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Ano I - Edição 01 - Abril/2011

Fenômeno como jogador e empresário, Ronaldo dá adeus aos campos, mas não ao futebol

AS TEVÊS DO BRASILEIRÃO O que Globo, Record e RedeTV precisam fazer para garantir a transmissão dos jogos do principal campeonato do país nos próximos anos

Como a luta tem se tornado o esporte mais visto em todos os continentes


ÍNDICE Editorial - 08 O fenômeno Ronaldo - 10 Frases - 14 Notas - 16 Coluna 1 - Por que a Gestão do Esporte deve ser profissionalizada - 21 Matéria de Capa - Direitos de Arena e a TV no Brasileirão - 22 Artigo 1 - FFP: As regras para controle financeiro - 24

Artigo 2 - Muito mais que patrocínio Coluna 2 - Como entender e diferen Artigo 3 - UFC: do preconceito ao f Artigo 4 - Copa fez turismo aumenta Artigo 5 - Distribuição de patrocínio Recomenda - A Bola Não Entra Por Coluna 3 - Patrocínio temporário va

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o nas camisas - 25 nciar Ativo x Passivo x Dívida - 28 fenômeno mundial - 30 ar na África - 32 os preocupa - 33 Acaso - 36 ale tanto quanto um para a eternidade? - 38

EXPEDIENTE Revista Digital de Gestão Esportiva Olimpo Jornalista responsável: Patricia Luchi MTB 6709 Redatores: Ed. Junior, Lucélia Almeida Colunistas: Bruno Cardial, Ed. Junior Editora e Diagramadora: Patricia Luchi Endereço: http://revistaolimpo.wordpress.com/ Para anunciar, entre em contato: edelgirjunior@yahoo.com.br

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EDITORIAL Uma revista informativa e formativa. Um material acadêmico. Textos sobre esporte que fogem do senso comum ou se diferenciam das mídias esportivas já existentes. Não porque não gostemos delas, mas por querermos um produto novo. Inovador: essa é a palavra. Surge assim a revista Olimpo, especializada em Gestão Esportiva. Aqui você vai encontrar artigos, colunas, notas e frases com o que de melhor aconteceu durante o mês ou que está previsto para ocorrer. Nosso compromisso não é com o factual ou com análises antigas. As duas coisas vão estar presentes. O objetivo é explicar alguns meandros da administração e do marketing esportivo (e por que não aplicar isso a outros segmentos, não é mesmo?), discutir os fatos por trás do que está claro para o público e mostrar os principais assuntos da área. Além disso, viemos para servir de apoio a estudantes e profissionais que desejam saber mais sobre Gestão do Esporte. Poderemos servir de consulta, tudo bem, aprovamos isso. É com essa cara que chegamos até você, caro leitor, e apresentamos o material que se segue. Esperamos suas sugestões, críticas e opiniões. Mas, acima de tudo, esperamos que

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goste do que vai encontrar na Olimpo, divulgue para seus contatos e não perca nossas próximas edições. Contamos com você. Para inaugurar essas páginas, falamos sobre a aposentadoria de Ronaldo e seu talento como empresário, sobre seus patrocinadores e marcas que ficam na memória de qualquer brasileiro só por já terem sido associadas ao craque, sobre o sucesso que é o UFC hoje e sobre como a Copa do Mundo na África ajudou os países do continente a ganharem mais com turismo e investimentos. Trazemos também uma matéria de capa que tem feito muita gente perder o sono: como será a transmissão televisiva do Brasileirão nos próximos anos? A briga entre Clube dos 13, Globo, Record e RedeTV nós explicamos tim-tim por tim-tim. Entre nossos temas mais específicos, trazemos a explicação do que é Ativo, Passivo e Dívida e mostramos regras para controle financeiro e como uma marca pode se fixar com o esporte além de ser vista em camisas de jogadores. Boa leitura! Patricia Luchi Jornalista especialista em Filosofia e Metodologia do Ensino Superior patricialp@folha.com.br


ARTIGO

O fenômeno Ronaldo Mais que prodígio dentro de campo, fora dele o jogador também mudou o futebol brasileiro Ed. Junior

Três vezes melhor jogador do mundo pela Fifa, Ronaldo ficou conhecido como “Fenômeno”. Esse apelido pode ser usado também pelo que fez fora de campo. Ainda adolescente foi para a Europa, onde passou 14 anos e, ao retornar ao Brasil, provocou uma nova era no futebol brasileiro: clubes grandes passando a encher suas camisas de patrocínios, parcerias milionárias vinculadas a craques, onde o jogador pode até receber mais que o próprio clu-

