks podem estar na lista “deve ser copiado”. - M.B.

isiana apresenta uma performance espetacular nesta faixa que, ocialmente, aparece no histérico Grant Sweet (2005), gravado ao vivo. Ele contou a GP que conseguiu 0 gigantesco timbre estéreo corn uma Strato 1966 em anacio D menor aberto [D, A, D, F, A, D, do grave ao agudo], plugada em um amplicador Matchless HD30 com caixa 2x12, no palco, e um Dumble Overdrive Special de 100 watts com gabinete 2x12, colocado fora do palco, em uma antiga sala frigorica, para obter maxima ambiéncia. “Eu estava procurando aquela maravilhosa vibe de Voodoo Child, a qual consigo sentit sempre que escuto essa cancéio”, diz Landreth. Sonny talvez possua a técnica mais avancada da historia do slide de blues. Em Wind in Denver, ele despeja um arsenal de recursos, como notas digitadas atras do slide e harmonicos celestiais, que formam um solo monumental. - J.L. =

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A Quitter Never Wins Esta faixa encontra-se no album Lie to Me

(1997), estreia do entao aclolescentejonny Lang em uma grande gravaclora, mas sua

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— e arrebatadora — versao esta no espetacular Live at the Ryman (2010). Na edicao de julho/2010 da GP EUA, Lang re-

velou que Albert Collins o levou a tocar uma Telecaster e que Tab Benoit o inspirou ainda mais a empunhar esse modelo. “Fiquei maluco quando escutei seu timbre. A Tele Thinline com humbuckers se tornou item essencial para mim clepois disso”, contou. Lang ainda colocou um captador P-90 entre os dois humbuckers, e ele explora este classico single-coil na furiosa introducéo e no primeiro solo desta musica de Tinsley Ellis tocada em Live at the Ryman. O guitarrista entra no segundo solo com uma vivacidade pura e ousada. - J.L. -

I’m Going Home E

dicil pensar em Alvin Lee sem levar

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lNCRlVElS SOLOS DE BLUES em conta seu solo em I'm Going Home, do A banda gravou a musica pela primeira vez em seu lancamento de 1968, Undead, e aumentou a energia desse shuffle rapido em sua performance no festival Woodstock. Tocando sua iconica “Big Red”, uma Gibson ES-335 de 1959I Lee pega um caminho diferente ao iniciar o solo acompanhado somente pela bateria, durante 24 compassos. Ou seja, ele toca sem o apoio de um guia harmonico. Ele segue em frente e toca um dos mais furiosos e uidos solos inuenciados por Chuck Berry que vocé pode encontrar. —T.G.

em sua Gibson ES-335, com destaque para o otimo vibrato e o timbre gordo com leve overdrive. Mayer atinge um excelente climax antes de retomar suas tarefas vocais. - re.

Ten Years After.

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Still G01’ the Blues Moore surgiu no inicio do fusion britanico e, depois, passou sua carreira alternando entre o hard rock e o blues. Seria facil escolher um de seus solos incendiarios em uma cancao de blues ou em uma de suas recriacoes perfeitas de Peter Green, no disco Blues for Greeny (1995), mas Still Got the Blues é puro Moore. Tudo bem, esta progressao de quintas nao é exatamente “blues”, mas a resolucao de quinta aumentada para quinta é aprovada pelo género. Mais importante, a sensibilidade com que Moore toca a linda melodia do solo nal, antes de ele colocar o teto abaixo e destruir tudo, demonstra a esséncia do blues.

M.R.

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JQH-N Out of My Mind N50 importa se vocé curte ou nio as composicoes e o estilo vocal de John Mayer, mas uma coisa é indiscutivel: ele tem habilidade. Pode até nao ser o instrumentista mais original que ja surgiu, mas seja no violao ou guitarra, fazendo solos ou bases, Mayer esta sempre no comando. Abstendo-se da otima producao encontrada na maior parte de seu trabalho, ele utiliza uma abordagem mais crua na gravacio ao vivo de Out of My Mind (do disco Tiyl). Ele toca movimentos pentatonicos

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Steroids

que preenche a cancao com um profundo

Oz Noy pode tocar outside com tamanha facilidade que pode fazer vocé pensar que ele nao toca blues. Apesar dos elementos de funk e fusion que ele insere em Steraids, a verdade é que Noy esta tocando um blues no acido — selvagem e vibrante. Todos nos poderiamos adicionar uma boa dose de frescor a nossa maneira de tocar os 12 compassos se adotarmos um pouquinho do fraseado’ escolha de notas e coragem de Noy. - M.B.

sentimento blueseiro. Ninguém consegue fazer um glissando de um quarto de tom soar tao expansivo, e seu timbre de Srrato com overdrive chega a queimar de tao quente — da mesma maneira que um uisque desce pela goela. Escute com atencao para ouvi-la expandindo seu vibrato e arrancando harmonicos no nal. - A.L.

5,5.

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Three Time Loser Blues e PoP contem P oraneo nao sao Parceiros, mas Raitt tem unido os dois estilos durante décadas e os resultados sac

mais do que consistentes. Esta faixa do album Sweet Forgiveness (1977) é uma de suas marcas registradas. A progressao de acordes nada tem nada a ver com a forma tradicional de 12 compassos, mas Raitt aplica um trabalho sobrenatural de slide,

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Conhecido por seus solos explosivos de Tele ou Strato e pelo som parrudo que

obtém com um amp Vox AC30 e uma unidade de reverb, Kid Ramos tocou com o Fabulous Thunderbirds, Roomful of Blues, James Harman e Marmish Boys. Ele também gravou diversos discos solo, como Greasy Kid Stuff (2001), com destaque para a faixa-titulo instrumental, na qua] o guitarrista mostra seu ataque feroz e timbre gordo. Visite o YouTube para ver Ramos detonando em uma variedade de


especial de transformar licks comuns de blues em momentos melodicos fantasticos, gracas a um fraseado inteligente. Sabe-se que um instrumentista — especialmente se for blueseiro - acredita que fez sua parte quando, em shows, ele se mantém el a versao gravada de um solo, noite apés noite, ano apos ano. Blue on Black é um exemplo. Seus licks inesqueciveis entram na pele e grudam no cérebro, seja na versao original, que faz parte do album Trouble Is... (1997), ou na interpretacio ao vivo encontrada em Live! In Chicago (2010). - J.L.

situacoes, como empunhando uma Tele baritono com os Los Fabulocos, na musica Bumin’ the Chicken. - A.T.

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It’: My Own Fault Rush executa trés solos nesta faixa do album Chicago/The Blues/Todayl, Vol. 2 (1967). O primeiro, na introducao da cancio, é impressionante desde seu inicio — nio porque apresente peripécias guitar-

risticas, mas justamente por nao trazer exibicionismos. A cada frase, Rush usa sua Epiphone Riviera para contar uma histéria de maneira magistral. Apos alguns versos vocais, ele se aventura subin~ do pelo braco, elevando 0 fator emocao. O solo nal dura apenas quatro compassos e atua como preparacio para 0 solo de saxofone, com o som se tomando mais impactante a cada compasso. Rush, agora aposentado, é um canhoto que tocava sua guitarra encordoada para destros — com a E aguda na parte superior. Isso proporciona uma sonoridade diferentes aos seus bends, porque ele empurra as cordas onde a maioria dos guitarristas as puxa, e vice-e-versa. -A.L.

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Lanqada como single pela gravadora Chess,

dos da década de 1990, ele foi anunciado

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Blues for Salvador Santana pode até nao ser considerado um

guitarrista de blues e Blues for Salvador, a faixa-titulo de seu disco solo de 1987, nao esta em formato padrio de blues. Porém, ao tocar quase seis minutos continuos de uma intensa melodia blueseira, Santana construiu uma obra de arte que o ajudou a ganhar um Grammy na categoria Melhor Performance de Rock Instrumental, em 1989. Mais tarde, Robben Ford fez um cover dessa msica e Santana a tocou ao vivo com Buddy Guy, o Wayne Shorter Group e 0 astro mexicano da guitarra Javier Batiz. - A.T.

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Three Hundred Pounds of Joy

como 0 proximo Stevie Ray Vaughan. E claro, ninguém seré o proximo SRV] mas 0 estilo altamente ritmico de Shepherd, que usa Stratocaster, evidencia uma divida para com 0 guitar hero de Austin. Assim como SRV, KWS possui um jeito

em 1963, Three Hundred Pounds of]0y traz Howlin' Wolf como lider e a incomparavel guitarra de Hubert Sumlin. Ele toca frases instigantes sobre cada verso, com um ataque seguro e um vibrato estremecedor. O solo se inicia no meio da cancéo. Sumlin comeca com um bend incomum na corda E aguda, da terca menor para a quarta, desce alguns tons para explorar a escala pentatonica menor e, clepois, repete a frase duas vezes, mas com pequenas variacoes. E um ini cio impetuoso e Sumlin nunca relaxa. Em um género no qual clichés sao uma armadilha, este é um dos solos mais singulares que ja apareceram em uma gravacao famosa. A.L. —

KENNYlWA¥N-E SHEPHERD Quando Kenny Wayne Shepherd cou conhecido, ainda adolescente, em mea-

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50‘ lNCRlVElS SOLOS DE BLUES por cowbell. Trower repete um memoravel riff de guitarra e, ocasionalmente, responde as breves partes vocais de Gary Brooker aplicando curtas e modernas passagens de blues, que ja indicavam seu estilo como artista solo. - M.R.

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IKnow “Quase tudo que faco na guitarra tem o blues como fundacao”,

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cle blues — ela preferiu cancoes gospel durante toda sua can-eira. Mas quando voce ouve a gravacéio ao vivo de 1964 da musica Jesus Is Everywhere, que integra o disco The Authorized Sister Rosetta Tharpe Collection, a distancia entre sagrado e secular nao parece tao grande. Armada com palheta de dedo e acompanhada por um baixista e um baterista que soam como a secio ritmica do melhor trio de rockabilly que vocé jé ouviu, Tharpe detona em sua SG Les Paul Custom do inicio dos anos 1960. A primeira metade do solo é relativamenre sem rulas, mas quando ela comeca a suingar e incrementar, vocé subira aos céus. Gloria, glorial - A.L.

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tocavarn um tipo feroz e cru de boogie blues. Inspirado no ri' de slide de Dust My Broom, Wild About You Baby (do élbum

Hound Dog Taylor and the House Rockers) consiste em um jogo de pergunta e resposta entre o vocal e a guitarra. Quando é a vez de Taylor solar, ele nao se afasta do riff principal e suas escolhas de notas sao exemplos perfeitos de como tun solo pode tomar o lugar de uma linha vocal. - T.G.

Slow Blues Lancado no primeiro disco solo pos-Rolling Stones de Mick Taylor, Slow Blues é um ver-

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dadeiro estudo de como evitar enrolacoes e detonar durante uma faixa instrumental inteira. Algumas caracteristicas que nao deixam a musica soar monétona sao a progressio de 12 compassos modicada, que traz uma linha de baixo distinta, e os acordes de décima terceira com som de chorus, que assumem uma funcao melodica. Mas o que faz a msica seguir sempre em frente sem deixar a peteca cair é a dinamica de Taylor e o timbre gutural e impregnado de reverb. Uma aula de como manter um solo extenso interessante que nao pode ser menosprezada. - T.G.

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Jesus Is Everywhere Tharpe pode :50 se considerar uma artis-

Chamado de “Ramones do blues” pelo jornal novaiorquino The Village Voice, Hound Dog Taylor e sua banda, House Rockers,

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confundivel e fumegante, costuma usar uma Gibson SG anada em E aberto, um grande slide Dunlop Pyrex e um Fender Super Reverb no maximo. E impressionante como Trucks, p01‘ meio Cl€ 1'l'1iCI'Otons de influéncia oriental, leva adiante 0 bottleneck de Duane Allman. O album Roadsongs (2010), da Derek Trucks Band, é um registro supremo. O solo de Trucks em Key to the Highway atinge o ponto mais alto, mas I Know é incrivelrnente interessante porque o guitarrista vai de um raga em drone para um R&B suingado e contagiante, num dos solos de blues maior mais musicais e alto asrral jé gravados. - l.L.

