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Ano 8 | Nº 88| Fevereiro de 2018

www.revistafundacoes.com.br ISSN 2178-0668 | R$ 27,00

ESTRUTURAS MISTAS DE CONCRETO E AÇO OFERECEM ECONOMIA, PRATICIDADE E EFICÁCIA Plano desenvolvido para o FUTURO DAS ETES AMBIENTAIS

ENCOSTAS

PROCESSOS EROSIVOS em reservatórios


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Telefone: (11) 95996-6391* *Telefone celular com atendimento também por WhatsApp: das 10h às 18h

CONSELHO EDITORIAL São Paulo • Paulo José Rocha de Albuquerque • Roberto Kochen • Álvaro Rodrigues dos Santos • George Teles • Paulo César Lodi • José Orlando Avesani Neto • Eraldo L. Pastore • Sussumu Niyama • Fernando Henrique Martins Portelinha Minas Gerais • Sérgio C. Paraíso • Ivan Libanio Vianna • Jean Rodrigo Garcia Pernambuco • Stela Fucale Sukar Bahia • Moacyr Schwab de Souza Menezes • Luis Edmundo Prado de Campos Rio de Janeiro • Bernadete Ragoni Danziger • Paulo Henrique Vieira Dias • Mauricio Ehrlich • Alberto Sayão • Marcio Fernandes Leão Distrito Federal • Gregório Luís Silva Araújo • Renato Pinto da Cunha • Carlos Medeiros Silva • Ennio Marques Palmeira Rio Grande do Sul • Miguel Augusto Zydan Sória • Marcos Strauss Rio Grande do Norte • Osvaldo de Freitas Neto • Carina Maia Lins Costa • Yuri Costa Espírito Santo • Uberescilas Fernandes Polido

Associações que apoiam a revista

Fundador e idealizador: Francisjones Marino Lemes (in memoriam) Coordenação editorial e marketing: Jenniffer Lemes (jenni@revistafundacoes.com.br) Colaboradores: Gléssia Veras (Edição); Dellana Wolney (texto), Dafne Mazaia (Redes Sociais); Rosemary Costa (Revisão); Patricia Maeda (Projeto Gráfico); Agência Bud (Diagramação/Arte); Melchiades Ramalho (Artes Especiais) Contatos Pautas: glessia@revistafundacoes.com.br Assinaturas: assinatura@revistafundacoes.com.br Publicidade: publicidade@revistafundacoes.com.br Financeiro: financeiro@revistafundacoes.com.br Foto de capa: Divulgação CODEME Impressão: Gráfica Elyon Importante • A revista Fundações & Obras Geotécnicas é uma publicação técnica mensal, distribuída em todo o território nacional e direcionada a profissionais da engenharia civil. Todos os direitos reservados à Editora Rudder. Nenhuma parte de seu conteúdo pode ser reproduzida por qualquer meio sem a devida autorização, por escrito, dos editores. • A publicação segue o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. • Esta publicação é avaliada pela QUALIS, conjunto de procedimentos utilizados pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e encontra-se atualmente com classificação B4. • As seções “Coluna do Conselho”, “Artigo”, “Espaço Aberto”, “Opinião”, “Riscos Geológicos e Geotécnicos” e “Memória de Cálculo” são seções autorais, ou seja, têm o conteúdo (de texto e fotos) produzido pelos autores, que ao publicarem na revista assumem a responsabilidade sobre a veracidade do que for exposto e o devido crédito às fontes utilizadas.

Fundações e Obras Geotécnicas

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EDITORIAL

Neste ano, a revista Fundações & Obras Geotécnicas iniciará uma nova seção intitulada “Entenda”, que terá como objetivo apresentar uma seleção de temas em formato de infográfico. A escolha por esse formato se deve porque cada vez mais a infografia vem se firmando como um importante recurso da linguagem jornalística, como podemos constatar pela sua utilização expressiva em jornais impressos ou digitais, e revistas. O advento de novas mídias, tais como a televisão e internet, desafiou a linguagem tradicional dos jornais impressos, que tiveram que se reinventar a fim de não perder espaço diante dos novos meios midiáticos e de novas formas de se comunicar. Nesse contexto, ao unificar elementos pictóricos, esquemáticos e texto escrito, a infografia se revela como um importante recurso de linguagem gráfica, adaptável às novas mídias e capaz de fazer frente à demanda de modernização da comunicação. A relevância da utilização da infografia também se revela quando pensamos em fatos e explicações complexos que precisam ser comunicados e contextualizados, como os temas que escolhemos para iniciar esse primeiro ano da seção. Assim, o objetivo da infografia não é apenas tornar a informação mais atrativa, mas auxiliar o leitor a compreender algo que, comunicado de outra maneira, pode gerar dúvidas. Acompanhe a partir da edição 90 a estreia desse espaço na publicação.

DA REDAÇÃO

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CONSTRUÇÃO CIVIL NA PRÁTICA Divulgação Elsevier

INFOGRÁFICOS

O livro Canteiro de obras é o primeiro da coleção “Construção Civil na Prática” que mapeará processos, técnicas e regras para planejar a construção civil com seus métodos de controle para as melhores práticas. Apresentará casos reais, sites e leituras de aprofundamento, além de material extra (planilhas, checklist e documentação oficial para obras).

mídias sociais

UM RECORDE

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A concretagem da base da torre que irá sustentar os estais da ponte Xangai-Nantong, na China, estabeleceu o novo recorde mundial de volume de concreto por hora. Em 100 horas ininterruptas, foram concretados 46.899,94 m3. A logística para espalhar o material entre 7.420 toneladas de ferragens mobilizou 400 operários. A área para onde foi bombeado o concreto tinha profundidade de 9 metros. Por isso, o trabalho foi dividido em duas etapas.

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Fundações e Obras Geotécnicas

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10 NESTA EDIÇÃO 10

REPORTAGEM Solução híbrida

16 NOTÍCIA

Projeto de pesquisa aborda processos erosivos em reservatórios

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20 NOTÍCIA

O uso crescente dos plásticos na construção civil

24 ARTIGO

Determinação aproximada da probabilidade de falha do muro em balanço para contenção de terra

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DESTAQUE Edição de 2017 do GeoNE bate recorde de participantes

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EM FOCO Encostas

48 GEOTECNIA

Plano desenvolvido pela SABESP mostra o futuro das ETEs SEÇÕES

06 Jogo Rápido 08 Coluna do Conselho 50 Notas

38 Fundações e Obras Geotécnicas

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Jogo Rápido

por Dellana Wolney

Tecnologia de ponta

Areia industrial

Recentemente foi lançado pela empresa GCP Applied Technologies o VERIFI®, tecnologia que utiliza um sistema de sensores instalados no caminhão betoneira, cuja finalidade é medir, gerenciar e registrar as propriedades do concreto em trânsito. Baseado no conceito IoT (Internet das Coisas), os clientes que utilizam o VERIFI® estão conectados com dados em tempo real que permitem ajustar o concreto durante o transporte, melhorar a sua qualidade e desempenho, resultando assim no aumento da produtividade e redução do tempo de ciclo da produção do concreto. O gerente de marketing e tecnologia América Latina da GCPApplied Technologies, Daniel Aleixo revela que na área de Inteligência Artificial o VERIFI® é considerado atualmente o equipamento mais inovador do mercado de tecnologia de gestão do transporte de concreto. “Esta versão, que já é a terceira, é o resultado de mais de quatro anos de trabalho e pesquisas intensas na área de reologia, matemática e estatística, na predição de algoritmos matemáticos que se convertem nas medições de slump, temperatura e teor de ar do concreto”.

A areia industrial produzida por meio de material de descarte das minerações começa a ganhar espaço no Brasil, isso porque apresenta diversas vantagens econômicas, bem como sustentáveis, visto que a extração da areia natural causa grandes danos ao meio ambiente como: erosão, alteração do curso dos rios e da qualidade da água. As áreas de extração tem ficado em locais cada vez mais distantes dos centros consumidores, o que aumenta expressivamente o valor do frete, que tem grande impacto no preço final da obra. Neste caso, a areia industrial pode ser produzida nas próprias pedreiras, que geralmente possuem instalações próximas das centrais de concreto ou das obras. Outra vantagem é a sua flexibilidade de aplicação, podendo ser empregada em todos os concretos estruturais, mesmo manuais em betoneiras ou centrais de concreto, usinas de asfalto, fábricas de pré-moldados de concreto e como produto drenante e filtrante em ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto).

Minister President Rutte / Flickr

Desafio

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Fundações e Obras Geotécnicas

Composto por grandes bulevares, lojas de moda e um anfiteatro que segue a estética romana, Rawabi é o primeiro bairro planejado da Cisjordânia. Por estar em uma área conflituosa, foram necessários alguns acordos com Israel para que a obra de 1,4 bilhão de dólares fosse viabilizada. Uma das soluções encontradas foi que o material de construção consumido no projeto fosse produzido em Israel, inclusive o cimento. As obras do Rawabi tiveram início no ano de 2012 e hoje já abriga 3 mil habitantes, mas que no futuro pode chegar a 40 mil. É um desafio da engenharia e da arquitetura, em pleno território palestino. O projeto ainda tem mais um ponto de destaque, pois contou desde o começo com a participação da Palestine Polytechnic University, gerando diversos empregos diretos e indiretos, envolvendo ainda toda a comunidade acadêmica.


Coluna do Conselho

ÁREAS DE RISCO: SISTEMAS DE ALERTA ESCONDEM CRIME DE OMISSÃO

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Diferentemente de países com vulcanismo ativo, terremotos, furacões, tempestades tropicais cíclicas e outros poderosos agentes da natureza, no Brasil as áreas de risco estão inequivocamente associadas a erros humanos na ocupação de terrenos geológica, geotécnica ou hidrologicamente mais sensíveis e instáveis. Por exemplo, no caso de deslizamentos são ocupados terrenos que, por sua enorme suscetibilidade natural a esse tipo de fenômeno, não poderiam de forma alguma ser ocupados, ou são ocupados terrenos de média e alta declividade perfeitamente passíveis de receber uma ocupação urbana, mas com o uso de técnicas construtivas e arranjos urbanísticos tão inadequados que, mesmo nessa condição mais favorável, são transformados em um canteiro de áreas de risco. Aliás, as áreas de risco a deslizamentos no país são em sua maioria dessa natureza. Destaca-se que nessas duas condições, como também no caso de margens de córregos e várzeas sujeitas à inundação, a criação de áreas de risco está associada à busca de terrenos mais baratos por parte da população de baixa renda, que somente dessa forma consegue fugir de aluguéis e ter sua própria moradia. Dessa constatação, ou seja, a responsabilidade humana na instalação de áreas de risco, deduz-se que, diferentemente dos países com terremotos e vulcanismo ativo, por exemplo, no Brasil a eliminação de áreas de risco depende, na maioria dos casos, apenas da decisão humana em não mais cometer os erros que estão na origem causal do problema. Daí a importância em se distinguir o di-

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ferente papel dos sistemas de alerta naqueles países onde os fatores de risco são realmente naturais e em nosso país, onde os fatores de risco são antrópicos. No Brasil, o papel de um sistema de alerta cumpre uma função nitidamente emergencial e provisória, ou seja, é indispensável sua adoção enquanto ainda estejam sendo efetivadas as medidas verdadeiramente estruturais que podem e vão eliminar o risco detectado. E quais seriam essas medidas estruturais voltadas à eliminação de riscos? Podemos assim elencá-las concisamente: • criterioso planejamento do crescimento urbano, impedindo-se a ocupação de terrenos com condições naturais de muito alto risco e adotando-se planos urbanísticos e técnicas construtivas corretas na ocupação de terrenos de alto e médio risco; • implementação de programas de habitação popular que atendam a demanda da população de baixa renda por casa própria, reduzindo assim a pressão pela ocupação de terrenos impróprios à urbanização; • desocupação de áreas de muito alto risco já instaladas, com realocação dos moradores em novas habitações dignas e seguras; • consolidação urbanística e geotécnica de áreas de alto, médio e baixo risco já instaladas. Desgraçadamente, por incúria, desvios éticos e total descaso com o ser humano, essas medidas estruturais destinadas à eliminação dos riscos não recebem a mínima atenção dos três níveis de governo: o federal, o estadual e o municipal. À exceção do crescimento de


de fato implementada. Seria muito interessante ver como as autoridades públicas responsáveis por esse crime de omissão reagiriam caso fossem moradores em áreas de risco e vendo-se submetidas à brutalidade de, ao som de uma alucinante sirene, sob chuva

Arquivo pessoal

mapeamentos de risco, com a produção de cartas de suscetibilidade, cartas de risco e cartas geotécnicas, ferramentas imprescindíveis para a gestão do risco urbano, mas apenas ferramentas, pode-se dizer que muito perto do absolutamente nada está sendo feito em matéria de implementação de medidas estruturais de combate ao risco. E é nesse cenário que se apresenta como um expediente oportunista de extrema crueldade humana a decisão de dotar sistemas de alerta ao risco de caráter permanente e como única medida de gestão de riscos que, pelos seus baixos custos financeiros e pela ausência de complexidade política é

torrencial deixar suas casas às 3 horas da manhã carregando morro abaixo seus idosos, suas crianças, seus doentes e seus parentes com necessidades especiais para fugir da possibilidade de serem tragados pelo barro e pelas pedras de um deslizamento.

