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© Editora Lexia Ltda, 2010. São Paulo, SP CNPJ 11.605.752/0001-00 www.editoralexia.com Editores-responsáveis Fabio Aguiar Alexandra Aguiar Projeto gráfico Fabio Aguiar Revisão Bianca Briones Diagramação Equipe Lexia

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP B862i

Brito, Alisson Camilo Inquérito - 432 / Alisson Camilo Brito. -- São Paulo: Lexia, 2010. 348 p. ISBN:978-85-63557-19-3 1. Tráfico pessoa. 2. Exploração sexual. I. Título

CDD - 306.74

Ao adquirir um livro você está remunerando o trabalho de escritores, diagramadores, ilustradores, revisores, livreiros e mais uma série de profissionais responsáveis por transformar boas ideias em realidade e trazê-las até você. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro poderá ser copiada ou reproduzida por qualquer meio impresso, eletrônico ou que venha a ser criado, sem o prévio e expresso consentimento do autor. Impresso no Brasil. Printed in Brazil.

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Apresentação

Tráfico de pessoas significa o recrutamento, transporte, transferência, abrigo e guarda de pessoas por meio de ameaças, uso da força ou outras formas de coerção, abdução, fraude, enganação ou abuso de poder e vulnerabilidade, com pagamento ou recebimento de benefícios que facilitem o consentimento de uma pessoa que tenha controle sobre outra, com propósitos de exploração. Isso inclui, no mínimo, a exploração da prostituição de terceiros ou outras formas de exploração sexual, trabalho ou serviços forçados, escravidão ou práticas similares à escravidão, servidão ou remoção de órgãos. As brasileiras estão entre as principais vítimas do tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual, revelam pesquisas do Ministério da Justiça e do Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crimes (UNODC). Elas têm, em média, entre quinze e vinte e sete anos e são aliciadas por taxistas, donos de boates e agências de modelo. Acabam mantidas em cativeiro e são obrigadas a pagar pelas passagens, alimentação e moradia. Endividadas e sem passaporte, poucas conseguem fugir e procurar auxílio. A atividade ilícita prospera no Brasil devido à desigualdade social e econômica, característica dos países em desenvolvimento. As vítimas são, em sua maioria, de origem humilde sendo de Goiás, Paraná e Minas Gerais, respectivamente. É uma atividade muito rentável. O tráfico internacional de pessoas é tão sofisticado e complexo quanto o tráfico de drogas e armas,

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a corrupção e a lavagem de dinheiro. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é uma das atividades mais rentáveis do crime organizado, com uma movimentação financeira estimada em US$ 9 bilhões por ano. http://www.jornalpequeno.com.br/2006/6/18/Pagina36550.htm

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Dedicatória

Primeiramente a Deus, que me deu o grande dom da escrita. A toda a corporação da Polícia Civil de Minas Gerais A minha mãe Nena, que sempre esteve ao meu lado, em todos os momentos da minha vida. Ao meu irmão, a minha tia Adriana, eterna guerreira da família. Dedico também aos meus eternos amigos, Eder Rodrigo, o grande camaleão a minha amiga Kika e Carla Costa. Aos meus amigos de trabalho o farmacêutico Roniston Andrade, um dos maiores profissionais com quem já trabalhei, a minha amiga Maria Karla Pereira e a extrovertida Márcia Marques.

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Sumário

Capítulo 1 – Vítimas ........................................................................... 11 Capítulo 2 – Carolina Medeiros ....................................................... 15 Capítulo 3 – A nova Delegada .......................................................... 21 Capítulo 4 – Isabela ........................................................................... 27 Capítulo 5 – O Primeiro Caso ........................................................... 31 Capítulo 6 – Um Novo Desaparecimento ......................................... 37 Capítulo 7 – O Início das Investigações ............................................. 41 Capítulo 8 – O Cativeiro ..................................................................... 47 Capítulo 9 – A Rua da Escola ............................................................ 51 Capítulo 10 – A Segunda Investigação ............................................... 55 Capítulo 11 – Uma Companhia .......................................................... 59 Capítulo 12 – O Anúncio do Jornal ..................................................... 63 Capítulo 13 – Uma Grande Amizade ................................................... 67 Capítulo 14 – Novas Pistas ................................................................. 73 Capítulo 15 – O Doloroso Castigo ........................................................ 81 Capítulo 16 – Seguem as Investigações ................................................ 85 Capítulo 17 – Um Agente Duplo .......................................................... 93 Capítulo 18 – Noite de pesadelo ........................................................... 97 Capítulo 19 – A Internet .................................................................... 103 Capítulo 20 – A Grande Pista ............................................................. 107

