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FLONA DO JAMARI – UMF III – UPA 2 INVENTÁRIO DE PROSPECÇÃO DO CACAUÍ Theobroma speciosum PRODUTO FINAL DO CONTRATO DE PARCERIA

Equipe técnica responsável

UFAC Ecio Rodrigues, Engenheiro Florestal, PhD, Coordenador da Parceria Marco Antonio Amaro, Engenheiro Florestal, PhD em Inventário Florestal Nei Sebastião Braga Gomes, Engenheiro Florestal, PhD em Silvicultura Edivan Lima de Oliveira, Técnico Florestal, Gerente da Parceria Clebyane de Souza Barbosa, Técnica Florestal, Anotadora Cleison Cavalcante de Mendonça, Técnico Florestal, Anotador Renata Martins Dankar, Técnica Florestal, Localizadora Silvania Patricia de Araujo Miranda, Técnica Florestal, Processadora

RIO BRANCO 2013


Sobre a Parceria entre a Florestal Júnior e Amata: A AMATA é uma empresa que se destaca no setor florestal por atuar em toda a cadeia produtiva da madeira, desde a produção até a comercialização do produto. Ela acredita que seu papel não se restringe a plantar e colher da forma correta, mas abrange o respeito às normas ambientais, às certificações e à capacidade regenerativa da floresta. Sua proposta é criar um novo jeito de planejar e praticar a atividade florestal e madeireira, incentivando o uso múltiplo do recurso florestal em todos os tipos de floresta. Nesse sentido, trabalha com florestas plantadas – nativas e exóticas – e com o manejo de exploração de baixo impacto. Para Amata, é possível utilizar tecnologias e métodos que gerem resultados positivos nas esferas econômica, social e ambiental. E, a partir daí, gerar valor para todos os envolvidos no processo: trabalhadores, acionistas, compradores e moradores das comunidades no entorno das áreas florestais sob manejo. As empresas juniores (EJs), por sua vez, em sua definição básica, são associações civis, sem fins lucrativos, que cobram pela prestação de serviços de assessoria e investem as receitas líquidas na estruturação da própria empresa e na capacitação de seus membros. Estruturalmente, é um grupo formado e gerido por alunos de graduação, se tornando um grande laboratório prático do conhecimento técnico e de gestão empresarial, que possui o diferencial significativo de contar com a constante orientação de um corpo qualificado de docentes das universidades. A Florestal Júnior nasceu no final de 2011, sendo a primeira e única, Empresa Júnior do Acre. A ideia surgiu com o contato com a experiência de empresa júnior na área florestal realizada na Universidade de Viçosa, apresentada e discutida durante a realização da Quinta Semana Florestal do Acre. Os acadêmicos da engenharia florestal buscavam algo inovador dentro da universidade e, dessa forma, se identificaram com o Movimento Empresa Júnior (MEJ). O produto principal dessa parceria é o Inventário de Prospecção que produziu informações que vão permitir à Amata tomar decisão sobre a inclusão do cacauí, Theobroma speciosum, no leque de produtos manejados na concessão florestal da


Floresta Nacional do Jamari, no intuito de viabilizar a exploração florestal sob a tecnologia do Manejo Florestal de Uso Múltiplo. INVENTÁRIO DE PROSPECÇÃO

1.0 - Produtos contratados e entregues:

I. Mapeamento da ocorrência por imagem de satélite, com aferição de campo em 10% dos pontos georreferenciados;

II. Cobertura do mapeamento em 100% da área total da Unidade de Produção Anual, denominada UPA 2; e

III. Quantificação da abundância, números de indivíduos de cacauí por hectare, na área de ocorrência da espécie na UMF III.

Caracterização da espécie a ser manejada: NOME

CIENTÍFICO:

Theobroma

speciosum

Willd.

ex

Spreng.

FAMÍLIA:

Sterculiaceae NOMES VULGARES: Brasil: cacao azul, cacau, caca-y (Amazonas); cacau-da-mata (Maranhão); cacao, cacau- de-macaco, cacaueiro, cacaueiroí, cacauí, cacaurana, cacauú, chocolate. Outros Países: cacao sasha, chocolate de la sierra; chocolatillo (Espanhol); wild cacao (EUA); cacao forastero, cacaoyer, criollo, kakao, sacha copoasu. Kaka-ran-i (Ka’apor); mura cuat’re (Tacana). Descrição Botânica Árvore de porte pequeno a mediano, raramente atingindo os 15m, de tronco ramificado a pequena altura e copa muito frondosa e dotada de ramos curtos. Folhas de pecíolo longo, limbo coriáceo, oblongo, ovado ou elíptico (20-25 x 6-12cm), nervuras secundárias fazendo com a nervura principal um ângulo muito agudo, luzídio na página superior e ferrugíneo na página inferior. Flores com cálice e corola


