Page 1


Dedicamos este livro a nosso amigo, mentor e professor Derek Prince.

Não é covarde minha alma, nem trêmula na tempestuosa esfera do mundo. Vejo brilhar as glórias do paraíso, e a fé brilha igualmente, dando-me armas contra o medo. — E. Brontë


Introdução Um dos maiores privilégios que tenho na vida é conhecer homens e mulheres de Deus maravilhosos em minhas viagens de ministério por todo o mundo. Muitos desses encontros se transformam em amizades que se desenvolvem em parcerias para o Reino. O efeito consistente de cada relacionamento é que ele extrai o melhor de mim para Deus, e sou incitado a buscar ainda mais por Jesus. Cada relacionamento me enriquece nas coisas de Deus, e cada pessoa que conheço tem algo único a oferecer para o Corpo de Cristo. Embora eu aprecie o caráter e a unção de cada um, alguns se destacam de forma mais notável. Mahesh e Bonnie Chavda estão nessa classe de pessoas. Sua reputação precedeu-os muito antes que eu tivesse o privilégio de servir ao lado deles em várias conferências por todo o território norte-americano. Ao conhecê-los, porém, descobri que não me haviam contado nem metade da bênção! Eles superaram minhas expectativas. Embora eu tenha sido convidado para ensinar em cada conferência, em meu coração acabei aprendendo com eles. Para um livro intitulado Guerreiro da tempestade ter efeito eterno sobre seus leitores, precisava ser escrito por autores que conhecem a batalha e, igualmente, o caminho para a vitória. Para causar impacto duradouro, seu conteúdo não pode ser aprendido em salas de aula e livros acadêmicos; tem de ser formado nas trincheiras da batalha. |9


GUERREIRO DA TEMPESTADE

E há mais uma qualificação que nem todo guerreiro em Cristo alcança: ver o demônio através dos olhos de Deus. Muitos indivíduos devastados pela guerra têm as cicatrizes da batalha na mente — e o resultado é que têm um grande Diabo. Eles o conseguem convencer de suas estratégias e planos. Conseguem persuadir você da seriedade do momento — mas não têm alegria. Ao mesmo tempo em que seu Diabo é grande, seu Deus é tragicamente pequeno. Mahesh e Bonnie Chavda são a antítese desse tipo de cristão devastado pela guerra. Eles ilustram coragem e vitória em todo lugar para onde se voltam. Raramente, você encontra um casal tão qualificado para escrever um livro sobre esse tema porque poucas vezes encontra um casal que paga o preço que os Chavdas pagam para viver a experiência diária de um evangelho autêntico e vitorioso. Eles me inspiram. E, às vezes, convencem-me. Não consigo deixar de sentir mais fome por Deus sempre que estou com eles. Sua fome por Deus e sua experiência em um estilo de vida sobrenatural são contagiantes. Amo este livro porque ele revela, instrui e inspira. É raro encontrar esses três elementos em uma única obra. Mas Guerreiro da tempestade está repleto desses elementos que transformam as ferramentas necessárias para equipar e liberar guerreiros vitoriosos em uma batalha já vencida. Amo este livro porque ele libera uma das qualidades mais importantes no coração do cristão: coragem! Não consigo imaginar alguém ler este livro e o terminar sem experimentar um aumento sobrenatural de coragem em seu coração. Recomendo muitíssimo Guerreiro da tempestade no mesmo espírito em que recomendo Mahesh e Bonnie Chavda. Eles são a mensagem! — Bill Johnson autor de Quando o céu invade a terra, pastor na Bethel Church, Redding, Califórnia 10 |


Prefácio Toda a Bíblia é a história da disputa entre dois reinos opostos. O Antigo Testamento registra o conflito entre Deus e os exércitos naturais daqueles que se opõem ao Senhor. O Novo Testamento é a história da confrontação entre Deus e seus inimigos espirituais. Da árvore no jardim do Éden à árvore no Calvário, a Bíblia é um livro de guerra. Posicionado entre esse confronto de reinos está o povo de Deus. Do cativeiro aos planos de batalha e às regras de combate, Deus guia seu povo para o triunfo. A primeira declaração de guerra foi feita por Deus a Satanás enquanto Eva observava, com os lábios ainda úmidos do sumo do fruto proibido. Ali, Deus confrontou o primeiro casal por seu pecado, e Satanás, por sua rebelião. Um estava destinado à redenção, e o outro, à perpétua guerra e à derrota final. Deus declarou: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar” (Gênesis 3.15). O destino de cada geração é ser redimida e reequipada para caminhar na restauração de Deus em meio à batalha espiritual e, às vezes, natural que nos cerca. Davi, o rei guerreiro, entoou: “Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu futuro. As divisas caíram para mim em lugares agradáveis: Tenho uma bela herança!” (Salmos 15.5,6). Esse michtam [poema ou canção] de Davi | 11


