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MANUAL DO PROFESSOR

1 Edilson Adão • Laercio Furquim Jr.

Geografia em rede

MANUAL DO PROFESSOR

Geografia em rede

1

ENSINO MÉDIO COMPONENTE CURRICULAR GEOGRAFIA

Edilson Adão • Laercio Furquim Jr.

ISBN 978-85-96-00359-9

ENSINO MÉDIO 9

788596 003599

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COMPONENTE CURRICULAR GEOGRAFIA

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Geografia em rede ENSINO MÉDIO COMPONENTE CURRICULAR

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GEOGRAFIA

Edilson Adão Cândido da Silva Mestre em Ciências (área de concentração: Geografia Humana) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo Bacharel e Licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo Professor de Geografia no Ensino Médio e Superior

Laercio Furquim Júnior Mestre em Ciências (área de concentração: Geografia Humana) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo Bacharel e Licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo Professor de Geografia das redes pública e particular de São Paulo

2a edição São Paulo – 2016

MANUAL DO PROFESSOR

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Copyright © Edilson Adão Cândido da Silva, Laercio Furquim Júnior, 2016 Lauri Cericato Flávia Renata P. A. Fugita Angela C. Di Cesare M. Marques Rosane Cristina Thahira, Bárbara Berges Suélen Rocha M. Marques, Carolina Bussolaro Marciano, Simone Affonso da Silva Gerente de produção editorial Mariana Milani Coordenador de produção editorial Marcelo Henrique Ferreira Fontes Coordenadora de arte Daniela Máximo Projeto gráfico Casa Paulistana Projeto de capa Bruno Attili Foto de capa Thais Falcão/Olho do Falcão Modelos da capa: Andrei Lopes, Angélica Souza, Beatriz Raielle, Bruna Soares, Bruno Guedes, Caio Freitas, Denis Wiltemburg, Eloá Souza, Jardo Gomes, Karina Farias, Karoline Vicente, Letícia Silva, Lilith Moreira, Maria Eduarda Ferreira, Rafael Souza, Tarik Abdo, Thaís Souza Supervisores de arte Roque Michel Jr., Daniela Máximo Editora de arte Lidiani Minoda Diagramação Lidiani Minoda, Anderson Sunakozawa, Dayane Santiago, Juliana Signal Tratamento de imagens Ana Isabela Pithan Maraschin Coordenadora de ilustrações e cartografia Marcia Berne Ilustrações Alex Argozino, Allmaps, C. Takachi, Luis Moura, Tangente Design, Rafael Herrera Infográficos Alex Argozino, Casa Paulistana, Mauro César Brosso, Saulo Seiiti Takahashi, Studio Caparroz Cartografia Allmaps, C. Takachi, Renato Bassani, Vespúcio Cartografia Coordenadora de preparação e revisão Lilian Semenichin Supervisora de preparação e revisão Viviam Moreira Revisão Carina de Luca, Felipe Bio, Fernando Cardoso, Lívia Perran, Marcella Arruda Coordenador de iconografia e licenciamento de textos Expedito Arantes Supervisora de licenciamento de textos Elaine Bueno Iconografia Enio Lopes, Rosely Ladeira Diretor de operações e produção gráfica Reginaldo Soares Damasceno Diretor editorial Gerente editorial Editora Editoras assistentes Colaboradoras

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Silva, Edilson Adão Cândido da Geografia em rede, 1o ano / Edilson Adão Cândido da Silva, Laercio Furquim Júnior. –– 2. ed. –– São Paulo : FTD, 2016. –– (Coleção geografia em rede) Componente curricular: Geografia ISBN 978-85-96-00358-2 (aluno) ISBN 978-85-96-00359-9 (professor) 1. Geografia (Ensino médio) I. Furquim Júnior, Laercio. II. Título. III. Série. 16-03552 CDD-910.712 Índices para catálogo sistemático: 1. Geografia : Ensino médio 910.712

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

EDITORA FTD S.A. Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo-SP CEP 01326-010 – Tel. (0-XX-11) 3598-6000 Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br E-mail: central.atendimento@ftd.com.br

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Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD S.A. CNPJ 61.186.490/0016-33 Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

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Apresentação É com satisfação que apresentamos esta obra de Geografia, fruto de intensa pesquisa e dedicação, cuja intenção é contribuir para que nossa disciplina possa ser melhor compreendida e discutida à luz das transformações que caracterizam o espaço e a sociedade. O objetivo maior da coleção que ora apresentamos é contribuir para que a Geografia possa ser continuamente compreendida e aplicada ao dia a dia. As grandes transformações que permearam as duas últimas décadas do século XX e as duas primeiras do atual repercutiram decisivamente no espaço geográfico contemporâneo. Cabe à Geografia traduzir esses fenômenos que se cristalizam e ao mesmo tempo dinamizam o território, realizando o ponto de encontro entre o passado e o presente. Nos temas trabalhados aqui, a Geografia que propomos analisa os fatos geográficos sob uma perspectiva dinâmica, conectada com a realidade e com o cotidiano. A interação entre os fenômenos, transformando e produzindo o espaço geográfico, dá a tônica da compreensão do mundo atual e a Geografia é ferramenta imprescindível para tal discernimento. Esperamos que o resultado deste nosso trabalho contribua para a formação de jovens críticos e conscientes de sua cidadania para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e menos desigual. Bons estudos! Os autores

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KARI/ESA

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Unidade

I

A linguagem geográfica e a leitura do mundo Questão inicial

ESCREVA NO CADERNO

“É importante, hoje, mais do que nunca, estar atento a esta função política e militar da geografia, que é sua desde o início. Nos dias atuais, ela se amplia e apresenta novas formas, por força [...] do desenvolvimento dos meios tecnológicos.” LACOSTE, Yves. A Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Campinas: Papirus, 1985. p. 30.

A imagem capturada pelo satélite sul-coreano Kompsat-2 mostra um trecho do deserto da Namíbia, 2012.

• Você concorda com a prerrogativa contida no trecho e com o título do livro de Yves Lacoste? Como as relações de poder contemporâneas utilizam a Geografia, seja no âmbito bélico, seja no econômico ou no político?

Abertura de unidade

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Questão inicial Pergunta que estimula a reflexão inicial, o debate e o levantamento de hipóteses sobre temas que serão abordados na unidade.

Abertura de capítulo Tópicos do capítulo Apresentação dos temas abordados no capítulo. CAPÍTULO 7

Hidrografia e recursos hídricos

Andreas Lander/Picture-alliance/Easypix Brasil

Tópicos do capítulo A distribuição da água Bacias hidrográficas do mundo Bacias hidrográficas brasileiras Regiões Hidrográficas Aquíferos

Ponto de partida

ESCREVA NO CADERNO

A fotografia mostra uma ponte hídrica sobre as águas do rio Elba, na região de Magdeburg, na Alemanha. Sua construção iniciou-se há mais de 80 anos e foi concluída em 2003. A obra foi interrompida devido a turbulências geopolíticas como a Segunda Guerra Mundial, a separação das duas Alemanhas e a Guerra Fria. A ponte se insere no contexto de forte tradição europeia de aproveitamento hidroviário de seus rios. 1. Qual sua impressão inicial sobre a obra? Em seu entendimento, quais facilidades ela trouxe para o transporte na Alemanha? Ponte hídrica sobre o rio Elba na região de Magdeburg, na Alemanha, 2015.

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2. O principal meio de transporte de cargas da região em que você vive é o mesmo do mostrado na fotografia? Compare como os recursos hídricos são aproveitados em sua região e na Alemanha.

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Ponto de partida Problematização inicial que propõe o resgate de conhecimentos prévios sobre o tema do capítulo e a introdução de assuntos que serão abordados. A atividade tem um tom genérico, e não específico.

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Navegar Verbetes de economia política e urbanismo <http://tub.im/zuu6xr> Site vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, que traz inúmeros verbetes conceituais sobre assuntos desenvolvidos nesta unidade.

Ler

4.2 O neoliberalismo Desde que surgiram as ideias de Keynes, não lhe faltaram críticos. Os partidários da livre iniciativa discordavam da proposta intervencionista, mesmo em tempos de depressão econômica. Afirmavam que se fazia necessário realizar ajustes ao liberalismo, mas não substituí-lo como modelo. Transcorriam os anos 1930, e esses críticos neoliberais minoritários praticamente não foram ouvidos diante da grave crise e da renovação teórica trazida por Keynes; ninguém queria ouvir falar em retomar o liberalismo. Com a supremacia keynesiana no capitalismo, a partir da segunda metade do século XX, esses novos liberais estiveram na penumbra da disputa ideológica. No entanto, a partir dos anos 1970, as críticas ao keynesianismo aumentaram e os neoliberais ganharam força, sobretudo com a ascensão de dois importantes líderes mundiais que defendiam práticas neoliberais: Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos de 1981 a 1989, e Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica no período de 1979 a 1990. Veja a fotografia abaixo. Barry Thumma/AP/Glow Images

LTC

Capitalismo e liberdade, de Milton Friedman. São Paulo: LTC, 2014. Escrito por um dos expoentes do liberalismo do século XX, o livro discute o papel do Estado na restrição da liberdade econômica e individual.

O keynesianismo ascendia à condição de principal corrente do pensamento econômico no momento da maior crise da história do capitalismo. Suas ideias influenciaram os principais governantes da época que buscavam saídas para a crise. A influência mais notável foi no New Deal, o plano de recuperação econômica para a Grande Depressão, do presidente estadunidense Franklin D. Roosevelt, que governou os Estados Unidos de 1933 a 1945. Após a Segunda Guerra Mundial, o keynesianismo consolidou-se como modelo econômico e foi hegemônico na Europa e nos Estados Unidos até meados dos anos 1970, quando passou a ser questionado pelos chamados monetaristas, críticos da política de limitação ao investimento financeiro.

Visando combater esse cenário, foi criada em 2010 a agência ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres. Também criou-se o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), que afere o nível de desigualdade existente entre homens e mulheres. O objetivo é incrementar o progresso do atendimento às mulheres e meninas em todo o mundo. A ONU Mulheres surgiu num contexto de esforços por reformas na ONU e é fruto da mobilização para a defesa das mulheres. Busca obter recursos para as demandas do organismo e apoia iniciativas governamentais que mirem uma sociedade mais justa quanto aos gêneros, fornecendo logística, assistência técnica e financeira no apoio a políticas públicas de combate às diferenças entre homens e mulheres. O Brasil é um dos países em que a redução dessas diferenças foi sentida; no entanto, ainda há muito a fazer rumo a uma sociedade mais igualitária também quanto ao gênero.

Ronald Reagan e Margaret Thatcher reacenderam o neoliberalismo nos anos 1970. Na fotografia, encontro em Williamsburg, Virgínia, nos Estados Unidos, 1983.

ONU Mulheres <http://tub.im/2qe8j2> A agência ONU Mulheres foi criada em 2010 e é voltada para a questão de gênero.

ESCREVA NO CADERNO

Conversando com a... Sociologia! O neoliberalismo reacendia os ideais de Adam Smith com a ressalva de que se faziam necessários ajustes às ideias do economista inglês para atender à realidade do fim do século XX. No entanto, foi na década de 1990 que o neoliberalismo tomou mais corpo e passou a ser a grande força da economia mundial. A doutrina neoliberal defende a retirada do Estado da economia e sua participação mínima; o lema neoliberal deixa a proposta bem clara: “Estado mínimo; mercado máximo”. Os neoliberais defendem uma disciplina na economia de mercado, mas

Navegar

ONU Mulheres – Atendendo às necessidades das mulheres no mundo A igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. Empoderar as mulheres impulsiona economias mais prósperas, estimulando a produtividade e o crescimento. No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas nas sociedades. Muitas mulheres não têm acesso a um trabalho decente e ainda têm que enfrentar as disparidades salariais ocupacionais de segregação e de gênero. Muitas vezes lhes são negados o acesso à educação básica e saúde. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação. Elas estão sub-representadas nos processos decisórios na política e na economia. ONU MULHERES BRASIL. Sobre a ONU Mulheres. Disponível em: <http://www.onumulheres.org.br/onu-mulheres/sobre-a-onu-mulheres/>. Acesso em: 3 dez. 2015.

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Jardiel Carvalho/Frame/Folhapress

• Em seu caderno, produza um pequeno texto sobre o que você pensa a respeito do assunto abordado. Considere em seu comentário os fundamentos da cidadania e da democracia e o novo papel da mulher na sociedade contemporânea. Na comunidade mundial e na sociedade brasileira, homens e mulheres têm as mesmas oportunidades?

Inserções interativas Indicações e sugestões de sites, filmes, músicas e livros que complementam o assunto desenvolvido nos capítulos. Navegar Indicação de sites que apresentam informações relacionadas aos temas dos capítulos.

Marcha mundial das mulheres, São Paulo (SP), 2013.

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Ver Indicação de filmes e documentários que abordam temas geográficos.

Conversando com a...! Proposta de diálogo com as outras disciplinas.

Pauta musical Sugestão de músicas que tratam de assuntos relacionados aos capítulos. Ler Indicação de livros relacionados aos temas desenvolvidos nos capítulos.

Antrópica: Ação humana ou período relativo à existência da vida humana na Terra. O mesmo que antropogênico.

Navegar Solo para todos: perguntas e respostas <http://tub.im/htufig> Documento em forma de perguntas e respostas produzido pela Embrapa a partir de questionamentos recebidos pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor.

O problema mais evidente dos solos brasileiros é a erosão. Ela pode ocorrer de forma natural ou ser agravada pela ação antrópica. A erosão natural é bastante lenta e muitas vezes é corrigida pela deposição de sedimentos ao longo dos anos, o que a compensa. A erosão antrópica, por sua vez, é agressiva e rápida, já que a intervenção humana acelera os processos erosivos naturais por meio da ocupação e do uso intensivo do solo. A erosão é mais frequente em lugares em que a proteção vegetal é retirada, deixando o solo exposto à ação da água ou do vento. No Brasil, o desmatamento é a grande causa de erosões. Uma gota de chuva tem ação destruidora em um solo desnudado. Chuvas torrenciais com enxurradas retiram partículas do solo e seus nutrientes, processo conhecido como lixiviação. Esses sedimentos são transportados pelas águas das chuvas para os rios que muitas vezes sofrem outro problema ambiental, o assoreamento, ou seja, o acúmulo de sedimentos arrancados do solo que são depositados nas partes mais baixas, enchendo o rio com terra e tornando-o vulnerável a enchentes.

Interagindo

ESCREVA NO CADERNO

Fabio Colombini

A imagem a seguir é de uma voçoroca, um grande dano ambiental causado pelo uso inadequado do solo, que é favorecida pelo tipo de clima e geomorfologia predominante no Brasil. Trata-se de uma feição linear, contínua, em forma de rasgo, no terreno resultante da ação erosiva do escoamento da água, que provoca a perda de massa de solo, inviabilizando-o, como você pode ver na imagem.

Voçoroca em fase de recuperação, em Mineiros (GO), 2014.

• A relação harmoniosa entre a sociedade e o meio físico deve ser uma busca constante. Partindo desse pressuposto, e com base no capítulo, aponte propostas para prevenir ou conter o aparecimento de voçorocas.

Glossário

Tal qual a erosão, a desertificação pode ser de ordem natural ou antrópica. O uso inadequado do solo, associado ao desmatamento das mais variadas coberturas vegetais, pode acarretar a desertificação em áreas de clima árido, semiárido ou subúmido. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), aproximadamente 1/4 do planeta está sob o risco de desertificação. Observe no mapa da página seguinte as áreas com ocorrência de desertificação nos diferentes continentes.

Explicações de verbetes e conceitos específicos. 146

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Interagindo Atividade em que o aluno interage com o tema por meio de um questionamento.

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Luis Moura

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Quando as placas se afastam umas das outras na crosta oceânica, forma-se uma fenda no assoalho oceânico. São essas fendas oceânicas que permitem que o magma contido no interior terrestre seja expelido e, após ser solidificado, forme uma nova crosta oceânica, expandindo assim o assoalho marinho. A Dorsal Mesoatlântica, por exemplo, é exatamente produto da separação de placas, constituída essencialmente por derrames basálticos, lavas expelidas de dentro da Terra. Mesmo que esse processo com limites divergentes seja mais comum em crostas oceânicas, também ocorre na crosta terrestre, como o que forma o Rift Valley no Tipos de placas tectônicas e exemplos de sua localização leste da África. O terceiro tipo de ação tectônica é causado pela placa transformante ao longo das fraturas dos assoalhos oceânicos, ou seja, quando uma placa desliza sobre outra em Placas transformantes sentido oposto, causando um “arranhão” de proporções gigantescas. A consequência imediata desse processo é o surgimento de falhamentos, as ”falhas transformantes”. O exemplo mais explícito de deslizamento Placas convergentes de placas (limites transformantes) é a Falha de San Andreas, na península da Califórnia. Muitos dos terremotos que abalam a região são produtos desse movimento. Por vezes, na colisão entre placas oceânicas mais densas, é comum que no choque uma delas seja enviada de volta ao manto, reincorporando-se ao magma. Esse processo de retorno ao interior da Terra é chamado Placas convergentes subducção. Observe ao lado esquemas que represenPlacas tam a movimentação de placas transforman- AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS divergentes A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO tes, convergentes e divergentes.

Fonte: TASSINARI, Colombo C. G.; DIAS NETO, Coriolano de Marins. Tectônica global. In: TEIXEIRA, Wilson et al. Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009. p. 87.

Boxe

A escala Richter A escala Richter mede a magnitude dos terremotos com base em uma variação logarítmica que oscila de 0 a 10. Acima de 7,0, os terremotos costumam ser bastante cruéis e, quando ocorrem próximo às áreas urbanizadas, os estragos são violentos, frequentemente provocando prejuízos e mortes. Em 1935, o criador desse sistema, o geólogo estadunidense Charles Richter (1900-1985), partiu do princípio logarítmico para mensurar a grandeza dos fenômenos sísmicos. Assim, um terremoto na escala 6,0 é dez vezes mais intenso que um na escala 5,0. O terremoto mais intenso até hoje registrado ocorreu no Chile em 1960 e atingiu a marca de 9,5 na escala Richter, levando à morte mais de 5 mil pessoas. Pela escala Richter, um terremoto abaixo de 2,0 nem sequer é notado; mas, a partir de 5,0, já pode provocar consideráveis danos. Veja:

Grau

Efeito

• abaixo de 2,0 • de 2,1 a 3,4 • de 3,5 a 5,4 • de 5,5 a 6,0 • de 6,1 a 6,9 • de 7,0 a 7,9 • de 8,0 a 8,9 • de 9,0 a 10

imperceptível é sentido, mas não causa danos pode provocar danos em objetos de pequeno porte pequenos danos em edifícios alcança um raio de 100 km e pode provocar danos terremoto de grandes proporções destruição em larga escala destruição total

Incursões eventuais quando um tema requer maior detalhamento.

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2. Domínios intertropicais 2.1 Domínio Amazônico As terras baixas florestadas equatoriais ocupam vasta área no norte da América do Sul. A Floresta Amazônica é estratificada e pode ser dividida em áreas de terra firme, de várzea e de inundação. As terras firmes estão localizadas nas partes mais elevadas da floresta, motivo pelo qual não inundam. Nessas áreas estão as árvores mais altas, como as palmeiras e as castanheiras-do-pará. As várzeas, por sua vez, estão situadas em terrenos um pouco mais altos que os alagados permanentemente e são inundadas periodicamente, em razão da elevação da pluviosidade e, consequentemente, das águas dos rios. Nas áreas de inundação (partes mais baixas e planas) as matas ficam permanentemente alagadas. Denominadas matas de igapós, nelas predominam arbustos, musgos, cipós e há forte presença de vitórias-régias. O Domínio Amazônico abarca as áreas cobertas pelas florestas equatoriais tropicais, onde são comuns os latossolos. Seu melhor uso ocorre nas reservas extrativistas, uma vez que as queimadas causam o empobrecimento desses solos em curto prazo. Por existir muita água na região, o solo é constantemente “lavado”, culminando com a decomposição das rochas e o transporte dos nutrientes. Nas áreas mais alagadas, a água se torna um empecilho à agricultura da população ribeirinha. O clima da Amazônia pode ser considerado um dos mais homogêneos do mundo, associando calor e umidade. Apenas as áreas de campos recebem menor pluviosidade anual.

Enfoque

Enfoque

Reservas extrativistas: Espaços nos quais as populações tradicionais se dedicam ao extrativismo autossustentável e à conservação dos recursos naturais, equilibrando interesses ecológicos e interesses sociais.

ESCREVA NO CADERNO

Texto de outro autor que expõe sua opinião sobre o assunto tratado no capítulo, acompanhado de uma atividade.

No cinturão de máxima diversidade biológica do planeta – que tornou possível o advento do homem – a Amazônia se destaca pela extraordinária continuidade de suas florestas, pela ordem de grandeza de sua principal rede hidrográfica e pelas sutis variações de seus ecossistemas, em nível regional e de altitude. Trata-se de um gigantesco domínio de terras baixas florestadas, disposto em anfiteatro, enclausurado entre a grande barreira imposta pelas terras cisandinas e pelas bordas dos planaltos Brasileiro e Guianense. De sua posição geográfica resultou uma fortíssima entrada de energia solar, acompanhada de um abastecimento quase permanente de massa de ar úmido, de grande estoque de nebulosidade, de baixa amplitude térmica anual e de ausência de estações secas pronunciadas em quase todos os seus subespaços regionais, do golfão Marajoara até a face oriental dos Andes. Enfim, traz para o homem um clima úmido e cálido, com temperaturas altas, porém suportáveis, chuvas rápidas e concentradas, muitos períodos desprovidos de precipitações e raros dias de chuvas consecutivas. Na direção de suas periferias extremas, há uma discreta acentuação de sazonalidade, incluindo ondas de “friagem” desde o oeste de Rondônia até o Acre. Durante o inverno, isto se deve à força de penetração do braço mais interior da massa de ar tropical atlântico para a Amazônia Ocidental. [...]

Andre Dib/Pulsar

Amazônia brasileira: um macrodomínio

AB’SÁBER, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. 2. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. p. 65-66.

• No texto de Aziz Ab’Sáber, percebe-se a análise e a utilização de vários elementos naturais na combinação daquilo que ele denominou “Domínio Amazônico”. Quais são esses elementos?

Rio Japurá e Floresta Amazônica em Tefé (AM), 2014.

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Atuação das massas de ar

Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) O que é: faixa em que ocorre o encontro dos ventos úmidos (alíseos) oriundos do hemisfério norte com os do sul. Localização: nas imediações da linha do Equador. É uma linha móvel, ora um pouco mais ao norte, ora ao sul, de acordo com as estações climáticas do ano, que acompanham o movimento aparente do Sol. Características: zona extremamente úmida e com nebulosidade constante, formando uma espécie de “cinturão úmido” do

Massa Equatorial continental (Ec) Quente e úmida, origina-se no coração da Floresta Amazônica, em sua vertente ocidental. Tem um longo raio de alcance, chegando a atingir o Sudeste brasileiro durante o verão. É um raro caso de massa continental úmida, pois se origina em uma região de intensa evapotranspiração que é a Floresta Amazônica, além da exuberante presença hídrica da Bacia Amazônica, justificando, então, sua elevada umidade.

planeta junto à zona equatorial. A ZCIT é bastante perceptível nas imagens de satélites por causa da presença de largas nuvens que chegam a medir centenas de quilômetros. Essa região do planeta apresenta céu constantemente encoberto pela nebulosidade e, por isso, é temida pelos aviadores e motivo de atenção permanente. Outros casos: Zona de Convergência do Atlântico Sul, entre o Atlântico Sul central e a Amazônia, que atua no Brasil, provocando chuvas fortes no verão e veranicos no inverno; Zona de Convergência do Pacífico Sul e Zona de Convergência do Índico Sul, que não atuam no Brasil.

Massa Equatorial atlântica (Ea) Quente e úmida, atua predominantemente na Amazônia oriental e em trechos litorâneos do Nordeste. O centro de origem é o oceano Atlântico, junto à área de anticiclone dos Açores, quando é atraída para o oeste, graças à diferença de pressão.

Massa Tropical continental (Tc)

ÚMIDA

SECA

FRIA

QUENTE

Massa Tropical atlântica (Ta)

Massa Polar atlântica (Pa) A massa de ar Polar se forma na região subpolar da Patagônia argentina. Inicialmente seca, ganha umidade no transcorrer de seu percurso e, após colidir com os Andes, divide-se em dois ramos: a massa Polar pacífica (Pp) e o segmento que adentra pelo Brasil, a massa Polar atlântica (Pa), nessa altura já bastante úmida. Esse ramo que segue pelo Brasil, por sua vez, subdivide-se em dois segmentos principais: um pelo litoral e outro pelo interior. Vastas calhas e planuras da Bacia Platina, da planície do Pantanal e das terras baixas amazônicas facilitam sua penetração até as proximidades da linha do equador, provocando o fenômeno da friagem (quedas bruscas de temperaturas na região amazônica).

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Quente e úmida, tem seu ponto de origem na zona subtropical do Atlântico Sul e exerce forte influência na franja oriental do país durante o ano todo, porém de forma mais intensa no verão. Provoca considerável precipitação na zona litorânea brasileira durante nosso verão austral em razão, sobretudo, da orografia.

Atividades

Crédito do infográfico: Casa Paulistana

TIPOS DE MASSAS DE AR

É uma típica massa de ar continental: quente e seca; aliás, é a única com essa característica a atuar no Brasil. Origina-se nas imediações do chaco boliviano, bem no centro da América do Sul, e tem área de atuação mais restrita, compreendendo trechos do Centro-Oeste e Sudeste do país. É facilmente dominada pela massa Polar atlântica no inverno e pela massa Equatorial continental no verão.

ESCREVA NO CADERNO

1. Consulte um mapa político do Brasil e localize as imediações do município onde você vive. Em seguida, transponha a localização para o mapa deste infográfico. Identifique a(s) massa(s) de ar mais atuante(s) em sua região. 2. Um avião que parta de qualquer aeroporto do Brasil com destino à Europa certamente vai atravessar a Zona de Convergência Intertropical. Quando isso ocorrer, o que provavelmente o viajante verá ao olhar pela janela do avião?

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

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Infográfico Apresenta um tema do capítulo por meio de um esquema ilustrado e dinâmico acompanhado de questões reflexivas.

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4.4 Bacia do Paraná A Bacia do Paraná faz parte da Bacia Platina. Ela abrange áreas territoriais do Distrito Federal e dos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Originalmente formada em região de Mata Atlântica e Cerrado, apresenta grandes áreas de desmatamento. De acordo com o Censo 2010, ela abriga 32% da população do país, cerca de 54,6 milhões de pessoas, das quais 90% vivem em áreas urbanas. Como resultado não só da quantidade de pessoas, mas, sobretudo, do processo desordenado de ocupação do espaço, os rios dessa bacia sofreram diversos impactos ambientais. Nos grandes centros urbanos – como São Paulo, Brasília e Curitiba, entre outros –, é comum a canalização de córregos, e o crescimento desordenado dessas cidades levou ao aumento da demanda por água, ao passo que diminuiu a disponibilidade desse recurso em razão, por exemplo, da contaminação dos rios por esgotos domésticos e industriais. Vários rios da bacia encontram-se poluídos, como o Tietê e seus afluentes, o Tamanduateí e o Pinheiros, em São Paulo. O rio Tietê é bastante poluído no trecho que abrange a Região Metropolitana de São Paulo. Entretanto, graças a sua capacidade de autodepuração, os índices de poluição diminuem em seu trajeto até a desembocadura no rio Paraná. O Tietê atravessa praticamente todo o estado paulista no sentido leste-oeste.

A Geografia na... fotografia!

ESCREVA NO CADERNO

Clóvis Ferreira/Estadão Conteúdo

A fotografia permite, entre outras coisas, compararmos épocas e realidades distintas. Nas imagens abaixo, são mostrados dois momentos do rio Tietê, um dos mais importantes rios da Bacia do Paraná. Observe-as.

Patrícia Santos/Estadão Conteúdo

Rio Tietê, na cidade de São Paulo (SP), no começo do século XX.

ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS Obra do artista plástico Eduardo Srur nas margens do rio Tietê, em São Paulo (SP), 2008.

ENEM

• O que essas imagens traduzem? Em duplas, troquem ideias e elaborem um pequeno texto sobre esses dois momentos. Levem em conta o contexto socioespacial da época em que as fotografias foram tiradas.

1. Portadora de memória, a paisagem ajuda a construir os sentimentos de pertencimento; ela cria uma atmosfera que convém aos momentos fortes da vida, às festas, às comemorações. CLAVAL, P. Terra dos homens: a geografia. São Paulo: Contexto, 2010 (adaptado).

No texto, é representada uma forma de integração da paisagem geográfica com a vida social. Nesse sentido, a paisagem, além de existir como forma concreta, apresenta uma dimensão a) política de apropriação efetiva do espaço. b) econômica de uso de recursos do espaço. c) privada de limitação sobre a utilização do espaço. d) natural de composição por elementos físicos do espaço. e) simbólica de relação subjetiva do indivíduo com o espaço.

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H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

A Geografia na...!

2. Pensando nas correntes e prestes a entrar no braço que deriva da Corrente do Golfo para o norte, lembrei-me de um vidro de café solúvel vazio. Coloquei no vidro uma nota cheia de zeros, uma bola cor rosa-choque. Anotei posição e data: latitude 49°49’ N, longitude 23°49’ W. Tampei e joguei na água. Nunca imaginei que receberia uma carta com a foto de um menino norueguês, segurando a bolinha e a estranha nota.

Forma de explorar e refletir sobre o espaço geográfico por meio de outras linguagens culturais.

KLINK, A. Parati: entre dois polos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. (adaptado).

No texto, o autor anota sua coordenada geográfica, que é: a) a relação que se estabelece entre as distâncias representadas no mapa e as distâncias reais da superfície cartografada. b) o registro de que os paralelos são verticais e convergem para os polos, e os meridianos são círculos imaginários, horizontais e equidistantes. c) a informação de um conjunto de linhas imaginárias que permitem localizar um ponto ou acidente geográfico na superfície terrestre. d) a latitude como distância em graus entre um ponto e o meridiano de Greenwich, e a longitude como a distância em graus entre um ponto e o equador. e) a forma de projeção cartográfica, usada para navegação, onde os meridianos e paralelos distorcem a superfície do planeta. H6

Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.

3. A poluição e outras ofensas ambientais ainda não tinham esse nome, mas já eram largamente notadas no século XIX, nas grandes cidades inglesas e continentais. E a própria chegada ao campo das estradas de ferro suscitou protestos. A reação antimaquinista, protagonizada pelos diversos luddismos, antecipa a batalha atual dos ambientalistas. Esse era, então, o combate social contra os miasmas urbanos SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2002 (adaptado).

O crescente desenvolvimento técnico-produtivo impõe modificações na paisagem e nos objetos culturais vivenciados pelas sociedades. De acordo com o texto, pode-se dizer que tais movimentos sociais emergiram e se expressaram por meio a) das ideologias conservacionistas, com milhares de adeptos no meio urbano. b) das políticas governamentais de preservação dos objetos naturais e culturais. c) das teorias sobre a necessidade de harmonização entre técnica e natureza. d) dos boicotes aos produtos das empresas exploradoras e poluentes. e) da contestação à degradação do trabalho, das tradições e da natureza. H17 Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da produção.

Exercícios

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado anualmente, é pautado em um conjunto de competências e habilidades. A prova de Ciências Humanas e suas tecnologias, na qual se insere a Geografia, é baseada em um programa de 31 tópicos, circunscritos em cinco eixos, do qual se extraem as competências e habilidades. Cada exercício do Enem contido nesta obra vem acompanhado da respectiva habilidade (H). Muitas vezes, um exercício circunscreve-se em mais de uma; nesse caso, indicamos a principal. O quadro completo das Competências e Habilidades encontra-se nas páginas 271 e 272.

Questões do Enem (com as respectivas habilidades) e de vestibulares.

94

Roteiro de estudo

Área florestada (em km2)

3. Quais as principais diferenças e semelhanças entre biomas e ecossistemas? 4. Escolha três biomas mundiais e indique alguns impactos ambientais causados por ações humanas e outros que ocorrem por força da natureza.

Olhar cartográfico O mapa a seguir mostra a área original das florestas e as áreas atuais.

Allmaps

Cobertura florestal original e atual 0º Circulo Polar Ártico

1990 7 524 990

7 506 520

Ásia1

5 681 220

5 933 620

África

7 057 400

6 241 030

6 460 000

Europa2

9 942 710

10 154 820

10 390 000

1 768 250

1 735 240

9 308 140

8 420 110

Oceania América do Sul Total

2015

Projeção para 2030

Região América do Norte e Central

41 282 710 39 991 340

7 170 000 6 040 000

1 900 000 7 880 000 39 840 000

Nota: 1Exceto a Rússia. 2Incluindo a Rússia. Floresta temperada e boreal

Equador

OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

Fonte: FOREST Ecology and Management, n. 352, p. 11, 129, set. 2015. Disponível em: <http://www.fao.org/3/contents/be7b339c-dbe9-4d48-ac73-2a8ba1ae7ee2/ i4895e.pdf>. Acesso em: 27 jan. 2016.

Cobertura atual Cobertura original

Trópico de Câncer

Floresta tropical

Cada grupo da sala escolherá um bioma mundial ou do território brasileiro e seguirá o roteiro: 1. Se o bioma escolhido ocorre fora do Brasil, indicar o país e sua localização (norte, sul, leste, oeste).

Cobertura atual Cobertura original

OCEANO ÍNDICO

Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

2. Se o bioma escolhido ocorre no Brasil, indicar a(s) região(ões) que ocupa. 0

3. Montar uma tabela como a do modelo acima, apresentando dois dados estatísticos que acharem relevantes sobre o bioma. Elaborar justificativa para a escolha.

3247

Fonte: UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME (UNEP). Original and remaining forest cover. Disponível em: <http://old.unep-wcmc.org/medialibrary/2011/09/27/cc69b7bf/currorig.jpg>. Acesso em: 15 out. 2015.

232

4

5

4. Ao final, cada grupo apresentará aos demais os dados pesquisados.

3

6

Mircea Costina/Alamy/Latinstock

2

GFC Collection/Alamy/Latinstock

2. No mapa, a vegetação é classificada em dois grandes grupos genéricos: florestas temperadas e boreais e florestas tropicais. Observe as fotografias ao lado e analise as características da vegetação. Responda em seu caderno: quais delas mostram áreas da floresta temperada e boreal? Quais retratam a floresta tropical?

1

Fabio Colombini

1. Observe o mapa e compare as áreas de cobertura original e atual. Houve diminuição, manutenção ou ampliação? Aponte motivos que levaram a essa ocorrência.

William Atevens/Alamy/Latinstock

De olho na mídia Proposta para uma leitura crítica da mídia sobre a abordagem de temas geográficos.

Atividade em grupo Em 2015 as florestas abrangiam 31% da área terrestre do mundo, e 44% da área florestada ocorria em países tropicais e cerca de 8% em países subtropicais. Observem a tabela abaixo que apresenta dados sobre florestas no mundo.

1. O que explica a existência de biomas com características tão distintas na superfície terrestre? Escolha dois deles e indique seus principais contrastes. 2. Todos os biomas estudados apresentam diferenças entre sua área de ocorrência original e a atual. Quase todos tiveram diminuída sua área original, com exceção de um deles, que está avançando sobre outras áreas. Aponte qual é esse bioma e explique os motivos desse avanço.

Brigitte Merle/Photononstop/Glow Images

Atividade em grupo Atividade de pesquisa e discussão coletiva sobre temas específicos.

Revisando

Mark A. Johnson/Alamy/Latinstock

Olhar cartográfico Atividade de interpretação e leitura de mapas, cartas, tabelas e gráficos.

ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO

Meridiano de Greenwich

Revisando Questões dissertativas de revisão e fixação do conteúdo do capítulo.

De olho na mídia

Vimos que o bioma Amazônia ocupa aproximadamente 49% do território nacional e muitos são os riscos ambientais que o cercam, em especial o desmatamento. Leia o texto jornalístico e responda às questões. ONG registra aumento em taxas de desmatamento na Amazônia Dados do Imazon reforçam a hipótese de que o desmatamento na Amazônia tenha voltado a aumentar no período 2014-2015 (agosto a julho). Seu sistema independente de alerta (SAD), menos preciso que o do governo, registrou um salto de 63%. Segundo dados obtidos em primeira mão pela Folha do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, de Belém, foram 3 322 km2, contra 2 044 km2 no período anterior. Não é possível extrapolar o percentual de 63%, contudo, para a taxa oficial de devastação. Esta é calculada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujo sistema Prodes emprega imagens de satélite mais detalhadas. O dado governamental foi recen-

temente consolidado, mas para o período anterior (20132014). A cifra divulgada em novembro (4 848 km2) passou para 5 012 km2. [...] Prodes 2015 O leitor que ainda não estiver confuso com os vários percentuais e quilometragens terá notado uma diferença de quase 3 000 km2 entre as áreas apuradas pelo SAD e pelo Prodes em 2013-2014 (respectivamente 2 044 km2 e 5 012 km2). A discrepância decorre, em grande medida, da minúcia das fotos de satélite utilizadas pelos dois sistemas de monitoramento. O Prodes, do Inpe, emprega imagens de satélites da classe Landsat, que enxergam detalhes de 20 a 30 m, mas só passam sobre o mesmo ponto na Terra em intervalos de 16 dias. O SAD usa as do sensor Modis, com as quais alcança resolução bem pior, de 250 m, porém com um período de 1,5 dia. Carlos Souza Jr., responsável pelo SAD no Imazon, acredita ter acumulado já uma série histórica longa o bastante (2006-2014) para estabelecer um valor estatisticamente confiável para o desvio SAD-Prodes. Em média, ele é de 3 600 km2 a cada ano. [...] Nas nuvens Curiosamente, o SAD detectou também a existência de áreas desmatadas que não aparecem no Prodes. Comparando os polígonos de terra nua, sobraram 442 km2 nos mapas do Imazon sem superposição com os do Inpe. A primeira explicação possível para essa outra divergência está nas nuvens. Como há muito mais imagens disponíveis do Modis, o Imazon pode escolher mais fotografias livres delas. Outra hipótese é que, por essa razão ou outra, o Inpe tenha usado muitas imagens de meses anteriores – maio, por exemplo – ao início da estação de derrubada, com a diminuição de chuvas a partir de julho. Alguns desmatamentos podem ficar de fora num ano, mas aparecerão nos seguintes. Uma terceira possibilidade é a própria deficiência da dupla SAD/Modis. Como as imagens têm resolução pior, os perímetros dos polígonos podem ser “arredondados” para cima, e essas superfícies artificialmente acrescentadas a eles acabariam subtraídas nas fotografias mais acuradas do Landsat. [...] Mesmo assim, 63% de aumento no dado do Imazon parece razão suficiente para alarme. [...] LEITE, Marcelo. ONG registra aumento em taxas de desmatamento na Amazônia. Folha de S.Paulo, 27 ago. 2015. Fornecido pela Folhapress. Disponível em: <http://www1.folha.uol. com.br/ambiente/2015/08/1674167-ong-registra-aumento-em-taxas-de-desmatamento-naamazonia.shtml>. Acesso: 3 nov. 2015.

1. Converse com um colega sobre as três hipóteses apresentadas no texto para justificar a diferença de dados da ONG e do Inpe. Qual delas vocês acham mais plausível? Justifique a resposta. 2. No texto, é citado que há diferenças de tecnologias utilizadas entre os projetos federais e da ONG citada para monitorar o desmatamento na Amazônia. Em sua opinião o autor se mostra mais propenso a confiar nos dados governamentais ou nos dados apresentados pela ONG? Justifique sua resposta.

233

7

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Sumário UNIDADE I – A linguagem geográfica e a leitura do mundo

.......

Capítulo 1 O espaço geográfico

...........

1. O espaço geográfico contemporâneo

12 14

.......

1.1 A transformação do espaço geográfico

14

.............................................................................

2. Espaço global e espaço local

11

16

..................................

Capítulo 3 Organização e regionalização de um mundo desigual

48

1. Regionalizando o espaço mundial

50

..........................................................

1.1 A Teoria dos Mundos

.................

.............................................

2. Novos elementos da regionalização mundial

17

4. Território, fluxos e redes

19

..................................................................................

..............................................

4.1 O meio técnico-científico-informacional

2.1 Expressões atuais da economia global 2.2 A Divisão Internacional do Trabalho (DIT)

...........................................................

Roteiro de estudo

3. Desigualdade global

23 26

...................................................................

3.1 Os indicadores de riqueza e pobreza: PIB per capita e IDH 3.2 A fome no mundo Roteiro de estudo

....................

...................................................................

Capítulo 4 Nós estamos aqui! 1. A Terra no espaço

Capítulo 2 O capitalismo e a transformação do espaço geográfico 1. Entendendo o capitalismo 1.1 Características gerais

30 30 33

............................................

2.1 O mercantilismo ou capitalismo comercial

33

2.2 O capitalismo industrial

34

....................................

..................................

.......................................................

3.1 O que é socialismo?

..................................................

3.2 Origem e desenvolvimento do socialismo

36

4. Releituras dos modelos

...................................

..................................................

4.1 O keynesianismo e o intervencionismo estatal 4.2 O neoliberalismo Roteiro de estudo

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60 62 63 66 68 69

2. Coordenadas geográficas

2.1 A inclinação do eixo terrestre e suas consequências

70

..................................................

3. Fusos horários

.............................................................................

3.1 A Linha Internacional de Data 3.2 Os fusos horários no Brasil

..................

4. Comunicação cartográfica

........................................

4.1 As projeções cartográficas 4.2 Escalas

.............................

........................................................................................

................................................

...................................................................

74 75

76 77 79 79 82

5. Tecnologia e informações geográficas 84

40

5.1 Mapeamento e serviços de localização Roteiro de estudo Exercícios

....

.................................................................

41 42 43

...................................................................

...............................................................................................

43 44 45 46

88 90 94

UNIDADE II – A dinâmica da natureza

103

Capítulo 5 A estrutura da Terra

104

.............................

..................................

.........................................................

4.3 A social-democracia

56

40

.....................................................................

3.3 Socialismo e comunismo

56

.............................................

............................

.................................................................................

3. Socialismo: a antítese

54

...........................................

28

..................

........................................

2.3 O capitalismo financeiro

.................

..................................................................

1.1 Movimentos da Terra

..............................................

2. As etapas do capitalismo

..........................................................

.....................................................

.................................................................

53

................................................................................................

.................................................................

3. O lugar e a paisagem no cotidiano da sociedade

50

1. O tempo geológico

.......

..........................................................

1.1 Breve história da Terra

.....................................

106 106

5/19/16 9:26 PM


2. A estrutura interna da Terra 3. As placas tectônicas

..............................

.........................................................

4. O modelado terrestre

...................................................

4.1 Agentes internos do relevo – a estrutura 4.2 Agentes externos do relevo – a escultura

........................................................................

.........................................................................................

6. Províncias geológicas 7. Formas de relevo

.....................................................

..................................................................

8. Solo: rocha desagregada Roteiro de estudo

1. Água: distribuição desigual

110

2. As bacias hidrográficas

115

3. As maiores bacias hidrográficas do mundo

..........................................

................................................................

Capítulo 6 Relevo, minérios e solos brasileiros

........................

115 116 117 118 121 123 125

128

1. Panorâmica geral do relevo brasileiro 130 ...

.............................

3. As leituras do relevo brasileiro

.........................

3.1 Classificação de Aroldo de Azevedo 3.2 Classificação de Aziz Ab’Sáber 3.3 Classificação de Jurandyr Sanches Ross

......................................................................

.............

...................................................................

4. Recursos minerais do Brasil

...................................

4.1 Quadrilátero Ferrífero 4.2 Serra de Carajás 4.3 Serra do Navio 4.4 Maciço de Urucum 4.5 Serra de Oriximiná – Vale do Trombetas 4.6 Mapuera e Rondônia

.......................................

........................................................

.............................................................

.................................................

...............................................

.........................................

5. Solos brasileiros

.....................................................................

5.1 O mito da terra roxa 5.2 Solo: preservação e degradação

............................................

Roteiro de estudo

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........

...............................................................

Capítulo 7 Hidrografia e recursos hídricos

153

...............................................

3.1 Bacia Amazônica

155

3.2 Bacia do Congo

3.5 Bacia do Obi

....................................................................

3.7 Bacia do Ienissei 3.8 Bacia do Níger

4. As bacias hidrográficas brasileiras 4.1 Bacia do Amazonas 4.2 Bacia do Tocantins

142 142 143 145 145 148

150

......................................

161 162 162 163 164

........................................................

4.5 Bacia do Atlântico Sul, trechos norte e nordeste

166

4.6 Bacia do Atlântico Sul, trecho leste

166

4.7 Bacia do Atlântico Sul, trecho sul-sudeste

166

.....................................................

......................................................................................................................................

.......................................................................

5. Brasil: o privilégio hídrico

........................................

167

5.1 Transposição ou integração do rio São Francisco?

170

5.2 Os aquíferos

172

...........................................

....................................................................

Roteiro de estudo

................................................................

Capítulo 8 Geografia dos mares e oceanos 1. Estrutura morfológica marinha 2. Correntes marítimas

.....................

159

...............

.................................................

4.4 Bacia do Paraná

139 140 141 141

159

160

...............................................

4.3 Bacia do São Francisco

136

158

........................................................

133

135

158

..................................................................

131

134 134

157

..................................................

...................................................................

3.6 Bacia do Nilo

157

..........................................................

3.3 Bacia do Mississípi 3.4 Bacia Platina

156

.......................................................

.............................................................

2. Estrutura geológica do Brasil

152

..................................

......................................................................................

.........................................................................

5. As rochas

108

.....................

2.1 Correntes em destaque

176

.......................

.......................................................

..................................

174

178 180 180

5/19/16 9:26 PM


Sumário 3. Características gerais do litoral brasileiro

3.1 Fronteiras marítimas do Brasil 4. A Amazônia Azul Roteiro de estudo

2.6 Savanas 2.7 Floresta tropical chuvosa 2.8 Floresta subtropical chuvosa 2.9 Desertos

.................................................................................

.........................................................................................

................

...............................................................

...............................................................

Capítulo 9 A dinâmica do clima

184 185 188 190 192

......

..............................

...................

...............................................................................

3. Os biomas no território brasileiro 3.1 Amazônia 3.2 Mata Atlântica 3.3 Caatinga 3.4 Cerrado 3.5 Pantanal 3.6 Pampa

...............

...........................................................................

...........................................................

..............................................................................

1. A natureza atmosférica 1.1 A atmosfera

.....................................................................

2. Os elementos do clima 3. Os fatores climáticos 3.1 Latitude 3.2 Altitude

.............................................

...............................................

194 195 196

.......................................................

.................................................................................

................................................................................

3.3 Orografia

...........................................................................

4. Código Florestal brasileiro

197

Roteiro de estudo

198 198

....

.....................................................................

4.2 Chuvas

.................................................

..........................................................................

....................................................................................

5. Classificação climática do Brasil 5.1 Equatorial 5.2 Semiárido 5.3 Tropical

.....................

..........................................................................

..........................................................................

2.1 Domínio Amazônico

206

2.2 Domínio do Cerrado

208

2.3 Domínio da Caatinga

209

2.4 Domínio dos Mares de Morros

209 210 211 211 212

214

.........

216 217 217

..................................................

....................................................

......................................................................................

...........................................................................................................................................

2.4 Floresta temperada caducifólia 2.5 Pradarias e estepes

.....

3. Domínios subtropicais

...........

...............................................

218

.............................................

...........................................

..........................................

.........................................

.................................

3.2 Domínio das Pradarias Mistas 4. Faixas de transição 4.1 Pantanal

................

............................................................

...............................................................................

..................................................................................

4.3 Serras de Monte Roraima 4.4 Mata dos Cocais Roteiro de estudo Exercícios

.............

.................................................

3.1 Domínio das Araucárias

4.2 Agreste

........................................

234

2. Domínios intertropicais

................................................................

1. Biomas e ecossistemas 2. Os biomas do mundo 2.1 Tundra 2.2 Floresta boreal de coníferas ou taiga 2.3 Bosques mediterrâneos e formações lenhosas

232

206

..............................................

Capítulo 10 As grandes paisagens naturais

230

203

........................................................................

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Capítulo 11 Domínios morfoclimáticos do Brasil

226 227 227 228 229 229

1. O que são domínios morfoclimáticos 236

5.5 Subtropical

Roteiro de estudo

...............................................................

226

200

..................................................................................

5.4 Tropical de altitude

....................................

................................................

3.5 Massas de ar ou dinâmica atmosférica 4.1 Frente fria

..............................................................................

.....................................................................................

197

3.4 Continentalidade e maritimidade 199

4. Massas de ar no Brasil

.................................................................................

220 221 221 223

............................

.......................................................

................................................................

...........................................................................................

Referências

........................................................................................

219

Lista de siglas de exames nacionais

219 220

Matriz de referência de Ciências Humanas e suas tecnologias

...................................................................

.............................

237 237 239 242 243 246 246 247 247 248 249 249 250 251 253 267 270 271

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KARI/ESA

Unidade

I

A linguagem geográfica e a leitura do mundo Questão inicial

ESCREVA NO CADERNO

“É importante, hoje, mais do que nunca, estar atento a esta função política e militar da geografia, que é sua desde o início. Nos dias atuais, ela se amplia e apresenta novas formas, por força [...] do desenvolvimento dos meios tecnológicos.” LACOSTE, Yves. A Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Campinas: Papirus, 1985. p. 30.

A imagem capturada pelo satélite sul-coreano Kompsat-2 mostra um trecho do deserto da Namíbia, 2012.

• Você concorda com a prerrogativa contida no trecho e com o título do livro de Yves Lacoste? Como as relações de poder contemporâneas utilizam a Geografia, seja no âmbito bélico, seja no econômico ou no político?

As áreas em azul e branco mostram o leito do rio Tsauchab. Pontos em preto são trechos de vegetação, concentrados perto do curso principal do rio, enquanto depósitos de sal aparecem em branco brilhante.

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CAPÍTULO 1

O espaço geográfico Cada vez mais rápido, cada vez mais perto O geógrafo britânico David Harvey fez uma reflexão sobre a mudança na percepção da relação entre o espaço e o tempo que ocorreu em virtude das transformações tecnológicas no setor dos meios de transportes: conforme os veículos se tornam mais rápidos, os espaços são percorridos em menos tempo, dando a sensação de que as distâncias se encolhem. Há um certo aniquilamento do espaço pelo tempo, ou seja, à medida que a tecnologia avança, a Terra fica “menor”. Observe no mapa uma comparação hipotética* entre as distâncias possíveis de se percorrer em 24 horas a partir da cidade de Lisboa, considerando a velocidade de cada meio de transporte apresentado no gráfico abaixo.

OCEANO PACÍFICO

AMÉRICA

Qual era a velocidade do meio de transporte mais rápido em cada época? 1500-1840 16 km/h

As embarcações a vela e as carruagens eram movidas, respectivamente, pela força dos ventos e por tração animal.

16 km/h

OCEANO ATLÂNTICO

1850-1930 57 km/h 100 km/h

A capacidade de armazenamento de mercadorias e a velocidade dos barcos e locomotivas a vapor eram muito maiores do que as das embarcações a vela e carruagens.

1960

O uso comercial de aviões a jato com motor de grande propulsão venceu barreiras naturais e encurtou grandes distâncias. 1 100 km/h

Fonte: HARVEY, David. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 2007. p. 220.

12

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Tópicos do capítulo }}Espaço geográfico }}Lugar }}Paisagem }}Território }}Fluxos }}Redes }}Meio técnico-científico-informacional

OCEANO PACÍFICO ÁSIA A área em verde-escuro indica a distância que um trem a vapor era capaz de percorrer, se viajasse a 100 km/h durante 24 horas. EUROPA

OCEANIA

OCEANO ÍNDICO

ÁFRICA OCEANO ATLÂNTICO

Compare a distância que era possível percorrer em 24 horas utilizando a caravela (setor em rosa) ou a carruagem (em verde-claro) com a área que pode ser atingida em um dia de viagem de avião (em amarelo).

Ponto de partida *Essa comparação tem como base o deslocamento em linha reta entre Lisboa e um ponto no mapa, desconsiderando qualquer dificuldade que possa alterar o tempo do percurso, como barreiras geográficas, ausência de estradas ou seu estado de conservação, entre outros fatores. O mapa não está em conformidade com as convenções cartográficas, pois as proporções não estão corretas e não apresenta título, rosa dos ventos, escala e coordenadas geográficas.

Crédito do infográfico: Mauro César Brosso

Lisboa

ESCREVA NO CADERNO

Observe as imagens e responda. 1. Do ponto de vista metafórico, podemos afirmar que o mundo encolheu? 2. O esquema avança até os anos 1960, aproximadamente meio século atrás. Que novos incrementos tecnológicos você agregaria à imagem para reafirmar a ideia de que a Terra parece estar ficando menor?

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1. O espaço geográfico contemporâneo O espaço geográfico está sempre em construção e em transformação, pois, ao longo da história, as ações humanas vêm organizando social e materialmente o espaço. Com seu trabalho, os seres humanos criam objetos fixos no solo, como ocorre nas construções de prédios, fazendas, indústrias, usinas, ruas, que visam facilitar a vida e possibilitam os fluxos de energia, de trabalho, de trânsito, de informação, de capital, de produtos e de circulação de pessoas e veículos. Contudo, essa organização não ocorre de forma homogênea. Vamos ver como isso se dá?

1.1 A transformação do espaço geográfico }} Ver

Rubens Chaves

Alejandro González Iñárritu. Babel. EUA/México, 2006.

Babel. Direção: Alejandro González Iñárritu. Estados Unidos/México, 2006. O filme explicita relações entre pessoas que estão em diferentes lugares do mundo. Neste caso, a situação que dispara as inter-relações ocorre no Marrocos.

No ano de 2015, pela primeira vez na história, cerca de 7,33 bilhões de habitantes conviviam no planeta Terra. Cifra inédita de pessoas consumindo objetos, água, energia; trabalhando ou à procura de trabalho; estudando ou sem estudos; precisando de alimentos ou se alimentando; divertindo-se, construindo, gerando lixo, transitando, procurando sobreviver. Também era a primeira vez que mais de 50% da população mundial vivia em cidades, o que revelava, em 2014, a marca de aproximadamente 3,9 bilhões de pessoas em áreas urbanas. Observe, nas imagens desta e da página a seguir, exemplos de intensos fluxos de pessoas e de informação, áreas com grande adensamento habitacional, imensas áreas de produção. Por meio do trabalho, as ações humanas transformam a natureza para suprir as necessidades das pessoas em diferentes lugares. O aumento de habitantes no planeta ocorreu justamente num momento de elevado estágio de consumo, de desenvolvimento tecnológico, de fluxos instantâneos de informação e comunicação entre diferentes pontos da Terra e de intensa transformação da natureza. Imagine o volume de trabalho, de produção e de circulação de suprimentos (como alimentos, água, energia, moradia) necessário para atender a todos. Se fosse possível visualizarmos, numa só imagem, todos esses fluxos e construções, todas as pessoas em alguma de suas atividades cotidianas e todos os objetos que atualmente coexistem no planeta, ficaríamos sem fôlego, não? Tantos objetos, ações, circulações, transportes num ritmo tão frenético e com imenso gasto de energia, tanta transformação da natureza, produção agrícola, crescimento populacional e de cidades!

A construção de estruturas viárias modifica profundamente a natureza. Observe na fotografia a grande movimentação de terra cortando uma área de vegetação nativa durante as obras do Rodoanel, em São Paulo (SP), 2008.

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Sergio Pedreira/Pulsar

Lewis Tse Pui Lung/Shutterstock.com

Condomínios próximo a bairro de baixo padrão em Salvador (BA), 2015.

Multidão em horário de rush no metrô em Hong Kong, 2014.

Chris Harrison, CMU/SPL/Latinstock

Podemos afirmar que, nesse movimento, o espaço geográfico está sendo mais ocupado, usado, transformado, produzido. Por conseguinte, a circulação e o trânsito aumentam. Entretanto, essa ocupação se dá de forma desigual – social, econômica e espacialmente. Os fluxos de informação que circulam pela internet se intensificam cada vez mais, sobretudo nos locais que possuem mais redes tecnológicas aplicadas em seus territórios. Na imagem a seguir, observe que os fluxos mundiais de informações são desiguais entre os países com mais ou menos tecnologias e redes de comunicação. É imensa a demanda por espaço para moradia e por alimentos. Como cada lugar no espaço geográfico tem valores e usos diferenciados, o controle, a posse ou propriedade e o direito a usá-lo são alvos de interesses distintos – individuais ou por parte de grupos, famílias e países. Muitas vezes isso gera disputas, conflitos e até mesmo guerras. Consequentemente, questões locais se mundializam. Além disso, a busca pelo domínio de diferentes lugares leva à exploração e ao controle de pontos do espaço sideral. Conceitos geográficos como os de espaço, território, lugar, paisagem e região são como lentes através das quais a Geografia estuda o espaço geográfico, os fenômenos sociais e naturais interligados e interdependentes, e oferece possibilidades de entendimento das realidades locais e internacionais.

A figura, elaborada a partir de um estudo, representa a densidade de conexões à internet nas cidades do mundo, em 2011, mostrando como alguns lugares são mais interconectados do que outros.

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Nasa/Planet Pix via ZUMA Wire/Fotoarena

2. Espaço global e espaço local

O planeta Terra visto por satélite, em 2016. Os satélites fazem parte de avançados sistemas técnicos, que possibilitam a conexão de diversos lugares por meio de sistemas de informação e redes de comunicação.

Ver Entrevista com Milton Santos. Programa Conexão Roberto D’Ávila da TV Cultura, 1998. Acesse em: <http://tub.im/ si8zkh>.

BRUNO KELLY/REUTERS/Latinstock

Ato do Greenpeace contra a exploração de petróleo e de gás natural em terras indígenas na Floresta Amazônica, Manaus (AM), 2015.

O espaço geográfico possui várias dimensões, desde a local até a global, passando pela regional. Refere-se ao espaço local tudo aquilo que é singular, isto é, que é próprio de um lugar. Já o espaço global refere-se a tudo aquilo que é partilhado, que está ou que pode ser acessado na maioria dos lugares do mundo. A internet, por exemplo, faz parte desse espaço global, assim como as organizações internacionais. Sobretudo no atual período em que vivemos, o espaço global e o espaço local têm relações cada vez mais interdependentes, ou seja, apesar de os lugares apresentarem características próprias (como as pessoas que ali habitam, sua história, suas construções, suas paisagens, sua natureza), eles também são constituídos de informações, produtos, pessoas, fluxos de energia, água, dinheiro que vêm de outros lugares, muitas vezes bem distantes. Além disso, há elementos presentes em diversos lugares do planeta, como produtos, marcas, empresas, alimentos, entre outros, como veremos adiante. Observe, na fotografia abaixo, que questões como a exploração de combustíveis fósseis em terras indígenas tornam-se foco de interesse mundial. Note que tanto o espaço local como o global (portanto, o espaço geográfico como um todo) são constituídos pelas ações humanas e por tudo que as pessoas constroem, de utensílios a grandes cidades. Isso ocorre em uma relação de transformação da natureza, afinal, é a superfície terrestre que dá suporte à vida. Portanto, quando falamos de espaço geográfico, falamos da vida humana acontecendo na Terra. Vale notar que o planeta é diferente do espaço geográfico, pois aquele existe há muito mais tempo e pode continuar existindo sem a presença humana. Vivemos em um período em que o elevado estágio de desenvolvimento tecnológico, aliado ao desenvolvimento científico, possibilita interligar todos os lugares em uma rede mundial que permite a difusão instantânea da informação.

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ESCREVA NO CADERNO

As transformações técnicas e tecnológicas incidiram decisivamente no espaço geográfico. Os satélites, objetos construídos e controlados por uma base tecnológica na Terra, são exemplos disso. • De que maneira os satélites podem ser utilizados em atividades humanas, como pelos produtores agrícolas ou ainda para auxiliar a mobilidade das pessoas e de veículos em diferentes lugares? Reflita sobre isso, registre o parecer no caderno e, depois, apresente-o à classe.

CBERS/INPE

Interagindo

Satélite sino-brasileiro CBERS-4, 2014.

3. O lugar e a paisagem no cotidiano da sociedade Pauta musical Parabolicamará, Gilberto Gil. Álbum: Parabolicamará. Warner Music, 1992. Pauta: Redes de comunicação interligando os diversos lugares do mundo.

Ler Terra dos homens: a geografia, de Paul Claval. São Paulo: Contexto, 2010. Nesse livro, o eminente geógrafo francês versa sobre como e o que faz do planeta Terra nossa morada.

Anton_Ivanov/Shutterstock.com

Edson Grandisoli/Pulsar

Não existem lugares iguais, por mais que tenham infraestruturas semelhantes. Os lugares são formados historicamente por suas características naturais e pelas pessoas que neles se relacionam, por suas ações, construções, seus costumes, sua cultura. A maneira como ocorrem as combinações entre os elementos da natureza e a organização da vida social é que transforma cada local em um lugar único. Alguns fatos, por serem globais, materializam-se em vários lugares do mundo com uma especificidade própria. O rap brasileiro, por exemplo, não é como o dos Estados Unidos, berço desse estilo musical. Os hambúrgueres daqui não são como os de lá. Os da Índia, por sua vez, não são feitos com carne de vaca, pois esse animal é sagrado para os hindus. Os lugares não se homogeneízam somente por terem as mesmas fábricas, os mesmos produtos, os mesmos shopping centers. Cada um deles se define historicamente por meio das relações de afetividade, identificação e realização, próprias das pessoas em projetos individuais e coletivos. Consequentemente, as formas de construir e utilizar os lugares são específicas. Veja nas fotografias a seguir dois exemplos de lugares distintos.

Em cima, palafitas às margens do rio Negro, Manaus (AM), 2015. Embaixo, edifícios em torno de canal em Amsterdã, Países Baixos, 2015. Cada lugar possui paisagens próprias porque é constituído pelas relações históricas e naturais peculiares a cada um. A singularidade é a principal marca dos lugares.

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Oleksiy Mark/Shutterstock.com

A presença de algumas empresas em diversos países não significa que o mundo se tornou uma síntese delas.

Rugosidades do espaço: Conceito desenvolvido pelo geógrafo e professor Milton Santos, em que ao longo da história as ações humanas e as sociedades vão imprimindo suas construções ao espaço geográfico, registrando suas atividades, seus costumes, suas tecnologias, suas culturas. Algumas dessas construções existem até hoje e carregam consigo toda a sua história. Na maioria dos casos, essas construções, como prédios antigos, têm novas funções atualmente.

A interação do que é global (empresas multinacionais, provedores de sítios eletrônicos, músicas) com o que é local (costumes, visões de mundo, histórias) constitui os lugares que, por sua vez, constituem as regiões, os territórios, enfim, o espaço geográfico. A questão é que, hoje, quem tiver as melhores informações sobre os lugares poderá direcionar os seus usos, a sua exploração, o seu controle. Mas o controle total dos lugares é algo impossível de se alcançar. Destaquemos como exemplo o ataque terrorista às torres gêmeas de Nova York, em 2001. A partir desse fato, diversas cidades – como a própria metrópole estadunidense, e outras, como Londres, Madri e Paris – instalaram um complexo sistema de monitoramento do espaço público (como ruas, parques e prédios) por meio de uma parafernália de câmeras e sistemas de informação. Entretanto, nem assim essas cidades possuem total controle sobre os seus espaços. As formas de organização das sociedades modificam-se em cada época, e a história vai sendo registrada no espaço geográfico. Se observarmos a paisagem que nos cerca, logo encontraremos construções e objetos que datam de diferentes períodos e que compõem o mesmo lugar no presente. São verdadeiras rugosidades do espaço. Alguns objetos, como prédios, por exemplo, abrigam, com o passar do tempo, novas funções. As formas de ocupação humana do planeta e o ritmo de transformação estão codificados no espaço geográfico. É essa a lente pela qual a Geografia olha o mundo e, assim, dá a sua contribuição ao conhecimento sobre a vida na Terra. Na fotografia abaixo, construções de diferentes idades compõem a mesma paisagem.

Juca Varella/Folhapress

Contraste entre arquiteturas colonial do Paço Imperial e moderna do prédio da Rua da Assembleia, no Rio de Janeiro (RJ), 2011.

Milton Santos, importante geógrafo e professor brasileiro, em 2000. Sua obra científica sobre o espaço geográfico alcançou reconhecimento internacional.

Geometrias não são geografias: o legado de Milton Santos, de Gilberto Câmara. InfoGeo, Curitiba, ano 3, n. 20, 2001. Nesse artigo o autor apresenta a teoria de Milton Santos sobre o espaço (que é transformado a todo momento pelas ações humanas) e suas relações com a natureza, diferenciando-o da concepção de espaço geométrico utilizado pelas tecnologias que produzem dados para a elaboração de mapas e imagens de satélite. Acesse o artigo em: <http://tub.im/ zbdkzb>.

J. L. Bulcão/Pulsar

Ler

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4. Território, fluxos e redes Muitos são os estudiosos do conceito de território. Embora haja divergências em suas definições, pode-se afirmar que, para todos eles, território é um nome político para o espaço físico de um país, delimitado por suas fronteiras. A existência de um país requer um território. Território é a extensão de terras apropriadas, usadas e com limites definidos. Dentro desses limites, há um ordenamento jurídico próprio, ou seja, um conjunto de leis específicas que, regidas pelo Estado, regulam as ações no território. Essas leis mudam com o passar do tempo, muitas vezes em função de conflitos intensos. No espaço territorial há dinâmicas sociais que o sujeitam a transformações sucessivas, pois a cada época há novidades que se somam às heranças de outros períodos. Essas heranças e novidades tanto podem ser materiais – como prédios, vilas e outras construções – como imateriais – como as conquistas de direitos sociais que regulamentam os usos de cada lugar no território, em cada momento histórico. Dessa forma, o território também é visto como unidade e diversidade. De um lado, tudo aquilo que é material, a natureza com seus recursos naturais e tudo o que é construído pelas ações humanas ao longo da história nos lugares que o constituem. De outro, as leis e o regime político que regulam as ações das pessoas naquele território. O caso dos curdos representa uma situação em que uma nação vive em território não reconhecido internacionalmente; não há um Estado curdo. São aproximadamente 26 milhões de pessoas que vivem entre o norte do Iraque, o leste da Turquia, o noroeste do Irã, trechos da Síria e de países do Cáucaso, numa área denominada por eles como “Curdistão”. Observe no mapa abaixo a localização dessa área, as porções territoriais e os países que abrange.

RÚSSIA

40º L Mar Negro

C. Takachi

O requerido território do Curdistão GEÓRGIA

ARMÊNIA AZERBAIJÃO TURQUIA

AZB Mar Cáspio

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SÍRIA

35º N igre R. T

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Área de ocupação da população curda Zona neutra

KUWAIT

Golfo Pérsico

0

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Nota: Zona neutra é uma área em que mercadores nômades transitam desde tempos remotos em que não havia as fronteiras. Fonte: SMITH, Dan. O atlas do Oriente Médio: conflitos e soluções. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 91.

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Atualmente, com a globalização, vivemos um período de transnacionalização do território. Isso significa que a existência de muitas empresas transnacionais e de fluxos internacionais de capital faz com que o funcionamento e a organização territorial incorporem lógicas e ordens próprias com outras vindas de outros países, numa intensidade nunca vista. Assim, o território é mais do que um espaço físico controlado por um Estado; por sua dinâmica social, política, econômica e histórica ele também pode ser definido pelas maneiras como é usado, organizado. Por isso, o território é um objeto de preocupação e análise social, não apenas um espaço físico com fronteiras e recursos naturais. Como afirma o geógrafo Milton Santos, “É o uso do território, e não o território em si mesmo, que faz dele objeto de análise social” (1996, p. 15). Nem todas as regiões que compõem um território vivem no mesmo estágio de dinamismo econômico e ocupação territorial. Há regiões em que o histórico de suas ocupações e situações atuais resulta em um aglomerado de pessoas vivendo de forma extremamente desigual, com diferentes condições de acesso às informações e conquistas da tecnologia. As regiões de um território podem ser mais ou menos interconectadas entre si e com outros lugares de outros países. Essas interconexões podem ser feitas por integração de rodovias, por redes de telefonia, de ferrovias, de internet, de trocas de mercadorias. As interconexões facilitam o contato entre as áreas produtoras e os pontos de escoamento de produtos e mercadorias. Podem, também, propiciar o desenvolvimento de localidades antes estagnadas. Quanto mais interligados os diversos pontos do território estiverem, maiores serão as possibilidades de mais fluxos de informação e de produtos circularem por e entre eles. Contudo, estar conectado em rede não significa, necessariamente, que os interesses de todas as pessoas dos lugares interconectados sejam atendidos.

O artista brasileiro Cildo Meireles usou o som para criar espaço e integrar a relação tempo-espaço. Em 2006, em sua obra Babel, uma torre feita de rádios de diversos modelos e épocas sintonizou frequências de rádios de vários lugares do mundo. O resultado das interações dos sons e das diferentes línguas mostrou que uma rede de conexões pode não significar, necessariamente, uma boa comunicação entre as pessoas e os lugares. • A obra, apresentada ao lado, pode também ser entendida como uma visão crítica do espaço geográfico. Organizem-se em duplas e apresentem dois argumentos demonstrando como a difusão de informações feita pelas redes de comunicação pode promover diferentes formas de integração entre as pessoas e os lugares. A seguir, apresentem seus argumentos para a classe.

ESCREVA NO CADERNO Cildo Meireles. 2006. Instalação. Museu do Vale do Rio Doce, Vila Velha

A Geografia na... arte!

Instalação Babel, 2006, de Cildo Meireles. Museu Vale, Vila Velha, Vitória (ES).

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Um lugar na zona rural pode estar conectado a um sistema socioeconômico global, por meio de redes globais, e sua produção ser comercializada nas principais bolsas de valores do mundo. Pode-se produzir soja no campo do Centro-Oeste brasileiro e exportar toda a produção para o exterior. Para isso, é necessária a utilização de redes de transportes e de comunicação. Muitos lugares e regiões de um território vivem economicamente em função de recursos adquiridos da compra e do consumo de outros países. Isso é um exemplo de conexão entre países, mas, também, de fluxos entre lugares específicos desses países. Esses fluxos promovem uma dinamização do território, pois, para os produtos saírem da área produtora e chegarem ao seu destino, passam por vários lugares e passam também a ter valor, pois geram trabalho ao longo dessa rede. Diversos pontos conectados constituem redes. Podemos destacar, como redes territoriais, que dinamizam o país, as redes de comunicação e de transportes (ferrovias, hidrovias, rodovias e aerovias), interligadas a aeroportos e portos. O mapa a seguir representa a rede de transportes do território brasileiro. Observe que essa rede é desigual, há áreas com maior e outras com menor concentração de infraestrutura.

Allmaps

Brasil: transportes (2014) 50° O

Oiapoque Boa Vista

Serra do Navio Macapá

Equador

São Gabriel da Cachoeira Belém

Santarém

Manaus

São Luís

Parnaíba Sobral

Tabatinga

Marabá

Imperatriz

Carajás

Lábrea

Fortaleza

Teresina

Mossoró

Natal

Picos

Cruzeiro do Sul

Porto Velho

Alta Floresta

Rio Branco

Palmas

São Félix do Araguaia

Vilhena

Cáceres

OCEANO PACÍFICO

Porto Murtinho

Aracaju

Gurupi

Salvador

Itabuna

Rondonópolis

BRASÍLIA

Goiânia

Rio Verde Corumbá

Maceió

Barreiras

Nova Xavantina

Cuiabá

João Pessoa Recife

Salgueiro Petrolina Juazeiro

Campo Grande

Vitória da Conquista

Catalão

Uberlândia Ribeirão Preto

Ponta Porã

OCEANO ATLÂNTICO

Confins

Belo Horizonte Vitória

Campos dos Goytacazes

Principais infraestruturas de transportes Rodovia federal pavimentada

Foz do Iguaçu

Campinas Londrina Guarulhos Maringá Rio de Janeiro T São Paulo rópico d São Sebastião e Capric órnio Santos Curitiba

Joinville

Rodovia federal em obra de pavimentação Ferrovia

Passo Fundo

Hidrovia Aeroporto internacional

Capital do estado Cidade

Florianópolis

Uruguaiana Porto Alegre

Principais portos Capital do país

Paranaguá Navegantes

Bagé Pelotas

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Fontes: MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES. Disponível em: <www2.transportes.gov.br/bit/01-inicial/07-download/multimodal2013.pdf>; INFRAERO, 2014. Disponível em: <www.infraero.gov.br/images/stories/Arquivos/Mapas/rede_infraero15092014.pdf>. Acesso em: 1° out. 2015.

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Navegar

NASA Earth Observatory/Sipa/Fotoarena

Projeto Megafone <http://tub.im/9jnqt2> Na cidade de São Paulo, o projeto Motoboys, do artista catalão Antoni Abad, do grupo ZEX, incentiva um canal de comunicação entre motoboys e moradores da cidade que registram com câmeras de celulares as características, as condições e os lugares por onde passam, colocando em rede e por meio de um mapeamento seus percursos cotidianos.

Podemos destacar também as redes de comunicação que viabilizam as conexões via rádio, satélite, fibras ópticas e internet, que se utilizam dessas infraestruturas para se organizarem em diferentes lugares do país e do planeta. Há muitos pontos dos territórios que ainda não estão conectados em rede. Em outros, há uma enorme concentração de conexões, que possuem grande quantidade de tecnologia aplicada ao solo e às construções. Isso, em proporções distintas, ocorre em todos os países. Mas não basta que os lugares estejam conectados em rede para que as condições de vida de suas populações sejam boas. Numa rede, é possível encontrar grandes disparidades econômicas e sociais, ou seja, poucas pessoas concentram grande poder e a maior parte dos rendimentos que por ela circulam, enquanto outras não desfrutam dos benefícios advindos dela. Assim, é necessário que haja uma política territorial por parte do Estado que, além de levar os serviços básicos de saúde e educação às pessoas, também propicie trabalho e renda dignos para todos. A existência das redes nos territórios é inseparável da questão do poder, pois a divisão territorial do trabalho atribui a poucas pessoas os principais privilégios na organização do espaço. A imagem a seguir destaca os lugares do planeta que combinam grandes concentrações populacionais urbanas com avançado estágio de tecnologia aplicada ao território. São lugares que apresentam elevado consumo de energia. Há também lugares que não aparecem iluminados na imagem porque são pouco habitados, enquanto em outros vivem milhões de pessoas com pouco acesso às conquistas da ciência e da tecnologia. Além disso, é possível notar que as áreas mais luminosas também são lugares ou regiões que concentram grande volume de capital, como a porção leste dos Estados Unidos, o território japonês e países da Europa central. Em contrapartida, o Canadá, grande parte do México, regiões do oeste dos Estados Unidos, diversos países africanos e da América do Sul e Central e na Ásia central e setentrional, por exemplo, apresentam na maioria de seus territórios áreas com menos tecnologia aplicada.

Luzes da cidade. Vista noturna da Terra produzida a partir de diversas imagens de satélites em 2012.

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4.1 O meio técnico-científico-informacional

Barcelona, Espanha, 1992.

Andrea Jemolo/AKG Images/Latinstock

Pauta musical Cérebro eletrônico, Gilberto Gil. Álbum: Gilberto Gil. Philips Records, 1969. Pauta: Robotização e a vida humana. Philips Records

O atual período histórico, denominado pelo geógrafo Milton Santos de técnico-científico-informacional, iniciou-se após a Segunda Guerra Mundial (19391945). De lá para cá, o mundo assistiu a um intenso desenvolvimento tecnológico, fomentado pela ciência. O termo técnico-científico apresenta a ideia de que a ciência está a serviço da técnica, com intenções voltadas para o mercado, de forma a promover a economia. Assim, é o mercado que direciona o desenvolvimento da ciência e da técnica. Já o termo informacional não se resume aos computadores, mas traz a ideia da informação como principal veículo de poder do mundo atual. O espaço geográfico é o meio onde são construídos os objetos resultantes do desenvolvimento tecnológico e por onde passam os fluxos de informação. Por isso, nesse período histórico o espaço geográfico é denominado meio técnico-científico-informacional. O espaço geográfico assim entendido é repleto de lugares dotados de objetos destinados a favorecer a fluidez. Entre eles, podemos destacar oleodutos, gasodutos, canais, autopistas, portos, aeroportos, usinas, antenas, cabos de energia e de transmissão de fibras ópticas. Por eles circulam diariamente imensas quantidades de óleo, gasolina, água, veículos automotores, navios, aviões, informações, energia. A circulação de objetos de tecnologia de ponta pode promover a valorização ou a desvalorização do espaço geográfico. No primeiro caso, a valorização pode ocorrer ao gerar empregos, imóveis e melhoria de infraestruturas, como vias de transporte, abastecimento de água e energia. No segundo caso, a desvalorização pode ocorrer se nele for instalada uma atividade extremamente poluidora, ou se houver pouca fluidez e circulação de produtos e serviços. Os lugares se transformam e, com isso, alteram o seu valor. Um exemplo é a valorização do espaço em Barcelona, na Espanha, em função dos Jogos Olímpicos realizados em 1992. A cidade catalã passou por uma intensa transformação e revitalização urbana. Os reflexos dessas transformações continuam sendo perceptíveis anos após o evento mundial na cidade. Veja as fotografias a seguir.

Barcelona, Espanha, 2015.

Depositphotos/Glow Images

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Hugh Threlfall/Alamy/Latinstock

PM Images/Getty Images

Erich Schrempp/ Photo Researchers/ Getty Images

Ensuper/Shutterstock.com

Losevsky Photo and Video/ Shutterstock.com

Dja65/Shutterstock.com

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A velocidade das mudanças tecnológicas pode ser sentida no mercado de aparelhos de rádio, celulares, computadores, MP3 players, entre outros.

Mensagens podem ser repassadas instantaneamente para vários pontos do planeta. Da mesma forma, as informações das bolsas de valores movimentam transações em escala planetária. Uma informação que inspire alguma desconfiança aos investidores pode fazer com que eles redirecionem seus investimentos de um país para outro. Efetuar um pagamento eletrônico requer uma intensa rede de informações, que inclui cabos de fibra óptica ou vias sonoras e eletromagnéticas. O transporte do petróleo até as refinarias (onde é transformado em óleo, gasolina e outros derivados) é feito por meio de oleodutos, os quais são controlados a distância por computadores. Sistemas de satélites identificam pessoas e pequenos objetos na superfície terrestre. Sondas e sensores coletam informações do interior do planeta. Todas essas técnicas e trabalho humano são incorporados ao território, que se torna tecnificado. A tecnificação, que agrega valor ao território de um país, transforma profundamente a natureza. Por isso, as grandes obras de engenharia e os próprios objetivos da ação humana devem ser muito bem planejados, garantindo-se, assim, que o seu desenvolvimento não signifique o esgotamento dos recursos naturais do planeta.

PhotoGraphyca/Shutterstock.com

Conversando com a... Filosofia!

ESCREVA NO CADERNO

Há no mundo um mistério, que nem mesmo a voracidade do cotidiano consegue tragar. Os desenvolvimentos técnicos e científicos, as descobertas e invenções que dia após dia despertaram fascínio e polêmica desse encantamento. Quem, diante do universo que as sondas espaciais hoje revelam, já não indagou de onde veio tudo isso? De onde viemos nós? Essas são perguntas que há muito acompanham o ser humano. Muita gente, ao longo dos séculos, tem procurado responder a elas. De tentativa em tentativa, o leque dos interesses humanos foi se ampliando [...]. Tudo derivou de uma curiosidade inicial, à qual alguns homens da Grécia antiga procuraram satisfazer usando a razão. ABRÃO, Bernadette Siqueira. História da filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 1999. p. 5.

Com base no texto e no que estudamos até aqui, responda: 1. Como “os desenvolvimentos técnicos e científicos ”citados no texto incidem no espaço geográfico contemporâneo? 2. Por que a autora cita a Grécia antiga? 3. Você seria capaz de citar alguns desses “homens da Grécia antiga” que optaram pela razão em vez de atribuir aos deuses a explicação dos fenômenos, como era praxe até então? 4. Como a ciência pode contribuir para tentar saber “de onde veio tudo isso” ou “para onde vamos”?

4.1.1 Território brasileiro: um meio técnico-científico-informacional Atualmente, o meio técnico-científico-informacional se revela no território brasileiro, mesmo que as redes e as infraestruturas o atendam desigualmente. Alguns mapas podem exemplificar a distribuição desigual de infraestrutura como o da rede de transportes visto anteriormente, e também o mapa apresentado na página a seguir. O sistema elétrico é um exemplo entre diversas outras tecnologias que podem acelerar ou, dependendo da demanda e das condições físicas, atrapalhar a fluidez pelo território brasileiro. Ao longo dos próximos capítulos, nos deteremos mais nesse assunto, no Brasil e nos demais países.

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GUIANA FRANCESA (FRA) SURINAME

VENEZUELA Boa Vista

COLÔMBIA

Allmaps

Sistema elétrico brasileiro (transmissão de energia – horizonte 2015) 50° O

GUIANA Macapá

Equador

Belém

São Luís Fortaleza

Manaus Natal

Teresina

João Pessoa Recife

E

Palmas

Porto Velho

Rio Branco

Maceió Aracaju

PERU

Salvador

BRASÍLIA

BOLÍVIA

OCEANO ATLÂNTICO

Cuiabá

Linha de transmissão

Goiânia

ExistenteCHILE

D Campo Grande

Futuro

A

Estação conversora de frequência de energia

Belo Horizonte

C

Vitória

B

Complexo

Rio de Janeiro Trópico de Capricórnio

PARAGUAI

A Paraná

Itaipu

B Paranapanema

Garabi 2 000 MW

C Grande

Uruguaiana 50 MW

D Paranaíba ARGENTINA

E Paulo Afonso

São Paulo Curitiba Florianópolis

Porto Alegre Rivera 70 MW

Capital do país Capital de estado

Melo 500 MW

0

355

URUGUAI

Fonte: OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO (ONS). Disponível em: <http://www.ons.com.br/conheca_sistema/mapas_sin.aspx>. Acesso em: 1° out. 2015.

Enfoque

ESCREVA NO CADERNO

As redes e a organização do espaço Neste início de século uma realidade nova, apoiada não mais nas formas antigas de relações do homem com o espaço e a natureza, mas nas que exprimem os conteúdos novos do mundo globalizado, traz consigo uma enorme renovação nas formas de organização geográfica da sociedade. A rede global é a forma nova do espaço. E a fluidez – indicativa do efeito das reestruturações sobre as fronteiras – a sua principal característica. [...] A organização em rede vai mudando a forma e o conteúdo dos espaços. [...] Uma vez que muda de conteúdo [...] o espaço geográfico muda igualmente de forma. A forma que nele tinha importância principal no passado já não a tem do mesmo modo e grau na organização no presente. [...] Com a organização em rede o espaço fica simultaneamente mais fluido [...] a relação em rede elimina as barreiras, abre para que as trocas sociais e econômicas se desloquem de um para outro canto, amplificando ao infinito o que antes fizera com os cultivares. [...] Ao chegarmos aos dias de hoje, em que a rede do computador é o dado técnico constitutivo dos circuitos, o espaço em rede por fim se evidencia. Então, assim como sucede com a forma geral, cada atributo clássico da geografia ganha um outro sentido. Em particular a distância. A distância perde seu sentido físico, diante do novo conteúdo social do espaço. Vira uma realidade para o trem, outra para o avião, outra ainda para o automóvel, sem falar do telefone, da moeda digital e da comunicação pela internet [...]. MOREIRA, Ruy. Da região à rede e ao lugar: a nova realidade e o novo olhar geográfico sobre o mundo. Etc... espaço, tempo e crítica. Revista Eletrônica de Ciências Humanas e Sociais e outras coisas, n. 1(3), v. 1. p. 56-57, 59-60, 1º jul. 2007. Disponível em: <http://www.uff.br/etc/UPLOADs/etc%202007_1_3.pdf>. Acesso em: 1° out. 2015.

1. De acordo com o texto, qual é a noção de distância nos dias de hoje, se comparada à época de nossos avós? 2. A organização em rede, sobretudo com o intenso desenvolvimento tecnológico, modifica as formas e os conteúdos do espaço geográfico. Converse com um colega e expliquem, por meio de exemplos, como isso pode ocorrer.

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando

c. 1919. Coleção particular

1. O espaço geográfico é formado por objetos fixos e diversos fluxos, em grande medida criados e dinamizados pelas ações humanas. Dê exemplos da relação de fixos e fluxos e de como as ações humanas lhe dão vida e sentido. 2. Qual a diferença entre espaço local e espaço global? 3. Explique como o espaço territorial brasileiro pode ser considerado um meio técnico-científico-informacional, se nele ainda há milhões de analfabetos e muitas áreas sem saneamento básico. 4. Qual o papel das redes e do desenvolvimento tecnológico na organização do espaço no mundo atual? 5. Como ocorreu o processo de transição do território brasileiro, do meio natural ao meio técnico-científico-informacional? 6. Observe atentamente as imagens abaixo.

Passageiros transportados em rotas domésticas e internacionais (2002 e 2010) Localidade atendida – aeroporto

2002

2010

São Paulo–Guarulhos

10 046 229

26 038 608

São Paulo–Congonhas

11 958 324

15 085 754

Brasília

5 815 452

14 508 668

Rio de Janeiro–Galeão

4 641 281

12 008 182

Salvador

3 346 637

7 994 889

Rio de Janeiro–Santos Dumont

5 199 592

7 600 968

Belo Horizonte–Confins

405 722

7 116 418

Porto Alegre

2 701 251

6 305 016

Recife

2 509 068

6 220 176

Curitiba

2 585 514

5 857 906

Fortaleza

1 740 135

4 953 292

Campinas

760 062

4 465 252

Fonte: ANAC. Anuário do Transporte Aéreo – 2010, Brasília, DF, 7 jul. 2011. Disponível em: <http://www2.anac.gov.br/estatistica/anuarios.asp>. Acesso em: 1° out. 2015.

Passageiros pagos transportados para o exterior (2002 e 2010)

Sergio Pedreira/Fotoarena

Salvador (BA), c. 1919.

Salvador (BA), 2013.

Rota

2002

2010

Brasil–Estados Unidos

1 837 069

3 240 103

Brasil–Argentina

893 977

2 771 722

Brasil–Portugal

541 493

1 440 507

Brasil–França

560 068

1 016 575

Brasil–Chile

314 573

742 855

Brasil–Espanha

290 061

682 877

Brasil–Alemanha

418 846

603 830

Brasil–Uruguai

238 046

592 560

Brasil–Itália

275 054

404 060

Brasil–Reino Unido

231 586

381 029

Brasil–Peru

100 366

395 688

Brasil–Paraguai

135 242

279 980

Brasil–Holanda

125 889

193 549

Brasil–Panamá

36 887

354 217

Brasil–México

121 518

201 958

Elas representam o mesmo local em diferentes períodos. Depois de analisá-las, responda:

Fonte: ANAC. Anuário do Transporte Aéreo – 2010, Brasília, DF, 7 jul. 2011. Disponível em: <http://www2.anac.gov.br/estatistica/anuarios.asp>. Acesso em: 1° out. 2015.

a) Essas imagens representam um mesmo lugar? Justifique sua resposta diferenciando lugar de local.

a) Em quais pontos do território brasileiro houve maior intensificação de fluxos nos períodos indicados?

b) Cite exemplos de rugosidades no espaço analisando as imagens. 7. Analise os fluxos aéreos nas tabelas a seguir e responda às questões.

b) Com quais países as inter-relações foram intensificadas com o aumento de fluxos entre 2002 e 2010? c) Como o aumento nos fluxos de passageiros pode indicar dinamização espacial no território?

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Olhar cartográfico Pesquise na imagem de satélite da página 22 e, com o auxílio de um atlas, faça uma lista com os dez países que apresentam maior quantidade de tecnologia aplicada ao território e os dez que apresentam menor tecnologia aplicada. Em seu caderno, faça uma lista desses países, indicando os continentes em que estão localizados. Depois, verifique se todos os países vizinhos das áreas com mais tecnologia sendo utilizada, isto é, com mais luzes acesas, são atendidos igualmente por essa infraestrutura.

