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Análise e Interpretação Dos Desenhos Analisar um desenho não é o mesmo que interpretá-lo, pois e xiste u ma d iferença r eal e c oncreta e ntre a mbos o s conceitos. A análise responde a um enfoque técnico e racional e se fundamenta em bases solidamente comprovadas. É o m esmo delineamento qu e encontramos em psicologia e em psiquiatria. Em algumas especialidades de puericultura já se ensina este tipo de análise aos futuros educadores. A interpretação dos desenhos das crianças é o resultado ou a síntese da análise. Tanto a análise como a interpretação têm muitos pontos em comum com a grafologia, tais como a informação transmitida pela orientação espacial do diálogo, pelas suas dimensões, pela pressão do lápis, etc. Para as pessoas que já possuem algum conhecimento sobre análise da escrita, é muito mais fácil abordar a análise dos desenhos. Se não for o seu caso, não se preocupe, pois a i nformação c ontida n este l ivro i rá aj udar v ocê a descobrir os princípios básicos desta análise. 7

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Como Interpretar os Desenhos das Crianças

Como se desenvolve o desenho da criança Na p rimeira i nfância, o u s eja, entre o s d ezoito e o s vinte e quatro meses, a criança experimenta muito mais do que expressa. No i nício, o fato de sustentar um l ápis n a mão já é todo uma proeza. À medida que vai crescendo, o desenho transforma-se num jogo. Paulatinamente, seus traços orientam-se e vão tomando f orma. A criança começa a controlar esse meio e, em seguida poderá expressar-se através dele. Algumas c rianças c ontrolam p erfeitamente o l ápis desde os três anos, enquanto para outras, (e inclusive para determinados adultos) o fato de manejar um lápis de desenho é um verdadeiro suplício. O desenho representa, em parte, a m ente consciente, mas também, e de uma maneira mais importante, faz referência ao inconsciente. Não devemos esquecer-nos de que o que nos i nteressa é o simbolismo e as mensagens que o desenho transmite-nos, não sua perfeição estética. Sem perceber, a criança transporta seu estado anímico ao papel. Não é conveniente obrigá-la a desenhar se ela não sente a n ecessidade de fazê-lo. Deve d esenhar p or p razer, nunca por obrigação. É recomendável deixar que sua imaginação manifestese com toda liberdade. Em algumas crianças, seu desejo de expressão canaliza-se através de outros meios como a música, a dança, o canto e os esportes. Cada qual encontrará o que mais lhe convier.

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As dimensões do desenho Quanto maior for o desenho, mais visível tornar-se-á. Como qualquer outro traço, o tamanho do desenho pode ter uma interpretação favorável ou desfavorável. A criança que constantemente desenha formas grandes está demonstrando u ma certa segurança. É como se p ensasse: “ Vivo e e xisto.” D este m odo a firma-se o cupando “seu” lugar. Pode também se tratar de um desenho de compensação: a criança que acredita que não lhe prestam a atenção devida pode encher sua folha com traços grandes. A mensagem neste caso seria: “Olhe, eu também existo!” O que nos deve inclinar a uma ou outra destas interpretações são as cores utilizadas. Se forem cores fortes como o vermelho, o l aranja e o a marelo, p odemos estar d iante de uma criança exigente, que procura chamar a atenção. E talvez nunca tenha o bastante. Nunca se poderá satisfazer seu ego. Pelo contrário, se suas cores forem suaves, em tons azuis ou verdes, nós nos encontramos diante de uma criança com um comportamento social adequado. Um desenho muito pequeno não incomoda ninguém. Em algumas crianças observa-se uma espécie de pronta retirada diante dos demais, uma necessidade menor de se afirmarem. São crianças que se conformam com pouco espaço.

