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Marco Pellegrini Adriana Machado Dias Keila Grinberg

Ensino Médio Componente curricular

História Ensino Médio Componente História curricular

Manual do Professor

História

História

Manual do Professor

ISBN 978-85-8392-082-3

9

788583 920823

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Ensino Médio Componente curricular História

Marco César Pellegrini

Keila Grinberg

Licenciado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).

Licenciada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ).

Atuou como professor de História em escolas da rede particular de ensino.

Doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ).

Editor de livros na área de ensino de História.

Professora do Departamento de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO-RJ).

Autor de livros didáticos de História para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Manual do Professor

História

Adriana Machado Dias Bacharel e licenciada em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR). Especialista em História Social e Ensino de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR). Atuou como professora de História em escolas da rede particular de ensino. Autora de livros didáticos de História para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

1a. edição

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São Paulo

2016

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Copyright © Marco César Pellegrini, Adriana Machado Dias, Keila Grinberg, 2016

Diretor editorial Gerente editorial Editora Editores assistentes Assessoria Gerente de produção editorial Coordenador de produção editorial Coordenadora de arte Coordenadora de preparação e revisão Supervisora de preparação e revisão Revisão Coordenador de iconografia e licenciamento de textos Supervisora de licenciamento de textos Iconografia Coordenadora de ilustrações e cartografia Diretor de operações e produção gráfica

Produção editorial Edição Assistência editorial Projeto gráfico Capa Imagem de capa Edição de imagens Edição de ilustrações Diagramação Tratamento de imagens Ilustrações Cartografia Revisão Assistência de produção Autorização de recursos Pesquisa iconográfica Editoração eletrônica

Lauri Cericato Flávia Renata P. A. Fugita Angela Carmela Di Cesare Margini Marques Teresa Cristina Guimarães e Jaqueline Martinho dos Santos Jaqueline Martinho dos Santos Mariana Milani Marcelo Henrique Ferreira Fontes Daniela Máximo Lilian Semenichin Viviam Moreira Aurea dos Santos, Eliana Rodrigues, Katia Cardoso Expedito Arantes Elaine Bueno Erika Nascimento, Rosely Ladeira Marcia Berne Reginaldo Soares Damasceno Scriba Projetos Editoriais Ana Flávia Dias Zammataro Alexandre de Paula Gomes e Ana Beatriz A. Thomson Laís Garbelini e Hatadani Marcela Pialarissi Séc. XIX. Máscara de madeira. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Werner Forman Archive/British Museum, London/Glow Images Bruno Benaduce Amancio Ingridhi Borges Daniela Cordeiro de Oliveira José Vitor Elorza Costa Ana Elisa, André L. Silva, Art Capri, Desenhorama Estúdio, Estúdio Meraki, Mario Henrique, N. Akira, Paula Diazzi, Renan Fonseca, Tamires Azevedo Débora Ferreira, E. Cavalcante, Paula Radi Ieda Sant’Ana e Shirley Gomes Denise A. Santos, Daiana Melo e Tamires Azevedo Erick L. Almeida Tulio Sanches Luiz Roberto L. Correa (Beto)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Pellegrini, Marco César #Contato história, 1o ano / Marco César Pellegrini, Adriana Machado Dias, Keila Grinberg. – 1. ed. – São Paulo : Quinteto Editorial, 2016. – (Coleção #contato história) “Componente curricular: história” ISBN 978-85-8392-081-6 (aluno) ISBN 978-85-8392-082-3 (professor) 1. História (Ensino médio) I. Dias, Adriana Machado. II. Grinberg, Keila. III. Título. IV. Série.

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CDD-907

    Índices para catálogo sistemático: 1. História : Ensino médio

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à QUINTETO EDITORIAL LTDA. Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo-SP CEP 01326-010 – Tel. (11) 3598-6000 Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970

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907 Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD S.A. CNPJ 61.186.490/0016-33 Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

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Para conhecer seu livro Por que estudar história? Estudar História é importante porque ela nos permite conhecer as transformações que ocorreram nas sociedades humanas ao longo do tempo. Esse conhecimento nos ajuda a compreender as raízes históricas da realidade atual e desenvolve em nós uma visão mais crítica da sociedade em que vivemos.

es históricas

Os estudos históricos também são importantes para compreendermos que a realié qualquer vestígio do passado usado pelo não historiador para obter de um processo “natural”. A sociedade em que vivemos foi dade atual é resultado seu tema de estudo. construída por meio da ação dos homens e das mulheres que viveram antes de nós. e fontes históricas: documentos oficiais, jornais, livros, cartas, letras Assim, podemos realidade de Espanha s em quadrinhos, pinturas, fotografias, filmes, mapas,perceber esculturas e que a realidade, no passado, era diferente da Na Espanha, movimento renascentista se manifestou no final do século XV, no conte orais. hoje. Do mesmo modo, o mundo de amanhã poderá ser diferente do mundo de ohoje. Grandes Navegações. Vários artistas produziram pinturas e esculturas com forte teor

eguir.

religioso. Porém, uma das obras mais conhecidas do Renascimento espanhol é Dom Dessa forma, estudar História é importante porque ela nos dá a certeza de que de La Mancha, do escritor Miguel de Cervantes. O livro conta as aventuras fantasiosa documento não pode ser entendido como a realidade histórica em cavaleiro medieval, parodiando os romances de cavalaria como uma maneira de critic o futuro está em nossas mãos!

razendo porções dessa realidade. Além disso, as fontes históricas Conheça a de organização re lidas e exploradas com os filtros do presente, acordo com os de s preocupações, os conflitos, os medos, os projetos e os gostos de para aproveitá-lo ao máximo. ervador. [Sobre o documento, o historiador] sugere as perguntas ntais que devem dar início a todo o trabalho e a todas as reflexões: Onde? Quem? Para quem? Para quê? Por quê? Como? [...]

seu livro

SAMARA, Eni de Mesquita; TUPY, Ismênia S. Silveira T. História & Documento e metodologia de pesquisa. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. p. 124.

Cada unidade é iniciada com duas páginas de abertura. Nelas, você encontrará uma imagem relacionada ao tema da unidade e um texto introdutório, que poderão ser Explorando a imagem explorados por meio das a ) Descreva a imagem: questões o lugar, a apresentadas. arquitetura das construções, as pessoas, os meios de transporte etc. b ) Comente o que você descobriu sobre o Rio de Janeiro ao analisar essa fonte histórica do início do século XX.

sociedade espanhola da época, considerada atrasada e ainda feudal.

Abertura Inglaterra

Durante os séculos XVI e XVII, a Inglaterra passou por um período de prosperidade, alcançado, principalmente, pelas trocas comerciais e pela exploração das colônias no continente americano. Nessa época, nasceu uma cultura literária que contribuiu para a formação da identidade nacional inglesa. Muitas obras foram produzidas com características tipicamente humanistas, dentre as se destacaram as peças teatrais de William Shakespeare. Seus primeiros trabalhos abordavam temas otimistas, baseados em sólidos valores morais; no entanto, com o t passaram a transmitir certo desapontamento com a natureza humana, abordando tem como dramas existenciais, cinismo e desilusão.

Flandres Em Flandres, o Renascimento floresceu entre os séculos XIV e XV, influenciando a literatura, a filosofia e as artes. No campo da pintura, surgiram novos temas e novas formas de representação. Os artistas flamengos, buscando maior nível de detalhamento, desenvolveram novas técnicas, como a pintura a óleo, que conferiam mais vivacidade às obras. Um dos temas que se popularizaram nas pinturas foram as cenas do cotidiano familiar, as quais retratavam a riqueza do interior de residências ou palácios de banqueiros e comerciantes burgueses.

Refletindo

• Imagine que, no futuro, um

historiador vá estudar a sua história de vida. Que fontes históricas ele poderá utilizar? O que essas fontes poderão revelar sobre o seu modo de vida, seus costumes etc.?

Ao longo das unidades você encontrará a seção Refletindo, que propõe questões que favorecem reflexões e troca de ideias sobre assuntos relevantes da realidade atual.

Atualmente, as imagens estão presentes em todos os lugares e, por isso, é importante saber lê-las. Na seção Explorando a imagem, são propostas questões que o ajudarão a analisar as informações que são veiculadas por meio de imagens.

O casal Arnolfini, pintado pelo artista flamengo Jan van Eyck, em 1434. Essa obra representa o casamento de um rico banqueiro italiano.

Explorando a imagem a ) A pintura a óleo possibilita ao artista maior detalhamento em suas obras. Em quais partes dessa tela pode-se observar maior riqueza de detalhes? b ) Identifique alguns elementos na tela que indicam a riqueza desse casal de burgueses.


A organização da cidade de Atenas Durante o período Clássico, o espaço urbano de Atenas era organizado em áreas públicas e privadas. Nas áreas privadas encontravam-se as residências, que geralmente eram pequenas, construídas com tijolos de argila e, quando maiores e com mais andares, eram construídas com pedra. Os edifícios públicos ficavam localizados em dois espaços principais, a Ágora e a Acrópole. A Ágora era uma grande praça onde ficavam edifícios com funções políticas (Bouleuterion, Eclésia), judiciais (Helieia), religiosas (templos) e econômicas (mercados, oficinas de artesanato). A Acrópole, construída na parte alta da cidade, funcionava como centro religioso e de defesa. Nela se localizavam os principais templos religiosos, entre eles o Partenon e o Erecteion.

A posição desse último grupo, posteriormente conhecido como sunita, acabou prevalecendo, sendo eleito um califa que não pertencia à linhagem do profeta. Após algumas décadas de relativa calma política, os partidários da sucessão hereditária conseguiram que Ali, primo e genro de Maomé, assumisse o poder. No entanto, grande parte dos sunitas passou a contestar a autoridade desse califa, dando início a uma guerra civil que resultou, em 661, no assassinato de Ali e na vitória dos sunitas. Os seguidores de Ali, no entanto, reorganizaram-se e fundaram o “partido de Ali” (shi’at, ou xia), ficando conhecidos como xiitas.

Passado e presente

Ruínas do Erecteion, na Acrópole de Atenas. Fotografia de 2015.

Aspásia de Mileto

Na Grécia antiga, a vida das mulheres era controlada pelos homens (pais, irmãos e maridos). Elas se dedicavam às tarefas domésticas, cuidavam da casa e dos filhos.

Busto de mármore representando Aspásia de Mileto.

Os antigos gregos

Os confrontos geralmente acontecem entre milícias armadas que se enfrentam nas ruas, mas também ocorrem por meio de ataques com carros-bombas, cujos principais alvos são lugares de grande concentração de pessoas. Esses ataques têm como consequência, na maior parte das vezes, a morte de civis, pessoas comuns não ligadas aos grupos em confronto.

A seção O sujeito na história apresenta pessoas que participaram ativamente do processo histórico, exercendo influência nas sociedades em que viviam.

A técnica de tingir tecidos, por exemplo, era uma herança mesopotâmica; a técnica de fabricar artefatos de vidro, por sua vez, era um aperfeiçoamento de conhecimentos desenvolvidos pelos egípcios. Os conhecimentos dos fenícios também influenciaram outros povos. Os gregos, por exemplo, aprenderam com eles princípios matemáticos e astronômicos. Além disso, construtores e navegadores fenícios auxiliaram os hebreus e os persas na construção de edifícios e nas técnicas de navegação marítima.

Enquanto isso

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Ataque com carro-bomba atribuído a revoltosos sunitas, ocorrido em um movimentado mercado em um reduto xiita, na cidade de Bagdá, no Iraque, em 2006.

A expansão do islamismo

Na seção Passado e presente você vai encontrar exemplos de acontecimentos que mostram que é no passado que podem ser encontradas as origens de nossa realidade atual.

c. 2000-1600 a.C. Espelho de prata. Museu Arqueológico Nacional, Beirute (Líbano). Foto: Philippe Maillard/ Akg-Images/Latinstock

Por meio desse intercâmbio cultural, os fenícios transmitiram muitos conhecimentos a outros povos. Eles souberam também assimilar e aperfeiçoar técnicas utilizadas por diferentes povos, como os egípcios, os mesopotâmios e os gregos.

Lukasz Janyst/Shutterstock.com

Grande conhecedora de política e mestre em retórica, ela foi companheira e esposa de Péricles. Além de elaborar os discursos de seu marido, encontrava-se frequentemente com Sócrates, um importante filósofo grego por quem era muito admirada. Ela foi duramente criticada pelos inimigos de Péricles, que a acusavam de interferir nos negócios da cidade.

Os fenícios tiveram um papel fundamental no intercâmbio cultural entre vários povos antigos. Isso porque, nas relações comerciais, além da troca de mercadorias, ocorria também uma troca de conhecimentos.

Sabah Arar/REX/Glow Images

Busto de mármore. Cópia romana de busto grego do séc. V a.C. Museus Vaticanos, Cidade Estado do Vaticano. Foto: Lanmas/Alamy Stock Photo/Latinstock

A maioria das mulheres vivia nessa situação, mas existiram algumas exceções, entre elas, Aspásia. Nascida em Mileto, passou a viver em Atenas durante o auge da democracia (século V a.C.).

As trocas culturais A tensão entre sunitas e xiitas

Desde a vitória em relação à sucessão de Maomé, no século VII, os sunitas assumiram a hegemonia do mundo islâmico. Em vários momentos da história muçulmana, os embates entre sunitas e xiitas (e também no interior desses grupos) deram origem a conflitos violentos. Atualmente, xiitas e sunitas estão em conflito em várias partes do mundo muçulmano, principalmente no Oriente Médio. Nessa região, países como Iraque, Irã, Líbano, Iêmen, Afeganistão e Arábia Saudita estão sujeitos às lutas entre esses grupos.

Unidade 8

O sujeito na história

Califa: título dos sucessores do profeta, que tinham a responsabilidade de guiar a comunidade muçulmana.

Unidade 3

Unidade 6

Joel Shawn/Shutterstock.com

A sucessão do profeta Maomé morreu antes de indicar seu sucessor, o que deixou a comunidade muçulmana dividida. Havia os que defendiam a entrega da liderança ao parente mais próximo do profeta, para dar continuidade à sua linhagem. Outro grupo, mais numeroso, acreditava que um fiel escolhido pela comunidade também tinha o direito de assumir a liderança dos muçulmanos. Essa tendência estava ligada às práticas das tribos árabes, que elegiam seus líderes por meio do consenso entre os chefes mais respeitados.

Espelho fenício de cerca de 2000 a.C. com cabo em formato de papiro. Este artefato indica trocas culturais entre fenícios e egípcios.

... em Cartago

Cartago foi fundada pelos fenícios no século IX a.C., no litoral norte da África, e destacou-se por causa do comércio marítimo. Assim como outras colônias fenícias, pagava tributos à sua metrópole (Tiro) e compartilhava da cultura, língua e religião fenícias, porém mantinha sua autonomia política. No século V a.C., tornou-se uma grande potência, controlando importantes centros comerciais. Os cartagineses também fundaram colônias em outras regiões do litoral africano, na península Ibérica e no oeste da Sicília, dominando grande parte do comércio no mar Mediterrâneo.

Artefato: neste caso, refere-se a objetos manufaturados. Muitos artefatos produzidos por artesãos que viveram milhares de anos atrás foram encontrados em escavações arqueológicas, tornando-se fontes históricas para o estudo das sociedades antigas.

Fotografia de 2015 que retrata as ruínas de Cartago, localizadas próximas à atual cidade de Túnis, na Tunísia.

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Povos do Oriente Médio Antigo

Por meio da seção Enquanto isso, você conhecerá sobre a simultaneidade de processos históricos, muitos dos quais estão inter-relacionados.

Explorando o tema

Em algumas unidades, você encontrará a seção Explorando o tema. Nela, você encontrará assuntos relacionados aos conteúdos da unidade, mas com um tratamento diferenciado.

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Atividades

Momento da redação 10. Leia o texto a seguir, atribuído a Tibério Graco. Justiça social em Roma

Os animais da Itália possuem cada um sua toca, seu abrigo, s os homens que combatem e morrem pela Itália estão à mercê mais: sem lar, sem casa, erram com suas mulheres e crianças.

É para o luxo e enriquecimento de outrem que combatem e senhores do mundo, que não possuem sequer um torrão de terr

GRACO, Tibério. In: PINSKY, Jaime. 100 textos de história antiga. 8 ed. São Paulo: Contexto

Na Roma Antiga e em vários outros lugares e épocas, a concentraç de poucos sempre provocou graves problemas sociais. No Brasil, existe. Leia o texto.

Oficina de história

Tempo de plantar, tempo de colher

Experiência e vivência O Brasil é um país de população predominantemente urbana

so 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE No Momento da redação, população brasileira, cerca de 81,2%, vive em áreas urbanas, re você rurais. poderá aprimorar Ainda assim, um dos principais problemas que enfrenta sua capacidade de ler,pela frequência com que a mídia notic ria, o que fica evidente Na página 85 conhecemos um pouco sobre as escarificações, prática pelos cuxitas ep das, espaços públicos, estradasadotada ou agências governamentais interpretar e redigir.

A arte de marcar o corpo

sem assim terra, que reclamam a agilidade na implementação uma também por outros povos africanos. A escarificação, como outras formas de marcar odecormesmo que a questão existem agrária ganhou evidência, torn po, é praticada há muito tempo, por várias culturas. Ao Além datempo escarificação, outras formas a um padrão concentrador do acesso à terra que, deitando raízes de marcar o corpo. Atualmente, a mais difundida éorigem a tatuagem. Leia o texto a seguir. ao chamado latifúndio — mais do que uma extensão d dominação que estava na base do poder dos proprietários, como trole social, principalmente sobre aqueles que se encontravam

Em Expandindo o conteúdo, alguns temas da unidade serão aprofundados e novas relações entre os conteúdos podem ser estabelecidas.

A tatuagem existe desde que o mundo é mundo. O Homem deestando Gelo,fora, umcom corpo domínios e de muitos que, mesmo estes conse rel Mário. Nossa São Paulo: Vera gelado encontrado na Itália em 1991, que se supõe ter vivido GRYNSZPAN, há cerca de História. 7 300 anos, tinha vários desenhos sobre a Na pele. A múmia da princesa Amunet, de Tebas, exibe Oficina história: A distribuição de terrasde no Brasil Analise o gráfico desenhos feitos de pontos e linhas que certamente chamaram dos egípcios experiência e vivência, você a atençãodistribuição de ter há mais de 4 000 anos. [...] “O corpo foi um dos primeiros manipulados os tipos de p realizará trabalhos em grupo,instrumentoscom 20% fúndios, propriedad com seus colegas e(4 500 000 Lux Vidal, pelo homem para expressarinteragindo um significado”, afirma a antropóloga especiapequenas Compare a área pe propriedades) com aUniversidade comunidadede emSão quePaulo. vive.“Tatuagens, lista em pinturas corporais da45% pinturas, mutide propriedades en (45 000 desses tipos. O q lações e cortes de cabelo são modos de transformar o corpo para que ele comunique latifúndios) sobre a distribuiçã códigos, relações sociais e valores.” Agora, partindo d

A subseção Sistematizando o conhecimento apresenta questões de revisão, que o ajudarão a verificar se você compreendeu os conteúdos da unidade.

MELLO, Mariana. Arte à flor da pele. Disponível emd escreva um texto <http://super.abril.com.br/comportamento/arte-a-flor-da-pele>. Acesso em: 22 set. 2015 tivo sobre os dano 35%

c. 100 a.C.-400 d.C. Estatueta em cerâmica. Instituto de Artes de Detroit (EUA). Foto: Nayarit/Founders Society Purchase/Bridgeman Images/Easypix

Todas as unidades são encerradas com a seção Ampliando seus conhecimentos. Nela, você vai encontrar as subseções Arte e história, que apresenta artistas e obras de arte criadas em diferentes épocas e lugares, e A história no cinema, que apresenta uma sugestão de filme cujo tema está relacionado ao conteúdo da unidade. Por fim, você encontrará algumas indicações de livros e de sites que complementam e aprofundam os estudos realizados.

Fotografia recente de estatuetas de cerâmica do século I a.C. encontradas no México. O homem e a mulher foram representados com tatuagens no rosto e no corpo.

Jonathan Nackstrand/AFP/Getty Images

Acervo da editora

Ampliando seus Minifúndios (propriedades com menos de 100 hectares) conhecimentos

(480 000 propriedades médias)

Propriedades médias (entre 100 e 1 000 hectares)

Latifúndios (propriedades com mais de 1 000 hectares)

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O atleta alemão Raphael Holzdeppe fez uma tatuagem para simbolizar o esporte que pratica. Fotografia de 2012.

IBGE. Censo agropecuário, 2006.

distribuição desigu apresentando prop ses danos. Consid tos históricos dess texto de Tibério Gr conhecimentos p propostas com ba respeitem os direit

Mulher com tatuagem cobrindo suas costas. Fotografia de 2015.

Nos dias de hoje, as tatuagens podem ter vários significados. Elas podem indicar, por exemplo, o pertencimento do indivíduo a um determinado grupo social, seu gosto musical ou seu personagem de filme favorito. Muitas vezes, a tatuagem é apenas um desenho com um significado especial para a pessoa tatuada.

Agora, com os colegas, façam uma pesquisa sobre as tatuagens e seus significados. Sigam o roteiro a seguir para orientar a pesquisa.

a ) Procurem em livros, revistas ou na internet informações sobre as origens das tatuagens. Tentem descobrir quais são as tatuagens mais antigas já estudadas pelos arqueólogos e quais os possíveis significados das tatuagens para os diferentes povos da Antiguidade, por exemplo.

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Sumário unidade

Construindo a História

............................................................................................................

O que é História? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

As fontes históricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

A História e a experiência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 A História e o passado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

A análise de um documento oficial. . . . . . . . . . . . . . . . . 17 A análise de uma fonte iconográfica . . . . . . . . . . . . . 18

Os sujeitos históricos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

Explorando o tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

Os historiadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

O tempo e a História. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 A linha do tempo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15

unidade

A origem do ser humano

A História e as Ciências Humanas

Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . 24

.....................................................................................................

A origem da vida na Terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 c. 30000-25000 a.C. Estatueta de calcário. 11 cm. Museu de História Natural, Viena (Áustria). Foto: Granger/Diomedia

unidade

10

26

A evolução do ser humano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

A arte no Paleolítico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 A representação da mulher no Paleolítico . . . . . . . 37

A teoria evolucionista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

O período Neolítico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

O calendário cósmico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 O período Paleolítico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 A produção de ferramentas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 O domínio do fogo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Da África para outros continentes. . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Vivendo da caça e da coleta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

Agricultura e pecuária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 A mulher no período Neolítico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

Explorando o tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Os primeiros povoadores da América

Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . 46

Povos do Oriente Médio Antigo O Oriente Médio na Antiguidade . . . . . . . . . 50 A civilização mesopotâmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Os povos mesopotâmicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 A sociedade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 As atividades econômicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 As práticas religiosas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 A escrita cuneiforme . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55

Os fenícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 O comércio fenício . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 Cidades e colônias fenícias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 As trocas culturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 O alfabeto fenício . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58

Os persas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

...........................................................................

48

O correio persa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 O zoroastrismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61

Os hebreus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 Os hebreus no Egito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 O Êxodo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 O período dos juízes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 O Reino de Israel. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 O Estado hebraico dividido. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 As dominações estrangeiras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 A resistência e a dispersão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65

Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70

unidade

O Império Persa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

Povos antigos da África

.......................................................................................................

72

O continente africano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

A religiosidade egípcia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79

Os antigos egípcios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

A mumificação dos corpos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79

A unificação do Estado egípcio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76 A sociedade egípcia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 A camada pobre da sociedade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78

Séc. IV. Moeda. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: De Agostini Picture Library/ Getty Images


As pirâmides . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80

O Reino de Garamantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86

Os trabalhadores das pirâmides . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81

O comércio no deserto do Saara . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86

A vida às margens do Nilo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82

O Reino de Axum . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87

As cheias e as vazantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83

Aspectos culturais dos axumitas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87

O Império Cuxe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84

Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . 92

unidade

Povos antigos da Ásia

.............................................................................................................

As civilizações da Ásia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96

O Império Qin . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106

A civilização harappiana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98

A queima de livros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106

A civilização hindu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 A ocupação do vale do Indo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99

A religiosidade na Índia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 Os deuses do hinduísmo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 O sistema de castas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100

O budismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 A expansão do budismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103

A China Antiga. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104 As dinastias Xia e Shang . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 A dinastia Zhou . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 O primeiro imperador chinês . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105

unidade

Os antigos gregos

O Império Han. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 A cidade de Changan . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107

A Rota da Seda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108 O fim do Império Han . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Explorando o tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110 A medicina tradicional chinesa

Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . 114

................................................................................................................

Os primeiros povoadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 A civilização creto-micênica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 O mundo helênico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119

Esparta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 A conquista de territórios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 O militarismo espartano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 A educação espartana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 O governo em Esparta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121

Atenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 A sociedade ateniense. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 A população exige mudanças. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 A revolução hoplítica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 A tirania . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124 A consolidação da democracia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124 A organização da cidade de Atenas . . . . . . . . . . . . . 125

A mitologia na Grécia Antiga . . . . . . . . . . . . . . . 126 Os Jogos Olímpicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 A filosofia e a ciência na Grécia Antiga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128

unidade

94

Os antigos romanos

116

O desenvolvimento da filosofia grega . . . . . . . . . . . . . . 128 O conhecimento científico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 A lógica aristotélica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129

O alfabeto grego . . . . . . . . . . . . . . . . 130 A literatura dos antigos gregos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130

A Guerra do Peloponeso. . . . . . . . 131 O conflito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131

O período Helenístico . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 A integração cultural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 A Biblioteca de Alexandria. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133

Explorando o tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 O legado grego

Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . 140

................................................................................................................

142

A península Itálica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144

A República em Roma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146

A fundação de Roma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144

A organização política do Estado republicano. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146 As Guerras Púnicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147

O período Monárquico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145

c. 430-425 a.C. Cerâmica de figura vermelha. Museu Ashmolean, Oxford (Inglaterra). Foto: Bridgeman Images/Easypix

As candaces . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85


c. 800-550 a.C. Escultura em cobre e ouro. Coleção particular. Foto: Heritage Images/Corbis/Latinstock

O Império Romano em crise.. . . . . . . . . . . . . . . . . . 156

O aumento da escravidão.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 As dificuldades da plebe.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 As conquistas da plebe. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 A concentração de terras. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 As tentativas de reforma agrária. . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 A profissionalização do exército. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 A República em crise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 A centralização do poder. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 O governo de Júlio César. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 O fim da República. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151

A Tetrarquia e a transferência da capital. . . . . . . . . 156 A divisão do Império e as invasões germânicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157

A cultura romana.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158 O latim e as línguas neolatinas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158 As artes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159 Os espetáculos públicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160 O direito romano. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161 A religiosidade romana. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162 A influência grega. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162 A cristianização do Império.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163

O Alto Império. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 As reformas imperiais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 A extensão territorial do Império. . . . . . . . . . . . . . . . . . 153

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164 Ampliando seus conhecimentos. . . . . . . . . . . 168

unidade

A cidade de Roma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154

A expansão do islamismo

..............................................................................................

O nascimento do Islã. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172

A cultura islâmica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180

Maomé e a Revelação.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173 O início da pregação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173 A Hégira.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174 A sucessão do profeta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175

As artes no mundo islâmico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181 Os Cinco Pilares do Islã. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182 A filosofia islâmica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183

Explorando o tema. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184

A expansão muçulmana.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176

O islamismo hoje

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 Ampliando seus conhecimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 190

Os muçulmanos na península Ibérica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178

unidade

O legado cultural islâmico.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178

A época medieval na Europa

....................................................................................

192

O que é a Idade Média?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194

As Cruzadas.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206

O feudalismo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195

O Ocidente após as Cruzadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206

Os povos germânicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 196

O aumento da produção agrícola. . . . . . . . . 207

Os reinos germânicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197

As cidades da Europa medieval.. . . . . . . . 208

Fusão romano-germânica.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 O Reino Franco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 198 O Império Carolíngio.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199 A crise do império. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199

Os burgueses. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209 Os banqueiros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 210 As corporações de ofício. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 211

A sociedade feudal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200

Transformações na mentalidade. . . . . . . . . 212 Transformações sociais e arquitetura das igrejas.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213

Os oratores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200 Os bellatores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 Os laboratores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201

As primeiras universidades.. . . . . . . . . . . . . . . . . . 214

O castelo medieval. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202

A peste negra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 215

O Sacro Império Romano Germânico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 A autoridade da Igreja Católica.. . . . . . . . . 205 A consolidação da autoridade eclesiástica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205

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170

A função social das universidades.. . . . . . . . . . . . . . . 214 As consequências da peste negra. . . . . . . . . . . . . . . . 215

Explorando o tema. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216 O amor cortês e os romances de cavalaria

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218 Ampliando seus conhecimentos. . . . . . . . . . 220

5/18/16 2:12 PM


unidade

O Renascimento italiano

...............................................................................................

A época do Renascimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224 A Igreja em crise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224 O contexto italiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 225 Por que Renascimento? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226 A visão de mundo humanista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227

As divergências com a teologia católica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 228 A ciência no Renascimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . 230 A arte renascentista na Itália . . . . . . . . . . . . 232

222

A importância da Igreja . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 235 O lazer nas cidades italianas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 235

O Renascimento em outras regiões. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 236 Explorando o tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238 Leonardo da Vinci: o gênio do Renascimento

Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . 244

O cotidiano nas cidades italianas . . . . . . . 234

Os povos da América

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Os povos nativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248 A civilização olmeca. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 250 Os maias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 251 A organização política e social. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 251 As pirâmides e os centros cerimoniais . . . . . . 252 O sistema de escrita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 252 Os calendários maias. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 252

Os astecas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253 A religiosidade asteca. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253 A economia asteca. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254

Os incas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255

Reinos e impérios da África

Os povos indígenas do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258 A organização social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258 A divisão do trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258 Tupi e Macro-Jê . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259 Marajoara . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260

O patrimônio arqueológico do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 261 Explorando o tema . . . . . . . . . . . . . 262 A preservação da cultura indígena no Brasil

Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 264 Ampliando seus conhecimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 266

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268

Os povos africanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 270

O Império Mali. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 276

Os povos do Saara . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271

A história de Mali contada pelos griôs . . . . . . . . 276

Os berberes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271 Os tuaregues . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272

O Império Songai. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 277

Os muçulmanos na África . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273

Os reinos iorubás. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 278

O Islã em outras regiões da África . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 274

A estrutura social dos reinos iorubás . . . . . . . . 278 O Reino do Benin . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 279

O Reino de Gana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 275

Explorando o tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 280

A presença do islamismo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 275 Elmo de madeira. 63,5 cm. Coleção particular. Foto: Werner Forman Archive/Gillon Collection, New York/Glow Images

unidade

A expansão do Império Inca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255 A cidade de Machu Picchu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 256

246

Séc. XV. Vaso de cerâmica. 35 cm. Museu Nacional de Antropologia, Cidade do México (México). Foto: DEA/A. GREGORIO/Getty Images

unidade

A educação na época renascentista . . . . . . . . . . . 234

Escolas e universidades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 277

A memória das sociedades africanas

Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 282 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . 286

Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 288 Lista de siglas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 288


unidade Atlantide Phototravel/Corbis/Latinstock

Igreja da Trindade, construída no século XIX, ao lado do John Hancock Tower, um dos maiores arranha-céus do mundo. Fotografia tirada em Boston, Massachusetts, Estados Unidos, em 2014.

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Construindo a História


O que é História? Quem constrói a História? Para que serve a História? Para responder a essas perguntas, é necessário entender que existem diferenças entre as histórias vividas pelos grupos humanos e as histórias que foram escritas sobre eles. Nesta unidade, vamos entender o que são sujeitos históricos, além de estudar como o conhecimento histórico é construído. Vamos conhecer um pouco sobre o trabalho dos historiadores e perceber como o estudo de História nos permite identificar as ligações que existem entre o passado e o presente, o que nos ajuda a entender melhor o mundo em que vivemos. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A Cite exemplos de construções antigas na cidade onde você mora. B Você acredita que sua vida é influenciada pelas experiências de vida das pessoas que viveram no passado, por exemplo, seus pais, avós e bisavós? Reflita sobre esse assunto e converse com os colegas.

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O que é História? História ou história? Quando nos referimos aos acontecimentos vividos no passado, grafamos a palavra história com “h” minúsculo. Porém, quando nos referimos à disciplina de História, escrevemos com “H” maiúsculo.

Se alguém fizer entrevistas com alunos e professores perguntando o que é História, certamente obterá muitas respostas como: “História é o estudo do passado”. Mas, será mesmo? Ou melhor, será apenas isso?

A História e a experiência Todo ser humano, desde pequeno, utiliza a experiência adquirida com suas vivências. Uma criança que se queima ao colocar a mão no fogo aprende, com o tempo, que se repetir essa ação ela se queimará. Esse é um exemplo de que o passado é importante para nós: aprendemos com base naquilo que vivenciamos. As noções de passado, presente e futuro são, portanto, fundamentais para a existência humana e entendê-las é uma necessidade. Nesse sentido, quando essa compreensão está relacionada às experiências coletivas, ou a experiências individuais que se tornaram importantes para um grupo, estamos falando de História. Também estamos falando de História quando interrogamos o passado para tentar compreender características do tempo presente.

A História e o passado

Explorando a imagem a ) Descreva a fotografia desta página (o local, as casas, as pessoas etc.). b ) Existem semelhanças entre a favela retratada e as favelas brasileiras da atualidade? Comente.

Essa tentativa de compreender o passado, de estabelecer ligações explicativas entre fenômenos ocorridos em épocas diferentes, chama-se História. Por isso, não é o passado em si que constitui o objeto de estudo da História, mas o entrelaçamento da humanidade com o tempo. Tudo o que se relaciona aos seres humanos, suas formas de viver, sobreviver, reunir-se e divertir-se em todas as épocas — inclusive no presente — é História. Mas, como não somos capazes de prever o futuro, é para o passado que nos voltamos, na tentativa de compreender problemas do presente. O que orienta o estudo da História são as perguntas geradas em nosso próprio tempo. Assim, são as preocupações do presente que dão a tônica dos estudos de História.

Augusto Malta. 1912. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (RJ)

Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

Você provavelmente já se perguntou como o ser humano passou por tantas transformações e modificou tantas coisas à sua volta, desde o passado mais remoto até os dias atuais.

Ao olharmos para o passado, tentamos compreender o tempo presente. Nessa fotografia, vemos uma favela no Morro do Pinto, no Rio de Janeiro (RJ), em 1912.

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Todos os indivíduos são sujeitos históricos que participam do processo histórico por meio de seus atos. Um professor que procura incentivar a participação de seus alunos no cotidiano do município, por exemplo, é um sujeito histórico, assim como um cidadão eleito para representar a população de seu estado no Congresso Nacional. Contudo, até mesmo as pessoas que não agem no sentido de transformar sua realidade são sujeitos da história, pois a passividade também é uma ação histórica.

O tema sujeitos históricos favorece o trabalho interdisciplinar com Sociologia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

Alexandre Moreira/dpa/Corbis/Latinstock

Além dos sujeitos históricos individuais, existem os sujeitos históricos coletivos, como os movimentos sociais, que são fundamentais nas ações de transformação política e econômica. Como exemplos de sujeitos coletivos, podemos citar as associações de moradores, os movimentos estudantis, os sindicatos de trabalhadores e as Organizações Não Governamentais (ONGs), que atuam diretamente na transformação da realidade.

Sujeitos históricos coletivos em ação: professores e estudantes durante manifestação em prol da melhoria da educação pública. São Paulo (SP), 2012.

Os historiadores A narrativa sobre determinado fato produzida pelos historiadores é chamada de historiografia. Feita com base em pesquisas documentais a fim de interpretar fatos históricos, procura criar sentidos para a relação entre o passado e a realidade presente.

Fato histórico: acontecimento que é tomado como objeto de estudo por historiadores.

Assim, apesar de produzir conhecimentos a respeito do passado, a historiografia não pode reconstruí-lo tal como aconteceu. Isso se deve ao fato de não podermos voltar no tempo e recuperarmos os acontecimentos exatamente como eles ocorreram. Analisamos o passado por meio dos indícios que perduraram até o presente. Esses indícios são documentos que podem ser interpretados de maneiras diferentes e, por isso, existe uma grande diversidade de produções historiográficas a respeito de um mesmo tema. Leia o texto.

Se nossa perspectiva de História se altera constantemente [...] e se a História admite diferentes enfoques e versões, tudo o que conhecemos a respeito de um fato é uma verdade atual. Em outras palavras, novos estudos e informações podem alterar [...] essa verdade. A verdade histórica está sempre sendo revisitada, revista e refeita. Não é algo pronto e acabado à nossa espera. Ela se transforma porque mudam a época, a maneira como elaboramos nossos questionamentos e, em decorrência, nossas motivações para estudá-la. [...] BOSCHI, Caio César. Por que estudar história? São Paulo: Ática, 2007. p. 29.

Construindo a História

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Unidade 1

Os sujeitos históricos


O tempo e a História Cronologia O tempo histórico não deve ser confundido com o tempo cronológico. As pessoas ao redor do mundo podem viver em tempo cronológico semelhante, mas em tempos históricos distintos, conforme suas experiências e especificidades culturais. Além disso, a cronologia pode ser uma ferramenta usada para organizar os fatos históricos no tempo.

O tempo é um referencial fundamental para o trabalho do historiador. Podemos percebê-lo e medi-lo de várias maneiras. O tempo da natureza, por exemplo, não depende da vontade humana: ele simplesmente passa e é irreversível. Esse tempo pode ser percebido pelo envelhecimento das pessoas. Diferentemente do tempo da natureza, o tempo cronológico obedece às regras humanas. Ele é dividido em unidades de medida criadas pelo ser humano, como segundos, minutos, horas, dias, meses, anos etc. O tempo cronológico é um produto cultural, pois foi criado pelo ser humano e pode variar de uma época para outra ou em sociedades diferentes.

Tamires Azevedo

O tempo histórico acompanha os ritmos das transformações sociais: umas são mais rápidas, outras muito lentas. Para facilitar o entendimento das transformações e permanências sociais, o historiador francês Fernand Braudel (1902-1985) propôs três diferentes durações do tempo histórico: a longa duração, a média duração e a curta duração. Observe.

CURTA DURAÇÃO Esse tempo é breve e móvel como a água que fica na superfície, agitada pelo vento e pela chuva.

MÉDIA DURAÇÃO Camada que fica logo abaixo, onde as águas são mais calmas e servem de apoio para a água da superfície.

O tema dessa página favorece o trabalho interdisciplinar com Geografia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

Com base nessa representação esquemática dos “três tempos históricos”, propostos por Fernand Braudel, podemos perceber que, como o oceano, o tempo é um só, mas possui camadas temporais da mesma forma que o oceano possui camadas de água. Nos dois casos, as camadas são sobrepostas e simultâneas.

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LONGA DURAÇÃO Representado pelo fundo do oceano, onde as águas são praticamente imóveis e sustentam as outras duas camadas.

O tempo de curta duração, também chamado de tempo dos acontecimentos, é caracterizado por eventos breves, como um golpe político, uma disputa eleitoral ou a assinatura de uma lei.

O tempo de média duração, ou tempo das conjunturas, é marcado por transformações mais lentas, mas que podem ser percebidas no decorrer da vida de uma pessoa, como a vigência de um sistema econômico ou a duração do reinado de um monarca.

O tempo de longa duração, também chamado de tempo das estruturas, é formado por processos históricos que demoram longos períodos de tempo para ocorrer. É o caso dos valores morais, que se transformam muito lentamente.

Fonte: BRAUDEL, Fernand. Escritos sobre a História. Tradução J. Guinsburg; T. C. S. da Mota. São Paulo: Perspectiva, 1978.


Unidade 1

A linha do tempo A linha do tempo é uma representação visual dos tempos históricos, um instrumento importante que permite a localização dos fatos históricos no tempo. Leia o texto.

A linha do tempo é a maneira que os historiadores encontraram para apresentar graficamente algumas das características do tempo histórico [...]. Ela serve para localizar os inúmeros fatos históricos no tempo, para avaliar o tempo de duração de cada um deles e também para situá-los uns em relação aos outros. Fica mais fácil perceber, por exemplo, que os fatos históricos não se sucedem apenas uns após os outros no tempo, eles também ocorrem simultaneamente, isto é, ao mesmo tempo. [...] TURAZZI, Maria Inez; GABRIEL, Carmen Teresa. Tempo e História. São Paulo: Moderna, 2000. p. 61.

Na linha a seguir, que apresenta a divisão política da história do Brasil, estão indicados os principais elementos que compõem uma linha do tempo. Observe.

Barras de periodização

Eixo cronológico

As barras de periodização são utilizadas para indicar a duração de cada período representado na linha do tempo. Algumas vezes, as barras podem se sobrepor umas às outras. Quando isso acontece, significa que os períodos ou parte deles ocorreram ao mesmo tempo, ou seja, simultaneamente.

Período Colonial 1500 a 1822 Período em que boa parte do território onde hoje se localiza o Brasil, que já era ocupado por milhares de povos indígenas, foi conquistada pelos portugueses e tornou-se colônia de Portugal.

Indicado por uma linha com uma seta, o eixo cronológico marca o sentido linear da passagem do tempo.

1500

1500

Chegada dos portugueses ao Brasil.

Eventos de curta duração 1600

1700

1822

Proclamação da Independência do Brasil. 1800

Período Imperial 1822 a 1889

1889

Período que abrange os reinados de D. Pedro I e de D. Pedro II. 1900

Período Republicano 1889 aos dias de hoje Nesse período, o Brasil foi governado por ditadores e, também, por presidentes eleitos por meio do voto.

Os acontecimentos indicados por pontos na linha do tempo geralmente são eventos de curta duração. Nesse caso, os eventos que marcam a mudança de um período para outro referem-se à história política brasileira.

2000

Proclamação da República brasileira.

Descrição dos períodos Pequenos textos que descrevem as principais características dos períodos representados.

Construindo a História

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As fontes históricas Fonte histórica é qualquer vestígio do passado usado pelo historiador para obter informações sobre seu tema de estudo. São exemplos de fontes históricas: documentos oficiais, jornais, livros, cartas, letras de música, histórias em quadrinhos, pinturas, fotografias, filmes, mapas, esculturas e também os relatos orais. Leia o texto a seguir.

Gustavo Dall’Ara. 1907. Óleo sobre tela. 117 x 98 cm. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro (RJ)

Essa pintura foi feita pelo artista italiano Gustavo Dall’Ara, em 1907, e representa a rua 1o de Março, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Para fazer a análise dessa fonte, o historiador deve, além de observar seus detalhes, investigar sobre quem foi Dall’Ara, por que ele veio ao Brasil, qual era seu estilo artístico etc.

[...] O documento não pode ser entendido como a realidade histórica em si, mas trazendo porções dessa realidade. Além disso, as fontes históricas são sempre lidas e exploradas com os filtros do presente, de acordo com os valores, as preocupações, os conflitos, os medos, os projetos e os gostos de cada observador. [Sobre o documento, o historiador] sugere as perguntas fundamentais que devem dar início a todo o trabalho e a todas as reflexões: Quando? Onde? Quem? Para quem? Para quê? Por quê? Como? [...] SAMARA, Eni de Mesquita; TUPY, Ismênia S. Silveira T. História & Documento e metodologia de pesquisa. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. p. 124.

Explorando a imagem a ) Descreva a imagem: o lugar, a arquitetura das construções, as pessoas, os meios de transporte etc. b ) Comente o que você descobriu sobre o Rio de Janeiro ao analisar essa fonte histórica do início do século XX. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

Refletindo

••Imagine que, no futuro, um

historiador vá estudar a sua história de vida. Que fontes históricas ele poderá utilizar? O que essas fontes poderão revelar sobre o seu modo de vida, seus costumes etc.? Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

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Os documentos oficiais escritos, como leis, decretos, contratos e tratados, são fontes relevantes para os estudos históricos. Observe a Lei Áurea, um exemplo de documento oficial escrito.

Lei Áurea. 13/05/1888. Arquivo Nacional, Rio de Janeiro (RJ)

A caligrafia e a linguagem fornecem pistas sobre a época e o local onde o documento foi produzido.

Documento oficial: nome dado aos documentos produzidos ou recebidos pelos órgãos dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. Além de documentos escritos em papel ou suporte digital, há também programas de rádio e televisão, entre outros documentos oficiais.

A Lei n o 3 353, também conhecida como Lei Áurea, aboliu a escravidão no Brasil. A carta foi timbrada com o brasão imperial, o que significa que esse documento foi expedido pelo governo.

Por meio dessa fonte, sabemos que a escravidão foi abolida, no Brasil, no dia 13 de maio de 1888.

O carimbo do arquivo público indica que esse documento já foi catalogado e arquivado. Atualmente ele se encontra no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

A assinatura da princesa Isabel, que na época era regente do Império do Brasil, tornou a lei válida em todo o território nacional.

Construindo a História

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Unidade 1

A análise de um documento oficial


A análise de uma fonte iconográfica

Fonte iconográfica: imagem que pode ser utilizada como fonte histórica. Entre as fontes iconográficas estão pinturas, fotografias, filmes e anúncios publicitários.

As gravuras e as pinturas produzidas por artistas estrangeiros que vieram para o Brasil durante o período Colonial são importantes fontes iconográficas para o estudo desse período histórico. Esse é o caso da aquarela a seguir, feita pelo artista holandês Frans Post, em 1640. Nela, o artista procurou mostrar os principais elementos de uma casa de engenho, lugar onde era feita a moagem da cana-de-açúcar. Ele representou também as principais etapas do trabalho realizado pelos africanos escravizados. Observe alguns elementos que podem ser analisados nessa fonte histórica.

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Por meio da análise dessa fonte, é possível ter uma ideia de como eram os carros de boi utilizados para transportar a cana-de-açúcar do campo até a casa de engenho.

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Aqui, Frans Post representou como era o trabalho dos escravos responsáveis por recolher e organizar a cana descarregada do carro de boi.

3

Ao observar esse detalhe, percebe-se como os escravos realizavam a moagem da cana-de-açúcar para extrair seu caldo.

4

Nesse engenho, a moenda era movida por uma roda-d´água, o que pressupõe a necessidade de canalização das águas de um rio próximo ao engenho.

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Nessa fonte também foi representado o feitor, encarregado de fiscalizar o trabalho dos escravos. Ao se observar seus trajes, é possível perceber que ele ocupava uma posição social superior à dos escravos.

Frans Post. 1640. Aquarela e carvão. Museu Real de Belas Artes, Bruxelas (Bélgica)

Unidade 1

1

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Construindo a História

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Explorando o tema

A História e as Ciências Humanas

A partir do século XX, os historiadores passaram a considerar a impor­ tância da contribuição das demais Ciências Humanas para a construção do conhecimento histórico. Conheça, a seguir, algumas características do trabalho de outros profissionais da área de Humanas.

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Os antropólogos estudam o ser humano em seus aspectos biológicos, sociais e cultu­ rais. Para realizar tais pesquisas, analisam as­ pectos genéticos, bem como as instituições sociais, os costumes, a religiosidade e os comportamentos. Ao lado, o antropólogo mineiro Darcy Ribeiro (1922-1997). Fo­ tografia tirada em 1995.

Os sociólogos estu­ dam as relações entre se­ res humanos que vivem em uma mesma socie­ dade. Também anali­ sam como as questões políticas, econômicas e tecnológicas influenciam nas relações interpessoais. Além disso, estudam as desi­ gualdades sociais e procuram criar alternativas para reduzi-las. Ao lado, fotografia da socióloga paulista Ruth Cardoso (1930-2008), tirada em 1997.

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Unidade 1

Os filósofos estudam as impressões e as inter­ pretações dos seres humanos sobre o mundo que os cerca. Esses estudiosos procuram compreender como as ideias e os anseios das pessoas se transfor­ mam ao longo do tempo, influenciando a percepção que elas têm sobre si mesmas. Ao lado, a filósofa paulista Marilena Chaui. Fotografia tirada em 2004.

Os psicólogos estudam os fenômenos mentais e o comportamento do ser huma­ no. Para isso, eles procuram analisar, por exemplo, as emoções, ideias, sentimentos e valores morais das pessoas. Acima, a psi­ cóloga paulista Maria Rita Kehl. Fotografia tirada em 2008.

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Os geógrafos estudam as transformações que ocorrem no espaço terrestre, tanto aque­ las causadas por fenômenos naturais quanto as que são realizadas pelos seres humanos. Além disso, trabalham na elaboração e in­ terpretação de mapas, na organização territorial das cidades e na criação de projetos para a recuperação de áreas degradadas. Ao lado, fotografia do geógrafo baiano Milton Santos (1926-2001) tirada em 2000.

Os arqueólogos são profissio­ nais que trabalham na escavação, ca­ talogação e interpretação dos vestígios materiais deixados por povos que vive­ ram no passado. Eles realizam esse traba­ lho nos chamados sítios arqueológicos, locais onde são encontrados os vestígios. Ao lado, a historiadora e arqueóloga gaúcha Tatiana Weska trabalha em um sítio arqueológico em Vila Cava, Nova Iguaçu (RJ), em 2012.

Construindo a História

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 1. Explique o que são sujeitos históricos. 2. Defina o que é a historiografia, apresentan­ do as razões pelas quais o conhecimento histórico se transforma.

3. Explique o que é tempo de curta, de média e de longa duração.

4. O que são fontes históricas? Cite cinco exemplos de fontes históricas.

5. Escolha três das Ciências Humanas apre­ sentadas nas páginas 20 e 21, e procure explicar como elas podem auxiliar os his­ toriadores na produção do conhecimento histórico.

Expandindo o conteúdo 6. Construa uma linha do tempo da história de sua vida. Para isso, divida sua história em pe­ ríodos, desde o ano em que você nasceu até hoje, e descreva-os. Esses períodos podem ser divididos de acordo com as fases biológicas de sua vida, isto é, infância e adolescência, ou de acordo com as grandes transformações pelas quais você passou, como uma mudan­ ça de cidade. Em seguida, escolha alguns acontecimentos marcantes para você e que se configuram como eventos de curta duração. Organize essas informações de maneira cro­ nológica e, por fim, reúna-se com um colega para comparar as semelhanças e diferenças existentes entre as duas linhas do tempo.

7. A fotografia também é utilizada pelos historiadores como fonte histórica. Entretanto, assim

Calvin & Hobbes, Bill Watterson © 1992 Watterson/ Dist. by Universal Uclick

como uma pintura, ela privilegia o ponto de vista do autor e desconsidera outros aspectos importantes de um acontecimento. A fotografia, além disso, cria a ilusão de que reproduz fielmente a realidade. Observe a tirinha do personagem Calvin e seu amigo, o tigre Haroldo. Ela demonstra como a fotografia pode retratar apenas um aspecto do fato e excluir outros detalhes que podem modificar a interpretação do acontecimento.

WATTERSON, Bill. Os dias estão todos ocupados: as aventuras de Calvin e Haroldo. São Paulo: Conrad, 2011. p. 148.

a ) Se Calvin mostrar a alguém a fotografia que Haroldo tirou, o que essa pessoa vai pensar sobre a organização do quarto? b ) A partir da análise da tirinha, quais cuidados o historiador precisa tomar ao utilizar uma fotografia como fonte histórica?

8. Como vimos nesta unidade, a História, enquanto disciplina do conhecimento humano, possui muitas especificidades. Para o historiador francês Marc Bloch (1886-1944), por exemplo, a História é a “ciência dos homens, no tempo”. Mas, o que será que as pessoas pensam a respeito da História?

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Unidade 1

Para saber o que pensam, realize uma entrevista. Veja o roteiro a seguir. a ) Faça uma entrevista com quatro pessoas, perguntando­lhes: “O que é História?”. b ) Liste as respostas em uma folha de papel. Compare­as.

• As respostas que você obteve são parecidas? • Há elementos que aparecem em todas as respostas? Quais são eles?

c ) Compare as definições dadas pelas pessoas que você entrevistou com a definição de História de Marc Bloch. Quais são as semelhanças e as diferenças entre elas?

Lailson

Explorando a imagem 9. Assim como as histórias em qua­ drinhos, as charges também são importantes fontes históri­ cas. Observe a charge ao lado. a ) Quem é o autor dessa char­ ge? Quando e onde ela foi publicada? b ) Explique qual a mensagem transmitida pela charge.

Lailson de Holanda Cavalcanti. Diário de Pernambuco, Recife, 27 dez. 2000.

Vestibulares 1. (UEM­PR) Leia o texto a seguir. O que é História? E quem garante que a História É a carroça abandonada Numa beira da estrada Ou numa estação inglória A História é um carro alegre Cheio de um povo contente Que atropela indiferente Todo aquele que a negue É um trem riscando trilhos Abrindo novos espaços Acenando muitos braços Balançando nossos filhos. (Canción por la unidad de Latino América. Pablo Milanes e Chico Buarque)

Baseado no fragmento e na ação dos sujeitos históricos, analise. I ) Os autores remetem a uma reflexão sobre o papel e a função da História na sociedade. II ) A História é feita pelos sujeitos históricos, que são indivíduos, grupos ou classes so­ ciais par ticipantes dos acontecimentos histó ricos de repercussão coletiva e/ou imersos em situações cotidianas na luta por transformações ou permanências. III ) Os autores, no fragmento, passam a ideia de uma História pronta e acabada, inerte à realidade. Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s): a ) I, II, III

c ) II, III

b ) I, II

d ) III Construindo a História

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Ampliando seus conhecimentos Arte e história

As imagens como fontes históricas

Para os historiadores, as imagens são importantes fontes de pesquisa. Pinturas, gravuras, esculturas e relevos são formas muito antigas de expressão artística, por isso, constituem-se parte importante da cultura material humana, trazendo numerosas informações a respeito das sociedades que as produziram. Analisando uma imagem podemos perceber, por exemplo, como os artistas viam as sociedades em que viviam. Além disso, é possível conhecer os diferentes materiais utilizados para a realização de obras de arte ao longo do tempo, os tipos de tintas fabricadas em determinadas épocas, bem como os diferentes padrões de beleza de cada grupo humano. Contudo, é necessário ter alguns cuidados no trabalho historio­ gráfico feito com imagens. O texto a seguir trata desse assunto. Leia-o.

Litogravura: gravura realizada a partir da técnica de impressão de imagens em pedras planas ou placas de metal, geralmente de zinco ou de alumínio.

O uso da imagem, da iconografia e das representações gráficas pelo historiador vem propiciando a apresentação de trabalhos renovadores e, também, instigando novas reflexões metodológicas. [...] Para o pesquisador da imagem é necessário ir além da dimensão mais visível ou mais explícita dela. Há [...] lacunas, silêncios e códigos que precisam ser decifrados, identificados e compreendidos. Nessa perspectiva, a imagem é uma espécie de ponte entre a realidade retratada e outras realidades, e outros assuntos, seja no passado, seja no presente. E é por isso que ela não se esgota em si. Por meio dela, a partir dela e tomando-a em comparação é possível ao historiador [...] a análise de outros temas, em contextos diversos. PAIVA, Eduardo França. História & imagens. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. p. 19.

Jean-Baptiste Debret. 1834-1839. Litografia. 18,2 x 23 cm. Biblioteca Nacional da França, Paris

A litogravura abaixo, intitulada Os refrescos no Largo do Paço, depois do jantar, foi produzida pelo artista francês Jean-Baptiste Debret, por volta de 1835. Ela é uma representação artística do cotidiano de parte dos habitantes da cidade do Rio de Janeiro, no século XIX.

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Unidade 1

Narradores de Javé Filme de Eliane Caffé. Narradores de Javé. Brasil. 2003

A história no cinema

O filme Narradores de Javé, dirigido por Eliane Caffé, conta a história de Javé, um povoado localizado no Sertão nordestino que está em vias de ser inundado pela represa de uma usina hidrelétrica. Para tentar evitar a inundação da vila, os moradores decidem escrever sua história e, assim, mostrar que esse lugar é um patrimônio histórico e pre­ cisa ser preservado. Porém, a maioria da população do povoado é analfabeta, o que dificulta a construção dessa “história científica”, como diz um dos personagens do filme. Eles recorrem a Antônio Biá, um antigo funcionário do correio que vivia na região e poderia escrever a história da comunidade. Então, Biá, o “historiador”, sai em busca dos documentos sobre a história do povoado. Ao iniciar sua pesquisa, ele se depara com sua primeira dificuldade, que é a falta de documentos escritos sobre Javé. Dessa forma, tem de entrevistar os moradores do local a fim de descobrir as origens do povoado. No entanto, cada entrevistado conta a histó­ ria à sua maneira, apresentando sua própria versão dos fatos. Narradores de Javé apresenta, de maneira bastante pertinente e cômica, as especifi­ cidades do trabalho de um historiador, as dificuldades que enfrenta ao analisar suas fontes ou ao coletar informações, bem como as diferenças existentes entre o fato acon­ tecido e o fato escrito. Além disso, aborda questões relativas à manutenção de patrimô­ nios históricos e culturais em face do avanço da sociedade industrial e tecnológica.

Título: Narradores de Javé Diretor: Eliane Caffé Atores principais: José Dumont, Matheus Nachtergaele, Nelson Dantas e Nelson Xavier Ano: 2003 Duração: 100 minutos Origem: Brasil

Para ler

••Por que estudar história?, de Caio César Boschi. Editora Ática. O autor apresenta a História como um processo em constante construção. Propõe um estudo da disci­ plina com base no cotidiano e nas transformações que ocorrem ao nosso redor.

••Tempo e História, de Maria Inez Turazzi e Carmen Teresa Gabriel. Editora Moderna.

O livro apresenta uma introdução ao ensino de História abordando características do tempo histórico, além de conceitos como permanência, ruptura e conjuntura.

• •História & imagens, de Eduardo França Paiva. Editora Autêntica. Parte da ima­

gem para propor novas reflexões metodológicas, como ponte entre a realidade representada e outras realidades e assuntos, do passado e presente.

••Teoria da História, de Pedro Paulo de Abreu Funari. Editora Brasiliense. Retros­

pecto de abordagem crítica acerca dos métodos e objetos da História. Mostra a transformação de conceitos, como o de “passado”, ao longo do tempo.

Para navegar

• •Museu da Pessoa. Disponível em: <http://tub.im/yiwosg>. Acesso em: 11 ago. 2015. Museu virtual e colaborativo que tem como objetivo registrar histórias de vida de toda e qualquer pessoa da sociedade.

••Revista de História da Biblioteca Nacional. Disponível em: <http://tub.im/u2swue>.

Acesso em: 11 ago. 2015. Site da Revista de História da Biblioteca Nacional. Artigos, reportagens, cine História, entrevistas, livros, agenda.

• •Domínio Público. Disponível em: <http://tub.im/ebgwue>. Acesso em: 11 ago.

2015. Biblioteca digital com acervo de textos, imagens, áudios e vídeos para download gratuito. Construindo a História

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Kazuyoshi Nomachi/Corbis/Latinstock

unidade

A origem do ser humano


Como a vida teve origem no planeta Terra? Quando e onde surgiram os seres humanos? Como nos tornamos o que somos hoje? Para responder a essas perguntas, é necessário compreender algumas das transformações pelas quais os seres vivos passaram ao longo de milhões de anos. Nesta unidade, vamos conhecer um pouco sobre a evolução dos seres humanos. Além disso, vamos entender como nossos ancestrais sobreviveram por meio da caça e da coleta, e como desenvolveram a agricultura e a pecuária, atividades que propiciaram a formação das primeiras aldeias.

Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A Descreva a pintura: o que ela representa?

B Você acha que esse tipo de pintura é importante para o estudo sobre os seres humanos? Explique.

Fotografia recente de pintura encontrada em caverna na Argélia, África, feita por seres humanos que viveram há cerca de seis mil anos.

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A origem da vida na Terra De acordo com estudos científicos, o Universo teve origem a partir de uma grande explosão, chamada Big Bang, ocorrida há cerca de 15 bilhões de anos.

1

Observe.

5

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O tema sobre a formação do planeta Terra favorece o trabalho interdisciplinar com Geografia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

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Logo após a sua formação, há cerca de 4,5 bilhões de anos, a Terra era extremamente quente, não possibilitando o desenvolvimento de seres vivos.

4 Ch D i f r is t i f us an ion Jeg /S ou P PL / L ubl i ati ph ns oto toc k

2

De acordo com a teoria do Big Bang, toda a matéria existente estava originalmente concentrada em um único ponto, que apresentava elevada temperatura e densidade. Há cerca de 15 bilhões de anos, uma grande explosão cósmica espalhou essa matéria, dando origem ao Universo que, desde então, continua se expandindo.

Christian Jegou Publiphoto Diffusion/SPL/Latinstock

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3

O processo de resfriamento levou à emissão de gases e vapores de água. Os gases deram origem à atmosfera, e os vapores, às chuvas. Essas chuvas caíram sobre o planeta durante milhões de anos, inundando as partes mais baixas da superfície, formando os oceanos.

Lentamente, com o resfriamento da Terra, formou-se a crosta terrestre, uma camada rochosa que cobriu toda a superfície do planeta.

Nos oceanos, há cerca de 3,5 bilhões de anos, surgiam as primeiras formas de vida na Terra. Eram microrganismos como bactérias e algas.


Era Glacial ou glaciação é o nome dado aos períodos em que a temperatura da Terra permanece extremamente baixa, causando a formação de geleiras em todo o planeta. Estudos indicam que a Terra passou por 27 eras glaciais, que duraram 100 mil anos em média. Elas foram intercaladas pelos períodos interglaciais, em que a temperatura do planeta se tornou mais amena, possibilitando o desenvolvimento de diferentes formas de vida. A última Era Glacial terminou há cerca de 12 mil anos. As geleiras contêm partículas de ar e pó que fornecem informações sobre a composição da atmosfera em diferentes épocas. O estudo das geleiras pode revelar como o clima da Terra mudou ao longo do tempo, ajudando a compreender como os seres vivos se adaptaram às mudanças ambientais. Glaciologista extraindo amostra de gelo em Mont Blanc, montanha mais alta da Europa Ocidental. Fotografia de 2012, tirada na França.

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9

Dos microrganismos originaram-se os primeiros animais invertebrados aquáticos, por volta de 500 milhões de anos atrás. Entre esses animais estavam os artrópodes, os moluscos e as medusas.

Entre 450 e 350 milhões de anos atrás, desenvolveram-se também os peixes, as plantas terrestres e os anfíbios.

Entre 245 e 65 milhões de anos atrás, o planeta era habitado por répteis gigantes, entre eles, os dinossauros. Nesse período também apareceram os primeiros mamíferos.

A extinção dos dinossauros, há cerca de 65 milhões de anos, favoreceu o desenvolvimento de aves e mamíferos. Entre os mamíferos, surgiram os primatas, há aproximadamente 60 milhões de anos.

A origem do ser humano

29

Unidade 2

Thierry Berrod, Mona Lisa Production/SPL/Latinstock

As eras glaciais


A evolução do ser humano Os seres humanos também são primatas, mas evoluíram de maneira diferente de outros primatas, como chimpanzés e gorilas. Estudos científicos indicam que o ser hu­ mano é descendente de hominídeos que viveram há cerca de sete milhões de anos.

Hominídeo: nome dado a todo primata bípede que anda de forma ereta.

Os hominídeos desenvolveram características próprias, por exemplo, pernas maiores que o tronco, face achatada e cérebros maiores. Além disso, andavam de forma ereta. 1 Sahelanthropus

3 Ardipitecus

tchadensis

5 Australopitecus

ramidus

África

África

1,30 metro 350 cm3 Provável bipedalismo.

aethiopicus

África

África

1,20 metro

1,50 metro

400 cm3

450 cm3

Bípede.

1,40 metro 410 cm3

Bípede.

4 Australopitecus

2 Orrorin

7 Australopitecus

afarensis

anamensis

tugenensis

África

África 1,20 metro 350 cm3

Bípede.

6 Australopitecus africanus

8 Australopitecus boisei

África

1,30 metro

1,50 metro

450 cm3

450 cm3

Bípede.

África 1,40 metro 500 cm3

Bípede.

Bípede.

N. Akira

Provável bipedalismo.

5

6

4

1 2

3

7

8

Ilustração. Coleção particular. Foto: Encyclopaedia Britannica/ UIG/Bridgeman Images/Easypix

O polegar opositor Os hominídeos compartilhavam com os demais primatas uma carac­ terística que teve grande importância no processo evolutivo: o polegar opositor, que tornava possível a realização do movimento de pinça.

Ilustração que representa a utilização do polegar opositor.

30

O movimento de pinça permitiu aos hominídeos a realização de ativi­ dades complexas, como a fabricação e o uso de ferramentas, garan­ tindo-lhes maiores chances de sobrevivência. Esses fatores combinados tiveram importante papel no desenvolvimento cerebral e na evolução dos ancestrais dos seres humanos modernos.


Por que Pré-História?

Hábitat

O termo Pré­História foi criado por pensadores do século XIX para se referir ao perío­ do da história anterior ao desenvolvimento da escrita. Muitos historiadores acreditam que o uso desse termo é inadequado, pois já existia história antes da invenção da escrita. Foram os povos “pré­históricos”, por exemplo, que desenvolveram a agricultura e forma­ ram as primeiras cidades.

9 Homo habilis

13 Homo sapiens

heidelbergensis

1,25 metro

10 Homo erectus

Produtor de ferramentas.

África, Europa, Ásia e Oceania 1,70 metro 950 cm3

Unidade 2

Tamanho do cérebro

11 Homo

África 800 cm3

Altura

Variável

África, Europa e Ásia

Variável

12 Homo

1 400 cm3

neandertalensis

1,80 metro

Europa, Oriente Médio e Ásia

1 200 cm3 Utilizava o fogo e adaptou-se a climas frios.

1,60 metro

Possuía facilidade em se adaptar a diferentes situações.

1 400 cm3

Migrou para outros continentes e controlou o fogo.

Adaptado a climas frios, era caçador e enterrava seus mortos.

11

12

10 13

Reconstrução facial de hominídeo feita pela artista francesa Elisabeth Daynes, em 2010. Nessa reconstrução, a artista utilizou alguns pontos de referência no crânio para determinar a forma do nariz e dos músculos da face.

Elisabeth Daynes. 2010. Escultura hiper-realista. Coleção particular. Foto: Philippe Plailly/SPL/ Latinstock

Philippe Plailly/SPL/Latinstock

9

A origem do ser humano

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A teoria evolucionista A teoria evolucionista, baseada na ideia de seleção natural, foi elaborada pelo naturalista inglês Charles Darwin, no século XIX. Leia o texto.

Wieslaw Smetek. Séc. XX. Ilustração. Coleção particular. Foto: Smetek/SPL/Latinstock

O que é a teoria da evolução? Há três ideias importantes na teoria de Darwin. A primeira é que nem todos os indivíduos de uma espécie são idênticos — há variações naturais de tamanho ou cor, por exemplo. A segunda é que a prole pode herdar dos pais essas variações. E a terceira: indivíduos cujos traços oferecem alguma vantagem competitiva sobre outros da mesma espécie têm maior probabilidade de sobreviver, se reproduzir e passar para a descendência essas características. O que é a seleção natural? Quando um organismo possui um traço herdado que lhe confere uma vantagem em determinado ambiente, o processo de seleção natural começa. Tal organismo provavelmente sobreviverá por mais tempo e produzirá mais descendentes do que os outros de sua espécie e a descendência herdará as características vantajosas. Dessa forma, a espécie irá mudando gradualmente, durante gerações, à medida que mais indivíduos possuírem aquele traço.

Representação artística de Charles Darwin (1809-1882).

O tema sobre a teoria da evolução favorece um trabalho interdisciplinar com Sociologia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

A seleção natural explica por que muitas espécies possuem colorações que as ajudam a se confundir com o ambiente. Indivíduos com marcas que chamam a atenção são alvo mais fácil para predadores e assim têm menores chances de se reproduzir. As criaturas que conseguem se esconder têm maior oportunidade de se acasalar e passar seus genes de camuflagem para as gerações futuras.

Caderno de anotações feitas por Wallace em 1850, durante sua expedição ao arquipélago Malaio, localizado entre o continente do Sudeste asiático e a Austrália.

Museu de História Natural, Londres (Inglaterra). Foto: SPL/Latinstock

GALAN, Mark. Evolução da vida. Tradução Noêmia de Arante Ramos e Leo de Arante Ramos. Rio de Janeiro: Abril Livros, 1996. p. 4­5. (Ciência e natureza).

32

Wallace, “coautor” da teoria da evolução Grandes descobertas científicas muitas vezes são resultado da contribuição de várias pessoas. Foi isso que aconteceu no caso da teoria da evolução: muitas das ideias pre­ sentes na teoria de Darwin foram desenvolvidas de modo independente por outro cien­ tista, o naturalista britânico Alfred Russel Wallace (1823­1913). Wallace realizou expedições à Amazônia e ao arquipélago Malaio, coletando dife­ rentes espécies animais e vegetais. Com base na análise das variações apresentadas pelos seres vivos, ele produziu um artigo, chamado Sobre a tendência das variedades de se afastarem indefinidamente do tipo original, e o enviou para a apreciação de Darwin, em 1858. Esse artigo continha, de modo resumido, as mesmas ideias nas quais Darwin estava trabalhando há vários anos. Com receio de perder a primazia sobre a teoria da evolução, Darwin publicou o artigo de Wallace juntamente com um texto de sua própria autoria, em que apresentava sua explicação para a seleção natural. No ano seguinte, Darwin finali­ zou e publicou sua grande obra, A origem das espécies, tornando­se, assim, o “pai” da teoria da evolução. Por causa da importância dos estudos de Wallace, no entanto, mui­ tos cientistas atualmente o consideram coautor da teoria evolucionista.


O calendário cósmico

JAN

FEV

MAR

ABR

Big Bang dá origem ao Universo.

MAIO

JUN

JUL

AGO

Formação da Via Láctea.

Unidade 2

O planeta Terra formou­se há cerca de 4,5 bilhões de anos. O Universo, no entanto, é bem mais antigo. De acordo com a teoria do Big Bang, ele formou­se há aproxima­ damente 15 bilhões de anos. Para facilitar a compreensão de uma história que envolve um período tão longo, o cientista estadunidense Carl Sagan (1934­1996) criou o calen­ dário cósmico. Nesse calendário, os 15 bilhões de anos do Universo foram condensa­ dos em um ano de 365 dias. Observe.

SET

OUT

NOV

Formação do Sistema Solar e da Terra.

Primeiros microrganismos.

Primeiras células providas de núcleo.

Origem da vida na Terra.

DEZ

DEZEMBRO 2

3

4

5

6

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11

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15

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17

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22

23

1 Começa a surgir na Terra a atmosfera de oxigênio.

19

20

21

Primeiros peixes.

Plantas terrestres.

Animais terrestres.

24 Surgimento dos dinossauros.

Primeiros vertebrados.

25

26

27

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29

30

31

Primeiros mamíferos.

Primeiras aves.

Extinção dos dinossauros.

Primeiros primatas.

Primeiros hominídeos.

22h30: Surgem os seres humanos modernos (Homo sapiens).

N. Akira

Mamíferos gigantes prosperam.

Observando o calendário acima, podemos perceber que, em uma escala cósmica, toda a história da humanidade, desde o surgimento do Homo sapiens, ocupa apenas o dia 31 de dezembro. A origem do ser humano

33


O período Paleolítico O período Paleolítico teve início com o aparecimento dos primeiros hominídeos capazes de fabricar ferramentas, e se estendeu até aproximadamente 12 mil anos atrás. Por meio de pesquisas e estudos de vestígios materiais deixados pelos hominídeos desse período, foi possível conhecer algumas características do seu modo de vida. De maneira geral, eles eram caçadores e coletores que se deslocavam continuamente em busca de melhores ambientes para sua sobrevivência. Durante o período Paleolítico, grupos de hominídeos em diferentes estágios evolutivos existiram ao mesmo tempo. Todavia, alguns grupos não conseguiram se adaptar ao meio no qual viviam e acabaram sendo extintos. A capacidade de adaptação às mais diferentes condições foi um fator essencial para a sobrevivência de determinados grupos. Escultura representando um cavalo, feita com marfim de mamute, por volta de 30 mil anos atrás.

c. 30000-29000 a.C. Escultura em marfim. Museu Schloss Hohentübingen, Tubinga (Alemanha). Foto: Villy Yovcheva/Shutterstock.com

O período Paleolítico Data

Mamute: animal já extinto, era semelhante ao elefante, porém com porte maior. Paleolítico: pale(o) = antigo; lítico = pedra. Esse período também é conhecido como Idade da Pedra Lascada.

Nessa época, os nossos ancestrais evoluíram de forma lenta e complexa, desenvolvendo conhecimentos que lhes possibilitaram criar técnicas úteis à sua sobrevivência. Além disso, os hominídeos do Paleolítico aprenderam a dominar o fogo e também desenvolveram as primeiras crenças e formas de arte.

Acontecimento

2 500 000 anos atrás

Aparecimento do gênero Homo (Homo habilis). Uso de utensílios de pedra lascada.

1 800 000 anos atrás

Surgimento do Homo erectus.

1 750 000 anos atrás

Primeiras migrações do Homo erectus para regiões fora da África.

250 000 anos atrás

Os Homo erectus aprendem a produzir o fogo.

200 000 anos atrás

Os primeiros Homo sapiens se desenvolvem na África.

100 000 anos atrás

Humanos anatomicamente semelhantes aos atuais deixam o continente africano.

50 000 anos atrás

Grande parte do planeta já está povoada pelo ser humano.

12 000 anos atrás

Agricultura e domesticação de animais. Formação das primeiras aldeias.

Somos seres culturais O que diferencia o ser humano dos demais animais? Quando essa diferenciação aconteceu? É a cultura que diferencia os seres humanos dos outros animais. Por cultura entende-se a capacidade de abstração, de expressão dos pensamentos por meio de gestos, palavras, desenhos, ou seja, por meio da linguagem; além da capacidade de ensinar, aprender e fazer generalizações. Muitos estudiosos acreditam que as primeiras manifestações da cultura entre nossos ancestrais ocorreram no período Paleolítico.

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A produção de ferramentas A fabricação de ferramentas e utensílios representou um grande avanço para o ser humano, pois facilitou a execução de várias tarefas.

Unidade 2

Ferramenta de pedra do período Paleolítico, encontrada na França.

As ferramentas eram produzidas a partir de materiais encontrados na natureza — ossos de animais mortos, madeiras e vários tipos de pedras — e serviam para cortar carnes e vegetais, modelar a madeira e raspar o couro usado na produção de vestimentas. As ferramentas também facilitavam a fabricação de armas, como lanças e flechas, que eram muito úteis na caça de grandes animais. O ato de fabricar um objeto exige habilidades de memorização e planejamento, além de disposição para solucionar problemas abstratos. Por isso, a fabricação de ferramentas constituiu-se como um dos fatores que contribuíram para o desenvolvimento cerebral dos hominídeos.

O domínio do fogo Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: CM Dixon/Print Collector/Getty Images

Foi no período Paleolítico que os hominídeos descobriram como produzir o fogo. Acredita-se que, antes de dominá-lo, eles utilizavam o fogo encontrado na natureza, causado possivelmente por raios que atingiam as árvores. O domínio do fogo resultou em grandes benefícios: possibilitou a iluminação e o aquecimento dos abrigos, auxiliou no aprimoramento da produção de ferramentas, armas e utensílios, ajudou a afugentar animais ferozes e permitiu que os alimentos fossem assados ou cozidos, melhorando a qualidade da alimentação. Além disso, o fogo transformou o ritmo de vida de nossos ancestrais, favorecendo a sociabilidade e a convivência, já que os membros do grupo passaram a se reunir ao redor da fogueira.

A produção do fogo Para a produção do fogo, nossos ancestrais desenvolveram duas técnicas principais. Veja.

entre duas pedras eram produzidas faíscas, que, em contato com a palha seca, podiam iniciar uma chama.

• O atrito de uma

vareta girada com as duas mãos com outro pedaço de madeira seca gerava calor, fazendo a palha queimar.

Ilustrações: Paula Diazzi

• Por meio do atrito

Da África para outros continentes O desenvolvimento de técnicas para a fabricação de ferramentas e o domínio do fogo possibilitaram aos nossos ancestrais partirem da África para outros continentes. O povoamento de regiões geladas, por exemplo, não seria possível sem o domínio do fogo. Há cerca de 50 mil anos, quase todas as regiões do planeta já haviam sido povoadas. A origem do ser humano

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Vivendo da caça e da coleta Nossos ancestrais sobreviviam com alimentos obtidos por meio da caça e da coleta de frutos, raízes, ovos e pequenos insetos, como cupins e formigas. Outra fonte de alimentação eram as carcaças abandonadas por grandes predadores. A maior parte da coleta era feita pelas mulheres e crianças. Os homens se dedicavam principalmente à pesca e à caça. Museu de História Natural, Londres (Inglaterra). Foto: Natural History Museum, London/SPL/Latinstock

Ao partir para as caçadas, os homens perceberam que as chances de abater um animal de grande porte aumentariam se trabalhassem em grupo. Às vezes, as caçadas podiam durar dias. A utilização dos produtos obtidos da caça não se restringia à alimentação. Da caça, era possível obter também ossos e dentes, que eram utilizados como ferramentas e armas. Já o couro era usado como vestimenta e, também, para a cobertura de pequenos abrigos. O ato de repartir os alimentos obtidos nas caçadas entre os membros do grupo estabeleceu um novo tipo de relacionamento entre nossos ancestrais, em que foram valorizados os laços familiares e de amizade.

Objetos feitos de ossos, datados de cerca de 30 mil anos atrás, encontrados na Europa.

Explorando a imagem a ) Descreva os objetos retratados ao lado. b ) Em sua opinião, qual era a utilidade desses objetos?

Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A preparação do couro Veja, a seguir, uma técnica desenvolvida por nossos ancestrais para preparar o couro de um animal abatido.

1

2

3

4

Depois de cortar e retirar o couro do animal, usava-se um raspador para remover o excesso de gordura.

Por fim, o couro era tratado e curtido para não ressecar, podendo então ser utilizado. Ilustrações: Art Capri

Depois, usava-se raspadores para remover o excesso de pelo e limpar o couro, tornando-o mais maleável.

Em seguida, o couro era esticado com o auxílio de uma armação de madeira. Isso evitava que ele encolhesse e enrugasse.

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A arte no Paleolítico Unidade 2

No período Paleolítico, a arte já fazia parte do cotidiano de nossos ancestrais. Eles produziram estatuetas representando animais e seres humanos, além de muitas pinturas nas paredes das cavernas — as chamadas pinturas rupestres. Essas pinturas representavam principalmente cenas do cotidiano, como rituais religiosos e caçadas. Os traços eram pintados diretamente com os dedos ou com o auxílio de utensílios, como pedaços de madeira e palhas. As tintas eram obtidas utilizando diversos materiais, como carvão, cera de abelha e sangue. c. 15000 a.C. Pintura rupestre. Lascaux (França). Foto: Akg-Images/Latinstock

Rupestre: termo que se refere às rochas.

Fotografia recente de pintura rupestre feita há 15 mil anos, encontrada em uma caverna de Lascaux, em Montignac, Dordonha, na França.

Vênus de Willendorf, estatueta de calcário feita por volta de 25 mil anos atrás.

A representação da mulher no Paleolítico Leia o texto a seguir, que trata da representação da figura feminina no perío do Paleolítico.

c. 30000-25000 a.C. Estatueta de calcário. 11 cm. Museu de História Natural, Viena (Áustria). Foto: Granger/Diomedia

As figuras femininas, também chamadas de “Vênus” pelos arqueólogos, foram encontradas em lugares sagrados e em sepulturas. Eram esculpidas em osso, marfim, pedras ou barro. A arqueologia encontrou estatuetas de cerâmicas com formas femininas, onde ficam explícitos os órgãos sexuais [...], indicando a capacidade fecundadora da mulher, uma clara ligação com a natureza, ambas geradoras de vida, como a Vênus de Willendorf, feita de calcário com 11 cm, encontrada na Áustria próxima ao Danúbio. Além das estátuas de deusas, foram encontradas pinturas rupestres de mulheres dando à luz, grávidas e os recém-nascidos ainda ligados à mãe pelo cordão umbilical, íntima conexão entre o poder da mulher e o poder da terra. [...] BERGAMO, Mayza. O feminino na Antiguidade. Disponível em: <www.univar.edu.br/downloads/FEMININONAANTIGUIDADE.pdf>. Acesso em: 14 ago. 2015.

A origem do ser humano

37


O período Neolítico O Mesolítico No período Mesolítico, ocorreu transição entre o Paleolítico e o Neolítico. Nesse período, que teve duração variada em diferentes regiões do planeta, nossos ancestrais foram, aos poucos, tornando-se mais sedentários, porém não abandonaram totalmente a vida nômade.

Nômade: aquele que não tem habitação fixa e desloca-se constantemente em busca de alimentos. Sedentário: aquele que tem habitação fixa. Populações sedentárias são aquelas que não dependem mais exclusivamente da caça e da coleta, pois se tornaram produtoras de seus próprios alimentos.

Há cerca de 12 mil anos, grupos humanos que percorriam regiões próximas aos rios Tigre, Eufrates, Nilo e Jordão começaram a permanecer por mais tempo nesses locais, pois ali tinham facilidade para obter alimentos por meio da caça, da pesca e da coleta, além da possibilidade de utilizar a água dos rios para diversos fins. Nessas condições, os seres humanos puderam desenvolver a agricultura e a pecuária, atividades que requeriam cuidado e atenção constantes. Essa situação possibilitou que eles permanecessem em um mesmo lugar por mais tempo, estimulando sua sedentarização.

Agricultura e pecuária O desenvolvimento da agricultura e da pecuária marcou o início do período Neolítico. Uma das características desse período diz respeito à domesticação de animais. Os cachorros provavelmente foram os primeiros animais a serem domesticados pelos seres humanos. Eles eram importantes para assegurar a proteção da aldeia contra ataques de animais ferozes ou de grupos inimigos e, além disso, auxiliavam os pastores que cuidavam dos rebanhos. Nesse período, a paisagem natural começou a ser modificada pelos seres humanos, que passaram a promover a derrubada de matas para plantar gêneros alimentícios e para criar rebanhos de animais. Esses grupos humanos sedentarizados cultivavam trigo, arroz, cevada, painço, hortaliças e algumas frutas. Além disso, criavam bois, carneiros, cabritos e porcos. As ferramentas utilizadas nesse período, como enxadas, foices e machados, eram feitas de pedra polida. Les Gibbon/Alamy Stock Photo/Latinstock

Fotografia recente das ruínas de uma moradia do final do período Neolítico, no norte da Escócia.