> RODRIGUES DOS SANTOS é geólogo, ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e atualmente trabalha como consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia e como diretor-presidente na empresa ARS Geologia Ltda. Também é autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual Básico para Elaboração e Uso da Carta Geotécnica” e “Cidades e Geologia”.


Reportagem

Solução híbrida Diversas vantagens estão presentes nas estruturas mistas de concreto e aço, dentre elas economia, praticidade e eficácia por DellanaWolney

A Fotos: Divulgação CODEME

As estruturas mistas de concreto e aço já possuem uma história solidificada dentro da engenharia civil, com mais de um século de utilização. O método se baseia na concentração dos elementos híbridos aço-concreto, cuja combinação tem como finalidade aproveitar as vantagens de cada material, tanto em termos estruturais como construtivos. O sistema misto, em que o perfil de aço trabalha juntamente com o concreto, pode formar pilares mistos, vigas mistas, lajes mistas

Laje mista

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e até mesmo ligações mistas. De acordo com o diretor e consultor-técnico da empresa CODEME, Roberval José Pimenta, a interação entre o concreto e o perfil de aço pode se dar por meios mecânicos (conectores, mossas, ressaltos etc.) ou por atrito. Uma estrutura mista é formada por um conjunto de sistemas mistos e os pilares mistos, por exemplo, consistem em um perfil de aço, I ou H, total ou parcialmente envolvido por concreto, ou um tubo de aço, circular ou retangular, preenchido com concreto. “As vigas mistas são constituídas por um perfil de aço que suporta uma laje de concreto, apoiada em sua mesa superior e a ela ligada por meio de conectores. Já as lajes mistas são aquelas em que uma fôrma de aço (steel deck) é incorporada ao sistema de sustentação das cargas, funcionando, antes do endurecimento do concreto, como suporte para as ações permanentes e variáveis de construção e, depois do endurecimento, como parte ou toda a armadura de tração da laje. Finalmente, uma ligação é denominada mista quando a laje de concreto participa da transmissão de momento fletor de uma viga mista para um pilar ou outra viga mista no vão adjacente”, explica. Sua definição também pode ser encontrada claramente na atual NBR 8.800 da ABNT


(Associação Brasileira de Normas Técnicas) – “Projeto de Estruturas de Aço e Estruturas Mistas de Aço e Concreto de Edifícios” (NBR 8.800) que descreve que ambos os materiais trabalham solidariamente entre si, sem que haja deslocamento relativo expressivo entre eles, comportando-se basicamente como um só material.

APLICAÇÃO

Pilar misto totalmente revestido

As estruturas de aço e de concreto vêm sendo intensivamente utilizadas no mundo há cerca de 170 e 120 anos, respectivamente. A partir da década de 1960 passaram a ser mais utilizados, com o desenvolvimento de métodos e disposições construtivas que garantem o funcionamento conjunto desses dois materiais, ampliando de forma considerável as opções de projeto e construção.

Pilar misto totalmente revestido mostrando as etapas simultâneas

Fundações e Obras Geotécnicas

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Reportagem

Os sistemas mistos são em geral empregados na construção de edifícios e pontes, e raramente em galpões. “Normalmente, edifícios cuja estrutura seja construída com aço, pode-se afirmar que, em sua quase totalidade, as vigas são projetadas e executadas como vigas mistas”, afirma Roberval José Pimenta. Ele ainda esclarece que a utilização de sistemas mistos amplia consideravelmente a gama de soluções em concreto armado e em aço. Para exemplificar, nos pilares mistos, a contribuição do aço na resistência

Pilar misto tubular de grande complexidade

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pode chegar a 90%, com a possibilidade de uso de diferentes perfis de aço estrutural, bem como diferentes disposições construtivas, comparando-se com as estruturas de concreto armado, em que essa contribuição normalmente não chega a 40%. Outro exemplo é o das vigas mistas, em que os perfis metálicos de alma cheia podem ser interligados a uma laje apoiada sobre eles, aumentando consideravelmente sua resistência e rigidez. Também nesse caso, diferentes tipos de perfis de aço e estrutural podem ser usados. Com a utilização de ligações mistas, aproveitam-se as armaduras já existentes na laje, por exemplo, para controle de fissuração, alterando, se for o caso, a quantidade e o comprimento das barras. Nas lajes mistas, com o uso das fôrmas que são incorporadas ao sistema, a etapa de desfôrma é dispensada e a quantidade de armadura é reduzida.

contra incêndio e corrosão; aumento da rigidez da estrutura. Já a principal limitação das estruturas mistas de aço e concreto é a falta de cultura de uso eo pouco conhecimento construtivo e as principais diferenças, comparando-se às estruturas de concreto é que as de concreto armado ou protendido são executadas a partir de uma fôrma, normalmente de madeira, dentro

da qual (ou sobre ela) a armadura é posicionada para, em seguida, proceder-se à concretagem do elemento, que pode ser um pilar, uma viga ou uma laje, por exemplo. No caso de uma estrutura mista, exceto nos casos de pilares mistos totalmente revestidos, a fôrma de madeira é substituída por um perfil de aço, que passa a trabalhar em conjunto com o concreto armado. Para que a estrutura híbrida seja

VANTAGENS Além da variedade de opções disponíveis e da possibilidade de obtenção de benefícios arquitetônicos e econômicos, Roberval José Pimenta ressalta que os sistemas mistos apresentam inúmeras vantagens em relação às estruturas de concreto armado, tais como: possibilidade de dispensa de fôrmas e escoramentos; redução do prazo de execução da obra; redução do peso próprio e do volume da estrutura, com consequente redução dos custos de fundação; aumento da precisão dimensional da construção em relação às estruturas de aço: redução considerável do consumo de aço estrutural; redução das proteções

Aqwa Corporate

Fundações e Obras Geotécnicas

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Reportagem

construída, o procedimento é similar à execução deestruturas de aço. Enquanto são realizadas as obras de terraplenagem e fundação da edificação (por exemplo, estacas, blocos e cintas), a estrutura básica de aço é produzida na fábrica de estruturas, onde os perfis e as chapas de aço recebem furação, corte, solda, contra-flecha e, finalmente, acabamento e pintura (caso exista). De acordo com o cronograma acertado com o cliente, a estrutura é transportada para o canteiro de obras. Os perfis de aço são então montados numa sequência previamente acertada com as demais disciplinas envolvidas no projeto, visando à máxima eficiência de tempo e custo e permitindo a execução de várias etapas simultâneas. Enquanto na parte superior da edificação é montada a estrutura básica de aço, nas partes intermediárias é montado o steel deck e, nas partes inferiores, é realizada a

The One

concretagem das lajes e dos pilares mistos, seguida das demais etapas da obra (proteção contra fogo, alvenarias, revestimentos, instalações etc.). O diretor e consultor-técnico da empresa CODEME, Roberval José Pimentafinaliza declarando que o

principal desafio da etapa de projetos é a obtenção de uma coordenação adequada entre as disciplinas envolvidas na construção, dada a falta de conhecimento desse sistema construtivo por parte dos demais projetistas e profissionais.

De uma maneira geral, pode-se afirmar que as edificações de múltiplos andares executadas pela CODEME são construídas com estruturas mistas de aço e concreto. Podem ser citados os seguintes edifícios: • Scala Work Center, em Belo Horizonte (MG);

• Hotel Parque Olímpico, no Rio de Janeiro;

• Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte;

• Cidade do Samba, no Rio de Janeiro;

• Concórdia Corporate, em Belo Horizonte;

• Edifício L’Oréal, no Rio de Janeiro;

• New Century, em São Paulo (SP);

• Salvador Shopping Center, em Salvador (BA);

• São Paulo Corporate Center, em São Paulo;

• Hospital Cardio-Pulmonar, em Salvador;

• The One, em São Paulo;

• Taguatinga Shopping, no Distrito Federal;

• Nações Unidas, em São Paulo;

• Edifício BS Design, em Fortaleza (CE);

• Frei Caneca Shopping, em São Paulo;

• E difício Aqwa Corporate, no Rio de Janeiro, que inclusive ganhou o prêmio Talento Engenharia Estrutural da ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) / Gerdau de 2017.

• Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo; • Edifício Senado, no Rio de Janeiro (RJ); • Hotel Porto Atlântico, no Rio de Janeiro;

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Notícia

Projeto de pesquisa aborda processos erosivos em reservatórios Os resultados da iniciativa deram origem a duas cartilhas e um livro por Dellana Wolney

O

O Brasil possui uma quantidade imensa de reservatórios em todo o seu território. Os processos erosivos que ocorrem nas margens e próximo às bordas destas estruturas resultam numa grande quantidade de sedimentos que são carreados para o seu interior, implicando desta forma, na perda de volume reservado e, consequentemente, na redução da capacidade de geração de energia e vida útil. Somente o perímetro dos reservatórios operados pela empresa Eletrobras Furnas corresponde a mais de duas vezes a extensão da costa brasileira, o que representa um pouco do tamanho do desafio. Com o intuito de conhecer os principais problemas existentes em alguns reservatórios do Brasil, o projeto de pesquisa intitulado “Monitoramento e Estudo de Técnicas Alternativas na Estabilização de Processos Erosivos em Reservatórios de UHEs (Usinas Hidrelétricas)” propôs técnicas de baixo custo para a contenção e remediação de processos erosivos instalados. O engenheiro e professor-titular da UFG (Universidade Federal de Goiás), Maurício

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Sales explica que o projeto surgiu de uma parceria entre o Programa de Pós-Graduação em Geotecnia, Estruturas e Construção Civil da UFG e o Programa de Pós-Graduação em Geotecnia da UnB (Universidade de Brasília) e também porque a Eletrobras Furnas conta com um fundo de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento fomentado pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). “A empresa tem por rotina avaliar as necessidades técnicas das áreas de construção, operação e geração de usinas hidroelétricas, além de parques eólicos e fotovoltaicos. Neste elenco destacou-se a problemática e os efeitos dos processos erosivos em margem de reservatório”, revela Sales que acrescenta que a Eletrobras possui milhares de quilômetros de margem que estão expostas ao problema, cujas consequências de gestão podem impactar na sociedade de forma geral. “Rotineiramente são lançados editais com propostas de projetos e o tema Erosões em Borda de Reservatórios foi contemplado no edital de 2010, que após


Fotos: Arquivo Maurício Sales

Parte da equipe idealizadora do projeto

concorrência, resultou na contratação da equipe da UnB”.

CARTILHAS

Cartilha sobre erosão

O projeto teve início no final de 2011 e a duração foi de quase cinco anos, sendo concluído em 2016. Dentre os principais produtos gerados pela iniciativa pode-se destacar: o estudo da suscetibilidade a processos erosivos lineares e laminares na bacia e, em maior detalhe, no entorno dos reservatórios estudados; proposta de uma metodologia para o estudo de novos empreendimentos; avaliação de técnicas de baixo custo empregadas; treinamento do quadro técnico da empresa no referido tema; e a elaboFundações e Obras Geotécnicas

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Notícia

ração de material bibliográfico em diferentes níveis de escolaridade para subsidiar ações de educação ambiental. Embora os frutos gerados pelo Projeto de Pesquisa “Monitoramento e Estudo de Técnicas Alternativas na Estabilização de Processos Erosivos em Reservatórios de UHEs” tenham sido benéficos e extremamente relevantes, chegar ao resultado final com sucesso demandou que diversos desafios fossem enfrentados, como a grande dificuldade de percorrer toda a extensão dos três reservatórios estudados (Batalha, Furnas e Itumbiara), implicando em vários dias de viagem para acessar locais de interesse e retirada de amostras e a elaboração de uma grande quantidade de mapas em

diferentes escalas para cobrir toda a área de estudo. Na cerimônia de encerramento do projeto foram lançados a cartilha “Meio Ambiente: Erosão em Borda de Reservatório” e o livro “Erosão em Borda de Reservatório”. Segundo Sales, estas publicações permitem que tanto pessoas leigas, quanto profissionais de nível técnico e superior entendam mais sobre o tema. A cartilha “Meio Ambiente: Erosão em Borda de Reservatório” busca despertar o interesse de crianças na faixa etária de 4 a 12 anos, por meio de brincadeiras e atividades lúdicas. O livro “Erosão em Borda de Reservatório”, tem como alvo o público infanto-juvenil e também ações de educação informais, visto que o problema é claramente apresentado e suas consequências discutidas. Já o livro traz as contribuições de 79 autores, com larga experiência sobre o tema, incluindo diversas abordagens, como: educação, legislação, materiais e metodologias, e um grande aprofundamento teórico em diversas áreas de conhecimento. “Acreditamos que possa ser utilizado em cursos de graduação e pós-graduação que abordem o tema”, ressalta Sales que ainda reforça: “o esforço de divulgação dos resultados de pesquisas em forma de livros e cartilhas é uma forma fundamental de popularizar a ciência e contribuir para o processo de educação ambiental”.