GUERREIRO DA TEMPESTADE

foi escrito como declaração profética quando ele estava em meio à batalha por seu destino e sua unção como futuro rei. Desde os dias de funda e flauta até chegar a liderar o exército do rei, esse guerreiro declarou: “[Deus] treina as minhas mãos para a batalha e os meus braços para vergar um arco de bronze. Tu me dás o teu escudo de vitória; tua mão direita me sustém; desces ao meu encontro para exaltar-me” (Salmos 18.34,35). Poucas gerações atrás, Winston Churchill viu formar-se uma tempestade no horizonte, uma poderosa disputa entre as forças das trevas e as da luz. É a mesma disputa que chega a nós, o povo de Deus, agora preparados para liberar e defender uma nova geração de nossa herança. Isaías profetizou que “ele virá como uma inundação impelida pelo sopro do Senhor” (Isaías 59.19). Somos os novos portadores do padrão sobre o qual repousa a próxima geração. E qual é o padrão? É a cruz na qual Jesus Cristo, o capitão de nossa salvação, proclamou vitória, ao clamar: “Está consumado”, derrotando os comandantes de seus inimigos espirituais. Na cruz, Jesus abriu caminho para todos os seus seguidores livrarem os cativos da escravidão e pegarem os espólios de sua missão realizada (v. Efésios 4.8). Todo cristão recebe ordem para se tornar um eficaz guerreiro da cruz, jubiloso em meio à tempestade. Em torno do padrão da cruz, nós nos reunimos em formação, recebendo a comissão do Supremo Guerreiro: “Reocupar e conquistar até que eu volte”. Independentemente de qual seja a tempestade — uma sombra escondida espreitando em seu interior que o derrota seguidas vezes, o desafio de uma doença física que ameaça seu filho, um desastre repentino que atinge seus recursos, um ataque a sua reputação ou a seus relacionamentos —, Deus ordena que “em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Romanos 8.37). 12 |


Prefácio

A exortação de Paulo aos guerreiros de Jesus ainda permanece: “Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou. Semelhantemente, nenhum atleta é coroado como vencedor, se não competir de acordo com as regras” (2Timóteo 2.4,5). A arte da guerra espiritual é de vital importância para todo seguidor de Cristo. Aprender a viver em triunfo, alegrar-se no Espírito e descansar no equilíbrio entre graça e força é o desafio de todo cristão. Nosso desejo em Guerreiro da tempestade é compartilhar os princípios e testemunhos de três décadas de vida vitoriosa que inspirarão, treinarão, desafiarão e capacitarão você a se levantar pela fé em Cristo e repelir as forças espirituais oponentes. Escrevemos este livro para você e sua família, com confiança na unção de Deus reservada para sua vida. Nossa oração é que você possa levantar-se na sabedoria dele e no poder capacitador para conquistar “as cidades dos que lhe forem inimigos” (Gênesis 22.17) e apoderar-se das riquezas de sua herança em Cristo. Nenhum mortal enfrenta a vida sem tempestades. Nestas páginas, você encontrará encorajamento e orientação prática para se tornar um guerreiro na tempestade. — Mahesh e Bonnie Chavda

