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e donos de terras), os vilões, os comerciantes e aqueles que viviam fora dos muros e eram, radicalmente, excluídos de tudo, os pobres e os leprosos. O trabalho na terra repartia-se entre os trabalhadores livres, os servos e, em número menor, os escravos. Os que faziam trabalhos manuais sofriam enorme desprezo social e não tinham direitos de cidadãos. Aqueles que trabalhavam na terra, os camponeses, também não exerciam nenhum direito, ao contrário dos proprietários de terras. Portanto, a concentração de terras nas mãos de poucos acarretou profunda pobreza e miséria. A vida nessa época valia pouco e era curta. A base de sustentação ideológica era a fé e não a razão. Nas relações sociais, a estrutura básica era fornecida, também, pela religião cristã, para a qual o Pai, o Filho e o Espírito Santo compõem uma divindade una. De forma semelhante, a sociedade feudal via sua unidade a partir dos laços entre as três categorias sociais. Esse imaginário medieval é identificado nas palavras do bispo Adalberão que viveu no século XI:

Ensino e Profissão Docente

Tripla é, pois, a casa de Deus, que se crê una: embaixo uns rezam, outros combatem, outros ainda trabalham; os três grupos estão juntos e não suportam ser separados; de forma que sobre a função de um repousam os trabalhos dos outros dois, todos por sua vez entreajudando-se (DUBY, 2002).

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Nessa sociedade, não existia a classe média. A “casa de Deus”, nessa época, estava bem ampla e organizada, a começar, pela instituição basilar da Idade Média, a Igreja Católica. Poderosa, foi a única instituição a cobrir todo o território europeu sob um comando centralizado. Dos contingentes clericais, que sabiam ler e escrever em latim, saíam os cargos que ocupariam os quadros administrativos a serviço dos reis e da alta nobreza. Nos mosteiros, havia as bibliotecas que preservavam grande parte da herança cultural da Antiguidade Clássica, especialmente a Greco-romana, e serviam de centros de ensino para a nobreza leiga. Ainda, na Baixa Idade Média, a ligação entre a Igreja e a cultura passou a ser afirmada não apenas nos mosteiros, mas também em um novo tipo de instituição de ensino: a universidade. Os professores, ligados à Igreja, em sua imensa maioria, dariam origem, no fim da Idade Média, à nova categoria social: os intelectuais. Coube a eles esboçar o que seria uma das tarefas mais árduas dos humanistas: desvincular a razão da fé. Francisco de Assis viveu na Baixa Idade Média e, portanto, vivenciou o contexto de uma sociedade hierarquizada em classes sociais e centralizada pelo severo domínio

Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscano © Editora UNIFRA 2016

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