pentâmeros, pétalas vermelho-escuro, 5 estaminódios alternando com outros tantos estames. Fruto baga sub- esférica ou sub-pentagonal em corte transversal, com cerca de 10-12cm de comprimento, de casca aveludada e amarela na altura da maturação. Sementes envolvidas numa polpa esbranquiçada praticamente inodora (Ferrão, 2001). Distribuição: A sua distribuição abrange a Amazônia, estendendo-se daí para o nordeste até a parte sul da América Central. Também foi observada no norte do Tocantins (Cavalcante, 1991). Aspectos ecológicos: Espécie perenifólia, clímax, de luz difusa. Ocorre como parte do sub-bosque (Lorenzi, 1998). Conforme Fróes (1959) os indivíduos, normalmente, ficam entre o terceiro e quarto andares da floresta de mata virgem. É espontânea na Amazônia (Gomes, 1977), onde é muito comum e de grande ocorrência (Fróes, 1959). Cresce preferencialmente na mata de terra firme não inundável, sendo bastante dispersa, não frequente e pouco cultivada (Cavalcante, 1991; Zoghbi et al., 2000). Revilla (2002) menciona que a espécie habita áreas de terra firme em bosque primário e Ducke (1953) cita ainda a ocorrência em capoeiras ao redor dos povoados. A floração ocorre durante os meses de agosto a outubro, com os frutos amadurecendo entre fevereiro e abril (Lorenzi, 1998; Zoghbi et al., 2000). Produz anualmente grande quantidade de sementes viáveis, disseminadas pela fauna em geral (Lorenzi, 1998). Ratos roem a casca do fruto, retiram as sementes para o exterior e consomem a polpa, abandonando as sementes que são amargas (Ferrão, 2001). Segundo Souza (1996), na Floresta Estadual do Antimari (Acre), o fruto maduro serve de alimento para a caça. O cacauí possui síndrome floral adequada à polinização por dípteros saprófagos. Os insetos polinizadores de T. speciosum foram avaliados em duas áreas de preservação (a primeira in situ e a segunda ex situ) e constatou-se que os insetos da família Drosophilidae e Phoridae visitam as flores no horário de maior receptividade


floral,

carreando

pólen

em

seus

corpos

e

apresentando

comportamento

característico de polinizadores. As guildas das duas famílias, comparadas nas duas áreas de preservação, apresentaram-se distintas e mais diversas na área de preservação in situ. Neste estudo não foi observada a ausência de frutificação na área de preservação ex situ, apesar da perda de diversidade e alteração na composição da guilda de polinizadores entre as duas áreas. Drosophila sp.foi o principal polinizador (Martins & Silva, 2003). Sementes Apesar de silvestre, T. speciosum é deliberadamente plantado em quintais (Balée, 1994). Propaga-se por sementes, sendo que um quilograma contém cerca de 380 unidades (Lorenzi, 1998). As sementes apresentam comportamento recalcitrante quanto ao armazenamento (Carvalho et al., 2001). Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando adquirem coloração amarela e as sementes devem ser colocadas para germinar logo após a colheita, diretamente em embalagens individuais contendo substrato organo-arenoso e depois são deixadas em ambiente sombreado. A emergência ocorre em 15-25 dias, com uma taxa baixa de germinação (Lorenzi, 1998). Índios plantam as sementes apenas quando o exocarpo do fruto torna-se amarelo, de outra forma as sementes estão em estágio inviável (Balée, 1994). Utilização A espécie é empregada como alimento humano, cosmético, para fins medicinais e ornamentais.  Alimento humano Os frutos quando maduros podem ser encontrados em feiras (Cavalcante, 1974,1991). A polpa açucarada é consumida in natura, chupando-a, mas também pode ser retirada para confeccionar refrescos, geléias (Ferrão, 2001), doces e sorvetes (Saddi, 1977). As sementes são amplamente utilizadas na confecção de chocolates, bombons e bebidas (vinhos, licores, vinagres etc.) (Saddi, 1977). Quando descascadas, contêm 27% de óleo branco, pouco consistente, que com a refinação deveria tornar-se


comestível, mas não é muito interessante. Quando secas (42% de umidade), as sementes possuem um peso médio de 1,5g, compostas de casca (30%) e amêndoas (70%) (Pesce, 1941). A amêndoa é rica em diversos alcalóides, cafeína e teobromina e serve para fabricar manteiga de cacau (Saddi, 1977). Em seu trabalho sobre o aproveitamento da sabedoria feminina com os recursos florísticos em Reservas Extrativistas no Acre, Kainer & Duryea (1992) identificaram que T. speciosum é utilizado como alimento. Da mesma maneira, Balée (1994) detectou o uso alimentício pelos Ka’apor e Dewalt et al. (1999) pelos Tacana (Bolívia).  Cosmético A casca do fruto associada à cinza da madeira é designada para a produção de um sabão artesanal, usado no interior da Amazônia como excelente desodorante (Di Stasi & Hiruma-Lima, 2002).  Medicinal A infusão das folhas e da casca serve para tratar brotoejas na pele. A folha em cataplasma ameniza dores de cabeça. Estas informações foram obtidas a partir do trabalho de etnobotânica realizado por Dewalt et al. (1999), com os índios Tacana, na Bolívia. Para tratar infecções da garganta, as folhas, após a secagem, devem ser colocadas na região afetada (Di Stasi et al., 1989; Di Stasi & Hiruma-Lima, 2002).  Ornamental Empregada esporadicamente em jardins e arruamentos por causa do seu efeito ornamental, pois na altura da floração fica muito vistosa em consequência da floração abundante distribuída pelo tronco e ramos grossos (Ferrão, 2001). Cavalcante (1991) acrescenta ainda que a mais notável característica desta espécie diz respeito à posição de suas flores, distribuídas ao longo do tronco, desde a base até o alto e, com a sua cor vermelha-púrpura, oferece um belo efeito decorativo, adequado para logradouros públicos. Informações econômicas


Da mesma forma que outras espécies do gênero Theobroma, T. speciosum tem sido utilizado em estudos para o aproveitamento das sementes como cacau comercial. Algumas pesquisas concentram-se na produção de uma gordura sucedânea à manteiga de cacau e outras se preocupam com o emprego das sementes na fabricação de chocolates. Mesmo não sendo muito animadores, os resultados obtidos ainda não permitiram obter um produto de grande circulação no mercado internacional (Ferrão, 2001). Saddi (1977) ressaltou, na década de 1970, que os frutos possuíam larga aplicação na economia nacional. Por outro lado, Pesce (1941) mencionou que o rendimento em óleo da semente e a pouca importância de sua colheita, não a tornava interessante para a indústria.

