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FUNOESC

45 ANOS edição comemorativa - Ano 2013

conectando histórias


26 de maio

O médico Euryclides de Jesus Zerbini e sua equipe realizam o primeiro transplante de coração da América Latina

Fat o

s de

19 68

11 de outubro

É lançada a Apollo 7, a primeira missão tripulada do projeto Apollo da Nasa

27 de setembro 26 de junho

É realizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil, uma manifestação contra o Regime Militar organizada pelo movimento estudantil

Reforma Universitária é aprovada pelo governo federal


EDITORIAL

SOMOS FUNOESC Como resumir em palavras e imagens fotográficas uma

Por tudo isso, comemoramos

instituição que vai muito além

estes 45 anos com 45 histórias

da superficialidade dos fatos? A

que representam as inúmeras

Fundação Universidade do Oeste

expressões de uma fundação

de Santa Catarina (Funoesc)

criada para impulsionar o

dirigindo-se para o objetivo

é constituída por milhares de

desenvolvimento de uma região

de atender com qualidade as

pessoas, tanto por aquelas que a

e que segue percorrendo esta

necessidades de saúde de uma

integram na atualidade quanto por

missão. O momento também é

região que concentra mais de 500

quem passou, levando aprendizado

oportuno para comemorar as

mil pessoas.

e experiência, mas deixando um

conquistas registradas no seu

pouco de si. E pessoas, nesta

percurso. A Funoesc completa

Se até agora as palavras que

perspectiva, são mistura. Mistura

quatro décadas e meia vendo

melhor representavam a

de sentimentos, de sonhos e de

a Unoesc adentrar em um

Funoesc eram “ensino superior”,

motivações; são a força do trabalho

processo de amadurecimento

“desenvolvimento”, “Oeste” e

que transforma os sonhos em

no mundo científico e fortalecer

“Santa Catarina”, a partir deste

realidade.

sua presença em todo o grande

momento é necessário incluir à

Oeste de Santa Catarina, enquanto

lista novos conceitos: “inovação”,

o Hospital Universitário Santa

“ciência”, “excelência” e

Terezinha (HUST) evolui física e

“mundo”, pois é para estes rumos

tecnologicamente,

que a Instituição caminhará nos

E o caminho só está começando.

próximos 45, 50, 100, 450 anos.

6 de abril

Filme 2001: A Space Odyssey é lançado nos cinemas do mundo inteiro

13 de julho

Brasileira Martha Vasconcellos é eleita Miss Universo 68


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Funoesc 45 Anos

ÍNDICE FUNOESC • 6

PERIÓDICOS CIENTÍFICOS • 32

UNIVERSIDADE • 10

EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA • 34

Uma fundação comprometida com milhares de vidas

As faces do conhecimento

ENSINO • 14

Conhecimento em construção

O desafio de divulgar com excelência

A universidade além do ensino e da pesquisa

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS• 37 Da teoria à prática

ENTREVISTA • 17

Um ano para ficar na história

HOSPITAL VETERINÁRIO • 40 Aprendizado e cuidado com os animais

ESPECIALIZAÇÃO • 20

O sucesso além da graduação

PESQUISA • 22

O que a sociedade ganha com isso?

ARTICULAÇÃO SOCIAL • 42 União pelo Oeste Catarinense

INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO • 44

INICIAÇÃO CIENTÍFICA • 24

O lugar das boas ideias

INTERNACIONALIZAÇÃO • 26

BOLSAS DE ESTUDO • 48

Os primeiros passos no mundo da pesquisa

Passaporte para o conhecimento

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • 31 Uma pequena revolução em curso

O valor de um sonho

SUSTENTABILIDADE • 50 Profissionais do futuro


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EXPEDIENTE Fundação Universidade do Oeste de Santa Catarina (Funoesc)

ESPORTE UNIVERSITÁRIO • 52

Presidente: Genesio Téo Vice-presidente: Antônio Carlos de Souza

Onde o jogo é parceria

RÁDIO EDUCATIVA • 54 Diversão, informação FM

Universidade do Oeste de Santa Catarina Reitor: Aristides Cimadon Vice-reitor Acadêmico: Nelson Santos Machado Vice-reitor do Campus de São Miguel do Oeste: Vitor Carlos D’Agostini

UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA • 56 Estatal não, pública sim

Vice-reitor do Campus de Videira: Antônio Carlos de Souza Vice-reitor do Campus de Xanxerê: Genesio Téo Diretor da Unidade de Chapecó: Ricardo Antônio De Marco

EDUCAÇÃO BÁSICA • 58

Ensino de qualidade e formação integral

Gerência de Marketing e Comunicação Gerente: Andreia Claudia Rizzi

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO • 62 Uma obra viva • 62 Renovar sempre • 64

UNIVERSIDADE • 68

Um desafio que nunca tem fim

Editor e jornalista responsável: Bruna Santos de Andrade Reportagens: Bruna Santos de Andrade, Gabriela Volkweis Stocco, Herton Farias, João Luiz Bariviera, Marcos Andrei Meller e Ulisses Junior Longhi. Fotografias: Adriano Maurina, Arnaldo Telles Ferreira, Bruna Santos de Andrade, Gabriela Volkweis Stocco, Herton Farias, João Bariviera, Kleberson Brocardo, Luciano Colissi, Tatiane Michele Hammes, Vanderlei Tecchio e arquivo Funoesc. Projeto gráfico e diagramação: Luana Martins Capa: Luana Martins Revisão linguística: Débora Diersmann Silva Pereira - Editora Unoesc

PROJETOS FUTUROS • 72 Desafios compartilhados

Impressão: Gráfica Kaygangue Tiragem: 2.000 exemplares Distribuição Dirigida

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6

Funoesc 45 Anos

FUNOESC

Uma fundação comprometida com milhares de vidas Solidez econômica e gestão eficaz garantem o crescimento e a evolução da Universidade do Oeste de Santa Catarina e do Hospital Universitário Santa Terezinha

A

o sair de casa, para buscar trabalho e uma vida melhor em Joaçaba, no Meio-oeste Catarinense, o jovem Genesio Téo não tinha ideia do caminho que sua vida iria tomar. A intenção era estudar, chegar a fazer um curso superior, e deixar para trás o trabalho na agricultura na pequena propriedade de seus pais, no interior de Jaborá. “Eu via uma situação difícil na atividade de agricultura, pois era uma família numerosa, de oito irmãos, com poucos recursos e poucas oportunidades para ter uma vida melhor.” O jeito foi percorrer o caminho que muitos jovens da região começavam a trilhar. Morar na cidade e encontrar um trabalho para se sustentar era o primeiro passo. Sabia que o sonho de cursar a faculdade ainda era distante, pois morar em Florianópolis para estudar era privilégio de quem tinha uma condição financeira melhor que a sua. Chegou um momento em que não conseguia mais conciliar o trabalho e o estudo em Joaçaba. Por isso mudou de cidade, em busca de alternativas. Foi para Concórdia e em pouco mais de um ano estava empregado na Sadia, uma das melhores empresas para trabalhar naquela época, na região. E foi a partir do incentivo da empresa que, alguns anos depois, conseguiu atingir o objetivo que tinha ao deixar o campo: cursar o ensino superior. Como queria cursar Economia, precisou estudar em Palmas (PR), onde existia o Curso de Ciências Econômicas. Depois de formado veio o primeiro curso de especialização que

lhe proporcionou a experiência como professor universitário, na Unoesc Xanxerê. Não demorou para que sua vida obtivesse vínculo mais forte com essa instituição. Téo havia deixado a empresa Sadia e criado seu próprio negócio: um escritório de consultoria. Menos de dois anos depois, teve de dividir sua atenção entre seu projeto pessoal e um novo desafio: devido à sua experiência profissional e formação acadêmica – que já acumulava mais uma especialização, a qual, assim como a primeira, tinha sido oferecida por meio de um convênio entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Unoesc –, foi eleito diretor geral do Campus Aproximado de Xanxerê. Nos anos seguintes, passou a exercer a função de Pró-reitor de Administração do Campus e, mais tarde, a de Vice-Reitor de Campus. Em 2004, quando já havia cursado Mestrado em Administração Universitária, também em convênio entre UFSC e Unoesc, o compromisso se tornou ainda maior, foi convidado a se candidatar e eleito presidente da Fundação Universidade do Oeste de Santa Catarina (Funoesc), mantenedora da Unoesc e do Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST). Nesse momento, passou a ter em suas mãos a responsabilidade pelo patrimônio da maior universidade da região Oeste de Santa Catarina e em seu projeto pessoal, seu escritório de consultoria, tornou-se praticamente uma visita. “É a minha sobrinha Jane Téo que administra”, comenta, contando ainda que nos últimos anos, devido aos

Genesio Téo, Presidente da Funoesc e Vice-reitor do Campus de Xanxerê

“Felizmente a Funoesc sempre teve uma cultura da seriedade com aquilo que é o bem econômico e com a sua situação econômicofinanceira. Houve problemas, mas nos últimos 12 anos realizamos um trabalho muito sério, no sentido de pensar a solidez, para que a Fundação possa atender todos os seus objetivos”


Joaçaba

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Funoesc abrange uma estrutura distribuída por 11 cidades, localizadas desde o Extremo-oeste de Santa Catarina até o Vale do Rio do Peixe. As maiores unidades da Universidade estão em Videira, Xanxerê, Chapecó, São Miguel do Oeste e Joaçaba, onde fica a sede jurídica da Fundação, a sede administrativa da Universidade e o Hospital Universitário Santa Terezinha.

São Miguel do Oeste

Chapecó

inúmeros compromissos como Vice-reitor de Campus e Presidente da Funoesc, a atividade docente também precisou diminuir, resumindo-se a disciplinas de regime especial, que não requerem a dedicação do professor durante um semestre inteiro.

Xanxerê

História que iniciou há 45 anos Foi por histórias parecidas com a de seu atual presidente que a Funoesc foi criada, há exatos 45 anos. Em 22 de novembro de 1968, o município de Joaçaba sancionou a Lei nº 545, dando vida à Fundação Universitária do Oeste Catarinense, primeira fundação educacional da região. E não é exagero falar em dar vida, pois essa fundação já era bem mais do que um ente jurídico, era o início de um sonho coletivo alimentado por uma comunidade que desejava ter mais oportunidades, ver sua cidade e sua região crescerem, e que apostava no modelo das fundações educacionais para tornar tudo isso uma realidade. Os registros históricos que o leitor pode acompanhar na linha do tempo que percorre as páginas desta revista mostram o crescimento que a Instituição teve até hoje. Com a criação de outras fundações educacionais pela região, foram surgindo as parcerias, o número de cursos superiores foi aumentando e a articulação

Videira

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Funoesc 45 Anos

1968

Fraiburgo

Capinzal

Pinhalzinho

Campos Novos

Maravilha

São José do Cedro

• Fundação Educacional do Oeste Catarinense é criada em Joaçaba. Inicialmente chamava-se Fundação Universitária do Oeste Catarinense (FUOC).

Osmar Mena Barreto. Natural de Catanduvas, foi contratado pela FUOC em 1973 e trabalha na Instituição até hoje. Atuou como professor e assumiu funções administrativas na FUOC e na Funoesc.

“Tempos difíceis viveu a juventude da nossa região, que sonhava com uma formação superior, antes da implantação da FUOC. Nesta época, somente as capitais e as grandes cidades contavam com faculdades e universidades. O acesso ao ensino superior era privilégio de poucos e apenas os membros da elite de nossa comunidade é que


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Além das unidades, a Unoesc possui duas escolas de ensino médio: O Colégio Superação e o Colégio e Pré-vestibular Expressivo

para transformar as faculdades mantidas por essas fundações em uma grande universidade se delineando, até se tornar realidade, em 1991, quando o Ministério da Educação autorizou um projeto para criação de uma Universidade que reuniria as estruturas das fundações existentes em Joaçaba, Videira e Chapecó. A confirmação veio em 1996, com o credenciamento e, a partir daí um processo de expansão que tornou a Unoesc uma das maiores universidades de Santa Catarina. Além da Universidade, em 2005 a Funoesc tornou-se mantenedora do Hospital Universitário Santa Terezinha, de Joaçaba. O hospital havia sido criado por uma associação formada por pessoas da comunidade ainda na década de 1940, mas, 60 anos mais tarde, viu na Funoesc a chance de sair de uma situação financeira bastante delicada e melhorar sua infraestrutura física e tecnológica, na época defasada. Hoje, as duas mantidas – Universidade e Hospital – juntas têm uma dimensão que supera muitos municípios da região: um orçamento anual de aproximadamente R$ 180 milhões para atender a um universo

HUST

conseguiam estudar fora. A conclusão do segundo grau era o final da carreira acadêmica para muitos. A meta era encerrar o curso secundário e buscar uma colocação do mercado de trabalho, mesmo sem uma formação especializada. Neste período, a grande maioria dos jovens se contentava apenas em esperar os feriados de Páscoa, Natal e as férias para rever alguns amigos ou conhecidos que regressavam das

capitais, onde cursavam uma faculdade e de lá traziam as novidades das cidades grandes: belas roupas, os cabelos longos, as gírias, carrões e tantas outras coisas que nos encantavam, mas também nos deixavam com um certo sentimento de inferioridade, misturado com a frustração de não poder sequer fazer um curso superior. Foi graças à pressão social e ao esforço de membros da nossa comunidade que, em 1968,

que supera 160 mil pessoas. E esse número representa apenas a quantidade de estudantes vinculados à Unoesc (mais de 21 mil) e o número de pacientes atendidos a cada ano no HUST (em 2012, foram mais de 148 mil pessoas), sem considerar as parcerias, projetos sociais e o impacto social que as duas mantidas representam para os municípios e a região onde estão inseridas. Conforme o presidente, já houve muitos desafios a superar ao decorrer da história da Funoesc, mas o principal nos dias atuais, em que a fundação goza de estabilidade financeira e registra um contínuo e visível crescimento, é mantê-la sólida, para que a Universidade e o Hospital possam atender aos seus objetivos. “Felizmente a Funoesc sempre teve uma cultura da seriedade com aquilo que é o bem econômico e com a sua situação econômico-financeira. Houve problemas, mas nos últimos 12 anos realizamos um trabalho muito sério, no sentido de pensar a solidez, para que a Fundação possa atender todos os seus objetivos. E minha principal preocupação é manter uma equipe comprometida com isso”, diz.

HUST

criou-se a FUOC e, na sequência, conseguimos implantar a faculdade e nela os cursos de Administração, Pedagogia, Estudos Sociais e Direito. O que pode parecer para alguns algo simples e corriqueiro, afinal hoje criam-se instituições de ensino superior em cada esquina, foi na verdade um grande e decisivo passo que de fato mudou nossas vidas.”

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10 Funoesc 45 Anos UNIVERSIDADE

As faces do conhecimento Juliano, Andressa e Sirlene: três vidas distintas, mas sonhos semelhantes. Eles representam mais de 20 mil pessoas que buscam na Unoesc as bases para mudar sua vida e construir uma sociedade melhor

J

uliano Horn, de 31 anos, é estudante de Ciências Contábeis em Videira. Auxiliar administrativo, ele conta as horas e otimiza o tempo para conciliar o trabalho e a faculdade. O coeficiente, segundo ele, é “organização”, além do apoio da esposa. Acorda diariamente por volta das 7h30 e o primeiro cálculo do dia é o tempo que leva para percorrer 2,5 km entre casa e trabalho, percurso feito de motocicleta, mais econômica. No intervalo do almoço, não volta para casa. Na mochila ele leva sempre um livro e aproveita o momento para estudar. O expediente termina às 18h, quando volta para casa a fim de se preparar para mais algumas horas em sala de aula. Entre idas e vindas, o dia só acaba às 23h. O bônus, no entanto, é o sentimento de dever cumprido rumo à qualificação profissional.

atividades do curso, que frequentemente lhe ocupam a manhã, a tarde e a noite. Neste semestre, o estágio hospitalar começa pontualmente às 7h. Para cumprir a rotina, o relógio precisa despertar uma hora antes. Vaidosa, Andressa não sai de casa sem maquiagem. Não por acaso, o traço marcante da sua personalidade está no sorriso, que é remédio para o cansaço e, segundo ela, imprescindível para quem trabalha pelo bem-estar das pessoas. Sirlene Estasmaier, 19 anos, é estudante de Artes Visuais da Unoesc São Miguel do Oeste. Filha de agricultores, ela aprendeu desde cedo que o trabalho vem em primeiro lugar. O dia começa ainda no alvorecer. Às 6h30 ela já está acordada. Depois do café da manhã, ajuda a mãe com o serviço da casa. Essa é apenas a primeira atividade do dia. Sirlene ainda cuida dos animais, vai Entre idas e vindas, o dia só acaba para a roça e divide as demais tarefas da pequena propriedade às 23h. O bônus, no entanto, é na Linha Ouro Verde, interior o sentimento de dever cumprido de Guaraciaba, com os dois irrumo à qualificação profissional mãos. O trabalho só é deixado de lado perto das 16h30. Nesse Andressa Molinar tem 24 anos horário, ela se prepara para outra e estuda Medicina em Joaçaba. jornada: ir para a faculdade e realiGaúcha de Santa Rosa, ela cursa zar o sonho de ser professora. São a última fase do curso e, a poucos quase 40 quilômetros da comunidade dias da formatura, a rotina mescla de Ouro Verde até São Miguel do estudo e expectativa. Distante 500 Oeste. Depois da aula, a viagem de km da família, ela está determinaretorno tem outra vez dois ônibus. da a passar na prova de residência Ela só vai descansar por volta de 1h médica e seguir, no Rio Grande do da madrugada, quando o cansaço só Sul, a carreira na pediatria. Desde não é maior que a determinação. que iniciou a faculdade, dedicaEnquanto a escolha de Juliano se exclusivamente aos estudos e pela Contabilidade foi baseada em

Juliano Horn, 31 anos Videira

Andressa Molinar, 24 anos Joaçaba

Sirlene Estasmaier, 19 anos São Miguel do Oeste


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indicativos de crescimento da área, Sirlene conta que o sonho de ser professora de Artes iniciou quando ela ainda cursava a quinta série do ensino fundamental. “O professor nos dava desenhos para a gente copiar e eu sentia tanto prazer que não tive dúvida de que era isso que eu queria para minha vida”, conta Sirlene. Hoje, ela descobriu que Artes Visuais é muito mais do que desenhar. “É sensibilidade, uma forma de comunicação, de falar com o mundo”, diz. Já no caso de Andressa, a opção pela Medicina vai muito além da simples definição “fazer o que gosta”. “O curso tem suas peculiaridades. A gente tem que ter total disponibilidade e muita força de vontade. Tem que ter paixão. Por isso eu acho que foi a Medicina que me escolheu”, afirma. Com um sorriso, a futura médica acena para o futuro. Mesmo com algumas dúvidas a respeito das condições para o exercício da profissão no País, tem certeza que estará atendendo a sua vocação. “Quero ser uma boa médica, cuidar bem dos meus pacientes”, prevê Andressa. O planejamento de Juliano também já está traçado, quer ser auditor contábil. Mas sempre receptivo a sugestões, não descarta uma mudança que o faça cumprir o grande projeto da sua vida: “Ser feliz naquilo que faço”. Para Sirlene, o futuro é uma grande tela em branco, porém está certa de que o conhecimento que ela está adquirindo agora vai ser suficiente para pintar-lhe um mundo melhor.

Onde todos se encontram A história de Sirlene, Andressa e Juliano é semelhante à de milhares de acadêmicos da Unoesc que buscam na formação superior o caminho para realizar um sonho, para construir uma sociedade mais justa e equilibrada ou, simplesmente, para ter uma vida melhor. E, possivelmente, essa já foi a realidade de grande parte dos 35 mil profissionais já formados pela Instituição. Neste ano, a Unoesc tem 17.765 estudantes matriculados em cursos de graduação, que são 56 em toda a Universidade, muitos destes oferecidos em mais de um local. Outras

Momento feliz da rotina da estudante Andressa é o atendimento aos pacientes

2.673 pessoas cursam pós-graduações em nível de especialização, 136 fazem um dos quatro cursos de Mestrado em andamento – três deles implantados em 2013 – e, ainda, 624 são alunos da Educação Básica matriculados em duas escolas de ensino médio que a Universidade possui em Videira e Xanxerê. As 21.198 pessoas que formam o universo do corpo discente da Unoesc estão espalhadas nas 11 unidades que a Universidade possui desde a região Extremo-Oeste até o Vale no Rio do Peixe, no Meio-Oeste Catarinense. São quatro Campi – em Joaçaba, onde também fica a sede administrativa da Universidade

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12 Funoesc 45 Anos Através da Editora Unoesc, a e a sede jurídica da Fundação que a Universidade também publica mantém, em Videira, em Xanxerê e anualmente duas edições das revistas São Miguel do Oeste –, sete Campi científicas Espaço Jurídico, EvidênAproximados, ligados aos primeicia Interdisciplinar, Roteiro e Race, ros tanto no aspecto administrativo além de duas edições – cada uma quanto acadêmico, e uma unidade em com quatro volumes – da revista inChapecó. terna Unoesc & Ciência, que divulga A administração e o funcionamento os melhores trabalhos de pesquisa de todas essas unidades contam com realizados por alunos dos cursos de um quadro de 596 funcionários. Já graduação da própria Instituição. o ensino, a pesquisa e a extensão são coordenados por 891 professores, mais da metade deles com título A cada ano, professores e de Doutorado ou Mestrado. estudantes desenvolvem centenas Ao total, a Universidade possui de projetos de extensão, cultura e 46 grupos de pesquisa que envolvem 389 pesquisadores e cerca de ação comunitária 350 acadêmicos, sendo estes últiA cada ano, professores e estudanmos, em maioria, estudantes que recetes desenvolvem centenas de projetos bem bolsas de pesquisa de diferentes de extensão, cultura e ação comunifontes de financiamento. Só em 2012, tária. Nesse grupo de atividades estão o trabalho desses pesquisadores, de incluídos desde cursos de capaciprofessores e de estudantes resultou tação, eventos acadêmicos, projetos na publicação de 412 artigos científide extensão de caráter filantrópico, cos, 22 livros, 164 capítulos de livros, culturais e esportivos, projetos e ser393 resumos e 221 trabalhos compleviços em parceria com outras organitos em anais de eventos científicos.

zações públicas e privadas. Em 2012, atividades dessa natureza envolveram mais de 44 mil pessoas. Por meio do trabalho de estudantes, funcionários e professores, a Universidade ainda presta atendimento em saúde humana e animal, assistência jurídica e serviços eventuais, como assessorias, consultorias, exames e laudos técnicos, palestras e campanhas. Em termos de estrutura física, são hoje mais de 155 mil metros quadrados de área construída, 429 laboratórios próprios, 452 salas de aula, quadras esportivas, ginásios, auditórios e um acervo bibliográfico de 179 mil títulos e 357 mil volumes.

Sirlene busca no ensino superior as cores para pintar seus sonhos


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UNOESC EM NÚMEROS Estudantes:

21.198 Graduação: 17.765 Especialização: 2.673 Mestrado: 136

Professores: 891 Funcionários: 596

Cursos em andamento:

131

Graduação: 56 Especialização: 71 Mestrado: 4

Volume de publicação anual:

1.262* Artigos: 412 Livros: 22 Capítulos de livros: 164 Resumos em anais: 393 Artigos completos em anais: 221 Teses: 6 Dissertações: 44

Periódicos: 5, todos com periodicidade semestral Espaço Jurídico Evidência Interdisciplinar RACE Roteiro Unoesc & Ciência

Grupos de pesquisa: 46 Pesquisadores: 389 Acervo Bibliográfico: Títulos:

Bolsas de pesquisa*: 351

Projetos de extensão: 449* Pessoas beneficiadas:

44.338*

Estrutura física: Área construída própria: 155.863 m² Laboratórios próprios: 429 Salas de aula: 452 Quadras e ginásios: 16 Auditórios: 16

194.750 Livros: 179.541 títulos 357.804 volumes Periódicos: 6.346 Assinaturas correntes: 396 CDs e DVDs: 8.467

Mobilidade estudantil: Instituições estrangeiras conveniadas: 18 Alunos em intercâmbio em 2013: 21

Pessoas beneficiadas anualmente com serviços gratuitos:

75.090* Odontologia: 7.038 Psicologia: 3.385 Serviço Social: 361 Fisioterapia: 810 Educação Física: 17.462 Medicina (AMU): 7.697 Enfermagem: 24.804 Atendimento ao idoso: 377 Ciências Biológicas: 301 Parceria com outras organizações: 1.214* Pessoas atendidas no Serviço de Atendimento Jurídico Comunitário: 11.641*

Atendimentos em saúde animal: 723*

Serviços eventuais:

32.749*

Assessorias: 16 Consultorias: 3 Exames e laudos técnicos: 32.569 Atividades de ensino e extensão: 161*

Dados extraídos da publicação Números Unoesc 2013-1 *Referentes ao ano de 2012

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14 Funoesc 45 Anos ENSINO

Conhecimento em construção Professora universitária há quase 20 anos, Eliane procura mais do que ensinar, busca ampliar as perspectivas de vida de seus alunos

A

professora Eliane é uma mulher de agenda disputada. Sua semana é dividida principalmente entre Joaçaba e Chapecó, onde dá aulas para cursos de graduação, especialização e para o Mestrado Profissional em Administração da Unoesc. Mas isso é só o começo. Ela está constantemente desenvolvendo e orientando vários projetos de pesquisa, participa de eventos científicos, frequentemente é convidada para compor comissões científicas ou ministrar palestras e painéis nesses eventos e também em atividades de extensão promovidas por instituições de ensino, conselhos e organizações públicas. Em setembro, foi eleita a melhor avaliadora de periódicos da Associação Nacional de Pós-graduação em Administração (Anpad). Além disso, participa de redes internacionais de pesquisa, é editora da Revista RACE (vinculada ao Mestrado Profissional em Administração), participa do Núcleo Docente Estruturante do Curso de Administração da Unoesc Joaçaba e presta consultoria a empresas e organizações públicas. Com tantas ocupações, é uma pessoa que gosta de objetividade, de ir direto ao ponto. É discreta, até no sorriso, mas não passa despercebida. Tem o respeito dos colegas e o carinho de seus alunos que veem na

1971

professora mais do que uma mestra, uma amiga. Na sala de aula, ela tenta dar o seu melhor e ser atenta aos alunos. Preocupa-se com o futuro que terão. Presta orientações individuais quando é procurada para isso e até quando não é, caso perceba que o aluno está em alguma dificuldade em que possa auxiliá-lo. “O professor tem um papel muito relevante, mas não absoluto. Nosso papel é de nos preocuparmos com nossos alunos. Eu me ocupo com os meus alunos, com a perspectiva de carreira, com as oportunidades que terão na vida”, diz. A dedicação à docência é completa. Trabalha 40 horas por semana e, como muitos professores, a jornada geralmente se estende por três turnos. E é feliz, realizada com sua vida profissional como professora. Também, não podia ser diferente: a vocação está no sangue. Filha e neta de professores, desde criança queria seguir essa carreira, pois acredita que a transformação da realidade passa pela educação. “Venho de uma família pobre e meus pais sempre valorizaram muito o estudo como possibilidade de mobilidade social. A única alternativa que a nossa classe social tinha para melhorar a qualidade de vida era estudando e meus pais sempre deixaram isso muito claro e foram

• A FUOC implanta a Faculdade de Administração de Joaçaba e cria o primeiro curso superior do Oeste de Santa Catarina

• Na foto, João Eduardo Souza Varella, primeiro diretor geral da FUOC, o empresário Onacli Luiz Fabrin, e o diretor do Ginásio Marista, Irmão Marcilio Casarot-

Eliane Salete Filippim, professora

“O professor tem um papel muito relevante, mas não absoluto. Nosso papel é de nos preocuparmos com nossos alunos. Eu me ocupo com os meus alunos, com a perspectiva de carreira, com as oportunidades que terão na vida”

to, com autoridades políticas (deputado Nelson Pedrini, prefeito Nilson Germano Zomkowski, governador Colombo Machado Salles e o prefeito de Herval d´Oeste Júlio Dariva), na instalação da faculdade de Administração nas dependências do Colégio Marista Frei Rogério.


