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Ano 37 nº 812 - Maio 2018

37 anos

R$ 18,90

INVESTIMENTO EM TURISMO Executivos opinam sobre como o aporte do BNDES pode beneficiar o trade e apontam prioridades

Pág. 26

HOTELARIA

AVIAÇÃO

agências e operadoras

Nordeste é destaque com novas frequências e hub da Air France-KLM com a Gol

Estudo aponta viagens mais curtas e frequentes como tendência de mercado Pág. 20

Fórum propõe debates para unificar tecnologias de aeroportos e aéreas Págs. 8 a 10

CRUZEIROS

DESTINOS ESPÍRITO SANTO Novo terminal e o início de operações da Avianca impulsionam o turismo capixaba

Conheça o Norwegian Bliss, navio da NCL que inicia roteiros para o Alasca em junho

Pág. 14

Preferred Pride oferece coleção de empreendimentos LGBT friendly

ENTREVISTA

Pág. 16

FEIRAS E EVENTOS

CHILE Confira as novidades para a temporada de inverno do país que vem se tornando o queridinho dos brasileiros

WTM-LA gera negócios e traz lançamentos em produtos e serviços

DISNEYLAND PARIS Zdenka Conflant e Isabelle De La Monte almejam conquistar o segmento Mice no Brasil com a oferta de eventos exclusivos  

Expo Aviesp reúne o trade em Campinas com foco em capacitações Inédito, Fórum em Gramado discute turismo e sustentabilidade Págs. 26 a 35

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Págs. 22 a 24 www.brasilturis.com.br

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Conhecimento vence preconceitos

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uitos falam sobre a popularização da internet e a consequente mudança no comportamento do consumidor. A rede alimentando os computadores e nos onipresentes smartphones levou os viajantes a uma sensação de liberdade que impacta no consumo – inclusive em produtos e serviços relacionados a turismo. Entretanto, essa interferência da internet no cotidiano pode causar o efeito contrário. Basta que o viajante independente enfrente o primeiro problema para repensar seus processos. Pode ser que, inicialmente, a consultoria não seja requerida para todas as viagens que um indivíduo faz no ano, mas certamente será para um roteiro especial. E, se tudo der certo, ela se repete em uma viagem não tão especial assim. Com o passar do tempo, esse movimento gera fidelização. Claro que há viajantes que preferem ter o controle total de suas compras. OK! Mas que eles sejam tratados como casos à parte e que os esforços sejam concentrados nos clientes po-

tenciais. Em alguns mercados, a necessidade de consultoria é mais percebida – como ocorre com a terceira idade. Dados apresentados na Arena Brasilturis, espaço de capacitação que desenvolvemos na Expo Aviesp, mostram que viajantes com mais de 60 anos são fiéis à compra com agentes. Isso tem mais a ver com confiança e praticidade do que com falta de traquejo em relação a tecnologia. Afinal, até mesmo entre os millennials, faixa mais jovem e conectada da população que tanto causava medo nos agentes, se percebe um movimento de valorização do serviço de agenciamento. Estudos de 2017 da American Society of Travel Agents mostram que 30% de respondentes deste grupo contrataram agentes para ao menos uma viagem em 12 meses. A economia de tempo foi o benefício apontado por 69% dos entrevistados. Busque conhecimento e procure priorizar os nichos que atendam necessidades específicas dos seus clientes. Apesar do potencial citado algumas linhas acima, a terceira ida-

de ainda é pouco explorada pela cadeia brasileira. Uma pena, já que existem oportunidades para lucrar com produtos específicos para esse perfil que é mais ativo e tem disponibilidade para viajar fora de temporada, por exemplo. Destinos que investiram em programas para a terceira idade ajudaram a resolver problemas de sazonalidade, aumentaram a receita com o turismo e vêm crescendo nos rankings de interesse de viajantes. O Chile apostou em programas de turismo sênior e social e hoje desfruta de ótima reputação internacional, ocupando a terceira colocação entre os países sul-americanos mais visitados, segundo pesquisa da Euromonitor apresentada durante a WTM Latin America. Outro segmento que tem um potencial gigante, mas resiste à atuação do agente de viagens no Brasil é o LGBT. Nesse caso, a barreira a ser vencida é o preconceito. Estima-se que existam 18 milhões de brasileiros nesse perfil e apenas 6,1% disseram comprar viagens em agências físicas.

EDITORIAL

Camila Lucchesi Editora chefe

O motivo? Vergonha de informar sua orientação sexual. A receita para a prosperidade seja de um destino, empreendimento ou profissional – é acompanhar os movimentos do mercado e ter informação. Preconceito nada mais é do que uma face da ignorância. Para dar nossa contribuição na construção de um mercado melhor e mais rentável, a revista ViaG, publicação produzida pela Editora Via, a mesma que faz o Brasilturis, realiza no próximo mês a segunda edição do Fórum de Turismo LGBT do Brasil. Quer saber mais sobre o segmento que mais cresce em turismo em nível mundial? Vem com a gente! As inscrições são gratuitas para profissionais do turismo.

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ENTREVISTA

Foco em MICE e eventos sociais de turistas no ano passado, quando comemorou 25 anos de abertura.

Zdenka Conflant e Isabelle De La Monte Executivas da Disneyland Paris

Por Camila Lucchesi

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onquistar o segmento Mice no Brasil com a oferta de eventos exclusivos. Essa foi a motivação da vinda ao Brasil de Zdenka Conflant e Isabelle De La Monte, respectivamente diretora de vendas e desenvolvimento de negócios da Disney Business Solutions e gerente de projetos para o mercado de luxo. A ideia é mostrar ao trade que é possível transformar a casa europeia do Mickey no cenário ideal para qualquer tipo de evento – com direito a um toque do glamour francês. Know how existe já que o equipamento realiza com sucesso diversos acontecimentos próprios, como maratonas e outros eventos esportivos, além da concorrida noite eletrônica, muito disputada pelos viajantes europeus. Para cuidar dos eventos sociais e corporativos de terceiros, a empresa criou um departamento dedicado à produção, o que permite às executivas prometer a oferta de um pacote completo, incluindo locações diferenciadas, catering próprio e tours por destinos franceses. Elas disseram acreditar no potencial do País que enviou 70 mil turistas de lazer à Disneyland Paris no ano passado. Em eventos, entretanto, ainda não há registros. Em sua primeira visita ao Brasil, Zdenka e Isabelle visitaram agências e operadores especializados em Mice, casamentos e lua de mel para se apresentar ao mercado e encantar futuros clientes. A missão teve apoio da Atout France, comandada por Caroline Putnoki. “Vale lembrar que um comportamento atual do viajante brasileiro é escolher o destino por causa de um evento”, destacou Caroline. O equipamento recebeu 15 milhões 4

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Qual é o principal desafio de promover a Disneyland Paris no Brasil? Sem dúvidas, o desconhecimento do mercado em relação a nossa oferta e a comparação com os parques de Orlando. Eles são incomparáveis, cada um com suas características. Queremos que cada vez mais brasileiros conheçam a Disney com sotaque francês. Como vocês planejam converter o desejo de realizar um evento na icônica Disneyland em reservas de fato? Queríamos ter uma varinha de condão para fazer isso (risos). É um trabalho árduo e no qual o networking é importante. Por isso viemos ao Brasil, para nos apresentar e reforçar nossa oferta. Sabemos que há muitos fãs da Disney no País que desconhecem a possibilidade de vivenciar outro perfil do parque, bem diferente do de Orlando (EUA). Costumamos categorizar a Disneyland Paris como um parque boutique porque tudo é muito próximo, o que facilita a logística quando se trata de eventos. O que oferecem em termos de infraestrutura? Além das áreas abertas do parque, como a disputada frente do castelo da Bela Adormecida, temos dois centros de convenções fechados e um espaço modular de quase 20 mil metros que também pode ser utilizado. Para hospedagem, contamos com sete hotéis que totalizam 6,5 mil leitos. E quanto aos produtos e experiências? O que é possível fazer? Tudo o que você imaginar. O destaque é a possibilidade de ocupar o parque à noite, após o fechamento dos portões, exclusivamente para os clientes. As formatações são diversas e vão desde eventos de incentivo e congressos até casamentos, festas de debutantes, aniversário de crianças, renovações de votos e jantares VIP. Os clientes podem ter guias exclusivos e encontros privados com os personagens.

É possível ainda combinar o evento na Disneyland com um tour por Paris e destinos nos arredores, aliando o entretenimento com a cultura e a gastronomia locais, reconhecidas mundialmente. Outro destaque é a ampliação do parque com a criação de três novas áreas temáticas, dedicadas a Frozen, Star Wars e Marvel. O investimento total é de US$ 2 bilhões. Os espaços estarão conectados por um lago central e oferecerão mais opções de cenários para os eventos no futuro. Um dos hotéis também será transformado com a tematização dos heróis da Marvel. As obras serão concluídas em 2024, mas a expansão não irá tirar o charme e a característica exclusiva do parque. Quantos turistas corporativos o parque recebe por ano? No ano passado, foram cerca de 100 mil. Quais são os principais mercados para eventos na Disneyland Paris? Os turistas domésticos estão em primeiro lugar, com 80% do fluxo. Depois vem o Reino Unido, que responde por 19% dos visitantes corporativos. O 1% restante está pulverizado em outros mercados. Qual é a estratégia de vocês para trabalhar em parceria com o trade brasileiro?

Nossa primeira missão aqui foi dizer “oi, nós existimos e podemos cuidar do seu evento, com um toque da magia Disney”. As reuniões foram muito produtivas, as pessoas são receptivas, então acreditamos que tem tudo para dar certo. E agora, após esse primeiro contato? Quais são as expectativas para o mercado brasileiro? Em eventos de brasileiros, ainda estamos no zero. Não temos expectativas em números já que esse é um primeiro contato, mas acreditamos que existem grandes possibilidades.


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RAPIDINHAS

10 aberturas O Wyndham Hotel Group vem reforçando sua presença na América Latina e no Caribe, regiões onde vem apresentando crescimento acelerado nos últimos anos. Presente em 18 cidades brasileiras com 34 unidades, o grupo prevê a abertura de 10 novos empreendimentos no País nos próximos meses. Alejandro Moreno

Turismo de luxo Segundo dados divulgados pela ILTM Latin America, brasileiros que embarcaram em roteiros de luxo movimentaram US$ 2 bilhões apenas em janeiro de 2018 - 26,7% a mais do que o registrado no ano anterior. Em fevereiro, os consumidores desse segmento investiram US$ 1,4 bilhão em viagens pelo mundo, contra US$ 1,3 bi em 2017.

Preço, local e acesso Para os brasileiros, custo (78%), proximidade em relação às atrações locais (78%) e acesso ao Wi-Fi (65%) são os itens mais considerados pelos viajantes no momento de escolher uma acomodação, segundo levantamento da Booking.com. A pesquisa feita com 19 mil viajantes do mundo inteiro mostra que para 36% dos viajantes brasileiros a decoração também é fundamental.

Do Brasil para o mundo A norma brasileira ‘Meios de Hospedagem – Sistema de Gestão da Sustentabilidade – Requisitos’ foi proposta como base para a criação do documento internacional no padrão ISO. A decisão será tomada nos próximos dias 7 e 8 de maio, na capital Argentina, quando os 99 países membros do comitê técnico de turismo da ISO dará o aval. O trabalho durou dois anos e envolveu especialistas de 22 países, liderados pelo brasileiro Alexandre Garrido.

Em alta Segundo dados da E-Consulting, consultoria que mede previsões financeiras para o comércio eletrônico há 14 anos, o mercado de turismo on-line no Brasil deverá atingir R$ 19,6 bilhões em 2018, alta de 14% desde 2016. No último ano, os negócios de turismo na web movimentaram R$ 17,2 bilhões. Segundo a pesquisa, 84% dos brasileiros disseram ter a expectativa de realizar pagamentos por meios on-line neste ano.

Parceria de R$ 1 bi Eduardo Giestas (Atlantica Hotels) e Érica Drumond (Vert Hotéis)

A Atlantica Hotels e a Vert Hotéis firmaram aliança estratégica que passa a representar 19 marcas, com oferta de 20 mil quartos. Os dois grupos preveem faturamento de R$ 1 bilhão já em 2018 e estimam um crescimento de dois dígitos na receita dos hotéis no ano. A equipe comercial passará a ter 190 colaboradores espalhados por 50 cidades brasileiras.

Aumento na média A Pesquisa de Satisfação do Passageiro realizada pela Secretaria Nacional de Aviação Civil do Ministério dos Transportes completou cinco anos, período em que foram ouvidos 327.537 passageiros. Em 2013, eles atribuíam nota média de 3,86 aos principais terminais brasileiros, numa escala de 1 a 5. No primeiro trimestre de 2018 a média de satisfação foi de 4,30.

Estudos cervejeiros

Alexandre Garrido

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Science of Beer, instituição brasileira de ensino e formação profissional dedicada à cerveja, oferece o programa ‘Viagem de Estudos Cervejeiros’, que acontece em setembro e oferece a oportunidade de aprender sobre o tema na Bélgica, República Tcheca e Alemanha. Os roteiros incluem uma série de atividades como a visita à Oktoberfest e fazenda de lúpulo em solo alemão, cervejarias trapistas no interior belga e beer spa em território tcheco.

Mercado aquecido O segmento de educação internacional cresceu 23%, em 2017, e alcançou a marca inédita de 302 mil estudantes brasileiros. Os números são da Pesquisa Selo Belta, divulgada pela Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta). No ano passado, o brasileiro movimentou entre US$ 2,7 e 3 bilhões de dólares em programas educacionais.


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AVIAÇÃO

Nordeste cresce e se consolida com novas frequências Por Leonardo Neves

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om novas frequências recém -anunciadas da Copa Airlines e o hub da Air France-KLM, construído em conjunto com a Gol na capital cearense, a aviação do Nordeste está em alta. Mais rotas e maior oferta de voos internacionais visam melhorar a conexão dos passageiros da região que visitam o exterior, principalmente nos Estados Unidos e no Caribe. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Nordeste conta hoje com cerca de 70 operações internacionais partindo de diversos aeroportos. Estima-se que, até o fim de 2018, esse índice cresça até 50%, com a criação de aproximadamente 35 novas frequências que elevarão o número de decolagens para mais de 100 por semana. As saídas estão concentradas em Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE), além de Porto Seguro (BA), Natal (RN), João Pessoa (PB), Maceió (AL) e Aracaju (SE). De acordo com Eduardo Sanovicz, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o processo de crescimento da aviação internacional no Nordeste foi iniciado em 2003, com as operações da Tap. “Os governos estaduais, ao longo da década, tiveram um grande papel com investimentos em marketing e a ampliação da infraestrutura aérea nos principais terminais. Foi uma sucessão de medidas que permitiram ampliar a malha aérea internacional e nacional na região. Sem uma malha doméstica boa não há como operar no internacional”, salientou.