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be, como em seu caso. Ronaldo assinou com o Corinthians no final do ano de 2008, jogando nas temporadas 2009 e 2010 e no início de 2011, antes de se aposentar. Mas nenhum clube brasileiro teria condições de pagar seu salário, portanto foi preciso uma nova estratégia para que essa negociação se concretizasse. Ao anunciar o acordo, o Corinthians deixou claro que a negociação só seria possível por causa de patrocinadores, os quais o clube conseguiria apenas por ter o craque em

seu elenco. As empresas pagariam não por estampar sua marca na camisa corintiana, mas na camisa de Ronaldo. Pelo acordo, de todo o valor arrecadado com patrocínios, uma porcentagem iria diretamente para o jogador como salário e o restante para o clube.


Por esse método, pode-se dizer que ele poderia ter jogado em qualquer clube grande do Brasil, mas foi o Corinthians quem fechou contrato primeiro. Essa foi a solução encontrada para competir com o poderio financeiro de times do exterior, porém só pode ser usada com jogadores que já possuem uma boa imagem. Outros clubes brasileiros seguiram o exemplo, como o Flamengo na contratação de Ronaldinho Gaúcho, que também foi disputado por Palmeiras e Grêmio, mas por problemas com seu irmão e empresário, Assis, desistiram da contratação. Os três clubes tinham projetos de parcerias com grandes empresas para poderem viabilizar o negócio, nenhum pagaria os salários do jogador com dinheiro próprio. Entretanto, esse não é um modelo perfeito,

pois além de deixar a camisa do clube parecendo um painel de anúncios - o que pode ser ruim esteticamente até para algumas marcas e gerar chacotas de adversários -, as empresas vinculam seus nomes ao jogador, não ao clube e, quando esse sai, pode levar todas junto. No caso da aposentadoria de Ronaldo, ele já garantiu que ao menos por este ano vai trabalhar ainda pelo Corinthians, vinculando sua

marca, o que afasta o risco de perder os patrocinadores em 2011. Mas, para as temporadas seguintes, os corintianos devem achar alguma outra maneira para arrecadar o montante necessário para pagar as despesas, se quiserem contratar jogadores caros, como Liédson. Perfil do Autor Esp. em Administração de Empresas Graduando em Esporte @_EdJunior edelgirjunior@yahoo.com.br

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FRASES “A F-1 mudou muito nesses últimos anos, com saída de patrocínio de grandes marcas de cigarro, ou bancos. É um business associado ao esporte. Todos os pilotos têm o apoio das empresas nacionais e dos governos de seus respectivos países, como o (Kamui) Kobayashi, o (Vitaly) Petrov. Mas isso não acontece no Brasil.” Lucas Di Grassi, piloto brasileiro de Fórmula 1, reclamando da falta de incentivo do Governo Federal para os pilotos brasileiros.

“Eles não se preocupam se o jogador é bom ou não, apenas querem vendê-lo a qualquer custo e conseguir o dinheiro. Isso é um perigo para o futuro do futebol.” Pelé, o rei do futebol, sobre a atuação dos empresários no esporte.

“Acho interessante deixar registrado uma coisa: ser filho de ex-jogador e ex-modelo é uma merda! Não tentem em casa.” Alexandre Mortágua, filho da ex-modelo Cristina Mortaguá e do ex-jogador Edmundo, no twitter, após sua mãe ser presa por agredir uma delegada do Rio de Janeiro

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“Eu perdi para o meu corpo”. Ronaldo, agora ex-jogador de futebol, em sua despedida como jogador profissional.

“A presidente da confederação tem confiança nela, mas eu não acredito. Tomara que me prove o contrário, mas ela ganhou peso e já estava com problemas de execução de movimento antes. Não acredito que possa fazer uma ginástica para conseguir um grande resultado. Mas estou louca para que ela me surpreenda.” Georgette Vidor, coordenadora da seleção brasileira de Ginástica Artística Feminina, ao falar sobre o possível retorno de Daiane dos Santos após cumprir suspensão por doping. “Meu foco agora é em criar meus cinco filhos, promover a missão da Livestrong (sua fundação) e criar empreendimentos com nossos grandes parceiros das empresas na luta contra o câncer.” Lance Armstrong, ex-ciclista, ao anunciar sua aposentadoria pela segunda vez.

