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sobreviver, já que o envolvimento nos negócios públicos exigia dedicação integral; logo os proprietários de terras eram livres para ter o direito de decidir sobre o governo. A cidadania grega era abrangida tão somente por direitos políticos identificados com a participação nas decisões sobre a coletividade. Na Grécia antiga, a sociedade da civilização apresentava a dicotomia cidadão e não cidadão. Bernardes escreve que a

Tal ideia se enraizou em Roma também, como capacidade para exercer direitos políticos e civis, bem como a elevação entre os que possuíam essa qualidade e os que não a possuíam. Da mesma maneira era aplicada somente aos homens livres, mas nem todos os homens livres eram considerados cidadãos. O Direito Romano por sua vez ajustava as diferenças entre cidadãos e não cidadãos. O direito civil regulamentava a vida do cidadão, e o direito estrangeiro era aplicado a todos os habitantes do Império que não eram considerados cidadãos. Nessa perspectiva, ocorreram profundas alterações na sociedade, quando se cruza para a Idade Média. Nesse período medieval, havia uma hierarquia muito rígida das classes sociais e a Igreja Católica aparece como instituição básica do processo de transição para o tempo medieval. O processo histórico da cidade medieval recobre muitos séculos. O autor ainda aponta que o Estado moderno surgiu a partir das monarquias nacionais, tendo sua formação na Idade Média pela centralização do poder nas mãos do monarca, ocorrido nesse período. Todavia, no final da Idade Moderna, aparecem cidadãos que consagrariam a história da cidadania, propostas na Idade Média por Rousseau, Montesquieu e Voltaire, pois ao questionar os privilégios que a nobreza e o clero insistiam em manter sobre o povo, defendiam a ideia de um governo democrático, com vasta participação do povo e o fim de privilégios dessas classes. Defendiam a divisão do poder e os ideais de liberdade e igualdade como direitos fundamentais do homem. São essas ideias que servem de estrutura definitiva para a estruturação

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cidadania era para os gregos um bem inestimável. Para eles a plena realização do homem se fazia na sua participação integral na vida social e política da Cidade-Estado. [...]. Só possuía significação se todos os cidadãos participassem integralmente da vida política e social e isso só era possível em comunidades pequenas (1995, p. 23).

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Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

Coleção Ensino e Educação - Volume 1 Organizadores: Noemi Boer, Diego Carlos Zanella, Sandra Cadore Peixoto Centro Universitário Franciscan...

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