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muito exigentes quanto ao estudo. Sempre tive muita sensibilidade com a pobreza, especialmente com os que não tinham acesso ao ensino”, diz. Eliane é doutora em Engenharia de Produção e Sistemas, com pós-doutorado em Administração Pública e Governo. É também inquieta, está sempre buscando inovação e pensando como trabalhar com as novas gerações. Acredita que a construção do conhecimento é resultado da interação entre o professor, o aluno e as circunstâncias vivenciadas e trazidas por esses dois atores para o processo de ensino. Por isso, procura utilizar linguagem simples e que faça sentido dentro da realidade do aluno. Busca,também, aproximar teoria e prática, por meio de exemplos, estudos de caso, problemas trazidos pelos próprios acadêmicos. Nas disciplinas mais teóricas, como Sociologia Aplicada à Administração do Curso de graduação em Administração do Campus de Joaçaba, trabalha temas que fazem parte das preocupações da atualidade, como sustentabilidade, e investe em práticas que são marcantes para seus alunos, como as feiras de trocas solidárias. No Curso de Administração, participa de um projeto que trabalha o conteúdo de seis disciplinas da 2ª fase de forma integrada, envolvendo ensino, pesquisa e extensão. Em 2012, esse projeto voltou-se a uma demanda apresentada por uma cooperativa de agricultores assentados em Água Doce, Vargem Bonita e Catanduvas. Tratava-se de uma pesquisa sobre a percepção dos membros acerca do futuro da cooperativa e da elaboração de um plano de negócios. Com esse desafio, os estudantes aprenderam metodologia de pesquisa, estatística e os conteúdos referentes à comunicação organizacional, teoria da Administração, ética e inserção profissional. O trabalho ainda motivou dois tra-

balhos de conclusão de curso e um artigo científico, além de servir de base para que a cooperativa elaborasse um projeto e recebesse R$ 1,2 milhão do programa Nova Colheita, da Petrobrás.

“O professor tem que propiciar o conhecimento ao aluno, instigando-o a construir o seu conhecimento não de forma mecânica, mas de forma significativa” O aluno como sujeito do próprio aprendizado A preocupação e as ferramentas utilizadas pela professora Eliane Salete Filippim vêm ao encontro do que a Unoesc defende como processo de ensino-aprendizagem. Conforme explica a coordenadora pedagógica da Instituição, Claudia Elisa Grasel, os princípios educativos que norteiam a atuação dos professores são a pluralidade, entendida como a necessidade de considerar diferentes culturas e realidades; a formação profissional e humana, que não apenas prepara para o mercado de trabalho, mas forma cidadãos; a indissocialidade entre ensino, pesquisa e extensão e a relação estreita dos alunos e professores com a realidade da região onde estão inseridos. Para desenvolver tudo isso, a Unoesc se esforça em preparar e incentiva seus professores a atuarem com novas ferramentas de ensino, que sigam as tendências das metodologias ativas, em que o aluno é sujeito do seu aprendizado.

1972

“O ensino tradicional não dá mais conta de atender aos alunos que estão nas nossas salas de aula. Não é uma questão de escolha. É inevitável que a instituição de ensino acabe se transformando para atender a um perfil de estudante que não aprende mais de forma linear”, afirma a coordenadora pedagógica. “O professor tem que propiciar o conhecimento ao aluno, instigando-o a construir o seu conhecimento não de forma mecânica, mas de forma significativa”, completa. Ela acrescenta que cada curso utiliza metodologias adequadas à sua área de conhecimento e procura integrar as atividades de ensino, pesquisa e extensão em diferentes componentes curriculares. Na área das Ciências Exatas e da Terra, alguns professores utilizam competições, como maratonas de programação e desafios de estrutura. Nas áreas das Ciências Sociais Aplicadas e das Ciências Biológicas e da Saúde é comum o uso de estudos de caso. Ainda na área das Ciências Sociais Aplicadas os alunos têm a oportunidade de vivenciar situações reais de trabalho, a partir de parcerias estabelecidas com empresas e do contato com a pré-incubadora tecnológica existente na própria

• Fundação Educacional do Alto Vale do Rio do Peixe (Femarp) é criada em Videira. • Em Joaçaba, têm início as atividades do Curso de Administração.

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16 Funoesc 45 Anos Universidade. Processo semelhante acontece em cursos da área da saúde, que possuem clínicas e outros espaços apropriados para atividades práticas e de estágios. Em Joaçaba, a Funoesc mantém um hospital em que os alunos dos cursos da área da saúde podem desenvolver seus estágios. Na Área das Ciências Humanas e Sociais, que concentra os cursos de licenciatura, os estudantes estão em constante contato com o mundo do trabalho, por meio de atividades de extensão e de capacitações promovidas pela Universidade para redes de ensino. Os alunos dessa área também têm acesso a um programa de iniciação à docência da Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes), o PIBID, que concede bolsas a alunos de licenciatura para que estes participem de projetos de iniciação à docência desenvolvidos por instituições de educação superior e escolas de educação básica da rede pública de ensino. É possível ainda citar exemplos de ferramentas utilizadas por cursos de diversas áreas, como gincanas e outras atividades de extensão e de pesquisa. Para preparar e estimular os professores e coordenadores de curso a buscarem novas ferramentas de trabalho, a Universidade mantém uma política de formação docente permanente, que tem a finalidade de propor reflexões acerca da gestão

dos cursos e estimular o aperfeiçoamento do processo de ensino e aprendizagem. Conforme lembra o Pró-reitor Acadêmico do Campus de Videira, Ernani Tadeu Rizzi, a Unoesc também se preocupa em oferecer estrutura adequada ao ensino, o que começa pela constituição do corpo docente – formado em maioria por mestres e doutores, além dos especialistas que compartilham uma vivência importante para a formação dos alunos –, mas também passa pela infraestrutura oferecida a estes profissionais, com um acervo bibliográfico atualizado constantemente, laboratórios e aparatos tecnológicos atualizados, clínicas-escolas e espaços adequados para as práticas de ensino, entre outros recursos. “Outro ponto que merece destaque na Unoesc são os bons conceitos obtidos nas avaliações de reconhecimento e de renovação de reconhecimento realizados pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) de Santa Catarina e pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), do Sistema Nacional da Avaliação da Educação Superior (Sinaes)”, destaca Rizzi.

Já a professora Marilene Stertz, Pró-reitora Acadêmica do Campus de São Miguel do Oeste, observa que todo o esforço e investimento da Unoesc na qualidade de ensino têm por finalidade o cumprimento da visão da Instituição, que é “ser uma Universidade reconhecida pela excelência acadêmica e atuação como agente de desenvolvimento regional”. “Nesse sentido, todos os atores participam de ações estratégicas, cada um no seu tempo e espaço, para a consecução dessa visão. Isso implica comprometimento coletivo, o que exige um contínuo e constante exercício de troca de vivências”, diz a professora Marilene.

Aprendizado é entendido como resultado de um processo de interação entre professor e aluno


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ENTREVISTA

Um ano para ficar na história Vice-reitor Acadêmico da Unoesc fala sobre a implantação dos novos programas de Stricto Sensu

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s 45 anos da Funoesc são comemorados em um tempo de grande crescimento para a Universidade mantida por essa fundação. Em 2013, foram implantados três novos programas de Pós-graduação Stricto Sensu, com cursos de mestrado recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e a Unoesc presencia um momento que marcará sua história: o início de um período de maturidade acadêmica e de um salto qualitativo na produção científica, o que é um dos principais fins de uma universidade. Os cursos implantados em 2013 são os mestrados em Administração (mestrado profissional), em Direito e em Ciência e Biotecnologia. Os dois primeiros são oferecidos em Chapecó e haviam sido recomendados pela Capes ainda em 2012. O terceiro funciona em Videira e obteve a recomendação no início deste ano. A estes três, junta-se o Mestrado em Educação, implantado em 2002, e dois projetos de novos cursos: um em Biociências e Saúde, que aguarda a resposta da Capes quanto à recomendação, e outro em Medicina Veterinária, ainda em construção. Há ainda a expectativa de que nos próximos anos sejam implantados os primeiros cursos de doutorado, em Educação e em Direito. Seguindo as áreas que já são consolidadas nos diferentes Campi da Universidade, os quatro mestrados existentes e os dois ainda a serem implantados respondem também ao planejamento estratégico e ao plano de desenvolvimento institucional da Unoesc, os quais estão vinculados à vocação e ao desenvolvimento da região onde está inserida e a temas de interesse global, como educação, direitos fundamen-

tais e seguridade social. “As áreas de referência da Unoesc refletem as carências da região. Nós estamos resolvendo assimetrias. Queremos fixar profissionais de alto nível para atuar nessas áreas”, afirma o Vice-reitor Acadêmico da Universidade, Nelson Santos Machado, que é um dos condutores do processo de ampliação do Stricto Sensu na Universidade. Porto-alegrense, Nelson adotou o Oeste Catarinense há 20 anos, quando chegou à cidade e, alguns meses depois, ao Campus da Unoesc, em São Miguel do Oeste. Depois de mais de 10 anos atuando na gestão empresarial, o ensino superior era visto como um campo estratégico para a melhoria dos processos de gestão das empresas, uma vez que forma os profissionais que fazem esta gestão. Complementando a atuação como professor universitário, deu sequência à carreira acadêmica, buscando o mestrado e o doutorado. No âmbito administrativo foi chefe de departamento, Diretor da Área das Ciências Sociais Aplicadas (ACSA), Pró-reitor de Graduação e, com as mudanças na estrutura administrativa da Unoesc, Pró-reitor Acadêmico no Campus de São Miguel, até ser convidado a assumir a Vice-reitoria Acadêmica, que abrange toda a Universidade, e o desafio de expandir o Stricto Sensu, que até então apresentava um curso de mestrado em andamento e os demais em fase de projeto. Na entrevista a seguir, ele fala sobre a motivação e os desafios da Unoesc na implantação dos progra-

mas de pós-graduação Stricto Sensu, sobre os investimentos necessários para a criação desses cursos e sobre os projetos futuros da Universidade.

Nelson Santos Machado, Vice-reitor Acadêmico

“As áreas de referência da Unoesc refletem as carências da região. Nós estamos resolvendo assimetrias. Queremos fixar profissionais de alto nível para atuar nessas áreas”

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18 Funoesc 45 Anos A Unoesc presencia um momento que marcará sua história: o início de um período de maturidade acadêmica e de um salto qualitativo na produção científica

Nos últimos anos, a Unoesc teve um grande salto no Stricto Sensu, com a implantação de três novos cursos de mestrado. O que motivou esse crescimento? Nelson: A premente necessidade de avançar na pesquisa científica que nos permite contribuir com o desenvolvimento regional pela busca de alternativas aos problemas econômicos, sociais e ambientais.

Há, ainda, projetos para implantação de mais dois cursos de mestrado (em Biociências e Saúde e em Medicina Veterinária). Qual a situação desses projetos? Nelson: A proposta do Mestrado em Biociências e Saúde, com sede no Campus de Joaçaba, encontra-se em avaliação na Capes, em fase de diligência documental. Temos expectativa concreta de aprovação ainda neste ano para implantação de nosso quinto mestrado no primeiro semestre de 2014. Quanto ao Mestrado em Medicina Veterinária, estamos em fase de elaboração da proposta, temos uma intensa programação de pesquisas e publicações, participações em eventos científicos, entre outras atividades, para a submissão à avaliação da Capes em abril de 2015, quando teremos nosso sexto programa de mestrado.

1973

• Femarp, de Videira, implanta seu primeiro curso de graduação: Ciências Contábeis. A imagem mostra os formandos da primeira turma, em solenidade realizada em 1978.

Nelson Roque Denardi. Foi professor e diretor da FEMARP por três gestões. Depois da implantação da Unoesc, foi professor e o primeiro Pró-Reitor de Administração. Já recebeu o título de professor emérito da Funoesc.


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Percebe-se nas áreas de concentração e linhas de pesquisas de todos os cursos uma relação muito estreita com a realidade regional. Por que a Universidade criou programas de pós-graduação com estas características? Nelson: Trata-se de um arranjo natural, pois sempre fomos muito fortes no ensino de graduação nas áreas de Administração, Direito e Educação; o Campus de Joaçaba vem desenvolvendo competência distintiva na área das Ciências Biológicas e da Saúde; no Campus de Videira somos muito fortes na área da Biotecnologia agroindustrial de alimentos e ambiental; e no Campus de Xanxerê estamos construindo excelência na área da Medicina Veterinária. A Pós-graduação Stricto Sensu deve derivar como aprofundamento de áreas consolidadas na graduação e na iniciação científica até como um processo de evolução natural. Dessa forma, a Unoesc estende sua missão da formação de pessoas para a produção de conhecimento, que hoje é a base do desenvolvimento de regiões, territórios e nações.

Que dificuldades ou desafios a Instituição tem para manter estes cursos? Nelson: O principal deles reside na formação e manutenção de doutores com perfil para a pesquisa, pois nas demais variáveis intervenientes a Unoesc está desenvolvendo um considerável grau de competência. Temos também o desafio de seguirmos firmes na alocação de recursos para estas atividades, o que implica escolhas de não investirmos em outras demandas.

“[...] A autorização do curso de Ciências Contábeis em Videira foi conseguida pelo peso político dos grandes empresários da região e dos compromissos assumidos pelos prefeitos, igualmente da região (compromissos esses que quase nunca foram cumpridos). Os professores foram arregimentados de toda a região. Alguns muito bons, mas havia também os que nem curso superior tinham, o que trouxe sérias dificuldades à instituição. Por outro lado, o currículo do curso também foi adaptado para cumprir o número de horas, com disciplinas que nada tinham a ver com o curso, como Desenho.

Que investimentos foram necessários por parte da Universidade para que pudesse implantar três novos cursos e ainda projetar mais dois projetos de mestrados? Nelson: Os investimentos foram muito elevados e fruto de um planejamento detalhado, em especial a partir de outubro de 2010, aprovado pelo Conselho de Gestão da Unoesc numa perspectiva institucional, pela qual cada Campus contribuiu de forma proporcional ao número de alunos matriculados no ensino de graduação. Somente pela união das gestões administrativo-financeira e acadêmicocientífica foi possível dar um salto tão grande em tão curto espaço de tempo.

Já se projeta um curso de doutorado? Nelson: Sim. Nosso curso de Mestrado mais antigo, o de Educação, está em processo de avaliação trienal e se obtiver conceito 4 na Capes em 2014 pretendemos submeter proposta de doutorado para implantação a partir de 2015. Também temos programação de elevarmos o conceito do Mestrado em Direito para conceito 4 ou superior em sua primeira avaliação trienal que ocorrerá em 2016. Na verdade, a Unoesc planejou ter seis Programas de Pós-graduação Stricto Sensu, que sempre iniciam com o Mestrado, mas almejando atingir o doutorado como reconhecimento de sua qualidade, bem como para oportunizar à comunidade acadêmica a formação máxima na educação superior.

As aulas eram ministradas no Colégio Imaculada Conceição, com salas cedidas pelas Irmãs Salvatorianas. A biblioteca, que leva até hoje o nome Saul Brandalise, estava instalada numa sala de aproximadamente 56 m² e a maioria dos livros eram doações da comunidade, sendo que os específicos do curso foram doados pelo empresário Saul Brandalise, homem de grande visão e dedicação às causas comunitárias. A grande dificuldade do curso de Ciências Contábeis era a sua manutenção financeira. A prefeitura, que se comprometera, com per-

Que reflexos o senhor acredita que o Stricto Sensu pode gerar na Unoesc e na região onde a Universidade está inserida? Nelson: Basta fazer um raciocínio relativamente simples: Qual o impacto no desenvolvimento regional dos mais de 35 mil profissionais de nível superior que a Unoesc formou e diplomou nos seus quarenta e cinco anos de história? Ou pensar no sentido contrário: como estaria o grande Oeste de Santa Catarina sem estes 35 mil profissionais de alto nível? Agora adicionem os milhares de egressos que avançaram na sua formação nos mais de 100 cursos de pós-graduação Lato Sensu (especialização) e em incontáveis cursos de extensão, como alternativas de aperfeiçoamento profissional e de educação continuada. Assim fica fácil perceber que a sociedade oestina necessita seguir avançando no conhecimento científico e isso somente ocorre pela formação Stricto Sensu oportunizada nos mestrados e doutorados que ofertamos ou ofertaremos. De outro lado, há a enorme transformação da passagem da pesquisa de iniciação científica para a pesquisa de ponta, que também só ocorre pela via da Pós-graduação Stricto Sensu. Para se ter uma ideia da ligação entre desenvolvimento e Pós-graduação Stricto Sensu, basta dizer que na maioria das universidades europeias a quantidade de alunos em graduação é muito parecida com a dos alunos na pós-graduação. Sem pesquisa, seremos eternos importadores de tecnologias e conhecimentos dos países desenvolvidos. Continuaremos exportando commodities para importar tecnologia e conhecimento.

centual de 4% de sua receita, só repassava os valores quando dispunha de superávit. Muitos empresários contribuíam para poder manter a Instituição, mesmo assim com valores insuficientes. Os alunos pagavam mensalidades irrisórias. Desta forma, a Instituição chegou à beira da insolvência de tal forma que o Conselho Federal de Educação (à época era essa denominação) pensou em fechar o curso, por esse motivo e pela falta de professores qualificados.”

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20 Funoesc 45 Anos

ESPECIALIZAÇÃO

O sucesso além da graduação Universidade possui mais de 200 cursos de Pós-graduação Lato Sensu que podem ser oferecidos em todos os seus Campi

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engenheira química Naieli Chiarello não pode, nem de longe, ser confundida com uma pessoa acomodada. O que indica isso é a disposição que ela tem para enfrentar mais de 14 horas de viagem – 1,2 mil quilômetros de carro entre São Gabriel do Oeste (MS), onde mora, e Chapecó (SC) – para frequentar um curso de pós-graduação na Unoesc. Ela faz esse trajeto junto com um colega, uma vez por mês. Ambos são alunos do MBA em Lean Manufacturing (Produção Limpa), curso de pós-graduação in company oferecido por meio de uma parceria entre a Unoesc e a Coopercentral Aurora Alimentos para atender a colaboradores dessa empresa. “É cansativo, mas tem valido a pena”, observa.

Há pouco mais de um ano, Naieli foi aprovada em um processo de seleção interno da Aurora, quando trabalhava em Chapecó. Com a promoção também veio a mudança dela e do marido para o centro-oeste brasileiro. Para alguns, a distância poderia ter se tornado um empecilho, mas não para ela. Ao ficar sabendo da oferta do curso de pós-graduação, na área em que sempre teve interesse em fazer, optou por cursá-lo. “Eu gosto muito deste assunto. Identificar desperdícios e saber como evitá-los é fundamental no processo de produção. Tenho certeza que este conhecimento fará toda a diferença na carreira que escolhi”, afirma Naieli, que espera continuar crescendo dentro da cooperativa, mas não faz questão de voltar para a Região Sul.

Natural de Planalto Alegre, interior catarinense, ela também consegue rever os familiares quando vem à região para estudar. “É sempre bom. Se não estivesse no curso, esse contato mais próximo com a família ocorreria com um espaço de tempo maior”, avalia, ao dizer que o apoio familiar é importante para o desenvolvimento profissional.

Naieli enfrenta mais de 14 horas de viagem para frequentar um curso de pós-graduação O MBA em Lean Manufacturing (Produção Limpa) é um dos 71 cursos de especialização que a Unoesc


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Centenas de pessoas procuram a Universidade a cada semestre em busca de formação específica dentro de sua área profissional tem em andamento em 2013. É oferecido no modelo in company por meio de uma parceria com a Coopercentral Aurora Alimentos e com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/SC), para qualificar 39 profissionais que atuam na área de assessoria industrial da cooperativa. Foi estruturado a partir de um relacionamento estreito entre as duas organizações para, a partir do conhecimento científico, atacar os pontos fracos e potencializar os pontos fortes da empresa. “Isso é uma característica dos cursos In Company”, destaca o diretor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Unoesc Chapecó, professor Gilberto Pinzetta.

Mais de 200 cursos de especialização Assim como Naieli, a cada ano mais de dois mil profissionais confiam na Universidade para se especializar na área em que trabalham ou desejam trabalhar. Poucos vêm de tão longe quanto ela, mas todos dedicam parte do tempo que seria de descanso para investir no próprio desenvolvimento e buscar postos mais valorizados no mercado profissional. O esforço não é à toa. Com o crescimento do número de pessoas formadas no ensino superior e o desenvolvimento científico e tecnológico, as áreas profissionais avançam, tornam-se cada vez mais específicas e exigem mais do que o curso de graduação de quem deseja exercê-las. “Os profissionais formados, ou que estão cursando pós-graduação especialização ou MBA, possuem uma desenvoltura e um desempenho superior aos demais em muitos aspectos. A especialização oferece uma gama de ferramentas e concei-

Naieli Chiarello, aluna do MBA em Lean Manufacturing

“Eu gosto muito deste assunto. Identificar desperdícios e saber como evitá-los é fundamental no processo de produção. Tenho certeza que este conhecimento fará toda a diferença na carreira que escolhi” tos que constroem uma nova forma de pensamento e ação, sempre com foco na qualidade das informações e na aplicabilidade ao dia a dia”, diz o professor Marcelo Zenaro, diretor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Campus de Videira. Ele também afirma que a procura por profissionais pós-graduados ou cursando pós-graduação, por parte das organizações, é muito grande

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e que os salários chegam a dobrar o valor, por conta de demandas de mercado que priorizam os especialistas nos cargos mais importantes e com maiores responsabilidades. Hoje, a Unoesc tem 71 cursos de pós-graduação em nível de especialização em andamento e outros 138 projetos de cursos que são oferecidos conforme as demandas que o mercado profissional da região assinala. E o número de pós-graduações vai aumentando, conforme se observam demandas de formação específica em que a Unoesc tem competência para trabalhar e, com isso, vão surgindo novos projetos de especialização, os quais, depois de aprovados no Conselho Universitário da própria Instituição, são incorporados ao catálogo de cursos disponíveis para oferta em qualquer um dos Campi. Esse catálogo contempla todas as áreas de conhecimento. Em algumas áreas há cursos consolidados e oferecidos regularmente, como é o caso de cursos voltados a áreas em que a Universidade já oferece o Stricto Sensu, uma vez que estas áreas já estão consolidadas desde a graduação. Na área de Direito, por exemplo, a Unoesc possui um Centro de Excelência em Chapecó e a cada semestre também oferece cursos de especialização em todos os Campi. Futuramente, a Universidade pretende disponibilizar um calendário de especializações, de modo que as pessoas interessadas saibam onde e quando cada curso será oferecido e possam se programar com antecedência para cursar aquele em que têm interesse.

É criada em São Miguel do Oeste a Fundação Educacional do Extremo Oeste de Santa Catarina – Funesc.

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22 Funoesc 45 Anos PESQUISA

O que a sociedade ganha com isso? O conhecimento e os avanços gerados com a pesquisa científica extrapolam os limites da Universidade

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omente em 2012, professores e estudantes da Unoesc publicaram 412 artigos científicos, 22 livros, 164 capítulos de livros, seis teses, 44 dissertações e 447 monografias, além de 393 resumos e de 221 trabalhos completos em anais de eventos científicos. Esses dados indicam o volume de pesquisas desenvolvidas na Universidade, desde a iniciação científica na graduação até os programas de Pósgraduação. Trata-se de um trabalho que passa despercebido para a maioria das pessoas, já que seus resultados circulam principalmente na comunidade científica. Isso, no entanto, não significa que não afetem à sociedade. Pelo contrário, é o desenvolvimento da ciência o principal propulsor dos avanços tecnológicos e um dos maiores sustentadores dos avanços sociais e ambientais. Na Unoesc, grande parte das pesquisas buscam atender a demandas visualizadas nas regiões Oeste e Meio -Oeste de Santa Catarina. Exemplo disso é um estudo que vem sendo desenvolvido desde 2011 por um grupo de pesquisadores liderados por professores do Mestrado em Educação, com o objetivo de avaliar ações e estratégias adotadas por escolas das redes municipais para a melhoria da qualidade educacional. O trabalho, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) por meio do Programa Observatório da Educação, envolve diretamente 25 pessoas. São professores do Mestrado em Educação, mestrandos, estudantes de cursos de graduação e professores que atuam na Educação Básica.

De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Dr. Elton Luiz Nardi, a equipe se debruça em uma amostra formada por 18 redes municipais de ensino de municípios situados na mesorregião Oeste catarinense e distribuídos nas microrregiões de 15 secretarias de Desenvolvimento Regional (de Caçador, Campos Novos, Chapecó, Concórdia, Dionísio Cerqueira, Itapiranga, Joaçaba, Maravilha, Palmitos, Quilombo, São Lourenço do Oeste, São Miguel do Oeste, Seara, Videira e Xanxerê). Dentro de cada rede que compõe a amostra, ainda foram eleitas escolas, uma por rede, para embasar a coleta de dados, informações e opiniões. O trabalho iniciou com o estudo dos dados apontados no IDEB de 2005, 2007 e 2009, estes últimos divulgados em 2010. Depois, passou a monitorar e analisar as estratégias e ações implementadas pelas escolas entre 2010, 2011 e meados de 2012 para, então, compará-las com os dados do IDEB seguinte, divulgados no segundo semestre de 2012. A terceira etapa, por sua vez, será a análise de um novo ciclo, ou seja, a avaliação das estratégias adotadas pelas redes e escolas municipais entre 2012 e meados de 2014 e dos resultados apontados pelas escolas com a evolução do IDEB que será divulgado em 2014. “A grande maioria dessas escolas diz ter alcançado os resultados desejados com as ações e estratégias que deflagrou, mas isso não necessariamente correspondeu a uma melhoria no IDEB, especialmente em relação ao indicador de desempenho dos estudantes, aferido por meio da Prova Brasil. Então, naquilo que a escola entende ser um problema que deve

Emerson Bortolotto, diretor de escola

“Com base em alguns dados, começamos a identificar as problemáticas existentes. Depois, planejamos e definimos metas para atacar esses problemas, investindo no ensino-aprendizagem. Assim, desde 2012, estamos aprofundando o nosso projeto, elaborando e efetivando novas metas”


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ser enfrentado, as ações parecem estar produzindo resultados, mas isso não se reflete no índice usado pelo Ministério da Educação para avaliar a qualidade da educação, o que pode ser um indicativo de que as escolas não estão propriamente polarizadas pelo índice oficial”, comenta o professor Elton, adiantando o que mostram os resultados parciais da pesquisa. Segundo ele, além da contribuição que os resultados da pesquisa podem trazer para o traçado de políticas pelos órgãos governamentais, tais constatações vão abrindo novos focos de investigação que precisam ser discutidos e estudados com as escolas. E é aí que o trabalho de pesquisa tem resultado mais direto e imediato na realidade da educação básica regional. Nos próximos meses, o grupo de pesquisadores visitará cada rede municipal que integra a amostra do estudo para expor resultados e conclusões já obtidas e discutir possibilidades de ação por parte da escola nos âmbitos da organização e gestão escolar e das práticas educativas, de acordo com a sua realidade. “Nossa expectativa é de que esse retorno seja um momento de diálogo para também identificarmos novas demandas e possibilidades de investigação para o programa de pós-graduação,

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de modo a prosseguirmos na produção de conhecimentos que continuadamente sirvam à escola e que, portanto, fortaleçam esta relação como uma via de mão dupla”, comenta o professor Elton. Parceria que trará bons frutos A expectativa não é menor por parte das escolas, como se percebe na Escola Básica Municipal Irmão Miguel, que é uma das maiores escolas de Concórdia e integra a amostra do projeto de pesquisa coordenado pelo Mestrado em Educação da Unoesc. Localizada na BR 153, na Vila Jacob Biesuz, a Irmão Miguel atende a 427 crianças e jovens moradores do entorno e de dez comunidades próximas, oferecendo desde a educação infantil até as séries finais do ensino fundamental. À frente da gestão da escola, que possui 51 funcionários, está o professor Emerson Bortolotto. Graduado em Educação Física, com Pós-graduação na área, o professor já enfrentou vários desafios durante os cinco anos em que está na direção da escola. Um desses desafios é a melhoria dos índices educacionais da unidade escolar. Para o gestor, o projeto de pesquisa desenvolvido pela Unoesc tem sido fundamental no planejamento de es-

• FUOC cria a Faculdade de Educação de Joaçaba, com a oferta dos cursos de Pedagogia e Estudos Sociais. Este último deu lugar às licenciaturas em História, a partir de 1984, e em Geografia, a partir de 1990. • Na imagem, formatura da primeira turma de Pedagogia.

Escola do interior de Concórdia aposta em pesquisa desenvolvida pelo Mestrado em Educação para melhorar seus índices de qualidade

tratégias que possibilitem o atingimento dos objetivos da escola e a melhoria dos indicadores de ensino. “Com base em alguns dados, começamos a identificar as problemáticas existentes. Depois, planejamos e definimos metas para atacar esses problemas, investindo no ensino-aprendizagem. Assim, desde 2012, estamos aprofundando o nosso projeto, elaborando e efetivando novas metas”, afirma. As grandes metas da escola, segundo o gestor, são também pensadas em cima dos resultados do IDEB. Para isso, já foram realizadas formações continuadas e, além disso, toda a Irmão Miguel está comprometida com o desafio. “Nossa grande meta é atingir o índice de 4,8 [estipulado pelo MEC]. Temos confiança nisso, principalmente por estarmos contando com esse suporte fornecido pelo Mestrado em Educação. Afinal, iniciou-se um bom trabalho, e essa troca de dados é positiva para o ensino. Enfim, acredito que é uma parceria que trará bons frutos”, conclui.

