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Imóveis e Arquitetura

CEARÁ

CONSTRUÇÃO

Ano 6 - Edição 39

NSI

NÚCLEO DE SERVIÇOS INTEGRADOS

PERSPECTIVAS 2017 Setor da construção percebe crescimento

Euroville: pedaço da Europa no CE

Fortaleza tem m2 mais caro do NE

Sinduscon-Ce empossa diretoria para novo triênio


Editorial Mercado já convive com um novo astral

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SINDUSCON-CE Festa na posse dos novos dirigentes para triênio 2017/2019

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NOVIDADE Fortaleza ganha empresa que oferece serviço de armazenamento

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MATERIAL Conheça de onde vem e como é aplicado o asfalto usado no Brasil

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GRANDES OBRAS Escola na China usa telhado para construir pista de atletismo

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ARQUiTETURA Irmãos constróem vila de casas no estilo europeu em Santana do Cariri

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MERCADO IMOBILIÁRIO Mucuripe, Meireles e Praia de Iracema têm o m2 mais caro de Fortaelza

O discurso é de otimismo e de certeza que a crise já foi embora. Já há uma energia nova no ar. Todos os personagens envolvidos no setor de construção, aqui no Ceará, afirmam que as mudanças aplicadas no mercado financeiro, como a diminuição da taxa de juros e o lançamento de linhas de financiamento, mesmo diante dos problemas políticos, já são suficientes para crer que, no fim deste semestre, os lançamentos de imóveis voltem a ocorrer com maior frequência. Nesta edição mostramos também como o sonho de um urbanista cearense, apaixonado pela Europa e suas edificações, virou realidade em pleno sertão do Cariri. Ele construiu, aos pés da Chapa do Araripe, uma vila de casas ao estilo europeu. São cópias perfeitas de castelos, pontes e até da Torre Eiffel que encantam quem visita Santana do Cariri. Na seção Fortaleza em Fotos veja como tem sido a relação entre o fortalezense e os clubes sociais da cidade, outrora grandes pontos de encontro dos intelectuais. Conheça a história dos primeiros clubes da capital cearense. A nossa primeira edição de 2017 tem ainda os números da pesquisa FipeZap de janeiro, uma obra curiosa na China e muito mais. Boa leitura! O Editor

Diretor: Ariel Ricciardi Editor: Paulo Rogério Silveira ( 665 - JP/CE) Colaboradores: Claúdio Araújo, Izabel Bandeira, Fátima Aguiar e Márcio Tadeu Silveira Diagramação: Marcos Aurelio | Impressão Gráfica Halley Contato para anunciar CONSTRUÇÃO CEARÁ IMÓVEIS E ARQUITETURA: (85) 98824 0222 / (85) 3023 3537 ou através do e-mail: construcaoceara@hotmail.com ou ariel_ricciardi@hotmail.com. Redação: construcaoceararedacao@gmail.com Fale com a gente, envie e-mail, fotos, notícias para a redação. A sua opinião é fundamental para a melhoria de nosso produto. A revista CONSTRUÇÃO CEARÁ IMÓVEIS E ARQUITETURA é uma publicação bimestral do Núcleo de Serviços Integrados. As opiniões dos artigos assinados não representam necessariamente as adotadas pela revista. Não é permitida a reprodução parcial ou total dos textos. Foto capa: Divulgação.

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Gypsum ganha prêmio Com uma nova estratégia de comunicação, a Gypsum, aumentou em 199% o alcance no ambiente digital. Atuando desde 1995 no mercado brasileiro, ela é referência de tecnologia e qualidade em sistemas drywall. Isso levou a empresa a ser premiada na categoria “Melhor Solução de Social 2016” do WSI People’s Choice Awards 2016, em cerimônia que aconteceu em Toronto, Canadá. Vídeos com tutoriais de aplicação, montagem e curiosidades incentivaram o engajamento entre o público-alvo da Gypsum, formado por montadores, instaladores, distribuidores, arquitetos e engenheiros.

Retorno tranquilo A Família Schurmann regressou ao Brasil no final de dezembro. A atracagem do veleiro ocorreu na Marina Itajaí, em Santa Catarina. Inspirada na rota dos navegadores chineses de 1421, a Expedição Oriente durou 27 meses. Ela percorreu mais de 50 portos e quase 30 mil milhas. O veleiro foi batizado como Kat em uma homenagem à caçula da Família Schurmann. Ele conta com 85 toneladas de aço fornecidas pela ArcelorMittal Brasil. Os arames para solda, fornecidos pela Belgo Bekaert Arames (BBA) - parceria da ArcelorMittal com o grupo belga Bekaert - garantiram a segurança da estrutura do veleiro.


Whatsapp do Sinduscon-Ce O Sinduscon-CE abre mais um canal de comunicação com seus associados. Desde janeiro, são repassadas notícias via lista de transmissão do WhatsApp, como forma de otimizar o envio de informações relevantes sobre avisos de reuniões, informações administrativas e comissões de trabalho. Para receber os lembretes das principais atividades do sindicato pelo celular é fácil, basta enviar uma mensagem com NOME + SOBRENOME + EMPRESA para o número (85) 9 8956.6830 e salvar este número na sua agenda. Fique por dentro do que acontece no Sinduscon-CE.

Balanço positivo em 2016 A Cobrecom Fios e Cabos Elétricos, uma das mais importantes empresas do segmento de elétrica, fechou 2016 com importantes premiações. Entre eles o Prêmio Empresa Destaque 2016 do Segmento Fios e Cabos da Abreme (Associação Brasileira dos Revendedores e Distribuidores de Materiais Elétricos) e o 11º Prêmio Master Instal.

Agora é normatizado o tubo corrugado ABNT NBR ISO 21138 Aqui você encontra materiais hidráulicos para diversos segmentos A ct comércio em parceria com a Politejo Brasil fornece tubos corrugado em pp e pead com diâmetros de 100mm até 1.200Mm, tubos Pead alta densidade de 20mm até 2.000Mm de diâmetro, além de toda a gama de tubos pvc, pba, ocre, defofo, pvc-o (tensão admissível de 28 mpa), tubos, conexões, válvulas e registros em ferro fundido.

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Charme e personalidade As cubas são sinônimos de sofisticação, beleza e uma das grandes tendências de arquitetura e decoração. Para acompanhar as exigências do mercado, a Astra comercializa uma linha completa de cubas, que enriquecem qualquer ambiente. Basta ser instalado em cima de uma bancada ou balcão em formatos variados, dos redondos aos quadrados, em porcelana branca ou preta, podendo mesmo ser em vidro transparente.

SIL premiada em 2016 A partir da opinião de revendedores e profissionais especializados em material de construção e elétrico, com base em entrevistas realizadas por empresas independentes, que atestam o valor das opiniões, a SIL Fios e Cabos Elétricos, se sagrou mais um ano como a mais importante indústria de seu segmento ao conquistar cinco dos principais prêmios dos dois setores: Abreme, Anamaco, PINI, Top ofMind e Melhor Produto do Ano.

Sotreq investe em treinamento Vendas apontam crescimento Na pesquisa mensal da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), realizada entre os dias 21 a 27 de dezembro, constou que as vendas no varejo de material de construção cresceram 2% no mês de dezembro, na comparação com novembro. O desempenho no mês foi 4% superior ao registrado em dezembro do ano passado, Apesar disso, esperamos que o setor continue reagindo em 2017. A nossa expectativa é de crescermos 3% no primeiro semestre e 6% no segundo, fechado o ano com 5% de crescimento sobre 2016, explica Cláudio Conz, presidente da Anamaco.

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Preocupada em oferecer excelente desempenho aos seus clientes, a Sotreq, empresa com 75 anos no mercado e uma das maiores provedoras de soluções, produtos e sistemas Cat® no Brasil; é revendedora exclusiva de equipamentos, peças e serviços para motores EMD em território nacional e mais cinco países (Paraguai, Venezuela, Colômbia, Suriname e Guiana) investe em treinamento e estoque de peças. “Investimos em ferramentas, enviamos 12 técnicos para treinamentos em Chicago, nos Estados Unidos, e estamos focados na implementação do estoque local de peças e processo de reformas de componentes” disse Marcos Rocker, gerente de suporte ao produto.


Ensino questionado A Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA) divulgou carta aberta em que questiona o curso de ensino de arquitetura e urbanismo à distância. A entidade argumenta que a graduação exige um acompanhamento presencial e próximo de ateliers, laboratórios e canteiros experimentais, o que não poderia ser alcançado com a modalidade. “Em arquitetura e urbanismo, o espaço físico adequado é parte do processo de ensino e favorece o aprendizado. Se dar sentido a espaços (físicos e reais) é o dever de ofício, como fazê-lo na virtualidade? “, diz o documento.

Roca lança gabinete A Roca lança sua linha de gabinetes para banheiro Debba Bicolores. Segundo a empresa, a coleção atende à tendência de mistura de cores na decoração e é voltada ao segmento luxo. Os móveis Debba integram gabinete e cuba em louça sanitária.A versão bicolor está disponível na versão standard, em quatro dimensões: 50x36cm, 60X45cm e 70x36cm e 80x45, com duas gavetas. Na versão compact, chega nas medidas 70X36cm e 50X36cm, com duas portas


Saint-Gobain finaliza aquisição no Brasil O Grupo Saint-Gobain reforça sua presença no mercado brasileiro com a aquisição da Adespec, empresa localizada em Taboão da Serra (SP) especializada em adesivos e selantes de alta performance. A Adespec será controlada pela Weber, pertencente ao Grupo Saint-Gobain e que se beneficiará da estrutura industrial para fortalecer seu desenvolvimento nesse segmento. A aquisição faz parte da estratégia do Grupo de ampliar seus ativos industriais no Brasil. A Saint-Gobain projeta, fabrica e distribui materiais que podem ser encontrados em vários lugares como edifícios, transportes, infraestruturas e aplicações industriais. Está em operação em 67 países com mais de 170 mil funcionários.

Habitação popular Tigre investe no segmento de metais sanitários Líder na fabricação de tubos e conexões, o Grupo Tigre ingressa em um novo segmento: metais sanitários, acessórios e afins. O grupo adquiriu o controle acionário da carioca Fabrimar e firma seu objetivo de investir em novos mercados e negócios, fortalezendo a participação no segmento da construção civil . Com 750 funcionários, a operação da Fabrimar será mantida na unidade fabril do Rio de Janeiro. “Estamos muito focados no crescimento dos nossos negócios no Brasil e no exterior. Por esse motivo, buscamos oportunidades que complementem a nossa atuação”, afirma Otto von Sothen, presidente do Grupo Tigre, que está presente em mais de 40 países, possuindo cerca de sete mil funcionários.

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Serão destinados R$ 33,5 bilhões para a concessão de financiamentos a pessoas físicas e jurídicas que beneficiem famílias com renda mensal bruta de até R$ 3,6 mil. O orçamento 2017 também prevê R$ 5 bilhões para o Programa Especial de Crédito Habitacional ao Cotista do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (Pró-cotista). Desse total, 60% serão destinados ao financiamento de imóveis novos e, no mínimo, R$ 3,5 bilhões para imóveis com valor inferior a R$ 500 mil.

Primeira franquia A Tintas MC inaugurou, no último dia 31, a sua primeira franquia localizada em Ubatuba(SP). Segundo a empresa, a intenção com o novo modelo de negócios é oferecer em todo o Brasil o atendimento já presente nas lojas em São Paulo. São três formas de operação: a franquia individual, onde o empreendedor contará com treinamento, além de poder escolher a melhor região, optando pelo ponto comercial; a franquia de conversão, onde o lojista passa a ser um franqueado Tintas MC, com mudança de layout da loja e a Shop in Shop, onde a Tintas MC abre uma loja dentro de uma loja já existente, interessante para as lojas de material de construção.


Otimismo retorna ao mercado O Índice de Confiança da Construção (ICST), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu 2,5 pontos em janeiro deste ano, atingindo 74,5 pontos, em uma escala de zero a 200. Esse é o maior nível desde junho de 2015 (76,2 pontos). O crescimento do índice foi provocado principalmente pelo maior otimismo em relação ao futuro, medido pelo Índice de Expectativas, que subiu 3,4 pontos e alcançou 84 pontos. As perspectivas para a demanda nos próximos três meses foi o que mais contribuiu para o crescimento em janeiro (3,9 pontos).

