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Ano 36 nº 796 - Janeiro 2017

35 anos

R$ 14,90

ANO INTERNACIONAL DO TURISMO SUSTENTÁVEL Entenda os conceitos e conheça cases do segmento escolhido pela ONU para representar 2017

Pg. 6

TECNOLOGIA Ana Carla Fonseca e Alejandro Castañé destacam startups que estão transformando o turismo Pg. 13

AVIAÇÃO

DESTINOS

LISBOA Histórica e moderna, capital portuguesa é - com certeza - um dos destinos mais bonitos da Europa

Pg. 20

Pagar ou não pagar pela bagagem? Entidades falam sobre a polêmica resolução da Anac Pg. 16

MERCADO

REDES SOCIAIS Veja como hotéis, destinos e operadoras usam comunidades on-line para alavancar vendas

Pg. 14

ENTREVISTA

Sabe qual é o grau de satisfação do viajante brasileiro? Ricardo Pomeranz tem a resposta Pg. 18

HOTELARIA Club Med inicia operação do Lake Paradise e Bourbon inaugura spa na unidade paraguaia Pg. 26

GESTÃO DE SUSTENTABILIDADE

CRUZEIROS

Alexandre Garrido reforça que a prática é efetiva para rentabilizar negócios e fidelizar clientes Pg. 4

MSC confirma navios para temporada 2017-2018 e reafirma compromisso na América do Sul Pg. 29

GRAMADO Tour passeia por atrativos que revelam histórias e costumes dos primeiros imigrantes da região

Pg. 22

A partir desta edição, destacamos cada um dos segmentos turísticos mais explorados no País. Confira!


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EDITORIAL

A que preço?

A

s políticas propostas pela Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) têm esquentado os debates não apenas no trade turístico, mas entre todos os consumidores de viagens. O trecho que mais gera confusão é o que fala sobre a cobrança de bagagem. É óbvio que as regras devem ser claras e a ideia não é dar respostas, mas mostrar os dois lados. A proposta tem como essência atualizar as condições de transporte aéreo em vigor no Brasil, criando regras similares às que estão em prática no resto do mundo. Ou seja, a aprovação deveria ser considerada uma conquista. Mas por que o verbo exibe essa condicional? Porque, infelizmente, a aplicação das leis por aqui tende a incluir letras mi-

údas e cláusulas com margem a interpretações variadas que, com o passar do tempo, deixaram nosso povo ressabiado. O grande problema, nesse caso específico, é abertura para que as empresas definam seus próprios critérios para a cobrança, sem nenhuma base ou regulação. Os defensores apostam que a competição acirrada fará os preços caírem, seguindo uma lógica de mercado. E que o próprio valor relacionado ao manuseio e despacho – que compõe o custo total do bilhete - quando destacado, poderá baratear o tíquete aos que viajam sem bagagem. Será? Torço para que seja verdade, mas o fato concreto é que não existe garantia nenhuma dessa contrapartida. A adoção das novas regras

pode equiparar nossa legislação obsoleta ao que é praticado no resto do mundo? Sim. Mas a que preço? Essa é a pergunta que precisa ser respondida. Nessa edição, trazemos um compilado do que algumas entidades divulgaram depois do pronunciamento da Anac. O resultado está na página 16. Polêmicas à parte, temos uma grande novidade que chega para você junto com o primeiro Brasilturis de 2017. A partir desse número, vamos dedicar espaço para os principais segmentos de turismo explorados no Brasil. Decidimos estrear com Turismo Sustentável, tema escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para representar o ano que começa. Conversei com estudiosos,

CAMILA LUCCHESI Editora

representantes de associações e de órgãos públicos, gestores técnicos e executivos sobre o conceito que tem como base garantir lucratividade aos negócios, gerar benefícios às comunidades e preservar as atrações naturais. Confira o conteúdo, a partir da página 4. Que 2017 nos traga boas surpresas e muita prosperidade!

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ENTREVISTA

Ferramenta da Gestão vários hotéis já tinham usado a norma e percebemos que era possível melhorar o texto. Em 2014, emitimos a versão modernizada. ALEXANDRE GARRIDO Coordenador do GT Turismo Sustentavel da ISO

Por Camila Lucchesi

É

fácil perceber que a gestão sustentável dos negócios em turismo não é mais um modismo ou uma tendência, mas um fato. No Brasil, o segmento que está mais avançado é o que envolve meios de hospedagem, graças à criação de uma norma específica. Publicada em 2006 e revista em 2014, a NBR 15.401 explica como hoteleiros podem fazer a gestão sustentável de meios de hospedagem de qualquer porte. Quem está à frente dessas discussões é Alexandre Garrido, geólogo de formação que começou a ter contato com o mercado de turismo no início dos anos 2000, pela experiência adquirida com normatização e certificação em outras áreas. Hoje ele é um dos grandes formadores de opinião em relação ao assunto que passou a ter relevância mundial. O exemplo brasileiro serviu de inspiração para a criação de uma norma internacional no escopo da ISO, que está sendo delineada desde o ano passado. Garrido foi escolhido para coordenar o grupo internacional e acredita que a norma ajuda a administrar e rentabilizar o negócio. “É uma ferramenta de gestão com visão moderna”, resume. Como as normas são criadas? A ABNT é entidade responsável pelo processo de elaboração, mas quem faz as normas são os especialistas nos assuntos. Quando vamos fazer uma norma de hotelaria, chamamos hotéis, entidades de classe, operadoras, professores universitários, consultores. A NBR 15.401, Gestão de Sustentabilidade nos Meios de Hospedagem, foi elaborada em 2006 pela comissão criada em 2005. Em 2012, essa comissão foi reativada para fazer revisar o documento. A gente já tinha experiência porque 4

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E quando essa discussão avançou para o nível internacional? Dentro da ISO, existe um comitê técnico que faz normas voltadas ao turismo. Então, começamos a participar das reuniões, em 2014, para conhecer as demandas dos 58 países participantes. Em 2015, apresentamos formalmente a ideia de transformar a norma brasileira em um documento internacional. A repercussão foi positiva e a aprovação veio em maio de 2016. A partir daí, foi possível começar o processo e criamos um grupo específico de Turismo Sustentável. A primeira reunião aconteceu em maio de 2016, na Malásia, e eu tive o prazer de ser escolhido como coordenador do grupo. Continuo à frente dos trabalhos da comissão brasileira, mas agora tenho essa responsabilidade dentro da ISO também. Esse trabalho só foi possível graças à parceria com o Sebrae Nacional que apoiou a comissão. O que é ser sustentável na visão da norma? É fazer a gestão do processo. Primeiro é preciso definir os impactos que a operação gera nas dimensões ambiental, sociocultural e econômica. A partir disso, estabelecer os objetivos para minimizar os impactos negativos e/ou potencializar os positivos e começar a implantar práticas sustentáveis - ações para atingir os objetivos definidos no plano de negócios - e montar um sistema de monitoramento para ver se as práticas estão atingindo o objetivo. Se não, vale revisar o objetivo, rever os impactos e implantar novas ações. Por onde começar? Os anexos que falam sobre as três dimensões dão um roteiro para o hotel. Apontam os principais impactos no escopo ambiental (água, energia, resíduos, área natural e outros), no social (comunidade local, colaboradores do hotel, geração de renda e iniciativas para transferir renda para o local, como levar o artesão para o hotel ou o turista para conhecer o artesão, etc) e no econômico (cuidar

da viabilidade do negócio, saúde e segurança do turista e do colaborador, satisfação do turista). Se o hoteleiro identificar os impactos, estabelecer as ações e depois medir para ver se está chegando aos resultados ele está fazendo a gestão da sustentabilidade. Quem percebe isso, vê que a norma ajuda a administrar o negócio. É uma ferramenta de gestão com visão moderna. O hotel pode usar os resultados para melhorar a experiência do turista e a imagem perante a opinião publicada e, com isso, aumentar a taxa de ocupação e a rentabilidade. Para ajudar a implantar, escrevemos um guia que é traz a mesma norma com uma apresentação mais didática. São 16 passos de como o hoteleiro pode implantar de forma própria, sem a necessidade de contratar consultoria. É muito caro investir em ações sustentáveis? É possível fazer de uma maneira barata e de outra mais cara. Se você identificou, por exemplo, que tem um consumo alto de energia e que gerenciar esse aspecto é importante para o meio ambiente e para o operacional, há várias formas de conduzir esse processo. Dá para contratar painéis solares e colocar sistema de chave com cartão que corta a energia. É um investimento mais alto, mas que será retorna em forma de economia em cerca de dois anos, dependendo do tamanho e da ocupação do hotel. Mas, se o hoteleiro não tem recurso, pode falar com o hóspede na recepção, colocar um lembrete na porta, ao lado do interruptor. Se metade dos hóspedes responder, já dá para diminuir o custo. Isso vale para a água também. A norma permite ser sustentável com ideias criativas e que cabem no bolso do hoteleiro. Isso acaba retroalimentando a questão da competitividade, da gestão do negócio. A norma serve para hotéis de qualquer porte? Independentes e de rede? Sim e essa uma das grandes dúvidas. O segredo da norma brasileira é que você trabalha a sustentabilidade sob a ótica da gestão do

negócio, então ela cabe em um hotel pequeno, médio ou grande; no resort, no hostel, no spa, no hotel fazenda e até em um cama e café; pode ser usada na China, Tailândia, Brasil, Abu Dhabi ou em Pretória... O spa Dom Ramon, em Canela (RS), tem 12 apartamentos e é um dos militantes desse assunto. A pousada Blumenberg, também de Canela, tem 32 apartamentos e a norma implementada. O Mabu, um resort de 400 apartamentos, é certificado pela norma; o Maraca Hostel, do Rio de Janeiro, também. E tem o Hotel Fazenda Campo dos Sonhos que não é certificado, mas faz ações de sustentabilidade fantásticas. Quais são as vantagens de aderir à norma? No caso do Dom Ramon, ele cita aumento da taxa de ocupação, aumento de lucratividade e redução de custo operacional. A norma é voltada par o business, ela melhora a gestão e faz o negócio ficar mais competitivo. Ao adotar as ações, o hoteleiro também melhora a experiência do turista. Ainda não chegamos ainda ao ponto de escolher ficar em um hotel porque ele é sustentável. Mas quando você chega a um hotel e essas questões se mostram, sua experiência de hospedagem aumenta. Você fala bem, volta, indica, se lembra da viagem e do sabor da geleia deliciosa que era feita por uma senhora da comunidade... E experiência é algo muito valorizado atualmente. Sim! No caso do Campo dos Sonhos, eles têm um programa de reflorestamento da fazenda que utilizaram como ferramenta de fidelização. A direção convida os clientes a plantar uma árvore e coloca nela uma placa com os nomes da espécie e do hóspede. A cada seis meses, esse hóspede recebe um e-mail com fotos e um convite para retornar ao hotel. Olha como é possível vincular a dimensão ambiental com a econômica traduzida na satisfação do hóspede! Isso faz o negócio girar. É por isso que a sustentabilidade é tão transformadora, ela consegue conectar o hóspede com o processo. Confira a íntegra da entrevista no site do Brasilturis: www.brasilturis.com.br


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SUSTENTABILIDADE

Turismo do bem A adoção de práticas sustentáveis garante lucratividade aos negócios, gera benefícios para as comunidades e preserva atrações naturais

Por CAMILA LUCCHESi

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judamos você a fazer a sua parte”. A frase destacada no Cambará Eco Hotel, na pe“ quena Cambará do Sul (RS) resume uma das missões do empreendimento. A adoção de ações sustentáveis está no topo da lista, mas o meio de hospedagem também sensibiliza seus hóspedes em relação à importância de adotar uma postura responsável nos quesitos ambiental e sociocultural. O hotel lança a semente que enraíza rapidamente na consciência no público visitante e também usa a bandeira para viabilizar economicamente sua operação. “Hoje, cerca de 40% de nossos hóspedes afirmam que a escolha se baseou em nossas atitudes”, revelou Emiliano Brugnera, responsável pela implantação das ações propostas na NBR 15.401, norma focada na gestão da sustentabilidade para meios de hospedagem. As práticas incluem iniciativas para minimizar o desgaste ambiental – como gestão dos mananciais hídricos, uso de energia solar, destinação correta de resíduos e a criação de Áreas de Proteção Permanente (APP) - mas não se restringem a esse viés. Também está no plano 6

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de negócios do hotel a preferência por colaboradores da região, patrocínio a projetos sociais realizados no entorno e consumo de insumos comprados diretamente de produtores locais. Reforçando os três pilares que norteiam o conceito, o hotel cria um ciclo virtuoso no qual todos os envolvidos - empresários, hóspedes, natureza e comunidade - são beneficiados. Não à toa, conquistou dois troféus no Prêmio Braztoa de Sustentabilidade de 2016, vencendo seus concorrentes nas categorias Meios de Hospedagem e Top Sustentabilidade. A premiação que tem a chancela da Organização Mundial do Turismo (OMT) chegou à quinta edição em 2016 e é apenas uma das ações realizadas pela Braztoa, uma das entidades que mais apoia o desenvolvimento do mercado orientado para a sustentabilidade no Brasil. Desde 2005, a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo estimula as práticas focadas nesse segmento, com ações como a realização do SEEDS (Semeando a Excelência do Desenvolvimento Sustentável), evento anual voltado à discussão de temas de interesse do empresariado.

