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Ensino e Profissão Docente

do meio, metodologias tradicionalmente utilizadas no ensino de Geografia e também de Ciências Naturais. Os estudos do meio procuram compreender a interação da paisagem humana com o meio físico, por intermédio de recursos pedagógicos que valorizam a educação ao ar livre, o trabalho de campo e outras ações do contexto físico e humano no ambiente. Nesta reflexão, entende-se que o ato de aprender está intrinsecamente ligado à capacidade perceptiva do sujeito, de maneira que as trilhas e outras atividades ao ar livre podem se constituir em importante ferramenta na educação de crianças, adolescentes e jovens. No entanto, deve-se ter o cuidado de usá-las como uma possibilidade pedagógica e não como a única forma para o ensino de EA. Ressalta-se esse aspecto por duas razões: a primeira refere-se ao destaque que a mídia, em especial a televisiva, tem dado às atividades desse gênero; a segunda refere-se ao fato de as pessoas que têm uma compreensão naturalista de meio ambiente, com frequência, associam EA às “boas práticas ambientais”. No caso das trilhas, o contato direto com os elementos da natureza e o respeito aos seres vivos podem ser interpretados como sinônimo de “boas práticas” ou “bons comportamentos ambientais” que, segundo Carvalho (2008), é uma visão ingênua de EA. No contraponto, a autora propõe uma EA crítica e enfatiza a formação de um sujeito ecológico. A atitude ecológica, segundo ela, poderia ser definida como a adoção de um sistema de crenças, valores e sensibilidades éticas e estéticas. Esse seria “um dos objetivos mais perseguidos e reafirmados pela educação ambiental crítica” (p. 180). Cortesão (2002), ao expor sobre o ofício de ser professor, ressalta a importância das metodologias ativas e o papel do aluno como autor de suas aprendizagens. Recorrer a metodologias ativas e a materiais didáticos variados, acentua a autora, possibilita a ação do aluno e colabora na conquista de suas aprendizagens, desenvolvendo, portanto, um trabalho que é habitualmente designado por “ensino ativo” ou até “ensino investigativo” (p. 82). A palavra metodologia remete sempre ao caminho do “como” fazer. Delors et al. (1996) apontam o aprender a fazer como um dos quatro pilares da educação. Logicamente, o fazer não está desvinculado do ato de aprender a conhecer. Na docência, enquanto ensina, o professor aprende a conhecer e a ensinar. E, enquanto pesquisa, também ensina. Arroyo (2002) resgata a importância do “como”, no sentido de práxis, de ação, do trabalho como princípio educativo e de como produzimos nossas vidas, nossa docência. Para esse autor, o professor é um profissional de práticas, mais do que de discurso. Em suas palavras, [...] “a escola não se define basicamente como

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Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Coleção Ensino e Educação - Volume 1 Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscan...

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