Page 154

esteja procurando o elo perdido fora de si e na materialidade das coisas, ao invés de percorrer o caminho da intuição. Retornar ao íntimo e aos valores das essências é redescobrir algumas verdades que ficaram perdidas no caminho da fantástica evolução da humanidade. Na velocidade da evolução científica e com os inúmeros novos paradigmas, pensou-se que a “bagagem” pesava demais e decidiu-se jogar fora tudo o que aparentemente não se usava mais. Os valores fundamentais da vida tornaram-se descartáveis e a ética individualista passou a imperar soberana, amparada no “globalitarismo do consumismo” (SANTOS, 2001). Diferentemente, agiam as culturas milenares que imprimiam grande responsabilidade na transmissão de valores, tradições e rituais às crianças e jovens e privilegiavam a observação e a contemplação da natureza. Vale a pena reler o fragmento da carta do chefe Seatle.

Ensino e Profissão Docente

‘O que você faz’?, perguntaram a um índio americano. ‘Eu ensino meu povo’. E a nova pergunta foi: ‘O que você ensina’? E a resposta foi: ‘Quatro coisas: primeiro, a escutar; segundo, tudo está ligado com tudo; terceiro, tudo está em transformação; quarto, a terra não é nossa, nós é que somos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus filhos. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo’ (adaptado da carta do chefe Seatle ao presidente dos EUA, Franklin Pierce, em 1854).

154

Mas, na cultura atual, quem ensina o povo? De quem é a responsabilidade de ensinar às crianças e aos jovens os valores fundamentais da vida, os costumes, as tradições, os rituais? Ou será que tudo isso virou cafonice, que ninguém mais tem coragem de ensinar? Nas sociedades ocidentais, essa responsabilidade esteve ancorada, tradicionalmente, em três instituições: família, escola e Igreja. Hoje, face às circunstâncias e às transformações sociais, estas também estão pagando tributo à crise, e o que se vê e se revê é uma generalizada preocupação quanto ao futuro, quando não de pânico, diante do vazio existencial, terreno fértil para a germinação da inversão de valores. Surgem, então, antivalores que assustam, a ponto de surgir a pergunta: Mas o que será da humanidade? Pergunta que revitaliza, cada vez com mais força, os paradigmas do século XXI: Para onde caminha a humanidade? Qual é o sentido da existência humana? Tempos difíceis! A família está perdida em meio à implosão de valores da pós-modernidade e não são poucas as crianças que têm seus elos familiares

Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscano © Editora UNIFRA 2016

Advertisement