Atividade em grupo Reúna-se em grupo com seus colegas e pesquise sobre sua cidade. Essa pesquisa pode ser feita na internet, no site da prefeitura do seu município. 1. Qual é a origem de sua cidade? 2. Qual é o bairro mais antigo? E o mais recente? 3. Visitem esses locais e identifiquem neles construções antigas e novas que configuram a mesma paisagem. 4. Tirem fotografias desses lugares e façam legendas sobre as rugosidades do espaço geográfico. 5. Entrevistem moradores antigos do bairro para descobrir as principais transformações pelas quais o bairro passou. 6. Apresentem aos colegas na sala de aula um painel com as fotografias e relatem alguns aspectos dos depoimentos mais interessantes.

De olho na mídia O espaço geográfico está sempre em transformação. Nesse movimento ele se constitui de objetos e construções de diferentes temporalidades, diversos fluxos que interligam diferentes lugares. As cidades são os lugares em que isso se torna mais evidente. O ritmo dessas transformações pode ser alterado quando, por exemplo, uma cidade sedia megaeventos como os Jogos Olímpicos. Leia a reportagem a seguir sobre os projetos de transformação no espaço urbano do Rio de Janeiro, em virtude da realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Após a leitura, converse com um colega e responda: O Rio de Janeiro se transformou numa cidade com maior qualidade de vida para todos seus habitantes? Quais interesses financeiros e políticos podem estar associados a grandes eventos como as Olimpíadas? Um jogo de ambições para os Jogos de 2016 A impressão é de um grande canteiro de obras. O Rio passa por transformações urbanísticas para receber os Jogos Olímpicos de 2016. Ao contrário de Londres, que concentrou as revitalizações em uma região específica da cidade, no Rio as mudanças são pulverizadas e englobam quatro grandes áreas – Barra da Tijuca, na zona oeste,

Maracanã e Deodoro, na zona norte, e região portuária, no centro. São transformações que interferem diretamente na vida de 2 milhões de habitantes (ou um terço da população carioca). “Nossa visão estratégica é que em 2020 o Rio seja a melhor cidade no hemisfério sul para se viver, trabalhar e visitar”, diz Maria Silvia Bastos Marques, presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM), criada pela Prefeitura para coordenar a execução dos projetos relacionados à preparação para os Jogos de 2016. A ambição é grande. As transformações mais nítidas ocorrem atualmente na região portuária do Rio. Ali, um projeto de R$ 8 bilhões, batizado de Porto Maravilha, está sendo implantado para recuperar uma área degradada. A expectativa da Prefeitura é mais que triplicar o número de habitantes na região – de 28 mil para 100 mil pessoas em dez anos – e aumentar em 700 mil a população flutuante diária. E para ligar todas essas regiões de competição dos Jogos, o maior desafio é propiciar um sistema de transportes que permita a integração e facilite a mobilidade urbana. Três projetos estão sendo executados atualmente. O primeiro deles é o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) [...], atualmente em fase de licitação. Os novos bondes circularão em 30 km de vias e passarão por 42 estações. Duas das seis linhas previstas entrarão em funcionamento em 2014. A cidade ainda tem na paisagem erros cometidos na preparação para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Algumas instalações construídas na época, como o Parque Aquático Maria Lenk e o Velódromo, terão de passar por modificações profundas para se adequarem aos requisitos do COI. A Vila do Pan, na Barra, tem apenas metade dos apartamentos ocupada hoje, depois de problemas no solo da área que estava “afundando”. Para a urbanista Denise Barcellos Pinheiro Machado, diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falta um estudo mais profundo da cidade. “As coisas vão acontecendo muito mais conforme as oportunidades do que por meio de uma visão mais macro, mais pensada.” A inovação no planejamento fica por conta dos equipamentos temporários, onde foi adotado o conceito de “arquitetura nômade”: o que antes era instalação esportiva passa a ter outros usos, em outros locais. A arena de handebol, por exemplo, será transformada em quatro escolas de 60 salas de aula, ainda sem local definido. Outros temporários se tornarão bibliotecas, creches, teatros ou estádios esportivos após 2016. Para além do aspecto material, a Olimpíada trará como legado uma maior visibilidade ao Rio e o aumento da autoestima da população, na avaliação de Denise Barcellos. “Em termos arquitetônicos, o Rio já terá o suficiente. Agora precisa investir em diminuir as diferenças, investir em coisas que não apareçam, e essa é a dificuldade”, acredita. STURM, Heloísa Aruth. Planejamento urbano, um jogo de ambições para os Jogos de 2016. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 2012. Esportes. Disponível em: <http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,planejamento-urbano-um-jogode-ambicoes-para-os-jogos-de-2016-imp-,915728>. Acesso em: 1o out. 2015.

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CAPÍTULO 2

O capitalismo e a transformação do espaço geográfico

Rolando Freitas /Estadão Conte úd

o

Coleção particular

Observe a cidade de São Paulo em três momentos distintos: 1902, 1970 (fotografias abaixo) e 2013 (ao lado). O ponto de referência é a Avenida Paulista, esquina com a Rua da Consolação.

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Marcos Hirakawa/Isuzu Imagens

Tópicos do capítulo Capitalismo Liberalismo Socialismo Comunismo Keynesianismo Neoliberalismo Social-democracia

Ponto de partida As imagens da Avenida Paulista ilustram a reflexão do geógrafo Milton Santos: “O espaço é a acumulação desigual de tempos.” SANTOS, Milton. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Edusp, 2001.

• Aponte elementos das imagens que confirmam a frase do autor.

ESCREVA NO CADERNO

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1. Entendendo o capitalismo Hegemônico: Preponderante, predominante. Liberalismo: Principal vertente do capitalismo a partir do século XVIII. Defende a máxima liberdade individual contra a ingerência do Estado. Veremos o contexto de seu surgimento e suas características mais adiante.

1.1 Características gerais O capitalismo baseia-se na economia de mercado, conceito-chave para sua compreensão desde que o liberalismo se firmou como principal dimensão do sistema. Vamos refletir então sobre o que é mercado. Comecemos pela ideia mais usual que temos de mercado, aquela que imediatamente surge quando ouvimos tal palavra. Observe a fotografia abaixo. José Bassit/Pulsar

Preço: Montante em moeda corrente que corresponde ao pagamento de uma mercadoria ou serviço, cujo valor é definido pelos padrões que orientam o mercado.

O espaço a nossa volta encontra-se permanentemente em mutação, e a sociedade é a maior responsável por isso. Nos últimos séculos, essa alteração foi conduzida, principalmente, pelo capitalismo, o sistema hegemônico dos dias atuais. Logo, para compreendermos melhor o mundo a nossa volta, precisamos ter noção desse sistema econômico. Vamos, portanto, entender como ocorre a produção desse espaço.

A ideia teórica de mercado, no capitalismo, provém da noção usual de um mercado, de uma feira livre. Na fotografia, banca de frutas em feira livre na cidade de São Paulo (SP), 2014.

O pressuposto da teoria de mercado provém de uma ideia simples, uma vez que é nos mercados e feiras livres que se compram os produtos básicos do cotidiano. Devemos atentar para a expressão “comprar”, característica inerente ao capitalismo, pois, desde que o sistema surgiu, a troca, prática usual até então, foi gradativamente tornando-se secundária. No mercado, o consumidor opta pela compra de um determinado bem e, caso não concorde com o preço, pode escolher outro gênero ou procurar o mesmo produto por um preço menor em outras lojas. Estabelece-se então uma livre concorrência entre os vendedores que disputam o comprador. Concluímos, portanto, que o mercado é o palco da disputa, ou seja, da liberdade que têm os vendedores (os capitalistas) de disputar o mercado estipulando o preço de suas mercadorias. Determina-se assim a lei de oferta e procura. Dessa lei da livre concorrência surge a expressão liberal, defensor das leis de mercado. Portanto, mercado é a esfera da livre concorrência, e o condutor do modelo é o preço. Esse mecanismo socioeconômico orienta a maior parte das economias nacionais nos dias de hoje. Desde os últimos anos do século XX, assiste-se no mundo a uma forte apologia da ideia de mercado. Paradoxalmente, não são poucos os que discordam do modelo e alertam para os perigos de uma sociedade pautada exclusivamente nessas ideias. Anunciam que o mercado não deve tomar conta de todas as relações sociais, culturais ou ambientais. Será que tudo deve ser regido pelas leis do mercado? Não seria possível isentar algumas relações do comando do mercado?

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Teoria do valor: Teoria segundo a qual o valor de uma mercadoria é medido de acordo com a quantidade de trabalho empregado para produzi-la.

Pauta musical

América Brasil. Seu Jorge. Gravadora: Universal. 2008

Burguesinha, Seu Jorge. Álbum: América Brasil, o disco. Universal, 2008. Pauta: Capitalismo.

Raio X do Brasil. Racionais MC’s. Gravadora: Zimbabwe Records. 1995

Mano na porta do bar, Racionais MC’s. Álbum: Raio X do Brasil. Zimbabwe Records, 1995. Pauta: Capitalismo e desigualdade social.

Richard Levine/Corbis/Latinstock

Quando tratamos de preço, mencionamos que ele atribui um valor a um determinado produto. Contudo, nem sempre o preço de uma mercadoria representa exatamente o quanto ela vale. Entre os economistas é famosa a teoria do valor, contexto em que se discute quanto deveria valer um produto. Sabemos que nenhum capitalista vende determinado produto pelo seu custo de produção. Ele sempre acrescenta algo mais, e é por meio desse mecanismo que se estabelece um sobreganho, conjuntura em que o capitalista tenta, então, obter seu lucro. Lucro é exatamente esse sobreganho, um valor agregado ao custo da produção de um determinado gênero. E será exatamente o nível de concorrência que irá determinar de quanto será esse valor agregado. A origem etimológica da palavra “lucro” vem do latim logro, que significa trapaça, engano. Quando essa prática começou a ser utilizada nos primórdios do capitalismo, muitos refutavam o termo por conta da conotação pejorativa. Contudo, nos dias atuais essa palavra ganhou outro sentido e deve ser concebida numa acepção mais ampla, por exemplo, o rendimento ganho perante o montante investido na produção de um bem ou serviço. Todo capitalista, por definição, tem como objetivo reproduzir e acumular capital. Se ele não o fizer, estará fadado ao fracasso. Logo, seu objetivo é vender mais e mais e, consequentemente, lucrar. Para aumentar as vendas, ele lança mão de métodos que estimulam o comprador a consumir, ou seja, a economia de mercado produz uma sociedade de consumo. O consumismo é uma característica intrínseca ao capitalismo e está muito presente nas sociedades industriais do mundo contemporâneo. Os shopping centers, como o da fotografia a seguir, considerados “templos de consumo”, tornaram-se o ponto de encontro da sociedade capitalista. Tal consumismo desenfreado pode ser extremamente danoso ao ambiente. Contudo, como estudaremos mais adiante, o advento da consciência ambiental no último quartel do século XX veio pôr uma espécie de freio ao consumismo exacerbado.

Shopping center em Nova York, Estados Unidos, 2015.

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Marxista: Deriva de marxismo, conjunto de ideias e valores formulados com base nos trabalhos de Karl Marx (1818-1883), filósofo alemão do século XIX e criador do socialismo científico, que estudaremos adiante, neste capítulo.

Pauta musical

Alberto César Araújo/Fotoarena

Cabeça dinossauro. Titãs. Gravadora: Warner Music. 1986

Homem primata, Titãs. Álbum: Cabeça dinossauro. Warner Music, 1986. Pauta: Capitalismo.

Outro pilar básico do capitalismo diz respeito aos meios de produção. Eixo central para a compreensão do sistema, esse conceito marxista talvez seja o mais expressivo da essência do capitalismo, aquele que diferencia substancialmente os sistemas capitalista e socialista. Por meios de produção, entende-se tudo aquilo que esteja envolvido no processo produtivo de um bem, uma mercadoria ou um serviço. São as ferramentas, o instrumental técnico, as instalações, as máquinas, entre outros. Hoje em dia, guardadas as devidas proporções, podemos afirmar que as tecnologias transformaram-se em meios de produção. O que faz a diferença clássica entre capitalismo e socialismo é exatamente a forma de apropriação dos meios de produção. No capitalismo, há um proprietário, um dono. A ele pertencem as ferramentas, as máquinas, os ingredientes técnicos e, consequentemente, o poder de encaminhar as situações. Finalmente, com base na compreensão da noção de meios de produção, temos a última pilastra de sustentação do sistema capitalista: a sociedade de classes. O capitalismo apresenta, teoricamente, duas classes sociais distintas: a que tem a posse dos meios de produção, chamada burguesia, e aquela que, não tendo a posse dos meios de produção, vende sua força produtiva, sua mão de obra, ao dono do capital em troca de um salário – o proletariado. Essas são as características clássicas do capitalismo. Obviamente que nos dias atuais o sistema é mais amplo e complexo do que se imagina, mas se entendermos as definições até aqui, teremos uma base inicial para a compreensão desse sistema.

Os meios de produção formam a base técnica do desenvolvimento de uma sociedade. Na fotografia, linha de montagem de televisores em fábrica na Zona Franca de Manaus (AM), 2014.

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Conceitos do capitalismo Você deve ter percebido que no transcorrer do texto destacamos algumas expressões em negrito. Elas são peças-chave na leitura do sistema. Logo, podemos afirmar que o capitalismo é o sistema fundamentado numa economia de mercado em que, por meio da livre concorrência, o proprietário dos meios de produção busca vender o máximo possível de seus produtos visando ao lucro. Para alcançar tal intento, estimula-se o consumo; logo, a sociedade capitalista produz uma sociedade de consumo. O sistema caracteriza-se pela posse privada dos meios de produção, estabelecendo, a partir daí, uma sociedade de classes: a que tem a posse dos meios de produção denomina-se burguesia, e aquela que vende sua força produtiva, proletariado.

A Geografia na... tira!

ESCREVA NO CADERNO

© 1992 Watterson / Dist. by Universal Uclick

O personagem Calvin, de Bill Watterson, por meio do imaginário infantil que todos carregamos dentro de nós, é um crítico sutil do sistema capitalista. Ele deu vida ao seu tigre de pelúcia, o Haroldo, e ambos vivem dialogando sobre as mais variadas circunstâncias do cotidiano, como na tira abaixo:

Calvin & Hobbes, Bill Watterson

• Qual a mensagem do autor da tira sobre o capitalismo? Nela é possível observar alguma importância aos valores éticos na estruturação política das sociedades? Qual a contribuição de uma mensagem como essa para o cotidiano da sociedade?

2. As etapas do capitalismo O surgimento do capitalismo é simultâneo à desintegração do feudalismo que o antecedeu. A transição entre esses dois sistemas se deu entre os séculos XIII e XV. É mais aceito entre os historiadores considerar o surgimento do capitalismo a partir do século XV, já que não existe uma data precisa de seu surgimento. Portanto, o capitalismo tem aproximadamente seis séculos de existência e durante esse período apresentou diversas faces. Vamos entender essas várias etapas do capitalismo.

2.1 O mercantilismo ou capitalismo comercial Na segunda metade do século XV, a Europa assistiu a um forte desenvolvimento das cidades e do comércio, que levou à expansão ultramarina. As relações comerciais deixaram de pautar-se por uma escala regional e, por meio das Grandes Navegações, passaram para a escala global, abrangendo, então, quatro continentes: Europa, América, Ásia e África, ampliando, assim, o horizonte geográfico. O que motivou tal processo foi a descoberta de um novo caminho para as Índias, em 1498, pelo navegador português Vasco da Gama, ao contornar a costa atlântica do continente africano, quebrando a hegemonia dos italianos, que controlavam o comércio no mar Mediterrâneo. Observe o mapa na página seguinte.

Feudalismo: Forma de organização política, econômica e social vigente durante a Idade Média, que apresentava um sistema descentralizado e uma sociedade estamental baseada em três ordens: a nobreza, o clero e os trabalhadores (servos, artesãos, pequenos comerciantes e camponeses). As extensas propriedades que caracterizavam o feudalismo pertenciam à nobreza e ao clero, enquanto os servos trabalhavam nessas terras em regime de subsistência.

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As Grandes Navegações

AMÉRICA AMÉRICA DO DO NORTE NORTE

OCEANO OCEANO PACÍFICO PACÍFICO Trópico Trópico de de Câncer Câncer

Equador Equador

MÉXICO MÉXICO AMÉRICA AMÉRICA CENTRAL CENTRAL

Fe Fern rnão ão de de M Mag agal alhã hães es 15 1519 19-1 -152 5211

Lisboa Lisboa

OCEANO OCEANO ATLÂNTICO ATLÂNTICO

OCEANO OCEANO PACÍFICO PACÍFICO

Pequim Pequim

ÁSIA ÁSIA

Guanaani Guanaani 1492 1492

Porto Porto Seguro Seguro 1500 1500

33230 230

EUROPA EUROPA Veneza Veneza

Sevilha Sevilha Palos Palos

ÁFRICA ÁFRICA Melinde Melinde

AMÉRICA AMÉRICA DO DO SUL SUL

Trópico Trópico de de Capricórnio Capricórnio

00

Espanha Espanha Portugal Portugal

Meridiano de Greenwich

A expansão ultramarina, a partir do final do século XV, possibilitou a ampliação do horizonte geográfico europeu e o desenvolvimento da cartografia – o mundo globalizava-se.

C. Takachi

0° 0°

Moçambique Moçambique

Goa Goa Calicute Calicute 1498 1498 Cochim Cochim

Cantão Cantão Macau Macau 1516 1516

Cipango Cipango (JAPÃO) (JAPÃO) 1542 1542 Filipinas Filipinas

M Mor orte te de de Fe Fern rnão ão de de M Mag agalh alhãe ãess 15 1521 21

Málaca Málaca 1511 1511

OCEANO OCEANO ÍNDICO ÍNDICO

0° 0°

OCEANIA OCEANIA

no cano Elca tiãoo El astiã ebas SSeb 22 15 1522

Rota Rota dos dos navegadores navegadores portugueses portugueses Vasco Vasco da da Gama Gama Pedro Pedro Álvares Álvares Cabral Cabral Primeira Primeira viagem viagem ao ao Japão Japão Rota Rota dos dos navegadores navegadores aa serviço serviço da da Espanha Espanha Cristóvão Cristóvão Colombo Colombo Fernão Fernão de de Magalhães Magalhães ee Sebastião Sebastião Elcano Elcano (primeira (primeira viagem viagem de de circum-navegação) circum-navegação)

Fonte: ARRUDA, José Jobson de A. Atlas histórico básico. São Paulo: Ática, 2001. p. 19. Com atualizações.

Ler As revoluções burguesas, de Paulo Miceli. 22. ed. São Paulo: Atual, 2005. Explica as principais revoluções burguesas que engendraram o sistema capitalista.

Os países que estiveram à frente das Grandes Navegações e que conquistaram vastos territórios mundo afora foram Espanha, Portugal, Inglaterra, Holanda e França. Essa verdadeira revolução comercial iniciou uma nova etapa do comércio mundial e anunciou a era das colonizações na América, Ásia e África, que passaram a ser exploradas e a fornecer matérias-primas para o desenvolvimento europeu, especialmente metais preciosos, como ouro e prata. A classe que mais se beneficiou dessa expansão comercial foi a dos mercadores, ou seja, a burguesia mercantil. Nesse contexto, surge a primeira Divisão Internacional do Trabalho (DIT), em que as colônias enviavam matérias-primas para suas metrópoles em troca de produtos manufaturados. A dinamização do comércio mundial era regida e controlada pelo Estado, que se tornou aliado da emergente burguesia mercantil. Essa é a etapa inaugural do capitalismo, num momento em que o rei e a burguesia se uniam para promover o desenvolvimento comercial e sepultar os resquícios feudais ainda vigentes. Consolidava-se o capitalismo comercial ou mercantilismo, que vigorou até o século XVIII. Essa etapa mercantilista, que consolidou a desintegração do feudalismo, coincidiu com a formação dos Estados Nacionais. O Estado esteve à frente nessa fase inicial do capitalismo defendendo o acúmulo de metais (metalismo) como forma de enriquecimento, o protecionismo, o estímulo ao comércio exterior e o saldo favorável nas trocas comerciais, ou seja, a participação estatal e o controle direto da economia. O centralismo estatal era considerado indispensável para o alcance dos mercados mundiais.

2.2 O capitalismo industrial

Protecionismo: Restrição aos produtos importados por meio da adoção de altas taxas à importação. Revolução Industrial: Teve início na Inglaterra e caracterizou-se por uma intensa alteração no processo produtivo, saindo da etapa da manufatura, quando o trabalho era manual, e adentrando a da maquinofatura, com o advento das máquinas.

O grande diferencial trazido pelo capitalismo industrial foi a transformação do processo produtivo motivado pelas novas técnicas, oriundas da Revolução Industrial, ocorrida na Europa na segunda metade do século XVIII. A Inglaterra foi o berço da Revolução Industrial, entre outros fatores, em razão de transações que levaram ao acúmulo de ouro e prata no período colonial e também de suas reservas minerais, especialmente o carvão. Essa foi uma verdadeira revolução na acepção da palavra, pois alterou profundamente o modo de pensar do homem do século XVIII e dos que se seguiram, redimensionando a noção de tempo e espaço. O que era distante tornou-se próximo; o que era lento, ágil. Saem as caravelas, entram os navios a vapor; saem as carroças, entram as locomotivas; saem as comunicações rudimentares, entra o telégrafo. O espaço geográfico passa a se transformar numa velocidade impressionante.

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Os principais valores liberais são: • Apologia às liberdades individuais. • Presença mínima do Estado. • Defesa da propriedade privada. • Estímulo à competição entre as empresas sem a intervenção do Estado. • Os mais aptos à economia de mercado se sobressaem.

Ler A riqueza das nações, de Adam Smith. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012. 2 v. Obra fundamental do liberalismo econômico. Smith explicita as ideias básicas dessa doutrina, como o fim da interferência do Estado na economia e a liberdade individual, econômica e social. Editora WMF Martins Fontes

A nova dinâmica, trazida pela revolução técnica no processo produtivo, veio redimensionar igualmente a economia de mercado. Os valores do mercantilismo, que conclamava a presença do Estado na economia, foram questionados e lançados por terra. Uma nova doutrina econômica capitalista surgiu para desbancar o mercantilismo. Ela apregoava total liberdade à concorrência sem a interferência do Estado. O principal ideólogo dessa nova leitura do capitalismo foi o economista inglês Adam Smith (1723-1790), que expôs suas ideias no clássico A riqueza das nações, de 1776. Smith acreditava que o mundo seria melhor e mais racional se a livre iniciativa e a individualidade não fossem interceptadas por regulações estatais. Para ele, por meio da competição, o mercado torna-se autorregulável e regido por uma espécie de “mão invisível”.

1845. Gravura. Coleção particular. Foto: AKG Images/Latinstock

Séc. XIX. Gravura. Coleção particular

O primeiro país a assistir à revolução técnica e ao capitalismo industrial foi a Inglaterra, particularmente no setor têxtil, que experimentou as primeiras inovações tecnológicas nas máquinas de tear. Em seguida, a produção de ferro e de carvão de coque levou ao surgimento da siderurgia (produção de aço). A invenção de locomotivas e navios a vapor traria nova dinâmica às comunicações, maior agilidade, maior rapidez; o mundo nunca mais seria o mesmo: nascia, assim, a “sociedade industrial”. Observe as imagens a seguir.

As máquinas de tear foram as primeiras a serem incorporadas à produção do século XVIII; num segundo momento, vieram as locomotivas a vapor. Em cima, indústria de tecido, 1835. Embaixo, trem ligando as cidades de Londres e Birmingham, 1845.

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Ver

Filme de Costa-Gavras. O capital. França. 2012

O capital. Direção: Costa-Gavras. França, 2012. Filme sobre o universo do capitalismo financeiro e a lógica do mercado se sobrepondo aos interesses sociais.

Imperialismo: Investida das potências europeias a novas áreas, especialmente na África e na Ásia, submetendo os povos locais aos interesses e valores ocidentais. Há outras interpretações para “imperialismo”, mas essa é a mais usual. Geografia política e geopolítica: Respectivamente, ramo e campo de estudo ligados à Geografia.

Na sequência dessa fase industrial e da consolidação do liberalismo, outros países atingiram suas respectivas revoluções industriais, como Estados Unidos, França, Itália, Alemanha e Japão, num movimento que se convencionou designar de Segunda Revolução Industrial, já em meados do século XIX. Na sequência, o capitalismo adentrou uma terceira etapa.

2.3 O capitalismo financeiro Historicamente, considera-se a etapa financeira do capitalismo o período de intensas fusões entre o setor bancário e o industrial ao longo do século XIX, após a Segunda Revolução Industrial. É a época de forte concentração de capitais e o surgimento de gigantescos conglomerados empresariais. Nessa terceira etapa, o sistema capitalista passou por uma aceleração na reprodução do capital. A Europa não dava mais conta das necessidades do capitalismo, que precisava se expandir em busca de novos mercados, novas fontes de matérias-primas e mão de obra. Isso ocorreu nas últimas décadas do século XIX, anunciando o auge do imperialismo. Podemos considerar o ápice dessa fase imperialista a Conferência de Berlim, em 1885, na qual foi acordada a “Partilha da África”, processo no qual as potências europeias dividiram o continente africano entre si. Quem mais se beneficiou dessa nova ordem foram Reino Unido e França, as duas principais potências da época, apropriando-se de grande parte da África e da Ásia (observe o mapa a seguir). Contudo, países que chegaram tardiamente à partilha colonial não aceitaram essa divisão, casos de Alemanha e Itália, que tiveram unificação tardia. Configurou-se uma acirrada disputa por novas terras que levaria à eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), motivada, principalmente, pelo revanchismo alemão. Na Alemanha, ganhavam força nos círculos do poder as ideias do geógrafo Friedrich Ratzel (1844-1904), cuja noção de espaço vital foi utilizada para justificar o expansionismo germânico. Suas ideias fundaram as bases da geografia política e da geopolítica.

C. Takachi

Os impérios coloniais (1914) 0º

Trópico de Câncer

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

Equador

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ÍNDICO Meridiano de Greenwich

Trópico de Capricórnio

0

Alemão Americano

Belga Britânico

Espanhol Francês

Holandês Italiano

Japonês Português

2 425

Outros

Fonte: ARRUDA, José Jobson de A. Atlas histórico básico. São Paulo: Ática, 2001. p. 19.

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Enfoque

ESCREVA NO CADERNO

Concentração bancária: apogeu do capitalismo [...] A concentração bancária deu-se como consequência natural daquilo que se verificava nos demais setores de negócios. Na Grã-Bretanha, por exemplo, cinco importantes bancos passaram a dominar a maior parte das transações financeiras. Eram eles o Midland Bank, o Lloyds Bank, o Barclays Bank, o Westminster Bank e o National Provincial Bank. A rápida concentração bancária que se efetuou entre 1890 e 1918 deu origem a um medo do “truste do dinheiro”, como se dizia, fazendo com que o governo nomeasse uma comissão para estudar as fusões entre os estabelecimentos de crédito. [...] Os quatro bancos mais importantes da França eram o Crédit Lyonnais, o Comptoir National d’Escompte de Paris, o Société Générale e o Crédit Industriel et Commercial, que mantinham relações com a indústria, oferecendo-lhe investimentos [...]. Os principais estabelecimentos de crédito, na Alemanha, foram organizados com o objetivo precípuo de financiar as indústrias, resultando daí relações mais íntimas entre eles e as empresas industriais. Os quatro maiores eram conhecidos como os quatro D, em decorrência de seus nomes começarem com a letra D: DiscontoGellschaft Bank, Darmstaedter Bank, Deutsche Bank e Dresdner Bank. [...] O número de bancos alemães desenvolveu-se bastante, pois, de 92 que eram em 1890, elevaram-se para 118 em 1900, atingindo a 156 em 1912, ao passo que seus depósitos se desdobraram em milhões de marcos, de 1 291 para 2 291 e 9 436, respectivamente, nos anos antes mencionados. Mas, como suas relações eram muito estreitas com as indústrias, deu-se uma fusão de interesses e participações nas direções. [...] Dessa forma, se realizava uma “união pessoal” entre os bancos e as mais importantes empresas industriais, com a junção de interesses, dando a ambos força que antes, separadamente, não possuíam [...]. Chegamos por este meio à “constituição das oligarquias financeiras” através da formação do capital financeiro, que resulta [...] da junção do capital bancário com o capital industrial. O capital financeiro é o capital que se encontra à disposição dos bancos e é utilizado pelos industriais. No domínio internacional, esta nova função dos bancos se traduziu em poderoso fator de investimentos no exterior, realizando a exportação de capital em lugar da exportação de mercadorias, que constituía o traço principal da época da livre concorrência.

Ver

Filme de Oliver Stone. Wall Street: poder e cobiça. EUA. 1987

Wall Street: poder e cobiça. Direção: Oliver Stone. Estados Unidos, 1987. O filme discorre sobre os bastidores do mercado de ações das bolsas de valores, característica inerente ao capitalismo financeiro.

Tucker: um homem e seu sonho. Direção: Francis Ford Coppola. Estados Unidos, 1988. Com base em uma história real, o filme aborda o monopólio da indústria automobilística nos Estados Unidos. Filme de Francis Ford Coppola. Tucker: um homem e seu sonho. EUA. 1988

O desenvolvimento das empresas e dos países europeus (e num segundo momento, dos Estados Unidos) provocou a ampliação do raio de ação do capitalismo, originando os chamados países imperialistas, financeira e militarmente poderosos, localizados essencialmente na Europa, e os países subordinados, localizados na África, na Ásia e na América Latina. Ao contrário do que pregou o liberalismo clássico do século XVIII, o que ocorreu foi um forte desenvolvimento de apenas algumas empresas e não uma disputa equilibrada entre todas. Essa fase concentradora do capital financeiro passou a orientar, além de todas as economias nacionais europeias, também o panorama internacional, trazendo novos contornos ao capitalismo, que iam na direção contrária aos postulados liberais. Tais características incrementadas na transição do século XIX para o XX estendem-se até os dias de hoje. É a partir do capitalismo financeiro que os bancos assumem a vanguarda do desenvolvimento capitalista, financiando e até mesmo absorvendo as indústrias; em outros casos as indústrias passam a ter seus próprios bancos. Nesse momento, início do século XX, a maioria das grandes empresas abriu seu capital, negociando as ações junto às bolsas de valores, recurso cada vez mais frequente no desenvolvimento do capitalismo. Foi um momento de proliferação das “sociedades por ações” que surgiam das negociações de ações, ou seja, da proliferação de acionistas que passaram a participar como sócios das grandes empresas. Leia o texto sobre esse período e logo a seguir veja o infográfico sobre algumas características do capitalismo financeiro.

LIMA, Heitor Ferreira. Do imperialismo à libertação colonial. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1965. p. 24-27.

• Que paralelo é possível fazer entre o texto e a fusão de bancos ocorrida no Brasil nos últimos anos? Dê exemplos.

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Este infográfico mostra a história de empresas fictícias, inicialmente concorrentes, que depois se associam para dominar o mercado. Dessa maneira, você poderá compreender melhor como ocorre a concentração de capital nas mãos de poucas empresas. Em um município, a pizzaria A possuía seis dos oito estabelecimentos do gênero. As outras empresas eram as pizzarias B e C. O estabelecimento A, portanto, detinha o monopólio da pizza naquele município.

PIZZARIA

a

PIZZARIA

b PIZZARIA

c b

D

Com o tempo, os negócios prosperaram para todos. A pizzaria A passou a ter dez lojas, enquanto a pizzaria B aumentou para oito e a pizzaria C abriu mais um ponto, em um total de 20 pizzarias na cidade. Nesse caso, ocorreu um oligopólio, pois duas empresas dominavam praticamente todo o mercado de pizza do município.

Vendo a situação, o dono da rede atacadista D propôs à dona da pizzaria B que comprasse apenas em sua empresa os insumos usados nas pizzarias, obtendo em troca preços menores. O acordo foi realizado desde que a rede D não vendesse para as pizzarias A e C.

Com o capital excedente, a dona da pizzaria B comprou a pizzaria C e acabou dividindo o mercado com a pizzaria A.

A dona da pizzaria B e o da rede atacadista D juntaram seus negócios e fundaram a empresa E. Eles passaram a vender produtos alimentícios no atacado e no varejo e, além de manter as pizzarias, abriram outros restaurantes. Essa prática, chamada truste, ocorre quando empresas se unem para controlar o máximo de etapas possíveis da produção e da comercialização de um setor.

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Com o tempo, a empresa E passou a deter 70% do comércio de alimentos no município.

70%

Vendo a situação, o dono do grupo F, composto de fábricas de bebidas e de petiscos, comprou a empresa E. O grupo F se tornou uma holding, empresa que controla, gerencia e administra todas as outras.

F

O crescimento do grupo F se tornou estrondoso, controlando 95% do mercado de pizzarias, restaurantes e bebidas do país. Com o lucro obtido, foram adquiridas uma transportadora, uma rede hoteleira e uma empresa de advocacia. O grupo F se tornou um conglomerado, situação em que um conjunto de empresas do mesmo grupo se faz presente nos mais variados segmentos da economia.

GRUPO GRUPO

BEBIDAS

ADVOCACIA

REDE HOTELEIRA

PETISCOS TRANSPORTADORA EMPRESA E

Atividades

ESCREVA NO CADERNO

Crédito do infográfico: Casa Paulistana

F

1. Revise o assunto e cite ao menos dois conceitos ou passagens do capítulo que possam ser aplicados na situação das pizzarias e que levem à ideia de concentração de capital. Possibilidades: a oligopolização de segmentos e as leis de mercado difundidas na lógica liberal proposta por Adam Smith.

2. Discuta com seus colegas e tentem exemplificar no capitalismo brasileiro alguma situação similar ao exemplo mostrado no infográfico. O caso da Brazil Foods (fusão entre os grupos Sadia e Perdigão) é um bom exemplo.

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3. Socialismo: a antítese Aproximadamente três séculos após o advento do capitalismo, surgiria um novo modelo alternativo e contrário a ele: o socialismo. Oriundo da classe operária europeia no século XIX, o socialismo brotou das contradições do capitalismo, em um momento em que a classe trabalhadora estava submetida a péssimas condições de trabalho no período pós-Revolução Industrial. A opressão do trabalhador perante as máquinas foi mostrada de forma bem-humorada no filme Tempos modernos (veja a fotografia abaixo). Cena do filme Tempos modernos, de Charlie Chaplin, 1936.

Ver

Filme de Elio Petri. A classe operária vai ao paraíso. Itália. 1971

Filme de Charlie Chaplin. Tempos modernos. EUA. 1936

A classe operária vai ao paraíso. Direção: Elio Petri. Itália, 1971. Clássico da filmografia política, aborda a organização da classe trabalhadora e exalta a opção socialista.

3.1 O que é socialismo? A principal característica do socialismo, e a que melhor o diferencia do capitalismo, está vinculada ao controle dos meios de produção. Ao contrário do sistema da economia de mercado, no socialismo os meios de produção cumprem uma função social, coletiva. A finalidade central do socialismo, portanto, não é a busca do lucro e, por isso, não deve haver um proprietário dos meios de produção, que devem pertencer à coletividade sob o controle do Estado. Logo, é o Estado o agente hegemônico do sistema, ao contrário do que ocorre no capitalismo, em que essa função é cumprida pela burguesia. Não havendo a posse privada dos meios de produção, desaparece a imagem do “dono” (o burguês) e, assim, em tese, não haveria diferença de classes sociais entre burgueses e proletários (os trabalhadores), ou seja, a sociedade se tornaria igualitária. Essas são as características elementares do socialismo, que orientou muitos movimentos populares e revoluções, sobretudo na primeira metade do século XX, e que segue norteando diversos movimentos e partidos políticos nos dias atuais.

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3.2 Origem e desenvolvimento do socialismo O socialismo é produto das contradições sociais verificadas na Europa do século XIX. Logo, sua origem deve ser identificada, essencialmente, como uma decorrência da sociedade industrial. Foram Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), pensadores alemães, que formularam uma doutrina política, social e econômica, denominada “socialismo científico”, sobre o tipo de sociedade que deveria advir de uma revolução proletária que pusesse fim à opressão aos trabalhadores. Eles não foram os primeiros a falar em socialismo; isso coube aos humanistas Robert Owen, Saint-Simon e Charles Fourier, na primeira metade do século XIX, os quais Marx qualificou de socialistas utópicos pela forma como abordavam a situação do proletariado. Para se distinguirem dos socialistas utópicos, Marx e Engels se autodefiniram como “comunistas”.

Conversando com a... Sociologia!

ESCREVA NO CADERNO

Os comunistas desdenham ocultar as suas opiniões e os seus propósitos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pela transformação violenta de toda a ordem social até hoje existente. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar: proletários de todos os países, uni-vos.

Sociedade industrial: Termo utilizado para referir-se às sociedades modernas que se originaram da Revolução Industrial, particularmente no Ocidente.

Ler Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels (várias edições). Clássico da literatura universal e segundo livro mais traduzido da história (superado apenas pela Bíblia). É a apologia revolucionária de Marx e Engels ao socialismo.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Moscou: Edições Progresso, 1987. p. 70.

Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber são os três principais teóricos na estruturação da Sociologia como ciência. O marxismo, igualmente, é uma das principais correntes do pensamento geográfico. Marx e Engels sistematizaram o modo de produção socialista, estudado pelas duas ciências. Desde então, a polêmica sobre qual é o melhor sistema para a humanidade não parou mais: há defensores de ambos os lados, capitalistas e socialistas, e outros que entendem não ser mais possível um sistema puro dentro das duas opções; o ideal seria um híbrido. • Para você, qual sistema de produção apresentado neste capítulo traria maiores benefícios a uma comunidade? É possível a participação da coletividade na transformação da realidade histórico-geográfica proposta por Marx nos dias de hoje? Justifique.

O princípio do socialismo clássico assentava-se na mobilização das massas. A primeira experiência nesse aspecto em toda a história foi a Comuna de Paris, quando os proletários governaram a França de março a maio de 1871. Reprodução de O quarto estado, óleo sobre tela de Giuseppe Pelliza da Volpedo, 1901.

Giuseppe Pelliza da Volpedo. 1901. Óleo sobre tela. Civica Galleria d'Arte Moderna, Turim

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3.3 Socialismo e comunismo

Ver Rosa Luxemburgo. Direção: Margarethe von Trotta. República Tcheca, 1986. Filme sobre a vida da revolucionária marxista, líder alemã do começo do século XX.

Filme de David Lean. Doutor Jivago. EUA. 1965

Doutor Jivago. Direção: David Lean. Estados Unidos, 1965. Épico do cinema estadunidense, apresenta uma visão contrária à Revolução Russa de 1917, que instaurou o primeiro regime socialista da história. O fio condutor do filme é a narrativa de um médico poeta que convive com os excessos da revolução.

Ler A luta de classes: uma história política e filosófica, de Domenico Losurdo. São Paulo: Boitempo, 2015. O livro resgata o conceito de luta de classes, que é considerado pelo autor um dos mais ricos e ainda pouco compreendido.

Universal History Archive/The Bridgeman Art Library/Keystone

Sistema internacional: Conjunto de unidades políticas (Estados) em interação no mundo.

Uma clássica dúvida dos estudantes diz respeito às diferenças entre socialismo e comunismo. Em princípio, devemos pensar os dois conceitos não como diferentes, mas sim complementares. Na versão marxista, o socialismo seria a etapa que sucederia ao capitalismo, sendo o responsável pela eliminação da posse privada dos meios de produção. Nesse sistema, o Estado, pertencendo ao proletariado e sendo proprietário dos meios de produção, eliminaria as diferenças sociais produzidas pelo capitalismo. Alcançado o desejado estágio do equilíbrio social que caracteriza a sociedade igualitária socialista, ao menos em tese, todos os homens seriam comuns (iguais) uns aos outros, derivando daí o comunismo (comum + ismo). Portanto, dentro dessa perspectiva linear marxista, o comunismo é uma etapa que sucede ao socialismo, o qual, por sua vez, sucedeu ao capitalismo. Uma vez atingido tal estágio da humanidade (o que para muitos não passa de uma proposta utópica), não mais seria necessária a presença do Estado, que seria extinto. Logo, o comunismo pressupõe a abolição do Estado. Karl Marx escreveu inúmeras obras, mas duas se destacaram: o Manifesto do Partido Comunista (com Engels) e O capital. A primeira foi um texto dirigido à classe operária do século XIX. Ali, Marx conclamava a classe trabalhadora a se unir e realizar a revolução socialista. A segunda é um tratado clássico e abrangente distribuído em vários volumes. Filósofo e economista, Karl Marx afirmou que a evolução do capitalismo para o socialismo seria inevitável, diante das contradições do sistema de mercado. Anunciou, inclusive, o nome do país em que essa mudança de sistema ocorreria primeiro: o Reino Unido. Apesar de ter influenciado a humanidade com suas ideias revolucionárias e ter contribuído para o desenvolvimento filosófico e metodológico das ciências humanas, Karl Marx errou em sua previsão. O primeiro país a tornar-se socialista não foi o Reino Unido nem um país em que a classe operária estava mais organizada, como dizia o filósofo alemão, mas sim a Rússia, com a Revolução Bolchevique de 1917 (veja a fotografia a seguir), país bastante atrasado para os padrões industriais da época. Após a revolução que instaurou o modelo socialista na Rússia, a China, em 1949, e Cuba, em 1959, realizaram duas revoluções socialistas igualmente impactantes. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e o surgimento de uma nova conjuntura geopolítica no sistema internacional, grande parte do continente europeu caiu sob a órbita de influência soviética e, consequentemente, aderiu ao socialismo. Essa realidade perdurou até o início da década de 1990.

Revolução Russa, outubro de 1917. Em primeiro plano, aparece Lênin, um dos líderes do movimento, realizando um discurso para a multidão em Moscou, Rússia.

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4. Releituras dos modelos Ler História do pensamento econômico, de E. K. Hunt e Howard J. Sherman. Petrópolis: Vozes, 2001. Aborda as principais correntes e doutrinas econômicas de forma abrangente.

Bettmann/Corbis/Latinstock

Durante sua constituição, o capitalismo assistiu a diversas crises, mas nada parecido com a crise de superprodução que ocorreu em 1929 nos Estados Unidos. Foi uma crise sem precedentes na história do capitalismo mundial, particularmente na potência ascendente, já que o estopim foi decorrente do crash (quebra) da Bolsa de Valores de Nova York, em uma quinta-feira, 24 de outubro. O desemprego, as falências, os suicídios, a perda generalizada das produções, a inutilização de estoques davam o tom da trágica situação do sistema. Observe a fotografia abaixo. A duração, a profundidade, a extensão e os efeitos destruidores a tornaram ímpar. A economia mundial mergulhava em uma grande depressão. O capitalismo teria de ser refeito.

Fila de desempregados para receber comida em Nova York, Estados Unidos, em 1930: os efeitos da crise de 1929 não tinham precedentes na história do capitalismo.

A depressão que se seguiu após 1929 pôs em xeque a lógica liberal. Atribuíam-se à competição desenfreada e à superprodução as causas da convulsão. Na década da crise, surgiriam os trabalhos daquele que viria a ser o mais importante economista do século XX: John Maynard Keynes (1883-1946) e sua obra principal, Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, escrita em 1936. A teoria keynesiana parte do pressuposto de que o mercado não pode nem deve ficar desregrado; faz-se necessária uma forte intervenção do Estado na economia, exatamente o oposto do que preconizava seu antecessor, Adam Smith, cujas ideias nortearam o liberalismo clássico, principal vertente do capitalismo até então. Agora o liberalismo estava em baixa, e eram as ideias de Keynes que iriam se sobrepor. Entre elas, estava a garantia do pleno emprego como forma de manter aquecido o mercado, já que o trabalhador empregado é um consumidor em potencial – e era o Estado que deveria oferecer essa garantia. Outra pregação keynesiana é a forte intervenção do Estado em prol de uma política de redução de juros, a fim de desestimular o investimento no setor financeiro e o redirecionar para o setor produtivo. O Estado deveria patrocinar vultosos investimentos públicos como forma de manter a economia em pleno funcionamento.

Ver Capitalismo: uma história de amor. Direção: Michael Moore. Estados Unidos, 2009. O documentarista faz uma ácida crítica ao sistema, que, em sua visão, beneficia alguns ricos, mas condena milhões à miséria. Filme de Michael Moore. Capitalismo: uma história de amor. EUA. 2009

4.1 O keynesianismo e o intervencionismo estatal

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Navegar Verbetes de economia política e urbanismo <http://tub.im/zuu6xr> Site vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, que traz inúmeros verbetes conceituais sobre assuntos desenvolvidos nesta unidade.

Ler

4.2 O neoliberalismo Desde que surgiram as ideias de Keynes, não lhe faltaram críticos. Os partidários da livre iniciativa discordavam da proposta intervencionista, mesmo em tempos de depressão econômica. Afirmavam que se fazia necessário realizar ajustes ao liberalismo, mas não substituí-lo como modelo. Transcorriam os anos 1930, e esses críticos neoliberais minoritários praticamente não foram ouvidos diante da grave crise e da renovação teórica trazida por Keynes; ninguém queria ouvir falar em retomar o liberalismo. Com a supremacia keynesiana no capitalismo, a partir da segunda metade do século XX, esses novos liberais estiveram na penumbra da disputa ideológica. No entanto, a partir dos anos 1970, as críticas ao keynesianismo aumentaram e os neoliberais ganharam força, sobretudo com a ascensão de dois importantes líderes mundiais que defendiam práticas neoliberais: Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos de 1981 a 1989, e Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica no período de 1979 a 1990. Veja a fotografia abaixo. Barry Thumma/AP/Glow Images

LTC

Capitalismo e liberdade, de Milton Friedman. São Paulo: LTC, 2014. Escrito por um dos expoentes do liberalismo do século XX, o livro discute o papel do Estado na restrição da liberdade econômica e individual.

O keynesianismo ascendia à condição de principal corrente do pensamento econômico no momento da maior crise da história do capitalismo. Suas ideias influenciaram os principais governantes da época que buscavam saídas para a crise. A influência mais notável foi no New Deal, o plano de recuperação econômica para a Grande Depressão, do presidente estadunidense Franklin D. Roosevelt, que governou os Estados Unidos de 1933 a 1945. Após a Segunda Guerra Mundial, o keynesianismo consolidou-se como modelo econômico e foi hegemônico na Europa e nos Estados Unidos até meados dos anos 1970, quando passou a ser questionado pelos chamados monetaristas, críticos da política de limitação ao investimento financeiro.

Ronald Reagan e Margaret Thatcher reacenderam o neoliberalismo nos anos 1970. Na fotografia, encontro em Williamsburg, Virgínia, nos Estados Unidos, 1983.

O neoliberalismo reacendia os ideais de Adam Smith com a ressalva de que se faziam necessários ajustes às ideias do economista inglês para atender à realidade do fim do século XX. No entanto, foi na década de 1990 que o neoliberalismo tomou mais corpo e passou a ser a grande força da economia mundial. A doutrina neoliberal defende a retirada do Estado da economia e sua participação mínima; o lema neoliberal deixa a proposta bem clara: “Estado mínimo; mercado máximo”. Os neoliberais defendem uma disciplina na economia de mercado, mas

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Interagindo

Ver A Dama de Ferro. Direção: Phyllida Lloyd. Reino Unido/ França, 2011. O filme conta a trajetória política da polêmica primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Filme de Phyllida Lloyd. A Dama de Ferro. Reino Unido, França, 2011

não a ponto de comprometer a competitividade; deve haver algum Estado regulador, porém com o intuito de garantir a ordem e a sobrevivência da economia de mercado. Portanto, podemos enquadrar o neoliberalismo em três momentos distintos em seu desenvolvimento: anos 1930, a origem; anos 1970, a retomada; anos 1990, consolidação e auge. A lógica neoliberal é pautada pelos seguintes dogmas: Estado mínimo; mercado máximo; desregulamentação da economia – economia a mais aberta possível e pouca ou nenhuma restrição quanto à circulação de mercadorias; privatização, ou seja, a transferência de empresas públicas para a iniciativa privada. ESCREVA NO CADERNO

Conhecida como “Dama de Ferro”, Margaret Thatcher conduziu uma forte política econômica neoliberal enquanto foi primeira-ministra do Reino Unido, durante os anos 1980. É dela frases polêmicas como “não há nem nunca houve essa coisa chamada sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos” e “o problema do socialismo é que você no fim das contas esgota o dinheiro dos outros”. Essas declarações expressam a defesa à individualidade liberal em contrapartida à perspectiva coletiva do socialismo. • Qual sua percepção sobre o ideal pregado por Margaret Thatcher? E sobre o embate entre as liberdades individuais e a coletividade? Em sua opinião, o neoliberalismo está fortalecido ou enfraquecido nos dias de hoje?

4.3 A social-democracia Existem inúmeras correntes marxistas dos mais variados matizes. Uma dessas é a social-democracia. Essa doutrina, derivada do socialismo, parte do princípio de que é possível a convivência entre os pressupostos marxistas e a economia de mercado. Ao contrário da proposta revolucionária socialista de que os trabalhadores devem tomar o poder e o controle dos meios de produção pela força, na social-democracia acredita-se que é possível a classe proletária alçar-se ao poder por meio da participação na democracia representativa, ou seja, via eleições e pelo fortalecimento das instituições democráticas. Essa crença causou um rompimento com outras correntes socialistas. A origem da social-democracia remonta à Alemanha de 1875, quando foi fundado o primeiro partido com essas nuances: o Partido Social-Democrata alemão, marxista, que serviu de referência a outros que o seguiram. Após a Revolução Bolchevique de 1917 e a consequente subida ao poder dos socialistas russos, houve o primeiro grande rompimento marxista entre os sociais-democratas alemães e os seguidores de Lênin, o líder da revolução de 1917. O motivo do rompimento foram os métodos divergentes para alcançar o poder. Na social-democracia, permite-se a prática do mercado, inclusive do lucro. Contudo, essa economia de mercado é tutelada de perto por um Estado forte, vigilante (em oposição à pregação neoliberal) e que confisca parte do lucro para convertê-lo em benefício social. Essa divergência de interpretações pautou os confrontos ideológicos em várias partes do mundo na última década do século XX e na primeira do XXI. Por meio de um Estado que efetivamente converte parte dos grandes lucros das empresas em investimento e benefícios sociais, a social-democracia prega o welfare state, “o Estado do bem-estar social”, que deve garantir as condições mínimas aos cidadãos na área da saúde, da educação, do lazer e na área trabalhista. A tradição social-democrata desenvolveu-se na Europa ocidental, especialmente na Suécia, na Noruega, na Inglaterra, na Dinamarca e na Alemanha. Para garantir essa qualidade de vida que preza o Estado do bem-estar social, os países com tradição social-democrata caracterizam-se por uma política de forte tributação.

Navegar Internacional Socialista <http://tub.im/2en53g> A Internacional Socialista é uma organização que orienta alguns dos principais partidos social-democratas do mundo e divulga os princípios dessa vertente socialista. Textos disponíveis em inglês, francês e espanhol.

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando

1. Discorra sobre um ponto de seu município em que as transformações produzidas pelo capitalismo são percebidas no espaço geográfico. 2. Podemos afirmar que a Revolução Industrial alterou significativamente o espaço geográfico. Por quê? 3. Em sua opinião, o Brasil é um país mais próximo do modelo capitalista ou do modelo socialista? Por quê? 4. Na Europa, é muito comum a presença de partidos socialistas no poder. Alguns desses países foram ou são governados por partidos socialistas. Faça uma pesquisa para saber que países, atualmente, são governados por partidos socialistas e que adotam a economia de mercado. Relacione-os em seu caderno. 5. Quais são os principais modelos derivados do capitalismo e do socialismo vigentes nos dias atuais?

Olhar cartográfico Agentes do capitalismo contemporâneo, as empresas globais maximizam lucros em escala mundial e concentram-se em países específicos. Observe o mapa que apresenta a localização das empresas mais valiosas do mundo. Quais partes do mundo concentram as sedes e quais estão excluídas dessa concentração? Onde ocorre a maior concentração de empresas? Que relação você vê entre o mapa abaixo e as etapas do capitalismo estudadas neste capítulo?

Renato Bassani

Localização das empresas mais valiosas do mundo (2015) 0° Círculo Polar Ártico

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO Equador

OCEANO

OCEANO ÍNDICO

Círculo Polar Antártico

Estados Unidos China Reino Unido Japão França Alemanha Hong Kong Suíça Canadá Austrália

Meridiano de Greenwich

PACÍFICO Trópico de Capricórnio

0

2 480

Número de empresas

Valor de mercado (em milhares de dólares)

209 37 32 35 24 18 18 11 19 10

15 672 2 755 1 998 1 678 1 254 1 207 1 123 1 102 817 611

Fonte: FINANCIAL TIMES. Global 500 market value by country. Disponível em: <http://www.ft.com/intl/cms/s/2/a352a706-16a0-11e5-b07f-00144feabdc0.html#axzz3nQCagBKQ>. Acesso em: 2 out. 2015.

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Atividade em grupo

Séc. XVIII. Gravura. Coleção particular

Reúna-se com seus colegas e identifiquem as duas personalidades a seguir e as respectivas concepções filosóficas e econômicas, tendo como base os trechos de suas obras junto às imagens. Em seguida, discutam as propostas, as divergências e as influências que ambos legaram à humanidade. [...] os interesses e os sentimentos privados dos indivíduos naturalmente os induzem a converter seu capital para as aplicações que, em casos ordinários, são as mais vantajosas para a sociedade. [...] sem qualquer intervenção da lei, os interesses e os sentimentos privados das pessoas naturalmente as levam a dividir e distribuir o capital [...], na medida do possível na proporção mais condizente com o interesse de toda a sociedade.

c. 1880. Coleção particular

SMITH, Adam. A riqueza das nações. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 120. (Os economistas, v. II)

[...] O capitalista não produz a mercadoria por amor a ela, pelo valor de uso que encerra, nem para consumi-la pessoalmente. O produto que o interessa efetivamente não é o produto concretamente considerado, mas o valor excedente do produto acima do valor do capital consumido para produzi-lo. MARX, Karl. O capital: crítica da economia política: livro 3: o processo global de produção capitalista. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991. v. IV. p. 44.

fomento ao empreendedorismo, sobretudo entre mulheres, e seus resultados efetivos lhe renderam, entre outros prêmios, o Nobel da Paz em 2006. Um novo capitalismo “Há 85 pessoas no mundo que têm mais da metade de toda a riqueza do planeta. Já a metade mais pobre da população mundial detém menos de 1% desses recursos. Que mundo é esse? Minha luta tem sido contra essa estrutura. [...] A estrutura que existe não vai resolver nosso problema. A disparidade de renda só piora, a riqueza se concentra em pouquíssimas mãos. Conheço empresa que ficou cem vezes maior em sete anos, e o número de funcionários só diminui. Inclusive por causa de tecnologia, eficiência. O que vai acontecer com todas essas pessoas sem trabalho? [...] Temos que redesenhar o sistema capitalista. Tudo o que dizem é ‘faça dinheiro, seja feliz’. Mas aí você ganha US$ 1 bilhão e não faz nada pelos outros. Para que serve US$ 1 bilhão? ‘Ah, dei emprego a muita gente.’ Sim, e pegou a riqueza para você. Concentração é tudo o que você produziu.” Emprego: esqueça essa ideia “Uma questão essencial está na ideia de emprego. [...]. Seres humanos não nasceram pra isso. O ser humano é cheio de poder criativo, mas o sistema o reduz a mero trabalhador, capaz de fazer trabalhos repetitivos. Isso é vergonhoso, está errado. As pessoas precisam crescer sabendo que é uma opção se tornar empregado, mas que existe a possibilidade de ser empreendedor, seguir o próprio caminho. É arriscado, incerto, há frustrações, mas é bem mais estimulante. Arrumar emprego é o que é seguro, garantido. Mas sua vida será limitada ao que decidirem por você.” Contra os bancos

De olho na mídia O texto a seguir trata de uma perspectiva do capitalismo defendida pelo prêmio Nobel da Paz de 2006, o banqueiro Muhammad Yunus. Leia-o e responda: 1. Quais são as críticas que o economista faz à estrutura do sistema capitalista? Quais mudanças ele propõe? 2. Em determinado trecho da entrevista, Muhammad Yunus afirma: “Nem assim o sistema muda.”. Em sua opinião, por que o sistema não muda? Uma nova lógica Muhammad Yunus, o ‘’banqueiro dos pobres’’, quer estimular os jovens a empreender mais – e convencer grandes empresários a abrir mão de lucros. Vai dar certo? O economista Muhammad Yunus é conhecido no mundo todo como “o banqueiro dos pobres”. Por meio do Grameen Bank, que ele fundou em 1983 em Bangladesh, Yunus espalhou em escala internacional o conceito do microcrédito: empréstimos feitos, sem garantias ou papéis, a gente pobre que nunca antes teve acesso ao sistema bancário. Tal

“Fico furioso com agiotagem. Como um ser humano pode ser tão cruel com outro? Vi situações dramáticas de pessoas devendo dinheiro. Então comecei a emprestar, para que parassem de procurar exploradores. Eram quantias mínimas – o primeiro empréstimo foi de US$ 27. O problema é que meu dinheiro foi acabando. Fui a uma agência bancária no próprio campus da universidade onde eu lecionava e pedi ajuda ao gerente. A resposta: ‘Isso é problema seu’. Começou aí meu confronto com bancos. Ouvi explicações absurdas sobre por que não dar crédito a gente pobre. Até que entendi: eu deveria ter um banco. Um banco que fizesse um bom trabalho pelas pessoas. Foi o que inventei em 1983: o Grameen Bank. Diziam que era um fenômeno local, que só funcionaria em Bangladesh. Fomos à Malásia, a convite de pessoas de lá, e deu certo. Disseram: ‘é um fenômeno de países muçulmanos’. Fomos às Filipinas, país católico. Passaram a dizer: ‘é um fenômeno asiático’. Explicações e mais explicações vieram, sempre para proteger a ideia de que o sistema continua certo – e você apenas inventou algo que não vale para o mundo. Em 2006 vem o prêmio Nobel. Nem assim o sistema muda.” ALVES, Micheline. Uma nova lógica. Revista Trip, n. 245 – Especial Amor, 21 jul. 2015.

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CAPÍTULO 3

Organização e regionalização de um mundo desigual Divisão da riqueza mundial Em % da população mundial, por patrimônio (em dólares)

69,8%

Tem entre 10 mil e 100 mil

Tem menos de 10 mil

21,5% Tem entre 100 mil e 1 milhão

7,9% 0,7%

Crédito do infográfico: Alex Argozino

Tem mais de 1 milhão

Os dados deste gráfico foram reproduzidos tal qual aparecem no documento produzido pela Credit Suisse, Global Wealth Report, cuja soma não resulta em 100%.

Distribuição buição d do dos os o sm milionários illlionários i iios porr país país de re residência e ên esidê n Estados E t d Unidos

41%

Japão J ã

8%

França F

7%

Alemanha Al

6%

Reino R i Unido

6%

Itália Itáli

5%

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Tópicos do capítulo Formas de regionalização do mundo Desigualdade Indicadores de riqueza e pobreza

PIB P IB p per er c capita apit ap ita ta ((em em d dólares) óla ares) Abaixo de 5 mil

Entre 5 mil e 25 mil

Entre 25 mil e 100 mil

Mais de 100 mil

Sem informações

Equador Meridiano de Greenwich

1 790

0 km

Ponto de partida

ESCREVA NO CADERNO

Estudo do Credit Suisse, o Global Wealth Report 2014 mostra que 87% da riqueza mundial está concentrada em apenas 10% da população mundial. 1. Com o auxílio do mapa e do gráfico, indique três países que concentram parte dessa população. 2. Indique três países ricos que foram grandes colonizadores no passado e três pobres que foram colônias.

Austrália A tá

4%

China Chi

3%

Canadá C d

3%

Bélgica Bél i

Suíça S í

2%

1%

Holanda H l

1%

Suécia S é i

1%

Espanha E

1%

Taiwan T i

1%

Resto do mundo

10%

Fonte: CREDIT SUISSE. Global Wealth Report 2014. Zurique: Research Institute, 2014. p. 10, 24-25. Disponível em: <https://publications. credit-suisse.com/tasks/render/file/?fileID=60931FDE-A2D2-F568-B041B58C5EA591A4>. Acesso em: 1o out. 2015.

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1. Regionalizando o espaço mundial Teoria da região: Recurso da Geografia que estuda e propõe formas de regionalização, ou seja, como estabelecer critérios para delimitar uma porção do território com certa similaridade natural, cultural, econômica etc. O conceito de região é dos mais ricos e discutidos dentro da ciência geográfica.

Existem várias formas de ler e interpretar o mundo. Os critérios podem variar de acordo com o foco desejado. Para tal procedimento, os geógrafos recorrem à teoria da região para regionalizar pontos do planeta, ou seja, estabelecer uma lógica para definir um fragmento do território, a região. Regionalizar é estabelecer critérios gerais que particularizem uma determinada fração do território. Esse procedimento pode ser feito em escala local, regional, nacional ou mundial. No entanto, convém ressaltar que toda forma de regionalização apresenta generalizações, logo todas são passíveis de algum questionamento. Neste capítulo, estudaremos a escala mundial e veremos que ao longo da história foram várias as formas de regionalizar o mundo.

1.1 A Teoria dos Mundos O desenvolvimento dos sistemas capitalista e socialista, que estudamos no capítulo anterior, direcionou a espacialização política, social e econômica do mundo no século XX. Após o término da Segunda Guerra e a consequente reorganização mundial, as condições históricas, que seguiam um curso desde as Grandes Navegações, legaram um mundo extremamente desequilibrado. O mundo do pós-guerra estava dividido entre países com duas alternativas de sistema de governo bastante claras: o capitalismo e o socialismo, que logo foram denominados de Primeiro e Segundo mundos. No entanto, havia um grande número de países que tinham em comum o passado colonial e a pobreza como consequência. Assim surgiu um Terceiro Mundo. Observe o mapa a seguir. Dessa forma, a partir dos anos 1950, tornou-se muito difundida a chamada Teoria dos Mundos, que dividia o planeta em três categorias de países: • Primeiro Mundo: países capitalistas desenvolvidos. • Segundo Mundo: países de economia planificada, ou socialistas. • Terceiro Mundo: países capitalistas subdesenvolvidos. Essa forma de classificar o mundo vigorou durante a maior parte da segunda metade do século XX. É desse período também a difusão dos termos país desenvolvido e país subdesenvolvido.

C. Takachi

Regionalização do mundo pós-Segunda Guerra Mundial 0º

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO Equador

Primeiro Mundo Segundo Mundo Terceiro Mundo Limites atuais

Meridiano de Greenwich

OCEANO ÍNDICO

0

2 565

Fonte: Elaborado pelos autores com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 32.

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Navegar Cepal <http://tub.im/t5mr6w> Site da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), que monitora as políticas de desenvolvimento da região.

JORGE CABRERA/REUTERS/Latinstock

DW labs Incorporated/Shutterstock.com

Foi a Organização das Nações Unidas (ONU) que deu início aos programas de ajuda ao desenvolvimento das nações, uma vez que a maioria de seus países-membros eram classificados como subdesenvolvidos, com base na publicação de dados divulgados por suas agências, especialmente o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que demonstravam os contrastes entre os dois grupos de países em relação à mortalidade infantil, aos níveis educacionais, à renda per capita, ao nível de crescimento econômico etc. Veja as fotografias a seguir.

A riqueza e a pobreza. Em cima, loja em Manhattan, Nova York, Estados Unidos, 2015. Embaixo, lixão em Tegucigalpa, Honduras, 2015.

Observe novamente no mapa da página anterior que, na sua maioria, os países subdesenvolvidos (Terceiro Mundo) estavam situados na América Latina, África e Ásia, enquanto os países desenvolvidos (Primeiro Mundo) estavam situados na Europa, América Anglo-saxônica, Ásia e Oceania. Já os países de economia planificada ou socialistas (Segundo Mundo) estavam localizados majoritariamente na Europa e Ásia, além de Cuba, na América Latina.

América Latina e América Anglo-saxônica: São classificações que utilizam critérios culturais e sociais para regionalizar o continente americano. Enquanto do ponto de vista físico o continente é dividido em América do Norte, Central e Sul, considerando aspectos linguísticos e sociais é regionalizado em América Anglo-saxônica e América Latina.

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Simultaneamente à realidade surgida após a Segunda Guerra Mundial, a descolonização ocorrida na África e na Ásia aumentava o número de Estados independentes e pobres, engrossando as fileiras do Terceiro Mundo (veja o mapa a seguir). Esses países que se libertavam das amarras coloniais logo se tornavam presas fáceis da nova conjuntura econômica, pois, desestruturados, tinham de recorrer a vultosos empréstimos junto aos organismos internacionais recém-criados, como o FMI e o Banco Mundial.

LÍBIA

MAURITÂNIA

MALI NÍGER

O

C

ZÂMBIA

Santa Helena

Independência proclamada unilateralmente pela Rodésia em 1965 Territórios que permanecem sob dependência estrangeira

0º Ilhas Seychelles

TANZÂNIA

ANGOLA

Walvis Bay

QUÊNIA

RUANDA BURUNDI

Cabinda

Separação da Commonwealth (1951) Trópico de Capricórnio

A

RODÉSIA NAMÍBIA

Zanzibar Comores

B AM

BOTSUANA

OCEANO ÍNDICO

Maiote

MAD AG AS CA R

1970-1976

ZAIRE

ND

Í

1960-1970

GABÃO

UE

1957-1960

M CA

M ALA U

1956-1957

SOMÁLIA

REPÚBLICA CENTRO AFRICANA

IQ

Ascensão

ETIÓPIA

UG A

GUINÉ EQUATORIAL Príncipe São Tomé Pagalu

OCEANO ATLÂNTICO

DJIBUTI

SUDÃO NIGÉRIA ES

COSTA DO GANA LIBÉRIA MARFIM

AR Õ

TOGO BENIN

BURKINA FASO

SERRA LEOA

Mar Arábico

CHADE

MO Ç

SENEGAL GÂMBIA GUINÉGUINÉ -BISSAU

Equador

EGITO

NG O

Ilhas de Cabo Verde

ARGÉLIA

râneo

lho me

Editora UnB

SAARA OCIDENTAL Trópico de Câncer

RR MA

TUNÍSIA Mar Med iter

S O OC

er rV Ma

Para entender as economias do Terceiro Mundo, de Vânia L. Bastos e Maria L. F. Silva. 2. ed. Brasília: UnB, 2001. Apresenta os conceitos teóricos da economia focados no Terceiro Mundo, explicando os conceitos de Primeiro, Segundo e Terceiro mundos.

Melilla

Madeira Canárias

Ler

Allmaps

África: descolonização (1951-1976)

Meridiano de Greenwich

FMI e Banco Mundial: Organismos internacionais criados durante a Conferência de Bretton Woods, nos Estados Unidos, em 1944. O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem como principal função socorrer e monitorar as economias dos países que a ele recorrem solicitando empréstimos, normalmente com juros altos e prazos curtos. Já o Banco Mundial tem uma atuação voltada ao aspecto social e também socorre países pobres, porém com juros baixos e prazos longos.

Ilha Maurício Reunião

SUAZILÂNDIA ÁFRICA DO SUL 0

LESOTO

775

Fonte: DUBY, Georges. Atlas histórico mundial. Madri: Debate, 1997. p. 257.

Alex Webb/Magnum Photos/Latinstock

A dívida externa contraída pelos países subdesenvolvidos, sobretudo na segunda metade do século XX, foi e ainda é uma realidade indissociável da maioria daqueles que compõem o chamado Terceiro Mundo. Com o passar dos anos, percebeu-se no grupo de nações subdesenvolvidas forte heterogeneidade, uma vez que havia um grupo de países muito pobres e rurais, casos de Somália e Haiti, por exemplo, enquanto outro grupo despontava na condição de subdesenvolvidos, porém bastante industrializados, como Brasil, Índia e México.

México: país subdesenvolvido e industrializado. Na fotografia, produção de cintos de segurança em fábrica na cidade de Reynosa, México, 1988.

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2. Novos elementos da regionalização mundial Não que a realidade descrita anteriormente tenha se alterado drasticamente, mas as transformações mundiais que se verificaram no final do século XX, aliadas ao processo de globalização, assuntos que estudaremos posteriormente, trouxeram uma releitura geográfica do mundo contemporâneo. Tais transformações tornaram obsoleta a classificação em Primeiro, Segundo e Terceiro mundos, mesmo porque o chamado Segundo Mundo praticamente deixou de existir com o colapso soviético de 1991. Apesar de ainda utilizada, essa forma de interpretar o espaço mundial não corresponde na plenitude ao contexto internacional dos dias atuais. Já a nomenclatura países desenvolvidos/ subdesenvolvidos ganhou novos contornos, mas segue válida. Uma das formas de representação do mundo que ganhou forte projeção a partir de então é a divisão Norte (rico); Sul (pobre), como mostra o mapa a seguir. Porém, ainda que atual, essa forma de regionalizar o mundo apresenta forte generalização. Alguns países classificados ao sul da linha não apresentam características de pobreza, como é o caso da Coreia do Sul, que atualmente possui indicadores sociais que a colocariam entre um dos países mais ricos do mundo. A mesma situação é observada em países localizados ao norte da linha, mas que não apresentam características de riqueza, por exemplo a Albânia.

C. Takachi

Divisão Norte-Sul 0°

Trópico de Câncer

TE NOR L SU

OCEANO PACÍFICO HEMISFÉRIO NORTE

OCEANO PACÍFICO

Equador

OCEANO ÍNDICO

Trópico de Capricórnio

HEMISFÉRIO SUL

0

2 325

Observa-se nessa proposta de regionalização do mundo uma flagrante concentração de países ricos ao norte da linha e de países pobres ao sul, com algumas ressalvas. Note que a linha que divide os dois blocos não coincide com a linha do equador, tampouco com o Trópico de Câncer.

Meridiano de Greenwich

OCEANO ATLÂNTICO NORTE SUL

Divisão socioeconômica do mundo

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 135.

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2.1 Expressões atuais da economia global

Alto valor agregado: É a quantidade de trabalho que um bem, mercadoria ou serviço acumula em seu processo de produção, na maioria das vezes com grande presença de componentes tecnológicos, aumentando consideravelmente seu valor e preço. Por exemplo: o suco de laranja tem mais valor agregado que a laranja; um satélite, mais que uma chapa de aço.

Para melhor entender os dias atuais, devemos estar atentos às novas expressões presentes no glossário da economia mundial. Por exemplo, as expressões países desenvolvidos e países subdesenvolvidos ganharam alguns sinônimos, como países centrais e países periféricos. Países centrais são aqueles que estão no centro do sistema capitalista, grandes produtores de tecnologia, exportadores de produtos industrializados e de alto valor agregado, além de serem sedes de transnacionais; são também chamados de países desenvolvidos. Já os países chamados de periféricos são aqueles dependentes economicamente dos países centrais, não detentores de tecnologias, importadores de gêneros industrializados e de alto valor agregado e normalmente devedores, chamados de subdesenvolvidos. Os países periféricos podem ser de quatro tipos: integrados, explorados, marginais e isolados. Há ainda os chamados de semiperiféricos, que seriam os países intermediários, também periféricos, porém bastante industrializados e com relativo destaque no comércio internacional, que exportam produtos semi-industrializados e industrializados. No gráfico abaixo, veja o caso do Brasil, que se encontra nessa situação, embora nos últimos anos tenha aumentado a participação na exportação de commodities e diminuído a de manufaturados.

1,63

2,09

2,16

2,06

29,51

29,30

29,23

32,12

13,89

13,47

14,17

13,57

2,61

2,08

2,05

2,06

2,22

2,29

2,78

36,89

40,50

44,58

47,83

46,77

46,70

48,67

14,07

13,62

12,61

13,68

13,40

13,97

12,91

54,96

55,14

54,44

52,25

46,82

44,02

39,40

36,05

37,39

38,40

35,63

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

Operações especiais

Semimanufaturados

Básicos

Manufaturados

Tangente Design

Exportações brasileiras por fator agregado, em % (2004-2014)

Fonte: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR. Exportação brasileira por fator agregado. Disponível em: <http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=4861&refr=1161>. Acesso em: 2 dez. 2015.

Outra expressão difundida atualmente é países emergentes, que diz respeito a um grupo reduzido de países oriundos do Terceiro Mundo (ou, em alguns casos, do Segundo, como a China) e que alcançaram destaque na economia mundial. Não existe consenso para essa expressão, mas ela é utilizada frequentemente no cotidiano e faz referência a um grupo de países que apresentam relativa participação no comércio global, alguns dos quais se encontram, inclusive, entre as maiores economias do globo. No entanto, a população dos países emergentes não usufrui da mesma qualidade de vida existente nos países ricos (ou do centro do sistema capitalista).

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Ding Ting/Xinhua Press/Corbis/Latinstock

Entre os países emergentes, cinco são os principais: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Veja a localização geográfica deles no mapa a seguir. Das iniciais dos quatro primeiros países surgiu a expressão Brics (só posteriormente a África do Sul foi admitida ao grupo, em 2010). Na realidade, Brics é um acrônimo criado por Jim O’Neill, economista-chefe do banco de investimento estadunidense Goldman Sachs. Segundo ele, esses cinco países, em razão do tamanho de suas economias, de suas populações e do potencial crescimento econômico, figurariam entre as maiores economias do globo em um prazo aproximado de cinquenta anos. Portanto, a expressão Brics tem conotação futurista. O Brics tem expandido ações coordenadas em organismos internacionais e de intercooperação. O passo mais importante foi a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, em 2014. A ideia é que esse novo banco tenha funções similares às do FMI, contando com uma reserva inicial de 100 bilhões de dólares formada por fundos do Brasil, Rússia e Índia (18 bilhões cada), África do Sul (5 bilhões) e China (41 bilhões).

A China, considerada um país emergente e um dos integrantes do Brics, possui a segunda maior economia do mundo (em 2015) e importante participação no comércio mundial. A fotografia mostra a grande quantidade de contêineres no porto de Yangshan, em Shangai, China, 2015. Acrônimo: Palavra formada pelas iniciais de outras palavras.

C. Takachi

Brics 0° Círculo Polar Ártico

RÚSSIA

CHINA Trópico de Câncer

ÍNDIA

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

Equador

Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

OCEANO ÍNDICO

BRASIL Meridiano de Greenwich

OCEANO PACÍFICO

ÁFRICA DO SUL

0

2 860

Fonte: IBGE et al. Brics: joint statistical publication 2014: Brazil, Russia, India, China, South Africa. Rio de Janeiro: IBGE, 2014. Disponível em: <http://brics.ibge.gov.br/downloads/BRICS_Joint_Statistical_Publication_2014.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2015.

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2.2 A Divisão Internacional do Trabalho (DIT)

Navegar Unctad <http://tub.im/g7iwyo> A Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) é uma instituição que se preocupa substancialmente com o comércio internacional e como este pode ser fonte de combate e erradicação da pobreza. Banco Mundial <http://tub.im/gmap4t> Os importantes relatórios do Banco Mundial que apresentam dados sobre pobreza e desigualdade social são disponibilizados nesse site. Países@ <http://tub.im/co8dbu> O site é vinculado ao IBGE e disponibiliza indicadores sociais de todos os países do mundo.

A ideia de divisão do trabalho foi elaborada por Adam Smith em sua obra A riqueza das nações, quando, em 1776, o filósofo britânico estudou a fundo o sistema de produção nas oficinas do século XVIII. Para Smith, tornar-se-ia muito mais produtivo dividir os operários em atividades especializadas do que o sistema utilizado até então, em que cada trabalhador produzia determinado gênero do começo ao fim. Ele cita como exemplo a produção de alfinetes: “um homem estica o arame, outro o endireita, um terceiro corta-o, um quarto o aponta, um quinto esmerilha o topo para receber a cabeça” (SMITH, 2010, p. 20). Esse processo de diferenciação das funções acentuou-se após a Revolução Industrial, por conta da extraordinária capacidade produtiva advinda do capitalismo industrial. Com a intensa internacionalização da economia no século XX, tem início uma nova divisão do trabalho, ou seja, os países especializaram-se em determinada etapa do processo produtivo. A intensificação dessa diferenciação de funções dos países provocou um aumento ainda maior da desigualdade, pois os países periféricos se limitaram a fornecer mão de obra barata, matéria-prima e energia e foram inseridos como meros montadores de gêneros industrializados, raramente tendo acesso à tecnologia e à concepção intelectual do produto, que fica a cargo dos países centrais. A Divisão Internacional do Trabalho acompanha a evolução do capitalismo e vai se dinamizando à medida que o processo produtivo torna-se mais sofisticado. Nos dias de hoje, os produtos eletrônicos de alta tecnologia, como os jogos eletrônicos, os notebooks e tablets, envolvem inúmeros países nas diversas fases da produção, acentuando, assim, a divisão do trabalho.

3. Desigualdade global Pauta musical

Jeff Greenberg/Alamy/Latinstock

Quanta gente veio ver. Gilberto Gil. Gravadora: Warner Music

A novidade, Gilberto Gil. Álbum: Quanta gente veio ver. Warner Music, 1998. Pauta: Desigualdade.

De acordo com o relatório do Pnud de 2014, apenas 1% da população mais rica concentra 40% da riqueza mundial, enquanto a metade mais pobre da população do planeta possui apenas 1% dessa riqueza. Embora o Banco Mundial tenha anunciado em 2015 a queda do número absoluto de pessoas vivendo em situação de pobreza extrema para menos de 10% da população mundial, a desigualdade segue latente no mundo contemporâneo, inclusive com a possibilidade de se agravar. Os parâmetros para definição de pobreza variam de acordo com organismos nacionais e internacionais que estudam a desigualdade e a pobreza. Em geral, os mais aceitos são os estabelecidos pelo Banco Mundial, que mensura a linha de pobreza como o rendimento de US$ 1,90 por dia; abaixo dessa renda a pessoa estaria em condição de pobreza extrema. Já no Brasil, o IBGE baseia-se na renda familiar para estabelecer a pobreza. Uma família com renda mensal de 50% do salário mínimo vive em pobreza absoluta, enquanto a pobreza extrema corresponde à renda familiar mensal de até 25% de um salário mínimo. Conviver com esses patamares significa estar em condições de vulnerabilidade social: faltam comida, água tratada, educação, cuidados médicos e serviços sociais básicos.

Pessoas vivem em condições de pobreza extrema em favela de Mumbai, Índia, 2015.

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Enfoque

ESCREVA NO CADERNO

O texto a seguir faz parte de um estudo publicado em 2016 pela Oxfam, uma confederação de organizações que atuam em 94 países na luta pelo fim da pobreza e da desigualdade. Após a leitura, produza um breve texto em seu caderno demonstrando, com base nos dados do estudo da Oxfam e em informações do capítulo, por que é preocupante a atual situação social do mundo. Uma economia para o 1% [...] A crise da desigualdade global está chegando a novos extremos. O 1% mais rico da população mundial detém mais riquezas atualmente do que todo o resto do mundo junto. Poderes e privilégios estão sendo usados para distorcer o sistema econômico, aumentando a distância entre os mais ricos e o resto da população. Uma rede global de paraísos fiscais permite que os indivíduos mais ricos do mundo escondam 7,6 trilhões de dólares das autoridades fiscais. A luta contra a pobreza não será vencida enquanto a crise da desigualdade não for superada. [...] A distância entre ricos e pobres está chegando a novos extremos. O banco Credit Suisse revelou recentemente que o 1% mais rico da população mundial acumula mais riquezas atualmente que todo o resto do mundo junto. Esse fenômeno foi observado um ano antes de uma previsão da Oxfam nesse sentido ter sido amplamente divulgada, às vésperas da realização do Fórum Econômico Mundial do ano passado. Ao mesmo tempo, a riqueza detida pela metade mais pobre da humanidade caiu em um trilhão de dólares nos últimos cinco anos. Essa é apenas a evidência mais recente de que vivemos atualmente em um mundo caracterizado por níveis de desigualdade não registrados há mais de um século. Uma economia para o 1% [estudo] analisa como isso aconteceu e por que, além de apresentar novas evidências alarmantes de uma crise de desigualdade que saiu do nosso controle. A Oxfam calculou o seguinte: • Em 2015, apenas 62 indivíduos detinham a mesma riqueza que 3,6 bilhões de pessoas – a metade mais afetada pela pobreza da humanidade. Esse número representa uma queda em relação aos 388 indivíduos que se enquadravam nessa categoria há bem pouco tempo, em 2010. • A riqueza das 62 pessoas mais ricas do mundo aumentou em 44% nos cinco anos decorridos desde 2010 – o que representa um aumento de mais de meio trilhão de dólares (US$ 542 bilhões) nessa riqueza, que saltou para US$ 1,76 trilhão. • Ao mesmo tempo, a riqueza da metade mais pobre caiu em pouco mais de um trilhão de dólares no mesmo período – uma queda de 41%. • Desde a virada do século, a metade da população mundial mais afetada pela pobreza ficou com apenas 1% do aumento total da riqueza global, enquanto metade desse aumento beneficiou a camada mais rica de 1% da população. • O rendimento médio anual dos 10% da população mundial mais pobres no mundo aumentou menos de US$ 3 em quase um quarto de século. Sua renda diária aumentou menos de um centavo a cada ano. A crescente desigualdade econômica é ruim para todos nós – ela mina o crescimento e a coesão social. No entanto, as consequências para as pessoas mais afetadas pela pobreza no mundo são particularmente graves. Os apologistas do status quo afirmam que a preocupação com a desigualdade é alimentada pela “política da inveja”. Eles costumam citar a redução registrada no número de pessoas que vivem em situação de extrema pobreza como prova de que a desigualdade não constitui um problema de grandes dimensões. Essa afirmação é, no entanto, equivocada. Como uma organização estabelecida para combater a pobreza, a Oxfam acolhe inequivocamente os fantásticos avanços que ajudaram a reduzir o número de pessoas que vivem abaixo da linha de extrema pobreza pela metade entre 1990 e 2010. No entanto, se a desigualdade dentro dos países não tivesse aumentado no mesmo período, outros 200 milhões de pessoas teriam saído da pobreza. Esse número poderia ter chegado a 700 milhões se as pessoas em situação de pobreza tivessem sido mais beneficiadas pelo crescimento econômico do que os ricos. Não há como negar o fato de que os grandes vencedores da nossa economia global são os que estão no topo. Nosso sistema econômico é fortemente distorcido em seu favor, além de estar sendo, sem dúvida nenhuma, cada vez mais enviesado nesse sentido. Longe de escorrer aos poucos para baixo [...] e beneficiar os mais necessitados, a renda e a riqueza estão sendo sugadas para cima a um ritmo alarmante. Uma vez lá em cima, um sistema cada vez mais complexo de paraísos fiscais e uma indústria de gestores dessa riqueza garantem que ela permaneça por lá, longe do alcance de cidadãos comuns e de seus governos. Segundo uma estimativa recente, riquezas individuais que somam US$ 7,6 trilhões – equivalentes a mais que o produto interno bruto (PIB) combinado do Reino Unido e da Alemanha – estão sendo mantidas offshore atualmente. [...] OXFAM. Uma economia para 1%. Documento informativo da Oxfam 210, 18 jan. 2016. Disponível em: <http://www.oxfam.org.br/sites/default/ files/arquivos/Informe%20Oxfam%20210%20-%20A%20Economia%20para%20o%20um%20por%20cento%20-%20Janeiro%202016%20-%20 Relato%CC%81rio%20Completo.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2016.

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Ver

Documentário de Silvio Tendler. Encontro com Milton Santos ou o mundo visto do lado de cá. Brasil. 2006

Encontro com Milton Santos ou o mundo visto do lado de cá. Direção: Silvio Tendler. Brasil, 2006. Baseado na vida e obra do geógrafo Milton Santos, o documentário discute as contradições sociais do mundo contemporâneo com base naquilo que Santos designava como “globalização perversa”.

Os dados divulgados pelos organismos internacionais nos últimos anos demonstram uma situação paradoxal: ao mesmo tempo em que caem vagarosamente a pobreza e a miséria no mundo, aumentam as desigualdades. Qual a razão disto? A pobreza cai a um ritmo muito lento, enquanto o rendimento dos ricos do mundo vem aumentando em um ritmo maior. O baixo crescimento da economia mundial nos países em desenvolvimento nos últimos anos é outro agravante. Dados do Credit Suisse, importante organismo que estuda a pobreza, apontavam em 2015 que os 1% mais ricos do mundo possuem um patrimônio correspondente a 99% da população mundial. A África subsaariana é a região com o maior percentual de pessoas vivendo na pobreza, enquanto o Sudeste asiático guarda o maior número absoluto de pessoas nessa situação. Por sua vez, é a América Latina a região mais desigual do planeta. A Índia é o país que apresenta o maior número de pessoas vivendo na pobreza extrema: cerca de 400 milhões de pessoas. A China é o país que apresentou a maior queda de pessoas vivendo na pobreza extrema, mas em razão da sua grande proporção demográfica ainda é o segundo país com o maior número de pessoas nessas circunstâncias. Com o objetivo de amenizar tamanha disparidade social, em 2000 a ONU anunciou a Declaração do Milênio, um compromisso assumido por 191 países da entidade com a finalidade de reduzir a pobreza extrema no mundo até o ano de 2015. Posteriormente criou-se o projeto Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que estabeleceu oito parâmetros básicos para se atingirem as metas. Esses oito compromissos assumidos pelos governos foram: • erradicar a pobreza extrema e a fome; • atingir o ensino básico universal; • promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; • reduzir a mortalidade infantil; • melhorar a saúde materna; • combater a Aids, a malária e outras doenças; • garantir a sustentabilidade ambiental; • estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Apesar de não ter atingido na plenitude os objetivos pretendidos, notáveis avanços foram alcançados, como a redução em 15% do total de pobres do mundo; aumento do percentual de crianças em escolas nos países pobres; redução razoável de novas infecções pelo HIV; considerável ganho na sustentabilidade ambiental com o aumento de áreas protegidas. Por sua vez, não foram alcançadas as metas esperadas quanto à igualdade de gênero no mundo, à redução da mortalidade infantil e à melhora da saúde materna, índices bem abaixo do esperado quanto a uma parceria mais plausível para o desenvolvimento econômico, especialmente no que diz respeito às trocas comerciais com países africanos. Como uma espécie de continuidade dos ODM, em 2015 a ONU lançou uma nova iniciativa: os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), ampliando para dezoito os desafios similares, entre eles: acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares; acabar com a fome; alcançar a segurança alimentar; melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável; garantir educação inclusiva; alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. É exatamente neste último ponto que se esconde outra desigualdade não menos lamentável: a de gêneros. Observa-se nitidamente ao redor do mundo a posição de discriminação na qual se encontra a mulher, seja nas dimensões do poder, seja na esfera econômica ou mesmo no contexto familiar. Claro que essa situação vem se arrefecendo, mas encontra-se ainda longe do ideal de uma situação mais equânime.

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Visando combater esse cenário, foi criada em 2010 a agência ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres. Também criou-se o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), que afere o nível de desigualdade existente entre homens e mulheres. O objetivo é incrementar o progresso do atendimento às mulheres e meninas em todo o mundo. A ONU Mulheres surgiu num contexto de esforços por reformas na ONU e é fruto da mobilização para a defesa das mulheres. Busca obter recursos para as demandas do organismo e apoia iniciativas governamentais que mirem uma sociedade mais justa quanto aos gêneros, fornecendo logística, assistência técnica e financeira no apoio a políticas públicas de combate às diferenças entre homens e mulheres. O Brasil é um dos países em que a redução dessas diferenças foi sentida; no entanto, ainda há muito a fazer rumo a uma sociedade mais igualitária também quanto ao gênero.

Conversando com a... Sociologia!

Navegar ONU Mulheres <http://tub.im/2qe8j2> A agência ONU Mulheres foi criada em 2010 e é voltada para a questão de gênero.

