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Viviam Ribeiro

A Honra do Rosa Redescobrindo o valor de ser feminina


A HONRA DO ROSA: REDESCOBRINDO O VALOR DE SER FEMININA ©2016 de Viviam Ribeiro 1ª edição: fevereiro de 2016 1ª reimpressão: abril de 2016 Todos os direitos reservados por: EDITORA INSPIRE Rua Euclides Miragaia, 548 – Centro São José dos Campos – SP – CEP: 12245-820 Tel: (12) 3878-4353 www.editorainspire.com.br Editora filiada a ASEC – Associação de Editores Cristãos Nenhuma parte dessa publicação pode ser utilizada ou reproduzida – em qualquer meio ou forma, seja mecânico, fotocópia, gravação etc. – nem apropriada ou estocada em banco de dados sem a expressa autorização do autor. Todas as citações bíblicas foram extraídas da Nova Versão Internacional (NVI), salvo indicação em contrário. Editora: Mariana C. Madaleno Coordenação Editorial: Heliete Oliveira Preparação de Texto: Mariana C. Madaleno Revisão: Etiene Souza Lima e Talita Araújo Capa: Allan Fernandes Projeto Gráfico e Diagramação: Jamille Almeida

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG) R484h Ribeiro, Viviam. A honra do rosa: redescobrindo o valor de ser feminina / Viviam Ribeiro. – São José dos Campos (SP): Inspire, 2016. 152 p. : 16 x 23 cm Inclui bibliografia ISBN 978-85-7708-116-5 1. Cristãs – Vida religiosa. 2. Mulheres – Aspectos psicológicos. 3. Autoestima. I. Título. CDD-241.672082


“A mulher graciosa alcança honra.”

Provérbios 11.16 (ARA)


DEDICATÓRIA Ao que é digno da honra do rosa, ao Amado de nossas almas. A todas as filhas de Eva, formadas em perfeição e vulneráveis em suas escolhas e que, pelo resgate do Criador, se transformaram em filhas do Reino, livres para gerar e transformar o mundo.


gratidĂŁo


A Honra do rosa

A

o Amado da minha alma, por ter-me feito à Sua imagem e semelhança, e, delas, ter escolhido para mim a porção mulher. Por me amar, me aceitar e me proporcionar o título de filha amada.

Aos meus pais, por aceitarem o desafio de me colocar no mundo. À minha mãe, que me formou com tons de rosa tanto em seu convívio comigo, como depois dele. Hoje, ela está onde as cores são perfeitas: face a face com Aquele a quem tanto amou e me ensinou a amar. Ao meu resgatador que, a cada dia, me valida como feminina; o homem de honra e marido que amo desde sempre, Fabiano. Às minhas duas porções rosa: a despojada, organizada e criativa Rachel; e a brilhante, ousada e alegre Giovana. Vocês nunca saberão a maravilhosa reviravolta que fizeram dentro de mim, mas teremos a eternidade para juntas partilhar sobre ela! 11


Gratidão

Aos meus líderes espirituais, pastores Carlito e Leila Paes, por me ensinarem o caminho mais nobre de todos: amar a Deus e Sua igreja e ser excelente em tudo e com todos! Ao meu pai Carlito, pela honra em nos proporcionar filiação, incluir-nos em sua família e ter-nos presenteado com o nome desse livro. À mãe Leila, uma mulher com preciosas cores que inspiram por meio de sua vida, palavras, ações, seu incansável agir com graça e sua beleza ímpar! À Mariana Madaleno, que transformou cada essência e vivência de meu coração em palavras e estruturas que expressaram vida, pelo sorriso que encorajava e lágrimas que testificavam. À equipe da Editora Inspire, Heliete Oliveira e Jamille Almeida, que conceberam esse sonho junto comigo. À irmã mais nova que tanto amo, Suelen Migowski, por sua intimidade e busca incansável em fazer a vontade do Amado, marcando nossa geração. Obrigada por nos conduzir com canções que nasceram dentro de si e que plantarão lindas sementes por onde esse livro for. Às pastoras, ministras e esposas de pastores e ministros que convivem comigo no Reino. Juntas temos vivido conquistas onde o Senhor nos plantou! À equipe mais linda, divertida, sonhadora, conquistadora, criativa, generosa, carinhosa, guerreira e rosa de todas, as queridas do Feminina, ministério de mulheres da Rede de Igrejas da Cidade, ambiente em que temos o privilégio de ver a glória de Deus brilhar. A todas as mulheres de nossa comunidade; todas com um potencial gracioso e grandioso para impactar o mundo.

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“Vocês, mulheres tão sossegadas, levantem-se e escutem-me! Vocês, filhas que se sentem seguras, ouçam o que lhes vou dizer! Daqui a pouco mais de um ano, vocês, que se sentem seguras, ficarão apavoradas; a colheita de uvas falhará, e a colheita de frutas não virá. Tremam, vocês, mulheres tranquilas! Estremeçam, vocês, que se sentem seguras! Arranquem suas vestes, e vistam roupas de lamento. Batam no peito e chorem pelos campos agradáveis, pelas videiras frutíferas e pela terra do meu povo, terra infestada de espinhos e roseiras bravas; sim, pranteiem por todas as casas cheias de júbilo e por esta cidade exultante. A fortaleza será abandonada, a cidade barulhenta ficará deserta, a cidadela e a torre das sentinelas se tornarão covis, uma delícia para os jumentos, uma pastagem para os rebanhos, até que sobre nós o Espírito seja derramado do alto, e o deserto se transforme em campo fértil, e o campo fértil pareça uma floresta. A justiça habitará no deserto, e a retidão viverá no campo fértil. O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranquilidade e confiança para sempre. O meu povo viverá em locais pacíficos, em casas seguras, em tranquilos lugares de descanso.” Isaías 32.9-18


