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número 09 | ano 03 janeiro a março 2012 Publicação Sinepe/PR

Prepare seu filho para

a volta às aulas Entrevista A hora da sala de aula com Claudio de Moura e Castro

Dedicação Futuro universitário: veja como preparar seu ano de estudos

Incubadoras Para transformar conhecimento em negócios


e.di.to.ri.al

ex.pe.di.en.te

adj m+f

adj m+f

Conselho Diretor gestão 2010/2012

Ano novo, vida nova! Pode parecer clichê, mas muitas pessoas deveriam fazer valer esta máxima para suas vidas.

A virada do ano é mais uma oportunidade de trazer à tona os nossos desejos de mudança, de conquistas e de realização dos nossos sonhos. A data funciona como um lembrete de todos estes desejos que às vezes guardamos ou deixamos de lado. Então aproveite este momento para rever suas pendências, seja em relação à família, ao trabalho ou à você mesmo.

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Diretoria Executiva Presidente Ademar Batista Pereira 1º Vice-Presidente Jacir José Venturi 2º Vice-Presidente Oriovisto Guimarães Diretor Administrativo Ailton R. Dörl Diretor Econômico/Financeiro Rosa Maria C. V. de Barros Diretor de Legislação e Normas Maria Luiza Xavier Cordeiro Diretor de Planejamento José Manoel de Macedo Caron Jr. Diretoria de Ensino Diretor de Ensino Superior Diretor de Ensino Médio/Técnico Diretor de Ensino Fundamental Diretor de Ensino da Educação Infantil Diretor de Ensino dos Cursos Livres Diretor de Ensino dos Cursos de Idiomas Diretor de Ensino das Academias

José Antonio Karam Gilberto Vizini Vieira Esther Cristina Pereira Noely Luiza D. Santos José Luis Chong Jaime M. Marinero Vanegas Ana Dayse Cunha Agulham

Trata-se de uma nova chance para fazer tudo fluir melhor. Aproveite e se proponha a acompanhar os estudos do seu filho, a ser uma pessoa melhor no trânsito, a fazer uma atividade, a cuidar da sua saúde e fazer deste um mundo mais justo e melhor.

Conselheiros 1º Conselheiro Jorge Apóstolos Siarcos 2º Conselheiro Pedro Roberto Wiens 3º Conselheiro Raquel Momm de Camargo 4º Conselheiro Irmão Frederico Unterberger 5º Conselheiro Paulo Arns da Cunha 6º Conselheiro Durval Antunes Filho 7º Conselheiro Roberto A. Pietrobelli Mongruel 8º Conselheiro Juliana Toniolo Sandrini 9º Conselheiro Renato Ribas Vaz 10º Conselheiro Magdal J. Frigotto 11º Conselheiro Vanessa C. Sanches

Boa leitura!

Conselho Fiscal Efetivos Orlando Serbena Márcia E. Dequech Henrique Erich Wiens

Suplentes Elvis Tadeu Gilioli Edison Luiz Ribeiro Ir. Anete Giordani

Delegados Representantes - Fenep Ademar Batista Pereira José Manoel de Macedo Caron Jr.

Ademar Batista Pereira Presidente

Diretorias regionais SINEPE/PR - Regional Oeste (Cascavel) Diretor Presidente Adilson J. Siqueira
 Diretor de Ensino Superior Maria Débora Venturin
 Diretor de Ensino da Educação Básica Lauro Daros Irmã Mareli A. Fernandes Diretor de Ensino da Educação Infantil Ione Plazza Hilgert
 Diretor dos Cursos livres/Idiomas Denise Veronesi Trivelatto

Revista Escada Publicação periódica de caráter informativo com circulação dirigida e gratuita. Desenvolvida para o Sinepe/PR. Editada pela Editora Inventa Ltda - CNPJ 11.870.080/0001-52 Rua Heitor Stockler de França, 356 - 1º andar - Centro Cívico - Curitiba - PR Conteúdo IEME Comunicação www.iemecomunicacao.com.br Jornalista Responsável

Taís Mainardes DRT/PR 6380

Redação

Marília Bobato, Eduardo do Valle, Flávia Ferreira, Felipe Gollnick, Marina Gallucci, Mateus Ribeirete, Priscilla Scurupa, Ana Luísa Bussular

Projeto gráfico e ilustrações

D-Lab – www.dlab.com.br

Revisão

Marília Bobato

Comercialização Márcio M. Mocellin, Ana Amaral e Verônica Souza Críticas e sugestões

contato@editorainventa.com.br

Comercial

veronica@editorainventa.com.br

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, a opinião desta revista. Conselho editorial Jacir J. Venturi, José Antonio Karam José Manoel de Macedo Caron Jr. Márcio M. Mocellin Aprovação Ademar Batista Pereira Tiragem Impressão e acabamento Logística e Distribuição

11 mil exemplares

Maxigrafica A&D Comercial - (41) 9611-1131

SINEPE/PR - Regional Cataratas (Foz do Iguaçu) Diretor Presidente Artur Gustavo Rial Diretor de Ensino Superior Fouad Mohamad Fakin Diretor de Ensino da Educação Básica Antonio Neves da Costa e Antonio Krefta Diretor de Ensino da Educação Infantil Rita C. R. Camargo e Edite Larssen Diretor de Ensino dos Cursos Livres/Idiomas Fabiano de Augustinho SINEPE/PR - Regional Sudoeste (Pato Branco/Francisco Beltrão) Diretor Presidente Ivone Maria Pretto Guerra Diretor de Ensino Superior Hélio Jair dos Santos Diretor de Ensino da Educação Básica João Carlos Rossi Donadel Diretor de Ensino da Educação Infantil Amazilia Roseli de Abreu Pastorello Diretor de Ensino dos Cursos Livres/Idiomas Vanessa Pretto Guerra Stefani SINEPE/PR - Regional Campos Gerais (Ponta Grossa) Diretor Presidente Osni Mongruel Junior Diretor de Ensino Superior Marco Antônio Razouk Diretor de Ensino da Educação Básica Irmã Edites Bet Diretor de Ensino da Educação Infantil Maria de Fátima Pacheco Rodrigues Diretor de Ensino dos Cursos Livres/Idiomas Paul Chaves Watkins Diretoria da Regional Central Diretor Presidente Diretor de Ensino Superior Diretor de Ensino da Educação Básica Diretor de Ensino da Educação Infantil Diretor dos Cursos livres/Idiomas

Antonia Eliane Vezzaro Salette Silveira Azevedo Telma E. A. Leh Cristiane Siqueira de Macedo Marcos Aurélio Lemos de Mattos


ins.ti.tu.cio.nal adj

O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Paraná – Sinepe/PR oferece às instituições associadas apoio e orien-

tação necessários ao bom desempenho de suas atividades, nas áreas pedagógica, administrativa, contábil, jurídica e de imprensa. Para prestar os melhores serviços aos seus associados e, consequentemente, à população paranaense, o Sinepe/ PR conta com o portal da Escola Particular do Paraná. Lá é possível acessar a programação de eventos, cursos e palestras sobre educação, banco de currículos, sugestão de calendário escolar, informações sobre a legislação e ainda se informar por meio do boletim diário de notícias educacionais. Atualmente, são mais de 2 mil instituições que utilizam esses serviços. Hoje, a atuação do Sinepe/PR engloba Curitiba e cinco regionais: Oeste (Cascavel), Cataratas (Foz do Iguaçu), Sudoeste (Pato Branco/Francisco Beltrão), Campos Gerais (Ponta Grossa) e Central (Guarapuava / União da Vitória). Mais informações e serviços: www.escolaparticularpr.com.br.

( ) É dirigida e gratuita. ( ) São 11 mil exemplares. ( ) Distribuída em todas as escolas particulares e em pontos comerciais selecionados. ( ) Está disponível para baixar e visualizar na internet. ( ) Todas as alternativas estão corretas.

41 3253-0553 veronica@editorainventa.com.br


ín.di.ce sm

07.

Vida no trânsito

10.

Esportes e infância: qual a hora certa para começar?

12/13.

Tudo novo, de novo

14/15.

Passaporte para a maturidade

16/19.

Entrevista: Cláudio de Moura Castro

20/21.

Um ano de dedicação

22.

