Issuu on Google+


Sumário

8 Educação

É hora da matrícula! E Agora?!

12 Saúde

Farmácia antroposófica

14 Cidadania Entre 2 Mundos

16 Nosso Bairro Dança Circular

17 Cidadania Abuso Sexual

18 Turismo

Um céu diferente

20 Capa

Entrevista com Vera Holtz

26 Gastronomia

O Melhor da Primavera

28 Decoração

Feng Shui

30 Esporte

Saquinhos, Cinco Marias, Astragaloi

32 Meio Ambiente Lixo Eletrônico

33 Games

O melhor esta de volta

34 Mix Cultural - Mosaico, Livors 34 42 Diversatilidade A Pulga Grávida


Editorial

Expediente

Prezados leitores,

Publisher Claudia Liba

Nossa equipe sempre acredita na capacidade que a arte possui para comover as pessoas. O viés artístico e cultural que imprimimos à Versátil não se resume a puro entretenimento. Enaltecemos iniciativas comprometidas com qualidade e criamos uma forma para construir diálogos com nossa rede de leitores, promovendo reflexões. Nesta edição, escolhemos uma obra maravilhosa para indicar a vocês, o livro O estrangeiro, de Albert Camus, vivido no teatro pelo ator Guilherme Leme. E nossa entrevistada especial é Vera Holtz. Atriz consagrada, dona de um sotaque inconfundível, ela conversou conosco sobre seu novo personagem. Agora encarna, na vida real, a direção do espetáculo. Em nossa seção Cidadania, conversamos com uma especialista no tema abuso sexual infantil, atualmente em evidência na novela Passione, da Rede Globo - em que atua Vera Holtz como a personagem Candê. Vale, muito!, a reflexão. Em Educação, a época exige alguns posicionamentos dos pais que precisam escolher a escola para os filhos. Época de matrícula, de importantes decisões. Leiam algumas opiniões de escolas da região sobre ensino infantil. Também escolhemos artigos que julgamos importantes, como na Seção Meio Ambiente. Rubens Borges, Secretário Executivo do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, reflete conosco sobre o lixo eletrônico. Sem dúvida, já nos perguntamos várias vezes como descartar computadores, celulares e outros aparelhos. E a Versátil continua apresentando diversas opções para lazer e cultura através do nosso Mix Cultural.

Redação _ redação@revistaversatil.com.br Claudia Liba Silvia Dutra Valéria Diniz Jornalista Responsável Silvia Dutra - MTb – 15.479 silviadonadoida@gmail.com www.causosdavidalheia.zip.net Arte Tiffani Hollack Gyatso www.tiffanihr.com Edição de Texto e Revisão Valéria Diniz valeria@revistaversatil.com.br Colaboradores Diversatilidade – Alexandre Lourenço Esporte – Marilia Coutinho Game – Caio Gasparetto Diniz da Silva Gastronomia – Gabriel Leicand Meio ambiente – Lixo Eletrônico – Rubens Borges Nosso Bairro – Dança Circular - Alessandra Romagnoli Saúde – Farmácia Antroposófica – Victor Hugo Pella Legramandi Departamento comercial Lourdes Penteado comercial@revistaversatil.com.br

Boa leitura e até a próxima!

Pré-impressão, impressão e acabamento W Gráfica

Distribuição Butantã, Vila Indiana, Jd. Bonfiglioli, Jd. esther, Jd Guedala, Vl. Sonia. Vl. São Francisco. Pq. dos Príncipes, Granja Viana.

FALE COM A GENTE redação@revistaversatil.com.br

Cá entre nós

Versátil Magazine é uma publicação mensal, distribuída gratuitamente e não se responsabiliza por eventuais mudanças na programação fornecida, bem como pelas opiniões emitidas nesta edição. Todos os preços e informações apresentados em anúncios publicitários são de total responsabilidade de seus respectivos anunciantes, e estão sujeitos a alterações sem prévio aviso. É proibida a reprodução parcial ou total de textos e imagens publicados sem previa autorização.

Nem sou tão fã de rock, mas a entrevista com os Scorpions foi demais! Fico surpresa com cada capa da revista, com os artistas que vocês conseguem entrevistar. É difícil ver uma revista de bairro com tão boa qualidade. Parabéns! Clarice Amaral - Jd. Bonfiglioli Acho que o Mosaico é super bacana, tem trazido dicas e informações de coisas legais para todos. Continuem com ela sempre. Rafael Souza da Silva - Butantã


Educação

É hora da matrícula! E AGORA?!

Certamente, uma das preocupações que mais angustiam os pais é como escolher a escola para seus filhos. Pensando nisto, a Versátil Magazine conversou

com colégios da região, buscando esclarecimentos que possam ajudar nossos leitores na hora da matrícula. Todos os colégios expuseram o método pedagógico que utilizam e como e com que idade iniciar a alfabetização infantil.

Escola Doce Geração Nosso método pedagógico é o Sociointeracionista, usando o sistema multimídia J.Piaget - e seguimos a Nova Resolução do CEE (Conselho Estadual de Educação). A criança, para 2011, poderá frequentar o 1º Ano do Ensino Fundamental completando 6 anos até o término do ano letivo, desde que tenha frequentado a escola no Infantil I em 2009. Para alunos novos, segundo a mesma Resolução, devem completar 6 anos até o dia 30 de junho do corrente ano.

8

O método pedagógico do Colégio Mario Schenberg é o Socioconstrutivismo. Valorizamos o “momento aula” que acontece com a participação ativa do aluno por meio da sua interação com os conteúdos que estão sendo trabalhados. A aprendizagem não se encerra no momento aula, mas sim na continuidade dos estudos em que o aluno executa atividades orientadas, como a lição de casa. Nosso método objetiva dar condições para a formação de um aluno que caminhe para tornar-se um estudante. Em relação à educação infantil, acreditamos no potencial de desenvolvimento da criança e trabalhamos com atividades que permitem experimentações, vivências de expectativas, brincadeiras, dúvidas, sentimentos e expressões da realidade do mundo atual. A aprendizagem acontece também com a interação da criança com tudo o que lhe é apresentado. Como material didático, utilizamos o Sistema Anglo de Ensino. Como toda instituição escolar temos que nos submeter a Leis, mas não estabelecemos como prioridade para a entrada no ensino fundamental que a criança já esteja alfabetizada. Acreditamos na alfabetização enquanto leitura de mundo. Desde a educação infantil, o aluno tem atividades que estimulam e desafiam a alfabetização. No 1º ano já apresentamos a letra cursiva, mas só a partir do 2º ano introduzimos oficialmente a alfabetização como objetivo a ser atingido - com crianças que estarão completando 7 anos.

Imagens: Stock.XCHNG

Colégio Mario Schenberg


Kid´s Home Berçário e Educação Infantil Bilíngue Acreditamos que a evolução do pensamento científico deve ser respeitada e utilizada na prática. Nossa metodologia está sempre evoluindo, assim como nossos profissionais estão sempre se reciclando, fazendo cursos, estudando. Temos como referências os estudos de Piaget, Freinet e Lóris Mallaguzzi. Utilizamos uma estratégia multiage, multiseriada para atingir o objetivo de oferecer diversidade e proporcionar um contexto em que a necessidade de desenvolvimento, sociabilidade, autonomia, respeito e solidariedade seja real. Acreditamos que a alfabetização formal deve acontecer, em média, a partir dos 6 anos, porém não impedimos que uma criança de menos idade participe do processo quando demonstra interesse. O processo de alfabetização passa pelo contexto letrado que a sociedade oferece. Ao nascer, já somos expostos a um universo de signos e desde muito cedo começamos a decodificar. Isto já é o passo inicial do processo, que jamais se encerra, pois estamos sempre vivendo novas exigências em relação a diferentes linguagens, que surgem a cada momento. Quem não as aprende, não se comunicará.

Bosque das Letras Educação Infantil Não possuímos um método, mas uma proposta pedagógica que se baseia em estudos de Vygotsky, Piaget, Emília Ferreiro, Fernando Hernandez, Délia Lerner. A criança é vista como produtora de conhecimento e é fundamental criar situações em que interaja com seus pares, com os adultos e com objetos de conhecimento construídos socialmente. Conforme muitos pesquisadores apontam, não há um período ideal para a alfabetização. Entendemos que a tarefa da Educação Infantil é criar condições para que, desde o momento em que as crianças ingressam na escola, sejam tratadas como leitoras e escritoras, que ouçam histórias, ditem textos, aprendam poemas e organizem a fala considerando diferentes situações de comunicação. Centro Educacional Fadelito Trabalhamos com uma Filosofia Humanista e uma Metodologia baseada em preceitos Sócio-Construtivistas. Entre outros importantes educadores, desta-

camos como inspiração ao nosso trabalho Jean Piaget (estágios do desenvolvimento), Lev Vygotsky (o meio e seus estímulos como fator essencial na aprendizagem) e Henry Wallon (afetividade na construção e formação integral do ser humano). Acreditamos em um processo de alfabetização gradual, que começa desde os primeiros passos dentro da escola. Por isto trabalhamos com diferentes estímulos e assimilações, desde a experiência auditiva, oral, gestual e lúdica, até o processo de aprendizagem fonética e alfabetização. Confiamos em um processo de interpretação e compreensão que vai além do ler e escrever. Escola da Carol Nossa prática é focada na abordagem Sociointeracionista. Acreditamos em uma educação em que o prazer em aprender, o envolvimento e o significado das propostas são pilares fundamentais para o desenrolar do processo ensino-aprendizagem. Acreditamos que o processo de alfabetização começa desde cedo, pois a criança está inserida em um mundo letrado e começa a desenvolver hipóteses sobre ele. Porém, apresentamos atividades mais focadas na alfabetização a partir dos 4 anos. Antes privilegiamos o contato com o nome, canções, parlendas entre outras formas de linguagem. Colégio Viver Educação Infantil e Ensino Fundamental A inspiração do Ensino Infantil do Colégio Viver vem de uma proposta inglesa, a Open School. Temos como princípio central o desenvolvimento da criança e sua inserção no meio ambiente a partir de suas peculiaridades e sua forma de aprender. Nosso respeito ao ritmo de desenvolvimento próprio a cada indivíduo adequa-se ao método Sócio-construtivista, que nos ajuda a formar alunos críticos e autônomos. No Ensino Infantil, encaramos a alfabetização como um processo no qual os alunos não são divididos por faixa etária e o trabalho é voltado para a aprendizagem lúdica. O espaço e as atividades visam estimular, familiarizar e trazer o alfabeto para a rotina das crianças. No Fundamental 1, a alfabetização é consolidada. Nosso trabalho foi premiado nacionalmente, em 2010, com o selo Aqui se Brinca.