Mônica Samia

Repensar o processo produtivo

Monica Samia, diretora-executiva da Braztoa e uma das maiores entusiastas da causa, espera que o prêmio tenha colaborado para incentivar empresas que ainda não apostam na sustentabilidade como vetor para o crescimento integral. “Nosso objetivo é disseminar boas práticas e, por isso, publicamos a ‘Coletânea de Cases Vencedores’ e temos, em parceria com o Ministério do Turismo, o site ‘Turismo Sustentável: Iniciativas Premiadas’ que agrupa os projetos”, explicou. Mariana Aldrigui, professora da Universidade de São Paulo (USP) e

uma das juradas do prêmio, também acredita que o foco está em compartilhar iniciativas eficazes para que elas sejam replicadas em maior escala. “As iniciativas devem repensar todo o processo produtivo, considerar menos deslocamentos, menor emissão de CO2 e uso racional de recursos. Elas precisam ir além do ‘apague a luz’, ‘use papel reciclado’ e similares”, defendeu. A pesquisadora ainda reforçou a necessidade de repensar o papel de cada negócio na comunidade em que ele está inserido, auxiliando na formação de novos profissionais, analisando a remuneração dos colaboradores e estabelecendo parcerias que fomentem negócios locais para, assim, cumprir o papel econômico e social. “Creio que quanto mais informações e modelos existam, melhores serão os índices de adesão a práticas sustentáveis”, pontuou. Paula Arantes, graduada em hotelaria, com pós-graduação em ecoturismo e colaboradora do programa internacional LEAD de formação de lideranças para o desenvolvimento sustentável, acredita que muitas empresas já perceberam as vantagens de adotar boas


práticas para a sustentabilidade, mesmo que ainda sejam aquelas consideradas mais básicas. Ela conta que o debate é tratado há 12 anos no Fórum Interamericano de Turismo Sustentável (FITS), evento que coordena dentro da programação da Adventure Sports Fair. A própria feira é considerada um case. “Por meio de um programa integrado de gestão e sensibilização ambiental, o evento mostrou que é possível reduzir por volta de 80% do lixo com coleta seletiva, economizar energia e oferecer adaptações para facilitar o acesso e a efetiva participação das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Inspiramos e motivamos muita gente a dar os primeiros passos”, comemorou. Na avaliação dela, já houve avanços significativos em relação à compreensão da importância do tema nos últimos anos. “Hoje há grande oferta de informações, guias, manuais, indicadores e requisitos, além de programas certificação. Muitos empresários relatam que iniciaram o processo mais por ‘amor à causa’ e hoje percebem também significativo retorno financeiro em função das medidas adotadas”, apontou.

Cambará Eco Hotel

Sustentabilidade nas agências

A Flanar Turismo, de Uberlândia (MG), foi a vencedora do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade na categoria Agências de Viagens. O case premiado foi um programa de turismo sensorial adaptado para deficientes visuais e idosos em lavouras de café que já levou 60 participantes para a Fazenda Paraíso, na cidade vizinha de Araguari. Ali, eles têm contato com o processo de produção e com os costumes de pequenos produtores que prezam por boas práticas como forma de reduzir os impactos do agronegócio no Cerrado Mineiro. A agência tem como escopo usar a educação e a cultura como molas propulsoras de desenvolvimento das sociedades. “Por ter esta convicção, decidimos apresentar propostas de roteiros que vão além de atividades meramente contemplativas, propondo experiências de viagens que não massificadas, inteligentes, contextualizadas, interativas, culturalmente enriquecedoras e com respeito às questões socioambientais”, explicou Viviane Lemos, proprietária da Flanar. Brasilturis Janeiro / 2017

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SUSTENTABILIDADE Para ela, a opção das agências de viagens pela trilha do turismo sustentável ainda é muito incipiente. “Tratamos de valores, princípios e conceitos que ainda estão sendo compreendidos para serem aplica dos na rotina. Sem dúvida, é preciso conciliar inovação e resultados economicamente viáveis, mas, por outro lado, temos um papel importante na sensibilização do cliente final”, defendeu. A posição como intermediários entre diversos segmentos e o consumidor, é estratégica. “Podemos influenciar escolhas e dar preferência às empresas que possuem ações e compromissos socioambientais e atendem a quesitos de sustentabilidade, ancorados nos pilares do desenvolvimento sociocultural, ambiental e econômico”, sugeriu.

Pedras no sapato

“O resultado ainda é pequeno diante do que precisa ser feito”, afirmou Monica. Segundo os entrevistados, os maiores obstáculos a serem transpostos, são: falta de visão em relação ao retorno econômico, desconhecimento sobre o tema e o fato de não existir uma cultura voltada ao planejamento em nosso País. “A complexa legislação trabalhista, fiscal, a bitributação de impostos, a sazonalidade e a alta rotatividade de funcionários pouco capacitados também dificultam o processo. Muitos empreendedores no setor são de pequeno porte, e em sua maioria com pouca experiência administrativa”, pontuou Paula. A coordenadora do FITS acrescenta que, embora seja crescente o interesse dos consumidores por produtos mais amigáveis em relação ao meio ambiente, ainda são poucos os turistas que baseiam a escolha da viagem em função disso - os critérios decisivos ainda são destino e preço. “Acredito que com uma maior pressão dos consumidores, certamente os

empresários irão buscar formas de adotar boas práticas e optar por processo de certificação para se diferenciar neste mercado tão competitivo”, disse. Para Isabel Barnasque, coordenadora-geral de Turismo Responsável do Ministério do Turismo, trata-se de um processo educativo. “Precisamos conscientizar as pessoas sobre a importância de assumir compromissos com a conservação do meio ambiente, a responsabilidade social, a redução das desigualdades regionais, a distribuição de renda, a valorização e a proteção do patrimônio cultural e natural”, disse. Brugnera concorda e acrescenta à lista a falta de incentivos para quem adota práticas sustentáveis – que poderiam vir na forma de isenção de impostos ou redução da carga tributária, por exemplo. Para Viviane, o desafio constante é convencer os envolvidos sobre a importância e viabilidade econômica do projeto. O executivo do Cambará Eco Hotel também relatou essa dificuldade, percebida na fase inicial da obra. “Batemos à porta de todas as instituições e nenhuma delas acreditava que o projeto tivesse viabilidade. Por sorte, a última decidiu analisar um pouco mais a acabou por aprovar o financiamento”, lembrou. Monica acrescenta à lista o preconceito de que se trata de uma visão exclusivamente ambiental e a visão equivocada de que a adoção das práticas só encarece a operação, sem trazer benefícios à altura do esforço exigido. “Em uma única

Projeto da Flanar Turismo, de Uberlândia (MG), leva deficientes visuais e pessoas com mobilidade reduzida para conhecer fazendas de café

ação, a troca de lâmpadas convencionais pelas de LED, tivemos um investimento inicial mais alto que resultou em 30% de economia já no mês seguinte. As pessoas precisam entender que o retorno vem”, lembrou Brugnera. Mariana defende que vivemos em um País onde se aprende de duas formas: pela restrição ou pela necessidade. “Esta última é imposta pela concorrência ou por demandas dos consumidores. Hoje, há razões econômicas e de marketing, de imagem, que estão fortemente vincula-

Paula Arantes, Mariana Aldrigui e Isabel Barnasque

Outros vencedores A quinta edição do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade premiou outras três empresas. A BWT Operadora, de Curitiba (PR), levou o troféu na categoria Associados, com o projeto “Respeite seu Planeta – Verde por Dentro e por Fora”; a Sociedade Cultura Artística, de Jaraguá do Sul (SC) venceu como Parceira do Turismo graças a ações como geração de 8

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energia elétrica por meio de painéis fotovoltaicos e captação de água de chuva; em “Projetos Inovadores”, a premiada foi a Universidade do Estado do Rio de Janeiro com uma ação que destaca a importância da educação ambiental entre alunos de Teresópolis (RJ). La Torre Resort (BA) e o Sebrae (CE) receberam menção honrosa.

das à sustentabilidade. Naturalmente, como todo processo, é mais caro ser sustentável no início, mas depois faz todo sentido”, finalizou.

Fatores primordiais Monica Samia, diretora-executiva da Braztoa listou cinco aspectos que devem ser considerados no planejamento do turismo:

1) Aposta em reciclagem, reuso,

economia, cumprimento da legislação, zelo pela capacitação e pelo bem-estar dos profissionais envolvidos nas atividades da empresa; 2) Adequação da operação considerando o fluxo de turistas e estruturas compatíveis com a capacidade dos destinos; 3) Compras responsáveis, ou seja, negociações com fornecedores que não inviabilizem a subsistência dos negócios e que, na medida do possível, contribuam para seu desenvolvimento; 4) Orientação para todos os players para esclarecer o trabalho e a visão de negócios que se pretende desenvolver; 5) Orientação ao turista para que ele esteja atento às suas responsabilidades, antes, durante e após a viagem.


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SUSTENTABILIDADE Emiliano e José Antonio Brugnera com Magda Nassar (Braztoa) e Jessica Kobayashi (Senac)

Aposta familiar

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Conceito e inspirações presas engajadas e premiadas nacionalmente pela adoção de ações sustentáveis”, comemora Emiliano. Segundo ele, a cidade de 6,5 mil habitantes que tem o ecoturismo como principal força motriz é um dos pioneiros na discussão em relação à criação de destinos sustentáveis por meio de projetos orientados pelo Sebrae. Hoje, 88% dos empregos diretos e indiretos gerados pelo hotel são ocupados por moradores da região. “Também empregamos imigrantes, tendo hoje dois senegaleses na equipe”, contou. Na comunidade, o empreendimento desenvolve projetos como a troca de óleo de cozinha por barras de sabão e já realizou o plantio de 3,5 mil mudas de árvores. O terreno de nove hectares conta com três Áreas de Proteção Permanente (APP) e o Restaurante do Lago ainda está ali, para lembrar a família de como a história começou. Para ele, o turismo é uma importante ferramenta para a criação de uma cultura focada em sustentabilidade. “A atividade tem o poder de instruir quanto às práticas no local, o que causa um tremendo impacto. O turista leva com ele esse aprendizado e vai para casa com a visão de incentivar a conservação do ambiente e da cultura de cada local”, defendeu.

Preocupação com acessibilidade Garantir conhecimento e experiências sensoriais a pessoas com deficiência visual, física e de baixa mobilidade. Essa foi a preocupação da Flanar Turismo, de Uberlândia (MG), ao criar o roteiro de turismo adaptado em lavouras de café. Foram seis meses de planejamento antes de criar a rede de parceiros e colocar o projeto, que não tem fins lucrativos, em operação. O roteiro testou o potencial do café – destacando o produto produzido na região, que conta com Denominação de Origem do Cerrado Mineiro – como produto turístico.

Deu certo. A rede do bem é formada pela Fazenda Paraíso, Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado de Araguari, Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Associação dos Deficientes Visuais de Uberlândia, Associação dos Deficientes Visuais do Triângulo Mineiro, Associação Paraolímpica Uberlandense de Deficientes Visuais e Superintendência da Pessoa com Deficiência. “Com o anúncio da Flanar como finalista do Prêmio Braztoa surgiram convites de produtores e exportadores de café para desenvolver ações voltadas ao turismo, bem como ações de caráter socioambiental para afirmar as marcas no mercado internacional como empresas responsáveis e comprometidas como o desenvolvimento local, à medida em que buscam ações compensatórias para reduzir os impactos causados pelo agronegócio no cerrado”, defendeu Viviane Lemes. Inspirador. Viviane Lemes

Sustentabilidade não se resume a ações voltadas à preservação ambiental. O componente é um dos tripés que sustenta a atividade, junto com o viés econômico e com o sociocultural

m 2004, depois de visitar o cânion Itaimbezinho, no Parque Nacional Aparados da Serra (RS), Jose Antonio Brugnera se deparou com uma paisagem que chamou a atenção. Um belo lago rodeado por vegetação inspirou o contador a criar ali uma estrutura voltada ao turismo. “Sustentabilidade já era uma preocupação familiar e tivemos, então, a oportunidade de pensar em um projeto tendo o conceito como pré-requisito”, contou Emiliano Brugnera, filho de José Antonio e seu acompanhante na viagem que colocou a família em um novo rumo. O pré-projeto do que viria a ser o Restaurante do Lago ficou pronto em uma semana e o passo seguinte foi construir, no andar superior, uma estrutura batizada de Shopping Rural. “O espaço servia como área de venda para os produtores locais que abasteciam o restaurante e vendiam hortaliças aos interessados”, explicou Emiliano. Dois anos depois, o jovem iniciou a graduação em hotelaria. Na disciplina de Sustentabilidade, ele conheceu a NBR 15.401 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), normativa voltada ao sistema de gestão de sustentabilidade para meios de hospedagem. “Percebi que ela tinha tudo a ver com o que a gente queria e decidimos adaptar os planos dentro dos formatos propostos para pensar em uma certificação futura”, lembrou. As obras começaram em janeiro de 2008 e, em dezembro do ano seguinte, as portas do Cambará Eco Hotel estava abertas. Apesar de rápido, o processo não foi concluído sem percalços. A começar pela própria construção. “Foi engraçado porque tivemos de convencer o engenheiro a seguir as características do projeto, por mais oneroso que fosse”, explica. O acréscimo de 30% nos custos em relação a uma estrutura convencional era o argumento do profissional para que a família seguisse pelo caminho mais econômico. A aposta trouxe benefícios para toda a comunidade e levou o nome do pequeno município gaúcho para todo o Brasil. “Hoje, alguns empreendimentos compartilham essa visão conosco. Há várias em-

Atividade que satisfaz os anseios dos turistas e também supre as necessidades socioeconômicas das regiões receptoras enquanto mantém a integridade cultural, salvaguarda os ambientes, os recursos naturais e a diversidade biológica para as gerações atuais e futuras, garantindo o crescimento econômico da atividade. A definição da Organização Mundial do Turismo (OMT) é clara e derruba um mito que ainda está impregnado no imaginário coletivo. Não, a sustentabilidade no turismo não se resume a ações voltadas à preservação ambiental. O componente é um dos tripés que sustenta a atividade, junto com o viés econômico e com o sociocultural. Um hotel, destino ou equipamento turístico pode encher a boca para dizer que é sustentável quando aposta em atitudes que são ambientalmente corretas, economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente aceitas. “Vale destacar que a sustentabilidade no turismo tem de ser compreendida de forma ampla, considerando todos os setores e segmentos e buscando garantir a conservação não apenas dos recursos naturais, mas também da cultura e da qualidade de vida nas cidades visitadas”, lembrou Paula. Mariana destaca os projetos vencedores das cinco edições do Prêmio Braztoa de sustentabilidade e lembra que ideias simples podem ter resultados impactantes. “Uma delas é o projeto de reciclagem de coco do La Torre Resort. Também gostaria de ver algo no Brasil semelhante ao que foi feito no Quênia, onde o lixo coletado do mar é transformado em artesanato, empregando a comunidade mais carente e modificando a realidade social do local”, sugeriu.