BNDES volta a financiar O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltou a financiar exportações de serviços de engenharia depois de uma interrupção de oito meses. O financiamento será concedido à Construtora Queiroz Galvão, empresa investigada pela Operação Lava Jato. O banco desembolsará 145 milhões de dólares (cerca de R$ 470 milhões) para a construção do corredor logístico que liga Puente San Juan I a Goascorán, em Honduras. O valor do empréstimo do BNDES equivale a 66% do valor total da obra.

Funcional e decorativo Em tempos de crise hídrica, qualquer oportunidade de armazenar água é muito valiosa. Mas ninguém quer baldes espalhados pela casa, eles acabam com a decoração e geram o risco de proliferação do mosquito da dengue. Pensando nessa necessidade a Japi (empresa do Grupo Astra) desenvolveu o coletor Eco Fusion. O produto é funcional e decorativo, tem aspecto de vaso e espaço interno para armazenar 120 litros de água. O coletor deve ser posicionado na calha da saída de água da chuva.

Parceria premiada A parceria realizada entre a GE Water e Process Technologics, um dos negócios da GE Power e Braskem, maior petroquimíca das Américas foi contemplada pela Ecomagination, premiação concedida pela GE. O prêmio é uma homenagem às iniciaivas que alcançam o equilíbrio entre a eficiência da produção industrial e os maiores desafios de sustentabilidade em escala global. O projeto premiado tem como base a unidade móvel de Osmose Reversa instalada na planta da Braskem em Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo.

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SINDUSCON-CE

Grandes desafios pela frente Eleita para o triênio 2017-2019, a nova diretoria do Sinduscon-CE assume mandato comprometida a implantar a inovação na construção civil. Para isso, conta com a chegada do Programa de Inovação da Indústria da Construção Civil, o Inovacon

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diretoria eleita para a gestão 2017-2019 do Sinduscon-CE tomou posse no último dia 26 de janeiro. A solenidade aconteceu no auditório Waldyr Diogo, térreo da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), com a presença de empresários, políticos, engenheiros, diretores do Sistema Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará) e representantes do Banco do Brasil e Caixa Econômica. Na ocasião, o presidente André Montenegro de Holanda, eleito para o segundo mandato, fez um balanço das conquistas obtidas no período 2014-2016 e projetou os principais desafios a cumprir. “Os últimos três anos foram intensos, com grandes desafios, principalmente pelo contexto econômico que o País vem enfrentando, e que ainda nos trazem frutos amargos. Mas, apesar de tudo, temos certeza de que construímos um legado importante nesta primei-

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ra gestão”, destacou Montenegro. Por motivo de viagem, o governador Camilo Santana não pôde comparecer à solenidade, mas enviou mensagem. “Que o Sinduscon, que representa a importante atividade econômica da Construção Civil, continue sendo protagonista no processo de desenvolvimento do nosso Estado. São 75 anos de uma rica história que conta com a nossa admiração e respeito. O Governo tem trabalhado para retomar o caminho do crescimento. A construção civil tem relevante papel nesse processo. Tenham no Governo do Estado um parceiro de todas as horas”, enfatizou. O presidente da Fiec, Beto Studart, não estava presente, mas também encaminhou uma mensagem. Segundo ele, André Montenegro é um grande companheiro de lutas. “Minha relação com o Sinduscon é bastante estreita. A construção civil é o segmento que escolhi para se-

guir minhas atividades empresariais produtivas. É motivante vivenciar o quanto o nosso setor cresce na atenção a questões importantes da sociedade ligadas ao desenvolvimento e a sustentabilidade, e também como estamos atentos às novas tecnologias e em novas técnicas para construções sustentáveis”, atesta. O vice-presidente da Fiec, Alexandre Pereira, representou o presidente Beto Studart na cerimônia de posse. “Admiro esse Sindicato, não só por gerar riqueza para nosso Estado, mas por ser um sindicato que sempre se renova e que dá exemplo nas suas ações corporativas e na atuação junto aos trabalhadores. E também tem sido exemplo na CNI. Continue contando com a Fiec e com muita animação para superar a crise”, reconhece. Eleita em dezembro de 2016, a chapa única “Inovar para Progredir” ficará à frente da entidade pelo pró-


ximo triênio. Após o primeiro mandato à frente da presidência, André Montenegro de Holanda destaca que um novo e desafiador ciclo se inicia agora, com uma meta arrojada: a de implantar ainda mais inovação na construção civil. O grande reforço é a chegada do Programa de Inovação da Indústria da Construção Civil (Inovacon), que passa a ser o braço tecnológico do sindicato. “Queremos aumentar a produtividade das empresas e reduzir custos, além de tornar o processo construtivo mais moderno”, destaca Montenegro. A composição da diretoria eleita para o período 2017-2019 apresenta diversas novidades, como: o sócio fundador e diretor-presidente da J. Simões Engenharia, José Simões Filho, que assume a vice-presidência da Área de Tecnologia. O empresário Jacob Stevn vai atuar como representante Regional Zona Norte. As diretorias de Obras de Infraestrutura e Edição de Periódicos serão ocupadas, respectivamente, por Marcelo Correia Lima e André Sobreira. O cofundador e Diretor Técnico da Construtora e Incorporadora Manhattan, Hélio Galliza, se encarregará da Diretoria de Eventos e Francisco Kubrusly Neto, assume a gestão de Obras de Construção. Se os vários compromissos assumidos para 2014-2016 foram cumpridos, não são menores os desafios que o próximo triênio reserva. Para cumprir esta tarefa, André terá o apoio dos vice-presidentes José Carlos Gama (Área Imobiliária), Fernando Pinto (Relações Trabalhistas), Paula Frota (Sustentabilidade), Patriolino Dias (Relações Institucionais), Ricardo Teixeira (Financeiro), Emanuel Capistrano (Administrativo), Augusto Souza (Obras Públicas) e Ananias Granja (Obras Pesadas), além de 21 diretores.

Veja a lista presidência e vice-presidências Presidente: André Montenegro de Holanda Vice-presidente da Área Administrativa: Emanuel Capistrano Costa Vice-presidente da Área Financeira: Ricardo Nóbrega Teixeira Vice-presidente da Área Imobiliária:  José Carlos Braide N. da Gama Vice-presidente da Área de Tecnologia: José Simões Filho Vice-presidente da Área de

Sustentabilidade: Paula Andréa Cavalcante da Frota Vice-presidente da Área de Obras Públicas: Augusto Rogério de Menezes e Souza Vice-presidente da Área de Relações Trabalhistas:  Fernando José Pinto Vice-presidente da Área Institucional: Patriolino Dias de Sousa T. Silva Vice-presidente da Área de Obras Pesadas: Ananias Pinheiro Granja

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PREMIAÇÃO

Sinduscon-Ce premia os Melhores da construção civil Destaques do setor foram homenageados em cerimônia que marcou o encerramento da gestão 2014-2019 e o início do triênio 2017-2019

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C. Rolim Engenharia foi eleita a Construtora do Ano, durante a 15ª edição do Prêmio da Construção, realizado pelo Sinduscon-CE. A entrega do Troféu Waldyr Diogo de Siqueira aconteceu em novembro, no La Maison. Para o resultado, foram analisados critérios como: pesquisa de satisfação com clientes e funcionários; pontualidade; participação nas ações do Sinduscon-CE; auditorias em obras, analisando os pilares gestão e qualidade, segurança do trabalho, meio ambiente e sustentabilidade; e auditoria nos escritórios, avaliando planejamento, pós-obra, responsabilidade social, dentre outros. A cerimônia deste ano também homenageou o empresário José Pontes de Melo, na categoria Resgate Histórico; e o sócio fundador e diretor-presidente da J. Simões

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Engenharia, José Simões Filho, na categoria Tecnologia e Qualidade. O Prêmio Responsabilidade Social reconheceu a campanha “O acidente não compensa”, uma iniciativa do Tribunal Regional do Trabalho (representado pelo Desembargador Francisco José Gomes), em parceria com o Sinduscon-CE. Por fim, o empresário sergipano, João Carlos Paes Mendonça, foi agraciado na categoria Desenvolvimento Setorial; e o mestre de obras da Construtora Mota Machado, José Tarcísio Freitas Jacó, foi eleito o Operário do Ano. A comenda teve o patrocínio da Caixa Econômica Federal, Cimento Apodi, Gerdau, SESI, SENAI e Sistema FIEC. Além dos cinco prêmios que foram distribuídos, o destaque da noite ficou por conta do anúncio do vencedor da categoria: “Construtora do Ano”, que recebeu

o troféu Waldyr Diogo de Siqueira. A C. Rolim Engenharia foi aclamada ao prêmio pela segunda vez. Em 2016, onze empresas concorreram como finalistas: A&B Engenharia, BSPAR Incorporações, Construtora Colmeia, C. Rolim Engenharia, Construtora Mendonça Aguiar, Construtora Mota Machado, Construtora R. Miranda, Dias de Sousa Construções, J. Simões Engenharia, Magis e Muza Construtora. O presidente do Sinduscon-CE, André Montenegro de Holanda, destacou o objetivo da premiação em fomentar as boas práticas nas construtoras associadas. “Em 2016, revisamos os checklists, melhoramos as exigências documentais, diversificamos os campos de auditorias e reconhecemos nas pontuações as empresas que investem em itens diferenciados em suas obras”, declarou.


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OBRAS PÚBLICAS

Em busca das melhores soluções Atuando desde o ano passado, a comissão de Obras Públicas criada pelo Sinduscon será fortalecida em 2017

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parentemente, canteiros de obras de empreendimentos públicos e privados são iguais. Na prática, no entanto, a gestão dos projetos se dá de maneira diferente, portanto, os desafios também se distinguem. Atento a esta realidade, o Sinduscon-CE criou a Comissão de Obras Públicas, que já vem atuando desde o ano passado com o intuito de conhecer mais profundamente as demandas das empresas associadas que atuam neste segmento. “Já havia um esforço concentrado para atender os associados de obras públicas, mas a comissão vem fortalecer este desempenho. Nosso objetivo principal é agrupar as empresas deste segmento, uma vez que elas têm um interesse comum: o êxito nas suas empreitadas. Somando estes esforços, podemos ter um grupo mais coeso e mais competitivo”, afirma Augusto Sousa, vice-presidente de Obras Públicas. Sempre nas terceiras terças-feiras do mês, às 18 horas, acontece uma reunião da comissão, quando os associados podem apresentar suas demandas, e ter acesso a informações estratégicas. Relações Públicas O diretor de Obras Públicas, Mar-

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celo Correia Lima, destaca que a comissão tem se aprofundado nas especificidades do setor, para buscar as melhores soluções para as empresas, e, consequentemente, para o principal beneficiado com o produto final – a sociedade. Para isso, atua em três dimensões: compras, jurídico e relações públicas. Em um momento em que o país enfrenta recessão econômica, é imprescindível a busca de melhores condições para os associados. “Em decorrência da escassez de recursos em todos os níveis (municipal, estadual e federal), estamos sempre buscando responder à pergunta: Como comprar melhor ?”, explica Marcelo. Além disso, a comissão está atenta à área jurídica, buscando munir as construtoras associadas de informações relativas aos seus direitos em relação a reajustes, tributos, entre outros. Por fim, a comissão realiza uma aproximação com os governos municipal, estadual e federal; primeiro para tentar entender melhor a situação em que o país se encontra, e para atuar em conjunto combatendo as dificuldades. “É importante que conheçamos de fato o tamanho dos problemas, para nos precavermos e adotarmos ações mais racionais e direcionadas”, afirma o diretor. .