Quem leva?

Desde 3 de maio, a Air France -KLM conta com cinco voos semanais para Fortaleza. Em outubro, a

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capital cearense ganhará mais uma frequência, passando para seis operações da companhia na cidade. O aumento nas frequências no Brasil é resultado de uma parceria com a Gol, união que determinou, ainda, a criação de um hub na cidade, permitindo às aéreas investir cada vez mais em rotas a partir da região Nordeste. “Notamos, desde o início de 2017, o crescimento da demanda por viagens internacionais, e queríamos investir com agilidade e inteligência para contribuir ativamente com essa recuperação. Hoje vemos que as expectativas são otimistas para os próximos anos”, afirmou Jean-Marc Pouchol, diretor geral Air France KLM para a América do Sul. A Copa Airlines também anunciou que irá operar duas novas frequências partindo de Fortaleza (CE) e Salvador (BA) com destino à Cidade do Panamá, a partir de 18 e 24 de julho deste ano, respectivamente. Junto com aumento de frequências a partir de Recife (PE), os novos voos passarão a ligar diariamente a região Nordeste ao destino que faz conexão com diversos países das Américas. Segundo Christophe Didier, vice-presidente global de vendas da Copa, a expectativa é conquistar uma alta de 10% a 12% no mercado brasileiro, o segundo maior para a companhia, atrás apenas dos Estados Unidos. Outras companhias que fazem a ligação entre destinos no exterior e o Nordeste são a Condor, com voos para a Alemanha; Copa Arlines, ligando a região com a Cidade do Panamá; Tap, que voa direto para Lisboa; American Arlines, que opera a ligação com os Estados Unidos; Latam, que conta com o maior núme-

Christophe Didier, vice-presidente da Copa Airlines

Investimentos de longo prazo

Marcelo Bento, diretor da Azul

Eduardo Sanovicz, presidente da Abear

ro de rotas internacionais na região, voando para Miami e para Buenos Aires; e Azul, aérea que aposta nas frequências internacionais partindo da região desde 2016. A demanda crescente de estrangeiros que viajam da América do Sul para o Nordeste e o fluxo de brasileiros com destino à Flórida foram os chamarizes para a Azul, uma das companhias que mais apostam no mercado nordestino. “Com a facilitação do visto brasileiro, temos uma grande expectativa de aumento no ingresso de turistas norte-americanos. Também acreditamos em uma retomada gradual de visitantes europeus ao Nordeste, à medida que a situação econômica melhorar”, afirmou Marcelo Bento, diretor de alianças e distribuição da aérea.

O executivo ressaltou ainda a movimentação do Governo Federal no apoio ao setor aéreo do Brasil, que está se recuperando da crise de 2015-2016. “O Governo Federal privatizou alguns aeroportos e tem outros em vista, o que permite os devidos investimentos em infraestrutura. Toma tempo, mas o importante é que a solução de médio e longo prazo está em curso”, defendeu. Para ele, também precisam ser trabalhadas questões relacionadas aos custos de operação, principalmente combustível, e à complexidade das leis trabalhistas gerais e do setor. “Tudo isso precisaria de algum esforço de equalização a padrões internacionais para tornar o País mais atrativo e baratear o transporte aéreo”, completou Bento. Além dos investimentos nos grandes terminais do Nordeste, o Governo Federal tem incentivado a construção de aeroportos regionais. “Construímos alguns aeroportos com recursos exclusivamente nossos, como o de Jericoacoara (CE) de malha regional, aberto em junho de 2017. Recentemente, o governo decidiu reativar a malha regional e o Ministério é um entusiasta da ideia e vem junto ao governo incentivando a implantação de terminais em regiões que ainda não possuem voos”, salientou Neusvaldo Ferreira Lima, diretor de planejamento do Ministério do Turismo (MTur).


Descanso no porão?

Cabine modulo Zodiaco

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ssento com mais reclinação, classe conforto ou um beliche no piso inferior? Uma parceria entre a Airbus e a Zodiac Aerospace está desenvolvendo um deque no porão das aeronaves que irá oferecer mais opções de áreas de descanso aos passageiros. O projeto foi apresentado na Aircraft  Interiors  Expo, em Hamburgo (Alemanha), no início de abril. As opções de configuração incluem camas em áreas para descanso, lounges com sofás, áreas para recreação infantil, centros de atendimento médico, ambientes de trabalho com mesas e salas para reuniões ou a transformação do espaço em um restaurante de luxo ou em uma academia, entre outras possibilidades. O sistema de carga da aeronave não será afetado, pois a nova área ficará sobreposta a ela. Os módulos oferecem novas oportunidades para serviços adicionais, melhorando a experiência de viagem em trechos mais longos, ao mesmo tempo em que permitem às companhias aéreas agregar valor às operações comerciais. A ideia é que, até 2020, as empresas escolham seu layout em um catálogo de soluções certificadas para instalação no A330. A oferta de compartimentos no A350 XWB está sendo estudada. www.brasilturis.com.br

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AVIAÇÃO

Em busca de soluções conjuntas

Executivos de aviação reunidos no evento da Amadeus Por Leonardo Neves

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hegar cedo, despachar bagagem, esperar, embarcar e decolar. Todas essas ações fazem parte da rotina de milhões de viajantes que voam diariamente no mundo, tornando o processo quase que um só entre as partes envolvidas. Aeroportos e companhias aéreas simplesmente não operam sem colaboração mútua. Então por que falam línguas diferentes ao usarem tecnologias e analisarem dados distintos? Essa foi a questão central que a Amadeus, fornecedora de tecnologia para ao setor aéreo, abordou durante o “Amadeus Airlines and Airports Focus Day”, fórum que teve a participação de players da indústria da aviação, realizado na capital paulista, em 20 de abril. Na ocasião, executivos e técnicos puderam debater o tema e conhecer mais um pouco da tecnologia para terminais e aviões oferecida pela empresa de TI, que investe anualmente 15% do faturamento em inovações. Um dos cases destacados foi o embarque realizado com a tecnologia de reconhecimento facial pela Lufthansa, aérea que embarcou 350 passageiros em 22 minutos, em Los Angeles (EUA). “Vemos muitos desses avanços chegando primeiro aos mercados europeu e norte-americano. Por que o Brasil e a América Latina precisam ser os últimos a implantar essas facilidades? Los Angeles, que possui mais restrições de segurança, já implantou o reconhecimento facial. Os processos burocráticos do País precisam ser revistos”, sugeriu Gustavo Murad, diretor 10 Brasilturis

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regional para aéreas da Amadeus. O problema, para Murad, é que companhias aéreas e aeroportos não trabalham juntos. “Queremos continuar elaborando esse modelo de fórum na América Latina para que os principais players do setor interajam e debatam soluções conjuntas. Se é para fazer, temos que fazer bem feito”, apontou.

Desenvolvimento regional Thiago Pedroso e Fabiana Todesco, porta-vozes da Secretaria de Aviação Civil, apontaram as dificuldades da infraestrutura aeroviária no Brasil e exaltaram o plano de investir em aeroportos regionais, os mais afetados e precários do País. “Precisamos conciliar a tecnologia nos aeroportos e nas companhias aéreas, antes de serem implementadas. Priorizaremos 50 aeroportos locais com um investimento de R$ 400 milhões a cada biênio”, enfatizou Pedroso. Para Fabiana, a discussão sobre a implementação de tecnologias no Brasil ainda está muito atrasada. “Devemos aumentar a interação com a Receita e principalmente com a Polícia Federal para homogeneizar e padronizar as novidades para desburocratizar os processos”, destacou.

O que vem por aí

Após a implementação da nova resolução da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, da sigla em inglês), que passa a vigorar em junho, Murad destacou as tecnologias que estão mais pró-

Gustavo Murad, diretor da Amadeus

Art Trevino, diretor da Amadeus

“Los Angeles, que possui mais restrições de segurança, já implantou o reconhecimento facial. Os processos burocráticos do Brasil precisam ser revistos.”

nativas aos viajantes afetados de forma automática via push, pelos smartphones. Art Trevino, diretor de desenvolvimento de negócios da Amadeus, apresentou a tecnologia de monitoramento em pistas e mapeamento termal de pessoas nos aeroportos. O sistema já é utilizado em Londres, destino que embarca cerca de 100 milhões de pessoas por ano. “A tecnologia é capaz de apontar quais são as áreas com maior fluxo de pessoas e, a partir de uma análise de dados automática, providencia soluções para aumentar a eficiência do terminal, acabando com longas esperas”, destacou. Mas a biometria é só o começo para Mark Gallagher, especialista de aeroporto da Amadeus para as Américas, que exaltou cenários futurísticos como a já prevista chegada dos robôs ao segmento, entre outros temas.

Gustavo Murad

ximas de darem as caras por aqui. “Além do reconhecimento facial para embarque, devem chegar ao Brasil o Baggage Reconciliation System, que se adequa à nova resolução da Iata, fazendo com que as bagagens despachadas sempre passem por checkpoints e estejam atreladas ao passageiro”, disse. Outra tecnologia que está no radar é o sistema de compensação automática. Ao identificar um cancelamento ou problema no voo, o programa fornece alter-


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MARKETING

Ricardo Hida CEO da Promonde, formado em administração e pós-graduado em comunicação ricardo@promonde.com.br

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empre que sou chamado para uma consultoria ou curso sobre o tema luxo no turismo e na hotelaria, começo com as tradicionais provocações sobre o conceito, a história e as características dos bens e serviços de alto padrão. Pouca gente sabe a razão de a França ter se tornado a nação com o maior número de marcas icônicas e quais são os destinos que poderão contribuir com esses segmentos nos próximos anos, mas é consenso que nosso País não tem condições de ser um grande produtor de bens de luxo nas próximas décadas. Falta-nos investimento em tecnologia, mão de obra qualificada, excelência nos processos e até tradição, itens obrigatórios e inegociáveis nesse mercado. Mas, como bem diz o consultor Carlos Ferreirinha, podemos ser referência na área de hospitalidade, graças à nos-

CORPORATIVO

Demetrius Miguel Diretor de relacionamento e novos negócios da Maringá Turismo, com mais de 25 anos de experiência em viagens corporativas.

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sonho de todo comprador da categoria “Viagens” talvez seja poder, um dia, ter acesso ao volume correto que sua empresa gasta em viagens corporativas, logística de eventos e via12 Brasilturis

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Luxo eterno ou transformador sa bossa e à boa vontade de acolher e interagir com os estrangeiros. A marca Fasano que o diga. Não há cliente internacional, habitué de grandes redes, que encontre uma falha sequer em cada uma das propriedades. Do mesmo modo, a hotelaria independente como Uxuá, Vila Naiá, Casa Turquesa, Insolito e Etnia esbanjam autenticidade, serviços impecáveis e qualidade irretocável. Mais do que isso: elas trazem experiências transformadoras, elemento novo e muito presente no turismo de luxo. O cliente que paga caro pelos serviços que utiliza sabe que qualidade excepcional, design, segurança e prazer são atributos essenciais que uma companhia aérea, um lounge VIP nos aeroportos, hotéis e transfers devem oferecer. Esses viajantes buscam encontrar sentido e transformação em suas andanças pelo mundo. Querem ter a certeza de conhecer, descobrir e vivenciar algo que não conheciam até então. Daí a Europa tradicional, os Estados Unidos e o Caribe terem perdido parte de seus clientes para destinos na África e na Ásia. É impossível imaginar a elite mundial se organizando para conhecer Etiopia, Tanzania, Maldivas, Butão, Nepal ou Sri Lanka há vinte anos, como acontece hoje.

Da mesma maneira, esse cliente que não quer mais acumular coisas e, sim, memórias, sabe que os recursos naturais estão ameaçados. Por essa razão, buscam a todo custo viagens sustentáveis, que respeitem o meio ambiente e as populações locais. Aplaudem, por exemplo, as iniciativas socialmente responsáveis de hotéis como o The Brando, na Polinésia Francesa. Isso não ocorre apenas na hotelaria; o mesmo fenômeno se repete na gastronomia. As cozinhas francesa e italiana ainda reinam, mas cada vez mais se vê restaurantes asiáticos e latino-americanos integrando roteiros de viagens dos gourmets. O ato de comer passa a ser também uma manifestação de visões de mundo. Ingredientes frescos, sazonais e orgânicos ganham destaque, da mesma maneira que a carne bovina, embora seja estrela em muitos estabelecimentos, perde algo de sua relevância. O Peru é um exemplo de estratégia bem sucedida de reposicionamento de destino, utilizando como vetor a gastronomia, vista como sofisticada e saudável. E é aí que voltamos para o Brasil. O que a hotelaria, as cidades e demais prestadores de serviços têm feito, com raríssimas exceções, para trazer esse turista consciente e de

alta renda, disposto a mudar sua visão de mundo quando se depara com nossas raízes e cultura? Praticamente nada a não ser lamentar. Um dos estados que teria mais condições de conquistar mercados é Minas Gerais. Mas por várias razões - nenhuma convincente – não investe muito em seu turismo. Inhotim é um exemplo do que estamos falando. Se o estado tem um museu de categoria internacional, não pode falar o mesmo de sua inexistente hotelaria de luxo. O sul da Bahia e o Pantanal possuem grandes vantagens competitivas e podem se tornar a próxima Foz do Iguaçu, com estabelecimentos hoteleiros de grande projeção, paisagens autênticas e deslumbrantes. Para mudar a situação, basta aquilo que repetimos à exaustão em nossos artigos: estratégia, boa vontade (política e privada) e investimento no lugar certo. O turista de alta renda deveria ser o foco de qualquer destino. Deixa muitas divisas, torna-se embaixador de lugares que apreciaram e evita a todo custo deteriorar a cultura e o meio ambiente dos locais por onde passaram. Desejam não só eternizar as excelentes lembranças que tiveram, mas preservar os destinos para que gerações futuras possam aproveitar.

