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Ano 10 - nº 60

NSI

NÚCLEO DE SERVIÇOS INTEGRADOS

PANDEMIA QUE CUIDADOS TOMAR NO SETOR AUTOMOTIVO

• Orientações para as oficinas trabalharem • Montadoras ajudam hospitais e profissionais de saúde • Peças para reposição: veja mudança nos seguros • Scania aposta no gás como alternativa ao diesel CADERNO SINCOPEÇAS PERNAMBUCO: CONFIRA AS AÇÕES DO SETOR


EDITORIAL Setor que não se dobra a crises A palavra resiliência, que significa a capacidade de se adaptar a mudanças e, a partir do novo cenário recriar formas de viver melhor, tem sido usada bastante no Brasil. O país enfrenta, há quase uma década, seguidos percalços na economia. E em 2020, a expectativa era de recuperação dos anos perdidos e o otimismo começava a aparecer nos prognósticos de muitos segmentos do setor automotivo. Mais eis que, novamente, outro desafio se apresenta, e na forma de uma pandemia, problema de alcance mundial que vai afetar as economias de praticamente todos os países. O que fazer diante de um cenário como esse? A resposta, pelo que o leitor poderá ver nas páginas desta edição de Auto Revista Pernambuco, está novamente na resiliência. Trazemos textos com dicas de colunistas, empresas e consultorias mostrando os caminhos possíveis. Através do diálogo entre gestores e funcionários, mostrando que todos precisam contribuir e entender o momento, todos os empreendimentos do setor automotivo podem achar seus caminhos. É hora, mais uma vez, de mostrar a força e a união. A crise vai passar, as pessoas vão continuar precisando de seus carros. E quem estiver pronto para atender essa demanda vai se beneficiar. Por outro lado, montadoras e fabricantes de autopeças, em um esforço louvável, se mobilizaram para contribuir no combate à pandemia. Iniciativas como fabricação de máscaras e componentes para respiradores se multiplicaram pelas unidades fabris, mostrando toda a força e a versatilidade do setor automotivo. Que esses exemplos sirvam para destacar que montadoras, fábricas de autopeças, distribuidoras, concessionárias e centros de serviço representam um segmento que, sempre que for preciso, vai ressignificar a palavra resiliência, adaptando-se e voltando ainda mais revigorado depois de cada crise. Boa leitura! O editor

EXPEDIENTE

Auto Revista Pernambuco

autorevista_pe CUIDADOS Como manter o carro parado durante longos períodos

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DICAS Para enfrentar os efeitos da pandemia nas oficinas

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COVID-19 Montadoras se mobilizam para ajudar

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SEGURADORAS Poderão usar peças não originais de reposição e preços podem cair para consumidores

SCANIA Investe na produção de caminhões a gás como alternativa sustentável ao diesel

Diretor: Ariel Ricciardi Diagramação: Marcos Aurelio Colaboradores - Textos: Alexandre Costa, Antônio de Pádua, ArnóbioTomaz, Flávio Portela e Haroldo Ribeiro. Impressão/Halley S/A Gráfica e Editora Contato para anunciar na AUTO REVISTA PERNAMBUCO: (85) 3038.5775 ou através do e-mail autorevistape@gmail.com Fale com a gente, envie e-mail, fotos, notícias para a redação. A sua opinião é fundamental para a melhoria de nosso produto. A revista AUTO REVISTA PERNAMBUCO é uma publicação bimestral da Editora Núcleo de Serviços Integrados Ltda. As opiniões dos artigos assinados não representam necessariamente as adotadas pela revista. Não é permitida a reprodução parcial ou total dos textos.

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Conta-giros Takao lança novos produtos Em março último, a Takao introduziu no mercado de reposição bronzinas para o novo motor 1.0 turbo de 3 cilindros da Volkswagen, além de anéis para motor 1.0 da Renault, comandos de válvulas da Chevrolet (1.4 e 1.8) e pistões para Hyundai/Kia 1.8/2.0 e Jeep 2.0. Ao todo foram lançadas peças para 6 marcas e 14 modelos.

Dayco: batalha contra o coronavírus A Dayco, fornecedora de produtos para motores e sistemas de transmissão para as montadoras de automóveis, linha industrial e reposição, colocou seus recursos de fabricação à disposição para ajudar na batalha contra a pandemia de Covid-19. A empresa usou suas instalações para transformar um componente de máscaras de mergulho em um ventilador que pode salvar vidas. A adaptação da máscara foi apoiada por uma equipe de projeto formada pela consultoria italiana Isinnova e oito integrantes de vários parceiros. Os primeiros beneficiados com a iniciativa foram hospitais do norte da Itália e a Cruz Vermelha Italiana.

Dica da Freudenberg-Nok para cuidados com o motor Para evitar aumento de desgaste do trem da válvula, de ruídos e da temperatura, é importante saber que existe um retentor de válvula específico para cada motor, e que economizar na compra de uma peça de má qualidade gerará custos altos em um futuro próximo. “A utilização de peças não originais ou com o perfil incorreto pode acarretar em diversos danos e até mesmo a perda do motor”, afirma Alexandre Morselli, Gerente de Produto da Freudenberg-Corteco.

Catálogo online Busca Na Rede permite encontrar produtos do setor automotivo O catálogo eletrônico Busca na Rede é uma forma de as empresas do setor automotivo exporem seus produtos, com acesso simples sem necessidade de instalação de programas. Também é possível ao usuário gerar um arquivo em PDF com seus produtos favoritos, para baixar e imprimir se desejar. Existe ainda um aplicativo para smartphones que inclui o detalhamento dos produtos.

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Conta-giros Volda apoia feira de adoção de animais pela internet A Volda, empresa do ramo de autopeças para suspensão e transmissão, tem como um de seus princípios a responsabilidade social e busca apoiar iniciativas que estejam alinhadas com seus valores. Uma das ações que conta com o auxílio da empresa ocorreu no dia 16, no qual o grupo capixaba Ação Animal ES, promoveu em suas redes sociais uma feira on-line para adoção de pets. Esta é a primeira vez que o grupo realiza uma feira de adoção pela internet. O grupo Ação Animal ES foi criado há cinco anos em Serra - Município da Grande Vitória, no Espírito Santo – e tem como objetivo difundir a importância da defesa dos animais contra maus tratos por parte de seus proprietários ou cuidadores. O grupo já realizou mais de 120 resgates de animais em situação de maus tratos ou abandono, possuindo hoje sob seus cuidados mais de 100 animais disponíveis para adoção. “O apoio da Volda é extremamente importante como fator motivador, para que mais empresas se interessem pela nossa causa, visto que hoje não possuímos qualquer ajuda de órgãos públicos ou privados”, destacou Juliana Calheiros, uma das fundadoras do grupo Ação Animal.

Novas palhetas automotivas da Magneti Marelli

Filme do Sertões 2019 disponível no Net Now e na Vivo Play O rali dos Sertões virou filme. A pré-estreia aconteceu em um evento virtual, em março, para pilotos, navegadores e convidados que assistiram, de casa. A produção está disponível para o público nas plataformas Net Now e Vivo Play. Em 109 minutos, são retratados os desafios dos personagens que fizeram a história da prova de 2019. Mais do que falar sobre duelos motor X poeira e velocidade X distância o filme é sobre sobre desafios que as pessoas são obrigadas a enfrentar quando se dispõem a atravessar o Brasil numa jornada de Campo Grande (MS) a Aquiraz (CE).

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A Marelli Cofap Aftermarket, empresa do mercado de reposição automotiva, lançou uma linha de palhetas automotivas disponíveis em 29 códigos desenvolvidos para atender as principais aplicações de veículos nacionais. São duas versões: Standard e Touch Flat. A versão Standard é do tipo metálico com vértebra de aço inoxidável e apresenta armação com pintura fosca. Já as palhetas da linha Touch Flat têm design aerodinâmico com o objetivo de aproveitar a força do vento para elevar ao máximo o contato da palheta com o vidro.

Webmotors lança ensino à distância para lojistas A Webmotors, empresa de tecnologia especializada em compra e venda de veículos, disponibilizou serviço de capacitação à distância para lojistas. A versão online da Universidade Webmotors é uma trilha educacional que apresenta técnicas de venda, boas práticas e cases de sucesso. Em sua versão presencial a instituição já capacitou mais de 19 mil vendedores em todo Brasil e, com o formato EAD, a Webmotors pretende ampliar o alcance e capacitar ainda mais lojistas. Mais informações: https:// universidade.webmotors.com.br.


Conta-giros Para que servem as velas especiais? A NGK, marca especialista em sistema de ignição, possui em seu portfólio velas especiais nos modelos G-Power e Iridium IX. Elas são produzidas com materiais nobres como platina e irídio, que resultam em mais energia para iniciar a combustão e melhor queima da mistura ar/combustível. A G-Power pode ser aplicada em motores originais de fábrica sem nenhuma preparação. Já a Iridium IX se destaca por ter ampla faixa térmica, viabilizando o uso em motores de competições. Outras vantagens dos produtos são mais estabilidade em marcha lenta, menor possibilidade de falhas de ignição, retomadas mais rápidas e menos interferência em sistemas eletrônicos.

Carregamento por indução do BMW 530e ganha prêmio A BMW recebeu o prêmio de Tecnologia do Ano da publicação norteamericana Green Car Journal por seu programa carregamento elétrico por indução para o modelo 530e. Ele permite que clientes da marca e proprietários do sedan híbrido testem o dispositivo de carregamento sem fio e reportem suas considerações à fabricante. O recurso consiste em uma estação de carregamento indutivo e um componente secundário fixado na parte inferior do automóvel. A transferência de energia é feita a uma distância de apenas sete centímetros.

ZF apresenta freio de estacionamento elétrico dianteiro A ZF apresentou o Front EPB, freio de estacionamento elétrico dianteiro projetado para equipar veículos menores com sistemas avançados de freio e com maior liberdade de design interior, sem a necessidade da clássica alavanca de freio de mão ou pedal de freio de estacionamento. Com o recurso a alavanca pode ser substituída por um interruptor compacto, criando mais espaço no interior do veículo. O início da produção em série do produto foi na Coréia do Sul e na China.

Kolbenschmidt (KS) destaca novos componentes para veículos leves e pesados A Motorservice, divisão responsável pela comercialização das marcas Kolbenschmidt (KS), Pierburg e BF no mercado de reposição, oferece novos itens de arruelas de encosto, conjunto motor pistão + anel, kits, bronzinas de biela e de mancal para veículos leves e pesados. O conjunto motor (pistão + anel) atendem, na linha leve, os veículos Citroën C3, C3 Picasso e Aircross; Nissan March; Peugeot 208; Renault Clio, Logan e Sandero; Mercedes-Benz Sprinter 311 CDI, Sprinter 415 CDI e Sprinter 515 CDI. No segmento de pesados, conta com conjunto motor (pistão + anel)  para os veículos da Agrale, Foton, Volare, Volkswagen e Mercedes-Benz com motorização Cummins 3.8L 16V Diesel Euro 5 (ISF); Iveco com motor 3.9L 16V e 5.9L 24V Diesel Euro 3 (F4AE0481A / F4AE0481C / F4AE0481D / F4AE0681A / F4AE0681B / F4AE0681D / F4AE0681E / F4AE0684C). Há kit para os veículos Citroën C3, C3 Picasso e Aircross e Peugeot 208.