| 13


Capítulo 1

Uma palavra da glória “Parem de lutar! Saibam que eu sou Deus!” Salmos 46.10

As gotas de chuva tamborilando em nosso local de reunião foram, de início, um som bem-vindo. Essa região da Carolina do Norte vem sofrendo de seca há algum tempo, por isso nos alegramos com um pouco de alívio. A tenda imensa, que fornecera abrigo e cobertura para nossas conferências durante diversos anos, suportara inúmeras chuvas e tempestades; assim, não estávamos tão preocupados quando nossa conferência Ondas de Glória começou. Talvez devêssemos ter ficado. A tempestade, a princípio tão gentil, de repente caiu sobre nós com violência. Fortes rajadas de vento e chuva torrencial fizeram balançar os postes de ferro maciço da tenda, ameaçando derrubar toda a armação. Vários voluntários abraçaram os postes na valente tentativa de mantê-los no lugar. Recepcionistas tentavam segurar as paredes da tenda, agarrando-se em vão ao pesado tecido que sacudia violentamente. Um rio de água, alimentado por uma repentina enchente, serpenteava sob nossos pés. Sabíamos que a tenda estava prestes a desabar. Nossa conferência atraíra centenas de pessoas, e, agora, a vida delas estava em perigo. Não tínhamos para onde fugir. | 15


GUERREIRO DA TEMPESTADE

Lições de uma abelha Alguns dias antes, eu, Mahesh, estivera mergulhado nos preparativos de nossa iminente conferência em Charlotte. Mesmo enquanto me exercitava na esteira de ginástica, murmurava comigo mesmo em minha linguagem de oração e buscava a palavra do Senhor para as reuniões. “Qual é sua palavra para essa conferência, Senhor?”, eu fizera essa pergunta a ele muitas vezes e ainda não tinha recebido nenhuma orientação. Era um dia quente de outono, e uma abelha entrou pela porta aberta. Meus olhos seguiram seu voo em zigue-zague pela sala até que ela aterrissou à beira da correia rotatória da esteira. E ali ela pousou, cavalgando a correia em movimento. Ela podia voar a qualquer momento, mas, da mesma maneira que o desafortunado coiote do desenho Papa-Léguas, continuou cavalgando na beirada da correia e escorregou para debaixo da máquina. “Abelha ou não abelha?”,1 eu disse, adotando um tom meio poético. Supondo que fosse o fim da pobre abelha, voltei meus pensamentos a meu pedido por uma palavra do Senhor. Dessa vez, ouvi uma resposta. — Shalom — disse a voz baixa e calma. — Shalom também para o Senhor — repliquei polidamente. — Mas qual é sua palavra para esta conferência? — Shalom — a palavra voltou discretamente. — Senhor — repliquei —, sei que o Senhor é judeu e tudo mais, porém neste momento preciso de sua palavra para essa conferência. Aqui os autores fazem uma brincadeira com a famosa frase de Shakespeare “Ser ou não ser”, substituindo o verbo be [em português, ser] pelo substantivo bee [abelha]. [N. do R.]

1

16 |


Uma palavra da glória

Minha atenção desviou-se por um momento quando o corpo da abelha morta reapareceu do outro lado da esteira, na condição que era de esperar: a cabeça esmagada contra a correia em movimento. — Suponho, minha cara abelha, que não era para ser...2 — concluí. Voltando mais uma vez a me comunicar com o Senhor, de repente percebi uma centelha de movimento. Observei espantado quando a cabeça da abelha retomou a forma, e o inseto levantou voo em direção à luz do sol no quintal. — Suponho que, afinal, era para ser! — completei deliciado. — Acabo de testemunhar uma ressurreição em pequena escala! Sem dúvida, eu soube que radiantes raios de vida e poder vindos da glória do Senhor tinham alcançado a abelha morta enquanto eu conversava com o Pai. O inseto voltou à vida bem diante de meus olhos. Em vista dessa gloriosa ressurreição, perguntei mais uma vez: — Senhor, por favor, dê-me pelo menos uma palavra para essa conferência. — Shalom — foi tudo o que ouvi. Desde que, aparentemente, eu não receberia inspiração nem passagem bíblica para a conferência, terminei meu exercício e voltei ao escritório para cuidar de outros assuntos. Dilúvio aniquilador Naquele entardecer a conferência Ondas de Glória iniciou-se quando o dia claro se transmutou em uma noite estrelada. Contudo, 2

Novamente, os autores fazem um jogo de palavras com be/bee: I guess it’s to bee after all. [N. do R.] | 17