Benefícios da gestão centralizada de viagens e eventos gens de incentivo. Fato é que, em sua ampla maioria, as empresas têm fácil acesso às despesas de viagens, mas isso raramente acontece com as despesas relacionadas à logística de eventos, devido à descentralização de gestão e particularidades de cada empresa ou departamento, gerando uma carência no controle de tais despesas. Uma solução muito eficiente para a consolidação destes dados é a gestão centralizada, na qual o gestor de viagens assume também o papel de responsável pela administração de eventos. Em um primeiro momento, esse acúmulo de responsabilidades pode intimidar alguns profissionais, mas os bene-

fícios que podem ser obtidos são extremamente relevantes. Dentre as vantagens, destacamse: ampliação da parceria com fornecedores preferenciais; garantia da aplicação de política específica para eventos; aumento da disciplina dos demandantes de eventos quanto ao investimento responsável dos recursos da empresa; ampliação expressiva de savings nas negociações com fornecedores terrestres e aéreos sobre o volume de viagens e eventos; maior visibilidade da consolidação dos investimentos; padronização de processos, gerando mais eficiência; e melhora no Strategic Meeting Management Program (SMMP). Mas como é possível dar o pri-

meiro passo para essa gestão consolidada? Uma boa estratégia é criar um comitê com os principais demandantes, visando mapear as necessidades e criar um plano de trabalho que garanta as entregas. Também é importante estratificar os investimentos de cada área, quando possível, para iniciar a identificação de oportunidades e a definição dos fornecedores preferenciais. Após isso, a dica é alinhar com a TMC e com a agência MICE o modelo de reportes que permitirá a consolidação destas informações e desenvolver um plano de trabalho focado nos possíveis benefícios e resultados que este modelo de gestão permite.


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HOTELARIA

Celebrando a diversidade

Grand Hotel Tremezzo Lobby

Selo de hotéis de luxo oferece coleção de empreendimentos LGBT friendly, com direito a ‘tarifa do orgulho’ Por Camila Lucchesi

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mercado já sabe que o turista LGBT viaja mais e tem um gasto maior na comparação com outros perfis. Assim, muitos empreendimentos levantam a bandeira do arco-íris, mas acabam revelando-se desqualificados para atender a esse público. Atenta a isso, Preferred Hotels & Resorts, selo que reúne hotéis independentes de luxo em todo o mundo, criou a coleção ‘Pride’, em 2011. Nesses sete anos, os empreendimentos associados geraram 43 mil diárias e quase US$ 20 milhões em receita. A promessa é celebrar a diversidade de fato, oferecendo hospitalidade e serviços premium, além de dicas específicas do concierge sobre programas LGBT em cada destino. Apenas hotéis associados à International Gay and Lesbian Travel Association (IGLTA) ou TAG Approved – organizações conhecidas mundialmente pelo trabalho sério na definição de parâmetros para viagens do segmento - podem 14 Brasilturis

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entrar para a lista. Rick Stiffler, vice-presidente de vendas de lazer da coleção, adianta que o Preferred Pride vai além de um selo de aprovação. “Trata-se de uma iniciativa global que permite aos hoteleiros conhecer e entender melhor as necessidades e preferências do viajante LGBT”, informou. “Realizamos um seminário on-line gratuito de treinamento em hospitalidade LGBT para compartilhar as melhores práticas. Este treinamento é aberto a qualquer pessoa do hotel e nós incentivamos a participação de vários departamentos”, complementa Stiffler. O cuidado vai além do atendimento e inclui incentivo à participação em campanhas de marketing específicas, além do apoio a causas e organizações LGBT. “Nossos hotéis estão mais envolvidos com o consumidor LGBT por meio de publicidade e mídia social, o que é muito importante quando você está tentando atrair negócios. Como

muitos hotéis independentes não possuem fundos extras para marketing de nicho, a adesão permite que eles tenham alcance e penetração nesse mercado, com custos mais baixos”, destacou o porta-voz. Segundo ele, todos os membros são treinados especificamente e de maneira constante para lidar com questões relacionadas à diversidade. “É preciso que os empresários compreendam o valor dessa comunidade não apenas de uma perspectiva econômica, mas também pelo lado social”, enfatizou.

Pelo mundo Atualmente, a Preferred Pride é composta por 174 hotéis e resorts em todo o mundo. A maioria dos empreendimentos fica entre América do Norte (72 estabelecimentos) e Europa (68), com apenas um representante no Brasil – o Miramar Hotel by Windsor, no Rio de Janeiro (RJ). Como parte do treinamento em diversidade, os funcionários são

conscientizados sobre atendimento e necessidades dos hóspedes LGBT. Alguns exemplos são oferecer roupões de banho, chinelos e artigos de toalete condizentes com casais do mesmo sexo; contar com concierge bem informado e que possa fornecer uma lista das melhores atrações, restaurantes e vida noturna da região; ou, ao menos, disponibilizar panfletos e publicações segmentadas que atendam aos interesses específicos desses hóspedes. Além disso, todos os hotéis Preferred Pride oferecem uma ‘tarifa de orgulho’, que é o melhor valor disponível no momento da reserva, com direito a um mimo comemorativo - que pode ser um café da manhã cortesia, uma garrafa de champanhe, descontos em spas, entre outros. “Os hóspedes não precisam ser membros da comunidade LGBT para aproveitar essas tarifas, basta que sejam apoiadores”, reforça Stiffler.


Grand Hotel Tremezzo

Pendry Sd Arch Pool

Hotel Only You Atocha

Quer saber mais? Em 5 de junho, acontece a segunda edição do Fórum de Turismo LGBT do Brasil, realizado pela revista Editora Via, que tem entre seus títulos o Brasilturis e a revista ViaG. O tema deste ano é “A Diversidade Impulsiona Economias” que será abordado em um dia todo de debates e workshops sobre as melhores práticas relacionadas ao segmento. Clark Massad, vice-presidente da International Gay and Lesbian Travel Association (IGLTA ), virá ao Brasil especialmente para ministrar uma palestra sobre o comportamento das famílias LGBT no turismo, nicho que tem crescido rapidamente. O evento é aberto aos profissionais do trade, informações e inscrições pelo contato@editoravia.com www.brasilturis.com.br

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CRUZEIROS Norwegian Bliss

Ocean loop

Partiu Alasca!

Junho marca o início das operações do Norwegian Bliss Por Camila Lucchesi

N

avegar pelos canais do Alasca e curtir a paisagem branca -, com direito a cenários únicos compostos por geleiras habitadas por animais selvagens - é a principal aposta da Norwegian Cruise Line para 2018. O novíssimo Norwegian Bliss foi projetado especialmente para as características do local e está prestes a zarpar de Seattle (EUA) para a viagem inaugural que começa em 2 de junho. A armadora irá realizar cruzeiros regulares durante o verão, com saídas todos os sábados. No inverno, o navio atraca em Miami de onde irá operar roteiros pelo Caribe Leste. Segundo Estela Farina, diretora da NCL no Brasil, as vendas por aqui estão 60% acima das registradas no ano passado. “Diversas saídas já estão lotadas e o espaço para grupos está reduzido para a temporada”, ressalta. Segundo a executiva, no Brasil a venda está concentrada em casais e famílias, além de grupos de incentivo. “No caso do Alasca, a grande maioria dos viajantes já é cruzeirista”, afirma. O destino oferece passeios em trenós puxados por cachorros e voos de helicópteros sobre as geleiras, além de roteiros dedicados à observação de baleias. De barco, é possível chegar a lugares que são inacessíveis por terra. multigeracional Estela afirma que o navio é perfeito para viagens de famílias com múltiplas gerações. “Crianças são bem-vindas a partir de 6 meses e há entretenimento orientado por fai16 Brasilturis

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Race track

Laser tag

xas etárias. Para adultos, além dos bares, da cervejaria artesanal do The Cellars, wine bar, com aulas e degustações orientadas, dos shows noturnos, do cassino, do Spa, existem espaços reservados onde não entram menores de 18 anos como o Vibe Beach Club ou o Spice H2O onde adultos podem relaxar, tomar sol, usar jacuzzis, tomar drinques, em total tranquilidade. Para a geração mais velha há programações muito procuradas como as atividades de entretenimento, filmes, quizz, jogos, aulas de artesanato e dança, entre outros”, enumera, reforçando que a companhia opera com restaurantes sem turnos de refeição, com oferta de culinárias de diversas partes do mundo. A executiva dá uma dica essencial para que o agente de viagens oriente os passageiros que viajam pela primeira vez ao Alasca. “É importantissimo deixar claro que o visto canadense, bem como o norte-americano é fundamental para este roteiro”, enfatiza, lembrando que no caso do documento canadense é preciso portar o visto tradicional, já que o eletrônico não é aceito. “Além disso, os passeios

escolhidos são determinantes para a experiência neste destino. Há opcões para quem é mais ativo e também quem busca relaxar. É fato que o contato com fauna e a geografia são importantes, mas minha recomendação é não deixar de fazer um passeio em helicóptero em uma das paradas. É uma experiência inesquecível”, finaliza. Sobre o navio Norwegian Bliss é terceiro navio da classe Breakaway-Plus da linha, com capacidade para receber 4 mil hóspedes em uma grande variedade de acomodações, incluindo as luxuosas suítes do The Haven, Studios para viajantes individuais com vista para o oceano virtual e novas cabines de conexão ideal para grandes grupos e famílias. O navio oferece mais opções gastronômicas e de lazer, tanto na parte esportiva - com a concorrida pista de kart de dois andares e o toboágua de vários andares equipado com dois loopings - como nas acomodações e na própria estrutura arquitetônica com o Waterfront - um calçadão de 400 metros no deque 8 - e o 678 Ocean Place - espaço que conecta três deques, onde se concentra o lazer a bordo. Estela destaca ainda o Cavern Club, inspirado no clube de Liver-

pool onde os Beattles se apresentavam no início da carreira que trará covers dos Fab4; e o espetáculo Jersey Boys, sucesso da Broadway, além da diversão no campo de laser tag, ambientado como uma estação espacial abandonada.

ROTEIROS Alasca (7 dias) Saídas a partir de: 2 de junho Itinerário: Seattle (Washington); Ketchikan (Alasca); Juneau (Alasca), cruzeiro pela geleira Sawyer; Skagway (Alasca); Victoria (Colúmbia Britânica); Seattle (Washington). Riviera Mexicana (7 dias) Saídas a partir de: 13 de outubro Los Angeles (Califórnia); Puerto llarta (México); Mazatlán (México); Cabo San Lucas (México); Los Angeles (Califórnia). Caribe (7 dias) Saídas a partir de: 19 de novembro Miami (Flórida); St Thomas(Ilhas Virgens Americanas); Tortola (Ilhas Virgens Britânicas); Nassau(Bahamas , Miami (Flórida).


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INOVAÇÃO

Ricardo Pomeranz Diretor de estratégia da Inroots, especialista e consultor em transformação digital. ricardo@inroots.com.br

Q

uando um internauta visita o website de uma empresa, ele não está necessariamente interessado em adquirir um produto ou serviço. Sua intenção pode ser apenas pesquisar seu negócio para avaliar a diferença com relação aos competidores ou apenas buscar conteúdo relacionado à sua área de atuação. Qualquer que seja o motivo, o importante é capturar os dados de contato dele para começar a desenvolver um relacionamento mais próximo. Ou seja, manter o indivíduo conectado com sua marca para que, quando ele estiver interessado em comprar, lembre-se que ela existe e é uma opção. A melhor maneira para isso é utilizar uma formulário de cadastro no qual o visitante deve preen-

DIREITO

Joandre e Patricia Ferraz Advogado empresarial, mestre em Direito Econômico e Financeiro, especialista em Administração Pública e professor de Direito Empresarial; advogada e sócia da Joandre Ferraz Advogados Associados, especialista em Direito do Consumidor e Processual Civil

E

mbora muito comentada, a polêmica decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ/DF) que condenou empresa de turismo a indenizar um casal por danos morais e materiais por falta de neve para esquiar merece reflexões adicionais. Vale ressaltar que a perplexidade com o noticiário sobre o caso foi resultado da sugestão de condenação da agência de 18 Brasilturis

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Marketing de relacionamento: estratégia para conversão cher com nome, e-mail, celular e assuntos de interesse que gostaria de receber regularmente da sua empresa. Repare que quanto mais informações você solicitar, menores serão as chances das pessoas se cadastrarem. Ninguém gosta de preencher uma grande quantidade de informação pessoal, por isso, limite-se a utilizar poucos campos de dados, os essenciais. Conforme a interação progride com mais troca de mensagens, você pode adicionar novos campos de pergunta. Não esqueça que ninguém vai querer dar as informações sem receber um benefício em troca. Pode ser um conteúdo especial, no formato de um livro eletrônico contendo, por exemplo, dicas de viagens. Ou então uma promoção na qual a pessoa precisa se cadastrar para poder concorrer a um prêmio, como o desconto na estada em um hotel, em um determinado período do ano. Uma vez que o usuário se cadastrou e você tem a autorização para enviar mensagens para ele, é fundamental planejar com cuidado o conteúdo.

Também é interessante pensar em um calendário editorial, ou seja, planejar detalhadamente que tipo de informação vai enviar. A ideia é criar um fluxo de mensagens que atraia o interesse aos seus produtos e serviços. Para começar, a dica é utilizar um conteúdo abordando sua área de atuação, sem se preocupar necessariamente em gerar uma nova venda. Assuntos genéricos sobre o tema de viagens servem para conectar sua marca com o tema na percepção do consumidor. Nas próximas mensagens, explore temas que mostram a expertise de sua empresa na área. Por exemplo, dicas de como arrumar as malas ou a descrição dos pontos turísticos mais interessantes de uma determinada região. Em seguida, envie mensagens para criar a credibilidade do seu negócio. Traga testemunhais de clientes, conte casos de sucesso e diferenciais com relação à concorrência. Depois que ele já recebeu vários conteúdos de conscientização, aproximação e credibilidade, chega a hora de utili-

zar mensagens promocionais. Faça uma oferta e conte o benefício. Esse é o momento especial para gerar a conversão. Repare que esse fluxo contínuo de mensagens pode ser automatizado. Existem softwares que permitem programar todas as mensagens de uma única vez, tornando o processo mais fácil de gerenciar, principalmente quando falamos de um grande número de indivíduos. Mais ainda: você pode criar fluxos de mensagens distintos para diferentes segmentos. Por exemplo, um grupo de pessoas da terceira idade pode receber um conjunto de mensagens diferentes em conteúdo e volume do que um grupo de casais jovens. Já existe tecnologia disponível, com preços bastante acessíveis para automatizar o processo de relacionamento com os internautas e acelerar as conversões de venda. A única coisa necessária para utilizá -la - caso ela ainda não esteja sendo aplicada na sua empresa - é a disposição de buscar soluções novas.

