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Revista FUNDAÇÕES & OBRAS GEOTÉCNICAS Ano 8

Agosto de 2017

Nº 83 R$ 27,00

www.revistafundacoes.com.br ISSN 2178-0668

Ano 8 – Edição 83 – Agosto de 2017 www.revistafundacoes.com.br

PROJETO HORIZONTE II utiliza tanques circulares de concreto ambiental

Revisão da ABNT NBR 9.062

IGS-BRASIL completa 20 anos de atuação


www.revistafundacoes.com.br Fundador e idealizador: Francisjones Marino Lemes (in memoriam) Coordenação editorial e marketing: Jenniffer Lemes (jenni@revistafundacoes.com.br) Colaboradores: Gléssia Veras (Edição); Dellana Wolney, Dafne Mazaia (Texto); Rosemary Costa (Revisão); Patricia Maeda (Projeto Gráfico); Agência Bud (Diagramação/Arte); Melchiades Ramalho (Artes Especiais)

Rua Leopoldo Machado, 236 – Vila Laís CEP: 03611-020 São Paulo - SP Telefone: (11) 95996-6391* *Telefone celular com atendimento também por WhatsApp: das 10h às 18h

CONSELHO EDITORIAL São Paulo • Paulo José Rocha de Albuquerque • Roberto Kochen • Álvaro Rodrigues dos Santos • George Teles • Paulo César Lodi • José Orlando Avesani Neto • Eraldo L. Pastore • Sussumu Niyama • Fernando Henrique Martins Portelinha Minas Gerais • Sérgio C. Paraíso • Ivan Libanio Vianna • Jean Rodrigo Garcia Pernambuco • Stela Fucale Sukar Bahia • Moacyr Schwab de Souza Menezes • Luis Edmundo Prado de Campos Rio de Janeiro • Bernadete Ragoni Danziger • Paulo Henrique Vieira Dias • Mauricio Ehrlich • Alberto Sayão • Marcio Fernandes Leão Distrito Federal • Gregório Luís Silva Araújo • Renato Pinto da Cunha • Carlos Medeiros Silva • Ennio Marques Palmeira Rio Grande do Sul • Miguel Augusto Zydan Sória • Marcos Strauss Rio Grande do Norte • Osvaldo de Freitas Neto • Carina Maia Lins Costa • Yuri Costa Espírito Santo • Uberescilas Fernandes Polido

Contatos Pautas: glessia@revistafundacoes.com.br Assinaturas: assinatura@revistafundacoes.com.br Publicidade: publicidade@revistafundacoes.com.br Financeiro: financeiro@revistafundacoes.com.br Foto de capa: Arte Melchiades Ramalho Impressão: Gráfica Elyon Importante • A revista Fundações & Obras Geotécnicas é uma publicação técnica mensal, distribuída em todo o território nacional e direcionada a profissionais da engenharia civil. Todos os direitos reservados à Editora Rudder. Nenhuma parte de seu conteúdo pode ser reproduzida por qualquer meio sem a devida autorização, por escrito, dos editores. • A publicação segue o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. • Esta publicação é avaliada pela QUALIS, conjunto de procedimentos utilizados pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e encontra-se atualmente com classificação B4. • As seções “Coluna do Conselho”, “Artigo”, “Espaço Aberto”, “Opinião” e “Memória de Cálculo” são seções autorais, ou seja, têm o conteúdo (de texto e fotos) produzido pelos autores, que ao publicarem na revista assumem a responsabilidade sobre a veracidade do que for exposto e o devido crédito às fontes utilizadas.

Associações que apoiam a revista

www.anatec.org.br

EM FOCO George Maranhão projetos@georgemaranhao.com.br

REPORTAGEM Fibria - http://www.fibria.com.br/ Veolia - http://www.veolia.com.br/

GEOTECNIA AMBIENTAL DERSA - www.dersa.sp.gov.br/

DESTAQUE IGS-Brasil - http://igsbrasil.org.br/

NOTÍCIA 1 Fares & Associados Engenharia http://www.fareseassociados.com.br/

JOGO RÁPIDO Museu da Língua Portuguesa www.museudalinguaportuguesa.org.br

NOTÍCIA 2 ABCIC - http://site.abcic.org.br/

LIVRO Assessoria de Imprensa da FAAP fabiana.dourado@wnp.com.br

O QUE HÁ DE NOVO Penetron Brasil www.penetron.com.br

NOTAS Instituto Trata Brasil - www.tratabrasil.org.br

O SETOR EM NÚMEROS IBRE / FGV - portalibre.fgv.br COLUNA DO CONSELHO Mauricio Ehrlich - me@coc.ufrj.br ARTIGO 1 Luiz Fernando Anchar Lopes - luiz.anchar@hotmail.com Joaquim Teodoro Romão Oliveira - jtrdo@uol.com.br ARTIGO 2 Bruno Mingardi - brunomingardi@hotmail.com Rodolpho Cunha - rodolpho.cunha@yahoo.com.br PERFIL Apolonio Bechara - apolonio@absfundacoes.com

Fundações e Obras Geotécnicas

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EDITORIAL HOMENAGEM DO CONSELHO EDITORIAL AO ANIVERSÁRIO DA REVISTA “A revista Fundações & Obras Geotécnicas é uma revista plural que contribui com a indústria e a academia divulgando novos materiais, técnicas e pesquisas. Atualmente, congregando um público amplo, que não se restringe apenas às especialidades geotécnicas, mas estende-se a todos que anseiam discutir a engenharia geotécnica e suas interfaces com a sociedade”. Carlos Medeiros

de experiências profissionais”. Eraldo Pastore

“A criação da revista representa um importante marco da conquista do espaço da engenharia geotécnica para os profissionais do setor”. Jean Rodrigo Garcia

“Muito me alegro fazer parte desta comemoração, pois contribuo com a revista desde antes do seu nascimento. Ela está incorporada à geotecnia, e contribui muito com suas reportagens, artigos, divulgações de eventos, entre outras atividades importantes da nossa área. Atualmente, não vivemos mais sem a sua participação em nosso meio. Parabéns à revista e a sua excelente equipe! E que venham mais sete anos!” Paulo Albuquerque

“Nestes sete anos a revista nos presenteia com sua trajetória de sucesso! Preenchendo um grande hiato técnicocientífico, integra jovens e experientes leitores das mais distintas vertentes profissionais, sendo uma referência aos amantes da engenharia geotécnica”. Marcio Leão “A publicação veio preencher uma importante lacuna no meio editorial voltado à interface entre ciência e prática, ou seja, entre academia e indústria. Nestes últimos anos ela tem fornecido elementos de integração e comunicação entre os diversos setores que militam nas mencionadas áreas, cumprindo com sucesso o seu papel informativo, técnico e social. Parabéns pelos sete anos e muitas realizações nos próximos!” Renato Cunha “Uma revista jovem e dinâmica que engloba os mais diversos temas da geotecnia brasileira. Transformou-se rapidamente em um instrumento de comunicação de alta qualidade indispensável para a troca 4

Fundações e Obras Geotécnicas

“Com competência e propriedade, ao longo destes sete anos, a revista Fundações & Obras Geotécnicas favoreceu a comunicação na comunidade geotécnica. Tenho a certeza que a revista só fará crescer, desempenhando com brilhantismo seu papel nos anos vindouros”. Mauricio Ehrlich

“Sete é um número mágico! A revista Fundações & Obras Geotécnicas, representada por sua equipe, é sinônimo de competência, honestidade, informação, objetividade, qualidade, persistência e profissionalismo”. Moacyr Schwab “Graças ao idealismo do saudoso Francisjones e à competência e garra da equipe técnica que ele formou, e que deu continuidade à revista, temos hoje na Fundações & Obras Geotécnicas a única publicação brasileira de viés não acadêmico virtuosamente dirigida a atender a demanda de informações e conhecimentos do grande público-alvo formado por profissionais de mercado no campo da geotecnia. Se me permitem ousar falar em nome desses milhares e milhares de pro-

fissionais, historicamente abandonados à sua própria sorte por nossas instituições de ensino e pesquisa, expresso nosso enorme agradecimento a todos que se esforçam em manter viva e vibrante nossa FOG”. Álvaro Rodrigues dos Santos “Nestes sete anos de vida a revista vem vivenciando a perda irreparável do fundador, Francisjones, superando necessidades importantes, sobrevivendo ao cenário econômico e político extremamente desfavorável, e ainda valorizando a comunidade geotécnica sem medir esforços para que se mantivessem as edições sem interrupção. Tudo isso me remete a seguinte reflexão: “Na crise tire o ‘S’ e ‘Crie’”! Parabéns! Sérgio Paraíso “Nos últimos sete anos, a revista vem trazendo informações importantes para a nossa área, mesclando informações acadêmicas e profissionais, cobrindo uma área corrente na nossa categoria, com matérias atualizadas e de qualidade, melhorando a cada dia que se passa. Apesar da perda do grande idealizador, espero que se mantenha sempre viva aos ideais dele”. Luis Edmundo Campos “Poucas revistas técnicas sobrevivem mantendo a qualidade e atendendo as propostas que a originaram. A nossa revista Fundações & Obras Geotécnicas vem bravamente se mantendo e consolidando no campo da engenharia de construção, enfrentando uma das piores crises que o Brasil já experimentou. Só podemos parabenizar e festejar os sete anos e expressar uma vez mais os nossos agradecimentos ao idealizador Francisjones e todos aqueles que vêm contribuindo para a continuidade dessa revista”. Sussumu Niyama


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NESTA EDIÇÃO 14

DESTAQUE IGS-Brasil completa 20 anos marcados por desafios e realizações

18 REPORTAGEM

Projeto Horizonte II utiliza tanques circulares de concreto construídos a partir de placas pré-moldadas

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EM FOCO Fundações de torres eólicas

52 GEOTECNIA

AMBIENTAL EIA/RIMA do Ferroanel Norte estão abertos para consulta públical

24 NOTÍCIA

Revisão da ABNT NBR 9.062 representa conquista para o setor

28 ARTIGO

Análises de recalques em fundações radier

34 ARTIGO

Metodologia experimental simplificada para dimensionamento de estaca hélice contínua

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40 O QUE HÁ

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DE NOVO Aditivo cristalizante atua como impermeabilizante de concreto em obras de subsolos

SEÇÕES

06 Jogo Rápido 07 Coluna do Conselho 08 O Setor em Números 10 Perfil – Apolonio Bechara 26 Notas 27 História 56 Livro 58 Agenda

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Jogo Rápido

por Dafne Mazaia

Cientistas da Universidade de Sheffield e do Imperial College de Londres (Inglaterra) resolveram testar o aço dos pneus usados como agregados do concreto. O estudo mostrou que o material amplia a flexão e também combate as microfissuras em até 10%. Além de poder aproveitar as substâncias que os pneus podem oferecer, a pesquisa pode ajudar a reverter o quadro de incineração que existe atualmente na Europa. Os pneus fabricados no continente europeu são compostos por 80% de borracha, 15% de aço e 5% de fibras têxteis. Anualmente, mais de 3 milhões de toneladas de pneus caem em desuso e são queimados, afetando o meio ambiente. De acordo com o professor Kypros Pilakoutas, os pneus podem ser 100% reciclados. Entre as substâncias úteis à construção civil, constam a borracha e as fibras de aço, que podem ser usados em pavimentos que usam o concreto como matéria-prima primordial.

Torre medieval restaurada Uma das principais masmorras da Europa na época da Idade Média, a Tour des Pucelles (Torre das Donzelas, em português) foi construída na Bélgica há mais de 550 anos e ao longo dos séculos já passou por diversos contratempos, que nunca a derrubaram. No entanto, em 2006, parte de sua estrutura começou a ruir e engenheiros belgas decidiram se mobilizar para restaurar o edifício. A solução encontrada pelos engenheiros foi criar um esqueleto de concreto, no interior da torre para sustentá-la. O primeiro passo dos profissionais foi restaurar a argamassa que juntava os tijolos das paredes e injetaram concreto ultrafino nas partes que possuíam vãos, que totalizavam 40% da área construída. Após esse processo, os engenheiros reconstruíram a parede que havia caído. Eles recriaram a estrutura apoiada em uma escada interna e por meio dela as outras peças de concreto começaram a sustentar a torre. Foi utilizado concreto autoadensável para o reforço da torre e na nova parede, foram inseridos tijolos de vidro translúcido, com o intuito de melhorar a iluminação. Para preservá-la das ações da chuva e da neve, a equipe construiu um mirante com estrutura metálica, que sustenta um telhado, protegendo a construção. A restauração começou em 2008 e foi finalizada em 2014.

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Reforma no museu Perto do Natal de 2015, uma notícia se alastrou pelo Brasil: o Museu da Língua Portuguesa, instituição que valoriza o idioma nacional, estava sofrendo um incêndio. Destruído parcialmente, o local começou a ser reformado em dezembro de 2016, sob a supervisão do arquiteto Paulo Mendes da Rocha e de seu filho, Pedro Mendes da Rocha. Atualmente, as obras concentram-se na restauração das fachadas e esquadrias atingidas pelo fogo. Na etapa seguinte será iniciada a reconstrução da cobertura do edifício, que está previsto para ser finalizado no primeiro semestre de 2018. O novo projeto de reforma conta com todas as normas de prevenção à incêndio, como já havia antes, e o acréscimo de novas tecnologias, de acordo com a gerente do projeto do Museu da Língua Portuguesa na Fundação Roberto Marinho, Larissa Graça. “Novamente, o projeto contemplará todas as exigências e determinações do Corpo de Bombeiros. Está sendo estudada também a viabilidade de instalação de um sistema de chuveiros automáticos (sprinklers), que atua no combate a incêndios, descarregando água quando for detectada uma ocorrência”, informa. Dirceu Rodrigues / Museu da Língua Portuguesa

Substâncias do pneu


Coluna do Conselho

Gléssia Veras / Editora Rudder

A CRISE, O INDIVÍDUO E A SOCIEDADE

> MAURÍCIO EHRLICH é engenheiro civil pela UFRJ (Universidade do Rio de Janeiro) (1974). Obteve os graus de mestre (1978) e doutor (1987) também pela UFRJ. Fez pós-doutorado em UC Berkeley, nos Estados Unidos (1990). É professor-titular da COPPE-UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e EE-UFRJ. Consultor e projetista com envolvimento em cerca de 80 projetos de assuntos envolvendo estabilidade de taludes, contenções, construção em solos moles, instrumentação, entre outros assuntos.

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Crise representa um momento de reorganização, as estruturas do passado já não funcionam propriamente, exigindo mudanças ou, pelo menos, adaptações e lideranças que conduzam tais movimentos. A história está repleta de exemplos: ao final do período colonial, na Índia, teve-se a liderança de Gandhi, e quando dos movimentos pela não segregação e igualdade de direitos contou-se com Luther King, nos Estados Unidos, e Mandela, na África do Sul. O indivíduo intrinsicamente busca a felicidade e num ambiente de incertezas sente o futuro ameaçado. No entanto, a humanidade nunca estará a salvo desse tipo de situação, não é questão de escolha, estas fazem parte de um processo maior de impermanência, característico da vida, em geral. Nosso país está passando por uma crise, na esteira da retração econômica mundial iniciada nos Estados Unidos. As velhas estruturas políticas, lideranças e práticas de governo estão sendo questionadas. Na espera de melhor definição, investimentos são postergados e empresas e empregos vêm sendo fortemente impactados. A engenharia sofre com estes reverses, grandes empresas nacionais estão em xeque. No entanto, não é a primeira vez, nem será a última crise que teremos que lidar.

Apesar das inúmeras tribulações nossa geração participou de períodos de forte crescimento. Tivemos a estabilização econômica nos anos 1990 e, em sequência, crescimento econômico com inserção social. Existia a sensação que atingiríamos novos patamares de desenvolvimento. Por outro lado, no ambiente atualmente instável em que nos encontramos, nossas instituições estão amadurecendo, e tudo leva a crer que a política da compra de favores terá que ser modificada. Enterrada a prática da política menor, a meritocracia sairá fortalecida, empresas e indivíduos melhores preparados serão mais valorizados e liderarão a retomada. Nos habilitemos a superar mais esta crise, o brasileiro, inúmeras vezes, já demonstrou sua vocação para acreditar e seguir em frente. A responsabilidade social e ambiental da engenharia é imensa. Boas práticas da engenharia geraram riquezas e bem-estar para este país. O aprimoramento da infraestrutura nacional é uma questão urgente, tem-se muito a ser feito para garantir qualidade de vida e oportunidades para todos. A pujança de recursos humanos e materiais existentes nos possibilitam acreditar no sucesso. É imensa nossa responsabilidade perante as novas gerações.