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Whisky Train Assim como Hendrix, com quem ele é comparado de forma exagerada e injusta, Robin Trower tem profundas raizes blueseiras. Com seus 40 anos de carreira solo, ele ainda faz discos que vale a pena escutar — atualmente, com mais classicos do blues do que nunca. Mas 0 melhor exemplo de sua conexao com as raizes talvez ainda seja Whisky Train, que ele compos para o quarto album do Procol Hamm. A cancio pode até mesmo ser considerada um longo solo de guitarra acompanhado

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Trucks, que, para produzir seu timbre in-

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Miracles & Demons (Part 2)

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Mestre na criagio de climas estranhos — como aqueles que aparecem em diversos discos de Otis Taylor -, Tumer é também um blueseiro psicodélico, divertido e roqueiro, na tradiqao de Jimi Hendrix, como evidencia Miracles G Demons (Part2). Com base em uma gura em 6/8 tocada com viol6es resonator, a faixa traz os amedrontadores vocais de Tumer e um solo demoniaco, com wah e eco. A musica comprova a habilidade de Tumer em, simultaneamente, cantar e conjurar sons sinistros com modelos Stratocaster Custom Shop, um Deluxe tweed de 1959, um Budda Twinmasrer. um eco de ta Roland RE-301 e outros aparatos magicos. - 2 3

E bem possivel que vocé nao tenha idade suciente para se lembrar

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TuffEnuff Assim como seu lendario irmao, Jimmie Vaughan gosta de Fender Stratocaster. Mas as similaridades com Stevie Ray rerminam por ai. Jimmie raramente toca répido ou sujo e nunca é chamativo. Na maior parte do tempo, ele permanece tocando melodias dentro de uma moldura tradicional, dando a elas pleno espago para respirar. Jimmie nos lembra que menos notas podem signicar mais, e 0 solo da faixa-titulo do album Tuff Enuff (1986) é um exemplo brilhante disso. Vaughan nao costuma utilizar efeitos, mas, nesta musica, reverb e delay adicionam uma profundidade impresslonante a seu fraseado esparso. -1.-

do impacto que esta msica teve quando foi langada originalmente, em 1947. Para se ter uma ideia, Eric Clapton tinha somente dois anos de idade e a primeira Stratocaster havia sido langada sete anos antes. Portanto, vocé pode ouvir a cangao hoje e se perguntar: “O que ha demais nisso? Ja ouvi outros guitarnstas tocarem a mesma coisa." Mas Walker foi o inventor. Sem sua inuéncia, nio haveria B.B. King, Chuck Berry ou Gatemouth Brown. Volte para a fonte e escute, prestando atengio na sosticagéio ritmica de Walker. Ha colcheias, semicolcheias e algumas tercinas, mas essas subdivisées nunca foram to elasticas como nas mios de Walker. - A.L. J

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Ball and Biscuit Jack White chocou 0 mundo do blues com Ball and Biscuit, na qual utiliza um som bizarro e feroz que nunca havia sido ouvido na histéria do género. Nenhum blueseiro “de verdade" imaginaria tal blasfémia — uma banda punk de garagem de Detroit usando uma guitarra de pléstico (uma Montgomery Ward Airline 1964) com timbre impregnado de Whammy e fuzz em uma farra de blues. Esse som tomou-se marca registrada de White e o album Elephant rendeu-lhe sua primeira capa da Guitar Player americana, em junho de 2003. Os trés solos bombésticos de White em Ball and Biscuit soam como uma rrilogia blueseira do infemo. - J.L.


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§RTHR MENEZAES por guitarristas brasileiros. Vale lembrar que néo se trata de uma selecao com “os

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melhores solos” tarefa que seria praticamente impossivel de realizar -, mas, sim, uma coleco de solos de blues com algum atrativo especial. Pode ser uma execucio técnica impecavel, uma interpretacao extraordinéria ou simplesmente a beleza se manifestando por meio da simplicidade. Nem todos os solos escolhidos sio de guitarristas de blues, mas todos trazem, em sua esséncia, a sonoridade nascida no delta do Mississippi. Ouca cada um deles com atencio e sem preconceitos, procurando absorver elementos que acrescentem ao seu estilo e o transformem em um guitarrista melhor. F

ANURYE

Damn! You Know I’m a Man

Aumenta que Isso Al’ é Rock’n’Roll

Esta rnusica é um country blues e encontra-se no album #2. Artur Menezes manda ver em um solo altamente veloz, bem

Som na Guitarra (1984), com Aumenta que Isso A1’

ao estilo country. As frases pegam fogo

o maior sucesso de sua carreira. O solo

nos dedos de

Celso Blues Boy abriu seu primeiro disco,

Artur e saltam com clareza.

bem simples, calcado nos primérdios do rock. Segue o caminho pavimentado

por Chuck Berry de pegar licks de blues e turbiné-los com distorcao e velocidade. Consrruido sobre a pentatonica de A menor. o solo tem um tipico clima blueseiro are os ulrimos compassos, quando Celso corre pelas notas de maneira mais proxi-

entre os instrumentos. Vale a pena ouvir como Artur se apropria de licks e clichés do country para gerar coesio com os demais instrumentos, a voz e a composicio em si. Destaque também para a técnica aada e 0 delicioso timbre de Strato.

ma dos clichés do rock.

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Rock’n’Roll, que viria a se tornar

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Confomivel foi uma musica bastante executada nas radios apos seu lancamento, feito raro para um blues com referéncias sexuais explicitas. Christovam fez um solo bem sacana, em total sintonia com 0 clima da musica O solo se apoia na boa e velha pentatonica, aplicada em orimos licks e com pegada incrivel. Esta musica faz parte do aclamado LP de estreia do guitarrista, Mandinga (1989), no qual um dos pioneiros do blues no Brasil j a mostrava amplo dominio da técnica guitarristica. O solo de Conformvel é um exemplo dessa habilidade. Contém bends anados e precisos, com direito a alguns sutis e elegantes reverse bends. O solo tem dois chorus, ou seja, a formula de 12 compassos se repete duas vezes. O reverse bend mais evidente e expressivo ocorre no quinto compasso do segundo chorus, sobre o acorde de A7, jé que a progressio é um slow change em E maior.

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FrERNAND@~N@R@?il-la Changes

Twenty Five Years Ha outros otimos solos espalhados pelo disco Freeman Blues (2013), mas 0 destaque ca para Twenty Five Years. Ter uma base interessante — neste caso, com vocais dobrados e riff contagiante - ajuda qualquer solo, mas o fato é que Crochemore detona com sua Gibson Firebird, executando frases quentes e repletas de bom humor musical, 0 que contribui ainda rnais para o clima alegre e empolgante da faixa. O guitarrista comeca o solo repetindo um pequeno riff e, de repente, explode em uma sequéncia ultraveloz de notas, mas todas elas fazem sentido, e isso é o que mais importa.

Noronha da um show de wah-wah no solo da faixa-titulo do disco Changes (2003), com um timbre de Strato matador e uma abordagem quase hendrixiana. O guitarrista gaucho demonstra que pegada é essencial para executar um solo enérgico. Além disso, o guitarrista sabe variar elementos técnicos de forma a manter 0 interesse do ouvinte, mesmo em um solo longo como este, com praticamente urn minuto de duracao. Um segundo solo, com as mesmas caracteristicas, encerra a msica.

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Edu Gomes executa um solo primoroso na versio de When I Be Back que esta no DVD A0 Viva (2009), da Irmandade do Blues. Sempre com muito bom gosto, ele cita a melodia principal e a

vira do avesso, criando frases que geram sensacio harmonica. Seu fraseado explora a sutileza de cada passagem melodica. Todas as notas soam claras e, mesmo sendo a unica guitarra, preenchem os espacos que a musica pede, em um exemplo de solo tocado para a cancio. Sobre o riff da musica, em Cm, Gomes utiliza principalmente a pentatonica de G menor misturada a escala de G menor natural - na verdade, ele pensa em C dérico.

Bem, Herbert Vianna nao é exatamente um guitarrista de blues, mas os Paralamas do Sucesso é uma banda de pop rock que se destacou por misturar diversas inuéncias. Ska e reggae talvez sejam as rnais evidentes, mas Herbert também ouviu muito blues e incorporou diversos de seus elementos. Prova disso é a cancao Caleidoscépio, da coletanea Arquivo (2000). A msica ja comeca com uma introducao bem blueseira, na qual Herbert emprega uma pentatonica menor sobre um acorde dominante — no caso, a pentatonica de Gm sobre G7. O lick inicial inclui a blue note B. O solo é lento e melodioso, de altissimo bom gosto, e deixaria

Albert King orgulhoso.

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iGBR PRAUQ You Hurt Me Igor Prado é um dos mais bem~sucedidos blueseiros brasileiros. Ele costuma tocar com frequéncia no exterior, e nao é diffcil entender por que quando se ouve 0 solo de You Hurt Me, faixa que se encomtra no CD/DVD Blues 6* Soul Sessions e traz a participacao da cantora Tia Carroll. Este disco foi gravado ao vivo no estL’1dio pela Igor Prado Band e o guitarrista derrama melancolia neste solo pungente, que, como tudo neste trabalho, foi gravado em um nico take, sem emendas ou reparos. Técnica, bom gosto, criatividade, pegada, enm, todos os elementos que formam um mestre da guitarra estio presentes aqui.

MARCBS BTTAWANQ Little Angel Marcos Ottaviano domina como poucos a arte do slide. E o que ele mostra no solo de Little Angel, uma das faixas da coleténea Blood, Sweat 6’ Electric, lancada em 2013. Seu solo é extremamente melodico e condizente com o clima da msica, que é instrumental. Ottaviano demonstra seu extenso vocabulario de licks de slide, tocados em anacio aberta. O guitarrista revela grande sensibilidade, colorindo a

msica

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reforcando seu belissimo clima.

N UNB MlND‘E HS Hugs A faixa de abertura do cléssico album Texas Bound jé mostra que Nuno nio estava — alias, nunca esteve - para brincadeiras. Apos uma introducio apimentada, a coisa pega fogo de vez com um solo furioso. O apuro técnico, somado a uma sensibilidade interpretativa impar, chama a atenco e as frases répidas impressionam. Vale lembrar que, com Nuno, velocidade nio signica virtuosismo estéril. Seu imenso vocabulério garante que ele sempre tenha algo profundo a dizer. Preste atencio na interpretaco e no uso dos recursos de expressio. [I


Suh lnvestigagio

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to tempo. Havia o guitarrista de estudio de Chicago,

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que fazia dezenas de gravagoes para a Chess Records, em trabalhos de grandes nomes do blues, como Muddy Waters, Willie Dixon, Howlin’ Wolf, Little Walter, Koko Taylor, entre outros. Nesse tipo de fungao, Guy apenas preenchia os espagos e tocava somente o que os artistas e Leonard Chess desejavam. Mas havia também o showman insano e feroz, que tocava um impressionante blues amplicado e distorcido que, mais tarde, iria fomentar o boom do blues britanico. E ele detonava usando um cabo de guitarra de 50 metros entre sua Fender Stratocaster e 0 amp, de modo que podia comegar o show da rua, do bar, do banheiro rnasculino ou de onde quisesse. Este Guy impressionava todos os presentes na plateia e inseria mais notas em um unico compasso do que qualquer outro musico, mas raramente permitiam que ele zesse isso nas grava<;6es (uma exceeio é 0 album Hoodoo Man Blues, de 1965, do gaitista de blues Junior Wells). O verdadeiro Buddy Guy estava comprometido a deslanchar durante os anos 1990, quando gravou


Damn Right, I've Got the Blues e Last Time Around: Live at Legends (comjunior Wells). Desde entio, langou outros 6timos élbuns, como Sweet Tea, Skin Deep e Living Proof. No inicio de sua interessante biograa, When I Ldt Home, Guy revela que suas primeiras inuéncias foram as rm'1sicas dos péssaros e outros sons da natureza que ele ouvia quando criam;a, em uma plantagao na Louisiana. Isso faz total sentido quando percebemos que Guy consegue inserir quase 50 notas em um nico compasso e as mantém sempre musicais.

Depois de John Lee Hooker, o primeiro heréi da guitarra de Guy foi Guitar Slim, também conhecido como Eddie Jones. Buddy foi atraido nio apenas pela maneira de tocar e cantar de Slim, mas também pelo seu talento como showman e capacidade de entreter multidées. Guy admite que queria ser Guitar Slim e imitou seu idolo ao usar um cabo de SO metros, no que Slim também foi pioneiro. Boogie Chillen, de John Lee Hooker, foi a primeira msica que Buddy Guy aprendeu a tocar (em um violio de duas cordas feito em casa), mas uma das gravagoes

mais importantes de sua vida é The Things Used to D0, de Guitar Slim, a qual Guy toca até hoje. E a cangéo em que os dois Buddy Guys convergem e, por isso, seré investigada nesta ligéo.

