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Revista Cultural Novitas - 1


Revista Cultural Novitas - 2

DISTRIBUIÇÃO GRATUÍTA

Editorial

C

riar uma Editora do nada não é fácil. Para aqueles que pensam que no mundinho editorial os proprietários tem a ideia, investem seu dinheiro e depois ficam observando funcionários trabalhando para somente na hora do uso de seu selo editorial se fazer presente, posso dizer que estão errados. Não sei quanto às grandes Editoras, mas aquelas pequenas como nós, nascidas geralmente da vontade de promover a cultura e a educação, a realidade é bem outra.

Ser editor, porém, tem para nós a roupagem do privilégio. Somos, Letícia e eu, os primeiros a ler textos paridos na solidão, por mentes que querem se dar ao luxo de colocar em papel suas ideias. Digo luxo, porque em um país como o Brasil, terra de tantos ícones pensantes e escreventes, dar-se ao tra balho de CRIAR – independente da arte a que se proponha – beira ao pecado. Enquanto aqueles que ocupam importantes posições sociais (e não somente aquelas eleitas pelo pobre povo) disputam a melhor maneira de carregar nossos ganhos para seus bolsos, nós – escritores, pintores, fotógrafos, músicos e afins – tentamos humanizar a vida de nossos respectivos públicos, criando. Esta Revista tem um sentimento político embutido no “Cultura” que a define. Enquanto tantos prometem, nós fazemos (ou tentamos fazer) nosso melhor, em benefício de pessoas que nem sequer sabemos da existência. Pode ser até que seja um projeto arrogante e exibido, mas a intenção é a melhor possível. Espero que o conteúdo aqui distribuído de alguma maneira acenda o debate, a crítica, a iniciativa... Enfim, que ajude a formar o livre pensar. David F Nóbrega Editor - Escritor

Concurso Literário Novitas As inscrições estão abertas. O edital e a ficha de inscrição estão disponíveis em nosso site (www.editoranovitas.com.br)

Nesta Edição:

Livros Publicados Acesse http://www.editoranovitas.com.br/livros-a-venda e leia sobre nossos últimos lançamentos.


Revista Cultural Novitas - 3

ARTIG O

O AC ORD O ORT O GRÁFIC O CERTAMENTE NÃ O VAI RESOLVER SEUS PROBLEMAS DE LÍN G UA PORTU G UESA

Por Elenor J. Schneider Pelo impacto que o acordo ortográfico dos

necendo nas oxítonas (anéis, heróis), deixando

estranhamento, principalmente por parte da-

países lusófonos vem causando,parece que to-

em campos obscuros questões como diferenciar

queles que dominam bem o sistema escrito,

dos os problemas de falta de conhecimento e

a pronúncia de sereia e Galileia.

ainda mais considerando a ainda ausência de

domínio da língua portuguesa estão resolvidos.

Alguns acentos diferenciais, que restavam

bons dicionários atualizados. Penso que todos

A repercussão, no entanto, é muito mais emoti-

do acordo de 1971, foram também suprimidos.

os espaços que se ocupam de ensinar, devem

va do que racional. Se alguém não cultiva o há-

Nesse caso estão o pára, do verbo parar (que

iniciar imediatamente o processo de transição.

bito de ler e escrever, em nada sairá ganhando

agora figura assim: ele não para de rir), polo,

Quanto ao objetivo da unificação, conside-

quanto à qualidade de sua escrita. De qualquer

pelo (antes era pólo, pêlo), entretanto permane-

ro-o uma grande fantasia. Não é porque escre-

forma, o acordo está assinado e um decreto

cem em pôde para diferenciar de pode e o ver-

vemos veem sem acento que vamos ler os jor-

presidencial, de 29 de setembro de 2008, deter-

bo pôr para diferenciar da preposição por.

nais ou os livros dos angolanos ou cabo-verdia-

mina que a implantação do novo sistema deve

O grande impasse da nova proposta, com

nos. E vice-versa. As grandes diferenças, com a

pouca iluminação, está no emprego do hífen

língua regada a sabor local e regional, permane-

As alterações propostas são de pequena

com prefixos ou antepositivos. Essa questão já

cerão e tendem a se acentuar cada vez mais.

monta. O vocabulário brasileiro terá que se

tinha recebido bons estudos anteriores, como

Para um nortista brasileiro ler o regionalista

adaptar em cerca de meio por cento, número

os de Celso Pedro Luft, por exemplo, mas ago-

gaúcho Simões Lopes Neto, só contando com

suficiente, porém, para desatualizar todos os

ra cai outra vez numa rede complexa, duvidosa

um bom glossário. E ele escreve em português,

textos impressos do país. O custo disso será in-

e bastante confusa.

com o acréscimo da rica contaminação caste-

estar consolidada até 2012.

crivelmente assombroso e, se comparado ao be-

Palavras que antes se escreviam sem hífen,

nefício propalado, inexplicável, para não dizer

como microondas e subepático, agora exigem

inaceitável. A maioria das pessoas atentou para

hífen - micro-ondas e sub-hepático; palavras

esse fato apenas depois da coisa consumada.

que antes se escreviam com hífen, como auto-

Como o debate não se deu em tempo hábil - e

ajuda e contra-ofensiva, agora se escrevem sem

Só para chamar sua atenção: em nenhum

nem foi incentivado -, agora é aprender.