GUERREIRO DA TEMPESTADE

no segundo dia, o céu começou a escurecer enquanto os participantes ocupavam seus assentos para a adoração. No meio do culto, ficou claro que haveria mais que uma mera chuva de novembro. O ruído distante do trovão se tornava cada vez mais alto, e o chuvisco gentil transformou-se em aguaceiro. Bonnie estava no meio do testemunho de uma visita que o Senhor lhe havia feito em seu aniversário. Sua história, que inclui movimentos pessoais hilários, descrevia um derramamento do Espírito Santo em uma igreja abarrotada. Bonnie movia-se entre as primeiras fileiras da audiência descrevendo animadamente as formas pelas quais Deus entra em nossa vida para nos livrar da escravidão religiosa e da opressão do inimigo. De início, o vento e a repentina explosão da chuva torrencial aumentaram o tom dramático do testemunho. A certa altura, Bonnie riu alto quando os trovões e os raios logo além das paredes de tecido pareciam acentuar seu discurso. No entanto, a tempestade logo aumentou em grande fúria. Ventos fortes arrastavam pesados jatos de chuva contra os lados da tenda. As pessoas pegaram rapidamente suas coisas para mantê-las fora da água que se elevava sob seus pés. Bonnie parecia não perceber o perigo aumentar e continuava a pregar em sintonia com o drama da tempestade. Comecei a orar em silêncio por orientação enquanto a tenda parecia estar prestes a desabar. A audiência inquieta olhava ansiosamente para Bonnie e para mim, procurando uma orientação sobre o que fazer. Consegui chamar a atenção de Bonnie e levantei-me para falar no microfone: “Tem havido registro de seca na Carolina do Norte. Esta noite, acho que Deus está abençoando este lugar. Na natureza e em nossa vida espiritual, que a chuva do Espírito Santo venha. Ele disse por intermédio do profeta Joel: ‘Derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão’. Por isso, agradecemos ao Senhor, Pai!’ ”. A congregação respondeu com louvor e alguns fracos aplausos. E a tempestade despencou. 18 |


Uma palavra da glória

Sem ter para onde correr e sem contar com nada além de lonas sovadas entre a congregação e a tempestade, busquei orientação e sabedoria diante do desastre iminente. Em meio ao caos, diretamente das ondas da glória que me haviam rodeado no dia anterior na esteira de ginástica, veio uma palavra. No mesmo instante entendi e disse: — Shalom. Naquele momento, diante de centenas de testemunhas, a tempestade foi completamente acalmada. Assim que a palavra saiu de meus lábios — não dez ou vinte segundos nem um minuto depois, mas no mesmo instante —, a furiosa tempestade cessou em toda a região. Não havia mais vento, nem chuva. Uma palavra da glória e a perfeita shalom de Deus reinou nos elementos naturais. A mesma glória que me rodeava enquanto eu conversava com Deus, a mesma glória que ressuscitou a pequena abelha, estava presente para acalmar a tempestade. Um grito de maravilhado alívio e louvor pela libertação subiu a Deus. A congregação juntou-se a Bonnie e a mim no entoar as palavras de um cântico concedido pelo Espírito quando a nuvem shekinah da glória de Deus se manifestou durante o culto de cura: Agora, o Senhor é o Espírito, e Onde o Espírito do Senhor está Há liberdade, liberdade, liberdade.

O testemunho do Reino Na manhã seguinte, os locutores relataram que aquela fora a pior tempestade que a região experimentara em setenta anos. O caminho de destruição deixado pela tempestade cobria uma extensão de 160 quilômetros e gerara múltiplos tornados. Nossa tenda estava no epicentro. No entanto, o sistema inteiro acalmou-se instantaneamente ao ser pronunciada uma palavra da glória. | 19


