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Escrito por Edmilson Martins Neto

Capítulo Dois Onde Um Enigma É Desvendado Todos se afastaram da caixa que tremia como se um animal estivesse dentro dela e Neto começou a rir sozinho, parando de mexer a caixa. Natália deu um tapa no ombro dele e com a outra mão no peito, disse: - Quase me matou de susto, garoto! Nayara balançou a cabeça, desvencilhando aquele momento de espanto e voltou-se para a caixa. Agora com mais cautela, ela mandou que Neto permanecesse quieto e ele obedeceu sem qualquer objeção o mandato da Ruiz, até abaixou a cabeça, adivinhando que Nay não tinha gostado nem um pouco daquela brincadeira. - Abre logo a caixa. Toma. – disse Ryan, tão curioso que tinha ido até a cozinha pegar uma faca e agora entregava a tal para sua irmã. Nayara pegou a faca e rasgou a fita que prendia a tampa da caixa, ela pousou a faca no chão e Júlia nem esperou, foi logo abrindo a caixa. Plástico, havia muito plástico na caixa. Júlia começou a puxar os pedaços de garrafas de refrigerante ali dentro, enquanto Nayara olhava para o fundo, curiosa, tentando imaginar o que havia ali. - Para. – ela pediu e Júlia assim fez. Nayara viu um celular dentro da caixa, pegou o mesmo e apertou uma tecla. Uma voz metálica e pausada,

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repentinamente ecoou do celular e falou alto, como se estivesse no viva-voz, recintando as seguintes frases:

Tolo, tolo, tolo Não achará o bolo Logo fechará a loja E nem achará soja Muito desejado sou Mas preto não estou - Hã?! – Neto ficou boquiaberto, achando tudo aquilo esquisito. – Olha o lado bom, pelo menos rimou! - Tudo bem, mas isso é o que? – indagou Nayara, vendo que o celular não tinha chip e não importava em qual tecla que ela apertasse, sempre as mesmas frases se repetiam e nada mais. - É um enigma! – afirmou Ryan. - Caça ao tesouro! É tão legal! Quero brincar! - É sério, gente. – Naná parecia assustada. – Quem mandou isso, Nay? - Não sei. – ela tentou ver se tinha alguma informação na caixa. – Não tem remetente. - Caixa do mau, vamos meter pau! – disse Júlia pegando uma vassoura, pronta para esfarelar a caixa, o celular e tudo por perto. - Por acaso você é um animal? Pare de ser irracional! – Neto pegou a vassoura da garota.

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- Por favor, parem de rimar com “al”, senão vou passar mal. – pediu Nayara. - Ah, eu também quero rimar com “al”, já que sou sensacional! – Natália fez uma posse de modelo e todos riram, afinal até que rimar não era tão difícil. - É sério, pessoal... – prosseguiu Neto. – Isso é muito estranho, para quê enviaram isso para cá? - É para nós salvarmos o mundo, somos os heróis escolhidos. – sugeriu Ryan, mas Naná deu seu palpite: - Talvez seja uma armadilha, eles poderiam pensar que a Nayara e o Ryan estavam sozinhos e mandaram essa caixa para eles desvendarem o enigma e atrai-los para um local sombrio, para aí, agarra-los. Todos encararam a garota. - Essa viajou na maionese. – disse Júlia. - Acho que ela mergulhou na maionese mesmo. – acrescentou Nay. - Na verdade, acho que ela quase se afogou na maionese. – propôs Neto. - Pode ser, gente! – defendeu-se Natália. – Alguém tem uma explicação melhor que a minha e a do Ryan? - Se for mesmo verdade, - continuou Nayara. – como desvendar o enigma? - Tolo, tolo, tolo – Neto começou a recitar os versos. –

Não achará meu bolo.

