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Na cidade de Memphis , aos 35 anos do reinado de Neb-Maat-RáDjozer, senhor supremo do alto e do baixo Egito, eu, Imhotep, sacerdote e intendente de Ptah, o escondido, grão- vizir do Egito, conselheiro de Sua Majestade real, o faraó Djozer, arquiteto, médico, matemático, escultor, teólogo, jurista, astrônomo, astrólogo e mais, um iniciado nas ciências ocultas do Egito, resolvi escrever este livro, não para minha glória pessoal nem de ninguém, mas para ocupar o tempo de um velho e tentar deixar mais registros de acontecimentos e fatos. Sei que muitos registros serão destruídos e poucos poderão durar ao longo dos tempos. As gerações futuras, devido à própria ignorância, ganância e desprezo pelos antigos e devido à transmissão de falsos profetas e a índole terrena, irão distorcer a sabedoria divina, apregoando a prática de filosofias erradas, que sobrepujarão nossos conhecimentos porque serão considerados duvidosos e sem sentido, e assim tudo será destruído. Muito pouco de nossos estudos e conhecimentos servirão aos homens do futuro, pois terão ideias totalmente adversas das nossas e dos deuses, não mais ajoelharão e a Ele irão orar, mas só desesperadamente pedirão clemência por faltas cometidas nas vidas passadas e na presente. Somente lembrar-se-ão Dele e clamarão por clemência divina quando não mais houver tempo. Quando o fim de toda civilização, estiver próximo, retornarão, então, à religiosidade perdida e terão uma visão muito pequena de Seu poder, o quanto somos amados e como poderá nos ajudar. ISBN 978-85-8189-004-3

9 788581 890043


Índice

Introdução.................................................................................................... 9 Prefácio....................................................................................................... 13 Capítulo I – A Revelação.......................................................................... 15 Capítulo II – A Casa de Ptah................................................................... 35 Capítulo III – A Iniciação......................................................................... 53 Capítulo IV – A Luz.................................................................................. 87 Capítulo V – A Vida................................................................................ 109 Capítulo VI – A Primeira Missão.......................................................... 137 Capítulo VII – A Essência Humana...................................................... 171 Capítulo VIII – Recomeçar.................................................................... 221 Capítulo IX – Os Frutos.......................................................................... 277 Capítulo X – A Grande Colheita........................................................... 323 Posfácio..................................................................................................... 343 Notas do autor......................................................................................... 351 Notas Bibliográficas................................................................................. 355


Introdução

Imhotep veio para o planeta Terra nos primórdios da civilização, quando o mundo ainda estava sendo colonizado pelos futuros habitantes de Atlântida. Os que vieram antes dele não tinham a necessária tecnologia e conceitos para as grandes construções. Sua primeira missão foi transmitir e formar arquitetos para as obras colossais, pois trazia ainda no seu âmago, os conhecimentos filosóficos e éticos dos habitantes das estrelas longínquas, em que haviam tido vida produtiva e exemplar. Sabemos que nosso amigo adquiriu o direito de para lá retornar e transformar-se em luz pura po livre arbítrio, preferiu continuar encarnando no Egito, México na cultura asteca, continuou distribuindo os conhecimentos adquiridos através da cultura egípcia. Na Europa onde contribuiu para as grandes construções cristas entre os séculos IX e XVII. Mesmo estando na espiritualidade, influenciou grandes artistas e arquitetos, sempre procurando melhorar o ser humano encarnado. Na ultima encarnação, foi um dos maiores teólogo que se tem noticia, trabalhou arduamente para manter as palavras de Jesus, procurou mudar o destino da igreja no mundo e melhorar o ser humano, edificando a fé, esperança e amor. Na mais importante de suas encarnações, que ora narramos: “queira o Senhor Supremo transmitir para quem nos ler alguns conhecimentos dos quais fui autorizado a divulgar”, adquiriu mais sabedoria com a iniciação clerical egípcia, que trazia em si conhecimentos de outras civilizações estelares, acredita-se que, ainda naquela época, os sacerdotes egípcios recebiam informações diretamente das entidades espirituais a quem chamavam de deuses.