GUERREIRO DA TEMPESTADE

Esse é o testemunho do Reino de Cristo em face dos ventos e ondas desta era: “Aquiete-se! Acalme-se!”. Talvez você pergunte: “Como fazer fluir esse tipo de unção? Como transformo as obras de Jesus em sinais e maravilhas?”. Há dois elementos para receber e caminhar no poder miraculoso de Deus: o primeiro é a transmissão; o segundo é a ação. Começa com a transmissão A unção para realizar milagres vem por meio da transmissão do Espírito. Moisés impôs as mãos sobre Josué. Elias impôs as mãos sobre Eliseu. Paulo impôs as mãos sobre Timóteo. Jesus concede seu Espírito a todos que o recebem. Em todas essas circunstâncias, aquele que recebeu a transmissão se tornou servo da unção por toda a vida. A transmissão começa com um relacionamento. Eliseu não foi apenas até Elias um dia e pediu uma dupla porção de sua unção. Ele morreu para si mesmo e para sua visão no dia em que aceitou o chamado para servir. E seguiu Elias durante anos. Paulo não conheceu Timóteo em uma conferência e o enviou para organizar igrejas. Ele instruiu Timóteo extensamente. Receber uma transmissão e transferir uma unção começa e termina quando nos tornamos servos. Eliseu recebeu uma transmissão de Elias. Anos depois de Eliseu ter sido sepultado, um homem morto que foi jogado em sua sepultura ressuscitou ao tocar seus ossos (v. 2Reis 13.21)! Moisés tirou os sapatos. Elias purificou-se no deserto. Saulo foi derrubado ao solo, e seu caráter foi radicalmente transformado. Todos eles interagiram com a presença viva de Deus e passaram de uma conduta que envolvia servir a seu próprio propósito para servir ao propósito de Deus. O Senhor estava investindo em homens que se tornaram seus “servos”. Em comunhão com Deus, eles receberam a unção que concederam aos outros. Ao ser batizado, 20 |


Uma palavra da glória

Jesus fez isso para “cumprir toda a justiça” (Mateus 3.15). O Espírito Santo desce e permanece sobre aqueles que manifestam o Cordeiro. Transmissão e comunhão em harmonia com o Pai capacitam os cristãos a realizar milagres. Quando tomamos a decisão de viver como servos em comunhão com Deus, passamos a ser emissários de seu poder para acalmar a tempestade. Quando comunguei com o Senhor naquela tarde em minha esteira, a palavra para o milagre foi transmitida a meu espírito. Captei a vibração do céu e acalmei a tempestade com uma única palavra da glória. Pode ser uma simples palavra como shalom. Mas nessa palavra da glória reside o poder criativo do Universo. A palavra viva de Deus em determinada situação pode trazer o morto de volta à vida. Foi o que aconteceu quando Elias ressuscitou o filho da sunamita. Andando de um lado para o outro diante do corpo morto do menino, Elias captou o som do céu e se tornou transmissor de vida daquele que se assenta no trono. Elias, por meio do Espírito, reuniu o sopro de vida emanando do trono e soprou esse ar no menino. Receber transmissão compara-se a ser um diapasão. Diapasões com a mesma ressonância captam a vibração e “cantam juntos”. Da mesma maneira, quando entramos em comunhão com Deus, todo nosso ser harmoniza-se com ele. Tornamo-nos recipientes de seus milagres. Deus toca a corda para um milagre. Nós a captamos e transmitimos esse milagre — e o aleijado anda, o cego vê e o morto ressuscita. Só agora a ciência começa a discutir descobertas que ilustram o reino dos milagres. Prótons, nêutrons e elétrons, as unidades básicas de toda matéria, são formados de elementos minúsculos chamados quarks. São diminutas cordas vibratórias de energia. De acordo com esse modelo, conhecido como “teoria das cordas”, todas as partículas, visíveis ou não a olho nu, são formadas fundamentalmente da mesma substância. Uma pedra, uma mesa, uma árvore ou o arco do violino só são distinguidos por sua ressonância. | 21


GUERREIRO DA TEMPESTADE

Brian Greene, físico da Universidade de Colúmbia, descreve desta maneira: A única diferença entre as partículas que compõem o ser humano e as partículas que transmitem gravidade e as outras forças é a forma com que essas cordas minúsculas vibram. O Universo, composto por uma quantidade imensa dessas cordas oscilatórias, pode ser considerado uma grande sinfonia cósmica.3

Hebreus 11.3 informa-nos: “Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se vê não foi feito do que é visível”. De sua glória, Deus reinava sobre o caos e o vazio antes da Criação. Proferiu a palavra de sua vontade e deleite, e todos os elementos da natureza se juntaram em gloriosa harmonia. Juntos, formaram a canção de Deus. Terra, céu, mares e terra seca encheram-se com sua voz. Vivemos em um Universo que pode ser descrito hoje como o eco agitado e dançante de sua primeira proclamação: “Haja luz”. O Espírito Santo paira sobre o caos e as tempestades deste mundo, carregando o poder e a glória de Deus para levar harmonia onde há discórdia. Podemos transportar essa gloriosa vibração, captando o sinal do Pai vindo do céu e soltando-o sobre a terra. Desde o princípio, Deus mostra a prova de sua existência e de seu poder por meio de milagres. Foi assim que ele enviou Moisés, Elias e os profetas. Foi assim que Jesus, Filho de Deus, veio em carne como homem. E sabemos e testificamos que Jesus está vivo e atuante no planeta Terra. Ele continua fazendo as mesmas obras. E deseja fazer obras ainda maiores hoje por intermédio de todos os que creem nele. A chave é a transmissão. Quando nosso relacionamento com Deus Apud The Elegant Universe: String’s the Thing. Transcrição. Nova, 28 out. 2003. Disponível em: <http://www.pbs.org/wgbh/nova/transcripts/3013_elegant. html>. Acesso em: 2 mar. 2012.

