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Rogério Martinez Wanessa Garcia

Ensino Médio Componente curricular

Geografia

Ensino Médio Componente Geografia curricular

Manual do Professor

Geografia

Geografia

Manual do Professor

ISBN 978-85-8392-092-2

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Manual do Professor

Geografia Ensino Médio Componente curricular Geografia

Rogério Martinez

Wanessa Pires Garcia Vidal

Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).

Licenciada em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).

Mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) – campus Marília.

Pós-graduada em Avaliação Educacional pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).

Atua como professor da rede pública no estado do Paraná.

Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).

Realiza palestras e assessorias para professores em escolas públicas e particulares.

Atuou como professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental na rede particular no estado do Paraná.

Autor de livros didáticos para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Realiza palestras e assessorias para professores em escolas públicas e particulares. Autora de livros didáticos para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

1a. edição

São Paulo

2016


Copyright © Rogério Martinez, Wanessa Pires Garcia Vidal, 2016

Diretor editorial Gerente editorial Editora Editora assistente Assessoria Gerente de produção editorial Coordenador de produção editorial Coordenadora de arte Coordenadora de preparação e revisão Supervisora de preparação e revisão Revisão Coordenador de iconografia e licenciamento de textos Supervisora de licenciamento de textos Iconografia Coordenadora de ilustrações e cartografia Diretor de operações e produção gráfica

Produção editorial Assistência editorial Projeto gráfico Capa Imagem de capa Edição de ilustrações Diagramação Tratamento de imagens Ilustrações Cartografia Revisão Assistência de produção Autorização de recursos Pesquisa iconográfica Editoração eletrônica

Lauri Cericato Flávia Renata P. A. Fugita Angela Carmela Di Cesare Margini Marques Teresa Cristina Guimarães Teresa Cristina Guimarães Mariana Milani Marcelo Henrique Ferreira Fontes Daniela Máximo Lilian Semenichin Viviam Moreira Eliana Medina, Paulo José de Castro Andrade Expedito Arantes Elaine Bueno Priscila Pavane Massei Kibelkstis Marcia Berne Reginaldo Soares Damasceno Scriba Projetos Editoriais Kleyton Kamogawa, André W. Metz da Costa, Érika F. Rodrigues Laís Garbelini e Hatadani Marcela Pialarissi Ed Cheong/Getty Images Rogério Casagrande Leda Cristina Silva Teodorico José Vitor Elorza Costa E. Cavalcante, Gilberto Alicio, Guilherme Casagrandi Liciane Mori, Mario Henrique, Paula Radi, Poliana Garcia, Rafael Luís Gaion, Renan Fonseca, Tamires Azevedo E. Cavalcante, Gilberto Alicio, Leonardo Mari, Paula Radi, Renan Fonseca Viviane Mendes Cristiano J. Silva, Daiana Melo e Tamires Azevedo Erick L. Almeida André Silva Rodrigues Luiz Roberto L. Correa (Beto)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Martinez, Rogério #Contato geografia, 3o ano / Rogério Martinez, Wanessa Pires Garcia Vidal. – 1. ed. – São Paulo : Quinteto Editorial, 2016. – (Coleção #contato geografia) “Componente curricular: geografia” ISBN 978-85-8392-091-5 (aluno) ISBN 978-85-8392-092-2 (professor) 1. Geografia (Ensino médio) I. Vidal, Wanessa Pires Garcia. II. Título. III. Série.

16-02545    

CDD-910.712

Índices para catálogo sistemático: 1. Geografia : Ensino médio

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à

910.712 Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

QUINTETO EDITORIAL S.A. Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD S.A. CNPJ 61.186.490/0016-33 Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

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Para conhecer seu livro Por que estudar Geografia? Estudar Geografia tem um amplo significado, não se resume a ler e interpretar os mapas. Os estudos sobre Geografia nos permitem aprender a olhar o mundo além do óbvio, das aparências. Significa desenvolver habilidades e elaborar conhecimentos que nos permitem compreender fenômenos naturais, sociais e suas inter-relações, realizar uma leitura analítica do mundo e questionar a realidade em que vivemos. Portanto, por meio desses estudos podemos nos preparar para participar de maneira ativa, crítica e consciente na transformação da nossa sociedade, em busca de um futuro melhor. Conheça, a seguir, a organização dessa coleção, de modo que você possa utilizá-la com dedicação e entusiasmo, aproveitando-a da melhor maneira possível em sua formação.

Abertura

As páginas de abertura de unidade marcam o momento inicial do estudo do tema proposto. Apresentam um recurso deflagrador, em geral, uma imagem, que traz uma mensagem ou informação sobre algo relacionado à unidade temática.

O capitalismo é o sistema econômico que impera na atualidade. Surgiu no Ocidente e se disseminou por grande parte dos países do mundo. Desde seu surgimento, o capitalismo passou por diferentes fases, que deram origem a diversos modos de produção industrial e de organização e articulação do espaço geográfico. Conhecer essas fases do capitalismo e as principais características de produção que envolvem cada uma delas nos auxilia a compreender sua hegemonia atual. Desde o fim da União Soviética, em 1991, o cenário econômico mundial tem sido marcado pela hegemonia do capitalismo como modo de produção. Lucro, mais-valia, meios de produção, luta de classes, força de trabalho são termos e noções essenciais para compreender o capitalismo. Você sabe o significado desses termos? Quais são as principais características do modo de produção capitalista?

O filme Tempos modernos, produzido pelo cineasta inglês Charles Chaplin em 1936, retrata o trabalho repetitivo e extenuante do operário Carlitos na linha de montagem de uma grande indústria. Nesse clássico do cinema, o cineasta apresenta uma crítica bem-humorada das técnicas modernas empregadas nas indústrias do começo do século XX.

Também traz questionamentos que podem conduzi-lo a uma reflexão sobre o assunto ou à busca de conhecimentos sobre ele.


Expansão do comércio internacional A partir da segunda metade do século XX, houve um vertiginoso crescimento do comércio internacional, marcado pelo expressivo aumento dos fluxos comerciais, ou seja, das exportações e importações de bens e serviços entre os países Explorando (veja gráfico abaixo). o tema

Mundo: expansão do comércio (1953-2014) Comércio (bilhões de US$)

Exportação Importação 18 494 18 641 A seção Explorando o tema aprofunda o estudo sobre um determinado tema e pode abordá-lo na forma de infográficos, nos quais você tem a oportunidade de ampliar suas habilidades de leitura e interpretação.

20 000 Escala Índice de volume (1950 = 100) 10 000

18 000 16 000

Produtos manufaturados

14 000 1 000

12 000

Leonardo Mari

Para tornar as aulas mais dinâmicas e facilitar sua aprendizagem, alguns assuntos são abordados por meio de seções especiais.

Produtos minerais e fósseis

10 000

Produtos agrícolas

8 000 100

6 000

7 695

7 377 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000

2007

Anos

Contexto geográfico

Ponto de vista

As desigualdades étnicas

3 676 3 786

A intolerância em relação às diferenças étnicas e raciais fundamenta a prática do racismo, crença ou presunção tomada por certos indivíduos ou grupos sociais por se considerarem superiores a um ou vários indivíduos de outras etnias. É, portanto, um tipo de comportamento que manifesta uma ideia preconcebida, ou seja, um preconceito em que se idealiza comportamentos, como explica o texto a seguir.

4 000

[...]

Fonte: WORLD Trade Organization (WTO). Disponível em: <www.wto.org>. Acesso em: 9 set. 2015.

1 838 1 882

2 000 0

84

85

1953

157 164

O indivíduo racista parte de uma idealização de si mesmo para desvalorizar a pessoa ou grupo que considera inferior. Essa idealização resulta de uma impressão mental fixa, numa opinião preconcebida, derivada não de uma avaliação espontânea e sim de julgamentos repetidos rotineiramente. Aí, nesses julgamentos, o racista atribui, por suposição, características pessoais e de comportamento invariáveis a todos os membros de determinado grupo de pessoas.

579 594

1963

1973

[...] LOPES, Nei. O racismo explicado aos meus filhos. Rio de Janeiro: Agir, 2007. p. 13.

Genocídio: extermínio de uma cultura, ou seja, de um povo/nação.

1983

O racismo pode ocorrer ou se manifestar de diferentes maneiras: pelo preconceito, na forma de julgamento ou “juízo” preconcebido; pela discriminação, na forma de tratamento desigual; pela segregação, expressa na forma de separação física entre indivíduos ou grupos; pelo molestamento, por meio de agressões físicas ou verbais; ou, ainda, pelo genocídio, que busca a dizimação de grupos étnicos.

1993

2003

Na história recente, um dos exemplos mais hediondos de racismo que podemos citar foi o que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial (conflito que estudamos na unidade 7), com o extermínio de milhões de judeus nos campos de concentração nazista. Alimentados pela doutrina fundada por Adolf Hitler, o nazismo pregava a superioridade racial dos alemães, que se consideravam representantes da “raça pura”. Com base nessas ideias, os nazistas promoveram o extermínio em massa de judeus, episódio que ficou conhecido como holocausto.

2014

A seção Contexto geográfico apresenta a modalidade Anos Contexto geográfico Estudo de caso Ponto de vista, momento em que você é convidado a ler e interpretar textos que trazem críticas, Somente o comércio internacional de mercadorias (bens industrializados, gêneros agrícolas, recursos entrevistas, opiniões de especialistas, sobre assuntos mais de 37 trilhões de dólares por ano. No início da década de minerais e energéticos etc.) movimenta em questão e nooqual você edesse seus colegas 1950, montante comérciopodem representava menos de 1% desse valor, cerca de 170 bilhões de expressar opiniões sobre ele.De maneira geral, esse comércio foi impulsionado pelo dólares, como mostra o gráfico acima. Abaixo, monumento construído em Berlim, em homenagem aos mortos no holocausto, em foto de 2015.

Outro caso emblemático de racismo em nossa história foi o apartheid na África do Sul, regime de segregação racial que durante mais de quatro décadas, entre 1948 e 1994, promoveu uma violenta separação entre indivíduos brancos e negros.

A lenta agonia do lago Chade

[...] Por conta da dimensão, ou apenas por tradição, muitos dos lagos existentes no interior de continentes são definidos como mares, a exemplo do que acontece com os mares Morto, Cáspio e Aral. Todos esses mares (ou lagos) têm algumas características comuns: uma delas é que suas margens são compartilhadas por mais de um país. A orla do Mar Morto é compartilhada entre a Jordânia e Israel; o Irã, a Rússia, o Casaquistão, o Azerbaijão e o Turcomenistão têm litorais junto ao Mar Cáspio; o Mar de Aral situa-se entre o Casaquistão e o Uzbequistão. Todos eles também são alimentados por rios de expressiva importância local ou regional: o rio Jordão deságua no Mar Morto, o Volga no Mar Cáspio e os Amu Daria e Sir Daria no Mar de Aral. A forma predatória como têm sido utilizadas as águas desses rios provoca enormes danos ambientais e sociais. O caso mais dramático é o do Mar de Aral, cujo volume e área reduziram-se a ponto de ocorrer a sua divisão em dois corpos de água distintos.

aumento das exportações e importações de produtos manufaturados, recursos minerais e gêneros agrícolas, como se pode observar no gráfico menor. Gerardo C.Lerner/ Shutterstock.com

No interior do continente africano, todas as superfícies líquidas que não possuem ligações com o oceano recebem a denominação de lagos, apesar de alguns deles serem relativamente extensos, como são os casos dos lagos Victória, Niassa, Tanganica e Chade.

O Lago Chade está situado na borda meridional do Saara, local para onde convergem as fronteiras de quatro países: Níger, Chade, Nigéria e Camarões [veja o mapa abaixo]. É um lago de água doce, com profundidades inferiores a sete metros. Cerca de 90% das águas que o abastecem vêm do rio Chari e de seu afluente Logone, cujas nascentes situam-se nas regiões montanhosas da República Centro-Africana. Assim, é fundamentalmente da parte meridional que o lago recebe a maioria dos fluxos hídricos que o alimentam, já que a parte norte, situada nas áreas semiáridas do Sahel, contribui apenas com volumes pouco expressivos de água, originária de rios temporários.

206

Na turbulência econômica que marcou o pós-guerra, as instituições de âmbito global recém-criadas, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional A seção Contexto geográfico também do sistema financeiro interna(FMI), atuaram para assegurar o bom funcionamento proporciona o Estudo de caso, no qual um cional, fornecendo assistência técnica e ajuda financeira direta a diferentes países, exemplo relacionado ao tema é abordado e via concessão de empréstimos. mesmo analisado, a fimNaquele de que você estude aperíodo, surge o Acordo Geral realidade tal como se apresenta, tendoAgreement on Tariffs and Trade), sobre Tarifas e Comércio (Gatt, do inglês General como base os estudos propostos. firmado com o propósito de estabelecer regras para o comércio mundial. Grandes variações sazonais do volume de água em lagos são fenômenos comuns, mas ao longo das quatro últimas décadas a extensão do lago Chade diminuiu drasticamente. No início da década de 1960, sua área era de aproximadamente 25 mil km 2, superfície que se reduziu para 4 mil km 2 em 2001. Atualmente sua extensão não ultrapassa 1,5 mil km 2 . Hoje, o antigo grande lago não é senão um pântano coberto parcialmente por vegetação [veja imagens na página seguinte].

NASA/SPL/Latinstock

Lago Chade

N

O

L

S

NÍGER

15° N

CHADE

Lago Chade

a ri

og o o L ne

CAMARÕES

Ch

Ri

E.Cavalcante

Altitude em metros

R io

NIGÉRIA

220 km 15° L Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 44. 1 atlas. Escalas variam.

1 200 600 300 0 Rio temporário

Lago Chade, em 1960.

246

62

Com o objetivo de combater práticas eprotecionistas e promover a liberalização Capitalismo, desigualdade exclusão do comércio internacional, o Gatt defendeu oescala multilateralismo comercial, apoianComo resultado do processo de mundialização do capitalismo em planePara auxiliar sua tária, compreensão noocorrido decorrer dos textos, o avanço da globalização ao longo das últimas décadas se caracterizou pelo aumento daso desigualdades no mundo. E essas desigualdades têm do-se em princípios como que proíbe qualquer tipo de discriminação, vantagem os termos técnicos sãotanto explicados nanoforma se acentuado entre as nações como interior de de cada país. Contudo, não significa que a desigualdade seja exclusiva da globalização, nesvocabulários inseridos na página. ou privilégio envolvendo tarifas aduaneiras praticadas entre seus signatários. se caso trata-se de um produto da atual fase do desenvolvimento capitalista, que se reproduz por meio de suas contradições. Isto é, por um lado promove o cres-

cimento econômico e, por outro, aumenta a acumulação da renda. Nas décadas seguintes, várias outras negociações realizadas exclusivamente para O processo de globalização em curso amplia a forte tendência para a concentração da riqueza, ou seja, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres ainda a redução das barreiras tarifárias derrubaram inúmeras medidas protecionistas, mais pobres. Na década de 1960, por exemplo, 20% das pessoas mais ricas do mundo concentravam cerca de 30% da renda mundial; em 2014, quase metade como a cobrança de altas taxasnas de importação, que, até então, ao proteger certos dessa riqueza estava concentrada mãos de menos de 1% da população. Essa concentração tão acentuada da riqueza contrasta No decorrer das páginas de conteúdo, os boxes com textos e Linha da pobreza mercados dificultavam a expansão comerciais. com a enorme pobrezadas que assolatrocas grande parte da populaExistem outros critérios utilizados para definir a condição de pobreza. O Banco Mundial, por exemplo, baseia-se em dois critérios:

• limite de pobreza: faixa em que se encontram as pessoas que recebem até 3,10 dólares por dia (renda considerada suficiente para satisfazer as necessidades mínimas dos moradores de um domicílio);

• limite de pobreza extrema ou de indigência: faixa em que se encontram as pessoas que recebem até 1,90 dólar por dia (renda suficiente para comprar apenas os alimentos necessários para repor os gastos energéticos).

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imagens apresentam informações teóricas ou exemplificações que complementam os estudos e ampliam sua compreensão sobre os assuntos em questão.

ção mundial. A pobreza pode ser considerada como a não satisfação de necessidades básicas (alimentação, saúde, educação, habitação etc.) que garantam ao indivíduo seu pleno desenvolvimento físico e psicológico. Como não existe um conceito rígido para definir a condição de pobreza, o Banco Mundial mensura a pobreza com base na renda, considerando como extremamente pobres as pessoas que sobrevivem com menos de 1,90 dólares por dia (quadro ao lado). De acordo com os levantamentos do Banco Mundial, dos mais de 7,3 bilhões de habitantes do nosso planeta, aproximadamente 897 milhões de pessoas (o que representa cerca de 13% da população mundial) encontra-se na condição de extrema pobreza. Na foto abaixo, expressão da pobreza na paisagem de Mumbai, Índia, em 2014, com suas moradias precárias.

Rudi Sebastian/Alamy Stock Photo/Latinstock

Tarifas aduaneiras: taxas ou alíquotas cobradas em importações de mercadorias. Barreiras tarifárias: tributos e taxas estabelecidos por decretos governamentais, de caráter político-econômico, aplicados ao intercâmbio internacional de mercadorias.

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Atividades As páginas de atividades apresentam a seguinte organização: a seção Sistematizando o conhecimento, composta de questões por meio das quais você poderá retomar os textos e revisar seus estudos;

• a seção Expandindo o conteúdo, que apresenta diferentes atividades de análise e interpretação de novos temas e recursos.

Ao final da unidade, após as atividades, a seção Ampliando seus conhecimentos traz informações complementares relacionadas aos conteúdos.

Ampliando seus conhecimentos

A seção A Geografia no cinema apresenta sugestões de filmes que podem auxiliá-lo em seus estudos de maneira ainda mais prazerosa.

A seção Para assistir, Para ler, Para navegar conta com sugestões de filmes, livros e sites por meio dos quais você poderá ampliar seus conhecimentos sobre os assuntos estudados por meio de diferentes mídias.

Questões do Enem e Vestibular

N O

L S

Anote as respostas no caderno.

2. (ENEM-MEC) Os chineses não atrelam nenhuma condição para efetuar investimentos nos países africanos. Outro ponto interessante é a venda e compra de grandes somas de áreas, posteriormente cercadas. Por se tratar de países instáveis e com governos ainda não consolidados, teme-se que algumas nações da África tornem-se literalmente protetorados. BRANCOLI, F. China e os novos investimentos na África: neocolonialismo ou mudanças na arquitetura global? Disponível em: <http://opiniaoenoticia.com.br>. Acesso em: 29 abr. 2010. (adaptado).

Tró pic o de

PAÍS X

Cân cer

Equa dor 0°

E. Cavalcante

Geografia, ciência e cultura apresenta diferentes formas de expressão do conhecimento geográfico no campo das artes (telas, charges, fotografias etc.) e da literatura (poemas, textos literários, letras de músicas etc.).

1. (UFPE-PE) Observe o mapa a seguir e indique verdadeira ( V ) ou falsa (F ) nas afirmações abaixo.

1 460 km

105° L

Sobre o país indicado por X, é correto afirmar que:

• foi o responsável direto pela queda do Muro de Berlim, pois, ao adotar o modelo econômico de “economia de mercado”, inviabilizou a continuação do socialismo real no leste europeu e no continente asiático.

• possui

atualmente uma das economias que apresenta o maior crescimento do mundo, superando, inclusive, a taxa de crescimento econômico do Brasil.

• adota, atualmente, uma política cujos princípios

encaixam-se plenamente no paradigma econômico defendido pelos neoliberais, qual seja o de que “o Estado deve ser máximo e controlar o mercado”.

No final de cada unidade há uma seção com Questões do Enem e Vestibular sobre os temas estudados nos capítulos à sua disposição com materiais selecionados para seus momentos de estudos complementares.

•o

governo do país adota um rígido controle dos salários e das regras trabalhistas. Essa medida permite que as empresas tenham, em geral, um reduzido custo com mão de obra, tornando os produtos baratos aos consumidores de outras partes do mundo.

•a

organização política do país permite, com ampla liberdade, a atividade político-partidária; daí a instalação do pluripartidarismo e de mecanismos amplos e institucionais de grupos de defesa de Direitos Humanos.

A presença econômica da China em vastas áreas do globo é uma realidade do século XXI. A partir do texto, como é possível caracterizar a relação econômica da China com o continente africano? a ) Pela presença de órgãos econômicos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, que restringem os investimentos chineses, uma vez que estes não se preocupam com a preservação do meio ambiente. b ) Pela ação de ONGs (Organizações Não Governamentais) que limitam os investimentos estatais chineses, uma vez que estes se mostram desinteressados em relação aos problemas sociais africanos. c ) Pela aliança com os capitais e investimentos diretos realizados pelos países ocidentais, promovendo o crescimento econômico de algumas regiões desse continente. d ) Pela presença cada vez maior de investimentos diretos, o que pode representar uma ameaça à soberania dos países africanos ou manipulação das ações destes governos em favor dos grandes projetos. e ) Pela presença de um número cada vez maior de diplomatas, o que pode levar à formação de um Mercado Comum Sino-Africano, amea çando os interesses ocidentais.

3. (UPE-PE) A China é um país comandado por um partido único, o Partido Comunista, porém vem assumindo um perfil de desenvolvimento típico de sistema capitalista e desempenhando um estratégico papel na economia mundial. Com relação a esse assunto, analise as proposições a seguir:

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unidade

Sumário Capitalismo e espaço geográfico

10

O capitalismo comercial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

O capitalismo informacional. . . . . . . . . . . . 22

Contexto geográfico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

Uma divisão internacional do trabalho mais complexa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 O neoliberalismo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

Estudo de caso – Tesouros da América

O capitalismo industrial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 O capitalismo industrial e o liberalismo econômico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

Explorando o tema.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Ciência e técnica: novos métodos de trabalho

O capitalismo financeiro-monopolista.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 A crise de 1929 e o keynesianismo. . . . . . . . . . 21

unidade

........................................................................

A globalização

O trabalho na era digital Infográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Atividades.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 Ampliando seus conhecimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 Questões do Enem e Vestibular. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

.........................................................................................................................................

36

Capitalismo e globalização. . . . . . . . . . . . . . . . 38

Contexto geográfico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49

Revolução tecnológica e integração do espaço.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 O tempo se “acelera”, as distâncias se “contraem” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40

Estudo de caso – Com porto de Yangshan, Xangai se torna a cidade com maior movimentação de carga do mundo

Contexto geográfico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

A globalização financeira. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

Ponto de vista – O mundo está encolhendo?

A globalização econômica. . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 A fragmentação do processo produtivo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44

Fluxos de informações. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

Atividades.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Ampliando seus conhecimentos.. . . . . 54 Questões do Enem e Vestibular. . . . . . . . 56

unidade

Fluxos e redes no espaço globalizado.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46

Comércio internacional e blocos econômicos

..........................

Expansão do comércio internacional.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 A distribuição do comércio mundial. . . . . . 64

Livre-comércio ou protecionismo? .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 Para entender o protecionismo Infográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 Multilateralismo ou regionalismo: os blocos econômicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 Explorando o tema.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 Os diferentes tipos de integração regional

60

União Europeia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 Mercosul.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 Nafta.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 Apec. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 CEI. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 SADC. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79

Atividades.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 Ampliando seus conhecimentos. . . . . . . . . 82 Questões do Enem e Vestibular. . . . . . . . 84


unidade

O subdesenvolvimento

.........................................................................................................

Capitalismo, desigualdade e exclusão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90

O subdesenvolvimento e suas características . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102

Desenvolvimento e subdesenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104

IDH: indicador de desenvolvimento . . . . . . 95

Origens históricas do subdesenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Estudo de caso – Raízes do subdesenvolvimento africano

unidade

88

As potências econômicas

Ponto de vista – Desigualdade de gênero

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108 Questões do Enem e Vestibular. . . . . . . 110

..............................................................................................

114

Estados Unidos: formação territorial ................................................... 116

Território e economia no Reino Unido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127

A independência política e a “conquista do Oeste” .................................................. 116 Os fatores da industrialização ........................ 118 A ascensão econômica.................................................. 119

França. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127

O espaço industrial nos Estados Unidos ...................................................120

Isolamento, industrialização e imperialismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 A reconstrução econômica no pós-guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130 Um parque industrial complexo . . . . . . . . . . . . 131 A estagnação econômica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131

O espaço agrário nos Estados Unidos ...................................................122 Alemanha: a grande potência europeia...........................................................124 Guerras mundiais: destruição e reconstrução ................................................................................. 124

A economia francesa na atualidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128

Japão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132

A potência se enfraquece . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126

Questões do Enem e Vestibular. . . . . . . 136

Lawrence Manning/Corbis/Latinstock

Reino Unido..................................................................................... 126

Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134

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unidade

Economias emergentes

....................................................................................................

China . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142 A China comunista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143 As transformações econômicas. . . . . . . . . . . 143

Índia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146 A investida tecnológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147

Rússia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 Indústria, recursos minerais e energéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148

unidade

Tigres Asiáticos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150

Geopolítica

140

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 Ponto de vista – BRICS: contradições e preocupações

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156 Questões do Enem e Vestibular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158

.................................................................................................................................................

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164 O Tratado de Versalhes e a Liga das Nações. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166 O pós-guerra e a reordenação geopolítica na Europa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168 O acirramento das rivalidades no pós-guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170

162

A Guerra Fria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171 Guerra Fria, ideologia e conflitos . . . . . . . . . 172 Guerra Fria, descolonização e movimento dos não alinhados. . . . . . . . . . . . . . 173

Explorando o tema. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174 A corrida armamentista e a corrida espacial

Apolo 11

Infográfico

......................................

176

O colapso do socialismo e o fim da União Soviética . . . . . . . . . . . . . . . . 178 Um novo cenário geopolítico . . . . . . . . . . . . . . . . . 179

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180

Ng Hock How/ Moment/Getty Images

Estudo de caso – O dia em que o muro caiu

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184 Questões do Enem e Vestibular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186


unidade

Conflitos no mundo

...................................................................................................................

Israel e a questão palestina . . . . . . . . . . 194 O movimento sionista. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194 A formação do Estado de Israel . . . . . . . . . . . 195 A luta pelo Estado da Palestina . . . . . . . . . . . . 196 O conflito árabe-israelense. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 196

A questão Basca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199 Os conflitos na Caxemira . . . . . . . . . . . . . . . . 200 Os curdos e o Curdistão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201

unidade

Os conflitos no Cáucaso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202

Territórios e conflitos na África . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206 Ponto de vista – As desigualdades étnicas

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 210 Questões do Enem e Vestibular. . . . . . . 212

Natureza, sociedade e meio ambiente

..............................................

216

A natureza como fonte de recursos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218

O despertar da consciência ecológica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220

O desenvolvimento sustentável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 228

Ponto de vista – Florestas do mundo: fonte inesgotável de recursos? A sociedade de consumo e o consumismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 222

Explorando o tema. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224 A crise ambiental contemporânea

unidade

192

Os problemas ambientais

Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232 Questões do Enem e Vestibular . . . . . . 234

...........................................................................................

A degradação ambiental e seus impactos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 241 Estudo de caso – Vida volta ao Rio Reno

A degradação dos recursos hídricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 242 Químicos agrícolas e eutrofização da água. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 Contaminação das águas oceânicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 Consumo e superexploração dos recursos hídricos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 246 Estudo de caso – A lenta agonia do lago Chade

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 230

238

Poluição atmosférica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248 Inversão térmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 249 Chuva ácida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 250

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 251 Estudo de caso – Chuva ácida Diminuição da camada de ozônio . . . . . . . . 252 Efeito estufa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253

Degelo nos polos

Infográfico

............

254

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 256 Ponto de vista – Aquecimento global: opiniões divergentes

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260 Questões do Enem e Vestibular . . . . . . . 262

Respostas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 268 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 270 Lista de siglas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272


10

Filme de Charles Chaplin. Tempos modernos. EUA.1936

unidade

Capitalismo e espaço geográfico


O capitalismo é o sistema econômico que impera na atualidade. Surgiu no Ocidente e se disseminou por grande parte dos países do mundo. Desde seu surgimento, o capitalismo passou por diferentes fases, que deram origem a diversos modos de produção industrial e de organização e articulação do espaço geográfico. Conhecer essas fases do capitalismo e as principais características de produção que envolvem cada uma delas nos auxilia a compreender sua hegemonia atual. Desde o fim da União Soviética, em 1991, o cenário econômico mundial tem sido marcado pela hegemonia do capitalismo como modo de produção. Lucro, mais-valia, meios de produção, luta de classes, força de trabalho são termos e noções essenciais para compreender o capitalismo. Você sabe o significado desses termos? Quais são as principais características do modo de produção capitalista?

O filme Tempos modernos, produzido pelo cineasta inglês Charles Chaplin em 1936, retrata o trabalho repetitivo e extenuante do operário Carlitos na linha de montagem de uma grande indústria. Nesse clássico do cinema, o cineasta apresenta uma crítica bem-humorada das técnicas modernas empregadas nas indústrias do começo do século XX.

11


O capitalismo comercial O período que se estendeu do final do século XV ao século XVIII assinalou o declínio do feudalismo e a expansão do capitalismo na Europa ocidental. A substituição do modo de produção feudal pela economia capitalista, entretanto, se deu de maneira desigual no tempo e no espaço: na parte ocidental da Europa, o desaparecimento do feudalismo foi mais rápido – começou por volta do final do século XIII –, já na parte central e leste do continente, o declínio do sistema feudal foi mais lento, resistindo em certas regiões, como na Rússia, até o início do século XX.

Índias: nome dado, no período das Grandes Navegações, às terras exploradas no século XIX e que ganhou repercussão na História. As Índias orientais designavam as terras do sul e sudeste da Ásia e as Índias ocidentais designavam as terras que posteriormente seriam chamadas de América. Burgos: bairros localizados no subúrbio da cidade onde ocorriam as negociações comerciais, em geral, controlados pelos burgueses.

Os conteúdos que tratam sobre a evolução histórica do modo de produção capitalista, tema abordado ao longo desta unidade, podem ser complementados com os assuntos trabalhados na disciplina de História, que também discorre sobre revolução industrial, capitalismo, imperialismo, colonialismo, Expansão entre outros temas.

O avanço do capitalismo foi impulsionado pela expansão marítima das potências europeias daquela época (Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda), que buscavam novas rotas comerciais, sobretudo para as Índias. Trata-se do período das Grandes Navegações, marcado por descobrimentos de novas terras e conquistas de territórios coloniais. Com as viagens ultramarinas, as nações europeias garantiram o abastecimento de produtos e matérias-primas (metais preciosos, especiarias, madeira, açúcar etc.) muito valorizados no mercado europeu, que prosperava com o renascimento das cidades, impulsionado principalmente pelo aumento do comércio nos burgos dos centros urbanos. Com isso, no século XV, algumas cidades da Europa se transformaram em grandes centros comerciais, como Lisboa (Portugal), Sevilha (Espanha), Gênova e Veneza (Itália), Antuérpia (Bélgica), entre outras (veja mapa abaixo). europeia (1492-1597) OCEANO GLACIAL ÁRTICO

N O

L S

Círculo Polar Ártico

INGLATERRA HOLANDA

Montreal AMÉRICA DO NORTE

I. Hispaniola

Equador

Cab ral 1 500

Expedição espanhola Expedição portuguesa Expedição inglesa Expedição francesa Expedição holandesa

Porto San Julian Estreito de Magalhães

Malindi

Meridiano de Greenwich

E. Cavalcante

Trópico de Capricórnio

ÁFRICA

-98 a 1497 da Gam

Maga lhães 1519 -21

Lima A M É R I C A DO SUL

00 15 al br Ca

Mogadíscio Dra 157 ke 7-8 0

Panamá OCEANO PACÍFICO

Cabo Verde

Kilwa Sofala

Goa Calicute

-98 1497 ama da G

Trópico de Câncer

Macao

ÍNDIA

Colombo 1492

02-04 bo 15 Colom

OCEANO PACÍFICO

CHINA

Cabo Bojador

I. Madeira

Mag a 151 lhães 9-21

Acapulco

ÁSIA

E U R O PA

ESPANHA

Is. Açores

OCEANO ATLÂNTICO -80 577 ke 1 Dra

FRANÇA

PORTUGAL

Filipinas

Malaca

Magalhães 1519-21

77-80 Drake 15

Bornéu

Sumatra

Nova Guiné

OCEANO ÍNDICO -80 577 ke 1 Dra

2 7-2 152 no l Ca De

AUSTRÁLIA

Cabo da Boa Esperança

1 950 km

Fonte: WORLD history atlas. 2. ed. London: Dorling Kindersley, 2005. p. 80-81. 1 atlas. Escalas variam.

Em 1453, a tomada de Constantinopla pelo Império Turco-Otomano interrompeu uma das principais passagens terrestres de mercadorias entre terras europeias e orientais. A necessidade de encontrar novas rotas comerciais que retomassem o intercâmbio de mercadorias impulsionou a expansão ultramarina europeia para além-mar. As rotas comerciais marítimas, que até então estavam restritas ao mar Mediterrâneo, se abriram para a conquista dos oceanos.

12


Fundamentos da economia mercantilista

••Metalismo: a riqueza e a importância econômica de um país eram medidas pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) que esse país acumulava.

••Balança

comercial favorável: para acumular mais riquezas, todo país deveria exportar mais do que importar.

Para tanto, o capitalismo comercial foi marcado pela forte intervenção dos Estados nacionais absolutistas modernos nas relações políticas e econômicas da época. A aliança estabelecida entre o Estado absolutista e a classe burguesa culminou na busca de riquezas, dentro e fora do território europeu, ou seja, nas colônias além-mar.

••Protecionismo: adoção de medidas

para estimular as exportações (incentivo ao desenvolvimento da produção manufatureira nacional) e, ao mesmo tempo, desestimular as importações com a cobrança de taxas alfandegárias pesadas.

••Monopólio:

princípio que rege o controle exclusivo da metrópole sobre todo o comércio realizado com suas colônias.

Pacto colonial: conjunto de regras e leis que as metrópoles impunham às suas colônias para manter o monopólio comercial. Com esse pacto, as colônias eram impedidas de comprar e vender produtos de outras nações, mantendo assim relações comerciais apenas com sua metrópole. Por meio dessa exclusividade comercial, as metrópoles obtinham altos lucros, pois compravam a produção colonial a preços baixos e a comercializavam a preços bem mais elevados.

metais preciosos, especiarias METRÓPOLES

COLÔNIAS

produtos manufaturados

Os espanhóis e os portugueses tomaram a vanguarda nos grandes descobrimentos marítimos da Europa. As terras por eles conquistadas, a maior parte localizada na América, logo foram dominadas, e parte de suas riquezas exploradas e enviadas às metrópoles europeias (leia texto a seguir). [...] Em apenas três anos, os conquistadores conduziram para a Espanha todo o ouro extraído pelos índios das Antilhas ao longo de mil anos. [...] A viagem de Vasco da Gama, a primeira viagem marítima até às Índias, rendeu seis mil por cento de lucro. O comércio do marfim na África abarrotou de dinheiro muitas famílias e coroas europeias. O tráfico de escravos africanos, feito por tantos outros navegadores, foi o ramo mais lucrativo de todo o comércio colonial. Os ganhos obtidos com um único carregamento de seda asiática foram suficientes para que um comerciante português vivesse confortavelmente pelo resto da vida. A exploração europeia das terras e dos homens descobertos não conheceu limites. [...] AMADO, Janaína; GARCIA, Ledonias Franco. Navegar é preciso: grandes descobrimentos marítimos europeus. 13. ed. São Paulo: Atual, 1989. p. 8-9.

Johann Moritz Rugendas. 1835. Litografia. 30,5 x 26,2 cm. Biblioteca do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, São Paulo (SP)

Tamires Azevedo

Isso levou nações europeias, como Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra, a expandirem seus domínios territoriais, fundando colônias de exploração nas regiões descobertas. Exercendo o domínio político, econômico e militar sobre as colônias, essas metrópoles estabeleceram as regras do comércio mundial, calcadas na implantação de um pacto colonial, o que deu origem à primeira divisão internacional do trabalho (DIT), como mostra o esquema a seguir.

Representação de exploração de ouro por negros africanos escravizados no Brasil na tela Lavagem do minério de ouro, proximidades da montanha de Itacolomi, em 1835. Capitalismo e espaço geográfico

13

Unidade 1

Como o acúmulo de capitais passou a ser gerado pela atividade mercantil e pelo comércio, isto é, pela troca de mercadorias, esse período histórico assinalou o nascimento do capital comercial, daí o termo capitalismo comercial. Nesse período, a economia funcionava segundo os princípios da doutrina mercantilista (veja quadro ao lado), apoiada num conjunto de medidas econômicas tomadas para estimular o comércio e o desenvolvimento das economias nacionais por meio do acúmulo de riqueza.


Contexto geográfico

Estudo de caso

Tesouros da América [...] Uma única bolsa de pimenta valia, na Idade Média, mais do que a vida de um homem, mas o ouro e a prata eram as chaves que o Renascimento empregava para abrir as portas do paraíso no céu e as portas do mercantilismo capitalista na terra. A epopeia dos espanhóis e portugueses na América combinou a propagação da fé cristã com a usurpação e o saqueio das riquezas nativas. O poder europeu estendia-se para abarcar o mundo. [...] Nasceu o mito do Eldorado, o monarca do ouro: de ouro eram as ruas e as casas das cidades de seus reinos. Um século depois de Colombo, Sir Walter Raleigh subiria o Orinoco, em busca do Eldorado, e seria derrotado pelas cataratas. A ilusão da “serra que emanava prata” tornou-se realidade em 1545, com o descobrimento de Potosí, mas antes morreram, vencidos pela fome e pela doença ou varados a flechadas pelos indígenas, muitos dos expedicionários que tentaram, infrutiferamente, alcançar o manancial da prata, subindo o rio Paraná. Havia, sim, ouro e prata em grandes quantidades, acumulados no planalto do México e no altiplano andino. Fernão Cortez revelou para a Espanha, em 1519, a fabulosa magnitude do tesouro asteca de Montezuma, e quinze anos depois chegou a Sevilha o gigantesco resgate, um aposento cheio de ouro e prata, que Francisco Pizarro mandou pagar ao inca Atahualpa antes de estrangulá-lo. Anos antes, com o ouro arrancado das Antilhas, a Coroa pagara o serviço dos marinheiros que acompanharam Colombo em sua primeira viagem. [...] Antes de Francisco Pizarro degolar o inca Atahualpa e lhe cortar a cabeça, arrancou-lhe um resgate em pilhas de ouro e de prata que pesavam mais de vinte mil marcos de prata fina, um milhão e trezentos e vinte e seis mil escudos de ouro finíssimo... Depois lançou-se sobre Cuzco. Seus soldados acreditavam entrar na cidade dos césares, tão deslumbrante era a capital do império incaico, mas não demoraram em saquear o Templo do Sol [...] Hoje em dia, no zócalo, imensa praça nua do centro da capital do México, a catedral católica se levanta sobre as ruínas do templo mais importante de Tenochtitlán, e o

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Unidade 1

palácio do governo está situado sobre a residência de Cuauhtémoc, o chefe asteca martirizado e morto por Cortez. Tenochtitlán foi arrasada. Cuzco, no Peru, teve sorte semelhante, mas os conquistadores não puderam destruir de todo seus muros gigantescos, e hoje pode-se ver, ao pé dos edifícios coloniais, o testemunho de pedra da colossal arquitetura inca. [...] Entre 1545 e 1558 descobriram-se as férteis minas de prata de Potosí, na atual Bolívia, e as de Zacatecas e Guanajuato no México; o processo de amálgama com mercúrio, que tornou possível a exploração da prata de lei inferior, começou a ser aplicado neste mesmo período. O rush da prata eclipsou rapidamente a mineração do ouro. Em meados do século XVII, a prata englobava mais de 99% das exportações da América hispânica.