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OPINIÃO MARIANA ALDRIGUI Professora e pesquisadora na USP, quase sempre inconformada com os caminhos do turismo brasileiro aldrigui@usp.br

Brasil, 2017: Turismo

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profissão (não reconhecida) de futurólogo existe. São pessoas que se especializam em observar o mundo, os diferentes comportamentos e, como resultado de muitas análises e comparações, indicar o que vai acontecer logo mais. Eu, particularmente, não conheci nenhum que tenha acertado. Os futurólogos - ao falar de 2016 - erraram feio, “erraram rude”, para citar o pessoal do famoso humorístico. Pelo visto, 2016 foi daqueles anos que é melhor não ficar lem-

brando nem fazendo muita retrospectiva. Não sou futuróloga, até porque não acho que haveria mercado para isso por aqui, mas acho muito mais animado e menos comprometedor tentar fazer as previsões para o turismo brasileiro (e já alerto que são previsões bem-humoradas): No nível do Governo Federal, é bem provável que tenhamos mais um ou dois ministros em 2017. O atual já disse que deve sair em breve, pois tem compromissos legislativos a cumprir e uma agenda já definida com foco em 2018. Os

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próximos nomes só saberemos depois de entender se o atual governo sobrevive (e se os aliados políticos estarão em liberdade);

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Ainda em nível federal, apesar de todo empenho, a Embratur não terá verba suficiente para fazer a promoção internacional do Brasil da forma como os especialistas no assunto indicam (até porque eles raramente são consultados). A participação do Brasil nas feiras internacionais será pautada pela inédita combinação de samba + caipirinha + praias bonitas. Provavelmente, eles serão muito criativos para dizer os motivos de não conseguir aumentar o número de turistas estrangeiros no País;

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Nos governos estaduais, haverá muita movimentação para acomodar os aliados que garantem mais apoio político nas respectivas assembleias legislativas. Desse modo, o turismo vai ficar, invariavelmente, com um político que acabou de aprender tudo sobre o setor e está muito empolgado com o potencial da área e já combinou com o governador (tanto faz qual seja o governador) para ter mais apoio para a área;

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Já nos iniciantes governos municipais, haverá muitas surpresas. Corte de gastos implicando eliminação da secretaria de turismo (o que, convenhamos, pode até ser bom) ou fusão estratégica criando pastas multiuso de Lazer, Turismo, Esporte e Cultura que, ao fim e ao cabo, farão grandes campeonatos de futebol de várzea e alguns festivais culturais muito parecidos com as quermesses que eu frequentava com os meus avós;

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Presidentes de associações, alguns apoiados em seus andadores, farão eloquentes discursos contra o avanço desregrado das empresas e iniciativas inovadoras, e lutarão com todas as forças para criar impostos e obrigações que impeçam os consumidores de viajarem mais, pagando menos, e com mais qualidade;

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Muitos agentes de viagem encerrarão seus negócios culpando a internet, a globalização e as OTAs, enquanto outros novos profissionais criativos vão encontrar nichos diferentes e vão ser entrevistados para dizer de onde surgiram as brilhantes ideias (que ao final, todos descobrirão, é apenas uma boa ideia levada à frente com muito esforço e dedicação);

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Diversos empresários do turismo vão reclamar e criticar o formato das feiras de negócios, alegando serem muito caras e de pouco resultado, mas todas estarão lá para abraçar os amigos e sair sorrindo na foto. Afinal, não participar é dizer ao mercado que as coisas não vão bem;

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Milhares de novos produtos e novos segmentos serão apresentados, mas as vendas ainda vão se concentrar em destinos dos EUA e da Argentina. Bom mesmo será o resultado das vendas de pacotes para os 13 feriados prolongados que forem acessíveis e parcelados em dez vezes (ou mais);

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Em toda foto em que a legenda disser “reuniram-se os grandes líderes do turismo brasileiro” você verá homens brancos, grisalhos e sorridentes, defendendo a pluralidade, a diversidade e a juventude deste setor pujante;

praticamente 10 E,todasfinalmente, as pessoas que traba-

lham em turismo vão reclamar da crise, da falta de dinheiro, do salário baixo, dos preços exorbitantes e das condições absurdas... Mas todos continuaremos, do nosso jeito, a trabalhar e tentar fazer a diferença. Que seu ano tenha começado bem e que não lhe falte capacidade crítica, bom humor e disposição!


TECNOLOGIA

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Como as startups estão revolucionando o (seu) turismo

e você tem mais de 30 anos, vai se lembrar dos tempos em que a passagem aérea chegava impressa (e que agonia quando demorava!). Encontrar uma pechincha para o cliente exigia horas de garimpagem dos agentes de turismo, dar uma incerta na livraria para comprar guias de viagem era garantia de férias informadas e para saber qualquer coisa sobre um país (preciso tirar visto? E tomar vacina? Quando é feriado?), só mesmo ligando para o consulado. Hoje, tudo isso e mais um pouco é feito no dedilhar do teclado do computador. Buscar um destino para as próximas férias se converteu em uma avalanche de opções tão grande, que a dificuldade é escolher para onde ir. Mas o impacto das tecnologias digitais no turismo vai muito além do voucher eletrônico e dos sites com dicas de viagem; é tão grande e acelerado que revolucionou o significado da palavra concorrência e deu origem a modelos de negócios completamente inimagináveis. Basta pensar que nomes como Booking, Trivago, Uber, Hotel Urbano, Trip Advisor, Airbnb e tantos outros já viraram verbete no dicionário coloquial de nossos dias. E prepare-se: vem muito mais por aí. Que o diga Paris! De olho nos estimados 18 milhões de turistas que se renderam à cidadeluz em 2016 - e dispostos a fazer com que a capital francesa seja cada vez mais competitiva frente a Londres (que fica logo à sua frente) e Barcelona (um tantinho atrás) -, foi criado o Welcome City Lab. Trata-se de uma incubadora de 40 startups (aqueles empreendimentos que usam soluções digitais e têm potencial para ganhar escala) de turismo urbano. Indo para o aeroporto ou para um hotel no centro e já pensando na facada que o estacionamento lhe custará? Com o www. travelercar.com você não só exclui essa despesa, como tem seu carro alugado durante a viagem, o que lhe rende um dinheirinho.

Pensando em fazer um curso de desenho, gastronomia ou qualquer outra coisa, mas está sem dinheiro e adora conhecer gente nova? Bemvindo ao turismo do escambo - ou melhor, à plataforma on-line de «turismo interativo inovador» www.hestelp.fr. Com ela, você hospeda um turista perito justamente no que quer aprender ele ganha o pouso e você, o curso. Já em Nova York - outra meca de startups que ajudam o turista a se tornar um viajante da experiência - o aplicativo www. float.city oferece uma coleção de pequenos relatos sobre a arte, a arquitetura e a história da cidade, por meio de fatos esquecidos, controvérsias instigantes, segredos urbanos e até uma pitadinha de fofocas. Querendo visitar a cidade mas preocupado com a acessibilidade para cadeira de rodas? Nada tema! Com www.wheelyapp. com você tem um verdadeiro guia sobre o transporte público e os locais onde enfrentará (ou não) dificuldades, para que sua única preocupação seja curtir. E há tanto mais: sites que ajudam a encontrar um cuidador de confiança para mimar seu melhor amigo durante a viagem, aplicativos que mostram em 3D o contexto de época dos quadros daquele museu imperdível, outros que salvam veganos de um jejum involuntário. O mundo das startups ligadas ao turismo só faz crescer

POR ALEJANDRO CASTAÑÉ e ANA CARLA FONSECA Sócios-diretores da Garimpo de Soluções - Economia, Cultura & Desenvolvimento www.garimpodesolucoes.com.br

- para o mundo ficar menor e seu mundo ficar maior.

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ESPECIAL

Redes sociais alavancam negócios para o turismo Por LARISSA COLDIBELI

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inguém mais duvida do potencial das redes sociais para a geração de negócios. Com o turismo de lazer não é diferente. Hotelaria, agências e operadoras já usam as comunidades on-line para alavancar vendas. Os benefícios são muitos, principalmente, o baixo custo para divulgação e a proximidade com o cliente. Quem afirma é Carolina Negri, especialista em marketing e assessora executiva do Conselho Executivo de Viagens e Eventos Corporativos (Cevec) da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). “Nas redes sociais, o grande e o pequeno empresário têm a mesma oportunidade de posicionamento. É possível ter o retorno da ação em tempo real, pois, pela interação com os clientes, você sabe na hora se eles tiveram uma experiência boa ou ruim; se são aliados ou inimigos da marca”, disse. Segundo Negri, o bom uso das redes sociais como ferramenta de marketing para o turismo de lazer se faz, antes de mais nada, com a divulgação do destino. “Antes de Carolina Negri

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escolher onde se hospedar, o viajante escolhe para onde vai. Primeiro, é preciso vender onde você está e o que se pode fazer no local. Depois, você equilibra com anúncios comerciais, promoções”, recomen- sociais, de acordo com a especialis- dos, eles atraem curtidas, geram dou a especialista. ta em marketing e viagens da Feco- engajamento e tráfego para as páginas das empresas. A Flytour, por mercioSP. Conteúdo primeiro, Afinal, é a imagem que vai mos- exemplo, descobriu isso recentevendas depois trar o produto que se quer vender, a mente, ao realizar uma ação de personalidade e a credibilidade da marketing com as atrizes Agatha Um bom exemplo de quem foca empresa. “Muitos hotéis usam foto Moreira e Jéssica Lobo. Elas tiveram no conteúdo antes das vendas é da fachada ou da recepção, não férias patrocinadas nos Estados Tuca Sultanum, que, junto com a famostram o seu diferencial. O ideal é Unidos, em dezembro, e comparmília, é dono das pousadas Zé Mausar uma imagem de algo que seja tilharam os detalhes da viagem no ria, da Villa, Mar Atlântico, Verdes exclusivo do hotel. Pode ser uma Instagram e no Snapchat. Mares, Simpatia da Ilha e da Mana, Segundo Daniel Firmino, diretor vista privilegiada ou um prato do todas em Fernando de Noronha restaurante de dar água na boca”, de produtos nacionais e operações (PE). Ele também administra o blog da Flytour Viagens, o resultado foi indicou Carolina. Amo Noronha e as redes sociais de tão bom que essa será uma das mesmo nome, que têm como objeUma verdade inabalável: principais estratégias da empresa tivo divulgar a ilha e o estilo de vida celebridades vendem em 2017, complementando outras local. ações de marketing tradicionais. “O Para se ter ideia, o perfil do blog Outro ingrediente para o suces- retorno é impressionante. Explodiu no Instagram tem quatro vezes so do marketing nas redes sociais o número de seguidores, de curtimais seguidores do que o da Pou- é a presença de famosos. Seja em das e de compartilhamentos nas sada Zé Maria, a mais popular nas posts espontâneos ou patrocinaredes. Outros famosos curtiram as redes, principalmente pelo seu desejado festival gastronômico e pela presença constante de famosos. “Nossa intenção é criar desejo pela ilha. As pessoas nos pedem dicas e respondemos, indicando aquilo que realmente achamos ser legal. Essa interação gera negócios para as pousadas, mas é uma consequência. Noronha já é um destino desejado pelos brasileiros. Se você der um pedaço da ilha por dia para o seguidor, quando ele tirar férias, estará com ela na cabeça”, declarou. Justamente por isso, os posts de mais repercussão são os que mostram a natureza, com imagens das belas praias e do pôr-do-sol, diz ele. Porém, não basta só isso para gerar engajamento. A qualidade das fotos é fundamental para as redes Instagram da atriz Agatha Moreira na Disney


publicações delas e também passaram a seguir o perfil da empresa. Elas usaram muitas hashtags, não só com a marca, mas também sobre viagens, o que atrai um público diferenciado”, comemorou. O uso de hashtags facilita que usuários que não são seguidores da empresa encontrem seu perfil. Também ajuda a categorizar o conteúdo e a dar relevância a ele na rede social. É importante saber que a internet, assim como a televisão, também produz seus ídolos. Não são necessariamente atores ou cantores e, sim, influenciadores digitais: pessoas que falam sobre determinado assunto e têm público cativo. Eles também estão na mira da Flytour Viagens no ano que começa, de acordo com Firmino.