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O simbolismo das formas A c riança, p orém, n ão s ó d esenha l inhas v erticais, horizontais e oblíquas, mas também seus desenhos incluem formas como o círculo, o quadrado e o triângulo. A interpretação das formas é algo universal, para o que existem pontos comuns entre os diferentes enfoques: psicológicos, filosóficos e religiosos. Ao desenhar u ma curva, a criança traça um movimento aéreo: é como um vôo, como uma cambalhota, é al go que denota al egria. Pode tratar-se simplesmente de um movimento de rotação, um traço que gira e gira, retornando sempre ao ponto de partida Como qualquer outro símbolo, o círculo pode ter uma interpretação positiva ou negativa. O contexto e a evolução do desenho serão seus determinantes. Um movimento ágil, com certa força e energia em seu traço, revela o a specto positivo. É como se depois de ter vivido uma determinada experiência, alguém tivesse saído com mais fortaleza e valor, de tal forma que, se esse feito tornasse a ocorrer, já o veríamos de outra maneira. É algo assim como o ciclo das estações, que se renova a no a pós a no e , c ontudo, é d iferente c ada v ez. U m desenho com abundantes formas redondas dá-nos a entender q ue a criança p refere o cupar-se d e coisas a s q uais j á viu e conhece. Agrada-lhe fazer as mesmas coisas, porém, abordandoas em cada caso de um modo diferente.

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A diversidade de temas Os t emas q ue al gumas c rianças ab ordam n os s eus desenhos são muito variados e pode tornar-se difícil achar o fio condutor que nos permita realizar uma boa análise. De qualquer modo, se não conseguirmos estabelecer uma certa relação entre os temas, podemos analisar com mais profundidade a influência das cores, a orientação espacial, o tamanho do desenho, a pressão nos traços, etc. Na maioria dos casos, a criança que realizar desenhos com temas diferentes uns dos outros é facilmente influenciável p elo am biente e p elas p essoas. Transporta p ara o papel seus estados anímicos, quer dizer, seus sentimentos de alegria, de pena, de medo, etc. Este tipo de criança costuma ser de h umor i nstável. Se não lhe agradar seu professor, não tirará boas notas. Se não lhe agradar sua nova casa, estará constantemente doente. Não é que seja um inadaptado social ou afetivo, mas é que é mais sensível, e esta sensibilidade faz parte do seu temperamento.

Os principais esquecimentos Em c ertos m omentos, a criança pode e squecer-se d e traços importantes, como os olhos de uma pessoa, a porta da sua casa. Quanto a n ós, os dois principais elementos de qu e não devemos esquecer nunca, ao realizar uma análise, são 27

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Alguns Exemplos de Análise e Interpretação

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Analisando os rabiscos da criança, poderemos comprovar se ela se encontra n uma f ase em que a ap rendizagem d irigida r esultará m ais fácil do que os jogos livres. Nestes rabiscos é importante observar a super posição dos traços. Quando a criança desenha deste modo, está mostrando-nos sua c apacidade d e c oncentração, apreciamos q ue seus g estos sejam m enos d ispersos e t ambém seus p ensamentos. Neste período será fácil para ela aprender, já que é mais receptiva e pode concentrar melhor sua atenção. Observamos t ambém q ue a c riança t em s ituado s eus traços no centro da folha, o que significa que vive o momento presente sem olhar para trás e sem se inquietar pelo futuro. A ê nfase p osta n a p ressão d emonstra v ivacidade e vontade. Esta criança está preparada para utilizar a enorme energia que guarda no seu i nterior.

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Estes rabiscos que enchem o espaço com movimentos a mplos e gestos r ápidos e d ecididos, revelam-nos a l iberdade q ue e sta m enina s e concede. Está experimentando o movimento. Por hora não vale a pena apresentar-lhe jogos que exijam concentração, porque não lhe parecerão interessantes. Pode-se ver que a pressão dos traços varia muito. Esta menina n ão é constante na afirmação d e si m esma. Em algumas coisas exige e em outras não está muito segura do que quer. É fácil notar sua vacilação. É importante que a criança pequena descubra os traços que produz o m ovimento da sua própria mão. A criança pode desfrutar muito com este novo jogo. É bom animála, mas ainda melhor é jamais a obrigar. Não devemos surpreender-nos se a criança, depois de fazer u ns poucos r iscos com o l ápis, d eixar d e d esenhar. As primeiras experiências costumam ser de curta duração. Não nos preocupemos, em seguida retornará, e a cada vez fará com mais força e segurança.

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