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A mulher no período Neolítico

O papel das mulheres nesse período da história humana foi fundamental. Elas se dedicavam ao cuidado e à criação dos filhos, permanecendo na aldeia enquanto os homens caçavam, pescavam ou pastoreavam os rebanhos. Em razão disso, as mulheres do Neolítico foram possivelmente responsáveis pela produção agrícola. Elas preparavam a terra para o plantio, plantavam as sementes e, por fim, faziam a colheita e armazenavam a produção.

Estudiosos acreditam que, antes do perío do Neolítico, as pessoas não percebiam a associação entre o ato sexual e a procriação. Essa associação pôde ser feita com a sedentarização e o desenvolvimento da pecuária, pois os humanos, observando o comportamento dos animais de seu rebanho, perceberam que o cruzamento entre machos e fêmeas resultava, tempos depois, na reprodução da espécie. Assim, por meio da observação do mundo ao seu redor os seres humanos puderam conhecer um pouco mais sobre si mesmos.

c. 3500-1800 a.C. Cerâmica. Museu de Arte Lowe, Miami (EUA). Foto: Gift of Carlos F. Calderon/Bridgeman Images/Easypix

Foi nessa época, também, que a cerâmica teve grande desenvolvimento. Por causa da necessidade de armazenar a colheita, as mulheres se especializaram na produção de objetos de cerâmica. Os potes, jarros, vasos e depósitos feitos de argila foram fundamentais para que os gêneros alimentícios produzidos pudessem ser guardados e conservados por mais tempo.

A consciência da reprodução Unidade 2

Ao longo do período Neolítico, as diferenças entre os papéis sociais de homens e mulheres foram se acentuando: a divisão sexual do trabalho se tornou mais nítida, e os seres humanos perceberam a relação existente entre o ato sexual, a gestação e a procriação.

O prestígio feminino no Neolítico pode ser observado por meio da grande quantidade de estatuetas femininas encontradas em sítios arqueológicos desse período. Ao lado, estatuetas de cerâmica feitas aproximadamente entre 3500 a.C. e 1800 a.C.

A Idade dos Metais Há cerca de seis mil anos, os seres humanos passaram a produzir ferramentas e instrumentos de metal. Os primeiros metais extraídos do solo foram o cobre, o ouro e o estanho. Foi nesse período também que nossos ancestrais desenvolveram as primeiras técnicas de fundição, o que lhes permitiu fabricar instrumentos mais eficazes para a caça, o cultivo agrícola e outras atividades cotidianas. Utilizando essas técnicas, eles conseguiram , log ia queo il le s e Ar produzir o bronze, uma liga metálica muito G nal d o: Jean- age s io c t a o N seu anç a). F /O t her Im resistente, formada pela mistura de . Mu r obre -L aye (F d Palais .C . C n 00 a main- en MN- Gr a 0 cobre com estanho. 2 G er 750 zi/ R c. 3

S ain

t-

Fundir: nesse caso, significa derreter o metal e moldá-lo no formato desejado.

Ferramenta de cobre produzida aproximadamente entre 3750 a.C. e 2000 a.C., encontrada na França.

B er iz

A origem do ser humano

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Explorando o tema Existe um consenso entre os estudiosos sobre como ocorreu o povoamento do planeta pelos seres humanos. Eles concordam que a América foi ocupada depois da África, Europa, Ásia e Oceania. Porém, há uma grande polêmica em relação à época da che gada desses primeiros povoadores da América e quais teriam sido os caminhos por eles percorridos.

Os primeiros povoadores da América Hipótese da Rota de Bering Afirma que, durante a última Era Glacial, uma ponte de gelo teria se formado no estreito de Bering, tornando possível a passagem de grupos humanos da Ásia para a América.

EUROPA

Hipótese da Rota Costeira

Observe o mapa ao lado.

Defende que os primeiros habitantes da América teriam saído da Ásia em pequenas embarcações e navegado próximo à costa até chegar ao continente americano.

Durante a última Era Glacial, o nível do mar era bem mais baixo do que o atual. Por isso, muitos sítios arqueológicos estão hoje submersos.

Hipótese da Rota Transpacífica

Nesse contexto, um dos mais promissores campos de estudo para se compreender como viviam os povos do passado é a Arqueologia Subaquática.

Defende que, partindo da Ásia e navegando de ilha em ilha, alguns grupos humanos teriam atravessado o oceano Pacífico e chegado à América do Sul.

A Arqueologia Subaquática se dedica à escavação, catalogação e interpretação dos vestígios materiais deixados por povos que viveram no passado, em sítios arqueológicos submersos.

Hipótese da Migração Atlântica

Uma questão polêmica

Afirma que, após sair da Europa em embarcações feitas de couro, alguns grupos humanos teriam navegado pelo oceano Atlântico até chegar ao norte da América.

As principais hipóteses sobre o povoamento da América consideravam que o ser humano chegou aqui há aproximadamente 15 mil anos. Essas hipóteses eram defendidas com base em vestígios arqueológicos que datam desse período.

ÁFRICA Equador 0°

Meridiano de Greenwich

Arqueologia Subaquática

Estudos realizados pela arqueóloga brasileira Niède Guidon, entretanto, fizeram que as teorias sobre o povoamento da América fossem revistas.

Homem ocupou o Piauí há 58 mil anos Nova análise mostra que controversos artefatos da Pedra Furada foram feitos por humanos, silenciando os críticos. Arqueóloga Niède Guidon, que escavou o sítio, vinha sendo criticada por colegas; achado recua ocupação da América em 30 milênios.

Leia a reportagem a seguir.

Bruno Poletti/Folhapress

A arqueóloga Niède Guidon em 2014.

A arqueóloga Niède Guidon riu por último. Evidências apresentadas ontem indicam que as ferramentas de pedra descobertas pela pesquisadora no Boqueirão da Pedra Furada, em São Raimundo Nonato [, no Piauí,] foram mesmo feitas por seres humanos e têm entre 33 mil e 58 mil anos de idade. São, portanto, a evidência mais antiga da ocupação da América. Durante mais de duas décadas Guidon, paulista de origem francesa, foi ridicularizada por seus colegas por propor uma idade tão antiga para os instrumentos. Mas, uma análise das ferramentas da Pedra Furada apresentada ontem por Eric

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Unidade 2

Hipóteses de povoamento da América

AMÉRICA DO NORTE ÁSIA

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

AMÉRICA DO SUL

OCEANO ÍNDICO

OCEANIA N O 0

1 390 km

L

E. Cavalcante

Limite litorâneo há 12 mil anos

S

Fonte: PARFIT, Michael. O enigma dos primeiros americanos. National Geographic, São Paulo: Abril, ano 1, n. 8, nov. 2000.

Boëda, da Universidade de Paris, e Emílio Fogaça, da Universidade Católica de Goiás, silenciaram os críticos. “Do meu ponto de vista, esta é uma evidência incontestável de que os artefatos foram feitos por humanos”, disse à Folha o arqueólogo Walter Neves, da USP, até então principal adversário intelectual de Guidon. “Ela merece esses louros”, disse, referindo-se à colega. Os artefatos têm causado controvérsia desde a sua descoberta, em 1978. Eles foram achados juntamente com supostas fogueiras no abrigo, cujo carvão foi datado em até 50 mil anos. Uma datação realizada depois na Austrália recuou a idade ainda mais: 58 mil anos. O problema era que, naquela época, as evidências apontavam que a presença humana tinha no máximo 15 mil anos no continente. [...] [...] Os arqueólogos sempre se recusaram a aceitar as datas de Guidon. As fogueiras, argumentavam, pode-

riam muito bem ter sido produto de combustão espontânea e não havia ossos de animais ou humanos no local. “O que acontecia até agora também é que alguns colegas [estadunidenses] diziam que os objetos [achados no Piauí] eram apenas pedras que tinham rolado e se quebrado naturalmente”, diz Niède. “Mas, agora não há a menor dúvida de que foram feitos por seres humanos. O consenso geral é que agora existe um fato.” [...] O estudo de Boëda não parece deixar mais dúvidas. O francês é considerado um dos maiores especialistas do mundo em tecnologia lítica (de pedra) pré-histórica. Ele desvendou a chamada cadeia operatória dos artefatos, ou seja, a sequência de lascamento do material, e descobriu que aquilo foi, de fato, produzido por humanos. [...] ANGELO, Claudio; GARCIA, Rafael. Folha Online. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15740.shtml>. Acesso em: 13 ago. 2015. Folhapress.

A origem do ser humano

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 1. Explique como ocorre a seleção natural das espécies, de acordo com a teoria evolucionista de Charles Darwin.

2. Explique o que é cultura. 3. Cite algumas das consequências do domínio do fogo na vida de nossos ancestrais.

4. Explique como ocorreu o processo de sedentarização dos seres humanos.

5. Qual o papel social da mulher no período Neolítico?

6. Como as ferramentas eram fabricadas no final do Neolítico?

Explorando a imagem

A

Reserva da Natureza de Kamberg (África do Sul). Foto: Christian Heeb/hemis.fr/Glow Images

B

Parque Nacional Tassili N’ajjer (Argélia). Foto: George Holton/Photoresearchers/Latinstock

7. Observe as imagens a seguir.

a ) Como se chama o tipo de pintura retratado nas fotografias acima? Quais são as suas características? b ) Qual das pinturas representa uma atividade que teve início durante o período Neolítico? Justifique sua resposta.

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Expandindo o conteúdo

Autor desconhecido. Caricatura. Coleção particular. Foto: DeAgostini Picture Library/Scala, Florence/Glow Images

Há [cerca de] 150 anos, numa saleta da Sociedade Lineana de Londres, um grupo de naturalistas anunciava ao público ali presente os contornos de uma teoria que alteraria para sempre o modo de compreender a origem e a variedade da vida em nosso planeta. Era a teo­ria da evolução por seleção natural, concebida de forma independente por Charles Darwin e Alfred Russel Wallace.

Unidade 2

8. Leia o texto a seguir.

O real alcance dessa ideia — uma das mais importantes do pensamento ocidental —, passou quase despercebido na ocasião. Os próprios naturalistas presentes no evento não pareciam mais interessados nos trabalhos de Wallace e Darwin do que nos outros itens da pauta da reunião, que incluía a leitura de uma carta “sobre a vegetação em Angola” e a descrição de um novo gênero da família das abobrinhas. Charles Darwin, caracterizado como um primata, mostra um espelho para um macaco, indicando a semelhança entre eles. Caricatura inglesa publicada em 1874 por The London Sketchbook.

Os teólogos, porém, não demoraram muito a dar-se conta do tamanho da revolução dar­ winiana. Pequenas variações entre indivíduos surgidas ao acaso e selecionadas pelo ambiente — os mais aptos tendem a ter mais descendentes, com características parecidas — podem, ao longo de eras, produzir novas espécies. Todos os seres vivos do planeta, da rainha da Inglaterra ao mais humilde organismo unicelular, possuem um ancestral comum. Deus já não é necessário para explicar a exuberância das formas de vida. [...] A ideia é tão perturbadora que mesmo hoje ainda não é bem aceita. É provavelmente a tese científica mais atacada de todos os tempos. Seus detratores tentam desqualificá-la descrevendo-a como “apenas uma teoria”, que estaria no mesmo plano epistemológico de “concorrentes” como o design inteligente e o relato bíblico do Gênesis. É claro que tudo em ciência é “apenas” uma teoria — aí incluída a gravitação universal. A evolução, mais ou menos como Darwin e Wallace a postularam, segue firme e produtiva. É capaz de explicar fenômenos como a resistência de bactérias a antibióticos e tem gerado novos e promissores campos de investigação, como a farmacogenética. [...] 150 anos de evolução. Editoriais. Folha de S.Paulo, Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0107200802.htm>. Acesso em: 14 ago. 2015. Folhapress.

a ) Qual é a relação entre a teoria da evolução e a resistência de bactérias a antibióticos? b ) Em sua opinião, por que a teoria da evolução “é provavelmente a tese científica mais atacada de todos os tempos”? A origem do ser humano

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9. E m seu livro Polegares e lágrimas, publicado em 2006, o estudioso estadunidense Chip Walter listou algumas características exclusivas da espécie humana. Leia o texto a seguir.

[…] Como nos tornamos seres humanos? Todos os seres vivos são únicos. As forças que impelem a evolução nos fazem assim, amolando o fio da navalha de si mesmo, dando a cada um algumas qualidades que nos distinguem como o único animal do seu tipo. O elefante tem tromba. Os besouros-bombardeiro fabricam substâncias tóxicas e ferventes e as disparam com precisão de suas caudas. Os falcões-peregrinos têm asas que os impelem certeiros pelo ar a 110 quilômetros por hora até sua presa. Tais características definem estas criaturas e determinam como agem. Mas que características únicas nos modelam e nos definem? Eu as reduzi a seis, cada uma delas exclusiva de nossa espécie: os dedões dos pés, os polegares, a faringe e a garganta de formato único, o riso, as lágrimas e o beijo. Como, você pode perguntar, uma coisa tão comum como um dedão do pé, tão tola quanto o riso ou tão óbvia quanto o polegar pode ter alguma coisa a ver com nossa capacidade de inventar a escrita, expressar alegria, nos apaixonar ou produzir o gênio da China ancestral? O que elas têm a dizer sobre os foguetes e o rádio, as sinfonias, os chips de computador, a tragédia ou a arte fascinante da Capela Sistina? [...] Podemos identificar a origem de todas as realizações humanas naquelas características, cada uma delas marcando uma bifurcação na estrada evolutiva, onde seguimos um caminho e o resto do reino animal seguiu outro, abrindo pequenas passagens na geografia peculiar do coração e da mente humanos, marcando trilhas que levam ao interior emaranhado do que nos faz pulsar. Considere os dedões nodosos que encontramos na ponta de nossos pés. Se não começassem a se tornar retos e a se fortalecer há mais de 5 milhões de anos, nossos ancestrais nunca teriam sido capazes de assumir a posição ereta, e suas patas dianteiras jamais teriam sido libertadas para se tornar mãos. E se nossas mãos não tivessem se libertado, não tería­mos evoluído os polegares opositores e especializados que temos, que possibilitam a criação das primeiras ferramentas. Os dedões dos pés e os polegares estão ligados a uma terceira característica — nossa garganta incomum e a faringe de formato singular em seu interior, que nos permitem produzir sons mais precisos do que qualquer animal. A posição ereta endireitou e alongou nossa garganta, de modo que nossa caixa vocal desceu. Isso possibilitou a fala, mas também precisávamos de um cérebro que pudesse gerar as construções mentais complexas exigidas pela linguagem e a fala. Como a produção de ferramentas requeria um cérebro que pudesse manipular objetos, ele forneceu as fundações neurais para a lógica, a sintaxe e a gramática, de modo que por fim podia não só pegar objetos e arrumá-los de maneira ordenada, como também podia conceber ideias para nossa faringe transformar símbolos sonoros que chamamos de palavras e organizá-las de forma que também fizessem sentido. Uma mente capaz de linguagem também é autoconsciente. A consciência combinou nossos impulsos primitivos e antigos com nossa inteligência recém-evoluída de formas tão inteiramente inesperadas que nem a linguagem podia articular com sucesso. Isto explica a origem do riso, do beijo e do choro. Embora possamos ver suas origens nos pios, chamados e comportamentos antigos de nossos primos primitivos, nenhuma outra espécie traz esta gama nas trepidações que usa para se comunicar. Alguns podem argumentar que não podemos ser reduzidos a seis características, de todas as que temos. E alguns podem argumentar que estas características não são exclusi-

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Unidade 2

vamente humanas. Afinal, os cangurus ficam eretos. E cães choram e gemem. E os chimpanzés não fazem beicinho e fecham os lábios em beijos? Sim, mas cangurus saltam, não caminham; os cães não choram lágrimas de tristeza, nem de alegria, nem de orgulho. Na verdade, eles não choram lágrima nenhuma. Nenhum outro animal faz isso, nem mesmo os elefantes [...]. E embora os chimpanzés possam ser treinados a beijar, eles naturalmente [não fazem isso]. [...] WALTER, Chip. Polegares e lágrimas. Tradução Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Record, 2009. p. 12-4.

a ) De acordo com o texto, quais são algumas das características únicas dos seres humanos? b ) Explique como cada uma delas se desenvolveu, conforme o autor do texto. c ) Escolha uma das seis características listadas por Chip Walter e escreva um texto exemplificando como ela faz parte da sua vida cotidiana.

Vestibulares 1. (UFRR) Considere as afirmações sobre o período Paleolítico: I ) Paleolítico é o primeiro e mais extenso período que conhecemos da história da humanidade, nele surgem os primeiros hominídeos, antepassados do homem moderno; II ) Com o desenvolvimento da mente e a acumulação de experiências e conhecimentos, os homens primitivos foram aperfeiçoando seus instrumentos, utensílios domésticos e armas, suas técnicas e meios de subsistência; III ) Os homens do Paleolítico viviam de uma maneira muito primitiva, em grupos nômades, ou seja, se deslocavam constantemente de região para região em busca de alimentos. Habitavam em cavernas, copas de ár vores, saliências rochosas, ou tendas feitas de galhos e cobertas de folhas ou de pele de animais; IV ) Os instrumentos ou ferramentas do Paleolítico eram de pedra, madeira ou osso. A técnica usada para fabricar seus instrumentos era de bater na pedra de maneira a lhe dar a forma adequada para cortar, raspar ou furar.

d ) Apenas o item II é falso. e ) Os itens II, III e IV são falsos.

2. (FUVEST-SP) O conhecimento sobre a origem da variabilidade entre os indivíduos, sobre os mecanismos de herança dessa variabilidade e sobre o comportamento dos genes nas populações foi incorporado à teoria da evolução biológica por seleção natural de Charles Darwin. Diante disso, considere as seguintes afirmativas: I ) A seleção natural leva ao aumento da frequên cia populacional das mutações vantajosas num dado ambiente; caso o ambiente mude, essas mesmas mutações podem tornar seus portadores menos adaptados e, assim, diminuir de frequência. II ) A seleção natural é um processo que direciona a adaptação dos indivíduos ao ambiente, atuando sobre a variabilidade populacional gerada de modo casual. III ) A mutação é a causa primária da variabilidade entre os indivíduos, dando origem a material genético novo e ocorrendo sem objetivo adaptativo. Está correto o que se afirma em

Em relação às proposições acima podemos afirmar que:

a ) I, II e III.

a ) Todos os itens são falsos.

c ) I e II, apenas.

b ) Todos estão corretos.

d ) I, apenas.

c ) Apenas o item I é verdadeiro.

e ) III, apenas.

b ) I e III, apenas.

A origem do ser humano

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Ampliando seus conhecimentos Arte e história

Existe, na região da Patagônia, na Argentina, um conjunto de grutas que abriga um dos mais intrigantes exemplos de pintura rupestre já encontrados. Tratam-se de várias mãos pintadas com diferentes cores por volta de dez mil anos atrás pelos grupos humanos que habitavam a região. Veja. c. 13000-9000 a.C. Pintura rupestre. Cova das Mãos, Santa Cruz (Argentina). Foto: MARKA/Alamy Stock Photo/Latinstock

Pintura rupestre na Cova das Mãos, fotografada em 2013.

A Cova das Mãos

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Unidade 2

A história no cinema

A guerra do fogo

Filme de Jean-Jacques Annaud. A guerra do fogo. Canadá/França, 1981. Foto: JP Laffont/Sygma/Corbis/Latinstock

O filme A guerra do fogo narra a saga de três Homo sapiens que deixaram seu abrigo para procurar uma fonte de fogo e levá-la de volta ao grupo. Durante a jornada, eles se deparam com hominídeos em diferentes estágios evolutivos, inclusive com um grupo humano que já possuía o conhecimento para a produção do fogo. Baseado na obra homônima de J. H. Rosny, o filme apresenta uma abordagem bastante realista das condições de vida de nossos ancestrais e levanta algumas hipóteses sobre a origem da linguagem usada pelo ser humano. Além disso, o filme mostra a origem de sentimentos, como o amor e a cumplicidade, e também de elementos culturais, como o uso de adereços, a prática de rituais e a construção de aldeias.

Cena do filme A guerra do fogo.

Título: A guerra do fogo Diretor: Jean-Jacques Annaud Atores principais: Everett McGill, Ron Perlman, Nameer El-Kadi

Para ler

••A

Pré-História, de Teófilo Torronteguy. Editora FTD. Livro sobre o processo evolutivo do Homo sapiens. Mostra a relação dos seres humanos com a natureza e as soluções encontradas por eles para sobreviver.

Ano: 1981 Duração: 100 minutos Origem: Canadá e França

••Evolução, de Nelio Bizzo. Editora Ática. O autor coloca em questão o estudo

do passado como condição para a compreensão do presente, e, para tanto, traz conceituações, como o que é um fóssil, e descobertas atuais inseridas no contexto do estudante brasileiro.

••A guerra do fogo, de J. H. Rosny. Bamboo Editorial. Romance de ficção científica de 1909 que serviu como roteiro para o filme homônimo, de 1981. Traduzido por Heloísa Prieto.

Para navegar

••Fundação Museu do Homem Americano (FUNDHAM). Disponível em: <http://

tub.im/5vkgov>. Acesso em: 14 ago. 2015. Instituição sediada em São Raimundo Nonato, no Piauí, criada para preservar o acervo cultural e natural do Parque Nacional Serra da Capivara.

••Museu

de Ciências Naturais. Disponível em: <http://tub.im/y7apvv>. Acesso em: 14 ago. 2015. Museu de Ciências Naturais da Univates, Lajeado (RS). Projetos e publicações sobre Arqueologia, Acarologia, Botânica e Paleobotânica, Ecologia e Sensoriamento remoto.

••Fundação

Zoobotânica. Disponível em: <http://tub.im/w55r9m>. Acesso em: 14 ago. 2015. Site da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Notícias e pesquisa sobre a Fundação, o Museu de Ciências Naturais e o Parque Zoológico.

A origem do ser humano

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unidade Persépolis (Irã). Foto: Marc Deville/Akg-Images/Latinstock

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Povos do Oriente Médio Antigo

Turista fotografa relevos em parede da cidade de Persépolis, antiga capital do Império Persa, construída no século VI a.C. Por sua importância histórica, Persépolis foi declarada pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. Fotografia de 2010, no Irã.


Os povos que habitavam o Oriente Médio na Antiguidade estão entre os primeiros a praticar a agricultura e a se tornar sedentários. Algumas das mais antigas cidades foram formadas nessa região, onde também se desenvolveram algumas das primeiras civilizações. Nesta unidade, vamos estudar os mesopotâmios, os fenícios, os persas e os hebreus. Vamos conhecer um pouco sobre como essas sociedades se organizavam, quais eram suas principais atividades econômicas, a importância da religiosidade e também como esses povos influenciaram uns aos outros. Por meio desse estudo, poderemos perceber como a cultura desses povos está presente em nosso dia a dia. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A

Descreva os relevos que a turista está fotografando na imagem. Que informações sobre os persas é possível descobrir ao analisá-los?

B

Você conhece alguma informação sobre os povos do Oriente Médio Antigo? Converse com os colegas.

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O Oriente Médio na Antiguidade Crescente Fértil: região em forma de lua crescente, conhecida pela fertilidade de seu solo. Essa fertilidade decorre da deposição de detritos orgânicos e minerais no solo por ocasião das cheias dos rios.

Qual foi o lugar de origem das primeiras civilizações? Essa questão já gerou muitos debates entre os estudiosos. Enquanto alguns deles afirmam que foi na região do vale do rio Nilo, no Egito, outros defendem que as mais antigas civilizações desenvolveram-se no vale dos rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia. Existem também aqueles estudiosos que defendem a teoria da simultaneidade no desenvolvimento das civilizações. Neste caso, elas teriam se desenvolvido em diferentes regiões do Crescente Fértil, por volta do quarto milênio antes da Era Cristã, e, logo em seguida, nos vales férteis da Índia e da China. As datações, no entanto, podem ser alteradas com novas descobertas arqueológicas.

Civilização Vários são os aspectos que os estudiosos apontam para caracterizar uma civilização. Entre esses aspectos, estão: a organização estatal com religião oficial, a utilização da escrita, a divisão e a especialização do trabalho, além da estratificação social.

Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

Explorando a imagem

a ) Observe o mapa e responda: quais eram os principais rios da região do Crescente Fértil na Antiguidade? b ) Procure identificar no mapa as regiões habitadas pelos mesopotâmios, fenícios, persas e hebreus.

ANATÓLIA

E. Cavalcante

O Oriente Médio Antigo

Mar Cáspio

Çatal Hüyük Rio

Ebla Chipre

gr

ME

e

R io N il o

Sialk

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Mênfis

Assur tes

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SO

R io J o rdão

Jericó

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Mari

Biblos

CANAÃ

Eu

Ri

FENÍCIA

Mar Mediterrâneo

Nínive

PÉRSIA

PO TÂ M

IA

Susa Uruk Ur

Heliópolis

30˚ N

Golfo Pérsico

EGITO

N

Mar Vermelho

O 0

130 km

Crescente Fértil

L S

45˚ O

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

50


Povos do Oriente Médio Antigo

Mesopotâmios 3500 a.C. a 539 a.C. Entre os vários povos que habitaram a Mesopotâmia estão os sumérios, os babilônios e os assírios. Esses povos foram responsáveis pela criação de algumas das primeiras civilizações da história, desenvolveram complexos sistemas hidráulicos e criaram alguns dos primeiros sistemas de escrita da humanidade.

3500 a.C.

3500 a.C.

Fundação das primeiras cidades sumérias.

Unidade 3

Linha do tempo

2700 a.C.

Fundação de Biblos, na Fenícia. 3000 a.C.

2340 a.C.

Domínio acadiano sobre as cidades sumérias.

2000 a.C.

Fenícios 2700 a.C. a 146 a.C. Os fenícios foram grandes navegadores, desenvolvendo intensas atividades pesqueiras e comerciais. Construíram cidades que foram importantes centros comerciais, além de exercerem o domínio sobre as principais rotas marítimas do mar Mediterrâneo.

Fundação do Primeiro Império Babilônico. 2500 a.C.

1800 a.C.

Fixação dos hebreus em Canaã.

1550 a.C.

Domínio cassita sobre a Mesopotâmia.

1300 a.C. Persas 2000 a.C. a 330 a.C.

2000 a.C.

Os persas se estabeleceram na região do planalto Iraniano. Dessa região de solo arenoso e pouco fértil, os persas se expandiram e constituíram um dos maiores impérios da Antiguidade, que englobava todo o Oriente Médio e Egito, além de parte dos territórios habitados pelos gregos.

Início do domínio assírio sobre a Mesopotâmia.

814 a.C.

Fundação de Cartago.

559 a.C. 1500 a.C.

Os persas conquistam sua independência.

539 a.C.

Os persas conquistam os domínios caldeus. Fim da civilização mesopotâmica.

Hebreus 1800 a.C. a 135 Os hebreus desenvolveram uma das civilizações que mais influenciaram a história do mundo ocidental, principalmente no campo religioso. Sua história foi marcada por conflitos territoriais e constantes migrações.

330 a.C. 1000 a.C.

Alexandre da Macedônia conquista o Império Persa.

146 a.C.

Cartago é destruída pelos romanos.

63 a.C. 500 a.C.

Os romanos anexam a Judeia ao seu império.

Ano 1

Nascimento de Jesus.

135 1

Uma tentativa de rebelião judaica é sufocada pelas forças romanas, acarretando a dispersão dos judeus.

Povos do Oriente Médio Antigo

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A civilização mesopotâmica c. 728 a.C. Relevo mural em gipsita. 113 x 69 cm. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Kamira/Shutterstock.com

A Mesopotâmia é circundada por montanhas e desertos. O norte é montanhoso e seco, enquanto o centro e o sul são cortados por vales férteis, entre os rios Tigre e Eufrates. As cheias dos rios mesopotâmicos não eram regulares, ocasionando épocas de secas e períodos de inundações. Por isso, para praticar a agricultura, os povos da região desenvolveram técnicas hidráulicas, como a construção de diques e barragens, para a contenção e armazenamento de água, além de sistemas de canais para irrigação durante a estiagem.

Os povos mesopotâmicos A região mesopotâmica foi habitada por diversos povos na Antiguidade. Alguns desses povos já viviam ali, mas outros vieram de lugares distantes, atraídos pela riqueza da “terra entre rios”. A disputa pelo domínio da região fez que eles travassem inúmeras guerras, o que resultou no sucessivo domínio de um povo sobre o outro. Esses povos, mesmo falando línguas diferentes e tendo culturas distintas, influenciaram culturalmente uns aos outros. Dessa maneira, eles passaram a ter características em comum, como a religião, as técnicas de construção e a escrita. Por causa dessas semelhanças, são conhecidos como povos mesopotâmicos.

Relevo em gesso do século VIII a.C. representando o rei assírio Tiglate-Pileser III.

Povos que dominaram a Mesopotâmia Povo

Período

Características

Sumérios

3500 a 2340 a.C.

Os sumérios chegaram à região da Mesopotâmia em meados do quarto milênio antes da Era Cristã. Sua cultura integrou outros povos da região, e suas cidades independentes prosperaram até 2340 a.C., quando foram invadidas.

Acádios

2340 a 2000 a.C.

Os acadianos viviam ao norte das cidades sumérias, as quais invadiram criando o Primeiro Império Mesopotâmico. Eles absorveram a cultura suméria e adotaram sua religião e escrita.

Babilônios

2000 a 1550 a.C.

Também chamados de babilônios, os amoritas invadiram e dominaram toda a região da Mesopotâmia. Sob o comando do rei Hammurabi, eles formaram um Estado unificado e fundaram o Primeiro Império Babilônico.

Cassitas

1550 a 1300 a.C.

Os cassitas conquistaram os babilônios e ocuparam a Mesopotâmia. Enquanto detinham o controle da região, eles melhoraram as técnicas agrícolas e introduziram o uso do cavalo.

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Assírios

1300 a 612 a.C.

Os assírios, provenientes de Assur, na Mesopotâmia, tinham uma grande força militar: soldados com armaduras, armas de ferro, carros de guerra e cavalaria. Com isso, dominaram toda a região mesopotâmica. O apogeu do Império Assírio ocorreu entre os séculos VIII a.C. e VII a.C., sob os reinados de Sargão II e Senaqueribe.

Caldeus

612 a 539 a.C.

Os caldeus, que se estabeleceram no sudeste da Mesopotâmia, fundaram o Segundo Império Babilônico. Depois de obterem o controle da Mesopotâmia, eles conquistaram outras regiões, como a Síria, ampliando seus domínios até a fronteira com o Egito.


A sociedade mesopotâmica era rigidamente hierarquizada. No topo da hierarquia social estava o rei, considerado representante dos deuses. Logo abaixo estavam os sacerdotes, nobres e chefes militares, formando uma minoria privilegiada que ocupava altos cargos no governo. Havia ainda uma camada intermediária, formada pelos fiscais, escribas e comerciantes.

Relevo mural em alabastro. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Gianni Dagli Orti/Corbis/Latinstock

A camada social mais numerosa era formada por trabalhadores pobres, como camponeses e artesãos, que eram obrigados a pagar tributos. Havia também os escravos, que eram, geralmente, prisioneiros de guerra.

Escriba: pessoa letrada que se ocupava dos registros burocráticos da administração. Tributo: imposto cobrado pelo Estado.

A importância atribuída ao rei nas sociedades da Mesopotâmia se refletiu nas produções artísticas dos povos que viveram na região. Na imagem ao lado, por exemplo, um rei assírio foi representado durante um banquete. Detalhe de relevo em pedra de cerca de 650 a.C.

As atividades econômicas A agricultura e a pecuária eram a base da economia mesopotâmica. Os mesopotâmios criavam carneiros, cabritos, bois, jumentos e cavalos. Os principais produtos agrícolas cultivados eram a cevada, o trigo, o gergelim e os legumes, como cebola, alho e pepino. Grande parte do que era produzido no campo destinava-se à alimentação dos moradores das cidades. Nas cidades, havia vários profissionais, como comerciantes, artesãos, barbeiros, escultores e carpinteiros. Muitos desses profissionais trabalhavam em suas próprias residências, que funcionavam como oficinas de artesanato ou armazéns. Localizados em uma região de convergência das rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente, os mesopotâmios realizavam o comércio com vários povos. As caravanas de mercadores eram fundamentais para a aquisição de produtos escassos na região, como madeira de qualidade, pedras preciosas e metais. Esses produtos serviam de matéria-prima para a fabricação de armas e joias, que eram exportadas depois de manufaturadas. Os mesopotâmios também exportavam tecidos e cereais.

O sujeito na história

Explorando a imagem a ) Identifique o rei na imagem. De que maneira ele foi representado? b ) O que a maneira como o rei foi representado indica sobre o seu papel na sociedade mesopotâmica? Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

Enhéduanna

Enhéduanna foi uma mulher que viveu na Mesopotâmia por volta de 2300 a.C. Mesmo em uma época em que as mulheres tinham pouco destaque na sociedade, Enhéduanna se tornou conhecida em razão das obras que escreveu. Ela era uma sacerdotisa e muitos dos seus poemas foram dedicados a Inanna, deusa mesopotâmica da guerra e do amor. Enhéduanna ficou conhecida porque foi uma das primeiras pessoas a assinar suas obras. Povos do Oriente Médio Antigo

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Unidade 3

A sociedade


As práticas religiosas Augúrio: prática ritualística para se prever o futuro por meio de sinais da natureza, como os voos dos pássaros e as entranhas dos animais. Oráculo: mensagem ou resposta concedida pela divindade, geralmente por meio de um sacerdote.

Os mesopotâmios eram politeístas, isto é, adoravam vários deuses. Cada cidade tinha uma divindade protetora, a quem era dedicado o maior templo. A religião era a principal referência para as atividades cotidianas. Os reis e os sacerdotes consultavam os deuses antes de tomar decisões. Essa consulta era feita por meio da observação das estrelas e dos astros, do exame das entranhas de animais sacrificados e, também, pelos oráculos. O texto a seguir trata da religião suméria, que exerceu forte influência entre os povos mesopotâmicos. Leia-o.

c. 900-800 a.C. Kudurru. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Kamira/Shutterstock.com

[...] A natureza e todas as atividades humanas eram presididas por seus próprios deuses ou deusas. A chuva, o Sol, a Lua, a vegetação — tudo possuía sua divindade específica. [...] Os deuses não eram considerados iguais. Os mais importantes formavam um quarteto que controlava o que os sumérios acreditavam ser os quatro principais domínios da natureza: o céu, o ar, a terra e a água. [...] Todos os deuses sumérios, tanto os maiores quanto os menores, eram dotados das mesmas condições e necessidades físicas dos seres humanos. As divindades sumérias comiam, bebiam, amavam, casavam e discutiam entre si. Elas também comunicavam à raça humana seus variados desejos e intenções, fazendo com que seus respectivos sacerdotes e sacerdotisas deles se inteirassem por meio de augúrios [...]. WOODHEAD, Henry (Dir.). A era dos reis divinos: 3000-1500 a.C. Tradução Cláudio Marcondes e Adília Belloti. Rio de Janeiro: Cidade Cultural, 1989. p. 13-4. (História em revista).

Plaqueta de pedra de cerca de 900 a.C. representando divindades mesopotâmicas.

No campo científico, os mesopotâmios desenvolveram cálculos de matemática e geo­ metria, criando tábuas de divisão e multiplicação, determinando a área de triângulos retângulos e dividindo o círculo em 360 graus. Estudos relacionados à astronomia também foram desenvolvidos, e a observação dos astros possibilitou a criação de um calendário lunar. Os mesopotâmios conseguiram criar, por meio da constante experimentação, medicamentos eficazes para o tratamento de diversas doenças. Além disso, conheciam as funções dos principais órgãos do corpo humano.

Everett Historical/Shutterstock.com

Ruínas do zigurate da cidade suméria de Ur, construído por volta de 2100 a.C. Na Mesopotâmia, um zigurate servia como templo religioso e, também, observatório astronômico.

O conhecimento experimental

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Séc. III-II a.C. Argila. 13,97 x 14,6 cm. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Kamira/Shutterstock.com

Desenvolvida pelos sumérios por volta de 3300 a.C., a escrita cuneiforme é considerada uma das mais antigas formas de escrita da humanidade. Ela recebeu esse nome porque seus traços lembram o formato de uma cunha. Nesse tipo de escrita, o registro das palavras era feito em plaquetas de argila com um instrumento pontiagudo. No início, a escrita cuneiforme era utilizada pelos sumérios principalmente para suas atividades administrativas, como o registro da produção agrícola e o controle do pagamento de impostos. Depois, com o aperfeiçoamento dessa escrita, seu uso foi ampliado, e ela passou a ser utilizada para registrar decretos reais, códigos de leis, hinos, poesias, cartas de amor etc. Leia o texto.

No princípio, os sinais cuneiformes eram pictográficos, ou seja, desenhavam aproximadamente aquilo que queriam significar: o desenho de uma mão significava a palavra “mão”; um galho de cereal significava “cereal” ou “grão de cereal”. Após, os desenhos passaram a expressar ideias mais abrangentes: a mão poderia significar “força” ou o verbo “proteger”. Esse segundo estágio chama-se ideográfico.

Plaqueta de argila de cerca de 300 a.C. com escrita cuneiforme.

Mais tarde, os sinais ganharam valores fonéticos (passaram a expressar sons, geralmente sílabas: ab, ba, bab). [...] REDE, Marcelo. A Mesopotâmia. São Paulo: Saraiva, 1997. p. 32. (Que história é esta?).

Mesmo com o desenvolvimento de alguns sinais fonéticos, a maioria dos sinais cuneiformes continuou a ser ideográfica. Por isso, a escrita mesopotâmica era muito difícil de ser aprendida, sendo seu uso reservado aos escribas.

O Código de Hammurabi foi um dos primeiros códigos de leis escrito. Ele foi organizado durante o governo de Hammurabi, rei da Babilônia, entre 1792 a.C. e 1750 a.C. Esse código era formado por 282 artigos que abordavam diversos assuntos, como regulamentação de preços e tarifas; regras para a posse de escravos; direito patrimonial, da família e das heranças; penas para delitos e punição para juízes corruptos. Ele baseava-se na Lei de Talião (“Olho por olho, dente por dente”), um antigo princípio mesopotâmico. De acordo com esse princípio, o responsável por um crime deveria receber um castigo equivalente ao crime que cometeu. Veja alguns de seus artigos. Art. 195 — Se um filho bateu em seu pai: cortarão a sua mão. [...] Art. 205 — Se o escravo de um awilum agrediu a face do filho de um awilum: cortarão a sua orelha. [...] Art. 250 — Se um boi, andando pela rua, escorneou um awilum e causou a sua morte: esta causa não terá reivindicação. [...] O Código de Hammurabi. 3. ed. Tradução E. Bouzon. Petrópolis: Vozes, 1980. p. 86; 88; 99.

Awilum: do sumério, significa “homem”. Estela: monumento formado de uma só pedra.

Estela com cerca de 2,25 metros de altura com a inscrição do Código de Hammurabi. Na parte superior, foi esculpida a imagem de Hammurabi recebendo do deus Shamash o poder real para exercer a justiça. Na parte inferior, está gravado o conjunto de leis em escrita cuneiforme.

O tema sobre o Código de Hammurabi favorece o trabalho interdisciplinar com Sociologia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

c. 1792-1750 a.C. Estela de diorito. Museu do Louvre, Paris (França). Foto: jsp/Shutterstock.com

O Código de Hammurabi

Povos do Oriente Médio Antigo

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Unidade 3

A escrita cuneiforme


Os fenícios Os fenícios eram descendentes de povos semitas que, por volta de 3000 a.C., fixaram-se em uma estreita faixa de terra localizada entre a costa oriental do mar Mediterrâneo e uma cadeia de montanhas. Essa região apresentava características que não favoreciam a agricultura, porém era repleta de portos naturais. Com isso, os fenícios voltaram-se para o mar, dedicando-se à pesca e ao comércio. Eles instalaram portos comerciais em diferentes pontos do litoral do mar Mediterrâneo. Nesses portos, além dos estaleiros, construíam oficinas de artesanato, moradias e tendas para realizarem as trocas comerciais. Séc. VIII a.C. Relevo. Museu do Louvre, Paris (França). Foto: Gianni Dagli Orti/Corbis/Latinstock

Estaleiro: lugar em que se constroem ou consertam navios. Semitas: referente ao grupo étnico e linguístico que, de acordo com a tradição bíblica, descende de Sem, filho de Noé, e que compreende hebreus, assírios, aramaicos e árabes.

Fenícios carregando toras de cedro-do-líbano em embarcação. Detalhe de relevo em pedra do século VIII a.C.

O comércio fenício Os fenícios comercializavam diversas mercadorias, como azeite, vinho, mel, papiro, cedro-do-líbano e, principalmente, produtos manufaturados, como joias, tecidos tingidos, perfumes e utensílios domésticos. Em troca desses produtos, os fenícios recebiam, por exemplo, ouro, prata, cobre e ferro. As embarcações fenícias possuíam velas quadradas e remos enfileirados, que eram manobrados por escravos. As embarcações comerciais possuíam um casco largo e arredondado, com espaço para transportar as mercadorias. Já as embarcações de guerra eram menores, compridas e estreitas, o que as tornava mais velozes. Elas eram responsáveis pela patrulha da rota comercial e possuíam um esporão na proa para perfurar os cascos das embarcações inimigas.

Cidades e colônias fenícias As principais cidades fenícias eram Biblos, Sídon e Tiro. Havia também diversas colônias fundadas pelos fenícios, algumas das quais cresceram e se tornaram cidades importantes, como Cartago, Palermo e Gades. Elas eram chamadas de cidades-Estado, pois eram autônomas entre si e cada uma tinha seu próprio governo. Rotas comerciais e colônias fenícias OCEANO ATLÂNTICO

BRETANHA

N O

L S

Massalina

Córsega

Sagunto Gades Tíngis

Mar Negro

Ibiza

Mar Adriático

Sardenha

Cartagena

Palermo

Cartago

Sicília

Rhodes Salamina Creta

Fenícia

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Mar Egeu

Siracusa

NUMÍDIA

Fonte: KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. The Penguin Atlas of World History. Londres: Penguin Books, 2003.

Mar Mediterrâneo

Sabrata

Colônias fenícias Rotas comerciais fenícias

0

310 km

45° N

15° L LÍBIA

EGITO

FENÍCIA Biblos Sídon Tiro DESERTO DA ARÁBIA

E. Cavalcante

IBÉRIA


As trocas culturais Os fenícios tiveram um papel fundamental no intercâmbio cultural entre vários povos antigos. Isso porque, nas relações comerciais, além da troca de mercadorias, ocorria também uma troca de conhecimentos.

c. 2000-1600 a.C. Espelho de prata. Museu Arqueológico Nacional, Beirute (Líbano). Foto: Philippe Maillard/ Akg-Images/Latinstock

A técnica de tingir tecidos, por exemplo, era uma herança mesopotâmica; a técnica de fabricar artefatos de vidro, por sua vez, era um aperfeiçoamento de conhecimentos desenvolvidos pelos egípcios. Os conhecimentos dos fenícios também influenciaram outros povos. Os gregos, por exemplo, aprenderam com eles princípios matemáticos e astronômicos. Além disso, construtores e navegadores fenícios auxiliaram os hebreus e os persas na construção de edifícios e nas técnicas de navegação marítima.

Lukasz Janyst/Shutterstock.com

Enquanto isso

Unidade 3

Por meio desse intercâmbio cultural, os fenícios transmitiram muitos conhecimentos a outros povos. Eles souberam também assimilar e aperfeiçoar técnicas utilizadas por diferentes povos, como os egípcios, os mesopotâmios e os gregos.

Espelho fenício de cerca de 2000 a.C. com cabo em formato de papiro. Este artefato indica trocas culturais entre fenícios e egípcios.

... em Cartago

Cartago foi fundada pelos fenícios no século IX a.C., no litoral norte da África, e destacou-se por causa do comércio marítimo. Assim como outras colônias fenícias, pagava tributos à sua metrópole (Tiro) e compartilhava da cultura, língua e religião fenícias, porém mantinha sua autonomia política. No século V a.C., tornou-se uma grande potência, controlando importantes centros comerciais. Os cartagineses também fundaram colônias em outras regiões do litoral africano, na península Ibérica e no oeste da Sicília, dominando grande parte do comércio no mar Mediterrâneo.

Artefato: neste caso, refere-se a objetos manufaturados. Muitos artefatos produzidos por artesãos que viveram milhares de anos atrás foram encontrados em escavações arqueológicas, tornando-se fontes históricas para o estudo das sociedades antigas.

Fotografia de 2015 que retrata as ruínas de Cartago, localizadas próximas à atual cidade de Túnis, na Tunísia.

Povos do Oriente Médio Antigo

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O alfabeto fenício Os fenícios, por causa de sua intensa atividade comercial, tinham a necessidade de escrever de maneira clara e eficiente, a fim de manter o controle das negociações que faziam e de preservar a unidade cultural entre suas colônias. Os sistemas de escrita mais utilizados na época eram o egípcio e o mesopotâmico, ambos bastante complexos, sendo sua utilização limitada aos escribas.

Fragmento de cobre do século X a.C. com escrita fenícia.

Passado e presente

m. x 5 c íbano). (L e. 9,9 cobr B eir u te ins tock e d o al, L at nt g me o Nacion Image s/ . Fr a 0 a.C ueológ ic rd/A k g 5 9 . la c rq Mail eu A Mus Phil ippe : Foto

Por volta de 1000 a.C., os fenícios desenvolveram um sistema de escrita bem mais simples do que os outros sistemas da época, permitindo que mais pessoas tivessem acesso à leitura e à escrita. A grande inovação dessa escrita foi a utilização de sinais que representavam exclusivamente os sons da fala. A escrita fenícia era composta de 22 sinais, que representavam os sons das consoantes do idioma fenício. Com o passar do tempo, diversos povos que comercializavam com os fenícios foram adotando esses sinais e adaptando-os aos sons próprios de seus idiomas.

A influência fenícia nos alfabetos atuais

O alfabeto fenício deu origem, direta ou indiretamente, a grande parte dos alfabetos utilizados pelos povos da atualidade. Os falantes da língua portuguesa, por exemplo, escrevem utilizando as letras do alfabeto latino, criado pelos romanos com base no alfabeto grego; o alfabeto grego, por sua vez, foi desenvolvido a partir do fenício. Os gregos, ao criarem seu alfabeto, aprimoraram o alfabeto consonantal fenício, inserindo nele um importante avanço: as vogais. A partir da criação do alfabeto com vogais, tornou-se possível representar os sons da fala de maneira precisa, por meio de letras agrupadas. Latim atual Latim antigo

Fenício

Renan Fonseca

Grego antigo

Fonte: ARRUDA, Francisco Edmar Cialdine. De A a Z. Revista Língua Portuguesa. São Paulo. Escala, edição 48, 2014. Disponível em: <http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/48/sumario.asp>. Acesso em: 27 jan. 2016.

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Os persas Os persas eram um dos povos nômades que, por volta de 1200 a.C., se fixaram em uma região montanhosa entre o golfo Pérsico e o mar Cáspio. Essa região ficou conhecida como Pérsia.

Os medos

Apesar do clima seco da região, os persas aproveitaram as poucas áreas férteis disponíveis e passaram a praticar a agricultura e o pastoreio.

O Império Persa Ciro, o Grande, foi o líder que conseguiu unificar as tribos persas e iniciar um período de vitórias militares. Em 559 a.C., os persas tornaram-se independentes dos medos, realizando grandes conquistas territoriais. Na época do governo de Dário I, neto de Ciro, os persas já haviam constituído um grande império, que se estendia do Egito até a Índia.

Unidade 3

Vizinhos dos persas, os medos também chegaram à região por volta de 1200 a.C. Abandonando a vida nômade, eles se fixaram em uma área próxima aos montes Zagros e mais tarde, no século VIII a.C., fundaram a cidade de Ecbátana. Entre 600 a.C. a 559 a.C., os medos dominaram os persas, obrigando-lhes a pagar tributos.

O Império Persa N O

L S

Mar

Mar Negro

Cáspio para o Cáucaso

Troia

ARMÊNIA   CAPADÓCIA

BACTRIANA

Haran

Nínive

Mileto

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Ecbátana

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Babilônia

BABILÔNIA

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265 km

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0

ARIA

Susa PÉRSIA Passárgada para o Vale

Império Persa em sua máxima extensão Estrada Real Estradas Satrapias

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do Indo

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30˚ N

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para o Vale do Indo

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Mar Mediterrâneo

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para a Grécia

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Sardes

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LÍDIA

45˚ O

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

As satrapias Para administrar um território tão vasto, o império foi dividido em províncias, denominadas satrapias. Elas eram administradas pelos governadores (sátrapas), nomeados pelo imperador persa.

As estradas Para facilitar a administração do império, os persas construíram uma rede de estradas que interligava as diferentes satrapias. Além da construção de estradas, os persas criaram uma moeda única, o dárico, e padronizaram o sistema de pesos e medidas.

A Estrada Real A maior e mais importante das estradas persas era a Estrada Real, que tinha aproximadamente 2 736 quilômetros de extensão e ligava as cidades de Susa e Sardes.

A cobrança de tributos Os persas exigiam dos povos conquistados o pagamento de tributos, que eram enviados dos mais diferentes lugares. Da Anatólia, por exemplo, os persas recebiam como tributo carregamentos de ouro, prata e cobre; do Egito, linho e papiro; da Arábia, incensos. Povos do Oriente Médio Antigo

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O correio persa Para administrar com mais eficiência seu vasto império, os persas criaram um grande sistema de transmissão de mensagens. Para que esse sistema funcionasse, eles construíram postos ao longo das estradas, onde havia cavalos e cavaleiros alimentados e descansados. Assim, um cavaleiro que portava uma mensagem cavalgava rapidamente até o próximo posto e transmitia a mensagem para o cavaleiro que ali se encontrava. Esse cavaleiro partia imediatamente levando a mensagem até o posto seguinte e, assim, sucessivamente, até a mensagem chegar ao seu destino. O correio persa era eficiente, e uma mensagem podia ser levada por centenas de quilômetros em um único dia.

A cidade de Persépolis Durante o governo do imperador Dário I, os persas deram início à construção de uma nova cidade para servir de capital ao império. Essa cidade recebeu o nome de Persépolis. Além de um imponente complexo de palácios, Persépolis contava com um grandioso centro cerimonial, um salão de audiências e diversos edifícios do governo.

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Ruínas do Palácio de Persépolis, construído por volta de 515 a.C. Fotografia tirada no Irã, em 2014.


De acordo com o zoroastrismo, cada pessoa tem liberdade de escolher entre o bem e o mal. Caso escolha praticar o bem e seguir o preceito da crença — “Bons Pensamentos, Boas Palavras e Boas Ações” —, ao morrer, será considerada merecedora do reino de Ahura Mazda, cheio de luz e bondade. Se optar por praticar o mal e nutrir sentimentos ruins, será punida com o reino das sombras, morada de Ahriman. A religião persa exerceu influência sobre o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, as três principais religiões monoteístas da atualidade.

Unidade 3

Os antigos persas seguiam a religião conhecida como zoroastrismo, fundada pelo profeta Zaratustra (ou Zoroastro, em grego), por volta de 600 a.C. Segundo essa crença, havia uma divindade suprema, onipotente e onisciente, Ahura Mazda, que representava a luz, o bem e a verdade. Existia também uma força oposta, representada pelo seu irmão gêmeo Ahriman, que trazia consigo o mal, a mentira e a falsidade. Assim, o Universo era o campo de batalha entre as forças do bem e do mal.

Paule Seux/Hemis/Corbis/Latinstock

O zoroastrismo

Refletindo

• Quais características do zoroastrismo

podem ser percebidas nas principais religiões monoteístas da atualidade?

Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

Povos do Oriente Médio Antigo

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Os hebreus Canaã: território localizado entre o mar Mediterrâneo e o deserto da Síria.

Por volta de 1800 a.C., o território de Canaã foi ocupado pelos hebreus, um povo de origem semita. Eles se dedicavam à criação de carneiros e cabritos, e deslocavam-se constantemente em busca de pastagens para seus rebanhos.

c. 1290. Iluminura. Biblioteca Britânica, Londres (Inglaterra). Foto: Akg-Images/British Library/Latinstock

Para os hebreus, existia somente uma divindade, Javé. De acordo com a tradição hebraica, ele fez uma aliança com os hebreus, na qual prometeu dar-lhes o território de Canaã em troca de obediência. Por isso, Canaã ficou conhecida como Terra Prometida, entre os hebreus.

A Torá As crenças e, também, muitas histórias do povo hebreu estão registradas na Torá, um conjunto de cinco livros — Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio —, que também fazem parte da Bíblia: um conjunto de aproximadamente 70 livros de diversos gêneros, escritos em momentos diferentes e regiões diversas, organizados e compilados no século IV. A Torá, também conhecida como Pentateuco, é composta por ensinamentos religiosos, mandamentos e leis, sendo uma das principais referências para o estudo da história do povo hebreu. Outras referências são textos históricos, como os do historiador Flávio Josefo (cerca de 37-100) e, também, pesquisas arqueológicas desenvolvidas por especialistas ao longo do tempo.

Representação de um hebreu lendo a Torá. Iluminura do século XIII.

Os hebreus no Egito De acordo com a narrativa do Pentateuco, depois de se fixar em Canaã, os hebreus ali permaneceram por cerca de duzentos anos. Por volta de 1700 a.C., no entanto, uma forte seca assolou a região, e os hebreus foram obrigados a abandonar Canaã. Eles emigraram, então, para o Egito e se estabeleceram nas proximidades do delta do rio Nilo. Nessa época, o Egito estava sob o domínio dos hicsos, povo que, como os hebreus, era de origem semita. Enquanto o Egito esteve sob o domínio dos hicsos, os hebreus não foram incomodados. No entanto, quando os egípcios conseguiram expulsar os hicsos, por volta de 1575 a.C., passaram a escravizar os hebreus. Na condição de escravos, os hebreus realizavam trabalhos forçados, como fabricar tijolos e arar os campos.

O Êxodo Por volta de 1300 a.C., sob a liderança de Moisés, os hebreus conseguiram fugir do Egito e retornar à Canaã, evento que ficou conhecido como Êxodo. De acordo com o Pentateuco, durante o Êxodo, Moisés subiu o monte Sinai e lá recebeu de Javé os Dez Mandamentos, conjunto de regras que deveriam ser seguidas por todos os hebreus.

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O período dos juízes

Unidade 3

Quando chegaram à Canaã, por volta de 1260 a.C., os hebreus encontraram a região ocupada por outros povos, principalmente os cananeus e os filisteus. De acordo com a tradição hebraica, eles iniciaram uma luta contra esses povos para dominar a Terra Prometida. Durante esse período de conflitos, as tribos hebraicas foram lideradas pelos juízes, que além de chefes militares eram líderes políticos e religiosos.

O Reino de Israel

c. 1006-586 a.C. Sinete. 2 cm. Autoridade de Antiguidades de Israel, Jerusalém. Foto: AkgImages/Bible Land Pictures/Latinstock

As lutas para dominar Canaã fizeram que as tribos hebraicas gradualmente se unissem e se organizassem politicamente. Por fim, em cerca de 1010 a.C., os hebreus fundaram o Reino de Israel e escolheram um rei para governá-los. De acordo com a Torá, o primeiro rei hebreu, chamado Saul, sofreu várias derrotas militares e acabou morrendo durante uma batalha. Seu sucessor foi Davi, jovem comandante que já havia vencido diversos combates quando subiu ao trono. Durante seu governo, que durou quarenta anos, Davi derrotou os filisteus, conquistando a maior parte de Canaã, e escolheu Jerusalém para ser a capital do Reino de Israel. O sucessor de Davi foi seu filho Salomão. De acordo com a tradição hebraica, Salomão foi um governante sábio e esclarecido. Durante seu governo, o Reino de Israel atravessou um período de esplendor e prosperidade, pois ele ampliou os domínios do reino, estimulou o comércio e reali zou várias obras em Jerusalém. A mais conhecida dessas obras foi o Templo de Jerusalém, também chamado de Templo de Salomão.

Carimbo de pedra do século XI a.C. encontrado próximo às ruínas do Templo de Salomão.

O Templo de Salomão O Templo de Salomão envolvia um complexo de santuários, pátios, residências reais e palácios cerimoniais. Ele era um local de culto e representava a religião monoteísta seguida pelos hebreus. No século VI a.C., o templo foi destruído pelos babilônios e reconstruído algumas décadas depois, constituindo o chamado “Segundo Templo”.

Sean Pavone/Shutterstock.com

No século I, o templo foi destruído novamente, dessa vez pelos romanos, durante o ataque à Jerusalém. De acordo com a tradição hebraica, uma parte desse templo não foi destruída. Essa parte, chamada de Muro das Lamentações, é atualmente considerada um local sagrado de adoração.

Muro das Lamentações em Jerusalém, Israel, em 2015.

Povos do Oriente Médio Antigo

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O Estado hebraico dividido Os reinos hebraicos N O

FENÍCIA

L S

Mar Mediterrâneo

REINO DOS ARAMEUS

Samaria

REINO DOS FILISTEUS

Rio Jord ão

REINO DE ISRAEL

REINO DOS AMONITAS

Jerusalém

Após a morte de Salomão, por volta de 930 a.C., a população se revoltou contra essa pesada tributação. As tribos que viviam no norte do reino não se submeteram a Roboão, filho e sucessor de Salomão, e fundaram seu próprio reino, que também se chamava Reino de Israel, com capital em Samaria. As tribos do sul, por sua vez, formaram o Reino de Judá e mantiveram a capital em Jerusalém.

31° 6’ N

Mar Morto

As dominações estrangeiras Durante cerca de duzentos anos, os dois reinos mantiveram sua independência. Porém, em 722 a.C., o Reino de Israel foi dominado pelos assírios. O Reino de Judá resistiu por mais tempo, mas em 587 a.C., foi conquistado pelos caldeus, que destruíram sua capital e levaram os hebreus como escravos para suas terras. Esse episódio ficou conhecido como Cativeiro da Babilônia.

REINO DE JUDÁ

E. Cavalcante

Para construir o Templo de Jerusalém e, também, para manter o luxo na corte, durante o governo do rei Salomão, houve um grande aumento na tributação. A cobrança de pesados tributos gerou um enorme descontentamento, principalmente entre as camadas mais pobres da população.

0

40 km

35˚ L Fonte: KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. The Penguin Atlas of World History. Londres: Penguin Books, 2003.

Por volta de 539 a.C., quando os persas dominaram a região mesopotâmica, os hebreus puderam voltar a Canaã. Mesmo permanecendo sob domínio persa, os hebreus reconstruíram seu Estado na região de Judá. Com o tempo, por causa do nome dessa região, os hebreus passaram a ser conhecidos como judeus.

Enquanto isso

... no continente americano

Escultura em basalto. 250 cm. Sítio arqueológico La Venta, Villahermosa (México). Foto: piotrwzk/Shutterstock.com

Na época em que o Estado hebraico foi dividido, ou seja, no século X a.C., estava em desenvolvimento na América Central uma das primeiras civilizações americanas: a civilização olmeca. Os olmecas formaram vários centros urbanos, entre eles, San Lorenzo e La Venta, localizados na região do golfo do México. A cultura olmeca influenciou diferentes civilizações americanas, como a maia e a asteca. Imagem que retrata uma das cabeças gigantes esculpidas pelos olmecas. Com cerca de 2,5 metros de altura, foi esculpida em um único bloco de pedra. O significado dessa escultura permanece um mistério para os estudiosos. Fotografia de 2012, tirada no Sítio Arqueológico La Venta, Villahermosa, México.

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A resistência e a dispersão

Amit Erez/Shutterstock.com

Sob o domínio dos romanos, os judeus tentaram por duas vezes retomar o poder sobre seu território. A primeira tentativa foi no ano de 66, em que eles organizaram uma revolta, que foi duramente reprimida pelos romanos. Jerusalém foi destruída e o Templo de Salomão foi incendiado. A segunda revolta aconteceu no ano de 132. Dessa vez os judeus conseguiram recuperar o controle de sua região e resistiram a ataques romanos durante três anos. No ano de 135, no entanto, o imperador romano Adriano enviou suas melhores tropas para reprimir a revolta e expulsar os judeus da Judeia. Com isso, os sobreviventes desse ataque iniciaram um processo de dispersão pelo mundo.

Jesus Jesus (Yeshua, em hebraico) era judeu e viveu durante a dominação romana na Judeia. Sua pregação, que defendia a igualdade entre as pessoas e o amor ao próximo, formou a base sobre a qual se constituiu o cristianismo. A pregação de Jesus, no entanto, representava uma ameaça para os sacerdotes judeus e, também, para os romanos, que, na época, governavam a Judeia. Como Jesus defendia a igualdade entre as pessoas, ele desagradava aos sacerdotes judeus. Além disso, ele demonstrava indignação contra a pesada tributação praticada pelos romanos, e isso era mal visto pelos membros da elite romana, que temiam que sua pregação pudesse estimular revoltas populares. Muitos estudiosos acreditam que os sacerdotes judeus se aliaram à elite romana para condenar Jesus à morte e, assim, afastar o perigo que ele representava para seus interesses.

O sujeito na história

Bar-Kokhba

Bar-Kokhba foi um judeu que viveu na época em que a Judeia estava sob domínio do Império Romano. Em 132, Bar-Kokhba foi o líder da segunda revolta contra o domínio romano. Por causa de suas habilidades como líder militar, os revoltosos judeus conseguiram resistir por aproximadamente três anos aos ataques do exército romano, o mais poderoso da época.

c. 134. Papiro. Autoridade de Antiguidades de Israel, Jerusalém. Foto: Donald Nausbaum/Robe rt Harding World Imagery/Alamy Stock Photo/Latinstoc k

Ruínas de Massada, fortaleza usada como local de resistência contra a dominação romana na Judeia, no século I. Fotografia tirada em Israel, em 2015.

Papiro do século II que contém textos em hebraico com instruções de Bar-Kokhba a seus oficiais.

Povos do Oriente Médio Antigo

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Unidade 3

Depois da dominação persa, a região de Judá esteve sob domínio de diversos povos: por volta do ano de 332 a.C., Alexandre Magno, rei da Macedônia, conquistou toda a região. Depois da morte de Alexandre, Judá tornou-se uma província egípcia e, em seguida, foi dominada pela Síria. Por volta de 63 a.C., Roma, que estava em plena expansão, dominou toda a região, passando a chamá-la de Judeia.


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 1. Explique o que é o Crescente Fértil. 2. Caracterize a escrita cuneiforme. 3. Descreva o conteúdo do Código de Hammurabi.

4. Explique por que o sistema de escrita fenício representou um avanço em relação aos demais sistemas de escrita da Antiguidade.

5. Explique por que os antigos hebreus ficaram conhecidos como judeus.

Expandindo o conteúdo 6. Os trechos abaixo foram extraídos do Antigo Testamento. Leia-os. [...] Os egípcios obrigavam os filhos de Israel ao trabalho, e tornavam-lhes amarga a vida com duros trabalhos: a preparação da argila, a fabricação de tijolos, vários trabalhos nos campos, e toda espécie de trabalhos aos quais os obrigavam. Êxodo 1, 13-14. A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 1995. p. 106.

Javé disse a Abraão [...]: “Ergue os olhos e olha, do lugar em que estás, para o Norte e para o Sul, para o Oriente e para o Ocidente. Toda a terra que vês, eu te darei, a ti e à tua posteridade para sempre.” [...] Gênesis 13, 14-15. A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 1995. p. 48.

Sobre a utilização da Bíblia como fonte de informações, responda. a ) Em sua opinião, qual dos trechos acima pode ser comprovado por meio de estudos científicos? Justifique sua resposta. b ) Qual dos trechos não pode ser comprovado cientificamente? Por quê?

7. Leia o texto a seguir, que descreve algumas características importantes que estão presentes na maioria das civilizações antigas.

Uma civilização, via de regra, implica uma organização política formal com normas estabelecidas para governantes (mesmo que autoritários e injustos) e governados; implica projetos amplos que demandem trabalho conjunto e administração centralizada (como canais de irrigação, grandes templos, pirâmides, portos etc.); implica a criação de um corpo de sustentação política (como a burocracia de funcionários públicos ligados ao poder central, militares etc.); implica a incorporação das crenças [...] vinculadas ao poder central, direta ou indiretamente (os sacerdotes egípcios, o templo de Jerusalém etc.); implica uma produção artística que tenha sobrevivido ao tempo e ainda nos encante (o passado não existe em si. Se dele não temos notícia é como se não tivesse existido); implica a criação ou incorporação de um sistema de escrita (esse item não é eliminatório): os incas não tinham propriamente uma escrita, nem por isso deixaram de ser civilizados; implica finalmente, mas não por último, a criação de cidades. PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações. 23. ed. São Paulo: Contexto, 2006. p. 62. (Repensando a História).

• •Produza um texto sobre os elementos que geralmente estão presentes em uma civilização, utilizando exemplos das civilizações estudadas nesta unidade.

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8. O texto a seguir foi publicado em julho de 2009 e trata da destruição dos patrimônios histó-

Bullit Marquez/AP Photo/Glow Images

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) denunciou nesta quinta-feira que as tropas americanas e forças de segurança privadas contratadas pelos Estados Unidos para atuar na Guerra do Iraque causaram graves danos ao sítio arqueológico da Babilônia. Os vestígios arqueológicos da cidade sofreram deteriorações graves durante “escavações, desmantelamentos e nivelações de terreno”, diz um informe elaborado pelo Comitê Internacional de Coordenação da Unesco para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural do Iraque (CIC-Irak), divulgado nesta quinta-feira. Situada a 90 km ao sul da capital Bagdá, a cidade da Babilônia foi a capital de dois famosos reis da Antiguidade: Hammurabi (1792-1750 a.C.) e Nabucodonosor (604-562 a.C.). Hammurabi é o autor de um dos primeiros códigos jurídicos da humanidade, e Nabucodonosor foi o rei que mandou construir os Jardins Suspensos da Babilônia, uma das Sete Maravilhas do Mundo [Antigo].

Soldado estadunidense nos arredores do sítio arqueológico da Babilônia, em 2003.

Segundo o texto, as tropas e empresas contratadas por Washington cavaram centenas de metros de túneis pelas ruínas e usaram veículos militares pesados sobre o que eram caminhos frágeis de procissão. “Houve dano considerável”, disse o arqueólogo John Curtis, do Museu Britânico, que inspecionou o local após os EUA entregarem o controle de volta ao governo iraquiano. O relatório afirma ainda que, durante a guerra, iniciada em 2003, a cidade arqueológica foi saqueada e coleções dos museus dedicados a Hammurabi e a Nabucodonosor, assim como a Biblioteca e os Arquivos da Babilônia, foram destruídas. O sítio arqueológico da Babilônia foi utilizado como base militar pelas forças armadas da coalizão no período entre 2003 e 2004. Em informe próprio, o Museu Britânico compara os danos ao estabelecimento de um acampamento militar nas proximidades da Grande Pirâmide do Egito ou do pré-histórico Stonehenge no Reino Unido. O texto afirma ainda que foram produzidos danos consideráveis em alguns elementos estruturais importantes, como a Porta de Ishtar e a Via Processional. A agência cultural da ONU (Organização das Nações Unidas) quer transformar a Babilônia em patrimônio da humanidade para evitar vandalismo semelhante no futuro. Os americanos afirmam que a destruição causada por vandalismo seria maior caso as tropas não estivessem no local. Unesco denuncia danos causados pelos EUA à Babilônia, no Iraque. Folha Online. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/ mundo/2009/07/592934-unesco-denuncia-danos-causados-pelos-eua-a-babilonia-no-iraque.shtml>. Acesso em: 19 ago. 2015. Folhapress.

a ) Por que a Unesco denunciou a ocupação estadunidense no Iraque? b ) Quais foram os danos causados ao sítio arqueológico da Babilônia em decorrência da Guerra do Iraque? c ) Faça uma pesquisa em livros, revistas, jornais ou na internet sobre outros casos de destruição de patrimônios históricos decorrentes de guerras. Povos do Oriente Médio Antigo

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Unidade 3

ricos e culturais localizados na região do Iraque. Leia-o.


Oficina de história Experiência e vivência Água: recurso vital ameaçado Os rios foram fundamentais para a formação das primeiras civilizações. Ao redor deles, as populações organizaram seu cotidiano, baseado na agricultura e na pecuária, e aprenderam a lidar com as facilidades e as dificuldades apresentadas durante as estações do ano. No entanto, ao longo do tempo, com o uso indevido dos recursos hídricos, o problema da escassez de água tornou-se uma ameaça real para vários países. Além disso, com o aumento da poluição e dos desmatamentos, mesmo aqueles países que dispõem de grandes reservas hídricas começam a se preocupar com o futuro. Leia o texto.

De recurso natural infinito, aos poucos a água vai se tornando uma das valiosas mercadorias do século 21. Hoje, ela já é entendida como bem escasso, com demanda crescente para uma oferta cada vez mais reduzida, seja pela sua degradação ou pelo mau uso. [É] da ONU a estimativa de perdas de mais de 70% da água nos métodos tradicionais de irrigação. [...] E cidades têm parte da culpa, no desperdício e na poluição. Desde a invenção da descarga hidráulica ligada a tubos de esgotos, no século 19, o despejo de dejetos nos cursos-d’água cresceu a ponto de ultrapassar a capacidade de suporte natural da água de absorver os poluentes. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mil litros de água usados pelo homem resultam em 10 mil litros de água poluída. [...] Hoje, vários países já convivem com escassez de água, que poderá atingir dois terços da população mundial em 2025. [...] CZAPSKI, Silvia. Escassez de água é um dos maiores problemas do século. Valor Econômico, São Paulo, 2 e 3 maio 2004. p. 4.

Agora, observe o gráfico que mostra a distribuição de água do planeta.

Distribuição de água no planeta Terra

Total de água doce

Total de água do planeta Água salgada 97,5%

Água doce 2,5%

68,9% Encontra-se em calotas polares, geleiras e solos gelados

30,8% Encontra-se no solo e subsolo terrestre

0,3% N. Akira

Encontra-se em rios, lagos e lagoas

Fonte: PATZSCH, Luciano. A geologia da água. Revista do Crea Paraná, Curitiba, ano 9, n. 41, out. 2006.

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a ) Qual é a ideia central do texto citado da página 68? b ) Faça uma análise do gráfico. Qual é o total de água doce disponível no planeta? Desse total, o que está disponível para o consumo?

Unidade 3

c ) Faça uma pesquisa sobre o consumo de água em seu município. Verifique em qual região há maior consumo de água e quais os motivos. Depois, faça um levantamento sobre as características da região: se é industrial, residencial etc. d ) Com os dados da pesquisa, procure entrevistar uma pessoa adulta moradora da região. Pergunte se ela sabe que mora em uma região de alto consumo de água e se sabe os motivos. Pergunte também se ela conhece algum caso de desperdício de água na região. E para finalizar, pergunte se ela toma medidas para evitar o desperdício de água em sua residência. Você pode registrar as respostas da pessoa entrevistada por escrito ou por meio de gravação. e ) Após fazer o que se pede nos itens a, b, c e d, reúna-se com os colegas da turma e realizem um debate com o tema “O consumo de água no município”. Durante o debate, apresentem os resultados das pesquisas e contem o que descobriram durante as entrevistas. Além disso, reflitam sobre os riscos de ocorrer escassez de água no município por causa do mau uso desse recurso. f ) Para finalizar, com os colegas, produzam cartazes alertando sobre o consumo de água no município, de que forma as pessoas podem colaborar e quais atitudes precisam ser tomadas para evitar a escassez de água. Exponham-nos na escola, em local onde várias pessoas possam ver. Convide alunos de outras turmas e professores de outras disciplinas para visitar a exposição.

Vestibulares 1. (UFRN) No ano 70 d.C., o Estado romano, sob

2. (UFPEL-RS) Identifique a alternativa que deno-

o controle do imperador Tito, destruiu a cidade de Jerusalém, e os judeus se dispersaram por outras terras. Diáspora tem sido a palavra usada para designar essa dispersão.

mina corretamente as civilizações indicadas, respectivamente, por “I”, “II”, “III” e “IV”.

Após a diáspora, os judeus: a ) Ficaram sem um território próprio por séculos; mas, por meio da religião e dos laços familiares, mantiveram sua identidade cultural e sua unidade como povo. b ) Perderam todas as suas propriedades; mas, em razão da decadência do Império Romano, voltaram para a Palestina e reconstruíram sua identidade cultural. c ) Foram dominados pelos árabes e perderam sua identidade cultural como povo; mas, em 1948, com a criação do Estado de Israel, voltaram a unificar-se. d ) Foram impedidos de realizar seus cultos; mas, durante a Idade Média, em razão do fortalecimento do cristianismo, conseguiram firmar sua identidade cultural.

I

Localização

Base econômica

Organização político-administrativa

Religião

Nordeste da África

Predominância da Agricultura

Monarquia teocrática

Predominância do politeísmo antropozoomórfico

Comércio

Talassocracia

Politeísmo

Agricultura e Comércio

Divisão do Império em satrapias

Zoroastrismo

Pastoril e Agrária

Governos dos patriarcas, juízes e reis sucessivamente

Monoteísmo

II Atual Líbano III

Da Ásia Menor à Ásia Central

IV Atual Israel

a ) Fenícia, Hebraica, Egípcia e Persa. b ) Egípcia, Fenícia, Persa e Hebraica. c ) Persa, Fenícia, Hebraica e Egípcia. d ) Egípcia, Persa, Fenícia e Hebraica. e ) Hebraica, Egípcia, Fenícia e Persa. Povos do Oriente Médio Antigo

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Ampliando seus conhecimentos Arte e história

O painel de Ur

Durante a década de 1930 foram realizadas escavações arqueológicas na antiga cidade suméria de Ur, localizada no atual Iraque. Durante as escavações os arqueólogos encontraram, nos túmulos dos reis, uma série de objetos, entre eles enfeites e esculturas.

c. 2500 a.C. Madeira e pedras preciosas. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Kamira/Shutterstock.com

Uma das peças que mais chamou a atenção dos estudiosos foi uma caixa de madeira de cerca de 2500 a.C., toda decorada com conchas, lápis-lazúli e calcário. Nos dois lados maiores da caixa, chamados de Lado da Guerra e Lado da Paz, foram representadas cenas que ajudaram os pesquisadores a descobrir diferentes aspectos da organização da sociedade suméria.

c. 2500 a.C. Madeira e pedras preciosas. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Erich Lessing/Album/Latinstock

O painel possui cerca de 40 centímetros de comprimento. Os arqueólogos acreditam que, originalmente, ela era uma caixa de cítara, um instrumento de cordas. Acima, Lado da Guerra.

Lado da Paz.

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A História da Palavra

Título: A História da Palavra

A História da Palavra é uma série de documentários produzida pela TV educativa coreana EBS. Dividida em três partes (O nascimento na escrita, A revolução dos alfabetos, e O desafio sem fim), nos leva a uma viagem pelo Crescente Fértil, região onde foram criados alguns dos primeiros sistemas de escrita.

c. 2360 a.C. Museu do Louvre, Paris (França). Foto: DeAgostini Picture Library/Scala, Florence/Glow Images

A série acompanha a trajetória das formas de comunicação escrita, desde as mais antigas até os alfabetos utilizados na atualidade por diferentes culturas. É interessante notar como o advento da escrita pode oferecer a chave para a compreensão do desenvolvimento da própria civilização.

Diretor: Sang Ho-Han Ano: 2007 Duração: 80 minutos Origem: Coreia do Sul

Tablete de argila com escrita cuneiforme de 2360 a.C.

Para ler

•A

Mesopotâmia, de Marcelo Rede. Editora Saraiva. O professor de História Antiga faz uso de documentos escritos e arqueológicos para narrar a trajetória dos povos da Antiga Mesopotâmia.

• ABC

do mundo judaico, de Moacyr Scliar. Editora SM. Reúne verbetes que explicam as tradições, as festas, a religiosidade e os costumes de um povo com mais de 5 mil anos de história.

• História dos hebreus, de Flávio Josefo. Editora CPAD. O autor aborda a história judaica à luz de acontecimentos narrados na Bíblia, com personagens dos Evangelhos e de Atos dos Apóstolos.

• Pequena história da escrita, de Sylvie Baussier. Editora SM. Aborda a inven-

ção de sistemas de escrita a partir da necessidade do ser humano, em várias partes do mundo, de criar símbolos para conservar as palavras.

• A invenção do povo judeu: da Bíblia ao sionismo, de Shlomo Sand. Editora

Benvirá. O autor judeu questiona o discurso historiográfico tradicional e coloca em cheque o conceito de estado-nação judaico. Sugere, assim, as bases para uma nova visão do futuro político da “Terra Prometida”.

Para navegar

• Listas

do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Disponível em: <http://tub.im/ ugeiez>. Acesso em: 18 ago. 2015. Site da Representação da UNESCO no Brasil que traz links para as listas de patrimônios mundiais, divididas entre Patrimônio Cultural, Patrimônio Natural, Patrimônio Imaterial e Patrimônio Mundial em Perigo.

Povos do Oriente Médio Antigo

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Unidade 3

A história no cinema


Máscara funerária de ouro e pedras preciosas. Museu Egípcio, Cairo (Egíto). Foto: Sandro Vannini/Corbis/Latinstock

unidade

Povos antigos da África

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A África foi o berço da humanidade, lugar de origem do Homo sapiens. Foi a partir da África que, em sucessivas ondas migratórias, o ser humano ocupou todo o pla­ neta. Nesse continente também se formaram algumas das primeiras civilizações. Nesta unidade, vamos estudar algumas des­ sas civilizações, como a egípcia e a cuxita, que floresceram ao longo do rio Nilo; a dos gara­ mantes, no deserto do Saara, e a axumita, pró­ xima ao mar Vermelho. Esses povos funda­ram cidades e reinos, os quais eram conhecidos no mundo antigo por causa de seu desenvolvi­ mento econômico e cultural. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A A fotografia ao lado retrata a máscara fu­ nerária de um faraó egípcio. Você sabe qual era o papel dos faraós na sociedade do Egito Antigo? B Por que é importante que os estudantes brasileiros conheçam a história do conti­ nente africano? Comente com os colegas.

Máscara funerária do faraó Tutancâmon, que governou o Egito por volta de 1350 a.C.

73


O continente africano A África apresenta uma topografia variada, com planícies, planaltos e regiões montanhosas. Além disso, possui vastas áreas desérticas e semidesérticas, florestas tropicais e equatoriais, savanas, cerrados e oásis. Outra característica física do continente africano é sua constituição compacta, isto é, seu litoral não apresenta grandes recortes, como baías, enseadas e penínsulas. Além da diversidade física, a África apresenta uma grande variedade étnica.

EUROPA

Cartago

Fez

Mar Mediterrâneo

E. Cavalcante

A África Antiga

ÁSIA

Cairo

EGITO

GARAMANTES

Tr óp ic o de C ân ce r

Tebas

M ar

SAARA

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Napata

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NÚBIA

Níg

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Rio V

Axum

SAHEL

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AXUM Rio Nilo

Rio

o

CUXE Méroe

Rio

GANA

Querma

Tombuctu Gaô

r Ve

Etnia: grupo de indivíduos que compartilham as mesmas características socioculturais, como a língua, a religião, os costumes e os valores éticos e morais. Oásis: porções de terra localizadas no deserto, que possuem água e cobertura vegetal. Neles podem ser cultivadas algumas plantas mais resistentes, como amoreiras, oliveiras e tamareiras. Os oásis são utilizados há milhares de anos como ponto de parada e descanso para os comerciantes das caravanas que cruzam os desertos.

Equador

Tróp ico de Cap ricó rnio

As diferenças físicas entre os atuais massais, falachas, berberes e bantos (da esquerda para a direita) refletem a diversidade étnica existente na África. Fotografias tiradas na atualidade.

Lago Vitória Lago Tanganica

Meridiano de Greenwich

Reino Vegetação Florestas Savanas Estepes Vegetação mediterrânea Deserto Oásis

OCEANO ÍNDICO

Lago Maláui

CALAHARI

N

OCEANO ATLÂNTICO

O

0

700 km

L S

Peter Guttman/Corbis/Latinstock

John_Walker/Shutterstock.com

Kobby Dagan/Shutterstock.com

Joseph Sohm/Shutterstock.com

Fonte: BLACK, Jeremy. World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

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Civilizações da África Antiga

Egípcios c. 3100 a.C. a 525 a.C. A civilização egípcia foi uma das mais importantes da Antiguidade. Desenvolveu­se às margens do rio Nilo, onde produzia cereais em grande quantidade. Os egípcios construíram templos e pirâmides e desenvolveram conhecimentos nas mais diversas áreas, influenciando outras civilizações.

3100 a.C.

c. 3100 a.C.

Unificação do Egito e início do Antigo Reino, período marcado pela grande centralização do poder nas mãos do faraó.

Unidade 4

Linha do tempo

c. 2550 a.C. 2600 a.C.

Início da construção das grandes pirâmides do Egito.

c. 2000 a.C.

Início do Médio Reino, período em que ocorreu um grande crescimento econômico no Egito.

Cuxitas c. 2500 a.C. a 350 Os cuxitas habitavam a região da Núbia, onde fundaram um império. Desenvolveram intensas atividades comerciais e trocas culturais com povos vizinhos, sobretudo os egípcios.

2100 a.C.

c. 1575 a.C.

Os hicsos, após dominarem o Egito por quase 200 anos, são expulsos da região. Tem início o Novo Reino (ou Império Egípcio).

c. 900 a.C.

Fundação do Reino Cuxe, com capital em Napata. 1600 a.C.

c. 730 a.C.

Os cuxitas dominam todo o Egito, dando início à dinastia dos “faraós negros”.

c. 593 a.C.

Os egípcios conquistam Napata e os cuxitas transferem sua capital para Méroe. 1100 a.C.

525 a.C.

O Império Persa conquista o Egito, mas não consegue atingir os cuxitas.

c. 400 a.C.

Apogeu do Reino de Garamantes. 600 a.C.

Os garamantes, descendentes dos berberes, eram os principais comerciantes do deserto do Saara. Além de praticar a agricultura e o pastoreio, comerciavam intensamente com cartagineses e romanos.

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Os romanos vencem os garamantes.

c. 300 100 a.C. 0

Axumitas c. 50 a 1000 Os axumitas criaram um reino no leste da África. Formado por vários povos, o Reino de Axum promoveu um vigoroso intercâmbio cultural que se refletiu em várias áreas, como a língua e a arquitetura.

c. 100 a.C.

Invenção da escrita meroítica.

Garamantes c. 450 a.C. a 500

Os axumitas começam a cunhar moedas com características greco-romanas.

c. 330

Conversão da família real axumita ao cristianismo.

400

c. 350

Os axumitas dominam Méroe, a capital cuxita.