9


Escola Manacá Trabalhamos com a Metodologia de Projetos. Desde que a criança entra em contato com o mundo escrito e as práticas sociais de comunicação, ela entra em processo de alfabetização. Colégio Albert Sabin Os princípios filosóficos do colégio e seus pilares fundamentais estão pautados numa abordagem Sociointeracionista, ou seja, a de que toda aprendizagem é um processo contínuo, sujeito a mudanças decorrentes das transformações ocorridas no contexto social e histórico no qual os indivíduos se encontram. Acreditamos que não existe uma idade ideal para a alfabetização já que, sob nosso ponto de vista, as aprendizagens relacionadas à leitura e escrita dadas durante o período dos 3 aos 6 anos não são prévias, fazem parte de um processo de alfabetização, que envolve as famílias e o contexto social, ou seja, consideramos a alfabetização uma prática cultural e não um processo exclusivamente escolar. Durante este período, as crianças são expostas a uma série de atividades que envolvem o uso da leitura e da escrita em práticas sociais, e cada um avança de acordo com o seu ritmo. Colégio COC Vila Yara A proposta didática do COC Vila Yara baseia-se na construção de conceitos. Partimos do concreto, priorizamos a vivência dos conteúdos e valorizamos os conhecimentos prévios dos alunos, estimulandoos a avançar no processo de aprendizagem. A etapa de sistematização, que sedimenta as propostas e o aprendizado, ocorre por meio dos grupos temáticos oferecidos pelas apostilas COC, permeadas por alguns Projetos elencados pelos professores no início de cada ano letivo. Vale ressaltar que a maturidade cognitiva caminha juntamente com a relacional, pois pouco adianta ao aluno o domínio de uma delas

10

isoladamente. Escola é lugar de aprender a ler e a conviver com o outro, respeitando limites, regras, interagindo e posicionando-se adequadamente. O processo de alfabetização inicia-se muito antes da entrada no Ensino Fundamental: os estímulos familiares e a experiência na pré-escola desencadeiam o desenvolvimento da oralidade, da organização espacial e temporal e da coordenação motora, abrindo caminho para a criança assimilar a leitura e a escrita por meio dos códigos simbólicos da cultura em que vive. Iniciamos a etapa da alfabetização formal apresentando as normas convencionais da escrita a partir do 1º ano letivo, quando o aluno deve, até o final do 1º semestre, ter 6 anos completos. A alfabetização ganha amplitude no 2º ano, quando apresentamos textos com as famílias silábicas mais complexas e requeremos o domínio da letra cursiva. Nesta fase, as crianças completam 7 anos.


Colégio Rio Branco A proposta metodológica pressupõe a formação do aluno como pesquisador permanente, capaz de construir seu repertório de saberes e de gerenciar sua aprendizagem. Objetivamos a aprendizagem significativa, ancorada nas premissas: problematização, investigação, pesquisa, experimentação e diálogo reflexivo; ambientes flexíveis de aprendizagem, que respeitem ritmos e estilos; aprendizagem colaborativa por meio do equilíbrio entre atividades individuais e grupais; metacognição e compromisso docente com a formação integral do aluno. Não acreditamos que a alfabetização ocorra numa idade específica, mas, sim, que é um processo contínuo, desde a mais tenra idade. A criança, quando exposta ao mundo letrado, formula hipóteses sobre a escrita e vai pouco a pouco confirmando e/ou criando novas hipóteses. Vale lembrar que alfabetizar não é apenas decodificar letras e sinais mas inserir a criança no mundo dos textos que circulam socialmente. Desta forma, quando ela entra na escola, criamos ambientes e situações problematizadoras que fomentam a investigação, a reflexão e o diálogo. Não há uma expectativa em torno de uma idade ideal para alfabetizar, mas, sim, de um período que corresponde ao processo iniciado na escola aos 3 anos e finalizado, aproximadamente, aos 8.

Surpreenda seus convidados com nossa festa!

NOVIDA DE: Zook D ance!

Unidade Granja Viana Rua José Félix de Oliveira, 600

Unidade Butantã Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 5924

Fone: 4612 3311 Fone: 3763 3300

zookbuum@zookbuum.com.br e www.zookbuum.com.br


Pouco conhecida pelo grande público, a Farmácia Antroposófica tem seu nome derivado do grego: anthropos (homem) e sophia (sabedoria). Teoricamente, parte do princípio de que o ser humano e a natureza evoluíram em comum - sendo a última sábia e “sanante”. O processo de conhecimento que utiliza é pouco empregado, atualmente, na terapêutica - mas muito usado na criação artística. Certamente, o mérito de relacionar rigor científico com propostas artísticas pertence ao escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe que, além de escritor, também aventurou-se na ciência. Contudo, coube ao croata Rudolf Steiner a continuação do trabalho, revisando e publicando a obra científica de Goethe e propondo a união de dois extremos: o elemento humano da nossa vida interior e o conteúdo abordado pela ciência. Ao produzir medicamentos, a Farmácia Antroposófica aplica princípios da Farmacotécnica tradicional, atribuindo-lhes importância maior. Cada medicamento é preparado por um determinado método e trata de um órgão específico, pois os modos de preparo são feitos em diferentes temperaturas.

Como todas as outras PIC (Práticas Integrativas e Complementares), a Farmácia Antroposófica pode ser utilizada no tratamento de diversos problemas de saúde, desde que de grau baixo ou intermediário, e complementando o tratamento de doenças mais graves, que exigem tratamento mais rigoroso, com medicamentos alopáticos. Com a PNPIC de 2006 (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares), as práticas integrativas e complementares chegaram a um número maior de pessoas. O Brasil já é o quarto mercado no mundo de produtos oriundos destas práticas, perdendo apenas para a Alemanha, França e Suíça. Além disto, somos o segundo país em número de médicos com especialização na área. Cabe ao farmacêutico e aos demais profissio-nais da saúde o conhecimento da fundamentação e aplicação da Farmácia Antroposófica para que se realize a correta orientação da população - que vê o profissional farmacêutico como fonte de informações necessárias para a tomada de decisões. Afinal, o farmacêutico está sempre disponível nas farmácias durante todo o dia.

Imagens: Stock.XCHNG

Saúde

FARMÁCIA ANTROPOSÓFICA


Portanto, é necessário estarmos atualizados quanto às práticas integrativas e complementares para que possamos orientar a população quanto ao seu uso, benefícios e riscos, e discuti-las com o intuito de fortalecer nosso conhecimento e estarmos cada vez mais em dia com nosso papel perante a sociedade. Informações: www.farmantropo.com.br Victor Hugo Pella Legramandi é Farmacêutico-Bioquímico e mestrando pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas – UNESP. victorhpl2005@yahoo.com.br

Grupo Nobre

Estrada Fernando Nobre, 1190 – Condomínio Beverly Hills - Jandira Telefone: 4618 1270 E-mail: contato@gnobre.com.br


Cotidiano

2

ENTRE

MUNDOS

Pelas minhas andanças no mundo, pude experienciar que o “mundo” não é uma única esfera, mas muitas, totalmente diferentes, e que temos a liberdade de transitar por elas. O que me levou a viver três anos na Índia foi a motivação pela busca da espiritualidade e viver fora dos conceitos da sociedade ocidental em que cresci.

No Ocidente, vejo tão estampado que estamos voltados apenas a nós mesmos, meu trabalho, meu marido, meu carro, meu conforto, minha comida... Em todo tempo!

Na Índia, eu vivia com muito pouco, pagava em torno de cinquenta reais por um espaço com dois quartos, cozinha e banheiro. Não tinha água quente, esquentava no fogão, tomava banho de balde e lavava a roupa à mão. Com o tempo, acostumei. Mas quando voltei ao Ocidente, a comparação foi inevitavelmente chocante: temos muitas mordomias e coisas que julgamos necessidades básicas. O pior é saber que nos matamos de trabalhar para ter o dinheiro que providenciará estas “necessidades básicas”... Mas já nos perguntamos o que é básico e o que passa dos parâmetros da necessidade? Tornamo-nos escravos de nossas necessidades?

Quando nos deparamos com o silêncio, na “ausência” das coisas, queremos logo uma distração, porque não o conhecemos. Temos medo.

Se observarmos nossa sociedade, veremos que se move para procurar o sucesso, a riqueza material e o conforto com prazeres. Na escola, já somos ensinados a competir, aprender em troca de boas notas para passar de ano, entrar numa boa faculdade, ter um ótimo emprego e sustentar uma bela família. O que achei diferente e interessante no Oriente é a força da religião sobre todos os níveis da sociedade. Claro, todo mundo trabalha e ganha dinheiro e tem uma família... Mas, neste processo, existe uma disciplina voltada à atenção da postura interior. Não há um único espaço na Índia, como lojas, mercados, casas e restaurantes, que não tenha um altar - um espaço para que, em alguma hora do dia, as pessoas parem de fazer o que estão fazendo, redirecionando-se a si mesmas e para o divino, num movimento de altruísmo, paz e reza.

14

Sim, viramos escravos. Mesmo tendo tudo isto, não somos felizes - quanto mais temos, mais as coisas nos consomem tempo e preocupação.