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O Setor em Números

SONDAGEM DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO

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por Dafne Mazaia

O ICI (Índice de Confiança da Indústria) da FGV (Fundação Getulio Vargas) recuou 2,8 pontos em junho de 2017, para 89,5 pontos, o menor nível desde fevereiro passado (87,8 pontos). Na métrica de médias móveis trimestrais, o índice caiu 0,4 ponto para 91 pontos, registrando a primeira queda do ano. “Após alcançar, no mês passado, o maior patamar desde o início da recessão, em 2014, a confiança da indústria voltou a ceder em junho. As expectativas, que têm sido protagonistas na dinâmica da confiança, foram atingidas com o aumento da incerteza após a deflagração da nova crise política em maio. A sondagem sinaliza, ainda, a interrupção do processo de ajuste dos estoques industriais e a favorável contribuição do mercado externo para o desempenho do setor nos últimos meses”, afirma a coordenadora da Sondagem da Indústria da FGV/ IBRE (Fundação Getulio Vargas / Instituto Brasileiro de Economia), Tabi Thuler Santos.

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A queda da confiança espalhou-se por 13 dos 19 segmentos industriais e atingiu tanto as expectativas quanto as percepções sobre a situação atual. O IE (Índice de Expectativas) caiu 3,6 pontos, para 92,1 pontos, e o ISA (Índice da Situação Atual) recuou 2 pontos, para 87 pontos. A principal influência para a queda do IE em junho veio das perspectivas com o total de pessoal ocupado nos três meses seguintes. O indicador caiu 7 pontos, para 85,6 pontos, o menor desde dezembro de 2016 (81,8). Houve queda da proporção de empresas prevendo aumento do volume de pessoal ocupado, de 13,9% para 9,3% do total, e elevação

das que preveem redução no quadro de pessoal, de 16,1% para 20,9% do total. A piora das avaliações sobre o nível de estoques exerceu a maior contribuição negativa para a queda do ISA no mês. Houve aumento da parcela de empresas que avaliam o nível de estoques como excessivo, de 12,2% para 12,7% do total, e redução da parcela dos que o consideram insuficiente, de 5,2% para 4,6% do total. O NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) recuou 0,5 p.p (ponto percentual) entre maio e junho, para 74,2%, o menor desde dezembro de 2016, quando havia sido registrado o mínimo histórico da série iniciada em 2001.

FGV/IBRE

QUEDA ESPALHADA

> TABI THULER SANTOS possui graduação em ciências econômicas pela Universidade Federal Fluminense e mestrado em economia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência em docência. Atualmente é coordenadora da Sondagem da Indústria de Transformação do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getulio Vargas).

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Perfil

Persistência O e dedicação que compõem uma carreira O engenheiro civil Apolonio Bechara Santos vem trabalhando fortemente na construção de uma trajetória profissional marcada pelo esforço e perseverança

Fotos: Acervo pessoal

por Gléssia Veras

interesse pela engenharia civil surgiu logo na infância na cidade de Rio Bonito, no interior do Estado do Rio de Janeiro, pois desde pequeno ele gostava de brincar de construir cidades com ruas e prédios na encosta de terra do quintal de sua casa. “Talvez por isso o interesse surgiu naturalmente durante o ensino médio quando decidi pela engenharia civil”, conta. Na adolescência Apolonio Bechara Santos cogitou seguir medicina, mas no colégio alguns professores o incentivaram a seguir carreira na engenharia civil devido o seu bom desempenho em disciplinas como matemática e física. E assim ele seguiu. “Meu pai era comerciante e sonhava com um futuro diferente para os filhos”. Com uma vasta trajetória acadêmica, Santos cursou a graduação em engenharia civil pela Universidade Federal Fluminense em 1973, e logo depois especializou-se em diversas modalidades: em engenharia de fundações com uma pós-graduação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 1975; pósgraduação em engenharia geotécnica e barragens na Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 1982; especialização em sondagens profundas para mineração com sistema wire line na Long Year, do Canadá, em 1984; especialização em engenharia de dragagem na Royal Boskalis da Holanda e no grupo Deme da Bélgica em 2005.

TRABALHOS NA ÁREA

Apolonio Bechara Santos

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Fundações e Obras Geotécnicas

Sua trajetória profissional se iniciou no departamento de projetos da empresa Tecnosolo com o professor Antonio José da Costa Nunes em 1973 e 1974, depois atuou na empresa Geotécnica S/A de 1974 a 1988 em várias funções como: engenheiro de fundações e infraestruturas, gerente de contratos, engenheiro-chefe dos departamentos de investigação geotécnica para barragem e


Estádio Maracanã – Teste com Georadar da ABS Engenharia para a PUC-Rio para abertura das Olimpíadas

mineração e contenção de encostas a nível nacional, engenheiro da área internacional com atuação na América do Sul, África e Oriente Médio, além de diretor da sucursal na Argélia onde implantou a empresa com atuação em 15 barragens no país. “Trabalhei no grupo Franki de 1989 a 1991 como gerente-técnico em nível nacional e assessor da diretoria com atuação no Brasil e Bélgica. Na mesma época pude representar a empresa no Congresso Internacional de Fundações no Rio de Janeiro”, lembra. Já no grupo Concremat atuou por nove anos trabalhando pelo Brasil inteiro como responsável pela implantação em todas as suas etapas dos grandes projetos de Mineração Salobo e Serra do Sossego da Cia Vale do Rio Doce dentre outros grandes projetos. E no final da década de 1990 fundou a empresa ABS Engenharia onde é sócio majoritário até hoje, tendo executado

Na feira Bauma, em Munique, na Alemanha

com sucesso mais de 4.000 projetos de fundação e infraestruturas de prédios residenciais e comerciais na cidade e Estado do Rio de Janeiro. “Introduzi no Brasil o sistema de perfis metálicos e estacas prancha implantados por vibro prensagem e as colunas de brita para consolidação de solos moles, tecnologias trazidas da Alemanha”, diz.

Apolonio Bechara Santos também soma a sua trajetória profissional ao trabalho como engenheiro responsável técnico desde 2005 até hoje no consórcio Deme Brasil formado pelas empresas Royal Boskalis da Holanda e Deme da Bélgica, onde implantou o aterro hidráulico com 12.000.000 m³ e canal no mar de 5 km e 150 m

Com o sócio Alexandre na feira Bauma, em Munique, na Alemanha

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Perfil

de largura para implantação da CSA em Itaguaí (RJ) e pela empresa Dragabras Serviços de Dragagem do Grupo Deme, sendo também responsável pela dragagem nos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), Vitória (ES), Itajaí (SC), Sepetiba (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), dentre outros.

DESTAQUES PROFISSIONAIS “Acredito que cada trabalho tem sua importância, desafios e satisfação, mas dentre os trabalhos realizados de maior destaque poderia citar: projetos no exterior que, além da parte técnica têm as diferenças culturais e a complexa logística como a implantação

Algumas das premiações recebidas pelo engenheiro e pela empresa ABS Engenharia

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Fundações e Obras Geotécnicas

Com os sócios na sede da ABS Engenharia


das barragens de Piedra del Águila e Casa de Piedra na Patagônia Argentina, Barragens de Paute Mazar no Equador, Contenção de Tablachaca no Peru, investigações geotécnicas no rio Tigre, no Iraque, ferrovia com 600 km ligando Bagdá à Síria e as 15 barragens na Argélia”, relata. Ele ainda complementa: “No Brasil podemos citar o projeto da siderúrgica CSA, assim como a implantação de algumas das primeiras estações de Metrô do Rio de Janeiro e de São Paulo, o trabalho em algumas refinarias da Petrobras, a implantação do oleoduto Rio BH, e das minas de cobre Serra do Sossego, em Carajás, e o conjunto de mais de 4.000 projetos de fundações e infraestrutura feitos com sucesso pela ABS Engenharia dentre os quais o estádio da Fifa Arena da Amazônia em Manaus, a nova sede da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro, a primeira fábrica da Rolls Royce no Brasil, e também diversos prédios, hotéis e shoppings com até cinco subsolos”.

INSPIRAÇÕES E REFERÊNCIAS O engenheiro civil faz questão de ressaltar que sua vida profissional é marcada por referências de competência e profissionalismo que o inspiraram a seguir adiante e a investir cada vez mais na sua carreira. “Na minha formação tive o privilégio de ter trabalhado por longos anos na empresa Geotécnica S/A e no grupo Franki, duas das mais importantes empresas desse segmento no mundo, tendo tido queridos e significativos mestres, podendo citar os professo-

Apolonio Bechara dos Santos com a família

res: Antonio José da Costa Nunes, Pedro Paulo Veloso, Dirceu Veloso, Raymundo Costa, Homero Pinto Kaputo, Milton Kanji, Alexandre de Carvalho, Fernando Sarto, Henrique Teixeira, Carmo Yassuda, Sergio Veloso, dentre outros”, afirma. Ele diz também que em sua vivência mais recente na empresa ABS Engenharia muitos outros profissionais fazem parte do seu repertório de inspirações. “Tenho o carinho fraterno, agradecimento e admiração por todos meus queridos, dedicados, competentes e estimados sócios: Alexandre Celles Cordeiro, Poliana Caetano Santos Mendonça, Leonardo de Moura, Henrique Portugal e Edson de Paula, e pelos meus colegas de trabalho das empresas onde atuei, o meu carinho e admiração. Assim como também não posso deixar de agradecer aos mui-

tos clientes da ABS Engenharia pela confiança consolidada pelas seguidas premiações de reconhecimentos que tenho recebido”. Apolonio Bechara Santos finaliza dizendo que embora muitas experiências e menções profissionais podem ser feitas, sua maior inspiração e alicerce está na família que o apoia. “A minha família é o pilar e o patrimônio mais importante que tenho. Por minha mulher Renata e minhas filhas Poliana, Luiza, Julia e Daniela e minha neta Manuella tenho um amor e respeito infinito. Não tentei influenciar nenhuma das minhas filhas a seguir a carreira de engenharia. Todas escolheram outra profissão. O mais importante é que se realizem com as suas escolhas pessoais e profissionais assim como me realizei com a minha”, conclui. Fundações e Obras Geotécnicas

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Destaque

IGS-BRASIL COMPLETA 20 ANOS MARCADOS POR DESAFIOS E REALIZAÇÕES Profissionais contam suas experiências e como a associação contribuiu para a disseminação dos geossintéticos no Brasil por Dellana Wolney

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No dia 20 de junho aconteceu em São Paulo (SP) o 7º Encontro Anual IGS-Brasil (Associação Brasileira de Geossintéticos), ocasião em que também foram comemorados os 20 anos de existência da associação. Apresentações e entrega da premiação compostas por importantes profissionais que fizeram parte desta história marcaram o encontro. A IGS-Brasil teve sua criação oficializada em uma reunião no dia 9 de agosto de 1997, sendo o resultado de um processo de amadurecimento do setor nacional e dos esforços conjuntos de profissionais e empresas de toda a cadeia produtiva relacionada aos geossintéticos. Na época, o engenheiro e professor da UnB (Universidade de Brasília), Ennio Marques Palmeira estava à frente da instituição que começava a dar os seus primeiros passos. Trata-se de uma versão nacional da IGS (Associação Internacional de Geossintéticos) fundada em Paris, na França, em 10 de novembro de 1983, por um grupo de engenheiros geotécnicos e especialistas têxteis. O intuito da iniciativa sempre foi reunir membros individuais e corporativos de todas as partes do mundo, envolvidos em projetos, fabricação,

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Fundações e Obras Geotécnicas


Em 1983, a ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) formou uma comissão brasileira responsável por estudar e disseminar o uso racional dos geossintéticos em obras civis e projetos ambientais. Esta comissão teve significativas contribuições na divulgação do uso da solução no Brasil.

HISTÓRIA Muitos profissionais ajudaram na divulgação e desenvolvimento nacional dos geossintéticos. O engenheiro e professor da UnB Ennio

O engenheiro e professor da UnB (Universidade de Brasília), Ennio Marques Palmeira Fotos: Gléssia Veras / Editora Rudder

vendas, uso ou ensaio de geotêxteis, geomembranas, produtos correlatos e tecnologias associadas, ou que ensinam ou desenvolvem pesquisas sobre tais produtos. A utilização dos geossintéticos começou na década de 1970. Suas principais aplicações eram em drenagem, filtragem e reforço de solos. A partir de 1980 a aceitação dos geossintéticos no Brasil cresceu exponencialmente, fazendo com que diversos projetos utilizassem o material e que as universidades tivessem mais interesse no estudo e na pesquisa dos geossintéticos em diferentes aplicações.

Marques Palmeira enfatiza que foi a partir da criação da IGS-Brasil que realmente a técnica e prática dos geossintéticos se desenvolveram de uma forma mais organizada, acelerada e coesa. “É inquestionável o papel da IGS-Brasil para o desenvolvimento e consolidação do material, tanto para mostrar como eles devem ser utilizados, quanto na educação, organização de eventos, visando a sua disseminação”, afirma. Para ele é uma grande satisfação ver que a associação está completando 20 anos de muitas atividades e contribuições. “Eu fui o primeiro presidente da IGS-Brasil e participei da sua fundação. A primeira gestão, obviamente como tudo o que está começando, foi bastante trabalhosa porque havia uma série de normas administrativas a serem estabelecidas e planos a serem atendidos, mas tivemos várias conquistas e principalmente apoio para a realização de cursos e eventos”, relembra Palmeira. Fundações e Obras Geotécnicas

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Destaque

O engenheiro e professor da COPPE-UFRJ, Maurício Ehrlich

O engenheiro e professor da COPPE-UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Maurício Ehrlich também acompanhou a IGS-Brasil desde o começo. Sua gestão foi marcada por grandes projetos, como a organização do Congresso Internacional de Geossintéticos no Brasil que aconteceu no ano de 2010 na cidade do Guarujá (SP). “Esse congresso contou com diversos especialistas nacionais e internacionais, sendo muito bem organizado, principalmente do ponto de vista técnico. Além disso, foi o primeiro evento realizado no hemisfério Sul tendo como tema central os geossintéticos. Na oportunidade, desenvolvemos as atividades regulares da IGS-Brasil e estabelecemos metas para o futuro. Muitos que fizeram parte da organização, até hoje seguem participando de atividades na associação”, ressalta. Segundo ele, os geossintéticos têm ganhado cada vez mais força na engenharia civil, exemplo disso é que atividades como construção em solos moles, drenagens em geral e contenção de encostas têm o material, praticamente como solução padrão, essa evolução, também demonstra a importância nacional e internacional que a instituição tem.

CONTRIBUIÇÕES

O engenheiro e ex-presidente da IGS-Brasil, Lavoisier Machado

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Fundações e Obras Geotécnicas

A engenheira e professora do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Delma Vidal que acompanhou o surgimento dos geossintéticos no

Brasil desde o início, conta que fez parte da fundação da IGS-Brasil, sendo presidente no mandato de 1999 a 2003. Para ela, a IGS-Brasil é uma grande família, o que permitiu a associação a atravessar todos esses anos com sucesso. Hoje, trata-se de uma instituição bem consolidada, embora a fase inicial de crescimento tenha sido relativamente lenta, no sentido do reconhecimento dos geossintéticos no País. “Mesmo com os desafios, a atuação da IGS-Brasil nesse período sempre foi muito firme e continuada, o que fez com que ela chegasse agora a uma posição de consolidação no Brasil, com um grupo bastante forte e respeitado. Um exemplo dessa força é a comissão de estudos sobre geossintéticos que existe hoje na ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), considerada uma das mais ativas da associação. Há uma série de ações que a IGS permitiu acontecer no Brasil com um trabalho muito produtivo”, acrescenta. Para o engenheiro e ex-presidente da IGS-Brasil Lavoisier Machado, fazer parte da associação por mais de uma década é gratificante. “Pude ver a IGS-Brasil crescer e tornar-se uma das associações técnicas mais respeitadas do País. Tive também nesse tempo, como participante da diretoria da IGS-Brasil, a oportunidade e a honra de interagir com vários ícones da engenharia nacional. Para mim foi uma das experiências mais gratificantes durante a minha vida profissional. Parabenizo a IGS-Brasil e desejo muito sucesso para as próximas décadas”.