ESCREVA NO CADERNO

ONU Mulheres – Atendendo às necessidades das mulheres no mundo A igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. Empoderar as mulheres impulsiona economias mais prósperas, estimulando a produtividade e o crescimento. No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas nas sociedades. Muitas mulheres não têm acesso a um trabalho decente e ainda têm que enfrentar as disparidades salariais ocupacionais de segregação e de gênero. Muitas vezes lhes são negados o acesso à educação básica e saúde. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação. Elas estão sub-representadas nos processos decisórios na política e na economia. ONU MULHERES BRASIL. Sobre a ONU Mulheres. Disponível em: <http://www.onumulheres.org.br/onu-mulheres/sobre-a-onu-mulheres/>. Acesso em: 3 dez. 2015.

Jardiel Carvalho/Frame/Folhapress

• Em seu caderno, produza um pequeno texto sobre o que você pensa a respeito do assunto abordado. Considere em seu comentário os fundamentos da cidadania e da democracia e o novo papel da mulher na sociedade contemporânea. Na comunidade mundial e na sociedade brasileira, homens e mulheres têm as mesmas oportunidades?

Marcha mundial das mulheres, São Paulo (SP), 2013.

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PIB (Produto Interno Bruto): É a soma de tudo que foi produzido por um país em todos os segmentos econômicos: agricultura, extrativismo, indústria, comércio, serviços etc., ao longo de um ano, independentemente da nacionalidade da empresa ou da atividade. Quando dizemos “as maiores economias do globo” estamos nos referindo aos países que apresentam os maiores PIBs. É o principal conceito para se aferir o estado da economia global.

Navegar Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) <http://tub.im/t58a8t> O Pnud é uma agência da ONU que tem como objetivo principal o combate à pobreza e à desigualdade. O site indicado traz inúmeros dados e informações sobre o assunto.

Ler

Intrínseca

O capital no século XXI, de Thomas Piketty. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014. O livro tornou-se um best-seller mundial publicado em diversos idiomas e aborda como a desigualdade pode ser produzida de acordo com a organização própria de cada país.

Há uma sutil diferença entre PIB e PNB (Produto Nacional Bruto), pois o PNB leva em consideração também o que é produzido por uma empresa nacional que atue fora das fronteiras, assim como é deduzido o capital de uma empresa estrangeira que remete suas rendas às matrizes, localizadas no país sede ou de técnicos e trabalhadores estrangeiros que enviam seus ganhos ao país de origem. Atenção: importação e exportação não entram nessa situação. No caso do cálculo do PNB, é preciso considerar se a entrada de lucro enviado por uma empresa nacional no exterior é maior ou menor que a saída de divisas enviadas por parte do lucro de uma subsidiária estrangeira. Podem ocorrer as duas situações. Entretanto, é bem mais usual trabalharmos com o conceito de PIB do que com o conceito de PNB, pois ele dá uma dimensão sobre a situação da economia e a produção interna.

3.1 Os indicadores de riqueza e pobreza: PIB per capita e IDH O PIB per capita corresponde ao valor do Produto Interno Bruto de um país dividido pela sua população. É utilizado como parâmetro para medir a pobreza ou riqueza relativa dos países. Por exemplo, dois dos dez maiores PIBs do mundo, China e Brasil, apesar de estarem entre as maiores economias do globo, apresentam PIBs per capita baixos. O PIB dá uma dimensão do poderio econômico e da produção de um país, enquanto o PIB per capita é uma média da produção individual. Durante muito tempo foi o critério socioeconômico mais utilizado como parâmetro para medir a situação social, mas, apesar de sua importância, não indica se a renda produzida pela pessoa é efetivamente usufruída por ela. Atenção: o PIB per capita significa o que o conjunto da população produziu e não o que ela de fato recebeu. O que acarreta essa falha, quase sempre, é a má distribuição de renda, pois, sabe-se que, em muitos casos, aquilo que é produzido por uma parcela da sociedade é apropriado por outra, ficando a renda concentrada em mãos de uma minoria. É comum países apresentarem alta renda per capita, porém com um quadro social não condizente com essa renda, como é o caso, por exemplo, de alguns países produtores de petróleo do Golfo Pérsico. O Kuwait chegou a ter a mais alta renda per capita do mundo, mas apresenta um quadro social não condizente com ela. Em 1990, os economistas Mahbub ul Haq, paquistanês, e Amartya Sen, indiano, criaram o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), incorporado pelo Pnud como o principal indicador para mensurar a situação social no mundo. O IDH tem por base três critérios para medir o grau de desenvolvimento de um país ou um lugar: a saúde, com base na expectativa de vida ao nascer; a educação, uma média entre o nível de escolaridade e a taxa de analfabetismo; e a renda, por meio do PIB per capita. A partir daí, o Pnud passou a disponibilizar anualmente o Relatório de Desenvolvimento Humano classificando seus países-membros de acordo com o resultado do IDH. Esse relatório tem fortes impactos nos mais variados países do globo, já que é um indicador de qualidade de vida bastante abrangente e não se restringe exclusivamente ao fator econômico; ele considera também fatores sociais e políticos. Em 2010, quando se completaram 20 anos de divulgação do IDH, o Pnud fez uma correção na mensuração do indicador, utilizando uma nova metodologia. Os três critérios básicos (saúde, educação e renda) foram mantidos, mas houve alterações nos dados referentes à educação e à renda. O PIB per capita foi substituído pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita para incluir os rendimentos oriundos de remessas internacionais. Os indicadores são parecidos, mas o PIB per capita, como já estudamos, computa exclusivamente a produção interna. Na educação, a taxa de analfabetismo foi substituída pela média de anos de estudo da população adulta e a expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar. A expectativa de vida foi mantida como principal indicador da saúde. Com base nos critérios que compõem o IDH, ele oscila de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 0, pior a situação social e, inversamente, quanto mais próximo de 1, melhor. O Pnud adota o seguinte padrão para classificar os países: • os 25% melhores IDHs correspondem aos países de muito alto nível de desenvolvimento humano; • o segundo grupo de 25% dos países corresponde ao alto nível de desenvolvimento humano; • o terceiro grupo corresponde aos 25% de países de médio desenvolvimento humano; • o último grupo de 25% de países são os de baixo desenvolvimento humano, totalizando 100% de países. Ou seja, há quatro categorias de países de acordo com o nível de desenvolvimento humano: muito alto, alto, médio e baixo. Observe nos mapas da página a seguir a relação entre o IDH e o RNB per capita dos países.

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Renato Bassani

IDH (2014)

0° Círculo Polar Ártico

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO Equador

OCEANO

PACÍFICO

ÍNDICO

Trópico de Capricórnio

Índice de Desenvolvimento Humano Muito alto Alto

Círculo Polar Antártico

Meridiano de Greenwich

OCEANO

Médio Baixo

0

Sem informações

2 480

Fonte: UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME (UNDP). International Human Development Indicators. Disponível em: <http://hdr.undp.org/en/countries>. Acesso em: 14 dez. 2015.

Renato Bassani

RNB per capita (2013)

0° Círculo Polar Ártico

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO Equador

OCEANO

PACÍFICO

ÍNDICO

Trópico de Capricórnio

Dólares internacionais A partir de 50 mil De 30 a 49,9 mil De 15 a 29,9 mil De 6 a 14,9 mil

Círculo Polar Antártico

Meridiano de Greenwich

OCEANO

Menos de 6 mil

0

2 480

Sem informações

Fonte: THE WORLD BANK. World Databank. Disponível em: <http://data.worldbank.org/indicator/NY.GNP.PCAP.PP.CD>. Acesso em: 16 dez. 2015.

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A Geografia na... fotografia!

ESCREVA NO CADERNO

João Roberto Ripper, um renomado fotógrafo carioca, explora intensamente em seus trabalhos os temas da desigualdade e da exclusão social. Na fotografia, em uma carvoaria no Brasil, a lente social do fotógrafo captou no olhar afetuoso entre pai e filho uma certa cumplicidade consciente da situação social à qual estão submetidos.

João Roberto Ripper/Imagens Humanas

• Que relação você vê entre a imagem e os textos deste capítulo? Identifique estratégias que possam encaminhar formas de alteração desse quadro social.

Família de carvoeiros, fotografia de João Roberto Ripper, no estado de Minas Gerais, em 1998.

3.2 A fome no mundo

Editora Moderna

A fome: crise ou escândalo?, de Melhem Adas. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2014. Discute o problema da fome no mundo apontando as causas e consequências daquilo que o autor considera “uma vergonha para a humanidade”.

Pauta musical Nos barracos da cidade, Gilberto Gil. Álbum: Kaya N’gan Daya. WEA, 2002. Pauta: Desigualdade.

A fome é uma das maiores mazelas da humanidade; é inaceitável que em pleno século XXI esse flagelo atinja milhões de pessoas. Segundo o relatório de 2014 da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de 805 milhões de pessoas no mundo sofrem de fome crônica, um avanço em relação ao estudo de 2012 que apontava 925 milhões de pessoas nessas condições. Essa redução de mais de cem milhões de pessoas demonstra que os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio podem ser alcançados, mas não sem grandes esforços. Os estudos mostram que China, Brasil e os outros países da América Latina apresentaram os maiores avanços na segurança alimentar, enquanto que os piores resultados foram registrados na África Subsaariana, que abriga a maioria das pessoas subnutridas: 526 milhões. Um em cada quatro africanos dessa região vive em estado de fome crônica. O desenvolvimento científico e tecnológico das últimas décadas não foi suficiente para erradicar da humanidade o flagelo da fome. Apesar do aumento da produção agrícola ocorrido em várias partes do globo, a fome persiste. Existem alguns motivos conhecidos que levam ao estado de fome crônica, tais como: fatores naturais, guerras civis, inabilidade governamental, técnicas rudimentares de produção. O problema é antigo. Já em meados dos anos 1940, o geógrafo brasileiro Josué de Castro apontava o dilema da fome em seu clássico livro Geografia da fome. Segundo ele: “A fome é uma realidade demasiado gritante e extensa, para ser tapada com uma peneira aos olhos do mundo” (CASTRO, 1946, p. 15).

Interagindo O geógrafo Josué de Castro denunciou há décadas o problema da fome no mundo. Quais são as causas ocultas desta verdadeira conspiração de silêncio em torno da fome?

ESCREVA NO CADERNO Editora Brasiliense

Ler

CASTRO, Josué de. Geografia da fome. São Paulo: Brasiliense, 1946. p. 15.

• Reflita e discuta com seus colegas: numa época em que a revolução tecnológica permite safras recordes e um flagrante aumento da produção agrícola, como podemos conviver com tamanha quantidade de pessoas passando fome? Considerando que o alerta dado por Josué de Castro data da década de 1940, quais os caminhos para resolver esse problema mundial? A fome está aumentando ou diminuindo no mundo nos últimos anos?

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando

1. A tabela a seguir apresenta o ranking do IDH de 2014 segundo os países que ocupam os primeiros lugares nas categorias muito alto, alto e médio nível de desenvolvimento humano, os últimos colocados na categoria baixo, além da inserção do Brasil, para efeitos de comparação. Analise a tabela e responda: a) Os cinco países que apresentam os maiores IDHs estão inseridos em quais continentes? b) Em sua opinião, por que os países com as últimas posições no IDH são africanos? c) Considerando aspectos sociais e econômicos do Brasil, analise a posição do país no ranking do IDH. Ranking do IDH (2014) País

Posição

IDH

Muito alto Noruega

1

0,944

Austrália

2

0,935

Suíça

3

0,930

Dinamarca

4

0,923

Alemanha

5

0,922

Belarus

50

0,798

Rússia

50

0,798

Omã

52

0,793

Romênia

52

0,793

Uruguai

52

0,793

Brasil

75

0,755

Alto

Médio Botsuana

106

0,698

Moldávia

107

0,693

Egito

108

0,690

Turcomenistão

109

0,688

Gabão

110

0,684

Baixo Burundi

184

0,400

Chade

185

0,392

Eritreia

186

0,391

República Centro Africana

187

0,350

Níger

188

0,348

Fonte: UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME (UNDP). Human Development Report 2015: work for human development. Disponível em: <http://hdr.undp.org/sites/default/files/hdr_2015_ statistical_annex.pdf>. Acesso em: 14 dez. 2015.

2. Como definimos país emergente? Cite alguns exemplos. 3. Por que a Teoria dos Mundos é insuficiente para regionalizar o mundo contemporâneo? 4. Explique a diferença entre os conceitos PIB e IDH. Inclua o caso do Brasil. 5. Observando as últimas décadas, quais as perspectivas de alteração do quadro de desigualdade no mundo? 6. Qual a relação entre a colonização do passado e a situação social do mundo hoje?

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Olhar cartográfico Observe os gráficos abaixo sobre a distribuição da riqueza no mundo e responda às questões:

Editoria de arte

Riqueza global (2000-2015)

Trilhões de dólares

250

200

150

100

50

0 2000

01

02

03

04

05

06

07

08

09

10

11

12

13

14

15

Ano África

Índia

América Latina

China

Europa

Ásia-Pacífico

América do Norte

Editoria de arte

Pirâmide da riqueza global (2015) 34 (0,7%) > US$ 1 milhão

US$ 100.000 a 1 milhão

US$ 10.000 a 100.000

US$ 112,9 (45,2%)

349 (7,4%)

1 003 (21%)

US$ 98,5 (39,4%)

US$ 31,3 (12,5%)

3 386 (71%)

< US$ 10.000

US$ 7,4 (3%)

Riqueza total em trilhões de dólares (porcentagem do mundo)

Faixa de riqueza em dólares Número de adultos em milhões (porcentagem da população mundial)

Fonte dos gráficos: CREDIT SUISSE. Global Wealth Report 2015. Zurique: Research Institute, 2015. p. 15, 24. Disponível em: <https://publications.credit-suisse.com/tasks/render/file/?fileID=F2425415-DCA7-80B8-EAD989AF9341D47E>. Acesso em: 14 dez. 2015.

1. Em linhas gerais, explique a distribuição da riqueza no mundo representada pelos gráficos. 2. Qual região do globo concentra a maior parte da riqueza mundial? 3. Cite as regiões mais pobres do mundo.

Atividade em grupo Com a sala dividida em grupos, cada um irá representar uma organização internacional – Banco Mundial, FMI, Pnud, FAO, Unesco, OCDE – ou nacional – Ipea, FGV, IBGE, BNDES. A partir daí, cada grupo deverá produzir um relatório, de uma ou duas páginas, sobre alguma questão social do mundo ou do Brasil – desigualdade, pobreza, mortalidade infantil, analfabetismo, fome, IDH, Aids ou outra temática social de interesse da turma. Gráficos, mapas e tabelas poderão ser utilizados, complementados por uma síntese de poucos parágrafos. Os dados coletados e outras informações deverão ser expostos para o restante da sala.

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De olho na mídia Leia o texto a seguir sobre a situação da desigualdade mundial nos dias de hoje e responda: 1. Segundo o texto, a desigualdade caiu em alguns países da América Latina. Quais são esses países e qual a razão apontada para esse fato? 2. O que a matéria informa sobre a situação nos países europeus em crise? Desigualdade de renda dispara em países ricos, mas cai entre latinos As desigualdades entre ricos e pobres atingiram o nível mais alto desde que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) começou a medição dos dados há 30 anos. Atualmente, nos 34 países dessa instituição, a parcela dos 10% mais favorecidos concentra 50% da riqueza, enquanto os 40% mais pobres têm acesso apenas a 3% dela. No entanto, segundo estudo, essa diferença de renda caiu na América Latina e Caribe desde o fim dos anos 90. Em um relatório intitulado “Por que menos desigualdade beneficia a todos”, a OCDE destaca que “a diferença entre ricos e pobres nunca esteve tão alta”. A disparidade aumentou durante a crise em países como a Espanha, entre outras razões, pelos ajustes fiscais, pelo aumento dos impostos e pelos cortes de benefícios sociais. A análise detalhada se concentra especialmente entre 2007 e 2011, os anos mais difíceis da última crise econômica mundial. Nesse período, as rendas nos lares mostraram queda em praticamente todos os países da organização, mas em medida muito menor nas camadas mais privilegiadas. Já na maioria dos países da América Latina, as diferenças de renda da população diminuíram, principalmente, no Brasil, Peru, México e na Argentina, e em menor escala no Chile. Os principais fatores que explicam a redução da desigualdade na região são a queda das diferenças salariais entre trabalhadores com alto e baixo nível de formação e o aumento do número de adultos que participa da força de trabalho. O estudo também destacou que esses países tiveram maior acesso à educação. Além disso, a ampliação dos programas de transferência de renda contribuiu para promover maior redistribuição de renda e, consequentemente, mais desenvolvimento. Hoje, a média do coeficiente Gini – que mede a desigualdade de renda e que vai de 0 a 1 (quanto mais alto, maior a disparidade) – é de 0,32 nos países da OCDE. Nos anos 80, esse valor era de 0,29, um aumento de quase 11%. No entanto, no Brasil, por exemplo, o coeficiente – que ainda é maior que a média – passou de 0,6 em meados dos anos 90 para 0,55, uma queda de cerca de 8%. Apesar dos indícios de melhora na América Latina, a região continua entre as com maior disparidade entre ricos e pobres no mundo. O relatório ressalta também que, a partir de 2010, o declínio da desigualdade na região desacelerou e foi muito mais modesto, especialmente na redução da pobreza.

Espanha Ainda de acordo com o estudo, as perdas de renda foram particularmente elevadas nos países mais atingidos pela crise. Na Espanha, por exemplo, as rendas das famílias diminuíram, em média, 3,5% nesse período. Assim como na Irlanda ou Islândia. No caso da Grécia, a queda chegou a 8%. Mas o aumento da desigualdade nessa época é mais evidente quando se compara as camadas sociais mais altas e mais baixas. Na Espanha, os 10% das famílias mais pobres perderam 13% de sua receita anual entre 2007 e 2011, enquanto que entre os 10% mais ricos a renda anual mostrou queda de apenas 1,5%. No período pré-crise, a desigualdade antes dos impostos e benefícios era bastante estável, destaca a OCDE, mas disparou no ápice da crise. E continua a ser assim durante a leve recuperação vista recentemente. A razão pode ser explicada por dois motivos: a elevada taxa de desemprego que custa a cair e os ajustes fiscais que afetam o seguro-desemprego, o setor de educação e a falta de investimentos. É o que está acontecendo na Grécia, Irlanda e Espanha.

Cortes de direitos trabalhistas No caso da Espanha, por outro lado, outras medidas aumentaram as desigualdades. A consolidação fiscal, diz a OCDE, incluiu aumentos de impostos sobre a renda e o consumo (em 2011 e 2013), enquanto que cortes nos benefícios sociais (2013) atingiram as camadas mais pobres. O aumento dos empregos temporários ou diferenças salariais entre homens e mulheres também contribuíram para o quadro. Neste caso, os países com as piores notas são, nesta ordem, Alemanha, México e Espanha. Como resultado disso, o documento destaca que a pobreza aumentou de forma preocupante entre 2007 e 2011. Em toda a OCDE, a população abaixo da linha de pobreza aumentou de 1% para 9,4% do total. Na Espanha, essa parcela está em 18%, quase o dobro do que antes da crise. Na Grécia, em 27%. E um fato alarmante: as pessoas que mais caem nessa fossa já não são os idosos, mas os jovens. O desemprego e os ajustes são os fatores que mais contribuíram para as desigualdades na Espanha. DESIGUALDADE de renda dispara em países ricos, mas cai entre latinos. El País, 21 maio 2015. Disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/20/ internacional/1432157691_611114.html>. Acesso em: 14 dez. 2015.

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CAPÍTULO 4

Nós estamos aqui!

3026-GEO-1-U01-C04-LA-F001 Foto atual (2015) de um satélite na órbita terrestre. O satélite deve estar em primeiro plano e a Terra em segundo, passando a ideia de que ele está monitorando o planeta. A foto será utilizada na abertura de um capítulo em página dupla. Deve ser recente e na horizontal.

Da Estação Espacial Internacional, o astronauta Scott Kelly capturou em 2015 esta imagem da aurora boreal e de um satélite orbitando a Terra.

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Demotix Live News/Demotix/Corbis/Latinstock

Tópicos do capítulo Movimentos da Terra Coordenadas geográficas Estações do ano Fusos horários Comunicação cartográfica Tecnologia e informações geográficas

Ponto de partida

ESCREVA NO CADERNO

• Atualmente, podemos descobrir nossa localização com a ajuda de satélites e de um receptor. Este aparelho mostra na tela um mapa, informando onde estamos e as rotas possíveis de serem percorridas até o endereço de destino. Como você entende ser possível a precisão de localização nos dias atuais quando comparamos com o que ocorria séculos atrás?

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1. A Terra no espaço Alfred Pasieka/SPL/Latinstock

Via Láctea

Via Láctea, onde se localiza o nosso sistema solar. Arte feita por computador. AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Encontrar um endereço e definir um caminho, uma rota, um trajeto já não é uma missão que dependa apenas de mapas e cartas impressas em papel. Informações como essas podem ser enviadas por satélites e chegam a aparelhos de GPS (sigla em inglês para Sistema de Posicionamento Global), a computadores e telefones celulares que têm acesso à internet de forma atualizada. Você utiliza algum desses recursos para se localizar? Atualmente é possível acessar sites na internet com localização de países, cidades, prédios, praças, ruas e até mesmo de residências. Mas gerar informação sobre qualquer ponto no planeta, com detalhes, requer conhecimento e desenvolvimento de técnicas apuradas. Para chegarmos a esse nível de informatização, foi necessário muito tempo de investigação científica. Estudar a forma da Terra e seus movimentos foi fundamental para tal compreensão. Quando se referencia a Terra no espaço, busca-se relacionar o planeta Terra com os demais planetas do sistema solar, com as galáxias, enfim, com o espaço sideral, o espaço que transcende o espaço terrestre e sua atmosfera. Galáxias são aglomerados de inúmeras estrelas e outros objetos astronômicos. Não se sabe ao certo quantas galáxias existem no universo, podem existir milhares ou mesmo bilhões delas. Fazemos parte de uma delas, a Via Láctea. O Sol é uma das muitas estrelas que compõem a Via Láctea. Em torno dele circulam oito planetas, cujas trajetórias são chamadas de órbita. A Terra é um dos planetas do sistema solar que orbitam em torno do Sol. Durante 70 anos acreditou-se que esse sistema era composto de nove planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. No entanto, no ano de 2006, na 26ª- Assembleia Geral da União Astronômica Internacional, realizada em Praga, na República Tcheca, com mais de 2 mil cientistas, chegou-se à definição de que Plutão não cumpre os requisitos para ser considerado um planeta, embora nem todos estejam completamente convencidos disso. Para ser considerado planeta, o astro tem de ser o objeto predominante em sua órbita, e como a de Plutão se encontra com a órbita de Netuno, planeta 20 vezes maior, Plutão agora passa a ser considerado um planeta-anão. Veja, na representação abaixo, o sistema solar com os oito planetas. Netuno

Luis Moura

Sistema Solar

Saturno Urano Marte

Vênus Sol

Terra

Júpiter

Mercúrio AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Fonte: WORLD Atlas: reference. 8. ed. London: Dorling Kindersley, 2010. p. x-xi.

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1.1 Movimentos da Terra A Terra não é propriamente uma esfera, como sugerem as imagens que vemos dela. Sua superfície é irregular e levemente achatada nos polos. O modelo físico da forma da Terra é chamado de geoide. Por ser assim, ao orbitar em torno do Sol, ela faz um trajeto ligeiramente oval. Esse traçado recebe o nome de elíptica. O plano dessa trajetória é denominado eclíptica. Em alguns momentos durante sua órbita, a Terra se encontra mais próxima do Sol; em outros, mais distante. A menor distância entre o Sol e a Terra é denominada periélio e mede aproximadamente 147 milhões de quilômetros. Já o ponto em que a Terra se encontra mais distante do Sol, chamado de afélio, mede aproximadamente 152 milhões de quilômetros. No periélio, a Terra atinge a velocidade máxima de sua órbita; no afélio, alcança a velocidade mínima. A velocidade média da Terra em torno do Sol é estimada em 29,78 quilômetros por segundo. Observe o esquema.

Navegar Observatório Nacional <http://tub.im/eqt6td> Rico em informações sobre a Terra e o universo, com artigos, vídeos, publicações científicas e outras fontes de pesquisa.

C. Takachi

Periélio e afélio

Periélio

Afélio 147 milhões km

152 milhões km

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Fonte: SYDNEY OBSERVATORY. Disponível em: <http://www.sydneyobservatory.com.au/2010/feeling-cold-far-from-the-source-of-heat-light-and-energy-do-not-worry-asearth-reaches-its-furthest-from-the-sun-aphelion-on-6-july-2010/>. Acesso em: 9 dez. 2015.

Rotação é o nome dado ao movimento da Terra em torno de seu próprio eixo, no sentido anti-horário. Um movimento completo de rotação dura 23 h (horas), 56’ (minutos) e 4” (segundos), ou aproximadamente 24 horas (um dia solar). Como consequência do movimento de rotação terrestre, temos a determinação dos dias e das noites em todos os pontos do planeta, o desvio para oeste da circulação atmosférica e das correntes marítimas e o nível do mar alguns metros mais elevado no litoral leste dos continentes, em relação ao litoral oeste.

Movimento de rotação

Polo Norte

Polo Norte

Equador

Equador

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 10.

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Polo Sul

Polo Sul

C. Takachi

1.1.1 Movimento de rotação

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Luis Moura

1.1.2 Movimento de translação Movimento de translação

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 10.

Translação é o movimento que a Terra faz ao redor do Sol. Ele dura aproximadamente 365 dias e seis horas, que corresponde a um ano. Como no nosso calendário o ano tem 365 dias, a cada ano sobram seis horas. Isso significa que a cada quatro anos temos um ano com um dia a mais. Esse ano, com 366 dias, é chamado de ano bissexto e o dia a mais é incorporado ao mês de fevereiro, que, nesse ano, é formado por 29 dias. Em função do movimento de translação e da inclinação do eixo terrestre, temos a definição das estações do ano.

2. Coordenadas geográficas Rosa dos ventos N NO

NNE

NNO

NE ENE

ONO O

L ESE

OSO SO

SE

SSE

SSO S

Bússola N NE

Ilustrações: C. Takachi

NO O

L SE

SO S

São chamadas de coordenadas geográficas um conjunto de medidas representadas por linhas imaginárias que circundam o globo terrestre, determinadas com base nos princípios do círculo trigonométrico. O cruzamento dessas linhas imaginárias indica onde cada ponto do planeta está posicionado, gerando a sua localização com pequena margem de erro, o que facilita a orientação espacial. Por convenção, as direções elementares podem ser chamadas de pontos cardeais. Essas direções são representadas e indicadas na figura da rosa dos ventos, que indica as direções com base nos pontos cardeais, colaterais e subcolaterais. Observe a figura ao lado. Nos mapas, a rosa dos ventos indica os pontos cardeais Norte, Sul, Leste e Oeste. Eles têm como base a direção norte (N), que aponta para o polo norte magnético. A direção oposta ao norte é o sul (S). As outras duas direções básicas são o leste (L, ou E, sigla inglesa) e o seu oposto, oeste (O, ou W, sigla inglesa). O leste é a direção em que surge o Sol quando este se encontra frontalmente localizado ao plano da linha do equador terrestre. O oeste seria exatamente oposto ao leste. As subdivisões entre norte, sul, leste e oeste servem para tornar precisas as localizações e orientações espaciais.

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Para se obter a localização de qualquer ponto da superfície terrestre, dividiu-se o globo em coordenadas geográficas. As linhas imaginárias perpendiculares ao eixo da Terra e paralelas entre si são os paralelos e determinam a latitude. As linhas imaginárias que acompanham o eixo são denominadas meridianos e determinam as longitudes. Veja nas figuras a seguir. Latitude 90°

Norte (+)

C. Takachi

Latitude

90° 60°

30°

30°

Equador

Degree Confluence Project (Projeto Graus de Confluência) Este projeto artístico de cartografia colaborativa visa o registro fotográfico do máximo de pontos possível de intersecções das coordenadas geográficas em todo o planeta. É colaborativo porque qualquer pessoa pode fotografar e enviar a fotografia para um banco de dados no qual suas imagens e histórias são registradas no site <http://tub.im/dwyrk7>. As confluências foram separadas em três categorias: Terra, Água e Gelo. Degree Confluence Project

60°

ESCREVA NO CADERNO

A Geografia na... arte!

30°

30°

60°

60° 90°

90° Sul (–) As linhas imaginárias que localizam as latitudes norte e sul são paralelas entre si. Algumas linhas de latitude merecem destaque, como os trópicos de Câncer e de Capricórnio e os círculos polares, pois demarcam zonas de transição de intensidade de irradiação solar com consequências diretas na determinação do clima nessas áreas.

Longitude

180°

150°

C. Takachi

Longitude 150°

120°

120°

90°

90° Leste (+)

Oeste (–) 60°

60°

30°

30° 0° Meridiano de referência Meridiano

de referência

Um meridiano central, o de Greenwich, separa o leste do oeste do planeta. Como a esfera tem 360º, são 180º de longitude leste e 180º de longitude oeste, sendo que os meridianos se encontram nos polos. Fonte das ilustrações: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 18.

Fonte: DEGREE CONFLUENCE PROJECT. Disponível em: <http://www. orbitals.com/dcp/dcp15sa.htm>. Acesso em: 9 dez. 2015.

• Acesse o site <http://tub.im/dwyrk7> e verifique se há alguma fotografia de seu município ou estado. Identifique o lugar cujas coordenadas geográficas são as mais próximas de onde você mora.

A palavra “equador” vem do latim aequatore, termo que significa “igualador”. A linha do equador é a circunferência máxima, com maior raio no globo terrestre, perpendicular à linha que une os polos Norte e Sul. Ela divide o globo em duas metades iguais – em dois hemisférios (do grego hemi = metade, e sphaira = esfera): o hemisfério norte, que está compreendido entre 0º (equador) e 90º em direção norte, e o hemisfério sul, que está compreendido entre 0º (equador) e 90º em direção sul. A medida latitudinal do planeta se inicia no seu centro em relação aos polos, na linha do círculo máximo, na linha do equador. Ali está a medida 0º, área mais iluminada do planeta. Nela, a ausência de curvatura, os gases e as condições atmosféricas oferecem menor resistência à incidência dos raios solares. Considerando o globo terrestre como uma esfera, ele apresenta uma medida de 360°. Como a medida inicial de latitude se localiza no centro do globo e vai até um dos polos, sua medida máxima equivale a um quadrante do globo, a um quarto de 360º. Por isso, cada hemisfério, norte e sul, mede de 0° a 90°.

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Muitos países têm seus territórios localizados na faixa central do planeta e possuem parte dele no hemisfério norte e parte no hemisfério sul. O Brasil é um deles. Localizado no continente americano, na América do Sul, o Brasil apresenta uma geografia que demonstra uma gama extensa de diversidades físicas, sociais, culturais e econômicas. Observe, no mapa a seguir, a localização geográfica do Brasil em relação ao continente americano e aos outros países e continentes. Repare também nas coordenadas geográficas que passam pelo território brasileiro. Olhando o mapa do mundo, percebe-se que o Brasil é um país de grande visibilidade em razão de sua extensão. Quando afirmamos que a área territorial brasileira corresponde a aproximadamente 5,8% das terras emersas em todo o globo, ou, ainda, aproximadamente 47% da superfície da América do Sul, podemos imaginar as grandes dimensões do território brasileiro.

C. Takachi

Planisfério e coordenadas geográficas 90° N

Círculo Polar Ártico 60° N

30° N

Trópico de Câncer

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

Equador

OCEANO PACÍFICO

Meridiano de Greenwich (GMT)

Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

0

OCEANO ÍNDICO

BRASIL

30° S

60° S

90° S

2 860

172,5° O 142,5° O 112,5° O 82,5° O

52,5° O 22,5° O

22,5° L

52,5° L

180° O 157,5° O 127,5° O 97,5° O 67,5° O 37,5° O 7,5° O 7,5° L 37,5° L

82,5° L 112,5° L 142,5° L 172,5° L

67,5° L

97,5° L 127,5° L 157,5° L 180° L

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 32.

Os países com tão longa extensão e áreas territoriais que adentram o continente são denominados países continentes ou países com dimensões continentais. O mapa a seguir compara as dimensões do Brasil ao sobrepor seu território ao da Europa.

C. Takachi

Brasil: um país de dimensões continentais Boa Vista

Rio Branco 3 440 km

3 83

Recife

0 km

Mar do Norte

Mar Báltico

Porto Alegre

Projeção de Robinson Mar Negro

OCEANO ATLÂNTICO

Oslo Moscou

Fonte: THÉRY, Hervé; MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. 2. ed. São Paulo: Edusp; Imprensa Oficial, 2008. p. 19.

edite

rrâne

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0k

Lisboa 0

1 045

Projeção de Robinson

3 92

4 160 km

Projeção equivalente de Mollweide

Mar M

Tamanrasset

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Pauta musical Meu país, Ivan Lins. Álbum: Awa Yiô. Velas, 1993. Pauta: País e noção de lugar.

Equador

Antonio Miotto/Fotoarena

Marcello Lourenco/Tyba

Trópico de Capricórnio

Photodisc/Getty Images

Uma expressão também bastante comum é a de que o Brasil é um país tropical. Realmente, 92% do nosso território se localiza na zona intertropical, ou seja, entre os trópicos de Câncer (hemisfério norte) e o de Capricórnio (hemisfério sul), que passa sobre os estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. A parte do território brasileiro que não está na faixa intertropical (8% do território) localiza-se ao sul do Trópico de Capricórnio e apresenta características climáticas subtropicais abrangendo o sul do estado de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, a maior parte do estado do Paraná, além de abarcar inteiramente os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa faixa inserida nas latitudes médias é denominada subtropical, e está mais sujeita às alterações climáticas ao aproximar-se das regiões temperadas.

Na foto acima, a placa indica a localização do Trópico de Capricórnio passando pela Rodovia dos Bandeirantes na cidade de São Paulo (SP), em 2014. À direita, Estádio Zerão, Macapá (AP), em 2000, tendo ao fundo o monumento Marco Zero do Equador. Macapá é a única capital do país localizada em dois hemisférios. O Estádio Zerão tem uma especificidade: a linha que divide o campo está alinhada com a linha do equador. Cada time ataca um tempo da partida de futebol no hemisfério sul e o outro no hemisfério norte.

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2.1 A inclinação do eixo terrestre e suas consequências

C. Takachi

Eixo Eixo de de rotação rotação

Planoda da Plano eclíptica eclíptica

Fonte: ALVES, Sérgio. A geometria do globo terrestre. Disponível em: <http://www.bienasbm.ufba.br/M29.pdf>. Acesso em: 2 out. 2015.

A Terra apresenta inclinação de seu eixo em relação ao seu plano de órbita, à sua eclíptica. Observe a figura ao lado. Essa inclinação é de 66°32’27”. Isso significa que esse eixo está inclinado 23°27’33” em relação ao eixo imaginário. Justamente a 23°27’33”, tanto para o norte como para o sul, partindo-se da linha do equador, encontramos a área de transição para as regiões tropicais, pois a fronteira dessas regiões é marcada pelas linhas imaginárias do Trópico de Câncer, ao norte, e do Trópico de Capricórnio, ao sul. Observe as figuras a seguir.

VerãoVerão no hemisfério no hemisfério sul sul

C. Takachi

Inclinação do eixo da Terra

VerãoVerão no hemisfério no hemisfério nortenorte N

N 23°27’33” 23°27’33”

raios raios solares solares

Trópico Trópico de Câncer de Câncer

N

N

solares raios raios solares

Equador Equador

Equador Equador

S

S

Trópico de Capricórnio Trópico de Capricórnio

S

23°27’33” 23°27’33” S

Fonte: ALVES, Sérgio. A geometria do globo terrestre. Disponível em: <http://www.bienasbm.ufba.br/M29.pdf>. Acesso em: 2 out. 2015.

Coordenadas geográficas Polo No rte

ich

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0° N

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HEMISFÉRIO SUL

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C. Takachi Merid iano 60 °O

HEMISFÉRIO NORTE Tró p

lo 6

0° S

Fonte: ATLAS geográfico escolar. São Paulo: Ibep, 2008. p. 17.

A linha do Trópico de Câncer marca o maior ângulo que o Sol fica a pino ao meio-dia no hemisfério norte. A linha do Trópico de Capricórnio marca o maior ângulo que o Sol fica a pino ao meio-dia no hemisfério sul. É na zona intertropical que a irradiação solar chega a 90° no solo, variando o local ao longo do ano. As outras regiões que marcam as transições regionais das incidências da irradiação solar são as polares. Elas também são definidas levando-se em consideração a inclinação do eixo terrestre. Essas regiões se iniciam aos 66°32’30” (90° menos 23°27’30”) tanto no norte quanto no sul. As linhas imaginárias demarcatórias do início dessas regiões denominam-se Círculo Polar Ártico, no norte, e Círculo Polar Antártico, no sul. Nessas regiões, por causa da inclinação do planeta, os raios solares não incidem num ângulo de 90º sobre a superfície terrestre. Observe as coordenadas geográficas na figura ao lado. Com essas informações, e observando a figura da próxima página, é possível visualizar melhor as principais consequências do movimento de translação. Ele determina as estações do ano. Por conta da inclinação do eixo terrestre, no dia 21 de dezembro o hemisfério sul recebe os raios solares perpendicularmente ao Trópico de Capricórnio, marcando o dia mais longo do ano, com mais horas de insolação. É o solstício de verão no hemisfério sul. No hemisfério norte se dá o oposto: a inclinação do eixo terrestre é máxima e os raios solares pouco intensos. Tem início o solstício de inverno. Após seis meses, as posições se invertem. Seguindo seu movimento de translação, entre os dias 20 e 21 de março e 21 e 23 de setembro, a Terra recebe a incidência dos raios solares perpendicularmente no equador; as mesmas condições de insolação ocorrem nos trópicos de Câncer e de Capricórnio. Essa situação é denominada equinócio. Entre 21 e 23 de março ocorre o equinócio de primavera no hemisfério norte e o equinócio de outono no hemisfério sul. Em setembro, a situação se inverte. Durante o equinócio, os dias e as noites têm o mesmo período de duração: 12 horas.

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Luis Moura

Solstício e equinócio

Equinócio de outono no hemisfério sul (21 de março)

• 20 a 21 de março: equinócio: primavera Solstício (hemisfério norte) / outono (hemisfério sul) de inverno no hemisfério sul • 21 de junho: solstício: verão (hemisfério (21 de junho) norte) / inverno (hemisfério sul) • 21 a 23 de setembro: equinócio: outono (hemisfério norte) / primavera (hemisfério sul) Noite • 21 de dezembro: solstício: inverno (hemisfério norte) / verão (hemisfério sul)

Outono

Solstício de verão no hemisfério sul (21 de dezembro)

Verão

N Dia

Dia S

Noite

Primavera

Inverno

Equinócio de primavera no hemisfério sul (21 de setembro)

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Fonte: WORLD Atlas: reference. 8. ed. London: Dorling Kindersley, 2010. p. xxi.

3. Fusos horários O movimento de rotação da Terra determina os dias e as noites e consequentemente as diferenças de horário entre os variados pontos de longitude do globo terrestre. Vimos que o movimento de rotação tem duração de 24 horas, e que a esfera terrestre mede 360º. Como o movimento de rotação se caracteriza pelo giro completo que a Terra dá em torno de seu eixo, divide-se o seu raio central (360°) por 24 horas. O resultado é 15°. Isso significa que a cada 15° de longitude que a Terra gira, se passa uma hora. Ou seja, o período de uma hora equivale a um movimento de 15° do planeta Terra. Assim, cada uma das 24 horas do dia equivale a uma faixa de 15° de longitude – um fuso horário. Todas as localidades, do Polo Norte ao Polo Sul, que se encontrarem numa mesma faixa de 15° adotam o mesmo horário. A faixa central é dividida ao meio pelo meridiano de Greenwich, ficando 7,5° de longitude do hemisfério leste e 7,5° de longitude do hemisfério oeste, totalizando os 15° que caracterizam uma faixa de fuso horário. Os fusos são contados, então, a partir de 7,5º a leste e a oeste. Observe no mapa a seguir que as linhas de fuso indicam marcas de 7,5º; 22,5º; 37,5º; 52,5º; 67,5°... até chegar a 172,5º, onde começa a faixa do fuso da Linha Internacional de Data.

Meridiano de Greenwich

172,5˚ 172,5˚ 157,5˚ 142,5˚ 127,5˚ 112,5˚ 97,5˚ 82,5˚ 67,5˚ 52,5˚ 37,5˚ 22,5˚ 7,5˚ 0 7,5˚ 22,5˚ 37,5˚ 52,5˚ 67,5˚ 82,5˚ 97,5˚ 112,5˚ 127,5˚ 142,5˚ 157,5˚ 172,5˚ 172,5˚ 157,5˚ 142,5˚ 75˚ 90˚ 45˚ 15˚ 30˚ 75˚ 45˚ 60˚ 105˚ 120˚ 135˚ 150˚ 165˚ 180˚ 165˚ 150˚ 135˚ 30˚ 15˚ 90˚ 60˚ 165˚ 180˚ 165˚ 150˚ 135˚ 120˚ 105˚

Linha Internacional de Data

Ottawa

Paris

Berlim

Beijing

OCEANO ATLÂNTICO

Cidade do México

OCEANO PACÍFICO

Astana

Bucareste

Washington, D.C.

Los Angeles

Trípoli Cairo Riad

Teerã Nova Délhi

Tóquio

OCEANO PACÍFICO

Adis-Abeba Luanda Lima

Brasília

23:00 24:00 00:00

1:00

2:00

3:00

4:00

5:00

6:00

7:00

8:00

9:00

10:00

+11 +12 –12

–11

–10

–9

–8

–7

–6

–5

–4

–3

–2

Linha Internacional de Data

Capital do país

11:00

12:00

13:00

+1 –1 0 OESTE LESTE

OCEANO ÍNDICO Sydney

Cidade do Cabo

Buenos Aires

3 540

Equador

Jacarta

Maputo

0

Seul

Hong Kong

Niamei

Dacar

Anchorage

Moscou

Linha Internacional de Data

Londres

Vancouver

Anadyr

C. Takachi

Fusos horários no mundo

14:00

15:00

16:00

17:00

18:00

19:00

20:00

21:00

22:00

23:00

24:00 00:00

1:00

2:00

3:00

+2

+3

+4

+5

+6

+7

+8

+9

+10

+11

+12 –12

–11

–10

–9

Cidade

Fonte: ATLAS. 4. ed. Londres: Dorling Kindersley, 2010. p. 12-13.

75

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A definição desse sistema de fusos horários foi convencionada em 1895, numa Conferência Internacional de Geografia ocorrida em Londres, na Inglaterra, onde também foi decidido que Greenwich, localizado no território inglês, seria considerado meridiano de referência, a partir do qual se acertam os horários em todo o planeta. O movimento de rotação se dá no sentido anti-horário. Sendo assim, os horários do hemisfério leste são mais adiantados em relação aos horários do hemisfério oeste.

Navegar Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini <http://tub.im/8resp7> O tradicional observatório de Campinas disponibiliza no site inúmeras informações sobre conteúdo astronômico.

3.1 A Linha Internacional de Data O 0º do meridiano central denominado meridiano de Greenwich é o parâmetro de horários do planeta. Em seu lado oposto, onde se encontram os 180º de longitude leste com os 180º de longitude oeste, o meridiano recebe o nome de antimeridiano, bem próximo à Linha Internacional de Data. É a partir desse ponto que se conta um novo dia na Terra. Na teoria, as linhas de fuso são definições geométricas (360° divididos por 24 horas). Esses fusos teóricos não levam em consideração as consequências cotidianas de sua real implementação, ou seja, em que parte do planeta, do território, da cidade irá ocorrer a mudança de horário. Imagine se a mudança de fuso ocorresse no centro de uma cidade: uma rua poderia ser dividida, tendo uma hora de diferença em cada lado. Isso geraria vários problemas administrativos, políticos, comerciais e financeiros, atrapalhando demasiadamente o desenrolar da vida cotidiana e, por conseguinte, o exercício de nossa cidadania. Para evitar tais transtornos, vários países adotam os chamados fusos horários práticos – definições políticas que geralmente “deslocam” as linhas de fuso para áreas de fronteiras (internas ou externas) ou para lugares em que não há habitação humana. Observe o mapa abaixo.

0 3

11

9

0

7

Reykjavik

60˚

6

10

Subtrair 24 horas

8

Somar 24 horas

30˚

Para oeste em toda a linha de Data

12 Equador

12¾

NOVA ZELÂNDIA

23:00 24:00 00:00

+11 +12 –12

Linha Internacional de Data

13

OCEANO PACÍFICO

Cidade do México

Beijing Cairo Riad 2 3

POLINÉSIA FRANCESA 10

3

Luanda

Lima Brasília

Ilhas Pitcairn

6

3

Ilhas Falkland (Ilhas Malvinas)

1:00

2:00

3:00

4:00

5:00

6:00

7:00

8:00

9:00

10:00

–11

–10

–9

–8

–7

–6

–5

–4

–3

–2

Tempo Universal Coordenado (UTC) anteriormente Tempo médio de Greenwich (GMT) (o número indica hora padrão na zona quando é 12, UTC) 11:00

12:00

13:00

+1 –1 0 OESTE LESTE

Subtraia o número do fuso horário do horário local para obter UTC*. *UTC: Tempo Universal Coordenado (iniciais em inglês)

Linha Internacional de Data

Linha de fuso prático

Capital do país

Cidade

OCEANO PACÍFICO

Hong Kong Manila

10

9

11

12

Jacarta

Subtrair 24 horas Somar 24 horas

Para oeste em toda a linha de Data

Havaí 10 10

9½ POLINÉSIA FRANCESA

13

10

10½

Melbourne

5

10

11½ Sydney

12

Ilhas Fiji

OCEANO ÍNDICO

3

Cidade do Cabo

Buenos Aires

Tóquio

5

2 Maputo

Seul

Ilhas Maldivas

Nairóbi

4

8

5¾ Nova Délhi 5½ 5½

Adis-Abeba

Bogotá 5

4

3

Niamei

Dacar

Georgetown

Bucareste

1 0

10 Ilhas Aleutas Para leste em toda a linha de Data

10

Teerã 4½ 5 3½

9 Anchorage

9

8

Astana

I. da Madeira Argel ls. Canárias Trípoli Verde

10

Madri

1 Açores

Anadyr

11

9

6

Berlim

Paris

OCEANO ATLÂNTICO Cabo

Arquipélago de Galápagos

12

10

12

Ilhas 11½ Fiji 30˚

45˚

6

Los Angeles

10

7 5

3 Moscou

Londres

3½ Ottawa 3 Nova York 5 Washington, D.C.

Havaí

15˚

15˚

4

7

3

NOVA ZEMLYA

5

Vancouver

Il h a s A l e u t a s Para leste em toda a linha de Data 45˚

1

Linha Internacional de Data

4

75˚

Meridiano de Greenwich

172,5˚ 172,5˚ 157,5˚ 142,5˚ 127,5˚ 112,5˚ 97,5˚ 82,5˚ 67,5˚ 52,5˚ 37,5˚ 22,5˚ 7,5˚ 0 7,5˚ 22,5˚ 37,5˚ 52,5˚ 67,5˚ 82,5˚ 97,5˚ 112,5˚ 127,5˚ 142,5˚ 157,5˚ 172,5˚ 172,5˚ 157,5˚ 142,5˚ 75˚ 90˚ 45˚ 15˚ 30˚ 75˚ 45˚ 60˚ 105˚ 120˚ 135˚ 150˚ 165˚ 180˚ 165˚ 150˚ 135˚ 30˚ 15˚ 90˚ 60˚ 165˚ 180˚ 165˚ 150˚ 135˚ 120˚ 105˚

C. Takachi

Fusos horários práticos

12¾ NOVA ZELÂNDIA

5 14:00

15:00

16:00

17:00

18:00

19:00

20:00

21:00

22:00

23:00

24:00 00:00

1:00

2:00

3:00

+2

+3

+4

+5

+6

+7

+8

+9

+10

+11

+12 –12

–11

–10

–9

Some o número do fuso horário para UTC para obter a hora local.

Horário fracionado em meia hora 0

2 860

Fonte: Elaborado com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 35. (Adaptado)

76

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5/23/16 11:36 AM


3.2 Os fusos horários no Brasil A extensão longitudinal brasileira reflete bastante as diferenças de horário. Até 2008, o Brasil contava com quatro fusos horários, atrasados, respectivamente, dois, três, quatro e cinco horas em relação ao meridiano de Greenwich. Em 2008, o Brasil passou a ter três fusos, pois os estados de Amazonas, Acre e Rondônia tiveram seus territórios incluídos no terceiro fuso brasileiro. No entanto, por meio de um referendo em 2011, a população acriana revogou essa decisão e o estado voltou a constar no quarto fuso a partir de 2013. Treze municípios do extremo oeste do estado do Amazonas que ficam no mesmo fuso podem escolher qual fuso horário usar, se o terceiro ou o quarto fuso. Portanto, atualmente o Brasil conta com quatro fusos horários: • 1º fuso: duas horas atrasado em relação a Greenwich, abrange apenas algumas ilhas oceânicas como Fernando de Noronha, Trindade e Penedos de São Pedro e São Paulo (uma hora adiantado em relação a Brasília); • 2º fuso: três horas atrasado em relação a Greenwich, abrange os estados das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além do Distrito Federal, Tocantins, Goiás, Pará e Amapá. É o fuso do horário oficial do Brasil; • 3º fuso: quatro horas atrasado em relação a Greenwich, abrange o Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (uma hora atrasado em relação a Brasília); • 4º fuso: cinco horas atrasado em relação a Greenwich, inclui o Acre e treze municípios do estado do Amazonas que podem escolher qual fuso horário usar (duas horas atrasado em relação a Brasília).

Allmaps

Fusos horários no Brasil 60º O

70º O

50º O

RR

40º O

30º O

Arquipélago de São Paulo e São Pedro

AP

Equador

PA

AM

Atol das Rocas

CE

MA

RN

Arquipélago Fernando de Noronha

PB

PI PE

AC

AL SE

TO

RO

BA

MT

10º S

No mapa ao lado, temos o fuso real a partir da localização exata dos meridianos e a hora legal, representada nas cores. Tanto no Brasil como em outros países utiliza-se uma adaptação para o chamado “horário oficial.” Essa medida é para evitar que um mesmo estado ou município tenha dois horários distintos, o que seria motivo de bastante confusão para organizar o cotidiano da sociedade e do cidadão. Portanto, o que vale oficialmente é a hora legal e não a real.

OCEANO ATLÂNTICO

DF GO

MG ES

Arquipélago de Abrolhos

MS SP

20º S Ilha de Trindade Ilha de Martim Vaz Trópic o de C apricó rnio

RJ

PR SC

OCEANO PACÍFICO

RS

0

– 5 horas

– 4 horas

– 3 horas

410

– 2 horas

30º S

Fonte: IBGE 7 a 12. Disponível em: <http://7a12.ibge.gov.br/images/7a12/ mapas/Brasil/brasil_fusos_horarios.pdf>. Acesso em: 2 out. 2015.

77

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5/19/16 9:37 PM


Com o intuito de economizar energia, no verão, alguns países adotam o chamado horário de verão. O Brasil é um deles. Por seu território abarcar ampla extensão latitudinal, o país tem diferentes condições de luminosidade ao longo do ano. No verão, o dia tem maior período de iluminação. Por isso, o governo federal, a partir de estudos do Ministério das Minas e Energia, adota a política de se adiantar uma hora os relógios de vários estados brasileiros, com o objetivo de aproveitar a luz natural, não sobrecarregar o sistema elétrico em horários de pico e economizar energia elétrica. No mapa ao lado, observa-se Brasil: horário de verão que há estados que não adotam 50° O o horário de verão, pois estão localizados em latitudes que lhes RR AP possibilitam amplas condições de Equador 0° luminosidade natural durante todo o ano. Mas essa também é uma AM PA CE decisão política, que pode alterar RN MA PB PI o mapa abaixo. Mesmo com racioPE AC AL namento de energia, o horário de TO SE RO verão pode ser implantado em esBA MT tados localizados nas proximidades DF OCEANO da linha do equador. ATLÂNTICO

C. Takachi

3.2.1 Horário de verão

GO

OCEANO PACÍFICO

MG

Estados onde entra em vigor

Horário de verão no Brasil: economia de até 5% do consumo de energia no país nos horários de pico.

ES

MS SP

Estados sem alteração

RJ

Trópico de Capricórnio

PR

Período de duração início

terceiro domingo de outubro do ano

término

terceiro domingo de fevereiro do ano subsequente

SC RS 0

535

Fonte: MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Disponível em: <http://www.mme.gov.br/web/guest/ destaques-do-setor-de-energia/horario-brasileiro-de-verao/per>. Acesso em: 5 out. 2015.

ESCREVA NO CADERNO

Interagindo

Fusos horários no Brasil durante o horário de verão 50° O

RR

Arquipélago de São Pedro e São Paulo 0° Arquipélago de Atol das Rocas Fernando de Noronha

AP

Equador

Renato Bassani

Observe no mapa ao lado a divisão dos fusos horários no Brasil no período em que alguns estados adotam o horário de verão. Repare as diferenças de horário dos estados em relação a Brasília que, por ser a capital, representa o horário oficial do país. A seguir, compare com o mapa da página 77 e converse com seus colegas sobre as diferenças e permanências dos fusos horários.

PA

AM

CE

MA

RN PB

PI AC

PE

TO

AL SE

RO MT

BA

OCEANO ATLÂNTICO

DF GO BRASÍLIA

OCEANO PACÍFICO

Arquipélago de Abrolhos

MG

MS SP

órnio Trópico de Capric

ES RJ

Ilha de Trindade Ilha de Martim Vaz

PR SC RS

Fonte: OBSERVATÓRIO NACIONAL. Mapa com horário de verão 2015/2016. Disponível em: <http://pcdsh01.on.br/FusoBR_HVCorrente.htm>. Acesso em: 6 jan. 2015.

0

605

-5 horas

Capital do país -4 horas

-3 horas

-2 horas

78

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5/19/16 9:37 PM


4. Comunicação cartográfica A cartografia é um conjunto de técnicas e conhecimentos científicos que resultam na representação do espaço por meio de mapas, cartas, croquis, esboços etc. Podemos conhecer as ocorrências e as consequências de vários fenômenos naturais e antrópicos em diversas porções territoriais. O mapeamento de um território é um sistema de coleta e registro de informações que resulta, portanto, no conhecimento do território. Quase todos os lugares onde vivemos já estão mapeados, isto é, são ocupados e têm características conhecidas por um número cada vez maior de pessoas, que trocam produtos e informações entre lugares distintos e distantes, de maneira cada vez mais rápida.

4.1 As projeções cartográficas

Projeção de Mercator

Equador

Meridiano de Greenwich

• Projeções conformes: conservam as formas terrestres em detrimento de suas áreas. Um exemplo é a projeção de Mercator (séc. XVI), utilizada na época das Grandes Navegações. As áreas do hemisfério norte aparecem bem maiores do que as do hemisfério sul. Nessa projeção, que é construída de forma cilíndrica, quanto mais próximo dos polos, mais as áreas sofrem distorção. Observe, no mapa ao lado, como é pensada a projeção cilíndrica. Tal projeção fazia a Europa parecer bem maior do que realmente é. O mesmo ocorre com a Groenlândia. Observe o mapa-múndi na projeção de Mercator, uma das mais difundidas.

C. Takachi

Projeções cartográficas representam visões do mundo e podem expressar estratégias e objetivos políticos, militares e econômicos, entre outros. Todo mapa apresenta distorções da realidade retratada, uma vez que se representa no plano uma realidade em terreno curvo. O objetivo principal de um mapa é fazer a representação do espaço; para isso, é necessário selecionar as informações para facilitar seu manuseio. Existem várias possibilidades de se projetar a realidade do terreno no plano bidimensional do papel. Veja algumas das projeções mais conhecidas.

0

7 435

• Projeções equivalentes: mantêm as áreas idênticas, porém distorcem as formas, como a projeção de Mollweide (séc. XIX). Veja esta projeção.

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 21, 23.

C. Takachi

C. Takachi

Projeção de Mollweide

er idi an o

de

Gr

ee n

w ic

h

Equador

M

0

3 715

Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 13.

79

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Projeção azimutal equidistante

or

Meridiano de Greenwich

Eq ua d

C. Takachi

• Projeções equidistantes: distorcem as áreas e as formas terrestres; entretanto, mantêm com precisão as direções e as distâncias a partir do centro de projeção.

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 23.

C. Takachi

Projeção cônica

ua do r

C. T akac

hi

• Projeções cônicas: utilizadas para representar áreas próximas com o máximo de precisão de localização. São geralmente empregadas em momentos de conflitos localizados.

Meridiano de Greenwich

Eq

Projeção de Peters 0°

Equador

0

5 335

Meridiano de Greenwich

• Projeção de Peters: no século XX, o cartógrafo alemão Arno Peters (1916-2002) elaborou um mapa do mundo em que priorizou as áreas dos países, mudando bastante as formas nas quais estamos habituados a vê-los hoje em dia. Essa representação cartográfica foi vista como a forma terceiro-mundista de projetar o globo. Seu intuito era comprovar que as projeções carregam forte influência ideológica.

C. Takachi

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 21

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 21.

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Ler

ESCREVA NO CADERNO

Interagindo

Os mapas podem expressar o pensamento de uma cultura e a sua forma de se apresentar ao mundo. O que você acha de usar um mapa que tome o Brasil como referência para representar o mundo? • Explore a imagem a seguir e discorra sobre a experiência de observar o Brasil na posição exposta no mapa.

C. Takachi

Brasil no centro do mapa-múndi

0

A cartografia, de Fernand Joly. 15. ed. São Paulo: Papirus, 2014. Esse livro aborda assuntos básicos da cartografia, como coordenadas geográficas, representação da Terra, escala e projeções cartográficas com base no princípio de que a cartografia é a arte de produzir e interpretar mapas.

3 540

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 24.

Pode-se construir mapas segundo temas escolhidos para serem representados de diferentes formas, em diferentes projeções, conforme os interesses envolvidos. A cartografia topográfica visa à representação detalhada da superfície terrestre. Segundo o cartógrafo Fernand Joly, ela compreende as coordenadas geográficas, a hidrografia, a representação do terreno em curvas de nível, a infraestrutura, a toponímia detalhada, a cobertura vegetal, legendas e escala. Os mapas ou cartas topográficas valem-se de escalas entre 1:10 000 e 1:100 000. O guia de ruas de uma grande cidade traz informações precisas de localização utilizando como base as construções humanas e desprezando as formas de relevo. Veja um exemplo a seguir. Av. C ara

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135

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R. C láEscola udio de noel ArquiteturaM- aUFMG

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Escola de Arquitetura - UFMG

R. R io Gra

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R. Pe

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C. Takachi

R. Ala goas

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135

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il

il

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.B Av

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Palácio da Liberdade

Aleix

il

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Av. Brasil Praça da Liberdade Palácio da Liberdade Av. Brasil

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o Pin Av. J oã

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Bahia R. da

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Bahia R. da

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Paróquia R. Aim Nossa Senhora orés da Boa Viagem

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Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem

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R. Aim

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goas

Guia de ruas

Man

oel

Ponto de ônibus Estabelecimento de ensino Instituição cultural Ponto de ônibus Igreja Estabelecimento de ensino Praça Instituição cultural Igreja

Fonte:Praça GUIA MAIS. Disponível em: <mapas. guiamais.com.br>. Acesso em: 2 out. 2015.

81

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Na cartografia temática, os mapas são produzidos com base na seleção de informações sobre os mais variados temas de interesse do usuário. Como não se pode colocar em um só mapa todas as dimensões do espaço geográfico, o mapa temático possibilita a representação individualizada dos fenômenos espaciais. Com base na carta topográfica, a cartografia temática tem por objetivo fornecer, com o auxílio de símbolos, a representação de fenômenos localizáveis de qualquer natureza e suas correlações. Assim, é possível mapear assuntos históricos, econômicos, políticos e culturais. Veja um exemplo de mapa temático a seguir.

OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico

C. Takachi

Taxa de urbanização

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

População urbana (% por país)

Equador

90-100

OCEANO ÍNDICO

75-89,9 60-74,9

30-49,8 0-29,9 Dados não disponíveis

Trópico de Capricórnio Meridiano de Greenwich

49,9-59,9

0

1 955

Fonte: WORLD Watch: a dynamic visual guide packed with fascinating facts about the world. 2. ed. Hong Kong: Harper Collins; Publishers, 2012. p. 16-17.

4.2 Escalas Novos rumos da cartografia escolar, de Rosângela Doin de Almeida (Org.). São Paulo: Contexto, 2011. Coletânea de textos de especialistas na área de cartografia que traz reflexões sobre a utilização dessa ferramenta no ensino de Geografia.

Usa-se a escala para representar graficamente as dimensões correspondentes à realidade espacial. Reduz-se de forma proporcional todos os componentes da área a ser representada. As medidas da superfície terrestre que ultrapassam 100 km exigem que se leve em consideração a forma da Terra, sua curvatura. Para isso, é utilizado um sistema de projeções cartográficas. A maior escala possível é a de 1:1 (se diz 1 para 1), ou seja, a reprodução do objeto em tamanho natural. A proporção de redução da área a ser representada depende dos objetivos da representação. Quanto maior a redução, menor a escala e, portanto, mais detalhes se perdem. Imagine quantas vezes o mapa-múndi foi reduzido proporcionalmente para caber no espaço de uma página de livro! A planta da construção de uma casa é uma representação numa escala grande. A área do terreno é dividida poucas vezes. Assim, uma escala de 1:100 (um para cem) é dez vezes maior do que uma escala de 1:1 000 (um para mil). A escala pode aparecer no mapa sob duas formas de expressão: a numérica, por exemplo, 1:1 000 000 (um para um milhão), e a gráfica. Veja o exemplo abaixo.

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Editoria de arte

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Os dois exemplos citados representam a mesma proporção: 1 cm no mapa equivale a 10 km no terreno. Para descobrirmos a distância entre duas localidades representadas num mapa cuja escala é de 1:1 000 000, basta medirmos com uma régua a distância entre dois pontos no mapa. Sabendo-se que 1 km é formado por 100 000 cm, dividem-se 1 000 000 de centímetros pela distância, também em centímetros, entre os dois pontos. É essencial que a unidade de medida seja a mesma. No caso, foi utilizado o centímetro como unidade de medida. Assim, chega-se à distância em centímetros entre os dois pontos. Pode-se, então, transformar a distância em metros ou mesmo em quilômetros, para facilitar o entendimento de suas dimensões. Normalmente, a escala numérica é dada em centímetros e a gráfica, em quilômetros. ESCREVA NO CADERNO

Conversando com a... Matemática!

Escala é uma dimensão utilizada para representar no papel a realidade do terreno. É praticamente impossível termos uma escala de 1:1, pois, nesse caso, o papel teria de ter exatamente o tamanho da realidade representada. Existem muitas possibilidades de conversão em escala. Uma forma de treinamento de compreensão da escala é por meio do próprio passo. Tomemos como exemplo sua escola. Contorne-a contando quantos passos você utiliza para isso. • Agora converta seus passos em metros e calcule a área de sua escola.

Editoria de Arte

˝100 passos˝

Anamorfose A anamorfose é um recurso cartográfico que, ao optar pela intensidade da representação em detrimento do real tamanho de países e continentes, promove uma distorção destes. Veja o mapa a seguir.

Sonia Vaz

Recursos hídricos por país (2012)

O mapa mostra a disponibilidade hídrica por país e não a proporcionalidade hídrica per capita. Fonte: UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME (UNEP). Moscou: GRID-Arendal, 2012. Disponível em: <http://grida.no/prog/global/ cgiar/awpack/morph.htm>. Acesso em: 2 out. 2015.

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5. Tecnologia e informações geográficas Navegar Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais <http://tub.im/beywtn> Informações sobre projetos espaciais, monitoramento feito por satélites, previsão do tempo, entre outras.

É cada vez mais frequente em todo o mundo o uso de satélites no mapeamento territorial. Eles geram imagens da superfície terrestre, que podem ser tratadas, atualizadas, combinadas ou sobrepostas a mapas em computadores. Tal tecnologia permite um conhecimento mais profundo e dinâmico do território. Uma vez digitalizadas, as informações podem ser transmitidas mais rapidamente para qualquer ponto do planeta que esteja conectado à mesma rede de computadores. Assim, o fluxo de informações sobre o território torna-se mais intenso e veloz, podendo ser acessado por um número maior de pessoas, dentro ou fora do território. Apenas alguns países dominam a tecnologia dos satélites. Assim, valiosas informações sobre os mais variados países são dominadas por poucas empresas e governos. No Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), localizado em São José dos Campos, em São Paulo, utiliza os Sistemas Orbitais de Monitoramento e Gestão Territorial, por meio dos quais desenvolve estudos e pesquisas utilizando imagens de satélites para obter dados e informações sobre a superfície, os ecossistemas e as paisagens do território brasileiro. Observe um exemplo na imagem a seguir. Tecnicamente, as imagens de satélite dão suporte para a geração de informações mais precisas sobre os lugares. CPTEC/INPE

Ver

Filme de Barry Sonnenfeld. MIB – Homens de Preto. EUA. 1997

MIB – Homens de preto. Direção: Barry Sonnenfeld. Estados Unidos, 1997. Durante a segunda metade do século XX, alienígenas se refugiam no planeta Terra. O governo estadunidense cria uma secretaria secreta para protegê-los e, assim, preservar a ordem no cosmos. Seus agentes vestem-se de preto e utilizam tecnologias sofisticadas de informação. Usam poderosos satélites para monitorar e proteger o planeta de um eventual plano alienígena de destruição. Vale a pena verificar a geração e o uso dos sistemas de informação geográfica de alta tecnologia e suas possibilidades de mapear e monitorar via satélite cada fração dos territórios nacionais.

Imagem de satélite mostra o deslocamento de massas de ar na América do Sul, no dia 10 de março de 2016.

As imagens são geradas por sensoriamento remoto, ou seja, por meio de sensores colocados nos satélites que captam e emitem sinais para as estações receptoras, as quais gravam e armazenam os dados. Os usos dessa tecnologia dependem dos interesses de quem controla os satélites e todo o processo técnico de geração das imagens. Seus tratamentos e interpretações fazem parte de um processo político, pois envolvem decisões e usos específicos.

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Navegar Datenform <http://tub.im/ki8z7y> Arte digital “MAP”, de Aram Bartholl. O artista procura imprecisões no sistema de localização e faz uma intervenção colocando um marcador igual ao original no local equivocadamente indicado.

Fotos: Centcom/Getty Images News/ Getty Images

A técnica de sensoriamento remoto, surgida nas décadas de 1960 e 1970, passou por acelerado processo de desenvolvimento. Na década de 1970, a cartografia computadorizada passou por um boom, houve imensos avanços no desenvolvimento de programas de computação gráfica e da performance dos hardwares. Nas décadas seguintes, intensificaram-se os avanços tecnológicos dos Sistemas de Informação Geográfica (SIGs). Leia o boxe sobre o uso de satélites para capturar imagens da Terra. Logo a seguir, analise o infográfico sobre o funcionamento do GPS.

As imagens de satélite também possuem caráter estratégico durante conflitos. Veja, nas imagens ao lado, área no Iraque antes e depois de ataque aéreo feito a partir do Centcom (Comando Central dos Estados Unidos), em 2003.

Enfoque

ESCREVA NO CADERNO

A produção das imagens de satélite [...] Nesse período técnico-científico e informacional [...] nascem os computadores e, mais tarde, os satélites artificiais. O acelerado avanço técnico dos primeiros (velocidade de processamento, capacidade de memória e armazenamento de dados, miniaturização de componentes, desenvolvimento de aplicativos etc.) e a sucessão de famílias de satélites de observação da Terra para o uso civil a partir dos anos 1970 combinam-se para permitir a produção de um conhecimento digital de qualquer compartimento do espaço geográfico ou natural. [...] Trata-se da apreensão [pelos satélites] de um aspecto da paisagem, que será retratada com maior ou menor precisão, detalhamento (resolução espacial), repetitividade (resolução temporal) e resposta espectral. A média da radiação eletromagnética refletida ou emitida por uma determinada área da superfície terrestre [que] corresponde a um pixel (um ponto na imagem), converte-se num valor numérico [...]. Ao final dessa etapa, temos uma imagem-em-potencial, que nada mais é do que uma justaposição de números, geometricamente correspondente a uma fração da superfície [da Terra] (cena). Essa informação digital é transmitida por sinais a uma estação receptora em terra. [...] o tratamento da imagem [é feito] em ambientes gráficos e programas especializados de computador. [...] [...] Uma imagem de satélite tratada é, portanto, uma escolha entre muitas possíveis. A imagem digital permite inúmeras formas de tratamento, combinações e integrações [...]. Por último, a dimensão semântica [a interpretação] é aquela que confere significação, que dá sentido ao conjunto de dados coletados e tratados [...]. CASTILLO, Ricardo. A imagem de satélite: do técnico ao político na construção do conhecimento geográfico. Pró-Posições, Campinas: Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, v. 20, n. 3 (60), set./dez. 2009. p. 63-64. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/pp/v20n3/v20n3a05>. Acesso em: 5 out. 2015.

1. Qual é a diferença entre imagem de satélite e mapa? 2. A escolha de projeções cartográficas e de técnicas de representação pode incidir em erros, imprecisões ou revelar conteúdos ideológicos nos mapas. Isso também pode ocorrer na produção de imagens de satélite? Selecione um trecho do texto acima para embasar sua resposta.

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Como o GPS funciona O GPS, sigla em inglês para Sistema de Posicionamento Global, é uma rede de satélites e antenas de transmissão chamada Navstar, capaz de demarcar a posição geográfica de qualquer receptor em solo terrestre. Criado para fins militares, o sistema ficou totalmente funcional em 1996, sendo operado pelo Departamento de Defesa do governo dos EUA, e é de livre acesso para qualquer portador de um receptor.

VALE DA MORTE

No Vale da Morte (estado da Califórnia, Estados Unidos), o sistema apresenta baixa confiabilidade por razões desconhecidas. São dezenas de registros de pessoas que se perderam, morreram ou desapareceram no local devido a falhas na recepção do sinal e na triangulação da posição.

AFP/Getty Images

PENTÁGONO

Universal Images Group/Getty Images

Embaixo à esquerda: Parque Nacional do Vale da Morte no estado da Califórnia, Estados Unidos, 2013. Embaixo à direita: Prédio do Pentágono em Washington, Estados Unidos, 2011.

O sistema Navstar conta com uma rede de 28 satélites (24 em operação constante e quatro na reserva). Ele está organizado para que, a qualquer hora e em qualquer ponto do planeta, um receptor possa ter acesso a no mínimo quatro satélites.

O sistema opera por meio de ondas de rádio de alta frequência e baixa intensidade, por isso é sujeito a interferências, como tempestades solares e ações humanas. Ainda que seja bastante confiável, a força aérea estadunidense utiliza seu próprio sistema de navegação, por exemplo.

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Elen/Alamy/Latinstock

Catedral de Basílio na Praça Vermelha, em Moscou, Rússia, 2013.

O sistema foi desenvolvido a partir de necessidades militares durante a Guerra Fria, porém, de acordo com o órgão estadunidense responsável, ele não é usado para rastrear e registrar a posição dos usuários para fins de vigilância, já que os satélites funcionam apenas como antigos faróis de luz. Eles simplesmente sinalizam ao receptor qual a distância entre eles. Entretanto, é de conhecimento geral o uso de satélites que cumprem a função de vigilância.

MOSCOU BELÉM

1 597,55 km

GOIÂNIA

178,07 km

BRASÍLIA

873,27 km

SÃO PAULO

O mapa não está em conformidade com as convenções cartográficas.

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Outros países também possuem seus próprios sistemas de posicionamento, também utilizados para fins civis e militares, como a Glonass da Rússia, o IRNSS da Índia, o Beidou da China e o Galileo da União Europeia. Os dois últimos ainda estão em fase de implementação.

Atividade • Os usos das tecnologias digitais de localização podem contribuir para a melhoria da vida em diversos lugares. Mas também podem ser utilizadas para a destruição. Como você explica isso? ESCREVA NO

Crédito do infográfico: Casa Paulistana

Cidade Proibida em Pequim, China, 2013.

Peter Adams/JAI/Corbis/Latinstock

PEQUIM

Quando um receptor é ligado, ele emite um sinal que será capturado por, ao menos, três satélites. A triangulação consiste em dizer ao receptor a qual distância ele está de cada um dos satélites. Quanto mais sinais de satélites um receptor puder receber, maior será a precisão da localização. Se você estiver em um raio de 1 597,55 km da cidade de Belém, no Pará, essa informação não é muito útil para você se localizar. Entretanto, o GPS traça uma intersecção entre os raios das distâncias de referência. Assim, ele sabe que você também está a 873,27 km da cidade de São Paulo e a 178,07 km de Goiânia. Portanto, só pode estar em Brasília.

CADERNO

O uso das tecnologias digitais de localização pode ocorrer em guerras, com a destruição de prédios, cidades e vilas, como aconteceu nas guerras do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003).

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5.1 Mapeamento e serviços de localização

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A utilização conjunta de conhecimentos e técnicas, como o mapeamento por imagens de satélites e os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs), aliados à popularização de serviços de localização disponibilizados em aplicativos de trânsito instaláveis em smartphones ampliou imensamente o uso cotidiano de mapas. Além de mostrar a localização de pontos fixos, como ruas e avenidas, os mapas desses aplicativos são dinâmicos, interativos e colaborativos. Esses programas coletam dados enviados pelo GPS instalado nos aparelhos dos usuários e identificam, por exemplo, a velocidade média de veículos numa determinada via e também publicam informações fornecidas pelas pessoas, como alertas de acidentes e congestionamentos. Com base nessas informações, o aplicativo informa as condições do trânsito em tempo real, sugerindo rotas alternativas. Observe na imagem abaixo que, ao mapear as condições de trânsito em vias de uma cidade em tempo real, os aplicativos de trânsito permitem aos usuários optar por diferentes caminhos e rotas, facilitando o deslocamento das pessoas nas cidades.

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Ilustração que representa a tela de um aplicativo de navegação e trânsito, mostrando bairros da cidade de Salvador (BA), 2016.

Pessoas que circulam pela cidade com o GPS do smartphone ou tablet ligado podem ter registrados em seus aparelhos os lugares por onde passam e os trajetos feitos. Sendo assim, quando o usuário está com seu aparelho conectado a uma rede social, pode-se permitir que o programa comunique à respectiva rede sua localização. Desta forma, é possível, com base nesses registros de localizações, a construção de um mapa que trace rotas de deslocamento e lugares visitados pelo usuário durante um determinado tempo. O mapa a seguir representa os deslocamentos feitos e os locais visitados por uma pessoa ao longo de um dia, que foram registrados pelo GPS instalado em seu celular.

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Veetmano Prem/Fotoarena

Muitos outros serviços também são possibilitados por meio da utilização da tecnologia do GPS e SIGs, por exemplo o rastreamento de celulares roubados, a identificação e o aviso da existência de radares nas vias, instalados com o objetivo de registrar a velocidade dos veículos automotores, o auxílio a pessoas com deficiência a ter mais autonomia em seus deslocamentos pelo uso de aplicativos que indicam o local e o horário de passagem de ônibus adaptado, entre outros. Um exemplo disso pode ser visto em São Carlos, no interior de São Paulo, onde um aplicativo auxilia pessoas com deficiência visual a utilizar o transporte coletivo. O aplicativo conecta os pontos de ônibus, os veículos em movimento e os passageiros. As informações sobre os deslocamentos de ônibus urbanos chegam às pessoas com deficiência visual por meio de mensagem de voz que informa o momento em que o ônibus se aproxima do ponto de parada. Já no ônibus, o passageiro pode indicar ao motorista o local em que irá descer por meio do aplicativo, que aciona um alarme. Esse sistema também avisa o motorista do ônibus que há passageiros com deficiência visual aguardando para o embarque.

Jales Valques/Fotoarena

Croqui da rota percorrida por uma pessoa em Recife (PE), em 2016, registrada por um aplicativo de localização.

Pessoa com deficiência física utiliza aplicativo de acessibilidade que facilita o uso de transporte público em São Paulo (SP), 2016.

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando

1. Releia o item “A Terra no espaço” e elabore uma definição para os termos rotação e translação. 2. Qual a importância da existência dos fusos horários e da Linha Internacional de Data? Eles sempre existiram? 3. Observe o mapa abaixo e responda, em seu caderno, ao que se pede.

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OCEANO PACÍFICO

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Horário fracionado em meia hora

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180°

180°

Linha Internacional de Data Linha de fuso prático

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 35.

Quando for 12 h em Anadyr, na Rússia (A), que horas serão: a) No local B? b) No local C? c) No local D? d) No local E? e) No local F? f) No local G? g) Em São Paulo? h) Em Rio Branco? i) Em Pretória, na África do Sul? j) Em Londres, na Inglaterra? 4. Podemos nos localizar em mapas sem escalas? Como?

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Olhar cartográfico Observe o mapa abaixo e responda às questões a seguir. Allmaps

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Equador

3 380

Meridiano de Greenwich

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 24.

1. Liste as principais diferenças e semelhanças entre esse mapa e os ilustrados nos capítulos desta unidade. 2. Qual a projeção utilizada no mapa acima? Em sua opinião, qual foi a intenção ao elaborar esse mapa? Há algo errado nele? Justifique.

Atividade em grupo As imagens mostram a Amazônia em diferentes escalas de zoom. Vocês podem também utilizar programas digitais de localização gratuitamente disponíveis na internet e exercitar as observações em diferentes escalas de zoom. Se possível, acessem tais programas ao fazer estes exercícios. © Google Earth 2016

Imagem 2

Confluência dos rios Negro e Amazonas, 2016.

Imagem 3 © Google Earth 2016

2. Com base nas informações obtidas nas imagens e em seus conhecimentos, indiquem qual delas vocês acreditam estar em maior escala e qual vocês acreditam estar em menor escala. Construam um argumento para justificar as respostas com base nas informações obtidas nas imagens e na unidade estudada.

Imagem 1 Images by Reto Stockli, NASA’s Earth Observatory Group, using data provided by the MODIS Land Science Team.

1. Comparem o nível de detalhamento de cada uma das imagens e listem os elementos que desaparecem ou surgem conforme a escala de zoom escolhida.

América do Sul, 2016.

Manaus (AM), 2016.

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO De olho na mídia TEXTO 1

Leia o texto abaixo e, a seguir, reflita com seus colegas sobre as questões sugeridas. Satélites são poderosas ferramentas de estratégia militar As imagens captadas por satélites são informações estratégicas preciosas, que se tornam cada vez mais imprescindíveis nas operações de defesa internacionais, bem como nas decisões táticas da guerra moderna. É tal a dependência, que esses artefatos passaram a ser conhecidos como os olhos e ouvidos da inteligência militar. Se já é grande a capacidade de resolução dos satélites comerciais, que observam o dia a dia das cidades, o rastreamento efetuado por um satélite militar de uso exclusivo do Pentágono (o ministério da Defesa norte-americano) pode atingir impressionante visualização, fornecendo localizações geográficas para mísseis e bombas e dando suporte a todas as ações militares. Sem os satélites, seria impossível manter conectadas todas as forças bélicas. Aviões, submarinos, navios e tanques só se comunicam porque os satélites funcionam como antenas, captando e retransmitindo informações traduzidas por impulsos elétricos. [...]

cortesia www.engesat.com.br

Como os satélites foram utilizados no Afeganistão A caçada a Osama bin Laden e seus seguidores da Al Qaeda, no Afeganistão, foi feita por uma constelação de satélites militares e comerciais. Assim como o acompanhamento das tropas das forças de países que apoiavam o Talibã, como o Iraque, o Irã e o Paquistão, foram monitoradas pela inteligência militar dos EUA por meio de satélites de espionagem. Apesar de seus próprios satélites serem capazes de obter imagens muito precisas, o Departamento de Defesa norte-americano adquiriu direitos exclusivos de imagens feitas por satélites comerciais do território do Afeganistão. O objetivo era obter uma visão completa do território afegão e impedir que qualquer outro país ou veículo de imprensa tivesse acesso às imagens da zona de conflito. Segundo a Agência Estado, foi firmado um contrato com a empresa Space Imaging Inc., com sede em Denver, da ordem de milhões de dólares, para o fornecimento de imagens feitas pelo satélite comercial Ikonos, contratado com exclusividade. Um executivo da empresa afirmou que os EUA pagaram não apenas pelos direitos exclusivos, mas pelo tempo que o satélite esteve sobre a área de conflito, o que impede que qualquer pessoa possa ter acesso a essas fotos. As melhores imagens feitas pelo satélite Ikonos têm precisão de um metro, o que significa que se pode distinguir objetos com essa dimensão máxima. O satélite opera a 680 km de altura e dá uma volta ao redor da Terra em 98 minutos. As imagens geradas pelo satélite Ikonos, criado para fins civis e militares, [...] foram usadas pelos Estados Unidos para auxiliar na localização de Osama bin Laden.

SATÉLITES são poderosas ferramentas de estratégia militar. Com Ciência, Guerra e ciência, 10 jun. 2012. Disponível em: <http://www.comciencia.br/reportagens/guerra/guerra04.htm>. Acesso em: 2 out. 2015.

1. O texto afirma que as imagens de satélites são os olhos e os ouvidos da inteligência militar. Esse monitoramento pode afetar nossa vida cotidiana, os lugares em que vivemos? Explique como isso pode ocorrer.

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2. Segundo o texto, os Estados Unidos adquiriram direito exclusivo das imagens de satélites do Afeganistão, sendo o único país a ter visão completa daquele território durante a Guerra do Afeganistão. a) É correto um país utilizar satélites para ter informações exclusivas sobre o que acontece em outro território? b) Qual é a sua opinião sobre o fato de civis terem seus atos cotidianos monitorados pelo governo, por meio de imagens de satélites? E se essas imagens forem utilizadas por governos de outros países? 3. As informações dos satélites para uso militar também podem ser utilizadas para fins de vigilância nas cidades. Londres, capital inglesa, é considerada a cidade mais monitorada do mundo por instrumentos tecnológicos como satélites e câmeras. Em sua opinião, quais os aspectos positivos e negativos dessa situação?

TEXTO 2 O Brasil possui uma das bases para lançamento de satélites mais adequadas do mundo, localizada no município de Alcântara, no Maranhão. Leia o texto a seguir do editorial do jornal Diário do Comércio, de agosto de 2015, e responda às questões. Caminho sem volta Mereceu pouca ou nenhuma atenção, na realidade passou praticamente despercebido, o anúncio de que o governo brasileiro decidiu cancelar o acordo firmado com a Ucrânia em 2004 para o desenvolvimento de um programa aeroespacial conjunto. A ideia central era expandir a Base de Alcântara, no Maranhão, com a construção de uma nova torre de lançamentos a partir da qual o foguete Cyclone, a ser desenvolvido pela Ucrânia mas com troca de tecnologia, colocaria em órbita satélites comerciais valorizando a localização da base, considerada uma das mais adequadas no mundo para esse tipo de atividades. Por uma série de circunstâncias, inclusive supostas pressões de outros países interessados em preservar o monopólio dessa tecnologia, o acordo, que já deveria ter sido concluído na sua primeira fase, não avançou. O lado brasileiro cumpriu sua parte, com investimentos de aproximadamente R$ 500 milhões na preparação da base, mas o mesmo não aconteceu com os ucranianos. A contrapartida de investimentos foi postergada e o desenvolvimento do Cyclone também não acompanhou o cronograma proposto, numa situação de indefinição agravada com os conflitos com a Rússia, verdadeira detentora da tecnologia a ser aplicada e transferida nos projetos. Frustraram-se dessa forma expectativas muito relevantes, seja de acesso ao fechado mercado de colocação de satélites em órbita, seja pelo consequente aporte de tecnologia numa área altamente estratégica. A Base de Alcântara, onde a Força Aérea Brasileira realiza trabalho de excepcional qualidade pouco conhecido e pouco valorizado pelos brasileiros, seria elevada a outro patamar, o mesmo acontecendo com a ciência brasileira nesse campo, que até então esbarrava nas possibilidades concretas de transferência de tecnologia. São ideias e projetos que não podem ser abandonados. Cabe agora reforçar os programas nacionais, desenvolvidos conjuntamente com o Centro Tecnológico de Aeronáutica (CTA) e outros organismos, e buscar novos parceiros, que tanto possam utilizar as facilidades de Alcântara quanto aportar, sem restrições relevantes, tecnologia que se desdobra nas áreas de microeletrônica, informática, telecomunicações e outras. Tudo isso absolutamente vital para o país, seja por questões militares e estratégicas, de defesa, seja pelas possibilidades de fomento à indústria de ponta. Tudo isso com a convicção de que sonhar com um futuro em que o Brasil esteja alinhado com os países de ponta, seja inovador e capaz de operar indústrias de alto padrão, passa necessariamente pelo domínio e pelo acesso às tecnologias atreladas ao Programa Aeroespacial Brasileiro. CAMINHO sem volta. Diário do Comércio. Editorial, 5 ago. 2015. Disponível em: <http://diariodocomercio.com.br/noticia.php?tit=editorial&id=157773>. Acesso: 6 jan. 2016.

1. Qual a posição firmada no texto sobre a participação do Brasil em programas de desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais relacionadas ao lançamento de satélites? 2. Do ponto de vista internacional, por que é importante para o Brasil possuir tecnologia de ponta no setor aeroespacial? Por que no texto é afirmado que o país possui condição básica para isso?

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ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS ENEM

1. Portadora de memória, a paisagem ajuda a construir os sentimentos de pertencimento; ela cria uma atmosfera que convém aos momentos fortes da vida, às festas, às comemorações. CLAVAL, P. Terra dos homens: a geografia. São Paulo: Contexto, 2010 (adaptado).

No texto, é representada uma forma de integração da paisagem geográfica com a vida social. Nesse sentido, a paisagem, além de existir como forma concreta, apresenta uma dimensão a) política de apropriação efetiva do espaço. b) econômica de uso de recursos do espaço. c) privada de limitação sobre a utilização do espaço. d) natural de composição por elementos físicos do espaço. e) simbólica de relação subjetiva do indivíduo com o espaço. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem. 2. Pensando nas correntes e prestes a entrar no braço que deriva da Corrente do Golfo para o norte, lembrei-me de um vidro de café solúvel vazio. Coloquei no vidro uma nota cheia de zeros, uma bola cor rosa-choque. Anotei posição e data: latitude 49°49’ N, longitude 23°49’ W. Tampei e joguei na água. Nunca imaginei que receberia uma carta com a foto de um menino norueguês, segurando a bolinha e a estranha nota. KLINK, A. Parati: entre dois polos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. (adaptado).

No texto, o autor anota sua coordenada geográfica, que é: a) a relação que se estabelece entre as distâncias representadas no mapa e as distâncias reais da superfície cartografada. b) o registro de que os paralelos são verticais e convergem para os polos, e os meridianos são círculos imaginários, horizontais e equidistantes. c) a informação de um conjunto de linhas imaginárias que permitem localizar um ponto ou acidente geográfico na superfície terrestre. d) a latitude como distância em graus entre um ponto e o meridiano de Greenwich, e a longitude como a distância em graus entre um ponto e o equador. e) a forma de projeção cartográfica, usada para navegação, onde os meridianos e paralelos distorcem a superfície do planeta. H6

Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.

3. A poluição e outras ofensas ambientais ainda não tinham esse nome, mas já eram largamente notadas no século XIX, nas grandes cidades inglesas e continentais. E a própria chegada ao campo das estradas de ferro suscitou protestos. A reação antimaquinista, protagonizada pelos diversos luddismos, antecipa a batalha atual dos ambientalistas. Esse era, então, o combate social contra os miasmas urbanos SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2002 (adaptado).

