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FEIRAS E EVENTOS

Verba do BNDES pode alavancar o turismo nos próximos anos Executivos opinam sobre como a medida anunciada em abril pode beneficiar o trade e apontam prioridades para os aportes Equipe WTM/Reed Exhibitions Por: Camila Lucchesi, Felipe Abílio, Larissa Coldibeli e Leonardo Neves

O

diretor de comércio exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Carlos Alexandre da Costa, anunciou que o fundo irá investir cerca de R$ 2,4 bilhões a cada dois anos em diversos segmentos de turismo. As melhorias irão desde obras de infraestrutura até ajuda financeira a micro empresas privadas do segmento. “Estamos priorizando a modernização do País e o turismo, que representa 10% do PIB mundial, pode ser um símbolo dessa mudança”, pontuou. Seguindo essa estratégia, serão criadas linhas de crédito especiais para atender à iniciativa privada com juros e prazos diferenciados. “Além de modernizar o Brasil, o principal foco de setor produtivo é conseguir gerar valor e emprego, destacando o país no cenário internacional não apenas como líder em commodities mas, também, como líder em atividades de valor agregado. Talvez o turismo seja um símbolo deste Brasil, que nós queremos construir”, defendeu. De acordo com Neusvaldo Ferreira Lima, diretor de planejamento do Ministério do Turismo (MTur), o órgão não irá priorizar áreas específicas. “Os recursos se destinarão 26 Brasilturis

Maio | 2018

ao setor privado e, desde que façam parte da cadeia produtiva do turismo, os negócios terão todo o apoio do MTur”, disse. Segundo ele, o apoio também será dado no sentido de agilizar o período de análise da proposta pelo BNDES, mas não há como destacar um setor específico. “São muitos os segmentos que compõem o turismo, então não podemos distinção e priorizar”, salientou Lima. Upgrade à frente? Com o prometido apoio do banco estatal a cada biênio, diferentes segmentos do turismo opinaram sobre o que pode ser aprimorado daqui em diante com a maior participação dos órgãos públicos nas pautas do mercado de viagens. Ana Maria Berto, diretora geral da Orinter, acredita que o aporte virá em um momento muito importante para o turismo nacional. “O Brasil tem tudo para receber uma quantidade imensa de passageiros, mas, infelizmente, apesar de algumas ações anteriores, ainda não foram feitos investimentos com o foco e os profissionais necessários. Creio que, unido a esse novo momento, os novos investimentos vão agregar bastante ao turismo”, comentou.

A executiva apontou alguns segmentos que podem ser mais beneficiados no turismo do País. “É importante profissionalizar as equipes de receptivos e que o BNDES possa apoiar as redes hoteleiras para que eles também se modernizem e possam receber o passageiro no padrão que ele está acostumado no cenário internacional. Temos tudo para dar um ‘upgrade’ no turismo do Brasil”, complementou Ana Maria. Outro setor que deve ser contemplado com o investimento público é o aeroportuário, que cresceu a passos largos no Brasil na última década e cada vez mais precisa de melhores infraestruturas para acomodar o fluxo crescente de viajantes. Por meio de seu diretor de alianças e distribuição da aérea, Marcelo Bento Ribeiro, a Azul comemorou o anúncio do Banco Nacional. “O transporte aéreo é imprescindível para o desenvolvimento do turismo, e sem dúvida deve estar contemplado no investimento do BNDES, tanto quanto outras áreaschave para essa atividade. O principal motor de desenvolvimento do transporte aéreo é o cenário econômico, que, com a recuperação da

economia, tem melhorado”, contou. Segundo Josenildo Santos, presidente da Associação das Secretarias de Turismo de Pernambuco e secretário de Turismo de Agrestina (PE), o investimento é importante para estruturar e consolidar o turismo regional. “Desde o princípio, nossa grande dificuldade sempre foi conscientizar os gestores sobre a importância de trabalhar a promoção dos municípios, agregando os valores culturais à promoção de um roteiro para a geração de renda e emprego. Um investimento federal nos apoia neste sentido”, destacou. Toni Sando, presidente-executivo do Visite São Paulodestacou as possíveis melhoras em manutenção, infraestrutura e promoção, mas pontuou que o recurso precisa ser bem administrado pelas empresas e órgãos. “O importante é utilizar o dinheiro de forma inteligente e planejada para que o resultado, seja ele de curto ou longo prazo, retorne em forma de emprego e renda para o destino. O trabalho de captação de eventos é um exemplo no qual a movimentação da economia no destino chega a se multiplicar muitas vezes quando comparado com a receita inicial utilizada”, reforçou.

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