Desafios em obras públicas Todos os associados que tiverem interesse podem participar das reuniões mensais para ter acesso a mais informações, e também para apresentar suas demandas. A comissão entende que existem desafios específicos em obras públicas, a exemplo da fiscalização externa e interna, que existe para garantir que o produto e o projeto sejam 100% compliance, ou seja, estejam conforme previstos nas cláusulas contratuais. Neste caso, os agentes externos de fiscalização são os tribunais de contas, que atuam em oposição ao controle interno realizado pelo órgão contratante sobre seus gastos. O contratante ou o gestor de produto espera que a obra esteja pronta conforme o memorial descritivo. Já a fiscalização quer saber se a execução do projeto está dentro da lei e exige que os requisitos sejam perfeitos. A Comissão de Obras Públicas tem atuado para dar todo o suporte necessário às empresas deste segmento, contribuindo para o equilíbrio de todas as forças envolvidas: projeto, que deve atender ao termo de referência, licitação, contrato e ordem de serviços; e o produto a ser construído.


EXPECTATIVAS

O otimismo voltou A baixa nos juros de financiamento, o controle da inflação e a retomada de novas linhas de crédito reacenderam a esperança no setor da construção de que a crise nas vendas começou a cair. O otimismo é a palavra de ordem do mercado

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epois de um ano de baixos investimentos, vendas baixas e sem esperança de melhoras, o clima mudou entre aqueles que fazem o setor da construção no Ceará. A palavra de ordem agora é de otimismo e expectativa positiva já para o final do primeiro semestre e início do segundo. Entre os fatores apontados como responsáveis para essa nova postura estão as iniciativas do Governo Federal na diminuição dos juros, a retomada do financiamento de imóveis, o

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controle da inflação, entre outros. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-Ce), Apolo Scherer, os problemas que o setor sofreu nos últimos anos serviram como aprendizado para todos. “O ano de 2016 foi muito bom em termos de aprendizado e para nos dar o norte de como agir em 2017. Para este início de ano acredito que devemos ser mais confiantes, porém sem perder a cautela “ explicou. Scherer diz que foi fixada uma regra

comum para o lançamento de novos produtos no mercado. Segundo ele, terão sucesso os produtos que apresentarem as seguintes características: melhor localização, melhor projeto e qualidade, melhor preço, melhores condições de pagamento e melhor atendimento. Outro que demonstra confiança em novo impulso no mercado é o presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção do Ceará (ACOMAC), Carlito Lira. “Após uma sequencia de sucessivos


Victor Frota Pinto Presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-Ce)

João Carlos Lima Presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-Ce)

André Montenegro Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-Ce)

Carlito Lira Presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção do Ceará (ACOMAC-Ce)

resultados positivos nos últimos anos, o seguimento de revendas de materiais de construção no Ceará, espera obter resultados superiores a 2016, ano em que interrompeu uma série histórica de crescimento” disse o dirigente. De fato, a retomada de crescimentos já deu sinais agora em janeiro. De acordo com pesquisa realizada pela Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) com 530 lojistas de todo Brasil, as vendas aumentaram 4% na comparação com

o mesmo período de 2016. Para Carlito Lira a definição de mudanças no setor econômico foi fundamental para a volta do otimismo. “A queda gradativa da taxa de juros, a implementação do Cartão Reforma e a reativação do Construcard da CEF, darão novo impulso aos consumidores a procurarem as lojas para compras a prazo, buscando materiais para reformarem, construírem ou ampliarem as suas moradias. O empresariado cearense vê com otimismo a condução das políticas de ajustes da nossa economia, fator importante para retomada da confiança e consequente reaquecimento das vendas do setor” afirmou.  o relançamento do Construcard foi apontado pelo presidente da Anamaco, Cláudio Conz, como propulsor para que o consumidor voltasse a procurar as lojas de material de construção para realizar obras de longo prazo. ”Os reflexos virão, mas

Apolo Scherer Presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-Ce)

por enquanto ainda estão acontecendo de forma mais lenta. Assim que os programas estiverem sendo executados a todo vapor, teremos mais resultados positivos. Por enquanto eles estão ainda em fase de ajuste e implementação” disse ele. Retomada O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE), Victor Frota Pinto, espera que haja uma retomada dos investimentos tanto na área da en-

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genharia civil quanto da arquitetura. E para isso lembrou o desenvolvimento do setor tecnológico, que já está preparado para apresentar novas soluções diante da atual visão financeira. “Em 2016, assistimos a uma grande insegurança na política brasileira, que afetou e desestabilizou a economia e a produtividade, causando retração no mercado e em investimentos públicos, aprofundando o desemprego e a queda do poder aquisitivo em quase todos os setores. Com otimismo, espero para este ano uma retomada de serviços, projetos e obras de engenharia, considerando a concreta possibilidade de uma nova perspectiva na economia e na política do nosso País. A área tecnológica está pronta para contribuir para a retomada do crescimento e com a reconstrução de um novo quadro socioeconômico, que possibilite ao Brasil trilhar novos horizontes” afirmou Victor Frota Pinto. “Vejo que o aquecimento do setor da construção civil é importante dentro da cadeia econômica de qualquer país. Todos os demais setores crescem com ele” afirmou o presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-Ce), engenheiro João Carlos Lima. Para ele, a crise do ano passado deixou muitas lições para os empresários. A principal delas é com a necessidade urgente de inovação “Estamos muito defasados tecnologicamente e é preciso que a engenharia, as universidades tenham mais empenho para que os futuros profissionais façam constantes questionamentos sobre os processos atuais. Temos que inovar sempre. Já era para não existir a figura do carrinho de mão nas grandes obras” afirmou. Assim como os demais integrantes do setor, João Carlos vê como positiva as expectativas para 2017. “Tivemos ano passado um período muito tumultuado, presenciamos um impeachment, o que não é um

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fato simples”. Para ele, o Brasil que estamos vendo hoje já está coletando, pelo menos na área econômica, alguns frutos do trabalho desencadeado ano passado. “Esse ano não será tão traumático. A chama da expectativa positiva reaqueceu, o que é um indicador importante para voltar os investimentos. E para nós, o setor da construção está sendo reconhecido como o caminho de uma oxigenação econômica pela conexão que ainda tem com o emprego. A qualidade dele é que já devia estar em outro patamar” finalizou. Fim da fração ideal O fim do limite mínimo de espaço para construção de imóveis em determinados bairros de Fortaleza. Essa determinação é vista pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon), André Montenegro, como um obstáculo de mais empreendimentos imobiliários na capital cearense. “Há bairro em que o apartamento tem que possuir, no mínimo, 60 metros quadrados de área. Isso acaba dificultando lançamento de obras, diminuindo, consequentemente a geração de emprego” explicou ele. A necessidade de incentivos do po-

der municipal é apontada pelo empresário como prioridade para que o clima de otimismo do mercado torne-se realidade. “Espera-se do setor municipal o incentivo à atividade econômica. É preciso a visão de geração de emprego e facilitar a vinda de novos empreendimentos” afirmou Montenegro. A expectativa para o setor também é de otimismo. Para André Montenegro, a dificuldade sofrida nos últimos dois anos serviu de lição para que as empresas fiquem atentas com relação ao corte de custos. “Para sair da crise é necessário sempre pensar em inovação. Não só neste setor da construção, mas para todas as empresas em geral” afirmou. Ele prevê que no segundo semestre já comecem a aparecer os primeiros novos empreendimentos. ” Em 2017 nós ainda vamos estar pagando a conta desses dois anos - 2015 e 2016 - que afetou muito a construção civil. Mas já está acendendo uma luzinha no fim do túnel. O Governo tomou algumas medidas que fez com que se retorne o otimismo. Mas a saída da crise será lenta e espero que, a partir do segundo semestre, já começemos a ver um lançamento diferenciado”.


INOVAÇÃO

Chega de enrolar no serviço! Ideal para pequenos reparos domésticos, a fita isolante liquida surge como a solução ideal para instalações elétricas onde o acesso nem sempre é fácil. O produto é impermeabilizante e garante um melhor acabamento elétrico

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ada de rolos e mais rolos de fita isolante acumulados ou malabarismos para na hora de fazer reparos elétricos. Quem se aventura a fazer pequenas instalações em casa sabe o quanto pode ser difícil manusear as fitas convencionais. Para acabar com essa dor de cabeça na hora do conserto, surgiu a fita isolante líquida, a solução ideal para pequenos reparos em casa ou no trabalho. Não há nada melhor na hora de consertar o chuveiro, instalar luminárias e isolar fios em geral, inclusive os de telefo-

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ne. Outra ótima pedida é utilizar a fita isolante líquida para emborrachar cabos de ferramentas domésticas, como martelos, alicates, entre outros, tornando o seu manuseio muito mais confortável. Fácil de aplicar, altamente segura e impermeabilizante, ela garante um melhor acabamento elétrico às instalações. De acordo com o fabricante Quimatic Tapmatic, a fita isolante liquida isola e impermeabiliza conexões expostas a diversas intempéries do tempo, enterradas e em locais úmi-


Quem se aventura a fazer pequenas instalações em casa sabe o quanto pode ser difícil manusear as fitas convencionais.

dos, podendo ser aplicada a pincel ou por imersão. O produto seca em poucos minutos, moldando-se aos fios e garantindo proteção 100% contra o contato com a água. A aplicação de 1mm de espessura, de acordo com a ficha técnica do produto, permite isolar circuitos elétricos e eletrônicos de até 6500 volts. Segundo a Quimatic, uma das fabricantes, a fórmula traz inúmeras vantagens em relação à fita isolante comum: não resseca com o passar do tempo; não perde adesão devido ao calor ou contato com produtos químicos; oferece muito mais proteção às conexões elétricas; evita a corrosão de fios e conectores e não propaga chamas. Além disso ela adere sem dificuldade a metais, plásticos, borracha, vidro, entre outros. Algumas fábricas oferecem ainda o produto em várias cores como azul, branco, incolor, preto e vermelho, o que acaba com aquele colorido nos fios após reparos nas instalações. Com o produto, o consumidor ainda combate ao desperdício tão comum no uso da fita isolante tradicional que, muitas vezes, fica com aspecto volumoso devido à dificuldade de manuseio e à grande quantidade de fita utilizada. “Com o produto, fica muito mais prático e seguro fazer aquela instalação do chuveiro, colocar luminárias no jardim e isolar fios em geral, já que o prático bico aplicador permite

chegar em locais que a fita isolante adesiva não alcança, evitando assim o risco de infiltrações e curtos-circuitos. A aplicação de 1mm de espessura isola circuitos de até 6500 volts”, explica Marcos Pacheco, químico Sênior da Quimatic Tapmatic. Os produtos da Quimatic podem ser encontrados em latas de 200 ml, em média a R$ 40 e em bisnaga de 50 g a R$ 16,00 (valores médios nas revendas). A Wurth também fabrica o produto, porém somente na versão lata de 250 ml, apropriada para trabalhos que exijam instalações mais profissionais. O preço médio chega a R$ 80.

Vantagens • Adere a metais, borracha, plásticos, vidro, e outros materiais. • Para todas as ligações elétricas de alta segurança. • Impede corrosão de fios e conectores. • Fácil aplicação em fios de pequeno diâmetro. • Não propaga a chama em estado seco. • Inviolabilidade de componentes. • Mantém a condutividade elétrica. • Evita formação de oxidação.

Desvantagens • Tempo de secagem. Enquanto na fita o uso é imediato, na versão liquida é preciso aguardar a secagem • inflamável no estado liquido • Preço é superior a fita comum.