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NOTAS Futebol Flamengo Pentacampeão

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) reconheceu o título nacional de 1987 do Flamengo. Como a justiça comum já havia determinado que a taça era do Sport, agora o ano de 1987 fica com dois campeões oficiais.

E a Taça das Bolinhas?

A Taça das Bolinhas, criada pela Caixa Econômica Federal para ser dada ao primeiro time que conquistasse o Brasileirão pós-1971 por três vezes consecutivas ou cinco alternadas, havia sido entregue para o São Paulo. Com o reconhecimendo do título flamenguista, ele passa a ser o primeiro pentacampeão. A Justiça ordenou ao São Paulo que devolvesse a Taça das Bolinhas à Caixa até que se tenha uma decisão oficial.

Tecnologia nas linhas dos gols

A Fifa realizou testes com protótipos de dez empresas para implantar tecnologia na linha do gol, para determinar se uma bola entrou ou não. Porém, nenhuma das empresas contemplou 100% das exigências. Os maiores índices chegaram a 98% e 94%. Segundo Jerome Valke, secretário geral da entidade, ou é um

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problema técnico ou a tecnologia ainda não é boa o suficiente. A previsão é de que mais testes sejam feitos até 2012 e na Copa do Mundo de 2014 essa tecnologia já seja usada.

Loja para celulares do Liverpool

O Liverpool (ING) é o primeiro clube de futebol do mundo a ter uma loja mobile (loja virtual para ser acessada através de telefones celulares). Seus torcedores e admiradores podem comprar qualquer produto do clube pela loja feita após acordo com a empresa Snow Valley. Essa funcionalidade é voltada a iPhones e iPads, mas também pode ser acessada por celulares menos avançados.

Automobilismo/Motociclismo Kubica inicia reabilitação

O piloto polonês de Fórmula 1 Robert Kubica, que sofreu grave acidente de Rali em 6 de fevereiro, começou no último mês a reabilitação de sua mão fraturada. Ainda não se sabe quanto tempo ele terá que ficar em tratamento nem se poderá voltar a pilotar um carro de Fórmula 1.

Yamaha sem patrocínio

A equipe de MotoGP da Yamaha perdeu seu principal piloto, o italiano hepta-


campeão Valentino Rossi, para a Ducati. Com isso, a equipe japonesa fica sem o patrocínio da montadora Fiat, que acompanha o piloto conterrâneo.

GP do Bahrein cancelado

O Grande Prêmio do Bahrein, que seria o primeiro da temporada da Fórmula 1, foi cancelado devido à onda de protestos no país. Com isso, a F1 começou na Austrália, no dia 27 de março. Há a possibilidade do GP do Bahrein retornar ainda este ano, em alguma “janela” do calendário.

Basquete NBB chega a 100.000 pontos

No dia 11 de março, no jogo entre Araraquara e Vila Velha, saiu o ponto de número 100.000 da história da NBB, que já está em sua terceira edição. A honra foi de Ansaloni, do Vila Velha, que foi homenageado logo após a marcação do ponto histórico. Ironicamente, foram os dois primeiros pontos do jogador na partida. A equipe dele, porém, perdeu o jogo por 80 a 66 e está na lanterna da competição.

Tênis Ingresso de Roland Garros pela Internet

Pela primeira vez na história, o tra-

dicional Grand Slam de Roland Garros vai vender ingressos para o mundo inteiro pela internet. Os interessados devem acessar o site www.billetterie.fft.fr ou enviar e-mail para contact@aristeiasport.com.

Atletismo/Ciclismo Corrida da Ponte

No dia 17 de abril, volta a existir a Corrida da Ponte (sem provas desde 1986), com diversos atletas correndo sobre a Ponte Rio-Niterói, que liga as duas cidades. A distância marca 21,4 km e só podem correr atletas que tenham completado alguma meia-maratona nos últimos dois anos em até 2h45 ou uma maratona em até 5h30. Inscrições e mais informações no site www.corridadaponte.com.br.

Lance Armstrong: segunda aposentadoria

O ciclista Lance Armstrong, famoso por vencer a Volta da França por sete vezes consecutivas após se curar de um câncer, anunciou sua aposentadoria pela segunda vez. O atleta já havia parado de competir em 2005, mas retornara em 2009. Ele também ficou conhecido pelas pulseirinhas Livestrong, da fundação que criou para combater a doença.

