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netokristain.blogspot.com Terrara - Eu Não Vou Me Casar escrito por Edmilson Martins Neto Era noite no Reino Miranda, uma cavaleira real andava pelos corredores do castelo. Ela tinha cabelos castanhos que iam até seus ombros e a armadura que usava era toda feita em prata, na sua cintura residia uma espada do mesmo metal. Por alguma razão aquela cavaleira andava rápido, olhava para os lados, apreensiva. Quando chegou a escadaria começou a descê-la o mais rápido possível, dirigiu-se para os depósitos do castelo e suspirou aliviada por chegar ali sem ser vista. Ao elevar seu olhar para o centro, sorriu, lá estava seu animal de estimação. Um réptil com asas rugiu ao ver sua dona. Era um pequeno dragão. Suas escamas eram de platina e brilhavam com a luz do luar proveniente da janela, as membranas de suas asas eram incrivelmente alvas. A cavaleira se aproximou da criatura e começou a afagar sua cabeça. - Vamos fugir agora, Plat. – sussurrou a cavaleira para o dragão. - Fugir para onde, Beatriz? – disse uma mulher saindo do canto escuro do depósito. A tal era dona de olhos verdes como esmeraldas brilhantes, tinha cabelos castanhos e um corpo invejável. Ela veio andando até a cavaleira de braços cruzados e parecia irritada. A cavaleira rapidamente recuou e sacou sua espada. - Rafaela... – a garota demostrou desprezo na voz. - Pode tratar de tirar essa armadura e se vestir adequadamente, Beatriz. O seu pretendente está preste a chegar para o jantar. – ralhou a Princesa Rafaela. - Não vou me casar com ninguém! Não pedi para ser princesa! - Não pediu, mas é! - Porque eu tenho que me casar? Você também está solteira, você tem que se casar primeiro. Você é a mais velha! - Só para você saber, tenho muitos pretendentes. – retrucou Rafaela. - Ah, é? Quem são esses? - Bem... É... Vejamos... Hum... - São tantos que não se lembra de nenhum, não é? – ironizou Beatriz, a qual se afastou da irmã e correu para uma alavanca ali perto, puxou-a com força

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netokristain.blogspot.com e a imensa porta do depósito abriu. – Plat! – ela berrou e o dragão correu em direção à porta, no momento seguinte Beatriz pulou em cima do mesmo. - Arcélia! Um dragão três vezes maior que Plat apareceu em frente a imensa porta, a tapando. A pele dessa criatura alada era verde escura e a ponta da sua calda era de pura esmeralda. O dragão rugiu ferozmente fazendo Plat recuar. - Agora desça daí agora! – mandou Rafaela. - NÃO! – berrou Beatriz. – Deixa de ser chata, sua...! - Olha o respeito, Beatriz Miranda! Como você mesmo disse eu sou a mais velha! Então para de ser mal-educada! – Rafaela fez um gesto com a mão em direção a irmã. – Ra! - o ar se condensou em forma de chicote e enlaçou o braço esquerdo de Beatriz, contudo a pequena Miranda desferiu um corte no chicote, o despedaçando. - A minha espada mágica Ina pode cancelar magias. – a pequena princesa riu. - Pena que ela só cancela magias básicas. – Rafaela sorriu girando sua mão no ar e conjurando: - Vortex! Um súbito tornado se formou do lado da pequena princesa, ela tentou defender com sua espada, mas o vortex lhe atingiu, a arremessando contra a parede. Quando despencou no chão, Rafaela não lhe deu tempo de sentir dor e conjurou novamente: – Ra! – após outro gesto de mãos, o chicote feito de ar condensado se formou e laçou o pé da princesa vestida de cavaleira. - Agora vamos indo. – a Miranda mais velha saiu puxando a irmã pelo chicote. - Eu não vou me casar! Só tenho doze anos! – gritava Beatriz tentando se segurar no chão. - De acordo com o testamento do pai você já está na hora de casar. – retrucou Rafaela. - Eu não quero! - Ninguém te perguntou. - Depois eu que sou a mal-educada. – bufou Beatriz já desistindo de fugir. Então Rafaela saiu puxando a irmã através dos corredores do castelo em direção ao seu quarto. netokristain.blogspot.com