- autoajuda e contraofensiva. Aliás, enquanto a

momento, a não ser nos exemplos, empreguei

Algumas das mudanças são até facilmente

maioria das questões da língua observa boa ló-

alguma das novidades no artigo aqui publicado.

assimiláveis. É o caso da abolição do trema no

gica, a do hífen apresenta forte marca de arbi-

E não foi intencional, o que prova que a mon-

grupo gu e qu (averiguei, delinquente), a elimi-

trariedade.

tanha pariu um camundongo, como já senten-

nação do acento nos hiatos oo e ee (o voo, eles veem), a retirada dos acentos nos ditongos abertos éi e ói (ideia, geleia, paranoico), perma-

A questão está posta e então é necessário

lhana. É a língua viva, inquieta, dinâmica, inapreensível em algumas páginas da academia. São risíveis depoimentos como há pouco ouvi: agora vou conseguir ler Saramago.

ciavam os latinos.

caminhar na direção de saber. Certamente, os primeiros tempos serão de

Elenor J. Schneider é Coordenador do Curso de Letras da U NISC - Universidade de Santa Cruz do Sul


Revista Cultural Novitas - 4

POESIA & CIA

Homenagem póstuma

Imprecisões Ataíde Lemos

Paulo Diesel

Quando alguém que faz aqui sua história

Perco a identidade

E deste mundo parte para a outra dimensão

vasculho e não me encontro.

Deixa saudades, crava seu nome na memória

Os pontos obscuros

Ficando o mito, a saudade que estreita o coração.

sinalizam a perdição.

É como o mundo ficasse um pouco mais pobre

Em fuga,

Pois é uma estrela que deixa de aqui brilhar

avisto as luzes brilhantes

E o mínimo que podemos fazer como nobre

que ofuscam meus pensamentos.

É homenagear a estrela que foi para outro lugar Doses cavalares de imagens sobrepostas Nestas horas devem permanecer apenas

me confundem,

Seus feitos, suas realizações que enobrecem

mas retratam

E sua ausência que para o mundo representa.

os fatos e atos registrados. ……………………………..

O homem que vem e deixa seus talentos plantados

A multidão faz fila

É como a semente que em frutos são transformados

pra tocar o caixão.

E jamais pode deixar de ser lembrado.

Paraíso X Inferno Cristiano Melo

Ingenua ou romanticamente fantasiado,

Não há quem responsabilizar empreitadas

Talvez seja alienante...

O turismo pode servir para colher frutos

Aventuras da comunicação turística alegre

Alienado cuidar do seu castelo de vidro.

Podres e suculentos,

Que lhe leva ao inferno dantesco

Apetitosos e mofados!

E a uma morte iminente

E nele permanecer até a próxima rachadura Da pedra advinda de querubins errantes

Paraíso na terra, quem não já procurou?

Talvez sim, a falta de informação,

Psicóticos, drogados e assassinos

Sair de sua aldeia, castelo de cristal

Onde se vende a imagem de paraíso

Que buscam o seu interior, seu exterior.

E se aventurar em brancas areias de praia

E se esconde os números de estupros

Dir-se-ia que não seria aventura alguma.

E assassinatos a turistas estrangeiros.

Fuja! Fique!

Informações manipuladas sobre a realidade

Não sei se sobrevivi ao meu inferno

Do dito paraíso, podem lhe levar ao inferno

Depois do paraíso!

Qual escolha for, sobreviva! Paraíso e Inferno existem aqui e agora

Não que exista propriamente os dois,

Carrego máculas na alma

Talvez uma metáfora diabólica e angelical,

E a impressão de que paraísos não existem

Mas da calma brisa pungente

E que o inferno é quase real.

Faça suas escolhas com sabedoria!

Podes acordar falecido com a boca cheia de

Ambos externos e internos.

Ou da própria sorte

areia.]

No mundo real.

Dentes extraídos como o mais puro marfim Da boca alegre que sorria!


Revista Cultural Novitas - 5

Dos sofismas e comportamentos neuropsicóticos Lú Cavichioli

Eu perguntei uma vez: "estamos no caminho certo"? Olhei dos lados, conglomerados de intrínsecas defesas pendiam sobre a mesa. Carrancuda expressão! Eu logo quis sair correndo- pra onde? Só havia grades!? As marcas de sangue em meu braço demonstravam que tinha ficado dias na solitária tentando espernear ou morrer, quem sabe? Todos os raciocínios davam encontrões nas artimanhas feitas de tijolos... “macios” aqueles tijolos. Eu gargalhava. De súbito punha-me de cócoras aninhando-me da escuridão dos anos. Casa dos horrores malditos! Apenas um som gutural, sem muito volume em patéticas palavras entravam de fininho pela fechadura. Eu apenas soluçava. Já nos últimos dias um cadeado subjugava minhas palavras , enquanto membros e sentimentos embotados numa argamassa involuntária de sôfregos suspiros, jaziam num metabólico estupor glacial. Fatias de neurônios boiavam num coquetel psicotrópico na visão esquálida e suprema da revolta incontida. Eu tecia devagarinho minha viagem intra/utópica/uterina, na louca tentativa de expiar meus pecados tornando-me um ser neo-celular. Possível passagem/trecho de um esquizofrênico.

Revista Cultural Novitas Nº 1  

revista de variedades culturais

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