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trada em 1953, esté na tonalidade de F e comega com uma anacruse no acorde V, um C7 arpejado que comeeando no tempo trés, como mostra 0 Ex. la. Os metais e a segiio ritmica entram nos préximos trés compassos e adaptam o shuffle lento em 12/8 it progresso de blues de 12 compassos “fast change” da cangio (F7Bb7-F7-F7-Bb7-Bb7-F7-F7-C7-Bb7-F7-C7). Nos primeiros quatro compassos do verso, Slim, que nio toca nenhum acorde ou bend, responde a cada uma de suas frases

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OSOLO ORIGINAL Guitar Slim nio aplica nem um L'1nic0 bend ao longo do solo inteiro de 12 compassos (Ex. 3). Em vez disso, ele explora ligados, slides e répidas mudangas de po-


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depois. Os compassos 3 e 4 repetem os dois anteriores (sem 0 acorde IV), antes da mudanga de posioio jé mencionada, que acontece no tempo forte do compasso 5. Slim aplica manobras de slide nos dois compassos do acorde IV até retomar ao acorde I, que apresenta uma nova frase, tocada duas vezes. Nos quatro ltimos compassos, o guitarrista desloca 0 motivo de quinta-sexta-tonica de cinco maneiras

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PRESTANDO HOMENAGEM E MANDANDO VER O pn'meiro chorus do solo de Guy, transcrito no Ex. 4, foi extraido de uma performance ao vivo de 1991 (pesquise no You"Ii1be).

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§H'T/5'35‘-‘M que Slim para por aqui, mas é justamente onde Buddy comeca! Guy geralmente faz seu solo crescer até alcancar mn frenesi estonteante durante mais alguns chorus, antes de voltar aum clima relaxado. E, é claro, a multidio enlouquece!

E aqui que conhecemos os dois Buddy Guys. Ele comeca citando e brincando com a gura da abertura de Slim, nos compassos 1 e 2, antes de explorar com entusiasmo 0 desenho da escala blues em A na quinta posicao, nos compassos 3 e 4, em que ele consegue inserir umas 86 notas! Os tempos

F|NAL|ZA§6ES

fortes estio apropriadamente alinhados, mas a divisio ritmica das notas do meio sao abertas a interpretacio. Guy da uma segurada para citar novamente os compassos 1 e 2 sobre o acorde IV (compasses 5 e 6). Depois, ataca com iria um A agudo surpresa seguido de slide, bem no estilo de B.B. King. Em seguida, retoma a posiciio 17 para um lick de dois compassos que somente Buddy Guy poderia criar. Sobre o acorde \l no compasso 9, Guy novamente presta homenagem a Slim, executando a frase na corda E aguda, assim como no compasso 10, que traz saltos de slide sobre o acorde IV. O tumaround de Guy, nos compassos 11 e 12, acentua as cores originais de Slim por meio de apojaturas com ligados (de terca menor para terca maior) e uma nalizaeo cromética descendente de muito bom gosto. A principal diferenca é

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Guy toca 0 nalizacao de Guitar Slim nota por nota até hoje, e por que nao? E maravilhosa. O Ex. 5a retrata a original: um motivo ritmico de dois-contra-trés que consiste em dois intervalos de quana a uma distancia de uma terca menor entre si — ou trés casas. Em seguida, ha um movimento descendente de meio-tom, de Gb9 para o acorde nal F9 (tonica). A versio de Guy, mostrada no Ex. 5b, é uma cépia el transposta quatro casas acima, para a tonalidade de A. Como Buddy Guy comprova, vocé pode aprender bastante estudando a obra de um grande msico. Ha um monte de ca.nc6es de Guy por ai, portanto, va a luta e conxa suas gravacoes com a Chess, seu trabalho com o grande gaitista Junior Wells e seus numerosos élbuns solo. -ll

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gem do jack sio os mesmos da linha principal e talvez vocé possa pensar que a PRS tenha tomado algumas liberdades com relacio as ferragens, mas nio é o caso. As tarraxas com trava das S2 sio, basicamente, idénticas ao modelo Phase H, da PRS, e a S2 Mira conta com a mesma ponte/ cordal PRS Stoptail encontrada nos instrumentos cle maior preco. A Starla ostenta uma ponte Tune-0-matic e um vibrato Bigsby B50. Apenas a Custom 24 pega emprestada a ponte PRS corn alavanca da linha SE, fabricada na Coreia do Sul. Os captadores S2 sao feitos de acordo com as especicacées da PRS e cada par é ajustado especialmente para o modelo S2 especico no qual é instalado. As guitarras S2 avaliadas aqui sao instrumentos com timbre, tocabilidade e visual excelentes. Pelo que oferecem, chegam ao consurnidor com étimos precos. Todas possuem algo atraente para cada tipo de guitarrista. Ficamos téio impressionados que decidimos dar o prémio Equipo de Ouro aos trés modelos. - ART THOMPSON

LAN¢AMENTO DA SERIE S2, da PRS, revela 0 desejo da empresa de oferecer guitarras mais acessiveis em comparacio a sua linha “principal” de instrumen~ tos, mas ainda construidas em sua fabrica em Stevensville, nos Estados Unidos. Os modelos S2 so 0 resultado dos esforcos da PRS em encontrar maneiras de reduzir custos de producio sem comprometer a qualidade, timbre ou conforto na hora de tocar. Por exemplo, assim como nas top de linha, a empresa utiliza madeiras envelhecidas de boa qualiclade nas S2, mas sio exemplares menos caros que combinam com as cores solidas empregadas nessa série. O nico modelo S2 que apresenta tampo de maple gurado é a Custom 24. Os bracos Pattern Regular sao semelhantes aos feitos pela PRS no nal dos anos 1980, mas, construindo-os com jun— cio do tipo “scarf” (colagem espanhola), no headstock, e “splice” (pequena emenda), no troculo, podem ser usadas pecas menores e de menor custo de mogno. As S2 possuem acabamento de alto brilho, composto de uma base de poliéster e uma camada superior de vemiz acrilico. Essencialmente, é 0 mesmo que a PRS utilizava antes de mudar para seu novo acabamento (V12), mas 0 processo foi aprimorado para permitir uma camada superior mais na, que acelera o tempo de secagem e aumenta a ressonancia. Os trastes, pestana, knobs e a monta-

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S2 Minha guitarra principal é uma PRS Custom 24 Brazilian e eu tinha outra Custom 24 antes dessa, portanto, é um modelo com 0 qual estou bastante familiarizado. Com o lanqamento da SE Custom 24, fabricada na Coreia, alguns anos atrés, aqueles que nio podiam comprar uma PRS passaram a ter como opgéo um instrumento com um pouco da rnagia da Custom 24, por um prego bem mais em conta do que a original. Porém, havia, é claro, uma lacuna substancial na tocabilidade, som e qualidade geral de construeio entre as duas. Agora, a PRS oferece a S2 Custom 24. Feita nos EUA, é uma

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alternativa incrivel, com prego ainda atraente e qualidade muito mais proxima dos instrumentos top de linha da empresa. Minha primeira impressao ao remover a S2 Custom 24 de seu elegante gig bag foi muito positiva. Apesar de néio ser tio chique quanto sua irm de prego mais elevado, exalava uma vibe semelhante. Com seu shape Pattem Regular médio-grosso, o brago de trés pegas de mogno, muito bem acabado, caiu muito bem na minha mio. Um exame mais detalhado conrmou 0 nivel de habilidade da equipe da PRS, desde 0 soberbo trabalho de construgio e acabamento até a superprecisa colocagio dos trastes e marcagoes em formato de passaro na escala de rosewood.

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A instalagio do hardware também mostrou-se limpa e sem falhas. Para controlar custos, a S2 Custom 24 foi projetada com fabricagio simplicada em meme, como as bordas assimetricamente chanfradas no tampo de maple, em vez de um trabalho a mio mais dificil e demorado, assim corno a utilizago de madeiras mais modestas, algumas fermgens moldadas e captadores terceirizados (versoes S2 dos classicos modelos HFS Treble e Vintage Bass, da PRS; projetadas nos EUA, mas fabricadas na Coreia). Mesmo com essas caracteristicas que ajudam a diminuir despesas, o tampo é de maple gurado, a ponte com alavanca e as tarraxas com travas sio muito parecidas


com seus parentes mais caros, tanto estética como funcionalmente, e os pickups soam muito bem. Além disso, embora haja um seletor de captador de trés posigoes em vez da chave de cinco posi§6es presente na Custom 24, o recurso push~pu11 para cancelamento de bobina, instalado no controle de tonalidade, adiciona bastante versatilidade sonora. Os captadores S2 produzem a mesma riqueza e detalhismo dos genuinos HFS Tieble e Vintage Bass — na versiio S2, os agudos do primeiro néio soaram téio suaves e transparentes e os graves do segundo mostraram-se um pouco menos focados -, mas, em geral, o som é sm'preendentemente semelhante aos originais. O controle de

tonalidade também é muito bem timbra~ do - vai do bastante agudo ao muito grave. Acionando a chave de cancelamento de bobina. o humbucker passa a soar com mais ataque e brilho. O desempenho do instrumemo foi otimo e, mesmo com aoio relativamente bajxa, néo encontrei notas inaudi~ veis ou trasteja.ment0s.Minha1'1nicaqueixa foi um ruido intermitente do hardware, algo que podenla ter sido facilmente remediado. A S2 Custom 24 teria uma excelente relaqio custo-beneficio mesmo se niio houvesse a Custom 24 como referéncia de comparagio. Considerando seu visual, feeling e som, seu preqo pode ser considerado modesto. Um feito notével da PRS.

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CLEVELAND

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S2 MIRA Em um video de 2011 no site da empresa, Paul Smith revelou que a PRS testou cada amplicador construido por eles com um modelo Mira. Faz sentido: com seu corpo de mogno sélido e dois humbuckers. a Mira incorpora tudo que existe de melhor quanto a timbres poderosos de rock cléssico e blues. E, com a possibilidade de cancelar as bobinas dos pickups, a Mira cobre também a regiio dos sons esta1ados, brilhantes e funkeados. Essa incrivel versatilidade esta agora disponivel para um numero bem maior de pessoas, graqas ao modelo mais acessivel S2 Mira, fabricado nos EUA. Se vocé esta se perguntando se a PRS fez cortes em termos de qualidade, timbre, tocabiIidade e acabamento para chegar a um

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preqo mais baixo, a resposta é nio. Esta guitarra tem tudo o que se espera de um instrumento da Paul Reed Smith. A primeira coisa que todo mundo notou nessa guitarra é sua incrivel leveza. Com pouco mais de 2,5 quilos, revela-se confortavel, rapida e égil, como uma espécie de ca.rro esporte Lotus. A ressonéncia acustica é alta e com punch. A PRS maximizou a ressonancia com uma ponte de pega unica, sem partes moveis. Os postes de latéo nao apenas sio mais musicais, de acordo com Paul Smith, mas também combinarn com o acabamento vermelho cereja. O shape Pattern Regular do braqo é consistente sem ser desagradével, contribuindo para uma experiéncia suave e segura na hora de tocar.

a S2 Mira em um PRS 2 Chanem cliversos modelos diferentes de um Kemper PowerHead, ligado a uma caixa Bad Cat 4x12. O humbucker da ponte soa com um ronco legal e “na cara", com médios fortes que se sobressaem. O pickup do brago tem algo em comum com vérios captadores de brago cla PRS: agudos incriveis. Qualquer um que jé teve problemas em equilibrar os humbuckers clas posi<;6es do brago e cla ponte — por exemplo, quando o da ponte soa bem, o do brago ca embolado precisa experimentar essa guitarra. Os timbres sio quentes e cheios, além de incrivel-

Liguei

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mente articulados. A posigio do meio do seletor proporciona um excelente som estalado de dois captadores combinados.