Transformando conhecimento em negócios

24/25.

Descubra o Paraná

26.

Dicas Culturais

27.

Artigo: Planejamento Estratégico para “Escolas Inteligentes”

Artigo: Férias: é tempo de mais leitura

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28.

29.

Artigo: As síndromes da mudança de ano

Artigo: Plano Nacional da Educação, o financiamento e a qualidade

30.


T / Felipe Gollnick

VIDA NO 7

Entre as capitais brasileiras, Curitiba é a cidade com a maior densidade de carros.

Segundo dados da Urbanização de Curitiba S. A. (URBS), em 2010 o índice de motorização de Curitiba era de 1,46 habitante para cada veículo. Com tantos automóveis pelas ruas, é preciso tomar providências para evitar acidentes. Neste sentido, o Sinepe/PR quer colaborar com a redução do número de mortos e feridos nas ruas da cidade. Por meio da educação no trânsito, o Sindicato quer levar às suas escolas associadas o programa Vida no Trânsito, coordenado em Curitiba pela URBS e pela Secretaria Municipal de Saúde. Os representantes do Sinepe/PR, Gilson Tatarem Jr. e Fátima Chueire, acompanham de perto as evoluções do programa. A iniciativa tem participação de organizações públicas e privadas e faz parte da Década de Ação pela Segurança no Trânsito, estipulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o período 2011-2020. O objetivo da OMS é reduzir em 50% o número de mortos e feridos graves em decorrência do trânsito em todo o mundo. O Brasil foi o país com o quinto maior número de mortos e feridos em 2010: foram mais de 40 mil óbitos em decorrência do trânsito só naquele ano.

Segundo a pedagoga e especialista em trânsito Maura Moro, coordenadora da Unidade de Educação e Mobilização da URBS, a escola tem um grande papel na transformação do ambiente das ruas. “Assim como o professor age na formação das pessoas, da mesma maneira ele precisa passar a ideia de que no trânsito elas também devem se reconhecer como cidadãs, com direitos e deveres”, conta. A ação de cada um ajuda para a situação melhorar ou piorar: “Se todos agissem de forma correta, não teríamos esses números tão elevados de mortos e feridos”, explica Maura.

Ação do governo federal, o Vida no Trânsito acontece também em outras quatro cidades do país e, até 2014, planeja-se estendê-lo a todas as capitais. Mais informações: www.vidanotransito.com


me.mó.rias sm

T / Marina Gallucci

Lybia Farah Araujo:

exemplo na missão de educar

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Em 07 de outubro de 1924, na cidade de Ponta Grossa, interior do Paraná, nascia Lybia Farah. Filha de um jovem casal de imigrantes, ela foi a quarta de uma turma de nove irmãos. Desde cedo, a menina demonstrava a inclinação para a tarefa de “educar”. Agia como irmã mais velha, comandando todas as crianças tanto no trabalho como nas brincadeiras e nas excursões pelas redondezas da fazenda.

Aos 10 anos já participava ativamente da vida da família. Após as horas de estudo, tomava conta do armazém de seus pais e, durante esse tempo, não economizava energia para “aconselhar” e orientar os trabalhadores da fazenda. Já com 14 anos de idade, passou a ajudar a mãe na condução da família e dos “negócios”, após o falecimento do pai. Nessa época, dedicava as poucas horas de lazer à leitura, devorando livros muitas vezes até altas horas da noite. Casou-se aos 19 anos com Carlos Pereira de Araujo e conduzia ao lado do marido a produção agropecuária, conciliando com outros papéis. Era a mãe, a médica, a conselheira e a professora – na tarefa de melhorar as condições de vida de inúmeras famílias de empregados. Em 1968, Lybia e Carlos venderam a fazenda no norte do Paraná e transferiram-se para Curitiba, junto com os filhos: Luiz Augusto, Antonio Carlos e Maria Alice. Educadora nata, fundou em 1971, a pré-escola Balão Vermelho, e ampliou suas atividades na criação do Ensino Fundamental, Médio e Pré-Vestibular com a escolas Bittar e Anglo Bittar, que se tornaram referência de educação no Paraná. Lybia considerava que a escola e a família dividem entre si a tarefa de formar o aluno. Ela foi incansável em comprometer toda a equipe em assumir a formação integral de seus educandos. Em 2001, mesmo com a venda das escolas, Lybia continuou acompanhando a trajetória de sucesso na vida de seus ex-alunos. Orgulhava-se também de ver que sua equipe de profissionais prosseguia com carreiras brilhantes como educadores em outras conceituadas escolas. Lybia Farah Araujo faleceu em 15 de novembro de 2011, com 87 anos quase que inteiramente dedicados à educação, tarefa exercida, direta ou indiretamente, desde sua adolescência. Foi um exemplo de vida pela sua dedicação na missão de educar.


Educomunicação | Gestão e Liderança Educacional | Inclusão e Diversidade | Leitura e Produção de Textos | Psicomotricidade | Psicopedagogia

Melhor que fazer uma especialização com quem tem mais de 50 anos de mercado, como a FAE, só mesmo se ela vier com a trajetória de quem tem mais de 100 anos de ensino, como o Bom Jesus. A Pós-Graduação em Educação da FAE tem a experiência centenária do Colégio Bom Jesus por meio de seu Centro de Estudos e Pesquisas. São cursos que promovem a excelência no aprendizado, na atualização e na capacitação de profissionais, em prol de um processo de transformação educacional amplo. São seis especializações disponíveis: Educomunicação, Gestão e Liderança Educacional, Inclusão e Diversidade, Leitura e Produção de Texto, Psicomotricidade e Psicopedagogia.

Especialize-se em Educação na FAE. Eleita por três anos consecutivos, a melhor Instituição Privada de Curitiba, segundo o MEC.

www.fae.edu | 0800 727 4001


T / Priscilla Scurupa

qual a hora certa para começar? A família Dallagassa já conquistou aproximadamente 50 títulos entre competições estaduais, nacionais e internacionais.

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A família Dallagassa faz história no judô paranaense. Tullius é o treinador de seus filhos Bernardo e Arthur, de 17 e 15 anos, e também de seus dois sobrinhos, Pedro Henrique, 22, e João Pedro, 23. Juntos, já conquistaram aproximadamente 50 títulos entre competições estaduais, nacionais e internacionais.

Tullius começou a praticar judô ainda quando criança, por problemas respiratórios. “Eu tinha bronquite e o médico recomendou uma atividade física. A mais próxima de casa e mais barata naquela época era o judô”, conta. Aos 16 anos já era professor em escolas de Ensino Infantil e, quando nasceram seus sobrinhos, incentivou-os a também se tornarem atletas. “Sugeri aos meninos, e os pais deles, sabendo da importância das artes marciais na minha vida, apoiaram a ideia. Depois vieram meus filhos e, quase que naturalmente, adotaram a prática”, relata Tullius que acredita que o esporte orienta a conduta ética, moral e social e é determinante para que o ser humano constitua a formação de seu caráter. Esportes em geral, independentemente da modalidade, só trazem benefícios. Além do preparo físico e do desenvolvimento motor das crianças, podem ainda reduzir o risco de obesidade, auxiliar no aumento da autoestima, dentre outras vantagens. Também é provável que uma criança fisicamente ativa se torne um adulto ativo. Mas qual a idade ideal para iniciar uma prática esportiva? Que modalidades são indicadas para cada faixa etária?

Rafaela Marinho Antunes, hoje com 27 anos, começou a praticar natação aos três. Ela conta que teve uma melhora significativa no sistema respiratório por meio dos exercícios e, com o tempo, observou outros benefícios. “A prática de um esporte faz bem para o corpo e para a mente. Quando era pequena, adaptava algumas brincadeiras de minha época, como pular elástico e brincar de casinha para dentro da piscina. Era fantástico! Fiz muitos amigos, e foi bom também para trabalhar questões como a competição e superação de desafios”, lembra. Segundo a professora de Educação Física da Escola Atuação, Cristiane do Rocio Gusso, não existe idade ideal. “Depende da modalidade. No caso da natação, por exemplo, com três meses a criança já está preparada para entrar na piscina. O importante é que durante as atividades esportivas, o aspecto lúdico prevaleça”, ressalta. Para esportes que exigem raciocínio lógico, como o xadrez, ou maior força física, como a dança e as artes marciais, Cristiane explica que a idade adequada é a partir dos sete anos. “Conceitos como organização espacial e coletividade começam a ser trabalhados aos seis anos de idade nas escolas, e aos sete já podem ser aplicados em brincadeiras e esportes”. Para os pequenos que alegam não gostar de se exercitar, Cristiane aconselha que os pais sejam persistentes e apresentem a seus filhos várias modalidades, até que a ideal seja encontrada. “Persistir sem insistir: esse é o segredo. Em algum momento o interesse vai surgir. Em tempos de computadores e que cada vez mais as crianças ficam dentro de casa, buscar a qualidade de vida por meio de alguma atividade física é essencial”, diz.