Tanto o livro como a cartilha estão disponíveis para download nos sites: https://gecon.eec.ufg.br/p/18785-publicacoes http://www.geotecnia.unb.br/publicacoes.php?id=21

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Fundações e Obras Geotécnicas


Notícia

O uso crescente dos plásticos na construção civil Moldáveis, flexíveis e resistentes, os plásticos estão se tornando materiais essenciais em alguns empreendimentos por Dafne Mazaia

O

ambientes e até mesmo ser parte da composição de algum eletrônico. Com o conhecimento de suas propriedades, diversos ramos da construção civil estão utilizando o material para auxiliar nas obras e também no acabamento delas. Banco de Imagens / Morguefile

Originado da palavra grega plastikos, que significa “próprio para ser moldado ou modelado”, o plástico tornou-se uma peça curinga em muitos setores da vida cotidiana, seja para guardar utensílios domésticos, seja para decorar

Alguns tipos de plásticos são recicláveis e colaboram para a sustentabilidade de projetos

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Fundações e Obras Geotécnicas


Divulgação / Amanco

a obra mais ágil, a fácil instalação dos materiais, a maior resistência à corrosão dos produtos, deixando-os mais duráveis. De acordo com a gerente de Inovação e Produtos da Mexichem Brasil, empresa detentora da marca Amanco, Fabiana Castro, o fato do plástico ser um produto mais durável, também reduz a necessidade de manutenção frequente, além de diversas facilidades que ele acarreta ao profissional que manuseia os materiais. “Devido aos avanços tecnológicos recentes, existem também materiais plásticos mais resistentes, com durabilidade superior a outros componentes comumente utilizados. Isso significa opções mais sustentáveis e baratas, pois demoram mais para sofrerem manutenção ou serem substituídos. Outro ponto a favor do plástico na construção civil é sua leveza, que facilita o transporte,

Material usado em PVC (Policloreto de Polivinila), um dos tipos mais aplicados na construção civil

manuseio e instalação, sem tirar sua robustez”, acrescenta. O engenheiro civil e diretor da Master House, empresa de manutenções e reformas, da unidade da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, Rômulo Tadeu Souza de Jesus, adiciona a fácil adaptabilidade do material como mais uma das vantagens para a escolha de plásticos. “Por pertencer a um grupo de materiais capazes de serem moldados em diversas formas Banco de Imagens / Morguefile

Os plásticos são criados a partir de resinas derivadas do petróleo e fazem parte do grupo das cadeias moleculares chamadas de polímeros. O início da fabricação dos plásticos sintéticos começou com a produção da baquelita (resina sintética), no início do século XX. Com a evolução da indústria e da química orgânica, muitas substâncias foram descobertas, como os poliestirenos, o vinil, as borrachas sintéticas e as poliuretanas e silicones, todos extraídos a partir de matérias-primas minerais e vegetais. Costumam ser divididos em duas categorias: os termoplásticos e os termorrígidos. Os termoplásticos são conhecidos como os mais moles e não sofrem alterações em suas estruturas químicas após o aquecimento, podendo ser fundidos novamente para constituírem um novo material, além de serem recicláveis. São eles: o polipropeno, o polietileno de alta densidade, o polietileno de baixa densidade, entre outros. O segundo grupo não se funde após o aquecimento, assim como são insolúveis e não recicláveis. Entre eles, destacam-se as lentes de óculos, alguns utensílios de cozinha, algumas peças plásticas de aparelhos televisores, entre outros.

VANTAGENS NAS OBRAS Desde seus primeiros usos, a sociedade entendeu como o plástico poderia ser empregado de diversas formas e em variados locais, inclusive como um material de construção. Entre os benefícios que o tornaram um item essencial em obras, constam: a capacidade de deixar

Tubos de água também podem ter plásticos em sua composição

Fundações e Obras Geotécnicas

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Notícia

como o hypalon, as resinas alquídicas, fenólicas e vinílicas.

LOCAIS ONDE PODEM SER UTILIZADOS Há ocasiões em que o plástico pode até substituir materiais convencionais da construção civil, como ferro e concreto, por exemplo. A empresa Amanco desenvolve tubos e conexões plásticas que substituem o ferro e o

Banco de Imagens / Morguefile

por meio da deformação, o plástico é um material que se torna indispensável nas obras”, informa. Dentre os plásticos, existem os tipos que são mais aplicados no setor da construção civil, como o PVC (Policloreto de Polivinila), fiberglass, acrílico, silicones, polietileno, policarbonato, neoprene, poliamidas, entre outros. Há ainda aqueles que não são comumente empregados,

Os plásticos costumam ser materiais versáteis, sendo empregados em diversos setores

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Fundações e Obras Geotécnicas

concreto, empregados em obras de infraestrutura, como tubos de esgoto e de distribuição de água. Segundo Fabiana Castro, há produtos da Amanco que evitam fissuras, dando um melhor resultado ao projeto. “A Amanco desenvolve soluções para obras de infraestrutura que são capazes de suportar a fratura frágil e a propagação lenta de fissuras. Isso proporciona ao tubo a formação da


Adaptadores de pressão, produtos de plástico destinados à instalação de sistemas para ligação dos ramais prediais de água

Fotos: Divulgação / Amanco

parede em camadas, que estrutura um meio contínuo, evitando a transmissão da falha”, diz. Conforme a country manager da Radici Group, empresa italiana de poliamidas, intermediários químicos, plásticos, fibras sintéticas e nãotecido no Brasil, Jane Campos, os plásticos são necessários também quando a obra demanda resistência e flexibilidade ao mesmo tempo. “Onde precisamos não

Anel de vedação, muito empregado em esgotos sanitários

somente de estruturas, mas também de resistência mecânica adicionada à flexibilidade, resistência a intempéries etc., são ocasiões em que eles podem ser utilizados. Um exemplo são os tubos de cobre para aquecedores que podem ser substituídos por tubos extrudados em poliamidas modificadas, como a nossa linha Radilon Xtreme que resiste a altas temperaturas e é de fácil moldagem”, explica.

CUIDADOS E RECICLAGEM Mesmo com tantos pontos positivos, os especialistas alertam para que sejam tomadas precauções ao lidar com os plásticos. De acordo com a gerente de Inovação e Produtos da Mexichem Brasil, da Amanco, deve-se evitar manusear o material próximo ao fogo, além de dar importância ao armazenamento. “Devem ser mantidos em locais sombreados, livres de ação direta ou exposição contínua ao sol, evitando possíveis deformações e descolorações provocadas pelos raios UV (ultravioleta)”, recomenda. Fabiana Castro também adverte sobre a maneira como eles devem ser

transportados. “Não é recomendado sobrepor as bolsas e/ou curvar os tubos; balançar e manusear bruscamente; permitir contato com extremidades pontiagudas; colocar materiais ou ferramentas sobre o tubo e andar sobre eles”, avisa. Para o engenheiro civil e diretor da Master House, Rômulo Tadeu Souza, os profissionais também devem atentar-se ao tipo de plástico a ser usado. “Outro ponto importante refere-se ao uso de plásticos que não acarretam alterações físicas do material, pois podem perder suas características”, alerta. Com os devidos cuidados, os plásticos podem ser até mesmo ser reciclados em empreendimentos que utilizem estes materiais. “O reaproveitamento de resíduos em obras, incluindo os plásticos, tem sido usual em vários empreendimentos, inclusive os que buscam a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Este selo é um diferencial em grandes empreendimentos hoje no Brasil”, conta. Cada vez mais em expansão no mundo, o plástico vem sendo muito utilizado e tornou-se fundamental em vários aspectos. Fundações e Obras Geotécnicas

23


Artigo

DETERMINAÇÃO APROXIMADA DA PROBABILIDADE DE FALHA DO MURO EM BALANÇO PARA CONTENÇÃO DE TERRA MSc. Nelson Padrón Sánchez Doutorando em Geotecnia. Pós-Graduação em Geotecnia. Faculdade de Tecnologia. UnB (Universidade de Brasília), Brasília nelsonwerpnsn@gmail.com DSc. Ernesto Luciano Chagoyén Méndez Professor da “Universidad Central de Las Villas”. Faculdade de Construções. Universidad Central de las Villas, Santa Clara, Cuba chagoyen@uclv.edu.cu DSc. Gregório Luis Silva Araújo Professor da Pós-Graduação em Geotecnia e da Faculdade de Tecnologia. Universidade de Brasília, Brasília gregorio@unb.br

RESUMO Este trabalho visa determinar aproximadamente a probabilidade de falha de um muro em balanço para contenção de terra. O muro foi projetado de forma determinista, e neste trabalho realiza-se uma análise levando em consideração as possíveis variabilidades dos parâmetros característicos dos solos. Foi empregado um método determinístico e logo aplicados métodos probabilísticos aproximados, chamados Primeira Ordem, Segundo Momento e o Método das Estimativas Pontuais.Foram determinados fatores 24

Fundações e Obras Geotécnicas

de segurança determinísticos assim como as probabilidades de falha do muro. Precisou-se avaliar só uma parte das restrições de projeto para concluir na instabilidade do muro seu máximo dimensionamento possível, contrário às análises determinísticas prévias. Palavras-chave: Muro de Flexão, Probabilidade de Falha, Estatística, FOSM e Rosenblueth.

INTRODUÇÃO Há muitos anos na República de Cuba vem sendo construídas diversas

instalações, a maioria turísticas, com a finalidade de equilibrar a crescente demanda turística da ilha. Além das construções nas zonas de praia, o turismo na parte urbana das cidades e na parte rural é de grande interesse. Nesse contexto, com maior frequência tem sido necessária a revisão de obras existentes. Este trabalho visa analisar a estabilidade de um muro de flexão para conter um pequeno desnível de terreno, modificação imprescindível tendo em vista a mudança de uso de uma área. A área foi estudada mediante uma investigação geotécnica e foram realizados ensaios de laboratório de mecânica dos solos no material coletado. Posteriormente, foram determinadas estatisticamente as principais características físico-mecânicas do solo do local no qual seria construído o muro e construído e muro e também o solo solo para o preenchimento, colocado depois da construção terminada do muro. Por meio do emprego das normativas de Cuba, escolheu-se fazer o projeto do muro mediante a conformidade com os estados limites seguindo as práticas nacionais daquele


país, com uma diferença que consistiu no emprego de métodos estatísticos na análise e não os determinísticos normalmente utilizados. Este muro estava prestes a se construir, já seu projeto resultou estável para todas as condições de trabalho avaliadas. Com a análise feita neste trabalho foi possível entender melhor o que aconteceria em caso da ocorrência de possíveis mudanças nas características físico-mecânicas dos solos, por sua variabilidade própria, tendo em vista a quantidade de incertezas e hipóteses assumidas tradicionalmente na determinação dos parâmetros mediante ensaios.

1 DESCRIÇÃO DA OBRA E MÉTODOS 1.1 ÁREA DE ESTUDO A área do estudo encontra-se na República de Cuba, maior ilha do

Caribe. Baseando-se nos estudos geotécnicos foi observado que o solo local era composto apenas de um tipo de material (Solo A). Por sua vez, como material de preenchimento foi empregado outro solo (Solo B). Os resultados de algumas propriedades dos solos com suas variações estão apresentados na Tabela 1. Também foram consultados os trabalhos de González & Quevedo (2007) e Martínez & Quevedo (2011) para estabelecer a metodologia de trabalho. Sendo: γf(kN/m³) Peso específico úmido do solo c’(kPa) Coesão ф(º) Ângulo de atrito

1.2 ELEMENTO A PROJETAR E METODOLOGIA EMPREGADA Trata-se de um muro em balanço

Tabela 1 – Algumas das propriedades do Solo A e Solo B Propriedades

Solo A

Solo B

Valor médio

σ*

Valor médio

σ*

20.15

1.01

c’ (kPa)

41.0

16,4

5,0

2,0

ф (º)

12.0

1.20

29.0

2.90

γf (kN/m³)

*Obtidos de CVγf =5%, CVC =40% e CVф =10%

Tabela 2 – Características físico-mecânicas Medida

Pré-dimensionamento (m)

Dimensionamento (m)

H

≤ 10

6,0

bo

= (0.2 -0.5)

0,5

b

= (0.4-0.7)H

4,0

bl

= (1/4 -1/3)b

1,3

ht

=(1/8-1/12)H

0,5

Hp

< H

1,0

para contenção de solo para resolver um desnível de terreno de 6 metros. O pré-dimensionamento da estrutura foi baseado no trabalho de Quevedo (2004) e é apresentado na Figura 1 e na Tabela 2.