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Capítulo 21 – A Falsa Clínica ........................................................ 111 Capítulo 22 – Mudança nos Planos ................................................ 125 Capítulo 23 – Queima de Arquivo .................................................. 129 Capítulo 24 – Organização Ameaçada ........................................... 143 Capítulo 25 – Mais um pesadelo .................................................... 147 Capítulo 26 – Novos Indícios .......................................................... 157 Capítulo 27 – Um falso Inquérito ................................................... 169 Capítulo 28 – O Site ........................................................................ 177 Capítulo 29 – Alvos da Internet ...................................................... 185 Capítulo 30 – A Ajuda de um Criminoso ....................................... 191 Capítulo 31 – Um Suspeito ............................................................... 197 Capítulo 32 – Tentativa de Fuga ...................................................... 209 Capítulo 33 – Uma Esperanças nas Investigações ........................... 223 Capítulo 34 – Revelação ................................................................... 229 Capítulo 35 – Presas Fáceis ............................................................. 237 Capítulo 36 – Acesso ao Site ............................................................ 243 Capítulo 37 – Com os dias Contados ............................................... 247 Capítulo 38 – Somente Nove Dias ................................................... 253 Capítulo 39 – Incentivo .................................................................... 259 Capítulo 40 – Sem Esperanças ........................................................ 267 Capítulo 41 – A Descoberta do Local .............................................. 275 Capítulo 42 – A Autorização do Supremo Tribunal ........................ 287 Capítulo 43 – Os Preparativos da Operação ....................................295 Capítulo 44 – Mudança na Agenda ................................................ 301 Capítulo 45 – Preparativo para a Operação ................................... 307 Capítulo 46 – Operação Inquérito 432 ............................................ 311 Capítulo 47 – O Reencontro ............................................................. 335 Capítulo 48 – Marcas Eternas .......................................................... 337 Capítulo 49 – A Outra Lei ............................................................... 341

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ESSA É UMA OBRA DE FICÇÃO EMBORA SEJA UM TIPO DE CRIME REAL. QUALQUER SEMELHANÇA COM FATOS, NOMES, PESSOAS, LUGARES E EMPRESAS É MERA COINCIDÊNCIA

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Capítulo 1 Vítimas O negócio da exploração sexual de mulheres e meninas cresce no mundo de maneira incontrolável. Depois do comércio de drogas e de armas, é a atividade mais rentável do crime organizado. O turismo sexual, a prostituição infantil e a pornografia, são as linhas principais desta lucrativa “indústria” presente em todos os cantos do planeta.1

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ão Paulo – SP

Era uma noite fria na cidade de São Paulo. Uma linda jovem chamada Sara caminhava em uma avenida pouco movimentada na volta do trabalho. No seu semblante, a expressão do cansaço do dia a dia. Em passos morosos, quando passava em frente a uma construção abandonada, escutou um som similar a um choro de um bebê. Ela pára imediatamente, para ter a certeza de que realmente ouviu aquele som. Ouvindo novamente, ela então resolve entrar nessa construção a fim de salvar aquela suposta criança. Caminhava um pouco receosa por um caminho escuro, cercado de tijolos. À medida que andava o choro era ainda mais constante. Quando chega aos fundos dessa construção, 1

Fonte: “Tráfico e exploração sexual de mulheres e meninas no Brasil”, ensaio de Helena Pires e Tamara Amoroso Gonçalves, em: ultimainstancia.com.br

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vê próximo a um entulho, um cesto. Ela então se apressa, pois imaginava que a criança chorava de frio ou de fome. Chegando ao cesto e desembrulhando o suposto bebê, Sara tem uma grande surpresa. Era uma boneca enrolada em uma manta e debaixo dela um gravador com um choro. Ela percebe que caiu em uma emboscada e quando se vira já para deixar o local, leva uma forte pancada na cabeça desmaiando imediatamente.