3

22 |


Uma palavra da glória

nos coloca em harmonia com a vibração do céu, somos capacitados a transmitir seus milagres de cura às pessoas a nossa volta. Jesus disse aos discípulos: “Assim como o Pai me enviou, eu os envio” ( João 20.21). As maiores obras estão a sua espera! Daniel profetizou que, conforme as eras se aproximam do fim, aqueles que conhecem o único Deus realizarão grandes façanhas (v. Daniel 11.32). Os milagres que Jesus realizou na terra testificam a presença, a realidade e o poder pessoal do Pai no céu. Sinais e maravilhas ainda são o testemunho da ressurreição de Jesus. Seu propósito é que o evangelho de seu Reino seja proclamado e demonstrado com a palavra e as obras de seu poder para que todos vejam e ouçam. Prospera em ação Transmissão e, depois, ação. Muitos de nós passamos algumas horas assistindo àqueles maravilhosos faroestes antigos, que sempre culminavam em um confronto final entre o mocinho e o bandido. Modernas versões cinematográficas desse tema acontecem agora no espaço ou nas ruas escuras de cidades, mas a fórmula em geral é a mesma. A cena clássica, no entanto, é alguma cidadezinha poeirenta no meio do nada. Um violão toca fanhoso ao fundo. O sol está alto, e a rua principal, deserta. O vilão sai empertigado do bar, convencido de seu poder de atemorizar os que estão a sua volta. Mas, do nada, aparece nosso herói com olhos de aço e a mão repousando sobre o cabo de seu revólver. Sozinho e sem medo, ele encara o vilão. A tensão aumenta e, em um relâmpago de fogo e fumaça, o homem mau é morto. Seu corpo sem vida é testemunha da habilidade e coragem de nosso herói, que calmamente monta em seu cavalo. Radiantes, os cidadãos saem de dentro das casas e observam seu libertador cavalgar ao pôr do sol. Talvez essa seja uma fórmula de filme batida, mas continua interessante! Não poderíamos usar alguns heróis antiquados em | 23


GUERREIRO DA TEMPESTADE

nossa geração? Precisamos de homens e mulheres sem medo de enfrentar o Maligno e dispostos a lutar para libertar cativos inocentes. Nos dias da demarcação de fronteiras no oeste norte-americano, havia um grupo conhecido como Texas Rangers. Os Rangers eram famosos por sua resolução e coragem. Localizaram e prenderam os criminosos mais perigosos de sua época. Quando a Guerra de Secessão terminou e o Texas foi dominado pela ilegalidade, os Rangers foram chamados de novo para restaurar a decência, a lei e a ordem. Os Rangers estavam preocupados com resultados, não com burocracia. E cada um deles simplesmente ia aonde era necessário e trabalhava até concluir a tarefa. Os Rangers podiam viver da terra e passar dias a fio sem dormir à caça de sua presa. Conseguiam repelir multidões inteiras ou surpreender matadores em pastagens abertas. Os Rangers também se asseguravam de ter linha direta com o chefão, ou “coronel”, quando precisavam. Há uma história sobre uma cidade do Texas devastada pela violência. O prefeito mandou um telegrama pedindo que o governador enviasse uma tropa de Rangers para cuidar da situação. O governador concordou, e a população da cidade esperou ansiosamente pela chegada dos heróis. Por fim, quando o esperado trem entrou na estação, os cidadãos ficaram consternados ao ver apenas um passageiro sair do trem, um único Ranger, o capitão Bill McDonald, da Companhia B. O prefeito quebrou o silêncio, perguntando: — Por que o governador mandou um só Ranger? McDonald deu um risinho, e dizem que respondeu: — Você tem um só tumulto, certo? Um tumulto, um Ranger. Desde então, esse tem sido o lema do Ranger. Contudo, atualmente, os Texas Rangers servem principalmente como investigadores especiais. Ser um Ranger no mundo moderno 24 |