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T / Flávia Ferreira F / Geísa Borrelli

Tudo novo, Volta às aulas reserva surpresas aos pais e alunos

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As mudanças muitas vezes são grandes: novos professores, novos colegas, novo horário, novo colégio. Depois das férias de verão, os alunos estão desacostuma-

dos com o ritmo escolar e, nesse momento, a ajuda do professor e da família é fundamental.

De acordo com a diretora do Colégio Novo Ateneu, Vera Pugsley Julião, as primeiras semanas da volta às aulas podem ser povoadas de pequenos fantasmas. “Como será o professor? Será que compreenderei o que está sendo ensinado? São dúvidas que podem ser resolvidas mediante muito diálogo entre aluno, escola e família”, diz Vera. O interesse da família pelo aprendizado e pelo que está acontecendo durante as aulas é uma forma efetiva de apoio. “Receber os estudantes com entusiasmo e alegria também é parte do jogo. Afinal, quem escolheu a profissão de ensinar sabe que ensinamos melhor aquilo que nos entusiasma”, afirma a diretora que acredita que relembrar assuntos já tratados é uma boa maneira de recomeçar o ano letivo, construindo laços para reconstruir o ritmo de estudos.


Cuidado com os pequenos A psicóloga e diretora do Centro Educacional Evangélico, Raquel Momm, acredita que investir neste relacionamento nas primeiras semanas de aula é o melhor que um professor pode fazer pelos seus alunos e pela sua própria carreira. “Este período deve ser dedicado a deixar de forma clara quais serão as regras de convivência, que haverá tempo para atividades distintas, e que a escola não é um lugar exclusivo de diversão e brincadeiras, mas que aprender pode ser muito prazeroso”. Raquel lembra que muitas vezes a queixa em voltar à rotina é confundida com uma queixa em voltar à escola. Perceber a diferença entre eles é um desafio para todos os pais a cada início de ano letivo. Alguns alunos reencontram os colegas na volta às aulas, e outros encaram o desconhecido: não conhecem o ambiente, nem os colegas, nem os professores. Segundo Raquel, é fundamental que o professor tenha a compreensão de que não basta receber a criança, mas é necessário possibilitar ao aluno que ele seja inserido no meio de relacionamentos de colegas estabelecidos há anos. “A criança irá com prazer à escola a partir do momento que tiver amigos ali. E o papel principal do professor é ajudar as outras crianças a descobrirem a nova amizade, e não ficar fazendo companhia à criança solitária durante o recreio”, afirma.

Mudança de turno A mudança de turno exige uma reprogramação do corpo. Além de interferir no retorno às aulas, tem efeitos no sono e nos hábitos alimentares. A aluna de 11 anos, Isadora Ferreira Kozlowski(foto), sempre estudou no período da tarde e este ano passou para manhã. “Eu acho que será ótimo porque terei mais tempo para fazer outras atividades à tarde. A única coisa difícil será acordar cedo”, diz Isadora. Como toda a turma mudará de turno, os amigos estarão juntos, mas ainda existe um período de adaptação. O pai da estudante, Marcos Kozlowski, acredita que a rotina de toda a família será alterada. “Ela está bastante ansiosa pela mudança. Minha única preocupação é o horário, mas ela vai se adaptar”, afirma. Segundo a diretora Vera Pugsley Julião, quando a mudança de turno vem acompanhada de uma mudança de rotina de aulas (maior troca de professores como na passagem do Fundamental I para o Fundamental II, por exemplo), a questão se torna ainda mais sensível. É preciso muitas vezes reprogramar o ritmo da casa toda - descansando mais cedo - para poder ajudar na adaptação, sugere.

A psicopedagoga do Colégio Marista Santa Maria, Silvia Lavalle Farah, acredita que essa sintonia entre a família é necessária. “Os pais precisam colaborar na formação de hábitos de estudo e se interessar pelos assuntos da escola. A confiança na instituição de ensino escolhida também é fundamental”, afirma Silvia. Ela explica que a criança aprende para oferecer isso a alguém, para corresponder ao desejo dos adultos. “Os pais precisam desejar avanços pedagógicos, para que as crianças correspondam, aprendendo”. Quando toda a turma muda junto de turno, como por exemplo, quando o aluno chega a um ano escolar que só é ofertado pela escola no período da manhã, é mais fácil. Segundo a psicopedagoga, a família tem o principal papel que é de ajudar a criança a ajustar seu relógio biológico à nova realidade, oferecendo horários de sono e alimentação compatíveis. “Quando apenas o aluno muda de turno, é mais difícil. Fica para trás toda a amizade e os relacionamentos construídos durante a vida escolar. Além do ajuste biológico, a família e a escola têm que ficar atentos e dar à criança o suporte necessário para lidar com essa situação de estresse nos primeiros meses”.

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T / Eduardo do Valle I / Divulgação

Passaporte para a

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Em sua crônica Suflê de Chuchu, Luís Fernando Veríssimo apresenta a personagem Duda, uma adolescente que sai da casa dos pais quase sem rumo e acaba virando Au Pair* na França – mesmo sem saber uma palavra em francês. A

história, muito divertida como deve ser, poderia até ser o sonho do adolescente da década de 1990, quando foi escrita. No entanto, com o aumento progressivo do mercado de intercâmbios, viajar para o exterior a estudo ou trabalho se tornou um processo que requer atenção e planejamento para dar certo. E com crianças e adolescentes, o programa requer muito mais atenção e cuidados. Inevitável mesmo é a pergunta dos pais, que querem saber, afinal, qual a hora certa de mandar seus filhos para o exterior?

O sócio-diretor da IE Intercâmbio Curitiba, Cyro Picchi, afirma que, apesar da procura ser mais comum entre jovens a partir de 14 anos, existem programas especializados para adolescentes a partir dos 12. “O essencial, nestes casos, é a maturidade de quem procura um programa como este – precisa saber que a vida em outro país é diferente, tanto em relação ao idioma, cultura e alimentação. E quando se é muito novo, o jovem tem os pais para fazer tudo por ele, já em outro país essa adaptação acontece por conta própria”, explica Picchi. A internacionalista e coordenadora de marketing da CESE Intercâmbio Cristão, Maria Francisca Baptista, afirma que a relação de dependência paterna a ser superada requer uma maturidade que costuma aparecer em torno dos 15 anos.

É importante frisar que, mesmo para os mais novos, existem programas específicos. Picchi comenta que o comum para os pré-adolescentes na faixa de 11 ou 12 anos são os Camps, nos quais os alunos ficam hospedados no campus da escola no período de férias e tem várias atividades desenvolvidas com acompanhamento pedagógico para essa faixa etária. Para quem tem entre 17 e 18 anos, o comum são as casas de família e residências estudantis, sem necessidade de um acompanhamento tão próximo. Para os casos de programas para esta faixa em torno de 17 anos, é preciso entender as maneiras como um período de intercâmbio afeta o desempenho escolar dos alunos. Os profissionais da área, Maria Francisca e Picchi, lembram a necessidade de conferir se a escola do Brasil aceita os créditos da instituição estrangeira. No caso do programa ser voltado para a High School norte-americana (correspondente ao Ensino Médio brasileiro), por exemplo, é preciso escolher as matérias que sejam trabalhadas também no Brasil, como matemática, história e geografia. Apesar de defender que o processo de equivalência não costuma causar problemas, Maria Francisca lembra de uma exceção, que são as escolas do ensino médio técnico, que têm disciplinas direcionadas. “Nestes casos, o risco de não ter o currículo internacional é grande e pode-se perder o ano letivo no Brasil”, explica. *O programa de Au Pair é uma modalidade de intercâmbio em que a pessoa viaja com foco voltado ao trabalho, que consiste em cuidar de crianças da família anfitriã.