2.0 – Metodologia concebida no Inventário de Prospecção

TÉCNICA DE MAPEAMENTO A primeira fase contou com a visita técnica á área nessa fase, foram visitadas as áreas equidistantes por toda Unidade de Produção (UPA) 2 da UMFIII. A finalidade foi o reconhecimento de padrões ambientais que apresentassem relação positiva para ocorrência de indivíduos da espécie a ser mapeada.O levantamento de informações georrerenciados ocorreu em transectos, cuja metodologia é conhecida


como Rapeld, a prospecção. Iniciou-se a coleta dos pontos no limite da UPA 02 com a UPA 01; 03; 04 05; 18 e 24. Para selecionar os pontos de observação decidiu-se assumir como referência o traçado da estrada secundaria, sendo que as estradas foram selecionadas de maneira inteiramente ao acaso. Dessa forma foi possível fazer uma varredura em toda a área da UPA 02 e obter uma amostragem com intensidade bem distribuída de toda área. Coletou-se os primeiros pontos georreferenciados nas áreas onde o pessoal de campo sabia que havia ocorrência de cacauí. No primeiro dia de amostragem foram encontrados 31 indivíduos no transecto traçado segundo a curva de nível. A altitude média encontrada foi de 125,52 metros em relevo plano. No segundo dia, por sua vez, observou-se 56 indivíduos distribuídos em uma altitude média de 140,2 metros. Já no terceiro dia, foi possível georreferenciar 37 indivíduos, dispersos em uma altitude média de 130,00 metros. A metodologia amostral utilizada chama-se rapeld e é utilizada pela EMBRAPA e pelo INPA. A coleta das informações e o número de árvores a serem observadas por transecto está descrita em Castilho et al., (2005). As observações aconteceram no período de 28 a 30 de janeiro de 2013. Na tabela abaixo são apresentados os pontos de georreferenciamento coletados com emprego do aparelho GARMIN GPSmap 76CSx coletados com Sistema Universal Transverso de Mercator UTM, coordenadas planas (x,y):

Ponto 16

Zona 20L

X 501.540.227

Y 8.959.067.955

17

20L

501.505.751

8.959.396.249

21

20L

501.455.522

8.959.548.907

22

20L

501.424.932

8.959.521.246

23

20L

501436.73

8.959.520.587

24

20L

501.436.555

8959520.55

Data 28-jan-13 9:45:32am 28-jan-13 10:00:24am 28-jan-13 10:11:30am 28-jan-13 10:26:04am 28-jan-13 10:27:39am 28-jan-13


25

20L

501.459.293

8.959.513.534

26

20L

501.528.508

8959409.63

27

20L

501.551.035

8959398.37

28

20L

501.573.551

8.959.374.886

29

20L

501.592.783

8.959.353.775

30

20L

501.580.507

8.959.336.974

31

20L

501.595.229

8.959.304.808

32

20L

503.894.031

8960152.64

33

20L

504.100.122

8.960.021.991

34

20L

504.135.947

8.960.018.336

35

20L

504.125.935

8.960.020.255

36

20L

504.239.529

8.959.943.308

37

20L

504.303.673

8.959.894.399

38

20L

504.301.038

8.959.868.999

39

20L

504.326.188

8959871.09

40

20L

504.340.083

8.959.868.559

41

20L

504371.21

8.959.827.067

42

20L

504.510.557

8.959.803.679

43

20L

504.537.749

8.959.798.755

44

20L

503.635.786

8.960.259.014

10:27:50am 28-jan-13 10:29:46am 28-jan-13 10:34:36am 28-jan-13 10:35:40am 28-jan-13 10:37:10am 28-jan-13 10:38:03am 28-jan-13 10:39:44am 28-jan-13 10:41:47am 29-jan-13 12:04:22pm 29-jan-13 12:10:47pm 29-jan-13 12:12:25pm 29-jan-13 12:13:20pm 29-jan-13 12:17:25pm 29-jan-13 12:19:55pm 29-jan-13 12:21:57pm 29-jan-13 12:24:02pm 29-jan-13 12:25:11pm 29-jan-13 12:28:09pm 29-jan-13 12:32:45pm 29-jan-13 12:34:51pm 29-jan-13


