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Ensino e Profissão Docente

não se manifestaram somente na sociedade contemporânea. Homens e mulheres de todos os tempos, e não apenas na Idade Moderna, lutaram pela igualdade, liberdade e fraternidade, como também apreciavam as mudanças de estilos, e seus trajes indicavam a posição social e o sexo a que pertenciam. Na Idade Média não foi diferente. O período, apesar de manter a Europa fechada e isolada, não foi de estagnação. Procurou-se preservar e enriquecer a herança recebida da Antiguidade Clássica. A concepção ideológica da Idade Média associava-se diretamente aos postulados teológicos de Santo Agostinho (354-430) e, mais tarde, completados por Tomás de Aquino (1225-1323) que associou os postulados de Aristóteles (384-322 a.C.) à concepção cristã. Os fundamentos lógicos de Tomás de Aquino, nascidos da alteração dos princípios aristotélicos associados à ideologia cristã, de então, representaram um processo político de manutenção do poder da Igreja. Aristóteles acreditava que qualquer movimento na natureza e no universo ocorria de forma independente, determinado pela ação da metafísica, condicionando tudo na Terra. Por isso, o deus grego era uma força cósmica racional, impessoal e autocontemplativa. Esse deus era considerado tão perfeito que não se relacionava diretamente com o mundo e com os homens. A metafísica cristã, por sua vez, ao adaptar a metafísica de Aristóteles, criou um deus pessoal, raivoso e vingativo, que se manifestava através do meio natural. Assim, os eventos naturais eram confundidos com a própria mente divina. Trovões, pestes, inundações, doenças eram entendidos como desígnios divinos, inquestionáveis, pois a física e a natureza eram a própria teologia. No paradigma aristotélico-tomista, nada poderia acontecer senão pelas “mãos divinas” que traçavam os destinos de todos os seres. A própria condição social do homem medieval era um desígnio divino, e o modo de se vestir demarcava o lugar social dos indivíduos. Assim, a pobreza e a falta de condições materiais para manter a dignidade humana eram vistas como desígnios divinos. No período da Baixa Idade Média (séculos XIII-XV), o sistema feudal mostraria seus primeiros sinais de exaustão e muitas mudanças econômicas, religiosas, políticas e culturais foram gestadas nessa fase. A sociedade desse período, no entanto, permanecia dividida em três categorias. Na primeira, situavam-se aqueles que faziam a intermediação entre os homens e Deus, missão especial e de grande estima para a época: o clero. Seguiam-se os que detinham títulos de nobreza ou os que combatiam encarregados da proteção dos feudos: a nobreza leiga. Na terceira categoria, encontravam-se os servos, os camponeses encarregados de produzir o sustento do sistema feudal (comandado pelos senhores feudais

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Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Coleção Ensino e Educação - Volume 1 Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscan...

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