Sumário PREFÁCIO.............................................................................................19 INTRODUÇÃO.....................................................................................25 1. ROSA NÃO É UMA COR, É UM VALOR...................................33 2. UMA ESSÊNCIA RECEBIDA.......................................................49 3. AS FASES DA FEMINILIDADE...................................................63 4. CAMINHOS DE INTIMIDADE...................................................83 5. NA PRESENÇA DO REI................................................................101 6. CONEXÕES DE UMA MULHER.................................................119 7. NO SECRETO COM O AMADO A VIDA RENASCE.............141 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................153


prefรกcio


A Honra do rosa

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ós fomos feitas para a plenitude, para sermos completas. Então, por que tanta insegurança e essa sensação terrível de que, sempre, algo está faltando? Quando estamos em um lugar, queremos outro. Quando estamos com calor, sentimos falta do frio. Se recebermos um bolo doce, perguntamos pelo salgado. Se o cabelo é enrolado, queremos alisá-lo. E por aí vai. É bem difícil nos encontrarmos com uma pessoa feliz: com o que tem, onde está, apenas satisfeita ali mesmo, naquele tempo, com aquelas possibilidades e pronta para fazer daquela oportunidade a maior alegria. 21


Prefácio

São tantas as dores da nossa história que as suas garras podem nos cobrir por completo. Essas marcas, com muita convicção e como se fossem vivas, roubam nossa capacidade de sermos completas, simplesmente felizes, não por causa das circunstâncias, mas por causa do que somos. Uma vez, o pastor Bill Johnson disse que, se pecamos, é porque acreditamos em uma mentira. Penso que é verdade, e mais, se temos essa sensação de falta o tempo todo, é porque acreditamos em mais uma mentira do inferno, a de que Deus está retendo alguma coisa, de que Ele deveria ter-nos feito algo, dado algo, e não fez. Acreditamos na mentira de que precisamos de alguma coisa a mais para que possamos estar bem! Precisamos de certas palavras, precisamos de alguma atitude de alguém, precisamos de um bem, precisamos, precisamos e precisamos! Essa situação tem levado muitas princesas a desistirem de seus castelos adornados para viverem em casebres emocionais ou até mesmo em prisões, abrindo mão da honra do rosa. São tantas as filhas amadas do Pai que vivem longe do que é seu, esperando o que já têm. Cristo Jesus, a pessoa que mais ama em todo o Universo, decidiu que, com esse amor mais forte do que a morte, iria entregar a todos nós a chave, o novo lugar e a honra. Isso tudo já nos foi estendido como um presente precioso. Ele é seu! Nas páginas desse livro, caminhe com Viviam para descobrir o que isso significa. Caminhe com todas nós, que, pela graça e bondade de Deus recebemos – fizemos a escolha de receber – tudo o que o Senhor já fez, já entregou e já nos presenteou. Vivemos agora como quem já não tem falta, mas que tem mais do que os olhos ou o coração podem imaginar. Agora, não estendemos mais mãos pedintes, mas, sim, mãos repletas para repartir e honradas para honrar. “Coloque-me como um selo sobre o seu coração (…) pois o amor é tão forte quanto a morte (…) Suas brasas são fogo ardente, são labaredas do Senhor.” Cântico dos Cânticos 8.6 Leila Paes Pastora da Igreja da Cidade, ao lado de seu esposo Carlito Paes, Pastora de Adoração e psicóloga

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introdução


A Honra do rosa

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unca me imaginei fazendo uma introdução como esta. Mais do que um livro, essa é a introdução de minha vida em forma de livro, pois essa obra trata de algo que literalmente foi concebido, gerado e nascido no ambiente mais lindo e profético que existe: a igreja. Sou fruto e investimento do Corpo de Cristo. Essa história não é apenas minha. Nas próximas páginas, você se deparará com homens, mulheres, crianças e líderes que construíram comigo essa tentativa de expressar o que o Amado de nossas almas pode fazer na vida de Suas filhas. Essas páginas não esgotam Seus feitos, pois Suas fontes são inesgotáveis. Esse não é um livro de dicas ou passos para se alcançar algo, mas uma tradução de vivências de mulheres nos mais variados ambientes. 27


Introdução

Escrevi esse livro com centenas de mãos e corações. Existem aqui manifestações da graça de Deus que nunca pensei em viver e que só foram possíveis por causa dos propósitos Dele, os quais se cumprirão em nossa vida, custe o que custar. Não foi difícil reunir mensagens, histórias, canções, ministrações e testemunhos; o difícil foi lidar com tudo isso com o devido valor. Estamos delineando e apresentando com nossas letras o resultado do Criador ao amar e cuidar de Sua criação. Honro e respeito Suas obras, e isso para mim é o mais desafiador. Enquanto escrevia, compartilhava desse sentimento com intercessoras que me seguravam em oração, mulheres que me viam entre papéis, escrevendo e fluindo em todo esse conteúdo. Sou fruto de orações de mulheres e creio que os decretos de Deus em minha vida por meio delas se cumprirão. Tive uma mãe apaixonada por um Deus a quem eu não via como vejo hoje. Tive um Aprendi, desde cedo, pai que, assim como minha mãe, já faleceu, a partilhar ideias, e hoje experimenta desse Deus mais do que responsabilidades em toda a sua vida aqui na Terra. Embora e lideranças. tivesse essas pessoas em minha vida, tive uma infância intensa e muito complexa, o que percebo que culminou em uma grande dificuldade em me expressar. Humilhações, abusos e distúrbios de aprendizagem levantaram grandes barreiras para tudo o que faço hoje. Apenas Deus e eu sabemos quanto suor e lágrimas saem quando preciso ministrar ou escrever! Somos, entretanto, um corpo e o que você lê é também fruto de homens e mulheres que transformaram meus textos e simplificaram meus pensamentos. Com todos eles reparto o mérito de tudo. Aprendi, desde cedo, a partilhar ideias, responsabilidades e lideranças. Minhas limitações me disciplinaram a entender que eu nunca poderia caminhar sozinha. Ao fim de 2011, recebi um convite de uma pastora linda que tem sido inspiração para uma comunidade inteira e que tem a cada dia descoberto o que é ser igreja e nos ensinado a viver em uma visão. Leila Paes é uma mãe, uma amiga, uma mentora e uma pastora com “P” maiúsculo! Ao final daquele ano, ela me desafiou a conduzir o ministério de cuidado com as mulheres da igreja, o Feminina. No decorrer dos dias, fui me sentindo incapaz

