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Kneller (1978) e Alencar (1995) fornecem subsídios para uma metodologia que considera a criatividade como um objetivo educacional a ser estimulado e priorizado. Os autores discutem sobre o crescimento criativo nas diferentes fases culturais da criança, bem como sobre os bloqueios que a sociedade impõe, como as restrições feitas pelos adultos ao período de jogo e fantasia na infância, pela valorização do prático e do realístico, a conformidade aos padrões aceitos, a tendência da escola a acentuar a harmonia do grupo em vez do progresso do indivíduo. Referem-se ao desenvolvimento da criatividade pela educação, mobilizando o potencial criativo em todos os assuntos de que tratar, pelo estímulo da originalidade, gosto pelo novo, inventividade, curiosidade e pesquisa, autodirecionamento e percepção sensorial. Kneller (1978) lembra que não é necessário haver relação de subordinação entre educação formal e desenvolvimento do pensamento criador. Precisa-se, aponta o autor, “[...] desenvolver a capacidade criadora do aluno ao longo de sua carreira escolar, para que o intelecto e a imaginação não se separem, transformando esta última em simples fantasia” (p. 106). A proposta de sua obra, já na década de 70, apresentava uma escola preocupada com o desenvolvimento da criatividade, considerando como fundamental que a escola propicie aos alunos condições para desenvolver a autoconfiança, a autorrealização e a abertura às novas experiências. Várias razões poderiam ser apontadas para justificar a necessidade de o professor propiciar melhores condições à expressão da criatividade do aluno, bem como o seu próprio potencial criativo, mas esse é um momento da história com características muito especiais, pois as mudanças ocorrem em um ritmo crescente, geram novas necessidades e novos desafios. Para tanto, o perfil de profissional que está sendo exigido no mercado é o perfil de um profissional inovador, flexível, criativo, e, portanto, é indispensável

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[...] equipar o aluno com estratégias eficientes para abordar o novo, lidar com o desconhecido, enfrentar de forma efetiva as heterogêneas situações do cotidiano e resolver problemas que hoje não somos sequer capazes de antecipar (ALENCAR, 2001, p. 66).

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Por outro lado, quando se percebe o que vem ocorrendo em muitas escolas, constata-se que é comum a presença de currículos rígidos, postura autoritária de professores, falta de integração entre as diversas disciplinas, caracterizando-se a escola do

Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscano © Editora UNIFRA 2016