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Salão do automóvel

Novos tempos Crise nos salões de automóveis e mudanças nas concessionárias. A forma como os veículos estão presentes na sociedade está diferente, e isso se reflete na cadeia automotiva

É

muito usual associar carros com paixão. Ou seja, a relação dos consumidores com seus automóveis envolve, para muitos deles, sentimento, além da necessidade de um meio de locomoção. Mas se é assim para as pessoas, para as montadoras passa bem longe. Como acontece com qualquer empresa, elas precisam vender e ter lucro. O exemplo mais contundente desse pragmatismo da indústria automotiva está na crise dos salões de automóveis. Diferentemente de outros eventos segmentados, onde em paralelo com as exposições também são realizados negócios, os salões de automóveis têm um formato de mostra de tendências, onde as empresas expõem seus melhores produtos e ideias para um público que vai ali apenas contemplar. É no salão do automóvel que o proprietário de um carro 1.0, por exemplo, poderia ver de perto uma Ferrari de um

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milhão de reais que ele sabe que jamais poderia comprar. Mas em tempos de internet, mais interação com públicos específicos através de redes sociais, realidade virtual e metas cada vez mais ambiciosas de redução de custos no setor corporativo, os salões passaram a ser vistos de outra forma pelas montadoras. Mais precisamente, muito custo para pouco retorno financeiro em vendas. O resultado disso apareceu na edição do Salão do Automóvel de São Paulo, que aconteceria esse ano. Depois da desistência de grandes marcas, como Toyota, Chevrolet, BMW, Volvo e Land Rover. Do dia 6 de março último, depois de terem negado algumas vezes, a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotivos (Anfavea) e a Reed Alcântara Machado, empresa responsável pela realização do evento, comunicaram oficialmente que a edição 2020 do Salão foi adiada para

2021. De acordo com a Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, “o Salão do Automóvel precisa evoluir e refletir o momento de disrupção tecnológica” que a indústria automotiva está vivendo. A promessa é de “reduzir custos e avaliar novos formatos”. Há, no entanto, uma expectativa de que o Salão do Automóvel de 2021 também não irá acontecer, porque ele realmente não interessa mais às grandes empresas. A Chevrolet, por exemplo, já lançou uma nota não muito amigável classificando o salão como um evento “analógico” e afirmando que também não estará presente no ano que vem. Ou seja, não tem nada de paixão aí, apenas preocupação com custos e lucros, e o cancelamento pode acontecer de novo. Para tentar aliviar um pouco o impacto da notícia, os organizadores do Salão do Automóvel lembraram que a crise não atinge só o evento brasileiro. “Não é um movimento


local, está acontecendo em todos os países do mundo e pelos mesmos motivos”, afirmou Luiz Carlos Moraes. De fato, outro salão clássico, que é o de Frankfurt, na Alemanha, mudou de sede e vai passar a ser realizado em Munique. A meta é, com a mudança, reduzir custos e ampliar a temática, falando também de sustentabilidade e mobilidade urbana. Além das mudanças nos salões de automóveis, fatores que têm transformado o universo automotivo, como condução autônoma e novas políticas de mobilidade urbana (nas quais o carro deixa de ser uma propriedade e passa a ser apenas um dos meios de transporte, integrado a outros modais) estão chegando também às concessionárias. O documento “Will this be the

end of car dealerships as we know them?” (“Seria o fim dos vendedores de automóveis da forma como os conhecemos?”) publicado em 2018 pela consultoria KPMG sobre o mercado norte-americano, registrou que entre 2011 e 2016, a despeito do aumento da venda de carros, o número de revendas autorizadas se manteve inalterado. A empresa cita fatores como vendas online e carros compartilhados para explicar o fenômeno. Além disso, o levantamento da KPMG mostra que serviços de mobilidade e carros autônomos devem reduzir as vendas de veículos em cerca de 50% até 2035. É fato que a realidade norte-americana é bem diferente da brasileira mas, mesmo com atraso, a revolu-

ção que aquele país já vive no universo automotivo deve chegar por aqui. Por isso, talvez um dia, assim como o glamour dos antigos salões dos automóveis, muitas outras características do setor acabem apenas como nostalgia, e todos precisarão se adaptar aos novos tempos. Vale ressaltar que, além de todos esses fatores conjunturais, o mundo sofre hoje os efeitos da pandemia de coronavírus. A estimativa é de que os problemas causados por ele, como a queda da atividade econômica em todo o planeta, tenha graves consequências, pelo menos a médio prazo. Eventos que demandam grandes investimentos, como os salões de automóveis, acontecerão no próximo ano, diante desse cenário? Fica a pergunta no ar.


Nova versão

GRANDES MUDANÇAS O Tracker ganhou da Chevrolet um novo design e motores menores e mais modernos, para ficar mais atraente para os consumidores da sua categoria

E

m alguns modelos de segmentos com vendas expressivas, a Chevrolet é líder de mercado. Isso acontece com o Ônix (hatchs pequenos), Cruze (hatchs médios), Ônix Plus (sedans compactos). Além disso, o Cruze é o terceiro sedan médio mais comercializado. O bom desempenho desses veículos, no entanto, não acontece com o Tracker, SUV compacto da marca. Entre os concorrentes da sua categoria, ele ocupa apenas a oitava posição. A versão que pode ajudar a mudar esse quadro foi lançada tendo como principais atrativos dois motores turbos pequenos (1.0 e 1.2) de três cilindros e promessa de economia de combustível, item importante em um segmento de carros grandes

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movidos a álcool ou gasolina e que não rendem tão bem quanto os modelos a diesel nesse quesito. O Novo Tracker tem, além das duas opções de motorização turbo já citadas, duas opções de transmissão de seis marchas (manual e automática) e quatro opções de acabamento (versão de entrada, LT, LTZ e Premier). Em relação ao espaço, a principal alteração foi no porta-malas, cuja capacidade passou de 306 para quase 400 litros. Comprimento, largura e entre-eixos tiveram poucas alterações: aumento de 1,2 cm no primeiro e 1,5 cm na segunda e no último. O modelo vem equipado com rodas de alumínio de série. Na versão Premier, elas são de 17 polegadas com superfície usinada e fundo cinza

metálico. Os faróis são totalmente de LED, luzes de condução diurna (DRL) e sistema de luz auxiliar lateral que amplia em 11% a área iluminada em manobras e curvas. A luz de sinalização dianteira também é de LED e fica no para-choque. Na versão Premier existem LEDs também nas lanternas traseiras. No interior, o painel ficou mais largo e foi levemente rebaixado. Tem tela central de LCD de oito polegadas tipo pedestal e quadro de instrumentos com tela de 3,5” TFT colorida na qual estão velocímetro e conta-giros com ponteiros iluminados por LEDS e visor do computador de bordo de até 14 funções. Entre essas funções estão indicador de distância do veículo à frente, mo-


nitoramento da pressão dos pneus e percentual da vida útil do óleo. O volante conta teclas para comando do limitador de velocidade e do piloto automático no lado esquerdo e botões de atalho para o sistema multimídia e para o comando de voz. Há um carregador wireless apoiado sobre o console central, que se estende até os comandos do ar condicionado, da tecla que permite a desativação do sistema Stop/Start, e os botões das travas das portas e do assistente de estacionamento. Para os ocupantes do banco traseiro, houve aumento das dimensões nas áreas das pernas (+74 mm), dos ombros (+46 mm) e da cabeça (+19 mm). No Novo Tracker, os assentos são do tipo anfiteatro, ou seja, quem viaja atrás senta em um patamar mais alto para melhorar visibilidade. Também para melhorar a sensação de espaço interno, o modelo ganhou janelas extras laterais. Em relação à segurança, o Tracker tem estrutura nova na carroceria, com maior percentual de aços de alta resistência e mais uma série de tecnologias de proteção aos ocupantes. Entre elas estão seis airbags,

controle eletrônico de estabilidade e assistente em partida em rampa de série em toda as versões. O sistema de freios conta os seguintes recursos: • Assistente de frenagem capaz de identificar potenciais situações de perda de eficiência de frenagem por aquecimento do sistema, como acontece em descidas de serra, por exemplo. Nestes casos, o veículo aumenta automaticamente a pressão do conjunto hidráulico para que o motorista não precise elevar muito a força no pedal para realizar as frenagens; • Sistema de freio em curvas: o veículo analisa constantemente a velocidade, a aceleração lateral e o ângulo de esterçamento do volante para otimizar a distribuição da força de frenagem em cada roda, aumentando a estabilidade e melhorando a dirigibilidade; • Recurso que ajuda a manter a trajetória em frenagens em linha reta, podendo aplicar uma força específica em cada roda, compensando variações comuns de aderência da pista ou da distribuição irregular do peso de carga, por exemplo; • Sistema de alerta de colisão com frenagem autônoma em caso de

emergência para mitigar ou mesmo evitar acidentes. Com uma câmera no parabrisas e sensores ultrassônicos, ele detecta a aproximação de algum veículo à frente. Primeiro, o Novo Tracker tenta alertar o condutor com um alarme sonoro e um facho luminoso refletido na base do parabrisas. Caso não haja reação, o sistema aciona automaticamente os freios. O pacote de segurança do Novo Tracker ainda oferece alerta de ponto cego, sensores de estacionamento dianteiros, traseiros e laterais com indicação gráfica no computador de bordo e câmera de ré com linhas guias que projetam a movimentação do veículo conforme o ângulo de esterçamento do volante. Em relação a conforto, um dos itens que vale ressaltar é o assistente de estacionamento semiautônomo para vagas paralelas e perpendiculares (de série apenas na versão top de linha Premier). O sistema é capaz de girar o volante sozinho e passa instruções de manobra para o motorista na tela do veículo. Outro é a chave “inteligente” de série a partir da versão LT. Quando o condutor se aproxima com ela, o

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veículo permite o destravamento das portas e o acionamento da ignição por botão. O Novo Tracker também pode vir equipado com retrovisor eletrocrômico, que temporariamente para evitar ofuscamento da visão do motorista enquanto um veículo logo atrás trafega com a luz alta ou desregulada, por exemplo. Falando mais detalhadamente sobre os motores, a Chevrolet afirma que o downsizing (nome que se dá, no setor automotivo, à adoção de motores menores e mais eficientes) deixou o Novo Tracker até 17% mais econômico. Seguem os dados mais importantes deles: o 1.0T tem 16,8 kgfm de e 116 cv de potência. Já o 1.2T tem 21,4 kgfm e 133 cv. Na configuração de entrada, com transmissão manual, o Novo Tracker mostrou rodar - segundo a montadora - médias até 14,8 km/l com gasolina e 10,4 km/l com etanol, em perímetro rodoviário, e até 13 km/l com gasolina e 9 km/l com etanol em trechos urbanos. Com transmissão automática a fábrica diz que as médias de consumo 1.0T são 13,7 km/l (gasolina) 9,6 km/l (etanol) e 11,9 km/l (gasolina) e 8,2 km/l (etanol), respectivamente. Já o modelo 1.2T percorre na estrada, também segundo a Chevrolet, médias de 13,5 km/l (gasolina) e 9,4 km/l (etanol). Na cidade, os números passam para 11,2 km/l (gasolina) e 7,7 km/l (etanol). Quanto ao comportamento em acelerações e retomadas de velocidade, o Novo Tracker 1.0T tem aceleração de 0 a 100 km/h em 10,9 segundos. Outro destaque sobre os novos motores é que a Chevrolet garante menos custos e trabalho com manutenção. “Componentes mecânicos foram reposicionados e/ou otimizados para que o tempo necessário para a execução dos serviços (de troca) fosse drasticamente reduzido. Tudo isso resultou em uma redução de mais de 20% no custo de manuten-

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ção do carro”, diz a empresa. Sobre tecnologias de conectividade, O Novo Tracker tem sistema de internet de alta velocidade nativo. Ou seja, ele faz parte da arquitetura eletrônica do veículo, permitindo atualizações remotas, como acontece com smartphones. O Wi-Fi da Chevrolet é uma parceria com a Claro, e o condutor precisa adquirir planos de dados que vão de 2 GB a 20 GB por mês. Há também o aplicativo myChevrolet. Através dele, é possível consultar informações do computador de bordo. Ele também dá acesso a funcionalidades como relatórios por viagem, por dia, semana ou mês. Já o sistema multimídia, que na Chevrolet tem o nome de MyLink, agora permite o pareamento simultâneo de até dois celulares por Bluetooth. MOTORIZAÇÃO Número de cilindros Taxa de compressão

O sistema é compatível com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay para projeção de aplicativos, incluindo os principais de trânsito online e os de troca de mensagens, como o Whatsapp. Para evitar distrações, há comandos por voz. Preços do novo Tracker (de entrada, sem pintura metálica) 1.0 turbo (manual)

R$ 82.000

1.0 turbo LT (automático)

R$ 89.900

1.2 turbo (automático)

R$ 90.500

1.2 turbo LTZ (automático)

R$ 99.900

1.2 turbo Premier (automático)

R$ 112.000

1.0 Turbo 3 em linha 10,5:1

1.2 Turbo 3 em linha 10,5:1

Potência Máxima

Gasolina / Etanol: 116cv @5500

Gasolina: 132 cv @5500 Etanol: 133 cv 5500

Torque Máximo

Gasolina: 16.3 mKgf @ 2000 / Etanol: 16.8 mKgf @ 2000

Gasolina: 19.4 mKgf @ 2000 / Etanol: 21.4 mKgf @ 2000

Manual de 6 velocidades Automática de 6 velocidades

Automática de 6 velocidades

A disco ventilado A tambor

A disco ventilado A tambor

Elétrica Progressiva

Elétrica Progressiva

Liga leve 16” x 7.0”, 5 furos (Roda sobres. aço 16” x 4.0”T)