O excesso de bens materiais tira-nos tremendamente de quem somos, como se todas as coisas a nossa volta fossem artifícios, “enfeites” para criar uma identidade. Mas tudo é impermanente, sabemos isto. Pessoas com milhões na bolsa já se estressaram tanto porque perderam metade dos seus milhões. E eu, que não tenho tudo isto, não me estresso. Aqui faço um apelo à simplicidade, à felicidade e à inocência. Tudo o que obtemos é artificial, não nos garante nada, a não ser ilusões efêmeras e altamente condicionadas. Volte a si, sem medos, e contente-se com sua xícara de chá. Recordo-me como foi engraçado quando ganhei um aquecedor no inverno e minha vizinha trazia chá em uma garrafa térmica e ficávamos sentadas em frente ao meu pequeno aparelho, com as mãos quentes e os pés frios, sorrindo - pois agora estávamos bem melhor!

Tiffani H. Gyatso Artista Plástica, iconógrafa, designer e peregrina num mundo vagante. www.tiffanihr.com


CORPO, ESPIRITUALIDADE E MEIO AMBIENTE

As Danças Circulares são uma das mais antigas formas de expressão, manifestação da vontade do compartilhar e do celebrar. Em algum momento da história humana, nossos ancestrais começaram a dançar em círculo, figura que representa harmonia e igualdade, pois cada ponto é equidistante do centro. Bernhard Wosien, coreógrafo e bailarino alemão/polonês, encantou-se com a comunicação amorosa vivenciada em vários grupos folclóricos de que participou. Ele visitou, em 1976, a Comunidade de Findhorn (Escócia) e ensinou uma coletânea de danças folclóricas para os moradores. Desde então, são várias as danças incorporadas às Danças Circulares e espalhadas pelo mundo, sensibilizando quem as compartilha. Elas contribuem para a percepção do ritmo, da lateralidade e coordenação. Os grupos vivenciam alegria, com músicas e danças de diversas culturas, permitindo que cada participante esteja atento ao seu interior, simultaneamente respeitando o espaço do outro. É uma atividade cooperativa, integradora. Muitos relatam que se sentem mais seguros, acolhidos, com melhora na saúde. Gostam de conhecer músicas e movimentos de várias culturas. Existem danças com tons diferentes: meditativo, expansivo, oriundas de tradições folclóricas, étnicas e, também, contemporâneas. Qualquer pessoa pode participar: há rodas com crianças, jovens, adultos e idosos, todos juntos. Portadores de necessidades especiais também são bem-vindos. Há coreografias simples e complexas, realizadas para quem é iniciante e para quem já participa há muito tempo da atividade. As vivências de danças circulares podem ser ferramentas utilizadas para a abordagem de diversos temas, em vários locais, como escolas, empresas, estabelecimentos de saúde, praças. Propiciam encontros com momentos de integração e descontração através do resgate de diversas danças de roda do Brasil e de várias regiões do mundo e representam caminhos para a elaboração de percepções voltadas para o despertar da consciência de si mesmo e das relações entre os seres. Sem dúvida, as danças circulares são uma maneira especial de entrar em contato com nosso interior, com nossa respiração, de sentirmos o pulsar do coração. De mãos dadas, olhando nos olhos, comparti-lhando, concentrados no ritmo e movimento alcançamos harmonia, sentimentos de paz e ligação com a natureza. O brilho no olhar das pessoas, o sorriso e o sentimento de pertencimento são visíveis. No início da atividade, busca-se aquecimento/alongamento corporal. Depois, realiza-se a apresentação das músicas e passos. É necessário um aparelho de som que faça leitura de CDs ou pen-drive e, portanto, um espaço que possua tomadas (ou disponibilidade de pilhas). Os locais podem ser recintos fechados (salas) ou abertos, com piso adequado para que as pessoas possam dançar em segurança. Alguns parques da cidade oferecem a atividade há algum tempo, das 10h às 12h: Ibirapuera (Bosque da Leitura, 1º domingo do mês); Parque da Luz (2º domingo); Parque Trianon (3º domingo). Para tornar-se focalizador de danças circulares, há cursos em que se aprende a como ficar presente e atento no círculo, comentar sobre as músicas, os passos e ensinar as coreografias. Experimente! Alessandra Romagnoli é Focalizadora de Danças Circulares Sagradas.

16

Dança Circular no Parque da Previdência Dia 30/10 – 14h Rua Pedro Peccinini, 88 – Butantã Informações: 11 3721 8951 Dança Circular na Granja Viana Ulabiná Avenida São Camilo, 288 - Vila da Mata Informações (11) 4702 0783

Triom Rua Araçari, 218 – Itaim www.triom.com.br Espaço Stempniewski Rua Dr. Alberto Seabra, 1.040 - Alto da Lapa Fone: 11 3021 0917 Semeia Dança semeiadanca@semeiadanca.com.br

Imagens: Stock.XCHNG

Nosso Bairro

DANÇA CIRCULAR:


Cidadania

XUAL

ABUSO SE Imagens: Stock.XCHNG

por Claudia Liba

Homicídio, latrocínio, violência sexual, violência doméstica, abuso sexual e pedofilia. Palavras pesadas presentes na grande mídia, seja pela intenção sórdida de vender notícias explorando o sofrimento alheio ou pela intenção de promover uma discussão séria. Abordado na novela Passione, da Rede Globo, o tema abuso sexual vem à tona. Vera Holtz vive a personagem Candê, que tenta minimizar a dor de uma garota acolhendo-a em casa. A avó, recentemente, quis vendê-la a um fazendeiro como objeto sexual em troca de dinheiro. Conversamos com a psicóloga Maria Flávia Ferreira, que estudou o tema abuso em sua dissertação de Mestrado. Segundo Maria Flávia, a questão independe de classe social, idade, grau de instrução ou algo que se enquadre num perfil identificável. Em sua avaliação, “abuso é tudo aquilo que excede, vem sempre com a conotação de mau uso, de aproveitar-se do outro. O processo não se inicia na relação da criança com o abusador, mas na história do abusador, na sua relação com seus cuidadores. Nem sempre o abusador foi também abusado sexualmente por alguém, como se acredita, mas co m certeza traz consigo um desejo enorme de realizar seu desejo edípico através do outro, ou seja, sempre desejou que a interdição incestuosa não tivesse ocorrido.” Julgamentos são dispensáveis sem a análise elaborada de especialistas. A questão vai muito além do que o senso comum aponta. Na realidade, o abusador sabe que está se comportando de forma inadequada - tanto que pede segredo à criança abusada. Já a criança, num primeiro momento e dependendo de sua idade, não compreende bem a situação: “Ela

solicita amor de seus cuidadores e estes respondem com sexualidade adulta. Depois, quando percebe que o que está acontecendo não é bom para ela, já é tarde demais. O abusador a convence que ela também quis ou provocou a situação. Ela fica, então, refém do abusador, sentindo-se culpada e suja, sem saída, submetendo-se aos desmandos deste”, diz a psicóloga. A situação traz comprometimento ao desenvolvimento infantil, e a dimensão do dano dependerá de vários fatores - idade da vítima, até onde o abuso aconteceu, durante quanto tempo ocorreu. Questionada sobre o processo terapêutico, Maria Flávia afirma que o processo se dá como em qualquer outro: “trabalha-se a dor psíquica e os entraves no desenvolvimento. Portanto, a capacidade de superar a situação traumática também depende desses elementos e da estrutura psíquica da pessoa abusada.” Desde julho de 1998, o CRAVI (Centro de Referência e Apoio à Vítima), programa da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, criado pelo Governo do Estado, presta assistência às vítimas e promove o reconhecimento e o acesso aos direitos destas pessoas. Em média, são 200 pessoas atendidas a cada ano. Após o atendimento inicial, a vítima é convidada a participar de palestras e oficinas. Esta unidade também concentra a realização de eventos e atividades da Rede Solidária e atendimentos em grupo. Em breve, iniciará um Programa de Formação Continuada para profissionais de atendimento à vítima. CRAVI - Unidade Barra Funda Rua Barra Funda, 1.032 – Barra Funda Informações: 11 3666 7778 cravi@justica.sp.gov.br www.justica.sp.gov.br

17


Turismo

UM CÉU DIFERENTE por Silvia Dutra

18


Imagens: Wikimedia Commons

Distante 324 km de Belo Horizonte, com quase 300 mil habitantes, Governador Valadares tem entre suas belezas o rio Doce e a majestosa montanha Ibituruna, que em tupi-guarani significa Pedra Negra. Conhecida por “exportar brasileiros” e ter uma economia movimentada, em grande parte por dólares que os nativos mandam do exterior, Governador Valadares é também a sede dos Campeonatos Nacionais e Internacionais de Voo Livre. Dizer que seu céu é diferente não é licença poética, mas cristalina verdade, tão pura quanto o ar que se respira por lá. E é diferente porque lá se encontram as melhores condições climáticas para a prática de paragliders e voos de asa delta. Aficionados destes esportes, do Brasil e de muitos outros países, chegam à cidade entre os meses de março e maio, quando se realizam as provas dos campeonatos. Eles são atraídos pelas correntes térmicas, bolsões de ar quente que sobem do vale e passam rente à Ibituruna. Do pico, a 1.123 m acima do nível do mar, os amantes destes esportes alcançam até 1.500 m acima da montanha. E sobrevoam a beleza da paisagem mineira vendo, lá do alto, até Caratinga, terra do cartunista Ziraldo, distante 115 km ao sul de Governador Valadares.

O espaço aéreo da região é reservado pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) para a prática destes esportes, sendo proibido o tráfego de aviões e helicópteros. O acesso ao ponto mais alto da montanha pode ser feito por duas estradas, uma totalmente pavimentada e outra mais primitiva e bucólica. Da base ao cume o percurso é de apenas 7 km, ideal para uma boa caminhada. No verão, com temperaturas chegando a 40ºC, os visitantes também podem se divertir nas cachoeiras da montanha. Ou fazer compras no comércio, saborear a comida mineira, os doces e queijos típicos nos vários restaurantes. A cidade conta ainda com uma extensa e confortável rede hoteleira, para todos os gostos e orçamentos. E uma população hospitaleira, disposta a bem servir aos visitantes. São os engraxates, ensaiando o inglês para ganhar uns trocados, meninos de rua que ajudam a armar o parapente, a carregar o equipamento e auxiliar no resgate dos pilotos, após o pouso. Homens e mulheres de todas as idades e graus de habilidades, com sotaques e costumes estranhos, chegam em grandes e alegres bandos, mudando a paisagem e o ritmo da cidade. Todos à procura da paz e da beleza deste lugar singular, de céu diferente: Governador Valadares, a Capital Mundial do Voo Livre.


