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Ensino e Profissão Docente

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exposta, comunicada e interpretada”. Nos espaços não formais de educação científica, ocorre a transposição do conhecimento por meio de objetos, cenários, maquetes, modulagens, recursos tecnológicos, textos de divulgação veiculados pelas diferentes mídias, dentre outros. Nesses locais, foca-se tanto à devida necessidade de tornar as informações de cunho científico acessíveis ao público visitante quanto a proporcionar momentos de prazer e deleite, ludicidade ou contemplação (MARANDINO, 2005). Como espaços formais estão as instituições de ensino que, de modo geral, deveriam estar organizadas para mediarem os saberes científicos de diferentes áreas do conhecimento, promovendo aos estudantes o acesso à ciência. Porém, quando se trata de escolas, necessita-se de novos arranjos curriculares que visam ao acesso e implementação de recursos e metodologias de ensino, que sejam capazes de mediar e empreender novos conhecimentos. O diálogo entre os conhecimentos dos estudantes e os que se apresentam sistematizados nos manuais didáticos ou veiculados pelas novas tecnologias necessita fazer parte do cotidiano das escolas. Esses saberes demandariam dos estudantes muito mais do que novos conceitos ou novos procedimentos científicos, mas sim novas atitudes diante da interação entre ciência e sociedade. Assim, a alfabetização científica poderia ocorrer para a compreensão dos conhecimentos e de valores, que possibilitem aos estudantes mais autonomia e que percebam a utilidade da ciência na melhoria das suas vidas, bem como os aspectos negativos provenientes de uma atividade científica pouco comprometida com o desenvolvimento social e humano (CHASSOT, 2006). Ainda com relação aos espaços formais na educação básica, Salles e Kovaliczn (2007) entendem que será alfabetizado cientificamente o estudante capaz descrever os fenômenos da natureza, apropriando-se de uma linguagem científica. Quanto aos conhecimentos do senso comum, a escola necessita acolhê-los e analisá-los, tentando aproximá-los dos saberes científicos para analisar esta realidade de forma mais ampliada e, talvez, diferente dos saberes acumulados pelas gerações. Significa apropriar-se dos conhecimentos muitas vezes consolidados em uma sociedade e progressivamente apoderar-se dos conhecimentos construídos pela comunidade científica (KATO; KAWASAKI, 2011). Com relação ao processo de entendimento acerca das ciências, a Comunidade Científica da Biological Sciences Curriculum Study - BSCS (1993 apud KRASILCHIK; MARANDINO, 2010) pontua que a alfabetização científica pode ocorrer em quatro estágios. O primeiro estágio é nominal, no qual o cidadão ou o estudante reconhece

Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Coleção Ensino e Educação - Volume 1 Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscan...

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