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24 Funoesc 45 Anos INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Os primeiros passos no mundo da pesquisa Bolsas de iniciação científica estimulam a formação de pesquisadores

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mbora tivesse interesse pela área de pesquisa, Sidnei Emilio Bordignon Junior não sabia aonde a nova experiência iria lhe levar ao começar um projeto de pesquisa, ainda durante o curso de graduação em Biotecnologia Industrial, no Campus de Videira. Durante três semestres, desenvolveu um estudo relacionado à bioconservação de alimentos, sob a orientação da professora Dra. Jane Gelinski. O objetivo era explorar a capacidade de bactérias coletadas em salames artesanais da região para produzir substâncias naturais com potencial similar ao dos conservantes químicos. “A bioconservação de carnes e vinhos era a principal aplicação de interesse, devido às atividades bastante típicas da região”, explica. Além de conhecimento sobre o assunto e da experiência como pesquisador, esta atividade abriu uma porta importante para sua vida profissional: o trabalho de pesquisa com subprodutos bacterianos com função “conservadora” ajudou na seleção para um curso de mestrado na Escola de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Tenho certeza que a entrada no mestrado foi favorecida pelas experiências com a iniciação científica e os estágios durante a graduação na Unoesc em Videira, que enriquecem a vivência universitária com uma bagagem essencial para a melhor compreensão dos conceitos teóricos adquiridos em sala de

aula”, afirma o egresso, que hoje já está cursando doutorado na Universidade do Estado de São Paulo (Unesp). O mestrado foi realizado entre 2009 e 2011. Nesse período, ele avaliou o desempenho das mesmas substâncias pesquisadas durante a graduação na área de saúde animal e teve a orientação do Dr. Carlos Ricardo Soccol, pioneiro e um dos maiores responsáveis pelo desenvolvimento dessa ciência no País. Sendo a região Sul a principal responsável pela criação intensiva de aves e suínos, era de grande interesse estudar a possibilidade de reduzir o uso de antibióticos por substâncias naturais para o tratamento de animais doentes, especialmente nos casos de salmonelose. No doutorado, sua área de pesquisa volta-se para os combustíveis renováveis, “a menina dos olhos” dos governos das grandes potências mundiais. O projeto que desenvolve tem como título “Bioprocesso de produção de etanol de bagaço de cana-de-açúcar pré-tratado com ozônio”. “A escolha para me especializar na área de biocombustíveis através do curso de doutorado fugiu um pouco das linhas de pesquisa anteriormente desenvolvidas. Por outro lado, ampliará enormemente a gama de opções para meu futuro profissional por estar inserida justamente em uma área de intensa inovação que depende de pesquisa para se fortalecer como processo produtivo”, conclui.

Sidnei Emílio Bordignon, formado em Biotecnologia pela Unoesc, hoje doutorando pela Unesp

“Tenho certeza que a entrada no mestrado foi favorecida pelas experiências com a iniciação científica e os estágios durante a graduação na Unoesc em Videira, que enriquecem a vivência universitária com uma bagagem essencial para a melhor compreensão dos conceitos teóricos adquiridos em sala de aula”


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Assim como Sidnei, há inúmeros exemplos de pesquisadores que iniciaram sua carreira a partir do contato com a iniciação científica, ainda no curso de graduação. “Além da formação profissional, os cursos de graduação têm o papel de incentivar os alunos para a pesquisa no desenvolvimento do conhecimento”, explica o professor Gilberto Pinzetta, diretor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Unoesc Chapecó. Entende-se por iniciação as primeiras experiências do aluno enquanto pesquisador, sobre orientação de um professor ou pesquisador, que normalmente ocorrem em disciplinas de metodologia científica, presentes nas matrizes curriculares de todos os cursos de graduação da Unoesc, e no desenvolvimento de trabalhos que compõem a avaliação dos diferentes componentes do curso, os quais seguem o formato e o rigor científico. Além desta experiência, que é comum a todos os estudantes de graduação, há a possibilidade de integrar os grupos de pesquisa da Universidade e desenvolver projetos que contribuam para os estudos realizados nesses grupos. Há, ainda, programas de bolsas de iniciação científica

financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo Governo do Estado, por meio dos artigos 170 e 171 da Constituição Estadual, e pela própria Unoesc. Por intermédio desses programas, são selecionados projetos de pesquisa apresentados por estudantes de graduação e os autores dos projetos selecionados passam a receber uma bolsa para desenvolver a pesquisa durante um período de tempo determinado, que normalmente é de 10 meses. Os resultados dos trabalhos desenvolvidos são apresentados anualmente, durante seminários de pesquisa. Muitos estudos são apresentados em eventos de pesquisa externos à Universidade ou publicados como artigos em revistas científicas. Já os resultados de desenvolvimento acadêmico e pessoal, contribuem na formação e abrem novas perspectivas para a vida acadêmica e profissional dos estudantes, como foi o caso do egresso Sidnei. “O aluno aprende a desenvolver seu espírito crítico, ético e profissional. Aprende a usar métodos e técnicas adequadas para ter as respostas aos problemas cujas soluções

No doutorado, sua área de pesquisa volta-se para os combustíveis renováveis

o induzirão a buscar novos conhecimentos, tornando-o assim não só um pesquisador de fato, mas um cientista”, comenta a professora Jane, que foi orientadora de Sidnei durante o curso de graduação e hoje é coordenadora do curso de Mestrado em Ciência e Biotecnologia, implantado neste ano na Unoesc Videira. “Os alunos que se familiarizam desde cedo com o método científico são, sem sombra de dúvida, os que mais cedo alcançam sucesso e felicidade na sua vida profissional, sem esquecermos também da realização como um ser humano moldado pela disciplina da sede de conhecimento, sendo um agente capaz de transformar pessoas para a busca do bem comum”, acrescenta a professora.

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26 Funoesc 45 Anos INTERNACIONALIZAÇÃO

Passaporte para o conhecimento Universidade expande suas fronteiras a partir da mobilidade de alunos e professores e da cooperação científica entre pesquisadores

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passaporte do professor Rudy José Nodari Júnior com carimbo de 18 países diferentes é só um indicativo da sua contribuição para a internacionalização, processo que vem se intensificando na Unoesc nos últimos anos. Outro é o fato dele estar em constante contato com pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras, promovendo a cooperação científica por meio das parcerias em estudos, missões e intercâmbios acadêmicos. Junte-se a isso o trabalho que desempenha como coordenador de mobilidade da Rede Euroamericana de Motricidade Humana (REMH), formada por 42 instituições de ensino superior da Europa e das Américas. Para ele, essa incansável dedicação tem destino certo: levar o nome da Unoesc além das suas fronteiras. Doutor em Ciências da Saúde, o professor Rudy é um pesquisador reconhecido, referência mundial na sua área. O trabalho que realiza no Laboratório de Fisiologia do Exercício, no Campus de Joaçaba, faz com que queira interagir com o resto do mundo. “A nossa pesquisa tem muito mais qualidade, muito mais

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robustez porque viajamos e fazemos mobilidade acadêmica. Quanto mais você alarga o seu espaço geográfico, mais você alarga a sua percepção de Universidade”, argumenta. Durante anos, ele investiu pessoalmente nas relações com colegas de universidades mundo afora. Desde que aceitou o convite e se tornou coordenador de mobilidade da REMH para as Américas, o seu trabalho serve de engrenagem para um processo que vem ganhando força. É ele quem intermedia o contato entre os intercambistas e as Universidades que integram a Rede. Aos 45 anos, 17 deles como pesquisador, Rudy conta que a Universidade vem percebendo a importância da mobilidade acadêmica e da cooperação científica e por isso dá todo o apoio para que aconteça. “O intercâmbio acadêmico é apenas um pilar da internacionalização, mas é o mais forte. É o pilar que dá sustentação ao processo que permite os convênios bilaterais”, enfatiza. Para atender à meta de produzir conhecimento coletivamente, em rede, numa lógica de funcionamento que ultrapassa cada vez mais as fronteiras internacionais, é preciso

Rudy José Nodari Júnior, pesquisador

“A nossa pesquisa tem muito mais qualidade, muito mais robustez porque viajamos e fazemos mobilidade acadêmica. Quanto mais você alarga o seu espaço geográfico, mais você alarga a sua percepção de Universidade”

• São inauguradas as sedes próprias da FUOC e da Femarp, em Joaçaba e em Videira. Até então, as atividades das duas instituições eram realizadas em espaços emprestados por escolas, como o Colégio Marista Frei Rogério, de Joaçaba, e o atual Colégio Imaculada Conceição, de Videira. Os prédios foram construídos com recursos públicos

estaduais em áreas doadas pelos municípios e até hoje fazem parte da estrutura da Universidade nesses dois municípios. Em Joaçaba, trata-se do Bloco III do Campus I; em Videira, do Bloco B.

• Nas fotografias, podem ser vistos o prédio de Videira, ainda em fase de construção, e o prédio de Joaçaba, já concluído.


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visualizar as possibilidades que o intercâmbio oferece. “Para as novas perguntas que vão surgindo, quanto mais instituições se colocam agregadas, melhor será a qualidade das respostas”, explica o professor, ao observar, no entanto, que internacionalização não é uma ferramenta homogeneizante em escala global. Para ele, o conhecimento é adaptável, à medida que o pesquisador intercambista molda o que aprendeu para atender às necessidades de desenvolvimento da sua região.

Outro ganho significativo da internacionalização, de acordo com a professora Kaline Zeni, responsável pela Mobilidade Acadêmica e Cooperação Internacional na Unoesc, é a oportunidade de enviar professores e alunos para universidades que são referências em determinadas áreas de pesquisa. “A mobilidade acadêmica, essa troca científica e cultural, é fundamental para qualificar o nosso professor e o nosso aluno e para fazer com que eles viajem para outros países em busca de informações para uma formação acadêmica humanística”, diz. Kaline ainda enfatiza que a produção científica internacional é um critério muito valorizado na mensuração da excelência de uma

instituição, ou seja, quanto maior o grau de internacionalização, maior seu grau de excelência. “Por outro lado, a experiência internacional também tem impacto na vida profissional de quem a vivencia. Essa experiência proporciona um currículo diferenciado que é cada vez mais valorizado, elevando o fator de empregabilidade dos nossos alunos”, afirma a professora, lembrando que criar oportunidades para que a comunidade acadêmica tenha essa formação de cidadão global é uma das diretrizes da Universidade.

Maíra realizou estágio voltado à produção de biogás na Alemanha, sob a supervisão do Instituto de Pesquisa e Tecnologia de Energia da Universidade de Munique

robiktechnik & Regenerative Energiesysteme), sob a supervisão do Instituto de Pesquisa e Tecnologia de Energia da universidade alemã. Desde que iniciou a graduação, Maíra sempre alimentou a vonta“Essa experiência proporciona de de estudar no exterior. Quanum currículo diferenciado que do a Unoesc passou a integrar o programa federal Ciências Sem é cada vez mais valorizado, Fronteiras, ela não pensou duas elevando o fator de vezes antes de se candidatar ao empregabilidade dos nossos edital aberto pela Universidade. O objetivo era encontrar a capaalunos” citação numa área promissora no Da Alemanha, a acadêmica Brasil. Tomando como base os esMaíra Debarba Mallmann, da tudos realizados pelos alemães, ela 10ª fase do curso de Engenharia quer buscar alternativas aplicáveis à Sanitária e Ambiental da Unoesc realidade brasileira, desenvolvendo Videira, trouxe mais do que fotos trabalhos sobre energias renováveis. das belas paisagens da Baviera. Ela A experiência lhe rendeu conhemostra o TCC que desenvolveu a cimento técnico-científico, além partir do intercâmbio que fez na de um crescimento pessoal, através Universidade de Munique, uma das do convívio com outra cultura. melhores da Europa. Entre setem“[O intercâmbio] refletirá também bro de 2012 a fevereiro de 2013, ela em meu futuro profissional, pois a realizou estágio voltado à produção coragem de ingressar em um meio de biogás na empresa Atres (Anaedesconhecido e de se submeter a

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28 Funoesc 45 Anos surpresas e obstáculos representam um significativo acréscimo de autoconfiança, habilidades e capacidade de solucionar problemas”, conta.

Maíra Debarba Mallmann, intercambista

“[O intercâmbio] refletirá também em meu futuro profissional, pois a coragem de ingressar em um meio desconhecido e de se submeter a surpresas e obstáculos representam um significativo acréscimo de autoconfiança, habilidades e capacidade de solucionar problemas”

A estudante mexicana pretende seguir a carreira acadêmica pesquisando em cooperação com o professor da Unoesc

Vivências ricas em conhecimento científico e em desenvolvimento pessoal também são proporcionadas a quem chega à Unoesc. Estrangeiros levam o que de melhor é produzido aqui. A pesquisa desenvolvida pelo professor Rudy, citada no início da matéria, é um tema de interesse global. Ele estuda a dermatoglifia, método científico que investiga a impressão digital como marca genética, tornando possível identificar nas pessoas potencialidades físicas, como força, velocidade, coordenação motora e resistência, com 95% de precisão, além de prevenção de doenças. Para analisar as impressões digitais, o pesquisador desenvolveu uma tecnologia inédita no mundo. Trata-se do leitor dermatoglífico, que coleta as digitais de modo informatizado por escaneamento, em substituição ao método antigo que usa tinta, papel e lupa. A tecnologia inovadora é 10 vezes mais rápida e 400% vezes mais precisa e segura, o que permite uma nova possibilidade de compreensão da prescrição de exercícios, a

orientação de talentos esportivos e também o prognóstico em saúde. É esse conhecimento que os estudantes mexicanos Jesus Cuellar Escoto, 22 anos, e Myrna Alicia Ruiz Reyes, 29, da Universidade Autônoma da Baixa Califórnia (UABC), buscam no intercâmbio de um semestre na Unoesc. Em fase de conclusão do curso de Educação Física, eles trabalham sob a supervisão do professor Rudy na construção de duas pesquisas sobre dermatoglifia. “No México não existe nada parecido. Esta é uma tecnologia muito importante para todos os envolvidos com o esporte e a saúde. Nossa profissão está provocando uma revolução no México, pois agora compreendem que é preciso prevenir [a saúde] e não apenas curar”, argumenta Myrna. Para os intercambistas, o estudo surge como uma possibilidade de


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pensar globalmente para agir localmente mudar uma triste realidade mexicana. “O México é o número um [do mundo] em obesidade infantil e a dermatoglifia pode servir tanto para a prescrição de esportes [de acordo com as características de cada indivíduo] como para a prevenção de doenças crônicas”, completa Jesus, ao revelar a intenção de aplicar o que aprendeu quando voltar ao seu país. A ideia é compartilhada pela colega Myrna. Ela acrescenta que pretende seguir a carreira acadêmica pesquisando em cooperação com o doutor Rudy. O convite já foi feito. A cooperação internacional, especialmente nos níveis posteriores à graduação, é a oportunidade de aprofundar pesquisas de um modo que As fundações criadas pelos municípios de Joaçaba (FUOC) e Videira (Femarp), mais as fundações criadas em Caçador (Fundação Educacional do Alto Vale do Rio do Peixe – FEARP) e Concórdia (Fundação Educacional do Alto Uruguai Ca-

somente é possível a partir da formação de uma rede de pesquisadores. “Muito do conhecimento da dermatoglifia está em desenvolvimento e, às vezes, nós precisamos de amostras para fazer referência, fórmulas preditoras e marcas raras em dermatoglifia que não temos na nossa população”, aponta o pesquisador da Unoesc, que está construindo o maior banco de amostras de impressões digitais do mundo. Na região de Joaçaba, a dermatoglifia é usada para construir políticas públicas na área do esporte e saúde. O município de Luzerna já aproveita a tecnologia inovadora a fim de encontrar talentos esportivos, com avaliações realizadas nas escolas. A experiência mostra que “pensar globalmente para agir localmente”, como defende o professor Rudy, é uma ideia cujo tempo chegou. Entendendo que é preciso seguir por este caminho, ele já está com mais uma viagem internacional marcada. Assim como fez outras dezenas de vezes em diferentes países da Europa e da América, irá novamente ao México para levar o conhecimento do qual é protagonista.

tarinense – FEAUC) se reúnem para criar a Federação das Fundações Educacionais do Meio-Oeste Catarinense (FEMOC). A FEMOC existiu até 1990, quando foi construído o projeto de Universidade que deu origem à Unoesc.

1980

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30 Funoesc 45 Anos Caminho sem volta Cada vez mais as instituições de ensino superior estão buscando parcerias para melhorar suas práticas de ensino, a qualidade e a pertinência das pesquisas e a efetividade das suas ações de extensão universitária. Essas parcerias se estendem a diversas organizações – outras instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos, empresas privadas, Terceiro Setor – e tendem a expandir fronteiras no processo chamado de internacionalização. Na Unoesc, essa tendência vem se desenvolvendo há vários anos, mas obteve um crescimento maior nos últimos quatro, com um direcionamento maior da Universidade para este tema e como reflexo da própria expansão dos programas de Pós-graduação Stricto Sensu. Na atividade voltada para a pesquisa, os professores desses cursos, inclusive daqueles que ainda estão em fase de projeto, intermediam contatos com instituições estrangeiras e abrem espaço para que os programas em si e a Unoesc possam ampliar seus horizontes em termos de parceria e cooperação internacional. De modo mais detalhado, o intercâmbio acadêmico ocorre por meio de parcerias que permitem mobilidade acadêmica de estudantes e professores, cursos de pós-doutorado por parte dos professores da Unoesc no exterior, oferta de módulos internacionais em parceria com universidades estrangeiras conveniadas, missões acadêmicas, recepção de professores estrangeiros e parcerias no desenvolvimento de pesquisas e na produção científica. Também acontece no âmbito da gestão da Universidade. Nessa modalidade, ocorre principalmente através da Associação Catarinense de Fundações Educacionais (Acafe), que há vários anos promove missões a instituições estrangeiras de modo a possibilitar trocas de experiências entre os gestores universitários.

Em 2013, chegou a 18 o número de instituições estrangeiras com as quais a Unoesc mantém parcerias para atividades acadêmicas. São instituições da Alemanha, da Itália, de Portugal, da Espanha, da Argentina, do Chile, do México, dos Estados Unidos e de Moçambique. A Universidade ainda participa dos programas governamentais Ciências sem Fronteiras e do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) – o primeiro de intercâmbio de alunos na modalidade graduação sanduíche, isto é, para realização de um período de seis meses a um ano do curso fora do País, e o segundo para receber estudantes estrangeiros que vêm cursar todo o ensino superior no Brasil – e de duas redes internacionais: ISEKI Mundus e a REMH. Conforme relata a professora Kaline Zeni, somente nos últimos quatro anos os convênios bilaterais estabelecidos pela Unoesc possibilitaram o encaminhamento de 85 alunos da Unoesc para intercâmbio em outras instituições e a recepção de seis estudantes estrangeiros. Nesse período, a Universidade também enviou 12 intercambistas por meio do Ciências sem Fronteiras e recebeu cinco estrangeiros para realizar todo o curso de graduação na Unoesc por meio do Programa PEC-G. Ainda é possível citar a realização de seis missões acadêmicas e, em relação à pesquisa e cooperação científica, a publicação de mais de 70 trabalhos desenvolvidos por professores da Unoesc em parceria com estrangeiros. Estes trabalhos são livros, capítulos de livros e artigos científicos produzidos por professores ligados aos programas de Pós-graduação Stricto Sensu.


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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Uma pequena revolução em curso A Unoesc Virtual surgiu para diminuir barreiras e diversificar o acesso à educação superior de qualidade

N

o ambiente universitário, há um espaço onde as salas de aula não possuem quadro, cadeiras ou qualquer móvel. Na verdade, as salas sequer têm paredes. Entre o aluno e o conhecimento existe apenas um portal, que é facilmente acessado. Basta um clique para entrar. Assim é uma sala de aula na Unoesc Virtual, que há sete anos oportuniza desenvolvimento pessoal e aperfeiçoamento profissional por meio da Educação a Distância (EAD). A EAD na Unoesc nasceu do momento em que a tecnologia instigou a busca por alternativas para os processos de aprendizagem. Em 2002 foram criados os núcleos de Educação a Distância em todos os Campi da Instituição, para diminuir barreiras e diversificar as oportunidades de ensino. De acordo com a coordenadora pedagógica da Unoesc Virtual, professora Alessandra Nichele Magro, a Educação a Distância é uma modalidade que vai além dos limites estabelecidos pelo ensino presencial em relação ao tempo e ao espaço. Se na era dos dispositivos móveis, como notebooks e tablets, o acesso irrestrito à internet tornou inevitável aprender por meio de recursos digitais, cabe à EAD promover a interação e a comunicação entre os professores e alunos. Ela explica que as atividades na sala virtual são realizadas por intermédio de Fóruns de Discussão, chats e compartilhamento de arquivos, como videoaulas, áudios, textos, exercícios e avaliações on-line. Os alunos podem acessá-los a qualquer hora e têm contato direto com o professor e colegas do curso para a troca de ideias. Tudo isso acontece via Portal de Ensino, onde a aula passa a ser uma pesquisa e o professor um incentivador. “O aluno tem um perfil diferenciado. Ele é um autodidata, mas precisa sentir o apoio do professor tutor durante o componente curricular”, afirma.

A propósito da singularidade que torna a presença física obrigatória apenas para avaliações semestrais, a Unoesc Virtual busca a aproximação através da linguagem. O material didático on-line, que serve como guia de estudo, é construído para dialogar com o aluno. “Não é uma linguagem técnica ou científica, mas dialogada, tratando o aluno de maneira pessoal. De certa forma, o material conversa com o aluno”, argumenta a coordenadora pedagógica, ao destacar que o método é utilizado em todas as interações. Comprometida com o ensino de qualidade, a Unoesc Virtual quer ser reconhecida como instituição de referência na região em que atua. Por isso, desenvolve um modelo de aprendizagem autônoma, capaz de instigar nos alunos a consciência da necessidade de aprendizagem permanente. Atualmente são oferecidos cursos de extensão e dois de graduação: Tecnologia em Processos Gerenciais e Informática Licenciatura. A perspectiva para o próximo ano é oferecer outros cursos de graduação e retomar a oferta de pós-graduação. “Estamos ainda em um processo de expansão, dentro de um planejamento onde a preocupação é com a qualidade do ensino”, garante a coordenadora da Unoesc Virtual, professora Lucivani Gazzóla. A opinião é compartilhada pela colega Alessandra, que se declara uma apaixonada pela Educação a Distância. Para ela, o desafio é manter a modalidade atual, aplicando diferentes tecnologias educacionais na mesma proporção em que surgem novas técnicas, métodos e equipamentos. Ao pensar no futuro da EAD, a professora não tem dúvidas que esse é um caminho sem retorno. “A tendência é crescer e melhorar”.

Alessandra Nichele Magro, coordenadora pedagógica da Unoesc Virtual

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32 Funoesc 45 Anos PERIÓDICOS CIENTÍFICOS

O desafio de divulgar com excelência Criação de novos programas de pós-graduação Stricto Sensu impulsionou a qualidade dos periódicos da Universidade

A

entrevista começou com uma pergunta que parecia ser simples, mas fundamental para entender o processo: “Qual o maior desafio enfrentado pelo editor de um periódico bem avaliado pela Capes?” A resposta, no entanto, indicou que não havia nada de simples na pergunta: “O maior desafio é tornar esse periódico excelente, buscar a excelência num universo de mais de 84 mil publicações, entre as quais 6 mil são revistas brasileiras na área do Direito” respondeu o professor Dr. Carlos Luiz Strapazzon, que é editor da Espaço Jurídico: Journal of Law (EJJL). Hoje, entre os quatro periódicos externos editados pela Editora Unoesc, o EJJL é o melhor avaliado pela Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes), com conceito B1. Mas, quando Strapazzon assumiu a função de editor da revista, em novembro de 2011, o compromisso era realmente um desafio. Strapazzon já integrava o quadro docente que trabalhava no projeto do Programa de Pós-graduação em Direito da Unoesc, recomendado pela Capes em 2012 e implantado em 2013. Na época, a área do Direito da Unoesc ainda não acumulava experiência em pesquisas científicas. A EJJL tinha 11 anos de publicações e registrava apenas o conceito C. “Em um ano e meio, saltamos cinco posições no ranking da Capes, chegando ao conceito B1”, comemora o editor. A consolidação da revista era fundamental para a recomendação

Carlos Luiz Strapazzon, editor da Espaço Jurídico: Journal of Law

“Em um ano e meio, saltamos cinco posições no ranking da Capes, chegando ao conceito B1” do Mestrado Acadêmico em Direito. Para que esse avanço se efetivasse, Strapazzon explica que foi necessário desenvolver um modelo de gestão para a revista, que ia além do software já disponível na Unoesc. “A direção da Universidade, a Editora Unoesc e a coordenação do mestrado tinham clareza das prioridades e estavam dispostos a investir e apoiar. Tivemos todo o apoio que precisávamos e respostas rápidas para cada etapa que surgia e que precisava do respaldo da Unoesc. O ambiente foi muito favorável à dimensão do desafio que tínhamos pela frente,

tanto por parte dos professores do PPGD quanto de toda a Universidade”, recorda. Strapazzon explica que ter uma boa revista científica é fundamental para ter reconhecimento da comunidade científica e que hoje o crescimento da revista também pode ser medido pelos números: em 2010, a Espaço Jurídico recebia uma média de 50 artigos para avaliação; atualmente, esse número chega a mais de 150 por ano (em 2012 houve 222 submissões). São 80 avaliadores, inclusive estrangeiros, que garantem à publicação figurar entre as 14 melhores rankeadas do país. “No começo pedíamos aos professores do mestrado para motivar pesquisadores com quem se relacionavam para que estes enviassem artigos. O que nós oferecíamos era a expectativa de que a revista subiria em seu conceito. Hoje, com a procura que temos chega a ser confortável rejeitar artigos. Nosso índice de rejeição atual chega a 82%”, ressalta. Uma segunda etapa pela qual a revista passou, neste período que está sob coordenação de Strapazzon, foi o processo de internacionalização, inclusive com o aperfeiçoamento do nome e a criação de uma sigla que pudesse torná-la conhecida no exterior: EJJL (Espaço Jurídico: Journal of Law). “A principal estratégia adotada foi a criação de uma edição especial, em inglês, comemorativa à aprovação do Mestrado, em dezembro de 2012”, diz Strapazzon, ao ressaltar que o periódico já foi requisitado até pela Biblioteca do Congresso Nacional e, recentemente, foi incorporado ao acervo do Portal de Periódicos da Capes. “Isso foi formidável. Já é o reconhecimento do nosso trabalho”, enfatiza.


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Para o futuro, os desafios não param, conforme mostra o editor: “Ainda precisamos consolidar o modelo de gestão e entrar nas bases de dados reconhecidas internacionalmente, onde estão as revistas mais importantes do mundo. A médio prazo, figuraremos entre as melhores do cenário internacional”. Por fim, Strapazzon diz que o maior desafio está mesmo em motivar as pessoas a acreditar no projeto e fazer parte dele. “A revista não pode ser do editor, mas da Universidade”. Comprometimento O desafio relatado por Strapazzon, editor do periódico científico melhor avaliado entre os da Unoesc, é o mesmo vicenciado pelos professores que editam outras três revistas externas ligadas aos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da Unoesc: Revista Roteiro, vinculada ao Mestrado em Educação, RACE (Revista de Administração, Contabilidade e Economia), vinculada ao Mestrado Profissional em Administração, e Revista Evidência: Ciência e Biotecnologia - Interdisciplinar, ligada ao Mestrado em Ciência e Biotecnologia. Conforme relata a coordenadora da Editora Unoesc, Debora Diersmann Silva Pereira, a partir de 2005, profissionalizou-se a edição dos periódicos, e como todos eles estão articulados aos programas de Pós-graduação Stricto Sensu, todos os periódicos passaram a investir em qualidade de publicação, para melhorarem seus estratos perante a Capes, e, por consequência, serem um bom suporte de publicação científica aos Programas de Mestrado. A revista Roteiro, editada pela professora Dra. Marilda Pasqual Schneider, completou 35 anos em 2013. Possui conceito B2 em Educação e mantém duas edições ao ano. Apresenta uma média de 80 submissões de artigos nacionais e internacionais uma rejeição de 35%, demonstrando critérios bem definidos quanto à avaliação dos artigos. É o periódico mais antigo da Instituição e que detém o maior número de indexações, ou seja, está presente em vários bancos de dados nacionais e internacionais, o que lhe garante visibilidade permanente, além de uma boa qualificação.