Prepare-se também para críticas Além de ser uma excelente ferra-

Bruno Gagliasso (ao lado) e Tuca Sultanum (acima)

menta de divulgação, as redes adquiriram outra função: a de Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) on-line. “A empresa precisa estar preparada para lidar com interações positivas, negativas e questionamentos. Não é um canal de mão única, em que apenas se transmite sua mensagem, como na mídia tradicional. É preciso responder aos usuários e, para isso, é ne-

cessário ter uma equipe dedicada, treinada e alinhada com a cultura da empresa para usar a linguagem certa”, alertou Carolina. A Flytour segue à risca essa cartilha. “Temos uma equipe especializada que faz o acompanhamento para responder e atender o cliente na hora. Em caso de críticas, buscamos soluções rápidas para não prejudicar a marca”, declarou Firmino.

O trabalho é constante, segundo ele. “Todo dia surge uma nova rede social e a gente tenta acompanhar. Muitas operadoras não dão importância para isso no segmento, mas o mercado tem que aprender a lidar e a entender esses canais. Nós aprendemos com os mais jovens, que são referência no assunto. Quem não tiver essa disposição vai perder muito”, finalizou.

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AVIAÇÃO

Pagar ou não pela bagagem? Eis a questão!

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Enquanto Anac e Senado tomam decisões opostas, entidades debatem o assunto

m 13 de dezembro de 2016, a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou a Resolução n° 400/2016, que define os novos direitos e deveres dos passageiros no transporte aéreo. O documento impõe que as novas regras para compra de passagens aéreas nacionais sejam implantadas em 14 de março de 2017. Passagens adquiridas antes dessa data – mesmo que o voo aconteça depois – seguem as regras do contrato de transporte anterior, aceitas pelo passageiro no momento da compra. A normativa gerou um grande burburinho entre empresários do trade e consumidores de viagens. Uma das regras, especificamente, causou grande preocupação: a que se refere à cobrança de taxa de bagagem, com valor a ser definido por cada empresa aérea, sem nenhuma base ou orientação. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) apoia a ideia. A alteração compõe uma série de pleitos defendidos pela entidade junto à Anac, com o objetivo de revisar as condições do transporte aéreo no Brasil. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) também concorda. Já a Associação Brasileira dê Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) afirmou que irá acompanhar a questão, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Senado Federal se manifestaram contra. Confira as diferentes opiniões sobre essa polêmica em relação à franquia de bagagens.

Abear

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas entende que as novas normas permitirão aos brasileiros uma maior democratização do transporte aéreo. Isso porque os

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passageiros poderão pagar apenas por aquilo que usam, ao contrário do que ocorre hoje, quando o preço do despacho de bagagem está embutido no valor dos bilhetes. As normas aproximam o Brasil das práticas internacionais, deflagrando uma concorrência maior entre as companhias aéreas, trazendo preços mais competitivos e, portanto, benefícios ao consumidor. “O histórico do setor aéreo mostra que, quando há o aumento de competição, o valor dos bilhetes recua, como aconteceu com a desregulamentação das tarifas aéreas, que reduziram o preço das passagens em cerca de 50% desde 2002”, afirma o presidente da associação, Eduardo Sanovicz.

IATA

Em comunicado, a Associação Internacional de Transporte Aéreo se diz profundamente preocupada com a reação quanto à resolução, mais especificamente a parte que trata da cobrança de bagagem pelas companhias aéreas. “Ela é um forte passo na direção certa para uma indústria aérea mais competitiva e robusta no Brasil, embora ainda não seja perfeita”, revelou a carta enviada à imprensa. Para o órgão internacional, “questões políticas estão sendo colocadas à frente dos direitos dos consumidores que podem ter viagens aéreas mais acessíveis com um ambiente mais competitivo, onde o beneficiado é sempre o cliente”. A IATA diz que espera continuar o diálogo com as autoridades em apoio a um ambiente operacional no Brasil que envie a mensagem correta aos investidores, assegure tarifas aéreas competitivas para os consumidores e apoie o crescimento da indústria aérea no Brasil.

Senado Federal

O vice-presidente do Senado Federal, Jorge Viana, considerou a decisão precipitada e pediu a aprovação da proposta de decreto legislativo de autoria do senador Humberto Costa, que susta a decisão da Anac por considerá-la abusiva. Viana reconheceu que a normativa é adotada na Europa, mas ponderou que o Brasil, com as dimensões que tem, conta com poucas companhias aéreas comerciais. “Acho que uma decisão dessas é uma manifestação do Senado Federal em defesa do consumidor, do usuário de transporte aéreo. As companhias estão passando dificuldade? É verdade. Só não podem querer resolver as dificuldades delas à custa dos passageiros”, protestou Viana.

Abracorp

A Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas afirmou que acompanhará de perto a evolução dessa discussão e a implantação das regras que abrangem pontos importantes, como prazos para reembolsos e remarcações, entre outros. “Partindo da premissa de que a taxa de bagagem está embutida nas tarifas atuais, pode-se esperar, então, que os passageiros do segmento corporativo deverão pagar menos por suas passagens, já que, costumeiramente, viajam sem bagagem”, defendeu em comunicado. Segundo a associação, no mundo as receitas auxiliares - onde entram as bagagens - têm apresentado crescimento contínuo no faturamento das companhias aéreas. “Estudos de mercado aos quais a Abracorp teve acesso apontam que as companhias aéreas devem faturar, somente com as receitas auxiliares, algo em torno de U$ 68 bilhões em 2016 - um cres-

cimento de 13% em relação a 2015 -, o que equivale a cerca de 9% do faturamento total esperado”, informou a entidade.

OAB

Um parecer da Comissão Especial de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil garante que a resolução para as franquias de bagagens fere o Código de Defesa do Consumidor. “Ela não assegura, em nenhum momento, que as passagens aéreas ficarão mais baratas com o fim da franquia de bagagens. Antes o contrário, fica claro que, da forma como está colocado o risco é exatamente que o cidadão torne-se refém das companhias aéreas num vale tudo pautado somente pelos interesses do mercado”, disse Claudio Lamachia, presidente nacional da OAB. A avaliação feita pela comissão destaca que “os consumidores com muita luta foram adquirindo direitos em relação à prestação de serviços, não é justo que deixe as transportadoras decidirem como e quanto irão cobrar pelas bagagens”, questionando o argumento de que a medida poderia assegurar tarifas mais baratas. Segundo o parecer, “mesmo que houvesse a redução do valor do bilhete, esta não seria equivalente ao preço pago no serviço para despacho de bagagem, pois o que existe é uma expectativa de redução do preço e não há nenhuma determinação neste sentido. A proposta sugere a desregulamentação total das bagagens e a liberdade tarifária, assim, consequentemente as empresas de serviços aéreos terão liberdade para impor qualquer serviço e preço aos consumidores, e como não haverá nenhuma margem de valor ficará difícil até mesmo de uma fiscalização”.


Star Alliance inaugura lounge no RIOgaleão Conforto e comodidade esperam pelos passageiros das companhias aéreas da aliança durante conexões na Cidade Maravilhosa Por CHRISTIANE FLORES

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Star Alliance, aliança global de companhias aéreas, inaugurou no início de dezembro seu primeiro lounge no RIOgaleão – Aeroporto Internacional Tom Jobim – em parceria com o Plaza Premium Group, maior rede independente de lounges no mundo, baseada em Hong Kong. O novo espaço está localizado no piso 3 da nova área de embarque no Terminal 2 e disponível 24 horas, todos os dias do ano. Este é o segundo lounge da aliança no Brasil; o primeiro foi inaugurado há três anos no GRU Airport, em São Paulo. “Apresentamos um lounge exclusivo, com serviços de qualidade para proporcionar mais conforto aos clientes. Cerca de 40% dos voos da América Latina estão concentrados no Brasil, por isso seguimos investindo no País. Além disso, nenhuma outra aliança oferece lounge neste aeroporto”, destacou Mark Schwab, CEO da Star Alliance até dezembro de 2016. [O novo CEO, Jeffrey Goh, assumiu o posto efetivamente em 1º de janeiro de 2017] Com mais de 600m2, o lounge pode receber 150 passageiros simultaneamente nos diferentes ambientes, que podem desfrutar de benefícios como wi-fi, bufê, bar

Song Hoi See e Mark Schwab inauguram espaço no Rio de Janeiro

com bebidas variadas, banheiros, chuveiros e armários para guardar bagagem. A decoração foi baseada em elementos naturais do Brasil e o design, inspirado na atmosfera carioca. “Realizamos pesquisas para entender as expectativas dos clientes e facilitar o momento de espera no aeroporto de maneira conveniente e confortável. Esta parceria no Brasil está apenas começando, viemos para ficar”, afirmou Song Hoi See, fundador e CEO do Plaza Premium Group. O acesso é permitido para passageiros que viajam em voos da Star Alliance em primeira classe, classe executiva ou para viajantes com status Star Alliance Gold. Os

titulares do cartão Air Canada Maple Leaf, do United Club, viajando em classe econômica, clientes do Programa Corporativo da TAP e viajantes da Edelweiss Airlines também podem usufruir do novo espaço. Atualmente, seis companhias da aliança - Avianca, Avianca Brasil, Copa Airlines, Lufthansa, TAP e United - operam cerca de 370 voos semanais para e a partir do RIOgaleão, conectando os passageiros a 16 destinos em sete países.

O espaço da Star Alliance acomoda até 150 pessoas

O Brasilturis viajou a convite da Star Alliance e do Plaza Premium Group, com apoio da Avianca Brasil e seguro-viagem April.

Conforto para todos O Plaza Premium Group também possui lounges próprios; mediante pagamento, os passageiros de todas as classes (incluindo econômica) e companhias aéreas podem usufruir das áreas disponíveis. No RIOgaleão, há espaços internos como o Plaza Premium Lounge International Departures, no terceiro andar do Píer Sul, no Terminal 2; o Plaza Premium Lounge Domestic Departures, no primeiro andar do Terminal 2, logo após a inspeção de bagagem; e o Plaza Premium Lounge Arrivals no primeiro andar do Terminal 2. Todos já estão em operação. Os espaços oferecem comodidades como wi-fi, serviço de bufê e bebidas, banheiros, chuveiros, totens com informações sobre os voos, tomadas, cadeiras confortáveis e decoração inspirada na cultura brasileira. Quem precisa permanecer por mais horas no aeroporto, pode aproveitar o recém-inau-

Amplos espaços acomodam passageiros em conexão

Entrada e apartamento do recém-inaugurado Aerotel

gurado Aerotel, com 16 apartamentos, sendo um adaptado com 13m², dois singles com 8m² e 13 duplos com 9m². O hotel de trânsito oferece acomodação com cama, banheiro com chuveiro, TV e ar-condicionado, podendo ser usado exclusivamente por passageiros que se encontram na área internacional. Aberto 24 horas, oferece pacotes de uma, três ou seis horas, sendo que os dois últimos dão cortesia de uma hora na sala VIP, com direito à alimentação e bebidas. Brasilturis Janeiro / 2017 17


MERCADO

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A economia das viagens e turismo em 2016: o ano que nunca começou?

indo o ano recheado de “hiatos” no campo da economia. O Governo Federal conseguiu quebrar suas finanças e os governos estaduais e municipais foram a reboque. As agências de risco continuam cautelosas em relação ao clima que impera no País. Os pacotes de austeridade avançam lentamente, enquanto os juros sinalizam queda modesta e sem grandes efeitos na recuperação dos investimentos produtivos e do consumo das famílias. Como avaliar os impactos temerosos provocados por tanto desequilíbrio e desmando na coisa pública, atingindo o setor privado que sempre buscou cumprir sua parte na construção do crescimento econômico e humano? A principal consequência: o desemprego em larga escala e o desalento aos que mais precisam de trabalho e dignidade. Neste contexto, o que dizer sobre o mercado das viagens e turismo durante o ano de 2016? Segundo o IBGE, até outubro, o volume de negócios deste segmento sofreu retração anu-

al de 2,9% e perdeu 2,7% de sua efetividade junto à demanda nos últimos 12 meses. Nos segmentos de alojamento e alimentação o desempenho negativo foi de 4,9% e 5,2% respectivamente, enquanto no transporte aéreo a redução atingiu a cifra de 7,32% de janeiro a outubro comparado ao ano anterior, segundo dados publicados pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Pelo lado da demanda, podemos afirmar que as famílias apresentaram uma redução no consumo das viagens estimada em 9,34% em decorrência do desemprego (potencial e efetivo) e da perda do poder de compra relativo aos anos anteriores. A crise fiscal explica a diminuição dos gastos do governo com passagens e diárias no período estudado, além do recuo nas receitas em decorrência da baixa atividade econômica manifestada pelas empresas nos indicadores mensais publicados pelo IBGE. O setor corporativo apresentou um corte de R$ 2,43 milhões nas tran-

sações relativas às viagens de seus diretores e demais colaboradores, tendo em vista as incertezas do mercado e o baixo nível de investimento decorrente. Este comportamento resultou em uma taxa negativa na demanda de 4,73% e de 3,13% nas receitas dos prestadores de serviços de viagens corporativas. Apenas a demanda estrangeira tem reagido positivamente, uma vez que a taxa de câmbio encontra-se em patamar favorável ao dólar americano tornando nosso destino 6,04% mais barato em relação ao ano passado. As previsões para o fechamento

HILDEMAR SILVA BRASIL Economista, professor de Economia do Turismo e de Métodos Quantitativos aplicados ao Turismo

do ano que não começou, do ponto de vista do crescimento econômico, sugerem um PIB negativo próximo a 3,5 %. Caso isso se comprove teremos índices econômicos de viagens e turismo entre 4,0% e 6,5% de retração, na média geral. Acorda Brasil!