Figura 1 – Pré-dimensionamento do muro

Para as análises geotécnicas foi usado o Método dos Estados Limites (Quevedo, 2004), que avalia os critérios de estabilidade mostrados na Tabela 3. Para entender a metodologia de Quevedo (2004) é mostrada uma parte da conceitualização desta: • Estado Limite de Deformação: Estado Limite que garante a funcionalidade da estrutura, checando que todos os deslizamentos ou deformações que se originam na base da fundação devido à ação das cargas não sejam maiores do que os limites permissíveis, de tal forma que assegurem a correta utilização da estrutura. • Estado Limite de Estabilidade: Estado Limite que garante a funcionalidade por capacidade de carga da base da fundação, projetando-se para lograr a resistência e estabilidade da estrutura, ante o efeito dos esforços solicitantes com seus valores de cálculo. Fundações e Obras Geotécnicas

25


Artigo

• Teoria de Seguridade: é um método probabilístico utilizado para estabelecer a seguridade introduzida no projeto, valorizando a variabilidade de todas as variáveis aleatórias participantes do problema. É utilizada para determinar os coeficientes de seguridade adequados que devem ser empregados no projeto por Estados Limites. • Coeficiente das características físicomecânicas do solo (γg): coeficiente que toma em conta os possíveis desvios das características físico-mecânicas do solo com seus valores médios, nas equações 1 a 4 apresentam-se como são aplicados. • Coeficiente de Seguridade Adicional (γs): Coeficiente que avalia a importância da falha, dependendo

do tipo de construção e as condições de trabalho da base da fundação. Valores na tabela 4. Foi um critério adotado pelos autores não incluir nesta metodologia todas as possibilidades de variação das características físico-mecânicas, pois não avaliou-se todas as possibilidades de variação das propriedades do solo, o que é realmente feito na continuação neste trabalho. Os valores para coeficientes de segurança utilizados nas propriedades dos solos para o cálculo são obtidos pela metodologia proposta nas tabelas de Quevedo (2004), específicas para Cuba. γg = 1.05, γgc = 1.35. Para solos C-φ com (φ ≤ 25º) γgtg = 1.15, Para solos φ com (φ> 25º) γgtg = 1.1 γ

φ

φ

Tabela 3 – Condições de projeto da metodologia utilizada Estado Limite

Estabilidade contra

Primeiro

Tombamento Deslizamento da base do muro Capacidade de carga da fundação Ruptura global

Segundo

Recalque excessivo

Tabela 4 – Valores do coeficiente de segurança adicional Condições de Trabalho

Tipo de ruptura

γs

Leve

1,00

Grave

1.05

Muito Grave

1.05

Leve

1.05

Grave

1.05

Muito Grave

1.10

Leve

1.05

Grave

1.10

Muito Grave

1.10

Favoráveis

Normais

Desfavoráveis

26

Fundações e Obras Geotécnicas

Neste caso, os valores das características físico-mecânicas de cálculo são afetadas a partir de:

O método introduz a seguridade também diminuindo as características favoráveis e acrescentando desfavoráveis, então o coeficiente para a carga permanente estabilizadora, tendo em vista que esta ajuda na estabilidade do muro, é minorado com o coeficiente de carga (Cc) = 0,9 e os valores do fator de segurança adicional tem os valores apresentados na Tabela 4. A seleção de tal valor (γs) segundo Quevedo (2004): • Condições de trabalho, em função da complexidade geotécnica da área sobre a que está situada a obra e sua classificação deve ser incluída no relatório geotécnico da área. • Tipo de ruptura, classificando-as a partir de sua importância de acordo as consequências que podem ocasionar a falha, enquanto a magnitude de perdas de vidas humanas, econômicas e ecológicas. Neste caso, γs = 1 seguindo o relatório geotécnico que define que a obra apresenta condições de trabalho favoráveis e tipo de ruptura: leve; o que resulta conveniente ademais, para não misturar as análises estatísticas


que originaram o método com as análises probabilístas que fazemos neste trabalho.

1.3 MÉTODOS PROBABILÍSTICOS Basicamente são classificados em dois grandes grupos, os métodos exatos e os métodos aproximados. Vargas (2013) estudou o método exato de Montecarlo também para um muro de contenção. Neste trabalho adotou-se um método mais simples empregando-se metodologias aproximadas que, segundo (Assis, 2014 ) e (Farias & Assis, 1998), apresentam resultados bem semelhantes ao método exato. Realizou-se uma análise levando em consideração as possíveis variabilidades de algumas propriedades do problema em análise, ao introduzir no método dos estados limites o conceito de um fator de segurança obtido como a relação entre forças e momentos desestabilizadores e estabilizadores, sendo seu máximo valor 1. Foram utilizados dois métodos, sendo o primeiro o apresentado no trabalho de Baecher & Christian (2003) e o segundo baseado no trabalho de Rosenblueth (1975). O primeiro é chamado Primeira Ordem Segundo Momento (FOSM – First-Order, Second Moment), em que o valor médio da variável dependente (Fator de Segurança) é calculado a partir dos valores médios das variáveis independentes. Por sua vez, o desvio padrão é calculado a partir das variações dos parâmetros de entrada e das derivadas da variável dependente em relação a cada variável independente. Isso possibilita determinar o

peso de cada variável independente e desconsiderar as de menor peso ou influência na solução. O segundo método empregado, conhecido como Método das Estimativas Pontuais (PEM) ou também chamado Método Rosenblueth, leva apenas em conta as variáveis de peso significativo determinadas mediante FOSM. A priori, esse método dispensa o conhecimento das funções de distribuição das variáveis independentes. Ele emprega apenas os valores das estimativas pontuais calculados na média mais um desvio padrão e média menos um desvio padrão de cada variável. A variável dependente é calculada para estes pontos, obtendo-se uma amostra da qual se pode calcular sua média e desvio padrão. O método é considerado versátil e de fácil aplicação, entretanto, deve-se assumir uma distribuição para a variável dependente e supõe-se que a distribuição de cada variável independente seja simétrica.

1.3.1 MÉTODO FOSM O truncamento da função de expansão da série de Taylor forma a base deste método. As saídas e entradas de dados são expressas por valores esperados e desvios-padrão. As vantagens deste tipo de solução são cálculos matemáticos simplificados e o conhecimento apenas dos valores dos momentos das distribuições estatísticas das variáveis que formam a função. As desvantagens são os requisitos matemáticos necessários às derivações, embora mais simples que de outros métodos exatos, geralmente não são elementares (Assis, 2014).

A função FS (Fator de Segurança) é avaliada para os pontos médios de todas as variáveis independentes, bem como é a variância de FS. As expressões da série de Taylor foram truncadas a partir de seus termos de segunda ordem, desprezando, portando, os efeitos dos terceiros e quartos momentos probabilísticos. Resultando na expressão 5. No entanto, esta aproximação é plenamente aceitável para fins práticos (Assis, 2014).

1.3.2 MÉTODO DE ROSENBLUETH Conhecido como Método das Estimativas Pontuais (PEM), é um método aproximado mais simplificado e somente compromete ligeiramente a acurácia se as dispersões das variáveis envolvidas forem muito grandes. Consiste em estimar os momentos (média, desvio padrão, coeficiente de assimetria etc.) da variável dependente em função das variáveis aleatórias independentes, para as quais se conheçam pelo menos dois momentos, média e desvio-padrão (ou pelo menos suas estimativas). Isso é feito sem a necessidade de conhecer as distribuições de probabilidade completas das variáveis independentes ou da dependente (Assis, 2014). Assim, neste trabalho o método probabilístico FOSM foi usado para a determinação das propriedades de maior influência dentro das analisadas inicialmente. Após isso, o método de Rosenblueth foi empregado para Fundações e Obras Geotécnicas

27


Artigo

obtenção da probabilidade de ruptura do muro com as variáveis que têm maior peso no cálculo.

empregada a equação 6 e para a verificação da estabilidade do deslizamento da base foi usada a equação 7. Começou-se primeiramente por estes dois critérios de projeto (tombamento e deslizamento da base), para avaliar se com o dimensionamento máximo possível o muro é estável, se for, outros critérios também serão avaliados.

2 CÁLCULO GEOTÉCNICO DO MURO A partir da aplicação do método dos estados limites foram realizados os cálculos. Para a verificação da estabilidade ao tombamento foi

Sendo a critério dos autores o Fator de segurança - FS = 1 o valor limite superior, com FS encontra-se a ruptura do muro e para FS < 1 o muro se considera estável. Tem-se que

Tabela 5 – Determinação da probabilidade de ruptura empregando o método FOSM com relação à variação das características do solo B para a análise de estabilidade ao tombamento Xi

δXi

δFSii

δFSii δXi

V[Xi]

20,15

2,02

0,01

0,0050

1,0201

0,0000251

1,90

c´ (kPa)

5

0,50

0,00

-0,0060

4

0,0001440

10,87

φ (°)

29

2,90

-0,03

-0,0117

8,41

0,0011000

87,24

FSmédio

0,324

V[FS]

0,0013

ps

0,00%

S[FS]

0,0364

Tombamento γf (kN/m³)

δFSii δXi

2

*V[Xi]

Peso (%)

100

Tabela 6 – Determinação da probabilidade de ruptura empregando o método FOSM com relação à variação das características do B para a análise de estabilidade ao deslizamento pela base Xi

δXi

δFSii

δFSii δXi

V[Xi]

20,15

2,02

0,07

0,0367

1,0201

0,001380

15,49

c´ (kPa)

5

0,50

-0,01

-0,0140

4

0,000784

8,83

φ (°)

29

2,90

-0,08

-0,0283

8,41

0,006720

75,69

FSmédio

0,958

V[FS]

0,0089

ps

32,79%

S[FS]

0,0943

Deslizamento γf (kN/m³)

δFSii δXi

2

*V[Xi]

Peso (%)

100

Tabela 7 – Determinação da probabilidade de ruptura empregando o método FOSM com relação à variação das características do solo A para a análise de estabilidade ao tombamento

28

Deslizamento

Xi

δXi

δFSii

δFSii δXi

V[Xi]

c´ (kPa)

41

4,10

-0,05

-0,0132

268,96

0,04670

97

φ (°)

12

1,2

-0,04

-0,0317

1,44

0,00144

3

FSmédio

0,958

V[FS]

0,0481

ps

42,00%

S[FS]

0,2193

Fundações e Obras Geotécnicas

δFSii δXi

2

*V[Xi]

Peso (%)

100


cumprir todas as condições ou testes, além das duas inicialmente avaliadas nesse trabalho. Considerou-se o FS contrário à convenção tradicionalmente empregada, para destacar que o método empregado é diferente as análises de muros pelo método do fator de seguridade, também empregado em Cuba em projetos de muros de menor importância.

A probabilidade de ruptura do muro será calculada para cada evento, para uma distribuição normal de probabilidades. Determinamos a probabilidade de segurança, entrando na distribuição normal com o fator de segurança médio e seu desvio padrão, identificando esse valor obtido neste documento com um asterisco. Logo para determinar a probabilidade de ruptura, basta determinar a diferença com a unidade, ou seja, 1. Com a variação das características do solo B em 10% acrescendo-as, a estabilidade da massa de solo é melhor o que torna mais segura a estabilidade do muro.

3 APLICAÇÃO DOS MÉTODOS PROBABILÍSTICOS 3.1 MÉTODO FOSM

influência no teste de tombamento, como é lógico devido que o solo da base não influi no tombamento e a probabilidade de falha é somente a do teste de deslizamento, sendo ligeiramente maior que a anterior. Pf(m.d) = 1-0,58* = 0,42 Os resultados mostram a importância da definição do peso das variáveis, para conhecer sua participação no cálculo da estabilidade do muro. Como os dois solos são muito distintos, o resultado do peso das propriedades de cada solo foi diferente. Para o caso em estudo, a propriedade mais relevante para o solo B foi o ângulo de atrito e para o solo A foi a coesão. O peso específico do solo tem alguma importância, porém será excluído da análise empregando o método Rosenblueth.

Pf (tombamento) = 1-1* = 0

Os resultados baseados na análise empregando o método FOSM estão mostrados na Tabela 5, na Tabela 6 e na Tabela 7. Pode-se observar que as probabilidades de ruptura foram obtidas com a variação das características do solo B.

Pf (deslizamento) = 1 – 0,6721* = 0,3279 Com a variação das características do solo A, veja Tabela 7, não existe

Tabela 8 – Determinação da probabilidade de falha (PEM) com relação à variação das características do solo A e solo B Variando as características do solo A

Variando as características do solo B

No. de corrida C (kPa)

φ (°)

FSTomb.

FSDesliz.

C (kPa)

φ (°)

FSTomb.

FSDesliz.