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Rafaela e Beatriz andavam pelos corredores do castelo. As duas estavam devidamente arrumadas com seus longos vestidos verdes, típicos da realeza Miranda. A princesa mais nova estava claramente irritada. - Eu odeio usar vestido! – ela reclamou. - Eu também odiava, mas já acostumei. – comentou Rafaela. – E Beatriz, o seu pretendente se chama Hugo Okamura. Como você deve saber, a Família Okamura vem de uma longa linhagem de mágicos e ilusionistas, ele com certeza sabe Língua Arcana. Então caso ele pergunte algo, diga que você sabe tanto a Língua Comum como a Língua Arcana, entendeu? - É muita coisa para minha cabeça! - E trate de ser formal, pois ele vai dar uma boa doação para a biblioteca mágica, caso tudo der certo. - Eu não vou me casar com ele, já disse. - Veremos. Ao entrarem no salão principal, a mesa já estava pronta, cheia das mais variadas comidas e bebidas do reino. E ao lado do móvel estava sentado um homem de cabelos morenos e olhos castanhos escuros. Ele tinha um nariz um tanto que grande e um cavanhaque pontudo demais. - Como Palacium deixa um bicho feio desses nascer no mundo? – sussurrou Beatriz. Rafaela repreendeu a irmã e logo em seguida as duas sentaram de frente para o tal pretendente da mais nova. - Aob etion. – cumprimentou Hugo, em Língua Arcana. - Boa noite também. Mas se importa de falarmos a Língua Comum? Língua Arcana está fora de moda. – disse Beatriz sem mais nem menos e a irmã lhe fuzilou com os olhos. Hugo assentiu e começou a alisar seu cavanhaque. Beatriz achou aquilo horroroso, mas Rafaela logo sugeriu que eles jantassem e assim fizeram. O pretendente da mais nova começou a falar de sua família e começou a se vangloriar, afinal ele iria ganhar o posto de líder da Família Okamura e seria muito rico. Contudo, isso só fazia Beatriz gostar menos e menos dele. Até que chegou um ponto que a paciência dela cedeu. Não estava mais aguentando netokristain.blogspot.com


netokristain.blogspot.com ouvir falar de quanto a Língua Arcana era importante, de quanto os Okamura eram ricos e de quanto aquele Hugo se achava o tal, por isso, disse: - Cala a boca. Rafaela quase se engasgou com a comida e Hugo arregalou os olhos, incrédulo, perguntando: - O que disse? Repita. - Cala a boca! Está surdo? – gritou a pequena Miranda. – Você fala tanto, mas sabe o que eu ouço? Só blábláblá e BLÁ! - Não use esse tom comigo, sua fedelha! Acha que está falando com seus empregados, sua...? - Com licença! – Rafaela bateu na mesa. – Acho bom você tomar cuidado com suas palavras, a Beatriz pode ser mal-educada, chata, irritante, moleca e... - Acho que já deu para ele entender, minha querida irmã. – disse Beatriz, sarcástica. - Certo. – continuou a Miranda mais velha. – Mas ela continua sendo parte da Família Miranda e quando você fala mal dela, querendo ou não, fala mal dos Miranda também! - Suas mulheres irritantes, falem baixo perante mim! Onde está o respeito e a submissão de vocês? – gritou Hugo. - O QUÊ?! – Rafaela socou a mesa fazendo todos os pratos, tigelas e talheres voarem com a força dos ventos que começavam a se agitar. - Eu sabia que você não prestava! – Beatriz se alterou mais ainda. - Posso até não prestar, mas vou ser seu marido. – ele riu vitorioso. - Nem que a vaca tussa, morra e ressuscite! - Sua irmã já assinou a papelada para aliança com a Família Okamura e o eventual casamento. – ele gargalhava. - RAFAELA! – berrou Beatriz. - Não reclama, você não iria casar se eu não fizesse isso. Mas agora... - Já sei! Beatriz se levantou e foi até uma armadura de decoração ali no salão e puxou-lhe a espada, apontando ela para Hugo ao dizer: netokristain.blogspot.com


netokristain.blogspot.com - Eu lhe desafio para um duelo! Caso eu ganhe, você esquece o casamento e ainda doa o ouro que prometeu para a biblioteca mágica. Caso eu perca, eu caso com você e vou embora para sua mansão sem falar nada. - Interessante... – Hugo riu malicioso. – Aceito o desafio.

No salão do castelo, a mesa e as cadeiras foram removidas pelos empregados, Beatriz já estava completamente vestida para a batalha. Usava sua armadura, porém invés do elmo, usava apenas uma tiara, demonstrando seu título real. Em sua mão direita empunhava a espada mágica Ina e na outra mão segurava um escudo circular com um grande “M” talhado em sua frente. Hugo apenas sorria do outro lado do salão, até que se pronunciou: - Está pronta, minha futura esposa? - Vai sonhando. – Beatriz girou a espada. Rafaela estava no meio do salão e disse: - Que comece a luta! A pequena Miranda saiu em disparada em direção ao Okamura, este apenas estalou os dedos, citando: - Oacacovni! Um círculo mágico se formou na frente do homem e este começou a aumentar, brilhando numa coloração azul parecendo um portal. O círculo pareceu regredir por um momento, mas depois voltou a crescer com intensidade, disparando raios de luz celeste. Hugo ofegou, mas continuou firme e por fim, conjurou: - Itey! Uma criatura começou a se levantar do círculo de invocação. Esta tinha estatura humana, era todo coberta com pelos brancos, apenas suas mãos e pés ficavam expostos, mostrando sua pele roxa. E dava para ver vagamente seus olhos entre a pelagem, olhos vermelhos-sangue. - Acabe rápido com isso, Yeti. – ordenou Hugo para o monstro invocado. A criatura urrou e Beatriz parou, engolindo seco ao ver aquele monstro, três vezes mais alto que ela, correr em sua direção. Todavia, a princesa não podia se dar ao luxo de fraquejar naquele momento. Agarrou-se ao seu escudo e ficou a espera do monstro. O Yeti berrou e levantou seu punho contra a netokristain.blogspot.com