Por fim, o engenheiro da empresa Huesker e atual presidente da IGS-Brasil, André Estevão Silva conta a sua história na associação. “Apesar de não ser um dos sóciosfundadores da IGS-Brasil, participo da associação desde o começo, porque iniciei minhas atividades na área de geossintéticos em um ano muito próximo da sua fundação. Posteriormente, comecei a ocupar um cargo no Conselho Deliberativo em 2003. Por 12 anos fui tesoureiro, até que em 2005 passei a ocupar a função de presidente, sendo reeleito para continuar no cargo por mais dois anos”, explica. Durante sua vida profissional, Silva conta que viu a associação crescer em diversos aspectos: quadro associativo, que neste período quase triplicou, o lastro financeiro que hoje representa outra magnitude e o principal: o crescimento de atividades e projetos ativos hoje é muito mais amplo do que era. “Atualmente, a IGS-Brasil é uma das associações mais ativas no segmento. Isso é reconhecido pela Sociedade Internacional de Geossintéticos, da qual a IGS-Brasil é afiliada. Ano após ano estamos nos destacando como uma das entidades afiliadas mais produtivas, segundo os critérios da IGS. Esses 20 anos de existência representam muita maturidade, solidez e nos prepara para os próximos 20 anos”, conclui.

A engenheira e professora do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Delma Vidal

O engenheiro da empresa Huesker e atual presidente da IGS-Brasil, André Estevão Silva

Confira a cobertura fotográfica completa do evento: https://goo.gl/1i9U3f

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Reportagem

Projeto Horizonte II utiliza tanques circulares de concreto construídos a partir de placas pré-moldadas

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Além de uma ETA, o projeto desenvolvido pela Veolia Water Technologies envolve também uma ETE e uma ETAC que já operam parcialmente Por Dellana Wolney

A

As obras da ETA (Estação de Tratamento de Água) que fazem parte da segunda linha de produção da empresa Fibria, chamado de Projeto Horizonte II, foram concluídas recentemente na cidade de Três Lagoas (MS). O desenvolvimento do projeto, que é resultado de um contrato assinado entre a companhia e a empresa Veolia Water Technologies, teve início em agosto de 2015. Além da ETA, a nova linha de produção prevê o funcionamento de uma ETE (Estação de Tratamento de Efluentes) e de uma ETAC (Estação de Tratamento de Água para Caldeira), que aguardam o início da operação da fábrica em setembro para entrarem em funcionamento com toda a capacidade. Desde fevereiro a ETA está parcialmente operando, após as atividades de construção, montagem e comissionamento serem concluídas. Já a ETAC está em operação parcial (1/3 da capacidade da planta) desde o mês de março deste ano, sendo que a finalização da montagem e do comissionamento foram feitas no final de junho.

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Reportagem

O engenheiro de projetos da empresa Veolia Water Technologies, Edson Rodes afirma que o objetivo do Projeto Horizonte II, junto ao setor de celulose, é consolidar a empresa como principal fornecedor de soluções para tratamento de águas e efluentes. “O projeto desenvolvido para a Fibria já é uma referência para outros contratos dentro do cenário global e é mais um passo para que isso se concretize”, ressalta.

CONSTRUÇÃO A modalidade de fornecimento das plantas de águas prevista em projeto é a EPC (Engineering, Procurement and Construction) em que a ETA terá vazão de 7.700 m³/h, a ETAC de 690 m³/h e a ETE de 6.930 m³/h. Para isso, a empresa Fibria firmou contrato com a Veolia para o fornecimento das três plantas de águas

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para o Projeto Horizonte II que inclui: engenharia básica, engenharia de detalhamento, fornecimento de equipamentos e materiais, construção civil, montagem eletromecânica, comissionamento, start up, treinamento e operação assistida. O gerente de projetos da empresa Veolia Water Technologies, Fabiano Guittis descreve que a principal solução adotada para as fundações das plantas foi o estaqueamento por hélice contínua. “Foram executadas ao todo mais de três mil estacas, considerando as três plantas. Essa solução foi definida pelo cliente, previamente, com base em estudos geotécnicos realizados e nas características do solo local (arenoso). Essa solução foi confirmada por meio de estudos geotécnicos complementares, já na fase de projeto e execução da obra”, enfatiza. As lagoas de polimento e de emergência da Estação de Tratamento de Efluentes receberam acabamento com geotêxtil em polipropileno, geomembrana e georrede em PEAD (Polietileno de Alta Densidade), no fundo e nos taludes. O sistema de monitoramento de vazamentos é composto por camada de areia e drenos espinha-de-peixe que possuem formato oblíquo e têm a função de tirar a água da base de pavimentos. Na fase estrutural, grandes tanques circulares de concreto foram construídos a partir de placas pré-moldadas. A alternativa trouxe vantagens para o cronograma e produtividade da obra. “Os grandes benefícios desta escolha estão relacionados com a qualidade das estruturas, prazo de construção e um efetivo menor de mão de obra direta pela construtora”, esclarece o Fundações e Obras Geotécnicas

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Reportagem

engenheiro de projetos da Veolia Water Technologies, Edson Rodes. A Veolia decidiu implantar o sistema de placas pré-moldadas para os grandes tanques circulares, com base em sua experiência nesse tipo de solução utilizada também em obras similares em outros países, especialmente na Europa, porém esta foi a primeira obra na área de papel e celulose no Brasil a adotar esse método construtivo. 22

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O processo de instalação consiste na pré-fabricação das paredes que compõem o costado dos tanques, com altura variando de 4,5 m a 10,45 m, por 2,45 m de largura. As lajes de fundo e o colarinho (cálice em todo o perímetro do tanque), que recebem a placas pré-moldadas, são executados in loco. As placas pré-moldadas são montadas nos colarinhos e, após o processo de solidarização do conjunto, as paredes são, finalmente, protendidas com cordoalhas de aço. Esse sistema proporciona maior controle das propriedades e melhor vibração do concreto, eliminando falhas de concretagem, bem como maior controle de qualidade do espaçamento na armadura, o que garante menor fissuração do concreto, redução de 50% na mão de obra de execução das paredes dos tanques, redução de 70% no prazo de execução das paredes dos tanques e maior estanqueidade da estrutura acabada.

como o ACTIFLO® que é um sistema de decantação rápida, com emprego de micro-areia para aceleração do processo de floculação usado na ETA. Já a ETAC foi equipada com um sistema de osmose reversa, seguido por polimento em trocadores aniônicos de leito misto. Por fim, o BAS (Moving Bed Bio Reactor + Activated Sludge) foi a solução escolhida para ser aplicada na ETE, pois proporciona melhor resistência aos choques por efluentes contaminados e recuperação mais rápida quando comparado com plantas de lodo ativado convencional. Ambos os sistemas

possuem alto desempenho, reduz custos da obra civil, em comparação com os sistemas convencionais de tratamento. As três unidades de tratamento foram desenvolvidas em conformidade com as normas ambientais, os mais rigorosos padrões de qualidade e serão equipadas com processos conhecidos por fornecer alta eficiência, reduzida construção civil, robustez e a confiabilidade necessária para o projeto. A Veolia Water Technologies estima que a construção tenha sua conclusão contratual já no terceiro trimestre deste ano, com as plantas comissionadas e operando.

DIFERENCIAL Gittis recorda que o projeto enfrentou grandes desafios, pricipalmente relacionados aos prazos arrojados. “A partir da data da assinatura do contrato foram 22 meses para a conclusão do comissionamento e início da operação da ETA e ETAC, 23 meses para a conclusão e início da operação da ETE. Além disso, foram atendidos também os prazos das partidas e início de produção parcial das três plantas, previstos no contrato”, esclarece. Embora o cronograma fosse apertado, a obra foi cuidadosa em diversos aspectos como na implantação de tecnologias patenteadas pela Veolia

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Notícia

Revisão da ABNT NBR 9.062 representa conquista para o setor Última atualização da norma ocorreu em 2006, por isso a expectativa é que a mudança contribua ainda mais para a evolução tecnológica por Dellana Wolney

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Armcon Precast / Flickr

No dia 15 de março foi publicada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a nova NBR 9.062:2017 – Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-moldado, que revisa a NBR 9.062:2006. Esta normativa estabelece os requisitos exigíveis para o projeto, execução e controle de estruturas pré-moldadas de concreto armado ou protendido, excluindo aquelas em que se empreguem concreto leve ou outros especiais. Entre os pontos principais, a engenheira e presidente executiva da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), Íria Doniak cita as questões referentes ao projeto, em

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que houve um alinhamento com a própria revisão da ABNT NBR 6.118:2014. De forma específica para o projeto de pré-moldado, um dos destaques importantes diz respeito às ligações, um aspecto fundamental que diferencia as estruturas pré-moldadas das moldadas in loco. “O Brasil avançou muito em termos de pesquisa nesta área e também a atuação da Abcic junto à FIB (International Federation for Structural Concrete) na comissão de pré-fabricados permitiu estarmos sempre alinhados com este tema no contexto internacional. Dois outros aspectos importantes foram as considerações relativas à resistência ao fogo, previstas incialmente na ABNT NBR 15.200 – Projeto de Estruturas de Concreto em Situação de Incêndio, mas direcionando casos de sistemas específicos, como o pré-moldado para suas normas, então tínhamos esta pendência a resolver. Além destas questões de projeto, após 13 anos do Selo de Excelência Abcic em vigor, programa que atesta qualidade, segurança e meio ambiente das empresas que integram o programa, por meio das auditorias periódicas do IFBQ (Instituto Falcão Bauer da Qualidade), o mercado de pré-


Jorge Láscar / Flickr

moldados encontra-se mais maduro e, devido às boas práticas aplicadas tanto em produção como montagem, foi possível evoluir no segmento de controle tecnológico do concreto e também nas questões relativas ao planejamento e segurança de montagem das estruturas pré-moldadas. Segundo Doniak, a entrada em vigor da atualização dessa norma representa uma conquista para o setor, contribuindo para a evolução tecnológica e fortalecendo, ainda mais, a aplicação do sistema. “A última revisão da NBR 9.062 havia ocorrido em 2006 e, por isso, havia a necessidade de solicitar outra revisão, uma vez que a construção industrializada de concreto evoluiu. Durante esses dez anos, o mercado investiu em pesquisa e desenvolvimento para atender as novas demandas nas áreas de infraestrutura, edificações, habitação de interesse social, indústria, arenas esportivas, entre outros”, afirma. Houve uma revisão completa de todos os capítulos, tanto é que a ABNT NBR 9.062 precisou ser reescrita, trazendo não apenas um conteúdo mais abrangente e detalhado, mas também um aperfeiçoamento em sua redação. O texto engloba aspectos de projeto, produção e montagem. São 86 páginas, mais do que o dobro da revisão de 2006, quando foi publicada com 42 páginas estruturadas em doze capítulos.

PROCESSO A revisão da ABNT NBR 9.062 começou no final de 2012, com a formação de uma Comissão de Estudo, no âmbito do Comitê Brasileiro da Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT/CB-02), coordenada pelo engenheiro Carlos Melo e com a participação de 79 profissionais, tendo a presença ativa de 16 profissionais que participaram diretamente. Também existiram diversos outros profissionais nos grupos de trabalho ou em temas específicos, dentre eles: engenheiros projetistas, fabricantes da indústria de pré-fabricado de concreto, membros da universidade e representantes de entidades. Durante os três anos e meio de trabalho, até a aprovação, em setembro de 2016, após o processo de Consulta Nacional pública pela ABNT, foram realizadas 25 reuniões para tratar da revisão e mais duas reuniões para a análise dos votos recebidos. Doniak explica que para itens mais específicos da norma, a criação dos grupos de trabalho foi uma das contribuições mais importantes, cujos resultados eram apresentados na reunião plenária da comissão de estudos para debates e deliberações. A questão de resistência ao fogo foi apresentada pelo engenheiro da EGT Engenharia e professor da Poli-USP (Escola Politécnica da Univer-

sidade de São Paulo), Fernando Stucchi, que conduziu uma avaliação baseada nos Eurocodigos, normas europeias específicas, como a da Espanha, por exemplo, e normas norte-americanas. Além de debater o tema com especialistas no âmbito da FIB, Stucchi que lidera o grupo nacional junto à entidade promoveu uma validação dos critérios propostos junto ao coordenador da ABNT NBR 15.200, o professor da Poli-USP, Valdir Pignatta Silva. Já a Abcic liderou um grupo que trabalhou com fabricantes, avaliando as melhores práticas de produção, montagem e controle de qualidade. Esse grupo também contou com a colaboração do professor da Poli-USP, Paulo Helene, que avaliou de forma amostral em laboratórios instalados em unidades fabris certificadas no Selo de Excelência, os procedimentos de Controle Tecnológico e revisou o texto pertinente à amostragem, critérios de aceitação e desvio padrão do concreto. Para as questões ligadas à estabilidade, foi criado um grupo de trabalho, cuja liderança ficou a cargo do professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Marcelo Ferreira. Já a parte de ligações de pilar com fundação por meio de cálice, coube a um grupo conduzido pelo professor do Departamento de Engenharia de Estruturas, da USP de São Carlos, Mounir Khalil El Debs. A norma também contou com o apoio da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), da academia, especialmente da USP de São Carlos e UFSCar, e do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto). Fundações e Obras Geotécnicas

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Banco de Imagens / Free Images

Notas

por Dafne Mazaia

Brasil ainda sofre com saneamento ambiental Estudo feito por instituto mostra que quase 60% da população ainda não recebe tratamento de esgoto Pesquisa realizada pelo Instituto Trata Brasil e pela consultoria GO Associados mostrou que em 2015 mais de 50% da população brasileira conseguiu ter acesso à coleta de esgoto. Entretanto, os dados apresentados também revelaram que somente 42,7% da população recebe tratamento de esgoto adequado. Esses resultados são provenientes do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do Ministério das Cidades, e levaram em conta as 100 metrópoles mais populosas do Brasil. Para o presidente-executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, o País ainda não atingiu o modelo adequado em saneamento básico devido a fatores como obras e a

Ferrogrão é vista como opção para transporte de grãos Ferrovia ligará o Mato Grosso ao Pará como alternativa à BR-163, que já causou diversos problemas No começo de março, aproximadamente três mil caminhões que transportavam grãos na BR-163, trecho que conecta Mato Grosso ao Pará, ficaram atolados por quase um mês, devido à lama que se acumulou na estrada. Um dos projetos que pretende acabar com esse tipo de situação no Brasil, é a EF-170, mais conhecido como Ferrogrão.

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burocracia. “Há a burocracia excessiva, projetos desatualizados ou com problemas técnicos, obras paralisadas por questões jurídicas, dificuldades nos licenciamentos etc.”, relata. De acordo com Édison Carlos, uma das maneiras de melhorar esse quadro é investir em novas tecnologias, treinamento e capacitação nas empresas, assim como as políticas estaduais precisam ser executadas. “Para os recursos chegarem às cidades, os prefeitos precisam elaborar o quanto antes seus Planos Municipais de Saneamento, os governadores precisam executar as políticas estaduais para essa finalidade e a União precisa colocar o saneamento como infraestrutura primária”, declara. Para mais informações dos dados acesse o link: http://bit.ly/2sRc0an.

A ferrovia tem como objetivo consolidar o novo corredor ferroviário de exportação do Brasil pelo Arco Norte, para melhorar o transporte de grãos, como milho, soja e ainda fertilizantes, açúcar, etanol e derivados do petróleo. Os investimentos para o empreendimento estão estimados em 12,6 bilhões de reais, o que inclui terraplanagem, obras de arte correntes e drenagem, estrutura ferroviária, obras complementares, sistemas de sinalização ferroviária e energia, equipamentos ferroviários, oficinas e instalações, canteiro de obras, engenharia, material rodante, entre outros. O leilão de concessão da ferrovia está previsto para ocorrer no segundo semestre desse ano e o evento está atraindo diversos investidores, operadores internacionais e produtores de grãos. A ferrovia contará com 1.142 km e correrá paralela à BR-163, no percurso entre Sinop, no Mato Grosso, e o porto fluvial de Miritituba, no Pará.