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e impossibilitada; cheguei a pensar em entregar o desafio. Como poderia transformar, inovar e agregar novas visões e caminhos a um ministério já tão usado e que a cada dia vinha recebendo mais de Deus? Eu não sabia, contudo, que estava prestes a iniciar um tempo de profunda cura e libertação. Vejo que isso ainda perdura, enquanto passo pela escrita dessas memórias. Sou uma mulher que recebe, a cada dia, porções de vida para levar o Reino do Rei dos reis a cada coração de filha amada, flecheira, princesa, rainha e sábia. Prosseguimos nesse “desafio rosa”. Foram lindas, crescentes e surpreendentes Toda mulher tem um celebrações Feminina, proféticos e resgatadestino profético. dores retiros espirituais, novos ministérios e a composição de uma linda equipe rosa! Elas são meus olhos, braços e pernas. Não faria nada sem o amor e a dedicação dessas guerreiras que amam intensamente a Deus e a igreja, a quem seguem, como gosto de dizer, apenas “pelo cheiro”, de tão sensíveis que são. Hoje, são quase cem mulheres em nossa equipe. Amo-as grandemente, enquanto vejo que suas histórias de vida impulsionam outras. Elas me ensinam a ser mulher, mãe, filha, irmã e amiga, cada uma com sua particularidade, jeito inusitado e trajetória. Estar com elas é diversão na certa. É ter conversas agradáveis regadas a risadas e lágrimas, é partilhar do que vivemos no secreto com Ele e de nossas experiências com o Espírito Santo e, é claro, desfrutar de muitas gostosuras, como nosso biscoito preferido coberto com chocolate (sei que elas sorrirão ao lerem sobre isso). Viver com mulheres e participar de suas lutas e vitórias pode ser desgastante, se isso for encarado com o foco em si mesmo. Mulheres podem ser cruéis, violentas e até traidoras. É um risco que corremos em qualquer ambiente, pois elas estão por todos os lados. Tenho aprendido que, mais do que criticá-las, se conseguir trazê-las para junto do secreto com o Amado, elas serão curadas e resgatadas. E mais: ganharei o convívio de mais uma mulher pronta a levar o Reino adiante, diminuindo, assim, o risco de ela, ou de quem estiver por perto, se machucar.

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Introdução

Toda mulher tem um destino profético. Toda mulher é capaz de viver com intensidade sua feminilidade. Toda mulher é um potencial para o Reino. Não desisto delas, pois um dia não desistiram de mim. Meu alvo é que as mulheres de minha comunidade, e todas a quem possa alcançar, conheçam a maior história de amor que já existiu e, assim, ganhem outras mulheres que estão vivendo falsos romances longe do Criador. Esse livro tem conteúdo para invadir corações femininos e masculinos, líderes e liderados, adolescentes e mulheres maduras. Essa obra foi feita por várias mãos para que chegasse a várias outras mãos, porém com um só coração, um coração igual ao do Amado Jesus. Viviam Ribeiro, a honrada1

1 Os nomes que acrescentamos às mulheres que citaremos aqui são nomes bíblicos e proféticos que recebemos do Senhor em ambientes de ministração e intimidade com Ele. Esses nomes reafirmam nossa identidade, valor e a forma como Ele mesmo nos vê.

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I rosa não é uma cor, é um valor


“Eu acredito no rosa. Acredito que as meninas felizes são as meninas mais bonitas. Acredito que amanhã é outro dia e eu acredito em milagres.” Audrey Hepburn

“E a sua luz tinha todas as cores do arco-íris nas nuvens. Esta era a luz brilhante que mostra a presença da glória do SENHOR.” Ezequiel 1.28 (NTLH)


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ma cor, um valor. Para mim, o rosa é mais do que uma cor numa tabela de tonalidades. É uma essência que me lembra de que há algo a ser resgatado na vida de toda mulher.

Quando falo sobre o rosa, não estou advogando que essa cor deva ser o padrão no guarda-roupa ou em objetos pessoais de uma mulher, nem mesmo estar entre suas preferências dentre tantas outras tonalidades criadas por Deus. Apenas gostaria de levantar a atenção para o fato de que as cores, todas elas, falam algo ao coração. 35


Rosa não é uma cor, é um valor

Cores escuras, por exemplo, remetem a dias frios e cinzentos. Cores quentes, a alegres dias ensolarados. O branco traz à memória o casamento, enquanto o preto, o luto. O verde parece nos levar à tranquilidade de um cenário no campo; o azul, a um belo dia na praia. Cores expressam ambientes e sensações de forma quase instintiva e, por isso, elas são de alguma maneira uma linguagem muito ampla e praticamente universal. Não existem cores que encarceHá algo a ser ram pessoas e ideias (por isso, homens podem usar resgatado na vida o rosa, e mulheres o azul!), mas é um fato que elas de toda mulher. podem nos levar a certos pensamentos e posturas. Em nossa cultura, o rosa acompanha a vida de uma mulher. O laço rosa-bebê na mantinha perolada da pequena menina que nasce; os frufrus rosa-chiclete da menina na pré-escola; as bonecas de pano e os bebezinhos com vestidos rosados em cima da cama da menina; as canetas e os lápis com penas e penduricalhos lilás, rosas e alaranjados nos estojos da garota em idade escolar; a bicicleta pink, o tênis de vôlei ou de futebol com detalhes rosa e até o skate com adereços em tons rosados da adolescente; a moto ou o carro da moça já crescida com adesivos rosa. O buquê e as flores do casamento da noiva podem levar essa cor. Mais um pouco de tempo, vêm as roupinhas e enxovais comprados nas lojas, com todos os tons de rosa, para uma bebê ainda no ventre ou para presentear amigas ou sobrinhas. Já no fim da vida, uma mulher passará os dias mais cheirosos e confortáveis envolta em cobertores rosas, chinelos de panos rosa ou um xale lindo em tons lilás, tomando chá em xícaras com flores delicadas, sorrindo ao ver ao seu redor filhos e netos queridos. Toda mulher tem o rosa em sua vida, porque tem a feminilidade dentro de si – ainda que essa cor precise, de alguma forma, ser resgatada em sua alma.