45

20L

503635.63

8.960.161.766

46

20L

503.596.843

8.961.255.165

47

20L

503.597.681

8.961.259.956

48

20L

503.591.029

8.961.279.399

49

20L

503.680.112

8.962.262.462

50

20L

503.754.514

8.962.228.584

51

20L

503.798.335

8.962.201.177

52

20L

503780.14

8.962.193.672

53

20L

503.819.408

8.962.188.312

54

20L

503.915.594

8962165.32

55

20L

503.917.667

8.962.189.525

56

20L

503.996.701

8.962.184.421

57

20L

504.167.936

8.962.246.927

58

20L

504.207.637

8.962.252.696

59

20L

504.299.759

8.962.260.711

60

20L

504.327.506

8.962.264.591

61

20L

504.327.184

8.962.267.426

62

20L

504.472.942

8.962.129.878

63

20L

504476.77

8.962.125.356

1:00:53pm 29-jan-13 1:04:23pm 29-jan-13 1:13:02pm 29-jan-13 1:13:37pm 29-jan-13 1:14:21pm 29-jan-13 1:24:40pm 29-jan-13 1:27:05pm 29-jan-13 1:28:29pm 29-jan-13 1:29:34pm 29-jan-13 1:31:20pm 29-jan-13 1:34:50pm 29-jan-13 1:36:37pm 29-jan-13 1:39:15pm 29-jan-13 1:48:03pm 29-jan-13 1:51:13pm 29-jan-13 1:54:24pm 29-jan-13 1:55:46pm 29-jan-13 1:56:28pm 29-jan-13 2:02:07pm 29-jan-13 2:02:40pm


Mapa da dispersão do cacauí na UPA 02


Sistema de Amostragem e medição das árvores A partir do mapa de dispersão da espécie elaborado pela engenheira florestal perita em sensoriamento remoto, Kamilla Andrade, foi possível obter as primeiras informações sobre a área e a intensidade da ocorrência do cacauí e definir o sistema de amostragem ideal para aferição da hipótese de ocorrência. Como o cacauí está presente em toda UPA 02, embora com frequência e quantidade de indivíduos por hectare diferenciada, essa variação foi significativa na observação direta confrontada com as imagens de satélite de alta definição, o sistema de amostragem para o Inventário de Prospecção respeitou esse dado quantitativo. A área foi então estratificada para garantir uma maior precisão do inventário. A quantidade de amostras por estrato e a estratificação da UPA 02, pode ser visualizado no quadro abaixo.

Estratificação

Número de amostras

Área na UPA 02

Estrato 1: Alta ocorrência

10 amostras

748,41 ha

Estrato 2: Média ocorrência

08 amostras

537,72 há

Estrato 3: baixa ocorrência

07 amostras

460,56 há

Estrato 4: Inferior

05 amostras

172,71 há

De posse desses dados, as parcelas foram alocadas de maneira inteira aleatória na UPA 02 por meio da ferramenta ArcGIS 10.0 como mostrar o mapa abaixo.


Mapa de localização das amostras de campo do Inventário Florestal na UPA 02


O número de parcelas em cada estrato foi calculado de forma proporcional a área ocupada por cada estrato, observando-se um mínimo de cinco parcelas por estrato a fim de ampliar a precisão estatística. Após definido o local da parcela suas coordenadas geográficas foram inseridas no GPS para a localização no campo, a partir do acesso possibilitado pelas estradas primárias e secundárias usadas para escoamento da produção de madeira na UPA 02. A picada foi orientada pelo operador de GPS denominado Localizador de Parcela, até chegar ao ponto de início da parcela onde o localizador determinava o sentido norte para abertura da picada central com um total de duzentos metros, com afastamento de cinco metros em cada extremidade. Em algumas situações as parcelas estavam alocadas próximo à estrada desta forma foi estabelecida como regra que nessa situação era obrigatório a entrada de no mínimo 50 metros para evitar o efeito de borda na parcela. Depois de instalada a parcela, a equipe começava a fazer as medições (varredura). Uma corda de 5 metros foi utilizada para demarcação da parcela, observando ao esticá-la se a árvore a ser medida estava dentro ou fora da parcela. A árvore foi considerada como dentro da parcela se a metade de seu fuste ou mais estiverem nos limites da corda, chegando ao lado da árvore o técnico fez a medição do CAP e informava ao Anotador. Uma vez que o foco do Inventário de prospecção foi à espécie cacauí, estabeleceuse um CAP (circunferência à altura do peito) mínimo de 15 cm. Essa circunferência, segundo a literatura sobre a espécie, pode ser considerada mínima para a idade reprodutiva da espécie, isto é, início do período de frutificação. Finalmente para as demais espécies associadas o CAP mínimo estabelecido foi de duas vezes o CAP mínimo do cacauí. Segundo a literatura, quando o CAP da espécie associada é o dobro, em média essas árvores terão altura suficiente para sombrear e auxiliar na sua consolidação, mas, ao mesmo tempo, reduzindo a produção de frutos. A altura dessas árvores também foi uma das variáveis coletadas. O ambiente foi considerado sombreado havendo cobertura de pelo menos 50% do dossel. O sombreamento influencia diretamente na produtividade, portanto, é um dado imprescindível para a população de cacauí. Foi avaliada a ocorrência de doenças em cada indivíduo a fim de identificar se doenças correntes, com a famigerada Vassoura de Bruxa e outras, atacam a espécie. Os indivíduos avaliados não apresentaram ataques por fito patógenos.