Liga leve 16” x 7.0”, 5 furos Liga leve 17” x 7.0”, 5 furos (Roda sobressalente de aço 16” x 4.0” T) 215/60 R16 215/55 R17 (Pneu sobressalente T115/70R16)

TRANSMISSÃO Tipo FREIOS Dianteiros Traseiros DIREÇÃO Tipo RODAS E PNEUS Rodas Pneus

215/60 R16 (Pneu sobres. T115/70R16)

DIMENSÕES Comprimento Total (mm)

4,270

4,270

Largura Total - espelho a espelho (mm)

2,044

2,057 (Premier)

Altura (mm)

1,624

Distância entre eixos (mm) Altura livre do solo (mm) Ângulo de ataque (graus) Ângulo de saída (graus)

2,570 157 17 28

1.624 (Pneus 16”) 1.626 (Pneus 17”) 2,570 157 17 28

393 1294

393 1294

1.196 (MT) / 1.228 (AT) 410

1.233 (AT) / 1.248 (LTZ) / 1.271 (Premier) 410

CAPACIDADES Porta-malas (litros) Porta-malas com bancos rebatidos INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES Peso em ordem de marcha (Kg) Carga útil, com 5 passag. mais bagagem(Kg)


Pioneiro

O PRIMEIRO CARRO DA FIAT Fábrica italiana se rendeu à demanda e escolheu carro que é um dos seus símbolos para lançar o primeiro modelo elétrico da sua história

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emorou, mas chegou. Nascida na Europa, continente onde o uso de carros elétricos têm crescido a cada ano, a Fiat ainda não tinha um modelo com essas características. E para tentar conseguir empatia com os consumidores, escolheu o 500 (conhecido na Itália como “cinquecento”) um veículo ultracompacto que é icônico da marca, foi lançado há 63 anos e continua em evidência desde a chegada da segunda geração em 2007. De acordo com a Fiat, as baterias de íons de lítio do carro garantem autonomia de até 320 km no ciclo WLTP (Worldwide Harmonized Light Veihcle Test Procedure, protocolo baseado no perfil de condução de milhões de condutores de todo o mundo e que considera o uso de todos os equipamentos do carro para

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calcular o consumo). Além disso, o Novo Fiat 500e é equipado com um sistema de carregamento rápido que em cinco minutos na tomada dá uma reserva de energia suficiente para percorrer 50 km. Com 35 minutos, a bateria atinge 80%. Considerando que o tempo de carga é um desafio para os veículos elétricos, apenas cinco minutos para 50 km é uma boa marca, porque dentro de uma cidade, dificilmente alguém roda mais do que essa distância entre um ponto e outro que tenha outra tomada disponível para nova recarga. Para recarga completa em casa, o veículo usa o Easy Wallbox, um sistema desenvolvido para ligar o veículo em uma tomada comum. De acordo com a montadora, a carga completa leva pouco mais de seis horas em um sistema com potência máxima. O


modelo também vem com um cabo Modo 3 (uma tomada com formato específico para sistemas de carros elétricos) para carregar diretamente em postos na rede pública. O motor tem uma potência de 87 kW (118 cv), velocidade máxima de 150 km/h (limitada) e aceleração de 0 a 100 km/h em 9 segundos. O carro tem três modos de condução: Normal, Range e Sherpa. Este último otimiza os recursos disponíveis, atuando em diversos componentes para reduzir ao mínimo o consumo de energia. Nele, a velocidade máxima é limitada a 80 km/h e há controle sobre a resposta do acelerador e desativação do ar condicionado. O modo Normal é o mais próximo possível da condução de um veículo com um motor convencional a combustão. Já o modo Range ativa a

função na qual é possível dirigir o veículo praticamente só com o pedal do acelerador. Quando o motorista o libera, causa uma desaceleração muito maior do que em um motor de combustão normal - quase como se fosse pressionado o pedal do freio, que deve ser usado apenas para parar completamente o carro. Entre os principais recursos de tecnologia, o O Novo Fiat 500e é equipado com direção autônoma cuja tecnologia de monitoramento de câmera frontal pode controlar as áreas do carro, longitudinal e lateralmente. Um sistema inteligente de controle de cruzeiro adaptativo (iACC) freia ou acelera em resposta a qualquer obstáculo: carros, ciclistas, pedestres e o carro se mantém na pista através das marcações quando a estrada tem as faixas bem

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identificáveis. Outros recursos são o Urban Blind Spot, que tem sensores para monitorar os pontos cegos, e o Attention Assist, que fornece avisos no visor, recomendando que o motorista pare e faça uma pausa quando estiver cansado. O Novo Fiat 500e é o primeiro carro da FCA (holding que engloba as marcas Fiat, Chrisler, Jeep e Ram) equipado com o sistema de infotainment UConnect 5, plataforma compatível com Android Auto e Apple CarPlay e tela sensível ao toque de 10,25” de alta definição. O UConnect 5 oferece as seguintes funcionalidades: • My Assistant: conecta o motorista a um assistente para solicitar ajuda em caso de avaria ou receber suporte para resolver qualquer problema; • My Remote: através de um smartphone, permite verificar o nível de carga da bateria, agendar o carregamento do veículo para os horários mais econômicos, encontrar a localização exata do carro, trancar e destrancar as portas, acender e apagar as luzes e programar o sistema de ar condicionado; • My Car: faz verificação de vários parâmetros, desde a pressão dos pneus ao cronograma de revisões; • My Navigation: sistema de navegação que também permite visualizar pontos de carregamento localizados perto do usuário, sendo demonstrados graficamente no mapa os locais

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que podem ser alcançados com base no nível atual de carga da bateria; • My Wi-Fi: ponto de acesso que conecta até oito dispositivos eletrônicos à Internet ao mesmo tempo; • My Theft Assistance: o motorista é notificado em caso de roubo do carro. Por fim, o modelo é equipado como o sistema de interface Natural Language, de reconhecimento de voz. Com ele é possível controlar parâmetros, definir o controle do ar condicionado e escolher músicas no sistema multimídia. Em relação ao design externo, a nova plataforma deu à terceira geração do 500e uma carroceria 6 cm mais larga e 6 cm mais longa. A distância entre eixos também foi aumentada, ganhou 2 cm. No interior, entre os dois bancos dianteiros, onde o câmbio estava originalmente localizado, foi criada uma área de armazenamento de

objetos. Um fundo plano abrigou as baterias de lítio sem comprometer a capacidade do compartimento de bagagem, que permaneceu inalterado - embora seja bastante pequeno, como acontece com qualquer modelo ultracompacto. Um detalhe interessante é que o novo modelo estreou apenas na versão conversível. “O primeiro quatro lugares ao ar livre com emissão zero: todos abertos, todos elétricos, todos silenciosos”, diz a Fiat. Outra curiosidade é que a Fiat promete, “posteriormente”, o Sistema de Alerta Acústico de Veículo (AVAS), um aviso para pedestres com o carro em velocidades de até 20 km/h. E o som escolhido, de acordo com a montadora, é a música de Amarcord, de Nino Rota, “no puro estilo Dolce Vita, um exemplo da criatividade italiana mais autêntica”, diz a Fiat. Apresentado em março, o 500e deve estar disponível para venda apenas no fim do segundo semestre desde ano, tanto no Brasil quanto na Europa. A montadora não informou o preço. Procuramos sites do Velho Continente, onde ele está disponível em um sistema de pré-venda, mas também por lá não é informado qualquer valor. Quando ele era vendido no Brasil, até 2018, com motor a combustão, seu preço era próximo dos 80 mil reais. Então, é possível imaginar que a versão elétrica e conversível fique próxima dos R$ 100 mil.


Manutenção

Cuidados com o carro parado Veja algumas dicas que reunimos e informações adicionais sobre manutenção automotiva

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arro foi feito para andar. Por isso, é importante dizer, para quem acha que o período de quarentena fez bem ao veículo por deixa-lo guardado e protegido na garagem, que o efeito pode ser o contrário para boa parte de componentes muito importantes. E pior: se alguns deles forem danificados, isso pode representar prejuízo, no futuro, quando o veículo voltar à movimentação normal. Começando por uma das partes mais importantes, que é o motor, ele tem vários componentes que precisam ser movimentados com frequência, como os pistões e as válvulas. É principalmente entre eles que circula o óleo lubrificante, e essa circulação evita problemas como o emperramento de alguma peça. Se o motor fica parado muitos dias, o óleo, pela força da gravidade, escorre para a parte de baixo e fica alojado em um reservatório chamado cárter. Por isso, além de ligar o carro pelo menos uma vez por semana, no mínimo, o proprietário precisa fazer isso sem acelerar muito, para esperar o óleo subir e lubrificar todos os componentes. Fazer as partes metálicas se movimentarem sem a devida lubrificação pode provocar desgaste - e o prejuízo, se houver algum problema, é grande. Esse cuidado também vale para o óleo da caixa de marcha, principalmente se o câmbio for automático. Vale ressaltar, ainda, que o motor tem retentores e juntas que podem ressecar, se ficarem muito tempo sem lubrificação. Isso pode levar a vazamentos, no futuro. Em resumo, além de ligar o carro,

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é recomendável fazê-lo circular um pouco, movimentando pneus e engrenagens das marchas. Sobre os pneus, aliás, um fenômeno causado pela falta de uso é a perda de ar. Por isso, se for tirar o veículo da garagem para fazer algum trajeto mais longo, um cuidado recomendável para o motorista é ver a calibragem dos pneus. Outro componente importante é a bateria. De acordo com o engenheiro mecânico Denis Marum, especialista em manutenção automotiva, na maioria dos carros as baterias possuem placas de chumbo imersas em uma solução ácida dentro de uma caixa plástica. Pela falta de movimento do veículo, o ácido acaba por se concentrar no fundo do recipiente plástico, corroendo as placas de chumbo e, por consequência, diminuindo a capacidade de recarga da bateria. “Portanto, não basta apenas funcionar o motor uma vez por semana. É necessário movimentar essa bateria para homogeneizar a solução ácida, evitando a corrosão das placas. Funcione o motor e ande com o carro para gerar movimentação da solução dentro da bateria”, recomenda Marum. Ele dá a capacidade de resistência de acordo com o componente: baterias com mais de dois anos de uso exigirão carregamento mais frequente, algo entre três e cinco dias. Já as mais novas e as de última geração podem suportar até três semanas. Sobre a conservação da cabine, o engenheiro mecânico lembra que bactérias e fungos podem se proliferar nos dutos do ar condicionado. Por isso, é recomendável funcionar o sistema com o seletor de temperatura na po-

sição quente por alguns minutos. “O aquecimento dos dutos removerá a umidade, impedindo a proliferação das bactérias e fungos”. Considerando o calor de Recife, no entanto, o melhor é fazer isso com o carro parado na garagem, os vidros abertos e ninguém sentado nos bancos. Ainda sobre a parte interna, Marum afirma que existem bactericidas na forma de aerossol que podem ser encontrados em supermercados. “Apesar de difícil aplicação, eles podem ser utilizados. Para isso, o motorista deve ligar o veículo, ligar a ventilação interna no modo recirculação, aplicar o produto nos dutos de entrada de ar do painel e sair imediatamente do carro”, explica. Depois, é preciso deixar o veículo funcionando por cinco minutos com os vidros fechados. Terminado esse tempo, os vidros devem ser abaixados e carro e sistema de ventilação precisam funcionar por mais cinco minutos, para o ar continuar circulando pelo sistema. Por fim, o profissional recomenda cuidado com a gasolina. O ideal, para períodos muitos longos com o carro parado, é não colocar muito combustível e ir abastecendo quando precisar, porque a gasolina é um produto perecível. “O apodrecimento da gasolina pode gerar entupimento dos bicos injetores e dificuldade na partida”, explica Marum. Ele conclui com um alerta: “nunca funcione seu carro por muito tempo em locais fechados como garagens sem ventilação. O monóxido de carbono eliminado pelo escapamento pode levar à morte!”