Falta de neve para esquiar gera indenização turismo que intermediara a reserva de hospedagem no destino em questão. O casal reservara um resort nos Alpes Italianos por meio de sua central no Brasil para esquiar com os filhos e, diante das notícias de baixo volume de neve na região, contatou o empreendimento diretamente e foi informado que só algumas pistas estavam fechadas. Ao chegar ao destino, entretanto, percebeu que não havia mesmo neve e viu seus planos frustrados. A sentença julgou como improcedentes seus pedidos de indenização por danos materiais e morais. Foi em grau de recurso que o casal obteve sucesso, segundo o acórdão, porque a agência não cumpriu a contento seu dever de fornecer informação adequada sobre o serviço oferecido, ferindo um direito assegurado ao consumidor. O TJ/DF afirmou que “em se tratando de um pacote para hospedagem em um resort, no qual o voucher apresenta orientações para o esqui de forma pormenorizada,

a ausência de neve para a prática desse esporte não nos parece ser causa que caracteriza caso fortuito ou força maior com o condão de eximir a responsabilidade civil da empresa contratada, considerando que os serviços incluíam a disponibilidade de pistas para esquiar. Então, não há como atribuir caso fortuito ou força maior pelo fato da ausência de condições oferecidas aos hóspedes para usufruírem do benefício por eles adquiridos”. Ressaltou, ainda, que não foi negado o contato do casal para obter informações sobre as condições climáticas locais. E mais: que nas relações de consumo, mesmo se ocorrer caso fortuito, o fornecedor responde pelo serviço defeituoso. Daí, conclui o acórdão, estar configurada a falha na prestação dos serviços e a responsabilidade da empresa em indenizar o casal, abatendo 50% no preço pago, R$ 15,7 mil, a título de dano material, e R$ 8 mil, para cada um, pelo dano moral. Em suma, a decisão adotou o chamado ‘fortuito interno ou risco

inerente ao negócio’, com base no fato de o folder do resort incluir os serviços de esqui e ele ter informado seu normal funcionamento, apesar de algumas pistas fechadas. Ainda assim, parece demais afirmar que não pode haver força maior ou caso fortuito excludentes da responsabilidade civil dos fornecedores nas relações de consumo, mesmo ela, em regra, sendo objetiva - ou seja, independente de dolo ou culpa. Também é demais que o dano moral tenha sido arbitrado em R$ 8 mil para cada autor. Mesmo que a falta de neve tenha frustrado o objetivo da viagem, eles e seus cinco filhos ficaram confortavelmente hospedados e usufruíram de todos os benefícios do resort. Todo o cuidado é pouco, portanto, no fornecimento de informações corretas, precisas e claras sobre os serviços oferecidos, buscando evitar indenizações como as comentadas. Essa recomendação também vale para as agências de turismo que exercem intermediação na reserva de hospedagens.


A

Conexão Joinville x Rússia

poucos meses do início de mais uma edição da Copa do Mundo, Joinville, a mais populosa cidade de Santa Catarina, é uma das poucas, se não a única cidade brasileira, a possuir uma estreita relação cultural com o país sede do mundial de futebol deste ano. Instalada na cidade desde março de 2000, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, única filial do famoso Teatro de Moscou, forma bailarinos profissionais que estão brilhando em diversos palcos do mundo, integrando as mais renomadas companhias Brasil afora. A oportunidade de Joinville sediar a Escola Bolshoi tem levando o nome da

cidade aos quatro cantos do mundo e vem encantando espectadores de todas as idades. Aliado a este fato, a cidade realiza o Festival de Dança de Joinville, o maior do gênero no mundo, que este ano chega à 36ª edição. O evento acontece de 17 a 28 de julho e reunirá mais de 8 mil bailarinos. A Escola do Teatro Bolshoi é realidade e deixa um legado para Joinville, Santa Catarina e para o Brasil, pois sua contribuição transpassa o aspecto turístico e cultural. Também se insere no contexto social, uma vez que,

UNEDESTINOS

além de formar bailarinos, a instituição tem formado cidadãos do mundo. Ao completar a maioridade, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil tornou-se referência de qualidade, disciplina, e acima de tudo, compromisso com a construção de um Brasil melhor. Ao visitar Joinville, não deixe de conhecer este pedacinho da Rússia no Brasil para ver que o país do futebol tornouse também o país do balé.

Giorgio Souza Diretor-executivo do Joinville Convention Bureau

CTI NORDESTE Por Roberto Pereira

A

Julho aquecido

nimado pela alta expectativa dos festejos juninos, estima-se que o Nordeste terá aumento de 7,5% no turismo regional durante as férias de julho. Desta projeção, 5% é composta por viajantes domésticos, segmento que vem predominando no mercado em consequência do aumento do dólar que retraiu o mercado internacional. Um dado a ser comemorado é o aumento estimado de 2,5% no fluxo de estrangeiros na região, tendo em vista a crise financeira que somente agora está dando sinais de melhora. Nesse cenário, a CTI-NE está estimulando a realização de ações em mercados da América do Sul, visando atrair o público vizinho para conhecer nossas belezas naturais.

Mais procurados

A costa nordestina conta com 1,6 milhão km² de belezas que incluem lugares históricos, como o berço do descobrimento do país pelos portugueses, culinária diversa, folclores locais, muito artesanato e re-

cepção calorosa. Um levantamento realizado pela CTINE apontou os destinos mais procurados pelos viajantes domésticos em cada estado. O título vai para as praias de Pajuçara e Maragogi (AL); Arraial d’Ajuda e Morro de São Paulo (BA); Jericoacoara e Canoa Quebrada (CE), Curupu e Atins (MA); Cabedelo e Tambaba (PB); Porto de Galinhas e Ponta de Pedras(PE); Coqueiro e Pedra do Sal (PI); Genipabu e Pipa (RN); Atalaia e Pirambu (SE). Nas capitais, os locais eleitos são lugares de grande relevância histórica: Olinda (PE), São Luís (MA) e Salvador (BA).

Material de apoio

A CTI-NE compilou o filme ‘Nordeste do Brasil - Um Sonho Tropical’, do cineasta Kabá Gaudenzi, em um vídeo de oito minutos, tornando-o mais propício às exibições em reuniões técnicas e como material promocional. A produção foi feita mediante convênio com a Embratur/MTur e pode ser acessada no Youtube.

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AGÊNCIAS E OPERADORAS

Tendências em viagens Estudo avalia o comportamento dos viajantes e aponta movimentos de mercado

Por Larissa Coldibeli

A

s pessoas estão fazendo viagens mais curtas, em maior frequência e visitando múltiplos destinos, segundo o estudo Global Travel Intentions, da Visa. A média mundial de duração das viagens foi de oito noites em 2017, enquanto que, em 2013, era de 10 noites. Aroldo Schultz, diretor da Schultz, confirma a tendência e atribui essa mudança de comportamento à redução de custos nas passagens aéreas. “O bilhete aéreo, geralmente, é o custo mais alto de uma viagem. As pessoas passavam mais dias no destino para fazer valer o investimento. Hoje, temos demanda para viagens de sete a 12 dias”, afirma. Para Ana Maria Berto, diretora da Orinter, a nova legislação trabalhista, que permite que o trabalhador divida suas férias em três, deve dar ainda mais impulso às viagens menores. “Pessoalmente, eu sempre pratiquei isso, pois é uma maneira de tirar alguns dias de descanso sem me ausentar por longos períodos do meu negócio. Ainda há procura por roteiros maiores, mas diminuiu sensivelmente.” De acordo com o estudo, as pessoas estão planejando fazer mais viagens para outros países, aumentando a média de 2,5 viagens nos 20 Brasilturis

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últimos dois anos para 2,7 viagens nos próximos dois anos. Os viajantes vindos das Américas lideram em número de viagens, registrando uma média de 3,2 viagens em 2017. “Com viagens mais curtas, as pessoas tendem a viajar mais vezes. Isso permite aproveitar as temporadas em locais diferentes e também as promoções ao longo do ano. É algo positivo, pois movimenta o mercado o ano todo, em todos os lugares”, Ana Maria. De fato, 11% das viagens globais relatadas pelos

pesquisados incluíram visitas a vários países. O Japão superou os Estados Unidos como o destino mais popular dos viajantes globais nos últimos dois anos. Porém, as preferências regionais prevalecem, e os viajantes da região Ásia-Pacífico tendem fortemente a escolher o Japão como destino. Já os turistas norte-americanos preferem a Europa, embora México, Canadá e Japão também sejam altamente desejáveis.

Gastos O viajante global médio gasta US$ 1.793 por viagem, segundo a pesquisa. Os turistas da Arábia Saudita são os que mais gastam com toda a viagem, tanto na fase de reserva quanto no destino. Chineses, australianos, americanos e kuwaitianos completam o ranking das cinco nacionalidades que mais gastam. A expectativa é que os viajantes gastem mais nas próximas viagens, e a tendência é que o maior aumento seja na Ásia Pacífico.

Intenção de gasto na próxima viagem de lazer comparada à viagem anterior (média em US$) Região

Última viagem

Próxima viagem

% de mudança

Global

US$ 1.793

US$ 2.443

+ 36,25%

África e Oriente Médio

US$ 2.666

US$ 2.666

0%

Ásia Pacífico

US$ 1.677

US$ 2.443

+ 45,68%

Europa

US$ 1.174

US$ 1.409

+ 20,02%

Américas do Norte e do Sul

US$ 2.248

US$ 2.840

+ 26,34%

O Estudo Global Travel Intentions, da Visa, foi conduzido em conjunto com a ORC International, empresa de pesquisa e inteligência de negócios, e coletou dados a partir de 15.500 entrevistas, em 27 mercados. O estudo é realizado bianualmente desde 2008.


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Foto: Vitor Jubini/Mtur

Foto: Vitor Jubini/Mtur

DESTINO

Curva da Jurema

Espírito Santo o ano inteiro Novo aeroporto e o início de operações da Avianca devem impulsionar a estratégia capixaba de levar os agentes de viagens para conhecer a oferta inloco

C

om o melhor verão dos últimos cinco anos em número de turistas, o Espírito Santo quer se firmar agora como destino para qualquer época do ano, focando em dois novos públicos: o interessado no turismo religioso e o das pessoas que buscam destinos de montanhas e ecoturismo. Para isso, a Secretaria de Turismo do Espírito Santo (Setur-ES) criou uma campanha de venda que inclui a formatação de famtours para levar os agentes de viagens a conhecer de perto as belezas da região. Carla Rezende, gerente de marketing da Setur, reforçou que fará um trabalho muito forte com operadoras, receptivos e agências de viagens. “Estamos em ano de eleição e temos algumas vedações eleitorais que nos impedem de fazer publicidade, então definimos que a apresentação da cidade será nosso carro-chefe este ano. Queremos levar os agentes para comer moqueca, provar a tradicional torta capixaba, dar um mergulho na 22 Brasilturis

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praia, conhecer o roteiro religioso e o tour das montanhas. O brasileiro está procurando outros destinos que não conhece dentro do País e posso afirmar que somos este destino”, defendeu. Com igrejas do século 16 reformadas e abertas com visitas guiadas, o Espírito Santo quer mostrar seu potencial nesse mercado deixando de lado o estigma de ser um lugar que oferece apenas praias. Um dos ícones dessa estratégia continua sendo o Convento da Penha, em Vila Velha, que teve sua construção iniciada em 1558, a mando do Frei Pedro Palácios, e foi erguido em uma pedra a 154 metros de altura. Além da vista panorâmica para todo o litoral e Vitória, o local é um dos estabelecimentos religiosos mais antigos do Brasil. Logo abaixo do Convento fica outro atrativo importante: a Igreja do Rosário, reformada há pouco tempo e aberta para a visitação. “Em Vitória, temos a Igreja de Santa Luiza, que está sendo reformada e foi a primeira a ser construída na

Pedra Azul, em Domingos Martins

cidade, e a Igreja de São Gonçalo, do século 18, entre várias outras”, diz Carla. Ela acrescenta à lista o Santuário Nacional de São José Anchieta, no município de Anchieta, que ainda é desconhecido do grande público. “Nessa região a gente combina praia com turismo religioso, oferecendo passeios de barcos para visitar ruínas com os poços de onde os jesuístas tiravam água”, explica.

Mudança de ares

Uma característica importante do estado é a possibilidade de trocar rapidamente lindas praias com o clima totalmente capixaba para um cenário de montanhas influenciado pela cultura europeia. Colonizadas principalmente por alemães e italianos, cidades

Foto: Yuri Barichivich/Setur

Por Felipe Abílio

como Viana e Domingos Martins oferecem roteiros de ecoturismo e turismo de aventura entre belas paisagens. Saem de cena as práticas de escalada, voo livre, rapel, kitesurf e surfe, comuns na região metropolitana e surgem opções que combinam o ecoturismo com aventura e observação da natureza. “Tem rapel com cachoeira, trilhas de quadriciclos, rafting e trilhas de cicloturismo, como destaque para a região do Caparaó, que chega a ter trilhas de até 49 quilômetros”, enumera Carla. As mudanças também são nítidas quando o assunto é gastronomia. As variações portuguesas de peixe que são comuns no litoral cedem espaço ao melhor da gastronomia italiana e alemã herdada


Foto divulgação/Prefeitura Vila Velha

Interior do Convento da Penha

Torta Capixaba

dos primeiros habitantes da região montanhosa. Registros provam que os alemães chegaram ao Espírito Santo em 1847, provocando uma transformação cultural que hoje ganha toques de brasilidade.