Escolha consciente Apesar de o perfil do adolescente de hoje continuar apresentando algumas características semelhantes ao jovem das últimas décadas – como “o sonho de ir pra Disney”, explica Picchi – em muitos casos, ele está procurando algo a mais que o turismo ou a diversão. Nessa idade, vários já fizeram cursos de línguas e pesquisaram cidades interessantes, para as quais gostariam de ir. Os destinos são variados, bem como os programas oferecidos. Na CESE Intercâmbio Cristão, agência de Maria Francisca, por exemplo, a preferência é por jovens que tenham uma experiência dentro do cristianismo. Para ela, a orientação ao interessado por intercâmbio acontece sempre acompanhando a relação religiosa que ele desenvolve. “Procuramos instruir o aluno quanto ao chamado de Deus e ao sonho deles”, explica, “uma vez que recebe o chamado, ele sabe para onde quer ir. A partir daí trabalhamos junto aos pais para garantir que o local que o receba se adeque aos seus objetivos”. No caso da IE Intercâmbio, o aluno pode escolher por cursos de maior ou menor duração, que, segundo Picchi, se adaptam ao objetivo do jovem, bem como ao conhecimento do idioma e cultura do destino. O consenso geral sobre programas de intercâmbio se refere à evolução que eles representam para esta fase. “A consciência da importância que um programa de intercâmbio tem para sua vida já é percebida por ele, que começa o processo de amadurecimento aí”, explica Picchi. Diferente da história de Veríssimo citada no início da matéria, os adolescentes estão muito mais preocupados com a carreira, como assegura Picchi. As dicas são simples: acompanhamento profissional e muita pesquisa sobre a cultura do destino escolhido. “Faça a sua parte e busque tudo que estiver ao seu alcance”, aconselha Maria Francisca, “O importante é não desistir do sonho”, completa.

Intercâmbio bate-volta Esqueça os longos períodos em casas de famílias estrangeiras. Ao invés disso, que tal pensar em duas semanas de estadia junto a estudantes de vários lugares do mundo em um acampamento de basquete? “Se você pensar na troca de experiências, podemos dizer que se trata de um pequeno intercâmbio”, afirma o professor Wilson Menoncin Júnior, técnico de basquete do Colégio Positivo. É ele quem acompanha os estudantes na Orlando Magic Camps, uma espécie de clínica internacional de basquete, onde alunos de 7 a 17

anos convivem com outros estudantes de vários países enquanto treinam basquete com os técnicos do Orlando Magic (equipe da NBA). “A troca de experiências é constante, além da utilização da língua inglesa, importantíssima para a comunicação globalizada”, diz Wilson, “é uma oportunidade de ouro, de vivenciar o intercâmbio cultural e esportivo simultaneamente”.

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en.tre.vis.ta / Claudio de Moura Castro T / Marina Gallucci F / Daniel Derevecki

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sala de aula Claudio de Moura Castro é conhecido pelos seus 30 anos de dedicação à educação, além de ser uma das mais importantes autoridades quando o assunto é repensar e debater o espaço para aprendizagem. Com seu conhecimento sobre os modelos de educação do Brasil, Europa, Estados Unidos e outros países, ele se tornou crítico ferrenho do modelo tradicional do “senta e escuta”. Defende que é preciso adotar bons modelos para tornar a sala de aula um ambiente mais produtivo e cheio de oportunidades para os alunos. Confira a entrevista concedida para a revista Escada.

RE - Qual a importância do professor aplicar a Educação Baseada em Evidência no dia a dia. Este é um conceito importante para o professor ter em mente ao preparar aulas? MC - O professor não tem que ficar cogitando se essa teoria pedagógica é boa ou não, da mesma forma que o médico clínico também não tem. Há boas fontes de consulta mostrando o que funciona e o que não funciona. É questão de tomar conhecimento disso tudo, nos livros mais respeitáveis.

Revista Escada - Em sua palestra, durante o Sala Mundo 2011, o senhor falou de Educação Baseada em Evidência. O que é isso? Moura Castro – Os filósofos Bacon e Descartes criaram a moderna ciência ocidental. Um de seus pilares é a ideia de que podemos fazer conjecturas e criar teorias à vontade. Mas em alguma hora, é preciso confrontar essas proposições com a realidade. Ou seja, a teoria sobrevive se o mundo real se comporta do jeito que ela descreve. Se discrepa, lixo com ela.

RE - Aula exige planejamento dos professores e equipe pedagógica ou há espaço para o improviso? MC - Na verdade, há muita pesquisa mostrando que os alunos aprendem mais, quanto mais planejada a aula do professor e quanto mais ele se apoia em livros bons e detalhados. Como os grandes atores, o improviso funciona bem quando é uma variação sobre alguma coisa já muito bem ensaiada. O improviso diante do desconhecido ou da dúvida é uma punição para os alunos.

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RE - Qual a sua opinião sobre a visão de que o professor é apenas um facilitador no processo de aprendizagem? MC - Essa palavra “facilitador” circula por aí faz muito tempo. Na prática, não quer dizer nada. O professor tem múltiplas funções - não apenas de “facilitar” o que quer que seja. Tem que separar brigas dos alunos e especular sobre controvérsias rarefeitas. Se entendemos como facilitador um professor que não tem algum momento de aula expositiva, estamos na contramão das novas tendências de sala de aula. Nas boas práticas de como manejar uma aula hoje, inclui-se quase sempre uma exposição bem curta por parte do professor. Ali ele lança o problema e sublinha os pontos mais importantes, difíceis ou delicados. Daí por diante começam atividades variadas, com grande participação dos alunos. O uso da palavra “facilitador” não parece muito apropriada para esses novos estilos de aulas.

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RE - Como tornar a sala de aula um espaço mais significativo para os alunos? MC - Aumentando a proximidade dos assuntos tratados com a vida dos alunos, lidando com assuntos que estão ao seu alcance entender com certa profundidade e dando a ele amplas oportunidades de ouvir, falar, ler, escrever e manipular. RE - Quais são os grandes modelos de mudança em sala de aula atualmente? MC - O grupo de educação de Harvard tem um “modelito” de aula muito bem arredondado, embora não seja revolucionário. O Freemont College em Los Angeles desenvolveu uma rotina com muita participação dos alunos. O professor de física Eric Mazur (também de Harvard) usa um método em que um aluno explica para o seu colega ao lado o mesmo assunto que foi rapidamente exposto por ele no início da aula. Esses são apenas exemplos de muitas fórmulas sendo usadas hoje. Em todas elas, os alunos participam muito.

RE - Que paralelo o senhor traçaria entre o sistema de ensino aplicado no Brasil, nos países da América Latina, na Europa e nos Estados Unidos? MC – O Brasil e o restante da América Latina são parecidos, na sua ênfase em um ensino muito calcado na memória e mal resolvido, pelas inúmeras falhas dos seus sistemas educativos. A Europa tem um ensino convencional, de muito boa qualidade e muito exigente. Os Estados Unidos têm o melhor e o pior. Suas escolas de gueto não são muito melhores do que as nossas. Em contraste, nas melhores há uma grande ênfase na experimentação e na criatividade. Sem dúvidas, é o país de maior ebulição pedagógica. RE - O que o Brasil pode aprender com estes modelos e o que temos a ensinar? MC - Com a Europa, seriedade, esforço, disciplina e continuidade. Os Estados Unidos são uma mina de boas ideias, de inovações e de pesquisas mostrando o que funciona e o que não funciona. Além disso, como os Estados Unidos têm uma população muito heterogênea, é possível ver lá uma multidão de experimentos para lidar com alunos pobres, de famílias pouco educadas ou de regiões conturbadas, no fundo, muito parecidos com os nossos. A única real inovação brasileira são os sistemas de ensino. É como se fossem secretarias de educação ideais, oferecendo às escolas bons livros, rotinas de aulas, orientação pedagógica, preparação de professores e muitos outros serviços úteis para as escolas.

“...há muita pesquisa mostrando que os alunos aprendem mais, quanto mais planejada a aula do professor e quanto mais ele se apoia em livros bons e detalhados.”