Os anotadores foram responsáveis por preencher todas as informações na ficha de campo. A metodologia estabelece a instalação de um total de 30 unidades, medindo 10 por 200 metros (0,2 ha) e distribuídas de maneira proporcional. Em resumo as dúvidas principais que foram sanadas durante o processo de calibragem no campo, dizem respeito a: 1. Se as árvores localizadas sobre a linha limítrofe de 5 metros de cada lado da parcela deveriam ser medidas. a. Decisão da calibragem – Sim, mesmo que a corda de cinco metros só esbarrasse na árvore. 2. Se na locação da parcela os duzentos metros de comprimento colocavam a unidade em área desmatada, ou em estradas ou em local semelhante, mas fora da tipologia florestal. a. Decisão

da

calibragem

A

parcela

deveria

ser

acondicionada em sua totalidade dentro da tipologia florestal. 3. Se haveria necessidade de georreferenciar um ponto aos 100 metros da picada principal. a. Decisão da calibragem – Sim, para aferir se o rumo norte do sentido da parcela havia sido efetivamente assumido no campo. 4. Qual o diâmetro mínimo considerando que a medição seria realizada com fita de métrica, ou seja, por circunferência altura do peito. a. Decisão

da

calibragem

Para

facilitar

a

medição

arredondou-se o CAP mínimo da seguinte forma: i. Cacauí (Theobromaspeciosum): 15 Centímetros ii. Espécies associadas: 60 Centímetros


Processamento dos dados coletados no campo

Análise Fitossociológica Foi realizada a análise fitossociológica das espécies associadas a partir do cálculo dos seguintes parâmetros: Densidade, Dominância, Frequência e Índice de Valor de Importância – IVI, da seguinte forma:

a) Densidade absoluta e relativa

Onde: DAi = densidade absoluta da i-ésima espécie, em número de indivíduos por hectare ni = número de indivíduos da i-ésima espécie na amostragem A = área total amostrada, em hectare DRi = densidade relativa da i-ésima espécie em porcentagem S = número de espécies amostradas

b) Dominância absoluta e relativa

Onde: DoAi = dominância absoluta da i-ésima espécie, em m², na área amostrada A = área amostrada, em hectare DoRi = dominância relativa da i-ésima espécie em porcentagem.

c) Frequência absoluta e relativa


Onde: FAi = frequência absoluta da i-ésima espécie ui = número de unidades amostrais (parcela) nas quais se encontra a i-ésima espécie ut = número total de unidades amostrais (parcelas) FRi = frequência relativa da i-ésima espécie em porcentagem. d) Índice de valor de importância (%)

3.0 – Resultados importantes para o manejo florestal comunitário do cacauí Espécies associadas ao cacauí Um total de 10 espécies florestais aparecem associadas ao cacauí. Seus coeficientes fitossociológicos podem ser observados na tabela abaixo. Tabela 2: Nome comum; valores absolutos de dominância - DoA (m².ha-1), densidade - DA (indivíduos.ha-1) e frequência - FA; valores relativos de dominância - DoR (%), densidade - DR (%) e frequência - FR (%) e índice de valor de importância - IVI (%), para as 10 espécies associadas ao cacauí. Espécie

DoA

DA

FA

DOR

DR

FR

IVI

Taxi

1,0675

11,1667

0,9333

4,7254

5,6255

4,5234

14,8744

Pamã

0,8061

12,0000

0,9333

3,5685

6,0453

4,5234

14,1373

Matamatá

0,7524

9,3333

0,8000

3,3308

4,7019

3,8772

11,9100

Roxinho

1,2117

6,5000

0,6667

5,3640

3,2746

3,2310

11,8695

Breu vermelho

0,9125

6,3333

0,7000

4,0396

3,1906

3,3926

10,6228

Abiurana

0,6175

7,3333

0,7333

2,7337

3,6944

3,5541

9,9822

Babaçú

0,6092

8,6667

0,6000

2,6966

4,3661

2,9079

9,9706

Breu

0,5144

5,3333

0,6333

2,2770

2,6868

3,0695

8,0333

Pente de macaco

0,4456

5,8333

0,6000

1,9725

2,9387

2,9079

7,8191

Breu manga

0,2823

4,8333

0,5667

1,2495

2,4349

2,7464

6,4308


Essa informação é importante para o manejo florestal comunitário do cacauí, tendo em vista que a inclusão dessas espécies na lista das que estão sendo exploradas para produção de madeira auxiliará na ampliação da produtividade e do número de indivíduos de cacauí presente na área. Ocorre que a redução da população das espécies associadas propiciará, igualmente, redução do sombreamento sobre o cacauí, o que, por sua vez, promoverá a produção e produtividade dessa espécie. Coeficientes fitossociológicos para o Cacauí A área de estudo foi dividida em três estratos em virtude da diferença na ocorrência de cacauí. Nas 30 parcelas inventariadas foram encontrado 24 indivíduos, sendo sua distribuição bastante irregular nas parcelas, conforme mostra a tabela 9.

Tabela 9: Distribuição de Cacauí Nas Parcelas de Cada Estrato. PARCELAS

ESTRATOS B

A

C

TOTAL

D

1

1

1

0

0

-

2

1

0

1

0

-

3

0

5

1

0

-

4

0

3

0

0

-

5

0

1

0

1

-

6

0

0

4

-

-

7

2

0

1

-

-

8

1

0

-

-

-

9

0

-

-

-

-

10

1

-

-

-

6,00

10,00

7,00

1,00

TOTAL

24

O estrato que apresentou um maior número de indivíduos foi o estrato B (10) que segundo as imagens de satélites apresentava uma média ocorrência de cacauí seguido pelo estrato C (7) que foi classificado como uma região de baixa ocorrência O estrato A, embora classificado como de alta ocorrência, apresentou somente 6 indivíduos apesar de terem sido amostradas mais parcelas que nos demais estratos.