Novas possibilidades

Foram 16 anos de espera desde o pontapé inicial do projeto até a entrega para a população. Mas no

finalzinho de março, Vitória finalmente conseguiu inaugurar seu novo aeroporto, batizado de Eurico de Aguiar Salles, em homenagem ao advogado e político capixaba que foi secretário de educação e cultura do Espírito Santo e ministro da Justiça e Negócios Interiores do governo Juscelino Kubitschek. Ao lado do antigo terminal, as novas instalações contam com seis

Paneleiras de Goiabeiras

pontos de embarque, 1.700 vagas no estacionamento, atende 105 operações diárias e tem estrutura para receber até 9 milhões de pessoas por ano. Para Paulo Hartung, governador do estado, a instalação irá possibilitar que a região cresça não apenas em fluxo turístico, como também em importações e exportações. “O estado é muito bem localizado geograficamente e tem potencial para servir de porta de entrada e saída de produtos do e para o Brasil. O aeroporto conecta tudo isso”, comemorou. O novo empreendimento já atraiu olhares de quem há tempos pensa em investir na região, mas via a falta de estrutura para comportar um serviço de qualidade como obstáculo. Em abril, a Avianca estreou duas frequências diárias e diretas entre São Paulo

Marcius Moreno, diretor de serviço; Tarcísio Gargioni, vice-presidente e Rodrigo Napoli, diretor comercial da Avianca Brasil

Foto: Vitor Jubini/Mtur

Foto: Marcelo Moryan/Mtur

Moqueca Capixaba

e a capital capixaba, operadas em Airbus A320 (com saídas de GRU às 8h10 e às 17h35; e decolagens de Vitória às 10h45 e às 19h45). Tarcísio Gargioni, vice-presidente da companhia, comemorou a chegada da área à capital capixaba. “Vitória é uma das principais capitais brasileiras, só não chegamos antes por conta da infraestrutura. Os dois voos foram estrategicamente definidos, sendo um no horário da manhã e outro à tarde, tanto na ida quanto na volta, o que permite à operação atender as conexões em São Paulo para nossos voos internacionais e para vários outros da Star Alliance”, disse o executivo na coletiva de imprensa que marcou o início da operação. O aeroporto também vai ajudar a formatar e dar visibilidade aos pacotes locais em nível nacional. “A gente lutou muito no ano passado para poder divulgar esse roteiro e através de uma parceria com a Trend Operadora, já temos pacotes de quatro dias para as montanhas capixabas”, comemora Carla. www.brasilturis.com.br

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DESTINO

Neve e frio no Chile Destinos e produtos apresentaram as novidades do país que vem se tornando o queridinho dos brasileiros

Por Velma Gregório

C

omeça na terceira semana de junho a temporada de inverno 2018 no Chile. O mercado está animado com as vendas, que se estendem até a primeira semana de outubro. De acordo com a Subsecretaria de Turismo do Governo do Chile, 545 mil turistas brasileiros desembarcaram no país no ano passado, aumento de 24,1% em relação a 2016. Com isso, o Brasil passou a ser o segundo emissor internacional para o Chile – atrás apenas da Argentina. “É um mercado prioritário onde queremos aumentar o ingresso e, por isso, temos investido em infraestrutura”, afirmou Paulina Perez Sala, gerente de marketing da Sernatur, agência de promoção do turismo chileno que realizou um roadshow no Brasil para apresentar novidades que vão do esqui à gastronomia. Alejandro Goich, gerente de marketing de Portillo, destacou a abertura de uma nova pista, com 310 metros de extensão, que será inaugurada em 23 de junho. “Os apartamentos com vista para o vale foram redecorados no estilo da redeTierra. Quem fizer uma reserva conjunta para Portillo, de quatro ou sete noites, e para um dos outros três hotéis da rede, em sistema all inclusive, terá um desconto de 20% em ambos. Mesmo que as estadas sejam em datas diferentes”, contou. Localizada a duas horas de Santiago, Portillo oferece 35 pistas para todos os níveis de esquiadores e snowboarders. Outro produto que prestigiou o Brasil no roadshow foi o Hotel Antumalal, que fica em Pucón. O pro24 Brasilturis

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prietário Andrew Morgari Pollak recebeu profissionais do turismo para apresentar o pacote especial para o período com três noites com hospedagem, traslados entre o hotel e o aeroporto de Temuco, duas refeições por dia com vinho e refrigerante e três excursões à escolha. Do Antumalal, os visitantes têm fácil acesso à estação de Pucón. Por lá, é possível praticar esqui e snowboard nas encostas do vulcão Villarrica e, em algumas partes, avistar os cinco lagos da região, o que torna a paisagem mais bonita e a aventura mais emocionante. A 60 quilômetros de Santiago, o Valle Nevado Ski Resort completará 30 anos em junho. A estação não participou do roadshow, mas informou ao mercado que terá uma programação especial para julho, ainda mantida sob suspense. O que já se sabe é que o mês seguirá com as tradicionais semanas temáticas – Valle Week, de 7 a 14 de julho e Fun Week, de 14 a 21 de julho. Uma das estações mais conhecidas pelos brasileiros, Valle Nevado tem três hotéis, nove edifícios residenciais, seis restaurantes, seis bares e pubs, 16 teleféricos e mais de 40 pistas para a prática de esportes de neve. Além dos programas de esqui, o Chile oferece muita diversidade de roteiros e opções de turismo. Durante o evento, a Sernatur apresentou também experiências como astroturismo, aventura e esportes, cultura e patrimônio, natureza, vida urbana, gastronomia, vinhos, termas e bem-estar. Saiba mais em: www.sernatur.cl

Kayak Lago LLanquihue

Torres del Paine


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FEIRAS E EVENTOS

Verba do BNDES pode alavancar o turismo nos próximos anos Executivos opinam sobre como a medida anunciada em abril pode beneficiar o trade e apontam prioridades para os aportes Equipe WTM/Reed Exhibitions Por: Camila Lucchesi, Felipe Abílio, Larissa Coldibeli e Leonardo Neves

O

diretor de comércio exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Carlos Alexandre da Costa, anunciou que o fundo irá investir cerca de R$ 2,4 bilhões a cada dois anos em diversos segmentos de turismo. As melhorias irão desde obras de infraestrutura até ajuda financeira a micro empresas privadas do segmento. “Estamos priorizando a modernização do País e o turismo, que representa 10% do PIB mundial, pode ser um símbolo dessa mudança”, pontuou. Seguindo essa estratégia, serão criadas linhas de crédito especiais para atender à iniciativa privada com juros e prazos diferenciados. “Além de modernizar o Brasil, o principal foco de setor produtivo é conseguir gerar valor e emprego, destacando o país no cenário internacional não apenas como líder em commodities mas, também, como líder em atividades de valor agregado. Talvez o turismo seja um símbolo deste Brasil, que nós queremos construir”, defendeu. De acordo com Neusvaldo Ferreira Lima, diretor de planejamento do Ministério do Turismo (MTur), o órgão não irá priorizar áreas específicas. “Os recursos se destinarão 26 Brasilturis

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ao setor privado e, desde que façam parte da cadeia produtiva do turismo, os negócios terão todo o apoio do MTur”, disse. Segundo ele, o apoio também será dado no sentido de agilizar o período de análise da proposta pelo BNDES, mas não há como destacar um setor específico. “São muitos os segmentos que compõem o turismo, então não podemos distinção e priorizar”, salientou Lima. Upgrade à frente? Com o prometido apoio do banco estatal a cada biênio, diferentes segmentos do turismo opinaram sobre o que pode ser aprimorado daqui em diante com a maior participação dos órgãos públicos nas pautas do mercado de viagens. Ana Maria Berto, diretora geral da Orinter, acredita que o aporte virá em um momento muito importante para o turismo nacional. “O Brasil tem tudo para receber uma quantidade imensa de passageiros, mas, infelizmente, apesar de algumas ações anteriores, ainda não foram feitos investimentos com o foco e os profissionais necessários. Creio que, unido a esse novo momento, os novos investimentos vão agregar bastante ao turismo”, comentou.

A executiva apontou alguns segmentos que podem ser mais beneficiados no turismo do País. “É importante profissionalizar as equipes de receptivos e que o BNDES possa apoiar as redes hoteleiras para que eles também se modernizem e possam receber o passageiro no padrão que ele está acostumado no cenário internacional. Temos tudo para dar um ‘upgrade’ no turismo do Brasil”, complementou Ana Maria. Outro setor que deve ser contemplado com o investimento público é o aeroportuário, que cresceu a passos largos no Brasil na última década e cada vez mais precisa de melhores infraestruturas para acomodar o fluxo crescente de viajantes. Por meio de seu diretor de alianças e distribuição da aérea, Marcelo Bento Ribeiro, a Azul comemorou o anúncio do Banco Nacional. “O transporte aéreo é imprescindível para o desenvolvimento do turismo, e sem dúvida deve estar contemplado no investimento do BNDES, tanto quanto outras áreaschave para essa atividade. O principal motor de desenvolvimento do transporte aéreo é o cenário econômico, que, com a recuperação da

economia, tem melhorado”, contou. Segundo Josenildo Santos, presidente da Associação das Secretarias de Turismo de Pernambuco e secretário de Turismo de Agrestina (PE), o investimento é importante para estruturar e consolidar o turismo regional. “Desde o princípio, nossa grande dificuldade sempre foi conscientizar os gestores sobre a importância de trabalhar a promoção dos municípios, agregando os valores culturais à promoção de um roteiro para a geração de renda e emprego. Um investimento federal nos apoia neste sentido”, destacou. Toni Sando, presidente-executivo do Visite São Paulodestacou as possíveis melhoras em manutenção, infraestrutura e promoção, mas pontuou que o recurso precisa ser bem administrado pelas empresas e órgãos. “O importante é utilizar o dinheiro de forma inteligente e planejada para que o resultado, seja ele de curto ou longo prazo, retorne em forma de emprego e renda para o destino. O trabalho de captação de eventos é um exemplo no qual a movimentação da economia no destino chega a se multiplicar muitas vezes quando comparado com a receita inicial utilizada”, reforçou.


“Mercado de feiras não irá morrer” Mas o anúncio de aporte do BNDES não foi a única boa notícia divulgada durante a sexta edição da WTM Latin America. Ao longo dos três dias de feira, o evento contabilizou 12 mil reuniões de speed networking, contou com a participação de 722 agentes de viagens, mais de 600 expositores entre destinos nacionais e internacionais, associações, órgãos e empresas ligadas ao turismo. Os números são uma prévia dos resultados oficiais auditados, que deverão ser divulgados em julho. “Ao contrário do que muitos dizem, o mercado de feiras não irá morrer. Apesar da tecnologia e de todas as facilidades que ela traz, nada substitui o face to face, que é uma forma muito melhor para realizar negócios”, apontou Luciane Leite, diretora da feira que, neste ano, estreou um setor exclusivo para as viagens e eventos corporativos, em parceria com as principais entidades do segmento – Associação Brasileira das Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), Associação Latino Americana de de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), Travel Managers Group (TMG) e Global Business Travel Association (GBTA). O segmento ganhou força durante a feira com a realização do 2º Fórum Abracorp, quando os principais executivos das associações debateram sobre os desafios e destaques do meio corporativo no turismo. Lúcio Oliveira, business coach e palestrante do Fórum, exaltou os principais aspectos pelo qual os empresários tomam as suas decisões. “O cenário do turismo atual passa por diversas mudanças e a tecnologia influenciou os clientes. Isso nunca irá mudar, o é bom.

Onde há mudança há novas oportunidades”, defendeu. “É preciso ter excelência no atendimento ao viajante, conhecimento do cliente e entendimento que o atendimento não é o ponto de chegada, mas o ponto de partida para inovar”, salientou Oliveira, que vê o avanço da economia colaborativa e a alta concorrência como fatores importantes para nortear a tomada de decisões. Para Rodrigo Cezar, presidente da Alagev, uma das maiores carências do Brasil é falta de estrutura para a realização dos eventos corporativos. “São poucos os locais que oferecem condições adequadas para a realização de congressos de grande porte o que nos traz o desafio de fomentar a busca de mercados em outros locais fora dos já estabelecidos, como São Paulo”, apontou. Os executivos da Alagev salientaram ainda a falta de gestão das empresas em relação à organização de eventos e gestão de viagens corporativas, o que afeta o segmento em todo o Brasil. “Atualmente, o segmento de eventos e viagens corporativas das empresas é quase um mercado atuando de forma terceirizada. Falta ao gestor saber de tudo que rola e como comprar melhor. Muito dinheiro tem sido jogado no ralo por essa falta de conhecimento”, pontuou Eduardo Murad, diretor executivo da Alagev. Brasil perdeu espaço Estudo apresentado pela Euromonitor mostra que o Brasil vem perdendo espaço para seus vizinhos latino-americanos no quesito atração de turistas internacionais. “Chile e Colômbia investiram forte em programas e promoções de turismo, iniciativas que tendem a impactar positivamente o desempenho na região”, destacou Marília Borges, analista do instituto de pesquisas.

Os países citados ocupam a terceira e a nona posição no ranking de destinos mais visitados e foram os que mais cresceram seus fluxos de turistas nos últimos cinco anos – respectivamente 11% e 9%. Vale mencionar que seis das 10 cidades sul -americanas que aumentaram seus índices de visitantes nesse período são chilenas, enquanto o Rio de Janeiro, município brasileiro melhor colocado, amarga a 34ª colocação. Os maiores emissores de turistas continuam sendo os Estados Unidos, seguidos por Canadá e França. A analista reforça que é preciso dar atenção à China. “Tanto o segmento corporativo quanto a classe média chinesa têm se mostrado dispostos a gastar mais com viagens”, afirmou. Fato isolado Outra pesquisa apresentada durante a WTM destaca mais uma retração do mercado nacional, dessa vez no segmento de hospedagem. Os resorts brasileiros tiveram queda de 7,13% na ocupação em 2017, com média de 59% ante 63,5% do ano anterior. O Total Revenue per Available Room (TRevPAR) também apresentou decréscimo de 3,43% e média de R$ 526,11, com os melhores desempenhos registrados nos meses de férias: janeiro, julho, novembro e dezembro. “Em 2016, os resorts registraram um crescimento surpreendente já que, por conta da conjuntura econômica, os brasileiros preferiram viajar dentro do próprio País. Em 2017, com a retomada incipiente da economia, as pessoas voltaram a viajar mais para o exterior”, explica Antonio Carlos Bonfato, pesquisador e professor do Senac. A receita, porém, subiu 3,98% e chegou a uma média de R$ 892,13. Os dados são do relatório anual Resorts em Números, realizado pela

Associação Brasileira de Resorts (ABR) em parceria com o Centro Universitário Senac. Para Alberto Cestrone, presidente da ABR, o recuo na ocupação é mais um fato isolado do que uma tendência de mercado. “O bom desempenho da receita média é um ponto positivo, pois indica que os resorts conseguiram manter a rentabilidade do negócio mesmo com ocupação aquém do esperado”, diz. O principal perfil de hóspedes de resorts em 2017 foi o de lazer, com 60,4%. O turismo de negócios representou 12,4% e o de eventos, 17,3%. Os eventos corporativos já foram responsáveis por 30% de ocupação no passado, e a expectativa é que voltem a crescer. “Em 2018, apostamos no fortalecimento do segmento corporativo e do mercado internacional”, afirma Cestrone. A entidade espera que, com o novo visto eletrônico disponível para alguns países, o fluxo de estrangeiros também retome o crescimento. “Há dez anos, os estrangeiros eram responsáveis por 43% da nossa ocupação. Hoje, são pouco mais de 9%. Com a facilidade de obtenção de visto eletrônico e a maior oferta de voos internacionais, temos uma janela de oportunidades para atrair novamente esse público”, declara o presidente da ABR. No segmento all inclusive, a média de ocupação foi de 68,4% no ano passado, enquanto os que operam nos demais regimes registraram 56,3%. A receita, por outro lado, foi menor no all inclusive: R$ 811,06 nos resorts de pensão completa e R$ 919,44 nos demais. Os resorts de praia também tiveram vantagem sobre os de campo, com 63,6% de ocupação no litoral ante 49,9% no interior. A receita média dos resorts de campo, porém, foi maior que a dos localizados em praia: R$ 1.243 contra R$ 666,93.

