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comprometidos com a questão ambiental, mas também na produção de novos conhecimentos, por meio da pesquisa, privilegiando a área do ensino. Quanto às metodologias utilizadas no ensino de EA, pode-se concluir que não são metodologias criadas exclusivamente para essa finalidade. São metodologias variadas que encontram fundamento em diferentes correntes de pensamento. Observa-se, no entanto, uma tendência em privilegiar metodologias que se alinham ao pensamento da corrente histórico-cultural ou sociocultural, na qual se situam autores como Vygotsky, Freinet, Paulo Freire, entre outros. Essa abordagem teórica tem como premissa a construção do conhecimento pelo aluno, isto é, assenta-se em uma base epistemológica construtivista e em um modelo pedagógico relacional. Logo, o que faz com que uma educação seja ambiental não são propriamente os conteúdos, mas sim os procedimentos utilizados nos processos educativos. Com isso, não se quer dizer que os aspectos técnicos ou metodológicos devam prevalecer sobre os teóricos. É preciso entender que, em todo procedimento pedagógico, há, implícita ou explicitamente, uma visão de mundo, uma concepção de homem e de sociedade, independentemente da natureza do conteúdo trabalhado. Cabe considerar, ainda, que a EA se formou a partir de diferentes correntes de pensamento. Portanto, é herdeira dos métodos ativos de educação propagados pela Escola Nova, dos quais decorrem as atividades ao ar livre, como as trilhas, os estudos do meio e as aulas de campo. É herdeira também da escola tradicional e das tendências progressistas de Educação, com ênfase na educação crítica, comprometida com as transformações da sociedade. No contexto da educação escolar, o domínio de metodologias diversificadas tem a finalidade de não apenas tornar as aulas mais agradáveis, mas também atingir a heterogeneidade das salas de aula, bem como garantir o acesso ao conhecimento e ao desenvolvimento de competências, por meio de métodos dinâmicos, com a participação e o envolvimento dos estudantes.

Ensino e Profissão Docente

Referências

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AMARAL, I. M. do. Educação ambiental e ensino de ciências: uma história de controvérsias. Pro-posições. Revista quadrimestral Faculdade de Educação – UNICAMP, Campinas, SP, v. 12, n. 1, p. 73-93, mar. 2001. ARENDT, H. A crise na educação. Revista de Educação, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Lisboa, v. 5. n. 2. p. 124-132, 1996. (Tradução Olga Pombo).

Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscano © Editora UNIFRA 2016