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COLUNA

Por que a Gestão do Esporte deve ser profissionalizada Para o futebol, paixão nacional, crescer é necessário que todas as suas áreas sejam bem administradas No Brasil em breve teremos importantes eventos: Jogos Mundiais Militares (2011), Copa das Confederações de Futebol (2013), Copa do Mundo de Futebol (2014), Copa América de Futebol (2015) e Jogos Olímpicos (2016). Isso faz com que o país esteja no centro esportivo do mundo por pelo menos cinco anos, sendo uma ótima oportunidade para seu desenvolvimento. Por ano, no país, são movimentados cerca de US$ 141 bi e gerados mais de 300 mil empregos diretos com o esporte, o que deve crescer com as competições, levando a crer que é o melhor momento para que o esporte brasileiro evolua. Porém, falta algo muito importante para isso ocorrer: profissionalização! Em diversos esportes em categorias de base, apresentamos bons resultados, mas na categoria adulta não repetimos esses feitos. A justificativa é que o atleta, ao chegar aos seus 18 ou 20 anos, precisa escolher entre continuar ou arranjar uma profissão que lhe sustente e, infelizmente, a maioria não consegue sobreviver do esporte. Se o esporte fosse profissionalizado, diversos talentos poderiam continuar nele, obtendo bons resultados.

Ed. Junior Especialista em Administração de Empresas @_EdJunior edelgirjunior@yahoo.com.br

Mas para o desenvolvimento de atletas é também preciso que treinadores e formadores sejam capacitados e profissionais, o que é raro encontrar hoje em dia em muitos esportes, por isso temos que importar estrangeiros para ter um melhor desenvolvimento. Talvez, em alguns anos, com o conhecimento adquirido com o convívio com esses profissionais, possamos ter brasileiros novamente nesses postos. Mas de nada adianta ter atletas e técnicos profissionais se quem mandar no esporte também não for profissional. Os gestores devem ser profissionais da área, conhecer profundamente sobre Gestão e sobre o esporte no qual estiverem envolvidos ou sobre a maioria deles, caso seu cargo exija. Apenas com gestores profissionais será possível investir da melhor forma para que o esporte cresça, passando pela contratação de técnicos que saibam formar grandes atletas e tirar deles o melhor, e que esses sejam também profissionais podendo se dedicar exclusivamente à prática esportiva, não tendo que se preocupar em conseguir outras formas para sobreviver. Só assim o Brasil poderá um dia almejar ser uma potência olímpica.

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CAPA

Direitos de Arena e a TV no Brasileirão A partir de 2012, o Campeonato Brasileiro de Futebol pode ser transmitido pela RedeTV, mas talvez não Ed. Junior

Há muitos anos a Rede Globo detém os direitos de exclusividade para a transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol em televisão aberta, porém o atual contrato com o Clube dos 13 - entidade que negociava até aqui - vence em 2011. No dia 11 de março, foi feita licitação para a exclusividade da transmissão por TV aberta dos Campeonatos de 2012 a 14. Era esperado que três emissoras brigassem pelos direitos, Globo, Record e RedeTV, porém apenas a última apresentou proposta,

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as outras alegaram desejo de negociar com os clubes em particular. Até 2011, a Rede Globo pagava R$250 milhões por ano, mas, nos próximos três anos, a RedeTV vai pagar R$ 516 mi ao ano, apenas para transmitir por TV aberta. Transmissões por TV a cabo, pay-per-view e via internet e celular ainda vão ter licitações. Apesar de ter firmado acordo com o Clube dos 13, a RedeTV não tem a garantia de que vai transmitir o Brasileirão - ao menos não os jogos de todos os times. No Brasil, existe o chamado Direito de Arena, que regulamenta as transmissões televisivas de eventos esportivos e diz que todos os participantes do evento devem concordar que ele seja televisionado. No caso de um jogo de futebol, os dois clubes precisam aceitar que a devida emissora mostre a partida. Isso impede que haja negociações indi-

viduais dos clubes com emissoras, ou ao menos deveria ser assim. O Corinthians, por ter uma das maiores torcidas do país e um

dos maiores números de jogos transmitidos, achou-se no direito de receber uma cota dos direitos televisivos maior que a dos outros times, chegando a ameaçar sair do Clube dos 13 para negociar sozinho. Seguindo o exemplo, outros grandes clubes brasileiros disseram que fariam o mesmo. Oficialmente, nenhum se desvinculou do Clube dos 13, mas caso cada clube resolva