Entrevista com

Vera Holtz por Claudia Liba

DIVA. Parece ser a palavra que cabe a ela. Uma artista notável, sem dúvida. A atriz Vera Holtz nasceu em Tatuí (interior de São Paulo), uma cidade que respira música. Formou-se em artes plásticas e desenho geométrico. Mas resolveu, aos 18 anos, mudar-se para São Paulo e estudar na Escola de Artes Dramáticas da USP. Daí, a carreira não parou: estudou piano e matriculou-se num curso de arte dramática no Rio de Janeiro.

20


Sua capacidade de transitar nos mais diferentes palcos é incrível. Na Rede Globo, ela atuou em diversas novelas, como Que Rei Sou Eu (1989), Vamp (1991), Fera Ferida (1993), O Fim do Mundo (1996), A Muralha (2000), Desejos de Mulher (2002), Mulheres Apaixonadas (2003), Belíssima (2006) e Três Irmãs (2009). No teatro, de Bibi Ferreira, Antonio Abujamra, Amir Haddad, Luiz Arthur Nunes, Alcides Nogueira a Gerald Thomas, ela encara de tudo. Sob a direção de Antônio Abujamra, em Um Certo Hamlet, ganhou o Prêmio Shell (1991) de melhor atriz. Com o trabalho na peça Pérola (1995), com texto e direção de Mauro Rasi, conquistou os principais prêmios do Rio de Janeiro e São Paulo e permaneceu nada menos do que cinco anos em cartaz. Agora concilia dois importantes trabalhos, a personagem Candê, na novela Passione, de Silvio de Abreu, e a direção da peça O Estrangeiro (1940), do escritor franco-argelino Albert Camus. Como diretora, Vera estreia. E mostra novamente um trabalho brilhante. No monólogo, Guilherme Leme vive Mersault, personagem do romance. Assistir ao espetáculo é um prazer quase idêntico ao proporcionado pela leitura do livro, uma das obras mais importantes do século XVIII. Um trabalho que você, leitor da Versátil, não deveria perder. Versátil Magazine – Vera, a peça O Estrangeiro é seu primeiro trabalho como diretora. Pode contar um pouco sobre o seu processo de direção? Vera Holtz – A direção me veio como um

presente, porque o Guilherme sempre insistiu para que eu dirigisse essa peça. Eu já tinha assistido à leitura do Guilherme, que ficou um ano lendo, trabalhando com a tradução, que é a 13° versão. Quando pediu para que eu dirigisse, estava muito ocupada fazendo a novela Três Irmãs. Então, resolveu fazer uma “dobradinha”: adiantou a parte cenográfica, iluminação e eu fiquei com a encenação. Nosso primeiro trabalho foi um feliz encontro. Versátil Magazine – Por ser um monólogo, é mais complicado dirigir? Vera Holtz – O grau de dificuldade acho igual para qualquer trabalho em que o ator está afinado com a obra e tem conhecimento sobre ela. Pelo que vejo ultimamente, há vários monólogos em cena, tenho sentido que é o momento em que o ator tem vontade de defender uma peça, acho que é uma atitude do artista o momento em que ele diz “quero defender uma peça sozinho”. É uma consequência de percurso, um mérito de trabalho. Defender um espetáculo assim é um mérito. Versátil Magazine– A escolha do texto de Camus foi sua ou do Guilherme? Vera Holtz – Do Guilherme. Estávamos juntos em Copenhagen, Dinamarca, e ele ganhou este texto de presente, que já veio adaptado pelo Morten Kirkskov, que é diretor, ator e trabalha em uma escola bárbara de teatro lá. O Guilherme ficou apaixonado pela obra do Camus e começou a estudar, deu uma olhada na tradução, estudou bastante. Quando eu cheguei, ele já estava bem afinado com a obra. Versátil Magazine – Há um trecho do texto que diz: “Mesmo no lugar dos réus, é sempre interessante ouvir falar de nós mesmos”. Como atriz, você concorda com isto?

21


Acho que o conhecimento é sempre a grande revelação da vida.

Vera Holtz – O Mersault, personagem do livro, fala em primeira pessoa, como se fosse um diário, né? Hoje mamãe morreu, hoje aconteceu assim... Então ele entra e sai das situações e tudo para ele é meio absurdo. Ele tem uma posição crítica em relação a tudo isso. O Mersault é uma figura narrativa, argumenta isso na figura da personagem. É uma tirada do Camus, pois em momento algum ele se sente o assassino. Ele não se acostumou a isso. Primeiro fala que não tem que se arrepender das coisas e fazer uma imagem cristã. Porque todos se arrependem diante de uma imagem, do crucifixo, mas ele diz que não é assassino. Ele percebe que era assassino, mas não estava acostumado a isso. Não estava acostumado a ser o centro das coisas, era um periférico. Só toma o centro das coisas quando vai a julgamento. Versátil Magazine – Considerando isto, vemos que constantemente somos julgados. Você tem medo de críticas e julgamentos? Vera Holtz– Meu universo é de ficção. Praticamente vivo dentro desse jogo social através da ficção. Não sei como seria isso dentro da realidade, se teria o mesmo comportamento. Não vá por uma convenção social, como o próprio Camus discute um pouco isso, que o homem cria convenções sociais e passa a acreditar nelas. E ficam obsoletas. Eu não sei como seria uma fatalidade de destino na vida.

22

Vera em uma das cenas da novela Passione.

Versátil Magazine – Como você reage a críticas? Vera Holtz – Acho que tanto faz o que critica, o que está do outro lado. São especialistas e têm outro olhar. Versátil Magazine – O texto também traz uma colocação do personagem que diz: “Tão perto da morte minha mãe deve ter se sentido libertada e pronta a tudo reviver”. Envelhecer traz liberdade? Vera Holtz – A mãe do Mersault, no caso dela trouxe. Quando a entregou para o asilo, ele fala que a mãe não se lembraria dele e nem ele dela. Quando ela vai para o asilo, encontra pessoas próximas e passa a ter um diálogo vivo novamente. Esse discurso dá vida a esta mulher. Acho que o fato de encontrar um companheiro revive, pois os dois conversavam, trocavam ideias, eram sempre vistos juntos. Fala-se dessa parceria, da relação com outra pessoa. Envelhecer traz muitas coisas. Versátil Magazine – Coisas boas?


Imagens: das cenas da novela: Divulgação.

Vera Holtz – Boas. Tem que saber viver. Acho que não dá pra envelhecer. Muitas coisas você traz, outra percepção do mundo. Pode trazer muitas catástrofes, tem pessoas que não se preparam para envelhecer. Versátil Magazine – Hoje existem muitos artifícios para não envelhecer, para parecer jovem. Isto demonstra medo de envelhecer? Vera Holtz – Eu não tenho nada disso. Versátil Magazine – Como você acha que podemos nos preparar para envelhecer? Vera Holtz – Acho que o conhecimento é sempre a grande revelação da vida. Conhecer, conhecer limites do seu corpo. Porque, à medida que ele é muito utilizado, eu por exemplo, tenho 58 anos e a minha máquina está funcionando há 58 anos, meus órgãos. Acho que esse conhecimento do limite que a vida vai te colocando tem que conhecer, tem que

estudar. Viver bem, alimentação e exercícios adequados, cuidado com pele, hormônios que se perdem. Tem que cuidar. A parte emocional é também possível, porque se tem psicanalista, tem padre, pai-de-santo, tem livros que podem te orientar, música. Tudo volta para o conhecimento, para coisas que se gosta de fazer. A gente só gosta do que conhece. Conhecer é a grande liberdade em qualquer relação. Versátil Magazine – E o uso de cabelos brancos, foi unicamente para compor personagens?

Meu universo é de ficção. Praticamente vivo dentro desse jogo social através da ficção. Vera Holtz – Começou com Alain Fresnot, diretor da peça Família Vende Tudo, que queria para a personagem um ar sofisticado. E fizemos no cabelo uma decapagem, gostei bastante. Daí fiz a novela Três Irmãs, em que era uma mulher poderosa. Agora, em Passione, falei pro Silvio se podia fazer a Candê com o cabelo branco e ele concordou. Versátil Magazine – Vera, você tem interpretado personagens polêmicos, como a mulher mais velha que gosta de namorados jovens, na novela Belíssima e outros. Atualmente há o tema do abuso sexual de crianças que permeia a trama de Passione. Acha que é positivo utilizar este tipo de tema na grande mídia? Vera Holtz – Isso a gente vê no dia seguinte. Exploração de menor no Brasil é um tema muito sério. Nós temos uma escola de machões no país e temos que acabar com o machismo para conseguir acabar com a

Vera em uma das cenas da novela Passione.

23


Versátil Magazine– Que comentários chegam a você em relação ao personagem Candê? Vera Holtz– A Candê tem o perfil da mulher brasileira, que luta, que tem bons filhos e filhos complicados. É uma coisa bem popular, bem conhecida: a sua vizinha, a sua família tem isso. As pessoas têm uma relação bem carinhosa com a Candê.

24

Foto: por Oito Cornelsen. Poster: divulgação

prostituição infantil. Hoje tem turismo sexual infantil, um tema gravíssimo, a novela expõe temas gravíssimos. O tema da droga, no caso do Danilo, personagem do Cauã (Reymond), mostrando a sequência da ação da droga, como é que começa, a aversão ao tio, à família, roubo, sumiços. Isto está sendo super importante, super valorizado. Quando fiz uma alcoólatra na novela Mulheres Apaixonadas, passavam trechos de discursos de dependentes químicos de alcoolismo. Foi tudo estudado, a gente era homenageado pelos dependentes, pela importância de mostrar a sequência inteira, as recaídas do dependente químico. Em Passione, a avó que explora a criança, ela usa do Poder Público para fazer a exploração. No caso da adoção do Amendoim, a Candê perde a guarda provisória. Ela fez isso pra mostrar que não pode ficar com criança em casa sem que a Lei diga.