VARIAÇÃO ANUAL DO CONSUMO DE VIAGENS Janeiro a outubro - 2016 comparado a 2015 Famílias

-9,34%

Empresas

-4,73%

Governo

-18,90%

Estrangeiros

+6,75%

Impacto final

-6,47%

O viajante brasileiro está satisfeito com as empresas do setor? Por RICARDO POMERANZ

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ara começar o ano, proponho uma reflexão. A pergunta é simples, mas a resposta, não. Você saberia dizer qual é o grau de satisfação do viajante brasileiro? Algumas empresas da indústria do turismo costumam fazer pesquisas específicas para avaliar a satisfação do seu consumidor – às vezes, até mesmo de seu setor, incluindo a concorrência. Mas, nenhum destes estudos permite entender o viajante de forma abrangente. Ou seja, qual é o grau de satisfação com toda a cadeia do setor, incluindo agências de viagens tradicionais, as on-line travel agencies (OTAs), companhias aéreas, hotéis, locadoras de automóveis e os programas de fidelidade. Para obter esta resposta decidimos conduzir, na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), um estudo chamado Índice Nacional de Satisfação do Consumidor de Viagens, desenvolvido com a metodologia do 18 Brasilturis Janeiro / 2017

INSC, criado há cinco anos. O levantamento analisa todos os meses a satisfação dos consumidores de 23 setores da economia, que correspondem a 13,7% do PIB brasileiro. Ao longo de um ano, o índice analisa mais de onze milhões de informações coletadas na internet sobre qualidade do serviço, valor percebido e expectativa do consumidor. O indicador sobre a indústria do turismo revelou dados importantes, entre os quais que a satisfação dos viajantes brasileiros é bastante alta, 77%, o que implica dizer que aproximadamente três em quatro consumidores consideram bastante positiva sua experiência de viagem. Dos segmentos analisados, o que apresentou a melhor avaliação foram os hotéis, com 95% de satisfação, e as agências de viagem, com 91%. As locadoras atingiram 86%, as OTAs, 79%, os programas de fidelidade, 62% e as companhias aéreas, 59%.

As principais reclamações variam de acordo com o segmento e a empresa analisada. Mas, de forma geral, o consumidor manifesta sua insatisfação com as centrais de atendimento incapazes de resolver problemas, cobranças indevidas, dificuldades para utilizar o site da empresa, questões relacionadas a preço e promoções falsas. Em um setor bastante competitivo como o de viagens, e no qual sempre surgem novos players digitais nacionais e internacionais, a satisfação do consumidor deve receber atenção especial das empresas. Um tratamento diferenciado, que exceda na qualidade do serviço prestado, é uma estratégia certeira para fidelizar o cliente. O viajante satisfeito com a experiência de viagem oferecida por uma empresa fica muito menos suscetível às promoções de preços da concorrência. Além disso, nesta era digital, o consumidor satisfeito divulga sua

RICARDO POMERANZ Copresidente da Rapp Brasil, especialista e consultor em transformação digital ricardopomeranz@ transformacaodigital.com.br experiência nas redes sociais e nos sites de review, promovendo organicamente a prestadora do serviço sem que ela precise investir pesadamente em mídia. Está em nossos planos realizar esse estudo periodicamente para compreender melhor a satisfação dos viajantes e, consequentemente, o que precisa ser feito para as empresas do segmento atingirem o nível de excelência desejado. Os players que conseguirem níveis superiores de avaliação, com certeza, terão uma enorme vantagem competitiva.


CORPORATIVO

Canibalismo empresarial e aposta em novos modelos Por RAFAEL MASSADAR

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guerra de preços com fornecedores tem levado algumas TMCs a praticar o que Rubens Schwartzmann, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas, chamou de “canibalismo entre empresas”. Os valores por transação chegaram a patamares por volta de R$ 4. “A Abracorp não tem o papel de regular os preços cobrados, mas os valores dos fees em concorrências não são sustentáveis”, afirmou. Para Luís Vabo, conselheiro da Abracorp seriam aceitáveis números entre R$ 15 e R$ 25 por transação. Esse foi um dos temas reforçados pela Abracorp durante a convenção anual com associados, realizada no mês passado. “A competição é sempre saudável, mas vários fatores, como a crise econô-

mica e a necessidade de mudança de preços que tem ocorrido entre companhias aéreas e hotéis, geraram um processo no qual todos os que atuam no corporativo acabam perdendo, pela forma como estão acontecendo essas negociações”, ressaltou Carlos Prado, vice-presidente da Abracorp. Durante a reunião, outro importante alerta foi dado por Luiz Mór, vice-presidente da TAP, em relação a novos modelos de negócios. “As empresas aéreas não são adversários das operadoras e agentes de viagens, o grande problema atualmente são as OTAs e vocês têm de encontrar

Rubens Schwartzmann e Luiz Mór

medidas para criar barreiras contra elas. Devem se alertar para a nova onda de venda on-line, que usará big data e inteligência artificial para estar cada vez mais próxima do cliente, sabendo seus gostos e necessidades. Se não usarem isso,

estão mortos”, ressaltou. Uma parceria estratégica entre a aérea e a associação está em estudo. O Brasilturis viajou a convite da Abracorp, com seguro-viagem April

Promessa de redução em até 15% U

ma pesquisa recente da Carlson Wagonlit Travel identificou que empresas poderiam reduzir gastos com viagens em até 15% somente por meio da aplicação das políticas corporativas. “Departamentos gastam tempo significativo e recursos obtendo as melhores negociações para manter seus custos baixos. Mas os viajantes frequentes não conhecem a política ou acreditam que ela não se aplica a eles”, explicou Katie Raddatz, líder do CWT Solutions Group para Américas. “Behavior management: a new way to think about an old problem” (Gestão de comportamento: uma nova maneira de pensar sobre um antigo problema) foca na visibilidade dos dados e na crescente responsabilidade dos viajantes, com o objetivo de criar meios para que eles permaneçam dentro da política. Para ajudar nesse cenário, o grupo desenvolveu um sistema denominado Traveler 360 (T360), que busca maneiras de atingir o viajante, melhorar a conformidade com a política e recuperar missed savings significativos. Baseada em quatro estágios – análise, educação, engajamento e competição -, essa abordagem fornece ferramentas para que os profissionais internos possam gerenciar o comportamento dos viajantes, incluindo estratégias como gamefication e elementos motivacionais. Brasilturis Janeiro / 2017 19


DESTINOS

Descubra Lisboa Histórica e moderna ao mesmo tempo a capital portuguesa é, com certeza, um destinos mais bonitos da Europa

Torre de Belém

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xperimente um roteiro entre seus becos e vielas que guardam história com monumentos manuelinos, barrocos, góticos, até a mais ousada arquitetura moderna. Centro cosmopolita de comércio, a capital portuguesa também é apelativa aos sentidos e à gula e oferece uma paleta de cores onde o sol brilha durante quase todo o ano. Descontraída e espalhada por sete colinas acidentadas, a cidade pode ser tomada por belos prédios de seu apogeu dos séculos 14 e 15. Comece a exploração pela Praça do Comércio e pela Igreja de São Domingos, a mais antiga de Lisboa e ainda pouco visitada pelos turistas. Explore bem as lojas das ruas comerciais da Baixa e garanta suas lembrancinhas. Siga depois para o bairro de Alfama, onde a dica é se perder por ruas estreitas e becos medievais. Lá, você será recompensado com praças escondidas e igrejas antigas, tascos (nome dado a cafés e tabernas que servem comida barata) e casas rústicas pintadas de branco com varandas enfeitadas por vasos de flores. Após essa caminhada, pegue o bonde (eléctrico) e vá até o Castelo de São Jorge. Localizado em uma das colinas mais altas de Lisboa, a fortaleza pode ser avistada de praticamente qualquer lugar no centro histórico da cidade. As muralhas foram construídas antes mesmo de a 20 Brasilturis Janeiro / 2017

Padrão dos Descobrimentos

cidade ter nascido e as vistas magníficas do topo são a introdução perfeita para sentir Lisboa. Entre sabores e monumentos Não deixe de ir ao distrito de Belém. O local é um testemunho da cidade da Época do Descobrimento, quando grandes exploradores portugueses partiram em viagem ao redor do mundo. Sem dúvidas, é o melhor lugar para mergulhar na grandeza da realeza, com direito a palácios, casas tradicionais e alguns dos melhores museus de Lisboa. Comece o tour pelo Mosteiro dos Jerónimos, que data do início do século 16. Este belo monastério exibe o melhor do estilo arquitetônico Manuelino, mas como a maioria dos pontos turísticos de Belém, fecha para visitação às segundasfeiras (aos domingos e feriados,

funciona até às 14h e tem entrada gratuita). A seguir, vá para a margem do Tejo, até a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos. A Torre foi construída em 1515 para proteger a entrada do porto de Lisboa, enquanto o admirável e moderno monumento chamado de Padrão dos Descobrimentos foi construído em 1960 para comemorar o 500º aniversário do príncipe Henrique, o Navegador. Quando se fala na gastronomia portuguesa, é impossível não se lembrar do tradicional pastel de Belém, aquele delicioso doce de massa folhada, coberto com um recheio cremoso à base de leite e ovos, muitas vezes polvilhado com açúcar ou canela. O único pastel de Belém que realmente pode ser chamado assim é o da Antiga Confeitaria Belém, localizada em Lisboa. Todos os outros que dizemos ser “de Belém”, na verCastelo dos Mouros

Foto: Divulgação

Por RAFAEL MASSADAR Fotos CAMILA LUCCHESI

dade, são pastéis de nata. E o bacalhau? Acompanhado de um belo vinho verde e com muito azeite é sempre uma explosão de sabores. O Fado: parte distinta da cultura lisboeta Com músicas melancólicas, letras inspiradas por marinheiros portugueses e herança árabe. Jantar em uma casa de fado é um programa obrigatório em Lisboa e uma chance de experimentar a culinária, os vinhos e a cultura local. Uma das opções mais populares é o Clube de Fado, onde cantores e músicos se apresentam enquanto você janta. Não é à toa que é nomes ilustres - como Woody Allen, Isabel Allende e Caetano Veloso – já passaram por lá. Sintra: castelos e palácios para um passeio Entre os vários passeios para fazer nos arredores de Lisboa, um


dos mais agradáveis é conhecer Sintra. Localizada a apenas 28 km da região central de Lisboa, o trajeto rodoviário leva cerca de meia hora, seguindo pela autoestrada A37, mas há também a opção de seguir de trem - que lá é chamado de “comboio” - na linha de Sintra. Apesar da curta distância, é importante ter em mente que as muitas atrações dificultam a tarefa de conhecer tudo em apenas um dia – como faz grande parte dos turistas. Vale planejar com antecedência para incluir um pernoite ou dedicar um segundo dia a essa vila histórica. O ponto de partida pode ser a praça em frente ao Palácio Nacional, um dos edifícios mais antigos e emblemáticos da cidade, que mistura diferentes estilos arquitetônicos, fato que pode ser notado pelos vários tipos de janelas na fachada principal. Em seguida, caminhe pela vila, um conjunto de construções antigas com ruas estreitas e inclinadas, onde há várias lojinhas, restaurantes e cafés, uma área bem turística e movimentada. Durante o passeio, faça uma parada estratégica para comer o famoso “Travesseiro da Piriquita”, um doce folhado coberto com açúcar que é vendido na Pastelaria Piriquita, uma das mais tradicionais da região. Não deixe também de ir ao Cantinho Gourmet - local que funciona como um pequeno empório e restaurante - para provar a famosa “ginginha”, espécie de licor típico português feito a partir de uma fruta semelhante à cereja. Vale visitar também o Palácio da Pena, que fica no alto da Serra de Sintra, a 528 metros de altura. Os cômodos do interior preservam muito do aspecto original - com móveis e objetos de decoração para mostrar como era o estilo de vida da corte portuguesa. Os terraços oferecem uma incrível vista panorâmica da região. Com o fim do dia se aproximando – e com outros pontos turísticos interessantes como o Castelo dos

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Mouros, a Quinta da Regaleira e o Convento dos Capuchos – é importante priorizar. Nossa sugestão é seguir para o Cabo da Roca, um local de interesse geográfico. Trata-se do ponto mais ocidental da Europa continental, situado a poucos minutos da vila de Sintra.

Quando ir O clima é bom o ano inteiro, mas os meses mais ensolarados (e mais convidativos) vão de abril a setembro. De outubro a março chove mais, sendo que dezembro e janeiro é o período com mais precipitações. A alta temporada vai de julho a dezembro

Informações úteis Moeda: Euro (€) Câmbio: € 1 = R$ 3,64 (cotação de 07/12/2016) Gorjetas: É um ato voluntário e não obrigatório. Apesar disso, deixar o equivalente a 5% ou 10% da conta em bares e restaurantes indica satisfação com o atendimento. Também é delicado destinar € 2 (por dia de hospedagem) para a camareira e por volta de € 2 ao carregador de malas na chegada e na saída (se o serviço for utilizado). Idioma: Português Fuso horário: A diferença em relação ao horário de Brasília (DF) oscila entre 2 e 4 horas, dependendo da época do ano. De abril a setembro, Lisboa está 4h à frente; em março e em outubro (horário de verão local), os relógios marcam 3h a mais; e de novembro a fevereiro (horário de verão local e também no Brasil), a diferença é de apenas 2h. Documentação: Passaporte válido por seis meses (mínimo), comprovação de hospedagem e seguroviagem obrigatório. Não é preciso visto para viagens a lazer de até 90 dias.

Localizada no oeste de Portugal, na costa do Atlântico e às margens do rio Tejo, ela tem muito para ser descoberto entre becos de paralelepípedo, construções com fachadas azulejadas e monumentos históricos. Por lá, o sol brilha até 290 dias por ano e a temperatura raramente desce abaixo dos 15oC.

