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Portanto, as absurdas e distorcidas declarações difun­ didas por dirigentes petistas e líderes das centrais sindicais sobre um julgamento político representam uma clara afronta à justiça e pretensa cortina de fumaça. Elas tentam desvirtuar e desconsiderar a magnitude do julgamento na nossa mais alta Corte de Justiça do País, cujos membros honram e dignificam a magistratura brasileira, e cujas posturas cívicas morais e jurídicas constituem o arcabouço que garante e mantém a plenitude do estado democrático de direito que vivenciamos. Os constantes despautérios que vêm sendo proferidos pelos desarrazoados defensores dos indiciados no processo do Mensalão merecem repúdio e aversão. Não pelo exercício da mais ampla defesa que têm direito fazê-la, mas pelos absurdos termos utilizados e pela inconveniência como o fazem, justificando a opinião dada pelo ministro Marco Aurélio, que atribuiu as reclamações e pronunciamentos feitos pelos inconformados companheiros com a expressão do “júris esperneandis”, apropriada e muito em voga nos meios da justiça. O estado republicano vivenciado hoje no Brasil não comporta os acintes e desrespeito atirados contra o Poder Judiciário, especialmente contra o Supremo Tribunal Federal, por parte de quem perdeu o respeito, a moral e a dignidade conspurcando o Poder Público e que continuam fazendo ao ameaçar ou tentar interferir ou bloquear a atuação da Justiça. Assim, a interferência na vontade e independência de um dos Poderes da República foi exatamente o que fizeram os participantes das tramoias denunciadas e praticadas

às escâncaras com o dinheiro distribuído às mãos cheias aos membros do Congresso Nacional (Poder Legislativo) para a execução da urdidura criminosa e corrupta de aliciamento de deputados e formação de uma maioria parlamentar constituída de verdadeira quadrilha, com o sentido de garantir e continuar comandando a nação sem os mecanismos de controle, pesos e contrapesos, que são a pedra fundamental no relacionamento entre os 3 Poderes fundamentais da República. É a revolta com o que ainda acontece desgraçadamente em certos setores da vida pública brasileira que inspira este editorial, mas vale a ressalva de que muitos destes malfeitos chegam até a primeira mandatária do país, Dilma Rousseff, que felizmente tem mandado corrigi-los, acende nossos sentimentos cívicos ao ver o chefe do Poder Executivo agir de maneira exemplar. Certamente, o mesmo sentimento cívico de indignação com os mal-feitos à Coisa Pública provocou a reação do presidente Getúlio Vargas depois de ter sido apeado da chefia do governo em 1945, com a contundente frase que encima o presente editorial, quando tomou conhecimento em meados de 1946 de que o governo do presidente General Eurico Dutra havia desbaratado todas as economias de guerra, com a desapropriação, por motivos escusos, das Estradas de Ferro Leopoldina e São Paulo Railway. As ferrovias estavam prestes a serem devolvidas ao governo por término das concessões, e inclusive, a compra de quinquilharias de plásticos e outras mercadorias inúteis, liquidando os milhões de dólares acumulados com as exportações feitas durante o conflito com a Alemanha, Itália e Japão. É indubitável que, ao examinar a intervenção criminosa na independência do Poder Legislativo, a suprema corte deverá atuar com toda acuidade de seus membros em defesa do Estado de Direito, seja na defesa dos interesses coletivos, seja dos direitos individuais dos cidadãos envolvidos. É inevitável que qualquer que seja o resultado, seja pela condenação ou pela absolvição dos indiciados, a decisão será absoluta, irretorquível, imutável e irrevogável porque será resultado do exercício do papel político que constitucionalmente é de competência do Poder Judiciário. A HISTÓRIA DARÁ O VEREDICTO FINAL SOBRE A DECISÃO DA SUPREMA CORTE!

Orpheu Santos Salles Editor

2012 Agosto | Justiça & Cidadania 9

Revista Justiça & Cidadania  

Edição 144 - Agosto 2012

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