Dicas

O QUE A EMPRESAS DE REPARAÇÃO PODEM FAZER NOS TEMPOS DE

É fundamental tomar cuidados extras para garantir a segurança de seus colaboradores e clientes. Confira dicas da Dana, fabricante mundial de autopeças

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rganizações e empresas estão informando quais os cuidados adotados para garantir mais higiene e reduzir as possibilidades de transmissão do Covid-19. Para dar segurança aos clientes que buscarem sua empresa para a realização de reparos ou serviços de manutenção preventiva, é importante que eles saibam antecipadamente que esta empresa está ciente e engajada na luta contra a propagação do vírus e na preservação da saúde de todos. Veja, a seguir, alguns pontos a serem destacados nesta luta contra a pandemia. As dicas são da Dana, fabricante mundial de autopeças. Confira:


Veja alguns pontos a serem destacados na luta contra o coronavirus. Informação

Use suas mídias sociais para informar sobre as melhorias implementadas no estabelecimento em relação a higiene pessoal, limpeza e saneamento das instalações. Ressalte que seu cliente será bem atendido, sem contatos físicos, como apertos de mãos e abraços, e terá fácil acesso a dispenser ou a frascos de álcool gel para higiene das mãos, além de sanitários limpos e com sabonete germicida, entre outros cuidados.

Limpeza de pontos de contato

Essa é uma prática que precisa ser realizada com mais frequência e intensidade. Locais de acesso comum, como balcões, interruptores de iluminação, equipamentos e teclados de computadores, por exemplo, devem ser limpos com produtos adequados, para descontaminação e segurança do cliente e da equipe da empresa. É importante que o cliente não apenas saiba o que você e seu time estão fazendo, mas também que veja os cuidados sendo tomados. Os principais pontos de alto toque são os seguintes:

• Máquinas de cartão de crédito; • Alças de telefone; • Áreas de café e sala de espera; • Áreas de cozinha, vestiários e sanitários; • Braços e mesas da cadeira nas áreas de espera do cliente; • Ferramentas.

Limpeza e descontaminação dos veículos de clientes (antes e depois da manutenção)

Antes de iniciar os serviços de reparo e até mesmo ao receber o carro do cliente, tome algumas providências. Use luvas descartáveis para o primeiro contato com o veículo e faça uma higiene nos pontos de toque (chaves, maçanetas das portas, volante, alavanca de câmbio e painel são áreas de mais contato). Proteja as partes internas de contato no interior do veículo com produtos como capas e filmes plásticos e, sempre que possível, use luvas. Evite tocar o rosto durante os serviços, use lenços de papel para limpar

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olhos, nariz ou outra parte do rosto e descarte-os imediatamente no lixo. Após fazer a manutenção do veículo do cliente, limpe as chaves e todas as áreas do interior em que seus funcionários tenham tocado, como maçanetas, volante, alavancas de câmbio e acionamento do freio de estacionamento e botões e acionadores dos vidros. Na devolução, use luvas descartáveis para assegurar ao cliente que após a desinfecção geral do veículo ninguém tocou nas partes de contato além dele naquele momento. Lembre-se: ele deve ver sua equipe tomando os cuidados com a higiene e a segurança da saúde.

Opções para o cliente

Apresente aos clientes opções, em termos de serviços, para oferecer o atendimento adaptado à forma e aos cuidados que eles estão tendo para lidar com a pandemia do Covid-19. Se você oferece serviços de leva e traz, por exemplo, envie comunicações lembrando sobre essa opção, destacando-a como oportuna e diferenciada para devolver o veículo na casa dele e lembrando que a higienização será feita no recebimento e na entrega do veículo. Ela pode ser especialmente interessante para clientes que integrem os grupos de risco de contágio (como idosos e portadores de doenças que baixam a imunidade), evitando viagens e exposições desnecessárias.

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Lugar de funcionário doente ou de grupo de risco é em casa Isso é óbvio, mas vale a pena ressaltar: oriente os funcionários que não se sintam bem a ficar em casa.

Outros hábitos saudáveis Aposte na prevenção. Como o coronavírus é transmitido por meio de partículas de secreções respiratórias, alguns cuidados básicos de higiene devem ser tomados para reduzir o risco de transmissão e contágio. Por isso, oriente seus clientes e colaboradores a adotar práticas preventivas como as que serão descritas a seguir: • Lavar adequadamente as mãos, evitando levá-las aos olhos, nariz e boca. Se as mãos não estiverem visivelmente sujas, basta esfregar com água e sabão por volta de 30 segundos. Caso contrário, o tempo de lavagem deve ser aumentado para cerca de 50 segundos. • Utilizar álcool em gel com frequência ao longo do dia; • Não compartilhar objetos pessoais, como talheres, toalhas, pratos e copos; • Manter distância de pelo menos 1 metro de qualquer pessoa; • Evitar aglomerações e frequentar espaços fechados e muito cheios; • Manter os ambientes bem ventilados. É importante salientar que o uso de máscara não é necessário para as pessoas sem sintomas respiratórios, já que ela apenas bloqueia partículas e gotículas daqueles que a vestem e não impedem uma eventual contaminação. Cuide-se e cuide de seus colaboradores e clientes. Nós estamos cuidando dos nossos!


Gestão

ATITUDES PARA UMA OFICINA SUSTENTÁVEL Confira dicas da Alpha Consultoria feitas para orientar os empresários sobre as principais atitudes a serem tomadas no atual momento de consequências da pandemia de coronavírus

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ATITUDE 1: Tenha uma conversa franca com seus funcionários Em momentos difíceis, uma conversa franca é a melhor atitude. Reúna sua equipe, dando a correta distância entre eles e em local aberto, e relate a situação do negócio e da importância da participação de todos na manutenção da empresa e na preservação dos empregos. Fazendo isso, você dá ao funcionário a visão da importância dele para o negócio e divide com ele a responsabilidade pela preservação da empresa e, consequentemente, dos empregos.

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ATITUDE 2: Entender que o mercado mudou Entenda que o momento em que sua empresa fechou as portas, cumprindo uma determinação do governo, tínhamos um perfil de mercado e ela vai reabrir em uma realidade totalmente diferente. Um dos principais fatores nessa diferença é uma demanda reprimida dos clientes que estavam resguardando recursos e priorizando outras ações, ao invés da manutenção do carro. Haverá ainda maior limitação de crédito, queda do ticket médio e surgimento de novos custos. É hora, então, de repensar seu negócio!

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Se há demora na entrega dos veículos, é porque há falhas graves nos processos internos. ATITUDE 3: Volte a ser o “empresário fundador” Esse novo contexto de controle de custos, baixa demanda e crédito limitado vai exigir a mentalidade do “fundador” de volta, á frente do negócio! Ou seja, aquelas atitudes que você teve quando abriu a empresa, onde seu capital era limitado, onde as despesas eram controladas na ponta do lápis, onde era sempre o primeiro a chegar e o último ao sair, onde não havia ainda um histó-

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rico de crédito com os fornecedores serão mais do que nunca úteis nesse momento. Observe que lá atrás você passou por tudo isso, sofreu, lutou mas conquistou seu espaço. Chegou a hora de refazer tudo isso! Agora é hora de “reabrir” o seu negócio! ATITUDE 4: É hora de manter a equipe Se está difícil com eles, imagine, sem eles! Ninguém melhor do que sua equipe, que já entende seu negócio e já trabalha de forma entrosada para ajudar você a tocar sua oficina. Pense em todo o investimento que foi feito, em treinamento técnico, orientação sobre processos e atividades internas. Não é hora de desperdiçar isso! Além do quê, demissão é um processo caro, que vai atrapalhar seu caixa no curto prazo. Há outras alternativas como férias e negociações que dentro da lei, e com a orientação de um contador e um advogado trabalhista, podem ser realizadas.

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ATITUDE 5: Aproveite para entender o ponto fraco de sua empresa Um momento difícil como esse traz à tona as principais fraquezas das empresas. Em vez de se lamentar, aproveite a oportunidade para entender claramente quais são suas limitações e trabalhe para reduzi-las ou mesmo saná-las! Se o fôlego financeiro está curto e já em 15 dias sentiu dificuldade de honrar compromissos, é porque há custos muito elevados no seu negócio ou sua operação não é rentável o suficiente para sustentar a empresa. Se há demora na entrega dos veículos, é porque há falhas graves nos processos internos. Identifique os problemas e foque na resolução!

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ATITUDE 6: É hora de entender de custos Daqui por diante, o Jogo das Oficinas será o de Custos x Caixa. Ou seja, será bem sucedido aquele que conseguir gerar caixa com o menor custo possível. Por isso, entender seus custos nesse momento é fundamental. Relacione os custos mensais e defina o custo diário de funcionamento. Assim, você terá uma noção de quanto deve gerar de receita para se manter a cada dia e fica mais clara a percepção se está compensando trabalhar aos sábados, se será mantido o horário normal de funcionamento ou ele será reduzido e se o mesmo número de funcionários ficará trabalhando diariamente.

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ATITUDE 7: Use a base de clientes a seu favor Seu principal ativo não está nos equipamentos, no prédio ou no estoque. Seu principal ativo, e ainda mais nesse momento, é sua base de clientes! Nela há dados como modelo de veículo, tipos de serviços realizados, formas preferidas de pagamento, intervalos de manutenção, média de quilometragem entre os serviços e muito mais. Faça filtros, selecionando clientes por tipo de serviço ou veículo e gere campanhas mais focadas. Isso otimiza o estoque, direciona as compras e agiliza a realização do trabalho, padronizando temporariamente os serviços.

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ATITUDE 8: Mantenha o relacionamento com seus clientes Não importa se na sua cidade ou no seu estado as empresas estão funcionando ou não! Seu cliente precisa saber que sua empresa ainda existe! Sim, essa é a hora de investir nas redes sociais, enviar e-mails de feliz aniversário, lançar campanhas pelo

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Seu principal ativo, e ainda mais nesse momento, é sua base de clientes!

WhatsApp e fazer vídeos informativos. Os recursos para isso você já tem, como um smartphone, um plano de internet e uma conta em rede social. Além disso, o custo desse tipo de ação é praticamente zero! ATITUDE 9: Não espere pelo cliente, gere sua própria demanda Não espere que, ao abrir as portas de sua oficina, você já terá demanda de serviços. A baixa circulação de veículos nas ruas e o receio do seu cliente de retomar as atividades cotidianas vai exigir de você a habilidade de gerar a própria demanda! Por isso, vá atrás do seu cliente! Agende ser-

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viços, ofereça serviços de leva-e-traz, crie campanhas direcionadas para públicos específicos, ligue para pequenos frotistas e faça condições diferenciadas para taxistas e motoristas de aplicativo. O foco, nesse momento, é gerar demanda para manter sua oficina funcionando! ATITUDE 10: Foque nos serviços rápidos. Não é hora de resolver problemas Conseguirá se manter, nesse momento, a empresa que conseguir gerar mais caixa no menor tempo possível. Foque na realização de serviços rápidos, nos quais o veículo seja entregue no mesmo dia, em até 24 horas ou, no máximo, em 48 horas. Agindo assim, o cliente pagará mais rápido gerando receita para seu negócio. Avalie o que você precisa para realizar esses serviços, quais os itens a serem trocados, quais as ferramentas necessárias e quantos funcionários será preciso para que você possa executar os trabalhos com a maior agilidade possível! Seguindo estes passos, você estará contribuindo para uma Oficina Sustentável!

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Solidariedade

UNIÃO DE RECURSOS E DE CONHECIMENTO As montadoras de veículos colocaram infraestrutura, recursos tecnológicos e profissionais para contribuir no combate à pandemia de coronavírus

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om milhares de componentes, o carro é um dos produtos mais complexos entre todos os que consumimos. Por isso, as montadoras e suas fábricas parceiras trabalham com os mais variados materiais e processos de produção. Essa versatilidade foi bastante útil para as empresas usarem seus parques fabris e ajudarem no combate à pandemia de coronavírus (Covid-19). Além disso, a imensa rede de concessionárias ligada a cada marca foi um diferencial para algumas delas realizarem ações integradas ao esforço coletivo contra a doença. Começando por este último exemplo, a Renault do Brasil, com sua rede de revendas autorizadas, contribuiu para o combate ao coronavírus com um trabalho de recuperação e manutenção de ambulâncias do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (SIATE) do Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná, onde a empresa tem fábrica. Das trinta e quatro ambulâncias do Siate do Paraná, a Renault se comprometeu a recuperar onze que estavam fora de operação por falta de manutenção e a realizar reparos nas restantes, para garantir a continuida-

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RENAULT

de do funcionamento dos veículos. A ação incluiu as peças necessárias, as oficinas e a mão-de-obra das concessionárias - tudo sem custo para o governo paranaense. Outras ações da Renault foram a cessão de veículos para a Defesa Civil do Paraná e uma parceria com o Senai na recuperação de aparelhos de UTI. Ainda dentro do conglomerado que abrange a montadora francesa, o Instituto Renault, entidade que tem como objetivo promover ações voltadas para a sustentabilidade socioambiental, entrou com ajuda para a produção de máscaras descartáveis, item essencial na luta contra o coronavírus. A Associação Borda Viva, apoiada pelo Instituto e situ-

ada próxima ao complexo Ayrton Senna em São José dos Pinhais (PR), cidade sede da fábrica da empresa, fez a formação das mulheres da comunidade que trabalham no projeto Casa da Costura para a produção de máscaras descartáveis. Ao todo, foram sessenta mulheres envolvidas no processo de produção de 40 mil unidades encomendadas encomendadas pela Renault do Brasil. As máscaras são de TNT (Tecido Não Tecido, um material que segue os padrões estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa). A ação teve benefício duplo: garantir renda para as mulheres e oferecer um produto importante no combate à pandemia.


