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A importância do pensamento de Arendt, neste contexto, explica-se também pelo fato de a EA crítica, descrita por Carvalho (2008), compreender o sujeito ecológico como um sujeito da ação política no sentido atribuído por Arendt. Esse sujeito é capaz de identificar problemas e participar dos destinos e decisões que dizem respeito à sua existência e à coletividade. Alinha-se ao pensamento dessas autoras a posição de Jickling (1992). Esse autor argumenta que a falta de atenção para a análise filosófica dos conceitos centrais da educação ambiental tem permitido a proliferação de ideias questionáveis a respeito das denominações atribuídas a ela.

Ao retomar o objetivo inicial deste texto, estruturado em torno de pontos básicos das concepções relacionadas aos processos de ensino e aprendizagem em EA, podem-se desenvolver ainda as seguintes considerações. Com as abordagens interdisciplinar e transversal da EA, questiona-se a segmentação entre os diferentes campos do conhecimento como a visão compartimentada e disciplinar na organização da estrutura curricular. A análise de relatos de professores mostra que ainda se está longe de atingir as dimensões interdisciplinar e transversal no ensino da EA escolar, tendo em vista a própria estrutura curricular. Tem-se presente que as práticas pedagógicas envolvem necessariamente a relação professor-aluno-conhecimento, e as interações que ocorrem, nesses processos, não são isentas de neutralidade. Assim, nas relações que estabelecem com o meio físico, social e educacional, o sujeito se apropria do conhecimento, da linguagem e dos padrões de comportamento predominantes na sociedade em que vive. Essa apropriação está diretamente relacionada à aprendizagem em geral e à EA em particular. Uma conclusão teórica deste estudo permite verificar que a EA não trata de um simples intercâmbio de ideias, informações ou conhecimentos fragmentados acerca de um determinado problema, como, por exemplo, a proteção de espécies ameaçadas de extinção ou a poluição ambiental, tampouco visa dar receitas para estabelecer uma lista de danos existentes em uma determinada região. Ao contrário, as orientações que se voltam às origens da EA mostram que é necessário incorporar a temática socioambiental nos processos escolares, introduzindo mudanças nos contextos educativos institucionais. Nesse viés, as instituições de Ensino Superior têm uma responsabilidade ainda maior, não somente na formação de profissionais sensibilizados e, se possível,

Ensino e Profissão Docente

Considerações finais

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Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Coleção Ensino e Educação - Volume 1 Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscan...

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