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Pode-se afirmar que o processo da educação é uma configuração de mediação para a construção da cidadania, para a integração do ser humano no universo do trabalho e das interposições institucionais da vida social. Para Boaventura de Sousa Santos, é na possibilidade das lutas e das políticas ao reconhecimento do multiculturalismo que será redefinida por ele a noção de cidadania emancipatória. Diante disso, pontua que [a] defesa da diferença cultural, da identidade coletiva, da autonomia ou da autodeterminação pode, assim, assumir a forma de luta pela igualdade de acesso a direitos e recursos, pelo reconhecimento e exercício efetivo de direitos da cidadania ou pela exigência de justiça (2003, p. 43).

Essa nova concepção de cidadania se estabelece de tal maneira na obrigação vertical entre os cidadãos e o Estado, assim como na obrigação política horizontal entre cidadãos. Procura valorizar os princípios da igualdade, solidariedade e autonomia e de tal modo reivindicar uma cidadania social que somatiza a esfera pública de interesses coletivos. A partir de posicionamentos doutrinários, uma vez que a cidadania se encontre deliberada no ordenamento jurídico, ela não é particular, pois existe um elemento ético da cidadania, gerando discordância sobre o significado da palavra entre os grupos de noção liberal, os de compreensão comunitária, incorporando-se o modelo republicano. Nuria Martín destaca que

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[d]os três modelos de cidadãos que apresentamos, é o modelo republicano o mais defendido pelos filósofos da política. Não obstante seja o cidadão liberal o que, até agora, gozou de maior protagonismo. Do próprio republicanismo surgiram críticas a respeito das duas concepções rivais, a comunitária e a liberal (2005, p. 44).

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Essa explicação surge reforçada pelo reconhecimento dos três tipos de cidadãos referidos na citação, uma vez que acabará se assentando como verdadeiro protagonista na construção da cidadania do século XXI. Remonta-se, entretanto, à história, pois, na Grécia de Platão e Aristóteles, eram apreciados cidadãos todos aqueles que se encontrassem em qualidades de opinar sobre os rumos da sociedade, homens que fossem totalmente livres, isto é, que não tivessem a necessidade de trabalhar para

Ensino e profissão docente - Edição Comemorativa aos 25 anos da Jornada Nacional de Educação  

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