Povos antigos da África

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Os antigos egípcios O Egito Antigo Mar Mediterrâneo

N O

Tamis

BAIXO EGITO

Heliópolis Mênfis

Gizé Saqqara

L S

30° N

Rio Nilo

PENÍNSULA DO SINAI

ALTO EGITO

Mar Vermelho

Desde aproximadamente 8000 a.C., grupos seminômades habitavam as margens do rio Nilo. Eles se dedicavam à pesca, à caça e à coleta de frutos e cereais nativos da região. Por volta de 5000 a.C., vários desses grupos já tinham se fixado na região e desenvolviam atividades como a criação de ani­ mais e a agricultura. Ao perceberem que as cheias do Nilo fertilizavam as terras localizadas às suas margens, esses grupos buscaram desenvol­ ver técnicas para armazenar água durante as cheias e utilizá­la para irrigar suas plantações, aproveitando melhor a fertilidade do solo. Ao longo do tempo, eles formaram comunidades agrí­ colas independentes entre si, chamadas nomos. Essas comu­ nidades eram lideradas por chefes (nomarcas) que frequente­ mente disputavam o controle das áreas férteis.

Tebas

A unificação do Estado egípcio Como essas disputas eram frequentes, os chefes dos nomos foram se unindo para se fortalecer e acabaram formando dois reinos: o Baixo Egito e o Alto Egito. Por volta de 3100 a.C., Menés, um governante do Alto Egito, assumiu o controle dos nomos e criou um Estado unificando os dois reinos, tornando­ ­se o primeiro faraó egípcio.

Fronteira entre o Baixo e o Alto Egito Regiões férteis

E. Cavalcante

Abu Simbel

Regiões desérticas

Semna

0

115 km

30° L

Mario Henrique

Fonte: KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. The Penguin Atlas of World History. Londres: Penguin, 2003.

Seminômade: aquele que realiza migrações periódicas, que mora em habitações temporárias.

A coroa dupla

1

2 1

era um

símbolo da unificação dos reinos egípcios e do poder

2

centralizador do faraó. Ela representava a união da coroa vermelha do Baixo Egito

2

com a coroa

branca do Alto Egito

3

.

O relevo em pedra ao lado representa o faraó Ptolomeu VIII recebendo a coroa dupla das divindades Nekhbet e Wadjet, respectivamente deusas do Alto e Baixo Egito.

76

A centralização do poder na figura do faraó diminuiu as dis­ putas de terras entre os chefes dos nomos, possibilitando o desenvolvimento da sociedade egípcia.

3

1

3

c. 237-57 a.C. Relevo mural. Templo de Hórus, Edfu (Egito). Foto: BasPhoto/Shutterstock.com

Assuã


A sociedade egípcia

Estátua de xisto verde. Museu Egípcio, Cairo (Egito). Foto: Alfredo Dagli Orti/ The Art Archive/Corbis/Latinstock

A maneira como se vestiam e os adornos que utilizavam refletiam seu poder. A esposa do faraó, por exemplo, usava túnicas de linho e perucas feitas de cabelos naturais ou de lã de carneiro. Suas maquiagens eram produzidas com uma mistura de óleos perfumados e minerais coloridos em pó, e as joias eram feitas de ouro ou pedras ornamentais como turquesa e lápis­lazúli.

Painel de ouro, prata, madeira e gemas. Museu Egípcio, Cairo (Egito). Foto: Sandro Vannini/Corbis/Latinstock

Na sociedade egípcia, abaixo do faraó, havia uma camada composta por pessoas que desfrutavam de vários privilégios. Dela faziam parte: os sacerdotes, que eram responsáveis pelos rituais religiosos; os nobres, que eram parentes do faraó ou descendentes dos antigos chefes dos nomos e geralmente exerciam cargos administrativos importantes; os chefes militares, que ocupavam altos postos no exército; os funcionários do Estado, como os escribas, que auxiliavam o faraó em diferentes atividades, como na fis­ calização das plantações e na cobrança de tributos.

Os escribas sabiam ler, escrever, fazer cálculos e eram muito respeitados na sociedade egípcia. Estátua de pedra representando um escriba egípcio, feita em 490 a.C.

O que é teocracia? Teocracia é uma palavra de origem grega que significa “governo de deus”. É utilizada para denominar a forma de go­ verno em que o poder político é funda­ mentado com base no poder religioso. No caso do Egito Antigo, na época em que os faraós governavam, não havia uma clara distinção entre religião e Es­ tado. O faraó era considerado filho dos deuses na Terra e exercia autoridade administrativa, judicial e religiosa.

Painel egípcio de ouro, prata, madeira e gemas, feito no século XIV a.C., que representa um faraó sentado em seu trono e sua esposa.

Povos antigos da África

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Unidade 4

O faraó era a principal autoridade na sociedade egípcia. Ele e sua família mora­ vam em suntuosos palácios.


A camada pobre da sociedade A maior parte da população egípcia era pobre e pagava impostos principalmente sob a forma de serviços prestados ao Estado. Essa camada era composta em sua maioria por camponeses e artesãos. Os camponeses cultivavam produtos como trigo, linho e algodão e se dedicavam também à criação de animais, à caça e à pesca. Os artesãos, por sua vez, se ocupavam com a fabricação de cestos, potes, roupas, sandálias, móveis etc. Entre os artesãos, havia aqueles que fabricavam objetos mais elaborados, como esculturas, joias de ouro, móveis requintados e objetos de cerâmica decorados. Esses artesãos especiali­ zados desfrutavam de maior prestígio social.

A escravidão no Egito No Egito Antigo havia escravos, porém eles não compunham a maioria da população. Geral­ mente eles eram prisioneiros de guerra e trabalhavam nos campos, nas minas no deserto ou nas tarefas domésticas.

Explorando a imagem

• •Os homens representados nessa pintura tumular são artesãos. Que elementos da imagem indicam sua condição? Que objetos eles estão produzindo?

c. 1490-1436 a.C. Afresco. Tumba de Rekhmire, Tebas (Egito). Foto: Granger, NYC/Glow Images

Pintura tumular egípcia datada de cerca de 1450 a.C.

Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

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A religiosidade egípcia A religião egípcia era politeísta, ou seja, cultuava vários deuses. Os egípcios acreditavam que os deuses tinham necessidades semelhantes às das pessoas, por isso faziam­lhes oferendas de comidas, bebidas, roupas e incensos.

Unidade 4

Os sacerdotes detinham grande poder e um papel social importante, pois eram considerados mediadores entre os seres humanos e os deuses. Entre os deuses mais cultuados estavam Hórus (deus do céu), Ísis (deusa da fertilidade) e Osíris (deus dos mortos).

A mumificação dos corpos Além de cultuarem vários deuses, os egípcios acreditavam na vida após a mor­ te e, para eles, era muito importante serem bem recebidos por Osíris no reino dos mortos. Segundo sua crença, ao morrer, a alma da pessoa deixava o corpo, mas depois de algum tempo retornava. Assim, era preciso conservar os corpos após a morte e por isso os egípcios desenvolveram técnicas de mumificação, que tinham como objetivo evitar a decomposição dos corpos. Castelo Kynžvart, Lázně Kynžvart (República Checa). Foto: Akg-Images/ Werner Forman/Latinstock

Esse procedimento, feito pelos embalsamadores, consistia em dissecar o corpo, extrair os órgãos e guardá­los em recipientes especiais, chamados vasos canopos. Depois, lavavam o corpo com óleos aromatizados e cobriam­no com natrão, um tipo de sal, para absorver a umidade. Após vários dias, o corpo era envolto em faixas de linho e depositado em um sarcófago ricamente ornamentado. Inicialmente, a mumificação era um ritual reservado somente aos faraós, mas no decorrer do tempo os altos funcionários passaram a ser igualmente mumificados. A população em geral também passou a mumificar seus mortos, porém, com técnicas mais simples que aquelas empregadas pelas camadas mais abastadas.

O sujeito na história

Aquenaton

Coroado com o nome de Amenhotep IV, esse faraó egípcio mudou seu nome para Aquenaton (aquele que adora Aton).

No entanto, a nova religião desagradou à maioria da população, que continuou cultuando seus deuses secretamente. Após a morte de Aquenaton, a população voltou a cultuar publicamente os antigos deuses e os sacerdotes retomaram as suas funções na condução das cerimô­ nias religiosas.

c. 1352-1336 a.C. Relevo em estela. Museu Egípcio, Cairo (Egito). Foto: Werner Forman Archive/Glow Images

Durante seu governo (c. 1353 a.C. a 1335 a.C.), ele tentou impor o monoteísmo no Egito Antigo, determinando que Aton, o deus­Sol, fosse a única divindade da religião do Estado e proibindo que outros deuses fossem cultuados pela população egípcia. Além disso, nomeou­se o único intermediário entre os seres humanos e a divindade, recebendo, portanto, as hon ras de um deus­rei. Segundo alguns egiptólogos, essa era uma estratégia do faraó para diminuir a influência religiosa dos sacerdotes egípcios.

Fotografia recente de homem adulto egípcio mumificado no século X a.C.

Detalhe de relevo em pedra do século XIV a.C. representando Aquenaton, a rainha Nefertiti e suas três filhas. Aton, o deus-Sol, é representado por um disco do qual emanam raios de vida.

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sculpies/Shutterstock.com

As pirâmides

Fotografia atual das grandes pirâmides de Gizé, no Egito.

As pirâmides eram elementos essenciais nos rituais fúnebres da realeza egípcia, pois em suas câmaras subterrâneas eram deposi­ tados os corpos mumificados. Construídas principalmente para os faraós e os membros da corte, as pirâmides simbolizavam uma “morada eter na”, na qual o espírito continua­ ria a “viver” após a morte do corpo. Por isso, muitos pertences do morto, como joias, vesti­ mentas e utensílios domésticos, eram deposi­ tados junto ao sarcófago na câmara funerária. Acredita­se que as primeiras pirâmides te­ nham sido construídas a partir de 2630 a.C. As maiores e mais conhecidas são as pirâmides localizadas em Gizé, região nordeste do Egi­ to, construídas entre os anos de 2550 a.C. e 2470 a.C. para os faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos.

[As pirâmides de Gizé] foram construídas com blocos de calcário e granito cujo peso variava de menos de uma tonelada até mais de 40 toneladas — todos eles cortados, transportados e colocados em seu lugar por mãos humanas. Os antigos egípcios não dispunham de máquinas complexas nem de animais [...] para facilitar qualquer etapa desse trabalho. Além disso, depois de terminarem o núcleo de uma pirâmide eles a revestiam com pedras que se encaixavam perfeitamente. Depois, ainda poliam o monumento até que ele brilhasse ao Sol como uma joia gigantesca. MORELL, Virginia. Os operários das pirâmides. National Geographic. São Paulo: Abril, ano 2, n. 19, p. 86, nov. 2001.

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Próximo às obras, eram construídas tendas para o descanso dos trabalhadores. Nesses locais também eram feitas as refeições.

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Para elevar os blocos de pedra, eram construídas rampas ao redor das pirâmides. Sobre as rampas, eram colocadas toras de madeira para facilitar o deslocamento dos blocos de pedra.

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Além dos trabalhadores encarregados da obra, outras pessoas, entre elas mulheres, ajudavam carregando água e preparando alimentos para os trabalhadores.

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Os blocos de pedra eram retirados das pedreiras próximas com picaretas de pedra e formões de cobre e, depois, arrastados em trenós de madeira até as rampas.

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Durante as obras, eram organizados grupos de trabalho com a finalidade de dividir as tarefas. Os grupos recebiam denominações, como “Amigos de Quéops” e “Os mais fortes”.

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Os trabalhadores das pirâmides Por muito tempo acreditou­se que as pirâmides foram construídas por cerca de 100 mil escravos, que eram obrigados a passar toda a sua vida esculpindo e transpor­ tando enormes blocos de pedras debaixo de um Sol escaldante. Escavações recentes feitas nos arredores das pirâmides, no entanto, permitiram aos arqueólogos elaborar outra versão sobre os construtores. Foi descoberto um cemitério, e o estudo dos ossos encontrados nos túmulos indica que os trabalhadores, além de receberem uma boa alimentação, contavam com cuidados médicos. Unidade 4

De acordo com um dos maiores especialistas no assunto, o egiptólogo Zahi Hawass, escravos não receberiam esse tipo de tratamento. Ele acredita que trabalharam nas obras cerca de 20 a 30 mil egípcios, entre eles homens e mulheres. Alguns deles eram trabalhadores fixos contratados pelo Estado, enquanto outros eram camponeses con­ tratados temporariamente para ajudar na execução das obras. Para esse estudioso, o que motivava os egípcios a se dedicarem a essas obras gigantescas era o orgulho de servir ao faraó e de construir sua morada eterna. E mais: para Hawass, os egípcios não estavam somente construindo o túmulo do faraó, estavam construindo sua própria identidade, baseada em uma forte religiosidade e na crença na vida após a morte.

Mario Henrique

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4 5 Povos antigos da África

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A vida às margens do Nilo Os egípcios dependiam das águas do Nilo para sobreviver e também para irrigar as terras destinadas à agricultura. Por isso, viviam em aldeias e cidades próximas ao rio. As terras mais próximas do Nilo eram utilizadas para a agricultura. Alguns cultivos eram o trigo e a cevada, com os quais se fazia pão e cerveja; uvas, com as quais se fazia vinho; e linho, utilizado para fabricar tecidos. Outro importante cultivo era o do papiro, planta amplamente utilizada como matéria-prima para fabricar pequenas em­ barcações, redes de pesca, cordas, sandálias, cestos e esteiras. Além disso, servia para produzir um tipo de suporte para registrar informações escritas.

c. 2347 a.C. Relevo em calcário. Tumba de Kagemni, sítio arqueológico de Sacará (Egito). Foto: Hervé Champollion/Akg-Images/Latinstock

No Egito, as terras pertenciam ao Estado e eram administradas por funcionários do governo, que convocavam camponeses para trabalhar nelas. Os camponeses paga­ vam tributos para o Estado na forma de trabalho e, também, com produtos agrícolas, que eram armazenados em silos estatais. Dessa maneira, o Estado egípcio dispunha de alimentos estocados para serem distribuídos nos festivais públicos ou, ainda, para alimentar a população em épocas de escassez.

Detalhe de relevo em calcário de cerca de 2350 a.C. que representa egípcios pescando no rio Nilo, em uma embarcação de papiro.

O modo de produção asiático No século XIX, o filósofo alemão Karl Marx criou o conceito de “modo de produção asiático” para designar a forma como se organizavam as civilizações da Mesopotâmia e do Egito, a partir do quarto milênio a.C. Essas sociedades, que ele chamava de asiáticas, diferenciavam-se das sociedades an­ teriores (neolíticas) em relação à divisão do trabalho. No Neolítico, era feita a divisão sexual do tra­ balho (homem-mulher); já nas sociedades asiáticas, a divisão era social (“explorados”-“exploradores”). Assim, para Marx, o modo de produção asiático teria organizado a sociedade em classes. Algu­ mas características desse modo de produção são: poder centralizado, grupo de funcionários do Estado e utilização do trabalho humano em grandes obras estatais. No caso da sociedade egípcia, o poder era centralizado no faraó, enquanto funcionários do Estado administravam a construção de grandes obras estatais, como pirâmides, diques e reservatórios de água. Atualmente, no entanto, o conceito de modo de produção asiático é criticado por historiadores, que o consideram generalizante por não levar em conta as especificidades das sociedades.

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A partir de novembro, o Nilo entrava no período de vazan­ te 2 . Conforme as águas do rio iam baixando, surgiam às suas margens campos cobertos de húmus, que eram, então, arados e semeados. Em fevereiro, ainda no período da va­ zante, começava a época da estiagem, que durava até julho. Nessa época, a água que havia sido armazenada durante a cheia era utilizada na irrigação das lavouras, cujos cultivos eram colhidos antes do começo da nova cheia.

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Unidade 4

No Egito Antigo, a agricultura só era possível por causa das cheias do Nilo. No decorrer do ano, o rio passava por um pe­ ríodo de cheia e por um período de vazante. O período de cheia 1 ocorria entre os meses de julho e novembro. Nesse período, os egípcios armazenavam a água das cheias em grandes reservatórios, a fim de utilizá­la posteriormente.

Ilustrações: Ana Elisa

As cheias e as vazantes

O tema sobre as cheias e as vazantes do rio Nilo favorece o trabalho interdisciplinar com Geografia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão de atividade sobre esse assunto.

Passado e presente

O shaduf

Para irrigar suas lavouras, os antigos egípcios utilizavam um instrumento conhe­ cido como shaduf. Esse instrumento era formado por um tronco cravado no chão, em cima do qual era colocada uma vara oscilante. Em uma extremidade da vara era amarrado um contrapeso e, na outra, uma corda com um vaso de cerâmica. Esse vaso era abaixado até a fonte de água e, depois de cheio, era erguido. A água recolhida era, então, lançada nos canais de irrigação.

Húmus: matéria orgânica originada, principalmente, de vegetais em decomposição e que confere grande fertilidade ao solo.

Com o passar dos anos, o shaduf passou por aprimoramentos, mas a técnica antiga ainda é utilizada em diversas regiões da África. Fotografia de camponês egípcio utilizando um shaduf na atualidade.

Tor Eigeland/Alamy Stock Photo/Latinstock

Fac-símile de cena da Tumba de Ipuy em Deir-el-Medina, Tebas (Egito). Coleção particular. Foto: White Images/Scala, Florence/Glow Images

Cópia de pintura tumular do Egito Antigo que representa um homem utilizando um shaduf.

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O Império Cuxe A Núbia (atual Sudão), onde se formou o Império Cuxe, era uma região localizada ao sul do território egípcio. Essa região, rica em jazidas de ouro, ferro e pedras preciosas, era habitada por diferentes povos, entre eles os cuxitas. As riquezas naturais da região atraíam a atenção de povos estrangeiros. Entre os séculos XVI a.C. e XI a.C., a região de Cuxe foi dominada pelo Egito. Nesse período, seus habitantes sofreram forte influência cultural dos egípcios. Os cuxitas passaram a construir templos e cidades com características arquitetônicas egípcias, além de cultuarem deuses semelhantes. c. 1184-1153 a.C. Afresco. Tumba de Ramsés III, Tebas (Egito). Foto: E.Strouhal/Werner Forman Archive/Glow Images

Entre cerca de 730 a.C. e 650 a.C., os cuxitas dominaram o território egípcio. Tebas, nessa época a capital egípcia, esteve sob domínio de reis cuxitas, conhecidos como faraós negros. Nesse período também houve um grande intercâmbio cultural entre cuxitas e egípcios. Por volta de 593 a.C., a cidade de Napata foi invadida pelos egípcios após um longo movimento de reconquista. Diante disso, os cuxitas transferiram a capital de seu império para Méroe, uma região ao sul de Napata, com solos mais férteis e mais próxima de importantes rotas comerciais.

Nobres cuxitas representados em uma pintura tumular egípcia de cerca de 1180 a.C.

As pirâmides cuxitas Quando a capital do Império Cuxe foi transferida de Napata para Méroe, os reis e rainhas cuxitas construíram várias pirâmides para lhes servirem de túmulo. Necrópole: cemitério, local destinado ao sepultamento dos mortos.

Ruínas de pirâmides cuxitas em Méroe, no atual Sudão. Fotografia de 2015.

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As pirâmides simbolizavam o poder dos reis e rainhas, que eram considerados seres divinos. Algumas necrópoles podiam reunir dezenas de pirâmides, em que eram sepultados os soberanos e príncipes herdeiros. As pirâmides cuxitas eram pontiagudas e estreitas, feitas de arenito e cascalho, e possuíam diversas decorações, como inscrições religiosas e objetos funerários.

John Frumm/hemis. fr/Glow Images


c. 100 a.C.-100 d.C. Relevo mural. Sítios Arqueológicos da Ilha de Meroé (Sudão). Foto: De Agostini/C. Sappa/Getty Images

Em Méroe, habitavam um rei (faraó) e uma rainha-mãe (candace), que eram escolhidos por um conselho para governar o Império Cuxe. As candaces eram matriarcas, ou seja, chefes de família que exerciam grande influência religiosa e política na sociedade cuxita. Assim, elas desempenhavam um papel preponderante na organização da família e do Estado, na distribuição dos bens da sociedade, na liderança dos cultos, nos acordos políticos com povos estrangeiros, nas guerras etc., chegando, por diversas vezes, a assumir o poder político do reino.

Unidade 4

As candaces

Detalhe de relevo em pedra de cerca de 100 a.C. que representa o rei Natakamani e a candace Amanitore de Méroe.

A importância do papel das mulheres no Império Cuxe favorece o trabalho interdisciplinar com Sociologia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão de atividade sobre esse assunto.

Desde o início de sua formação, a civilização cuxe sofreu influências culturais de povos estrangeiros. Além dos egípcios, influenciaram culturalmente o Império Cuxe gregos, romanos, sírios, árabes, persas e indianos, que entraram em contato com os cuxitas por causa do comércio. Mesmo com a influência cultural de vários povos, ao longo de sua história, os cuxitas preservaram diferentes aspectos de sua identidade cultural, como a prática da escarificação. Fotografia recente de homem de Burquina Faso, África, com escarificações no rosto.

Enquanto isso

Charles & Josette Lenars/Corbis/Latinstock

A preservação cultural Escarificação: incisões ou cortes feitos no rosto ou em outras partes do corpo. Além de estarem associadas à beleza, diferenciam os indivíduos de grupos distintos, podendo também indicar uma posição social, uma característica pessoal ou determinada fase da vida de uma pessoa.

... no sul da África Theo Allofs/Corbis/Latinstock

Enquanto os cuxitas governavam em Méroe, diferentes povos habitavam o sul da África, entre eles os coissãs. Os coissãs eram caçadores e coletores, e a língua que falavam possuía, como característica peculiar, uma consoante que soava como um “clique” (um estalo feito com a boca). Depois do contato com povos vizinhos, um grupo de coissãs passou, também, a pastorear animais. Os que se tornaram pastores passaram a se chamar coicóis, mas mantiveram a sua língua. Atualmente, muitos costumes dessa cultura são mantidos por pessoas que habitam o sul da África, conhecidas como bosquímanos. Entre os costumes tradicionais coissãs que ainda são praticados estão as danças ritualísticas.

Bosquímanos reunidos ao redor da fogueira. Fotografia de 2014 tirada em Botswana, na África.

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O Reino de Garamantes O deserto do Saara era habitado por povos chamados berberes, que viviam, sobretudo, da criação de carneiros, cabritos e bois. Eles conheciam bem o deserto e se deslocavam constantemente em busca de pastos para seus animais e terras para cultivo de alimentos. Patrick Poendl/Shutterstock.com

Entre os grupos berberes havia os garamantes, que formaram um reino no século V a.C., em uma região do Saara conhecida como Fezã, no sudoeste da Líbia. A existência de oásis nessa região possibilitou o desenvolvimento do reino. Os garamantes possuíam um desenvol vido sistema de irrigação subterrânea denominado foggara. Esse sistema permitiu o florescimento da agricultura e da criação de animais em pleno deserto.

Oásis no deserto do Saara, em Fezã, Líbia. Fotografia de 2015.

O comércio no deserto do Saara O comércio foi uma atividade econômica importante para os povos do deserto. As rotas transaarianas permitiram o intercâmbio comercial e, também, cultural entre os povos da África Mediterrânea (ao norte do Saara) e da África Subsaariana (ao sul do Saara). As rotas transaarianas

Ceuta

Túnis

Fez

Trípoli

Sijilmessa

OCEANO ATLÂNTICO

Agmate

Mar Mediterrâneo

Siuá

Gadamés

Dakhla

Tagaza

Trópico de Câncer

Arguim

Kharga

Gate

Azogui Tadmekka

Audagoste Sila

Cairo

Tombuctu

Azelik Kano N

20° N

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Lago Chade

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Rio Nilo

Koumbi Saleh

Agadés

Gaô

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E. Cavalcante

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Rotas transaarianas

0

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400 km

20° L

L S

Fonte: BLACK, Jeremy. World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

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O Reino de Axum

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Moeda de metal cunhada em Axum, no século IV.

Unidade 4

Para facilitar a comercialização de produtos, os reis axumitas ordenaram a cunhagem de moedas em metais, como o ouro, a prata e o bronze.

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Além disso, os axumitas se dedicavam ao comércio. A localização de seu território, que atualmente corresponde a Etiópia e a Eritreia, era privilegiada para as trocas comerciais, o que lhes permitia controlar as caravanas que percorriam as áreas entre o mar Vermelho e o Egito.

r oe te da gl a e A . Mu (In es s eu es g r go d a n B r i t ânico, L o sti y Im ni P ic t ure L ibr ar y/G e t t

ra

).

O povo axumita habitava uma região localizada no leste da África, próxima ao mar Vermelho, dedicando-se principalmente à agricultura e à criação de animais.

Os hebreus também exerceram influência no cotidiano axumita. No século I, formou-se uma comunidade hebraica em Axum. Seus habitantes, conhecidos como falachas, disseminaram alguns costumes hebraicos na região, como a crença monoteísta.

Ivan Vdov in/Al amy Stock

Região de intenso intercâmbio comercial, o Reino de Axum apresentava grande diversidade étnica e cultural. Por causa da proximidade do reino com o sul da península Arábica, os axumitas foram culturalmente influenciados pelos árabes dessa região (atual Iêmen). A arquitetura das casas, as técnicas agrícolas e hidráulicas, bem como a religião e a língua axumita, o geês, apresentavam características culturais árabes.

Photo/Latinstock

Aspectos culturais dos axumitas

A população de Axum também recebeu influência dos costumes helenísticos, transmitidos a eles por romanos e egípcios. Por isso, embora a língua axumita fosse o geês, nas negociações comerciais utilizava-se o idioma e o sistema numérico gregos. As moedas axumi tas apresentavam elementos romanos, como o busto do rei e a cruz romana. Dos egípcios helenísticos, convertidos ao cristianismo, os axumitas receberam, a partir do século IV, grande influência religiosa. Nessa época, o cristianismo se tornou a religião oficial do reino.

c. 330-356. Monumento de pedra. Região Tigré (Etiópia). Foto: Trevor Kittelty/Shutterstock.com

As fontes históricas de Axum As principais fontes históricas para o estudo do Reino de Axum são os vestígios arqueológicos encontrados na região, como ruínas de palácios, restos de cerâmicas, monumentos e moedas. Além disso, há textos antigos, escritos por viajantes gregos e árabes, que trazem informações sobre as relações comerciais desse povo com os antigos persas e romanos. Há também relatos orais, narrados por descendentes dos antigos axumitas, que descrevem os costumes e a riqueza do Reino de Axum. Uma das fontes históricas mais bem conservadas de Axum é a chamada Pedra do rei Ezana, um monumento do século IV que contém inscrições em diferentes idiomas, entre eles o geês e o grego.

Detalhe da Pedra do rei Ezana, monumento encontrado na Etiópia. Esse monumento narra as conquistas de Ezana, rei que governou Axum no século IV.

Obelisco de granito de 24 metros de altura construído no século IV pelos axumitas. Fotografia tirada na Etiópia, em 2015.

Povos antigos da África

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 1. Qual era a importância da mumificação para os antigos egípcios?

2. Quais foram as mudanças na religião do

4. Quem eram as candaces? 5. O que eram as foggaras?

Estado egípcio propostas por Aquenaton?

6. Quais povos influenciaram a cultura

3. Explique o que tornou possível a realização

axumita? Dê exemplos de tipos de influências.

da agricultura no Egito Antigo.

Explorando a imagem 7. A imagem a seguir é uma cópia de pintura tumular que apresenta aspectos cotidianos dos

Mrs. Nina de Garis Davies. Cópia de afresco da Tumba de Menna. Séc. XX. Chicago Press, Chicago (EUA). Foto: Bridgeman Images/Easypix

antigos egípcios. Observe-a e, em seguida, responda às questões.

a ) Descreva as pessoas representadas nessa imagem. Quem são elas? Como estão vestidas? Quais atividades estão realizando? b ) Com base nessa pintura e em seus conhecimentos, produza um pequeno texto sobre a sociedade egípcia antiga. Destaque quais eram as camadas sociais existentes, quais eram as principais atividades realizadas pelos membros de cada uma dessas camadas etc.

Expandindo o conteúdo 8. O texto a seguir é um relato que foi escrito por um antigo egípcio, chamado Khety. Leia-o. Ponha a sua alma nas escritas! [...] Observe como ela se salva através do trabalho! Veja, não há nada que supere as escritas São um barco perfeito!... Farei com que goste de escrever mais do que de sua própria mãe.

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Farei com que sua beleza lhe seja mostrada. É a profissão mais importante do que qualquer outra. Não existe igual na Terra. MAN, John. A história do alfabeto. Tradução Edith Zonenschain. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002. p. 54.


a ) Em sua opinião, que profissão exercia o autor desse relato na sociedade egípcia antiga? Cite um trecho que o ajudou a chegar a essa conclusão. b ) O autor desse relato considerava sua profissão importante? Justifique. c ) De acordo com o texto e com o que foi estudado, explique quais eram as funções exercidas por esses profissionais na sociedade egípcia antiga.

9. Leia o texto a seguir.

Nas aldeias, que eram a forma mais comum de os grupos se organizarem, havia algumas fa­ mílias, cada uma com seu chefe, sendo todos subordinados ao chefe da aldeia. Ele atribuía o castigo às pessoas que não seguiam as normas do grupo, distribuía a terra pelas diversas famí­ lias, liderava os guerreiros quando era preciso garantir a segurança. O chefe era o responsável pelo bem-estar de todos os que viviam na sua aldeia, e para isso recebia parte do que as pes­ soas produziam, fosse na agricultura, na criação de animais, na caça, na pesca ou na coleta. As suas decisões eram tomadas em colaboração com outros líderes da aldeia, chefes das várias famílias que dela faziam parte. Havia assim um conselho que ajudava o chefe a governar, no qual os responsáveis pelos assun­ tos ligados ao sobrenatural eram muito impor­ tantes. Se a forma básica de organização dos grupos girava em torno das relações de paren­ tesco, a orientação de tudo na vida era dada pelo contato com o sobrenatural: com os espíritos da natureza, com os antepassados mortos e os he­ róis míticos, que muitos grupos consideravam os fundadores de suas sociedades. [...] Várias aldeias podiam estar articuladas umas com as outras, formando uma confederação de aldeias, que prestava obediência a um conselho de chefes. Nesses casos, cada uma delas obede­ cia ao seu chefe e decidia sobre seus assuntos, mas em certas situações aquele aceitava a lide­ rança do conselho, que tomava decisões relativas

ao conjunto de aldeias e não a uma ou outra em particular. [...] De uma sociedade com uma capital, na qual morava um chefe maior, com autoridade sobre todos os outros chefes, dizemos que era um rei­ no. Nele, aldeias e grupos de várias aldeias for­ mavam partes de um conjunto maior. As formas de administrar a justiça, o comércio, o exceden­ te produzido pela sociedade, a defesa, a força militar, a expansão territorial, a distribuição de poder eram mais complexas do que nas aldeias. Nas capitais dos reinos havia concentração de riqueza e poder, de gente, de oferta de alimentos e serviços, de possibilidades de troca e de con­ vivência de grupos diferentes. [...] Além das aldeias, das confederações, dos rei­ nos e dos grupos nômades (que podiam ser tanto pastores do deserto como coletores e caçadores das florestas), havia sociedades organizadas em cidades, mas que não chegavam a formar um reino. Essas cidades geralmente eram cercadas, fosse de paliçadas, fosse de muros feitos de terra. Também eram centros de comércio, onde dife­ rentes rotas se encontravam. Por trás dos muros funcionavam os mercados, moravam os comer­ ciantes e os vários chefes, que tinham diferentes atribuições e viviam em torno do rei. Este mora­ va em construções maiores que todas as outras e com decoração especial, cercado de suas mu­ lheres (praticavam a poligamia), dependentes, funcionários, colaboradores e soldados. Artesãos se agrupavam conforme suas atividades: os que fiavam, tingiam e teciam o algodão e a lã, os que fundiam o ferro, faziam armas e utensílios de trabalho, os que faziam joias, potes de cerâmica, esteiras de palha, bolsas de couro e arreios. Nos arredores das cidades viviam agricultores e pas­ tores que abasteciam de alimentos os moradores e também os que estavam de passagem. SOUZA, Marina de Mello. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2006. p. 31-3.

a ) De acordo com o texto, qual era a característica comum de todas as sociedades africanas? b ) Como eram organizadas as aldeias e as confederações africanas? c ) Explique a organização de um reino africano. Povos antigos da África

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Unidade 4

Algumas sociedades africanas formaram gran­ des reinos, como o Egito, o Mali, Songai, Oió, Axante e Daomé. Outras eram agrupamentos muito pequenos de pessoas que caçavam e cole­ tavam o que a natureza oferecia ou plantavam o suficiente para sustento da família e do grupo. Mas todas, das mais simples às mais comple­ xas, se organizavam a partir da fidelidade ao chefe e das relações de parentesco. [...]


Oficina de história

Experiência e vivência

A arte de marcar o corpo Na página 85 conhecemos um pouco sobre as escarificações, prática adotada pelos cuxitas e também por outros povos africanos. A escarificação, assim como outras formas de marcar o corpo, é praticada há muito tempo, por várias culturas. Além da escarificação, existem outras formas de marcar o corpo. Atualmente, a mais difundida é a tatuagem. Leia o texto a seguir.

A tatuagem existe desde que o mundo é mundo. O Homem de Gelo, um corpo con­ gelado encontrado na Itália em 1991, que se supõe ter vivido há cerca de 7 300 anos, tinha vários desenhos sobre a pele. A múmia da princesa Amunet, de Tebas, exibe desenhos feitos de pontos e linhas que certamente chamaram a atenção dos egípcios há mais de 4 000 anos. [...] “O corpo foi um dos primeiros instrumentos manipulados pelo homem para expressar um significado”, afirma a antropóloga Lux Vidal, especia­ lista em pinturas corporais da Universidade de São Paulo. “Tatuagens, pinturas, muti­ lações e cortes de cabelo são modos de transformar o corpo para que ele comunique códigos, relações sociais e valores.”

Jonathan Nackstrand/AFP/Getty Images

c. 100 a.C.-400 d.C. Estatueta em cerâmica. Instituto de Artes de Detroit (EUA). Foto: Nayarit/Founders Society Purchase/Bridgeman Images/Easypix

Fotografia recente de estatuetas de cerâmica do século I a.C. encontradas no México. O homem e a mulher foram representados com tatuagens no rosto e no corpo.

Anna Maltseva/Shutterstock.com

MELLO, Mariana. Arte à flor da pele. Disponível em: <http://super.abril.com.br/comportamento/arte-a-flor-da-pele>. Acesso em: 22 set. 2015.

O atleta alemão Raphael Holzdeppe fez uma tatuagem para simbolizar o esporte que pratica. Fotografia de 2012.

Mulher com tatuagem cobrindo suas costas. Fotografia de 2015.

Nos dias de hoje, as tatuagens podem ter vários significados. Elas podem indicar, por exemplo, o pertencimento do indivíduo a um determinado grupo social, seu gosto musical ou seu personagem de filme favorito. Muitas vezes, a tatuagem é apenas um desenho com um significado especial para a pessoa tatuada. Agora, com os colegas, façam uma pesquisa sobre as tatuagens e seus significados. Sigam o roteiro a seguir para orientar a pesquisa. a ) Procurem em livros, revistas ou na internet informações sobre as origens das tatuagens. Tentem descobrir quais são as tatuagens mais antigas já estudadas pelos arqueólogos e quais os possíveis significados das tatuagens para os diferentes povos da Antiguidade, por exemplo.

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b ) Pesquisem também informações sobre a tatuagem na atualidade: quais as principais técnicas utilizadas pelos tatuadores e quais os equipamentos e cuidados necessários para a realização de uma tatuagem com segurança e sem riscos para a saúde. c ) Façam um levantamento sobre a tatuagem no Brasil: que tipos de desenhos costumam ser feitos, pessoas de que grupos sociais utilizam tatuagens, como as pessoas tatuadas são vistas (se são admiradas, se sofrem preconceito etc.).

Unidade 4

d ) Escolham uma pessoa tatuada que seja conhecida de alguém do grupo. Façam uma entrevista com ela e procurem descobrir qual o significado de sua tatuagem e como ela se sente perante a sociedade (se é admirada, se sofre preconceito etc.). Anotem o nome e a idade da pessoa entrevistada, assim como um resumo das principais informações obtidas por meio da entrevista. e ) Depois, produzam um texto coletivo apresentando os resultados das pesquisas solicitadas nos tópicos a, b e c. f ) Por fim, promovam uma conversa sobre os resultados da pesquisa. Comentem sobre as características das tatuagens no passado e hoje em dia. Conversem também sobre o papel social da tatuagem no Brasil, usando como exemplo as histórias contadas pelas pessoas entrevistadas.

Vestibulares 1. (ENEM-MEC) Ao visitar o Egito do seu tempo, o historiador grego Heródoto (484–420/30 a.C.) interessou-se por fenômenos que lhe pareceram incomuns, como as cheias regulares do rio Nilo. A propósito do assunto, escreveu o seguinte:

“Eu queria saber por que o Nilo sobe no co­ meço do verão e subindo continua durante cem dias; por que ele se retrai e a sua corrente baixa, assim que termina esse número de dias, sendo que permanece baixo o inverno in­ teiro, até um novo verão. Alguns gregos apresentam explicações para os fenômenos do rio Nilo. Eles afirmam que os ventos do noroeste provocam a subida do rio, ao impedir que suas águas corram para o mar. Não obstante, com certa frequência, esses ventos deixam de soprar, sem que o rio pare de subir da forma habitual. Além disso, se os ventos do noroeste produzissem esse efeito, os outros rios que correm na direção contrária aos ventos deveriam apresentar os mesmos efeitos que o Nilo, mesmo porque eles todos são pequenos, de menor corrente.” Heródoto. História (trad.). livro II, 19-23. Chicago: Encyclopaedia Britannica Inc. 2.ed. 1990. p. 52-3. (com adaptações).

Nessa passagem, Heródoto critica a explicação de alguns gregos para os fenômenos do rio Nilo. De acordo com o texto, julgue as afirmativas abaixo.

I. Para alguns gregos, as cheias do Nilo devem-se ao fato de que suas águas são impedidas

de correr para o mar pela força dos ventos do noroeste.

II. O argumento embasado na influência dos ventos do noroeste nas cheias do Nilo sustenta-se no fato de que, quando os ventos param, o rio Nilo não sobe.

III. A explicação de alguns gregos para as cheias do Nilo baseava-se no fato de que fenômeno igual ocorria com rios de menor porte que seguiam na mesma direção dos ventos. É correto apenas o que se afirma em: a ) I.

d ) I e III.

b ) II.

e ) II e III.

c ) I e II.

2. (UNESP) Num antigo documento egípcio, um pai dá o seguinte conselho ao filho:

Decide­te pela escrita, e estarás protegido do trabalho árduo de qualquer tipo; poderás ser um magistrado de elevada reputação. O escriba está livre dos trabalhos manuais [...] é ele quem dá ordens [...]. Não tens na mão a palheta do escriba? É ela que estabelece a diferença entre o que és e o homem que segura o remo. Apud KOSHIBA, Luiz. História – origens, estruturas e processos.

A partir do texto, discuta o significado da escrita nas sociedades antigas.

Povos antigos da África

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Ampliando seus conhecimentos

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c. 1290-1224 a.C. Afresco. Vale dos Reis, Deir el-Medina, Tebas (Egito). Foto: Corel Stock Photo

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Cânone: conjunto de normas e regras que devem ser seguidas na execução de uma obra.

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c. 180-145 a.C. Relevo mural. Templo de Kom Ombo (Egito). Foto: Philippe Body/Hemis/Corbis/Latinstock

O estilo egípcio de representação

c. 1070-550 a.C. Afresco. Tumba dos Nobres, Necrópole de Tebas (Egito). Foto: Corel Stock Photo

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c. 2540-2505 a.C. Estátua de diorito. Museu Egípcio, Cairo (Egito). Foto: Alfredo Dagli Orti/The Art Archive/Corbis/Latinstock

Arte e história

A arte no Egito Antigo, mesmo sofrendo algumas alterações, permaneceu praticamente a mesma ao longo dos séculos. Isso não significa que os artistas egípcios não eram “criativos”: eles, na verdade, eram considerados bons à medida que aprendiam uma série de regras e cânones. Leia o texto e observe as imagens.

O estilo egípcio englobou uma série de leis muito rigorosas, que todo artista ti­ nha que aprender desde muito jovem. As estátuas sentadas tinham que ter as mãos sobre os joelhos 1 ; os homens ti­ nham que ser pintados com a pele mais escura do que as mulheres 3 ; a aparên­ cia de cada deus egípcio era rigorosamen­ te estabelecida: Hórus, o deus-Sol, tinha que ser apresentado como um falcão ou com uma cabeça de falcão 2 ; Anúbis, o deus da morte, como um chacal ou com uma cabeça de chacal 4 . Todo artista tinha que aprender tam­ bém a arte da bela escrita. Tinha que recor­ tar na pedra, de um modo claro e preciso, as imagens e os símbolos dos hieróglifos. Mas, assim que dominasse todas essas regras, dava-se por encerrada a sua aprendizagem. Ninguém queria coisas diferentes, ninguém lhe pedia que fosse “original”. Pelo contrário, era provavel­ mente considerado o melhor artista aque­ le que pudesse fazer suas estátuas o mais parecidas com os monumentos ad­ mirados do passado. Por isso aconteceu que, no transcurso de três mil anos ou mais, a arte egípcia mudou muito pouco. Tudo o que era considerado bom e belo na era das pirâmides era tido como igual­ mente excelente mil anos depois. É certo que surgiram novas modas e novos temas foram pedidos aos artistas, mas o modo de representarem o homem e a natureza permaneceu essencialmente o mesmo. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. 4. ed. Tradução Álvaro Cabral. São Paulo: Zahar, 1985. p. 38-9.


Pirâmides do Egito, segredos revelados

O documentário Pirâmides do Egito, segredos revelados mostra recentes descobertas sobre as grandes pirâmides egípcias. Apresentado por Zahi Hawass, diretor do Supremo Conselho de Antiguidades Egípcias e explorador da National Geographic, esse documentário mostra, entre outros assuntos, a abertura de um sarcófago de um funcionário que chefiava os trabalhadores na construção das pirâmides.

Título: National Geographic/ Pirâmides do Egito, segredos revelados Ano: 2002 Duração: 85 minutos Origem: EUA e Egito Shawn Baldwin/Corbis/Latinstock

Essa descoberta, somada às es­c avações arqueológicas feitas nos arredores das pirâmides — que revelaram vestígios de padarias, silos, prédios, ruas pavi­ men­tadas e alojamentos —, evidenciam que as pirâmides foram construídas por operários remunerados, e não por escravos.

O egiptólogo Zahi Hawass examinando um sarcófago no porão do Museu Egípcio, no Cairo. Fotografia de 2005.

Para ler

• •A África explicada aos meus filhos, de Alberto da Costa e Silva. Editora Agir. A África é um continente de contrastes e imensa diversidade. O livro mostra como a cultura africana está presente em nossas manifestações culturais.

• •O Egito no tempo de Ramsés, de Pierre Montet. Editora Companhia das Letras. O autor aborda temas como a divindade do faraó, as disputas entre deuses e o cotidiano dos habitantes das cidades e do campo no Egito Antigo.

• •Em

busca do Egito esquecido, de Jean Vercoutter. Editora Objetiva. A obra faz uma narrativa da história do Egito dos faraós, fazendo uso de muito material iconográfico e documentos de expedições datados a partir do século XVII.

Para navegar

• •Navegar

no Antigo Egito. Disponível em: <http://tub.im/6u53ni>. Acesso em: 20 ago. 2015. Site do Museu Calouste Gulbekian, de Lisboa. Informações sobre o museu, coleções, exposições, agenda, concertos, publicações e visita virtual. Extensa coleção de arte egípcia.

••Coleção História Geral da África. Disponível em: <http://tub.im/xso24y>. Acesso

em: 20 ago. 2015. Coleção de oito volumes sobre a História da África, disponível para download gratuito. A obra, produzida por mais de 350 especialistas de variadas áreas do conhecimento, é um marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África. Povos antigos da África

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Unidade 4

A história no cinema


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axz700/Shutterstock.com

unidade

Povos antigos da Ă sia


A Ásia é o maior continente do mundo, onde grandes civilizações se formaram na Antiguidade. Os avanços técnicos e os sistemas de pensamento criados pelas civilizações que se desenvolveram nesse continente influenciaram as sociedades com as quais mantinham contato. Nesta unidade, vamos conhecer as civilizações indiana e chinesa, localizadas no Sul da Ásia e no Extremo Oriente. Elas aprimoraram muitos conhecimentos antigos em áreas como astronomia, geografia, medicina, política, religião e artes, deixando uma herança cultural que permanece até hoje. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A Você sabe qual era a função da Muralha da China? Comente. B O sistema de castas na Índia foi criado há milhares de anos. Você sabe como funcionava esse sistema? Já ouviu falar de conflitos gerados por ele? Comente.

Trecho da Muralha da China, monumento que começou a ser construído por volta de 200 a.C. e foi ampliado ao longo dos séculos. Atualmente, é um dos pontos turísticos mais visitados da China. Fotografia de 2015.

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As civilizações da Ásia A Ásia Antiga era habitada por muitos povos, que pertenciam a etnias variadas. Além dos povos do Oriente Médio (fenícios, hebreus, mesopotâmios e persas), outros dois formaram importantes civilizações na Ásia: os indianos, no sul do continente, e os chineses, no Extremo Oriente. Esses povos aprimoraram conhecimentos em diversas áreas, como Medicina, Astronomia, Matemática e Engenharia. Além disso, indianos e chineses formularam concepções filosóficas e artísticas, muitas delas seguidas até os dias de hoje. Civilizações indiana e chinesa no século III a.C. CONFEDERAÇÃO DOS XIONGNU Mar de Aral

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Bactra Taxila Rio

Rio

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Persépolis

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Pataliputra

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ÍNDIA — IMPÉRIO MÁURIA

Mar da Arábia

Me

Ujjain

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Rio Yang-Tsé

LAIA Rio

Golfo Pérsico

PENÍNSULA ARÁBICA

Louyang CHINA — IMPÉRIO QIN

Changan

PÉRSIA — IMPÉRIO SELÊUCIDA

E. Cavalcante

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REINO GRECO-BACTRIANO

COREIA — REINO CHOSON

Rio

Mar Cáspio

O D E S E RT I DE GOB

20° N

Golfo de Bengala

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ÍNDICO

Índia (Império Máuria)

N O

China (Império Qin)

L S

70° L

0

500 km

Outras civilizações/impérios

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

Passado e presente

As culturas milenares da Ásia

ostill/Shutterstock.com

Algumas civilizações antigas apresentam aspectos culturais que permanecem até os dias de hoje, no próprio território em que se desenvolveram. Esse é o caso das civilizações indiana e chinesa. Essas civilizações, apesar de terem passado por períodos de fragmentação territorial e política, possuem uma cultura fortemente influenciada por suas tradições milenares. Na Índia e na China atuais, essa herança é evidente em manifestações culturais, como celebrações, festivais, cultos, rituais, jogos, lutas, danças, músicas, língua, escrita, alimentação e artesanato.

Pessoas participam de celebração tradicional em Rajastão, Índia. Fotografia de 2015.

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Linha do tempo

Civilizações da Índia e da China na Antiguidade

3300 a.C.

China

Índia

Período Xia 3000 a.C. a 1500 a.C.

Civilização harappiana 3300 a.C. a 1900 a.C.

Durante esse período, grande parte dos povos vivia em pequenas aldeias às margens do rio Amarelo.

Unidade 5

Grupos humanos que haviam se fixado no vale do Indo formaram cidades como Harappa e Mohenjo Daro. Comerciantes e mercadores estabeleceram rotas comerciais nas regiões que iam do golfo Pérsico à Ásia Central e à Mesopotâmia.

2800 a.C.

2300 a.C.

Civilização védica 1900 a.C. a 320 a.C. Nesse período, povos que habitavam o planalto iraniano e povos do norte da Índia formaram pequenos reinos, localizados próximos aos rios Indo e Ganges. Nessa época também houve o surgimento de novas religiões, como o budismo, inspirado nos ensinamentos de Sidarta Gautama, o Buda.

Império Máuria 320 a.C. a 185 a.C. Após Alexandre, o Grande, ter invadido a região da Índia em 326 a.C., Chandragupta Mauria, rei de Magada, unificou os pequenos Estados e os demais reinos existentes na região e fundou o primeiro império indiano. Meio século depois da morte do imperador Ashoka, neto de Mauria, o império sofreu invasões e foi fragmentado.

Império Gupta 320 a 500 Após um longo período de fragmentação, outro império se estabeleceu na Índia no século IV. Isso ocorreu quando Chandragupta I, filho de um chefe indiano do Norte, deu início à dinastia Gupta. Enquanto essa dinastia esteve no poder, houve, na Índia, um grande desenvolvimento das artes e das ciências. No final do século V, o Império Gupta foi destruído, em consequência da invasão de povos hunos.

1800 a.C.

Período Shang 1500 a.C. a 1027 a.C. 1300 a.C.

800 a.C.

Achados arqueológicos indicam que nesse período os chineses antigos iniciaram a produção de tecidos de seda e também de artefatos de bronze e de jade, uma pedra compacta e muito dura. Além disso, foram encontrados cascos de tartaruga com inscrições que evidenciam alguns costumes dessa época.

Período Zhou 1027 a.C. a 221 a.C. Durante esse período, os antigos chineses substituíram os instrumentos agrícolas e as armas de bronze por arados, enxadas e armamentos produzidos com ferro fundido. A partir do século V a.C., muitos conflitos marcaram a história desse povo.

300 a.C.

Período Qin 221 a.C. a 206 a.C.

0

200

Nesse período, o território chinês foi unificado e Qin Shi Huang Di tornou-se o primeiro imperador chinês. Durante seu governo houve a padronização dos pesos e medidas a fim de facilitar as negociações comerciais.

Período Han 206 a.C. a 220 Durante o período Han, os mercadores organizavam caravanas que percorriam longos caminhos em direção ao mar Mediterrâneo, conhecidos como Rota da Seda. Foi nesse período que o território da China Antiga atingiu sua extensão máxima.

700

Povos antigos da Ásia

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A civilização harappiana O vale do rio Indo (2600 a.C. a 1900 a.C.) HIM

PÉRSIA

Ind

AIA

Harappa

VALE DO INDO Rio

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Essas cidades eram populosas e apresentavam-se como prósperos centros econômicos. Entre suas principais atividades estava o comércio de produtos artesanais, como objetos de cerâmica, esculturas em marfim e tecidos de algodão. Os mercadores da época estabeleceram redes de trocas comerciais entre a região que compreendia desde o golfo Pérsico até a Ásia Central e a Mesopotâmia.

Rakhigarhi

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Ganweriwala

Mohenjo Daro

Trópico de Cân cer

ÍNDIA Dholavira

Mar da Arábia Civilização harappiana E. Cavalcante

N O

70° L

20° N L

S

0

Por volta de 3300 a.C., grupos humanos instalaram-se no vale do rio Indo e organizaram-se em aldeias, que mais tarde transformaram-se em cidades, como Harappa e Mohenjo Daro.

220 km

As cidades harappianas eram amplas e planejadas, com espaço para mercados e banhos públicos, além de um sistema de esgoto e de distribuição de água que só foi construído com o mesmo êxito quase 2 mil anos depois, pelos romanos.

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

Uma história a ser desvendada Muitos aspectos da sociedade harappiana até agora não foram esclarecidos. A escrita, por exemplo, ainda não foi decifrada, impedindo estudos mais aprofundados sobre a política, a sociedade e a cultura do vale do Indo. Os arqueólogos, no entanto, já conseguiram reunir uma quantidade considerável de objetos desde o início das escavações, na década de 1920, que forneceram muitas informações sobre essa sociedade. Além disso, o empenho de diversos estudiosos, como arqueólogos e historiadores, tem resultado, periodicamente, em novas descobertas sobre o povo de Harappa e a sua contribuição para o desenvolvimento da civilização indiana.

Trappe/Caro Images/Diomedia

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Ruínas de Mohenjo Daro, no Paquistão. Fotografia de 2015.


A civilização hindu Arianos: grupos originários da região próxima ao mar Negro, entre as atuais Rússia e Armênia, que migraram para a Europa, Pérsia e Índia no final do período Neolítico. Sânscrito: grupo de antigos dialetos indo-arianos que se difundiram no norte da Índia Antiga com a ocupação dos arianos.

Unidade 5

Yawar Nazir/Getty Images

Por volta do ano 2000 a.C., as planícies do rio Indo e de seus afluentes passaram a ser ocupadas pelos arianos. Esses povos, provenientes do planalto Iraniano, eram pastores nômades. Eles falavam a língua sânscrita e se autodenominavam árias, ou seja, “raça nobre”.

Fotografia de 2015 retratando o vale do rio Indo, na Ásia, local ocupado pelos arianos por volta de 2000 a.C.

A ocupação do vale do Indo

O longo contato dos arianos com essas populações locais, principalmente os drávidas, possibilitou o intercâmbio cultural entre eles. Essa troca se manifestou mais intensamente na língua ariana, que recebeu palavras e pronúncias das línguas drávidas. A religião dos arianos também incorporou elementos do espiritualismo desses povos, e a mistura de elementos culturais de arianos e dos povos nativos deu origem ao hinduísmo. Além do vale do Indo, os arianos expandiram seu domínio até a bacia do rio Ganges. Aos poucos, eles adotaram padrões de vida urbana e tornaram-se sedentários. A civilização hindu, como ficou conhecida, não formou um reino unificado, pois a organização tribal em clãs contribuiu para a formação de vários pequenos reinos.

Séc. IX-XII. Estátua de bronze. Museu de Arte da Filadélfia (EUA). Foto: Philadelphia Museum of Art/Corbis/Latinstock

Ao ocupar o vale do rio Indo, os arianos estabeleceram contato com os povos nativos. Quando eles ocuparam esses territórios, as populações da antiga civilização de Harappa já haviam se fragmentado e se dispersado.

Estátua de bronze feita por volta do ano 1000 representando Rama, divindade hindu de origem drávida.

Povos antigos da Ásia

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A religiosidade na Índia O hinduísmo, também chamado de bramanismo, nasceu do contato entre as crenças dos habitantes do vale do Indo e as crenças dos povos arianos e até hoje influencia a sociedade indiana. A principal contribuição dos arianos para a formação do hinduísmo foram os Vedas, versos e hinos sagrados que eram mantidos pela tradição oral e transmitidos de geração em geração pelos sacerdotes. Os Vedas começaram a ser compilados em sânscrito por volta de 500 a.C.

Autor desconhecido. Séc. XX. Ilustração. Coleção particular. Foto: Malgorzata Kistryn/Shutterstock.com

Os deuses do hinduísmo A adoração e o culto aos deuses eram de extrema importância para o hinduísmo. A maioria dos hindus acreditava em um espírito superior chamado Brahman. Esse ser superior seria onipresente e podia ser representado por três deuses que se complementavam: Brahma, o criador; Vishnu, o protetor; e Shiva, o destruidor. Essa trindade representava os ritmos de criação do Universo, que ocorriam sempre de forma cíclica. O panteão hindu também possuía outras divindades, como Ganesha, o deus da boa fortuna e destruidor de obstáculos. Representação de Lakshmi, deusa hindu da saúde e da prosperidade. Ilustração do século XX.

O sistema de castas

Panteão: conjunto dos deuses de um povo. Reencarnação: crença de que, após a morte, a alma retorna à vida em outro corpo, nascendo de novo.

No período védico, a divisão da sociedade era fundamentada nas tradições hinduístas. O sistema de castas era estritamente rígido e partia do pressuposto de que as pessoas não eram socialmente iguais, pois, desde o nascimento, eram designadas com capacidades, obrigações e direitos específicos, que não podiam ser alterados durante a vida presente. De acordo com o hinduísmo, mesmo que o indivíduo levasse uma vida virtuosa, ele apenas seria conduzido à salvação após muitas reencarnações. Com isso, as pessoas de camadas subalternas eram obrigadas a aceitar sua condição, que somente poderia ser alterada em “vidas futuras”.

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Mulher brâmane. Ilustração feita no século XIX.

Homem xátria. Ilustração feita no século XIX.

Autor desconhecido. Séc. XVIII. Ilustração. Museu Victoria & Albert, Londres (Inglaterra). Foto: Victoria and Albert Museum London UK/Diomedia

Autor desconhecido. c. 1828. Ilustração. Museu Victoria & Albert, Londres (Inglaterra). Foto: Victoria and Albert Museum London UK/Diomedia

A primeira casta era composta pelos brâmanes, sacerdotes responsáveis pelos rituais sagrados e por aconselhar os governantes; a segunda era formada pelos xátrias, nobres guerreiros encarregados de garantir a ordem política e social; já a terceira casta era composta por comerciantes e proprietários de terras, os vaixás; por fim, a quarta casta era constituída de trabalhadores braçais, os sudras, que deviam respeito e submissão aos membros das castas superiores. Havia ainda os párias, chamados de dalits. Os membros desse grupo não pertenciam a nenhuma das quatro castas e eram discriminados, sendo considerados impuros e chamados de “intocáveis”. Eles eram responsáveis pela realização de tarefas consideradas indignas e impuras, como a limpeza de latrinas e ruas e o enterro dos mortos.

Autor desconhecido. c. 1828. Ilustração. Museu Victoria & Albert, Londres (Inglaterra). Foto: Victoria and Albert Museum London UK/Diomedia

Essa forma de organização, baseada na linhagem familiar e na condição econômica de cada família, dividiu a sociedade em quatro principais castas.

Mulher sudra. Ilustração feita no século XVIII.


A discriminação e a luta dos dalits na Índia Margaret Bourke-White/The LIFE Picture Collection/Getty Images

Na década de 1950, após pressões internacionais e manifestações populares contra a segregação, o governo indiano declarou ilegal o sistema de castas e proibiu a utilização do termo “intocável”. Além disso, para tentar integrá-los à sociedade, passou a reservar cotas para os dalits nas universidades e nos cargos políticos. Esse antigo costume da sociedade indiana, no entanto, continua afetando a vida de muitas pessoas. Atualmente, cerca de 16% da população da Índia é composta por dalits, que sofrem frequentes agressões de membros das castas superiores, como xingamentos, linchamentos e destruição de seus bens. Leia a reportagem a seguir.

Apesar da proibição, castas ainda dividem o país. Estadão Internacional. Disponível em: <http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,apesarda-proibicao-castas-ainda-dividem-pais,37245>. Acesso em: 27 ago. 2015.

Líder dalit discursa durante manifestação contra o sistema de castas na Índia, em 1946. Louis Dowse/Demotix/Corbis/Latinstock

Apesar de a Constituição indiana ter abolido o sistema de castas há mais de 50 anos, a divisão social baseada nas crenças do hinduísmo ainda persiste na Índia, que hoje tem mais de 2 mil castas e 20 mil subcastas. Determinadas no nascimento, as castas se dividem em quatro classes, tomadas a partir da mais “pura” em direção à menos “pura” [...]. De acordo com Haripriya Nara-simhan, especialista em Índia do departamento de Antropologia da London School of Economics, as castas foram determinadas nas escrituras sagradas do hinduísmo [...]. “As castas existem há muito tempo, mas há 2 mil anos não tínhamos tantas divisões como temos hoje”, afirmou [...]. Ela explica que o significado das castas para a sociedade indiana mudou à medida que o país progrediu. A sociedade de castas é hierarquizada e os deveres e benefícios concedidos às pessoas variam de acordo com a posição na escala do sistema. Quanto mais baixa a casta, maiores são as restrições de movimento, de alimentação e de estudo dos textos sagrados. Para exemplificar essa situação, a antropóloga destaca que membros de uma casta superior não podem comer alimentos preparados por integrantes de castas inferiores, que também devem ceder espaço às castas mais altas em lugares públicos. A maneira mais comum de diferenciar membros de castas diferentes é pelo sobrenome, mas dependendo da região do país outras maneiras de identificação também são possíveis. “Podemos determinar a casta de uma pessoa pelos alimentos consumidos, dialetos falados e vestimentas.”

Jovem dalit durante protesto contra o sistema de castas na Índia. Fotografia tirada em 2012, em Nova Delhi.

Povos antigos da Ásia

101

Unidade 5

Passado e presente


O budismo No século VI a.C., a sociedade indiana vivenciava um período de constantes conflitos. Os brâmanes abusavam de sua autoridade, o que gerava descontentamento na maior parte da população. Nas castas inferiores, havia grande insatisfação com as difíceis condições de vida e com a impossibilidade de transformação social por causa do rígido sistema de castas. A vida de Buda Sidarta Gautama viveu na Índia no século VI a.C. Membro de uma família real, teve uma vida luxuosa e bastante confortável. Porém, ao sair de seu palácio, ficou comovido ao ver um mundo de dor e sofrimento. Sidarta resolveu, então, abandonar tudo o que tinha, transformando-se em um peregrino e dedicando-se ao hinduísmo.

Nessa época, um homem chamado Sidarta Gautama, mais tarde conhecido como Buda, apresentou ensinamentos que propunham uma profunda reforma no hinduísmo tradicional. Segundo esses ensinamentos, o caminho da iluminação, ou seja, da sabedoria que conduziria o ser humano à salvação, não se encontrava na satisfação dos próprios desejos nem no total abandono deles; era preciso seguir o Caminho do Meio. Ao encontrar esse caminho, o indivíduo estaria preparado para aceitar as Quatro Nobres Verdades:

Mesmo após anos fazendo sacrifícios na tentativa de encontrar a iluminação que libertaria o ser humano do sofrimento, Sidarta não achava as respostas que tanto buscava e, por isso, abandonou esse modo de vida. Algum tempo depois, decidiu que sentaria sob uma árvore onde meditaria até solucionar o mistério do sofrimento. Ao passar por todos os estágios da meditação e enfrentando muitas dificuldades, Sidarta encontrou a iluminação, tornando-se o Buda, palavra sânscrita que significa “o desperto”.

••Primeira Verdade: a vida é sofrimento. ••Segunda Verdade: a causa do sofrimento é o desejo. ••Terceira Verdade: a causa do sofrimento pode ser eliminada por meio da renúncia ao desejo.

••Quarta

Verdade: o caminho para a salvação é alcançado pela prática de oito ensinamentos, ou Caminhos Corretos, conhecidos como Nobre Caminho Óctuplo. Esses ensinamentos baseiam-se em uma vida de disciplina, meditação e anulação do desejo, visando atingir o estado de iluminação e de felicidade plena, chamado nirvana.

Os Oito Caminhos Corretos 8. Concentração correta. 7. Atenção correta.

tschitscherin/ Shutterstock.com

1. Compreensão correta.

6. Esforço correto.

2. Pensamento correto.

5. Meio de vida correto.

3. Palavra correta.

4. Ação correta.

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A expansão do budismo O budismo representou um rompimento com a rígida tradição hinduísta de castas, o que era uma grande novidade para a época, pois, de acordo com os ensinamentos de Buda, o fato de uma pessoa pertencer a uma casta inferior não interferia na vida espiritual. Com isso, todos os seres humanos, independentemente de sua posição social, poderiam atingir a iluminação. Além disso, seus ensinamentos eram transmitidos por meio de uma linguagem bastante simples e de fácil compreensão.

Estátua de Buda localizada no Templo Kagyu Samye Ling, em Eskdalemiur, na Escócia, em 2010.

Takashi Images/Shutterstock.com

Carl de Souza/AFP/Getty Images

Estátua de Buda localizada no Templo Zu Lai, em Cotia, São Paulo, em 2007.

Unidade 5

Daniel Cymbalista/Pulsar

James Emmerson/Robert Harding Picture Library/Easypix

Ao conquistar cada vez mais seguidores, o budismo se expandiu para outros países. Veja as fotografias a seguir que retratam templos budistas localizados em várias partes do mundo atualmente.

Estátua de Buda localizada no Templo Kotoku-in, em Kamakura, no Japão, em 2012.

Estátua de Buda localizada na reserva natural Gallmann, Laikipia, no Quênia, em 2012.

Povos antigos da Ásia

103


A China Antiga

Autor desconhecido. Séc. XX. Ilustração. Coleção particular. Foto: De Agostini Picture Library/Glow Images

Os estudos arqueológicos indicam que a civilização chinesa formou-se de pequenos grupos de agricultores que haviam se fixado, por volta de 3000 a.C., em regiões próximas ao rio Amarelo (Huang-Ho). Esses agricultores cultivavam feijão, painço, hortaliças, frutas e nozes, e criavam porcos, bois e cabritos. Além disso, eles se dedicavam à produção de artefatos de cerâmica, que eram utilizados em cerimônias religiosas, festas e também no dia a dia.

Ilustração do século XX que representa os primeiros habitantes da China reunidos em uma cabana.

George Steinmetz/Corbis/Latinstock

O clima da região ocasionava períodos de seca e de enchentes do rio. Durante as cheias, casas e plantações eram destruídas, acarretando prejuízos para a população. Diante dessa situação, os chineses desenvolveram técnicas para conter as inundações, construindo reservatórios para armazenar a água durante o período de cheia do rio e, depois, utilizá-la na irrigação dos campos, nas épocas de seca.

O rio Amarelo é assim chamado porque o solo da região que ele atravessa tem uma coloração amarela. Essa terra amarela, chamada loess, é muito fértil e, se irrigada, torna-se excelente para o cultivo. Até os dias de hoje, o loesse desempenha papel fundamental para a agricultura chinesa. Fotografia recente tirada em Ningxia, na China.

O rio Yang-tsé Além do rio Amarelo, outro rio, o Yang-tsé, foi fundamental para o desenvolvimento da civilização chinesa. Às margens do Yang-tsé, também conhecido como rio Azul, os habitantes dessa região plantavam principalmente arroz, cereal que se adaptava bem ao clima úmido da região. Além disso, eles criavam búfalos, animais importantes tanto para a alimentação como para o desenvolvimento de trabalhos agrícolas.

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As dinastias Xia e Shang Séc. XVI-XI a.C. Bronze. Museu Cernuschi, Paris (França). Foto: DeAgostini Picture Library/Scala, Florence/Glow Images

As técnicas de irrigação desenvolvidas pelos antigos chineses permitiram o aumento da produção agrícola, possibilitando assim o crescimento populacional. Com o tempo, formaram-se na região pequenos Estados que, segundo a tradição chinesa, foram unificados em um único reino por volta de 2000 a.C. Isso teria dado início à dinastia Xia, a primeira da China Antiga, durante a qual algumas cidades foram fortificadas com muralhas e grandes obras hidráulicas foram construídas.

Unidade 5

Por volta de 1500 a.C., a dinastia Xia foi sucedida pela Shang. Durante essa dinastia, na qual se destacava a religiosidade, os chineses adoravam um deus supremo, denominado Shang Ti, além de outros que representavam elementos da natureza, como o Sol, a Lua, o vento e a chuva. Nessa época, era comum o sacrifício humano para agradar aos deuses. Havia também casos em que, quando um rei morria, centenas de escravos eram sacrificados e enterrados junto com ele. Além disso, pessoas podiam ser sacrificadas em eventos do Estado considerados importantes, como a inauguração de um templo ou de um palácio. Vaso de bronze Shang feito no século XVI a.C.

A dinastia Zhou Os zhous eram vassalos da dinastia Shang, que, por volta de 1027 a.C., conseguiram fundar sua própria dinastia. Eles absorveram grande parte da cultura dos shangs, como o sistema de escrita, as técnicas artísticas e os rituais religiosos. Contudo, os sacrifícios humanos, praticados na época Shang, foram abolidos.

Vassalo: refere-se a indivíduo ou Estado que é súdito de outro, devendo a este obediência, submissão e pagamento de tributos.

Feng Guo/Xinhua Press/Corbis/Latinstock

A dinastia Zhou implantou uma mudança na forma de governar, que consistia na distribuição de terras a famílias da nobreza que se tornavam vassalas em troca de apoio nas campanhas militares. Com o passar do tempo, essas famílias acabaram por enfraquecer a autoridade do rei Zhou, favorecendo a invasão de povos vizinhos. No início do século V a.C., a dinastia Zhou acabou sendo derrotada.

Arqueólogo observa artefatos de bronze do período Zhou, encontrados em sítio arqueológico na província de Shaanxi, na China. Fotografia de 2012.

O primeiro imperador chinês Por volta de 221 a.C., a região onde se formaria a China era composta por Estados independentes e rivais que combatiam entre si pelo controle do território. Para aumentar suas chances de vitória, o governante do Estado de Qin promoveu uma reforma em seu exército e modificou as táticas de guerra. Ao vencer os conflitos, o governante Qin unificou os Estados independentes e proclamou-se imperador da China. Seu nome, Qin Huang Di, era uma junção de três palavras chinesas: Qin (primeiro), Huang (soberano), Di (governante divino). Povos antigos da Ásia

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O Império Qin O Império Qin estava estruturado em um governo burocrático, composto pelos setores administrativo e militar, ambos mantidos com a cobrança de altos impostos. Os cargos burocráticos eram preenchidos por profissionais especializados e não mais por pessoas de origem nobre. Além disso, durante o período Qin, foi estabelecido um novo código de leis que regulamentava a ação dos habitantes do império. A moeda foi padronizada, assim como os pesos e as medidas. Foram construídas estradas, pontes e canais, de forma a dinamizar as atividades comerciais e intensificar a comunicação e o deslocamento das pessoas pelo território unificado. Autor desconhecido. Séc. XVIII. Pintura sobre tecido. Biblioteca Nacional da França, Paris

A queima de livros Apesar das importantes reformas no campo econômico e administrativo realizadas por Huang Di, no campo político e social houve grande violência e intolerância. Durante seu governo, o imperador perseguiu duramente as pessoas contrárias às suas decisões. De acordo com relatos da época, ele ordenou a destruição de todos os livros que questionassem as novas leis do império. Obras de história, filosofia e biografias foram proibidas e queimadas. Foram poupadas apenas algumas obras com utilidades práticas, como manuais agrícolas e livros de medicina.

Queima de livros durante o governo de Qin Shi Huang Di. Pintura em tecido feita no século XVIII.

Explorando a imagem

• Observe os dois grupos representados na

imagem, com vestes azuis e vermelhas. Qual desses grupos representa o imperador e está a favor da queima de livros? Qual grupo é contrário? Cite elementos da imagem para justificar sua resposta.

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Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

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A Muralha da China e o exército de terracota Durante seu governo, Qin Shi Huang Di ordenou a construção de muralhas para proteger as fronteiras do império recém-estabelecido. Naquela época, o conjunto de muralhas tinha cerca de três mil quilômetros de extensão. Mesmo com a morte de Huang Di, outros imperadores chineses deram continuidade à realização da obra, que ficou conhecida como Muralha da China e atingiu quase sete mil quilômetros de extensão. Quando morreu, em 210 a.C., o imperador foi sepultado juntamente com muitos tesouros. Nos arredores de sua tumba, foi construído em terracota um grande exército, composto de mais de oito mil peças, entre soldados, cavalos e carruagens. A função desse exército era proteger o imperador em sua vida após a morte. Soldado de terracota, século III a.C.

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O Império Han Com a morte do imperador Huang Di, os chineses enfrentaram um período conturbado, caracterizado por disputas pelo poder e por revoltas populares. Liu Bang, um ex-funcionário do governo de origem camponesa, organizou uma rebelião contra o poder imperial e, em 206 a.C., assumiu o poder, dando início ao Império Han. Entre os anos 140 a.C. e 87 a.C., durante o reinado de Wu Di, um dos descendentes de Liu Bang, o Império Han alcançou seu apogeu. Nesse período, o antigo território chinês atingiu a sua maior extensão, o governo aumentou ainda mais o seu poder e a economia foi estabilizada. O confucionismo Unidade 5

O criador do confucionismo foi Confúcio, que viveu entre os séculos VI a.C. e V a.C. Os ensinamentos do confucionismo enfatizavam o respeito à hierarquia, à família e às tradições chinesas.

Templo de Confúcio, Nanquim (China). Foto: Peter Stuckings/Shutterstock.com

Os imperadores do período Han foram muito influenciados pelo confucionismo. As propostas dos confucionistas valorizavam a educação para todos e não apenas para a elite. Em parte, essa educação era voltada para o suprimento de cargos públicos, que passaram a ser preenchidos por meio de concursos. Dessa maneira, o conhecimento do candidato era avaliado independentemente de sua posição social. Contudo, as mulheres não podiam participar desses concursos.

Até os dias de hoje o confucionismo é seguido por milhares de pessoas na China. Fotografia de templo confucionista em Nanquim, China, em 2015.

A cidade de Changan Changan, a primeira capital do Império Han, tinha cerca de 500 mil habitantes e era toda murada. Cada um dos quatro lados do muro possuía três portões vigiados por sentinelas, que observavam a entrada e saída de pessoas do alto das torres. A maior construção da cidade era o palácio do imperador. Menos imponentes, porém luxuosas, as casas dos nobres tinham pavilhões e pátios bastante espaçosos. Já a maior parte da população de Changan morava em pequenas casas. A principal área de lazer da cidade era o parque, onde havia lagos e muitas árvores. Os lugares mais movimentados da cidade eram os mercados, onde eram comer­ cializados vários produtos, como frutas, ervas medicinais, artefatos de cerâmica, tecidos de seda e animais. Além disso, o comércio de escravos também era realizado nesses mercados. Povos antigos da Ásia

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A Rota da Seda Os imperadores da dinastia Han, preocupados em assegurar a proteção das fronteiras chinesas, enviaram embaixadores para reinos distantes, a fim de trocarem presentes e estabelecerem relações diplomáticas. Ao retornarem, esses embaixadores trouxeram informações sobre dois grandes impérios a oeste, o persa e o romano. As notícias sobre a riqueza desses impérios estimularam a abertura de rotas comerciais terrestres. Essas rotas foram ampliadas e chegaram até o Império Romano, passando, também, pelos territórios da Pérsia, da Mesopotâmia e da Arábia. O conjunto dessas rotas ficou conhecido como Rota da Seda. Além da troca de mercadorias, a Rota da Seda possibilitou o intercâmbio cultural entre os povos que a utilizavam. Em meio aos aspectos que transformaram o modo de vida das populações do Oriente e do Ocidente estão a descoberta de novos animais e vegetais; o contato com diferentes estilos artísticos e modos de vida de outros povos; e o estudo da doutrina de diversas religiões, como o budismo e o cristianismo. A Rota da Seda E. Cavalcante

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Fonte: TAO, Wang. Explorando a China. São Paulo: Ática, 1996.

Passado e presente

A Rota da Seda

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Com o passar do tempo, os artigos manufaturados comercializados por meio da Rota da Seda foram se tornando cada vez mais sofisticados, principalmente os tecidos de seda e os ornamentos de jade, de porcelana e de prata. Atualmente, muitos desses produtos ainda são transportados por estradas dessa rota, ligando algumas cidades antigas, onde as trocas comerciais são realizadas em mercados permanentes ou improvisados. Mercado no Uzbequistão, país por onde passava a Rota da Seda. Fotografia de 2013.

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O fim do Império Han As disputas pelo poder ocorridas a partir do final do século II deram origem a uma grave crise no Império Han, que acabou entrando em declínio. A falta de um herdeiro direto para a sucessão do imperador Ling Ti resultou em violentas disputas pelo poder entre generais e altos funcionários do governo. Diante disso, os camponeses passaram a se refugiar nas terras de grandes proprietários em busca de proteção e segurança. Muitos deles, no entanto, eram obrigados a se vender como escravos para saldar as dívidas contraídas. Com isso, os nobres adquiriam cada vez mais poder, aumentando suas propriedades rurais e mantendo os trabalhadores em precárias condições.

Unidade 5

A desigualdade social gerou revoltas populares por todo o império. Grupos de homens armados atravessavam o território, provocando desordem e tumultos. Luoyang, a segunda capital do império, foi saqueada e incendiada. Além disso, a economia também entrou em crise. Por causa desses problemas, o Império Han entrou em colapso no ano de 220. Após sua queda, o território chinês foi fragmentado em reinos, sendo unificado novamente quatro séculos depois. As invenções dos antigos chineses Além das inovações técnicas relacionadas à contenção das águas do rio Amarelo, outras invenções causaram muitas transformações no modo de vida dos antigos chineses. Muitos objetos comuns em nosso modo de vida atual, como papel, guarda-sol, vaso sanitário e pincel, tiveram origem na China Antiga. Além disso, a pólvora e os arreios para cavalos foram inovações técnicas importantes feitas pelos antigos chineses. Carriola, roldana para mover objetos de construção, bomba-d’água, instrumentos de ferro para a agricultura etc., foram novidades introduzidas no cotidiano dos trabalhadores chineses que viveram durante o período Han. Essas invenções foram importantes por possibilitarem o aumento da produção agrícola, proporcionando maior agilidade na construção de grandes obras arquitetônicas.

Roldana: roda de metal ou madeira que gira em um eixo, e em torno dela passa uma corda que auxilia no deslocamento de objetos. Sismógrafo: aparelho que detecta e registra terremotos.

A bússola também foi inventada por chineses do período Han, no século IV a.C. Apesar de ter se tornado conhecida na Europa somente por volta do século XIII, essa invenção teve grande utilidade para os navegadores europeus. Quando os portugueses aportaram em terras brasileiras, no ano de 1500, por exemplo, traziam consigo, entre outros instrumentos de navegação, uma bússola.

Gary Hincks/SPL/Latinstock

Museu da Ciência, Londres (Inglaterra). Foto: SSPL/Getty Images

Foi também um chinês, o astrônomo e matemático Zhang Heng, o inventor do primeiro sismógrafo, no ano 132. O instrumento consistia em uma urna de bronze com oito cabeças de dragões e oito sapos. Quando ocorria um tremor de terra, da boca de um dos dragões caía uma bola para a boca de um dos sapos, permitindo determinar, desse modo, a direção de propagação do terremoto.

Esquema que representa o funcionamento do sismógrafo de Zhang Heng.

Réplica do sismógrafo inventado por Zhang Heng.

Povos antigos da Ásia

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Explorando o tema O tema sobre a medicina tradicional chinesa favorece o trabalho interdisciplinar com Biologia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão de atividade sobre esse assunto.

A medicina tradicional chinesa

Os antigos chineses elaboraram conhecimentos médicos e criaram várias terapias para tratar as doenças. Vestígios arqueológicos indicam que a medicina chinesa vem se desenvolvendo desde o século VI a.C. Mesmo após o desenvolvimento da medicina ocidental moderna, baseada em princípios e métodos considerados científicos, a medicina tradicional chinesa continuou a ser utilizada não só na China, mas em vários lugares do mundo. Atualmente, um número crescente de pessoas tem buscado tratamentos baseados em antigos conhecimentos orientais.

O yin e o yang Na medicina tradicional chinesa, a doença é considerada o resultado de um desequilíbrio da relação entre os órgãos e as forças que compõem e atuam sobre todo o corpo. Essa concepção baseia-se na filosofia taoísta, segundo a qual o corpo, assim como todo o Universo, é regido por duas forças opostas: o yin e o yang. Dessa maneira, a saúde dependeria da harmonia entre essas duas forças.

O taoismo Lao Tsé, criador do taoismo, viveu no século VI a.C. O taoismo pregava a harmonia entre as pessoas e a natureza. Seus ensinamentos incluíam técnicas de respiração e meditação como formas de alcançar a paz espiritual.

O qi: energia vital Para a medicina tradicional chinesa, corpo e mente são inseparáveis e ambos são movidos por uma energia vital chamada de qi (pronuncia-se tchi). O qi atua tanto no ser humano, em seus aspectos físicos, mentais, emocionais e espirituais, quanto na própria natureza, regulando o curso dos rios, o deslocamento de massas de ar, a relação dos animais com seu hábitat etc. Para manter o equilíbrio de forças entre yin e yang no corpo humano e, assim, mantê-lo saudável, o qi é manipulado a fim de harmonizar os chamados “cinco movimentos” que compõem o corpo. Esses movimentos são representados por cinco elementos considerados, pela medicina tradicional chinesa, como os mais comuns na natureza: madeira, fogo, terra, metal e água. Autor desconhecido. Mapa de acupuntura. 30,2 x 23,6 cm. Biblioteca Wellcome, Londres (Inglaterra). Foto: Iconographic Collections/Wellcome Library, London

O corpo segundo a medicina tradicional chinesa A medicina tradicional chinesa associa cada um dos “cinco movimentos” a um órgão do corpo: a madeira é associada ao fígado; o fogo, ao coração; a terra, ao baço; o metal, aos pulmões; e a água, aos rins. Todos os elementos devem interagir harmoniosamente para manter o equilíbrio entre o yin e o yang, e, consequentemente, o bom funcionamento do corpo. Os praticantes da medicina tradicional chinesa acreditam que o corpo possui meridianos distribuídos por toda sua extensão. Esses meridianos seriam sulcos profundos que ligam os órgãos à superfície do corpo e por onde circula o qi. Em casos de doen ças e outros distúrbios, os meridianos devem ser estimulados para proporcionarem a cura e o bem-estar do corpo. Mapa de acupuntura mostrando os pontos de um dos meridianos do corpo humano.

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As práticas terapêuticas tradicionais Atualmente, as práticas terapêuticas mais utilizadas na medicina tradicional chinesa são a acupuntura, o tui na, o qi gong, a fitoterapia e a dietoterapia. De acordo com seus defensores, essas terapias promovem o equilíbrio do qi e estimulam a sua circulação nos meridianos do corpo humano. Acupuntura: por meio de agulhas inseridas em pontos do corpo pelos quais passam os meridianos, a acupuntura promove a liberação de substâncias produzidas pelo próprio organismo que são responsáveis por ações analgésicas, anti-inflamatórias ou sedativas. Assim, essa técnica é muitas vezes utilizada para o tratamento de dores musculares, inflamações e até distúrbios psicoemocionais, como a depressão, a ansiedade e a insônia. Unidade 5

Tui na, ou massoterapia chinesa: utiliza técnicas de manipulação manual de partes do corpo por onde acredita-se que passem os meridianos. Pressionar, esticar ou massagear essas regiões, de acordo com o tui na, ajudaria a combater problemas como hipertensão, úlceras e artrites.

Fitoterapia: esta terapia consiste no tratamento e prevenção de vários distúrbios e doenças por meio do uso de plantas que contêm propriedades medicinais. Ingeridos de diversas formas e em quantidades específicas, os fitoterápicos podem ajudar a combater problemas como inflamações, inchaços e dores. Dietoterapia: esta prática terapêutica trata os desequilíbrios do corpo por meio da ingestão de determinados alimentos. Para os adeptos da medicina tradicional chinesa, cada alimento, seja ele fruta, verdura, grão, carne ou laticínio, possui propriedades que podem combater ou piorar os distúrbios. Por isso, a dieta prescrita pelo médico depende da doença a ser combatida ou prevenida.