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HIDRÔMETROS

Pague somente o que consumir A partir de 2021 os condomínios em todo Brasil terão que disponibilizar hidrômetros individuais em suas unidades. Em Fortaleza, medida já está em vigor desde 2005 e tem gerado economia àqueles que se adaptaram

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m passa o dia no trabalho, um mora sozinho e na maioria dos fins de semana está viajando. O outro é casado, tem três filhos pequenos e prefere descansar em casa no sábado e domingo. Eles são vizinhos e embora possuem um perfil de consumo de água bem diferente, na hora de pagar a conta, são taxados pelo condomínio com o mesmo valor. Para tentar acabar com esse cenário foi aprovada pelo Governo Federal a Lei 13.312 que obriga todos os novos condomínios no Brasil, a partir de 2021, a oferecerem medição individualizada de água. A medida visa acabar com a injustiça de um morador ter que pagar por aquilo que não consumiu. A lei ressalta ainda que os condomínios devem adotar padrões de sustentabilidade ambiental. Dados da Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) apontam que já existem em Fortaleza e na Região Metropolitana 144 condomínios onde a medição individualizada de água é realidade. Isso sem contar os imóveis do Programa Minha Casa, Minha Vida cujos projetos já preveem a cobrança individualizada. No Estado, porém, dos cerca de 6 mil prédios construídos, apenas 12% desse total conta com o sis-

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tema individual de medição, considerando a média de 80 edificações entregue por ano. Fortaleza, aliás, partiu na frente neste quesito. Há mais de 10 anos a capital cearense já possui uma lei municipal (lei 9.009) com determinação semelhante. Desde 2005, a expedição de alvará de licença de construção de novos condomínios, seja comercial ou residencial, somente é concedida se houver projeto de instalação de hidrômetro individual. O objetivo da lei é que cada condômino pague o valor referente ao consumo próprio, medido pelo hidrômetro da respectiva unidade. A diferença entre o somatório do consumo de água de todas as unidades e a quantidade marcada pelo hidrômetro comum, será paga pelo conjunto dos condôminos. Segundo o presidente do Sinduscon, André Montenegro, as construtoras no Ceará já estão fazendo a individualização há algum tempo. Ele considera essa forma mais justa diante de um público tão distinto nos prédios. “Além disso, as pessoas que atrasam o pagamento das contas penalizam todo o condomínio. E com a cobrança individual é cortada apenas a água dos inadimplentes” afirmou. De acordo com dados da Cagece,

a cobrança individual oferece vários benefícios ao consumidor como pagar apenas aquilo de consumiu, sem entrar no raleamento geralmente feito nos prédios. Isso, além de proporcionar ao usuário um maior controle sobre o consumo e até identificar possíveis vazamentos. Constam dos dados da empresa, um total de 150 imóveis que decidiram investir e já passaram pela adaptação. O custo vai variar de acordo com a necessidade de investimentos na tubulação. Em média chega a ser de R$ 1 mil por unidade. Como fazer a adaptação - Definir em assembleia geral a decisão de submeter-se à adaptação. - O síndico terá que enviar para Cagece dossiê com os seguintes documentos: ata da assembleia que decidiu a individualização, documentação do sindico e dos moradores (RG, CPF e comprovante de endereço) e assinar termo de compromisso de medição individualizada. - Contratar empresa especializada para fazer tubulação - Encaminhar hidrômetros para Cagece fazer aferição Após esses processos, a Cagece fiscaliza a obra, cadastra os moradores e passa a enviar as contas.


NOVIDADE

Uma questão de espaço A MeuBox Guarda Tudo surge em Fortaleza oferecendo o serviço de armazenamento de bens para pessoas e empresas

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abe aquele móvel de família que não tem mais utilidade, mas ninguém tem coragem de jogar fora ou doar? Ou mesmo as caixas e mais caixas de documentos importantes encostadas em um quartinho do escritório? Esses espaços ociosos agora podem ser aproveitados de maneira mais inteligente. Para ajudar empresas e pessoas, foi lançado em Fortaleza a MeuBox Guarda Tudo, um serviço que oferece segurança e comodidade para quem deseja precisa resolver os problemas de armazenamento de bens. É o primeiro empreendimento Self Storage do Ceará, e nasce ancorada em modelos em operação no Sul e Sudeste do País. São 130 boxes metálicos de diversos tamanhos, destinados a servirem de depósito de quase tudo: de artefatos e móveis de família a material de construção, arquivos e até veículos de

pequeno porte. O que não for vivo, inflamável ou proibido por lei, pode ser armazenados com segurança. Os boxes são fechados e individualizado, com acesso permitido somente aos clientes cadastrados. O ambiente tem monitoramento 24 horas dia com câmeras de gravação de imagens e alarme, e uma equipe à disposição para solucionar qualquer imprevisto. Ou seja, somente o cliente e pessoas por ele autorizadas conseguem colocar ou retirar o conteúdo do box, garantindo total privacidade. O diretor comercial da MeuBox Guarda Tudo, Márcio Alcântara Pinto, afirmou que o empreendimento surge como aliado das empresas e das pessoas neste momento econômico. “ Em época de incertezas, os sonhos da casa maior ou da ampliação de um empreendimento podem ser adiados, com a possibilidade de espaço extra temporário. Além dis-

so, o aprimoramento dos recursos disponibilizado pela MeuBox Guarda Tudo a torna uma excelente opção mais duradoura, sendo alternativa mais barata, se comparada à compra de garagens e outros espaços para armazenar seus objetos”. A primeira unidade da MeuBox Guarda Tudo está localizada no bairro Vila União em uma estrutura de dois andares e área total de 1.500 metros quadrados. Em uma época de espaços cada vez mais reduzidos nos centros urbanos, o aluguel de boxes se tornou uma alternativa atraente para quem precisa de soluções rápidas, simples e práticas.

Serviço MeuBox Guarda Tudo: meuboxguardatudo.com.br Rua Armando Monteiro, 337 – Vila União – Fortaleza/CE contato@meuboxguardatudo.com.br 30 - Construção Ceará


NOVO OLHAR

Tem um lixão no meio do caminho Lei Federal considera ilegal, desde 2014, a existência de lixões nos municípios. Entretanto, no Ceará, ainda existem mais de 250 lixões

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ortaleza gera diariamente uma média de 5,5 mil toneladas de lixo, segundo dados do extinto Conpam (Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente). No Estado, a geração de resíduos sólidos alcança

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9,5 mil toneladas/dia. Como descartar toda essa produção sem causar profundos danos ao meio ambiente tem sido o grande questionamento dos gestores públicos e especialistas da área. Esse tem sido um problema que

os moradores dos grandes centros urbanos têm enfrentado nas últimas décadas e muitas vezes desprezado pela maioria da população. Se antes a saída era escoar todo o material para terrenos localizados longe da cidade - e da vista das pessoas - causando a formação dos lixões em meio a matas fechadas, hoje o cenário é diferente. As cidades cresceram e essas áreas, antes distantes das casas, rios e comércio, foram ficando cada vez mais próximas. Além disso, o simples acúmulo de lixo foi afetando o ecossistema do local, causando poluição e gerando cada vez maiores despesas. Em 2014, o Governo Federal instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos que passou a considerar ilegal, a partir de agosto daquele ano, a existência e a criação de novos lixões. A ordem passou a substituir todos por aterros sanitários. Entre os impactos negativos, a destinação inadequada dos resíduos sólidos em lixões gera contamina-


ção dos lençóis freáticos e recursos hídricos superficiais, doenças como leptospirose, contaminação do solo e mudanças climáticas. Passados pouco mais de dois anos, a realidade no Ceará mudou pouco. Existem ainda cerca de 3000 lixões em todo o estado e a falta de condições financeiras dos municípios, aliado com a pouca disposição política para solucionar o tema, tem impedido a construção desses equipamentos. De acordo com diagnóstico da Sema, apenas cinco dos 184 municípios cearenses possuem aterros (Fortaleza, Caucaia, Aquiraz, Mauriti e Brejo Santo), e um total de 10 cidades acondiciona os resíduos nesses locais. 85% dos municípios destinam seus resíduos a lixões a céu aberto. E em 65% dos municípios, os pontos de eliminação de resíduos encontram-se a uma distância da área urbana menor ou igual a um quilômetro e em 26% dos municípios, os pontos de eliminação de resíduos encon-

O Plano Estadual de Resíduos Sólidos regulamenta alternativas para o alcance de um desenvolvimento sustentável, tram-se a uma distância dos recursos hídricos menor ou igual a um quilômetro, o que provoca um grave risco à saúde da população. Em Fortaleza, há 20 anos, o lixo é descartado no Aterro Sanitário Metropolitano Oeste, localizado em Caucaia. Na tentativa de acabar com os lixões espalhados pelos municípios cearenses e se adequar à lei, foi lançado no ano passado, pelo governador Cami-

Os dez municípios que mais geram resíduos sólidos no Ceará 1) Fortaleza – 5.876,69 toneladas/dias 2) Caucaia – 1.032,03 toneladas/dia 3) Juazeiro do Norte – 926,59 toneladas/dia 4) Maracanaú – 379,99 toneladas/dia 5) Crato – 238,28 toneladas/dia 6) Quixeré – 206,05 toneladas/dia 7) Iguatu – 183,34 toneladas/dia 8) Maranguape – 158,44 toneladas/dia 9) Quixadá – 145,84 toneladas/dia 10) Pacatuba – 128,21 toneladas/dia

Fonte: Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam). Dados de 2012

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lo Santana, o Plano Estadual de Resíduos Sólidos. O Plano estabelece metas para acabar com os lixões no Ceará em até 20 anos. Dentre elas, está a construção de duas centrais de tratamento de resíduos até o final de 2017. A previsão é que esses equipamentos passem a atender 26 municípios nas regiões de Sobral e do Limoeiro do Norte. a nova política reforça a necessidade de ampliar a criação de ecopontos, de investir na coleta seletiva e na educação ambiental como alternativas para minimizar o impacto da falta de aterros sanitários. O Plano Estadual de Resíduos Sólidos regulamenta alternativas para o alcance de um desenvolvimento sustentável, utilizando-se de instrumentos como a Coleta Seletiva de resíduos sólidos, Controle e Participação Social, Responsabilidade Compartilhada, Regionalização da Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos, Logísticas Reversa e Acordos Setoriais. O plano também visa a recuperação de áreas degradadas pelos lixões em 81 municípios. Além dessas medidas, o Plano prevê a criação de uma rede de coleta seletiva em 81 municípios cearenses, onde os resíduos sólidos possam ser separados e distribuídos para reciclagem, beneficiando associações e cooperativas de catadores, que separam os materiais e vendem para as indústrias. Atualmente apenas 21 cidades possuem esse serviço. Estão sendo elaborados 11 Planos Regionais de Resíduos Sólidos no Ceará, contemplando os 184 municípios. Através de nota, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente informou que está prestes a ser instalado um conjunto de ações para implantar modelo de gestão integrada de resíduos sólidosem dois dos 26 consórcios existentes no Ceará, um no Sertão Central - Sobral e outro em Limoeiro do Norte, atendento assim ao Plano Estadual de Resíduos Sólidos. 34 - Construção Ceará

Conheça os tipos de descarte de resíduos Lixão: depósito a céu aberto O Lixão é uma opção inadequada de disposição final de resíduos a céu aberto, sem qualquer planejamento ou medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública. No local não há nenhum controle ou monitoramento dos resíduos depositados, onde nesse caso, resíduos domiciliares e comerciais de baixa periculosidade podem ser depositados juntamente com os industriais e hospitalares, de alto poder poluidor, atraindo vetores, além de riscos de incêndios causados pelos gases gerados pela decomposição do lixo. Como não há impermeabilização, o chorume, líquido gerado pela decomposição da matéria orgânica, não é coletado, podendo penetrar na terra e contaminar o solo e o lençol freático. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), implantada em 2010, previa para agosto de 2014 o fim dos lixões, o que não aconteceu

Aterro Controlado Segundo a NBR 8849/1985 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o aterro controlado é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo que evita danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais. Esse método utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos, cobrindo-os com uma camada de material inerte na conclusão de cada jornada de descarte. Com essa técnica de disposição produz-se, em geral, poluição localizada, não havendo impermeabilização de base (comprometendo a qualidade do solo e das águas subterrâneas), nem sistema de tratamento de percolado (chorume mais água de infiltração) ou de extração e queima controlada dos gases gerados. O lixo é compactado e o solo coberto a cada jornada; Após a compactação, o local recebe argila e terra para o plantio de espécies de raízes curtas;

Aterro Sanitário É uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, que visa prevenir danos à saúde pública e ao meio ambiente, minimizando os impactos ambientais. Tal método utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, recebendo tratamento no terreno (impermeabilização e selamento da base com argila e mantas de PVC). O lençol freático e o solo ficam protegidos da contaminação pelo chorume, que é coletado e tratado no local ou em empresas especializadas. O gás metano também é coletado para armazenagem ou queima.