Autor desconhecido. Séc. XVII. Óleo sobre painel. Coleção particular. Foto: Bridgeman Images/Easypix

A América era, nesta época, uma boca de mina centrada, sobretudo, em Potosí. Alguns escritores bolivianos, inflamados de excessivo entusiasmo, afirmam que em três séculos a Espanha recebeu tanto metal de Potosí que dava para fazer uma ponte de prata desde o cume da montanha até a porta do palácio real do outro lado do oceano. A imagem é, sem dúvida, obra da fantasia, mas de qualquer maneira se refere a uma realidade que, de fato, parece inventada: o fluxo da prata alcançou dimensões gigantescas. A vultosa exportação clandestina de prata americana, que se evadia por contrabando rumo às Filipinas, à China e à própria Espanha, não figura nos cálculos de Earl J. Hamilton que, a partir dos dados obtidos na Casa de Contratação de Sevilha, oferece, de todos os modos, em sua conhecida obra sobre o tema, cifras assombrosas. Entre 1503 e 1660, chegaram ao porto de San Lúcar de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata. A prata transportada para a Espanha em pouco mais de um século e meio excedia três vezes o total das reservas europeias. E é preciso levar em conta que estas cifras oficiais são sempre minimizadas. Os metais arrebatados aos novos domínios coloniais estimularam o desenvolvimento europeu e pode-se até mesmo dizer que o tornaram possível. [...] GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Tradução Galeano de Freitas. 45. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. p. 30-41.

Ao lado, imagem da tela produzida no século XVII que retrata o explorador espanhol Hernán Cortes na Conquista de Tenochtitlán, em 1521. A imagem destaca Cortes, que está a cavalo, mostrado no primeiro plano.

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O capitalismo industrial

B

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A produção industrial provocou uma alteração radical nas formas de trabalho e na produção como até então ocorriam no interior das manufaturas, baseadas na utilização do trabalho manual e na produção em pequena escala. As máquinas movidas com a queima de carvão mineral possibilitaram o aumento da produção de mercadorias das fábricas, ampliando, assim, os lucros apropriados pelos capitalistas que detinham a posse dos meios de produção. Segundo a teoria marxista, os meios de produção são formados pelos meios de trabalho e pelos objetos de trabalho. Os meios de trabalho incluem os instrumentos de produção (máquinas, ferramentas), as instalações (edifícios, armazéns, silos), as fontes de energia e os meios de transporte. Os objetos de trabalho são os elementos sobre os quais ocorre o trabalho humano (terra, matéria-prima, jazidas minerais etc.). Autor desconhecido. Séc. XIX. Gravura. Coleção particular. Foto: Look and Learn/ Bernard Platman Antiquarian Collection/Bridgeman Images/Keystone

A

A acumulação de capitais e o avanço da atividade manufatureira gerados pelo desenvolvimento do capitalismo comercial na Europa ocidental tiveram grandes repercussões na organização do sistema econômico e produtivo, que culminou com o nascimento da indústria moderna. O advento da Revolução Industrial, que teve origem na Inglaterra do século XVIII, se espalhando para outros países, como França, Alemanha, Bélgica e Estados Unidos nos séculos seguintes, assinalou o início do capitalismo industrial. Até hoje a Revolução Industrial é considerada um marco histórico do modo de produção capitalista.

Spencer Arnold/Hulton Archive/Getty Images

Teoria marxista ou marxismo: conjunto de ideias filosóficas, econômicas, políticas e sociais elaboradas inicialmente pelos alemães Karl Marx e Friedrich Engels, no final do século XIX. Mais tarde essas ideias também foram desenvolvidas por sociólogos, economistas, entre outros estudiosos, que, baseados na concepção materialista e dialética da história, interpretam a reprodução da vida social como resultado da dinâmica produtiva da sociedade e das lutas das classes sociais inerentes a ela.

Assim, o capitalismo industrial estabeleceu o trabalho assalariado como forma de relação (e exploração) tipicamente capitalista de produção. O trabalho tornou-se mercadoria a ser vendida pelos trabalhadores aos donos dos meios de produção em troca de salário, remuneração que os trabalhadores gastariam comprando os produtos que eles mesmos produziam nas fábricas. O avanço da atividade industrial também ampliou a divisão social do trabalho no interior das fábricas, proporcionada pela maior especialização das tarefas, sobretudo à medida que a produção ficava cada vez mais complexa. Com a expansão das redes de transporte terrestre e marítima, com os trens e navios a vapor, houve também um aumento da circulação de pessoas, matérias-primas e mercadorias entre diferentes lugares e regiões do globo.

O carvão se tornou a principal fonte de energia utilizada no capitalismo industrial. Primeiro, abasteceu os teares mecânicos, em seguida, foi usado como o principal combustível em navios, barcos e locomotivas a vapor. O petróleo passou a substituir o carvão a partir do final do século XIX e até hoje é utilizado como principal recurso energético. Nas imagens, mina de carvão na Inglaterra, em 1871 (imagem A), e paisagem de indústrias em Staffordshire, Inglaterra, em 1932 (imagem B).


Burguesia industrial: classe social detentora do capital e dos meios de produção. Aut

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Com o avanço do capitalismo industrial, o século XVIII foi marcado pelo fortalecimento de ideias econômicas liberais, defendidas pela burguesia industrial que estava em plena ascensão. Em linhas gerais, os economistas liberais acreditavam que as próprias leis do mercado seriam capazes, por si só, de promover o desenvolvimento econômico. A livre concorrência, por exemplo, tenderia a equilibrar os preços por meio da lei da oferta e da procura. Ao enfatizar a iniciativa econômica, a liberdade de mercado e a livre circulação da riqueza, os liberais opunham-se ao intervencionismo do Estado colocado em prática pelas políticas mercantilistas que predominaram na fase do capitalismo comercial.

Unidade 1

O capitalismo industrial e o liberalismo econômico

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Segundo o liberalismo, portanto, não caberia ao Estado intervir na formulação e aplicação de políticas macroeconômicas; sua função deveria ficar restrita à esfera administrativa, de modo a zelar pela manutenção da ordem e pela segurança como forma de garantir as condições para o pleno funcionamento do sistema econômico. A teoria do liberalismo econômico ganhou força com as ideias defendidas pelo filósofo e economista escocês Adam Smith (1723-1790), sobretudo após a divulgação do seu livro A riqueza das nações, publicado em 1766.

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A frase “Deixe fazer, deixe passar: o mundo vai por si mesmo.” (escrita acima em francês) sintetiza muito bem o ideário defendido pelo liberalismo econômico do século XVIII. Contrário à intervenção do Estado na economia, os liberais sustentavam que a lógica de mercado, guiada pela concorrência, contribuiria de maneira mais eficiente para o bem-estar individual e coletivo. O liberalismo econômico encaixou-se perfeitamente nos interesses da burguesia industrial, que buscava o enriquecimento ao apropriar-se dos lucros gerados pela exploração da força de trabalho.

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Laissez-faire, laissez-passer: le monde va de lui-même

Adam Smith foi discípulo do economista francês Vincent de Gournay (1712-1759), autor da célebre frase ao lado.

Nas últimas décadas do século XIX, a produção industrial passou por grandes mudanças: a introdução de máquinas mais avançadas e a utilização de novas e mais eficientes fontes de energia, como a substituição do carvão pelo petróleo em motores movidos a óleo diesel e a produção de eletricidade com o aproveitamento em larga escala da força hidráulica. Somado a isso, a maior especialização do trabalho em cada etapa da fabricação ampliou muito a capacidade de produção e a produtividade no interior das fábricas.

Tamires Azevedo

Essas mudanças levaram os países que estavam na vanguarda da industrialização (países europeus e, nesse momento, também os Estados Unidos e o Japão) à chamada Segunda Revolução Industrial. A divisão internacional do trabalho (DIT) estabelecida com o capitalismo industrial pouco se alterou em relação à fase comercial, a não ser pelo fato de que as metrópoles se industrializaram (veja figura abaixo).

matérias-primas COLÔNIAS

METRÓPOLES

produtos industrializados

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Explorando o tema

Ciência e técnica: novos métodos de trabalho

Com a necessidade de aumentar a produtividade e gerar mais lucros, a indústria buscou aperfeiçoar as formas de trabalho e de produção. Assim, no final do século XIX, o engenheiro estadunidense Frederick Taylor desenvolveu um conjunto de ideias voltadas para a implantação de um novo e mais eficiente modelo de trabalho no interior das fábricas. Conhecido como taylorismo, esse modelo apoiava-se em quatro princípios fundamentais: substituição dos métodos empíricos e improvisados por métodos científicos de trabalho (planejamento); seleção dos trabalhadores de acordo com suas melhores aptidões para o cargo que exercem (seleção); supervisão do trabalho realizado (controle); e disciplina na realização do trabalho (execução). Essa proposta pretendia, portanto, tornar o processo de produção fabril mais racional e eficiente. De acordo com Taylor, os trabalhadores deveriam executar suas tarefas com o menor gasto de tempo e energia possível, seguindo rigorosamente as ordens determinadas por seus superiores. Para tanto, o taylorismo defendia a necessidade da divisão do trabalho em um conjunto de etapas simples e mecânicas, que deveriam ser executadas pelos trabalhadores, sendo cada um responsável por apenas uma dessas etapas de produção, realizada por meio de movimentos repetitivos e exaustivos.

Bettman/Corbis/Latinstock

Nessa mesma época, a união entre o conhecimento científico e a técnica transformou radicalmente a atividade fabril com a introdução dos sistemas de estandardização (padronização) da produção industrial em série realizada nas linhas de montagem. O aprimoramento do sistema de produção em série, ocorrido em 1913, foi idealizado por Henry Ford, proprietário da indústria de automóveis que levava seu sobrenome. Ford inseriu em sua empresa o processo de trabalho denominado linha de montagem. Nesse sistema, denominado fordismo, o chassi de um automóvel, por exemplo, deslocava-se por uma esteira mecânica com aproximadamente 45 metros, passando pelos funcionários, que acoplavam gradativamente peças ao chassi, formando o automóvel. Antes, o processo de montagem de um automóvel levava aproximadamente 13 horas; com o fordismo, passou a ser realizado em 6 horas, o que significava um enorme salto de produtividade. O modelo de produção fordista tornou-se dominante até por volta da década de 1970, quando as inovações tecnológicas levaram ao surgimento de um novo modelo de produção industrial chamado toyotismo (assunto tratado na página 23). Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não figuram recomendação ou indicação comercial. Eles foram usados apenas como recurso didático.

Linha de montagem do modelo T, da Ford, em Michigan, Estados Unidos, em 1913.

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Nas últimas décadas do século XIX, o crescimento acelerado da economia capitalista foi marcado pela formação de gigantescos impérios industriais e comerciais, assim como pela constituição de grandes bancos e outras instituições financeiras. Nesse período, o aumento acirrado da concorrência (disputa de mercados) e a necessidade de grandes investimentos para acompanhar o crescimento da produção industrial, que se tornava cada vez mais complexa graças às inovações tecnológicas, levaram muitas empresas a se unirem, favorecendo a formação de grandes monopólios e oligopólios em vários setores da economia. A formação de monopólios e oligopólios é uma característica intrínseca ao desenvolvimento da economia capitalista, por isso, esse processo continua ocorrendo na atualidade com a formação de gigantescas corporações que atuam em escala mundial. Nesse período do capitalismo, bancos, corretoras de valores e instituições financeiras assumiram um papel preponderante no desenvolvimento da economia e passaram a atuar como grandes agentes financiadores da produção, iniciando um intenso processo de concentração do capital. Com a união estabelecida entre o capital industrial e o capital bancário, também chamado financeiro, e o mercado dominado cada vez mais pelo surgimento de grandes corporações, a economia industrial capitalista ingressa em uma nova fase, a do capitalismo financeiro-monopolista.

Monopólio: forma de organização de mercado em que uma única empresa controla a oferta de determinado produto ou serviço no mercado. Nesse caso, a empresa fixa livremente os preços de forma a obter maiores lucros. Oligopólio: ocorre quando um grupo de poucas empresas controla a oferta de determinado produto ou serviço no mercado, como forma de eliminar a concorrência e aumentar seus lucros.

Unidade 1

O capitalismo financeiro-monopolista

A expansão imperialista A imagem abaixo retrata o interesse das grandes potências imperialistas do século XIX, como Inglaterra, Alemanha, Rússia, França e Japão (personagens representados da esquerda para a direita), pelo território da China, em gravura de 1898. Henri Meyer. 1898. Litografia. Coleção particular, França. Foto: Roger-Viollet, Paris/Bridgeman Images/Keystone

No final do século XIX, com o aumento da produção e com a atividade industrial se expandindo para outros países, a concorrência se acirrou, visto que as indústrias da Alemanha, França, Bélgica, Itália, Rússia e até mesmo do Japão e dos Estados Unidos já se comparavam às indústrias inglesas e, em alguns casos, as superavam. A busca por novos mercados consumidores e também por fontes de matéria-prima para atender à crescente demanda da produção industrial, levou as potências econômicas europeias a se lançarem na conquista de novas áreas coloniais, efetivando-se assim o imperialismo dessas nações em franca expansão econômica (leia texto a seguir). [...] Nos anos 1880, a Alemanha e a Itália se unificavam. A União Soviética levava adiante sua revolução industrial e os Estados Unidos se expandiam rumo a oeste. A necessidade de garantir as matérias-primas dos países “atrasados” levava esses e outros países europeus a lutar por territórios e a fazer partilhas, como aconteceu na África. A diplomacia funcionava a pleno vapor entre as grandes potências, na busca de um acordo comum para manter a exploração capitalista, que ganhava escala global. O colonialismo conquistava, assim, uma denominação: “imperialismo”. Não se tratava mais de colonizar, mas, sim, de dominar povos e países e estabelecer a cultura europeia e um sistema de livre comércio, que sustentasse as potências imperiais industrializadas, diante de países cuja principal atividade econômica era de extração mineral ou agrícola. [...] METZER, Fábio. Briga de titãs. Aventuras na História, São Paulo: Abril, ed. 23, p. 54 jul. 2005.

Capitalismo e espaço geográfico

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Foi nesse contexto do capitalismo que a expansão imperialista europeia se estendeu sobre os territórios da África e da Ásia. Na Conferência de Berlim, que ocorreu em 1884-1885, um acordo selado entre as grandes potências econômicas europeias promoveu a partilha do continente africano entre elas (veja mapa abaixo). Essas mesmas potências também se apropriaram de vastas áreas do continente asiático e da Oceania, onde ingleses, franceses e holandeses formaram grandes impérios coloniais.

O

L S

LÍBIA

ARGÉLIA

EGITO

Trópico de Câncer

RIO DO ORO

ÁFRICA OCIDENTAL FRANCESA

TOGO COSTA DO OURO

Colônia: Belga Inglesa Francesa Alemã Italiana Portuguesa Espanhola Independente Trópico de Capricórnio

SUDÃO ANGLO-EGÍPCIO

ERITREIA

ÁFRICA EQUATORIAL FRANCESA

NIGÉRIA CAMARÕES GUINÉ ESPANHOLA

ÁFRICA EQUATORIAL FRANCESA OCEANO ATLÂNTICO

ABISSÍNIA

SOMÁLIA FRANCESA PROTETORADO DE SOMALILÂNDIA SOMÁLIA ITALIANA

PROTETORADO DE UGANDA

PROTETORADO DO LESTE DA ÁFRICA

CONGO BELGA

ÁFRICA DO LESTE

Equador 0°

OCEANO ÍNDICO

PROTETORADO DE NIASALÂNDIA

ANGOLA RODÉSIA DO NORTE

Meridiano de Greenwich

PORTO GUINÉ SERRA LEOA LIBÉRIA

RODÉSIA DO SUL ÁFRICA DO SUDOESTE

MOÇAMBIQUE

MADAGÁSCAR

PROTETORADO DE BECHUANALÂNDIA SUAZILÂNDIA BASUTOLÂNDIA

UNIÃO DA ÁFRICA DO SUL

760 km

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 102. 1 atlas. Escalas variam.

Marcas do imperialismo O imperialismo deixou marcas negativas profundas nos países que surgiram com o processo de descolonização, ocorrido a partir da segunda metade do século XX. A prática da agricultura baseada em latifúndios monocultores introduzidos durante a exploração imperialista continua sendo uma atividade marcante em vários países africanos e asiáticos. A economia de muitos desses países ainda se baseia quase que exclusivamente na exportação de gêneros agrícolas, como chá, fumo, algodão, frutas etc.

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Equipe de cartógrafos franceses e alemães estabelecendo os limites entre seus domínios coloniais em meio à floresta do Congo, com auxílio de guias nativos, em gravura de 1913.

O imperialismo promovido pelas potências econômicas europeias consolidou a divisão internacional do trabalho, estabelecida com o colonialismo dos séculos anteriores. Com ela, as colônias africanas e asiáticas, assim como os antigos territórios coloniais, agora independentes do continente americano, se especializaram como fornecedores de matérias-primas agrícolas e minerais voltados para o abastecimento do parque industrial europeu em expansão. Com a produção e o consumo aumentando em ritmo acelerado, as nações europeias também passaram a canalizar investimentos e capitais em seus territórios coloniais, assim como em países não industrializados, a exemplo do Brasil. O objetivo, nesses casos, era promover o desenvolvimento de atividades de exploração agropecuária e mineral, abertura de estradas de ferro, construção de portos, entre outros negócios que viabilizavam a exportação de tais matérias-primas. matérias-primas agrícolas e minerais PAÍSES NÃO INDUSTRIALIZADOS E COLÔNIAS

PAÍSES INDUSTRIALIZADOS

produtos industrializados, investimentos e capitais

Tamires Azevedo

GÂMBIA

E. Cavalcante

N

TÚNIS

MARROCOS

Autor desconhecido. 1913. Litografia colorida. Coleção particular. Foto: Archives Charmet/Bridgeman Images/Keystone

Partilha da África (1884-1885)


Com o capitalismo financeiro, muitas empresas se estruturaram por meio de capital aberto, isto é, se transformaram em sociedades anônimas com ações negociadas nas bolsas de valores. Sob a égide do liberalismo econômico e da consolidação do mercado de capitais, as grandes corporações ampliaram sua capacidade financeira com a venda das ações, tornando-se mais competitivas e acelerando o crescimento da próspera economia mundial no princípio do século XX.

Ações: títulos ou documentos de empresas (públicas e privadas) negociados nas Bolsas de Valores, cujos proprietários tornam-se sócios e participantes da referida empresa.

Bettman/Corbis/Latinstock

Naquela época, a euforia gerada com a prosperidade econômica sugeria que nada mais poderia impedir a expansão desenfreada do capitalismo. Entretanto, o descompasso causado pelo excesso de produção e a incapacidade do mercado consumidor em absorvê-la desencadeou a Grande Depressão econômica, também chamada Crise de 1929. No dia 24 de outubro de 1929, que entrou para a história como a “quinta-feira negra”, a Bolsa de Valores de Nova York registrou uma queda de aproximadamente 12% nos valores das ações e o prejuízo alastrou-se, levando à falência aproximadamente nove mil bancos e deixando dez milhões de pessoas desempregadas. A manchete a seguir é um registro desse momento histórico.

A bolsa de Nova York registrou hontem um formidavel desastre financeiro Em poucas horas foram vendidos cerca de quatorze milhões de titulos, com prejuizo total de quatro billiões de dollares A BOLSA de Nova York registrou hontem um formidavel desastre financeiro. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 25 out. 1929. Disponível em: <http://acervo.estadao.com.br/pagina/ #!/19291025-18376-nac-0001-999-1-not/tela/fullscreen>. Acesso em: 10 dez. 2015.

Explique aos alunos que a grafia do texto acima respeita a gramática vigente da época em que foi elaborado.

Os incalculáveis prejuízos provocados pela crise de 1929 abalaram a economia mundial em efeito cascata. Com a produção encalhada, devido ao baixo consumo, as fábricas reduziram drasticamente suas atividades, afetando também o comércio, os serviços e as atividades agrícolas. Ocorreu, então, um processo de falência generalizado, causando desemprego em massa, o que, por sua vez, retraiu ainda mais o mercado de consumo.

Tumulto em frente à Bolsa de Valores de Nova York, em razão da quebra da bolsa, em 1929.

O agravamento da crise e seus efeitos atingiram proporções jamais imaginadas, abalando profundamente a estrutura da economia mundial. Nesse contexto, os princípios do liberalismo econômico, baseados na livre concorrência e nas leis do mercado, foram incapazes de promover a retomada do crescimento econômico. A solução para a crise se volta, então, para a intervenção estatal na economia, tendo como base os princípios defendidos pelo economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946). Como teoria econômica, o keynesianismo defende que, para promover a retomada do crescimento e do emprego, é necessário uma maior intervenção do Estado na vida econômica, sobretudo por meio de grandes investimentos e pelo fortalecimento do mercado de consumo via melhor distribuição de renda. Inspirados nessas ideias, entre 1933 e 1939, os Estados Unidos colocaram em prática um audacioso plano de recuperação econômica, o New Deal (“novo acordo” ou “novo plano”). Com um amplo programa de construção de obras públicas, estímulos à produção e ao consumo, a economia estadunidense logo se recuperou. Essa experiência foi adotada em seguida por outros países europeus, também afetados pela crise de 1929. Capitalismo e espaço geográfico

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Unidade 1

A crise de 1929 e o keynesianismo


O capitalismo informacional Na segunda metade do século XX, teve início uma nova fase histórica marcada por grandes progressos técnicos e científicos que se consolidou a partir das décadas de 1970 e 1980, levando ao estabelecimento de uma Terceira Revolução Industrial, também chamada Revolução Técnico-científica. Com essa revolução tecnológica, calcada no desenvolvimento das mais avançadas e complexas tecnologias da informação (telecomunicações, microeletrônica, informática etc.), o capitalismo ingressa em seu período informacional, que leva ao surgimento de uma nova economia global, caracterizada pela intensificação crescente e cada vez mais acelerada dos fluxos de informações, capitais e mercadorias que circulam pelo espaço mundial. Essa fase do capitalismo acentuou, assim, o processo de globalização (tema que será mais detalhadamente estudado na unidade 2). Essa mais nova fase do capitalismo caracteriza-se, portanto, pela intensa movimentação (fluxos) do capital financeiro; pelo papel crucial da informação no desenvolvimento do sistema produtivo; pela interdependência cada vez maior entre conhecimento científico, tecnologia e produção; pela lucratividade e competitividade cada vez mais determinadas pela inovação tecnológica e pelo crescimento da produtividade. Segundo o sociólogo espanhol Manuel Castells, a busca das empresas pela lucratividade e a mobilidade do capital em favor da competitividade moldaram uma nova economia global, que é o traço mais importante do capitalismo informacional. Nessa economia comandada pelos fluxos informacionais, o poder é exercido pelos países que detêm e controlam suas tecnologias, enquanto as regiões excluídas dessas redes tornam-se cada vez menos importantes na economia global.

Lucas Jackson/Reuters/Latinstock

Com os avanços tecnológicos promovendo a instantaneidade dos fluxos financeiros pelos mercados mundiais, o setor financeiro passou a ser globalizado, formando uma economia-mundo interligada por meio de operações e negócios realizados ininterruptamente nas bolsas de valores (foto ao lado). Essa integração explica o fato de que os efeitos de crises econômicas nacionais possam se alastrar e contagiar a economia mundial. Por outro lado, os avanços tecnológicos também dinamizaram os meios de transportes e de comunicações, promovendo uma integração física efetiva entre os espaços mundiais. Isso foi fundamental para a dispersão das empresas multinacionais e de seus sistemas produtivos pelo mundo, consolidando a expansão do capitalismo em escala planetária. Operadores iniciando seus trabalhos na bolsa de Nova York, em 2015.

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Unidade 1

Uma divisão internacional do trabalho mais complexa A expansão do capitalismo em escala planetária, que também se deu com a derrocada do socialismo soviético, produziu mudanças na divisão internacional do trabalho. Isso porque, com o processo de dispersão das empresas multinacionais pelo mundo, alguns países subdesenvolvidos, como Brasil, México, Argentina, África do Sul, Índia, Coreia do Sul e Singapura, também se industrializaram, em parte apoiados pelos investimentos dessas grandes empresas originárias dos países ricos. Esse processo de industrialização, no entanto, é desigual, sobretudo quanto ao tipo de indústria e tecnologia, menos avançadas em relação ao das matrizes. Com isso, a atual divisão internacional do trabalho se tornou mais complexa, caracterizando-se pela presença de países muito industrializados e desenvolvidos economicamente e de países subdesenvolvidos industrializados, além de outros não industrializados, que ainda possuem economias essencialmente agrárias (veja quadro a seguir).

PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS INDUSTRIALIZADOS

produtos industrializados, tecnologias e capitais (investimento e crédito financeiro) PAÍSES DESENVOLVIDOS

PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS DE ECONOMIA AGRÁRIA

produtos industrializados e capitais (investimento e crédito financeiro)

Tamires Azevedo

matérias-primas (agrícolas e minerais), produtos industrializados e capitais (lucros e dividendos)

matérias-primas (agrícolas e minerais)

Evolução tecnológica e o sistema de trabalho

Em geral, o processo de produção utilizado nos grandes conglomerados industriais do mundo segue os pressupostos técnicos criados pela montadora japonesa Toyota Motor Company em meados do século XX. O toyotismo, termo conferido à atual organização de produção industrial, caracteriza-se por uma estrutura enxuta e flexível, apoiada na massiva informatização e robotização e na qualidade da produção, visando reduzir desperdícios. A interferência humana é cada vez menor no processo fabril, representada pela reduzida mão de obra de qualificação multifuncional e pela terceirização de parte dos serviços industriais.

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não figuram recomendação ou indicação comercial. Eles foram usados apenas como recurso didático.

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg/Getty Images

Com a configuração do modelo capitalista informacional, a partir das últimas décadas do século XX até a atualidade, a tecnologia tem sido cada vez mais incorporada ao sistema fabril.

No toyotismo, o processo produtivo é realizado de acordo com a demanda, diminuindo ao máximo os estoques de matéria-prima ou de produtos finalizados – a demanda é que regula a produção industrial. Linha de produção da Toyota na província de Aichi, Japão, em 2015.

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O neoliberalismo Na década de 1970, as políticas keynesianas intervencionistas deram sinais claros de esgotamento. Naquela época, a economia capitalista passava por uma séria crise que teve origem nos déficits comerciais e no endividamento dos Estados Unidos. A crise estadunidense se alastrou pelo mundo e afetou outras economias, provocando recessão, desemprego e pressão inflacionária em escala mundial, situação agravada ainda mais pelos sucessivos choques do petróleo decorrentes da elevação dos preços do barril em 1973 e 1979. Com o modelo keynesiano em cheque, as ideias econômicas neoliberais ganharam força, defendendo que a solução para a crise passaria necessariamente pela diminuição do Estado na economia (diminuição da carga tributária, privatizações de empresas estatais, desregulamentação sobre a produção, os preços e o mercado etc.). Segundo os princípios do neoliberalismo, caberia ao Estado apenas a tarefa de disciplinar a economia de mercado, combater os excessos da livre concorrência, promover a estabilidade financeira e monetária (controle da inflação), incentivar os investimentos produtivos privados etc. (ver quadro abaixo). Em suma, a doutrina político-econômica do neoliberalismo tentou adaptar as características do liberalismo econômico clássico às condições do capitalismo moderno. No plano internacional, o neoliberalismo promoveu a redução das barreiras alfandegárias como forma de intensificar os fluxos globais de mercadorias e de capitais entre os diferentes mercados mundiais, e também favoreceu o processo de expansão das grandes corporações multinacionais pelo mundo. Algumas características do neoliberalismo econômico

3

Menor interferência do Estado no mercado de trabalho.

3

Capital privado como base da economia.

3

Contra políticas de controle dos preços, que devem ser regulados pelo mercado.

Diminuição do protecionismo comercial.

3

Diminuição do tamanho do Estado.

Privatização de empresas estatais.

3

Redução dos gastos sociais.

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Menor intervenção do Estado na economia.

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Livre circulação de capitais estrangeiros.

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Abertura dos mercados para o capital privado.

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O avanço das políticas econômicas neoliberais no mundo As políticas neoliberais foram colocadas em prática de maneira mais consistente durante o governo da primeira-ministra Margareth Thatcher (Reino Unido) no limiar da década de 1980. Obtendo grande sucesso na estabilização da libra esterlina e na recuperação da produção e da economia inglesa, as medidas de cunho neoliberalistas foram também implantadas nos Estados Unidos, durante o governo de Ronald Reagan (1981-1989), estendendo-se depois para outros países do mundo. No Brasil, a política econômica neoliberal teve início com o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992), efetivando-se nos dois mandatos do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Nessa época, muitas das grandes empresas estatais estratégicas do nosso país foram privatizadas e boa parte do dinheiro arrecadado com a venda delas foi gasta para manter a cotação e a estabilidade do real, a moeda então recém-criada pela equipe econômica do Banco Central do Brasil. Por outro lado, a venda dessas empresas e a abertura da economia ao capital estrangeiro gerou desemprego, falências, sobretudo nos setores mais frágeis da economia brasileira.

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Diferente das revoluções industriais anteriores, impulsionadas por fontes de energia, o carvão e o petróleo, respectivamente na Primeira e na Segunda Revolução Industrial, a Terceira Revolução tem se alicerçado no conhecimento, fruto das mais avançadas pesquisas científicas.

A imagem abaixo retrata a região do Vale do Silício, tecnopolo que se desenvolveu apoiado principalmente nas indústrias de eletrônica e informática, localizada próximo às Universidades de Berkeley e de Stanford, no estado da Califórnia, costa oeste dos Estados Unidos. Também se destacam como importantes tecnopolos mundiais as cidades de Tsukuba e Kansai (Japão), Toulouse e Sophie-Antipoles (França), Munique (Alemanha), Londres e Cambridge (Reino Unido), Edimburgo e Glasgow (Escócia).

Aerial Archives/Alamy Stock Photo/Latinstock

Isso explica por que as indústrias de alta tecnologia que impulsionam a economia mundial na atualidade, como as de informática, robótica, biotecnologia e telecomunicações, procuraram se localizar próximo aos grandes centros e institutos de pesquisa, laboratórios e universidades, onde se desenvolvem importantes parques de ciência e inovação tecnológica, os chamados tecnopolos. Como os países mais avançados do hemisfério Norte se encontram na vanguarda da revolução

tecnológica e informacional em andamento, exercendo papel de comando e liderança na economia mundial, neles está concentrada a maior parte e os mais importantes tecnopolos existentes no mundo.

Dhiraj Singh/Bloomberg/Getty Images

Vista de parte do tecnopolo de Santa Clara, no chamado Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, em 2013.

Entre os países subdesenvolvidos, exemplos de tecnopolos importantes estão no Brasil (região de Campinas e São José dos Campos), Bangalore (Índia) e Seul (Coreia do Sul). Ao lado, pesquisador em empresa de alta tecnologia em Bangalore, Índia, em 2013.

Capitalismo e espaço geográfico

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Unidade 1

A Terceira Revolução Industrial e os tecnopolos


Infográfico Desde o final do século XX, a aceleração das transformações tecnológicas criou novas profissões e alterou o mundo do trabalho. Muitos trabalhadores oferecem seus serviços sem sair de suas casas e grandes empresas estabelecem relações comerciais em todo o mundo por meio de conexões virtuais. Esse novo modo de trabalho enfrenta grandes desafios, como a coordenação das atividades e do fluxo de comunicações. Por outro lado, alguns aspectos favorecem essa modalidade, como melhor qualidade de vida e flexibilidade de tempo, aumento da produtividade e minimização de custos.

antena parabólica central telefônica internacional

central telefônica local

Novas tecnologias A modalidade de trabalho virtual e digital suscita opiniões controversas. Para alguns, esse sistema tende a aumentar a produtividade, reduzir custos para as empresas e melhorar o equilíbrio entre a vida e o trabalho dos empregados. Para outros, essa tendência só ajuda a reduzir a responsabilidade trabalhista das empresas por causa das baixas ou nulas despesas e contribuições patronais do empregador. De qualquer forma, o número de empresas que utilizam essas estruturas na organização do trabalho está cada vez maior.

Moderador(a) Empresas com sites ou fóruns próprios contratam pessoas especializadas para regular o conteúdo e o nível das discussões.

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servidor de internet

2

Empresa contratada País de origem: Estados Unidos. Serviço prestado: Elaboração de um software que constitui um site em que se estabeleça a qualidade geral do sistema.

Informática em tudo

Médico geneticista

A maioria das profissões necessita de conhecimentos de informática. No entanto, alguns trabalhos dependem integralmente das novas tecnologias. Vejamos alguns exemplos.

Especialista de destaque em diagnóstico, na prevenção e tratamento de doenças congênitas de qualquer procedência, tanto restrito a um núcleo familiar como em escala populacional.

Esse símbolo indica que as imagens estão fora de proporção.


Unidade 1

Globalização do mercado O desenvolvimento de sistemas de comunicações e a globalização da economia permitem que as relações entre as empresas e os clientes sejam estabelecidas em escala global. O objetivo é priorizar a qualidade e as opções mais econômicas, tendo em vista os custos e os benefícios do trabalho. usuário dos Estados Unidos

1

Cliente País de origem: Rússia. Serviço prestado: software de administração de vendas.

antena parabólica

central de dados

central telefônica internacional

usuário da Índia

servidor de internet

central telefônica local

central telefônica local

Engenheiro ambiental

Designer multimídia

Estuda problemas ambientais observando sua sustentabilidade nos aspectos ecológicos, sociais, econômicos e tecnológicos.

Profissional que elabora produto multimídia, páginas da web, animações interativas, entre outros. Também gerencia navegação em redes.

central telefônica internacional

servidor de internet

Empresa subcontratada ou terceirizada

3

País de origem: Índia. Serviço prestado: desenvolvimento de módulos do software requisitado.

Capitalismo e espaço geográfico

Sol90 Images

antena parabólica

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. A substituição do modo de produção feudal pela economia capitalista ocorreu de maneira desigual no tempo e no espaço. Explique essa afirmação.

5. Quais os princípios do liberalismo para o funcionamento do sistema econômico? Qual papel o Estado desempenha nesse sistema?

2. Que fatores contribuíram para o surgimento do capitalismo comercial?

6. Descreva as principais características do: a ) taylorismo; c ) toyotismo. b ) fordismo;

3. Quais foram as consequências da relação estabelecida entre o Estado absolutista e a classe burguesa no capitalismo comercial? 4. Até hoje a Revolução Industrial é considerada um marco histórico do modo de produção capitalista. Quais alterações provocadas no modo de produção justificam esta afirmação?

7. Cite os fatores que contribuíram para o surgimento do capitalismo monopolista. 8. Quais foram as intervenções proposta por Keynes para solucionar a crise de 1929? 9. Caracterize o capitalismo informacional. 10. Quais são os princípios do neoliberalismo? Como a política neoliberal teve início no Brasil?

Expandindo o conteúdo 11. Leia o texto a seguir e responda às questões.

A era dos impérios (1875-1914) [...] O desenvolvimento tecnológico agora dependia de matérias-primas que, devido ao clima ou ao acaso geológico, seriam encontradas exclusiva ou profusamente em lugares remotos. [...] As minas eram os principais pioneiros da abertura do mundo ao imperialismo, muito eficazes nesse papel, porque os lucros eram suficientemente excepcionais para justificar também a construção de ramais de ferrovias. Independente das exigências de uma nova tecnologia, o crescimento do consumo de massa nos países metropolitanos gerou um mercado em rápida expansão para os produtos alimentícios. Em volume absoluto, ele era dominado pelos produtos produzidos de modo barato e em grandes quantidades em várias zonas de povoamento europeu – América do Sul e do Norte, Rússia e Australásia. [...] Os britânicos, que haviam consumido 700 gramas de chá per capita nos anos 1840 e 1,5 kg nos anos 1860, estavam consumindo 2,6 kg nos anos 1890, mas isso representava uma média anual de importação de 102 mil toneladas, contra menos de 45 mil toneladas nos anos 1860 e cerca de 18 nos anos 1840. Enquanto os britânicos abandonavam as poucas xícaras de café que bebiam, para encher seus bules com chá da Índia e do Ceilão (Sri Lanka), os americanos e alemães importavam café em quantidades cada vez mais espetaculares, notadamente da América Latina. No início dos anos 1900, as famílias de Nova Iorque consumiam meio quilo de café por semana. Os fabricantes Quaker de bebidas e chocolate da Inglaterra, felizes por distribuir bebidas não alcoólicas, obtinham sua matéria-prima na África Ocidental e na América do Sul. Os astutos homens de negócios de Boston, que fundaram a United Fruit Company em 1885, criaram impérios privados no Caribe para fornecer à América a antes insignificante banana. Os fabricantes de sabão, explorando o primeiro mercado a demonstrar cabalmente a potencialidade da nova indústria publicitária, se voltaram para os

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Autor desconhecido. Gravura. Coleção particular. Foto: Look and Learn/ Illustrated Papers Collection/Bridgeman Images/Keystone

Unidade 1

óleos vegetais da África. As plantations, as grandes propriedades rurais e as fazendas eram o segundo pilar das economias imperiais. [...] [...] transformaram o resto do mundo, na medida em que o tornaram um complexo de territórios coloniais e semicoloniais que crescentemente evoluíram em produtores especializados de um ou dois produtos primários de exportação para o mercado mundial, de cujos caprichos eram totalmente dependentes. A Malaia cada vez mais significa borracha e estanho; o Brasil, café; o Chile, nitratos; o Uruguai, carne; Cuba, açúcar e charutos. Na verdade, à exceção dos EUA, mesmo as colônias de povoamento branco fracassaram em sua industrialização (nesta etapa), porque também ficaram presas na gaiola da especialização internacional. Elas podiam tornar-se extraordinariamente prósperas, mesmo para padrões europeus, sobretudo quando seus habitantes eram imigrantes europeus [...] Mas o fizeram como complementos da economia industrial europeia (isto é, essencialmente britânica) e, portanto, para eles – ou, em todo caso, para os interesses vinculados à exportação de produtos primários – não era negócio se industrializar. Não que as metrópoles fossem receber de braços abertos sua industrialização. Qualquer que fosse a retórica oficial, a função das colônias e das dependências informais era completar as economias metropolitanas e não fazer-lhes concorrência. [...] antes de 1914 os termos de troca pareciam evoluir a favor dos fornecedores de produtos primários. Entretanto, a importância econômica crescente dessas áreas para a economia mundial não explica por que, entre outras coisas, os principais estados industriais deveriam ter se precipitado em dividir o planeta em colônias e esferas de influência. [...] Um motivo geral mais convincente para a expansão colonial foi a procura de mercados. O fato de esta muitas vezes fracassar é irrelevante. [...] Mas o ponto crucial da situação econômica global foi que um certo número de economias desenvolvidas sentiu simultaneamente a necessidade de novos mercados. Quando sua força era suficiente, seu ideal eram “portas abertas” nos mercados do mundo subdesenvolvido; caso contrário, elas tinham a esperança de conseguir para si territórios que, em virtude da sua dominação, garantissem à economia nacional uma posição monopolista ou ao menos uma vantagem substancial. A consequência lógica foi a repartição das partes não ocupadas do Terceiro Mundo. [...] Neste sentido, o “novo imperialismo” foi o subproduto natural de uma economia internacional baseada na rivalidade entre várias economias industriais concorrentes, intensificada pela pressão econômica dos anos 1880. [...] HOBSBAWM, Eric J. A era dos impérios (1875-1914). Tradução Sieni Maria Campos; Yolanda Steidel de Toledo. 10. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006. p. 96-101.