FIAT

Já a Fiat, sediada em Betim, Minas Gerais, instalou um hospital de campanha no Fiat Clube, que a montadora mantém na cidade. A unidade levou pouco mais de uma semana para ficar pronta e foi o primeiro centro de atendimento médico exclusivo para combate à pandemia causada pelo coronavírus a ser instalado em Minas Gerais. A Fiat cedeu, para a Prefeitura de Betim, uma área de 2 mil metros quadrados, espaço suficiente para 200 leitos disponibilizados para pacientes sem sintomas graves da doença ou em recuperação após a saída da UTI. Os dois andares do edifício principal do Fiat Clube foram ocupados pelo hospital. O primeiro piso foi destinado ao atendimento assistencial dos pacientes e o piso inferior ficou dedicado à retaguarda dos profissionais da saúde, contando com vestiários, refeitório, almoxarifado e sala de descanso. Por fim, a Fiat doou um Ducato ambulância para apoiar as ações do hospital de campanha no transporte de pacientes. O hospital foi uma das ações de um programa integrado do grupo FCA (Fiat Chrysler Automóveis do Brasil) de suporte no combate à Covid-19. Ele se baseou em três frentes principais de atuação: • Contribuição para a instalação de hospitais de campanha em Betim (MG) e Goiana (PE), com oferta to-

tal de 300 leitos; • Uso da expertise e de recursos da empresa para a produção e a ampliação de oferta de itens hospitalares altamente estratégicos, como equipamentos de proteção individual para as equipes de saúde e ventiladores pulmonares. Para o reparo de ventiladores pulmonares fora de uso por necessidade de manutenção, a Fiat capacitou 18 engenheiros e instalou duas oficinas nas fábricas de Betim e Goiana; • Doações e comodato de materiais, equipamentos e veículos para autoridades da área da saúde. A Volkswagen, por sua vez, uniu-se a uma rede voluntária para manutenção de ventiladores pulmonares com apoio e coordenação do Senai de São Paulo. De unidade Anchieta da empresa, localizada em São Bernardo do Campo (SP), empregados

voluntários fizeram capacitação técnica para operar com os equipamentos. A identificação dos ventiladores pulmonares que precisavam de manutenção e o encaminhamento para os hospitais foram coordenados de forma conjunta pela Volkswagen e pelo Senai. Até marcas de luxo se mobilizaram no esforço coletivo. A Jaguar Land Rover entrou com a fabricação de máscaras e apoio à Cruz Vermelha. A montadora disponibilizou três modelos Land Rover Discovery Sport para integrarem a frota da Cruz Vermelha Brasileira e colocou impressoras 3D da sua fábrica de Itatiaia (RJ) para produzir máscaras de proteção facial em acrílico. Os veículos emprestados ajudaram no carregamento de EPIs (equipamentos de proteção individual), kits de higiene e outros itens necessários e no alcance de locais e comunidades de difícil acesso, explorando a capacidade off road. Já em relação às máscaras, o modelo produzido foi do tipo reutilizável, criado e verificado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Uma equipe da Land Rover foi destacada para garantir o funcionamento das impressoras 24 horas por dia. E, como dissemos, a versatilidade que envolve os veículos é gigantesca e permitiu que a Hyundai desse sua contribuição através da mobilidade.

GM

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HYUNDAI

Com o Transporte Solidário Hyundai, carros de test-drive das concessionárias da marca foram colocados à disposição para o transporte gratuito de idosos e profissionais de saúde. Houve casos de parceria entre as revendas e as prefeituras, com funcionários do município conduzindo os veículos - alguns deles vindos do transporte escolar, paralisado com a suspensão das aulas durante a quarentena. O serviço foi estruturado para funcionar por agendamento, com uma central de atendimento verificando a disponibilidade do motorista mais próximo da localidade da solicitação. Dentre as possibilidades de atendimento, o Transporte Solidário Hyundai inclui deslocamento ponto-a-ponto, consulta médica, retirada de compras e medicamentos e transporte para vacinação drive-thru. A Brazzo, fabricante de produtos para limpeza e higienização de veículos foi parceira da Hyundai na ação. A empresa forneceu uma linha de higienização própria a ser utilizada após cada viagem dos carros dedicados ao Transporte Solidário Hyundai. Entre os cuidados, sanitização por ozônio (para livrar a cabine de fungos e bactérias), higienização de superfície para volante, botões, manopla do câmbio, puxadores de maçaneta e bancos, entre outras partes, e proteção com fil-

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me em rolo no volante, no câmbio e no freio de estacionamento e uma capa protetora para os bancos dos passageiros. Todos os motoristas foram equipados com máscaras e luvas de proteção para usar durante o trajeto. Outra empresa que se engajou na luta contra o coronavírus foi a GM. Ela criou uma força-tarefa de conserto de respiradores no Brasil em parceria com o Ministério da Economia, o Senai e a Associação Brasileira de Engenharia Clínica (Abeclin). As instalações de Gravataí (RS), Joinville (SC), São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP) e Indaiatuba (SP) foram selecionadas para o trabalho, realizado por mais de 60 empregados voluntários da GM. Foram mapeados mais de 3 mil respiradores inoperantes. Por fim, Ford outra grande montadora, deu sua ajuda através da pro-

dução de máscaras em suas fábricas no Brasil e na Argentina. Foram designadas as unidades de Camaçari, na Bahia, e Pacheco, na Argentina, para doação, por meio de órgãos públicos e organizações sem fins lucrativos, a profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à doença. Além disso, a empresa disponibilizou veículos à Cruz Vermelha dos dois países já citados e do Chile, da Colômbia e do Peru para auxiliar no transporte de equipes e suprimentos. A frota foi formada pelos modelos Transit, Fusion, EcoSport, Ranger e Ka, além de uma ambulância. As máscaras foram fabricadas com lâmina de acetato e peças de suporte e a distribuição nos pontos de serviço teve os critérios definidos pelas secretarias de Saúde e pela Cruz Vermelha. De acordo com a Ford, a experiência em projetos, cadeia de suprimentos, manufatura e logística permitiu a criação, em tempo recorde, de uma linha de produção (formada exclusivamente por voluntários) para as máscaras. A recuperação de respiradores mecânicos descartados ou com necessidade de manutenção também contou com a participação da Ford, que se uniu à força-tarefa formada pelo Senai e outras empresas para o trabalho de aumento de oferta dos equipamentos. VW


Carro dos sonhos

Um carro de 16 milhões de reais Com produção limitada a 60 unidades, o superesportivo da Bugatti tem características quase inacreditáveis como 1.500 cavalos de potência e um motor com nada menos que 16 cilindros Pura emoção de dirigir e muita adrenalina. É o que promete a Bugatti, fábrica italiana de superesportivos com o Chiron Pur Sport, uma evolução do modelo conceito Chiron. Em relação ao carro que o inspirou, o Pur Sport ganhou melhorias tecnológicas no chassi, na caixa de câmbio e no motor. De acordo com a fábrica, ele ficou “mais radical, mais agressivo e mais dramático”. Fazendo uma analogia com a clássica história “A bela e a fera”, a Bugatti diz que o modelo é uma combinação harmoniosa de beleza do design e furor no desempenho. A configuração do chassi teve foco na garantia de que o condutor possa realizar manobras precisas e com dirigibilidade dinâmica até em estradas desafiadoras e com muitas curvas. O Chiron Pur Sport vem com o motor Bugatti W16, que como o nome já entrega, tem nada menos que 16 cilindros. É um colosso projetado para ter a potência de dois V8. No novo modelo, o W16 recebeu um aprimoramento, resultando em

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melhoria na elasticidade e na aceleração. A faixa de rotações por minuto (RPM) aumentou de 6.100 para 6.900. Os números beiram o inacreditável: 1.500 cavalos de potência e 163 kgf.m de torque. Só para efeito de comparação, o Audi R8, superesportivo da marca alemã, tem 610 cavalos. É uma marca incrível, mas representa menos da metade da potência do Chiron Pur Sport. Combinado com esse motor, para proporcionar melhor aceleração e ainda mais elasticidade, 80% da caixa de marcha do modelo foi otimizado para garantir uma relação de transmissão curta - item que faz toda a diferença em um superesportivo. Todas as 7 marchas foram reduzidas em 15%. Como resultado, o Chiron Pur Sport, na 6ª marcha, acelera de 60 a 120 km por hora, quase 2 segundos mais rápido do que o Chiron. E a velocidade máxima é de 350 km por hora. Vale ressaltar que ela é limitada eletronicamente, por razões de segurança. O carro tem potência para ir além desse patamar.

Com um desempenho desses, a aderência ao solo está entre os fatores mais importantes para o modelo. Por isso, o pára-choques dianteiro ganhou entradas de ar maiores que as do Chiron original, um difusor mais baixo combinado com uma versão modificada da grade em forma de ferradura (marca registrados carros da Bugatti) e paralamas dianteiros remodelados com saídas de ar integradas. Além da maior aderência, o conjunto garante melhor gerenciamento térmico, graças à circulação melhor do ar. Ainda em relação à aerodinâmica, a parte traseira ganhou um difusor maior e uma asa traseira fixa. Ambos os componentes fornecem uma enorme quantidade de força para baixo, o que também contribui para aumentar a aderência no solo. Na asa traseira, o sistema hidráulico que equipa o Chiron foi substituído por um dispositivo de acionamento automático. E o novo sistema de escapamento foi impresso em 3D. Segundo a Bugatti, essas duas últimas medidas


levaram a uma significativa redução de peso do Pur Sport em relação ao modelo que lhe deu origem. Também houve mudança na suspensão do chassi para melhorar a aceleração lateral (força que joga o motorista para fora nas curvas). As molas dianteiras ficaram 65% mais rígidas e as traseiras, 33%. O modelo ganhou novos amortecedores e buchas e estabilizadores de carbono adicionais, para melhorar a aderência mesmo em velocidades surpreendentemente altas. Para deixar o motorista com mais liberdade para experimentar de forma mais intensa sua marca pessoal na condução, os sistemas de assistência - como o ESP, por exemplo - foram revisados. O Chiron Pur Sport tem o modo de direção adicional Sport+. Com ele, o controle de tração entra em funcionamento mais tarde, permitindo que o motorista ajuste seu estilo de direção pessoal sem a interferência de recursos de segurança. Para os pneus, a Bugatti desenvolveu, em conjunto com a Michelin, o Sport Cup 2R, tamanho 285/30 aro 20 para a dianteira e o 355/25 aro 21 para a traseira. A estrutura do pneu modificada e a uma nova mistura de borracha levaram a 10% mais aderência e possibilidade de maior velocidade nas curvas. Cada uma das rodas de magnésio pode ser opcionalmente equipada com asas de car-

bono para melhorar o resfriamento e o fluxo de ar. Como consumidores de um carro desse tipo também fazem questão de muito luxo, o interior do Chiron Pur Sport tem, nos painéis das portas, um revestimento em dois tons elaborados pela Alcantara, uma empresa de design italiana especializada na elaboração de produtos sofisticados para vários segmentos, entre eles o automotivo. Segundo a Bugatti, esse artifício de dois tons “cria tridimensionalidade e acentua o caráter arrojado da imponente máquina de dirigir” que é o Chiron Pur Sport. No design externo, o carro trouxe uma nova divisão horizontal de cores que permite aos compradores escolher combinações personalizadas, ou seja, ter um carro com visual absolutamente exclusivo. Com uma produção limitada a apenas 60 unidades, o Chiron Pur Sport tem um preço digno da exclusividade. A “módica” quantia de 3,26 milhões de

dólares (com o dólar a R$ 5,00, algo como 16,3 milhões de reais). Dados técnicos Velocidade máxima: 350 km / h (limitada eletronicamente) Potência: 1.500 cv a 6.900 rpm Torque: 163 kgf.m de 2.000 a 6.000 rpm Relação peso-potência: 1,19 kg / cv Consumo de combustível: 2,84 km por litro (urbano) e 6,57 km por litro (estrada).