Um resgate Sou uma mulher em plena jornada desse resgate. Com quase quarenta anos, vivo a mais intensa cor rosa que poderia ter vivido em toda minha vida. Posso compará-la a todos os outros tons, nuances e texturas de rosa que experimentei até aqui. 36


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Filha de uma mulher incrível, sou reflexo de uma mãe apaixonada por Jesus e Sua obra. Ainda muito pequena, lembro-me de acompanhar minha família à igreja e participar de todos os eventos daquela pequena, porém amorosa comunidade de fé. Tínhamos uma vida financeira bem precária. Sem carro, tínhamos que andar muito para todos os lugares, mas não me lembro de minha mãe murmurando em absolutamente nada. Como meus pais precisavam trabalhar muito, minha infância foi bem autônoma. Fui praticamente criada por tios, primos mais velhos e, bem, eu mesma. Amava os animais e, durante uma fase de minha vida, eles eram meus companheiros, confidentes e amigos. Devido a esse contexto sem proteção e cuidado, vieram abusos morais e sexuais de Algo mantinha meu homens e mulheres, às vezes muito sutis, e rosa aceso e vivo: outras, mais agressivos. Junto a eles, fui deo caminho do Amado. senvolvendo mecanismos de defesa que me levaram à ira, à tentativa de auto prazer, à passividade e ao isolamento. São marcas profundas que ainda estão sendo tratadas no colo do meu Senhor; entretanto, nada tirava de mim a alegria de ser uma menina extremamente esperta e cativante. Confesso que a fase da minha primeira infância, a fase da filha amada2, foi bem danosa. O brilho desse tempo se deu em minha conversão a Jesus, com 6 ou 7 anos, quando algo incrivelmente lindo entrou em mim. Um pouco mais velha, amava comer amoras roubadas da vizinha e passar férias no sítio de tios com melhores condições financeiras. Ali vivi minha fase de flecheira muito bem: brincava sozinha ou com primos, nadava no lago e colhia muitas frutas para que minha tia fizesse doces. Durante muito tempo não víamos melhoras na situação de nossa família. Em meados de 1983 saímos de São Paulo, capital, para o interior do estado. Meus pais iriam administrar ali uma creche para crianças carentes, na tentativa de recomeçar uma nova vida. Ali me sentia bem à vontade, pois, no fundo, minha vida não era muito diferente daquelas crianças, a não ser por ter um pai, o que a maioria delas não tinha. Meu relacionamento não era muito profundo com minha mãe. Anos mais tarde, vim a entender que sua vida também havia sido marcada por 2

As fases da feminilidade serão descritas com mais detalhes no Capítulo 3.

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agressões e traumas, o que a impedia de ser íntima de qualquer pessoa, até mesmo de sua filha. Nas “escalas do rosa” da vida, estava durante esses anos numa tonalidade bem clara, talvez opaca. Ainda pulsava em mim um desejo por uma explosão de cores. Sem ter sido introduzida à feminilidade e sem saber direito como a vida acontecia, algo mantinha meu rosa aceso e vivo: o caminho do Amado, mostrado a mim pela minha mãe. Todas as manhãs, antes de pegar o ônibus para a escola, eu a via sentada perto de um muro baixo, lendo sua Bíblia e orando, enquanto olhava para montanhas perto de nossa casa. Ela dizia como Deus era lindo e forte e essa declaração nunca saiu de mim. Alguns anos depois, tudo o que mais temia em minha vida aconteceu: minha mãe veio a falecer. De um mal súbito com pico de pressão arterial, ela foi para o hospital em uma manhã e na madrugada do outro dia não estava mais ali. Meu rosa desbotou completamente. Quando uma mulher perde sua mãe, perde seu chão, sua referência, sua proteção. Deus nos toma para si em situações como essa, é claro, mas é assim que nos sentimos. Por mais que uma mãe seja relapsa e ausente, é alvo do olhar de seus filhos. Você já teve a sensação de estar em um lugar completamente estranho? Essa se tornou Não é que aquela minha vida. Havia uma ausência extrema de mulher arredia e em meu pai em casa, um homem também inacaformação casou-se bado em sua masculinidade. Aprendi com ele com um herói? a ser honesta e a cumprir meus compromissos, a ser limpa e a terminar tudo o que começava, mas, com relação à afetividade, essa era uma página em branco em sua vida. Quando minha mãe faleceu, me senti completamente sozinha, como se tivesse ficado sem pais; uma órfã completa. No desespero de não saber como me criar, meu pai casou-se rapidamente. Logo os entulhos dos escombros da ausência da mãe foram soterrados pelos entulhos do impacto de ter uma nova mulher em casa. Foram inúmeras as tentativas de substituir uma vida, de repor uma mãe, na ilusão de que poderíamos fazê-lo tão facilmente como quem troca uma lâmpada.