Esta propaganda, publicada no final do século XIX, destaca o chá produzido por uma indústria inglesa. A imagem transmite a ideia de que somente a indústria inglesa produz o chá que é de interesse das mais diferentes nações do mundo, representadas no cartaz por algumas pessoas com características físicas e culturais ocidentais e outras orientais.

a ) O texto relata duas das importantes razões da expansão imperialista. Quais são elas? b ) De acordo com o texto, quais foram as nações imperialistas e quais foram as áreas de expansão do imperialismo? c ) Segundo as descrições do texto, as nações citadas possuem diferentes papéis na DIT da época. Caracterize-a. d ) Com base no texto, realize um debate com os demais alunos da sala levantando explicações sobre o atraso da industrialização nos países por onde se expandiu o imperialismo. Capitalismo e espaço geográfico

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Ampliando seus conhecimentos A análise das obras artísticas apresentadas nesta página privilegia a inserção da Arte no tema em estudo. Essa análise, portanto, oferece a oportunidade para se estabelecer um diálogo com a disciplina de Artes, destacando-se, por exemplo, as diferentes técnicas artísticas utilizadas nessas obras. A tela O cambista e sua mulher foi elaborada em óleo sobre papel, enquanto a tela Where the Geografia, ciência e cultura O capitalismo na Arte talking ends foi produzida em mídia mixed (técnica mista), Muitos artistas, ao produzirem suas obras de arte ao longo da história, retrataram termo que, na arte visual, refere-se a uma aspectos que caracterizam o contexto econômico em que viviam. Dessa maneira, ao obra de arte observarmos algumas dessas telas podemos identificar características que marcam confeccionada com base na combinação as fases do capitalismo. Veja algumas delas. de diversas mídias.

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não figuram recomendação ou indicação comercial. Eles foram usados apenas como recurso didático.

Abaixo observamos a tela Where the talking ends, produzida por Jeff Pullen, no século XXI, período caracterizado pelos intensos avanços nas tecnologias da informação e sobretudo pela intensificação da competitividade, da lucratividade e do consumismo. Jeff Pullen. 2006. Mídia mista. Coleção particular. Foto: Bridgeman Images/Keystone

Marinus van Reymerswaele. Séc. XVI. Óleo sobre papel. Museu Nacional de Bargello, Florença (Itália). Foto: Giraudon/Bridgeman Images/Keystone

O cambista e sua mulher, tela de Marinus Van Reymerswaele, produzida no século XVI, período caracterizado pelo renascimento da atividade comercial.

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Unidade 1

A Geografia no cinema

Gandhi

Um grande clássico do cinema, esse filme retrata a luta do jovem advogado indiano Mohandas Karamchand Gandhi contra o domínio colonial exercido pela Inglaterra sobre a Índia. Por meio de manifestações não violentas, Gandhi se torna um dos maiores líderes espirituais e políticos do mundo.

Diretor: Richard Attenborough Atores principais: Ben Kingsley, Candice Bergen e Edward Fox Ano: 1982 Filme de Richard Attenborough. Gandhi. Inglaterra. 1982

Para assistir

Título: Gandhi

Duração: 188 minutos Origem: Inglaterra

• •AS MONTANHAS da lua. Direção: Bob Rafelson. Carolco Pictures, 1990.

A mando do Império Britânico, o explorador Richard Burton e seu amigo John Speke partem, em 1860, em uma expedição no interior do continente africano em busca da nascente do rio Nilo. O filme retrata essa aventura por meio de cenas empolgantes e emocionantes.

• •TEMPOS modernos. Direção: Charles Chaplin. United Artist, 1936.

O filme apresenta, por meio de várias cenas humorísticas, a rotina repetitiva e alienante do operário Carlitos, que trabalha na linha de montagem de uma indústria.

Para ler

• •ANDRADE,

Manuel Correia de. Imperialismo e fragmentação do espaço. São Paulo: Contexto, 2002.

••BEAUD, Michel. História do capitalismo: de 1500 até nossos dias. São Paulo: Brasiliense, 2004.

• •ESPINDOLA, Haruf Salmen. Ciência, capitalismo e globalização. São Paulo: FTD, 1998.

••NOVAES, Carlos Eduardo; RODRIGUES, Vilmar. Capitalismo para principiantes. São Paulo: Ática, 1996.

• •SERRANO, Carlos Serrano; MUNANGA, Kabengele. A revolta dos coloniza-

dos: o processo de descolonização e as independências da África e da Ásia. São Paulo: Atual, 1995.

• •VESENTINI,

José William. Nova ordem, imperialismo e geopolítica global. Campinas: Papirus, 2003.

Para navegar

••A CRISE de 1929. Veja. Disponível em: <http://tub.im/nzeyad>. Acesso em: 14 out. 2015.

••BRITISH Broadcasting Corporation (BBC – Brasil). Disponível em: <http://tub. im/8f589m>. Acesso em: 14 out. 2015.

••MUNDO:

Geografia e Política Internacional. Disponível em: <http://tub.im/ h9cugs>. Acesso em: 14 out. 2015. Capitalismo e espaço geográfico

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Questões do Enem e Vestibular 1. (UERJ-RJ) A palavra ‘imperialismo’, no sentido moder­no, desenvolveu-se primordialmente na língua inglesa, sobretudo depois de 1870. Seu significado sempre foi objeto de discussão, à medida que se propunham diferentes justificativas para formas de comércio e de governo organizados. Havia, por exemplo, uma campanha política sistemática para equiparar imperialismo e “missão civilizatória”. Adaptado de WILLIAMS, Raymond. Um vocabulário de cultura e sociedade. São Paulo: Boitempo, 2007.

No final do século XIX, os europeus defendiam seus interesses imperialistas nas regiões africanas e asiáticas, justificando-os como missão civilizatória. Uma das ações empreendidas pelos europeus como missão civilizatória nessas regiões foi: D. a ) aplicação do livre comércio. b ) qualificação da mão de obra. c ) padronização da estrutura produtiva. d ) modernização dos sistemas de circulação.

2. (FEI-SP) Podem ser apontadas como características da Revolução Industrial: A. a ) A substituição da manufatura pela indústria, a invenção da máquina-ferramenta, a progressiva divisão do trabalho e a submissão do trabalhador à disciplina fabril. b ) O aprimoramento do artesanato, a crescente divisão do trabalho, um forte êxodo urbano e o aumento da produção. c ) A substituição do artesanato pela manufatura e o consequente aumento da produção acompanhado pelo recrudescimento da servidão. d ) A total substituição do homem pela máquina e o aumento do nível de vida da classe trabalhadora. e ) A modernização da produção agrícola, o êxodo rural e uma diminuição do nível geral da produção. 3. (UEPG-PR) Nos finais do século XIX e início do XX, houve uma grande expansão colonial europeia. Produto do capitalismo monopolista e financeiro, este processo motivou os países

Anote as respostas no caderno.

industrializados a penetrar, controlar e dominar vastas regiões do mundo através, dentre outros, do comércio de matérias-primas, alimentos e bens manufaturados. Sobre o imperialismo desse período, assinale o que for correto. (01), (02) e (16). Total: 19.

(01) Necessitava dominar regiões fornecedoras de mão de obra barata e matéria-prima para as indústrias europeias. (02) Buscava mercados externos para o escoa­ men­to do excedente dos produtos industriais. (04) Desejava, através de práticas colonialistas, promover o intercâmbio cultural e utilizar as riquezas encontradas em prol dos paí­ ses “atrasados”. (08) Estava inserido nos pressupostos do mercantilismo, que buscava a acumulação de metais preciosos e o comércio das especiarias. (16) Justificava suas práticas através de uma concepção de ciência que legitimava a superioridade da civilização europeia.

4. (UFRN-RN) O sistema de colonização objetivado pela política mercantilista tinha em mira: E. a ) evitar conflitos internos, resultantes dos choques entre feudalismo e capitalismo, que entravavam o desenvolvimento dos países europeus. b ) ganhar prestígio internacional. c ) criar condições para a implantação do absolutismo. d ) obter garantias de acesso às fontes de matérias-primas e aos mercados consumidores no ultramar. e ) permitir à economia metropolitana o máximo de autossuficiência e situá-la vantajosamente no comércio internacional, pela criação de complementos à economia nacional.

5. (UERJ-RJ) Andy Warhol (1928-1987) é um artista conhecido por criações que abordaram valores da sociedade de consumo; em especial, o uso e o abuso da repetição. Esses traços estão presentes, por exemplo, na obra que retrata as latas de sopa Campbell’s, de 1962.

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c ) A produção, a circulação e os mercados foram globalizados, aproveitando a oportunidade das condições mais vantajosas para a realização de lucros em todos os lugares.

www.moma.org

O modelo de desenvolvimento do capitalismo e o correspondente elemento da organização da produção industrial representados neste trabalho de Warhol estão apontados em: B. a ) taylorismo – produção flexível b ) fordismo – produção em série c ) toyotismo – fragmentação da produção d ) neofordismo – terceirização da produção

6. (FGV-RJ) A chamada Segunda Revolução Industrial, ocorrida nas últimas décadas do século XIX, foi caracterizada: B. a ) pela concentração do processo de industrialização na Inglaterra e pela montagem do império colonial britânico. b ) pelo desenvolvimento da eletricidade e da siderurgia e pela expansão da industrialização para além do continente europeu. c ) pela industrialização e pela formação de Estados nacionais no continente africano, a partir das suas antigas fronteiras culturais e linguísticas. d ) pelo equilíbrio de forças entre as antigas colônias europeias e os Estados europeus devido à difusão da industrialização. e ) pela retração da economia mundial devido à mecanização da produção e à diminuição da oferta de produtos industrializados. 7. (UPE-PE) O contrato social entre capital e trabalho, que fundamentou a estabilidade do modelo Keynesiano de crescimento capitalista, passou por um processo de reestruturação que define, atualmente, o capitalismo global. As afirmações a seguir contribuem para entender esse contexto, EXCETO a que se encontra na alternativa: E. a ) Houve um aprofundamento da lógica capitalista de busca de lucro nas relações capital/ trabalho por meio da transformação organizacional, com enfoque na flexibilidade.

d ) O apoio estatal foi direcionado para ganhos de produtividade e competitividade das economias nacionais, muitas vezes em detrimento da proteção social. e ) O informacionalismo foi dissociado da expansão e do rejuvenescimento do capitalismo e substituído pelo industrialismo nas regiões e sociedades de todo o mundo.

8. (UESPI-PI) Com relação ao tema “Divisão Internacional do Trabalho”, são feitas as considerações a seguir. Uma delas, no entanto, não corresponde à realidade. Assinale-a. D. a ) O centro da economia mundial representa local do poder de comando, sendo predominantes as atividades de controle do excedente das cadeias produtivas, assim como de produção e difusão de novas tecnologias. b ) Um pequeno bloco de economias de mercado, apesar de ser dependente de tecnologia, conseguiu alcançar uma posição socioeconômica intermediária, mas ainda permanece dominado pela estrutura de poder de comando decorrente do centro capitalista mundial. c ) A combinação entre o poder militar e as formas superiores de produção na Inglaterra possibilitou a este país uma posição de hegemonia na economia mundial ao longo do século XIX. d ) A Divisão Internacional do Trabalho não tende a expressar diferentes fases da evolução histórica do sistema capitalista e, sim, as diferentes etapas da especialização dos trabalhadores, sobretudo nas indústrias. e ) As dificuldades de acesso à segunda Revolução Industrial e Tecnológica tornaram bem mais complexas as possibilidades de transição de nações periféricas para as nações do centro capitalista. Capitalismo e espaço geográfico

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Unidade 1

Andy Warhol. 1962. Tinta de polímero sintético sobre tela. Museu de Arte Moderna de Nova York. Foto: Didier Forray/SAGAPHOTO.COM/Alamy/Glow Images

b ) A produtividade do trabalho e do capital aumentou consideravelmente com a velocidade e a eficiência da reestruturação, sob o comando da nova tecnologia da informação.


9. (UFPB-PB) Em todas as fases da evolução histórica do capitalismo, a Divisão Internacional (e Territorial) do Trabalho (DIT) foi decisiva na organização do espaço geográfico mundial. A partir do exposto, identifique as afirmativas corretas relativas ao papel desempenhado pela DIT:

Diante das transformações ocorridas, é reconhecido que: A.

• •A DIT determinou a histórica especialização

b ) os fluxos de informações, capitais, mercadorias e pessoas têm desacelerado, obedecendo ao novo modelo fundamentado em capacidade tecnológica.

V-V-F-V-F.

do trabalho em escala internacional, sendo essa especialização uma das responsáveis pela acumulação do capital, o que acarretou uma organização do espaço mundial que traduz a subordinação dos países do sul frente aos ricos do norte. ••A DIT configurou-se como suporte para o sistema de subdivisão do espaço mundial, tanto de natureza política como de caráter socioeconômico, evidenciando a tradicional dependência das nações da periferia em relação àquelas do centro do capitalismo mundial. • •A DIT influenciou a história recente do modo de produção capitalista, produzindo transfor­ mações na organização do espaço mundial e determinando a independência econômica e política de todos os países do mundo. • •A DIT atual definiu uma nova organização do espaço mundial, na qual predomina uma grande desarmonia entre as nações, principalmente no âmbito do comércio internacional, resultando em relações desequilibradas entre os países produtores e exportadores. • •A atual DIT consolidou um estágio de organização do espaço mundial, em que todos os países do mundo alcançaram um mesmo nível de desenvolvimento econômico.

10. (ENEM-MEC) Entre as promessas contidas na ideologia do processo de globalização da economia estava a dispersão da produção do conhecimento na esfera global, expectativa que não se vem concretizando. Nesse cenário, os tecnopolos aparecem como um centro de pesquisa e desenvolvimento de alta tecnologia que conta com mão de obra altamente qualificada. Os impactos desse processo na inserção dos países na economia global deram-se de forma hierarquizada e assimétrica. Mesmo no grupo em que se engendrou a reestruturação produtiva, houve difusão desigual da mudança de paradigma tecnológico e organizacional. O peso da assimetria projetou-se mais fortemente entre os países mais desenvolvidos e aqueles em desenvolvimento. BARROS, F. A. F. Concentração técnico-científica: uma tendência em expansão no mundo contemporâneo? Campinas: Inovação Uniemp, v. 3, nº 1, jan./fev. 2007 (adaptado).

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a ) a inovação tecnológica tem alcançado a cidade e o campo, incorporando a agricultura, a indústria e os serviços, com maior destaque nos países desenvolvidos.

c ) as novas tecnologias se difundem com equidade no espaço geográfico e entre as populações que as incorporam em seu dia. d ) os tecnopolos, em tempos de globalização, ocupam os antigos centros de industrialização, concentrados em alguns países emergentes. e ) o crescimento econômico dos países em desenvolvimento, decorrente da dispersão da produção do conhecimento na esfera global, equipara-se ao dos países desenvolvidos.

11. (PUC-RJ) (...) Liberalismo, o Neo, bateu à porta da quitinete onde morava o Estado Mínimo e sua numerosa família. O Estado Mínimo – diga-se de passagem – já fora o máximo no passado, requisitado por todos, vivia confortavelmente em uma cobertura duplex no edifício Keynes. A partir dos anos 1980, seu prestígio começou a declinar diante da campanha orquestrada pelo Liberalismo que avançou no seu patrimônio e privatizou suas empresas sob o pretexto de que ele, Estado, não entendia nada de economia, cobrava altos impostos e impedia a maximização dos seus lucros. Empobrecendo, o Estado teve que se mudar para um apartamento menor e depois para outro menor ainda e hoje vive em uma modesta unidade no conjunto habitacional Milton Friedmam. (...) NOVAES, Carlos Eduardo, Liberalismo e Estado Mínimo, 01/mar./2009, Jornal do Brasil.

A opção que apresenta exemplos, no Brasil, que confirmam a explicação contida no trecho da crônica é: B. a ) privatização de bancos, aumento das barreiras alfandegárias, aplicação dos Planos Quinquenais. b ) desestatização de empresas, desregulamentação da economia, criação de Agências Reguladoras.


d ) ampliação da esfera de atuação das secretarias de governo, reforma fiscal, implementação de Programas de Desenvolvimento Nacional. e ) nacionalização de empresas, redução das tarifas alfandegárias, implementação dos Programas Nacionais de Desenvolvimento.

12. (UERJ-RJ) A estrutura desse sistema internacional de circulação alcançou tal grau de complexidade que ultrapassa a compreensão da maioria das pessoas. As fronteiras entre funções diferentes como as de bancos, corretoras, serviços financeiros, financiamento habitacional, crédito ao consumidor etc. tornaram-se cada vez mais porosas, ao mesmo tempo que novas transações futuras de mercadorias, de ações, de moe­das ou de dívidas surgiram em toda parte, introduzindo o tempo futuro no tempo presente de maneiras estarrecedoras. DAVID HARVEY. Adaptado de Condição pós-moderna. São Paulo: Edições Loyola, 1992.

O texto faz referência a características de um dos mais importantes aspectos do atual estágio do capitalismo. Dois fatores que contribuem para o fenômeno destacado pelo autor do fragmento estão apontados em: C. a ) aumento da especulação financeira – maior eficiência das redes de transportes. b ) controle do Banco Mundial sobre o sistema financeiro – formação da União Monetária Mundial. c ) desregulamentação dos mercados finan­ ceiros – disseminação das tecnologias da informação. d ) padronização dos horários de funcionamento dos centros financeiros – surgimento dos bancos globais.

13. (UNEMAT-MT) Em relação às fases do capitalismo e suas características, enumere a segunda coluna de acordo com a primeira. Coluna I - Fases do Capitalismo:

I. Comercial II. Industrial

III. Financeiro

Coluna II – Características

• •Segunda

Revolução Industrial ou Tecnoló­ gica, o capitalismo se tornou monopolista. Empresas ou países monopolizaram o comér­ cio; os bancos adquiriram cada vez mais importância; o capital financeiro passou a dominar e a controlar a economia dos países; domínio das transnacionais.

• •Ressurgimento dos Centros urbanos e inten-

sificação do comércio; acumulação de recursos; inovações nos transportes marítimos, nos armamentos e nas técnicas de navegação; expansão comercial do final do século XIV e início do século XV.

• •For te

mecanização, abrangendo diversos setores da economia. As fábricas empregavam grande número de trabalhadores.

Assinale a alternativa correta. C. a ) III, II e I.

d ) II, I e III.

b ) I, II e III.

e ) I, III e II.

c ) III, I e II.

14. (UFC-CE) A revolução técnico-científica e informacional produzida no século XX, a qual se estende aos nossos dias, trouxe profundas mudanças nos sistemas de produção e nas relações de trabalho que incidem diretamente sobre a organização do espaço geográfico. Acerca das novas formas de relações de trabalho, é possível afirmar, corretamente, que: D. a ) nos países desenvolvidos, com o grande avanço tecnológico, o desemprego foi reduzido e os sindicatos foram fortalecidos, respondendo aos interesses trabalhistas. b ) o sistema de flexibilização da produção (modelo toyotista), que acarretou mudanças nas relações de trabalho, aplica-se apenas à indústria japonesa. c ) o regime de trabalho permanente nas empresas industriais e de serviços ampliou-se, e foram fortalecidos os direitos sociais dos trabalhadores. d ) a terceirização tem sido utilizada pelas empresas como uma das formas de flexibilização das relações de trabalho. e ) a substituição progressiva do trabalho humano pelo informatizado foi restrita aos setores agrário e industrial.

Capitalismo e espaço geográfico

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Unidade 1

c ) redução da concentração do poder administrativo federal, redução das taxas de juros, criação dos Órgãos de Planejamento Regional.


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unidade

AAGlobalização globalização

1830

Telégrafo.

Computador.

1876

Telefone.

Telefone celular, microcomputador pessoal (PC).

1973

1906

Rádio.

Rede de computadores.

1969

1926

Televisão.

1960

Laser.

1957

Transistor.

1947 Satélite.

1941

Fibra óptica.

1952

1956

Disco rígido (HD).


A globalização A globalização é uma realidade. é uma realidade. Nessa fase, Podemos temos possibilidades nos comunicar de nos comunicar ou até mesmo ou até chegar mesmo aos de chegar aos mais maisdiferentes diferenteslugares lugaresdo do mundo, mundo, mais mais facilmente do mente que hádo algumas que hádécadas. algumas décadas. No entanto, essas possibilidades não são a todos. No entanto, essas possibilidades não acessíveis são acessíveis a toPara algumas pessoas, constata-se um dos. Para algumas pessoas, constata-se um abismo abismo entre o o lugar onde de vivem, de tecnológivida e os lugar ondeentre vivem, seu modo vida seu e osmodo avanços avanços tecnológicos e informacionais que cos e informacionais que caracterizam a globalização caracatual. terizam a globalização atual. É necessário compreender essas características contradiseguir sua apresenta a evolução • A linha do tempo tórias da globalização, assim acomo, organização que dos meios de comunicação, um dos fatores que promove conexões do mundo por fluxos e redes. a conectividade característica do tempo a seguir apresenta a evolução dos • A linha dopermitiram atual mundo globalizado. Você tem acesso a esmeios de comunicação, um dos fatores que permitiram ses recursos? A qual(is) dele(s)? a conectividade característica do atual mundo globalizado. Você tem acesso a esses recursos? A qual(is)?

1979

Compact disc (CD).

1981

Modem para microcomputador pessoal.

1983

Microcomputador portátil (notebook).

1971

Disquete, e-mail, microprocessador (chip de silício).

2011

Ultrabook.

1995 1992

Smartphone.

1991

Disco de vídeo digital (DVD), TV digital.

2012

2001

Popularização da internet, telefone celular digital (GSM), webcam.

Smartphone 4G.

Ipod.

2007 Iphone.

2010

1996

1993

Sistema de posicionamento global (GPS). Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não representam recomendação ou indicação comercial. Eles foram mencionados apenas como recurso didático.

Ipad, tablets, Rede 4G.

Rede sem fio (WLAN).

2006

Computador de superfície (touch screen).

Ilustração produzida com base em: CHALLONER, Jack (Ed.). 1001 invenções que mudaram o mundo. Tradução Carolina Alfaro et al. Rio de Janeiro: Sextante, 2010.

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Capitalismo e globalização Leia o texto a seguir. Na virada do século XX para o XXI, por meio da televisão e da internet, temos acesso a notícias e informações transmitidas em tempo real, ou seja, no próprio momento em que os eventos se manifestam. Assim, podemos acompanhar de forma quase instantânea, em vários lugares do mundo, o encontro histórico entre os presidentes da Coreia do Sul e do Norte, a cotação do euro em relação ao dólar, as oscilações nas Bolsas de qualquer lugar do planeta, o conflito entre palestinos e israelenses, o lançamento do novo modelo de automóvel [...]. Podemos saber mais rapidamente sobre o que se passa com nossos contemporâneos em várias partes do mundo do que em qualquer outra época histórica. Podemos, enfim, nos deslocar de um país a outro com mais facilidade. [...] Enfim, as empresas, os indivíduos, os movimentos sociais e os governos nacionais e locais estão atualmente conectados a uma extensa rede de informações, o que traz impactos econômicos, culturais e políticos profundos para todas as sociedades.

Fotomontagem formada pelas imagens Kundra/ Shutterstock/Glow Images e Luciane Mori

No plano econômico, os produtos que consumimos são, cada vez mais, produzidos em outros países, sendo que alguns produtos brasileiros também são encontrados em várias partes do mundo.

Imagem ilustrativa de alguns símbolos que caracterizam o processo de globalização na época em que vivemos.

Ao mesmo tempo, há empresas que produzem bens de consumo, máquinas e componentes em outros países que não o seu de origem. A empresa finlandesa Nokia produz telefones celulares em várias partes do mundo, da mesma forma que a empresa de chips de computador, a Intel, de origem norte-americana, possui uma de suas principais empresas na Costa Rica. Já a Nike, fabrica boa parte dos seus tênis e material esportivo na Indonésia. [...] BARBOSA, Alexandre de Freitas. O mundo globalizado. São Paulo: Contexto, 2001. p. 9-10. (Repensando a História).

O texto acima descreve as características assumidas pelo atual processo de globalização. Jornais, revistas, livros, rádio e televisão, todos os meios de comunicação, incluindo a internet, propagam permanentemente a ideia de que vivemos em um mundo globalizado, como sugere o título desse texto. O termo “globalização” (tradução do inglês globalization) disseminou-se ao longo da década de 1980 nos meios acadêmicos e empresariais, e, em seguida, chegou à mídia, tornando-se uma palavra corriqueira. Mas, como tema de análise e reflexão entre economistas, sociólogos, historiadores, geógrafos e outros estudiosos de várias áreas do conhecimento, o fenômeno da globalização é um conceito complexo e ambíguo, objeto até mesmo de divergências entre especialistas.

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Revolução tecnológica e integração do espaço Unidade 2

De qualquer forma, há certo consenso de que o processo de globalização constitui o ápice da expansão e hegemonia do capitalismo em escala planetária, tal como se apresenta desde o final do século XX e início do século XXI. [...] As forças decisivas, pelas quais se dá a globalização do mundo, instituindo uma configuração histórico-social nova, surpreendente e determinante, são as forças deflagradas com a globalização do capitalismo, processo esse que adquiriu ímpetos excepcionais e avassaladores desde a Segunda Guerra Mundial e mais ainda com a Guerra Fria [assunto que será estudado na unidade 7], entrando em franca expansão após o término desta. [...] IANNI, Otávio. A era do globalismo. In: OLIVEIRA, Flávia Arlanch Martins de (Org.). Globalização, regionalização e nacionalismo. São Paulo: Ed. Unesp, 1999. p. 16.

Nesse sentido, o processo de globalização só começa a tomar vulto a partir da segunda metade do século XX, quando a expansão do capitalismo, alternando fases de avanços e recuos intrínsecos ao seu desenvolvimento, ingressou em uma nova fase marcada por progressos técnicos e científicos, que levaram a uma verdadeira revolução tecnológica. Conhecida como Terceira Revolução Industrial, esse desenvolvimento científico e tecnológico, liderado e impulsionado pelos países mais ricos e desenvolvidos (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Inglaterra, França, Japão), atingiu as mais variadas áreas do conhecimento, especialmente as chamadas tecnologias da informação (informática, telecomunicações, telemática). Aliada à expansão dos fluxos comerciais proporcionada pelo desenvolvimento de meios de transportes cada vez mais eficientes (navios de grande calado, aviões cargueiros de grande porte), essa situação criou as condições necessárias para o avanço da globalização. Portanto, esse processo pode ser caracterizado pela integração cada vez mais efetiva do espaço mundial proporcionada pela crescente circulação de mercadorias, informações e pessoas entre as diferentes regiões do planeta.

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Essa globalização, que se estende em múltiplas dimensões, como a socioeconômica, a política e a cultural, já havia sido anunciada, na década de 1960, pelo canadense Marshall McLuhan (1911-1980), um dos mais respeitados estudiosos dos meios de comunicação de massa do século passado, defensor da ideia de que, sob a “era da informação”, o mundo se transformaria em uma “aldeia global”.

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Embora muito difundida, a expressão “aldeia global” passou a ser criticada por outros teóricos da globalização, para os quais o mundo estaria longe de se tornar uma “aldeia global” de fato. Isso porque esse conceito exprime a ideia de que todos se conhecem e participam da vida e das decisões de maneira comunitária, o que não condiz de fato com a sociedade contemporânea. O termo “global”, por sua vez, não leva em consideração que uma imensa parcela da população mundial, sobretudo aquela que vive nas regiões mais pobres do globo, se encontra totalmente excluída dos benefícios tecnológicos trazidos pela globalização. A globalização

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O tempo se “acelera”, as distâncias se “contraem” Há mais de quatro décadas, o escritor estadunidense Alvin Toffler já alertava para o fato de que “muitos de nós já tivemos uma vaga ‘sensação’ de que as coisas se movem mais rapidamente” (TOFFLER, Alvin. O choque do futuro. Lisboa: Editora Livros do Brasil, 1970. p. 29). Nada parece tão atualizado para os dias de hoje como essa afirmação. Na correria do dia a dia, as pessoas ficam com a impressão de que o tempo parece “voar”, passando com maior rapidez. Essa impressão ou sensação se deve ao fato de que a nossa vida é afetada por mudanças cada vez mais rápidas. Mas o que tem provocado a ocorrência de mudanças tão rápidas? A resposta é simples: a tecnologia. Segundo Toffler, a tecnologia é o grande motor das mudanças.

Garo//Phanie Sarl/Corbis/Latinstock

Garo//Phanie Sarl/Corbis/Latinstock

Os avanços tecnológicos ocorridos nas últimas décadas provocaram, por exemplo, uma verdadeira revolução nos meios de transportes e de comunicações. Meios de transportes mais rápidos e eficientes encurtaram o tempo de deslocamento entre um lugar e outro no espaço terrestre. Em poucas horas, as viagens aéreas intercontinentais cruzam todo o planeta, enquanto gigantescos navios cargueiros circulam diariamente pelos oceanos transportando milhares de toneladas de produtos e mercadorias entre os mais distantes mercados. Por sua vez, as novas tecnologias de telecomunicações, como transmissão via satélite, internet, telefonia móvel etc. acabaram permitindo a troca acelerada e quase instantânea de informações no mundo todo. Todos os dias, um volume colossal de informações, como mensagens, dados, arquivos, imagens, fluxos de capitais, circula ao redor do mundo, sendo transmitidas pelos mais avançados recursos de telecomunicação. Como essas tecnologias estão cada vez mais incorporadas no nosso dia a dia, também acabam interferindo na percepção que temos do tempo e do espaço, e sentimos isso de diversas maneiras. Por exemplo, se há um século a notícia de um acontecimento ocorrido na Europa levava mais de trinta dias para chegar ao Brasil, hoje, essa notícia chega quase que instantaneamente, seja por meio de uma simples ligação telefônica, seja por meio de uma transmissão televisiva via satélite, ou mesmo pelo envio de um e-mail.

Atualmente, é muito comum o uso de tecnologias em telecomunicação, de modo que pessoas possam realizar teleconferências estando em locais distantes. Nas fotografias ao lado, um médico faz consulta remota, com auxílio de uma assistente, em um paciente que está distante de seu consultório, em Estrasburgo, França, em 2012.

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Contexto geográfico

Ponto de vista Unidade 2

O mundo está encolhendo? Na concepção do geógrafo inglês David Harvey, os avanços tecnológicos que revolucionaram os transportes e as comunicações provocaram uma verdadeira compressão do tempo-espaço, um “encolhimento” do mundo, tal como ilustrado na figura a seguir.

De 1500 a 1840

A melhor média de velocidade das carruagens e dos barcos a vela era de 16 km/h.

De 1850 a 1930

Década de 1950 Aviões a propulsão: 480-640 km/h.

Década de 1960

Jatos de passageiros: 800-1 100 km/h.

Fotomontagem formada pelas imagens Acervo da editora, yyang, elmm, anton_novik, Sako Verife, RetroClipArt e Jason KS Leung/Shutterstock.com

As locomotivas a vapor alcançavam em média 100 km/h; os barcos a vapor 57 km/h.

Ilustrações produzidas com base em: HARVEY, David. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. Tradução Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Edições Loyola, 1992. p. 220.

a ) Em sua opinião, qual é o significado do “encolhimento” do mundo? b ) Como essa imagem consegue expressar, ou sintetizar, a integração do espaço mundial que consolidou o processo de globalização ocorrido nas últimas décadas?

A globalização

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A globalização econômica A expansão e a hegemonia do capitalismo em escala planetária criaram as condições indispensáveis para a consolidação de uma economia capitalista globalizada, caracterizada pela integração econômica cada vez mais efetiva do espaço geográfico mundial. Essa expansão do capitalismo em escala planetária se deu acompanhada pelo intenso crescimento do comércio internacional, fato que intensificou as relações econômicas entre os países do mundo e produziu, ao mesmo tempo, grandes mudanças na organização do sistema produtivo em escala mundial. A origem dessas mudanças reside basicamente na dispersão da atividade industrial pelo mundo, fenômeno provocado pelo processo de expansão das grandes corporações multinacionais, que passaram a desenvolver suas atividades em países espalhados em todo o planeta. Favorecidas pela revolução tecnológica em andamento e também pelos avanços dos transportes ocorridos a partir da segunda metade do século passado, essas grandes empresas multinacionais, que até então atuavam quase que exclusivamente nos países mais ricos e industrializados do hemisfério Norte, expandiram suas atividades e instalaram filiais em países com economia menos desenvolvida, com a finalidade de conquistar novos mercados. Assim, a área geográfica de atuação dessas empresas se expandiu em direção às economias periféricas e menos desenvolvidas, mas que apresentavam mercados economicamente promissores, caso de países como Brasil, México e Argentina (na América Latina), África do Sul (no continente africano), Índia, Coreia do Sul, Singapura, Taiwan e Malásia (no continente asiático).

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não representam recomendação ou indicação comercial. Eles foram mencionados apenas como recurso didático.

As multinacionais formam redes, e se instalam nos mais diversos países do mundo, inclusive naqueles que possuem sistema político e econômico diferente do país de origem dessas empresas. É o caso da rede de lanchonetes estadunidense instalada em Tianjing, China, vista ao lado, em 2015.

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Zhang Peng/LightRocket/Getty Images

Além da decisão estratégica visando o domínio desses novos mercados, o direcionamento dos investimentos para os países subdesenvolvidos também foi motivado por inúmeras outras vantagens oferecidas por esses países, tais como: baixo custo de mão de obra; disponibilidade de recursos naturais (matérias-primas) a baixos custos; existência de legislações trabalhistas e ambientais menos rígidas; presença de grandes mercados consumidores em expansão; liberdade para remeter os lucros às matrizes no país de origem; e até mesmo concessão de incentivos fiscais (redução ou isenção de impostos etc.).


Unidade 2

Convém destacar também que a partir da década de 1970, o processo de expansão das empresas multinacionais em direção aos países periféricos entrou em uma fase marcada pela diversificação dos investimentos nos mais diversos ramos de atividades. Os investimentos que até então se restringiam ao setor industrial, incluindo a indústria extrativa mineral, passaram a ser direcionados a outros setores da economia, como o de serviços (bancos, corretoras, financeiras, seguradoras), de comércio atacadista e varejista (redes de lanchonetes, hipermercados, lojas de departamentos), de infraestrutura (geração de energia, construção) e também ao setor agropecuário. A expansão das multinacionais pelo mundo produziu mudanças significativas nas relações econômicas e comerciais entre os países. Isso ocorreu porque muitas economias periféricas, até então voltadas quase que exclusivamente para a produção e exportação de gêneros primários (matérias-primas agrícolas e minerais), também se industrializaram, tornando-se exportadoras de bens manufaturados. É importante lembrar, entretanto, que a maioria dos países menos desenvolvidos da América Latina, da África e da Ásia ainda possui economia essencialmente agrária, continuando, portanto, como produtores de gêneros primários. Assim, mesmo que as empresas multinacionais tenham contribuído para o crescimento econômico e industrial dos países onde passaram a desenvolver suas atividades, sobretudo com o aumento e a diversificação da produção e com a abertura de novos postos de trabalho, a dependência econômica e tecnológica desses países vem se acentuando cada vez mais em relação às nações mais ricas e industrializadas.

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não representam recomendação ou indicação comercial. Eles foram mencionados apenas como recurso didático.

Faturamento das seis maiores multinacionais 5 PIB de alguns países do mundo – 2014

BP Origem: Reino Unido Setor: Óleo e gás Faturamento: US$ 396 bi

Wal-Mart Stores Origem: Estados Unidos Setor: distribuição Faturamento: US$ 446 bi

Royal Dutch / Shell Group Origem: Holanda Setor: Óleo e gás Faturamento: US$ 460 bi

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Argentina PIB: US$ 540 bi

Meridian

Uruguai PIB: US$ 57 bi

Filipinas PIB: US$ 285 bi

Turquia PIB: US$ 800 bi

Equador 0°

China National Petroleum Origem: China Setor: Energia Faturamento: US$ 432 bi

Noruega PIB: US$ 500 bi

Portugal PIB: US$ 230 bi

Chile PIB: US$ 258 bi

Sinopec Group Origem: China Setor: Energia Faturamento: US$ 457 bi

Nigéria PIB: US$ 568 bi

Líbia PIB: US$ 41 bi

Fiji PIB: US$ 4 bi

Representação ilustrativa sem escala

A expansão das grandes corporações multinacionais pelo mundo ampliou enormemente a hegemonia dos países desenvolvidos (mais ricos e mais industrializados) sobre a economia e o comércio mundial. Atualmente, esses países geram aproximadamente 68% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, respondem por cerca de dois terços de toda a produção industrial do planeta e aproximadamente 60% de todo o comércio mundial. O poderio econômico das grandes multinacionais na economia globalizada também é espantoso: as dez maiores multinacionais do mundo empregam sete milhões de pessoas e faturam cerca de três trilhões de dólares ao ano, valor superior ao PIB de muitos países do mundo, como podemos observar na representação acima.

Fontes: CNN money. com. Fortune 500. Disponível em: <http:// fortune.com/global500/ wal-mart-stores-1/>. Acesso em: 22 jul. 2015. THE WORLD Bank. Disponível em: <http:// databank.worldbank.org/ data/download/gdp.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2015.

A globalização

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E. Cavalcante

Exxon Mobil Origem: Estados Unidos Setor: Óleo e gás Faturamento: US$ 408 bi

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24/5/16 11:42 AM


A fragmentação do processo produtivo O processo de expansão das multinacionais pelo mundo também trouxe mudanças significativas na organização do sistema produtivo das grandes empresas em escala mundial. Isso porque, além de expandir suas atividades no mundo, as multinacionais se aproveitaram dos avanços tecnológicos para também fragmentar (dividir), as diferentes etapas de fabricação e montagem de seus produtos entre suas subsidiárias espalhadas pelo mundo. Também passaram a transferir, ou seja, a terceirizar, parcelas inteiras do processo de produção para empresas instaladas em diferentes países. Foi com a estratégia de diminuir os custos operacionais de produção e ampliar sua lucratividade em uma economia globalizada extremamente competitiva que as grandes empresas multinacionais direcionaram parcelas específicas de suas atividades produtivas para os lugares do mundo em que as condições fossem mais vantajosas, a mão de obra fosse mais barata, por exemplo.

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não representam recomendação ou indicação comercial. Eles foram mencionados apenas como recurso didático.

Hoje, por exemplo, aviões, automóveis, computadores, aparelhos eletrônicos, entre outros produtos de maior complexidade, podem ter alguns de seus inúmeros componentes fabricados em países diferentes, sendo depois encaminhados para uma unidade de montagem final instalada em outro país, de onde será exportado para os mais diferentes mercados mundiais. Veja o exemplo abaixo.

Exemplo de produção globalizada [...] A Nike, grande fabricante mundial de tênis, possui, numa cidade norte-americana, 500 funcionários encarregados do design, do marketing, das operações financeiras, da organização das vendas. São funcionários de elevada qualificação, remunerados por um padrão salarial também elevado. Os modelos recém-criados nos Estados Unidos são transmitidos, via computador, para uma central na Malásia. Ali se produzem os protótipos, depois entregues a várias

fábricas no sudeste da Ásia, onde 15 mil assalariados, que constituem a mão de obra mais barata do mundo, se encarregam, finalmente, da produção material do tênis Nike. Sejam automóveis ou CDs, os produtos industriais mais sofisticados e valiosos são, hoje, o resultado de operações realizadas em múltiplos países. [...] GORENDER, Jacob. Globalização, mudanças tecnológicas e novos processos de trabalho e produção. In: OLIVEIRA, Flávia Arlanch Martins de (Org.). Globalização, regionalização e nacionalismo. São Paulo: Ed. Unesp, 1999. p. 138.