O recurso push-pull no boto de tonalidade permite cancelar as bobinas em qualquer uma dessas posic;6es, e esses timbres também soam étimos. Se isso fosse tudo o que a S2 Mira tem a oferecer, jé seria uma guitarra incrivel. Mas, como aprendemos a esperar sempre mais da PRS, 0 botio de volume é timbrado de tal forma que, quando vocé 0 diminui, o som nio perde seu brilho, e isso origina inmeras cores sonoras distintas. O mesmo vale para o controle de tonalidade. Conectei a um som de Marshall JVM no Kemper, que foi ajustado em OD1 Orange para um enorme timbre de rock distorcido. Manuseando o boto de volume, 0 seletor

de captadores e 0 cancelamento de bo-

bina. pude passear por diversas sonoridades ern tempo real, sem tocar no amp: power chords parrudos, axpejos semidistorcidos, blues de SRV, funk magro de Nile Rodgers, sustain de captador do brago e acordes superlimpos. Claro, muitas guitarras podem fazer isso, mas a Mira faz melhor. Para guicarristas que nio possuem uma PRS, a S2 Mira pode ser a porta de entrada aos maravilhosos instrumentos da marca. N50 é muito luxuosa, nem muito perfeita, nem muito cara. uma maquina de rock and roll que pode fazer um monte de outras coisas, e por um prego muito justo. - MATT BLACKETT 133

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S2

Regular colado. A escala de rosewood contém 22 trastes polidos e uniformemente nivelados. As marcacoes sao simples, em forrnato de bolinha. O shape de espessu~ ra média do braco é muito confortavel e a magnica regulagem de aco baixa da a S2 Starla uma tocabilidade inspiradora. Detectei apenas um trastejamento minimo e a entonaco mostrou-se muito boa, permitindo que acordes soassem com beleza em todas as regioes do braco. O sistema Bigsby tem movimento suave e positivo. Permaneceu anado enquanto eu embelezava acordes e linhas melodicas com inexées legais de vibrato. Se vocé puxar demais a Bigsby para cima, corre 0 risco de tirar de posicio

Esta guitarra com um nico cutaway se aventura em territério retro, gracas a seu vibrato Bigsby e dois elegantes humbuckers S2. Cada pickup possui polos ajustaveis, em uma das leiras da capa polida, e imas de alnico expostos, na outra leira. O visual de cromo sobre preto da guitarra avaliada é tao classudo quanto um smoking, e 0 traje é completado por um escudo estiloso de duas camadas que circunda os captadores, os controles de volume e tonalidade (este ultimo possui recurso push-pull para cancelarnento de bobina) e 0 seletor de captadores. Com 3,4 quilos, a S2 Starla apresenta construcio totalmente de mogno e braco Pattem

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sua mola principal (ou fazé-la sair voando pela salal), mas esta peca classica de hardware acrescenta uma ressonancia interessanre muito peculiar outro aspecto que faz da Starla um modelo distinto em relacao a suas irmas da série S2. Plugada em diversos amplicadores diferentes, incluindo um combo PRS 2-Channel e um Kemper PowerHead ligado a uma caixa Bad Cat 4x12, a Starla forneceu de tudo — de timbres blhantes e limpos com excelente denicao de notas até sons pesados de humbucker. A guitarra possui uma vivacidade natural que atorna muito expressiva. O nivel de saida dos captadores é similar ao dos PAF, fazendo com que a S2 Starla responda orga-

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nicamente as dinamicas de palhetada. O pickup do brago oferece uma otima mis~ tura de profundidade e clareza, que pro~ duz desde climas aveludados de jazz até latnentos de blues. O captador da ponte gera muita gordura e ataque, e sua energia garante que solos e partes ritmicas se destaquem na mix de uma banda. O controle imico de volume nio possibilita muita variagio sonora quando arnbos os captadores sao acionados, mas o timbre dos pickups combinados é claro e equilibrado, com agudos suculentos, graves amplos e uma dogura de médios que tomam essa conguragio ideal para tocar acordes limpos ou reforgar um pedal de distorgio ou amp de alto ganho e, assim,

obter um som emocionante para solos. O controle de ronalidade merece elogios pela sua ample. veuiedade de timbres utilizéveis - de sons brilhantes a la Tele até texturas escuras. mas denidas, de jazz. Quando esre boréo é puxado para cima (recurso push-pull), os sons vo para uma diregio mais magra e cremosa, sem perda excessiva de saida. Como a S2 Starla contém todas as qualidades fundamentais de tocabilidade, construoéo e timbre dos modelos PRS construidos nos Estados Unidos, essa guitarra pode ser a solugio para quem rem sido barrado na entracla das festas sonoras da PRS devido ao alto prego do -I ingresso. - ART THoMPsoN

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A NOVA LINHA DE AMPLIFICADORES Champion, da Fender, é uma bela mostra de uma interessante tendéncia mundial: design retro misturado com tecnologia de ultima geraeio. Estes combos reproduzem com categoria 0 visual dos classicos Fender Blackface, mas estao recheados de uma grande variedade de surpresas sonoras. Tivemos a oportunidade de fazer contato A imediato com as tres opqoes de tamanho e poténcia oferecidas pela linha Champion.

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CHAMPION 20 O Fender Champion 20 é pequeno, mas bastante robusto, com direito a cantoneiras cromadas e alga de transporte idénticas as de seus irmos maiores. E muito semelhante a um popular modelo de outrora,

o Fender Champ (tudo indica que foi dai que surgiu a ideia do nome da nova série).

megar pelo volume absurdo que é capaz de produzir, com peso de graves surpre-

Mesmo sendo o cagtula da turma, 0 20 deixa clara a missao dos Champion: seduzir a todos com 0 charme de detalhes classicos elmente reproduzidos, como knobs, revestimento externo, material da tela frontal e logotipo da Fender (um show a parte), e oferecer as inmeras vantagens sonoras da mais avangada tecnologia amal, mas sem intimidar guitarristas que nao sao — nem querem ser geeks. Nada contra quem seja, visto que a Fender ja oferece aos amantes de tecnologia a série Mustang, também inovadora e bastante versatil em relaeio a timbres. Os Mustang possibilitam conexao com outros dispositivos via USB, recurso interessante que abre um enorme leque de op<;6es, mas, por outro lado, gera certa repulsa em guitarristas mais conservadores. Ideologias a parte, 0 fato é que o Champion 20 vai muito além do esperado para um amp de pequeno porte, a co~

endente, talvez por conta de sua traseira fechada. Possui apenas um canal, mas este pode assumir vérias personalidades distintas, selecionaveis por meio de um selecor rotativo igual aos demais knobs, mas sem numeragio. Os timbres vio de um cintilante Fender Blackface a urn sanguinario amp para metal, passando por crocantes modelos Tweed e agressivos stacks com sotaque britanico (guardadas as devidas proporgoes, é claro). A equalizaqéio se resume a graves e agudos, porém, como seus diversos presets apresentam interessantes e distintas curvas de médios, estes dois botoes mostram-se bastante ecientes para acertos nais de timbre. O ajuste de ganho é amplo e proporcional ao modelo de amp escolhido, e pode “sujar” um pouquinho, benecamente, até mesmo os modelos mais limpos. Os efeitos embutidos do Champion 20 também selecionéveis por meio de um

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diferenca é a traseira bastante aberta, que exibe claramente 0 falante. O canal limpo nio conta sequer com ajuste de ganho. Tem apenas knob de volume. Como é o tipo de timbre mais procurado em um Fender, com certeza foi idea1izado para ser cristalino ao méximo, pam que o guitarrista possa acrescentar efeitos bonitos, como chorus, reverb ou ambos. Ia o canal B disponibiliza qualquer um dos modelos anteriormente citados no Champion

discreto knob — sic uma mio na roda e possuem sonoridade que nio deixa nada a desejar quando comparada a de pedals de qualidade. O ajuste no dos efeitos néio poderia ser mais fécil um boto de intensidade e um botao Tap. Se 0 guitarrista souber dosar 0 efeito, conseguira um resultado sonoro “prossa". Chorus e vibrato precisam de regulagens um pouco mais generosas de intensidade que os efeitos mais espaciais, como delay e reverb combinados, que soam exagerados em altos ajustes. Com tais efeitos regulados devida~ mente, toma-se uma viagem tocar em casa com um amp desses, sem a necessidade de pedal algum. Além disso, nio ha nada como brincar de colocar a guitarra na mesma mix da musica que estiver rolando no aparelho de som ou na televiséo. Por falar nisso, se for para tocar em casa ou em um minuscule home studio, o rendimento do falante de 8” do Champion

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20 é impressionante, mas tentar acompanhar uma banda com bateria acustica passa a ser um trabalho para seus irmaos maiores. No nal das contas, 0 menorzinho dos Champion deixa totalmente no passado as limitacoes sonoras de seu simpatico vovozinho Fender Champ.

CHAMPION 40 O Champion 40 continua a missio de onde seu innio cacula parou. Foi ideaJizado para aqueles que querem um amp leve e compacto, mas, vez ou outra, aventuram-se por gigs destemidas com amigos. Além dos mesmos recursos de equalizacio e op<;6es de timbres e efeitos do 20, o Champion 40 conta com o dobro da poténcia (40 watts), um alto-falante de 12" e run canal adicional totalmente clean, no estilo do Blackface (nome dado a toda uma familia de amps Fender classicos que se destacam pelos imponentes timbres clean), acionavel via footswitch (opcional). Outra

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Testes pion 20, ou até mesmo outro Blackface bem limpo, se vocé quiser apenas volume e equalizacao diferente entre os canais. Porém, acho que sera dicil alguém escolher esta opcao, pois quem quer um amp de dois canais geralmente deseja porrada em um deles. Mas este nio é o forte do 40. Seu tamanho e concepcao favorecem muito mais timbres clean, principalmente com chorus ou anger, talvez gracas a traseira aberta, que despeja urn bocado os agudos, mas deixa os graves um pouco menos denidos. Por conta disso, seus sons mais radicais nao conseguem soar muito auténticos em volumes elevados. Mesmo assim, 0 40 encara facilmente sonoridades com drive moderado e possui projecao e volume sucientes para ensaios com banda e shows em palcos pequenos. Portanto, se seu som nao for ultrarradical, talvez o Champion 40 seja a forma mais estilosa, acessivel e eciente de sair de casa carregando, sem sofrimento algum, seu tao sonhado amplicador Fender.

niveis, 0 fato de o canal 2 ter equalizacao com botio de médios é otimo poder dosa-los em um canal tao exivel — e seu proprio leque de efeitos toma as mudancas sonoras incrivelmente radicais, com regulagens bem distintas podendo ser ajusradas em cada um dos canais. Este Fender é uma verdadeira fera para timbres pesados, contanto que vocé saiba regular os graves para no sobrecarregar os dois valentes falantes de 12". Mesmo que 0 circuito do amp tenha altissimo poder de fogo em se tratando de distorcées extremas, seu gabinete com traseira aberta nio tem como proporcionaromesmo rendimento de graves de um half-stack. Contudo, caso vocé queira experimentar todo seu potencial de destruicio, basta desplugar seus falantes e conectar o amp a uma caixa 4x12. Lmponente e ecaz ao extremo, 0 Champion 100 é o suprassumo dessa nova série da Fender. Gracas a sua incrivel versatilidade e simplicidade de operacao, sera um sucesso entre prossionais, semiprossionais ou entusiastas amadores amantes da marca. Pela sua capacidade de fazer tanta gente feliz, merece o prémio Equipo de Ouro! H

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CHAMPION 100 Mas se o seu sonho de amp Fender sempre foi um iconico e reluzente Fender Twin Reverb, o mais famoso de todos os amps ja lancados pela célebre marca, o Champion 100 vai deixa-lo empolgado so de olhar para ele. As dirnensoes extemas sio, aparemzemente, as mesmas do eterno classico. Tudo bem que o Fender Twin Reverb original é um combo lendario movido a vé.lvulas 6L6, mas um amp de porte idéntico, que conta com 100 watts empurrando dois falantes de 12" e o leque de timbres da nova linha Fender, prO1’nEtE ser uma verdadeira usina sonora. A exemplo do 40, 0 Champion 100 possui canal limpo caracteristico dos iconicos Blackface, e este canal disponibiliza sua propria paleta de efeitos. Os sons totalmenre clean ganham volume e projecao fantasticos neste combo 2x12. Com a adicio de trémolo, tomam-se fantasmagoricos. O Champion 100 possui punch de gente grande até mesmo no canal limpo, muito semelhante aos tradicionais aparelhos valvulados da marca. Ia o canal 2 é um camaleao de grande porte. Gracas as dimensoes deste combo, consegue reproduzir com perfeicio desde um cléssico Fender Bassman até um aterrorizante amp para metal, como Diezel ou Mesa/Boogie Dual Rectier, passando por drives dignos de um bom Marshall Plexi — timbres que amps da marca nio possuiam. Além deste belo upgrade de sons dispo-

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A TAGIMA E UMA EMPRESA BRASILEIRA que deslocou parte de sua produeio para a China. A distancia, porém, nao conta muito, jé que a marca acompanha minuciosamente a construeao de seus instrumentos. O luthier Mzircio Zaganin é o responsavel pelo desenvolvimento de novos produtos e pelo controle de qua1idade, o que se observa nio apenas pelo acabamento impecével dos seus vio16es, mas também pela revisio e inspego cuidadosa ao chegarem ao Brasil. Nesta edieio, testamos dois modelos desenvolvidos no pais e produzidos em terras orientais: Ottawa e Vancouver, integrantes da série Canada.