Recursos Humanos

Os desafios da gestão familiar Lidar com as emoções, investir no bom relacionamento entre os integrantes da família no negócio e na formação dos colaboradores é fundamental

E

ste tema vem sendo de grande importância no cenário do Brasil. Cerca de 90% das empresas brasileiras são familiares, trazendo a compreensão de que sua fundação e sua história vêm carregadas de muito envolvimento emocional, o que pode gerar muitas dificuldades na sua gestão que passa de geração a geração. Gerir uma empresa familiar é algo muito complexo e desafiante. Faz-se faz necessário aprender a lidar com as emoções familiares pela sustentabilidade do negócio, que muitas vezes pode atrapalhar nas estratégias da organização, como a falta de um planejamento, formalidade, definição de papeis, dificuldade de comunicação, diferenças de gerações, bem como jogos de poder. Esses pontos afetam diretamente na formação da cultura organizacional, o que torna difícil o entendimento dos processos para os colaboradores e, com isso, os resultados podem não ser satisfatórios pela falta de alinhamentos dos gestores. A gestão geralmente é ligada à personalidade do dono, sendo assim mais complicado identificar e dis-

seminar, na cultura, os valores e objetivos claros da organização. No entanto, podemos dizer que alguns benefícios podem ser citados na gestão familiar. Um deles é a rapidez na tomada de decisões por ter poucos níveis hierárquicos, maiores contatos da direção com os gestores, laços afetivos que geram retenção e maior envolvimento dos colaboradores pela proximidade do dono, e a referência que os colaboradores têm dos fundadores, o que pode levar um sentimento de pertencimento. Portanto, se você se reconhece com alguns destes pontos que podem gerar dificuldade na evolução do seu negócio, busque uma maior qualificação em termos de gestão e planejamento. Reflita: como anda a distribuição do seu tempo empresa & família? Existe maturidade de não misturar assuntos familiares com os profissionais?  Como você imagina sua empresa daqui a 20 anos? Como será a preparação do processo sucessório? Qual o perfil do sucessor? O quanto você está preparado para abrir mão do bastão? Essas perguntas, com certeza, ainda

Izabel Bandeira Psicóloga e coach izabelband@hotmail.com

não terão todas as respostas, mas precisam ser pensadas e respondidas antes de acontecer. Faz- se necessário, muitas vezes, a ajuda de especialistas da área, para que o processo sucessório não traga estragos para família e para a organização. Lembre-se: empresa é uma instituição que requer 90% de razão e 10% de emoção. Boa sorte na sua caminhada.

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NOVO OLHAR

Claudio Araujo claudioaraujo@secrel.com.br www.exitotreinamento.com.br

Criatividade é fundamental! A capacidade de criação do ser humano é algo incalculável. Diante das adversidades, sempre existe nova alternativa a ser adotada. Fato que proporciona melhor resultado ao grupo

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dinâmica do mundo dos negócios vem promovendo mudanças de cenários de forma rápida, em que o elemento criatividade passa a ter um nível de importância ainda maior para empresa. Já falamos, em outros artigos, da importância do gestor saber entender o que o mercado esta exigindo de sua empresa; o monitoramento por métricas é essencial para a leitura do mercado e suas tendências. Ser criativo é “think outside the box”,  expressão em inglês que significa pensar fora da caixa. É isso mesmo que as empresas necessitam fazer neste momento. A caixa limita as estratégias para o novo momento. A criatividade resulta em soluções que

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permitem à empresa economizar ou criar produtos e ou serviços que elevam a rentabilidade. Estimular a criatividade de seu grupo é permitir que os colaboradores possam errar na tentativa de fazer coisas novas; o erro sempre é visto com uma situação pejorativa e acaba se convertendo em punição para pessoas que o cometem. Necessitamos diferenciar o erro por tentativa de um novo caminho de um erro por incidência de uma displicência. Uma ferramenta adequada para gerenciar os erros é o processo PDCA (Planejamento,Direcionamento, Controle e Aprendizado) se o grupo de trabalho determina o momento para analisar suas métricas (indica-

dores) e avaliar se as estratégias estão sendo eficazes. O mesmo poderá usar da criatividade e estabelecer novos caminhos com o monitoramento de suas consequências. A ferramenta do PDCA é importante. Porém, é necessário que a direção da empresa estimule, na cultura organizacional, a ter a criatividade como um princípio básico da empresa, bem como a importância da gestão de pessoas e o desenvolvimento de liderança participativa voltada para resultado. Vamos iniciar o ano pensando e agindo com criatividade, estimulando a nossa equipe á encontrar novos caminhos e a ser diferenciadas. Bom trabalho!


MATERIAL

Conheça por onde você anda A sensação de dirigir sobre um tapete varia de acordo com a qualidade, o tipo e a forma de aplicação do asfalto. Atualmente a preocupação com a questão ecológica também entra na pista o que tem mudado a forma de fabricação

M

uitas vezes você só vai notar quando ele não está ou quando apresenta defeitos. Estamos falando do asfalto. Nada substitui a sensação de estar dirigindo sobre um verdadeiro tapete, em uma via sem buracos, ondulações e bem sinalizada. Isso quando o nosso personagem é produzido e aplicado com material de qualidade. Mas, afinal, qual o processo que se aplica até o asfalto chegar a este ponto de tapete? Como é feito o asfalto e porquê, muitas vezes, ele dura tão pouco? É importante que o construtor aplica na estrada um produto de qualidade, afinal, são os pneus do automóvel ou mesmo do avião em que você viaja que entram em contato com o asfalto. É ele que nos dá o conforto e, principalmente, a segurança na dirigibilidade. Elementos como a aderência e estabilidade mudam conforme o tipo usado e são fundamentais para a segurança operacional. São a dife-

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rença entre parar e não parar o movimento diante de uma situação crítica. A definição pura e técnica é que o asfalto é um produto obtido através da destilação do petróleo,  sendo uma de suas frações mais pesadas com um ponto de ebulição de 600°C. O produto é o resultado final de uma mistura de hidrocarbonetos que possuem características aglutinantes e impermeabilizantes. Apresenta maior durabilidade e alta resistência aos produtos inorgânicos, além de ser flexível a misturas com agregados minerais, podendo ser liquefeito caso entre em contato com temperaturas elevadas, ou dissolúvel em destilados de petróleo ou por emulsificação. O asfalto, então, nada mais é do que um material aglutinante de consistência variável e que possui cor muito escura ou preta. Seu principal composto é o betume, uma mistura de hidrocarbonetos com grande peso molecular, que pode ser obtido tanto em estado natural ou por meio de processos químicos. O asfalto também pode ser extraído direto da natureza, onde pode ser encontrado em países como: Cuba, Filipinas, Mar Morto, Venezuela, Trinidade, Califórnia, Síria e Baixa Saxónia. A sua distribuição no Brasil é regulamentada pela ABEDA – Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Asfalto. Historicamente, o asfalto (ou materiais betumosos) é usado desde os tempos bíblicos. Ele era empregado na Mesopotâmia como um aglutinante em trabalhos de alvenaria e na construção de estradas, e também era aproveitado como um impermeabilizante nos reservatórios de água e salas de banho, que eram muito comuns naquela época. Até mesmo na preparação das múmias há registros de utilização do betume. Existem vários tipos de asfalto e cada um é obtido misturando diversos materiais ao petróleo. Eles são

escolhidos de acordo com as necessidades do local onde será aplicado. Por exemplo, em rodovias onde há a passagem de caminhões de grande porte, a necessidade é de um asfalto mais resistente do que das ruas de carros menores. A fórmula mais utilizada nas ruas brasileiras é a do betume misturado à areia, pó de pedra e gravilha a 200°C, assentada por compressores na aplicação. O asfalto também tem sido uma maneira de fazer reciclagem. Os pneus velhos são sempre um problema para a disposição de lixo na cidade. Eles ocupam muito espaço e a sua queima libera gases tóxicos. O que tem sido feito é misturar raspas de pneus velhos ao asfalto, gerando assim o chamado asfalto ecológico ou asfalto borracha. As propriedades da borracha são adicionadas às do asfalto, fazendo com que ele fique mais flexível e seja menos suscetível a rachaduras. E também reduzem os custos da produção do asfalto, já que os pneus usados seriam mesmo descartados. Muitas pesquisas têm sido feitas para tornar o asfalto uma maneira de ajudar o meio ambiente, são as chamas estradas verdes. Nos Estados Unidos existem projetos para utilizar o calor do sol absorvido pelo asfalto para gerar energia. A adição de quartizitos aumenta a capacidade do asfalto de absorver calor. Em Madrid

está sendo estudada a possibilidade da utilização de um asfalto especial que ajuda a diminuir a poluição gerada pelos carros na estrada, captando o óxido de nitrogênio emitido. Nas obras públicas, basicamente, existem três tipos de pavimentação. O pavimento flexível é a melhor opção pois ele suporta melhor os esforços cisalhantes, além de aceitar a execução de reparos localizados, fora os custos serem menores do pavimentos rígidos; os pavimentos de concreto (ou rígido), mais indicado para corredores de ônibus onde existem muitos pontos de parada – abrigos e cruzamentos – com maior concentração de carga estática e pontos de frenagem, cujos esforços cisalhantes são mais severos em relação às rodovias e o pavimento semirrígidos que são pavimentos intercalados de pavimento flexível e rígido, sendo este ultimo usado em paradas de ônibus. A adoção de um tipo de pavimento deve ser analisada sobre os aspectos técnicos, financeiros e de sustentabilidade. Piche x Asfalto Embora a maioria da população pense que piche e asfalto sejam produtos diferentes, não são. O piche nada mais é que o asfalto em estado líquido. É o resultado da destilação do alcatrão ou petróleo e, entre suas

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propriedades, está a alta capacidade de adesão e impermeabilização, já que repele a água. O asfalto, por ser a parte mais pesada no resultado da destilação do petróleo, entra em ebulição em temperatura mínima de 600 graus Celsius. O asfalto, entretanto, pode ser obtido por outras fontes naturais, como o betume mineral. Usado para pavimentação, tem diversos tipos, e sua aplicação varia conforme o tipo de via a ser coberta. Rodovias que recebam tráfego mais intenso de caminhões, por exemplo, precisam de um asfalto mais resistente. Uma técnica que vem sendo empregada, com efeitos positivos não apenas na duração do pavimento, como na diminuição da poluição, é o uso de pneus raspados misturados. Essa mistura, chamada de asfalto borracha, faz o produto ficar mais flexível, diminuindo a ocorrência de rachaduras. Mas uma tendência nos Estados Unidos e que vem ganhando força é a implementação do asfalto verde. Nessas vias, o calor gerado será redirecionado para a geração de energia. Para aumentar o poder calorífico, é adicionado quartzito à mistura asfáltica. Na Espanha, estão sendo desenvolvidos projetos para a fabricação de um asfalto especial, que capta os gases poluentes emitidos pelos veículos, reduzindo a poluição atmosférica. Concreto x Asfalto Segundo dados da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) somente 2% dos cerca de 200 mil quilômetros de estradas pavimentadas no Brasil utilizam o concreto como material de pavimentação. O restante usa o velho e conhecido asfalto. Especialistas em construção afirmam que o concreto, apesar de ter um investimento inicial maior do que o asfalto, supera, em alguns casos, a qualidade dos pavimentos.