O crescente desenvolvimento técnico-produtivo impõe modificações na paisagem e nos objetos culturais vivenciados pelas sociedades. De acordo com o texto, pode-se dizer que tais movimentos sociais emergiram e se expressaram por meio a) das ideologias conservacionistas, com milhares de adeptos no meio urbano. b) das políticas governamentais de preservação dos objetos naturais e culturais. c) das teorias sobre a necessidade de harmonização entre técnica e natureza. d) dos boicotes aos produtos das empresas exploradoras e poluentes. e) da contestação à degradação do trabalho, das tradições e da natureza. H17 Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da produção.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado anualmente, é pautado em um conjunto de competências e habilidades. A prova de Ciências Humanas e suas tecnologias, na qual se insere a Geografia, é baseada em um programa de 31 tópicos, circunscritos em cinco eixos, do qual se extraem as competências e habilidades. Cada exercício do Enem contido nesta obra vem acompanhado da respectiva habilidade (H). Muitas vezes, um exercício circunscreve-se em mais de uma; nesse caso, indicamos a principal. O quadro completo das Competências e Habilidades encontra-se nas páginas 271 e 272.

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4. “… Um operário desenrola o arame, o outro o endireita, um terceiro corta, um quarto o afia nas pontas para a colocação da cabeça do alfinete; para fazer a cabeça do alfinete requerem-se 3 ou 4 operações diferentes; …” © 1996 Thaves / Dist. by Universal Uclick

SMITH, Adam. A riqueza das nações. Investigação sobre a sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, 1985. v. 1.

Frank & Ernest, Bob Thaves

A respeito do texto e do quadrinho são feitas as seguintes afirmações: I. Ambos retratam a intensa divisão do trabalho, à qual são submetidos os operários. II. O texto refere-se à produção informatizada e o quadrinho, à produção artesanal. III. Ambos contêm a ideia de que o produto da atividade industrial não depende do conhecimento de todo o processo por parte do operário. Dentre essas afirmações, apenas a) I está correta. d) I e II estão corretas. b) II está correta. e) I e III estão corretas. c) III está correta. H20 Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho. 5. Preocupado em otimizar seus ganhos, um empresário encomendou um estudo sobre a produtividade de seus funcionários nos últimos quatro anos, entendida por ele, de forma simplificada, como a relação direta entre seu lucro anual (L) e o número de operários envolvidos na produção (n). Do estudo, resultou o gráfico abaixo. Ao procurar, no gráfico, uma relação entre seu lucro, produtividade e número de operários, o empresário concluiu que a maior produtividade ocorreu em 2002, e o maior lucro

L/n x R$ 100,00 45 40 35 30 25 20 .. .

C. Takachi

Produtividade × número de operários n 20

45 40

40

16 12

10

20 2000

2001

2002

20 18 16 14 12 10 .. .

Legenda: Produtividade (L/n) Número de operários (n)

2003

a) em 2000, indicando que, quanto maior o número de operários trabalhando, maior é o seu lucro. b) em 2001, indicando que a redução do número de operários não significa necessariamente o aumento dos lucros. c) também em 2002, indicando que lucro e produtividade mantêm uma relação direta que independe do número de operários. d) em 2003, devido à significativa redução de despesas com salários e encargos trabalhistas de seus operários. e) tanto em 2001 como em 2003, o que indica não haver relação significativa entre lucro, produtividade e número de operários. H16 Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social. 6. Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são iguais enquanto frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo o quadro, rostos calados, um ao lado do outro, em pirâmide que tende a se prolongar infinitamente, como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora. Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.

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ESCREVA NO CADERNO

Tarsila do Amaral. Operários. 1993. Óleo sobre tela. Acervo do Governo do Estado, SP. © Tarsila do Amaral Empreendimentos

EXERCÍCIOS

Fonte: Tarsila do Amaral, Operários (Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.)

O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versos transcritos em: a) “Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas.” (Vinicius de Moraes)

d) “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa)

b) “Somos muitos severinos iguais em tudo e na sina: a de abrandar estas pedras suando-se muito em cima.” (João Cabral de Melo Neto)

c) “O funcionário público não cabe no poema com seu salário de fome sua vida fechada em arquivos.”

e) “Os inocentes do Leblon Não viram o navio entrar [...] Os inocentes, definitivamente inocentes tudo ignoravam, mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam pelas costas, e aquecem.” (Carlos Drummond de Andrade)

H24

(Ferreira Gullar)

Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.

7. A primeira metade do século XX foi marcada por conflitos e processos que a inscreveram como um dos mais violentos períodos da história humana. Entre os principais fatores que estiveram na origem dos conflitos ocorridos durante a primeira metade do século XX estão a) a crise do colonialismo, a ascensão do nacionalismo e do totalitarismo. b) o enfraquecimento do império britânico, a Grande Depressão e a corrida nuclear. c) o declínio britânico, o fracasso da Liga das Nações e a Revolução Cubana. d) a corrida armamentista, o terceiro-mundismo e o expansionismo soviético. e) a Revolução Bolchevique, o imperialismo e a unificação da Alemanha. H15 Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história. 8. Atualmente, as represálias econômicas contra as empresas de informática norte-americanas continuam. A Alemanha proibiu um aplicativo dos Estados Unidos de compartilhamento de carros; na China, o governo explicou que os equipamentos e serviços de informática norte-americanos representam uma ameaça, pedindo que as empresas estatais não recorram a eles. SCHILLER, D. Disponível em: <www.diplomatique.org.br>. Acesso em: 11 nov. 2014 (adaptado).

As ações tomadas pelos países contra a espionagem revelam preocupação com o(a) a) subsídio industrial. c) protecionismo dos mercados. e) segurança dos dados. b) hegemonia cultural. d) desemprego tecnológico. H11 Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.

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9. O espaço mundial sob a “nova desordem” é um emaranhado de zonas, redes e “aglomerados”, espaços hegemônicos e contra-hegemônicos que se cruzam de forma complexa na face da Terra. Fica clara, de saída, a polêmica que envolve uma nova regionalização mundial. Como regionalizar um espaço tão heterogêneo e, em parte, fluido, como é o espaço mundial contemporâneo? HAESBAERT, R.; PORTO-GONÇALVES, C. W. A nova des-ordem mundial. São Paulo: Unesp, 2006.

O mapa ao lado procura representar a lógica espacial do mundo contemporâneo pós-União Soviética, no contexto de avanço da globalização e do neoliberalismo, quando a divisão entre países socialistas e capitalistas se desfez e as categorias de “primeiro” e “terceiro” mundo perderam sua validade explicativa. Considerando esse objetivo interpretativo, tal distribuição espacial aponta para

TERRITÓRIOS

Distância Cultural

Estado com forte identidade cultural

a) a estagnação dos Estados com forte identidade cultural. c) a influência das grandes potências econômicas.

Estado

d) a dissolução de blocos políticos regionais.

Economia-Mundo

e) o alargamento da força econômica dos países islâmicos. H9

Rede chinesa

Difusão do Islã

C. Takachi

b) o alcance da racionalidade anticapitalista.

REDES

Comparar o significado histórico-geográfico das organizações políticas e socioeconômicas em escala local, regional ou mundial.

Semiperiferia

Potência mundial

Área de influência da rede mundial

Rede mundial

Sociedade-Mundo Fonte: LÉVY et al. (1992), atualizado.

10. Até o fim de 2007, quase 2 milhões de pessoas perderam suas casas e outros 4 milhões corriam o risco de ser despejadas. Os valores das casas despencaram em quase todos os EUA e muitas famílias acabaram devendo mais por suas casas do que o próprio valor do imóvel. Isso desencadeou uma espiral de execuções hipotecárias que diminuiu ainda mais os valores das casas. Em Cleveland, foi como se um “Katrina financeiro” atingisse a cidade. Casas abandonadas, com tábuas em janelas e portas, dominaram a paisagem nos bairros pobres, principalmente negros. Na Califórnia, também se enfileiraram casas abandonadas. HARVEY, D. O enigma do capital. São Paulo: Boitempo, 2011.

Inicialmente restrita, a crise descrita no texto atingiu proporções globais, devido ao(à) a) superprodução de bens de consumo. b) colapso industrial de países asiáticos. c) interdependência do sistema econômico. d) isolamento político dos países desenvolvidos. e) austeridade fiscal dos países em desenvolvimento. H11 Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço. 11. A charge, datada de 1910, ao retratar a implantação da rede telefônica no Brasil, indica que esta a) permitiria aos índios se apropriarem da telefonia móvel. Fon-Fon!, ano IV, n. 36, 3 set. 1910

b) ampliaria o contato entre a diversidade de povos indígenas. c) faria a comunicação sem ruídos entre grupos sociais distintos. d) restringiria a sua área de atendimento aos estados do norte do país. e) possibilitaria a integração das diferentes regiões do território nacional. H16 Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social. Fon-Fon!, ano IV, n. 36, 3 set. 1910. Disponível em: <objdigital.bn.br>. Acesso em: 4 abr. 2014.

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ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS 12.

mesmo os olhos cheios d’água e com dor no coração. Vou pro Rio carregar massas pros pedreiros em construção. Deus até está ajudando: está chovendo no sertão! Mas plantar pra dividir, Não faço mais isso, não.

Mas plantar pra dividir Não faço mais isso, não. Eu sou um pobre caboclo, Ganho a vida na enxada. O que eu colho é dividido Com quem não planta nada. Se assim continuar vou deixar o meu sertão,

VALE, J.; AQUINO, J. B. Sina de caboclo. São Paulo: Polygram, 1994 (fragmento).

No trecho da canção, composta na década de 1960, retrata-se a insatisfação do trabalhador rural com a) a distribuição desigual da produção. d) os empecilhos advindos das secas prolongadas. b) os financiamentos feitos ao produtor rural. e) a precariedade de insumos no trabalho do campo. c) a ausência de escolas técnicas no campo. H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades. 13. Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o Sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr do sol. SAINT-EXUPÉRY, A. O pequeno príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 1996.

A diferença espacial citada é causada por qual característica física da Terra? a) Achatamento de suas regiões polares. d) Variação periódica de sua distância do Sol. b) Movimento em torno de seu próprio eixo. e) Inclinação em relação ao seu plano de órbita. c) Arredondamento de sua forma geométrica.

14. Na imagem, é ressaltado, em tom mais escuro, um grupo de países que na atualidade possuem características político-econômicas comuns, no sentido de a) adotarem o liberalismo político na dinâmica dos seus setores públicos. b) constituírem modelos de ações decisórias vinculadas à social-democracia. c) instituírem fóruns de discussão sobre intercâmbio multilateral de economias emergentes. d) promoverem a integração representativa dos diversos povos integrantes de seus territórios. e) apresentarem uma frente de desalinhamento político aos polos dominantes do sistema-mundo. H7

C. Takachi

Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.

0° Círculo Polar Ártico

Trópico de Câncer

Equador

OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

Meridiano de Greenwich

H6

OCEANO ÍNDICO

0

5 310

Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações.

VESTIBULARES 15. (UFRN) A história da incorporação das técnicas no espaço geográfico passou por três etapas distintas: o meio natural, o meio técnico e o meio técnico-científico-informacional. Este é um meio geográfico onde o território inclui necessariamente ciência, tecnologia e informação. Ainda sobre o meio técnico-científico-informacional, pode-se afirmar: a) inicia-se antes da Segunda Guerra Mundial e apresenta uma divisão técnica e social do trabalho baseada na utilização intensiva de energia e de matéria-prima. b) começa após a Segunda Guerra Mundial e organiza o espaço sob a estruturação de redes, integradas virtualmente por meio das tecnologias da informação. c) surge no início do século XX e apresenta uma produção de objetos técnicos e culturais por meio de uma interação no espaço da ciência e da técnica.

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d) emerge nas últimas décadas do século XX e considera o espaço como produto exclusivo de reprodução da técnica e do uso de tecnologias de bases virtuais e digitais. 16. (UFMS) O texto a seguir diz que a guerra global entre lugares ocorre [...] quando uma localidade, em um país ou continente, disputa a mesma atividade ou empresa frente a outro país ou continente; mas pode ser também examinada pela ótica da empresa, quando esta escolhe o lugar para se instalar e negociar a introdução, nesse lugar, de condições ainda não existentes e cuja presença fará dele um espaço ainda mais atrativo. SANTOS, M.; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do séc. XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 296.

Sobre esse processo, pode-se afirmar: I. Os locais se distinguem por apresentar condições diversificadas de infraestrutura, recursos e organização, entre outros, que atraem ou repelem as empresas globais. II. A disputa dos lugares pela instalação de grandes empresas ocorre também no interior dos países, envolvendo estados e municípios, que negociam vantagens, sobretudo de ordem fiscal. III. Na atual dinâmica do desenvolvimento capitalista, a livre concorrência possibilita que as empresas, tanto locais quanto globais, disputem os lugares em igualdade de condições e de acesso às vantagens. Está(ão) correta(s) a) apenas I. c) apenas III. e) I, II e III. b) apenas II. d) apenas I e II.

135° L

150° L

165° L

180°

C. Takachi

Linha Internacional de Mudança de Data 165° O 150° O 135° O Estreito de Bering

SIBÉRIA

ALASCA

60° N

40° N

OCEANO

20° N

B•

PACÍFICO

•A

TE LINHA IN

ACIONAL DE MUDANÇA DE DATA RN

17. (UERJ) Ao longo do meridiano 180°, no Oceano Pacífico, encontra-se a Linha Internacional de Mudança de Data. Quando for meio-dia em Greenwich, será meia-noite na Linha Internacional de Mudança de Data e lá um novo dia estará se iniciando. Considere que na localidade B, assinalada no mapa, sejam 11 horas de domingo, do dia 22 de junho de 2008. Nessas condições, na localidade A, também assinalada no mapa, o horário, o dia da semana e o dia do mês de junho do mesmo ano serão, respectivamente: a) 10 - sábado - 21 b) 11 - sábado - 21 c) 10 - domingo - 22 d) 11 - domingo - 22

20° S

40° S

NOVA ZELÂNDIA 0

1 570

Fonte: LUCCI, Elian Alabi et al. Adaptado de Território e sociedade no mundo globalizado. São Paulo: Saraiva, 2005.

18. (PUC-MG) Recente estudo realizado pelo PNUD (órgão da ONU) indica que o índice de pobreza na América Latina está aumentando, atingindo cerca de 130 milhões de pessoas na região. As alternativas apresentam alguns dos fatores que estão influindo para o aumento da pobreza na América Latina, EXCETO: a) os compromissos externos da maioria dos países no sentido de honrar o pagamento das suas dívidas externas. b) as políticas cambiais equivocadas e as recentes crises políticas em alguns países da região. c) o aumento das taxas de juros, o que inibe os investimentos produtivos e aprofunda a recessão. d) a compressão da massa salarial e o desemprego causado pela modernização da atividade produtiva. e) os maiores gastos do governo para promover a retomada do crescimento econômico.

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ESCREVA NO CADERNO

Renato Bassani

EXERCÍCIOS Ax 40

0

R io

30

0

x

B

19. (Unicamp-SP) A imagem ao lado corresponde a um fragmento de uma carta topográfica em escala 1:50 000. Considere que a distância entre A e B é de 3,5 cm. A partir dessas informações, é correto afirmar que: a) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 17 500 metros. b) O rio corre em direção sudoeste, sendo a margem direita a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 1 750 quilômetros. c) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 1 750 metros. d) O rio corre em direção sudoeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 175 metros.

20. (Unicamp-SP) A Constituição Federal promulgada em 1988 define que a República Federativa Brasileira compreende a União, os estados federados, o Distrito Federal e os municípios, todos autônomos. Das alternativas abaixo, aponte aquela que apresenta corretamente atribuições que são de competência exclusiva da União. a) Promover o adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano. b) Explorar os serviços e instalações nucleares e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra e o enriquecimento de minérios nucleares. c) Instituir as regiões metropolitanas, as aglomerações urbanas e as microrregiões administrativas constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes. d) Organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, serviços públicos de interesse local, incluído o transporte coletivo. 21. (Fuvest-SP) Há dois lados na divisão internacional do trabalho [DIT]: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. Este já não é o reino das maravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus das conquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina ganha produzindo-os. Eduardo Galeano. As veias abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. Adaptado.

Sobre a atual Divisão Internacional do Trabalho (DIT), no que diz respeito à mineração na América Latina, é correto afirmar: a) O México é o país com maior produção de carvão, cuja exportação é controlada por capital canadense. Para tal situação, o padrão de dominação Norte/Sul na DIT, mencionado pelo autor, é praticado no mesmo continente. b) A Colômbia ocupa o primeiro lugar na produção mundial de manganês, por meio de empresas privatizadas nos dois últimos governos bolivarianos, o que realça sua posição no cenário econômico internacional, rompendo a dominação Norte/Sul. c) O Chile destaca-se pela extração de cobre, principalmente na sua porção centro-norte, que é, em parte, explorado por empresas transnacionais, o que reitera o padrão da DIT mencionado pelo autor. d) A Bolívia destaca-se como um dos maiores produtores de ferro da América Latina, e, recentemente, o controle de sua produção passou a ser feito por Conselhos Indígenas. Essa autonomia do país permitiu o rompimento da dominação estadunidense. e) O Uruguai é o principal produtor mundial de prata, e o controle de sua extração é feito por empresas transnacionais. Nesse caso, mantém-se o padrão da inserção do país na DIT mencionada pelo autor.

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(Disponível em http://www.ims.com.br/ims/artista/ colecao/claude-levi-strauss/obra/1995.)

22. (Unicamp-SP) Pobre alimária O cavalo e a carroça Estavam atravancados no trilho E como o motorneiro se impacientasse Porque levava os advogados para os escritórios Desatravancaram o veículo E o animal disparou Mas o lesto carroceiro Trepou na boleia E castigou o fugitivo atrelado Com um grandioso chicote Oswald de Andrade, Pau Brasil. São Paulo: Globo, 2003, p. 159.

Rua da Liberdade, São Paulo, 1937.

A imagem e o poema revelam a dinâmica do espaço na cidade de São Paulo na primeira metade do século XX. Qual alternativa abaixo formula corretamente essa dinâmica? a) Trata-se da ascensão de um moderno mundo urbano, onde coexistiam harmonicamente diferentes temporalidades, funções urbanas, sistemas técnicos e formas de trabalho, viabilizando-se, desse modo, a coesão entre o espaço da cidade e o tecido social. b) Trata-se de um espaço agrário e acomodado, num período em que a urbanização não tinha se estabelecido, mas que abrigava em seu interstício alguns vetores da modernização industrial. c) Trata-se de um espaço onde coexistiam distintas temporalidades: uma atrelada ao ritmo lento de um passado agrário e, outra, atrelada ao ritmo acelerado que caracteriza a modernidade urbana. d) Trata-se de uma paisagem urbana e uma divisão do trabalho típicas do período colonial, pois a metropolização é um processo desencadeado a partir da segunda metade do século XX. 23. (Vunesp-SP) A divisão capitalista do trabalho – caracterizada pelo célebre exemplo da manufatura de alfinetes, analisada por Adam Smith – foi adotada não pela sua superioridade tecnológica, mas porque garantia ao empresário um papel essencial no processo de produção: o de coordenador que, combinando os esforços separados dos seus operários, obtém um produto mercante. Stephen Marglin. In: André Gorz (org.). Crítica da divisão do trabalho, 1980.

Ao analisar o surgimento do sistema de fábrica, o texto destaca a) o maior equilíbrio social provocado pelas melhorias nos salários e nas condições de trabalho. b) o melhor aproveitamento do tempo de trabalho e a autogestão da empresa pelos trabalhadores. c) o desenvolvimento tecnológico como fator determinante para o aumento da capacidade produtiva. d) a ampliação da capacidade produtiva como justificativa para a supressão de cargos diretivos na organização do trabalho. e) a importância do parcelamento de tarefas e o estabelecimento de uma hierarquia no processo produtivo. (www.pelicanocartum.net)

24. (Vunesp-SP) A charge ironiza uma das variáveis que compõem o cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano proposto pela Organização das Nações Unidas, a saber, a) a renda, pela referência ao dia em que as personagens almoçaram. b) a expectativa de vida, pela alusão ao condicionamento físico da personagem que move o carrinho. c) a renda, pela referência aos objetos de alto valor agregado que as personagens carregam. d) a escolaridade, pela alusão à língua portuguesa empregada em sua forma padrão pelas personagens. e) a mobilidade, pela referência ao meio de transporte utilizado pelas personagens. 25. (Vunesp-SP) O BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – vem negociando cuidadosamente o estabelecimento de mecanismos independentes de financiamento e estabilização, como o Arranjo Contingente de Reservas (Contingent Reserve Arrangement – CRA) e o Novo Banco de Desenvolvimento (New Development Bank – NDB).

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ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS

O primeiro será um fundo de estabilização entre os cinco países; o segundo, um banco para financiamento de projetos de investimento no BRICS e outros países em desenvolvimento. www.cartamaior.com.br. Adaptado.

O Arranjo Contingente de Reservas e o Novo Banco de Desenvolvimento procuram suprir a escassez de recursos nas economias emergentes. Tais iniciativas constituem uma alternativa a) às instituições de crédito privadas, encerrando a sujeição econômica dos países emergentes e evitando a assinatura de termos regulatórios coercitivos sobre as práticas de produção. b) aos bancos centrais dos países do BRICS, reduzindo os problemas econômicos de curto prazo e maximizando o poder de negociação do grupo. c) às instituições criadas na Conferência de Bretton Woods, definindo novos mecanismos de autodefesa e estimulando o crescimento econômico. d) ao norte-americano Plano Marshall, elegendo com autonomia o destino da ajuda econômica e os investimentos públicos em áreas estratégicas. e) à hegemonia do Banco Mundial, deslocando o centro do sistema capitalista e os fluxos de informação para os países em desenvolvimento.

C. Takachi

26. (Unicamp-SP) A ilustração a seguir representa a constelação de satélites do Sistema de Posicionamento Global (GPS) que orbitam em volta da Terra. a) Qual a finalidade do GPS? Como esses satélites em órbita transmitem os dados para os aparelhos receptores localizados na superfície terrestre? b) O que são “latitude” e “longitude”?

Fonte: VENTURI, Luis Antonio Bittar et al. Adaptado de Praticando Geografia – técnicas de campo e laboratório. São Paulo: Editora Oficina de Textos, 2005. p. 25.

27. (PUC-RJ) “Devo reconhecer que não via no início muito mérito no IDH em si, embora tivesse tido o privilégio de ajudar a idealizá-lo. A princípio, demonstrei bastante ceticismo ao criador do Relatório de Desenvolvimento Humano, Mahbub ul Haq, sobre a tentativa de focalizar, em um índice bruto deste tipo – apenas um número – a realidade complexa do desenvolvimento e da privação humanos. [...] Mas, após a primeira hesitação, Mahbub convenceu-se de que a hegemonia do PIB (índice demasiadamente utilizado e valorizado que ele queria suplantar) não seria quebrada por nenhum conjunto de tabelas. As pessoas olhariam para elas com respeito, disse ele, mas quando chegasse a hora de utilizar uma medida sucinta de desenvolvimento, recorreriam ao pouco atraente PIB, pois apesar de bruto era conveniente. [...]” Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia em 1998, no prefácio do RDH de 1999.

Após dez anos da afirmação apresentada, ainda há alguma incredibilidade em relação ao uso do IDH como instrumento de políticas públicas, principalmente nos países periféricos. A partir do que foi apresentado, responda a questão a seguir: Por que o economista prêmio Nobel de 1998 considera, em relação aos países ricos e pobres, o uso do PIB como “medida sucinta de desenvolvimento”? 28. (UFSCar-SP) Se nem todas as grandes crises econômicas, como a atual, que periodicamente acometem o capitalismo, levam a uma transformação no seu funcionamento, todas as grandes transformações pelas quais ele passou foram desencadeadas por uma grande crise. Situe historicamente e explique as crises que levaram ao chamado capitalismo a) com participação estatal (keynesiano). b) desregulado (neoliberal).

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Unidade

Corbis/Latinstock

II

A dinâmica da natureza Questão inicial

ESCREVA NO CADERNO

Localizada na Mauritânia, no Deserto do Saara, uma enorme cratera de 50 quilômetros de diâmetro é composta de camadas rochosas na forma de imensos anéis circulares. Conhecida como Estrutura de Richat, Olho de Richat ou Olho da África, não há concordância entre geólogos e outros cientistas da Terra sobre sua origem e forma.

• Converse com seus colegas sobre quais fenômenos podem ter dado origem a tal estrutura.

Estrutura de Richat, formação geológica localizada no Deserto do Saara, Mauritânia. Imagem capturada pelo satélite Landsat 7, em 2001.

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CAPÍTULO 5

A estrutura da Terra

Fonte: MYVISU. Bardarbunga volcano. Disponínel em: <http://www.myvisu.com/ content/bardarbunga-en>. Acesso em: 6 out. 2015.

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AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

O vulcão Bardarbunga, localizado sob a geleira Vatnajökull, na região central da Islândia, é o mais alto da Europa coberto por geleira. Com altitude de 2 009 metros, faz parte de um sistema vulcânico de 25 quilômetros de largura e 200 quilômetros de comprimento. A cobertura de gelo sobre o vulcão atinge espessura que varia de 150 a 400 metros. Em agosto de 2014, quando ocorreram inúmeros abalos sísmicos, o vulcão lançou nuvens densas de cinzas e gases à atmosfera, além de materiais piroclásticos ao seu entorno, iniciando-se uma erupção subglacial.

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Crédito do infográfico: Alex Argozino

Tópicos do capítulo O tempo geológico Estrutura interna da Terra Placas tectônicas O modelado da Terra Rochas e províncias geológicas Solo: rocha desagregada

Marco Nescher/Reuter

Ponto de partida

s / La tin sto

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Vulcão Bardarbunga em erupção, Islândia, 2014.

1. Você consegue imaginar qual seria a origem do fenômeno representado nesta abertura?

ESCREVA NO CADERNO

2. Grande parte das rochas existentes no planeta provém do interior da Terra. Você saberia mencionar algumas dessas rochas?

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Homo sapiens: Precursor da espécie humana surgido há pouco mais de 100 mil anos, provavelmente na África, como produto da evolução do Homo erectus. Não há consenso entre antropólogos, arqueólogos e biólogos sobre a precisão da idade dos seres humanos, oscilando entre 100 mil e 500 mil anos. Geocronologia: Ramo da geologia que estuda o tempo geológico por meio da datação absoluta e relativa dos eventos geológicos. Estratigrafia: Procedimento para estudar as camadas ou estratos que uma rocha contém com o objetivo de investigar eventos passados. Fósseis: Resíduos ou vestígios orgânicos impregnados na rocha. Iluminismo: Corrente filosófica do século XVIII que tem como base a razão para se atingir o conhecimento. O período iluminista, também conhecido como Século das Luzes, trouxe novas perspectivas para o desenvolvimento da ciência. Estudos paleontológicos: Observação de fósseis para detectar a idade dos seres vivos do passado. Teoria criacionista: Teoria cristã que defende a verdade bíblica e nega o evolucionismo como explicação da origem do homem e da Terra. Por essa teoria, a Terra teria alguns poucos milhares de anos.

Quando estudamos a história da Terra, a primeira coisa a fazer é rever nossa noção de tempo. Por quê? Porque estamos acostumados a trabalhar com a noção de tempo humano, e a diferença de tempo entre a existência humana e a existência da Terra é imensa. Tão grande que, numa comparação simplista, perceberemos que em termos temporais o homem representa para a Terra algo próximo do que um segundo representa para um ano, ou seja, muito pouco. Se tomarmos como referência o espaço de tempo de um ano, o homem surgiria às 23h59min59s do dia 31 de dezembro, ou seja, quando faltasse um segundo para a virada do ano. A Terra possui aproximadamente 4,5 bilhões de anos, enquanto os seres humanos (Homo sapiens), em torno de 100 mil. Quando do surgimento da espécie humana, o planeta já apresentava suas formas praticamente consolidadas. Desde então, a Terra pouco mudou em termos de estrutura. Por isso, falamos em tempo geológico, que é a dimensão de tempo com a qual trabalhamos quando estudamos nosso planeta. Para entender como se processou a evolução da Terra, a ciência busca investigar a idade das rochas por meio da geocronologia. A datação pode ser relativa ou absoluta. Para realizar uma datação relativa da rocha, observam-se suas várias camadas por meio da estratigrafia e dos fósseis nelas encontrados. A datação absoluta, por sua vez, recorre à radiatividade para estudar as rochas. Há alguns métodos para realizar a datação, como a radiação por urânio, chumbo, potássio, ou por carbono 14, empregado para investigar períodos mais recentes (aproximadamente 70 mil anos). Esse método é utilizado especialmente para datar componentes de origem orgânica, muitas vezes Escavação arqueológica no Sítio Bonin, Urubici (SC), 2016. presentes na rocha.

Ricardo Azoury/Pulsar

1. O tempo geológico

1.1 Breve história da Terra Por meio de datações realizadas até hoje, cientistas estimam a idade da Terra em aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Mas não foi sempre assim, pois uma estimativa mais precisa da idade do nosso planeta é algo relativamente recente. Antes do Iluminismo, sob forte influência da Igreja Católica, a idade da Terra era datada em 6 mil anos, acompanhando a verdade bíblica, pautada nas Escrituras Sagradas. Essa percepção de uma Terra jovem forneceu as bases para quase todo o calendário ocidental atual. À medida que a ciência foi se desenvolvendo, percebeu-se a impossibilidade de um planeta ser tão jovem. Por meio de estudos paleontológicos e de evidências científicas, gradativamente os cientistas foram confirmando uma idade mais realista para o planeta. Contudo, mesmo nos dias de hoje, a teoria criacionista não aceita esse conhecimento científico e advoga

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a tese de que a idade da Terra não passa de alguns milhares de anos. Temos, portanto, um confronto entre a verdade científica e a verdade religiosa. Existe uma escala didática de tempo geológico para esses 4,5 bilhões de anos da Terra. Ela está dividida em éons, eras, períodos, épocas e idades geológicas que contam a história do planeta; os éons estão subdivididos em eras, que se subdividem em períodos, que, por sua vez, são divididos em épocas, e estas em idades. Normalmente, nos atemos mais às eras e aos períodos para a observação da história do planeta. Observe, na tabela abaixo, as divisões da escala de tempo geológico. Nela, a representação da idade da Terra obedece à mesma lógica da estrutura das rochas na natureza: as mais antigas embaixo e as mais jovens, em cima. Principais eventos Éon Era

Período

Época Holoceno

Terciário

1 600 000

Plioceno

5 000 000

Mioceno

24 000 000

Oligoceno

37 000 000

Neogeno

Paleogeno

Eoceno

58 000 000

Paleoceno

66 000 000

Cretáceo

144 000 000

Jurássico

208 000 000

Triássico

245 000 000

Permiano

289 000 000

Pensilvaniano

320 000 000

Mississipiano

360 000 000

Devoniano

408 000 000

Siluriano

438 000 000

Ordoviciano

505 000 000

Cambriano

545 000 000

2 500 000 000

ARQUEANO

PROTEROZOICO

Carbonífero

MESOZOICO

Pleistoceno

10 000

4 000 000 000

HADEANO

PRÉ-CAMBRIANO

PALEOZOICO

FANEROZOICO

CENOZOICO

Quaternário

Idade (Anos)

4 500 000 000

Geológicos

Biológicos

Principais eventos no Brasil

Configuração atual dos continentes e oceanos.

Aparecimento do ser humano.

Formação das bacias sedimentares recentes, como a Pantaneira e a Amazônica.

Formação das grandes cadeias montanhosas (Himalaia, Andes, Atlas, Montanhas Rochosas) e ilhas vulcânicas.

Extinção dos grandes répteis e desenvolvimento dos mamíferos.

Formação da grande bacia sedimentar amazônica.

Intensas atividades vulcânicas; formação de grandes bacias sedimentares; origem dos depósitos petrolíferos e de gás natural em bacias sedimentares; fragmentação da Laurásia e Gondwana.

Surgimento dos primeiros mamíferos e aves.

Formação da reserva de petróleo do pré-sal.

A atmosfera se torna oxidante; intenso tectonismo e glaciações; consolidação do continente único (Pangeia).

Evolução dos seres vivos; desenvolvimento dos vertebrados (peixes, anfíbios e répteis) e da vegetação (gimnospermas);

Formação de grandes depósitos sedimentares sobre os escudos cristalinos antigos; início do processo de formação do carvão mineral.

Origem dos dinossauros.

Derrames vulcânicos cobrem a bacia do Paraná.

Formação das bacias sedimentares mais antigas: Paraná, Parnaíba, Amazonas e Solimões. Início da formação do carvão mineral em pequena profundidade no Sul do Brasil.

Formação de montanhas antigas no atual território brasileiro (o desgaste vai gerar a formação dos atuais mares de morros); depósito de minerais nos escudos cristalinos brasileiros: Serra dos Carajás (PA) e Quadrilátero Ferrífero (MG).

Formação dos escudos cristalinos mais antigos; início da tectônica atual com a dinâmica de expansão do assoalho oceânico e subducção.

Formação das rochas magmáticas e metamórficas mais antigas; início da oxidação da atmosfera.

Formação das ilhas vulcânicas, como Fernando de Noronha.

Aparecimento dos seres unicelulares – fósseis mais antigos do planeta, estromatólitos e microfósseis orgânicos.

Formação do tonalito de São José de Campestre (RN), considerada a rocha mais antiga da América do Sul.

Formação da Terra; consolidação do núcleo terrestre; formação das primeiras rochas magmáticas (granitos); formação da atmosfera primitiva sem oxigênio; ausência de vida.

Fontes: GUERRA, Antonio Teixeira; GUERRA, A. J. Teixeira. Novo dicionário geológico-geomorfológico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 228; ROSS, Jurandyr L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. p. 34; WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos de geologia. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 21; INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Glossário Geológico Ilustrado. Disponível em: <http://sigep.cprm.gov.br/glossario/fig/EscalaTempoGeologico. htm>. Acesso em: 6 out. 2015; INSTITUTO GEOLÓGICO. Tabela Estratigráfica Internacional. Disponível em: <http://www.igeologico.sp.gov.br/downloads/folders/ Tabela%20Estratigr%C3%A1fica%20Internacional%20-%20ICS%202010.pdf>. Acesso em: 6 out. 2015. Nota: Há controvérsias entre as classificações geológicas. A International Commission on Stratigraphy – ICS, que publica a Tabela Estratigráfica Internacional, não reconhece mais o Terciário como período, mas a maioria dos autores seguem considerando-o como tal. Igualmente, há autores que consideram o Arqueano e o Proterozoico como eras, outros como éons derivados do Pré-Cambriano.

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E qual a participação de cada éon e era na história da Terra? O gráfico a seguir, produzido pelo Ministério de Minas e Energia do Brasil, responde a essa questão. Concluímos, então, que, para se datar a idade da Terra, a ciência dispõe de diversos recursos, correlacionados ou não, tais como a estratigrafia, a radiatividade, as observações geotectônicas, os registros fósseis e outras derivações desses métodos. Existe uma ampla comunidade científica internacional que estabelece parâmetros e organiza comitês científicos para catalogar, registrar e reconhecer as inúmeras pesquisas sobre a história da Terra, construindo assim uma única coluna científica e dando um caráter de unidade, cientificidade e reconhecimento aos estudos.

4%

1%

Proterozoico

7%

Tangente Design

Éons e eras da Terra (em %)

Arqueano 16%

43%

Hadeano Paleozoica

29%

Mesozoica Cenozoica

Fonte: MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA DO BRASIL. Disponível em: <http:// www.dnpm-pe.gov.br/Geologia/percentual.htm>. Acesso em: 6 out. 2015.

kola-kola/Shutterstock.com

2. A estrutura interna da Terra

Selo impresso na URSS em 1987 em homenagem ao Poço Superprofundo de Kola. Por meio desta experiência, perfurou-se 12 260 metros da crosta terrestre.

A Terra por dentro é estratificada, ou seja, disposta em camadas. Presume-se que ela tenha diversas camadas com características físicas e químicas e que se apresentam em estado de equilíbrio dinâmico. Estudos recentes têm demonstrado a existência de novas interfaces e zonas de transição em seu interior. Genericamente, podemos classificar essas camadas em três principais: a camada superior é a crosta terrestre; sob a crosta temos uma camada intermediária que é o manto; e a porção central é o núcleo. As condições de temperatura e pressão aumentam em direção ao interior. Estima-se que o calor do núcleo atinja a impressionante marca de 6 500 ºC (próxima à temperatura do Sol) e a pressão de 3 700 toneladas por centímetro quadrado. Obviamente nunca ninguém esteve no interior da Terra para confirmar o que está pressuposto. Tampouco algum engenho humano conseguiria chegar a tamanha profundidade em razão das condições de pressão e temperatura. O máximo que a tecnologia conseguiu atingir, por meio de perfurações científicas na crosta terrestre, foi 12 260 metros, na URSS, em 1970. Como é possível, então, obter informações sobre a composição interna da Terra? Por meio da interpretação das ondas sísmicas, já que elas alcançam a profundidade de 600 km (derivando em até 10 mil km), cujos dados são coletados durante os terremotos. Elas se propagam conforme a rigidez e os tipos de rochas, refletindo e refratando de acordo com a intensidade dos sismos, por meio de um percurso horizontal e outro vertical. A coleta e análise dessas ondas, somadas a outros recursos, como o conjunto de técnicas empregadas em sensoriamento remoto, por exemplo, e às próprias perfurações, permitem um melhor conhecimento do interior da Terra. Veja, nos esquemas da página a seguir, representações das camadas e subcamadas da Terra.

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Camadas e subcamadas da Terra Continente (granito) 5 a 80 km

Crosta

Manto superior

2 90

70 0 km

o s fe

ra

Manto inferior (silício, ferro, magnésio e óxidos cristalizados)

Núcleo sólido

Zona convectiva

Litosfera (placa oceânica)

Me s

Ilustrações: Luis Moura

Núcleo líquido

km

Oceano (basalto)

Litosfera (placa continental)

Crosta

5 10 0

Vulcão

Descontinuidade de Mohorovicic

(olivina, piroxênio e granada)

2 90 0 km 0 km

Núcleo externo (fluido) (ferro, enxofre, níquel e oxigênio)

Manto

Fonte: PRESS, F. et al. Para entender a Terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 32. AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Descontinuidade de Gutemberg 5 10 0 km

Núcleo interno (sólido) (ferro, enxofre e níquel)

6 400 km

Fonte: SUGUIO, Kenitiro; SUZUKI, Uko. A evolução geológica da Terra e a fragilidade da vida. São Paulo: Edgard Blücher, 2003. p. 13. Litosfera: Camada sólida e rochosa da Terra com espessura média de 100 km, que engloba a crosta terrestre (continental e oceânica) e a camada superior do manto.

Pauta musical Terra, Caetano Veloso. Álbum: Muito (Dentro da estrela azulada). Philips, 1978. Pauta: Estrutura geológica e ambiente. Capa do LP Muito (Dentro da estrela azulada). Brasil, 1978

Crosta terrestre – parte superior da litosfera, com espessura que varia entre 5 km e 80 km. Subdivide-se em: • crosta continental – forma os continentes e é a parte mais espessa e leve da crosta terrestre. Além disso, é a mais antiga, contendo trechos com mais de 3,5 bilhões de anos. Também chamada de crosta siálica ou sial (composta de silício e alumínio, daí o nome); • crosta oceânica – como o nome indica, é a parte da crosta que está sob a porção marinha. É bem menos espessa (5 km a 15 km apenas) que a crosta continental e mais recente, com aproximadamente 200 milhões de anos. Também chamada de crosta simática ou sima (composta de silício e magnésio). Manto – camada intermediária entre a crosta e o núcleo, com profundidade média de 2 900 km. Subdivide-se em manto superior e manto inferior, com uma zona de transição entre eles: • manto superior – localiza-se abaixo da placa litosférica até aproximadamente 670 km de profundidade. Contém a astenosfera, uma camada mais pastosa, na qual a crosta continental “flutua”; • manto inferior – também chamado de mesosfera, sólido, situa-se entre 670 km e 2 900 km, até as proximidades do núcleo. Núcleo – camada mais interna da Terra, composto de níquel e ferro e por isso também chamado de nife, além de contar com a presença de oxigênio e enxofre. Apresenta um diâmetro aproximado entre 2 900 km e 3 100 km. Há uma zona de transição entre suas subdivisões de aproximadamente 600 km. O núcleo é o maior responsável pelo campo magnético terrestre. Subdivide-se em: • núcleo externo – é líquido e apresenta uma espessura aproximada de 1 600 km; • núcleo interno – é sólido e apresenta uma espessura aproximada de 1 300 km. A linha de fronteira entre a crosta e o manto é denominada descontinuidade de Mohorovicic, e a linha de fronteira entre o manto e o núcleo, descontinuidade de Gutemberg.

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3. As placas tectônicas As teorias que levaram ao conhecimento da Terra Teoria da Deriva Continental – construída com base nos estudos de Wegener sobre a “dança” dos continentes. Teoria da Expansão do Fundo Oceânico – o incremento dos estudos oceanográficos dos anos 1960 levou à constatação de que a constante erupção vulcânica promovia o aumento estrutural dos solos marinhos após a solidificação do magma. Teoria da Tectônica de Placas – segundo a qual um conjunto de placas que formam a litosfera se movimentam em direções diversas, podendo se chocar umas contra as outras.

A Terra nunca está estática. Ela realiza diversos movimentos, seja em sua órbita ao redor do Sol, seja em torno de seu eixo ou em seu interior. Os continentes localizados sobre a superfície na crosta terrestre se movem lenta e constantemente. Isso ocorre porque estão inseridos nas enormes placas sólidas que correspondem à litosfera, abrangendo toda a crosta terrestre e topo do manto superior. Essas placas têm uma espessura que oscila de 100 km a 250 km de largura: são chamadas de placas tectônicas ou placas litosféricas. Quem nos garante essa informação é a Teoria da Tectônica de Placas, um modelo de interpretação científica da Terra, elaborado na década de 1960, que, na realidade, é um desdobramento das ideias iniciais dos estudos do astrônomo e meteorologista alemão Alfred Wegener (1880-1930). Hoje é a mais aceita das teorias, relativas a este tema, por geólogos e geomorfólogos.

Os três principais tipos de margens de placas tectônicas Margens transformantes Cadeia mesoceânica

Luis Moura

Margens divergentes

Margens convergentes entre duas placas tectônicas continentais

Margens convergentes entre placas tectônicas continental e oceânica

Fossas

Margens divergentes

Margens convergentes entre duas placas tectônicas oceânicas

Ascensão Astenosfera Ascensão Fonte: WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos de geologia. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 17.

Litosfera AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Vimos que a litosfera é rígida e constituída pelas crostas continental e oceânica (o sial e o sima), além do topo do manto superior, e está fragmentada em fraturas profundas formando as placas tectônicas. Essas placas deslizam sobre a astenosfera, nos mais variados sentidos, à velocidade de alguns centímetros por ano. O relevo terrestre atual é, em grande parte, produto desse deslocamento de placas. Podemos dizer, portanto, que os continentes são grandes blocos rochosos que flutuam sobre o manto terrestre. O conhecimento científico acumulado ao longo do século XX nos permite afirmar, com extrema precisão, a localização dessas placas. Como sabemos que o choque de placas provoca fortes terremotos, podemos dizer que eles acontecem quase sempre nas mesmas imediações. Não há grandes novidades quanto à localização dos terremotos; o grande desafio humano, porém, é saber quando esses choques ocorrem. Compare os mapas da página seguinte e observe a coincidência entre áreas de divisa de placas tectônicas e áreas de ocorrência sísmica.

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Allmaps

Placas tectônicas OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Círculo Polar Ártico

Placa Euro-asiática

Placa Norte-americana

Placa do Caribe Placa de Cocos

Placa do Pacífico

OCEANO

Placa Iraniana Placa Arábica

Trópico de Câncer

Placa PACÍFICO das Filipinas Placa do Pacífico

Placa Africana

Equador

Placa de Nazca

Trópico de Capricórnio

OCEANO ATLÂNTICO

Meridiano de Greenwich

Placa Sul-americana

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ÍNDICO Placa Indo-australiana

Placa Antártica OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 0

Círculo Polar Antártico 2 400

Área de choque de placas Área de separação de placas

Fonte: Elaborado com base em: ATLAS geográfico escolar: ensino fundamental do 6o ao 9o ano. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. p. 103.

0º Círculo Polar Ártico

Katmai Pavlof Ysevidov Shishaldin Lassen Park

Askja

Allmaps

Atividades sísmicas OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Hekla Tanaga

Sta. Helena

Cerberus

Vesúvio

OCEANO ATLÂNTICO

Paricutin Kilauea Jorullo Fuego Mte. Pelée Mauna Loa Popocatepetl Ometepe Soufrière S. Miguel Irazú Puracé Cayambe Chimborazo

Fuji Sakurajima

Etna

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

Misti

Trópico de Capricórnio

Aconcágua

Círculo Polar Antártico

Mte. Mayon OCEANO

Virunga

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 0

2 400

Apo

Cameroon

Meridiano de Greenwich

Equador

Fogo

PACÍFICO 0º

Quilimanjaro

OCEANO Kracatoa ÍNDICO

Ngauruhoe

Vulcões Atividade sísmica

Fonte: ATLAS geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2002. p. 66.

No fim da era Paleozoica, há 250 milhões de anos, a Terra era uma massa continental única, chamada Pangeia. Há cerca de 200 milhões de anos esse supercontinente começou a se fragmentar e dar formas aos continentes atuais. Essa tese, denominada Deriva Continental, foi formulada por Wegener, no começo do século XX.

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Veja a sequência abaixo.

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Luis Moura

Deriva continental

Navegar Atlas geográfico escolar do IBGE <http://tub.im/53f5ig> Link interativo do IBGE que demonstra didaticamente o processo de desagregação da Pangeia e a formação dos continentes.

O Himalaia é produto da penetração da placa indo-australiana sob a euro-asiática. A pequena espessura da placa indiana facilitou esse processo. Nepal, 2015.

Partindo do pressuposto de que a semelhança física entre a América do Sul e a África não era mera coincidência, Wegener concebeu que os continentes migraram sobre os oceanos e que um dia essas duas partes formaram uma só massa continental. O cientista alemão foi ridicularizado na época por suas ideias e partiu para a Groenlândia em busca de novas evidências, mas acabou falecendo durante sua expedição. Mais tarde suas teorias seriam confirmadas; Wegener foi o ponto de partida para o conhecimento sobre as placas tectônicas. Somadas as hipóteses de Wegener às investigações oceanográficas profundas, cientistas constataram, mais tarde, que no assoalho oceânico ocorria uma expansão por conta da constante emissão de lava, e a maior prova disso é a existência de uma enorme cordilheira suboceânica: a Cadeia Mesoatlântica. Essa nova proposta foi designada Teoria da Expansão do Fundo Oceânico. Os conhecimentos trazidos por essas duas teorias levaram à mais completa delas, a Teoria da Tectônica de Placas. Durante sua movimentação, as placas se chocam, separam-se ou deslizam umas sobre as outras. Quando as placas estão em rota de colisão, são denominadas placas convergentes; quando se separam, placas divergentes; e quando deslizam lateralmente umas sobre as outras, placas transformantes. Essa variação de acontecimentos provoca as mais distintas consequências. É junto às placas convergentes que os terremotos são mais intensos. Quando duas placas se chocam frontalmente, uma mergulha sob a outra, provocando um soerguimento. Foi o que aconteceu quando a Península Indiana se separou da placa antártica e colidiu com a placa euro-asiática. Desde esse período, há aproximadamente 50 milhões de anos, a placa indo-australiana vem mergulhando sob a Ásia. A Cordilheira dos Andes também é produto desse processo. Observe, a seguir, uma imagem do Himalaia, que possui o ponto de maior altitude do planeta, o Monte Everest, a 8 848 metros acima do nível do mar.

Dave Porter/Photoshot/Easypix Brasil

Fonte: ATLAS geográfico escolar. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008. p. 21.

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Luis Moura

Quando as placas se afastam umas das outras na crosta oceânica, forma-se uma fenda no assoalho oceânico. São essas fendas oceânicas que permitem que o magma contido no interior terrestre seja expelido e, após ser solidificado, forme uma nova crosta oceânica, expandindo assim o assoalho marinho. A Dorsal Mesoatlântica, por exemplo, é exatamente produto da separação de placas, constituída essencialmente por derrames basálticos, lavas expelidas de dentro da Terra. Mesmo que esse processo com limites divergentes seja mais comum em crostas oceânicas, também ocorre na crosta terrestre, como o que forma o Rift Valley no Tipos de placas tectônicas e exemplos de sua localização leste da África. O terceiro tipo de ação tectônica é causado pela placa transformante ao longo das fraturas dos assoalhos oceânicos, ou seja, quando uma placa desliza sobre outra em Placas transformantes sentido oposto, causando um “arranhão” de proporções gigantescas. A consequência imediata desse processo é o surgimento de falhamentos, as ”falhas transformantes”. O exemplo mais explícito de deslizamento Placas convergentes de placas (limites transformantes) é a Falha de San Andreas, na península da Califórnia. Muitos dos terremotos que abalam a região são produtos desse movimento. Por vezes, na colisão entre placas oceânicas mais densas, é comum que no choque uma delas seja enviada de volta ao manto, reincorporando-se ao magma. Esse processo de retorno ao interior da Terra é chamado Placas convergentes subducção. Observe ao lado esquemas que represenPlacas tam a movimentação de placas transforman- AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS divergentes A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO tes, convergentes e divergentes.

Fonte: TASSINARI, Colombo C. G.; DIAS NETO, Coriolano de Marins. Tectônica global. In: TEIXEIRA, Wilson et al. Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009. p. 87.

A escala Richter A escala Richter mede a magnitude dos terremotos com base em uma variação logarítmica que oscila de 0 a 10. Acima de 7,0, os terremotos costumam ser bastante cruéis e, quando ocorrem próximo às áreas urbanizadas, os estragos são violentos, frequentemente provocando prejuízos e mortes. Em 1935, o criador desse sistema, o geólogo estadunidense Charles Richter (1900-1985), partiu do princípio logarítmico para mensurar a grandeza dos fenômenos sísmicos. Assim, um terremoto na escala 6,0 é dez vezes mais intenso que um na escala 5,0. O terremoto mais intenso até hoje registrado ocorreu no Chile em 1960 e atingiu a marca de 9,5 na escala Richter, levando à morte mais de 5 mil pessoas. Pela escala Richter, um terremoto abaixo de 2,0 nem sequer é notado; mas, a partir de 5,0, já pode provocar consideráveis danos. Veja:

Grau

Efeito

• abaixo de 2,0 • de 2,1 a 3,4 • de 3,5 a 5,4 • de 5,5 a 6,0 • de 6,1 a 6,9 • de 7,0 a 7,9 • de 8,0 a 8,9 • de 9,0 a 10

imperceptível é sentido, mas não causa danos pode provocar danos em objetos de pequeno porte pequenos danos em edifícios alcança um raio de 100 km e pode provocar danos terremoto de grandes proporções destruição em larga escala destruição total

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ESCREVA NO CADERNO

Enfoque Terremotos e tsunamis no Japão

Os tsunamis são grandes movimentações de água do oceano, em geral causadas por terremotos no fundo oceânico. Apesar de haver outras causas e tipos possíveis de tsunamis, [...] vamos enfatizar aqueles que afetam o Japão e que talvez possam ser considerados tsunamis clássicos. O mundo contemporâneo despertou para o potencial catastrófico dos tsunamis em 2004. A tragédia desencadeada por um terremoto no fundo oceânico próximo à Indonésia matou mais de 230 mil pessoas em quatorze países banhados pelo Oceano Índico. Ela está entre os desastres naturais com maior número de mortos na história da humanidade. Parte importante dessas mortes poderia ter sido evitada com um sistema de alarmes mais eficiente, um recurso tecnológico relativamente simples e disponível em outras regiões costeiras. No Japão, os alertas de tsunami e os procedimentos de evacuação da população salvaram muitas vidas. Mesmo assim, os dados oficiais da Agência Nacional de Polícia do Japão registram 15 668 mortos, 5 712 feridos e 4 836 desaparecidos (http://www.npa.go.jp/ archive/keibi/biki/index_e.htm, acessado em 5/8/2011). Não é por acaso que herdamos do japonês a palavra que denomina esse tipo de desastre natural. Em japonês, tsunami significa literalmente “onda no porto” (tsu = porto, nami = onda), termo que prevaleceu sobre o português, “maremoto”. No Japão os tsunamis são frequentes devido à alta incidência de terremotos. Ao longo da história, os danos sempre foram significativos, dada a alta densidade demográfica nas regiões costeiras japonesas. [...] Japão, 10/3/2011 O tsunami foi causado por um terremoto de magnitude 9 que ocorreu próximo à costa do Japão no dia 11 de março de 2011 às 14h46, hora local. A magnitude do terremoto, inicialmente classificada como 7,9, foi rapidamente elevada a 8,8, 8,9 e finalmente 9. [...] Esse foi o maior terremoto já registrado no Japão desde o início das medições sísmicas instrumentais, há 130 anos, e foi o quarto mais forte no mundo desde 1900. Sua magnitude foi próxima à do terremoto de magnitude 9,1 que causou o trágico tsunami de 2004 no Índico. [...] Alertas de tsunami foram emitidos oito segundos após a chegada das primeiras ondas sísmicas na estação mais próxima ao tremor. A Agência Meteorológica do Japão emitiu o alerta de perigo mais alto de sua escala, classificando o evento como um grande tsunami e prevendo ondas de pelo menos três metros de altura. As ondas foram muito maiores e transpuseram com facilidade os muros de contenção construídos em algumas cidades costeiras. Até embarcações de médio porte foram carregadas sobre esses muros. As maiores ondas foram avistadas em Fukushima (9,3 m), Miyako (8,5 m) e Miyagi (6 m). [...] Um dado impressionante: a ilha de Honshu, a maior das ilhas japonesas, com 227 960 km2, onde estão Tóquio e outras grandes cidades, foi deslocada 2,4 metros para leste, segundo medições de GPS (global positioning system). [...] O movimento das placas tectônicas redistribuiu ligeiramente as massas crustais na superfície do planeta e causou um deslocamento de 10 a 25 cm no eixo de rotação da Terra. Com isso houve um aumento ínfimo na velocidade de rotação da Terra, com respectivo encurtamento de 1,8 microssegundo na duração dos dias. Essa alteração não é perceptível na vida cotidiana, mas deverá ser levada em consideração no controle de missões espaciais.

JIJI PRESS/AFP

ANDRADE, Fabio Ramos Dias. Terremotos e tsunamis no Japão. Revista USP, São Paulo, USP, n. 91, 2011. p. 19-21. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/revusp/article/viewFile/34838/37576>. Acesso em: 13 jan. 2016.

Ondas gigantes atingem a cidade de Miyako, durante o tsunami que ocorreu no Japão em 2011.

1. Com base na leitura do texto e no conteúdo do capítulo, explique as razões que provocam os tsunamis e os terremotos. 2. O texto fala no uso de sistema de alarmes para evitar catástrofes. Dê exemplos sobre como isso pode ser feito e aponte as áreas do globo em que as sociedades devem ter um trabalho mais intenso de preparação frente a esses acidentes naturais.

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4. O modelado terrestre O relevo terrestre é produto de duas forças: as forças endógenas (os agentes internos) e as forças exógenas (agentes externos) que interagem constantemente. A topografia terrestre não é uniforme, mas extremamente variável e com saliências. A diversidade altimétrica do planeta deve-se à ação simultânea dessas duas forças. A primeira acentua o relevo; a segunda o atenua. O ramo do conhecimento científico responsável pelo estudo do relevo terrestre em sua gênese e estrutura é a geomorfologia.

A chamada geomorfologia estrutural trata dos fatores formadores do relevo, que basicamente são o tectonismo e o vulcanismo, ambos associados à tectônica de placas. Chamamos de tectonismo ou tectogênese o processo de movimentação da massa rochosa que estrutura o relevo terrestre. Como vimos, muitas vezes o produto do choque entre duas placas convergentes proporciona um soerguimento (em outras, o rebaixamento) quando ocorre a entrada de uma placa sob a outra, provoSoerguimento: Elevação de cando um enrugamento rochoso que pode originar uma montanha. A esse processo uma formação montanhosa, específico chamamos orogênese (do grego oro = relevo, e génesis = origem). normalmente provocada pela ação da movimentação das placas A tectogênese (ou tectonismo) é, portanto, a formação das montanhas por tectônicas. meio das forças tectônicas oriundas do interior da Terra. Isso pode ocorrer por meio Correntes de convecção: É o de um dobramento ou falhamento. O dobramento se manifesta quando as rochas fluxo térmico interno da Terra junto ao manto superior, motor que apresentam certa plasticidade, dobrando-se durante a atuação de uma força endómovimenta as placas tectônicas gena; um dobramento nada mais é que o enrugamento da crosta terrestre. Quando num ponto equidistante entre a astenosfera (manto) e a litosfera. a rocha é muito resistente, ocorre uma fratura que, nesse caso, dá origem a um Observe a ilustração abaixo. falhamento (falha geológica). Logo, a expressão “dobramentos modernos” está associada às grandes cordilheiras e montanhas da Terra, também chamadas geologicamente de cinturões ou cadeias orogênicas. Outro agente interno formador do relevo é o vulcanismo, a atividade Correntes de convecção vulcânica. O magma expelido pela atividade vulcânica nos fornece elementos para o estudo do material ígneo que se encontra no interior da crosta. Baixo fluxo Alto fluxo As montanhas vulcânicas são fortérmico Dorsal Ilha vulcânica térmico madas por material eruptivo e mais de Oceano 80% da crosta terrestre é constituída de material vulcânico. Um processo Resfriamento Crosta vulcânico está ligado ao deslocamenoceânica Material to das placas tectônicas, que fornece ascendente as condições para que ocorra uma quente erupção, uma vez que é ela que abre Célula de as fendas para que as correntes de convecção Manto convecção do manto terrestre tragam material do interior da Terra para a crosta. Observe o esquema ao lado. Zona de alta temperatura

Luis Moura

4.1 Agentes internos do relevo – a estrutura

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Fonte: TASSINARI, Colombo C. G.; DIAS NETO, Coriolano de Marins. Tectônica global. In: TEIXEIRA, Wilson et al. Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009. p. 85.

Quando ocorre o fenômeno da subducção – momento em que uma placa mergulha no interior da Terra devido ao choque entre placas convergentes – há condições de pressão e temperatura suficientes para sofrer fusão e se transformar em magma. Essas novas pressão e temperatura encontradas na astenosfera e a menor densidade do magma em relação às rochas da litosfera provocam a sua ascensão, formando-se assim as correntes de convecção. Parte desse magma é expelido até encontrar a superfície, enquanto parte se resfria novamente e volta a mergulhar no manto.

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4.2 Agentes externos do relevo – a escultura Ler Decifrando a Terra, de Wilson Teixeira et al. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009. Clássica obra brasileira que investiga os vários ramos do conhecimento científico na área das ciências da Terra.

Pauta musical Tempo rei, Gilberto Gil. Álbum: Raça humana. Warner Music, 1984. Pauta: Relevo e intemperismo.

Interstícios: Pequenas fissuras, fendas, existentes entre as camadas das rochas.

Martin Williams/Alamy/Latinstock

Meandro no rio Colorado, Estados Unidos, 2015.

Toda essa estruturação provocada pelas forças endógenas, exposta à superfície terrestre, sofre várias ações de intervenientes externos, como chuvas, ventos, rios, geleiras, mares e seres vivos. São os agentes externos do relevo que gradativamente esculpem aquilo que o interior terrestre produziu. O principal agente modelador do relevo é a atmosfera. Por meio da interferência dos mais variados tipos climáticos temos a esculturação do relevo, tratada como geomorfologia climática, que lapida o que as forças do interior da Terra ergueram. A ação exógena nas rochas pela variação da temperatura e pela água proporciona uma alteração físico-química a qual chamamos intemperismo, e o impacto dessa ação está submetido ao tipo climático predominante, que pode ser o mais variado possível: úmido, superúmido, desértico, semidesértico, frio e quente. Em áreas de clima seco a ação física é predominante sobre a ação química; em climas úmidos, como os tropicais, ocorre o inverso. Essa complexidade de ação na rocha provoca os mais variados tipos de erosão que vão esculpindo a morfologia local e modelando o relevo terrestre. Temos a ação constante de erosão pluvial (chuva), fluvial (rios) e eólica (vento) nos vários tipos de relevo que compõem a Terra. A rocha também pode ser desagregada pela ação do gelo em climas frios, ou pela ação de raízes em seus interstícios, dando origem a um intemperismo biológico. Os rios, igualmente, são intensos agentes modeladores, realizando a erosão, o transporte e o depósito de sedimentos. Ou seja, as águas pluvial e fluvial realizam, simultaneamente, a destruição e a construção de formas do relevo. Observe, na fotografia a seguir, como as águas do rio Colorado esculpiram o relevo, criando formas curvas em seu curso, denominadas meandros. O mesmo ocorre com a ação eólica que esculpe, retirando sedimentos de uma unidade, que serão transportados para outra unidade e nesta depositados. O melhor exemplo disso são as dunas, construídas pela ação do vento. Concluímos, portanto, que a água e o vento constroem, destroem e reconstroem constantemente o relevo terrestre, que é um híbrido harmonioso da ação simultânea dos agentes internos e externos da Terra. Nosso planeta está constantemente se reinventando, pois, ao mesmo tempo que novas formas surgem, outras desaparecem.

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5. As rochas Desde os primórdios científicos, as rochas têm sido o principal laboratório de observação dos geólogos e geomorfólogos. São elas que orientam as diretrizes para um melhor conhecimento das ciências da Terra. Rocha é um agregado de minerais ou apenas um único mineral consolidado. Quanto à origem, as rochas são classificadas em magmáticas, sedimentares e metamórficas. Contudo, vale salientar que elas podem estar submetidas a condições climáticas distintas, o que pode levar a variações em suas características. Por exemplo, uma rocha magmática que esteja sob condições de aridez apresentará diferenças de uma rocha magmática localizada em um lugar úmido. O mesmo vale para as sedimentares e metamórficas. As rochas magmáticas, também denominadas ígneas, resultam da solidificação do magma e são conhecidas como rochas primárias ou endógenas, por serem matéria-prima para outras rochas. Geralmente esse tipo de rocha forma o embasamento das maiores altitudes e apresenta maior resistência ao processo erosivo, tanto do vento como da água, e é extremamente rígido, ou seja, apresenta alto grau de dureza. Quando a rocha é solidificada no interior do manto e aflora já consolidada, é denominada rocha magmática intrusiva. Quando o magma é expelido fluido à litosfera e a consolidação ocorre externamente, tem-se uma rocha magmática extrusiva. Um exemplo de uma rocha magmática intrusiva é o granito, e de rocha magmática extrusiva, o basalto. As rochas sedimentares são as compostas de sedimentos oriundos de outras rochas. Os sedimentos, transportados pelo vento ou pela água, são depositados e depois solidificados, dando origem a uma rocha sedimentar, como o arenito ou o argilito. As rochas sedimentares são depósitos marinhos, lacustres ou continentais, dispostas em estratos paralelos e horizontalizados, e constituem as inúmeras bacias de sedimentação da Terra, que estudaremos mais adiante. As rochas metamórficas são produto da transformação e cristalização tanto das rochas magmáticas quanto das sedimentares. O metamorfismo é consequência das condições de temperatura e pressão, resultando em uma alteração da composição mineralógica da rocha. O mármore, derivado do arenito, a ardósia, derivada da argila, e o gnaisse, do granito, são exemplos de rochas que foram transformadas pelas condições de pressão e temperatura do ambiente e, assim como as sedimentares, apresentam uma estrutura estratificada. Tipos de rochas

Basalto.

Exemplos

Solidificação dentro Granito, diabásio, e fora da superfície basalto Transporte e enrijecimento Metamorfismo e cristalização

Arenito, argilito, calcáreo Mármore, ardósia, gnaisse

Rochas magmáticas: o granito é uma típica rocha intrusiva e o basalto, extrusiva. O arenito é uma rocha sedimentar. Areia litificada, ou seja, transformada em rocha, é formado por fragmentos de origem ígnea, como feldspato e quartzo. O mármore é uma rocha metamórfica proveniente do calcário exposto a elevadas temperaturas, como em locais de atividades vulcânicas. Pode apresentar diferentes colorações, dependendo dos demais minerais que o compõem, como mica e feldspato, entre outros.

RF Company/Alamy/ Otherimages

Tyler Boyers/Shutterstock.com

Granito.

Processo

Only Fabrizio/Shutterstock.com

Origem Emersão e Magmática ou ígnea solidificação do magma Desagregação de Sedimentar outras rochas Transformação por Metamórfica calor e pressão Bragin Alexey/Shutterstock.com

Rocha

Grau de dureza: É o nível de rigidez que um mineral ou rocha apresenta numa escala de 1 a 10. Toma-se como parâmetro comparativo a unha humana, que apresenta grau 2. Se você deslizar sua unha por um mineral ou rocha e riscá-lo, ele apresentará grau inferior a 2, como é o caso da gipsita e talquita (talco). Se sua unha ficar desgastada, isso quer dizer que a rocha (ou mineral) apresenta grau acima de 2. O grau máximo de dureza é o do diamante, 10, utilizado para cortar vidros.

Arenito.

Mármore.

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ESCREVA NO CADERNO

© 1992 Watterson/Dist. by Universal Uclick

A Geografia na... tira!

Calvin & Hobbes, Bill Watterson

• Calvin é um personagem de seis anos criado por Bill Watterson. Seu maior companheiro é Haroldo, tigre de pelúcia que ganha vida na imaginação do garoto. Na tira acima, ele compara as rochas ígneas (magmáticas) e sedimentares. Você acha procedente essa comparação? Ou há algum equívoco?

6. Províncias geológicas Ao embasamento de um relevo chamamos de estrutura ou província geológica. Ele é o suporte de uma estrutura geomorfológica, uma espécie de “assoalho”, e pode ser de três tipos: crátons (ou escudos), bacias sedimentares e dobramentos. Observe, a seguir, o mapa da estrutura geológica do planeta. Atente-se para as áreas onde há cada província, comparando suas ocorrências e distribuição.

Renato Bassani

Planisfério: estrutura geológica 0º

OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico Escudo Canadense

Escudo de Angara

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Escudo Fino-Escandinavo

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OCEANO PACÍFICO

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Escudo Brasileiro

Trópico de Capricórnio

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Trópico de Câncer

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

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Pré-cambriano

Dobramentos jovens (alpinos)

Direção das cadeias

Fossa

Dobramentos antigos (caledonianos e hercinianos)

Quaternário

Falha

Fossa submarina

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 57.

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Cody Duncan/Alamy/Latinstock

Os escudos antigos ou crátons estão divididos em duas porções: uma área central, que forma os escudos cristalinos, e outra periférica, que forma as plataformas. Há alguns sinônimos ou termos aproximados que utilizamos quando nos referimos a esse tipo de província: crátons, escudos, plataformas, maciços, núcleos. Nos crátons predominam terrenos rebaixados de altitudes modestas e bastante antigos, com algumas formações que datam de alguns bilhões de anos, como o Escudo das Guianas no Brasil, por exemplo. São estáveis quanto à atividade tectônica em razão de sua antiguidade e da distância do encontro entre placas. Os principais escudos existentes no mundo são: Fino-escandinavo, na Europa; Siberiano, na Ásia; Sul-africano, na África; Australiano, na Oceania; Canadense, na América do Norte; Guiano e da Patagônia, na América do Sul. Observe, na fotografia a seguir, trecho de região da Groenlândia em que predominam os escudos antigos. Os crátons datam do Pré-Cambriano e são províncias que normalmente apresentam grande riqueza em minerais metálicos, constituídos por rochas magmáticas e metamórficas.

Crátons no interior da Groenlândia, 2015. Terrenos cristalinos: Terrenos associados aos escudos, normalmente formados por rochas ígneas e metamórficas.

Bacia sedimentar em Aparecida (SP), 2013.

Fabio Colombini

As bacias sedimentares formam uma estrutura rebaixada em relação aos terrenos vizinhos, preenchida com detritos oriundos dessas áreas. Enquanto os crátons originaram-se predominantemente no Pré-Cambriano, as bacias sedimentares datam do Paleozoico, Mesozoico e Cenozoico, formadas em diferentes eras por meio de depósitos continentais e marinhos. É muito comum uma bacia sedimentar estar associada a uma bacia hidrográfica; no entanto, a bacia hidrográfica é de maior extensão e pode englobar outros terrenos cristalinos, especialmente próximos à sua nascente. As bacias sedimentares são propensas à presença de combustíveis fósseis (como petróleo e carvão) que só existem em bacias sedimentares, porém nem toda bacia sedimentar é rica em combustíveis fósseis. Observe, na imagem abaixo, um trecho de bacia sedimentar no interior do estado de São Paulo.

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Os dobramentos podem ser jovens ou antigos, mas é mais comum o termo ser utilizado para as formações recentes. Os chamados dobramentos modernos correspondem às áreas mais jovens e altas da Terra, datando do Cenozoico (período terciário), coincidindo com as áreas de montanhas e de forte atividade tectônica; são as formações exuberantes do planeta, como o Himalaia, os Andes ou os Alpes. Uma observação atenta do planisfério da página 118 nos revela que os grandes cinturões orogênicos recentes (dobramentos) localizam-se sempre nas bordas dos continentes, e nunca na faixa central. Isso se deve ao fato de as grandes montanhas da Terra situarem-se em zonas de contato entre as placas tectônicas e sua existência ser consequência disso. A imagem desta página mostra uma área da Cordilheira dos Andes. Observe que, como um dobramento moderno, situa-se nas bordas ocidentais da América do Sul. Já os dobramentos antigos são formações desgastadas e rebaixadas, como os Montes Apalaches, nos Estados Unidos, ou os Montes Urais, na Rússia. Observe algumas informações sobre as províncias geológicas, sintetizadas no quadro abaixo. Províncias geológicas Província

Éon/Era

Predomínio na composição das rochas

Cráton ou escudo

Pré-Cambriano

Magmática e metamórfica

Bacia sedimentar

Paleozoica Mesozoica Cenozoica

Sedimentar

Dobramentos modernos

Cenozoica

Magmática e metamórfica

Glossário geomorfológico

Alexandre Cappi/Pulsar Imagens

Cordilheira dos Andes em Santiago, no Chile, 2015.

O amplo leque de conhecimentos produzidos nas últimas décadas legou uma série de expressões sinônimas às quais devemos estar atentos, pois podem tratar de uma mesma estrutura, nomeando-a de forma diferente. Muitas vezes derivações de uma estrutura são colocadas no glossário geomorfológico como expressões similares. Assim, províncias geológicas também são chamadas de estruturas geológicas ou macroformas estruturais; para os crátons, existem ainda os termos escudos cristalinos, maciços antigos, núcleos e plataformas; os dobramentos modernos são muitas vezes chamados de cadeias orogênicas, cinturões, ou, simplesmente, montanhas.

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7. Formas de relevo

Howie Garber/Photoshot/Easypix Brasil

Sobre as estruturas geológicas estão as formas de relevo, que são essencialmente quatro: montanhas, planaltos, planícies e depressões. As montanhas são produto direto da ação tectônica (orogênese) e estão associadas aos dobramentos modernos. Uma montanha é classificada muito mais pela sua gênese que pela altitude; ela pode ser produto de uma dobra, de uma falha ou erupção vulcânica. Nem sempre é simples distinguir a origem de uma montanha, pois muitas vezes os processos formadores são simultâneos. Já quanto à idade, elas são classificadas como jovens, velhas ou rejuvenescidas, mas normalmente nos referimos às montanhas como uma unidade jovem, ou seja, da era Cenozoica. As principais montanhas da Terra estão localizadas próximo às bordas dos continentes, contornando-os: Himalaia (Ásia); Andes e Rochosas (Américas do Sul e Norte); Atlas (África); Alpes e Cáucaso (Europa). Os planaltos são formas de relevo em que o processo erosivo predomina sobre o de sedimentação. Localizam-se sobre superfícies normalmente planas, com alguma elevação, e quase sempre íngremes. O termo planalto refere-se mais à forma do que à estrutura, e pelo menos uma de suas bordas é circundada por uma área mais baixa.

Andre Dib/Pulsar

Montanhas Athebasca e Andrômeda, no Canadá, 2015.

Planalto das Guianas, Barcelos (AM), 2014.

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Joe Mamer/Alamy/Latinstock Robert Hoetink/Alamy/Latinstock

Planície em Dakota do Sul, nos Estados Unidos, 2013.

Depressão do mar Morto, no Oriente Médio, 2014.

O que diferencia a planície de planalto é exatamente o fato de que na primeira o processo de depósitos de sedimentos supera o de erosão; logo, as planícies são formadas de depósitos sedimentares. São superfícies rebaixadas, normalmente extensas e planas e com constante acúmulo sedimentar. A topografia é suave, sem maiores desníveis altimétricos, e a paisagem é monótona. Ao contrário do que muitos pensam, independem da altitude, pois existem planícies a mais de mil metros de altitude, embora a maioria localize-se em altitudes modestas ou próximo ao nível do mar. Depressão é uma forma de relevo que se apresenta rebaixada em relação às áreas circunvizinhas, com pouca inclinação e em baixas altitudes. As depressões são de dois tipos: • depressão absoluta: abaixo do nível do mar; por exemplo, no caso da depressão do mar Morto, a área mais baixa da superfície terrestre encontra-se a 396 m abaixo do nível do mar; • depressão relativa: área ou região rebaixada em relação às áreas vizinhas, como a depressão do Araguaia.

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8. Solo: rocha desagregada Chamamos de solo a camada superficial que recobre a litosfera. Essa camada é formada por materiais decompostos de rochas sob a ação combinada das outras três esferas da Terra: atmosfera, hidrosfera e biosfera. À transformação que a porção superficial da crosta terrestre sofre, resultante da interação com elementos climáticos, água e seres vivos, tanto física (desagregação) como química (decomposição) e biológica, damos o nome de intemperismo, elemento fundamental para a compreensão da pedogênese.

Pedogênese: Processo de formação dos solos e suas consequências na composição da paisagem. O prefixo “ped(o)” é relativo ao solo, portanto, pedologia é o estudo dos solos.

ESCREVA NO CADERNO

Enfoque Formação do solo As rochas da litosfera, se expostas à atmosfera, sofrem a ação direta do calor do sol, da umidade das chuvas, e do crescimento de organismos, dando início a processos dos quais decorrem inúmeras modificações no aspecto físico e na composição química dos minerais. A esses processos dá-se o nome de intemperismo [...], fenômeno responsável pela formação do material semiconsolidado que dará início à formação do solo. Processos envolvidos no intemperismo, agindo mais no sentido de alterar o tamanho e formato dos minerais, são denominados intemperismo físico ou desintegração. Outros, modificando a composição química, são referidos como intemperismo químico, ou, mais simplesmente, decomposição. A rocha, depois de alterada, recebe o nome de regolito, ou manto de intemperização, porque forma uma camada que recobre as que estão em vias de decom-

posição. É na parte mais superficial do regolito que se dá a formação do solo. A maior parte das rochas origina-se em grandes profundidades e sob condições de temperaturas e pressão elevadas. Quando da exposição das mesmas à atmosfera, elas se tornam instáveis, uma vez que estão sujeitas a condições de pressão, temperatura e umidade muito diferentes daquelas do meio de onde se originaram. Assim, a diminuição da pressão faz com que surjam fendas e oscilação de temperatura do dia para a noite, e do inverno para o verão provoca dilatação nas épocas de calor e contração nos períodos mais frios. Como a maior parte das rochas é constituída de mais de um mineral, que têm coeficientes de dilatação diferentes, essas variações de volume abrem caminho para o intemperismo químico, através da água e organismos que penetram por essas fendas. LEPSCH, Igo F. Formação e conservação dos solos. São Paulo: Oficina de Textos, 2002. p. 12-13.

1. Estabeleça inter-relações entre intemperismo, regolito e formação do solo. 2. Explique como ocorrem os processos de dilatação e de contração das rochas.

Marcelo Ricardo de Lima - Programa Solo na Escola/UFPR

Os solos são produto da combinação das condições geológicas, geomorfológicas, climáticas e biológicas e, como essas condições são as mais variadas possíveis na superfície da Terra, têm a sua composição diversa, podendo ser mais argilosos, arenosos, siltosos, com mais matéria orgânica etc.

Perfil de solo raso (neosolo nitólico) em Renascença (PR), 2013.

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Editora Atual

O solo sob nossos pés, de Déborah de Oliveira. São Paulo: Atual, 2010. Livro sobre o ciclo do solo, desde sua origem na desagregação da rocha até o procedimento para uso e conservação.

O solo descende diretamente da “rocha-mãe”, mas isso não quer dizer que o mesmo tipo de rocha dá origem sempre ao mesmo tipo de solo, pois, além da rocha, ele é determinado por outros fatores naturais que moldam e definem sua característica final. Para melhor entendermos a pedogênese de uma área, recorremos à análise do seu perfil de solo, um corte vertical do terreno que nos permite melhor entender a estrutura pedológica a partir de sua base até a superfície. Para analisar o perfil do solo, os pedólogos o dividem em faixas horizontais de acordo com características próprias e representadas pelas letras O, A, B e C, a partir da “rocha-mãe”. Veja o perfil de solo e seus variados horizontes na imagem a seguir. O conjunto de sedimentos que surge de uma rocha decomposta somente torna-se “solo” quando sofre a ação dos agentes exodinâmicos (ar, vento, água) e passa a conter vida microbiana. Antes desse momento, os fragmentos desagregados de uma rocha denominam-se regolito, pois nele ainda não há quantidade relevante de componentes biológicos. Assim, o solo possui vida e um ciclo evolutivo, daí a necessidade de sua conservação e cuidados. Os solos apresentam cores distintas. Isso está diretamente ligado à herança da “rocha-mãe”, somada aos demais componentes climáticos e biológicos. No Brasil, por exemplo, temos uma forte presença de solo avermelhado, o que indica o alto teor de óxido de ferro que é abundante no país. Solos escuros normalmente indicam forte presença de matéria orgânica e alta fertilidade. Podem ser ainda amarelos, cinza-claro, marrons ou alaranjados – ou seja, a diversidade de colorações é extensa.

Perfil de solo, da base para o topo. Descrição dos horizontes: C – Horizonte de rocha alterada. B – Horizonte de acumulação de argila, matéria orgânica e óxi-hidróxidos de ferro e de alumínio. A – Horizonte escuro, com matéria mineral e orgânica e alta atividade biológica. O – Horizonte rico em restos orgânicos em vias de decomposição. Note que o regolito junto aos horizontes A e B faz parte do solo (do latim solum = solo ou terra). O horizonte C é a parte do regolito que está subjacente ao solo, mas pode ser lentamente alterado nas suas partes superiores. Às vezes o regolito é tão fino que se funde inteiramente ao solo; em tal caso, ele repousa diretamente sobre o substrato.

Luis Moura

Ler

O

A

Solum

B

Alterita ou saprolito fino

C AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS

Alterita ou saprolito grosso

A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Fonte: LEPSCH, Igo F. Formação e conservação dos solos. São Paulo: Oficina de Textos, 2002. p. 20; BRADY, Nyle L.; WEIL, Ray R. The Nature and Properties of Soils. New Jersey: Pearson, 2008. p. 13.

Rocha

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando 1. Leia atentamente o texto abaixo: No século XVI, aceitava-se a explicação bíblica para a criação da Terra em poucos dias, há poucos milhares de anos atrás. Na segunda metade do século XIX, geólogos e físicos admitiram uma idade para a Terra de dezenas a poucas centenas de milhões [...] Durante o século XX e XXI tornou-se possível, finalmente, estabelecer a idade da Terra em 4,566 bilhões de anos. FAIRCHILD, T. et al. Geologia e a descoberta do tempo. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2010. p. 305.

Com base na afirmação, discuta a noção de tempo geológico e tempo humano. Registre as conclusões em forma de tópicos em seu caderno. 2. Elabore um desenho que represente esquematicamente a estrutura interna da Terra. 3. Estabeleça uma relação entre a localização das placas tectônicas e as áreas de ocorrência de sismos intensos (terremotos). 4. Explique e dê exemplos de uma força endógena do relevo e de uma força exógena. 5. Além de ser importante para a geografia estudar o relevo terrestre, a tabela geológica também auxilia a biologia a decifrar a evolução das espécies e a biota do planeta. Sendo assim, consulte a tabela geológica da página 107 e reproduza o quadro ao lado em seu caderno, indicando ao menos um evento geológico e outro biológico para os éons e as eras.

Era

Evento geológico

Evento biológico

Arqueano Proterozoico Paleozoico Mesozoico Cenozoico

Olhar cartográfico O Círculo (ou anel) de Fogo do Pacífico tem aproximadamente 40 000 km de extensão. Analise o mapa.

Allmaps

Círculo de Fogo do Pacífico Círculo Polar Ártico

U

L

D

O

E F

R Í

Fossa Kurilas Fossa do Japão

Fossa das Aleutas

Fossa de Izu Bonin Fossa de Ryukyu Fossa das Filipinas Fossa das Marianas OCEANO PACÍFICO Depressão de Challenger Fossa de Bougainville

Fossa de Porto Rico

Trópico de Câncer

Equador

Fossa de Java

Fossa de Tonga

Trópico de Capricórnio

OCEANO ATLÂNTICO

O

C

O G

C

Fossa da América Central 0°

Fossa do Peru-Chile

Fossa de Kermadec Fossa Sandwich 0

Fossa

2 884 120° L

180°

Círculo de Fogo do Pacífico 120° O

60° O

Fonte: PRESS, F. et al. Para entender a Terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 158.

1. Por quais continentes ele se estende? 2. Indique alguns países (ou regiões) que se localizam no Círculo de Fogo. 3. A área do Círculo de Fogo coincide com áreas de divisas de placas tectônicas? Explique. 4. É nessa região que localizam-se as maiores profundidades da Terra, as “fossas oceânicas.” Identifique algumas delas e aponte a razão da localização.

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO De olho na mídia

É muito comum encontrar na mídia matérias como a que você vai ler a seguir. Apesar disso, quase sempre as reportagens sobre terremotos e vulcões mencionam os mesmos países e áreas do globo. Leia a matéria, escrita em 2015, relacione-a com o que você estudou no capítulo e responda: por que não há grandes surpresas quanto aos locais onde ocorrem fenômenos naturais como o mencionado no texto?

SHAHID BUKHARI/AFP

Terremoto sacode o sul da Ásia e deixa mais de 280 mortos Um terremoto de magnitude 7,5 com epicentro na região norte do Afeganistão sacudiu nesta segunda-feira (26) vários países do sul da Ásia, anunciou o Instituto de Geologia dos Estados Unidos (USGS), deixando mais de 280 mortos e mais de mil feridos no Paquistão e no Afeganistão. Enquanto não é recuperada a comunicação com as áreas mais isoladas do território afegão e se saiba o alcance real da catástrofe, as autoridades paquistanesas informaram que pelo menos 154 pessoas morreram e outras mil ficaram feridas apenas nesse país. No Afeganistão, o número de mortos chegou a 84, segundo fontes locais consultadas pela Agência Efe, mas o governo considera certo que o total de mortes aumentará assim que houver mais informações de regiões remotas. O tremor aconteceu às 13h30 (hora local, 7h de Brasília) no nordeste do território afegão, na província de Badakhshan, que faz fronteira com Tadjiquistão, China e Paquistão. [...] No Paquistão, o país mais afetado, o terremoto deixou mais de 140 mortos. No Hospital Lady Reading de Peshawar, capital provincial de Khyber Pakhtunkhwa, cerca de 100 feridos foram internados, e na região de Swat pelo menos 194 pessoas foram transferidas a centros médicos. O terremoto foi sentido nas principais cidades paquistanesas, entre elas Lahore, Islamabad, Rawalpindi, Peshawar e Quetta e em algumas áreas as comunicações foram interrompidas. A província de Khyber Pakhtunkhwa foi a região que mais sofreu no Paquistão, com 123 mortos e 956 feridos. Nas áreas tribais de administração federal, também na fronteira com o Afeganistão, morreram 21 pessoas e 50 ficaram feridas. Já na província de Gilgit foram seis as vítimas fatais, conforme afirmou à emissora estatal o ministro da Informação, Pervez Rashid, que também confirmou a morte de três pessoas em Punjab e uma na Caxemira paquistanesa. Além disso, foi contabilizada a destruição de pelo menos cem casas na região tribal de Kurram e outras duzentas em Khyber Pakhtunkhwa. O governo do Paquistão emitiu uma declaração de emergência e ordenou a mobilização de todas as agências do país após o terremoto. “O primeiro-ministro (Nawaz Sharif) ordenou a todas as agências federais civis e militares a declaração imediata de emergência e a mobilização de todos os recursos para assegurar a segurança dos cidadãos do Paquistão”, indicou o governo. O epicentro do terremoto foi em Hindukush, região montanhosa escassamente povoada que faz parte da cordilheira do Himalaia e é compartilhada por Afeganistão e Paquistão. Apesar da distância do sismo, os tremores foram sentidos até em Nova Délhi, capital da Índia. Este terremoto é o de maior intensidade no sul da Ásia desde abril, quando um terremoto no Nepal de magnitude 7,8 deixou cerca de 9 mil mortos. TERREMOTO sacode o sul da Ásia e deixa mais de 280 mortos. UOL, 26 out. 2015. Fornecido pela Folhapress. Disponível em: <http:// noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/10/26/ terremoto-com-epicentro-no-afeganistao-sacode-o-sul-da-asia-e-deixamortos.htm>. Acesso em: 14 jan. 2016.

Mercado destruído por terremoto em Sargodha, no Paquistão, em 2015.

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Atividade em grupo Observem a tabela de tempo geológico a seguir. Escala geológica de tempo (com conversão para 24 horas) 24 horas

Duração (horas)

1 800 000

23:59:25

0:00:35

Terciário

65 000 000

23:39:12

0:20:13

Cretáceo

146 000 000

23:13:17

0:25:55

Jurássico

208 000 000

22:53:26

0:19:50

Triássico

245 000 000

22:41:36

0:11:50

Permiano

286 000 000

22:28:29

0:13:07

Carbonífero

360 000 000

22:04:48

0:23:41

Devoniano

410 000 000

21:48:48

0:16:00

Siluriano

440 000 000

21:39:12

0:09:36

Períodos

Cenozoica

Mesozoica

Paleozoica

Início em anos

Eras

Quaternário

Ordoviciano

505 000 000

21:18:24

0:20:48

Cambriano

544 000 000

21:05:55

0:12:29

Proterozoico

2 500 000 000

10:40:00

10:25:55

Arqueano

3 800 000 000

3:44:00

6:56:00

Hadeano

4 500 000 000

0:00:00

3:44:00

Nota: Observe que Hadeano, Arqueano e Proterozoico são considerados eras e períodos, simultaneamente. Essa classificação varia de autor para autor, pois alguns as classificam como éons. Fonte: BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Escala de tempo. Disponível em: <http://www.dnpm-pe.gov.br/Geologia/Escala_de_Tempo.php>. Acesso em: 7 out. 2015.

O professor irá dividir a sala em grupos e cada grupo representará uma era ou um período. 1. Qual a conclusão geral da comparação entre o tempo geológico e o tempo humano? 2. Qual a importância humana para a idade global do planeta? 3. Qual a era de maior duração? E a de menor duração? 4. Pesquisem: quais dessas eras possuem maior representatividade nas formações geológicas do território brasileiro?

SFM GM World/Alamy/Latinstock

O Arquipélago de Fernando de Noronha (PE) foi formado por erupções vulcânicas durante o período Neogeno. Na fotografia, Morro dos Dois Irmãos, 2014.

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CAPÍTULO 6

Relevo, minérios e solos brasileiros

A fotografia mostra uma área de mineração de areia em Guarulhos (SP), no ano de 2014. O município, que compõe a Região Metropolitana de São Paulo, localiza-se na unidade de relevo denominada Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste. Em termos geológicos, situa-se em área do escudo cristalino. Entre morros e colinas, há vales e terrenos de formação recente de constituição sedimentar localizados em áreas aluviais próximo a rios, como o Tietê e seus tributários. Tais condições geomorfológicas possibilitam a exploração da areia.