1

57,4

13,2

0,324

0,748

7

31,9

0,278

0,85

2

57,4

10,8

0,324

0,8

7

26,1

0,348

1,019

3

24,6

13,2

0,324

1,193

3

31,9

0,302

0,901

4

24,6

10,8

0,324

1,331

3

26,1

0,375

1,08

FSmédio

-

-

0,324

1,018

-

-

0,325

0,9625

S[FS]

-

-

0,000

0,2881

-

-

0,0438

0,1056

Probabilidade

-

-

-

0,4751

-

-

1

0,6388

pf

-

-

-

0,5249

-

-

0

0,3612

Fundações e Obras Geotécnicas

29


Artigo

Tabela 9 – Resumo dos Fatores de Segurança obtidos Método

Teste

γs

Solo A**

Solo B**

FSmédio

0,3240

0,3150

S[FS]

0,0000

0,0364

FSmédio

0,9120

0,9530

S[FS]

0,2193

0,0943

FSmédio

0,3240

0,3258

S[FS]

0,0000

0,0438

FSmédio

1,0180

0,9625

S[FS]

0,2881

0,1056

Tombamento FOSM Deslizamento

Tombamento PEM Deslizamento

FSTomb. = 0,324* * Sem variação das propriedades do solo

**Com variação das propriedades do solo

3.2 MÉTODO PEM OU ROSENBLUETH O resultado obtido pelo Método das Estimativas Pontuais, na Tabela 8, permite observar os valores das probabilidades de ruptura para cada caso. Foi encontrado que já no segundo teste do primeiro estado limite, o muro apresentou a ruptura ao deslizamento pela base. Um resumo dos Fatores de Segurança obtidos está apresentado na Tabela 9. Sendo S[FS] o desvio do fator de segurança médio ().

CONCLUSÕES Este artigo apresentou a análise da estabilidade de uma estrutura de contenção em Cuba baseando-se nas normas locais e dos resultados obtidos, pode-se observar que: o teste de tombamento teve resultado estável do muro,enquanto a condição ou teste 30

Fundações e Obras Geotécnicas

FSdesliz. = 0,958*

de deslizamento, como observado nas Tabelas 8 e 9, evidenciou instabilidade; resultado diferente de quando calculado mediante os valores médios dos parâmetros do solo que para todas as condições avaliadas foi estável. Devido o muro ficar instável com as dimensões máximas possíveis, não foi preciso continuar as comprovações de capacidade de carga da fundação, ruptura global e recalque excessivo. Como esperado, as variações dos parâmetros dos solos influem significativamente nas probabilidades de ruptura do muro de contenção, independentemente do método estatístico usado. Os métodos probabilísticos permitem comprovar a importância da análise realizada, tendo em vista que, pela análise determinística, não haveria ruptura do muro para os dois critérios avaliados.

Para o caso estudado, a aplicação do método probabilístico FOSM mostrou que as variáveis de maior peso nas análises foram o ângulo de atrito e a coesão. A variação de γf não foi de muita importância quando são analisadas as probabilidades de falha obtidas pelos dois métodos probabilísticos. Com a aplicação do método PEM foram obtidos resultados aproximados aos de FOSM, somente se considerar o γf do solo B, devido ao pouco peso deste. Além disso, encontra-se um acréscimo importante da probabilidade de falha. Os obtidos com PEM são maiores que os obtidos com FOSM e que o obtido sem variação das propriedades. A probabilidade de falha com a variação das características do solo A foi maior, com aplicação do PEM. Com esses métodos foram deter-


minados fatores de segurança assim como as probabilidades de falha do muro, para cada condição de projeto avaliada, permitindo conhecer mais realisticamente as condições prováveis para as variáveis consideradas, dado que os métodos podem se complementar como concluído também por Farias & Assis (1998) onde como neste caso o método FOSM apresenta a vantagem de quantificar a influência relativa de cada parâmetro, além de exigir em princípio menos análises. No entanto, pode fornecer probabilidades de ruptura abaixo das fornecidas pelo método de Rosenbluet. Foi preciso executar ações que diminuam as probabilidades de falha e aumentem os fatores de segurança, as dimensões escolhidas no início foram as maiores possíveis e o muro é instável.

Estes cálculos permitiram conhecer a realidade mais provável que pode acontecer, se o muro for construído, o que não é recomendado pelos autores. Em caso de condições não consideradas, com chuvas, sismo etc., outras análises teriam que ser feitas, assim como para qualquer outra fonte de variabilidade nas condições de projeto antes comentadas.

AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à empresa cubana que nos permitiu utilizar os dados da sua investigação geotécnica da área de interesse (ENIA UIC VC), que foram imprescindíveis para a realização deste artigo. Este trabalho foi apresentado no COBRAMSEG (Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) 2016.

REFERÊNCIAS ASSIS, A. P. (2014). Métodos Estatísticos em Geotecnia, Notas de Aulas, Pós-Graduação em Geotecnia, Faculdade de Tecnologia. Departamento de Engenharia Civil, Universidade de Brasília. BAECHER, G., & CHRISTIAN, J. (2003). Reliability and Statistics in Geotechnical Engineering. ISBN: 978-0-471-49833-9, John Wiley & Sons Canada Ltd, 618 p. FARIAS, M. M., &ASSIS, A. (1998). Una comparação entre métodos probabilisticos aplicados a estabilidade de taludes. COBRAMSEG, Brasil. GONZÁLEZ, A. V., &QUEVEDO, G. (2007). Aplicación de la teoría de seguridad al diseño de cimentaciones en arenas. Chequeo de linealidad. Ingeniería de la construcción. Vol. 22. No. 2., 25-36. MARTÍNEZ, A., & QUEVEDO, G. (2011). Análisis estocástico y diseño probabilista en la geotécnia. Aplicación al diseño geotécnico de cimentaciones superficiales en suelos cohesivos. . Revista de la Construcción vol.10.No.1. ISSN 0718-915x., 15-23. QUEVEDO, G. (2004). Diseño geotécnico de muros. Notas de aula da disciplina Projeto de fundações e muros (em Español), Facultade de Construções.Universidad Central de la Villas, Facultad de construcciones. ROSENBLUETH, E. (1975). Point estimates for probability. Proceedings of the National Academy of Sciences (P NATL ACAD SCI USA). VARGAS, R. (2013). Análises da influência da variabilidade dos parámetros geotécnicos no projeto geotécnico de muros de contencão, utilizando o método de Monte Carlo. (em Espanhol). Trabalho de TCC, Facultade de Ciencias e Engeniería. Universidade Católica de Perú. Lima, Perú, 81 p.

Fundações e Obras Geotécnicas

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Fotos: Divulgação GeoNE 2017

Destaque

Cerca de 500 participantes estiveram presentes no GeoNE 2017

EDIÇÃO DE 2017 DO GEONE BATE RECORDE DE PARTICIPANTES Cerca de 500 pessoas estiveram presentes em Maceió, confirmando o sucesso dos eventos regionais por Dellana Wolney

M

Maceió (AL) recebeu o GeoNE 2017 (Simpósio de Geotecnia do Nordeste) nos dias 16 e 17 de novembro de 2017. Cerca de 500 participantes estiveram presentes no evento, provando que embora seja a nível regional, a sua relevância ultrapassa barreiras e reúne acadêmicos, projetistas, executores, empre-

32

Fundações e Obras Geotécnicas

sários, expositores, alunos de graduação e pós-graduação do Brasil inteiro. Para o engenheiro, presidente do Núcleo Nordeste da ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) e da Comissão de Apoio do GeoNE 2017, Ricardo Severo, um dos destaques surpreen-


dentes foi a presença permanente dos participantes no auditório. “Do início ao fim, era notória a lotação do espaço. Houve uma intensa participação de todos os presentes, que buscavam o mesmo objetivo: apreender e atualizar os conhecimentos sobre geotecnia em seus vários aspectos”, afirma. O simpósio foi promovido pela ABMS Nordeste e organizado pela UFAL (Universidade Federal de Alagoas) e teve a mesa de abertura formada pela engenheira e presidente do GeoNE 2017, Juliane Marques; pelo engenheiro e presidente da ABMS, Alessander Kormann; por Ricardo Severo; pelo representante da reitoria da UFAL, Alejandro César Frery; pelo professor da UFAL, Luciano Barbosa dos Santos e pelo engenheiro

do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, Victor Correia Vasconcellos. Na ocasião de abertura do GeoNE 2017, todos os participantes falaram um pouco sobre a importância dos eventos científicos regionais, embora o Brasil e o segmento estejam ainda passando por um momento de crise. Kormann, por exemplo, chamou a atenção para o sucesso que o evento já tinha alcançado, devido ao número expressivo de participantes e ressaltou que as iniciativas regionais têm sido muito bem aceitas e também positivas para a ABMS. “Existem muitos desafios, dúvidas, estudos e casos de obras especificamente regionais que podem utilizar eventos como o GeoNE para serem mostrados”, ressalta. Juliane Marques destacou que este

foi o maior Simpósio de Geotecnia do Nordeste realizado até o momento e levando em consideração todas as respostas positivas, ela agradeceu todos aqueles que fizeram esse evento acontecer, inclusive aos participantes, palestrantes e as empresas que acreditaram e investiram. Desde o começo ela declarou a sua satisfação. “Considero desde já o GeoNE 2017 um sucesso, tanto pelo número de inscritos, qualidade dos palestrantes, quanto das empresas e instituições que nos apoiaram”.

HOMENAGEM A grande Conferência Jaime Gusmão Filho teve como palestrante o engenheiro e professor-titular da Escola Politécnica da USP (Univer-

Mesa de abertura do GeoNE

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Destaque

sidade de São Paulo), Faiçal Massad, que contou para todos os presentes sobre a sua convivência com Jaime Gusmão, descrevendo o legado deixado por ele, inclusive na engenharia civil nordestina. Em seguida, ele deu início à sua palestra, cujo tema era: “Características e Obras de Controle de Fluxos de Detritos”, citando o caso de obra de uma refinaria em Cubatão (SP). Após a apresentação de Faiçal Massad, os engenheiros Abel Galindo Marques e Vinícius Maia Nobre foram homenageados no GeoNE 2017. Ambos possuem uma carreira sólida e foram profissionais determinantes para o desenvolvimento da geotecnia no Nordeste. Para o engenheiro, professor-titular da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e coordenador do Programa de PósGraduação em Engenharia Civil da UFPE, Roberto Quental Coutinho, estas homenagens só engrandecem os eventos. “Laurear esses renomados profissionais da região é um ato de gratidão, pois cria um vínculo de carinho e respeito por todas as contribuições deixadas”, comenta. Para Galindo, a homenagem foi muito importante e oportuna, pois coincidiu com uma fase em que estava se sentindo desmotivado. “Esta iniciativa do GeoNE 2017 mostrou que na minha caminhada como engenheiro geotécnico alguma coisa foi feita. Além das criações, obras desenvolvidas e outros trabalhos, o mais relevante dentre tudo isso foi a criação dos meus filhos, que também optaram por dedicar as suas carreiras à mesma profissão”, orgulha-se. 34

Fundações e Obras Geotécnicas

O engenheiro e professor-titular da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), Faiçal Massad

Abel Galindo Marques teve uma carreira notável na área acadêmica, sendo professor-adjunto da UFAL durante mais de 35 anos. Na iniciativa privada, suas contribuições têm sido determinantes para o desenvolvimento da Geotecnia no Brasil. A AGM, empresa que fundou, é a única das regiões Norte e Nordeste que executa, com tecnologia própria, cortinas de estacas profundas para edifícios com dois subsolos submersos. Marques desenvolveu as “Estacas Rotativas-Injetadas”, que hoje são um dos tipos de estacas mais empregadas na região.

SESSÃO TÉCNICA Muitas sessões técnicas compuseram a programação do GeoNE 2017. Em uma delas, o engenheiro e professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Luiz Edmundo

Campos fez algumas abordagens sobre as “Recomendações de Investigação e Parâmetros da Norma Brasileira NBR – 11.682 sobre Estabilidade de Taludes”. Campos argumenta que este é o momento da comunidade, inclusive técnica, repensar nas propostas presentes na norma, pois ele acredita que a mesma atenderia melhor grandes centros urbanos e não o Brasil inteiro como propõe. “Muitos ensaios necessitam de laboratórios adequados, mas nem todos os lugares possuem este tipo de estrutura. A norma é boa, mas a incompatibilidade do momento leva o geotécnico que não tem condição de cumprir exatamente o que está prescrito, a sofrer penalidades judiciais pela falta de execução da quantidade prevista de ensaios, por exemplo”, ressalta.