História

Obra: Fachada do Edifício Autolon em fase de construção. É possível observar o detalhe para a modulação da fachada por meio do sistema de lajes e vigas e paredes internas, assim como a aplicação da caixilharia, também modulada Local: Londrina / Paraná Data: Entre 1941 e 1950

Obra: Colunas internas do Edifício Autolon em fase de construção Local: Londrina / Paraná Data: Entre 1941 e 1950 Crédito: Acervo da Biblioteca da FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo)

Estas imagens foram retiradas do banco de imagens Arquigrafia da USP (Universidade de São Paulo)

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Artigo

ANÁLISES DE RECALQUES EM FUNDAÇÕES RADIER Engº Luiz Fernando Anchar Lopes, discente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Estruturas – UEM (Universidade Estadual de Maringá) – Maringá (PR) luiz.anchar@hotmail.com Dr. Joaquim Teodoro Romão Oliveira, docente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco) – Recife (PE) jtrdo@uol.com.br

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RESUMO

INTRODUÇÃO

O objetivo do trabalho foi verificar o comportamento dos recalques das fundações de 64 edificações. Foram avaliados os recalques diferenciais e as distorções angulares, fazendo uma comparação entre valores coletados em campo e valores estimados por meio de softwares. Os recalques das fundações apresentaram valores abaixo dos valores estimados máximos. As distorções angulares ficaram todas abaixo dos valores estimados; na comparação com a literatura, seis das estruturas estavam suscetíveis a apresentar fissuras em alvenaria. A análise final apresentou que os recalques não oferecem risco estrutural a nenhuma das 64 torres e isso se confirma com o fato da maioria delas já estar ocupada e não ter sido verificado nenhum quadro de patologias decorrentes de recalques. Palavras-chave: Fundações Superficiais; Radier; Recalques diferenciais; Distorções Angulares.

Este trabalho analisou o comportamento das deformações da camada de suporte de solo em que a fundação radier está assentada. Durante a construção foram feitas aferições de recalque para cada fundação, logo é possível averiguar o desenvolvimento dos recalques ao longo do tempo, bem como verificar os recalques diferenciais nos diferentes pontos da laje radier. O empreendimento é composto por 64 torres tipo com oito pavimentos onde abrigará em média oito mil pessoas. A estrutura é composta por paredes de concreto moldadas no local. Trinta por cento das torres foram executadas com sistema convencional de radier plano e os outros 60% foram executados com sistema de protensão. Foram feitas análises computacionais antes da construção de cada torre e estimados recalques máximos, mínimos e médios. Esses dados quando comparados com os recalques reais dão uma visão da eficiência da estimativa computacional

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e de seu desempenho antes e durante a utilização do empreendimento. O presente trabalho proporcionou uma análise quantitativa e qualitativa da viabilidade de utilização dessa tipologia de fundação em relação às deformações do solo.

1 REFERENCIAL TEÓRICO Será feita abaixo uma revisão sobre os pontos pertinentes ao bom entendimento e análise dos resultados que serão posteriormente apresentados.

1.1 FUNDAÇÕES Esse estudo de caso trata acerca da interação entre solo e estrutura, sobre as influências da estrutura e da fundação no solo, e como o solo se comporta frente a essa solicitação. As fundações são divididas em rasas e profundas, esse estudo traz uma análise sobre a primeira situação, do tipo radier plano. Segundo Velloso, Lopes (2012),


o mesmo pode ser usado quando irá receber diretamente todos os pilares de uma obra ou quase todos. No caso estudado, a estrutura não contém pilares, trata-se do sistema estrutural de paredes de concreto moldadas in loco, porém a mesma definição se aplica. Mattos (2004) descreve que as fundações superficiais são aquelas formadas por placas que distribuem uniformemente as tensões aplicadas. São exemplos desse tipo os blocos, sapatas, radiers, sapatas associadas, vigas de fundação e sapatas corridas. Os radiers podem ser utilizados quando a área das sapatas se aproximam uma das outras ou até mesmo quando se interpenetram, seja pelas cargas elevadas da estrutura e/ou de tensões de trabalho baixas. Também pode ser utilizado quando se deseja uniformizar os recalques. São vários os métodos pelos quais se pode calcular um radier, porém é complexo classificá-los pois cada método faz considerações diferentes e leva em conta fatores variados. Segundo Calduro (2000), os radiers protendidos foram inseridos no cotidiano das empresas de construção brasileira após os programas habitacionais no ano 2000, quando cresceu a busca por velocidade de execução e redução de custos. Foi feito o largo uso dessa tipologia em casas populares e pequenas edificações, porém o radier pode também ser usado para edificações altas, como é o caso do edifício Masseturn em Frankfurt, na Alemanha, que já foi considerado um dos maiores do mundo e tem sua fundação feita em radier com capitéis. Segundo Santos (2012) e Oliveira (2013) temos muitas obras em radier na região metropolitana de Recife (PE), um exemplo em

larga escala da utilização de radier foi a construção de quinhentas casas populares para funcionários do Porto de Suape, no município de Ipojuca. O radier protendido é feito com armadura ativa e passiva. É utilizado um aço de alta resistência para protender o concreto, constituído por uma cordoalha engraxada e plastificada formada. A cordoalha é beneficiada e cortada em obra de acordo com especificações e tamanhos exigidos em projeto.

1.2 DISTORÇÕES ANGULARES Os recalques diferenciais impõem à estrutura distorções angulares que são obtidas através da equação 1 quando o desaprumo é aproximadamente zero.

Essas distorções, segundo Cintra et al. (2011) estão associadas a danos nas estruturas como fissuras e riscos estruturais. De acordo com Bjerrum (1963), as consequências das distorções angulares podem ser classificadas como está apresentado na tabela 1. Tabela 1 – Associação entre efeitos estruturais e distorções angulares (Bjerrum, 1963) DANO POTENCIAL

δ

PERIGO PARA PRÉDIOS COM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS SENSÍVEIS A RECALQUE

1/750

FISSURAS EM ALVENARIA

1/300

DESAPRUMO EM EDIFÍCIOS TORNA-SE VISÍVEL

1/250

RISCO ESTRUTURAL

1/150

1.3 VELOCIDADES DE RECALQUE Quando tratamos da interação solo-estrutura observamos uma não uniformidade dos recalques em relação aos seus diversos apoios. De uma forma genérica observamos uma tendência de uniformização dos recalques diferenciais em uma estrutura. Em estruturas convencionais que tem seus recalques aferidos com o tempo observa-se que os recalques se desenvolvem de forma mais lenta para um mesmo tipo de solo quando comparadas a métodos que carregam o solo mais rapidamente devido à velocidade de execução do método. De acordo com Gusmão (1990), a maior parte dos estudos sobre interação solo-estrutura assume a hipótese de não haver carregamento durante a construção da edificação. Os autores ressaltam que como a rigidez da estrutura é muito influenciada pela sua altura, a sequência construtiva assume uma importante influência na interação solo-estrutura. Como a velocidade de execução do sistema estudado nesse trabalho é extremamente alta é esperado que os recalques se desenvolvam de forma diferente da maneira observada nas estruturas de concreto armado aporticado. Sendo assim, são necessárias poucas medições de recalque para se alcançar maiores valores e consequente estabilização do maciço. Milititski, Schnaid e Consoli (2015) afirmam que não devemos apenas focar a análise de recalque nos valores absolutos que aferimos, mas também em sua velocidade de ocorrência. A unidade que utilizamos para quantificar essa velocidade Fundações e Obras Geotécnicas

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Artigo

é µ/dia, que expressa a velocidade do recalque em milésimos de milímetro por dia. Os valores dessa velocidade são influenciados por vários fatores, o mais importante é como o solo se comporta frente às cargas a ele transmitidas. Ainda convenciona, de forma genérica, uma série de valores de referência: • Prédios com mais de cinco anos, velocidade menor que 10 µ/dia; • Prédios entre um e cinco anos, velocidade entre 10 e 20 µ/dia; • Prédios em fundações diretas, fase construtiva, até 200 µ/dia; • Prédios em fundações profundas, fase construtiva, até 80 µ/dia.

1.4 PERFIL GEOTÉCNICO A Região Metropolitana de Recife está caracterizada geologicamente por rochas do embasamento cristalino, representadas por litótipos dos complexos Gnáissico-Migmatítico, Belém do São Francisco e Vertentes, além de granitoides diversos, aflorantes ou recobertas por sedimentos mesocenozoicos das bacias sedimentares costeiras Paraíba-Pernambuco e do Cabo (PFALTZGRAFF, 2003). A formação Boa Viagem descrita por Costa et al. (1994) é composta por aluviões, sedimentos de praia, terraços halocênicos e terraços pleistocênicos.De acordo com a Embrapa Solos, a região em que a obra se encontra inserida no âmbito geológico está na Província Borborema, sendo constituído pelos litotipos dos complexos Salgadinho, Belém do São Francisco e Vertentes e da Suíte Calcialcalina de Médio a Alto 30

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Potássio Itaporanga e do Grupo Barreiras. A obra está situada em uma região denominada Paleoproterozoico Complexo de Salgadinho: ortognaísse tonalítico e granítico.

2 METODOLOGIA Serão apresentadas nesta seção as etapas para obter aos resultados que serão apresentados posteriormente.

2.1 OBTENÇÃO DOS RECALQUES ESTIMADOS De acordo com os relatórios da Gusmão Engenheiros Associados, que foram fornecidos pela Construtora do empreendimento, os recalques foram calculados em linhas gerais dividindo o solo em três camadas conforme a figura 1.

O software ELPLA foi utilizado para realizar a estimativa dos recalques. Como dito anteriormente, o trabalho foi realizado considerando os recalques de 64 fundações, e para cada uma delas adotou-se determinados parâmetros para as estimativas de recalques, alguns desses parâmetros são distintos para cada fundação e outros são comuns. A espessura de cada camada variou de acordo com o perfil geotécnico de cada dupla de ensaios SPT realizados na área de cada fundação.

O peso específico aparente e o modulo de Young variaram de acordo com os ensaios realizados também para cada local onde as fundações seriam assentadas. O coeficiente de Poisson adotado foi 0,3 em todos os casos. O radier tem as dimensões 16 x 16 x 0,4 (dimensões em metros).

2.2 OBTENÇÃO DOS RECALQUES REAIS As normas que recomendam uma verificação do desempenho das fundações por meio do monitoramento dos recalques medidos na estrutura. Os recalques foram avaliados desde o início da obra por uma empresa especializada. As medições, devido à grande quantidade de unidades, foram feitas a cada 15 dias, e seu resultado enviado à incorporadora para avaliação. A quantidade de avaliações feita em cada fundação foi especificada pela empresa responsável pelo dimensionamento das fundações. As aferições foram feitas em cada radier distribuídos em dez pontos no perímetro do mesmo.

2.3 RECALQUES REAIS NO TEMPO Para se obter os gráficos de recalque no tempo foi necessário tabelar os dados de todas as medições de recalques de todas as fundações com seus respectivos intervalos de realização. Após isso ser feito foram criados os gráficos e foram feitas as análises; a partir delas foi feita a separação das fundações em três grupos: recalques considerados normais, recalques não estabilizados e recalques-levantamento.


2.4 RECALQUES DIFERENCIAIS E DISTORÇÕES ANGULARES Utilizando os dados das últimas verificações feitas em cada fundação foi calculada a diferença entre os pontos mais próximos, e assim obtidos os recalques diferenciais. Os pontos onde foram feitas as avaliações foram definidos de acordo com a proposição teórica mostrada acima. Os valores calculados de distorção angular tiveram seus valores máximos definidos em projeto. Esses valores foram comparados com os valores reais calculados por meio dos dados de recalque obtidos ao longo da obra conforme mostrado na equação 1. Depois de feitos os cálculos foram realizadas as análises e conclusões avaliando se as distorções estão acima ou abaixo do especificado em projeto.

2.5 RECALQUES REAIS X RECALQUES ESTIMADOS (MÁXIMOS) Através dos dados fornecidos pela empresa foi possível obter os dados de recalque máximos, médios e mínimos para cada fundação. Esses recalques foram calculados através do software ELPLA (Relatórios de 1 a 16 elaborados pela Gusmão Engenheiros Associados). Esses dados dão um panorama geral de como deveriam se desenvolver os recalques de cada fundação, tornando possível uma comparação entre o que foi estimado e o que realmente ocorreu. A comparação foi feita utilizando os dados também fornecidos pela empresa que

avaliou os recalques reais totais até a última medição de cada fundação.

2.6 ANÁLISE DAS VELOCIDADES DE RECALQUE Foram feitas análises de forma a obter dados que pudessem ser comparados com os valores de Milititski, Schnaid e Consoli (2015). Analisaram-se as velocidades de recalque do início da execução da fundação até a última medição para compararmos com os valores de referência para edificações entre um e cinco anos. Os valores apresentados como referência são valores genéricos, devido a isso teremos uma visão em relação aos valores obtidos apenas de comparação teórica.

3 RESULTADOS Serão apresentados os resultados do estudo de caso e feitas análises acerca deles.

3.1 RECALQUES X TEMPO Observou-se que 50% das fundações apresentaram recalques teoricamente normais com curvas bem definidas e patamar de estabilização; outros 36% apresentaram recalques não estabilizados. Já os 14% restantes correspondentes a nove fundações que apresentaram levantamento, e que não apresentaram curvas características.

3.2 RECALQUE DIFERENCIAL Com relação aos recalques diferencias observou-se valores médios

de 4,39 mm milímetros com desvio padrão para população de 3,97 mm. Quando avaliamos o radier como uma placa rígida é preciso entender que seu comportamento é diferente de um sistema de sapatas isoladas, por exemplo. Nesse sistema, as sapatas sofrem influência do recalque diferencial de forma mais atenuada, pois a rigidez da fundação se torna menor, mesmo com a utilização de cintas. Na laje radier, em especial com suporte para edificação de um sistema rígido de paredes de concreto armado os recalques diferenciais são menores e exercem menos influência na estrutura. No sistema de lajes, pilares e vigas os recalques diferencias podem gerar problemas como fissuramentos nos fechamentos da estrutura, no sistema estudado nesse trabalho isso não é esperado, pois a rigidez imposta pelo sistema fechado armado de concreto gera esforços mais resistentes às tensões impostas pelos recalques diferencias, reduzindo e até impedindo que ocorram patologias devido a isso.

3.3 DISTORÇÕES ANGULARES Em uma primeira avaliação verificou-se que 91% das fundações tiveram distorções angulares que, segundo a literatura, não apresentam nenhum quadro de patologias para a edificação; já os outros 9% das fundações são classificados com um quadro de fissuração em alvenaria, porém não foi identificado nenhum aparecimento excessivo de fissuras nos planos das paredes, isso se deve ao fato da alta rigidez Fundações e Obras Geotécnicas

31


Artigo

do sistema que consegue combater os esforços gerados pelas distorções, reduzindo os impactos na estrutura e fechamentos. Em uma segunda avaliação verificou-se que 100% das fundações apresentaram distorções angulares abaixo do máximo de projeto, o que se apresenta a favor da segurança. Em torno de 80% das fundações apresentaram distorções abaixo da metade do que foi estimado, vale ressaltar que 50% dos blocos ainda não atingiram a estabilização completa dos recalques, conforme comentado anteriormente. Esta diferença entre os valores medidos e estimados é justificável uma vez que o solo é um material altamente heterogêneo e variável nas suas características. Se for avaliada uma amostra em um local e mudarmos alguns metros de distância as características encontradas podem ser totalmente diferentes, logo para uma obra de mais de vinte hectares há variações de solo grandes e isso requer medidas de cautela nos dimensionamentos.

3.4 RECALQUES REAIS X RECALQUES ESTIMADOS Foram comparados os recalques estimados pelo ELPLA pela empresa Gusmão Engenheiros Associados com os recalques medidos em campo. Essa análise demonstrou que 93,75% das fundações apresentaram recalques medidos menores que os recalques estimados. Nas quatro fundações em que os valores de recalque medidos foram maiores que o estimado 32

Fundações e Obras Geotécnicas

observou-se um ultrapasse de 27% em média da estimativa. Quando levada em conta a extrema rigidez da estrutura e da fundação não se mostra necessária nenhuma ação quanto a essa diferença. Os recalques diferenciais oferecem riscos à edificação como mostrado no item anterior. Nas fundações com recalques máximos medidos maiores que os estimados não se observou recalques diferenciais que oferecessem risco à estrutura. Devido à placa de fundação apresentar alta rigidez os recalques ocorrem de forma uniforme, isso propicia uma redistribuição das tensões de forma equilibrada melhorando a resposta da estrutura. Isso fica demonstrado através do desvio padrão para os recalques em cada fundação de 2,74 mm para uma média de 9,12 mm. Quando considerada a variação dos maciços de solo e todas as variantes inerentes ao processo de dimensionamento, construção e utilização da edificação esses valores demonstram uma distribuição uniforme das tensões ao solo e consequentemente recalques mais próximos nos diferentes pontos da fundação.