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Delfim Martins/Pulsar

Tópicos do capítulo Estrutura geológica do Brasil Classificação do relevo por Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Sáber e Jurandyr Ross Minério e mineral Províncias minerais do Brasil Solos brasileiros

Ponto de partida 1. Analise a imagem e:

ESCREVA NO CADERNO

a) associe a mineração de areia ao surgimento de água nos poços escavados pela atividade mineradora; b) cite os principais impactos ambientais que podem ser gerados com a atividade de mineração. Aponte uma solução para minimizar tais impactos. 2. Onde você mora há alguma atividade de exploração mineral? Você conhece algum município no qual haja tal atividade? Procure saber que tipo de mineração prevalece na sua região ou estado. E, então, identifique impactos ambientais decorrentes da exploração e se estão sendo tomadas as medidas corretas para compensá-los.

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1. Panorâmica geral do relevo brasileiro Assim como o clima, o tempo, o material de origem e os organismos vivos, o relevo é um dos fatores que está na gênese da formação dos solos. Você viu anteriormente que o relevo é resultado de complexas interações entre forças internas e externas. Agora, vai estudar as variações do relevo e dos solos no território brasileiro. Em linhas gerais, podemos caracterizar o relevo brasileiro como antigo e rebaixado. A senilidade do relevo brasileiro está relacionada, principalmente, à sua estrutura geológica, uma vez que sua morfologia externa é mais recente. Em outras palavras, a geologia é antiga, mas a geomorfologia, não, pois enquanto a estruturação é consequência de fatores endógenos ao relevo, a esculturação é produto das forças exógenas que estão constantemente esculpindo a morfologia brasileira. A modesta altitude de nosso relevo apresenta-se distribuída em variadas formas com denominações regionais (chapadas, serras, peneplanos, cuestas etc.), mas, genericamente, são chamadas de planícies, planaltos e depressões. ESCREVA NO CADERNO

Enfoque Conheça as novas altitudes dos pontos culminantes brasileiros

O IBGE concluiu, em junho de 2004, novas medições de sete pontos culminantes (mais altos) brasileiros, em parceria com o Instituto Militar de Engenharia (IME). O trabalho teve como principal objetivo rever as altitudes dos pontos mais elevados do país, utilizando recursos mais modernos e novas tecnologias, como o Sistema de Posicionamento Global (GPS) – sistema de navegação e posicionamento por satélite. A missão do IBGE nessa campanha, da qual participaram um técnico especializado em geodésia e dois engenheiros-cartógrafos, além dos militares responsáveis pela logística, foi retratar com precisão o território brasileiro.

Nome

Localidade

Estado

Altitudes novas (m)

1º Pico da Neblina

Serra Imeri

AM

2 993,8

2º Pico 31 de Março

Serra Imeri

AM

2 972,7

3º Pico da Bandeira

Serra do Caparaó

MG/ES

2 892,0

4º Pico Pedra da Mina

Serra da Mantiqueira

MG/SP

2 798,4

5º Pico das Agulhas Negras Serra do Itatiaia MG/RJ

2 791,5

6º Pico do Cristal

Serra do Caparaó

MG

2 769,8

7º Monte Roraima

Serra do Pacaraima

RR

2 739,3

Fonte: IBGE. Anuário estatístico do Brasil 2014. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/ periodicos/20/aeb_2014.pdf>. Acesso em: 6 out. 2015.

1. Qual foi o objetivo do IBGE ao medir os sete pontos culminantes do Brasil? 2. Em quais regiões se concentram os picos culminantes do país?

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2. Estrutura geológica do Brasil O relevo brasileiro insere-se na configuração geomorfológica do continente americano. Observe o mapa abaixo.

°O

12

PLANALTO DO COLORADO

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PLANÍCIE PLATINA

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Círculo Polar Antártico

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Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 64. Com atualizações.

É importante uma breve explanação sobre a geomorfologia americana. Em uma visão genérica, podemos afirmar que o continente americano apresenta três nítidos alinhamentos geomorfológicos dispostos no sentido leste-oeste, com compartimentos muito bem delimitados. • a leste, velhos escudos, genericamente chamados de planaltos, como o Planalto das Guianas, no Brasil;

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• ao centro, ampla presença de bacias sedimentares com destaque para as planícies e terras baixas, como a do Mississípi, nos Estados Unidos; • a oeste, produto do soerguimento orogênico em razão da tectônica de placas, temos um extenso cinturão de dobramentos modernos e, consequentemente, de cadeias montanhosas, como os Andes, ao sul, ou as Rochosas, ao norte. Os dobramentos modernos da América encontram-se sempre na vertente ocidental. A estrutura geológica do Brasil é bastante antiga e seu embasamento é essencialmente composto de escudos cristalinos e bacias sedimentares, embora se observem alguns dobramentos antigos associados aos escudos, como a Serra do Mar, a Serra da Mantiqueira e a Serra do Espinhaço. Observe o mapa abaixo.

Vertente: Região em declive e periférica que contorna outra região mais alta.

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Este é um mapa hipsométrico, ou seja, a representação da altimetria por meio das cores, em que o tom verde representa as terras baixas, e as cores escuras, as áreas mais elevadas.

Altitudes (em metros)

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OCEANO PACÍFICO

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Equador

Allmaps

Brasil: hipsometria

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Lagoa dos Patos

Lagoa Mirim

0

330

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 88.

Ressalte-se que não se trata de dobramentos modernos, mas de terrenos que datam, ainda, do Pré-Cambriano. Alguns desses escudos apresentam rochas que estão entre as mais antigas do mundo, como o Planalto das Guianas, que data do Arqueano. Já as bacias datam, em sua maioria, do Paleozoico e do Mesozoico, embora haja, igualmente, terrenos de sedimentação Cenozoica. Por possuir sedimentos dessas três eras geológicas, eras dos éon Fanerozoico, dizemos que as bacias possuem coberturas fanerozoicas. Em geral, 64% do território brasileiro é constituído por terrenos sedimentares, enquanto aproximadamente 36% são escudos, 32% do Arqueano e 4% do Proterozoico. Observe duas formas de representar a estrutura geológica brasileira nos mapas da página a seguir.

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Allmaps

Brasil: estrutura geológica

50º O

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50º O 50º O

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Estrutura da plataforma sul-americana

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OCEANO OCEANO ATLÂNTICO ATLÂNTICO

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Bacias sedimentares Bacias sedimentares fanerozoicas fanerozoicas 11 -- Amazônica Amazônica 22 -- do Maranhão do Maranhão

OCEANO PACÍFICO

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OCEANO ATLÂNTICO

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1

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1

Coberturas fanerozoicas Cadeia andina

Fonte: PIRES, Fernando R. M. O arcabouço geológico. In: GUERRA, Antonio J. T.; CUNHA, Sandra B. (Org.). Geomorfologia do Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. p. 18.

Faixas de dobramentos dobramentos do ciclo brasileiro brasileiro 1 - Brasília Paraguai-Araguaia 2 - Paraguai-Araguaia 3 - Atlântico Coberturas sedimentares sedimentares correlativas ao ao brasiliano brasiliano Crátons pré-brasilianos Crátons pré-brasilianos Amazônico 11 -- Amazônico São Francisco 22 -- São Francisco Sul-rio-grandense 33 -- Sul-rio-grandense

Fonte: ROSS, Jurandyr L. Sanches (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. p. 47.

Nas áreas sedimentares brasileiras, particularmente no sul, encontram-se alguns terrenos derivados de derrames basálticos do Mesozoico, ou seja, magma vulcânico solidificado há milhões de anos. Com o passar do tempo, a decomposição dessas rochas basálticas originou um solo fértil designado latossolo vermelho (“terra-roxa”), intensamente aproveitado pela agricultura. O fato de o Brasil localizar-se ao meio da placa tectônica sul-americana gera duas consequências: a ausência de dobramentos modernos e sismos de baixa intensidade. Praticamente não há registros de terremotos catastróficos no país; isso não implica, contudo, que não haja ocorrência de sismos no Brasil, eles existem e são muitos, porém de baixo impacto.

3. As leituras do relevo brasileiro As classificações mais difundidas do relevo nacional são aquelas elaboradas por três geógrafos paulistas de gerações distintas: Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Sáber e Jurandyr Ross. Na realidade, como o conhecimento é um processo acumulativo, à medida que avançavam as pesquisas e os recursos técnicos, a interpretação dos fatos da morfologia brasileira foi sendo aprimorada. O diferencial das últimas classificações é a consideração cada vez maior da ação dos fatores exógenos no modelado brasileiro. Vejamos, então, como esses professores classificaram o relevo brasileiro.

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3.1 Classificação de Aroldo de Azevedo

Allmaps

Relevo: classificação de Aroldo de Azevedo 50º O

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0

O professor da Universidade de São Paulo Aroldo de Azevedo (1910-1974) produziu seus estudos sobre o relevo brasileiro nos anos 1940. Até então, era bastante comum utilizar a classificação do geógrafo Delgado de Carvalho, um precursor da classificação geomorfológica e da sistematização do ensino de Geografia no Brasil. Partindo de uma perspectiva que considerava planaltos e planícies como as formas de relevo existentes no país, Aroldo de Azevedo realizou a classificação que define o planalto como a forma de relevo dominante no Brasil. Observe no mapa ao lado o relevo brasileiro segundo a classificação genérica desse importante geógrafo brasileiro.

540

Fonte: SIMIELLI, Maria Helena. Geoatlas. 33. ed. São Paulo: Ática, 2010. p. 105.

3.2 Classificação de Aziz Ab’Sáber

Allmaps

Relevo: classificação de Aziz Ab’Sáber 50º O

Equador

Planaltos das Guianas Brasileiro Central Meridional

OCEANO ATLÂNTICO Trópico de Ca p

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Nordestino Serras e Planaltos do Leste e Sudeste Maranhão-Piauí Uruguaio-Rio-Grandense Planícies Planícies e terras baixas amazônicas Planícies e terras baixas costeiras Planície do Pantanal

Fonte: ATLAS geográfico. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 32.

0

Nos anos 1960, um dos principais geógrafos brasileiros e geomorfólogo, Aziz Ab’Sáber (19242012), aperfeiçoou a proposta de Aroldo de Azevedo, colocando mais peso na influência morfoclimática no relevo brasileiro. Aziz Ab’Sáber pesquisou intensamente o Brasil em expedições e produziu inúmeros trabalhos científicos considerados a base da compreensão do espaço físico do país. Partindo da classificação de seu antecessor, ele manteve uma série de unidades batizadas por Aroldo de Azevedo, mas modificou outras, como o Planalto Nordestino, o Planalto do Maranhão-Piauí e as Serras e Planaltos do Leste e Sudeste, em substituição ao Planalto Atlântico; diminuiu a área do Planalto Central; e transformou a Planície dos Pampas de Azevedo em Planalto Uruguaio-Rio-Grandense. Observe o mapa ao lado, com a classificação de Aziz Ab’Sáber, e compare as classificações do relevo brasileiro.

540

Morfoclimática: Ação de esculturação do relevo em que o agente principal é o clima.

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3.3 Classificação de Jurandyr Sanches Ross Contudo, coube ao geógrafo Jurandyr Sanches Ross – que, como Aroldo de Azevedo e Aziz Ab’Sáber, igualmente está vinculado à Universidade de São Paulo – a maior “revolução” na forma de interpretar a classificação geomorfológica brasileira. Partindo das análises recolhidas junto ao Projeto RadamBrasil, do qual foi membro da equipe de pesquisadores que mapearam o país nos anos 1970 utilizando imagens de radar, o geógrafo paulista elaborou uma nova classificação das macrounidades do relevo brasileiro. A grande contribuição dessa nova proposta está no apontamento das depressões relativas como parte essencial da morfologia brasileira, fato até então pouco difundido. Porém, os planaltos continuam em destaque mesmo nessa nova leitura. Vejamos, então, no mapa a seguir, a proposta de Jurandyr Ross que apresenta 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies na composição do relevo brasileiro, e comparemos as três propostas apresentadas. Observando-se as três classificações, não restam dúvidas de que a classificação de Aroldo de Azevedo é a mais generalizante, enquanto a de Jurandyr Ross é a mais complexa e detalhada. Não há uma classificação oficial do relevo brasileiro, mas, sim, interpretações. Cada uma delas foi a mais difundida em seu respectivo período, sendo que a mais utilizada atualmente é a do professor Jurandyr Ross.

Projeto RadamBrasil: O Projeto Radam, ou Projeto RadamBrasil, foi responsável, nos anos 1970 e 1980, pelo levantamento dos recursos naturais de todo o território brasileiro, isto é, 8 514 215 km2. Todo o acervo técnico produzido pela equipe desse projeto encontra-se, atualmente, incorporado ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Allmaps

Unidades morfoesculturais de Jurandyr Ross 50º 50º OO

Planalto Planalto

Equador Equador

0º 0º

Bacias sedimentares Bacias sedimentares Planalto Amazônia Oriental Planalto da da Amazônia Oriental Planaltos e Chapadas Bacia Parnaíba Planaltos e Chapadas da da Bacia do do Parnaíba Planaltos e Chapadas Bacia Paraná Planaltos e Chapadas da da Bacia do do Paraná Intrusões e coberturas residuais plataforma Intrusões e coberturas residuais de de plataforma Planalto e Chapada Parecis Planalto e Chapada dosdos Parecis Planaltos Residuais Norte-Amazônicos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos Planaltos Residuais Sul-Amazônicos Planaltos Residuais Sul-Amazônicos Cinturões orogênicos Cinturões orogênicos Planaltos e Serras Atlântico Leste-Sudeste Planaltos e Serras do do Atlântico Leste-Sudeste Planaltos e Serras Goiás-Minas Planaltos e Serras de de Goiás-Minas Serras Residuais Alto Paraguai Serras Residuais do do Alto Paraguai Núcleos cristalinos arqueados Núcleos cristalinos arqueados Planalto da da Borborema Planalto Borborema Planalto Sul-Rio-Grandense Planalto Sul-Rio-Grandense

Depressões Depressões

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OCEANO OCEANO ATLÂNTICO ATLÂNTICO

Depressão da da Amazônia Ocidental Depressão Amazônia Ocidental Depressão Marginal Norte-Amazônica Depressão Marginal Norte-Amazônica Depressão Marginal Sul-Amazônica Depressão Marginal Sul-Amazônica Depressão dodo Araguaia Depressão Araguaia Depressão Cuiabana Depressão Cuiabana Depressão dodo Alto Paraguai-Guaporé Depressão Alto Paraguai-Guaporé Depressão dodo Miranda Depressão Miranda Depressão Sertaneja e do São Francisco Depressão Sertaneja e do São Francisco Depressão dodo Tocantins Depressão Tocantins Depressão Periférica da da Borda Leste da da Depressão Periférica Borda Leste Bacia dodo Paraná Bacia Paraná Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense

Planícies Planícies

OCEANO OCEANO PACÍFICO PACÍFICO

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Planície dodo rio rio Amazonas Planície Amazonas Planície dodo rio rio Araguaia Planície Araguaia Planície e Pantanal do do rio rio Guaporé Planície e Pantanal Guaporé Planície e Pantanal Mato-Grossense Planície e Pantanal Mato-Grossense Planície da da Lagoa dosdos Patos e Mirim Planície Lagoa Patos e Mirim Planícies e Tabuleiros litorâneos Planícies e Tabuleiros litorâneos

Fonte: ROSS, Jurandyr L. Sanches (Org.). Geografia do Brasil. 6. ed. São Paulo: Edusp, 2011. p. 53.

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Perfil topográfico Perfil topográfico é uma representação esquemática da altimetria (topos e desníveis) de uma dada superfície em um determinado ponto do mapa. Um local é previamente selecionado por meio de um traçado (corte topográfico) A-B no mapa, seguindo GER1_6.8c uma orientação (norte-sul; leste-oeste; noroeste-sudeste etc.). Veja abaixo três exemplos de perfis topográficos do relevo brasileiro.

Perfil norte-sul da região amazônica m Planaltos Residuais Norte-Amazônicos

3 000 2 000

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1 000 0

Planaltos Residuais Sul-Amazônicos

Planalto da Amazônia Oriental

Depressão Marginal Sul-Amazônica

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A

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Terrenos cristalinos

Terrenos sedimentares GER1_6.8b

Ilustrações: Allmaps

Perfil leste-oeste da região Nordeste m 3 000 2 000

Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba Rio Parnaíba

1 000

Planalto da Borborema Depressão Sertaneja

Tabuleiros litorâneos Oceano

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Terrenos cristalinos Terrenos sedimentares

GER1_6.8a Perfil leste-oeste das regiões Centro-Oeste e Sudeste

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Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná Pantanal Mato-Grossense

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Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste Depressão periférica Oceano

0 E

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Terrenos cristalinos Terrenos sedimentares

Fonte: ROSS, Jurandyr L. Sanches. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. p. 54-55 e 63.

4. Recursos minerais do Brasil Desde os primórdios, a humanidade demonstrou necessidade da exploração mineral e da busca de energia para sua sobrevivência. A localização de recursos minerais está diretamente ligada às províncias geológicas e às condições do relevo. Há uma propensão de áreas formadas por escudos cristalinos apresentarem riqueza de minerais metálicos, assim como as bacias sedimentares apresentarem ocorrência de combustíveis fósseis. Observe, no mapa da página seguinte, as províncias minerais no Brasil e a área de Carajás, um dos maiores projetos de exploração mineral do país.

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Exploração mineral e qualidade ambiental são dois aspectos que nem sempre caminham juntos. Explorar minérios quase sempre implica algum impacto ambiental e, por conseguinte, a indústria extrativa muitas vezes é considerada nociva ao ambiente em razão da rápida transformação e degradação que impõe à paisagem. Geralmente, os países de grande extensão territorial são ricos em recursos minerais, mas há alguns casos de países não tão grandes, mas riquíssimos em minérios, como a África do Sul, uma verdadeira anomalia geológica. Observe, no mapa abaixo, a localização das principais jazidas do mundo. Repare no intenso fluxo de comércio de recursos minerais e combustíveis fósseis entre os continentes.

Roraima

Allmaps

Brasil: províncias minerais 50° O

Baixo Paru/Jari

Parima

Serra do Navio Oriximiná Mapuera

Equador

Ipitinga

Gurupi

Pitinga Médio Amazonas

Parauari-Amana

Paragominas/ Rio Capim/ Capanema Carajás Nordeste Oriental Campo Alegre de Lourdes

Tapajós Alta Floresta

Centro-Norte de Goiás

Chapada Diamantina

OCEANO ATLÂNTICO

Bambuí

Quadrilátero Ferríferro

OCEANO PACÍFICO

Vale do Ribeira

Alto Uruguai/ Salto do Jacuí

Anomalia geológica: Os geólogos costumam considerar as jazidas minerais anomalias geológicas por serem raras na superfície terrestre.

Seridó Costeira Nordeste Oriental

Serra de Jacobina

Boquira

Guaporé Cuiabá

Apodi

Pegmatitos do Sudeste

Trópico d e

Capricó r

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Brusque-Itajaí Carbonífera do Sul

Províncias minerais Área do Projeto Grande Carajás

0

535

Fontes: INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA (IBICT). Mapa das províncias minerais brasileiras I e II. Disponível em: <http://recursosminerais.ibict.br/mapas/ provinciasMinerais1.html>. Acesso em: 18 jan. 2016; VALE. Projeto Ferro Carajás S11D: um novo impulso ao desenvolvimento sustentável do Brasil, 2013. Disponível em: <http://www.vale.com/ brasil/pt/initiatives/innovation/s11d/documents/book-s11d-2013-pt.pdf>. Acesso em: 18 jan. 2016.

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

0º MURMANSK

Círculo Polar Ártico

Allmaps

Planisfério: recursos minerais e combustíveis fósseis

MAR DO NORTE

NORILSK

MIRNYJ

URAIS

GRANDES LAGOS

para o Ja pão

HEBEI

APALACHES Meridiano de Greenwich

Dos EUA

ARIZONA TEXAS Trópico de Câncer

GOLFO DO MÉXICO

OCEANO PACÍFICO

MARACAIBO

Equador CARAJÁS MINAS GERAIS

GOLFO PÉRSICO

GOA

OCEANO ÍNDICO

BAKWANG

OCEANO ATLÂNTICO

COPPERBELT

MONT ISA

Trópico de Capricórnio KALGOORLIE

KIMBERLEY

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Círculo Polar Antártico

0

Jazidas continentais Minerais metálicos Ferro Cromo Manganês Níquel

Cobre Estanho Zinco Bauxita (alumínio)

OCEANO PACÍFICO

YUNNAN

BIHAR

2 425

Principais fluxos de comércio Gemas e metais preciosos Diamante Ouro Prata Minerais energéticos Urânio

Combustíveis fósseis Petróleo e gás natural Carvão Jazidas submarinas

Petróleo Carvão Menos intenso Mais intenso

Petróleo e gás natural Nódulos polimetálicos (Mn, Fe, N)

Fonte: ATLAS geográfico. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 111.

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Departamento Nacional de Produção Mineral <http://tub.im/aurhco> A seção pernambucana do Departamento Nacional de Produção Mineral, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, apresenta esse interessante portal com informações relevantes sobre a estrutura geológica brasileira, de maneira bastante didática.

Os minérios dividem-se em metálicos e não metálicos. Por sua vez, os minerais metálicos são divididos em ferrosos e não ferrosos. Os minérios estão contidos nas rochas, mas sua exploração só é viável quando um deles se encontra em concentração muito elevada. Nesse caso, temos uma jazida, que, como vimos, é uma anomalia geológica. Considera-se que uma rocha tem alta concentração mineral quando os minérios representam pelo menos 30% de sua composição, o que não ocorre normalmente. Uma jazida comercialmente explorada transforma-se numa mina. A noção de minério está intrinsecamente ligada à questão econômica e comercial, enquanto mineral é um conceito mais amplo, que diz respeito a uma composição inorgânica quimicamente definida e cristalizada, da qual o minério deriva. O Brasil é caracterizado pela forte diversidade e quantidade mineral, embora haja alguns minérios em que é deficitário, como chumbo, carvão e enxofre. A estrutura geológica brasileira composta de escudos e bacias sedimentares contribui para que o país seja privilegiado em muitos minérios. Normalmente, as riquezas minerais metálicas brasileiras estão situadas em terrenos arqueanos. Algumas das principais jazidas brasileiras podem assim ser classificadas: • minérios que o Brasil exporta: ferro, manganês, bauxita, nióbio, grafita, níquel, magnésio e caulim; • minérios em que o Brasil é autossuficiente: cal, diamante, ouro, titânio, talco, cromo e cobre; • minérios dos quais o Brasil é carente: chumbo, fosfato, potássio, zinco, enxofre, carvão e prata.

A Geografia na... poesia! Confidência do Itabirano Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança itabirana. De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço: esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil, este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas; este orgulho, esta cabeça baixa... Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!

ESCREVA NO CADERNO Rogério Reis/Pulsar

Navegar

ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 88. Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond - www.carlosdrummond.com.br.

• Identifique no poema o significado histórico-geográfico que o poeta enxerga na paisagem de sua cidade, transformada pela atividade mineradora. Estátua no Memorial Carlos Drummond de Andrade, Itabira (MG), 2009.

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4.1 Quadrilátero Ferrífero Localizado no estado de Minas Gerais, o Quadrilátero Ferrífero é uma das mais importantes áreas de mineração no Brasil desde a época do ciclo do ouro (final do século XVII), destacando-se em tempos mais recentes na produção de ferro e manganês. Hoje é responsável por 70% da produção nacional de ferro (hematita). Reveja a localização do Quadrilátero Ferrífero no mapa “Brasil: províncias minerais”, na página 137. Na aquecida área econômica do Quadrilátero, há vários municípios que vivem da mineração e da indústria. Essa área tem seus vértices nos municípios de Belo Horizonte, Congonhas do Campo, Mariana e Santa Bárbara e, no interior desse polígono, outros importantes centros, como Ouro Preto, Itabirito e Betim. Muitas dessas cidades vivenciaram um glorioso passado na época da mineração do ouro, principalmente durante o século XVIII. Foi nessa área de Minas Gerais que se desenvolveu, desde os anos 1940, uma das maiores mineradoras do mundo, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), atual Vale S/A, criada no governo Vargas e privatizada nos anos 1990. O minério de ferro da região abastece tanto as siderúrgicas brasileiras como o mercado externo. O escoamento da produção se faz pela Estrada de Ferro Vitória-Minas até o porto de Tubarão, no Espírito Santo, um dos mais importantes do país. No entorno do Quadrilátero temos a região econômica mais relevante de Minas Gerais, o terceiro estado mais rico da União. A demanda mundial por minério de ferro, motivada pela ascensão econômica da China nos últimos anos, elevou a produção brasileira para aproximadamente 400 milhões de toneladas por ano, sendo que mais da metade dessa produção concentra-se no Quadrilátero Ferrífero, que vem assistindo a uma retomada e nova expansão do setor extrativista no norte de Minas Gerais, no qual as reservas de hematita ainda não estão plenamente mensuradas. De acordo com dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em 2013 o Brasil possuía a segunda maior reserva de minério de ferro do planeta, atrás apenas da Austrália. Em 2014, foi o terceiro maior produtor mundial, atrás da China (maior produtor) e da Austrália.

Conversando com a... História!

ESCREVA NO CADERNO

Leia o texto e responda às questões a seguir. Ouro Preto e a maioria das cidades do ouro permaneceram por mais de um século mergulhadas em bases econômicas muito frágeis. Três fatores deverão ser aqui considerados para explicar por que Ouro Preto e todo seu acervo como patrimônio histórico foi preservado. Primeiro, pelo fato de não ter se estabelecido nesta região as grandes lavouras monocultoras que passaram a se implantar no sudeste brasileiro, como a da cana-de-açúcar e a do café no início do século XIX; segundo, pelo fato de ter exercido a função político-administrativa de capital de província até alguns anos após a proclamação da república brasileira, em 1889, função de certa forma compatível com todo aquele acervo arquitetônico; terceiro, por ter sobrevivido às investidas da industrialização que se fortalecia nas cidades do sudeste brasileiro. SCARLATO, Francisco Capuano. Ouro Preto. Cidade histórica da mineração no sertão brasileiro. Madrid: Anales de Geografía de la Universidad Complutense, n. 16, 1996. p. 123-141.

1. Em que período da história a região mencionada no texto viveu seu apogeu? Qual era o status político de Ouro Preto nesse período? 2. Como a estrutura geológica da região favoreceu a economia mineira? 3. Até essa época, a ocupação do território brasileiro restringia-se às faixas litorâneas. Com o advento da mineração, iniciou-se um novo fluxo migratório para o interior. O processo de povoamento de Ouro Preto e das demais cidades vizinhas teve de vencer obstáculos naturais. Quais? 4. A cidade histórica de Ouro Preto é considerada um patrimônio histórico e artístico nacional e patrimônio cultural da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). a) Por que Ouro Preto é assim considerada? b) Qual é a relação entre o funcionamento da economia de Ouro Preto e a preservação de seu patrimônio histórico e acervo arquitetônico?

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4.2 Serra de Carajás

Phil Clarke Hill/In Pictures/Corbis/Latinstock

A Serra de Carajás, localizada no estado do Pará, é a maior jazida de minério de ferro explorada do mundo. (Reveja sua localização no mapa “Brasil: províncias minerais”, na página 137.) Além de ferro, ela concentra grande quantidade de manganês, cobre, ouro e níquel. Foi descoberta acidentalmente em 1967, quando um helicóptero pilotado por um geólogo a serviço de uma mineradora estadunidense, a United States Steel Corporation, foi atraído pelo magnetismo do que viria a ser a maior jazida de minério de ferro do mundo. Sua exploração teve início em 1980, por meio do Projeto Grande Carajás, e ficou a cargo da então Companhia Vale do Rio Doce. Atingindo uma área próxima a um milhão de quilômetros quadrados, envolveu os estados do Pará, Maranhão e Tocantins. Para a extração dos minérios, foi montada uma infraestrutura que priorizou a exportação, com a construção da Estrada de Ferro de Carajás (EFC), interligando as minas aos terminais marítimos da Ponta da Madeira e Itaqui, ambos no Maranhão. Em 2015, Carajás, o Quadrilátero Ferrífero (MG) e Corumbá (MS) eram as principais regiões produtoras de minério de ferro do Brasil. Para viabilizar a grande infraestrutura necessária ao Projeto Grande Carajás (ferrovias, instalações portuárias, energia, entre outros), o governo brasileiro despendeu vultosos investimentos públicos, estabelecendo um importante corredor de exportação de minérios. Desde o início do projeto, o principal comprador desses minérios foi o Japão, que agora tem como concorrente a China. Devemos considerar que esses dois principais interessados nos minérios de Carajás são, igualmente, os maiores produtores mundiais de aço.

Exploração de minério de ferro na Serra de Carajás (PA), 2014.

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4.3 Serra do Navio O tipo de exploração que se sucedeu no município da Serra do Navio, no estado do Amapá, é um exemplo a não ser seguido no setor extrativista. Já esteve um dia entre as principais jazidas de manganês do mundo, mas a exploração irresponsável levou ao esgotamento e à consequente decadência da região (reveja sua localização no mapa “Brasil: províncias minerais”, na página 137). Nos anos 1950, a empresa brasileira de mineração Icomi ganhou a licitação para a exploração do manganês. Para viabilizar a produção, construiu a Estrada de Ferro do Amapá e o Porto de Santana, instituindo um corredor de exportação. Tão logo se iniciou a exploração, a Icomi associou-se a uma mineradora estadunidense, a Bethlehem Steel Co., com a conivência do governo brasileiro na época. A exploração à exaustão levou ao esgotamento total do minério nos anos 1980. Hoje, a região tenta se reerguer por meio do turismo.

Localizado na região pantaneira no estado de Mato Grosso do Sul, o Maciço de Urucum é a terceira maior jazida em concentração de ferro e manganês do país. Observe a fotografia abaixo e o mapa ao lado. Sua exploração, no entanto, é modesta, por causa da distância dos grandes centros industriais e, sobretudo, da estrutura pouco adequada para o escoamento da produção.

Maciço de Urucum Allmaps

4.4 Maciço de Urucum

55° O

MATO GROSSO

BOLÍVIA Corumbá

GOIÁS

MATO GROSSO DO SUL Campo Grande

SÃO PAULO

Fonte: BOGGIANI, Paulo César et al. Recursos minerais não metálicos do estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Revista do Instituto Geológico, São Paulo: Instituto Geológico, Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, v. 19, n. 1-2, p. 32, dez. 1998. Disponível em: <http://www.ppegeo.igc.usp.br/pdf/rig/ v19n1-2/v19n1-2a04.pdf>. Acesso em: 6 out. 2015.

PARAGUAI Trópico de Capricórnio Maciço de Urucum

PARANÁ

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Mario Friedlander/Pulsar

Mineração de minério de ferro e manganês no Maciço de Urucum, Corumbá (MS), 2014.

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4.5 Serra de Oriximiná – Vale do Trombetas A Serra de Oriximiná, no vale do rio Trombetas, no estado do Pará, concentra imensa riqueza de bauxita, matéria-prima para a transformação em alumina e alumínio (reveja sua localização no mapa “Brasil: províncias minerais”, na página 137). Assim como Carajás, a riqueza da região foi descoberta nos anos 1960 e a exploração teve início na década seguinte. Atualmente, 70% da produção nacional de alumínio provêm dessa região. Para a exploração, foram instituídos os projetos Alumínio Brasileiro S/A (Albras), Alumínio do Norte do Brasil S/A (Alunorte) e Alumínio do Maranhão S/A (Alumar), que respondem por grande parte da produção nacional e da exportação. Empresas brasileiras e japonesas estão envolvidas com o grande Projeto Trombetas de Oriximiná. Nos anos 1970, foi constituída uma joint venture – a Mineração Rio do Norte (MRN) –, composta de empresas estatais, privadas nacionais e multinacionais para dinamizar a exploração do alumínio em Oriximiná. O interesse e a participação de empresas estrangeiras nas riquezas minerais amazônicas são intensos, bem como em outros projetos de exploração do ferro e do manganês. Essas empresas têm descontos generosos no custo energético para tocarem seus projetos. A usina hidrelétrica de Tucuruí, por exemplo, foi construída com recursos estatais e subsidia interesses estrangeiros que se instalaram na região. Observe, na imagem a seguir, a barragem da Usina de Tucuruí. Em 2013, Guiné, com 7,2 bilhões de toneladas, e Austrália, com 6 bilhões, eram os países que possuíam as duas maiores reservas mundiais de bauxita, seguidos por Vietnã (2,1 bilhões de toneladas) e Jamaica (2 bilhões de toneladas). Mesmo que naquele mesmo ano o Brasil apresentasse uma reserva de 714 milhões de toneladas, quantidade bem menor que a das quatro citadas, em 2013 nosso país era o terceiro maior produtor mundial de alumínio, atrás apenas da Austrália e da China, respectivamente. Ricardo Lima/Futura Press

Joint venture: Situação em que duas ou mais empresas se unem para um empreendimento conjunto, fundando uma terceira companhia submetida a elas. Comumente a associação é por um longo período, mas com prazo de validade determinado.

A Usina de Tucuruí, no rio Tocantins (PA), a segunda maior do país, foi construída como parte integrante desses projetos de interesse de empresas estrangeiras, e é uma grande geradora de energia para a região Norte. Fotografia de 2014.

4.6 Mapuera e Rondônia

Navegar Embrapa <http://tub.im/kujcgf> O site da Embrapa é o mais completo portal brasileiro sobre solos. Ótimo para estudar o assunto.

O Brasil possui a terceira maior reserva mundial de estanho (cassiterita), atrás apenas de China e Indonésia, e é o quinto produtor mundial, após China, Indonésia, Peru e Bolívia. Mapuera, no Amazonas, e a província estanífera de Rondônia (província Guaporé) são as duas principais áreas exploratórias (reveja sua localização no mapa “Brasil: províncias minerais”, na página 137). Além das jazidas estudadas, o Brasil se destaca ainda por ter as maiores reservas mundiais de nióbio e por ser responsável, em 2013, por 98% de sua produção mundial, com particular destaque para a região do Triângulo Mineiro (representado pelas cidades de Uberlândia, Uberaba, Araguari, Araxá, Ituiutaba, Iturama, Frutal, entre outras); caulim (nos estados de Amazonas, Amapá e Pará); níquel (nos estados de Goiás e Pará) e muitos outros minérios.

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5. Solos brasileiros A grande variedade de tipos de solos no Brasil é determinada pelo clima tropical úmido, pelo relevo, pela rocha de origem, pela vegetação e pelos organismos vivos presentes no território. O Brasil situa-se majoritariamente na zona tropical do planeta; logo, o intemperismo é intenso em razão da marcante presença de chuvas e de altas temperaturas ao longo do ano, que contribuem para que o país apresente solos bastante desenvolvidos e profundos, o que não implica necessariamente alta fertilidade. Observe no mapa a seguir essa grande variedade de tipos e subtipos de solos no Brasil e repare no tipo de solo predominante no estado em que você vive. Brasil: solos

Equador

RR

RR

Equador

Allmaps

50˚ O

50˚ O

AP

AP

AM

AM

MA CE

PA MA

PA

PI AC

AC RO

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TO

RO

MT

MT

MS

PE

AL SE BA

OCEANO OCEANO ATLÂNTICO ATLÂNTICO

ES

ES SP RJ

RJ

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PR

SC

SC RS

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MG

SP

OCEANO PACÍFICO

PI PB

AL SE

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pricórnio órnio co de Ca de Capric Trópi Trópico

PE

DF

GO

MS

CE RN

BA

DF

OCEANO PACÍFICO

RS

0

405

Fonte: EMBRAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Mapa de solos do Brasil. Brasília, DF, 2012. Disponível em: <https://www. embrapa.br/image/journal/article?img_ 0 405 id=1516768&t=1395922949462>. Acesso em: 6 out. 2015.

Luvissolos Gleissolos Organossolos Luvissolos Organossolos Gleissolos Crômicos Pálicos Acinzentados Distróficos Háplicos Hêmicos Tiomórficos Órticos Crômicos Pálicos Acinzentados Distróficos Háplicos Hêmicos Tiomórficos Órticos Crômicos Órticos Amarelos Distrocoesos Sálicos Sódicos Planossolos Crômicos Órticos Amarelos Distrocoesos Sálicos Sódicos Planossolos Amarelos Distróficos Nátricos Órticos Neossolos Sálicos Órticos Nátricos Órticos Amarelos Distróficos Neossolos Sálicos Órticos Litólicos Distróficos Vermelhos Distróficos Háplicos Distróficos Háplicos Tb Distróficos Litólicos Distróficos Vermelhos Distróficos Háplicos Distróficos Háplicos Tb Distróficos Litólicos Eutróficos Háplicos Eutróficos Vermelhos Eutróficos Háplicos Ta Distróficos Litólicos Eutróficos Háplicos Eutróficos Vermelhos Eutróficos Háplicos Ta Distróficos Flúvicos Tb Distróficos Vermelho-Amarelos Distróficos Háplicos Ta Eutróficos Plintossolos Flúvicos Tb Distróficos Vermelho-Amarelos Distróficos Háplicos Ta Eutróficos Plintossolos Flúvicos Tb Eutróficos Pétricos Concrecionários Vermelho-Amarelos Eutróficos Latossolos Flúvicos Tb Eutróficos Pétricos Concrecionários Vermelho-Amarelos Eutróficos Latossolos Flúvicos Ta Eutróficos Háplicos Distróficos Brunos Distróficos Cambissolos Flúvicos Ta Eutróficos Háplicos Distróficos Brunos Distróficos Cambissolos Regolíticos Distróficos Húmicos Distróficos Amarelos Distróficos Vertissolos Regolíticos Distróficos Húmicos Distróficos Amarelos Distróficos Vertissolos Regolíticos Eutróficos Hidromórficos Órticos Háplicos Tb Distróficos Vermelhos Distroférricos Regolíticos Eutróficos Hidromórficos Órticos Háplicos Tb Distróficos Vermelhos Distroférricos Quartzarênicos Hidromórficos Ebânicos Carbonáticos Háplicos Tb Eutróficos Vermelhos Distróficos Quartzarênicos Hidromórficos Ebânicos Carbonáticos Háplicos Tb Eutróficos Vermelhos Distróficos Quartzarênicos Órticos Ebânicos Órticos Háplicos Perférricos Vermelhos Eutroférricos Quartzarênicos Órticos Ebânicos Órticos Háplicos Perférricos Vermelhos Eutroférricos Háplicos Órticos Háplicos Ta Eutróficos Nitossolos Vermelhos Eutróficos Háplicos Órticos Háplicos Ta Eutróficos Nitossolos Vermelhos Eutróficos Vermelhos Distróficos Espodossolos Vermelho-Amarelos Distroférricos Chernossolos Vermelhos Distróficos Espodossolos Vermelho-Amarelos Distroférricos Chernossolos Vermelhos Eutróficos Ferrihumilúvicos Hidromórficos Rêndzicos Saprolíticos Vermelho-Amarelos Distróficos Vermelhos Eutróficos Ferrihumilúvicos Hidromórficos Rêndzicos Saprolíticos Vermelho-Amarelos Distróficos Háplicos Distróficos Ferrihumilúvicos Hiperespessos Ebânicos Órticos Vermelho-Amarelos Eutróficos Háplicos Distróficos Ferrihumilúvicos Hiperespessos Ebânicos Órticos Vermelho-Amarelos Eutróficos Háplicos Eutróficos Ferrihumilúvicos Órticos Argilúvicos Órticos Háplicos Eutróficos Ferrihumilúvicos Órticos Argilúvicos Órticos Argissolos

Argissolos

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Dos 13 tipos de solos catalogados no país, há um predomínio do latossolo e do argissolo, que, juntos, compõem 58% dos solos brasileiros, seguidos do neossolo, com 13% da área nacional. O latossolo caracteriza-se por ser argiloso, antigo, de tom avermelhado, por causa da alta presença de óxido de ferro em sua composição. Também é poroso e de boa drenagem, mas com poucos nutrientes, em razão do excesso de chuva que “lava” o solo; portanto, ele possui baixa fertilidade. Contudo, o desenvolvimento tecnológico da agricultura brasileira nos últimos anos viabilizou o pleno aproveitamento do latossolo, agregando conhecimento técnico ao uso e manejo do solo. Um dos recursos mais utilizados é a calagem, correção da acidez que caracteriza esse tipo de solo com emprego de cal. Os latossolos ocorrem em praticamente todas as regiões brasileiras e nos mais variados subtipos climáticos e de rochas. Outro solo bastante presente no território brasileiro é o argissolo, também conhecido como podzólico. É menos profundo que o latossolo, igualmente pobre em nutrientes, ácidos e de baixa fertilidade. Apresenta, logo abaixo do horizonte A, uma camada arenosa que favorece a erosão. Observe nos mapas a seguir que o latossolo é predominante no Brasil. O terceiro tipo de solo mais comum no país é o neossolo. Trata-se de um solo pouco evoluído, formado por material mineral ou orgânico, com horizonte B ausente. É um solo pouco desenvolvido graças à pequena atuação dos processos responsáveis pela formação dos solos (adição, perda, translocação e transformação de matéria). Os fatores que geralmente impedem ou limitam a atuação desses processos são a resistência apresentada pela rocha original, a pouca disponibilidade de água, a localização em áreas com altas declividades ou em áreas sujeitas a inundações periódicas.

Brasil: argissolos 50˚ O

50° O

Equador

Equador

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO Trópico de

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

io Capricórn

Latossolos

Renato Bassani

Renato Bassani

Brasil: latossolos

Trópico de

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550

io

Capricórn

Argissolos

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Fonte dos mapas: BATISTA, Moema de Almeida; PAIVA, Denise Werneck de; MARCOLINO, Alexandre (Org). Solos para todos: perguntas e respostas. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2014. p. 21-26.

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5.1 O mito da terra roxa

5.2 Solo: preservação e degradação Perda de solo arável e crescimento demográfico formam uma relação indesejada. Portanto, o uso e a preservação do solo devem ser a meta de qualquer sociedade racional. Sabe-se da perda de milhões de hectares de solo por ano em todo o mundo por causa do uso inadequado. A recuperação de um solo degradado é bastante morosa e pode levar algumas gerações para ser reconstituído. Muitas vezes, a degradação leva à busca por outros solos que estão sob florestas, o que é uma solução enganosa, pois, além da destruição, normalmente solos florestais são inadequados à produção de alimentos. É plenamente possível, com as técnicas de manejo atuais, uma perfeita utilização e, simultaneamente, preservação dos solos tropicais que têm grande propensão à degradação por conta do alto índice pluviométrico dessas regiões. Observe, na fotografia a seguir, o preparo do solo para o plantio sem o uso de fertilizantes artificiais.

Nitossolo vermelho: Solo argiloso de cor avermelhada-escura bastante utilizado em atividades agropastoris por apresentar boa adaptabilidade a técnicas corretivas. Quando associado a relevos com topografia variada, apresenta elevado risco de erosão. Vertissolo: Solo mineral que surge em apenas 0,5% do Brasil, argiloso, normalmente pouco profundo e mal drenado.

É comum no ensino a classificação dos solos em: arenosos, argilosos, calcários e humosos. Ainda são frequentemente encontrados termos obsoletos na ciência do solo brasileiro, tais como: zonal, azonal, intrazonal, massapê, salmourão, terra roxa, chernozém, laterítico, aluvião, loess, entre outros. Esse tipo de conceituação encontra-se tão arraigado nos livros didáticos, e até mesmo em vestibulares e concursos públicos, que parece ter sido introduzida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), o que não é verídico. [...] LIMA, Marcelo Ricardo de. Uma análise das classificações de solos utilizadas no ensino fundamental: projeto de extensão universitária Solo na escola. Curitiba: UFPR, 2004. Disponível em: <www.escola.agrarias. ufpr.br/arquivospdf/Analiseclassificacaosolos. pdf>. Acesso em: 6 out. 2015

Técnicas adequadas de manejo garantem a fertilidade do solo por um longo tempo. Na fotografia, adubação do solo com esterco animal e casca de arroz, Santa Maria (RS), 2014.

Gerson Gerloff/Pulsar

Talvez você tenha estranhado não encontrar até aqui os tradicionais termos que provavelmente já ouviu falar sobre os solos brasileiros, tais como terra roxa, massapê, aluvião, entre outros. Não que tais denominações estejam erradas, mas essa nomenclatura já faz parte de um passado escolar, de um tempo em que se considerava a aparência do solo em detrimento de sua gênese, hoje o fator preponderante numa classificação pedológica. A maior parte do solo que é popularmente chamado de terra roxa situa-se na atual classificação de solos brasileiros como latossolo vermelho e outra parte como nitossolo vermelho. Há uma generalização muito grande daquilo que se convencionou designar como terra roxa, e o próprio nome carrega em si um erro de tradução, já que os italianos, que batizaram esse tipo de solo, chamavam-no de rosso, que em italiano é vermelho e não roxo. Já outro popular solo brasileiro, o massapê, tem na origem de seu nome seu aspecto: o nordestino o designou com base na expressão “amassar com o pé”. Na nova classificação, insere-se na categoria dos vertissolos. Igualmente ao ocorrido à terra roxa, houve uma imensa generalização, na qual o termo massapê foi utilizado para designar os mais variados tipos de solo. Um grave equívoco é associá-lo ao cultivo de cana-de-açúcar, quando na realidade é o latossolo que tem o mérito de concentrar a maior parte da produção canavieira brasileira.

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Antrópica: Ação humana ou período relativo à existência da vida humana na Terra. O mesmo que antropogênico.

Navegar Solo para todos: perguntas e respostas <http://tub.im/htufig> Documento em forma de perguntas e respostas produzido pela Embrapa a partir de questionamentos recebidos pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor.

O problema mais evidente dos solos brasileiros é a erosão. Ela pode ocorrer de forma natural ou ser agravada pela ação antrópica. A erosão natural é bastante lenta e muitas vezes é corrigida pela deposição de sedimentos ao longo dos anos, o que a compensa. A erosão antrópica, por sua vez, é agressiva e rápida, já que a intervenção humana acelera os processos erosivos naturais por meio da ocupação e do uso intensivo do solo. A erosão é mais frequente em lugares em que a proteção vegetal é retirada, deixando o solo exposto à ação da água ou do vento. No Brasil, o desmatamento é a grande causa de erosões. Uma gota de chuva tem ação destruidora em um solo desnudado. Chuvas torrenciais com enxurradas retiram partículas do solo e seus nutrientes, processo conhecido como lixiviação. Esses sedimentos são transportados pelas águas das chuvas para os rios que muitas vezes sofrem outro problema ambiental, o assoreamento, ou seja, o acúmulo de sedimentos arrancados do solo que são depositados nas partes mais baixas, enchendo o rio com terra e tornando-o vulnerável a enchentes.

Interagindo

ESCREVA NO CADERNO

Fabio Colombini

A imagem a seguir é de uma voçoroca, um grande dano ambiental causado pelo uso inadequado do solo, que é favorecida pelo tipo de clima e geomorfologia predominante no Brasil. Trata-se de uma feição linear, contínua, em forma de rasgo, no terreno resultante da ação erosiva do escoamento da água, que provoca a perda de massa de solo, inviabilizando-o, como você pode ver na imagem.

Voçoroca em fase de recuperação, em Mineiros (GO), 2014.

• A relação harmoniosa entre a sociedade e o meio físico deve ser uma busca constante. Partindo desse pressuposto, e com base no capítulo, aponte propostas para prevenir ou conter o aparecimento de voçorocas.

Tal qual a erosão, a desertificação pode ser de ordem natural ou antrópica. O uso inadequado do solo, associado ao desmatamento das mais variadas coberturas vegetais, pode acarretar a desertificação em áreas de clima árido, semiárido ou subúmido. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), aproximadamente 1/4 do planeta está sob o risco de desertificação. Observe no mapa da página seguinte as áreas com ocorrência de desertificação nos diferentes continentes.

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Desertificação 0º Círc ulo

Pola r Árt ico

Trópico de Câncer

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

Equador

OCEANO ÍNDICO

Trópico de Capricórnio

0

2 975

Meridiano de Greenwich

OCEANO PACÍFICO

Risco de desertificação Muito alto Alto Moderado

Fonte: ATLAS geográfico escolar. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008. p. 64.

Muito comum em áreas áridas e semiáridas é a prática da agricultura de irrigação, como na Ásia central e mesmo no Nordeste brasileiro. Contudo, se não for bem elaborada, tal prática pode provocar a salinização do solo e, consequentemente, a desertificação, como foi o caso de um dos maiores desastres ambientais do mundo, no mar de Aral, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, o que comprometeu aproximadamente 50% de sua área em razão da captação da água para irrigação. No Brasil, a principal área afetada pela desertificação é o Sertão nordestino, região de clima semiárido e que teve grande parte de sua vegetação original destruída para dar lugar à pecuária extensiva, ou mesmo para fornecer a biomassa florestal para suprimento energético. Problema similar, mas com nomenclatura conceitual distinta, a arenização (ou areais) ocorre no sudoeste do Rio Grande do Sul. Ali, igualmente, o dano ambiental foi agravado pelo uso inadequado do solo pela prática da pecuária e principalmente pelo cultivo da soja em áreas de arenito, o que expôs a rocha matriz, provocando o surgimento de dunas e areais em plena zona úmida. Observe, na fotografia abaixo, uma área em processo de arenização.

Salinização: Concentração de sal provocada pela evapotranspiração de solos, especialmente em áreas de ocorrência de agricultura de irrigação em localidades de evaporação muito intensa, particularmente em climas áridos, semiáridos e tropicais. A perda de água faz aumentar a concentração salina.

Mesmo em uma região com bom índice pluviométrico, cena desoladora de areais, um processo que começou há 200 milhões de anos, mas foi agravado pela ação antrópica. Na fotografia, areal próximo à cultura de soja em Manoel Viana (RS), 2014.

Gerson Gerloff/Pulsar

Um exemplo de desertificação é o que ocorre no Sahel, periferia sul do deserto do Saara. Nessa região de clima seco, a vegetação original de estepe foi substituída pela agricultura de subsistência, o que levou à expansão do deserto no início dos anos 1970. No começo deste século, imagens de satélite mostraram uma relativa diminuição do processo e, inclusive, a recolonização das estepes, o que deu certo alento ambiental à região. Contudo, na segunda década do século XXI, os sequenciais períodos de seca agravaram e contribuíram para novo avanço do processo de desertificação na região.

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando 1. Reveja o mapa “Brasil: estrutura geológica”, na página 133. Quais províncias predominam no Brasil? 2. Investigue e aponte qual a relação entre uma província geológica e a ocorrência de diferentes tipos de minerais. 3. Quais minérios o Brasil possui em abundância e em quais ele apresenta carência? 4. O termo “terra roxa” é amplamente difundido para designar o solo em partes do território brasileiro. Sobre isso, responda. a) Por que tal denominação é considerada imprecisa? b) Como é atualmente denominada a “terra roxa”? 5. Analise novamente o mapa “Planisfério: recursos minerais e combustíveis fósseis”, na página 137. a) Que critério você adotaria para indicar, dos minérios existentes no Brasil, quais são os relevantes para o país? b) Indique em quais regiões do mundo também há ocorrência de três dos mais relevantes minérios existentes no Brasil. c) Identifique dois minérios dos quais o Brasil é carente e aponte as regiões que os têm em abundância. d) De qual país o Brasil importa combustível fóssil? Que combustível é esse? Qual a intensidade desse fluxo? 6. Erosão e desertificação são dois processos que resultam em alteração negativa do solo. Compare e conceitue os dois processos.

Olhar cartográfico Observe novamente os mapas sobre a classificação do relevo brasileiro propostos por Aroldo de Azevedo (p. 134), Aziz Ab’Sáber (p. 134) e Jurandyr Ross (p. 135). Compare os mapas, identifique semelhanças e diferenças entre eles e responda às seguintes questões. 1. Em relação aos planaltos e às planícies, aponte a principal alteração e uma permanência existentes na proposta de Aziz Ab’Sáber, quando comparada com a classificação de Aroldo de Azevedo. 2. Escolha um tipo de planalto e um de planície que apareçam nas classificações de Aroldo de Azevedo e de Aziz Ab’Sáber e descreva se houve alteração em suas áreas. 3. Cite uma semelhança fundamental entre a classificação do relevo proposta por Aroldo de Azevedo e Aziz Ab’Sáber e que foi alterada por Jurandyr Ross. 4. Que alterações sobre as planícies ocorreram na proposta de Jurandyr Ross em relação às anteriores? Discorra sobre o que mudou em uma planície identificada nas três propostas. 5. Quais alterações sobre os planaltos Jurandyr Ross apresenta em relação às classificações anteriores?

Atividade em grupo O objetivo dessa atividade é ampliar o conhecimento sobre aspectos geológicos e geomorfológicos do município em que vivem. Para isso, reúnam-se em grupos com no máximo quatro pessoas e façam o que se pede. 1. Junto a órgãos públicos municipais, obtenham: • um mapa político de seu município; • um mapa geológico; • um mapa do relevo (cartas topográficas); • um mapa de uso do solo. É recomendável que os mapas estejam na mesma escala. Uma outra maneira de conseguir os mapas solicitados é pesquisando na internet em sites do governo do estado, em secretarias como as de Planejamento e da Agricultura, e em órgãos federais como: Ministério da Agricultura <www.agricultura.gov.br>, Ministério do Desenvolvimento Agrário <www.mda.gov.br>, do Incra <www. incra.gov.br>, entre outras fontes de pesquisa que podem ser indicadas pelo seu professor. 2. Analisem os mapas e identifiquem: a) a variação de altitude de seu município (máxima e mínima altitudes); b) o ponto mais baixo e o cume do município; c) se está localizado em área de bacia sedimentar ou escudo cristalino; d) o principal rio da região. 3. Façam uma cópia dos mapas e da carta topográfica. Utilizem uma das cópias para elaborar um mapa que sintetize algumas importantes informações retiradas dos mapas originais. Para isso: a) destaquem com canetas coloridas os itens identificados, como: rios, rodovias e área urbana; b) destaquem a linha de limite municipal; c) identifiquem os principais tipos de uso do solo (áreas urbanas e áreas de cultivo agrícola, por exemplo) e marquem-nos no novo mapa; d) construam uma legenda para esses itens. 4. Descubram se em seu município há áreas visíveis de erosão, como voçoroca, assoreamento e escorregamento de encostas. Em caso positivo, identifiquem sua localização (bairro e, se possível, rua) e marquem-na no mapa. Também insiram essa informação na legenda. 5. Dividam as funções entre os integrantes do grupo e, coletivamente, elaborem um painel do mapa montado por vocês.

De olho na mídia A notícia a seguir aborda a participação feminina em um setor até então restrito aos homens. Leia a matéria, discuta com seus colegas essa nova realidade e projete para outros setores da economia as possíveis mudanças na cultura quanto à presença da mulher no mundo do traba-

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lho, demonstrando qual sua opinião sobre o assunto. Para isso, responda às questões propostas ao final do texto. Mulheres na mineração Elas já são 20% dos trabalhadores de Serra Pelada e Carajás, mudam o cenário de lugares onde só homens podiam entrar e contam como enfrentam o dia a dia em um ambiente tão hostil A rotina é puxada. Para os trabalhadores das minas na região sul do Estado do Pará, o dia começa antes mesmo de a noite terminar. Às 4h, quando o céu ainda exibe um tom de azul-escuro profundo, a coordenadora de meio ambiente Euzenir Porto, 28 anos, já está de pé. Enquanto acorda o marido, o engenheiro mecânico Antônio Lima, 26, ela passa o café, tinge os lábios com batom e arruma seus apetrechos para mais um dia de trabalho. Na mochila, o capacete e os abafadores de ouvido dividem espaço com o estojo de maquiagem e um pequeno travesseiro, que será usado no trajeto de uma hora entre a cidade de Parauapebas, onde mora, e a mina de ouro da Colossus Geologia e Participações, em Serra Pelada. No lugar que ficou mundialmente conhecido por ter abrigado uma das maiores áreas garimpeiras do planeta, Euzenir representa a verdadeira conquista feminina. Ela é uma das mais de 130 trabalhadoras contratadas desde 2007 pela mineradora canadense Colossus, que em parceria com a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) conseguiu o direito de explorar novamente a região. Se até a década de 1990 a presença das mulheres era proibida entre os mais de 100 mil homens do garimpo, hoje elas não só circulam como também comandam a implantação da Nova Serra Pelada. Das funcionárias da Colossus, 10% ocupam cargos de gerência, assim como Euzenir, que deixou as praias de sua terra natal, em Porto Seguro, na Bahia, para chefiar 70 homens no monitoramento ambiental do projeto. “Não sinto preconceito ou insubordinação, mas já me disseram que tenho fama de brava”, conta, bem-humorada. Atraída pelos altos salários e desafios do setor, ela chegou a Parauapebas trazendo a mãe e as duas irmãs a tiracolo. Lá, casou-se com Antônio, teve a filha Letícia, 3 anos, comprou uma casa e um carro zero, ambos quitados [...]. A participação feminina entre os trabalhadores da mineração tomou impulso nos últimos dez anos. “As mulheres sempre estiveram nos garimpos acompanhando seus maridos de forma ilegal”, conta Luiz Carlos Celaro, diretor-geral da Colossus no Brasil. “Conforme o setor evoluiu e se profissionalizou, a mão de obra feminina passou a ser regularizada e requisitada”, diz ele. É uma enorme conquista. Na antiga Serra Pelada, associava-se a presença das mulheres à prostituição. Agora, elas formam um contingente qualificado, boa parte com curso superior de geologia e engenharia [...]. Para prosperar no garimpo, muitas têm de enfrentar o preconceito e a desconfiança masculinas. Tatiane Arouche, 25 anos, supervisora em segurança do trabalho, deparou-se com os desafios de lidar com os colegas de trabalho homens logo no início da profissão. Aos 19 anos, ela teve de advertir um peão de obra, com mais de 30 anos de serviço, que estava sem os equipamentos de segurança. “A resposta dele foi: ‘Você devia estar brincando de boneca com a minha filha’”, conta Tatiane. “Na hora senti vontade de chorar, mas me mantive firme e reforcei a bronca.” Desse dia em diante,

a maranhense, reconhecida pela seriedade com que manda em mais de 500 homens, guardou um conselho do pai, topógrafo: “Nunca fique sorrindo para peão de obra” [...]. A engenheira elétrica Cristiane Silva, 32 anos, tem outra estratégia para lidar com seus subordinados do sexo masculino. “Conquisto meus funcionários com humor, humildade e gentileza”, conta a paraibana de João Pessoa. Com apenas 1,52 m de altura, voz suave e rosto de criança, Cristiane também sabe se impor, quando acha necessário. “Já tive problemas com um eletricista […], que não gostava de receber ordens de mulher. Eu disse para ele: ‘Olha, não vou mudar o meu sexo, então você vai ter que me obedecer’”, diz. As dificuldades de aceitação entre os gêneros também foram sentidas por Cristiane durante a faculdade em Campina Grande. Em sua turma, havia apenas sete mulheres e 22 homens. Mesmo que não houvesse discriminação por parte dos colegas, ela testemunhou de perto o preconceito de um professor. “Ele achava que as mulheres só podiam se sentar no fundo da sala. Mas eu sentava bem na frente, afinal, era meu direito estar ali”, conta. [...] Mesmo com todos os avanços, a própria legislação reforça o preconceito ao limitar a participação feminina ao trabalho a céu aberto. Seguindo uma convenção internacional, um decreto-lei de 1938 proíbe que as mulheres atuem no subterrâneo. Elas só podem desempenhar funções acima do solo, não menos exigentes e desgastantes. “É uma lei completamente defasada”, lamenta Celaro, da Colossus. Mas o futuro é promissor. “As mulheres já afirmaram sua competência no setor de mineração e alguns gestores até preferem trabalhar com elas por sua determinação e disciplina”, reforça Luciana Magalhães, gerente regional de recursos humanos da Vale em Carajás. Prova de que nem as funções mais árduas são um impedimento para a ascensão profissional do chamado sexo frágil. ROCHA, Paula. Mulheres na mineração. Revista ISTOÉ, n. 2153, p. 52-55, 16 fev. 2011.

1. Segundo o texto, é recente a presença feminina nas áreas de garimpo? 2. Que mudanças ocorreram e quais conquistas as mulheres alcançaram com a legalização do trabalho feminino no garimpo? 3. A profissionalização do setor de mineração e a legalização do trabalho feminino nas atividades relacionadas às atividades de mineração foram suficientes para acabar com o preconceito e a discriminação em relação às mulheres nessas atividades? A que você atribui isso? 4. Faça uma breve pesquisa na mídia em busca de mais informações sobre o trabalho de mulheres nas atividades de garimpo. Registre o que for coletado comparando esses dados com as situações descritas no texto. Em seguida, converse com seus colegas sobre os avanços e os retrocessos na participação feminina em tais atividades. 5. No município onde você mora, há atividades profissionais em que a participação feminina é limitada? Quais? Em sua opinião, por que isso acontece?

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CAPÍTULO 7

Andreas Lander/Picture-alliance/Easypix Brasil

Hidrografia e recursos hídricos

Ponte hídrica sobre o rio Elba na região de Magdeburg, na Alemanha, 2015.

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Tópicos do capítulo A distribuição da água Bacias hidrográficas do mundo Bacias hidrográficas brasileiras Regiões Hidrográficas Aquíferos

Ponto de partida

ESCREVA NO CADERNO

A fotografia mostra uma ponte hídrica sobre as águas do rio Elba, na região de Magdeburg, na Alemanha. Sua construção iniciou-se há mais de 80 anos e foi concluída em 2003. A obra foi interrompida devido a turbulências geopolíticas como a Segunda Guerra Mundial, a separação das duas Alemanhas e a Guerra Fria. A ponte se insere no contexto de forte tradição europeia de aproveitamento hidroviário de seus rios. 1. Qual sua impressão inicial sobre a obra? Em seu entendimento, quais facilidades ela trouxe para o transporte na Alemanha? 2. O principal meio de transporte de cargas da região em que você vive é o mesmo do mostrado na fotografia? Compare como os recursos hídricos são aproveitados em sua região e na Alemanha.

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1. Água: distribuição desigual

Luis Moura

Total de água no mundo 2,5% água doce

97,5% água salgada

Luis Moura

Repartição dos recursos de água doce 0,3% água doce de lagos e rios

68,9% gelo e cobertura de neve nas regiões montanhosas

30,8% água subterrânea

Fonte dos gráficos: PHILLIPSON, Olly. Atlas geográfico mundial. Curitiba: Fundamento Educacional, 2011. p. 22.

A hidrografia é uma parte da hidrologia, ciência que estuda as águas, e corresponde aos corpos d’água que compõem uma determinada paisagem. Podemos entender por hidrografia a distribuição da água e as formas esculpidas por ela no relevo, bem como seus usos e as questões econômicas a ela relacionadas em um determinado lugar ou região. Recurso hídrico é a utilização da água nas mais diversas atividades humanas, como na agricultura, na indústria, nas residências, na geração de eletricidade, na navegação etc. A utilização indiscriminada dos recursos hídricos pode levar a sérias implicações ambientais; portanto, é um tema que cada vez mais merece a nossa atenção. Na condição de elemento primordial para a manutenção da vida, a água também é foco de políticas e conflitos, pois, embora abundante na Terra, a água disponível para utilização direta é limitada e desigualmente distribuída. Segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep, em inglês), de toda a água existente no planeta, apenas 2,5% é água doce, dos quais 70% estão sob a forma de neve e permanentemente gelada em regiões montanhosas, no Ártico e na Antártida; cerca de 30% estão armazenadas no subsolo; lagos de água doce e rios somam 0,3% do total existente; e na atmosfera, 0,4%. Observe a tabela abaixo e os gráficos ao lado. Distribuição natural da água

Oceanos Subsolo Água doce no subsolo Umidade do solo Glaciares e cumes gelados Lagos: água doce Lagos: água salgada Pântanos Rios Biomassa Vapor d’água Água doce Total

Quantidade (1 000 km³) 1 338 000 23 400 10 530 16,5 24 064 91,0 85,4 11,5 2,12 1,12 12,9 35 029,2 1 386 000

% na hidrosfera 96,5 1,7 0,76 0,0001 1,74 0,007 0,006 0,0008 0,0002 0,0001 0,001 2,53 100

% de água doce

Renovação anual (km³) 505 000

30,1 0,05 68,7 0,26

16 700 16 500 2 532 10 376

0,03 0,006 0,003 0,04 100

2 294 43 000 600 000

Nota: Como os valores passam por diversos arredondamentos, os totais indicados não equivalem à soma das partes. Fonte: RIBEIRO, W. Costa. Geografia política da água. São Paulo: Annablume, 2008. p. 25.

Pauta musical Planeta Água, Guilherme Arantes. Álbum: Amanhã. Columbia, 1996. Pauta: Ciclo da água.

Segundo dados da FAO/ONU, cada indivíduo precisa consumir, no mínimo, de 2 a 4 litros de água potável por dia. Para produzir a alimentação diária de uma pessoa, é necessário utilizar de 2 mil a 5 mil litros de água. Para se ter uma ideia, na produção de um quilo de arroz é necessário utilizar cerca de 3 mil litros de água; na de um quilo de carne bovina, gastam-se de 13 mil a 15 mil litros de água. Ocorre, porém, que nem a água nem as pessoas estão igualmente distribuídas pelo mundo. Existem áreas em que populações sofrem com o pouco acesso à água potável, como zonas urbanas desprovidas de água tratada ou situadas em regiões onde há pouca disponibilidade de água doce, enquanto em outras há abundância de água doce e baixa densidade demográfica, como, por exemplo, se verifica na Região Amazônica. Do total de água doce diretamente disponível, a maioria encontra-se fluindo pelos leitos dos rios, que também são desigualmente distribuídos pela superfície terrestre. Ao escoarem e desaguarem em outros rios, formam áreas denominadas bacias hidrográficas.

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2. As bacias hidrográficas Bacia hidrográfica pode ser definida como uma porção do relevo drenada por um rio principal e seus afluentes e que concentra as águas das chuvas provenientes do escoamento superficial, das nascentes, do lençol freático ou, ainda, das águas que escoam das partes mais altas da bacia. Observe, na imagem abaixo, a representação esquemática de uma bacia hidrográfica. Esquema de uma bacia hidrográfica

Interflúvio

Escoamento superficial

Subafluente Confluência Afluente

Escoamento subterrâneo Vale

Rio principal Limite da bacia hidrográfica

Luis Moura

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Fonte: ATLAS National Geographic: a Terra e o Universo. São Paulo: Abril, 2008. p. 20.

As bacias hidrográficas são áreas delimitadas pelas formas do relevo e se constituem pelo trabalho de escavação dos rios e de seus afluentes desde a sua nascente, no canal principal de drenagem no fundo dos vales, até desembocarem no mar, em lagos ou no subsolo. Quanto ao destino de suas águas, as bacias hidrográficas são classificadas como endorreicas, exorreicas, arreicas e criptorreicas. Vamos conhecer as características de cada uma delas. • Endorreicas: deságuam em lago ou em mar fechado; não chegam ao mar aberto ou oceano. • Exorreicas: suas águas são drenadas do rio principal e deságuam direto no mar aberto. • Arreicas: ocorrem quando as águas de um curso não seguem uma direção certa e desaparecem por infiltração no solo ou por evaporação, como os cursos d’água em regiões desérticas. • Criptorreicas: suas águas são drenadas em áreas subterrâneas, como em grutas e cavernas. Os rios principais funcionam como grandes coletores de fluxos d’água de seus afluentes, ou seja, dos rios que drenam suas águas para ele desde a montante, seguindo em direção à jusante. Interagem, nesse processo de modelagem, diversos fatores que contribuem na esculturação do relevo.

Navegar Águas de março <http://tub.im/9b4sij> Site da Agência Nacional de Águas, com enfoque para as comemorações e reflexões sobre o Dia Mundial da Água no Brasil. UN Water <http://tub.im/6dhgwe> Site das Nações Unidas para questões sobre a água. Clique na caixa “selecione o idioma” para ler em português. Montante: Local em que começa a correr a água de um rio; a montante = em direção a sua nascente. Jusante: Sentido em que flui a água de um rio em direção a sua foz; a jusante = em direção a sua foz.

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GER_11.6

Allmaps

Curvas de nível 800 1 200 1 400

1 000

1 200 1 000 800 600

400 800 600 200 0 metro

200

MAR

0 metro

Fonte: COMMISSION ON CARTOGRAPHY AND CHILDREN (ICA). Sociedade Brasileira de Cartografia. Disponível em: <http://cartografiaescolar.files. wordpress.com/2008/08/curva-de-nivel.jpg>. Acesso em: 7 out. 2015.

O traçado de um rio está diretamente ligado ao relevo. Uma das formas de identificar a inclinação e altitude do relevo em mapas é por meio das curvas de nível, nas quais são expressas suas respectivas cotas de altitude. O esquema ao lado mostra uma rede hidrográfica. As linhas das curvas de nível (laranja), com as cotas de altitude mais elevadas (números), representam a parte mais alta do relevo. Assim, conseguimos identificar em que direção os rios correm, uma vez que eles seguem para as áreas mais baixas e confluem com outros, formando as bacias hidrográficas. A hierarquia das maiores bacias hidrográficas do mundo não segue a mesma ordem dos maiores rios. Isso porque há bacias que possuem redes hidrográficas com mais rios e volumes de água do que outras. O rio Nilo, por exemplo, é o segundo maior rio em extensão do mundo, mas sua bacia é a sexta do planeta. Observe os maiores rios do mundo em extensão no mapa abaixo.

Allmaps

Maiores rios do mundo (em extensão) 0°

10

Círculo Polar Ártico

5 6

8 7

4 3

Trópico de Câncer

Equador

2

OCEANO PACÍFICO 1

OCEANO PACÍFICO

9

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO ÍNDICO

Círculo Polar Antártico

Meridiano de Greenwich

Trópico de Capricórnio

Maiores rios (extensão em km) 1 Amazonas (6 868) 2 Nilo (6 695) 3 Yang Tsé-Kiang (Azul) (6 380) 4 Mississípi-Missouri (6 212) 5 Ienissei (5 550) 6 Obi (5 410) 7 Hoang-Ho (Amarelo) (4 667) 8 Amur (4 368) 9 Zaire/Congo (4 371) 10 Lena (4 260)

0

2 325

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico escolar. São Paulo: FTD, 2007. p. 115.

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3. As maiores bacias hidrográficas do mundo Das diversas bacias hidrográficas do planeta podemos destacar algumas por suas grandes extensões. Duas delas têm considerável parte de sua área localizada no território brasileiro: a Bacia Amazônica e a Bacia do Rio da Prata ou Bacia Platina. Observe a tabela abaixo, que apresenta a área das oito maiores bacias hidrográficas do planeta e identifique-as no mapa a seguir. Repare em suas dimensões e imagine o volume de água presente em cada uma delas, seus ecossistemas e as possibilidades de aproveitamento nas atividades humanas. Maiores bacias hidrográficas

Localização

Área aproximada (km²)

1ª-

Bacia Amazônica

América do Sul

7 050 000

2ª-

Bacia do Congo

África

3 690 000

3ª-

Bacia do Mississípi

América do Norte

3 328 000

4ª-

Bacia Platina

América do Sul

3 140 000

5ª-

Bacia do Obi

Ásia

2 975 000

6ª-

Bacia do Nilo

África

2 867 000

7ª-

Bacia do Ienissei

Ásia

2 580 000

8ª-

Bacia do Níger

África

2 092 000

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico escolar. São Paulo: FTD, 2007. p. 115.

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

1

Allmaps

As maiores bacias hidrográficas do mundo

Círculo Polar Ártico

2

13

3 4

15

14

18

25

5

24

22

21 19

Trópico de Câncer

OCEANO ATLÂNTICO

8

Equador

Círculo Polar Antártico

OCEANO PACÍFICO

11

12 Meridiano de Greenwich

7

Trópico de Capricórnio

9

20

10

6

OCEANO PACÍFICO

17

16

OCEANO ÍNDICO

26

23

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 0

América do Norte 1 - Yukon 2 - Mackenzie 3 - Nelson 4 - Mississípi 5 - São Lourenço América do Sul 6 - Amazônica 7 - Platina Europa 25 - Danúbio

África e Oriente Médio 8 - Níger 9 - Lago Chade 10 - Congo 11 - Nilo 12 - Zambeze 24 - Eufrates e Tigre 26 - Orange

15 - Ienissei 16 - Lena 17 - Kolima 18 - Amur 19 - Ganges e Brahmaputra 20 - Yang Tsé-Kiang 21 - Indo 22 - Hoang-Ho

Ásia 13 - Volga 14 - Obi

Austrália 23 - Murray e Darling

2 400

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico escolar. São Paulo: FTD, 2007. p. 115.

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3.1 Bacia Amazônica

HUGHES Herve / hemis.fr/Alamy/Latinstock

Maior bacia hidrográfica do planeta, a Bacia Amazônica também comporta o maior rio do mundo em volume de água e extensão: o Amazonas. Sua nascente localiza-se na Cordilheira dos Andes, no Peru, a uma altitude de 5 270 metros. Drena em direção ao nível do mar, para desaguar no oceano Atlântico. Em território peruano, o rio recebe vários nomes. Ao entrar no território brasileiro, recebe o nome de Solimões. Em Manaus, a partir de sua junção com o rio Negro, passa a se chamar Amazonas. Vale destacar que o rio é o mesmo; ele apenas recebe denominações diferentes em razão dos lugares por onde passa.

© Google Earth 2016

Nascente do rio Amazonas, na Cordilheira dos Andes, Peru, 2013.

Delta do rio Amazonas em imagem captada por satélite, 2016.

Meandro: Trecho sinuoso de um rio, cujas curvas são realizadas em virtude do relevo plano.

A Bacia Amazônica se estende por sete países da América do Sul, e sua maior parte se encontra no território brasileiro. Os demais são: Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela e Guiana. Nas áreas com baixa declividade, o Amazonas flui formando meandros. Por conta de sua localização, a bacia recebe água dos hemisférios norte e sul, o que explica, em grande parte, o seu volume, já que em um deles é sempre verão, com chuvas abundantes naquela estação. Reveja no mapa “As maiores bacias hidrográficas do mundo”, na página 155, a localização da Bacia Amazônica.

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A Bacia do Congo é a maior bacia hidrográfica da África e a segunda maior do mundo em volume de água. Abrange áreas da Guiné Equatorial, do Gabão, de Camarões, do Congo, da República Democrática do Congo e de Angola. Reveja sua localização no mapa “As maiores bacias hidrográficas do mundo”, na página 155. O rio Congo é o segundo maior rio da África em extensão, ficando atrás apenas do rio Nilo. Originalmente, 25% das florestas tropicais localizavam-se nessa bacia; porém, o ritmo acelerado de desmatamento vem mudando esse cenário e colocando em risco de extinção diversas espécies vegetais e animais.

Yannick Tylle/Corbis/Latinstock

3.2 Bacia do Congo

Rio Congo, em Kinshasa, na República Democrática do Congo, 2011.

3.3 Bacia do Mississípi

Rio Mississípi, na cidade de Nova Orleans, Estados Unidos, 2015.

Mario Tama/Getty Images

A Bacia do Mississípi é a terceira maior do mundo, sendo superada apenas pelas bacias dos rios Amazonas e Congo. Localizada na área das grandes planícies centrais dos Estados Unidos, abrange 31 estados estadunidenses e duas províncias canadenses. Reveja sua localização no mapa “As maiores bacias hidrográficas do mundo”, na página 155. A forma dessa bacia assemelha-se a um grande funil, cujo bico deságua no Golfo do México. Essas águas levam consigo quantidades consideráveis de agrotóxicos e fertilizantes, utilizados nas áreas agrícolas das planícies centrais do país. Entre seus principais rios, merece destaque o Missouri, cerca de 200 km mais extenso do que o Mississípi. Além da relevância histórica no processo de formação do território dos Estados Unidos, os rios da Bacia do Mississípi (sobretudo o Mississípi e o Missouri) também têm grande importância econômica, pois neles funciona uma das mais movimentadas hidrovias do mundo. Desde a década de 1930, diversas barragens e eclusas foram construídas em seus cursos, o que favoreceu a navegação ao longo da extensão desses dois rios importantes citados. Hoje, cerca de 420 milhões de toneladas de produtos industriais, agrícolas, manufaturados e de ferro e aço cruzam anualmente o país de norte a sul.

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3.4 Bacia Platina Andre Chaco/Fotoarena

A Bacia Platina é formada por águas que correm em territórios do Brasil, da Bolívia, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. Reveja sua localização no mapa “As maiores bacias hidrográficas do mundo”, na página 155. Dos seus 3 140 000 km², 45% encontram-se em território brasileiro. Também conhecida como Bacia do Prata, subdivide-se em três grandes bacias: do Paraná, do Paraguai e do Uruguai. No Brasil também se encontra a maioria das nascentes dos principais rios. O rio Paraná, principal rio da bacia e segundo maior em extensão na América do Sul, recebe essa denominação na confluência dos rios Grande e Paranaíba, nas imediações dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Encontra-se com o rio Paraguai e chega à sua foz com o nome de Rio da Prata (daí o nome da bacia). O rio Paraná demarca a fronteira entre Brasil e Paraguai. Na fronteira entre os dois países encontra-se a Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu, uma das maiores do mundo, cujo reservatório de água alagou uma área de 1 350 km². Na Bacia do Paraná também se destaca o rio Uruguai, que nasce na Serra Geral, na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e desemboca no Rio da Prata. Nessa bacia localizam-se grandes áreas agrícolas e agroindustriais, o que a caracteriza como a maior região produtora de bens e serviços da América do Sul e que concentra a maior população. Alguns projetos de integração econômica, como o Mercado Comum do Sul (Mercosul), e a construção de hidrovias buscam intensificar as trocas comerciais entre os países que têm áreas territoriais na Bacia Platina.

Rio da Prata, em Punta del Este, Uruguai, 2015.

Starover Sibiriak/Shutterstock.com

3.5 Bacia do Obi A Bacia do Obi é a maior bacia hidrográfica da Ásia e está localizada em território russo; ela abarca áreas de estepes, tundras e semidesertos. Seu rio principal, o rio Obi, nasce nos Montes Atlas, na Sibéria, e deságua no oceano Glacial Ártico. Reveja sua localização no mapa “As maiores bacias hidrográficas do mundo”, na página 155. Uma peculiaridade importante desse rio é que, por sua localização, ele permanece congelado durante o inverno. Com o aumento das temperaturas, o degelo faz que o volume de água extrapole seu leito médio, provocando vastas inundações. Por ele, são arrastados blocos de gelo, vegetação e troncos de árvores.

Rio Obi, congelado em Novosibirsk, na Rússia, 2016.

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3.6 Bacia do Nilo

Photoshot/Easypix Brasil

A Bacia do Nilo abarca uma vasta área árida (do deserto do Saara e da África oriental) e apresenta baixa pluviosidade. Em relação às demais bacias hidrográficas do planeta, seu volume de água é pequeno. Ela abrange áreas dos seguintes países: Burundi, Egito, Eritreia, Etiópia, Quênia, República Democrática do Congo, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Uganda. Reveja sua localização no mapa “As maiores bacias hidrográficas do mundo”, na página 155. O rio Nilo, segundo maior rio do mundo em extensão, banha áreas de Uganda, Sudão, Sudão do Sul e Egito. Ao longo de seu percurso, recebe diversos nomes. Suas nascentes abastecem o lago Vitória, de onde segue por áreas áridas de deserto até atingir sua foz em forma de delta, no mar Mediterrâneo. O lago Vitória, localizado na fronteira entre Uganda, Tanzânia e Quênia, é o maior lago africano e um dos maiores do mundo. Por ser um rio perene e atravessar áreas áridas, as águas do Nilo tornam férteis suas margens e vales, especialmente em seu baixo curso, o que favorece o cultivo de alimentos pelos haRio Nilo, entre as cidades de Esna e Luxor, Egito, 2014. bitantes da região.

3.7 Bacia do Ienissei Delta: Forma aproximada de um triângulo que nomeia a foz de um rio, cujos sedimentos se acumulam e não são levados pelas correntes marítimas. Seu nome provém da letra grega (delta).

Russian Look via ZUMA Wire/Easypix Brasil

Vizinha à bacia do rio Obi, a Bacia do Ienissei ocupa áreas territoriais da Rússia e Mongólia. Reveja sua localização no mapa “As maiores bacias hidrográficas do mundo”, na página 155. Atravessando boa parte da Sibéria, o rio Ienissei passa por áreas de taiga pouco povoadas. Depois de receber água de vários afluentes, seu leito fica mais caudaloso. Nessas regiões do território russo foram construídas importantes usinas hidrelétricas. Seguindo para sua foz, o Ienissei corta áreas desérticas de tundra e deságua no mar de Kara, no oceano Ártico.

Represa Sayano-Shushenskaya no rio Ienissei, Rússia, 2015.

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3.8 Bacia do Níger

Pescadores no rio Níger, nas proximidades de Mopti, Mali, 2014.

Photoshot/Easypix Brasil

A Bacia do Níger está localizada na África Ocidental e abarca áreas territoriais de dez países: Argélia, Benin, Burkina Faso, Camarões, Chade, Costa do Marfim, Guiné, Mali, Níger e Nigéria. Reveja sua localização no mapa “As maiores bacias hidrográficas do mundo”, na página 155. Suas nascentes situam-se na Guiné e suas maiores áreas estão na Nigéria, no Mali e no Níger, países que dependem quase totalmente de seus recursos hídricos. O caso mais crítico é o do Níger, pois cerca de 90% de todos os seus recursos hídricos provêm de áreas para além de suas fronteiras, o que torna o país extremamente fragilizado. O rio Níger deságua no Atlântico e, como o Nilo, também tem sua foz em forma de delta. Esse exemplo do Níger, e que também se aplica ao Nilo, nos remete a uma questão central nos dias atuais: o uso compartilhado das águas internacionais. Muitas vezes, um rio que nasce em um país e corre para outro pode ser fator de conflitos políticos entre os países envolvidos. Como exemplo, citamos a tensão vivida entre os países do vale do Nilo. A Etiópia, que conta com boa parte das nascentes dos rios da margem direita do Nilo, situa-se numa posição privilegiada, enquanto Sudão e Egito ficam sujeitos ao uso que a Etiópia faz da água. Ou seja, o país que se situa a montante está em posição privilegiada quanto ao uso da água. Na década de 1980, a Etiópia ameaçou represar as águas que correm para o Egito, justificando a necessidade de construir uma barragem. O Egito não hesitou em responder que atacaria o país imediatamente após o início dessa construção, que até o momento não foi concretizada. Outro exemplo, agora na América do Sul, foi a divergência vivida entre Uruguai e Argentina quando o governo uruguaio quis instalar usinas de celulose no rio Uruguai. A Argentina, que fica a jusante e usa a água do rio para a irrigação em áreas agrícolas, protestou junto às instâncias internacionais. A situação ficou bastante tensa, mas, em 2010, com a ajuda internacional, os dois países firmaram um acordo de paz e cooperação ambiental e as usinas foram fechadas. Entre os países europeus, é comum a gestão compartilhada das águas da Bacia do Danúbio no sul e sudeste do continente, por exemplo.

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4. As bacias hidrográficas brasileiras No Brasil são identificadas grandes bacias hidrográficas. Algumas estão totalmente localizadas no território brasileiro, são as “genuinamente brasileiras”, como: Bacia do São Francisco, Bacia do Tocantins, Bacia do Atlântico Sul, trechos norte e nordeste, e Bacia do Atlântico Sul, trecho leste. As demais – Bacia do Amazonas, Bacia do Paraná, Bacia do Uruguai e Bacia do Atlântico Sul, trecho sulsudeste – também ocupam porções territoriais de outros países. Cada bacia hidrográfica é formada por rios importantes, seus afluentes e subafluentes. Vários desses rios servem como vias de transporte para a população, principalmente no norte do país. Nas outras regiões, há um intenso aproveitamento dos rios de planalto para a instalação de usinas hidrelétricas. Veja abaixo o mapa com as principais bacias hidrográficas do Brasil.

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Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Bacias hidrográficas no Brasil. Disponível em: <www.aneel.gov.br/area.cfm?id_area=104>. Acesso em: 7 out. 2015.

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TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO

4.1 Bacia do Amazonas

Vista aérea da usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu, em Altamira (PA), 2014.

Pauta musical Toca Tocantins, Nilson Chaves e Vital Lima. Álbum: Em Dez Anos. Outros Brasis, 1991. Pauta: Rio Tocantins.

Em território brasileiro, a Bacia Amazônica tem grandes e importantes afluentes do rio Amazonas, como os rios Negro, Trombetas, Madeira, Tapajós, Xingu, entre outros. Historicamente, os rios da Bacia do Amazonas são muito importantes para as comunidades ribeirinhas que vivem da pesca e fazem uso desses rios para o transporte de pessoas e mercadorias. Por muito tempo ressaltou-se o seu pequeno potencial hidrelétrico em terras brasileiras, por ter relevo com desníveis baixos, o que dificulta a instalação de hidrelétricas. Grandes quedas com alto volume de água configuram a situação ideal para movimentar as turbinas e gerar mais energia. Assim, o aumento na geração de energia é possível se a área de alagamento para abrigar o reservatório de água for maior. Na Bacia Amazônica, no estado do Pará, o represamento de 516 km², no município de Vitória do Xingu, para a construção da terceira maior usina hidrelétrica do mundo, Belo Monte, no rio Xingu, cobrirá imensas áreas de floresta, fato que tem provocado fortes controvérsias nacionais.

4.2 Bacia do Tocantins O Araguaia é o mais importante afluente do rio Tocantins e, juntos, constituem os principais rios dessa que é a maior bacia hidrográfica genuinamente brasileira. A Bacia do Tocantins ocupa aproximadamente 9% das terras do país. Suas águas, que escoam do planalto central em direção ao norte, banham o Distrito Federal e os estados de Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão.

Andre Dib/Pulsar Imagens

Vista aérea do rio Araguaia, Araguaiana (MT), 2014.

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Localizada totalmente em território nacional, a Bacia Bacia do rio São Francisco do São Francisco estende-se por uma área aproximada 45° O RN de 640 000 km², ocupando 8% do território. Como o CE MA próprio nome indica, o principal rio, coletor das águas da PB PI bacia, é o São Francisco. Os 2 700 km percorridos pelo rio PE passam pelos estados de Minas Gerais, Bahia, PernamPetrolina Paulo Juazeiro Afonso buco, Sergipe e Alagoas. Sua bacia engloba, ainda, parte AL Sobradinho do Distrito Federal e de Goiás. TO SE Originalmente, a Mata Atlântica cobria a área da caBarreiras beceira ou da nascente do rio, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, estado com o maior adensamento populaBA cional da bacia. O Cerrado é a vegetação original do alto 15° S OCEANO e médio curso do rio; a Caatinga, bioma presente em GO ATLÂNTICO 57% da bacia, ocorre no médio curso do rio e em direção DF a jusante. Veja o mapa ao lado. Montes Claros O clima semiárido predomina na maior parte da Bacia Pirapora do São Francisco, que corta áreas com baixíssima pluMG Três Marias viosidade sem secar. Portanto, o rio São Francisco é um rio perene, isto é, um rio que nunca seca. Isso ocorre, Divinópolis Belo sobretudo, em função da elevada pluviosidade e da rica 0 195 Horizonte ES drenagem em sua cabeceira, que escoa grande volume de água para o leito. Mas muitos outros rios na bacia são Curso do rio Habitantes Rio intermitentes, ou seja, seus leitos ficam secos em deterAlto 25 - 50 hab/km Principais barragens Médio >50 hab/km minadas épocas do ano em função da ausência de chuSubmédio vas e da evaporação das águas. Rio intermitente Baixo A Bacia do São Francisco abrange 504 municípios e SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS é fonte de vida para muitas pessoas. Atividades ligadas Fonte: HÍDRICOS DE SERGIPE. Comitê de Bacias Hidrográficas. Disponível em: <http:// à agropecuária e à pesca se destacam; há grandes áre- www.semarh.se.gov.br/comitesbacias/modules/tinyd0/index.php?id=48>. Acesso em: 7 out. 2015. as de cultivo de frutas cítricas e uva. A combinação de clima quente e água irrigada do rio possibilita o plantio Ver ao longo do ano. Espelho d’água – Uma viagem Porém, nem todos os municípios são beneficiados pelas águas do São Francisno rio São Francisco. Direção: co, uma vez que em alguns trechos e épocas do ano o nível da água apresentaMarcus Vinicius Cesar. Brasil, 2004. -se muito baixo. Um projeto de irrigação está sendo desenvolvido para transpor Lendas e histórias do rio longos trechos e levar água – por meio de canais artificiais – até essas áreas mais São Francisco são apresentadas secas da bacia, sobretudo no norte de Minas Gerais e no Sertão nordestino. neste filme.

