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Com prefácio de Hugh Laurie Tradução

Elena Gaidano e Fátima Santos

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CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ. __________________________________________________________________________ Jackman, Ian J14g O guia oficial de House / Ian Jackman; tradução: Elena Gaidano, Fátima Santos; com prefácio de Hugh Laurie. ­­— Rio de Janeiro: BestSeller, 2010.    Tradução de: House M.D.: the official guide to the hit medical drama ISBN 978-85-7684-501-0   1. House, M.D. (Programa de televisão). 2. Medicina na televisão. I. Laurie, Hugh, 1959- . II. Título. 10-4902.                                      

CDD: 791.4572 CDU: 621.397

Texto revisado segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Título original norte-americano HOUSE M.D. – THE OFFICIAL GUIDE TO THE HIT MEDICAL DRAMA Copyright © 2010 Universal City Studios Productions LLLP. Copyright da tradução © 2010 by Editora Best Seller Ltda. House, M.D. é uma propriedade autoral do Universal Network Television LLC. Licenciado para NBC Universal Television Consumer Products Group. Publicado mediante acordo com a HarperCollins Publishers. Adaptação de capa: Elmo Rosa Editoração eletrônica: FA Editoração Fotografias de miolo por NBC Photo e Michael Yarish. Fotografias © NBC Universal, Inc. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, no todo ou em parte, sem autorização prévia por escrito da editora, sejam quais forem os meios empregados. Direitos exclusivos de publicação em língua portuguesa para o Brasil adquiridos pela Editora Best Seller Ltda. Rua Argentina, 171, parte, São Cristóvão Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 que se reserva a propriedade literária desta tradução ___________________________________________________________________________ Impresso no Brasil ISBN 978-85-7684-501-0 Seja um leitor preferencial Record. Cadastre-se e receba informações sobre nossos lançamentos e nossas promoções. Atendimento e venda direta ao leitor: mdireto@record.com.br ou (21) 2585-2002

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SUMÁRIO Prefácio, por Hugh Laurie, 7 Introdução: O primeiro de Um-Três-Um, 21

1 A linha de partida: Criando o programa, 27

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E se Michael Caine interpretasse o pai de House?: Escrevendo House, 45

CAMERON / Jennifer Morrison, 65

3 Oito dias por semana: Realizando o Programa, Parte I, 78

CHASE / Jesse Spencer, 99

4 Jornadas de 14 horas: Realizando o Programa, Parte II, 113

FOREMAN / Omar Epps, 141

5 Cidade de atores: Escalando o elenco, 159

THIRTEEN / Olivia Wilde, 170

6 Se aconteceu uma vez: A medicina estranha de House, 189

7 Por dentro da cabeça de Dave Matthews: Como simular um

procedimento médico, 209

TAUB / Peter Jacobson, 220 KUTNER, 234

8 Cenários e cenas: Projeto e construção de House, 239

9 Costa Leste, Los Angeles: A aparência de House. 256

CUDDY / Lisa Edelstein, 267

10 Fazendo de conta: Objetos e efeitos especiais, 289

11 Produzir para a tela: Efeitos visuais e edição, 306

WILSON / Robert Sean Leonard, 316

12 Todo mundo mente: A matéria escura no universo, Parte I, 343

13 Perguntas sem respostas: A matéria escura no universo, Parte II, 354

HOUSE / Hugh Laurie, 380

Conclusão, 417

Agradecimentos, 425

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Guia de episódios, 427

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PREFÁCIO Este não é apenas um prefácio para um livro, é também o prefácio sobre grande parte da minha vida. No momento em que escrevo, em 2010, conto mais de um décimo dela; já para Jennifer Morrison e Jesse Spencer, que Deus guarde sua tez luminosa, representa a quinta parte. Acho que chegou a hora de um esclarecimento, e aquele velho hábito de colocar as coisas preto no branco me parece bem adequado para isso. Certa vez, numa Starbucks, ouvi uma mulher dizendo à pessoa que a acompanhava: “Ontem, comi um muffin de mirtilo muito interessante.” Na hora, fiquei perplexo com o uso de “interessante”. Me interessou. Havia, e ainda há, muitos adjetivos disponíveis para descrever um muffin de mirtilo — “gostoso”, “ruim”, “velho”, “esfacelado”, “kosher”, “batizado com LSD” ou “com formato de Richard Nixon”, entre outros, mas “interessante”? Fiquei maravilhado com isso. Agora, retrospectivamente, acho que sei o que ela queria dizer. Nos últimos seis anos — digamos que mais ou menos uns mil dias —, tenho chegado praticamente todas as manhãs antes de o sol nascer aos estúdios da Fox em Los Angeles: um pequeno principado em Pico Boulevard com sua própria força policial e seu próprio corpo de bombeiros, bem como seus cortesãos, camponeses, valentões e ladrões. Não há qualquer religião oficial estabelecida, porém há um busto gigantesco de Rupert Murdoch na praça central, de uns sessenta metros

