Page 76

Ensino e Profissão Docente

76

Torna-se indispensável que ao criar novas ações o professor busque referências sobre “o que” e “como” trabalhar com seus alunos. Também, é importante que o professor esteja empenhado na ação de propiciar um ensino transformador; mais importante, ainda, refere-se à questão de o professor dominar os conhecimentos necessários para ensinar e, sobretudo, saber ser professor. Entretanto, como aponta Zeichner (1993), para que o professor mantenha uma atitude prática reflexiva, oponente ao enfoque reiterativo, é necessário que seja agente ativo de seu próprio desempenho e, principalmente, produtor de seus saberes, a fim de que a reflexão sobre sua experiência sirva de ponto de partida para um processo de autoanálise e [re]estruturação da prática pedagógica no cotidiano escolar. Essas práticas – reiterativa e reflexiva – são permeadas por processos de criação que são traduzidos em diferentes níveis de comportamento e de produção de atividades pedagógicas que subsidiam o processo de ensinar. Está constatado que é o domínio dos conteúdos que se originam nos saberes disciplinares e experienciais, o qual possibilita o exercício do habitus professoral bem-sucedido, já que não se pode explicar e priorizar o que não se conhece. Contudo, não basta somente conhecer os conteúdos específicos, é preciso que o professor, ao ensinar esses conteúdos, busque desvelar a lógica interna de seus saberes docentes e, a partir dela, extrair recursos necessários para criar novas formas de exercer a prática pedagógica, as quais propiciem aos alunos a construção de novos conhecimentos, de forma que desenvolva suas potencialidades, entre elas o próprio potencial criativo. Assim, a atividade de planejamento das aulas, por meio de um processo de osmose entre os saberes docentes e as fases do ciclo criador, incide em diferentes possibilidades oriundas dos processos de criação do professor, pois a organização do trabalho pedagógico requer estar engajada na sensibilidade e fluência ideativa e associativa para a revisão e a reavaliação dos saberes já adquiridos e na elaboração de um conjunto de atividades a serem realizadas. O planejamento das aulas, à medida que é realizado de forma consciente, apesar de ter incidência dos níveis inconscientes, implica o resgate e seleção de conhecimentos e saberes que são imprescindíveis para uma boa gestão de matéria e de classe (GAUTHIER, 1998). Conforme essa perspectiva, as atividades de planejamento são diferentes umas das outras, todavia, podem variar de acordo com o conteúdo e com o programa estabelecido, o qual, muitas vezes, não depende somente da vontade e consciência do professor.

Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscano © Editora UNIFRA 2016

Advertisement