Produção globalizada e fragmentada – 2015 N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO O

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ESTADOS UNIDOS Trópico de Câncer

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OCEANO ÍNDICO

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OCEANO

Trópico de Capricórnio

ATLÂNTICO

ARGENTINA

42 países

ÁFRICA DO SUL Número de fábricas 0°

1

10

25 50 75 100

AUSTRÁLIA

1 730 km

Fonte: NIKE, INC. Disponível em: <http://manufacturingmap.nikeinc.com>. Acesso em: 20 jul. 2015.

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Renan Fonseca

BRASIL

Meridiano de Greenwich

OCEANO PACÍFICO


• •aplicação intensiva de tecnologias no processo produtivo (informatização, au-

david pearson/Alamy Stock Photo/Latinstock

Ao expandir suas atividades pelo mundo em busca de novos mercados para seus produtos e serviços, as grandes multinacionais acabaram acirrando a concorrência entre si. Para enfrentar essa concorrência e se tornar ainda mais competitivas no mercado, essas grandes corporações adotaram uma série de estratégias, tais como:

Unidade 2

Embora a fragmentação do processo produtivo possa ser tipicamente observada na produção de bens industrializados (como no exemplo observado na página anterior), esse fenômeno também ocorre nos demais setores de atividades como o de serviços. No caso do telemarketing, por exemplo, grandes empresas sediadas nos Estados Unidos, no Canadá, na Inglaterra, e em outros países desenvolvidos, utilizam as centrais de atendimento ao cliente, conhecidas como call centers, instaladas na Índia, formando naquele país o maior polo de call center do planeta (foto ao lado).

Acima, fotografia de call center, em Mumbai, na Índia, em 2012.

tomação e robotização) como forma de ampliar a produtividade e diminuir os custos com mão de obra;

• •otimização dos processos de produção e implantação de novos métodos de

trabalho voltados para a economia de matérias-primas, a eliminação do desperdício e a redução dos estoques, concomitantemente à melhoria da qualidade dos produtos e serviços;

• •investimentos agressivos em propaganda e marketing como forma de projetar e valorizar a marca (e seus lançamentos) nos mercados mundiais.

Além disso, essas grandes corporações também enfrentaram a concorrência se valendo da formação de monopólios e oligopólios em suas mais diversas variações. O monopólio ocorre quando uma empresa domina a oferta (o mercado) de determinado produto ou serviço. O oligopólio, considerado uma forma mais avançada de monopólio, ocorre quando um grupo de empresas domina o mercado de determinado produto ou serviço (leia quadro abaixo).

Oligopólio e holdings O oligopólio pode ocorrer na forma de:

••cartel: quando empresas concorrentes fazem acordos para dominar o mercado de

determinado produto, de modo a eliminar outros concorrentes e, ao mesmo tempo, aumentar o preço dos produtos para ampliar os seus lucros;

••truste: ocorre pela fusão ou incorporação de empresas que atuam em um mesmo

setor de atividade e abrem mão de sua independência legal para se tornar uma única organização, com o intuito de dominar o mercado de produtos ou serviços em que operam.

Outra estratégia adotada por essas empresas é a diversificação de suas áreas de atuação com a formação de holdings. Denomina-se holding um tipo de empresa criada com a finalidade exclusiva de controlar e administrar um conglomerado de empresas, chamadas subsidiárias, que pertencem a um determinado grupo econômico. Observe, na página seguinte, o organograma funcional de uma das maiores holdings do mundo. A globalização

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ALIMENTOS

RECURSOS E ENERGIA

Koiwai Dairy Products Co., Ltd. Foodlink Corp.

Mitsubishi Nuclear Fuel Mitsubishi Gas Chemical

PRODUTOS DE BORRACHA, CERÂMICA E VIDRO

SEGURO E FINANÇAS The Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ, Ltd. Mitsubishi UFJ Financial Group, Inc.

AGC Ceramics Co., Ltd. Hikari Glass Co., Ltd. Mitsubishi Cable Industries, Ltd.

MÁQUINAS

VIAGEM E LAZER

Mitsubishi Electric Engineering Co., Ltd. Mitsubishi Motors Corp.

Melco Travel Co., Ltd. Crystal Yacht Club

MÁQUINAS DE PRECISÃO Nikon Corp. Tochigi Nikon Precision Co., Ltd.

MITSUBISHI CORPORATION

METAIS

TRANSPORTES E LOGÍSTICA

Mitsubishi Steel Mfg Co., Ltd. Metal One Steel Products Corp.

Mitsubishi Electric Logistics Corp. Mitsubishi Ore Transport Co., Ltd.

CONSULTORIA E PESQUISA

INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

Tokio Marine & Nichido Anshin Consulting Co., Ltd. Mitsubishi Research Institute

QUÍMICO Mitsubishi Chemical Holdings Corp. Mitsubishi Chemical Medience Corp.

CELULOSE E PAPÉIS Dia Packaging Materials Co., Ltd. Mitsubishi Paper Mills, Ltd.

Mitsubishi Electric Information Network Corp. Mitsubishi Space Software Co., Ltd.

CONSTRUÇÃO E IMÓVEIS P.S. Mitsubishi Construction Co., Ltd. Mitsubishi Estate Home Co., Ltd.

Mario Henrique

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não figuram recomendação ou indicação comercial. Eles foram usados apenas como recurso didático.

Fonte: MITSUBISHI.com. Disponível em: <www.mitsubishi.com/php/users/ category_search.php?lang=1>. Acesso em: 9 nov. 2015.

Fluxos e redes no espaço globalizado A integração cada vez mais efetiva entre os espaços mundiais, promovida pelo avanço do processo de globalização ao longo das últimas décadas, tem se caracterizado, consequentemente, pelo aumento vertiginoso dos fluxos (circulação) de mercadorias, informações, capitais e pessoas ao redor do globo. Esses fluxos que interligam os mais diferentes lugares do mundo circulam por um emaranhado de redes e sistemas de transportes e comunicações cada vez mais avançados e sofisticados do ponto de vista tecnológico. Impulsionado pela melhoria dos transportes, assim como pela expansão das corporações multinacionais pelo mundo, o comércio internacional cresceu de maneira vertiginosa, aumentando expressivamente os fluxos de matérias-primas e mercadorias, como gêneros agrícolas, recursos minerais e energéticos, bens manufaturados, entre países e continentes. Apoiados no desenvolvimento tecnológico, os meios de transportes se modernizaram e se tornaram muito mais eficientes. A capacidade de carga foi ampliada e os custos logísticos diminuíram, provocando o barateamento do transporte em larga escala, que, por sua vez, também se ampliou com a progressiva redução das tarifas alfandegárias em virtude da abertura das economias nacionais no mercado internacional. Atualmente, mais da metade dos fluxos comerciais de mercadorias que circulam pelo mundo ocorre pelas vias oceânicas, a bordo de enormes navios especializados no transporte das mais diversas cargas (porta-contêineres, graneleiros, petroleiros). Apesar do custo mais elevado, a participação da logística aérea nesses fluxos de mercadorias também vem aumentando, sobretudo no transporte de cargas que exigem maior rapidez e pontualidade, como perecíveis e encomendas rápidas (veja nas páginas seguintes).

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Mundo: dez maiores portos (movimentação em milhões de toneladas – 2013)

Pusan (CDS) 313

Singapura (INS) 561

Port Hedland (AUS) 372

Tianjin (CHN) 477

Ningbo (CHN) 399

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Qingdão (CHN) 450

Fonte: AMERICAN Association of Port Authorities (AAPA). Disponível em: <www.aapaports.org/industry/content. cfm?itemnumber=900>. Acesso em: 20 jul. 2015.

180° de Câncer pico OCEANO PACÍFICO

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Roterdã (HOL) 440

E. Cavalcante

Mundo: fluxos marítimos

Guangzou (CHN) 473

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

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Roterdã

OCEANO ATLÂNTICO

Rotas principais Rotas secundárias

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OCEANO ÍNDICO

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Gilberto Alicio

Delpixel/Shutterstock.com

Dalian (CHN) 321

Hoje, os maiores navios cargueiros podem transportar até 18 mil contêineres, levando mais de 150 mil toneladas de carga, enquanto um petroleiro pode levar em seus tanques quase 2 milhões de barris de petróleo. A fotografia acima mostra o porto de Singapura, repleto de contêineres, em foto de 2015.

Unidade 2

Xangai (CHN) 697

1 830 km Escala aproximada na linha do Equador

Fontes: BOCHICCHIO, Vicenzo Raffaele. Atlas mundo atual. 2. ed. São Paulo: Atual, 2009. p. 38-39. 1 atlas. Escalas variam. FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 55. 1 atlas. Escalas variam.

a ) Identifique no mapa a localização geográfica dos principais portos marítimos do mundo. b ) Identifique também as principais rotas marítimas e a localização das passagens marítimas estratégicas. A globalização

47


Países: 10 maiores aeroportos (movimentação em milhões de passageiros – 2013) Jacarta (IND) 60,1

Atlanta (EUA) 94,4 Pequim (CHN) 51,8

Paris (FRA) 62

Londres (RUN) 72,3

Dubai (EAU) 66,4

Acima, Aeroporto Internacional de Los Angeles, Estados Unidos, em 2013. Com cerca de 700 voos diários, esse é um dos aeroportos mais movimentados do mundo.

Tóquio(JPN) 69

Los Angeles (EUA) 66,6

Chicago (EUA) 66,7

Fonte: AIRPORTS Council International (ACI). Disponível em: <www.aci.aero/data-centre/annual-trafficdata/passengers/2013-final>. Acesso em: 21 mar. 2015.

Mundo: fluxos aéreos

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OCEANO GLACIAL ÁRTICO Polo Norte Geográfico

Pequim Hong kong Singapura

Londres Paris OCEANO ATLÂNTICO

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Lagos

Muito importante Importante Outros relevantes E. Cavalcante

Principais aeroportos

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Fluxos aéreos

1 830 km m Escala aproximada na linha do Equador

Fontes: ATLAS geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 82. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 82. 1 atlas. Escalas variam. FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 55. 1 atlas. Escalas variam.

a ) Identifique no mapa a localização geográfica dos principais aeroportos do mundo. b ) Verifique também as rotas aéreas que concentram os fluxos aéreos mais importantes.

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Gilberto Alicio

Kevork Djansezian/AFP Photo

Dallas (EUA) 60,4


Estudo de caso

Com porto de Yangshan, Xangai se torna a cidade com maior movimentação de carga do mundo Impulsionada pelo acelerado crescimento econômico ao longo das últimas décadas, a China conquistou a posição de maior exportador mundial. No final da década de 1980, a soma das exportações e importações chinesas representava menos de 2% do total mundial; hoje elas representam quase 10% do comércio global. Se o crescimento econômico colocou a China na rota do comércio mundial, as exportações e as importações chinesas deram um grande salto graças aos enormes investimentos realizados na infraestrutura de logística do país, sobretudo do setor portuário. Isso porque grande parte dos produtos que os chineses vendem e compram de outros países passam pelos seus portos. É com a visão estratégica de conquistar a posição de maior potência econômica mundial nas próximas décadas, que o governo de Pequim vem canalizando enormes investimentos na ampliação e modernização da estrutura portuária do país. Uma prova disso foi a construção do porto de Yangshan, em Xangai, localizado na baía de Hangzhou, onde está localizada a foz de importantes rios, como o Yang-Tsé-Kiang (Azul), o mais extenso do país.

Inaugurado no final de 2005, apenas dois anos e meio após o início das obras, o porto de Yangshan se transformou no maior porto de movimentação de carga do mundo, posição até então ocupada pelo porto de Singapura. Atualmente, a movimentação do porto supera 10 milhões de contêineres ao ano. A estrutura do porto também impressiona: são 60 guindastes de contêineres, 16 pontos de ancoragem onde atracam os maiores navios do mundo. O porto inclui, ainda, uma moderna ponte com 32,5 quilômetros de extensão e 31,5 metros de largura, com seis pistas de rolamento que faz a ligação entre o porto – construído em uma pequena ilha ampliada por um enorme aterro erguido com cerca de 100 milhões de metros cúbicos de areia – e o continente. A ponte, chamada de Donghai, é a segunda mais longa do mundo sobre o mar. Mas os ambiciosos planos chineses não param por aí. O planejamento de longo prazo, típico do governo de Pequim, já prevê a ampliação do porto até 2020, caso sua capacidade não consiga atender à demanda. Nessa fase o porto terá capacidade para movimentar aproximadamente 15 milhões de contêineres ao ano.

China Out/AFP Photo

Texto elaborado pelos autores.

Vista do porto Yangshan, em 2013, repleto de contêineres, revelando o intenso movimento desse porto.

A globalização

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Unidade 2

Contexto geográfico


Fluxos de informações O desenvolvimento das mais avançadas tecnologias da informação ampliou o fluxo de informações ao redor do mundo. A revolução tecnológica das últimas décadas vem criando uma complexa rede de telecomunicações (satélites artificiais, linhas de telefonia fixa e móvel, antenas parabólicas, cabos de transmissão submarinos, cabos de fibra ótica, redes sem fio etc.) por meio das quais um volume colossal de informações, incluindo dados, textos e imagens, circula com grande rapidez, conectando os mais distantes lugares do mundo. Dada a velocidade com que essas informações “viajam” pelo ciberespaço, a instantaneidade desses fluxos se tornou uma característica marcante da época atual. Por meio das redes de satélites de comunicação, por exemplo, notícias e acontecimentos importantes ocorridos diariamente ao redor do mundo são transmitidos quase que em tempo real por canais de televisão assistidos por milhões de pessoas espalhadas pelo mundo todo. A internet, sem dúvida, tem se tornado uma das melhores e mais eficientes formas de difusão da informação na atualidade, sendo utilizada tanto por pessoas como por empresas e instituições governamentais (leia o texto a seguir). [...] Países: linhas telefônicas e assinaturas de internet – 2013 Número de linhas telefônicas e de assinaturas de internet (por 100 pessoas)

Gilberto Alicio

90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

Linhas telefônicas Assinaturas de internet

Estados Unidos

Japão

França

Brasil

Eritreia

Índia

Bangladesh Países

Alguns dados das disparidades tecnológicas e da “exclusão digital” no mundo: os países desenvolvidos respondem por aproximadamente 81% dos computadores pessoais (PCs) existentes no planeta e detêm cerca de 40% das linhas telefônicas mundiais; na região metropolitana de Nova York, com mais de 18 milhões de pessoas, há mais linhas telefônicas que em todo o continente africano, com uma população de 1,1 bilhão de pessoas; nos países escandinavos, o percentual de internautas passa de 92% da população, enquanto no mundo subdesenvolvido esse número não chega a 35%.

Fonte: INTERNATIONAL Telecommunication Union (ITU). Disponível em: <www.itu.int/en/ pages/default.aspx>. Acesso em: 27 ago. 2015.

As tecnologias de comunicação e da mídia eletrônica estão organizando velozmente a forma como as pessoas trabalham, fazem negócios, compram, educam, viajam, relaxam e se relacionam individualmente. Essas tecnologias estão sendo desenvolvidas e aplicadas através de interconexões entre empresas de múltiplos usos e produtos – telecomunicações, televisão, entretenimento, computação, aeroespacial, eletricidade etc. –, entrelaçando-se umas com as outras indistintamente. [...] BRIGAGÃO, Clóvis Eugênio G.; RODRIGUES, Gilberto. Globalização a olho nu: o mundo conectado. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004. p. 58.

Embora o volume dos fluxos de informações em circulação pelos sistemas de comunicações venha aumentando de maneira impressionante a cada dia, é importante lembrar que tanto as redes de comunicações quanto os fluxos que por elas transitam se encontram geograficamente concentrados nos países mais ricos e desenvolvidos do hemisfério Norte. São esses países que detêm o monopólio das redes de comunicações por meio de grandes impérios econômicos que controlam a produção e os equipamentos de telecomunicações (da produção de chips à fabricação de satélites complexos). São também nesses países que se encontram as grandes agências internacionais de notícias (rádio e televisão), que fornecem e, portanto, controlam o conteúdo das informações que se tornam notícias no mundo inteiro.

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É por meio dessa intrincada e complexa rede de comunicações mundial que também circulam os fluxos de capitais, aqueles que envolvem as transações econômicas realizadas de maneira contínua e ininterrupta no circuito financeiro internacional (compra e venda de ações de empresas, títulos e moedas mais valorizadas no mercado).

Títulos: documentos que certificam a posse ou propriedade de algum bem ou valor financeiro.

Unidade 2

A globalização financeira

Por intermédio dos investidores nesse mercado financeiro global, são necessários apenas alguns minutos para que grandes negócios, envolvendo cifras que chegam a centenas de milhões de dólares, sejam fechados em um país e abertos em outros. A cada 24 horas, essas operações financeiras movimentam mais de 480 bilhões de dólares ao redor do planeta.

Desiree Navarro/WireImage/Getty Images

Grande parte desses fluxos de capitais ocorre por meio de operações financeiras negociadas nas principais bolsas de valores do mundo, sobretudo nas que se localizam nas metrópoles de países desenvolvidos, como as de Nova York (Estados Unidos), Frankfurt (Alemanha), Londres (Inglaterra), Milão (Itália) e Tóquio (Japão), embora também existam outras importantes bolsas de valores no mundo subdesenvolvido, especialmente nas economias emergentes, como as de São Paulo (Brasil), Xangai (China), Seul (Coreia do Sul) e Jacarta (Indonésia). Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não representam recomendação ou indicação comercial. Eles foram mencionados apenas como recurso didático.

Dia de intenso movimento na Bolsa de Valores de Nova York, em 2014.

Capital produtivo e capital especulativo Os fluxos financeiros que circulam pela economia mundial são formados tanto pela movimentação de capitais produtivos quanto especulativos: capitais especulativos: são investimentos que buscapitais produtivos: são investimentos que se inscam apenas a obtenção de vantagens imediatas (de talam no território de determinado país visando lucurto prazo) em razão de certas oportunidades oferecros com a produção e prestação de serviços. Ou cidas pelo mercado. Um exemplo típico disso é aqueseja, são investimentos aplicados diretamente em le dinheiro do exterior que entra na bolsa de valores atividades produtivas, como na instalação de indúsnum dia e sai logo em seguida, assim que as ações trias, supermercados, lojas, empresas prestadoras se valorizem dando altos lucros ao investidor. Na busde serviços etc. Ao se instalar em determinado país, ca por lucros exorbitantes, o capital especulativo se os capitais produtivos tendem a manter certa relatorna extremamente volátil, podendo ser transferido ção ou envolvimento com esse território, pelo fato para vários países de uma hora para outra. Por conta de que a chegada de um novo empreendimento da grande rapidez com que o capital especulativo pode interferir de forma direta no mercado de trabacircula pelo mundo, ele também passou a ser conhelho (geração de novos empregos), na arrecadação cido por outras denominações sugestivas: smart tributária (pagamento de impostos) etc. money (dinheiro esperto), hot money (dinheiro quente).

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A globalização

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Que condições favoreceram o avanço da globalização? 2. Estabeleça a relação entre a Terceira Revolução Industrial e o processo de globalização.

6. Atualmente, os investimentos das empresas multinacionais estão voltados apenas para o setor secundário nos países subdesenvolvidos. Esta frase está correta? Explique sua resposta.

3. Qual é a relação entre os avanços tecnológicos e o “encurtamento” das distâncias?

7. Quais as estratégias adotadas pelas multinacionais para enfrentar a concorrência?

4. Quais foram as mudanças ocorridas na atividade industrial com a expansão do capitalismo no mundo e o crescimento do comércio internacional?

8. Diferencie os termos abaixo: a ) Cartel;

b ) Truste;

c ) Holding.

9. Sobre fluxos de capitais, responda. a ) O que são fluxos de capitais produtivos?

5. Além dos domínios de novos mercados, cite algumas das vantagens encontradas nos países subdesenvolvidos pelas empresas multinacionais.

b ) O que são fluxos de capitais especulativos?

Expandindo o conteúdo 10. Analise o mapa e o gráfico e responda às questões. Mundo: usuários de internet – 2014

Rússia 100 milhões

92 %

China 200 N O

39

Trópico de Câncer

Reino Unido 59 milhões

Irã 30 milhões

Equador 0°

Leonardo Mari

%

Argentina 28 milhões Usuários de internet (%) Mais de 50 20-49 0-19,9 Dados não disponíveis

Usuários de internet

% da população que utiliza internet

Meridiano de Greenwich ich

Nigéria 76 milhões 65

L S

18 %

43 %

Trópico de Capricórnio

%

17

%

Índia 233 milhões Indonésia 43 milhões

2 600 km

Estados Unidos 98 Índia Coreia do Sul 16 19 Japão Brasil 37 23 Filipinas Alemanha 23 Reino Rússia 29 Unido 25 24

Fontes: International Telecommunication Union (ITU). Statistics. Disponível em: <www.itu.int/en/ITU-D/Statistics/Documents/ statistics/2015/Individuals_Internet_2000-2014.xls>. Acesso em: 23 fev. 2016. UNITED Nations Population Division. World Population Prospects 2015. Disponível em: <http://esa.un.org/unpd/wpp/dvd/files/ 1_indicators%20(standard)/excel_files/1_population/wpp2015_pop_f01_1_total_population_both_s>. Acesso em: 23 fev. 2016.

a ) A face da globalização representada no mapa e no gráfico acima, caracteriza-se como algo homogêneo entre os países do mundo? Justifique sua resposta.

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Rafael Luís Gaion

Círculo Polar Ártico

Países: dez maiores assinantes de internet - 2014 (em milhões)

70 %


Unidade 2

b ) A Índia apresenta um dos maiores grupos de usuários da internet. Isso significa dizer que a internet é acessível a grande parte da população indiana? Justifique sua resposta. Analise esses dados nos demais países representados. c ) Que contradições existem entre a expressão “aldeia global” original, concebida por Marshall McLuhan, e a realidade da globalização atual? Utilize o exemplo do mapa da página ao lado para compor sua resposta.

11. Leia o texto e responda às questões. [...] Quando ouvimos a palavra “Rolls-Royce” imediatamente pensamos num automóvel de luxo feito a mão, com um motorista uniformizado na direção e um casal muito bem vestido no assento traseiro [...] E se eu dissesse agora que a Rolls-Royce nem sequer fabrica mais automóveis (essa parte da empresa foi vendida em 1972 e a BMW adquiriu a licença para usar a marca em 1998); que a metade da renda da companhia provém de serviços, e que em 1990 todos os seus empregados estavam na Grã-Bretanha e hoje 40% estão baseados fora do Reino Unido, integrados a uma operação global, que se espalha da China a Singapura, à Índia, à Itália, à Espanha, à Alemanha, ao Japão e até à Escandinávia? [...]

Atualmente a competência essencial da Rolls-Royce é a fabricação de turbinas a gás para aviões civis e militares, helicópteros e navios, e para as indústrias de geração de energia a gás ou óleo. Seus clientes estão em 120 países e a companhia emprega cerca de 35 mil pessoas, mas somente 21 mil estão no Reino Unido, sendo o restante parte de uma rede global de funcionários nos setores de pesquisas, serviços e manufaturas. Metade da renda da Rolls-Royce provém de negócios fora do Reino Unido.

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não figuram recomendação ou indicação comercial. Eles foram usados apenas como recurso didático.

Neil Ephgrave/Alamy Stock Photo/Latinstock

Há muito tempo chegamos à conclusão de que não podíamos ser simplesmente uma firma britânica – disse-me Sir John Rose, principal executivo da Rolls-Royce numa entrevista [...] O Reino Unido é um mercado muito pequeno. No final dos anos 80, 60% de nossos negócios eram produtos militares [especialmente motores a jato] e nosso principal cliente era o governo de sua Majestade. Mas precisávamos expandir nossa atuação a um nível mundial, e para isso tínhamos de reconhecer que o maior cliente para qualquer produto nosso seriam os Estados Unidos, e também precisávamos ter êxito em mercados não relacionados a produtos militares. Assim, transformamo-nos em uma firma de tecnologia (especializada em) sistemas de propulsão.

[...] Hoje em dia a Rolls-Royce emprega pessoas de cerca de 50 nacionalidades, que falam outros tantos idiomas. Aproximadamente 75% dos componentes utilizados em sua cadeia global de fornecimentos são encomendados ou produzidos no exterior. [...] FRIEDMAN, Thomas L. O mundo é plano: uma breve história do século XXI. Tradução Cristiana Serra; S. Duarte. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005. p. 326-327.

a ) Qual é o país de origem da empresa Rolls-Royce? E, de acordo com o texto, quais e quantos são os países em que ela atua? b ) Cite dois exemplos em que o texto evidencia a fragmentação da produção da empresa Rolls-Royce. c ) As razões que levaram a Rolls-Royce à fragmentação de seu processo produtivo foram semelhantes às razões de muitas outras multinacionais. Cite as vantagens obtidas pelas multinacionais com a fragmentação do processo produtivo. A globalização

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Ampliando seus conhecimentos

A leitura apresentada nesta página pode ser complementada com um debate sobre o consumismo na sociedade contemporânea. Organizados em grupos ou de forma coletiva (mesa redonda), os alunos podem expressar suas ideias e opiniões sobre a sociedade de consumo atual, em que a afirmação do consumismo se sobrepõe ao enfraquecimento de valores como cidadania, solidariedade e igualdade. O individualismo consumista não estaria, pois, levando a um vazio de valores, com ausência de referências morais Geografia, ciência e cultura Uma crítica à sociedade atual e étnicas?

A expansão do sistema capitalista em escala global foi acompanhada pelo aumento progressivo da produção industrial e também do consumo de produtos e serviços pela sociedade contemporânea, em um ritmo nunca visto antes. Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores escritores brasileiros do século XX, em uma de suas poesias, faz uma crítica sobre essa sociedade contemporânea de consumo. Leia.

Eu, etiqueta Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório, um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nesta vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produto que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés. Meus tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, [...] e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. [...] ANDRADE, Carlos Drummond. Corpo. 9. ed. Rio de Janeiro: Record, 1986. p. 85-86. Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond. www.carlosdrummond.com.br

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Daniel Marenco/Folhapress

Na fotografia, de 2012, estátua que homenageia Carlos Drummond de Andrade, no Rio de Janeiro.


O mundo atualmente está conectado por uma complexa rede de informações. Um evento que ocorre em uma determinada localidade pode ter consequências em diferentes lugares do planeta. Esse filme mostra como um acidente envolvendo um casal estadunidense no interior do Marrocos vai afetar a vida de pessoas em diferentes lugares do mundo.

Para assistir

Diretor: Alejandro González Iñárritu Principais atores: Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael Garcia Bernal, Koji Yakusho e Rinko Kikuchi

Unidade 2

Título: Babel

Babel

Filme de Alejandro González Iñárritu. Babel. EUA, França e México. 2006

A Geografia no cinema

Ano: 2006 Duração: 143 minutos Origem: Estados Unidos, México e França

• •INTELIGÊNCIA artificial. Direção: Steven Spielberg. Warner Bros, 2001. Por meio da ficção, este filme retrata o avanço da ciência em meados

do século XXI, que, por sua vez, será capaz de criar uma inteligência artificial na forma de robôs conhecidos como A.I. O filme apresenta a convivência entre seres humanos e robôs por meio de uma história que envolve sentimentos e emoções.

• •O MUNDO global visto do lado de cá. Direção: Silvio Tendler. Brasil, 2006. • •PIRATAS da informática. Direção: Martyn Burke. TNT, 1999. O filme retrata parte da trajetória de Bill Gates e Steve Jobs, duas pessoas muito importantes para a história da informática mundial.

A

competição entre Microsoft e Apple, empresas do ramo da informática, também é retratada neste filme.

Para ler

••BARBOSA,

Alexandre de Freitas. O mundo globalizado. São Paulo: Contexto,

2001.

• •BRIGAGÃO,

Clóvis; ANTONIO, Gilberto Marcos. Globalização a olho nu: o mundo conectado. São Paulo: Moderna, 2004.

• •DUARTE, Fábio. Global e local no mundo contemporâneo: integração e conflito em escala global. São Paulo: Moderna, 2004.

• •FRIEDMAN, Thomas L. O mundo é plano: uma breve história do século XXI. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.

• •MAGNOLI, Demétrio. Globalização: estado nacional e espaço mundial. São Paulo: Moderna, 2004.

• •STRAZZACAPPA, Cristina; MONTANARI, Valdir. Globalização: o que é isso, afinal? São Paulo: Moderna, 2003.

Para navegar

• •BOLSA de Valores, Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F Bovespa). Disponível em: <http://tub.im/gwe9xf>. Acesso em: 15 out. 2015.

• •BRASIL. Ministério das Relações Exteriores (MRE). Disponível em: <http:// tub.im/of3rky>. Acesso em: 15 out. 2015.

••LE

Monde diplomatique – Brasil. Disponível em: <http://tub.im/92mrc5>. Acesso em: 15 out. 2015. A globalização

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Questões do Enem e Vestibular 1. (PUC-PR) A globalização pode ser descrita como um conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. São manifestações características da globalização, EXCETO: A. a ) A globalização aumentou a força/influência do Estado-Nação como poder regulador da vida econômica e social dos países. b ) A redefinição das relações políticas, econômicas e culturais entre os países modifica o papel e o significado das fronteiras nacionais. c ) A nova divisão internacional do trabalho permite que grandes conglomerados empresariais passem a exercer uma dominação crescente no setor industrial e de serviços. d ) Em virtude do processo de globalização, as grandes corporações passam a ter maior mobilidade espacial e maior capacidade competitiva. e ) É crescente a interligação e interdependência dos mercados financeiros em escala mundial.

2. (UNIOESTE-PR) O fenômeno da Globalização, constituído por processos diversos, marca a experiência do tempo e do espaço vivenciada atualmente. Sobre este tema considere as afirmações a seguir: E.

I. Com a globalização as relações de intercâmbio se intensificaram, levando a um acirramento da concorrência entre lugares, cidades e países que disputam os investimentos estrangeiros.

II. Os fluxos de mercadorias, capitais e informações cresceram no mundo globalizado, intensificando o poder dos Estados sobre as suas economias nacionais. III. O processo de globalização não é somente caracterizado pela intensificação das relações transfronteiriças e globais, mas também pelo aumento das disparidades entre lugares e países, por novos processos de exclusão socioeconômica. IV. Caracterizam a globalização, entre outros fatores, a maior dificuldade do estabelecimento

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Anote as respostas no caderno.

dos fluxos transfronteiriços de capitais e mercadorias. V. As redes que sustentam os fluxos transnacionais também podem dar suporte aos circuitos informais de lavagem de dinheiro em paraísos fiscais e de atuação do narcotráfico internacional. Assinale a alternativa que indica as afirmações INCORRETAS. a ) I, II e III. b ) IV e V. c ) II, III e V. d ) III e IV. e ) II e IV.

3. (UFPR-PR) A globalização é um fenômeno que tem como uma de suas características fundamentais a crescente abertura econômica e política entre os países. Sobre esse fenômeno, é correto afirmar: E. a ) Sua emergência tornou obsoletos os blocos econômicos regionais, pois facilitou o comércio direto de país para país. b ) Uma das consequências políticas do fortalecimento desse fenômeno foi a transferência da soberania nacional para organismos supranacionais, a exemplo da ONU. c ) As fronteiras nacionais perderam suas funções legais de controle de fluxos. d ) A causa da globalização foi a queda do muro de Berlim, dando fim à divisão do mundo conhecida como bipolaridade e iniciando uma nova fase, a multipolaridade. e ) O desenvolvimento tecnológico associado às condições políticas mundiais das últimas décadas do século XX intensificou o processo de globalização.

4. (UNESP-SP) É possível reconhecer que o novo ciclo de expansão mundial do capitalismo abala radicalmente os projetos econômicos nacionais. Criam-se estruturas mundiais de poder, dada a sua influên-


Octavio Ianni. Capitalismo, violência e terrorismo, 2004. Adaptado.

O texto refere-se:

E.

a ) à indústria pesada. b ) à indústria de processamento e beneficiamento. c ) a um tecnopolo. d ) às empresas nacionais. e ) às empresas transnacionais.

5. (FEI-SP) Assinale a alternativa incorreta em relação à configuração do espaço econômico mundial nas últimas décadas. C. a ) Há uma intensificação do comércio internacional de bens e serviços. b ) Ocorre um aumento da interdependência econômica entre as nações do mundo. c ) Graças ao aumento dos fluxos de capitais e do avanço tecnológico, as disparidades regionais têm diminuído em todo o mundo. d ) Grande parte das transações internacionais ocorre entre filiais e empresas do mesmo grupo espalhadas pelo mundo. e ) Predomina uma grande flexibilidade na produção, com o uso de tecnologias que possibilitam rápidas mudanças tanto nos produtos oferecidos, quanto no local de p ro d u ç ã o, s e n d o c o m u m a p r e s e n ç a de produtos com componentes fabricados em diversas partes do mundo.

6. (UEM-PR) Sobre globalização e o atual momento de expansão do capitalismo no mundo, assinale o que for correto. (01), (04) e (16). Total: 21.

(01) A globalização está para o capitalismo informacional assim como o colonialismo esteve para a sua etapa comercial ou o imperialismo, para o final da fase industrial e início da fase financeira. (02) Com a globalização, ocorre atualmente a inclusão de todos os povos e países no processo de desenvolvimento, o que gera a extinção dos chamados espaços desiguais no sistema econômico mundial. (04) Para a globalização, interessa a eliminação de qualquer barreira ou entrave que impeça a livre circulação de mercadorias, função que é desempenhada pelos blocos econômicos internacionais. (08) Uma das consequências da globalização é que os países se tornam dependentes uns dos outros, de tal forma que os países considerados subdesenvolvidos não conseguem mais resolver seus problemas internos sem o aval de países considerados desenvolvidos. (16) A globalização é marcada, basicamente, pela mundialização da produção, da circulação e do consumo; ou seja, de todo o ciclo de reprodução do capital.

7. (UEM-PR) Assinale o que for correto em relação a palavras e expressões utilizadas para identificar produção, circulação de mercadorias e (01), (02), (04) e comunicações em escala mundial. (16). Total: 23. (01) Globalização corresponde, basicamente, à mundialização da produção, da circulação e do consumo, ou seja, de todo o ciclo de reprodução do capital. (02) A expressão fábricas globais indica que a produção e o consumo se mundializaram de tal forma que cada etapa do processo produtivo é desenvolvida em um país diferente, de acordo com as vantagens e as possibilidades de lucro que oferece. (04) Aldeia global reflete a existência de uma comunidade mundial integrada pela grande possibilidade de comunicação e de informação, que resultou, por exemplo, nos avanços da mídia eletrônica. ( 08) Empresa multinacional corresponde à designação de empresas que têm ações A globalização

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Unidade 2

cia não só na economia, mas também na política e cultura. Surgem mecanismos econômicos que atuam além das fronteiras do país de origem. Sua característica mais importante alicerça-se na abrangência global de seu funcionamento, pois atua na economia numa escala internacional, portanto, além das fronteiras nacionais. Elas interferem no processo produtivo – criando a produção dos componentes de um determinado produto, por exemplo, um aparelho eletrônico, como resultante da fabricação e montagem em fábricas que poderão estar situadas nos mais diversos países, ou mesmo continentes. Seus centros de decisões financeiros situam-se no país sede, embora tenham instalações espalhadas pelo mundo.


ne gociadas e m bolsas de valore s e, embora instaladas em um único país, conseguem que seus produtos atinjam o mercado mundial. (16) Economia mundo quer dizer que, ao se difundir mundialmente, a empresa transnacional rompeu as fronteiras nacionais e estabeleceu uma relação de interdependência econômica, envolvendo os diferentes países em que atua.

8. (UNIOESTE-PR) A globalização é, de certa forma, o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista. [...] No fim do século XX e graças aos avanços da ciência, produziu-se um sistema de técnicas presidido pelas técnicas da informação, que passaram a exercer um papel de elo entre as demais, unindo-as e assegurando ao novo sistema técnico uma presença planetária. Só que a globalização não é apenas a existência desse novo sistema de técnicas. Ela é também o resultado das ações que asseguram a emergência de um mercado dito global, responsável pelo essencial dos processos políticos atualmente eficazes. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 23 e 24.

Considerando o enunciado anterior, sobre o processo de globalização na sociedade contemporânea, assinale a alternativa correta. D. a ) A globalização é um processo exclusivamente baseado no desenvolvimento das novas técnicas de informação e sua origem está diretamente relacionada com a difusão e universalização do uso da internet, que se deu a partir do final da década de 1990. b ) Entre as características próprias da globalização temos a alteração profunda na divisão internacional do trabalho, em que a distribuição das funções produtivas tende a se concentrar cada vez mais em poucos países, como é o caso dos Estados Unidos e do Japão. c ) Sobre as ações que asseguram a emergência do mercado global, o autor está se referindo à doutrina econômica neoliberal que, entre outros princípios, defende o fortalecimento do Estado e a intervenção

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estatal como reguladora direta dos mercados – industrial, comercial e financeiro. d ) Atualmente, as relações econômicas mundiais, compreendendo a dinâmica dos meios de produção, das forças produtivas, da tecnologia, da divisão internacional do trabalho e do mercado mundial, são amplamente influenciadas pelas exigências das empresas, corporações ou conglomerados multinacionais. e ) As estratégias protecionistas tomadas pelos governos em todo o mundo, dificultando a entrada de produtos estrangeiros em seus mercados nacionais são consideradas como características marcantes do processo de globalização.

9. (PUC-MG) Com o avanço do processo de globalização, a industrialização estendeu-se a vários países e regiões do mundo, levando à superação do modelo clássico da Divisão Internacional do Trabalho, em que cabiam aos países ricos a produção e a exportação de manufaturados e aos países pobres a produção e a exportação de matérias-primas. No modelo atual, há uma tendência clara de deslocamento de alguns tipos de indústrias para países periféricos, atendendo a interesses econômicos e estratégicos das grandes corporações. São exemplos de indústrias que, no processo de desconcentração industrial, privilegiaram sua localização em alguns países periféricos da Ásia e América Latina, EXCETO: C. a ) indústrias de base, como as siderúrgicas, metalúrgicas ou petroquímicas, pelas vantagens locacionais oferecidas próximo às áreas produtoras das matérias-primas. b ) indústrias de bens de consumo não duráveis ou semiduráveis, como as indústrias de alimentos, bebida ou de vestuário, em virtude da elevada disponibilidade de mão de obra barata e da proximidade dos mercados consumidores. c ) indústrias de alta tecnologia, vinculadas a setores como a informática, telecomunicação por satélites e produtos aeroespaciais, que exigem mão de obra altamente qualificada e vinculação estreita com grandes centros de pesquisa e universidades.


10. (UNESP-SP) Leia o texto. As bases materiais e políticas do mundo atual têm permitido uma revolução nas formas de circulação de dinheiro, criando assim novos modos de acumulação [...]. Novos instrumentos financeiros são incorporados ao território na forma de depósitos e de créditos ao consumo. A sociedade, assim, é chamada a consumir produtos financeiros, como poupanças de diversas espécies e mercadorias adquiridas com dinheiro antecipado. Com isso o sistema financeiro ganha duas vezes, pois dispõe de um dinheiro social nos bancos e lucra emprestando, como próprio, esse dinheiro social para o consumo. Milton Santos e Maria Laura Silveira. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI, 2001.