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de altura, feito de ossos dos inimigos abatidos (esta parte talvez seja coisa da minha imaginação). Aqui, nos cenários 10, 11, 14 e 15, é onde tenho permanecido imerso num personagem de ficção, num lugar de ficção, num mundo de ficção, com uma hora de almoço. Estranhamente, essa experiência implica tanto recolhimento que sequer sei o que acontece nos cenários 12 e 13, e muito menos no mundo lá fora. Pensando bem, nem sei onde ficam os cenários 12 e 13. Como os andares em hotéis, talvez não haja um número 13. Pouco sei a respeito do clima californiano, de qual festa está bombando ou de quais são as chances desse tal hip-hop pegar. Desde que cheguei, só usei talheres de metal umas dez vezes. A verdade é que a experiência tem sido interessante, embora não da maneira que você deve imaginar. O interesse provém não da abrangência da experiência, mas de sua limitação; a exclusão de qualquer pensamento externo à palavra imediata, do viver, a respirar o instante — um instante que já superou de longe suas funções normais e acabou se estendendo por seis anos inteiros, correndo assim o risco de perder suas credenciais momentâneas. Mas veja, estou me adiantando. Vamos voltar (e se você me pegar alguma vez usando a palavra “rebobinar” que não seja com sentido de “rebobinar”, por favor, me mate) para ver como tudo isso funciona. ••••••••••••••••••

Um cidadão inglês é convocado em Los Angeles. Servindo-se de uma tosca fita de vídeo, aparentemente entrou na disputa por um importante papel na televisão. Para chegar à etapa final, precisa saltar por argolas, beijar anéis e fazer juramentos — o que ele faz, e de boa vontade. Ele é escolhido. Viaja para Vancouver, cidade com... não sei... muitos prédios, e ali 8

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grava um programa de uma hora, que oferece aos deuses. Os deuses mostram a gravação para um grupo de discussão, no qual recebe uma pontuação elevada o suficiente para ganhar 13 episódios. O cidadão inglês põe algumas camisas na mala, se despede da família e pega um avião para Los Angeles. (Para ser enfático, ele não “pega um jato” para Los Angeles, como suporiam os tabloides ingleses, como se todas as outras pessoas viajassem em Dakotas acionadas a vapor... mas, espere um pouco, se eu começar a falar sobre tabloides, nunca conseguiremos sair desses parênteses.) A essa altura, ele não tem muitas expectativas. Sabe que a televisão americana é uma arena ferozmente competitiva e que os seriados de uma hora seguem a mesma curva que os espermatozoides — jorram em direção ao gigante óvulo, num espasmo excitado, ziguezagueiam freneticamente por alguns momentos e, então, caem no esquecimento. Mesmo assim, milagrosamente, o programa sobrevive àquelas primeiras semanas, ganha força e toma ímpeto, até que sai em disparada, despencando morro abaixo; os suspensórios do cidadão inglês, então, ficam presos na porta. Suas perninhas se agitam para manter o ritmo. O tempo desobedece a sua própria natureza — acelera, diminui a velocidade, faz curvas e anda de lado —, os dias passam a ser assoberbados e esquisitos, filmando histórias que não são reais, e somados a isso, sessões fotográficas, tapetes vermelhos e talk shows menos reais ainda. O resultado inevitável é a loucura. Altas horas da noite, o cidadão inglês é encontrado perambulando pela autoestrada da costa do Pacífico, nu, carregando uma .45 e recitando o Salmo 23. O nome dele era Ronald Pettigrew, e o do programa, claro, é Wetly Flows the Mississippi. Passou na emissora Trump Network por duas temporadas. Embora eu não tenha ido tão longe quanto o pobre Pettigrew, certamente houve épocas em que achei tudo muito intenso. Terá P R E FÁ C I O

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sido tão intenso quanto lutar no Afeganistão, roubar uma base do Yankees (seja lá o que for isto e sejam eles quem forem) ou administrar um bordel bem-sucedido? Não tenho como saber. Alguns de vocês podem estar pensando: “Ah, é só um programa de televisão”, e é verdade — no momento em que você atribui a palavra “só” a qualquer acontecimento humano, desde que calibrada corretamente. O apocalipse nuclear vai acarretar “só” o fim da raça humana, poderia dizer um geólogo ou um astrofísico. Mas aqui está o paradoxo: se nós que trabalhamos em House tivéssemos nos comportado alguma vez como se ele fosse “só” um programa de televisão, ele não seria hoje um programa de televisão. Seria um programa cancelado, um exprograma de televisão. Como a maior parte das pessoas que atuam no ramo do entretenimento, somos profissionalmente desproporcionais. A intensidade existe na mente, poderia dizer Marco Aurélio, caso fosse traduzido de forma equivocada, e, quando pessoas desproporcionais decidem que algo é intenso e dedicam a isso todas as suas energias físicas e mentais, essa coisa passa a sê-lo. Bem, foi o que fizemos em relação a House, para o bem e para o mal. Pode parecer cômico para alguns, mas espero que esses alguns não vivam em casas com telhado de vidro, porque essas coisas são ridículas. A começar pelo custo da calefação. ••••••••••••••••••