Primeiro e único O Brasilturis mais uma vez trouxe novidades durante a WTM Latin America, lançando o primeiro aplicativo dedicado exclusivamente a notícias do trade, disponível para download na Google Play e Apple Store. Com entrevistas e informações atualizadas em tempo real sobre todos os segmentos que movimentam a cadeia, o app fez sucesso durante a feira. “Durante a WTM, tivemos 60% a mais de downloads em relação a nossa meta inicial”, afirmou Amanda Leonel, CEO da Editora Via. Democrático, o espaço da publicação ficou movimentado durante os três dias. “Nosso estande é aberto para que todos se sintam

bem-vindos, principalmente os agentes de viagens. Esse é o posicionamento do jornal e da equipe com a nova gestão, iniciada em 2016. Queremos ouvir o mercado”, reforçou Ana Carolina Melo, publisher da editora. O estande trouxe o tradicional café e um disputado photo booth, onde o visitante podia fazer seu clique e levar para casa. “Terminamos a feira com mais de 3 mil fotos impressas”, comemorou Amanda. www.brasilturis.com.br

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FEIRAS E EVENTOS

DESTINOS

Alagoas

Rafael Brito

O trabalho conjunto de empresários e gestores públicos é uma das receitas de sucesso do estado, aliada às belezas naturais incomparáveis. Rafael Brito, secretário de turismo e desenvolvimento de Alagoas, destacou a ampliação da oferta de hospedagem em 15% para os próximos dois anos, quando o estado terá 43 mil leitos (hoje são 38 mil). Brito também comemorou o crescimento de 82% no número de visitantes estrangeiros apenas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2017, e reforçou as obras de duplicação e adequação da malha rodoviária em todo o estado.

A Big Apple recebeu 852 mil viajantes do Brasil no ano passado, alta de 34 mil pessoas em relação a 2016. O mercado brasileiro se consolidou como o terceiro maior consumidor na cidade norte-americana, com média de gastos de US$ 2.048 por pessoa, totalizando US$ 1,68 bilhão injetado na economia local, segundo dados da NYC & Company. A cidade comemorou a chegada de 62,8 milhões de turistas estrangeiros em 2017, um novo recorde.

Visit Florida

Las Vegas

Chile

O País recebeu 6,45 milhões de turistas em 2017, alta de 14,3% em relação ao ano anterior. O fluxo de brasileiros no destino acompanhou o crescimento e saltou em 24,1% na comparação com 2016. Além dos resultados positivos, o destino sul-americano celebrou a premiação concedida pela World Travel Awards que o colocou como o melhor destino de aventura do mundo.

Rota da Baleia Franca (SC)

Roteiro ecológico que envolve os municípios catarinenses de Laguna, Garopaba e Imbituba deverá voltar a contar com os passeios embarcados para a observação de baleias, a partir de agosto. Decisão depende da liberação do ICMbio que interrompeu a atividade em 2012. Estima-se que o passeio atraia até 10 mil turistas ao ano.

Brandon Reed

Casar em uma das capelas de Las Vegas se tornou uma das principais alternativas para milhares de brasileiros que escolhem a cidade para renovar os votos ou oficializar uma união. “Apenas em 2017, realizamos 9 mil casamentos, sendo quase 2 mil casais brasileiros. Cada cerimônia conta, em média, com 20 a 30 convidados, entre amigos e familiares”, ressaltou Brandon Reed, gerente geral da capela Graceland.

Juliette Gebken, Tatiana Carvalho e Gabriella Cavalheiro

Universal Orlando

Que as séries do Netflix arrastam multidões de fãs não é novidade, mas agora esse mundo chegou ao Universal Orlando Resort, que acrescentou ao Halloween Horror Nights deste ano uma nova atração da série Stranger Things. A novidade será aberta ao público durante as festividades de Dia das Bruxas do parque, de 14 de setembro a 4 de novembro. A atração promete inserir os visitantes no mundo da série, com uma ambientação que irá recriar o mundo invertido e diversos outros ambientes, trazendo o monstro Demogorgon, a personagem Bárbara, entre outros.

O destino no litoral paulista lançou um plano estratégico de marketing para conquistar mais turistas, além dos tradicionais veranistas. A ideia é aproveitar o potencial natural e a cultura caiçara para criar um fluxo constante de visitação no destino, com a parceria do trade e da sociedade civil. A meta é transformar Ilhabela no melhor destino de natureza do Brasil até 2020, apostando na oferta que inclui praias, cachoeiras, trilhas e a possibilidade de operar roteiros de mergulho, tours focados em observação de aves e celebrar eventos. Serão investidos R$ 100 milhões por ano nos próximos quatro anos para atualizar e ampliar a infraestrutura turística. Maio | 2018

O Visit Florida quer estimular os turistas a fazerem outras atividades além de conhecerem os famosos parques temáticos. O órgão aposta na experiência e na variedade de atividades oferecidas na região que engloba cidades como Miami, Tampa e Fort Lauderdale, entre outras. Ken Lawson, CEO do Visit Florida, defende que falta conhecimento para o turista. “Queremos mostrar a Flórida que existe fora dos parques. A proposta de uma roadtrip é uma experiência sem igual», ressaltou.

México

Na lista como o oitavo país no ranking dos mais visitados em segmentos como romance e MICE, o México apresentou o roteiro “Os Segredos do Diana Pomar Mundo Maia”, ainda pouco explorado no Brasil. “Quem gosta de sol, praia e mar tem a oportunidade de fazer uma extensão dentro do Mundo Maia, que tem oferta de muita cultura e teologia. Temos praias em áreas privilegiadas e que ainda não são muito conhecidas”, disse Diana Pomar, diretora do Conselho de Promoção Turística do México (CPTM).

Walt Disney World

Ilhabela

28 Brasilturis

Nova York

Luiz Araújo

A Disney está preparando um grande evento para a inauguração da nova área temática do Hollywood Studios, Toy Story Land, inspirada no primeiro filme de animação da Pixar “Toy Story”, que acontece no dia 30 de junho em Orlando. Entre as atrações espalhadas por 44 mil metros quadrados de água construída, Luiz Araújo, gerente de vendas da Disney Destinations, destacou a montanha-russa ‘Slinky Dog Dash’ (montanha-russa inspirada no cachorro de mola) e o ‘Alien Swirling Saucers’. O executivo reforçou ainda a construção de um prédio com 500 acomodações no hotel Coronado e a expansão do Caribbean Beach.

Belo Horizonte

“Belo Horizonte surpreendente”. Esse é o novo posicionamento turístico da capital mineira, apresentado por Marcos Barreto e Fernanda Lacerda, representantes da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). A ideia é reforçar a oferta de experiências genuínas e aproveitar o status hospitaleiro do destino que tem sua economia baseada em serviços. O conceito também serviu de mote para a criação de uma nova marca turística, inspirada no traçado da cidade que se define plural e em constante transformação. Prova disso, segundo Barreto, é a própria culinária mineira que vem se reinventando e ganhando toques de modernidade com a releitura de receitas tradicionais feitas por novos chefs.


hotelaria

Expedia

Siteminder

A

Siteminder, plataforma em nuvem para hotéis com soluções para reservas diretas, distribuição para agências, criação de sites e precificação de quartos, afirmou que crescer no Brasil é uma de suas metas. A estratégia inicial é entender o mercado local, fazer parceMateus Coelho rias estratégicas e proporcionar novas oportunidades de negócios para hotéis independentes ou de redes. A plataforma tem 30 mil clientes em 160 países e gerou 72,6 milhões de reservas em 2017, com receita de US$ 21,8 bilhões para os hotéis.

Hotel Espadarte

Localizado no balneário de Iriri, a 85 quilômetros de Vitória (ES), o Hotel Espadarte acaba de incluir o serviço de All Inclusive como uma opção para os hóspedes. “A gente percebeu a falta desse serviço, mas também que existia procura. Não somos um resort, somos um hotel vertical, porém temos os mesmos serviços e conceitos de resort, como alimentação e bebida 24 horas, serviço de praia, serviço na piscina e recreação”, explicou Paulo Maia, gerente comercial.

Othon

Baha Mar

As Bahamas contarão com mais um hotel para compor o Baha Mar, complexo com 2,2 mil quartos que reúne Grand Hyatt (inaugurado há um ano com 1,8 mil quartos), SLS (aberto em dezembro de 2017, com 300 acomodações) e o mais novo hotel Rosewood, que irá complementar a oferta do local com mais 200 leitos a partir de junho. O espaço reúne ainda o maior Centro de Convenções e o maior cassino do Caribe, que se estende por uma área que liga os três hotéis.

Bruno Heleno, gerente geral corporativo de vendas e marketing, e Paulo Michel, diretor de hotelaria, comemoraram a abertura recente da unidade de Recife (PE), a 13ª da rede em operação no Brasil e o quarto no Nordeste. A projeção é abir mais dois hotéis ainda neste ano, por meio de conversão de bandeiras. A Os executivos destacaram ainda a quinta edição da campanha de incentivo ‘Super Prêmios’ - válida até junho, voltada aos agentes de viagens e organizadores de eventos com foco em MICE – e a chegada do Raro Sky Bar ao Bahia Othon Palace, motivado pelo sucesso da iniciativa em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

Na Barra da Tijuca, de frente para a praia do Pepê, o hotel de luxo aposta na combinação de conforto e experiências para conquistar os hóspedes. Todos os 122 apartamentos têm varanda com vista para o mar ou para a Pedra da Gávea e contam com design exclusivo – com direito a mármore turco nos banheiros. O hotel dispõe ainda de quatro suítes de 190 m², academia, piscina com borda infinita, serviço de praia e cinco salões para eventos de até 400 pessoas.

Casa Grande Hotel

Buscando novas opções para atrair o público, o Casa Grande Hotel & SPA, localizado no Guarujá (SP), apresentou a Golden Hour. A novidade aposta em um programa de utilização de toda parte social do hotel com pagamento por hora de uso. “O cliente terá um cômodo para trocar de roupa, pode usar a piscina ou a praia, além de ter toda a estrutura do hotel disponível. O tempo de permanência mínimo nesta categoria é de três horas com a máxima de 10 horas”, disse Sérgio Souza, diretor do resort.

AVIAÇÃO

Emirates

A Emirates Airlines irá aumentar as frequências de seus voos partindo de São Paulo, a partir de 5 de julho, acrescendo cinco novos voos, que serão somados aos sete semanais já existenStephane Perard tes na rota. Com a novidade, a companhia passará a contar com 19 operações ligando o Brasil à cidade dos Emirados Árabes. As novas frequências serão operadas com Boeing 787.

Bruno Heleno e Paulo Michel

Iberostar Praia do Forte

LSH Barra Hotel

Daniel Pompeu

O Grupo Expedia comemorou os bons números de crescimento no Brasil, em 2017. Brasília foi a região que apresentou a maior alta com 60 % em demanda, São Paulo cresceu 40%, e Rio de Janeiro fechou com 15%. “Temos um plano agressivo de ser líder em quantidade de hotéis na América Latina até 2020. Estamos em expansão de parceiros aqui e na Europa”, disse Raquel Lima, gerente de Território da Expedia.

A

Orlando Giglio

O resort está finalizando a ampliação na estrutura do Centro de Eventos que terá um novo pavilhão, passando a acomodar mais de 3 mil pessoas, a partir de junho. O investimento vai ao encontro da expectativa de chegar a 30% do faturamento com os congressos corporativos. O complexo recebe cerca de 20 grandes eventos ao longo do ano e diversos congressos menores aos finais de semana.

Cana Brava Resort

Maitê Teixeira

Com o crescimento do faturamento em 17% acima da curva de ocupação em 2017, o Cana Brava Resort, em Ilhéus (BA), está preparando algumas mudanças estruturais e vai inaugurar uma nova ala de suítes em dezembro de 2018. “Serão 54 apartamentos entregues até o final do ano. Investimos em uma construção de still frame que é mais rápida na conclusão”, contou Maitê Teixeira, gerente comercial do empreendimento. O plano inclui ainda ampliação e climatização de áreas comuns e reforma de parte das 274 acomodações.