São exemplos do processo de expansão do sistema financeiro no território brasileiro: B. a ) a troca pessoal de produtos usados, a oferta de crédito consignado e a proliferação dos sistemas bancários de autoatendimento. b ) a oferta de crédito consignado, a venda por cartão de crédito e a proliferação dos sistemas bancários de autoatendimento. c ) a troca pessoal de produtos usados, a realização de compra por moeda corrente e a venda por cartão de crédito. d ) o escambo, a realização de compra por moeda corrente e a restrição de crédito ao consumo pessoal. e ) o escambo, a doação de bens e dinheiro para programas sociais e a restrição no ato da compra ao uso de moeda corrente.

11. (UFF-RJ)

uma explicação? De um lado, é abusivamente mencionado o extraordinário progresso das ciências e das técnicas, das quais um dos frutos são os novos materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade. De outro lado, há, também, referência obrigatória à aceleração contemporânea e todas as vertigens que cria, a começar pela própria velocidade. Todos esses, porém, são dados de um mundo físico fabricado pelo homem, cuja utilização, aliás, permite que o mundo se torne esse mundo confuso e confusamente percebido. De fato, se desejamos escapar à crença de que esse mundo assim apresentado é verdadeiro, e não queremos admitir a permanência de sua percepção enganosa, devemos considerar a existência de pelo menos três mundos num só. O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 17 e 18.

A ideia da “globalização como fábula”, destacada no Texto XI, torna-se ainda mais expressiva, se levarmos em conta certas definições de fábula, apresentadas no dicionário: mitologia, lenda, narração de coisas imaginárias. Não resta dúvida de que se lida com a imagem de um mundo cada vez mais interconectado, mas de forma alguma “sem fronteiras”. Essa imagem, difundida nos tempos atuais, encontra seu principal fundamento no aspecto: D. a ) político, com o triunfo de regimes democráticos em continentes inteiros. b ) socioeconômico, com a redução das desigualdades entre os povos da Terra. c ) sanitário, com o êxito alcançado na prevenção das pan-epidemias.

O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade

d ) financeiro, com a intensa circulação de

Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido. Haveria nisto um paradoxo pedindo

e ) cultural, com a crescente unificação das

capitais em nível planetário. crenças religiosas no mundo. A globalização

59

Unidade 2

d ) indústrias de bens de consumo duráveis como móveis, eletrodomésticos e automóveis, que, apesar de destinarem-se a um mercado consumidor mais amplo, favoreceram-se de benefícios fiscais e de parcerias locais.


unidade

60

ComĂŠrcio internacional e blocos econĂ´micos


A imagem do navio repleto de contêineres mostra o intenso comércio realizado entre países. Atualmente, está na casa dos 37 trilhões de dólares o montante financeiro anual movimentado pelo comércio internacional. Não há dúvida, portanto, que entre países ou entre blocos econômicos o comércio internacional tem grande representatividade para a economia mundial. ••Com a globalização dos mercados, a economia contemporânea tornou-se cada vez mais dependente do aumento do comércio internacional. No intuito de fortalecer as relações econômicas e comerciais, muitos países buscaram acordos para o estabelecimento de blocos econômicos. A Quais são os principais blocos econômicos atualmente no

mundo? Como esses blocos funcionam? B A constituição de tais blocos econômicos seria um pro-

Jose Lledo/Shutterstock.com

cesso oposto ao processo de globalização, que caminha para a formação de um único mercado mundial?

Navio carregado com contêineres, na costa da Espanha, em 2015.

61


Expansão do comércio internacional A partir da segunda metade do século XX, houve um vertiginoso crescimento do comércio internacional, marcado pelo expressivo aumento dos fluxos comerciais, ou seja, das exportações e importações de bens e serviços entre os países (veja gráfico abaixo).

Comércio (bilhões de US$) Exportação Importação

20 000 Escala Índice de volume (1950 = 100) 10 000

18 000

18 494 18 641

16 000 Produtos manufaturados

14 000 1 000

12 000

Produtos minerais e fósseis

10 000

Produtos agrícolas

8 000 100

6 000

7 377 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000

2007

Anos

3 676 3 786

4 000 Fonte: WORLD Trade Organization (WTO). Disponível em: <www.wto.org>. Acesso em: 9 set. 2015.

1 838 1 882

2 000 0

7 695

84

85

1953

157 164

579 594

1963

1973

1983

1993

2003

2014 Anos

Somente o comércio internacional de mercadorias (bens industrializados, gêneros agrícolas, recursos minerais e energéticos etc.) movimenta mais de 37 trilhões de dólares por ano. No início da década de 1950, o montante desse comércio representava menos de 1% desse valor, cerca de 170 bilhões de dólares, como mostra o gráfico acima. De maneira geral, esse comércio foi impulsionado pelo aumento das exportações e importações de produtos manufaturados, recursos minerais e gêneros agrícolas, como se pode observar no gráfico menor.

Na turbulência econômica que marcou o pós-guerra, as instituições de âmbito global recém-criadas, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), atuaram para assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro internacional, fornecendo assistência técnica e ajuda financeira direta a diferentes países, via concessão de empréstimos. Naquele mesmo período, surge o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt, do inglês General Agreement on Tariffs and Trade), firmado com o propósito de estabelecer regras para o comércio mundial. Tarifas aduaneiras: taxas ou alíquotas cobradas em importações de mercadorias. Barreiras tarifárias: tributos e taxas estabelecidos por decretos governamentais, de caráter político-econômico, aplicados ao intercâmbio internacional de mercadorias.

62

Com o objetivo de combater práticas protecionistas e promover a liberalização do comércio internacional, o Gatt defendeu o multilateralismo comercial, apoiando-se em princípios como o que proíbe qualquer tipo de discriminação, vantagem ou privilégio envolvendo tarifas aduaneiras praticadas entre seus signatários. Nas décadas seguintes, várias outras negociações realizadas exclusivamente para a redução das barreiras tarifárias derrubaram inúmeras medidas protecionistas, como a cobrança de altas taxas de importação, que, até então, ao proteger certos mercados dificultavam a expansão das trocas comerciais.

Leonardo Mari

Mundo: expansão do comércio (1953-2014)


Unidade 3

Alain Grosclaude/AFP/Getty Images

Medidas como a redução das barreiras tarifárias e a harmonização da política aduaneira favoreceram a intensificação do comércio internacional. Os acordos provisórios do Gatt vigoraram até a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), que, desde 1995, passou a estabelecer as regras do comércio internacional entre 161 países-membros (foto ao lado). Outro fator que contribuiu ainda mais para o crescimento do comércio internacional foi determinado pela ampliação do setor produtivo nos países mais desenvolvidos e industrializados (Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental e Japão), fato que motivou a expansão pelo mundo das empresas multinacionais daí originárias.

Acima, reunião da OMC realizada em Genebra, Suíça, em 2013.

Assim, a partir da metade do século XX, as empresas multinacionais, que atuavam quase exclusivamente nos países mais ricos e industrializados, passaram a transferir parte de suas unidades produtivas para os países com economia menos desenvolvida, que começavam a se industrializar mais tarde a partir das décadas de 1950 e 1960, como Brasil, Argentina e México; 1960 e 1970, como Coreia do Sul, Singapura, Malásia, Taiwan e Hong Kong; 1980 e 1990, como China e Índia. O comércio internacional também recebeu grande impulso a partir das décadas de 1980 e 1990 com a disseminação do neoliberalismo econômico defendido pelas nações mais ricas e industrializadas. Com a adoção de políticas neoliberais, os países subdesenvolvidos promoveram a abertura de seus mercados e reduziram a participação do Estado na economia. Os programas de privatizações, combinados com a abertura das economias ao capital estrangeiro, levaram = 50 contêineres 1968 ao avanço das grandes empresas transnacionais pelo mundo, ampliando ainda mais a expansão das trocas comerciais no espaço mundial. Há que ressaltar, ainda, que essa expressiva expansão do comércio internacional ao longo das últimas décadas ocorreu apoiada nos avanços dos meios de transporte, sobretudo pelo desenvolvimento de grandes aviões cargueiros e navios de grande porte (superpetroleiros, graneleiros, porta-contêineres). Observe a ilustração ao lado que mostra o aumento na capacidade de carga dos navios porta-contêineres. Com os meios de transportes mais rápidos e eficientes, capazes de transportar milhares de toneladas de produtos ao mesmo tempo, os custos logísticos diminuíram de maneira significativa, estimulando ainda mais as relações econômicas e as trocas comerciais pelo mundo.

1972

1 530

contêineres

2 950

contêineres

1988

4 500

contêineres

1998

8 680

contêineres

2006

11 000

contêineres

2015

19 924

Ilustração produzida com base em: Blog Logística. Disponível em: <www.bloglogistica.com.br/mercado/conheca-o-maior-navio-deconteineres-do-mundo/>. Acesso em: 12 maio 2016.

Guilherme Casagrandi

contêineres

Comércio internacional e blocos econômicos

63


A distribuição do comércio mundial Apesar da crescente expansão do comércio mundial, ocorrida ao longo das últimas décadas, a distribuição dos fluxos comerciais é desigual no espaço terrestre. Os países mais desenvolvidos e industrializados detêm a hegemonia desse comércio, respondendo pelo enorme volume das trocas de matérias-primas e mercadorias que circulam no mundo. De maneira geral, o comércio mundial se estrutura em torno de três eixos principais de circulação: os Estados Unidos e o Canadá, na América do Norte; a União Europeia; e alguns países asiáticos, com destaque para o Japão, China e Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Singapura). Se o volume das trocas comerciais já ocorre com maior intensidade entre as regiões mais desenvolvidas, uma vantagem das economias centrais está no fato de que elas lideram o comércio de produtos mais avançados do ponto de vista tecnológico e, portanto, de elevado valor agregado, enquanto a grande maioria dos países subdesenvolvidos da América Latina, África e Ásia depende, essencialmente, da exportação de matérias-primas básicas (gêneros agropecuários, recursos minerais e energéticos), que têm menor valor agregado. Observe o mapa abaixo, que mostra a distribuição dos fluxos comerciais entre as diferentes regiões do globo, e os gráficos na página seguinte.

E. Cavalcante

Regiões do mundo: participação no comércio mundial – 2014 r0

°

180°

Eq

ua

do

OCEANO PACÍFICO

5

1 06

170

América do Norte 1 251 28

504

8

73 900

17

114

148 201

OCEANO ATLÂNTICO

221

Comércio de mercadorias (em bilhões de dólares) Intrarregional Inter-regional

64

Mer i Gre diano d enw e ich

18 43

302

Oriente Médio 113

16

18

229

79

22

Europa 4 665

694

379

38 5

2

Ásia 3 093

134 CEI 131 7

2

218

127

15

Polo Norte Geográfico

7 11

17

9

540

29

119

América do Sul e Central 179

173

39

185

99 214

36 207

África 98

OCEANO ÍNDICO 1 640 km Escala aproximada na linha do Equador

0° Fonte: WORLD Trade Organization (WTO). Disponível em: <www.wto.org/english/ res_e/statis_e/its2015_e/its2015_e.pdf>. Acesso em: 9 nov. 2015.


Participação por regiões (%) 3

África

3

Participação no comércio mundial (em%)

CEI

1 2 11,3%

América Central e do Sul

5

Oriente Médio

10 principais países Demais países

9

4

16

América do Norte

7,1%

32

Ásia

6

Observe que somente os 10 países destacados no gráfico pela cor azul são responsáveis por pouco mais de 50% de todo o comércio mundial.

37

Europa

4%

Austrália

Suíça

Emirados Árabes Unidos

Espanha

2% 1,8% 1,6% 1,5% 1,3%

Singapura

Índia

Rússia

2,1% 2,1% 2%

México

Canadá

Bélgica

Itália

Coreia do Sul

Hong Kong

Reino Unido

Holanda

Japão

Alemanha

Estados Unidos

China

0

França

3,3% 3,3% 3,2% 3% 2,9% 2,7% 2,5% 2,5%

3

Países Fonte: WORLD Trade Organization (WTO). Disponível em: <www.wto.org/english/res_e/ statis_e/its2015_e/its2015_e.pdf>. Acesso em: 9 nov. 2015.

Comércio externo e balança comercial O comércio internacional de mercadorias e serviços ocorre na forma de exportações, que abrangem as vendas a outros países, e de importações, que compreendem as compras de outros países. A relação entre o valor recebido pelas exportações e o valor pago pelas importações resulta no saldo da balança comercial. Assim, quando o valor das exportações supera o das importações o país apresenta saldo comercial positivo ou superávit comercial (nesse caso o país torna-se credor estrangeiro); mas, quando o valor das importações supera o das exportações, o país acumula saldo comercial negativo ou déficit comercial (nesse caso o país fica em dívida com as economias estrangeiras). Vários fatores podem interferir diretamente no resultado da balança comercial, entre os quais podemos destacar: • o aumento ou a diminuição dos preços dos produtos exportados e importados: assim, se a economia de um país for dependente da exportação de petróleo, por exemplo, o aumento ou a diminuição do preço dessa commodity pode resultar, respectivamente, num desempenho melhor ou pior da balança comercial; • a evolução dos volumes exportados e importados: nesse caso, se um país mantém as exportações a um nível superior ao das importações, sua balança comercial apresentará saldos positivos, e vice-versa. Observe o gráfico abaixo que mostra a evolução da balança comercial brasileira nos últimos anos.

Commodities: nas relações comerciais internacionais, abrangem mercadorias em estado bruto ou de origem primária, como café, algodão, soja, estanho, cobre, minério de ferro, petróleo etc., que possuem grande importância econômica.

US$ bilhões 50 44,9

Rafael Luís Gaion

Brasil: balança comercial (1994-2014) 46,5 40,0

40 33,8

29,8

30

24,9

20,1

20 10

19,4

13,2

10,5 2,7

0 -3,5 -10

25,0 25,3

-1,3 -5,6

-6,8

-6,6

-0,7

2,3 -4,0

1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Anos

Fonte: BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Disponível em: <www. desenvolvimento.gov.br/ arquivos/dwnl_1441366658. xls>. Acesso em: 23 fev. 2016.

Comércio internacional e blocos econômicos

65

Unidade 3

10,5%

Gilberto Alicio

Principais países participantes do comércio mundial – 2014


Livre-comércio ou protecionismo? As manchetes a seguir, publicadas recentemente em jornais de grande circulação no Brasil, anunciam a questão do protecionismo no comércio mundial.

OMC obriga Argentina a retirar medidas prejudiciais ao comércio OMC obriga Argentina a retirar medidas prejudiciais ao comércio. Correio Brasiliense, Brasília, 15 jan. 2015. Disponível em: <www.correiobraziliense. com.br/app/noticia/economia/2015/01/15/internas_economia,466540/ omc-obriga-argentina-a-retirar-medidas-prejudiciais-ao-comercio.shtml>. Acesso em: 12 mar. 2016.

Na OMC, Brasil discute com Indonésia barreiras à exportação de frango NA OMC, Brasil discute com Indonésia barreiras à exportação de frango. R7, São Paulo, 15 dez. 2014. Disponível em: <http://noticias.r7.com/ economia/na-omc-brasil-discute-com-indonesia-barreiras-a-exportacaode-frango-15122014>. Acesso em: 12 mar. 2016.

Manchetes como essas revelam que o protecionismo ainda é prática recorrente no mundo, apesar dos avanços já alcançados pela OMC em suas negociações e dos acordos estabelecidos em prol da liberalização do comércio internacional, por meio da eliminação de barreiras alfandegárias. Essas manchetes expõem também o complexo jogo de interesses e as acirradas disputas comerciais que se estabelecem no âmbito das relações políticas e econômicas internacionais. Com essas disputas, está em jogo para os países uma questão dupla: proteger seus respectivos mercados da concorrência externa e, ao mesmo tempo, ampliar a participação no comércio internacional por meio do aumento de suas exportações. Sendo assim, as discussões sobre a liberalização comercial: [...] costumam ser penosas e demoradas porque tocam em várias questões-chave: A União Europeia subsidia pesadamente seus produtos agrícolas e não vê com bons olhos a retirada desses subsídios; a França normalmente insiste para que o setor de audiovisual fique fora da liberalização (para tentar enfrentar a poderosíssima máquina americana de cinema e TV); os EUA querem que os outros países abram vários setores (serviços bancários, aviação, telecomunicações, etc.), mas mantêm barreiras em seu próprio mercado, nas áreas consideradas menos competitivas (por exemplo, o aço, o suco de laranja, o açúcar, as carnes bovinas e de frango, os calçados e outros produtos brasileiros têm enormes dificuldades para chegar aos consumidores americanos). [...]

Il u Lu stra c ia çõ ne e s: Mo ri

CARVALHO, Bernardo de Andrade. A globalização em xeque: incertezas para o século XXI. São Paulo: Atual, 2000. p. 57. (História viva).

66

Como as práticas protecionistas podem ser punidas pela OMC em favor das nações que se sentirem prejudicadas, muitos países acabam realizando esse protecionismo comercial de maneira disfarçada, por meio de uma série de medidas (não tarifárias) que impedem a livre concorrência e provocam distorções nas relações comerciais. Veja algumas dessas medidas. • • Imposição de cotas: medida que limita a quantidade que pode ser importada de certo produto. Os Estados Unidos, por exemplo, estabelecem cotas para a importação do açúcar brasileiro; o excedente está sujeito a tarifas mais altas, o que encarece o nosso produto e o torna menos competitivo no mercado daquele país. • •Dumping: prática comercial caracterizada pela venda de produtos, mercadorias ou serviços a preços extraordinariamente mais baixos do que seus próprios custos, com a finalidade de eliminar concorrentes e conquistar fatias cada vez maiores do mercado.


• •Subsídios: ocorre na forma de ajuda financeira (direta ou in-

Unidade 3

direta) do governo a certos setores produtivos, com o intuito de torná-los mais competitivos. Os agricultores dos Estados Unidos e da União Europeia, por exemplo, recebem subsídios que cobrem eventuais diferenças entre os custos de produção e o valor dos produtos agrícolas no mercado internacional, garantindo lucratividade aos agricultores e proteção do setor em relação à concorrência externa.

• •Barreiras

fitossanitárias: medidas aplicadas principalmente sobre produtos agropecuários com o estabelecimento de rigorosas normas justificadas por questões de ordem sanitária. A União Europeia, por exemplo, restringe as importações de carnes de aves e suínos do Brasil sob a alegação de supostos problemas de saúde em nossas criações e rebanhos.

• •Barreiras administrativas: utilização de normas e exigências

técnicas, regulamentações de ordem ambiental ou socioeconômica, como a proibição de importações de produtos sem certificações ambientais ou provenientes de atividades socialmente degradantes, como aquelas que promovem a superexploração da mão de obra ou se usam trabalho escravo, infantil etc. de câmbio: medidas na política monetária adotadas pelo governo para desvalorizar a moeda nacional, de modo a tornar os produtos importados mais caros (e os nacionais mais baratos), desestimulando assim a entrada de produtos estrangeiros no país. Países que mais sofrem medidas protecionistas (2008-2014)

Países mais protecionistas do mundo (2008-2014)

Número de medidas protecionistas

Número de medidas protecionistas 1 338

China Estados Unidos

878 751

Ilustrações: Rafael Luís Gaion

Alemanha

Índia

392

Rússia

375 303

Argentina

França

658

Brasil

232

Itália

640

Estados Unidos

219

Reino Unido

637

Alemanha

170

Coreia do Sul

637

Reino Unido

158

Itália

155

Japão

593

Índia

556

França

153

Espanha

548

China

150

Fonte: EVENETT, Simon J. Global Trade Alert (GTA). The Global Trade Disorder: the 16th GTA Report. Disponível em: <www.globaltradealert.org/sites/default/files/GTA16.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2016.

Il u Lu stra c ia çõ ne e s: Mo ri

• •Taxas

A adoção do protecionismo comercial pode ser analisada com base em perspectivas distintas. De um lado, os analistas que defendem o protecionismo comercial sustentam a ideia de que essa prática protege a economia nacional da concorrência externa, assegurando o emprego e o desenvolvimento de tecnologias genuinamente nacionais. Em contrapartida, outros especialistas afirmam que o protecionismo diminui a competitividade de um país no mercado externo, além de inibir os investimentos no setor produtivo, já que essas medidas protegem as empresas locais da concorrência externa, o que também tende a elevar os preços internos. Observe os gráficos ao lado e verifique quais são os países que mais adotam medidas protecionistas comerciais no mundo e quais países são mais afetados por tais práticas.

Comércio internacional e blocos econômicos

67


Infográfico

Inicialmente, no comércio entre os países, comprava-se o que era necessário. Ao longo do tempo, no entanto, os estados e suas organizações foram se consolidando e as relações entre os países se tornando cada vez mais complexas. Isso porque a entrada de determinado produto estrangeiro em um território passou a desfavorecer um produto local equivalente. Para proteger as indústrias nacionais, muitos países passaram a desenvolver várias ferramentas protecionistas, como a proibição da entrada de determinados produtos estrangeiros no país ou a imposição de tarifas sobre certos produtos que vêm de fora. O esquema a seguir explica esse funcionamento.

O maior conflito Proteger ou não proteger seus produtos? Os estudiosos da economia clássica do século XVIII tentaram explicar que o mercado poderia regular-se por si mesmo, sem intervenção dos governos. Em muitos casos, no entanto, essa liberdade absoluta demonstrou ser favorável aos mais fortes e nociva aos mais vulneráveis.

Protecionismo hoje Os governos são seletivos quanto às suas estratégias protecionistas. Atualmente, a questão das tarifas aduaneiras, relativas ao comércio exterior, tem sido o centro dos conflitos nas relações internacionais.

País

A

Produtor de matérias-primas Produz e exporta matérias-primas e alimentos. Necessita comprar produtos industrializados.

Conflito O país A pretende proteger sua incipiente indústria têxtil.

O país B compra alimentos do país A.

País

O país A compra produtos manufaturados do país B.

B

Altamente industrializado Produz e exporta produtos manufaturados. Necessita importar alimentos.

O país B ameaça reduzir as compras de alimentos do país A, caso ele impeça ou cobre tarifas pela entrada de seus produtos têxteis.

Importar e exportar têm suas vantagens e desvantagens Importações

Exportações

Vantagens

Desvantagens

Vantagens

Desvantagens

O país é abastecido de produtos que não são fabricados internamente. Os produtos importados podem diversificar a oferta e levar a uma redução dos preços.

Pode colocar em perigo a produção local.

Fomenta a produção local e incrementa os impostos sobre as exportações.

Produtos de exportação de elevado valor podem ter seus preços aumentados no mercado interno.

68

A balança comercial É definida como a diferença entre as exportações e as importações de um país.

Positiva

Negativa

Quando o valor das exportações supera o valor das importações.

Quando o valor das importações supera o valor das exportações.


O equilíbrio desejado Na atualidade, não há um país que seja autossuficiente. Pouco ou muito, todos necessitam importar o que não produzem ou exportar sua produção. Isso gera uma multiplicidade de relações difíceis de alcançar um equilíbrio.

País

C

D

Altamente industrializado e produtor de alimentos.

Baixa industrialização e baixa produção primária.

Unidade 3

País

O governo subsidia (ajuda economicamente) os produtores de alimentos que, então, podem oferecer ao mundo seus produtos a preços muito baixos.

Conflito O país A exige do país D que deixe de subsidiar sua produção de alimentos, e ameaça parar de importar seus produtos.

Conflito O governo do país A pode proibir a importação desse produto ou elevar a tarifa para evitar o dumping. dumping

Dumping O país D ameaça não comprar ou a tarifar a entrada dos produtos do país A.

Sol 90 Images

O país C ameaça com represálias comerciais o país A.

Um grupo de exportadores do país C, junto de um grupo de importadores do país A, vende para o país A um determinado produto a preço muito baixo a fim de desestruturar a produção local e o mercado desse produto.

Reino Unido 878

Os mais protecionistas Países que têm em vigência o maior número de medidas de proteção à entrada de produtos estrangeiros em seu território.

EUA 878

Alemanha 751

França 658 Espanha 548

Itália 640

Índia 556

China 1338

A alfândega É a agência estatal responsável pelo acompanhamento de bens que entram e saem de um território, e por aplicar as regras e cobrar os impostos vigentes em um país.

Comércio internacional e blocos econômicos

69


Multilateralismo ou regionalismo: os blocos econômicos O fortalecimento do multilateralismo comercial ocorrido ao longo das últimas décadas tem sido acompanhado, paradoxalmente, por um processo de regionalização do espaço, provocado pela tendência mundial de constituição de grandes blocos econômicos, o que decorre do avanço da globalização (assunto estudado na unidade 2). Embora pareça contraditório, a formação de grandes mercados regionais estabelecidos por meio de alianças e acordos econômicos e comerciais tornou-se uma necessidade imposta pelo acirramento da concorrência internacional, gerada pela própria expansão do capitalismo em escala planetária. Com a formação dos blocos econômicos, os países buscam ampliar a participação no comércio mundial, sobretudo com o aumento de suas exportações, com vistas a se tornarem mais competitivos. Para tanto, os acordos comercias e econômicos firmados entre os países (redução ou mesmo eliminação das tarifas alfandegárias, uniformização de políticas monetárias e financeiras, desburocratização do setor aduaneiro etc.) procuram facilitar o fluxo e a circulação de mercadorias, serviços e capitais entre os parceiros do bloco, estratégia que atende às necessidades de acumulação de capital inerentes à expansão das economias capitalistas. O mapa a seguir representa os principais blocos econômicos mundiais da atualidade.

E. Cavalcante

Principais blocos econômicos N

MCCA - Mercado Comum Centro-Americano Pacto Andino SADC - Comunidade para o Desenvolvimento da África do Sul Ecowas - Comunidade Econômica dos Estados do Oeste da África

Círcu lo Polar Ártico

ESTADOS UNIDOS Tró pic o de Cân cer

RÚSSIA

L S

FRANÇA OCEANO ATLÂNTICO

CHINA

OCEANO PACÍFICO

NIGÉRIA Equador

OCEANO PACÍFICO

BRASIL

pri có rni o Tró pic o de Ca

ARGENTINA

Meridiano de Greenwich

UE - União Europeia CEI - Comunidade dos Estados Independentes Apec - Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico Nafta - Acordo de Livre-Comércio da América do Norte Mercosul - Mercado Comum do Sul

O

OCEANO ÍNDICO

AUSTRÁLIA

ÁFRICA DO SUL 2 080 km

Fontes: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 133. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS geográfico escolar: ensino fundamental do 6 o ao 9 o ano. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. p. 119. 1 atlas. Escalas variam.

Ao analisar o processo de formação de blocos econômicos surge uma questão crucial: os blocos econômicos significariam um retrocesso ou mesmo uma barreira que poderia impedir a formação de um mercado global único? Na opinião de muitos especialistas, em vez de ameaçar ou mesmo colocar em xeque o processo de integração econômica mundial, o surgimento dos blocos econômicos reforça e amplia as relações comerciais em âmbito mundial. Isso porque, se as trocas comerciais e os fluxos de capitais no interior dos blocos aumentaram aceleradamente nas últimas décadas, o comércio e os investimentos entre os diferentes blocos existentes também vêm se expandindo de maneira significativa com o estabelecimento de acordos e negociações comerciais entre eles.

70


Explorando o tema

Os diferentes tipos de integração regional

Unidade 3

Os blocos econômicos da atualidade apresentam diferentes níveis de integração, conforme a intensidade de suas relações e os acordos estabelecidos entre os países-membros. Alguns desses blocos já se encontram em estágios de integração mais avançados, outros ainda estão em processo inicial de integração. Veja a seguir.

• •Área de livre-comércio

Em uma área de livre-comércio, os países eliminam progressivamente as tarifas alfandegárias para estimular os fluxos de comércio e investimentos entre si. No entanto, cada país do bloco tem autonomia para conservar sua política tarifária em relação aos países que não pertencem ao bloco. É o caso, por exemplo, do Nafta, bloco econômico que reúne os Estados Unidos, o Canadá e o México.

••União aduaneira

Em uma união aduaneira, além do livre-comércio estabelecido pela eliminação das barreiras alfandegárias, os países também adotam uma tarifa externa comum (TEC), cobrando os mesmos impostos e taxas alfandegárias sobre os produtos importados de países de fora do bloco. O Mercosul é um exemplo desse tipo de união aduaneira.

••Mercado comum

Além do livre-comércio de mercadorias e serviços, o mercado comum estabelece a livre movimentação de capitais (investimentos) e de pessoas (trabalhadores) entre os países-membros. Isso implica o estabelecimento de coordenações econômicas e a harmonização das legislações nacionais (trabalhistas, tributárias, previdenciárias etc.). A União Europeia é um exemplo de mercado comum.

••União econômica e monetária

É o estágio mais avançado de integração regional. Seu funcionamento prevê a adoção de uma moeda única e de um Banco Central também único, além da criação de instituições supranacionais (tribunais de justiça e de contas, conselhos de ministros, parlamentos etc.). Essas instituições atuam na padronização das políticas econômicas e monetárias necessárias para garantir, entre os países-membros, níveis compatíveis de inflação, taxas de juros, déficits públicos etc. É o caso da União Europeia, que começou a ser formada por acordos comerciais firmados mais de cinco décadas atrás. O gráfico abaixo mostra quando foram assinados os acordos que deram origem aos principais blocos econômicos da atualidade.

1957

CEE (embrião da UE)

1955

1960

1969

1975

1989 1989

MCCA

Pacto Andino

Ecowas

Apec

1960

1965

1970

1975

Nafta

1980

1991

1991

1992

1993

CEI

Mercosul

SADC

UE

1985

1990

1995 Anos

Fontes: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS geográfico escolar: ensino fundamental do 6 o ao 9 o ano. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. 1 atlas. Escalas variam.

Comércio internacional e blocos econômicos

71


União Europeia União Europeia

Formada por meio de acordos e tratados assinados desde o início da década de 1950, a União Europeia reúne hoje 28 países, entre eles algumas das maiores potências econômicas do globo, como Alemanha, Reino Unido e França. A importância econômica desse bloco pode ser observada pelo valor do seu PIB, em torno de 18,5 trilhões de dólares, superior ao dos Estados Unidos (17,4 trilhões de dólares), e também pelo poderio de seu comércio, que representa cerca de 32% do total mundial. Os objetivos iniciais do bloco, criado ainda na década de 1950, visavam promover a recuperação econômica dos países-membros que haviam sido devastados pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Do ponto de vista político, sua criação também buscava deter o crescente avanço da influência estadunidense, ocorrida com a implantação do Plano Marshall, e ao mesmo tempo impedir o eminente avanço do socialismo que ocorreu no Leste Europeu.

Plano Marshall: elaborado pelo secretário de Estado estadunidense George C. Marshall, em 1948, consistiu em um programa de auxílio financeiro que promoveu a reconstrução econômica e física dos países europeus destruídos na Segunda Guerra Mundial.

Desde então, os acordos firmados se estenderam a outros países do continente, culminando com a criação do bloco, que recebeu o nome atual somente na década de 1990, após a assinatura do Tratado de Maastricht. É o bloco mais antigo em formação e também o que se encontra em estágio mais avançado de integração (ver quadro abaixo). Por conta disso, a União Europeia tem servido de modelo para outros blocos que buscam aprofundar o nível de integração econômica, política e monetária entre seus países.

A formação da União Europeia

Leonardo Mari

Meri dian o de

Gree nwic h

1951 – Alemanha Ocidental, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo assinam o Tratado de Paris criando a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca), com o objetivo de retomar o crescimento das indústrias de base por meio da livre circulação do carvão, do ferro e do aço. UE: formação 1957 – Assinatura do Tratado de Roma. OCEANO GLACIAL Cír N A Ceca é substituída pela Comunidade cul oP ÁRTICO olar O L Ártic Econômica Europeia (CEE), acordo que o ISLÂNDIA ISL S amplia a livre circulação de mercadorias, 1 – ANDORRA 2 – BÓSNIAserviços, capitais e pessoas entre os 1952 -HERZEGÓVINA 3 – ESLOVÊNIA 1973 países-membros. 4 – LIECHTENSTEIN 1981 FINLÂNDIA 5 – LUXEMBURGO 1973 – Reino Unido, Dinamarca e Irlanda 6 – ALBÂNIA 1986 7 – MÔNACO NORUEGA passam a compor a CEE. 1995 8 – MONTENEGRO SUÉCIA 9 – SAN MARINO 1981 – A CEE aceita a adesão da Grécia. 2004 2007 ESTÔNIA 1986 – Portugal e Espanha integram-se 2013 LETÔNIA à CEE. IRLANDA DINAMARCA Países candidatos LITUÂNIA 1990 – Com a reunificação da Alemanha, a REINO RÚSSIA UNIDO RÚSSIA ex-Alemanha Oriental se incorpora à CEE. BELARUS HOLANDA (parte europeia) POLÔNIA ALEMANHA 1993 – Assinatura do Tratado de Maastricht: OCEANO BÉLGICA 5 ATLÂNTICO REPÚBLICA 50° N a CEE é substituída pela União Europeia e TCHECA UCRÂNIA novos acordos aprofundam a integração ESLOVÁQUIA FRANÇA 4 ÁUSTRIA MOLDÁVIA SUÍÇA econômica, política e militar entre os HUNGRIA 3 ROMÊNIA países-membros. CROÁCIA 1 Mar PORTUGAL 9 7 2 SÉRVIA 1995 – Áustria, Finlândia e Suécia aderem à Negro ITÁLIA BULGÁRIA ESPANHA 8 União Europeia. MACEDÔNIA TURQUIA 2004 – Chipre, Estônia, Eslováquia, 6 GRÉCIA Eslovênia, Hungria, Letônia, Lituânia, Mar Mediterrâneo 0° Malta, Polônia e República Checa são MALTA aceitos no bloco. 450 km CHIPRE 2007 – Adesão da Bulgária e da Romênia. Fonte: EUROPA – O portal oficial da União Croácia, Macedônia, Sérvia, Montenegro, Europeia. Disponível em: <http://europa.eu/about-eu/countries/ Turquia e Islândia são candidatos à adesão. index_pt.htm>. Acesso em: 26 ago. 2015. 2013 - A Croácia se integra à União Europeia.

72


Unidade 3

Os acordos que levaram ao estreitamento dos laços políticos e econômicos entre os países da União Europeia, como a queda das barreiras alfandegárias, a cobrança de tarifa externa comum e a livre circulação de mão de obra, capitais e serviços, foram aprofundados com a criação de uma moeda única, o euro, que desde 1o de janeiro de 2002 circula entre os membros do bloco, exceto no Reino Unido e na Dinamarca, que não abriram mão de suas moedas. Segundo a Comissão Europeia de Assuntos econômicos e financeiros, a Suécia e outros Estados-Membros não preenchem as condições estabelecidas para a adoção da moeda. Desde então, a União Europeia tornou-se uma união econômica e monetária de fato com o Banco Central Europeu, sediado em Frankfurt, Alemanha, exercendo o controle cambial e monetário para garantir a estabilidade dos preços em toda a zona do euro. A criação do euro inaugurou um novo capítulo na história da integração europeia. Pela primeira vez, a soberania dos Estados membros foi seriamente limitada, pois o controle da nova moeda ficou a cargo de uma instituição fora do alcance dos parlamentos ou dos governos dos países – o Banco Central Europeu. [...] MARTIN, André R.; JAF, Ivan. União Europeia. São Paulo: Ática, 2006. p. 57. (Viagem pela Geografia).

Além do Banco Central Europeu, responsável pela política econômica e monetária do bloco, a complexa integração entre os países da União Europeia ocorre por meio de instituições que regem decisões em outras áreas (política, militar, social e ambiental). As principais instituições são o Parlamento Europeu, o Conselho da União Europeia e a Comissão Europeia, envolvidos no processo legislativo; o Tribunal de Justiça, que assegura o cumprimento da legislação europeia; o Tribunal de Contas, responsável por fiscalizar o financiamento das atividades do bloco; além do Comitê Econômico e Social, representante da sociedade civil.

Daniel Kalker/picture-alliance/dpa/AP Images/Glow Images

Os desafios da integração Apesar do êxito já alcançado, o processo de integração de um bloco econômico de dimensões continentais enfrenta dificuldades para conciliar interesses tão divergentes entre os países constituintes. Superar diferenças no plano econômico, político e social são seus principais desafios. No âmbito econômico, por exemplo, o bloco congrega desde países ricos e muito industrializados (Alemanha e França, com PIB que excedem 3,8 e 2,8 trilhões de dólares respectivamente) a países com economia muito modesta, que passam por dificuldades econômicas e financeiras, como a Grécia, ou que enfrentam problemas de escassez de postos de trabalho, como a Espanha, onde a taxa de desemprego, em 2014, chegou a quase ¼ da população economicamente ativa. As disparidades socio­eco­nômicas no bloco também são enormes. Enquanto a população de Suécia e Holanda desfruta, por exemplo, dos mais elevados padrões de vida, o índice de desenvolvimento humano (IDH) da Romênia (0,793) e Bulgária (0,782) se aproxima do IDH de nações subdesenvolvidas.

Sede da União Europeia, em Bruxelas, em 2015.

Os desafios no plano político também são imensos. Divergências políticas, movimentos nacionalistas e separatistas (como o dos Bascos na Espanha), fortalecimento de partidos políticos radicais e xenófobos de extrema direita colocam em risco a estabilidade de alguns países, podendo afetar a integração do bloco. Comércio internacional e blocos econômicos

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Mercosul

Mercosul O Mercado Comum do Sul (Mercosul) começou a vigorar com o Tratado de Assunção, assinado em 1991 entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. No início, esse tratado estabeleceu uma zona de livre-comércio ao liberar a circulação de mercadorias entre os países-membros por meio da eliminação de tarifas alfandegárias e de restrições comerciais não tarifárias, como o estabelecimento de cotas de importação de certos produtos. Por meio de acordos realizados depois, o bloco se converteu em uma união aduaneira com os países-membros definindo uma tarifa externa comum (TEC) em relação às nações não integrantes do bloco. Acordos de livre-comércio também foram firmados com países vizinhos, que se incorporaram ao bloco na condição de membros associados: Bolívia e Chile (1996), Peru (2003), Colômbia e Equador (2004). Em 2012, a Venezuela foi aceita como país-membro do Mercosul, enquanto a Bolívia está tramitando sua adesão ao bloco. Fontes: THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank.worldbank.org>. Acesso em: 27 jul. 2015. UNITED Nations Population Division. World Population Prospects 2015. Disponível em: <http://esa.un.org/ wpp/excel‐data/excel_files/1_ population/wpp2012_pop_f01_1_ total_population_both_sexes.xls>. Acesso em: 21 ago. 2015. PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/ content/dam/undp/library/corporate/ hdr/hdr%202015/ humandevelopmentreport_en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016. INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/estimativas_de_ populacao/estimativas_2015/ estimativa_dou_2015.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2015.

Mercosul: indicadores socioeconômicos País Argentina

População em 2015 (milhões hab.)

PIB em 2014 (bilhões US$)

PIB per capita em 2014 (US$)

IDH em 2014 0,836

42

540

12 922

203

2 346

11 613

0,755

Paraguai

7

31

4 479

0,679

Uruguai

3

57

16 811

0,793

Venezuela

31

510

16 530

0,762

Bolívia

11

34

3 151

0,662

Chile

18

258

14 520

0,832

Colômbia

49

378

7 720

0,720

Equador

16

100

6 291

0,732

Brasil

Embora o nível de integração entre os países do Mercosul ainda tenha um longo caminho a percorrer, a sua criação promoveu um crescimento significativo do comércio entre os parceiros do bloco que, atualmente, movimenta cerca de 108 bilhões de dólares (no início do acordo, esse valor era de apenas 10 bilhões de dólares). Aproximadamente 15% de todas as exportações e 14% das importações no Mercosul são realizadas pelo comércio entre os próprios parceiros do bloco, sobretudo entre Brasil e Argentina, as maiores economias da região.