RE - Qual a importância do ensino voltado para a prática? MC - O ensino não precisa ser voltado para a prática, mas ele precisa ser aplicado em assuntos do mundo real. O aluno não vai ser da equipe técnica de Fórmula 1, portanto, calcular velocidade dos carros não é um conhecimento que ele vai usar na sua profissão. Mas ao fazer isso, está aplicando a matemática em um problema real e interessante. Portanto, tem muito mais chances de aprender de verdade e não apenas decorar fórmulas. RE - E, o aluno, o que ele precisa desenvolver para que o aprendizado seja mais eficaz? MC - O aluno tem que mergulhar no problema e nas maneiras de encontrar a sua solução. Fazendo isso, ele terá a intimidade com os assuntos, sem a qual, não há real aprendizado.


“O ensino não precisa ser voltado para a prática, mas ele precisa ser aplicado em assuntos do mundo real”

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RE - Elogiar: ajuda ou atrapalha na hora de aprender e educar? MC - O elogio é uma ferramenta poderosa. Não há como exagerar na sua importância. Mas tem que ser correto e na hora certa. Elogiar esforço sem resultado é errado. Elogiar a mera presença ou participação é pior ainda. Mas quando acerta, aí sim, cabe o elogio. E quanto mais imediato e personalizado, melhor. RE - Como o senhor vê a aproximação da tecnologia com a educação? MC – Ajuda, mas não é indispensável nas escolas de razoáveis para boas. Contudo, nas escolas muito pobres ou muito distantes, a tecnologia pode ser uma maneira preciosa de trazer a inteligência e as boas estratégias de ensino para alunos que, de outra forma, não teriam acesso a ela. É o caso clássico do Telecurso 2000.

RE - Você já afirmou que o grande gargalo da educação brasileira é a chatice - matérias que nada têm a ver com o aluno. Você acredita que o novo modelo proposto para o ensino médio, por exemplo, vem a responder isso de uma maneira satisfatória? MC - Na medida em que houver um real encolhimento nos currículos, sobra mais tempo para ter profundidade e intimidade com os assuntos tratados. Mas esse enxugamento é uma condição necessária; não é suficiente. É possível continuar tudo como antes se escolas e professores não souberem aproveitar essa oportunidade. RE - Tem como ampliar isso para outros graus de ensino? MC - No ensino básico, o congestionamento curricular não é tão sério. Além disso, como não há vestibulares à vista, nada acontece se o currículo for peneirado e ficarmos apenas com os assuntos mais interessantes.

RE - Por que a educação brasileira não avança conforme desejado e quais os problemas que você enxerga como os mais graves na educação do país? MC - Se desejássemos menos, estaríamos contentes, pois os avanços quantitativos nas últimas décadas foram espetaculares. Mas não devemos desejar pouco, é preciso que as ambições estejam sempre acima das realizações, pois o seu objetivo é empurrar o sistema para frente. Como o maior problema da educação de hoje, mencionaria a formação dos professores. As faculdades de educação são fracas e equivocadas. Não ensinam os conteúdos que os futuros mestres vão ensinar. E não ensinam a dar aula. Esvai-se o tempo com perorações, teorias rarefeitas e ideologias requentadas.


T/ Felipe Gollnick F/ Divulgação

UM ANO DE Futuros universitários: já é hora de se preparar!

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Ainda estamos no começo do ano, mas, para os alunos que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e prestar outras provas de vestibulares, os meses de novembro e dezembro podem estar logo ali. Nessa época acontecem as tão temidas provas que exigem um ano inteiro de estudos e dedicação. O objetivo, claro, é o banho de lama após a divulgação da lista dos aprovados. Mas das carteiras dos pré-vestibulares ao trote há um longo caminho de aulas, exercícios e estudos a percorrer. Mais do que nunca, a boa preparação do aluno para o Enem é essencial: um número cada vez maior de instituições ao redor do país o utiliza como parte de seus processos de seleção – e há ainda as universidades que usam o exame do Ministério da Educação como sua única forma de admissão. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, a nota do Enem tem peso de 10% na nota final. Por isso é importante que o estudante conheça bem a prova que irá realizar e se prepare de maneira adequada para ela. Em 2011, a estudante Julia Hexsel fez o 3º ano do Ensino Médio no Colégio Marista Santa Maria e prestou vestibular para Medicina. Mesmo sem estar completamente convicta a respeito do curso escolhido, ela acabou criando seu próprio jeito de estudar. “Eu seguia mais ou menos o esquema das apostilas que a gente usava no colégio. Fazia as tarefas de casa, que eram uma espécie de revisão da matéria vista em sala no dia, levando em torno de três horas em cima delas. Não definia horários muito restritos, até porque tinha dias em que as tarefas eram muito trabalhosas”, conta Julia.

Além das horas de estudo diário em casa, é fundamental que o vestibulando planeje seus estudos levando em conta o ano como um todo. É o que explica a diretora pedagógica do Curso Apogeu, Izabel Quiles Fujita. “Para o aluno se dar bem, ele deve traçar um plano de estudo ao longo do ano, medindo o tempo e as disciplinas de acordo com suas dificuldades e aptidões. Lembrando que o bom senso deve ser sempre levado em conta. Os excessos não fazem bem”, pondera.


Descansar ou estudar? Até mesmo as tão aguardadas férias de julho devem entrar no planejamento do ano. Por mais que dar uma espairecida seja fundamental, o recesso não deve ser aproveitado apenas para descansar. Os vestibulares de inverno também são uma ótima chance para quem deseja conseguir a tão sonhada vaga no ensino superior. O mês de julho também pode servir para que o vestibulando reveja itens que tenham passado batido durante o primeiro semestre. Segundo o professor Durval Antunes Filho, diretor geral do Grupo Dom Bosco, “nas férias, além de prestar vestibulares como treino, o aluno deve organizar eventuais pendências, como um texto não lido, um exercício que precise ser refeito ou ler alguma das obras literárias solicitadas”. Mas não para por aí. “O estudante não deve esquecer ainda de que, em todo esse período, a leitura de jornais e revistas precisa fazer parte da sua vida”, conta.

Trabalho e estudo

Se apenas passar no vestibular já é uma tarefa complicada, para quem estuda e também precisa trabalhar no outro turno, a conquista da vaga pode parecer algo ainda mais difícil. Mas não impossível. Foi o que aconteceu com o estudante de Administração da UFPR, Bruno Vivan Bernartt. Antes de ser aprovado, além de fazer o pré-vestibular de manhã, ele trabalhava como professor em outra escola durante a tarde e a noite. No pouco tempo livre que sobrava, Bernartt planejava suas aulas. “Eu não resolvia exercícios em casa, não tinha tempo nem cabeça para isso”, diz. A solução foi tentar aproveitar ao máximo o tempo em que estava nas salas do cursinho. “Ia a todas as revisões, perguntava tudo que não entendia, fazia de tudo para usar o tempo que passava lá dentro a meu favor”, relembra. O diretor Durval Antunes Filho reforça o argumento e conta que, para quem estuda e trabalha, “o sacrifício dos momentos de lazer será maior. A organização do tempo é fundamental”. Apesar do cansaço, o esforço parece ter sido compensador para Bernartt, que acabou sendo aprovado no curso e instituição desejada. “Foi corrido, mas valeu a pena”, diz.

Dúvida cruel

Dedicar-se bastante é necessário para que o aluno tenha um bom resultado em um vestibular concorrido. Mas como fica a motivação para estudar quando a pessoa ainda não sabe qual carreira irá seguir? Algumas recomendações podem ajudar o estudante indeciso: frequentar feiras de cursos, conversar com profissionais que atuem nas áreas pretendidas, dialogar com familiares e, se for possível, procurar orientação vocacional. O ideal é que o vestibulando não faça a prova apenas por fazer. “Quando você decide fazer uma viagem, você pesquisa, escolhe, planeja e executa? Ou você simplesmente pega a mala e sai sem rumo?”, indaga a diretora pedagógica Izabel Quiles Fujita. “A escolha profissional é muito mais importante do que apenas fazer o vestibular”, conclui. No final das contas, o importante é que o aluno chegue ao final do ano motivado e com condições de fazer uma boa prova. Assim, quem sabe, depois de tantos meses de esforço, o banho de lama estará logo ali, esperando por ele.

