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OPINIÃO

Sábado e domingo, 17 e 18 de julho de 2010

Onde você estava na sua juventude?

* Marcelo Frazão Ultimamente tem vindo a luz da sociedade várias notícias de crimes e atrocidades cometidas por adolescentes de todas as classes sociais e de idades que variam de 11 a 17 anos. A última foi o caso Bruno que, assumidamente, com mais dois amigos estuprou e tentou estrangular uma jovem de apenas 13 anos. Mas o que acontece com estas crianças? É comum nos fins de semana vermos jovens com idade entre 11 e 17 anos bêbados, ou no processo de embriaguez em plena avenida Brasil, gritando, dançando, batendo em placas de trânsito e quebrando garrafas em plena rua. O que nos lembra claramente a atitude de muitos turistas que passam o verão na cidade, mas tem um problema, esses jovens de quem falamos são 90% moradores de Balneário Camboriú. Se passarmos pela avenida Atlântica e avenida Brasil das 22h em diante, numa noite de sexta-feira, nos deparamos com cenas lastimáveis. Meninas de 12 anos calçando sapatos de salto plataforma altíssimos para dar a impressão que são maiores de tamanho que de idade, pois fica óbvio qual é a idade delas. Bebendo uma

mistura de vodca com refrigerante usam roupas minúsculas e insinuantes, e quando p e rg u n t a d a s s e s e u s pais as deixam usar aquelas roupas respondem com sarcasmo e cinismo, que jamais seu pai ou mãe deixariam que usassem estas roupas, e que saíram de casa usando uma peça comportada e se trocaram na casa das amigas. Uma questão fica no ar, as amigas não têm pai ou mãe? Ou os pais da amiga só se importam com o comportamento da própria filha, e deixam que as companhias se comportem como bem entendem?

O “BANDIDINHO” Uma das paradas obrigatórias destes jovens antes da balada é nas esquinas da avenida Brasil. Enquanto esperam pelo BONDINDINHO (Bandidinho). Eles bebem, se drogam, riscam carros, xingam quem passa e fazem arruaças dignas de pessoas sem nenhum tipo de formação familiar, envergonham publicamente seus pais e mães, pela falta de respeito consigo mesmos. Meninas se oferecem para quem trafega de carro na avenida; rapazes dão bebidas e passam as mãos descaradamente no corpo de crianças de 12 e 13 anos, que

são filhas de alguém e só resta a quem vê estas cenas lamentáveis se perguntar, onde estão os pais desta criança sem rumo? Eles entram com suas bebidas no transporte rumo à Barra Sul, onde acontece o “fervo”. Não digo que a empresa de transporte tem alguma culpa disso, mas devia haver uma fiscalização mais rígida sobre o transporte de bebidas dentro do Bondindinho.

UMA DAS CAUSAS A maioria da população de Balneário Camboriú vem de outras cidades e estados, e claro, junto com os adultos vem as crianças e os adolescentes. Numa cidade diferente, de costumes diferentes, com os pais ocupados tentando ganhar dinheiro para sustentar seu novo lar, os filhos acabam assumindo mais res ponsabilidades dentro de casa, como cuidar dos irmãos mais novos, fazer a comida e etc... Em meio a tudo isso o jovem passa a pensar que já é adulto e começa a agir como um, mas sem alguém os direcionando, sozinhos, sem amigos ou com quem conversar.

O COMPORTAMENTO TRIBAL Qual de nós já não

passou por isso, escola nova, bairro novo e um grande detalhe, C I DA D E N OVA . S e m ninguém para dividir os medos, anseios e pequenas conquistas diárias, estas crianças chegam nas novas escolas e são recebidas normalmente com indiferença pelos grupos (tribos). Hoje o que não falta é tribo, tem sertanejo, emo, emo colorido, gls, os cosplay, o playboys com os Honda Civic do papai, a s p a t y, o s p u n k s , e os metaleiros. (He He, nostalgia). E bem no meio dessa esquisitice toda, um(a) adolescente recém chegado(a) doido para não ser tachado de esquisito, por ser normal. “Gente estranha com gente esquisita, eu não tô legal não aguento mais birita”, já cantava Renato Russo na música “Eduardo e Monica”. Os adolescentes fazem de tudo para conseguir seu espaço na tribo. “Uma vez na escola só para andar com os caras “legais” da turma, eu tive que passar por um corredor polonês, onde se forma um corredor humano e quem passa no meio apanha dos demais, levei sete pontos no supercílio e tive um dedo quebrado”. Os adolescentes acabam tentando e fazendo

coisas inacreditáveis para poder se enturmar. Conversei com uma jovem que só para ser aceita no grupo teve que fazer sexo oral com seis dos adolescentes deste grupo, detalhe ela só tem 13 anos. Uma vez aceito pela t u r m a ( t r i b o ) s e t o rna quase um ritual a adaptação ao meio de vida dos demais, o uso de bebida e outras drogas se torna comum, e é uma coisa quase cultual a balada de fim de semana, que quase sempre termina em sexo, desrespeito ou violência e dor de cabeça por parte dos pais. Que por sua vez, estão muito ocupados para aplicar um corretivo e supervisionar as companhias dos seus bebês, e acham que as escolas são responsáveis pela educação de seus filhos, mas, in felizmente, quem está moldando o caráter destas crianças não é a escola e nem os pais, e sim, o filho do vizinho, os comerciais de cerveja, a internet e o traficante que mora logo ali na esquina. É uma pena que tantos jovens tenham sido empurrados ladeira abaixo, pela simples e velha omissão dos pais, que empurram a questão para as escolas, as escolas que empurram para o governo, o governo que empurra

para a sociedade, e a sociedade que empurra nossas crianças para um mundo dominado pelo medo de não ser aceito pelo que elas são.

O LADO B Existem tantos estilos, modas, necessidades e anseios que a própria sociedade impõe (os ditames sociais), que a maioria destes jovens segue sem um rumo. Isso também acontece com os adultos, mas a diferença é que já passamos a fase de “ABORRESCENTES” e já somos adultos para tomarmos nossas decisões e fazermos nossas escolhas livremente. Já no caso dos jovens, todas as decisões que eles tomam e que vem de confronto as escolhas que nós, os pais já fizemos por eles, é vista como um ato de REBELDIA. O mesmo aconteceu com a JO VEM GUARDA, OS HIPPIES, OS METALEIROS cabeludos dos anos 80 que diga-se de passagem, na maioria são ótimos profissionais e pais maravilhosos. E qual é a mulher de mais de 35 anos que já não deu seus gritinhos vendo os MENUDOS na TV?. “Mente aberta”, mas c om se nha pa r a entrar. *Ex-adolescente


Onde voçê estava na sua juventude?