Os impasses na integração O processo de integração e fortalecimento das relações entre os países do Mercosul enfrenta uma série de obstáculos e dificuldades. Inúmeras barreiras comerciais em setores considerados estratégicos são entraves para a livre circulação de mercadorias, capitais, serviços e pessoas no interior do bloco. Alguns acordos comerciais podem afetar negativamente a economia de um ou outro país. A abertura do setor agrícola, por exemplo, afeta os agricultores brasileiros, menos competitivos que os argentinos. Já a abertura do setor industrial traz prejuízos aos empresários argentinos com a concorrência da indústria brasileira, mais competitiva e avançada tecnologicamente. Por outro lado, Uruguai e Paraguai reivindicam concessões econômicas a fim de compensar assimetrias de mercados decorrentes de suas fragilidades econômicas. Juntas, as economias desses países representam menos de 3% do PIB total do bloco. Essas assimetrias também são observadas em taxas de desemprego, inflação, renda per capita, endividamento externo, e comprovam as imensas disparidades socioeconômicas do bloco. Problemas dessa ordem emperram as negociações e dificultam o estreitamento das relações comerciais e diplomáticas necessárias para eliminar medidas protecionistas, que dificultam a plena integração entre os parceiros.

74


Nafta

Unidade 3

Nafta

A formalização de acordos comerciais entre Estados Unidos, Canadá e México deu origem ao Acordo de Livre-Comércio da América do Norte, do inglês North America Free Trade Agreement (Nafta), a mais importante área de livre-comércio das Américas. O bloco entrou efetivamente em vigor em 1o de janeiro de 1994, quando os países-membros decidiram eliminar aos poucos as barreiras alfandegárias em suas transações comerciais. Entre outros motivos, a criação desse bloco tentou fazer frente ao fortalecimento econômico da União Europeia, alcançado graças ao processo de integração ocorrido naquele continente. Ao contrário do bloco europeu, que caminha para uma integração política e econômica completa, o Nafta se restringe muito mais a um acordo comercial, não prevendo o avanço para uma união aduaneira ou um mercado comum. Seu grande destaque fica por conta da poderosa economia dos Estados Unidos, a maior do mundo, que responde sozinha por 85% do PIB total do bloco, enquanto a participação das economias canadense e mexicana representa apenas 9% e 6%, respectivamente. Se a pujança econômica dos Estados Unidos não se compara com a do Canadá e a do México, a formação do Nafta vem consolidando ainda mais a influência econômica estadunidense em relação aos seus vizinhos. O impulso alcançado pela economia canadense ao longo do século passado, por exemplo, dependeu de grandes investimentos e capital estadunidense. Com o Nafta, a economia do Canadá se tornou ainda mais subordinada aos interesses dos empresários estadunidenses, que detêm o controle acionário de boa parte das empresas canadenses, inclusive daquelas ligadas aos setores estratégicos ou mais avançados tecnologicamente (informática, aeroespacial, eletroeletrônicos, química fina). Por isso, alguns especialistas consideram o território canadense uma extensão da economia dos Estados Unidos.

Nafta: fluxos comerciais – 2014 N O

L

Alasca (EUA)

S

OCEANO ATLÂNTICO

CANADÁ 2,8% 1%

76,7%

14,8%

54,3%

°N 45

19,3%

ESTADOS UNIDOS 49% 14,8% 80,2% 2,7% 5,6%

MÉXICO OCEANO PACÍFICO

Fluxos comerciais (%)

Importações

105° O

12,5%

Leonardo Mari

Fonte: WORLD Trade Organization (WTO). Disponível em: <www.wto.org/ english/res_e/statis_e/its2015_e/ its2015_e.pdf>. Acesso em: 9 nov. 2015.

720 km

Exportações

Nafta: indicadores socioeconômicos Países

População PIB em 2014 PIB per capita em IDH em em 2015 (bilhões de US$) 2014 (US$) 2014 (milhões de hab.)

EUA

325

17 419

54 629

0,915

Canadá

36

1 786

50 271

0,913

México

125

1 282

10 361

0,756

Fontes: THE WORLD Bank. Disponível em: <http:// databank.worldbank.org>. Acesso em: 20 jul. 2015. UNITED Nations Population Division. World Population Prospects 2015. Disponível em: <http://esa.un.org/ wpp/unpp/p2k0data.asp>. Acesso em: 21 jul. 2015. PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/content/dam/undp/library/ corporate/hdr/hdr%202015/humandevelopmentreport_ en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016.

Comércio internacional e blocos econômicos

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Já no México, a influência do capital estadunidense se fortaleceu com o avanço das chamadas maquilladoras – empresas estadunidenses que se instalaram em território mexicano na fronteira com os Estados Unidos, em cidades como Tijuana, Mexicali e Ciudad Juarez. Entre essas empresas, destaca-se um grande número de indústrias do setor automobilístico (montadores de automóveis, autopeças, acessórios), montadoras de produtos eletroeletrônicos e de informática, cuja produção se destina sobretudo ao abastecimento do gigantesco mercado de consumo estadunidense.

Os Estados Unidos e o novo Acordo Transpacífico Em meio a um panorama de blocos que têm se enfraquecido por problemas internos ou externos de seus países-membros, surge um novo arranjo internacional, o Acordo Comercial Transpacífico (TTP). Esse acordo se definiu após vários anos de discussões e tem a participação de duas grandes potências econômicas: Estados Unidos e Japão. O TTP impressiona por seus números e já gerou algumas expectativas para a economia dos países que ficaram de fora, inclusive para o Brasil. Veja a seguir algumas características desse acordo e suas possíveis repercussões.

Países-membros: Estados Unidos, Japão, Canadá, Austrália, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura, Brunei e Vietnã. PIB do grupo: 28 trilhões de dólares. População que abrange: 819 milhões de pessoas. Principais características:

••É o maior acordo regional já realizado, representando cerca de 40% da economia

mundial; Prevê o estabelecimento de redução de barreiras tarifárias e padrões comuns de comércio entre os países participantes; Nos Estados Unidos serão reduzidas cerca de 18 mil taxas cobradas sobre os produtos fabricados nesse país; O grupo deverá seguir normas rigorosas relativas a trabalho e meio ambiente.

•• •• ••

Expectativas para o Brasil

••Parte dos países que aderiram ao acordo são parceiros comerciais do Brasil, principalmente no agronegócio, o que deverá ocasionar uma sensível redução dos negócios brasileiros com esses países. Em caso de adesão da China ao TTP, visto que os chineses já avaliam o desenvolvimento do acordo, com interesse em participar dele, as perdas para o Brasil serão ainda maiores. Com a adesão da China, os números do novo grupo seriam ainda mais representativos mundialmente. Marco Garcia/Reuters/Latinstock

••

Reunião dos representantes do Acordo Comercial Transpacífico, em Maui, Havaí, em 2015.

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Apec Apec

Criada em 1989, a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, do inglês Asia-Pacific Economic Cooperation (Apec), é formada por diversos países do sul, leste e sudeste asiático, da Oceania e também Hong Kong (região administrativa especial chinesa), envolvendo ainda Chile e Peru (países que também possuem acordos comerciais dentro do Nafta).

Unidade 3

Seu objetivo central é a criação de uma grande zona de livre-comércio de mercadorias e de capitais entre seus membros, prevista para ser concluída até 2020. A integração completa do bloco, entretanto, terá de superar inúmeros problemas, como as grandes disparidades políticas existentes entre seus membros. Alguns países, como a China, possuem projetos nacionais de desenvolvimento que não caminham para a abertura completa do seu mercado. A diminuição das desigualdades socioeconômicas é outro grande problema a ser superado. Ao lado das duas maiores potências econômicas mundiais (Estados Unidos e Japão) e de nações com os mais elevados índices de desenvolvimento humano, como o Canadá e a Austrália, a Apec também abrange países bem menos desenvolvidos socioeconomicamente, como Papua Nova Guiné, que apresenta inexpressivo PIB de apenas 15 bilhões de dólares e um dos mais baixos IDH, em torno de 0,491. Veja a tabela a seguir. Apec: indicadores socioeconômicos País Austrália Brunei

População em 2015 (milhões hab.) 24 0,4

PIB em 2014 PIB per capita IDH em (bilhões US$) em 2014 (US$) 2014 1 453

61 887

0,935

17

40 776

0,856

Canadá

36

1 786

50 271

0,913

Coreia do Sul

50

1 410

27 970

0,898

Chile

18

258

14 520

0,832

1 402

10 360

7 594

0,727

Estados Unidos

325

17 419

54 629

0,915

Filipinas

102

284

2 843

0,668

7

291

40 170

0,910

Indonésia

256

888

3 515

0,684

Japão

127

4 601

36 194

0,891

Malásia

31

327

10 830

0,779

México

125

1 282

10 361

0,756

Nova Zelândia

5

188

39 300

0,913

Papua Nova Guiné

8

15

2 020

0,505

31

203

6 594

0,734

142

1 860

12 736

0,798

6

308

56 287

0,912

Tailândia

67

374

5 561

0,726

Vietnã

93

186

2 052

0,666

China

Hong Kong

Peru Rússia Singapura

Apesar dos desafios, o processo de construção desse bloco já provocou um grande crescimento econômico, impulsionado pela expansão das trocas comerciais entre os países-membros. Com o estreitamento de suas relações comerciais, há uma maior complementaridade entre as economias do bloco. Os recursos minerais e os combustíveis fósseis explorados em abundância na Austrália, por exemplo, passaram a abastecer o mercado do Japão, que apresenta escassez de matérias-primas naturais em seu território. Atualmente, cerca de 18% do total das exportações australianas são para o Japão. Fontes: THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank.worldbank.org>. Acesso em: 20 jul. 2015. UNITED Nations Population Division. World Population Prospects 2015. Disponível em: <http://esa.un.org/wpp/unpp/p2k0data.asp>. Acesso em: 20 jul. 2015. PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/content/dam/undp/library/ corporate/hdr/hdr%202015/ humandevelopmentreport_en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016.

Comércio internacional e blocos econômicos

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CEI CEI

A Comunidade dos Estados Independentes (CEI) é uma organização supranacional, constituída, hoje, por onze países que se formaram com a dissolução da antiga União Soviética (URSS), ocorrida em 1991. Nesse mesmo ano, com a assinatura do Tratado de Alma-Ata, no Cazaquistão, das 15 repúblicas soviéticas que formavam a URSS, 12 aderiram à organização. As exceções foram Estônia, Letônia e Lituânia, países bálticos que optaram por romper todos os vínculos com os russos, seus opressores desde a Segunda Grande Guerra. Em 2008, a Geórgia, que até então pertencia ao bloco, se desligou por motivos políticos (veja mapa abaixo).

CEI: dados econômicos – 2014 Países

Dívida externa Desemprego Inflação (bilhões de US$) (%) (% ao ano)

Rússia Ucrânia Cazaquistão Belarus Moldávia Armênia Azerbaidjão Quirguistão Tadjiquistão Turcomenistão Uzbequistão

679

5

7

147

8

15

148

4

6

39

6

18

Fontes: THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank.worldbank.org>. Acesso em: 23 jul. 2015. THE CENTRAL Bank of the Russian Federation. Disponível em: <www.cbr.ru/eng/statistics/ print.aspx?file=credit_statistics/ debt_an_new_e. htm&pid=svs&sid=itm_49496>. Acesso em: 31 ago. 2015.

O propósito principal da CEI era intensificar as relações econômicas e políticas entre os países-membros que haviam acabado de surgir com o fim da Guerra Fria e do império soviético, acontecimentos que redesenharam em boa parte as fronteiras territoriais do continente asiático.

Submetidos ao socialismo durante quase todo o século XX, com economias estatizadas e con7 3 6 troladas pelo Estado, os novos países da CEI 9 17 3 passaram por um drástico processo de transi9 5 1 ção para a economia capitalista de mercado, 7 8 8 movida pela acirrada concorrência, pela elevada competitividade e pela participação do capital 4 11 6 privado. Essas mudanças acarretaram uma forte 1 10 6 desaceleração da economia, diante da crise que 11 11 13 surgiu com a transição político-econômica, tendo como consequência o aumento do endividamento externo, do desemprego, da inflação e a piora de outros indicadores sociais, como o aumento da pobreza e da concentração de renda, que acompanharam a turbulência econômica. Apesar dos acordos econômicos já realizados entre seus membros, muitas são as dificuldades para a sua consolidação efetiva, como as divergências que marcam as relações políticas e diplomáticas entre a Rússia e a Ucrânia, dois dos mais importantes países do bloco. Além disso, a CEI tem se caracterizado pela ocorrência de disputas entre os estados-membros e pelo não cumprimento de acordos estabelecidos. CEI: composição 60° N

N O

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

L

Cír cu lo P ola r Ár tico

S

Mar de Bering

RÚSSIA BELARUS UCRÂNIA

RÚSSIA

MOLDÁVIA

Mar Negro lago Baikal

CEI. Disponível em: <www.cis. minsk.by/index.php?id=2>. Acesso em: 12 mar. 2016.

78

GEÓRGIA

Mar Cáspio

ARMÊNIA AZERBAIDJÃO

CAZAQUISTÃO Mar Aral

Comunidades dos Estados Independentes

UZBEQUISTÃO TURCOMENISTÃO QUIRGUISTÃO

Limite da antiga URSS

TADJIQUISTÃO

90° L

690 km

Leonardo Mari

Fontes: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 60. 1 atlas. Escalas variam.

Mar Mediterrâneo


SADC

SADC

A Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, do inglês Southern African Development Community (SADC), é o acordo comercial mais importante do continente africano. Criada em 1992 para assegurar a cooperação econômica na região sul do continente, essa comunidade é formada atualmente por 15 países-membros (veja mapa abaixo).

Unidade 3

Do ponto de vista econômico, a África do Sul é o país mais importante do bloco. Com um parque industrial diversificado, sua produção econômica responde por aproximadamente 51% do PIB total do bloco. E possui também um dos maiores mercados consumidores da região, formado por uma população de aproximadamente 53,5 milhões de pessoas, o que representa cerca de 17% dos habitantes da comunidade. Os objetivos da SADC vão muito além da busca do desenvolvimento econômico da região por meio da criação de um mercado comum, estabelecido por acordos comerciais entre os países parceiros, como a redução e a unificação de tarifas alfandegárias. Para além desses objetivos, o bloco tam- SADC: composição bém procura diminuir a pobreza e melhorar as condições de vida da população; promover o combate à Aids, doença que se tornou uma epidemia em vários países da região; reafirmar os legados socioculturais africanos; Trópico de Câncer estabelecer a paz e a cooperação política como forma de evitar a ocorrência de conflitos e guerras civis, como os que já eclodiram recentemente nessa comunidade.

OCEANO ATLÂNTICO

L S

ANGOLA

ZÂMBIA

Equador 0°

SEICHELES

OCEANO ÍNDICO

MALAUÍ

MOÇAMBIQUE MAURÍCIO ZIMBÁBUE NAMÍBIA MADAGÁSCAR BOTSUANA

Trópico de Capricórnio

ÁFRICA DO SUL

SUAZILÂNDIA LESOTO 1 040 km

Fonte: ATLAS geográfico escolar: ensino fundamental do 6 o ao 9 o ano. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. p. 119. 1 atlas. Escalas variam.

Outros blocos econômicos regionais Existem ainda vários outros blocos econômicos pelo mundo, cujo objetivo central é a cooperação comercial entre seus membros. Entre eles estão: Comunidade Andina (CAN) ou Pacto Andino: criado em 1969, é formado por Bolívia, Peru, Equador, Colômbia. São membros associados: Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Caricom (Comunidade do Caribe): criada em 1973, tem como membros Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Montserrat, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Suriname, Trinidad e Tobago, além dos associados Anguilla, Bermuda, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Caiman e Turks e Caicos. Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático): criada em 1967, é composta por Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietnã.

Comércio internacional e blocos econômicos

79

Leonardo Mari

SADC

O

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO TANZÂNIA

Meridiano de Greenwich

Outros blocos regionais, menos importantes do ponto de vista econômico, também atuam no continente africano, entre eles: a Comunidade Econômica e Monetária da África Central (EMCCA, do inglês Economic and Monetary Community of Central Africa) e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS, do inglês Economic Community of West African States). No entanto, os processos de integração entre os países que os compõem são prejudicados pelas frágeis condições políticas e socioeconômicas em boa parte do continente: guerras civis, pobreza, fome, epidemias, baixo nível de industrialização, forte dependência econômica e carência de infraestrutura básica e produtiva.

N


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Qual foi a atuação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) no período pós-guerra? 2. Caracterize o multilateralismo comercial. 3. Cite alguns fatores que favoreceram a expansão do comércio internacional. 4. Quais os três principais eixos de circulação do comércio mundial? Quais as vantagens dessas economias em relação aos países subdesenvolvidos? 5. Cite algumas medidas comerciais que provocam distorções nas relações comerciais entre alguns países. 6. Explique os motivos que levaram à formação dos blocos econômicos. Qual é o objetivo dos países com essa formação?

7. Caracterize os diferentes tipos de integração regional: a ) Área de livre-comércio; b ) União aduaneira; c ) Mercado comum; d ) União econômica e monetária. 8. Quais os objetivos econômicos e políticos da criação da União Europeia? 9. Quais são as diferenças, do ponto de vista político e econômico, entre o Nafta e a União Europeia? 10. Cite as consequências da transição das economias socialistas para o capitalismo nos países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Expandindo o conteúdo 11. Leia o texto a seguir e responda às questões.

Mercosul: uma trajetória de 25 anos Em 2016 o Mercosul completa 25 anos de existência, nos quais pouco se caminhou no sentido de atingir o objetivo de tornar-se um bloco de integração plena. O texto a seguir retrata alguns aspectos dessa trajetória. As últimas decisões importantes tomadas no Mercosul ocorreram entre 2004 e 2006, quando se incluiu como prioridade na agenda o tema das assimetrias e se aprovou a criação do Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul, o Focem. Em 2007 foi criado o Grupo de Integração Produtiva e registraram-se avanços político-institucionais com a criação do Instituto Social e a adoção de medidas sobre vários temas sociais e políticos [...]. Luciana Granovsky/TELAM/ZUMA/Fotoarena

Em 2012/13 o bloco viveu momentos difíceis, detonados pelo golpe parlamentar no Paraguai [...]. O Estado paraguaio foi suspenso e a Venezuela teve seu ingresso aprovado. Em agosto de 2013 o quadro aparentemente se normalizou. [...] Encontro de chefes de Estados – membros do Mercosul em Assunção, Paraguai, em 2015.

80


Unidade 3

A verdade é que os avanços anunciados há uma década não se transformaram em políticas e ações concretas. As tentativas de inserir as pequenas e médias empresas nas cadeias produtivas não contaram com os investimentos necessários das empresas líderes e nem com maiores esforços dos governos. E nos últimos 10 anos, com o aumento da abertura, o crescimento das importações (principalmente de peças e partes) e a ida de empresas multinacionais brasileiras para fora – América do Sul e inclusive China – muitas cadeias de produção no Brasil estão internacionalizadas e as vendas aos vizinhos não têm muito por onde crescer. Inclusive grandes empresários brasileiros e dos demais países hoje consideram mais interessante que o Mercosul retroceda e se mantenha como área de livre-comércio e não avance para consolidar uma União Aduaneira. O patrimônio do Mercosul é grande em matéria de instrumentos, institutos, fóruns e decisões nesses campos. Mas quanto em matéria de esforço político e de recursos é destinado por nossos governos para que esses instrumentos tenham papel de destaque? As decisões nesse campo dificilmente ultrapassam a retórica. CASTRO, Maria Silvia Portela de. Que papel poderia ter o Mercosul neste momento?. Carta Capital. Blog do GR-RI. Disponível em: <www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-grri/que-papel-poderiater-o-mercosul-neste-momento-3794.html>. Acesso em: 16 mar. 2016.

a ) De acordo com o texto, após 25 anos o Mercosul não passou por grandes mudanças desde que começou a vigorar. Cite um trecho do texto que exemplifica essa afirmação. b ) Segundo o texto, o que impede o fortalecimento do Mercosul como bloco econômico? c ) De acordo com o que você estudou, que tipo de integração regional caracteriza o Mercosul? Mercosul: diferenças internas - 2014 Dívida externa (bilhões de US$)

Desemprego (em %)

Argentina

148

8,2

29,3

Brasil

557

6,8

6,3

Paraguai

14

4,5

5,0

Uruguai

25

7,0

8,9

175

8,6

62,2

9

2,7

5,8

Chile

146

6,4

4,4

Colômbia

102

10,1

2,9

Equador

26

4,6

3,6

País

Venezuela Bolívia

Inflação (em %)

Fontes: THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank.worldbank.org>. FOCUS Economics. External debt. Disponível em: <www.focus-economics.com/economic-indicator/external-debt>. Acessos em: 16 mar. 2016.

d ) De acordo com a tabela acima e com o texto da página 74, o que significam as “assimetrias” existentes no bloco do Mercosul? Como essas assimetrias influenciam no desenvolvimento do bloco? e ) Com os colegas, pesquisem informações e realizem um debate com o intuito de obter informações atuais, em jornais, revistas ou na internet, a respeito da situação do Mercosul. Procurem saber quais e quantos recursos têm sido investidos por nossos governantes para que o Mercosul avance em seus objetivos. Comércio internacional e blocos econômicos

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Ampliando seus conhecimentos O tema apresentado nesta seção enfatiza a produção de obras artísticas e culturais de artistas latino-americanos. Como sugestão, o professor pode ampliar e enriquecer o estudo do tema com informações sobre acervos, obras e produções, artistas etc., encontradas no site oficial da Fundação Bienal do Mercosul: <www. bienalmercosul.org.br/>. Acesso em: 14 mar. 2016.

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não representam recomendação ou indicação comercial. Eles foram mencionados apenas como recurso didático.

Geografia, ciência e cultura

Fundação Bienal do Mercosul

Criada em 1996, a Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul é uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos, que tem como missão desenvolver projetos culturais e educacionais na área de artes visuais, adotando as melhores práticas de gestão e favorecendo o diálogo entre as propostas artísticas contemporâneas e a comunidade. Nos anos ímpares, a Fundação promove o evento Bienal do Mercosul, reconhecido como o maior conjunto de eventos dedicados à arte contemporânea latino-americana no mundo, oportunizando o acesso à cultura e à arte a milhares de pessoas, de forma gratuita. Ao longo de sua trajetória, a Fundação Bienal do Mercosul sempre teve como missão a ênfase nas ações educativas e os seguintes princípios norteadores: foco na contribuição social, buscando reais benefícios para os seus públicos, parceiros e apoiadores; contínua aproximação com a criação artística contemporânea e seu discurso crítico; transparência na gestão e em todas as suas ações; prioridade de investimento em educação e consolidação da Bienal como referência nos campos da arte, da educação e pesquisa nessas áreas. [...] FUNDAÇÃO Bienal do Mercosul. Disponível em: <www.fundacaobienal.art.br/site/pt/ fundacao-bienal/quem-somos>. Acesso em: 9 dez. 2015.

Rogerio Reis/Tyba

Bienal do Mercosul realizada em Porto Alegre, em 2011.

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A Geografia no cinema

O cerco: a democracia nas malhas do neoliberalismo Unidade 3

Premiado internacionalmente, o filme mostra a ideologia neoliberal por meio do pensamento de intelectuais renomados, como Noam Chomsky, Susan George e François Brune.

Filme de Richard Brouillette. O cerco: a democracia nas malhas do neoliberalismo. Canadá. 2008

Ao longo do filme, as entrevistas apresentadas abordam temas como o enfraquecimento do poder do Estado, privatizações e os interesses do mercado livre. Título: O cerco: a democracia nas malhas do neoliberalismo (Encirclement: neo-liberalism ensnares democracy) Diretor: Richard Brouillette Atores principais: Noam Chomsky, Ignacio Ramonet e Normand Baillargeon Ano: 2008 Duração: 160 minutos Origem: Canadá

Para ler

••HAESBAERT, Rogério. Globalização e fragmentação do mundo contemporâneo. Niterói: Ed. Uff, 2001.

• •MAGNOLI, Demétrio. União Europeia: história e geopolítica. São Paulo: Moderna, 2004.

• •MARTIN, André; JAF, Ivan. União Europeia. São Paulo: Ática, 2006. • •MARTINEZ, Paulo. Mercosul: a intimidade do sonho. São Paulo: FTD, 1998. ••PFETSCH, Frank R. A União Europeia: história, instituições, processos. Brasília: Ed. UnB, 2002.

• •RATTNER, Henrique. Mercosul e Alca: o futuro incerto dos países sul-americanos. São Paulo: Edusp, 2002.

Para navegar

••BRASIL. Blocos Políticos e Econômicos. Disponível em: <http://tub.im/xy7ovr>. Acesso em: 14 mar. 2016.

••BRASIL. Congresso Nacional - Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. Disponível em: <http://tub.im/ghkw2k>. Acesso em: 14 mar. 2016.

••MERCOSUL. Disponível em: <http://tub.im/tk937t>. Acesso em: 14 mar. 2016. ••PARLAMENTO Europeu. Disponível em: <http://tub.im/3o7osu>. Acesso em: 14 mar. 2016.

••UNIÃO Europeia. Disponível em: <http://tub.im/hnzv4v>. Acesso em: 14 mar. 2016.

Comércio internacional e blocos econômicos

83


Questões do Enem e Vestibular 1. (UEG-GO) Entre os temas mais polêmicos das reuniões da Organização Mundial do Comércio (OMC), estão as reivindicações dos países subdesenvolvidos, que pedem a redução de subsídios para a produção agrícola e o fim da proteção dos mercados internos nos países desenvolvidos. Tais países aplicam elevadas tarifas de importação de produtos agrícolas prejudicando as exportações do mundo subdesenvolvido. Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar: D. a ) as barreiras zoossanitárias e fitossanitárias eliminam a necessidade das elevadas tarifas sobre produtos importados, diminuindo assim o custo dos gêneros alimentícios. b ) as barreiras zoossanitárias e fitossanitárias consideradas não tarifárias são necessárias aos países subdesenvolvidos e pobres, já que são obrigados a importar grande volume de produtos agrícolas. c ) o dumping, comercialização de uma mercadoria com preço muito baixo para eliminar a concorrência, é uma forma de defesa dos países subdesenvolvidos contra a importação. d ) os países ricos, para reduzirem ainda mais a importação de produtos agrícolas, utilizam também as barreiras zoo e fitossanitárias, já que protegem a saúde humana de risco de contaminação.

2. (UFT-TO) Os conflitos mundiais da atualidade ocorrem, também, em função do domínio dos fluxos do comércio internacional, onde o intercâmbio entre países do capitalismo central e periférico são extremamente desiguais. Tomando por base o texto é INCORRETO afirmar que: D. a ) A formação dos blocos econômicos mundiais não proporcionou um crescimento equitativo para todos os países-membros. b ) A divisão internacional do trabalho influencia no intercâmbio do comércio mundial. c ) Os países do capitalismo central estabelecem trocas desiguais com o mundo periférico, principalmente, pelo domínio científico-tecnológico. d ) Os centros de poder, que compõem a nova ordem mundial, possuem um ator hegemônico, qual seja: os Estados Unidos, que con-

84

Anote as respostas no caderno.

trolam e comandam todos os demais países, evidenciando a monopolaridade da nova ordem mundial.

3. (UPE-PE) Europa e EUA querem barrar ‘tentação protecionista’. E. A Proposta dos governos americano e europeu é a de que países emergentes e ricos congelem tarifas de importação por tempo indeterminado - Europa e Estados Unidos propõem que todos os países emergentes, além dos próprios ricos, congelem suas tarifas de importação por um tempo indeterminado como forma de barrar a “tentação protecionista”. A proposta está sendo feita depois que ficou claro, para a comunidade internacional, que a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) não será concluída no curto ou médio prazo. Nesta terça-feira, 21, o diretor-geral da entidade, Pascal Lamy, confirmou que a pressão protecionista no mundo cresce de forma perigosa, à medida que as repercussões da crise insistem em afetar a economia mundial. Sem conseguir um acordo para liberalizar o comércio nos países emergentes, como Brasil, China e Índia, os governos de Estados Unidos e Europa querem pelo menos que essas três grandes economias se comprometam a não mais elevar suas tarifas de importação. (21 de junho de 2011 | 18h 17. Jornal O Estado de S.Paulo. Adaptado).

O protecionismo, tratado no texto acima, se caracteriza pela adoção isolada ou conjunta de algumas medidas. Identifique-as entre os itens a seguir: I. Cláusulas ambientais e trabalhistas II. Barreiras fitozoossanitárias III. Cláusulas culturais IV. Barreiras tarifárias V. Barreiras não tarifárias Apenas estão corretos a ) I e II. b ) III e V. c ) II e IV. d ) I, IV e V. e ) I, II, IV e V.


I. [maio de 2011] O governo da presidente Cristina Kirchner aplica uma saraivada de medidas que restringem ou atrasam a entrada de produtos brasileiros no mercado argentino. Segundo a consultoria portenha Abeceb, do total de exportações realizadas pelo Brasil para a Argentina, 23,9% são alvo de barreiras – quase um quarto das vendas. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/ argentina-aumenta-barreiras-comerciais-contra-o-brasil.

II. [outubro de 2011] A decisão do Brasil de elevar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados foi questionada durante reunião do comitê de acesso a mercados da Organização Mundial do Comércio (OMC). Durante o encontro, representantes de Japão, Austrália, Coreia do Sul, Estados Unidos e União Europeia – que abrigam algumas das maiores montadoras do mundo – pediram à delegação brasileira explicações sobre a medida. A. Disponível em: http://oglobo.globo.com/economia/paisesexportadores-de-veiculos-reclamam-na-omc-do-aumento-do-ipi-2786588.

Sobre os textos, é correto afirmar que: a ) ambos expressam medidas protecionistas que visam salvaguardar as indústrias nacionais. b ) ambos têm como objetivo criar superávits nas balanças comerciais argentina e brasileira. c ) I mostra uma medida protecionista e II é uma retaliação brasileira aos subsídios agrícolas dos países ricos. d ) I representa o rompimento dos acordos firmados pelo Mercosul e II é uma medida protecionista do Brasil. e ) I é medida fortemente condenada pela OMC e II tem caráter paliativo para balanças comerciais deficitárias.

5. (EsPCex-SP) Uma das principais dificuldades que alguns países periféricos ou semiperiféricos, como o Brasil, encontram no mercado mundial de produtos agrícolas é: A. a ) a concessão de subsídios agrícolas que países como os Estados Unidos e os da União Europeia cedem aos seus respectivos produtores. b ) a política antiprotecionista que os países desenvolvidos adotam em relação à importação desses produtos.

c ) o alto custo de produção de todos os seus produtos agrícolas em relação aos custos desses produtos nos países desenvolvidos. d ) o reduzido interesse de mercados fortes como o asiático, que apresenta baixa importação desses produtos. e ) a baixa produtividade agrícola apresentada por esses países, não sendo suficiente para que haja excedente para ser exportado.

6. (UFPE-PE) As alternativas a seguir se referem aos aspectos do processo de integração nas diferentes fases de formação de um bloco econômico. Analise-as. F-F-V-V-V.

• •A

Zona de Livre-Comércio corresponde à fase em que as tarifas alfandegárias são reduzidas ou mesmo eliminadas e as mercadorias produzidas no âmbito dos países que compõem esta Zona, circulam livremente de um país para outro e para o exterior.

• •Na fase da União Aduaneira, além das mer-

cadorias produzidas no âmbito do bloco circularem livremente de um país para outro, é estabelecida uma tarifa externa comum (TEC), para o comércio com os países que não formam o bloco. Esta fase é caracteriza­ da, também, pela livre circulação de pessoas.

• •No Mercado Comum, além do livre-comércio

de mercadorias entre os países membros do bloco e da existência de uma TEC para o comércio com países de fora do bloco, ocorre a existência no bloco da livre circulação de pessoas, de serviços e de capitais.

• •Na

fase da União Monetária, o bloco tem características da fase de Mercado Comum, somando-se a estas, uma unificação institucional do controle do fluxo monetário e é estabelecida uma moeda única.

• •A União Política representa a fase em que o bloco, além de apresentar definições legais da União Monetária, tem unificada as políticas de relações internacionais, defesa, segurança interna e externa.

7. (UFRR-RR) A abertura comercial e a livre circulação de capitais e ser viços em escala mundial, um fenômeno da globalização, gerou disputas acirradas entre empresas e países no âmbito do mercado global, o que favoreceu a formação de blocos econômicos regionais – Comércio internacional e blocos econômicos

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Unidade 3

4. (FGV-SP) Considere os textos.


alianças econômicas em que os parceiros estabelecem relações econômicas privilegiadas. O bloco econômico que, sem adotar uma moeda única, busca a livre circulação de pessoas, mercadorias, capitais e serviços dos seus países membros e, ao mesmo tempo, elimina as tarifas aduaneiras internas e adota tarifas comuns para o mercado fora do bloco, pode ser classificado como: E. a ) Associação de livre-comércio; b ) União aduaneira; c ) União econômica e monetária; d ) Zona de preferência tarifária; e ) Mercado comum.

8. (UEPG-PR) A respeito da formação de blocos econômicos supranacionais, assinale o que for correto. (01), (02), (04), (08) e (16). Total: 31. (01) O Acordo de Livre-Comércio da América do Norte – NAFTA – agrega Estados Unidos, Canadá e México, mas, mesmo sendo um acordo de livre-comércio, beneficia as corporações multinacionais, especialmente as dos Estados Unidos. (02) A União Europeia, que atravessa uma crise, tornou-se um complexo projeto que engloba simultaneamente vários níveis de integração regional: zona de livre-comércio, união aduaneira, mercado comum e união política, econômica e monetária. (04) O estágio mais complexo e avançado de um bloco supranacional é atingido quando os países membros adotam a mesma política econômica, além de moeda única. (08) A Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico – APEC – reúne países muito diferentes entre si, sendo que uns têm uma industrialização extremamente avançada e outros são países de mão de obra barata ainda com graves problemas sociais. Entre esses países estão Estados Unidos, Canadá, Malásia, Vietnã, China, México, Chile e Peru. (16) No Mercosul, o maior volume de negócios se faz entre Brasil e Argentina, com fases de retrocesso e de retomada de bons ritmos de trocas comerciais.

86

9. (IBMEC-RJ) Sobre o processo de consolidação e ampliação da União Europeia é correto afirmar que: B. a ) O objetivo da UE é a constituição de bloco militar cuja atuação permite a implementação de uma política externa e de segurança comum entre os membros, como já demonstrou a questão da Guerra no Iraque. b ) A União Europeia é uma das zonas mais ricas do mundo. Entretanto, existem disparidades internas significativas entre as suas regiões, em termos de rendimentos e de oportunidades, que foram agravadas com a recente ampliação de seus membros. c ) Na União Europeia os Estados componentes abrem mão de sua soberania em termos militares e, por isso, passam a cumprir decisões coletivas. Foi como uma entidade única que a UE votou, por exemplo, a favor da invasão do Iraque na ONU. d ) A UE vem, recentemente, estimulando as nações da Europa do leste (Hungria, Eslováquia, República Checa, Albânia e Romênia, por exemplo) a ingressarem na entidade, por temer que elas caiam sob o controle da Rússia. e ) Por causa de objetivos geopolíticos relacionados ao combate ao terrorismo, a UE está relaxando nas exigências para os países que querem uma vaga no “clube”, tal como no caso atual da candidatura da Turquia, país antidemocrático pelo fato de ser uma república islâmica.

10. (UEL-PR) Área de Livre-Comércio das Américas (ALCA) é o nome dado ao processo de expansão do: E. a ) Acordo de Livre-Comércio da América do Sul ao restante dos países do Hemisfério Sul, exceto a Argentina. b ) Acordo de Livre-Comércio da América Andina ao restante dos países da América do Sul, exceto o Chile. c ) Acordo de Livre-Comércio da América Central ao restante dos países do Hemisfério Ocidental, exceto os Estados Unidos da América. d ) Acordo de Livre-Comércio da América Latina ao restante dos países do Hemisfério Sul, exceto o Peru.


vestimentos das empresas estadunidenses e conseguiu o livre acesso da população trabalhadora ao território norte-americano.

11. (UFSC - SC) Assinale a(s) proposição(õe s) CORRETA(S). (01), (02) e (16). Total: 19.

c ) o Mercosul é o bloco econômico que mais se expandiu ao englobar os países da Comunidade Andina e se integrar aos países africanos para fazer frente ao Nafta e à União Europeia nas negociações junto a OMC (Organização Mundial do Comércio).

(01) A consolidação e o for talecimento do Mercado Comum do Sul (Mercosul) têm gerado impactos sobre a gestão do território, criando novos “regionalismos”. (02) Em relação ao processo de integração regional, a organização espacial brasileira atual apresenta-se como centro de uma região virtual em formação. (04) O Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de águas subterrâneas do mundo, localiza-se totalmente na região sul do Brasil. (08) A integração brasileira com outros países sul-americanos tem afetado apenas os estados da Região Sul do país, devido à proximidade de suas fronteiras. (16) Não é apenas a integração regional sul-americana que tem transformado o espaço geográfico brasileiro, mas também as transformações pelas quais as economias regionais têm passado nas últimas duas décadas, principalmente. (32) Assim como o Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta, em inglês), a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) estabelece relações comerciais privilegiadas apenas com os Estados Unidos da América.

12. (UEPB-PB) Em relação à formação dos “blocos regionais” que surgiram com a finalidade de fortalecer os mecanismos de mercado em nível interno e com países não membros em nível internacional, é correto afirmar que: A. a ) a União Europeia é a experiência pioneira e mais bem-sucedida integração de mercados regionais que apresenta uma população com alto poder aquisitivo e elevado nível de escolaridade. b ) o Naf ta foi a mais completa integração regional, da qual o país que mais se beneficiou foi o México, que recebeu altos in-

d ) a Alca foi criada com a finalidade de fortalecer a economia dos países da América Latina e juntamente com o Nafta formar o mais importante bloco econômico internacional. e ) a Apec se tornou o mais poderoso bloco econômico mundial, por ser comandado pela China e integrar economias fortes como a do Japão e dos Estados Unidos, o que transformou o oceano Pacífico na mais importante rota comercial deste início de século.

13. (IFAL-AL) O comércio internacional tem sido um dos principais impulsionadores da globalização, fundamental para o aumento da interdependência entre as nações. Brasil, Rússia, Índia e China – países conhecidos como Bric –, têm chamado a atenção e despertado o interesse de alguns países desenvolvidos industrializados devido ao grande e rápido crescimento econômico desse conjunto de países em um mundo cada vez mais globalizado. Os países que constituem o Bric destacam-se, entre as demais nações do mundo, devido a características como: A. a ) significativa extensão territorial; elevada população absoluta e mercado consumidor; ricos em reservas minerais. b ) grandes reservas minerais; baixíssima população absoluta; grande destaque na pecuária para exportação. c ) são países socialistas; elevado mercado consumidor; grandes produtores de petróleo; todos são países desenvolvidos. d ) são países subdesenvolvidos; elevada densidade demográfica; mercado consumidor em potencial; agropecuária voltada para exportação. e ) pequena extensão territorial; grande população absoluta; baixo mercado consumidor; são países socialistas. Comércio internacional e blocos econômicos

87

Unidade 3

e ) Acordo de Livre-Comércio da América do Norte ao restante dos países do Hemisfério Ocidental, exceto Cuba.


unidade

O subdesenvolvimento

DEMIREL, Selçuk. Disponível em: <www.selcuk-demirel.com>. Acesso em: 10 maio 2016.