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Agora estava eu no início da adolescência, acreditando estar Se é por meio de uma mulher só, vivendo as crises existenciais que somos introduzidas à próprias da idade; entrei em um feminilidade, é por meio de uma pequena mulher que labirinto do qual não faz muito somos resgatadas. tempo que saí. Tinha problemas na área da sexualidade, com o luto e com os sentimentos de rejeição, com o medo e, é claro, com a feminilidade. O rosa, então, foi tomado por várias manchas de preto e marrom. Quase não se via sua presença, mas ele teimava em ficar. Se sobrara algum rosa em minha vida, ele foi mantido pelo amor de um homem que começou a me amar na mesma época em que perdi minha mãe. Fabiano, ainda tão novo, não tinha noção de que sua insistência em me amar era, na verdade, uma insistência de Deus em me dizer que eu era a sua menina e que nada iria apagar Seu amor e Sua essência em mim. Hoje, Fabiano é o meu marido. Nunca terei como retribuir seu amor e sua decisão de ser canal de Deus para mim. Minha vida teria sido outra se o amor de um homem (que ainda estava longe de ser o que é hoje!) não tivesse me envolvido. Não é que aquela mulher arredia e em formação casou-se com um herói? Ele enfrentou dragões e inimigos, conseguiu subir em minha torre e me resgatou de mim mesma, conduzindo-me a uma vida de cumplicidade e ternura. Começamos um lindo processo de crescimento mútuo para, juntos ao Rei, reinarmos em vida. Anos se passaram e lembro-me de uma vez ter sido convidada para pregar em uma celebração de mulheres da igreja, ministério chamado Feminina. Já era casada e era uma ministra da igreja. Vi-me ali no ambiente mais desconhecido e estranho (na verdade, rosa!) que já havia estado! Dei uma palavra breve, enquanto todas as cores e sensações do ambiente feminino pareciam me assustar e ofuscar minha visão. Cheguei em casa pensando: “como elas conseguem gostar disso?”. Ainda não sabia, mas a percepção de que precisava de uma cura profunda seria descoberta em breve. E não demorou muito. Logo, a chegada de um ser minúsculo que saiu de mim iria mudar minha vida. Uma filha! Um “tufo” rosa, um choro, um riso: uma feminilidade fresquinha vinda dos céus. Ela certamente trazia recados 39


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do Criador a mim; são tantas as histórias dessa pequena que poderia escrever outro livro. Dois anos depois, ganhei outro pequenino tufo rosa, minha segunda filha. “Meu Deus! Não dou conta nem de mim, como vou fazer com mais duas?”, pensava. Uma delas sempre foi pura agitação, extremamente corporal e quase não me deixava pensar. Outra, puro brilho e tons de rosa! Algo lindo começou a renascer em mim. Se é por meio de uma mulher que somos introduzidas à feminilidade, é por meio de uma pequena mulher que somos resgatadas. Uma tem-me ensinado a ser organizada, engraçada e criativa, enquanto outra tem-me ensinado a me vestir, a usar maquiagem e falar docilmente. É incrível a forma de o meu Deus agir. Seguiu-se a partir daí um longo caminho de celebrar vitórias sobre as guerras da alma e contra o Diabo, uma jornada de cura e de libertações, de rejeição às minhas heranças familiares prejudiciais e de interrupção de ligações que eu mesma estabeleci. A cada dia, vou-me desligando mais das influências de Satanás, da carne e do mundo. Chegou o tempo, então, em que me vi pronta para começar a enxergar os tons de rosa em minha caminhada como mulher. Pude perceber, nesses ambientes de cura, como Deus havia conduzido minha feminilidade.

O valor de uma cor O rosa seguirá a vida de uma mulher, quer queira, quer não. Conheço centenas de mulheres e posso assegurar que todas que experimentaram cura, deixaram seu guarda-roupa e sua vida mais coloridos. Certa vez, em um de nossos retiros com mulheres, ministrei sobre esse tema. Ao final, uma mulher veio ao meu encontro e me pediu para acompanhá-la até seu dormitório. Quando abriu a sua mala, o que eu vi foram montes de roupas pretas, cinzas e marrons. Chorando, ela me disse: “Como nunca percebi isso? Porém agora, estou curada. Meus olhos se abriram!”. Tenho para mim que o rosa sempre revela algo. É muito comum encontrar mulheres totalmente avessas a essa cor, até ao ministério com mulheres. Não foram poucas as que já me testemunharam que, antes de se encontrarem em sua feminilidade, achavam aquele nosso ambiente piegas e irritantemente pegajoso. Chego até rir por dentro quando ouço 40


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isso, pois fui assim também e me identifico com as que chegam a nossas celebrações e aos nossos retiros com uma aversão e rebeldia no olhar. Algumas diziam que até frequentariam nossos ambientes, mas nunca usariam rosa; e o mais surpreendente é que nunca dissemos para nenhuma mulher usar essa cor. Algumas até pareciam querer que pedíssemos isso a elas, mas um apelo nesse sentido nunca será ouvido por nós.

A beleza revela, na verdade, a essência de Deus, e não a nossa.

Deus ama todas as cores e gosto de pensar que todas elas foram feitas para nós, mulheres. Na construção de Seu templo, Deus mostrou claramente preferências para as cores azul, roxo e vermelho; então, com certeza essas cores significavam algo perfeito e profundo para Ele. As cores têm valor.

É claro, então, que não estamos falando de uma cor em si. Não uso rosa diariamente, nem tenho tudo nesse tom; embora goste da cor, aprecio e uso todas as outras. Por vezes, percebo que evito cores mais alegres em dias em que a alma não está tão alegre assim. O que normalmente faço não é simplesmente mudar de roupa, mas ir ao secreto para que o Espírito Santo me toque e me ajude. Recebendo esse refrigério, quem sabe não me sinta tranquila para trocar minhas roupas, passar um batom ou simplesmente colocar uma pulseira para dar um brilho! Com o valor que o rosa imprime, virão outras expressões femininas de quem entende que a beleza revela, na verdade, a essência de Deus, e não a nossa. Sapatos, maquiagens, colares, brincos, perfumes, tudo com equilíbrio e bom gosto, sem exageros, inspiram e alegram tudo ao nosso redor. Sempre digo às mulheres da equipe de nosso ministério: “não quero vê-la sem perfume, sem cor e sem brilho!”, pois cada uma tem um brilho de Deus a revelar. Logicamente, há aquelas que precisamos incentivar “para mais” e aquelas que precisamos incentivar “para menos”. O fato é que a humanidade espera vir da mulher vislumbres do Criador. Creio, contudo, que estar com a cor rosa diante dos olhos nos faz lembrar o quanto temos a resgatar. Há muito a ser trabalhado para a reconquista daquilo para o qual fomos feitas, pois em cada célula de uma mulher há uma gota de uma essência, colocada por Deus, para nos lembrar de quem somos e de quem Ele é. 41