DESTAQUE

O engenheiro e homenageado, Abel Galindo Marques

Campos acrescenta que é sempre necessário buscar por avanços positivos, porém aqueles que sejam sustentáveis e possíveis para o Brasil, que é um país de grandes extensões territoriais. A sua proposta é que a comunidade discuta um pouco mais sobre a norma, colocando pontos que sejam compatíveis com a realidade brasileira. “Meu ponto de vista serve mais como um alerta do que uma manifestação contra ou a favor da normativa”, pontua. Outro bloco das sessões técnicas tratou sobre geossintéticos. Na oportunidade, o engenheiro e professor da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), Fagner Alexandre Nunes de França, explicou as funções deste material, seus subtipos e as principais obras que atualmente o utilizam, como os aterros sanitários. Ele também falou sobre taludes de

lixos reforçados com geogrelhas e citou diversos estudos técnico-científicos que exemplificam claramente a finalidade e importância dos geossintéticos na engenharia civil.

No segundo dia de evento, o engenheiro, colaborador da UFPE, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco e da UPE (Universidade de Pernambuco), Alexandre Duarte Gusmão apresentou o tema “Desempenho de Obras de Infraestrutura e Edificações Construídas sobre Aterros”. Gusmão descreveu as etapas de uma obra de aterro sobre solos moles, que consistem na prospecção geotécnica, concepção: estados limites, projeto, execução, controle e monitoramento. Como exemplo, ele citou o caso de obra desafiador da BR-101, em Goiânia (GO), e finalizou sua apresentação deixando uma mensagem importante, inclusive para os futuros engenheiros presentes: “o caro não pode vir antes da técnica”. Já o engenheiro e professor da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), Paulo José Rocha de Albuquerque abordou o tema: “Previ-

O engenheiro e professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Luis Edmundo Campos

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Destaque

são da Capacidade de Carga: mito ou realidade?” De acordo com ele, a ideia de realizar essa palestra enfocando o quanto alguns profissionais estão longe ou perto dos métodos clássicos, veio de um congresso realizado na Bolívia. Nesta oportunidade, Albuquerque confirmou que, às vezes, a experiência de viver a profissão pode ser mais assertiva para determinar a previsão da capacidade de carga de uma obra, do que os modelos matemáticos geralmente utilizados. “Juntei durante algum tempo todos os dados que eu tinha de outros congressos que promoveram concursos de capacidade de carga. Os coloquei em uma planilha, para que ficassem mais organizados, desta forma peguei o resultado de uma prova de carga que havia feito em alguma ocasião e

pensei: ‘por que não lançar também um desafio para os meus colegas’? Desta forma, enviei alguns dados, bem como as especificações das estacas utilizadas, e pedi que utilizassem qualquer método clássico para que chegassem a algum resultado”, explica. As respostas enviadas foram apresentadas em sua palestra no GeoNE 2017, demonstrando que embora os mesmos métodos clássicos sejam utilizados, se não forem empregados de forma adequada, os resultados serão completamente diferentes. Nestes casos, normalmente, a experiência pode ser um fator fundamental e determinante para um resultado mais assertivo. Para Albuquerque, muitas vezes falta um pouco de percepção, interpretação e vivência na execução desse tipo de serviço.

O engenheiro e professor da UNICAMP, Paulo José Rocha de Albuquerque

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ENCERRAMENTO No último dia, o engenheiro Roberto Quental Coutinho também deu a sua contribuição técnica ao falar na sessão “Taludes, Contenções e Gestão de Riscos” sobre o tema “Estabilização de Encostas VisandoàRedução de Riscos”. Na oportunidade, ele ressaltou que, apesar de ser um tema importante em todos os níveis (municipal, regional e federal), ao chegar em regiões como o Nordeste, aprende-se que onde os problemas sociais são maiores, os impactos ambientais também serão mais acentuados. “Muitas vezes não são nem os fatores naturais/ambientais que são problemáticos. O Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, possui muito mais predisposição a eventos de risco que envolvam a natureza, porém a região Nordeste tem problemas de cunho social, como a ocupação inadequada e desordenada e a ausência de obras de prevenção que também pode gerar grandes tragédias”, salienta Coutinho. Sobre o GeoNE 2017, ele diz que o encerramento do evento deixa dois pontos importantes: o primeiro é que iniciativa de misturar academia e prática, priorizando a qualidade das apresentações, inclusive das empresas palestrantes, prova mais uma vez o êxito do modelo instituído desde o primeiro simpósio. “Pedimos para as empresas que as propagandas sejam evitadas, e que os casos de obras sejam priorizados, trazendo uma temática da aplicação de seus produtos dentro do contexto do evento. Esse cuidado de garantir boas palestras de todos os convidados, bem como a rica distribuição


Palestrantes e membros da Comissão Organizadora do GeoNE 2017

e multidisciplinaridade de temas, sempre foi a prioridade do GeoNE”, pontua Coutinho. Durante a cerimônia de encerramento, Severo lembrou mais uma vez de todas as contribuições que fizeram o GeoNE acontecer. “Quero agradecer e parabenizar a ABMS pelo apoio integral e decisivo para o sucesso do evento, a nossa presidente, Juliane Marques, e também a todos os membros da comissão organizadora, comissão de apoio, aos participantes, apoiadores e patrocinadores. Ao longo de dois dias foi muito gratificante e

extremamente prazeroso trabalhar ao lado de todos”, conclui Severo. Juliane Marques também finalizou compartilhando as mesmas opiniões e agradecimento feitos por Severo. “Tanto a comissão organizadora local, quanto a comissão de apoio do Núcleo Nordeste da ABMS trabalharam muito e planejaram cada detalhe para proporcionar o melhor GeoNE aos participantes. Tivemos recordes no número de inscritos, com lista de espera. Só tenho palavras de gratidão a todos que acreditaram e colaboraram para que esse evento se concretizasse”. Fundações e Obras Geotécnicas

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Em foco

Encosta

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ENCOSTAS por Dellana Wolney

Prefeitura de Olinda / Flickr

A

As ameaças ambientais, bem como os riscos, principalmente associados às encostas, têm ganhado cada vez mais espaço no âmbito acadêmico e também no que tange às políticas públicas. Embora o foco tenha sido predominantemente na resposta aos desastres, como cita o trabalho “Políticas Públicas Regionais para Gestão de Riscos: o Processo de Implementação no ABC (SP)” dos autores Fernando Rocha Nogueira, Vanessa Elias de Oliveira e Katia Canil, recentemente tem sido observada uma evolução nas outras esferas, tais como: identificação dos riscos, ações preventivas e corretivas, redução dos riscos e gestão pós-desastre. Segundo o estudo, essas ações passaram a ser adotadas após as crescentes perdas humanas, bem como aos impactos econômicos que os desastres ambientais causam. Desta forma, várias iniciativas institucionais relacionadas ao assunto estão disponíveis no site The United Nations Office for Disaster Risk Reduction e nos relatórios recentes do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que ressalta a relação entre mudança climática global e potencial crescimento de desastres associados. De acordo com o engenheiro e professor-adjunto do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da UFABC (Universidade Federal do ABC), Fernando Rocha Nogueira, no Brasil, um país marcadamente frágil em relação à cultura de precaução e preven-

ção de desastres e à presença institucional nesse campo, as crises foram enfrentadas, como padrão geral de ação, por “políticas de urgência” em que o foco estava na rapidez de demonstrar que algum trabalho estava sendo executado, dispensando-se a reflexão e o planejamento prévio. Entretanto, o impacto causado pelos desastres associados a episódios pluviométricos extremos ocorridos nos últimos dez anos, inclusive nos Estados de Santa Catarina, no ano de 2008 e no Rio de Janeiro, em 2010 e 2011, motivou importantes avanços legais e institucionais nesta área. Mesmo que tardias, tais ações têm sido benéficas e por isso fez com que a temática de gestão de riscos de desastres fosse incorporada às agendas do planejamento urbano e da gestão pública, por exemplo, existe a Lei nº 12.608/2012 e um conjunto de ações em nível federal. “Embora o saldo qualitativo tenha sido positivo, há um longo caminho a ser percorrido entre a formulação da política e a sua implementação, se pensarmos em termos de ‘ciclo de políticas públicas’. No caso da política de gestão de riscos de desastres, são os municípios o lócus onde a implementação deve ocorrer, ou seja, são os locais em que efetivamente tais políticas precisam se materializar de maneira efetiva, uma vez que a maioria dos desastres recorrentes no território brasileiro tem alcance local ou regional. Todavia, são Fundações e Obras Geotécnicas

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Prefeitura de Olinda / Flickr

Em foco

Encosta

justamente eles os entes federados mais frágeis”, explica Nogueira.

GESTÃO Aproveitando o gancho, Nogueira ainda destaca que a gestão de riscos é um campo das políticas públicas que deveria estar associado ao planejamento urbano e territorial e à gestão ambiental nos três níveis das estruturas governamentais brasileiras. No entanto, a cultura política do Brasil é majoritariamente marcada pelas ações de curto prazo e que são raros os momentos e locais em que os perigos e disfunções dos meios físico, biótico e antrópico que podem representar ameaças às pessoas, bens ou infraestruturas são identificados antecipadamente e recebem medidas de prevenção, mitigação ou controle. Por isso, a marca brasileira neste 40

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campo é predominantemente a ação pós-desastre. “Não há enfrentamento de riscos se eles não forem identificados, analisados, especializados e compreendidos. Considera-se atualmente que gestão de riscos envolve, sequencialmente, a etapa do conhecimento (identificação de cenários; análise de processos e de vulnerabilidades; mapeamentos; monitoramento e transmissão desses conhecimentos). Já a etapa da redução de riscos abrange a prevenção para que o risco não se instale; mitigação, tentando corrigir e controlar riscos já instalados; transferência de riscos, quando seu controle é muito complexo e se investem recursos para seguros e fundos para recuperação; e, por fim, a etapa do manejo do desastre, que trata da incapacidade de se resolver adequadamente as etapas anteriores”, acrescenta Nogueira.

A Lei nº 12.608/2012 criou um cadastro nacional de municípios sujeitos a deslizamentos e processos correlatos e de inundações, com base em critérios de suscetibilidade e de registros de ocorrência, com cerca de 850 municípios. Este cadastro foi construído pela CPRM (Serviço Geológico do Brasil), conjuntamente com especialistas de diversas instituições de pesquisa. Os dados normalmente deveriam induzir um conjunto de medidas (mapeamentos, planos e ações) apontado pela lei. No entanto, esta lei ainda não foi regulamentada e, pode ser postergada devido à situação econômica atual. No entanto, o professor da UFABC, Fernando Rocha Nogueiradiz que grande parte destes municípios teve aporte de recursos federais nos governos anteriores para mapeamentos de suscetibilidade, aptidão à urbanização e riscos. Estes estudos orientam também o CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) no monitoramento e alerta antecipado. “Portanto, a gestão de riscos tem uma base de políticas fundamentadas nesta lei e no Plano Nacional de Gestão de Riscos desenhado em 2012, mas políticas públicas se tornam completamente voláteis em função da crise institucional”, pontua.

MONITORAMENTO Há uma grande diversidade de tipologia de instabilidade de encostas no Brasil. Nas regiões serranas do Sul e Sudeste, predominam escorregamentos planares de solo,mas também ocorrem alguns movimentos


Dessa forma, nos períodos chuvosos há monitoramento de chuvas e decretação de estados de alerta, mas em apenas poucos municípios este alerta reduz danos. Em geral, os agentes locais aguardam o chamado do acidente para sair na chuva, em vez de remover preventivamente os moradores das áreas mais críticas, com base em mapeamentos atualizados. Isso porque não há mapeamentos atualizados ou eles não foram incorporados efetivamente pelos técnicos do município. “Obras de estabilização geotécnica também devem fazer parte de uma reflexão, pois quase sempre são projetadas com a devida análise e entendimento do processo que pretendem conter ou controlar, fazendo com que centenas de obras sem qualquer Leidiana Alonso Alves / Flickr

rotacionais, rolamentos e quedas de blocos rochosos em encostas com amplitudes superiores a 500m e em condições de chuvas extremas, corridas de lama, detritos etc. Todavia, grande parte das ocorrências de instabilidade nas cidades está associada a aterros e depósitos de solo lançado, lixo e entulhos nas encostas, ou seja, o risco construído socialmente. Nogueira descreve que houve uma grande expansão de ações de monitoramento de chuvas no País, com base nos princípios do Plano Preventivo de Defesa Civil, elaborado na década de 1980 pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), mas que infelizmente gera pouca ação antecipada, como prega originalmente este plano, no sentido de remover os moradores antes que o deslizamento ocorra.