negociar separadamente, pode fechar com Globo ou com Record. Contudo, como para que um jogo seja transmitido os participantes têm que aceitar o oferecido pela emissora, se o “Clube A” fechar com a Globo e o “Clube B” fechar com a Record, a

partida só vai ser transmitida se houver acordo entre as emissoras. Outra questão é que a RedeTV comprometeu-se a pagar os R$ 516 milhões para transmitir os jogos dos 20 clubes do Brasileirão. Caso alguns negociem em particular, a emissora pode pedir revisão do contrato. Se, por exemplo, os dez maiores clubes do país negociarem individualmente, podem

ocorrer diversas rodadas em que nenhuma emissora transmite nenhum jogo. Para que isso não aconteça, será preciso muita negociação, provavelmente envolvendo altos valores financeiros ou até mesmo trocas entre as redes de televisão. Os grandes clubes, negociando separadamente, podem conseguir valores maiores do que o que conseguiriam na negociação conjunta, porém isso acarreta valores bem menores aos pequenos, ou até mesmo que as emissoras tenham que gastar muito mais do que o esperado para transmitirem um jogo por rodada. Exemplo de negociações individuais é o que acontece na Espanha, onde cada clube negocia o valor de suas cotas de transmissão, assim os dois principais clubes do país, Real Madrid e Barcelona, conseguem cotas até 10 vezes maiores que a de clubes pequenos. O reflexo disso está nos títulos nacionais, onde os dois clubes detêm 65% das conquistas, sendo que o Atléti-

co de Madrid, terceiro com maior número de vitórias, tem menos da metade dos títulos do Barcelona (2º) e menos de um terço dos títulos do Madrid (1º). É claro que quem aparece mais na TV deve receber mais dos direitos, porém a meritocracia também deve ser levada em conta, com cotas maiores para quem tiver melhores desempenhos no Campeonato, mas cuidando para que quem receber a menor cota tenha condições de participar com chances de almejar uma cota maior da próxima vez. Apesar de a RedeTV ter fechado com o Clube dos 13, muita coisa ainda vai rolar e o cenário pode ficar exatamente outro. Perfil do Autor Esp. em Administração de Empresas Graduando em Esporte @_EdJunior edelgirjunior@yahoo.com.br

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ARTIGO

FFP: as regras para controle financeiro Conheça programa criado para conter gastos dos clubes europeus Ed. Junior

Em 2009, a UEFA (Union of European Football Associations) criou o Financial Fair Play, programa para controlar as finanças de seus clubes, sendo aplicado gradativamente até o ano de 2012, com intuito de forçá-los a não gastar mais do que recebem. O objetivo é o saneamento financeiro dos clubes que participam dos campeonatos organizados por ela, pretendendo obrigá-los a não ter despesas superiores às receitas das últimas três temporadas. O sistema entra em vigor na temporada 13/14, sendo considerados os resultados das temporadas 11/12 e 12/13. O cálculo para as receitas é relativo a direi-

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tos de tevê, bilheteria, publicidade, patrocínios e transferências; já as despesas incluem custos operacionais, de pessoal e transferências, não sendo considerados custos de formação de atletas ou extra-futebol. Em 13/14, os clubes não vão poder registrar prejuízo superior a 45M€ na soma das duas temporadas anteriores e, na seguinte, o mesmo valor, mas das três anteriores. De 15/16 a 17/18, a perda não vai poder ser superior a 30M€. O clube que apre-

sentar perdas superiores a 5M€ vai ficar sob avaliação do Painel de Controle das Finanças dos Clubes, sendo obrigado a apresentar relatórios trimestrais e planos para solucionar o problema. Caso ele ultrapasse o limite estabelecido, será punido, podendo ser suspenso ou expulso de campeonatos, ter pontos perdidos ou não poder inscrever jogadores. Perfil do Autor Esp. em Administração de Empresas Graduando em Esporte @_EdJunior edelgirjunior@yahoo.com.br


ARTIGO

Muito mais que patrocínios na camisa Manchester United arrecada mais de R$ 175 milhões ao ano que desejam associar seu nome a ele, gerando contratos em diversos segmentos. Muitos brasileiros poderiam seguir o exemplo e tentar potencializar sua ar-

recadação. A tabela a seguir mostra quais os patrocinadores do time inglês e o quanto pagam anualmente, em euros e o valor aproximado em reais:

Ed. Junior

Nenhum time de futebol sobrevive sem dinheiro, por isso precisa buscar novas fontes de renda, para ser capaz de ter um melhor elenco e conquistar mais títulos. Nisso, o inglês Manchester United é um exemplo em arrecadação por meio de patrocínios - não apenas os tradicionais de camisa, mas em outras áreas, sem poluir o seu uniforme. A marca do clube é tão forte que é fácil encontrar investidores

Perfil do Autor Especialista em Administração de Empresas Graduando em Esporte @_EdJunior edelgirjunior@yahoo.com.br

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COLUNA

Como entender e diferenciar Ativo x Passivo x Dívidas É preciso tomar cuidado na hora de interpretar as notícias sobre fortunas e despesas do futebol Constantemente há nos jornais matérias sobre dívidas de clubes de futebol, o que pode deixar o leitor perplexo: como um time deve tanto e mesmo assim contrata jogadores caros e paga altos salários? E como pode um clube ter assumidamente dívida tão alta e não ser punido por isso? Primeiro é preciso saber que muitas dessas dívidas são com o Governo, porém, se elas fossem executadas, muitos clubes iriam à falência. Quem fosse o responsável por fazer sumir os maiores clubes do país jamais seria eleito novamente. Mas o objetivo aqui não é falar sobre dívidas fiscais; é tentar explicar o que os clubes devem. Para entender isso, é preciso conhecer o Balanço Patrimonial (BP), uma representação de tudo o que uma organização tem e de onde vêm os recursos. O BP tem dois lados: o esquerdo é o Ativo, bens e direitos possuídos, todo o dinheiro que tem, tudo que gera alguma renda. Pode ser dividido em Circulante, o dinheiro que se pode usar imediatamente; Realizável a Longo Prazo, o montante que poderá ser usado apenas daqui a algum tempo, e em Permanente, as instalações e veículos possuídos e que só poderão ser convertidos em dinheiro em caso de venda.

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Ed. Junior Especialista em Administração de Empresas @_EdJunior edelgirjunior@yahoo.com.br

Do outro lado, estão Passivo e Patrimônio Líquido (PL), sendo que o primeiro são os recursos vindos de terceiros, que deverão ser pagos em determinado período. Pode ser dividido em Circulante, as obrigações a serem pagas no Curto Prazo, o que inclui as despesas operacionais e salários, e em Exigível a Longo Prazo, que são os valores a serem pagos com um tempo maior. O que é normalmente chamado de Dívidas é o representado pelo Passivo, ou seja, tudo o que um clube de futebol tem que pagar durante o ano (despesas operacionais, salários, encargos, empréstimos, financiamentos etc). O PL são os recursos próprios da empresa somados a partir do Lucro. O valor total de ambos os lados é sempre o mesmo, sendo que o PL é quem balanceia, se o Ativo for maior que o Passivo haverá lucro no PL, se for o contrário, haverá prejuízo. Por causa disso, as dívidas de um clube de futebol são tão grandes, pois se considera todo o Passivo. Contudo, duas coisas costumam faltar quando se fala disso: quais dívidas são de Curto e quais são de Longo Prazo, e também o valor do Ativo, pois, se for maior que o Passivo, não haverá problema, independente do valor da dívida.


ARTIGO

UFC: do preconceito ao fenômeno mundial Antiga “luta de galo humana” vira febre nos quatro cantos do planeta Lucélia Almeida

O UFC (Ultimate Fighting Championship, ou “Campeonato de Vale-Tudo”) é o campeão de assinaturas de pay-per-view nos EUA e, agora, no mundo. O modelo de organização do evento faz criar uma expectativa anormal sobre as lutas. Para participar, o atleta só precisa enviar um vídeo. Os combates são

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delineados pelo presidente sem obedecer nenhuma regra de classificação. Para se destacar, o lutador tem que desafiar e vencer outro lutador renomado para, se o presidente desejar, lutar pelo cinturão. Com esse modelo de show, o MMA (Mixed Martial Arts) tem se tornado o esporte mais popular ao redor do globo, desbancando combates clássicos como o boxe.