Rosa não é uma cor, é um valor

Assim como uma aliança em meu dedo me lembra de que pertenço ao meu marido, a cor rosa (ou talvez, cores mais alegres, como preferir) nos lembra da feminilidade dada a nós e de que pertencemos a ela. Leia o depoimento de uma mulher que redescobriu a honra do rosa em sua vida:

“Sempre fui muito moleca, gostava de brincar na rua, andar de bicicleta. Para mim, meninas que não gostavam dessas brincadeiras estavam sempre se cobrindo de cor-de-rosa e todo mês tinham uma Barbie diferente. Na minha adolescência, me dei conta de que não suportava essa cor. Para mim, se eu passasse a usá-la, teria que ser uma garota chata, fresca e diferente de quem eu era. Sempre deixava claro que detestava aquela cor e isso até virou motivo de brincadeira entre as amigas. Certa vez, em um amigo secreto, disse: “se alguém me der uma roupa, que não seja curta, que não tenha babados e que não seja rosa”. O que eu ganhei? Uma roupa nessa exata descrição! Foi uma brincadeira, mas, no fundo, fiquei triste. Fui pela primeira vez a um retiro de meninas solteiras da igreja e fui surpreendida com tanto cuidado e amor. Terminei restaurada em muitos aspectos, mas ainda não aceitava a cor. Naquele ano, tivemos o “Outubro Rosa”. Pânico geral. As meninas da banda de que fazia parte e que tocaria nesse dia tiveram a ideia de todas usarem rosa. Eu não queria e pensei em pedir para não tocar. Conversei com Deus e disse: “Você sabe do meu pavor! O que você quer de mim?” Em uma voz doce e meiga, ouvi: “Quero curá-la e mostrar sua essência. Permita-se. E não empreste roupa de ninguém. Compre a blusa mais rosa que encontrar.” Eu chorei, mas aceitei e disse: “Não vou comprar uma blusa cara, ok?”. Decidi obedecer e comprei logo uma camisa pink! A partir daí e por meio de nossa igreja, fui sendo curada ao entender que rosa é um valor. Entendi que eu sou exatamente como Deus quer e que usar a cor não tem a ver com negar quem eu sou, mas relembrar algo em mim. Comecei a treinar jiu-jitsu e vi que o rosa não era só a cor do ballet: existem quimonos rosa

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também! Hoje eu acredito no valor da feminilidade, do rosa que representa a força, a singeleza, a determinação, a coragem e a ousadia feminina. Jesus me curou, fazendo-me ainda mais feminina e mantendo-me como realmente sou. Hoje, não tenho problemas com essa cor e não recuso presentes cor-de-rosa!” Amanda, a agraciada

Escolhidas para dançar Somente uma mulher pode introduzir outra mulher ao universo feminino. É assim que recebemos as tonalidades rosa, em beleza e equilíbrio, ainda em nossa infância. O que acontece é que muitas passam por esses anos sem esses marcos físicos e espirituais e, assim como eu, são chamadas pelo Amado a resgatar essa essência; a viver, posso dizer, uma passagem para a feminilidade. É por causa dessa lacuna na formação da feminilidade que não é incomum que Somente uma mulher mulheres rejeitem o universo rosa. Muipode introduzir outra tas preferem amigos homens e algumas mulher ao universo chegam até a querer ser um homem, pois, feminino. além de dar bem menos trabalho, poderiam fugir e se afastar de algo que elas nem sabem bem o que significa. Temos visto que a homoafetividade feminina nasce, dentre outros fatores, de um desajuste em relação a outras mulheres e de uma empatia em relação aos homens, não como parceiros, mas como exemplos. Nós, mulheres, podemos nos encontrar tão longe dos sonhos de Deus que podemos conduzir meninas em formação a um caminho sem volta em sua identidade e que chegará à uma tendência de mudança em sua própria natureza. Um abuso sexual de uma menina por um homem poderá, por exemplo, gerar uma aversão ou uma compulsão pelo sexo com homens. Um abuso de uma menina por uma mulher poderá, por sua vez, levá-la a se sentir aceita e incluída, numa mistura de sensações confusas da materni43


Rosa não é uma cor, é um valor

dade, fraternidade e prazer. Quando uma menina é levada a uma aversão por ela mesma e ao seu gênero, numa tentativa de se ver livre da agressora que agora se vê em si mesma, ela poderá tentar anular o rosa dentro dela, passando a buscar ser a parte masculina de um relacionamento. Existe, porém, um caminho lindo de resgate à identidade feminina. No Brasil, não temos essa cultura, mas já vi muitas vezes minhas filhas Você pode estar certa de suspirarem (e eu mesma, para falar a que recebeu um convite verdade) ao assistir filmes de adolesmuito especial para o centes nas high schools americanas, mais lindo baile de todos. que mostram o famoso momento do baile anual e a espera dos convites de quem irá com quem. Quando uma garota aceita o convite de um rapaz, na noite do baile, o seu par vem buscá-la e, conforme a tradição, ele lhe dá uma linda flor para ser usada no pulso, um adorno chamado corsage. Ao usar aquela flor, a garota demonstra que alguém a chamou, alguém se interessou, alguém foi corajoso o suficiente para fazer-lhe um convite. É um marco no coração dessa menina, que, antes do baile, foi especialmente preparada para a ocasião por sua mãe, irmãs ou primas, como se toda a ocasião lhe dissesse: “agora, você já é uma mulher”. Muitas de nossas mulheres não foram convidadas para um baile; outras tantas não receberam um convite com pureza e carinho. No entanto, você pode estar certa de que recebeu um convite muito especial para o mais lindo baile de todos. O Rei convidou você. Ele a chama, a escolhe e se arrisca por você. Ao buscá-la em sua casa, Ele lhe entrega uma flor para colocar no pulso – é claro, com tonalidades de rosa. Em seu encontro com Ele, você ouve a declaração: “você já é uma mulher!”.

