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Conclui-se, então, que no reservatório de saberes do professor existem muitos conhecimentos que constituem sua identidade profissional. Saberes esses que revelam e validam os saberes disciplinares e experienciais que incidem nos processos de criação. Isso quer dizer que esse repertório de saberes é definido a partir da professoralidade, em que o saber fazer, ancorado no saber, no ser e no conviver, propicia o [re]conhecimento a partir da reflexão de diferentes formas de agir pedagogicamente, partindo-se de novos conhecimentos adquiridos. Essa construção, pelos processos de criação, dá-se tanto na gestão da matéria, quanto na gestão de classe e, em outras palavras, pode-se dizer que o professor estabelece uma ordem interna nos saberes relativos ao seu repertório e, ao fazer isso, ele transmite e infere ações pedagógicas que são oriundas de conteúdos de sua psique, de conteúdos culturais e conteúdos científicos. Portanto, os processos de criação do professor manifestam-se a fim de procurar veicular sua prática pedagógica e, principalmente, permitem-lhe pensar sobre diferentes formas de ensinar determinados conteúdos. Em muitos momentos, é preciso que haja um processo de tentativas, erros-acertos (Gestalt), pois se constituem em experimentações do ciclo criador e, assim, é possível a ampliação do potencial criativo, uma vez que testar, investigar, buscar, relacionar pressupõe a construção e verificação de novos saberes. Nessa perspectiva, ao testar, avaliar, relacionar, investigar e concluir, acrescentam-se novos elementos formativos ao aparelho perceptual e registrador do indivíduo (mais ligações, conexões, hipóteses, saberes, etc.). Assim, é importante salientar que é relevante não se ter medo de errar, pois muito se aprende com as tentativas e erros; esse processo enriquece a capacidade de perceber, de elaborar e [re] estruturar as ações cotidianas e, nesse caso, as ações docentes e discentes em íntima interlocução.

Referências

ALENCAR, E. M. L. S. de. Criatividade e educação de superdotados. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. ÁSQUEZ, A. S. Filosofia da práxis. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

Ensino e Profissão Docente

ALENCAR, E. M. L. S. de. Criatividade. 2. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1995.

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Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscano © Editora UNIFRA 2016