Contudo, o trabalho duro, por si só, não explica por que House se tornou o programa de tevê mais assistido no planeta. (Esta não é uma afirmação minha: li isso num jornal recentemente e não tenho a menor ideia de como chegaram a essa conclusão. Tampouco estou planejando saber.) Deve haver outra coisa. Evidentemente, poderia se argumentar que o programa é mais 10

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do que a soma de suas partes, mas isso se aplica a quase tudo fora do campo da matemática pura. Experimente ir para o trabalho sentado na pilha de partes que compõem um Honda Civic. Pode-se afirmar que a aversão de House a tudo que é polido e eufemístico fornece ao público mais velho algum alívio diante da hipocrisia do politicamente correto de nosso tempo; também se poderia alegar que ele atrai um público mais jovem por ser antiautoritário, que é como os jovens veem a si mesmos, embora raramente o sejam. Além disso, House é um médico, alguém que resolve problemas, um salvador — o que normalmente não é uma qualidade desprezível. Todas essas coisas podem ter contribuído de alguma maneira para que o programa sobrevivesse folgadamente até a meia-idade. Apesar disso, ainda aposto que é por causa das piadinhas. Eu acho House extremamente engraçado. Não gosto quando as pessoas o descrevem como sendo irritadiço ou mal-humorado, ou estúpido, porque acredito que elas pessoas não entendem as partes boas tanto do programa quanto do personagem. Acho House brincalhão, perspicaz e absolutamente uma boa companhia. Gosto de conviver com ele. Mas, acima de tudo, acredito que o fato de ser engraçado é algo intrínseco a sua personalidade e a sua profissão. Vou explicar. (É claro que você não precisa de modo algum deixar que eu explique. Se quiser, pode simplesmente fechar este livro e seguir para a seção de ferramentas da loja. Ou pode pular para as fotos de Olivia Wilde, o que também será ótimo.) Há poucas coisas mais entediantes do que um discurso sobre a natureza do humor ou do que a explicação da graça de uma piada, mas vamos rapidamente dar uma definição aproximada, para que possamos seguir adiante. A maior parte das brincadeiras depende, em essência, de juntar duas coisas aparentemente desiguais. O reconhecimento repentino de uma similaridade previamente oculta se traduz no riso. (Argh. Eu P R E FÁ C I O

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me sinto obsceno descrevendo a delicada beleza do humor em termos tão rudes e mecânicos. Mas aí é que está. A “borboleta” já está à mostra, espetada.) As piadas, então, provêm da área metafórica do cérebro, que produz e decifra similitudes, analogias e tudo o mais. House costuma, de vez em quando, descrever um estado clínico em termos metafóricos. Isso cumpre a função conveniente de explicar ao público leigo (dentro do programa, é tipicamente o caso do paciente, enquanto fora dele se trata, bem, do público leigo) os detalhes técnicos do que está acontecendo. Entretanto, por baixo dessa função, a capacidade metafórica de House é também o elemento que o torna excepcional em seu trabalho. Sua facilidade para destrinchar problemas com ferramentas metafóricas (eu usei uma em minha explicação — isto é o que se pode chamar de sentença altamente proteica) é o que lhe possibilita ver as coisas de modo mais claro, mais analítico, que seus iguais. A parte engraçada do cérebro de House é a mesma que diagnostica e que expressa sua atitude diante da morte. House é ateu. (Não tenho nenhum documento escrito por David Shore que me autorize a dizer isto, mas vou arriscar e dizer mesmo assim. Caso House encontre Deus na nona temporada, terei de reescrever esta parte.) O que um ateu escolhe ao se deparar com o universo frio e vazio? Ele pode se jogar num rio; pode sair em busca da felicidade, como alguém já disse memoravelmente; ou pode fazer piadas sobre isso. Para House, o ateu, acho que brincar é, na verdade, algo bastante sagrado. É a essência que define sua humanidade. Aliviar o sofrimento e fazer a Coisa Certa são regras que House é obrigado a respeitar; mas ele as cumpre de má vontade, com incerteza, suspeitando de que nada vale a pena, de que tudo não passa de vaidade. A piada, em compensação, é um grito de alegria, uma centelha do divino, uma forma de cutucar na ferida o universo transgressor. Basicamente, House zomba da morte. O que não deixa de ser uma opção, crianças. 12

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Prefácio - O Guia Oficial de House