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4.3 Bacia do São Francisco

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Colheita de uvas no vale do rio São Francisco, Petrolina (PE), 2015.

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4.4 Bacia do Paraná A Bacia do Paraná faz parte da Bacia Platina. Ela abrange áreas territoriais do Distrito Federal e dos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Originalmente formada em região de Mata Atlântica e Cerrado, apresenta grandes áreas de desmatamento. De acordo com o Censo 2010, ela abriga 32% da população do país, cerca de 54,6 milhões de pessoas, das quais 90% vivem em áreas urbanas. Como resultado não só da quantidade de pessoas, mas, sobretudo, do processo desordenado de ocupação do espaço, os rios dessa bacia sofreram diversos impactos ambientais. Nos grandes centros urbanos – como São Paulo, Brasília e Curitiba, entre outros –, é comum a canalização de córregos, e o crescimento desordenado dessas cidades levou ao aumento da demanda por água, ao passo que diminuiu a disponibilidade desse recurso em razão, por exemplo, da contaminação dos rios por esgotos domésticos e industriais. Vários rios da bacia encontram-se poluídos, como o Tietê e seus afluentes, o Tamanduateí e o Pinheiros, em São Paulo. O rio Tietê é bastante poluído no trecho que abrange a Região Metropolitana de São Paulo. Entretanto, graças a sua capacidade de autodepuração, os índices de poluição diminuem em seu trajeto até a desembocadura no rio Paraná. O Tietê atravessa praticamente todo o estado paulista no sentido leste-oeste.

A Geografia na... fotografia!

ESCREVA NO CADERNO

Clóvis Ferreira/Estadão Conteúdo

A fotografia permite, entre outras coisas, compararmos épocas e realidades distintas. Nas imagens abaixo, são mostrados dois momentos do rio Tietê, um dos mais importantes rios da Bacia do Paraná. Observe-as.

Patrícia Santos/Estadão Conteúdo

Rio Tietê, na cidade de São Paulo (SP), no começo do século XX.

Obra do artista plástico Eduardo Srur nas margens do rio Tietê, em São Paulo (SP), 2008.

• O que essas imagens traduzem? Em duplas, troquem ideias e elaborem um pequeno texto sobre esses dois momentos. Levem em conta o contexto socioespacial da época em que as fotografias foram tiradas.

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Christian Rizzi/Fotoarena

Vertedouro da usina hidrelétrica de Itaipu, no rio Paraná, 2015.

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Pela hidrovia Tietê-Paraná e sua interligação ao sistema multimodal, produtos agrícolas brasileiros chegam aos países do Cone Sul da América e também são exportados para outros países. Na fotografia, barcaça de transporte de grãos em Barbosa (SP), 2003.

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Em vários rios da Bacia do Paraná, foram construídas usinas hidrelétricas para abastecer a região mais populosa do país, como a de Itaipu (veja a fotografia ao lado). Atualmente, há pouco espaço para a construção de hidrelétricas de grande porte nessa bacia. Uma hidrovia de suma importância para a economia regional é a Tietê-Paraná. Formada pelos dois rios, é uma importante via de escoamento de uma das mais produtivas regiões agrícolas do país, atendendo especialmente à produção de grãos e cana-de-açúcar dos estados do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul (Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Paraná), além de atender também parcialmente ao escoamento dos produtos dos estados da Região Norte (Tocantins e Rondônia). É considerada a hidrovia do Mercosul, a aliança econômica que envolve Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. A hidrovia Tietê-Paraná tem grande importância econômica regional, nacional e internacional, pois ela integra um sistema multimodal – composto de rodovias, ferrovias e dutovias – que permite o escoamento de produtos agrícolas locais com destino à exportação. Existem projetos que estudam a ampliação da hidrovia para interligá-la à hidrovia do rio Paraguai. Observe o mapa ao lado e a imagem da hidrovia abaixo.

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Thomaz Vita Neto/Pulsar

uai e informações hidrovia do rio Paraná. São Paulo: Ahrana, Fonte: AHRANA. gDados Uru 2012. p. 3. Disponível em: <http://www.ahrana.gov.br/dados_informacoes.html>. Acesso em: 24 fev. 2015.

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Muitos rios brasileiros que deságuam no oceano Atlântico foram divididos em três bacias hidrográficas: norte e nordeste, leste e sul-sudeste. Essas bacias não são formadas por um grande rio coletor, e sim por diversos rios importantes e pequenas bacias. Esta é uma divisão oficial feita pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, em 2003; no entanto, ela não se enquadra necessariamente no conceito de bacia hidrográfica, mas é justificada por facilitar a coleta de dados hídricos e meteorológicos e a gestão hídrica dos rios que deságuam no oceano. A oficialmente chamada Bacia do Atlântico Sul, trechos norte e nordeste, conta com redes hidrográficas independentes e se divide em dois trechos: o norte e o nordeste. No trecho norte, suas águas escoam no norte da Bacia Amazônica. No trecho nordeste, compreendido entre a foz do rio Tocantins e a foz do rio São Francisco, os rios deságuam no Atlântico. Entre eles, destaca-se o rio Parnaíba, entre o Maranhão e o Piauí, cuja foz constitui um imenso delta no Atlântico. Reveja o mapa “Brasil: bacias hidrográficas”, da página 161, para localizar os rios mencionados no texto.

Rio Parnaíba, entre Teresina (PI), à esquerda, e Timon (MA), à direita, 2015.

Delfim Martins/Pulsar

4.5 Bacia do Atlântico Sul, trechos norte e nordeste

4.6 Bacia do Atlântico Sul, trecho leste Formada por rios que escoam pelos estados de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, do Espírito Santo, da Bahia e de Sergipe, destacam-se três rios coletores principais: Jequitinhonha, Doce e Paraíba do Sul. Seus limites são a foz do rio São Francisco e as imediações da divisa dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

4.7 Bacia do Atlântico Sul, trecho sul-sudeste A Bacia do Atlântico Sul, trecho sul-sudeste, abrange áreas dos estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e de São Paulo, bem como do território do Uruguai. No Brasil, destacam-se a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, os rios Jacuí, Jaguarão, Taquari, Ribeira do Iguape e seus afluentes.

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5. Brasil: o privilégio hídrico Navegar Conselho Nacional de Recursos Hídricos <http://tub.im/4mtvr5> Site do órgão consultivo e deliberativo, integrante da estrutura regimental do Ministério do Meio Ambiente.

Mananciais: Áreas de fontes de água superficial e subterrânea.

Leandro Couri/EM/D.A Press

Volume morto: Água que se localiza abaixo das comportas das represas. Considerada reserva técnica, a água ali localizada nunca havia sido utilizada antes para atendimento da população.

Denny Cesare/Estadão Conteúdo

Muito se fala que o país é privilegiado quando o assunto é a disponibilidade de água. E não é para menos. Além de ter um dos maiores litorais do planeta, o Brasil conta com a maior quantidade de água doce em estado líquido do mundo. No território brasileiro, há aproximadamente 11,6% de toda a água doce do planeta. As bacias hidrográficas do rio Amazonas, do rio São Francisco e do rio Paraná, juntas, cobrem perto de 72% do território brasileiro, e nelas se concentram aproximadamente 80% da produção hídrica do Brasil. Além disso, há grandes reservas subterrâneas. É importante que esses recursos hídricos sejam gerenciados de maneira responsável e com planejamento, para que tenhamos água limpa tanto para o consumo humano quanto para as atividades produtivas. Problemas como a poluição dos rios e dos lençóis freáticos por despejos de esgotos domésticos, industriais e por fertilizantes e agrotóxicos, aliados ao avanço do desmatamento das margens dos rios e à degradação das áreas de nascentes e de mananciais, estão presentes em todo o território e exigem cuidados especiais do poder público, das empresas e da sociedade civil. Entre 2013 e 2015, constatamos a situação extrema no estado de São Paulo, onde alguns de seus maiores reservatórios de água chegaram aos níveis mais baixos já registrados na região. Em maio de 2014, o nível de água das represas do sistema Cantareira chegou a apenas 8,2%. O poder público precisou adotar políticas de contenção no abastecimento de água em vários municípios e bairros da capital paulista. Além disso, foi necessário começar a utilizar água do volume morto do sistema para atender a população da Região Metropolitana de São Paulo. Em outubro, o nível ficou mais alarmante, chegando aos 2,9% do total do sistema. Foi preciso, então, incorporar a segunda cota do volume morto. Ainda em 2014, queimadas e estiagem prolongada secaram a principal nascente do rio São Francisco, no Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais. A água é um bem vital, e até há pouco tempo era considerada um recurso inesgotável. Agora se sabe que deve ser utilizada racionalmente, reaproveitada, e que suas áreas de nascente, ao longo e nas margens de rios, reservatórios naturais e foz devem ser protegidos e conservados. Dessa forma, diversas medidas e projetos estão em andamento em âmbito nacional. No início dos anos 2000, o Ministério do Meio Ambiente criou as Regiões Hidrográficas Nacionais. Elas agrupam administrativamente bacias hidrográficas com o intuito de melhor controlar e gerir a rede hídrica brasileira. Saiba mais sobre as Regiões Hidrográficas no infográfico das páginas 168 e 169.

Observe o solo ressecado pela falta de água em uma represa do sistema Cantareira, Joanópolis (SP), 2014.

Nascente do rio São Francisco completamente seca, São Roque de Minas (MG), 2014.

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Regiões Hidrográficas brasileiras 1 5

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AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

O que é? Região Hidrográfica é um espaço territorial no Brasil compreendido por uma bacia, grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas com características naturais, sociais e econômicas homogêneas ou similares.

2 3 Fonte: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE/ CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS. Resolução n. 32, 15 out. 2003.

1 Região Hidrográfica Amazônica É constituída pela parte da bacia hidrográfica do rio Amazonas situada no território nacional e, também, pelas bacias hidrográficas dos rios existentes na Ilha de Marajó, além das bacias hidrográficas dos rios situados no estado do Amapá que deságuam no Atlântico Norte.

2 Região Hidrográfica do Uruguai É constituída pela parte da bacia hidrográfica do rio Uruguai situada no território nacional, estando limitada ao norte pela Região Hidrográfica do Paraná, a oeste pela Argentina, e ao sul pelo Uruguai.

3 Região Hidrográfica Atlântico Sul É constituída pelas bacias hidrográficas dos rios que deságuam no Atlântico, trecho sul, estando limitada ao norte pelas bacias hidrográficas dos rios Ipiranguinha, Iririaia-Mirim, Candapuí, Serra Negra, Tabagaça e Cachoeira, a oeste pelas Regiões Hidrográficas do Paraná e do Uruguai, e ao sul pelo Uruguai.

4 Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental É constituída pelas bacias hidrográficas dos rios que deságuam no Atlântico, trecho nordeste, estando limitada a oeste pela Região Hidrográfica do Parnaíba, e ao sul pela Região Hidrográfica do São Francisco.

5 Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental É constituída pelas bacias hidrográficas dos rios que deságuam no Atlântico, trecho nordeste, estando limitada a oeste pela Região Hidrográfica do Tocantins/Araguaia, e a leste pela Região Hidrográfica do Parnaíba.

6 Região Hidrográfica Atlântico Leste É constituída pelas bacias hidrográficas de rios que deságuam no Atlântico, trecho leste, estando limitada ao norte e a oeste pela Região Hidrográfica do São Francisco e ao sul pelas bacias hidrográficas dos rios Jequitinhonha, Mucuri e São Mateus.

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O Brasil apresenta disponibilidade hídrica em abundância. No entanto, para que a água não seja mal utilizada e se torne escassa, é preciso planejar e gerenciar seu uso. Esses foram os objetivos da criação das Regiões Hidrográficas, que você vai conhecer a seguir.

Países com maior disponibilidade de água (em km3) - 2014 BRASIL

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Acesso à água Uma em cada dez pessoas no mundo não tem acesso à água. São cerca de 768 milhões de pessoas, quase quatro vezes a população do Brasil.

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Crédito do infográfico: Casa Paulistana

Água: O Brasil em relação ao mundo

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Fonte: ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A ALIMENTAÇÃO E A AGRICULTURA (FAO), 2014. Disponível em: <http://www.fao.org/nr/water/aquastat/data/query/results.html>. Acesso em: 7 out. 2015.

Consumo de água

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2008-2013 (litros/habitante/dia)

160

Fonte: UN-WATER. A Post-2015 Global Goal for Water: Synthesis of Key Findings and Recommendations from UN-Water, 2014. Disponível em: <http://www.unwater. org/fileadmin/user_upload/unwater_new/docs/Topics/UNWater_paper_on_a_Post-2015_Global_Goal_for_Water. pdf>. Acesso em: 7 out. 2015.

BRASIL 166,3 litros por habitante/dia

140 110 litros por habitante/dia é a quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde

7 Região Hidrográfica Atlântico Sudeste É constituída pelas bacias hidrográficas de rios que deságuam no Atlântico, trecho sudeste, estando limitada ao norte pela bacia hidrográfica do rio Doce, a oeste pelas Regiões Hidrográficas do São Francisco e do Paraná, e ao sul pela bacia hidrográfica do rio Ribeira.

120 Fontes: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE/CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS. Resolução n. 32, 15 out. 2003. FOLHA DE SÃO PAULO. Água no Brasil. Infográfico, 2015. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/infograficos/2015/01/118521agua-no-brasil.shtml>. Acesso em: 7 out. 2015.

100 80

8 Região Hidrográfica do Tocantins/ Araguaia É constituída pela bacia hidrográfica do rio Tocantins até a sua foz no oceano Atlântico.

9 Região Hidrográfica do Paraguai É constituída pela parte da bacia hidrográfica do rio Paraguai situada no território nacional.

Atividades

10 Região Hidrográfica do Paraná É constituída pela parte da bacia hidrográfica do rio Paraná situada no território nacional.

11 Região Hidrográfica do Parnaíba É constituída pela bacia hidrográfica do rio Parnaíba.

12 Região Hidrográfica do São Francisco É constituída pela bacia hidrográfica do rio São Francisco.

ESCREVA NO CADERNO

1. Não. Há regiões em que há disponibilidade de água em abundância, como na Região Hidrográfica Amazônica, do Tocantins/Araguaia, do Paraguai, do

1. O Brasil é o país que apresenta maior disponibilidade de água no mundo. É possível verificar essa abundância em todas as regiões do país?

Paraná e mesmo nas Regiões Hidrográficas Atlântico Sul, Sudeste e, em termos relativos, no sul do Atlântico Leste. Porém, na Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental, e em parte das Regiões Hidrográficas do Parnaíba e do Atlântico Leste ocorre o oposto, são regiões que apresentam baixa disponibilidade hídrica. O que eleva a média de disponibilidade hídrica no país é abundância de água superficial nas demais regiões.

2. A gestão das águas por meio da criação das Regiões Hidrográficas pode equalizar o abastecimento de água a toda população brasileira?

2. A gestão da água em cada Região Hidrográfica busca atender às respectivas populações com água tratada, mas não equaliza o atendimento, pois cada Região possui diferentes realidades, como nível de água superficial, números de habitantes e condições físicas e climáticas.

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Conversando com a... Química!

Os rios mais poluídos do Brasil são aqueles que percorrem extensos trechos urbano-industriais e, na maioria das vezes, atravessam metrópoles. Veja no quadro abaixo os dez rios brasileiros mais poluídos segundo estudos do IBGE (2010).

Rios mais poluídos do Brasil Posição

Rio

Estado

1

Tietê

SP

2

Iguaçu

PR

3

Ipojuca

PE

4

Rio dos Sinos

RS

5

Gravataí

RS

6

Rio das Velhas

MG

7

Capibaribe

PE

8

Caí

RS

9

Paraíba do Sul

RJ

10

Doce

MG

Fonte: IBGE. Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS): Brasil 2010. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: <http://www.biblioteca.ibge.gov.br/ visualizacao/livros/liv46401.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2016.

Para aferir o Índice de Qualidade das Águas (IQA), o IBGE informa o seguinte: As variáveis utilizadas nesse indicador são a demanda bioquímica de oxigênio (mg/L), a temperatura (ºC), o pH, o oxigênio dissolvido (%), a quantidade de coliformes fecais (NMP/100 mL), o nitrogênio/nitrato total (mg/L), o fósforo/fosfato total (mg/L), o resíduo total (mg/L) e a turbidez. Todos esses parâmetros são medidos na água dos rios e das represas. Com base nessas variáveis são obtidos dois indicadores de qualidade de águas interiores: a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e o Índice de Qualidade das Águas (IQA). A DBO mede a quantidade de oxigênio necessária para degradar bioquimicamente a matéria orgânica presente na água. Quanto maior a DBO, pior é a qualidade da água. O IQA é um indicador de qualidade da água obtido por meio de uma fórmula matemática que usa como variáveis (parâmetros) a temperatura, o pH, o oxigênio dissolvido, a demanda bioquímica de oxigênio, a quantidade de coliformes fecais, o nitrogênio, o fósforo e o resíduo total dissolvido e a turbidez, todos medidos na água. Quanto maior o valor do IQA, melhor a qualidade da água. Considerando o quadro e seus conhecimentos de Química e Geografia, responda: 1. Que regiões concentram os rios mais poluídos do Brasil? Identifique algumas metrópoles das regiões por onde passam esses rios e aponte os motivos da poluição. 2. Como ocorre a poluição química desses rios? 3. A remoção de resíduos químicos para a recuperação de rios é um processo complexo que envolve uma sequência de etapas para tornar a água potável. Procure saber quais são essas etapas e se há algum rio em processo de despoluição no Brasil.

5.1 Transposição ou integração do rio São Francisco? Navegar EcoDebate <http://tub.im/uthhg4> Contém microblogs que tratam dos mais variados temas ambientais, entre eles a polêmica questão do projeto de transposição das águas do São Francisco.

Mesmo com grande riqueza hídrica, assim como ocorre em outras áreas do planeta, a distribuição de água no Brasil não é homogênea. Há áreas do semiárido que carecem de água em boa parte do ano. A integração ou transposição do rio São Francisco visa levar água do “Velho Chico” às áreas secas do Nordeste por meio da construção de canais artificiais que integrarão o leito do rio a grandes açudes e à rede hídrica no Ceará, no Rio Grande do Norte e na Paraíba. Com isso, as populações que residem nessas áreas poderão contar com o fornecimento de água para diversos usos, inclusive para irrigação de suas terras.

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Enfoque A transposição do rio São Francisco

[...] O processo de transposição do rio São Francisco teve início há mais de uma década e a autorização para uso das águas do Velho Chico dependeu de estudos ambientais e da atuação da ANA no processo de concessão da outorga. A Resolução ANA nº 411 concedeu, em 2005, [...] ao Ministério da Integração Nacional o direito de uso de recursos hídricos do rio São Francisco para o Projeto de Integração do rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional. Segundo o normativo, as captações de água tanto para o eixo leste como para o eixo oeste obedecerão a uma vazão mínima de 26,4 m³/s, respeitando as projeções de consumo humano de água para 2025. A liberação máxima de água nos dois eixos será de até 114,3 m³/s por dia, excepcionalmente quando o nível de água do reservatório de Sobradinho estiver alto (corresponder a 94% do volume útil e ao volume de espera para controle de cheias). Na opinião de Carlos Motta, especialista em recursos hídricos da ANA, a transposição contribui para a segurança hídrica da região. “A água vai chegar, vai ser entregue na porta dos açudes e lá nos estados mais água vai poder ser utilizada para todos os demais usos, sabendo que, se não chover, não há problema: ligo a bomba do São Francisco, da transposição, e reabasteço o açude”, destaca o especialista. PORTAL BRASIL. Meio ambiente: ANA fala da transposição do rio São Francisco na Câmara. Brasília, DF, 2015. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2015/03/ana-fala-da-transposicao-do-rio-sao-francisco-na-camara>. Acesso em: 6 jan. 2015.

1. Qual o objetivo do projeto em questão? 2. Em sua opinião, o especialista citado dá um parecer favorável ou contrário ao projeto?

Esse projeto provoca muitas polêmicas, pois alguns estudiosos afirmam que há questões de ordem econômica, política, ambiental e social que deveriam ser levadas em consideração. Segundo pesquisadores, talvez fosse melhor, mais barato e prático aprofundar os estudos e a exploração do subsolo da bacia, muito rico em água. Além disso, afirmam que há risco de a água ser direcionada para atender as grandes fazendas (o agronegócio) e não a população que carece desse recurso vital. Há risco, também, de se tirar muita água do rio e, assim, diminuir o seu volume, causando assoreamento em seu leito, que poderia secar em alguns trechos, ocasionando a morte de peixes e a perda de vegetação ciliar. A menor quantidade de água do rio também poderia diminuir a produção hidrelétrica, já que no Nordeste 95% dessa energia é gerada no rio São Francisco.

TA 3

N

Renato Bassani

Transposição das águas do rio São Francisco

ME

CEARÁ

Res. Coremas-Mãe d’água

Res.Caiçara

N

Res.de Morros São José de Piranhas Monte Horebe

ME

Galeria Sobradinho

T

E

TA 2

Barro

PARAÍBA

O

R

Mauriti

O

N

Brejo Santo

E

IX

Res. Cipó

TA 1

N

Res. Jati

Jati

ME

Pena Forte Res. Milagres Verdejante

PERNAMBUCO

Monteiro

Salgueiro

Res. Parnamirim

Aq. Salgueiro E

O

IX

L

E

S

T

Custódia

Betânia

Res. Copiti

Aq. Terra Nova Res. Tucutu

Cabrobó Ri o

Res. Barro Branco 8˚ S L Sertânia 3 A ET Aq. Branco M

E

Res. Bagre

Barra do Juá Sã o

Fr an ci sc o

Res. Muquém A ET

Floresta Res. Mandantes

2

L

M

Res. Areias

0

Cidade

BAHIA 39˚ O

M

A ET

1

L

20

Fonte: MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL. Projeto de Integração do Rio São Francisco. Brasília, DF, 2015. Disponível em: <http:// www.mi.gov.br/o-quee-o-projeto>. Acesso em: 7 jan. 2016.

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Os defensores do projeto alegam que a captação excessiva de água não aconteceria, pois o volume retirado é minuciosamente estudado (apenas 1% do total), e a quantidade e o ritmo de vazão do rio são considerados; caso essa parcela hídrica não seja utilizada para a transposição, será simplesmente lançada ao mar. Além disso, o projeto tem importante função social: traria melhorias na qualidade de vida dos moradores do semiárido. No projeto original do Ministério da Integração Nacional, vale ressaltar, estão previstas obras de revitalização da Bacia do São Francisco com o intuito de impedir a degradação ambiental dessa região.

Interagindo • Para você, a transposição do rio São Francisco é algo favorável ou desfavorável ao país? Aponte seus argumentos para concordar ou opor-se ao projeto. ESCREVA NO CADERNO

5.2 Os aquíferos As águas que penetram o solo e que são filtradas por grãos nele presentes depositam-se nas fraturas rochosas do subsolo, formando reservatórios naturais de água subterrânea chamados aquíferos. Diante das dificuldades encontradas atualmente para o abastecimento de toda a população e das atividades produtivas, as águas subterrâneas passam a ser cada vez mais procuradas. Diversos estudos estão sendo realizados no intuito de mapear as áreas de ocorrência e de ampliar as possibilidades de captação. No Brasil, a abertura de poços para a captação dessas águas é comum há muito tempo. Calcula-se que cerca de 10% dos municípios se abastecem com águas subterrâneas. O esquema a seguir representa a formação de um aquífero. AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS

Esquema de recarga do Aquífero Guarani

A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Chuvas

Recarga profunda, pequeno acúmulo de sais

Área de afloramento Rio

Grande parte da camada de arenito que contém a água é confinada, e nesses locais ela precisa atravessar a camada de basalto para chegar ao aquífero. Quanto maior a distância percorrida no subsolo, mais íons de sais ela absorve, e sua qualidade vai piorando. Nas áreas de afloramento do Aquífero Guarani e proximidades, as águas tendem a ser de melhor qualidade. Contudo, são os usos antrópicos indevidos, como o desmatamento nas margens e a utilização de fertilizantes químicos e agrotóxicos, que mais afetam suas águas.

Aquífero Basáltico (rocha vulcânica dura)

Sistema Aquífero Guarani (arenitos)



Recarga direta a partir das chuvas



Ca Mg HCO3 Baixa pressão Alta pressão

HCO 3 Na1 Cl- SO-4

Águas de boa qualidade (baixa salinidade) Direção do fluxo das águas

Aquífero Permiano (arenitos e arginos)

Descarga do Aquífero Permiano contaminada com flúor e sulfanos ra

Água de pior qualidade (muitos sais e íons tóxicos)

Descarga profunda, grande acúmulo de sais

ou

sM

i Lu

Fonte: MACHADO, José Luiz Flores. A redescoberta do Aquífero Guarani. Duetto/Scientific American Brasil, n. 47, abr. 2006. Disponível em: <www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_redescoberta_do_aquifero_guarani_imprimir.html>. Acesso em: 8 out. 2015.

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Até recentemente, creditava-se ao Aquífero Guarani o posto de maior reserva de água subterrânea do mundo. Contudo, estudos recentes realizados por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) concluíram que o Aquífero Alter do Chão, sob as águas do rio Tapajós e de outros rios amazônicos, o supera em quase o dobro (observe o mapa a seguir). Além disso, enquanto o Aquífero Guarani está sob uma estrutura rochosa (arenito e derrames basálticos), Alter do Chão encontra-se sob sedimentos porosos, o que facilita a infiltração, a acessibilidade e melhora a qualidade da água. Outra razão da melhor qualidade da água de Alter do Chão em relação ao Aquífero Guarani deve-se ao fato de localizar-se em uma área de menor densidade demográfica e de menor exploração econômica; sabe-se que, como o Aquífero Guarani está situado em área de intensa exploração agrícola, muitos insumos químicos e agrotóxicos comprometem a qualidade de sua água. Observe no mapa abaixo o Aquífero Guarani, que se estende por uma área de 1,2 milhão de km², dos quais 71% encontram-se em território brasileiro. Além do Brasil, abrange parte dos territórios da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.

Allmaps

Aquíferos Alter do Chão e Guarani 50° O

Equador

Trópico de Capricórnio

OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO

Aquífero Alter do Chão Aquífero Guarani

0

470

Fontes: ABAS. Águas subterrâneas - o que são? Disponível em: <http://www.abas.org/ educacao.php>. Acesso em: 20 jan. 2016; NAÇÕES UNIDAS. Atlas dos aquíferos transfronteiriços. Organização Educacional, Científica e Cultural. Paris: Unesco, 2009. p. 153. Disponível em: <www.isarm.net/ dynamics/modules/SFIL0100/view.php?fil_ Id=248>. Acesso em: 8 out. 2015.

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ROTEIRO DE ESTUDO Revisando 1. Qual é a importância dos recursos hídricos na sociedade contemporânea?

2. Identifique no mapa da página 161 a principal bacia hidrográfica que banha a região em que você mora. Cite rios importantes que compõem essa bacia e de que maneira suas águas são aproveitadas. A seguir, elabore uma lista com as atividades humanas que mais colocam em risco os recursos hídricos. 3. Em relação aos recursos hídricos, qual é a importância do Brasil no cenário internacional? 4. Escolha uma bacia hidrográfica localizada em outro país e cite: a) três características naturais importantes; b) uma questão ambiental relevante; c) a importância dessa bacia para a população local.

Olhar cartográfico O estudo das Nações Unidas Desenvolvimento dos recursos hídricos no mundo (2005-2015) aponta que há no planeta áreas de escassez física e de escassez econômica da água, conforme mostra o mapa abaixo.

Renato Bassani

Escassez física e/ou econômica de água 0º

Círculo Polar Ártico

Trópico de Câncer

Equador

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ÍNDICO

Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

0

3 715

Meridiano de Greenwich

OCEANO ATLÂNTICO

Pouca ou nenhuma escassez de água Escassez física de água Próximo à escassez física Escassez econômica de água Sem dados estimados

Fonte: ONU-DAES. Decenio internacional para la acción “El agua fuente de vida”, 2005-2015. Disponível em: <http://www.un.org/spanish/waterforlifedecade/scarcity.shtml>. Acesso em: 6 jan. 2016.

Interprete o mapa e responda às questões. 1. Quais continentes são afetados pela escassez da água? 2. Qual é o significado de escassez física de água? 3. Que características apresentam os locais marcados pela escassez econômica? 4. A escassez de água está sempre associada a regiões que não podem contar com importantes bacias hidrográficas? Justifique sua resposta.

Atividade em grupo Desde 1993, após uma resolução da ONU, celebra-se em 22 de março o Dia Mundial da Água. Vários eventos são realizados no mundo todo, e a cada ano destaca-se um aspecto importante em relação aos recursos hídricos. Em 2015, por exemplo, foi celebrado o evento das Nações Unidas, “Água, fonte da vida (2005-2015)”.

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Organizem-se em grupos para realizar as seguintes tarefas: 1. selecionem um tema relacionado à proteção dos recursos hídricos; 2. pesquisem dados e estatísticas que tenham relação direta com o tema selecionado; 3. reflitam qual é a pertinência do evento da ONU “Água: fonte de vida”; 4. discutam a relação entre o tema selecionado e a realidade brasileira; 5. proponham ações, tanto da sociedade quanto de governos, que possam ajudar a resolver os problemas relacionados ao tema escolhido.

20 municípios como Araguari, Araxá, Nova Ponte, Patrocínio, Tupaciguara e Uberlândia. Um dos instrumentos de gestão do CBH Araguari é a implantação da cobrança pelo uso da água cuja arrecadação anual chega em torno de R$ 6 milhões, montante que deve ser investido somente na bacia. [...] Giacomini salientou que se a participação da sociedade fosse mais massiva, o consumo seria mais consciente. “As pessoas só vão se preocupar com a água quando estiverem morrendo de sede. Essa crise hídrica foi boa nesse sentido de conscientização, pois muitos se alertaram mais. Só que basta chover um pouquinho e o pessoal se esquece de novo. Vamos ter muitos problemas ainda e os grandes desafios estão na gestão”.

De olho na mídia

CBH Rio Paranaíba

Leia o texto sobre os Comitês de Bacias Hidrográficas (CBH). A seguir responda às questões. 1. O que são os Comitês de Bacias Hidrográficas (CBH)? 2. A partir do exemplo dado na matéria, projete essa realidade para a bacia hidrográfica mais perto de você e procure se informar sobre os debates acerca da segurança hídrica que a envolve. 3. Compare as bacias mencionadas na matéria com o mapa da página 161 e tente localizá-las. Comitês de bacias hidrográficas pedem maior participação popular

Os Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs) têm grande responsabilidade no gerenciamento dos recursos hídricos no Brasil. Entre os principais desafios da busca pela segurança hídrica, representantes dos comitês do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba apontam a maior conscientização e participação efetiva da sociedade quando se trata do tema água. [...] A estrutura funciona como um fórum de discussão com seis assembleias ordinárias ao ano que compõem os segmentos poder público estadual, municipal e sociedade civil, com o objetivo de planejar o uso da água, proteger os mananciais e contribuir para o desenvolvimento sustentável. “O Comitê é um parlamento, porque não existe juridicamente, mas existe na prática para formular as políticas dos recursos hídricos na bacia. Levantamos a disponibilidade e os usos atuais da água, o gerenciamento desse uso e as demandas. Essa gestão é feita de forma descentralizada, mais próximo possível dos usuários e das fontes de água, e participativa, onde todos os segmentos da sociedade devem ser representados”, explicou o presidente do CBH Araguari, Antonio Giacomini. O CBH do rio Araguari é um dos mais consolidados da região. A bacia compreende uma área de 22 091 km² e passa por

A questão também foi levantada pelo vice-presidente do CBH do rio Paranaíba, Deivid Lucas de Oliveira. “O nosso foco principal hoje é trabalhar a sociedade, fazê-la entender que a água é um recurso limitado que se não cuidar, vai faltar. Por isso fazemos projetos de educação ambiental e desenvolvemos outros eventos para conscientizar”, contou. A estrutura do CBH Paranaíba compreende plenária, diretoria e Câmara Técnica de Planejamento Institucional, que tem a finalidade de elaborar propostas de planejamento estratégico para o Comitê e auxiliar na implementação do Plano de Recursos Hídricos da bacia. [...] A bacia do Rio Paranaíba tem área de drenagem de 222,6 mil km² e ocupa cerca de 2,6% do território nacional incluindo os estados de Goiás (63,3%), Mato Grosso do Sul (3,4%), Minas Gerais (31,7%) e Distrito Federal (1,6%). A bacia abrange 197 municípios, entre eles: Abadia dos Dourados, Araguari, Araporã, Ituiutaba, Monte Alegre de Minas, Monte Carmelo, Tupaciguara, Uberlândia e Uberaba. CBH Baixo Rio Grande

Outro comitê de importância para a região do Triângulo Mineiro é o Comitê de Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros do Baixo Rio Grande (CBH Baixo Rio Grande), com sede em Uberaba. [...] Ao todo, 21 municípios compõem a bacia sendo os principais Uberaba, Água Comprida, Conquista, Delta, Frutal, Iturama, Prata e Sacramento. Segundo o presidente do comitê e coordenador do Fórum Mineiro dos Comitês, Hideraldo Buch, apenas uma minoria se engaja na luta pela qualidade e abundância da água doce, o que acaba dificultando o trabalho dos CBHs. “Há uma dificuldade muito grande para a sociedade conhecer os comitês. Estou há 20 anos militando nessa causa e até hoje não são muito bem reconhecidos. Mesmo nós integrando a sociedade com assentos no comitê, diálogo e campanhas, ainda é difícil as pessoas entenderem o que é o comitê e qual o papel dele na bacia hidrográfica. Realmente é um grande desafio”, opinou. ALEIXO, Caroline. Comitês de bacias hidrográficas pedem maior participação popular. G1 Triângulo Mineiro, 19 set. 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/minas-gerais/ triangulo-mineiro/noticia/2015/09/comites-de-bacias-hidrograficas-pedem-maior-participacaopopular.html>. Acesso: 6 jan. 2016.

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CAPÍTULO 8

Valter Pontes/Coperphoto/Estadão Conteúdo

Geografia dos mares e oceanos

A Baía de Todos-os-Santos, em Salvador (BA), é a segunda maior baía do mundo, e o litoral da Bahia é o maior do país. Esses foram alguns dos critérios utilizados para que a Baía de Todos-os-Santos fosse escolhida como sede da Amazônia Azul em 2014. Fotografia de 2011.

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Tópicos do capítulo Estrutura do relevo marinho Correntes marinhas O litoral brasileiro A Amazônia Azul

Ponto de partida

ESCREVA NO CADERNO

• Você já ouviu falar da Amazônia Azul? O que ela significa?

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1. Estrutura morfológica marinha Navegar

The Protected Art Archive/Alamy/Latinstock

Oceanografia <http://tub.im/drw3p5> O site do curso de Oceanografia da Universidade Santa Cecília, de Santos (SP), traz um interessante conteúdo sobre mares e oceanos.

É muito comum confundir os conceitos mar e oceano. O mar é uma parte do oceano, mais restrita e mais próxima à plataforma continental, enquanto oceano é a vastidão de água salgada disposta pelo planeta. Os oceanos são cinco: Pacífico (o maior), Atlântico, Índico, Glacial Antártico e Glacial Ártico. Já os mares são diversos e podem ser: abertos, quando estão em contato direto com o oceano; fechados ou interiores, quando não estão em contato com o oceano e se encontram no interior dos continentes – como o mar Cáspio, na Ásia; semifechados, quando o contato com o oceano se dá por uma passagem estreita – como o mar Mediterrâneo, entre a Europa e a África. Por anos a humanidade pensou ser o fundo oceânico uma extensa e suave planura. Hoje se sabe que seu relevo é extremamente variado e recortado, composto de depressões, cordilheiras, picos isolados e fossas profundas. O conhecimento do oceano é relativamente recente (data dos anos de 1940) e as pesquisas aumentaram muito nas últimas décadas. As mais importantes correntes marinhas dos oceanos estão mapeadas, e se conhece a fundo suas características, temperaturas e movimentações. Embora cada vez mais o assoalho oceânico seja conhecido pela comunidade científica, ainda há muito a descobrir, e diversas pesquisas estão em desenvolvimento para ampliar o que se sabe a seu respeito. E como seria esse mundo oceânico? Observe-o na imagem a seguir.

Divulgada pela primeira vez em 1959 pelos cientistas Maurice Ewing, Bruce Heezen e Marie Tharp, essa imagem ainda hoje impressiona. Ela revolucionou o conhecimento oceanográfico: era a primeira vez que um detalhamento mais preciso do relevo oceânico era divulgado.

O relevo marinho é constituído essencialmente de duas partes: as margens continentais e as bacias oceânicas. É muito comum a ideia de que o relevo terrestre termina onde começa o do mar. Na realidade, não é bem assim, pois a transição entre a crosta terrestre, constituída por rochas variadas, mas predominantemente graníticas, e a crosta oceânica, constituída principalmente de rochas basálticas, ocorre sob as águas do mar, na chamada margem continental. A plataforma continental é a porção mais rica em vida marinha, e é nela que são desenvolvidas as atividades econômicas mais exploradas pela sociedade, como a pesca, a prospecção e a extração do petróleo. Apresenta uma extensão que pode variar de algumas dezenas de quilômetros a mais de mil. A profundidade média é de 135 metros e caracteriza-se pela suavidade quanto à oscilação altimétrica, apresentando um ângulo de inclinação muito leve. Já os taludes são o oposto: sua declividade é abrupta e mergulha em um contínuo ritmo de inclinação em direção ao assoalho oceânico. Observe o esquema do relevo marinho na página seguinte.

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Luis Moura

Esquema do relevo marinho Metros

2 000 0 − 200

Continente

Continente Plataforma continental Dorsal oceânica

Talude − 2 000

A margem continental é constituída pela plataforma continental e pelo talude continental, uma zona de transição em declive rumo à zona abissal no assoalho oceânico. Em alguns casos, a margem continental apresenta também uma leve inclinação após o talude, designada como sopé continental. AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Região pelágica

− 8 000 Região abissal − 10 000

Detalhe de imagem da Dorsal Mesoatlântica.

nudiblue/Moment RF/Getty Images

As profundas bacias oceânicas, por sua vez, localizam-se em uma área que a luz solar jamais alcança; os raios solares conseguem adentrar cerca de 100 metros na água, enquanto partes do assoalho oceânico se situam a mais de 3 500 metros de profundidade; logo, trata-se de um ambiente totalmente escuro. O assoalho oceânico é completamente irregular, como acontece com os continentes. Existem algumas planícies nas profundezas oceânicas, mas são minoria no relevo marinho. As regiões abissais constituem as partes mais profundas das bacias oceânicas e é nelas que se encontram as fossas oceânicas, uma pequena, mas importante área do relevo marinho em que ocorre o fenômeno da subducção, que estudamos no Capítulo 5. Normalmente as fossas oceânicas são compridas e estreitas. São os lugares mais profundos dos oceanos e estão concentradas em sua maior parte no oceano Pacífico, em razão da intensa atividade tectônica da região do Círculo de Fogo. Ali se encontram os dois pontos mais profundos do planeta: a Fossa das Filipinas (com cerca de 10 500 metros de profundidade) e a Fossa das Marianas (aproximadamente 10 900 metros). Produto do encontro de placas divergentes, o último componente das bacias oceânicas são as dorsais submarinas que emergem do fundo oceânico. Como grande destaque do relevo marinho, desponta a Dorsal Mesoatlântica, maior cordilheira do planeta, localizada entre a América do Sul e a África. Sua extensão atinge elevadas latitudes tanto no hemisfério sul como no norte. Observe sua localização na imagem acima à direita e veja sua parte submersa na fotografia ao lado.

Dorsal Mesoatlântica

Fonte: WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos de geologia. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 363.

The Protected Art Archive/Alamy/Latinstock

− 5 000

Mergulhador entre as placas tectônicas Euro-asiática e Norte-americana na Dorsal Mesoatlântica na Islândia, 2015. Essa cordilheira é composta de uma espetacular extensão de 65 mil quilômetros, altitude média de 2,5 quilômetros e mais de 2 mil quilômetros de largura.

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2. Correntes marítimas Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície terrestre e são vitais para o controle climático do planeta. A regulação térmica de muitos lugares da Terra deve-se, em grande parte, à influência das correntes marinhas, que podem ser quentes ou frias, e apresentam direções e velocidades variadas. Em razão do movimento de rotação da Terra, no hemisfério norte elas circulam no sentido horário, enquanto no hemisfério sul, no sentido anti-horário. Observe essas correntes no mapa a seguir.

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Fontes: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 58; GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 122.

Navegar O mar no espaço geográfico brasileiro <http://tub.im/mfueu5> O Ministério da Educação disponibiliza, em formato pdf, um excelente compêndio sobre o mar e suas potencialidades.

Fog: Névoa comum no céu de Londres.

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Atmosfera e oceano são ambientes distintos, mas que interagem. Os raios solares aquecem a Terra mais intensamente na zona equatorial que nas polares, mas nem por isso as zonas polares se resfriam mais com o passar do tempo, exatamente porque as correntes marinhas quentes levam calor aos polos, promovendo uma interação e um equilíbrio energético harmonioso. As diferentes temperaturas das águas superficiais marinhas incidem diretamente nos tipos de massas de ar que se formam sobre os mares e oceanos. Atuando como verdadeiros rios salgados deslocando-se nos oceanos, muitas correntes marítimas dão volta ao mundo, transportando imensos bolsões de água, como é o caso da corrente do Golfo, cuja quantidade hídrica supera o Rio Amazonas em volume: 100 milhões de metros cúbicos por segundo. Nas águas profundas dos oceanos as correntes marítimas são lentas; já nas camadas superficiais ocorre o contrário, elas são mais rápidas.

2.1 Correntes em destaque 0º

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Planisfério: correntes marítimas

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Fonte: PHILLIPSON, Olly. Atlas geográfico mundial. Curitiba: Fundamento Educacional, 2007. p. 38.

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A corrente do Golfo é a mais conhecida entre todas as correntes. Quente, ela parte das águas tropicais do Golfo do México no sentido leste. É o maior turbilhão hídrico do planeta, sendo responsável direto por levar calor ao continente europeu. Toda a Europa ocidental é influenciada pela corrente do Atlântico Norte, derivada da corrente do Golfo, que provoca fenômenos naturais interessantes, como a presença do fog londrino e o aquecimento do litoral da Noruega que, diferentemente de sua vizinha Suécia, tem seus portos preservados durante o inverno. Observe o trajeto da corrente do Golfo no mapa ao lado.

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Em um planisfério físico que contenha as correntes marítimas, vamos observar um fenômeno interessante. Nas baixas e médias latitudes da porção austral do globo, junto às costas ocidentais da América do Sul, da África e da Oceania, temos a presença de correntes marítimas frias que correm no sentido norte. Essas correntes – Humboldt (costa sul-americana), Benguela (costa africana) e Antártica Circumpolar (costa australiana) – são responsáveis pelo surgimento dos desertos, respectivamente, o Atacama, área mais seca do planeta, o Kalahari, e o Grande Deserto Vitória. Nas imediações tropicais, por onde circulam essas correntes, as massas de ar oriundas do oceano são carregadas de umidade e rumam em direção ao continente. Contudo, elas são atingidas a meio caminho pelas respectivas frias correntes que, ao resfriarem o ambiente marinho e levarem à queda de temperatura, forçam a precipitação a ocorrer ainda no mar, não permitindo que a umidade das nuvens chegue ao continente. Daí a existência desses desertos que estão entre os mais áridos do globo. No mapa abaixo é possível verificar a proximidade dessas correntes com os referidos desertos. Observe, também, que eles ocorrem em latitudes semelhantes (baixas e médias).

Austral: Relativo a sul. Sul, austral e meridional são sinônimos, tal qual norte, boreal e setentrional.

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Desertos do sul: influência de correntes frias 180°

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Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 58.

A corrente de Humboldt (ou corrente do Peru) também é importante para a pesca, beneficiando especialmente o Peru e o Chile, dois grandes produtores mundiais de pescado. As águas piscosas são características de correntes frias, por causa da quantidade de plâncton. Esse mesmo privilégio tem o Japão, influenciado pelas correntes de Oya Shyo (fria), ao norte, e Kuro Shyo (quente), ao sul. Os grandes produtores mundiais de pescado têm como característica comum serem abrangidos por correntes frias: a China, o Japão, o Peru, a Noruega, a Rússia e o Canadá estão nessa condição. A diminuição da ressurgência das águas frias da Corrente de Humboldt também é um elemento importante para a ocorrência do El Niño. Saiba mais sobre este fenômeno no infográfico das páginas a seguir.

Interagindo

ESCREVA NO CADERNO

No filme O dia depois de amanhã (confira mais detalhes na seção “Ver” ao lado), é levantada a hipótese de que, com o aquecimento global e o consequente derretimento das calotas polares, o resfriamento da corrente do Golfo comprometeria a vida na Europa. • Reflita e responda em seu caderno: tal hipótese é possível? Como o suposto derretimento de gelo interferiria na corrente do Golfo? Em que proporção o clima europeu é dependente dessa corrente?

Plâncton: Microrganismo, base da cadeia alimentar marinha, encontrado, comumente, em zonas costeiras.

Ver O dia depois de amanhã. Direção: Roland Emmerich. Estados Unidos, 2004. Filme apocalíptico que aborda uma catástrofe ambiental provocada pelo aquecimento global. A perspectiva científica mais interessante do filme é demonstrar a importância da corrente do Golfo como regulador térmico do clima europeu.

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Crédito do infográfico: Casa Paulistana

a interação oceano-atmosfera A interação entre os oceanos e a atmosfera é um importante componente na dinâmica climática da Terra. O El Niño é um exemplo de como alterações nos processos oceânico-atmosféricos podem afetar o clima regional e global, provocando longas secas e aumento da precipitação em diferentes lugares do mundo.

O que é El Niño? Fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico tropical e pelo enfraquecimento dos ventos alísios, resultando em mudanças na circulação atmosférica. Há registros desse fenômeno desde o século XVI, no entanto, as suas causas não são totalmente conhecidas.

5. Deslocamento e divisão da Célula de Circulação de

Walker, com o posicionamento de seu centro de baixa pressão sobre o oceano Pacífico equatorial central.

Centro de alta pressão atmosférica: correntes descendentes de ar que dificultam a formação de nuvens.

4. Descolamento da massa de água aquecida

Centro de baixa pressão atmosférica: correntes ascendentes de ar que proporcionam a formação de nuvens.

do nordeste da Austrália para a região da costa do Peru e do Equador. Região que marca a mudança entre águas quentes, próximas da superfície, e as águas frias, mais profundas.

Termoclina 1. Apesar das causas do fenômeno El Niño não serem totalmente esclarecidas, os efeitos das alterações climáticas nas regiões do Brasil são conhecidos. Devido ao deslocamento do centro de alta pressão da Célula de Circulação de Walker para o continente sul-americano, ocorre a diminuição da precipitação e secas na região Norte e severas secas na região Nordeste. No Sudeste observa-se o aumento das temperaturas médias e no Sul precipitações abundantes. No Centro-Oeste não são evidentes os efeitos do El Niño.

2. Aumento de

temperatura das águas do oceano Pacífico equatorial central e oriental.

3. Aprofundamento da termoclina e

diminuição da ressurgência das águas frias da Corrente de Humboldt na costa oeste da América do Sul.

Atividades 1. Aponte as consequências climáticas do fenômeno El Niño no Brasil. 2. Quais impactos econômicos podem ser observados no território brasileiESCREVA NO ro devido à ocorrência do El Niño? CADERNO

Fonte: INPE/CPTEC. Disponível em: <http://enos.cptec.inpe.br/>. Acesso em: 21 jan. 2016; NATIONAL OCEANIC AND ATMOSPHERIC ADMINISTRATION (NOAA). El Niño Theme Page. Disponível em: <http://www.pmel.noaa.gov/tao/elnino>. Acesso em: 21 jan. 2016.

2. As alterações climáticas impactam a agricultura devido à alteração dos ciclos das chuvas. Na região Norte a seca afeta a pesca, por causa da diminuição do volume dos rios, e aumenta o risco de incêndios florestais, afetando as reservas florestais. Na região Sul as chuvas extremamente elevadas e as consequentes inundações resultam em grandes perdas econômicas também nas áreas urbanas.

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Região Norte: diminuição da precipitação, secas e aumento do risco de incêndios florestais. Na fotografia, igarapé do Tarumãzinho, em Manuas (AM), durante a seca registrada em 2010. Adrovando Claro/Fotoarena

Em condições normais, a Célula de Circulação de Walker apresenta o centro de baixa pressão atmosférica próximo ao leste da Austrália e Indonésia e o centro de alta pressão sobre a costa oeste da América do Sul. Com o aquecimento do oceano Pacífico tropical central, a Célula de Circulação de Walker desloca-se para leste e divide-se: seu centro de baixa pressão posiciona-se sobre o oceano Pacífico central, e formam-se dois ramos de ar descendente, um sobre o continente sul-americano e o outro na Austrália e leste da Ásia.

Rodrigo Baleia/Folhapress

Célula de Circulação de Walker

1. Enfraquecimento dos ventos alísios, que deslocam as águas de leste para oeste.

Nelson Antoine/Fotoarena

Região Nordeste: secas severas. Na fotografia, o baixo volume de água no Açude Gargalheiras, em Acari (RN), 2015.

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS

Everton Silveira/Folhapress

Centro de alta pressão atmosférica: correntes descendentes de ar que dificultam a formação de nuvens.

Região Sudeste: aumento das temperaturas médias. Na fotografia, o termômetro registra 41 °C na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), em 31 de outubro de 2012.

Região Sul: grande aumento da precipitação, causando inundações. Na fotografia, cidade de Alvorado (RS) após chuvas intensas em setembro de 2015.

A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

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3. Características gerais do litoral brasileiro Com 7 367 km de extensão e área de 3,6 milhões de km2, o litoral brasileiro é o maior do oceano Atlântico; se considerarmos os recortes e as saliências, essa extenLitoral do Brasil, de Aziz são alcança 9 198 km. Por estarem predominantemente na zona tropical, as águas Nacib Ab’Sáber. São Paulo: oceânicas brasileiras são quentes, com média em torno de 26 ºC, e a amplitude das Metalivros, 2001. marés, considerada moderada, é mais acentuada na porção norte do litoral brasileiro. Um compêndio sobre o litoral brasileiro escrito por uma das maiores Nossa paisagem litorânea é bastante variada, apresentando ao longo da costa autoridades do país no assunto. praias largas e estreitas, falésias, dunas, manguezais e restingas, entre outras formações. Essa grande extensão é subdividida em três partes: litoral setentrional, litoral oriental e litoral meridional. Observe suas indicações no mapa “Brasil: litoral”. O litoral brasileiro, ao contrário do europeu, por exemplo, é pouco recortado e isso é considerado uma desvantagem em relação às instalações portuárias. Mas, por outro lado, o clima brasileiro permite o uso dos portos o ano todo, ao contrário de alguns portos das zonas temperadas, que são prejudicados por invernos rigorosos e podem ficar congelados e inativos durante parte do ano. No oceano Atlântico sul ocorre a formação da corrente Sul Equatorial, que ruma a oeste em direção ao Brasil. Na altura da linha do equador, bifurca-se em dois segmentos: ao norte, a corrente das Guianas, e, ao sul, a corrente do Brasil. Ambas banham o litoral brasileiro e são quentes. No extremo sul, a corrente fria das Falkland – que alcança apenas pequenos trechos do litoral meridional – tangencia ppm: Unidade de medida que o litoral brasileiro. Veja essas correntes no mapa “Brasil: correntes marinhas”. significa “partes por milhão”. A corrente do Brasil é a mais importante para nosso país, pois abrange grande parte do litoral brasileiro. Ela começa nas imediações do liBrasil: correntes marinhas toral pernambucano, a 10º de latitude sul, e se estende até o litoral norte da Argentina. Essa corrente carrega águas 50º O Co aquecidas (águas tropicais) em torno de 26 ºC e com salirre nt e nidade média entre 35 e 36 ppm. Já a corrente das Guiada sG uia nas banha um pequeno trecho do litoral norte e segue em Equador na Cor 0º s ren te S ul Eq direção ao Caribe. uator

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Fonte: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. O mar no espaço geográfico brasileiro. Brasília, DF: MEC, 2005. p. 216. (Explorando o Ensino da Geografia).

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 22.

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3.1 Fronteiras marítimas do Brasil Em 1958, na cidade de Genebra, na Suíça, países da Organização das Nações Unidas definiram três faixas de fronteira marítima aos países litorâneos: mar territorial, zona contígua e plataforma continental. A quarta zona de fronteira marítima foi estabelecida em 10 de dezembro de 1982, na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), na Jamaica, em que se introduziu o conceito de Zona Econômica Exclusiva (ZEE). O Brasil integrou sua plataforma submarina ao território nacional em 1950, ou seja, a extensão continental sob as águas do mar. Mas apenas em 1966 o seu mar territorial foi fixado em 6 milhas náuticas (mn). Em 1969, foi ampliado para 12 mn e, em 1970, para 200 mn. Segundo a Marinha do Brasil, ao longo desses anos, o Brasil teve participação ativa nas negociações sobre as definições das faixas marítimas. Pode-se afirmar que a fronteira marítima do Brasil está organizada em quatro faixas:

Milhas náuticas: Uma milha náutica corresponde a 1 852 metros.

Vista aérea da Praia do Ervino no sul da ilha de São Francisco do Sul, litoral norte catarinense (SC), 2012.

• Mar territorial As 12 milhas náuticas ou marítimas do mar territorial são consideradas áreas pertencentes à zona costeira, área de contato entre o continente e o mar. O mar territorial compreende uma faixa de 12 milhas náuticas de largura, medidas começando pela linha do litoral continental e insular. Desde 2002 a legislação brasileira possibilita compensar financeiramente os estados, o Distrito Federal e os municípios pelo resultado da exploração de petróleo, gás natural e recursos minerais em suas respectivas áreas territoriais, plataforma continental, mar territorial ou Zona Econômica Exclusiva (ZEE). Essa lei retrata uma nova realidade territorial brasileira, uma situação de disputa interna entre as unidades da federação. É interessante notar que na zona do mar territorial e em seu espaço aéreo o Estado tem soberania plena, mas o mesmo não vale para a zona contígua e a ZEE, onde o Estado é obrigado a dar passagem para navios estrangeiros, inclusive os de guerra; nelas, a soberania restringe-se à exploração econômica.

Enfoque

ESCREVA NO CADERNO

O espaço oceânico nacionalizado permanece [...] como palco de disputas, agora internas ao país, envolvendo grupos de interesses diversificados. No caso do Brasil, onde permanece uma visão do ambiente marinho como “território da União”, é o petróleo que abre as discussões, através dos royalties reivindicados por estados e municípios costeiros adjacentes às bacias petrolíferas em exploração. De uma só vez, o espaço oceânico adquire as escalas estadual e municipal, abrindo a possibilidade de futuras reivindicações por parte da comunidade por direitos de exclusividade na pesca e no uso e ocupação do mar e zona costeira adjacente. MITCHELL, Gilberto. O ambiente marinho sob a perspectiva do espaço e do lugar. In: CASTRO, Iná Elias de et al. Redescobrindo o Brasil: 500 anos depois. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil: Faperj, 2000. p. 161.

• Por que o autor indica que pode haver reivindicações da comunidade sobre o uso e a ocupação de áreas marítimas?

Ernesto Reghran/Pulsar

O território marinho

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Aduaneira: Relativo à cobrança de taxa de entrada e saída de produtos, no caso, do país.

Navegar Alô Escola <http://tub.im/jvx54u> O site educativo da TV Cultura de São Paulo oferece inúmeros links, com destaque para “Mar à vista”, que contempla a série Caminhos do mar.

• Zona contígua Essa faixa se estende da linha das 12 mn até o limite de 24 mn. Nessa área, o Estado brasileiro tem poder de fiscalização voltada ao cumprimento de leis e regulamentos nacionais, como os de ordem aduaneira, fiscal, sanitária, ambiental e de imigração. • Zona Econômica Exclusiva (ZEE) Segundo convenções internacionais, a Zona Econômica Exclusiva brasileira compreende uma faixa que se estende das 12 às 200 milhas náuticas, contadas começando pelas linhas de base. Nessa faixa o Brasil tem soberania e direitos exclusivos sobre a exploração dos recursos naturais. Caso outros governos se interessem pela investigação científica, ou exercícios militares nessa área, o mesmo só poderá ocorrer sob autorização brasileira. Embora seja uma importante conquista, exercer os direitos de soberania numa área tão vasta quanto a do Brasil requer da Marinha e das demais instituições do Estado brasileiro imensos esforços para implementar políticas de cunho territorial, voltadas à defesa, à pesquisa e à fiscalização. Isso demanda investimento político, econômico e científico. • Plataforma Continental Jurídica Chamamos de Plataforma Continental Jurídica a extensão da plataforma continental reivindicada nos fóruns jurídicos internacionais. Há todo um processo formado por avaliadores que julgam a pertinência, ou não, da reivindicação e aprovam ou recusam esse pedido de ampliação. Nessa faixa, o país tem exclusividade de exploração dos recursos naturais até o limite das 200 milhas náuticas, definidas pela Zona Econômica Exclusiva. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) permite aos países costeiros pleitearem junto à Comissão de Limites da ONU o prolongamento da plataforma continental jurídica que exceder as 200 milhas náuticas da sua Zona Econômica Exclusiva até um limite de 350 milhas naúticas, começando pela linha da costa. Observe o esquema a seguir.

Luis Moura

Limites marítimos AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

ÁGUAS INTERIORES

12 mn MAR TERRITORIAL

24 mn ZONA CONTÍGUA

200 mn ZONA ECONÔMICA EXCLUSIVA

LINHA DE BASE

Soberania para explorar, conservar e gerir os recursos vivos e não vivos das águas, leito e subsolo. Jurisdição: ilhas artificiais, instalações e estruturas; investigação científica; proteção e preservação do meio marinho.

ALTO-MAR

Patrimônio da humanidade

PLATAFORMA CONTINENTAL MÍNIMA

BORDO EXTERNO DA PLATAFORMA CONTINENTAL

350 mn PLATAFORMA CONTINENTAL JURÍDICA Soberania para efeitos de exploração e aproveitamento dos seus recursos minerais naturais, não vivos do leito e subsolo, mais espécies sedentárias.

PLATAFORMA

TALUDE

PLATÔ OU TERRAÇO

ELEVAÇÃO CONTINENTAL

PLANÍCIE ABISSAL

Fonte: MARINHA DO BRASIL. Brasília, DF, 2012. Disponível em: <http://www.mar.mil.br/secirm/imagens/leplac/limitesmar.jpg>. Acesso em: 13 out. 2015.

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Em 2004, o governo brasileiro apresentou a proposta de extensão dos limites dessa faixa até o limite físico da plataforma continental, o que significa uma incorporação de 951 766 km2 sob a jurisdição do Brasil; conseguiu 712 mil km2 e segue reivindicando o restante. Em abril de 2007 a ONU reconheceu e aprovou, ainda que parcialmente, o prolongamento da plataforma continental brasileira. Contudo, o país continua reivindicando a área restante junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas. Isso levaria as fronteiras marítimas a 650 km da costa. Ao todo, as águas marítimas nas quais o Brasil tem direitos de soberania chegariam a 4 451 766 km2. No mapa a seguir, em azul-escuro (ao norte e ao sul), áreas incorporadas pela proposta; em azul-claro, as 200 mn.

Pauta musical O mar, Dorival Caymmi. Álbum: Caymmi amor e mar. EMI, 2001. Pauta: Mares e oceanos.

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Águas marítimas brasileiras 50˚ O

Fernando de Noronha

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Zona Econômica Exclusiva (ZEE) Plataforma Continental (PC) Total: 4 451 766 km2

Conversando com a... História!

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Fonte: MARINHA DO BRASIL. A Amazônia Azul. Disponível em: <www.mar.mil.br/hotsites/ sala_imprensa/html/amazul.html>. Acesso em: 27 abr. 2016.

ESCREVA NO CADERNO

Tão logo foi anunciada a descoberta de grandes riquezas petrolíferas abaixo da camada do pré-sal brasileiro, em 2007, o Pentágono (sede do poder militar estadunidense) anunciou a reativação da 4ª frota naval do Atlântico Sul, em águas sul-americanas. Isso foi visto com certa reticência pelos governos argentino e brasileiro e o fato ganhou bastante destaque na mídia nacional. Certos setores militares estranharam a coincidência e passaram a defender um reaparelhamento das forças de segurança nacional. Levando em consideração o que estudamos neste capítulo sobre o potencial marinho brasileiro e questões energéticas, responda: 1. Você acha pertinente tais preocupações ou há certo exagero quanto à suposta ameaça à soberania nacional? 2. Pesquise em qual contexto foi criada a 4a Frota dos Estados Unidos. Quando e por que ela foi desativada e novamente reativada?

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4. A Amazônia Azul

Eduardo Zappia/Pulsar

A expressão Amazônia Azul é relativamente recente no glossário geográfico brasileiro. Refere-se a uma vasta área que se estende ao longo do litoral brasileiro, totalizando aproximadamente 4,5 milhões de km2 (mais ou menos a metade do território nacional), compreendendo a Zona Econômica Exclusiva e a plataforma continental estendida (jurídica). Incorpora os bens econômicos dispostos nessa imensa massa líquida, além de valorizar os aspectos ambiental, científico e estratégico. A referência à Amazônia é exatamente uma comparação às riquezas naturais da região. Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que vigora desde 1994 e foi reconhecida por 148 países, entre eles o Brasil, todos os recursos incluídos no mar territorial (a massa líquida sobre o leito do mar e o subsolo marinho) constituem propriedade exclusiva do país em questão e podem ser livremente explorados por ele. Também contempla a plataforma continental quando esta vai além das 200 milhas oficiais até a distância de 350 milhas náuticas, o que só acontece com a aprovação do ONU. É a exatamente isso que corresponde essa gigantesca cifra de 4,5 milhões de km2 que na prática aumenta em 50% a área territorial brasileira e a que chamamos de “Amazônia Azul”, uma imensa riqueza natural. Nessa perspectiva, o Brasil, em vez de seus 8,5 milhões de km2, passaria a ter, praticamente, 13 milhões de km2. Na Amazônia Azul concentra-se a maioria da riqueza nacional, bem como grande parte de nosso comércio internacional, que é escoado por transporte marítimo; turismo; depósitos minerais ainda não explorados; pesca, setor em que o Brasil é ainda embrionário e tem muito que aprimorar; e a valiosa camada do pré-sal, que possivelmente transformará o Brasil em um dos dez maiores produtores mundiais de petróleo. Há também as fontes hidrotermais no litoral brasileiro, que apresentam alto potencial econômico na área da biotecnologia e farmacologia. A Amazônia Azul é motivo de preocupação ambiental e estratégica. O risco de degradação levado a cabo por atividades predatórias exige a presença do Estado na função de regulador e legislador ambiental para coibir eventuais abusos e perigos. Igualmente, compete a um governo responsável resguardar a segurança de uma área tão valiosa. Isso incide em investimentos para a segurança e soberania, como o reaparelhamento das forças navais que, inevitavelmente, passa por um melhor aprimoramento de defesa, assunto controverso por exigir elevados gastos. O texto da seção “Enfoque” revela a grande preocupação quanto ao resguardo da soberania nesse horizonte estratégico.

As reservas de petróleo são uma das riquezas da Amazônia Azul. Na fotografia, plataforma de petróleo em Niterói (RJ), 2014.

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ESCREVA NO CADERNO

Enfoque A riqueza econômica da Amazônia Azul

[...] Nessa imensa área oceânica, o Brasil possui interesses importantes e distintos. Cerca de 95% do comércio exterior brasileiro passa por essa massa líquida, movimentando nossos mais de 40 portos nas atividades de importação e exportação. Por outro lado, é do subsolo marinho, no limite da ZEE, mas, futuramente, no limite da plataforma continental estendida, que o Brasil retira a maior parte do seu petróleo e gás, elementos de fundamental importância para o desenvolvimento do país. Ademais, também é relevante a atividade pesqueira, que nos permite retirar do mar recursos biológicos ricos em proteína. Embora com futuro incerto, ainda que promissor, o Brasil, nos limites da sua Amazônia Azul, poderá explorar e aproveitar os recursos minerais do solo e subsolo marinhos, entre eles os nódulos e sulfetos polimetálicos, as crostas manganesíferas, os hidratos de gás e as crostas de cobalto. [...] A proteção da Amazônia Azul é uma tarefa complexa. São 4,5 milhões de quilômetros quadrados de área a ser vigiada. Se a ação for tímida, ilícitos como pirataria, contrabando, despejos ilegais de material poluente, exploração da fauna, entre outros, encontram terreno fértil de propagação. Um navio estrangeiro já foi surpreendido sugando furtivamente água doce na foz do rio Amazonas. Petroleiros usam a costa brasileira para desovar lastro poluído. Ações de patrulha marítima, realizadas pela Marinha do Brasil, visam a evitar os ilícitos e combater infratores nas águas jurisdicionais brasileiras. [...] ASSOCIAÇÃO DOS DIPLOMADOS DA ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA. A Amazônia Azul. Disponível em: <http://www.adesg.net.br/noticias/a-amazonia-azul>. Acesso em: 7 out. 2015.

1. A Marinha do Brasil desempenha uma função altamente estratégica na Amazônia Azul. Com base no texto, aponte quais são as ações e os motivos que a justifiquem.

Cardume em Fernando de Noronha (PE), 2010.

A Geografia na... poesia!

Ricardo Azoury/Pulsar

2. Leia o seguinte trecho: “Embora com futuro incerto, ainda que promissor, o Brasil, no limite da sua Amazônia Azul, poderá explorar e aproveitar os recursos minerais do solo e subsolo marinhos...”. Por que o autor afirma que esse futuro é incerto e promissor?

ESCREVA NO CADERNO

Navegar é preciso, viver não é preciso! PESSOA, Fernando. Obra poética. Organização de Maria Aliete Galhoz. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004. p. 841.

Fernando Pessoa abordou o tema “viagem” ao longo de sua obra e viveu parte de sua vida no exterior, para onde viajava de navio. Como Camões, Gil Vicente e tantos outros escritores portugueses, enalteceu o oceano em suas poesias e narrou em seus poemas a aptidão oceânica presente na história de Portugal. A afirmação poética acima permite, ao menos, duas interpretações. A primeira remete ao criador original da frase, Pompeu, um general romano que inspirou Pessoa. Nesse sentido, a frase diz respeito aos riscos da navegação em uma época em que era necessário desbravar mares em busca de conquistas territoriais. Já a segunda tem um quê do existencialismo humano, um híbrido entre a busca de si mesmo e a imensidão do mar, em uma perspectiva subjetiva. Ao longo do poema, Pessoa afirma que o importante é criar, não viver. 1. Com base no texto acima, responda: a) A expansão ultramarina portuguesa se deu em direção a quais oceanos? b) Consulte os mapas “Planisfério: correntes marítimas”, na página 180, e “As Grandes Navegações”, na página 34, e destaque algumas correntes marítimas que Vasco da Gama teve de atravessar ao sair de Portugal, contornar a África e atingir a Índia. c) Dentro da perspectiva subjetiva do poeta, reflita sobre os motivos por que viajar seria mais importante que viver.

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando 1. Escolha e compare a atuação de duas importantes correntes marítimas, uma fria e outra quente. 2. Estabeleça as relações existentes entre as correntes marítimas e a formação de desertos nas latitudes médias da América do Sul, África e Oceania. 3. Discorra sobre o relevo marinho explicando suas divisões. 4. Qual a importância da plataforma continental para um país? 5. O que é Amazônia Azul e qual a sua importância?

Olhar cartográfico Observe o mapa a seguir e faça o que se pede. 1. Identifique as áreas destacadas e escreva em seu caderno a legenda com seu significado. 2. Compare a área territorial da Amazônia florestal com a da Amazônia Azul e aponte características espaciais e territoriais que podem ser destacadas.

Frase de Ibsen Pinheiro, deputado gaúcho: [...] É preciso perceber que o Brasil inteiro apoia uma mudança do sistema de distribuição dos royalties. Na Câmara, 24 bancadas votaram unanimemente pela mudança. Eu gostaria de dizer aos cariocas que a mudança não tem como ser revogada. [...] ROYALTIES do petróleo: Ibsen Pinheiro diz que ‘nem toda passeata é do bem’. O Globo, 18 mar. 2010. Economia. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/economia/royalties-do-petroleoibsen-pinheiro-diz-que-nem-toda-passeata-do-bem-3037097>. Acesso em: 7 out. 2015.

Frase de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro: [...] As finanças do estado ficam completamente comprometidas. [O projeto] tem duas características muito graves. Não só compromete Copa e Olimpíadas, mas ficam também comprometidos os pagamentos aos aposentados e à União. [...]

Amazônia florestal e Amazônia Azul Allmaps

se desentenderam quanto às regras da exploração. A discussão envolvendo os royalties da produção lançou dúvidas e polêmicas ao assunto. Em uma discussão no Congresso, deputados gaúchos e mineiros defenderam que os recursos da exploração do petróleo fossem distribuídos por todas as unidades da federação, enquanto representantes do Rio de Janeiro e Espírito Santo, especialmente, entenderam que a participação nos lucros fosse maior para aqueles que produzem.

50° O

GOVERNADOR do Rio afirma que mudança nos royalties compromete Copa e Olimpíadas. Veja, 20 out. 2011. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/governador-do-rioafirma-que-mudanca-nos-royalties-compromete-copa-e-olimpiadas>. Acesso em: 7 out. 2015. Fernando de Noronha

Equador

OCEANO ATLÂNTICO

• Organizem-se em grupos de três ou quatro pessoas e pesquisem em jornais, revistas e na internet sobre como está a discussão atualmente. Cada participante deve se posicionar a respeito do tema e, após debaterem, definam uma opinião que represente a maioria dos participantes. Elaborem argumentos, que serão defendidos por um orador que vai representar o grupo em um debate organizado pelo professor.

Trindade e Martin Vaz

OCEANO PACÍFICO Trópico de Capricór

De olho na mídia

nio

Leia o texto e, em seguida, responda às questões. 0 +

665

=

Fontes: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA). Bioma Amazônia. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/sbf_chm_rbbio/_arquivos/ mapas_cobertura_vegetal.pdf>. Acesso em: 7 out. 2015; MARINHA DO BRASIL. A Amazônia Azul. Disponível em: <www.mar.mil.br/hotsites/sala_imprensa/html/ amazul.html>. Acesso em: 27 abr. 2016.

Atividade em grupo Quando das descobertas de petróleo na camada do pré-sal, entre o final de 2006 e início de 2007, novas perspectivas de exploração colocaram em xeque a questão do federalismo no Brasil. Líderes políticos da época

Brasil foi alvo de mesma manobra naval dos EUA que irritou China O Brasil foi alvo da mesma operação da marinha americana que irritou autoridades chinesas nesta semana, quando o navio USS Lassen navegou a menos de 12 milhas marítimas das ilhas artificiais do arquipélago Spratly, mostram documentos americanos. Segundo relatório publicado no site do Departamento de Defesa americano, no ano fiscal de 2014, encerrado em outubro do ano passado, os EUA realizaram operações do tipo FON (Freedom of Navigation, Liberdade de Navegação) em 19 países, incluindo Argentina e Brasil. As operações FON são parte de uma política adotada pelos EUA em 1979 para desafiar pretensões territoriais consideradas por eles excessivas.

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MC1 MARTIN WRIGHT/US NAVY/AFP

Navio USS Lassen (em primeiro plano) durante exercícios militares com o destróier sul-coreano Sokcho, em 2015.

Anualmente, a marinha americana adentra essas águas – geralmente de países pouco amigáveis aos EUA, mas também de nações neutras ou aliadas – para impor sua liberdade de operação. No caso da operação no Brasil, foi desafiada a exigência de que as marinhas estrangeiras peçam permissão para realizar manobras militares na Zona Econômica Exclusiva brasileira (ZEE). O Brasil, que ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), entende que as disposições do tratado não autorizam outros países a realizar na ZEE exercícios ou manobras militares, em particular as que impliquem o uso de armas ou explosivos, sem aval do Estado costeiro.

Sem saber Procurada, a marinha brasileira afirmou que “teve conhecimento dos navios de guerra dos EUA que navegaram nas águas jurisdicionais brasileiras em 2014, inclusive participando de exercícios com navios brasileiros, que foram divulgados para a imprensa nacional à época e acompanhados pelo Comando de Operações Navais durante o trânsito”. Os americanos, porém, esclarecem que não se trata do exercício conjunto feito regularmente entre EUA e diversos países, Brasil entre eles. A porta-voz do Departamento de Defesa americano, porém, afirma que os Estados Unidos “não notificam os Estados costeiros quando conduzem manobras militares nas suas ZEE, porque a lei internacional não o requer”. A Zona Econômica Exclusiva brasileira é uma área oceânica aproximada de 3,6 milhões de quilômetros quadrados. Somada a ela, há a área da Plataforma Continental reivindicada pelo Brasil nas Nações Unidas, chegando ao total de 4,5 milhões de quilômetros quadrados.

Nesta semana, a reação de Pequim ao desafio dos EUA foi designar dois destróieres para acompanhar o navio americano – um deles, com poder de fogo equivalente. Apesar da disparidade entre os contextos das duas operações, para o Brasil seria impossível montar uma resposta semelhante. A marinha brasileira tem recursos limitados para patrulhar uma área dessa extensão. O Pro Super, programa de reaparelhamento dos meios de superfície, ainda não saiu do papel, e a atual frota de escoltas brasileiras está desgastada, limitando o poder de ação do Brasil nessas águas.

O que o Brasil diz Convenção da ONU sobre o Direito do Mar não autoriza outros Estados a realizar na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) manobras militares sem consentimento do Estado costeiro.

O que os EUA fizeram Incursões na ZEE brasileira em retaliação à exigência do Brasil de que as marinhas estrangeiras peçam permissão para manobras militares. Os EUA não informaram qual navio foi utilizado nem o ponto exato da zona onde a operação foi realizada. CAVALCANTI, Fernando. Brasil foi alvo de mesma manobra naval dos EUA que irritou China. Folha de S.Paulo, 30 out. 2015. Fornecido pela Folhapress. Disponível em: <http://www1.folha. uol.com.br/mundo/2015/10/1700336-brasil-foi-alvo-de-ato-naval-semelhante-ao-que-os-euarealizaram-na-china.shtml>. Acesso em: 28 jan. 2016.

1. De acordo com o texto, apresente um argumento, e quem os afirma, que indica que os Estados Unidos estão cumprindo e outro que não estão cumprindo com as legislações internacionais ao colocar em prática o programa Liberdade de Navegação. 2. É possível identificar uma justificativa dada pelo autor da matéria para a ausência de reação da marinha brasileira às ações da operação Liberdade de Navegação?

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CAPÍTULO 9

A dinâmica do clima

ESTAÇÃO METEOROLÓGICA O que é?

Local onde estão reunidos instrumentos de medição de elementos do clima, como temperatura, umidade relativa do ar e pressão atmosférica.

Tipos de estações Convencionais

Há um observador meteorológico para anotar os dados fornecidos pelos instrumentos de medição.

Pluviômetro Mede a precipitação.

Automáticas

Um sistema de captação de dados processa e armazena sinais eletrônicos que contêm informações sobre os dados obtidos pelos sensores meteorológicos.

Barômetro

Mede a pressão atmosférica.

Termômetro Mede a temperatura.

Higrógrafo

Mede a umidade relativa do ar.

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Os dados coletados pelas estações meteorológicas são fundamentais para várias atividades humanas. Veja algumas a seguir.

Crédito do infográfico: Alex Argozino

Tópicos do capítulo Tempo e clima Atmosfera Elementos do clima Fatores determinantes do clima Massas de ar no Brasil Classificação climática do Brasil

Previsão do tempo

É possível saber com antecedência as condições do tempo de um determinado local.

Anemógrafo

Mede a velocidade e a direção do vento.

Agricultura

Dados climatológicos são utilizados para otimizar as atividades agrícolas.

Climatologia

ESCREVA NO CADERNO

Ponto de partida 1. O município em que você vive é marcado por excesso de chuva, estiagem ou precipitações bem distribuídas ao longo do ano? 2. Em sua opinião, um ano é sempre igual ao outro em termos de condições climáticas ou não?

A observação dos padrões climatológicos em um longo período de tempo permite classificar o clima de uma região.

Aeronáutica

A observação das condições climáticas garante maior segurança para as viagens aéreas.

3. Você costuma consultar a previsão do tempo? Se sim, para quê?

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Yesica Fisch/AP/Glow Images

1. A natureza atmosférica O conhecimento dos mecanismos climáticos é relativamente recente: as primeiras observações, aferições e registros das temperaturas e precipitações iniciaram-se oficialmente em 1840, com a criação do Observatório Real de Greenwich, em Londres. Antes disso havia apenas deduções. De origem grega, a palavra clima significa inclinação, referência à curvatura e à inclinação do eixo da Terra, que fazem os raios incidirem desigualmente sobre o planeta. É essa inclinação que determina o nível de insolação dos raios solares na superfície terrestre e, por conseguinte, define as estações do ano, juntamente com o movimento de translação. Os raios solares incidem de maneira diferente nas baixas, médias e altas latitudes. Observe a representação abaixo.

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Harrower/Dreamstime.com/Isuzu Imagens

Fonte: BOCHICCHIO, Vincenzo R. Atlas mundo atual. São Paulo: Atual, 2003. p. 4.

Luis Moura

Incidência dos raios solares

A incidência de raios solares é mais abundante nas baixas latitudes e menos intensa nas altas. Na fotografia, raios solares em Falkenstein, Alemanha, 2014. Torre Atto, acrônimo de Amazon Tall Tower Observatory, instalada a 150 km de Manaus (AM). Esta torre de 325 metros vai monitorar as interações entre a floresta e a atmosfera, disponibilizando dados para avaliar os impactos das mudanças climáticas na Amazônia. Fotografia de 2015.

Tornou-se lugar-comum, ultimamente, sobretudo nos meios de comunicação, certa ênfase quanto às alterações climáticas. É preciso tomar cuidado com exageros e analisar criteriosamente tais “alterações”, levando sempre em consideração que o clima é cíclico. Para isso, devemos partir da seguinte premissa: o que não é normal na natureza é a constância do tempo; um ano nunca é igual ao outro em termos de tempo.

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1.1 A atmosfera

• Troposfera: é a camada da atmosfera mais baixa, próximo à crosta terrestre, e que envolve diretamente os seres vivos. É nessa camada que ocorrem os fenômenos de evaporação e precipitação. Compreende quase 80% da densidade da atmosfera, apesar de ser a camada mais fina.

Allmaps

O clima no tempo – temperaturas (1961-1990) 50º O

Equador

Capricórnio Trópico de

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

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15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 ( ˚C )

Fonte: INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (Inmet). Disponível em: <www.inmet.gov.br/html/clima.php>. Acesso em: 28 jul. 2015.

O mapa do Inmet nos dá uma demonstração de um estudo de longo prazo sobre observações climáticas.

A atmosfera terrestre Alex Argozino

O primeiro passo a ser dado quando estudamos Climatologia é diferenciar tempo e clima. Tempo é o estado momentâneo da atmosfera de um lugar específico; clima é a sucessão dos vários estados de tempo. Enquanto o tempo é circunstancial, a escala temporal climática é bastante ampla; só se define o clima de uma determinada área após pelo menos 30 anos de observação. É a variação dos diversos estágios de tempo que define um clima. O tempo pode variar ao longo de um dia, enquanto o clima, somente ao longo de décadas ou séculos. Em uma região tropical, por exemplo, podemos ter circunstancialmente um tempo frio, e o mesmo vale para uma região equatorial úmida, que pode apresentar, por certo período, dias secos. Observe o mapa ao lado. Para compreendermos o clima precisamos antes entender a atmosfera (do grego, “esfera de vapor”), a camada de ar que envolve a Terra e que é formada por uma série de gases, destacando-se o oxigênio e o nitrogênio, que, juntos, compõem 99% dela. Toda a radiação solar, antes de chegar à superfície terrestre, precisa atravessar a atmosfera. Esta, por sua vez, é composta de quatro camadas:

• Estratosfera: é a área térmica da atmosfera, onde se verifica um aumento de temperatura e que alcança quase 50 km de altitude. É nessa camada que se encontra o ozônio (O3), o filtro natural da Terra, que absorve os raios ultravioleta, nocivos à nossa saúde. • Mesosfera: essa camada começa aproximadamente a 50 km de altitude e se estende até a ionosfera. A temperatura a partir dessa camada diminui consideravelmente em razão da altitude, podendo atingir até 130 ºC negativos. • Ionosfera: acima de 85 km até mil. É, na verdade, uma zona de transição entre a Terra e o espaço do cosmos. Na ionosfera ocorre exatamente o oposto da mesosfera: a temperatura eleva-se abruptamente em razão da intensa radiação solar e pode atingir 1500 ºC. Observe o esquema ao lado. Nota: mb: milibar, unidade de medida de pressão. Fonte: AHRENS, C. Donald; JACKSON, Peter L.; JACKSON, Christine. Meteorology today: an introduction to weather, climate, and the environment. Toronto: Nelson Education, 2012. p. 17.

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2. Os elementos do clima Ler História do clima, de Maria José Aragão. Rio de Janeiro: Interciência, 2009. Obra abrangente sobre a dinâmica climática que explica as condições atmosféricas e analisa os principais fatores, elementos e alterações do clima.

Ciclo hidrológico 1. O fluxo e o defluxo dos oceanos são imensos e quase equilibrados em função do saldo entre a evaporação e a precipitação sobre o oceano.

Evaporação

Os principais elementos do clima são temperatura, precipitação, pressão atmosférica e umidade. A temperatura é o grau de aquecimento e resfriamento do ar atmosférico. Ela é medida com o termômetro e pode ser expressa em graus Celsius (ºC). As temperaturas são médias diárias, mensais ou anuais. Além dessas médias, é importante também conhecer as mínimas e as máximas, diárias ou mensais, pois o calor ou o frio excessivo de um dia muitas vezes pode ser decisivo ao ambiente. Outro conceito importante vinculado à temperatura é o de amplitude térmica, a oscilação entre as temperaturas máxima e mínima de uma localidade. A máxima oscilação da Terra, por exemplo, registra-se em lugares tórridos, como os desertos, que podem atingir 54 ºC ao meio-dia e chegar próximo de 0 ºC ou mesmo a temperaturas negativas à noite; já os invernos das zonas polares podem chegar a 70 ºC negativos. No Brasil, temos áreas de baixa amplitude térmica – como na região Amazônica, por exemplo – e de amplitude mais elevada – como na região Sul. A amplitude térmica também pode ser medida em um dia. Ela é a diferença entre as temperaturas máxima e mínima medidas durante um período. Por precipitação consideramos a água resultante da nebulosidade atmosférica que retorna à superfície terrestre, seja pelo meio mais comum, a chuva, seja pela nevasca, pelo granizo ou orvalho. Ao lado da temperatura, a precipitação é um dos elementos mais importantes que definem a vegetação natural de determinado lugar. A evaporação também é outro elemento considerável para a precipitação, pois há regiões de elevadas temperaturas no globo em que a evaporação supera a precipitação, como os desertos. Veja o esquema abaixo.

Precipitação

2. O excedente é movido Evapotranspiração para o continente e precipita-se (saldo da precipitação sobre o continente).

Precipitação

3. A precipitação escoa superficialmente para os lagos, rios e oceanos...

Escoamento superficial

Escoamento superficial

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Fonte: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 315.

O tempo médio que uma molécula de água permanece na atmosfera é curto, de apenas alguns dias.

Nível freático

Fluxo de água subterrânea

Luis Moura

Infiltração

4. ... ou infiltra-se no solo e nas rochas, onde se move como água subterrânea.

A pressão atmosférica é a força exercida pela atmosfera sobre determinado ponto da superfície terrestre. Essa pressão costuma ser mais alta nas zonas temperadas durante o inverno, pois o ar frio é mais denso que o ar quente. Já as zonas tropicais tendem a ser zonas de baixa pressão, uma vez que o ar quente é mais leve. Essa variação é importante para conhecermos o deslocamento e a dinâmica atmosférica, já que os ventos sopram das áreas de alta para as de baixa pressão. Igualmente, varia de acordo com a altitude em uma escala logarítmica: é maior em áreas de baixa altitude e menor em áreas de maior altitude. A umidade é a quantidade de vapor de água no ar e é expressa em percentuais. Sendo assim, quanto à umidade do planeta, temos as zonas equatoriais de alta umidade num extremo e as zonas áridas no outro extremo.

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Temperatura (em °C)

Leitura de climograma

Precipitação (em mm)

Cingapura

O climograma é uma forma gráfica de200 representação do clima. 20 Ele indica as médias térmicas e a pluviosidade de uma determinada localidade no período 15dezembro). Sua leitura é bastante simples. As 150de um ano (janeiro a colunas indicam a precipitação, ou seja, o100total de chuvas durante o mês (representados pelas iniciais abaixo 10 delas). A linha vermelha indica a média das 50 temperaturas (em5ºC), que oscila ao longo do ano. Veja alguns exemplos. 0 0

Mumbai

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J FMAM J J A SOND Meses do ano

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Precipitação (em mm)

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Ilustrações: Luís Moura

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Temperatura (em °C)

Precipitação (em mm)

Mumbai Fonte: ATLAS National Geographic. São Paulo: Abril, 2008. v. 12. p. 26-27.

3. Os fatores climáticos 400

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300

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10

O clima de uma área5 nunca está associado a um único elemento; ele é fruto 0 0 J FMAM J J A SOND de uma combinação Meses do ano de alguns fatores que interagem. Os fatores determinantes do clima são latitude, altitude, orografia, continentalidade, maritimidade e massas de ar. Além dos naturais, pode haver também os fatores antropogênicos, como a emissão de gases de efeito estufa ou o aglomerado urbano, que serão estudados mais adiante. 100

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS

3.1 Latitude

Zonas climáticas da Terra

Luis Moura

A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

A latitude – distância em graus em relação à linha do equador, o paralelo principal de zero grau – é um dos mais importanZona polar do Norte tes fatores na determinação do clima. Oscila de 0º a 90º ao Cír cul o norte e ao sul, tendo como principais paralelos a linha do Tró Pola r Árt pic ico od equador (0º), o Trópico de Capricórnio (23º27’S), o TrópieC Zona temperada â nc er do Norte co de Câncer (23º27’N), o Círculo Polar Ártico (66º33’N) Eq ua do e o Círculo Polar Antártico (66º33’S), que são as linhas r balizadoras das zonas climáticas. A inclinação dos raios Tró solares é menor nas imediações equatoriais e tropicais, pic od eC apr chamadas de zona intertropical ou tórrida, e maior na icór Zona tórrida nio direção dos polos. Veja o esquema ao lado. A inclinação do eixo da Terra faz que a incidência Cír cul o Po lar A solar seja equitativamente distribuída ao longo do ano ntárt ico Zona temperada do Sul entre os trópicos, mas o mesmo não ocorre em direção aos polos. Nas áreas próximas aos círculos polares, há períodos do Zona polar do Sul ano em que a radiação solar diária é muito desigual. Concluímos, portanto, que quanto maior a latitude, menor a temperatura e, inversaFonte: PRESS, F. et al. Para entender a Terra. mente, quanto menor a latitude, maior a temperatura. Contudo, há exce4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 368. ções, pois muitas vezes a altitude influencia e modifica as temperaturas determinadas pela latitude.