OTTAWA Este violio eletroacustico de cordas de néilon possui contomos de modelo classico, exceto pelo cutaway. Vrsualmente, prima pela sobriedade,va1orizando acoloraeo natural das madeiras: tampo de cedro canadense laminado, brago de mogno e laterais, fundo, escala e cavalete de rosewood la-

minado. A madeira do tampo é o elemento que sugere o nome desta série, pois esté presente em todos os seus violoes (além do Ottawa e do Vancouver, a Tagima produz o Montreal e 0 Quebec). O acabamento é de vemiz brilhante, o que proporciona protego maior ao cedro, madeira que costuma marcar bastante com batidas ou arranhes. Trata-se de um instrumento muito bonito, principalmente pelo rosewood

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escuro das laterais e do fundo, que gera uma aura elegante. A roseta possui desenho discreto, mas integrado a proposta visual do violio. O sistema de tarraxas é dourado com detalhes em preto. O Ottawa veio bem ajustado de fabrica. As cordas estavam em uma altura boa, confortéveis para a mac da escala, facilitando o toque. Como tem sido praxe em modelos industrializados de cordas de néilon, este Tagima apresenta dimensoes de pestana um pouco menores do que viol6es classicos tradicionais — 52 mm, em vez dos costumeiros 53 mm. Por outro lado, a largura e o tamanho do corpo sio sirnilares aos de modelos utilizados por concertistas. As tarraxas séo precisas, sem exagerar na sensibilidade, e seguram a anaqio satisfatoriamente. O violio no vem com bag, portanto, vocé precisaré adquirir um para trans-

porta-lo e protege-lo. A sonoridade acustica do Ottawa é agradével, com timbres interessantes, apesar de sua projeqio e volume moderados. Ha de se levar em conta que as madeiras escolhidas para o corpo (cedro canadense e rosewood) integram peeas laminadas (duas camadas: uma delas da madeira citada e a outra feita de uma madeira mais simples) para baratear o custo nal. Sendo assim, a qualidade sonora nao é a mesma de um violio de tampo macigo (apenas uma camada), mas, para um instrumento de pre<;o baixo ou médio, oferece sonoridade honesta e boa tocabilidade. A parte elétrica é formada pelo sistema TEQ-9, desenvolvido pela propria Tagima. A captagio é de rastilho e o pré-amplicador conta com equalizador de trés bandas (graves, médios e agudos),


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controle de volume, botio Phase (para reduzir microfonias) e anador cromatico embutido. A saida é do tipo P10 (cabo comum de guitarra) e o sistema é alimentado por uma bateria de 9 volts, cujo acesso localiza-se ao lado do jack. O diferencial do TEQ-9 sao seus efeitos de reverb e chorus, que podem ser acionados via controles giratérios. Para esta avaliacao, usamos um amplicador Roland Acoustic Chorus AC-60, bastante el ao som acristico. Plugado e com todos os ajustes de equalizaciio na posicio at (central), foi possivel obter um som suave e agradavel. O volume das cordas mostrou-se equilibrado, exceto a E aguda, levemente abaixo das demais. Com as unhas bem polidas, extrai um timbre encorpado para pecas de violao solo e levadas brasileiras, como samba, maxixe e baio. Para solos e linhas melodicas, o Ottawa apresentou boa deniciio, com sustentacio interessante. O reverb é poderoso, portanto, use-o com moderacio. Girando o controle levemente para a direita, ja se consegue notar sua presenca marcante. O legal é saber dosa-lo de forma nio muito exagerada, apenas para dar uma sensacio de ambiéncia ao som elétrico, deixando-o menos seco, pois essa é a caracteristica que mais incomoda em relacao a captacao de rastilho. Quanto ao chorus, se a sua praia for pop ou jazz, vale a pena conferir grava<;6es de Hélio Delmiro com esse efeito. Trata-se de um recurso bastante pratico neste modelo, pois oferece um timbre prazeroso, sem contar que dispensa o trabalho de ter de levar e ligar um pedal. O anador cromético é preciso e corta 0 sinal to logo é acionado. O Ottawa é um violao de cordas de nailon muito bem construido, com acabamento impecavel e étima tocabilidade. A escolha de suas madeiras reete a busca da Tagima por um som honesto a um baixo custo.

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VANCOUVER Este dreadnought (ou folk) eletroacusrico com cutaway é um instrumento muito bonito, construido com as mesmas madeiras usadas no Ottawa: tampo de cedro laminado, braco de mogno e laterais, fundo, cavalete e escala de rosewood laminado. Seu acabamento é impecavel e uma particularidade atraente é a auséncia de escudo, deixando £1 mostra os veios do tampo de cedro. O verniz é brilhante, que valoriza bastante as madeiras, principalmente 0 escurissimo rosewood das laterais e fundo. A roseta segue a linha “discreta, porém elegante", com detalhes de abalone. Assim como 0 Ottawa, 0 Vancouver

Iaminadas —, com muitos harménicos e brilho na medida certa. Os graves encorpados talvez sejam sua principal qualidade acustica, étimos para executar acompa-

nhamentos e engordar linhas melodicas. Acusticamente, o Vancouver dé conta do recado em pequenos ensaios e gravacoes. Respondeu bem quando foram exigidas dinarnicas variadas, do forte ao piano, sem que perdesse a expressividade. Proporcionou boa variedade de timbres ao mudarmos a regiio do ataque da mao direita (ou esquerda, pata os canhotos) — 0 som vai do aveludado a0 metalico quando as cordas sao tocadas no sentido do braco para a ponte. Corn palheta, o Vancouver se transfor-

veio bem regulado, com cordas baixas e sem trastejamentos, 0 que demonstra a seriedade da Tagima nesse quesito. A revisao de instrumentos importados, principalmente vindos do Oriente, é algo imprescindivel. Os violes atravessam oceanos em contéineres de navios, sujeitos a bruscas alteracoes climaticas, 0 que afeta sua regulagern. Este Tagima chegou pronto para tocar - ponto mais tuna vez para 0 luthier Mércio Zaganin e sua equipe, que mandaram bem na reviso antes de distribuir os viol6es no mercado brasileiro. O Vancouver apresentou orima tocabilidade — no cansou a

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mao da escala em acordes ou ligados. E bem ergonémico, principalmente para tocar sentado. Em situacoes de palco, 0 violao conta com apenas um ponto de

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xacao de correia, localizado na lateral, um

pouco acima do jack e do acesso a bateria. Em relacao a sua

sonoridade acstica, possui projecao moderada e nao “grita” demais. Seu timbre é bastante bonito — 0 que impressionou, em se tratando de madeiras

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ma em uma verdadeira guitarra acstica, servindo muito bem para tocar repert6rios que vao do pop ao jazz. E étimo para acompanhar cancoes dos Beatles em formato voz e violio. Gosteimuito de executar linhas me16dicas de choro com palheta, altemando frases legato com outras em staccato, aplicando palm mute, assim como variando a intensidade do toque. O timbre do dreadnought combina muito bem com esse estilo. Usando os dedos, foi bacana tocar standards na onda de Joe Pass, com técnica de chord melody. Foi legal também executar fraseados rapidos e até mesmo acompanhamentos de bossa nova. O universo de utilizacao dos dreadnoughts é

innito. Brinquei um pouco com slide em anacoes abertas e 0 Vancouver nao decepcionou no territério do blues. Este Tagima vem equipado com sistema de captacao identlco ao do Ottawa, inclusive com reverb e chorus. Para avalia-lo, foi utilizado o mesmo amp1i~ cador, um Roland AC-60. Em ajuste at, tanto no violao quanto no amp, o som elétrico cou gordo, agradével para tocar com os dedos, mas um pouco carregado para ataques de palheta. Uma sugesto é acrescentar um pouco de agudos, sem exageros, para ganhar em expressiviclade. Em acompanharnenros pop com palheta, reduza um pouco o volume para poder “descer a mao” sem receios. Na hora do solo,

vocé pode aumentar um pouco novamente. Com banda, diminua um pouco os graves. Quanto aos efeitos de reverb e chorus, ca amesma recomendaco em relaoio ao Otta~

wa: use com moderacao, pois sao poderosos. Gostei bastante do reverb, porque elimina um pouco da secura do captador de rastilho, gerando tuna ambiéncia interessante, além de serum recurso pratico. O Vancouver é outro belo exemplo de violao “econémico”, mas muito bem construido. Tem étima tocabilidade e timbres interessantes, podendo agradar nao apenas iniciantes, mas também prossionais que buscam um dreadnought elétrico de preco atraente para estudo, palco ou gravacoes. Pena que rarnbém nao vem com bag. Fl

0 Vancouver vem equipado com slstema Taglma TEQ-9, que traz reverb, chorus e um aflnador.

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Vérlos tlpos de captadores distintos.

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Mlnl-humbucker na poslgéo da ponte.

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um som de qualidade ao vivo, principalmente se a melhoria esté relacionada aos capradores e a parte elétrica. O mais legal é que o upgrade de pickups nao discrimina instrumentos caros ou baratos - nao importa a faixa de preco da guitarra! Em uma guitarra de custo mais elevado. a troca dos captadores esté relacionada a obcencio da sonoridade desejada. Os pickups originais do fabricante sio selecionados de acordo com um critério ~ e um conceito. Em geral, sao captadores de excelente qualidade, mas, eventualmeme, podem nio estar em conformidade corn a necessidade sonora do msico, o que justicaria a troca. Mesmo sendo otirnas pecas, o guitarrista pode querer realizar a substituicao, por uma questao de gosto pessoal. Instrumentos de baixo custo apresentam componentes simples e baratos. Na maioria das vezes, sio pickups com pouco ou nenhum isolamento das bobinas inrernas. Explico: a bobina consiste em enrolamento de o de cobre e uma das maneiras mais ecazes de isolé-la é a insercao de um material - como parana e resinas sinteticas —que evita mrcrofoma. Mas 0 que é microfonia (realimentacio)? No pickup, ela ocorre na prépria bobina, dentro do enrolamento de o de cobre. Os espacos de ar produzem a realimentacio do sinal, criando um ciclo constante de ruido de frequéncia alta. Captadores de boa qualidade sio paranados na fabrica. Esse procedimento preenche os espacos da bobina e minimiza a realimentacio. Pickups de guitarras economicas podem produzir microfonia com muito mais facilidade — em altos volumes, que e como se toca ao vivo, capta-

felto com flos de cobre.

de conseguir

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dores sem isolamento geram ruidos e feedback. A qualidade dos imis dos modelos economicos também é inferior e exerce

inuéncia decisiva no timbre. No palco, a microfonia acontece quando 0 som dos alto-falames retoma para 0 microfone, é novamente ampliado e, entao, reenviado em loop. O nivel de volume ao vivo é alto e, em virtude da grande quantidade de microfones, monitores e falantes, a realimentacio é um risco iminenre. J21 viu a bateria rodeada por placas de acrilico no palco? Isso evita a realimentacao dos microfones da bateria e dos microfones proximos de ourros instrumentos. Com relacio aos captadores, existem trés carateristicas bésicas que interagem entre si e devern ser levadas em consideracéo: tipOlOgi3., ganho e timbre. TIPOLOGIA

Refere-se ao tipo de captador: single-coil

(bobina simples) ou humbucking (bobina dupla). A tipologia envolve também a

ergonomia da peca: humbucker com formato de single-coil, P-90 soapbar ou modelos com bobinas sobrepostas (do tipo noiseless) ' Ha ainda a possibilidade de o pickup ser ativo ou passivo. A adaptacao de um novo captador pode implicar mudancas na anatomia no topo do instrumento. Por exemplo, muitos guitarristas optam por um humbucking na posicao da ponte de uma Strato com conguracio classica de trés single-coils. Essa alteracao visa a obtenco de um som mais macio e encorpado no captador dessa posicio. Na maioria das vezes, essa substituico exigia remocio de madeira do corpo para acomodar 0 novo pickup, além de uma adaptacéio no escudo para agregar a nova peca. Hoje, basta trocar os captadores originais de bobina


Humbucker em formato de slngle-coll para Strato.

simples por humbuckers em fonnato de single-coi1- 0 tamanho é similar, mudando apenas a caracteristica do timbre. Pegas de reposigo.