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Classificados como rígidos (concreto) e flexíveis (asfáltico), os dois modelos de pavimentação exigem alto custo. De acordo com a ABCP o custo médio do quilômetro asfaltado é de R$ 1 milhão. Com concreto, o custo fica em torno de R$ 1,3 milhão pelo mesmo trajeto. Entretanto, a vida útil do concreto é de, no mínimo, 20 anos e o asfalto no máximo dez anos. Em uma projeção rápida feita pela Associação Brasileira de Pavimentação, como os gastos manutenção do concreto são baixos, dentro de 20 anos o custo com o tipo de pavimentação pode ficar um valor 60% abaixo ao gasto com a implantação do asfalto. Outra qualidade observada pelas associações é o fato do concreto esquentar menos, o que no Brasil, por ser um país de clima tropical, é muito vantajoso. Além disso, por ser mais claro, o concreto reflete melhor a luz – o que gera economia com energia elétrica. O asfalto é mais usado, entretanto, por permitir mais união dos materiais agregados, como as combinações do asfalto com a borracha de pneus moídos, além de permitir a reutilização de diversos materiais por meio da reciclagem. Asfalto no Ceará A Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste, localizada no Mucuripe, é uma das líderes nacionais em

produção de asfalto e a única no país a produzir lubrificantes naftênicos, um produto próprio para usos nobres, tais como, isolante térmico para transformadores de alta voltagem, amortecedores para veículos e equipamentos pneumáticos. A Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor) começou sua trajetória com a instalação da Fábrica de Asfalto de Fortaleza (Asfor), em 1966. O objetivo era produzir asfalto para atender à demanda do Nordeste, tendo em vista a dificuldade de transporte desse tipo de derivado de petróleo. A capacidade de refino da Unidade de Vácuo (UVAC), na época, era de aproximadamente 2,8 mil barris de petróleo pesado por dia. Hoje, ela produz 235 mil toneladas/ ano de asfaltos e 73 mil metros cúbicos por ano de lubrificantes naftênicos. A refinaria responde por cerca de 13% da produção de asfaltos do Brasil. Além de produtora, é também distribuidora de asfalto para nove estados das regiões Norte e Nordeste. Todo o petróleo utilizado pela Lubnor é do tipo ultra pesado: 85% provenientes do Espírito Santo e o restante, 15%, do Ceará. Do total processado, 62% do volume é destinado à produção de asfalto, abastecendo todos os estados do Nordeste, e cerca de 16% são empregados na obtenção de lubrificantes naftênicos.


Asfalto novo a qualquer momento Disponibilizados em sacos de 25kg, o asfalto a frio faz em poucos minutos o mesmo serviço que exigiria um grande maquinário e demoraria horas

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a parceria entre a cearense Fornecedora Máquinas e Equipamentos e a paranaense Único Asfalto, nasceu a Fornecedora Asfalto, empresa que fabrica e vende uma das maiores novidades do setor dos últimos anos: o asfalto a frio. A nova empresa foi apresentada aos clientes em dezembro. A unidade no Ceará já está usinando e também será a responsável por oferecer o maquinário para a rede de empresas que tenham interesse em ser franqueadas. Segundo o presidente da Único, Jorge Coelho, a empresa ficará responsável pela captação e qualificação do franqueado, enquanto a Fornecedora Máquinas vai negociar os equipamentos, entregá-los e dar manutenção quando necessário. O grande diferencial do produto é a facilidade na aplicação. O asfalto é vendido em sacos de 25kg, pode ser aplicado a frio e estocado por até 20 meses. Não se perde nada. Fabricado exatamente como o asfalto tradicional, quente, e modificado por um composto químico que retarda a cura da mistura, o asfalto frio permite aplicação sem equipamentos especiais, inclusive sob chuva e ou em piso molhado, o que tem agradado

os clientes diante da possibilidade de não haver atrasos em obras. Além da praticidade, o produto proporciona 50% de redução de custos de obras de pavimentação. A aplicação do produto não exige equipamentos pesados, apenas enxada, pá e compactador manual, diferentemente do asfalto comum, que precisa ser aplicado a uma temperatura de 160°C e com rolos compactadores. O asfalto é vendido em sacos de 25 kg, que custam de R$ 15 a R$ 25 cada, dependendo da região e da negociação. O público-alvo são construtoras, condomínios, estacionamentos, pátios de fábricas, governos, concessionárias de serviços públicos (como as de água e gás) e pessoas comuns que precisam fazer obras e reparos em propriedades particulares. A Fornecedora Asfalto chega ao mercado com força, amparada pela tradição do Grupo Fornecedora Máquinas e Equipamentos, uma das pioneiras no ramo de venda de peças e equipamentos para o setor industrial no Ceará e com 60 anos de atuação, sendo referência no setor, repleta de conquistas, crescimentos e realizações.

Bate Papo André Leão Ribeiro, diretor executivo da Fornecedora Como tem sido a aceitação desse novo produto no mercado cearense? A aceitação tem sido incrível. O fato de poder estocar e aplicar à frio um composto que é usinado à quente traz diferencias muito importantes para o cliente final. Qual o público alvo que a Fornecedora pretende atingir com esse material? Os potencias clientes são pequenos e médios construtores, prefeituras, concessionárias de rodovias. Vários prefeitos e órgãos públicos já foram apresentados ao produto e a procura tem sido excelente. Tem havido alguma dificuldade com relação à aplicação? Muito pelo contrário, a aplicação a frio permite que o usuário trabalhe sem a necessidade de aplicação imediata, o que gera um benéfico de economia em pessoal, transporte, além de não haver a perda da massa. Qual a expectativa de vendas para 2017 para este produto? Nossa expectativa é comercializar algo em torno de 15 mil toneladas de asfalto esse ano.

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GRANDES OBRAS

Solução que veio do céu Arquitetos encontraram no telhado o espaço que precisava para garantir a prática de esportes e lazer para os alunos de uma escola na China

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spaço é um problema comum aos grandes centros urbanos do mundo. Cada vez mais, a população desses locais sofre com falta de áreas para o lazer e a prática de esportes, devido ao aumento substancial na construção de altos prédios residenciais e corporativos. Na China não seria diferente. Localizada no centro da cidade de Tiantai, província de Zhejiang, uma escola primária chinesa começou a enfrentar dificuldade para oferecer aos seus alunos opções para a pratica esportiva. A saída foi contratar um escritório de arquitetura para achar uma solução rápida para o problema. A ideia do escritório Lycs foi criativa e deu um jeito nisso, sem ocupar um espaço extra. A decisão foi desenvolver a área esportiva na própria cobertura da escola. Ao invés de ter um telhado, a construção ganhou 200 metros

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de pistas vermelha, ideais para que as crianças possam se divertir e iniciar no esporte. O novo local, que conta ainda com uma quadra poliesportiva, agradou aos cerca de 1600 alunos, que agora não precisam mais se deslocar até o estádio mais próximo. “Agora temos aulas de esportes e fazemos exercícios aqui. Antes, precisávamos ir ao estádio para realizar uma aula de esporte, mas agora, podemos ter a aula aqui mesmo em nossa escola” disse uma das alunas da escola. O novo espaço de recreação das crianças da escola também inovou nos sistemas de segurança. Sensores infravermelhos que estabelecem limites de aproximação das laterais e câmeras de vigilância monitoram o local. A pista é envolta por grandes placas de vidro, com 1,8 metros de altura e 50 centímetros de largura. Essa estratégia reduz também os ventos na pista, ao mes-

mo tempo em que mantém a vista para a paisagem exterior. Para a questão do ruído, as almofadas de mola são colocadas a cada 50x 50 cm sob a pista de plástico, reduzindo assim o ruído cinético por meio da estrutura de camada dupla. O restante da escola é repleto de grandes janelas, que maximizam a entrada da luz do sol, e grandes corredores, para facilitar a passagem de ar e ventilação natural. De acordo com o escritório, o projeto se esforçou para proporcionar um ambiente bonito para o cultivo do conhecimento, cultura, aptidão física, arte e ética para crianças do ensino fundamental. Caso fosse construída no chão, a pista ocuparia 40% da área da escola, o que tornaria os outros espaços muito menores. Com a estrutura no telhado, a escola ganhou, em média, três mil metros quadrados de área útil.


Segundo o escritório Lycs, o projeto para a Escola Primária TianTai “esforça-se por ser um projeto único. A pista pede 40% da terra se colocarmos o playground no chão como a maneira normal, então o espaço

do campus seria muito apertado. Ao mesmo tempo, era necessário garantir aos alunos um playground para ter esportes e atividades. Com a terra escassa, a pista de 200m foi projetada no nível do telhado, dan-

do 3000 m² adicionais de área útil no chão, bem como a forma oval do edifício da escola, criando uma sensação de interioridade e segurança para os alunos” afirmou um dos diretores da empresa.

vas parabólicas e que ocupava um espaço de 494 metros de comprimento por 85 de largura. As curvas da pista foram construídas com uma complexa série de estruturas de concreto. A pista era a última etapa do processo de fabricação dos carros. Como a fábrica de Lingotto tinha uma linha de produção em espiral ascendente, em cada andar era feita uma etapa da fabricação, fazendo com que o carro subisse aos poucos pelo prédio. O punhado de peças e componentes no andar inferior chegava ao topo do prédio como um automóvel completo, pronto para ganhar o mundo. Quando um Fiat terminava seu percurso fabril pelos 1.500.000 m² de Lingotto, ele saia do prédio por uma rampa de acesso ao teto. Cada carro percorria então a pista para garantir que o pessoal nos pisos inferiores havia feito seu trabalho corretamente. Assim que aprovado, o carro descia direto para o térreo por uma das duas rampas espirais

que saem da pista. A fábrica foi responsável por boa parte da produção da Fiat desde sua inauguração até a década de 1970. A fábrica fechou oficialmente em 1982.Alguns anos depois, o prédio foi reformado para ser um gigantesco espaço comercial. Seus andares são ocupados agora por um shopping center, um teatro, um centro de convenções e um hotel. A pista, entretanto, permanece intacta, e é utilizada principalmente como local para reunião de empresas, clubes de automóveis, além de atração turística. Fotos: Flickr/Jon & Mell Kots

Pista de testes A ideia de usar o telhado, porém, tem exemplos anteriores. Não por uma questão de espaços, é verdade. Mas como parte de uma estratégia da Fiat na construção de carros. O edifício Lingotto em Turim, na Itália, é uma estrutura de meio quilômetro de largura de puro concreto armado. Mas o que chama a atenção é uma pista de corrida construída no telhado da fábrica entre 1916 e 1923. O edifício foi uma ideia do engenheiro italiano Giacomo Matte-Trucco, e foi um dos primeiros edifícios de seu tamanho feito em maior parte com concreto armado. As restrições de espaço impostas pelas linhas ferroviárias próximos ao terreno, forçaram Giacomo Matte-Trucco a desenvolver um edifício que fosse verticalmente para cima e terminasse em um simples, mas engenhoso loop no último piso da pista de testes, com duas curvas inclinadas. A obra ficou pronta em 1923 e tinha cinco andares e uma pista de testes simples em seu teto, com duas cur-

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FORTALEZA EM FOTOS

As mudanças de comportamento e o surgimento dos clubes sociais O primeiro clube social de Fortaleza - o Cearense - foi inaugurado em 7 de setembro de 1867. De lá até os dias de hoje, dezenas de clubes marcaram época na vida social da população fortalezense Por Fátima Aguiar

(www.facebook.com/fortalezaemfotos)

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omingo era dia de missa e de programa em família: circo, teatro, cinema, passeio em casa de parentes nos arrabaldes da cidade. Mas ainda no século XIX, surgia outra opção de divertimento: os Clubes Sociais. O Cearense, o primeiro clube social de Fortaleza, foi inaugurado a 7 de setembro de 1867, com um grande baile, reunindo o melhor da sociedade. O clube surgiu da necessidade de congregar a gente elegante da terra, num espaço exclusivo e requintado para os padrões da época. Não completou 35 anos de existência, mas durou o tempo suficiente para tornar-se uma referência para as associações que o sucederam. Logo depois, apareceu o Clube Iracema, fundado em 28 de junho de 1884, por um grupo social emergente, que não foi aceito nas dependências do Clube Cearense. Marcou seu início como centro de atividades políticas e sociais, voltado para a militância dos movimentos abolicionistas e republicanos. O Clube Iracema