10 | Imhotep – Profecias do Antigo Egito Sempre será considerado pelos estudiosos como um mago e o maior gênio da antiguidade e de toda história da humanidade. Imhotep teve uma visão futurista do mundo, parte dos manuscritos que narram suas descobertas e experiências médicas, arquitetônicas e astrológicas, foi encontrada em 1940 pelo egiptólogo inglês dr. J.G. Wilkinson, Dr. Walter Emery e Dr. Karol Sliwieck, na base da pirâmide de Saqqara. Infelizmente os drs. Kaled Hassenein e Ahmed Sirrysh, também estudiosos das ciências ocultas egípcias, estudam os manuscritos, há muito tempo, mas como ainda não concluíram suas observações, maiores pesquisas ficarão restritas. Poucos privilegiados ocidentais tiveram acesso àqueles manuscritos, que traduziram uma personalidade justa e que apregoava a igualdade dos homens (a 2.730 anos antes da era cristã e 2100 anos antes de Siddharta Gauthama, o Buddha) e uma vida simples de orações e pensamentos elevados ao Senhor Supremo, que por circunstâncias da época chamavam de deuses. Apregoava inclusive a existência de um ser supremo e único, mas nunca o identificou como Deus (pelo menos na forma que o conhecemos). Aqueles manuscritos mostram que o homem já desde aquela época como espírito reencarnado, estava se desviando da centelha divina de que somos partes integrantes. Era um homem de elevada estatura, cabeça raspada, como era hábito e usado pelos iniciados no grande templo de Ptah em Memphis e Heliópolis. Grão-vizir do Egito, durante o reinado de Djozer, faraó que iniciou o maior período de progresso tecnológico e arquitetônico, como a utilização de carros de guerras e o ferro. O começo das grandes construções em pedra e os mais belos palácios cujas ruínas até os dias de hoje, 4.500 anos após, ainda impressionam os estudiosos. Foi matemático, historiador, médico, escriba, astrólogo e astrônomo e o maior arquiteto de todos os tempos, compilou o primeiro compêndio farmacológico e médico. Durante 3.000 anos as jóias, os móveis, os palácios e os templos por ele criados serviram de modelo aos demais joalheiro e arquitetos. Seus cálculos foram utilizados para a construção das pirâmides de Queóps, Quefren, Miquerinos e todas as demais.


Prefácio

Curvo-me, reverentemente, e agradeço a Imhotep, que certamente através de Gilberto Luiz Bacaro, honrou-me com o privilégio de ser uma das pessoas escolhidas para ler esta belíssima obra, antes de sua publicação. Trata-se de um documento histórico deliciosamente romanceado, revelando-me a vida no Egito, retratando todas as classes sociais em seus hábitos, seus dilemas e anseios, seus valores morais e éticos. Muitos ensinamentos são transmitidos para aqueles que estiverem prontos de mente e coração para percebê-los e recebê-los. É uma viagem no tempo, em que a riqueza de detalhes nos faz crer que estamos participando dos fatos; ou será que realmente nos transportamos para aquela dimensão e o “passado” transforma-se no “agora”? É incrível constatarmos que o mundo de hoje é o mesmo daquele tempo; é triste percebermos que o ser humano não evoluiu espiritualmente após tantos milênios de existência sobre a face da terra. Imhotep foi, é e será sempre a imagem da perfeição como homem, ou o arquétipo dos deuses. Mesmo não concordando com tudo o que ocorria à sua volta, não influenciou, não impôs, não tentou mudar aquilo que já estava determinado a ser. Soube manter-se integro, foi justo, caridoso, fiel e acima de tudo, coerente. Apesar de ocupar uma posição social e política que lhe permitia inúmeros “privilégios”, não se corrompeu. Imhotep permitiu-me através da leitura deste relato, recordar- me de muitos sinais e mensagem recebida em sonho, há muitos anos atrás,