GANHO

Corresponde a quantidade de amplitu-

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de de sinal aplicada a entrada de uma

fonte sonora. No caso de pickups, 0 ganho depende da caracteristica da bobina (quantidade de voltas do o de cobre) e de parémetros de forga magnética do imi. A maioria dos fabricantes disponibiliza os valores referenciais de cada modelo em caté-logos e no Préprio Site‘ Pesquise antes de tomar uma deciso. Essa classicaoio baseia-se em opgoes diferentes:

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Parte elétrlca de uma gultarra.

Parte elémca °"3a"|zada'

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ganho alto, ganho moderado e ganho tradicional. Basta escolher o modelo que atende as suas necessidades. Uma dica: nao adianta escolher apenas equipamentos de alto ganho quando se pretende fazer um som pesado. A somat6ria dessa caracteristica em cada elemento do setup pode levar a um timbre excessivamente distorcido e suscetivel a ruidos. O melhor a fazer é encontrar equilibrio entre todos os componentes. Se 0 guitarrista pretende wear um som pesado e, is vans’

usar timbres limpos, a pedaleira e 0 amp podem fomecer a distorgio desejada e, assim, 0 captador pode ser mais moderado ou tradicional. Dessa fonna, as sonoridades limpas soam mais organicas e cristalinas. N50 existe pickup que agrega sons

limpidos

doUm captador de ganho alto nio produziré um som cristalino e um pickup de ganho tradicional nio proporcionaré uma saturagao agressiva. Captadores de alto ganho funcionam melhor com menos maquiagem e um bom amp valvulado. N50 esquega que ganho no é sinonimo de timbre. Sio duas coisas completamente diferentes, mas e sonoridades agressivas em

ses democraticas.

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timbres iguais. Pode ser um bom ponto de partida, mas aprimorar a pegada é a melhor receita. Por falar em pegada, pratique de pé. E assim que se toca ao vivo, portanto, treine da mesma forma!

TIMBRE

Este é o terceiro fator preponderante, responsavel pela personalidade do som. E 0 elemento que discrimina graves, médios e agudos. Para saber a respeito das sonoridades dos captadores, a receita é a mesma: muita pesquisa. Fabricantes dis-

PARTE ELETRICA

Os componentes da parte elétrica, como potenciometros, chaves, jack de saida, acao e soldagem do circuito, sao decisivos no contexto geral. Aproveite a troca dos captadores para efetuar uma revisio geral do sistema elétrico. Caso vocé tenha um instrumento de baixo custo, troque tudo e refaca as ligacées do circuito usando condutores de boa qualidade. Aproveite para pedir para o luthier uma camada de blindagem com algum tipo de material condutivo, como cobre ou tinta condutiva. Se o seu instrumento for de custo mais alto, é possivel manter os componentes originais. Além disso, muitas guitarras de preco maior ja chegam ao mercado com blindagem, feita na fabrica Lembre-se sempre de vericar se os valores dos potenciornetros esto em conformidade com o tipo de captadores: 250 quilo-ohms

dos fabricantes de pickups oferece tabelas e gracos correspondentes aos timbres. Os referenciais de guitarristas consagrados é um bom ponto de partida. Em um primeiro momento, a sonoridade do idolo é 0 caminho mais rapido. Outra dica: néo deixe de conversar com um luthier ou técnico de guitarra. Sio os prossionais mais recomendados para esse tipo de assunto. Lembre-se de que apegada do guitarrista é fator fundamental no que diz respeito ao timbre. A escolha de um captador de

alta sensibilidade dinamica é recomendada a msicos que valorizam a pegada. O fato de ter o mesmo equipamento do seu idolo nao signica que vocé conseguira produzir

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buckers. Pickups noiseless utilizam valor del

megaohm e captadores ativos trabalham com margem de 25 a 100 quilo-ohms.

N50 convém mesclar pickups de tipolonio misture ativos com passivos ou captadores de ganhos diferentes no mesmo instrumento. O ajuste de altura do captador é outro fator determinante em termos de performance, principalmente ao vivo. Em uma apresentacao; evite deixar os polos do captador demasiadamente préximos do encordoamento, pois 0 som cara embolado. A distancia que recomendo é de quatro milimetros para pickups de ganho tradicional ou moderado e cinco milimetros para os de alto ganho. A parte elétrica da guitarra é responsavel pela maioria dos problemas na estrada. Umidade e ma conservacao devido a escassez de tempo para manutencio durante viagens sao as principais causadoras de falhas. Verique sempre as condicoes dos componentes e a qualidade do sinal. No deixe de procurar um luthier, principalmente antes de colocar o pé na estrada. 5 gias distintas. Por exemplo,

ponibilizam videos, audio e bastante informacio a respeito de cada modelo. Basta acessar o site da empresa e procurar as informacoes técnicas e videos. A maioria

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para single-coils e 500 quilo-ohms para hLun-

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HUVASFRUNTEIRASSUNURAS

Enagamgemqueasrevulugesainntezem:6arageBand(panel) NO MES ANTERIOR, ABORDAMOS O SOFTWARE GARAGEBAND. Agora, veremos a famosa — e incrivelmente util - versio para aparelhos que utilizam iOS, como iPad, iPhone e iPod Touch. Os aplicativos do GB para dispositivos moveis custam cerca de 5 dolares, 0 que, sem duvida, é uma grande pechincha, pois a relaco custo-beneficio chega a ser inacreclitavel. Vamos comecar analisando as principais caracreristicas do GB para iOS. A0 abrir 0 aplicativo, vocé escolhe entre os seus ltimos trabalhos e projetos. Caso esteja abrindo o GB pela primeira vez, aparece uma clemonstracao das porencialidades do ap1icativo. Va £1 secao My Songs, no canto esquerdo superior, e escolha a demo que 0 seu app disponibiliza (dependendo da época da com~ pra do GarageBand, as versoes costumam mudar, mas trazem, basicamente, as mesmas caracteristicas).

Veja na Fig.

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ao design de um software tradicional de gravacio multipista.

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todo, ha oito canais separados (a atual versio do aplicativo possibilita até oito canais individuais de gravacio) de instrumentos, virtuais ou reais, dispostos em linhas horizontais, como usualmente se vé nos DAWs de computadores de mesa. Experimente clicar em Play para ouvir a msica demo em questio. Memorize cada canal e, entéio, tente “mutai-" cada instrumento. Depois, clique em Solo em cada canal. Para isso, basta tocar com um dedo no icone que contém trés pequenos faders, localizado no visor superior do lado direito. La, abre-se uma caixa com vérias opcoes tradicionais de um canal de mixer (Fig. lb), como solo, mute, volume individual de canal, pan, volume do eco e reverb e outros controles que veremos logo mais. Por hora, clique nos dois controles mencionados

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anteriormente — Mute e Solo — e procure compreender 0 tipo de gravacio e informacao que cada canal possui. Agora, clique no canal da guitarra para trocar o tipo de amplicador do sinal ja gravado. Para isso, basta clicar com seu dedo no simbolo de um cabecote de guitarra, ao lado do grid que mostra os varios canais. Uma nova tela se abrira, como mostra a Fig. 2a. Aqui, vocé pode controlar separadamente a equalizacao, nivel de ganho, volume master, tremolo, reverb — exatamente como faria em um amp tradicional. Se preferir, pode trocar o amp e mudar totalmente 0 som, sem alterar em nada o take ja gravado. Basta clicar no nome do tipo de amp, acima do cabecote, para abrir uma nova minijanela, como mostra a Fig. 2b. Note que ha oito tipos de amplicadores, divididos em quatro categorias: Clean, Crunchy, Distorted e Processed. Cada escolha implica mudancas de regulagem do timbre, ganho e efeitos aplicados ao amp. Vocé pode alterar os efeitos tocando com 0 dedo no simbolo de um pedal, no lado direito. A tela muda e mostra os pedais que foram programados para este som especico que vocé escolheu. Vocé n5.o apenas pode alterar a ordem ou adicionar/retirar pedais da cadeia de sinal, mas também regula-los individualmente, como faria com pedais de verdade, e salvar o som resultante em um novo programa de usuario. Basta clicar acima de qualquer um dos pedais da cadeia de sinal para abrir uma caixa com outros efeitos que vocé pode escolher (Fig. 3). Do lado esquerdo encontram-se dois icones importantes, que estarao sempre presentes em seu trabalho de composicao e gravacao com o GarageBand: o anador e a regulagem do noise gate, o qual reduz o nivel de ruido que pode ocorrer durante a entrada do sinal, causado pela captacio da guitarra ou ma qualidade do cabo ou ainda pelo aterramento. Se desejar, vocé pode desligar o noise gate. Veja o anador em acao na Fig. 4. Ao compor com 0 GarageBand, vocé pode gravar o audio diretamente, por meio de uma interface digital (falarei especicamente sobre interfaces em outra coluna) ou do microfone do proprio iPad. Pode ainda usar uma interface MIDI para registrar o sinal com sons de médulos ou teclados sintetizadores extemos. Outta alternativa é empregar os instrumentos virtuais do préprio GB, que sio muito reais e funcionam de maneira plena para uma producio répida Clique em Instruments e varias opcoes aparecerio, como instrumentos virtuais e loops para teclado, bateria, sets para gravacio que simulam amplicador de guitarra, gravador de audio (para voz e instrumentos acsticos), sampler (o GB também é um sampler simples, mas

eciente, com 0 qual vocé pode gravar qualquer som e reproduzi-lo por meio do teclado virtual do proprio aplicativo ou com um controlador externo) e instrumentos virtuais “inteligentes”, que o GB chama de “smarts”. Veja na Fig. 5 o arranjo para gravacao do Smart

Drum. Vocé pode escolher diferentes kits de bateria e ter cada peca interpretada de maneira bem distinta. de acordo com quatro algoritmos escolhidos pelos engenheiros da Apple: simples, complexo, muito volume e silencioso. Eles sao intercambiéveis e funcionam de maneira muito inteligente. justicando a denominacao “smart”. Escolha um instrumento e. aos poucos, va descobrindo as dezenas de diferentes possibiliclades de inteipretacéo em cada tela. Ha muito mais para falar, mostrar e descobrir no GarageBand, tanto na versao para computadores como no aplicativo para iOS. Pelo fato de vocé poder utilizar a tela touch dos aparelhos moveis, a praticidade do GB é incrivel. E, se vocé lembrar que custa aproximadamente 5 délares, entendera por que este aplicativo esta revolucionando a producio musical da atualidade. No més que vem, abordarei o poderoso AmpliTube. Lembre-se de enviar suas dvidas pelo twitter ou e-mail. Até a proxima ediciio! André Martins é graduado em guitarra pelo LAMA, nos Estados Unidos,

e

em artes, pela UMESP (Universidade Metodista de S60 Paulo).

Trabalhou com Frank Gambale e langou trés dlbuns instrumentais, além de

livros diddticos

e

videoaulas. E sideman da cantora Fafd de Belém e aluno

de mestrado em miisica na ECA/USR Site: www.andremartins.com.br;

e-mail: andre@andremartins.com.br; twitter: @andremartins_br.

