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Ensino e Profissão Docente

ciências para o conhecimento, ciências para o desenvolvimento, ciências na sociedade e para a sociedade e ciências para a paz (KRASILCHIK; MARANDINO, 2010). Ao realizar uma retrospectiva histórica acerca da preocupação da sociedade sobre os níveis de alfabetização científica da população, Krasilchik e Marandino (2010) evidenciaram que, na década de 60, a educação estava distante da popularização das ciências. O foco maior era impulsionar a ciência e a tecnologia para fazer frente à guerra fria entre os Estados Unidos e a extinta União Soviética e demais países que a sustentavam. Na década de 70, iniciou-se uma preocupação maior com o conhecimento sobre ciências que a população deveria possuir. Também se discutiam a crescente expansão do consumo de produtos industrializados e a necessidade de entender a ciência que estava por trás disso. Na década de 80, houve uma grande propulsão de espaços não formais de acesso ao conhecimento e produtos científicos com a criação de centros de cultura científica como os museus. Para Sabbatini (2014), esses espaços respondem a quatro setores relacionados com o sistema de ciência e tecnologia de um país: a sociedade que se beneficia da ciência, a comunidade científica que cria o conhecimento científico, o setor produtivo que faz uso da ciência e a administração na qual se administra a ciência. No final da década de 90, foram apresentadas as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (BRASIL, 1997), os quais sinalizam para que os estudos das temáticas científicas abandonem a metodologia exclusivamente livresca, buscando a interação dos fenômenos da natureza, tecnológicos e sociocientíficos para superar as lacunas na formação dos estudantes. Atualmente, na sociedade, estão presentes muitos espaços de acesso aos saberes científicos com ações voltadas à alfabetização científica dos cidadãos. Como exemplo de espaços não formais há sindicatos, igrejas, cooperativas, museus, organizações não governamentais, a mídia, etc. Os espaços não formais, segundo Sabbatini (2003), têm como propósito o acesso de visitantes ocasionais que aprendem de forma não estruturada, espontânea e personalizada a partir das exibições interativas, de conferências, demonstrações, oficinas de experimentos, projeção de filmes e do uso de multimídia. Esses espaços também proporcionam serviços de educação não formal, atividades organizadas e sistemáticas sem certificação que tendem a modificar conhecimentos, habilidades e atitudes com o princípio de complementação em relação ao sistema de educação formal. Lopes e Muriello (2005, p. 15) destacam que os museus são “locais em que a cultura material é elaborada,

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Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscano © Editora UNIFRA 2016