14 | Imhotep – Profecias do Antigo Egito que agora fazem sentido. São nomes, lugares, pessoas e rituais, que se confirmaram serem reais e vividos de fato, conforme ia lendo esta obra. É como se eu tivesse vivido nesse tempo e espaço e participando de alguns eventos, assim como ocorreu com ele quando a Deusa se comunicava com Imhotep. Certamente senti extrema afinidade e identificação, com seu jeito de agir e pensar e teria sido ou foi de fato, uma honra ter vivido próximo a este ser magnânimo. Pelo menos enquanto lia esta obra estive lá, lado a lado com Imhotep e aprendi muito sobre a espiritualidade, a vida e a eternidade. Aos amigos leitores e companheiros de jornada, desejo que Ptah o escondido, os ilumine sempre e principalmente enquanto se deliciarem com a leitura, para que se realizem grandes transformações na vida de vocês. A Gilberto Luiz Bacaro, meu amigo e provável companheiro de muitas outras vidas, meus cumprimentos sinceros pela coragem, dedicação e responsabilidade para concretizar esta obra grandiosa: um momento de homenagem a um grande homem, que desde sua partida deste mundo até hoje, é venerado como um deus pelo povo egípcio. Tânia Virginia Canto Fonseca (Psicóloga Clínica) São Paulo, 2012.


Capítulo I

A Revelação

A todo ser encarnado é oferecida sua revelação, apenas a minoria a entende

Aquele de natureza mais nobre que qualquer outro deus, ante cuja beleza os outros deuses se regozijam. Aquele a quem se louva na Grande Casa, a quem se coroa na casa do fogo. Aquele cujo doce perfume os deuses tanto apreciam. Quando chegado do Punt, exuberantemente perfumado, quando chegado da terra do incenso e essências aromáticas. A face formosa, quando chegado da terra dos Deuses. Hino em homenagem a Rá.

Na cidade de Memphis (1), no 35º ano do reinado de Neb-MaatRá-Djozer, senhor supremo do alto e do baixo Egito; eu, Imhotep, sacerdote e intendente de Ptah o escondido, grão vizir do Egito, conselheiro e escriba chefe de Sua Majestade real o faraó Djozer, arquiteto, médico, matemático, escultor, teólogo, jurista astrônomo, astrólogo e mais, um iniciado nas ciências ocultas do Egito, resolvi escrever este livro, não para minha gloria pessoal, mas para ocupar o tempo de um velho e tentar deixar mais registros de acontecimentos e fatos. Sei que muitos registros serão destruídos e poucos poderão durar ao longo dos tempos. As gerações futuras, em sua ignorância, ganância e desprezo pelos antigos e devido à transmissão de falsos profetas e a índole terrena, irão distorcer a sabedoria divina, apregoando a prática


16 | Imhotep – Profecias do Antigo Egito de filosofias erradas, que sobrepujarão nossos conhecimentos porque serão considerados duvidosos e sem sentido, e assim tudo será destruído. Muito pouco de nossos estudos e conhecimentos servirão aos seres encarnados no futuro, que terão idéias totalmente adversas das nossas e dos deuses, não mais ajoelharão e a Ele irão orar, mas só desesperadamente pedirão clemência por faltas cometidas nas vidas passadas e na presente. Somente lembrar-se-ão Dele e clamarão por clemência divina quando não mais houver tempo. Quando o fim de toda civilização estiver próximo, é que retornarão à religiosidade perdida e terão uma visão muito pequena de Seu poder, quanto somos amados e como poderá nos auxiliar na solução dos problemas da vida e da espiritualidade.. Creio que já cumpri minha missão, aquela que os deuses a mim determinaram e que eu, consciente ou inconsciente, aceitei. Tive todas as glórias que mereci e me fiz por merecer. Tive todo conhecimento e sabedoria que existe à disposição de um ser com determinação, fé e avidez de conhecimento. Construí como me foi determinado, obedeci aos ditames da Luz Suprema. Diz meu filho, Rékimi-rá, que estou escrevendo meu livro de morte. Talvez esteja mesmo, estou velho e cansado, já vi e vivi glórias e misérias demais neste mundo; também auxiliei na construção de um país forte, sem imputar medo aos inimigos, mas respeito, o que é bem diferente. No futuro, reis fracos e estrangeiros sentarão no trono de Rá e o Egito será devastado por guerras e filosofias inúteis, tentarão mudar o que já está estabelecido, o Egito será devastado, seu povo escravizado pelos verdadeiros habitantes deste mundo... Será o inicio do fim, erros sucessivos que perdurarão por mais de dois mil anos, e quando a razão finalmente mostrar a verdade, nada restará, porque os deuses aqui nos exilaram e quando para cá nos trouxeram por determinação do Senhor da Luz, nos abandonaram inexorável e gradativamente. E continuarão abandonando a humanidade até que deles só exista parcas memórias e todos duvidem da própria existência e não mais procurem compreender as vontades e determinações pessoais. Nem mais procurarão compreender que tudo fizeram por determinação e vontade da Suprema Autoridade, portanto, muito contra a