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T / Priscilla Scurupa

Transformando conhecimento

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Ciro Karam Geara e Heraldo Fantinatti eram colegas do curso de Design Gráfico, na Universidade Positivo. Faziam

trabalhos juntos e se complementavam nas funções. Com a experiência profissional que adquiriram em estágios, empregos em agências de publicidade e escritórios de design, unida ao desejo de empreender, tiveram a ideia de abrir um negócio próprio. “Percebemos uma oportunidade de elevar a importância do design definindo-o como uma essencial ferramenta de negócios que vai além da estética e funcionalidade”, conta Geara. Assim surgiu a Granada Design, uma das empresas participantes da Incubadora de Empresas e Negócios da Universidade Positivo. A história da Granada demonstra que o espírito empreendedor pode se desenvolver na universidade. Os alunos, em contato com o conhecimento e cheios de vontade de conquistar espaço no mercado de trabalho, são fontes de ideias criativas que só precisam de um empurrãozinho para serem colocadas em prática. Uma boa solução nesses casos são as incubadoras de negócios. As incubadoras são ações sociais com o objetivo de apoiar temporariamente projetos

empreendedores inovadores, oferecendo a eles o pontapé inicial em seus negócios com suporte logístico e tecnológico, treinamentos, consultoria empresarial, contábil e jurídica. Assim, os novos empresários podem transformar suas ideias em soluções mercadológicas viáveis a custo e risco bem menores do que se o fizessem por conta própria. No Brasil existem hoje 384 incubadoras em atividade. Só no Paraná, são mais de 30. A Incubadora de Empresas e Negócios da Universidade Positivo é uma delas. Regulamentada em 2008 para atender à demanda de criação e consolidação de empresas de base inovadora a partir do conhecimento gerado no espaço acadêmico, “prepara empresas para que desenvolvam autonomia, visão e tomada de decisão fundamentada, promovendo o empreendedorismo sustentável e a geração de empregos e renda”, explica a coordenadora do projeto, Giselle Dziura. “Cerca de 20 empresas já passaram pelo processo de incubação. Atualmente, uma pré-incubada, 12 incubadas e três graduadas. Todas estas ocupam lugar de destaque no mercado”, conta. Durante o processo de incubação, as empresas passam por três estágios: pré-incubação, incubação e graduação. Na primeira etapa, a equipe estabelece planos e modelo

de negócio. Segundo Geara, este é o momento mais complexo. “A pré-incubação é a parte fundamental, é quando o empreendedor entende como sua empresa funcionará, os gastos iniciais, a previsão de uma estabilidade financeira e do crescimento”, explica. A incubação, segunda fase, pressupõe que a ideia do projeto está madura e pronta para sair do papel. É quando os conhecimentos acadêmicos são colocados à prova, isto é, são utilizados e avaliados segundo as condições específicas de cada empreendimento. Durante essa etapa, os alunos recebem também treinamentos e desenvolvem capacitação técnica e administrativa. Por fim, a graduação e inserção da empresa no mercado. Para a coordenadora do Centro de Inovação Empresarial do ISAE/FGV, Regina Lopes, em um mercado regido pela competitividade, as orientações oferecidas pelas incubadoras são vitais para os novos empreendimentos e para a economia do país. “Empresas que passam por um processo de incubação se tornam mais fortes e com maior chance de sucesso de permanecerem firmes no mercado”, afirma. “Além disso, atrelar o nome da Universidade ao da nossa empresa nos gera mais credibilidade na negociação e, principalmente, estabilidade no mercado”, complementa Geara.


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T/ Marília Bobato C/ Mateus Ribeirete

Descubra o

As férias de verão estão aí, mas nem só de praia sobrevive a estação mais quente do ano. O Paraná oferece diversas opções de lazer e cultura. São programas para toda a família e uma ótima oportunidade

para os estudantes reverem na prática alguns conteúdos estudados em sala de aula. Confira algumas dicas de lugares que a revista Escada selecionou e bom passeio!

Parque Estadual de Vila Velha (Ponta Grossa)

Vila Velha - Acervo Prefeitura de Ponta Grossa.

Entrada: entre R$ 5 e R$ 7. Estudantes e moradores de Ponta Grossa pagam meio ingresso. Menores de 6 e maiores de 60 anos não pagam. Horário de funcionamento: das 8h às 16h. Fechado nas terças-feiras para manutenção. Mais informações: 41 3228-1539 e www.pg.pr.gov.br/vvelha

Zoológico - Acervo Secretaria Municipal de Comunicação Social de Curitiba.

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Que tal visitar arenitos com cerca de 350 milhões de anos? O Parque Estadual de Vila Velha é um dos pontos turísticos mais conhecidos do Paraná. A região, que já foi coberta por gelo, oferece trilhas igualmente interessantes para estudiosos de geologia e para aqueles que só querem aproveitar a beleza natural do cenário, possuidor de aproximadamente 3.100 hectares.

Jardim Zoológico (Curitiba) Visitar o Jardim Zoológico é sempre uma boa opção. Nas férias você pode optar por horários mais tranquilos e ver muitos dos mais de mil animais presentes na área. A localização no Parque Regional do Iguaçú, o maior parque urbano do Brasil, garante mais um motivo para se animar com o passeio. Afinal, não se encontra um lobo-guará em qualquer lugar! Entrada: gratuita Horário de funcionamento: das 9h às 17h. Fechado nas segundas-feiras para manutenção. Telefone: 41 3378-1221.


Panteão - Acervo Secretaria Municipal de Comunicação Social e Eventos da Lapa.

Lapa Localizada a 62 km de Curitiba, a Lapa acabou ganhando notoriedade na história nacional com o Cerco da Lapa, batalha ocorrida na Revolução Federalista que culminou na morte do General Gomes Carneiro. Hoje, com o famoso Parque Estadual do Monge fechado para reformas, o município oferece um passeio histórico no Panteão dos Heróis, onde jazem os corpos de combatentes do Cerco, e o museu Casa Lacerda, construído há mais de 150 anos, patrimônio cultural do país. Entrada: R$ 2. Horário de funcionamento: a Casa Lacerda funciona das 9h às 11h e das 13h às 17h. Fechado nas segundas-feiras. Mais informações: 41 3911-1050 e www.lapa.pr.gov.br/

Cânion Guartelá (Tibagi-Castro) Vales, penhascos e rios são alguns dos elementos formadores de um cânion, e o Cânion Guartelá é nada menos que o sexto maior do mundo! Situado entre Castro e Tibagi, a paisagem oferece trilhas, rafting e até pinturas rupestres para seus visitantes. O desfiladeiro, cortado pelo Rio Iapó, é um lugar incomparável, e deve entrar nos planos de férias de qualquer um.

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Guartelá - Acervo Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Tibagi.

Entrada: gratuita Horário de funcionamento: de quarta-feira a domingo,

das 8h às 18h. Mais informações: 42

3916 2150 e tibagi.pr.gov.br/turismo/

Acervo Pessoal

Prudentópolis Existem ao menos dois bons motivos para ir até Prudentópolis nestas férias: cultura ucraniana e belezas naturais. Afinal, ignorar a presença deste pedacinho de Leste Europeu seria ignorar as origens de muita gente no Paraná – e de 80% da cidade. Simbolizada pelas pêssankas – aqueles ovinhos pintados caprichosamente – a Ucrânia vive na gastronomia, artesanato e arquitetura locais. Além disso, Prudentópolis não ganhou o apelido de ‘Terra das Cachoeiras Gigantes’ por acaso. Há mais de 100 quedas registradas, sendo 10 superiores aos 100 metros. O Salto de São Francisco é a maior queda, com 196 metros. Quem ainda tiver fôlego, pode dar uma volta pelo Museu do Milênio e aprender mais sobre a cidade. Entrada: R$ 1 no museu. Horário de funcionamento: o Museu do Milênio funciona das 8h às 11h30 e das 13h às 17h30. Fechado nas segundas-feiras. Mais informações: 42 3446-8000 e www.prudentopolis.pr.gov.br/


mo.men.to cul.tu.ral sm

adj m+f

T / Ana Luísa Bussular e Mateus Ribeirete I / Divulgação

O Universo(DVD) Dividido em 14 documentários, O Universo cai como uma luva para os curiosos em relação ao espaço. Os vídeos, criação do History Channel, fornecem um ótimo material visual, acompanhado de uma narrativa bastante clara. A obra não poupa tecnologia e aborda temas que vão do Big Bang à exploração de outros planetas. O documentário também se encontra disponível em blu-ray. Classificação: a partir de 10 anos