A RACE foi criada em 2002 e inicialmente era anual. Hoje, semestral, apresenta a professora Dra. Eliane Salete Filippim como editora e possui conceito B2 em Administração, Contabilidade e Turismo perante a Capes. Do mesmo modo que a Espaço Jurídico: Journal of Law, o estrato da RACE subiu consideravelmente neste último ano, isso em razão de alterações no Corpo Editorial e no corpo de avaliadores, o qual se ampliou significativamente. A média de submissões de artigos é mais de 150 anuais e o índice de rejeição fica na média de 55%. “O índice de rejeição indica que os critérios para publicação são bem exigidos e a quantidade de artigos submetidos na revista é alta, o que favorece o editor na hora de selecionar os melhores artigos para publicação”, explica Débora. A Evidência: Ciência e Biotecnologia - Interdisciplinar, criada em 2001, é editada pela professora Dra. Jane Lafayette Neves Gelinski. Possui Qualis B3 nas áreas: Interdisciplinar, Ciências Ambientais e Ciências Agrárias. Apresenta, igualmente, bons indexadores e mantém um público fiel de autores e leitores em sua área. Assim como as demais, apresenta duas publicações anuais. Propagando ciência Além dos quatro periódicos já mencionados, a Editora Unoesc publica a revista interna Unoesc & Ciência. Criada em 2010, tem a proposta de divulgar pesquisas desenvolvidas por acadêmicos, sob a supervisão de professores da Instituição. Totalmente digital, assim como os periódicos externos, a publicação tem duas edições anuais, cada edição com quatro volumes, de modo a contemplar as quatro áreas de conhecimento que concentram os cursos da Unoesc: ACBS (Área das Ciências Biológicas e da Saúde), ACET (Área das Ciências Exatas e da Terra), ACHS (Área das Ciências Humanas e Sociais) e ACSA (Área das Ciências Sociais Aplicadas). Embora focada nos periódicos científicos, a Editora Unoesc também publica livros, materiais de uso didático e anais de eventos científicos realizados na Universidade.

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34 Funoesc 45 Anos EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

A Universidade além do ensino Projetos beneficiam tanto estudantes da Unoesc quanto a comunidade externa

Q

uem vê o sorriso fácil e percebe o bom humor já nos primeiros dois minutos de conversa, não imagina a situação difícil pela qual passou a aposentada Zélia Santin em um passado recente. Em 2010, depois de 47 anos de casada, ela foi surpreendida pela decisão do marido: ele pediu a separação. “Fiquei sem chão. Nunca imaginei que isso aconteceria comigo, ainda mais nesta idade”, diz ela ao contar as dificuldades que enfrentou, sem estar aposentada na época e tendo à sua frente o desafio de recomeçar a vida. Um dos primeiros passos desse recomeço foi a inscrição na Universidade da Melhor Idade de Chapecó (UMIC), projeto desenvolvido por meio de uma parceria entre o poder público municipal e a Unoesc. Zélia foi a primeira pessoa a se inscrever. Recebeu o apoio da família, mas também chegou a ouvir críticas: “Me diziam que nesta idade já não adiantava mais estudar, mas eu não dei bola, porque também estava perto de realizar um sonho de infância”, diz a senhora, que estudou somente até a 5ª série do Ensino Fundamental por que ainda menina foi obrigada pelo pai a largar os estudos e ajudar no trabalho da família. “Quando o pai dizia não, a gente nem tentava pedir a segunda vez. Ele era muito rígido. Então, era um sonho que estava apagado, escondido e que eu pude realizar agora. Assim como jogar bola, que é outra coisa que eu tinha muita vontade quando era criança e nunca pude fazer”, conta Zélia, que também

Zélia Santin, 64 anos, aluna da Universidade da Melhor Idade

“Mesmo abalada, eu tinha dentro de mim a certeza de que não podia me entregar. A UMIC, junto com a minha família, foi o que me ajudou a vencer aquele momento difícil, fiz novos amigos, conheci histórias de outras pessoas, aprendi muito com os professores, que foram atenciosos e pacientes”

participa de um projeto esportivo do município de Chapecó. E não foi preciso muito tempo para o sonho lhe proporcionar uma nova realidade, capaz de mudar a situação difícil em que se encontrava. “Naquele momento, o que me deu forças para superar a tristeza e erguer a cabeça foi a UMIC. Chego a me arrepiar quando me lembro”, afirma Zélia. “Mesmo abalada, eu tinha dentro de mim a certeza de que não podia me entregar. A UMIC, junto com a minha família, foi o que me ajudou a vencer aquele momento difícil, fiz novos amigos, conheci histórias de outras pessoas, aprendi muito com os professores, que foram atenciosos e pacientes”, reforça. Hoje Zélia é aluna da UMIC Especialização – como é denominada a segunda etapa do curso – e lembra com um carinho especial da formatura ao final do primeiro ano, quando reuniu toda a família para celebrar a conquista. Aos 64 anos, “três filhos criados e quatro netos grandes”, ela se sente à vontade para recomendar a UMIC a outros idosos que talvez estejam na mesma situação que ela estava. “Se eu tivesse ficado de braços cruzados, me trancado em casa, nada disso teria acontecido. Entendi que agora é o meu momento e tenho certeza que isso pode ser bom para outros também”, recomenda.

A extensão universitária dentro e fora da Universidade A Universidade da Melhor Idade é uma iniciativa desenvolvida pela


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e da pesquisa Os cursos voltados a pessoas com mais de 60 anos são um exemplo de extensão universitária

Unoesc desde 2011, com recursos financeiros do poder público municipal de Chapecó, que investe em uma série de projetos voltados à população idosa. Com o objetivo de proporcionar conhecimentos que contribuam para um envelhecimento ativo e saudável, o projeto contribui para a qualidade de vida dos alunos e, consequentemente, de suas famílias. Iniciativas semelhantes, denominadas Universidade da Terceira Idade, também têm sucesso em Joaçaba e Capinzal, envolvendo mais de 100 idosos. Nessas duas cidades, os próprios alunos custeiam a manutenção do curso, por meio de

mensalidades, e têm aulas semanais durante três semestres para estudar diversos assuntos, como informática, longevidade e relacionamento familiar, além de dispor de carga horária para viagens e atividade física. Em Capinzal, também continua sendo desenvolvida uma versão anterior da Universidade da Terceira Idade, que existe há mais de seis anos com o apoio dos municípios de Capinzal, Ouro e Zortéa. Nesse projeto, que hoje tem 250 alunos, os idosos se reúnem uma vez por mês. Na Unoesc Xanxerê, existe ainda o projeto social Musculação para a Terceira Idade, que funciona

há seis anos, envolvendo pessoas com 50 anos ou mais. Atualmente, são mais de 100 participantes no projeto, divididos em quatro turmas. Cada turma tem duas sessões semanais de atividade física, com a duração de uma hora cada. As atividades voltam-se principalmente ao alongamento, flexibilidade, musculação e atividades recreativas, como a dança. Eles ainda passam por um processo avaliativo, incluindo medidas antropométricas, funcionais e questionários sobre hábitos de vida, de modo a verificar as melhorias obtidas em relação à qualidade de vida e as necessidades de mudanças nos exercícios.

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36 Funoesc 45 Anos Milhares de beneficiados com projetos de extensão Tanto a Universidade da Melhor Idade de Chapecó quanto as Universidades da Terceira Idade de Joaçaba e Capinzal e o projeto Musculação para a Terceira Idade de Xanxerê, são exemplos de projetos de extensão universitária que se destacam por serem voltados e beneficiarem a comunidade externa. Mas, além destes, ocorrem todos os anos centenas de atividades que se caracterizam como extensão universitária, por articularem o ensino e a pesquisa e viabilizarem a relação entre a Universidade e o seu entorno. Nesse contexto, também são atividades de extensão universitária os programas e projetos relacionados à educação continuada, que podem ser cursados tanto por quem é estudante da Universidade quanto por pessoas da comunidade externa; eventos científicos, culturais e esportivos; ações de divulgação científica e cultural; além de serviços, assessorias e consultorias. Em todos os casos, estas atividades precisam envolver os estudantes da Universidade, os quais, ao final, são os principais beneficiados já que têm na extensão a oportunidade de formação complementar e de prática acadêmica que permite associar o aprendizado obtido em sala de aula à realidade social. “A Unoesc entende a extensão como um processo educativo e científico,

produzindo conhecimento que viabiliza uma relação entre a instituição e a sua comunidade, alicerçada na troca de saberes. Dessa forma, a extensão é desenvolvida atendendo às demandas internas e externas da Universidade, que apresentam uma diversidade conceitual, teórica e prática que interfere expressivamente no pensar e no fazer no interior da própria Instituição. Assim, a extensão visa contribuir social e culturalmente para o desenvolvimento de um processo participativo, possibilitando o envolvimento dos participantes na interface com o ensino e a pesquisa”, explica o Pró-reitor Acadêmico do Campus de Xanxerê, Claudio Luiz Orço. As atividades de extensão são custeadas por meio de parcerias, pelos próprios beneficiados ou, em alguns casos, com recursos da própria Universidade. Envolvem milhares de pessoas todos os anos.

Em 2012, por exemplo, só os cursos de capacitação (201 em todos os Campi da Universidade), os eventos (que chegaram a 130) e os projetos da área de cultura (22 ao total), envolveram mais de 38 mil pessoas.


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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

Da teoria à prática

Atividades ligadas ao ensino tornam a Universidade um importante centro de serviços para a comunidade

A

lém do papel formador, a Para ele, o diferencial do serviço Unoesc tem o compromisso odontológico oferecido na Unoesc social de levar à comunidade o que é é a energia dos acadêmicos, que se produzido e aprendido no ambiente demonstram bastante aplicados na acadêmico. Estudantes e profestarefa de aprender e ajudar. “Se não sores colocam em prática os seus existisse [o serviço], eu não teria conhecimentos e fazem com que a outro lugar para levá-lo. Assim, Universidade se torne também um os dentes dele estão conservados”, importante centro de serviços para agradece. a população das cidades onde está Casos como o de Gabriel não são inserida. Os serviços prestados são raros. De acordo com a coordemuitos e vão desde atendimentos nadora do Curso de Odontologia, de saúde, assistência jurídica e até professora Andrea Gallon, das consultoria nas mais diversas áreas. mais de 7 mil pessoas atendidas na Às vezes, a assistência promovida clínica em 2012, um percentual sigpor meio das atividades de ensino nificativo representa os portadores é a única opção de atendimento às de necessidades especiais de toda demandas básicas da população. a região. “O curso da Unoesc é um O sorriso saudável do jovem dos poucos que tem uma disciplina Gabriel Lucas da Silva Vier, de 11 dedicada aos procedimentos clínicos anos, não deixa dúvidas de que a em pacientes especiais”, enfatiza. proposta dos serviços é a de soEm Odontologia, os acadêmicos lucionar problemas e aproximar a a partir da 6ª fase passam a praticar Universidade da população. Gabriel em pacientes o que aprenderam é autista e a sua condição limita o em aula, sempre supervisionados número de profissionais por um professor. A escodispostos a atendê-lo. lha de quem será atendido mais de Paciente da Clínica do costuma passar por alguCurso de Odontologia mas etapas. Na Unoesc, do Campus de Joaçaba, a comprovação de baixa pessoas atendidas ele encontra nas mãos renda é um parâmetro de na clínica de dos acadêmicos e proodontologia em 2012 seleção dos interessados, fessores o tratamento que procuram atendimento especial de que precisa, por vontade própria. Após o gratuitamente. “Em outro lugar, preenchimento de um cadastro, uma [o dentista] não consegue fazer ele triagem identifica o problema a ser sentar na cadeira. Aqui os alunos tratado e encaminha o paciente aos conversam, sabem como lidar com alunos já aptos para atender aquela ele e conseguem fazer o tratamenespecialidade. to”, afirma o avô Zeno Vier, de 78 Procedimentos semelhantes são anos. adotados nos demais cursos da área Gabriel é agitado, não fala e, da Saúde. Ao todo, esses servisegundo o avô, não gosta de escovar ços beneficiaram, apenas no ano os dentes. Zeno conta que é assim passado, aproximadamente 45 mil desde os dois anos, quando assumiu pessoas do Extremo ao Meio-Oeste a guarda do neto. Por isso, as visitas catarinense. de Gabriel à clínica são regulares, em geral a cada seis meses. A primeira vez foi há cinco anos. “Não foi nada fácil. Ele batia o pé e não queria”, lembra o avô.

7mil

Gabriel Lucas da Silva Vier, 11 anos, paciente da Clínica de Odontologia

O sorriso saudável do jovem Gabriel Lucas da Silva Vier, de 11 anos, não deixa dúvidas de que a proposta dos serviços é a de solucionar problemas e aproximar a Universidade da população

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38 Funoesc 45 Anos

A partir do auxílio prestado, o aluno também tem a oportunidade de vivenciar a realidade da profissão e perceber o quanto a área de formação escolhida interfere no dia a dia da sociedade

à comunidade desenvolvidos nas cidades de São Miguel do Oeste, Chapecó, Xanxerê, Joaçaba e Videira, foram responsáveis pelo atendimento de quase 12 mil pessoas.

serviços gratuitos de consultoria, assessoria e assistência jurídica para pessoas carentes. Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Michele conta que escolheu a Unoesc pelas referências que obteve de egressos do curso de Direito. A acadêmica explica que já atendeu muitas pessoas que, sem condição financeira para contratar um advogado, procuraram o serviço em busca de ajuda para resolver alguma pendência. Nesse universo de estreita ligaA partir do auxílio prestado, o ção da Unoesc com a comunidade, aluno também tem a oportunidade todos os espaços de ensino prático de vivenciar a realidade da profisdos cursos se transformam em vias são e perceber o quanto a área de de mão dupla. Ao mesmo tempo formação escolhida interfere no dia que se figuram indispensáveis para a dia da sociedade. “O estágio é de a formação acadêmica, são progrande importância por fornecer videnciais para quem precisa de uma bagagem de conhecimentos assistência. Há uma troca de conhe- práticos que levaremos para o exercimento entre os estudantes e as cício da nossa função, ao mesmo pessoas que recebem assistência. tempo que compreendemos me“Nós ajudamos e somos ajudalhor a importância dessa prestação dos”, afirma Michele da de serviço voltado para Silva Alves, estudante pessoas em vulnerabilidacerca de da 9ª fase do curso de de econômica e social. Os Direito, de Videira, sobre dois lados são amplamente o trabalho que realiza no beneficiados”, completa Núcleo e Laboratório de pessoas atendidas Michele. na assistência Prática Jurídica (NLPJ), Em 2012, os serviços jurídica onde são oferecidos de assistência jurídica

12mil

Michele da Silva Alves, acadêmica da 9ª fase do curso de Direito

“O estágio é de grande importância por fornecer uma bagagem de conhecimentos práticos que levaremos para o exercício da nossa função”


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Pedro Borsoi, Prefeito de Guatambu (SC)

“O investimento na educação certamente é uma garantia de melhorar a vida das pessoas” Quando se fala em extensão universitária, a proposta da Unoesc em relação à prestação de serviços é levar desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida nas regiões onde atua. Por isso, quando a capacidade ultrapassa a demanda de ensino e pesquisa, coloca também à disposição das pessoas e organizações externas a sua estrutura física e humana. Os laboratórios de ensino, por exemplo, são muito procurados para realização de exames e laudos técnicos. Em alguns casos, o laboratório da Unoesc é o único na região e por isso tem importância significativa. Em geral, esse tipo de serviço é pago, mas a Universidade cobra somente o suficiente para a manutenção da atividade. Realizados no ambiente universitário, mas sob a ótica profissional, os serviços contribuem também para o aprendizado e a prática dos acadêmicos. Foi dessa maneira que os laboratórios da Unoesc emitiram, em 2012, cerca de 32 mil resultados de exames e laudos técnicos.

Outra modalidade de serviço que aproveita a competência técnicocientífica instalada na Universidade está ligada aos programas de assessoria, consultoria, cursos de formação e aperfeiçoamento, executados em parceria com empresas, entidades ou poder público. O exemplo vem da parceria entre a Unoesc Xanxerê e a Prefeitura de Guatambu (SC). Em 2007, o município de pouco mais de 4,5 mil habitantes tinha uma das notas mais baixas do Estado na avaliação que mede a qualidade da educação. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) era 3,5. Na avaliação de 2011, saltou para 4,9, um dos mais elevados de Santa Catarina. Segundo o prefeito de Guatambu, Pedro Borsoi, a melhoria é resultado da formação de professores proporcionada pela Unoesc. “Um prefeito deve trazer para o gabinete os anseios do povo, e o investimento na educação certamente é uma garantia de melhorar a vida das pessoas. Nesse aspecto, os professores sempre precisam ter um bom preparo para atuarem na educação de nossas crianças e jovens”, justifica o prefeito. Ele acredita que a educação é o único caminho para bons resultados em todos os níveis de desenvolvimento do município. Em Guatambu, a Unoesc atende à formação de professores da rede municipal desde 2009. Nesse período, mais de 50 docentes participaram das atividades de aperfeiçoamento, que envolvem discussões sobre os documentos norteadores de ensino, oficinas de Artes, Português e Matemática, além da construção de projetos pedagógicos. Na avaliação do Diretor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Unoesc São Miguel do Oeste, professor Evelacio Roque Kaufmann, o objetivo maior da extensão e dos serviços prestados pela Universidade é permitir o envolvimento da academia com a comunidade externa, socializando os conheci-

mentos e saberes universitários na perspectiva de ações efetivas. “A extensão universitária tem fundamental importância para a mudança social. Representa muito mais que números do balanço social; provoca o bem-estar e autocríticas dos envolvidos, que consequentemente desencadeia o desenvolvimento endógeno das comunidades atendidas. É, sobretudo, um processo educativo, social, cultural e científico que integra de forma indissociável o Ensino e a Pesquisa, viabilizando de forma concreta as relações de transformação entre universidade e a sociedade.”

Atendimento odontológico

Atendimento fisioterapêutico

Testes e análises em laboratórios

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40 Funoesc 45 Anos HOSPITAL VETERINÁRIO

Aprendizado e cuidado com os animais Atividades beneficiam centenas de pessoas da comunidade, que fazem uso dos serviços ou participam de projeto social

A

guinetes Barfknecht, moradora do bairro Matinho, em Xanxerê, ficou tranquila ao saber que seu cão, Duque, seria operado por uma equipe do Hospital Veterinário da Unoesc Xanxerê. Ela procurou o serviço motivada pelo projeto social “Unoesc pela posse responsável de animais”, desenvolvido pelo curso de Medicina Veterinária. Funcionária pública em Xanxerê, Aguinetes conta que Duque, cão da raça lhasa apso, atualmente com sete anos, precisava fazer a castração. Assim, ao participar de uma cerimônia religiosa na igreja do bairro, ficou sabendo do projeto desenvolvido pela Unoesc. “Ainda no ano passado, soube de uma palestra que ocorreria no centro comunitário do bairro e resolvi participar. Na ocasião, a professora Luciana explicou sobre o projeto e como funcionava essa cirurgia. Fiquei muito tranquila, graças às explicações, e resolvi inscrever o Duque para o procedimento”, recorda. Alguns dias depois, o cão foi atendido por uma equipe do Hospital Veterinário, que o recolheu em casa, levou ao Hospital e realizou a cirurgia de castração. Duque ficou internado quatro dias. Nesse período, sua dona pôde visitá-lo no Hospital. “Fiquei muito satisfeita por ele estar sendo bem cuidado lá”, ressalta. A história de Aguinetes e Duque começou quando Duque tinha seis meses: a dona

1986

Ela recomenda os serviços realizados pelo Hospital, afirmando que sentiu muita segurança em confiar seu cão aos cuidados da equipe médica da Unoesc Xanxerê. Posse responsável de animais

Aguinetes Barfknecht, funcionária pública, e seu cão, Duque

“Fiquei muito satisfeita por ele estar sendo bem cuidado lá” anterior do cão não tinha mais como mantê-lo e queria doá-lo para alguém. Conhecendo bem Aguinetes, convenceu-a a adotá-lo. “Este é o terceiro cachorro que tenho. Ele está com minha família há sete anos e representa uma grande companhia. É brincalhão e muito esperto. Antes, ele estava bem cuidado, mas ficava sozinho, era carente. Hoje, saio bastante para passear com ele”, confessa. Para Aguinetes, as pessoas devem se informar mais sobre serviços prestados para animais por instituições, como o Hospital Veterinário.

O cão Duque foi atendido no Hospital Veterinário mantido pela Unoesc em Xanxerê por meio do projeto social “Unoesc pela posse responsável de animais”, realizado desde 2010. O projeto abrange famílias carentes no município de Xanxerê e compreende o levantamento epidemiológico e campanha de prevenção de zoonoses, além da esterilização de cães e gatos. Até o momento, já foram realizadas intervenções em seis bairros de Xanxerê. Em cada bairro, o projeto ocorre em três etapas: divulgação no bairro com panfletos; palestras de acadêmicos do curso de Medicina Veterinária, sob orientação da professora coordenadora, nos centros comunitários e escolas (com esclarecimentos sobre posse responsável, cuidados de higiene em caninos e felinos, manejo nutricional, prevenção de zoonoses, vacinação e castração) e cadastro de famílias. Aquelas famílias de menor poder aquisitivo e maior número de animais ainda são beneficiadas com as cirurgias realizadas no Hospital. As cirurgias são realizadas por médicos veterinários e envolvem uma avaliação clínica inicial, com exames

• Fundação Educacional dos Municípios do Alto Irani (FEMAI) é criada em Xanxerê. • O município de São Miguel do Oeste tem seu primeiro curso superior: o Curso de Administração, implantado

por meio de uma parceria da Funesc com a Fundeste, de Chapecó. As atividades do curso aconteciam no Colégio La Salle Peperi (fotografia), que foi a sede da Unoesc na cidade até a inauguração do Campus, em 1996.


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específicos. Depois de operados, os animais ficam no Hospital até se recuperarem quando, então, retornam às suas residências. Os números do projeto são expressivos: desde 2010 foram castrados 425 animais pertencentes a 161 famílias. Outros 360 animais, entre cães e gatos, foram doados e adotados por outras famílias. Animais estes que, não fosse pelas ações de conscientização desenvolvidas pela Unoesc, poderiam estar abandonados na rua, sujeitos a maustratos e podendo transmitir doenças. Na avaliação da coordenadora do projeto e do Hospital Veterinário, professora Luciana Alves Prati, a iniciativa constitui uma ferramenta importante do curso, já que, durante os atendimentos, sempre há acadêmicos acompanhando as atividades, de diferentes fases. “É um projeto fundamental de prática dos acadêmicos e também esclarece e ajuda a controlar o abandono de animais”, justifica.

Estrutura adequada para um bom atendimento O Hospital Veterinário da Unoesc Xanxerê possui uma área de 4.520 metros quadrados. Nesse espaço, sua infraestrutura dispõe de sala de recepção, dois consultórios (atendimento particular e aulas práticas), salas de emergência e de esterilização, consultório odontológico, enfermaria e laboratórios (de diagnóstico por imagem, de patologia clínica, de reprodução, de microbiologia e de parasitologia). Ainda, há um bloco cirúrgico particular e para aulas práticas de pequenos e grandes animais, salas de plantonista, de aula, de professores, de preparo, lavanderia, cozinha, canis e gatis para internamento e para recuperação pós-cirúrgica. Segundo a coordenadora do hospital, o espaço tem hoje plenas condições de atender, de maneira geral, a práticas didáticas e à demanda de atividades particulares.

• FUOC e Femarp estabelecem um convênio que possibilita a oferta do Curso de Ciências Contábeis em Joaçaba e de Administração em Videira.

• No mesmo ano, são criados dois cursos que hoje a Instituição não oferece mais: Artes Práticas, em Joaçaba, e Ciências Econômicas, em Videira.

• Em Joaçaba, também é implantado o curso de Direito.

• Ainda em Videira, é construído o prédio da Biblioteca Universitária.

Além das consultas, a parte de diagnósticos é feita por meio de exames de patologia clínica, parasitológico, microbiológico e diagnóstico por imagem – ultrassom e raios X

“Isso envolve tanto consultas quanto apoio diagnóstico, inclusive terceirizado, até cirurgias gerais”, explica, acrescentando que a parte de diagnósticos é feita por meio de exames de patologia clínica, parasitológico, microbiológico e diagnóstico por imagem – ultrassom e raios X. Para se ter uma ideia do trabalho desenvolvido no Hospital, de janeiro a setembro deste ano, já foram realizadas 380 cirurgias, 240 consultas, 180 exames de patologia clínica, 293 exames de microbiologia, 1.125 exames de laboratório de reprodução, 20 exames parasitológicos e 228 raios X, envolvendo animais de toda a região Oeste catarinense.

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42 Funoesc 45 Anos ARTICULAÇÃO SOCIAL

União pelo Oeste Catarinense M

otivados pelo comprometimento com o futuro do Oeste, os dirigentes da Unoesc e da Federação da Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) uniram-se para aglutinar agentes capazes de discutir os rumos da região e propor alternativas que garantam a competitividade e o desenvolvimento de forma sustentável. Reuniram entidades representativas das classes empresariais, associações, orgãos de governo, agentes de fomento e instituições de ensino para criar um fórum capaz de representar os interesses do Oeste junto a diferentes esferas. O Fórum de Competitividade e Desenvolvimento da Região Oeste de Santa Catarina, como ficou denominado, tem a proposta de operar como uma rede e estrutura de governança, para o estabelecimento de políticas, estratégias e ações voltadas ao incremento da competitividade de toda a região que tem mais de um milhão de habitantes. “Essa iniciativa tem por finalidade criar um ambiente em que se possa refletir sobre o modelo de desenvolvimento, traçar cenários, sugerir e elaborar projetos estratégicos e ações que contribuam para o desenvolvimento econômico e social dessa importante região”, explica o presidente da FIESC, Glauco José Corte. O início das discussões ocorreu em outubro de 2012, em Chapecó, com a realização de um seminário no qual foram apresentadas as potencialida-

1987

des e os problemas econômicos da região. Logo após, ocorreram mais quatro minisseminários nos municípios de São Miguel do Oeste, Concórdia, Joaçaba e Chapecó, nos quais foi constatada a necessidade de criação de um órgão capaz de definir e representar os interesses da região. Na primeira reunião do Fórum, que ocorreu em julho de 2013, foi constituída a primeira diretoria e criadas nove comissões técnicas nas áreas de governança, planejamento, infraestrutura, educação, tecnologia e inovação, desenvolvimento e sustentabilidade, integração macrorregional, relacionamento institucional e recursos humanos. A presidência da entidade ficou a cargo da Unoesc, nas mãos do professor Ricardo Antônio De Marco, diretor geral da Unoesc Chapecó. No mês de outubro, os representantes das instituições que integram o Fórum apresentaram ao Fórum Parlamentar Catarinense um documento com as reivindicações pelo Oeste que envolvem questões relacionadas às ferrovias (inter e intraestadual); rodovia BR-282; duplicação da BR-480 e Acesso Chapecó à BR–282; adequação nas rodovias federais; aeroporto de Chapecó; energia; meio ambiente; água; retorno de ICMS; e ambiente empresarial. Conforme lembra o próprio presidente da FIESC, a região

• Xanxerê tem seu primeiro curso superior, implantado pela FEMAI: Ciências Contábeis. • Em Joaçaba e em Videira, são oferecidos os primeiros cursos de especialização. Em Joaçaba, é o curso de Metodologia do

Fernando Willadino

Universidade atua junto a diferentes entidades e ajuda a definir o futuro da região

Glauco José Corte, Presidente da FIESC

“A Unoesc exerce papel fundamental para o desenvolvimento socioeconômico da Região Oeste, por meio da formação e qualificação e da produção do conhecimento”

Ensino Superior, oferecido por meio de uma parceria com o Ministério da Educação e a Acafe. Em Videira, é o curso de especialização em Ciências Contábeis. • Em Joaçaba, também é inaugurado o segundo prédio da FUOC.