Muitos boxeadores têm migrado para ele por fama, glória e altos salários. Não é à toa que atletas como Junior dos Santos, o Cigano, abandonaram o boxe e renderam-se ao MMA. Cigano, que é pupilo de Luís Carlos Dórea, também treinador de Acelino Popó Freitas, começou no boxe, mas abandonou devido a pequenos prêmios. Hoje é um dos maio-


res atletas do ramo e vai disputar o cinturão dos pesos pesados. Mas os grandes números não ficam em torno somente dos atletas. O confronto brasileiro entre Anderson Silva e Vitor Belfort bateu recordes de expectadores em todos os lugares. O Canal Combate, responsável pela transmissão brasileira do UFC, obteve um crescimento de 25% nas assinaturas com a luta, saltando de 80 mil para 100 mil assinantes. A cobertura massiva da mídia estampou o

UFC em vários jornais, revistas, sites e televisão. Até quem não gostava se rendeu ao espetáculo. Só para o UFC 129, a ser realizado em Toronto, o lucro do evento já está em US$ 11 mi. Foram disponibilizados 42 mil ingressos, que se esgotaram em poucos minutos. A organização aumentou o número para 55 mil, também esgotados. O presidente Dana White já se prepara para a popularização do UFC: “Não tenho dúvidas de que vai ser o esporte mais popular do mun-

do. E vai chegar o dia em que vamos realizar um evento em Las Vegas e outro na Austrália ao mesmo tempo”. Segundo a revista americana Fortune, a marca UFC já é avaliada em mais de US$ 1 bi. Cada combate é transmitido para 130 países, para cerca de 351 milhões de televisões, em 20 idiomas. Para os atletas, as cifras são tentadoras. O vencedor da luta principal chega a faturar mais de R$ 500 mil. Se conquistar o “melhor nocaute” ou “melhor finalização”, pode engordar o lucro com mais R$ 85 mil. Não restam dúvidas: o UFC é o principal responsável pela propagação do MMA. Não se espante se, no futuro, o MMA for ensinado nas escolas. Perfil da Autora Graduanda em Esporte @lualmeida lucelia_gnr@hotmail.com

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ARTIGO

Copa fez turismo aumentar na África Com visibilidade do torneio mundial, visitas à África do Sul subiram 9% Ed. Junior

Em 2010, pela primeira vez uma Copa do Mundo de Futebol foi realizada no continente africano, o que foi uma experiência valiosa para todos os países dali, apesar de ter ocorrido apenas na África do Sul. Ao mostrar para o mundo suas qualidades, pontos turísticos, segurança acima do esperado, além do natural interesse dos amantes do esporte, o país conseguiu aumentar seu turismo em cerca de 9% em relação a antes do evento. Pesquisa encomendada pelo governo sul-africano mostrou que durante a competição cerca de 309 mil turistas visitaram o país, movimentando aproximadamente US$ 523

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milhões no setor hoteleiro. Desses, 38% eram do próprio continente africano, 24% vindos da Europa, 13% das Américas Central e do Sul e 11% de turistas

da América do Norte. De todos os países, Estados Unidos e Moçambique, que não participou da Copa, foram os destaques, ao levarem 30 mil e 25 mil turistas respectivamente. Isso comprova que

uma Copa do Mundo pode beneficiar o país anfitrião, com aumento no turismo e movimentação da economia, principalmente nos setores hoteleiro, de restaurantes, transportes, além de locais para se visitar e eventuais lembranças que os turistas costumam comprar. Resta saber se esse legado vai permanecer nos próximos anos, com o turismo aumentando em relação a antes do torneio, pelo público ter percebido que na África há bons locais para conhecer, ou se daqui a alguns anos tudo vai voltar ao que era antes. Perfil do Autor Esp. em Administração de Empresas Graduando em Esporte @_EdJunior edelgirjunior@yahoo.com.br


ARTIGO

Distribuição de patrocínios preocupa Futebol detém quase 63% das verbas publicitárias esportivas do Brasil Ed. Junior

O Brasil vai sediar em 2016 a mais importante competição esportiva do mundo, os Jogos Olímpicos. Contudo, o que deveria significar um incentivo maior aos esportes não acontece como o esperado. Levantamento feito pelo IBME (Instituto Brasileiro de Marketing Esportivo) diz que dos R$ 328 milhões investidos em patrocínios esportivos em 2008, R$ 205,3 mi foram para o futebol, o que representa 62,6% do total. O segundo esporte mais popular do país, o vôlei, teve investimentos de apenas R$ 49 mi (15%). O mais preocupante é que apesar de toda a estrutura desse esporte e das diversas conquistas

que tem obtido nos últimos anos, parece não crescer o interesse da população em acompanhá-lo regularmente. Seguindo a lista, vem o basquete, com R$ 16 mi, menos de 5%. Futsal e tênis receberam apenas 2% do total investido e motociclismo/automobilismo ape-

nas 1%. Isso mostra que, apesar de o Brasil querer organizar as Olimpíadas, não promove uma igualdade entre os esportes. Perfil do Autor Esp. em Administração de Empresas Graduando em Esporte @_EdJunior edelgirjunior@yahoo.com.br