Como pegar uma estrela (livro)

O livro conta a história de um menino que tem o sonho de alcançar as estrelas. Ele é encantado pelo seu mistério e brilho e quer encontrar uma estrela para ser sua companheira para sempre. Ele corre atrás de seu sonho com perseverança e paciência, passando também essa mensagem para as crianças. É rico em imagens aquareladas e cheias de detalhes. Classificação: todas as idades

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De onde as coisas vêm? (jogo)

Construindo cidades (brinquedo)

De onde vem o petróleo? Respostas para esta e mais tantas perguntas similares podem estar no tabuleiro. Ideal para aquela fase em que as crianças não cansam de fazer perguntas, De onde as coisas vêm? é um jogo que desperta a curiosidade e estimula o raciocínio dos pequenos. A brincadeira conta com atividades variadas, buscando iniciar a noção de algumas coisas próximas ao cotidiano de qualquer um.

Casas, pontos comerciais, placas de trânsito, automóveis, bonecos: com 85 peças de madeira maciça, Construindo cidades é uma ótima alternativa para desenvolver uma noção de comunidade e urbanismo, sem largar a criatividade. Pode-se montar a cidade como bem entender, dispondo as peças de sua preferência e elaborando uma curiosa brincadeira de civilização.

Classificação: a partir dos 5 anos

Classificação: a partir dos 4 anos

Art attack (DVD)

Se existe uma boa iniciativa em formar pequenos artistas, ela está no programa Art Attack. Este DVD, apenas o primeiro entre quatro volumes lançados, contém duas horas de episódios que ensinam a montar objetos criativos e interessantes, utilizando-se em vários momentos de materiais já abandonados. Uma ideia válida para explorar os talentos sequer descobertos das crianças, de maneira divertida.

Fantasmagorias(livro) O livro tem 13 contos de ficção, horror e fantasia narrados por adolescentes, que relatam suas fantasmagorias, que seriam seus medos mais íntimos. Quem lê as histórias, percorre uma misteriosa trilha, que mostra paisagens conhecidas, mas cheias de estranhamentos e surrealidades, onde acontecimentos fantásticos se tornam algo comum, e várias criaturas amedrontadoras vagam, à procura de abrigo. Classificação: a partir de 11 anos

Classificação: a partir dos 5 anos


ar.ti.go sm

T / Denis Alcides Rezende *

Planejamento Estratégico para

“Escolas Inteligentes” Inúmeros eventos nacionais e internacionais estão sendo realizados e programados para os próximos anos, movimentando a economia em paralelo às demais demandas sociais e educacionais. Tais eventos e movimentações vão requerer profissionais competentes. Evidentemente, para que estes profissionais sejam competentes, a base requer uma formação acadêmica, desde o ensino fundamental até o superior. De fato, muitas oportunidades também surgirão para as “escolas inteligentes”.

Com base em diferentes teorias, práticas questionadoras e provocações inexoráveis, uma escola pode até ensinar seus alunos. Bem como um posto de combustível também pode abastecer veículos, um hotel pode inclusive hospedar clientes, uma farmácia pode até mesmo vender remédios. Mas se as escolas apenas atenderem educadamente os alunos, disponibilizarem biblioteca, laboratórios, salas e professores adequados e tiverem lucratividade, não significa que sejam inteligentes.

Mas é preciso se antecipar, refletir, discutir, ou seja, planejar. É necessário ficar atento às notícias, às argumentações políticas e principalmente às movimentações relacionadas aos negócios destes eventos. Bem como observar as movimentações indiretas, ou seja, o que é simultâneo ou está “por trás” destes desafios.

Nesse sentido, com base nas informações e conhecimentos sistematizados, personalizados e oportunos, nas decisões e ações competentes e na aplicação dos preceitos da inteligência organizacional, a “escola inteligente” pode gerar novos serviços, produtos, negócios ou atividades além dos triviais e, como consequência, contribuir para o seu sucesso. Assim, em uma “escola inteligente”, os “porteiros”, os “assistentes de secretarias” e todas as demais pessoas “ensinam e educam de forma abrangente”.

Escolas inteligentes? O que é isso? São escolas públicas ou privadas que entendem, aceitam e vivem os conceitos, preceitos e práticas de inteligência organizacional. A inteligência organizacional pode ser entendida como o somatório dos conceitos de inovação; criatividade; qualidade; produtividade; efetividade; perenidade; rentabilidade ou sustentabilidade financeira; modernidade; inteligência competitiva e gestão do conhecimento. Estes conceitos devem ser subprojetos nas escolas e são integrados com planejamento de estratégias, informações, conhecimentos, processos e pessoas.

Muitas oportunidades surgirão para as “escolas inteligentes”, porém, invariavelmente, é preciso ficar atento e ter atitudes proativas. Proatividade empreendedora requer ideias, elaboração, execução e conclusão de projetos para posterior execução e gestão inteligente. A primeira sugestão de atitude empreendedora é fazer o projeto de planejamento estratégico. Depois o desafio: execução e gestão inteligente deste e dos demais projetos derivados na escola. Uma outra

sugestão é formalizar conceito e método (como “segredos” de sucesso). O planejamento estratégico da “escola inteligente” deve ser um projeto e posterior processo dinâmico, sistêmico, coletivo, participativo e contínuo para determinação dos objetivos, estratégias e ações. Embasado nos problemas ou desafios pertinentes, é um relevante instrumento para lidar com as mudanças do meio ambiente interno e externo e para contribuir com o sucesso e a inteligência das escolas. A metodologia é essencialmente um roteiro que descreve fases, subfases e produtos aprovados. Podem ser citadas as fases: análises do meio ambiente interno e externo; diretrizes com produtos ou serviços e objetivos; estratégias, planos de ações e viabilidades; controles e gestão. Resumindo, quatro folhas de papel: problemas ou desafios; objetivos; estratégias e planos de ações. Lembre-se: planejar também é sinônimo de objetivar, pensar, sonhar, desejar, desenhar, etc. As “escolas inteligentes” podem efetivamente se posicionar frente às oportunidades diretas e indiretas oferecidas pelos eventos nacionais e internacionais e respectivas movimentações diretas e indiretas. Portanto, planejamento agora para gestão posterior e sucesso no futuro. Mas tudo com inteligência!

Fonte livro: REZENDE, Denis Alcides. Planejamento estratégico público ou privado: guia para projetos em organizações de governo ou de negócios. São Paulo: Atlas, 2011. * Denis Alcides Rezende é pós-doutor em administração, consultor e professor de Graduação e do Doutorado em Gestão Urbana da PUCPR. Autor de livros de informação, estratégias e planejamento de empresas, municípios e organizações públicas. www.DenisAlcidesRezende.com.br – denis.rezende@pucpr.br

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T / Jacir J. Venturi - 1º Vice-Presidente do Sinepe/PR

FÉRIAS: É TEMPO DE MAIS LEITURA

É provável que haja um consenso entre a escola e a família: o aluno não precisa de dois meses de descanso nas férias de verão. Em meio às muitas opções de bem utilizar o tempo, uma das mais úteis – e, para muitos, aprazível – é a leitura de livros, revistas, jornais. Desperta e consolida um bom hábito, tão valorizado nos vestibulares e na vida profissional. Cada vez mais os concursos priorizam o aluno leitor: aquele que melhor compreende e produz bons textos, consequentemente melhor verbaliza as ideias e é capaz de expô-las em público.