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Mercado

MUDANÇA PARA MELHOR O fim da obrigatoriedade do uso de peças de reposição originais pelas seguradoras pode trazer redução de custos para os consumidores

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o segundo semestre de 2019, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) determinou o fim da obrigatoriedade do uso de peças originais do carro em eventual necessidade de troca. Ou seja, no caso de colisões com danos parciais, as seguradoras podem oferecer aos segurados a opção de uso de peças de fabricantes independentes, que na maioria esmagadora dos casos representam menor custo no conserto. Segundo Emerson Feliciano, gerente sênior de Pesquisa e Desenvolvi-

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mento do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil), centro de pesquisa dedicado ao estudo da reparação automotiva, “a mudança proposta pela Susep trouxe desafios e boas perspectivas tanto para o mercado segurador quanto para as oficinas”. Na sua avaliação, ambos os segmentos deverão ficar mais atentos à qualidade dos itens utilizados na reparação para evitar retrabalho e garantir a satisfação dos clientes. Para a Cesvi Brasil, diante desse cenário, o mercado segurador as-

sumirá novos papeis fundamentais na cadeia automotiva. Com uma possível redução nos custos envolvidos na reparação, a entidade espera ampliação da carteira de veículos segurados, já que a tendência é que os pacotes de seguros fiquem mais acessíveis para os consumidores. “Por outro lado, as seguradoras terão o desafio de homologar fornecedores que garantam a qualidade técnica das peças fornecidas”, comenta Feliciano. No mesmo movimento, destaca a Cesvi, as oficinas terão a oportunidade de aumentar


o número de veículos reparados sem perder a qualidade, seja dos serviços prestados ou das peças que serão utilizadas na reparação. Já os fabricantes independentes terão a oportunidade de entrar no mercado de fornecimento de peças para seguradoras, um negócio que abrange aproximadamente 30% da frota circulante, de acordo com o centro de pesquisa. “O desafio dessas companhias está na busca pela homologação da qualidade das peças que estão dispostas no mercado, evitando que fabricantes que não atendam aos requisitos mínimos de qualidade possam prejudicar toda a cadeia”, finaliza Feliciano. Para entender como é o mercado atual, veja a diferença entre as peças que são produzidas e comercializadas: • Genuína - É toda peça usada no processo de fabricação do veículo e é produzida pela montadora ou por seus fornecedores oficiais. Geralmente essas são as peças comercializadas pelas concessionárias e a precificação é feita pela própria montadora, que disponibiliza uma

tabela referencial para sua rede. • Original - É produzida por um fornecedor de peças da montadora com as mesmas especificações técnicas e a qualidade da genuína. A diferença entre elas está na comercialização, que é feita pelo fabricante e não pela marca do carro. O seu custo, portanto, é menor. • Fabricante independente - É produzida por empresas não homologadas pelas montadoras. Os fabricantes dessas autopeças usam as mesmas especificações técnicas das genuínas, mas é preciso observar a procedência e não aceitar componentes de origem duvidosa. O preço é sugerido pelas fábricas e não há unificação de valores: uma mesma peça pode ter preços diferentes de acordo com cada fornecedor. • Usada (não original) - São peças retiradas de veículos provenientes de desmanches devidamente regularizados.

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Gestão Antônio de Pádua Executivo, professor universitário, administrador de empresas com especialização em Marketing e Planejamento e Gestão

REPRESENTAÇÃO COMERCIAL TEM FUTURO?

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ivemos uma crise nunca antes vista na era moderna, no mercado e no mundo pós-globalização. A pandemia do novo corona vírus nos obrigou a ficar em casa, ou no mínimo nos deslocarmos só o necessário. Este novo comportamento fez com que se maximizasse o movimento já em crescimento chamado delivery via meios digitais, de todo e qualquer produto, mas nesse momento com ênfase em alimentação e saúde. Até quando passaremos por essa pandemia? Não temos a resposta, esperamos que seja o mais breve possível, mas os resultados já estão nas ruas com o desemprego e a fome. No meio desse momento desafia-

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dor e de tantas incertezas, temos uma figura muito importante, mas que em minha opinião merece um olhar especial de todos nós, o representante comercial. Parece que num piscar de olhos esta importante figura de nosso setor, saiu por enquanto do vocabulário de todas as matérias, mídias e lives que são comuns nesse momento. Em minha opinião e respeitando à de todos este profissional, o representante comercial, foi, é e sempre será de extrema importância no nosso seguimento. Eles apenas, mais uma vez, terão que assumir um novo papel, de ser parceiros das novas tecnologias, o que na verdade, muitos já o são, para que a atividade

ganhe cada vez mais força. Antes de continuar com minha impressão sobre tema, quero fazer um pequeno resumo de minha atuação nesses mais de trinta anos no mercado automotivo, onde sempre essa figura do representante comercial caminhou, e caminha ao meu lado. Quando iniciei na década de 80, a grande oportunidade de negócios era mudança de preços ou tabela, a grande argumentação era que a tabela do dia 30 iria aumentar no dia 1º do mês seguinte. Já arriscando os primeiros passos no mundo das palestras, iniciando eventos de grandes fornecedores como Cofap, Luk, Fras-le, Sabó, Sachs, entre outros. Iniciava falando,


no que batizei, em minha galeria de personagens do mercado com os “Vendossauros”, que eram muito comuns na época, entre eles os “Ursos Polares”, aqueles que hibernavam o mês inteiro e ao fim do mês chegavam ao cliente com aquelas duas tabelas. Na época chegamos a ter aumentos de ate 80% de um mês para o outro, o que era enorme argumento, visto que naquela época o lucro das empresas estava em seus estoques. Mas este grupo de profissionais estava ameaçado, como a economia começando a dar seus primeiros passos no rumo da estabilização da moeda, e logo após, de maneira quase instantânea, muitos desses “Ursos” foram extintos. Qual seria agora a nova argumentação? Muitos mudaram, se flexibilizaram as novas necessidades, e continuaram no ramo e evoluíram. Mas as mudanças não pararam por aí, surgiram para ajudar as forças de vendas ferramentas como bip (alguém já ouviu falar?), o fax, que ajudou por muito tempo a vida dos representantes, mas a grande novidade ainda estava por vir, o primeiro celular, a Motorola PT550, que revolucionou o mundo e obviamente,

O representante comercial existirá, com um novo papel, mostrando principalmente ao cliente, como ele pode agregar valor ao seu negócio.

como qualquer ferramenta, encontrou resistências. Nem todos aceitaram bem a grande novidade e evolução, alguns diziam.... o aparelho é muito grande, a bateria dura pouco, o sinal é ruim. Foi aí que criei outro personagem, o vendedor “Gabriela” (Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Gabriela!). Para que eu preciso desse negócio para trabalhar? E como em outros momentos muitas “Gabrielas” foram extintas ficando no meio do caminho, por que a única certeza que temos sobre o mercado é de que tudo irá mudar. Não daria nessas páginas para eu colocar quantas mudanças tivemos, e quantas novas ferramentas terão, mas algumas são cruciais como: a internet, programas off-line e on-line, melhoria dos processos logísticos, expansão do armazenamento nas nuvens, novas mídias, inteligência artificial, tantas ferramentas que temos e teremos em breve. Representantes novos surgiram nos últimos anos?! Representantes antigos sobrevive-

ram e cresceram nos últimos anos?! O que eu quero colocar aqui, é que não temos verdades absolutas em nosso mercado. O mundo pós-pandemia será outro, quantos consumidores não conheciam o Ifood, ou tinham realizado compras pelo aplicativo? Quantos consumidores passaram a ver um mundo novo, que já estavam na frente dos seus olhos, próximos as suas mãos? Para um bom vendedor sobreviver, e nesse caso, a ênfase é o representante comercial, sempre, independente do momento da crise, ser parceiro da mudança, e das novas tecnologias, serem flexíveis as novas idéias, se reinventar e quebrar paradigmas todos os dias. O representante comercial existirá, com um novo papel, mostrando principalmente ao cliente, como ele pode agregar valor ao seu negócio, e por que não dizer, trazendo sempre um forte abraço. Como ouvi um dia, “... O brilho do olhar nunca será substituído pelo brilho do computador...”. Continuamos na próxima edição....

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Gestão e Controle Haroldo Ribeiro Consultor especialista em prevenção de perdas e gestão de estoques para o Varejo Brasileiro e sócio na Max Result Consultoria de Resultados. haroldo@maxresult.com.br

Perdas operacionais Problema sem dono A eficiência de uma empresa está diretamente ligada à sua capacidade de evitar ao mínimo possível o volume de produtos vencidos ou com avarias

N

ão é difícil de entender que o maior problema das perdas operacionais nas empresas (quase sem exceção), é sem dúvida nenhuma, o volume de mercadorias que são avariadas (vencidas ou por maus tratos causados por fornecedores, entregadores, colaboradores ou clientes) e que não têm seu tratamento dedicado por um profissional específico. Este profissional tem como missão principal fazer com que a tratativa junto aos fornecedores (revendedores, distribuidores ou fabricantes) em relação aos produtos na área de avarias/garantias tenha a maior agilidade possível. Querendo ou não, o volume de produtos na área de avarias/garantias das empresas passou a ser um termômetro de eficiência ou ineficiência da área de prevenção de perdas. Antes de tudo, é preciso saber que o melhor cenário, mesmo, é prevenir essa perda, se antecipando ao problema através do mapeamento dos vários processos que podem ocasioná-lo, reduzindo assim o cus-

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to operacional de ter que resolvê-lo. No ranking dos maiores e mais atuais problemas, temos o vencimento de produtos. Para evitá-lo, é preciso que regras claras sejam adotadas pelas empresas. Estabelecer validade mínima para os diversos grupos de produtos logo na sua entrada, no ato do recebimento, é fundamental. É difícil ver empresas praticarem essa regra e, na maioria dos casos, quando ela existe, é quebrada por ordem superior. É autorizada a entrada de produtos com data crítica e que muito provavelmente vai gerar problemas futuros e trabalho para a área de avarias/ garantias, alimentando o ciclo de geração das perdas. A decisão pela quebra da regra quase sempre é fundamentada na simples vontade de vender, mas não é levado em consideração o risco das consequências que podem advir dessa decisão. Configurado o problema, resta agora buscar a solução, e ela tem um custo que poucos costumam medir. Pra piorar a situação, o profissional

encarregado de recuperar os produtos tem outras tantas atribuições que o obrigam a considerar esta como uma das que estão entre as prioridades menos importantes. Por isso, sempre é adequado, quando se tem uma cifra elevada de produtos avariados ocupando espaços no depósito de mercadorias, avaliar a eficiência do processo de trocas e o profissional responsável à frente dele. Nos diagnósticos realizados para avaliação e medição dessa eficiência, invariavelmente se percebe que a nota atribuída à agilidade e rapidez de negociação com os fornecedores é sempre muito baixa. Exatamente por essa situação, somos muitas vezes levados a crer que o problema não tem dono. Sob um ponto de vista responsável, podemos até dizer que a coisa é muito simples. Não precisa querer reinventar a roda. Nomeie um profissional competente e dedicado para essa tarefa, atribua metas de redução do volume de suas avarias e exija indicadores que comprovem a dedicação e o envolvimento desse profissional. Simples assim.