netokristain.blogspot.com pequena Miranda. Ele desferiu um poderoso soco, porém Beatriz defendera com seu escudo, se segurando para não ser arremessada pelo impacto do ataque. Ela riu de canto, enfiou sua espada na mão do monstro e pulou em cima dele, correndo por seu braço e depois o cegando com um golpe certeiro em seus olhos. Enquanto o Yeti gritava de dor, Beatriz pulou para trás dele. A princesa enfiava sua espada nas costas do monstro numa velocidade surreal, perfurou inúmeras vezes, porém esse não sangrava. Beatriz deu um derradeiro corte nas costas dele, mas só se ouviu o som de algo quebrando. O Yeti parou de gritar e desabou no chão, já imóvel. Seu corpo tinha virado gelo e este derreteu como se estivesse em uma fornalha. - Droga! – disse Hugo, cerrando os punhos. A Miranda mais nova não comemorou vitória, saiu correndo em direção a Hugo. O Okamura citou mais algumas palavras mágicas, mas a princesa fora mais rápida. Empurrou seu pretendente com o escudo, fazendo-o cair e depois colocou a espada em seu pescoço. - Eu ganhei, seu filho de cruz-credo. – Beatriz riu. A princesa deu as costas para Hugo e saiu toda sorridente. Porém, o Okamura se levantou com ódio e bateu sua mão no chão, conjurando uma nova magia, fazendo um espinho de gelo crescer em direção à Beatriz. Rafaela pisou em cima do gelo, o despedaçando facilmente e encarou Hugo com uma seriedade severa. - Você não é Hugo Okamura. – afirmou ela. O tal homem arregalou os olhos, atônito. - Seu poder mágico é fraco, estranhei isso logo na sua presença. Você quase não conseguiu invocar o Yeti, eu percebi o círculo regredindo. Além disso, você ficou muito ofegante após a magia de invocação, ficou quase sem energia. – Rafaela estalou os dedos e os guardas começaram a entrar. – Hugo Okamura vai ser o líder da sua família, seu poder não é tão pequeno. Eu consegui cancelar sua magia a pouco, brincando. E tem mais, você aceitou facilmente quando Beatriz não quis falar a língua arcana. Por quê? Porque você não fala a língua arcana, só conhece algumas palavras, o básico. E não vamos nos esquecer que você só ficou vangloriando a Família Okamura, em nenhum momento se interessou de fato pela sua futura esposa. Sem sombra de dúvida, você é um impostor. Os guardas pegaram o homem que fingia ser Hugo e o levaram para as masmorras, afinal ele não tinha argumentos para nada que Rafaela o acusou. netokristain.blogspot.com


netokristain.blogspot.com Beatriz só ficou olhando tudo aquilo, pasma. - Não vai me dizer que... - Sim, Beatriz. – Rafaela sorriu. - AH, NÃO! Eu lutei contra um Yeti, aguentei o soco daquele monstro e vai me dizer que ainda vou ter que casar? - Isso mesmo! Que garota esperta! Parabéns! – ironizou a irmã mais velha, agora rindo. – Logo, logo, você conhecerá o verdadeiro Hugo Okamura, então você irá casar com ele. - EU NÃO VOU ME CASAR! - berrou Beatriz. - Diz de novo que eu não escutei. - EU... – Rafaela gesticulou a mão enquanto a irmã falava e sua voz desaparecera por um segundo. – VOU ME CASAR! - Que assim seja. Finalmente você aceitou, Beatriz! – Rafaela ria sarcástica. - Rafaela! Você... - Eu nada! - Você sim! – Beatriz já estava com ódio da irmã e saiu batendo o pé. – Eu já disse e repito: Eu... vou me casar! - Que assim seja! – Rafaela gargalhava vendo que sua magia ainda fazia efeito. - Vai irritar outra pessoa, sua solteirona! - Beatriz saiu batendo a porta com tudo. Rafaela segurou a raiva e nada disse, afinal não adiantava ficar discutindo. Ela apertou suas mãos e sorriu de canto ao ver o lindo luar pela janela do salão. Caminhou até a janela e ficou vendo a lua. Agora com um grande sorriso no rosto, como se tivesse se lembrando de algo ou de alguém, segredou olhando para lua: - Um dia eu vou me casar, não é, Luniel?

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