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Aos que viajam a países da Europa, América do Norte, Argentina ou Chile, chama a atenção a presença de escolares nas bibliotecas, livrarias e museus. Uma cultura que é pouco difundida e pouco praticada no Brasil. Os efeitos são mensuráveis: nos testes do PISA, que medem o desenvolvimento dos alunos de 15 anos, patrocinado pela OCDE, órgão da UNESCO, ocupamos o penúltimo lugar em Compreensão Textual, de um total de 40 países. Não surpreende, destarte (portanto), sermos um dos campeões em analfabetismo funcional. O Instituto Paulo Montenegro revela que apenas 28% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos têm domínio pleno da leitura e da escrita, ou seja, conseguem ler textos longos e relacionar informações. É justificável: enquanto nos países desenvolvidos leem-se 8 livros por habitante/ano, no Brasil apenas 1,3 (entenda-se livros não adotados pela escola, ou seja, leitura espontânea). É recorrente a assertiva que se lê pouco, pois os livros

são caros em nosso país. Verdade, pois baixas tiragens de impressão e baixa velocidade de vendas nas livrarias implicam em custos unitários mais elevados. No entanto, existem dezenas de opções de empréstimos em Curitiba. Só a Biblioteca Pública do Paraná possui um acervo de 550.000 títulos. A obtenção da Carteira do Leitor custa apenas R$ 2,50. O empréstimo é por 14 dias (renováveis) e 3 livros de cada vez. Nossa capital possui 45 Farois do Saber, com 7 mil livros cada. Somam-se as 110 bibliotecas escolares abertas à comunidade e a Estação da Leitura em alguns terminais de ônibus e na rodoferroviária. Lembro que as principais livrarias da cidade e a Biblioteca Pública do Paraná têm espaços reservados à leitura infantil e à contação de histórias.

Em tempo algum houve tanta facilidade: vivemos em um mundo com abundância de livros, revistas e jornais. Ademais, grandes clássicos da literatura podem ser obtidos através de download. Os e-books estão chegando, com a libido de uma tecnologia moderna. Enfim, quem quer ler

tem como chegar ao livro. Se a desculpa é a falta de tempo, por que não reduzir o entretenimento como a tevê, videogame e computador? Também são atividades solitárias e promovem agitação. O aconchego de uma biblioteca ou o cômodo silencioso de uma casa, totalmente imerso numa boa leitura, conduz-nos à serena paz de espírito, tão rara em qualquer outro ambiente. Mário Quintana se faz oportuno: “O livro traz a dupla delícia de a gente poder estar só e ao mesmo tempo bem acompanhado”. Ler o que se gosta é um dos grandes prazeres da vida. É bálsamo para as horas de tédio ou de ausência de companhia. O dia termina em conflitos? Ofensas? Socorra-se em Montesquieu: “Jamais sofri qualquer mágoa que uma hora de boa leitura não tenha curado”.

Frente às fortes exigências da vida moderna, podemos experimentar duas formas de praticar esta benfazeja (benévola, agradável) catarse: nas páginas de um bom livro e nas caminhadas pelos aprazíveis parques da cidade. Está provado que tais atividades promovem a sensação de bem-estar provocado pela serotonina. Se os músculos se fortalecem com os exercícios físicos, igualmente o cérebro necessita de sinapses através dos neurônios: leituras, memorizações, exercícios que exijam raciocínio. E afastam ou minimizam o Alzheimer, a depressão e a solidão. Uma mente vazia ou preguiçosa é oficina de doenças e vícios.


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T / Esther Cristina Pereira - Diretora de Ensino Fundamental do Sinepe/PR

As síndromes da mudança de ano

A mudança de ano é um momento propício para a tomada de decisões. Refletir nossas atitudes durante a correria de dezembro e das festas de fim de ano pode ser um bom exercício, já que percebemos que a época causa um declínio comportamental na sociedade.

Parece que tudo fica para ser resolvido neste período: o pagamento das contas anuais, a compra de inúmeros presentes, dar atenção às notas e aos boletins escolares, a resolução de conflitos, a falta de dinheiro e o uso abusivo do cartão de crédito. Percebe-se, também, que se soma a essa corrida desenfreada para solucionar o que não foi feito durante o ano inteiro, um período de extrema abundância e liberdade e, sucessivamente, de extrema falta de tolerância. Vemos, então, um trânsito caótico, pais nervosos, funcionários endividados, crianças estressadas – o que não ajuda em nada nas avalanches de questões que se deseja resolver.

Talvez, nessa época, o melhor seja dar uma pausa. Um novo ano traz a oportunidade de uma reflexão de qualidade, então, vamos repensar nosso posicionamento. É importante frisar que quando chegam os problemas, normalmente explodimos com os que mais amamos. Por isso, repensar é muito importante para que os resíduos de todas estas atitudes intempestivas não perdurem e que no novo ano, a colheita seja mais positiva. O novo ano traz consigo sonhos, ansiedades e vontades. A frustração destes objetivos, não realizados em 2011, rege o anseio por essa nova etapa e, junto a esta ansiedade, acoplam-se as realizações que tivemos, e que, às vezes, podem não ter sido suficientemente boas. Mas, muita calma. Trata-se de apenas mais um dia no calendário. Então, que a mudança de ano nos permita iniciar 2012 com os pés e a cabeça no lugar. Como diziam os mais antigos, deixem os pés no chão, para sonhar, pois eles nos estruturam para novos caminhos. E muita paz no coração, com equilíbrio financeiro e saúde mental positiva!

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T / Ademar Batista Pereira – Presidente do Sinepe/PR

Plano Nacional da Educação, o financiamento e a qualidade Após ser instalado na Comissão Especial da Câmara Federal e receber cerca de 3 mil emendas dos diversos agentes da educação, o Plano Nacional de Educação (PNE) será substituído e revelado em alguns dias.

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Da parte da Escola Particular, entregamos sugestões para resolver, ou pelo menos caminhar para resolver os dois principais desafios para este Plano: o financiamento e a qualidade. No primeiro, temos propostas visando a utilizar bem os recursos já existentes e, caso seja ampliado, evoluirmos para a otimização destes. Mas ao invés de financiar a demanda, o Estado brasileiro se propõe a financiar a oferta de educação, e para isso terá que investir em infraestrutura, construir e aparelhar escolas, contratar professores e, o pior, administrar as escolas. Vejamos o exemplo do PRONATEC, projeto recentemente aprovado no Senado Federal: uma boa ideia, mas que limita o financiamento da oferta, com a proposta de construir centenas de escolas no Brasil ao custo de R$ 10 milhões cada, sendo que, depois da construção, será necessária a contratação de profissionais, correndo o risco de os cursos instalados já estarem obsoletos quando este processo terminar. Se financiasse a demanda, bastaria financiar os jovens nos milhares de cursos existentes e oferecidos pela iniciativa privada. Para o PRONATEC, o

governo ainda deixou de fora as empresas de educação que oferecem cursos técnicos, permitindo que apenas as empresas sem fins lucrativos, ONGS e o Sistema S utilizem-se do programa. Com relação à qualidade, o financiamento da demanda levaria a iniciativa privada para o centro do debate e das condições de atender com agilidade, presteza e reconhecida qualidade. Mas é claro que não se coloca em dúvida que o setor público é responsável pela definição das políticas educacionais, assim como não se pode demitir o Estado das funções que a Constituição Federal expressamente lhe atribui em matéria de educação. O art. 7° da Declaração de Jomtien, ao tratar do fortalecimento das alianças, indica que a obrigação de proporcionar educação básica para todos é prioritariamente das autoridades educacionais nos níveis nacional, estadual e municipal. Todavia, não se pode esperar que tais autoridades, nas atuais condições, provejam a totalidade dos recursos humanos, financeiros e organizacionais necessários a esta tarefa. Novas e crescentes articulações e alianças serão necessárias em todos os níveis; entre todos os subsetores e formas de educação, reconhecendo o papel especial dos professores, dos administradores e do pessoal que trabalha em educação; entre os órgãos educacionais e demais órgãos de governo, incluindo os de

planejamento, finanças, trabalho, comunicações, e outros setores sociais; entre as organizações governamentais e não-governamentais, com o setor privado, com as comunidades locais, com os grupos religiosos, com as famílias. É particularmente importante reconhecer o papel vital dos educadores e das famílias. Neste contexto, as condições de trabalho e a situação social do pessoal docente, elementos decisivos no sentido de se implementar a educação para todos, devem ser urgentemente melhoradas em todos os países signatários da Recomendação Relativa à Situação do Pessoal Docente OIT/UNESCO 1966.


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Revista Escada 09  

Revista do Sindicato da Escolas Particulares do Estado do Paraná