Markus Gann/Shutterstock.com

Qi gong, ou exercícios terapêuticos: consiste em técnicas de respiração, meditação e na realização de movimentos específicos. A prática frequente do qi gong é indicada por muitos médicos que seguem os princípios da medicina chinesa com o intuito de aumentar a imunidade e melhorar a resistência do corpo a doenças. Esses médicos asseguram que, além disso, o qi gong promove uma sensação de calma e bem-estar.

A ênfase na prevenção Muitos médicos que exercem a medicina ocidental moderna criticam a medicina tradicional chinesa, afirmando que ela não tem fundamentos científicos. No entanto, a eficácia de alguns tratamentos, como a acupuntura, é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil, desde 1995, como prática médica legítima no tratamento de determinadas doenças e distúrbios. É importante frisar que, além de terapias de cura, a medicina tradicional chinesa prioriza a prevenção das doenças. Como defendia o imperador chinês Huang Ti, autor de um dos mais antigos e importantes tratados da medicina chinesa: “esperar ficar doente para procurar um médico é como esperar ter sede para começar a cavar um poço”. Mulher praticando qi gong. Fotografia de 2015.

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Produza um texto sobre a formação da

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

4. Muitas invenções dos antigos chineses

civilização hindu.

ainda estão presentes em nosso cotidiano. Escolha uma delas e escreva um texto explicando por que ela é importante em seu dia a dia.

2. Quem foi Sidarta Gautama? Quais foram seus principais ensinamentos?

3. O que é a Rota da Seda? Explique a importância dessa rota para o comércio na Antiguidade.

5. Elabore um texto sobre a medicina tradicional chinesa.

Explorando a imagem 6. A qualidade da seda chinesa fez que ela se tornasse apreciada muito além dos limites do Império Chinês. As principais etapas da produção da seda eram desempenhadas pelas mulheres chinesas. Primeiramente, os bichos-da-seda eram alimentados com folhas de amoreira até que fizessem seus casulos. Em seguida, os casulos eram armazenados temporariamente em prateleiras e, então, eram despejados em uma bacia com água morna para que os fios amolecessem. Depois de amolecidos, os fios estavam prontos para ser enrolados, tarefa feita à mão ou com o auxílio de uma máquina. Por fim, os fios eram tingidos e tecidos em um tear. Observe. 2

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Fotos: Antoine Volton. 1853-1854. Placa esmaltada. Museu dos Tecidos, Lyon (França)

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••Agora, em seu caderno, elabore uma legenda e dê um título para cada uma das ilustrações que representam, passo a passo, os procedimentos da produção da seda na China Antiga.

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Momento da redação

[...] Pramila Mallick, integrante do primeiro escalão do governo da região de Orissa, [na Índia], não imaginava que sua prece e suas oferendas ao deus hindu Shiva fossem causar tanta polêmica e virar um escândalo. Assim que ela deixou o local, os sacerdotes brâmanes, da mais alta casta, fecharam as portas do templo, jogaram fora todas as oferendas dadas pela dalit [“intocável”], mudaram as vestes dos ídolos que ela tocou e lavaram o chão que ela pisou.

Um exemplo que ficou conhecido em todo o país foi a história de Surjit Singh, um garoto dalit de 16 anos, trucidado em meados do ano passado no vilarejo de Una, no estado de Himachal Pradesh. Ele foi espancado por um professor porque escreveu um poema de amor para uma menina de casta alta. Muito machucado, no dia seguinte ele foi espancado de novo pela família da menina e acabou morrendo.

A discriminação por castas é proibida desde 1955, mas, na prática, continua. Rajni Tilak, ativista dalit, explica que as leis mudaram, mas a mentalidade dos indianos não acompanhou essa mudança. Segundo a ativista, há um esforço político para acabar com a discriminação, e financeiramente os dalits começam a avançar, mas o preconceito é muito arraigado e é mais difícil de ser eliminado na esfera social.

Os ativistas em defesa dos dalits alertam que os casos de violência que têm se tornado mais comuns ultimamente são a reação das castas altas à ascensão dos “intocáveis”. Os exemplos nos seus arquivos de casos de agressões são inúmeros. [...]

Quase um em cinco indianos pertence ao grupo dos “intocáveis”. Eles somam cerca de 170 milhões de pessoas, ou 16% da população indiana, bem mais do que os chamados indianos de castas altas (que não passam de 8%). A maioria da população é formada por indianos de castas intermediárias. “Há muitos casos de dalits agredidos em vilarejos do interior porque estão vestindo roupas novas e modernas”, diz. [...]

Unidade 5

7. Leia o texto a seguir.

Na noite de 16 de junho de 2008, Sahebrao Jondhale voltava para casa com sua caminhonete [...] quando foi obrigado a parar por um grupo de homens que jogaram querosene e atearam fogo no veículo. Jondhale [...] tinha comprado a caminhonete com o dinheiro que havia economizado em 15 anos de trabalho na maior metrópole da Índia, Mumbai. Segundo seus familiares, o crime foi encomendado por pessoas de castas altas do vilarejo, que se sentiam ofendidas ao verem um dalit ganhando mais dinheiro do que eles. [...]

AGÊNCIA O GLOBO. Dalits ainda discriminados na Índia. Gazeta do Povo, 31 jan. 2009. Disponível em: <www.gazetadopovo.com.br/mundo/ dalitsainda-discriminados-na-india-begsx0r49woph4ekumszwqwjy>. Acesso em: 17 set. 2015.

• Com base no texto acima, nas informações da unidade e em seus conhecimentos prévios,

escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre a discriminação sofrida pelos dalits na Índia. Em seu texto, aborde aspectos históricos do tema, explicando o funcionamento da sociedade de castas. Escreva também por que, mesmo proibida por lei, a discriminação em relação aos dalits continua ocorrendo na Índia.

Vestibulares 1. (UFSC) Várias sociedades antigas se desenvolveram ao longo de rios. Sobre elas, julgue as afirmações a seguir. I ) As antigas China e Índia também são consideradas sociedades hidráulicas e se favoreceram, respectivamente, dos rios Amarelo e Indo. II ) A China Antiga foi rica em pensadores, como Sun Tzu, Confúcio e Lao-Tsé. Uma obra conhecida até hoje e que foi produzida no seio desta sociedade é o tratado militar A arte da guerra. III ) A Mesopotâmia, região localizada entre os rios Tigre e Eufrates, foi assim batizada pelos gregos por ficar entre os dois rios. IV ) Vários povos formavam o que conhecemos

por Mesopotâmia. Entre os principais, figuram aqueus, jônios, eólios e dórios. V ) O Egito foi uma sociedade expansionista desde o período inicial de sua unificação política, o que levou aquela sociedade a estender suas conquistas até o território que hoje conhecemos como Paquistão. VI ) O ciclo agrícola proporcionado pelo rio Nilo se refletiu nas concepções mitológicas dos egípcios antigos. Estão corretas somente as afirmações: a ) I, II, III, e VI.

d ) II, III, V e VI.

b ) I, II, IV e V.

e ) Todas estão corretas.

c ) II, III, IV e V.

Povos antigos da Ásia

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Ampliando seus conhecimentos Shiva Nataraja

Arte e história

Na arte hindu, é marcante a influência da religião. Os deuses, entre eles Shiva, são representados em pinturas e esculturas, além de lhes serem dedicados templos em lugares considerados sagrados. Uma das mais conhecidas obras de arte hindu é a escultura do Shiva Nataraja (do sânscrito, “senhor da dança”). Leia informações sobre essa escultura.

O Shiva dançarino é representado com 4 braços. A mão direita superior 1 segura um pequeno tambor, damaru, que regula a vibração primordial no momento da criação e mantém o ritmo da dança. A mão esquerda superior 2 segura o fogo, na posição de ardhachandra (meia lua), simbolizando a destruição. Existe um equilíbrio entre as duas mãos superiores, apontando para o equilíbrio dinâmico entre criação e destruição. A segunda mão direita 3 [...] designa manutenção e proteção; a segunda mão esquerda 4 , libertação. O pé esquerdo erguido 5 sugere a busca da libertação; o anão-demônio 6 , que está sob seu pé direito, simboliza a ignorância ou “cegueira” em relação à vida. O círculo de chamas 7 em volta de Shiva é, ao mesmo tempo, energia em sua forma mais pura, o fogo de cremação e o símbolo do mantra sagrado OM, o som primordial da criação. ANDRADE, Joachim. Imagens que falam: Uma aproximação da iconografia hindu. Disponível em: <www.pucsp.br/rever/rv4_2006/t_andrade.htm>. Acesso em: 27 ago. 2015.

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Estátua de bronze representando Shiva Nataraja.


Filme de Bernardo Bertolucci. O pequeno Buda. Butão/EUA, 1993

O pequeno Buda

O pequeno Buda é uma narrativa sobre um casal e seu filho, de Seattle, nos Estados Unidos. O garoto foi considerado por dois monges a reencarnação de um Lama falecido pouco tempo antes. Como pano de fundo, há a história do príncipe Sidarta Gautama, o Buda, que viveu na Índia no século VI a.C.

Filme de Bernardo Bertolucci. O pequeno Buda. Butão/EUA, 1993. Foto: United Archives GmbH/Alamy Stock Photo/Latinstock

O filme também traça um paralelo entre dois modos de vida muito distintos, o ocidental e o oriental, enfocando o estranhamento do homem estadunidense em relação aos costumes do Butão, país milenar de forte tradição budista.

Título: O pequeno Buda Diretor: Bernardo Bertolucci Atores principais: Keanu Reeves, Ruocheng Ying, Chris Isaak, Bridget Fonda, Alex Wiesendanger Ano: 1993 Duração: 140 minutos Origem: EUA e Butão

Cena do filme em que o garoto estadunidense é recebido pelos monges no Butão.

Para ler

• Marco Polo e a Rota da Seda, de Jean-Pierre Drège. Editora Objetiva. A Rota da seda, que propiciou muitas trocas culturais entre Oriente e Ocidente, é descrita sob o ponto de vista do mercador Marco Polo.

• O que sabemos sobre o hinduísmo?, de Anita Ganeri. Editora Callis. A obra procura explicar a religião hindu, usando como fontes mapas, fotos e quadros cronológicos.

• Antigas civilizações, tradução Pedro Paulo Funari. Editora Ática. Livro que narra a história de importantes civilizações da Antiguidade. O texto é acompanhado de fotos de objetos, monumentos e obras de arte.

Para navegar

• Ministério das Relações Exteriores (Brasil e Índia). Disponível em: <http://tub. im/dd3ieb>. Acesso em: 25 ago. 2015. Página do Ministério das Relações Exteriores (ou Itamaraty) sobre as relações diplomáticas entre Brasil e Índia.

• Ministério

das Relações Exteriores (Brasil e China). Disponível em: <http:// tub.im/6vhbp6>. Acesso em: 25 ago. 2015. Página do Ministério das Relações Exteriores (ou Itamaraty) sobre as relações diplomáticas entre Brasil e China. Povos antigos da Ásia

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Unidade 5

A história no cinema


unidade

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Os antigos gregos


Os povos gregos formaram uma das mais importantes civilizações da Antigui­ dade. Eles absorveram muitos conhecimen­ tos de outras sociedades, adaptando-os à sua própria cultura, e exerceram grande influên­ cia na formação do mundo ocidental. Ppictures/Shutterstock.com

Várias áreas do conhecimento contemporâ­ neo, como a filosofia, a ciência, a literatura, a escultura, a arquitetura e o teatro, foram in­ fluenciadas pela cultura grega. Além disso, muitas das palavras que falamos também têm sua origem na Grécia Antiga. Nesta unidade, vamos conhecer um pouco sobre os antigos gregos e a importância de seu legado. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A No centro da fotografia é possível obser­ var as ruínas de Atenas, cidade onde nasceu a democracia. O que você já sabe sobre a democracia na Grécia Antiga? B Várias palavras da língua portuguesa têm origem grega. Você sabe explicar por quê? Discuta com os colegas.

Vista da cidade de Atenas, na Grécia, em 2015.

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Os primeiros povoadores Em 3000 a.C., a ilha de Creta, no mar Mediterrâneo, era ocupada pela civiliza­ ção cretense. Os cretenses, também chamados de minoicos, ficaram conhecidos pelo desenvol­ vimento de cidades e portos e pelo comércio marítimo que realizavam com outros povos, entre eles os fenícios e os egípcios. Além disso, desenvolveram um tipo de escrita (conhecido como Linear A) e destacaram­se por suas obras de arte e pela construção de grandiosos palácios, como o de Cnossos. O Palácio de Cnossos

Ânfora minoica de cerâmica. Coleção particular. Foto: blackboard1965/Shutterstock.com

Escavações arqueológicas realizadas em Cnossos, principal cidade de Creta, revelaram a existência de um palácio que abrangia uma área de cerca de 22 000 m 2. Esse palácio era a residência da família real e também o centro administrativo, econômico e religioso da ilha. Em suas dependências foram construídos armazéns e oficinas, além de santuários e residências para os funcionários. Durante as escavações foram encontrados, também, vários afrescos que representavam aspectos do cotidiano, como cenas de rituais religiosos e prática de esportes. Porém, o que mais chamou a atenção dos estudiosos foi a presença de um complexo sistema hidráulico, que revela a importância atribuída à higiene corporal. Além de sanitários, havia uma rede de água e esgoto, inclusive com aquecimento de água. As escavações feitas nos arredores do palácio revelaram que esses be­ nefícios não eram compartilhados por todos os habitantes da cidade, sendo reservados apenas à família real e aos membros da corte. Vaso de 1500 a.C. encontrado nas ruínas do palácio de Cnossos, na ilha de Creta.

A civilização creto-micênica Indo-europeus: povos originários das regiões do planalto Iraniano ou das estepes da Ásia Central, que chegaram à Europa no final do período Neolítico. A língua falada por esses povos, o indo-europeu, é chamada por alguns estudiosos de “língua-mãe”, pois deu origem a diferentes idiomas, entre eles o grego, o latim e o germânico.

Enquanto na ilha de Creta a civilização minoica vivia sua época áurea, povos de origem indo-europeia instalavam­se em diferentes regiões da península Balcânica. Entre esses povos estavam os aqueus, que se estabeleceram principalmente na re­ gião do Peloponeso e fundaram cidades como Micenas, Tirinto e Argos. Micenas, a mais importante delas, tornou­se o centro de expansão da civilização aqueia, que também ficou conhecida como civilização micênica. Os micênicos realizavam trocas comerciais com outros povos. Suas peças de cerâ­ mica eram vendidas em diferentes regiões do Mediterrâneo, no sul da península Itálica e no Egito.

A invasão dórica Durante a expansão da civilização aqueia, outros povos indo­europeus, como os jônios e os eólios, estavam se fixando de forma pacífica em regiões da península Balcânica, do litoral da Ásia Menor e das ilhas dos mares Egeu e Mediterrâneo. Entre os séculos XII e XI a.C., porém, ocorreu a invasão dos dórios, um povo guerreiro que, dotado de tecnologia mili­ tar superior, com armas de ferro, devas­ tou regiões e destruiu cidades, entre elas Micenas, causando a dispersão de gran­ de parte das populações continentais e insulares.

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Eles também mantinham relações comerciais com os cretenses, dos quais absorveram muitos conhecimentos. Com os artesãos cre­ tenses, eles aprenderam a fundir o bronze e a produzir objetos de marfim, ouro e prata. Além disso, adaptaram o seu sistema de escri­ ta e passaram a utilizá­lo para controlar os estoques de alimentos e registrar dados sobre os tesouros do palácio. Por volta de 1450 a.C., uma série de catástrofes naturais atingiu a ilha de Creta, destruindo seus portos e tornando suas cidades vulne­ ráveis. Valendo­se da fragilidade de seus vizinhos, os micênicos inva­ diram Creta e tomaram o palácio de Cnossos. Desde esse momento, o intercâmbio entre essas duas culturas tornou­se mais intenso, dan­ do origem à chamada civilização creto­micênica, considerada por muitos estudiosos a ancestral direta da civilização grega antiga.


O mundo helênico

Helenos ou gregos? A origem do termo hellénikós (heleno) está relacionada a uma antiga tribo que se fixou na re­ gião da Tessália ainda no perío­ do Neolítico. Seu significado se refere ao nome que os pró­ prios helenos davam à sua pá­ tria, Héllas (Hélade).

c. 400 a.C. Moeda de prata. Coleção particular. Foto: Georgios Kollidas/Shutterstock.com

Nas cidades-Estado helênicas, o comércio era dinamizado pelo uso de moedas feitas de prata, bronze e ouro, principalmente. Acima, moedas gregas de prata, produzidas nos séculos VI a.C., V a.C. e IV a.C., respectivamente.

Cidades-Estado helênicas OCEANO ATLÂNTICO

N O

PE N

PENÍNSULA BALCÂNICA

LA

SU

Massalia

ÍN

PENÍNSULA IBÉRICA

CA

LI

Á IT

Mar Adriático

Tarento

Mar Mediterrâneo

Ácragas

Mar Negro

Mármara ÁSIA Mar GRÉCIA Egeu MENOR

Siracusa

Olímpia

Atenas Mileto Corinto Esparta Cnossos

Chipre

Creta

Cirene 0

40° N

TRÁCIA Bizâncio MACEDÔNIA Mar de

Mar Jônico Mégara

Sicília NUMÍDIA

L S

Unidade 6

Graecus (grego), por sua vez, era o termo utilizado pe­ los romanos para designar os habitantes da cidade de Graia, na Hélade Antiga. Com a ex­ pansão do Império Romano, esse termo passou a ser usa­ do para se referir a todos os habitantes da Hélade.

E. Cavalcante

c. 566 a.C. Moeda de prata. Coleção particular. Foto: Russell Shively/Shutterstock.com

c. 500 a.C. Moeda de prata. Coleção particular. Foto: G. Dagli Orti/De Agostini/Glow Images

Os povos indo­europeus foram os principais fundadores das cidades­Es­ tado na Hélade Antiga. Durante o período Clássico, as que mais se sobressaí­ ram foram Esparta e Atenas. Outras cidades helênicas, no entanto, também alcançaram grande desenvolvimento e destacaram­se em diferentes regiões da Grécia.

Mar Mediterrâneo

LÍBIA

290 km

20° L

FENÍCIA

Civilização helênica

Naucratis EGITO

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

Linha do tempo 2000 a.C.

Grécia Antiga 1000 a.C.

1500 a.C.

500 a.C.

0

Período Pré-Homérico 2000 a.C. a 1200 a.C.

Período Homérico 1200 a.C. a 800 a.C.

Período Arcaico 800 a.C. a 500 a.C.

Período Clássico 500 a.C. a 338 a.C.

Período Helenístico 338 a.C. a 145 a.C.

Os primeiros povos de língua indo­europeia se fixaram no território que, mais tarde, seria a Hélade.

As sociedades gregas desse período eram organizadas em genos (conjuntos de famílias governadas por patriarcas).

O crescimento populacional impulsionou a formação das cidades­ ­Estado e a colonização de novas áreas.

Foi no período Clássico que as cidades­Estado gregas, em especial Esparta e Atenas, disputaram entre si a hegemonia política e militar da região.

A Grécia foi invadida e dominada por Filipe II, rei da Macedônia. Após a sua morte, seu filho Alexandre assumiu o poder e ampliou o território, conquistando desde o norte da África até a Índia.

Os antigos gregos

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Esparta Esparta foi fundada pelos dórios, na região da Lacônia, no século IX a.C. Essa região, montanhosa e repleta de pântanos, não favorecia o uso de embarcações. Assim, os espartanos não desenvolveram boas técnicas de navegação, dedicando­se ao treinamento militar na maior parte do tempo.

A conquista de territórios No século VIII a.C., os espartanos já haviam conquistado e subjugado os povos de toda a região da Lacônia e da Messênia. Ao conquistarem esses territórios, dividiram e distribuíram as terras, entre si, em lotes. Os povos conquistados, em vez de serem expulsos ou vendidos como escravos — prática comum na Grécia Antiga —, foram obrigados a permanecer e a realizar os trabalhos agrícolas necessários para o susten­ to de Esparta. Esses povos, denominados hilotas, representaram a principal força de trabalho na sociedade espartana.

Meeiro: indivíduo que cultiva a terra de outra pessoa, para quem tem de entregar parte da produção.

[...] Os hilotas eram obrigados a dar aos espartanos uma porcentagem dos frutos da terra, normalmente a metade, como se fossem meeiros. (Os hilotas não eram escravos. Isto mesmo, não eram escravos, porque não eram de fato propriedade dos espartanos. Eles eram submetidos, mas formavam uma comunidade à parte, embora não tivessem direitos legais e pudessem ser mortos por qualquer espartano sem que este sofresse nenhuma punição pelo assassinato.) [...] FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2007. p. 28. (Repensando a História).

Além dos hilotas, outros povos que foram subjugados por Esparta também integraram a sociedade espartana. Eram os chamados periecos, pessoas livres que habitavam regiões perifé­ ricas de Esparta. Eles não tinham direitos políticos e praticavam atividades ligadas principalmente ao artesanato e ao comércio. Os únicos que podiam participar da vida política eram os ho­ mens nascidos em Esparta. Os homoioi (“iguais”), como eram cha­ mados os espartanos de origem dórica, administravam a cidade e exerciam o ofício militar, sendo proibidos de realizar atividades li­ gadas ao comércio e à agricultura.

Sé c. V a.C . Bu sto de má rm ore . Mu seu Arq ue oló gic o, Esp art a (Gr éci a). Fo to: G. Da gli Or ti/ De Ag ost ini/ Glo w Im age s

O militarismo espartano O militarismo era uma característica marcante de Esparta. Até completar 60 anos, todos os homens espartanos eram considerados guerreiros. Essa preocupação com a questão militar teve origem, principalmente, nas guerras de conquis­ ta. Durante esses conflitos, um grupo minoritário (homoioi) dominava um grupo muito maior (hilotas e periecos), razão pela qual se sentiam constantemente ameaçados. Com isso, eles implementaram um rigoroso sistema para a manutenção da ordem nas terras conquistadas. E essa preocupação era cons­ tante, pois muitas vezes os hilotas se revoltavam contra os espar­ tanos.

Busto de mármore do século V a.C. representando governante espartano.

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Séc. VI a.C. Estátua de bronze. 11,4 cm. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Bridgeman Images/Easypix

A educação espartana Em Esparta, a educação tanto de meninos como de meni­ nas era rígida. Desde pequenas, as crianças espartanas passa­ vam por um rigoroso treinamento físico. Os meninos eram treinados para se tornarem guerreiros; as meninas, por sua vez, eram preparadas para serem mães de filhos fortes e saudáveis.

Unidade 6

Aos sete anos, os meninos iniciavam um treinamento militar bastante exigente, que incluía exercícios físicos, técnicas de sobrevivência e de combate. Quando jovens, aprendiam a ler e a escrever apenas o considerado neces­ sário para um guerreiro. Deveriam respeitar as ordens, falar pouco e objetivamente. O casamento era permitido para os homens somente após os 30 anos e, mesmo assim, não deixariam de prestar seus serviços militares.

Em Esparta, as mulheres realizavam treinamentos físicos e praticavam esportes. Estátua de bronze do século VI a.C. representando uma atleta espartana.

O governo em Esparta Em Esparta, governavam dois reis (regime denominado diarquia). Eles acumulavam poderes administrativos, religiosos e militares. No entanto, seus poderes não eram absolutos, podendo ser controlados pelos seguintes órgãos: Órgão

Membros

Funções

Eforato

Cinco magistrados, denominados éforos, que exerciam o poder por um ano.

Fiscalizar as ações dos reis e dos membros da Gerúsia e da Ápela. Além disso, eram responsáveis pelo controle do sistema educacional em Esparta.

Gerúsia

Os dois reis e o Conselho de Anciãos (formado por 28 gerontes – espartanos com mais de 60 anos de idade – que exerciam o poder vitalício).

Formular as leis da cidade, julgar os crimes cometidos e decidir sobre a participação de Esparta em guerras.

Ápela

Todos os cidadãos espartanos com mais de 30 anos.

Escolher os membros da Gerúsia e do Eforato e votar as propostas de lei.

As Guerras Greco-Pérsicas No século V a.C., os gregos se envolveram em uma série de conflitos contra o Império Persa, um dos maiores da Antiguidade. Comandados pelo imperador Dário, os persas invadiram e dominaram várias cidades helênicas, passando a cobrar impostos dos seus habitantes. Em Mileto, no entanto, a população se recusou a pagar os impostos. Com isso, uma legião de soldados persas, estrangei­ ros mercenários e escravos invadiu a cidade, destruiu suas muralhas, matou seus habitantes e es­ cravizou os sobreviventes. Diante dessa ameaça, habitantes de outras cidades gregas também se rebelaram. O rei Dário enviou aproximadamente 50 mil soldados para combatê­los. Mesmo contra esse expressivo exército, os gregos foram vitoriosos. Mais tarde, sob o comando do rei Xerxes, filho e sucessor de Dário, os persas tentaram nova ofensiva e enviaram um exército ainda mais poderoso. Os gregos decidiram resistir e defender seus territórios. Após importantes vitórias, como na batalha naval em Salamina (480 a.C.) e no campo de Plateia (479 a.C.), os gregos afastaram a ameaça persa. Os antigos gregos

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Atenas A cidade de Atenas foi fundada pelos jônios no século X a.C., e, por cerca de 200 anos, seu regime político foi a monarquia. Nesse regime, governava um só rei (também cha­ mado de basileu), cujo poder era limitado apenas por um conselho de aristocratas, o Areópago. Ao final desse período, entretanto, a aristocracia foi aos poucos assumindo as funções do rei, conduzindo a transição para o regime oligárquico. O domínio político dos aristocratas, além de derrubar a monarquia, resultou na desapropriação das terras dos camponeses, que ficavam cada vez mais pobres e endividados. Sem recursos econômicos, eles eram obrigados a hipotecar suas peque­ nas propriedades e, muitas vezes, ainda não conseguiam saldar suas dívidas. Nesses casos, era comum oferecerem seus filhos ou a si mesmos como escravos para paga­ rem o valor do empréstimo. Essa situação gerou uma grande concentração de terras nas mãos da aristocracia, ocasionando tensões sociais.

O conceito de aristocracia

c. 400 a.C. Lécito de mármore. Museu Arqueológico Nacional, Atenas (Grécia). Foto: John Hios/Akg-Images/Latinstock

Hipotecar: ato de oferecer uma propriedade como garantia de pagamento para a obtenção de um empréstimo. Oligarquia: governo ou poder de um pequeno grupo de pessoas.

Em Atenas, o termo aristokratia (“governo dos melhores”) era usado para fazer referência a um pequeno grupo de pessoas que detinham o poder e transferiam­no aos seus descendentes. Essas pessoas acre­ ditavam que seus ancestrais eram guerreiros que haviam fundado a ci­ dade de Atenas. Já nos períodos Medieval e Mo­ derno, o uso desse conceito foi am­ pliado e mui tas vezes usado como sinônimo de nobreza. Atualmente, ele é usado de maneira ainda mais genérica, sendo empregado para fa­ zer referência, de modo geral, aos grupos sociais privilegiados.

Detalhe de relevo do século IV a.C. feito em mármore que representa quatro aristocratas atenienses.

c. 480 a.C. Pélica de figuras vermelhas. Coleção particular. Foto: Mary Evans/Scala, Florence/Glow Images

A sociedade ateniense

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No período Arcaico os escravos, muitos deles prisioneiros de guerra, compunham grande parte da população de Atenas. Havia também os estrangeiros, chamados metecos, que tinham permissão para se esta­ belecer na cidade. Embora livres, os metecos não podiam participar do governo de Atenas. Os eupátridas, membros das antigas famílias aristocráticas, compu­ nham uma minoria privilegiada. Eram proprietários das terras mais fér­ teis e controlavam as decisões políticas da cidade. Outra parte da população ateniense era composta de pequenos pro­ prietários de terras, camponeses, rendeiros, artesãos e comerciantes. Vaso ateniense de cerâmica do final do período Arcaico que representa um homem, provavelmente um escravo, carregando móveis.


A população exige mudanças

O principal legislador ateniense foi Sólon. Com ele, no início do sé­ culo VI a.C., foram iniciadas reformas efetivas, como o fim da escravidão por dívidas; o aumento do número de cidadãos com direitos políticos reconhecidos e a criação de três instituições: o Bouleuterion (ou con­ selho dos quatrocentos), a Eclésia (assembleia popular, na qual se reu­ niam todos os cidadãos) e a Helieia (tribunal popular de justiça). Sólon também estabeleceu critérios censitários, ou seja, de renda, para a ocupação de cargos públicos (magistraturas). Dessa maneira, somente os mais ricos tinham acesso aos cargos mais importantes. No campo econômico, Sólon incentivou o comércio e o artesanato, a padronização monetária e a adoção de um sistema único de pesos e medidas. A estrutura fundiária, porém, não foi alterada, desagradando os camponeses.

A ascensão social dos comerciantes e artesãos Desde o século VIII a.C., o cresci­ mento populacional das cidades gregas impulsionou movimentos migratórios em busca de novas áreas para colonização. Nessa época, foram fundadas colônias gregas em vários pontos do litoral dos mares Egeu e Mediterrâneo. Essa expansão ofereceu condições propícias para o desenvolvimento da produção artesanal, com destaque para a cerâmica, e também para o intercâm­ bio comercial entre as cidades gregas e destas com outros povos. O novo dina­ mismo econômico, particularmente no final do período Arcaico, favoreceu a ascensão social de comerciantes e arte­ sãos. Em Atenas, esses grupos sociais ascendentes passaram a exigir maior participação política e aliaram­se aos camponeses, que também estavam des­ contentes com os privilégios que a aristo cracia detinha em razão de seu domínio político e econômico.

A revolução hoplítica Os mais importantes soldados gregos recebiam o nome de hoplitas. Eles comba­ tiam a cavalo e possuíam os melhores armamentos. Durante o período Arcaico, so­ mente os aristocratas podiam tornar­se hoplitas. Ao longo do tempo, os homens comuns também puderam se tornar hoplitas, desde que conseguissem comprar os equipamentos para os combates. Esses soldados luta­ vam a pé, lado a lado, nas falanges. A participação dos homens comuns nas guerras fez que surgisse um sentimento de igualdade entre eles. Esse sentimento contribuiu para intensificar a oposição popular ao domínio político dos aristocratas em Atenas.

Pe Co t er C Co l e ç ã onn nn o p ol l ol l ar y. 1 y/A tic 98 k g ul a 1. A -Im r. F qu ag oto are es : l / L Pe t a. a t i er ns to ck

Segundo alguns historiadores, a revolução hoplítica contribuiu para a conquista de direitos iguais entre os cidadãos.

Aquarela que representa uma falange, formação militar de infantaria na Grécia Antiga.

Os antigos gregos

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Unidade 6

As grandes desigualdades sociais existentes em Atenas fizeram que as camadas mais pobres da sociedade se revoltassem, exigindo mudan­ ças durante o século V a.C. Os pequenos proprietários que participaram das guerras adquiriram maior prestígio social e passaram a reivindicar também participação política. Eles receberam apoio dos artesãos e dos comerciantes e lutaram por uma distribuição de terras mais justa e pela abolição de suas dívidas. Os aristocratas, para tentar controlar as revol­ tas populares, criaram a figura do legislador, que era encarregado de registrar as leis da cidade.


A tirania

Busto de mármore. Cópia romana de busto grego de c. 430 a.C. Museus Vaticanos, Cidade Estado do Vaticano. Foto: Vladislav Gurfinkel/Shutterstock.com

Demos: regiões administrativas que formavam as cidades-Estado da Grécia. Atenas, por exemplo, era dividida em cerca de 150 demos. Os demos eram os núcleos básicos da política ateniense, onde os cidadãos, em assembleia, podiam tomar decisões sobre questões públicas. Foi por volta de 468 a.C., que, pela primeira vez, a palavra democracia — derivada da união da palavra demos (do grego, povo) e da palavra kratos (poder) — foi utilizada para designar a participação dos cidadãos nas decisões políticas.

Por causa do caráter parcial das reformas de Sólon, as lutas sociais não cessaram e, mesmo entre os aristocratas, surgiram graves conflitos. Essa situação facilitou a ascensão dos tiranos, indivíduos que, com o apoio das camadas populares, assu­ miam o governo por meio da força. O tirano mais conhecido da história ateniense foi o aristocrata Pisístrato, que alcançou o poder por volta de 560 a.C. Ele controlou as massas populares por meio de reformas sociais e da distribuição de terras e emprés­ timos para os pequenos agricultores, o que foi possível com o confisco das terras de seus inimigos políticos. Com o objetivo de gerar trabalho para as massas urbanas, fomentou a construção de obras públicas, como canais e portos. Também incentivou a produção cultural de artistas e sábios, além de construir bibliotecas. Seus filhos e sucessores, Hípias e Hiparco, governaram de forma despótica e violenta e acabaram sendo afastados do poder e assassinados.

A consolidação da democracia Por volta de 510 a.C., o aristocrata Clístenes assumiu o governo em Atenas. Ele propôs reformas que reduziram o poder oligárquico e consolidaram o regime democrático na pólis (cidade­Estado). Clístenes dividiu a população ateniense em dez tribos, cada uma delas formada por vários demos, estabelecendo como critério de divisão sua localização territorial. Aumentou o número de participantes do Bouleuterion de 400 para 500, sendo 50 pessoas de cada tribo. Além disso, os membros desse conselho passaram a ser sor­ teados, e não mais eleitos. Ele implantou a lei do ostracismo, que estabelecia, por vo­ tação, o exílio por um período de dez anos para aqueles que ameaçassem a ordem democrática. Os condenados ao os­ tracismo, após cumprirem o período de exílio, podiam retor­ nar e reaver seus bens e direitos políticos. Clístenes também eliminou a divisão censitária entre os cidadãos, permitindo a todos a participação nas magistraturas, no conselho do Bouleuterion e nos tribunais da Helieia. As reformas de Clístenes causaram grande impacto social. A consolidação da democracia grega, no entanto, ocor­ reu durante o governo de Péricles, entre 461 a.C. e 429 a.C., que instituiu a mistoforia, ou seja, a re­ muneração dos cargos públicos.

Busto de mármore representando Péricles.

Refletindo

• O regime

democrático criado em Atenas, no século V a.C., é igual aos regimes democráticos da atualidade? Por quê?

As características da democracia ateniense Mesmo na época de Péricles, os únicos que tinham direitos políticos eram os homens com mais de 18 anos e filhos de atenienses, sendo excluídos, dessa forma, os escravos, as mulheres e os estrangeiros. A proporção de cidadãos não ultrapassava 10% da população total da pólis e, mesmo sendo teoricamente iguais perante a lei (princípio da isonomia), os cidadãos não tinham condições iguais de participação política. Na prática, os cidadãos ricos tinham mais tempo para participar dos debates públicos, e os cida­ dãos pobres, por sua vez, eram impossibilitados, pois teriam que deixar de trabalhar no mínimo 40 dias durante o ano para participar de debates e votações na Eclésia.

Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

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A organização da cidade de Atenas Durante o período Clássico, o espaço urbano de Atenas era organizado em áreas públicas e privadas. Nas áreas privadas encontravam­se as residências, que geral­ mente eram pequenas, construídas com tijolos de argila e, quando maiores e com mais andares, eram construídas com pedra. Os edifícios públicos ficavam localizados em dois espaços principais, a Ágora e a Acrópole. A Ágora era uma grande praça onde ficavam edifícios com funções políticas (Bouleuterion, Eclésia), judiciais (Helieia), religiosas (templos) e econômicas (mercados, oficinas de artesanato).

Unidade 6

Joel Shawn/Shutterstock.com

A Acrópole, construída na parte alta da cidade, funcionava como centro religioso e de defesa. Nela se localizavam os principais templos religiosos, entre eles o Partenon e o Erecteion.

Ruínas do Erecteion, na Acrópole de Atenas. Fotografia de 2015.

O sujeito na história

Aspásia de Mileto

Na Grécia antiga, a vida das mulheres era controlada pelos homens (pais, irmãos e maridos). Elas se dedicavam às tarefas domésticas, cuida­ vam da casa e dos filhos. Busto de mármore. Cópia romana de busto grego do séc. V a.C. Museus Vaticanos, Cidade Estado do Vaticano. Foto: Lanmas/Alamy Stock Photo/Latinstock

A maioria das mulheres vivia nessa situação, mas existiram algumas exceções, entre elas, Aspásia. Nascida em Mileto, passou a viver em Atenas durante o auge da democracia (século V a.C.). Grande conhecedora de política e mestre em retórica, ela foi com­ panheira e esposa de Péricles. Além de elaborar os discursos de seu marido, encontrava­se frequentemente com Sócrates, um importante filósofo grego por quem era muito admirada. Ela foi duramente criti­ cada pelos inimigos de Péricles, que a acusavam de interferir nos negócios da cidade. Busto de mármore representando Aspásia de Mileto.

Os antigos gregos

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A mitologia na Grécia Antiga Séc. V a.C. Mosaico. Museu Arqueológico de Rodes (Grécia). Foto: jorisvo/Shutterstock.com

A mitologia é um conjunto de histórias que procura explicar a comple­ xidade do mundo, fornecendo, por meio de suas narrativas, modelos para a conduta humana, atribuindo significados e valores à vida. As ex­ plicações mitológicas fazem parte da cultura e do conjunto de crenças de um povo. Os gregos eram politeístas e, de acordo com a sua mitologia, alguns de seus principais deuses habitavam um lugar chamado Monte Olimpo (a mais alta montanha grega). Segundo a crença mitológica, esses deuses gregos eram imortais, no entanto, assim como os seres huma­ nos, tinham defeitos e qualidades. Além disso, os deuses frequente­ mente interferiam na vida dos seres humanos, ora auxiliando-os, ora castigando-os. Detalhe de mosaico do século V a.C. representando o Centauro, criatura da mitologia grega.

De acordo com a mitologia grega, o universo foi criado por uma força misteriosa. Leia o texto.

Na origem, nada tinha forma no universo. Tudo se confundia, e não era possível distinguir a terra do céu nem do mar. Esse abismo nebuloso se chamava Caos. Quanto tempo durou? Até hoje não se sabe. Uma força misteriosa, talvez um deus, resolveu pôr ordem nisso. Começou reunindo o material para moldar o disco terrestre, depois o pendurou no vazio. Em cima, cavou a abóbada celeste, que encheu de ar e de luz. Planícies verdejantes se estenderam então na superfície da terra, e montanhas rochosas se ergueram acima dos vales. A água dos mares veio rodear as terras. Obedecendo à ordem divina, as águas penetraram nas bacias para formar lagos, torrentes desceram das encostas, e rios serpearam entre os barrancos. Assim, foram criadas as partes essenciais de nosso mundo. Elas só esperavam seus habitantes. Os astros e os deuses logo iriam ocupar o céu, depois, no fundo do mar, os peixes de escamas luzidias estabeleceriam domicílio, o ar seria reservado aos pássaros e a terra a todos os outros animais, ainda selvagens.

c. 275. Mosaico. 272 x 332 cm. Museu Nacional, Damasco (Síria). Foto: Jean-Louis Nou/Akg-Images/Latinstock

Mosaico do século III que representa a deusa Gaia (sentada, ao centro) cercada de seus filhos.

Era necessário um casal de divindades para gerar novos deuses. Foram Urano, o Céu; e Gaia, a Terra, que puseram no mundo uma porção de seres estranhos. Da união deles nasceram primeiro seis meninos e seis meninas, os Titãs e as Titânides, todos de natureza divina, como seus pais. Eles também tiveram filhos. Um deles, Hiperíon, uniu-se à sua irmã Téia, que pôs no mundo Hélio, o Sol; e Selene, a Lua; além de Eo, a Aurora. Outro, Jápeto, casou-se com Clímene, uma filha de Oceano. Ela lhe deu quatro filhos, entre eles Prometeu. [...] POUZADOUX, Claude. Contos e lendas da mitologia grega. Tradução Eduardo Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 7-8.

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Os Jogos Olímpicos Pugilato: luta realizada a golpes de soco. Os pugilistas gregos utilizavam tiras de couro para proteger as mãos durante as disputas. Solstício: cada uma das duas datas do ano (em junho e dezembro) em que há maior diferença no tempo de duração do dia e da noite.

Os espectadores vinham das regiões mais remotas da Grécia para acompanhar os jogos em Olímpia e oferecer sacrifícios aos deuses. O prêmio concedido aos atletas vencedores era uma coroa feita de ramos de oliveira. No entanto, a vitória estava vinculada à honra do atleta vencedor e dos deuses que o haviam favorecido, além de causar grande orgulho à sua cidade. Até o século IV, os antigos gregos realizaram periodicamente os Jogos Olímpicos. A partir dessa época, no entanto, alguns fatores, como guerras, problemas econômicos e a dominação romana, provocaram o declínio das práticas esportivas e o fim da tradição olímpica. No ano de 393, o imperador romano Teodósio I aboliu os Jogos Olímpicos.

Unidade 6

Os jogos eram realizados a cada quatro anos. Durante os jogos, as guer­ ras eram interrompidas no mundo helênico: era a chamada “trégua sagra­ da”. Assim, os espectadores podiam se deslocar até Olímpia sem receio de serem atacados.

c. 480 a.C. Estátua de bronze. Museu Arqueológico de Olímpia (Grécia). Foto: John Hios/Akg-Images/Latinstock

Os Jogos Olímpicos foram realizados pela primeira vez em 776 a.C., no santuário de Olímpia, na região ocidental do Peloponeso. Naquela época, as principais modalidades esportivas eram corrida, pugilato e arremesso de disco e dardo. Inicialmente, os jogos eram realizados em um único dia, na primeira lua cheia após o solstício de verão. Porém, com a inclusão de novas modali­ dades e o aumento do número de participantes, os jogos passaram a durar cerca de uma semana.

Estátua de bronze de cerca de 480 a.C. que representa um atleta olímpico preparado para iniciar uma corrida.

Passado e presente

Os Jogos Olímpicos

Séculos depois do fim dos Jogos Olímpicos na Grécia Antiga, por iniciativa do francês Pierre de Cobertin, eles foram retomados. Os primeiros Jogos Olímpicos modernos foram realizados em 1896, em Atenas, capital da Grécia. 1896. Atenas (Grécia). Foto: Akg-Images/Historic-Maps/Latinstock

Tendo como lema “o importante é competir”, os jogos procuravam estimular as competições esportivas como for­ ma de promover a paz entre os povos. Nessa época, a maioria dos atletas ainda eram homens. As mulheres só pu­ deram participar de algumas modalidades a partir do ano 1900. Hoje em dia, muitas atletas participam dos jogos, em diferentes modalidades. A primeira participação brasileira nos Jogos Olímpicos ocorreu em 1920, nos Jogos da Antuérpia, na Bélgica. O Brasil enviou 21 atletas a essa competição, sendo todos eles homens. Nos jogos de Los Angeles, Estados Unidos, em 1932, a nadadora brasileira Maria Lenck tornou­se a primeira mulher latino­americana a participar de uma olimpíada. De 1932 até hoje, o Brasil participou de todas as edições dos Jogos Olímpicos. Em 2016, pela primeira vez, os jogos foram realizados no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

Atletas se preparam para a largada da corrida de 100 metros, nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 1896.

Os antigos gregos

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A filosofia e a ciência na Grécia Antiga A expressão da individualidade Na pólis, os cidadãos tinham espaço para expressar sua individualidade por meio da escrita e da palavra. As discussões em praça pública tornaram-se frequentes, proporcionando uma nova relação entre os homens. Essa nova forma de relacionamento social e político, mais igualitária e baseada no valor individual de cada um (e não mais nos laços de sangue), foi fundamental para o desenvolvimento do pensamento filosófico.

Na Grécia Antiga, o nascimento do pensamento racional filosófico foi resultado de um lento e sólido processo de transformação da consciência mítica. Essa transformação não significou a substituição da mitologia pela filosofia, ambas passaram a coexistir. Além da consciência mítica, que forneceu base para o desenvolvimento da reflexão filosófica, outros fatores foram decisivos no processo de desenvolvimento do pensamento racional, entre eles, a simplificação e a ampliação do uso da escrita, o registro por escrito da legislação e a utilização da moeda e do calendário.

O desenvolvimento da filosofia grega c. 550-480 a.C. Busto de mármore. Museus Capitolinos, Roma (Itália). Foto: Akg-Images/Latinstock

A filosofia grega costuma ser dividida em três períodos. Veja.

Período Cosmológico ou Pré-socrático (do século VII a.C. ao século V a.C.) Os pensadores desse período foram os primeiros a se afastar das narrativas míticas para dar início a uma forma de investigação que se preocupava com a organização da natureza. Nessa fase, filósofos como Tales de Mileto, Pitágoras e Heráclito começaram a investigar o mundo por meio da realidade apreendida na experiência humana cotidiana, e não mais na tradição mítica. Para Heráclito, o mundo se explicava pelo eterno fluir de todas as coisas: “Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio”. Foi dessa forma que ele expôs sua doutrina da eterna mudança: ao entrarmos pela segunda vez no mesmo rio, suas águas já são outras, assim como nós já não somos os mesmos. Ao lado, busto de mármore que representa Heráclito.

c. 333-263 a.C. Busto de mármore. Museu Arqueológico de Veneza (Itália). Foto: De Agostini/A. Dagli Orti/Glow Images

Busto de mármore. Cópia romana do original grego. 32,35 cm. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Kamira/Shutterstock.com

O conteúdo sobre o surgimento do pensamento racional e a manutenção do mito favorece o trabalho interdisciplinar com Filosofia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

Período Clássico ou Socrático (do século V a.C. ao século IV a.C.) Esse período foi assim denominado porque seu principal expoente foi Sócrates, filósofo ateniense. As ideias desse filósofo, que transmitia seus ensinamentos oralmente, foram registradas por seu principal discípulo, Platão. Outro importante filósofo desse período foi Aristóteles, discípulo de Platão e reformador das ideias socrático-platônicas. Sócrates, reconhecido como um dos maiores sábios atenienses, afirmava que a verdadeira sabedoria dependia do reconhecimento da própria ignorância, como expressou na frase “só sei que nada sei”. Ao lado, busto de mármore representando Sócrates.

Período Helenístico (do século IV a.C. ao século III a.C.) Com a expansão do Império Macedônico, a pólis deixou de ser o centro político, dando início ao pensamento filosófico conhecido como helenístico. As principais correntes filosóficas desse período foram o epicurismo e o estoicismo. O epicurismo propunha uma vida de felicidade e prazeres que, se buscados de maneira racional, serviriam como um antídoto contra as aflições e os sofrimentos. O estoicismo, por outro lado, defendia a identificação da divindade com a razão e a natureza. Zenão é considerado o fundador do estoicismo. Essa corrente filosófica foi um exemplo da grande interação entre as culturas do Oriente e do Ocidente, o que deu a ela um caráter cosmopolita. O estoicismo difundiu-se posteriormente pelo Império Romano, influenciando alguns princípios do cristianismo, como a ideia de uma razão divina que rege o Universo. Ao lado, busto de mármore que representa Zenão.

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O conhecimento científico A compreensão de mundo proposta pelo pensamento filosófico racional possibilitou o desenvolvimento de diversos ramos da ciência na Grécia Antiga. O pensamento racional foi construído com base na observação atenta dos fenômenos naturais e sociais. Nos primeiros estágios do pensamento racional sistematizado, filosofia e ciência estavam interligadas, pois o filósofo era uma pessoa interessada nos vários aspectos do saber científico. A astronomia

Geocentrismo: teoria que defende que a Terra é o centro do Universo. Heliocentrismo: teoria que defende que o Sol é o centro do Universo.

Tendo como base as reflexões filosóficas ocorridas na Grécia Antiga, nasceu outro campo do conhecimento científico: a astronomia. Seu desenvolvimento se deu, sobretudo, por meio dos estudos e das considerações de Eudoxo, no século IV a.C., que concebeu teorias a respeito do movimento dos astros. Embasado em estudos de Eudoxo, o filósofo Aristóteles formulou uma teoria geocêntrica. Anos depois, o astrônomo Aristarco contradisse Aristóteles, formulando uma teoria heliocêntrica.

Unidade 6

A lógica aristotélica A lógica está ligada ao logos, um conceito importante na tradição do pensamento grego, que pode ser traduzido como “palavra, discurso, razão, pensamento”. A lógica, ocupando-se do pensamento e da razão, atua como instrumento que determina a validade e a coerência dos argumentos em suas proposições e premissas, ou seja, ela indica o caminho que o pensamento tem de seguir para ter validade. Aristóteles elaborou uma ampla e complexa obra filosófica, investigando temas variados como física, astronomia, ética, metafísica, moral, política, retórica e lógica. Quanto a esta última, ele é considerado o primeiro a fundamentá-la como um ramo específico do saber, ou melhor, um campo de estudos com a função de sistematizar o saber. Assim, Aristóteles estabeleceu os princípios lógicos fundamentais:

• princípio de identidade (A é sempre A); • princípio da não contradição (A não pode

ser A e não A ao mesmo tempo, pois é impossível negar e afirmar simultanea mente uma proposição);

• princípio do terceiro excluído (A é X ou não X, não O silogismo Um exemplo do raciocínio lógico é o silogismo aristotélico, conforme expressa a argumentação a seguir: Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal. Esse silogismo clássico foi estabelecido em linguagem lógica por Aristóteles da seguinte maneira: A é verdade de B, B é verdade de C. Logo, A é verdade de C.

Universidade Aristóteles de Salônica (Grécia). Foto: Portokalis/Shutterstock.com

havendo terceira possibilidade).

Estátua de bronze representando Aristóteles, localizada em frente à Universidade Aristóteles de Salônica, na Grécia. Fotografia de 2015.

Os antigos gregos

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O alfabeto grego A influência da escrita grega Estes são alguns exemplos das muitas palavras do grego clássico que fazem parte do vocabulário moderno. Utilizadas nas áreas das ciências, das artes, da política e da conversação corriqueira, essas palavras de­ mons­tram a influência dos gregos antigos na história do pensamento humano. schole

escola

geometria

geometria

physika

física

philosophia

filosofia

astronomia

astronomia

aster

estrela

galaxia

galáxia

kometes

cometa

meteoron

meteoro

atomon

átomo

mousike

música

meloidia

melodia

harmonia

harmonia

symphonia

sinfonia

Fonte: WOODHEAD, Henry (Dir.). A elevação do espírito: 600-400 a.C. Rio de Janeiro: Abril Livros, 1995.

Gênero literário: forma de classificação das obras literárias de acordo com o estilo, a estrutura ou a temática do texto.

O alfabeto grego foi criado no século VIII a.C. por meio de uma adaptação do alfabeto fenício. Formado por 24 letras, incluindo consoantes e vogais, ele foi bastante inovador para a época, motivo pelo qual foi amplamente difundido no mundo helênico e também entre povos de outras regiões. Na península Itálica, os etruscos o adaptaram à sua língua e, mais tarde, os romanos também passaram a utilizá-lo, realizando, entretanto, algumas adaptações para o seu idioma, o latim. O alfabeto latino, criado a partir do alfabeto grego, tornou-se a base de muitos idiomas modernos, como o italiano, o espanhol, o francês e o português.

A literatura dos antigos gregos A escrita grega era capaz de representar a língua falada com grande clareza e exatidão. Além disso, em comparação com a escrita de outros povos antigos, como a dos egípcios e mesopotâmios, era mais fácil de aprender. Essa facilidade de aprendizado permitiu que grande parte da população grega fosse alfabetizada. A difusão da escrita entre os gregos propiciou o desenvolvimento da literatura. Entre os gêneros literários apreciados pelos antigos gregos estavam a poesia e o drama. Os poemas tratavam de diversos assuntos, principalmente os ligados aos relacionamentos humanos e ao cotidiano. Entre os principais poemas gregos, estão Teogonia e Os trabalhos e os dias, de Hesíodo. Além disso, os poemas Uma garota e Hino à Afrodite, da poetisa Safo, são importantes referências para o estudo do universo feminino na Grécia Antiga. Outro tipo de poema é a epopeia, uma longa narrativa em verso que apresenta a saga de um herói. As principais epopeias gregas são a Ilíada e a Odisseia, atribuídas a Homero.

O drama, gênero de composição teatral, também era difundido. A tragédia e a comédia eram os dois principais tipos de drama. A tragédia era utilizada geralmente para descrever grandes aventuras e episódios trágicos da vida dos heróis. As mais antigas tragédias gregas foram escritas por Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. A comédia, por sua vez, servia para satirizar as fraquezas humanas, além de ser um importante veículo de crítica social. As comédias geralmente eram escritas para ser encenadas nos teatros. Dois dos principais comediógrafos gregos são Aristófanes e Menandro.

Ulisses e as sereias, parte de mosaico romano do século III que representa uma das passagens da Odisseia.

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Séc. III. Mosaico. 380 x 130 cm. Thugga/Dougga (Tunísia). Foto: Gilles Mermet/Akg-Images/Latinstock

A literatura grega abrange também outros tipos de obras, como as narrativas históricas, os diálogos filosóficos e os discursos jurídicos e políticos.


A Guerra do Peloponeso No século V a.C., Atenas e Esparta lideraram uma guerra que envolveu várias outras cidades e colônias gregas. O conflito, conhecido como Guerra do Peloponeso, durou cerca de três décadas e representou a ruína das principais cidades da Grécia Antiga.

O conflito

Vários confrontos ocorreram ao longo dos anos, enfraquecendo as cidades e causando grande destruição. O fim da Guerra do Peloponeso marcou também o fim da hegemonia grega nos territórios do Mediterrâneo.

Tucídides (século V a.C.) foi um ateniense que lutou na Guerra do Peloponeso e que, após os conflitos, escreveu a História da Guerra do Peloponeso,, obra ainda hoje considerada a principal fonte histórica sobre o assunto.

Unidade 6

Os espartanos lideraram a chamada Liga do Peloponeso, que realizou um ataque militar a uma cidade aliada de Atenas, dando início à guerra.

Tucídides e a história da guerra

c. 460-397 a.C. Busto de mármore. Museu Arqueológico Nacional, Nápoles (Itália). Foto: R. Pedicin/De Agostini/Easypix

Atenas era líder da Confederação de Delos, uma união militar de cidades gregas criada durante as guerras Greco-Pérsicas. Com a transferência do centro administrativo da confederação para Atenas, essa cidade começou a usufruir dos impostos pagos pelas demais cidades integrantes. Além disso, passou a interferir nas relações comerciais das cidades e colônias gregas, causando a reação de outra grande potência da época: Esparta.

Para Tucídides, os principais motivos que provocaram a guerra foram a política expansionista de Atenas, as divergências entre os oligarcas espartanos e os democratas atenienses, além das diferentes origens étnicas dos povos gregos.

Busto de mármore representando Tucídides.

A Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) Mar Adriático

Roma

Mar Negro

TRÁCIA

LÁCIO Cumae Mar Tirreno

Nápoles Taranto

Thásos Estagira

MAGNA GRÉCIA

lcebíad es par a eA

Mar Jônico Lipara Locri Segesta Messina Rhegium Himera Catânia (Reggio di Calabria) Selmus Sicília Gela

Siracusa

Camarina

Mar Mediterrâneo

Estados neutros Atenas e os membros da Liga de Delos Confederação espartana Aliados de Atenas Aliados de Esparta Campanhas atenienses Campanhas espartanas

Lampsacus Abydus

Limnos

ia icíl aS

Rot ad

Golfo de Taranto

E. Cavalcante

Bizâncio

Epidamnus

GRÉCIA

Mar Egeu

40° N

IMPÉRIO PERSA

Lesbos

Sardes Khios Queroneia Tebas Deceleia Plateia Éfeso Atenas Samos Mégara Pireu ÁTICA Corinto Elis Argos CÍCLAD ES Pilos Esparta Milos Rodes Kithira

Creta

N

0

190 km

O

20° L

L S

Fonte: BARRACLOUGH, Geoffrey. Atlas da história do mundo. São Paulo: Folha da Manhã, 1995.

Os antigos gregos

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O período Helenístico Por volta de 340 a.C., os macedônios invadiram vários territórios da Grécia Antiga. As cidades gregas, enfraquecidas com a Guerra do Peloponeso, não conseguiram resistir ao ataque e foram conquistadas. Quando Alexandre, o Grande, assumiu o trono macedônico, deu continuidade à política expansionista que fora iniciada por seu pai, Filipe II. Além das cidades gregas, Alexandre conquistou vastos territórios, fundando um dos maiores impérios da Antiguidade, que ficou conhecido como Império Macedônico. Expansão macedônica 40˚ N

N O

Samarcanda Bactros

Mar Cáspio

Alexandrópolis

Mar Negro

Alexandria de Ária Hecatômpilo

Górdio

Pela

Arbelos

Pérgamo Esparta

Atenas

ÁSIA MENOR

Creta

Mar Mediterrâneo

0

390 km

Chipre Tiro

Damasco

PÉRSIA

Susa

Babilônia

SÍRIA

Persépolis Golfo Pérsico

Alexandria Mênfis

Alexandria Niceia

Alexandria do Cáucaso

Alexandria Alexandria de Aracósia de Opiena (Kandahar) Patala Pura

OCEANO ÍNDICO

A Macedônia original

Amônio ar ho M mel r Ve

ARÁBIA

O império de Alexandre em sua máxima extensão

40˚ O

Explorando a imagem a ) O Império Macedônico ocupava regiões de quais atuais continentes? b ) Durante a expansão do império, Alexandre fundou várias cidades com o seu nome. Tente identificar essas cidades no mapa. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

Fonte: KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. The Penguin Atlas of World History. Londres: Penguin Books, 2003.

A integração cultural As vitórias de Alexandre provocaram mudanças na organização política, econômica, social e cultural dos povos dominados. Ele buscou integrá-los por meio da miscigenação, estimulando o casamento dos soldados macedônios com mulheres persas, egípcias e gregas. Além da integração cultural e étnica, Alexandre traçou novas rotas comerciais e fundou diversas cidades. Em relação à política, procurou criar uma unidade em seu império, nomeando generais de sua confiança para o comando das regiões conquistadas. As conquistas de Alexandre propiciaram o intercâmbio entre as culturas gregas e as de outros povos antigos, marcando o início de um novo período da história antiga, denominado período Helenístico. Leia o texto a seguir, escrito por Plutarco, sobre as medidas adotadas pelo imperador. c. 336-323 a.C. Moeda de prata. Coleção particular. Foto: I. Pilon/Shutterstock.com

Paula Radi

EGITO

ME SO PO TÂ MI A

Raga Ecbátana

L S

Moeda de prata grega de cerca de 330 a.C. com representação do rosto de Alexandre, o Grande.

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[...] Alexandre aproximou-se ainda mais dos costumes dos [persas], que ele também se esforçou em modificar mediante a introdução de hábitos macedônios, com a ideia de que essa mistura e essa comunicação recíproca de costumes dos dois povos [...] contribuiriam mais do que a força para solidificar seu poder, quando se afastasse dos [persas]. Por isso, escolheu entre eles trinta mil crianças e mandou que lhes ensinassem o grego e as instruíssem nos exercícios militares macedônios. Encarregou vários professores de dirigir a sua educação. PLUTARCO. Alexandre, o Grande. Tradução Hélio Veiga. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 110-1.


A Biblioteca de Alexandria Alexandria, no Egito, foi fundada por Alexandre e tornou-se uma das maiores cidades da Antiguidade. Nela localizava-se a Biblioteca de Alexandria, fundada por um dos sucessores de Alexandre, Ptolomeu I Sóter, no final do século III a.C. Ptolomeu pretendia montar o acervo da biblioteca com as principais obras produzidas no mundo, de todas as áreas do conhecimento. Para conseguir esse objetivo, ele solicitou aos governantes de diversos reinos que enviassem cópias de seus acervos para a Biblioteca de Alexandria. Além disso, na biblioteca, eram feitas traduções de obras persas, indianas e hebraicas, por exemplo. A cidade de Alexandria apresentava uma grande efervescência cultural, pois intelectuais de diferentes lugares do mundo eram atraídos pelo acervo da biblioteca, proporcionando o intercâmbio do conhecimento e a difusão da cultura helenística. Eratóstenes e a circunferência da Terra Unidade 6

No século III a.C., os sábios gregos concordavam que a Terra era redonda. Eles chegaram a essa conclusão observando as mudanças de posição das estrelas no céu e, também, verificando que os navios desapareciam no mar ao se afastarem da costa. Porém, o tamanho da circunferência da Terra continuava sendo um enigma. Quem o solucionou foi o bibliotecário-chefe da Biblioteca de Alexandria, um grego chamado Eratóstenes (276 a.C.-195 a.C.). Veja como ele realizou essa descoberta.

1

Eratóstenes imaginou a Terra como uma laranja cortada ao meio, formada por vários gomos. Ele acreditava que, se conseguisse descobrir a medida de um deles, poderia multiplicar pelo número total de gomos e descobrir a medida da esfera, isto é, da Terra.

2

Ele soube que todos os anos, na cidade egípcia de Siena, no dia 21 de junho, ao meio-dia, a luz do Sol atingia o fundo de um poço-d’água, sem projetar sombras na parede. Esse fato não acontecia em Alexandria, e Eratóstenes sabia que isso ocorria porque a Terra é redonda.

Ilustrações: Art Capri

3

Eratóstenes mediu, então, a sombra projetada por uma vara fixada verticalmente no solo em Alexandria, também no dia 21 de junho: a sombra projetada formava um ângulo de 7,2 graus. Ele sabia que a Terra, como toda circunferência, tinha 360 graus. Então, dividiu 360 por 7,2, chegando ao número 50. Assim, Eratóstenes concluiu que a circunferência da Terra era equivalente a 50 vezes a distância entre Alexandria e Siena.

Restava um problema a ser resolvido: medir a distância entre Alexandria e Siena. Para isso, ele contratou bematistas, pessoas que eram treinadas para medir distâncias com passos sempre iguais. Assim, ficou conhecendo a distância correta entre essas duas cidades. Depois, multiplicou esse valor por 50, e concluiu que a Terra tinha 252 mil estádios, antiga medida grega que corresponde a aproximadamente 39 681 quilômetros. Quando a circunferência da Terra foi medida no século XX, com a utilização de modernos equipamentos, descobriu-se que ela media cerca de 40 mil quilômetros. A diferença entre essa medida e a feita por Eratóstenes era de aproximadamente 320 quilômetros, ou seja, menos de 1%.

O conteúdo sobre a medição da circunferência da Terra favorece o trabalho interdisciplinar com Matemática e Geografia. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

Os antigos gregos

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Explorando o tema

O legado grego

Muitos aspectos da cultura grega foram transmitidos para culturas e povos distintos, em diferentes épocas e lugares. Alexandre, rei da Macedônia, por exemplo, foi o responsável por introduzir muitos elementos da cultura grega nas regiões orientais conquistadas por ele. Os romanos, por sua vez, incorporaram muitos aspectos da cultura grega em seu cotidiano e, assim como Alexandre, transmitiram-nos aos povos conquistados. Por meio desse intercâmbio cultural, os povos que formaram a Europa, bem como aqueles que posteriormente foram colonizados pelos europeus, apresentam influências gregas em muitos aspectos de sua cultura. Veja a seguir alguns exemplos. Zig Koch/Pulsar

Os templos foram as construções gregas que exerceram maior influência na arquitetura moderna. Feitos de mármore, esses templos eram compostos por base, colunas e cobertura. A Acrópole é um exemplo da arquitetura grega clássica que pode ser observada ainda hoje. A filosofia grega inaugurou a tradição racionalista do pensamento e, baseada nessa perspectiva, exerceu grande influência sobre os filósofos ocidentais, em especial sobre os pensadores iluminis­tas do século XVIII. Os iluministas, como os franceses Rousseau e Voltaire, traduziram e estudaram os textos gregos para elaborar suas teorias, que tinham como fundamento a racionalidade. Atualmente, muitas questões debatidas pelos filósofos remetem à filosofia grega, entre elas a natureza, a razão, a verdade e a essência do ser. A filosofia grega também é estudada nas escolas, principalmente nas disciplinas de Filosofia e de História. Foram os gregos que desenvolveram o regime político chamado democracia. Embora a democracia grega seja diferente daquela que conhecemos hoje, os gregos foram os precursores na criação de um regime de governo em que os cidadãos tinham poder de decidir os assuntos de interesse público. Beto Nociti/Futura Press

O prédio da Universidade Federal do Paraná, na cidade de Curitiba, é um exemplo da influência grega na arquitetura moderna. Fotografia de 2013.

Seção na Câmara dos Deputados, em Brasília, onde estão reunidos os representantes dos eleitores brasileiros. Fotografia de 2015.

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No campo das ciências, os gregos empreenderam grandes avanços em várias áreas do conhecimento. Por exemplo, na medicina houve o aperfeiçoamento de instrumentos e técnicas cirúrgicas que permitiu um maior conhecimento do corpo humano e de sua anatomia. Além do mapeamento do funcionamento de vários órgãos, os sábios gregos identificaram o cérebro como centro da inteligência. Na astronomia, os estudos de Aristarco já defendiam a ideia de que o Sol era o centro do Universo e de que os planetas giravam ao seu redor.

Fotografia recente de um grupo de teatro grego encenando Lisístrata.

Unidade 6

No campo da historiografia, autores como Heródoto, Políbio e Tucídides exerceram grande influência sobre os historiadores modernos ao vincularem os acontecimentos históricos à ação humana, e não à vontade divina.

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Os principais gêneros do teatro grego eram a tragédia e a comédia. São exemplos de peças gregas as comédias de Aristófanes, como Lisístrata e As mulheres na Assembleia; e as tragédias de Sófocles, como Édipo rei e Antígona. Todas essas peças de teatro foram relidas e reinterpretadas em vários momentos, em diferentes países.

Autor desconhecido. Séc. XVI. Óleo sobre tela. 51,5 x 41,5 cm. Museu Nicolau Copérnico, Frombork (Polônia). Foto: Imagno/Getty Images

Entre os gregos antigos, as atividades esportivas eram muito valorizadas, pois estavam relacionadas à manutenção da saúde física dos atletas, bem como à aquisição de força e beleza. Além disso, os gregos davam grande importância às competições esportivas, pois eram momentos em que os atletas prestavam homenagens aos deuses. Muitos dos esportes praticados pelos gregos antigos continuam sendo disputados nos Jogos Olímpicos, como a corrida, o arremesso de dardos ou disco, a luta de boxe, o salto e a natação.

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Pintura do século XVI representando Nicolau Copérnico. O pensamento desse cientista polonês, que viveu no século XV, foi bastante influenciado pelos estudos de Aristarco. Copérnico propôs um modelo de Sistema Solar em que a Terra girava em torno do Sol.

Apesar de os Jogos Olímpicos serem parte do legado grego retomado pela nossa cultura, existem diferenças entre a prática esportiva dos gregos e a da atualidade. Na Grécia Antiga, por exemplo, somente os homens podiam participar dos Jogos Olímpicos. Hoje em dia, muitas mulheres representam seus países nas competições. Acima, fotografia de mulheres participando de uma corrida durante os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 1. Como era a educação de crianças e jovens na sociedade espartana?

2. Quais eram as características da democracia em Atenas, no período Clássico?

3. Explique o que é a lógica aristotélica.

relacionando essa guerra com a decadência das cidades-Estado gregas.

5. De que forma Alexandre, o Grande, buscava promover a integração entre os diferentes povos que anexava ao Império Macedônico?

4. Produza um texto sobre os principais acontecimentos da Guerra do Peloponeso,

Explorando a imagem 6. Observe as imagens a seguir.

c. 500-475 a.C. Cerâmica de figura vermelha. Museu Mandralisca, Cefalù (Itália). Foto: Alinari/ Bridgeman Images/Easypix

B

c. 430-425 a.C. Cerâmica de figura vermelha. Museu Ashmolean, Oxford (Inglaterra). Foto: Bridgeman Images/Easypix

A

Oleiros fabricando vasos de cerâmica.

Peixeiro atendendo um freguês.

a ) Descreva o vaso apresentado como fonte A. Anote a data de produção do vaso, o formato e as cores utilizadas e as cenas representadas nele. b ) Proceda da mesma maneira com o vaso apresentado como fonte B. c ) Produza um texto explicando por que esses vasos são importantes fontes históricas para o estudo das sociedades da Grécia Antiga.

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Momento da redação 7. Após a Guerra do Peloponeso, tornou-se muito pequeno o número de cidadãos que participavam das assembleias em Atenas, mostrando um claro desinteresse pelos assuntos públicos. Inconformado com essa situação, o orador e estadista ateniense Demóstenes (384 a.C.-322 a.C.) escreveu o seguinte discurso.

Outrora, a cidade era rica e magnífica. Digo a cidade, pois, entre os particulares, ninguém se elevava por cima da massa. [...] Hoje, todos os profissionais da vida pública têm, em privado, tal abundância de bens que mandaram, por vezes, construir casas particulares mais imponentes do que muitos edifícios públicos; alguns compraram mais terras que aquelas que vós todos possuís. Quanto ao que construís e adornais para o domínio público, como isso é pequeno, como é mesquinho, e que vergonha de dizer! Unidade 6

DEMÓSTENES. Contra Aristócrates. In: REDE, Marcelo. A Grécia Antiga. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 42. (Que história é esta?).

Muitos séculos se passaram e o problema da corrupção continua presente em grande parte das sociedades contemporâneas, entre elas, a brasileira. Aliás, em nosso país, o problema da corrupção vem causando graves prejuízos aos cofres públicos. Leia o texto e observe o gráfico.

A corrupção [...] ainda é o grande perigo para a república. Como esta valoriza o bem comum, todo desvio dele para o particular a ameaça. [...] Chamamos de corrupção o furto do patrimônio público. Ora, isso faz esquecer que o bem público tem natureza distinta do bem particular ou da propriedade privada. Muitos se referem ao Estado como se fosse equivalente a um indivíduo ou empresa. Com isso, ficam na perspectiva patrimonialista [...]. A corrupção ameaça a república, mas não se resume no furto do dinheiro público. O corrupto impede que esse dinheiro vá para a saúde, a educação, o transporte, e assim produz morte, ignorância, crimes em cascata. Mais que tudo: perturba o elo social básico que é a confiança no outro. [...] RIBEIRO, Renato Janine. Filósofo explica por que a corrupção impede a vida republicana plena. Folha Online. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/poder/2008/12/467595-filosofo-explica-por-que-a-corrupcaoimpede-a-vida-republicana-plena.shtml>. Acesso em: 28 ago. 2015.

Vale a pena ser honesto

O que acontece quando a corrupção é reduzida à metade

Mortalidade infantil

No Brasil, onde 44 em cada 1 000 crianças morrem antes dos 5 anos de idade, isso representaria esperança de vida para mais 22 crianças

Redução de 51%

Desigualdade na distribuição de renda

Redução de 54%

Importância da economia informal em relação ao PIB

Porcentagem da população que vive com menos de 2 dólares por dia

No Brasil, isso tiraria da pobreza 32 milhões de pessoas

Queda de

Queda de

50%

45%

Fonte: SIMONETTI, Eliana Giannella; RAMIRO, Denise. O custo econômico da corrupção. Veja, São Paulo: Abril, ano 34, n. 1691, 9 maio 2013.

Partindo dos recursos expostos, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre os danos sociais causados pela corrupção no Brasil, apresentando uma proposta para reduzir esses danos. Considere em seu texto aspectos históricos desse assunto, valendo-se do discurso de Demóstenes e também de seus conhecimentos prévios. Defenda sua proposta com base em argumentos que respeitem os direitos humanos. Os antigos gregos

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Expandindo o conteúdo 8. Leia o texto a seguir. Até onde sabemos, os antigos gregos foram os autores das primeiras experiências de democracia que prosperaram, destacando-se, dentre essas, a da cidade-Estado de Atenas. Hoje, no entanto, chegamos a falar em democracia a todo instante, dando por suposto que essa é a forma de governo mais “óbvia” e “normal”. A questão que proponho é: que diferenças haveria entre a democracia da Grécia Antiga e os governos democráticos que vemos no mundo atual? Selecionei dois pontos para comparação — embora pudesse citar vários outros. Primeiro, o conceito de cidadão para os gregos era muito diverso daquele adotado nas modernas democracias. O cidadão grego típico era o indivíduo do sexo masculino, adulto, em pleno exercício das obrigações militares [...], proprietário de terras, nascido em território da cidade-Estado em questão e, evidentemente, de condição livre. Essas exigências deviam-se, entre outros fatores, à necessidade de que tivesse tempo de sobra para estar na Ágora, a fim de dedicar-se a administração da cidade, enquanto outros (escravos, por exemplo), faziam todo o trabalho braçal, garantindo o sustento e a prosperidade da elite cidadã. Vê-se, pois, que o número de pessoas em condições de participar ativamente de uma democracia grega reduzia-se bastante, porque mulheres (mais ou menos metade da população), crianças e adolescentes de ambos os sexos e escravos (a maior parte da força de trabalho) dela estavam necessariamente excluídos. E hoje? As regras de cidadania variam um pouco de país para país [...], tanto homens como mulheres são (ao menos legalmente), cidadãos plenos, podendo votar e ser eleitos. Além disso, profissão ou condição econômica não costuma ser um aspecto restritivo ao direito de cidadania [...]. Um segundo aspecto a ser comparado (e que decorre do primeiro) é que a democracia, na Grécia Antiga, era direta, enquanto hoje, com exceção de uns pouquíssimos casos, é representativa. Isso quer dizer que, quando convocado, o cidadão grego comparecia pessoal­ mente à praça da cidade para discutir e votar os assuntos que interessavam ao governo, podendo, inclusive, ser escolhido para exercer cargos que hoje chamaríamos de executivos e judiciários, mediante um mandato (geralmente de um ano) para o qual era indicado quase sempre por sorteio. Nessas condições, era muito importante saber falar de forma clara e persuasiva, razão pela qual os gregos davam muita importância à educação dos jovens, como garantia de que seriam capazes de exercer convenientemente, quando adultos, seus compromissos de cidadãos. As democracias contemporâneas, conforme já disse, são quase todas representativas, salvo quando, eventualmente, os cidadãos são convocados a um plebiscito [...]. É fácil entender a razão. Imagine que todos os cidadãos brasileiros fossem convocados a comparecer em determinada data à Praça dos Três Poderes para votação direita de um determinado assunto... Vê-se, leitor, portanto, que na Grécia Antiga o conceito restritivo de cidadania compatibilizava-se com a democracia direta, enquanto hoje, devido à ampliação do status de cidadão a um número muito maior de pessoas, pratica-se a democracia representativa. Elegem-se representantes (deputados), que, no caso do Brasil, votam no Congresso Nacional em nome dos cidadãos que representam. Os senadores, embora eleitos por voto popular, são representantes de seus respectivos Estados. IANSEN, Marta. Democracia Grega e Democracia Atual: Quais as Diferenças? Disponível em: <http://martaiansen.blogspot.com.br/2011/09/ate-onde-sabemos-os-antigos-gregos.html>. Acesso em: 30 ago. 2015.

a ) Explique o que é uma democracia representativa. Para responder, utilize as informações do texto acima e também seus conhecimentos prévios. b ) Quais diferenças a autora aponta entre a democracia na Grécia Antiga e os atuais regimes democráticos?

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9. Leia o texto a seguir, sobre a civilização helenística.

A principal característica desse mundo helenístico era a convivência de inúmeros povos, com dezenas de línguas, governados por uma elite de origem macedônica e que tinha na língua grega um elemento de comunicação oficial e universal. Foram fundadas diversas cidades, como Alexandria, no Egito, que viria a se destacar por uma vida intelectual intensa. A civilização helenística baseava-se na convivência de muitos povos e as trocas culturais entre os diferentes grupos intensificaram-se de forma extraordinária. Talvez o exemplo mais conhecido e mais relevante para a histó-

ria posterior do Ocidente seja a cultura judaica helenística. Em Alexandria, uma importante comunidade judaica foi estabelecida e esses judeus não apenas adotaram a língua grega, como passaram a interpretar a sua tradição religiosa à luz da Filosofia grega, antecipando o próprio cristianismo, que também faria interagir as tradições grega e judaica. Embora houvesse conflitos entre os diversos povos, sua convivência gerou trocas culturais que viriam a gerar influências duradouras. Um exemplo disso é o desenvolvimento da Filosofia estoica, fundada por um pensador de origem fenícia, Zenão de Cítion. Segundo o estoicismo, Deus é o logos, ou razão, e o homem deve viver de acordo com o logos, que se identifica com a natureza. Essa mescla de Oriente e Ocidente leva a uma visão que separa bem e mal e que propõe a moderação e o distanciamento do mundo. O estoicismo terá grande difusão no mundo romano, com Sêneca e Marco Aurélio, e estará muito próximo do cristianismo. Para S. João, em seu Evangelho, “No princípio era o logos, e Deus era o logos”. O estoicismo, de múltipla origem, grega e oriental, converteu-se em um dos grandes fundamentos da tradição ocidental. Milhares de anos depois, vivemos um mundo em cujo início está a civilização helenística, com sua grande variedade cultural.

Unidade 6

Alguns nomes usados no estudo da História são criados para simplificar, mas podem confundir. Este é o caso do “helenismo”. Os gregos chamam-se de “helenos”, e os estudiosos modernos utilizam o termo “helenístico” para referirem-se à civilização que se utilizava do grego como língua oficial, a partir das conquistas de Alexandre, o Grande (336 a.C.), até o domínio romano da Grécia, em 146 a.C. Ou seja, é um termo que não se confunde com “helênico”, que é o mesmo que “grego”. Embora seja aplicado a um período de tempo relativamente curto, esse foi marcado por grandes interações culturais. Alexandre conquistou um imenso território: as cidades gregas todas, mas também o Egito, a Palestina, a Mesopotâmia, a Pérsia (Irã), chegando à Índia. Depois de sua morte prematura, o Império dividiu-se em três reinos, centrados na Macedônia, no Egito e na Mesopotâmia.

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2007. p. 75-6. (Repensando a História).

a ) O que significa o termo “helenístico”? E o termo “helênico”? b ) Explique as principais características da civilização helenística. c ) De que modo o estoicismo se converteu em um dos fundamentos da tradição ocidental?

Vestibulares 1. (ENEM-MEC) Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor conjunto de normas e naquela dotada de homens absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais —, tampouco devem ser agricultores os aspirantes à cidadania, pois o lazer é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das atividades políticas”. ACKER, T. Van. Grécia. A vida cotidiana na cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994.

O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles, permite compreender que a cidadania: a ) Possui uma dimensão histórica que deve ser criticada, pois é condenável que os políticos de

b)

c)

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e)

qualquer época fiquem entregues à ociosidade, enquanto o resto dos cidadãos tem de trabalhar. Era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais superiores, fruto de uma concepção política profundamente hierarquizada da sociedade. Estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção política democrática, que levava todos os habitantes da pólis a participarem da vida cívica. Tinha profundas conexões com a justiça, razão pela qual o tempo livre dos cidadãos deveria ser dedicado às atividades vinculadas aos tribunais. Vivida pelos atenienses era, de fato, restrita àqueles que se dedicavam à política e que tinham tempo para resolver os problemas da cidade.

Os antigos gregos

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Ampliando seus conhecimentos Arte e história

A proporção áurea

Leia o texto e observe as fotografias a seguir.

O conceito de beleza acompanha o pensamento humano desde os primeiros registros da sua existência. A necessidade de aplicação desse conceito, por parte dos escritores e arquitetos gregos, resultou no descobrimento de fórmulas matemáticas para controlar a precisão da morfologia de objetos ou edificações que eram consideradas bonitas. Apenas algumas dessas fórmulas sobreviveram, como as proporções de Platão, Polyclitus, Lysippus e principalmente de Pitágoras. Dessas proporções, a mais conhecida é a proporção áurea, também chamada de divina ou “mágica” — uma fórmula matemática para definir a harmonia nas proporções de qualquer figura, escultura, estrutura ou monumento.

Mimmo Jodice/Corbis/Latinstock

Fachada do Partenon com as indicações dos retângulos da proporção áurea.

Devido a Phidias, famoso escultor grego que usou vastamente a proporção áurea, em especial na construção do Parthenon, essa correlação foi chamada pelos matemáticos do começo do século XX de Phi, simbolizando as letras gregas da primeira parte de seu nome.

Mimmo Jodice/Corbis/Latinstock

CARRILHO, Eunice Virgínia Palmeirão; PAULA, Anabela. Reabilitações estéticas complexas baseadas na proporção áurea. Disponível em: <http://apps.elsevier.es/watermark/ctl_servlet?_ f=10&pident_articulo=90137552&pident_usuario=0&pcontactid=&pident_revista=330&ty= 32&accion=L&origen=elsevierpt%20&web=http://www.elsevier.pt&lan=pt&fichero= 330v48n01a90137552pdf001.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2015.

Fotografia recente da fachada do Partenon, construído no século V a.C., em Atenas.

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[A proporção áurea] já era conhecida desde o início da história da humanidade e registrada no Egito Antigo, tornando-se popular na arte romana e arquitetura grega. As partes, elementos, formas, estruturas ou conjuntos organizados em proporção áurea parecem mostrar uma noção de beleza máxima e função mais eficaz. [...]


Troia Filme de Wolfgang Petersen. Troia. EUA, 2004

A história no cinema

O filme Troia é uma adaptação da Ilíada, poema do século VIII a.C., atribuído a Homero. A obra reconta a guerra de Troia, travada entre gregos e troianos por volta de 1200 a.C. No filme, a narrativa é centrada no personagem Páris, que raptou a rainha grega Helena, levando-a para Troia, acontecimento tido como o estopim da guerra.

Filme de Wolfgang Petersen. Troia. EUA, 2004. Foto: TROY, 2004, (c) Warner Brothers/courtesy Everett Collection/Easypix

Entre os aspectos mais relevantes da obra cinematográfica estão as reconstituições de edifícios, embarcações e objetos de uso cotidiano, como roupas e armas, usados por gregos e troianos.

Diretor: Wolfgang Petersen Atores principais: Brad Pitt, Eric Bana, Orlando Bloom, Diane Kruger e Peter O’Toole Ano: 2004 Duração: 156 minutos Origem: EUA

Cena do filme em que o exército grego desembarca no litoral de Troia.

Para ler

• A Grécia Antiga, de Marcelo Rede. Editora Saraiva. Com base em pesquisas

recentes, o autor elabora um estudo da sociedade grega em seu contexto histórico. Jogos Olímpicos, teatro, filosofia, democracia e escravismo são alguns dos temas escolhidos para descrever o cotidiano dos antigos gregos.

• Grécia

e Roma, de Pedro Paulo Funari. Editora Contexto. A obra aborda a presença da cultura clássica em nosso cotidiano, no direito, na língua, na política e até em nossa estrutura de pensamento.

• O mundo de Homero, de Pierre Vidal-Naquet. Editora Companhia das Letras.

O autor apresenta uma síntese das principais questões relacionadas à identidade de Homero e à Grécia Antiga, bem como hipóteses para a criação da Ilíada e da Odisseia.