3.5 VELOCIDADES DE RECALQUE Como as medições foram feitas com a edificação ainda em construção, adotou-se como parâmetro de comparação 200 µ/dia proposta por Milititski, Schnaid e Consoli (2015) para avaliar as velocidades obtidas. Observou-se por meio da análise dos dados que 75% das fundações

apresentaram velocidades inferiores a 200 µ/dia na fase construtiva.

CONCLUSÃO Por meio da análise dos dados avaliados foi possível obter vários resultados acerca do estudo proposto. O primeiro item analisado foi o desenvolvimento dos recalques no tempo. Com essa avaliação foi possível verificar o comportamento de cada fundação em função do período de tempo decorrido e consequente acréscimo de carga realizado sobre a fundação e transmitida ao solo. Não foram observadas patologias típicas de recalques diferenciais em nenhuma das edificações estudadas. Com relação às distorções angulares geradas pelos recalques diferenciais foram feitas comparações com os limites estipulados pela literatura e também com os limites dos relatórios da empresa Gusmão Engenheiros Associados, responsável pela estimativa de recalque. Em nenhum dos dois critérios observou-se distorções que requeressem qualquer tipo de atenção especial ou gerasse alguma preocupação com relação à estabilidade do sistema. A solução de fundação radier não elimina os recalques absolutos, mas a rigidez do radier e da própria estrutura reduzem os recalques diferenciais. Conclui-se que os recalques observados estão dentro dos valores esperados, bem como suas distorções e recalques diferenciais. A maioria das edificações já se encontra ocupada por seus proprietários e não foram informados quadros de patologias devido a recalques em nenhuma delas.


REFERÊNCIAS BJERRUM, L; “Discussion”, European Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering. Wiesdaden, 1963. Vol. 2, pag. 135. GUSMÃO, A. D. Estudo da Interação Solo-Estrutura e sua Influência em Recalques de Edificações. Dissertação (Mestrado). Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ, 1990. CALDURO, E. L. Execução de Radiers Protendidos. Fortaleza, 2000. MATTOS, E. F. O. D. Introdução ao Estudo de Fundações. Salvador: Editora Independente, 2004. MILITITISK, J.; CONSOLI, N. C.; SCHNAID, F. Patologia de Fundações. São Paulo: Oficina dos Textos, 2010. OLIVEIRA, J. T. R.; OLIVEIRA, P. E. S.; FERREIRA, S. R. M. Interação Solo-Estrutura em Fundação tipo Radier de Rigidez Variável. In: Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica. Ipojuca: Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica, 2012. OLIVEIRA, P. E. S. Análise de Provas de Carga e Confiabilidade para Edifício Comercial na Região Metropolitana do Recife. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil). Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2013. PFALTZGRAFF, P. A. D. S. Sistema de Informações Geoambientais da Região Metropolitana do Recife. Recife, 2003. SANTOS, R.A.M. Análise dos tipos de Fundações na Região Metropolitana do Recife de 2000 a 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil). Escola Politécnica de Pernambuco (UPE). Recife, 2012. TEIXEIRA, A. H.; GODOY, N. S. D. Análise, projeto e execução de fundações rasas. São Paulo: Pini, 1998. VELLOSO, D. D. A.; LOPES, F. D. R. Fundações: critérios de projeto, investigação do subsolo, fundações superficiais e fundações profundas. São Paulo: Oficina de Textos, 2012.


Artigo

METODOLOGIA EXPERIMENTAL SIMPLIFICADA PARA DIMENSIONAMENTO DE ESTACA HÉLICE CONTÍNUA Engº Bruno Mingardi, engenheiro civil, especialista em Fundações, pós-graduado em docência do ensino superior, Belo Horizonte (MG) brunomingardi@hotmail.com Rodolpho Cunha, técnico em edificações, graduando em engenharia civil, Universidade Fumec, Belo Horizonte (MG) rodolpho.cunha@yahoo.com.br

RESUMO Os autores apresentam um método experimental simplificado para dimensionamento de estaca hélice contínua, com resultados obtidos através de provas de carga estática em estacas instrumentadas e aferido posteriormente com centenas de provas de carga estática com estacas rompidas no ensaio ou com valores de ruptura extrapolados. Desta forma foi possível estabelecer uma contribuição mais precisa para a resistência lateral e a resistência de ponta. Após os resultados finais pode se concluir que de forma 34

Fundações e Obras Geotécnicas

satisfatória o método proposto pelos autores cumpriu o objetivo ao trabalhar os resultados finais de dimensionamento de forma segura e econômica, levando em conta também o fato de que em uma grande parcela dos resultados a porcentagem considerada na ponta da estaca ficou abaixo dos 20% da resistência total, como o sugerido pela NBR 6.122/2010. Palavras-Chave: Carga Admissível; Estaca Hélice Contínua; Fundações Profundas; Método Simplificado; Provas de Carga Estática.

INTRODUÇÃO Com o intuito de capacitar um engenheiro civil sendo ele geotécnico ou não, a dimensionar suas fundações de forma segura, os autores apresentam um método experimental para dimensionamento de estacas hélice contínua, baseado nos resultados de provas de carga estática em estacas instrumentada e posteriormente aferido com centenas de provas de carga estática com estacas rompidas no ensaio ou com valores de ruptura extrapolados usando o método para extrapolação

da curva tensão versus recalque de Van der Veen (1953). Um dos objetivos é a obtenção de cargas admissíveis com limites de dispersão máximos e mínimos, quando comparados aos resultados encontrados nos ensaios de provas de carga estática, para tais resultados há que se respeitar os critérios mencionados na norma brasileira de sondagens de simples reconhecimento com SPT (Standard Penetration Test) – NBR 6.484/2001, e o de fornecer somente carregamento lento durante a prova de carga estática. Apresenta-se neste artigo a aplicação metodológica, os valores de contribuição da resistência para a ponta FpMC e para a resistência lateral FLMC da estaca, o valor final é apresentado de forma direta como carga admissível e não como na maioria dos casos como carga de ruptura.

1 PESQUISA EXPERIMENTAL Segundo Koche (2011), na pesquisa experimental a quantidade e qualidade das variáveis quando manipuladas proporcionam o conhecimento da relação entre causas e efeitos durante o estudo de um determinado fenômeno, po-


2 METODOLOGIA 2.1 VALORES DE RESISTÊNCIA LATERAL E DE PONTA Através do banco de dados de provas de carga criado em parceria com o professor Dickran Berberian da empresa Infrasolo LTDA., de Brasília, somada à contribuição do engenheiro Urbano Rodriguez Alonso que disponibilizou várias provas de carga estáticas, e tendo como base os métodos dos mais renomados autores como Berberian (2016), Decourt e Quaresma (1978), Aoki e Velloso (1975), propõem-se novos valores de resistência lateral FLMC e de ponta FpMC obtidos diretamente de provas de carga em estacas instrumentadas que nos dão o valor a cada metro solicitado pela estaca e foram correlacionados com o ensaio de simples reconhecimento SPT normatizado pela NBR 6.484/2001 que é ensaio mais utilizado em obras de todo o país. Com a intensão de simplificar o processo de dimensionamento e capacitar os engenheiros civis de forma geral a projetar suas fundações, os autores apresentam de forma direta o valor da carga admissível, sendo este o valor fi-

nal a ser usado no projeto. A Equação 1 abaixo preserva a relação do NSPT com a área da estaca já encontrada nos métodos dos autores mencionados acima, os demais dados foram simplificados e novos valores de resistência lateral FL e de ponta Fp foram sugeridos pelos autores. Esta equação resume-se a uma aplicação direta de valores com o objetivo de se chegar ao valor final que é a soma da resistência lateral com a de ponta. Nesta equação já está considerado um fator de segurança 2 conforme o sugerido na NBR 6.122/2010 e os autores recomendam um NSPT≤ 50.

Sendo: 1 - RTa – Resistência ou carga total admissível em toneladas; 2 - FLMC – Fator de resistência lateral que leva em consideração o tipo de solo por camada ao longo da estaca a cada metro; 3 - N72 – Número de golpes NSPT obtido a cada metro através da sondagem de simples reconhecimento – SPT com eficiência de 72%, durante a cravação dos últimos 30 cm

do amostrador padrão; 4 - AL – Área lateral da estaca (π x Diâmetro x Altura) a cada metro – m²/m; 5 - FpMC – Fator de resistência de ponta que leva em consideração o tipo de solo e é obtido com uma média simples dos valores encontrados imediatamente no solo da ponta, um metro acima e um metro abaixo nos casos em que os solos destas camadas se apresentam distintos; 6 - N72méd – Número de golpes NSPT obtidos com a média simples dos valores encontrados imediatamente na ponta, acima da ponta e abaixo da ponta, através da sondagem de simples reconhecimento – SPT com eficiência de 72%, durante a cravação dos últimos 30 cm do amostrador padrão; 7 - Ap – Área da ponta ou base da estaca – m². Os valores de FLMC e FpMC a serem aplicados na Equação 1 levam em consideração o tipo de solo e são apresentados na Tabela 1. A coleta de dados para aplicação do fator FpMC na ponta pode cauCrédito: Eng.ª civil, Karine Sampaio Campos

dendo controlar e avaliar os resultados dessas relações. Esse tipo de pesquisa estabelece limites ao fenômeno, hipóteses são formuladas e em condições de controle é submetido à experimentação tendo como ponto principal o cuidado com a validade interna das hipóteses, utilizando dados existentes e por meios de técnicas de pesquisa, faz se tais dados aparecerem sem a intenção de modificá-los utilizando um processo de intervenção.

Figura 1 - Exemplo de tomada correta dos dados da ponta da estaca

Fundações e Obras Geotécnicas

35


Artigo

sar alguns equívocos, por isso a Figura 1 ilustra uma forma para fazê-la usando a semelhança de triângulos.

são apresentados de forma resumida e direta, porém para que sejam atestados todos os resultados aqui apresentados, cada prova de carga utilizada está identificada com nome e número e através desta identificação qualquer pessoa poderá solicitar por

3 RESULTADOS Devido ao formato e à limitação de páginas deste artigo os resultados

Tabela 1 – Valores de FpMC e FLMC segundo Mingardi e Cunha AREIA SOLO

SOLO *Clas Berb.

FpMC t/m2

FLMC t/m2

AREIA (SAND)

S

5,0

0,26

AREIA POUCO SILTOSA

S4M

4,9

0,25

AREIA SILTOSA

S5M

4,7

0,24

AREIA SILTO ARGILOSA

SMC

4,5

0,22

AREIA POUCO ARGILOSA

S4C

4,4

0,23

AREIA ARGILOSA

S5C

4,4

0,24

AREIA ARGILO SILTOSA

SCM

4,3

0,22

FpMC t/m2

FLMC t/m2

SILTE SOLO

SOLO *Clas Berb.

SILTE (MÓ)

M

4,2

0,22

SILTE POUCO ARENOSO

M4S

4,6

0,23

SILTE ARENOSO

M5S

4,8

0,25

SILTE ARENO ARGILOSO

MSC

4,6

0,24

SILTE POUCO ARGILOSO

M4C

4,6

0,22

SILTE ARGILOSO

M5C

4,5

0,23

SILTE ARGILO ARENOSO

MCS

4,7

0,23

SOLO

SOLO *Clas Berb.

FpMC t/m2

FLMC t/m2

ARGILA

ARGILA (CLAY)

C

3,6

0,21

ARGILA POUCO ARENOSA

C4S

3,8

0,21

ARGILA ARENOSA

C5S

4,0

0,22

ARGILA ARENOS SILTOSA

CSM

4,2

0,23

ARGILA POUCO SILTOSA

C4M

4,4

0,22

ARGILA SILTOSA

C5M

4,5

0,24

ARGILA SILTO ARENOSA

CMS

4,6

0,25

*Simbologia adotada por Berberian com base no sistema Unificado da Classificação dos solos. Cobre de forma mais abrangente os dados extraídos diretamente dos laudos de sondagem SPT, facilitando a transposição para os programas de computadores (Berberian 2016).

36

Fundações e Obras Geotécnicas

e-mail uma ou mais destas provas de carga para verificação, ou para utilizá-las em suas pesquisas, já que estes dados são gratuitos e estão disponíveis para todos. Na tabela 2 faz-se uma comparação dos resultados de carga admissível (carga de ruptura dividido por dois) encontrados em algumas provas de carga estática utilizadas com a carga admissível do método proposto pelos autores e os erros (Ԑ) obtidos do método, os diâmetros das estacas, sua profundidade, o tipo de solo que mais influencia o dimensionamento, bem como o estado em que foi executada a prova de carga utilizada. O critério adotado para os valores de carga admissível nas provas de carga utilizadas foi o valor de ruptura dividido por dois, encontrado diretamente em alguns ensaios, o método para extrapolação da curva tensão versus recalque de Van der Veen (1953) foi utilizado nos ensaios em que o valor de ruptura não foi alcançado diretamente no ensaio. Em uma análise que utiliza regressão linear foram relacionadas às cargas medidas nas provas de carga com as encontradas pelo método proposto, com a intensão de se verificar o ajuste da reta em relação aos pontos do diagrama. O método obteve um comportamento satisfatório ficando um pouco abaixo da reta ideal para as provas de carga. Tal diferença foi introduzida propositadamente pelos autores com o intuito de se trabalhar a economia de forma segura. O coeficiente de determinação R² da


Tabela 2 – Prova de carga x Método Mingardi e Cunha DADOS GERAIS – PROVA DE CARGA

MINGARDI e CUNHA

ID UF PC HC 1

MG

Ø (cm)

Prof. (m)

Solo Mais Influente

Carga Admissível (t)

Carga Admissível (t)

ERRO Ԑ %

40

23

VARIADO

53

56

5%

PC HC 2

MG

80

29

AREIA SILTOSA

345

361

5%

PC HC 3

MG

35

22

SILTE ARENOSO

49

73

49%

PC HC 4

MG

30

16

SILTE ARGILO ARENOSO

40

46

11%

PC HC 5

RS

50

10

SILTE ARENOSO

85

65

-24%

PC HC 6

RJ

60

16

SILTE ARENOSO

160

172

14%

PC HC 7

MG

70

27

AREIA

161

198

23%

PC HC 8

MG

35

22

SILTE ARENOSO

58

39

-32%

PC HC 9

MG

30

19

SILTE ARENOSO

45

34

1%

PC HC 11

RJ

50

15

AREIA

190

170

-11%

PC HC 12

RJ

50

16

AREIA

99

131

33%

PC HC 13

MG

50

15

AREIA

129

134

4%

PC HC 14

MG

40

19

SILTE ARENOSO

46

57

23%

PC HC 15

MG

30

15

SILTE ARENOSO

67

56

-15%

PC HC 16

MG

30

19

SILTE ARENOSO

46

47

0%

PC HC 17

MG

30

20

SILTE ARENO ARGILOSO

47

46

12%

PC HC 18

MG

60

16

SILTE ARENOSO

142

186

32%

PC HC 19

MG

35

14

SILTE ARENOSO

45

40

-12%

PC HC 20

RJ

35

19

SILTE ARGILO ARENOSO

60

66

8%

PC HC 22

RJ

35

25

SILTE ARENOSO

60

59

-2%

PC HC 23

RJ

35

23

SILTE ARENOSO

92

106

15%

PC HC 24

RJ

35

23

SILTE ARENOSO

59

60

2%

PC HC 25

RJ

35

25

SILTE ARENOSO

46

58

26%

PC HC 26

RJ

35

23

SILTE ARENOSO

61

69

14%

PC HC 27

RJ

35

24

SILTE ARENOSO

55

83

51%

PC HC 28

RJ

50

12

SILTE ARENOSO

198

187

-6%

PC HC 29

RJ

60

18

ARGILA SILTOSA

155

150

-3%

PC HC 31

MG

50

21

SILTE ARENOSO

103

125

19%

PC HC 32

RJ

40

25

ARGILA ARENOSA

53

45

-15%

PC HC 33

MG

60

20

SILTE ARGILO ARENOSO

145

132

-11%

PC HC 34

MG

60

15

SILTE ARENOSO

149

138

-7%

PC HC 35

RJ

70

26

AREIA

160

190

11%

PC HC 36

RJ

50

10

SILTE ARGILO ARENOSO

69

54

-22%

PC HC 37

RS

40

9

SILTE ARENOSO

98

49

-50%

PC HC 38

SC

50

13

ARGILA SILTO ARENOSA

105

96

5%

PC HC 39

RS

50

12

ARGILA SILTO ARENOSA

116

74

-38%

PC HC 40

SP

80

12

AREIA ARGILOSA

212

187

-13%

PC HC 41

SP

70

17

ARGILA SILTOSA

226

201

-11%

Fundações e Obras Geotécnicas

37


Artigo

Tabela 2 – Prova de carga x Método Mingardi e Cunha (continuação) ID

DADOS GERAIS – PROVA DE CARGA UF

Ø (cm)