Gastronomia Os destaques são a sardinha assada e o bacalhau que pode ser consumido em caldeiradas, sopas ou grelhados. Caldo verde, batatas ao murro, legumes e verduras frescas também compõem os pratos, sempre regados com o delicioso azeite português. Os famosos pastéis de nata também são tradicionais e imperdíveis. Quem gosta de literatura não pode deixar de experimentar uma das receitas servidas no Martinho da Arcada (www.martinhodaarcada. pt), restaurante no Terreiro do Paço que era o preferido do poeta Fernando Pessoa. E o lugar certo para degustar os verdadeiros Pastéis de Belém - e conhecer a história do doce - é a Fábrica dos Pastéis de Belém (www.pasteisdebelem.pt), aberta desde 1837. Se a ideia é jantar com som tradicional, vá para o Clube de Fado (www.clube-de-fado.com).

Arcos da Rua Augusta

Dica de hospedagem Hotel Dom Pedro Palace: O empreendimento cinco estrelas fica no centro de Lisboa e oferece uma vista deslumbrante para a cidade, com destaque para o rio Tejo e para o Castelo de São Jorge. A estação de metrô mais próxima é a Marquês de Pombal, a cinco minutos de caminhada. www.dompedro.com Operadora A Schultz oferece “Smalls Groups” para grupos de duas a sete pessoas em Mercedes Benz ou Sprinter. O produto é comercializado em três séries que estão relacionadas com a categoria do hotel escolhido pelo cliente: ouro (com alojamento em hotéis de quatro e cinco estrelas), prata (quatro estrelas) e bronze (três estrelas). Os preços começam em US$ 999 para roteiros terrestres de nove dias, com alojamento e café da manhã. www. schultz.com.br Para saber mais www.visitportugal.com www.visitlisboa.com

Localização e clima

O Brasilturis viajou a convite da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) e da TAP

Cidade histórica e uma das mais queridas pelos brasileiros, Lisboa é a capital mais ocidental da Europa.

Fernanda Longobardo retoma Enit

epois de três anos ausente, Fernanda Longobardo anunciou seu retorno ao escritório brasileiro da Agenzia Nazionale de Turismo (Enit), órgão responsável pela promoção do turismo italiano. Ela retomou o comando do Enit Brasil no início deste mês e se colocou à disposição dos agentes interessados em saber mais sobre a

Itália e coordenar ações para divulgar o país por aqui. “Estou muito feliz com esse retorno, pois o escritório brasileiro é como um filho que eu criei e desejo levar para frente”, comemorou. Mirella Morici segue responsável pelo atendimento ao trade e adiantou que a estratégia para 2017 é reforçar os trabalhos de promoção do

país e capacitação dos profissionais. “O Brasil é o terceiro maior emissor das Américas para a Itália, queremos apoiar esse intercâmbio”, disse. Ela contou ainda que a participação da Enit está confirmada para duas feiras no ano que vem: WTM Latin America, em abril, e Festuris, em novembro. Brasilturis Janeiro / 2017 21


Volta às raízes Tour pela zona rural de Gramado (RS) passeia por atrativos que revelam hábitos dos primeiros imigrantes na região Por CAMILA LUCCHESI

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ua Coberta, Borges de Medeiros, Lago Negro, Minimundo. Gramado (RS) é um dos grandes cases do turismo nacional e os principais atrativos de sua área urbana são conhecidos Brasil afora. Esqueça-se de todos eles, deixe esses locais famosos e os espetáculos culturais sediados na área urbana da Serra Gaúcha para outro momento. A proposta é embarcar em um roteiro cultural a bordo de uma jardineira, rumo às origens da região. Criado em 2012 por Antonio Garcia, o tour Linha Bella mistura belas paisagens rurais com as histórias e

1. VINÍCOLA MASOTTI Na primeira parada, os visitantes são recepcionados por Euclides Masotti, pequeno produtor

2. VELHO CASARÃO “Em 1893, Visenzo Marcon fugiu da guerra e veio para Caxias do Sul. Do lado de cá do rio, onde hoje é território de Gramado, havia só mato. Ele, então, começou a desbravar o matagal em busca de terras para plantar. Com a primeira esposa, Maria Tereza, morou em uma toca no tronco do umbu por dois anos, 22 Brasilturis Janeiro / 2017

costumes dos primeiros imigrantes que chegaram à região. “Vamos sair da cidade do turista e conhecer a cidade onde vivem 36 mil pessoas”, revela Garcia, assim que o veículo pega a Linha Bonita, estrada que inspirou o nome do tour. O roteiro foi montado com cuidado e privilegia personagens que cultivam as lembranças de seus antepassados. Hoje, eles fazem desse legado um modo de ganhar a vida e, assim, o tour ajuda a girar a economia da região, beneficiando 25 famílias que não precisam mais se deslocar para trabalhar. regional. Com paciência e didática, ele explica como fabrica vinhos de mesa e sucos integrais de uva, revelando curiosidades e bastidores de todas as fases do processo. Tempos de fermentação, temperaturas, legislação, maquinário, os diferentes tipos de uva, processo de envelhecimento... Fundada há 30 anos, a Masotti produz 200 mil litros de suco por ano e está instalada em uma fazenda repleta de paisagens bucólica. A visita termina com uma gostosa degustação na lojinha instalada no local. passando frio e fome até que a produção vingasse. Construiu um casarão de madeira em 1919 e, logo depois, ficou viúvo, com três filhos para criar. Casou-se com Rosina e teve mais dez herdeiros. Plantou parreirais e produzia vinho que servia como moeda de troca com os outros colonos. Sempre repartiu o que tinha com os andarilhos, pois sabia a dor de passar fome.” Semelhante ao de diversos descendentes, o relato de Sonia Marcon – integrante da quarta geração da família - ecoa pelo casarão onde boa parte dessa história aconteceu. Ali, os visitantes podem ver o galpão onde os vinhos eram armazenados e a cozinha com fogo de chão que era comum na época, além de móveis, utensílios de época curiosos e fotos da família.

3. MOINHO CAVICCHON Aqui a história ganha ares de um grande e divertido espetáculo. Maristela Cavicchon conta relatos e curiosidades sobre a chegada de famílias italianas e alemãs à região com muito bom humor. Lamparinas, um antigo ferro de passar alemão, chapéus, um cobertor de lã de ovelha, a palha do milho, dinheiro de época... Tudo serve como elemento cenográfico para costurar dados e costumes que prendem a atenção dos visitantes e têm como pano de fundo o moinho construído pelo bisavô, Pedro, que já garantiu o sustento para três gerações dos Cavicchon. 5. CANTINA LINHA BELLA As boas-vindas são dadas por uma dupla de violeiros que recepcionam os turistas com letras e melodias reconhecidamente italianas. No interior preparado para acomodar até 65 pessoas por vez, o fogão a lenha exibe receitas fumegantes – incluindo a tradicional polenta e o frango assado com molho. O valor do almoço está incluso no pacote,

4. ERVATEIRA NATURAL É nesse ponto que a história dos antepassados se junta ao mais antigo hábito gauchesco: o chimarrão. Junto com a família, Cimilda Marcon, Erni e Ereonita Cavichon explicam todo o processo de produção da erva, incluindo o modo antigo de moagem. Ao final do passeio, os visitantes são convidados a provar da bebida preparada na hora.

apenas as bebidas devem ser pagas à parte. O gran finale tem aroma e sabor de receita de nonna.

É BOM SABER... Os passeios acontecem três vezes por semana (segundas, quartas e sextas) e já encantaram quase 30 mil visitantes, segundo as contas de Antonio Garcia. A duração é de pouco mais de cinco horas e há a possibilidade de reservar datas especiais para visitação com grupos particulares. O ponto de partida é a Praça das Etnias (localizada ao lado da Rodoviária de Gramado), no ponto de embarque do Agroturismo. O valor cobrado é de R$ 140 por passageiro, mas a empresa oferece preços diferenciados para agentes de viagens. Tour Linha Bella: (54) 3286-9306 - www.tourlinhabella.com.br


Brasilturis Janeiro / 2017 23


CTI NORDESTE

BNTM 2017 prevê recorde de participação CTI-NE espera alta procura da região Nordeste no cenário internacional em 2017

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BNTM 2017 (Brazil National Tourism Mart), feira de Turismo organizada pela Fundação Comissão de Turismo Integrado do Nordeste (CTI/NE), será realizada entre 26 e 28 de maio, em Salvador (BA). A previsão dos organizadores é de receber 1.5 mil visitantes, entre operadores, agentes de viagens e representantes do trade turístico de mais de 30 diferentes países e movimentar cifra superior a R$ 200 milhões em rodadas de negócios. Lindolfo Pires, recém-empossado presidente da CTI/NE, está otimista com o Nordeste brasileiro, que deverá estar em alta como destino turístico em relação às opções disponíveis no cenário internacional em 2017. “O otimismo em relação ao cenário de negócios se deve à maior oferta de novos e modernos empreendimentos hoteleiros na região”, avaliou.

EVENTOS

Segundo o dirigente, além da inauguração de hotéis e de novos apelos nos atrativos dos nove estados nordestinos, a região foi reclassificada acima de destinos concorrentes pelo mundo, a exemplo de Caribe e Flórida. “O Nordeste apresenta uma oferta turística completa, com sol o ano inteiro e é mais segura, ao contrário dessas alternativas no exterior que sofrem com fenômenos naturais como furacões”, complementou. Os estados e municípios turísticos do Nordeste reúnem produtos que desvendam a pluralidade regional, por meio de cultura, arte, artesanato, gastronomia, dança e música. Mas é o binômio peculiar “sol e mar” que, renovado em sua proposta, gera maior interesse àqueles que intermedeiam a comercialização de viagens em outros países. O presidente da

CTI/NE confirma que a BNTM 2017 será, novamente, “a oportunidade única de aglutinar e agregar ideias e parcerias, em prol da visão integrada e sistêmica do Nordeste”. As previsões de bons negócios também encontram respaldo nas pesquisas realizadas pelo Ministério do Turismo e pela Embratur, que atestam o desejo do brasileiro em viajar pelo País, sendo o Nordeste o destino preferido por mais de 50% destes viajantes. Entre as novidades no formato da BNTM 2017, estarão seminários sobre os nove estados do Nordeste, além de um espaço destinado aos blogueiros ligados ao turismo. Por sugestão de Aninha Costa, vice-presidente da CTI/NE, a ideia é realizar uma jornada de press trips, com o apoio da Embratur, começando pela Bahia e ampliando por Sergipe.

Banco Brasileiro de Eventos é lançado em Salvador

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24 Brasilturis Janeiro / 2017

Em reunião do Conselho Deliberativo da Fundação CTI/NE, realizada em 1º de setembro de 2016, no Recife (PE), foram eleitos, por unanimidade, os novos membros da Diretoria da CTI/NE que comandarão a entidade até setembro de 2018. Ficou assim constituída: Presidente: Lindolfo Pires Neto, Secretário de Estado do Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba. Primeiro Vice-Presidente: Ana Maria da Costa, Presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística. Segundo Vice-Presidente: Diego Galdino de Araújo, Secretário de Cultura e Turismo do Maranhão.

Homenagem aos parceiros Por MAYRA SALSA

Por GORGÔNIO LOUREIRO

om a presença do ministro do Turismo, Max Beltrão, e apoio da Secretaria de Turismo da Bahia, o Brasil Convention & Visitors Bureaux (BCVB) lançou, em dezembro, o Banco Brasileiro de Eventos. Márcio Santiago, presidente do BCVB, ressaltou que o principal objetivo é contribuir para o crescimento setorial. “O Brasil tem plenas condições de retomar a sua posição no top ten dos países realizadores de eventos. Juntos, vamos buscar este resultado”, assinalou. A meta da entidade é atrair congressos, seminários e encontros internacionais que contribuam para movimentar os destinos durante o ano todo, principalmente na baixa estação. Atualmente, o País ocupa a 11ª colocação no ranking da International Congress and Convention Association (ICCA). Em 2015, sediou 292 dos 12 mil eventos realizados pelo mundo, o que corresponde a 0,2%. Para colocar o banco em operação, a equipe do BCVB irá reunir e inserir todas as informações relacionadas

DIRETORIA 2016-2018

aos eventos em um sistema operacional para, posteriormente, disponibilizar senhas aos parceiros do projeto. O captador terá acesso ao banco de dados com a relação dos principais eventos nacionais e internacionais. Na sua fala, o Beltrão afirmou que o Banco Brasileiro de Eventos terá apoio do Mtur. “A diversidade permite a interiorização de congressos, o desenvolvimento tecnológico e comercial, dentre outros ganhos”, disse. Segundo ele, já foram investidos mais de R$ 400 milhões na reforma de centros de convenções brasileiros e a

Marx Beltrão prestigiou o lançamento

ideia é marcar uma reunião com o governador da Bahia e com o prefeito de Salvador para que, juntos, resolvam o problema do Centro de Convenções de Salvador. O lançamento contou com a participação de José Alves Peixoto Júnior, secretário estadual de turismo da Bahia, e de outros nomes do setor, como Dilson Fonseca, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional); e Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).

Foto: Roberto Castro/MTur

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IHG (Intercontinental Hotels Group) prestigiou parceiros comerciais e de mídia na 6ª edição do Gala IHG América Latina, realizado em dezembro, no Espacio Virreyes, na Cidade do México. Ao todo, 160 parceiros de vários destinos estiveram presentes e receberam um troféu de agradecimento. O Brasilturis Jornal foi um dos homenageados. “Ratifico que grande parte do sucesso da IHG se deve ao apoio dos que estão aqui. Foi uma maneira que a IHG encontrou de agradecer a todos pelo apoio ao longo de 2016”, disse Gerardo Murray, vice-presidente Regional de Marcas e Marketing IHG México, América Latina e Caribe. Murray salientou que o México e América Latina têm um papel importante nos resultados financeiros do terceiro trimestre para a IHG no âmbito mundial, sendo uma das sub-regiões que apresentou aumento importante nos indicadores econômicos.