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Oeste concentra 17% da população do Estado, e é responsável por um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de R$ 22 bilhões, o que corresponde a 15% do total estadual. Além disso, concentra 16% dos estabelecimentos industriais de Santa Catarina e 17% dos trabalhadores da indústria. “Esses números mostram a força do setor industrial na Região, mas trazem consigo enormes desafios a serem superados, entre eles a falta de infraestrutura e a dificuldade de acesso a outros mercados, além de problemas sociais. Nesse sentido, a Unoesc exerce papel fundamental para o desenvolvimento socioeconômico da Região Oeste, por meio da formação e qualificação e da produção do conhecimento. Assim, prepara profissionais cada vez mais capacitados, gerando competitividade e empregabilidade, além de proporcionar melhor qualidade de vida. É um importante indutor das transformações sociais e econômicas da região”, argumenta. Articulação social A parceria existente entre a Unoesc e a FIESC para a criação do Fórum de Competitividade é um entre muitos exemplos de inserção e articulação que a Universidade exerce nas comunidades onde atua. Em cada cidade e microrregião que formam o grande Oeste, a Instituição está próxima da

1988

sociedade civil organizada por meio da representatividade em diversos órgãos (conselhos municipais e regionais, comitês, comissões, fóruns, associações comerciais, entidades de classe), por meio da promoção de atividades de extensão e de ambientes de discussão em que tem a parceria de várias entidades, como também pelo protagonismo em ações de interesse das regiões onde está inserida. Para a direção da Universidade, a participação em entidades da sociedade civil e na discussão de assuntos de interesses regional é resultado de sua característica como instituição comunitária e faz parte da missão da Universidade – formar pessoas, produzir conhecimento e oferecer extensão e serviços, promovendo o desenvolvimento institucional e regional. “Temos a nossa missão e procuramos atendê-la da melhor forma possível. E isso é algo em que persistimos diariamente”, diz o diretor executivo da Reitoria da Unoesc, professor Alciomar Antônio Marin, destacando que a própria comunidade anseia por isso.

• Femarp estabelece convênio com a Fundação Educacional do Alto Vale do Rio do Peixe (Fearp), de Caçador, para implantar o Curso de Pedagogia em Videira e de Ciências Contábeis em Caçador.

• FUNESC e FEMAI implantam o Curso de Pedagogia em São Miguel do Oeste e em Xanxerê. • Em Joaçaba, é criado o Curso de Ciências, que hoje já deixou de ser oferecido.

Fórum criado pela Unoesc e pela FIESC tem a proposta de operar como uma rede e estrutura de governança

Ao se falar em articulação social, ainda é necessário citar a relação de parceria estabelecida com as demais instituições comunitárias de ensino superior, por meio da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe). Esse sistema não apenas defende os interesses comuns das instituições que o integram, mas também promove a troca de experiência entre essas organizações, por meio de câmaras setoriais.

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44 Funoesc 45 Anos INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

O lugar das boas ideias Como a Universidade estimula a cultura da inovação e a abertura de novos negócios

E

ureca! A simples menção dessa palavra parece desencadear uma série de pensamentos, exatamente como o significado sugere: “É isso, descobri!”. Afinal, quem nunca teve uma ideia que julgou ser capaz de revolucionar a vida das pessoas? Mas antes que a expressão “Como não pensei nisso antes?” brilhe na sua mente, a verdade é que uma ideia inovadora não surge de uma hora para outra e raramente é fruto que cai apenas em uma cabeça. Se a inovação precisa de tempo e espaço de incubação, é na Universidade que as boas ideias têm encontrado o lugar para amadurecerem. Quando o jovem Vagner Lucas Gomes ingressou no curso de Engenharia da Computação, em 2010, nem imaginava que pudesse se tornar sócio de um negócio realmente novo. Programador habilidoso, em 2012 ele foi convidado para integrar um projeto que começava a se desenvolver como negócio dentro da Pré-incubadora Tecnológica da Unoesc (Tecnovale). Na época, a Pré-incubadora abrigava os primeiros projetos. Entre as 10 ideias selecionadas para utilizar o espaço físico preparado no Campus de Joaçaba, estava a inovação proposta por Alexandre Heberle, engenheiro de software, e Maykol Ouriques, engenheiro agrônomo. A Tecnovale oferece aos préincubados todo o suporte, com acesso às assessorias tecnológica, comercial, jurídica e de gestão,

1989

fundamentais para que uma boa ideia possa sair do papel. A estrutura de laboratórios, de profissionais e pesquisadores da Unoesc também está no pacote. Tudo para que se tornem negócios capazes de atender às necessidades empresariais, principalmente da região. Mas no caso do Vagner, do Alexandre e do Maykol, a contribuição também foi possibilitar o encontro dos três. O caminho percorrido por eles até a primeira reunião parece ter sido traçado por GPS, precisamente como propõe o projeto aperfeiçoado na Pré-incubadora. Durante uma consultoria técnica, Alexandre e Maykol, donos da inovação, decidiram que seria preciso recrutar alguém para trabalhar na área de programação, ligada ao desenvolvimento de sistemas informatizados. Foi aí que Vagner entrou no negócio, indicado por um professor do curso, que fazia parte da equipe da Tecnovale. Vagner explica que uma versão primária do software, batizado de Plataforma de Gestão de Informações Georreferenciadas, já existia. Apesar do nome, o princípio de funcionamento do sistema é simples: oferecer à agroindústria, a partir da análise de informações geográficas por GPS (Sistema de Posicionamento Global), uma ferramenta que tornasse mais eficiente a logística de distribuição de ração para as propriedades criadoras de animais de abate.

• É criada uma comissão pró-universidade, para trabalhar na unificação das fundações que formam a FEMOC (FEARP, FEMARP, FEAUC e FUOC), com vistas à criação de um projeto de Universidade.

Vagner Lucas Gomes, 22 anos Acadêmico da 8ª fase do Curso de Engenharia da Computação

“Criar algo totalmente novo com tudo o que já existe, principalmente na área da tecnologia, é difícil, mas melhorar o que já existe é possível. Isso também é inovação”

1990

• É criado projeto da Unimoc, que seria a propositora de um projeto de Universidade reunindo as fundações de Joaçaba, Videira, Caçador e Concórdia. A articulação não tem sucesso e apenas as fundações de Joaçaba e Videira continuam unidas.


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Vicente de Paula Souza. Trabalhou por 30 anos na FUOC, depois Funoesc. Foi secretário acadêmico, professor, Pró-reitor de Ensino (geral e do Campus de Joaçaba) e coordenador do Curso de Pedagogia.

“A tentativa de unificação remonta ao ano de 1972, quando D. Orlando Dotti, Bispo de Caçador e Dante Martorano, na época dirigentes respectivamente da FEARPE e da FEMARP, mas o processo somente começou a se formalizar em 1990, sob a liderança do Prof. Aristides Cimadon, com a criação da Comissão Pró- Universidade para elaborar o Projeto de Carta consulta para criação da UNIMOC, agregando as Fundações Educacionais de Joaçaba, Videira, Caçador e Concórdia.

Vagner, Maycon e Alexandre, sócios da Geologe. Empresa pré-incubada na Unoesc encontrou o lugar para se desenvolver seguindo o caminho da inovação

A inovação, neste caso, seria criar operações associadas à definição da melhor rota. Porém, deveria ser útil para todo o setor agroindustrial que necessita ou utiliza as pequenas – e até então não mapeadas – estradas do interior do Oeste e Meio-Oeste de Santa Catarina. “Criar algo totalmente novo com tudo o que já existe, principalmente na área da tecnologia, é difícil, mas melhorar o que já existe é possível. Isso também é inovação”, garante o estudante. Segundo ele, o período na Pré-incubadora foi essencial para que a equipe pudesse desenvolver melhorias no software ao mesmo tempo que era construído o plano de negócio, a fim de estruturar a empresa para colocar o produto no mercado. Depois de 18 meses de trabalho, a segunda versão do sistema supera

a lógica da rota mais curta ou mais rápida entre o integrado e a fábrica de ração. Analisa outros dados, atendendo a diversas condicionantes, como economia de combustível, controle de frotas e cargas e também as condições climáticas. “Se estiver chovendo e a rota [mais curta] indicar uma estrada não pavimentada com um morro, [o caminhão] não vai subir. É melhor ir por outro caminho. Ele [o sistema] analisa tudo isso”, explica Vagner, ao informar que agora os usuários podem acessar a plataforma pela Internet. A ideia de tornar o georreferenciamento mais simples e acessível já deixou a pré-incubação. Hoje é uma empresa chamada Geologe que começa a comercializar o seu produto. “A gente teve a ideia, mas a operacionalização dela acabou ficando bem difícil. Sem a ajuda da Unoesc não

Alteram o regimento e a nomenclatura da FUOC para que essa fundação fosse a propositora do projeto junto ao MEC e buscam o apoio da Fundeste, de Chapecó, para integrar e fortalecer a proposta.

firmada em 1988 com a Fundação Educacional do Alto Vale do Rio do Peixe (FEARP).

• A Femarp implanta o Curso de Pedagogia, em Videira, por meio da parceria

• Também em Videira, é adquirida a Escola Comecinho de Vida, que veio a dar origem à Escola de Aplicação.

Mas esta Comissão Pró-Universidade, em razão de apenas possuir poder no nível pedagógico, não teve forças suficientes para conter o poder endógeno de alguns dirigentes das IES federadas, que traziam consigo compromissos que extrapolavam o contexto universitário, mais precisamente a questão político-partidária e o bairrismo das comunidades envolvidas. No dia 19 de março de 1990, uma reunião memorável em Joaçaba selou o rompimento definitivo das IES federadas, pois entre outras coisas, a FEARPE não abria mão da sede da Reitoria que já havia sido definida como sendo em Joaçaba, e aí o bicho pegou, resultando de uma brigaçada entre prefeitos e dirigentes das IES federadas, ficando suspensos os trabalhos até segunda ordem. Alguns dias se passaram e, como o prazo máximo pra protocolo junto ao CFE dos projetos de novas universidades encerrariam dia 30 de março, o dia anterior foi uma loucuragem só, ficamos trabalhando madrugada afora para concluir o processo com FUOC de Joaçaba e FEMARP de Videira. E lá fui eu no dia seguinte, com o processo em mãos, para efetuar o protocolo no CFE em Brasília, e lá constatei que alguém da FEARPE estava lá protocolando o processo da Universidade do Contestado, o que confirmava suspeita dos demais dirigentes da FEMOC de que este processo já estava sendo elaborado pela FEARPE em paralelo ao da FEMOC.”

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46 Funoesc 45 Anos teríamos desenvolvido a ideia tão rápido e não estaríamos onde estamos hoje”, afirma o sócio Maykol. Desde setembro deste ano, a Geologe está na fase de incubação e aproveita seu potencial de crescimento na Incubadora Tecnológica de Luzerna (ITL), que integra o Polo de Inovação Vale do Rio do Peixe (Inovale), do qual a Unoesc é parceira. Nessa nova etapa, segundo Vagner, não haverá desvio de rota. Ele continuará conciliando o trabalho na empresa da qual é sócio com as atividades da faculdade pelo menos até o final de 2014, quando deverá entregar o trabalho de conclusão de curso. A pesquisa já está bastante adiantada e o tema, não por acaso, seguirá o caminho criativo que ele próprio trilhou.

Na Unoesc, o estímulo à cultura da inovação e do empreendedorismo e a gestão da propriedade intelectual são funções desempenhadas pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT). Além disso, o NIT é o elo com empresas para o levantamento de demandas que possam ser trabalhadas dentro da Universidade. Foi por intermédio desse setor que a Unoesc coordenou a elaboração do projeto do Polo de Inovação Vale do Rio do Peixe (Inovale), que conta com a parceria de várias entidades e apoio governamental. A iniciativa do Polo de Inovação consiste em uma série de projetos de fomento ao empreendedorismo inovador, com atuação na região de abrangência da Associação dos Municípios do Meio-Oeste Catarinense e da 7ª Secretaria de Desenvolvimento Regional, de Joaçaba. Para a Diretora de Pesquisa da Unoesc e integrante da equipe do NIT, Jéssica Romeiro Mota, a Universidade acredita no seu papel transformador e, por isso, investe na inovação e no empreendedorismo

1991

Marcio Luiz Lima de Souza, egresso do curso de Administração

“Eu não queria fazer um trabalho por fazer. O meu TCC tinha que virar um negócio e a orientação do professor João Alberto Gisi, que acreditou na minha ideia, foi fundamental para que tudo acontecesse. Antes eu era um curioso na área de marketing. O conhecimento científico possibilitou a efetivação do negócio” como parte da formação dos seus alunos, incentivando projetos e empreendimentos inovadores que surgem dentro do ambiente universitário ou fora dele. “Neste ano, foi feita uma série de iniciativas com o objetivo de sensibilizar para o conceito e importância da inovação, para que os alunos, professores e empresas percebam que é uma das únicas formas de sair da letargia que a sociedade enfrenta em situação econômica e de desenvolvimento”, enfatiza.

• Conselho Federal de Educação autoriza a implantação do projeto da Universidade do Oeste de Santa Catarina, reunindo a estrutura que era das fundações educacionais de Joaçaba, Videira e de Chapecó. O momento é acompanhado por empresários e 39 prefeitos da região, 16 deputados federais, pelos senadores Esperidião

Ela cita como exemplo o evento Tempestade de Ideias, no qual empresas da região apresentam para os acadêmicos em fase de produção do trabalho de conclusão de curso (TCC) quais são as suas necessidades e áreas promissoras à investigação científica. “Isso para nós é ótimo, porque ao mesmo tempo que sensibiliza o aluno para a importância da pesquisa e colabora com ele na definição de temas de estudo pertinentes, também permite à empresa o aproveitamento do resultado dessa pesquisa, que passa a ter uma aplicação prática”, relata a diretora.

O céu é o limite Ao introduzir os temas inovação e empreendedorismo em seus cursos, o trabalho da Universidade tem repercutido rapidamente na mudança de hábito e no interesse dos seus acadêmicos, os novos profissionais. Para Marcio Luiz Lima de Souza, sócio da ProxyMed Gestão e Marketing Médico, isso não é uma coincidência. Egresso de Administração da Unoesc Chapecó, ele aproveitou a pesquisa do seu trabalho de conclusão de curso para planejar e dar vida ao próprio negócio. Casado com uma médica endocrinologista, Marcio conhecia de perto as dificuldades e potencialidades da gestão na área da saúde. Além disso, detinha experiência prática em marketing, adquirida quando atuava na área comercial e de relacionamento de uma multinacional, na capital paulista. Somando tudo isso, ele sentiu que precisava sair do conhecimento empírico. Logo depois que concluiu o curso, em 2012, era hora de organizar as ideias e avançar. Foi assim que ele abriu a ProxyMed.

Amin, Wilson Kleinubing e Cassildo Maldanner e pelo Governador do Estado, Paulo Afonso Vieira (Depoimento na página ao lado). • Flávio Brandalize e Darci Fuga são eleitos os primeiros Presidente e Vice-presidente da Funoesc.


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“Eu não queria fazer um trabalho por fazer. O meu TCC tinha que virar um negócio e a orientação do professor João Alberto Gisi, que acreditou na minha ideia, foi fundacontatos saltou de 104 para 1801. mental para que tudo acontecesse. “Há poucos dias recebi a ligação de Antes eu era um curioso na área de um profissional do nordeste quemarketing. O conhecimento cienrendo mais informações sobre a emtífico possibilitou a efetivação do presa. Já fechamos um treinamento negócio”, recorda. que será ministrado para mais de 60 Com um perfil empreendedor, a secretárias ainda neste ano. Logo, o empresa auxilia médicos e demais céu é o limite”, comemora. profissionais da área da saúde na O diretor de Graduação da gestão de suas clínicas e consultóUnoesc Chapecó, professor Celso rios, por meio do desenvolvimento Paulo Costa, tem uma definição de planos de marketing exclusivos para a atitude empreendedora do e customizados por especialidade ex-acadêmico: “O êxito do Marcio para profissionais de todo o Brasil. representa o sucesso almejado para “O diferencial do nosso negócio todos os nossos estudantes nas mais está em estudar o cliente e oferecer diversas áreas e funções que vierem um serviço que se molde às pecua desempenhar.” Segundo ele, para liaridades dele e não o contrário, que a experiência se torne regra e como acontece com muitas emnão exceção é preciso continuar presas concorrentes, que oferecem perseguindo uma metodologia volpacotes de marketing prontos, tada para o empreendedorismo. esperando que o cliente se “Uma pedagogia empreencaixe neles”, arguendedora exigirá uma menta Marcio, ao mudança cultural apontar que são na metodologia “Uma pedagogia raras as empresas convencional de que oferecem ensino e aprenempreendedora exigirá um serviço sedizagem. Nesta uma mudança cultural melhante aos da o professor será na metodologia ProxyMed. um desafiante convencional de ensino O empresário e o aluno desaressalta que nos fiado, envolvido, e aprendizagem” últimos meses tem estimulado a criar focado na rede de e resolver desafios. negócios LinkedIn [...] Não queremos para divulgar o negócio formar alunos para serem e tem sido procurado por prosomente empregados, mas fissionais da área da saúde de todo para inovar, criar, cooperar com o o Brasil, interessados nos serviços crescimento pessoal e social. Forprestados por ele e pelo, hoje, sócio, mar pessoas capazes de aproveitar Jeancarlo Zuanazzi, que foi seu oportunidades, melhorar processos e professor na graduação. Apenas nos inventar negócios e modos de viver últimos três meses, o número de melhor.”

1992

• Aristides Cimadon assume como primeiro Reitor da Unoesc. • Campus de Videira implanta o Curso de Direito.

• Em São Miguel do Oeste, tem início o primeiro curso de pósgraduação em nível de especialização.

Darcy Laske. Foi professor da FUOC e da Unoesc por 20 anos, integrou a comissão de implantação da Universidade e foi coordenador de cursos de graduação e pós-graduação. Hoje, é secretário executivo da Acafe.

“O processo de criação foi muito longo, trabalhoso e de muita articulação política até que o Conselho Federal de Educação aprovasse a autorização da Universidade e que o Ministro da Educação publicasse o Decreto Autorizativo. Para que a Unoesc obtivesse êxito, naquele momento, foi fundamental a união com a Fundeste. Com certeza, atualmente a criação de uma nova Universidade é muito mais fácil, menos burocrática e muito mais barata do que foi na época. No dia em que o Conselho aprovou a Unoesc, estavam presentes vários dirigentes da universidade, empresários, líderes comunitários, vereadores e os prefeitos de Videira, Chapecó e Joaçaba, além de deputados federais de Santa Catarina da época. O resultado foi muito comemorado, já que o caminho trilhado foi longo, muito trabalhoso e com permanente pressão do Conselho Federal de Educação. Mas, sem dúvidas, a Unoesc foi uma grande conquista de todo o Oeste de Santa Catarina e podemos afirmar que contribuiu decisivamente no desenvolvimento econômico de toda a região.”

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48 Funoesc 45 Anos BOLSAS DE ESTUDO

O valor de um sonho Para grande parte dos jovens brasileiros, o desejo de cursar uma faculdade passa pelo desafio de custear os estudos, superado na forma de bolsas de estudo

Fabíula Cordeiro Ribeiro, bolsista, 20 anos

E

ra fim de tarde do dia 13 de dezembro de 2011. A jovem Fabíula Aparecida Cordeiro Ribeiro, na época com 18 anos, chegou do trabalho animada, chamou pela mãe e foi prontamente recebida com um caloroso e demorado abraço. Emocionadas, as duas comemoravam uma conquista: a aprovação de Fabíula no vestibular. Daquele dia, Fabíula gostaria de lembrar apenas do sorriso orgulhoso da mãe, mas a felicidade não foi suficiente para dissipar um pensamento incômodo, mas decisivo sobre o seu futuro como universitária. “Como vou pagar a faculdade?” Quando decidiu se inscrever para o curso de Engenharia Civil na Unoesc Joaçaba, Fabíula sabia que o maior desafio seria custear a mensalidade e outros gastos decorrentes da sua formação. O orçamento familiar era modesto. O que ganhava como estagiária era suficiente apenas para incrementar o salário de empregada doméstica da mãe, Terezinha Antunes

1993

Cordeiro, já comprometido com as que compromete a saúde das pessoas despesas essenciais, que incluíam o e também o meio ambiente. “Um aluguel da casa onde as duas moravam. engenheiro civil pode desenvolver Passados quase dois anos desde que métodos de normalizar essa situação.” foi aprovada no vestibular, a condição Apesar de bolsista, Fabíula segue financeira não mudou, mas a jovem trabalhando. Na sua jornada de três segue o seu sonho. Hoje, aos 20 anos turnos, faz verdadeiro malabarismo de idade, é estudante universitária e, para conciliar a atividade remunerada se tudo seguir conforme foi planejado, com a faculdade em período integral. até 2018 será engenheira civil. Para As aulas ela cursa pela manhã e à noite. Fabíula, a salvação veio em forma de A tarde é secretária em um escritório bolsa de estudo. No primeiro semestre de engenharia. A possibilidade de do curso, após passar por uma seleção, um choque de horários já aconteceu. conseguiu bolsa de 50% do Artigo A opção é cursar o componente 170, da Constituição Estadual. No curricular em outra turma ou, se não segundo semestre, foi selecionada for possível, deixar para o semestre para receber bolsa do Artigo 171, que seguinte. Esse contratempo vai concede gratuidade de 100% até o fim retardar um pouco a formatura, mas da graduação. o importante, nas palavras dela, “é Fabíula é o exemplo de quem trilha chegar lá”. o caminho da transformação social por intermédio do estudo. Seu depoimento Bolsas de estudo beneficiam 40% dos deixa transparecer uma preocupação, alunos de graduação ainda que consciente, abnegada, no sentido de devolver o que recebe: “Esse Assim como Fabíula, outros 7.261 apoio que estou recebendo agora, eu estudantes da Unoesc recebem auxílio quero depois de formada retribuir para financeiro para cursar o a sociedade. Pretendo usar ensino superior por meio o meu conhecimento para de bolsas de estudo, que vão ajudar aqueles que mais de 25% a 100% do valor da necessitam.” estudantes da mensalidade. Para muitos, Sobre como pretende Unoesc recebem como o próprio caso da estufazer isso, ela afirma auxílio dante de Engenharia Civil do que a Engenharia Campus de Joaçaba, esse auxílio Civil é uma profissão é decisivo para concluir a graduação. voltada para as pessoas: “Eu já tinha As bolsas de estudo disponíveis na interesse na área da construção pelo Universidade são financiadas com recurfato de o meu pai ser mestre de sos próprios, do Estado ou da União. obras. Eu o acompanhava nas obras As custeadas com recursos próprios desde pequena. Mas, além disso, eu são as bolsas de filantropia, que a sempre quis uma profissão na qual Unoesc oferece, em virtude de ser uma eu pudesse atuar ajudando as pessoas. entidade beneficente de assistência E a engenharia civil é isso. Pois social. Chega a 2.071 o número de dela depende toda a estrutura das alunos que recebem gratuidade de 50% cidades”, diz, citando como exemplo da mensalidade. a precariedade do saneamento básico,

• Campus de Joaçaba inaugura o bloco da Biblioteca Universitária e cria o Curso de Engenharia de Produção Mecânica.

7.261

• Em Xanxerê, é oferecido o primeiro curso de pós-graduação em nível de especialização: Ação Integrada dos Especialistas em Educação.


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“Esse apoio que estou recebendo agora, eu quero depois de formada retribuir para a sociedade. Pretendo usar o meu conhecimento para ajudar aqueles que mais necessitam”

As bolsas de estudo custeadas com recursos estaduais são relativas ao Artigo 170 e 171 da Constituição Estadual, sendo as primeiras de 25% ou 50% e as segundas de 100% do valor da mensalidade do aluno. O Governo Estadual também possui o Programa de Bolsas de Estudo do Fundo de Desenvolvimento Social (Fundosocial), que são oferecidas por meio de uma parceria com a instituição de ensino, em que o Governo repassa 30% do valor da mensalidade e a Universidade custeia o restante, ficando o estudante com gratuidade de 100% no valor das mensalidades. Para concorrer a esses três tipos de bolsas de estudo, os alunos precisam responder a uma série de requisitos e são selecionados com base em critérios socioeconômicos discriminados em edital específico. Os editais referentes

às bolsas de filantropia e dos artigos 170 ou 171 são abertos anualmente, enquanto os editais relativos às bolsas do Fundo Social são abertos sempre que ocorre a liberação de mais recursos por parte do Governo Estadual. As bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) são concedidas conforme determina o programa governamental, que abre inscrições semestralmente. Hoje, dos 7.262 estudantes que têm bolsa de estudo na Unoesc, 1.679 são bolsistas do ProUni, grande parte deles são de outras regiões do Estado e até de outros estados brasileiros. Financiamento e descontos Há ainda estudantes que fazem uso do FIES, programa de financiamento estudantil do governo federal, ou que

se beneficiam de descontos oferecidos pela Universidade por estarem matriculados em dois cursos ao mesmo tempo, estarem no segundo curso na Instituição ou por haver mais um membro do grupo familiar estudando ao mesmo tempo na Universidade, seja em cursos de graduação ou de especialização. Idosos acima de 60 anos recebem descontos de 20% da mensalidade, independente de ser ou não o primeiro curso que realizam na Universidade, conforme prevê o Estatuto do Idoso. As regras para obtenção do FIES são determinados pelo Governo Federal e depende do limite de recursos disponíveis para financiamento na Universidade. Já os descontos de 5% a 10% são regulamentados pela própria Unoesc, na Resolução nº 25/Cons. Adm./2012.

1994

• Iniciam-se as atividades dos cursos de Psicologia, em Joaçaba, e de Ciência da Computação, em Videira.

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50 Funoesc 45 Anos SUSTENTABILIDADE

Profissionais do futuro Formar profissionais em áreas estratégicas para o tripé da sustentabilidade – ambiental, social e econômica – é uma das preocupações da Unoesc, mas a educação ambiental perpassa todos os cursos da Universidade

Bruna Vedoy de Souza, estudante de Engenharia Bioenergética

A

acadêmica Bruna Vedoy de Souza cursa a 6ª fase de Engenharia Bioenergética na Unoesc Xanxerê. Natural da cidade, divide seu dia a dia de universitária entre os estudos e a atividade de monitora nos laboratórios do bloco H. Ela compõe a terceira turma do Curso de Engenharia Bioenergética e, apesar de ter apenas 18 anos, demonstra maturidade em relação aos desafios que sua formação tem e em relação à preocupação com o meio ambiente. “A produção de energia, hoje, é fonte de preocupação mundial. Toda pesquisa nessa área é importante, porque é preciso otimizar os recursos, para ter um melhor aproveitamento. Vemos que há uma quantidade disponível, mas é necessário produzir mais, em função da crescente demanda”, assinala. Ela explica que resolveu cursar Engenharia Bioenergética porque considera o curso “o futuro próximo”:

“Pretendo trabalhar com o desenvolvimento de energias e pesquisas, para tirar o paradigma de que o país precisa do petróleo para ser autossuficiente. O Brasil tem possibilidades de desenvolver todos os tipos de energia (eólica e solar, principalmente). Pela grande área costeira, também temos a possibilidade da energia das marés. O engenheiro bioenergético, afinal, é o responsável por desenvolver novas alternativas.” Para Bruna, a formação proporcionada pelo curso de Engenharia Bioenergética atende aos seus anseios, pois o curso oferece diversidade de componentes curriculares, com professores formados e com experiência em diversas áreas. Além disso, observa, o curso é “sinônimo de preocupação com o meio ambiente”. “Trabalhamos em prol do meio ambiente, em todos os seus âmbitos”, justifica. Após formada, Bruna pretende continuar estudando e especializar-se na área de biocombustíveis. “A produção de cana-de-açúcar no Brasil, por exemplo, é significativa, porém não há incentivo ao etanol. Quero desenvolver pesquisas que envolvam melhorias nessa área. Afinal, o país tem tecnologia para isso”, comenta.

• Unoesc é reconhecida como Universidade pelo Conselho Estadual de Educação.

1995

• Auditório Afonso Dresch é inaugurado em Joaçaba. • É implantado o primeiro curso em Campos novos (Pedagogia), além do Curso de Ciências Contábeis, em São Miguel do Oeste.

1996

Maratona de eficiência energética Além da maratona diária para conciliar estudo e outros aspectos da vida, Bruna teve a oportunidade, em agosto, de participar de uma das competições mais importantes que envolvem sua área: a Maratona Universitária da Eficiência Energética 2013, evento que foi realizado no kartódromo Ayrton Senna, em São Paulo. Na ocasião, juntamente com mais 14 colegas do curso, ela participou de todo o processo de desenvolvimento dos carros xanxerenses (um movido à gasolina, batizado de “Xanxa II – o retorno”; e o outro a etanol, denominado “BioXanxa”). Inclusive, ao final, era a piloto do carro à gasolina. “A construção dos carros para a maratona foi um exemplo da nossa preocupação com a eficiência energética. Desenvolvemos estudos considerando diferentes fatores, como aerodinâmica, leveza e resistência. Com isso, o que criamos em protótipo envolve as mesmas preocupações que a indústria tem ao produzir um carro em nível comercial”, aponta.

• Unoesc é credenciada como Universidade pelo Ministério da Educação. Na primeira imagem, o registro da assinatura do credenciamento pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza. • Antônio Osvaldo Conci e Flávio Brandalise são eleitos Presidente e Vice-presidente da Funoesc. Luiz Carlos Lückmann é eleito Reitor da Unoesc.