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RECOMENDA

A Bola Não Entra Por Acaso Livro de Ferran Soriano, ex-vice-presidente do Barcelona, conta como fez para reerguer o clube A Bola Não Entra por Acaso é muito mais que um livro sobre um clube de futebol, é um livro sobre Gestão, contando a história de como o Barcelona, um dos maiores times do mundo, conseguiu se reerguer após algumas más temporadas, até chegar ao topo do esporte. Escrito por Ferran Soriano, empresário espanhol que pertenceu à diretoria do clube catalão de 2003 a 2008, o livro traz toda a trajetória para se chegar ao auge do futebol no planeta. Os exemplos colocados por Soriano são muito válidos, pois mostram como se deve administrar um clube profissionalmente, mesmo ele não sendo remunerado pelo seu trabalho, como cita no livro. Há de se salientar que, por ser

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parte envolvida, várias das ações inclusive idealizadas por ele, o autor supervaloriza alguns feitos de seu clube e diminui os dos rivais. É de leitura imprescindível para quem trabalha ou deseja trabalhar na gestão de um clube de futebol. Se souber adaptar à sua realidade, provavelmente terá sucesso. Além disso, há também diversas dicas para quem administra outros tipos de organizações, principalmente esportivas. Título: A Bola Não Entra por Acaso Autor: Ferran Soriano Tradução: Marcelo Barbão Editora: Larousse do Brasil Publicação: 2010 Páginas: 208 Preço médio: R$ 29,90


COLUNA

Patrocínio temporário vale tanto quanto um para a eternidade? Com aposentadoria de Ronaldo, as empresas não perderam tanto quanto se imagina Dezoito anos depois de sua estréia no Cruzeiro, Ronaldo “Fenômeno” aposentou-se. Pendurando as chuteiras, o jogador tem outros planos e estes, obviamente, envolvem sua imagem. Eleito três vezes melhor jogador do mundo (1996, 1997 e 2002), com mais de 400 gols, o maior artilheiro de todas as Copas desde dezembro de 2008 jogava pelo Corinthians, onde em 2009 conquistou o Paulistão e a Copa do Brasil, mas já em 2010 não conseguiu levar o clube ao título inédito da Copa Libertadores da América. Frustração? Creio que não. Apesar de o Corinthians desejar o título neste ano, tratando-se do seu centenário, os patrocínios milionários que trouxeram o Fenômeno há três anos tratariam de sarar a ferida deixada na derrota pelo clube colombiano Tolima. Como sempre, nada que o dinheiro não melhore! As negociações que trouxeram Ronaldo de volta ao Brasil eram de patrocinadores negociados pela sua empresa, a R9. Hypermarcas, Claro, Ambev e Nike acompanharam a trajetória dele e, com sua saída do clube, grande parte da receita também se foi. Somente o contrato da Hypermarcas, anunciado na época em que foi oficializado (2010) como um dos maiores do Brasil,

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Bruno Cardial Publicitário @brunocardial bruno.cardial@yahoo.com.br

estava na casa dos R$ 38 milhões. Vimos muitas propagandas como das marcas Bozzano ou Claro com interpretações de Ronaldo, mas ao contrário do que muitos pensam, com a tal aposentadoria, as empresas não perderam tanto quanto se imagina. A exposição da “marca” RONALDO ficou ainda maior. Com propagação mundial, esta marca (RONALDO) ainda é, meses após o anúncio da aposentadoria, divulgada em vários destaques esportivos de todos os meios de comunicação. Uma vez feita, a foto ou a imagem de um momento tão marcante permanecerá por toda a história. O registro da aposentadoria de um dos maiores jogadores de todos os tempos valerá para a eternidade na fixação dessas marcas que lhe acompanham. E quanto isso vale? Homenagens, campanhas, experimente fazer o teste. Quantas empresas patrocinaram Ronaldo em toda a sua carreira com contrato de início e fim? Várias. Será que serão lembradas? Busque na internet ou na televisão imagem ou foto referente ao termo “aposentadoria de Ronaldo”. Quantas marcas agregadas? Com certeza essa “eterna” visualização vale bem mais do que um contrato bem pago, porém finito.



Revista Olimpo - Edição 01