Uma palavra da glória

representa menos confronto com o mal e mais burocracia. Muitos heróis, frustrados, entregaram o distintivo. A eficácia da companhia, do lema e da mensagem dos Rangers já não serve para combater o mal. Você observa história similar na Igreja de Jesus Cristo? A companhia que ele chamava de “seu povo” e “seu tesouro pessoal”, um reino de sacerdotes chamado das trevas para fazer obras maiores que o Senhor, tornou-se, em grande parte, uma companhia de investigadores olhando para o passado. Filosofias sem propósito, teologias diluídas e o medo de rejeição pelo mundo — permite-se que tudo isso dispa a Igreja de sua insígnia de autoridade. Hoje, cristãos demais ficam felizes em apenas pesquisar ocorrências passadas do evangelho. É chegado o momento para a ação que acompanha esse evangelho. É tempo de impedir a ação do ladrão, do usurpador e do destruidor de vidas. É tempo de restaurar o caminho dos apóstolos e profetas que viam Deus, recebiam revelação dos céus, caminhavam na presença divina e faziam as obras que o tinham visto fazer. A noite cai na rua principal, e Deus procura uma companhia de Rangers para receber sua revelação e entrar em ação. Tudo em um dia de trabalho Para Jesus, os milagres do Pai eram todos realizados em um dia de trabalho. Mateus 8 registra apenas esse dia. Jesus desceu do monte no qual, com frequência, passava a noite em oração. O primeiro homem que encontrou foi um leproso. — Senhor, se quiseres, podes purificar-me! — disse o homem. — Quero — replicou Jesus. E o homem foi curado. A seguir, ele encontrou um centurião cujo servo estava à morte. — Eu irei curá-lo — declarou Jesus. — Dize apenas uma palavra — replicou o soldado. | 25


GUERREIRO DA TEMPESTADE

Jesus falou, e o servo foi curado naquele instante. Prosseguindo para o mar, uma grande multidão o seguia. Quando eles estavam em um barco, Jesus pôde finalmente descansar e dormir. Mas, sem aviso algum, uma tempestade furiosa caiu no lago. As ondas varriam o barco, e os discípulos o acordaram. — Senhor, salva-nos! Vamos morrer! Jesus se levantou, esticou o corpo cansado e, em algum ponto entre um bocejo fatigado e uma reprimenda pela falta de fé de seus amigos, Jesus repreendeu a tempestade. Caiu shalom instantânea sobre eles, e Jesus conteve os elementos enfurecidos. Os discípulos já haviam visto todo tipo de milagre, mas agora perguntavam uns aos outros em espanto: — Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem? A resposta é simples: Jesus era um homem que conhecia seu Deus. Era o homem armado na tarde. Ele era o Ranger na planície aberta. Era o supremo guerreiro da tempestade e tinha uma missão a cumprir: submeter o reino das trevas. No outro lado do mesmo lago, dois homens endemoninhados que viviam nas tumbas da morte o confrontaram. A essa altura, era cerca de meia-noite, e o dia que começara cedo, após uma noite inteira de vigília e oração, fora longo. — Que queres conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do devido tempo? — gritaram. Mas não eram os homens que falavam, eram os demônios dentro deles. Ao fundo, pastava uma criação de porcos. Os demônios ouviram o som do céu reunindo-se contra eles. Renderam-se como ladrões pegos em flagrante. — Se nos expulsas, manda-nos entrar naquela manada de porcos — imploraram. Jesus disse uma única palavra: — Vão. 26 |


