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meus familiares, e isto é como a ternura de muitas mãos. Cercado, assim, de presenças tão benignas, só posso sentir-me no centro da felicidade. Recebo-vos, a todos, com muita honra, pois testemunhais com vosso apreço um momento expressivo da dignidade humana, que em mim é realçada pela própria dignidade do Pretório. Meditei sobre o que deva ser a essência constitutiva de um discurso em uma solenidade como esta. Qual o traço comum que identifica os pronunciamentos em horas assim tão significativas? Qual o âmago em torno do qual girarão as primeiras palavras de uma Presidência da Justiça? Será um olhar retrospectivo para a vida? Será a lembrança de dificuldades superadas? Será uma declaração de princípios e de norteamentos administrativos? Será um abraço de gratidão geral? Sim! Pode ser tudo isto, desde que seja dito como imperativo categórico da verdade. É a verdade o fulcro e a fonte de toda assertiva que se quer ouvida, de toda tribuna que se quer amada. Comecei e hei de terminar pela verdade: verdade de mim, de minha jornada, do que me proponho, verdade que construirei com todos os que têm o Tribunal como referência, trabalho e inspiração. Um píncaro como este – do mais alto grau do Judiciário amazonense – justifica e exalta o inelutável sacrifício de uma vida inteira, e isso impõe ao menos

uma referência às minhas raízes; um reencontro com o berço. Então, da minha verdade existencial vos direi primeiro que nasci no interior do Estado, na minha bem-amada Benjamin Constant, que, no meu coração, é irmã siamesa de Manaus, simbolizando, ambas, o redobrado amor que tenho pelo Amazonas e pelo Brasil. Por que estas reminiscências sobre a minha origem? Porque, quem sabe, eu tenha herdado um pouco dos estirões ribeirinhos, o arguto olhar sobre as realidades circundantes e a resistência nas adversidades. Talvez venha da minha infância a determinação das quilhas vencedoras das tormentas. Quem sabe eu tenha começado a me entusiasmar pelos postulados republicanos a partir da biografia do líder histórico que dá nome à minha cidade. Logo me transponho para Manaus e encontro-me na Faculdade de Direito da Universidade do Amazonas, a querida jaqueira da Praça dos Remédios, onde embalamos os nossos mais profundos ideais. E, ali, fascinado pelas tertúlias do Direito, comecei a preparar a mente, coração e alma para fazer das leis a presença inarredável do meu destino. Fiz-me então Juiz de Direito. Abracei a missão da toga e o sacerdócio da Justiça. Longos tempos aqueles; longos tempos estes; longos tempos os que estão por

2012 Agosto | Justiça & Cidadania 53

Revista Justiça & Cidadania  

Edição 144 - Agosto 2012

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