Escorregamento de massa. Teresópolis (RJ), 2011

aderência com o processo de instabilidade em evolução, sejam incapazes de resolver o problema. Portanto, vejo que a ausência de obras, muitas vezes, não é o que causa desastres, mas a má qualidade da engenharia no entendimento dos processos do meio físico e urbano e a proposição de obras que melhorem o ambiente urbano”, alerta. Ele completa dizendo que caso as ações adequadas não sejam feitas, os riscos são resultado de modelos de desenvolvimento e de usos do solo e dificilmente rendem ganhos políticos em um prazo curto, ao passo que os custos políticos relacionados a não enfrentá-los só se manifestam no caso dos riscos se tornarem uma crise, ou um desastre. O foco mantém-se nos desastres, porque os riscos não estão incorporados às agendas dos planejadores e tomadores de decisão pela dificuldade ou negação de compreendê-los como produtos de construção social, econômica e política. A gestão de riscos, nas concepções mais atuais, envolve integração de atores da sociedade civil e dos governos e definição de atribuições bastante clara para atender os eixos estratégicos do conhecimento, da redução de riscos e da preparação para a resposta aos desastres. Mais que isso, o cenário de mudanças climáticas demanda que a gestão de riscos esteja intimamente ligada às ações de adaptação e preparação para eventos extremos. Desta forma, Nogueira diz que as medidas de 2012 foram muito tímidas e que ainda é necessário avançar muito na construção de políticas e de estruturas para a governança e gestão de (redução de) riscos. Fundações e Obras Geotécnicas

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7º e 8º Prêmio Milton Vargas O Prêmio Milton Vargas é uma premiação estritamente Cultural, Artística e Científica, conforme disposto no art. 30 do Decreto nº 70.951/72, promovido pela Editora Rudder Ltda., sem qualquer modalidade de sorte ou pagamento pelos concorrentes, nem vínculo obrigatório com a compra de produtos editoriais fabricados pela empresa promovente, suas marcas ou qualquer outra forma de publicidade.

Categoria Ambiental

Categoria Fundações

Categoria Geossintéticos

Será premiado o melhor trabalho, obra, meio de desenvolvimento ou estudo, relacionado à área ambiental que tenha sido publicado na seção “Geotecnia Ambiental” entre as edições 72 e 83 da revista Fundações & Obras Geotécnicas.

Serão premiados os três melhores artigos – que não precisam necessariamente ter como mote principal o tema fundações, pois o nome dessa cate- goria é uma homenagem ao título da revista –, a partir dos critérios ‘originalidade’, ‘conjunto da obra’ e ‘apresentação técnica’, que tenham sido publicados na seção “Artigo” entre as edições 72 e 83 da revista Fundações & Obras Geotécnicas.

Será premiado o melhor trabalho, obra, meio de desenvolvimento ou estudo, relacionado à geossintéticos que tenha sido publicado apenas na seção “Geossintéticos” e “Espaço Aberto” entre as edições 72 e 83 da revista Fundações & Obras Geotécnicas.

Avaliação

Os trabalhos concorrentes serão julgados por um corpo de jurados formado por docentes da área (mestres e doutores) isentos de participação nos trabalhos envolvidos.

7º e 8º PRÊMIO MILTON VARGAS


Esse evento tem como objetivo estimular a criatividade e a originalidade dos profissionais do setor, bem como a divulgação dos trabalhos e inovação no meio, mediante a publicação de trabalhos e projetos que gerem tendências, livres de preconceitos, cópias e propiciando oportunidades, inclusive, de implantação consecutiva no segmento da engenharia civil.

Conheça as 6 categorias Categoria Inovação

Categoria Obra de Fundações

Categoria Profissional do Ano

Será premiado o melhor trabalho, equipamento, técnica, meio de desenvolvimento ou estudo inovador que tenha sido publicado na seção “O que há de novo” entre as edições 72 e 83 da revista Fundações & Obras Geotécnicas.

Será premiado o melhor trabalho prático, técnica ou sistema desenvolvido em uma obra com trabalho específico de fundações que tenha sido publicado nas seções “Reportagem” ou “Notícia” entre as edições 72 e 83 da revista Fundações & Obras Geotécnicas.

Será premiado como o “melhor do ano” o profissional retratado por meio de um perfil ou entrevista, cuja trajetória tenha representado rele- vância para o segmento de fundações e geotecnia, e que tenha sido publicado na seção “Perfil / Entrevista” entre as edições 72 e 83 da revista Fundações & Obras Geotécnicas.

Informações sobre a premiação, as categorias, ou como concorrer com um trabalho devem ser enviadas para Gléssia Veras glessia@revistafundacoes.com.br


RELAÇÃO DOS CONCORRENTES - 7° PRÊMIO MILTON VARGAS CATEGORIA: AMBIENTAL DATA

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RESPONSÁVEIS

Pedro Loures, Sócio-fundador da Descarte Legal / João Pedro Procópio, Sócio-fundador da Descarte Legal Otavio Sayão, Eng. sênior de engenharia costeira e draProjeto de molhe é idealizado para a praia de Gravatá gagem / Grupo Portos e Terminais Marítimos da Stantec Eduardo Siegle, professor do Departamento de Oceanografia Física do Instituto Oceanográfico da USP / Erosão costeira é muito mais que um problema ambiental Paulo Henrique Gomes de Oliveira Sousa, Geógrafo e especialista em Oceanografia Geológica Cartas de suscetibilidade agora podem ser encontradas na internet Ana Candida Cavani, Pesquisadora Carlos Gamba, Geógrafo e pesquisar da Seção de Compartimentação territorial é feita em Lorena Recursos Minerais e Tecnologia Cerâmica do IPT Projeto criado por alunos de Manaus pode recuperar áreas degrada- Bruno Muniz, João Melga e Ivan Miller, estudantes da das em menos tempo Fundação Matias Machline Roberto Roche, biólogo marinho, perito ambiental do Avaliação e gestão de risco ambiental devem estar em consonância Ministério Público, mentor e orientador de carreira em com as atividades empresariais QSMS-RS e sustentabilidade CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) Técnicas de remediação in situ de áreas contaminadas ganham / Erika von Zuben, diretora-técnica na Hera Consultoria cada mais espaço no Brasil / Thiago Gomes, diretor da empresa Doxor Felipe Faria, diretor-executivo da GBC Brasil (Green Programa é criado para apoiar conservação da Amazônia Building Council Brasil), a ONG (Organização Não Governamental) Reutilização de RDC é alternativa sustentável e econômica na Eduardo Portela de Assis, gestor ambiental geotecnia Thelma Kamiji, engenheira e coordenadora de projetos sanitários e ambientais da empresa Fral Consultoria / Fernando Luiz Lavoie, professor-assistente no Instituto Principais funções dos geossintéticos na geotecnia ambiental Mauá de Tecnologia e gerente de soluções da empresa Tecelagem Roma Marcelo Areguy Barbosa, gerente de Meio Ambiente EIA/RIMA do Ferroanel Norte estão abertos para consulta pública da DERSA Startup auxilia empresas no descarte correto de resíduos sólidos

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AUTORES

Douglas Cardoso Engelke, Kethelin Eloisa Klagenberg, Análise dos benefícios das misturas mornas com aditivo surfactante Marlova Grazziotin Johnston, Lélio Antônio Teixeira Brilíquido to, Jorge Augusto Pereira Ceratti, Renan Zocal Ribeiro Reaproveitamento de material fresado em acostamentos de rodovias Fernanda Marder, Rodrigo Malysz influência do fator de qualidade (Match Quality) na análise CAPWAP Francisco Dalla Rosa, Elouise Muller Contribuição ao estudo do forno de micro-ondas na determinação do teor Yashmine Landi, Flavia Nunes Rabelo de umidade dos solos Estimativa da capacidade de carga de sapatas isoladas por meio de Bruno Mingargi, Rodolpho Cunha procedimento estatístico Utilização de agregados reciclados provenientes de corpos de prova de Pâmela Jaíne Silva da Silva, Gislaine Luvizão, Fabiano concreto em substituição ao agregado natural em misturas asfálticas Alexandre Nienov, Lucas Quiona Zampiere Análise de deformações ocorridas em um maciço classe V durante Thiago Pereira Perez a construção de emboque em solo grampeado para túnel duplo Estudo de Caso Marieli Biondo Lopes, Mauro Leandro Menegotto, Tiago Melhoria da parcela de atrito lateral em estacas moldadas in loco Lorenzon

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CATEGORIA: FUNDAÇÕES TÍTULO DO ARTIGO

DATA ANO

AUTORES

Ana Patrícia Aranha de Castro, Fábio Visnadi Prado Soares, Roger Augusto Rodrigues Maria Esther Soares Marques, Lígia Azevedo Berbert, André do Valle abreu, Guilherme Roberto Slongo Felipe Vianna Amaral de Souza Cruz, Renan Basso, Carlos Eduardo Bottino Celso Felipe Bora, Alessander Christopher Morales Kormann, Sidnei Helder Cardoso Teixeira, Renato Seixas da Rocha Vinícius Rocha Gomes Pereira, José Orlando Avesani Neto, Fagner Alexandre Nunes de França Débora Cristina Ferreira, Thiago Bomjardim Porto, Carlos Roberto da Silva Moisés Valente Pereira, Sandro Eduardo Lima Pinto, Hedmilson Ferreira Bragança, Sérgio Maurício Pimenta Velloso Filho Carlos Antônio Centurión Panta, Marcus Vinicius Weber de Campos Emília Mendonça Andrade, Eduardo Andrade Guanaes, José Carlos Vertematti, Thiago Ordonho Araújo Otávio Coaracy Brasil Gandolfo, Tiago de Jesus Souza, Carlos Alberto Birelli, Vicente Luiz Galli, Paulo Scarano Hemsi, Paulo Cezar Aoki Jean Rodrigo Garcia , Paulo José da Rocha Albuquerque

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Compactação como método de melhoria de solo calapsível

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Análises de recalques em fundações radier

Luiz Fernando Anchar Lopes, Joaquim Teodoro Romão Oliveira

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Metodologia experimental simplificada para dimensionamento de estaca hélice contínua

Bruno Mingargi, Rodolpho Cunha

Aplicação, Análise e Interpretação do Ensaio de Prova de Carga Estática, Realizado Pelo Método Bidirecional Análise de estabilidade de uma encosta da serra do mar paranaense: influências da consideração da poropressão em meio não saturado Reforço com geossintéticos e solo grampeado: uma solução geotécnica eficiente Estruturas ancoradas e suas aplicações na geotecnia Análise de Prova de Carga Bidirecional em Estaca Hélice Contínua na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG) Uso de geocélulas de PEAD para proteção mecânica de geomembrana em barragem de Usina Hidroelétrica em Mato Grosso do Sul Aplicação de fôrmas têxteis lineares para alteamento de célula de disposição de cinzas provenientes de usina termelétrica A utilização da perfilagem magnética para determinação do comprimento de uma estaca Análise de estrutura de contenção aplicada em obra de pequeno porte Acidentalidade ocupacional no setor da construção civil: causas e impactos Detecção de patologias em estacas moldadas in loco com fluido estabilizante através de ensaios de desempenho (bidirecional e ensaio de carregamento dinâmico) e controle de integridade (Crosshole) e avaliação dos tratamentos definidos Tensões admissíveis de um solo estimadas a partir de modelos baseados no Nspt e em parâmetros de resistência

Thiago Abdala Magalhães Carlos Augusto Malachias Filho, Alysson Santos Resende, Wagner Agnelo Porfírio, Jorge William Beim, Sérgio Paulino Mourthé de Araujo Matheus Luis Welter, Leandro Olivio Nervis

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TÍTULO DO ARTIGO

AUTORES

Comparação dos custos construtivos de estruturas de solo reforçado com geossintéticos em relação a técnicas usualmente aplicadas no Rafael Gaspar Pessoa, Vanessa Milena Mendes dos Santos, Fagner Alexandre de Nunes França Município de Natal (RN) Uso de diferentes tipos de geotêxtil no desaguamento de resíduos Amanda Duarte Escobal, Cali Laguna Achon gerados em estações de tratamento de água

Uso de tubos geossintéticos para execução de travessias em aces- Fernando H. M. Portelinha, Marcus Vinicius Weber de Camsos para caminhões “fora de estrada” em mineração pos, Wladimir Caressato Junior

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Plataforma informativa abrange controle de normas e regulamentos técnicos WaterGems é alternativa para criar, comparar e melhorar cenários de modelagem hidráulica Eko/Grid é usado para remediar solos e lençóis de água contaminados Novo equipamento da Empretec é utilizado para substituição de tubulação Boart Longyear traz para o Brasil tecnologia de perfuração sônica Fôrma metálica Easy Fast garante organização e limpeza na obra Tecnologia utiliza nitrogênio para acelerar resfriamento do concreto de forma eficaz e sustentável Sonda rotativa hidráulica SSH10 se destaca pela produtividade e baixo custo operacional Maccaferri lança nova linha de gabiões Manta de concreto apresenta versatibilidade e economia Recicladora Wirtgen melhora o solo e processa camadas asfálticas deterioradas Aditivo cristalizante atua como impermeabilizante de concreto em obras de subsolo

Arena Técnica Bentley Systems Aquamec Empretec Boart Longyear Easy Fast Engenharia e Artefatos Air Liquide Sondeq Indústria de Sondas Maccaferri do Brasil Concrete Canvas Brasil Wirtgen Group Penetron

