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AMELINA CHAVES

AMELINA CHAVES

AMELINA CHAVES

TÉO AZEVEDO

Petrônio Brás

Apoio:

TÉO AZEVEDO -

Téo Azevedo já escreveu e publicou mais de mil folhetos e pequenos livros com literatura de cordel. No ano do centenário de Guimarães Rosa ele nos brindou com “Os 100 anos de Guimarães Rosa”. O compositor e violeiro Téo Azevedo está presente na música popular brasileira, com inúmeras músicas gravadas por artistas como Gonzagão, Sérgio Reis, Zé Ramalho, Jair Rodrigues e tantos outros. Ele é o responsável, o grande incentivador da Folia de Reis de Alto Belo, município de Bocaiúva, Minas Gerais.

A trajetória artística e pessoal de Téo Azevedo, o cantador de Alto Belo, é revisitada neste livro, da escritora e historiadora Amelina Chaves, que é, ao mesmo tempo, uma antologia poética e um resumo biográfico. Autor de mais de um milhar de cordéis, compositor gravado por alguns dos maiores valores da nossa música, produtor musical premiado, devoto dos Santos Reis e divulgador das tradições populares, a vida de Téo Azevedo é um tributo à cultura no que ela tem de mais autêntico e necessário. Uma vida de verso e viola, à disposição dos leitores sensíveis ao seu talento e dos amantes do Brasil multifacetado.

CATRUMANO 70

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TÉO AZEVEDO CATRUMANO 70

O poeta Téo Azevedo, músico e compositor, membro da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, é um produtor de literatura de cordel. Ele produz uma literatura de cordel de alto nível. Téo Azevedo, como afirma, nasceu poeta e apoia a instalação do cordel como ferramenta cultural obrigatória nas escolas. Partindo do pressuposto de que “o poeta nasce feito”, segundo ele, para fazer literatura de cordel o interessado tem que ter nascido com o dom da poesia. A poesia, no cordel, não acompanhou as mudanças trazidas pelo modernismo. Nela devem encontrar-se presentes a métrica e a rima, que segundo Téo Azevedo deve estar no sangue do poeta. José Lins do Rego e Guimarães Rosa, principalmente, foram influenciados pela literatura de cordel.


Amelina Chaves

TÉO AZEVEDO CATRUMANO 70

1a edição São Paulo / 2013

EDITORA AQUARIANA


© 2013, Amelina Chaves

Organização: Marco Haurélio Digitação e 1a revisão: Cláudio Rogério Guimarães Editoração e revisão final: Antonieta Canelas Capa: Editora Aquariana

C I P - B R AS I L . C ATAL O G AÇ Ã O N A P U B L I C AÇ Ã O S I N D I C ATO N AC I O N AL D O S E D I TO R E S D E L I V R O S , R J C4 3 9 t Chaves, Amelina Téo Azevedo: Catrumano 7 0 / Amelina Chaves. - 1. ed. - São P aulo : Aquariana, 2 013 . 2 5 6 p. : il. ; 2 1 cm. Inclui índice ISBN 9 7 8 -8 5 -7 2 17 -17 2 -4 1. Azevedo, Téo, 19 4 3 -. 2 . Compositores - Brasil - Biografia. I. Título. 13 -06 6 5 3

2 9 / 10/ 2 013

CD D : 9 2 7 . 8 16 4 CD U : 9 2 9 :7 8 . 06 7 . 2 6 3 1/ 10/ 2 013

Direitos reservados: Editora Aquariana Ltda. Av. Mascote, 1568 – Vila Mascote Cep: 04363-001 – São Paulo / SP Tel.: (11) 5031.1500 / Fax: 5051.3462 vendas@aquariana.com.br www.aquariana.com.br


Apresentação, 9 Téo Azevedo no Sertão Roseano, 11 Nossa terra, 13 Pires de Albuquerque, 15 “O belo de Alto Belo”, 17 Téo Azevedo e suas raízes, 18 Lembranças do passado, 20 Música como herança, 22 Geraldo Magalhães, 25 “Flor de Maio”, 33 Infância e juventude, 35 Encontro e parceria com Luiz Gonzaga, 36 “A peleja de Gonzagão versus Téo Azevedo”, 42 “Meu orgulho é ser vaqueiro”, 44 Voltando no tempo, 44 Filhos das andanças, 49 Os caminhos da música, 56 Prêmios e homenagens, 60 “Esteio do Cerrado”, 62 “O Rei do Pequi”, 64 “Téo Azevedo, violeiro do Cerrado”, 67 Da eternidade da poesia, 69 “Faculdade Sertaneja”, 70 Movimento dos Repentistas em São Paulo e Minas Gerais, 71