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3.2 Altitude A altitude é outro fator que interfere no clima: quanto maior a altitude, menor a temperatura por causa da rarefação do ar; ao contrário, quanto mais próximo do nível do mar (menor altitude), mais alta a temperatura por conta do aquecimento da superfície que absorve radiação solar e da maior presença de gases. Em média, temos uma queda de 5,5 ºC para cada mil metros que subimos no relevo. Dessa forma, podemos calcular a linha de neve de uma determinada região levando sempre em consideração a interação dos outros aspectos climáticos. Assim, numa região tropical que apresente temperatura em torno de 20 ºC, na mesma latitude mas com altimetria acima de 4 mil metros, podemos alcançar uma linha de neve, como acontece nas imediações andinas de uma região tropical como o Peru, ou no monte Quilimanjaro, na Tanzânia. Luis Moura

Variação de temperatura no mesmo horário metros

2 000

Campos do Jordão 5 oC

1 500 1 000

Vale do Paraíba 16 oC

500 Ubatuba 18 oC 0 Photoshot/Easypix Brasil

Fonte: PRESS, F. et al. Para entender a Terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 368.

Neve nos trópicos: a altitude influenciando a latitude. Na fotografia, monte Quilimanjaro, Tanzânia, 2014.

3.3 Orografia A orografia é outro fator importante do clima, pois, dependendo da disposição do relevo, ocorre maior ou menor penetração de ventos e massas de ar. A disposição do relevo pode facilitar ou dificultar os fluxos de calor e umidade. Se uma cadeia montanhosa ou mesmo planáltica tem a orientação de suas vertentes no sentido dos paralelos, isso pode dificultar as trocas de calor e umidade, como ocorre, por exemplo, com a disposição latitudinal da Cordilheira do Himalaia, na Ásia, que é decisiva para a circulação atmosférica naquela região. Já a disposição longitudinal da Cordilheira dos Andes favorece a dinâmica atmosférica sul-americana, permitindo que as massas polares cheguem até o norte da América do Sul, assim como as equatoriais cheguem até o sul do Brasil. Apesar disso, os Andes impedem que massas úmidas oriundas do Pacífico adentrem o interior da América do Sul.

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3.4 Continentalidade e maritimidade A distribuição das terras e dos oceanos tem influência direta no clima, pois ela não é igual entre os hemisférios norte e sul. Em áreas litorâneas, a influência da maritimidade e das correntes oceânicas ameniza as temperaturas, seja no verão ou no inverno. Isso se deve à alta capacidade da água em reter calor, fazendo que as diferenças de temperatura entre o dia e a noite sejam pequenas em lugares próximo ao mar (maritimidade). Em função disso, as amplitudes térmicas nas áreas localizadas próximo do litoral são baixas. Ao contrário, em áreas de continentalidade, em que a absorção de calor e o resfriamento são rápidos, as temperaturas costumam ser mais extremas, com verões e invernos rigorosos. Ou seja, a continentalidade aguça as temperaturas, enquanto a maritimidade as ameniza. Isso é perfeitamente notado na porção do litoral ocidental da Europa, fortemente influenciada pela maritimidade e pela corrente do Atlântico Norte, derivada da corrente do Golfo. Ali, temos invernos e verões mais suaves que no interior do continente em que, nas mesmas condições de latitude e altitude, os invernos são bem mais rigorosos, assim como o verão. Enquanto cidades próximas ao litoral da França apontam no inverno temperaturas em torno de 4 ºC, em Kiev, na Ucrânia, na mesma latitude e altitude, porém uma cidade continentalizada, as temperaturas no inverno alcançam 9 ºC negativos. A relação continentalidade-maritimidade interfere na circulação atmosférica, uma vez que os ventos oriundos dos continentes são mais secos, e as brisas marítimas, úmidas. Dessa forma, não é de se estranhar que climas continentais de regiões temperadas apresentem um verão quente e seco, enquanto climas marítimos acusem invernos chuvosos. Observe a desigual distribuição de terras e águas na imagem de satélite abaixo.

VanHart/Shutterstock.com

Terras e mares

Hemisfério norte Mais terras

Equador

Hemisfério sul Menos terras

Antártida

Em razão da distribuição desigual das águas e das terras no globo terrrestre, o hemisfério norte é conhecido como “hemisfério continental”, enquanto o sul, como “hemisfério oceânico”. Imagem de satélite da Nasa, s. d.

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Como funcionam as massas de ar <http://tub.im/ecad6g> O site Como tudo funciona apresenta um link sobre as massas de ar, com textos produzidos por cientistas.

3.5 Massas de ar ou dinâmica atmosférica Massa de ar é um imenso bolsão de ar que cobre uma vasta área da superfície terrestre e que apresenta características homogêneas de temperatura e umidade ao longo dela, e que pode ter de algumas centenas até 5 mil quilômetros de extensão. Verticalmente pode atingir de 500 m a 20 km de altitude. É classificada sempre de acordo com sua origem, ou seja, se provém de uma região fria, quente, úmida ou seca. Na área pela qual se estende a massa de ar, suas condições são uniformes e as mudanças bruscas de temperatura ocorrem em suas bordas. Existem quatro tipos de massas de ar: • fria e úmida; • fria e seca; • quente e úmida; • quente e seca. Normalmente, as massas de ar úmidas têm sua origem nos oceanos, enquanto as secas, nos continentes. Contudo, há exceções. As áreas de formação são normalmente os oceanos, grandes florestas, vastas planícies, geleiras e desertos, localidades com planuras monótonas e quase ausência de acidentes no relevo. É comum ocorrer encontro de massas de ar, sendo sempre uma mais fria que a outra; nesse caso temos a formação de uma área de anticiclone (ou zona de alta pressão), que se caracteriza por apresentar ventos no sentido horário no hemisfério norte e anti-horário no hemisfério sul. O comportamento das massas de ar obedece ao sistema geral de ventos da Terra, apresentado a seguir. Comportamento geral dos ventos

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS

Alta Polar

A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Luis Moura

Navegar

Baixa Subpolar

60o Frente Polar Ventos de Oeste

Célula de Convecção

Alta Subtropical

30o Ventos Alíseos

Baixa Equatorial (ZCIT)

0o

Equador Ventos Alíseos 30o Nuvens Fonte: MARTINS, R. F. et al. O aproveitamento da energia eólica. Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, v. 30, n. 1, p. 1304-1308, 2008. Disponível em: <http:// www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/301304.pdf>. Acesso em: 8 jan. 2016.

Célula de Hadley

Ventos de Oeste 60o Ventos polares de Leste

Célula de Ferrel

Célula Polar

O deslocamento das massas de ar é um processo híbrido de troca de calor. Por exemplo, muitas vezes, à medida que uma massa de ar frio se desloca e entra em contato com áreas quentes, gradativamente vai se aquecendo até adquirir característica distinta de sua área de origem. Assim, as massas de ar que muitas vezes influenciam ou determinam o clima de um local, simultaneamente também são influenciadas por outras; há uma interação constante nas condições atmosféricas, uma vez que o clima é um processo dinâmico.

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ESCREVA NO CADERNO

Enfoque Circulação e dinâmica atmosférica

energia do que perdem por emissão para o espaço e, nas latitudes médias e elevadas, observa-se o contrário. Há, assim, um equilíbrio no balanço de energia do planeta, pois o excesso de energia recebido na zona intertropical é transferido pelas correntes atmosféricas e oceânicas para as zonas temperadas e polares. A atmosfera circula permanentemente, o que torna bastante difícil captar e representar de maneira fiel as leis que regem esse dinamismo. [...] Esses campos de pressão, ou centros de ação da atmosfera, são definidos por observações em estações e postos meteorológicos situados sobre os continentes e sobre oceanos, tanto em superfície quanto em altitude [...]. Os centros atmosféricos de ação, ou áreas que exercem o controle climático do planeta, são reconhecidos como de alta pressão (anticiclonais) ou de baixas pressões (ciclonais ou depressões). [...] Os campos de pressão atmosférica, ou centros de ação, e os ventos dominantes na superfície organizam-se em faixas zonais relativamente paralelas à linha do Equador terrestre. Embora a circulação atmosférica-padrão apresente um dinamismo regular [...], ela também apresenta, às vezes, irregularidades importantes devido à influência do relevo e à desigual repartição entre terras e mares. MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês Moresco. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. p. 83-85. Shawn Hempel/Alamy/Latinstock

Os campos de pressão na superfície da Terra formam os controles climáticos responsáveis pela movimentação do ar em extensas áreas do planeta. Para o conhecimento do clima de uma determinada área, faz-se necessária a identificação dos controles climáticos a que ela está submetida, pois um clima particular (escala local e/ou microclimática, dada via circulação terciária) é definido por aspectos de primeira grandeza (escala zonal, macroclimática, dada via circulação primária) e de segunda grandeza (escala regional, mesoclimática, via circulação secundária). Essa hierarquia aplica-se a todo e qualquer estudo do clima, independentemente da unidade climática estudada. [...] A atmosfera terrestre é formada por um conjunto de gases, presos ao planeta pela atração gravitacional, cujos movimentos são descritos pelas leis da mecânica dos fluidos e da termodinâmica. A movimentação do ar é alimentada pela repartição desigual da energia solar e influenciada diretamente pela rotação da Terra. O conjunto dos movimentos atmosféricos que, na escala planetária, determina zonas climáticas e, nos diferentes lugares do planeta, define tipos de tempos, denomina-se circulação geral da atmosfera. [...] a quantidade de energia solar recebida pela Terra não é igual em todos os pontos da superfície do planeta, variando principalmente em decorrência da latitude e das estações do ano. As áreas de baixas latitudes recebem mais

Estação meteorológica em Cabo Arkona, Alemanha, 2014.

1. O texto trata da circulação geral da atmosfera. Produza em poucas linhas um texto mencionando o que você absorveu sobre esse processo de atuação dos ventos. 2. De acordo com o texto, qual é o conceito de “circulação geral da atmosfera” e por que ele é importante?

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Furacões Os furacões são sistemas de baixa pressão que se formam quase sempre durante os meses quentes do ano. Surgem principalmente perto da linha do equador, em regiões nas quais os ventos de leste são predominantes. Geram ventos com velocidade entre 120 e 240 quilômetros por hora. Veja no mapa abaixo as áreas de ocorrência de furacões denominados ciclones tropicais em virtude de suas localizações.

180°

120˚ O

60° O

Allmaps

Os furacões 60° L 120° L 180° 90° N OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Círculo Polar Ártico

EUROPA

AMÉRICA DO NORTE

ÁSIA OCEANO PACÍFICO

Trópico de Câncer

Equador

OCEANO PACÍFICO Trópico de Capricórnio

OCEANO ATLÂNTICO AMÉRICA DO SUL

Trajetos dos ciclones tropicais Círculo Polar Antártico

ÁFRICA 0° Meridiano de Greenwich

AMÉRICA CENTRAL

OCEANO ÍNDICO OCEANIA

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 0

ANTÁRTIDA

2 565

90° S

NOAA via Getty Images

Fonte: ATLAS National Geographic. São Paulo: Abril, 2008. v. 12. p. 29.

Imagem de satélite mostra o furacão Patricia, que atingiu a América do Norte em 2015.

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0o

Allmaps

Planisfério:Círculo climasPolar Ártico 0o

Círculo Polar Ártico

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

Equador

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ÍNDICO

OCEANO ATLÂNTICO

Equador

0o

OCEANO ÍNDICO

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Capricórnio

0o

Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico Círculo Polar Antártico

0

0 2 500

2 500

Tipos de clima (adaptado da classificação de Köpen)

Tipos de clima (adaptado da classificação de Köpen) Frio

Equatorial

Frio

Equatorial Mediterrâneo

Desértico

Mediterrâneo Tropical

Desértico Polar

Tropical Temperado

Polar Semiárido

Subtropical Temperado

FrioSemiárido de montanha

Subtropical

Frio de montanha

Fonte: ATLAS geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2002. p. 58.

A Geografia na... música! 60

100

50

80

40

60

30

40

20

20

10

• Quais elementos e/ou fatores do clima estudados 0 0 J F MAM J J A S O N D neste capítulo você consegue perceber no trecho Meses do ano da canção acima? Considerando a canção e o climograma, qual o clima retratado? Fonte: CLIMATE-DATA. Dados climáticos ESCREVA NO CADERNO

Editoria de arte

120

Temperatura (em °C)

VELOSO, Caetano. Reconvexo. Intérprete: Maria Bethânia. In: BETHÂNIA, Maria. Memória da pele. [S.l.]: Polygram, 1989. 1 disco sonoro. Faixa 1.

Precipitação (em mm)

Roma

[...] Eu sou a chuva que lança a areia do Saara sobre os automóveis de Roma.

para cidades mundiais. 2016. Disponível em: <http://pt.climate-data.org/ location/1185>. Acesso em: 8 jan. 2016.

4. Massas de ar no Brasil O clima e as massas de ar no Brasil têm de ser compreendidos à luz da localização geográfica da América do Sul. Esta, por sua vez, apresenta-se disposta predominantemente no sentido dos meridianos. Isso implica a dinâmica atmosférica local, com forte predomínio das massas oceânicas e, consequentemente, abundante umidade, apesar da ocorrência de três áreas com baixa pluviosidade: o deserto do Atacama, a Patagônia e o semiárido brasileiro do Sertão nordestino. A atuação das massas de ar é decisiva no clima brasileiro. O Brasil é diretamente influenciado por cinco massas de ar. Veja no infográfico a seguir.

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Atuação das massas de ar Massa Equatorial continental (Ec) Quente e úmida, origina-se no coração da Floresta Amazônica, em sua vertente ocidental. Tem um longo raio de alcance, chegando a atingir o Sudeste brasileiro durante o verão. É um raro caso de massa continental úmida, pois se origina em uma região de intensa evapotranspiração que é a Floresta Amazônica, além da exuberante presença hídrica da Bacia Amazônica, justificando, então, sua elevada umidade.

Massa Tropical continental (Tc)

TIPOS DE MASSAS DE AR

É uma típica massa de ar continental: quente e seca; aliás, é a única com essa característica a atuar no Brasil. Origina-se nas imediações do chaco boliviano, bem no centro da América do Sul, e tem área de atuação mais restrita, compreendendo trechos do Centro-Oeste e Sudeste do país. É facilmente dominada pela massa Polar atlântica no inverno e pela massa Equatorial continental no verão.

ÚMIDA

SECA

FRIA

QUENTE

Massa Polar atlântica (Pa) A massa de ar Polar se forma na região subpolar da Patagônia argentina. Inicialmente seca, ganha umidade no transcorrer de seu percurso e, após colidir com os Andes, divide-se em dois ramos: a massa Polar pacífica (Pp) e o segmento que adentra pelo Brasil, a massa Polar atlântica (Pa), nessa altura já bastante úmida. Esse ramo que segue pelo Brasil, por sua vez, subdivide-se em dois segmentos principais: um pelo litoral e outro pelo interior. Vastas calhas e planuras da Bacia Platina, da planície do Pantanal e das terras baixas amazônicas facilitam sua penetração até as proximidades da linha do equador, provocando o fenômeno da friagem (quedas bruscas de temperaturas na região amazônica).

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Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) O que é: faixa em que ocorre o encontro dos ventos úmidos (alíseos) oriundos do hemisfério norte com os do sul. Localização: nas imediações da linha do Equador. É uma linha móvel, ora um pouco mais ao norte, ora ao sul, de acordo com as estações climáticas do ano, que acompanham o movimento aparente do Sol. Características: zona extremamente úmida e com nebulosidade constante, formando uma espécie de “cinturão úmido” do

planeta junto à zona equatorial. A ZCIT é bastante perceptível nas imagens de satélites por causa da presença de largas nuvens que chegam a medir centenas de quilômetros. Essa região do planeta apresenta céu constantemente encoberto pela nebulosidade e, por isso, é temida pelos aviadores e motivo de atenção permanente. Outros casos: Zona de Convergência do Atlântico Sul, entre o Atlântico Sul central e a Amazônia, que atua no Brasil, provocando chuvas fortes no verão e veranicos no inverno; Zona de Convergência do Pacífico Sul e Zona de Convergência do Índico Sul, que não atuam no Brasil.

Massa Equatorial atlântica (Ea) Quente e úmida, atua predominantemente na Amazônia oriental e em trechos litorâneos do Nordeste. O centro de origem é o oceano Atlântico, junto à área de anticiclone dos Açores, quando é atraída para o oeste, graças à diferença de pressão.

Massa Tropical atlântica (Ta)

Atividades

Crédito do infográfico: Casa Paulistana

Quente e úmida, tem seu ponto de origem na zona subtropical do Atlântico Sul e exerce forte influência na franja oriental do país durante o ano todo, porém de forma mais intensa no verão. Provoca considerável precipitação na zona litorânea brasileira durante nosso verão austral em razão, sobretudo, da orografia.

ESCREVA NO CADERNO

1. Resposta pessoal. Porém, fique atento para que a resposta seja pertinente à realidade local.

1. Consulte um mapa político do Brasil e localize as imediações do município onde você vive. Em seguida, transponha a localização para o mapa deste infográfico. Identifique a(s) massa(s) de ar mais atuante(s) em sua região.

2. Tempo nublado com instabilidade devido à excessiva umidade que caracteriza a convergência de ventos úmidos provenientes

2. Um avião que parta de qualquer aeroporto do Brasil com destino à Europa certamente vai atravessar a Zona de Convergência Intertropical. Quando isso ocorrer, o que provavelmente o viajante verá ao olhar pela janela do avião?

das regiões que se localizam ao sul e ao norte da linha do equador.

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

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Inpe/CPTEC

4.1 Frente fria

Luis Moura

A imagem de satélite mostra áreas de instabilidade no Sul do país e frente fria entrando no território brasileiro pelo litoral da região Sudeste, em 2012.

A frente fria é representada por esse símbolo.

As frentes frias atormentam os fins de semana da população do Sul e do Sudeste do Brasil. Quem já não passou pela decepção de um passeio frustrado por uma dessas “intrusas” no Sul do país? Mas, afinal de contas, o que é propriamente uma frente fria? Como elas agem? As frentes, sejam elas frias, sejam quentes, ocorrem aleatoriamente e não dependem de uma ordem preestabelecida, pois se ligam à dinâmica atmosférica. Veja ao lado uma representação de uma frente fria em uma imagem de satélite. Uma frente é a linha dianteira da massa de ar, uma superfície limítrofe, de contato. Quando duas massas de temperaturas distintas se encontram, nas respectivas bordas, ocorre alteração de suas temperaturas. Existem dois tipos de frente: frente fria, mais comum no Brasil quando a massa polar avança em direção à massa tropical; e a frente quente, quando a frente tropical avança em direção à massa polar. A passagem de uma frente para a área de domínio da outra provoca instabilidade, mudança brusca de temperatura e, frequentemente, chuva. A frente fria é uma zona de transição e significa que a massa de ar fria vai ocupar o espaço da massa de ar tropical que estava predominando. No caso do Brasil, ela avança sempre no sentido norte, absorvendo as condições da tropicalidade, até ficar totalmente aquecida. Contudo, enquanto isso não ocorre, ela provoca queda nas temperaturas e, muitas vezes, chuvas. Em geral, quando as massas de ar se encontram, elas não se misturam, mas uma empurra a outra e, nesse intervalo, o ar frio posiciona-se embaixo do ar quente – já que ele é mais denso – e forma uma zona de transição, que é a frente fria. Ou seja, a frente fria é um estado provisório da massa e, enquanto ela não absorve por completo o aquecimento, o tempo permanece instável.

4.2 Chuvas Chuva é a precipitação atmosférica, um fenômeno meteorológico que consiste na transformação da água de seu estado gasoso para o líquido. Para chover, precisa haver alguma instabilidade, ou seja, uma troca de calor na atmosfera, que leva à precipitação ou, ainda, à formação de neve, orvalho, granizo ou saraiva. Podemos classificar as chuvas (precipitações) em: • chuvas frontais – ocorrem quando duas massas de ar, uma quente e outra fria, se encontram. O resfriamento provocado pela massa (ou frente) junto àquela carregada com vapor de água provoca a precipitação. São chuvas de longa duração e afetam áreas extensas. Observe o esquema a seguir. Luis Moura

Saraiva: Blocos de gelo com diâmetro de até 50 mm.

Chuva frontal

ar quente (mais leve)

ar frio

chuva

Fonte: MINISTÉRIO DA AERONÁUTICA. Manual de meteorologia para aeronavegantes. Rio de Janeiro: M.M.A., [197-].

frente fria

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Chuva orográfica

• chuvas convectivas – são provocadas pelo movimento vertical do ar ascendente, quente e úmido e, portanto, mais leve. Como as camadas superiores da atmosfera são mais frias, com a queda de temperatura ocorre a condensação. Normalmente, são fortes pancadas de chuva, conhecidas como toró, mas de curta duração. Observe o esquema ao lado.

Chuva convectiva

Ilustrações: Luis Moura

• chuvas orográficas – ocorrem quando nuvens encontram uma barreira orográfica (serra, escarpa, montanha) e começam a ganhar altitude para transpô-la. À medida que as nuvens sobem, a temperatura cai e a água em forma de vapor atinge o ponto de saturação, ocorrendo a precipitação. No Brasil, isso acontece com frequência na vertente atlântica da porção oriental do país, junto à Serra da Mantiqueira e à Serra do Mar. Observe o esquema ao lado.

vento chuva

ascensão de ar aquecido

chuva

ar frio descendente

Fonte das ilustrações: MINISTÉRIO DA AERONÁUTICA. Manual de meteorologia para aeronavegantes. Rio de Janeiro: M.M.A., [197-].

Chuvas, raios e trovões As chuvas convectivas costumam ser as mais violentas e também as que apresentam mais trovoadas e relâmpagos.

ESCREVA NO CADERNO Sergio Ranalli/Pulsar

Conversando com a... Física!

• O que provoca o ruído do trovão? O que provoca um relâmpago? Qual é o instrumento mais popular produzido pela Ciência para evitar as consequências das descargas elétricas nas cidades?

Relâmpagos em Londrina (PR), 2015.

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5. Classificação climática do Brasil O Brasil situa-se majoritariamente na faixa de baixas latitudes do globo e é atravessado pela linha do equador ao norte e pelo Trópico de Capricórnio ao sul; por isso, é fortemente marcado pela tropicalidade.

Latitudes • 0º a 30º – baixas latitudes • 30º a 60º – médias latitudes • 60º a 90º – altas latitudes

Navegar Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) <http://tub.im/e76gn2> O site do CPTEC/Inpe, centro de estudos meteorológicos, é um bom espaço para exercitar temas e conceitos discutidos neste capítulo, tais como: a dinâmica atmosférica e a atuação de massas de ar e frentes frias; a pluviosidade; o comportamento do mar; a previsão do tempo, entre outros.

Entre os fatores que interferem no clima brasileiro, estão: • a localização da maior parte do território nacional na zona intertropical do globo (baixas latitudes); • a influência da maritimidade na porção oriental e da continentalidade na porção centro-ocidental; • a baixa altimetria do relevo brasileiro e sua disposição; • a dinâmica atmosférica fortemente influenciada pela atuação de cinco massas de ar; • a grande extensão territorial do Brasil. Além desses fatores principais, vale mencionar a influência da Floresta Amazônica, cuja evapotranspiração acentuada intervém na dinâmica atmosférica e, ainda, em uma escala regional e local, a ação antrópica dos desmatamentos, as práticas agrícolas inadequadas e o processo urbano-industrial. Veja, no mapa abaixo, a classificação climática do Brasil que estudaremos a seguir. Brasil: climas Allmaps

50º O 50º O

Equador Equador

0º 0º

São Gabriel São Gabriel da Cachoeira da Cachoeira

Pauta musical Asa Branca, Luiz Gonzaga. Álbum: Volta pra curtir: ao vivo. RCA, 2006. Pauta: Clima semiárido.

Cabaceiras Cabaceiras

Climas do Brasil Brasil Climas do Equatorial úmido Equatorial úmido Temperaturas elevadas (24 (24 °C), °C), Temperaturas elevadas sem estação seca seca (2 (2 500 500 mm) mm) sem estação Equatorial subúmido Equatorial subúmido Temperaturas elevadas (24 (24 °C), °C), Temperaturas elevadas com alternância entre entre estação estação com alternância seca e chuvosa seca e chuvosa Semiárido Semiárido Chuvas escassas ee irregulares, irregulares, Chuvas escassas com as médias médias térmicas térmicas mais mais altas altas com as do país (26 (26 °C) °C) do país Tropical Tropical Temperaturas acima de de 18 18 °C, °C, Temperaturas acima com alternância entre entre estação estação com alternância seca e chuvosa chuvosa seca e Tropical de altitude altitude Tropical de Temperaturas abaixo de de 18 18 °C, °C, Temperaturas abaixo com pluviosidade maior maior nas nas com pluviosidade encostas orientais (até (até 44 000 000 mm) mm) encostas orientais Subtropical Subtropical Temperaturas inferiores aa 18 18 °C, °C, Temperaturas inferiores com precipitações com com relativa relativa com precipitações uniformidade ao longo longo do do ano ano uniformidade ao (1 250 mm) mm) (1 250

Capital de estado estado Capital de Cidade Cidade

Cuiabá Cuiabá

OCEANO OCEANO ATLÂNTICO ATLÂNTICO Poços Poços de Caldas de Caldas TTrróóppicicoodde Cap e Capr ricórni icórnioo

Porto Alegre Alegre Porto 00

525 525

Fonte: ATLAS geográfico escolar. São Paulo: Ibep, 2008. p. 133.

Existem algumas classificações do clima brasileiro difundidas em manuais e atlas, todas elas similares, com uma ou outra variação.

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Precipitação (em mm)

São Gabriel da Cachoeira (AM) 400

40

350

35

300

30

250

25

200

20

150

15

100

10 5

50 0

Temperatura (em °C)

O clima equatorial cobre quase toda a região Norte do país e parte do Centro-Oeste, abrangendo a Amazônia. Essa região é dominada pela atuação da massa Equatorial continental, na porção ocidental, e pela massa Equatorial atlântica e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), na porção centro-oriental. Esse clima caracteriza-se por apresentar elevadas temperaturas (médias em torno de 24 ºC) e pluviosidade, assim como baixa amplitude térmica. Verifica-se maior índice de pluviosidade na porção ocidental, região em que praticamente não existe estação seca. Já em Roraima, no sul do Pará, no Acre e em Rondônia, alternam-se estações superúmidas e secas. Ocasionalmente, ocorre o fenômeno da friagem, provocada pela penetração da massa Polar atlântica no inverno austral, que flui com facilidade pelo flanco ocidental do relevo brasileiro, caracterizado pela calha de terras baixas desde o Sul do país até a Amazônia. Reveja o infográfico que está nas páginas 204 e 205.

Ilustrações: Luis Moura

5.1 Equatorial

J FMAM J J A SOND Meses do ano

0

Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 33. ed. São Paulo: Ática, 2010. p. 108.

5.2 Semiárido

Precipitação (em mm)

Cabaceiras (PB) 400

40

350

35

300

30

250

25

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Temperatura (em °C)

J FMAM J J A SOND Meses do ano

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Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 33. ed. São Paulo: Ática, 2010. p. 108.

As causas da semiaridez nordestina não estão totalmente explicadas, mas sabe-se hoje que não é apenas em razão do relevo, como se pensou por anos. Na fotografia, caatinga em Cabaceiras (PB), 2015.

Mauricio Simonetti/Pulsar

A área que compõe a região semiárida brasileira está localizada no Sertão nordestino. O semiárido caracteriza-se pela baixa pluviosidade, se comparado ao restante do país (inferior a 600 mm), e elevadas temperaturas (médias de 26 ºC); logo, o clima é quente e seco. A distribuição das chuvas é extremamente irregular, com longas estiagens que provocam um déficit hídrico intenso, e, ocasionalmente, chuvas torrenciais, que causam danos ambientais. Cabaceiras, no sertão da Paraíba, é o lugar de mais baixa pluviosidade nacional: apenas 286 mm. A aridez desse clima está mais relacionada à elevada evaporação que à baixa pluviosidade; o ângulo da incidência solar contribui para essa alta evaporação, por causa da baixa latitude e das altas temperaturas. Outro fator que acentua essa escassez hídrica são os solos extremamentes rasos. Os climatologistas não acreditam em uma causa única para explicar a aridez do Sertão nordestino, mas em múltiplas. Entre elas, a mais aceita é a de que essa área seria consequência da dinâmica atmosférica local – já que nenhuma massa de ar atravessa a região, e sim a tangencia – associada à influência da corrente fria de Benguela, oriunda da costa africana e que resfria parcialmente o Atlântico sul, intimidando a evaporação e, consequentemente, a precipitação (reveja o mapa “Planisfério: correntes marítimas”, na página 180). Ou seja, a explicação, em grande parte, está no fato de as águas do Atlântico sul serem mais frias que as do Atlântico norte nas imediações da linha do equador.

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Luis Moura

5.3 Tropical 400

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Temperatura (em °C)

Precipitação (em mm)

Cuiabá (MT)

J FMAM J J A SOND Meses do ano

0

Este é o clima dominante no Brasil, e sua característica clássica é de verão chuvoso e inverno seco. Contudo, em razão da especificidade regional dos sistemas atmosféricos e dos fatores geográficos, existem variações e, por causa disso, alguns autores subdividem a tropicalidade brasileira em tropical continental, tropical oceânico, litorâneo úmido e tropical alternadamente úmido e seco. Na fachada atlântica, há o predomínio da massa Tropical atlântica, quente e úmida, enquanto no Brasil central é mais marcante a presença da massa Equatorial continental. As médias térmicas do clima tropical giram em torno de 20 ºC, mas, por abranger uma vasta área do país, há regiões em que a média atinge 28 ºC.

Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 33. ed. São Paulo: Ática, 2010. p. 108.

Chuva em Goiânia (GO), março de 2015. O verão chuvoso é uma das características do clima tropical.

Ler

João Prudente/Pulsar

Clima e meio ambiente, de José Bueno Conti. 7. ed. São Paulo: Atual, 2013. Aborda a variedade da relação clima-meio ambiente, com enfoque especial ao clima urbano e à relação clima-energia.

Enfoque O mito da estiagem de São Paulo A água é um dos recursos naturais mais abundantes no planeta e as quantidades existentes sobram diante da necessidade humana. Mesmo considerando apenas as águas doces continentais, 3% do total da Terra, há muito mais água do que a capacidade humana de utilizá-la. Indo além, apenas a quantidade de água que precipita anualmente só na superfície dos continentes (cerca de 110 km3) já seria capaz, se fosse captada e armazenada, de suprir toda a humanidade. Considerando a água subterrânea, o Alter do Chão, maior aquífero do mundo sob a Bacia Amazônica, armazena água suficiente (86 mil km3) para abastecer a humanidade por pelo menos três séculos, já que ele é continuamente recarregado pela infiltração de água proveniente da atmosfera e da superfície. Os estoques de água doce são inesgotáveis, na medida em que são alimentados principalmente pelos oceanos, infinitos via evaporação e precipitação, ou seja, pelo ciclo hidrológico que depende de forças físicas as quais o homem nunca poderá interromper. Enquanto existirem, o ciclo funcionará e os estoques de água doce nos continentes serão repostos indefinidamente. O alerta de que a água vai acabar, portanto, não tem fundamento. Obviamente que a água não se distribui equitativamente pelo planeta. Há regiões com muita água, normalmente na zona tropical, na qual a evaporação é maior,

e regiões áridas, onde, por razões específicas da dinâmica climática, as taxas de evaporação são maiores do que a precipitação, gerando déficit de reposição de estoques de água doce. Esse não é o caso de São Paulo, cidade situada em uma região úmida, com elevados índices pluviométricos, em grande parte decorrente da umidade trazida do oceano pelas massas de ar. Enquanto o Sol brilhar, a Terra girar e a Lei da Gravidade não for “revogada”, as recargas de água doce na região Sudeste estarão garantidas, em volumes muito superiores à nossa necessidade. Por que falta água em São Paulo? Considerando apenas a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), há mananciais na parte norte da região, a (Serra da Cantareira), e em toda a parte sul, na região da Bacia do Guarapiranga, do Alto Cotia etc., além de reservatórios (represamentos artificiais) que formam um sistema de abastecimento. Além disso, São Paulo importa água de outras bacias, como a do Rio Piracicaba, e como planeja fazer com a Bacia do Rio Ribeira de Iguape. Ocorre que, embora haja diversas fontes de abastecimento para a região, elas não estão interligadas. Trata-se de um sistema desconexo, no qual, se falta água em um reservatório por um período – como tem ocorrido com a Cantareira –, não há como compensar esse déficit com a água dos outros. Os sistemas Alto Cotia e Guarapiranga, por exemplo, estiveram,

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O clima tropical tem como característica principal verão com altas temperaturas e chuvoso e inverno ameno e seco. No entanto, como vimos, o clima é cíclico e há anos excepcionalmente atípicos, como ocorreu no verão do Sudeste brasileiro em 2014. O texto ao fim das páginas 210 e 211 aborda a estiagem que abateu a região.

Precipitação (em mm)

Poços de Caldas (MG) 400

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Temperatura (em °C)

Esse clima ocorre essencialmente entre os planaltos e as serras da região Sudeste, em que as altitudes acima de 1 000 metros proporcionam uma amenização da tropicalidade, apresentando médias térmicas de 18 ºC, um pouco mais baixas que as do tropical típico. Esse clima é resultado da combinação entre a área de maior altimetria relativa do Brasil e a múltipla presença das massas de ar: a massa Tropical atlântica e a massa Polar atlântica atuam intensamente, mas ainda há a massa Equatorial atlântica e a ZCIT. O resultado dessa pluralidade atmosférica é a alta pluviosidade, verificada especialmente junto à Serra do Mar, área de maior concentração de chuvas do país, com índices pluviométricos anuais de até 4 000 mm, verificados no município de Bertioga, em São Paulo.

Ilustrações: Editoria de arte

5.4 Tropical de altitude

J F MAM J J A S ON D Meses do ano

0

Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 33. ed. São Paulo: Ática, 2010. p. 108.

5.5 Subtropical 400

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Temperatura (em °C)

Precipitação (em mm)

Porto Alegre (RS)

Esse clima passa a ser dominante a partir da divisa dos estados de São Paulo e do Paraná e abrange a porção sul do país. É, na realidade, um clima de transição para a zona Temperada, mas guarda muitas características da tropicalidade. Nessa região meridional do Brasil, a massa Polar atlântica atua intensamente, mas no verão as massas tropicais e ainda a Equatorial continental agem perifericamente. É no clima subtropical que surgem as médias de temperatura mais baixas do país, abaixo de 18 ºC, assim como as maiores amplitudes térmicas. Já as chuvas são regulares, bem distribuídas ao longo do ano, mas eventualmente ocorrem estações secas ou chuvas torrenciais concentradas.

J FMAM J J A SOND Meses do ano

0

Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 33. ed. São Paulo: Ática, 2010. p. 108. ESCREVA NO CADERNO

em 2014, com níveis de água superiores ao da Cantareira, que sozinha abastece cerca de 8 milhões de pessoas. Mas não puderam “socorrer” essa demanda por não estarem interligados. Havendo um período de estiagem natural mais prolongado, como tem ocorrido na Cantareira, a retirada de água tornou-se mais intensa do que a reposição natural dos estoques, daí o porquê de suas represas estarem secas. A gestão dos recursos hídricos não foi inteligente o suficiente para construir um sistema interligado que equilibrasse demandas e estoques. Se assim o tivessem feito, jamais faltaria água em São Paulo, pois o total de água existente em torno da RMSP é mais do que suficiente para atender à demanda. Outro fator auxiliar na compreensão da falta d’água em São Paulo refere-se às perdas, que estão entre 27% e 30% de toda a água tratada. Elas advêm, sobretudo, de vazamentos e de captações clandestinas, embora, nesse último caso, apesar da ilegalidade, não há o desperdício, não há perda de fato da água como há nos vazamentos. Alguém a está usando, só que sem pagar. Ainda na dimensão técnica, outro aspecto que nos ajuda a compreender essa situação de escassez que algumas áreas de São Paulo estão enfrentando refere-se ao bombeamento da água dos reservatórios. A sucção do líquido atinge apenas as camadas superiores dos reservatórios, sendo o restante chamado volume morto, fora do alcance das bombas. Mais uma vez a gestão dos recursos hídricos não foi eficiente para prever que, em caso de anos anômalos de

menor precipitação, haveria a necessidade de se bombearem as camadas inferiores – a previsão de anormalidades climáticas deveria ser considerada em um planejamento de recursos hídricos. A tentativa de corrigir a má gestão da água paulista chegou tarde. Complementarmente, o reúso ganhou espaço no debate com a proposta de reservar a água potável apenas para os usos nos quais ela deve ser realmente limpa e própria para o consumo. Infelizmente, isso só ocorre no meio empresarial e comercial. A Sabesp, empresa de saneamento básico de capital misto, cujo maior acionista é o governo de São Paulo, elabora programas apenas para empresas, mas não para a população em geral, que não recebe água de reúso em seus domicílios. Assim, a mesma água potável que bebemos é a água que usamos para dar a descarga ou para regar plantas, o que torna a economia no ambiente doméstico limitada a ações como o aproveitamento da água de lavagem de roupa ou do quintal. Só resta ao cidadão exercer o seu papel usando a água com racionalidade, inteligência e parcimônia. VENTURI, Luis Antonio Bitta. O mito da estiagem de São Paulo, 2014. Federação dos professores do estado de São Paulo/Carta Capital. Disponível em: <http:// fepesp.org.br/artigos/o-mito-da-estiagem-de-sao-paulo>. Acesso em: 7 jan. 2015.

• Conforme demonstra o texto, não falta água no mundo, mas a repartição é muito desigual. O mesmo ocorre no Brasil. Essa distribuição desigual é indissociável ao tipo climático de cada região. No caso do Centro-Sul do Brasil, abordado no texto, a que fatores os autores atribuem a estiagem?

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando 1. Qual é a diferença entre tempo e clima?

2. O clima de determinado lugar é produto de uma combinação de fatores que agem em conjunto. Identifique e explique esses fatores climáticos. 3. Represente esquematicamente as zonas climáticas do globo e indique em qual delas você vive. 4. O Brasil é um país predominantemente tropical. Quais são as implicações desse fato?

GER_8.34

5. Em qual clima brasileiro encontramos a maior e a menor amplitude térmica?

GER_8.33

6. A qual clima correspondem os climogramas abaixo? a)

b)

c)

Belo Horizonte (MG)

d)

Juazeiro (BA)

Bagé (RS)

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5

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J FMAM J J A SOND Meses do ano

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5

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J FMAM J J A SOND Meses do ano

J FMAM J J A SOND Meses do ano

Precipitação (em mm)

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Temperatura (em °C)

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Precipitação (em mm)

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Precipitação (em mm)

400

5

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0

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Temperatura (em °C)

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Temperatura (em °C)

400

Temperatura (em °C)

Precipitação (em mm)

Manaus (AM)

Ilustrações: Luis Moura

GER_8.32

GER_8.31

J FMAM J J A SOND Meses do ano

0

Fontes: a) e b): GIRARDI, Gisele. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 24. c) e d) FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 123.

Precipitação média anual do Nordeste e do semiárido brasileiro (2007)

Há muito que se tenta compreender as origens do semiárido brasileiro. Atualmente, sabe-se que, além da forte radiação solar e da irregularidade do regime pluviométrico, a intensa taxa de evaporação (que varia entre 1 000 e 2 000 mm ano-1 e, em alguns casos, pode chegar a 3 000 mm ano-1) é decisiva para o contexto do clima árido. Em parte, o que explica o semiárido brasileiro é a velocidade da evaporação ser maior que a drenagem. A intensa evaporação que ocorre no sertão se dá tanto nas águas superficiais (açudes, represas, entre outros) quanto no solo e representa significativa perda da água disponível para o meio. Isso compromete o desenvolvimento das espécies e pode repercutir a longo prazo na seleção e na adaptação dessas espécies na região ao longo dos séculos: as mais resistentes à falta de água se sobressaem. • Observe o mapa e indique onde ocorrem os maiores e os menores índices pluviométricos da região destacada.

Vespúcio Cartografia

Olhar cartográfico

40° O

PA MA

CE RN

PI

PB PE

TO AL 10°°S S

SE

OCEANO ATLÂNTICO

BA

Precipitação (mm) 263,5 572,6 713,4 777,4 806,6 870,6 1 011,0 1 320,0 1 999,0 3 491,0

GO DF

MG

0

185

Limite do semiárido brasileiro

ES

Fonte: SUDENE, DCA/UFCG, EMBRAPA. Disponível em: <http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/ bioma_caatinga/arvore/CONT000g798rt3p02wx5ok0wtedt3nd3c63l.html>. Acesso em: 26 abr. 2016.

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ROTEIRO DE ESTUDO Atividade em grupo

Com seus colegas, analisem a imagem de satélite e apontem conclusões para a seguinte questão.

Inpe/CPTEC

• Na imagem retratada, quais áreas provavelmente estão passando por instabilidade? Por quê?

Imagem de satélite de 2012.

De olho na mídia Antes da leitura do texto a seguir, reveja o infográfico sobre o El Niño nas páginas 182 e 183. Tempo quente Este 2015 caminha para se tornar o ano mais quente da era industrial, superando 2014, 2013, 2010, 2005 e 1998 (os cinco campeões). Dos seus nove meses transcorridos, o ano em curso cravou seis na lista dos que mais ultrapassaram a média do século XX. Não é possível dizer se os recordes resultam do aquecimento global, do fenômeno El Niño – águas anormalmente quentes no oceano Pacífico – ou da combinação explosiva de ambas as coisas. Mas isso interessa ao Brasil, e muito. A última ocorrência de El Niño tão forte quanto este se afigura materializou-se em 1997 e 1998. O calor da superfície oceânica aquece a atmosfera e embaralha os padrões do clima mundial. Prevê-se que a anomalia se agrave e adentre o primeiro semestre de 2016. A perturbação climática estaria por trás da onda de calor que matou milhares na Índia em maio, dos atuais incêndios florestais na Indonésia e das últimas chuvas no Sul do Brasil. É para o semiárido brasileiro, porém, que a atenção nacional deve se voltar. Há muito se conhece a relação estreita entre El Niño e estiagens graves no Nordeste. Para ensombrecer as previsões, a presente edição se abate sobre a região com mais pobres no país num período muito seco iniciado já em 2012. Os 12 meses encerrados em setembro tiveram precipitação 22% a 30% abaixo do esperado na maioria dos estados do semiárido (em especial Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais). Aí se

concentram 891 municípios cuja agricultura foi prejudicada pela falta de chuvas. No norte de Minas já são quatro anos seguidos abaixo da média. Na seca de 2012/13, a pior em oito décadas, morreram – sem El Niño – 4 milhões de reses, prejuízo de R$ 3,2 bilhões para a pecuária. A safra agrícola teve quebra de 21,5%. O governo federal gastou R$ 9,1 bilhões para mitigar o flagelo. [...] O prognóstico piora porque os cofres municipais e estaduais, não só os federais, estão vazios. É de esperar que diminua sua capacidade de reagir à emergência. Com desemprego em alta e renda em queda, a população mais pobre tampouco terá meios de se proteger em caso de estiagem mais intensa, alta nos preços de alimentos e piora da crise no abastecimento. Uma conjuntura sombria que a classe política, consumida na polarização, parece pouco inclinada a encarar com o devido cuidado. TEMPO quente. Folha de S.Paulo, São Paulo, 1º nov. 2015. Opinião. Fornecido pela Folhapress. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/11/1700953tempo-quente.shtml>. Acesso em: 7 jan. 2015.

De acordo com a matéria, responda às questões. 1. Quais são as prováveis causas de um ano de 2015 mais quente? 2. Por que, segundo o autor, o semiárido é o mais atingido? 3. O autor da matéria parte do pressuposto de que o aquecimento global é uma realidade. Você concorda com essa tese?

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CAPÍTULO 10

As grandes paisagens naturais

Amazônia

Cerrado

Mata Atlântica

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

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Caatinga

Pampa

Pantanal

Rafael Herrera

Tópicos do capítulo Biomas Ecossistemas Biomas do mundo Biomas no território brasileiro

Ponto de partida 1. Quando você viaja durante um tempo por algumas centenas de quilômetros, certamente nota que a paisagem muda. Descreva uma viagem realizada por você e mencione as alterações que você observou na paisagem. 2. Esta abertura apresenta alguns aspectos dos biomas brasileiros. Quais elementos da fauna e da flora ilustrados estão presentes no estado ou na região em que você vive? ESCREVA NO CADERNO

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1. Biomas e ecossistemas Navegar Ministério do Meio Ambiente <http://tub.im/32gbqk> O site oferece as mais variadas informações sobre a biodiversidade e florestas, entre outros temas ambientais.

Na superfície terrestre há uma grande variedade de paisagens naturais. Quando as imaginamos, é bastante comum associá-las a imagens de lugares idílicos, paradisíacos, muito bonitos. No entanto, a natureza é muito mais do que percebemos nas paisagens. Dependendo da localização ela se apresenta de formas específicas, que podem ser classificadas como biomas. Biomas são as maiores unidades constituintes da biosfera, em que há vida, na Terra. Essa camada viva é constituída por uma variedade imensa de organismos desigualmente distribuídos pela crosta terrestre. Uma grande região onde há certa homogeneidade de cobertura vegetal pode ser considerada um bioma, conceito originado dos termos gregos bios = vida + oma = grupo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta a seguinte definição de bioma: Conjunto de vida (vegetal e animal) definido pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, resultando em uma diversidade biológica própria. IBGE. Vocabulário básico de recursos naturais e meio ambiente. Rio de Janeiro: IBGE, 2004. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/vocabulario.pdf>. Acesso em: 14 out. 2015.

Por sua vasta extensão, um bioma pode conter diversos ecossistemas. De acordo com o IBGE, ecossistema é, como sugere o nome, um sistema ecológico integrado, cujo fluxo de energia proporciona interações dos elementos bióticos e abióticos ali presentes. Segundo a Avaliação do Milênio dos Ecossistemas, estudo realizado em 2001 a pedido da ONU,

Biótico: Relativo à vida, que tem vida, animado. Abiótico: Inanimado, sem vida; por exemplo, os minerais em um ecossistema.

[...] ecossistema é um complexo dinâmico de comunidades de plantas, animais e micro-organismos e do meio ambiente não vivo interagindo como uma unidade funcional. [...] Os ecossistemas variam muito em tamanho: uma poça de água na cavidade de uma árvore e uma bacia oceânica podem ser ambas exemplos de ecossistemas. WORLD RESOURCES INSTITUTE. Ecossistemas e o bem-estar humano: estrutura para uma avaliação. 2003. Disponível em: <www.unep.org/maweb/documents/document.63.aspx.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2015.

Luis Moura

Exemplos de ecossistemas

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

Fonte: INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Disponível em: <http://www.ib.usp.br/ecologia/ecossistema_print.htm>. Acesso em: 23 jan. 2016.

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Google Earth

Cada bioma apresenta um conjunto próprio de vegetação. Isso ocorre em escala global e é perceptível ao analisarmos imagens de satélites. Na imagem ao lado, o contraste entre as áreas desérticas (tons alaranjados) e as áreas florestadas (tons esverdeados) nos continentes africano e euroasiático indica a formação de diferentes biomas. O mapa abaixo e a explicação nas próximas páginas se referem às áreas de ocorrência original dos grandes biomas do planeta. Há que se destacar, contudo, que esses biomas já não ocupam exatamente tais espaços, e suas características originais, ao longo do tempo, foram alteradas pela modificação dos solos, da topografia, do clima e, sobretudo após a Revolução Industrial, pelos impactos ambientais ocasionados pelas ações humanas.

Imagem de satélite da Terra em 2016.

Os grandes biomas do mundo Allmaps

0º 0º

OCEANO OCEANO GLACIAL GLACIAL ÁRTICO ÁRTICO

Círculo Círculo Polar Polar Ártico Ártico

OCEANO OCEANO PACÍFICO PACÍFICO

Trópico Trópico de de Câncer Câncer

OCEANO OCEANO ATLÂNTICO ATLÂNTICO Equador Equador Meridiano de de Greenwich Greenwich Meridiano

0º 0º

OCEANO OCEANO PACÍFICO PACÍFICO Trópico Trópico de de Capricórnio Capricórnio

00

OCEANO OCEANO ÍNDICO ÍNDICO

22975 975

Círculo Círculo Polar Polar Antártico Antártico OCEANO OCEANO GLACIAL GLACIAL ANTÁRTICO ANTÁRTICO

Floresta Floresta tropical tropical chuvosa chuvosa Floresta Floresta subtropical subtropical chuvosa chuvosa Floresta Floresta temperada temperada caducifólia caducifólia Floresta Floresta boreal boreal de de coníferas coníferas Bosque Bosque mediterrâneo mediterrâneo ee formação formação lenhosa lenhosa

Savana Savana Pradaria Pradaria ee estepe estepe Desertos Desertos Tundra Tundra

O mapa apresenta os grandes biomas do mundo. Perceba que, segundo essa classificação, existem diferentes tipos de biomas florestais.

Fonte: Elaborado com base em: CONTI, José Bueno; FURLAN, Sueli Angelo. Geoecologia: o clima, os solos e a biota. In: ROSS, Jurandyr L. Sanches (Org.). Geografia do Brasil. 5. ed. São Paulo: Edusp, 2005. p. 133.

2. Os biomas do mundo 2.1 Tundra As tundras se desenvolvem majoritariamente em áreas de transição entre a floresta boreal, ou taiga, e as calotas polares, e crescem na Groenlândia, na Noruega, na Suécia, na Finlândia, na Sibéria, no Canadá e no Alasca. Também podem ser encontradas em outras regiões além das altas latitudes. As chamadas tundras alpinas ocorrem nos pontos mais elevados das montanhas e cordilheiras. O crescimento de árvores e arbustos é dificultado por conta do curto período da estação sem gelo, chamada estação de crescimento. Convém ressaltar que a tundra só ocorre na zona polar do Ártico, não existe na Antártida. Apesar de a tundra ocorrer em aproximadamente 1/5 da superfície terrestre, nela há baixa taxa de ocupação humana, e alguns lugares podem ser considerados anecúmenos. É o bioma mais seco e frio do mundo, apesar de localizar-se junto a uma grande quantidade de água, que se encontra em forma de geleiras.

Anecúmeno: Designação de áreas cujas características naturais dificultam extremamente a ocupação humana.

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Gary Schultz/Corbis/Fotoarena

Michele Burgess/Alamy/Latinstock

Durante dez meses por ano o solo permanece submerso à neve, praticamente não ocorrendo água líquida, configurando aquilo que estudiosos denominam “seca fisiológica”. Nas áreas de ocorrência, as temperaturas são extremamente baixas, com fraca insolação e pouca precipitação; a vegetação se desenvolve em solos permanentemente congelados, denominados permafrost.

Ocorrência de tundras nos picos montanhosos e no Ártico. A tundra dessa região é considerada o bioma mais novo do planeta, com aproximadamente 10 mil anos. À esquerda, Parque Nacional Denali, Alasca, Estados Unidos, 2014. À direita, Rodebay, Groenlândia, 2015.

2.2 Floresta boreal de coníferas ou taiga

imago/imagebroker/Fotoarena

Serguei Fomine/Global Look/Corbis/Latinstock

Com ocorrência em áreas com latitude acima de 45º N, a floresta boreal, também chamada de floresta de coníferas ou taiga, localiza-se em áreas do norte da América do Norte, da Europa e da Ásia, englobando a maior parte dos territórios do Canadá e da Rússia. A taiga, uma designação russa para floresta, é o maior bioma do mundo em extensão. No entanto, em função do clima rigoroso, nela não há tanta diversidade de vegetação como em outras áreas do planeta. Esse bioma não é constituído apenas por florestas densas; especialmente em suas margens, é comum a existência de bosques e campos.

À esquerda, parte densa da taiga em Tomsk Oblast, na Sibéria, Rússia, 2014. À direita, alce no Parque Nacional Denali, Alasca, Estados Unidos, 2014. Esta fotografia apresenta uma área na faixa de transição da floresta de coníferas com a tundra, em que bosques e campos começam a prevalecer e servir de alimento para os animais.

Dossel: Extrato superior junto à copa das árvores, que forma uma abóbada foliar.

Seus bosques, com árvores com mais de 40 metros de altura, possuem poucos estratos e formam um dossel que escurece o seu interior. Os solos são recobertos por uma espessa camada de folhas que demoram para se decompor. O curto verão e a brevidade do outono e da primavera constituem períodos em que a elevação de temperatura a níveis amenos e a umidade propiciam o ressurgimento da vegetação.

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2.3 Bosques mediterrâneos e formações lenhosas

Esclerófitos: Órgãos vegetais rijos, principalmente folhas, em virtude do grande desenvolvimento de tecidos constituídos por células espessas. São tecidos de sustentação que conferem rigidez a alguns órgãos vegetais.

geophotos/Alamy/Latinstock

Andrew Sole/Alamy/Latinstock

Bosques mediterrâneos e formações lenhosas compõem biomas que se apresentam em áreas diferentes, porém vizinhas, e guardam muitas semelhanças. Para alguns estudiosos, eles são o mesmo bioma, pois são formações vegetais diferenciadas mas que evoluíram de florestas mistas decíduas. Algumas de suas espécies são eucaliptos, pinheiros, carvalhos, cedros, oliveiras e árvores frutíferas, como as videiras. As folhas de suas árvores e arbustos são grossas e duras, por isso seus bosques são denominados esclerófitos. Esses biomas ocorrem em regiões de clima temperado em que há alternância de estações: verão (quente e seco) e inverno (frio, mas sem congelamento, e úmido). Essas formações ocorrem em áreas de baixas montanhas com clima mediterrâneo, como nos extremos norte e sul da África, sul da Europa, sul da Austrália, entre outras manchas regionais. Em cada região, essas formações apresentam características próprias, mas, em todas, há semelhanças climáticas e de formações vegetais. No sul da Europa são chamadas de formações meEucaliptos no Parque Nacional Mebbin, em Nova Gales diterrâneas, escrubes mediterrâneos, ou ainda maquis e garrigue. do Sul, Austrália, 2014. Na Califórnia e no noroeste do México são denominadas chaparral; no Chile, matorral. Na estação quente e seca, é comum a ocorrência de grandes incêndios, mas muitas espécies, como o eucalipto, estão adaptadas ao fogo, que apresenta aspectos positivos e negativos nesse bioma: • positivo – o fogo queima e destrói alguns componentes tóxicos que são secretados pelas raízes e podem acelerar a mineralização da matéria orgânica, o que favorece o enriquecimento do solo; • negativo – refere-se ao tipo de relevo. Se a topografia for íngreme, a retirada da vegetação pelo fogo pode favorecer e acelerar processos erosivos.

Bosque mediterrâneo no Vale do rio Tinto, Espanha, 2014.

Também conhecidas como florestas temperadas decíduas, originalmente essas florestas cobriam grande parte da Europa Central e Ocidental, do sudeste da Ásia, do território dos Estados Unidos e da região sul da ilha de Hokkaido, no Japão, lugares em que o clima é temperado, ou seja, com períodos frios e quentes bem demarcados. No verão a temperatura atinge até 30 ºC, enquanto no inverno pode ficar abaixo de zero, o que resulta em elevada amplitude térmica anual. Embora haja características distintas em cada uma dessas áreas de ocorrência, todas são consideradas florestas úmidas, com árvores que chegam a 40 ou 50 metros de altura, com folhas finas, largas e duras. Essas formações temperadas são florestas decíduas, ou seja, suas plantas perdem folhas com a mudança das estações. As árvores produzem folhas no começo da primavera, que se desenvolvem no verão, período quente, com mais luz solar e chuvas; no outono elas perdem suas folhas. Durante o inverno a vegetação reduz suas atividades metabólicas devido às condições desfavoráveis ao crescimento, como o congelamento da água no solo.

imago/blickwinkel/Fotoarena

2.4 Floresta temperada caducifólia

Floresta temperada caducifólia durante o outono, Alemanha, 2014.

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2.5 Pradarias e estepes Jim Peaco/Planet Pix via ZUMA Wire/Easypix Brasil

Nas regiões temperadas na América do Norte, na Europa, na Ásia e nos pampas da América do Sul, as áreas predominantemente de gramíneas são designadas pradarias. São campos que se caracterizam por formações abertas, sem matas ou florestas, com solo coberto por gramíneas contínuas e topografia aplainada, com ligeiras ondulações. Por isso, são bastante utilizadas para pastagens. Nessas áreas, em que a precipitação média oscila entre 250 mm e 750 mm ao ano, alguns campos se originaram de intensas queimadas de antigos bosques. Em outras, eles surgiram como consequência das longas estações secas, o que constitui um importante fator limitante do crescimento de árvores e arbustos. Já as estepes apresentam algumas características próprias, dependendo de sua área de ocorrência. Na África, em alguns pontos mais próximos da savana, o clima é semiárido e seco, com predomínio da vegetação de gramíneas e poucas árvores. Há longos períodos de seca e curtos períodos chuvosos. Nas proximidades do deserto, o solo se torna mais descoberto e seco. O clima fica mais árido, com invernos frios e secos e verões quentes, dando a essas áreas características semidesérticas. Na Ásia Central, nas extensas planuras surgem as estepes asiáticas.

Bisões em pradaria em Wyoming, Estados Unidos, 2014.

Kjetil Kolbjornsrud/Alamy/Latinstock

2.6 Savanas São formações típicas de regiões que apresentam clima tropical, com clara alternância de uma estação predominantemente chuvosa com outra seca. As principais características da vegetação savânica são a ocorrência de ervas, gramíneas e árvores com distribuição esparsa, que se desenvolvem em áreas cujo clima é predominantemente quente e com longos períodos de estiagem. Nela também é comum a ocorrência de incêndios na estação seca. O fogo recorrente dificulta o desenvolvimento das árvores, apesar de favorecer a vegetação herbácea, pois estimula novos brotamentos e o surgimento de flores. Aproximadamente 1/5 da população mundial reside nas savanas, a maioria em áreas rurais. Como muitas regiões possuem algumas condições naturais propícias à agricultura e à pecuária, como grandes áreas com topografia regular e árvores esparsas, há muito tempo essas atividades são praticadas no bioma savânico.

Savana na Tanzânia, em 2013. Aproximadamente 20% da superfície terrestre é coberta por savanas. A maior parte se encontra na África, embora também se desenvolvam, com características peculiares, na Austrália e na América do Sul.

Vegetação herbácea: Formação normalmente rasteira, de caule não lenhoso, como as gramíneas, os prados, as estepes e as ervas.

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2.7 Floresta tropical chuvosa

2.8 Floresta subtropical chuvosa São florestas em áreas montanhosas com formações constantes de neblinas. Ocorrem, sobretudo, ao norte do Trópico de Câncer e ao sul do Trópico de Capricórnio, em algumas áreas da América do Sul, no sudeste dos Estados Unidos, na China e no Japão. Também ocorrem em algumas áreas tropicais. Ao longo do ano, a quantidade e a regularidade de chuvas nessas florestas são menores do que as registradas nas florestas pluviais, atingindo cerca de 1 500 mm ao ano. A estação chuvosa é entremeada por outra com poucas chuvas e baixas temperaturas. Por isso, seu dossel é menos fechado e o solo é mais coberto por folhas do que na floresta tropical pluvial. Enquanto no interior da floresta tropical a temperatura mínima para o crescimento da vegetação fica em torno de 18 ºC, no interior da floresta subtropical essa temperatura é de 13 ºC. Sua vegetação é marcada por araucárias, carvalhos e bambus.

JTB Photo/UIG via Getty Images

Christian Heeb/laif/Glow Images

Também conhecidas como florestas tropicais pluviais ou úmidas, essas florestas Húmus: Decomposição da matéria estão associadas às regiões de climas quentes e úmidos. Ocorrem em diversos lugaorgânica no solo. res e ocupam a maior área com cobertura florestal da superfície terrestre. A maior floresta tropical do planeta é a Floresta Amazônica, localizada na América do Sul. A quase totalidade dessas florestas incide na faixa intertropical, nas áreas próximas à linha do equador, em lugares em que as chuvas são frequentes e bem distribuídas ao longo do ano. Ocorrem predominantemente em lugares de terras baixas ou pouco elevadas. Nelas são registrados altos índices pluviométricos, que costumam ficar entre 2 000 mm e 3 000 mm ao ano. Esses índices, associados a elevadas temperaturas, com baixa amplitude térmica (geralmente entre 21 ºC e 30 ºC), possibilitam a formação de solos profundos e úmidos, com razoável retenção de suprimentos, ao menos o suficiente para o desenvolvimento da massa de vegetação. Mas os solos tendem a perder rapidamente essa característica com o desflorestamento, já que a maior parte de sua fertilidade está ligada à vegetação. Rico em húmus, o solo apresenta uma camada orgânica de 30 cm a 50 cm, composta de folhas e frutos que caem das árvores e plantas e da decomposição de animais mortos. As copas das árvores mais altas crescem também horizontalmente e suas folhas costumam ser largas, constituindo um dossel alto e denso, o que dificulta a passagem da luz solar pelos diferentes estratos. No interior quente e úmido da floresta tropical há apenas 1% de incidência direta de raios solares no solo. Assim, quanto mais Floresta Amazônica no Peru, 2015. Na fotografia, é possível observar o denso perto do solo, menos vegetação é encontrada. dossel e a estratificação da floresta tropical.

Floresta subtropical chuvosa em Gosen, Japão, 2013.

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Florestas

• o aproveitamento da madeira para a produção de lenha, na construção civil e na indústria moveleira; • a acelerada produção de papel celulose; • a mineração em áreas florestadas; • a expansão urbana; • a construção de grandes obras de engenharia, como rodovias, hidrelétricas etc. A relação entre a perda da cobertura florestal e as ações humanas é demonstrada no gráfico 1. Os dados indicam que até a década de 2010, enquanto a população mundial crescia, o desflorestamento também aumentava. Quando comparados os processos de desflorestamento das florestas tropicais e das temperadas, ocorre uma grande disparidade (observe o gráfico 2). Até a segunda década do século XX a florestas temperadas apresentaram intenso desmatamento, e Observe na fotografia a queima e derrubada da Floresta Amazônica para a esse fato se explica por elas ocorrerem em formação de nova área agrícola no estado do Acre, Brasil, 2014. países cuja industrialização, crescimento urbano e grandes áreas rurais voltadas à agropecuária se desenvolveram anteriormente aos países onde há florestas tropicais. Fato que se inverte quando esses intensificam significativamente seus processos de ocupação territorial, tendência que se aprofundou até o começo do século XXI.

Ricardo Funari/Brazil Photos/LightRocket via Getty Images

Existem diferentes tipos de florestas no planeta; as tropicais são as mais ricas em biodiversidade. Embora originalmente as florestas constituíssem mais de 3/4 de toda a massa vegetal do planeta, a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), órgão constituinte da ONU, indica que as florestas, hoje, cobrem aproximadamente 31% da superfície terrestre (dados de 2015). Segundo aquela instituição, entre os principais motivos do desflorestamento estão: • a queima de vegetação para formar novas áreas agrícolas e de pastos para a prática de pecuária extensiva;

18 00 18 10 18 20 18 30 18 40 18 50 18 60 18 70 18 80 18 90 19 00 19 10 19 20 19 30 19 40 19 50 19 60 19 70 19 80 19 90 20 00 20 10

Gráficos: Editoria de Arte

8 7 6 5 4 3 2 1 0

2,2 2,0 1,8 1,6 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6

População (bilhões)

Desmatamento (bilhões de hectares)

Gráfico 1 – População mundial e desflorestamento cumulativo (1800-2010)

Desmatamento

População

Milhões de hectares

Gráfico 2 – Desflorestamento estimado por tipo de floresta e período (antes de 1700-2010) 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0

antes de 1700

1700-1849

1850-1919

1920-1949

Floresta tropical

1950-1979

1980-1995

Floresta temperada

1996-2010

Fonte dos gráficos: ORGANIZAÇÃO PARA ALIMENTAÇÃO E AGRICULTURA DAS NAÇÕES UNIDAS – FAO. State of the World’s Forests 2012. p. 9. Disponível em: <http://www.fao.org/docrep/016/ i3010e/i3010e.pdf>. Acesso em: 27 jan. 2016.

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2.9 Desertos Interagindo • Qual dos biomas estudados neste capítulo você já teve oportunidade de observar de perto? Qual seu estado de preservação nos dias de hoje? ESCREVA NO CADERNO

Richard T. Nowitz/Corbis/Latinstock

Embora sejam conhecidas por sua aridez, muitas áreas desérticas são habitadas há tempos por grupos humanos. Assim como plantas e animais, também os seres humanos se adaptaram às condições de vida propiciadas pelos desertos. O maior deserto do mundo é o Saara, com aproximadamente 9 milhões de km2, e se localiza no norte da África. Além dele, há outros desertos no continente africano, no Oriente Médio, na Mongólia, na China, no oeste da América do Norte, no oeste e sul da América do Sul e na Austrália. No norte do Chile, o deserto do Atacama, o ponto mais seco do planeta, apresenta pluviosidade anual de menos de 20 mm. Os desertos quentes apresentam grande amplitude térmica diária. Ao longo do dia, os solos descobertos ficam expostos à intensa irradiação solar e as temperaturas podem chegar a 80 ºC. A falta de vegetação faz com que o calor das areias seja rapidamente dissipado e, à noite, as temperaturas diminuam muito, podendo chegar até a −20 ºC. Há também desertos gelados, em que o solo é majoritariamente coberto por gelo; nesse bioma há áreas com rochas expostas com pouca matéria orgânica e água.

O critério mais importante para se definir uma área como um deserto é a aridez do solo, que apresenta parca cobertura vegetal. Na fotografia, caravana no deserto do Saara no Marrocos, 2015. ESCREVA NO CADERNO

Esta obra foi realizada no leste do deserto do Saara, nas proximidades do mar Vermelho. Trata-se de uma dupla espiral, em uma porção imensa de terra, formada por 89 cones que aumentam gradativamente de tamanho, e por outros 89 cones cravados na terra, de ponta-cabeça. No centro existe um cone maior preenchido com água. • Ao observar essa obra de arte e refletir sobre as relações entre umidade e aridez, indique situações nas quais é possível a presença de água em regiões desérticas, que permitem, inclusive, viabilizar a obra.

O projeto artístico do grupo D.A.ST (Danae Stratou, Alexandra Stratou, Stella Constantinides) é um trabalho de Earth Art (earth = Terra; art = arte), movimento artístico que se desenvolveu a partir dos anos 1960, em que a intervenção na paisagem é a própria obra de arte. Desert Breath (“sopro do deserto”, em português). Deserto do Saara, 1997.

© D.A.ST. Arteam (Danae Stratou, Alexandra Stratou, Stella Constatinides)

A Geografia na... Arte!

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Riscos ambientais nos Os biomas são ameaçados por diversos tipos de ações humanas. Conheça os principais deles neste infográfico.

Imago/Blickwinkel/Fotoarena

blickwinkel/Alamy/Latinstock

Ashley Cooper/Corbis/Latinstock

DESMATAMENTO Floresta boreal de coníferas ou taiga Uso da madeira como combustível durante a Revolução Industrial. Atualmente, é utilizada pela indústria madeireira e papeleira.

Floresta temperada caducifólia

Praticamente extinta devido ao desmatamento para ocupação humana, com a expansão da agricultura, das áreas urbanas e industriais.

Bosque mediterrâneo e formação lenhosa

Durante séculos, este bioma foi desmatado para a extração de madeira, a agricultura, a irrigação e a expansão urbana.

Mais da metade de sua extensão original já foi desmatada devido à ação humana. O desmatamento das florestas tropicais é responsável por aproximadamente 20% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.

Floresta subtropical chuvosa

Desmatamento para criação de áreas de plantio.

EUCLIDES OLTRAMARI JR/FUTURA PRESS

Tessa Bunney/In Pictures/Corbis/ Latinstock

YASUYOSHI CHIBA/AFP

Floresta tropical chuvosa

AGROTÓXICO Savana

Uso excessivo de fertilizantes, pesticidas e herbicidas, que têm contaminado o solo e a água.

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EXTRAÇÃO DE RECURSOS

DPA via ZUMA Press/Easypix Brasil

biomas do mundo

em São Félix do Xingu (PA), 2013. Floresta subtropical chuvosa: troncos queimados no povoado de Sinesai, Laos, 2013. Savana: avião pulverizando agrotóxico em plantação de milho próximo a Rondonópolis (MT), 2015. Tundra: extração de óleo e gás no Alasca, Estados Unidos, 2014. Deserto: mina de cobre no Arizona, Estados Unidos, 2016. Pradaria e estepe: gado bovino na Cidade do Cabo, África do Sul, 2015.

Crédito do infográfico: Saulo Seiiti Takahashi

Fotografia principal: árvore em uma área desmatada, s.d. Floresta boreal de coníferas ou taiga: troncos empilhados para serem usados pela indústria de papel, Lake District, Reino Unido, 2016. Floresta temperada caducifólia: vista aérea de fábrica de automóveis em Munique, Alemanha, 2014. Bosque mediterrâneo e formação lenhosa: olivais na Andaluzia, Espanha, 2013. Floresta tropical chuvosa: gado bovino

Tundra

Scott S. Warren/National Geographic

Atividades de extração de petróleo e de outros minerais.

Deserto

Diversas áreas têm passado por processos de desertificação devido ao esgotamento de seus recursos naturais e expansão agrícola.

Edwin Remsberg/Corbis/Latinstock

ESPÉCIES EXÓTICAS Pradaria e estepe

Desaparecimento da vegetação original devido à introdução de espécies exóticas para alimentar o gado e outros animais de grande porte.

Atividades

ESCREVA NO CADERNO

2. Dos biomas mostrados, destaque dois encontrados em baixa latitude e dois em alta. Baixa latitude: floresta tropical chuvosa e savana. Alta latitude: tundra e floresta boreal

Mopic/shutterstock.com

Resposta pessoal. O aluno deverá reconhecer o(s) principal(is) bioma(s) de sua região.

1. Qual dos biomas mostrados neste infográfico você conhece mais de perto? Ele se encontra ameaçado? Por qual atividade?

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3. Os biomas no território brasileiro Ver Os biomas brasileiros <http://tub.im/65z6g4> Vídeo produzido em conjunto pela Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sobre os biomas do Brasil.

A localização intertropical de grande parte do território brasileiro, as características climáticas, a continentalidade e a maritimidade, as histórias geológicas, geomorfológicas e pedológicas ajudam a explicar seu quadro natural bastante diversificado. Segundo o IBGE e o Ministério do Meio Ambiente, no território brasileiro são identificados seis grandes biomas: Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado, Pantanal e Pampa, como indicado no mapa a seguir. Em todos eles há intensas transformações ocasionadas por ações humanas. Esses temas serão retomados no Capítulo 11, sobre os domínios morfoclimáticos do Brasil.

Allmaps

Brasil: biomas 50˚ O

Equador

BIOMA AMAZÔNIA BIOMA CAATINGA

Pauta musical Saga da Amazônia, Vital Farias. Álbum: Cantoria 1. Kuarup Discos, 1984. Pauta: Desmatamento e conflito de terras.

BIOMA CERRADO

Cap Trópico de

ricórnio

M

AT

A

A

N

T

OCEANO ATLÂNTICO

O

M

OCEANO PACÍFICO

A

 TL

BI

CD Cantoria 1. Elomar, Xangai, Vital Farias, Geraldo Azevedo. Brasil, 2012

IC

A

BIOMA PANTANAL

BIOMA PAMPA

0

520

Fonte: ATLAS Nacional do Brasil Milton Santos. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. p. 89.

3.1 Amazônia Latifoliada: Árvores e plantas com folhas largas.

Na Floresta Amazônica há áreas alagadas onde se desenvolvem diversas espécies. Observe-as na fotografia à esquerda, que mostra o lago Januari, em Manaus (AM), 2015. Nas áreas de terra firme, imensas árvores formam denso e alto dossel. Veja um exemplo na fotografia (à direita) do Parque Nacional do Monte Roraima (RR), 2014.

O bioma Amazônia ocupa aproximadamente 49% do território brasileiro. Os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima estão inteiramente localizados nele, além de parte da área territorial do Maranhão, do Tocantins e do norte do Mato Grosso. Ele também se estende por mais seis países da América do Sul: Guiana, Suriname, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia, além da Guiana Francesa, um departamento ultramarino francês. Praticamente todo o bioma é ocupado pela Floresta Amazônica, uma floresta tropical (portanto, latifoliada), com clima equatorial úmido, e repleta de rios. Tem elevada precipitação média anual, possibilitando que seja denominada floresta pluvial. Wagner Santos/Photoshot/Easypix

Delfim Martins/Pulsar

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3.2 Mata Atlântica Pauta musical

Capa do CD Afrociberdelia. Brasil, 1996

Manguetown, Chico Science e Nação Zumbi. Álbum: Afrociberdelia. Chaos, 1996. Pauta: Biomas.

Fabio Colombini

Embora atualmente ocupe áreas bem menores, em sua formação original a Mata Atlântica ocorria desde o litoral do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, adentrando o território em áreas dos atuais estados da Bahia, de São Paulo, de Minas Gerais, do Mato Grosso do Sul, de Goiás, do Paraná e do norte do Rio Grande do Sul, além de abarcar na totalidade os estados do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de Santa Catarina. A Mata Atlântica é uma mata tropical, quente e úmida, com abundância de água. As semelhanças com a Floresta Amazônica sugerem que as duas formações já tiveram algum contato. Assim como a Amazônia, a Mata Atlântica é estratificada, e a grande quantidade de matéria orgânica que se deposita no solo é rapidamente absorvida pelas plantas nativas. Nos estratos mais elevados, que compõem o dossel da floresta, as árvores mais altas absorvem a maioria dos raios solares. Abaixo do dossel, as plantas arbustivas se desenvolvem à sombra das árvores mais altas. Em seus caules e troncos, crescem musgos, bromélias e cipós. Nos estratos mais baixos estão gramíneas e ervas variadas. Matas pluviais tropicais são encontradas em planícies costeiras e encostas de montanhas. Nas partes mais elevadas, existem formações abertas e rochosas. Na faixa litorânea há diversos ecossistemas associados, como restingas e manguezais.

Manguezal em Cananeia (SP), 2013.

3.3 Caatinga

Fabio Colombini

A Caatinga é uma formação exclusivamente brasileira e ocupa aproximadamente 11% do território em região de clima semiárido, em que estiagens prolongadas ocorrem ciclicamente e proporcionam longos períodos de secas. Essa formação abrange os estados do Piauí, do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas, de Sergipe, da Bahia – na região Nordeste –, além do norte do estado de Minas Gerais.

Mandacaru, cactácea típica da Caatinga, em Coronel José Dias (PI), 2015.

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3.4 Cerrado O Cerrado ocupa vasta área do território central do Brasil e engloba terras que se estendem até o litoral norte do país. Com extensão de aproximadamente 2 milhões de km², é a segunda maior formação vegetal do território brasileiro, menor apenas que a Amazônia. Apresenta rica biodiversidade, com estimativas que indicam a existência de mais de dez mil espécies vegetais. Nessa formação vegetal tropical, há áreas em que os solos são ricos em ferro, alumínio e níquel. No Cerrado, a alternância das estações seca e chuvosa promove expressiva oscilação do lençol freático. Alex Tauber/Pulsar

Lençol freático: Demarca o nível de água subterrânea existente entre os espaços porosos das rochas e dos solos. O lençol freático tende a acompanhar a modelagem da topografia. Ao longo do ano, ele oscila, podendo ser rebaixado, quando as águas saem pelas nascentes, ou elevado, quando recebe infiltração de águas da chuva ou do derretimento do gelo.

Cerrado na Serra do Espinhaço, em Serro (MG), 2015.

Enfoque

ESCREVA NO CADERNO

Cerrado: um hotspot no Brasil A biodiversidade do nosso planeta, a grande variedade de vida na Terra, enfrenta uma crise de proporções históricas. Hoje, as espécies estão sendo extintas a uma taxa mais rápida desde a extinção em massa dos dinossauros. Para conter esta crise, temos de proteger os lugares onde há biodiversidade. Mas as espécies não estão uniformemente distribuídas ao redor do planeta. Algumas áreas têm um grande número de espécies endêmicas – aquelas encontradas em nenhum outro lugar. Muitas delas estão fortemente ameaçadas com a perda de hábitats por atividades humanas. Estas áreas são os hotspots de biodiversidade, 35 regiões no mundo onde o sucesso na conservação de espécies pode ter um enorme impacto na garantia de nossa biodiversidade global. As florestas e outros hábitats remanescentes em hotspots representam apenas 2,3% da superfície terrestre do planeta. O Cerrado e a Mata Atlântica são hotspots localizados no Brasil. Apesar de seu grande tamanho e importância para a biodiversidade, o Cerrado é hoje pouco abarcado pelo sistema de unidades de conservação brasileiro. A forte imagem da região como fronteira agrícola do país significou menos vontade política para criar mais áreas de proteção ambiental e fazer cumprir a legislação de maneira mais rigorosa. Somente cerca de 111 mil km², 5,5% da área total do Cerrado, está atualmente protegida, e aproximadamente 28,5 mil km² (1,4%) é conservada nas áreas mais intensamente protegidas. No Cerrado, territórios indígenas totalizam três vezes o tamanho do sistema unidades de conservação, isso representa quão importantes são essas áreas para a proteção da biodiversidade. Fonte de pesquisa: CRITICAL ECOSYSTEM PARTNERSHIP FUND. The Biodiversity Hotspots. Disponível em: <http://www.cepf.net/resources/hotspots/Pages/default.aspx>. Acesso em: 27 jan. 2016.

1. Por que o Cerrado é considerado um hotspot? 2. Pelo que aponta o texto, por que o Cerrado é pouco contemplado pelo sistema de áreas protegidas? 3. Com a ajuda de colegas e do professor, pesquise em mapas as unidades de conservação existentes no Cerrado.

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3.5 Pantanal Higrófilas: Plantas aquáticas ou que se desenvolvem em áreas bastante úmidas.

Filipe Frazao/Shutterstock.com

O menor dos biomas brasileiros, o Pantanal, é uma extensa superfície inundável, circundada por escarpas de planaltos e serras. Localizado entre os biomas Amazônia e Cerrado, seus terrenos sedimentares recebem drenagem de inúmeros rios. É a maior superfície interior alagada do planeta. A vegetação do Pantanal é formada por um conjunto diverso e apresenta um mosaico de matas, cerrados e campinas higrófilas em interação, que propicia a existência de uma das mais ricas biodiversidades do mundo. É patrimônio natural da humanidade. Ocupa áreas no sul do Mato Grosso e no noroeste do Mato Grosso do Sul e, além da fronteira do Brasil, com o norte do Paraguai e o leste da Bolívia.

Pantanal no estado do Mato Grosso, 2014.

O Pampa é o único bioma que ocorre em apenas um estado no Brasil, a metade sul do estado do Rio Grande do Sul. Essa área, também chamada de Campanha Gaúcha, é constituída de campos abertos, ocupados basicamente por gramíneas, herbáceas, e com poucas árvores. Alguns autores consideram pradarias as áreas que recobrem as superfícies aplainadas e pouco onduladas. Os Pampas se estendem por parte dos territórios do Uruguai e da Argentina.

Gerson Gerloff/Pulsar

3.6 Pampa

Rebanho ovino no Pampa gaúcho, São Martinho da Serra (RS), 2013.

Conversando com a... Biologia!

ESCREVA NO CADERNO

A ONU proclamou 2011 como o Ano Internacional das Florestas. Essa medida visava aumentar a proteção das florestas e diminuir o desmatamento. • No local em que você mora há desmatamento de áreas de vegetação nativa? Há alguma política de proteção ambiental? Proponha grupos de trabalho sobre esse assunto com seus colegas e, caso haja desflorestamentos, elaborem um relatório com sugestões para a solução do problema. Encaminhem-no aos órgãos competentes de seu município.

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Vegetação brasileira Exótico: Que é externo à determinada localidade, proveniente do exterior.

Circunscrito ao conceito de bioma, está o de vegetação, o grupo florístico de um determinado espaço geográfico, seja ele nativo ou exótico. No mapa abaixo, a vegetação brasileira, como podemos notar, está contida em uma classificação mais ampla, que são os biomas brasileiros.

Allmaps

Brasil: vegetação natural 50° O

Equador

Formações florestais Florestas Amazônicas Mata dos Cocais

OCEANO ATLÂNTICO

Matas Atlânticas Mata dos Pinhais (ou de Araucária) Formações arbustivas e herbáceas Cerrado

Ler Manual técnico da vegetação brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. Amplo manual do IBGE que traz a classificação da vegetação brasileira e técnicas de manejo das formações botânicas.

Trópico d e

Capricó

rnio

Caatinga Campos Formações complexas e litorâneas Vegetação do Pantanal (Cerrados, Campos inundáveis) Vegetação Litorânea (Mangues, Restingas, Jundus)

0

430

Fonte: SIMIELLI, Maria Helena. Geoatlas. 33. ed. São Paulo: Ática, 2010. p. 110.

5

4. Código Florestal brasileiro O Código Florestal é o conjunto de leis que estabelece as regras de como o território nacional pode ser explorado: quais áreas de vegetação nativa devem ser preservadas e de que maneira a terra e os recursos florestais podem ser utilizados. Os biomas que estudamos neste capítulo inserem-se em uma temática ambiental que nos últimos anos está diretamente ligada à discussão sobre o Código Florestal brasileiro. O primeiro código foi elaborado em 1934 e atualizado em 1965. A partir daí recebeu diversas modificações ao longo dos anos. Em 2012, o Congresso aprovou uma medida provisória (MP) que alterava o Código Florestal e que gerou muita polêmica, envolvendo diversos setores da sociedade. Houve, inclusive, campanhas em redes sociais pedindo o veto presidencial à MP, realizadas por organizações não governamentais ambientalistas e estudiosos do meio ambiente, por entenderem que se tratava de um retrocesso ao código de 1965, pois diminuía as áreas de proteção. No mesmo ano, a presidência vetou alguns pontos, e o novo código entrou em vigor. Veja no infográfico na página seguinte as principais medidas da Lei no 12.651, de 2012, conhecida como novo Código Florestal brasileiro.

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6

Topo de morro

Principais medidas do novo Código Florestal brasileiro 1

Studio Caparroz

3 7

Trecho desmatado

Margem de rio Encosta

4

Nascente de rio

Glossário do Código Florestal Área de Preservação Permanente (APP): área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservação. Corresponde às margens dos rios e lagos, nascentes, topos de morro, encostas, manguezais, restingas e bordas de chapadas. Reserva Legal: área que deve ser preservada em uma propriedade rural para garantir a biodiversidade e não colocar em risco os ciclos naturais.

2

Mata

Módulo fiscal: unidade variável de medida agrária em hectares, pois é definido para cada município e considera o tipo de exploração e a renda obtida. Agrossilvipastoril: cultivo em conjunto de agricultura, silvicultura e pecuária.

8

5

Manguezal

Atividade agrossilvipastoril

Lei válida para ações feitas até 2008 Lei válida para ações feitas a partir de 2008 Área de Preservação Permanente Reserva Legal

1 Trecho desmatado na encosta: • Em terrenos de até 4 módulos fiscais: sem obrigação de recomposição; • Em terrenos com mais de 4 módulos fiscais: recomposição em até 20 anos.

4 Nascente perene de rio e olho-d´água perene: Mínimo de 50 metros de distância em relação à nascente.

2 Mata: Área a ser preservada varia de acordo com o bioma, sendo: • Amazônia: 80%; • Cerrado: 35%; • Demais biomas, exceto manguezais: 20%.

6 Topo de morro: Nos topos de morros com altura mínima de 100 m e inclinação maior que 25°, devem ser preservados 2/3 da altura mínima definida em relação à base.

3 Margem de rio: A preservação do entorno depende da largura do rio: Largura do rio Mata preservada Até 10 metros de largura 30 metros De 10 metros a 50 metros 50 metros De 50 metros a 200 metros 100 metros De 200 metros a 600 metros 200 metros Mais de 600 metros 500 metros

5 Manguezal: Toda a extensão deve ser preservada.

7 Encosta: Devem ser preservadas todas as áreas com declividade superior a 45º. 8 Atividade agrossilvipastoril: Para propriedades que ocupam área de preservação permanente com atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural, as regras transitórias e de adequação serão reunidas nos Programas de Regularização Ambiental (PRAs) elaborados pelos estados e pelo Distrito Federal.

Fonte de pesquisa: PORTAL BRASIL. Entenda as principais regras do Código Florestal. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2012/11/entenda-as-principais-regras-do-codigo-florestal>. Acesso em: 25 abr. 2016.

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando

1. O que explica a existência de biomas com características tão distintas na superfície terrestre? Escolha dois deles e indique seus principais contrastes. 2. Todos os biomas estudados apresentam diferenças entre sua área de ocorrência original e a atual. Quase todos tiveram diminuída sua área original, com exceção de um deles, que está avançando sobre outras áreas. Aponte qual é esse bioma e explique os motivos desse avanço. 3. Quais as principais diferenças e semelhanças entre biomas e ecossistemas? 4. Escolha três biomas mundiais e indique alguns impactos ambientais causados por ações humanas e outros que ocorrem por força da natureza.

Olhar cartográfico O mapa a seguir mostra a área original das florestas e as áreas atuais.

Allmaps

Cobertura florestal original e atual 0º Circulo Polar Ártico

Floresta temperada e boreal Cobertura atual Cobertura original

Trópico de Câncer

Equador

OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

Floresta tropical Cobertura atual Cobertura original

OCEANO ÍNDICO

Meridiano de Greenwich

Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

0

3247

232

5

6

Mircea Costina/Alamy/Latinstock

Fabio Colombini

3

GFC Collection/Alamy/Latinstock

4

2

William Atevens/Alamy/Latinstock

2. No mapa, a vegetação é classificada em dois grandes grupos genéricos: florestas temperadas e boreais e florestas tropicais. Observe as fotografias ao lado e analise as características da vegetação. Responda em seu caderno: quais delas mostram áreas da floresta temperada e boreal? Quais retratam a floresta tropical?

1

Mark A. Johnson/Alamy/Latinstock

1. Observe o mapa e compare as áreas de cobertura original e atual. Houve diminuição, manutenção ou ampliação? Aponte motivos que levaram a essa ocorrência.

Brigitte Merle/Photononstop/Glow Images

Fonte: UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME (UNEP). Original and remaining forest cover. Disponível em: <http://old.unep-wcmc.org/medialibrary/2011/09/27/cc69b7bf/currorig.jpg>. Acesso em: 15 out. 2015.

Identificação das fotos: 1 – Floresta de bordo, Quebec, Canadá, 2010. 2 – Igarapé Tarumã-Açu, Manaus (AM), 2014. 3 – Floresta de pinheiros nos montes Apuseni, Romênia, 2013. 4 – Floresta Nacional de Tongass, Alasca, Estados Unidos, 2013. 5 – Rio Kourou, Guiana Francesa, 2014. 6 – Floresta Amazônica na Reserva Nacional Tambopata, Peru, 2014.

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Atividade em grupo Em 2015 as florestas abrangiam 31% da área terrestre do mundo, e 44% da área florestada ocorria em países tropicais e cerca de 8% em países subtropicais. Observem a tabela abaixo que apresenta dados sobre florestas no mundo. Área florestada (em km2) Região

1990

2015

Projeção para 2030

América do Norte e Central

7 524 990

7 506 520

7 170 000

Ásia1

5 681 220

5 933 620

6 040 000

África

7 057 400

6 241 030

6 460 000

2

9 942 710

10 154 820

10 390 000

Oceania

1 768 250

1 735 240

1 900 000

América do Sul

9 308 140

8 420 110

7 880 000

Europa

Total

41 282 710 39 991 340

39 840 000

Nota: 1Exceto a Rússia. 2Incluindo a Rússia. Fonte: FOREST Ecology and Management, n. 352, p. 11, 129, set. 2015. Disponível em: <http://www.fao.org/3/contents/be7b339c-dbe9-4d48-ac73-2a8ba1ae7ee2/ i4895e.pdf>. Acesso em: 27 jan. 2016.

Cada grupo da sala escolherá um bioma mundial ou do território brasileiro e seguirá o roteiro: 1. Se o bioma escolhido ocorre fora do Brasil, indicar o país e sua localização (norte, sul, leste, oeste). 2. Se o bioma escolhido ocorre no Brasil, indicar a(s) região(ões) que ocupa. 3. Montar uma tabela como a do modelo acima, apresentando dois dados estatísticos que acharem relevantes sobre o bioma. Elaborar justificativa para a escolha. 4. Ao final, cada grupo apresentará aos demais os dados pesquisados.