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Conceito comum a todas as áreas do conhecimento Formar profissionais em áreas estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico que permitam reduzir o impacto que o ser humano causa ao meio ambiente é apenas uma das preocupações da Unoesc quando o assunto é sustentabilidade. Ricardo Marcelo de Menezes, diretor de Graduação da Unoesc Joaçaba, comenta que a educação ambiental perpassa todas as áreas de conhecimento e a Universidade trabalha para tornar esse assunto transdisciplinar. “A educação ambiental tem que acontecer em todos os níveis de ensino, pois as pessoas convivem numa sociedade e suas ações profissionais vão se refletir nessa sociedade”, defende, explicando que toda atividade profissional tem impacto no meio ambiente. Na formação de professores, nos cursos de Licenciatura, ele afirma que o cuidado da Universidade precisa ser ainda maior. “São profissionais que vão ensinar outras pessoas”, diz.

“A educação ambiental tem que acontecer em todos os níveis de ensino” Para reforçar o conceito da transdisciplinaridade, a Unoesc está repensando os projetos pedagógicos dos cursos, de modo a adequá-los à Resolução nº 2/2012 do Ministério da Educação, que estabelece as diretrizes curriculares nacionais para a educação ambiental. O objetivo da Universidade é fazer com que os projetos pedagógicos deixem mais explícito o olhar para a questão ambiental de forma transversal, de modo que os cursos possam dar mais ênfase a essa aplicação dentro do ensino técnico-científico de cada área. “Isso permitirá que tenhamos uma formação melhor do indivíduo enquanto profissional e cidadão”, explica o professor Ricardo. Ele também lembra que a preocupação com a sustentabilidade não é

um aspecto relativo apenas à graduação e pode ser vista nos cursos de pós-graduação. O Mestrado Profissional em Administração, por exemplo, tem como área de concentração “Sustentabilidade e Agronegócio”. Do mesmo modo, o Mestrado em Ciência e Biotecnologia tem uma de suas áreas de concentração voltada à Biotecnologia Ambiental, com foco na caracterização e tratamento de efluentes e resíduos sólidos, na gestão da qualidade aplicada aos prestadores de serviços da área do saneamento ambiental e na aplicação de tecnologias ambientais que fortaleçam a competitividade empresarial. No processo de formação técnicocientífica ainda são desenvolvidos na Universidade inúmeros projetos de pesquisa e extensão universitária que têm impacto na sociedade. Como exemplos extraídos dos cursos de graduação, é possível citar pesquisas para o desenvolvimento de novos materiais de construção, no Curso de Engenharia Civil da Unoesc Joaçaba, e de uma pesquisa que resultou em um diagnóstico dos aspectos ambientais gerais do Rio Guamerim, no espaço urbano de São Miguel do Oeste. Também são desenvolvidos pesquisas e projetos específicos para responder a demandas visualizadas no entorno da Universidade ou apresentadas por outras organizações. É o caso do livro Rio do Peixe – Atlas da Bacia Hidrográfica, publicado a partir de uma parceria com a Embrapa, e de um projeto desenvolvido para o poder público municipal de Joaçaba, voltado à renaturalização do Rio do Tigre, que corta a área urbana do município. Ainda falando sobre a Bacia do Rio do Peixe, a Unoesc é uma das entidades que compõem o Comitê de Bacia Hidrográfica desse rio e tem se mantido à frente e desempenhado papel decisivo nas ações desde que a entidade foi criada. O professor Ricardo é uma das pessoas envolvidas na gestão do Comitê. Na gestão atual, ele é o presidente da entidade.

Anacleto Angelo Ortigara. Professor que participou do processo de implantação da Universidade. Foi Pró-reitor de Administração. Hoje é diretor técnico do Sebrae/SC

“O movimento emancipatório da Instituição, naquele processo de credenciamento, ainda produz seus efeitos nos tempos atuais. Tratase, pois, de uma conquista que mobilizou todos os envolvidos na causa universitária da Unoesc. Transcendeu a uma simples mobilização reivindicatória, na medida em que juntou as comunidades em favor de um novo paradigma de educação superior em toda a região de abrangência. Ainda está na memória a série de reuniões realizadas, com as mais diversas pautas, reunindo pessoas que de alguma forma poderiam facilitar o alcance de algum indicador exigido pelos avaliadores, com vistas ao alcance do tão sonhado credenciamento como Universidade. Os ensinamentos decorrentes daquele processo permanecem até hoje, seja por quem está na Unoesc ou mesmo àqueles que militam em outras atividades profissionais, eis que a vivência e entrega individual resultou num excelente exercício de liderança e disciplina na busca de objetivos de elevado valor. A subordinação dos interesses individuais às causas coletivas foram fundamentais para a conquista e isso ainda produz resultados em nosso cotidiano. Nossa região teve sim na Unoesc uma verdadeira epifania, onde os protagonistas tiveram a felicidade de discernir entre os caminhos possíveis e escolher o melhor. O desenvolvimento regional está alicerçado nas bases culturais também produzidas pela Unoesc, cristalizando avanços e mitigando por um mundo melhor a partir da expansão da inteligência especialmente desencadeada no convívio acadêmico. Pessoas e organizações trocam benefícios duradouros nessa relação estabelecida desde os tempos iniciais de atuação da Unoesc. As pessoas pela notável oportunidade de melhoria da condição intelectual e de cidadania, construindo um tecido social de valor ainda mais elevado. As organizações (públicas ou privadas) porque sustentam um desenvolvimento econômico com viés ecológico, pois oferecem efetiva congruência entre os objetivos tangíveis de lucro no curto prazo e, os propósitos de natureza subjetiva que preparam um mundo melhor com pessoas e profissionais melhores habitando o mundo desejado, com alcance no longo prazo.”

• Ocorre a inauguração do primeiro bloco de salas de aula e do bloco administrativo em São Miguel do Oeste (imagem à direita). • Em Joaçaba, é inaugurado o Bloco IV, de salas de aula e laboratórios. • São implantados os cursos da Unoesc em Capinzal (Matemática Licenciatura) e em Maravilha, o Curso de Administração.

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52 Funoesc 45 Anos JOÃO PIRES U /CBD

ESPORTE UNIVERSITÁRIO

Onde o jogo é parceria Universidade e associações unem força para desenvolver o esporte

Q

uando a determinação e o profissionalismo jogam do mesmo lado nas competições esportivas universitárias em Santa Catarina, significa que uma das equipes esportivas da Unoesc está escalada para defender as cores da Instituição. Os atletas, mais do que vestir azul e verde e orgulhosamente ostentar a marca da Universidade, representam um modelo de gestão que transformou a Universidade do Oeste em uma grande força do desporto universitário catarinense. Sucessora de uma ideia que tomou forma há pelo menos 10 anos, a coordenadora do curso de Educação Física da Unoesc Joaçaba, Elisabeth Baretta, é quem trabalha hoje para articular o trabalho realizado em todos os Campi da Unoesc. “Nós temos o reconhecimento dentro do Estado de Santa Ca-

1997

tarina. Hoje as demais instituições [de ensino superior] respeitam a Unoesc”, afirma a professora com a convicção de quem acompanhou de perto a arrancada da Universidade para melhorar o desempenho nas competições. Para Elisabeth, a identidade esportiva da Unoesc está ligada à figura do professor Edmar de Oliveira Pinto, o Edinho, falecido em março desde ano. Foi Edinho quem iniciou o modelo que tem na parceria com associações esportivas de diferentes modalidades o seu grande trunfo. São 11 entidades parceiras, com atividades nas cidades de São Miguel do Oeste, Chapecó, Xanxerê, Joaçaba e Videira. A proposta estabelece uma via de mão dupla: as associações treinam suas equipes com o apoio da Universidade, por vezes utilizando sua infraestrutura

• Iniciam as atividades dos cursos de Pedagogia, em Capinzal; Direito, em São Miguel do Oeste; Administração com linha de formação em Comércio Exterior e Comunicação Social habilitação

em Publicidade e Propaganda, ambos no Campus de Joaçaba. • É implantado o primeiro curso da Unoesc em Fraiburgo: Ciências Contábeis.

e outros recursos. Em campeonatos universitários, os atletas que são acadêmicos integram as equipes que representam a Unoesc sob o comando dos técnicos das associações. É assim que a Universidade tem conquistado títulos, medalhas e grandes resultados no basquete, handebol, vôlei, futsal, futebol e judô em competições estaduais e nacionais promovidas pela Federação Catarinense do Desporto Universitário (FCDU) e pela Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU). “Isso quer dizer que estamos conseguindo incentivar pelo menos parte dos nossos universitários que tem talento esportivo, oferecendo suporte para continuar praticando a modalidade que gosta para, quem sabe, se destacar no cenário estadual e nacional”, enfatiza Elisabeth.

1998


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Elisabeth Baretta, coordenadora do Esporte Universitário

Ela explica que além de gerar o desenvolvimento do desporto universitário, as associações com o apoio da Unoesc, recebem ainda auxílio de fundações municipais, de outras entidades e empresas e, assim, conseguem driblar as dificuldades, marcando pontos valiosos para o futuro ao se dedicarem também às categorias de base. Um exemplo vem da parceria entre Unoesc e Associação Videirense de Basquete (Aviba), de Videira, que mantém, aproximadamente, 400 crianças envolvidas em projetos sociais de formação de novos atletas. Para o técnico da equipe de rendimento da Aviba, Fábio de Oliveira Wonzoski, é na base que a associação projeta o seu futuro e tem nela a força para defender o legado que construiu com medalhas e troféus. “A Unoesc teve fundamental importância no desenvolvimento da Associação Videirense de Basquete, fornecendo sempre o apoio necessário para que esta instituição se desenvolvesse, tornando-se uma das instituições desportivas mais respeitadas de Santa Catarina, e uma das equipes mais fortes de basquete universitário do Brasil”, afirma, citando os títulos de Campeão da 1ª divisão dos Jogos Universitários Brasileiros (2010), vice-campeão da Liga Universitária Nacional (2012), vice-campeão dos

“Isso quer dizer que estamos conseguindo incentivar nossos universitários, oferecendo suporte para continuar praticando a modalidade que gosta para, quem sabe, se destacar no cenário estadual e nacional” Diante do panorama atual do esporte universitário, o modelo instituído pela Unoesc segue em constante aperfeiçoamento. Em diferentes níveis, dirigentes, técnicos e atletas sabem que há muito a ser feito. À luz de exemplos vitoriosos, eles continuam unindo forças, inspirando uma geração de novos atletas, que buscam condições para se desenvolverem em um ambiente capaz de tornar suor em estudo, medalha em um futuro dourado.

• São implantados os cursos de Pedagogia em Maravilha; Ciências Biológicas Licenciatura e Bacharelado, em Videira.

U /CBD PIRES

• O município de Xanxerê doa o prédio onde hoje fica o Bloco Administrativo e o Campus da Universidade nessa cidade passa a ter sede própria.

JOÃO

• Unidades de Xanxerê e de São Miguel do Oeste são constituídas como Campi da Universidade. Na imagem, Antônio Osvaldo Conci, presidente da Funoesc, e Luiz Carlos Lückmann, Reitor da Unoesc, formalizam a elevação do Campus de São Miguel do Oeste.

Jogos Universitários Brasileiros (2012) e o pentacampeonato dos Jogos Universitários Catarinenses. A relação entre esporte e universidade é ainda mais evidente para quem pratica o exercício de ser atleta e estudante ao mesmo tempo. É o caso de Victor Hugo Luchesi, 25 anos, acadêmico da 9ª fase do curso de Engenharia Elétrica e atleta da Associação Desportiva e Cultural de Handebol (Adrecha), de Joaçaba. Ele começou no esporte com 12 anos, aos 18 entrou para a elite da modalidade em Santa Catarina e, desde então, ajudou a equipe a construir uma história de hegemonia. Representando a Unoesc pela Adrecha, ele conquistou o vice-campeonato dos Jogos Universitários Brasileiros (2011) e foi quatro vezes campeão dos Jogos Universitários Catarinenses (2009, 2010, 2011, 2012), para citar os principais. Outra conquista que ainda o faz vibrar é o ingresso no ensino superior. Victor recebe a bolsa-atleta, um incentivo e tanto para quem deposita no talento esportivo a chance de dividir as atenções com os estudos, treinos e competições. “Minha família não permitiria que eu praticasse a modalidade sem estar estudando. Sem esse amparo dificilmente conseguiria [jogar]”, comemora.

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54 Funoesc 45 Anos RÁDIO EDUCATIVA

Diversão, informação FM Transmitir energia positiva é o trabalho da locutora Fernanda Mingori desde que a rádio Unoesc FM entrou no ar

T

odos os dias, sem exceção, Fernanda Mingori tem um momento de explosão no trabalho. A manifestação é intensa e tem hora para começar, sempre às 14h. O ímpeto envolve até grito, que pode ser ouvido pelos quatro cantos da cidade e, sem nenhum exagero, um pouco além. A força de expressão está, na verdade, na voz da moça, que há oito anos irrompe no ar e com um sonoro “uhuuu” entra nos ouvidos sintonizados na sua alegria. Fernanda, ou apenas Fêr, é locutora da Unoesc 106,7 FM, a rádio educativa universitária da Unoesc. Desde que passou a transmitir oficialmente, em 6 setembro de 2005, a Unoesc FM foi transformando Fernanda em um tipo de porta-voz do que quer propagar: um conteúdo que leva diversão, informação e conhecimento (não necessariamente nessa ordem) para os ouvintes de todas as idades de Joaçaba, Herval d’Oeste e Luzerna. O programa que comanda nas tardes da 106,7, no ar desde o primeiro ano da rádio, começa impreterivelmente com uma saudação pra lá de alto astral, repetida de segunda a sexta-feira como uma espécie de mantra. “Quando eu ligo o microfone e dou minha saudação, as coisas ruins ficam para fora do estúdio”, diverte-se sem esquecer o riso ao final da explicação.

1999

O inconfundível “uhuuu”, que estabelece alegremente o primeiro contato de uma companhia que vai durar a tarde inteira é, ao mesmo tempo, motivação e marca registrada. “O legal é que o ouvinte sente essa vibração”, enfatiza Fernanda, ao relatar os inúmeros depoimentos de pessoas que afirmam terem recobrado a animação depois do boa-tarde da locutora. E não são poucos os que consideram a saudação o ponto alto do programa, transferindo para aquele momento a força de um amuleto para uma tarde repleta de coisas boas. Para Fernanda, a programação da Unoesc FM, no ar 24 horas por dia, sintoniza o compromisso de ser diferente, cumprindo o seu papel como rádio educativa. Além de música, há espaço para notícias, debates, entrevistas e participações ao vivo. Os convidados são tão variados quanto os assuntos. Basta ter algo interessante para falar. O que define a pauta é a relevância da conversa para a comunidade. “Nossa preocupação é com o conteúdo”, defende o coordenador de programação e produção, professor Paulo Ricardo dos Santos. A filosofia é defendida por Fernanda e toda a equipe. O ponto de convergência são os temas ligados à educação. E é aí que entra outra característica singular

Fernanda Mingori, locutora da Unoesc 106,7 FM

“O legal é que o ouvinte sente essa vibração” da rádio. Alguns minutos ouvindo a 106,7 são suficientes para saber que o diferente da sua programação é também uma qualidade marcante da sua locutora vespertina: o bom humor. Afinal, quem disse que rádio educativa precisa ser chata? “Quando está rolando a programação eu também estou me divertindo”, revela, mexendo os ombros e a cabeça, entre uma música e outra.

• Xanxerê inaugura sua sede própria, com a conclusão do prédio doado pela prefeitura (fotografia) e do Bloco B, de salas de aula, construído com recursos do próprio Campus. • No mesmo ano, são inauguradas as instalações da Unoesc em Maravilha.

• São implantados os cursos de Fisioterapia, em Joaçaba; Educação Física Licenciatura, em São Miguel do Oeste, em Videira e em Xanxerê; Arquitetura e Urbanismo, em Xanxerê.


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Dentro do estúdio, a desenvoltura com a qual ela aciona os vários botões da mesa de controle, colocando no ar as vinhetas, os efeitos sonoros, as músicas e a sua própria voz requer ritmo e sincronia, assim como na dança. O mesmo acontece nos momentos em que interagem com os ouvintes pelas mídias sociais, sempre conectados pelo Facebook e Twitter. A naturalidade que apresenta hoje em nada se parece com a lembrança que tem do dia em que abriu o microfone ao vivo pela primeira vez. “Eu não gritei uhuuu”, ironiza sorrindo. “Nossa... eu tremia assustadoramente”, completa. Ela começou a carreira fazendo locuções de comerciais para uma emissora de Joaçaba. Logo depois vieram os boletins e coberturas ao vivo. Na época era estudante universitária. E quem acha que ela cursou Comunicação está enganado. Direito foi o curso que na época estava ao alcance. Depois de formada, deixou a emissora para trabalhar na secretaria do curso de Direito da Unoesc, onde permaneceu por cerca de 2 anos. Isso porque o destino encontrou uma nova estação para ela, quando a Unoesc FM começou a operar em caráter experimental. Incentivada

2000

“Quando eu ligo o microfone e dou minha saudação, as coisas ruins ficam para fora do estúdio”

pela professora Sandra Lima, na época à frente do processo de implantação da rádio educativa, Fernanda não hesitou e pediu transferência de setor. De lá pra cá o sentimento pela profissão se transformou e, hoje, dele é dependente. “Rádio é um vício. Se você se identificar não sai mais, principalmente se estiver fazendo locução”, garante. Nesse caminho a comunicadora quer continuar trilhando a sua história, acompanhando a expansão da 106,7 FM. Em breve, a área de cobertura da rádio irá aumentar oito vezes. Mas o futuro ainda tem planos mais desafiadores. “A Unoesc FM vai se tornar a primeira emissora educativa de Santa Catarina em rede”, promete o vice-diretor da rádio, professor Alex Baseggio. Ele explica que o objetivo para os próximos anos

• Santo Rossetto é eleito Reitor da Unoesc. Antônio Osvaldo Conci permanece como Presidente da Funoesc e Antônio Adolpho Maresch assume como Vice -presidente. • Ocorre a inauguração do primeiro bloco da sede da Unoesc em Fraiburgo.

• Em Videira, o ano também é de inaugurações: Bloco Administrativo e Biblioteca, Centro de Pesquisa e Pós-graduação, auditório e centro de convivência. • O Campus de Xanxerê inaugura o bloco C, construído para abrigar as atividades do Curso de Arquitetura e Urbanismo e

é conseguir as concessões já pleiteadas para levar as ondas da rádio às cidades de São Miguel do Oeste, Xanxerê, Campos Novos e Videira. Questionada sobre a ideia de fazer a sua voz chegar ainda mais longe, Fernanda responde no seu melhor estilo, fazendo ecoar o som de quem é apaixonada pelo que faz. O “uhuuu”, neste caso, é também uma manifestação do destino que tornou o sufixo FM abreviação de Fernanda Mingori, uma feliz coincidência.

dos cursos de Design, implantados dois anos depois. • São criados os cursos de Engenharia Civil e Odontologia, em Joaçaba; Farmácia, em Videira; Direito, em Xanxerê.

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56 Funoesc 45 Anos UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA Instituições comunitárias de ensino superior reúnem mais de 100 mil estudantes em Santa Catarina

estatal não, U

Osmar De Marco, procurador jurídico da Funoesc

“No ano de 2000, os Campi da Unoesc apresentavam condições de se transformarem em instituições autônomas. Surgiu então, a oportunidade de se fazer um desmembramento do Campus de Chapecó, desejo manifestado desde o início do processo de criação da Universidade. O compromisso dos dirigentes sempre foi respeitado. Chapecó mantinha viva a antiga Fundeste e seu presidente era o saudoso cidadão Hermes Ignácio Palaoro. Inúmeras reuniões foram feitas, muitos eram aqueles que não admitiam a cisão e, entre eles o Reitor da época, Santo Rosseto. Valeu a palavra do professor Cimadon e de seus seguidores que foram firmes em manter o compromisso em prol do desenvolvimento da educação. Já era possível a criação de mais uma instituição de ensino no Oeste Catarinense. Os “Campi” de Xanxerê, São Miguel do Oeste e Videira manifestaram interesse em continuar participando da Funoesc. Então realizados todos os trâmites legais. [...] A Fundeste recebeu o patrimônio que pertencia ao Campus de Chapecó e criou a sua mantida, a Unochapecó, tendo esta recebido o acervo acadêmico.

ma mudança radical aproximou a vida de Luiz Carlos Lückmann de um modelo de universidade do qual ele não iria mais se distanciar. Depois de se ordenar padre e de trabalhar por mais de dois anos na Paróquia de Xaxim, no Oeste Catarinense, ele percebeu que aquele caminho não combinava com a expectativa que tinha, o que o motivou a largar a batina e direcionar sua vida para a educação superior comunitária. Filho de agricultores de Ituporanga, saiu de casa aos 13 anos para estudar nos seminários de Rodeio e Luzerna, em Santa Catarina, e Agudos, no interior de São Paulo. Depois cursou Filosofia e Teologia no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis, no Rio de Janeiro, onde foi aluno de Leonardo Boff, um dos precursores da Teologia da Libertação no Brasil. Foi nessa época, em plena Ditadura Militar, que começou a definir uma visão de mundo incompatível com a postura da própria Igreja. Mas isso ele só veria depois, quando a prática começasse a colocar em prova os valores que a teoria lhe ensinou. “Essa formação gerou um conflito que não foi possível resolver. Eu não via alternativa senão sair e buscar outro tipo de engajamento social. Na época, analisei que as universidades, especialmente as universidades comunitárias, seriam um campo de atuação interessante. Vi na carreira universitária uma forma mais concreta de viabilizar tudo aquilo que minha formação me propiciou, minha visão de mundo, meu envolvimento com as comunidades, especialmente da Baixada Fluminense, onde fiz meus estágios de Filosofia e Teologia”, conta.

Luiz Carlos Lückmann, professor

A primeira experiência como professor universitário foi em 1983, na Fundação Alto Uruguai para a Pesquisa e o Ensino Superior (Fapes), instituição que mais tarde veio dar origem à Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), no Rio Grande do Sul. O contato com a Unoesc ocorreu em 1988, quando já possuía o título de mestre em Filosofia. Na época, eram poucos os professores com mestrado, menos ainda com doutorado, por isso, a Fundação Universitária do Oeste Catarinense (FUOC), entidade que alguns anos mais tarde viria a constituir a Funoesc, buscava professores em várias regiões do Estado e também no Paraná e no Rio Grande do Sul. Inicialmente, Lückmann vinha uma vez por semana dar aula nos cursos de Pedagogia e Estudos Sociais, mas, em 1989, recebeu um convite e um grande desafio: ajudar a implantar uma Universidade, a universidade que viria a ser a Unoesc.

Tudo foi possível olhando para o desenvolvimento do Meio-Oeste e Oeste de Santa Catarina.”

2001

• Campus de Chapecó deixa de fazer parte da Unoesc para constituir a Unochapecó.

• Ocorre a inauguração da sede da Unoesc em Campos Novos. • Em Xanxerê, é inaugurado o Bloco D, de salas de aula.

• Têm início os seguintes cursos de graduação: Administração em Campos Novos; Engenharia Elétrica e Ciências Biológicas Licenciatura, em Joaçaba; Serviço Social e Sistemas da Informação, em São Miguel do Oeste; Design, em Videira.


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Pública sim Lückmann trabalha até hoje na Unoesc. Foi uma das pessoas-chave na sua constituição. Depois de autorizado o projeto de universidade por parte do MEC, foi Pró-reitor de Pesquisa, Pósgraduação e Extensão. Em 1996, foi eleito Reitor e teve a satisfação de ver a Unoesc ser, finalmente, credenciada como universidade. Ao mesmo tempo que ocupou o cargo de Reitor, foi Vice -Presidente e Presidente da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe). Foi, ainda, Vice-reitor Acadêmico da Unoesc por 10 anos, entre 2000 e 2010. Hoje, doutor em Ciências Pedagógicas pelo Instituto Central de Ciências Pedagógicas de Havana, Cuba, integra o corpo docente do Mestrado em Educação. “Este ano completo 30 anos como professor universitário”, conta, com orgulho. “Não tenho dúvida de que esses 30 anos de ensino superior me realizaram profundamente, primeiro enquanto pessoa, segundo enquanto profissional”, completa, contando ainda que os dois filhos em idade de cursar o ensino superior escolheram a Unoesc: um é formado em Engenharia Civil e o outro está concluindo Medicina, ambos no Campus de Joaçaba. “Eu tenho orgulho de ter meus filhos formados na Unoesc”, afirma. O que são as comunitárias? Hoje, a Associação Brasileira das Universidades Comunitárias compreende 63 instituições. Em Santa Catarina, a Acafe reúne 14 universidades, faculdades e centros universitários que, juntos, têm mais de 100 mil alunos, o

2002

maior contingente de estudantes de ensino superior no Estado. A Unoesc é uma das maiores, com mais de 20 mil alunos. Mas o que, afinal, essas instituições têm em comum e as tornam instituições comunitárias? A diferença está na origem e nos fins a que se destinam. Elas foram criadas a partir da iniciativa da sociedade civil organizada. As catarinenses são mantidas por fundações criadas pelo poder público municipal. Em relação aos fins, são universidades que não têm dono e não visam lucro, senão para o reinvestimento na própria instituição. A cobrança da mensalidade serve para o custeio dos cursos e das atividades administrativas, de pesquisa e de extensão, já que, embora criadas pelo poder público, não são sustentadas por recursos públicos. Essas instituições também se caracterizam pelo forte vínculo que mantêm com as suas comunidades. “[As instituições comunitárias de ensino superior] têm um trabalho com filosofia diferenciada, numa perspectiva humanista, mas com forte viés profissional. A grande maioria dos seus professores é oriunda da própria região. Foram formados por instituições comunitárias, o que propicia um ambiente universitário diferenciado em termos de valores e colabora para a construção de um sentimento de pertencimento, a um grupo e a uma comunidade”, diz o professor Lückmann. Hoje, as IES comunitárias aguardam uma definição jurídica própria, já que, do ponto de vista legal, no Brasil, as instituições de ensino superior são divididas entre públicas estatais ou

• Unoesc implanta seus primeiros programas de Pós-graduação Stricto Sensu e cria os mestrados em Educação e em Saúde Coletiva, ambos com funcionamento no Campus de Joaçaba. O Mestrado em Educação continua em funcionamento até os dias de hoje. O de Saúde Coletiva encerrou as atividades em 2009.

“Temos que discutir na sociedade brasileira o conceito de ‘público’. [...] Há uma dimensão do público que não é estatal”

privadas. O marco legal das instituições comunitárias, como é chamado o projeto de lei já aprovado no Senado e que, até o fechamento desta revista, ainda não havia sido sancionado pela presidente Dilma Rousseff, é a chance que tais instituições têm de serem definidas juridicamente e regulamentadas como instituições públicas não estatais. Além de abrir novas possibilidades para as instituições comunitárias – como o acesso a recursos públicos por meio de editais –, a nova legislação poderá provocar uma mudança de cultura entre os brasileiros. “Temos que discutir na sociedade brasileira o conceito de ‘público’. Temos que alargar este conceito, que não pode ser entendido apenas como aquilo que é estatal. Há uma dimensão do público que não é estatal”, diz Lückmann.

• Iniciam-se as atividades dos cursos de graduação em Biotecnologia Industrial e de Sistemas de Informação, ambos em Videira; além de Medicina Veterinária, em Xanxerê. • Em Joaçaba, são inaugurados os prédios dos cursos de Direito e Odontologia, que também abriga atividades de outros cursos e da coordenação da Área das Ciências Biológicas e da Saúde.

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58 Funoesc 45 Anos

EDUCAÇÃO BÁSICA

Ensino de qualidade e formação integral são as bases dos colégios da Unoesc Universidade mantém duas escolas de educação básica, uma em Videira, outra em Xanxerê

2003

A

Unoesc mantém, tanto em Videira quanto em Xanxerê, dois colégios que atendem desde o maternal ao terceirão. O Colégio Superação – em Videira – e o Colégio e Pré-vestibular Expressivo – em Xanxerê – pretendem oferecer um conhecimento diferenciado para crianças e jovens que hoje frequentam a educação básica.

• Mestrado em Educação é reconhecido pelo Conselho Estadual de Educação. • Centro de Eventos é inaugurado em Joaçaba.

Nos textos a seguir, são apresentados quatro personagens desses colégios – dois gestores e dois estudantes – que falam, de um lado, sobre valores e desafios na formação de alunos, e, de outro, sobre os sentimentos em relação à escola, anseios e expectativas de futuro em um mundo em constante transformação.

• Em Xanxerê, é adquirido o Colégio e Pré-vestibular Expressivo e inaugurado o Bloco E, que concentra o maior número de salas de aulas do Campus. • É implantado o primeiro curso da Unoesc em Pinhalzinho, o Curso de

Ciências Contábeis. Também foram criados nesse ano os cursos de Psicologia em São Miguel do Oeste; Enfermagem, em Videira; História Licenciatura, em Xanxerê.