O estrato D, que foi classificado como área de ocorrência inferior, apresentou apenas um indivíduo, provavelmente por se tratar de uma área com presença de corpos d’água. A tabela 10 mostra a média de ocorrência de em cada estrato. Tabela 10: Média de indivíduos de Theobroma speciosum por parcela, peso de cada estrato, média ponderada de indivíduos por parcela, frequência absoluta, média de indivíduos por hectares e média ponderada de indivíduos por hectare em cada estrato. ESTATÍSTICAS MÉDIA POR PARCELA (0,2 HA) PESO PONDERADO IND. POR PARCELA (MÉDIA PONDERADA) FREQUÊNCIA ABSOLUTA MÉDIA DE IND. POR HÁ IND. POR HA (MÉDIA PONDERADA)

A 0,60 0,39 0,23 0,50 3,00 1,17

ESTRATOS B C 1,25 1,00 0,28 0,24 0,35 0,24 0,50 0,57 6,25 5,00 1,75 1,20

D 0,20 0,09 0,02 0,20 1,00 0,09

GERAL 0,760,84 1,77 3,81 4,21

A média de indivíduos de cacauí por hectare foi 03 no estrato A, 6,25 no estrato B, 05 no estrato C e 1 no estrato D, com uma média geral de 3,81. A média ponderada ou média estratificada apresentou um total de 0,84 indivíduos por parcela, e 4,21 indivíduos por hectare. A frequência absoluta nas parcelas inventariadas não apresenta grandes diferenças nos estratos A (0,50), B (0,57) e C (0,50), entretanto, no estrato D (0,20) a frequência de ocorrência é realmente baixa, diferindo das demais. A média de ocorrência também é baixa no estrato D (1,00 indivíduos/hectare), sendo maiores no estrato A (3,00 indivíduos/hectare),B (6,25 indivíduos/hectare) e C(5,00 indivíduos por hectare). A média do estrato B é mais que o dobro da média do estrato A. A tabela 11 mostra a frequência relativa de ocorrência de nos estratos.


Tabela 11: Estratos, área de cada estrato em hectares, frequência relativa de ocorrência de indivíduos de cacauí (%) e média de indivíduos por hectare.

ESTRATOS/COLORAÇÃO MAIOR OCORRÊNCIA/VERMELHO MÉDIA OCORRÊNCIA/AMARELO BAIXA OCORRÊNCIA/MARRON INFERIOR OCORRÊNCIA/AZUL TOTAL

ÁREA

FREQUÊNCIA RELATIVA

MÉDIA DE INDIVÍDUOS POR HECTARE

748,41

28,23

3

537,32

28,23

6,25

460,56

32,24

5

172,71

11,29

1

1.919,00

100

3,81

Observa-se que a frequência relativa dos estratos A (28,23),B (28,23) e C (32,24) não apresenta grandes diferenças, entretanto, o estrato D (11,29) apresenta uma frequência relativa bem mais baixa que os demais. Elaboração do mapa de dispersão do cacauí na UMF III Para realização do mapeamento da espécie Theobroma speciosum foram adotados alguns métodos de Oliveira (2010), que realizou mapeamento da espécie Theobroma cacau na região no sul do Estado do Amazonas. Dessa forma os procedimentos adotados nessa pesquisa na UMFIII compreenderam três fases, a primeira coleta de dados in situ a segunda fase compreendeu a análise dos dados e métricas em ambiente computacional e finalmente a validação do mapeamento. Na segunda fase foi realizado o tratamento das informações coletadas e formulação de hipóteses, de acordo com as informações coletadas nos transectos. O período em que foi observado a ocorrência dos indivíduos especialmente em áreas com declividade entre 136 a 145 metros e um raio de distância de 26 metros dos cursos de água em regiões com relevo plano. De acordo com as variáveis de preferência da espécie foi realizado um modelo numérico de quatro áreas possível ocorrência do cacauí em ambiente ArcMap 9.3 utilizando a ferramenta Map Algebra expression, a partir de informações extraídas da imagem Aster obtida do site da Nasa http://earthobservatory.nasa.gov juntamente com informações da base de dados do LBA (solos e hidrografia dados meteorológicos da Amazônia).


Finalmente a validação do mapeamento ocorreu a partir das informações geradas no inventário florestal, a expressão utilizada para indicar áreas aptas a ocorrência do Theobroma speciosum. Tendo por referência as estatísticas oriundas do Inventário de Prospecção do cacauí e a interpretação das imagens de satélite foi possível a preparação do mapa definitivo de dispersão, apresentado abaixo, que foi elaborado a partir das seguintes premissas: 1. O estrato em vermelho (A) possui densidade inferior, mas uma frequência regular, isto é, poucos indivíduos de cacauí ocorrem no estrato, mas na metade das parcelas havia cacauí, o que demonstra uma distribuição significativa da espécie; 2. O estrato em amarelo (B) é o que possui a maior densidade, onde foram encontrados e medidos mais indivíduos de cacauí, porém, a sua freqüência não é proporcional à densidade e é equiparada ao estrato (A), com indivíduos de cacauí sendo encontrados em metade das parcelas; 3. O estrato em marrom (C) possui uma densidade inferior ao amarelo (B), mas ainda elevada, sobretudo quando comparada com os outros dois estratos, no entanto sua freqüência é excelente, com indivíduos de cacauí sendo encontrados em mais da metade das parcelas, quase 60%, o que é um indicador crucial para o manejo florestal comunitário; 4. Enfim, o estrato em azul (D), apresenta tanto densidade como freqüência bem abaixo dos outros e é insignificante do ponto de vista estatístico. Sendo assim, o mapa definitivo da dispersão do cacauí na UMFIII, que deverá ser usado no planejamento das atividades relacionadas ao manejo florestal comunitário do cacauí, foi elaborado a partir das seguintes conclusões: 1. Como o estrato em amarelo (B) possui a maior densidade e o estrato (C) a maior freqüência de cacauí, ambos podem ser somados formando o