Prof. (m)

Solo Mais Influente

MINGARDI e CUNHA Carga Admissível (t)

Carga Admissível (t)

ERRO Ԑ %

PC HC 42

MG

35

6

ARGILA SILTOSA

49

48

-3%

PC HC 43

PR

80

16

ARGILA ARENOSA

135

98

-27%

PC HC 45

PR

70

15

ARGILA ARENOSA

155

130

-16%

PC HC 46

PR

60

16

ARGILA ARENOSA

100

123

23%

PC HC 49

PR

40

15

SILTE ARENO ARGILOSO

137

72

-48%

PC HC 50

PR

40

24

AREIA POUCO SILTOSA

101

73

-28%

PC HC 51

PR

40

16

SILTE ARGILO ARENOSO

126

88

-31%

PC HC 52

PR

40

24

ARGILA SILTO ARENOSA

140

128

-11%

PC HC 53

SP

40

11

SILTE ARENOSO

119

96

-19%

PC HC 54 - 1

SP

35

12

SILTE ARENOSO

86

64

-27%

PC HC 54

SP

40

17

ARGILA SILTO ARENOSA

114

66

-42%

PC HC 55

SP

40

12

ARGILA SILTO ARENOSA

112

61

-46%

reta chegou a 80%, e demonstrou uma boa habilidade do método em estimar corretamente os valores. Como forma de avaliar melhor a qualidade e confiabilidade do método proposto foi introduzido no gráfico um intervalo de confiança de 30% para mais e para menos por sugestão do engenheiro civil, mestre em geotecnia, Dickran Berberian

por entender essa faixa percentual como sendo a mais plausível nos dias atuais. Os pontos mostraram-se pouco dispersos em sua maioria, se encaixando dentro deste intervalo e caracterizando uma boa correlação de dados. No Gráfico 1 abaixo estão os resultados de 130 provas de carga comparados com os resultados encontrados pelo método proposto.

Outra forma de análise simplificada esta exposta na Tabela 3 que nos mostra o total de provas de carga analisadas por faixa de erro, engenheiros geotécnicos autores dos mais renomados métodos consideram um erro de até 20% o equivalente a um acerto “em cheio” nos resultados. Tabela 3 – Análise Simplificada (Provas de Carga por faixa de erro) Percentagem do Erro

Quantidade de Resultados Encontrados

DE 0 A 20%

75

DE 21 A 30%

23

DE 31 A 50%

32

TOTAL

130

CONCLUSÃO

Gráfico 1 – Dispersão Método Mingardi e Cunha x Prova de Carga

38

Fundações e Obras Geotécnicas

Perante os resultados pode-se concluir que, de forma satisfatória o método proposto pelos autores cumpriu o objetivo ao trabalhar os resultados finais de dimensionamen-


to de forma segura e econômica, levando em conta também o fato de que em uma grande parcela dos resultados a percentagem considerada na ponta da estaca ficou abaixo dos 20% da resistência total, como o sugerido pela NBR 6.122/2010. Os autores pressupõem que, usando os dados dos ensaios SPT e de prova de carga estática desde que extraídos respeitando os procedimentos de execução de cada um, o valor encontrado usando o método proposto não excederá um limite de dispersão de 50% para mais ou para menos. O fato de talvez se conseguir limitar o erro nos valores de dimensionamento trás de certa forma uma tranquilidade ao engenheiro respon-

sável, porém deve-se atentar que pelo fato de não se ter pesquisado dados mais amplos e de todos os estados brasileiros é indispensável uma análise tátil visual do solo no momento da execução da sondagem de simples reconhecimento para que fique certificado o tipo de solo correto para a posterior coleta de dados fornecidos na Tabela 1. Ao se comparar o método proposto com os demais métodos disponíveis cujos resultados não puderam ser mostrados neste artigo, foi verificado que a maioria dos autores trabalha de certa forma com a parcela de resistência lateral bem abaixo do valor ideal e com a de ponta majorada, quando comparadas com provas de

carga em estacas instrumentadas. No método proposto foram aferidos tais valores até aos limites aceitáveis de economia e segurança, porém os autores orientam o uso moderado de qualquer método para dimensionamento de estacas hélice contínua, atentando sempre aos ensaios que fornecem os dados de entrada.

AGRADECIMENTO Agradecemos aos amigos Dickran Berberian (Infrasolo), Wilson Reis (IBMEC), Urbano Rodrigues Alonso, Meksol Sondagem, Fundações e Geotecnia, Sergio M. P. Velloso Eng. Consultores. Se alguém nos admira tem que admirar vocês também, obrigado!

REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (2001).NBR 6484 – Sondagens de Simples Reconhecimento com SPT. Rio de Janeiro. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (2010). NBR 6.122 – Projeto e Execução de Fundações. Rio de Janeiro. AOKI, N.; VELLOSO, D. An aproximate method to estimate the bearing capacity of piles. In: PANAMERICAN CONFERENCE ON SOIL MECHANICS AND FOUNDATION ENGINEERING, 5., 1975, Buenos Aires. Proceedings. Buenos Aires, 1975. v. 1, p. 367-376. BERBERIAN, D. Engenharia de Fundações. 23ª ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília.GeoTECH Press Experimental Revisada, 2016. DÉCOURT, L.; QUARESMA, A. R. Carga resistente de estacas a partir de valores de SPT. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE MECÂNICA DOS SOLOS E ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES (COBRAMSEF), 6., 1978, Rio de Janeiro. Anais. Rio de Janeiro: ABMS, 1978. v. 1, p. 45-53. KOCHE, J. C. Fundamentos de metodologia científica teoria da ciência e iniciação à pesquisa. Petrópolis, RJ, Vozes, 2011. VAN DER VEEN. The Bearing Capacity of a Pile. In: Conference On Soil Mechanics Foundation Engineering, 3, Zurich, Proceedings, Zurich, v. 2, 1953, p.84-90. CINTRA, José Carlos A. et al.. Tensão Admissível em Fundações Diretas. 1ª edição. São Carlos: Rima, 2003.

Fundações e Obras Geotécnicas

39


O que há de novo

Aditivo cristalizante atua como impermeabilizante de concreto em obras de subsolos A solução ainda aumenta a vida útil, reduz a permeabilidade à água e autocicatriza fissuras por Dellana Wolney

O

Fotos: Divulgação Penetron Brasil

O condomínio Quay Luxury Home Design, finalizado no ano passado em Florianópolis (SC), apresentou diversos desafios durante a etapa de obra, principalmente na fase de proteção do concreto e sua impermeabilização. Localizado à beira-mar, no bairro de Jurerê Internacional, seus subsolos e garagem estão a 1,50 m, em média, abaixo do nível do lençol freático. Inicialmente, a laje de subpressão e cortinas do subsolo deveriam receber impermeabilização convencional com mantas asfálticas e butílicas, porém, devido às condições do local ser bastante agressivas, a alternativa escolhida foi executar a impermeabilização com aditivos químicos misturados na massa do concreto.

Rastreador

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Fundações e Obras Geotécnicas

O engenheiro da CFL Incorporadora, Luiz Callegaro, também responsável pela execução das obras do empreendimento, conta que as recomendações das normas relativas aos recobrimentos da armadura e tipo de concreto, foram estritamente seguidas, todavia, o mais importante foram os cuidados tanto executivos quanto de qualidade dos materiais, aplicados na concretagem do subsolo, devido à pressão do lençol freático agravado pela influência da maré. Neste caso, a equipe de engenharia seguiu a especificação dada pelo calculista estrutural, que solicitou concreto com fck de 30 Mpa (Megapascal) e consumo de cimento de 320 kg/m³, relação água/cimento não superior a 0,55. A escolha técnica dos aditivos de cristalização veio de experiências anteriores como a execução de uma obra em Porto Alegre, próxima do rio Guaíba. “No caso de referência o concreto também sofreria com o nível elevado do lençol freático. Obtivemos bons resultados com os aditivos, desde custos justos até a praticidade na aplicação, pois o material era misturado na usina de concreto e não exigiu alteração no traço especificado pelo calculista estrutural”, relata Callegaro. O concreto da piscina do condomínio, que mede 30 m x 11 m com 1,40 m de profun-


didade, também recebeu os aditivos cristalizantes, visto que a estrutura foi construída diretamente no solo, como um radier, executada sem junta de concretagem e uma cura úmida bem controlada. Após os resultados e desempenhos obtidos, a empresa decidiu empregar esse sistema de impermeabilização em toda a piscina, espelho d’água e spa.

SOLUÇÃO Comercializado pela empresa Penetron, o Penetron Admix aditivo redutor de permeabilidade por cristalização integral do concreto foi a solução utilizada na obra do Quay Luxury Home Design. Trata-se de um material à base de cimento e compostos químicos especiais fornecidos na forma de pó. Para utilizá-lo, o pó deve ser adicionado ao concreto durante a sua preparação. O Penetron Admix reage

com a água, com os compostos da hidratação do cimento, com cimento não hidratado, compostos de alumínio etc., formando uma rede de cristais insolúveis nos poros e fissuras do concreto, reduzindo a penetração de água e agentes agressivos. O engenheiro e diretor-executivo da Penetron Brasil, Claudio Neves Ourives explica que, além de promover propriedades ao concreto endurecido como alta redução da permeabilidade a água e agentes agressivos, o aditivo possui uma propriedade única de autocicatrização, por isso é conhecido como “Concreto Autocicatrizante”. “Isso significa que, caso ocorra uma fissura de retração e também apareça infiltração de água por essa fissura, formam-se cristais ao longo da abertura devido à reação de cristalização, selando-o definitivamente contra a passagem de água. Por esta razão, concretos com Penetron Admix têm sido usados como elementos de impermeabilização em estruturas enterradas ou em reservatórios de água ou efluentes, inutilizando qualquer outro sistema de impermeabilização superficial posterior”, enfatiza Ourives.

Aplicação do aditivo na obra do Soul Housing & Shop, em Brasília (DF)

MANUSEIO

Adição do Penetron Admix ao concreto

Esse aditivo pode ser adicionado na usina de concreto durante a sua preparação, sendo lançado em pó na esteira no decurso do carregamento dos agregados finos. Ele também pode ser adicionado na obra, porém devese misturar antes o Penetron Admix com a água para formar uma pasta fluida, para em seguida ser adicionado à betoneira do caminhão.

Em nenhuma das situações existem intervenções no tempo de endurecimento ou fluidez do concreto, por isso o Penetron Admix é considerado como aditivo de terceira geração, cujos efeitos colaterais no concreto são inexistentes. A única ressalva é que o aditivo não é recomendado para impermeabilizar, como sistema único, lajes expostas à variação térmica ou com ações dinâmicas. Diversos outros tipos de obras podem empregar a solução como: túneis e galerias; paredes diafragmas e paredes de contenção em subsolos moldadas in loco ou em concreto projetado; reservatórios de água e tanques de efluentes na área de saneamento; canais; casas de força e faces de montante em barragens; prédios residenciais e comerciais, concretos em lajes e cortinas de subsolos estanques, poço de elevador, reservatórios de água etc. Ourives acrescenta que o Penetron Admix ainda pode ser usado na etapa de fundação em blocos e vigas baldrames e em portos, ele atua no aumento da proteção de concretos em áreas agressivas, como zonas consideradas três e quatro de agressividade, conforme a ABNT (Associação Brasileira de

Embalagem do Penetron Admix

Fundações e Obras Geotécnicas

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O que há de novo

Subsolo estanque em construção

Normas Técnicas) NBR 6.118:2014 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento.

RELEVÂNCIA Além do Edifício Quay, o produto foi utilizado no subsolo executado dentro do mar da Baía de Todos os Santos, no condomínio Edifício Ade-

laide, em Salvador (BA), cuja laje de subpressão está 3,60 m abaixo do nível da maré alta e no subsolo triplo com subsolo estanque, sem sistema de drenagem do Soul Housing & Shop, em Brasília (DF), que possui a área do subsolo de 2.600 m². No Rio de Janeiro (RJ), a aplicação do PENETRON ADMIX esteve presente no subsolo duplo estanque do Hotel Arena Leme, sendo utilizado como autocicatrizante na laje de subpressão e nas paredes executadas após as estacas secantes e na laje de subpressão do Museu do Amanhã. Para o engenheiro Claudio Neves Ourives, as vantagens do aditivo são muitas, quando comparado a outros sistemas aplicados após a execução da

Características • Alta redução de permeabilidade à água. Elimina a necessidade de outros sistemas de impermeabilização; • Redução da difusão de cloreto e sulfatos que aumenta a vida útil do concreto acima de 60 anos em ensaios de penetração acelerada de cloreto; • Aumento da resistência química em relação a efluentes ou agentes com pH variando de 3 a 11, como solos orgânicos em zonas de mangue ou contaminados; • Autocicatrização de fissuras e comportamento ativo. O Penetron Admix ficará ativo por toda a vida do concreto. Se surgirem novas fissuras com infiltração, ele selará novamente com a formação de cristais insolúveis; • Por ser de base mineral, não se decompõe ao longo do tempo como aditivos de base orgânica; • Não possui VOC (Compostos Orgânicos Voláteis) e não é nocivo ao meioambiente; • Aumenta a vida útil do concreto estrutural; • Permite a rastreabilidade ao longo da execução da estrutura, pois contém um rastreador químico que fica esverdeado em contato com os raios ultravioletas. Durante a concretagem é possível identificar o concreto com adição devido a essa coloração na água livre e, mesmo depois de endurecido, é possível identificar o concreto que tem adição e o que não tem.

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Fundações e Obras Geotécnicas

estrutura. Segundo ele, as principais considerações feitas pelos consumidores do produto são relacionadas ao ganho no cronograma, redução de custo e ao ganho de área em subsolos, uma vez que não é necessária a execução de paredes falsas para esconder a drenagem ou infiltrações das cortinas. Apesar do retorno dos consumidores ser bom, Ourives ressalta que o mercado da construção ainda é muito conservador, mas que nos últimos anos, até às Olimpíadas de 2016, o Brasil teve um aumento de investimentos na área de construção que permitiu o ingresso de novidades tecnológicas e que o Penetron Admix foi uma delas. “Desde então, projetistas e construtoras perceberam que poderiam confiar mais no concreto com essas propriedades autocicatrizantes para utilizações em estruturas de contenção de subsolo com alto lençol freático, ou próximas ao mar. Usando o próprio concreto como elemento de estanqueidade, a solução acelera o cronograma da obra, uma vez que aterros podem ser feitos mais rápido, sem a necessidade de aplicação de outros sistemas de impermeabilização, reduzindo também materiais e mão de obra”, argumenta. Ele ainda acrescenta que ultimamente, vários projetos têm eliminado sistemas de drenagem no subsolo e adotado um subsolo estanque com esse concreto, e como benefício não há rebaixamento do lençol freático após a entrega da obra e bombas de rebaixamento reduzindo o custo do condomínio, assim como também não surgem problemas de recalques em pavimentos ou edificações vizinhas.