A história de Débora Débora3 nunca foi chamada para um baile. Faltou-lhe alguém que olhasse em seus olhos e lhe dissesse: “você é uma mulher”. Na verdade, ela lutou desde o ventre de sua mãe com a sua identidade. Como tantas 44

3 Alguns dos nomes dos testemunhos foram alterados para manter a privacidade dessas queridas mulheres.


A Honra do rosa

outras histórias, não há culpados no seu relato, somente as consequências quase irreparáveis do A honra do rosa distanciamento da presença de Deus. Na época está no valor de em que nasceu, não havia ultrassons modernos viver os planos de Deus para o coração e a revelação do sexo de uma bebê era guardado de uma mulher. até seu nascimento. Na família de Débora, a chegada do “Caio” era um sonho e uma certeza. Todo o enxoval fora feito com muito carinho na cor azul, porém, esses planos foram adiados quando Débora nasceu. Ao receber a notícia, sua mãe apenas disse: “Ah, é uma menina”. Como não poderia deixar de ser, Débora cresceu bem moleca, mas muito feliz. Tornou-se uma mulher muito bonita, apreciadora de corrida de carros e de disputas com seus namorados nos quesitos masculinos, pendendo a uma sexualidade quase distorcida. Continuou a viver sua vida sem parâmetros, até que teve sua vida transformada pelo Espírito Santo de Deus. Foi quando a honra do rosa começou a surgir, a começar pela chegada da salvação em sua vida. Débora ganhou uma nova identidade e uma vida eterna; começava ali o resgate de uma feminina. Passou por diversas crises, mas, já em Cristo, Débora chegou ao casamento e à primeira gravidez. O sexo? Uma menina! O nome já estava escolhido: Joice. Que delícia gerar outra vida. Começaram todos os preparativos: quarto, roupas e enxoval, tudo em vermelho, sua cor predileta. Apesar disso, algo em sua alma parecia não se encaixar bem. Já perto do final da gestação, o bebê parou de receber nutrição e começou a regredir em sua evolução uterina. Em algumas semanas, Joice foi para os braços do Criador. Um choque, uma tragédia incompreendida. Uma mulher que perde seu bebê traz consigo uma marca que levará para sempre, uma cicatriz no útero e no coração. Alguns anos se passaram e Débora engravidou novamente, agora, de um menino, a alegria da família. Tudo parecia superado. Um dia, após ter relutado muito, Débora decidiu ir a uma de nossas celebrações para mulheres. Naquela noite, eu estaria ministrando sobre um tema que também é capítulo desse livro. Ao se aproximar das cadeiras, cobertas com capas rosas que usamos nessas celebrações, Débora se deparou com os dizeres: “Aqui está sentada uma mulher feminina”. Num relance, 45


Rosa não é uma cor, é um valor

Cada vez que adoramos, nosso rosa se torna mais celestial e divino.

ela se viu paralisada diante daquela verdade. Uma venda acabara de cair e ela ouviu de seu Criador: “você é uma linda mulher”.

Começaria a partir dali um profundo resgate de sua feminilidade. Diante de uma cura maravilhosa à vista, Débora não somente caminhou, mas correu na sua direção! O Amado a tomou por completo, a amou e a curou. Ela, sua família e seu casamento foram curados. Foi quando o Criador lhe disse docemente que, na verdade, o significado da partida de Joice era que, naquele tempo, Débora havia parado de nutrir tudo o que significava a essência feminina em si, inclusive em sua gestação. Quando Débora me disse isso, fiquei espantada por sua declaração e tentei amenizá-la dizendo que não havia culpados. Ela, porém, me reafirmou que estava tudo bem e que o Pai soube conduzir tudo sem peso ou acusação. Há pouco tempo, Débora me procurou com alegria para contar de que está grávida novamente: ela espera por uma linda menina. A honra do rosa está no valor de viver os planos de Deus para o coração de uma mulher. Débora me ensinou tanto que até fico constrangida. Mas o fato é que o Espírito também tem testificado essa lição em mim. Em uma de nossas celebrações, chamei Débora para compartilhar seu testemunho, e quase tive de sentar de surpresa quando a vi subindo à plataforma, linda, usando um vestido pink de parar Paris!

Uma doce presença A cor também nos lembra acerca de uma presença. É possível caminhar por onde a doce presença de Jesus, o Amado, nos cerca e testifica acerca da nossa própria essência: “Como uma macieira entre as árvores da floresta é o meu amado (...) Tenho prazer em sentar-me à sua sombra; o seu fruto é doce ao meu paladar” (Cântico dos Cânticos 2.3). O caráter do Amado é de doçura! O texto de Êxodo descreve o sabor do pão dos céus, o maná, enviado para sustentar o povo de Deus no deserto: “O povo de Israel chamou maná àquele pão. Era branco como 46


A Honra do rosa

Quando você se render ao rosa, perceberá que as surpresas passarão a ser parte de sua vida.

semente de coentro e tinha gosto de bolo de mel” (Êxodo 16.31).