Capítulo II

A Casa de Ptah A grande casa do pai

“Ele deu forma aos deuses, construiu cidades, fundou nomos, situou os deuses em seus locais de adoração, estabeleceu as suas oferendas de alimentos, fundou seus santuários e deu-lhes ao seu corpo o feitio que lhe agradava o coração. Assim, os deuses assumiram corpos feitos de toda a espécie de madeira, toda a espécie de minerais, toda a espécie de barro e todas as outras coisas que cresciam ao seu redor e as quais poderiam ele modelar”. Hino em homenagem a Ptah.

O Nilo realizava seu milagre anual, estimulado pelas orações, o lamento do povo e os encantamentos dos sacerdotes, Osíris, o deus mais querido do Egito, estava mais uma vez ressurgindo para trazer a vida ao seu povo amado. Havia finalmente chegado a época das enchentes quando o rio traz a lama negra e fértil. O inverno daquele ano havia sido duro, o rio minguara, bancos de areia jaziam de todos os lados. Os barcos não podiam navegar, estavam desoladamente encalhados nos bancos de areia e praias formadas em toda a sua extensão. O gado, os crocodilos e os hipopótamos estavam magros devido à longa estiagem. Os íbis, as andorinhas e as cegonhas tinham emigrado e agora voltavam. A vida vagarosamente infiltrava-se nas veias do Egito, as águas salvadoras estendiam sua rede reluzente de fertilidade, como benção


36 | Imhotep – Profecias do Antigo Egito divina, as rachaduras curadas pela inundação começavam a receber a visita de inúmeros peixes atraídos pelos grãos de trigo da última safra, e que na colheita haviam caído ao solo, morna brisa primaveril soprava do norte, enfunando as velas dos barcos no meio do rio que fazia balançar suavemente os papiros e a copa das palmeiras e tamareiras. Foi numa manhã como aquela, que meu pai e eu nos apresentamos no templo de Ptah, o escondido. Deixamos Iseth no pórtico de nossa casa acenando com as mãos em despedida. Era a primeira vez que seu menino ausentava-se de casa, como era dito por ela aos vizinhos. Ao virarmos a esquina da rua e ao me despedir de meu pai na porta do templo, senti que jamais seria o mesmo menino. Deixava para trás minha vida de adolescente para o meu noviciado na escola de escriba e teologia, dando início à categoria mais baixa do sacerdócio de Ptah. Éramos cerca de 40 meninos, alguns até bem mais jovens do que eu. Após um banho no lago sagrado cujas águas Ápis (5) bebia, a cabeça de cada um de nós foi raspada e trajamos as vestes dos sacerdotes menores ou “sem”. Fomos apresentados aos nossos instrutores e inspetores e levados aos alojamentos nos quais passaríamos os próximos dois anos, tempo que duraria o curso de iniciação. Após seríamos divididos em grupos de acordo com a profissão que iríamos escolher, apesar de que a minha carreira de médico, fatalmente me obrigaria à ordenação sacerdotal; os médicos tinham as mesmas responsabilidades e gozavam do mesmo respeito e privilégios dos sacerdotes. Os relacionamentos não iam além de mera cordialidade e respeito entre os sacerdotes e alguns estudantes e com os próprios colegas estudantes. Resolvi seguir o conselho de meu pai e manter-me afastado dos sacerdotes, instrutores e colegas com suas intrigas e a vida que levavam. Obedecia às ordens com humildade, não confiava em ninguém e sabia que os sacerdotes tinham excesso de severidade nos castigos aplicados aos alunos, e que poderia se transformar numa sessão de maltratos públicos. Éramos obrigados a assistir a inquisição e punição do acusado, que era levado à presença do sacerdote inspetor. Presenciei casos de