Novo Mercado Alexandre Costa Cconsultor especializado em inovação para o setor automotivo, palestrante e diretor da Alpha Consultoria alpha@alphaconsultoria.net

Aproveite a oportunidade para identificar as fraquezas de sua empresa

Q

ue todo o Mundo está passando por uma situação difícil, isso é fato! E quando eu falo de Mundo estou me referendo ao planeta mesmo! Nunca na história moderna se passou por algo ao menos similar, retirando claro os efeito das duas grandes guerras. Todo esse impacto causado na economia tem sacrificados negócios, Mundo a fora, e como uma infecção que produz uma ferida aberta, as empresas estão tendo suas fraquezas expostas. Mas como otimista que sou, não enxergo isso de todo o mal. Entenda que não estou menosprezando a severidade do problema, longe de mim, apenas estou dizendo que nessa condição crítica podemos tirar algum aprendizado. Se por exemplo, sua empresa passou quinze dias fechada e você já está pensando em fechar as portas em definitivo, então temos dois grandes problemas: ou seu negócio tem custos muito elevados, ou sua operação comercial não

gera rentabilidade suficiente para sustentar a empresa. Ou, o que é ainda pior, e comum, seu negócio sofre desses dois problemas simultaneamente, ou seja, tem custos elevados e baixa rentabilidade. Entenda que apenas em uma crise que os maiores problemas se mais tornam evidentes, e aí sentimos na pele o peso dele sobre os resultados da empresa. Muito empresários pode até afirmar que sabem da realidade de seus negócios e que já sabem exatamente onde está o problema. Eles apenas não sabem como resolvê-los. E é aí, onde quero chegar! Quando digo para aproveitar a crise para identificar as fraquezas da sua empresa é que nessas condições os problemas se tornam mais claros, e é a hora de entender qual a parcela dessa fraqueza na dificuldade do seu negócio, para aí sim, definir prioridades para solucioná-los. A ideia é começar a tratar o problema que traz maiores malefícios, e tentar reduzi-lo, e se possí-

vel, o que não é fácil, eliminá-lo. No cotidiano, com o comercio funcionando de forma regular como sempre vinha, com um mês bom seguido de um mês ruim, com uma divida aqui e outra acolá você não consegue enxergar a fraqueza do seu negócio pois está muito atarefado com os pequenos problemas diários, daí passa a conviver com essa dificuldade, assimilando muitas vezes esse custo. Enquanto a receita vai acobertando os custos desse problema, você vai tocando o barco, mas quando o dinheiro parou de entrar no caixa da empresa, o problema veio à tona cobrar a parte dele. Então, caro empresário, aproveita a oportunidade que o Monstro mostrou a cara, e trate a gora de domá-lo! Não desperdice essa oportunidade de corrigir seus maiores erros. Você não vai querer tentar corrigir isso na próxima crise, não é verdade? Se você não tomar uma decisão agora, você corre o risco de não ver sequer a próxima crise. Pense nisso e até o próximo texto!

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Economia Luiz Carlos Mendonça de Barros Presidente do Conselho de Administração da Foton. Já exerceu os cargos de presidente do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, foi Diretor do Banco Central do Brasil e Ministro das Comunicações

Olhando com otimismo para 2021 As três maiores economias entrarão em ciclo de crescimento, e garantindo a emergentes a saída da recessão

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stamos entrando em uma segunda fase da crise mundial provocada pela covid-19, com os efeitos da quarentena social chegando de forma agressiva às economias nacionais. O primeiro impacto, provocado pelo pânico que atingiu investidores e instituições financeiras no mundo todo, está controlado pela ação conjunta dos bancos centrais. A lição de 2008 foi aprendida e desta vez o protocolo definido após 2008 não foi só rapidamente aplicado, como expandido por outras medidas ainda mais heterodoxas. Para o enfrentamento desta segunda fase as lições do passado não foram suficientes pela natureza diferente do choque negativo que atingiu simultaneamente a operação de empresas e a renda dos salários de trabalhadores e arrecadação de impostos dos governos. Felizmente a leitura deste choque feito por economistas e governos nacionais foi rápida e correta ao identificar o verdadeiro apagão de renda

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que iria ocorrer nas economias de mercado pelo tempo em que o afastamento social durasse. Em pouco tempo construía-se um protocolo de natureza keynesiana para enfrentar a recessão que se seguiria. As aprovações das medidas deste protocolo estão ainda em andamento na maioria das democracias, mas será uma questão de tempo

para que seja mitigado o impacto deflacionário que vamos sofrer nos próximos meses evitando uma verdadeira depressão econômica. Os primeiros dados já conhecidos na Europa e Estados Unidos não deixam dúvidas sobre a intensidade da queda da atividade que vamos viver pelo menos até o terceiro trimestre deste ano. Queda de mais de 6%


do PIB, em muitas das maiores democracias, não parece ser previsão muito pessimista. Mesmo com uma visão otimista quanto ao controle da covid-19, o que ocorreu na China e já está sendo visto nas maiores economias nos permite assim proceder, apenas na virada do ano é que teremos sinais mais claros de uma retomada da atividade econômica de caráter mundial. Mas ela vai ocorrer em cenário com um grande hiato do produto e com um quadro deflacionário preocupante. A China será uma exceção pelo sucesso obtido no controle da doença, e pela rapidez com que a atividade econômica está se normalizando. O FMI prevê um crescimento de 1,5% em 2020 seguido de uma expansão de 9% em 2021 em função de um programa de estímulos fiscais e monetários, que certamente virá, como ocorreu em 2010. Nos Estados Unidos, outro pilar da economia mundial, também chegaremos ao quarto trimestre deste ano com uma economia em recessão, mas com um hiato elevado do produto e um mercado de trabalho com bastante folga também. Mesmo com as incertezas de um novo presi-

dente, podemos afirmar que haverá no Congresso um segundo grande esforço de estímulos fiscais para colocar a economia em uma rota mais clara de recuperação e uma redução do desemprego. Se estiver certo, teremos na virada do ano e durante 2021 as duas maiores economias do mundo lado a lado com uma volta do crescimento econômico. Mesmo a Europa, sempre atrasada pela heterogeneidade política de seus membros, está para finalizar a implantação de uma ajuda fiscal via o chamado “multiannual financial framework (MFF)” com mais de US$ 1 trilhão de recursos como afirmou recentemente Úrsula von der Leyen, presidente atual da Comissão Europeia. Estes recursos vão certamente acelerar a recuperação econômica dos países em maior dificuldade como Espanha, Itália, Grécia e do Leste europeu. Desta forma as três maiores economias do mundo devem - ao longo do quarto trimestre - entrar em um ciclo de crescimento positivo garantindo para o mundo emergente uma condição de - embora mais lentamente - sair da armadilha da recessão ao qual estão hoje destinados.

Neste cenário de crescimento com políticas monetárias extremamente expansionistas e, portanto, com juros reais muito baixos - lentamente parte dos capitais internacionais que fugiram para os EUA ao longo dos últimos meses voltarão a se posicionar, como sempre aconteceu no passado, no mundo emergente. Neste cenário o Brasil deve receber um empuxo externo via as exportações de commodities e a volta do investimento estrangeiro principalmente no setor de infraestrutura, viabilizando novamente o ambicioso processo de privatizações atualmente em stand by no governo Bolsonaro. Os dados da conta corrente e da entrada de investimento estrangeiro de março último já mostram o início deste processo. Sei que serei chamado de otimista com este meu modelo para a evolução da economia mundial e brasileira em 2021, mas apenas repliquei nesta coluna o que acompanhei no passado quando acontece um alinhamento de dimensão mundial do início de um ciclo econômico de crescimento. Mercado de trabalho sem tensões, preços das principais commodities também em seu ciclo de baixa - o que garante um mundo sem inflação - combinados com uma imensa liquidez ao nível mundial serão incentivos suficientes para que os traumas e efeitos colaterais sofridos por empresas e consumidores sejam substituídos por expectativas mais favoráveis. Ficará apenas, para ser tratado mais a frente com a volta do crescimento econômico, um aumento generalizado do endividamento dos governos centrais, a começar pelos Estados Unidos. Neste sentido serão os países emergentes como o Brasil que vão precisar de um programa do estilo defendido por Keynes em 1940 em seu extraordinário texto chamado “ How to pay for the War”.

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Componente

VITAL PARA O CONFORTO A caixa de direção do carro trabalha silenciosamente para facilitar a vida do motorista. Saiba mais sobre ela e que cuidados básicos de manutenção devem ser observados

E

m tempos remotos e nada saudosos, a esmagadora maioria dos carros brasileiros tinha caixa de direção mecânica. Isso significa que boa parte da força necessária para girar os pneus em curvas e manobras tinha de vir dos braços do motorista. Hoje muita gente nem se dá conta, mas essa tarefa ficou bem mais fácil graças às direções do tipo hidráulica e elétrica. Eles usam sistemas que transferem boa parte do esforço para os seus componentes, trazendo conforto para quem está no volante. Saiba

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mais, a seguir, como funcionam esses recursos e que cuidados devem ser tomados para conservá-los. A título de curiosidade, vale explicar como funcionava a antiga direção mecânica. Ela se baseava em um princípio simples, com o uso de duas peças chamadas pinhão e cremalheira. Eles nada mais eram que uma haste ligada ao volante com uma engrenagem redonda no fim (o pinhão) que se ligava com uma engrenagem plana (a cremalheira). A grande ajuda veio com o sistema de direção hidráulica. Ele também

funciona com pinhão e cremalheira, só que uma bomba hidráulica ajuda o movimento da cremalheira, assumindo boa parte do esforço que seria do motorista para vencer o atrito das rodas no solo. O sistema mais moderno de direção é o elétrica. Ao invés da bomba hidráulica, ele tem um motor elétrico gerenciado por uma central de comando. Esse motor elétrico faz o mesmo trabalho da bomba hidráulica, só que de forma bem mais eficiente e sem depender nem da força do motorista. Por isso que


O primeiro cuidado é dar um pouco de atenção à direção hidráulica quando for fazer a manobra.

as direções elétricas são levíssimas, permitindo manobrar o carro com apenas um volante no dedo. Infelizmente, a direção hidráulica, por ser mais barata que a elétrica, ainda é a que equipa a esmagadora maioria dos carros nacionais mais baratos. Por isso, vamos agora dar algumas dicas de como conservá-la bem. Por ser um componente relativamente complexo e bastante exigido, é recomendável cuidar bem dela, para manter o conforto e evitar grandes prejuízos. O primeiro cuidado é dar um pouco de atenção à direção hidráulica quando for fazer a manobra. Por ter

o funcionamento baseado em um fluido (o termo “hidráulica” vem do óleo usado na bomba), ela não deve fazer barulho. Por isso, se ouvir algum ruído, é bom levar o carro para uma revisão no componente. Outra coisa que pode ser facilmente verificada é observar se o volante, de repente, ficou mais pesado. Bem conservada, a direção não perde sua capacidade de facilitar as manobras. Se o motorista precisa colocar mais força que o normal, isso pode ser desgaste de peças, necessidade de troca do óleo e ou algum vazamento que está fazendo as engrenagens rodarem sem a devida lubrificação.

Uma precaução é importante é levar o carro à oficina o quanto antes, assim que for detectada alguma característica. Geralmente o problema é resolvido com a troca do reparo, um conjunto de peças e juntas que evita vazamentos e entrada de sujeira no sistema. O próprio reparo e a mão de obra não têm custos elevados. Mas se o problema chegar à bomba, o motorista precisa preparar o bolso. Além da atenção ao funcionamento da direção, o proprietário do carro pode ajudar tendo alguns cuidados ao dirigir, como não encostar o pneu no meio o fio ou na calçada e não forçar o volante quando sentir que o giro terminou. Cada movimento que exponha o sistema a um esforço desnecessário pode afetar a caixa de direção. Da mesma forma, é sempre bom ter os pneus alinhados, para não forçar o sistema. Por fim, uma das verificações mais simples é ver o nível do fluido da direção e a coloração dele. Para isso, basta abrir o capô durante um abastecimento no posto e verificar. Em caso de dúvida, o frentista pode ajudar. Se o óleo precisar de troca, alguns postos têm área para isso e o serviço é relativamente rápido.