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privilegiou as atividades culturais, registrando em seus salões intenso movimento artístico-literário. Ali nasceu o gabinete de Leitura, o Instituto do Ceará, a Fênix Caixeiral, a Padaria Espiritual, a Sociedade Perseverança e Porvir, a Academia Cearense de Letras e a Sociedade Libertadora Cearense. Acompanhando os clubes elegantes, espaços privados de lazer burguês, vieram as recreações esportivas, recomendadas pelo saber médico: o skating-rink (1877), patinação no Passeio Público; o byciclette sportif (1900) ciclismo nas praças, e o turf (1895) corrida de cavalos no Campo

do Prado no Benfica. Em consequência de uma dissidência na diretoria do Clube Iracema, surgiu em 18 de março de 1913, o Clube dos Diários, o mais requintado do período da Belle Époque de Fortaleza. Desde sua inauguração, instalou-se no Palacete Guarany, na antiga Rua Formosa. Mais tarde foi construída uma nova sede social, na Aldeota. O Clube dos Diários preenchia a vida social de Fortaleza com charme e elegância. Até o final dos anos 20, a vida social e elegante da cidade era conduzida pelos dois clubes: Iracema e Diários. Na segunda metade do século XX,


o Clube dos Diários, numa forma de sobrevivência, fundiu-se com o Clube Iracema constituindo o Clube Diários-Iracema. O Clube Líbano Brasileiro, no início em março de 1923, chamava-se União Síria e funcionava na Rua Major Facundo. Depois a União Síria juntou-se à União Libanesa, formando a União Sírio-Libanesa. Posteriormente, em 1947, a agremiação recebeu o nome de Clube Líbano Brasileiro, e em meados da década de 1950, mudou-se para a Rua Tibúrcio Cavalcante. Já o Ceará Country Club inaugurado já nos fins da Belle Époque, congregava quase que exclusivamente a colônia inglesa da cidade até 1956. A partir daí houve uma abertura no seu quadro social, com aquisições de ações por membros da sociedade fortalezense. Quando surgiu nos primórdios da década de 1930, o Maguary pontificava no futebol. Com o tempo, o Maguary com sua popularidade e prestígio adquiridos no esporte, acabou se tornando um dos clubes sociais mais animados de Fortaleza nos anos 1940/50. Deixou a sede primitiva na atual Avenida da Universidade, por uma ampla e luxuosa sede própria, localizada no Bairro de Fátima, na Rua Barão do Rio Branco. Dentre os de maior porte, o primeiro a se instalar em uma sede de praia foi o Ideal Clube, no bairro Meireles, em 1939. Foi também o primeiro a construir uma piscina no Ceará. Foi inaugu-

rado no dia 3 de outubro de 1931, com grande baile, no afastado bairro Damas. Em maio de 1946 foi fundado o Iate Clube do Ceará, ligado aos esportes náuticos, instalado inicialmente no prédio dos escritórios da Condor, na Barra do Ceará. Nos anos 50, mudou-se para sua sede de praia, no Mucuripe. E foi nos anos 50 que a cidade viveu os tempos áureos dos clubes sociais, redutos das classes mais abastadas, dos novos ricos e dos deslumbrados da época. Os velhos e tradicionais clubes se instalaram em novas e confortáveis sedes, e uma infinidade de novas agremiações foram criadas, com festas suntuosas, animados bailes de carnaval, piscinas de águas esverdeadas, quadras de esportes, bares e restaurantes. Uma moderna e diferente forma de viver, com mais alegria, mais descontração, mais charme. Em 1950, o Náutico Atlético Cearense trocou sua minúscula sede da Praia Formosa pela sede da Praia do Meireles, oferecendo mais conforto e diversão aos seus associados. Ocupando uma área considerável, numa região ainda pouco valorizada, à beira mar, o Náutico abria seus salões para os visitantes de todos os lugares do Brasil e até do exterior. Era reduto das classes média e alta, e bastião dos bons costumes. Ostentava a sede mais luxuosa, possuía o maior núme-

ro de sócios, tinha muito prestigio. Seu presidente era mais importante que muito Secretário de Estado. Havia também o Comercial Clube que produziu uma miss Ceará e realizava suas tertúlias nas manhãs de domingo, a que rapazes e moças compareciam devidamente trajados, homens de paletó e gravata, mulheres de longo, naquele calorão. Ao meio dia, Edilmar Norões que era frequentador e locutor da Rádio Verdes Mares, anunciava que a orquestra tocaria o Hino Nacional para que todos ficassem de pé. O clube era tão importante que distribuía até títulos de Cidadão Cearense. Com o advento dos clubes elegantes, as famílias de Fortaleza mudaram seus hábitos e passaram a encontrar nas agremiações a continuação do seu próprio lar, com a vantagem dos banhos de piscina, das práticas esportivas, do conforto dos bares e restaurantes. Os clubes favoreciam os encontros, a transmissão de valores e o relacionamento social, namoros e casamentos entre as classes alta e média. Dentro de pouco tempo o Brasil inteiro comentava o gritante contraste entre a conhecida pobreza do Estado e a suntuosidade dos seus clubes, onde a elite risonha e franca nem via o tempo passar.

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ARQUITETURA

Euroville: Uma Europa no sertão do Cariri Um pedaço da Europa em pleno Cariri, no Ceará. Assim é a Euroville, uma vila construída em estilo arquitetônico europeu, em uma área de 100 hectares em Santana do Cariri. Ali podem ser encontradas, por exemplo, réplicas da Torre Eiffel, de castelos medievais, anfiteatro

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uando se fala em sertão cearense a primeira imagem que surge no imaginário da maioria dos brasileiros é a terra seca, mandacarus pelo chão, vacas magras, rios e lagoas secas, casas simples, muitas ainda feitas de barro. Esqueça tudo isso. Aliás, esses são elementos antigos, muito utilizados no cinema e nos cordeis, mas que já estão longe da paisagem do sertão. A realidade hoje em dia é bem diferente. Tão diferente que você acreditaria se encontrasse um pedaço da Europa em pleno sertão do Cariri, a cerca de 560 km de Fortaleza? Pois pode mudar seus conceitos. Um pedaço da Europa já existe bem no alto da Chapada do Araripe, no

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município de Santana do Cariri, no distrito de Araponga. Em uma terra famosa pela quantidade inesgotável de fósseis de mais de 110 milhões de anos, a família Pereira, criou, em 2006, a Euroville, um conjunto de casas construídas em estilo arquitetônico europeu. No terreno de 100 hectares, existem edificações com estilo inglês do período vitoriano, italiano da região alpina, grego, suíço, castelo português projetado para batalhas, casa medieval francesa e prédio espanhol, réplica da Torre Eiffel, de Paris, anfiteatro grego e outras edificações que poucos imaginariam existir naquele local. O conjunto foi criado para reunir a família em ocasiões especiais, mas o inusitado


chamou a atenção e vários turistas já visitaram a vila europeia do Ceará. A história saiu da mente de Francisco Pereira, mais conhecido por Francimar, o caçula dos doze filhos do casal Antônio Majó e Adália Pereira. Ele estudou na Europa e formou-se urbanista. Ele morou 30 anos em Paris, viajando para vários países europeus. Neste período, sempre que podia levava um dos membros da família para conhecer os principais locais. Todos ficaram apaixonados pela cultura europeia, pela arquitetura, culinária, artes, etiqueta, entre outros temas. Quando voltou ao Brasil, após o falecimento da mãe, Francimar chamou os irmãos e mostrou o projeto de construir em pleno sertão um pedacinho da Europa no terreno que a família possuía, juntando todos os familiares perto de suas raízes. A terra ficava ao pé da Chapada do Araripe, local com clima ameno de temperatura com cerca de 20 graus. Ali todos os irmãos - Ildair, Vilani, Hilvandi, Iranildo, Valdir, Valdizia, José, Francimar, Terezinha, Manuel, Ana Maria e César - teriam sua casinha no estilo europeu. Cada membro escolheria um país para representar na

sua referida construção. Francimar iniciou a execução do projeto com a Ponte de Lucerne, área comum a todos para encontros de grande porte, do Castelo de Óbidos, da casa Grega, de Iranildo, e do início da casa francesa de Valdizia, italiana de Terezinha, inglesa de José. Com a morte de Francimar, José Pereira assumiu a responsabilidade de terminar as edificações. Um dos destaques do local é um castelo de estilo português do período medieval projetado para batalhas. Nele há inclusive réplicas de vãos usadas por arqueiros atirarem do lado de dentro do castelo durante guerras. As construções não representam exemplo de arquitetura contemporânea, mas a evolução da arquitetura europeia ao longo do tempo. Elas prezam pela fidelidade às edificações originais, com detalhes internos que também lembram a Europa, inclusive com portas de madeiras arcaicas. A única construção brasileira que pode ser encontrada na Euroville é a réplica da capela de São Francisco, cuja original fica em Ouro Preto, em Minas Gerais. Todo o material e a mão de obra utilizadas na obra são oriundas da própria região.

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Atenção aos detalhes Quem não teve a oportunidade de conhecer o lago de Lucerna, na Suíça, poderá ter no Cariri a inspiração, com construção de um lago como o mesmo nome, uma ponte com mais de 15 metros, com sustentação em troncos de madeira. De um arco que separa a casa do jardim, dá para ver ao fundo a torre Eiffel. A miniatura é feita em metal. A réplica da casa grega teve como principal idealizador, o outro irmão de Zé. Foi o ex-deputado Iranildo Pereira, mas a cor da cerâmica ainda foi escolha de Francimar, mesmo hospitalizado. As ruínas foram esculpidas, segundo Zé Pereira, após ser construída a parede inteira. Parte da fachada foi quebrada aos poucos. Feita em pedra e cal, com as cores branca, azul e verde, mais utilizadas nas edificações antigas da Grécia, a casa foi pensada nos mínimos detalhes, até observando a baixa estatura do povo grego, conforme disse o proprietário. Um moinho foi construído ao lado. A homenagem a Gaudí, conta José Pereira, partiu do próprio. Ele se empolga com os detalhes que foram pensados para o espaço. São animais, formados com detalhes de mosaicos multicoloridos e a entrada, com fachada em pedra. Na área extensa do terreno podem ser contemplados lagos com patos, mas praticamente esvaziados, em virtude das subsequentes secas. Também, mesmo tomado pela vegetação, foi construído um anfiteatro em estilo grego, onde já ocorreram apresentações teatrais no espaço. A

última das construções a ser edificada no local foi a de um castelo em estilo português, onde foi aproveitada a pedra cariri. Outro conjunto faz referências a tradicionais casas inglesas. A capela tem um teto peculiar, feito para resistir a fortes ventos, comum em algumas regiões do continente europeu. O prédio espanhol é o mais rico em detalhes, e tem uma arte inspirada no artista Antoni Gaudí. A torre Eiffel, um dos maiores monumentos do mundo, localizada na França, é vista em miniatura de 32 metros, ao lado do jardim, adorno inspirado nos russos, algo que surpreende em meio à vegetação do cerrado e da caatinga. Turismo Atualmente são proprietários do espaço, o ex-professor universitário José Pereira e mais três irmãos. São os únicos que vivem no local. Os outros vão ali esporadicamente. A intenção não era tornar o espaço público, mas pela originalidade virou ponto de visitação dos turistas. Segundo Pereira não houve divulgação da família, mas a notícia se espalhou. “Cada construção é uma moradia completa, são como pequenos apartamentos, com cerca de 60 m² cada.

Não é um empreendimento comercial” revelou Pereira. Por ser bonita e diferente, a Euroville funciona como paisagem para books de concludentes de faculdade, de aniversário de 15 anos e até de casamento. O aposentado planeja a construção de uma pousada e um restaurante no estilo europeu, com 20 casas medievais, pequenos museus, réplica do Big Ben – de Londres – e até casa de chocolate, tudo dedicado ao turismo e comércio. “Vou fazer programações europeias, pegando exemplos na Bélgica e na Holanda”, afirma. Em 30 dias a primeira edificação do espaço deve ser concluída. “Vai ficar muito bom. O clima de serra possibilita essas inovações, porque é agradável e frio, vai faltar só a neve”, brinca.

Serviço A Euroville fica a 45 km da cidade do Crato e a 9 km de Nova Olinda, para quem decide ir por este Município. São mais 3km de estrada carroçável, ou poderá seguir por Santana do Cariri, por estrada de terra.