Guarulhos – SP

Bianca aguardava ansiosamente pelo seu ônibus. Queria logo chegar em casa após um dia inteiro de trabalho e faculdade. Naquela noite enluarada, estava sozinha num local de pouca movimentação de pessoas e veículos. De repente, um carro branco para diante dela e a porta traseira do veículo é aberta. Lá dentro estava um homem branquelo, uniformizado com a farda da policia militar de São Paulo. Esse suposto policial a aborda: – Boa noite! – Boa noite. – respondeu ela sem dar muita atenção. – Acabamos de prender um menor infrator na avenida próxima e precisamos de uma pessoa para testemunhar em nosso favor. Gostaríamos que fosse você. A bela jovem ainda sem dar muita atenção responde: – Olha, senhor policial, estou muito cansada, trabalhei hoje o dia inteiro, estou voltando da faculdade. Não me leve a mal, mas procure outra pessoa, por favor. Eu não sei de nada, eu não vi nada. – Infelizmente, vou ter que te levar para testemunhar. Não conseguimos encontrar outra pessoa. Se negar poderá ter problemas. – intimidou o policial branquelo. A jovem percebendo que não tinha outra saída suspira fundo e pergunta inquieta: – Esse testemunho vai demorar muito? – Claro que não! Prometo a você que é coisa rápida. Só quero que preste o testemunho ao delegado, dizendo que nós abordamos esse infrator, sem agressões ou má conduta. Vendo que não tinha como negar Bianca, dá outro suspiro e diz: 12

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– Ok, mas primeiro vou telefonar para minha mãe. – Ok, pode ligar até do meu celular se quiser. – ofereceu-se o suposto policial. Bianca finalmente entra no carro. No momento em que ligaria para a sua mãe de seu celular, o policial a segura pelo pescoço e tampa a sua boca. Desespero total da moça. Um homem negro que estava na direção do veículo aplica no braço dela uma injeção. A jovem desmaia imediatamente.

São Paulo – SP

Andando apressadamente pelas ruas do centro de São Paulo, uma jovem morena chamada Beatriz é abordada de repente por um homem com uma máquina fotográfica na mão. – Olá, menina linda. Trabalho em uma agência de modelos. Sou um caça talentos. Gostaria de se cadastrar? Beatriz de início não dá atenção a esse rapaz e continua a caminhar. – Vamos lá. Pode ganhar muito dinheiro com essa a sua beleza, desfilar em outros países e ter uma carreira de sucesso. – insistia o rapaz caminhando atrás dela. Ao citar essas ofertas, a moça para e dá atenção a esse homem. – Onde é essa agência de modelo? – perguntou ela. – Aqui está o endereço. Pode ir a hora que você quiser. A mulher aceita o cartão e o rapaz ainda tira várias fotos dela. – Ok, eu te ligo. – disse a moça. – Estarei te esperando ansiosamente. – respondeu o rapaz com um largo sorriso de satisfação.

Belo Horizonte – MG

Larissa de apenas sete anos estava na internet num site de bate papo de adultos. Estava em seu quarto e já era tarde da noite. Seus olhos estavam vidrados na tela do computador com o conteúdo da conversa. Jamais ela imaginaria o tipo de pessoa com quem dialogava. A conversa era a seguinte: 02: 41 AM Phavanello diz: Ainda não me disse o seu endereço, Larissa? 13

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02: 41 AM Larissa Fofa diz: Moro na Avenida dos Santos, n° 456, no Bairro das Rosas. 02: 41 AM Phavanello diz : Que bom que me disse! Não vejo a hora de te ver pessoalmente.

Belo Horizonte – MG

De dentro de um carro cinza, o homem branquelo, agora com a farda da Polícia Militar de Minas Gerais, tirava várias fotos de uma linda garotinha que voltava da escola. A cada passo dela uma foto era tirada. Essa criança se chama Carolina Medeiros, uma das protagonistas dessa história.

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Capítulo 2 Carolina Medeiros Perigo no caminho da escola Uma preocupação a mais para os pais e os educadores: atualmente, de cada quatro vítimas de sequestro uma é estudante2

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elo Horizonte– MG

Levantar às 6h da manhã para ir à escola era a rotina diária da linda e pequena Carolina Medeiros de apenas oito anos de idade. Menina meiga de olhar angelical, possuía uma beleza invejável, com o seu lindo cabelo negro, que contrastava com sua pele branca. Aparentava ter menos que oito anos, devido a sua baixa estatura, mas era muito inteligente e extrovertida. Carolina vivia somente com a sua mãe, pois o pai falecera de câncer há quatro anos. Levava uma vida bastante simples, numa casa muito pobre só no reboco. Eram muitas as dificuldades financeiras, mas a sua mãe, Laura, sempre se esforçava para dar tudo aquilo que a filha necessitava. Naquela manhã ensolarada, Carolina acordou com o som de seu despertador em forma de um sapo. Toda descabelada e com a cara amassada de sono, desceu da cama, calçou o chinelinho e já foi direto para o banho ainda se espreguiçando. Num banho rápido, senão se atrasaria para a aula, ela logo chega à cozinha onde Laura preparava o seu café da manhã, um simples 2