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ristas que detonam e soam muito bem em determinados andamentos, mas se dio mal em outros. Toquei com alguns caras famosos que arrasam ao solar em andamentos altissimos, mas parecem inconsistentes em velocidades menores. Eles possuem uma zona de conforto em se tratando de andamento, o que é legal, mas nem tanto se vocé for colocado em situacoes musicais em que outras velocidades sao exigidas. O objetivo e encontrar 0 groove certo em todos os andamentos. A maneira de superar essa fraqueza ’ especrca e praticar semrnimas, colcheias e semicolcheias em vzirias velocidades. Toque suas linhas com um metronomo, elevando constantemente 0 andamento. Tente fazer um groove com colcheias em um determinado tempo e, depois, dobre essa gura, acrescentando variacio ritmi~ ca a sua colecio de truques. I-Ié muitos jazzistas por ai que quase nio tocam em tempo dobrado. Eles tentam, mas acabam executando um pouco mais devagar do que 0 andamento real. Um cara de Los Angeles que manja do assunto é Anthony Vlson. Ele acerta o tempo na mosca. Quando entra em tempo dobrado — de colcheias para semicolcheias —, ele esta na batida certa e, com certeza, soa muito bem. Pat Martino sempre foi 0 mestre, e seu tempo perfeito e rme é ainda mais insano se considerarmos que, de alguma maneira, eleigualaaduragdo de cada nota. E algo que venho praticando nos ltimos 30 anos com linhas e escalas. Seja para tocar jazz, rock ou country, esse objetivo da duraco igual das notas deixara sua técnica incrivelmente limpa. Pegando uma dica de Pat, eu ocasionalmente gravo a mim mesmo para ver se consigo dobrar um tempo em uma determinada velocidade. Baterias eletr6¢

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Pat Martino (A esq.) e Stevie Ray Vaughan conseguem tocar no tempo certo em todos andamentos. Vocé consegue?

nicas sio étimas para isso, assim como 0 aplicativo Real Book. Mas dobrar 0 tempo da gura ritmica nao é a (mica coisa que almejo. Mais lmportante é que cada andamento soe exato e com um groove legal. Ouca 0 solo de Stevie Ray Vaughan em Hillbillies from Outerspace, do album Family Style, do Vaughan Brothers. Trata-se de um shuffle em andarnento médio dlferente de Green Onions. Quando Stevie entra no solo, seu tempo esta bem preciso e, no segundo chorus, ele faz um rapido lick em tempo dobrado que soa étimo. Parece um take ao vivo, porque, no nal, ele volta ao ritmo com 0 mesmo timbre e pegada. Isso, com certeza, foi lapidado

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em incontéveis noites na estrada e outras 10 mil horas tocando em bares. Quando ouco essa faixa ou vejo videos de Jimi Hendrix, noto que o tempo desses mt’:sicos esta profundamente interiorizado. Essa experiéncia no fronte é dicil de obter em nossos tempos de D]s e dance music em clubes noturnos. Mas é algo que pode ser praticado. Preste atencao no tempo e pegada de diferentes instrumentistas quando vocé for ouvi-los e procure encontrar 0 groove em todos andamentos. Carl Verheyen éguitarrista, vocalista, com-

positor, arranjadon produtor, professor

e

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mestre do timbre. Lancou mundialmente 12

dlbuns, dois DVDs ao vivo

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dais livros.

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Pnlir,limpar0uEncerar? Fale a lfngua dos reparos a tire méximo de seu técnico de guirarra EM MINHA OFICINA, MUITAS PESSOAS

nos perguntam como limpamos e polimos

ter particulas bem nas, mas todos sio projetados para dar brilho ao acabamento. Se

as guitarras em que trabalhamos e se é pos-

sua guitarra tiver um acabamento de vemiz

sivel fazer 0 mesmo em casa Quero passar

vintage, talvez seja melhor parar por ai, para

algumas dicas de limpeza e protecio das diferentes areas e materiais da guitarra, co-

que no haja nenhum excesso. O motivo é que o acabamento de verniz respira e pode

mecando este més com acabamentos pinta-

endurecer com 0 tempo, e é bem capaz que

dos e continuando, na proxima edicio, com

nio queira inibir o processo de envelhecimento. Se vocé quer mais protecio, a cera é projetada para evitar suor e umidade e pode até conter um pouco de protecao UV paraajudaramanteracor forte. Se depois de limpar a guitarra vocé notar alguns riscos, é um bom momento para dar uma polida e elimina-los. Vocé pode esfregar com compostos projetados para remover riscos mais pesados e, depois, aplicar um removedor. Eles sao fabricados por empresas como Big Bends, StewMac, Zymol e 3M. Vocé pode também experimentar um novo produto da Menzema, chamado FG-400. Tenha 0 cuidado de usar um pano de polimento especico para esse trabalho. Panos mais nos podem ser melhores para polir, mas, para limpeza, um pano mais grosso, mais absorvente, removera a sujeira do instrumento. A maioria dos papéis-toalha arranha guitarras. N50 importa o que vocé for fazer, comece em um canto pequeno e escondido da guitarra, veja se mciona e so depois continue a rrabalhar no restante do instrumento. Gary Brawer é dono da Stringed Instrument Repair em San Francisco, Estados Unidos. Entre seus clientes estiiojoe Satriani, Metallica e Neal Schon. -I

madeira sem acabamento e metal. Polir, limpar ou encerar? Eis a questio. Descobri que, dependendo do acabamento e tipo de sujeira, alguns tratamentos funcionam melhor do que outros e vocé precisa aplicar os produtos na ordem certa para obter os melhores resultados. Um problema comum é comecar com uma cera ou polidor em uma guitarra suja. Vocé acaba movendo a sujeira para la e para ca e no consegue brilho algum — ou pior, pode arranhar a guitarra com a sujeira da supercie. O melhor e mais seguro a fazer em um acabamento é usar algum limpador primeiro. Além de produtos de limpeza de marcas conhecidas, como Dunlop 65 e Music Nomad Derailer, tenho usado Naphtha ou Murphy Oil Soap em um pano levemenre mido para limpar lentamente a guitarra. Meu amigo Dan Erlewine (luthier) acredita que uma baforada quente e Limida funciona maravilhosamente bem com um bom pano limpo. Tenho visto alguns roadies usarem Dr. Duck’s Ax Wax na guitarra inteira, de cima a baixo. Algumas marcas, como Virtuoso, Legend, entre outras, oferecem limpadore polidor separados, préprios para acabamentos de verniz vintage. Polidores podem ou no

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Homero Blttencourt é mujslco profisslonal e professor. Realiza workshops e deve langar em breve seu primeiro CD Instrumental de jazz fusion. MySpace: www.myspace.com homeroblttencourt e—mall: h0rnero@hbagultar.com.

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Bagfroove de Milt Jackson "h MILTON “BAGS” JACKSON (1923-1999) FOI UM GRANDE VlBRA-

soa legal nesse acorde. Sobre os graus H e V, podem ser exploradas as escalas menor harmonica de G e alterada de C. O primeiro passo para tornar 0 som mais parecido com uma progresséio de blues jazz é adicionar cores aos trés acordes com

fonista de jazz. Instrumentista muito expressive, Milt Jackson se d estacava pe 1 os seus so 1 os com vanaqoes armonicas e ritmos cheios de suingue. Bags’ Groove é um blues de 12 compasses muito bacana para improvisar. A composieio foi escrita origina.lmente em F, mas pode ser tocada em qualquer tonalidade. Se vocé car tocando a escala de F blues o tempo todo, soaré chato e fora de sintonia em alguns mementos. Experimente, por exemplo, inserir 0 modo mixolidio de F e adicionar blue notes. Sobre 0 grau IV, toque Bb mixolidio ou F dérico. No acorde diminuto, utilize a escala diminuta de B. A escala de F blues também

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sétima. A maneira mais ecaz de fazer isso é mudé-los para acordes com nona e décima terceira. Esse embelezamento funciona muito bem em progressoes cle blues. Transformar acordes com sétima para acordes com nona ou décima terceira é uma étima maneira de conseguir uma sonoridade mais jazzistica. Para assimilar a ideia, ouga o éudio disponivel no site cle Guitar Player.

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Violéio Ricardo Giuffrida é gultarrlsta, vlolonlsta e compositor. Reallza workshops e shows.

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lamentns, EM MINHAS COLUNA,TENHO DESTACADO OBRASIMPORTANTES

da msica

brasileira. Vamos analisar este més uma composigio fundamental parao repertorio instrumental do nosso pais. O choro Lamentos, do genial Pixinguinha (1897-1973), tem forma tradicional de duas partes, sendo que a primeira esté na tonalidade de D maior e a segunda, em B menor. Nesta aula, estudaremos a primeira parte do tema, que apresenta diversos motivos ritmicos e uma estrutura comum ao choro (semicolcheia-colcheia-semicolcheia). Ha também acentuago da ltima semicolcheia do tempo, como nos ltimos tempos dos compasses 2, 4 e 6. A harmonia apresenta a riqueza tipica de Pixinguinha. lnicia com o primeiro grau do carnpo harmonico (D6) e emprega um acorde diminuto auxiliar (Ddim7). A partir do compasso 5, pr0s-

segue com uma linha de baixos crométicos nas invers6es D6, F#m7/C#, Am/C e B7, are alcangar o grau II do campo harmonico de D maior (Em7). No compasso 10, surge uma sequéncia de acordes formada por II-V secundérios (C#m7(b5)-F#7, no compasso1O; G#m7(b5)-C#7, no compasso 12) e dominantes estendidos (F#7, Gdim7, G#7, C#7, F#7, B7, E7, A7, nos C0mpasSOS 13 a 16). Este trecho resolve no acorde de D maior (compasso 17). A partir do compasso 18, cria-se outra sequéncia (D7/C, G/B, Gm/ Bb, D/A, E7 (9), A7) que resolve em D maior (compasso 23). Além de a harmonia de Lamentos ser muito interessante, a melodia encaixa-se naturalmente em todas as preparagées harmonicas. Pratique com atengio todas as células ritmicas e, depois, crie

uma interpretagio ritmica propria.

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Tatlana Para é bacharel em guitarra pela FAAM desde 2003. Leclona em seu home studio e pela Internet. lntegra a banda Crats (www.cratsmuslc.com.br). que langou recentemente seu primeiro album Instrumental. Atua também como freelancer, acompanhando artistas e bandas. Visltez www.tatlanapara.com.

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Row Gallagher O IRLANDES RORY GALLAGHER COMEQOU ATOCAR MUITO CEDO. Aos oito anos de idade, ganhou um ukulele e, aos nove, um vio15.0. Trés anos depois, comprou sua primeira guitarra com 0 prémio que ganhou em um concurso de talentos em sua cidade. Em 1963, com apenas 15 anos, entrou para o grupo Fontana Showband e comprou sua Fender Stratocaster 1961. No inicio da década de 1970, o guitarrista formou a Rory Gallagher Band e iniciou sua carreira solo. Langou élbuns incriveis, como Blueprint, Tattoo e Fresh Evidence. Gallagher morreu em 1995. Algumas de suas inuéncias foram Lonnie Donegan, Woody Guthrie, Leadbelly, Chuck Berry, Muddy Waters ejerry Lee Lewis. Os exemplos desta ligao foram exnraidos do solo da msica Alexis. A harmonia permanece estérica, em B7, e o guitarrista explora basicamente a pentatonica de B menor, que possui as notas B (tonica), D (terea menor), E (quarta justa), F# (quinta justa) e A (sétima menor). A estrutura, harmonia e ritmo de Alexis nio s5.o tradicionais de

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tante utilizado para desenvolver uma determinada ideia. Preste atengao na divisio ritmica e execugo de ligaduras e slides. No ltimo compasso do exemplo, deixe a nota F# soando sobre A. No Ex. 4, Gallagher utiliza a pentatonica de B menor para passear pelo brago da guitarra com desenvoltura e timing perfeito. Execute as notas com pegada e nitidez. ?l

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blues, mas a inuéncia desse género é bem evidente na composigo. Capriche na clareza do release bend e ligaduras no inicio do Ex. 1. Toque com bastante pegada e precisao ritmica. Com poucas notas, Rory desenvolve um motivo interessante que volta a aparecer no decorrer do solo. O Ex.2 tem a presenga do C# (segunda maior), que pertence a pentatonica de B maiof. Esse é o nico momento em que Gallagher mistura essa nota a pentatonica de B menor. O segundo compasso traz a repetieio do motivo do exemplo 1. O Ex. 3 comega com o mesmo motivo inicial, mas transposto uma quarta justa abaixo, partindo da nota A. Esse recurso é bas-

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UM D05 MELHORES GUITARRISTAS DA HISTORIA, CLIFF GALLUP inuenciou diversos mestres, como 0 genial Albert Lee, sé para citar um exemplo. Oom riffs marcantes e muita personalidade, Gallup deixou sua marca no universo da seis-corclas. Sua técnica e criatividade se distanciavam dos guitanistas dos primérdios do rock and roll e rockabilly, nos anos 1950. Seus licks mais conhecidos so da

época em que trabalhou como sideman de Gene Vincent. O Ex.1 baseia-se na técnica de pull-off. Observe que a passagem é toda tercinada. Palhete apenas a primeira nota cle cada bloco. No Ex. 2, capriche na ligadura do quinto compasso. E importante que as notas soem com bastante nitidez. Neste exemplo, repare como Gallup aplica suingue em cada frase. Bom estudo! 5

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Mr. Fabian é gultarrlsta e compositor. Graduado pela EM&T. Professor de gultarra e vlolao no lnstltuto de Msica Gultarlsma, em Bauru (SP).