88


Para tratar do subdesenvolvimento, é necessário analisar as semelhanças e as diferenças que existem entre o conjunto dos países subdesenvolvidos, seus aspectos históricos e culturais, assim como suas questões econômicas e sociais.

••O que o bolo representa nesta charge? O que a partilha desigual deste bolo representa em relação aos países do mundo? Destaque algumas características socioeconômicas que diferenciam os países representados em cada fatia do bolo.

Selçuk

Charge que retrata a distribuição da riqueza entre os países do mundo.

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Capitalismo, desigualdade e exclusão Como resultado do processo de mundialização do capitalismo em escala planetária, o avanço da globalização ocorrido ao longo das últimas décadas se caracterizou pelo aumento das desigualdades no mundo. E essas desigualdades têm se acentuado tanto entre as nações como no interior de cada país. Contudo, não significa que a desigualdade seja exclusiva da globalização, nesse caso trata-se de um produto da atual fase do desenvolvimento capitalista, que se reproduz por meio de suas contradições. Isto é, por um lado promove o crescimento econômico e, por outro, aumenta a acumulação da renda. O processo de globalização em curso amplia a forte tendência para a concentração da riqueza, ou seja, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres ainda mais pobres. Na década de 1960, por exemplo, 20% das pessoas mais ricas do mundo concentravam cerca de 30% da renda mundial; em 2014, quase metade dessa riqueza estava concentrada nas mãos de menos de 1% da população.

Linha da pobreza Existem outros critérios utilizados para definir a condição de pobreza. O Banco Mundial, por exemplo, baseia-se em dois critérios:

• •limite de pobreza: faixa em que se encontram as pessoas que recebem até 3,10 dólares por dia (renda considerada suficiente para satisfazer as necessidades mínimas dos moradores de um domicílio);

• •limite de pobreza extrema ou de indi-

De acordo com os levantamentos do Banco Mundial, dos mais de 7,3 bilhões de habitantes do nosso planeta, aproximadamente 897 milhões de pessoas (o que representa cerca de 13% da população mundial) encontra-se na condição de extrema pobreza. Na foto abaixo, expressão da pobreza na paisagem de Mumbai, Índia, em 2014, com suas moradias precárias.

Rudi Sebastian/Alamy Stock Photo/Latinstock

gência: faixa em que se encontram as pessoas que recebem até 1,90 dólar por dia (renda suficiente para comprar apenas os alimentos necessários para repor os gastos energéticos).

Essa concentração tão acentuada da riqueza contrasta com a enorme pobreza que assola grande parte da população mundial. A pobreza pode ser considerada como a não satisfação de necessidades básicas (alimentação, saúde, educação, habitação etc.) que garantam ao indivíduo seu pleno desenvolvimento físico e psicológico. Como não existe um conceito rígido para definir a condição de pobreza, o Banco Mundial mensura a pobreza com base na renda, considerando como extremamente pobres as pessoas que sobrevivem com menos de 1,90 dólar por dia (quadro ao lado).

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Os números da pobreza são mais alarmantes nas regiões menos desenvolvidas do globo, em especial nos países mais pobres da América Latina, da África e da Ásia, como podemos observar no gráfico abaixo, que mostra a distribuição geográfica da pobreza no mundo. Nesses países, milhões de pessoas vivem em condições muito precárias, privadas de seus direitos mais básicos, como o de ter uma alimentação saudável, possuir uma moradia adequada, ter acesso aos serviços de educação e de saúde, ao lazer etc.

Regiões do mundo: pessoas vivendo com menos de US$ 1,90 por dia (1996-2012) Regiões do mundo N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico

39

S

7 2

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

América Latina e Caribe

Equador

6 6

Oriente Médio e Norte da África

0° OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Capricórnio

2 43 19

Sul da Ásia

58

Gilberto Alicio

África Subsaariana

2012

Círculo Polar Antártico

43

0

5

10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 % da população

OCEANO ÍNDICO

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

3 120 km

Ásia Oriental e do Pacífico Europa e Ásia Central América Latina e Caribe Oriente Médio e Norte da África Sul da Ásia

E. Cavalcante

14

Meridiano de Greenwich

Europa e Ásia Central

1996

L

7

Unidade 4

Ásia Oriental e do Pacífico

O

África Subsaariana

Fonte: THE WORLD Bank. Disponível em: <http://iresearch.worldbank.org/PovcalNet/index.htm?1>. Acesso em: 25 ago. 2015.

Embora a pobreza extrema atinja uma parcela significativa da população mundial, como visto no gráfico acima, as últimas décadas registraram uma diminuição dessa condição de vida no mundo, que no período entre 1996 e 2012 recuou de 30% para 12,7%. Os números dessa redução, no entanto, variam muito de uma região para outra, como descrito a seguir. • Ásia Oriental e do Pacífico: a pobreza diminuiu significativamente no leste da Ásia, passando de 39% para 7% da população total no período mencionado. Essa redução se deve a enormes investimentos em educação e ao crescimento econômico, impulsionado pela abertura do comércio e pelo aumento dos investimentos estrangeiros na região. • Europa e Ásia Central: nota-se a queda dos índices de pobreza, que já eram os mais baixos entre as regiões do mundo. • América Latina e Caribe: também houve diminuição da pobreza, tendo em vista que os índices foram reduzidos a pouco mais da metade no período mencionado. • Oriente Médio e Norte da África: o contingente de pobres também diminuiu significativamente nessas regiões. • Sul da Ásia e África Subsaariana: mesmo com a redução dos índices, essas regiões ainda abrigam imenso contingente de pessoas vivendo abaixo do limite de pobreza. Com base nessa análise, é importante refletir também que, se houve queda nos índices de pobreza, ao contrário, registrou-se também um aumento da população mundial. Portanto, embora esses índices tenham decrescido, em relação a uma população maior, calcula-se que cerca de 897 milhões de pessoas ainda vivem em condições de extrema pobreza no mundo. O subdesenvolvimento

91


Desenvolvimento e subdesenvolvimento O desenvolvimento de um país ocorre quando há um crescimento de sua economia acompanhado pela melhoria no padrão de vida da população. Sendo assim, os países desenvolvidos são aqueles que, no plano econômico, se destacam pelo alto grau de industrialização e também pela supremacia econômica e tecnológica; no plano social, apresentam uma população que desfruta de melhores condições de vida. O subdesenvolvimento, por sua vez, se expressa pelo atraso e dependência econômica e tecnológica em que um país se encontra em relação às demais nações, associados às precárias condições de vida a que está submetida grande parte de sua população. As estatísticas fornecidas por instituições e organismos internacionais (ONU, Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, por exemplo) ajudam a traçar um perfil geral que expressa a condição de maior ou menor desenvolvimento em que os países do mundo se encontram. Embora esses levantamentos estatísticos forneçam informações relevantes sobre as condições socioeconômicas que assinalam diferenças tão gritantes entre os países do mundo, esses números, por si só, não podem ser utilizados como critério para agrupar os mais de 200 países em apenas dois grandes conjuntos: o dos desenvolvidos, de um lado, e o dos subdesenvolvidos, de outro. Isso se explica pela enorme heterogeneidade existente tanto entre os países mais desenvolvidos quanto entre os subdesenvolvidos. Analise os dados da tabela abaixo.

Países subdesenvolvidos

Países desenvolvidos

Países desenvolvidos e subdesenvolvidos: indicadores socioeconômicos Taxa de analfabetismo em 2014 (em %)

Expectativa de vida em 2014 (anos)

6

<5

79

47 627

3

<5

81

127

36 194

2

<5

84

França

65

42 736

4

<5

82

Canadá

36

50 271

5

<5

82

Suécia

10

58 887

2

<5

82

Austrália

24

61 887

3

<5

82

China

1 402

7 594

11

<5

76

Brasil

203

11 613

12

9,5

74

Índia

1 282

1 631

41

37,2

68

Paraguai

7

4 479

19

6,1

73

Haiti

11

833

55

51,3

63

Etiópia

99

568

44

61,0

64

PIB per capita em 2014 (em US$)

País

População em 2015 (em milhões)

Estados Unidos

325

54 629

Alemanha

82

Japão

Taxa de mortalidade em 2013 (em ‰)

Fontes: UNITED Nations Population Division. World Population Prospects 2015. Disponível em: <http://esa.un.org/unpd/wup/cd-rom/>. THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank.worldbank.org/data/reports.aspx?source=world‐development‐indicators>. INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/estimativas_de_populacao/estimativas_2015/estimativa_dou_2015.pdf>. FUNDO das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Disponível em: <www.unicef.org/publications/files/sowc_2015_summary_and_tables.pdf>. PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/content/dam/undp/library/corporate/hdr/hdr%202015/humandevelopmentreport_en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016.

92


Já o conjunto dos países subdesenvolvidos apresenta-se ainda mais heterogêneo. Se a grande maioria desses países possui economia essencialmente agrária e muito frágil, outros países se destacam no cenário internacional como importantes economias industrializadas, entre os quais estão China, O termo subdesenvolvimento surgiu na Brasil, Rússia, Índia, Coreia do Sul, México, África do Sul e literatura econômica e política a partir da Argentina. Por conta de tais diferenças, existem outros critésegunda metade do século XX, logo após o rios de classificação adotados para esse conjunto de países. generalizado processo de descolonização Em seus relatórios, a ONU e o Banco Mundial classificam que ocorreu na Ásia e na África. Com a limuitas economias subdesenvolvidas de baixa e média renda bertação política, promovida muitas vezes como “economias em desenvolvimento”. A divisão do mundo em países desenvolvidos de um lado e países em desenvolvimento de outro incorre em duas questões importantes. Uma delas diz respeito ao caráter impreciso e até mesmo simplificado dessa regionalização, que, ao dividir os países em apenas dois grupos como se fossem mundos dissociados e estanques, desconsidera as particularidades socioeconômicas e culturais de cada país. A outra questão se refere ao fato de que o termo “em desenvolvimento” transmite a ideia de que a pobreza seria uma etapa necessária para alcançar o desenvolvimento, o que serve apenas para desviar as discussões sobre as causas reais do subdesenvolvimento (assunto que será abordado nas páginas 98 e 99).

por meio de conturbadas guerras e conflitos, surgiram novos países independentes, todos marcados por graves problemas socioeconômicos, quase sempre associados à pobreza extrema: altas taxas de mortalidade, baixa expectativa de vida, analfabetismo, subnutrição, fome crônica etc. A partir dessa época, portanto, o mundo passou a notar ainda mais as fortes desigualdades existentes entre os países, o que acabou se tornando tema de profundos estudos e reflexões teóricas sobre as origens do subdesenvolvimento e também sobre as razões do desenvolvimento.

A Declaração do Milênio

ONU

Durante a Cúpula do Milênio, reunião organizada em setembro de 2000 pela Assembleia Geral da ONU, chefes de Estado e de governos assumiram o compromisso de realizar uma proposta ambiciosa: reduzir a pobreza mundial e promover o desenvolvimento humano melhorando as condições de vida das populações, sobretudo nas regiões mais pobres da América Latina, da África e da Ásia. Naquela ocasião, os participantes do encontro traçaram as metas para alcançar os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Em 2015, os líderes mundiais reafirmaram o compromisso de manter os esforços para promover os oito objetivos estabelecidos inicialmente para a promoção do desenvolvimento. Veja abaixo quais são eles.

Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

O subdesenvolvimento

93

Unidade 4

No conjunto dos países desenvolvidos, embora relativamente homogêneo do ponto de vista econômico, encontram-se as potências econômicas mais poderosas do planeta, como Estados Unidos, Alemanha, França e Japão, ao lado de nações como Suíça e Bélgica, que, mesmo dispondo de uma economia mais modesta, garantem os mais elevados padrões de desenvolvimento humano aos seus habitantes.


Na tentativa de agrupar de maneira mais adequada a enorme heterogeneidade que marca o mundo subdesenvolvido, a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, do inglês United Nations Conference on Trade and Development) adota outro critério de classificação, distinguindo no interior desse grupo os países menos desenvolvidos e os chamados países emergentes. No conjunto dos menos desenvolvidos estão os países mais pobres do mundo, nações que apresentam economias extremamente frágeis e populações debilitadas marcadas por graves problemas socioeconômicos. A maior parte desses países encontra-se nas regiões mais pobres da África e da Ásia. Os emergentes, por sua vez, abrangem as economias subdesenvolvidas que se encontram em processo de crescimento econômico e industrial, como Brasil, China, Índia e Coreia do Sul (assunto que será abordado na unidade 6). A UNCTAD distingue ainda o grupo das chamadas economias em transição, constituído pelos antigos países socialistas (veja mapas abaixo).

N

OCEANO GLACIAL O

ÁRTICO

L S

Gilberto Alicio

Países do mundo: classificação segundo a UNCTAD – 2014

Círculo Polar Ártico

RÚSSIA

FRANÇA ESTADOS UNIDOS

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Câncer

OCEANO

CHINA

IRÃ

ARGÉLIA

PACÍFICO

SUDÃO Equador 0° OCEANO PACÍFICO

BRASIL OCEANO ÍNDICO

Meridiano de Greenwich

Trópico de Capricórnio

Fonte: UNITED Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD). Disponível em: <http:// unctad.org/en/ publicationslibrary/ tdstat39_en.pdf>. Acesso em: 26 ago. 2015.

Economias desenvolvidas Economias em desenvolvimento Economias em transição Economias menos desenvolvidas Dados não disponíveis

ÁFRICA DO SUL 2 400 km 0°

Países desenvolvidos e subdesenvolvidos: o Norte e o Sul OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico

L S

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO Equador

0° OCEANO PACÍFICO

Trópico de Capricórnio

ROSS, Jurandyr L. Sanches (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. p. 285.

Círculo Polar Antártico

Países desenvolvidos Países subdesenvolvidos Linha Norte-Sul

OCEANO ÍNDICO

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

2 400 km

E. Cavalcante

Trópico de Câncer

Fontes: PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Disponível em: <http://hdr. undp.org/sites/default/files/reports/270/hdr_2010_en_ complete_reprint.pdf>. Acesso em: 25 ago. 2015.

94

N O

Meridiano de Greenwich

Devido à posição geográfica que ocupam na superfície terrestre, os países do Norte e os países do Sul também são chamados de desenvolvidos e subdesenvolvidos, respectivamente, com exceção da Austrália e da Nova Zelândia. Outras expressões também utilizadas para denominar essa dualidade são países Ricos ou países Centrais e países Pobres ou países Periféricos.


IDH: indicador de desenvolvimento Na tentativa de medir o nível de desenvolvimento de cada país de maneira mais abrangente, a ONU, por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), passou a considerar um conjunto de indicadores que retrata a situação econômica e social bem como as condições de vida de suas populações, como o nível de renda, o grau de analfabetismo e escolarização, as taxas de mortalidade, a expectativa de vida, entre outros.

Unidade 4

Com base na combinação desses indicadores socioeconômicos, é possível verificar o nível de desenvolvimento de um país, expresso por seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O cálculo desse índice resulta um valor entre zero e um; quanto mais próximo de zero for o IDH, menos desenvolvido é o país, e, quanto mais próximo de um for o IDH, mais desenvolvido é o país. Nas publicações do Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD, os países são agrupados em quatro categorias, conforme o valor de seu IDH: muito elevado, elevado, médio e baixo. Observe o mapa que mostra o nível de desenvolvimento humano na página 97. O cálculo do IDH sintetiza os diversos índices de desenvolvimento humano, pois ele leva em consideração três importantes dimensões necessárias para o desenvolvimento de um país:

Expectativa de vida

O nível de escolaridade e conhecimentos, verificado pela taxa de alfabetização e pela média de anos de estudo da população, mede o grau de instrução dos habitantes de um país.

IDH

Renda per capita A capacidade ou poder de compra de bens e serviços pela população, indicada por sua renda média per capita, mede o poder aquisitivo e o nível de renda.

Mario Henrique

Alfabetização

A longevidade da população, indicada pela expectativa de vida dos habitantes, mede as condições de saúde e a qualidade de vida.

Embora o IDH nos ajude a estabelecer comparações importantes sobre as diferenças de desenvolvimento existentes entre os países do mundo, sendo inclusive de grande valia para o estabelecimento de políticas voltadas para a promoção do desenvolvimento socioeconômico, é necessário cautela ao analisar esses dados a fim de evitar interpretações distorcidas, ou mesmo equivocadas, a respeito da realidade de determinado país. Isso pode ocorrer, por exemplo, pelo fato de o cálculo do IDH expressar apenas uma média, não sendo capaz de retratar as desigualdades existentes no interior de um determinado país. Isso fica claro ao verificar a realidade do nosso próprio país, que tem IDH calculado em 0,755 (segundo dados da ONU referentes a 2014). Esse número, no entanto, não revela as profundas desigualdades socioeconômicas que marcam a sociedade brasileira ao longo de sua história, fazendo uma expressiva parcela da população sobreviver em condições extremamente precárias. O subdesenvolvimento

95


A seguir, os três primeiros mapas apresentam os indicadores utilizados para estabelecer o IDH. O último mapa apresenta esse índice por grupo de países. Mundo: taxa de alfabetização – 2013 N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

O S

Itália 99%

Círculo Polar Ártico

L

Mali 33,6%

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Câncer OCEANO ATLÂNTICO

Equador

Trópico de Capricórnio Taxa de Alfabetização (%)      Acima de 95,1 75 a 95 45 a 74,9 Até 44,9 Dados não disponíveis

OCEANO PACÍFICO

Brasil 91,3%

Meridiano de Greenwich

0° OCEANO ÍNDICO

1 830 km

0° Fonte: PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/content/dam/undp/ library/corporate/hdr/hdr%202015/humandevelopmentreport_en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016.

Mundo: renda per capita – 2014 N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

O

L S

Círculo Polar Ártico

Alemanha US$ 47 627

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Câncer

Equador

Acima de 15 001 De 5 001 a 15 000 De 1 001 a 5 000 De 0 a 1 000 Dados não disponíveis

OCEANO PACÍFICO

Brasil US$ 11 613

OCEANO ÍNDICO

1 830 km

lustrações: Leonardo Mari

Renda per capita (dólares)     

Meridiano de Greenwich

Trópico de Capricórnio

Etiópia US$ 568

Fonte: THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank.worldbank.org/data/ reports.aspx?source=world-development-indicators#>. Acesso em: 25 ago. 2015.

96

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5/27/16 2:27 PM


Mundo: expectativa de vida – 2014 N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

O

L S

Unidade 4

Círculo Polar Ártico

Japão 84 anos

OCEANO ATLÂNTICO Trópico de Câncer Serra Leoa 51 anos

Equador

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Capricórnio Expectativa de vida (em anos)     Acima de 75 60 a 74,9 50 a 59,9 Até 49,9 Dados não disponíveis

OCEANO PACÍFICO

Brasil 74 anos

Meridiano de Greenwich

0° OCEANO ÍNDICO

1 830 km

0° Fonte: PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/content/dam/ undp/library/corporate/hdr/hdr%202015/humandevelopmentreport_en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016.

Mundo: índice de desenvolvimento humano – 2014 N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO Noruega 0,944

O

L S

Círculo Polar Ártico

OCEANO PACÍFICO

Sudão 0,479

Equador

IDH De 0,802 a 0,944 (Muito elevado) De 0,702 a 0,798 (Elevado) De 0,555 a 0,698 (Médio) De 0,348 a 0,548 (Baixo) Dados não disponíveis

Brasil 0,755

Meridiano de Greenwich

Trópico de Capricórnio

0° OCEANO ÍNDICO

lustrações: Leonardo Mari

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

1 830 km

Fonte: PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/content/dam/undp/ library/corporate/hdr/hdr%202015/humandevelopmentreport_en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016.

O subdesenvolvimento

97


Origens históricas do subdesenvolvimento A condição de subdesenvolvimento de muitos países do mundo tem origens históricas que remontam ao colonialismo iniciado nos séculos XV e XVI, que marcou a expansão do capitalismo em sua fase mercantil, e se seguiu com o imperialismo no momento em que o capitalismo entrou em sua fase industrial, já nos séculos XIX e início do XX (assunto estudado na unidade 1). Durante todo esse período, as metrópoles mercantilistas europeias (Portugal, Espanha, Inglaterra, Holanda) passaram a dominar e explorar vastos territórios coloniais conquistados na América, na África e também na Ásia (veja mapa na página 100). Submetidos ao controle e aos interesses econômicos das metrópoles, as riquezas dos territórios coloniais (ouro, prata, madeira, especiarias e produtos agrícolas) foram intensamente exploradas pelos conquistadores europeus, que também escravizaram e dizimaram populações nativas inteiras que habitavam essas terras.

Escola Francesa. c. 1916. Centro Histórico de Arquivos Nacionais, Paris (França). Foto: ArchivesCharmet/The Bridgeman Art Library/Keystone

A

É o que ocorreu, por exemplo, com várias populações africanas (bantos e sudaneses) escravizadas para o trabalho nas colônias e também com os povos indígenas que viviam nas terras que hoje formam o território brasileiro. Assim, essa exploração estabeleceu uma relação desigual das trocas comerciais entre as metrópoles e suas colônias. As metrópoles forneciam manufaturas às colônias (tecidos, ferramentas, utensílios domésticos), enquanto as colônias forneciam riquezas que eram comercializadas na Europa e geravam grandes lucros às metrópoles.

Harold D. Smith. c. 1920. Coleção particular. Foto: Akg-images/Latinstock

B

Desse modo, enquanto as metrópoles enriqueciam com a exploração das suas colônias, a produção destas permaneceu organizada de acordo com os interesses externos, de modo a não conseguirem desenvolver uma economia interna articulada.

A – Plantation de café em Camarões, África, em 1916. B – Construção de estrada em Hong Kong, em 1920.

98


De forma geral, isso explica por que a grande maioria dos países subdesenvolvidos do mundo foi, no passado, colônia de exploração das metrópoles europeias. Além dos problemas decorrentes de sua antiga relação com as metrópoles, fatores de ordem interna também comprometeram o desenvolvimento das ex-colônias. Após conquistarem a independência, suas elites dominantes, que durante o próprio processo de colonização defenderam os interesses das metrópoles em troca de privilégios (posse de terras, controle de minas etc.), ascenderam ao poder político, fazendo prevalecer seus interesses e privilégios. C – Plantation de cana-de-açúcar em Cuba, em 1870. D – Colheita de café no Rio de Janeiro, em 1835.

Unidade 4

Em muitos casos, essas elites, também chamadas oligarquias, se mantiveram no poder por meio de governos autoritários e antidemocráticos, que, submissos aos interesses do grande capital internacional, agravaram ainda mais a situação de pobreza já existente. Há que se destacar também que, em muitos desses países, elites privilegiadas e governos corruptos desviaram e ainda desviam boa parte das verbas que deveriam ser aplicadas na ampliação e melhoria dos serviços necessários para garantir melhores condições de vida à população.

C

Artista desconhecido. Séc. XIX. Gravura colorida. Coleção particular. Foto: Akg-images/Latinstock

Diante disso, fica evidente que a condição de subdesenvolvimento em que muitos países do mundo se encontram poderá ser superada somente com uma profunda transformação em suas estruturas políticas, promovendo o fortalecimento da democracia e com governos que invistam prioritariamente no bem-estar de suas populações. As imagens desta página e da anterior são representações que registram as fases do colonialismo em diferentes regiões do mundo.

Johann Moritz Rugendas. Séc. XIX. Litografia colorida. Coleção particular

D

O subdesenvolvimento

99


A exploração colonial não se deu de maneira concomitante em todas as regiões do planeta. No continente americano, essa exploração teve início nos séculos XV e XVI, sobretudo com os portugueses e os espanhóis, grandes potências marítimas daquela época.

• Na África e na Ásia, a colonização ocorreu mais tarde, nos séculos XIX e XX,

contando também com a participação de ingleses, franceses, alemães, belgas, entre outros. Há que destacar também que o processo de colonização teve características bem diferentes de uma região para outra.

• Nas colônias inglesas da América do Norte, grande parte da ocupação ocorreu por meio de colônias de povoamento tendo o objetivo principal de fixar a população em suas terras. Por isso, essas colônias desenvolveram suas atividades destinadas a atender suas necessidades internas, fato este que explica o grande desenvolvimento econômico alcançado por países como Estados Unidos, Canadá e Austrália, que se formaram a partir dessas antigas colônias.

• Na América Latina, na África e na Ásia, por sua vez, prevaleceram colônias de exploração servindo quase que exclusivamente aos interesses de suas metrópoles, que se apropriaram das riquezas nelas encontradas. Essa intensa exploração comprometeu o desenvolvimento socioeconômico dos países que se formaram posteriormente nessas regiões.

Domínios coloniais europeus entre os séculos XVI e XX N O

L S

Círculo Polar Ártico

CANADÁ 1534 - 1536 OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

PERU 1532 - 1821

BRASIL 1522 - 1822

Renan Fonseca

CHILE 1561 - 1818 1 950 km

Nações colonizadoras Alemanha Holanda Bélgica Inglaterra Espanha Itália França Portugal

NIGÉRIA 1861 - 1960 CONGO 1908 - 1960 Meridiano de Greenwich

COLÔMBIA 1536 - 1819

Trópico de Capricórnio

OCEANO PACÍFICO

ARGÉLIA 1830 - 1962 VENEZUELA 1527 - 1821

MÉXICO 1519 - 1821 Equador

MARROCOS 1912 - 1956

ETIÓPIA 1935 - 1941

ÍNDIA 1764 - 1947

FILIPINAS 1521 - 1948 0°

OCEANO ÍNDICO

AUSTRÁLIA 1770 - 1901

ÁFRICA DO SUL 1814 - 1910

Domínios coloniais Alemães Belgas Espanhóis Franceses

Holandeses Ingleses Italianos Portugueses

1522 - 1822 Início da colonização

Data da independência

Divisão política atual Fonte: LACOSTE, Yves (Org.). Atlas 2000. Paris: Nathan, 1999. 1 atlas. Escalas variam.

100


Contexto geográfico

Estudo de caso

Raízes do subdesenvolvimento africano [...]

Autor desconhecido. Séc. XIX. Gravura. Coleção particular. Foto: Everett Historical/Shutterstock.com

Unidade 4

Para se compreenderem as dificuldades do desenvolvimento econômico das jovens nações africanas, é preciso ter em conta, antes de tudo, o fato de que o continente foi alvo de uma pilhagem sistemática, por parte das nações europeias, desde o século XVI. Com efeito, o tráfico negreiro (imagem A) correspondeu, do ponto de vista demográfico, a uma verdadeira sangria, uma vez que foram exatamente os indivíduos mais vigorosos e, portanto, os mais aptos ao trabalho, aqueles que foram arrancados do continente pelo comércio de escravos. Isso levou a uma redução do ritmo de crescimento populacional na África como um todo, sendo que, ao que tudo indica, houve até mesmo decréscimo em algumas regiões. [...] A

Já no período pós-colonial, isto é, a partir da conquista da independência, as formas de pilhagem se tornaram mais difusas. A extração de riquezas continuou por meio de trocas desiguais e dos baixíssimos salários pagos pelas corporações estrangeiras estabelecidas nas ex-colônias (imagem C). Isso levou a um processo de emigração forçada, ou até mesmo encorajada, que permitia o fornecimento de mão de obra barata dos territórios das antigas metrópoles. [...] Como se vê, o fato de as colônias africanas terem se tornado independentes a partir da década de 1950 não reduziu o processo de pilhagem e de extração de riquezas a que o continente esteve submetido desde o século XVI. [...] MENDONÇA, Marina Gusmão de. Histórias da África. São Paulo: LCTE Editora, 2008. p. 195-197.

B

Olivier Polet/Corbis/Latinstock

No período colonial propriamente dito, isto é, a partir do final do século XIX, a pilhagem de riquezas foi tremendamente incrementada. A apropriação do excedente produzido e mesmo a expropriação econômica foram intensificadas por meio das trocas desiguais no comércio internacional. Por fim, a implantação do trabalho forçado, como meio de punição ou de extração do excedente – já que muitos não conseguiam pagar os tributos impostos pelo sistema colonial – levou a exacerbação quase que absoluta do sistema de exploração.

Francois Pages/Paris Match/Getty Images

Outro aspecto a se considerar é a colaboração das elites africanas com os interesses do capital estrangeiro. As disputas políticas pelo poder levaram, desde o século XVI, a uma série de conflitos e guerras (imagem B), os quais contribuíram para uma verdadeira paralisação do processo produtivo, o que, evidentemente, apenas agravou o estado de pobreza e a violência. [...]

C

A - Mercado de escravos na África, no final do século XIX. B - Soldados franceses na fronteira entre Argélia e Marrocos, colônia francesa, em 1955. C - Exploração de minérios em Angola, em 2013.

O subdesenvolvimento

101


Christopher Pillitz/Photonica World/Getty Images

O subdesenvolvimento e suas características Os países subdesenvolvidos concentram aproximadamente 83% da população mundial, o que perfaz mais de seis bilhões de pessoas. Embora bastante heterogêneos sob os mais diferentes aspectos (socioeconômico, cultural, político etc.), existem certas características que são comuns a todos eles, entre as quais podemos destacar as que seguem. ••As precárias condições de vida: parte da população que vive nos países subdesenvolvidos não possui renda suficiente que garanta ao menos suas necessidades mais básicas (alimentação, saúde, educação, lazer etc.). Nesses países, a pobreza extrema e a carência alimentar que afetam milhões de pessoas tornam crônicos os problemas da fome e da subnutrição. Essas condições de vida são ainda agravadas pela precariedade ou inexistência dos serviços de saúde – falta de hospitais e médicos, ausência de campanhas de vacinação em massa e de prevenção de doenças, entre outras deficiências –, o que explica tanto a alta taxa de mortalidade, sobretudo infantil, como a baixa expectativa de vida de sua população. No entanto, as condições de vida também variam muito entre os países subdesenvolvidos. Em Cuba, por exemplo, a taxa de analfabetismo é de apenas 0,2% e a expectativa de vida ultrapassa os 79 anos; já no Haiti, o analfabetismo atinge 51% da população e a expectativa de vida alcança cerca de 63 anos. Em países como o Mali, na África, o analfabetismo atinge 66% da população e a expectativa de vida chega aos 58 anos. A •• dependência econômica e financeira: a carência de recursos financeiros e a escassez de investimentos são problemas que também afetam grande parte das economias subdesenvolvidas, mergulhadas em estagnação e recessão profundas. Com economias descapitaliCondições precárias de vida na favela de Kibera em Nairobi, Quênia, em 2013. zadas, esses países se tornam dependentes do capital internacional, de modo que seu mercado é dominado por gran[...] des empresas transnacionais. Essa deA dependência comercial que os países subdesenvolvidos têm em pendência econômica se explica, em relação aos países ricos agravou-se nos anos 80, com a nítida deterioparte, pelo fato de que esses países esração das condições de troca. Isso significa que a evolução dos preços ou a qualidade dos bens produzidos por um país lhe permite comprar tiveram (e ainda estão) em desvantagem hoje apenas uma parte dos bens que ele antes conseguia comprar. A na divisão inter­ nacional do trabalho, deterioração das condições de troca dos países do Sul se deve, esuma vez que são dependentes quase sencialmente, à estagnação ou à queda dos preços das matérias-prique exclusivamente das exportações mas, ao passo que o preço dos produtos manufaturados do Norte não de gêneros primários (matérias-primas de para de aumentar, em função do valor agregado neles incluído e do origem agrícola, vegetal e mineral), comalto custo da mão de obra. modities de baixo valor no mercado in[...] ternacional (veja quadro ao lado). FERNANDES, Laetitia. Terceiros mundos. Tradução de Isa Mara Lando. 2. ed. São Paulo: Ática, 1998. p. 18.

102


••A dependência tecnológica: outra característica marcante dos países subdesenvolvidos diz respeito ao enorme atraso tecnológico em relação às nações mais ricas e industrializadas. Isso se explica pelo fato de que, devido à reduzida capacidade de investimentos, esses países destinam escassos recursos para as áreas de educação, ciência e tecnologia. Para efeito de comparação, enquanto certos países subdesenvolvidos como Equador, Peru, Angola, Congo e Indonésia destinam de 2 a 3,6% do PIB para educação, esse investimento ultrapassa 5% em países como Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França e Holanda (veja tabela abaixo). Isso explica o enorme abismo tecnológico que separa os dois grupos de países. Assim, se por um lado a grande maioria dos países subdesenvolvidos apresenta domínio tecnológico reduzido ou quase inexistente, por outro as nações mais ricas e desenvolvidas detêm o domínio das mais avançadas tecnologias. São justamente essas disparidades tecnológicas que mantêm os países subdesenvolvidos dependentes das exportações de gêneros menos valorizados no comércio internacional. Investimento em educação % PIB investido em educação em 2014

Países

PIB em 2015 (bilhões de US$)

5,2

Estados Unidos

17 419

5,3

Canadá

1 786

5,0

Alemanha

3 852

5,8

Brasil

2 346

3,5

Angola

131

3,6

Indonésia

888

3,3

Peru

203

2013 Anos

Fonte: THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank. worldbank.org/data/reports. aspx?source=worlddevelopment-indicators#>. Acesso: 26 ago. 2015.

••Analise a tabela levando em consideração o PIB de cada país, podendo verificar, assim, a real dimensão dos valores aplicados em educação em cada país. Compare, por exemplo, os valores em dólares destinados por Estados Unidos e Brasil à educação.

Fontes: PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/content/dam/undp/library/corporate/hdr/hdr%20 2015/humandevelopmentreport_en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016. THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank.worldbank.org/data/ download/gdp.pdf>. Acesso em: 16 set. 2015.

O subdesenvolvimento

103

 Gilberto Alicio

industrializados mais avançados tecnologicamente e também mais valorizados (máquinas, equipamentos, eletroeletrônicos, veículos etc.), esses países comprometem o resultado operacional de sua balança comercial, acumulando déficits crescentes. Com déficits comerciais, faltam recursos para investir na expansão e melhoria dos serviços públicos, assim como na expansão da infraestrutura (geração de energia elétrica, construção de estradas, ferrovias, portos e aeroportos etc.) necessária para o próprio desenvolvimento das atividades econômicas. Para cobrir os déficits e investir no desenvolvimento interno, muitos países contraíram empréstimos com Evolução do endividamento dos grandes bancos estrangeiros e organismos países subdesenvolvidos (1970-2013) internacionais (FMI e Banco Mundial), amDívida (bilhões de US$) pliando ainda mais sua dependência econô5 500 mica e financeira dos países ricos. Com a 4 400 alta dos juros no mercado externo, houve uma verdadeira explosão no valor dessas 3 300 dívidas (veja gráfico ao lado), obrigando os países a comprometerem boa parte de seus 2 200 já escassos recursos com o pagamento de parcelas, juros e encargos dessas dívidas 1 100 junto a seus credores, em detrimento dos investimentos nas áreas de saúde, educa0 ção etc. tão necessários à melhoria das 1970 1980 1990 2000 condições de vida de sua população.

Unidade 4

• •O endividamento externo: ao exportar gêneros primários e importar produtos


Contexto geográfico

Ponto de vista

Desigualdade de gênero Em meio a todas as desigualdades do mundo atual, algumas independem do nível de desenvolvimento do país, como é o caso daquelas relacionadas ao gênero. Embora haja uma participação cada vez mais importante e ativa das mulheres em praticamente todas as esferas da vida social, a igualdade de gêneros continua sendo um enorme desafio a ser superado pela grande maioria dos países. Desde o movimento feminista dos anos de 1960, as mulheres vêm lutando por causas que assegurem a efetivação de seus plenos direitos, mas muitas delas ainda sofrem discriminações, apesar dos avanços já conquistados. A inserção da mulher no mercado de trabalho lhe tem garantido maior autonomia financeira. No Brasil, por exemplo, é cada vez maior o número de mulheres chefes de família. Isso se verifica com o aumento da presença feminina nas mais diversas atividades, inclusive nos cargos de chefia e comando de grandes empresas. No entanto, constata-se em geral uma grande desvalorização das mulheres em relação aos homens no mundo do trabalho. Via de regra, tanto em países ricos e mais desenvolvidos quanto em países subdesenvolvidos, elas recebem bem menos do que os homens para realizar as mesmas funções. Em seu Relatório Global sobre Desigualdade de Gênero publicado em 2014, o Fórum Econômico Mundial analisa o nível de desigualdade entre os gêneros utilizando o chamado Índice de Desigualdade de Gênero (IDG). Esse índice mede a desigualdade de realizações entre mulheres e homens considerando principalmente suas diferenças de rendimento, escolarização e participação política. O IDG varia de 0 (zero) a 1 (um); quanto mais próximo de 1, menor a desigualdade entre homens e mulheres, e vice-versa. Com IDG calculado em 0,694, o Brasil aparece na 71a posição no ranking geral divulgado nesse relatório, com desigualdade de gênero mais acentuada do que em outros países latino-americanos como Chile (0,698), Colômbia (0,712), Peru (0,720), Argentina (0,732) e Equador (0,745). Veja quadro abaixo.

Ranking/País

IDG

Rendimento médio (PPP* em dólar)

Taxa de alfabetização em 2013 (%)

Homens

Mulheres

Homens

Assentos parlamentares ocupados por Mulheres mulheres (%)

1o – Islândia

0,859

42 520

27 612

99

99

40

3 o – Noruega

0,837

70 807

56 994

99

99

40

19 o – Canadá

0,746

49 272

34 612

99

99

25

71o – Brasil

0,694

17 813

10 851

91

92

9

87o – China

0,683

13 512

9 288

97

93

23

129 o –Egito

0,606

16 522

4 225

82

66

10

141o – Paquistão

0,552

7 439

1 707

67

42

21

*PPP - Purchasing Power Parity (Paridade de poder de compra) Fontes: PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Disponível em: <www.pnud.org.br/arquivos/rdh2014.pdf>. Acesso em: 26 ago. 2015. THE World Economic Forum. Disponível em: <www3.weforum.org/docs/gggr14/gggr_ completereport_2014.pdf>. Acesso em: 26 ago. 2015.

104


Unidade 1

No Brasil, de acordo com pesquisas do IBGE e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em relação a 2013 as mulheres ganham, em média, 20% menos que os homens para desempenhar as mesmas tarefas. A discriminação sofrida pelas mulheres também se repete no que diz respeito ao acesso à educação. As taxas de alfabetização e de escolaridade entre as mulheres registradas em vários países do mundo são quase sempre inferiores às dos homens, o que acarreta, em geral, uma maior dificuldade de ascensão social, pois quanto maior o nível de instrução e qualificação oferecido no mercado de trabalho, maiores também são as possibilidades de melhores rendimentos. Por outro lado, as mulheres se tornaram mais presentes e atuantes na vida política, ocupando mais assentos nos parlamentos e exercendo funções nos altos escalões de governo ou até mesmo sendo eleitas para o cargo máximo de comando de um país (presidente, primeiro-ministro). Ainda assim, a participação das mulheres nas tomadas de decisões políticas fica atrás da dos homens em todo o mundo, especialmente na África Subsaariana, no sul da Ásia e nos países árabes. Em vários desses países, há complexos fatores de ordem cultural, política ou religiosa que contribuem para a manutenção de tais desigualdades (veja quadro abaixo). Desigualdade de gênero no mundo

Proporção de mulheres nos parlamentos da América do Sul: 60

53%

Bolívia

50 40

36%

No ritmo atual a igualdade de gênero no Brasil ocorrerá:

Seguindo o ritmo atual,

a igualdade de gênero no mundo será atingida em:

Senado

Câmaras Municipais em

2133

2160

em

2083

Câmara dos Deputados

Argentina

em

2254

30 20

15% 10%

10

Paraguai Brasil

0

Jornada diária de trabalho

Horas diárias dedicadas a afazeres domésticos

(em horas)

5,3

4,8

5

3,8

4

6,6

2

75% 1,4

1

0,8

0,6

0,5

MULHERES

TUNÍSIA

5,8 6,1

0

homens

BRASIL

4,9

6,8

25%

EUA

6,1 6,2

3,4

3

5,6

PAQUISTÃO homens

HOMENS

mulheres

mulheres

Poliana Garcia

6

Cargos no Poder Legislativo na América do Sul

Fonte: INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 18 abr. 2016.