O ESTRANGEIRO. De Albert Camus. Adaptação de Morten Kirkskov. Meursault leva uma vida banal. Depois de receber a notícia da morte de sua mãe, comete um crime, é julgado e preso. Tudo acontece gratuitamente, sem qualquer sentido: um homem arrastado pela correnteza da vida e da história, o que pode ser lido como o drama de qualquer pessoa que se depara com o absurdo, ponto central da obra de Camus. Direção de Vera Holtz e Guilherme Leme. Teatro Eva Herz – São Paulo Conjunto Nacional Avenida Paulista, 2.073 – Bela Vista Informações: 11 3170 4059

25


Gastronomia

O melhor da

primavera Finalmente fui comer no Tantra

da Granja Viana depois de ouvir muitos elogios. Foi muito comentado durante o Restaurante Week e agora que a primavera chegou, é a melhor estação para checar este programa. Os pratos são lindos, frescos e coloridos, a cara da estação. Alguns com o feminino de pétalas de rosas ou capuchinha, contrastando com o sabor masculino e a tenacidade das texturas das carnes fazem com que cada prato no cardápio seja extremamente romântico. Sabores estes baseados na filosofia hindu. Além dos românticos pratos à la carte, o Tantra conta com sua charmosa e hipnotizante chapa, o Mongolian Grill. Os comensais escolhem a combinação de carnes, guarnições e uma infinidade de temperos e tudo é grelhado ali, na hora, em um bonito espetáculo. As carnes são exóticas, podendo ser de tubarão, avestruz, javali, búfalo. As combinações são infinitas e os resultados realmente muito bons. Se na primeira vez não tiver muita coragem para arriscar a própria receita, lá existem “receitas e combinações” que dão certo penduradas na parede. Na hora o cozinheiro ainda perguntará que óleo você prefere - entre azeite, de gergelim ou milho. É muito bacana e vale a pena! Com espaço aberto e cheio de árvores, a decoração é muito bonita, cheia de flores e super aconchegante, seguindo todo o estilo oriental. São vários ambientes, cada um com estilo um pouco diferente, o que traz mais charme ao local. Há um playground em que, aos fins de semana, monitores ficam com as crianças. E também tem um menu infantil.

26


Os drinks, hoje em dia tão escanteados nos cardápios, têm um lugar especial no Tantra, alguns considerados afrodisíacos. As sobremesas, super aromáticas, com cardamomo, especiarias. Muito boas. Prove, em especial, o cheesecake de peras com gengibre servido com mel e sorvete de tangerina. Para fechar o programa, muitas performances: dança egípcia com serpente, cartomante de tarot e shows que misturam circo, pirofagia e teatro. Nesta primavera, na estação mais romântica do ano, você já tem um programa para almoçar ou jantar. Gabriel Leicand leicand@uol.com.br


Decoração

Feng Shui Você pode melhorar sua vida afetiva e profisC’HI é a energia positiva que deve entrar nas casas, circular sional, aumentar o número de clientes da sua e sair. O SHA é a energia negativa, que devemos “curar”. Esempresa, loja, restaurante, consultório. Estamos pelhos são os objetos mais comuns para aumentar o C’HI e falando de ambientes, decoração, pessoas, enerdesviar o SHA, podendo, também, evitar o ataque de “flechas gias diferentes. secretas”, como as quinas. Vamos unir o útil ao agradável? A decoração O som é outro elemento que elimina o SHA, com sinos dos deixa os ambientes bonitos, coloridos, alegres. ventos e fontes. Cores, fumaça de incenso e plantas que não Mas cada lugar em que ficamos no dia a dia é tenham pontas ou espinhos também. diferente, dependendo, por exemplo, das pesA ideia pregada pelo Feng Shui é o equilíbrio com as forças da soas que os ocupam. Em locais de trabalho natureza, tendo saúde, boa sorte e prosperidade. Dificuldades então, nem se fala! Além dos proprietários, há e obstáculos podem expressar-se como doenças, má sorte funcionários, frequentadores, compradores, ou indisposição. vendedores, pacientes... O Feng Shui requer o uso da imaginação visual junto com As imagens criadas em nossa consciência pela a intuição, a influência dos cinco elementos** e visão, pelo cheiro e som mostram como sena “bússola”, que chamamos de baguá, com os timos o ambiente e como vamos nos comOito Trigramas do I CHING. Ela deve ser deportar. Um vaso com flores, pinturas, um canto senhada na planta da casa para obtermos as aconchegante para você podem causar impressão áreas que devemos melhorar, pois são nossas contrária ou passarem desapercebidos para as aspirações. Estas áreas recebem os nomes de visitas. trabalho, amigos ou clientes, criatividade, relacionamento, O órgão mais ativo que temos são os olhos. Ao sucesso, prosperidade, família e espiritualidade. Temos procurar algo ou alguém, a imagem visual é a ainda uma parte central, que é onde devemos estar, a primeira que nos vem. Não sabemos como os outsaúde da casa. ros nos veem, qual impressão causam nossa casa, nosso escritório. Segundo o Taoísmo, primeiro houve o espírito = Céu; A decoração faz bem a nossos olhos, mas, por exdepois, a matéria = Terra emplo, o vaso nem sempre está no lugar certo ou a Céu Terra cor não é a ideal para aquele espaço. Como diz Kahlil Yang Yin Gibran no livro O Profeta, “sua casa é seu corpo mais Masculino Feminino amplo.” Gostamos que nosso corpo esteja bem, nos Calor Frio vestimos de forma confortável, colocamos o perfume Leve Pesado que achamos ser o melhor. Tudo isto é nossa energia. Seco Úmido Como cuidar dos diversos ambientes? Claro Escuro O FENG SHUI é uma arte chinesa que significa Positivo Negativo “vento e água”, uma corrente de pensamenDinâmico Parado to analítico com mais de 4.000 anos. Vem do Criativo Receptivo Taoísmo* – caminho em que se acredita numa Externo Interno energia em constante fluxo, no nosso interior e a Luz Sombra nossa volta, e ensina como harmonizar nossa casa, a energia dos moradores e das adjacências. ELEMENTO DIREÇÃO ESTAÇÃO COR Os mestres chineses perceberam que cada área tem uma Madeira Leste Primavera Verde vibração influenciada pela presença do CH’I e sujeita às Fogo Sul Verão Vermelho influências do entorno. Ela afeta os ambientes de forma Terra Centro Amarelo NEGATIVA (YIN) ou POSITIVA (YANG), auxiliando-nos a Metal Oeste Outono Branco modificar os ambientes, aumentando ou anulando efeitos. Água Norte Inverno Preto É um instrumento de equilíbrio a ser utilizado junto a outras práticas, como a Medicina Tradicional Chinesa, Meditação, Geopuntura e Radiestesia (que mostra os pontos negativos através de varetas, pêndulos, réguas).

28


Imagens Feng Shui: Wikimedia Commons

Encontre o seu elemento e faça uso dele na decoração, jóias, nos acessórios, na cor. Temos a predominância de um dos cinco elementos, dependendo do ano em que nascemos. Veja qual é o último número do ano em que você nasceu. * Taoísmo – uma das três religiões da antiga China. ** Componentes básicos em tudo no universo. Um origina, nutre ou destrói; o outro queima/ gera fogo (madeira) - que produz cinza (Terra), de onde vem o Metal, que, derretido, gera Água, que nutre a Terra, crescendo a Madeira

ÚLTIMO Nº DO ANO

YIN/ YANG

ELEMENTO

COR

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

Yang Yin Yang Yin Yang Yin Yang Yin Yang Yin

Metal Metal Água Água Madeira Madeira Fogo Fogo Terra Terra

Branco, prata, ouro, cobre Branco, prata, ouro, cobre Preta, azul, verde claro Preta, azul, verde claro amarelo a marron claro e verde amarelo a marron Laranja, vermelho, amarelo gema Laranja, vermelho, amarelo gema Marrom – todos os tons Marrom – todos os tons

Isa Moraes Fonseca é Terapeuta Holística. Radiestesia, Feng Shui, Geopuntura e Acupuntura. CRT – 33426


Esporte

Saquinhos, Cinco Marias, Astragaloi Desta vez não vou falar sobre um esporte, mas quase isto! Jogo de saquinho não é esporte: é um jogo antigo. A diferença entre jogo e esporte é política: o esporte é um jogo institucionalizado, organizado em associações e federações que regulamentam sua prática. Se houvesse uma Federação Brasileira de Saquinhos, filiada à International Jackstones Federation, seria um dos esportes mais antigos do mundo, que recebe diferentes nomes, conforme a língua de cada país. Em português, é conhecido como Cinco Marias, Jogo de Pedrinhas, Aleija Mão ou Jogo de Saquinhos. Em inglês, chama-se knucklebones, hucklebones, dibs, dibstones, jackstones, chuckstones ou five-stones. Suas formas modernas consistem em jogar para cima pequenos objetos e agarrá-los com destreza em diversas configurações, seguindo as regras: um é jogado para cima enquanto os demais são coletados (um a um, dois a dois e assim por diante); todos são jogados e o jogador deve tentar retê-los nas “costas” da mão quando caem; um objeto deve ficar agarrado na mão enquanto manobras são feitas com os demais. Enfim, as etapas variam conforme a “versão do jogo”. Os objetos, hoje, são em geral saquinhos, conforme a fotografia em que minha mãe e minha filha jogam. Podem ser, também, pedrinhas ou objetos de metal. As origens deste jogo se perdem na Antiguidade, mas acredita-se serem asiáticas. Os primeiros relatos são gregos: Sófocles descreveu como Palamedes ensinou os gregos a jogar astragaloi ou astrágalos (versão na qual as peças são ossinhos de pés de carneiro) durante a Guerra de Troia. Platão atribuiu ao deus egípcio Toth a invenção do jogo. Os relatos gregos já associam o jogo a entretenimento e à disputa. Outras fontes sugerem que era uma prática oracular, como o jogo de búzios, que teria, mais tarde, originado o jogo de dados. O jogo de saquinhos espalhou-se pelo mundo todo e minha mãe, Dona Lila, relata que era muito popular entre as meninas durante sua infância. Elas jogavam com pedrinhas. Cada menina tinha o próprio conjunto de pedrinhas, em geral pedacinhos de mármore laboriosamente polidos no chão até adquirirem a forma mais adequada: pequenos cubos achatados, sem arestas. Depois apareceram os “ferrinhos” industrializados americanos e, finalmente, os saquinhos - que cada menina fazia e enchia com arroz ou areia.