Capítulo III

A Iniciação

O ato de conceber e nascer deve ser sempre uma iniciação

“Deus vivo, senhor do amor! A nação inteira vive quando brilha e surge feito rei dos deuses! Nut esparge a sua face. Maat abraça-te a cada estação, Sua comitiva se regozija por causa de Ti e se lança ao chão quando passas. Senhor da terra, rei da verdade, senhor da eternidade, que criaste os céus e neles Te estabeleceste! Os nove rejubilam-se ante teu esplendor, a terra se enche de alegria ao contemplar teus raios luminosos, o povo se regozija ao contemplar sua beleza e a cada novo dia. Singra os céus diariamente, recorrer à sua mãe Nut, atravessa o céu com teu coração cheio. O lago de testes se acha calmo, as serpentes rebeldes, derrotadas, os braços atados, a espinha ao meio dividida pela faca”. Hino em homenagem a Aton.

Caminhando em direção aos rochedos, encontrei novamente os lavradores e pastores, que voltavam ao fim da tarde para a segurança de suas casas de tijolos cozidos e para a frugal refeição que os camponeses egípcios, há muito tinham.


54 | Imhotep – Profecias do Antigo Egito A faixa verde e fértil à margem do Nilo estava sendo arada e praticamente pronta para a semeadura do trigo, cevada, lentilha e cebola. Os damascos e as vinhas estavam floridos perfumando tudo à sua volta, o rio começava seu recuo anual. Por seis meses minguaria, até ficar um filete d’água; quando então tudo que fora plantado brotaria, graças à umidade deixada no subsolo, em alguns lugares somente pequenas e minguadas poças e os barcos ficariam novamente encalhados e a vida do Egito, após a colheita, estagnaria temporariamente, como acontecia todos os anos e por tempos imemoriais, pela morte simbólica de Osíris. O povo e os sacerdotes acenderiam incensos nos campos, nos templos, nas casas e nas margens do rio, até que o deus ressuscitasse, enchendo o Nilo novamente, como fazia desde o início dos tempos. Enquanto caminhava sem muita pressa contemplava o magnífico jogo de cores que esmorecia e que Ptah abençoando seu povo amado havia lhes dado. Aproveitei mais ma vez para me maravilhar com aqueles matizes que nenhuma arte humana conseguiria reproduzir com igualdade ou mesmo superar. Como fazia há milhares de anos e faria ainda outros tantos, o sol se deteve no horizonte por instante incendiando o céu com lampejos de vermelho e rosa. O colorido diminuiu gradativamente e fez com que a noite vagarosamente cobrisse o mundo. Uma família de chacais uivou próximo, mostrando que até a noite e no deserto, Ptah havia concedido e abençoado a vida. Quedei-me junto ao imenso bloco de granito. Mais uma vez orei e novamente o rochedo abriu-se para me dar passagem. A deusa estava em seu lugar, o sorriso estava mais amável, isto é, não tão enigmático e o olhar pousou em mim. Pela primeira vez, vi que não era apenas uma pedra esculpida, havia realmente vida divina naquele colosso de pedra. Subi os degraus com familiaridade e coloquei a mão em sua pata leonina. Era quente... Igual à temperatura humana. – Senhora, está viva, isto é, não és feita de pedra fria? – Sim, Imhotep... Estou viva, como todos os deuses que ainda estão vivendo e continuam guiando e iluminando os caminhos dos seres encarnados.


Imhotep