Em foco

FUNDAÇÕES DE TORRES EÓLICAS

O

O aproveitamento da energia eólica tem tido um aumento exponencial no Brasil. A diversificação de fontes energéticas, tarifas mais baratas e energia limpa de melhor qualidade são as perspectiva para o setor elétrico nos próximos anos diante do crescimento da capacidade de geração eólica no País, que atualmente tornou-se o líder na produção desse tipo de energia na América Latina. Segundo o ranking apresentado pela GWEC (Global Wind Energy Council), houve uma expansão de 2.014 Megawatts na geração dessa energia no Brasil no ano de 2016, posicionando o País na 5ª posição no ranking mundial de capacidade instalada no ano passado e ocupando também a nova colocação no ranking mundial de capacidade acumulada de geração eólica (10.740 MW).

AEROGERADORES

Fotos: Portland General Electric / Flickr

Para que a energia eólica seja gerada são necessários alguns fatores e equipamentos, dentre

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Fundações e Obras Geotécnicas

eles o principal é o aerogerador (Turbina Eólica ou Sistema de Geração Eólica). Tratase de um equipamento que utiliza a energia cinética do vento, convertendo-a em energia elétrica. Como no processo é utilizada uma fonte de energia sem fim, denomina-se essa energia resultante de energia renovável, e também de energia eólica por ser utilizado o vento nesse processo.

FUNDAÇÃO DE AEROGERADORES Uma importante consideração a respeito das especificações técnicas de qualquer projeto, não se atendo tão somente ao projeto de fundações para aerogeradores é que tais especificações têm relação direta com o tipo de estrutura, seu uso, material e tecnologias necessárias para realizar sua execução. Esses fatores ditarão quais os parâmetros técnicos


necessários para o correto cumprimento de estados limites último e de serviços inerentes à função para qual foi projetada a estrutura em questão. Tendo isso em vista, para uma fundação de aerogeradores teremos especificações técnicas que visarão contemplar estados limites relacionados à capacidade do solo, tanto com relação à magnitude, quanto ao aspecto dinâmico das cargas transmitidas à fundação; limitações de deslocamentos e rigidez necessárias para garantir o correto funcionamento do aerogerador e integridade da torre e, obviamente, requisitos relacionados à capacidade da estrutura da fundação de suportar a ação de cargas altamente excêntricas e variáveis ao longo do tempo, garantindo sua transmissão para o solo. Portanto, as especificações a serem observadas no projeto de fundações de aerogeradores podem ser divididas de forma simplória em duas cate-

gorias, as quais, certamente, estão intrinsecamente interligadas. Tais categorias são: requisitos geotécnicos e especificações estruturais. Primeiramente, têm-se requisitos relacionados a parâmetros geotécnicos referentes à capacidade de suporte do solo e recalques diferenciais que perfazem estados limites, tanto último, como de serviço. Para fundações diretas os requisitos de projeto têm relação intrínseca com as tensões de contato desenvolvidas no fundo das sapatas. Essas tensões não podem exceder a capacidade de suporte do solo. Esse parâmetro é de suma importância, principalmente na determinação das dimensões da fundação. Importante ressaltar que, devido à natureza das cargas, devem-se considerar não tão somente cargas estáticas equivalentes majoradas para levar em consideração os efeitos dinâmicos, o que normalmente é feito pelo projetista da torre e fornecido ao projetista

da fundação, mas também os efeitos deletérios de fadiga do solo, os quais diminuirão a capacidade de suporte do solo com o tempo. Tal aspecto deve ser considerado pelo projetista geotécnico e informado ao projetista estrutural da fundação. Já para fundações estaqueadas é importante atentar para a capacidade de carga das estacadas utilizadas, verificando tanto solicitações extremas de compressão quanto de tração dessas estacas, isso porque o desenvolvimento de tensões de tração nas estacas é uma situação bastante crítica, devido à natureza altamente excêntrica das cargas atuantes em um aerogerador. Há que se ressaltar a importância do controle da execução das estacas. Com relação aos recalques diferenciais, faz-se necessário um controle muito mais rigoroso do que em obras comuns. Isso porque o fabricante do aerogerador estabelece limites para esses recalques, de forma que, a não

Aerogeradores em funcionamento

Fundações e Obras Geotécnicas

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Em foco

observância de tais limites resultaria em um mau funcionamento do gerador, constituindo, portanto, um importante estado limite de serviço. Outro aspecto extremamente relevante que deve ser levado em conta diz respeito à interação entre o solo e a estrutura, que é a rigidez rotacional do conjunto. Esse parâmetro é extremamente importante, pois é ligado diretamente às propriedades dinâmicas do sistema. Devido ao fato das torres eólicas estarem submetidas a vibrações tanto provenientes da ação dos ventos e marés (no caso de aerogeradores off shores), quanto a vibrações oriundas da rotação do rotor e passagem das pás do aerogerador, é imprescindível realizar uma análise dinâmica do sistema e, tal análise usa como parâmetro direto de entrada as rigidezes globais do conjunto torre-fundação-solo.

PREMISSAS A primeira preocupação no desenvolvimento do projeto de uma torre está relacionada aos seus aspectos dinâmicos, para isso é importante conhecer as frequências naturais do sistema estrutural (fundação, torre e aerogerador), mantendo-as a uma distância segura das frequências de excitação (aerogerador). Uma maneira de identificar os pontos de correspondência entre as frequências naturais e a excitação a partir do aerogerador é utilizando o diagrama de Campbell que ilustra as frequências naturais mais importantes do sistema estrutural da torre, juntamente com as linhas correspondentes às frequências de excitação do aerogerador, especificamente a frequência de excitação de 46

Fundações e Obras Geotécnicas

Fundação do aerogerador

rotação do rotor (1P) e a frequência de passagem das pás (3P). Os pontos de intersecção indicam as situações que devem ser evitadas. Algumas vezes a frequência de excitação está perto da frequência natural, não podendo ser completamente evitada. Tal situação é comum ocorrer durante a inicialização ou desligamento do aerogerador. Nessas condições, o projetista da torre, por desconhecer as características do solo no qual será implantada a estrutura e, consequentemente, do tipo de fundação a ser adotada, define uma rigidez rotacional mínima para a fundação (bloco, estaca e solo) a ser cumprida, de modo que sejam atendidas as frequências naturais do sistema estrutural, assumidas no projeto. Dentro desse contexto, o projetista estrutural, juntamente com o projetista geotécnico, tem a responsabilidade de atender a esse requisito (rigidez rotacional mínima) no desenvolvi-

mento do projeto da fundação. Na definição da rigidez rotacional de uma fundação estaqueada, objeto de estudo do presente trabalho, são dependentes: a rigidez do solo e a rigidez dos elementos estruturais (estacas e bloco). Adicionalmente, existem verificações relacionadas a especificações estruturais e de estabilidade da fundação, como já mencionado. Com relação às primeiras, há que se salientar as verificações referentes ao dimensionamento à flexão dos blocos e sapatas, a qual leva em conta momentos radiais, circunferenciais e torçores, bem como dimensionamento ao cisalhamento e punção, tanto para fundações diretas quanto para estaqueadas.

ESTRUTURA Ainda com relação aos aspectos estruturais, tem-se a análise dos efeitos dos carregamentos dinâmicos no concreto e nas armações no que diz respeito à fadiga desses elementos. Tal análise é de vital importância, consti-


tuindo um estado limite último para a estrutura, e pode ser feita seguindo os preceitos estabelecidos pela NBR 6.118:2014 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento (ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2014). Além disso, têm-se verificações das tensões de contato entre a torre e a fundação, atentando para a possível adoção de armaduras de combate ao fendilhamento do concreto dessa região. Por fim, para fundações diretas são necessárias verificações de tombamento e deslizamento da base, as quais constituem estados limites últimos. Essas verificações levam em consideração cargas estáticas equivalentes que são majoradas de forma a contar também com os efeitos dos carregamentos dinâmicos provenientes da ação do vento, tais cargas, normalmente, são fornecidas pelo próprio fabricante da torre eólica. A verificação de deslizamento é feita a partir da comparação entre a carga horizontal total transmitida à fundação com a força máxima de atrito estático que pode ser desenvolvida na interface entre o solo e o fundo da fundação, ao passo que o tombamento pode ser verificado estabelecendo-se um limite para as regiões de tensão de tração no fundo da fundação. Tanto para o deslizamento, quanto para o tombamento. O peso da base é de vital importância no equilíbrio do sistema.

influenciar tanto o custo inicial da obra, quanto os gastos futuros com operação e manutenção do sistema. Com relação ao custo inicial, um dos pontos mais importantes é o custo de execução. O custo inicial de instalação engloba todos os gastos com obras de engenharia necessárias à execução do aerogerador. No que tange às suas fundações, a análise de viabilidade leva em conta fatores geotécnicos que ditarão qual o tipo de fundação mais adequado. Esses fatores têm relação basicamente com a capacidade resistente do solo, levando a adoção de fundações rasas, ou profundas e a necessidade de ações de melhoria do solo. Com relação ao processo executivo, devem ser analisados fatores como o rol de técnicas construtivas existentes, disponibilidade de material e mão de obra especializada.

ESTUDOS PRELIMINARES Para a instalação de uma torre eólica o primeiro ensaio a ser realizado é a tradicional sondagem a percussão com SPT (Standart Penetration Test), que são perfurações que ultrapassam o nível d’água, em solos com certa compacidade. O ensaio consiste na cravação de um amostrador normalizado, por meio de golpes de um peso de 65 kgf caindo de 75 cm de altura. Obtém-se o número de golpes necessários para cravar os 45 cm do amostrador em três etapas de golpes para cada 15 cm. O resultado do ensaio do SPT é o número de golpes necessário para cravar os 30 cm finais. A amostra coletada metro a metro permite a análise tátil e visual das distintas camadas do subsolo. O ensaio SPT pode tornar-se SPT-T (Standart Penetration Test with

CONSIDERAÇÕES Empreendimentos do nível de parques eólicos requerem cuidadosos estudos de viabilidade levando em conta os mais diversos fatores que possam

Torre e rotor

Fundações e Obras Geotécnicas

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Em foco

Torque Measurements) quando, após o término da cravação do amostrador, é acoplado um torquímetro na parte superior da composição de hastes e é aplicado o torque obtendo duas medidas. Uma corresponde ao valor máximo do torque e a outra ao torque residual. Quando rochas são encontradas, que precisem ser ultrapassadas na investigação, ou que haja necessidade de uma caracterização, faz-se uso de sondagens rotativas. É um método de investigação em que se usa um motor para realizar a perfuração de rochas, por meio de hastes. Dependendo da estratificação do solo, podem ser feitas sondagens mistas, que são uma combinação de sondagem rotativa com a sondagem à percussão com SPT. Durante o processo de investigação do solo por meio de sondagem rotativa, são coletadas amostras de rocha com comprimento superior a 10 cm, como prevê a norma NBR 15.845:2010, e são submetidos a ensaios de compressão uniaxial. Esta caracterização tem como intuito avaliar as potencialidades do maciço frente às solicitações de carga a que estará sendo submetido o solo rochoso. Por fim, como forma de garantir o bom desempenho das fundações, indica-se a realização de ensaio de placa inundado, nas bases em fundações diretas que não estiverem apoiadas sobre rocha sã, que é um processo que visa fornecer, por via direta, as resistências e características de deformação do terreno a uma determinada profundidade. O ensaio é realizado pelo carregamento de uma placa contra o terreno, por meio de macacos 48

Fundações e Obras Geotécnicas

reagindo contra um conjunto de tirantes. No ensaio são registradas as cargas aplicadas x deformações do solo. O ensaio deve ser executado nas cotas de implantação das bases dos aerogeradores, em que deve ser feito uma regularização da escavação, limpeza e a realização do ensaio com as informações pertinentes.

FUNDAÇÃO Aerogeradores podem ser executados tanto em terra (onshore), quanto no mar (offshore). O tipo de fundação irá depender, em primeira análise, de qual desses dois tipos será o aerogerador, uma vez que as soluções adotadas para torres eólicas offshore são diferentes daqueles usados em aerogeradores instalados em terra. Com relação a torres eólicas offshore, tem-se o uso majoritário de fundações do tipo tubulão (monopile), que são, basicamente, grandes tubos de concreto armado

Fuso motor (nacelle)

que a torre por meio de estruturas chamadas peças de transição, que desempenham o papel de transmitir as cargas provenientes do aerogerador. Outro tipo de fundação offshore é o “tripod”, estruturas compostas de três núcleos de fundação estaqueada, interligado por estruturas de travamento que proporcionam elevada rigidez ao conjunto. Os tipos de fundação se fundamentam em mecanismos distintos de estabilização, de forma que as suas vantagens e desvantagens estão relacionadas diretamente a esses mecanismos. Por exemplo, as fundações do tipo monopile possuem limitações relacionadas, principalmente, à magnitude dos deslocamentos e momentos fletores desenvolvidos na região de transição, além de apresentar problemas de vibração. Tais limitações já não se encontram na solução “tripod” por apresentar elevada rigidez, diminuindo os deslocamentos e vibrações.


Já com relação às soluções voltadas para aerogeradores instalados em terra (onshore), tem-se as fundações rasas, sendo compostas de sapatas e as fundações profundas, sendo representadas por blocos estaqueados. As fundações rasas transmitem diretamente a carga proveniente do aerogerador para o solo, sendo necessário, portanto, solos mais resistentes logo nos estratos mais superficiais. Disso tem-se o primeiro fator que limita o uso desse tipo de fundação, pois as tensões de contato desenvolvidas na base da fundação são mais elevadas, da ordem de 2,5 a 3,5 kgf/cm³, requerendo solos com tensão admissível alta. Outro fator que pode ser decisivo é a estabilidade das fundações diretas, pois, às vezes, o equilíbrio dos momentos de tombamento pode levar a um aumento demasiado das dimensões da fundação, de forma a diminuir as regiões de tração no solo durante cargas de trabalho. Para

Levantamento da lâmina

sobrepor essa limitação existem soluções como, por exemplo, o uso de tirantes no solo. Esses tirantes têm a função de absorver as forças trativas geradas pelo momento de tombamento de forma a garantir uma maior área de contato entre o fundo da fundação e solo. Já as fundações estaqueadas são utilizadas quando as camadas com resistência necessária para suportar as cargas transmitidas apresentam-se em regiões mais profundas do solo. A estabilidade ao deslizamento e ao tombamento não é determinante para esse tipo de fundação, devido ao contrabalanceamento da força horizontal e do momento de tombamento ocorrer a partir das reações transmitidas às estacas. O tipo de estaca normalmente adotado no Brasil são estacas moldadas no local tipo hélice contínua, sendo utilizadas também estacas raiz e estacas metálicas, em alguns casos.

Como é possível perceber, existe uma grande necessidade do trabalho conjunto entre engenheiros geotécnicos e projetistas estruturais, tanto da torre quanto da fundação. Essa natureza multidisciplinar é essencial no projeto de aerogeradores, pois muitos dos parâmetros de projeto, algumas vezes limitantes e decisivos para certas soluções, são obtidos por projetistas de frentes de trabalho diferentes. A escolha do tipo de fundação é um exemplo disso. A investigação geotécnica dirá não só qual o tipo de fundação mais adequada, mas também definirá parâmetros de análise numérica utilizados para a determinação dos esforços internos levados em consideração no projeto de blocos e sapatas. Já os resultados desses modelos teóricos devem ser compatíveis com os limites de deformação e rigidez rotacional estabelecidos pelo projetista da torre.

INOVAÇÕES As fundações de aerogeradores são bastante custosas. Parte desse alto custo é referente ao elevado consumo de materiais, sobretudo concreto e aço, e aos custos executivos. Para sobrepor essas limitações existem diversos estudos buscando desenvolver alternativas mais econômicas. Uma alternativa pensada é o uso de fundações pré-moldadas. Essas fundações seriam concretadas em partes em fábricas de prémoldados ou centrais de pré-moldado instaladas no canteiro de obras. Algumas vantagens são percebidas, como velocidade de execução da obra, redução de fôrmas na obra, Fundações e Obras Geotécnicas

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Em foco

emprego de seções com melhor aproveitamento dos materiais, maior produtividade da mão de obra e maior controle de qualidade. Essas fundações pré-moldadas (que podem ser tanto blocos de coroamento quanto sapatas) possuem um consumo de concreto e aço bem abaixo dos padrões normais de fundações de aerogeradores. Alguns cuidados devem ser tomados na concepção desse tipo de solução, por exemplo, na dificuldade de garantir a transmissão de esforços entre as partes pré-moldadas e a ancoragem das estacas nos blocos. Apesar disso, muito tem sido

Elevação do rotor

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Fundações e Obras Geotécnicas

feito para tornar essa solução tecnicamente viável.