• O mundo grego, de Vitor Biasoli. Editora FTD. A obra, acompanhada de atlas histórico e de um encarte com atividades, mostra como a história e a cultura gregas influenciaram o desenvolvimento do mundo ocidental.

Para navegar

• Jogos Olímpicos 2016. Disponível em: <http://tub.im/oxrqse>. Acesso em: 27 fev. 2016. Página dos Jogos Olímpicos de 2016, realizados na cidade do Rio de Janeiro.

Os antigos gregos

141

Unidade 6

Título: Troia


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Brian Hammonds/Moment/Getty Images

unidade

Os antigos romanos


Os antigos romanos formaram uma das mais influentes civilizações da Antiguidade. Eles constituíram um grande Império, que abrangia aproximadamente metade da Europa, o norte da África e parte do Oriente Médio. Aqueduto romano construído no século II em Segóvia, na Espanha. Fotografia de 2015.

Os romanos tinham admiração pela cultura grega e absorveram muitos aspectos de sua filosofia, arte, arquitetura e política. Além dos gregos, eles receberam influências de vários outros povos, adaptando-as à sua cultura. Os romanos difundiram, então, seu sistema político, leis e modo de vida por todo o Império, influenciando os povos que nele viviam. Assim, a cultura romana foi fundamental para a formação da civilização ocidental. Nesta unidade, vamos conhecer um pouco da história da Roma Antiga e, também, alguns aspectos da cultura romana que estão presen­ tes em nossa sociedade até os dias de hoje.

Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A Aqueduto é um tipo de canal feito para conduzir água. Construídos por diferentes povos desde a Antiguidade, foram aprimorados pelos engenheiros romanos. Você conhece outros tipos de construções realizadas pelos antigos romanos? Comente. B Converse com os colegas e cite exemplos da influência romana em nossa sociedade.

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A península Itálica A região do Lácio, na península Itálica, possui muitos rios e seu litoral é banhado pelo mar Mediterrâneo. No século VIII a.C., essa região era habitada por diferentes povos que, mais tarde, deram origem à civilização romana. A costa ocidental da península era habitada por povos de diversas origens. Eles migraram para essa região por causa do solo fértil, da facilidade de navegação pelo rio Tibre e do relevo montanhoso, que auxiliava na defesa das aldeias. Entre esses povos, estavam os italiotas (latinos, sabinos, samnitas) e os etruscos. Nessa época, também se estabeleceram na península outros povos, entre eles gregos e cartagineses, que fundaram colônias na região e passaram a disputar o domínio das rotas comerciais no Mediterrâneo.

A fundação de Roma

A península Itálica (séc. VIII a.C.) N

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Roma

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Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

[...] Não se conhecem os detalhes da funda­ ção histórica de Roma, mas uma das hipóteses é que Roma teria sido fundada [...] por chefes etruscos que teriam unido numa única comu­ nidade diferentes povoados de sabinos e lati­ nos. Entre 753 a.C. e 509 a.C., Roma cresceu, deixou de ser uma pequena povoação e trans­ formou­se numa cidade dotada de calçadas, fortificações e sistema de esgoto, tendo o latim se consolidado como língua corrente. [...] FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2007. p. 82. (Repensando a História).

Gregos 135 km

Etruscos Italiotas Latinos Cartagineses

c. 800-550 a.C. Escultura em cobre e ouro. Coleção particular. Foto: Heritage Images/Corbis/Latinstock

E. Cavalcante

Mar Mediterrâneo

Roma foi fundada no século VIII a.C., na região do Lácio, com a unificação de aldeias latinas e sabinas. Alguns estudiosos acreditam que os responsáveis por essa unificação foram os etruscos. Leia o texto.

Os habitantes de Roma estabeleceram uma organização sociopolítica com base nas gentes (plural de gens), grandes sociedades familiares chefiadas por um patriarca (denominado pater familias). O patriarca era responsável pelo culto familiar, e tinha poderes para controlar a vida de seus parentes e subordinados. Os etruscos No século VIII a.C., os etruscos habitavam uma região da península Itálica que ficou conhecida como Etrúria. Nessa região, rica em jazidas de ferro e cobre, eles fundaram cidades prósperas como Tarquínia, Volterra e Arezzo. Os romanos mantinham intenso contato com os etruscos, dos quais herdaram grande parte da sua cultura. Com eles, aprenderam técnicas agrícolas, urbanísticas e arquitetônicas e métodos de organização militar e administrativa. Além disso, absorveram algumas crenças religiosas e o gosto por diversões, danças e jogos, como corridas e lutas. Em razão dessa grande influência, alguns estudiosos chamam Roma de “filha da Etrúria”. Escultura etrusca em cobre produzida por volta do século VIII a.C., representando a cabeça de um homem. Os cabelos e a barba foram feitos em ouro.

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O período Monárquico Até 509 a.C., os romanos foram dominados pelos etruscos, que impuseram a Monarquia como forma de governo. O rei etrusco era o governante supremo, responsável pelo controle administrativo, judicial, militar e religioso. Nessa época, a sociedade romana subdividia-se em quatro grupos principais: patrícios, plebeus, clientes e escravos. Os patrícios (“aqueles com pais”), que se diziam descendentes dos pater familias, faziam parte do Senado e eram os únicos que participavam das decisões políticas. Os plebeus formavam a massa de trabalhadores, como agricultores, artesãos, comerciantes e pequenos proprietários. Grande parte deles era descendente de famílias estrangeiras e, na época da Monarquia em Roma, não tinha direito à participação política. Os clientes, por sua vez, compunham uma camada intermediária. Eles eram plebeus que viviam sob a proteção de um patrício, ao qual deviam total fidelidade e respeito.

Unidade 7

Roma (Itália). Foto: Photo Scala, Florence/Glow Images

Já os escravos eram, em sua maioria, plebeus endividados e constituíam uma camada pouco expressiva da população romana no período Monárquico.

Os etruscos construíram um canal para drenar a água dos pântanos que circundavam Roma. Denominado Cloaca Máxima, esse canal possibilitou o crescimento da cidade, pois áreas que antes eram alagadas tornaram-se apropriadas para a habitação. Com o passar dos séculos, foi reformado e ampliado. Parte de sua estrutura original, do século VI a.C., ainda pode ser vista. Fotografia de 2011.

Linha do tempo 800 a.C.

600 a.C.

Roma Antiga 400 a.C.

200 a.C.

Monarquia 800 a.C. a 509 a.C.

República 509 a.C. a 31 a.C.

Nesse período, o rei exercia o controle administrativo, judicial, militar e religioso.

No período republicano, os romanos conquistaram povos vizinhos e expandiram o seu território.

0

200

400

Alto Império 31 a.C. a 235 Período em que o Império atingiu sua máxima extensão territorial. Nessa época, havia estradas que interligavam a capital do Império às províncias mais distantes.

Baixo Império 235 a 476 Período de crise e declínio do Império, que foi intensificado pela invasão de povos germânicos.

Os antigos romanos

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A República em Roma O sistema monárquico vigorou em Roma até aproximadamente 510 a.C., quando um grupo de patrícios se revoltou contra o então rei etrusco Tarquínio II. Esse rei havia feito algumas concessões aos plebeus, permitindo-lhes exercer maior participação política. Descontentes com essa atitude, os patrícios o expulsaram da cidade, derrubaram a Monarquia e implantaram a República em Roma.

A organização política do Estado republicano Com o fim da Monarquia etrusca, a elite patrícia assumiu o poder político em Roma. O Senado tornou-se o órgão mais influente e, no início do período republicano, foi ocupado somente por patrícios. Ao longo da República romana, os plebeus foram, aos poucos, conquistando espaço no campo político. A formação da Assembleia Tribal e a criação do cargo de tribuno da plebe, por exemplo, foram conquistas plebeias. Conheça, a seguir, as principais instituições republicanas, assim como os principais cargos da República romana. Principais órgãos da administração republicana Magistrado: na Roma Antiga, funcionário público detentor de um cargo político, investido de autoridade e que participava da administração pública.

Órgão Senado

Assembleia Centurial

Funções Principal órgão da República romana, fiscalizava a ação dos magistrados e dos administradores das províncias conquistadas por Roma. Tratava de assuntos relacionados à guerra, aprovava ou rejeitava as propostas dos magistrados e elegia os magistrados superiores (cônsules, pretores e censores).

Assembleia Curial

Tratava principalmente de assuntos ligados aos cultos religiosos.

Assembleia Tribal

Aprovava ou rejeitava as propostas dos magistrados e era responsável por eleger os magistrados inferiores (edis, questores, tribunos).

Principais cargos da República romana Cargo

Funções

Cônsul

Em número de dois, eram os principais magistrados romanos. Exerciam o cargo por um ano, presidiam o Senado e comandavam o exército em caso de guerras.

Pretor

Administrava a justiça.

Censor

Calculava a riqueza dos cidadãos e determinava quem podia compor o Senado.

Ditador

Eleito pelo Senado em situações de crise, assumia a administração do Estado e o comando do exército.

Edil Questor Tribuno da plebe

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Inspetor responsável pelo funcionamento e conservação dos edifícios públicos. Cuidava do tesouro público e da arrecadação de impostos. Defendia os interesses da plebe no Senado.


As Guerras Púnicas Nos primeiros tempos da República, os romanos se lançaram à conquista dos territórios vizinhos. No século III a.C., eles já haviam conquistado toda a península Itálica.

Peter Connolly. Representação de moeda cartaginense do séc. II a.C. 1990. Aquarela. Coleção particular. Foto: Akg-Images/Latinstock

Quando o expansionismo romano atingiu o sul da península Itálica, no século III a.C., essa região era ocupada por cartagineses, chamados pelos romanos de púnicos. Os cartagineses eram originários de Cartago, cidade-Estado fundada pelos fenícios em IX a.C., localizada no litoral norte da África, em ponto estratégico para o comércio no mar Mediterrâneo. Os romanos, que estavam em processo de expansão, acabaram entrando em conflito com os cartagineses por causa do domínio das rotas comerciais, dando início às chamadas Guerras Púnicas. Durante pouco mais de 100 anos, ocorreram três Guerras Púnicas, intercaladas por períodos de relativa paz entre os dois povos. A Primeira ocorreu entre 264 a.C. e 241 a.C., a Segunda, entre 218 a.C. e 201 a.C., e a Terceira, no período de 149 a.C. a 146 a.C. No final das Guerras Púnicas, Cartago foi quase toda destruída pelos romanos, que passaram a dominar os territórios cartagineses e as rotas comerciais do Mediterrâneo.

Cópia de moeda do século III a.C. com relevo representando Aníbal conduzindo um elefante de guerra.

Aníbal Unidade 7

Considerado um dos melhores estrategistas militares da Antiguidade, o general cartaginês Aníbal (247 a.C.-183 a.C.) realizou, durante a Segunda Guerra Púnica, um grande feito militar: partindo da península Ibérica, com seu numeroso exército, ele atravessou os Pirineus e os Alpes e invadiu a península Itálica. A partir de 218 a.C., os romanos foram surpreendidos por ataques terrestres da infantaria e cavalaria do exército cartaginês. Além disso, as tropas de Aníbal utilizaram elefantes de guerra. Treinados e munidos de presas afiadas, esses animais causavam muitas baixas e, também, grande terror psicológico nos inimigos. Aníbal derrotou os romanos em várias batalhas e manteve seu exército na Itália por mais de uma década. Durante a Segunda Guerra Púnica, contudo, Aníbal teve de retornar a Cartago para conter um contra-ataque romano, onde foi finalmente derrotado pelo general romano Cipião, o Africano (205 a.C.194 a.C.), na batalha de Zama, em 202 a.C.

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1. 218 a.C. Batalha de Ticino: vitória cartaginesa.

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2. 218 a.C. Batalha de Trébia: vitória cartaginesa.

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Principais batalhas de Aníbal

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Aníbal e a Segunda Guerra Púnica (séc. III a.C.)

3. 217 a.C. Batalha do Lago Tasimeno: vitória cartaginesa.

40° N

4. 216 a.C. Batalha de Canas: vitória cartaginesa.

Reggio Siracusa

5. 202 a.C. Batalha de Zama: vitória romana.

Zama 0

190 km

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

Os antigos romanos

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Séc. II-III. Mosaico. Museu Arqueológico Nacional, Saint-Germain-en-Laye (França). Foto: White Images/Scala, Florence/Glow Images

O aumento da escravidão Uma das principais consequências do expansionis­ mo romano foi o aumento do número de escravos. Nas guerras de conquista, as populações derrotadas eram escravizadas e vendidas para cidadãos romanos ricos, sobretudo os patrícios. No período Republicano de Roma, a presença de escravos tornou-se bastante comum no cotidiano da população urbana e rural. Os escravos realizavam diversos trabalhos, como produção de alimentos, mineração, construção de obras públicas e serviços domésticos. Alguns deles realizavam trabalhos intelectuais, como era o caso de escravos gregos que ministravam aulas.

Mosaico do século III que representa escravos realizando trabalhos agrícolas.

As dificuldades da plebe O expansionismo da República romana teve profundas consequências sociais. Os pequenos proprietários rurais plebeus que lutavam nas guerras de conquista não podiam cultivar suas terras e acabavam se endividando. Para pagar essas dívidas, eles tinham que entregar suas terras a homens ricos, tanto patrícios quanto plebeus enriquecidos. Dessa forma, as propriedades rurais se concentraram nas mãos de poucas pessoas, o que favoreceu a formação de latifúndios. Enquanto isso, famílias plebeias migravam para a cidade de Roma em busca de trabalho, dando início a um processo de êxodo rural. Na cidade, porém, encontravam dificuldade para conseguir um emprego, pois grande parte do trabalho vinha sendo realizada pela crescente população de escravos. Quem era nobre em Roma? Em Roma, nobilis (conhecido, ilustre) era um termo usado para se referir aos homens que desfrutavam de prestígio popular, principalmente magistrados e militares. No início da história romana, somente os patrícios eram considerados nobres. Porém, com o tempo, alguns plebeus conseguiram acumular grandes riquezas, principalmente por meio do comércio, e passaram a ser considerados nobres. Muitos desses nobres de origem plebeia, chamados de homens novos, eram cavaleiros do exército que se elegeram para magistraturas, competindo com os patrícios pelo poder político.

As conquistas da plebe Diante dessa situação, os plebeus se organizaram para reivindicar medidas governa­ mentais que aumentassem sua participação política e, consequentemente, melhorassem as suas condições de vida. Por meio de muitas lutas, conseguiram a implementação de algumas leis que os beneficiaram. Veja.

••Lei

Canuleia (século V a.C.): aboliu a proibição de casamentos entre patrícios e plebeus. Com isso, um plebeu rico podia se casar com uma mulher de família patrícia a fim de facilitar a sua ascensão na política romana.

••Leis

Licínias (século IV a.C.): determinaram o direito dos plebeus ao acesso às terras públicas (conquistadas por meio de guerras) e às altas magistraturas (como o consulado).

••Lei Hortênsia (século III a.C.): determinou que os decretos aprovados pelos plebeus (plebiscitum) passariam a valer para toda a República.

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A concentração de terras

Unidade 7

Herbert M. Herget. c. 1946. Litografia colorida. Coleção particular. Foto: National Geographic Creative/Corbis/Latinstock

Durante a expansão romana, a crescente concentração de terras nas mãos dos nobres, tanto de origem patrícia quanto plebeia, gerou um grave problema social. As terras conquistadas por meio de guerras se tornavam públicas, isto é, de propriedade do Estado romano, e eram vendidas aos nobres, que utilizavam mão de obra escrava para produzir bens voltados ao comércio. Com isso, as novas terras anexadas por Roma se tornaram propriedades latifundiárias, repartidas entre um pequeno grupo de nobres cujo poder se ampliava, já que a terra era a base da riqueza na sociedade romana.

Litogravura do século XX que representa escravos executando diferentes trabalhos em uma propriedade rural romana.

As tentativas de reforma agrária

Por causa das manobras de nobres contrários às reformas, Caio Graco perdeu o apoio da plebe urbana. Seus partidários, percebendo-se politicamente isolados, decidiram pegar em armas para tentar manter as reformas. Diante disso, o Senado concedeu plenos poderes ao exército, que massacrou os revoltosos em 121 a.C. Depois disso, as leis que estabeleciam a reforma agrária foram abolidas pelo Senado. Reforma agrária: na Roma Antiga, consistia na distribuição de terras públicas que tinham sido conquistadas por meio de guerras.

Museu da Civilização Romana, Roma (Itália). Foto: De Agostini/A. Dagli Orti/Glow Images

Na tentativa de reduzir as desigualdades sociais geradas pela concentração de terras, os irmãos Tibério e Caio Graco lideraram iniciativas de reforma agrária com apoio da plebe rural. Tibério Graco, como tribuno da plebe, conseguiu aprovar em 133 a.C. uma lei de reforma agrária que determinava a repartição de parte das terras públicas em pequenos lotes, a serem distribuídos aos cidadãos pobres. Essa proposta desagradou alguns nobres, que acabaram assassinando Tibério em 132 a.C. Alguns anos depois, Caio Graco, também ocupando o cargo de tribuno da plebe, alcançou grande popularidade entre os plebeus e conseguiu implementar a reforma agrária em algumas regiões dominadas por Roma.

Pedra do século II a.C. utilizada para delimitar as fronteiras das terras públicas distribuídas aos pobres após a aprovação da lei de reforma agrária, em 133.

Os antigos romanos

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A profissionalização do exército Ainda como consequência do expansionismo de Roma, o exército passou por uma reestruturação, que fez dele uma instituição importante para a manutenção e a continuidade da expansão territorial. Séc. II. Relevo em mármore. 162 x 126 cm. Museu do Louvre, Paris (França). Foto: Leemage/Corbis/Latinstock

Nessa época, os generais vitoriosos desfrutavam de grande popularidade e utilizavam-se da fidelidade dos soldados para ascender na carreira política. Um desses generais foi Mário, um nobre de origem plebeia que se casou com uma mulher de família patrícia. Eleito cônsul em 104 a.C., com o apoio da plebe, ele promoveu profundas reformas no exército. A principal delas foi a abolição da exigência de possuir bens para ingressar nele, o que permitiu o alistamento de pessoas pobres. Além disso, ele passou a pagar um salário para aqueles que se apresentavam voluntariamente para lutar ao lado das forças romanas. Com essas reformas, o exército passou a ser permanente e profissional e, por isso, a carreira militar tornou-se uma opção de trabalho para muitos homens pobres. Além disso, o exército foi utilizado em diferentes situações pelos generais como um importante instrumento político, ameaçando a hegemonia política do Senado.

Relevo em mármore do século II representando oficiais do exército romano.

Séc. I a.C. Escultura em mármore. Museu da civilização Romana, Roma (Itália). Foto: DeAgostini Picture Library/Scala, Florence/Glow Images

A República em crise Depois do consulado de Mário, a política romana passou a depender, cada vez mais, do apoio da plebe e do exército. Nessa época, estava ocorrendo uma guerra civil, na qual Sila se tornou o primeiro general romano a adentrar na cidade de Roma com tropas armadas. Alguns nobres apoiaram Sila, que foi nomeado ditador pelo Senado em 81 a.C. Durante sua ditadura, o Senado recuperou parte de seu poder político. Com o fim do período de ditadura, Sila abandonou a carreira política e nenhum dos generais que o sucederam conseguiu conquistar o apoio dos romanos. Entretanto, em 60 a.C., o general Júlio César, líder dos plebeus, formou uma aliança com os generais Crasso e Pompeu e foi eleito cônsul. Os três generais aliados dividiram entre si os territórios anexados à República, reduziram o poder do Senado e estabeleceram uma nova forma de governo, denominada Primeiro Triunvirato. Escultura em mármore do século I a.C. representando o general Sila.

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A centralização do poder Em 53 a.C., o general Crasso morreu durante um combate. Os senadores então se aproximaram de Pompeu, declarando-o o único cônsul de Roma e pondo fim ao Primeiro Triunvirato. Nessa época, Júlio César estava comandando a invasão da Gália. Ao retornar para Roma, ele e seu exército marcharam sobre a cidade, forçando Pompeu a fugir para a Grécia, onde acabou sendo derrotado. Diante disso, o Senado declarou Júlio César ditador. Gradativamente, ele foi assumindo os títulos máximos da República, centralizando todo o poder em suas mãos.

Ele distribuiu lotes de terras para milhares de famílias, liberou os devedores do pagamento de parte de suas dívidas, fez algumas melhorias em Roma e regulamentou a distribuição gratuita de trigo. Além disso, em 45 a.C., reformou o calendário romano, que passou a se chamar juliano em sua homenagem. De acordo com esse calendário, o ano era dividido em doze meses e, a cada quatro anos, havia um ano bissexto. O calendário gregoriano que utilizamos atualmente é uma adaptação direta daquele implantado por Júlio César.

Unidade 7

Durante seu governo, Júlio César empreendeu uma série de medidas importantes.

Séc. II. Calendário de pedra. Museu da Civilização Romana, Roma (Itália). Foto: DeAgostini Picture Library/Scala, Florence/Glow Images

O governo de Júlio César

Fragmento de pedra do século II com inscrições do calendário juliano.

O fim da República Estátua de bronze. Via do Fórum Imperial, Roma (Itália). Foto: View Apart/Shutterstock.com

Em 44 a.C., após tornar-se ditador perpétuo, Júlio César foi assassinado por senadores contrários à centralização do poder em suas mãos. Depois do assassinato de Júlio César, os militares Marco Antônio, Lépido e Otávio deram início ao Segundo Triunvirato. Otávio, que era parente de Júlio César, derrotou Lépido e Marco Antônio e assumiu sozinho o poder em 31 a.C. Ele seguiu o exemplo de César, acumulando os títulos máximos da República, até receber, em 27 a.C., o título de augustus (sagrado, venerado). Otávio Augusto tornou-se, assim, o primeiro imperador de Roma, pondo fim à República.

Estátua de bronze do século I representando Júlio César. Fotografia de 2015 tirada em Roma, na Itália.

Os antigos romanos

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O Alto Império Otávio Augusto foi imperador de Roma entre 27 a.C. e 14. Nesse período, conhecido como Alto Império, muitas obras públicas foram construídas na cidade de Roma, como aquedutos, templos, teatros e termas. Além disso, houve um grande desenvolvimento no campo das artes, principalmente da literatura. São dessa época, por exemplo, os escritores Horácio, Virgílio e Tito Lívio. A Pax Romana (Paz Romana) Período que se inicia no Alto Império, a Pax Romana se caracterizou pelo desenvolvimento político, econômico e social do Império Romano e pela ausência de grandes guerras, que haviam sido muito frequentes no período Republicano. No entanto, a Pax Romana não significou o fim dos conflitos armados. Guerras “menores” foram travadas durante esse período em quase todas as regiões do Império, principalmente para sufocar revoltas internas e impedir ataques estrangeiros. A Pax Romana durou quase dois séculos, até a morte do imperador Marco Aurélio, em 180.

As reformas imperiais Durante o Alto Império, Roma viveu um momento de estabilidade política, o que não ocorria desde o fim do período Republicano. Para tanto, foi necessária a implantação de diversas reformas. Leia o texto a seguir.

Estátua de mármore do século I representando Otávio Augusto que, ao assumir o poder, adotou os títulos de princeps (do latim, “primeiro”; “principal”) e imperador (general do exército).

Quando Otávio (Augusto) assumiu o poder [...], muitas eram as reformas a serem empreendidas. Es­ sas inicialmente permitiram a unidade política do imenso território conquistado por Roma e a criação do Império. [...] A primeira dessas reformas, e uma das mais importantes, foi a libertação do camponês da obrigação do serviço militar [...]. Ao mesmo tempo foram distribuídos lotes de terra aos soldados já des­ mobilizados, de forma a diluir as tensões existentes. Augusto também procurou pacificar o território já con­ quistado, estabilizando as fronteiras do Império e fazendo com que as guerras deixassem de ser sistemá­ticas. O sistema fiscal para as províncias igualmente sofreu reformulações: foram nomeados funcionários, remunerados pelo Estado, para contro­ lar a arrecadação de impostos. [...] FLORENZANO, Maria Beatriz B. O mundo antigo: economia e sociedade. 10. ed. São Paulo: Brasiliense, 1990. p. 85-6.

Fórum de César, Roma (Itália). Foto: Ivan Montero Martinez/Shutterstock.com

Cidadania romana

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Na República romana e durante o período Imperial, muitos direitos eram reservados apenas aos cidadãos romanos. Direitos públicos (como o do voto) e privados (o direito à propriedade, por exemplo) eram reservados aos homens livres nascidos na Itália ou a libertos. Durante o século I, à medida que as províncias do Império se desenvolviam, várias delas se destacaram e seus habitantes passaram a exigir maior participação nas decisões no governo imperial. Por meio das prerrogativas do chamado direito latino, na época de Cláudio (41 a 54), estrangeiros com alta posição social puderam obter uma cidadania parcial, que os tornava aptos a votar e possuir bens.


A extensão territorial do Império Foi no período da Pax Romana que o Império assegurou sua hegemonia em todos os territórios, conquistados durante a fase de expansão na República, além de conquistar outras áreas, como a Britânia. Por volta do ano 120, durante o governo de Adriano, o Império Romano atingiu sua máxima extensão. Observe o mapa.

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Mar do Norte

HIBÉRNIA

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Mar Báltico

BRITÂNIA OCEANO ATLÂNTICO

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E. Cavalcante

O Império Romano no século II

GERMÂNIA Rio Loire

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Unidade 7

Mar Negro Mar N Adriático DALMÁCIA 40° ITÁLIA TRÁCIA Sardenha Mar MACEDÔNIA Tirreno Mar CAPADÓCIA Mar Mediterrâneo Mar Egeu Jônio LÍDIA Sicília MAURITÂNIA PELOPONESO SÍRIA Rodes Chipre Creta ÁSIA Mar Mediterrâneo JUDEIA

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Área ocupada pelo Império Romano

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365 km

Explorando a imagem

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

a ) Em quais continentes havia territórios do Império Romano? b ) Identifique no mapa as regiões ocupadas por alguns dos povos estudados nas unidades anteriores. Fabio Lamanna/Shutterstock.com

As estradas romanas Inicialmente construídas para uso exclusivamente militar, as estradas romanas garantiam o rápido deslocamento das tropas pelo território imperial. Além disso, elas foram importantes para a implantação do serviço postal, chamado cursus publicus. Por essas estradas, soldados ou oficiais do governo levavam e traziam mensagens a cavalo. Logo, as estradas passaram a ser utilizadas pelos habitantes do Império. Nelas, as pessoas circulavam a pé, a cavalo, em carruagens ou em carroças, transportavam mercadorias e entravam em contato com culturas diferentes. Via Ápia, uma das principais estradas romanas, construída no século IV a.C. na Itália. Fotografia de 2015.

Os antigos romanos

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A cidade de Roma Durante o período imperial, a cidade de Roma tinha aproximadamente um milhão de habitantes. A arquitetura da cidade se destacava por seu aspecto prático e monumental, com o uso de arcos, abóbadas e cúpulas. Havia também basílicas, templos, termas, teatros, anfiteatros e aquedutos. Em Roma, assim como em outras cidades do Império Romano, havia ruas pavimentadas. As duas principais vias eram chamadas de cardo (rua que atravessava a cidade no sentido norte-sul) e decumanus (que atravessava a cidade no sentido leste-oeste).

1 Termas

Nas termas havia banhos públicos com água aquecida e salas de ginástica. Homens e mulheres frequentavam as termas separadamente.

2 Aquedutos

Grandes obras de engenharia, os aquedutos permitiam o transporte da água dos rios até a cidade.

3 Ruas

Em Roma, as ruas eram pavimentadas e tinham aproximadamente cinco metros de largura. Havia também bueiros nas laterais para escoar da água das chuvas.

2

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Fórum

No ponto de intersecção entre cardo e decumanus ficava o Fórum. O Fórum era uma área pública com templos, basílicas e estabelecimentos comerciais. Era um local aberto onde barbeiros, padeiros, peixeiros, entre outros profissionais, ofereciam seus produtos e serviços.

4 Templos

Havia diversos templos em Roma. Nos templos ficavam as estátuas dos deuses cultuados pela população.


Eram as duas maiores construções destinadas ao lazer da população em Roma. No Circo Máximo aconteciam as corridas de biga. Ele tinha capacidade para acomodar até 250 mil expectadores. O Coliseu, onde aconteciam as lutas de gladiadores, era uma das maiores arenas do Império, que podia receber até 50 mil pessoas.

Nos andares térreos das insulae existiam pequenos estabelecimentos comerciais. Os comerciantes vendiam produtos artesanais e alimentícios.

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Esquema que representa o Circo Máximo. Esquema que representa o Coliseu.

6 Insulae

As insulae eram as habitações dos plebeus. Constituíam-se de blocos de pequenos apartamentos, nos quais viviam muitas pessoas. A mobília era simples e funcional.

7 Rede de esgoto

Em Roma havia coleta de esgoto. Tratava-se de uma rede subterrânea que levava o esgoto da cidade para o mar.

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Unidade 7

5 Lojas

Jose Antonio Peñas. Ilustração digital. Coleção particular. Foto: Jose Antonio Peñas/SPL/Latinstock

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Circo Máximo e Coliseu

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Os antigos romanos

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O Império Romano em crise Vários fatores, tanto internos como externos, contribuíram para o declínio do Império durante o século III. Esse período da história romana ficou conhecido como Baixo Império. Entre os anos de 235 e 284, a política romana passou por um período conturbado, durante o qual houve uma sucessão de imperadores que governaram, em média, por três anos. Nessa fase, marcada por guerras civis e motins militares, vários imperadores foram depostos ou assassinados por seus opositores. Desde a interrupção das guerras de conquista, no ano 100, houve uma paralisação na expansão territorial do Império e uma grande redução no fornecimento de escravos. Essa crise do escravismo afetou profundamente a produção agrícola, que era baseada no trabalho escravo. Além da agricultura, a crise também afetou outros setores da economia, como o comércio e a produção artesanal. Com isso, muitos trabalhadores urbanos desempregados migraram para o campo, passando a trabalhar em atividades agrícolas sob o mando dos grandes proprietários de terras. Esse processo ficou conhecido como ruralização da economia. Esses acontecimentos atingiram diretamente a arrecadação de impostos necessários para a manutenção do Império. Além disso, criaram dificuldades para manter a defesa das fronteiras romanas, constantemente assediadas por povos invasores e defendidas por soldados cada vez mais mal remunerados. c. 300. Escultura em pórfiro. Basílica de São Marcos, Veneza (Itália). Foto: tichr/Shutterstock.com

A Tetrarquia e a transferência da capital Para amenizar os efeitos da crise, em 284, o então imperador Diocleciano criou leis para tentar estabilizar a economia, como a Lei do Máximo, que fixava um preço máximo para as mercadorias comercializadas no Império. No campo administrativo, ele dividiu o poder com Maximiano, seu amigo de confiança. Foram nomeados também dois generais para governar grandes áreas do Império. Esse sistema de governo ficou conhecido como Tetrarquia, ou seja, o poder dividido entre quatro autoridades. Com a abdicação de Diocleciano e de Maximiano em 305, seus generais os substituíram. No entanto, uma onda de guerras civis afetou o Império, e só cessaram quando Constantino assumiu o poder como imperador. Ele desfez a Tetrarquia e reunificou o poder em suas mãos, transferindo, em 330, a capital do Império para o Oriente, na cidade de Constantinopla (antiga Bizâncio).

Escultura em pedra do século IV representando os quatro imperadores da Tetrarquia: Diocleciano, Maximiano, Galério e Constâncio Cloro.

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A divisão do Império e as invasões germânicas Séc. VI. Broche de metal. Museu Arqueológico de Madrid (Espanha). Foto: Prisma/UIG/Getty Images

Com a transferência da capital para o Oriente, Constantinopla tornou-se o centro administrativo e econômico do governo romano. Em 395, após a morte de Teodósio, o Império foi dividido em duas partes: Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente. O título de imperador foi passado aos dois filhos de Teodósio: Honório, que governou a parte ocidental, com sede em Roma; e Arcádio, que administrou a parte oriental, também conhecida como Império Bizantino, com sede em Constantinopla. Enquanto isso, povos germânicos que desde o início do século III pressionavam as fronteiras do Império intensificavam suas invasões. Diante dessa situação, os governantes romanos recorreram a novas formas de preservar suas fronteiras, fazendo acordos com os chefes invasores. Com esses acordos, os germânicos não permitiram novas invasões em troca da doação de terras. Aos poucos, grande parte do exército romano foi substituído por germânicos. Os povos germânicos

Entre esses povos estavam os ostrogodos, os visigodos, os fran cos, os saxões, os anglos e os suevos, que, ao longo do processo de invasões às fronteiras do Império Romano, estabeleceram alianças com os governantes locais e formaram vários reinos.

Broche de metal visigodo do século VI.

Unidade 7

Os germânicos eram povos autônomos, que viviam no norte da Europa, próximo às fronteiras do Império Romano, praticando agricultura e criando rebanhos de animais.

E. Cavalcante

As invasões germânicas (séculos III a V) N

Mar do Norte ANGLOS

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SUEVOS

SAXÕES

OCEANO ATLÂNTICO

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Cartagena

Mar Adriático

Mar Mediterrâneo

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40° N

Mar Egeu

Siracusa Império Romano do Ocidente

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310 km

Império Romano do Oriente

Fonte: HILGEMANN, Werner; KINDER, Hermann. Atlas Historique. Paris: Perrin, 1992.

O fim do Império Romano do Ocidente No século V, os germânicos já haviam se instalado em vários pontos estratégicos do Império. O comércio e a produção de bens estagnaram e muitas cidades na Britânia, Germânia e Espanha foram abandonadas, e Roma chegou a ser saqueada. Em 451, os hunos, um povo da Ásia Central, invadiram a Gália e realizaram sucessivos ataques, sendo derrotados com muita dificuldade por uma aliança entre as forças germânicas e o fragilizado exército romano. Anos depois, Roma foi novamente saqueada pelos vândalos. Nessa época, chefes germânicos que compunham as forças militares romanas obtiveram maior controle do governo, até que depuseram o último imperador romano, em 476, fato que marcou o fim do Império Romano do Ocidente.

Os antigos romanos

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A cultura romana Cultura clássica: expressão utilizada para fazer referência às manifestações artísticas, filosóficas etc., desenvolvidas na Grécia entre os séculos V e IV a.C., a cultura clássica tornou-se um modelo cultural seguido pelos romanos depois de conquistarem a Grécia. Por causa da grande influência das culturas grega e romana na formação dos países ocidentais, a expressão “cultura clássica” passou a ser usada para designar a herança deixada por esses povos.

Os romanos, desde o início de sua história, receberam influências culturais de vá­ rios povos, entre eles etruscos e gregos. Além desses, que exerceram influência pelo contato direto, outros povos, como egípcios e persas, influenciaram de maneira indi­ reta, principalmente durante a época imperial, contribuindo para a formação da cultu­ ra romana em diferentes aspectos. Mesmo após muitos séculos, vários elementos da cultura romana e da cultura clássica se fazem presentes em nosso cotidiano, por exemplo, na língua que falamos, nas construções que edificamos e no sistema jurídico que utilizamos.

O latim e as línguas neolatinas O latim começou a ser falado no século VIII a.C., na região do Lácio. Diferentes idiomas antigos influenciaram em sua formação, entre eles o osco, o umbro, o etrusco e o grego. Com a expansão romana durante a República, a língua latina foi levada a diferentes regiões e passou a ser falada por milhares de pessoas.

Séc. I a.C. Painel de pedra esculpida. Pompeia (Itália). Foto: JuliyaNorenko/Shutterstock.com

No século II, o latim se tornou o idioma oficial do Império Romano e, no século V, já era o mais difundido no mundo ocidental. Mesmo após a fragmentação do Império, ele con­ tinuou a ser falado. Por causa da diversidade de culturas do Império, no entanto, essa língua se fundiu com outras e deu origem ao que chamamos de línguas neo latinas. Hoje, as lín­ guas neolatinas mais faladas no mundo são o espanhol, o italiano, o francês e o português. Painel de pedra do século I com inscrição latina, encontrado em Pompeia, na Itália.

O tema sobre as línguas neolatinas favorece o trabalho interdisciplinar com Língua Portuguesa. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

Os grafites de Pompeia Por muito tempo, os estudiosos acreditaram que, para conhecer a sociedade romana, bastava consultar os textos produzidos pela elite letrada. Estudos recentes, entretanto, mostram que os re­ gistros escritos deixados pelas camadas populares também são valiosas fontes históricas. Expressa principalmente por meio de inscrições parietais (grafites), a escrita popular tem revelado muito sobre o modo de vida no Império Romano.

Ana Elisa

Escavações realizadas em Pompeia, na Itália, por exemplo, revelaram uma grande quantidade de inscrições nas paredes da cidade, feitas por padeiros, agricultores, artesãos, comerciantes e escra­ vos. Essas inscrições abordavam os mais diferentes temas, como política, campanhas eleitorais, trabalho, amor, insultos e lutas de gladiadores. Cópia de inscrição do século I feita em uma parede de Pompeia em latim cursivo. A frase ao lado significa: “O ministro das finanças de Nero Augusto é o veneno”. O autor dessa frase, um grafiteiro anônimo, denunciou de maneira irônica a prática do imperador Nero de condenar seus inimigos ricos à morte, por meio da ingestão de veneno, com a finalidade de confiscar seus bens. Fonte: FUNARI, Pedro Paulo. A vida quotidiana na Roma Antiga. São Paulo: Annablume, 2003.

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As artes

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e. Fórum de Trajano, o-relevo em már mor na triunfal com baix . c. 106-112. Colu Apolodoro de Damasco

Em Roma, as artes decorativas estavam presentes em fachadas de templos, altares, prédios públicos e colunas esculpidas em relevo. Esses relevos narravam diferentes assuntos, como acontecimentos cotidianos, campanhas militares e cerimônias religiosas. Ao lado, vemos a Coluna de Trajano, monumento de mármore construído em Roma em homenagem ao imperador Trajano, no século II. Acima, detalhe da Coluna de Trajano.

Séc. IV. Mosaico. Villa Romana del Casale, Piazza Armerina (Itália). Foto: luigi nifosi/Shutterstock.com

Os retratos, esculpidos ou pintados, seguiam os modelos gregos, porém os romanos imprimiram neles um caráter próprio. Diferentemente dos gregos, que buscavam representar a beleza ideal e a harmonia das proporções, os romanos desenvolveram uma arte mais realista e fiel aos modelos retratados. Acima, busto de mármore do século II que representa Aulo Vitélio Germânico, imperador romano em 69.

Os mosaicos são uma das várias formas de expressão artística romana. Geralmente, eles representam temas da mitologia, religião, cenas dos gladiadores e cenas da vida cotidiana. Essas obras, em sua maioria, serviam para decorar prédios públicos e residências da elite romana. Acima, mosaico do século IV que representa mulheres dançando.

Os antigos romanos

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Unidade 7

Roma (Itál ia). Foto:

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Séc. II. Busto de mármore. Museu Arqueológico de Veneza (Itália). Foto: DeAgostini Picture Library/ Scala, Florence/Glow Images

As expressões artísticas romanas receberam influência das tradições etrus­ cas e gregas em seu desenvolvimento. No entanto, com o passar do tempo, a tendência dos romanos à praticidade e ao funcionalismo modificou a forma como eles incorporavam essas influências, deixando de apenas assimilá­las para atribuir um caráter próprio às suas criações artísticas.


Os espetáculos públicos Mosaico. Museu Arqueólogo Nacional, Nápoles (Itália). Foto: Ivan Vdovin/Alamy Stock Photo/Latinstock

Em Roma, havia vários espetáculos públicos, entre eles as encenações teatrais, as corridas de biga e as lutas de arena. As encenações teatrais, conhecidas como jogos cênicos (ludi scenici), eram realizadas em Roma desde os tempos da Monarquia. Influenciados no início pelos etruscos e, depois, adotando temas do teatro grego, os romanos criaram peças tea­ trais poéticas e dramáticas. Outro espetáculo público que atraía multidões eram as corridas de biga. Elas eram realizadas nos circos, nome dado a grandes construções destinadas à realização desse tipo de competi­ ção. Havia circos em muitas cidades do Império.

Atores se preparando para uma apresentação de teatro. Mosaico romano do século I. Biga: tipo de carro de duas rodas puxado por dois cavalos.

Refletindo

Eram as lutas de arena, entretanto, que mais atraíam a atenção do público. A principal atração desses espetáculos eram os combates de gladia­ dores, que geralmente eram escravos treinados especialmente para lutar. Nas arenas, espalhadas por todo o Império, também eram realizadas lutas envolvendo animais selvagens, como elefantes, ursos, leões, touros, hipopótamos e rinocerontes.

Panis et circensis No século II, os imperadores romanos criaram um grande número de feriados e adotaram uma política conhecida como panis et circensis (pão e circo). Essa expressão foi usada pelo poeta Juvenal para se referir à política de distribuição de trigo para a população pobre e à realização de espetáculos públicos, como corridas de biga e lutas de gladiadores. Dessa maneira, o governante promovia sua própria imagem e mantinha a população entretida com os espetáculos, evitando reivindicações e revoltas.

Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

••Na Roma Antiga, as lutas de gladiadores eram muito violentas e atraíam um grande número de expectadores. c. 320-330. Mosaico. Galleria Borghese, Roma (Itália). Foto: Photo Scala, Florence - courtesy of the Ministero Beni e Att. Culturali/Glow Images

Em sua opinião, na atualidade, espetáculos violentos ainda atraem grande público? Justifique sua resposta.

Mosaico romano do século IV representando gladiadores na arena.

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O direito romano O desenvolvimento do direito romano teve início no sé­ culo V a.C., durante o período Republicano, com a criação da Lei das Doze Tábuas. Os romanos distinguiam o direito público (publicum jus) do direito privado (privatum jus). O primeiro era fundamen­ tal para a organização política do Estado e para a manu­ tenção da ordem pública. O segundo, por sua vez, era usado para regular as relações entre as pessoas e seus interesses individuais. No âmbito do direito privado, ha­ via subdivisões, cujas principais eram as seguintes:

• •direito civil ( jus civile): orientava a vida jurídica dos cidadãos romanos;

• •direito das gentes ( jus gentium): de maior amplitu­

de, englobava outros povos que viviam sob o domí­ nio romano;

• •direito natural ( jus nuturale): comum a todos os homens, A Lei das Doze Tábuas Até meados do século V a.C., não existia nenhum código de leis escrito em Roma. As leis eram interpretadas com base na tradição oral. A Lei das Doze Tábuas (Lex Duodecimum Tabularum), con­ s iderada uma conquista da plebe, re­ p resentou o primeiro passo no de­ sen­vol­v imento do direito romano.

Unidade 7

Estátua de bronze. Fonte da Justiça, Frankfurt (Alemanha). Foto: Ioan Panaite/Shutterstock.com

mesmo que vivessem fora do território romano.

Estátua representando Justínia, deusa romana da justiça. Fotografia tirada em 2015, em Frankfurt, Alemanha.

A influência do direito romano

Desde que as antigas leis romanas foram compila­ das no Corpus Juris Civilis (Corpo do Direito Civil), no século VI, este tem servido de base para muitos códi­ gos de leis, sobretudo ocidentais. O Corpus Juris Civilis foi estudado e preservado durante os períodos Medie­ val e Moderno e serviu de base, por exemplo, para o Código Civil francês de 1804, instituído por Napoleão Bonaparte. Atualmente, vários princípios do direito ro­ mano continuam presentes nos códigos de leis de mui­ tos países. Além disso, o direito romano é a origem de grande parte da terminologia jurídica usada até hoje.

Editora Atlas Jurídico

Passado e presente

Os códigos de leis do Brasil também receberam forte influência do direito romano. Ao lado, capa do Código Civil Brasileiro, instituído em 2002.

Os antigos romanos

161


A religiosidade romana Castellammare di Stabia (Itália). Foto: DeAgostini Picture Library/Scala, Florence/Glow Images

Os romanos eram politeístas e os ritos e as cerimônias religiosas faziam parte de seu cotidiano. Mesmo receben­ do influência de outros povos, principalmente etruscos e gregos, a religiosidade romana apresentava características particulares, principalmente com relação à distinção entre as esferas privada e pública. A religião desenvolvida na esfera privada estava ligada à sacralização da família e do clã. Era comum, nas casas romanas, haver um pequeno altar (lararium) dedicado aos deuses pretores da família. No âmbito público, os cultos cívicos eram organizados por funcionários do Estado. Esses cultos geralmente pres­ tavam homenagens aos deuses como meio de pedir prote­ ção nas guerras e fartura nas colheitas. Lararium romano do século I dedicado à deusa Minerva, encontrado em uma casa em Nápoles, na Itália.

A influência grega

Séc. I. Estátua de mármore. Palazzo Altemps, Museu Nacional Romano, Roma (Itália). Foto: Werner Forman Archive/Heritage Images/Getty Images

A religiosidade grega exerceu grande influência sobre a religiosidade romana. Muitos dos deuses gregos foram “adotados” pelos romanos, que muda­ ram seus nomes, porém mantiveram suas atribui­ ções. Veja alguns deles.

162

Nome grego

Nome romano

Atribuição

Zeus

Júpiter

Rei dos deuses

Atena

Minerva

Deusa da sabedoria

Ares

Marte

Deus da guerra

Afrodite

Vênus

Deusa do amor

Posêidon

Netuno

Deus dos oceanos

Hades

Plutão

Deus dos mortos

Hermes

Mercúrio

Deus do comércio

Dionísio

Baco

Deus do vinho

Têmis

Justínia

Deusa da justiça

Estátua de mármore do século I representando a deusa Minerva.


A cristianização do Império O cristianismo surgiu com base nas pregações de Jesus Cristo, nascido na provín­ cia romana da Judeia. Seus ideais, difundidos pelos apóstolos após sua morte, eram baseados principalmente na humildade e no amor ao próximo. A religião cristã disseminou-se principalmente entre as camadas humildes do Império, preocupando as autoridades romanas. Como os cristãos se recusavam, por exemplo, a servir o exército e a reconhecer a divindade do imperador e a prestar-lhe culto, as autoridades romanas passaram a hostilizar a nova religião. As primeiras perseguições começaram no século I, na época do imperador Nero Augusto e, com exceção de alguns períodos de trégua, duraram até o início do século IV. O fim das perseguições ocorreu porque os imperadores passaram a se aliar aos cris­ tãos visando a manutenção do poder, já que o cristianismo estava amplamente difun­ dido por todo o Império. Com isso, em 313, foi concedida a liberdade de culto aos cristãos e, em 392, o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano.

Apóstolo: discípulo de Jesus Cristo. Cristo: tradução grega para a palavra hebraica meshiah (messias, em latim), que significa “o ungido”, nome pelo qual Jesus passou a ser conhecido após a disseminação de seus ideais para toda a região do mar Mediterrâneo.

Unidade 7

Dessa forma, antigos templos pagãos foram destruídos e muitos deles transforma­ dos em igrejas cristãs. Mesmo sofrendo perseguições, agora por parte dos cristãos, muitas pessoas continuaram a cultuar seus antigos deuses, fruto da influência das religiões antigas. Quem eram os pagãos?

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Depois que o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano, as pessoas que cultua­ vam antigas divindades passaram a ser chamadas pelos cristãos de pagãos. Esse termo, de origem latina (paganus), era usado para designar o habitante da aldeia, o aldeão. Como a população das áreas rurais era mais resistente a adotar o cristianismo como religião, o termo pagão passou a ser usado como antônimo de cristão.

Jesus Cristo representado em afresco do século III.

Os antigos romanos

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 1. Quem eram os etruscos? Qual sua influên­ cia na formação da cultura romana?

2. Faça um resumo das principais caracterís­ ticas da organização política da República romana.

3. Descreva a luta dos plebeus pela reforma agrária, liderada pelos irmãos Tibério e Caio Graco.

4. Quais foram as consequências da profis­ sionalização do exército para a política e a sociedade romanas?

5. Explique o que foram o Primeiro Triunvirato e o Segundo Triunvirato.

6. O que os governantes romanos pretendiam com a política do pão e circo?

7. Quais foram as principais causas da crise do Império Romano?

Expandindo o conteúdo 8. O texto a seguir trata de um importante aspecto da arte clássica. Leia-o. Estátuas clássicas de deuses gregos e de imperadores romanos são brancas ou cinzentas, e é dessa forma que sempre estiveram expostas nos principais museus do mundo. Colori-las seria um verdadeiro sacrilégio e um tremendo mau gosto. Pois é exatamente isso que fez o Museu do Vaticano na exposição As Cores do Branco [realizada em 2005]. A ideia dos organizadores do evento é mostrar que a arte antiga era muito mais alegre e colorida do que imaginamos e acabar com a convicção de que as esculturas gregas e romanas não tinham cor. “Na realidade, o conceito de que as obras eram totalmente brancas chegou aos dias de hoje por causa da perda de policromia provocada pela ação do sol e da chuva”, diz o organizador da mostra, Paolo Liveriani. [...]

Museu Arqueológico Nacional, Atenas (Grécia). Foto: Louisa Gouliamaki/AFP/Getty Images

Para chegar às cores utilizadas pelos artistas da Antiguidade, os restauradores do museu usaram técnicas modernas, como raios ultravioleta, que permitem ver traços de cores desaparecidas no mármore. [...]

Nessa fotografia, de 2007, vemos duas versões de uma mesma escultura: uma cópia do original e sua versão colorida.

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A concepção de que a arte clássica era imaculadamente branca, e assim devia permanecer, foi estabelecida pelo alemão Joachin Winckelmann (1717-1768), considerado o fundador da história da arte e um dos pioneiros da arqueologia. Winckelmann dizia que o branco era cor da beleza ideal e que o uso das cores na escultura significava a decadência e o desvirtuamento da arte clássica. “Desde o século XIX, estudiosos já sabiam que os gregos e romanos utilizavam cores em suas estátuas, mas até hoje, para o grande público, o branco está associado ao clássico e ao bom gosto na escultura”, comenta Luciano Migliaccio, professor de história da arte na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Apesar do impacto que as estátuas coloridas causam aos visitantes, dificilmente a exposição do Museu do Vaticano conseguirá mudar esse conceito. KOSTMAN, Ariel. As cores do branco – A exposição, no Museu do Vaticano, recupera as cores de esculturas clássicas. Veja, São Paulo: Abril Comunicações S/A, ano 37, n. 1882, p. 63, 1o de dez. 2004.


• Por

que, apesar de saberem da existência de cores nas esculturas clássicas desde o século XIX, muitas pessoas ainda hoje acreditam que o branco esteja associado ao clás­ sico e ao bom gosto na escultura?

9. Leia o texto a seguir.

O casamento era ainda utilizado pelos romanos como meio de transmitir propriedade e riqueza. Em alguns casamentos romanos, a rapariga e toda a propriedade que possuía passavam completamente para o controle do marido. Isto acontecia porque os homens romanos acreditavam que as mulheres necessitavam da experiência e autoridade masculinas para cuidarem delas e de seus interesses. Isto significava na realidade que uma rapariga romana passava do seu papel de filha na família do pai para o de esposa-filha na família do marido. Deste modo, um marido romano deve ter parecido mais um guarda que um ser igual. Quando uma romana casava, tinha também de parar de adorar os seus próprios antepassados (uma parte importante da religião da família romana) e prestar culto aos antecessores da família do marido como se fossem seus. [...] Séc. II. Relevo em mármore. Coleção particular. Foto: AAAC/TopFoto/Keystone

O casamento era o único meio legal de se ter herdeiros livres e esperava-se que as esposas romanas dessem à luz e cuidassem dos filhos. Os maridos exigiam que fossem completamente fiéis e castas para que pudessem estar totalmente certos de que os filhos eram deles. As esposas deviam, pois, cuidar do lar de forma eficiente e econômica. [...] O casamento era ainda o meio de um homem aumentar o seu estatuto social, não apenas através das ligações feitas com outras famílias nobres e importantes, mas também porque uma esposa que se comportasse de forma adequada em todas as alturas estaria a aumentar o crédito público do marido. MASSEY, Michael. As mulheres na Grécia e Roma antigas. Tradução Maria Cândida Cadavez. Lisboa: Publicações Europa­América, 1988. p. 66­70. (Saber).

Relevo em mármore do século II que representa uma cena de casamento romano.

a ) Qual era a função social e política do casamento para os homens romanos? b ) Qual o significado do casamento para as mulheres romanas? c ) O que um homem romano esperava de sua esposa? d ) Explique a relação existente entre o comportamento da esposa e a atuação pública do marido. Os antigos romanos

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Unidade 7

Para os romanos das classes elevadas, o casamento era um meio conveniente e eficaz de fazer uma aliança entre duas famílias. Representava geralmente uma grande vantagem política, pois os homens de cada família podiam confiar no apoio dos outros em eleições e debates. As mulheres romanas, contudo, deviam aceitar o seu papel [...].


Momento da redação 10. Leia o texto a seguir, atribuído a Tibério Graco. Justiça social em Roma Os animais da Itália possuem cada um sua toca, seu abrigo, seu refúgio. No entanto, os homens que combatem e morrem pela Itália estão à mercê do ar e da luz e nada mais: sem lar, sem casa, erram com suas mulheres e crianças. [...] É para o luxo e enriquecimento de outrem que combatem e morrem tais pretensos senhores do mundo, que não possuem sequer um torrão de terra. GRACO, Tibério. In: PINSKY, Jaime. 100 textos de história antiga. 8. ed. São Paulo: Contexto, 2003. p. 20. (Textos e documentos).

Na Roma Antiga e em vários outros lugares e épocas, a concentração de terras nas mãos de poucos sempre provocou graves problemas sociais. No Brasil, este problema também existe. Leia o texto.

Tempo de plantar, tempo de colher O Brasil é um país de população predominantemente urbana. De acordo com o Censo 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a grande maioria da população brasileira, cerca de 81,2%, vive em áreas urbanas, restando 18,8% nas áreas rurais. Ainda assim, um dos principais problemas que enfrentamos é a questão agrária, o que fica evidente pela frequência com que a mídia noticia ocupações de fazendas, espaços públicos, estradas ou agências governamentais por trabalhadores rurais sem terra, que reclamam a agilidade na implementação de uma reforma agrária. [...] Ao mesmo tempo que a questão agrária ganhou evidência, tornou-se comum atribuí-la a um padrão concentrador do acesso à terra que, deitando raízes no nosso passado, deu origem ao chamado latifúndio — mais do que uma extensão de terra, um sistema de dominação que estava na base do poder dos proprietários, como um mecanismo de controle social, principalmente sobre aqueles que se encontravam no interior dos grandes domínios e de muitos que, mesmo estando fora, com estes se relacionavam. [...] GRYNSZPAN, Mário. Nossa História. São Paulo: Vera Cruz, ano 1, n. 9, jul. 2004. p. 28; 31.

A distribuição de terras no Brasil

20%

(4 500 000 pequenas propriedades)

45%

(45 000 latifúndios)

35%

Acervo da editora

(480 000 propriedades médias)

Minifúndios (propriedades com menos de 100 hectares) Propriedades médias (entre 100 e 1 000 hectares) Latifúndios (propriedades com mais de 1 000 hectares) IBGE. Censo agropecuário, 2006.

Analise o gráfico ao lado, que mostra a distribuição de terras no Brasil de acordo com os tipos de propriedade rural: minifúndios, propriedades médias e latifúndios. Compare a área percentual com o número de propriedades encontradas em cada um desses tipos. O que é possível concluir sobre a distribuição de terras no Brasil? Agora, partindo dos recursos expostos, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre os danos sociais causados pela distribuição desigual de terras no Brasil, apresentando propostas para reduzir esses danos. Considere em seu texto aspectos históricos desse tema, valendo-se do texto de Tibério Graco e também de seus conhecimentos prévios. Defenda suas propostas com base em argumentos que respeitem os direitos humanos.

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Explorando a imagem 11. Apesar do grande desenvolvimento tecnológico das sociedades contemporâneas, várias téc­ nicas desenvolvidas na Antiguidade ainda são utilizadas sem grandes modificações. Esse é o caso da técnica da cera perdida, utilizada principalmente pelas indústrias automotiva, ae­ roespacial e de informática. Os antigos romanos a utilizavam sobretudo para produzir estátuas e relevos de bronze. De acordo com essa técnica, o artista fazia um molde de argila e acres­ centava uma camada de cera de abelha. Em seguida, recobria o molde novamente com uma grossa camada de argila, deixando alguns orifícios entre a cera e a argila. Terminada essa etapa, o molde era aquecido, derretendo a cera que escorria pelos orifícios, tornando­se oco. Depois, o artista despejava bronze derretido dentro dessa fôrma e esperava o metal esfriar e endurecer. Em seguida, quebrava a argila e retirava a peça de bronze. Por fim, o artista fazia o acabamento da peça. Observe a ilustração dessa técnica abaixo.

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6

Unidade 7

4

3

c. 80 a.C. Estátua de bronze. 179 cm. Museu Arqueológico Nacional, Florença (Itália). Foto: DeAgostini Picture Library/Scala, Florence/Glow Images

2

Desenhorama Estúdio

1

Estátua romana de bronze feita com a técnica da cera perdida.

• Agora, em seu caderno, elabore uma legenda para cada uma das ilustrações apresentadas, que representam, passo a passo, os procedimentos da técnica da cera perdida.

Vestibulares 1. (ENEM­MEC) “Somos servos da lei para podermos ser livres.” Cícero.

“O que apraz ao príncipe tem força de lei.” Ulpiano.

As frases acima são de dois cidadãos da Roma Clássica que viveram praticamente no mesmo século, quando ocorreu a transição da Repú­ blica (Cícero) para o Império (Ulpiano). Tendo como base as sentenças acima, consi­ dere as afirmações: I ) A diferença nos significados da lei é apenas aparente, uma vez que os romanos não le­ vavam em consideração as normas jurídicas.

II ) Tanto na República como no Império, a lei era o resultado de discussões entre os re­ presentantes escolhidos pelo povo romano. III ) A lei republicana definia que os direitos de um cidadão acabavam quando começavam os direitos de outro cidadão. IV ) Existia, na época imperial, um poder acima da legislação romana. Estão corretas, apenas: a ) I e III. b ) Il e III. c ) II e IV. d ) III e IV.

Os antigos romanos

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Ampliando seus conhecimentos Arte e história

Pintura mural em Pompeia

No ano 79, os habitantes da cidade romana de Pompeia foram surpreendidos pela erupção do vulcão Vesúvio, que provocou a morte de muitas pessoas. Porém, apesar da tragédia, a poeira e a lava que invadiram a cidade acabaram preservando praticamente intactas muitas de suas construções. Somente no século XVIII, quando engenheiros italianos trabalhavam na construção de um aqueduto, as ruínas da cidade foram descobertas. Desde então, pesquisadores de vários países fazem escavações arqueológicas na região e analisam importantes fontes para o estudo da história de Pompeia, como grafites, pinturas murais, objetos de uso cotidiano e restos mortais dos antigos habitantes. Em relação às pinturas murais, as imagens mais comuns encontradas nas paredes de Pompeia representam cenas do cotidiano dos habitantes da cidade, como a produção de vinho e de azeite, o trabalho dos artesãos e as lutas de gladiadores. Além disso, foram encontradas pinturas feitas no interior das casas, como essa representada abaixo, encontrada em uma parede da casa de Terêncio Neo.

Séc. I. Afresco. 58 x 52 cm. Museu Arqueológico Nacional, Nápoles (Itália). Foto: Araldo de Luca/Corbis/Latinstock

Leia o texto a seguir, escrito pelo historiador francês Paul Veyne, em que é feita uma interpretação dessa pintura.

[...] Esse homem e essa mulher eram ricos o bastante para mandar pintar seu retrato [...], que poderíamos tomar como uma foto instantânea, como que por acaso fixou-lhes a identidade na faixa dos quarenta anos, em que se acabou de crescer e ainda não se começou a envelhecer. Não são seres de carne e osso, captados num momento qualquer de sua vida, mas os tipos individualizados de uma sociedade que quer ser ao mesmo tempo natural e ideal. [...] O marido e a mulher detêm os atributos menos contestáveis e mais pessoais de sua superioridade social; não a bolsa ou a espada, atributos da riqueza e do poder, mas um livro, tabuinhas de escrever e um estilete. Esse ideal de cultura é natural: o livro e o estilete visivelmente são para eles instrumentos familiares, que o casal não ostenta. Coisa bastante rara na arte antiga, que não aprecia os gestos familiares, o homem [...] apoia o queixo no livro (em forma de rolo), e a mulher pensativa leva o estilete aos lábios: procura um verso, pois a poesia também é uma arte das damas. VEYNE, Paul. O Império Romano. In: História da vida privada: do Império Romano ao ano mil. Tradução Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. v. 1. p. 20-1.

Pintura mural do século I encontrada em Pompeia, Itália.

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Gladiador Filme de Ridley Scott. Gladiador. EUA, 2000

A história no cinema

Ambientado no Império Romano, no ano de 180, o filme Gladiador mistura livre­ mente fatos históricos e ficção para narrar a trajetória de Máximus, um general roma­ no que se tornou escravo e gladiador. Filme de Ridley Scott. Gladiador. EUA, 2000. Foto: United Archives GmbH/Alamy Stock Photo/Latinstock

O filme mostra elementos do cotidiano dos romanos, e mais especificamente dos gladiadores, como o treinamento, a alimenta­ ção, as relações entre senhor e escravo, as armas e as técnicas de luta.

Título: Gladiador Diretor: Ridley Scott

Ano: 2000 Duração: 154 minutos

Cena do filme que representa um combate entre gladiadores.

Origem: EUA

Para ler

• •A vida cotidiana na Roma Antiga, de Pedro Paulo Funari. Editora Annablume.

Livro que trata do dia a dia das pessoas na Roma Antiga, narrando cenas como a de jovens escrevendo em paredes declarações de amor ou mulheres em campanha eleitoral.

• •O mundo antigo: economia e sociedade, de Maria Beatriz Florenzano. Editora

Brasiliense. O livro aborda aspectos econômicos, como as relações de pro­ priedade e as formas de exploração da terra, ou seja, os alicerces da riqueza e da cultura greco-romana.

••A questão das terras no Brasil: das sesmarias ao MST, de Cristina Strazzacappa

e Valdir Montanari. Editora Moderna. O livro propõe uma discussão a respeito do uso racional, justo e ordenado da terra para as bases da reforma agrária no país. Para isso, explica a atual conjuntura pós-globalização em que nos encontramos.

Para navegar

• •Roma

Antiga — Ascensão e Queda de um Império. Disponível em: <http:// tub.im/8sg6i9>. Acesso em: 31 ago. 2015. Disponibilização do seriado produ­ zido pela BBC. A partir de fatos documentados, a série narra a história do Império Romano, desde sua formação até o período em que entrou em colap­ so. Ela é composta de seis episódios de 50 minutos, legendados.

• •Museu da Língua Portuguesa. Disponível em: <http://tub.im/ap9pyo>. Acesso em: 31 ago. 2015. Página do Museu da Língua Portuguesa, instalado na cidade de São Paulo. No site, é possível acessar diversos textos sobre esse importan­ te patrimônio do Brasil, a língua portuguesa.

• •Código Civil Brasileiro. Lei n

10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em: <http://tub.im/6tzd6z>. Acesso em: 31 ago. 2015. Link para o texto compi­ lado do Código Civil Brasileiro, de 2002. Trata-se da Lei que rege as relações jurídicas civis da sociedade brasileira. o

Os antigos romanos

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Unidade 7

Atores principais: Russel Crowe, Joaquin Phoenix, Richard Harris


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Martin Gray/Getty Images

unidade

A expansĂŁo do islamismo


Atualmente, o islamismo é a religião com maior número de seguidores no mundo. Seus preceitos pregam a paz, a justiça e a generosidade entre as pessoas. No entanto, os jornais veiculam com frequência notícias sobre muçulmanos, como também são chamados os adeptos do islamismo, envolvidos em conflitos e situações relacionadas à violência e à intolerância religiosa. Para entender melhor essas e outras questões polêmicas do mundo atual, vamos estudar nesta unidade o nascimento do islamismo, na Arábia do século VII, e como ele se espalhou rapidamente por um vasto território. Vamos conhecer um pouco da riqueza cultural difundida pela civilização islâmica em várias regiões do mundo, além da sua contribuição para a cultura contemporânea.

Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A Você sabe por que milhares de pessoas estão reunidas nesse local? Comente. B Converse com os colegas e procurem identificar algumas influências da cultura islâmica em nosso país.

Peregrinos muçulmanos na Grande Mesquita, em Meca, na Arábia Saudita, em 2008.

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O nascimento do Islã Península Arábica: região localizada na junção dos continentes africano e asiático. Atualmente, os países que fazem parte da península Arábica são Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Kuwait, Omã.

A península Arábica, local de origem do islamismo, era uma região formada principalmente por desertos. Essa região era habitada pelos beduínos, povos que viviam da agricultura e do pastoreio. Eles criavam rebanhos de cabritos, carneiros e camelos, o que os obrigava a se deslocar constantemente em busca de pastagens. A criação de camelos tinha grande importância, pois, além de ser o principal meio de transporte, esses animais forneciam carne, leite e couro, utilizado na confecção de vestimentas e tendas.

FreeProd/Alamy Stock Photo/Latinstock

Os beduínos também praticavam o comércio. Com suas caravanas, percorriam longas rotas em busca de mercadorias do Oriente para negociar com os mercadores persas e bizantinos.

Autor desconhecido. Séc. XIX. Miniatura. Biblioteca da Universidade de Istambul (Turquia). Foto: Art Images Archive/Glow Images

Beduínos com os seus camelos em deserto da península Arábica. Alguns costumes tradicionais são mantidos por essa sociedade até os dias de hoje. Fotografia de 2016.

Uma sociedade politeísta Os beduínos eram originalmente politeístas. Eles cultuavam várias divindades, além de acreditar na existência de entidades conhecidas como djins. Segundo essa crença, os djins eram encontrados principalmente nos cemitérios, em ruínas de antigas cidades e também no deserto. Eles podiam exercer tanto influências maléficas quanto benéficas. Na religiosidade árabe, dava-se grande importância aos locais sagrados, os santuários. Entre eles, o mais importante era a Caaba (do árabe, cubo), na cidade de Meca. Nele eram guardadas imagens de pelo menos 360 divindades, além da Pedra Negra, provavelmente um fragmento de meteorito, considerada sagrada pelos povos árabes. Todos os anos, Meca sediava um festival que atraía milhares de peregrinos, que visitavam a cidade para cultuar as imagens das divindades que se encontravam na Caaba. Djin saindo de uma lâmpada mágica. Ilustração otomana do século XIX.

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Maomé e a Revelação Maomé — nome aportuguesado de Muhammad — nasceu em Meca, no ano de 570. Ficou órfão ainda criança e foi viver com seu avô no deserto, onde praticou o pastoreio influenciado pela convivência com os beduínos. Ainda jovem, começou a se dedicar ao comércio, trabalhando nas caravanas que percorriam a região. Aos 25 anos, casou-se com uma rica viúva chamada Cadija e passou a administrar os negócios caravaneiros de sua mulher, o que melhorou sua situação econômica. Em suas viagens, manteve contato com comunidades judaicas, cristãs e persas zoroastristas. Muitos estudiosos acreditam que o monoteísmo dos judeus e dos cristãos, assim como a luta dualista entre o bem e o mal, característica da religião persa, tenha influenciado profundamente as concepções religiosas de Maomé.

Unidade 8

Autor desconhecido. Séc. XVI. Miniatura. Coleção particular. Foto: Granger/Glow Images

Segundo a tradição islâmica, no ano de 609, enquanto Maomé meditava nas montanhas, o arcanjo Gabriel (Jibril, para os árabes) teria aparecido e revelado a ele uma mensagem: “Há um só Deus, Alá, e Maomé é o seu profeta”. No início, Maomé sentiu-se inseguro, mas sua esposa o encorajou a não temer as visões, que continuaram por toda a sua vida. Assim, Maomé assumiu o papel de profeta, renegou a antiga religião politeísta e passou a pregar a crença a uma única divindade, Alá (Deus). Nascia, assim, o islamismo, cujos seguidores seriam chamados de muslimin (muçulmanos), ou seja, submetidos a Alá.

Imagem que representa o momento da revelação do arcanjo Gabriel a Maomé. Ilustração do século XVI.

O início da pregação A esposa de Maomé foi uma das primeiras pessoas a se converter à nova religião, sendo seguida pelos seus parentes mais próximos. Com uma mensagem simples, o islamismo atraiu tanto pessoas humildes como poderosos chefes tribais. Entretanto, Maomé e seu pequeno grupo de seguidores passaram a ser hostilizados por membros da elite de Meca, que temiam a perda dos recursos provindos da peregrinação religiosa à sua cidade. A expansão do islamismo

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A Hégira

Autor desconhecido. Séc. XIV. Iluminura. Coleção particular. Foto: Granger, NYC/Glow Images

Diante dessas hostilidades, Maomé e seus seguidores refugiaram-se em Iatreb, cidade próxima à Meca, no ano de 622. Esse fato, conhecido como Hégira (migração), representa o início do calendário islâmico. Iatreb passou, então, a se chamar Al-Medina (A Cidade), tornando-se a primeira comunidade a viver sob leis islâmicas. Como não havia separação entre política e religião, Maomé adquiriu grande poder ao exercer as funções de chefe militar e líder religioso. Organizados, os fiéis invadiram e conquistaram Meca, iniciando a expansão do islamismo. Quando Maomé faleceu, em 632, quase todo o território árabe estava sob influência muçulmana.

Autor desconhecido. 1582. Guache sobre papel. Biblioteca Nacional, Paris (França). Foto: Roland and Sabrina Michaud/Album/Akg-Images/Latinstock

Ao conquistar Meca, Maomé ordenou a destruição de todos os ídolos da Caaba, mantendo, porém, a Pedra Negra. Com isso, a Caaba tornou-se o local mais sagrado para os muçulmanos. Iluminura de 1315 que representa Maomé guardando a Pedra Negra na Caaba.

Calendário islâmico Para unificar as marcações de tempo usadas na península Arábica, os árabes criaram um calendário baseado no ciclo lunar, formado por 354 dias, dividido em 12 meses. A contagem dos dias começa quando a Lua crescente aparece pela primeira vez após o pôr do sol. O calendário islâmico também é conhecido como calendário hegírico, pois a contagem dos anos se inicia no dia da Hégira (no calendário gregoriano, essa data corresponde ao dia 16 de julho de 622). No calendário lunar, a cada 30 anos há uma defasagem de 11 dias em relação ao calendário solar. Para corrigir essa defasagem, os muçulmanos acrescentam 1 dia ao último mês de alguns anos. Os anos em que isso ocorre são conhecidos como anos embolismais. Para os muçulmanos, o calendário com base na Hégira, além de ser um sistema efetivo de contagem de tempo, possui grande importância histórica e religiosa.

Calendário islâmico representado em pintura do século XVI.

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A sucessão do profeta Maomé morreu antes de indicar seu sucessor, o que deixou a comunidade muçulmana dividida. Havia os que defendiam a entrega da liderança ao parente mais próximo do profeta, para dar continuidade à sua linhagem. Outro grupo, mais numeroso, acreditava que um fiel escolhido pela comunidade também tinha o direito de assumir a liderança dos muçulmanos. Essa tendência estava ligada às práticas das tribos árabes, que elegiam seus líderes por meio do consenso entre os chefes mais respeitados. A posição desse último grupo, posteriormente conhecido como sunita, acabou prevalecendo, sendo eleito um califa que não pertencia à linhagem do profeta. Após algumas décadas de relativa calma política, os partidários da sucessão hereditária conseguiram que Ali, primo e genro de Maomé, assumisse o poder. No entanto, grande parte dos sunitas passou a contestar a autoridade desse califa, dando início a uma guerra civil que resultou, em 661, no assassinato de Ali e na vitória dos sunitas. Os seguidores de Ali, no entanto, reorganizaram-se e fundaram o “partido de Ali” (shi’at, ou xia), ficando conhecidos como xiitas.

Passado e presente

Califa: título dos sucessores do profeta, que tinham a responsabilidade de guiar a comunidade muçulmana.

A tensão entre sunitas e xiitas

Unidade 8

Desde a vitória em relação à sucessão de Maomé, no século VII, os sunitas assumiram a hegemonia do mundo islâmico. Em vários momentos da história muçulmana, os embates entre sunitas e xiitas (e também no interior desses grupos) deram origem a conflitos violentos. Atualmente, xiitas e sunitas estão em conflito em várias partes do mundo muçulmano, principalmente no Oriente Médio. Nessa região, países como Iraque, Irã, Líbano, Iêmen, Afeganistão e Arábia Saudita estão sujeitos às lutas entre esses grupos.

Sabah Arar/REX/Glow Images

Os confrontos geralmente acontecem entre milícias armadas que se enfrentam nas ruas, mas também ocorrem por meio de ataques com carros-bombas, cujos principais alvos são lugares de grande concentração de pessoas. Esses ataques têm como consequência, na maior parte das vezes, a morte de civis, pessoas comuns não ligadas aos grupos em confronto.

Ataque com carro-bomba atribuído a revoltosos sunitas, ocorrido em um movimentado mercado em um reduto xiita, na cidade de Bagdá, no Iraque, em 2006.

A expansão do islamismo

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A expansão muçulmana Desde o início da difusão do islamismo, diferentes povos passaram a compartilhar os valores e ideais pregados por Maomé. Os princípios éticos e morais dessa religião tornaram-se comuns a um grande número de pessoas e garantiram uma unidade política e cultural que abrangeu diversas etnias.

O jihad Outro fator que contribuiu para a expansão do Império Islâmico foi o jihad, ou seja, o dever de todo muçulmano defender o Islã. Essa defesa podia ser feita de várias formas: por meio da pregação religiosa, da luta armada ou da própria conduta pessoal, que devia seguir as normas prescritas no Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Com o poder centralizado nas mãos dos califas e exércitos bem organizados, os muçulmanos passaram a controlar rotas comerciais e a cobrar tributos dos povos conquistados, contribuindo para a expansão territorial e a configuração do chamado Império Islâmico. Observe o mapa.

Os domínios islâmicos (622-809)

ÁSIA

EUROPA Mar Negro

Península Ibérica

Mar Cáspio

Armênia

Córdoba

45° N

CAXEMIRA Merv

Kairawan Trípoli

MAGREBE

Karbala

Jerusalém

Fustat (Cairo)

Deserto do Saara

Cabul

Damasco

Basra

HIJAZ

EGITO

SIND

Medina

ÁFRICA

Meca

OMÃ Península Arábica

Mar Árabe

N

IÊMEN O

Época de Maomé (622-632) Primeiros Califas (632-661) Dinastia Omíada (661-750)

Linha do tempo 610

630

Maomé inicia Maomé unifica grande a difusão do parte da península islamismo. Arábica sob seu governo.

600

622

Maomé migra de Meca para Al-Medina.

176

700

0

Morte de Maomé.

S

480 km

45° L

Fonte: HILGEMANN, Werner; KINDER, Hermann. The Penguin Atlas of World History. Londres: Penguin, 2003. v. 1.

Expansão do islamismo 645

O califa Uthman aprova e dá início à difusão do texto sagrado, o Alcorão.

800

632

L

711

900

Os muçulmanos conquistam a península Ibérica.

1099

Cristãos conquistam a cidade de Jerusalém.

1000

1258

1100

1187

O chefe militar muçulmano Saladino derrota os cristãos e reconquista a cidade de Jerusalém.

1200

1300

Hulagu, neto do imperador mongol Genghis Khan, invade Bagdá, a maior cidade islâmica da época, e executa o último califa abássida.

E. Cavalcante

Mar Mediterrâneo


Autor desconhecido. Séc. XIV. Iluminura. Biblioteca Nacional, Paris (França)

Maomé e os primeiros califas (622 a 661) Nesse período, o Império Islâmico tornou-se poderoso sob o governo dos primeiros califas, também chamados de rashidun (ou “bem-guiados”), por seguirem a linha de governo de Maomé. Nessa fase, o exército muçulmano era uma grande força militar e conquistou toda a península Arábica, parte da Pérsia e da Mesopotâmia, além do Egito e da Líbia. À medida que o Islã avançava, intensificavam-se as relações comerciais e o intercâmbio cultural entre os povos conquistados.

Dinastia omíada (661 a 750) Nesse período, ocorreram guerras civis que dificultaram a união dos povos do Islã. As disputas internas pela sucessão do califado acentuaram a cisão entre sunitas e xiitas, causando tensões sociais e políticas. Apesar disso, os muçulmanos prosseguiram com sua política de expansão, chegando à Europa em 711 e dominando a península Ibérica. Com a dinastia omíada no poder, os árabes muçulmanos obtiveram privilégios e passaram a ocupar a maioria dos altos cargos do governo, exercendo grande poder político. Tal situação gerava insatisfação entre os não árabes islamizados de todo o império.

Autor desconhecido. Séc. XIII. Guache sobre papel. Biblioteca Nacional, Paris (França)

Afresco do século VIII que representa um guerreiro omíada.

Dinastia abássida (750 a 1258) Não árabes islamizados, como persas e iranianos, insatisfeitos com o tratamento que recebiam dos árabes muçulmanos, rebelaram-se sob liderança de um parente distante de Maomé, Abu Al-Abbas, e derrotaram os omíadas, dando início ao governo da dinastia abássida. A partir desse momento, árabes e não árabes muçulmanos adquiriram os mesmos direitos, tendo início um período de paz conhecido como “época de ouro”, que perdurou até o ano de 900 aproximadamente. Após esse período, iniciou-se um processo de fragmentação política, causado, principalmente, pela grande abrangência do império e pela dificuldade de administrar regiões tão distantes. Durante a “época de ouro”, jovens e adultos reuniam-se nas bibliotecas para ler e discutir poesia e literatura, como podemos ver nessa pintura que representa a Biblioteca de Basra, na Pérsia, no século XIII.

Quem é árabe? Quem é muçulmano? Os árabes são um povo semita proveniente da península Arábica que passou a habitar regiões próximas, principalmente no norte da África e no Oriente Médio. Foi na Arábia que surgiu o islamismo, e grande parte dos árabes tornou-se muçulmana. Por outro lado, com a expansão islâmica, muitas pessoas de outras etnias foram convertidas ao islamismo. Entre elas, estão, por exemplo, persas e indonésios. Desse modo, nem todos os árabes são muçulmanos e nem todos os muçulmanos são árabes. A expansão do islamismo

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Unidade 8

Séc. VIII. Afresco. Palácio Qasr al-Hayr al-Gharbi, Museu Nacional de Damasco (Síria). Foto: Peter Horree/Alamy Stock Photo/Latinstock

Iluminura do século XIV representando a cavalaria muçulmana cercando uma fortaleza persa.


Autor desconhecido. Séc. XIV. Miniatura. Biblioteca Nacional, Madrid (Espanha). Foto: Album/sfgp/Latinstock

Os muçulmanos na península Ibérica Em 711, o general muçulmano Tarik ibn Ziyad atravessou a estreita passagem de mar que separa o norte da África e o sul da península Ibérica. Ele cruzou o estreito à frente de um exército de mouros islamizados, atacou o reino dos visigodos e estabeleceu-se na região. A partir desse momento, a península Ibérica foi habitada, por cerca de oito séculos, por muçulmanos, cristãos e judeus. No período em que permaneceram nessa região, os muçulmanos deram importantes contribuições culturais para os povos que nela viviam. A sociedade de Al-Andalus, como os muçulmanos chamavam a península Ibérica, englobava diferentes culturas: governantes árabes, guerreiros berberes convertidos ao islamismo, judeus, cristãos e escravos de diversas etnias.

Mouro: povo berbere originário do norte da África que foi convertido ao islamismo e à cultura árabe.

Tarik ibn Ziyad representado em detalhe de manuscrito do século XI.

O estreito de Gibraltar O estreito que separa a África da Europa recebeu o nome de Gibraltar em homenagem ao general Tarik. Em árabe, Jibral significa “monte”, portanto, Jibral Tarik quer dizer “monte de Tarik”. O tema sobre a influência árabe favorece o trabalho interdisciplinar com Língua Portuguesa. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

O legado cultural islâmico A cultura da península Ibérica também foi bastante influenciada pelos mouros. Durante o governo dos muçulmanos, por exemplo, havia certa tolerância religiosa. Com isso, cristãos e judeus não eram obrigados a se converterem ao islamismo, desde que pagassem ao líder muçulmano um imposto especial, chamado jizya. Esse imposto era pago como forma de reconhecimento à superioridade do Islã. Alguns pensadores islâmicos que viviam em Al-Andalus tiveram grande reconhecimento no Ocidente pela importância de suas contribuições, em áreas como Medicina, Literatura, Ciências e Filosofia. Leia o texto.

[...] Os árabes eram, na época, a vanguarda científica do planeta. A arquitetura e a engenharia naval são apenas dois exemplos da fértil contribuição dos invasores aos futuros impérios mundiais estabelecidos pelos navegadores espanhóis e portugueses. Além disso, estilos musicais como o flamenco e o fado nasceram influenciados por ritmos e instrumentos mouros — o violão, por exemplo, deriva de antigos instrumentos árabes. [...] NAVARRO, Roberto. Como foi a ocupação moura da península Ibérica? Mundo Estranho. São Paulo: Abril, ano 1, n. 8, out. 2002. p. 42.

A influência árabe na língua portuguesa Os mouros também exerceram grande influência nas línguas faladas na península Ibérica. Muitas palavras do vocabulário espanhol e português são de origem árabe — a principal língua da cultura islâmica. Veja ao lado alguns exemplos de palavras da língua portuguesa que são de origem árabe. Note que boa parte dessas palavras começam com al, sinalizando a introdução desse artigo árabe à palavra. Fonte: BARTABURU, Xavier. A Espanha que um dia falou árabe. Os caminhos da Terra. São Paulo: Peixes, ano 11, n. 120, abr. 2002. p. 50.

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açougue

as-soq — “mercado”

açúcar

as-sukkar — “grãos de areia”

álcool

al-kuhul — “pó de antimônio”

aldeia

ad-day’a — “granja”

alface

al-khass

alfaiate

al-khayyat — “o que costura”

algodão

al-qutun

arroz

ar-ruzz

azeite

az-zayt — “óleo”

sofá

çuffa — “coxim”


... no Império Bizantino

Autor desconhecido. Séc. X. Iluminura. Saltério de Paris, Biblioteca Nacional da França, Paris

Enquanto isso

O Império Bizantino, nome dado ao Império Romano do Oriente, teve sua origem na divisão do Império Romano feita no século IV. Na época do domínio muçulmano sobre a península Ibérica, o Império Bizantino era um dos mais poderosos, e tinha importantes cidades, como Constantinopla, Antioquia, Alexandria e Niceia. Constantinopla, a capital do império, era uma das maiores e mais populosas cidades de sua época. Ela se localizava na divisa entre a Europa e a Ásia, em uma região por onde passava grande parte das rotas de comércio terrestres e marítimas. Por isso, essa cidade exercia um importante papel nas trocas comerciais entre a Europa e o Oriente.