30

As mais de 15 “modalidades” de arremesso, em graus crescentes de dificuldade, tornam o jogo não apenas divertido, mas uma atividade que desenvolve habilidade e coordenação motora nas mãos, concentração e agilidade. Neste caso, vale a máxima de que as coisas realmente boas da vida permanecem, século após século, com poucas modificações. Marilia Coutinho é atleta, escritora, conferencista e consultora - BodyStuff Consultoria Esportiva, Performance Coaching, Designer Training Programs www.bodystuff.org / merton.mzm@gmail.com Fone: 11 9979 7475


Meio Ambiente

LIXO ELETR‘NICO:

UMA OPORTUNIDADE DE NOVOS NEG”CIOS E RESPONSABILIDADE SOCIAL

A nova Lei Ambiental que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos deve trazer muitas mudanças - não só para o comportamento dos consumidores mas também para os produtores. A Lei 12.305 de 02/08/2010, que aguarda regulamentação, institui, entre outros mecanismos, a obrigatoriedade dos fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores de produtos com potencial poluidor a responsabilizarem-se pela destinação final dos produtos descartados. É o chamado princípio da logística reversa. Uma das nossas grandes preocupações é: o que fazer com o chamado lixo eletrônico? Diferente do que muitos podem imaginar, o lixo eletrônico não é aquela enxurrada de e-mails comerciais que invadem o seu computador, mas sim o que sobra do seu celular, computador, da televisão, das impressoras e de mais uma infinidade de produtos consumidos pela população e que hoje, pelo baixo custo, são considerados uma febre entre os brasileiros. Segundo artigo do site ambientedomeio.com, na composição dos equipamentos eletrônicos existem substâncias tóxicas altamente perigosas à saúde humana - como o mercúrio, chumbo, cádmio, berílio e arsênio. Além disto, para produzir os aparelhos também são utilizados compostos químicos retardantes de chamas e PVC, que demoram séculos para decomporem-se no meio ambiente. Em contato com o ar, solo e as águas, por exposição direta ou indireta via água de abastecimento e alimentos, estas substâncias podem gerar distúrbios no sistema nervoso, problemas renais e pulmonares, câncer e outras doenças podendo, inclusive, afetar o cérebro. A alta concentração de metais pesados no lixo eletrônico tem a propriedade da bioacumulação nos organismos vivos, podendo estender-se por toda a cadeia trófica, isto é, toda a cadeia alimentar, chegando ao topo, onde se encontra o homem. Além da Política Nacional de Resíduos Sólidos remar para uma possível solução da destinação final de “lixo”, pode ser também uma grande oportunidade para a formalização de uma atividade até então marginalizada pela sociedade, a dos catadores. Conforme artigo do Jornal Estado de São Paulo de 15/08/2010, a Caixa Econômica Federal terá R$ 500 milhões disponíveis em crédito para as cooperativas de catadores e projetos de manejo de resíduos, e o Ministério do Meio Ambiente reservará R$ 1 bilhão do orçamento de 2011 para financiamento de processos deste tipo. Como o objetivo final dos fabricantes não é a reci-

32

clagem, outras empresas poderão beneficiar-se, pois para fazer o trabalho de reciclagem ou reaproveitamento do material descartado será necessário o suporte de empresas especializadas no ramo. Com certeza é uma grande oportunidade para aqueles que, além da preocupação com a preservação do meio ambiente, procuram oportunidades de novos negócios. Mas os reflexos da Lei não param por aí. Os benefícios sociais gerados pela reciclagem não se limitam a transformar o lixo eletrônico em produtos derivados de seus componentes. Em muitas ocasiões, os produtos descartados estão em plenas condições de uso, funcionam perfeitamente, mas não atendem às necessidades dos proprietários. Então, surge a oportunidade de doação para entidades sociais que reaproveitam os artigos para inclusão social da população - que, até então, não tinha acesso a estas tecnologias - ou revertem em recursos através de bazares. Rubens Borges - é administrador, especialista em Educação Ambiental e Secretário Executivo do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (FEMA) Instituições que aceitam doações de eletrônicos Centro Espírita Nosso Lar – Casas André Luiz www.andreluiz.org.br AACD Informações: 11 5576 0811 www.aacd.org.br Fundação Dorina Nowill Para Cegos Informações: (11) 5087 0977 Museu do Computador Informações (11) 4666 7545


Para os fãs de basquete, e de Michael

Jordan, a décima primeira versão do game “NBA 2K” é a melhor já criada, porque é a única versão até agora que possui como estrela simplesmente o melhor jogador de basquete de todos os tempos. Em um modo do game desenvolvido especialmente para o jogador, é possível controlar Jordan em jogos históricos, e tentar realizar as proezas que Michael conseguiu realizar no jogo em que atuou. Além desse modo de jogo o game conta com alguns times clássicos do Chicago Bulls e outros times históricos de outras franquias da NBA, como o Detroit Pistons, Indiana Pacers, Los Angeles Lakers e muitos outros. O jogo também conta com melhoras nos gráficos e na jogabilidade, nessa versão não é tão fácil executar um drible como na versão anterior. O modo de jogo conhecido como “My Player”

Games

O MELHOR está de volta ” onde era possível criar o seu jogador e fazer sua carreira ao longo dos anos pela NBA também ganhou melhorias, agora depois dos jogos é possível dar entrevistas, e tome cuidado com suas respostas para não desagradar seus fãs, e também não adianta pedir a bola o tempo inteiro porque o técnico irá te colocar no banco de reservas. O modo que agora é chamado de “My Carrer” ou minha carreira, está bem mais desafiador e realístico do que o antigo “My Player”. Outro modo de jogo criado pela 2K para essa versão só será liberado após concluir todos os desafios do “Jordan Challenge” onde você controla Michael Jordan e tenta realizar todos os jogos históricos com a camisa do Chicago Bulls, o modo é o “Create a Legend”, onde é possível conduzir Jordan desde um novato com todas as suas características originais (peso, altura, força, idade), sua missão é conduzir Michael desde o começo de sua carreira e tentar igualar o número de títulos e prêmios de melhor jogador da temporada que Jordan conseguiu ao longo da carreira. A versão está muito melhor do que a anterior, e é considerado por muitos críticos um jogo para guardar para sempre, pois será muito difícil alguma criadora de games conseguir todas as licenças em cima de Michael Jordan para colocar seu nome em um jogo novamente. E os modos de jogo citados a cima nunca foram utilizados em um jogo. O NBA 2K11 estará disponível para Xbox 360, Playstation 3, Playstation 2, PC, Wii e PSP.

33


CONCURSO MINUTO NA ESCOLA. O Festival do Minuto, em parceria com a Secretaria Estadual da Educação, premiará produções de alunos da rede pública. Os estudantes devem produzir um vídeo com um minuto de duração e enviar para www.minuteen.com. br (Ensino Fundamental) e www.festivaldominuto.com.br (Ensino Médio). Até 23/10. PROJETO EDUCATIVO DA 29ª BIENAL DE SÃO PAULO. Ateliês de artes plásticas, literatura, filosofia, educação, música, teatro com artistas e educadores. Para pessoas a partir dos 6 anos de idade. Aos finais de semana. Grátis. Até 12/12. Informações: 11 5576 7611 MUSEU DE ARQUEOLOGIA E ETNOLOGIA DA USP. Em novembro, o museu oferecerá atividades voltadas para professores, com apresentação de materiais didáticos sobre a temática indígena e treinamento para visita monitorada à Exposição “Formas de Humanidade”. Grátis. Informações: 11 3091 4905 PARQUE LUIS CARLOS PRESTES. Oficina à vista! Desta vez, ensinando a construir um terrário. Tragam as crianças para aprender! Grátis. 27/10. Parque Luis Carlos Prestes Rua João Della Manna, 665 – Butantã Informações: 11 3721 4965 PALESTRAS DE LITERATURA. Para quem vai prestar vestibular (USP e UNICAMP), uma ótima chance para conhecer melhor as obras literárias indicadas. 23/10 - Capitães de Areia (Jorge Amado). 30/10 - Antologia Poética (Vinicius de Moraes). Grátis. Inscrições: cd.xi@uol.com.br ou no local. Cursinho do XI Av. Brigadeiro Luís Antonio, 277 - Centro Informações: 11 3107 6293 PROGRAMA OUVIR PARA CRESCER. Iniciativa da Sociedade de Cultura Artística e da RVA Cultural. Apresentações musicais com enfoque pedagógico, produção de material didático para professores e alunos da rede pública. Programação: Meninos do Morumbi (20/10), Saxomania (27/10), Octeto de Câmara da USP (03/11), André Mehmari Trio (11/11), Cia Ópera São Paulo (17/11) e Orquestra Sinfônica de Barra Mansa (24/11). Grátis. CEU Butantã Av. Eng. Heitor Antônio Eiras Garcia, 1.870 – Butantã Informações: 11 3732 4549

34


FERNANDO PESSOA, PLURAL COM O UNIVERSO. Um “labirinto poético” mostra trechos de poesias e imagens do poeta. A 1ª edição do livro Mensagem (1934) é uma das relíquias da mostra. Até 30/01/2011. Museu da Língua Portuguesa Praça da Luz, s/nº - Centro Informações: 11 3326 0775

“Quando te vi amei-te já muito antes. Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci pra ti antes de haver o mundo. Não há cousa feliz ou hora alegre Que eu tenha tido pela vida fora, Que o não fosse porque te previa, Porque dormias nela tu futuro.” (Fernando Pessoa, Primeiro Fausto - Terceiro tema)