Atualmente. dedica-se a seu trabalho-solo instrumental. Em 2010, lancou o album Solo Guitar Vol. 1. Vlslte: www.mrfablan.com.br.

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the Moon (1983) e The Ultimate Sin (1986). O inicio musical de Jake foi com 0 piano cléssico, que ele cornecou a estudar aos cinco anos de idade. Na adolescéncia, mergulhou fundo no rock. Aos 16 anos, costumava andar sempre com um violio nas costas. Na época, tocava em uma banda chamada Teaser, que realizava shows em clubes locais. Apos passar por outros grupos, Lee foi charnado para 0 Rough Cutt. Em 1982, 0 cantor Ronnie James Dio, que havia deixado 0 Black Sabbath e estava formando 0 Dio, escutou abanda e convidou Jake para um teste. Ele foi aprovado, mas a parceria durou pouco. Mesmo assirn, Lee chegou a compor 0 riff da faixa Don't Talk to Strangers, mais tarde lancada no album Holy Diver (1983), do Dio. Ainda em 1982, Ozzy Osbourne estava procurando um guitarrista talentoso para 0 lugar de Randy Rhoads, morto tragicamente em um acidente de aviio. Depois de ouvir centenas de msicos, Ozzy escolheu Ja.ke E. Lee. O guitarrista cou na banda do Madman por quatro anos.

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T O Ex.1 mostra 0 riff principal de Bark at the Moon. EncontraAm. Aplique técnica de palm mute (P.M.) na corda A, que se repete como nota pedal enquanto os acordes variam. Tome cuidado com 0 pull-off (ligado descendente) que aparece de surpresa nos compassos 1 e 6. Toque lentamente e respeite a direcao da palhetada indicada na tablatura. O Ex. 2 traz o solo nal da mesma msica. Jake trabalha com uma sequéncia harmonica no tom de Am, com a presenca do quinto grau maior (E). Trata-se de um étimo exercicio para praticar pull-offs. A divisio ritmica é de semicolcheia. Preste atencao no salto de corda dos compassos 3, 4 e 7. Nos compassos 2 e 6, faca uma meia-pestana na casa 12 para facilitar a execuco. A sonoridade melédica de cada compasso esta diretamente ligada a notas que fazem parte dos acordes. Toque devagar, principal~ mente os saltos de corda, e execute as ligaduras com clareza. O Ex. 3 apresenta o solo de Waiting for Darkness. Esta na tonalidade de Em eolio e Lee explora intervalos de quarta para construir a ideia melodica. Utilize palhetada altemada com bastante pressao e aplique palm mute para denir melhor a sonoridade. A divisio ritmica é de semicolcheias. Estude com metronome. Até a proximal se na tonalidade de

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D; terca-feira (terceiro dia) quarta-feira (quarto dia) é F; quinta-feira (quinto dia) é G, sexta-feira (sexto dia) é A e sébado (sétimo dia) é B. Essa coincidéncia nio é casual, pois ta] relacao foi feita na antiguidade. Portanto, os intervalos naturais sio os seguintes: C (primeira ou tonica), D (segunda), E (terca), F (quarta), G (quinta), A (sexta) e B (sétima). Vale lembrar que toda escala possui invers6es, mas isso é um assunto para nossa préxima licio. Até la! £1 é E;

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UM DOS GUITARRISTAS MAIS RESPEltados do mundo, Eric Johnson nasceu em Austin, Texas, em 1954. Além de uma carreira solo de respeito e participacoes em dezenas de élbuns de outros artistas, é conhecido por ser extremarnente perfeccionista e um fanatico pesquisador de timbres de guitarra. O album Venus Isle foi lancado em 1996, seis anos apos o excelente Ah! Via Musicom. Essa longa espera gerou grande expectativa por parte da critica e dos fis. Na época, muitos acharam que o novo disco nio correspondeu ao antecessor, mas o fato é que ha grandes momentos, principalmente nas faixas Manhattan, Pavillion e S.R.VI a transcricao deste més. O titulo da msica ja diz tudo. Trata-se deumtributoaStevie RayVaughan, conterraneo de Johnson, e conta com a participacao do irmao rnais velho do homenageado, Jimmie Vaughan, que faz o primeiro solo. A msica esté na tonalidade de E maior. Todas as composicoes de Eric apresentam grandes desaos e aqui no é diferente. N50 basta tocar as notas certas, é preciso muita precisao, articulacio e clareza para que tudo soe bem. O desenvolvimento da faixa acontece com guitarra limpa, captador grave acionado e um pouco de reverb e delay. Um drive sem muitos exageros aparece apenas nos solos. O tema principal acontece nos compassos 1 a 8. O primeiro compasso contém uma anacruse (nota ou grupo de notas que antecipam o primeiro tempo forte da msica). Repare que ha um jogo de perguntas e respostas na estrutura do tema. Os dois primeiros compassos trazem aprimeira pergunta; os compassos 3 e 4 mostram a resposta. Os compassos 5 e 6 apresentam uma variacio da primeira pergunta e uma nova conclusio surge nos compassos 7 e 8. No compasso 9, ha novamente uma frase em anacruse que an-

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tecipa uma das execugoes do tema, que se estende até o compasso 16. A0 longo da msica, Johnson expoe diversas variacoes muito criativas do tema principal, fazendo com que a faixa nio soe repetitiva. Outro detalhe é que o guitarrista usa o polegar para digitar certas notas ou até mesmo na composicao de certos acordes, como o C# (casa 9, corda 6) do primeiro compasso da msica. Nao existe a necessidade de usar 0 polegar se voce niio se sentir confortavel, mas é interessante saber que foi um recurso muito explorado e difundido por Jimi Hendrix e, depois, Stevie Ray Vaughan. A segunda parte da musica abrange os compassos 17 a 24. Preste atencio nas notas que devem soar simultaneamente, indicadas na tablatura, como nos compassos 21 e 22. O solo de Jimmie Vaughan comeca no compasso 42 e é mais visceral e blueseiro, com frases curtas e diretas. Ele nio usa palheta. O solo de Eric Johnson tem inicio no compasso 64 e vale a pena treinar algumas frases separadamente. A primeira delas surge no ultimo tempo do compasso 66 e termina no comeco do 68. Utilize sempre os dedos 1 e 3, com exceco da nota E (casa 12, corda E), que deve ser executada com o dedo 4. E importante também respeitar as ligaduras indicadas na partitura/tablatura. Outra frase interessante se inicia no nal do compasso 72 e vai até o 74. Esta passagem baseia-se na pentatonica de E maior e é importante notar a precisao ritmica do guitarrista Um ultimo detalhe esta na aplicacao de harmonicos nos compassos 71 e 72 e na frase que comeca na ltima nota do compasso 74 e termina no 77. Esses harmonicos sio feitos na mesma corda da nota digitada, uma oitava acima. Por exemplo, se pegarmos 0 C da casa 8, corda E, sua oitava esta na casa 20. Deixe |

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o dedo indicador da mao direita (ou esquerda, para os canhotos) livre para encostar levemente sobre o traste da casa 20 e, para realizar o ataque, segure a palheta com 0 polegar e o dedo médio. Algumas notas vao mais longe, como o F# da casa 14, corda E . A oitava desta nota estaria na casa 26. Sabe-se que, salvo pouquissimas excecoes, guitarras chegam ao maximo até a casa 24. A Stratocaster de Eric Johnson possui apenas 21 trastes, portanto, ele calcula onde seria a casa 26 fora do braco e executa o harmonico da mesma maneira. Assimile primeiro a frase com as notas no braco da guitarra para depois calcular onde estio os respectivos harmonicos. Divirta~se! -1


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longa jomada e o complicado caminho de ter de nalizar um trabalho. Durante o esquindo, balacobaco e ziriguidum do Camaval brasuca, no qual a maioria das pessoas vai para as ruas sambar, cantar, sorrir e curtir a vida, nos, do Angra, com um propésito na cabeca, também fomos curtir a vida, mas de uma forma diferente e bem particular. Decidimos passar dez dias enclausurados em Ilhabela, litoral norte de S50 Paulo. Lugar paradisiaco, onde os visitantes vao para relaxar, navegar e desbravar a inspira-

dora e belissima mata atlantica, com suas cachoeiras,faunaeora. Fomos nos concentrar para iniciar 0 processo de composicao do novo album do Angra e o desfrutar da ilharesumiu-se aver dajanelaa praia, a ora ue nos circundava e os barcos de scadores dividindo 0 mar com os transatlanticos. A fauna que vimos limitou-se as inmeras espécies de borrachudos que nos atacavam sem trégua ou piedade, apesar dos repe1entes, easbaratas cascudas que morreram pela famosa arma branca que niio soltam as tiras. Fomos todos com uma meta em mente: colocar nossas ideias na mesa para criar um album colaborativo entre todos do grupo. N50 é nada facil botar “no papel" as ideias de todos e concretizar o intan 'vel musical de forma que satisfaca e abrace a vontade e visao artistica do grupo. O Angra trabalha de forma diferente de uma banda iniciante. Temos nas costas mais de 20 anos de carreira e inmeros élbuns lancados, além de projetos paralelos. Por isso, sempre que iniciamos acriacio de algo novo, existe uma responsabilidade enonne por tras. A primeira vista, pode parecer tranquilo, pois, como existe muito material anterior, tun caminho facil seria repetir f6rmulas e conceitos preexistentes, mas isso seria uma evidente falta de criatividade. Modelos anteriores servem de inspiracao e guia para 0 que fazer e o que nao fazer. Ter uma grande base de fis e varios parceiros, como gravadora, empresario, promotores e midia em geral, gera uma expec~

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tativa e pressao enormes. Por outro lado, uma bandainiciante possui um Canvas em branco a sua frente e pouca obrigacao de agradar a quem quer que seja. Nesse caso, por nao ter parametros, o mais dificil é criar um conceito e estilo proprios e atrair fas, empresarios, midia e promotores. A concentracao do Angra com 0 proposito de com or, distante das obri a 6es mundanas do dia a dia, é o primeiro passo para preparar a mente e fazer uir

criatividade quem nunca leu Domenico de Masi e o termo “écio criativo”? Todos da banda jé tém 0 bom habito de, individualmente, coletar ideias musicais no cotidiano, mas é quando nos reunimos que podemos compartilhar nossas criacoes individuais e discutir os rumos, as vis6es, os desejos e anseios em comum a dificil observa ao de analisar uem queremos ser dali em diante; planejar e antecipar as tendéncias do que acontecera na msica e em nosso estilo no futuro. A interaco de trabalhar com colegas e amigos é fundamental para um produto nal que corresponda a vontade de todos e seja motivo de orgulho. Compor é uma questéio da ligar os pontos - lembra-se do famoso discurso de Steve Jobs? Conectar tudo 0 que o cérebro absorveu e maturou: sons, cores, estilos, melodias, palavras, soluc6es harmonicas, grooves, acordes, conceitos, formas artisticas e assim por diante — a lista vai longe. Criar exige um certo estresse que force essas ligacoes. Pode ser a duracao da musica (o Dream Theater nao tem esta preentre os integrantes

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ocupacio....), a forma verso-ponte-refrio,

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ga. Em contrapartida, esses encontros da

banda representam um relaxamento das distracoes e outras atividades que des-

concentram, nao sao bem-vindas e nio ajudam a ligar os pontos para compor. Nao existe formula magica para criar boas rnusicas, mas sair da rotina e das obri 8 acoes diérias or al uns momentos e deixar 0 cérebro em paz para fazer a imaginacio uir pode ser o ponto de partida de uma boa composicio ou de ideias criativas. Nao é necessario ir a praia. Pode-se celebrar um momento desses trancado no préprio quarto. Tudo é uma questao de deixar de lado as coisas urgentes e se ater as importantes. E importante para um musico signica deixar uma obra, um legado artistico, para a posteridade. Sua im P resso musical no mundo é essencial seja como instrumentista, compositor ou professor. Fundamental é estudar msica e observar 0 universo com um olhar artis~ tico para, entao, realizar o essencial. Suas ideias intangiveis devem se transformar em algo concreto para car para sempre, ser 0 porqué de uma carreira solida e de uma existéncia como artista. 1

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Guitar Player 216 Abril/2014 BR