Latam

Latam Airlines lançou oficialmente e iniciou as vendas do voo direto de Guarulhos para Tel Aviv, em Israel. A rota começa a ser operada em 12 de dezembro pela Latam Airlines Chile, saindo de Santiago, com escala no aeroporto de Guarulhos, de onde segue direto para o destino. O voo será operado três vezes por semana em Gislaine Rossetti, Renata Cohen e Dori Goren aeronaves Boeing 787, com 217 lugares na classe econômica e 30 na executiva. As partidas de Santiago ocorrerão às segundas, quartas e sábados, às 16h. O pouso em Guarulhos acontece às 21h05 e a partida será às 23h, com pouso em Tel Aviv às 16h05 do dia seguinte. Às terças, quintas e domingos, o voo decolará de Tel Aviv às 18h20 e pousará para escala em Guarulhos às 5h35 do dia seguinte. A aeronave decola novamente às 7h30 e chega à Santiago às 10h45. www.brasilturis.com.br

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CLIQUES WTM

POR: Antonio Salani, Diego Siliprando e Danilo Menezes

Trade de Alagoas patrocina o tradicional café do Brasilturis Jornal

Vinicius Lummertz (Ministro do Turismo), Fabricio Cobra Arbex (Sec. turismo do Estado de São Paulo) e Herculano Passos (Deputado federal)

Fernando Hurtado (Las Vegas CVB)

Orlando Souza (FOHB) e Toni Sando (Unedestinos e Visite São Paulo) Manoel Linhares (ABIH Nacional) e Gustavo Arrais (Fornatur)

Arialdo Pinho (Sec. de turismo do Ceará)

Milena Papaioannou e Marli Cancissu (Avis)

José Alves (Sec. de turismo da Bahia) e Marco Ferraz (CLIA Abremar)

Flávio Monteiro e Heber Garrido (Grupo Rio Quente)

Brianna Barnebe, Ken Lawson e Meagan Dougherty (Visit Florida) 30 Brasilturis

Maio | 2018

Ana Kuba (Trend)

Rodney Christofaro, Orlene Locatelli, Agnaldo Abrahão e Gilmar Abrahão (ITA Seguro Viagem)

Paulo Ventura (Expo Center Norte)

Gustavo Souza e Hebert Viana (Localiza)

Rachel Coelho (Acre) e Milagros Ochoa (Promperú) Luis Sobrinho e Enrique Ambrosio (Air Europa)

Jack Wert e Claudia Cianfero (Paradise Coast)

Equipe das Bahamas reunida durante a WTM Latin America

Pedro Ribeiro (Dom Pedro Hotels)

Ricardo Fazzini (Sec. de turismo de Ilhabela e Marcio Batista Tenório (Prefeito de Ilhabela)

Gelson Popazoglo e Celso Guelfi (GTA - Global Travel Assistance)

Malcolm Griffiths e Priscila Moraes (Visit Britain)

Sergio Lopes (Performance Total)

Ivan Bonfim e Vitor Almeida (Windsor Hotéis)


Darren Johnson, Luciane Leite e Charlie Cracknell (WTM/Reed Exhibitions)

Luis Calle (Camar Representações)

Erick Garnica (Discover the Palm Beaches)

Alex Andrade e Rodrigo Lins (Nannai Resort)

Paulo Chequetti, Thalita Martorelli e Robinson Paulela (Unidas)

Rodrigo César, Giovana Jannuzzelli e Eduardo Murad (Alagev)

Maria Catalina Galvis (ProColombia)

Caroline Putnoki (Atout France)

César Filho (apresentador)

Fernando Harb e Caue Borini (Greater Fort Lauderdale CVB)

Charles Sperandio, Jamyl Jarrus e Renato Franklin (Movida)

Bruno Cordaro (MSC Cruzeiros) Alberto Cestrone (ABR)

Geninho Goes e Marina Prando (BNT Mercosul)

Carolina Dias, Renata Cohen e Renata Vuono (Israel)

Ahmet Temurci (Turquia)

Carla Cecchele (Hard Rock Hotels)

Alexandre Sampaio (FBHA e CNC)

Srisuda Wanapinyosak (Tailândia)

Suzana Shepard (Brand USA)

Carla Rezende (Espírito Santo)

Daniel Firmino (Flytour MMT)

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FEIRAS E EVENTOS

Arena Brasilturis

Abertura da 40ª Aviesp

JP Polo (Fórum de Empresas e Direitos LGBT)

Aviesp Expo: retomada no interior de SP Por Larissa Coldibeli*

A

pós um hiato no ano passado, a Expo Aviesp 2018, realizada nos dias 12 e 13 de abril, em Campinas, no interior de São Paulo, reuniu 3.602 participantes, dos quais 2.248 foram visitantes do trade e 1.354 expositores, segundo os dados preliminares. Foram 76 empresas expositoras, entre companhias aéreas, cruzeiros, destinos, hotéis, operadoras, seguro viagem e demais empresas de turismo. O presidente da Associação das Agências de Viagens Independentes do Interior do Estado de São Paulo (Aviesp), Fernando Santos, comemorou o novo formato do evento. “Estamos satisfeitos com o resultado. Juntamos a exposição com as palestras e atraímos um público qualificado, em busca de negócios.” Depois da decisão de cancelar a edição de 2017, a equipe da associação passou a refletir sobre como reinventar a feira e trazer novas motivações para os visitantes, segundo Sebastião Pereira, diretor da Expo. “Foram quatro espaços de palestras simultâneos sempre cheios, o que significa que o público estava interessado”, comemorou Pereira.

Potencial do turismo LGBT Um desses espaços era a Arena Brasilturis, que levou capacitação aos agentes do interior sobre turismo na terceira e turismo LGBT. Alex Bernardes, diretor da revista ViaG, única publicação do País especializada em 32 Brasilturis

Maio | 2018

turismo LGBT, e do Fórum de Turismo LGBT do Brasil, focou em potencial de consumo. No Brasil, estima-se que de 8% a 10% da população seja LGBT. São mais de 18 milhões de pessoas que movimentam R$ 150 bilhões por ano na economia, segundo a Associação Brasileira de Turismo LGBT (ABTLGBT). “Para atingir este público, você pode começar incluindo um LGBT na sua equipe”, sugeriu Bernardes. Considerando o comportamento de compra, 71,6% reservam suas viagens on-line de forma independente; 23,3% compram em uma agência on-line e 6,1% compram em agência de viagem física. Destes últimos, 94% afirmam se sentir constrangidos em revelar sua orientação sexual. “Muita gente tem vergonha de pedir um pacote para comemorar a lua de mel com seu parceiro ou de pedir um orçamento para o casamento em um hotel, por exemplo”, disse Bernardes. Clovis Casemiro, coordenador da International Gay and Lesbian Travel Association (IGLTA) no Brasil desmistificou lendas relacionadas aos LGBT, como o fato de serem ricos, chiques, cultos, sem filhos. “Hoje, casais gays LGBT podem adotar filhos, então os hotéis precisam saber lidar com famílias”, afirmou. Em seguida, apresentou cases de destinos que têm investido no público LGBT e campanhas promocionais voltadas ao segmento. Os exemplos foram Buenos Aires (Argentina) e Fort Lauderdale (EUA) – famosa por incluir os transexuais e

realizar campanhas específicas, além de já ter atraído dois congressos sobre o tema. Eventos específicos também costumam agitar a comunidade LGBT. É o caso do Miss Brasil Gay, realizado em Juiz de Fora (MG), que chega a receber de 5 mil a 8 mil pessoas a cada edição, ocupando toda a rede hoteleira da região. Para 2018, segundo Casemiro, são esperadas 10 mil pessoas para o evento, que emenda com a parada LGBT da cidade. As paradas, aliás, são excelentes para o turismo. Em Madri, na Espanha, são movimentados 250 milhões de euros. Em São Paulo, que abriga a maior parada LGBT do mundo, o evento ajuda muito no faturamento dos hotéis em um período que era considerado de baixa ocupação na cidade. Sob o tema “A questão LGBT+ e as empresas de turismo”, JP Polo, membro da Secretaria Executiva do Fórum de Empresas e Direitos LGBT, falou sobre a importância da inclusão do segmento nos negócios. “A diversidade nos caracteriza e enriquece nossas vidas e organizações”, disse. Segundo ele, o perfil da sociedade e dos clientes está mudando, e o diálogo deve ser a base das relações. “É importante ouvir o outro, ter atenção para não fazer piadas homofóbicas e tomar cuidado com estereótipos, como pressupor que todo gay é afeminado e que as lésbicas são masculinizadas.” Para o palestrante, é importante tirar esse tema do âmbito da fofoca e

levá-lo para a mesa de reunião. “Diante de temas complexos, o melhor é respeitar. E respeitar não depende de entender, nem tudo nós entendemos. Mas, respeitando podemos conhecer mais”, refletiu. Oportunidades O mercado carece de produtos específicos para a terceira idade. O argumento foi o tom das três palestras focadas nesse nicho, realizadas na Arena Brasilturis. Os números do segmento reforçam a mensagem de que existem muitas oportunidades para expandir os negócios por meio da atuação com clientes acima dos 60 anos. O primeiro passo é entender a dimensão do segmento. Velma Gregório, diretora de relações institucionais da Editora Via, ressalta que um terço dos consumidores ativos tem hoje mais de 50 anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. “Existem excelentes oportunidades de ganhar dinheiro se soubermos nos comunicar bem com esse público”, enfatizou. Os dados são reforçados por estudos do Ministério do Turismo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Locomotiva, apresentados por Ana Paula Garrido, editora da revista Melhor Viagem, publicação da Editora Via especializada nesse público. O mais alarmante é que 45% dos consumidores ativos revelaram que enfrentam dificuldades


CLIQUES AVIESP

POR: LARISSA COLDIBELI E Danilo Menezes

para encontrar produtos adequados, inclusive no quesito turismo. Por outro lado, 54% dos viajantes dessa faixa etária ficam mais seguros ao comprar com agentes de viagens. Além da estrutura de apoio em hotéis, Ana Paula sugeriu que os pacotes sejam formatados com mais dias, menos atrações e mais pausas para descanso entre um local e outro. A dica é conversar com o cliente para entender seu perfil para criar um produto exclusivo. “Lembrem-se que a personalização leva à fidelização”, enfatizou. O que fazer? Esqueça o estereótipo da velhinha de coque nos cabelos, sentada na poltrona com uma manta nas pernas e fazendo tricô. Entender que a velhice não é igual para todos é um dos segredos para ter sucesso nesse mercado. “Pergunte, não subestime, não pressuponha gostos e preferências; em vez disso, fale sobre os lugares favoritos e viagens que o marcaram”, sugere Velma. Valéria Tanuri, especialista em marketing de conteúdo e novas mídias, levantou outro assunto importante: a necessidade de o agente incluir seus produtos em canais on-line. Segundo dados do Instituto Locomotiva, o acesso à internet por indivíduos com mais de 60 anos cresceu 940% no Brasil nos últimos quatro anos. A mesma pesquisa mostra que 66% desse grupo acessa a internet com regularidade. “Eles têm estabilidade, tempo e dinheiro. Quer cliente melhor que esse?”, questiona. Existem exemplos pontuais de produtos nessa formatação mais moderna. Há cerca de um mês, a Alitalia lançou a tarifa sênior, com desconto às pessoas com mais de 60 anos na cabine Econômica Premium. “Ainda não temos como estimar o comparativo de vendas, pois o produto é novo. Mas as buscas crescentes fizeram com que decidíssemos estender o período da promoção que terminaria em 31 de maio”, revelou Diego Lopes, gerente de contas da aérea. E a ‘cereja do bolo’ é que o produto é vendido exclusivamente pelas agências de viagens. Presente às palestras, Mary Bueno destacou o interesse desse público pela Rota Turística da Uva, em Jundiaí (SP). Operando há dois anos, o roteiro é formado por 11 adegas de diferentes portes, além de nove restaurantes e sete lojas relacionadas ao tema uva e vinho, com 60% do público pertencente à terceira idade. “Pouca gente sabe, mas a uva Niágara rosa é uma mutação espontânea Jundiaí, descoberta em 1933, base para um delicio-

so espumante rose”, explica. Por fim, Alessandra Savoia, representante da rede Bahia Principe no Brasil, reforçou a oferta hoteleira na Espanha, República Dominicana, México e Jamaica. “Nossa excelência em all inclusive e o cuidado na criação de atrativos que transformam os empreendimentos em verdadeiros destinos faz do produto uma excelente opção para cair no gosto dos viajantes da terceira idade”, disse.

A

data da próxima edição ainda não está definida, assim como o local. A 160 quilômetros da capital paulista, Águas de Lindóia pleiteia o retorno do evento à cidade já em 2019. Destino anfitrião da Expo Aviesp de 1993 a 2009, Águas de Lindoia conta com 35 hotéis que totalizam 6 mil leitos, além de incluir salões para feiras e convenções. A infraestrutura hoteleira foi modernizada nos últimos anos, segundo Lauro Sérgio Franco, secretário de turismo e lazer de Águas de Lindoia, o que reforça a capacidade do destino para receber o evento novamente.

* Colaborou Camila Lucchesi

Afonso Gomes Louro (Visual Turismo)

Águas de Lindóia quer sediar a Expo em 2019

Caio Franco (Mtur) JP Polo (Fórum de Empresas e Direitos LGBT) e Debora Prass (Miami)

Magda Nassar (Braztoa)

Ralf Assman (Air Tkt) e Juarez Cintra (Ancoradouro)

Gervásio Tanabe (Abav Nacional)

Henrique Magalhães (Vice-Prefeito de Campinas)

Tania Sanches e João Faria (Iberostar)

Marcos Lucas (Aviesp)

Newton Santos, Bruno, Pedro Silva e Ivan Mauro (MSC)

Adilson Melo e Gustavo Benetti (Norwegian) Judith Hidalgo e Sérgio Santos (Guarany Eco Resort)

Gleyce Luz e Vanessa Garmes (EMPETUR)

Alessandra Savoia (Bahia Principe) www.brasilturis.com.br

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FEIRAS E EVENTOS

Toni Sando (Unedestinos e Visite São Paulo)

Equipe do estande do México

Raquel Queiroz (Sandals Beach), Juanita Gomez (TM Latin America) e Cintia Saldanha (Atlantis Paradise)

Equipe Intermac Assistance

Marcos e Cibele Professiori (Probusiness)

Adriana Tolentino, Luiz Quaggio e Claudia Mariano (TAP)

Leonardo Carvalho e Thiago Guedes (Costa da Mata Atlântica CVB)

Pedro Mastrangelo, Breno Angelotti e Ricardo Moretto (Hot Beach)

Domingos, Antônio Américo e Anderson Serafim (Azul) 34 Brasilturis

Maio | 2018

Equipe E-htl

Sueli Muruci (TBO Holidays)

Carlos Antunes (Alitalia)

Gelson Popazoglo, Rogerio Esteves e Celso Guelfi (GTA)

Juliana Luengo (Beds Online)

José Roberto Trinca (American Airlines)


Fórum em Gramado discute sustentabilidade Planejar o crescimento turístico orgânico e de maneira responsável foi o item da vez Por Leonardo Neves

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esenvolver o turismo de maneira sustentável e com a participação ativa das pessoas. O primeiro Fórum Gramado de Estudos Turísticos, realizado em Gramado (RS) de 12 a 14 de abril, teve como foco estes dois temas centrais, que foram abordados sob diferentes perspectivas, como a formação de uma marca de destino com a qual os moradores se identifiquem até a união dos diferentes setores na contribuição para o cumprimento das metas da Agenda 2030 da ONU. O tema central da sustentabilidade levantou as principais questões nas quais destinos e órgãos públicos podem investir para aprimorar o fluxo de visitantes, sem abrir mão da estruturação e das principais características das cidades. Planejar um crescimento orgânico e de maneira responsável foi o item da vez, junto com a apresentação de soluções e cases de sucesso para as cerca de 550 pessoas que participaram dos três dias de Fórum. Representantes de órgãos públicos como o Ministério do Turismo (MTur), Embratur e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entre outros, palestraram afim de se aproximarem mais dos municípios e estados. “Temos como objetivo transmitir novas ideias e trazer o turismo do Brasil para os novos tempos, realizando o Fórum em um momento tão importante para o País”, afirmou Luia Barbacovi, vereador de Gramado e idealizador do Fórum. Em seu último ato público como presidente do Sindicato das Empresas de Turismo (Sindetur) da Serra Gaúcha, Fernando Boscardin defendeu que este é o momento certo para sensibilizar os homens públicos em prol da profissionalização do turismo. “Os órgãos precisam regular o turismo para manter um alto padrão de qualidade e desregular outras áreas que precisam de menos burocracia”, salientou.