De olho na mídia

Vimos que o bioma Amazônia ocupa aproximadamente 49% do território nacional e muitos são os riscos ambientais que o cercam, em especial o desmatamento. Leia o texto jornalístico e responda às questões. ONG registra aumento em taxas de desmatamento na Amazônia Dados do Imazon reforçam a hipótese de que o desmatamento na Amazônia tenha voltado a aumentar no período 2014-2015 (agosto a julho). Seu sistema independente de alerta (SAD), menos preciso que o do governo, registrou um salto de 63%. Segundo dados obtidos em primeira mão pela Folha do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, de Belém, foram 3 322 km2, contra 2 044 km2 no período anterior. Não é possível extrapolar o percentual de 63%, contudo, para a taxa oficial de devastação. Esta é calculada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujo sistema Prodes emprega imagens de satélite mais detalhadas. O dado governamental foi recen-

temente consolidado, mas para o período anterior (20132014). A cifra divulgada em novembro (4 848 km2) passou para 5 012 km2. [...] Prodes 2015 O leitor que ainda não estiver confuso com os vários percentuais e quilometragens terá notado uma diferença de quase 3 000 km2 entre as áreas apuradas pelo SAD e pelo Prodes em 2013-2014 (respectivamente 2 044 km2 e 5 012 km2). A discrepância decorre, em grande medida, da minúcia das fotos de satélite utilizadas pelos dois sistemas de monitoramento. O Prodes, do Inpe, emprega imagens de satélites da classe Landsat, que enxergam detalhes de 20 a 30 m, mas só passam sobre o mesmo ponto na Terra em intervalos de 16 dias. O SAD usa as do sensor Modis, com as quais alcança resolução bem pior, de 250 m, porém com um período de 1,5 dia. Carlos Souza Jr., responsável pelo SAD no Imazon, acredita ter acumulado já uma série histórica longa o bastante (2006-2014) para estabelecer um valor estatisticamente confiável para o desvio SAD-Prodes. Em média, ele é de 3 600 km2 a cada ano. [...] Nas nuvens Curiosamente, o SAD detectou também a existência de áreas desmatadas que não aparecem no Prodes. Comparando os polígonos de terra nua, sobraram 442 km2 nos mapas do Imazon sem superposição com os do Inpe. A primeira explicação possível para essa outra divergência está nas nuvens. Como há muito mais imagens disponíveis do Modis, o Imazon pode escolher mais fotografias livres delas. Outra hipótese é que, por essa razão ou outra, o Inpe tenha usado muitas imagens de meses anteriores – maio, por exemplo – ao início da estação de derrubada, com a diminuição de chuvas a partir de julho. Alguns desmatamentos podem ficar de fora num ano, mas aparecerão nos seguintes. Uma terceira possibilidade é a própria deficiência da dupla SAD/Modis. Como as imagens têm resolução pior, os perímetros dos polígonos podem ser “arredondados” para cima, e essas superfícies artificialmente acrescentadas a eles acabariam subtraídas nas fotografias mais acuradas do Landsat. [...] Mesmo assim, 63% de aumento no dado do Imazon parece razão suficiente para alarme. [...] LEITE, Marcelo. ONG registra aumento em taxas de desmatamento na Amazônia. Folha de S.Paulo, 27 ago. 2015. Fornecido pela Folhapress. Disponível em: <http://www1.folha.uol. com.br/ambiente/2015/08/1674167-ong-registra-aumento-em-taxas-de-desmatamento-naamazonia.shtml>. Acesso: 3 nov. 2015.

1. Converse com um colega sobre as três hipóteses apresentadas no texto para justificar a diferença de dados da ONG e do Inpe. Qual delas vocês acham mais plausível? Justifique a resposta. 2. No texto, é citado que há diferenças de tecnologias utilizadas entre os projetos federais e da ONG citada para monitorar o desmatamento na Amazônia. Em sua opinião o autor se mostra mais propenso a confiar nos dados governamentais ou nos dados apresentados pela ONG? Justifique sua resposta.

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CAPÍTULO 11

Fabio Colombini

Domínios morfoclimáticos do Brasil

Mar de morros em Cunha (SP), 2014.

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Tópicos do capítulo Definição de domínios morfoclimáticos Domínios intertropicais Domínios subtropicais Faixas de transição

Ponto de partida

ESCREVA NO CADERNO

1. Em algum momento você já avistou paisagem semelhante à mostrada na fotografia? 2. Ao olharmos a imagem, vemos suaves ondulações. Você seria capaz de citar algum elemento da natureza responsável por essa escultura mamelonar sobre algumas estruturas do relevo brasileiro?

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1. O que são domínios morfoclimáticos

Allmaps

Silva Junior/Folhapress

Domínios morfoclimáticos são unidades da paisagem natural resultantes da combinação e integração entre relevo, vegetação, solo, clima e hidrografia que definem determinada porção do território, ou seja, áreas que tiveram fortes influências climáticas e ecológicas na constituição e configuração de sua topografia e conjunto paisagístico. Portanto, domínio morfoclimático é a visão do todo em contraposição à análise compartimentada de elementos da natureza: o clima incide no relevo e vice-versa; o mesmo se dá entre os demais elementos de solo, água, vegetação. Estudar os domínios morfoclimáticos é a melhor maneira de entender a integração dos diversos fatores da natureza na composição de uma região. Cada domínio morfoclimático tem, em seu interior, uma área principal, ou área nuclear. É um arranjo espacial extenso e contínuo de distribuição e formas Aziz Ab’Sáber (1924-2012), premiado no 5o Congresso Brasileiro de vegetação que lhe é próprio, por isso se distingue das áreas nucleares de oude Escritores, em Ribeirão Preto tros domínios. Esses arranjos espaciais são compostos de diversos ecossistemas, (SP, 2011). Entre suas inúmeras mas com o predomínio de um deles. Entre os domínios morfoclimáticos há semcontribuições acadêmicas e científicas à frente da Sociedade Brasileira pre uma área de transição, de contato, diferentemente dos biomas. As áreas de para o Progresso da Ciência (SBPC), transição não fazem parte de nenhum domínio. do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP) e do Departamento de O geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber foi o maior responsável pela difusão do conGeografia da Universidade de São ceito “domínios morfoclimáticos” no Brasil. Em meados dos anos 1960 ele realizou Paulo (DG-USP), destacam-se os estudos sobre os domínios o mapeamento geográfico e geomorfológico do país concentrando-se nos critérios morfoclimáticos. climáticos e biogeográficos para estudar o relevo nacional, obtendo uma síntese dos aspectos morfológicos do relevo com os tipos de clima e as espécies vegetais Biogeográficos: Referentes à predominantes em cada unidade. Identificou seis domínios morfoclimáticos no país, biogeografia, isto é, à distribuição organizados em dois grupos: geográfica dos seres vivos ao • Domínios intertropicais: Domínio Amazônico, Domínio do Cerrado, Domínio longo do tempo. da Caatinga, Domínio dos Mares de Morros. • Domínios subtropicais: Domínio das Araucárias, DomíBrasil: domínios morfoclimáticos nio das Pradarias Mistas. 50º O

Equador

Amazônico Terras baixas florestadas equatoriais Caatinga Depressões intermontanas e OCEANO interplanálticas semiáridas PACÍFICO Cerrado Chapadões tropicais interiores com cerrados e matas-galerias

OCEANO ATLÂNTICO Trópico de C a

Atualmente, grandes áreas desses domínios são fortemente marcadas pelas históricas ações humanas no processo de ocupação territorial do Brasil. A expansão de áreas agrícolas e pastoris, as instalações de usinas e indústrias, a criação, expansão e crescimento de cidades resultaram em profundas alterações fisionômicas nas paisagens desses domínios. Veja, no mapa ao lado, os domínios morfoclimáticos brasileiros.

pricórnio

Araucárias Planaltos subtropicais com araucárias Mares de morros Áreas mamelonares tropical-atlânticas florestadas Pradarias Coxilhas subtropicais com pradarias mistas Áreas de transição

0

480

Fonte: AB’SÁBER, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. 6. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2011. (Encarte).

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2. Domínios intertropicais 2.1 Domínio Amazônico As terras baixas florestadas equatoriais ocupam vasta área no norte da América do Sul. A Floresta Amazônica é estratificada e pode ser dividida em áreas de terra firme, de várzea e de inundação. As terras firmes estão localizadas nas partes mais elevadas da floresta, motivo pelo qual não inundam. Nessas áreas estão as árvores mais altas, como as palmeiras e as castanheiras-do-pará. As várzeas, por sua vez, estão situadas em terrenos um pouco mais altos que os alagados permanentemente e são inundadas periodicamente, em razão da elevação da pluviosidade e, consequentemente, das águas dos rios. Nas áreas de inundação (partes mais baixas e planas) as matas ficam permanentemente alagadas. Denominadas matas de igapós, nelas predominam arbustos, musgos, cipós e há forte presença de vitórias-régias. O Domínio Amazônico abarca as áreas cobertas pelas florestas equatoriais tropicais, onde são comuns os latossolos. Seu melhor uso ocorre nas reservas extrativistas, uma vez que as queimadas causam o empobrecimento desses solos em curto prazo. Por existir muita água na região, o solo é constantemente “lavado”, culminando com a decomposição das rochas e o transporte dos nutrientes. Nas áreas mais alagadas, a água se torna um empecilho à agricultura da população ribeirinha. O clima da Amazônia pode ser considerado um dos mais homogêneos do mundo, associando calor e umidade. Apenas as áreas de campos recebem menor pluviosidade anual.

Enfoque

Reservas extrativistas: Espaços nos quais as populações tradicionais se dedicam ao extrativismo autossustentável e à conservação dos recursos naturais, equilibrando interesses ecológicos e interesses sociais.

ESCREVA NO CADERNO

No cinturão de máxima diversidade biológica do planeta – que tornou possível o advento do homem – a Amazônia se destaca pela extraordinária continuidade de suas florestas, pela ordem de grandeza de sua principal rede hidrográfica e pelas sutis variações de seus ecossistemas, em nível regional e de altitude. Trata-se de um gigantesco domínio de terras baixas florestadas, disposto em anfiteatro, enclausurado entre a grande barreira imposta pelas terras cisandinas e pelas bordas dos planaltos Brasileiro e Guianense. De sua posição geográfica resultou uma fortíssima entrada de energia solar, acompanhada de um abastecimento quase permanente de massa de ar úmido, de grande estoque de nebulosidade, de baixa amplitude térmica anual e de ausência de estações secas pronunciadas em quase todos os seus subespaços regionais, do golfão Marajoara até a face oriental dos Andes. Enfim, traz para o homem um clima úmido e cálido, com temperaturas altas, porém suportáveis, chuvas rápidas e concentradas, muitos períodos desprovidos de precipitações e raros dias de chuvas consecutivas. Na direção de suas periferias extremas, há uma discreta acentuação de sazonalidade, incluindo ondas de “friagem” desde o oeste de Rondônia até o Acre. Durante o inverno, isto se deve à força de penetração do braço mais interior da massa de ar tropical atlântico para a Amazônia Ocidental. [...]

Andre Dib/Pulsar

Amazônia brasileira: um macrodomínio

AB’SÁBER, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. 2. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. p. 65-66.

• No texto de Aziz Ab’Sáber, percebem-se a análise e a utilização de vários elementos naturais na combinação daquilo que ele denominou “Domínio Amazônico”. Quais são esses elementos?

Rio Japurá e Floresta Amazônica em Tefé (AM), 2014.

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Ver

BRUNO KELLY/REUTERS/Latinstock

Amazonas 3: características do solo da Amazônia, Embrapa, 2012. <http://tub.im/exheav> Documentário da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre as características dos solos amazônicos de baixa fertilidade, mas com propriedades boas para a floresta.

Como possui terras e rede hídrica tanto no hemisfério norte como no sul, nesse domínio não há um único regime pluviométrico. Geralmente, de janeiro a março, as chuvas que caem no sul da Amazônia são as principais responsáveis pela rica drenagem que alimenta o rio principal e mantém a vegetação das terras baixas. No período que vai, geralmente, de maio a julho, a drenagem é alimentada por chuvas que ocorrem na porção norte. Nesse período também é comum a ocorrência de chuvas na calha do rio Amazonas, o que favorece a elevada pluviosidade em todo o domínio. Porém, nos demais períodos do ano, quando a chuva é menos constante, é possível ocorrer diminuição da drenagem nos rios amazônicos. Em casos excepcionais podem ocorrer secas, como a retratada abaixo.

Área atingida pela falta de chuvas em Manaus (AM), 2015.

Na rica biodiversidade amazônica, encontra-se o maior banco genético do planeta e, por esse motivo, é foco de atração das grandes comunidades financeiras que atuam no Brasil e além da porção brasileira da floresta. Um dos problemas gerados se refere às patentes de produtos fabricados com recursos genéticos obtidos na Amazônia e registrados para uso e pesquisas em outros países. Com isso, mesmo estando em território brasileiro, o uso desses produtos passa a pertencer prioritariamente aos detentores de suas patentes. A extração da madeira é uma das atividades de maior impacto ambiental na Amazônia. Entre essas madeiras, são exploradas árvores cuja extração é proibida por lei, como o mogno, a peroba, a castanheira, além da cerejeira e do angelim, entre outras. Grandes projetos agropecuários e de colonização, implantados pelo governo brasileiro nessa região, são outros agravantes, bem como a derrubada da floresta para instalação de grandes áreas de pastagens e destinadas à agricultura. O ritmo de crescimento das cidades também contribui para o desmatamento na região. NACHO DOCE/REUTERS/Latinstock

Lalo de Almeida/Folhapress

À esquerda, àrea desmatada para servir de pasto para o gado contrasta com área florestada em Paragominas (PA), 2015. À direita, madeira extraída ilegalmente é vista em serraria localizada próximo a Porto Velho (RO), 2015.

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A construção de usinas hidrelétricas, como as de Jirau e Santo Antônio (no rio Madeira, em Rondônia) e a de Belo Monte (no rio Xingu, no Pará), compromete enormes áreas na Amazônia por causa dos alagamentos, o que gera discussões sobre a viabilidade de suas construções, tendo em vista os danos socioambientais que poderão acarretar.

Interagindo

ESCREVA NO CADERNO

A construção de grandes usinas hidrelétricas na Amazônia é um tema polêmico. Muitos são contrários a essa ação porque causa danos socioambientais à região, que não serão poucos. Outros argumentam que se faz necessário construí-las para evitar o colapso energético. • E você, concorda com a construção dessas usinas? Quais são os argumentos favoráveis e contrários à construção de usinas hidrelétricas no Domínio Amazônico? Discorra sobre seu parecer debatendo com os colegas, e redija, no caderno, um texto sobre suas conclusões.

2.2 Domínio do Cerrado Quando falamos do Cerrado, é comum imaginarmos uma área seca, com plantas e arbustos esparsos e retorcidos, cujo solo apresenta deficiências em nutrientes. Porém, essa formação vegetal tropical, com estações alternadamente seca e chuvosa, tem solos ricos em ferro, alumínio e níquel. Nesse domínio, marcadamente planáltico, também denominado Chapadões tropicais interiores com cerrados e matas-galeria, ocorrem grandes chapadas e trechos mais suaves, com predomínio de solos latossólicos, ou seja, com horizonte permeável e espesso. O período seco é muito prolongado e a umidade relativa do ar é baixa. O solo é destinado às pastagens, mas também é amplamente utilizado para a agricultura. Por conta de suas características, é necessário incorporar corretivos e fertilizantes para otimizar a produção agrícola e a formação de pastos. Ao longo das linhas de drenagem e cursos d’água ocorrem as matas-galerias ou matas ciliares, formadas por vegetação mais densa que se desenvolve e protege suas margens. Nas estações secas, as raízes da vegetação crescem e se ramificam em busca de água nos locais mais profundos. Na superfície há pouca vegetação, com pequenas árvores e arbustos espaçados, com troncos e galhos retorcidos nas áreas mais elevadas, fatores que indicam a procura por umidade nos períodos de seca. Por essa razão, o Cerrado é conhecido como “floresta invertida”: suas árvores baixas com raízes profundas são o contrário das florestas tropicais. Os vales, nos quais a variação do nível do lençol freático é menos intensa, são mais propícios à presença da vegetação.

Pauta musical Flor do Cerrado, Gal Costa. Álbum: Cantar. Philips, 1974. Pauta: Cerrado.

Cesar Diniz/Pulsar

Ed Viggiani/Pulsar

Vista da Serra Dourada em Goiás (GO), 2013.

Tronco retorcido no Cerrado. Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT), 2014.

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Ler

João Prudente/Pulsar

Alexandre Cappi/Pulsar

Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. O domínio do Cerrado é descrito em várias passagens deste clássico da literatura nacional.

Dependendo da localização, da topografia, da existência de água superficial ou no subsolo, podem ocorrer variações fisionômicas no Cerrado, tais como: • Cerradão: ocorre nas áreas em que os solos são bem drenados por cursos d’água e ricos em nutrientes. As copas das árvores, muito próximas umas das outras, chegam a medir de 8 a 10 metros, o que configura uma pequena formação florestal. • Veredas: ocorrem em áreas de brejo e fundos de vales nas áreas inundadas em que não se desenvolve o cerradão. Nesses lugares, os formosos buritis, árvores típicas, indicam a presença de água. Nas áreas menos úmidas, são comuns árvores como a carnaúba e o babaçu. • Campos: com poucas árvores, em algumas áreas surgem campos mais áridos, com rochas expostas; em outras, há a formação de solo raso ocupado por gramíneas curtas e ervas variadas. Há também campos úmidos – conhecidos por campos limpos –, que apresentam poucas árvores, e que permanecem encharcados durante a estação chuvosa no verão, perdendo bastante umidade no inverno, a estação mais seca no Cerrado. • Morros rochosos e penhascos: nessas formações rochosas é comum o crescimento de musgos e cactos.

Campo de sempre-vivas no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Alto Paraíso de Goiás (GO), 2014.

Morro rochoso com cacto no Parque Natural Municipal Templo dos Pilares, Alcinópolis (MS), 2013.

Mario Friedlander/Pulsar

Vereda com buritizal no Parque Estadual do Jalapão, Mateiros (TO), 2014.

Andre Dib/Pulsar

Cerradão no vale do rio das Almas, Cavalcante (GO), 2015.

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Ary Bassous/Tyba

Thomaz Vita Neto/Pulsar

Nas estações secas, grandes áreas do Cerrado são castigadas por queimadas constantes. As de pequenas extensões são integradas aos seus ecossistemas, pois o fogo freia o crescimento das gramíneas que impedem o desenvolvimento da rica fauna da região. Colocar fogo na mata é um artifício utilizado por alguns criadores de gado e produtores agrícolas para preparar a terra para a formação de pasto ou plantações, o que traz sérias implicações ambientais. Com a ocupação humana, a região do Cerrado sofreu as mais intensas alterações. Dos 2 milhões de quilômetros quadrados nativos que se estendiam por 10 estados, restam apenas cerca de 20%, que se encontram extremamente devastados pela instalação de grandes complexos agropastoris e contaminados pelo mercúrio, resíduo da atividade garimpeira, que polui e causa assoreamento dos rios. Atualmente, cerca de apenas 2% do Cerrado se encontra resguardado, pois são áreas protegidas por lei.

Impacto ambiental: a fauna é uma grande vítima da degradação do Cerrado. Na imagem, emas buscam alimentos em plantação de algodão, Chapadão do Sul (MS), 2014.

Incêndio em área de Cerrado, Parque Nacional das Emas, Mineiros (GO), 2013.

Contaminação no Cerrado

Uma das grandes ameaças ao Cerrado, hoje, é o cultivo da soja, que ocupa e transforma vastas extensões. Área rural em Tangará da Serra (MT), 2012.

Paulo Fridman/Pulsar

As imensas fazendas que produzem em larga escala no Cerrado utilizam grande quantidade de fertilizantes para melhorar a fertilidade do solo. Seu uso, associado ao de pesticidas, herbicidas e agrotóxicos, acaba por prejudicar o solo e contaminar a água dos rios e do subsolo. O consumo da água e dos alimentos ali produzidos pode atingir índices perigosos para a saúde. Em 2015, a Fundação Oswaldo Cruz publicou um dossiê contendo dados de uma pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), divulgada em 2011, que identificou agrotóxicos no leite materno em todas as amostras das 62 mulheres participantes de Lucas do Rio Verde, município na época com 45 mil habitantes, quando era um dos maiores produtores de grãos do Mato Grosso.

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2.3 Domínio da Caatinga Navegar Ministério do Meio Ambiente <http://tub.im/pnhq89> No site há uma página que traz informações sobre as características e estratégias de conservação da Caatinga.

Déficit hídrico: Também conhecido como deficiência hídrica, ocorre em lugares em que há mais perda de água por evaporação e transpiração das plantas do que ganho, como a água da chuva.

Cassandra Cury/Pulsar

Áreas de brejo de altitude: Áreas topograficamente mais elevadas e mais úmidas no interior da Caatinga.

Esse domínio, também chamado de Depressões interplanálticas semiáridas do Nordeste, com forte destaque para o Sertão, é uma região rebaixada topograficamente pela intensa remoção dos sedimentos associados ao afloramento de rochas. São solos rasos e pedregosos muito afetados pelo déficit hídrico. Muitos de seus rios têm drenagens intermitentes, ou seja, seus leitos secam em épocas de estiagem prolongada. Somado ao regime pluvial irregular, com precipitações médias que variam entre 350 e 600 mm, esse cenário provoca fortes deficiências hídricas anuais. Na região se destacam atividades agropecuárias, muitas favorecidas pela irrigação das águas no vale médio do rio São Francisco. Entre os períodos de estiagem, podem ocorrer curtos períodos com chuvas intensas em algumas áreas da Caatinga. Na Caatinga a seca é visível na superfície, mas em parte de seu subsolo há água em abundância. As palmeiras e o juazeiro, com raízes profundas, captam essa água. Nas áreas de Sertão, que ocupam sua maior parte, seus solos são pedregosos, rasos e com pouco húmus. A vegetação é constituída por xerófitas. Vários projetos foram concebidos para tentar erradicar a seca que frequentemente abala a região, como a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), criada em 1959 e ligada diretamente ao governo federal. Verbas são destinadas a projetos de irrigação, a começar pelas águas do São Francisco, e de busca de água no lençol freático, para a construção de açudes e abertura de poços. Contudo, historicamente, essas verbas são empregadas em latifúndios, deixando de beneficiar a maioria da população. Além disso, a contínua promessa de resolver o problema da seca alimenta as bases de propostas políticas, às vezes fraudulentas, criando o que se convencionou chamar de “indústria da seca”. Num processo de ocupação populacional que começou nos tempos do Brasil Colônia, nos 844 453 km² de Caatinga vive cerca de 16% da população brasileira, de acordo com dados de 2011 do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera. Nas áreas de brejo de altitude, o bioma Caatinga sofreu forte devastação da vegetação e degradação dos solos, o que diminuiu seus usos agrícolas. Estima-se que 80% de seus ecossistemas originais já tenham sido alterados, principalmente por meio de desmatamentos e queimadas. Uma grande preocupação ambiental é o necessário combate à desertificação, uma das piores consequências ambientais, cujas causas são, entre outras, o desmatamento, conforme vimos no Capítulo 6. Segundo dados de 2013 do Ministério do Meio Ambiente, no território brasileiro, das áreas propensas ao processo de desertificação, 62% estão em zonas originalmente ocupadas pela Caatinga.

Plantação de cacto palma, utilizado para alimentar o gado, Cabaceiras (PB), 2014.

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2.4 Domínio dos Mares de Morros Por conta de marcante e extensa presença de morros com feições arredondadas, cobertos por florestas, e de sua localização, surge na porção oriental do Brasil o Domínio dos Mares de Morros florestados e Áreas mamelonares tropical-atlânticas florestadas. Reveja a fotografia de abertura deste capítulo nas páginas 234 e 235. Nesse domínio de forte decomposição de rochas cristalinas também há terrenos aplainados cujos rios assumem formas meândricas. Essa área apresenta um relevo bastante acidentado e com muitos deslizamentos. Em muitas áreas, os solos desse domínio propiciaram um melhor aproveitamento agrícola e da pecuária: pastagens e lavouras de café e cana-de-açúcar, especialmente. Em função da forte pluviosidade, é uma região bem provida de cursos d’água. Abrange boa parte do litoral brasileiro, com morros costeiros e escarpas, como as da Serra do Mar, e florestas tropicais, marcadamente a Mata Atlântica. Possui enclaves de campos, bosques de araucárias – como em Campos do Jordão, no estado de São Paulo – e cerrados, com predomínio de cerradões florestados, nos planaltos interiores. A intensa biodiversidade desse domínio é proporcionada, em parte, pelas chuvas de convecção, próprias das zonas de climas tropicais e, em outra, pela distribuição da umidade das serras, que acompanham o litoral brasileiro. A porção costeira desse domínio é composta de diferentes formações: praias, dunas, falésias, ilhas, recifes, costões rochosos, baías, estuários, brejos, restingas, manguezais. É notável a presença de pães de açúcar no Espírito Santo, em Minas Gerais e no litoral do Rio de Janeiro.

Formas meândricas: Curvas formadas pelas águas dos rios para poderem escoar em áreas planas ou com baixa declividade.

Edson Grandisoli/Pulsar

Pães de açúcar: Formas de relevo de rochas que ficam afloradas e expostas em razão do processo erosivo da rocha granítica ou gnáissica. Essas formações recebem esse nome por associação ao famoso morro do Pão de Açúcar, localizado na cidade do Rio de Janeiro, também resultado do mesmo processo.

João Prudente/Pulsar

Araucárias em Extrema (MG), 2015.

Plantação de café em Manhuaçu (MG), 2015.

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Fabio Colombini

Rubens Chaves/Pulsar

Por sua presença em quase toda a costa litorânea, os mangues merecem destaque especial. Esse tipo de vegetação se desenvolve em áreas alagadas das baías e estuários, nas quais os rios se encontram com os oceanos. Dessa mistura resultam solos salinos e águas salobras. Aí ocorre uma intensa troca de matéria orgânica entre as águas doces e as salgadas e se desenvolvem vegetações que resistem à deficiência de oxigênio no solo por meio de suas raízes aéreas e respiratórias. Nos mangues encontram-se nutrientes para toda a vida marinha costeira, pois é para lá que se dirigem várias espécies na época da reprodução. No litoral, o intenso processo de urbanização e o crescente grau de especulação imobiliária vêm causando a destruição do ecossistema. Para a construção de ruas, casas, prédios, indústrias e portos, aterram-se as áreas de mangue, sufocando o ecossistema. Basta observar orlas marítimas densamente urbanizadas, como as localizadas nas cidades de Santos (SP), Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Recife, entre outras. Nesta última, existe até um movimento cultural denominado mangue beat, que tenta chamar a atenção para a destruição do mangue decorrente do desenfreado processo de urbanização daquela metrópole nordestina.

Manguezal na Ilha do Cardoso, Cananeia (SP), 2012.

A Geografia na... música!

ESCREVA NO CADERNO

Leia um trecho da letra da música “Manguetown”, de Chico Science (1966-1997), que remete à poluição do mangue na cidade de Recife. Tô enfiado na lama É um bairro sujo Onde os urubus têm casas E eu não tenho asas [...] Fui no mangue catar lixo Pegar caranguejo Conversar com urubu.

Fabiana Figueiredo/N Imagens

Ocupação de área de mangue em Natal (RN), 2014.

SCIENCE, Chico et al. Manguetown. In: Afrociberdelia. [S.l.]: Chaos, 1996.

Você conhece alguma manifestação cultural que aborda as questões ambientais locais no município onde você mora? Investigue e converse com seus colegas a esse respeito.

Show de Chico Science & Nação Zumbi, década de 1990.

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A Mata Atlântica é uma das cinco regiões do mundo com mais espécies endêmicas, ou seja, nativas. Isso demonstra sua riqueza e importância biológica e geográfica. Atualmente, estima-se que restem apenas de 6% a 8% de sua vegetação original. No estado do Espírito Santo, praticamente toda a vegetação nativa foi substituída pela plantação de árvores, como pínus e eucaliptos, destinadas à fabricação de papel. Esse processo de substituição da vegetação nativa por um único tipo de plantação é equivocadamente chamado de reflorestamento, já que uma floresta heterogênea, com rica biodiversidade, foi substituída por plantação homogênea, baseada em uma espécie de árvore apenas, e não houve a reposição das espécies para o reequilíbrio do ecossistema. A transformação na paisagem da Mata Atlântica também pode ser observada no sul do estado da Bahia, região em que atuam grandes indústrias de papel e de móveis, que praticamente levaram à extinção suas madeiras nobres. No estado do Rio de Janeiro, a siderurgia utilizou a madeira da Mata Atlântica para produzir carvão vegetal para abastecer os grandes fornos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). As encostas da Serra do Mar, em São Paulo, foram duramente atingidas pelos efeitos da produção siderúrgica da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) e por todo o complexo industrial de Cubatão. O funcionamento dessas duas usinas e da Usiminas – que também demandou desmatamento –, em Minas Gerais, foi fundamental para o desenvolvimento da indústria no Brasil, mas a um alto custo ambiental. A lenha, que também é um excelente combustível, foi intensamente utilizada para fins domésticos desde o Sul até o Nordeste – o que acirrou a derrubada da floresta. Nas últimas décadas, o turismo tem se desenvolvido em todo o litoral brasileiro. Estradas são construídas, acompanhadas de um impiedoso processo de especulação imobiliária, o que amplia as áreas desmatadas.

Reflorestamento: Como o próprio nome indica, implica reposição de todas as espécies retiradas com o desmatamento e importantes para o equilíbrio do ecossistema.

Ivan D’Albuquerque/Isuzu Imagens

Plantação de eucaliptos em Domingos Martins (ES), 2015.

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3. Domínios subtropicais 3.1 Domínio das Araucárias

Pinheiral de araucárias em Pinhão (PR), 2015.

Gerson Sobreira/Terrastock

Cânion de Itaimbezinho no Parque Nacional de Aparados da Serra, Cambará do Sul (RS), 2014.

Luciano Queiroz/Latinstock Brasil RF/Latinstock

Também conhecido como Domínio do Planalto das Araucárias ou Planaltos subtropicais com araucárias, ocorre ao sul do Trópico de Capricórnio. Ao contrário das florestas tropicais que são heterogêneas, com grande variação arbórea, a floresta das araucárias é considerada homogênea, justamente pelo evidente predomínio das araucárias, como o próprio nome indica. Com matas baixas e pinhais, bosques de araucárias de diferentes densidades e extensões se desenvolvem numa zona de clima subtropical em áreas elevadas do Planalto Meridional Brasileiro (classificação de Aziz Ab’Sáber), desde o nordeste do Paraná e sul de São Paulo até o norte do Rio Grande do Sul. São planaltos de altitude média, que variam entre 800 m e 1 300 m em relação ao nível do mar, cujas rochas sedimentares e basálticas sofreram diferentes graus de alteração. Nos trechos mais suaves, os solos possuem alto teor de matéria orgânica, o que favorece o cultivo do trigo e da soja. Também as médias de temperaturas são mais baixas e a umidade é maior que nos Domínios Intertropicais, com precipitações relativamente bem distribuídas ao longo do ano. Muitas áreas de araucárias foram desmatadas durante a ocupação dessa porção do território brasileiro. Estima-se que restam entre 15% e 20% da vegetação original. Com árvores que atingem cerca de 30 m de altura, a ampla utilização de sua madeira para a fabricação de móveis e na construção civil alterou intensamente a fisionomia paisagística desse domínio. Por conta disso, historicamente, há grande concentração de serrarias no Sul do país. Durante a primeira metade do século XX, os imigrantes europeus, colonos da região, intensificaram a derrubada de espécies centenárias para, em seu lugar, cultivar milho, trigo e videira, além de comercializar suas madeiras. Atualmente, intensas atividades agrícolas, pastoris e a urbanização são responsáveis pela transformação paisagística em amplas áreas. Ainda sobrevivem alguns campos com araucárias nas redondezas de Curitiba, no Paraná, e em Lages, em Santa Catarina.

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3.2 Domínio das Pradarias Mistas Coxilhas: Termo consagrado no Rio Grande do Sul para designar as elevações arredondadas e com baixa altitude que ocorrem em áreas relativamente planas.

Gerson Gerloff/Pulsar

Corresponde à área de coxilhas no Rio Grande do Sul, em que o relevo é suave, recoberto por vegetação de gramíneas e matas que acompanham trechos dos rios (matas-galerias). Esse domínio, de aproximadamente 80 mil km², também é conhecido como Coxilhas subtropicais com pradarias mistas, Campanha Gaúcha ou Pampas. O termo pradaria vem do francês prairie, que pode ser entendido como prado, campo. Assim, podemos entender as pradarias como um conjunto de campos. Com temperaturas médias de 20 ºC, pode chegar a 35 ºC ou mais no verão e ter geadas e neve no inverno, época de maior concentração de chuvas; logo, apresenta alta amplitude térmica. É uma formação característica de zonas temperadas sujeitas a períodos de estiagens. Seus rios são marcadamente perenes (não costumam secar em períodos de estiagem), pouco volumosos, e escoam sobre terrenos sedimentares, basálticos e metamórficos. Parte do Aquífero Guarani ocorre nesse domínio. A Campanha Gaúcha é recoberta por vegetação de gramíneas e matas-galerias. Infelizmente, cerca de 80% delas foram desmatadas para dar espaço à rizicultura (cultura de arroz). Na época mais quente do ano, entre janeiro e fevereiro, o clima é muito seco e as grandes áreas com solos bastante escuros e rasos têm problemas de drenagem. O uso principal são as pastagens extensivas, destinadas, sobretudo, para o gado de raças europeias.

Coxilhas em São Martinho da Serra (RS), 2013.

4. Faixas de transição Entre um domínio morfoclimático e outro existem áreas de transição. Essa transição não ocorre numa linearidade plena, em que gradativamente as características de um domínio vão cedendo espaço para o desenvolvimento de outro. Embora nessa área sejam encontradas características dos domínios que se avizinham, nas áreas de transição se desenvolvem espécies típicas próprias agregando novidades às fisionomias de suas paisagens. No Brasil, nas áreas de transição, há ricos ecossistemas e podemos destacar quatro regiões: Pantanal, Agreste, Serras de Monte Roraima e Mata dos Cocais.

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4.1 Pantanal A planície do Pantanal é uma depressão formada após a separação da Gondwana e o soerguimento dos Andes, que deu origem à bacia hidrográfica do Rio Paraguai. Seus terrenos baixos, formados por planícies sedimentares inundáveis, recebem drenagem de rios que compõem inúmeras pequenas bacias. O clima tropical é marcado por temperaturas elevadas e estação seca prolongada. O Pantanal é composto de um mosaico de matas, cerrados e campinas higrófilas, numa interação que propicia a existência da mais rica e diversa avifauna do planeta, ainda pouquíssimo conhecida. A vegetação em áreas alagadas das matas-galerias se aproxima fisionomicamente daquelas que ocorrem nos igapós amazônicos, mas nas áreas secas há vegetação como as do Cerrado. Nas áreas em que é alagada periodicamente, a vegetação se aproxima à dos campos limpos do Cerrado. O rico ambiente aquático vem sofrendo riscos de destruição. Poluentes despejados por mineradoras que atuam em áreas mais altas, ao seu redor, são drenados pelos rios até a região pantaneira. Também a pecuária e a monocultura instaladas nas regiões mais altas, em áreas do Cerrado, por exemplo, utilizam grande quantidade de agrotóxicos, que escoam para o Pantanal, poluindo suas águas. O aumento do fluxo de pessoas, turistas e mercadorias por hidrovias provoca transformações ambientais que têm levado à extinção algumas espécies da fauna e flora da região. Atividades agrícolas, pastoris, extrativistas (como as de madeira e de minérios) e a urbanização são responsáveis pela transformação paisagística e, assim, do espaço geográfico em amplas áreas.

Andre Dib/Pulsar

Jacarés-do-pantanal em Poconé (MT), 2013.

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4.2 Agreste

Delfim Martins/Pulsar

Faixa de transição entre os domínios morfoclimáticos da Caatinga e dos Mares de Morros, na área litorânea, região da Zona da Mata nordestina. Há áreas úmidas nas proximidades da Zona da Mata e outras secas, nos arredores do Sertão. Seu relevo é marcado por áreas planas e algumas elevações, como o Planalto da Borborema. A vegetação original do Agreste foi quase toda devastada, e atualmente se encontram apenas pequenos trechos com formações arbóreas. Estudos indicam que essa área já foi coberta por florestas densas de matas secas. O solo foi intensamente ocupado pela produção agrícola e pecuária. É, hoje, importante área produtora de pecuária leiteira e algodão. Nessa região, que abarca áreas do Rio Grande do Norte ao nordeste da Bahia, houve o crescimento de importantes cidades como Feira de Santana e Vitória da Conquista, na Bahia, Caruaru, em PerMata de transição do agreste para o semiárido em Buíque (PE), 2012. nambuco, e Campina Grande, na Paraíba.

4.3 Serras de Monte Roraima Tabuleiro: Relevo de topografia plana, elaborado em rochas sedimentares, de altitude relativamente baixa, geralmente limitado por escarpas.

Monte Roraima na Serra de Pacaraima, Uiramutã (RR), 2014.

Andre Dib/Pulsar

Características naturais do relevo, como fortes elevações e vegetação florestal de montanhas, diferenciam essa região do domínio morfoclimático Amazônico. Localiza-se em terras brasileiras no estado de Roraima e também em terras da Venezuela e da Guiana. Seus relevos em forma de tabuleiro possuem trechos elevados com morros e serras, como a Serra de Pacaraima, onde se localiza o Monte Roraima, com 2 739 m (de acordo com o IBGE), o sétimo mais alto do país. Com imensas florestas e predomínio de clima equatorial, essa extensa área da Amazônia apresenta clima tropical quente, com períodos de seca que chegam a três meses consecutivos, temperaturas médias anuais entre 24 ºC e 26 ºC, e pluviosidade média anual de 1 500 mm a 1 700 mm. A vegetação é marcada por florestas densas. Suas árvores, sempre verdes, com dossel de cerca de 50 m, propiciam amplas áreas de sombra em que se desenvolve uma vegetação mais baixa, típica de áreas quentes e úmidas em relevo elevado.

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Cândido Neto/Opção Brasil

4.4 Mata dos Cocais Área de transição entre os domínios morfoclimáticos Amazônico e da Caatinga, ou seja, de um domínio morfoclimático úmido para outro seco. Nessa área de transição, também chamada de Região do Meio-Norte, percebem-se nitidamente as alterações fisionômicas da paisagem em função das mudanças de tipos climáticos, sobretudo em relação à umidade e pluviosidade. No lugar de árvores densamente agrupadas e de cactáceas, a paisagem é marcada pela presença de palmeiras, como o babaçu e a carnaúba. Grande parte da população vive da exploração dessas palmeiras em forma de extrativismo. Delas se extrai o óleo utilizado na indústria de cosméticos, de cera e de lubrificantes.

Carnaúbas em Ilha Grande (PI), 2014.

ESCREVA NO CADERNO

Conversando com a... Literatura!

O mapa do IBGE sobre regionalismo literário, reproduzido a seguir, destaca regiões que serviram como cenário para algumas obras clássicas da literatura brasileira.

C. Takachi

Regionalismo literário 50° O Boa Vista RORAIMA

AMAPÁ Macapá

Equador

Belém

São Luís

Manaus

Fortaleza PARÁ

AMAZONAS

MARANHÃO

CEARÁ Teresina PIAUÍ

ACRE Rio Branco

TOCANTINS

Porto Velho

Palmas

GO I ÁS

RONDÔNIA

OCEANO PACÍFICO r de Capricó

SE RT ÃO

n io

São Paulo

PARANÁ

João Pessoa

Salvador

ZONA DF DO BRASÍLIA CACAU GERAIS GOIÁS Goiânia MINAS SERTÃO GERAIS MATO GROSSO DOS DO SUL CONFINS ESPÍRITO SANTO Belo Vitória Campo Grande Horizonte SÃO PAULO RIO DE JANEIRO Cuiabá

Trópico

Natal PARAÍBA

PERNAMBUCO Recife SERTÃO Maceió DO CARIRI ALAGOAS Aracaju SERGIPE BAHIA

DE

MATO GROSSO

RIO GRANDE DO NORTE

OCEANO ATLÂNTICO

Rio de Janeiro

Curitiba SANTA CATARINA Florianópolis

Capital federal Capital estadual

RIO GRANDE DO SUL Porto Alegre

CAMPANHA GAÚCHA

0

370

GERAIS Região literária

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 153.

• Por meio do mapa, você seria capaz de citar algumas dessas obras e seus respectivos autores? Destaque uma dessas obras e relacione-a com o respectivo domínio natural ao qual ela se refere, caracterizando tanto o domínio como o contexto da obra.

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ESCREVA NO CADERNO

ROTEIRO DE ESTUDO Revisando 1. Leia o fragmento de texto a seguir: “O solo da floresta amazônica é em geral bastante arenoso. Possui uma fina camada de nutrientes que se forma a partir da decomposição de folhas, frutos e animais mortos. [...]”. IBF. Bioma amazônico. Londrina: [s.n.], [2006?]. Disponível em: <http://www.ibflorestas.org.br/bioma-amazonico.html>. Acesso em: 16 out. 2015.

Agora, releia o texto sobre o domínio morfoclimático Amazônico e explique: a) Como o solo favorece a manutenção da vegetação em grande parte da Amazônia? b) Com a retirada da vegetação, o que pode acontecer com o solo amazônico? 2. No domínio morfoclimático do Cerrado, há árvores com galhos retorcidos e raízes profundas. Por essa razão, o conjunto de árvores locais é denominado “floresta invertida”. Explique por que isso ocorre. 3. Identifique o domínio morfoclimático ou a zona de transição em que você mora e: a) indique suas principais características ambientais; b) cite impactos ambientais marcantes na região; c) pesquise e registre no caderno um projeto importante de recuperação, de preservação ou de conservação ambiental atualmente existente nesse domínio ou área de transição.

Olhar cartográfico Os mapas a seguir mostram a evolução da retração da vegetação nativa brasileira. Analise-os comparativamente, destaque suas diferenças e, levando em consideração seus conhecimentos sobre os processos de ocupação territorial do Brasil, registre no caderno os principais motivos que justifiquem as alterações em cada domínio no território brasileiro.

Allmaps

50º O

Allmaps

Brasil: evolução da vegetação (2008)

Brasil: retração da vegetação nativa (1950-1960)

50° O

RORAIMA AMAPÁ

Equador

PARÁ

AMAZONAS

MARANHÃO

CEARÁ

Equador

RIO GRANDE DO NORTE PARAÍBA

PIAUÍ

PERNAMBUCO ACRE

ALAGOAS

TOCANTINS

SERGIPE

RONDÔNIA BAHIA

MATO GROSSO DISTRITO FEDERAL GOIÁS

Floresta OCEANO Savana (Cerrado) PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

MINAS GERAIS

Florestas Amazônicas

MATO GROSSO DO SUL

ESPÍRITO SANTO SÃO PAULO

Savana estépica

Trópico de Capricór n io

Estepe

Área antropizada

pricórnio

Cerrado

RIO GRANDE DO SUL

Caatinga 0

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 102.

Atividade em grupo

Trópico de Ca

Mata dos Pinhais (ou de Araucária) Formações arbustivas e herbáceas

SANTA CATARINA

Campinarana (Campinas do Vale do Rio Negro)

OCEANO ATLÂNTICO

Mata dos Cocais Matas Atlânticas

RIO DE JANEIRO

PARANÁ

Áreas pioneiras

Áreas antrópicas Formações florestais

550

0

570

Campos Formações complexas e litorâneas Vegetação do Pantanal (Cerrados, Campos inundáveis)

Vegetação litorânea (Mangues, Restingas, Jundus)

Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 33. ed. São Paulo: Ática, 2010. p. 111.

Após a turma ser dividida em grupos, cada um escolherá um domínio morfoclimático e fará uma pesquisa sobre suas principais características e os problemas ambientais atuais. A seguir, em cada domínio, os grupos deverão selecionar uma grande obra de engenharia que esteja gerando polêmica na sociedade e destacar os aspectos positivos e negativos dessa obra nas esferas ambiental, social, econômica e política. Cada grupo tomará uma posição (pró ou contra) quanto à construção dessa obra.

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ROTEIRO DE ESTUDO Para aprofundar os argumentos no debate, além do material estudado no livro, sugerimos os seguintes sites: • IBGE: <http://tub.im/9cqokk>. • Ministério da Integração Nacional:<http://tub.im/n2az6a>. • Aneel: <http://tub.im/m76w78>.

De olho na mídia Na reportagem a seguir, afirma-se que o desmatamento cresceu mais de 200% na Amazônia. De acordo com o texto, quem são os maiores responsáveis pelo desmatamento? Desmatamento na Amazônia cresce 215% em um ano, segundo o Imazon Área desmatada é maior que a cidade de São Paulo, revela instituto de pesquisa, que monitora o desmatamento na Amazônia há mais de 20 anos. Em um ano, o desmatamento na Amazônia aumentou mais de 200%. O número foi calculado pela organização não governamental Imazon. O instituto de pesquisa Imazon, em Belém, monitora o desmatamento na Amazônia há mais de 20 anos. No levantamento divulgado esta semana, foram derrubados 1 700 quilômetros quadrados de floresta nativa, entre agosto de 2014 e fevereiro deste ano. A área desmatada é maior que a cidade de São Paulo. Comparando essa derrubada com o período anterior, o desmatamento na Amazônia aumentou 215%. “A perspectiva é [a de que,] se continuar nessa tendência de aumento do desmatamento, a gente ainda vai detectar um crescimento nas estatísticas do desmatamento nos próximos meses”, diz Marcelo Justino, pesquisador do Imazon. Segundo o Imazon, quase a metade do desmatamento ocorreu em áreas particulares, onde a floresta veio abaixo para a expansão da pecuária, principalmente no Mato Grosso. No Pará, o desmatamento foi provocado em grande parte pela grilagem, que é a invasão de terras públicas. Já em Rondônia, segundo os ambientalistas, as árvores vêm sendo destruídas para dar lugar à agricultura. Do total desmatado nos últimos sete meses, o estado que mais destruiu a floresta foi Mato Grosso (35%), depois Pará (25%) e Rondônia (20%). Os analistas também fazem outro alerta: como os satélites do Imazon só detectam o desmatamento em áreas acima de dez hectares, os números da derrubada da floresta podem ser ainda mais altos. O Ministério do Meio Ambiente disse que não comenta os dados de desmatamento da Amazônia divulgados pelo Imazon por não considerá-los oficiais.

Mario Friedlander/Pulsar

DESMATAMENTO na Amazônia cresce 215% em um ano, segundo o Imazon. G1, 21 mar. 2015. Do Jornal Nacional. Disponível em: <http://g1.globo.com/ jornal-nacional/noticia/2015/03/desmatamento-na-amazonia-cresce-215-em-um-ano-segundo-o-imazon.html>. Acesso em: 1º fev. 2016.

Troncos de árvores cortadas da Floresta Amazônica, em Porto Velho (RO), 2014.

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ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS ENEM

Luis Moura

1.

TEIXEIRA, W. et al. (Orgs.) Decifrando a Terra. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009 (adaptado).

O esquema mostra depósitos em que aparecem fósseis de animais do Período Jurássico. As rochas em que se encontram esses fósseis são a) magmáticas, pois a ação de vulcões causou as maiores extinções desses animais já conhecidas ao longo da história terrestre. b) sedimentares, pois os restos podem ter sido soterrados e litificados com o restante dos sedimentos. c) magmáticas, pois são as rochas mais facilmente erodidas, possibilitando a formação de tocas que foram posteriormente lacradas. d) sedimentares, já que cada uma das camadas encontradas na figura simboliza um evento de erosão dessa área representada. e) metamórficas, pois os animais representados precisavam estar perto de locais quentes. H30 Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes escalas.

Luis Moura

2.

SUERTEGARAY, D. M. A. (Org.). Terra: feições ilustradas. Porto Alegre: EDUFRGS, 2003 (adaptado).

A imagem representa o resultado da erosão que ocorre em rochas nos leitos dos rios, que decorre do processo natural de a) fraturamento geológico, derivado da força dos agentes internos. b) solapamento de camadas de argilas, transportadas pela correnteza. c) movimento circular de seixos e areias, arrastados por águas turbilhonares. d) decomposição das camadas sedimentares, resultante da alteração química. e) assoreamento no fundo do rio, proporcionado pela chegada de material sedimentar. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado anualmente, é pautado em um conjunto de competências e habilidades. A prova de Ciências Humanas e suas tecnologias, na qual se insere a Geografia, é baseada em um programa de 31 tópicos, circunscritos em cinco eixos, do qual se extraem as competências e habilidades. Cada exercício do Enem contido nesta obra vem acompanhado da respectiva habilidade (H). Muitas vezes, um exercício circunscreve-se em mais de uma; nesse caso, indicamos a principal. O quadro completo das Competências e Habilidades encontra-se nas páginas 271 e 272.

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ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS

Luis Moura

Figura para as questões 3 e 4:

boçoroca

nível d'água

sulcos ou ravinas

zona temporariamente encharcada

3. Muitos processos erosivos se concentram nas encostas, principalmente aqueles motivados pela água e pelo vento. No entanto, os reflexos também são sentidos nas áreas de baixada, onde geralmente há ocupação urbana. Um exemplo desses reflexos na vida cotidiana de muitas cidades brasileiras é a) a maior ocorrência de enchentes, já que os rios assoreados comportam menos água em seus leitos. b) a contaminação da população pelos sedimentos trazidos pelo rio e carregados de matéria orgânica. c) o desgaste do solo nas áreas urbanas, causado pela redução do escoamento superficial pluvial na encosta. d) a maior facilidade de captação de água potável para o abastecimento público, já que é maior o efeito do escoamento sobre a infiltração. e) o aumento da incidência de doenças como a amebíase na população urbana, em decorrência do escoamento de água poluída do topo das encostas. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem. 4. O esquema representa um processo de erosão em encosta. Que prática realizada por um agricultor pode resultar em aceleração desse processo? a) Plantio direto. b) Associação de culturas. c) Implantação de curvas de nível. d) Aração do solo, do topo ao vale. e) Terraceamento na propriedade. H27 Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou geográficos. 5. Os movimentos de massa constituem-se no deslocamento de material (solo e rocha) vertente abaixo pela influência da gravidade. As condições que favorecem os movimentos de massa dependem principalmente da estrutura geológica, da declividade da vertente, do regime de chuvas, da perda de vegetação e da atividade antrópica. BIGARELLA, J. J. Estrutura e origem das paisagens tropicais e subtropicais. Florianópolis: UFSC, 2003 (adaptado).

Em relação ao processo descrito, sua ocorrência é minimizada em locais onde há a) exposição do solo. b) drenagem eficiente. c) rocha matriz resistente. d) agricultura mecanizada. e) média pluviométrica elevada. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

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6. Dois pesquisadores percorreram os trajetos marcados no mapa. A tarefa deles foi analisar os ecossistemas e, encontrando problemas, relatar e propor medidas de recuperação. A seguir, são reproduzidos trechos aleatórios extraídos dos relatórios desses dois pesquisadores. Trechos aleatórios extraídos do relatório do pesquisador P1:

I. “Por causa da diminuição drástica das espécies vegetais deste ecossistema, como os pinheiros, a gralha azul também está em processo de extinção.” II. “As árvores de troncos tortuosos e cascas grossas que predominam nesse ecossistema estão sendo utilizadas em carvoarias.” Trechos aleatórios extraídos do relatório do pesquisador P2:

IV. “Apesar da aridez desta região, em que encontramos muitas plantas espinhosas, não se pode desprezar a sua biodiversidade.” Os trechos I, II, III e IV referem-se, pela ordem, aos seguintes ecossistemas: a) Caatinga, Cerrado, Zona dos cocais e Floresta Amazônica. b) Mata de Araucárias, Cerrado, Zona dos cocais e Caatinga. c) Manguezais, Zona dos cocais, Cerrado e Mata Atlântica. d) Floresta Amazônica, Cerrado, Mata Atlântica e Pampas. e) Mata Atlântica, Cerrado, Zona dos cocais e Pantanal. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

Ecossistemas brasileiros: mapa da distribuição dos ecossistemas Allmaps

III. “Das palmeiras que predominam nesta região podem ser extraídas substâncias importantes para a economia regional.”

50˚ O

Equador

1

2

Capricórnio Trópico de

0

520

Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/ciencias/ult1885u52.jhtm>. Acesso em: 20 abr. 2010 (adaptado).

7. Antes de o sol começar a esquentar as terras da faixa ao sul do Saara conhecida como Sahel, duas dezenas de mulheres da aldeia de Widou, no norte do Senegal, regam a horta cujas frutas e verduras alimentam a população local. É um pequeno terreno que, visto do céu, forma uma mancha verde — um dos primeiros pedaços da “Grande Muralha Verde”, barreira vegetal que se estenderá por 7 000 km do Senegal ao Djibuti, e é parte de um plano conjunto de vinte países africanos. GIORGI, J. Muralha verde. Folha de S.Paulo, 20 maio 2013 (adaptado).

O projeto ambiental descrito proporciona a seguinte consequência regional imediata: a) Facilita as trocas comerciais. b) Soluciona os conflitos fundiários c) Restringe a diversidade biológica. d) Fomenta a atividade de pastoreio. e) Evita a expansão da desertificação. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

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ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS

Brent Winebrenner/Lonely Planet Images/Getty Images

George Steinmetz/Corbis/Latinstock

8. O clima é um dos elementos fundamentais não só na caracterização das paisagens naturais, mas também no histórico de ocupação do espaço geográfico. Tendo em vista determinada restrição climática, a figura que representa o uso de tecnologia voltada para a produção é: a) Exploração vinícola no Chile d) Zonas irrigadas por aspersão na Arábia Saudita

e) Parque eólico na Califórnia Andy Dean Photography/ Shutterstock.com

Danita Delimont RM/Kristin Piljay/Diomedia

b) Pequena agricultura praticada em região andina

Walter Rawlings/Robert Harding/Latinstock

c) Parque de gado de engorda nos EUA

H27 Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou geográficos.

9. As áreas do planalto do cerrado – como a chapada dos Guimarães, a serra de Tapirapuã e a serra dos Parecis, no Mato Grosso, com altitudes que variam de 400 m a 800 m – são importantes para a planície pantaneira mato-grossense (com altitude média inferior a 200 m), no que se refere à manutenção do nível de água, sobretudo durante a estiagem. Nas cheias, a inundação ocorre em função da alta pluviosidade nas cabeceiras dos rios, do afloramento de lençóis freáticos e da baixa declividade do relevo, entre outros fatores. Durante a estiagem, a grande biodiversidade é assegurada pelas águas da calha dos principais rios, cujo volume tem diminuído, principalmente nas cabeceiras. Cabeceiras ameaçadas. Ciência Hoje. Rio de Janeiro: SBPC. v. 42, jun. 2008 (adaptado).

A medida mais eficaz a ser tomada, visando à conservação da planície pantaneira e à preservação de sua grande biodiversidade, é a conscientização da sociedade e a organização de movimentos sociais que exijam a) a criação de parques ecológicos na área do pantanal mato-grossense. b) a proibição da pesca e da caça, que tanto ameaçam a biodiversidade. c) o aumento das pastagens na área da planície, para que a cobertura vegetal, composta de gramíneas, evite a erosão do solo. d) o controle do desmatamento e da erosão, principalmente nas nascentes dos rios responsáveis pelo nível das águas durante o período de cheias. e) a construção de barragens, para que o nível das águas dos rios seja mantido, sobretudo na estiagem, sem prejudicar os ecossistemas. H27 Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou geográficos.

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10. A água é um dos fatores determinantes para todos os seres vivos, mas a precipitação varia muito nos continentes, como podemos observar no mapa abaixo.

Allmaps

Mapa de distribuição dos grandes desertos e das áreas úmidas 0˚

60º N

30º N

Latitude (º)/ Temperatura (ºC) Hemisfério Média Equador

3 100

Meridiano de Greenwich

0

60/Norte

0

30/Norte

10

30º S

10/Norte

24

10/Sul

28

60º S

30/Sul

14

60/sul

09

Precipitação anual Abaixo de 250 mm (10 in.) Abaixo de 1 500 mm (80 in.)

(Robert E. Ricklefs. A Economia da Natureza, 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1996. p. 55.)

Ao examinar a tabela da temperatura média anual em algumas latitudes, podemos concluir que as chuvas são mais abundantes nas maiores latitudes próximas do Equador, porque a) as grandes extensões de terra fria das latitudes extremas impedem precipitações mais abundantes. b) a água superficial é mais quente nos trópicos do que nas regiões temperadas, causando maior precipitação. c) o ar mais quente tropical retém mais vapor de água na atmosfera, aumentando as precipitações. d) o ar mais frio das regiões temperadas retém mais vapor de água, impedindo as precipitações. e) a água superficial é fria e menos abundante nas latitudes extremas, causando menor precipitação. H27 Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou geográficos.

11. A usina hidrelétrica de Belo Monte será construída no rio Xingu, no município de Vitória de Xingu, no Pará. A usina será a terceira maior do mundo e a maior totalmente brasileira, com capacidade de 11,2 mil megawatts. Os índios do Xingu tomam a paisagem com seus cocares, arcos e flechas. Em Altamira, no Pará, agricultores fecharam estradas de uma região que será inundada pelas águas da usina. BACOCCINA, D.; QUEIROZ, G.; BORGES, R. Fim do leilão, começo da confusão. Istoé Dinheiro. Ano 13, n. 655, 28 abr. 2010 (adaptado).

Os impasses, resistências e desafios associados à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte estão relacionados a) ao potencial hidrelétrico dos rios no norte e nordeste quando comparados às bacias hidrográficas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. b) à necessidade de equilibrar e compatibilizar o investimento no crescimento do país com os esforços para a conservação ambiental. c) à grande quantidade de recursos disponíveis para as obras e à escassez dos recursos direcionados para o pagamento pela desapropriação das terras. d) ao direito histórico dos indígenas à posse dessas terras e à ausência de reconhecimento desse direito por parte das empreiteiras. e) ao aproveitamento da mão de obra especializada disponível na região Norte e o interesse das construtoras na vinda de profissionais do Sudeste do país. H28 Relacionar o uso das tecnologias com os impactos socioambientais em diferentes contextos histórico-geográficos.

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ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS

João Prudente/Pulsar

12. A imagem retrata a araucária, árvore que faz parte de um importante bioma brasileiro que, no entanto, já foi bastante degradado pela ocupação humana. Uma das formas de intervenção humana relacionada à degradação desse bioma foi a) o avanço do extrativismo de minerais metálicos voltados para a exportação na região Sudeste. 1 - PERMIANO b) a contínua ocupação 225 milhões de anosagrícola intensiva de grãos na região Centro-Oeste do PBrasil. AN GE c) o processo de desmatamento motivado IA 1 - PERMIANO pela expansão da atividade canavieira no 225 milhões de anos Nordeste brasileiro. d) o avanço da indústria de papel e celulose a TRIÁSSICO partir da2 -exploração da madeira, extraída 200 milhões de anos principalmente no Sul do Brasil. LAURÁSIA e) o adensamento do processo de favelizaTRIÁSSICO ção sobre áreas da Serra do Mar2 -na GOregião NDW de anos 200 milhões ANA Sudeste. 0º

1 1 -- PERMIANO PERMIANO 0º 225 225 milhões milhões de de anos anos PA N

GE

0º 0º

IA

P PA AN N

G GE E

0º 0º

IIA A

2 2 -- TRIÁSSICO TRIÁSSICO 0º 200 200 milhões milhões de de anos anos

0º 0º

LAURÁSIA LAURÁSIA

LAURÁSIA

H30 Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes escalas.

0º 0º

3 - JURÁSSICO 135 milhões de anos

G GO ON DW ND WA AN NA A

DWA

NA

Renato Bassani

13.

GON

1 - PERMIANO 225 milhões de anos

0º 3 3 -- JURÁSSICO JURÁSSICO 135 milhões 135 milhões de de anos anos

3 - JURÁSSICO 0º 135 milhões de anos PA N

GE

0º 0º

IA

4 - CRETÁCEO 65 milhões de anos

0º 0º

2 - TRIÁSSICO 200 milhões de anos

0º 4 4 -- CRETÁCEO CRETÁCEO 65 milhões 65 milhões de de anos anos

0º 4 - CRETÁCEO 65 milhões de anos LAURÁSIA

5 - QUATERNÁRIO Presente

DWA

NA

0º 0º

GON

0º 0º

3 - JURÁSSICO 135 milhões de anos

0º 0º

5 5 -- QUATERNÁRIO QUATERNÁRIO Presente Presente

5 - QUATERNÁRIO Presente

0º 0º

Fraturas

Disponível <www.telescopionaescola.pro.br>. Acesso em: 3 abr. 2014 (adaptado). 0º 4 -em: CRETÁCEO

65 milhões de anos

Fraturas

Fraturas Fraturas

A partir da análise da imagem, o aparecimento da Dorsal Mesoatlântica está associada ao(à) a) separação da Pangeia a partir do período Permiano. b) deslocamento de fraturas no período Triássico. c) afastamento da Europa no período Jurássico. d) formação do Atlântico Sul no período Cretáceo. e) constituição de orogêneses no período Quaternário. 5 - QUATERNÁRIO 0º

Presente

H27 Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou geográficos. 0º

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Fraturas

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14. Um dos principais objetivos de se dar continuidade às pesquisas em erosão dos solos é o de procurar resolver os problemas oriundos desse processo, que, em última análise, geram uma série de impactos ambientais. Além disso, para a adoção de técnicas de conservação dos solos, é preciso conhecer como a água executa seu trabalho de remoção, transporte e deposição de sedimentos. A erosão causa, quase sempre, uma série de problemas ambientais, em nível local ou até mesmo em grandes áreas. GUERRA, A. J. T. Processos erosivos nas encostas. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007 (adaptado).

A preservação do solo, principalmente em áreas de encostas, pode ser uma solução para evitar catástrofes em função da intensidade de fluxo hídrico. A prática humana que segue no caminho contrário a essa solução é a) a aração. d) a drenagem. b) o terraceamento. e) o desmatamento. c) o pousio. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem. 15. Figura 1. Diagrama das regiões de intemperismo para as condições brasileiras (adaptado de Peltier, 1950).

Editoria de arte

35 25 20 15 10

1. Muito fraco

Temperatura (oC)

30

5 0

4. Forte

3. Moderado

2. Fraco

400

800

1 200

1 600

2 000

2 400 2 800

Precipitação média anual (mm)

50˚ O

Equador

Renato Bassani

Figura 2. Mapa das regiões de intemperismo do Brasil, baseado no diagrama da Figura 1.

4 1

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO Cap Trópico de

ricórnio

1. Muito fraco

3 2

2. Fraco 3. Moderado 4. Forte

0

575

FONTES, M. P. F. Intemperismo de rochas e minerais. In: KER, J. C. et al. (Org.). Pedologia: fundamentos. Viçosa (MG): SBCS, 2012 (adaptado).

De acordo com as figuras, a intensidade do intemperismo de grau muito fraco é característica de qual tipo climático? a) Tropical. c) Equatorial. e) Subtropical. b) Litorâneo. d) Semiárido. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

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ESCREVA NO CADERNO Renato Bassani

EXERCÍCIOS 16. No mapa estão representados os biomas brasileiros que em função de suas características físicas e do modo de ocupação do território, apresentam problemas ambientais distintos. Nesse sentido, o problema ambiental destacado no mapa indica a) desertificação das áreas afetadas. b) poluição dos rios temporários. c) queimadas dos remanescentes vegetais. d) desmatamento das matas ciliares. e) contaminação das águas subterrâneas. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente/ IBGE. Biomas. 2004 (adaptado).

17. A convecção na região amazônica é um importante mecanismo da atmosfera tropical e sua variação, em termos de intensidade e posição, tem um papel importante na determinação do tempo e do clima dessa região. A nebulosidade e o regime de precipitação determinam o clima amazônico. FISCH, G.; MARENGO, J. A.; NOBRE, C. A. Uma revisão geral sobre o clima da Amazônia. Acta Amazônica, v. 28, n. 2, 1998 (adaptado).

O mecanismo climático regional descrito está associado à característica do espaço físico de a) resfriamento da umidade da superfície. b) variação da amplitude de temperatura. c) dispersão dos ventos contra-alísios. d) existência de barreiras de relevo. e) convergência de fluxo de ar. H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

Renato Bassani

18. 50° O VENEZUELA 0

470

SURINAME

COLÔMBIA RR

GUIANA

GUIANA FRANCESA (FRA) AP

Equador

OCEANO ATLÂNTICO 0º

EQUADOR AM

AQUÍFERO ALTER DO CHÃO

A extensão superficial do Aquífero Alter do Chão é menor que a do Guarani, mas teria maior volume de água. Dados preliminares apontam um volume de água superior a 86 mil km3 no Aquífero Alter do Chão. A capacidade do Aquífero Guarani gira em torno de 45 mil km AC3. PERU

CE PI

BRASIL MT

RN PB PE AL SE

TO RO

BOLÍVIA

MA

PA

BA

Disponível em: <http://sys2.sbgf. org.br>. Acesso em: 13 maio 2013 (adaptado).

A preservação da sustentabilidade do recurso natural exposto pressupõe a) impedir a perfuração de poços. d) reduzir o contingente populacional na área. b) coibir o uso pelo setor residencial. e) introduzir a gestão participativa entre os municípios. c) substituir as leis ambientais vigentes. H29 Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, relacionando-os com as mudanças provocadas pelas ações humanas.

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VESTIBULARES Allmaps

19. (UFRGS-RS) Observe o mapa abaixo. 0˚

2 5 0˚

4

1

3

0

4 130

Adaptado de: IBGE. Atlas Geográfico Escolar, 2004. p. 66.

Assinale a afirmação correta com relação aos pontos de 1 a 5 que constam no mapa. a) O ponto 1 situa-se entre as placas tectônicas Sul-Americana e Nazca. b) O ponto 2 localiza-se numa área de separação de placas tectônicas, responsável pela formação de uma dorsal oceânica. c) O ponto 3 localiza-se numa área de colisão entre as placas Africana e Indo-Australiana. d) O ponto 4 situa-se numa área de expansão do assoalho oceânico, responsável pela formação da Cordilheira dos Andes. e) O ponto 5 localiza-se numa área de formação de arco de ilhas, que corresponde a uma zona de subducção. 20. (Fuvest-SP) Quanto às formas de relevo, as Américas do Norte e do Sul apresentam, em comum, a predominância de: a) cadeias montanhosas do terciário a oeste e planícies sedimentares a leste. b) grandes planícies sedimentares na porção central e dobramentos recentes na porção oriental. c) cadeias montanhosas do terciário a oeste e planaltos antigos a leste. d) grandes planícies sedimentares na porção central e planaltos erodidos na porção ocidental. e) escudos cristalinos a oeste e planaltos antigos a leste. 21. (Uece) Sobre os domínios geológicos e naturais da Terra, pode-se afirmar, corretamente, que a) no Brasil há evidente primazia dos domínios dos escudos cristalinos e das bacias sedimentares. b) as maiores reservas de combustíveis fósseis são encontradas nos domínios dos escudos cristalinos. c) as deficiências tecnológicas de países latino-americanos justificam a não exploração de recursos naturais nas plataformas oceânicas. d) as bacias sedimentares são mais antigas do que os terrenos do embasamento cristalino, sob o ponto de vista geológico. 22. (Fuvest-SP) Considerando as massas de ar que atuam no território brasileiro e alguns de seus efeitos, analise o quadro a seguir e escolha a associação correta. Massa de ar a) Equatorial Atlântica (mEa)

Características

Principais regiões atingidas

Quente e úmida Litoral Norte e Nordeste

Efeitos Formação de chuvas e aumento dos ventos

b) Equatorial Continental (mEc) Quente e seca

Interior das regiões Norte, Centro-Oeste e Sul

Formação de ventos e diminuição da umidade relativa do ar

c) Tropical Atlântica (mTa)

Quente e úmida

Faixa litorânea das regiões Norte e Nordeste

Formação de chuvas e diminuição das temperaturas

d) Tropical Continental (mTc)

Quente e seca

Sudeste, Sul, parte do Nordeste e Norte

Aumento das temperaturas e dos ventos

e) Polar Atlântica (mPa)

Fria e seca

Sudeste, Sul e Norte

Diminuição das temperaturas e da umidade relativa do ar

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ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS

23. (Mack-SP) No relevo submarino, que não é uniforme, uma das regiões é marcada pela deposição de sedimentos de origem continental, com largura variável e destaca-se por ser importante área de pesquisa. Trata-se da: a) Plataforma Continental. b) Região Pelágica. c) Região Abissal. d) Zona do Talude. e) Dorsal Marítima. 24. (Fuvest-SP) O vento é o movimento do ar em relação à superfície terrestre. Ele se deve à existência de gradientes de pressão atmosférica, e sua distribuição é representada pelas isóbaras (linhas com o mesmo valor de pressão atmosférica). O vento também sofre influências do movimento de rotação da Terra, podendo se destacar, entre outras, a força de desvio conhecida por efeito Coriolis. Esse efeito atua sobre os ventos deslocando sua trajetória ao longo das isóbaras, conforme os hemisférios do planeta. A. Tubelis; F. J. L. Nascimento. Meteorologia descritiva: fundamentos e aplicações brasileiras. São Paulo: Nobel, 1983. Adaptado.

HS

HN

a)

A

A

b)

A

A

c)

A

A

d)

A

A

e)

A

A

Editoria de arte

Com base no texto e em seus conhecimentos, em relação aos centros de alta pressão (A), pode-se representar corretamente a circulação dos ventos nos Hemisférios Sul (HS) e Norte (HN), conforme o esquema indicado em:

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Domínios morfoclimáticos brasileiros Allmaps

25. (UnB-DF) O mapa ao lado representa os domínios morfoclimáticos brasileiros estabelecidos por Aziz Nacib Ab’Sáber.

50˚ O

Com relação às características gerais que permeiam tais domínios, julgue os itens seguintes.

Equador

(1) Os solos aluviais encontrados no domínio I são de baixa fertilidade, em função da intensa lixiviação existente. (2) No domínio II, podem ser encontrados rios intermitentes. (3) Devido à ocorrência de uma estação seca e outra chuvosa no domínio III, tem-se um clima semiárido. (4) A expressão mares de morros, referente ao domínio IV, diz respeito a formas policonvexas de relevo, conhecidas como meias-laranjas.

Cap Trópico de

ricórnio

(5) A Mata de Araucária é encontrada no domínio V, sendo uma das vegetações naturais mais preservadas do país.

0

820

(6) No domínio VI, predomina a vegetação campestre.

Renato Bassani

Crédito das imagens: Fuvest-SP, 2016

26. (Fuvest-SP) A partir das imagens a seguir, pode-se inferir a progressão do delta do rio Huang Ho (Rio Amarelo), na costa leste da China, famoso pelo transporte de sedimentos conhecidos por loess. De 1979 a 2000, alterou-se consideravelmente a morfologia do delta, com o aparecimento de feições recentes sobrepostas a outras, que levaram milhões de anos para se formar.

90º L

CHINA 30º N

0

420 OCEANO PACÍFICO

Terra frágil: o que está acontecendo com o nosso planeta? São Paulo: Editora Senac, 2009. Adaptado.

Jeff Schmaltz, MODIS Rapid Response Team, NASA/GSFC

Com base na comparação entre as imagens de satélite e em seus conhecimentos, assinale a afirmação correta. a) A situação verificada deve-se aos efeitos das ondas e marés que comandam a deposição de sedimentos no delta, sem haver influência continental no processo, já que a topografia costeira permite que o oceano alcance o interior do continente. b) A modificação na morfologia deve-se às grandes chuvas que ocorrem a montante desse delta e, por tratar-se de drenagem endorreica, o rio carrega considerável volume de sedimentos grosseiros e blocos rochosos, que, aos poucos, depositam-se ao longo da costa. c) Além de haver nesse sistema deltaico uma característica carga detrítica fina que, praticamente, excede a capacidade do rio de transportar material erodido e carregado, a modificação verificada foi ampliada pela ocupação antrópica, influenciando o regime deposicional. d) O delta é resultante de mudanças climáticas provocadas pela ação humana na exploração de recursos no golfo chinês, nas estações mais quentes e chuvosas, ocasionando a retração da foz e o rebaixamento dos níveis das marés, com o aparecimento dos bancos de areia sobressalentes. e) As modificações no delta devem-se ao fato de essa região caracterizar-se como um sistema lacustre, onde há acumulação de matéria orgânica decorrente das inundações provocadas pela construção da barragem da usina hidrelétrica de Três Gargantas. 27. (Unicamp-SP) A figura ao lado exibe a imagem de um ciclone. É correto afirmar que o ciclone em questão a) ocorreu no Hemisfério Sul e corresponde a uma área de alta pressão atmosférica. b) pode ocorrer em qualquer hemisfério, independentemente da pressão atmosférica. c) ocorreu no Hemisfério Norte, em zonas tropicais e de baixa pressão atmosférica. d) ocorreu no Hemisfério Sul e corresponde a uma área de baixa pressão atmosférica.

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28. (Fuvest-SP) O mapa representa um dos possíveis trajetos da chamada Ferrovia Transoceânica, planejada para atender, entre outros interesses, ao transporte de produtos agrícolas e de minérios, tornando as exportações possíveis tanto pelo Oceano Atlântico quanto pelo Oceano Pacífico. Considerando-se o trajeto indicado no mapa e levando em conta uma sobreposição aos principais domínios morfoclimáticos da América do Sul e as faixas de transição entre eles, definidos pelo geógrafo Aziz Ab’Sáber, pode-se identificar a seguinte sequência de domínios, do Brasil ao Peru: a) Chapadões Florestados, Cerrados, Caatingas, Pantanal, Andes Equatoriais. b) Mares de Morros, Pantanal, Chaco Central, Andes Equatoriais. c) Chapadões Florestados, Chaco Central, Cerrados, Punas. d) Mares de Morros, Cerrados, Amazônico, Andes Equatoriais. e) Mares de Morros, Cerrados, Caatingas, Amazônico, Punas.

Renato Bassani

ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS 50° O

OCEANO ATLÂNTICO

Equador

BRASIL

Bayovar Boqueirão da Esperança PERU Lima

Porto Velho Lucas do Rio Verde

Vilhena

Campinorte

Sapezal

Brasília Anápolis

OCEANO PACÍFICO Trópico de Capricórnio

Localidades apresentadas apenas para identificação do possível trajeto.

Corinto

São João da Barra

0

770

Revista Agro DBO. São Paulo, junho de 2015.

Luis Moura

29. (Vunesp-SP)

AS CORES SÃO MERAMENTE ILUSTRATIVAS A REPRESENTAÇÃO ESTÁ FORA DE PROPORÇÃO

(Ercília T. Steinke. Climatologia fácil, 2012. Adaptado.)

A imagem ilustra o trajeto mais comum dos pilotos de asa-delta entre o Vale do Paranã e a Esplanada dos Ministérios em Brasília, distantes cerca de 90 quilômetros. Constituem fatores que permitem a longa duração deste voo: a) o ângulo de incidência do sol (a intensidade de energia solar que atinge a Terra) e a frente oclusa (a ação do movimento da corrente de ar frio levantando o ar quente até que ele perca seu contato com a superfície). b) a gravidade (a força de atração entre dois corpos) e a expansão adiabática (a expansão de grandes bolhas de ar até encontrarem menores valores de pressão atmosférica). c) a brisa terrestre (a formação de um campo de alta pressão junto à superfície) e os ventos divergentes em altitude (a conformação de uma área receptora de ventos ascendentes). d) o atrito (a força gerada no sentido contrário ao deslocamento do vento) e o efeito de Coriolis (a rotação das massas de ar no sentido horizontal em função do movimento da própria Terra). e) o processo de condução (a transferência de calor da superfície para a camada mais próxima da atmosfera) e o processo de convecção (a dinâmica cíclica entre o ar quente que sobe e o ar frio que desce). 30. (Unicamp-SP) Rochas são agregadas naturais de grãos de um ou mais minerais. São formadas por diferentes processos, podendo ser classificadas como sedimentares, metamórficas e magmáticas. A partir dessas afirmações, responda: a) Quais são as principais diferenças entre as rochas sedimentares e as magmáticas? b) Como se forma uma rocha metamórfica? c) No Brasil, entre o Jurássico e o Cretáceo, houve o surgimento de vários diques de diabásio com direção NW, além de campos de derrames basálticos. A que podemos relacionar o aparecimento de tais diques e derrames basálticos?

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Editoria de arte

R

A

A

A

R

C

B

R

Serra da Mantiqueira Serra do Mar Rio Paraíba do Sul

Luis Moura

32. (Unicamp-SP) A imagem abaixo apresenta um gráben, formado a partir do abatimento de um bloco da crosta ao longo de falhas normais.

31. (Unicamp-SP) A figura abaixo apresenta a sequência evolutiva de um perfil de solo.

C

Sedimentos Cenozoicos

R

Rochas do embasamento-Pré-Cambriano Rocha

Solos poucos desenvolvidos

Falhas normais

Solo bem desenvolvido

a) Quais são os fatores ambientais que interagem para o desenvolvimento de um perfil de solo? b) A ação humana pode interferir no desenvolvimento de um perfil de solo como o apresentado. Como pode ser essa interferência?

a) Quais são os processos que geram abatimentos da crosta associados às falhas normais? Por que nessas áreas formam-se bacias sedimentares? b) Indique dois recursos minerais que se formam junto com a evolução de bacias sedimentares.

33. (UFU-MG) Observe a figura abaixo e faça o que se pede:

Allmaps

Unidades do relevo brasileiro 50˚ O

5 Equador

23

13

1 12

2

6

14

10 4

25

17 16

24 15

20

19

8

26

7 3

Cap Trópico de

ricórnio

21

9 18 22 11 27

0

520

Fonte: Adaptado de ROSS, J. L. S (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. p. 53.

a) Quais as unidades de relevo representadas na figura pelos números 3 e 26? b) Cite duas características físicas de cada uma delas. 34. (Fuvest-SP) A Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar estabelece as linhas de base a partir das quais passam a ser contados o mar territorial, a zona contígua, a zona econômica exclusiva e o limite exterior da plataforma continental, bem como os critérios para o delineamento do limite exterior da plataforma. www.marinha.mil.br. Acesso em 30/10/2014 (adaptado).

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ESCREVA NO CADERNO

EXERCÍCIOS

Renato Bassani

Com base nessa Convenção, da qual o Brasil é signatário, o governo brasileiro propôs às Nações Unidas a ampliação do limite exterior de sua plataforma continental para até 350 milhas náuticas (648 km), o que resultaria em uma área total com cerca de 4,4 milhões de quilômetros quadrados, a qual vem sendo chamada pela Marinha do Brasil de “Amazônia Azul”. 50° O

Extensão da Plataforma Continental Arquipélago de São Pedro e São Paulo

Equador

OCEANO ATLÂNTICO

Mar Territorial/ Zona Contígua

BRASIL

Ilha de Trindade e Ilha de Martin Vaz Trópico de Capricórnio

Zona Econômica Exclusiva

Extensão da Plataforma Continental

0

680

Fonte: www.marinha.mil.br. Acesso em 30/10/2014. Adaptado.

Considerando o mapa e seus conhecimentos, a) explique a importância geoestratégica da delimitação de áreas/zonas marítimas para as nações litorâneas; b) identifique e explique duas razões da importância econômica da chamada Amazônia Azul para o Brasil. 35. (UFC-CE) A cobertura vegetal é influenciada pelo clima. Assim, os grandes conjuntos vegetacionais se espacializam, principalmente de acordo com o tipo climático dominante. A partir do tema, responda o que se pede a seguir. a) Mencione duas características das florestas equatoriais. b) Cite uma característica fisionômica da vegetação da caatinga. c) Cite dois elementos do clima que favorecem a maior riqueza de diversidade de espécies vegetais. d) Mencione uma consequência negativa do desmatamento das florestas associada aos solos e à água.

Allmaps

36. (Unicamp-SP) O mapa abaixo representa a área abrangida pelo projeto de transposição do rio São Francisco. a) Qual o principal bioma a ser atingido pela transposição do São Francisco? Dê duas características desse bioma. b) Indique um impacto positivo e outro negativo esperados no projeto de transposição do São Francisco. OCEANO ATLÂNTICO 5˚ S

CEARÁ

RIO GRANDE DO NORTE PARAÍBA

PERNAMBUCO

Rio São Francisco

ALAGOAS

40˚ O

Eixos de Integração (grandes canais) Adutoras Construídas e Planejadas

0

115

(Adaptado de http://www.integracao.gov.br/ saofrancisco/integracao/info_ampliado.asp.)

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REFERÊNCIAS

Livros }} ABRÃO, Bernadette Siqueira. História da Filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 1999. AB’SÁBER, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê, 2003. ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond – www.carlosdrummond.com.br ARAGÃO, Maria José. História do clima. Rio de Janeiro: Interciência, 2009. BECKER, Bertha K. Amazônia. São Paulo: Ática, 1990. BOBBIO, Norberto. Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Unesp, 1995. CASTRO, Josué de. Geografia da fome. São Paulo: Brasiliense, 1946. FAIRCHILD, T. et al. Geologia e a descoberta do tempo. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2010. GUERRA, Antonio J. T.; CUNHA, Sandra B. (Org.). Geomorfologia do Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. GUERRA, Antônio Teixeira; GUERRA, A. J. Teixeira. Novo dicionário geológico-geomorfológico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. HOBSBAWM, Eric. O novo século. Entrevista a Antonio Polito. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. HUNTINGTON, Samuel P. O choque de civilizações. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997. LACOSTE, Yves. A Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Campinas: Papirus, 1985. LEPSCH, Igo F. Formação e conservação dos solos. São Paulo: Oficina de Textos, 2002. LIMA, Heitor Ferreira. Do imperialismo à libertação colonial. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1965. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Moscou: Edições Progresso, 1987. MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês Moresco. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. O mar no espaço geográfico brasileiro. Brasília, DF, 2005. (Explorando o ensino da Geografia). MITCHELL, Gilberto. O ambiente marinho sob a perspectiva do espaço e do lugar. In: CASTRO, Iná Elias de et al. Redescobrindo o Brasil: 500 anos depois. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil: Faperj, 2000. NOVAES, Carlos Eduardo; RODRIGUES, Vilmar. Capitalismo para principiantes. São Paulo: Ática, 1991. OLIVEIRA, Déborah. O solo sob nossos pés. São Paulo: Atual, 2010. PESSOA, Fernando. Mensagem. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008. PIRES, Fernando R. M. O arcabouço geológico. In: GUERRA, Antonio J. T.; CUNHA, Sandra B. (Org.). Geomorfologia do Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

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REFERÊNCIAS

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ATLAS geográfico escolar. São Paulo: Ibep, 2008. ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. ATLAS geográfico Melhoramentos. São Paulo: Melhoramentos, 2011. ATLAS Nacional do Brasil Milton Santos. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. ATLAS National Geographic. São Paulo: Abril, 2008. v. 12. BOCHICCHIO, Vincenzo R. Atlas mundo atual. São Paulo: Atual, 2003. DUBY, Georges. Atlas histórico mundial. Madri: Debate, 1997. FERREIRA, Graça M. Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Novo atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2005. GROOMBRIDGE, B.; JENKINS, M. D. World Atlas of Biodiversity. Prepared by the Unep World Conservation Monitoring Centre. Berkeley: University of California Press, 2002. ÍSOLA, leda; CALDINI, Vera. Atlas geográfico Saraiva. São Paulo: Saraiva, 2005. L’ATLAS Le Monde Diplomatique. Paris: Armand Colin, 2009. PHILLIPSON, Olly. Atlas geográfico mundial. 2. ed. Curitiba: Fundamento Educacional, 2014. SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 3. ed. São Paulo: Ática, 2010. SMITH, Dan. O atlas do Oriente Médio: conflitos e soluções. São Paulo: Publifolha, 2008.

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THÉRY, Hervé; MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. 2. ed. São Paulo: Edusp; Imprensa Oficial, 2008. THE WORLD BANK. Atlas of Global Development: a visual guide to the world’s challenges. 3. ed. Washington: The International Bank for Reconstruction and Development, 2012. WORLD Atlas: reference. 8. ed. London: Dorling Kindersley, 2010.

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REFERÊNCIAS

Periódicos, anuários, enciclopédias }} e relatórios internacionais

ALMANAQUE ABRIL. São Paulo: Ed. Abril, 2012, 2013, 2014, 2015. ANAC. Anuário do Transporte Aéreo 2010. Brasília, DF, 7 jul. 2011. Disponível em: <http://www2.anac.gov.br/estatistica/anuarios.asp>. Acesso em: 20 abr. 2016. GRIBBIN, John. A gênese da Terra. In: Unesco. História da Terra, 1986. IBGE. Anuário Estatístico do Brasil 2014. Disponível em: <http://biblioteca.ibge. gov.br/visualizacao/periodicos/20/aeb_2014.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2016. MOREIRA, Ruy. Da região à rede e ao lugar: a nova realidade e o novo olhar geográfico sobre o mundo. Etc... espaço, tempo e crítica. Revista Eletrônica de Ciências Humanas e Sociais e outras coisas, n. 1(3), v. 1. p. 55-70. 1° jul. 2007. Disponível em: <http://www.uff.br/etc/UPLOADs/etc%202007_1_3.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2016. ORGANIZAÇÃO PARA ALIMENTAÇÃO E AGRICULTURA DAS NAÇÕES UNIDAS (FAO). State of the World’s Forests 2012. Disponível em: <http://www.fao.org/ docrep/016/i3010e/i3010e.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2016. PNUD. Relatório regional sobre desenvolvimento humano para a América Latina e Caribe: atuar sobre o futuro: romper a transmissão intergeracional da desigualdade. São José, 2010. UNESCO. História da Terra. Ano 2, 1973. UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME (UNDP). Human Development Report 2015: work for human development. Disponível em: <http://hdr.undp.org/sites/ default/files/2015_human_development_report.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2016.

LISTA DE SIGLAS DE EXAMES NACIONAIS

Fuvest-SP – Fundação Universitária para o Vestibular Mack-SP – Universidade Presbiteriana Mackenzie PUC-MG – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais PUC-RJ – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Uece – Universidade Estadual do Ceará UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro UFC-CE – Universidade Federal do Ceará UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul UFRGS-RS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFSCar-SP – Universidade Federal de São Carlos UFU-MG – Universidade Federal de Uberlândia UnB-DF – Universidade de Brasília Unicamp-SP – Universidade Estadual de Campinas Vunesp-SP – Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista

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MATRIZ DE REFERÊNCIA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS

Competência de área }

Competência de área

Competência de área

1

Compreender os elementos culturais que constituem as identidades.

H1

Interpretar histórica e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura.

H2

Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.

H3

Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.

H4

Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.

H5

Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em diferentes sociedades.

2

Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto das relações socioeconômicas e culturais de poder.

H6

Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.

H7

Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações.

H8

Analisar a ação dos Estados Nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-social.

H9

Comparar o significado histórico-geográfico das organizações políticas e socioeconômicas em escala local, regional ou mundial.

H10

Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a importância da participação da coletividade na transformação da realidade histórico-geográfica.

3

Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais.

H11

Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.

H12

Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades.

H13

Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou rupturas em processos de disputa pelo poder.

H14

Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políticas e econômicas.

H15

Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história.

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MATRIZ DE REFERÊNCIA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS Competência de área

Competência de área

Competência de área

4

Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social.

H16

Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social.

H17

Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da produção.

H18

Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações socioespaciais.

H19

Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias formas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.

H20

Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho.

5

Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade.

H21

Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.

H22

Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças na legislação ou nas políticas públicas.

H23

Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades.

H24

Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.

H25

Identificar estratégias que promovam formas de inclusão social.

6

Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos.

H26

Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

H27

Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou geográficos.

H28

Relacionar o uso das tecnologias com os impactos socioambientais em diferentes contextos histórico-geográficos.

H29 H30

Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, relacionando-os com as mudanças provocadas pelas ações humanas. Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes escalas.

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Geo rede 1  
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