Os bizantinos consideravam-se os herdeiros de Roma, e por isso deram o nome de România à sua terra. Além da influência romana, a cultura bizantina também foi influenciada por gregos, cristãos, persas e chineses. Os bizantinos herdaram dos romanos a forma de organização das cidades, a forma de governo e as leis. Dos gregos, herdaram o idioma, que foi adotado oficialmente no século VI. As culturas asiáticas influenciaram os bizantinos, por exemplo, no gosto pela seda e pela decoração. Dos cristãos, eles incorporaram a religião.

Iluminura bizantina do século X. Nessa iluminura, podemos observar as influências cristãs e gregas na arte bizantina: Davi, um personagem bíblico, e os demais personagens foram representados vestindo trajes gregos.

Unidade 8

A cultura bizantina

O Cisma da Igreja No início do século XI, as diferenças crescentes entre o cristianismo do Ocidente, influenciado pela cultura romana, e o do Oriente, herdeiro da cultura grega e com influências de povos asiáticos, geraram uma divisão na cristandade. Essa divisão ficou conhecida como o Grande Cisma do Oriente. A partir desse momento, a igreja ocidental passou a ser chamada de Igreja Católica Apostólica Romana, liderada pelo papa. A igreja bizantina, por sua vez, foi chamada de Igreja Ortodoxa, liderada pelos patriarcas de Bizâncio. Ray Tang/REX/ Glow Images

Atualmente, a Rússia, a Hungria, a Bulgária, a Ucrânia e a Geórgia, herdeiras da cultura bizantina, são exemplos de países em que o cristianismo ortodoxo é a religião oficial. Essa fotografia retrata cristãos ortodoxos em procissão no dia de Natal, na cidade de Tbilisi, na Geórgia, no ano de 2008.

A expansão do islamismo

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A cultura islâmica Para os muçulmanos, a busca pelo conhecimento é fundamental, pois eles acreditam que, conhecendo a realidade, aprofundam a percepção da divindade. Em razão disso, com o intuito de preservar os conhecimentos dos povos antigos, eles traduziram para o árabe diversas obras contendo conhecimentos gregos, egípcios, persas, babilônicos, chineses e indianos. Influenciados pelo estudo da filosofia e da ciência de outras culturas, os sábios muçulmanos desenvolveram obras que reuniam conhecimentos em diversas áreas, como Matemática, Astronomia, Medicina, Zoologia, Filosofia, entre outras. Essas obras prenunciaram a ideia de uma ciência universal. Autor desconhecido. Séc. XVI. Velino. Biblioteca da Universidade de Istambul (Turquia). Foto: Bridgeman Images/Easypix

Antes, e numa etapa inicial do Islã, havia uma ciência grega, uma ciência persa, uma ciência indiana, uma ciência chinesa etc. [...] Noutras palavras, antes do Islã, não existia, como atualmente, uma ciência universal que perseguisse seu desígnio, acima das contingências de todas as naturezas e além de todas as fronteiras. Fora alguns fenômenos de expansão localizados, nenhuma civilização preocupou-se, até então, em provocar um movimento de internacionalização da ciência, menos ainda de inscrevê-la num movimento de pesquisa unificado. [...] Foi necessário esperar a ação dos sábios arábico-muçulmanos para demonstrar ao mundo que a ciência pertence a todos os povos e que é acessível a todos os indivíduos. [...] IFRAH, Georges. História universal dos algarismos. Tradução Alberto Muñoz et al. Rio da Janeiro: Nova Fronteira, 1997. v. 2. p. 337.

Em diversas regiões do império, os muçulmanos fundaram bibliotecas, universidades e observatórios astronômicos. O principal centro de estudo e pesquisa do mundo islâmico foi a Casa da Sabedoria de Bagdá, na região da Mesopotâmia, que funcionou do século IX ao XIII, sob domínio do califado abássida.

Ilustração do século XVI que representa estudiosos reunidos na Casa da Sabedoria de Bagdá.

Em Bagdá, Córdoba e outras cidades islâmicas, estudiosos de diversas origens se reuniam para aprofundar seus conhecimentos. Com o passar do tempo, os muçulmanos difundiram seus conhecimentos nas regiões que dominavam, contribuindo para o desenvolvimento de muitas ciências modernas, como Biologia, Medicina, Física, Astronomia, Geografia, Sociologia e Psicologia.

Os cálculos matemáticos com algarismos

Paula Diazzi

Os algarismos indo-arábicos, que são utilizados atualmente pela maioria dos povos para representar os números, derivam de algarismos criados pelos antigos indianos.

Índico Arábico Espanhol Italiano

Tabela comparativa entre os antigos algarismos índicos, arábicos, espanhóis e italianos.

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Quando os muçulmanos tiveram contato com a cultura indiana, na época da expansão islâmica, eles conheceram esses algarismos e aprimoraram a sua utilização em cálculos matemáticos. O próprio termo “algarismo” é derivado do nome de Al-Khowarizmi, sábio muçulmano de origem persa que, trabalhando na Casa de Sabedoria de Bagdá, descreveu os principais métodos de cálculo matemático. A partir do século X, os muçulmanos difundiram o uso desses algarismos pela Europa, África e Ásia. Com isso, os estudiosos dessas regiões passaram a utilizar também os algarismos indo-arábicos, que tornaram a execução dos cálculos matemáticos muito mais simples.


As artes no mundo islâmico A escrita árabe é bastante estudada pelos muçulmanos, pois o Alcorão foi escrito nesse idioma. Em razão desses estudos, a literatura escrita em árabe foi bastante aprimorada no mundo islâmico. A obra literária em árabe mais difundida chama-se As mil e uma noites, uma coletânea de histórias tradicionais persas, árabes e indianas, que foram compiladas a partir do século XI. Dentre essas histórias, as mais famosas são “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa”, “Ali Babá e os Quarenta Ladrões” e “As Sete Viagens de Simbad, o Marujo”. Outra manifestação artística importante para os muçulmanos é a arquitetura. Ela se caracteriza pela magnitude dos edifícios (mesquitas, palácios e fortalezas), com pátios e jardins, e pela presença de muitos objetos decorativos, como vitrais, azulejos e tapetes. Em cada região por onde o Islã se expandia, os muçulmanos construíam edifícios utilizando os materiais disponíveis, adaptando-se, muitas vezes, ao estilo arquitetônico do lugar. Por isso, a arquitetura islâmica se caracteriza pela diversidade regional.

... na Índia

No século XIII, o território da península Indiana estava fragmentado em diversos reinos hinduístas e budistas. Em algumas regiões da península, muçulmanos de origem árabe e persa comercializavam com indianos, trocando, além de produtos, conhecimentos técnicos, científicos e filosóficos. Porém, nessa época os reinos indianos passavam por um período de instabilidade, pois sofriam frequentes invasões de turcos, afegãos e mongóis, povos islamizados da Ásia Central. Esses povos fundaram reinos islâmicos em várias regiões da Índia, aumentando a influência do islamismo na região.

Dusty Mancinelli/Shutterstock.com

Os governantes islâmicos permaneceram na Índia até o século XIX e sua presença foi marcada pela construção de grandes obras arquitetônicas e pelo desenvolvimento cultural de hindus e muçulmanos. Atualmente, a Índia é um dos países com a maior população muçulmana do mundo.

Fotografia recente que retrata o Taj Mahal, um mausoléu construído entre 1630 e 1653 em Agra, na Índia, pelo xá (rei) Jahan. Nessa época, ele governava o Império Mogol, um Estado muçulmano que dominava quase a totalidade da península Indiana. O mausoléu abriga as tumbas do xá Jahan e de Mumtaz Mahal, que era a sua esposa preferida.

A expansão do islamismo

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Unidade 8

Enquanto isso


Os Cinco Pilares do Islã As antigas tradições religiosas, que foram transmitidas pelos primeiros árabes convertidos ao Islã, são de grande importância para os muçulmanos. Entre elas, uma das mais importantes é a obediência aos Cinco Pilares do Islã. Veja.

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O 2o pilar do Islã, chamado de Salat, consiste em uma série de orações formais que os muçulmanos devem realizar em cinco momentos do dia (de manhã, ao meio-dia, à tarde, ao pôr do sol e à noite). Deve-se rezar com a cabeça voltada para Meca e, se possível, em grupo. As orações devem ser realizadas com o corpo limpo e acompanhadas por uma sequência de cinco movimentos: ficar em pé, curvar-se, prostrar-se, sentar-se e, por fim, desejar a paz a todos que estejam à sua volta.

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O 1o pilar do Islã, chamado de Shahada, é o “testemunho”, a declaração da fé em Alá. É a prece fundamental do islamismo e faz parte da “Revelação” recebida pelo profeta Maomé. A prece significa: “Há um só Deus, Alá, e Maomé é o seu profeta”. Qualquer pessoa pode se converter ao Islã. Para isso, o primeiro passo é declamar essa prece, em voz alta, diante de um grupo de muçulmanos.

Muçulmano orando. Fotografia tirada em Nova Iorque, Estados Unidos, em 2015.

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O 3 o pilar do Islã, chamado de Zakat, é a contribuição anual feita pelos fiéis em dinheiro ou em bens. Essa contribuição é utilizada, principalmente, para ajudar as pessoas pobres da comunidade. Por meio dessa prática de caridade, além de fortalecer os vínculos com a comunidade, o muçulmano busca “purificar” os bens que ele possui.

O 4 o pilar do Islã, chamado de Sawm, deve ser praticado no mês de Ramadã, em que se celebra a “Revelação” de Alá ao profeta Maomé. Durante esse mês, todos os muçulmanos adultos e saudáveis devem se abster de comer, beber e manter relações sexuais entre o nascer e o pôr do sol. À noite, come-se uma refeição em família, durante a qual se celebram os laços de solidariedade e os pensamentos virtuosos.

O 5o pilar do Islã, chamado de Hajj, é a peregrinação à Meca que todo muçulmano, com condições físicas e financeiras, deve realizar pelo menos uma vez na vida. A peregrinação deve ser feita no último mês do calendário muçulmano. Atualmente, cerca de dois milhões de muçulmanos de diferentes regiões do mundo se deslocam todos os anos a Meca para realizar os rituais do Hajj. Um dos mais marcantes rituais é a circulação dos fiéis em volta da Caaba.

A importância das narrativas religiosas Os princípios fundamentais da religião islâmica se encontram compilados no Alcorão. Para melhor compreensão e prática desses princípios, os muçulmanos também estudam os Hadith, que são narrativas dos mais antigos sábios muçulmanos sobre palavras e atitudes exemplares do profeta Maomé. Com base nos Hadith, estudiosos muçulmanos estabeleceram a Sunna, um conjunto de normas tradicionais de conduta.

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A filosofia islâmica Os estudiosos do mundo islâmico aprimoraram diversos conceitos filosóficos. Com o passar do tempo, porém, algumas divergências surgiram sobre os métodos de intepretação e estudo das obras escritas. Essas divergências levaram à divisão dos estudiosos muçulmanos em dois grupos: os teólogos e os filósofos. Os teólogos defendiam a interpretação dos textos disponíveis com base na tradição religiosa, ortodoxa e dogmática. Essa interpretação era defendida por governantes e juristas. Os filósofos, por sua vez, defendiam que os seres humanos podem agir motivados pela razão, e não necessariamente pelas imposições divinas. Por isso, eles propunham uma abordagem racionalista dos textos, o que, por vezes, contradizia as interpretações dogmáticas dos teólogos. Influenciados por sírios cristãos em Bagdá e por judeus em Córdoba, os filósofos islâmicos formularam concepções que, séculos depois, foram adotadas por pensadores europeus, como a ideia de que o Universo é infinito. Conheça alguns dos principais filósofos islâmicos.

• •Al-Kindi:

Autor desconhecido. Séc. XX. Ilustração. Coleção particular. Foto: Everett Collection/ Superstock/Glow Images

introduziu a filosofia grega no mundo islâmico, principalmente os conceitos de Aristóteles e Platão.

• •Al-Farabi: aproximou os estudos polí-

ticos dos religiosos e formulou a ideia de que a divindade une a essência e a existência das coisas.

• •Avicena:

sintetizou os conhecimentos científicos e filosóficos de sua época na obra A cura, na qual estabeleceu relações entre a alma, os sentimentos e as doenças humanas.

• •Averróis:

afirmou que é possível conhecer a divindade tanto pela religião quanto pela filosofia. Escreveu comentários sobre a filosofia grega, tornando-a mais acessível a todos.

Ibn Khaldun

Ibn Khaldun (1332-1406) foi um sábio muçulmano de Túnis (norte da África) que atuou como juiz em Fez, Granada e Cairo. Contrário às interpretações embasadas na tradição religiosa, Ibn Khaldun criou a ideia de ciclos históricos, estabelecendo métodos lógicos para entender os acontecimentos como consequências das ações humanas, e não da vontade de Deus. Com isso, diminuiu a influência das narrativas religiosas e lendárias nas análises dos historiadores, tornando as narrativas históricas mais racionais e verossímeis.

Autor desconhecido. Séc. XX. Ilustração. Coleção particular. Foto: Art Directors & TRIP/Alamy Stock Photo/Latinstock

O sujeito na história

Ilustração que representa Ibn Khaldun.

A expansão do islamismo

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Unidade 8

Ilustração do século XX que representa Avicena em sua sala de estudos.


Explorando o tema Atualmente, o islamismo é uma das maiores religiões do mundo, com uma população de fiéis superior a 1,5 bilhão de pessoas, e está entre as que mais crescem. Isso se deve tanto pelo aumento populacional, quanto pela conversão de pessoas que passaram a se identificar com a crença islâmica.

O islamismo hoje Distribuição do islamismo no mundo – 2012

Sharia, a lei islâmica

CANADÁ

A sharia é o código de leis do islamismo que se baseia no Alcorão. Esse código é adotado por alguns países muçulmanos de maneira mais flexível, e, em outros, com maior rigor, refletindo o papel que o islamismo pode ocupar tanto na vida pessoal, quanto nas esferas pública e política.

ESTADOS UNIDOS OCEANO

Em países onde o islamismo é a religião oficial do Estado, a sharia é adotada de maneira integral e usada como fonte das leis. É o caso dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Iêmen, Bahrein, Kuait, entre outros.

MidoSemsem/Shutterstock.com

Há ainda os países muçulmanos onde o governo é constitucionalmente laico, mas permite manifestações religiosas diversas e, também, a presença de membros islâmicos em seus parlamentos, caso sejam eleitos democraticamente. É o caso da Turquia, Azerbaijão, Somália e Brasil.

A sharia tem como base o Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos.

E. Cavalcante

Já nos países onde o governo é laico, aos muçulmanos é dada a opção de serem julgados e de solucionar pequenas causas, como questões familiares e financeiras, por meio de tribunais islâmicos regidos pela sharia, como acontece na Inglaterra, Líbano, Nigéria e Malásia, por exemplo.

ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

SURINAME

BRASIL

de 91% a 100% de 51% a 90% de 21% a 50% de 6% a 20% menos de 5% Islamismo como religião oficial Repúblicas islâmicas 0

1 110 km

Islamismo no Brasil Leonardo Benassatto/Futura Press

O censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, registrou a presença de 35 167 muçulmanos em todo o Brasil, e as maiores comunidades estão localizadas nas cidades de Foz do Iguaçu, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. O islamismo chegou ao país com africanos muçulmanos, que foram trazidos para o Brasil como escravos, durante o período colonial. Muitos desses escravos, sobretudo, os urbanos, mantinham contato com diferentes grupos sociais. Além disso, grande parte deles não aceitava a imposição religiosa de seus senhores e mantinham-se unidos em torno de sua crença. Outro fator, dessa vez mais recente, que contribuiu para a expansão do islamismo no país, é a quantidade de imigrantes árabes que passaram a desembarcar nos portos brasileiros desde o final do século XIX, para viver, trabalhar e exercer sua religiosidade.

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Muçulmanos rezando em mesquita na cidade de São Paulo, em 2015.


CAZAQUISTÃO

FRANÇA

TURQUIA

TUNÍSIA

SÍRIA IRAQUE IRÃ 1979

MARROCOS LÍBIA

ARGÉLIA

MALI

COSTA DO MARFIM

EGITO

NÍGER CHADE

ETIÓPIA

CAMARÕES

CHINA

PAQUISTÃO 1956 BANGLADESH ÍNDIA

OCEANO PACÍFICO

SOMÁLIA

MALÁSIA

UGANDA QUÊNIA

CONGO

Equador 0° INDONÉSIA

TANZÂNIA

Meridiano de Greenwich

ANGOLA

AHMAD FAIZAL YAHYA/ Shutterstock.com

S

Alguns países se declaram repúblicas islâmicas, mesclando o corpo institucional republicano aos preceitos do islamismo. Tornaram-se repúblicas islâmicas Paquistão (1956), Irã (1979), Mauritânia (2008) e Afeganistão (desde 2001).

IÊMEN

SUDÃO

NIGÉRIA

AFEGANISTÃO 2001

KUAIT ARÁBIA SAUDITA EAU BAHREIN OMÃ

MOÇAMBIQUE

L

As repúblicas islâmicas

AZERBAIJÃO ALBÂNIA

MAURITÂNIA 2008

RÚSSIA

N O

Unidade 8

INGLATERRA

O dialeto quraich (o idioma do Alcorão), tornou-se a língua árabe, falada em 24 países. No Iraque, por exemplo, é a língua oficial e predominante.

As mesquitas são os locais onde os muçulmanos se reúnem para orar, voltados para Meca. Além disso, as mesquitas possuem um importante papel comunitário. A China concentra um grande número de mesquitas.

OCEANO ÍNDICO

BOTSUANA

A cidade de Meca, na Arábia Saudita, é o centro religioso mais importante para os muçulmanos. Todos os anos, milhares de fiéis vão à cidade para o Hajj, peregrinação anual realizada no último mês do calendário 0° islâmico. Além disso, fiéis muçulmanos espalhados por todo o mundo fazem suas orações diárias voltados em direção à Meca, como podemos ver nesta fotografia, tirada em 2010.

Os 196,5 milhões de muçulmanos que vivem na Indonésia (88,2% da população) fazem que o país tenha a maior população islâmica do mundo.

AUSTRÁLIA

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

A expansão do islamismo

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 1. Defina os termos “árabe” e “muçulmano”.

5. Explique cada um dos Cinco Pilares do Islã.

2. Produza um texto sobre o Império Bizanti-

6. Quais eram as divergências entre as inter-

no, abordando a sua origem, sua cultura e a formação da Igreja Ortodoxa.

3. Explique a importância da ciência islâmica para o desenvolvimento da chamada ciência universal.

pretações teológica e filosófica dos textos estudados pelos muçulmanos?

7. Quais foram as inovações propostas por Ibn Khaldun para o estudo da História?

4. Explique a origem e a difusão dos algarismos indo-arábicos.

Expandindo o conteúdo 8. Leia o texto a seguir. Foram os árabes que introduziram na Europa coisas tão básicas como os algarismos decimais — em substituição aos romanos, difíceis de usar para cálculos —, jogos, como o xadrez, e a própria arte caligráfica, pois encaravam a palavra escrita como o meio por excelência da revelação divina. Na culinária, difundiram o uso do café, de doces próprios e produtos de pastelaria, do azeite, em substituição à proibida gordura de porco, e de muitos outros temperos, como o açafrão, a noz-moscada, o cravo, a canela e pimentas. Recebemos tudo isso indiretamente, via colonização, em uma ampla variedade de aspectos. Até mesmo o bom costume da limpeza pessoal, que muitos atribuem somente aos indígenas, deve um tributo aos árabes. [...]. Na música, o alaúde teve vasta descendência nas Américas, procriando verdadeiras famílias de instrumentos caribenhos, o bandolim e o cavaquinho brasileiros, a charanga do altiplano andino e o banjo dos negros norte-americanos. A gaita árabe é possível antecessora da gaita ibérica, e o adufe, precursor do pandeiro. A aridez dos solos desérticos capacitou-os como mestres nas técnicas agrícolas e de ir-

rigação, importando para a Europa o moinho-d’água, avô do engenho colonial, e lá se­ meando o algodão, a laranjeira, a criação do bicho-da-seda, o cultivo de arroz e da tão “brasileira” cana-de-açúcar. As próprias técnicas construtivas, como a telha de barro do tipo capa e canal, ou ainda a taipa de pilão, tão dominante nos primeiros séculos do Brasil, são de influência nitidamente árabe. O segundo movimento marcante foi a chegada direta de imigrantes, sobretudo sírios e libaneses, a partir do século XIX. [...] Sua principal ocupação nos países de origem havia sido a agricultura, mas por aqui abraçaram como profissão o comércio. Perseguiam a autonomia de gerir seu próprio negócio, ainda que este fosse minúsculo a ponto de caber em uma caixa de vendedor ambulante. A maior concentração ocorreu em São Paulo, mas [eles] se espalharam por todo o país. [...] Os árabes mascateavam também pelas zonas rurais, mas fixaram-se sobretudo nas cidades [...]. A vida girava em torno da família e do trabalho. Loja na frente, casa nos fundos ou no andar de cima do sobrado, família “mourejando”, trabalhando “como mouros”. TRUZZI, Oswaldo. Verde, amarelo, azul e mouro. Revista de História da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Sabin, ano 4, n. 46, jul. 2009. p. 19-21.

a ) Cite duas influências dos árabes na cultura europeia. b ) Explique por que o Brasil recebeu a influência da cultura árabe, citando exemplos. c ) “Até mesmo o bom costume da limpeza pessoal, que muitos atribuem somente aos indígenas, deve um tributo aos árabes.” Explique essa frase.

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Momento da redação 9. Os textos a seguir mostram opiniões diferentes sobre a condição da mulher islâmica na atua­

lidade. O texto A é uma reportagem publicada pela revista Veja Online; já o texto B são trechos de uma entrevista concedida por Magda Aref Abdul Latif, uma brasileira muçulmana que estuda a cultura do Islã e é membro do Centro de Estudos e Divulgação do Islã, sediado em Suzano, São Paulo. Leia-os.

A

[...] Meninas proibidas de ir à escola e condenadas ao analfabetismo. Mulheres impedidas de trabalhar e de andar pelas ruas sozinhas. Milhares de viúvas que, sem poder ganhar seu sustento, dependem de esmolas ou simplesmente passam fome. Mulheres com os dedos decepados por pintar as unhas. Casadas, solteiras, velhas ou moças que sejam suspeitas de transgressões — e tudo o que compõe a vida normal é visto como transgressão — são espancadas ou executadas. E por toda parte aquelas imagens que já se tornaram um símbolo: grupos de figuras idênticas, sem forma e sem rosto, cobertas da cabeça aos pés nas suas túnicas — as burqas. [...] O cenário de Idade Média não era uma

prerrogativa afegã. Trata-se de uma avenida permanentemente aberta aos regimes islâmicos que desejem interpretar os ensinamentos do Corão a ferro e fogo. A isso se dá o nome de fundamentalismo. Há países de islamismo mais flexível, como o Egito, e outros de um rigor extremo, como a Arábia Saudita. Para o pensamento ortodoxo muçulmano, a mulher vale menos do que o homem, explica Leila Ahmed, especialista em estudos da mulher e do Oriente Próximo da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. “Um ‘infiel’ pode se converter e se livrar da inferioridade que o separa dos ‘fiéis’. Já a inferioridade da mulher é imutável”, escreveu Leila num ensaio sobre o tema, em 1992.

B

[...] Não existe a mulher muçulmana. Existem as mulheres muçulmanas. Isso depende de vários fatores, como condição social e país de origem. A mulher muçulmana reza cinco vezes por dia, mas não são todas que cumprem, como em qualquer mandamento religioso. No Brasil, nós usamos o véu [...]. Praticamos as orações, fazemos jejum no mês de Ramadã. As meninas trabalham, estudam, outras são donas de casa, tem de tudo.

tos da mulher em coisas que a Europa só conseguiu há pouco tempo. A mulher no Ocidente não votava. A muçulmana tem esse direito desde o surgimento do Islã. A mulher tem o direito ao divórcio e à herança, o que é bem mais recente na Europa.

[...] Por que a mulher muçulmana é vista pelo Ocidente como uma mulher que tem menos direitos, inferiorizada, submissa? Até pela própria veste se associa isso. Para o Ocidente, o fato de a mulher usar o véu é sempre associado à submissão e ignorância. Já para a mulher muçulmana, o véu é entendido como algo que a dignifica, dá valor, que impõe respeito. É uma ideia diametralmente oposta à que o Ocidente faz do véu e da própria mulher.

[Em relação aos trajes,] está no Alcorão que toda mulher muçulmana deveria se cobrir com seus véus porque é mais conveniente para que não seja molestada. Isso tem uma finalidade. O significado do véu é esconder das vistas do homem tudo aquilo que desperta o desejo. Toda a sensualidade, toda a beleza, a mulher esconde isso dos homens e restringe isso ao seu marido e ao ambiente familiar. Na presença dos pais, avós, tios, sogros, a mulher pode se produzir da maneira que quiser, pode se maquiar, fazer o cabelo e se vestir da maneira que quiser. O objetivo é não despertar o desejo de outros homens.

Quanto aos direitos e deveres, o Alcorão é bem claro quando diz que a mulher tem direitos sobre o marido e o marido sobre a mulher. O Islã foi uma religião que inovou nos direi-

Unidade 8

O papel da mulher no islamismo. Veja Online. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/ idade/exclusivo/islamismo/contexto_debate.html>. Acesso em: 2 set. 2015.

[...] Para o muçulmano, é obrigação do homem sustentar a mulher e os filhos. Isso é um dever dele. Se a mulher quiser trabalhar fora, esse dinheiro é dela.

FEVORINI, Fabiana. O véu dignifica a mulher. IstoÉ Gente Online. Disponível em: <www.terra.com.br/istoegente/exclusivo/outubro2001/muculmanos.htm>. Acesso em: 2 set. 2015.

• •Com base nas informações dos textos acima, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre a condição da mulher islâmica na atualidade. Considere os pontos de vista defendidos nos textos A e B e também a sua opinião a respeito do assunto. Defenda a sua ideia com base em argumentos que respeitem os direitos humanos. A expansão do islamismo

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Explorando a imagem 10. Nos últimos anos, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da Turquia vêm debatendo sobre a aprovação de leis que proíbam as muçulmanas de usar o véu nas universidades e escolas do país. No início de 2008, essa discussão veio à tona. Na ocasião, o presidente Abdullah Gula havia aprovado uma emenda constitucional que permitia às mulheres turcas muçulmanas o uso do véu, também chamado de xador, nas universidades. A medida causou manifestações em várias cidades do país, especialmente em Ancara, capital da Turquia. As próprias mulheres turcas têm diferentes opiniões sobre o assunto. Veja as fotografias a seguir.

SEZAYI ERKEN/AFP/Getty Images

A Essa fotografia, tirada em fevereiro de 2008, em Istambul, na Turquia, retrata uma manifestação de mulheres muçulmanas. Na ocasião, elas manifestavam-se a favor da permissão do uso do xador nas universidades do país. Uma das frases escrita nos cartazes que elas carregam é: “Não toquem em meu véu”. O argumento dessas mulheres é que, se não tiverem o direito de usar o véu, não poderão frequentar a universidade.

ADEM ALTAN/AFP/Getty Images

B

Nessa fotografia, tirada também em fevereiro de 2008, vemos mulheres turcas protestando contra a permissão do uso do véu nas universidades da Turquia. Em seus cartazes está escrito: “Não queremos ser deixadas na escuridão”. O argumento delas é que a permissão pode ser um primeiro passo para o endurecimento das leis islâmicas no país.

a ) Descreva as fotografias indicando as semelhanças e as diferenças existentes entre elas. b ) Em sua opinião, o uso do véu é um assunto que deve ser regulamentado pelo Estado turco ou decidido pelas mulheres que vivem no país? Justifique sua resposta.

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Oficina de história

Experiência e vivência

Muçulmanos no Brasil A influência cultural moura foi trazida para o Brasil pelos portugueses, que depois de séculos sob dominação muçulmana adquiriram muitos hábitos desse grupo cultural. Contudo, outros povos que vieram para o Brasil também trouxeram em seus costumes a influência muçulmana, como os haussás e os iorubás, africanos trazidos para trabalhar como escravos nas lavouras açucareiras coloniais a partir do século XVI, além de árabes, sírios e libaneses, que imigraram para o país no final do século XIX. Atualmente, estima-se que existam aproximadamente meio milhão de muçulmanos no Brasil, principalmente em São Paulo, Brasília e Foz do Iguaçu. Para conhecer um pouco mais sobre os muçulmanos brasileiros de hoje, faça com os colegas uma pesquisa, seguindo o roteiro abaixo. a ) Selecionem as fontes de informação que o grupo vai utilizar, por exemplo, livros, revistas, jornais, sites da internet. b ) Procurem descobrir: quantas mesquitas existem no Brasil; qual a quantidade de muçulmanos em cada região brasileira; quais são os seus costumes; como são suas celebrações religiosas; quais as influências desse povo na cultura brasileira de forma geral; quais os maiores problemas enfrentados por eles atualmente etc.

Unidade 8

c ) Elaborem um relatório sobre a pesquisa, contendo: fontes de pesquisa, textos citados, textos elaborados pelo grupo, imagens, tabelas etc. Por fim, apresentem os resultados obtidos para o restante da turma.

Vestibulares 1. (ESPM-SP) Sobre a Arábia, antes de Maomé criar o islamismo, é correto afirmar que: a ) a Caaba já existia e era um templo dualista. b ) a Caaba, antes de Maomé, era um templo monoteísta e os árabes não aceitavam a idolatria. c ) a Caaba guardava uma multiplicidade de ídolos e a Pedra Negra venerada pelos árabes. d ) a Caaba, principal templo do islamismo, só foi edificada após a morte de Maomé por ordem dos califas. e ) a construção da Caaba foi a razão da separação entre sunitas, que a veneram, e xiitas, que não a consideram relevante.

2. (UFMT) O mundo islâmico tem sido alvo de crescente atenção da mídia. Agências de notícias, personagens de filmes e livros têm colocado a doutrina islâmica e seus seguidores em evidência. Sobre essa doutrina, assinale a afirmativa INCORRETA. a ) O Islã, termo árabe que significa submissão a Deus, foi organizado pelos povos do Oriente Médio, África do Norte e Ásia Central, como forma de fazer frente às incursões de nações inimigas em seu território.

b ) O Islamismo surgiu no século VII na península Arábica a partir das revelações recebidas por Maomé, basicamente a unicidade de Alá e a inevitabilidade de seu julgamento. c ) Islã designa a religião dos muçulmanos e tem em Abraão “o Pai do Islã” e em Maomé o Profeta; apesar de não reconhecerem a existência de um clero intermediário entre Alá e os homens, reconhecem a autoridade de cargos religiosos em questões doutrinárias e de fé. d ) Além do Alcorão, os muçulmanos obedecem a um código de leis (Shari’ah) que preconiza sua forma de vida, apresentado como lei divina ou revelado e dividido em deveres para com Deus e deveres para com os outros seres humanos. e ) A religião Islâmica está assentada em cinco pilares: a fé, o culto diário, a abstinência durante o mês do Ramadã, a obrigação àqueles que têm renda de doar pequena parte anualmente à caridade, e a peregrinação à Meca ao menos uma vez na vida aos que tiverem condições físicas e materiais para fazê-la.

A expansão do islamismo

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Ampliando seus conhecimentos Arte e história

Os arabescos muçulmanos

De acordo com os preceitos da religião islâmica, os artistas não devem representar figuras humanas e animais em suas obras. Eles criaram, então, o arabesco, um estilo próprio de realização artística utilizado para os mais diversos fins decorativos. O texto a seguir trata desse estilo artístico. Leia-o.

O aspecto mais notável da decoração religiosa islâmica foi que seus motivos eram mais abstratos que figurativos. Nisso os árabes foram, sem dúvida alguma, influenciados por seu amor pelas abstrações geométricas da matemática e da astronomia. Mas a tendência aumentou no século VIII, quando se baniram da arte religiosa todas as representações humanas ou de animais, em conformidade com certo receio muito arraigado de idolatria. [...] Com a imposição dessa restrição, os artistas muçulmanos voltaram-se para os motivos decorativos. Entre as formas das quais evoluíram os motivos abstratos encontram-se os motivos bizantinos, como plantas e árvores. [...] Talvez o motivo [decorativo islâmico] mais conhecido seja o arabesco. Os muçulmanos herdaram de Bizâncio o clássico ornamento da recurvada folha de acanto, mas, num estilo muito seu, estilizaram-na ao ponto de conseguirem um efeito puramente abstrato. Ela nos surge numa variedade infinita de formas e desenhos. Por vezes a ênfase é dada ao talo, por vezes à folha, o traço se desdobrando em movimentos ondulatórios ou se recurvando em espirais. Mas seja qual for o aspecto assumido, a característica principal repousou na cons­tante repetição do motivo básico. Adaptável a qualquer superfície, o arabesco ornamen­t ou tudo, desde pequenos objetos, como caixas de metal, a frisos, cercaduras ou mesmo paredes inteiras. A frequência de sua aplicação é sinal de que deve ter agradado muito aos muçulmanos, tanto do ponto de vista estético como emocional.

eFesenko/Shutterstock.com

STEWART, Desmond. Antigo Islã. Tradução Iracema Castello Branco. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p. 105. (Biblioteca de História Universal Life).

Interior da mesquita islâmica Tilya Kori Madrasah, toda decorada com arabescos. Fotografia tirada em 2015, em Samarkand, Uzbequistão.

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As mil e uma noites Filme de Steve Barron. As mil e uma noites. EUA, 2000

A história no cinema

O filme narra a história de Schariar, um sultão da Pérsia, que mata sua esposa após ser vítima de uma tentativa de assassinato arquitetada por ela (diferentemente do livro, no qual sua esposa comete adultério). Para garantir que isso não se repita, ele adota uma rotina cruel, casando-se cada dia com uma jovem virgem e matando-a degolada após a noite de núpcias. Quando se casa com Sherazade, no entanto, Schariar tem uma surpresa: sua nova esposa narra histórias tão fantásticas que ele decide poupar sua vida para continuar ouvindo suas narrativas. Filme de Steve Barron. As mil e uma noites. EUA, 2000. Foto: Eric Heinila/Globe Photos/ZUMAPRESS.com/Easypix

Com muitos efeitos especiais, esta versão para o cinema recria várias histórias e contos árabes famosos de As mil e uma noites, como “Ali Babá e os Quarenta Ladrões”, “As Sete Viagens de Simbad, o Marujo” e “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa.”

Título: As mil e uma noites Diretor: Steve Barron Atores principais: Mili Avital, Alan Bates, James Frain, Jason Scott Lee e John Leguizamo Duração: 150 minutos Origem: EUA

Cena em que Sherazade (com um livro nas mãos) aparece contando histórias para o sultão Schariar.

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Ano: 2000

Para ler

• •O mundo muçulmano, de Peter Demant. Editora Contexto. O autor responde a questões pertinentes sobre o mundo muçulmano, rastreia suas origens e discu­te impasses para propor ações que evitem uma nova “guerra entre civilizações”, ou seja, entre o Islã e o Ocidente.

• •Uma

história dos povos árabes, de Albert Hourani. Editora Companhia das Letras. A obra vem preencher a lacuna informativa sobre o povo que está no centro das principais questões atuais, os árabes. Guerras e fundamentalismo, entre outros temas, são debatidos na obra.

••A história do mundo em quadrinhos: a ascensão do mundo árabe e a história

da África, de Larry Gonick. Editora Jaboticaba. Com traço bem-humorado e credibilidade narrativa, o autor conta a origem das diferenças religiosas e dos conflitos do Oriente Médio.

Para navegar

••Da alface ao cafezinho. Disponível em: <http://tub.im/28jpqc>. Acesso em: 2 set.

2015. Link para o artigo de Paulo Daniel Farah, professor de língua árabe, publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional. Discorre sobre a influência da língua árabe na língua portuguesa.

••Berberes lutam para manter língua e cultura próprias no Marrocos. Disponível em: <http://tub.im/humhba>. Acesso em: 2 set. 2015. Reportagem da Folha de S.Paulo sobre a condição atual da cultura berbere na sociedade marroquina.

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A ĂŠpoca medieval na Europa

Vista da cidade medieval de Carcassone, na França. Fotografia de 2011.


Há pouco tempo, muitos estudiosos ainda chamavam a Idade Média de “Ida­ de das Trevas” por considerá-la um perío­ do de obscurantismo, pestes e opressão sobre camponeses. Mesmo atualmente, é co­ mum encontrarmos pessoas utilizando a ex­ pressão “medieval” para se referir àquilo que consideram velho e ultrapassado. Nesta unidade, você vai perceber que na Idade Média ocorreram importantes realizações, como a criação das primeiras universidades. Além disso, o capitalismo, sistema econômico vigente na maioria dos países da atualidade, surgiu no final da Idade Média. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A Quais são as principais características da cidade medieval retratada nestas páginas? B Atualmente, vários temas ligados ao perío­ do medieval na Europa têm gerado grande interesse entre os jovens de vários países, inclusive do Brasil. Você sabe explicar por quê? Converse com os colegas.

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O que é a Idade Média? A expressão “Idade Média” foi cunhada pelos humanistas entre os séculos XV e XVI. Esses intelectuais veneravam a Antiguidade Clássica greco­romana e afirmavam que, após a queda do Império Romano do Ocidente, teve início um período de obscu­ rantismo, de decadência intelectual e de retrocesso no desenvolvimento humano.

Humanismo: movimento intelectual que se difundiu no século XV, defendendo uma renovação cultural sob inspiração dos valores da Antiguidade greco-romana. Iluminismo: movimento intelectual ocorrido na Europa no século XVIII, que atribuía grande valor ao pensamento racional e fazia críticas ao dogmatismo religioso e ao poder absoluto dos monarcas. Romantismo: movimento artístico e intelectual influente entre o final do século XVIII e a maior parte do século XIX. Defendia que a intuição, o instinto e a paixão deveriam prevalecer sobre a razão.

No século XVIII, sob influência dos filósofos iluministas, a visão depreciativa da Idade Média atingiu seu auge. Nessa época, a cultura iluminista de exaltação ao pro­ gresso, à razão e à liberdade individual contribuiu para que a Idade Média fosse inter­ pretada como um período de atraso representado pelo dogmatismo religioso. Já no século XIX, os adeptos do romantismo se opuseram ao racionalismo do sé­ culo anterior. Os escritores e músicos românticos valorizavam a Idade Média — com seus castelos e ordens de cavalaria — como uma época de fé e de tradição, fonte de inspiração para aventuras, sonhos e paixões. Somente no século XX houve uma visão mais equilibrada da Idade Média. Estudos recentes mostraram que, apesar de seus graves problemas sociais, foi nesse período que instituições e processos históricos importantes para o mundo contemporâneo ti­ veram início ou ganharam novas características. Durante a Idade Média, por exemplo, foram formados vários dos atuais países da Europa; muitas línguas faladas atualmente também surgiram nessa época, e a Igreja Católica tornou­se a mais importante instituição religiosa do Ocidente. Além disso, foi no final desse período que o capitalismo, sistema econômico adotado pela maioria dos países da atualidade, começou a se desenvolver. Por isso, vários historiadores consideram a Idade Média como o momento de “nascimento do mundo ocidental”.

Matt Trommer/Shutterstock.com

Fotografia atual do Castelo Manzanares el Real, construído no século XV, na Espanha. Construídos em pedra, serviam principalmente de fortaleza, e sua imagem continua arraigada no imaginário acerca da história medieval.

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O feudalismo Autor desconhecido. Séc. XVI. Velino. Biblioteca Marciana, Veneza (Itália). Foto: Bettmann/Corbis/Latinstock

O conceito de feudalismo refere-se ao sistema econômico, político e social característico da Europa medieval. De forma geral, esse sistema atingiu seu auge na França entre os sécu­ los XI e XIII, quando se consolidou uma sociedade fortemente hierarquizada, baseada nos vínculos de dependência entre as pessoas. Na Idade Média, a palavra “feudo” designava qual­ quer bem ou benefício que um rei ou um nobre poderoso po­ deria oferecer em troca de algum tipo de serviço prestado. Geralmente, cediam-se feudos sob a forma de terras, privi­ légios, cargos administrativos, rendas fixas e outras formas de auxílio econômico a um nobre menos poderoso, que em troca devia se colocar fielmente a serviço de seu benfeitor, principalmente em relação às atividades militares. Quando o feudo era um senhorio, ou seja, uma grande propriedade ru­ ral, o beneficiado recebia também a tutela de todos os habi­ tantes da propriedade, que se tornavam seus servos. Assim, as massas camponesas eram obrigadas a permanecer e tra­ balhar nas terras, sob a autoridade de uma nobreza fundiária. Iluminura do século XVI representando um feudo medieval.

1

O castelo era a residência do senhor feudal e de seus familiares, criados e cavaleiros.

4

As casas dos servos ficavam em pequenas aldeias dentro dos feudos.

2

O manso senhorial era a terra de uso exclusivo do senhor. Porém, eram os servos que trabalhavam nele para cultivar os produtos agrícolas.

5

3

Os mansos servis eram as terras que os servos podiam cultivar para si, porém eles eram obrigados a entregar metade de sua produção ao senhor.

As terras comunais eram áreas que podiam ser utilizadas por todos os moradores do feudo. Essas áreas geralmente eram formadas por matas e bosques dos quais se retirava a lenha para o fogo e a madeira para as construções e, também, onde se caçava.

6

Nos feudos havia pequenas igrejas onde eram realizadas missas e outras cerimônias religiosas.

Explorando a imagem

••Procure identificar,

na iluminura, os seguintes elementos de um feudo medieval: homem semeando a terra; homem caçando; arado; pequenas embarcações; muralha; castelo.

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3

Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

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2 6

N. Akira

4

A época medieval na Europa

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Unidade 9

Veja a seguir os principais elementos que compunham um feudo (senhorio) carac­ terístico, por exemplo, da França medieval.


Os povos germânicos Autor desconhecido. c. 1109. Iluminura. 38 x 25 cm. Biblioteca Britânica, Londres (Inglaterra). Foto: Album/Akg-Images/British Library/Latinstock

Desde o século III, várias regiões do Impé­ rio Romano passaram a ser ocupadas por povos germânicos, entre eles os lombardos, os suevos, os vândalos e os visigodos. Esses povos se organizavam por meio da união de famílias, formando clãs e tribos. A sociedade germânica era patriarcal, e cabia ao chefe de cada grupo familiar tomar as decisões mais importantes. Essa forma de organização difi­ cultava a criação de um Estado com poder centralizado, pois atribuía grande valor às re­ lações de parentesco. Durante as guerras, era formado um grupo de guerreiros armados, o comitatus, sendo tam­ bém escolhido um chefe para liderá-los. Quem fazia parte do comitatus devia jurar fidelidade ao chefe, prometendo ficar a seu lado em qualquer circunstância. O chefe, por sua vez, comprome­ tia-se a sempre proteger seus comandados.

Guerreiro visigodo representado em iluminura do século XII.

Linha do tempo

Idade Média

711 476

Os hérulos invadem a cidade de Roma e depõem o último imperador romano.

732

Carlos Martel derrota os mouros, detendo o avanço muçulmano na Europa.

400

196

c. 1000

Depois de conquistarem parte da Ásia e o norte da África, os muçulmanos invadem a península Ibérica.

600

Fim das invasões e início de um período de crescimento populacional e desenvolvimento do comércio e das cidades.

800

Carlos Magno é coroado imperador pelo papa.

800

962

1095

No Concílio de Clermont, o papa Urbano II conclama os senhores feudais a conquistar a “Terra Santa”, dando início às Cruzadas.

1453

c. 1200

Fundação do Sacro Império Romano Germânico.

Fundação das primeiras universidades em Bolonha, Paris e Oxford. 1000

1200

Os turco-otomanos conquistam a cidade de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente. 1400

Alta Idade Média Do século V ao século X

Baixa Idade Média Do século XI ao século XV

Período de formação de reinos nas regiões que faziam parte do Império Romano do Ocidente. O cristianismo se fortaleceu durante a Alta Idade Média, enquanto ocorria a lenta consolidação do sistema feudal. Nesse período também se desenvolveu o Reino Franco, responsável pela unificação de territórios na Europa Ocidental.

No início desse período, o sistema feudal atingiu o seu apogeu, entrando em crise a partir do século XIII. Houve também uma revitalização das cidades e do comércio. Foi durante a Baixa Idade Média que a burguesia emergiu, paralelamente ao processo de fortalecimento do poder dos reis.


Os reinos germânicos

A organização política desses reinos era concentra­ da na figura do rei, e o próprio reino era visto como sua proprieda­ de. Além disso, a relação entre rei e súditos era baseada em laços de honra e de fidelidade. Por meio desses vínculos, havia direitos e deve­ res a serem cumpridos por ambas as partes. Aos súditos era obrigatório o serviço das armas, enquanto o soberano deveria doar terras e proteger seus súditos. Assim, desenvolveu­se a concessão de benefícios, ou seja, a doação de algum bem, geralmente a terra, em retribuição aos serviços prestados.

Fusão romano-germânica

Consuetudinário: baseado nos costumes de um povo. Igreja: do grego ecclesia, significa comunidade de cidadãos. No contexto cristão, refere-se à instituição que congrega a comunidade cristã de fiéis.

Unidade 9

O direito germânico, por exemplo, que era consuetudinário, passou a ser compilado em latim, idioma que continuou a ser usado nas funções burocráticas. Além disso, muitas ins­ tituições romanas foram mantidas, principalmente os órgãos da admi­ nistração municipal. A cristianização dos povos germânicos foi outro ele­ mento integrador entre essas cultu­ ras: em um continente fragmentado politicamente após o fim do Império Romano, a autoridade espiritual da Igreja se tornou um importante ele­ mento unificador.

Moedas de ouro produzidas pelos anglo-saxões no século VII.

Autor desconhecido. Séc. XV. Iluminura. Biblioteca Britânica, Londres (Inglaterra). Foto: British Library Images/Easypix Brasil

A Europa feudal emergiu da fusão de elementos romanos e germânicos. Os povos germânicos que ocuparam a Europa Ocidental encontraram um mundo ruralizado, no qual se destacavam os latifúndios e uma grande massa de camponeses e escravos vinculados à terra e às atividades agrárias. De modo geral, as elites germânicas se uniram às elites romanas, principalmente por meio de casamentos e de laços de fide­ lidade, o que contribuiu para a mistura de tradições romanas e germânicas.

c. 640. Thrymsas de ouro. Museu Ashmolean, Oxford (Inglaterra). Foto: Mary Evans/ Scala, Florence/Glow Images

Após o fim do Império Romano do Ocidente, no sé­ culo V, diversos reinos germânicos começaram a se formar no continente europeu. Entre esses reinos, havia o dos anglo­saxões, o dos ostrogodos, o dos vândalos e o dos francos.

Iluminura do século XV representando um cavaleiro jurando fidelidade ao rei William I, da Inglaterra, no século XI. Esse costume é um exemplo da manutenção de uma prática dos povos germânicos na Europa feudal.

A época medieval na Europa

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O Reino Franco Formado na região da Gália, o Reino Franco garantiu sua estabilidade por meio de alianças com a Igreja Católica e assumiu uma posição hegemônica entre os reinos germânicos. O primeiro grande rei dos francos foi Clóvis, fundador da dinastia merovíngia, que, depois de aumentar seu poder unificando o reino e conquistando boa parte da Gália, converteu-se ao cristianismo romano em 496. Ao se aliar à Igreja Católica, Clóvis for­ taleceu seu poder, já que a Igreja aprovava a unificação da Gália e a pretensão dos francos de subjugar os povos germânicos pagãos que ali viviam e de convertê-los ao cristianismo. Além disso, ele adquiriu ainda mais poder ao doar parte das terras con­ quistadas para a Igreja e para os chefes militares. Jean Fouquet. Séc. XV. Gravura. Biblioteca Nacional da França, Paris. Foto: White Images/Scala, Florence/Glow Images

No entanto, após a morte de Clóvis, o Reino Franco foi dividido en­ tre seus herdeiros que, em razão de disputas pelo poder, enfraqueceram o reino. Nesse período, o governo passou a ser controlado, de fato, pelos chamados majordomus (“prefeitos do palácio”), que eram os principais assessores do rei. Carlos Martel foi o majordomus que teve o maior destaque. Ele deteve o avanço dos muçulmanos na Europa ao vencer a batalha de Poitiers, em 732. Carlos Martel foi sucedido pelo seu filho Pepino, o Breve, que depôs o rei Childerico III e, com o apoio da Igreja, foi coroado rei dos francos, dando início à dinastia Carolíngia. Gravura do século XV representando Carlos Martel e seu exército (à direita) combatendo o exército muçulmano na batalha de Poitiers, em 732.

Passado e presente

O Estado do Vaticano

cesc_assawin/Shutterstock.com

O atual território do Estado do Vaticano, onde se localiza a sede da Igreja Católica, é uma pequena parte de um território que foi doado ao papa por Pepino, pai de Carlos Magno, por volta de 754. Atualmente, ele é o menor país do mundo, medindo apenas 0,44 quilômetro quadrado.

Turistas visitam a Basílica de São Pedro, no Vaticano. Fotografia de 2012.

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Autor desconhecido. Séc. XIV. Iluminura. Coleção particular. Foto: Granger/Glow Images

O Império Carolíngio O sucessor de Pepino foi seu filho Carlos Magno, res­ ponsável por uma fase de expansão do Reino Franco e, também, pela conversão ao cristianismo de povos por ele subjugados, o que lhe garantiu um grande prestígio peran­ te a Igreja. A Igreja Católica, por sua vez, aumentava seu apoio à dinastia carolíngia, visando a expansão do cristianismo. As­ sim, o papa Leão III coroou Carlos Magno como imperador, no ano 800, na noite de Natal. Nesse momento, constituiu­ ­se novamente uma unidade política na Europa Ocidental, cessada com a queda do Império Romano do Ocidente. Durante o reinado de Carlos Magno, houve uma preo­ cupação em organizar o setor administrativo e também em regulamentar as leis germânicas. Iluminura do século XIV representando a coroação de Carlos Magno pelo papa Leão III.

O Império Carolíngio (c. 814) Mar Báltico N

Abroditas

O

Veleti

L S

Sorábios OCEANO ATLÂNTICO

BRETANHA

Boêmios Morávios IMPÉRIO CAROLÍNGIO Ávaros

REINO DAS ASTÚRIAS

E. Cavalcante

M e ri d ia

no de G re e n w ic h

Croatas 40° N

Córsega

Mar Mediterrâneo

Império Carolíngio em sua máxima extensão Povos vassalos Territórios doados à Igreja Católica

DUCADO DE BENEVENTO

0

A origem da nobreza Para administrar um império tão vasto, Carlos Magno o divi­ diu em cerca de 200 condados e entregou o controle de cada con dado a um conde, que era auxiliado por um bispo. As re­ giões de fronteira, conhecidas como marcas, eram dirigidas pelos marqueses; já os terri­ tórios próximos às fronteiras, cha mados de ducados, eram administrados pelos duques. Esses funcionários reais ge­ ralmente eram escolhidos por terem relações de parentesco com o rei ou, ainda, por servi­ ços prestados à realeza. Esses cargos administrativos estão na origem da estrutura da nobreza que se formou na Europa.

210 km

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

A crise do império Com a morte de Carlos Magno, em 814, seu filho e herdeiro, Luís, o Piedoso, teve muitas dificuldades em governar um império tão vasto e formado por povos de origens diferentes. Além disso, os nobres estavam passando a ter cada vez mais influência, enfraquecendo o poder do rei. Depois da morte de Luís, o império foi dividido entre seus três filhos. Esse período de crise foi agravado, ainda mais, a partir do século X, quando o império sofreu invasões simultâneas de povos como os muçulmanos, os magiares e os vikings. Todos esses fatores resultaram na fragmentação do Império Carolíngio.

Magiar: povo originário da Ásia Ocidental, que se estabeleceu na região da atual Hungria. Viking: povo originário da região da atual Escandinávia.

A época medieval na Europa

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Unidade 9


A sociedade feudal Havia três ordens, ou camadas, na sociedade feudal: o clero, a nobreza e os cam­ poneses. O clero era formado pelos oratores (“aqueles que oram”) e a nobreza era composta de bellatores (“aqueles que guerreiam”). A ordem dos camponeses, por sua vez, era formada pelos laboratores (“aqueles que trabalham”), que, além de realizar a maior parte dos trabalhos, ainda pagavam diversos tributos para sustentar as outras duas ordens. A “criação” das três ordens A divisão da sociedade feudal em três ordens, cada qual com suas funções específicas, era jus­ tificada por um modelo ideológico criado pelos pensadores da Igreja. De acordo com esse modelo, desde que o mundo havia sido criado por Deus, foram distribuídas tarefas diferentes para cada grupo humano. Uns deviam orar pela salvação de todos (os oratores), outros deviam lutar para pro­ teger o povo (os bellatores) e os demais deviam trabalhar para sustentar a todos (os laboratores).

Autor desconhecido. Séc. XIII. Velino. Biblioteca Britânica, Londres (Inglaterra). Foto: Art Images Archive/Glow Images

Essa ideologia legitimava a desigualdade social que havia entre as ordens, já que as diferentes condições sociais eram encaradas como desígnios divinos.

Iluminura do século XIII que representa membros das três ordens da sociedade feudal.

Os oratores A ordem dos oratores era formada pelos membros do clero, como bispos, cardeais, padres e monges. Eles desfrutavam de grande prestígio na sociedade, pois eram con­ siderados mediadores entre Deus e os seres humanos. O clero se dividia em dois: o alto clero e o baixo clero. Os religiosos do alto clero, em sua maioria, eram de origem nobre e possuíam grandes extensões de terra, muitas delas doadas à Igreja por nobres que buscavam a remissão de seus pecados e a sal­ vação de sua alma após a morte. Como os membros do clero geralmente eram os únicos letrados, eles cuidavam da administração dos reinos e dos feudos. Espiritualidade: elemento humano que vivifica a fé, tornando-a parte expressiva das ações e dos pensamentos cotidianos.

200

Já os membros do baixo clero, em geral, não tinham origem nobre. Eles eram os encarregados de prestar atendimento espiritual e auxílio material às pessoas pobres e necessitadas das paróquias em que atuavam. Muitos habitavam áreas rurais e vi­ viam em condições semelhantes às dos próprios camponeses.


Os bellatores

Muitos bellatores eram também senhores feudais proprietários de senho­ rios, onde mantinham várias famílias de camponeses em regime de servidão, oferecendo-lhes pequenos lotes de terra, moradia e proteção. Em troca, exi­ giam deles fidelidade e tributos, como o trabalho em suas terras em dias determinados da semana, além de uma série de outras obrigações. Esses senhorios eram bens hereditários, por isso, quando um senhor feu­ dal morria, as terras passavam para seu filho mais velho.

Suseranos e vassalos Muitos nobres estabeleciam laços de suserania e de vassala­ gem entre si. O vassalo era um nobre que se vinculava a outro nobre mais poderoso esperando receber proteção e terras. O su­ serano, doador dos benefícios, contava com a fidelidade e a rea­ lização de algumas tarefas que eram obrigações de seu vassalo, principalmente ajuda militar du­ rante as guerras. Le Franc Martin. Séc. XV. Iluminura. Biblioteca Nacional da França, Paris. Fotografia: Art Images Archive/Glow Images

A ordem dos bellatores era formada pelos membros da nobreza, como reis, condes, marqueses e duques, que constituíam o grupo dirigente e guer­ reiro da sociedade, além de possuírem grande poder político e econômico. As principais funções dessa ordem estavam relacionadas à guerra e aos con­ flitos internos e externos. Muitas vezes, esses cavaleiros enriqueciam por meio de saques realizados em campanhas militares.

Os laboratores A ordem dos laboratores formava o grupo mais numeroso da sociedade e era composta basicamente de camponeses. Muitos desses camponeses eram servos, que podiam usar parte das ter­ ras do senhorio e, em troca, deviam se dedicar a atividades como o cultivo das terras do senhor feudal e outros trabalhos manuais.

Colin d’Amiens. Séc. XV. Iluminura. Museu Condé, Chantilly (França). Foto: Photo Josse/Scala, Florence/Glow Images

Detalhe de iluminura do século XV que representa um suserano recebendo seus vassalos.

Unidade 9

Os servos não possuíam liberdade plena, pois estavam ligados às terras e às obrigações para com o senhor feudal, assim como seus filhos e netos. Apesar de serem obrigados a permanecer no feudo por toda a vida, eles não eram considerados escravos, portanto não podiam ser vendidos. Os servos deviam uma série de obrigações ao senhor feudal. As principais eram: a talha (entrega da metade de sua produção para o senhor), a corveia (trabalho nas terras do senhor em determinados dias) e a banalidade (imposto sobre a utilização de moinhos, fornos e outros equipamentos do feudo).

Explorando a imagem

••Quais trabalhos

estão sendo realizados pelos camponeses representados na iluminura ao lado? Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

Iluminura do século XV que representa diferentes trabalhos realizados pelos camponeses medievais.

A época medieval na Europa

201


O castelo medieval Uma das principais construções de um senhorio medieval era o castelo. Nele, viviam o senhor feudal e sua família, membros da nobreza e do clero, além de vários funcionários. Conheça, a seguir, alguns aspectos da estrutura e do funcionamento de um castelo medieval.

6

Fortaleza habitada A principal função do castelo era a proteção de seus moradores. Por isso, ele era cercado por uma espessa muralha de pedra. Quando ocorria um ataque, todos os habitantes do senhorio se dirigiam para o castelo.

5 3

1 Fosso

4

Ao redor do castelo havia um fosso, que era um meio de defender-se de ataques e invasões. Havia fossos secos (cujo fundo podia ser forrado com estacas) e fossos cheios de água.

2 Ponte levadiça

Principal acesso ao castelo era um tipo de ponte móvel, chamada ponte levadiça. Ela era feita de madeira e funcionava por meio de um mecanismo giratório que permitia que fosse erguida ou baixada rapidamente. Para aumentar a segurança do castelo, logo após a ponte, havia também uma grade levadiça.

3 Cisterna

A água da chuva, canalizada desde a muralha, abastecia a cisterna do castelo. A água da cisterna era usada principalmente para o preparo de alimentos.

1 2

4 Ferraria

Os metais eram forjados em oficinas dentro do castelo. Ao lado da ferraria havia uma construção para armazenar as armas usadas pelos soldados, arqueiros e cavaleiros em casos de ataques ao castelo.

5 Produção de alimentos

Havia dentro dos castelos uma fornalha para o preparo de alimentos, principalmente pão.

6 Torres

Ao longo da muralha eram construídas torres de pedra que tinham a função de proteger o castelo. No alto das torres, soldados armados faziam a vigia do castelo.

Ameias e merlões A estrutura em forma de dentes, situada no topo das torres e muralhas, servia tanto para o ataque quanto para a defesa. A alternância de ameias (saliências) e merlões (parapeitos) permitia aos arqueiros que lançassem suas flechas por meio dos merlões, e, em seguida, se esquivassem do ataque inimigo atrás das ameias. A partir do século XIII, os merlões ganharam proteção extra, uma espécie de tela de madeira ou metal, que podia ser fixa ou desmontável.

Ameias sem merlão.

Merlão de ferro, desmontável.

Merlão de madeira, fixo.

Merlão de madeira, desmontável.

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7 Dormitórios

Na principal torre do castelo ficavam os dormitórios do senhor feudal e de sua família.

8 Salão

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Havia um salão destinado a receber convidados para banquetes no castelo.

8

9

10

11

Unidade 9

12

13 9 Sala do tesouro

Lugar onde eram guardados os bens da família. Era vigiada por soldados armados.

10 Sala do trono

Centro administrativo, local onde o senhor dava ordens e recebia convidados nobres.

11 Capela

Era de uso exclusivo do senhor e sua família. Os demais moradores do senhorio frequentavam a igreja fora do castelo.

Seteiras Ao longo da muralha havia pequenas fendas pelas quais os arqueiros podiam atirar flechas sem se expor ao ataque do inimigo.

12 Depósito de alimentos

Grãos, víveres e outros alimentos eram guardados em um depósito.

13 Masmorra Seteira do Seteira do século XII. século XIII.

Seteira do século XIV.

Sala subterrânea onde ficavam os prisioneiros do castelo.

A época medieval na Europa

203


O Sacro Império Romano Germânico Com a morte do imperador Luís, o Piedoso, como vimos, o Império Carolíngio foi repartido entre seus três filhos. De acordo com o Tratado de Verdun, a divisão se deu da seguinte maneira: a Lotaríngia foi herdada por Lotário I; a Francia Ocidental ficou com Carlos, o Calvo; e a Francia Oriental foi transmitida a Luís, o Germânico. Sacro Império Romano Germânico (séc. XII)

REINO DA INGLATERRA

REINO DA DINAMARCA

N O

L S

REINO DA POLÔNIA

REINO DA FRANÇA

BOÊMIA

50˚ N

SACRO IMPÉRIO ROMANO GERMÂNICO

E. Cavalcante

REINO DA HUNGRIA

ESTADO PAPAL REINO DA SICÍLIA Mar Mediterrâneo

0

160 km

10˚ L

Autor desconhecido. c. 998. Iluminura. Coleção particular. Foto: Ann Ronan Pictures/Heritage Images/Glow Images

Fonte: HILGEMANN, Werner; KINDER, Hermann. The Penguin Atlas of World History. Londres: Penguin, 2003. v. 1.

Com essa divisão, houve um enfraqueci­ mento do poder real e um aumento do po­ der local, exercido pelos nobres, situação que levou ao fim a dinastia carolíngia. Apro­ veitando­se dessa situação, alguns nobres da Francia Oriental formaram o Reino Ger­ mânico nessa região. Na primeira metade do século X, o rei germânico Oto I iniciou um processo de centralização política, que limitou o poder dos nobres, além de realizar conquistas mi­ litares que expandiram o território do reino. Oto I ofereceu proteção à Igreja e recebeu apoio do papa. Em 962, depois de defender o papado contra as pretensões dos bizantinos na re­ gião, Oto I foi coroado imperador pelo papa João XII. O nome Sacro Império Romano Germânico só foi utilizado a partir do sécu­ lo XII e indicava o caráter sagrado do im­ pério, além da herança romana (Roma foi capital do império por alguns anos) e do importante papel dos germânicos na insti­ tuição imperial. A dinastia otoniana (dos imperadores Oto I, Oto II e Oto III) garantiu a estruturação des­ se novo império por meio de vitoriosas campanhas militares dentro e fora de seus limites territoriais. Os imperadores das di­ nastias posteriores, no entanto, não conse­ guiram dar continuidade aos objetivos dos otonianos e, ao longo dos séculos, perde­ ram força e autoridade política na Europa. Apesar de enfraquecido, nos últimos dois séculos da Idade Média, o Sacro Império manteve relativa unidade em torno da figura sagrada do imperador. Isso só foi possível em razão da crença generalizada na Europa Ocidental de que o Sacro Império era o le­ gítimo herdeiro do Império Romano.

Iluminura do século X que representa Oto III com seus vassalos.

204


A autoridade da Igreja Católica Na época da formação dos reinos germânicos, a Igreja Católica precisou articular sua herança romana em suas relações com esses reinos recém-formados para garan­ tir sua sobrevivência. Ao final do século V, com o papa Gelásio I, a Igreja começou a reivindicar seu papel como guia dos cristãos à salvação. Para esse papa, só havia dois poderes por meio do qual se poderia governar o mundo: a autoridade sagrada dos papas e o poder real. Assim, desde o século VI até o final do VIII, os papas procuraram valorizar a harmo­ nia e a colaboração entre a Igreja e os poderes temporais (reinos e impérios). Desse modo, o relacionamento entre a Igreja Católica e o Reino Franco se intensificou, o que beneficiou ambos os lados. Com as conquistas feitas pela dinastia dos carolíngios, o cristianismo se expandiu por toda a Europa, aumentando a área de influência e auto­ ridade da Igreja.

Cristandade: conjunto de territórios cristãos do Ocidente europeu. Refere-se também à identidade coletiva desses povos, construída pelo relacionamento com o “outro”, representado pelos muçulmanos e bizantinos. Investidura: prática do imperador de atribuir cargos da Igreja a seus partidários.

No século XI a Igreja passou por uma profunda reforma interna, que ficou conhecida como Reforma Gregoriana, já que o papa Gregório VII foi o condutor dessas mudan­ ças. A reforma foi formalizada na bula papal de 1075, chamada Dictatus Papae. Essa reforma foi uma resposta às frequentes intervenções dos imperadores em assuntos eclesiásticos, pondo fim à questão das investiduras e iniciando a atuação da Igreja como autoridade máxima da cristandade.

No começo do século XIII, com o pontificado de Inocêncio III, o papado e a Igreja atingiram o auge de seu prestí­ gio e autoridade, formando uma verda­ deira monarquia papal na cristandade. Nesse período, os Estados em forma­ ção e o Sacro Império eram vistos pelo papado, e pelos pensadores que o de­ fendiam, como “braços armados” da Igreja, ou seja, instrumentos que a pro­ tegiam. Essa relação entre a Igreja e os poderes temporais, porém, foi se des­ gastando principalmente ao longo dos séculos XIII e XIV.

Autor desconhecido. Séc. XVI. Velino. Biblioteca Nacional da França, Paris

A autoridade do papa era considerada pelos membros da Igreja superior à do im­ perador do Sacro Império Romano Germânico e de todos os outros chefes temporais da cristandade. No século XII, a Igreja era a maior proprietária de terras do Ocidente, tendo, assim, enorme poder religioso, político e econômico.

Iluminura do século XVI representando Jesus Cristo (ao centro) dando o poder temporal ao rei (à direita) e o poder espiritual ao papa (à esquerda), simbolizando o poder da Igreja na época medieval.

A Inquisição Criada no começo do século XIII, a In­ quisição foi uma instituição ligada direta­ mente à Igreja Católica, e tinha como obje­ tivos vigiar, investigar, interrogar, julgar e punir todas as pessoas ou grupos que não seguissem as doutrinas estabelecidas pelo catolicismo. A Inquisição representou a consolidação do poder da Igreja no final da Idade Média.

A época medieval na Europa

205

Unidade 9

A consolidação da autoridade eclesiástica


As Cruzadas Peregrinação: viagem a lugares em que as pessoas podem entrar em contato com algum elemento sagrado de sua religião.

No ano de 1095, o papa Urbano II convocou os cristãos a realizarem uma Cruzada, isto é, uma expedição militar para reconquistar a “Terra Santa” e expulsar os muçul­ manos da região. Nessa convocação, o papa recorreu à religiosidade das pessoas, já que Jerusalém era o lugar de peregrinação mais visitado pelos cristãos. A Igreja tam­ bém ofereceu indulgências, ou seja, o perdão dos pecados, para quem participasse das Cruzadas. Porém, além das questões religiosas, outros fatores impulsionaram as Cruzadas, principalmente o comércio.

Séc. XIV. Afresco. Catedral de Nápoles (Itália). Foto: Photo Scala, Florence/courtesy of Curia Vescovile of Napoli/Glow Images

Havia muitos nobres que não possuíam terras, pois as heranças costumavam ser transmitidas somente aos filhos mais velhos. Muitos desses nobres sem terra acreditavam que poderiam viver aventuras e conquistar riquezas no Oriente e, por isso, apoiaram as Cruzadas. Os comercian­ tes europeus, por sua vez, apoiaram os cruzados, pois ti­ nham interesse em estabelecer novas relações comerciais com o Oriente. Foram realizadas oito Cruzadas principais, além de ou­ tras expedições menores e não oficiais. A Primeira Cruza­ da, de 1096 a 1099, conquistou Jerusalém e instalou na região um reino cristão que durou até 1187. As outras Cru­ zadas tiveram poucos resultados positivos para os cris­ tãos, por falta de planejamento ou por desentendimentos entre seus líderes.

O que é a “Terra Santa”? “Terra Santa” é o nome dado à região de Canaã, e mais especificamente à cidade de Jerusalém, por sua importân­ cia para o cristianismo, o judaísmo e o islamismo.

Detalhe de afresco do século XIV representando guerreiros das Cruzadas.

O Ocidente após as Cruzadas Mesmo não alcançando o sucesso esperado por seus defensores, as Cruzadas tive­ ram consequências importantes na sociedade medieval. Do ponto de vista religioso, as Cruzadas provocaram um distanciamento cada vez maior entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Bizantina. As Cruzadas tam­ bém marcaram um momento de mudança na doutrina católica, pois a Igreja, que antes recriminava qualquer tipo de violência (nos dois primeiros séculos do cristianismo), pas­ sou a sacralizar as guerras feitas em nome de Deus. Na esfera econômica, algumas cidades, como Veneza e Gênova, enriqueceram gra­ ças à comercialização com mercados orientais e ao grande fluxo de pessoas nessas cidades. A nobreza guerreira empobreceu em razão dos grandes gastos com as expe­ dições, favorecendo a centralização do poder nas mãos dos reis e o fortalecimento da burguesia. No plano cultural, os ocidentais conheceram técnicas e instrumentos de navegação (bússola e astrolábio), que foram importantes para as Grandes Navegações nos séculos posteriores.

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O aumento da produção agrícola

• Utilização de ferramentas mais eficientes: o ara­

Rotação trienal

Renan Fonseca

Entre os séculos XI e XIII, ocorreram transformações técnicas que aumentaram e diversificaram a produção de alimentos na Europa. Veja, a seguir, as principais trans­ formações técnicas desse período. • Aumento das áreas cultivadas: para aumentar as A rotação de culturas áreas cultivadas, foi implementada a técnica da Rotação bienal rotação trienal de culturas. Essa técnica consistia na divisão da área cultivada em três campos: em um deles era feito o cultivo de inverno; em outro, o cultivo de verão; enquanto isso, o último campo permanecia em repouso para recuperar sua fertili­ dade, sendo reutilizado somente no ano seguinte. Essa técnica substituiu a rotação bienal de cultu­ ras, comum na Antiguidade, em que não havia o cultivo de verão. Áreas Cultivadas Áreas em repouso

do romano, que penetrava superficialmente o solo, foi substituído pela charrua, um arado munido de uma lâmina de metal que podia revolver mais profundamente o solo. Isso tornou possível sulcar e semear a terra mais rapidamente.

• Ampla utilização de moinhos: os moinhos movidos a água ou pelo vento acelera­

ram processos que até então eram feitos manualmente, como a moagem de grãos e frutos para fazer farinha e óleo.

• Ampla

Cavalo atrelado com garrote.

O crescimento da população Com maior quantidade e variedade de alimentos, muitos europeus puderam se alimentar melhor, o que lhes possibilitou viver mais e ter condições de criar mais filhos. Além disso, com a diminuição das guerras, menos pessoas morreram. Por causa desses fatores, a população euro­ peia cresceu.

População da Europa Ocidental (1000 a 1300) Milhões de habitantes 55 50,35

50 45 40 34,65

35 30 25

25,85 22,1

20 Fonte: FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2006.

Unidade 9

Cavalo atrelado com colhera de espáduas.

1000

1100

1200

1300 Ano

Acervo da editora

Ilustrações: Paula Diazzi

utilização de cavalos: os bois foram substituídos por cavalos, que são mais velozes e resistentes para puxar arados. Houve também uma melhoria no sistema de atrelagem dos animais, com a substituição do garrote — que ficava atrelado ao pescoço do animal — pela colhera de espáduas, que ficava atrelada ao peito, aumentando a força de tração do animal.

A época medieval na Europa

207


As cidades da Europa medieval A Baixa Idade Média foi marcada pelo aumento da produção agrícola, em decorrên­ cia das melhorias técnicas, e pelo crescimento populacional no campo e nas cidades. Além disso, a produção artesanal, geralmente realizada por citadinos, desenvolveu-se consideravelmente, com muitos artesãos trabalhando na produção de tecidos de lã, ferramentas, joias, sapatos e objetos de madeira. Assim, tanto o aumento da produção agrícola quanto da produção artesanal possibilitaram um revigoramento das ativida­ des comerciais.

Citadino: habitante de cidade.

As cartas comunais

Muitas cidades medievais se desenvolveram a partir de pequenos núcleos que serviam de entrepostos comerciais ou por iniciativa de senhores feudais que, interessados em obter vantagens econômicas, permitiam a realização de atividades comerciais em seus feudos desde que recebessem impostos. Essas cidades eram cercadas por altas mura­ lhas que serviam para defesa militar e para impedir a entrada desordenada de pessoas. Por causa da segurança proporcionada pelas muralhas as trocas comerciais regio­ nais passaram a ser realizadas no interior das cidades, em feiras e mercados. Nessas feiras, os camponeses vendiam produtos agrícolas e compravam artigos como ferra­ mentas, tecidos e sapatos. Os artesãos, por sua vez, vendiam seus artesanatos aos camponeses e compravam matérias-primas e gêneros alimentícios produzidos no campo. Além das feiras regionais, periodicamente eram realizadas feiras internacio­ nais. Nessas ocasiões, mercadores de várias partes da Europa se encontravam para trocar seus produtos. Na cidade de Bruges, região de Flandres, atual Bélgica, por exemplo, as feiras internacionais ocorriam diversas vezes ao ano. Wilhelm Pleydenwurff. c. 1493. Xilogravura. Coleção particular. Foto: Historical Picture Archive/Corbis/Latinstock

No período medieval, as cidades, a princípio, eram propriedades dos senhores feudais ou dos membros do alto clero. No entanto, conforme os mercadores foram obtendo sucesso em suas atividades, eles passaram a exigir maior liberdade econômica. Assim, unidos em torno de um mesmo ideal, grupos de burgueses medievais adquiriram, por meio de lutas ou da compra, as chamadas cartas comunais. Essas cartas eram documentos emitidos pelos proprietários das cidades e garantiam o direito dos burgueses de manter um comércio regular e de cunhar suas próprias moedas, entre outras garantias.

Vista de cidade medieval na Alemanha. Xilogravura de cerca de 1493.

208


Os burgueses Com o crescimento das cidades e do comércio internacional, os mercadores se instalaram inicialmente nos subúrbios das cidades, em bairros localizados fora das muralhas, onde comercializavam seus produtos. Conforme foram se destacando eco­ nômica e politicamente, conquistaram vários privilégios.

katatonia82/Shutterstock.com

Primeiramente, foi promovida a am­ pliação da muralha ao redor de seus bairros, que foram chamados de burgos. Os mercadores que controlavam os burgos, denominados burgueses, receberam o título de cidadãos livres e conquistaram, por meio das cartas comunais, maior autonomia para co­ mercializar seus produtos, bem como o direito de pegar em armas para defen­ der seus interesses. Com todos esses privilégios, eles ascenderam economicamen­te e passaram a criticar os privi­ légios feudais, além de reclamar por maior participação política.

Unidade 9

Vista da cidade de Heidelberg, na Alemanha, em 2015. Essa cidade preserva muitas construções do período medieval.

A época medieval na Europa

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Os banqueiros Nas feiras e mercados medievais, os burgueses de diversas regiões da Europa se encontravam para negociar seus produtos, como os tecidos de lã ingleses, vinho e azeite portugueses, especiarias e sedas orientais, prata espanhola, entre outros. Con­ tudo, eles se deparavam com um problema: como determinar o valor de troca dos produtos se suas moedas eram diferentes? Para resolver esse problema, surgiram os banqueiros. Leia o texto a seguir.

[...] Era interesse [dos] comerciantes enfrentar a diversidade de moedas, facilitando sua uniformização e, portanto, os negócios entre pessoas de diferentes regiões. Assim, alguns mercadores passaram a dedicar-se ao câmbio (cambiare = trocar), ficando conhecidos por banqueiros, pois as diversas moe­ das a ser trocadas ficavam expostas em bancas, como outra mercadoria qualquer. Apenas num segundo momento, possivelmente no século XII em Gênova, os banqueiros ampliaram seu leque de atuação, aceitando depósitos reembolsáveis a qualquer momento, fazendo empréstimos, transferindo valores de clientes de uma cidade para outra. Para atrair capitais, pagavam juros sobre os depósitos. [...] FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2006. p. 44.

A usura

Jan van Grevenbroeck. Séc. XVIII. Aquarela. Museu Correr, Veneza (Itália). Foto: De Agostini/A. Dagli Orti/Glow Images

A Igreja condenava a usura, isto é, os empréstimos a juros praticados pelos banqueiros. Para os líderes da Igreja, em­ prestar dinheiro a juros signifi­ cava vender o tempo. Esses religiosos acreditavam que o tempo pertencia a Deus e, por isso, não podia ser vendido.

Banqueiro medieval contabilizando moedas após realizar transações cambiais. Aquarela do século XVIII.

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As corporações de ofício Com toda a efervescência comercial europeia do final da Idade Média formaram-se, em algumas cidades, associações de artesãos que exerciam uma mesma profissão. Chamadas de corporações de ofício (na Inglaterra, eram denominadas guildas), elas reuniam profissionais interessados em regularizar os preços e estipular os padrões de qualidade de seus produtos. Existiam, também, as corporações de pintores, de ferrei­ ros, de marceneiros, de boticários, entre outras. Além das atividades econômicas, essas associações tinham funções religiosas e políticas. Seus membros se reuniam regularmente para festejar e prestar homenagens aos santos, organizar a construção de capelas e de escolas primárias e se ajudar mutuamente. As corporações de ofício inauguraram uma nova forma de organização do trabalho. Os mestres eram proprietários das oficinas, das ferramentas e das matérias-primas, além de terem direitos sobre o lucro das vendas. Para dirigir a associação, eles se reuniam em um colegiado que tinha a função de estabelecer os regulamentos da cor­ poração, a padronização das matérias-primas, os preços de compra e venda, a deter­ minação dos salários e das jornadas de trabalho dos jornaleiros e dos aprendizes, bem como a qualidade e a quantidade de produtos fabricados. Além disso, o colegiado fiscalizava a aplicação das regras e punia aqueles que não as cumprissem. Todavia, o objetivo primordial das corporações de ofício era manter o monopólio da produção na cidade.

• •Uma das pessoas que aparece na gravura é o aprendiz da oficina. Como é possível identificá-lo? Explique para os colegas.

Gravura do século XVI representando uma oficina de ourives.

A época medieval na Europa

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Unidade 9

Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

Autor desconhecido. Séc. XVI. Gravura. Coleção particular. Foto: Bettmann/Corbis/Latinstock

Explorando a imagem

Jornaleiro: artesão que recebe pagamento por dia de trabalho realizado.


Transformações na mentalidade A sociedade urbana que começou a se formar na Europa a partir do século XI, com base na produção artesanal, no comércio e no câmbio monetário, diferenciava-se da sociedade vigente que se pautava nas relações feudais e era predominantemente rural. Muitos citadinos criticavam a nobreza e o alto clero, sobretudo porque nobres, bispos e abades ostentavam uma vida de luxo e possuíam os privilégios do estudo e da apropriação de parte dos bens produzidos pelos trabalhadores. Nas cidades, muitas pessoas se preocuparam em conhecer melhor a religião cristã, aprendendo preces e gestos que antes eram considerados práticas exclusivas dos clérigos. Com isso, os europeus passaram a ter maior consciência da própria religiosidade. Séc. XIX. Afresco. Monastério de Stella Maris, Haifa (Israel). Foto: Zvonimir Atletic/Shutterstock.com

Na formação dessa nova mentalidade, a atuação dos pregadores mendicantes teve grande importância. Eles faziam votos de pobreza, abandonavam suas posses e dirigiam-se às cidades, onde participavam das manifestações culturais da cristandade. Eles criticavam a sociedade em que viviam, acusando-a de ter degenerado valores éticos e morais cristãos, como a humildade e a caridade. A popularidade de alguns pregadores incomodou membros do alto clero. A fim de formular uma doutrina para ser seguida pelos pregadores mendicantes, a Igreja institucionalizou quatro ordens mendicantes no século XIII: franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos.

Santos carmelitas representados em afresco do século XIX feito no Monastério Stella Maris, em Israel.

Séc. XXI. Estatueta. Coleção particular. Foto: lucas nishimoto/Shutterstock.com

O sujeito na história

Nascido na cidade italiana de Assis, em 1182, Giovanni di Bernardone era filho de um rico comerciante. Sem interesse em assumir os negócios do pai, ele renunciou à herança e passou a viver de esmolas, dedicando-se à religiosidade e praticando a caridade. Francisco de Assis, nome que ele adotou, queria provar que era possível viver na pobreza e na humildade que, segundo ele, seriam valores originais do cristianismo. Em decorrência das pregações de Francisco de Assis, a partir de 1210 surgiram as ordens franciscanas. Sua influência se espalhou rapidamente pelo mundo. Em 1228, apenas dois anos após sua morte, ele foi canonizado. Atualmente, as ordens franciscanas estão presentes em vários países e São Francisco de Assis é cultuado no mundo todo como santo protetor dos animais e padroeiro dos ecologistas. São Francisco de Assis representado em estatueta de madeira do século XXI.

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São Francisco de Assis

Canonização: ato solene em que a Igreja declara que um indivíduo é santo.


Transformações sociais e arquitetura das igrejas O desenvolvimento das áreas urbanas, a partir do século XI, marcou o período em que a sociedade medieval passava por profundas transformações culturais e religiosas. O crescimento demográfico das cidades exigiu que as antigas igrejas fossem substituídas por outras maiores. As catedrais passaram a ser os edifícios mais altos e imponentes das cidades, os maiores símbolos do poder da cristandade urbana. Essas mudanças marcaram a transição da arquitetura das igrejas, que passou do estilo românico para o estilo gótico. Até o século XII, predominaram as igrejas em estilo românico, com paredes espessas e poucas janelas. Esse estilo vigorava porque havia, até então, a concepção de que as igrejas eram fortalezas de Deus, isto é, lugares protegidos da realidade. Geralmente, essas igrejas apresentam motivos camponeses, com estátuas e pinturas de animais.

O tema desta página favorece o trabalho interdisciplinar com Arte. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão de atividade sobre esse assunto.

clearlens/Shutterstock.com

Unidade 9

Acima, ilustração que mostra a estrutura de uma catedral do estilo românico. À direita, fotografia de 2013 retratando o interior da Catedral de Pisa, na Itália.

A partir do século XII, a maioria das igrejas passou a ser construída em estilo gótico, que tinha como principais características: torres altas, janelas grandes decoradas com vitrais e teto com abóbadas muito altas. Nesse período, a luz passou a ser considerada pelos cristãos um símbolo de Deus. Assim, a arte dos vitrais nas grandes janelas é uma das principais marcas das igrejas em estilo gótico.

Ilustrações: André L. Silva

Kiev.Victor/Shutterstock.com

Acima, ilustração que mostra a estrutura de uma catedral do estilo gótico. À direita, fotografia de 2014 retratando o interior da Catedral de Reims, na França.