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Uma escola que forma para a vida R

Alunos do Superação desfrutam da estrutura da Universidade

“A instituição atua de modo a promover a formação integral do aluno, estimulando a descoberta de suas potencialidades e o desenvolvimento destas, como elemento de autorrealização e preparo consciente para o exercício da cidadania”

2004

osangela Maria Fontana é a coordenadora do Colégio Superação, vinculado à Unoesc Videira. Licenciada em Matemática e mestranda em Educação, atua no ensino há 22 anos e conta que o Colégio Superação tem uma missão que vai além de trabalhar o conhecimento científico: contribuir para a formação de pessoas com base em parâmetros essenciais à existência humana digna, dando-lhes o real significado das palavras “dedicação”, “seriedade”, “consciência” e “competência”. “A instituição atua de modo a promover a formação integral do aluno, estimulando a descoberta de suas potencialidades e o desenvolvimento destas, como elemento de autorrealização e preparo consciente para o exercício da cidadania. Dessa forma, apresenta sua filosofia voltada para a construção do conhecimento e formação integral de indivíduos que assumam responsabilidade por decisões próprias, embasadas na ética, na valorização da diversidade e na preservação do meio”, afirma. Para colocar em prática essa proposta de formação, a escola proporciona uma matriz curricular inovadora, com disciplinas da base comum, mais a oferta de duas línguas estrangeiras e a disciplina de Economia, com ênfase em ética e empreendedorismo, no Ensino Fundamental, e Filosofia e Arte, em todas as séries. A professora conta que o Campus de Videira investe na educação bá-

Rosangela Maria Fontana, coordenadora do Colégio Superação

sica há mais de 20 anos. O Colégio Superação foi criado com a unificação das escolas Esavi e Etavi, que existiam desde 1989, e hoje conta com cerca de 350 alunos no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. A diretora ainda lembra que os alunos do Superação desfrutam do trabalho de um corpo docente experiente e comprometido, mas também da estrutura e dos espaços físicos da Universidade, o que a faz acreditar que a escola confere ainda um melhor preparo para a vida e para a continuidade dos estudos. “Certamente, o aluno que estuda no Colégio Superação tem plenas condições de cursar graduação na Unoesc ou em outra universidade de sua escolha e tornar-se um excelente profissional”, finaliza.

• Genesio Téo e Antônio Carlos de Souza assumem a Presidência e a Vice-presidência da Funoesc. Aristides Cimadon é eleito Reitor da Unoesc. Os três permanecem nessas funções até hoje. • Três novos prédios são concluídos: a sede da Unoesc Capinzal, o Bloco K em Videira e o Hospital Veterinário (fotografia) em Xanxerê.

• São instaladas unidades da Unoesc em São José do Cedro. • No mesmo ano, iniciam-se os cursos de Administração em Capinzal; Ciências Biológicas Bacharelado e Medicina, em Joaçaba; Engenharia Florestal, em Xanxerê .

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60 Funoesc 45 Anos

EDUCAÇÃO BÁSICA

Desafio de melhoria constante do ensino C

laudia Siviane Favero exerce a função de diretora pedagógica do Colégio e Pré-vestibular Expressivo desde janeiro de 2012. Formada em Pedagogia e com pós-graduação em Psicopedagogia, Claudia assumiu a direção do Colégio motivada por um grande desafio: a melhoria constante da qualidade de ensino oferecida pela Instituição. Ela afirma que aceitou o cargo por considerar que sua forma pessoal de conceber a educação vai ao encontro da filosofia do Colégio, que objetiva priorizar o conhecimento que pratica a inclusão, considerar as múltiplas inteligências, instrumentalizar para o exercício da cidadania e incentivar o aprender a pensar, a fazer escolhas e a tomar decisões. Nesse sentido, explica Claudia, os valores do Colégio dizem respeito, principalmente, à ética: “Fundamentamos ações e resultados alicerçados na honestidade e na justiça. Além disso, nossa instituição procura auxiliar a reflexão dos alunos no que se refere à responsabilidade social, já que oportunizamos aulas com concepções focadas no saber conviver em sociedade, atitudes sustentáveis e solidárias, além de primar pela qualidade de vida e de ensino aos nossos alunos”. Para ela, a sociedade atual, em constante transformação, requer uma escola que forme alunos ativos, críticos e participativos, para interagirem em um mundo de aprendizagem. “A questão, hoje, é saber encontrar, selecionar e utilizar informações de forma apropria-

2005

da. Trata-se de, além de despertar o desejo de aprender dos alunos, propor situações desafiadoras que permitam a aprendizagem, a inovação e a criação.” Sobre a possibilidade de que o aluno inicie a Educação Infantil no Colégio e conclua sua formação em um curso de graduação da Unoesc, Claudia acredita que é cada vez maior, pois sente que se criou uma fidelidade em relação à “Família Expressivo”, o que culmina e acaba refletindo na “Família Unoesc”. O Colégio e Pré-vestibular Expressivo oferece quatro níveis de ensino: Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio. Utiliza o material da rede Pitágoras e, para atender às necessidades de seus alunos, possui uma infraestrutura moderna e compatível: em uma área de 9.587 metros quadrados, concentram-se 11 salas de aula climatizadas, sala de artes, laboratórios de ciências e de informática, biblioteca, brinquedoteca, ginásio de esportes, parquinho infantil, área coberta para recreação e eventos (com palco) e espaço verde. A Instituição conta também com uma ampla sala de projeção, refeitório para Educação Infantil e cantina. Além disso, o sistema de segurança funciona 24 horas, sendo composto por câmaras, portão eletrônico e vigias. Atualmente, o Colégio tem 25 professores de Educação Infantil ao Ensino Médio, além de quatro auxiliares que atuam na Educação Infantil, para um número atual de 316 alunos matriculados.

• Hospital Santa Terezinha, de Joaçaba, é repassado à Funoesc. • Na mesma cidade, é inaugurado o Bloco Biotecnológico, no Campus II. • Curso de Agronomia é implantado no município de São José do Cedro. Também são criados os cursos

Claudia Siviane Favero, diretora pedagógica do Colégio Pré-vestibular Expressivo

“A questão, hoje, é saber encontrar, selecionar e utilizar informações de forma apropriada. Tratase de, além de despertar o desejo de aprender dos alunos, propor situações desafiadoras que permitam a aprendizagem, a inovação e a criação”

de Ciências Biológicas Bacharelado e Comunicação Social habilitação em Jornalismo, em São Miguel do Oeste; Direito em Pinhalzinho; Engenharia de Alimentos, em Videira; Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos , em Fraiburgo; Agronomia, Ciências Biológicas Bacharelado e Zootecnia, em Xanxerê.


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BATE-PAPO

Universo adolescente

João Victor Tonello Ribeiro, estudante do Colégio Superação

William Neckler, estudante do Colégio e Pré-vestibular Expressivo

João Victor Tonello Ribeiro e William Neckler têm 16 anos. Estão na 2ª série do Ensino Médio e começam a se preparar para a vida adulta, com todos os sonhos e a energia comuns a essa idade. É provável que nem se conheçam, mas têm uma coisa em comum: os dois estudam nas escolas de educação básica da Unoesc. Um é aluno do Colégio Superação, vinculado à Unoesc Videira. Outro, do Colégio Pré-vestibular Expressivo, vinculado à Unoesc Xanxerê. Para que o leitor possa conhecer melhor o universo desses jovens, a Revista Funoesc 45 Anos traz, a seguir, uma breve entrevista feita com os dois estudantes na qual eles mostram como se projetam no futuro, como veem a sociedade e o trabalho nos dias de hoje e o que acham da escola onde estudam e da Unoesc.

O que pretende ser no futuro?

Como você vê a sociedade?

O que você acha da sua escola?

João Victor: Pretendo fazer uma faculdade na área das exatas, possivelmente uma engenharia, que é uma área promissora e concorrida. Sei que para isso preciso de um ensino de qualidade, além de muito estudo. William: Pretendo viver cada dia mais feliz, alegrando quem me alegra, fazendo bem para as pessoas e cumprindo os planos de Deus para mim. Pretendo me formar no ensino superior, mas o meu foco não é ganhar muito dinheiro, mas sim ganhar muitos sorrisos de pessoas, cultivando a atenção, a paciência e o amor – coisas que são simples, porém cada vez mais raras de vermos.

João Victor: A sociedade está em constante evolução, e para termos um lugar significativo, precisamos de conhecimento para acompanhar essa evolução. Um ensino de qualidade é a base para isso. William: Aconteceu uma troca de valores com o passar dos tempos na sociedade. Aquilo que se tinha valor antes, hoje já não se tem mais, e nessa troca saímos perdendo. Hoje, as pessoas trabalham e dedicam toda a sua vida, seu tempo, suas preocupações e planos para obter posses, coisas materiais que não durarão muito tempo, e logo, muito daquilo que dedicamos tempo para se comprar, acaba no lixo, sem nenhum valor. Com isso, deixamos de lado coisas que o dinheiro não compra, tais como amizades, tempo com a família, alegria de estar com pessoas que nos fazem bem. Precisamos mudar nossos conceitos, procurar aquilo que nos faz feliz, e não procurar posses para sermos considerados importantes e realizados. Devemos ser reconhecidos e realizados pelo que somos, e não pelo que temos. A felicidade e o viver bem estão no repartir, no compartilhar, e não no amontoar para se viver só.

João Victor: Gosto de estudar no colégio não apenas pela estrutura, que proporciona aulas diferenciadas, como o uso de laboratórios diversos, mas também pela qualidade das aulas e alta capacidade dos professores. William: Eu gosto muito de estudar no Expressivo. É um colégio diferente de todos que eu já estudei, começando na porta de entrada: todas as manhãs, somos recepcionados, com um “bomdia” do Seu Gilmar [porteiro da escola]. Sentimos que somos valorizados por todos os profissionais que aqui trabalham. A alegria é expressa em sorrisos no rosto de cada funcionário, inclusive dos professores, que, além de muito sábios, fazem do aprendizado algo divertido e cativante. Tanto que há seis anos estudo aqui e, a cada ano, as coisas melhoram. É um colégio que tem uma “visão aberta”, inova na maneira da transmissão do aprendizado, usando a tecnologia e a criatividade. Além de tudo isso, temos uma estrutura que atende a todas às nossas necessidades, desde sala de informática à laboratório de Biologia.

O que é trabalho para você? João Victor: Trabalho, para mim, é a ponte que liga uma pessoa aos seus objetivos, não só profissionais, mas também pessoais, ambos de suma importância. William: Na idade em que estou, tenho de decidir o que pretendo ser no meu futuro, no que quero trabalhar. E, para mim, trabalho é exercer uma função que gostamos. Não seremos realizados em nossa vida se não fizermos o que realmente gostamos. Claro, trabalho também é uma forma de se obter dinheiro, necessário para se viver, mas é melhor trabalharmos no que gostamos (ganhando menos) do que trabalharmos naquilo que não gostamos (ganhando mais), porém não sendo realizados profissionalmente.

2006

• Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) recomenda o Mestrado em Educação. • Em São Miguel, é inaugurada a biblioteca do Campus, considerada uma das mais modernas de Santa Catarina em termos de arquitetura e funcionalidade.

• Em Joaçaba, ocorre a aquisição do Complexo Esportivo, em frente ao Campus II. • São implantados os cursos de Agronomia em Campos Novos; Educação Física Licenciatura e Enfermagem, em Joaçaba; Biomedicina em São Miguel do Oeste; Engenharia Sanitária e Ambiental e Nutrição, em Videira.

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62 Funoesc 45 Anos

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

Uma obra viva O Hospital nasceu da dedicação da comunidade. Sob o mesmo espírito de doação passou a ser administrado pela Funoesc, que trabalha na sua constante renovação

E

ssa história começa simples, sem adornos, como um prédio inacabado e sem cor, cuja construção começou em meados do século passado e foi quase toda custeada por donativos voluntários e auxílio da comunidade. Imagine simplesmente que essa construção rústica, localizada na área central de uma pequena cidade do interior, abriga a principal casa de saúde local. Os equipamentos são próprios da época em que a modernidade encontrava o aparelho de raio X. Se em 2013 – na era dos diagnósticos por imagem em altíssima resolução – tanta simplicidade parece estar estampada apenas em fotos que o tempo envelheceu, esse retrato marca o início da história do Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST), de Joaçaba. A construção do hospital, na época apenas Santa Terezinha, teve início em 1946, sob articulação de Oscar Rodri-

2007

gues da Nova e Frei Edgar Loers, que lideraram um grupo de 86 sócios. A ata de fundação, de 21 de outubro do mesmo ano, traz a assinatura de cada um deles e revela o esforço da comunidade para edificar o hospital. Quase 10 anos depois, o prédio ainda não tinha sido concluído por falta de recursos. Os donativos voluntários dos sócios fundadores, a ajuda da comunidade e

• Ambulatório Universitário é inaugurado em Joaçaba (fotografia). • Em Xanxerê, é inaugurado o Bloco G, onde ficam o Anfiteatro e a Biblioteca.

as verbas Federais, Estaduais e Municipais não foram suficientes. A inauguração aconteceu em 10 de fevereiro de 1957, quando o primeiro piso foi concluído. Dois dias depois, a primeira cirurgia já havia sido realizada e bastaram mais alguns dias para que o choro de um recém-nascido fosse ouvido na maternidade. Nas três décadas seguintes, o Hospital Santa Terezinha, sob a administração das irmãs da Ordem Salvatoriana, fez cumprir o desejo dos seus fundadores, apesar das dificuldades em concluir o projeto original em relação à estrutura física, o que ocorreu apenas em 1968, com a finalização das obras do segundo piso. Investimentos e ampliações foram feitos durante o período, mas o quadro do hospital ao fim dos anos 1980 já não era estável, tampouco capaz de acompanhar as atualizações no campo médico e os avanços tecnológicos que se

• Iniciam-se os cursos de Direito em Campos Novos; Artes Visuais em São Miguel do Oeste; História Licenciatura, em Fraiburgo; Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, em Xanxerê.


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Sérgio de Carli, administrador e ex-presidente do Hospital Santa Terezinha

“A decisão era de vanguarda, de futuro e de atitude. Quando se fala em doar, a visão é que você está cortando da própria carne, mas não. Isso é empreender para as futuras gerações” tornavam cada vez mais indispensáveis na árdua tarefa de salvar vidas. De volta às mãos da sociedade civil, a década de 1990 conduziu a instituição hospitalar para o seu renascimento. Testemunha da história e descendente da ideia de Joaçaba ter um hospital para chamar de seu, o administrador Sérgio de Carli, de 57 anos, tem muitas memórias para compartilhar. Ele chegou à diretoria do Santa Terezinha em 1995, como conselheiro. A responsabilidade aumentou em 2002, quando assumiu a presidência do conselho de gestão, formada exclusivamente por voluntários. Desde que se comprometeu com a administração do hospital, a ideia de Sérgio era seguir os passos do avô, Elisiário de Carli, um dos sócios-fundadores, doando um pouco do seu tempo em prol da comunidade. Porém, a maior preocupação era reequipar o Santa Terezinha. “Se alguém chegasse

2008

com uma fratura grave, o médico teria que colocar o osso no lugar do jeito que fosse possível, porque o arco cirúrgico [espécie de raio-x que reproduz imagens em tempo real] estava quebrado e não tínhamos dinheiro para o conserto”, explica-se, antes de se debruçar sobre os acontecimentos que transformaram o hospital, ao acrescentar uma nova palavra ao seu nome. Sérgio de Carli semeou a ideia de entregar a administração do Hospital para uma entidade que pudesse fazer frente aos desafios de recuperá-lo. Havia um longo período sem grandes investimentos para superar. “A administração do hospital era feita por heróis. Não existiam formas de financiar as despesas, quando 97% dos atendimentos eram pelo SUS. Nós [do conselho de gestão] dependíamos de vontade política para buscar recursos do governo. Não tínhamos o profissionalismo que a administração do hospital necessitava e não tínhamos tecnologia para oferecer procedimentos complexos, mais rentáveis”, conta Sérgio, com a voz calma, mas segura, própria de um articulador. Foi à base de muita conversa que ele fez nascer o Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST). Tudo começou quando ele convenceu os membros do conselho de administração, do qual presidia, a oferecer uma parceria com a Unoesc, firmada em 01 de dezembro de 2002, com a assinatura do convênio que autoriza a Fundação Universidade do Oeste de Santa Catarina (Funoesc) a fazer uso da estrutura do agora Hospital Universitário como extensão do Curso de Medicina da Unoesc Joaçaba. “Com a evolução da parceria, cada vez mais percebemos a importância do hospital ser administrado pela Funoesc”, completa Sérgio. Para ele, a Fundação mantenedora da Universidade poderia de forma mais profissional buscar os recursos e também investir. O planejamento traçado por Sérgio para reestruturar o hospital esbarrou apenas numa questão estatutária. “Como a Universidade iria disponibilizar recursos numa propriedade de

• São implantados os cursos de Artes Cênicas e Educação Física Bacharelado, em Joaçaba; Design e Enfermagem, em São Miguel do Oeste; Tecnologia em Logística, em Fraiburgo; Tecnologia em Transporte Terrestre, com oferta em Tangará; Ciência da Computação, Design e Engenharia Bioenergética, em Xanxerê.

terceiro?”, questiona, para logo depois oferecer a solução: “A única forma seria doarmos a estrutura do hospital”. A convicção de que o futuro do Santa Terezinha dependia da doação soa mais sensata hoje. A expressão alegre no rosto do ex-presidente, segundo ele, é a mesma usada há 10 anos para discutir com os seus pares o processo de doação. “A visão da diretoria era desprendida de interesse próprio. Nós entendíamos que era importante ter um hospital para nascer, um bom hospital para recuperar a saúde e um bom hospital para ‘passar’ com dignidade”, pondera, querendo na verdade dizer que sem injeção de recursos o hospital seria apenas uma estrutura obsoleta. Após muitas reuniões, encontros e debates que envolveram a população, empresários e clubes de serviço, a proposta formal que repassava a administração do Hospital Santa Terezinha à Funoesc foi colocada em votação em Assembleia. Por 80 votos a 12, os sócios concretizaram a doação e desde o dia 31 de março de 2005 a Funoesc passou a administrar o HUST. O resultado do placar, ainda fresco na memória de Sérgio, representa um intenso trabalho baseado no diálogo, no qual o poder de convencimento se expressa na vontade de cada sócio de empreender. “A decisão era de vanguarda, de futuro e de atitude. Quando se fala em doar, a visão é que você está cortando da própria carne, mas não. Isso é empreender para as futuras gerações”, sentencia. Na qualidade de cidadão joaçabense, o administrador segue acompanhando, ainda que a distância, a modernização do HUST. Questionado sobre o legado da sua gestão frente ao hospital, Sérgio responde com um sorriso. “Nas condições do hospital hoje, eu gostaria de ser o presidente. [A doação] foi importante para a formação do centro médico que é Joaçaba. Hoje temos um hospital belíssimo.” Sobre o futuro, ele tem apenas uma certeza, concebida a partir da sua própria experiência. “Hospital é uma obra que a gente começa, mas nunca termina”.

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64 Funoesc 45 Anos

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

RENOVAR SEMPRE Desde que foi repassado à Funoesc, o Hospital Universitário Santa Terezinha já obteve importantes avanços, mas seguirá sempre correndo para acompanhar uma área que requer cada vez mais espaço, mais tecnologia e mais profissionais

Q

Adgar Bittencourt, diretor do HUST

“Não devemos mais nada. Faz muito tempo que o hospital não faz empréstimos. Só temos investimentos, uma relação bancária para investir em qualidade e em coisas que o hospital precisa comprar”

2009

uem vê a mesa antiga, com a tinta desgastada, e a imagem religiosa na parede sabe que aquele é um lugar de simplicidade. Da janela, enxerga-se o que interessa: uma das portas por onde entram todos os dias dezenas de pessoas procurando auxílio para acabar ou diminuir com um sofrimento que não poupa ninguém, a doença, e se percebe o contraste da humildade daquela sala ao lado do novo espaço do Centro de Diagnóstico por Imagem, inaugurado recentemente com equipamentos de última geração. Esta sala é o lugar das decisões do Hospital Universitário Santa Terezinha. Dali, o diretor Adgar Bittencourt segue firme em uma missão que embora não seja fácil, já foi muito mais difícil. Quando assumiu o compromisso de dirigir o hospital, em 2007, fazia pouco mais de dois anos que a casa de saúde havia sido doada à Funoesc e a situação ainda era muito complicada. Na primeira gestão, sob a direção da professora Dorvalina Lange, a Fundação havia cuidado da parte jurídica, trabalhado nos projetos para implantação dos cursos de residência (em Clínica Médica e em Cirurgia Geral) e começado a implantar uma nova filosofia de trabalho. Mas as novida• Unoesc adquire a Faculdade Integrada Exponencial (FIE) e implanta uma unidade em Chapecó, passando a oferecer nessa cidade os cursos de Administração, Ciências Contábeis, Direito, Educação Física Licenciatura, Educação Física Bacharelado, Psicologia, Sistemas da Informação, Tecnologia em Logística e Tecnologia e Gestão Comercial, além de oito cursos de pós-graduação, reunindo cerca de 1,5 mil alunos.

des encontravam a rejeição dos que não haviam sido favoráveis à doação do hospital e, para completar, a parte financeira acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 5 milhões que continuava a crescer enquanto sua receita anual era de R$ 7 milhões. A solução foi buscar apoio na Universidade, que auxilia com repasses mensais para a manutenção do hospital até hoje, tendo em vista ser um espaço de prática para os estudantes dos cursos de área da Saúde, mas principalmente no poder público. No nível municipal, para adequar os convênios que existiam com os municípios. No nível estadual, para melhorar a infraestrutura física. Já com o Governo Federal, a direção buscou recursos para a revitalização tecnológica e contratualizações para serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde, o que permitiu a previsão das receitas e, consequentemente, o planejamento das despesas. Aos poucos, com dezenas de reuniões e visitas de autoridades políticas para inaugurações de novos espaços e novos serviços, o HUST foi pagando suas dívidas e melhorando suas condições de atendimento. “Não devemos mais nada. Faz muito tempo que o hospital não faz empréstimos. Só temos investimentos, uma relação • No mesmo ano, a Universidade dá início ao seu primeiro curso na modalidade de educação a distância, o Curso de Tecnologia em Marketing, que hoje não é mais oferecido. • Em Joaçaba, a Funoesc estabelece convênio com o Governo do Estado para repasse de recursos e dá início à ampliação do Hospital Universitário Santa Terezinha, processo este que só será concluído em 2014 (fotografia).


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bancária para investir em qualidade e em coisas que o hospital precisa comprar”, afirma o diretor Adgar Bittencourt. Com a parte financeira controlada, a entidade partiu para um novo desafio: a ampliação da estrutura e da capacidade de atendimento. Em 2009 iniciaram-se as obras de uma nova ala, que praticamente dobrará o número de leitos. Os recursos para a construção vêm, em maior parte, do Governo do Estado, que entendeu a necessidade do apoio público para que a população da região tenha um atendimento de saúde melhor. “Mais uns meses e estamos inaugurando a parte física da nova ala. E acho que em um ano, se Santa Terezinha e o Frei Edgar ajudarem, vamos conseguir junto ao governo federal a tecnologia suficiente para colocar os leitos em funcionamento”, comenta o diretor, acrescentando que a articulação junto à esfera federal já vem sendo feita com o apoio de representantes políticos da região.

Paralelo à parte financeira e física, o “Temos dificuldade com médicos hospital também foi aumentando os em algumas áreas, como emergencisserviços e investindo na renovação da tas. Já trabalhamos com 22 médicos estrutura tecnológica necessária para na emergência e hoje temos seis. Há os atendimentos. Hoje, é referência poucos profissionais que trabalham em Urgência e Emergência, Neurocinessa área. Também temos dificuldarurgia e em Oncologia (como Centro des com anestesistas, ginecologistas de Atendimento em Oncologia). e obstetras, com cirurgia geral. E teTambém se destaca na parte de cirurmos os programas de residência que gia geral, ortopedia e diagnóstico por precisam de preceptores”, comenta imagem. Os próximos passos serão a Adgar. implantação de alta complexida“Em um ano, se Santa Terezinha e o de na área de cirurgia vascular e do serviço de radioterapia, para Frei Edgar ajudarem, vamos conseguir complementar o atendimento no junto ao governo federal a tecnologia setor de Oncologia. E os projetos não param. Com suficiente para colocar os leitos em o avanço nos serviços e o cresci- funcionamento” mento no número de leitos será necessário aumentar a capacidade da Ele lembra que embora a Unoesc UTI e do Centro Cirúrgico, inforforme médicos todos os anos, grande matizar o sistema de prontuário, parte dos egressos são de outras regiões reformar alguns espaços da parte e de outros estados e aqueles que são antiga da estrutura e contratar mais de Joaçaba e dos municípios próximos funcionários. Esta última demanda é normalmente saem da cidade em busca um desafio desde agora. A dificuldade de especialização, levando anos para vai desde a mão de obra de apoio até voltar. “Hoje, na urgência e emergência, o quadro de médicos. não tenho nenhum egresso da Unoesc”,

• Em Xanxerê, é concluída a construção do Bloco H, de laboratórios, e do Centro de Convivência. • São implantados os cursos de Engenharia da Computação, em Joaçaba; Letras em Capinzal; Arquitetura e Urbanismo, Ciência da Religião, Educação Especial e Tecnologia em Sistemas para Internet, em São Miguel do Oeste; Psicologia em Pinhalzinho; Educação Especial, em Videira; Psicologia, em Xanxerê.

2010

• Iniciam os cursos de Informática Licenciatura, pela Unoesc Virtual; Administração com linha de formação em Comércio Exterior, em Chapecó; Comunicação Social habilitação em Publicidade e Propaganda e Engenharia de Alimentos, em São Miguel do Oeste; Artes Visuais, História Licenciatura e Letras, em Videira; Tecnologia em Processos Gerenciais, em Fraiburgo; Artes Visuais e Educação Especial, em Xanxerê.

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66 Funoesc 45 Anos afirma, acrescentando que há perspectivas de que nos próximos dois anos os primeiros médicos formados pela Unoesc e que têm suas famílias na região concluam suas residências e voltem. E, desse modo, comemorando as conquistas e encarando as dificuldades, o diretor segue conduzindo um serviço que “funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano, sem direito a férias”. Vai enfrentando os momentos difíceis de quem trabalha num ambiente em que de um lado as pessoas nascem, do outro aguardam a morte. Vai enfrentando as críticas, que são constantes nos espaços de atendimento de saúde pública. E segue incentivando os funcionários a continuarem motivados, mantendo a convicção

de que muito já melhorou e no futuro os avanços serão ainda maiores. O foco que mantém a firmeza mesmo nas horas mais difíceis são os pacientes que procuram o Santa Terezinha todos os dias. Só em 2012, foram 148.097 pessoas, 93% delas atendidas pelo Sistema Único de Saúde.

Uma dessas pessoas é Inelso Favretto. Aos 62 anos, o comerciante sente saudade de muitas coisas. A lista inclui pessoas, feitos e experiências de um passado recente, ainda nítido na memória. Mais estranho é pensar que esse saudosismo está ligado a um período da vida do qual ele gostaria de não ter vivido. Há pouco mais de dois anos, Inelso recebeu diagnóstico de câncer. Com a certeza de quem incorporou a sua história o ditado “recordar é viver”, ele conta como superou a doença.

“A gente se sentia bem quando ia fazer a quimioterapia. Levava pé de moleque e passava a tarde conversando e dando risada. As pessoas nos tratavam bem” Inelso Favretto, comerciante

Em menos de 10 anos, o HUST resolveu seus problemas financeiros e melhorou suas condições de atendimento, aumentando a estrutura física e melhorando os recursos tecnológicos. A imagem é de um aparelho de ressonância magnética, adquirido neste ano

Morador de Joaçaba, Inelso recebeu todo o tratamento no Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST). Logo depois que os exames constataram o câncer já em estágio avançado no intestino e também no fígado, um dos primeiros procedimentos na luta contra a doença foi se submeter a duas cirurgias. “Meus amigos e meus irmãos queriam me levar para ‘fora’, mas o médico me deu segurança. Disse que o que estava sendo feito era o certo. Resolvi ficar”, afirma, sinalizando que a decisão lhe parecia a mais sensata. Além da confiança transmitida pela equipe médica, outro fator foi preponderante para a sua permanência em Joaçaba. O sentimento que tinha em relação ao Hospital era, nas suas próprias palavras, “de estar em casa”. Para ele, o acolhimento atencioso e humano dos funcionários, principalmente das enfermeiras, foi força e alento nos momentos de dor. A dedicação das

• Centro Administrativo da Unoesc é inaugurado em Joaçaba (fotografia).