O rosa me lembra de que o resgate verdadeiro da feminilidade aconteceu por um preço: a própria vida de Jesus. Quando nos deparamos com essa realidade, algo precisa mudar em nós. Diante dela, passaremos a reconhecer e a priorizar o poder das Suas palavras: “Como são doces para o meu paladar as tuas palavras! Mais do que o mel para a minha boca!” (Salmo 119.103). Diante dessa presença, poderemos também experimentar da Sua abundância; não teremos que viver como se tudo fosse escasso em nossas vidas! Diz o salmista: “Eles se banqueteiam na fartura da tua casa; tu lhes dás de beber do teu rio de delícias” (Salmo 36.8). Assim como nos ambientes por onde uma mulher resgatada em sua feminilidade passa, em que tudo é transformado para melhor, assim será com a presença do Amado. E essa presença é sempre percebida em ambientes de adoração. Em contrapartida, aprendemos que a adoração reflete nossa essência. Cada vez que adoramos, nosso rosa se torna mais celestial e divino, uma marca que nos lembra de que nunca mais seremos as mesmas. A retomada de nosso caminho proposto pelo Criador precisa ser feita rendendo-Lhe a exaltação e a honra. Quando Davi ensinou o povo a oferecer sacrifícios de comunhão e adoração, entregou um bolo de uvas passas para cada homem e cada mulher israelita. “Eles trouxeram a arca de Deus e a colocaram na tenda que Davi lhe havia preparado (...) Após oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, Davi abençoou o povo em nome do Senhor e deu um pão, um bolo de tâmaras e um bolo de uvas passas a cada homem e a cada mulher israelita.” 1 Crônicas 16.1-3 Observe que as mulheres receberam algo. Naquele tempo, elas sequer eram contadas ou mencionadas nos grandes ajuntamentos. No entanto, na adoração, o rosa sempre ganha seu valor e sua aceitação!

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Rosa não é uma cor, é um valor

Certa vez, ao fim de uma de nossas celebrações com cerca de mil mulheres, presenteamos todas com um lindo bolo rosa com recheio de brigadeiro branco, lembrando-nos desse texto bíblico. Imagine o olhar de alegria de centenas de mulheres com essa surpresa! Até as que não são chegadas em doce (ou em rosa!) foram impactadas. Não me pergunte como conseguimos fazer bolos para todas, mas até sobrou pedaços para mostrar a generosidade de nosso Deus. Quando você se render ao rosa, perceberá que as surpresas passarão a ser parte de sua vida, enquanto as pressões e os medos que existiam irão, carinhosamente, sendo lançados para a Rocha mais alta que você. Antes de prosseguir, gostaria que você lesse alguns curtos depoimentos, dentre tantos outros, em relação à cura da feminilidade por meio de uma aparentemente inofensiva cor, mas tão vital ao universo: o rosa! “Quantos são os tons de rosa? Com exatidão, não consigo falar, mas não me importa se vou de rosa claro ou escuro, pink, rosê ou fúcsia, o que me importa é que aprendi algo simples, mas profundo: rosa não é uma cor, mas um valor! Podemos ser diferentes; cada uma em seu tom, mas quando juntamos tudo, tornamo-nos um rosa só, aquele que exala um bom perfume e que fala sobre uma essência, a feminina!” Jackeline, a vitoriosa “Hoje a minha vida tem mais cor, meu guarda-roupa mudou de preto e branco para rosa e muitas outras cores. A mudança externa reflete a mudança interior. A timidez e o isolamento têm sido trocados por relacionamentos saudáveis. A falsa seriedade tem dado lugar à liberdade para sorrir. A rejeição fica cada vez mais distante. Tenho aprendido a ver Jesus como meu Amado, e tenho me inspirado a levar o Amado para outras mulheres. Hoje, esse versículo faz parte da minha vida: Eu, Alessandra, sou do meu Amado e Ele é meu.” Alessandra, a atraída

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A

essência feminina foi colocada pelo Criador em cada mulher, porém, as marcas da vida podem obscurecer sua beleza original. Viviam Ribeiro ministra ao coração da mulher com profundidade

Viviam Ribeiro

O rosa é mais do que uma cor. É uma essência a ser resgatada na vida de toda mulher.

Viviam Ribeiro

e singeleza, desconstruindo a aversão à feminilidade ao compartilhar, a partir de sua história e de muitas outras, como um relacionamento livre e

Viviam Ribeiro

íntimo com Jesus é a chave para o resgate da essência feminina.

É pastora de Discipulado

Feminina, que promove o pastoreio, ensino e cuidado de mulheres de todas as idades, incluindo adolescentes, gestantes, idosas, solteiras e casadas. Viviam lidera esses ministérios e suas equipes em toda a Rede de Igrejas da Cidade. Natural de Americana (SP), é Bacharel em Nutrição e Mestre em

“A reafirmação do propósito original e do valor intrínseco, dado por Deus, para os gêneros feminino e masculino é algo muito bem-vindo em nossos dias. Ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus e expressam Sua natureza de forma especial. Recomendo essa leitura esclarecedora não apenas para as mulheres, mas para todos que querem entender e descobrir o que está no coração de Deus para elas.” Carlito Paes - Pastor líder da Igreja da Cidade em São José dos Campos e da Rede de Igrejas da Cidade. “Nas páginas desse livro, caminhe com Viviam e com todas nós, que, pela graça e bondade de Deus recebemos – fizemos a escolha de receber – tudo o que o Senhor já fez, já entregou e já nos presenteou.” Leila Paes - Pastora de Adoração da Igreja da Cidade e psicóloga

Teologia com concentração em

émãe mãede deduas duasfilhas. filhas.

Acesse conteúdo exclusivo em: www.editorainspire.com.br/ahonradorosa

A Honra do Rosa Redescobrindo o valor de ser feminina

Educação Cristã pela FTBSP. Casada com o pastor pastorFabiano FabianoRibeiro, Ribeiro,é

Coloque-me “como um selo

ISBN: 978-85-7708-116-5

sobre o seu coração (…) pois o amor é tão forte quanto a morte. Suas brasas são fogo ardente, são labaredas do Senhor.

Líder do Ministério

A Honra do Rosa

da Igreja da Cidade.

Cântico dos Cânticos 8.6

A honra do rosa  
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