PNT e Agenda 2030

Neusvaldo Ferreira Lima, diretor

do MTur, salientou as metas e a implementação do Plano Nacional de Turismo (PNT) 2018-2022. Dentre os principais intuitos estão: aumentar o fluxo de viajantes estrangeiros no Brasil de 6,5 milhões ao ano para 12 milhões; aumentar o gasto dos visitantes internacionais de cerca de US$ 6,5 bilhões para US$ 12 bilhões; alcançar a marca de 100 milhões de turistas ativos no País e gerar 2 milhões de novos empregos com o turismo. Durante palestra na Câmara Municipal, o diretor do MTur ressaltou ainda a importância da participação das esferas estaduais e municipais para atingir os objetivos e melhor comunicar as necessidades e índices de turismo ao Governo Federal. “As cidades podem criar observatórios, políticas de capacitação e firmar parcerias bilaterais e trabalhar seus indicadores para podermos ler estes dados e elaborar soluções conjuntas”, afirmou. Márcio Favilla, ex-diretor da Organização Mundial do Turismo (OMT), exaltou a inserção do turismo em três dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O mercado de viagens aparece nos itens: oito (promoção da economia sustentável), 12 (assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis) e 14 (preservação dos mares). Na opinião do executivo, entretanto, o turismo é essencial para apoiar a Agenda 2030 em diversos outros pontos. “Não podemos contribuir também no combate a fome? Na erradicação da pobreza com a geração de empregos? O turismo tem sua responsabilidade e pode liderar a mudança”, apontou. Favilla também cobrou mais envolvimento do Ministério do Turismo, no sentido de dar mais destaque à discussão da Agenda 2030, sugerindo a criação de comissões temáticas para debater o assunto. Ele apontou que a indústria vem crescendo em forte ritmo. “O ano de 2018 deve superar a marca de 1,4 bilhão de viajantes no mundo, um índice que era esperado apenas para 2020”, pontuou.

Guilherme Paulus (CVC)

Márcio Favilla (OMT)

Victor Hugo (Secretário de Turismo do RS)

Luia Barbacovi (vereador de Gramado)

Luis da Gama Mór (ATL)

Neusvaldo Ferreira Lima (Mtur)

Nas mãos do povo

Luis da Gama Mór, membro de órgãos de turismo de Lisboa, palestrou na abertura sobre o fenômeno do overtourism. Além de danos ao patrimônio, o excesso de viajantes que já é realidade em destinos como Barcelona e Veneza causa calorosos embates entre turistas e população local. Para ele, a solução é entregar as cidades de volta a seus moradores. “Precisamos fazer as pazes com as

comunidades e deixar de criar cidades cenográficas que não se sustentam. É urgente começar a valorizar as características de cada lugar, sem combater a tecnologia e a modernidade como Uber e Airbnb. O turismo deve estar a serviço de um projeto de cidade, não o contrário”, ressaltou Mór. Viagem a convite da organização do Fórum, com seguro Affinity www.brasilturis.com.br

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SOCIAL

Capital Italiana da Cultura

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Secretário de Cultura de Palermo, Andrea Cusumano, apresentou oficialmente ao Brasil a cidade siciliana, como a Capital da Cultura Italiana, em um evento realizado pela Enit Brasil, no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. A nomeação celebra a vocação da cidade de integrar várias culturas do mundo, desde sua origem. Situada ao sul da Itália, fica em ponto central do Mar Mediterrâneo, o que, em tempos de migrações populacionais, aumenta o seu papel agregador. Para o ano de 2018, vários eventos culturais de música, de dança, teatro e artes plásticas, entre outros estão programados. Vale uma visita ao site para conferir toda a programação e conhecer detalhes de roteiros e programas locais. www.palermocapitalecultura.it

Fernanda Longobarto (Enit Brasil), Andrea Cusumano (Secretario de Cultura de Palermo) e Mirella Morici (Enit Brasil). Ao fundo, os tenores que se apresentaram no evento

Novo Ballroom do Bourbon Atibaia

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Bourbon Atibaia Convention & Spa Resort apresentou o Ballroom Garden, espaço para eventos sociais e corporativos de até 1.620 pessoas. Com a ampliação, o empreendimento do interior paulista passa a ter 58 salas, atraindo o público corporativo que é responsável por 75% do faturamento do hotel. A expectativa é que a abertura ajude o hotel a ter um acréscimo de até 20% na renda.

Tailândia estreia na SPFW

Thai House foi inaugurada no recinto de exposições

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estratégia do destino para 2018 se pauta na campanha ‘Open to the new Shades’ (Abra-se para novos tons). “O slogan reflete a essência da diversidade que encontramos quando experimentamos uma jornada pela Tailândia”, explicou Jittima Sukpalin, diretora-executiva para as Américas da Autoridade de Turismo da Tailândia. “O fluxo de brasileiros chegou à marca expressiva de 80 mil visitantes, o que é um resultado excepcional considerando a distância, na comparação com destinos mais próximos”, comemorou Jefferson Santos, representante da Autoridade de Turismo da Tailândia no Brasil.

Disneyland Paris reúne o trade em SP Equipe Atout France com as executivas francesas, Mickey e Minnie

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pós visitar uma dezena de agências e operadores especializados em Mice, casamentos e lua de mel, Zdenka Conflant e Isabelle Marino De La Monte, executivas da Disneyland Paris, organizaram um petit comité no Hotel Emiliano, em São Paulo (SP). O evento teve apoio da Atout France, comandada por Caroline Putnoki, e a presença de Mickey e Minnie Mouse.

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Maio | 2018

Jose Ozanir da Rosa, Adriana Cardoso e Jeferson Munhoz


Ubrafe e Academia empossam diretoria

Academia

Armando Arruda e Alexandre Sampaio

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m 23 de abril, a União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe) empossou o novo Conselho de Administração, tendo Juan Pablo De Vera reeleito como presidente do Conselho de Administração. Na  Academia Brasileira de Eventos e Turismo, a presidência é de Armando Arruda com Alexandre Sampaio como vice-presidente.

Ubrafe

Costa da Mata Atlântica

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Costa da Mata Atlântica Convention & Visitors Bureau comemorou seus 17 anos com a posse do novo presidente, Leonardo Carvalho, em 19 de abril, em Santos (SP). “Vamos Leonardo Carvalho investir no marketing, monitorar as atrações turísticas, descobrir quem é nosso público, dar qualificação aos servidores. Temos a responsabilidade de unir esforços dos empresários com as políticas públicas de turismo”, disse.

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Mônaco

elegação de Mônaco realizou um roadshow no Brasil entre 16 e 20 de abril de 2018, passando por Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. O grupo realizou eventos para o trade, tanto de lazer quanto de Mice.

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SUSTENTABILIDADE Fundado por Horácio Neves, em 1981. O primeiro jornal criado especialmente para a indústria do turismo nacional, Brasilturis atualmente é de propriedade da Editora Via LTDA-ME, grupo de comunicação especializado em publicações segmentadas sobre turismo.

Cássio Garkalns CEO da GKS Negócios Sustentáveis e professor do curso de pósgraduação em Gestão Estratégica da Sustentabilidade (FIA/USP). cassio@gks.com.br

Rua Bento Freitas, 178 - Cj. 74, 75 e 76 República - São Paulo/SP - Brasil CEP: 01220-000 Tel.: +55 (11) 3259-2400

Gestão de destinos turísticos e reputação

A

reputação é um dos temas que tem ganhado espaço, tanto nos debates acadêmicos quanto no mundo dos negócios. Comumente associado às empresas, ela reflete o grau de confiança, admiração, empatia e estima das pessoas em relação a uma organização. No entanto, a reputação não é um privilégio exclusivo do universo corporativo. Além das organizações, os territórios também possuem um grau de reputação capaz de explicar o porquê, por exemplo, da opção das pessoas de visitá-los, trabalhar ou investir neles. Nesse sentido, é possível identificar quais são as características que contribuem para que os territórios consigam estabelecer laços de confiança com seus diferentes públicos. O que nos faz admirar um país? Quais são os elementos que valorizam determinado município? Quais são os aspectos que despertam nossa curiosidade em conhecer determinado destino? A reputação de um território é o conjunto de percepções de um determinado grupo sobre aquele ambiente, percepções estas baseadas em experiências diretas ou não. Experienciar um território nada mais é que vivenciá-lo em alguma dimensão, seja através de sua cultura, culinária e belas paisagens, seja por meio de uma interação significativa com a sua comunidade. Mas quem é responsável pela criação da reputação? Todos. Todos aqueles que compõem e interagem com o território são corresponsáveis por essa construção, pois são capazes de influenciar essa experiência a ser vivida pelo visitante. Um aspecto fundamental na “gestão dessa experiência” é a compreensão da lacuna existente entre a realidade do território e 38 Brasilturis

Maio | 2018

a percepção construída sobre ele. O conceito que as pessoas criam sobre o território é consistente com o que o território é/ oferece? Três respostas podem ser vislumbradas: a percepção está aquém da realidade; ela é mais positiva do que o território é; ou, idealmente, a ela está alinhada à realidade. No primeiro caso, é preciso identificar quais aspectos estão sendo subavaliados pelo visitante e os porquês. Do outro lado da balança, os visitantes podem ter desenvolvido uma percepção de “falsa maravilha” sobre o território, provavelmente influenciados por informações tendenciosas em redes sociais. Segundo resultados de uma das pesquisas do City Rep Trak 100, realizada pelo Reputation Institute, um aumento de cinco pontos no índice reputacional de um destino representa um crescimento de aproximadamente 6% no número de pessoas dispostas a visitá-lo. Isso significa claramente que construir uma boa reputação implica em tornar o território mais atrativo aos olhos das pessoas que vão não somente visitá-lo, mas também investir, comprar produtos e serviços, estudar, trabalhar ou viver nesse espaço. Considerando que é possível observar a relação entre reputação e comportamento, também é possível identificar a relação entre reputação e resultados para os destinos turísticos. O mesmo estudo diagnosticou que um aumento de cinco pontos no índice reputacional de um município estimula um aumento de até 12% nas receitas de turismo e de até 7% nos investimentos diretos. Assim, construir um laço de confiança com os diferentes públicos de um destino pode aumentar receitas, atrair visitantes,

ganhar visibilidade e reconhecimento como distinto dos demais. Esse trabalho perpassa o entendimento das percepções dos diversos públicos sobre o território, bem como qual é o peso de cada uma das dimensões e atributos nessa construção. Com esse entendimento é possível alinhar a estratégia de posicionamento e as expectativas dos stakeholders, além de definir indicadores de desempenho que possibilitem o monitoramento das ações e práticas desenvolvidas. É importante destacar que a realização de todos esses passos está associada ao entendimento de que o vínculo emocional e, consequentemente o racional, é desenvolvido a partir de três aspectos: o primeiro diz respeito às experiências diretas vivenciadas pelos públicos, ou seja, o contato das pessoas com a infraestrutura, comunidade e serviços, entre outros. O segundo ponto consiste nas percepções criadas a partir do que o próprio território faz ou diz de si mesmo e, nesse caso, é considerado o que é dito pelas relações públicas, pelo marketing institucional ou pelas autoridades daquele território. Por fim, o terceiro ponto é a influência de terceiros, ou seja, familiares, redes sociais, amigos e ONG’s. Nesse sentido, gerir a reputação é estudar e atuar sobre cada um desses pontos de forma a contribuir para a construção de percepções positivas e verdadeiras sobre o território. Compreender como esse ativo é construído torna-se, portanto, um excelente ponto de partida para repensar posturas, políticas e ações de modo a viabilizar o planejamento e a gestão de destinos turísticos inteligentes. Vamos em frente!

DIRETORIA Publisher: Ana Carolina Melo CEO: Amanda Leonel amanda@editoravia.com Diretora de relações institucionais: Velma Gregório velma@editoravia.com Diretor de negócios: Marcos Araújo marcosaraujo@editoravia.com REDAÇÃO Editora: Camila Lucchesi camila@editoravia.com Subeditora: Larissa Coldibeli larissa@editoravia.com Repórteres Felipe Abílio felipe@editoravia.com Leonardo Neves leonardo@editoravia.com Arte e diagramação: Diego Siliprando arte@editoravia.com Repórter cinematográfico: Danilo Menezes danilo@editoravia.com Colaboradores: Antonio Salani, Cássio Garkalns, Demetrius Miguel, Giorgio Souza, Joandre Ferraz, Patrícia Ferraz, Ricardo Hida, Ricardo Pomeranz e Roberto Pereira. PUBLICIDADE E MARKETING Gerentes comerciais: Alex Bernardes alex@editoravia.com Irineo Ferreira irineoferreira@editoravia.com ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO Gerente: Rita de Cassia Leonel financeiro@editoravia.com REPRESENTANTES BRASIL Salvador (BA): Ponto de Vista Gorgônio Loureiro (71) 3334-3277 e (71) 9972-5158 gorgonioloureiro5@gmail.com Brasília (DF): Ibis Comunicação Ivone Camargo (61) 3349-5061, (61) 9666-7755 e 8430-7755 ivone@ibiscomunicacao.com.br REPRESENTANTE EUA: Multimedia Inc +1 (407) 903-5000 e +1 (407) 363-9809 Assinaturas: info@editoravia.com Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião deste jornal.

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Maio | 2018

Brasilturis Ed. 812 Maio  

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