Fonte: Débora Jabour REVISTA EDUCAÇÃO – EDIÇÃO 95

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pão com manteiga assado na frigideira com um achocolatado. Agora bem mais disposta ela recebe os cumprimentos de sua bondosa mãe: – Bom dia, minha princesa! Dormiu bem? – Bom dia, mamãe! Dormi sim. Igual uma pedra. Deitei tarde ontem. Fiquei assistindo a um filme muito legal na TV. – disse Carolina começando a comer o pão servido pela mãe. – Você ainda é muito nova para ficar vendo TV até tarde. Quando for assim me avise para eu ficar com você. – A senhora não se lembra? Eu estava ao seu lado na cama quando você pegou no sono e me deixou sozinha. Aí desliguei a televisão do seu quarto e fui para sala para não te incomodar. – Ah, é mesmo. É só eu deitar na cama que o sono já me pega. – disse a mãe servindo o achocolatado à mesa. – Verdade verdadeira. A mãe assentando-se ao lado da filha diz: – Até agora você ainda não me mostrou suas notas escolares. Carolina engole o pedaço de pão toma o achocolatado e responde: – Eu me esqueci. Mas já posso lhe adiantar. Tirei nota máxima em geografia e oito em história. Mas em compensação, matemática, eu estou tendo dificuldades. – Sério? Por que, minha linda? As matérias estão difíceis? – Matemática nunca foi o meu forte, a senhora sabe disso. Mas calma, nada que eu, a Carolina, não consiga. – Eu sei que você capaz, minha princesinha. Tenho muito orgulho de você. – Obrigada. – respondeu ela com toda a sua meiguice. Se eu perceber que não estou me saindo bem, entro em uma aula de reforço. – Claro. – apoiou a mãe. -É só me falar que eu faço um esforço para pagar. Mas agora ande logo, pois senão irá chegar atrasada à escola. Carolina termina de comer o pão, bebe de uma só vez o achocolatado e se despede da mãe. – Ok. Até mais. – Até mais, querida. 16

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A menina se despede da mãe com um beijo no rosto, coloca a mochilinha nas costas e deixa a cozinha. Antes da filha deixar a casa pela porta da sala, Laura, de repente, põe a mão no peito e tem um estranho pressentimento. Ela imediatamente chama pela menina num tom alto: – Carolina. Carolina para de caminhar imediatamente e pergunta da sala: – O que foi, mamãe? Laura chega até a sala olhando de uma maneira estranha para a filha, ainda com a mão no peito. A menina vendo a mãe com aquele olhar diferente pergunta: – Algum problema, mamãe? Laura demora alguns segundos para responder. Olhava para a filha de uma forma preocupada. Ela então finalmente responde: – Não é nada, meu anjo. É que tive um estranho pressentimento. Acho melhor eu ir hoje com você até à escola. – Não precisa, mamãe. Sempre encontro com minhas colegas no caminho. Não há perigo. Laura abraça a filha com muito aperto e lhe dá um beijo no rosto. – Ok, acho que foi só uma cisma minha. Vai com Deus. – Amém, mamãe. – responde a filha com o seu lindo sorriso singelo. Laura olhou para baixo ainda preocupada. O pressentimento que ela sentiu foi algo inédito em sua vida. A escola de Carolina não ficava longe de sua casa. Logo no caminho, como ela disse a mãe, encontrava-se com suas coleguinhas e, juntas, brincavam e conversam até a escola. Mas nesse dia, Carolina era vista por outro tipo de pessoas. Poucos metros dali, um carro cinza com os vidros escuros a seguia sem que ela percebesse. Dentro desse carro dois homens. Um negro alto e forte que dirigia o veículo e o no banco de trás outro homem com uma tonalidade de pele alva, usando a farda da polícia militar de Minas Gerais. Eram os mesmos homens que raptaram Bianca no capítulo 1. Esse suposto policial tirava uma série de fotos de Carolina à medida que ela caminhava. 17