A época medieval na Europa

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As primeiras universidades Canônico: que se refere aos cânones, ou seja, regras, preceitos ou leis da Igreja. Laico: aquilo que não pertence ao clero e que difere da Igreja.

Durante a Idade Média, o sistema de ensino na Europa esteve sob o monopólio da Igreja, que havia instalado escolas em todos os bispados e nas principais paróquias. Essa hegemonia se enfraqueceu a partir do século XII, com a formação de corporações de professores e estudantes nas principais cidades europeias, que estavam em pleno crescimento nesse período.

A estrutura das universidades As universidades medievais estavam estruturadas em quatro faculdades: artes, direito (civil e canônico), medicina e teologia. Normalmente havia três níveis na hierarquia: reitor, mestres e estudantes.

Autor desconhecido. Séc. XVI. Iluminura. Coleção particular. Foto: White Images/Scala, Florence/Glow Images

Nas faculdades, o método de estudo era a escolástica, que consistia em um esforço dos pensadores universitários para aproximar razão e fé. As primeiras universidades, que foram as de Paris, Bolonha e Oxford, desenvolveram-se com base nas corporações de professores.

Iluminura do século XVI representando uma sala de aula em uma universidade europeia.

No século XIII, a universidade conquistou um espaço importante na sociedade medieval e rapidamente se tornou uma das mais respeitadas instituições das cidades. Os universitários sempre buscaram autonomia em relação aos poderes da sociedade medieval, principalmente da Igreja, a qual não desejava perder o monopólio sobre o ensino. Assim, ao longo de seu desenvolvimento, as universidades acabaram se tornando instituições laicas e independentes dentro da sociedade medieval.

A função social das universidades Os centros universitários exerceram influência em vários setores da sociedade no final da Idade Média. Neles se formavam muitos dos profissionais que exerciam diversas funções nos Estados, na Igreja e nas comunas. Nesse período, é possível observar uma estreita ligação entre a formação universitária e a ascensão social. As universidades também fizeram que a figura do intelectual ganhasse força e relevância no Ocidente. As universidades medievais tiveram um importante papel no desenvolvimento da cultura e do ensino. Vários textos de Aristóteles se disseminaram no Ocidente por serem muito utilizados nas universidades. Além disso, elas contribuíram para o desenvolvimento da ciência e do pensamento moderno.

O sujeito na história

Abelardo

Autor desconhecido. Séc. XIV. Miniatura em velino. Museu Condé, Chantilly (França). Foto: Photo by Photo12/UIG/Getty Images

Pedro Abelardo (1079-1142) foi um filósofo que viveu na França medieval. Mestre em lógica e precursor da escolástica, tornou-se um professor popular, contudo, chegou a ser acusado de heresia pela Igreja e condenado a queimar seus próprios livros. A história da vida de Abelardo tornou-se ainda mais conhecida pelo relacionamento amoroso que viveu com sua aluna Heloísa, sobrinha do influente religioso francês Fulbert, e uma intelectual assim como Abelardo. Não aceitando a relação amorosa de Heloísa com o seu professor, Fulbert ordenou a castração de Abelardo, separando-o de sua sobrinha. Após a castração, Abelardo tornou-se monge e Heloísa freira e continua­ ram a se comunicar por cartas, as quais são consideradas um belo testemunho do amor entre intelectuais no Ocidente. Iluminura do século XIV representando Abelardo e Heloísa.

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A peste negra No século XIV, uma epidemia causou grandes danos à população europeia e trouxe várias consequências para a sociedade e a economia medievais. A peste negra, nome dado à doença que causou essa epidemia, assolou a Europa pela primeira vez entre os anos de 1347 e 1352, reincidindo nas décadas seguintes.

Leia um trecho de texto que relata a chegada de um navio infectado a um porto na costa do Mediterrâneo, presenciada por um observador.

[...] Uma vez que os navios finalmente atracaram, um observador teria imediatamente visto [...] que todos os homens a bordo estavam mortos ou morrendo. Eles pareciam fantasmas, com tumores e pústulas negros pelo corpo e estranhos inchaços negros do tamanho de maçãs sob os braços, no pescoço e nas virilhas, escoando pus e sangue. Johann Rudolf Feyerabend. 1806. Aquarela. Museu Histórico da Basileia (Suíça)

DUNCAN, David Ewing. Calendário. Tradução João Domenech. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999. p. 291.

Peste bubônica: doença infecciosa que é causada pelo bacilo Yersinia pestis e é transmitida ao ser humano por pulgas procedentes de ratos infectados por esse bacilo. As pessoas infectadas apresentavam os seguintes sintomas: manchas de cor negra no corpo, pústulas, ou seja, pequenos tumores purulentos, além de vômitos, febre alta, dores intensas e confusão mental.

Unidade 9

É provável que a doença, reconhecida mais tarde como peste bubônica, tenha chegado à Europa em navios genoveses que haviam estabelecido relações comerciais em entrepostos localizados na região da Ásia Central.

A peste negra também teve influência sobre a cultura medieval. Muitos temas fúnebres passaram a ser abordados na literatura e nas artes plásticas, como podemos ver nessa pintura do século XIX, baseada em um afresco do século XV, que representa a “Dança da Morte”.

As consequências da peste negra Quando a peste negra chegou à Europa, a maior parte da população vivia em condições precárias de higiene, tornando-se mais vulnerável à doença. Muitos dos infectados morriam em até três dias. As consequências da epidemia foram sentidas desde o seu início. Comunidades inteiras foram dizimadas, deixando várias regiões desabitadas, tanto no meio rural como nas cidades. Por causa do grande número de mortos, os alimentos tornaram-se cada vez mais escassos, já que em certos lugares não havia pessoas em condições de cultivar a terra. Em decorrência disso, os preços dos produtos aumentaram, causando períodos de fome e o fechamento de muitas manufaturas, escolas e universidades. Ao todo, estima-se que, em poucos anos, a peste tenha matado cerca de um terço da população europeia na época. A época medieval na Europa

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Explorando o tema

O amor cortês e os romances de cavalaria

A partir do século XII, na Europa, desenvolveu-se uma como principal objetivo educar e entreter os membros das mances eram escritos com o intuito de exaltar o amor, mais sentimento, o amor cortês, que expressava os valores do nobreza, como o refinamento dos modos e dos costumes.

nova literatura que tinha cortes feudais. Esses roespecificamente um novo comportamento ideal da

Essa literatura se dedicava à nobreza, e tinha como personagens principais alguns de seus membros: o cavaleiro, a dama e seu marido (senhor feudal, rei ou príncipe). Howard Pyle. Séc. XX. Litografia. Coleção particular. Foto: The Stapleton Collection/Bridgeman Images/Easypix

O cavaleiro Na dinâmica do romance de cavalaria, o personagem que ama é o cavaleiro. Este era membro da ordem dos bellatores, ou seja, um nobre que possuía um cavalo, armamento completo e seguia um código de ética e moral bem estruturado, do qual o amor cortês fazia parte. Além disso, ele era sempre um homem solteiro. Nesses romances, o cavaleiro, por meio da cortesia, desejava conquistar a dama. Assim, a relação entre eles era marcada pela completa submissão e adoração, como a de um devoto com sua divindade. Lancelot, o personagem principal de O cavaleiro da charrete (romance do século XII), apaixona-se perdidamente pela rainha Guinevere, esposa do lendário rei Artur. Litogravura do início do século XX que representa Lancelot.

Howard Pyle. Séc. XX. Litografia. Coleção particular. Foto: The Stapleton Collection/Bridgeman Images/Easypix

A dama A mulher exercia o papel principal no amor cortês. Ela era a dama, a heroína dos romances e poemas produzidos nesse período. Para o poeta/cavaleiro, representava tudo o que havia de mais perfeito no mundo. Perfeita e, na maioria das vezes, inalcançável. No amor cortês, a impossibilidade de concretizar o amor fazia que o sentimento do cavaleiro pela dama fosse ainda mais forte. É importante ressaltar que a dama era casada. Desse modo, o amor cortês só poderia ser realizado na esfera extraconjugal.

No amor cortês, era a dama que possuía o poder de iniciativa, cabendo somente a ela decidir se o romance poderia começar. Litogravura do início do século XX representando a rainha Guinevere.

Howard Pyle. Séc. XX. Litografia. Coleção particular. Foto: The Stapleton Collection/Bridgeman Images/Easypix

O senhor O marido, personagem que pode ser considerado o mais contraditório no amor cortês, geralmente era representado como um nobre poderoso. Mesmo sabendo dos riscos de ter seu orgulho ferido por uma traição, ele próprio estimulava os cavaleiros de sua corte (seus vassalos) a desejarem sua esposa. O rei Artur, por exemplo, em muitas situações incentivou o desejo de seus vassalos pela rainha Guinevere, que era tida como o mais belo dos tesouros do rei. Um tesouro, entretanto, que pertencia somente ao rei.

Litogravura do início do século XX representando o rei Artur.

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John Henry Frederick Bacon. Séc. XX. Ilustração. Coleção particular. Foto: Bridgeman Images/Easypix

Uma nova forma de amar Os homens e mulheres que viveram na Idade Média transmitiram ao Ocidente uma forma inteiramente nova de sentir e compreender o amor. Assim, o que os ocidentais denominam “amor romântico” foi inventado no século XII com o amor cortês. Este caracterizou-se pela contradição, ou seja, devia ser vivido e sentido em sua plenitude, mas quase sempre era impossível de ser realizado. Essa contradição foi uma das características que mais se fixou na mentalidade de homens e mulheres do Ocidente nos séculos posteriores. As obras trágicas de William Shakespeare são exemplos da continuidade desse elemento medieval no Ocidente. Em Romeu & Julieta (escrita no fim do século XVI) é evidente a dificuldade em concretizar o amor e o desejo de viver esse amor acima de tudo. Os jovens Romeu e Julieta só ficam juntos definitivamente quando morrem. E morrem por amor.

Unidade 9

Julieta e Romeu, personagens de William Shakespeare, representados em uma ilustração do século XX.

O amor cortês na literatura contemporânea Muitos séculos se passaram desde a Idade Média e o amor cortês continua presente em algumas obras literárias da atualidade, principalmente aquelas voltadas para o público feminino. Leia o texto.

Fotos: Editora Nova Cultu

ral

Os tempos mudaram e o papel da mulher na sociedade também se modificou. Nos anos 1980, esse tipo de literatura acaba abrindo espaço para enredos que refletem a vida moderna, com mulheres que saem para o mercado de trabalho, e que não mais esperam por um marido que as sustentem, mas que ainda esperam viver um amor romântico. Um exemplo dessa literatura são as coleções publicadas pela Editora Nova Cultural desde o final da década de 80 e que continuam fazendo sucesso até os dias atuais, e que têm como carro chefe as séries Sabrina, Julia e Bianca. Somente “Sabrina”, a pioneira, comercializa 40 mil unidades todos os meses, segundo informações da editora. CAVALCANTI, Márcia. Amor e cortesia na literatura contemporânea: um estudo dos “romances rosas” e sua relação com os romances de cavalaria. Disponível em: <www.seer.ufrgs.br/index.php/aedos/article/view/9879/5752>. Acesso em: 7 set. 2015.

A época medieval na Europa

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 1. Explique como o conceito de Idade Média foi moldado no decorrer da história.

2. Defina o conceito de feudalismo. 3. Explique a relação de suserania e vassalagem na sociedade feudal.

5. Descreva as principais transformações técnicas ocorridas na Europa entre os séculos XI e XIII. Quais foram as consequências dessas transformações para a demografia europeia?

6. Como se formaram as corporações de

4. O que foram as Cruzadas? Quais as suas consequências para a economia e a cultura europeias?

ofício? Quais eram as suas funções?

7. Explique o que foi a peste negra.

Expandindo o conteúdo 8. O texto a seguir foi escrito pelo historiador francês Jacques Le Goff no intuito de responder à seguinte questão: “De onde vem a expressão ‘Idade Média’?”. Leia-o. Autor desconhecido. Gravura. Coleção particular. Foto: Sammlung Rauch/INTERFOTO/Latinstock

[A] ideia surgiu no decorrer da própria Idade Média, principalmente perto [de seu fim], primeiro entre estudiosos e artistas que sentem que os séculos transcorridos antes deles — que para nós são o coração da Idade Média — foram um intermédio, uma transição, e também um período obscuro, um tempo de declínio, em relação à Antiguidade, da qual eles têm uma imagem idealizada. Eles sentem saudades dessa civilização antiga, mais refinada (segundo eles). São principalmente os poetas italianos, chamados de “humanistas”, que tiveram esse sentimento, por volta do final do século XV e começo do século XVI. Eles achavam que os seres humanos tinham mais qualidades do que as que lhes eram atribuídas pela fé cristã medieval, que insistia no peso dos pecados do homem diante de Deus. Existe uma segunda razão. O século XVIII [...] — o século das Luzes [...] — conheceu uma onda de desprezo pelos homens e pela civilização da Idade Média. A imagem dominante era a de um período de obscurantismo, no qual a fé em Deus esmagava a razão dos homens. Os humanistas e os iluministas, filósofos do século das Luzes, não compreendiam a beleza e a grandeza daqueles séculos.

Gravura que representa Francesco Petrarca (13041374), humanista e escritor italiano do século XIV. Petrarca utilizou a expressão “Idade das Trevas” para se referir à sua época.

Resumindo, a Idade “Média” é aquela que se estende entre dois períodos que são tidos como superiores: a Antiguidade e os Tempos Modernos, que começam com o Renascimento — uma palavra também muito particular, a Antiguidade renasce, a partir dos séculos XV e XVI, como se a Idade Média fosse um parêntese! LE GOFF, Jacques. A Idade Média explicada aos meus filhos. Tradução Hortencia Lencastre. Rio de Janeiro: Agir, 2007. p. 16-7.

a ) De acordo com Le Goff, quando surgiu a expressão “Idade Média”? b ) Qual era a crítica dos filósofos humanistas à fé cristã medieval? c ) O que os filósofos iluministas pensavam sobre o período medieval?

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Unidade 9

9. Leia o texto a seguir. Pouca gente se dá conta, mas muitos hábitos, conceitos e objetos tão presentes no nosso dia a dia, inclusive o idioma que falamos, vêm [da Idade Média] [...]. Ao tratarmos da História do Brasil, por exemplo, a tendência é começar no dia 22 de abril de 1500, quando Pedro Álvares Cabral e os tripulantes de sua esquadra “descobriram” nossa terra. Mas aqueles homens não traziam atrás de si, dentro de si, toda uma história? Não trouxeram para cá amplo conjunto de instituições, comportamentos e sentimentos? Aquilo que é até hoje o Brasil não tem boa parte de sua identidade definida pela longa história anterior de seus “descobridores”? Dizendo de outro modo, nossas raízes são medievais, percebamos ou não este fato. Pensemos num dia comum de uma pessoa comum. Tudo começa com algumas invenções medievais: ela põe sua roupa de baixo [...], veste calças compridas [...], passa um cinto fechado com fivela [...]. A seguir, põe uma camisa e faz um gesto simples, automático, tocando pequenos objetos que também relembram a Idade Média, quando foram inventados, por volta de 1204: os botões. Então ela põe os óculos (criados em torno de 1285, provavelmente na Itália) e vai verificar sua aparência num espelho de vidro (concepção do século XIII). Por fim, antes de sair olha para fora através da janela de vidro (outra invenção medieval, de fins do século XIV) para ver como está o tempo. [...] Sentindo fome, a pessoa levanta os olhos e consulta o relógio na parede da sala, imitando gesto inaugurado pelos medievais. Foram eles que criaram, em fins do século XIII, um mecanismo para medir o passar do tempo, independentemente da época do ano e das condições climáticas. Sendo hora do almoço, a pessoa vai para casa ou para o restaurante e senta-se à mesa. Eis aí outra novidade medieval! [...] Da mesma forma que os medievais, pegamos os alimentos com colher (criada por volta de 1285) e garfo (século XI, de uso difundido no XIV). Terminada a refeição, a pessoa passa no banco, que, como atividade laica, nasceu na Idade Média. Depois, para autenticar documentos, dirige-se ao cartório, instituição que desde a Alta Idade Média preservava a memória de certos atos jurídicos (“escritura”), fato importante numa época em que pouca gente sabia escrever. FRANCO JÚNIOR, Hilário. Somos todos da Idade Média. Revista de História da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Sabin, ano 3, n. 30, p. 58-60, mar. 2008.

a ) Cite exemplos de objetos e costumes medievais que permanecem em nosso cotidiano. b ) Escreva um pequeno texto sobre a importância desses objetos e costumes em seu dia a dia.

Vestibulares 1. (ENEM-MEC) Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da mentalidade medieval nascido talvez de um profundo sentimento de insegurança, estava difundida no mundo rural, estava do mesmo modo no meio urbano, pois que uma das características da cidade era de ser limitada por portas e por uma muralha. DUBY, G. et al. “Séculos XIV-XV”. In: ARIÈS, P.; DUBY, G. História da vida privada: da Europa Feudal à Renascença. São Paulo: Companhia das Letras, 1990 (adaptado).

As práticas e os usos das muralhas sofreram importantes mudanças no final da Idade Média, quando elas assumiram a função de pontos de passagem ou pórticos. Este processo está diretamente relacionado com: a ) o crescimento das atividades comerciais e urbanas. b ) a migração de camponeses e artesãos. c ) a expansão dos parques industriais e fabris.

d ) o aumento do número de castelos e feudos. e ) a contenção das epidemias e doenças.

2. (UNESP) P regada por Urba no I I, a pri mei ra Cr uzada... [estendeu-se de 1096 a 1099]. O sucesso dos pregadores faz dela uma cruzada popular (aventureiros, peregrinos). É um choque militar, político, mas também cultural e mental, pois a cruzada dilata o espaço e o tempo. TÉTART, P. Pequena história dos historiadores.

O que foi escrito sobre a Primeira Cruzada aplica-se, de maneira geral, às demais. a ) Qual era a finalidade imediata das Cruzadas? b ) Além das alterações culturais e mentais, as cruzadas provocaram modificações de ordem comercial no continente europeu. Discorra sobre essas últimas.

A época medieval na Europa

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Ampliando seus conhecimentos Arte e história

Riquíssimas Horas do Duque de Berry

Em meados do século XV, a arte medieval, especialmente a pintura, passou por uma mudança estilística. O intercâmbio cultural entre artistas italianos, flamengos e de outras regiões do norte da Europa deu origem ao chamado estilo internacional, que se tornou predominante em toda a Europa Ocidental. Esse estilo se caracterizava pela pintura de painéis (ou iluminuras que lembram painéis), por desenhos de figuras com formas arredondadas, roupas amplas, excesso de tecidos e efeitos de sombras aveludadas. Além disso, uma das características mais importantes do estilo internacional era o realismo dos detalhes das pinturas, ou seja, o refinado tratamento que o artista dispensava aos pormenores de sua imagem. Observe a iluminura abaixo, que representa o mês de fevereiro, das Riquíssimas Horas do Duque de Berry. Agora, leia um texto que trata dessa iluminura.

Irmãos Limbourg. Séc. XV. Têmpera sobre velino. 29 x 21 cm. Museu Condé, Chantilly (França). Foto: White Images/Scala, Florence/Glow Images

As iluminuras das Riquíssimas Horas do Duque de Berry comprovam que, apesar da crescente importância da pintura de painéis, a iluminura continuou sendo a forma dominante de pintura no norte da Europa, à época do Estilo Internacional. Feito para o irmão do rei da França, um homem de caráter pouco admirável, que foi, no entanto, o mais generoso protetor das artes de sua época, esse luxuoso breviário representa a fase mais avançada do Estilo Internacional. Os artistas foram Pol de Limbourg e seus dois irmãos, um grupo de flamengos que [...] havia se estabelecido na França [...]. As páginas mais admiráveis das Riquíssimas Horas são as do calendário. Essa espécie de ciclo, representando as atividades próprias de cada mês, era uma antiga tradição da arte medieval. Os irmãos Limbourg, no entanto, ampliaram tais exemplos, transformando-os em visões panorâmicas da vida do homem junto à Natureza. Assim, a iluminura de Fevereiro, a mais antiga paisagem de neve em toda a história da arte ocidental, dá-nos uma visão encantadoramente lírica da vida nas pequenas aldeias ao término do inverno. Aqui, [...] paisagem, interiores e exteriores arquitetônicos estão harmoniosamente unidos num espaço etéreo e profundo. Até mesmo as coisas intangíveis e eva nescentes como o hálito gelado da criada, a fumaça ondulante da chaminé e as nuvens do céu se tornaram passíveis de representação pictórica. JANSON, H. W.; JANSON, Anthony F. Iniciação à História da Arte. 2. ed. Tradução Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 156-60.

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O nome da rosa Filme de Jean-Jacques Annaud. O nome da rosa. Alemanha/França/Itália, 1986

A história no cinema

Baseado na obra homônima do escritor italiano Umberto Eco, o filme O nome da rosa narra a história de um mosteiro beneditino situado no norte da Itália, onde, em 1327, estranhas mortes começam a ocorrer. O motivo dos assassinatos é solucionado em meio a um intenso debate religioso sobre o futuro da Igreja, realizado entre monges beneditinos e frades franciscanos. O filme foi produzido sob orientação do historiador francês Jacques Le Goff, especialista em Idade Média, e contém muitas informações sobre o período Medieval. Além disso, a produção aborda vários elementos da problemática cristã, como a disputa maniqueísta entre o Bem e o Mal, a crença de que o fim do mundo está próximo, as heresias e a influência religiosa sobre o pensamento filosófico na época. Filme de Jean-Jacques Annaud. O nome da rosa. Alemanha/França/Itália, 1986. Foto: Archives du 7e Art/Neue Constantin Film/Glow Images

Título: O nome da rosa Diretor: Jean-Jacques Annaud Atores principais: Sean Connery, Christian Slater, Valentina Vargas, Elya Baskin, Michael Lonsdale

Cena em que aparece o monge franciscano William de Baskerville acompanhado do noviço Adso von Melk.

Ano: 1986 Duração: 130 minutos

Unidade 9

Origem: Itália/Alemanha/ França

Para ler

• •A Idade Média explicada aos meus filhos, de Jacques Le Goff. Editora Agir. O autor aborda o tema da Idade Média de forma leve e didática, explorando seus múltiplos significados.

• •A

Idade Média, nascimento do Ocidente, de Hilário Franco Júnior. Editora Brasiliense. A obra propõe um olhar para a Idade Média como forma de compreendermos nossa realidade atual, na intenção de desconstruir o modo pejorativo que esse período histórico é tratado frequentemente.

• •Ano 1000, ano 2000: na pista de nossos medos, de Georges Duby. Editora

Unesp. O autor faz uma ponte entre os temores das pessoas que viveram na Idade Média e os temores e ansiedades que vivenciamos hoje.

Para navegar

• •Laboratório

de Estudos Medievais. Disponível em: <http://tub.im/hs7006>. Acesso em: 7 set. 2015. Site que reúne pesquisas de estudantes de graduação e de pós-graduação sobre os mais diversos temas ligados ao período Medieval.

• •Revista eletrônica de estudos celtas e germânicos. Disponível em: <http://

tub.im/rmjucg>. Acesso em: 7 set. 2015. No site da Revista Brathair é possível acessar artigos publicados na revista depois de 2010.

A época medieval na Europa

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Rafael Sanzio. 1509-1511. Afresco. Palรกcio Apostรณlico, Cidade Estado do Vaticano. Foto: Photo Scala, Florence/Glow Images

unidade

O Renascimento italiano


No decorrer do século XIV, a sociedade medieval estava em crise e a Europa atravessava um período de grandes transformações culturais, econômicas e políticas. Nesse contexto, teve origem nas cidades-Estado italianas um movimento que ficou conhecido como Renascimento. Desse movimento participavam artistas e pensadores que, buscando inspiração nos valores da Antiguidade Clássica, passaram a exaltar as capacidades humanas e a valorizar a liberdade individual. Os renascentistas consideravam o ser humano como o referencial mais importante na busca pela compreensão dos fenômenos do Universo. Questionando os dogmas da Igreja, eles afirmavam que as pessoas eram criativas e capazes de produzir novos conhecimentos e de transformar a realidade. Nesta unidade, vamos estudar o Renascimento e entender como seus adeptos lançaram as sementes do racionalismo e do individualismo que marcam as sociedades contemporâneas. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A Nesse afresco de Rafael, foram representados vários sábios da Antiguidade Clássica reunidos, entre eles Sócrates, Platão e Aristóteles. Tente identificá-los. B Segundo o historiador Nicolau Sevcenko, os renascentistas iniciaram uma “revolução cultural que fundou nosso mundo moderno”. Converse com os colegas e procure explicar essa afirmação.

A Escola de Atenas, afresco produzido pelo pintor renascentista Rafael Sanzio, no início do século XVI.

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A época do Renascimento Na unidade anterior, vimos que, entre os séculos XI e XIII, a Europa passou por um processo de grande desenvolvimento econômico, por causa do aumento da produção agrícola e da expansão comercial e urbana. Entretanto, no final do século XIII, esse desenvolvimento desacelerou. Para alguns estudiosos, essa situação, chamada de “crise do século XIV”, foi provocada por vários motivos, com destaque para a Guerra dos Cem Anos e a peste negra. A guerra e a peste causaram grande mortandade da população, o que diminuiu a quantidade de mão de obra disponível, encarecendo a produção artesanal e agrícola. Essa situação agravou as tensões sociais, pois a nobreza, enfraquecida pelos custos da guerra, aumentava a cobrança de taxas e serviços, levando a frequentes revoltas populares, organizadas principalmente por camponeses, artesãos e pequenos comerciantes. Nesse contexto de crise, a burguesia comercial e financeira ascendia socialmente, adquirindo propriedades de nobres falidos. Ela também apoiava a concentração de poderes na figura do rei, pois isso significava a unificação da moeda, dos pesos e das medidas e também a segurança e a proteção de seus mercados contra os concorrentes externos. Cúria: na Idade Média, era a corte papal, responsável pela administração dos territórios pontifícios.

Iluminura do século XV que representa, à esquerda, a coroação do papa Gregório XI em Avignon, em 1370, e, à direita, uma batalha da Guerra dos Cem Anos.

A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) A Guerra dos Cem Anos foi uma série de conflitos de origem política e econômica entre França e Inglaterra. Politicamente, a Inglaterra reclamava direitos hereditários sobre o trono francês, enquanto a questão econômica girava em torno da disputa pela região de Flandres, que prosperava com a produção de tecidos de lã. Flandres adquiria lã da Inglaterra, e a França procurava se apropriar desse mercado. Após um início de grandes vitórias dos ingleses, os franceses conseguiram se reorganizar, derrotando-os. Esse conflito causou grande destruição dos campos cultiváveis, levando à fome, além de ajudar a disseminar a peste pelas aldeias. Do ponto de vista político, sobretudo para a França, a guerra contribuiu para enfraquecer a nobreza feudal e aumentar o poder do rei.

Autor desconhecido. Séc. XV. Iluminura. Biblioteca Nacional da França, Paris. Foto: White Images/Scala, Florence/Glow Images

A Igreja em crise Após a eleição do papa Clemente V, em 1309, a cúria romana se transferiu para a cidade francesa de Avignon, sob a alegação de que Roma era insegura. Com isso, a Igreja ficou em situação delicada, perdendo o controle sobre os territórios pontifícios e sendo alvo de críticas dos fiéis. Depois do retorno do papado a Roma, em 1377, teve início uma crise ainda mais séria, conhecida como Cisma do Ocidente, que durou de 1377 a 1417. Nesse período, dois papas coexistiram, um na França e outro na Itália. Essa divisão refletia os conflitos internos da Igreja e também os externos, entre França e Inglaterra: o primeiro reconhecia o papa de Avignon e o segundo, o de Roma. O Cisma do Ocidente foi um acontecimento diretamente ligado à Guerra dos Cem Anos.

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O contexto italiano No norte e no centro da Itália, a situação era diferente do restante da Europa. Nessas regiões, encontravam-se as áreas mais urbanizadas de toda a Europa. Nelas, o meio urbano laico era movimentado por um grande fluxo de riquezas proporcionado pela ampla atividade comercial. Isso propiciou o enriquecimento das instituições comerciais e bancárias, da mesma forma que estimulava as atividades manufatureiras. As grandes cidades mercantis italianas, como Gênova, Veneza e Florença, eram independentes entre si. Havia lutas constantes pelo poder entre as famílias mais poderosas dessas cidades e também entre cidades vizinhas. Nesses conflitos, destacavam-se as forças mercenárias, lideradas pelos condottieri (comandantes), que muitas vezes exerciam o controle político sobre a cidade.

O mecenato Na época do Renascimento, o termo “mecenato” passou a indicar a prática de patrocínio e incentivo às atividades culturais, artísticas, científicas e intelectuais por parte de pessoas ricas, conhe­ cidas como mecenas. Essa prática se tornou comum em vários lugares da Europa durante o Renascimento, sobretudo em Florença, na Itália.

Entre as famílias ricas, havia também um outro tipo de disputa, que se manifestava por meio da ostentação de riqueza e poder. Uma das formas de ostentação era tornar-se um benfeitor das artes e da cultura, apoiando artistas que expressassem valores novos em suas obras. Esses benfeitores eram chamados de mecenas. A burguesia italiana enriquecida sentia a necessidade de se afirmar divulgando valores desvinculados da tradição religiosa e aristocrática.

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Niccolò di Pietro Gerini. c. 1390. Afresco. Igreja de São Francisco de Assis, Prato (Itália). Foto: Photo Scala, Florence/Glow Images

Esse universo conflituoso e turbulento, em que os valores individualistas começavam a se sobrepor aos valores teológicos tradicionais, criou o ambiente propício para que a Itália fosse a pioneira de um grande processo de renovação intelectual e cultural, que ficou conhecido como Renascimento.

Esse afresco do século XIV representa dois banqueiros florentinos. Concentrando grandes riquezas, a burguesia financeira e comercial fez de Florença a mais próspera das cidades mercantis italianas.

O Renascimento italiano

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Giorgio Vasari. 1550. Folha de rosto. Biblioteca Riccardiana, Florença (Itália). Foto: Photo Scala, Florence/Glow Images

Por que Renascimento? As transformações sociais, políticas e econômicas do final da Idade Média propiciaram também a modificação das estruturas mentais, ou seja, deram ensejo a novas formas de pensamento. O termo “Renascimento” foi criado no século XVI para caracterizar uma época de “renovação” cultural e intelectual em relação à Idade Média. Giorgio Vasari, pintor e arquiteto italiano, provavelmente foi o primeiro a usar esse termo, em uma obra sobre a vida de pintores, escultores e arquitetos italianos. É interessante destacar que, mesmo com o resgate de elementos da Antiguidade greco-romana, os renascentistas acreditavam estar inaugurando algo novo, “renascendo” intelectualmente após o período medieval.

Fac-símile da folha de rosto do livro A Arquitetura, escrita no século XV por Leon Batista Alberti (1404-1472). Nascido em Gênova, Alberti era tido como uomo universale, ou seja, um homem que dominava várias áreas do conhecimento. Suas obras tinham profunda influência do legado da Grécia Antiga e expuseram muitas das características do Renascimento italiano. O fac-símile ao lado foi publicado por Giorgio Vasari, em 1550.

Linha do tempo c. 1305

Giotto cria pinturas que, mais tarde, são consideradas marcos da transição da arte medieval para a renascentista.

Renascimento italiano

1351

Boccaccio conclui Decameron, sua obra principal.

1300

1400

c. 1485

Sandro Botticelli pinta O nascimento de Vênus.

1494

Invasão da Itália por Carlos VIII, rei da França.

1500

Trecento Século XIV

Quattrocento Século XV

Período de transição dos valores artísticos medievais para os renascentistas, por isso também é chamado de pré-renascentista. As obras do pintor Giotto já se afastavam do modelo medieval, representando figuras humanas de maneira naturalista. No campo literário, a obra poética de Francisco Petrarca também foi considerada como precursora do Renascimento.

A prosperidade econômica de várias cidades italianas se reflete na arte renascentista como um todo. Entre os artistas desse período, destacam-se os escultores Ghiberti e Donatello e os pintores Masaccio e Sandro Botticelli. Além dos italianos enriquecidos, a própria Igreja passa a encomendar obras monumentais renascentistas, como a cúpula da catedral de Santa Maria del Fiori, em Florença, feita pelo arquiteto Brunelleschi.

1519

Início da viagem de Fernão de Magalhães ao redor do mundo.

1543

Nicolau Copérnico publica Sobre as revoluções da órbita terrestre, afirmando que a Terra gira em torno do Sol.

1600

Cinquecento Século XVI Esse período ficou conhecido como a “Idade de Ouro” da arte renascentista italiana, com destaque para as obras de artistas como Michelangelo, Rafael e Leonardo da Vinci. Por outro lado, a crise econômica atingiu várias regiões da Itália, principalmente por causa da expansão marítima de Portugual e Espanha, possibilitando a esses reinos o controle do comércio de especiarias antes dominado por italianos e árabes.

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A visão de mundo humanista Durante a Idade Média, a visão de mundo que prevalecia nos meios eruditos era dominada pelas ideias defendidas e propagadas pela Igreja, o que colocava a teologia em posição de destaque. A partir do século XIV, no entanto, uma elite de estudiosos formada tanto por laicos quanto por clérigos passou a apresentar novas propostas de estudo e de ensino. Os humanistas, como ficaram conhecidos mais tarde, iniciaram um movimento de renovação do conhecimento tradicional. Para isso, defenderam um programa de “estudos humanistas” (studia humanitatis), composto de poesia, gramática, história, filosofia, matemática, retórica e ética. Essa renovação exigia o domínio do latim e do grego e o conhecimento dos textos dos autores clássicos, pois os humanistas consideravam que a mais alta cultura, a que valorizava a ação criativa dos indivíduos, havia sido aquela que desabrochara na Antiguidade greco-romana. Esse ideal de revalorização de uma cultura criada em um universo pagão não significa que os humanistas fossem antirreligiosos. O que eles criticavam era o dogmatismo e a estagnação do saber tradicional.

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Autor desconhecido. 1647. Gravura. Biblioteca Nacional da França, Paris. Foto: Akg-Images/Latinstock

Além disso, os humanistas não formaram um grupo coeso em torno de uma filosofia comum e homogênea. Cada estudioso tinha temas e autores de sua preferência e, muitas vezes, eles divergiam entre si quanto aos aspectos da Antiguidade que privilegiavam. No entanto, compartilhavam um sentimento comum de entusiasmo pelo estudo dos autores antigos, e não de simples imitação destes. Além disso, concordavam com a ideia de que era necessário e essencial, acima de tudo, o respeito à liberdade de pensamento, pois este era o único modo de garantir a sua originalidade.

Gravura do século XVII que representa um humanista observando o céu noturno.

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As divergências com a teologia católica Na época do Renascimento, a tradição católica europeia valorizava o conhecimento adquirido pelo método escolástico. Caracterizado sobretudo pelo problema da relação entre a fé e a razão, esse método se baseava na tentativa de conciliação entre um ideal de racionalidade — com inspiração na tradição grega do platonismo e aristotelismo — e na autoridade da Bíblia, tal como a concebiam a fé e os textos canônicos da época. Os renascentistas, por sua vez, valorizavam o conhecimento obtido com base na análise dos fenômenos naturais e humanos. Conheça, a seguir, a interpretação escolástica e a interpretação renascentista de algumas questões fundamentais nessa época. Interpretação escolástica Teocentrismo: Deus como referencial O teocentrismo (do grego theos = deus) consiste na ideia de que Deus é o único referencial aceitável para se explicar os fenômenos do Universo. Bastante difundida entre a população da época, essa visão defendia que tudo o que existe foi criado por Deus e que o ser humano, após a morte, só pode “ascender aos céus” por meio da fé na Igreja, nos anjos e nos santos católicos.

Geocentrismo: a Terra no centro do Universo

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O modelo cosmológico geocêntrico (do grego geo = terra), embasado na astronomia de Aristóteles, adequava-se à tradição religiosa que considerava a Terra como o centro de toda a criação divina, pois é em sua superfície que vive o ser humano, tido como a principal criação de Deus. Para muitas pessoas daquela época, a simples sensação de que o solo terrestre está parado era suficiente para comprovar que a Terra não se move.

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Modelo geocêntrico do astrônomo alemão Peter Apian (século XVI), que mostra a Terra sendo orbitada pelos corpos celestes conhecidos na época: a Lua, os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno; o Sol, na quarta órbita celeste; as demais estrelas, na oitava órbita; e, na última, Deus e os “bem-aventurados” que “ascenderam aos céus”.

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Autor desconhecido. Séc. XV. Velino. Coleção particular. Foto: Granger, NYC/Glow Images

Interpretação renascentista Antropocentrismo: o homem como referencial O antropocentrismo (do grego anthropos = homem) consiste na ideia de que o ser humano é a principal referência para se compreender os fenômenos do Universo. Essa concepção humanista estabelece que as pessoas são capazes de compreender Deus e o Universo por meio da própria razão, sem depender do intermédio de clérigos. Os antropocentristas propunham uma tomada de consciência individual que estimulasse a capacidade criativa humana, proporcionando a produção constante de inovações artísticas e científicas em busca de um conhecimento universal.

Heliocentrismo: o Sol no centro do Universo O antigo modelo cosmológico heliocêntrico (do grego helios = sol), apesar de já ter sido desprezado pela Igreja, foi reformulado pelo padre e astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543). Ele desenvolveu teorias fundamentais para a astronomia moderna, ao conceber a Terra como um planeta que realiza movimentos de rotação (em torno de si mesmo) e de translação (em uma órbita ao redor do Sol). Com o passar do tempo, os astrônomos abandonaram o geocentrismo, já que os cálculos astronômicos feitos com base no modelo heliocêntrico eram mais precisos.

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Thomas Digges. Séc. XVI. Carta celeste. Coleção particular. Foto: Jay M. Pasachoff/Getty Images

Iluminura do século XV que representa astrônomos observando o céu e fazendo cálculos para determinar as órbitas dos corpos celestes.

Modelo heliocêntrico dos astrônomos ingleses Leonard e Thomas Digges (século XVI), que apresenta a Terra como um dos planetas que orbitam ao redor do Sol. Estudos posteriores demonstraram que as órbitas planetárias não são circulares, mas sim elípticas.

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A ciência no Renascimento O tema desta página favorece um trabalho interdisciplinar com Matemática. Veja, nas Orientações para o professor, uma atividade complementar sobre esse assunto.

Muitos pensadores renascentistas, influenciados pelo humanismo, dedicaram-se ao estudo das ciências. Na época do Renascimento, a ciência também era chamada pelos europeus de “filosofia natural”, ou seja, o conhecimento da natureza. Alguns humanistas buscavam formular um método de estudo racional e universal, processo que foi importante para a fundamentação da chamada ciência moderna. A ciência moderna é composta por um sistema de princípios universais chamados de “leis”, as quais podem ser evidenciadas por qualquer cientista, desde que utilize um método pautado por critérios científicos. Durante o Renascimento, os estudiosos da ciência não possuíam um método de estudo único, mas aprimoraram três faculdades mentais que se tornaram as bases do método científico moderno: raciocínio, observação e experimentação.

••O raciocínio, isto é, a capacidade de se obter conclusões com base na razão, era

valorizado pelos teólogos católicos, desde que permanecesse vinculado à fé. Baseando-se nos escritos dos filósofos da Grécia Antiga, os humanistas introduziram na ciência de sua época o raciocínio expresso em fórmulas matemáticas e projeções geométricas, o que contribuiu para uma gradual dessacralização do mundo, aprimorando dessa maneira o conhecimento da natureza.

••A observação também era valorizada nessa época, mas os humanistas deram um

Giovanni Stradano. Séc. XVII. Gravura. Coleção particular. Foto: Bianchetti/Leemage/Bridgeman Images/Easypix

novo estímulo à capacidade humana de observar a natureza ao valorizar a curiosidade, isto é, a vontade de conhecer tudo que ainda é desconhecido.

A difusão do conhecimento produzido pelos cientistas renascentistas foi possível por causa da criação da prensa móvel, no século XV, pelo alemão Johannes Gutenberg. Essa invenção possibilitou a impressão de páginas em grande quantidade, acelerando a difusão de livros pela Europa. Acima, gravura do século XVIII que representa uma oficina de impressão de livros.

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• •A experimentação consiste na capacidade humana de reproduzir um fenômeno

específico, mantendo sempre as mesmas condições ambientais e verificando quais características desse fenômeno se repetem, a fim de estabelecer uma teo­r ia (ou “lei”) para seu funcionamento. Apesar de ter sido criticada por vários teólogos da escolástica, alguns clérigos já haviam demonstrado a sua importância, como fez o franciscano inglês Roger Bacon (1214-1294), que desenvolveu importantes estudos científicos utilizando métodos experimentais. Autor desconhecido. Séc. XVI. Ilustração. Biblioteca Estadual de Berlim (Alemanha). Foto: Akg-Images/Latinstock

Baseados nessas três faculdades, os pensadores renascentistas elaboraram métodos inovadores e promoveram grandes avanços científicos, em áreas como física, ótica, astronomia, geografia, cartografia, biologia (chamada, na época, de “história natural”), medicina, química e engenharia.

A crença no sobrenatural Na época do Renascimento, grande parte da população europeia buscou se aproximar do mundo considerado sobrenatural, isto é, inacessível aos sentidos humanos. Porém, as iniciativas de alguns indivíduos para tentar “compreender o incompreensível” eram condenadas pela Igreja, que pretendia ser o único elo entre o ser humano e o mundo sobrenatural. Apesar disso, muitos pensadores se dedicavam ao estudo das então chamadas “ciências ocultas”, como a alquimia e a astrologia, que se utilizavam de métodos e produziam efeitos que eram considerados “mágicos”. Os pensadores renascentistas também foram influenciados por antigas linhas de estudo consideradas mágicas, como o hermetismo, atribuído ao lendário mestre Hermes Trismegisto. Desse modo, as ideias e os símbolos herméticos, astrológicos e alquímicos foram amplamente divulgados pelos renascentistas. Ilustração do século XVI que representa um alquimista.

Johannes Kepler

Johannes Kepler. Séc. XVI. Ilustração. Coleção particular. Foto: World History Archive/Alamy Stock Photo/Latinstock

O alemão Johannes Kepler (1571-1630) tornou-se um dos mais importantes cientistas da época, contribuindo para uma nova direção do pensamento científico no Ocidente. Kepler conheceu a teoria heliocêntrica de Copérnico durante seus estudos na Universidade de Tübingen e foi profundamente influenciado por ela. Em 1600 tornou-se assistente do astrônomo Tycho Brahe (1546-1601), que o encarregou de calcular o movimento de Marte. Com base no estudo da órbita de Marte, Kepler descobriu que as órbitas dos planetas são elípticas, e não circulares como se acreditava. Ele também chegou à conclusão de que um planeta se move mais rápido quando está mais próximo do Sol. Além disso, ele concluiu que quanto mais distante está o planeta do Sol, mais tempo leva para completar sua revolução. Essas descobertas ficaram estabelecidas nas chamadas Leis de Kepler e suas contribuições serviram para a compreensão de que a Terra, o Sol e os planetas são objetos de uma mesma natureza, e não coisas isoladas, além de terem sido base para as formulações de Isaac Newton (1643-1727) sobre as leis da gravitação. Newton disse: “Se eu consigo ver mais longe do que os outros, é porque me apoio nos ombros de gigantes”. Kepler, com certeza, era um desses gigantes.

Esquema feito por Johannes Kepler para representar a força de atração do Sol sobre os planetas.

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O sujeito na história


A arte renascentista na Itália O período renascentista foi marcado por grande desenvolvimento comercial, propiciado pelo crescimento dos centros urbanos, pelas mudanças ocorridas em vários campos do conhecimento e pelo enriquecimento da burguesia, que passou a financiar artistas por meio da prática do mecenato. Dorothy Alexander/Alamy Stock Photo/Latinstock

Mesmo representando temas religiosos, a arte renascentista se aproximou do humanismo e buscou inspiração na estética clássica greco-romana, representando elementos de maneira mais fiel à realidade e incorporando temas populares às suas obras. Veja a seguir as principais características de cada uma das expressões artísticas do Renascimento.

Arquitetura e escultura A arquitetura produzida durante o Renascimento procurou resgatar elementos da Antiguidade Clássica, como o equilíbrio e a harmonia das formas. Destacaram-se os arquitetos Filippo Brunelleschi, Donnato Bramante, Leon Alberti e Andrea Palladio. A escultura foi outra importante manifestação artística do Renascimento. Baseando-se em estudos de anatomia, os escultores representavam figuras humanas com formas mais harmoniosas. Nessa época, artistas como Ghiberti, Donatello e Michelangelo inovaram nas técnicas e deram grande expressividade às suas esculturas.

Lorenzo Costa. Séc. XV. Óleo sobre painel. 95,3 x 75,6 cm. Galeria Nacional de Londres (Inglaterra)

A obra Davi foi esculpida em mármore por Michelangelo e concluída em 1504. Fotografia de 2015 retratando turistas observando Davi na Galeria da Academia de Belas Artes de Florença, Itália.

Música Os músicos renascentistas procuraram criar novas formas e estruturas musicais, além de aperfeiçoarem vários instrumentos para que pudessem produzir maior variedade de sons. Temas rejeitados pela Igreja durante a Idade Média passaram a ser incorporados nas canções, assim como os instrumentos musicais — entre eles o alaúde, o saltério e as violas de gamba — tornaram-se mais utilizados. As músicas profanas, de caráter não religioso, eram cantadas por muitas vozes e tocadas por vários instrumentos ao mesmo tempo. No século XVI, a frótola, um tipo de canção simples e com tema amoroso, tornou-se a principal variedade de música não religiosa.

Concerto, pintura do século XV feita por Lorenzo Costa. Nela, vemos representados músicos cantando e tocando um alaúde.

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Literatura Gêneros literários clássicos, como a poesia lírica e a epopeia, foram retomados e renovados pelos autores renascentistas. Destacaram-se escritores como Francesco Petrarca, autor de Cancioneiro, obra que contém cerca de 350 poemas líricos nos quais o autor fala de seus próprios sentimentos; e Giovani Boccaccio, autor de Decameron, uma novela que reúne cem contos curtos, narrados por jovens e que trata de forma não idealizada os sentimentos humanos, como inveja, traição e paixão. Contudo, o escritor de maior importância desse período foi Dante Alighieri, autor de A divina comédia.

Pintura O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, feita em 1485.

A técnica da perspectiva Outra característica que diferenciou a arte renascentista da medieval foi a utilização da técnica da perspectiva. Baseada em cálculos matemáticos e geométricos, essa técnica faz com que os objetos de uma cena pareçam estar em profundidades diferentes, tal como se vê em um ambiente real. Para causar essa impressão nos observadores, os pintores traçavam linhas que se encontram no chamado ponto de fuga.

Paolo Uccello. c. 1470. Óleo sobre painel. Museu Ashmolean, Oxford (Inglaterra)

Com o aprimoramento dessa técnica, na época do Renascimento, a pintura passou a ser considerada também uma atividade intelectual, aproximando-se do mundo das ciências e exigindo conhecimentos de geometria por parte dos artistas.

Pintura de Paolo Uccello, A caçada na floresta, de cerca de 1470. Nessa obra, os elementos representados, como as árvores, as pessoas, os cães, os cavalos e a estrada no canto direito, dão a impressão de convergirem recuando até o ponto de fuga.

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Ao contrário das obras estáticas, típicas do período medieval, as pinturas renascentistas se caracterizaram pela sensação de liberdade e movimento dos corpos e também por representar as imagens com traços mais naturais. As primeiras obras que marcaram a transição da pintura medieval para a renascentista são de Giotto, que representava os personagens e os objetos com formas mais próximas à realidade, preocupando-se com noções de espaço e de profundidade. Depois de Giotto, outros pintores aprimoraram as técnicas de pintura, entre eles Masaccio, Rafael, Michelangelo, Ticiano e Sandro Botticelli.

Sandro Botticelli. 1485. Têmpera sobre tela. 172,5 x 278,5 cm. Galeria dos Ofícios, Florença (Itália)

Pintura

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O cotidiano nas cidades italianas Durante o período renascentista, as cidades italianas cresceram. Muitas pessoas deixavam de trabalhar no campo para viver nessas cidades, onde desenvolviam atividades ligadas ao comércio ou à prestação de serviços em lojas e oficinas.

Giorgio Vasari. Séc. XVI. Afresco. Palazzo Vecchio, Florença (Itália). Foto: Photo Scala, Florence/Glow Images

O desenvolvimento urbano também proporcionou o florescimento cultural e a melhoria na qualidade de vida, principalmente para as camadas mais privilegiadas da sociedade. As villas Grande parte das famílias italianas ricas vivia nas cidades. Porém, elas também possuíam propriedades no campo, que utilizavam para o lazer e o descanso. O costume de ir ao campo repousar era comum entre os antigos romanos. Foram eles também que deram o nome de villas às propriedades rurais. Esse costume da Antiguidade Clássica foi resgatado por várias famílias ricas na época do Renascimento.

Movimentação de pessoas nas ruas de Florença, Itália, durante o Renascimento. Afresco de Giorgio Vasari, feito no século XVI.

A educação na época renascentista Nas principais cidades italianas, as escolas geralmente eram frequentadas pelos membros de famílias ricas. Nelas, os alunos aprendiam sobre literatura clássica, matemática, política e boas maneiras — modos de falar, ouvir, comer, vestir-se e portar-se em locais públicos —, além de praticar esportes como natação e hipismo. Mesmo existindo escolas, algumas famílias ricas preferiam que seus filhos fossem instruídos em casa. Leia o trecho a seguir.

[...] Do jovem humanista Michele Verini encarrega-se em primeiro lugar seu pai, e o faz precocemente, por certo antes de seus sete anos. Mas quanto mais ele progride, mais a equipe de seus professores domésticos aumenta, para atingir, entre seus dez e seus quinze anos, uma meia dúzia de pessoas. [...] Os objetivos dessa formação doméstica não são [...] exclusivamente privados, longe disso. Instruir um rapaz é em primeiro lugar colocá-lo em condição de dominar rapidamente as técnicas da profissão em que se engajará e de participar digna e eficazmente da vida pública. [...] LA RONCIÈRE, Charles de. A vida privada dos notáveis toscanos no limiar da Renascença. In: DUBY, Georges (Org.). História da vida privada: da Europa feudal à Renascença. Tradução Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. v. 2. p. 282.

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A importância da Igreja O período renascentista foi marcado por grandes mudanças nas áreas artística, cultural e econômica. Apesar disso, a religião cristã continuou a ter papel de destaque nas cidades e também na área rural. Era comum as casas possuírem oratórios, nos quais as pessoas acendiam velas em devoção aos santos católicos. Outro aspecto que evidencia a importância da religião nesse período é a presença das catedrais nas cidades italianas. Suas construções eram financiadas, geralmente, por príncipes, papas e governantes das cidades, que pretendiam demonstrar a todos seu poder e influência. Nesses recintos, somente os ricos e privilegiados podiam se sentar durante as cerimônias, enquanto os mais pobres ficavam em pé, nos fundos.

O lazer nas cidades italianas Havia muitas festas e comemorações nas ruas e praças das cidades italianas. Carnavais, procissões e espetáculos esportivos, como corridas de cavalos, jogos com bola e lutas de boxe, eram realizados em diferentes épocas do ano. Durante esses eventos, as pessoas usavam suas melhores vestimentas e decoravam as ruas e as janelas das casas com tecidos coloridos, bandeiras e flores. Muitos acompanhavam essas festividades das sacadas de suas residências. Já os membros das camadas privilegiadas se divertiam fazendo reuniões com jantares requintados, em que havia várias atrações, como encenações teatrais, apresentação de músicos e acrobatas.

Passado e presente

Veneza e suas gôndolas

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Veneza era uma das cidades italianas mais movimentadas na época do Renascimento. Por ser cortada por canais, era comum o transporte de pessoas e mercadorias em pequenas embarcações conhecidas como gôndolas.

Vittore Carpaccio. c. 1494. Óleo sobre tela (detalhe). Galeria da Accademia, Veneza (Itália)

curtis/Shutterstock.com

Ainda hoje as gôndolas são utilizadas pelos moradores de Veneza. Além disso, são uma grande atração para turistas de diferentes lugares do mundo que visitam essa cidade todos os anos.

À esquerda, detalhe de pintura feita por Vittore Carpaccio, no final do século XV, em que se pode observar a movimentação de gôndolas em um canal de Veneza. À direita, fotografia recente de Veneza em que aparecem gôndolas transportando pessoas.

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O Renascimento em outras regiões Muitos fatores possibilitaram que o movimento renascentista também ocorresse em outros Estados da Europa. Segundo o historiador brasileiro Nicolau Sevcenko, o que mais contribuiu para a expansão desse movimento foi, após a “crise do século XIV”, o início de um período de prosperidade comercial vivenciado pelos europeus no começo do século XV. Essa boa fase permitiu o florescimento de ricos centros urbanos e o surgimento de uma aristocracia interessada em financiar e consumir uma produção artístico-intelectual impregnada de novos valores e ideais.

Albrecht Dürer. c. 1521. 59,5 x 48,5 cm. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa (Portugal). Foto: Album/Scala, Florence/Glow Images

Assim, o movimento renascentista floresceu em várias regiões da Europa, adquirindo características próprias em cada uma delas. A influência do Renascimento manifestou-se principalmente na Alemanha, em Flandres (região da atual Bélgica), na França, na Inglaterra, na Espanha e em Portugal. Alemanha Quando houve a difusão dos ideais renascentistas e humanistas na Alemanha, no final do século XV e início do XVI, a região estava sob o impacto da Reforma Protestante liderada por Martinho Lutero, que criticava os abusos da Igreja Católica. Nesse contexto conturbado, os ideais renascentistas influenciaram, principalmente, a produção artística, na qual se destacaram as obras de Albrecht Dürer e Hans Holbein. Suas gravuras e pinturas receberam influência da Renascença italiana, mas também apresentavam características propriamente germânicas, geralmente abordando temas religiosos de forma trágica e sombria.

São Gerônimo, pintura de Albrecht Dürer, feita em 1521.

França Na França, durante o período renascentista, os mecenas tiveram uma importante participação, financiando pintores, poetas, arquitetos e intelectuais. Nesse período, surgiram novas ideias, como as do filósofo Michel de Montaigne. Em sua obra intitulada Ensaios, publicada em três volumes, ele defende uma postura cética em relação a dogmas ou verdades absolutas, tecendo críticas tanto à Igreja quanto aos homens da ciência. Para ele, os sentidos humanos não são confiáveis e o caminho para se libertar da superstição e da hipocrisia está na dúvida, e não na fé. Vadim Petrakov/Shutterstock.com

Portugal O Renascimento em Portugal é caracterizado pelo otimismo decorrente das Grandes Navegações. Na literatura, destacou-se Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas, obra épica que relata a expansão marítima portuguesa. A escultura e a arquitetura manifestaram um estilo propriamente português, conhecido como manuelino, assim chamado por ter se desenvolvido durante o reinado de D. Manuel I, entre os anos de 1495 e 1521. Fotografia atual da Torre de Belém, em Lisboa, Portugal, exemplo de obra arquitetônica em estilo manuelino. Esse monumento foi construído entre 1514 e 1519.

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Espanha Na Espanha, o movimento renascentista se manifestou no final do século XV, no contexto das Grandes Navegações. Vários artistas produziram pinturas e esculturas com forte teor religioso. Porém, uma das obras mais conhecidas do Renascimento espanhol é Dom Quixote de La Mancha, do escritor Miguel de Cervantes. O livro conta as aventuras fantasiosas de um cavaleiro medieval, parodiando os romances de cavalaria como uma maneira de criticar a sociedade espanhola da época, considerada atrasada e ainda feudal.

Inglaterra Durante os séculos XVI e XVII, a Inglaterra passou por um período de prosperidade, alcançado, principalmente, pelas trocas comerciais e pela exploração das colônias no continente americano. Nessa época, nasceu uma cultura literária que contribuiu para a formação da identidade nacional inglesa. Muitas obras foram produzidas com características tipicamente humanistas, dentre as quais se destacaram as peças teatrais de William Shakespeare. Seus primeiros trabalhos abordavam temas otimistas, baseados em sólidos valores morais; no entanto, com o tempo, passaram a transmitir certo desapontamento com a natureza humana, abordando temas como dramas existenciais, cinismo e desilusão.

O tema sobre o Renascimento na Inglaterra favorece um trabalho interdisciplinar com Literatura. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão de atividade sobre esse assunto.

Flandres

Jan van Eyck. c. 1434. Óleo sobre painel. 83,7 x 57 cm. Galeria Nacional de Londres (Inglaterra)

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Em Flandres, o Renascimento floresceu entre os séculos XIV e XV, influenciando a literatura, a filosofia e as artes. No campo da pintura, surgiram novos temas e novas formas de representação. Os artistas flamengos, buscando maior nível de detalhamento, desenvolveram novas técnicas, como a pintura a óleo, que conferiam mais vivacidade às obras. Um dos temas que se popularizaram nas pinturas foram as cenas do cotidiano familiar, as quais retratavam a riqueza do interior de residências ou palácios de banqueiros e comerciantes burgueses.

O casal Arnolfini, pintado pelo artista flamengo Jan van Eyck, em 1434. Essa obra representa o casamento de um rico banqueiro italiano.

Explorando a imagem a ) A pintura a óleo possibilita ao artista maior detalhamento em suas obras. Em quais partes dessa tela pode-se observar maior riqueza de detalhes? b ) Identifique alguns elementos na tela que indicam a riqueza desse casal de burgueses. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

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Explorando o tema

Leonardo da Vinci: o gênio do Renascimento

Leonardo da Vinci. c. 1505. Óleo sobre painel. 77 x 53 cm. Museu do Louvre, Paris (França). Foto: Corel Stock Photo

Nascido na cidade de Vinci, na Itália, Leonardo é considerado um dos maiores artistas do Renascimento. Ele possuía grande aptidão em diversas áreas do conhecimento, como pintura, escultura, anatomia, engenharia, cartografia e botânica.

Pintura Leonardo da Vinci foi um grande pintor e produziu diversas obras, como A última ceia (1497) e A virgem dos rochedos (1478). No entanto, poucas de suas pinturas sobreviveram ao tempo, sendo uma das mais famosas a Mona Lisa. Nela, estão presentes algumas das técnicas de pintura mais usadas por Leonardo, como a perspectiva e o sfumato.

Anatomia

Leonardo da Vinci. c. 1510. Caneta e giz sobre papel. Royal Collection Trust, Londres (Inglaterra)

Leonardo da Vinci. c. 1492. Tinta sobre papel. Galeria da Accademia, Veneza (Itália). Foto: Jakub Krechowicz/Shutterstock.com

Durante o Renascimento, os estudos de anatomia tiveram um grande desenvolvimento; Leonardo foi uma figura importante nesse processo. Para ele, o estudo da anatomia humana era uma importante ferramenta de auxílio ao artista, pois permitia que a representação do corpo, na pintura ou na escultura, fosse a mais próxima possível da realidade. Para adquirir esse conhecimento, Leonardo realizou diversas dissecações, desenhando em detalhes partes internas do corpo humano. Com isso, além de contribuir para o desenvolvimento da pintura, ele auxiliou no avanço científico da medicina.

Homem Vitruviano, desenho de 1492 em que Leonardo da Vinci representou as medidas e proporções consideradas ideais do corpo de um homem.

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Estudo de Leonardo da Vinci sobre gestação humana realizado aproximadamente em 1510.

Uma das pinturas mais famosas da história, a Mona Lisa foi concluída por Leonardo da Vinci por volta de 1505.

Sfumato: técnica utilizada pelos pintores para suavizar traços e linhas das pinturas, proporcionando um efeito “esfumaçado”. O uso dessa técnica pode ser observado nos cantos dos lábios de Mona Lisa, criando seu famoso “sorriso enigmático”.


Leonardo da Vinci. c. 1485. Sanguínea sobre papel. Museu Britânico, Londres (Inglaterra)

Leonardo da Vinci engenheiro As atividades de Leonardo como engenheiro se destacaram em duas áreas: a engenharia civil e a militar. Na engenharia civil, ele projetou pontes, eclusas, desvios de rios e canais, entre outros. Na engenharia militar, fez o projeto de diversas máquinas e mecanismos de guerra. A falta de tecnologia, na época, impossibilitou a realização da maioria desses projetos, como carros blindados, tanques, catapultas gigantes, canhões com múltiplos disparos, entre outros.

Os inventos Leonardo da Vinci, assim como muitos pensadores renascentistas, procurou criar meios para controlar a natureza. Com o intuito de melhorar a exploração dos recursos hídricos, por exemplo, ele criou vários projetos como o do escafandro e o do submarino, além de nadadeiras, boias salva-vidas e diversos modelos de navios.

Em 2002, a parapentista inglesa Judy Leden realizou um voo de asa-delta construída com base nos estudos de Leonardo da Vinci, comprovando a eficácia dessa invenção.

Leonardo da Vinci. c. 1510. Sanguínea sobre papel. Biblioteca Real, Turim (Itália)

Para as necessidades do cotidiano, ele inventou vários objetos, como máquinas de fiar e guindastes de diferentes tipos, e desenvolveu um dos primeiros projetos de bicicleta.

Autorretrato de Leonardo da Vinci, feito por volta de 1510.

Leonardo estudou detalhadamente o voo de diferentes aves e projetou várias máquinas com o objetivo de fazer o ser humano voar. Muitos desses projetos foram concretizados séculos depois, como a asa-delta e o helicóptero.

A importância de Leonardo da Vinci Leonardo da Vinci foi muito importante para a humanidade. Graças a seus variados interesses, deixou projetos em diversas áreas do conhecimento. Suas pinturas estão entre as mais importantes da história e são aclamadas e estudadas no mundo inteiro. Os estudos que realizou em anatomia anteciparam muitas ideias sobre o funcionamento do corpo humano. Assim, Leonardo simboliza, em todas as suas características, o artista completo do Renascimento.

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Desenhos de máquinas de guerra de Leonardo da Vinci, feitos por volta de 1485. No alto, um mecanismo de foices e, abaixo, um carro blindado, protótipo dos tanques de guerra.


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 1. Explique qual era a visão de mundo humanista.

2. Comente sobre as divergências entre a interpretação medieval e a interpretação renascentista de questões como teocentrismo, antropocentrismo, geocentrismo e heliocentrismo.

3. Descreva as três faculdades mentais que

foram aprimoradas durante o Renascimento e que se tornaram as bases do pensamento científico moderno.

4. Explique a importância do mecenato durante o período renascentista.

5. Explique quais fatores possibilitaram a difusão do movimento renascentista em outras regiões da Europa.

Expandindo o conteúdo 6. Leia o texto a seguir sobre o Renascimento florentino. [...] Por volta de 1420, os florentinos [...] tomaram consciência de que eram diferentes dos homens da Idade Média. Seus valores, seus critérios de beleza já não eram os mesmos de seus ancestrais. Julgando que suas catedrais e suas esculturas eram austeras e duras e seus costumes fastidiosos, eles buscaram alguma coisa que correspondesse ao que apreciavam, algo que fosse livre, espontâneo, livre de constrangimento. Foi então que descobriram a Antiguidade, pois era mesmo uma descoberta. Pouco importava que os homens daquela época fossem pagãos. A única coisa que lhes interessava deles era sua abertura de espírito, sua curiosidade intelectual. Com total liberdade de pensamento, aqueles homens haviam debatido sobre tudo o que dizia respeito à natureza e ao mundo, argumentando e contra-argumentando, pois tudo lhes interessava. Tornaram-se a partir de então os novos modelos, sobretudo no campo das ciências. Os florentinos passaram a procurar os livros latinos por toda parte, e esforçaram-se para escrever o latim tão bem quanto os antigos romanos. Também aprenderam o grego e saborearam as obras dos atenienses do tempo de Péricles. Logo passaram a se interessar mais por Temístocles e Alexandre, por César e Augusto, do que por Carlos Magno e Barba-Roxa. Era como se todo o tempo decorrido desde a Antiguidade tivesse sido um longo sono. [...] As pessoas tinham a sensação de assistir ao renascimento da época distante das civilizações grega e romana. Elas mesmas tinham a impressão de estar renascendo em contato com as obras antigas. Por isso se falou de Rinascimento, ou seja, Renascença ou Renascimento. Os germânicos foram chamados de primitivos e considerados responsáveis pelo longo período que se passara desde a Antiguidade. [...] Mas não se buscavam apenas as coisas antigas. A natureza começou a ser observada com novos olhos e sem ideias pré-concebidas [...]. Descobria-se a beleza do mundo observando o céu e as árvores, os homens, as flores e os animais. As coisas eram pintadas tal como eram vistas, sem se recorrer ao estilo solene, grandiloquente e religioso das histórias sagradas dos livros dos monges ou dos vitrais das catedrais. Adotava-se um estilo transbordante de cores, leve, espontâneo e livre de constrangimentos. Abrir os olhos e agir consequentemente eram, em arte, as palavras de ordem. Isso explica a presença em Florença, nessa época, dos maiores pintores e escultores. GOMBRICH, Ernest H. Breve história do mundo. Tradução Monica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 198-200.

240


a ) Por que os florentinos do século XV se consideravam diferentes dos homens da Idade Média? b ) Qual o pensamento comum entre os florentinos sobre os povos germânicos? c ) De acordo com o texto, o que buscavam os artistas renascentistas?

7. Leia os textos a seguir. A

[...] A ciência é apenas um degrau, uma escada, um instrumento, que conduz a Deus. O homem não conhecerá a Deus pelas categorias do raciocínio, mas na pura contemplação. A razão conduz até as portas da mística e, então, cala para ceder lugar à graça. Penetrar neste último estágio da contemplação e do êxtase é tarefa fora do alcance das forças humanas. ZILLES, Urbano. Fé e razão no pensamento medieval. Porto Alegre: Edipucrs, 1993. p. 100. (Filosofia 1).

B

Devo primeiramente fazer alguns experimentos antes de prosseguir, pois é minha intenção mencionar a experiência primeiro, e então demonstrar pelo raciocínio por que tal experiência é obrigada a operar de tal maneira. E essa é a regra verdadeira que aqueles que especulam sobre os efeitos da natureza devem seguir. Leonardo da Vinci. In: CAPRA, Fritjof. A ciência de Leornardo da Vinci: um mergulho profundo na mente do grande gênio da Renascença. Tradução Bruno Costa. São Paulo: Cultrix, 2008. p. 7.

a ) Qual dos textos apresentados reflete o pensamento escolástico? Justifique sua resposta. b ) Qual deles transmite ideias renascentistas? Explique.

8. O texto a seguir trata da educação das meninas em Florença, durante o Renascimento. Leia-o.

Unidade 10

[...] Embora em 1338 assinalem-se crianças de dois sexos nas escolas de Florença, a oportunidade da instrução feminina é apaixonadamente discutida, e muitos moralistas são hostis a ela. As mulheres de sociedade constituem um caso particular. Suas responsabilidades sociais supõem um certo nível de cultura. Sabem portanto escrever, e mesmo muito bem; muitas gostam de ler; no século XV, as mais dotadas dominam o latim, e por vezes o grego [...]. O mesmo ocorre — leitura, escrita, latim eventualmente — com as futuras religiosas. Mas, fora desse meio privilegiado, a formação feminina é orientada antes de tudo pelas perspectivas do casamento, dos filhos, das responsabilidades e dos valores privados. Em suas obras respectivamente consagradas ao casamento e à educação, Francesco Barbaro (De re uxoria, 1416) e Maffeo Veggio (De educatione liberorum, 1440) são inteiramente dessa opinião. Futura mãe, futura educadora doméstica da moral e da fé, futuro modelo para suas filhas, a adolescente, segundo Veggio, deve “ser educada, por santos ensinamentos, para levar uma vida regular, casta, religiosa, e para dedicar-se constantemente a trabalhos femininos”, intercalados por orações. Barbaro insiste mais na formação prática; mas a perspectiva dos dois autores, e de muitos outros, coincide. Sendo a mãe de família, aos seus olhos, a verdadeira depositária dos valores privados, é desejável que se consagre inteiramente à sua defesa e à sua transmissão. [...] RONCIÈRE, Charles de la. A vida privada dos notáveis toscanos no limiar da Renascença. In: DUBY, Georges (Org.). História da vida privada: da Europa feudal à Renascença. Tradução Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. v. 2. p. 283-4.

a ) De acordo com o autor do texto, as “mulheres de sociedade” recebiam um tipo diferenciado de instrução no período renascentista. O que elas aprendiam? b ) Qual era a educação dada às meninas menos privilegiadas? Qual o objetivo dessa educação? O Renascimento italiano

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9. O texto a seguir foi escrito pelo renascentista francês François Rabelais, que viveu entre os anos 1494 e 1553. Chamado Gargântua e Pantagruel, esse texto apresenta críticas à hierarquia da Igreja. Leia-o.

[A ilha era habitada por pássaros] grandes, belos e polidos, em tudo semelhantes aos homens da minha pátria, bebendo e comendo como homens, digerindo como homens, dormindo como homens... Vê-los era uma bela coisa. Os machos chamavam-se clerigaus, monagaus, padregaus, abadegaus, bispogaus, cardealgaus e papagau — este era o único da sua espécie... Perguntamos porque havia só um papagau. Responderam-nos que... dos clerigaus nascem os padregaus... dos padregaus nascem os bispogaus, destes os belos cardealgaus, e os cardealgaus, se antes não os leva a morte, acabam em papagau, de que ordinariamente não há mais que um, como no mundo existe apenas um Sol... Mas donde nascem os clerigaus?... — Vêm dum outro mundo, em parte de uma região maravilhosamente grande, que se chama Dias-sem-pão, em parte doutra região Gente-demasiada... A coisa passa-se assim: quando, nalguma família desta última região, há excesso de filhos, corre-se o risco de a herança desaparecer, se for dividida por todos; por isso, os pais vêm descarregar nesta ilha Corcundal os filhos a mais... [...]. Maior número ainda vem de Dias-sem-pão, pois os habitantes dessa região encontram-se em perigo de morrer de fome, por não ter com que se alimentar e não saber nem querer fazer nada, nem trabalhar em arte ou ofício honesto, nem sequer servir a outrem... então voam para aqui, tomam aqui este modo de vida, e subitamente engordam e ficam em perfeita segurança e liberdade. RABELAIS, François. Gargântua e Pantaguel. In: MARQUES, Adhemar Martins e outros. História moderna através de textos. 11. ed. São Paulo: Contexto, 2005. p. 94-5. (Textos e documentos).

a ) Como se chamavam os pássaros que viviam na ilha Corcundal? Explique a relação entre os nomes desses pássaros e a hierarquia clerical. b ) Encontre no texto e reescreva no caderno uma frase em que o autor critica o modo de vida dos nobres europeus que se tornavam clérigos.

10. Leia o texto a seguir. O individualismo foi [uma] característica da Renascença. A elite urbana buscava afirmar sua própria personalidade, demonstrar seu excepcional talento e obter reconhecimento por suas realizações. Os tradicionais valores de nascimento e de posição dentro de uma hierarquia fixa foram suplantados pelo desejo de realização pessoal. O valor individual, que para os senhores feudais estivera associado às proezas militares, ganhou dimensões muito mais amplas. A Itália renascentista engendrou um tipo humano distintivo, o “homem universal” — uma pessoa multifacetada que não somente revelava maestria nos clássicos antigos, fruição e mesmo talento para as artes visuais, bem como interesse pelos assuntos cotidianos da cidade, como também aspirava a fazer de sua vida uma obra de arte. [...] Os artistas renascentistas retrataram o caráter individual dos seres humanos, captaram a rica diversidade da personalidade humana, produziram os primeiros retratos desde os tempos romanos e assinaram seus trabalhos. [...] PERRY, Marvin. Civilização Ocidental: uma história concisa. 3. ed. Tradução Waltensir Dutra e Silvana Vieira. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 220.

a ) Com base em seus conhecimentos e nas unidades estudadas anteriormente, responda: como eram chamados os membros da elite urbana renascentista? Qual sua principal atividade econômica? b ) Explique por que o individualismo foi uma característica da Renascença.

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Explorando a imagem 11. Na pintura medieval, as pessoas não eram representadas da forma como nós as vemos, pois

As Três Graças. Iluminura de manuscrito italiano, século XIV.

Sandro Botticelli. c. 1478. Têmpera sobre painel. Galeria dos Ofícios, Florença (Itália)

A

B

Detalhe de A primavera, de Botticelli, de 1478, em que estão representadas as Três Graças.

a ) Descreva a imagem A. Anote, por exemplo, a data em que foi produzida, como as personagens foram representadas e as sensações que a imagem causou em você. Proceda da mesma maneira com a imagem B. b ) Qual pintura apresenta características renascentistas? Explique.

Vestibulares 1. (UFAL) Os humanistas representaram papel importante na formação do pensamento moderno.

dora da explicação da realidade social e espiritual.

As afirmações abaixo referem-se ao pensamento humanista. Identifique as afirmações verdadeiras e as falsas.

IV ) Rejeitaram o pensamento greco-romano, pois era desprovido de fundamentação lógica.

I ) Elaboraram numa nova síntese os valores próprios do cristianismo e os da Antiguidade Clássica.

V ) Buscavam a verdade por meio da experimentação e questionaram a existência de Deus. a ) Alternativas I e II estão corretas.

II ) Almejaram a livre indagação da natureza física sem interferência da autoridade religiosa.

b ) As alternativas I, II e III estão corretas.

III ) Defenderam a teologia como fonte inspira-

d ) Todas as alternativas são verdadeiras.

c ) Todas as alternativas são falsas.

O Renascimento italiano

243

Unidade 10

Autor desconhecido. Séc. XIV. Iluminura. Biblioteca Britânica, Londres (Inglaterra)

não havia a preocupação com noções de profundidade e proporcionalidade. Observe as imagens a seguir, que representam as Três Graças, deusas da Antiguidade Clássica. Depois, responda às questões.


Ampliando seus conhecimentos Arte e história

O teto da Capela Sistina

A Capela Sistina se encontra na cidade do Vaticano e é ricamente decorada com pinturas e afrescos que foram produzidos por artistas durante o Renascimento. Uma das mais significativas contribuições foi dada pelo pintor, escultor, arquiteto e poeta Michelangelo Buonarroti. Entre os anos de 1508 e 1512, ele pintou o teto da capela com cenas inspiradas nas narrativas da Bíblia.

Criação de Adão é a cena mais famosa do teto da Capela Sistina. Nesse detalhe, Deus aparece no céu, rodeado de anjos, dando vida a Adão.

Fotografia dos afrescos de Michelangelo no teto da Capela Sistina.

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Michelangelo Buonarroti. 1508-1512. Afresco. Capela Sistina, Cidade Estado do Vaticano. Foto: Bridgeman Images/Easypix

Michelangelo Buonarroti. 1508-1512. Afresco (detalhe). Capela Sistina, Cidade Estado do Vaticano. Foto: Bridgeman Images/Easypix


Romeu & Julieta Filme de Baz Luhrmann. Romeu & Julieta. EUA, 1996

A história no cinema

O filme Romeu & Julieta, de 1996, baseia-se na peça homônima escrita pelo inglês William Shakespeare em 1590, época em que a Inglaterra passava por um período de prosperidade econômica. Nessa adaptação, a história se passa em um ambiente contemporâneo, a cidade fictícia de Verona Beach, mas a linguagem poética da literatura shakespeariana foi mantida. Filme de Baz Luhrmann. Romeu & Julieta. EUA, 1996. Foto: Photos 12/Alamy Stock Photo/Latinstock

A trama do filme é marcada pela rivalidade entre duas famílias, os Montecchio e os Capuleto. Essa riva­ lidade, entretanto, não impediu que o jovem Romeu, um Montecchio, se apaixonasse por Julieta, uma Capuleto. As disputas entre as famí­ lias são acompanhadas pela mídia da cida­de, que participa também do final trágico da história.

Cena do filme em que Romeu e Julieta se encontram em uma festa.

Título: Romeu & Julieta Diretor: Baz Luhrmann Atores principais: Leonardo DiCaprio, Claire Danes, Harold Perrineau, John Leguizamo, Pete Postlethwaite, Paul Sorvino Ano: 1996 Duração: 135 minutos Origem: EUA

Para ler

• •O Renascimento italiano: cultura e sociedade na Itália, de Peter Burke. Edito-

Unidade 10

ra Nova Alexandria. Livro ricamente ilustrado que apresenta a história social e cultural do Renascimento italiano. Além de analisar os valores artísticos predominantes na época, a obra trata das instituições que existiram na Itália nos séculos XV e XVI.

••O Renascimento, de Nicolau Sevcenko. Editora Atual. Aborda a trajetória dos humanistas, a criação das línguas nacionais, o nascimento do racionalismo e do individualismo, enfim, a base cultural do mundo ocidental moderno.

• •Gargântua e Pantagruel, de François Rabelais. Editora Itatiaia. Romance que

narra a epopeia de Pantagruel e seu pai Gargântua, gigantes de apetites imensos. A obra, que renovou a estética literária no século XVI, faz uma crítica à estagnação medieval, atacando a Igreja Católica, a cavalaria e as convenções da época.

• •Hamlet,

de William Shakespeare. Editora Aguilar. Obra que trata de problemas fundamentais da condição humana, como obsessão, vingança, dúvida e desespero.

Para navegar

• • O s Lusíadas. Disponível em: <http://tub.im/j8yzac>. Acesso em: 11 set. 2015. Link para o texto integral da obra Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, disponível no portal Domínio Público.

• • O mercador de Veneza. Disponível em: <http://tub.im/pawxjc>. Acesso em: 11 set. 2015. Link para o texto integral da peça teatral O mercador de Veneza, de William Shakespeare, disponível no portal Domínio Público.

O Renascimento italiano

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M.V. Photography/Shutterstock.com

unidade

Os povos da AmĂŠrica


Quando os europeus chegaram ao continente americano, no final do século XV, encontraram o território povoado por milhões de indígenas. Esses povos, que pertenciam a diferentes culturas, ocupavam todas as regiões do continente e estavam adaptados às mais diversas condições ambientais. Nesta unidade, vamos estudar povos indígenas que constituíram sociedades complexas, organizadas em torno de grandes ci­d ades. Estudaremos, também, alguns povos indígenas que habitavam o território onde hoje é o Brasil, formando sociedades baseadas no uso coletivo da terra e em uma religiosidade que atribuía grande valor à natureza. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A A construção retratada nessas páginas é uma pirâmide maia. Você sabe qual era a função dessas construções na sociedade maia? B Antes de os europeus chegarem ao continente americano, esse território era habitado por vários povos que possuíam sua própria língua, cultura, crenças e tradições. Você conhece alguma informação sobre esses povos? Converse com seus colegas.

Ruínas de pirâmide do século VII na cidade maia de Palenque, no México, em 2014.

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Os povos nativos Muito antes da chegada dos colonizadores europeus, o continente que viria a ser chamado de América já era habitado por diversos grupos indígenas, distribuídos por todo o seu território. Essa pluralidade de povos e culturas se manifestou nas línguas, nos costumes e nas tradições, possibilitando diferentes modos de organização econômica, social e política. Assim, na América, existiam sociedades de coletores e caçadores, como a dos esquimós; sociedades que, além da caça e da coleta, também praticavam a agricultura, como os indígenas da América do Sul; e sociedades urbanas organizadas em Estados, como os maias, incas e astecas.

N

Inuítes

O S

Atabascos Inuítes

Algonquinos

Os sioux estavam entre as várias tribos indígenas seminômades estadunidenses. Dedicavam-se à agricultura e especializaram-se na caça de grandes animais, como búfalos e bisões. Ao lado, representação de homem sioux.

Comanches Apaches Pueblos

Sioux

Musgoguis Seminolas Trópico de Câncer

Astecas

Caraíbas Maias

OCEANO ATLÂNTICO

Aruaques Aruaques

Chibchas

Equador

Caraíbas

Caras

Marajoaras

Quéchuas OCEANO PACÍFICO

Trópico de Capricórnio

Incas

Tupis Jês

Aimarás

Guaranis Tupis

Ilustrações: Art Capri

Os astecas eram guerreiros e tinham grande habilidade militar. Eles também desenvolveram avançadas técnicas de engenharia de drenagem, que lhes possibilitou a construção de uma metrópole — a cidade de Tenochtitlán — em uma região pantanosa. Ao lado, representação de mulher e criança astecas.

L

Araucanos

Patagões 0

930 km

60° O Fonte: PEREGALLI, Enrique. A América que os europeus encontraram. São Paulo: Atual, 1994.

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E. Cavalcante

Os povos nativos da América


A montanhosa região da cordilheira dos Andes foi o berço de várias civilizações. Uma das mais importantes foi a dos incas. Eles ficaram conhecidos pela criação de um grande império, integrado por uma extensa rede de estradas. Para aproveitar melhor o solo montanhoso, os incas desenvolveram engenhosos sistemas de irrigação baseados em terraços. Ao lado, representação de homem inca.

Os inuítes, conhecidos como esquimós, habitavam as regiões árticas do continente americano. Eles apresentavam características culturais bem distintas dos demais grupos indígenas americanos e adaptaram-se de modo eficiente ao ambiente hostil em que viviam. Ao lado, representação de mulher inuíte.

Os povos maias desenvolveram avançados conhecimentos nos campos da arquitetura, escrita, matemática e astronomia. Na região tropical em que habitavam, eles edificaram cidades dotadas de imponentes centros cerimoniais construídos em pedra. Ao lado, representação de homem maia.

Ilustrações: Art Capri

Unidade 11

Os indígenas Tupinambá, pertencentes ao tronco linguístico Tupi, ocupavam vastas extensões do litoral do atual território do Brasil. Eles construíram grandes aldeias, compostas de quatro a oito casas, que abrigavam de 500 a 3 000 pessoas. Quando os recursos naturais se tornavam escassos, deslocavam-se em busca de novas áreas com abundância de recursos naturais. Ao lado, representação de homem Tupinambá.

Índios na América? Quando Cristóvão Colombo aportou em terras americanas, acreditava ter chegado às Índias e, por isso, chamou as pessoas que aqui viviam de índios. Apesar de ser utilizado até hoje, o termo índio não reflete a variedade de povos que habitavam esse continente, além de ter conotações pejorativas. Assim, é preferível utilizar o termo “indígena”, que significa “nativo”, “autóctone”. Alguns estudiosos utilizam ainda o termo “pré-colombiano” para se referir aos povos que viviam na América antes da chegada de Cristóvão Colombo.

Os povos da América

249


A civilização olmeca Por volta de 1000 a.C., desenvolveu-se nas áreas pantanosas do golfo do México uma das primeiras civilizações americanas, a olmeca, considerada a “cultura-mãe” de outras civilizações da América pré-colombiana que a sucederam.