NORMATIVAS Como esse assunto de fundações para aerogeradores é relativamente novo e ainda está em desenvolvimento no Brasil, ainda não há nenhuma norma brasileira específica, o que leva os profissionais a procurar por arcabouço normativo no ramo internacional. Entre os principais documentos internacionais que tratam diretamente do projeto de aerogeradores tem-se a Guidelines for Design of Wind Turbines da DNV/ RisΦ, que é uma sociedade autônoma norueguesa, sendo atualmente uma das maiores classificadoras de navios e plataformas de petróleo no mundo. Outra norma muito utilizada é a IEC (International Electrotechnical Commission) 61400 – 1 Wind turbines – Part 1: Design Requirements, que é uma norma internacional que traz prescrições normativas não apenas a respeito da estrutura do aerogerador (torre e fundação), mas também apresenta requerimentos relativos ao dimensionamento mecânico e elétrico do próprio gerador. Nesses dois documentos o engenheiro projetista encontrará metodologias de dimensionamento, combinação de ações, cálculo de carregamentos, quais as análises necessárias para estados limites último e de serviço, verificações de estabilidade e de fadiga, e até mesmo sugestões para análises modais e de elementos finitos. Enfim, são diretrizes bastantes abrangentes e, certamente, são ótimos aliados para engenheiro projetistas de aerogeradores, tanto os mais experientes, quanto

os que querem ingressar nessa nova e promissora área. Além dessas normas/diretrizes, temos as normas brasileiras de fundação e de projeto de estruturas de concreto (ABNT NBR 6.122:2010 – Projeto e Execução de Fundações e ABNT NBR 6.118:2014 – Projeto de Estruturas de Concreto, respectivamente) e a norma americana de requerimentos para concreto estrutural da American Concrete Institute (ACI – 318: 2014).

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MARANHÃO, G. M., Análise da Rigidez Rotacional de Fundações Estaqueadas de Torres Eólicas, IX Congresso Brasileiro de Pontes e Estruturas. Rio de Janeiro, CBPE, 2016. MAUNU, P. Design of Wind Turbine Foundation Slabs. Dissertação de mestrado, Luleå University of Technology, Suécia, 2008. MOLEMAAR, D.P., TEMPEL,J. V.D, Wind Turbine Structural Dynamics – A Review of the Principles for Modern Power Generation, Onshore and Offshore, Wind Engineering, 26, Nº. 4, p. 211-220, 2002. MOURA, A. S. Avaliação de Metodologias de Projeto de Fundações Superficiais de Aerogeradores Assentes em Areia de Duna. Tese de Doutora-

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Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

> GEORGE MARANHÃO é engenheiro civil pela UFRN (1997), possui mestrado em engenharia de estruturas pela EESC-USP (Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo) em 2001. Atualmente é sócio-diretor da empresa George Maranhão Engenharia e Consultoria Estrutural S/S Ltda., e professor convidado do programa de Pós-Graduação e MBA da UnP (Universidade Potiguar).

> ROBSON RIBEIRO é engenheiro civil pela UFRN (2017). Atualmente é engenheiro colaborador da empresa George Maranhão Engenharia e Consultoria Estrutural S/S Ltda.

Fundações e Obras Geotécnicas

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Geotecnia ambiental

EIA/RIMA DO FERROANEL NORTE ESTÃO ABERTOS PARA CONSULTA PÚBLICA Trecho promoverá melhoria significativa no transporte de passageiros realizado pela CPTM e reduzirá custo logístico do transporte de cargas por Dellana Wolney

N

Fotos: EIA/RIMA

No dia 23 de junho, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin juntamente com o diretor-presidente da EPL (Empresa de Planejamento e Logística) José Carlos Medaglia Filho entregou ao Conselho Estadual do Meio Ambiente o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental) do Ferroanel Norte (Trecho Norte do Anel Ferroviário). Os secretários estaduais de Logística e Transportes, Laurence Casagrande Lourenço, e de

Ferroanel

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Fundações e Obras Geotécnicas

Meio Ambiente, Ricardo Salles também participaram do evento que marca a abertura da etapa pública do licenciamento ambiental. O empreendimento faz parte do Ferroanel (Contorno Ferroviário da Região Metropolitana de São Paulo), considerada uma das mais estratégicas e necessárias iniciativas do setor de logística e transportes do Estado. O estudo preparado pela DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S/A), empresa vinculada


de maciços florestais e facilitando o processo de desapropriações”.

MELHORIAS

Localização do Ferroanel Norte

ao Governo do Estado de São Paulo, com recursos repassados pela EPL, empresa pública federal servirá como base para as análises de viabilidade ambiental do trecho. Os documentos ambientais já estão disponíveis para consulta no website da DERSA e seus conteúdos serão discutidos em audiências públicas que acontecerão entre julho e agosto de 2017. De acordo com o gerente de Meio Ambiente da DERSA Marcelo Arreguy Barbosa, a fase atual do empreendimento é a de avaliação da viabilidade ambiental que tem como intuito a obtenção da LP (Licença Ambiental Prévia). “Após esta etapa, será desenvolvido o detalhamento do projeto executivo e a estruturação do Plano Básico Ambiental, que deverá conter o atendimento às condicionantes da LP, visando a obtenção da LI (Licença Ambiental de Instalação), que possibilitará o início das obras”, explica.

Ele esclarece que os estudos realizados revelaram a viabilidade ambiental do Ferroanel e confirmaram que a construção contígua ao Rodoanel Norte reduzirá significativamente os impactos ambientais atribuíveis à sua implantação. O programa de compensação ambiental proposto atualmente já atende à legislação vigente, porém, durante o processo de licenciamento, ele ainda será avaliado e detalhado. Barbosa comenta sobre as interferências ambientais que estão previstas para serem feitas na obra e declara que os grandes desafios estão relacionados com a transposição das escarpas da Serra da Cantareira, onde se insere o PEC (Parque Estadual da Cantareira). “Para evitar contatos com a superfície do PEC, foram projetados longos túneis, um deles com 5.678 m. Com medidas como essa, as interferências com a superfície reduziram significativamente, possibilitando a preservação

Com a implantação do Ferroanel Norte, a expectativa é que as interferências no trânsito urbano e os prejuízos econômicos e ambientais reduzam gradativamente. Além de evitar a generalização dos conflitos entre as operações ferroviárias de transporte de passageiros e de carga, que ameaçam os pesados investimentos públicos feitos no sistema sobre trilhos, a eliminação desses gargalos críticos dará ao transporte ferroviário ampla capacidade para ampliar seus serviços. A obra do Ferroanel Norte abrange um ramal ferroviário de 53 km de extensão que interligará as estações de Perus, em São Paulo (SP), e de Manoel Feio, em Itaquaquecetuba (SP), em área contígua ao traçado do Rodoanel. Sua implantação permitirá que os trens de carga que hoje compartilham os mesmos trilhos com os trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) sejam desviados, eliminando o conflito entre cargas e passageiros nos trilhos que cortam o interior da metrópole. Sob o ponto de vista dos passageiros, a liberação dos trilhos atuais para uso exclusivo da CPTM reduzirá o intervalo entre os trens, e a implantação de novos sistemas de sinalização e melhoria das estações ferroviárias trará maior capacidade de transporte e conforto aos usuários. Segundo a DERSA, o novo ramal também permitirá a movimentação de cargas do interior do Estado para Fundações e Obras Geotécnicas

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Geotecnia ambiental

Localização de áreas propostas para DMEs (Deposição de Material Excedente)

o Porto de Santos, bem como a passagem de comboios entre o interior e o Vale do Paraíba. A transposição da Região Metropolitana de São Paulo em uma via dedicada terá a função de transferir cargas, hoje rodoviárias, para o modo ferroviário. As projeções indicam a retirada a médio prazo de 2,8 mil caminhões/dia das estradas com boa possibilidade desse número superar 7,3 mil caminhões/dia ao longo do tempo. A migração do asfalto para a ferrovia aliviará a matriz do transporte paulista, hoje sufocada pela predominância absoluta dos caminhões na prestação desse tipo de serviço (atualmente superior a 80%). Além disso, os estudos realizados indicam que cerca de 40% das viagens destinadas ao transporte de cargas são feitas com os caminhões vazios, pois nem sempre as empresas conseguem prestar o serviço na ida e na volta. Em relação à movimentação de cargas pelo Porto de Santos, que exige 54

Fundações e Obras Geotécnicas

da Via Anchieta uma capacidade de escoamento que estará saturada em poucos anos, em que o cenário de dificuldades se acentua quando as projeções indicam que o Porto de Santos manterá sua primazia, já que sua movimentação em 2016 superou

Localização dos segmentos ferroviários

113 milhões de toneladas, e os 322 bilhões de dólares obtidos com o comércio exterior brasileiro em 2016, nada menos do que 28,5% foram veiculados por Santos. A DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S/A) dá uma ideia da força do Ferroanel Norte, diante desses números, prevendo a movimentação de cargas que incluem aquelas que têm destino ou origem na Região Metropolitana de São Paulo. A projeção é atingir 67 milhões de toneladas por ano até 2040, com destaque para contêineres, produtos siderúrgicos, cimento, granéis vegetais, açúcar, areia (para indústria de vidro), fertilizantes, celulose, minérios e coque. A estimativa é que o frete para essas cargas seja, em média, 15% mais barato se comparado ao transporte rodoviário.

POTENCIAL As tratativas para a implantação do Ferroanel Norte em traçado paralelo


ao Rodoanel tiveram início em 2011, quando o Governo Paulista celebrou acordo de cooperação técnica com a concessionária ferroviária MRS Logística. Naquele momento, a DERSA cedeu os projetos disponíveis para a implantação dos trechos Leste e Norte do Rodoanel e a MRS realizou em 2012, estudos e projetos que demonstraram a viabilidade técnica e econômica do Trecho Norte do ramal ferroviário na lateral do Rodoanel Mario Covas (SP-061). Segundo a DERSA, esses estudos serviram como base para que o Governo Federal, por meio da EPL, solicitasse em 2013 que as obras de implantação do Rodoanel Norte (iniciadas em março daquele ano) preservassem espaços e condições para a implantação do Ferroanel. Em resposta, o governo paulista apresentou um plano de sinergia entre ambos os empreendimentos. Para isso, foi recebido um aporte

Unidades de Conservação

Extensão: 53,05 Km Localização: Municípios de São Paulo, Guarulhos, Arujá e Itaquaquecetuba Traçado: Estação Perus (São Paulo) até Estação Engenheiro Manoel Feio (Itaquaquecetuba) Investimento: 3,4 bilhões de reais Cargas: 67 milhões de toneladas/ano até 2040 Benefícios: Retirar sete mil caminhões por dia das estradas; Separar tráfegos ferroviários de carga e de passageiros; Movimentar cargas com menor custo logístico; Melhorar transporte de passageiros sobre trilhos; Aumentar competitividade das empresas; Desafogar trânsito na Região Metropolitana de São Paulo; Diminuir emissão de poluentes; Reduzir custo final de produtos.

adicional de 332 milhões de reais do Ministério dos Transportes. No ano de 2015, a EPL e a DERSA fecharam uma nova parceria, dessa vez destinada à elaboração de um projeto de engenharia que permitisse ao governo federal orçar e incluir o

empreendimento em seu programa de concessões, bem como obter a licença ambiental prévia do empreendimento. A escolha da DERSA se deu em razão do acervo acumulado pela companhia ao longo do processo de planejamento e implantação do Rodoanel Mario Covas. O projeto de engenharia atualmente em curso deverá ser concluído em setembro de 2017. Embora a concepção do empreendimento ainda transite pelas pranchetas, trabalha-se hoje com uma estimativa de valor da ordem de 3,4 bilhões de reais para o empreendimento. O processo de licenciamento ambiental deverá ser concluído ainda em dezembro deste ano, enquanto se espera a aprovação da LP do empreendimento pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente e sua respectiva emissão pela CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Fundações e Obras Geotécnicas

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Livro

GEOMETRANDO E ARQUITETANDO – ENSINANDO E APRENDENDO

U

Uma das disciplinas mais complexas do período colegial, a geometria está presente no dia a dia de quem estuda e trabalha com matemática, porém quem atua na área de arquitetura, também precisa possuir noções desse assunto, que dependendo da maneira como é transmitido, pode parecer mais difícil. Por isso, para facilitar a compreensão desse tema, o arquiteto e professor da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), Munir Buarraj, lançou o livro Geometrando e Arquitetando – Ensinando e Aprendendo. Composto de 140 páginas, o livro tem como objetivo fornecer uma base técnica, teórica e prática, para que o leitor compreenda o mais rápido possível o assunto, que é um requisito na representação dos projetos arquitetônicos. Ao longo de 20 anos ministrando aulas e atuando como arquiteto, Buarraj também adicionou ao livro suas experiências na profissão, tanto na docência quanto na arquitetura. Ao decorrer do compêndio são mostradas fotos de obras projetadas pelo arquiteto, tanto em equipe, como sozinho. A palavra ‘arquitetando’, que compõe o título da obra, é uma referência a essas experiências vividas pelo autor, em seu trabalho na área. A publicação é destinada aos estudantes de arquitetura e segmentos relacionados, como uma espécie de guia, para que entendam melhor a área de geometria. Mestre em arquitetura pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da

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Fundações e Obras Geotécnicas

Autor: Munir Buarraj Editora: Zigurate Ano: 2017

Universidade de São Paulo), Munir Buarraj atua como arquiteto em diversas empresas e já participou de várias obras de grande porte, como a do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, do Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, da Central de Abastecimento da Cidade da Guatemala, entre outros empreendimentos.


Viva o Progresso.

www.liebherr.com.br info.lbr@liebherr.com www.facebook.com/LiebherrConstruction


Agenda

NACIONAL

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SETEMBRO

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CINPAR 2017 – CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE PATOLOGIA E REABILITAÇÃO DE ESTRUTURAS Cariri, Ceará www.cinpar2017.com O evento abordará temas de patologia, reabilitação de estruturas e métodos construtivos. O congresso é destinado aos profissionais da construção civil, engenharia e arquitetura, que buscam atualizar-se no setor. Ao longo dos três dias do encontro os participantes terão a possibilidade de aprender mais as técnicas de reabilitação e reforços de estruturas, quais ferramentas e tecnologias atuais são mais adequadas para identificar problemas, assim como verificar quais são as manifestações patológicas recorrentes.

ENECE 2017 – 20º ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA E CONSULTORIA ESTRUTURAL São Paulo, São Paulo http://bit.ly/1AcHlD7 Evento realizado anualmente pela ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), o encontro tem como propósito congregar profissionais envolvidos com projetos estruturais, construtores e estudantes. Além de palestras com debates sobre as tendências relacionadas com engenharia estrutural, durante o evento também terá a entrega de títulos de Associado Honorário aos profissionais que trabalham na área há mais de 40 anos.

INTERNACIONAL

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CONPAT 2017 – XIV CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE CONSTRUCCIÓN / XVI CONGRESSO DE CONTROL DE CALIDADE EM LA CONSTRUCCIÓN Assunção, Paraguai http://conpat2017.com/ A reabilitação de construções será discutida no evento com a participação de especialistas de diversos países. Entre os assuntos que serão debatidos, destacam-se os painéis sobre os novos materiais para a construção e reabilitação, com a exibição de estudos de caso e conferências sobre o tema. Patrocinado pela Alconpat Internacional (Asociación Latinoamericana de Control de Calidad, Patología y Recuperación de la Construcción), o encontro reunirá as principais estratégias e tecnologias para o setor da construção.

INTERNATIONAL CONFERENCE ON SUSTAINABLE INFRASTRUCTURE Nova York, Estados Unidos www.icsiconference.org/ A conferência tem como objetivo mostrar os últimos desenvolvimentos e avanços em design, construção, tecnologia, políticas e educação relacionados à infraestrutura sustentável no mundo. O evento mostrará as tendências e política da indústria que possam conduzir ao desenvolvimento sustentável, apresentará os mais recentes avanços em planejamento, projeto e construção de infraestrutura sustentável, além das ferramentas e pesquisas que contribuam com este processo.

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Fundações e Obras Geotécnicas

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OUTUBRO


Revista Fundações Ed.83  

A revista Fundações e Obras Geotécnicas completa 7 anos. Veja nossas notícias desta edição.

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