2011

• Em Pinhalzinho, é inaugurada a sede própria da Unoesc. • Em Xanxerê, são inauguradas as granjas de Suínos e de Aves. • São implantados os cursos de Tecnologia em Processos Gerenciais e Tecnologia em

Negócios Imobiliários, ambos pela Unoesc Virtual; Agronomia, Educação Física Bacharelado e Farmácia, em São Miguel do Oeste; Design em Pinhalzinho; Tecnologia em Design de Interiores e Tecnologia em Processos Gerenciais, em Videira (hoje esse curso é oferecido em Fraiburgo); Pedagogia, em Fraiburgo; Educação Física Bacharelado, em Xanxerê.


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Fábio Lazzarotti, coordenador do Mestrado Profissional em Administração

Recuperado, Inelso segue trabalhando ao lado dos filhos profissionais do HUST é uma das boas recordações da época do tratamento. “Eram muito queridas. Elas passavam paz de espírito pra gente”. Os momentos mais difíceis foram as cirurgias. Depois da primeira, chegou a perder 19 kg em duas semanas. Próximo da família e dos amigos, Inelso se recuperou e na sequência deu início às sessões de quimioterapia, realizadas uma vez por semana, sempre às terças-feiras à tarde. Ele não lembra quantas sessões realizou, mas explica que foram suficientes para fazer muitas amizades. E se a permanência no Hospital era como estar em casa, o tratamento quimioterápico se transformou num encontro de família. Inelso conta que o pequeno grupo com o qual dividia a sala da quimioterapia era falante, alto astral e cada um tentava, à sua maneira, motivar o outro. “A gente se sentia bem quando ia fazer a quimiotera-

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pia. Levava pé de moleque e passava a tarde conversando e dando risada. As pessoas nos tratavam bem”, revela em tom descontraído, opinando também em nome dos amigos, como se estivesse novamente entre eles. Hoje as visitas ao HUST são esporádicas e têm dois propósitos: o primeiro é cumprir o programa de acompanhamento médico, com avaliação a cada seis meses; e o segundo, considerado igualmente importante, é rever as amigas enfermeiras. Saudoso, Inelso não perde a oportunidade para agradecer. “Foi um tratamento bem difícil, mas com a graça de Deus e com o atendimento dos médicos e da equipe do hospital, hoje eu estou bem. Eu não tenho saudade da minha doença, mas tenho saudade das tardes no hospital, das amizades que eu fiz, porque era como uma família”.

• Capes recomenda dois novos cursos de Mestrado: Mestrado Acadêmico em Direito e Mestrado Profissional em Administração, ambos com atividades concentradas em Chapecó. • Iniciam-se os cursos de Educação Especial em Campos Novos, Capinzal, Maravilha e Fraiburgo; Tecnologia em

Gestão Ambiental, em Chapecó; Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção e Física Licenciatura, em Joaçaba; Agronomia, Ciência da Computação, Engenharia Civil e Sociologia, em São Miguel do Oeste; Arquitetura e Urbanismo e Geografia, em Videira.

“Desde que a Unoesc implantou o Mestrado na área de Educação, em 2002, e com a aprovação de novos programas pela Capes, implantados entre 2012 e 2013, pode-se afirmar que a região do Oeste de Santa Catarina inicia uma nova etapa de sua história na área de pós-graduação. O Stricto Sensu visa o aprofundamento da pesquisa científica em determinada área de concentração. Tem como propósito a formação de pessoas ao ensino, à pesquisa e ao desenvolvimento científico e tecnológico. A oferta e o incremento do Stricto Sensu da Unoesc, por meio da implantação de novos programas, possibilita aos egressos da própria Universidade e de outras instituições de ensino superior a oportunidade de educação continuada e aprofundada em temas de interesses locais e regionais. Além dos programas de mestrado implantados na instituição, há outros em vias de implantação. Esta condição também abre a possibilidade da Unoesc oferecer programas de doutorado, conforme o avanço da produção intelectual e da consolidação dos programas de mestrado. Este novo contexto educacional, com destaque para os programas de pós-graduação Stricto Sensu, contribui para o desenvolvimento regional, ao oportunizar uma formação acadêmica e profissional de alta performance, e projeta a Unoesc como uma das principais universidades do Estado de Santa Catarina e do Sul do Brasil. “

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68 Funoesc 45 Anos UNIVERSIDADE

Um desafio quenunc Uma vida dedicada a um sonho que se renova todos os dias Mais velho de seis irmãos, ainda criança foi alertado pelos pais de que a única forma de mudar seu destino seria pela educação. Precisava estudar, algo que seria difícil na realidade que tinha, com a família de agricultores no interior de Campos Novos, no Meio-Oeste Catarinense, há mais de 50 anos. Pode-se dizer que a oportunidade surgiu pelas mãos de Deus, mais precisamente pelo convite de um padre que visitava a região, buscando jovens com vocação para a vida religiosa. Precisaria sair, deixar a família e ir buscar seu caminho. Nem a contrariedade dos pais – que não queriam o filho de apenas 11 anos longe de casa – impediu-o de tomar a decisão. Junto com um amigo, matriculou-se em um seminário que existia em Capinzal e, por 12 anos, estudou em outros quatro seminários do Paraná e de São Paulo, passou por dezenas de cidades, adquiriu um aprendizado que ia além dos livros e conquistou grandes amizades. Não era somente coragem que tinha, era a tão falada liderança, a iniciativa e a capacidade de reunir pessoas em torno de um ideal. Começou a perceber isso durante os encontros de jovens promovidos pelas direções dos seminários onde estudou. Ele ajudava a organizar esses eventos por toda a região Sul do País e também era palestrante. Uma de suas palestras era sobre o sentido da vida, tema que ainda lhe motiva a estudar e está sempre presente nas mensagens que procura passar aos mais jovens. Veio a faculdade: começou com Filosofia, mas antes mesmo de se formar já havia iniciado também o curso de Pedagogia, ambos na Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. A escolha por estas áreas era natural ao se considerar sua trajetória até a idade adulta, mas também terminaria por definir suas escolhas e o seu futuro.


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uenunca tem fim Formado, era hora de retornar para casa. Não exatamente para o interior de Campos Novos, uma vez que a sua noção de fronteiras havia se tornado bem mais ampla em relação à que tinha aos 11 anos de idade. Voltou para sua região. Instalou-se em Capinzal, depois transferiu-se para Joaçaba. Iniciou sua vida profissional como professor, fez duas especializações, casou, teve seu primeiro filho. Mas continuava inquieto, querendo mais. Novamente precisou de iniciativa para deixar a mulher e o filho pequeno na casa dos sogros e se transferir para Porto Alegre, onde cursou seu primeiro Mestrado, em Educação, na PUC-RS. No seu retorno, sua vida tomaria um rumo diferente. Sua história deixaria de ser particular, pois suas decisões passariam a ter impacto na vida de milhares de pessoas e na realidade de uma grande região. Viria a se tornar um líder respeitado e seu nome seria associado à consolidação de uma grande conquista: a conquista do ensino superior no interior do Estado, e ao fortalecimento de um modelo que dava seus primeiros passos em Santa Catarina, o modelo comunitário, criado pela própria sociedade organizada. Como isso tudo aconteceu com o menino que saiu de casa aos 11 anos sem ao menos saber falar português, já que a família falava um dialeto italiano? Antes de cursar o primeiro Mestrado, o autor dessa história, Aristides Cimadon, iniciou sua carreira como professor universitário na Fundação Universitária do Oeste Catarinense. Isso foi em 1977, quando a Instituição oferecia apenas as faculdades de Administração e Educação, com os cursos de Administração, Pedagogia e Estudos Sociais. E antes mesmo de concluir o Mestrado, seu perfil de liderança já havia resultado na responsabilidade de dirigir a Faculdade de Educação dessa entidade.

Depois de concluir o mestrado e retornar de vez para Joaçaba, Cimadon teve seu segundo filho, uma menina, cursou mais uma graduação, pela própria FUOC, e mais um curso de Mestrado, pela Universidade Federal de Santa Catarina, ambos em Direito. Cursou doutorado na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Ciência Jurídica. Também foi diretor geral da FUOC e, de lá para cá, sempre se manteve no pelotão de frente da equipe que em 1996 veio a credenciar a Unoesc como Universidade, a primeira do Oeste de Santa Catarina. Foi ele também o primeiro Reitor da Universidade. Durante o período em que foi sucedido por Luiz Carlos Lückmann e Santo Rosseto nessa função, atuou como procurador jurídico da Funoesc e dirigiu o Campus de Joaçaba. Em 2004 voltou a assumir a Reitoria e hoje está no seu quarto mandato, terceiro consecutivo. Durante esse período, também manteve suas atividades como professor universitário e pesquisador, lançou cinco livros, de sua autoria, e outros seis como coautor. Os registros históricos da Funoesc que chegam até estas páginas, na linha do tempo, mostram o crescimento que a Instituição teve desde 1968, quando foi criada a FUOC em Joaçaba, até os dias atuais. Dos 45 anos resumidos na criação das fundações educacionais, na implantação de cursos e na construção dos espaços físicos da instituição que hoje é reconhecida por sua excelente infraestrutura, 35 tiveram o olhar sensível, inquieto e audacioso de Cimadon. E ele sabia até onde iria seu sonho. Por isso mesmo abriu mão da carreira pública, em 1983, depois de ser aprovado para atuar como docente da Universidade Estadual de Maringá. “Eu tinha o sonho de ver o ensino superior desenvolvido aqui, no Oeste de Santa Catarina.”

Aristides Cimadon, Reitor da Unoesc

“Eu me considero uma pessoa abençoada por ter tido as oportunidades que me permitiram chegar até aqui e ver a Unoesc como uma instituição consolidada, ajudando a melhorar a vida e a realizar os sonhos de milhares de pessoas em todo o Oeste de Santa Catarina”

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“A Unoesc é uma universidade bem estruturada, muito enraizada nas suas comunidades. E tem a compreensão de que é uma instituição imprescindível para o Oeste de Santa Catarina”

Apesar de ser um homem religioso – não desses que vão à missa todo domingo, mas sim alguém que carrega em seus valores a origem religiosa de sua formação e conceitos filosóficos que não o deixam se distanciar do que considera ser o real sentido da vida, nem de sua crença na educação como fator indispensável para o progresso humano – não acredita em destino ou que seus passos tivessem sido planejados por uma inteligência acima dos homens. “Tudo é uma questão de oportunidade”, afirma, explicando que é também a preparação e a coragem para aproveitar as chances que a vida oferece que definem o futuro de uma pessoa e de uma sociedade. Mas a objetividade dessas palavras não consegue esconder seus sentimentos. Não impede que as lágrimas deixem seus olhos avermelhados e que o aperto na garganta faça seu rosto e sua voz tremerem ao dizer que se sente realizado com o que já alcançou, aos 63 anos de idade: “Eu me considero uma pessoa abençoada por ter tido as oportunidades que me

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permitiram chegar até aqui e ver a Unoesc como uma instituição consolidada, ajudando a melhorar a vida e a realizar os sonhos de milhares de pessoas em todo o Oeste de Santa Catarina.” O que o Reitor Aristides Cimadon sabe, no entanto, é que o desafio não acaba. A Unoesc ainda é uma Universidade que tem muito a crescer, começa a estruturar seu Stricto Sensu e vive um cenário difícil que se apresenta não só a ela, mas a todas as instituições comunitárias de ensino superior, hoje num vácuo entre as instituições públicas, sustentadas pelo Poder Público, e as instituições privadas, que assim como as comunitárias se sustentam das mensalidades de seus alunos, mas têm menos obrigações a cumprir em comparação com as anteriores. Como é possível ver nas palavras a seguir, Cimadon terá muito trabalho pela frente para que seu primeiro neto, hoje com dois anos, e os que ainda estão por vir possam estudar em uma Universidade sólida e viver em uma sociedade com melhores oportunidades de desenvolvimento em todas as áreas. Por isso deposita a mesma energia e confiança de sempre no seu trabalho como Reitor e também nas suas obrigações como conselheiro do Conselho Estadual de Educação, orientador educacional da Secretaria de Estado da Educação, Vice-presidente da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) e presidente da Fundação Cetepi, esta última mantenedora do Polo de Inovação do Vale do Rio do Peixe, que é a aposta da região de Joaçaba para alavancar o crescimento econômico.

• Têm início as atividades dos cursos de Mestrado em Direito e em Administração (Na fotografia, aula inaugural do Mestrado em Direito). • Unoesc recebe a recomendação da Capes e implanta seu quarto curso de Mestrado: o Mestrado em Ciência e Biotecnologia, com funcionamento em Videira.

Como o senhor vê o ensino superior hoje? Essa é uma questão complexa. Temos no Brasil diversos tipos de instituições, diversos sistemas de ensino, e a educação brasileira é talvez uma das mais injustas do mundo, pois o ensino público não atende ao carente, apesar dos programas de cotas e de todos os esforços nesse sentido. As prioridades do Governo em relação à educação não têm o propósito de proporcionar educação efetivamente. Têm muito a filosofia de determinado governo, partido, ideologia. Enquanto Universidade, temos uma série de dificuldades. Uma delas é a concorrência, que é muito desleal. Existe um monte de instituições que têm fins econômicos, algumas formam grandes aglomerados, e com objetivo apenas de entregar diplomas, apesar do sistema de avaliação ser igual para todas. O sistema de avaliação do ensino superior brasileiro é muito questionado. E instituições como a Unoesc, que são instituições que não visam lucro, que reinvestem suas sobras na própria instituição, têm dificuldades por não receberem o reconhecimento do Governo, especialmente do Governo Federal. Têm dificuldades também em função de que cobram mensalidades, mas mensalidades que estão de acordo com a realidade regional. E há ainda uma regulação excessiva que a União exerce sobre as universidades, tirando delas a autonomia que as universidades ao redor do mundo, em geral, possuem.

• Nesse ano, também são implantados os cursos de Engenharia Química em Videira e Joaçaba; Música Licenciatura em Capinzal; Educação Física Bacharelado, Química Licenciatura e Sequencial de Formação Específica em Cosmetologia e Estética, em Videira.


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E que desafios a Unoesc, propriamente, tem hoje? O principal desafio é o seu crescimento com qualidade. Temos dificuldade em manter professores, especialmente os professores com mestrado e doutorado, como também temos dificuldade de manter a Universidade com recursos financeiros advindos apenas das mensalidades dos alunos. Mas a Unoesc é uma universidade bem estruturada, muito enraizada nas suas comunidades. E tem a compreensão de que é uma instituição imprescindível para o Oeste de Santa Catarina. E eu vejo a Unoesc, apesar de suas dificuldades, crescendo em qualidade a cada dia. Com certeza se tornará uma das melhores universidades do Sul do País dentro de alguns anos.

A Lei das comunitárias poderá melhorar a realidade de instituições como a Unoesc? A Lei das comunitárias dará um marco regulatório a essas instituições e mostrará que elas efetivamente são instituições públicas não estatais. No caso da Unoesc, se não houver nenhum veto da presidente, sem dúvida nenhuma a lei beneficiará muito a Instituição, inclusive pela solução do problema do imposto de renda retido na fonte, que na nossa interpretação é devido ao município. Se houver o veto do artigo 13 [que trata do imposto de renda retido na fonte de professores e funcionários], não vai melhorar muito, apenas abrirá possibilidade de acesso a recursos públicos por meio de editais, o que hoje é bastante limitado a instituições comunitárias.

• Ainda são criados, para iniciarem as atividades em 2014, os cursos de Engenharia de Software, em Videira; Engenharia da Computação e Engenharia Civil em Chapecó; Engenharia Civil e Ciências Biológicas Licenciatura em Xanxerê; Medicina Veterinária em São Miguel do Oeste.

Quais são os principais projetos que a Unoesc tem para o futuro, em termos de crescimento? Hoje as mudanças são muito rápidas e as demandas até inconstantes. Mas temos projetos de expansão na área de graduação, a construção da nova sede em Campos Novos, cujas obras iniciarão em 2014. Temos também um projeto de expansão das áreas de engenharias em Chapecó, temos os mestrados em Biociências para ser implantado em Joaçaba e o de Medicina Veterinária em Xanxerê, a expectativa de doutorado nas áreas de Educação e Direito a partir de 2014. De forma paralela e intrínseca a tudo isso, nosso grande objetivo é a qualidade na formação dos nossos estudantes, o envolvimento com a pesquisa, com inovação. E isso é muito difícil, custa muito trabalho e muito dinheiro, custa a manutenção de uma equipe de professores e funcionários de alta qualidade.

Como visualiza a Unoesc daqui a 10 anos? Eu vejo a Unoesc com uma redução do número de seus estudantes de graduação, e com um aumento significativo de cursos de pósgraduação. Com uma inserção muito maior em projetos de pesquisa e de parcerias com as indústrias e poder público no Oeste de Santa Catarina. Com um quadro docente mais maduro, com uma produção científica melhor e como uma instituição bem mais reconhecida do que é hoje perante a comunidade externa, no País e até no exterior.

O Campus de Joaçaba é dirigido diretamente pelo senhor, em função de ser a sede da Reitoria. Que projetos a Unoesc tem para essa unidade, como também para as unidades de Capinzal e Campos Novos? O senhor Já falou sobre a implantação de um curso de Mestrado em Biociências e da construção da nova sede em Campos Novos. Que outros planos o Campus tem para os próximos anos? Os planos estão na direção da conclusão das obras de ampliação do HUST, implantação de mais residências médicas e credenciamento do HUST como hospital de ensino. Ainda, a conclusão do Complexo Esportivo, com construção de piscinas e melhorias para o desporto universitário e para a comunidade, e a ampliação da potência da rádio educativa. Na área acadêmica, estão os mestrados e doutorado em Educação, além da melhoria da qualidade dos cursos como um todo, com ênfase na formação e qualificação do corpo docente.

Pretende estar à frente da Universidade quando isso acontecer, se não como Reitor como um de seus dirigentes? Eu sou um professor, um apaixonado pela ciência e pela educação. Meu mandato como Reitor termina em 2016, quando outra pessoa virá a assumir. Mas, como dizem os artistas, eu gostaria de morrer no palco. Então, enquanto eu tiver condições tanto físicas quanto mentais para continuar trabalhando de alguma forma na atividade da educação, eu vou continuar.

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72 Funoesc 45 Anos

PROJETOS FUTUROS

Desafios compartilhados Centenas de pessoas compartilham o desafio e o sonho de fazer a Unoesc continuar a crescer em toda a região Oeste. É o caso dos gestores que dirigem as maiores unidades da Universidade, localizadas em Chapecó, São Miguel do Oeste, Videira e Xanxerê

S

e a Unoesc hoje é a maior universidade do Oeste de Santa Catarina e uma das maiores instituições de ensino do Estado, é graças ao comprometimento de centenas de pessoas que, assim como o Reitor Aristides Cimadon, dedicaram e ainda dedicam mais que seu trabalho, dedicam suas vidas por essa causa. É impossível esquecer entre essas pessoas os gestores que conduzem as unidades da Instituição e mantêm a Unoesc unida, focada num rumo cujo destino é a excelência acadêmica e o desenvolvimento econômico e social da região onde está inserida. Muitos são os projetos que ainda estão por vir, como apontou o Reitor na entrevista das páginas anteriores. Agora a Revista Funoesc 45 Anos mostra um pouco do que se projeta para o futuro nas unidades localizadas em Chapecó, Videira, São Miguel do Oeste e Xanxerê. Videira Natural de Esteio, no Rio Grande do Sul, Antônio Carlos de Souza

se instalou em Videira aos 23 anos, quando trabalhava na Perdigão, hoje Brasil Foods. Poucos anos depois, ingressou na Unoesc, como professor, e foi firmando raízes na região. Sua formação passou pela graduação em Administração na Universidade de Passo Fundo e em Ciências Contábeis na Unoesc, por uma especialização em Controladoria e Finanças realizada também na Unoesc, por um mestrado em Administração na UFSC e pelo curso de doutorado em Ciências Empresariais na Universidad del Museo Social Argentino. Na Unoesc, além de professor assumiu funções como a de coordenador do Curso de Administração, Pró-reitor de Administração e Vice-reitor do Campus de Videira. Neste último cargo tomou posse, pela primeira vez, em 2004 e foi reconduzido duas vezes consecutivas, para novos mandatos de quatro anos cada. Também em 2004, assumiu a Vice-presidência da Funoesc e permanece no cargo até hoje. Durante esse período, esteve à frente de várias conquistas da Universidade.


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Entre as evoluções que comandou no Campus de Videira, estão a criação de novos cursos de graduação e de especialização e a implantação do Programa de Mestrado em Ciência e Biotecnologia, uma conquista que segue à consolidação do Campus em áreas como Biotecnologia Industrial – único curso de Santa Catarina. Para contribuir com o desenvolvimento da região de Videira, esse Campus aposta também nas áreas tecnológicas, oferecendo formação em atividades estratégicas, como Engenharia de Software, novidade oferecida no último Vestibular que será implantada em 2014. “O projeto mais importante é o Mestrado de Ciência e Biotecnologia e o natural fortalecimento dos cursos de engenharia e Biotecnologia”, afirma. São Miguel do Oeste Vitor Carlos D’Agostini nasceu em Serafina Correa, no Rio Grande do Sul, mas sua família se instalou em Maravilha quando tinha um ano de idade. Dessa região, saiu apenas depois de adulto, para cursar a graduação em Direito, na FURB, em Blumenau. Em 1998, depois de concluir uma especialização em Direito Administrativo pela UFSC, ingressou na Unoesc São Miguel como procurador jurídico e professor. Em 2002 concluiu o curso de mestrado em Direito, pela UFSC, e, em 2003, assumiu a Pró-reitoria de Administração. No mesmo ano, tornou-se o Vice-reitor do Campus, função exercida até então, após duas reconduções. Com a experiência à frente do Campus de São Miguel, vê a Unoesc como um dos principais atores do desenvolvimento do Extremo-Oeste Catarinense. Isso, segundo ele, imprime uma grande responsabilidade não apenas à Instituição, mas também a seus egressos, já que a principal colaboração que uma Universidade pode dar para a sociedade é a formação de profissionais e pesquisadores qualificados para alavancar o progresso. Ele acrescenta que, para o futuro, o Campus pretende implantar cursos que estimulem a inovação tecnológica e o aprofundamento da pesquisa, além de investir em laboratórios que também possam prestar serviços aos profissionais da região.

“Investiremos nas áreas da Saúde, das engenharias e na inovação tecnológica”, reforça o Vice-reitor, que junto a outras lideranças e entidades trabalha para que o município de São Miguel venha a sediar um polo tecnológico. Entre os cursos que o Campus pensa em implantar no futuro estão o de Medicina, hoje oferecido apenas em Joaçaba, e as engenharias Mecânica, Elétrica, de Produção, de Software, Sanitária e Ambiental. Esses cursos poderão ser implantados em São Miguel e nos Campi Aproximados que a Universidade têm em Maravilha, Pinhalzinho e São José do Cedro. “O Campus de São Miguel tem crescido nos aspectos quantitativo e qualitativo. Principalmente qualitativamente, no que diz respeito à estrutura física e aos resultados que vem obtendo em avaliações institucionais ou em avaliações promovidas por órgãos de classe, como a OAB e conselhos regionais. Então estamos conseguindo trabalhar de maneira salutar: mantemos o equilíbrio financeiro e conseguimos crescer e manter a qualidade dos nossos cursos. E nosso objetivo é continuar nesse ritmo”, finaliza.

Antônio Carlos de Souza, Vice-reitor do Campus de Videira e Vice-presidente da Funoesc

Vitor Carlos D’Agostini, Vice-reitor do Campus de São Miguel do Oeste

Chapecó A unidade mais jovem da Unoesc está em Chapecó, foi implantada em 2009 com a compra da Faculdade Integrada Exponencial. Na maior cidade do Oeste, onde já estão instalados os Programas de Pós-graduação Stricto Sensu em Direito e em Administração, a Universidade pretende proporcionar uma formação focada no empreendedorismo. O desafio está nas mãos de Ricardo Antônio De Marco, que cursou duas graduações (Ciências Contábeis e Administração) e duas especializações na Unoesc Xanxerê, onde também ingressou como professor em 2004 e foi coordenador do Curso de Administração. Hoje, mestre nessa área e com experiência acumulada não só na carreira dentro da Universidade, mas também em organizações empresariais da região de Xanxerê, está há pouco mais de um ano à frente da Unoesc Chapecó e fala com expectativa dos projetos que tem para a unidade. “A ideia é de que o conceito de empreendedorismo seja transversal e de que esse tema se torne um elemento das ações curriculares dos cursos,

Ricardo Antônio De Marco, Diretor geral da Unidade de Chapecó

Genesio Téo, Vice-reitor do Campus de Xanxerê e Presidente da Funoesc

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74 Funoesc 45 Anos

Maurício Fernandes Pereira, presidente do Conselho Estadual de Educação.

para que os estudantes tenham uma formação complementar.” A Unoesc Chapecó também estuda a implantação de novos cursos de graduação, especialmente na área das engenharias, como é o caso dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia da Computação que serão oferecidos a partir de 2014, e a ampliação da estrutura física com a construção de mais um prédio de 2,5 mil metros quadrados, para atender às demandas dos novos cursos. No que se refere à pós-graduação, o diretor prevê o fortalecimento dos cursos de mestrado existentes e a projeção de implantação de cursos de doutorado nos próximos anos. “Na pós-graduação Lato Sensu, várias parcerias estão sendo firmadas, com entidades de classe, órgãos públicos e empresas, para oferta de cursos in company, e até com outras instituições, para oferta de cursos em conjunto, como a Escola Superior da Magistratura, a Esmesc”, acrescenta. Xanxerê O professor Genesio Téo, apresentado nas primeiras páginas desta publicação já que também é presidente da Funoesc, é o Vice-reitor do Campus de Xanxerê. Segundo ele, nessa cidade a Unoesc focou suas atividades

no curso de Medicina Veterinária e nas Ciências Agrárias, além de áreas que são básicas para o desenvolvimento de qualquer cidade e região, como os cursos das Ciências Sociais Aplicadas e das Ciências Humanas e Sociais. Mas, a partir dos próximos anos, os projetos da Universidade para Xanxerê considerarão a oferta de novos cursos de engenharia, como Engenharia Civil – a ser implantado em 2014 –, e da área de Saúde, como Farmácia e Enfermagem. Há ainda um projeto para implantação de um curso de mestrado em Medicina Veterinária, que é previsto para 2015. “É o projeto mais audacioso do Campus”, observa Téo. Ele acrescenta que junto com a oferta de novos cursos de graduação e pós-graduação vem a necessidade de ampliação de infraestrutura. Por isso o Campus está concluindo um prédio de aproximadamente mil metros quadrados para abrigar laboratórios que a Universidade pretende credenciar para prestação de serviços de certificação de produtos de origem ou para alimentação animal. Para atender ao crescente número de alunos, também está em fase de construção o novo Centro de Convivência no Campus I. O espaço irá aumentar de 200m² para 1,5 mil m².

“A história da Fundação Unoesc está estreitamente vinculada à história do desenvolvimento da Região Oeste de Santa Catarina. Seu nascedouro remonta à década de 1960, com a criação da FUOC, que tinha como objetivo prover a cidade de Joaçaba e região proximal com ensino superior comunitário. Mais tarde, seu espírito empreendedor resultou em ações de abrangência em toda a grande região Oeste, que teve como consequência a oferta de educação superior em toda essa região, com a constituição da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), na década de 1990 que, desde então, está presente com suas atividades indutoras do desenvolvimento em toda a região, desde Joaçaba até a fronteira com a República Argentina. A visão da distribuição de Campi e unidades de oferta de educação superior comunitária no mapa de Santa Catarina deixa claramente marcada a presença da Fundação Unoesc, com suas atividades em Joaçaba, Fraiburgo, Videira, Campos Novos, Capinzal, Chapecó, Xanxerê, Pinhalzinho, Maravilha, São Miguel do Oeste e São José do Cedro. E não se trata de uma presença passiva. Trata-se de promoção do desenvolvimento regional, em seus diferentes aspectos. Hoje é impossível pensar o desenvolvimento do grande Oeste de Santa Catarina sem pensar nos resultados produzidos por todas as ações desenvolvidas sob a mantença da Fundação Unoesc. O espírito empreendedor que marca sua trajetória resultou na estruturação de uma Universidade que, na segunda década deste Século, conquistou a maturidade para o pleno exercício de suas funções, com a efetivação do preceito constitucional que comete às Universidades o exercício indissociável do ensino, da pesquisa e da extensão. Parabéns a todos os que construíram e continuam construindo a história da Fundação Unoesc.”

2013


Fundação Universidade do Oeste de Santa Catarina Rua Getúlio Vargas, 2125 | Bairro Flor da Serra | 89.600-000 (49) 3551-2000 | www.unoesc.edu.br


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Funoesc 45 Anos - Conectando histórias  

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