Mix Cultural

Livros 20 ANOS DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR: Estudos em Homenagem ao Professor José Geraldo Brito Filomeno. Org.: Antonio Carlos Morato / Paulo de Tarso Neri. ENSAIO. Homenagem ao professor que desempenhou importante papel como vice-presidente da comissão responsável pelo anteprojeto de lei. Editora Atlas. ALMA IMORAL. Nilton Bonder. RELIGIÕES. Religião e biologia, tradição e sobrevivência, continuidade e mutação não são áreas desconexas. O livro compara preservação com evolução, tradição com traição. A alma que questiona a moral - sendo, muitas vezes, imoral - é vista em textos e conceitos antigos. Editora Rocco. AMOR LÍQUIDO. Zygmunt Bauman. SOCIOLOGIA. A fragilidade dos laços humanos no mundo moderno. O sociólogo expõe, entre outros exemplos, os relacionamentos em “redes” que são tecidas e desmanchadas facilmente, e a dificuldade de manter laços a longo prazo e tratar as pessoas com humanidade. Editora Jorge Zahar. ATLAS. Jorge Luis Borges / María Kodama. Em 1984, o escritor argentino reuniu pela primeira vez num volume relatos de suas viagens pelo mundo na companhia de Maria Kodama, autora das fotos que ilustram o livro. Breves textos com as lembranças dos locais que amorosamente visitou. Companhia das Letras. BARROCO TROPICAL. José Eduardo Agualusa. ROMANCE. Um retrato da sociedade angolana, onde as tradições ancestrais nem sempre convivem de forma pacífica com a modernidade. Mães de santo e curandeiros convivem com figurinistas famosos, empresários, militares e traficantes de drogas. Companhia das Letras. UM CHEF PARA AS QUATRO ESTAÇÕES. Gordon Ramsay. GASTRONOMIA. As 104 receitas foram elaboradas para combinar com as características de cada estação do ano. Com instruções por meio de fotos passo a passo cuidadosamente escritas para serem executadas em casa, sem sustos. Editora Agir.

36

Por Valeria Diniz

AS COBRAS - Antologia Definitiva. Luis Fernando Veríssimo. HQ. Criadas na época da censura, As Cobras cativam, têm medo, mas resolvem desafiar Deus, o técnico de futebol, os políticos da capital. E se sentem duas titicas. O escritor desenhou-as por quase 30 anos, para vários jornais. Editora Objetiva. DE ESCRITA E VIDA – CRÔNICAS PARA JOVENS. Clarice Lispector. CRÔNICA. Org.: Pedro K. Vasquez. “Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais,” disse Clarice. O objetivo é suscitar jovens leitores no primeiro contato com sua obra. Aqui, ela escreve sobre o próprio ofício. Editora Rocco. ELITE DA TROPA 2. Luiz Eduardo Soares, Rodrigo Pimentel, Andre Batista, Claudio Ferraz. FICÇÃO. Continuação da obra lançada em 2006, que apresentou, sob o ponto de vista da polícia, detalhes da guerrilha urbana brasileira. Aqui, os bastidores da “máfia brasileira”, as milícias, são o tema. Editora Nova Fronteira. FELICIDADE DEMAIS. Alice Munro. CONTOS. Dez contos da escritora canadense em que mulheres vivem cenas de sedução e violência. O conto que dá título a obra é inspirado em Sophia Kovalevsky, uma das primeiras mulheres admitidas como professora universitária em Estocolmo, no século XIX. Companhia das Letras. HISTÓRIA DA RESSURREIÇAO DO PAPAGAIO. Eduardo Galeano e Antonio Santos. INFANTIL. Eduardo Galeano Traduzido por Ferreira Gullar. Esculturas coloridas em madeira do espanhol Antonio Santos ilustram a história de um papagaio que morre após cair em uma panela quente. Editora Cosac Naify. PADRE ANTÔNIO VIEIRA - O Imperador da Língua Portuguesa. Amélia Pinto Pais. ENSAIO. Assim considerado por Fernando Pessoa, o missionário jesuíta viveu no Brasil. Há sermões em defesas de indígenas e negros, uma autobiografia póstuma e trechos de correspondências. Companhia das Letras.


PARA QUE SERVE DEUS. Philip Yancey. ENSAIO. A obra relata histórias de lugares como a China, onde a igreja cresce, apesar do governo ateu; o Oriente Médio, onde a igreja da região central mal sobrevive; a África do Sul, em que uma igreja multicolorida junta os cacos do passado racista. Editora Mundo Cristão. O PASSAGEIRO CLANDESTINO: MONTE A SUA HISTÓRIA 1. Tracey West. INFANTOJUVENIL. A bordo do navio de Rockhopper, o leitor fará uma grande aventura. Se você não conquistar a confiança para tornar-se um dos marinheiros, ele pode levá-lo de volta para a ilha! Editora Melhoramentos. POLÍTICA. João Ubaldo Ribeiro. ENSAIO. Sem jargões nem visão particular, o autor destrincha enigmas desta atividade inexorável à vida humana - a Política – que tem a ver com quem manda, por que manda e como manda. João Ubaldo explica que coisa é esta e por que interessa a todos e a cada um de nós. Editora Objetiva. PONTO FINAL. Mikal Gilmore. MÚSICA. O autor traça o perfil da geração que transformou os anos 1960. Os ensaios montam um painel diversificado da sociedade e da música nos EUA e na Inglaterra num período em que a influência da cultura jovem foi particularmente forte. Companhia das Letras.

SANTA TERESA D’ÁVILA – Livro da Vida. BIOGRAFIA. Tradução de Marcelo Musa Cavallari e prefácio de Frei Betto. A história da monja carmelita do século XVI, que revolucionou a espiritualidade cristã e incomodou autoridades eclesiásticas. Companhia das Letras. NÃO HÁ SILÊNCIO QUE NÃO TERMINE. Ingrid Betancourt. BIOGRAFIA. Lançamento mundial do relato da colombiana de família tradicional e educada na Europa, que, em 2002, quando candidata à Presidência de seu país, foi sequestrada por guerrilheiros das Farc, ficando mais de 6 anos em cativeiro no interior da selva. Companhia das Letras. Tomei a decisão de fugir. Era minha quarta tentativa, mas depois da última vez as condições de detenção tinham se tornado ainda mais terríveis. Eles haviam nos instalado numa jaula construída com tábuas de madeira e folhas de zinco à guisa de telhado.

37


Mix Cultural

EXPOSIÇãO ANOTAÇÕES VISUAIS DE ALDEMIR MARTINS. Desenhos inéditos, esboços, anotações e estudos de um dos maiores artistas brasileiros, vencedor do Grande Prêmio de Desenho da Bienal de Veneza (1956). Em dois modos de exibição: originais montados em pranchas e vitrines, em formatos pequenos, e em plotagens, em formatos grandes. Grátis. Até 19/11. Espaço Cultural Citi Avenida Paulista, 1.111 – Bela Vista Informações: 11 4009 3000

CONCERTO SÉRIE BACH: TEMA & CONTRATEMA. Os músicos

Sérgio Carvalho (cravo) e Shen Ribeiro (flauta transversal) apresentam sonatas compostas pelos filhos de J. S. Bach. Espaço Cachuera! Rua Monte Alegre, 1.094 - Perdizes Informações: 11 3872 8113

CINEMA A ÁRVORE. Julie Bertuccelli. DRAMA. Uma família do

SENNA. Asif Kapadia. DOCUMENTÁRIO. Desde os

ATRAÇÃO PERIGOSA. Ben Affleck. AÇÃO. Uma gangue de assaltantes orgulha-se de roubar e sair impune. O líder considera os parceiros como sua família, especialmente Jem, a quem chama de irmão. Tudo muda no último assalto, quando farão uma gerente de banco de refém. Com Ben Affleck, Jeremy Renner, Rebecca Hall.

GARFIELD 3D - UM SUPER HERÓI ANIMAL. Mark

HOMENS EM FÚRIA. John Curran. DRAMA. Jack Mabry pega seu último caso no departamento de liberação de condicionais. Há dez anos, o condenado incendiou a casa da avó. O homem insiste que sua companheira conheça Jack. O objetivo é manipulá-lo. Com Edward Norton, Milla Jovovich, Robert De Niro. Estreia: 22/10.

interior da Austrália tenta recompor-se após a morte repentina do patriarca. Com Charlotte Gainsbourg, Morgana Davies, Marton Csokas, Christian Byers, Tom Russell. Estreia: 05/11.

anos 80, quando o piloto iniciou a carreira, o filme mostra as dificuldades, os melhores momentos de Senna na Fórmula I, a luta contra a política esportiva. Na vida privada, um homem simples, tímido, que doou cifras milionárias para ajudar pessoas carentes. Estreia: 12/11.

A.Z. Dippé. ANIMAÇÃO. Garfield deixará as lasanhas de lado quando o musculoso gato Garzooka sair dos quadrinhos e entrar nos desenhos animados. Eles farão um plano contra uma ameaça que pode destruir o planeta. Vozes de Gregg Berger, Cathy Cavadini. Estreia: 22/10.