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Serviço

SOBRE O MOTOR

BICOMBUSTÍVEL

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esmo após o lançamento do primeiro motor capaz de rodar com gasolina ou álcool, feito pela Volkswagen há dezessete anos, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o assunto. Há muitos mitos e incertezas sobre qual a melhor opção de abastecimento ou qual combustível renderia mais para uma viagem. Com a variação do preço dos combustíveis, o brasileiro muitas vezes prefere optar pelo mais econômico e acaba usando repetidas vezes mais um produto do que o outro. No entanto, será que utilizar apenas um tipo de combustível por um longo período de tempo pode “viciar” o motor? De acordo com Silvio França, supervisor de P&D da STP do Brasil (empresa produtora de fluidos para motores), isto é um mito. “O motor Flex possui um dispositivo chamado ‘sensor lambda’, que é responsável por informar ao módulo de injeção de combustível se há uma mistura e se ela está adequada ou não. Após receber esta informação, o módulo da injeção faz as contas e

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Rodar apenas com álcool ou gasolina pode “viciar” o motor? E em relação à durabilidade, o flex dura menos que o tradicional? Veja a resposta para essas e outras perguntas

corrige a quantidade de combustível a ser injetada para que ocorra uma queima completa”, explica França. Ele afirma que não é necessário esperar acabar um combustível para abastecer com o outro. “O motor foi criado com o objetivo de permitir os dois combustíveis em qualquer proporção”, complementa o supervisor. Já em relação à durabilidade do motor flex, Silvio destaca que a vida útil é equivalente à do motor tradicional. A diferença do bicombustível é que ele tende a ser mais econômico, porque permite ao motorista uma tomada de decisão sobre qual opção (gasolina ou álcool) oferece a melhor relação custo-benefício no momento de abastecer. Em relação a cuidados com o motor bicombustível, eles são parecidos com os que se deve ter com um motor tradicional. Deve-se evitar, por exemplo, rodar com velas estejam que estejam muito degastadas ou com o tempo de vida útil ultrapassado, porque isso pode prejudicar o desempenho do automóvel. Outra medida importante é não andar

com o tanque na reserva, porque o combustível que fica no fundo tende a ter sujeira e isso acaba levando impurezas para o motor. As consequências possíveis vão desde a perda de desempenho até complicações maiores no motor, como a queima da bomba de combustível. Em relação ao meio ambiente, já que o motor bicombustível dá a liberdade ao motorista de escolher o que colocar no tanque, Sílvio França ressalta que o álcool é menos prejudicial. A gasolina, explica ele, é composta basicamente por hidrocarbonetos (carbono e hidrogênio) e apresenta como produtos de sua combustão o Dióxido de Carbono e Monóxido de Carbono. Ambos são gases tóxicos e o primeiro tem o agravante de contribuir para o efeito estufa e o aquecimento global. “Já o álcool é um combustível que não afeta a camada de ozônio e por isso não é tão prejudicial para a atmosfera quanto a gasolina. Portanto, neste quesito ele é sempre a melhor opção dentre os dois combustíveis”, finaliza.


Perspectiva de Mercado Flávio Portela Executivo e palestrante. Formado em Administração de Empresas com MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral-SP flavio.portela@globo.com

O mundo não parou... Ele está se reinventando! As empresas as pessoas estão aproveitando a crise causada pela pandemia de coronavírus para aprender. Com certeza, sairemos dela mais fortes

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ecididamente, 2020 entrará para a história como o ano em que o mundo precisou aprender a “respirar”. Empresas estão se reinventando e se reestruturando, profissionais estão aprendendo a valorizar rotinas e famílias estão aprendendo que união, amor e compaixão sempre serão a receita para superação. As “peças” estão se encaixando novamente. Começamos a valorizar o “simples”. Tudo está acontecendo muito rápido. Ainda não sabemos nem quando e nem como isso tudo vai acabar, porém sabemos que o mundo não será como antes e a maneira de fazer negócios e a relação entre as empresas passará por uma grande transformação. A globalização, pela primeira vez, se ajoelhou e pensou como um grande e único bloco. Fronteiras foram “ultrapassadas” sem visto por um inimigo invisível que, quando subestimado, leva com ele muitas vidas e projetos. Hoje presenciamos que não só os países subdesenvolvidos estão vulneráveis a pandemias. O grande “legado” para os próximos governos

é que eles terão que investir verdadeiramente na saúde de maneira planejada, pois quando isso não acontece, o resultado é catastrófico. E o que fazer neste momento? Estamos divididos entre disputas políticas e orações por recuperação de pessoas que amamos. O governo brasileiro está trabalhando de maneira competente, porém o mesmo se perde com “política” e perde tempo com pressões de partidos oportunistas, mídias especulativas e “brasileiros” torcendo para que nada funcione para ter a quem culpar. E no meio de tudo isso, fica a população. Empresários, pais de família, trabalhadores que precisam do pão de cada dia para sobreviver. Ah, não podemos esquecer de agradecer e reconhecer os “imortais” médicos e enfermeiros que estão nos hospitais e os profissionais de segurança, de delivery e de comércios “essenciais”, que estão trabalhando duro para manter nosso Brasil “vivo”. Muito obrigado! Também aprenderemos a valorizar vocês! E o segmento automotivo? Neste momento, montadoras e fábricas de

autopeças estão em férias coletivas e lojas, distribuidores e oficinas, que precisam manter o país “rodando”, operam com restrições em muitas regiões, pois cada estado e município segue uma linha de interesse. Decreto para abrir, decreto para fechar, decreto para anular o decreto anterior. Precisamos rapidamente sair deste imbróglio para planejar nossa retomada. Penso como melhor solução o isolamento vertical e uma retomada gradativa da economia, sem descuidarmos das máscaras, do distanciamento e da higienização. O Brasil pós Covid-19 não será o mesmo. Já vivemos novas e rápidas mudanças e o nosso segmento acompanhará estas transformações. O e-commerce irá crescer, valorizaremos mais nosso trabalho e as empresas que tanto se desdobram por suas equipes. O relacionamento interpessoal estará amadurecido, as empresas cuidarão mais dos seus caixas e seremos mais resilientes em relação à superação de novos desafios. Tudo passa!

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Menos poluente

Scania aposta no gás e traz produção para o Brasil Modelos começam custando até 30% a mais que os similares a diesel, mas empresa afirma que os benefícios compensam o investimento inicial

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omo parte do objetivo de investir na mudança para um sistema de transporte mais sustentável, a Scania Latin America iniciou a produção de caminhões movidos a gás, GNV (Gás Natural Veicular) e GNL (Gás Natural Liquefeito), em sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP). “Estamos no Brasil há 63 anos, aqui temos a segunda maior operação industrial fora da Suécia, contando com quase 4 mil colaboradores, e um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento que nos permite oferecer ao mercado continuar avançando na jornada da sustentabilidade”, diz Christopher Podgorski, presidente e CEO da montadora.

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A chegada dos caminhões a gás está incluída no plano da empresa de um investimento de R$ 2,6 bilhões no período de 2016 a 2020. “A industrialização dos veículos a gás complementa a Nova Geração de Caminhões Scania lançada em 2018, disponibilizada ao mercado com base no Sistema de Produção Global Scania”, pontua Podgorski.1 Outro R$ 1,4 bilhão será investido no período compreendido entre 2021 a 2024. De acordo com a Scania, esse novo montante permitirá avançar ainda mais em tecnologias ligadas a combustíveis alternativos e à descarbonização do setor de transporte e logística. Segun-

do Podgorski, o gás é uma grande oportunidade devido à quantidade disponível no Brasil, além de ser um passo importante na busca por um transporte mais sustentável até chegar aos veículos híbridos, elétricos e autônomos. A produção de caminhões a gás segue os preceitos do Sistema Modular Scania, que permite a fabricação de diferentes modelos a partir de um número limitado de componentes de acordo com a aplicação do veículo. No caso dos modelos a gás, a diferença entres os que rodam com GNV e GNL está na instalação dos tanques, que são específicos para o armazenamento conforme o estado físico do combustível: líquido por resfriamento (GNL) ou gasoso por pressurização (GNV). Inicialmente foram colocados três modelos com a opção: P280, G340 e R410 nas versões 4x2 e 6x2. “Com o aumento do volume a partir das entregas, outros serão gradativamente homologadas”, informa Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania no Brasil. Segundo ele, os motores dos modelos são funcionam com 100% de gás (seja na forma gasosa ou líquida), biometano (gás que pode ser produzido a partir de dejetos como lodo sanitário e resíduos de diversas culturas agrícolas).


O desempenho é semelhante ao do caminhão a diesel, mas têm a vantagem de emitir 20% a menos de ruído. A autonomia fica entre 400 e 500 km. Em relação aos preços, os caminhões são, em média 30% mais caros que os similares a diesel. “Mas este investimento será recuperado com os benefícios do produto”, garante Sílvio. A montadora não informou a expectativa do percentual de vendas dos caminhões a gás em relação ao total alegando que “por uma estratégia corporativa, não divulga volumes futuros”, mas Sílvio ressalta que a Scania “tem certeza do potencial do mercado para adquirir os veículos a gás. Prova disso é o investimento feito na fábrica”. Agora, estão sendo feitas demonstrações dos modelos em eventos por todo o Brasil, para mostrar aos consumidores as principais características técnicas e as possíveis vantagens em relação aos caminhões tradicionais. O executivo destaca que a dependência do diesel é um tema cada dia mais difícil de ser defendido, do ponto de vista da sustentabilidade, considerando que emissões de caminhões e ônibus contribuem para o aumento da poluição global, além de elevar o nível de contaminantes como material particulado e óxidos de enxofre, entre outros gases. “A Scania sabe que faz parte deste problema e trabalha para ser parte da solução na busca por alternativas viáveis ao diesel”, conclui o executivo. A unidade de São Bernardo do Campo também será responsável por conduzir o desenvolvimento global dos veículos a gás. “A área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) irá liderar os futuros desenvolvimentos dessa tecnologia no grupo Scania”, confirma Podgorski. A equipe de P&D no Brasil conta com mais de 270 engenheiros que atuam em sinergia com a matriz na Suécia. “Esta decisão foi tomada dada a vocação

do Brasil para o gás e a confiança no ‘choque de energia’ de baixo custo que vem sendo mencionado pelo Governo Federal como alavancador de desenvolvimento econômico”, completa o executivo. Segundo a Scania, a utilização de GNV ou GNL reduz em até 15% o nível de emissão de Dióxido de Carbono (CO2). No caso do biometano, gás obtido a partir de resíduos orgânicos, a redução pode chegar a até 90%. A empresa acredita na expansão desse mercado. “Segundo números da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, até 2030, o Brasil deve quase triplicar a produção líquida de gás natural, saindo dos atuais 59 milhões

para 147 milhões de metros cúbicos (m³) por dia”, diz a montadora através de sua assessoria de imprensa. Segunda maior fábrica dentro do Grupo Scania em capacidade produtiva em todo o mundo, a planta de São Bernardo do Campo tem capacidade para fabricar 30 mil unidades ao ano. Em 2019, a Scania Latin America exportou 40% de sua produção, vendendo o restante para o mercado interno, cenário que mudou em relação aos outros anos, quando a empresa exportava cerca de 70% da produção. Ainda no ano passado, a Scania vendeu 12,7 mil caminhões pesados, alta de 57,8% em relação a 2018, um aumento de cerca de 9,1% em relação ao mercado, que cresceu 48,7%.

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Componente II

Eles são essenciais O sistema de freios é um dos principais componentes de segurança dos veículos pesados e tem particularidades e procedimentos de regulagem que merece muita atenção

D

iferentemente dos veículos de passeio comuns, que usam o freio hidráulico (lembra que os proprietários precisam verificar periodicamente o freio do carro?), a maioria dos ônibus e caminhões tem um sistema pneumático. Ele é mais eficiente, para estes modelos, porque suporta altíssimas pressões de frenagens. Existem caminhões cujo peso, somado com a carga, pode ultrapassar as 20 toneladas, e não é fácil segurar tudo isso em uma descida. Os freios dos veículos pesados também têm outra distinção, em relação aos dos veículos pequenos. Estes últimos podem ser equipados com freios a disco em duas ou quatro rodas, mas ônibus e caminhões usam lonas de freio e tambor. A regulagem desses tipos de freios, na maioria dos casos, é realizada manualmente e como eles são submetidos com frequência a situações críticas, a manutenção e a regulagem correta são essenciais. Com o uso contínuo dos freios, existe o desgaste natural das lonas e

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da superfície do tambor. Com isso, a folga desse conjunto vai aumentando e o poder de frenagem tende a diminuir, sendo necessária uma aplicação mais longa no pedal de freio. Além disso, o desgaste pode causar danos às sapatas (componentes que dão suporte e movimentam as lonas), danificar a superfície de atrito do tambor e levar a uma situação conhecida como “virar o S”. A expressão vem do fato de que o eixo que sustenta as sapatas das lonas ter, em uma das pontas, a forma da letra “S”. Ele é o componente responsável pela movimentação das sapatas de freio e “virar o S” é quando ele sai de seu encaixe junto às sapatas. Esta soltura do encaixe é uma situação de perigo, pois pode acontecer durante uma frenagem, fazendo com que o sistema de freio do veículo opere de forma inadequada, transformando um procedimento normal de frenagem em um evento de risco à vida. Por tudo isso, é importante verificar a regulagem e o correto funcionamento dos freios com frequência.

O motorista deve lembrar de realizar um teste com o veículo sempre que a regulagem dos freios for feita, pois, como dissemos, ela é feita de forma manual, e o veículo pode ficar “puxando” para um dos lados antes de ter um ajuste final. Outros cuidados que valem ressaltar são a checagem da lubrificação dos principais componentes de acionamento e o procedimento de drenar regularmente os reservatórios de ar do sistema pneumático. Excesso de água no sistema pode danificar os demais componentes.


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