estrato de maior interesse para a produção de cacauí, que pode-se chamar de Estrato Prioritário, representado pela coloração marron no mapa abaixo, considerando que será o lugar onde existem maior quantidade de cacauí e com melhor distribuição na mancha; 2. Como o estrato vermelho (A) apresentou média de 3,0 indivíduos por hectare, mas ocupa a maior parte da área da UMF III, pode-se considerálo como segundo estrato, que se pode chamar de Estrato Potencial, representado pela coloração verde clara no mapa abaixo, considerando que será o lugar onde haverá pouco cacauí e distribuídos de maneira irregular com concentrações em determinadas porções da mancha; 3. Enfim, o estrato azul (D) pode ser descartado devido sua baixíssima densidade e péssima distribuição, que pode-se chamar de Estrato Perdido, representado pela coloração amarelo calara no mapa abaixo, considerando que a quantidade existente de cacauí não permite uma produção com economicidade.


Mapa final de ocorrência do Cacauí na UMF III por UPA


A partir do mapa final de ocorrência do Cacauí e para facilitar o planejamento das atividades de manejo florestal comunitário foi possível calcular a área ocupada pelos estratos na área total de cada UPA, como apresentado na tabela abaixo

Tabela 5: Área ocupada pelo estrato em cada UPA, por hectare. UPA

ESTRATO POTENCIAL

ESTRATO PERDIDO

ESTRATO PRIORITÁRIO

TOTAL

1

356,98

439,57

805,35

1601,89

2

989

348,18

613,16

1950,57

3

612,10

479

816,28

1907,62

4

579,09

4

1126,61

1709,79

5

367,92

3,58

1596,43

1967,93

6

1145,53

92

646,67

1884,56

7

523,23

25,81

1432,92

1981,96

8

784,66

353,33

496,28

1634,26

9

273,53

0,64

1259,70

1533,86

10

726,32

278,96

1101,86

2107,14

11

138,28

1146,08

519,73

1804,09

12

956,76

735,92

113,78

1806,46

13

1606,07

204,60

0

1810,67

14

149,60

0,08

1360,92

1510,59

15

565,84

11,29

1206,90

1784,03

16

990,67

771,57

26,90

1789,14

17

155,21

247,27

1560,50

1962,99

18

398,93

672,67

792,65

1864,25

19

181,30

576,35

1046,47

1804,12

20

42,43

498,44

1249,50

1790,37

21

1274,65

341,78

172

1788,56

22

738,48

916,93

144,35

1799,76

23

433,29

0,83

1296,75

1730,87

24

1343,14

380,23

96,64

1820,00

25

1607,31

176,44

0,00

1783,75

16.940,57

8.706,22

19.482,96

45.129,24


Tabela 6: Probabilidade média de indivíduos de Cacauí por estrato e por UPA UPA

ESTRATO POTENCIAL

ESTRATO PRIORITÁRIO

1

1318,70

4563,63

2

1044,53

3474,55

3

1437,74

4625,56

4

12,27

6384,10

5

10,75

9046,46

6

277,09

3664,46

7

77,43

8119,88

8

1059,99

2812,24

9

1,91

7138,30

10

836,87

6243,87

11

3438,24

2945,13

12

2207,76

644,74

13

613,79

0,00

14

0,23

7711,87

15

33,87

6839,08

16

2314,72

152,42

17

741,80

8842,86

18

2018,00

4491,67

19

1729,04

5930,01

20

1495,31

7080,50

21

1025,35

975,39

22

2750,79

817,99

23

2,49

7348,25

24

1140,68

547,62

25

529,33

0,00

26.118,65

11.0400,28

TOTAL 5882,23 4519,08 6063,3 6396,37 9057,21 3941,55 8197,31 3872,23 7140,21 7080,74 6383,37 2852,5 613,79 7712,1 6872,95 2467,14 9584,66 6509,67 7659,05 8575,81 2000,74 3568,78 7350,74 1688,3 529,33