Os olmecas foram os primeiros a construir grandes templos-pirâmides, a esculpir e transportar monumentos de pedra em grande escala e a desenvolver uma arte e religião focadas num complexo conjunto de divindades.

c. 1100-450 a.C. Altar olmeca. Parque Museu La Venta, Villahermosa (México). Foto: Rafal Kubiak/Shutterstock.com

MARTÍNEZ, Juan María. A América Antiga: civilizações pré-colombinas. Madri: Edições del Prado, 1996. v. 1. p. 86. (Grandes impérios e civilizações).

Altar cerimonial de pedra encontrado no sítio arqueológico olmeca de La Venta, no atual estado de Tabasco, no México.

Não se sabe ao certo o que provocou o declínio da civilização olmeca. Alguns pesquisadores acreditam que, por volta de 300 a.C., mudanças ambientais forçaram a população a se espalhar pelo território, o que favoreceu o fortalecimento de outras culturas na região.

Linha do tempo

Civilizações da Mesoamérica

1000 a.C. 800 a.C. 600 a.C. 400 a.C. 200 a.C. 0

Mesoamérica: território que compreende a atual região sul do México e parte da América Central.

Olmecas c. 1000 a.C. a 300 a.C. Os olmecas provavelmente criaram a mais antiga das civilizações da Mesoamérica.

Teotihuacanos 300 a 700 Esse povo construiu a cidade de Teotihuacán e nela constituiu um reino que contava com escolas, palácios, mercados e exército permanente.

Maias 300 a 1200 Os maias organizavam-se em cidades-Estado independentes. Quando entravam em guerra entre si, a cidade vitoriosa assumia o controle das derrotadas.

200

400

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Toltecas 970 a 1160 Povo originário do norte da América, os toltecas ocuparam vastas regiões mesoamericanas, onde se fixaram e construíram sua capital, a cidade de Tula. A cultura tolteca exerceu forte influência sobre outros povos, sobretudo os astecas

Astecas 1200 a 1521 Os astecas, ou mexicas, estabeleceram-se no vale do México, onde fundaram a cidade de Tenochtitlán.

Incas 1200 a 1532 Ao chegarem ao vale do Cuzco, no século XIII, os incas dominaram os antigos habitantes da região, formando um império na cordilheira dos Andes.

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Os maias Habitando a península de Yucatán, na América Central, os maias constituíram uma sociedade avançada, que influenciou vários povos da região. Museu Nacional de Antropologia, Cidade do México (México). Foto: Philippe Psaila/SPL/Latinstock

A economia maia era baseada na agricultura. Eles plantavam feijão, tomate, batata, mandioca, algodão, entre outros produtos. Porém, nenhum alimento era tão importante quanto o milho, que, além de ser a base da dieta alimentar, era considerado sagrado.

A organização política e social Diferentemente de outros povos da Mesoamérica, os maias não constituíram um império unificado, pois se organizavam em várias cidades-Estado. Quando atingiram seu apogeu, entre os séculos VI e VIII, contavam com cerca de 50 cidades, entre elas Tikal, Palenque, Chichén-Itzá, Uxmal e Copán. O cargo de governante 1 era hereditário e, geralmente, passado do pai para o filho mais velho. As mulheres exerciam um papel importante nas relações entre os diferentes povos maias, pois muitas alianças eram feitas por meio de laços matrimoniais. Estatueta do século VIII representando Ah Mun, deus maia do milho e da agricultura. Segundo a mitologia maia, os primeiros humanos teriam sido criados de uma mistura de milho com água.

1 Unidade 11

Museu Nacional de Antropologia, Cidade do México (México). Foto: Gianni Dagli Orti/ Corbis/Latinstock

A elite 2 da sociedade maia era composta por governantes, sacerdotes e chefes militares. Havia uma camada intermediária 3 , formada por escribas, pintores e escultores, que desfrutavam de grande prestígio na sociedade. A camada social mais baixa 4 , por sua vez, era formada por camponeses, que se dedicavam a atividades agrícolas, e por artesãos, que produziam peças de vestuário, utensílios domésticos, armas, joias e outros objetos.

2 Esquema que representa a organização social dos maias.

3

4

Os povos da América

251


As pirâmides e os centros cerimoniais Os maias construíram pirâmides de formas e tamanhos bastante variados. Essas construções eram utilizadas como templos, nos quais se realizavam rituais religiosos. As pirâmides, assim como os palácios e observatórios astronômicos, eram construí­ das pela população camponesa e artesã que, em determinadas épocas, era convocada pelos governantes para trabalhar em obras públicas. Simon Dannhauer/Shutterstock.com

As pirâmides maias ficavam localizadas nos centros cerimoniais, que contavam ainda com diversas edificações, como palácios e observatórios astronômicos. Nesses centros eram realizadas cerimônias religiosas e eventos públicos, como comemorações de vitórias em guerras. No centro cerimonial de Tikal, as maiores pirâmides mediam cerca de 45 metros de altura.

Ruínas do centro cerimonial maia de Tikal, na atual Guatemala. Fotografia de 2015.

O sistema de escrita Ilustração. Coleção particular. Foto: Peter Hermes Furian/Shutterstock.com

Os maias se destacaram em diversos campos do conhecimento, como engenharia, matemática, astronomia e artes. Para isso, eles desenvolveram um complexo sistema de escrita que possibilitou o registro de informações relacionadas à sociedade, à economia e à cultura de sua civilização. Os maias registravam sua escrita em placas de pedra, em artefatos de cerâmica, em paredes de templos e palácios e nos códices. Parte desses registros está preservada até hoje. O sistema numérico Os maias elaboraram um sistema numérico que era representado graficamente de forma simples. Eles utilizavam três símbolos: a concha, para representar o zero; o ponto, representando uma unidade; e o traço, para representar cinco unidades. Nesse sistema de numeração, o uso do zero como indicação de valor nulo ou para compor o sistema vigesimal de numeração é considerado de grande importância, pois possibilitou a realização de operações matemáticas mais complexas.

O tema sobre o sistema numérico maia favorece um trabalho interdisciplinar com Matemática. Veja, nas Orientações para o professor, sugestão para a realização desse trabalho.

Os calendários maias Por meio da observação atenta dos movimentos dos astros e com o auxílio de profundos conhecimentos matemáticos, os maias criaram calendários bastante precisos, que possibilitaram regular a vida cotidiana e religiosa. Havia, por exemplo, um calendário ritualístico chamado tzolkin, que os sacerdotes usavam a fim de prever dias bons ou ruins para determinados acontecimentos, como a realização de uma batalha ou a posse de um governante. Havia ainda um calendário solar, chamado haab, utilizado para prever eventos astronômicos e as melhores épocas para o plantio e colheita de determinadas culturas agrícolas.

252


Os astecas A partir do século XIII, os astecas migraram do norte da Mesoamérica para a parte central do México. Em meados do século seguinte, eles se estabeleceram na região do lago Texcoco e fundaram a cidade de Tenochtitlán.

Unidade 11

1524. Ilustração. Coleção particular. Foto: Lanmas/Alamy Stock Photo/Latinstock

Depois de construírem sua cidade, eles começaram a dominar as terras e os povos que viviam na região. Em menos de 200 anos, formaram um império que dominou grande parte da Mesoamérica.

Manuscrito do século XVI representando a cidade asteca de Tenochtitlán.

A religiosidade asteca

Vaso cerimonial asteca do século XV representando o deus Tlaloc.

Séc. XV. Vaso de cerâmica. 35 cm. Museu Nacional de Antropologia, Cidade do México (México). Foto: DEA/A. GREGORIO/Getty Images

A religiosidade tinha grande importância no cotidiano dos astecas. Eles eram politeístas, entretanto cultuavam uma divindade principal, Huitzilopochtli (deus do Sol e da guerra). Logo abaixo dele, estava o deus da chuva e da fertilidade, Tlaloc. Para agradar a esses deuses, os astecas realizavam sacrifícios humanos.

[...] Segundo a crença [asteca], no início do mundo, os deuses tinham dado seu próprio sangue para que o Sol se movesse. Portanto, exigiam sangue humano para manter o mundo em funcionamento. Como o sangue é o princípio da vida, apenas o sangue poderia manter o tempo andando. Sem os sacrifícios, o mundo terminaria. Assim, faziam guerra especialmente para capturar prisioneiros e ofertar seu sangue nos templos. KARNAL, Leandro. A conquista do México. São Paulo: FTD, 1996. p. 20. (Para conhecer melhor).

Os povos da América

253


A economia asteca A economia do Império Asteca estava baseada nos tributos que os povos dominados eram obrigados a pagar. Esses tributos eram cobrados de acordo com o grau de dominação, ou seja, quanto mais submetido aos astecas estava um povo, mais pesada era a tributação. Eles podiam ser cobrados, por exemplo, na forma de produtos agrícolas, artesanatos ou prestações de serviços.

Pat Garcia. Séc. XX. Ilustração. Museu Nacional de Antropologia, Cidade do México (México). Foto: Gianni Dagli Orti/Corbis/Latinstock

A agricultura também era importante para a economia asteca. Os principais produtos cultivados eram milho, pimenta, tomate, cacau, abóbora e algodão. Na região de Tenochtitlán, em razão da escassez de terras cultiváveis, os astecas desenvolviam a agricultura nas chinampas, que eram ilhas artificiais feitas com uma estrutura de junco e preenchidas com terra, nas quais plantavam diversos produtos para consumo próprio e comércio com outras regiões.

Nessa ilustração recente vemos representados astecas construindo uma chinampa e ao fundo outras chinampas já cultivadas.

David Hiser/Getty Images

Passado e presente

As chinampas As chinampas ainda são muito usadas no México pelos descendentes dos astecas. Além de utilizá-las para o cultivo agrícola, os mexicanos constroem casas sobre elas. Entre as chinampas, existem canais de água que possibilitam a locomoção por meio de canoas a remo. Fotografia recente de um agricultor cultivando sua plantação em uma chinampa na Cidade do México, no México.

254


Os incas Os incas se estabeleceram no vale de Cuzco, localizado na cordilheira dos Andes, em meados do século XIII. Assim como outros povos que também viviam nessa região, sua economia era baseada principalmente no cultivo de batata e milho e na criação de animais, como a lhama e a alpaca. A sociedade inca era organizada em clãs, conhecidos como ayllus, formados por laços de parentesco entre seus membros. Cada ayllu possuía suas terras, que eram cultivadas coletivamente.

A expansão do Império Inca Por meio de combates e de alianças, os incas conquistaram povos vizinhos e instauraram seu domínio na região de Cuzco. Com o reinado de Pachacutec, em 1438, eles expandiram cada vez mais seus domínios, formando um império com mais de 3 000 quilômetros de extensão ao longo da cordilheira dos Andes e do litoral do oceano Pacífico. Até meados do século XVI, o Império Inca tinha uma população de mais de 12 milhões de habitantes. Ao conquistar um novo território, o imperador inca procurava manter boas relações com os povos dominados. Por isso, era permitido que eles mantivessem seus chefes locais, desde que jurassem fidelidade ao governante inca e pagassem tributos ao império. Os povos dominados também podiam continuar falando sua própria língua, porém tinham que aprender o quéchua, a língua falada pelos incas. Além disso, esses povos podiam manter o culto aos seus deuses, mas deviam incluir o deus inca do Sol, denominado Inti, em seus rituais.

O quipo Os incas não utilizavam a escrita. Diante disso, para administrar um império tão vasto, eles desenvolveram um instrumento chamado quipo, nome de origem quéchua, que significa nó. Esse instrumento era formado por dezenas de cordões coloridos com diversos nós. Com a utilização dos quipos, os incas criavam códigos que permitiam controlar, por exemplo, os estoques de alimentos e o pagamento de tributos.

As estradas incas

Michael Hanson/National Geographic Creative/Corbis/Latinstock

Unidade 11

Os incas construíram uma grande rede de estradas a fim de interligar as regiões do império. Para facilitar a circulação de mensagens entre diferentes localidades, eles construíram entrepostos nas estradas, distribuídos em intervalos regulares, nos quais ficavam mensageiros chamados de chasquis. Quando um chasqui recebia uma mensagem a ser transmitida, ele corria pela estrada até chegar ao próximo entreposto. Então, transmitia a mensagem a outro chasqui, que se encarregava de passá-la adiante, e assim sucessivamente, até que a mensagem chegasse ao seu destino.

Trecho de estrada inca que ainda é utilizada pelos habitantes de Cuzco, no Peru. Fotografia de 2015.

Os povos da América

255


A cidade de Machu Picchu Os incas desenvolveram diferentes técnicas de construção. Eles ergueram cidades planejadas, como Machu Picchu, com ruas largas e pavimentadas, onde geralmente havia uma praça central, templos, armazéns, casas e palácios. Nessas cidades, também construíram aquedutos que garantiam o abastecimento de água.

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Veja, a seguir, informações sobre Machu Picchu.

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Encaixes perfeitos

Paul Souders/Corbis/Latinstock

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Na arquitetura inca, era comum a utilização de grandes blocos de rocha nas construções de paredes e muros. Esses blocos eram cortados com instrumentos de cobre e apresentavam encaixes tão precisos que não era necessário o uso de cimento para uni-los.

Vista das ruínas de Machu Picchu, no Peru, em 2015.

Detalhe do encaixe dos blocos em construção de Machu Picchu.

Localização

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Machu Picchu foi construída no século XV em uma região de difícil acesso, na cordilheira de Vilcabamba, nos Andes, a cerca de 2 400 metros de altitude. A cidade era dividida entre setor urbano e setor agrícola. O setor urbano ocupava uma área de 85 000 m 2 e o setor agrícola ocupava uma área de 55 000 m 2 .

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Praça central

256

Cordilheira de Vilcabamba


Produtos cultivados

Terraços agrícolas

Os principais produtos cultivados pelos incas nos terraços agrícolas eram milho, batata, batata doce, pimenta e um grão conhecido como quinoa. No alto da montanha, plantavam batatas e alimentos resistentes ao frio. Nos níveis intermediários, plantavam feijão e milho. Na base da montanha, semeavam árvores frutíferas e pimenteiras.

A região de Machu Picchu apresentava terrenos muito inclinados, por isso, para realizar cultivos, os incas construíam terraços agrícolas. Esses terraços consistiam em um sistema de cultivo em degraus que permitia a produção agrícola nas encostas das montanhas e evitava que os produtos cultivados fossem levados pela erosão causada pelas chuvas. Todos esses terraços eram interligados por canais de irrigação.

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Terraço agrícola de Machu Picchu.

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Durante a noite, o calor retido funcionava como um sistema de calefação. De noite as janelas eram tapadas com uma mistura de argila para evitar que o frio entrasse nas construções.

Durante o dia, os telhados inclinados e as paredes recebiam e retinham o calor do Sol. Pequenas janelas ajudavam a conservar o calor dentro das construções.

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As construções de Machu Picchu visavam a melhor maneira de se aproveitar os recursos naturais disponíveis. Fatores como o Sol, chuvas, ventos e vegetação influenciavam no modo de construir os edifícios.

Os povos da América

257

Unidade 11

Aproveitamento dos recursos naturais

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O milho, principal alimento, era consumido cozido, tostado e também servia de base para uma bebida fermentada chamada chicha.


Os povos indígenas do Brasil O território que os europeus conquistaram no século XVI, e chamaram de Brasil, era habitado por cerca de três milhões de indígenas, pertencentes a aproximadamente 900 povos. Cada povo tinha seu próprio modo de vida, seus costumes e sua língua. Os indígenas viviam em aldeias, organizadas conforme a tradição de cada povo. Apesar das diferenças que havia entre as sociedades indígenas, elas apresentavam várias semelhanças, como a visão religiosa do mundo. As religiões indígenas davam grande importância à terra. Essa visão de mundo contribuiu para que essas sociedades se fundamentassem na posse coletiva da terra. Isso significa que nenhum membro da aldeia podia afirmar que um pedaço de terra era somente seu, pois o território ocupado pela aldeia pertencia igualmente a todos os seus habitantes. Apesar disso, ferramentas e outros bens eram propriedade privada, mas o excedente da produção individual de alimentos era dividido entre todos os membros da aldeia. Cariátide: na cerâmica tapajônica, é um tipo de escultura com formas humanas que serve para dar sustentação ao prato do vaso.

Para os indígenas, a religião estava presente em todos os momentos da vida. Os rituais religiosos eram parte de seu cotidiano, regulamentando seus costumes e transmitindo a visão de mundo tradicional de sua etnia. De modo geral, eles tinham uma visão espiritualista do mundo e cultuavam os astros e os elementos da natureza (a terra, os rios, a chuva, os animais, as plantas etc.), que eram considerados essenciais para a manutenção da vida em sociedade.

Os Tapajós Entre os indígenas que tiveram contato com os primeiros colonizadores europeus, no século XVI, estão os Tapajós. Eles viviam na região do atual município de Santarém, no Pará, ao longo do rio Tapajós. Eram povos guerreiros e realizavam trocas de produtos agrícolas com outros grupos indígenas que viviam na região. Os principais produtos cultivados eram o milho e a mandioca.

Cariátide de cerâmica tapajônica encontrada em Santarém (PA).

Cariátide de cerâmica. Museu de Santarém, Centro Cultural João Fona, Santarém (Pará). Foto: Fabio Colombini

Os Tapajós produziam peças de cerâmica ornamentadas, algumas datadas de cerca de seis mil anos atrás. Predominam na cerâmica tapajônica representações de animais e também figuras humanas. Entre as peças mais elaboradas da cerâmica tapajônica estão os chamados vasos de cariátides.

Nas sociedades indígenas, o líder espiritual da aldeia, denominado pajé, era um profundo conhecedor das tradições religiosas, da flora e da fauna locais, agregando as funções de curandeiro e guardião do mundo espiritual.

A organização social Nas aldeias indígenas o cacique, em tempos de paz, tinha a função de falar em nome de todos os habitantes da aldeia. Porém, em tempos de guerra, liderava os demais guerreiros. O chefe indígena era respeitado porque tomava suas decisões com base no consenso entre os habitantes da aldeia, evitando agir de modo autoritário. Os povos indígenas também mantinham contato entre si por meio de festas. Nesses eventos, pessoas de diversas aldeias se dirigiam a uma aldeia anfitriã para se reunir, contar histórias sobre o presente e o passado, cultuar as forças da natureza e os espíritos dos antepassados, realizar trocas de produtos (como adornos) e discutir possíveis soluções para as adversidades naturais e os conflitos sociais que estivessem ocorrendo na região.

A divisão do trabalho Em grande parte das sociedades indígenas, o trabalho era dividido entre os habitantes da aldeia de acordo com a idade e, sobretudo, o sexo. Geralmente, havia algumas atividades tipicamente masculinas, como caçar, pescar, preparar os terrenos para as lavouras, construir as casas, guerrear e confeccionar as armas; enquanto outras atividades eram tipicamente femininas, como cuidar das lavouras (plantando e colhendo), cozinhar os alimentos, fabricar utensílios artesanais (vasos, cestos e redes) e fazer os preparativos para as festas da aldeia (incluindo a pintura corporal).

258


Tupi e Macro-Jê Para estudar a diversidade dos povos indígenas, os pesquisadores os classificam com base nas semelhanças e diferenças entre eles. De acordo com vários estudiosos, a maior parte das línguas indígenas faladas no Brasil pode ser agrupada em dois troncos linguísticos principais: o Tupi e o Macro-Jê. Veja a seguir algumas etnias indígenas agrupadas de acordo com esses troncos. Tupi Segundo estudiosos, os povos indígenas do tronco Tupi saíram da Amazônia no início da era cristã e, acompanhando o curso dos grandes rios, migraram para o sul do Brasil e também para regiões do Paraguai e Uruguai. Nos séculos seguintes, eles ocuparam quase todo o litoral brasileiro, território que chamavam de Pindorama (Terra das Palmeiras, em Tupi). Em Pindorama, os povos Tupi formaram aldeias e dedicaram-se a atividades como coleta de plantas, caça, pesca e agricultura, cultivando principalmente mandioca e milho.

Renato Soares/Pulsar

Entre os povos indígenas que faziam parte do tronco Tupi, estavam os Tupinambá, os Tupiniquim, os Potiguara, os Guarani e os Arara. Mesmo pertencendo a um mesmo tronco linguístico, falavam idiomas próprios e tinham sua própria cultura.

Vista aérea da aldeia da etnia Kamayurá, de origem Tupi. Fotografia tirada em Gaúcho do Norte (MT), em 2011.

Macro-Jê Unidade 11

Quando os povos Tupi ocuparam o litoral brasileiro, entraram em contato com povos do tronco Macro-Jê, que já habitavam a região. A partir de então, houve disputas territoriais e vários povos Macro-Jê migraram do litoral para o interior do continente. Alguns se dirigiram para o Sul, como os Kaingangue e os Xoclengue. Outros, porém, ocuparam o planalto Central do Brasil, como os Xavante, os Kaiapó e os Bororo.

André François/SambaPhoto

Os povos Macro-Jê do planalto Central viviam principalmente nas regiões de cerrado, mas também ocuparam trechos da Amazônia. Eles habitavam aldeias geralmente próximas aos rios, dos quais retiravam peixes para sua alimentação, que era complementada pela caça, cultivo e coleta de plantas como mandioca, feijão e milho.

Fotografia recente da aldeia Kikretun, da etnia Kaiapó, no estado do Pará.

Os povos da América

259


Marajoara Alguns povos desenvolveram sociedades complexas nas proximidades do rio Amazonas e de seus afluentes. Esse foi o caso das populações que habitavam a ilha de Marajó (na foz do rio Amazonas), conhecidos como Marajoara. A origem étnica e linguística desses povos ainda é desconhecida pelos pesquisadores. Os Marajoara conheciam técnicas de manejo das águas e moravam às margens dos rios em aterros, chamados tesos, construídos para se abrigarem na época das cheias. Havia tesos pequenos e outros maiores, com até 12 metros de altura. Os maiores tesos eram usados como centros cerimoniais e cemitérios.

Urna funerária de cerâmica marajoara. Museu de História Natural, Nova York (EUA). Foto: Fabio Colombini

As principais fontes para o estudo da cultura dos Marajoara são artefatos de cerâmica, como enfeites corporais, estatuetas, vasos, tigelas e urnas funerárias.

Linha do tempo 50 a.C

Período inicial 70 a.C. a 400 Período marcado pelo crescimento populacional e início da construção dos tesos. Objetos de cerâmica começam a ser produzidos.

260

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Urna funerária de cerâmica marajoara. Nas urnas eram guardados, além dos restos mortais, objetos pessoais dos mortos.

Tanga de cerâmica marajoara, usada pelas mulheres provavelmente em cerimônias e rituais.

Desenvolvimento cultural dos Marajoara

350

700

Período de expansão 400 a 700 Formação de grupos de aldeias organizadas em torno de uma liderança principal. Aumentam a quantidade e o tamanho dos tesos, sendo alguns reservados para a realização de cerimônias e sepultamentos. Casas de chão batido são construídas sobre os tesos.

1000

Período clássico 700 a 1100 Período marcado pelo aumento da diferenciação social nos tesos. Membros da elite são sepultados em urnas funerárias decoradas com símbolos de seus ancestrais.

1300

Período de declínio 1100 a 1300 Período de modificação das práticas funerárias, com a realização de cremações e o uso de urnas menores e menos elaboradas. Ocorre o abandono de alguns tesos e a formação de pequenas aldeias não integradas entre si. Tem início a chegada dos Aruã, povos que se instalaram na ilha de Marajó por volta do ano 1300.

1600

1900

Período Cacoal 1300 a 1650 A maioria dos tesos deixa de ser usada como centro político. Ocorre o avanço da ocupação dos Aruã na ilha de Marajó e, com a chegada dos portugueses no século XVI, os povos Marajoara abandonam suas aldeias.


O patrimônio arqueológico do Brasil Machado gê ou koyere. Museu do Homem Americano - Fumdham, São Raimundo Nonato (Piauí). Foto: Fabio Colombini

Grande parte das informações a respeito dos povos indígenas do Brasil deve-se ao trabalho dos arqueólogos. O patrimônio arqueológico do Brasil é de grande importância para a preservação da memória do país. Existem sítios arqueológicos e sambaquis que preservam a cultura indígena no Brasil. Veja o mapa a seguir. Machado indígena de pedra encontrado no sítio arqueológico de São Raimundo Nonato, no Piauí.

Patrimônio arqueológico do Brasil O

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Abrigo do Sol 11 000 anos

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Marajó 5 000 anos

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PA Serra dos Carajás MA CE RN 8 000 anos PI São Raimundo Nonato PB 39 000 anos PE TO AL Pedra Ingá Serra Geral SE do 11 000 anos MT Gruta do Padre 10 000 anos 7 000 anos Mato Grosso BA 12 000 anos DF Lagoa Santa Serranópolis GO 12 000 anos 11 000 anos OCEANO MS Brito MG ES ATLÂNTICO 7 000 anos SPAlice Boer 12 000 anos RJ José Vieira Camboinha 8 000 anos PR 8 000 anos Cananeia Rama 6 500 anos 6 000 anos

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Unidade 11

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Sítio arqueológico Sambaqui

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50º O Fonte: FUNARI, Pedro Paulo A. Os antigos habitantes do Brasil. São Paulo: Unesp/ Imprensa Oficial do Estado, 2001.

Zig Koch/Pulsar

Sambaqui em Laguna (SC). Fotografia de 2014.

Os sambaquis Considerados parte do patrimônio arqueológico do Brasil, os sambaquis são montes artificiais formados por vestígios, como conchas de ostras, ossos, fragmentos de objetos de cerâmica, restos de fogueiras etc., deixados por povos indígenas que viviam em regiões litorâneas. No Brasil, os sambaquis mais antigos foram feitos há 8 mil anos. Os povos da América

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Explorando o tema

A preservação da cultura indígena no Brasil

Existem, no Brasil, vários povos indígenas que procuram manter as tradições de seus antepassados. Danças, rituais, festas e conhecimentos continuam sendo transmitidos dos mais velhos para os mais jovens. Leia uma reportagem sobre um evento ocorrido em 2011, no Parque Indígena do Xingu, no estado de Mato Grosso.

Evento inédito reuniu mais de 500 pessoas, entre caciques xinguanos, lideranças indígenas [...], autoridades locais e convidados [...] para festejar, dançar e refletir sobre os 50 anos de existência do Parque e sobre os desafios que o mundo contemporâneo coloca para esses povos. Durante três dias, as cores, danças e músicas dos 16 povos do Parque Indígena do Xingu tomaram conta da aldeia Kamaiurá da lagoa Ipavu, no Alto Xingu, para o I Festival de Culturas Xinguanas, evento organizado pelas lideranças indígenas para celebrar e refletir sobre os 50 anos desta que é a maior Terra Indígena (TI) do Estado de Mato Grosso e a primeira grande Terra Indígena demarcada no Brasil. A beleza das danças e dos cantos, bem como as músicas nas flautas gigantes tocadas por velhos e ensinadas aos jovens do Alto Xingu, provaram que o tempo não só não apagou como fortaleceu as tradições xinguanas.

Terras Indígenas (TIs) Terras Indígenas (TIs) é o termo pelo qual são conhecidas as áreas onde determinados grupos indígenas ocupam de forma permanente e têm o direito de preservar sua cultura e seu modo de vida. Atualmente, cerca de 240 povos indígenas de diferentes etnias vivem em aldeias situadas nas TIs. O processo de reconhecimento legal das comunidades indígenas e a demarcação de suas terras são bastante recentes. As TIs começaram a ser demarcadas pelo governo brasileiro no início do século XX, e somente com a Constituição de 1988 é que os direitos dos indígenas — como a posse das terras tradicionalmente ocupadas por eles — foram estabelecidos claramente. Contudo, a demora do governo brasileiro em demarcar essas terras tem gerado muitos problemas, como a invasão de terras indígenas por garimpeiros e madeireiros, que exploram de maneira ilegal seus recursos naturais. Recentemente, muitos povos indígenas vêm se organizando para cobrar maior agilidade na demarcação de suas terras, além de maior fiscalização e proteção desses territórios para garantir seus direitos.

Renato Soares/Pulsar

Fotografia que retrata indígenas dançando em uma cerimônia realizada durante o I Festival de Culturas Xinguanas, em 2011.

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Renato Soares/Pulsar

A presença de crianças e adolescentes nas danças, como a Taquara e Jawari, e seus olhares atentos às apresentações tradicionais, como a luta Huka Huka, evidenciavam o envolvimento dos jovens com as tradições. “Queremos que nossos filhos e netos levem em frente a nossa cultura, continuem participando das festas. No Xingu, cada povo se pinta de uma maneira, tem rezas e danças diferentes, mas na luta para a preservação de nosso território e da nossa tradição somos todos iguais”, afirmou o cacique Afukaka Kuikuro. A arte xinguana esteve presente em cada detalhe do festival. Os vencedores das disputas de Huka Huka foram premiados com medalhas em madeira, colares de caramujo — considerados a joia do alto Xingu — e troféus com o formato do Parque. Ao final de cada dia de festa, eram exibidos filmes feitos por cineastas indígenas tais como: A história do monstro Kátpy, dos cineastas Kisêdjê, e O Pescador. No domingo, todos se reuniram para o “grande moitará dos 50 anos”. O moitará é uma tradição de troca de objetos realizada por diversos povos indígenas. Na ocasião, os convidados puderam trocar diversos objetos — roupas, materiais para pesca — por artesanatos indígenas, colares e cerâmicas. Passado e futuro do Xingu: reflexões

Delfim Martins/Pulsar

A região do entorno cresceu, a produção agropecuária se desenvolveu e já alcançou os limites do território. Xinguanos relatam o aumento do desmatamento e já sentem as mudanças na natureza e no clima do parque. Caciques expuseram suas preocupações e questionamentos sobre o futuro do Xingu. “A gente tem essa terra, onde estamos sobrevivendo, vivendo em paz. Só que temos uma grande preocupação com os desmatamentos, queimadas e destruição nas beiras dos rios. Não sei se o homem branco também está preocupado com isso, eu acho que não, pois essas coisas continuam acontecendo”, disse o cacique Aritana Yawalapiti. [...]. VELASQUEZ, Cristina; BELLEI, Fernanda. Festival de Culturas Xinguanas celebra 50 anos do Parque do Xingu com danças e reflexões na aldeia Ipavu. Socioambiental. Disponível em: <www.socioambiental. org/nsa/detalhe?id=3368>. Acesso em: 18 set. 2015.

Fotografia aérea do Parque Indígena do Xingu, mostrando uma grande área de floresta desmatada, em 2011.

Os povos da América

263

Unidade 11

Fotografia que retrata homens indígenas ricamente ornamentados com pinturas corporais para participar de uma festa. Aldeia Yawalapiti, Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso, em 2012.

A preservação das culturas xinguanas e dos recursos naturais do território foram as principais questões abordadas nas rodas de conversas realizadas todas as tardes entre as lideranças indígenas. Cinquenta anos após a criação do Parque Indígena do Xingu (PIX), muita coisa mudou para as 16 etnias xinguanas.


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Por que não é recomendado utilizar o termo “índio” para se referir aos povos nativos da América?

2. Comente sobre os elementos de maior destaque na cultura maia.

3. O que são chinampas? 4. Produza um texto sobre o império inca, abordando aspectos como a expansão

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

territorial, a organização social, as construções mais importantes e o sistema de transmissão de mensagens.

5. O que era um quipo? 6. Comente sobre as principais características dos povos indígenas que viviam no Brasil antes da chegada dos europeus.

Explorando a imagem 7. Veja o detalhe de um mural que representa o mercado de Tlatelolco, principal centro comerDiego Rivera. 1945. Afresco (detalhe). Palácio Nacional, Cidade do México (México). Foto: 3LH-Fine Art/Super Stock/Keystone

cial de Tenochtitlán.

A grande cidade de Tenochtitlán, detalhe de afresco produzido pelo artista mexicano Diego Rivera, em 1945.

• •Produza um texto descrevendo o mural, incluindo: nome do autor, data e título da obra.

Descreva também quais pessoas foram representadas (homens, mulheres e/ou crianças); o que estão fazendo, que roupas estão utilizando; como o artista representou a paisagem, as construções etc. Por fim, apresente no texto sua opinião sobre o mural e as impressões que ele lhe causou.

Expandindo o conteúdo 8. Um dos costumes astecas que mais chocou os europeus foi a prática de sacrifícios humanos. No entanto, essa prática tinha um significado muito importante para os astecas. Leia o texto.

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Para tentar entender os sacrifícios humanos para os povos antigos, é preciso resgatar o significado da palavra: em latim, sacrificare quer dizer tornar sagrado. Como parte dos registros dos povos mesoamericanos foi destruída durante a colonização espanhola, essa visão religiosa foi substituída pelos relatos dos missionários e conquistadores, que viam nos sacrifícios humanos a comprovação de que os nativos eram realmente bárbaros. Para os astecas, a prática de imolar humanos era parte integrante e importante de seus rituais. Para eles, era uma forma de agradar Huitzilopochtli, o deus da guerra e do Sol, que apreciava receber oferendas de sangue humano para que o Sol continuasse a nascer a cada manhã. Todos os estratos sociais acreditavam que a ausência da devoção causaria a extinção do astro-rei. Sem seu calor, simplesmente não haveria vida no planeta. Para satisfazer Huitzilopochtli, os sacrificados — em geral prisioneiros de guerra — eram colocados sobre uma pedra e seus peitos abertos para que o coração fosse retirado. O ponto mais alto da celebração consistia na elevação do órgão pulsante em direção ao Sol, quando, na concepção dos sacerdotes, a energia cósmica se unia à da oferenda, reforçando a fertilidade e a vitalidade do povo. ZANNI, Fabiana (Coord.). A vida como oferenda. Impérios pré-colombianos. São Paulo: Abril, nov. 2004. Almanaque Abril/Abril Comunicações S.A.

• Por

que os astecas realizavam rituais de sacrifícios humanos? Como eram realizados esses rituais?

Oficina de história

Experiência e vivência

Os povos indígenas no Brasil atual Atualmente, a maioria dos povos indígenas do Brasil vive nas Terras Indígenas, que são demarcadas pelo governo federal com o intuito de garantir a sobrevivência cultural desses povos. Para conhecer um pouco mais sobre a história e a cultura indígena, organize-se em grupos e faça uma pesquisa sobre um desses povos na atualidade. Veja o roteiro. a ) Escolham um povo indígena que vive no Brasil atualmente e, depois, selecionem as fontes de informação que vão utilizar, por exemplo, livros, revistas, jornais, sites da internet.

Unidade 11

b ) Procurem descobrir: • onde viviam os ancestrais desse povo e onde eles vivem atualmente; • quais os costumes, a língua e as tradições desse povo; • como é o cotidiano deles; • como se relacionam com a sociedade não indígena; • quais os maiores problemas enfrentados por esse povo atualmente. c ) Produzam um texto coletivo com as informações pesquisadas, inserindo imagens, gráficos, tabelas etc. Por fim, apresentem os resultados da pesquisa para o restante da turma.

Vestibulares 1. (ENEM-MEC) O Império Inca, que corresponde principalmente aos territórios da Bolívia e do Peru, chegou a englobar enorme contingente populacional. Cuzco, a cidade sagrada, era o centro administrativo, com uma sociedade fortemente estratificada e composta por imperadores, nobres, sacerdotes, funcionários do governo, artesãos, camponeses, escravos e soldados. A religião contava com vários deuses, e a base da economia era a agricultura, principalmente o cultivo da batata e do milho.

A principal característica da sociedade inca era a: a ) ditadura teocrática, que igualava a todos. b ) existência da igualdade social e da coletivização da terra. c ) estrutura social desigual compensada pela coletivização de todos os bens. d ) existência de mobilidade social, o que levou à composição da elite pelo mérito. e ) impossibilidade de se mudar de extrato social e a existência de uma aristocracia hereditária. Os povos da América

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Ampliando seus conhecimentos Arte e história

A pintura corporal

Delfim Martins/Pulsar

Entre os indígenas que habitam o Brasil, existem inúmeras manifestações culturais que estão intimamente ligadas às suas ações cotidianas. Uma das mais importantes é a pintura corporal. Feitas geralmente com urucum (coloração vermelha), jenipapo e carvão (coloração preta), elas podem representar diferentes aspectos da vida social dos membros de uma aldeia, por exemplo, se o indivíduo é casado ou solteiro, ou as atribuições de cada indivíduo no grupo. As pinturas também podem ser utilizadas em ritos de passagem, em festas, para homenagear os antepassados ou comemorar o nascimento de uma criança, além de representar o estado de espírito da pessoa, por exemplo, se está triste ou alegre. Entre algumas etnias indígenas, as pinturas são feitas exclusivamente pelas mulheres; entretanto, há vários grupos em que são feitas pelos homens ou por pessoas de ambos os sexos.

Fabio Colombini

Fotografia tirada em 2009 retratando homens Kalapalo que habitam o Parque Indígena do Xingu, no estado do Mato Grosso.

Renato Soares/Pulsar

A pintura indígena é uma manifestação cultural transmitida de geração em geração. Essa fotografia, tirada em 2009, retrata uma mulher da etnia Sateré-mauré pintando sua filha. Aldeia Inhãa-bé, Manaus (AM).

Menina da etnia Kayapó segurando boneca com pintura corporal. Aldeia Moykarakô, São Felix do Xingu (PA), em 2015.

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Apocalypto Filme de Mel Gibson. Apocalypto. EUA, 2006

A história no cinema

O filme Apocalypto narra a jornada de um jovem indígena que vive em uma aldeia na península de Yucatán, no século XVI. Sua aldeia é dizimada por outro povo e ele é capturado e levado a uma cidade maia, onde sacrifícios humanos são realizados em rituais religiosos para apaziguar os deuses. Prestes a ser sacrificado, ele escapa e volta para sua aldeia destruída, onde reencontra alguns de seus familiares. Apesar de não ser fiel à cronologia nem às fontes históricas sobre o tema, o filme recria diversos aspectos da civilização maia, tais como as construções imponentes, os costumes e os rituais religiosos. Além disso, o elenco do filme é formado por atores de origem indígena que utilizam o dialeto maia falado na região de Yucatán, o iucateque. Título: Apocalypto Diretor: Mel Gibson

Para ler

••A América que os europeus encontraram, de Enrique Peregalli. Editora Atual. Evitando o ponto de vista eurocêntrico, o autor analisa a história do desenvolvimento econômico, social, político e cultural do continente americano pré-colombiano e busca, assim, desconstruir conceitos como os de inferioridade racial e cultural. ••A

terra dos mil povos: história indígena brasileira contada por um índio, de Kaka Werá Jecupé. Editora Peirópolis. O autor traz à tona os valores, a ética e a forma de pensar e de agir do indígena por meio de relatos ouvidos de seus pais, avós, bisavós e outros ancestrais.

Atores principais: Rudy Youngblood, Dalia Hernandez, Carlos E. Baez, Israel Contreras, Jonathan Brewer Ano: 2006 Duração: 137 minutos Origem: EUA

••O casamento entre o céu e a terra, de Leonardo Boff. Editora Salamandra. Em sua estreia na literatura infantojuvenil, o autor reconta lendas dos povos indígenas brasileiros.

• •Peabiru:

os incas no Brasil, de Luiz Galdino. Editora Caminho Real. O livro apresenta uma hipótese sobre a presença do elemento inca, ainda no período pré-colombiano, em regiões que atualmente fazem parte do território brasileiro.

••O

Unidade 11

banquete dos deuses: conversa sobre a origem da cultura brasileira, de Daniel Munduruku. Editora Angra. A obra traz contribuições culturais das sociedades indígenas, suas formas de percepção dos ciclos vitais, entre outras questões pertinentes ao tema.

Para navegar

• •Museu

do Índio. Disponível em: <http://tub.im/uke82f>. Acesso em: 11 set. 2015. Site da Fundação Nacional do Índio. Tem o objetivo de divulgar a diversidade cultural e a história dos grupos indígenas que vivem no Brasil. Acervo de texto, áudio e vídeo. Pesquisa de coleções, publicações e projetos, programação, visita virtual, entre outros recursos.

• •Instituto

Socioambiental. Disponível em: <http://tub.im/u6iqgh>. Acesso em: 11 set. 2015. Portal da organização não governamental. Galeria de imagens, mapas, notícias e projetos.

• •Indígenas

no continente americano. Disponível em: <http://tub.im/e6qibm>. Acesso em: 11 set. 2015. Site do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo. Pesquisas, publicações, eventos, entre outros.

••Quem são eles? Disponível em: <http://tub.im/ecnikg>. Acesso em: 11 set. 2015.

Download gratuito do vídeo Quem são eles?, que mostra a visão preconceituosa de algumas pessoas em relação aos indígenas. O vídeo apresenta também muitas cenas do cotidiano de grupos indígenas de várias regiões do Brasil. Disponível no portal Domínio Público. Os povos da América

267


unidade

268

Reinos e impĂŠrios da Ă frica


Com frequência, os meios de comunicação veiculam notícias sobre o continente africano em que são mostradas cenas de miséria, epidemias e guerras. No entanto, imagens como essas apenas reforçam os estereó­tipos que caracterizam a África como um continente exótico e atrasado, ignorando suas peculiaridades históricas. Nesta unidade, estudaremos a história da África entre os séculos VI e XVI, dando ênfase a aspectos geralmente pouco valorizados, como a sua rica diversi­d ade geográfica e cultural. Perceberemos que os povos africanos criaram instituições políticas sólidas e constituíram importantes impérios, como o de Mali e o de Songai, além de reinos influentes em sua época, como os dos iorubás e o de Gana. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor.

A Explique por que existem, na África, centenas de mesquitas islâmicas. Converse com os colegas.

Crianças em frente à Grande Mesquita de Jené, no Mali. Essa mesquita foi construída no século XIII, no Império Mali. Fotografia de 2009.

Paule Seux/hemis.fr/Glow Images

B Entre os antigos reinos africanos, havia os reinos iorubás, dos quais herdamos influências culturais. Comente o que você sabe sobre a influência iorubá no Brasil.

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Os povos africanos Por volta do século VI, a África era habitada por muitos povos, com línguas, costumes e religiosidades diferentes. Esses povos apresentavam variadas formas de organização política e social: havia desde pequenos grupos nômades até reinos e impérios com complexas formas de organização política e social. Conheça a seguir alguns dos povos que viviam na África nessa época. Reinos e impérios africanos (séculos VI a XVI) N

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Mar Mediterrâneo

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ISLÂMICOS

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OCEANO ÍNDICO

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OCEANO ATLÂNTICO

ZIMBÁBUE Grande Zimbábue

Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

Reinos e impérios

0

610 km

20° L

Linha do tempo

500

600

700

VI - XIII Reino de Gana

270

Tr óp ic o de Ca pr ic ór ni o

E. Cavalcante

MALI SONGAI

800

Reinos e impérios africanos 900

1000

1100

1200

XIII - XV Império Mali

1300

1400

XV - XVI Império Songai

1500

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XIII - XVII Reino do Benin


Os povos do Saara fritz16/Shutterstock.com

A região norte da África era habitada por povos de diversas etnias, como os berberes e os tuaregues, cada qual com sua própria organização política e social. Sujeitos às severas condições do deserto do Saara, muitos desses povos dedicavam-se ao pastoreio, criando camelos e cabras. Por essa razão, eles mantinham um modo de vida nômade ou seminômade, buscando, constantemente, pastos e água para seus animais. No Saara, havia também povos sedentários que habitavam os oásis, onde se dedicavam ao cultivo de grãos, como o trigo e a cevada. Alguns deles formaram importantes centros comerciais no deserto, como a cidade de Numídia, localizada na região da atual Argélia, que foi fundada por povos berberes.

No Marrocos, os habitantes do deserto não se reconhecem pelo termo “berbere”. Preferem ser chamados de amazigh, que em seu dialeto nativo (o tamazigh) significa “pessoa livre”. Nessa fotografia de 2014, vemos jovens amazigh, do Marrocos, participando de uma festa tradicional.

Os berberes Os berberes eram conhecidos por serem viajantes experientes. Possuíam vasto conhecimento geográfico do Saara, dominavam as rotas comerciais e sabiam a localização dos oásis e dos poços de água, necessários durante as travessias pelo deserto. Para os berberes, principalmente após a introdução do camelo, por volta do século III, o Saara tornou-se um “mar interior”, que podia ser atravessado em todas as direções. Eles viajavam pelo deserto e visitavam várias cidades, nas quais realizavam trocas comerciais.

Unidade 12

John_Walker/Shutterstock.com

Além do comércio, os berberes também promoveram o intercâmbio cultural entre povos de diferentes regiões do continente africano. A partir do século VII, com a invasão árabe no norte da África, por exemplo, muitos berberes foram islamizados e passaram, indiretamente, a difundir o islamismo pelo Saara e outras regiões da África.

Até os dias de hoje, muitos berberes preservaram costumes tradicionais, como a construção de acampamentos no deserto. Nessa fotografia, tirada em 2015, vemos um acampamento berbere no deserto do Saara, no Marrocos.

Reinos e impérios da África

271


Os tuaregues Sael: região de terras férteis ao sul do deserto do Saara.

Além dos berberes, os tuaregues também viviam na região do Saara. Povo de hábitos nômades, o comércio era sua principal atividade econômica, negociando sal e outros produtos por todo o deserto. Os tuaregues organizavam caravanas comerciais que percorriam, além do Saara, toda a região do Sael. Geralmente, o destino dessas caravanas eram os portos de Trípoli, na Líbia e Túnis, na Tunísia.

Frans Lemmens/Corbis/Glow Images

Além disso, os tuaregues comercializavam camelos e prestavam serviços como guias para outras caravanas no Saara, oferecendo-lhes proteção armada. Eles também cobravam taxas de povos que atravessassem seus territórios. Conhecidos como “homens azuis”, por causa de suas vestimentas — túnicas e turbantes tingidos de azul —, os tuaregues viviam em comunidades organizadas por laços de parentesco ou alianças. Mesmo tendo sido islamizados, não abandonaram totalmente suas crenças tradicionais e também preservaram seu idioma: o tamaxeque.

Mulheres tuaregues com vestimentas tradicionais, no Mali, em 2014.

Peter Adams/Cor bis/Glow

Images

Homens tuaregues com suas tradicionais túnicas azuis. Fotografia tirada no Mali, em 2015.

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Os muçulmanos na África A expansão da religião islâmica no continente africano teve início no século VII, quando começaram as invasões dos muçulmanos provenientes da Arábia. Aproveitando a fragilidade do Império Bizantino, que não podia defender seus territórios na África de forma eficiente, as forças muçulmanas tomaram as principais cidades egípcias sem enfrentar grande resistência. Do Egito, os conquistadores árabes seguiram em direção ao Magreb e, mesmo encontrando forte resistência dos povos berberes, dominaram a região.

Magreb: palavra derivada do árabe Al-Maghrib, que significa “poente”, “ocidente”. Nesse contexto, refere-se à região oeste do Saara, próxima ao oceano Atlântico.

Quando a conquista do norte da África foi concluída, no início do século VIII, os povos berberes estavam em sua maioria islamizados. E foram esses berberes islamizados e arabizados que difundiram o Islã em regiões da África Subsaariana. O termo arabização significa que, além da religião islâmica, os povos do norte da África adotaram vários aspectos da cultura árabe, principalmente o idioma. A expansão do islamismo na África (séculos VII ao XV) EUROPA

Túnis

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Sijilmessa Agmate Gadamés Tagaza

Trópico de Câncer

Mar Mediterrâneo

ÁSIA

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Lago Chade

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Agadés Tombuctu Gaô Sila Koumbi Azelik Saleh Kano

O comércio foi uma importante atividade econômica para vários povos africanos. A grande dimensão territorial e as condições climáticas severas do deserto do Saara não impediram a circulação de pessoas e mercadorias.

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Audagoste

Rotas comerciais transaarianas

Medina

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Trípoli

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Equador

Mombasa ÍNDICO

Comores

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Região de influência islâmica Rotas transaarianas

Ludovic Maisant/Hemis/Corbis/Latinstock

E. Cavalcante

Trópico de Capricórnio

Meridiano de Greenwich

OCEANO ATLÂNTICO

Zanzibar OCEANO Kilwa

A utilização do camelo foi fundamental para que as pessoas pudessem circular pelo Saara, já que esse animal é resistente ao rigoroso clima do deserto e tem a capacidade de passar vários dias sem se alimentar e sem beber água. As rotas comerciais que atravessavam o Saara, chamadas rotas transaarianas, permitiram a comunicação e a troca de mercadorias entre os povos da África Mediterrânea e da África Subsaariana.

MADAGASCAR

N O

0

720 km

L S

Fonte: DEMANT, Peter. O mundo muçulmano. São Paulo: Contexto, 2004.

Fotografia de 2015 que retrata um pastor nômade com seus camelos atravessando o deserto do Saara, no Marrocos.

Reinos e impérios da África

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Unidade 12

Ceuta

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O Islã em outras regiões da África Noz-de-cola: planta de gosto amargo que possui propriedades estimulantes e revigorantes. Ulemá: estudioso do Alcorão e professor das escolas islâmicas.

Na África Ocidental, a islamização dos povos não se deu por meio de conquista militar, mas sim pelo estímulo proporcionado pelo comércio e pela pregação dos ulemás. Os comerciantes eram os caravaneiros árabes e berberes que percorriam as rotas transaarianas. Ao se aproximarem de alguma cidade ou aldeia africana, os mercadores muçulmanos costumavam acampar para estabelecer contatos. Esses acampamentos cresciam conforme aumentava o fluxo das trocas comerciais, tornando-se até mesmo grandes centros comerciais dotados de mesquitas, que desempenhavam a função de núcleo difusor da fé islâmica. Os mercadores muçulmanos procuravam preferencialmente ouro e escravos, mas também se interessavam por sementes de noz-de-cola, marfim, peles e plumas. Em troca, forneciam sal, objetos de cobre, artigos de luxo, cavalos e armas. A partir do século VIII, imigrantes árabes, além de persas e indianos islamizados, estabeleceram-se na África Oriental, banhada pelo mar Vermelho e pelo oceano Índico. Esses grupos fundaram prósperas cidades comerciais, como Kilwa, Zanzibar, Mombasa, Mogadíscio e Sofala. Esses imigrantes integraram-se às populações banto já estabelecidas nas regiões costeiras do continente. Desse contato, surgiu a chamada cultura suaíli; por isso, a língua suaíli é africana (banta), mas repleta de palavras árabes.

Passado e presente

A força da tradição

Apesar da difusão do cristianismo e do islamismo na África, as religiões tradicionais africanas continuam fortemente arraigadas em boa parte da população. Sua presença permanece forte mesmo em regiões onde o islamismo se impôs há séculos.

Hugh Sitton/Corbis/Latinstock

Um exemplo de resistência ao Islã e de apego às antigas tradições foi dado pelo povo dogon. Entre os séculos XIII e XV, esse povo migrou de sua região, no atual Mali, para fugir da islamização, e se fixou em áreas de difícil acesso, a leste do rio Niger, de modo que puderam preservar suas tradições até os dias de hoje.

Fotografia recente de homens dogons vestidos para sua tradicional Dança das Máscaras.

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O Reino de Gana Formado por povos do deserto que se sedentarizaram, no século VI, o Reino de Gana dominou a região próxima aos rios Senegal e Níger, entre as estepes e as savanas africanas. Atualmente, a área ocupada pelo Reino de Gana corresponde aproximadamente ao Mali e a Mauritânia. Os habitantes de Gana, conhecidos como soninquês, dedicavam-se à agricultura, ao comércio e à exploração aurífera, atividades que trouxeram grande prosperidade ao reino, também conhecido como “Terra do Ouro”. Margaret Courtney-Clarke/Corbis/Latinstock

Até os dias de hoje existem populações soninquês habitando regiões que pertenceram ao Reino de Gana. Muitas delas preservaram costumes de seus ancestrais, entre eles, a maneira de construir suas moradias. Fotograria recente de moradia soninquê às margens do rio Senegal.

O Reino de Gana abrangia diversas áreas de influência com organizações políticas variadas, como os sobados. Porém, todos estavam submetidos a um único soberano, chamado gana, fosse por vínculos espirituais, pelo dever militar ou, ainda, pelo pagamento de tributos.

Sobado: território que ficava sob a autoridade de um líder político denominado soba.

Para o gana, era mais importante ter muitos súditos que grandes extensões de terra. Leia o texto.

Unidade 12

[...] Sua soberania exercia-se sobre os homens e não sobre a terra. O monarca não estava interessado em ampliar seu poder pela adição de novos territórios, mas em submeter números crescentes de sobados, cidades, aldeias e grupos humanos, que lhe pagassem tributo e lhe pudessem fornecer soldados para a guerra, servidores para a corte, lavradores para os campos reais. [...] SILVA, Alberto da Costa e. A enxada e a lança: a África antes dos portugueses. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. p. 277.

A presença do islamismo O Reino de Gana destacou-se como um importante centro comercial, principalmente pelo comércio praticado pelos mercadores nas rotas transaarianas. A atividade comercial propiciou o contato de vários povos africanos com os caravaneiros muçulmanos, que difundiram o islamismo, convertendo parte da população que habitava as cidades do reino desde o século VII. No entanto, até o século XII, muitos povoados permaneceram fiéis às suas crenças e costumes tradicionais, sendo muito comum encontrar, em uma mesma cidade, mesquitas e santuários nos quais sacerdotes preservavam o culto aos deuses e aos antepassados. No início do século XIII, por causa da queda na produção de ouro e da diminuição das trocas comerciais, o Reino de Gana entrou em um processo de decadência econômica, que resultou na perda da importância do reino como centro comercial. Reinos e impérios da África

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O Império Mali O Império Mali se formou pela desagregação do Reino de Gana, no século XIII. Nessa época, a região de Mali havia se fortalecido à medida que as caravanas passaram a comercializar em suas principais cidades, entre elas Tombuctu, Gaô e Jené. Apesar de enfrentar forte resistência de povos não islamizados que habitavam a região, o soberano Sundjata Keita, da etnia mandinga, expandiu o território do Império Mali e incorporou sob seu domínio diversos reinos, aldeias e clãs, agregando uma população de etnias variadas.

Sundjata Keita foi o primeiro mansa do Mali. Depois dele, outros governantes malineses adotaram esse título. Ao lado, cópia de manuscrito de 1375 representando o mansa Musa, que governou o Império Mali no século XIV.

Abraão Cresques. Séc. XIV. Atlas (detalhe). Museu Marítimo, Barcelona (Espanha). Foto: Ramon Manent/Corbis/Latinstock

Sundjata Keita concedeu aos che­fes de cada etnia do Império Mali o direito ao exercício do governo local, desde que pagassem tributos e o reconhecessem como mansa, ou seja, soberano político e religioso.

A história de Mali contada pelos griôs Tradição oral: transmissão, realizada por meio da fala, da história e da cultura de um povo ou de um grupo social.

Assim como em muitas sociedades africanas, a história do Império Mali foi, em grande parte, transmitida por meio da tradição oral. Nessas sociedades, essa transmissão cabia aos chamados griôs, pessoas responsáveis pela preservação da memória coletiva de suas comunidades. Os griôs de Mali transmitiam seu conhecimento de geração em geração, possibilitando que vários aspectos da história africana se tornassem conhecidos. Eles tinham importante papel na coesão e na identidade de sua comunidade, pois as histórias que narravam referiam-se à cultura e à ancestralidade de seu povo. Os griôs percorriam longas distâncias narrando, em forma de poesia, os acontecimentos passados e tocando instrumentos musicais, como marimba, kora e dan. Em suas viagens, eles aproveitavam para conversar e conhecer novas histórias, a fim de incorporá-las em suas narrativas. Mesmo mantendo a integridade dessas histórias, cada griô tinha sua própria maneira de narrar um acontecimento, que variava de acordo com suas características pessoais, o ritmo e a ênfase dada aos fatos que ele considerava mais importantes.

276


O Império Songai No final do século XV, o Império Mali foi conquistado por um povo vizinho, chamado songai. Esse povo formou um poderoso e organizado império nas proximidades do rio Níger, e fez de Gaô a sua capital. Os songais eram liderados por um chefe supremo denominado ásquia.

Escolas e universidades As principais cidades desse império se sobressaíram como importantes centros comerciais. Entretanto, foi na área da educação que os songais mais se destacaram. A cidade de Tombuctu foi transformada em uma espécie de núcleo de saber e de cultura. Nessa cidade, concentravam-se juízes, doutores e sacerdotes do Islã. Havia várias universidades que funcionavam nas mesquitas e cerca de 200 escolas islâmicas. Fotografia de uma mesquita na cidade de Tombuctu, na República do Mali, em 2009.

Unidade 12

dbimages/Alamy Stock Photo/Latinstock

Esse império conseguiu se manter como o Estado mais poderoso da região do rio Níger até o ano de 1591, quando foi invadido por exércitos originários do Marrocos, que destruíram boa parte de suas mesquitas, escolas e bibliotecas.

Reinos e impérios da África

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Os reinos iorubás

Séc. XII-XIV. Escultura em bronze. 36 cm. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: British Museum/Werner Forman Archive/Glow Images

Os povos iorubás desenvolveram-se na parte ocidental do continente africano, região onde atualmente ficam Nigéria, Benin e Togo. Eles começaram a formar suas primeiras cidades nessa região entre os séculos IX e X, vindos do nordeste da África em várias levas migratórias. Algumas cidades iorubás formaram reinos importantes, como Ifé, Owo, Queto e Benin.

A estrutura social dos reinos iorubás O Reino de Ifé era muito importante e seu rei, chamado oni, exercia influência política e religiosa sobre vários reinos iorubás, chefiados pelos obás, que deviam obediência ao oni de Ifé. As sociedades iorubás eram organizadas em camadas, referentes às funções exercidas pelas pessoas, como a atividade militar, a agrícola, a artesanal e a sacerdotal. Os cargos mais importantes dessas sociedades, nas esferas política, religiosa e econômica, eram ocupados por homens. As mulheres se dedicavam geralmente à agricultura e ao cuidado das casas. Escultura iorubá em bronze representando um oni de Ifé.

Cynthia Brito/Olhar Imagem

Passado e presente

Refletindo

• A Constituição de

1988 garante a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos diferentes cultos religiosos no Brasil. Atualmente, porém, ainda são comuns no país os casos de discriminação contra as religiões de matriz africana. Por que isso acontece? O que você pode fazer para combater esse tipo de discriminação?

Veja a resposta da questão nas Orientações para o professor.

278

A religião dos iorubás Assim como no passado, a religiosidade ainda é muito importante nas regiões africanas de origem iorubá. Na América, algumas religiões desenvolveram-se influenciadas pelas tradições iorubás, convivendo com práticas religiosas cristãs. Esse é o caso do candomblé, no Brasil. Na religiosidade iorubá, Olorum é considerado o deus absoluto. Os iorubás consideram esse deus como supremo, mas distante do mundo dos seres humanos. Por esse motivo, existem os orixás, que são entidades divinas criadas para representar Olorum na Terra. Dessa maneira, os seguidores dessa religião não prestam ritos ao deus supremo, mas aos orixás, que estão presentes em todos os momentos da vida dos iorubás. Seguidores do candomblé durante a Festa de Xangô, cerimônia em homenagem a Xangô, orixá da justiça, do fogo, dos raios e dos trovões. Fotografia recente tirada em São Paulo (SP).


O Reino do Benin Os edos eram um dos muitos povos que faziam parte do grupo iorubá. Formaram várias cidades, sendo Benin a mais importante. Fundada aproximadamente no século XIII, foi apenas em meados do século XIV que Benin atingiu seu auge, durante o reinado do obá Ewaré, que conquistou diversas aldeias e cidades. Esse obá realizou melhorias significativas na capital, como a construção de estradas e de uma grande muralha que cercava a cidade, a mais importante fortificação da região. Nessa época, Benin era maior e mais urbanizada que muitas cidades europeias. Como a maioria dos reinos iorubás, Benin estava ligado a Ifé por laços religiosos e políticos. Em Ifé, o obá de Benin buscava a legitimação de seu poder e autoridade, além de procurar reforçar os laços com o oni. Depois do século XV, com o aumento do poder político e econômico do Reino do Benin, a importância de Ifé se restringiu cada vez mais ao plano simbólico e religioso.

Manilha: objeto em forma de argola usado como adorno ou moeda de troca.

No Reino do Benin, os relevos em bronze eram muito detalhados, representando a figura humana completa, quase sempre do obá e de outros membros da nobreza e da corte, além dos escravos. Ao lado, relevo em bronze do século XVII.

Unidade 12

Séc. XVII. Relevo em bronze. 54 cm. Coleção particular. Foto: Dirk Bakker/Bridgeman Images/Easypix

A importância e grandeza do Reino do Benin resultaram da intensa atividade mercantil. Pela capital do reino, passavam produtos como sal, peixe seco, dendê, tecidos e cobre. Em Benin, as pessoas do reino e de fora dele trocavam desde produtos mais raros até os mais acessíveis. Para tornar as trocas comerciais mais ágeis, os edos utilizavam como moeda manilhas e barras de cobre.

Explorando a imagem a ) Quais dessas figuras representa o obá? b ) Além do obá e de sua guarda pessoal, foram representados alguns escravos. Como é possível identificá-los? Comente com os colegas. Veja as respostas das questões nas Orientações para o professor. Reinos e impérios da África

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Explorando o tema

A memória das sociedades africanas

A história de diversas sociedades africanas vem sendo transmitida não só pelos registros escritos, mas também por meio da oralidade, isto é, pelo conjunto de histórias contadas verbalmente pelas pessoas. Leia, a seguir, um texto sobre as tradições orais e a preservação da memória em sociedades africanas.

Segundo [o historiador francês] Jacques Le Goff, a memória é a propriedade de conservar certas informações, propriedade que se refere a um conjunto de funções psíquicas que permite ao indivíduo atualizar impressões ou informações passadas, ou reinterpretadas como passadas. [...]

Griot: forma francesa da palavra griô.

Desde a fundação do Império do Mali no século XIII, os griôs têm um importante papel social em suas comunidades, ajudando a manter viva a memória, a história e a cultura de seu povo. Essa fotografia de 2006 retrata um griô dando sua bênção a um casal recém-casado, no Mali.

A memória está nos próprios alicerces da História, confundindo-se com o documento, com o monumento e com a oralidade. [...] Mas a memória não é apenas individual. Na verdade, a forma de maior interesse para o historiador é a memória coletiva, composta pelas lembranças vividas pelo indivíduo ou que lhe foram repassadas, mas que não lhe pertencem somente, e são entendidas como propriedade de uma comunidade, um grupo. O estudo histórico da memória coletiva começou a se desenvolver com a investigação oral. Esse tipo de memória tem algumas características bem específicas: primeiro, gira em torno quase sempre de lembranças do cotidiano do grupo, como enchentes, boas safras ou safras ruins, quase nunca fazendo referências a acontecimentos históricos valorizados pela historiografia, e tende a idealizar o passado. Em segundo lugar, a memória coletiva fundamenta a própria identidade do grupo ou comunidade, mas normalmente tende a se apegar a um acontecimento considerado fundador, simplificando todo o restante do passado. Por outro lado, ela também simplifica a noção de tempo, fazendo apenas grandes diferenciações entre o presente (“nossos dias”) e o passado (“antigamente”, por exemplo). Além disso, mais do que em datas, a memória coletiva se baseia em imagens e paisagens. O próprio esquecimento é também um aspecto relevante para a compreensão da memória de grupos e comunidades, pois muitas vezes é voluntário, indicando a vontade do grupo de ocultar determinados fatos. Assim, a memória coletiva reelabora constantemente os fatos. [...] Para Jacques Le Goff é preciso diferenciar as sociedades de memória oral e as de memória escrita. Mas enquanto estudiosos como Leroi-Gourham consideram que a memória coletiva, ou étnica, é uma característica intrínseca de todas as sociedades, Le Goff defende que ela é uma forma característica dos povos sem escrita.

Sebastien Cailleux/Corbis/Latinstock

Seja como for, nas sociedades sem escrita a atitude de lembrar é constante, e a memória coletiva confunde História e mito. Tais sociedades possuem especialistas em memória que têm o importante papel de manter a coesão do grupo. Um exemplo pode ser visto nos griots da África ocidental, cidadãos de países como Gâmbia, por exemplo. Os griots são especialistas responsáveis pela memória coletiva de suas tribos e comunidades. Eles conhecem as crônicas de seu passado, sendo capazes de narrar fatos por até três dias sem se repetir. Quando os griots recitam a história ancestral de seu clã, a comunidade escuta com

280


Na década de 1970, o escritor afro-americano Alex Haley empreendeu uma monumental pesquisa em três continentes em busca do passado de sua família a partir das memórias repassadas geração após geração, desde o primeiro membro da família a chegar na América como escravo. Essa pesquisa, que deu origem ao livro Raízes, impulsionou um processo de valorização da memória como fonte para a construção das identidades. Haley trabalhou com griots em Gâmbia e difundiu no Ocidente um exemplo de como as sociedades sem escrita pensam sua memória: as comunidades tradicionais de Gâmbia, os “homens sábios”, afirmavam que a ancestralidade de todas as pessoas remontava necessariamente a um tempo em que a escrita não existia. E aí então a memória humana tornava-se a única forma de conseguir informações sobre o passado. Para eles, a cultura ocidental estava tão condicionada ao esmagamento da escrita, que poucos poderiam compreender do que uma memória treinada era capaz.

Bruno Morandi/Hemis/ Corbis/Latinstock

formalidade. Para datar os casamentos, o nascimento de filhos etc., os griots interligam esses fatos a acontecimentos como uma enchente. Tais mestres da narrativa são exemplos de como a tradição oral e a memória podem ser enriquecedoras para a História: ambas são vivas, emotivas e, segundo o africanista Ki-Zerbo, um museu vivo. [...]

Unidade 12

Nesse ponto, cabe fazermos referência a outro grande africanista, Jan Vansina, que defende que a oralidade é uma atitude diante da realidade e não a ausência de uma habilidade, no caso a habilidade de escrever. E são justamente as sociedades orais as que melhor preservam a capacidade de compreensão de seu passado por meio da memória coletiva. Assim, a reflexão sobre a memória tornou-se [...] uma oportunidade para refletir sobre a capacidade de produzir conhecimento sobre o passado, e sobre como essa capacidade difere de povo para povo.[...] SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006. p. 275-8.

Fotografia recente de griôs no Mali.

Reinos e impérios da África

281


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Veja as respostas das Atividades nas Orientações para o professor.

Sistematizando o conhecimento 4. Por que os griôs eram tão importantes para

1. Como era a vida dos povos que habitavam

a sociedade de Mali?

o deserto do Saara? E como era realizado o comércio nessa região da África?

5. Como se formou o Império Songai? Descreva suas principais características.

2. Explique como ocorreu a expansão do islamismo na África a partir do século VII.

6. Produza um texto sobre o reino dos iorubás, abordando aspectos como a sua formação, a estrutura social, a religião e as artes.

3. Qual foi a importância do comércio para o Reino de Gana?

Explorando a imagem 7. Compare o mapa a seguir com o que foi apresentado na página 273 e responda às questões. Muçulmanos na África – 2012 TUNÍSIA

Mar Mediterrâneo

MARROCOS LÍBIA

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Saara Ocidental

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Meridiano de Greenwich

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

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BURUNDI

TANZÂNIA

COMORES

MALAUÍ

MOÇAMBIQUE

de 91% a 100%

MADAGASCAR

NAMÍBIA

de 51% a 90%

BOTSUANA

de 21% a 50% de 6% a 20%

N

menos de 5% Fonte: BLACK, Jeremy (Ed.). World History Atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2005.

OCEANO ÍNDICO

O islamismo é a religião oficial 0°

ÁFRICA DO SUL

O 0

660 km

L S

E. Cavalcante

OCEANO ATLÂNTICO

ERITREIA

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5/21/16 5:17 PM


a ) Cite o nome de cinco países africanos que têm o islamismo como religião oficial. b ) Cite o nome de três países africanos em que mais de 50% da população é islâmica. c ) Qual é a região da África que, atualmente, tem a maior porcentagem de muçulmanos? Relacione esse fato com a expansão islâmica ocorrida entre os séculos VII e XV.

Expandindo o conteúdo 8. O texto a seguir trata de aspectos culturais da África tradicional que permanecem no cotidiano de alguns povos africanos da atualidade. Leia-o.

[...] Na África tradicional a concepção de mundo é uma concepção de relação de forças naturais, sobrenaturais, humanas e cósmicas. Tudo que está presente para o Homem tem uma força relativa à força humana, que é o princípio da “força vital”, ou do axé — expressão iorubá usada no Brasil. As árvores, as pedras, as montanhas, os astros e planetas exercem influência sobre a Terra e a vida dos humanos, e vice-versa. [...] As preces e orações feitas a uma árvore, antes de ela ser derrubada, era uma atitude simbólica de respeito à existência daquela árvore, e não a manifestação de uma crença de que ela tinha um espírito como o dos humanos. Ainda que se diga de um “espírito da árvore”, trata-se de uma força da Natureza, própria dos vegetais, e mais especificamente das árvores. Assim, os humanos e os animais, os vegetais e os minerais enquadravam-se dentro de uma hierarquia de forças, necessária à Vida, passíveis de serem manipuladas apenas pelo Homem. Isso, aliás, contrasta com a ideia de que os povos africanos mantinham-se sujeitos às forças naturais, e, portanto, sem cultura. [...] Esses elementos filosóficos podem ser vistos expressados graficamente nas decorações de superfície de esculturas, na tecelagem e no trançado, e na própria arquitetura, através de figuras geométricas (zigue-zagues, linhas onduladas, espirais — contínuas e infinitas), de figuras zoomorfas (cobras, lagartos, tartarugas — que, além de sua forma, estão associadas à ideia de vitalidade e longevidade).

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Trata-se de uma linguagem gráfica simbólica, equivalente a da figura antropomórfica em estátuas e estatuetas, onde se ressaltam cabeça, mãos e pés, seios, ventre, órgãos sexuais (todos considerados, de um modo geral, centros de força vitais). Elas expressam, do mesmo modo que os grafismos, aspectos relacionados ao tema da reprodução humana e à capacidade de produção do conhecimento necessário à perpetuação da espécie humana, mesmo que, individualmente, venham a desempenhar funções e a expressar significados específicos. Temas como a fertilidade da mulher e fecundidade dos campos são frequentes e quase que indissociáveis na expressão artística, estabelecendo a relação entre a abundância de alimento e a multiplicação da prole, um fator concreto em sociedades agrárias. O tema do duplo remete à relação de fatores complementares ou antagônicos (dia-noite, homem-mulher). Todas essas formas gráficas e representativas são um recurso para apresentar, sob forma material, um conjunto de ideias sobre a existência concebida visando ao equilíbrio e à perpetuação biológica e espiritual do grupo social. SALUM, Marta Heloísa Leuba. África: culturas e sociedades. Arte africana. Disponível em: <www.arteafricana.usp.br/codigos/textos_didaticos/002/africa_culturas_e_sociedades.html>. Acesso em: 18 set. 2015.

a ) Explique, com suas palavras, a concepção de mundo da África tradicional. b ) Qual é a relação entre os elementos da natureza e o “Homem” na cultura africana tradicional? Reinos e impérios da África

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9. Leia o texto a seguir. Bébé dirige um táxi, Astan é carpinteira, Bintou é deputada, Fanta é [...] paraquedista. E Madina N’ Diaye, cantora maliana que as homenageia em sua música, toca a kora, um instrumento tradicionalmente proibido para as mulheres em seu país. Compositora e intérprete apaixonada pelo ritmo mandingue, Madina encantou os franceses com sua voz pura e seu engajamento pela causa feminina desde 2003. Ela havia acabado de perder a visão definitivamente após uma grave infecção nos olhos [...]. A cegueira, porém, era apenas mais um dos obstáculos a enfrentar. Para fazer sua música, ela contrariou [os] griôs — artistas que se dizem detentores da permissão para tocar o instrumento. “Chegaram a dizer que eu fiquei cega por causa da minha insistência”, conta. A kora, que seria o equivalente de uma harpa, possui 21 cordas e é confeccionada com fios de pesca e uma cabaça revestida de couro de vaca. Um dos “virtuosos da kora”, Toumani Diabaté, presenteou Madina com o instrumento em 1993, uma surpresa que a fez chorar. Treze anos depois, foi com esse presente que Madina fez seus shows na França e gravou seu primeiro álbum, Bimogow. [...] Suas letras falam da bravura e da abnegação das mulheres e celebram o amor e a paz que “fazem tanta falta para a humanidade”. Ela se opõe, também, a todo tipo de discriminação, e aborda a migração dos povos em várias canções. “Os homens pensam que as mulheres são incapazes de fazer o que eles fazem. Mas eu, Madina, eu toco a kora...”, diz, em Mussow (Glória às mulheres). Em Tounkan (Êxodo, ou Exílio), Madina denuncia os abusos cometidos pelas autoridades francesas que repatriam imigrantes clandestinos à força, em voos fretados. Bernard Foubert/PhotoNonStop/Glow Images

Para ela, a arte é antes de tudo engajamento: “é um meio de expressão de suas convicções sociopolíticas e culturais. Eu sou uma artista engajada e uma mulher emancipada”. E emancipar-se significa poder exercer as mesmas profissões que os homens, segundo Madina N’ Diaye. “Tocando a kora, eu levo a vida com meu suor, como os homens. É o que temos em comum com eles. Fora isso, um homem e uma mulher se completam no lar e na vida”. Essa mulher de fala tranquila passa longe do conformismo. “Em vez de me abater, as discriminações e toda essa maldade gratuita só me fizeram redobrar minha vontade de aprender a tocar a kora, esse instrumento místico e misterioso”. [...] CAMPAGNUCCI, Fernanda. Contra os preconceitos, a música. Jornal Brasil de Fato, edição 215, de 12 a 18 de abril de 2007.

A coragem de Madina influenciou outras mulheres africanas a tocar a kora, como a malinesa da fotografia ao lado, tirada em 2008.

a ) De acordo com a tradição do Mali, quem pode tocar a kora? Por quê? b ) O que incentivou Madina a tocar a kora? c ) Qual é a importância da arte para a cantora?

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Oficina de história

Experiência e vivência

Griô: a arte de contar histórias No Brasil, a tradição dos griôs foi transmitida pelos africanos aos seus descendentes e está presente em nossa cultura. Atualmente, são reconhecidos como griôs aqueles que preservam a tradição oral e a identidade de seu povo. Leia o texto a seguir.

Griô ou Mestre(a) é todo(a) cidadão(ã) que se reconheça e seja reconhecido(a) pela sua própria comunidade como herdeiro(a) dos saberes e fazeres da tradição oral e que, através do poder da palavra, da oralidade, da corporeidade e da vivência, dialoga, aprende, ensina e torna-se a memória viva e afetiva da tradição oral, transmitindo saberes e fazeres de geração em geração, garantindo a ancestralidade e identidade do seu povo. O que é griô. Disponível em: <www.acaogrio.org.br/acao-grio-nacional/o-que-e-grio/>. Acesso em: 23 set. 2015.

a ) Em grupo, realizem uma pesquisa sobre os griôs no Brasil. Procurem descobrir o que é a Ação Griô Nacional, o que são Pontos de Cultura e onde eles estão localizados. b ) Escolham um Ponto de Cultura próximo da cidade onde vocês moram e faça uma pesquisa para saber quais são as ações realizadas na comunidade local. c ) Escrevam um texto coletivo com os resultados da pesquisa. d ) Depois, elejam e pesquisem um tema relacionado à história da cidade ou do estado onde vocês moram. Pode ser uma curiosidade, uma lenda, um fato político ou alguma tradição regional (por exemplo, o modo de preparar alimentos, de executar uma dança). Elaborem uma história sobre o tema. e ) Em algum espaço amplo da escola, façam uma roda e realizem uma apresentação das histórias pesquisadas pelos grupos. Cada grupo deve contar a sua história oralmente. A história pode ser contada por um ou mais integrantes do grupo. Caso queiram enriquecer a apresentação, utilizem instrumentos musicais, cantem e dancem.

Vestibulares 1. (UNICAMP–SP) A longa presença de povos árabes no norte da África, mesmo antes de Maomé, possibilitou uma interação cultural, um conhecimento das línguas e costumes, o que facilitou posteriormente a expansão do islamismo. Por outro lado, deve-se considerar a superioridade bélica de alguns povos africanos, como os sudaneses, que efetivaram a conversão e a conquista de vários grupos na região da Núbia, promovendo uma expansão do Islã que não se apoia na presença árabe. ARNAUT, Luiz; LOPES, Ana Mônica. História da África: uma introdução. Belo Horizonte: Crisálida, 2005. p. 29-30. (adaptado).

Sobre a presença islâmica na África é correto afirmar que:

a ) O princípio religioso do esforço de conversão, o jihad, foi marcado pela violência no norte da África e pela aceitação do islamismo em todo o continente africano. b ) Os processos de interação cultural entre árabes e africanos, como os propiciados pelas relações comerciais, são anteriores ao surgimento do islamismo. c ) A expansão do islamismo na África ocorreu pela ação dos árabes, suprimindo as crenças religiosas tradicionais do continente. d ) O islamismo é a principal religião dos povos africanos e sua expansão ocorreu durante a corrida imperialista do século XIX.

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f ) Por fim, individualmente, faça um relatório da experiência proposta nesta oficina. Conte o que descobriu sobre os griôs no Brasil e sobre a história da região onde você vive. Conte também sobre o que você aprendeu durante as apresentações orais dos grupos.


Ampliando seus conhecimentos Arte e história

As máscaras africanas

Em alguns países da África, o uso de máscaras em cerimônias e festividades é uma tradição que se mantém desde os tempos antigos. Feitas com diferentes materiais, como madeira, marfim, metal e fibras de plantas, as máscaras africanas representam a manutenção dos costumes de diferentes grupos étnicos. Leia o texto. Séc. XVI. Máscara de marfim. 25 cm. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Werner Forman Archive/British Museum, London/Glow Images

A utilização de máscaras em cerimoniais é prática comum há milhares de anos na África. As máscaras são de fundamental importância nos rituais, sejam de iniciação, de passagem, ou de evocação de entidades espirituais. As máscaras apresentam-se, também, como elementos de afirmação étnica, expondo características de cada grupo. Assim, existe uma grande diversidade de formas [...] e técnicas de confecção [...]. Normalmente, a máscara é apenas um dos elementos utilizados nas cerimônias e rituais, havendo a combinação com outras manifestações, como dança, música e instrumentos musicais. [...] As máscaras são empregadas, basicamente, em eventos sociais e religiosos. Além de representarem os espíritos ancestrais, em alguns casos objetivam o controle de forças espirituais das comunidades para um determinado fim, sejam essas forças benéficas ou malignas. [...] AGUIAR, Rodrigo. Máscaras africanas. Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígena. Disponível em: <http://neab-uniplac.blogspot.com.br/ 2010/06/mascaras-africanas.html>. Acesso em: 18 set. 2015.

Séc. XIX. Máscara de madeira. Museu Britânico, Londres (Inglaterra). Foto: Werner Forman Archive/British Museum, London/Glow Images

Elmo de madeira. 63,5 cm. Coleção particular. Foto: Werner Forman Archive/Gillon Collection, New York/Glow Images

Máscara de marfim feita no século XVI pelos artesãos do Reino do Benin.

Máscara do século XIX esculpida em madeira, usada em Babanki-Tungo, Camarões.

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Máscara do século XIX feita com madeira e sementes, utilizada na Nigéria pelo povo afo.


A história no cinema

Contos africanos Título: Contos africanos - Conto e reconto: literatura e (re)criação; partes 01, 02 e 03

Os vídeos Contos africanos, além da contação de histórias tradicionais africanas feita por grupos artísticos, apresentam diálogos entre especialistas em cultura africana e afro-brasileira, destacando aspectos da tradição oral preservada, sobretudo, por meio dos griôs, reconhecendo a importância de se resgatar a ancestralidade africana.

Ano: 2006

Art Capri

Ao relacionar a cultura africana com a brasileira, os diá logos feitos no vídeo possibilitam perceber claramente a influência e as contribuições do continente africano na cultura e na sociedade brasileira. Além disso, eles demonstram que existem ancestralidades africanas relacionadas às culturas regionais.

Realização: Ministério da Educação do Brasil Duração: Parte 01: 18’’; parte 02: 19’’; parte 03: 16’’ Origem: Brasil

Nos vídeos Contos africanos, um dos contos narrados chama-se “O baú das histórias”. Nessa narrativa, um ancião africano, chamado Ananse, vive várias aventuras para trazer do céu um baú de ouro repleto de histórias.

Para ler

• África e Brasil africano, de Marina de Mello e Souza. Editora Ática. Apresenta as culturas dos povos africanos com um panorama da história do continente antes e depois da chegada dos europeus.

• Encontros

com o griot Sitigui Kouyaté, de Isaac Bernat. Editora Pallas. Na tradição mali, griot (ou griô) é o mestre da palavra. O livro é uma investigação sobre como esse artista pode atuar no mundo globalizado sem perder sua singularidade, usando, para isso, a conduta humana e solidária dos griôs.

• Sundiata, uma lenda africana: o Leão do Mali, de Will Eisner. Editora Companhia

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das Letras. Adaptação para os quadrinhos da Sundiata, tradicional história do oeste da África, transmitida oralmente por gerações, desde o século XIII, que narra a luta contra a opressão.

• Sikulume e outros contos africanos, de Júlio Emílio Braz. Editora Pallas. Narrativa ilustrada de sete histórias africanas repletas de poesia, coragem, amor, terror e superação.

• Um passeio pela África, de Alberto da Costa e Silva. Editora Nova Fronteira. Um grupo de amigos se aventura pelo continente africano, com um roteiro que contempla o passado e o futuro. Também mostra a África urbana e moderna, destacando as peculiaridades de cada país visitado.

Para navegar

• Casa das Áfricas. Disponível em: <http://tub.im/8fg3a4>. Acesso em: 18 set. 2015.

Site do instituto cultural, de formação e de estudos sobre sociedades africanas. Biblioteca, palestras, publicações, cursos e acervo sobre a África.

• Grãos de Luz e Griô. Disponível em: <http://tub.im/svx5w4>. Acesso em: 18 set. 2015. Vídeos, programação, oficinas e outros recursos sobre os griôs no Brasil.

• Contos africanos. Disponível em: <http://tub.im/kh7wa7>. Acesso em: 18 set. 2015. Download gratuito dos vídeos, que contêm várias narrativas tradicionais de povos da África, disponíveis no portal Domínio Público.

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Lista de siglas ENEM-MEC

Exame Nacional do Ensino Médio

ESPM-SP Escola de Propaganda do Museu de Arte de São Paulo FUVEST-SP UEM-PR

Fundação Universitária para o Vestibular

Universidade Estadual de Maringá

UFPEL-RS UFRN

Universidade Federal de Pelotas

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

UFRR

Universidade Federal de Roraima

UFSC

Universidade Federal de Santa Catarina

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

UNESP Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”

UFMT

Universidade Federal do Mato Grosso

UNICAMP-SP

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Universidade Estadual de Campinas

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