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SUMÁRIO


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– Repentismo, 71 – O Repentismo no Brasil, 72 Um gênio do povo, 76 Zé Coco do Riachão, 80 RECORDANDO por Reivaldo Canela, 84 Importância da Associação dos Repentistas, 90 “Folia de Reis de Alto Belo”, 93 Origem da Folia, 94 Religiosidade popular, 98 História de Izildinha, a Menina Santa, 100 Lenda do Padre Zé Vitório, 104 Literatura de cordel eternizando os fatos, 108 “O cordel de João Chaves”, 109 “Brasília, cidade da esperança”, 113 “Vida de Juscelino Kubitschek”, 119 “Ruy Muniz, uma história de sucesso”, 150 As profecias de Téo Azevedo, 156 “100 Anos de Mazzaropi” (o Jeca Caipira), 160 “Cordel do Ivan da Silva Guedes, 173 Catrumano, 177 Relato de Téo Azevedo sobre seu conhecimento da palavra “Catrumano”, 178 – Movimento Catrumano, 180 – Invasão Catrumana no Palácio da Liberdade, 181 – O governador cantor, 182 – Interpretações do Catrumano, 184 “Coco da Glória Catrumana”, 187 Caipira, 190 – A viola caipira, 193 – Ludovina e Helena Meirelles: A força da mulher na viola, 197


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“Abecedário Catrumano”, 198 Téo Azevedo canta na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Nova Invasão Catrumana), 199 Aos amigos de Alto Belo, 203 Vida, verso e viola em imagens, 205


A vida de Téo Azevedo é um livro. Partindo desta constatação óbvia, não adiantarei aqui detalhes de sua trajetória, pois isso já foi feito, e muito bem, pela escritora e historiadora Amelina Chaves. Téo é uma daquelas figuras que, por mais rodagem que tenham, não tiram o sertão de dentro de si. Sua poesia, para pegar de empréstimo uma expressão de Sílvio Romero, o grande polígrafo sergipano que deu o impulso inicial para os estudos do folclore no Brasil, é “água de cacimba”. A maneira com que lida e difunde as coisas do povo de sua região, o norte mineiro, e de outros Brasis, faz dele um ser um ser humano especial. É difícil, no entanto, escolher, dentre tantas facetas que abraçou, aquela que melhor o define. Cantor, compositor, poeta, produtor musical, folclorista de rara intuição. Cantador dos palácios e das palhoças. Rapsodo caboclo que empunha sua viola nas romarias desse Brasil de Manoel da Nóbrega e José de Anchieta. Revelador de histórias fascinantes, como a da menina Izildinha, a menina santa, e a do padre Zé Vitório, que tombou vítima de uma bala de ouro. Descobridor de tesouros, como Zé Coco do Riachão, consagrado aos Santos Reis desde o primeiro dia de vida. Zé Coco fazia parte desse Brasil puro — título, aliás, de seu primeiro disco, produzido por Téo — que aos poucos vai recuando ante a marcha inclemente do tempo.

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APRESENTAÇÃO


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Saudamos, pois, essa publicação que, lançada em 2013, celebra os 70 anos de vida do violeiro Téo Azevedo, mas, certamente, não se restringe à data comemorativa. Como livro de referência, será sempre leitura agradável e fonte de pesquisa sobre a vida e a obra de um artista que é o próprio retrato de um Brasil que não pode desaparecer. Marco Haurélio


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Escrever sobre o poeta Téo Azevedo é como falar deste universo chamado sertão onde tantos outros tentaram mapear, e esmiuçar suas raízes. Foram escarafunchando os quatro cantos que compõem este mundão chamado Gerais. Assim fizeram Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha e outros. Cada um pegou um pedaço preferido para catar e somar o saber. Téo Azevedo fez o oposto dos mestres. Situou sua pesquisa no seu mundo de origem foi em busca do infinito desconhecido, ciente da fonte onde nada se perde porque está além da percepção humana, por mais hábil que seja o pesquisador. Se for letrado, pior para ele. Para destrinchar sertão, é preciso nascer dentro dele, sentir os seus cheiros e gostos, comer na gamela e guardar os mantimentos nos balaios de taquaras e os remédios nas cumbucas. E mais: conhecer as raízes milagrosas que “curam todos os males”, ouvir a benzedeira Zefa da Gameleira, lá do Sapé. Quando ela passa o ramo verde num vivente, a terra treme sob seus pés. Mas tenha certeza: isso só não basta. Tem que ouvir na madrugada o canto do bem-te-vi e, na calada da noite, o canto agourento do rasga-mortalha. Tenho certeza que Téo Azevedo sabe disso tudo. Ele já correu mundo. Conheceu terras e mares diversos, mas levou em seu pensamento o sertão, medido e contado, palmo a palmo, porque nunca fugiu às suas origens, e não tem vergonha de ser chamado de matuto. Cursou a faculdade sertaneja e dela tem vários diplomas. Sua sabedoria e vivências ele traz grudadas na alma: é sangue que corre nas suas veias.

