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B8 oMatoEstado Grosso do Sul Campo Grande - MS | Quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Turismo

Fotos: Fernando Lara

Bodoquena Paraíso sul-mato-grossense está sendo desvendado na Expedição Bodoquena Thaís Pimenta Mochilas e equipamentos prontos para mais uma etapa da Expedição Bodoquena. Até janeiro, uma equipe de profissionais ficará na cidade para descobrir e registrar as belezas de uma das regiões de maior beleza geográfica do Brasil. Cachoeiras e cavernas selvagens, águas cristalinas e uma população acolhedora fazem parte dos atrativos que o município tem a oferecer. O município é vizinho da conhecida Bonito e compõe uma das regiões mais bonitas em termos de beleza cênica existentes no Brasil. Há alguns anos, o documentarista de natureza Fernando Lara, especializado em registro de vida selvagem e ambientes naturais, com trabalhos realizados em gigantes da biodiversidade mundial como Pantanal, Amazônia, Cordilheira dos Andes, Savana Africana e até mesmo o Deserto do Atacama, encara o desafio de registrar pontos ainda selvagens, incluindo o batismo de algumas cachoeiras e cavernas existentes na região.

Trabalho tem surtido efeito na divulgação dos atrativos turísticos e naturais da cidade O trabalho é realizado em parceria com empresários locais e o Conselho Municipal de Turismo, e tem surtido resultados que incluem a divulgação do potencial do município para moradores locais e potenciais turistas. O projeto é uma realização da empresa mineira Rotas Verdes Brasil e do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), juntamente com empresários locais e fazendeiros. Acostumado a registrar onças-pintadas, leões, recifes naturais e as mais belas formações da natureza, Fernando Lara ficou surpreendido quando esteve na cidade pela primeira vez em 2011. “São impressionantes as belezas ainda brutas e intocadas existentes aqui. A quantidade de cachoeiras e grutas, ainda pouco conhecidas pela população, é apenas a ponta do iceberg. Posso garantir que existem poucos lugares no mundo tão bonitos quanto essa região. Meu trabalho visa não apenas divulgar essa cidade para o mundo, mas também para a própria população local”, destaca o expedicionário. O documentarista de natureza tem mostrado, em seu blog, as ex-

O urubu-rei é uma espécie de ave recorrente na região. Uma curiosidade desta ave é que ela possui a plumagem negra até os 4 meses de idade e só depois vai adquirindo coloração

periências que tem vivido na região. Em muitas oportunidades precisou batizar o nome do ponto registrado, de tão intocada que é a região. Foi o caso da cachoeira das Fadas, por exemplo. “Difícil é não ficar encantado”, comenta. Desde que iniciou os trabalhos, o expedicionário sempre passa um período do ano na região. Já foram mais de 2.000 km percorridos, por meio de trilhas, muito off-road 4x4, mergulhos com águas cristalinas, escaladas e exploração de cavernas. Ele completa: “Em nossa expedição pela Serra da Bodoquena, uma das grandes dificuldades é chegar aos lugares. Não porque o acesso é difícil ou por causa da distância. A maior dificuldade aqui é encontrar informação”.

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A cachoeira das Fadas foi batizada pela expedição, pois ainda era desconhecida

A caverna desconhecida Mesmo com dificuldade, foi possível conhecer e se encantar com a caverna do Labirinto, uma caverna que ainda não era conhecida nem mesmo pelos moradores da região. “Uma das informações que chegaram até a mim foi a existência de uma caverna chamada Dente de Cão, considerada a segunda maior de Mato Grosso do Sul. Consultei algumas pessoas e consegui um guia que me levaria até a região, na tentativa de encontrar o local. Para desbravar qualquer lugar é preciso acordar cedo e às 5h da manhã eu já estava na estrada. Percorremos umas duas horas com minha companheira Toyota Bandeirante Lobo Guará, em terrenos que exigiram bastante do 4x4, com muitos pedregulhos, até chegar a um ponto-limite onde continuaríamos a pé.” Depois de mais uma hora e meia de caminhada, tentando encontrar o ponto exato da Dente de Cão, nenhum sinal que pudesse levar-nos até ela. “Eu já estava ficando ansioso e nervoso em ter de perder, o dia sem encontrar nada. Mas, depois de muito andar, finalmente encontramos uma fresta muito pequena próximo do chão, porém pra nossa surpresa não era a Dente de Cão, mas sim outra caverna que nem mesmo o meu guia ou a população local conhecia”, relata. O local foi batizado de caverna do Labirinto, pela quantidade de galerias e saídas que se multiplicavam ao longo da nossa jornada em seu interior. “Ao longo do caminho fui registrando tudo em fotografias de longa exposição. Um ambiente fantástico que, de tão grande, não conseguimos percorrer na sua totalidade em razão do tempo de luz que ainda tínhamos para retornar em segurança”, finaliza.

Paraíso sul-mato-grossense divulgado na Expedição Bodoquena  

Projeto é realizado pela Rotas Verdes Brasil em parceria com o Conselho Municipal de Turismo e empresários da região.

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