Uma palavra da glória

Os demônios deixaram os dois homens e correram para os porcos, e toda a manada, com medo, atirou-se precipício abaixo e morreu afogada. Os cuidadores dos porcos correram para a cidade a fim de divulgar a história, e a reação da população foi surpreendente. Não houve regozijo pelo fato de os endemoninhados estarem livres ou a cidade não estar mais ameaçada pela violência deles. Eles não queriam saber quem era Jesus, nem por que tinha vindo para a cidade. “Toda a cidade saiu ao encontro de Jesus, e, quando o viram, suplicaram-lhe que saísse do território deles.” (Mateus 8.34.) Sempre houve pessoas desinteressadas e temerosas. Sempre haverá aqueles que preferem demônios à libertação. Sempre haverá uma multidão que prefere os porcos a Deus. Tenha certeza de que você os conhecerá. Alguns deles estarão todos vestidos para ir à igreja! Antigas teologias que afirmam que Deus deixou de fazer milagres são uma maneira dissimulada de afirmar que Cristo nunca saiu do sepulcro após sua crucificação e seu sepultamento. O argumento dessas teologias é que Cristo está morto. Em essência, isso quer dizer que sua salvação não é válida também. Nunca entrou em vigor. Mas nosso mundo está igualmente repleto de pessoas cujo bote salva-vidas está prestes a virar nessa tempestade. Quem virá e repreenderá ventos e ondas para salvar o que está a um passo da morte? Em toda cidade de todo continente há aqueles que, como os dois homens na região dos gadarenos, são habitados por invasores demoníacos e clamam por libertação. Quem virá e varrerá suas casas para libertar os prisioneiros? A Bíblia afirma que Jesus é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Se ele está vivo, é o mesmo Jesus que cura os doentes, expulsa os demônios, acalma as tempestades e ressuscita os mortos. Se ele é o mesmo Jesus, continua fazendo as mesmas coisas que sempre fez. Ou Jesus falava a verdade, ou era um mentiroso. Ou está morto, ou | 27


GUERREIRO DA TEMPESTADE

está vivo. Ele disse: “Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai” ( João 14.12). O manto para fazer milagres nos alcançou por intermédio do poder do Pentecoste no derramamento do Espírito Santo. No que diz respeito aos milagres, crer leva a ver. Muitas gerações de cristãos não acreditam e, por isso, não veem. Alguns inventam até mesmo bibliotecas explicando por que não acreditam em milagres e teologias explicando por que não veem milagres. Mas nossa missão, se escolhermos aceitá-la, é pregar e praticar o evangelho pleno pregado e praticado por Jesus em poderosas obras de cura e libertação. Nossa mensagem é para os que querem sua presença milagrosa e estão sedentos por sua salvação plena. Em uma era de racionalismo desenfreado e secularismo humano, o mundo clama desesperado por um grande reavivamento da fé bíblica. O conhecimento e a habilidade do homem falha quando chegam as tempestades. Mas o conhecimento de Deus — a comunhão íntima e pessoal com ele — deve ser uma rocha sobre a qual toda casa pode ser construída. E podemos ter certeza de que ventos e chuvas baterão nessa casa, mas, no conhecimento dele, essa casa permanecerá firme. À medida que passamos a conhecer o Pai intimamente, como Cristo conhecia quando andou na terra, passamos a confiar totalmente nele. Essa confiança plena produz fé, por meio da qual nada é impossível. Esse é o segredo do amor do Pai no qual Jesus caminhava. Desse reino de comunhão, os milagres de cura e libertação aconteciam todos os dias em todos os lugares onde ele proclamava as boas-novas. A fé anuncia milagres. Conhecer. Confiar. Crer. Esse é o alicerce da vida destinada à vitória. Nos capítulos seguintes, mostraremos a você como construir sobre esse alicerce. 28 |


Uma palavra da glória

Uma palavra da Presença é suficiente para dominar a grande tempestade que você pode estar enfrentando hoje. Uma palavra da glória é mais que suficiente para aquietar o vento forte e para pôr fim ao dilúvio que sua família enfrenta. Vivemos em um período de grandes tempestades. Nações precisam de cura; humanos precisam de libertação. Violência e terrorismo estão em ascensão. Os eventos do Onze de Setembro são sintomas da erupção de uma batalha global com raízes e implicações espirituais para todos nós. Desastres naturais e pandemias ameaçam populações indefesas. Os cristãos precisam estar equipados para levar a resposta de Deus em meio a essas tempestades. Cristo despertou da morte e está vivo em nós. Nossa resposta deve ser a mesma que a dele. O que ele quer que entendamos? Sua resposta, vinda dos domínios de glória onde seus milagres habitam em sua presença, é simples: “Digam ao meu povo que eles são guerreiros da tempestade”.

| 29

GuerreiroDaTempestade_CAPITULO1