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TÉO AZEVEDO NO SERTÃO ROSEANO


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Sertão para ele é estigma, é destino e prece a cada amanhecer. Sertão é ferida que sangra, é amor que cura as mágoas. É desse mesmo sertão que brotaram suas canções e poesias como frutos adocicados de poeta nato, escolhido por Deus para cantar e louvar o sertão nosso de cada dia. Téo mastigou, lentamente, as palavras dos ditados inventados pelo povo, buscou na fonte cristalina da sabedoria popular o meio de sobrevivência doado a todos pelo Criador. Mergulhou fundo nos ranchos simples e lá encontrou a fé pura, como fonte de vida, e cantou no presépio feito de barro pelas mãos habilidosas dos artesãos. Agradeceu e louvou os santos de devoção, sapateou nas salas de chão batido, até levantar poeira. Alegrou nosso povo “miúdo”, sofrido, esquecido. Assim viveu uma vida, uma história fantástica, que, no futuro, vai parecer um conto de fada... Para finalizar esse texto à guisa de apresentação, basta dizer: viva Téo Azevedo, o Cantador de Alto Belo, Patrimônio de Minas Gerais e do Brasil!


NOSSA TERRA

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Sabiá da gaiola fez um buraquinho, Voou... voou... A menina que gostava tanto do bichinho, Chorou... chorou... De quem seria esta música? Pouco importa, versos simples inventados onde? Quando? Não sabemos porque não nos preocupamos com rimas, estética, métrica – palavras inventadas pelos letrados para complicar a poesia que nasce espontânea e livre como a brisa e as flores que brotam em cada primavera e no aboio cristalino do cantor de Alto Belo, homem-terra, fruto da natureza criado por Deus... Cantamos sem compromisso. Tudo tem o esplendor

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Assim olhamos a nossa terra... A infância é o momento mágico de nossa vida. Estamos em construção. Em volta tudo é belo, somos ricos de sonhos e utopia. Toda comida é gostosa, farinha com rapadura, os roletes de cana são os mais doces do mundo, porque são triturados com dentes fortes; corremos descalços pelo capinzal, sem furar os pés, toda a emoção é válida. Nossa terra pode não ter palmeiras, mas o sabiá canta nas laranjeiras, e foge da gaiola e as meninas cantam cantigas de roda que dizem:

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Gonçalves Dias

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Minha terra tem palmeiras Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá.


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da juventude e da grandeza de sermos crianças. Toda beleza está dentro de nós! Menino travesso, teimoso, malcriado. Eu venho de uma vila pobre, trazendo na alma o sonho de ser escritora, Téo Azevedo cresceu, trazendo pendurado no ombro um embornal carregado de sonhos de ser cantador e projetar sua aldeia em prosa e versos por quê? Lá é o lugar mais bonito do mundo. Assim é Alto Belo, nome criado pelo poeta Téo Azevedo. De repente, alguém ao ler estas páginas perguntará: – Onde fica Alto Belo? Como todas as vilas do sertão nascem por acaso...

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Entrada de Alto Belo. Travessia da linha férrea. À esquerda, casa de Jorge, à direita casa de seu Zezinho Pucinho.

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Petrônio Brás

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Téo Azevedo já escreveu e publicou mais de mil folhetos e pequenos livros com literatura de cordel. No ano do centenário de Guimarães Rosa ele nos brindou com “Os 100 anos de Guimarães Rosa”. O compositor e violeiro Téo Azevedo está presente na música popular brasileira, com inúmeras músicas gravadas por artistas como Gonzagão, Sérgio Reis, Zé Ramalho, Jair Rodrigues e tantos outros. Ele é o responsável, o grande incentivador da Folia de Reis de Alto Belo, município de Bocaiúva, Minas Gerais.

A trajetória artística e pessoal de Téo Azevedo, o cantador de Alto Belo, é revisitada neste livro, da escritora e historiadora Amelina Chaves, que é, ao mesmo tempo, uma antologia poética e um resumo biográfico. Autor de mais de um milhar de cordéis, compositor gravado por alguns dos maiores valores da nossa música, produtor musical premiado, devoto dos Santos Reis e divulgador das tradições populares, a vida de Téo Azevedo é um tributo à cultura no que ela tem de mais autêntico e necessário. Uma vida de verso e viola, à disposição dos leitores sensíveis ao seu talento e dos amantes do Brasil multifacetado.

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O poeta Téo Azevedo, músico e compositor, membro da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, é um produtor de literatura de cordel. Ele produz uma literatura de cordel de alto nível. Téo Azevedo, como afirma, nasceu poeta e apoia a instalação do cordel como ferramenta cultural obrigatória nas escolas. Partindo do pressuposto de que “o poeta nasce feito”, segundo ele, para fazer literatura de cordel o interessado tem que ter nascido com o dom da poesia. A poesia, no cordel, não acompanhou as mudanças trazidas pelo modernismo. Nela devem encontrar-se presentes a métrica e a rima, que segundo Téo Azevedo deve estar no sangue do poeta. José Lins do Rego e Guimarães Rosa, principalmente, foram influenciados pela literatura de cordel.


Teo Azevedo