136519,3


Probabilidade de indivíduos por estrato em cada UPA: 4.0 - Quantidade de frutos passíveis de serem produzidos por indivíduo e por hectare em cada UPA. Para calcular o numero de frutos por indivíduo encontrou-se dificuldade pois a literatura sobre o tema apresenta valores discrepantes e, às vezes, até contraditórios. No geral as variações entre número mínimo e máximo são elevadas ao mesmo tempo em que a quantidade de indivíduos monitorados são pouco representativas. Um dos trabalhos mais esclarecedores sobre o sucesso reprodutivo do cacauí foi financiado no âmbito do Probio (Programa de Biodiversidade na Amazônia),de autoria de Maria da Gloria dos Santos, com título: Fenologia reprodutiva de Theobroma Speciosum willde ex STERCULIACEAE. O estudo monitorou 10 indivíduos de cacauí em ambiente de várzea e 10 em ambiente de Terra Firme, em um total de 20 indivíduos, por um período reprodutivo completo, envolvendo floração e frutificação, na safra de 2008 e 2009. Para os cálculos apresentados aqui foram usados somente os dados observados nos 10 indivíduos localizados na Terra Firme. Encontrou-se um total de 42 inflorescências por indivíduo, sendo que um mínimo de 4 e máximo de 9 inflorescências apresentaram frutos, em uma quantidade variável de 1 a 3 frutos por inflorescência que frutificou. A média de frutos calculada para cada indivíduo foi de 15,5 frutos de cacauí por indivíduo. Com relação a floração foi observado que teve início na segunda quinzena de julho e a sua frutificação ocorrido no inicio da primeira quinzena de agosto. Os autores esclarecem que os indivíduos estudados apresentaram uma grande produção de flores e uma alta viabilidade polínica, (97,3%), no entanto uma baixa produção de frutos, já que na área de terra firme eram esperados 4.816,28 frutos e foram observados apenas 68 frutos, demonstrando que a baixa frutificação não está correlacionada com esses dois fatores, necessitando de mais estudos,


principalmente de polinização, para se determinar os fatores que podem estar correlacionados com o baixo sucesso reprodutivo da espécie. Tabela 7: Quantidade de frutos por estrato e por UPA UPA

Estrato Potencial

Estrato Prioritário

Total

01

20439.79

70736.26

91176.05

02

16190.27

53855.48

70045.74

03

22284.94

71696.17

93981.11

04

190.17

98953.61

99143.78

05

166.56

140220.16

140386.72

06

4294.85

56799.10

61093.95

07

1200.13

125858.12

127058.25

08

16429.85

43589.74

60019.59

09

29.53

110643.58

110673.11

10

12971.42

96779.92

109751.34

11

53292.67

45649.58

98942.25

12

34220.23

9993.46

44213.69

13

9513.70

0.00

9513.70

14

3.56

119533.95

119537.51

15

524.93

106005.80

106530.74

16

35878.23

2362.58

38240.81

17

11497.88

137064.35

148562.24

18

31279.00

69620.89

100899.89

19

26800.13

91915.15

118715.28

20

23177.32

109747.79

132925.10

21

15892.96

15118.56

31011.52

22

42637.26

12678.85

55316.10

23

38.64

113897.86

113936.50

24

17680.47

8488.09

26168.56

25

8204.66

0.00

8204.66


UPA 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 Total

Tabela 8: Quantidade de Sementes por estrato e por UPA Sementes por Fruto Números de Frutos 20 26 91176,05 1823521,0 2370577,3 70045,74 1400914,8 1821189,2 93981,11 1879622,2 2443508,9 99143,78 1982875,6 2577738,3 140386,72 2807734,4 3650054,7 61093,95 1221879,0 1588442,7 127058,25 2541165,0 3303514,5 60019,59 1200391,8 1560509,3 110673,11 2213462,2 2877500,9 109751,34 2195026,8 2853534,8 98942,25 1978845,0 2572498,5 44213,69 884273,8 1149555,9 9513,7 190274,0 247356,2 119537,51 2390750,2 3107975,3 106530,4 2130608,0 2769790,4 38240,81 764816,2 994261,1 148562,24 2971244,8 3862618,2 100899,89 2017997,8 2623397,1 118715,28 2374305,6 3086597,3 132925,1 2658502,0 3456052,6 31011,52 620230,4 806299,5 55316,1 1106322,0 1438218,6 113936,5 2278730,0 2962349,0 26168,56 523371,2 680382,6 8204,66 164093,2 213321,2 42.320977 55.017270

Características: Frutos globoídes- elipsóide com cerca de 10 cm, com algumas depressões conspícuas; sementes elipsóide-oblonga com cerca de 24-26 mm, em número de 20 a 26 por fruto. De acordo com o trabalho as características anatômicas de Theobroma speciosum permitem separa-la das demais espécies, pois é a única que possui idioblastos no parênquima cotiledonar com estrutura química semelhante aos sacos de mucilagem do tegumento externo.


5.0 Orientações para Amata com relação à produção de frutos de cacauí Diante das evidências de dispersão (freqüência) e de quantidade de pés de cacauí (densidade) existentes na UMF III, as conclusões da equipe de pesquisadores envolvidas no trabalho são as seguintes:

1. Um trabalho de detalhamento para elaboração do plano de manejo florestal comunitário do cacauí, visando futuro licenciamento ambiental, deverá considerar a inclusão de, no mínimo, esses dois outros produtos florestais: açaí e castanha;

2. O mapa definitivo não deixa dúvida de que a porção sudeste da UMFIII deverá ser priorizada no manejo do envolvimento

cacauí o que sugere o direto

de

comunidades

localizadas em um raio máximo de 2 horas de caminhada dessa região;

3. A

Amazônia

necessita

de

modelos

de

desenvolvimento com atividades econômicas. O manejo de recursos florestais, dadas as características e potencialidades da região, se coloca como um dos principais caminhos para se alcançar um desenvolvimento com bases realmente sustentáveis.


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Cacauí na floresta nacional do Jamari-RO  

Engenharia Florestal-UFAC e Amata concluem Inventário de Prospecção do Cacauí na Flona do Jamari.