ENOTURISMO

UNEDESTINOS

São Paulo como destino enoturístico?

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ocê pode até achar estranho falar de enoturismo em São Paulo, mas acredite, há vinho - e do bom - no estado. O fato é que São Paulo tem mais a ver com o vinho do que muitos acham. O vinho no Brasil passa pela capital paulista. Foi em São Paulo, no bairro do Tatuapé, que Brás Cubas produziu o primeiro vinho comercial brasileiro, o Brás. As videiras que se deram mal em São Vicente, no litoral, vieram para a capital e acabaram se deslocando para as regiões de Jundiaí e São Roque, onde as castas americanas se adaptaram melhor que as viti-viníferas. Há opções para todos os gostos e preferências, desde os suntuosos Syrah Vista do Chá, da Vinícola Guaspari, que fica em Espírito Santo do Pinhal, vinho premiado com medalha de ouro pela famosa e respeitada revista Decanter inglesa; passando pelos vinhos orgânicos da Entre Vilas, de São Bento do Sapucai; e até a Vinícola Góes, em São Roque, que além de ser uma das líderes em vinhos de mesa, produz também vinhos finos de vitis-vinífera. Partindo de São Paulo, a ida a qualquer desses endereços permite um bate e volta, com a promessa de um dia maravilhoso entre visitas a vinhedos e vinícola, com degustação de vinhos e retorno no fim de tarde. Quem imaginaria uma coisa dessas? Se você visitar a Góes www.vinicolagoes. com.br, vai se surpreender com o passeio turístico da Estrada do Vinho, com inúmeros restaurantes e vinícolas. A própria Góes tem um belo restaurante e um passeio de trenzinho que termina com visita a vinícola, degustação e almoço no local. O sucesso é tão grande que eles recebem por ano o incrível número de 250 mil visitantes! E, para sua informação, o Cabernet Franc do Góes, produzido em São Roque em 2015 esteve entre os 16 melhores vinhos selecionados na Avaliação Nacional de Vinhos em Bento Gonçalves, disputando com 270 outras amostras. Vinícola Góes

Bonito

DIDU RUSSO Fundador da Confraria dos Sommeliers, autor de livros e reportagens focadas no universo www.didu.com.br No caso do Entre Vilas www.entrevilas. com.br a coisa é bem mais artesanal e pessoal. Rodeigo Veraldi, proprietário do Frutopia, nome de sua fazenda que cultiva de forma orgânica diversas frutas, tem também um restaurante filiado ao movimento Slow Food. Ele é “natureba” total e seus vinhos são uma delícia, com grande frescor e tipicidade e a garantia de que não usa nenhum produto químico. No site, Veraldi indica pousadas que ficam próximas à vinícola, pois embora seja um passeio que permite ir e voltar no mesmo dia partindo da capital, vale muito se hospedar na belíssima região. A Vinícola Guaspari www.vinicolaguaspari.com.br é projeto de uma família que resolveu fazer vinho como hobby. A fazenda que também produz café é lindíssima e enorme, com cerca de 900 hectares. Há um campo de golfe e a casa é maravilhosa, porém as visitas são focadas nos vinhedos, não oferecendo hospedagem ou almoço. A degustação surpreende pela classe dos vinhos que conta com a consultoria de Gustavo Gonzales (ex- Mondavi) e Paulo Macedo, agrônomo português da Symington. Inclua São Paulo quando pensar em vinho, pois haverá ainda grandes surpresas, eu garanto. Um estudo da Embrapa encomendado pelo SPVinho, mapeou 90% do estado com clima favorável ao cultivo de uvas viti-viníferas e com similaridades com famosos terroirs do mundo. Há muita terra improdutiva hoje que poderá se tornar um vinhedo de exceção. Afinal, espírito empreendedor é o que não falta ao paulista. Saúde!

“Embaixadores de Bonito” apoia eventos

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lém de ser conhecida no Brasil e no exterior por suas belezas naturais e pelo ecoturismo, a cidade de Bonito (MS) também se destaca com o turismo de eventos. De acordo com o Bonito Convention & Visitors Bureau, nos últimos 10 anos, mais de 120 eventos foram realizados com o apoio da instituição, sendo três internacionais. Com esse auxílio, é possível divulgar o destino para turistas de outros estados e países, fomentando a economia local. De acordo com o Observatório do Turismo e Eventos de Bonito, ao longo de 2015, a cidade recebeu 204.339 visitantes, que geraram uma receita de R$ 332.792.420,00 para a economia do município. Os números mostram potencial de crescimento, com ações para diminuir a baixa temporada, visando equilibrar a sazonalidade do destino. “O Bonito Convention & Visitors Bureau trabalha para a captação de eventos indutores de fluxo turístico em baixa temporada, com o apoio de empresários e do poder público”, acrescenta Rodrigo Coinete, presidente do Bonito CVB. Atualmente, Bonito conta com infraestrutura adequada para eventos, apresentando a tranquilidade de uma cidade de interior e um dos maiores índices de segurança do estado. O destino conta com mais de 70 hotéis, 5.300 leitos e cerca de 45 opções de atividades diferenciadas oferecidas pelos atrativos turísticos. Possui um centro de convenções climatizado com capacidade para receber até 2 mil pessoas. Um dos projetos realizados pelo Bonito Convention & Visitors Bureau, voltado para a captação de eventos à cidade é o “Embaixadores de Bonito”, que oferece apoio de marketing, material promocional, vídeos e visitas de inspeção, entre outros, com suporte dado desde a análise de viabilidade até a realização do evento. “Acredito que essa seja uma das formas mais eficazes de incentivar esta integração, trazendo grandes eventos técnico-científicos nacionais e internacionais para nosso estado”, destaca o presidente da instituição. Profissionais de associações ou entidades que tiverem o interesse em trazer eventos para Mato Grosso do Sul, são potenciais embaixadores e podem se juntar a esta crescente comunidade, sem custo. Basta entrar em contato com o Bonito CVB. Bonito Convention & Visitors Bureau (67) 3255-2207 www.bcvb.com.br Brasilturis Janeiro / 2017 25


HOTELARIA

Fernando Cardoso (ao centro) com equipe do Bourbon Assunção

Conforto e bem-estar do Brasil para o Paraguai Rede Bourbon leva Mandí Spa para seu primeiro hotel internacional e promove ações para que os brasileiros redescubram o país vizinho Por CHRISTIANE FLORES

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primeira palavra que geralmente vem à cabeça ao pensar no Paraguai: compra. Mas é bom frisar que o país vizinho, em desenvolvimento contínuo, tem muito mais a oferecer. A rede brasileira de hotéis e resorts Bourbon descobriu este potencial em 2011 quando, em

parceria com a Confederação Sulamericana de Futebol (Conmebol), inaugurou o primeiro hotel da marca fora do Brasil, o Bourbon Conmebol Assunção Convention Hotel. Localizado na capital do país, o empreendimento tem o foco em eventos e já é conhecido como o

‘Hotel das Estrelas no Paraguai’, por receber artistas internacionais como Paul Mc Cartney e a banda Aerosmith. “Queremos mostrar Assunção como destino de eventos para os brasileiros, com facilidade de voos diretos, qualidade de serviços e preços acessíveis. O Brasil ainda tem

uma visão distorcida do que é o Paraguai e temos a missão de melhorá-la”, destacou Fernando Macedo, gerente-geral do hotel. “Com localização estratégica na América do Sul, promoveremos o destino com ações diretas para que os brasileiros redescubram o Paraguai”, completou.

e armário para guardar os pertences. Há salas especiais para casais, o que permite atendimento simultâneo. Este serviço é muito procurado para pacotes românticos, núpcias e lua-de-mel. Funciona de segunda a sábado, das 10h às 22h, podendo ser adaptado de acordo com a demanda. O sexto andar do hotel, onde está localizado o Mandí, é dedica-

do ao bem-estar e possui academia completa com espaço para prática de yoga. Na área externa, com vista panorâmica da cidade, encontramse ainda piscina com borda infinita, jacuzzi e bar.

Complexo paraguaio

Oásis com elementos naturais

Seguindo a tendência de luxo e bem-estar oferecidos pela Bourbon, no mês passado, foi inaugurado o Mandí Nature Spa, marca própria de rede, que já possui unidades no Bourbon Cataratas, em Foz do Iguaçu (PR) e no Bourbon Atibaia (SP). O spa oferece tratamentos faciais e massagens corporais para homens e mulheres, que variam de 30 a 90 minutos. A oferta de terapias foi inspirada em elementos da água e da natureza e alguns tratamentos variam entre os hotéis, pensados de acordo com o hóspede de cada região. “Inauguramos a terceira unidade do Mandí em Assunção com o intuito de proporcionar momentos de relaxamento aos nossos hóspedes após o trabalho e também oferecer serviços diferenciados aos moradores da cidade, já que o spa é aberto ao público. Aliamos bem-estar e qualidade de vida, utilizando sons, aromas e luzes, com foco nos sentidos. O produto já é bem aceito nos outros dois hotéis e temos certeza que o conceito combinará com a unidade internacional”, explicou Adriana Cardoso, diretora de marketing e produto da Rede Bourbon. O espaço oferece ainda vestiário, chuveiros, saunas úmida e seca 26 Brasilturis Janeiro / 2017

Localizado a três minutos do Aeroporto Internacional de Assunção, o hotel oferece 168 apartamentos divididos em sete categorias, além


de unidades adaptadas para portadores de necessidades especiais. Também faz parte do complexo o Centro de Convenções Conmebol, o maior do Paraguai, com área de exposição de 3,5 mil m² e capacidade para receber até 4.500 pessoas simultaneamente. Ao lado, encontra-se o Museu do Futebol Sulamericano, mantido pela Conmebol, com espaços tematizados sobre o esporte. Haverá ainda um campo oficial de futebol com abertura prevista até início de 2017. Atualmente, o Brasil é o quarto emissor de visitantes para o hotel. Em primeiro lugar está o próprio Paraguai, seguido pela Argentina e pelo Peru. “A marca Bourbon combinou com o povo paraguaio que trabalha muito bem com serviços.

Hoje contamos com mais de 160 funcionários, sendo a maioria deles da região. Já passamos por reformas, ouvindo a opinião dos hóspedes, para atingir um nível elevado de satisfação, e seguiremos com melhorias durante todo esse ano”, pontuou Macedo. Como país estratégico para internacionalização da rede, a Bourbon abrirá mais uma unidade no Paraguai. Trata-se da marca midscale Rio Hotel by Bourbon, com serviços reduzidos e tarifas competitivas, que chegará a Ciudad Del Este ainda no primeiro semestre de 2017. Bourbon Conmebol Asunción Tel. 595 21 659 1000 www.bourbon.com.py

O Brasilturis Jornal viajou a convite da Rede Bourbon, com seguro-viagem April

Novidades em São Paulo No Brasil, a rede anunciou a ampliação das áreas de lazer e eventos do Bourbon Atibaia como uma das principais novidades para 2017. Um novo espaço de entretenimento indoor, tematizado com os personagens da Turma da Mônica, chamado de ‘Fun Place’, chegará como mais uma atração para as crianças e adolescentes que visitarem o resort. “O local já é sucesso no Bourbon Cataratas e resolvemos levar para Atibaia. Mas haverá uma temática nova, diferente entre os hotéis, pois a Maurício de Sousa Ao Vivo sempre apresenta algo novo. Essa parceria exclusiva representa uma taxa de retorno de 40%, em média, nos hotéis. As crianças e adolescentes, que são grandes influenciadoras na escolha de uma viagem, querem voltar para rever os personagens e se divertir nos espaços dedicados a elas”, destacou Adriana Cardoso. Para os viajantes a negócios, será construído um novo Centro de Conveções – Ballroom Garden – com capacidade para atender até 1.620 pessoas. A nova estrutura estará anexada aos mais de 12 mil metros quadrados de áreas já disponíveis no resort atualmente, que conta com 50 espaços, com capacidade para atender até 4 mil pessoas. “A previsão é inaugurarmos o novo espaço no segundo semestre de 2017 e aumentar em 30% nossa demanada de eventos, que atualmente representa 70% da receita do hotel. Teremos um restaurante próprio para o local e pretendemos atrair também eventos socais, como festas e casamentos”, pontuou Nilson Bernal, gerente-geral do Bourbon Atibaia. Bourbon Atibaia Tel. (11) 4414-4708 www.bourbon.com.br Adriana Cardoso e Nilson Bernal Brasilturis Janeiro / 2017 27


Preocupe-se apenas em relaxar Resort consegue combinar proximidade da capital mais agitada do Brasil com o sossego de interior que os hóspedes procuram Por MAYRA SALSA

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ocalizado em Mogi das Cruzes, a 70 km de São Paulo capital, o Lake Paradise surge como o lugar ideal para fugir da rotina da grande cidade. Inaugurado em dezembro do ano passado e com investimento de R$ 20 milhões em reformas, o novo village é a atual “menina dos olhos” do Club Med Brasil. A ideia é transformar o local em referência para a realização de grandes eventos e convenções empresariais, além de apostar nas facilidades para aumentar a permanência de viajantes de lazer. “O mercado corporativo representa hoje 80% da ocupação, mas queremos chegar a 70% de hóspedes de eventos e passar a atender 30% de lazer”, afirmou Janyck Daudet, presidente do Club Med para a América Latina. “Nosso maior mercado está em São Paulo, por isso estamos trabalhando o lazer para férias, fins de semana e feriados”, completou. Embora não esteja localizado em território praiano, o hotel atende a todos os anseios dos clientes em relação ao alto padrão proposto pela

rede, com direito a decoração assinada pelo arquiteto francês, Marc Hertrich. Dos 374 apartamentos, 289 são da categoria Club (com 40 m² e vista para lagoa, jardim ou piscina) e 85 são Deluxe (incluindo duas suítes de 80 m² e 83 unidades com 40m² e vista para piscina, lagoa ou campo de golfe). Entre as estruturas de lazer que os hóspedes podem usufruir estão quadras de tênis e dois campos de futebol padrão FIFA, três piscinas aquecidas e uma quarta que não é climatizada, além de campo de golfe profissional. As atividades aquáticas incluem caiaque, stand up paddle e vela. O Lake Paradise conta ainda com um spa e dois restaurantes, sendo um voltado para público em geral e outro destinado aos eventos, ambos com serviço gourmet. O village oferece dois modelos de entretenimento para crianças e adolescentes. Mini Club Med - para os pequenos entre 4 e 10 anos - e Junior´s Club Med - com atividades para hóspedes entre 11 e 17 anos. O que faz o diferencial são os GOs (Gentil Organizador), profissionais

Carolina Correia, diretora de Marketing para América Latina e Janyck Daudet, presidente do Club Med para América Latina 28 Brasilturis Janeiro / 2017

que estão à disposição dos clientes mirins e realizam atividades com pessoas de qualquer faixa etária, trabalhando como embaixadores do espírito Club Med.