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TÍTULO DA MATÉRIA

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Complexo Etileno XXI utilizou técnica de melhoramento rápido de solos moles por meio de drenos a vácuo

Paulo Levita, Diretor de Administração e Finanças da Odebrecht Engenharia e Construção Internacional / Roberto Kochen, Diretor-técnico da Geocompany

Duas décadas marcam a evolução dos Muros Terrae no Brasil

Marcos Barreto de Mendonça, Engenheiro / Paulo José Brugger, Engenheiro / Robson Palhas Saramago, Engenheiro / André Estevão, Diretor de Desenvolvimento de mercado e gerente comercial sudamérica da Huesker

dez/16 7

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Metodologia BIM reduz tempo e riscos em megaprojeto

Rodolfo Guilherme, Engenheiro de aplicações para a área de BIM da empresa Bentley Systems / Andres Fatoreto, Gerente de contas corporativas da Bentley Systems

jan/17 7

76

Tratamento de consolidação em solo grampeado utiliza injeções de fluidos cimentantes

Cairbar Azzi Pitta, Engenheiro e consultor geotécnico / Alberto Casati Zirlis, Engenheiro e diretor da Solotrat

fev/17 7

77

Trecho Norete do Rodoanel Mário Covas terá sete túneis duplos e mais de 350.000 m² de OAE

Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A)

mar/17 7

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Betoneiras exercem papel importante na construção civilÉRIA

Gerente-executivo de marketing e desenvolvimento de mercado da Aperam South America, Roberto Guida

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CATEGORIA: OBRA DE FUNDAÇÕES

abr/17

RESPONSÁVEIS

TÍTULO DA MATÉRIA

DATA ANO REVISTA

Walter Iorio, engenheiro e diretor da empresa ENBRAGEO / Raphael Matheus, gerente de contrato da CERTEK / Rogério Obra em Embu das Artes utiliza tecnologia de tirantes autoperfurantes Nakahara, gerente de operações da CERTEK / Ivan Joppert, diretor da empresa Infraestrutura Engenharia / Eduardo Ono, engenheiro da Incotep Sistemas de Ancoragens Roli Pinheiro, diretor comercial da empresa Ferragens Pinheiro / Janine Brito, diretora-executiva da Ferragens Sistema inteligente de construção a seco ganha cada vez mais espaço no mercado Pinheiro / Josafá Oliveira Nunes, responsável pela obra do Colégio Liceu Leonardo Vianna Meirelles, engenheiro da empresa Jacobs Guimar / Thaiane dos Santos Rebêlo, engenheira SEEL recupera edifícios do ESEM-Jacarepaguá da empresa SEEL / Handerson Barreto, engenheiro da empresa SEEL

7

79

mai/17 7

80

jun/17

7

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jul/17

7

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Projeto apresenta alternativas para a expansão do sistema de transporte carioca

Pedro Geaquinto, engenheiro do projeto Quero Metrô / Rodrigo Luiz Sampaio, engenheiro do projeto Quero Metrô Sabesp

ago17

8

83

Projeto Horizonte II utiliza tanques circulares de concreto construídos a partir de placas pré-moldadas

Edson Rodes, engenheiro de projetos da empresa Veolia Water Technologies / Fabiano Guittis, gerente de projetos da empresa Veolia Water Technologies

CATEGORIA: PROFISSIONAL DO ANO ENTREVISTADO

TÍTULO DA MATÉRIA

ANO

REVISTA

7

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Roberto Kochen

Dedicação à propagação do conhecimento e à geotecnia

7

73

Mauro Lozano

Desenvolvimento e dedicação

7

74

Eraldo Luporini Pastore

A união da geotecnia e da geologia

7

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Lázaro Valentin Zuquette

O caminho de rochas à geologia e geotecnia

7

76

Cássia Maria Dinelli de Azevedo

A escolha pela profissão do coração

7

77

Valéria Guimarães Silvestre Rodrigues

Uma carreira de pesquisadora dedicada ao conhecimento e à natureza

7

78

Carlos Medeiros Silva

O encanto pelas aventuras da geotecnia

7

79

Argimiro Alvarez Ferreira

Do mediterrâneo às escavações paulistas

7

80

Bernadete Ragoni Danziger

Uma carreira repleta de dedicação e pesquisas para a engenharia

7

81

Maria Eugênia Boscov

Empenho à pesquisa científica

7

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Luis Edmundo Campos

Comprometimento com a geotecnia

8

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Apolonio Bechara Santos

Persistência e dedicação que compõem uma carreira

não foi publicado na edição

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Geotecnia Ambiental

PLANO DESENVOLVIDO PELA SABESP MOSTRA O FUTURO DAS ETES O PLAMTE, que teve início em 2014 já mostra as suas vantagens econômicas, técnicas e sustentáveis

U

Fotos: Divulgação SABESP

por Dellana Wolney

ETE Barueri

48

Fundações e Obras Geotécnicas

Uma iniciativa inédita foi desenvolvida recentemente pela SABESP: o PLAMTE (Plano de Modernização do Tratamento de Esgotos na Região Metropolitana de São Paulo), que tem a finalidade de servir como instrumento de orientação na definição da sequência de decisões e ações de investimentos para as cinco ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto) que integram o sistema principal da Região Metropolitana de São Paulo: ETE Suzano, ETE São Miguel, ETE Parque Novo Mundo, ETE ABC e ETE Barueri. De acordo com o superintendente de Gestão de Empreendimentos da SABESP, Silvio Leifert, a iniciativa possui diversas funcionalidades, que envolvem principalmente a sustentabilidade. “A previsão é de que o plano identifique diferentes fontes de poluição e ainda verifique o impacto delas na qualidade dos principais corpos d’água da área de estudo e, com isso, defina o processo de tratamento das cinco ETEs do sistema principal, bem como suas etapas intermediárias”, afirma. Embora o caminho seja longo, visto que o fim do plano está previsto somente para 2040, os pontos inovadores compensam a espera, dentre eles a consideração da poluição difusa separadamente do esgoto não tratado, a utilização de um modelo hidrodinâmico de qualidade da água e a concepção das estações como futuras usinas de geração de recursos, com possibilidades de aproveitamento dos subprodutos finais e almejando


o balanço energético nulo ou, até mesmo, positivo. O PLAMTE ainda promove um novo olhar sobre a forma como as ETEs operam atualmente no Brasil. Neste modelo futuro, as estações além de receber e tratar os esgotos também podem ter outra finalidade, que é a de desempenhar o papel de uma usina para a geração de recursos. O planejamento foca em sustentabilidade, eficiência energética e reaproveitamento de recursos, como o efluente e o lodo produzidos na estação que definitivamente podem ser vistos como subprodutos utilizáveis.

ETE Parque Novo Mundo

SUSTENTABILIDADE Do ponto de vista sustentável, o plano abrange fatores ambientais, devido à redução dos impactos negativos no meio ambiente; fatores econômicos relacionados aos lucros e dividendos da empresa e questões técnicas, que visam incorporar a realidade tecnológica do Brasil, juntamente com os conceitos operacionais solidificados. O balanço energético, que cabe dentro dos fatores ambientais e econômicos, é um dos destaques, pois a intenção é que as ETEs tornem-se autossustentáveis. O PLAMTE hoje se encontra na fase de término das simulações da qualidade da água. As tecnologias consideradas são aquelas que comprovam eficácia e estejam aptas a serem instaladas nas cinco grandes estações, tais como: lodo ativado com remoção biológica de nutrientes; tratamento biológico de múltiplos estágios; MBR (Biorreatores de Membrana) e IFAS (Leito Móvel com Recirculação de Lodo).

ETE Suzano

Futuramente, para o estágio considerado “sólido”, alguns sistemas têm sido avaliados, considerando as áreas disponíveis em cada estação, bem como outros pontos como o nível de confiabilidade e escalabilidade, o atendimento aos requisitos regulatórios e algumas questões operacionais e de manutenção de cada tecnologia. Uma das alternativas avaliadas

é a hidrólise térmica para reduzir o volume de lodo. O início do contrato ocorreu em setembro de 2014 e segundo Leifert, a previsão de término dos estudos de concepção e projeto básico é para o segundo semestre de 2019. “Somente após a conclusão é que o cronograma das ações será definido e a melhor estratégia de implantação verificada”, informa. Fundações e Obras Geotécnicas

49


Notas

por Dellana Wolney

COBRAE 2017 recebe 470 participantes em Santa Catarina Sucesso de público, a conferência também teve resultados técnicos positivos com o recebimento de 400 resumos para publicação As intensas chuvas que culminaram em inúmeros deslizamentos no ano de 2008 em Santa Catarina, provocando a morte de 134 pessoas foram um dos temas destaques da COBRAE 2017 (VII Conferência Brasileira sobre Estabilidade de Encostas), que aconteceu em Florianópolis (SC) nos dias 2 a 4 de novembro de 2017. Tendo o episódio como pano de fundo, o evento organizado pelo NR-PR/SC (Núcleo Paraná-Santa Catarina da ABMS – Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) ainda apresentou os avanços alcançados em relação à diminuição das consequências em novas situações extremas.

Primeira edição do Tunnel Day é realizada com êxito Um dia totalmente dedicado à comunidade tuneleira encerrou com chave de ouro as atividades anuais do CBT No dia 4 de dezembro de 2017 foi realizada em São Paulo (SP) a primeira edição do Tunnel Day. Reunindo cerca de 170 pessoas, a iniciativa promovida pelo CBT (Comitê Brasileiro de Túneis) escolheu esta data devido à celebração do Dia de Santa Bárbara, padroeira dos tuneleiros e também reconhecida em diversos países como o Dia do Túnel. O Tunnel Day contou com a participação de diversas entidades técnicas, inclusive internacionais. A programação teve início abordando temas como a importância da integração entre as associações, o trabalho dos Comitês da ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) e a relevância da iniciativa do CBT. Na ocasião, o presidente da ITA (International Tunnelling and Underground Space Association), Tarcísio 50

Fundações e Obras Geotécnicas

Aproximadamente 470 participantes estiveram presentes na conferência que teve quatro dias de programação intensa, abrangendo a realização de minicursos, bem como palestras internacionais que reuniram renomados profissionais para compartilhar seus conhecimentos e experiências sobre escorregamentos, rupturas, corridas de lama, análise e estudo de taludes e encostas, normatização, novos instrumentos e regimes de contratação de obras públicas (ou concessionadas), assim como a atuação e relação dos profissionais com as emergências e desastres geotécnicos. O balanço geral da COBRAE 2017 divulgou que 400 resumos foram recebidos, sendo 231 artigos técnicos selecionados para publicação nos materiais do evento. “Conseguimos estimular os jovens a participarem do E-Pôster Challenge com trabalhos acadêmicos, e despertamos o interesse dos geotécnicos para a importância do seu trabalho nos desastres naturais geotécnicos associados a perdas humanas”, afirma o engenheiro e presidente da Comissão Organizadora da COBRAE 2017, Luiz Antoniutti. Celestino, apresentou os projetos finalistas da premiação da instituição que destaca os principais trabalhos que envolvem túneis. Em seguida, o presidente do CBT, Werner Bilfinger, ministrou a palestra “Tirante: Projeto, Fabricação, Execução, Manutenção e Reparo”, na qual mostrou os diferentes tipos de tirantes e chumbadores, suas vantagens e desvantagens, além do uso e aplicação de cada um deles. “Este tema foi escolhido por se tratar de um assunto que ainda desperta muitas dúvidas”, explica. Além dos debates, o Tunnel Day também promoveu uma mesa-redonda sobre o “Tirante no Contexto do Projeto de Túneis e Estruturas Subterrâneas”. Finalizando o dia somente dedicado à comunidade tuneleira, o professor da UnB (Universidade de Brasília) e ex-presidente do CBT e da ITA, André Assis fez suas considerações finais sobre o evento, destacando os pontos principais abordados em todas as seções e, por fim, o tesoureiro do CBT, Fernando Leyser apresentou os planos do comitê para o próximo ano, que incluem: palestras técnicas, participação da entidade no WTC 2018, em Dubai e a segunda edição do Tunnel Day.


Participação na matéria Manifestações de interesse em participar com conteúdo, entrevistas ou fotos devem ser enviadas para glessia@revistafundacoes.com.br (Os interessados em participar nas matérias de cada edição receberão posteriormente por e-mail as orientações da redação da revista)

Pautas

2018

Abril edição 90

Saneamento

Participação com anúncio especial na edição Manifestações de interesse em participar com anúncio especial na edição devem ser enviadas para publicidade@revistafundacoes.com.br Revista Fundações & Obras Geotécnicas Tels: (11) 4116-5867 / (11) 95996-6391* *Atendimento das 10h às 18h

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Revista Fundações Ed.88  

Estruturas mistas de concreto e aço oferecem economia, praticidade e eficácia.

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