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- Esses são os dois primeiros versos. – afirmou Júlia. - O que significavam? - Ele quer que nos encontremos o bolo. – adivinhou Ryan e todos concordaram, os dois primeiros versos não eram difíceis. - Logo fechará a loja – Neto continuou. – E nem achará

soja. - Perfeito! Vamos em uma confeitaria! – disse Natália. - Não. – interveio Nayara. - Tudo bem que bolo se vende em uma loja e pensaríamos que logo a loja seria uma confeitaria. Mas fala sério, quem vende soja em uma confeitaria? - Concordo com a Nay. – assentiu Neto. – Poderia ser outro tipo de loja, um mercado por exemplo. - Ou melhor, um supermercado! – Júlia sorriu, descobrindo qual era a loja. - E qual a diferença? O “super”? – retrucou Neto. - Não, seu besta. Mas supermercado tem um monte de coisa dentro, até confeitaria. - A Júlia tem razão. – concordou Nayara. – Pode ser um supermercado. - Qual supermercado seria? Eis a questão. – Neto ficou pensativo. - YAMADA! – berrou Ryan.

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- Yamada! É a Yamada! – afirmou Natália sem titubear. – É o maior supermercado da nossa cidade, se fossemos pensar em algum, tinha que ser nesse. Nayara concordou e virou para Neto, pedindo que o mesmo repetisse os últimos versos. - Muito desejado sou – ele findou. – Mas preto não

estou. - Esses são os versos mais difíceis. – murmurou Nayara. - O bolo... – supôs Neto. – Talvez esteja falando do bolo, um sabor de bolo que todos desejam, que seja muito gostoso. - E que não seja preto. – lembrou Júlia. Todos ficaram pensativos por alguns segundos, até Ryan lutava para desvendar algo. Porém Neto abriu um sorriso de uma orelha a outra, um sorriso maroto, como se estivesse desvendado tudo. - Descobriu o quê é? – perguntou Nay. - Nayara, se nós fossemos namorados... – ele continuou sorrindo. – O que gostaria de ganhar no Dia dos Namorados? - Bem... – ela pareceu ficar surpresa com a pergunta e tanto que corada, mas respondeu, perguntando: Chocolate? – Neto sorriu mais ainda para ela e Nayara arregalou os olhos, como se uma lâmpada tivesse sido acessa na sua cabeça. – Chocolate branco! É isso! Chocolate é um sabor muito desejado e como ele diz que não é preto, só pode ser o chocolate branco! netokristain.blogspot.com


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- Desvendei tudo! Eu sou demais! – Ryan pulou feliz da vida. - Nós desvendamos tudo. – disse Júlia, ríspida, mandando o garoto sentar, mas ele estava muito feliz para isso. - Então temos que achar um bolo de chocolate branco na Yamada! – afirmou Natália. - Mas para quê? – perguntou Júlia. - Não sei, vamos descobrir quando estivermos lá. – disse Nayara, convicta. - Nós vamos lá? A Yamada está aberta agora? – interveio Neto. - Está quase fechando. E nós vamos sim, meus pais devem estar lá ainda, tenho que procurá-los, enquanto isso quem vier comigo vai logo atrás desse bolo de chocolate branco. - Eu vim de bicicleta, posso ir! – exclamou Naná. - Eu também vim de bicicleta. – assentiu Neto. – Posso te levar, quer? – ele virou-se para Nayara. - Quero sim. – ela disse determinada e logo ordenou: Júlia fica cuidando do Ryan aqui. - Por quê?! – ela não pareceu gostar da ideia. – Ele é um pirralho, mãe, vai me atormentar! - Precisa ficar, Eclair, Ester e Bernadinho vão chegar. - Acha mesmo que eles vêm ainda?

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- Tenho certeza! - Tudo bem então. – concordou Júlia, relutante. - Vamos, Naná, Neto! Os dois correram para fora sob a ordem de Nayara e logo prosseguiram para rua com suas bicicletas. Natália foi pedalando na frente, Neto esperou Nay subir na garupa e logo os três amigos partiram em direção ao supermercado Yamada. OOOOOOO

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As Crônicas da Ruiz - Livro 1 - Capítulo 2  

A história é de uma garota chamada Nayara Ruiz, seus pais desapareceram e junto com seus amigos, ela vai atrás deles. É claro que ela não sa...

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