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O negro comenta com o colega branquelo: – Phavanello já está me enchendo o saco querendo essa menina. Temos que pegá-la hoje sem falta! – Na saída da escola, vamos torcer para que ela esteja sozinha nesse quarteirão, aí nos a pegamos. Acho que de hoje não passa. – disse o branquelo fardado. Na aula, a tia Sandra, como era chamada pelos alunos, ensinava o nome de alguns países para os alunos e as características de cada um deles, através de um grande mapa-múndi pendurado no quadro. – A Europa possui quarenta e seis países. É o continente mais velho do mundo. Alguns desses países vocês já ouviram falar muito. Alguém pode me dizer alguns nomes? – França! – disse uma aluna – Alemanha! – disse um aluno. – Holanda! – disse a adorável Carolina na primeira cadeira da primeira fila. – Portugal! – disse um aluno chamado Rafael. – Itália! – disse outra aluna chamada Úrsula. – Isso mesmo, crianças. To vendo que vocês conhecem muitos países. Parabéns! – elogiou a jovem professora. Carolina muito esperta responde: – É por causa da copa do mundo, professora. Aí fica fácil. A professora expressa um largo sorriso e comenta: – Viu como o esporte também é cultura na vida da gente? Futebol faz bem, desde que não seja levado para o lado da violência. Uma aluna chamada Thais, pergunta a professora: – Tia Sandra, que números são aqueles do lado do mapa? A menina Thais se referia à tabela de horas de fuso horário entre os países. – Ah tá. Esses números são os fusos horários entre os países, ou seja, a hora aqui no Brasil é diferente da hora em outros países. Por exemplo, se agora aqui são oito horas da manhã, nos Estados Unidos agora deve ser uma hora da tarde, na Alemanha duas horas da tarde, no Japão umas sete horas da noite e por aí vai, entendeu? 18

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– Sim! – respondeu a aluna. Carolina nunca deixando suas dúvidas para traz pergunta: – E aqueles outros números, tia Sandra? O que são? Carolina se referia agora em relação ao código de área telefônico de alguns países. – Esses números, Carol, são os códigos de área telefônicos dos países. Ou seja, cada país tem um código de telefone correspondente para você discar para lá. Vou te dar um exemplo. Digame um país qualquer. – Estados Unidos. – disse Carolina. – Estados Unidos. Pois então. Vamos supor que você tem um parente nos Estados Unidos e quer ligar para ele. Você vem aqui nessa tabela, vê qual o código dos Estados Unidos que é o número um, disca esse número, mais o código de área onde seu parente está e por último o número telefônico, entendeu? – Sim. Mas e se eu estiver lá e quiser ligar para o Brasil? Como faço? – Fácil, Carol. Qual é o código do Brasil aqui nessa tabela? – Cinquenta e cinco. – Isso mesmo, cinquenta e cinco. Então se você estiver nos Estados Unidos e quiser ligar para cá, vamos supor para falar com a sua mãe, você disca cinquenta e cinco, mais o código de área de Minas Gerais que é trinta e um, mais o número de sua casa, entendeu? – Entendi, tia Sandra, obrigada. – agradeceu a menina com sorriso contagiante. No fim da aula, após se despedir de algumas amiguinhas no portão da escola, Carolina caminha de volta para casa. Outras crianças acompanhadas dos pais faziam companhia para ela até certo ponto do percurso e o restante, já próximo de sua casa, Carolina às vezes seguia sozinha. No carro o homem negro diz ao outro comparsa: – Ela está sozinha hoje. É agora.Vamos! O carro se aproxima vagarosamente de Carolina e o suposto policial militar abre a porta traseira e a cumprimenta: – Oi, menininha. Tudo bem? 19

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Carolina olha para policial, mas nada responde apressando o seu passo. O carro lentamente anda atrás dela e o policial num tom autoritário ordena: – Menininha, eu estou falando com você! Olhe para mim! – Eu não falo com estranhos. – disse ela olhando para trás rapidamente. -Eu não sou estranho. Sou um policial. Preciso lhe dizer algo importante. É a respeito de sua mãe. – Minha mãe! – disse ela assustada parando imediatamente e virando-se para o suposto policial. – Sim. Recebemos um comunicado da nossa central que sua mãe passou mal em casa e... e... ela não está bem. – Mas... onde... onde ela está? – perguntou Carolina trêmula. – Está no hospital. Venha conosco.– pediu delicadamente o suposto policial Inocentemente a pequena Carolina entra no carro e ao se sentar no banco traseiro o suposto policial diz: – Vamos lá, não vai doer nada. – Doer, como assim? – perguntou ela intrigada. Como fizeram com Bianca, o suposto policial segura a menina com os braços e o negro aplica na coxa dela uma injeção. Em questão de segundos, Carolina adormece.

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Inquerito 432  

Carolina Medeiros de apenas 8 anos é raptada por criminosos quando voltava da escola. Daniela Soares, delegada recém-chegada à Divisão de Re...

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