SHOW A QUATRO VOZES. O grupo é referência entre os atuais grupos vocais de MPB. Destaque para arranjos vocais elaborados e repertório escolhido com base em pesquisa sobre as raízes da música brasileira. Com trio instrumental. A renda será revertida para a reconstrução de Borgne, cidade do Haiti arrasada pelo terremoto em janeiro de 2010. Espaço Cachuera! Rua Monte Alegre, 1.094 - Perdizes Informações: 11 3872 8113

38

DANÇA FLORESTA AMAZÔNICA Homenagem aos 50 anos de morte de Heitor Villa-Lobos. Com o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Participação especial de Ana Botafogo. 30/10 a 01/11. Teatro Bradesco Bourbon Shopping São Paulo – 3° piso Rua Turiassú, 2.100 Fone: (11) 3670 4100


TEATRO ROCK ANTYGONA Após temporada elogiada no Rio de Janeiro, é a vez de São Paulo assistir à tragédia grega. A obra de Sófocles foi representada pela primeira vez em Atenas, em 441 A.C. A versão atual é adaptada, trazendo temas como tirania, poder, ambição e intolerância. Texto de Caio Andrade. Direção de Guilherme Leme (que também interpreta o monólogo O Estrangeiro). Com Luis Mello, Miwa Yanagizawa, Armando Babaioff e Marcello H. Até 14/11. Teatro do SESC Santana Avenida Luiz Dumont Villares, 579 - Santana Informações: (11) 2971 8700

PALHAÇOS. Texto de Timochenko Webhi. Um palha-

ço recebe a visita de um espectador que se comporta, inicialmente, como fã. Em determinado momento, passam a imaginar como seria um viver a vida do outro. Finalmente, após um diálogo complexo, percebem as próprias angústias. Direção de Gabriel Carmona. Com Dagoberto Feliz e Danilo Grengheia. Galpão do Folias Rua Ana Cintra, 213 - Centro Informações: (11) 3361 2233

HELL. A obra de Lolita Pille tornou-se fenômeno editorial na França em 2003 e é um retrato devastador da juventude rica e consumista de Paris, que preenche suas vidas com sexo, álcool, drogas e roupas de grife. Adaptação e direção de Hector Babenco e Marco Antonio Ferraz. Com Barbara Paz e Ricardo Tozzi. Até 19/12. Teatro do SESI Av. Paulista, 1.313 – Bela Vista Informações: (11) 3146 7405

MúSICA THE FALL. Norah Jones. JAZZ. Já premiada com

9 Grammy, agora ela experimenta sons e colaboradores diferentes, como o produtor Jacquire King. Uma nova fase da cantora que saiu do Texas aos 20 anos para morar em Nova York com o sonho de ser cantora de jazz. Seus novos colaboradores são muitos: os bateristas Joey Waronker e James Gadson, o tecladista James Poyser e os guitarristas Marc Ribot e Smokey Hormel. Norah também uniu Ryan Adams e Will Sheff, do grupo Okkervil River, com seu frequente colaborador Jesse Harris. Estou mais velha, e isso transparece no que escrevo. Sempre me preocupei com o ofício de escrever, porque era nova nisso, mas agora não tenho mais medo de simplesmente tentar alguma coisa. Tenho confiança suficiente para colocar para fora e ouvir Norah Jones

SYMPHONICITIES. Sting. ROCK. Um belo álbum com releituras de antigos sucessos, trazendo arranjos de orquestra sob a regência de Steven Mercurio. O início das vendas ocorreu em 13/07, Dia Internacional do Rock. Versões de Englishman In New York, She’s Too Good for Me, Roxanne ou Next to You permitem matar a saudade da banda The Police, quem marcou os anos 80. BAND OF JOY. Robert Plant. ROCK. A experiência

do inconfundível ícone do rock ressuscita o “revolucionário“ Robert Plant. Hoje, aos 62 anos, não é apenas um grande compositor e vocalista: é, também, um excelente guitarrista. No time da nova Band Of Joy estão Buddy Miller (guitarrista e coprodutor do álbum), Patty Griffin (vocal), Darrell Scott (guitarra acústica, banjo e bandolim), Byron House (baixista) e Marco Giovino (bateria e percussão). Produção e arranjos bem elaborados não descaracterizam a simplicidade do folk, do bluegrass e do country americano.

MAIS CAIPIRA Suzana Salles / Lenine Santos / Ivan Vilela. MPB. Os músicos reuniram-se à voz de Suzana

em show no Auditório Ibirapuera. Em seu segundo trabalho, buscam ampliar o conceito de música caipira, conferindo novos significados ao gênero. O repertório traz canções como De Papo Pro Ar, de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, e Fio de Cabelo, de Marciano e Darcy.

PHIL COLLINS. POP. Em coletiva de imprensa, Collins

disse que este foi o álbum que “sempre quis fazer”. São diversas versões de canções que marcaram sua adolescência, como clássicos da gravadora Motown. Ele voltou a afirmar que seria o último trabalho de sua carreira e manteve o tom original das canções, recrutando para o trabalho três integrantes da banda Funk Brothers, músicos do estúdio da Motown.

Por Valéria Diniz & Claudia Liba

39


Reflexões “As obras de arte são de uma solidão infinita: nada pior do que a crítica para as abordar. Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.”

- Rainer Maria Rilke

“O amor é a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.” - Rainer Maria Rilke “A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.” - Mário Quintana “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” - Clarice Lispector “Jamais considerei o prazer e a felicidade como um fim em si e deixo este tipo de satisfação aos indivíduos reduzidos a instintos de grupo.” - Albert Einstein “Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.” - XIV Dalai Lama “Ame profunda e passionalmente. Você pode se machucar, mas é a única forma de viver o amor completamente.” - XIV Dalai Lama “Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar.” - XIV Dalai Lama

Pintura por Tiffani H. Gyatso - www.tiffanihr.com


Diversatilidade

A PULGA GRÁVIDA Doutor Actis abriu a porta do laboratório e dirigiu-se até a mesa de canto. Sentou-se soltando um suspiro e, ao reclinar-se para frente, viu um calhamaço de cartas. Pegou-as e foi identificando os remetentes. Muitas propagandas, três pedidos de artigos científicos e uma vinda do Brasil. Curioso, Dr. Actis abriu o envelope e tirou uma pequena folha escrita. Ele leu: Dear Dr. Actis Fox, I’m sending three FLEAS to you. I have already tried everything against their. I don’t know what I can do more. I need your help. Please, guide me. Grateful Prof. Soares P.S. Be careful! The fleas are alive and FREE INSIDE the envelope. Quando Dr. Actis terminou de ler a carta, seus olhos se arregalaram e sua boca escancarou. — Oh, my God! Pegou o envelope com violência e olhou dentro: nada. As pulgas haviam fugido. Subitamente lhe veio um frio na barriga e ele se abaixou, passando a engatinhar pelo chão. Deu várias voltas em torno da bancada principal, olhou em todos os cantos. Nada das pulgas. Desesperado, gritou: — Nurse! Nurse! Uma mulher obesa vestida de branco e com os brincos em forma de bumerangue entrou correndo. Ele explicou o que havia acontecido e disse que precisava achar as pulgas de qualquer maneira. Ambos puseram-se de quatro como perdigueiros na esperança de achar os diminutos animaizinhos. Foi neste instante que o Dr. Actis começou a coçar. — Oh, my God! — exclamou ele apavorado. A princípio, apenas o pulso coçava. Ele arranhou até que a pele no local ficou vermelha e quente. Passou a procurar as pulgas em seu próprio corpo. Olhou ferozmente para todas as dobras da pele e tufos de pelos. Indignado em não encontrá-las, arrancou a camisa, os sapatos e as meias. A enfermeira obesa parou para olhar. Descobriu que o umbigo do Dr. Actis era encardido e pôs-se a rir. Ele estava tão envolvido em sua busca que nem sequer percebeu. Quanto mais ele procurava, mais ela gargalhava, chegando a rolar pelo chão. Ele resolveu, então, tirar as calças. E não teve escrúpulos em se desvencilhar da cueca. Seu corpo inteiro coçava. Coçou a testa, a nuca, a barba, a coxa direita, o cotovelo, o calcanhar. Sentia a pulga correr pelo seu corpo, fazendo uma leve cócega que deslizava em ziguezague. Nesses, momentos, dava violentos tapas sobre si mesmo na esperança irracional de deixar a pulga atordoada. Os tapas iam sucedendo-se, intercalando-se com suas radicais coçadas que escarificavam a pele. A enfermeira já não aguentava mais de tanto rir. Ela rolava, indo e vindo, soltando ruídos assustadores. De repente, o Dr. Actis olhou para ela com um ar ensandecido e disse: — You! The fleas are in you! Pulou sobre a enfermeira e começou a tirar a roupa dela à força, rasgando o que não conseguia desab-

42

otoar. — Help me! Help me! — gritava ela aterrorizada. — Shut up! — gritou o Dr. Actis. Ele e a enfermeira seminua rolaram por quinze minutos numa briga de solo sem precedentes naquele laboratório. Até que ela, fazendo uso do próprio peso — seu grande trunfo — jogou-o para o lado e fugiu. Ele se levantou ofegante e recomeçou a coçar: os pés, a bunda, o pescoço, a barriga, atrás da orelha. Descontrolado, pegou o vidro de álcool e banhou-se inteiro, só não tacando fogo sobre si mesmo porque a segurança do prédio chegou e o impediu, levando-o para a ala dos distúrbios psiquiátricos. Após todo aquele estardalhaço, a enfermeira se acalmou e voltou ao laboratório para pegar sua roupa. Vendo parte dela rasgada disse: — Sheet! Desolada, recaiu com violência na cadeira do Dr. Actis. Súbito, viu um envelope rasgado e leu a carta que falava das pulgas. Fez um ar de compreensão tardia. Bocejou e deu uma espreguiçada violenta, enrugando todo o rosto e provocando sucessivas sobreposições de pele. Após o bocejo, começou a olhar as cartas com o objetivo de justificar sua presença inútil ali. Surpresa, achou outra carta do Brasil. — Ow! Datava de apenas três dias e era mais recente que a anterior. Ela a abriu e leu: Dear Dr. Actis Fox: I regreat, but in my last letter I made a mistake. I did’nt send you the fleas. Forgive-me. I’m so sorry about that but now I REALLY send you the fleas. I hope that it will be very useful for you and you can improve my research. Grateful, Prof. Soares A enfermeira apenas teve tempo de pegar o envelope e olhar dentro. — Sheet! The fleas have already escaped! Mal pronunciou a frase, começou a coçar. Coçou o joelho, a nuca, o nariz e as costas, que eram quase inatingíveis. Coçou ainda a bunda, o sovaco e o papo. Teve que ser tirada em camisa de força. Nunca acharam qualquer pulga no local. Restou o bilhete na mesa recebido no dia seguinte: Dear Dr. Actis, I TAKE REVENGE!* Prof. Soares Nunca se soube quem era o Prof. Soares. ________________________________________________ * - Eu me vinguei! Alexandre Lourenço é Veterinário, microbiologista, professor, bípede, mamífero e, agora, escritor. Não necessariamente nesta ordem. Contato: duralex@uol.com www.microbiologia.vet.br



Versátil Magazine edição 21