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MERCADO IMOBILIÁRIO

Praia de Iracema Meireles Mucuripe têm m² mais caro de Fortaleza Índice FipeZap de janeiro coloca a capital cearense com o preço do metro quadrado do imóvel à venda como o mais caro do Nordeste. Os bairros próximos da Beira Mar são os mais valorizados

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proximidade com a avenida Beira Mar em Fortaleza valorizou o imóvel colocado à venda. Os bairros do Mucuripe, Meirelles e Praia de Iracema, todos na orla da capital cearense, são os locais onde o metro quadrado foi mais caro em janeiro, segundo Índice FipeZap. Segundo o levantamento, para os imóveis no Mucuripe, o valor do metro quadrado alcançou R$ 8.333. O Meireles vem em seguida com R$ 7.447 o metro quadrado e a Praia de Iracema aparece em terceiro, valendo R$ 6.838. Em relação aos mais baratos da capital ce-

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arense no momento da venda estão Mondubim (R$ 2.570), Montese (R$ 2.896) e Passaré (R$ 3.077). De acordo com o Índice, apesar do registrar uma queda de 0,81% no preço geral de venda dos imóveis, Fortaleza fechou o primeiro mês do ano com a média de R$ 6.194 o metro quadrado. Entre as 20 cidades pesquisadas, a Capital registra o maior valor do Nordeste, superando Recife e Salvador, respectivamente com R$ 5.928 e R$ 5.070. Entre as 20 cidades pesquisadas, o valor médio do metro quadrado foi de R$ 7.693 mil. A cidade do Rio de

Janeiro manteve o posto de município mais caro para a compra de um imóvel, com preço por metro quadrado estimado em R$ 10.262 mil. Já a capital São Paulo vem em segundo no ranking de locais mais caros para aquisição de imóveis com metro quadrado cotado a R$ 8.625 mil. Em contrapartida, as cidades com menor valor foram Contagem com preço médio de R$ 3.548 mil e Goiânia com estimativa de metro quadrado em R$ 4.102 mil. Nas duas cidades mais caras – São Paulo e Rio de Janeiro – a variação do preço do metro quadrado


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entre os bairros tem grande discrepância. Em São Paulo, o bairro mais barato para aquisição de um imóvel é Cidade Tiradentes, na zona leste, e o preço do metro quadrado é de R$ 2.999 mil. O mais caro é o bairro da Vila Nova Conceição, na zona Sul, com metro quadrado cotado a R$ 16.160

mil. Brasília aparece em terceiro no ranking do metro quadrado mais caro, valendo R$ 8.432. O indicador elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o site de classificados Zap Imóveis, acompanha os preços do metro quadrado dos imóveis usados anunciados na

internet, que totalizam mais de 290 mil unidades por mês. Além disso, são buscados também dados em outras fontes de anúncios online. A Fipe faz a ponderação dos dados utilizando a renda dos domicílios, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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MERCADO

Feiras, um balcão de grandes negócios Ela pode ser vista como uma “via de duas mãos”, o participante ora se comporta como expositor, ora como visitante. Em qualquer caso, as feiras são sempre bons locais para obter sucesso nos negócios.

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or mais que a crise econômica ainda esteja na pauta do dia, perde aquele que deixa de estar em evidência. É preciso buscar novas ferramentas para dar um drible na insegurança e no vai e vem do mercado. E um local aparece como aquele perfeito para fazer networking com as pessoas tomadoras de decisão e os formadores de opinião: as feiras de negócios. Tanto para as grandes, como para as pequenas empresas, as feiras são uma oportunidade de vislumbrar o que há de novo no mercado, as tendências, além de ser uma boa chance de reciclagem. Uma dica é participar de palestras e cursos nessas feiras. Lá

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estarão pessoas dispostas a aprender e que se interessam por novidades. E lógico, é grande a chance de obter clientes novos nesses encontros. As feiras são um recurso mercadológico que atua em curto, médio e longo prazos. Muitos negócios são fechados nesses eventos, e muitos dos visitantes podem ser futuros clientes. Cabe ao empresário aproveitar e saber capitalizar a contribuição que a feira pode ter nos negócios. Para 2017 o calendário de feiras e exposições no Brasil para o mercado da construção civil continua apresentando um número considerável de atrações. Algumas delas são do tipo que não podem ser perdidas. Entra

nesse caso a Concreteshow, a maior feira da construção civil na América Latina e a 2º maior do mundo nesse segmento. Esse ano ela está programada para agosto, em São Paulo. Outra importante feira, principalmente para os empresários do Norte e Nordeste, é a Feicon Batimat Nordeste, prevista para outubro, em Pernambuco. Aqui em Fortaleza está programada para setembro, no Centro de Eventos do Ceará, a Expoconstruir - Feira de materiais e sistemas construtivos. Relacionamos a seguir algumas sugestões de feiras nacionais que serão realizadas esse ano. Analise e faça sua escolha.


As principais feiras em 2017 Vitória Stone Fair Construção, Decoração,Mármore, material de construção 14 a 17 fevereiro 2017 Vitória (ES) ExpoRevestir Construção, Mobiliário, Pisos e Azulejos, Arquitetura, Banheiros, Cozinhas, Decoração do Lar 7 a 10 março 2017 Transamérica Expo Center Av. Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, São Paulo (Brasil) Brazil Road Expo Construção, Feiras, Tecnologia 21 a 23 março Transamérica Expo Center Av. Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, São Paulo (Brasil) Feicon Batimat Construção, Pisos e azulejos, Arquitetura, Banheiros, Decoração do Lar 4 a 8 abril Anhembi Av. Olavo Fontoura, 1209 Santana, São Paulo (Brasil) POWER-GEN Brasil incorporating HydroVision Brasil Construção, Energias renováveis 25 a 27 abril

Transamérica Expo Center Av. Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, São Paulo (Brasil) Fenahabit - Fabricon Construção, Decoração, Arquitetura 25 a 28 maio Blumenau - SC Site: www.viaapiaeventos.com.br/ feirafenahabit/ Fortaleza Brasil Stone Fair 2017 Marmores e Granitos 01 a 03 de Jun Centro de Eventos do Ceará Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz Fortaleza - CE FECONATI - Feira da Construção de Atibaia Construção, máquinas,-ferramentas, meio ambiente, pisos e azulejos De 1 ao 4 junho 2017 Atibaia (SP) Construsul Construção, serviços, engenharia, Máquinas Pesadas, material de construção De 2 a 5 agosto 2017 Parque de Exposições Fenac Novo Hamburgo (RS) GreenBuilding Brasil Climatizaçao, construção, meio ambiente, Decoração do Lar, Desenvolvimento Sustentável ,Equipamento e Tecnologia De 8 a 10 agosto 2017 Expo Center Norte Rua José Bernardo Pinto, 333, São Paulo (SP)

Concreteshow De 23 a 25 de agosto 2017 São Paulo - SP site: https://www.concreteshow. com.br Expoconstruir Feira de materiais e sistemas construtivos 20 a 23 setembro Local: Centro de Eventos do Ceará Fortaleza site:http://www.expoconstruir.com.br Feicon Batimat Nordeste 5ª EDIÇÃO Data: Outubro (previsão) Local: Centro de Convenções de Pernambuco | Pavilhão Sul | Olinda - PE site: http://www.feiconne.com.br/ Ficons 2017 Centro de Convenções de Pernambuco Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n Salgadinho Olinda - PE - CEP 53111-970 sem data definida site: http://www.ficons.com.br


LEGISLAÇÃO

Quem vai pagar a conta? Número de distratos na negociação imobiliária aumentou no ano passado diante da crise financeira que afetou o consumidor. Falta de definição de regras causa impasse no setor

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s números em 2016 não foram muito bons no setor de vendas de imóveis. O problema se agravou para as construtoras diante de uma outra realidade. No ano passado cerca de 41% dos imóveis comprados na planta no Brasil foram devolvidos às construtoras pelos compradores. As causas são pra lá de conhecidas: atraso na obra, negativa de financiamento, desemprego e doenças são alguns deles. Diante desse quadro surge a figura jurídica conhecida como distrato (rescisão do contrato). E obviamente os custos. O consumidor não quer perder o que pagou e o construtor precisa cobrir o que já foi gasto naquele imóvel. Sem entendi-

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mento firmado, o valor retido pela construtora nesse caso fica a cargo da justiça. Hoje, geralmente, os tribunais têm definido esse pagamento em até 25% do valor pago a perda do consumidor. O embate entre os entes que formam o setor teve mais um round em fevereiro. Em nota pública o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) manifestou, em nota pública, contrariedade à proposta normativa do Pacto Global para Aperfeiçoamento das Relações Negociais entre Incorporadores e Consumidores, o chamado Pacto da Construção Civil. em debate entre o Governo Federal e empresas e associações do setor imobiliário. Na nota é manifestado repúdio às propostas e discussões que alteram as regras dos contratos de compra e venda de imóveis por colocarem “o consumidor em situação de sensível desvantagem nessas relações contratuais. O pacto prevê diversas disposições, entre as quais a hipótese de que o consumidor que não tiver mais condições financeiras de honrar o pagamento das parcelas do imóvel e precise rescindir o contrato, venha a perder até 80% do valor gasto.

Hoje no Brasil tramitam dois projetos que tratam o assunto de forma distinta. Um deles, de autoria do Deputado Russomano, traz a retenção de 10% do valor já pago por parte da construtora em caso de desistência e requerimento de distrato. O segundo, por sua vez, menciona a retenção de 25% do valor já pago pelo imóvel, acrescidos de multa de 5% do valor do contrato. O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que o assunto ainda é algo que está sendo discutido dentro do Governo. A tendência é achar um meio termo para o impasse. O Governo estuda estabelecer multa de 25% do valor já pago, além da entrada do imóvel em caso de distrato, mas com valor limitado a 10 por cento do valor do contrato. Segundo André Montenegro, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon), é preciso urgência em resolver o impasse para que o mercado imobiliário tenha mais segurança no momento de fechar o negócio. Para ele, as empresas não podem ficar com prejuízo do distrato. “E a parte do gasto que a construtora tem?”, questiona.


Inspeção Predial

Multa começa a ser aplicada em abril A partir de abril, entra em vigor as novas determinações da Lei de Inspeção Predial que prevê multas para as edificações que forem reprovadas durante a vistoria técnica

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om o objetivo de reduzir a quantidade de acidentes com desabamento de estruturas, começa a ser efetivamente aplicada, a partir de abril, a Lei de Inspeção Predial nº 9.913, de 16 de julho de 2012. Com isso, prédios de equipamentos públicos e privados de Fortaleza passam a receber vistoria técnica, manutenção preventiva e periódica para garantir a segurança. Os locais onde forem verificadas irregularidades, os fiscais da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) passarão a cobrar multa em casos de descumprimento. A lei determina que edificações com mais de 50 anos de existência devem ter um laudo anual. Os prédios de 31 a 50 anos precisam de vistoria a

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cada 2 anos. Os que têm entre 20 a 30 anos devem ser fiscalizados a cada 3 anos. Já aqueles com menos de 20 anos, o laudo será feito a cada 5 anos. A determinação da Prefeitura prevê que o profissional encarregado da inspeção elabore Laudo de Vistoria Técnica para atestar o que foi observado na visita ao imóvel. O resultado deve ser apresentado ao poder público e, caso não seja feito, o Município pode aplicar sanções administrativas ao proprietário do imóvel. Segundo o engenheiro civil Frederico Correia Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (IBAPE Nacional), este procedimento é muito importante para não só avaliar o estado da obra no momento do registro, mas, prin-

cipalmente, tentar diagnosticar possíveis problemas, minimizando ou evitando prejuízos. Quanto mais cedo a identificação, melhores os resultados de manutenção e menores os valores investidos em reformas e consertos. A Lei era para ter entrado em vigor em março de 2015. Porém, foi adiada por um ano pelo prefeito Roberto Cláudio. A justificativa é que o município foi procurado por vários setores que criticaram aspectos da lei, inclusive considerando alguns inconstitucionais. A medida visa prevenir acidentes, a exemplo do que ocorreu com o Edifício Versailles, no bairro Meireles, em março de 2015. Enquanto passava por reforma, a varanda do edifício desabou, deixando dois operários mortos e um ferido.


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