Aposta em tecnologia

Com foco no mercado corporativo, o Lake Paradise dispõe de 30 espaços diferentes para eventos com Igreja ecumênica para realização de casamentos no Lake Paradise capacidade para até 2 mil pessoas. Com o mercado de casamento nas alturas, o village tem uma capela do chip”, afirmou Carolina Correia, ecumênica no espaço externo com diretora de marketing do Club Med capacidade para 120 pessoas que para América Latina. Em fase de tespermite a realização de celebrações tes, o bracelete começou a ser usado que cabem no bolso dos noivos. neste mês. Além do aplicativo Club Med, que divulga a programação de atividaCLUB MED LAKE PARADISE des do resort, e de outras ferramenTel. (11) 4002-2582 tas interativas, o Lake Paradise diswww.clubmed.com.br ponibilizará um bracelete digital que substitui o cartão de crédito e tem Brasilturis Jornal viajou a convite do Club sensor para abrir a porta do quarto. Med, com seguro-viagem April “Quem quiser encomendar um serviço extra não precisa assinar nada, pois tudo No mês passado, o Club Med sediou um é registrado por meio evento próprio para reforçar as facilidades do Lake Paradise para o trade. Em sua 15ª edição, a premiação Expert Club Med recebeu 500 pessoas e homenageou os profissionais que mais se destacaram nas vendas da rede entre 2015 e 2016 reunindo representantes das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Marco Oliva, diretor de vendas, anunciou os 50 nomes de agentes de viagens, operadoras e empresas/organizadores de eventos premiados de acordo com a categoria. Os convidados vestiram roupas e acessórios inspirados em “O Grande Gatsby”, com decoração do ambiente que remete à década de 1920. Daniel Guimarães e Marco Oliva (Club Med)

Expert 2015-2016


CRUZEIROS

Lacuna preenchida Por CAMILA LUCCHESI

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otado, o Soberano chegou ao porto de Santos (SP) para iniciar oficialmente a temporada brasileira de cruzeiros, no mês passado. “Estamos em festa”, disse Valter Patriani, vice-presidente de produtos, marketing e vendas da CVC, assim que a embarcação para 2.733 passageiros começou a atracar. Também participaram do lançamento Emerson Belan (diretor de vendas CVC), José Blanco (vice-presidente comercial Pullmantur), Alejandro Páez (diretor comercial Pullmantur para América Latina) e Orlando Palhares (gerente de operações marítimas CVC). Fretado pela CVC, o navio tem operação da Pullmantur e irá oferecer roteiros de curta duração. “O mercado já está bem servido de opções de roteiros

de uma semana, mas faltavam ofertas de minicruzeiros. A procura intensa mostra que tomamos uma decisão acertada”, defendeu Patriani. Segundo ele, a operadora registrou alta de 30% nas vendas de cruzeiros na comparação com a temporada 2015-2016. Outras duas vantagens apontadas pelo executivo como diferenciais na operação são a venda com sistema tudo incluído - que compreende até as gorjetas dadas à tripulação – e o fato de que a maioria dos profissionais da linha de frente – inclusive o comandante Amadeu Albuquerque - fala português. Um dos colaboradores mais queridos pelos viajantes é Saddam, mestre de cerimônias e diretor de cruzeiros que atua nesse mercado há 23 anos, 10 deles pela Pullmantur. “O brasileiro

Emerson Belan, José Blanco, Valter Patriani e Alejandro Páez

tem um perfil particular entre os cruzeiristas, ele compra o pacote para curtir as atrações do navio. Então, mais da metade dos passageiros fica a bordo nas paradas para excursões”, resumiu. Para garantir a diversão diária desse público, o Soberano conta com uma piscina de água salgada com jacuzzis, rodeada por 2 mil espreguiçadeiras. “Os shows acontecem em dois turnos todas as noites e também temos música ao vivo até 1h30, além da discoteca funcionando até 4h. Há, no mínimo,

três bares abertos no navio com cinco atendentes em cada”, revelou Saddam. Os embarques e desembarques dos 55 cruzeiros foram divididos entre cinco portos brasileiros: Santos (24 viagens), Rio de Janeiro (22), Salvador (6) e Recife (3). “70% das vendas vem do estado de São Paulo e dos 30% de embarques no porto fluminense, 15% é de passageiros desse estado e outros 15% de viajantes de outras partes do Brasil”, afirmou Patriani.

MSC confirma navios para 2017-2018 Por CHRISTIANE FLORES

A

MSC Cruzeiros, que traz o maior navio para o Brasil, o MSC Preziosa com capacidade para 4,3 mil hóspedes, apresenta novidades para a próxima temporada, que irá de novembro de 2017 a abril de 2018. O Preziosa retornará ao País com embarques em Santos (SP) e paradas em Búzios e Ilha Grande (RJ), Ilhabela (SP), Salvador e Ilhéus (BA). O MSC Musica, terá embarques no Rio de Janeiro e rotas para a Região Nordeste, Buenos Aires (Argentina) e Montevidéu (Uruguai). O MSC Magnifica, com embarque na baixada santista, navegará rumo a Buenos Aires e Montevidéu e o MSC Poesia também estará na América do Sul, com em-

barques em Buenos Aires. Além de ampliar a temporada em seis meses, a companhia oferece a promoção de segundo passageiro grátis para reservas nesses cruzeiros realizadas até 30 de abril de 2017. Dez cabines por saída serão ainda contempladas com um super upgrade: quem adquirir cabine interna se hospedará em externa e quem adquirir externa, receberá cabine com varanda. Para a temporada atual são ofertadas 63 mil cabines e 40 cruzeiros; em 2017-2018 serão 83 mil cabines e 56 cruzeiros. Todo esse investimento representa um incremento de 32% na oferta, sendo que estão previs-

Área de lazer do MSC Preziosa, o maior navio da temporada

tos cerca de R$ 43 mil somente para pagamento de comissões aos agentes de viagens. “Nunca deixamos de acreditar no potencial do mercado brasileiro, mas com a falta de infraestrutura e políticas de incentivo por parte do governo, alteramos nossas estratégias para mercados emergentes, como Cuba e Emirados Árabes Unidos”, explicou Adrian Ursilli, diretor-geral da MSC no Brasil. O executivo afirmou que a armadora lança cada temporada com antecedência de um ano e, muitas vezes, é surpreendida com custos extras como o aumento nas taxas, por exemplo. “Temos conversas constantes com a Clia Abremar em busca de melhorias para, assim, traçar projetos de longo prazo. Por essa razão, manteremos nosso compromisso de trazer novos navios todos os anos. E somente por meio da parceria com os agentes de viagens, nossos principais canais de vendas, seguimos crescendo e trabalhando para garantir 100% da ocupação”, completou. Para cruzeiristas que procuram exclusividade e privacidade, a armadora oferece o Yacht Club, uma experiência de luxo dentro do navio que inclui serviços privativos de bar, lounge, restaurante, acesso ao spa e piscina. As cabines em área restrita contam ainda com serviço de consierge, mordomo, excursões diferen-

Adrian Ursilli, diretor-geral da MSC para o Brasil

ciadas, prioridade no embarque e desembarque, sistema de bebidas all inclusive e demais comodidades.

Cabine exclusiva do Yacht Club

Expansão global Com investimento previsto de 9 bilhões de euros nos próximos anos, a MSC triplicará sua oferta e terá mais 11 navios, com a previsão de inaugurar o último transatlântico em 2026, totalizando 23 navios. O Brasilturis viajou a convite da MSC Cruzeiros, com seguro-viagem April. Brasilturis Janeiro / 2017 29


LUXO CHRISTINA KLER Executiva focada em desenvolvimento de negócios christina@bgate.com.br

Fundado por Horácio Neves, em 1981. O Primeiro jornal criado especialmente para a indústria do turismo nacional, Brasilturis atualmente é produzido pela Editora Via, maior grupo de comunicação especializado em publicações segmentadas sobre turismo.

Longe ou aqui pertinho?

E

nquanto os turistas que optam por destinos no Hemisfério Norte se inserem em m cenário clássico de inverno com pinheiros cobertos de neve e alegres mercados repletos de lembranças e guloseimas, quem viaja pelo Hemisfério Sul aproveita deliciosas praias e o prazer de andar de sandálias em algum hotel pé na areia. No imaginário coletivo, inverno é sinônimo de frio e neve e alguns destinos oferecem experiências únicas que devem ser vividas pelo menos uma vez na vida. Um deles é a Lapônia finlandesa que, ano após ano, encanta a adultos e crianças com cores deslumbrantes das auroras boreais, longas noites que parecem não acabar nunca e aquela neve branca imaculada. Trata-se de uma viagem perfeita para ser oferecida a famílias que buscam por momentos especiais que nunca mais serão esquecidos. Desde o mês passado, o Hotel Santa Claus www.santashotels.fi/ en/hotelsantaclaus passou a oferecer uma novidade que não se restringe ao período natalino. Localizado na cidade de Rovaniemi, oferece quartos espaçosos com decoração sóbria e agradável, característica comum às propriedades em regiões nórdicas. O diferencial fica para a possibilidade de hospedagem externa em iglus recobertos por vidros que permitem a observação constante da maravilhosa

Rua Bento Freitas, 178 - Cj. 75 e 76 República - São Paulo/SP - Brasil CEP: 01220-000 | Tel.: +55 (11) 3259-2400 DIRETORIA Publisher: Ana Carolina Melo Hotel Santa Claus

CEO: Amanda Leonel amanda@editoravia.com Diretor de negócios: Marcos Araújo marcosaraujo@editoravia.com REDAÇÃO Editora: Camila Lucchesi camila@editoravia.com Jornalistas: Christiane Flores chrisflores@editoravia.com Mayra Salsa mayra@editoravia.com

Heli-ski

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Casa Turquesa

(e gelada) natureza do entorno. Uma perfeita experiência Ártica! Os bons esquiadores não conseguem passar uma temporada sem descer montanhas com neve impecável e fresca a boa “poudreuse” como chamam em francês - em alguma estação de esqui. Todos buscam a mesma sensação de prazer, um misto de levitação, velocidade e vício. Uma dica imperdível para os amantes da emoção é a prática de heli-ski na Colúmbia Britânica, no Canadá. Esquiadores e snowboarders irão adorar as amplas pistas cercadas por belas geleiras e neve funda sem marcas localizadas entre as Montanhas Rochosas Canadenses e as intocadas Montanhas Purcell. Para os amantes do calor, os destinos tropicais são sinônimos de praias de areia branca, muitas palmeiras e todo o tipo de esportes aquáticos. E não é preciso ir muito

PUBLICIDADE E MARKETING Gerente comercial: Irineo Ferreira irineoferreira@editoravia.com

longe para ter tudo isso num só lugar. Uma sugestão de roteiro próximo de quem vive no eixo RJ-SP é Paraty. Pequeno porto esquecido durante anos, mas e totalmente preservado, o destino tem muito a oferecer pelas típicas ruas de pedras irregulares e no belo centro histórico. Quem escolher a Casa Turquesa www.casaturquesa.com. br, por exemplo, vai desejar ter férias eternas para nunca mais ter de voltar à realidade. A propriedade é marcada por serviços impecáveis e de um luxo despojado, impregnado da charmosa (e única) personalidade local. Para nossa sorte, o Brasil está ficando rico em pequenas propriedades como essas características. Paraty

Executivo de contas: Alex Bernardes alex@editoravia.com ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO Gerente: Rita de Cassia Leonel financeiro@editoravia.com REPRESENTANTES BRASIL Salvador (BA): Gorgônio Loureiro (71) 3334-3277 e (71) 9972-5158 gorgonioloureiro5@gmail.com Fortaleza (CE): Mario Pinho (85) 3298-1506 e (85) 99164-2757 ou 99764-4290 mariopinho@editoravia.com Brasília (DF): Ibis Comunicação/Ivone Camargo (61) 3349-5061, (61) 9666-7755 e (61) 8430-7755 ivone@ibiscomunicacao.com.br REPRESENTANTE EUA: Multimedia Inc +1 (407) 903-5000 e +1 (407) 363-9809 Assinaturas: financeiro@editoravia.com Impressão: Rush Gráfica

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