Agora, converse com os colegas sobre esse tema, partindo das questões a seguir. a ) No Brasil, há tentativas de reduzir a discriminação das mulheres no trabalho e na política? b ) Que medidas e ações deveriam ser tomadas para reduzir a desigualdade de gêneros na sociedade brasileira? Exponha suas sugestões e verifique a opinião dos colegas.

O subdesenvolvimento

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. A globalização e o sistema capitalista têm intensificado as desigualdades no mundo. Explique como isso ocorre e dê exemplos. 2. Em relação à linha de pobreza, diferencie: a ) limite de pobreza; b ) limite de pobreza extrema ou de indigência. 3. Selecione e anote em seu caderno palavras e expressões-chave que caracterizem os países: a ) desenvolvidos; b ) subdesenvolvidos. 4. Quais são as principais questões que dificultam a regionalização do mundo em apenas dois grupos: países desenvolvidos e países subdesenvolvidos?

5. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) leva em consideração três importantes variáveis para estabelecer o nível de desenvolvimento de um país. Quais são elas? O que cada uma delas expressa sobre um país? 6. Cite algumas das origens históricas comuns aos países subdesenvolvidos. 7. Quais foram as consequências da atuação das oligarquias nos países subdesenvolvidos? 8. Explique, dando exemplos, o que caracteriza os seguintes aspectos do subdesenvolvimento: a ) precárias condições de vida; b ) dependência econômica e financeira; c ) endividamento externo; d ) dependência tecnológica.

Expandindo o conteúdo 9. Leia o texto a seguir e responda às questões.

A economia africana e o fator China Em 2006 realizou-se a primeira Cúpula Sino-Africana, que reuniu em Beijing, nome atual de Pequim, a quase totalidade de chefes de Estados dos países africanos e dirigentes chineses. Essa reunião teve como grande objetivo implementar ainda mais as relações econômicas entre a China e os países do continente africano. Naquela ocasião, um ministro do alto escalão chinês afirmou enfaticamente que “a China precisava da África”. São várias as razões que justificam o grande interesse dos chineses no continente. Primeiramente, deve se levar em conta que, para a manutenção do alto ritmo de crescimento da economia chinesa, o país necessita importar enormes quantidades de matérias-primas minerais, especialmente energéticas, sendo a África importante fornecedor. A China também precisa colocar seus produtos em mercados consumidores em expansão, como é o caso do africano, assim como alocar investimentos de seu capital excedente. A agressiva política chinesa de conquista de mercados externos, que já havia atingido a Ásia, os países desenvolvidos e a América Latina, tem se voltado cada vez mais para a África, área do mundo que tem se mostrado como uma nova fronteira para a expansão dos interesses econômicos chineses. Além disso, a China está cada vez mais imbuída da necessidade de ter apoio internacional para se proteger de determinados questionamentos nos fóruns internacionais, sobretudo em temas ligados aos direitos humanos e respeito à legislação sobre patentes, já que o país é considerado como um líder na “pirataria” intelectual. Nesse sentido, o apoio dos países africanos – e a África é o continente com maior número de países – é absolutamente essencial.

106


[...] Para cumprir esses objetivos a China tem aumentado a ajuda para o desenvolvimento dos países africanos. Ao mesmo tempo tem ofertado vultosos empréstimos, cujo pagamento pode ser feito com matérias-primas, tão necessárias à China. A dimensão econômica da presença chinesa na África pode ser avaliada pelo fato de que, na primeira década do século XXI, os chineses passaram do nono para o segundo maior parceiro comercial africano, só superados pelos Estados Unidos, desbancando as antigas potências coloniais europeias.

Unidade 4

Além do comércio de bens, os países africanos têm se mostrado um importante destino para os investimentos em áreas da construção civil e mineração. O modelo baseado na oferta de crédito oficial condicionada à contratação de serviços chineses tornou imbatíveis os preços oferecidos pelos chineses. Todavia, nem tudo são flores nessa relação. Um dos problemas é o desgaste do modelo praticado, que gera endividamento dos Estados africanos, deixando a sensação de que a China, na verdade, pratica um outro tipo de colonialismo, fato que fica evidenciado pela grande utilização de mão de obra chinesa pelas empresas instaladas no continente. Além disso, a China tem sido constantemente criticada pelo apoio que tem dado a regimes acusados de violação sistemática dos direitos humanos, cujo caso mais emblemático é o Sudão. A forma como a China lidará com esses desafios poderá comprovar se a estratégia chinesa é um tipo de colonialismo com uma nova roupagem, baseado na competição econômica por recursos cada vez mais escassos, ou se essa parceria tem como objetivo o mútuo desenvolvimento. [...] OLIC, Nelson Bacic; CANEPA, Beatriz. África, terra, sociedades e conflitos. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2012. p. 41-43.

corlaffra/Shutterstock.com

a ) Por que a África tem se tornado uma nova fronteira para a expansão dos interesses econômicos da China? b ) A China e a maioria dos países africanos fazem parte do mesmo conjunto de países subdesenvolvidos? Justifique sua resposta. Observe o mapa da classificação da UNCTAD, na página 94, para responder a esta questão. c ) O texto aborda a questão de que a China tem realizado um novo tipo de colonialismo. Que argumentos ele cita para apoiar tal afirmação? d ) Pesquise em jornais, revistas ou na internet informações atuais sobre o relacionamento da China com países da África. De posse dessas informações, em sala de aula, realize um debate com os colegas a respeito de um possível novo colonialismo realizado pela China no continente africano ou se esse país tem buscado um desenvolvimento mútuo. Registre a conclusão de vocês em um texto-síntese coletivo ou individual.

Esta imagem transmite a mensagem do interesse da China, representada pelo rosto de Mao Tsé-Tung (1893–1976), importante líder chinês, no território e nos recursos do continente africano, representados pelo mapa e por pequenas amostras de minerais. O subdesenvolvimento

107


Ampliando seus conhecimentos Esporte e desenvolvimento

Geografia, ciência e cultura

Ao longo da história dos jogos olímpicos mundiais, com raras exceções, os países subdesenvolvidos encontram-se entre os últimos países no ranking de medalhas. Isso acontece porque a prática de esportes está diretamente relacionada à qualidade de vida da população de um país, assim como ao incentivo dado a ela. Quando comparamos o IDH e o ranking de medalhas olímpicas, percebemos que os países que obtiveram melhores desempenhos nos jogos, com exceção da China e da Rússia, são os mesmos que apresentam IDH elevado. Já os países que nunca conquistaram medalhas nos jogos olímpicos possuem IDH baixo, como República Democrática do Congo e Níger. Veja o gráfico abaixo, que apresenta os resultados em medalhas nas Olimpíadas de Londres, em 2012, e o IDH desse mesmo ano.

Medalhas 5 IDH

Gilberto Alicio

Número de medalhas

IDH Estados Unidos China Reino Unido Rússia Coreia do Sul Alemanha França Itália Hungria Austrália Brasil Bangladesh Nepal Haiti Níger Rep. Dem. do Congo

110 100 90

80

70

60

50

40

30

20

10

0

0

0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9

1

Fontes: FOLHA de S. Paulo. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/especial/2012/londres/>. Acesso em 25 ago. 2015. PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Disponível em: <www.un.cv/files/hdr2013%20report%20portuguese.pdf>. Acesso em: 25 ago. 2015.

Com base nas informações apresentadas no texto e gráfico acima, reflita sobre as seguintes questões: a ) Que relação é possível estabelecer entre aplicação de investimentos e desenvolvimento dos esportes? b ) O Brasil tem canalizado investimentos para o desenvolvimento de todos os esportes?

Nesta classificação a ordem aparece pelo maior número de medalhas de ouro conquistadas por cada um dos países.

Com exceção da China e da Rússia, os dez países que conquistaram mais medalhas nas últimas olimpíadas possuem IDH muito elevado.

c ) O que seria necessário para que o nosso país se tornasse uma potência olímpica? d ) Como o desenvolvimento do esporte pode contribuir para o próprio desenvolvimento do país?

108

De modo geral, países como Níger, Haiti e Nepal, que não conquistaram nenhuma medalha nas olimpíadas, possuem IDH baixo.


O filme aborda o drama vivido por um funcionário do governo britânico e sua esposa na África. As cenas retratam as precárias condições de vida de parte da população africana, bem como o jogo de interesse das indústrias farmacêuticas.

Título: O jardineiro fiel Diretor: Fernando Meirelles Atores principais: Ralph Fiennes, Rachel Weisz e Danny Huston Ano: 2005 Duração: 129 minutos Origem: Estados Unidos

Para assistir

• •CENTRAL do Brasil. Direção: Walter Salles. Europa Filmes, 1998. Quando Dora resolve ajudar um garoto de nove anos a encontrar seu pai no

interior do Nordeste, tem início uma viagem emocionante. Ao retratar essa viagem, o filme mostra diversos aspectos da sociedade brasileira encontrados tanto nas gran­d es áreas urbanas quanto no interior do país, entre eles a pobreza e a violência.

• •INVICTUS. Direção: Clint Eastwood. Warner Bros, 2009. Depois do fim da política do apartheid, o presidente eleito da África do Sul, Nelson Mandela, luta para criar um sentimento de união entre a população do país. A realização da Copa do Mundo de Rúgbi, pela primeira vez promovida no país, pode ser um momento propício para que Mandela alcance seus objetivos.

Para ler

• •GANDON, Odile. Para entender o mundo: os grandes desafios de hoje e de amanhã. São Paulo: Edições SM, 2007.

••GONZÁLEZ, Horácio. O que é subdesenvolvimento. São Paulo: Brasiliense, 1998. ••LACOSTE, Yves. Os países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988.

• •MULLER,

Andreas. Verdadeiros donos do mundo. Superinteressante, São Paulo, ed. 341, p. 32-41, dez. 2014. Para visualizar o artigo, acessar o link: <http://tub.im/ftzktt>. Acesso em: 14 mar. 2016.

• •THORNTON,

John Kelly. A África e os africanos na formação do mundo Atlântico: 1400-1800. Tradução Marisa Motta. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

• •WETTSTEIN,

German. Subdesenvolvimento e Geografia. Tradução Rosina D’Angina. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1997. (Caminhos da Geografia).

Para navegar

• •BANCO

Mundial. 14 mar. 2016.

Disponível

em:

<http://tub.im/vkchvn>.

Acesso

em:

• •FUNDO das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Disponível em: <http:// tub.im/8zx3c2>. Acesso em: 14 mar. 2016.

• •OBSERVATÓRIO Brasil da Igualdade de Gênero. Disponível em: <http://tub. im/26wo8a>. Acesso em: 14 mar. 2016.

••PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Disponível em: <http://tub.im/t58a8t>. Acesso em: 14 mar. 2016.

O subdesenvolvimento

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Unidade 4

O jardineiro fiel

Filme de Fernando Meirelles. O jardineiro fiel. EUA. 2005

A Geografia no cinema


Questões do Enem e Vestibular 1. (UFSC-SC) O processo de colonização da América define, de modo geral, as grandes desigualdades socioeconômicas da América Latina nos dias atuais. Sobre a América Latina, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S). (01), (08), e (16). Total: 25.

(01) Os europeus que ocuparam e colonizaram a América pertenciam a dois diferentes grupos linguísticos e culturais: os anglo-saxões e os latinos.

a ) Varia de 0 a 10,0. b ) Quanto mais próximo de 0, melhor a qualidade de vida da população. c ) Não consegue mostrar a evolução das desigualdades sociais entre os países. d ) Segundo esse índice, os países podem ser classificados como de alto IDH (maior que 0,5) e os de baixo IDH (menor que 0,5).

(02) Na ocupação da América Latina a mecanização trazida pelos colonizadores não revolucionou o modo de produzir na agricultura nem na indústria.

e ) Considera, em seus cálculos, a expectativa de vida, níveis de educação e renda (através do PIB per capita), que são considerados as três dimensões básicas de desenvolvimento humano de uma sociedade ou país.

(04) As necessidades de expansão territorial dos Estados Unidos visavam basicamente manter o domínio sobre os povos indígenas e latinos.

3. (UEPG-PR) Sobre tipos de colonização e exploração colonial nas Américas, assinale o que for correto. (01), (04), e (16). Total: 21.

(08) A qualificação de algumas cidades latino-americanas como “cidades globais” não as põe em situação de igualdade com as outras cidades da rede nem mesmo entre elas próprias. Há uma hierarquia das cidades nessa rede. (16) A América Latina vive um momento de grande expansão internacional de suas empresas, contrariando a tese de que esta seria uma região extremamente pobre e sem condições de alavancar seus processos internos de desenvolvimento econômico.

2. (UNIOESTE-PR) Ao estudar as fases do processo de desenvolvimento do capitalismo percebe-se que este não se deu de forma igual em todos os países do mundo. Como um dos resultados desse desenvolvimento desigual tem-se os países classificados como “desenvolvidos” e “subdesenvolvidos”. Sabe-se, também, que somente índices econômicos não são suficientes para compreender se um país possibilita boa qualidade de vida para a população ou não. Por isso foi desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Analisando as afirmativas seguintes, que se referem ao IDH, assinale a alternativa correta. E.

110

Anote as respostas no caderno.

(01) As colônias de exploração, a exemplo do Brasil colônia, tinham sua economia baseada na grande propriedade, na monocultura e na grande utilização do trabalho escravo de índios e negros. (02) As colônias da A mérica espanhola e portuguesa tinham total liberdade de comercialização de seus produtos (açúcar, tabaco, ouro, diamantes, algodão) com qualquer nação do mundo além da metrópole. (04) As colônias eram vistas como instrumento de poder das metrópoles e as de exploração tinham o papel de servir de instrumentos geradores de riquezas para essas metrópoles. (08) O colonialismo português no Brasil objetivava desenvolver atividades voltadas para os interesses internos da colônia. (16) As colônias de povoamento da América temperada (parte norte da costa atlântica dos Estados Unidos), colonizadas por perseguidos religiosos da Inglaterra, foram ocupadas por pequenos proprietários rurais policultores e artesãos. O desenvolvimento da produção manufatureira estava voltado para o mercado interno.


piores indicadores de vida do planeta. A respeito desse fato, analise os comentários a seguir.

África vive (...) prisioneira de um passado inventado por outros. Mia Couto, Um retrato sem moldura, in Leila Hernandez, A África na sala de aula. São Paulo: Selo Negro, p. 11, 2005.

A frase acima se justifica porque:

E.

a ) os movimentos de independência na África foram patrocinados pelos países imperialistas, com o objetivo de garantir a exploração econômica do continente. b ) os distintos povos da África preferem negar suas origens étnicas e culturais, pois não há espaço, no mundo de hoje, para a defesa da identidade cultural africana. c ) a colonização britânica do litoral atlântico da África provocou a definitiva associação do continente à escravidão e sua submissão aos projetos de hegemonia europeia no Ocidente. d ) os atuais conflitos dentro do continente são comandados por potências estrangeiras, interessadas em dividir a África para explorar mais facilmente suas riquezas. e ) a maioria das divisões políticas da África definidas pelos colonizadores se manteve, em linhas gerais, mesmo após os movimentos de independência.

5. (FGV-RJ) Em julho de 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou crise de fome em algumas partes do sul da Somália, o que significa que mais de 30% da população está desnutrida. Sobre essa crise, considere as seguintes afirmações: C.

I. As fortes secas que atingiram a região nos últimos anos resultaram em perda generalizada de colheitas.

I. As sucessivas crises econômicas decorrentes de prejuízos herdados ao longo das guerras fazem da Somália um palco de conflitos e tensões socioeconômicas constantes, levando grande parte da população somali ao estado de miserabilidade absoluta, vitimada pela fome e por doenças.

II. O aumento das fronteiras artificiais na África é um indicador do reconhecimento da diversidade étnico-cultural da região por parte das potências ocidentais, apesar das diferenças ideológicas entre estas e o continente, fortalecendo, assim, a formação dos Estados Nacionais na região. III. A África vem recebendo solidariedade dos países ocidentais por meio do estabelecimento de uma política assistencialista que orienta os governos locais no gerenciamento dos diversos conflitos internos, apesar dos efeitos gerados pelas políticas impostas durante a colonização. Está(ão) correto(s) o(s) comentário(s): A. a ) I, apenas.

c ) I e II, apenas.

b ) III, apenas.

d ) II e III, apenas.

7. (CEFET-CE) Indique, respectivamente com os números 1 e 2, países desenvolvidos e países subdesenvolvidos e, em seguida, marque a sequência correta no item que indica esses dois tipos de mundo.

• •Apresentam

estrutura econômica estabelecida pelas impor tações de alto valor de mercado.

• •Quando

industrializados, apresentam dependência tecnológica e investimentos estrangeiros.

II. O quadro de instabilidade política dificulta a distribuição de alimentos nas áreas atingidas.

• •Possuem

III. A crise alimentar aumentou dramaticamente tanto o número de deslocados internos quanto o de refugiados na região.

• •As

Está correto apenas o que se afirma em a ) I.

d ) I e III.

b ) I e II.

e ) II e III.

c ) I, II e III.

6. (Cesgranrio-RJ) Vitimada pelas guerras civis, disputas políticas, conflitos étnicos, pobreza e epidemias, a África é um continente que detém os

elevada renda per capita, porém com forte concentração de renda. populações desses países apresentam alta escolaridade.

• •As condições de moradia e saúde são precárias, ocorrendo elevadas taxas de mortalidade e baixas expectativas de vida.

A sequência correta é:

A.

a ) 1; 2; 2; 1 e 2.

d ) 1; 2; 1; 2 e 1.

b ) 2; 2; 1; 2 e 1.

e ) 2; 1; 2; 2 e 1.

c ) 2; 1; 2; 1 e 2.

O subdesenvolvimento

111

Unidade 4

4. (Fuvest-SP)


8. (UFF-RJ) O economista grego Arghiri Emmanuel forneceu um retrato realista do processo histórico de industrialização no Terceiro Mundo, tomando como exemplo o caso indiano. O autor constata que a Índia, quando era ainda colônia britânica, limitava-se à produção de algodão e comprava os tecidos da Grã-Bretanha; em etapa posterior, passou a produzir tecidos, mas comprava as máquinas de tecelagem na antiga metrópole; mais tarde, passou a produzir ela mesma essas máquinas, enquanto a Grã-Bretanha e outros países desenvolvidos forneciam equipamentos e financiavam a industrialização. Fonte: DOWBOR. Ladislau. A Formação do Terceiro Mundo. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 69. Adaptado.

O aspecto da industrialização periférica evidenciado na situação retratada é a: E. a ) dominação político-ideológica das elites. b ) exploração de recursos naturais. c ) desigualdade social dos trabalhadores. d ) cooperação técnica das empresas. e ) dependência da produção tecnológica.

9. (UEG-GO) A questão do subdesenvolvimento está ligada à dominação política e econômica e ao tipo de relação estabelecida entre metrópole e colônia. A independência política das colônias não foi acompanhada da independência econômica. Nos países pobres e subdesenvolvidos, resguardando-se suas diferenças, é possível identificar algumas características comuns a todos eles. Entre essas diferenças, destacam-se as seguintes: B. a ) apresentam indicadores socioeconômicos favoráveis, embora com grande dívida externa.

III. Tanto a taxa de analfabetismo como o nível de instrução possuem estreita relação com o rendimento (renda) da população. IV. O cálculo do IDH baseia-se em três indicadores socioeconômicos: a expectativa de vida, o nível de instrução e a taxa de mortalidade infantil. Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas: a ) I e II

d ) II, III e IV

b ) I e III

e ) III e IV

c ) I, II e IV

11. (UTFPR-PR) Na América Latina, o Brasil, Argentina e México, países que já se industrializaram, mantêm segundo a Divisão Internacional do Trabalho uma dependência tecnológica em relação aos países desenvolvidos. Segundo a informação acima, é correto afirmar que grande parte da produção industrial: B. a ) é caracterizada pelo elevado nível tecnológico. b ) é caracterizada por um baixo nível tecnológico. c ) é de capital nacional e de elevada tecnologia. d ) é de domínio nacional, caracterizada por um elevado nível tecnológico. e ) depende de capital e tecnologias nacionais.

12. (PUC-RS) Responda à questão considerando a tabela que apresenta dados referentes ao Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). País

IDH

b ) apresentam grandes desigualdades sociais, dependência financeira e tecnológica.

França

0,932

c ) dispõem de desenvolvimento tecnológico autônomo e importam mão de obra qualificada.

Tailândia

0,768

Bangladesh

0,509

Ruanda

0,431

Noruega

0,956

d ) são exportadores de matéria-prima e possuem balança comercial favorável.

10. (EsPCex-SP) Sobre os indicadores socioeconômicos podemos afirmar que: B. I. O IDH do Brasil não reflete as condições de vida vigentes no País como um todo, em virtude de este apresentar fortes desigualdades regionais.

112

II. O PIB per capita é, por si só, um dado suficiente para se avaliar as condições socioeconômicas de um país.

A partir das informações da tabela, é correto afirmar: E. a ) A expectativa de vida em Bangladesh deve ser inferior à da França, embora a renda per capita e os índices de escolarização possam ser os mesmos nos dois países.


13. (UEM-PR) Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) em relação a subdesenvolvimento e às características principais de países considerados subdesenvolvidos. (01), (04), e (16). Total: 21. (01) Os países subdesenvolvidos, em geral, estão endividados, vivem em regime de dívidas externas vultosas, sendo suas credoras grandes empresas financeiras internacionais, quase sempre localizadas em países desenvolvidos. (02) Os países subdesenvolvidos não apresentam relações com o mercado externo, tanto nas compras como nas vendas, e dependem da agricultura de subsistência para a manutenção de suas populações. (04) Geralmente, os países subdesenvolvidos têm sua economia baseada na exportação de produtos primários ou produtos industrializados com baixa tecnologia e importam produtos industrializados com elevada tecnologia. (08) Em função de sua moderna estrutura industrial, de sua agricultura de exportação e de sua autossuficiência na geração de energia elétrica, o Brasil deixou de ser país subdesenvolvido no ano de 1998, passando a figurar entre os países desenvolvidos, juntamente com a Índia e a Coreia do Norte. (16) Pode-se afirmar que dois elementos são essenciais para a definição de subdesenvolvimento: a dependência econômica e tecnológica e as grandes desigualdades sociais. 14. (UEG-GO) Quando se analisa a população economicamente ativa (PEA) de países desenvolvidos, verifica-se um elevado porcentual de ativos com baixos índices de desemprego. Por outro

lado, a situação dos países subdesenvolvidos apresenta uma realidade oposta, com uma considerável parcela da população dedicada ao subemprego e, portanto, ligada à economia informal. A esse respeito, é correto afirmar: D. a ) o crescimento da economia informal nos países desenvolvidos está diretamente ligado ao processo de globalização que gerou o desemprego estrutural. b ) o Estatuto da Criança e do Adolescente proí­b e, no Brasil, o trabalho de menores de 18 anos, mesmo na condição de aprendizes. c ) os vendedores ambulantes, guardadores de carros, diaristas, entre outros, fazem parte da população economicamente ativa, pois não têm vínculos empregatícios. d ) na economia informal, os trabalhadores não participam do sistema tributário, não têm carteira assinada nem acesso aos direitos trabalhistas.

15. (UEM-PR)Sobre a ordem econômica mundial assinale o que for correto. (04), (08) e (16). Total: 28. (01) Até a primeira metade do século XVIII, a ordem econômica classificava os países em capitalistas e socialistas. O primeiro grupo era liderado pelos Estados Unidos e o segundo grupo pela extinta União Soviética. (02) Na segunda metade do século X X, no período pós-guerra, os países foram classificados em desenvolvidos e em subdesenvolvidos. Os países desenvolvidos eram os industrializados, e os países subdesenvolvidos não possuíam indústrias e dependiam da agricultura tradicional, da pesca e da mineração para se sustentarem economicamente. (04) No século XXI, a economia mundial apresenta-se dividida em países desenvolvidos, países emergentes e países pobres, sendo que os países pobres são os menos desenvolvidos. (08) O conceito de país emergente está relacionado com o tamanho e o crescimento da economia. Por isso, não pode ser confundido com o conceito de subdesenvolvimento. (16) A nova ordem econômica é baseada no tamanho dos mercados, e não nas diferenças sociais e econômicas que se expressam na qualidade de vida das populações. O subdesenvolvimento

113

Unidade 1

b ) Tanto a Tailândia como Ruanda são países considerados de IDH insatisfatório ou baixo, portanto com expectativa de vida para homens e mulheres inferior aos 50 anos. c ) A França e a Noruega são consideradas como países de IDH elevado, portanto autossuficientes quanto à produção de energia. d ) A Tailândia, por apresentar um IDH considerado médio, deve possuir taxas de analfabetismo próximas a zero. e ) O contraste entre os países da tabela evidencia a relação que existe entre IDH e a situação econômica e tecnológica dos países.


114

Lawrence Manning/Corbis/Latinstock

unidade

As potĂŞncias econĂ´micas


Entre os países que apresentam os maiores desempenhos econômicos e os melhores índices sociais, está um pequeno grupo que se sobressai. Além de deter a maior parte das riquezas mundiais, esses países se destacam também pelo domínio tecnológico, industrial e militar, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França e Japão. É importante, portanto, compreender melhor as características atuais dessas nações, a dinâmica econômica e alguns dos principais fatores histórico-culturais que fazem delas grandes potências econômicas. A

Os países ricos e desenvolvidos ocupam lugar de destaque nos noticiários econômicos internacionais. O que você sabe sobre a economia de países como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França e Japão? Que fatores promoveram o crescimento econômico desses países?

B

Qual a importância econômica desses países na regulação do sistema econômico internacional?

C

Em sua opinião, o que é preciso para que um país se torne uma potência econômica?

Bandeiras dos países mais ricos do mundo, da esquerda para a direita: França, Canadá, Estados Unidos, Itália, Japão, Alemanha e Reino Unido.

115


Estados Unidos: formação territorial Historicamente, o território dos Estados Unidos permaneceu na condição de colônia do Império Britânico desde o século XVII, quando ocorreu sua ocupação com a fundação das treze colônias inglesas na costa do Atlântico Norte. A ocupação dessas colônias, entretanto, se deu de maneira bastante distinta. No Norte, as terras despertaram pouco interesse dos ingleses, pois o clima temperado limitava o cultivo de gêneros agrícolas tropicais de grande valor comercial no mercado europeu. Nessas terras, também não foram encontradas jazidas de metais preciosos como ouro e prata. Essas condições favoreceram a formação de colônias de povoamento, com o predomínio de policulturas baseadas no trabalho familiar e voltadas para o atendimento das necessidades da própria colônia. A formação de uma economia interna, apoiada no crescimento do mercado consumidor, contribuiu para o desenvolvimento e a expansão das manufaturas, do comércio e das casas bancárias, que, mais tarde, assegurariam a arrancada do desenvolvimento industrial. No Sul, por sua vez, o clima tropical favoreceu o estabelecimento de colônias de exploração, com a formação de grandes latifúndios agroexportadores, sobretudo de algodão, baseados na utilização de mão de obra escrava (negros trazidos do continente africano), semelhantes àquelas que portugueses e espanhóis implantaram em seus respectivos domínios coloniais na América. O mapa abaixo apresenta a formação territorial dos Estados Unidos e a criação dos estados que o compõem.

N

Composição do O L território (1783 - 1896) New Hampshire Maine Washington S Treze colônias 1776 1788 1820 1889 Montana Massachusetts Após 1783 Vermont 1889 Dakota do Norte Minnesota 1788 1858 Compra da Louisiana 1803 1791 Oregon 1889 Rhode Island Nova York 1859 Cessão do rio vermelho 1818 Idaho Wisconsin 1790 1788 Dakota do Sul 1890 1848 Compra da Flórida 1819 Michigan Connecticut 1889 Wyoming 1837 1788 Pensilvânia N Anexação do Texas 1845 40° 1890 Iowa 1787 Ohio Nebraska Nova Jersey Cessão de Oregon 1846 1846 1867 Illinois Indiana 1803 1787 Nevada Virgínia Cessão do México 1848 1818 1816 Delaware Utah Ocidental 1864 Compra de Gadsden 1853 1787 1863 Virgínia Colorado 1896 Kentucky Kansas Missouri Califórnia 1876 Maryland 1845 Data de criação do estado 1792 1861 1821 na do Norte Columbia 1850 Arizona 1912 OCEANO PACÍFICO

Novo México 1912

Oklahoma 1907

Arkansas 1836

Alabama 1819

Texas 1845

Fonte: WORLD history atlas. 2. ed. London: Dorling Kindersley, 2005. p. 128. 1 atlas. Escalas variam.

Louisiana 1812

380 km

Tennessee 1791

Caroli

1799 Carolina do Sul Geórgia 1788

1788

1788

1788

Mississipi 1817

Flórida 1845

OCEANO ATLÂNTICO 100° O

A independência política e a “conquista do Oeste” A partir da segunda metade do século XVIII, a Inglaterra adotou uma postura mais rígida em relação à sua mais importante colônia americana: ampliou sobre ela a fiscalização e o controle político, aumentou a cobrança de impostos e passou a controlar as atividades econômicas (proibição de novas fábricas). Tais medidas acirraram profundamente as divergências entre os colonos e a Coroa britânica, o que culminou com o início de uma guerra, levando as treze colônias a se libertarem do domínio inglês. Assim, em 4 de julho de 1776 foi proclamada a independência política dos Estados Unidos da América do Norte.

116

Gilberto Alicio

Estados Unidos: formação territorial


1886. Coleção Particular. Foto: MPI/Stringer/Archive Photos/Getty Images

B

A expansão para o Oeste foi acompanhada pela eclosão de inúmeros e sangrentos confrontos entre os migrantes colonizadores e os diferentes povos indígenas nativos do território (apaches, cherokees, comanches, siouxs, navajos). Esse processo, que se estendeu por mais de dois séculos e recebeu o apoio do governo dos Estados Unidos, resultou na destruição irreversível e no genocídio de tribos inteiras (foto B). Em meados do século XIX, a expansão territorial para o Oeste já estava praticamente concluída. Os Estados Unidos assumiam, assim, a configuração territorial que apresentam atualmente.

Na fotografia A, família vinda para o Oeste, em Nebrasca, Estados Unidos, em 1886. Na fotografia B, indígenas apaches, que viviam em Montana, oeste dos Estados Unidos, em foto de 1906.

Apesar da unificação territorial dos Estados Unidos, aumentaram as rivalidades entre o Norte, dominado pela burguesia urbana e industrial, e o Sul, controlado pela aristocracia agrária escravista. A situação se tornou insustentável quando o governo republicano de Abraham Lincoln (1861-1865) adotou uma clara política antiescravagista, o que desagradou, e muito, aos interesses dos latifundiários sulistas. Descontentes, os estados do Sul tentaram se separar do restante do país, o que levou os estados do Norte a reagirem, provocando a eclosão de uma guerra civil – a Guerra de Secessão. O conflito, que se estendeu durante todo o governo Lincoln, terminou em 1865 com a vitória do Norte, garantindo assim a unidade territorial do país e estabelecendo também a abolição da escravidão. O racismo e a discriminação, no entanto, ainda permanecem arraigados na sociedade estadunidense.

Everett Historical/Shutterstock.com

A Guerra de Secessão

A fotografia acima mostra soldados americanos em área de combate na Virgínia, em 1861, durante a guerra civil americana.

As potências econômicas

117

Unidade 5

Para promover a ocupação do oeste, o governo instituiu a Lei da Propriedade Rural (Homestead Act) em 1862, por meio da qual assegurava a posse de toda propriedade com 160 acres de área (cerca de 65 hectares) a quem a cultivasse por pelo menos cinco anos. Com essa lei, as correntes migratórias para o oeste aumentaram, promovendo um grande deslocamento de pessoas, inclusive de imigrantes europeus, sobretudo ingleses, franceses, alemães e italianos, que expandiram as fronteiras demográficas e econômicas, assegurando a incorporação de novas áreas ao território do país (foto A).

A

Matt Ragen/Shutterstock.com

Em seguida, iniciou-se um processo de ocupação e povoamento do interior com a chamada conquista do Oeste. Vastas extensões de terras foram gradativamente incorporadas ao território dos Estados Unidos, anexadas por meio de guerras, compradas ou cedidas por outros países aos estadunidenses.


Os fatores da industrialização Além de assegurar a unidade territorial do país, que já se estendia do Atlântico ao Pacífico, a vitória alcançada pela burguesia nortista na Guerra de Secessão foi fundamental para o crescimento econômico dos Estados Unidos. Com o fim da escravidão e a disseminação do trabalho assalariado, o mercado consumidor interno se expandiu rapidamente, criando condições para a estruturação de uma ampla sociedade de consumo, o que contribuiu de maneira crucial para o crescimento econômico acelerado do país. A prosperidade econômica também esteve ligada a diversos outros fatores. O desenvolvimento capitalista ocorrido nos Estados Unidos foi favorecido pelo espírito empreendedor da maioria dos primeiros colonos e imigrantes seguidores de religiões cristãs protestantes, que defendiam uma vida austera, pautada no trabalho, como forma de acumular riquezas. Além disso, as condições naturais do território formam outro fator importante para o crescimento econômico dos Estados Unidos. As enormes jazidas de minério de ferro próximas aos Grandes Lagos e no nordeste do território, e os imensos depósitos de carvão mineral localizados em bacias sedimentares na região dos montes Apalaches impulsionaram o processo de industrialização do país. A exploração desses recursos alavancou o desenvolvimento de grandes siderúrgicas e metalúrgicas, gerando as condições necessárias para a expansão dos demais segmentos industriais. O mapa abaixo mostra a distribuição das principais reservas minerais e energéticas existentes no território dos Estados Unidos. Estados Unidos: recursos minerais e energéticos N

CANADÁ Zn Pb Ag

O

Ag Au

Fe

Cu

Fe

Fe

S

Cu

Fe

Fe Zn Pb

Fe

Au Zn Pb Au Ag Cu Au Cu Au

Fe

40° N

Zn Pb

Fe

Ag

OCEANO

Zn Pb Zn Pb

Fe

Ag Au Cu Cu Cu Ag

L

Zn Pb

ATLÂNTICO

Fe Cu

OCEANO

E. Cavalcante

PACÍFICO

MÉXICO

Golfo do México

310 km

100° O

Renan Fonseca

Recursos minerais e energéticos

118

Pb Cu

Chumbo Cobre

Fe Au

Ferro Ouro

Ag Zn

Prata Zinco

Bauxita Fosfato

Carvão mineral Petróleo e gás

Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 75. 1 atlas. Escalas variam.


Grandes Lagos: rede de transportes e espaço econômico N

CANADÁ

O

L S

Thunder Bay

N 45°

Lago Superior

Sudbury Lago Huron

Toronto

Lago Michigan

L. Erie

Detroit

OCEANO ATLÂNTICO

Cleveland

Chicago ESTADOS UNIDOS

210 km

90° O Fontes: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 75. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS national geographic: América do Norte e Central. São Paulo: Abril, 2008. v. 6. p. 28;38. 1 atlas. Escalas variam.

Recursos energéticos Nuclear Oleoduto Gasoduto

Indústrias Metalúrgica Petroquímica Siderúrgica Mineração

Alimentos Mecânica Automóvel Papel

Unidade 5

Madison

L. Ontário

E. Cavalcante

Do ponto de vista natural, a região dos Grandes Lagos também funcionou como uma complexa rede de artérias para o desenvolvimento do transporte hidroviário. Interligando o interior ao litoral Atlântico pelas águas do rio São Lourenço, essas vias fluviais formadas por canais artificiais e eclusas em barragens de usinas hidrelétricas, favoreceram o transporte de matérias-primas e produtos manufaturados, assumindo papel essencial no desenvolvimento econômico e industrial da porção nordeste dos Estados Unidos (veja mapa ao lado).

Grandes vias navegáveis Porto

Everett Historical/Shutterstock.com

Na segunda metade do século XIX, a descoberta de campos de petróleo nas proximidades dos Grandes Lagos, no Texas e no Golfo do México impulsionou ainda mais o crescimento da atividade industrial, sobretudo do setor petroquímico e de transportes. Desse modo, na virada do século XIX para o século XX, os Estados Unidos emergiram no cenário internacional como uma das maiores potências econômicas do mundo, abrigando poderosas empresas que detinham o monopólio sobre setores estratégicos (ferroviário, automobilístico, de aço e de petróleo). Acima, campo de petróleo localizado na Califórnia, em foto de 1910.

A ascensão econômica A ascensão econômica dos Estados Unidos se tornou mais efetiva com a ocorrência de dois importantes acontecimentos históricos: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Sendo o território europeu o principal palco desses conflitos, as nações mais ricas e industrializadas desse continente, que despontavam como grandes potências econômicas (Inglaterra, França, Alemanha, Itália), foram arrasadas pelas guerras e sofreram grandes perdas, humanas e materiais. Com as produções industriais e agrícolas arruinadas, esses países tiveram que recorrer aos Estados Unidos. Além de ampliarem suas exportações para suprir o mercado interno europeu, os Estados Unidos financiaram diretamente boa parte da reconstrução do continente (veja a explicação sobre o Plano Marshall, na página 72). Assim, a partir da segunda metade do século XX, os Estados Unidos se consolidaram como maior potência econômica do globo, condição sustentada por uma nova fase de desenvolvimento caracterizada pela expansão de suas multinacionais pelo mundo. As potências econômicas

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O espaço industrial nos Estados Unidos Por razões já destacadas, o nordeste dos Estados Unidos foi a primeira região do país a se industrializar. Como essa industrialização se deu apoiada no desenvolvimento das indústrias de base, típicas da Primeira e da Segunda Revolução Industrial, os setores de mineração e siderurgia sustentaram o desenvolvimento de vários outros segmentos industriais, como o de bens intermediários e de bens de consumo duráveis, os quais se mantiveram por décadas como grandes âncoras da economia estadunidense.

Steven Bostock/Shutterstock.com

As grandes siderúrgicas, por exemplo, instalaram-se no estado da Pensilvânia, enquanto a cidade de Detroit, no estado de Michigan, foi o grande centro da indústria automobilística. Chicago, no estado de Illinois, tornou-se importante centro fabril, com indústrias de equipamentos agrícolas e de material de transporte ferroviário, e atualmente é o terceiro maior parque industrial do país, superado apenas por Los Angeles e Nova York. Por se tornar a região mais industrializada do país, o nordeste dos Estados Unidos ficou conhecido como Manufacturing Belt ou Cinturão das Manufaturas (veja mapa na página seguinte). A

Matt Ragen/Shutterstock.com

Paisagem da cidade de Nova York, em 2015.

B

O crescimento da atividade industrial nessa região, por sua vez, promoveu a formação de enormes aglomerações urbanas, em áreas com elevadas densidades demográficas, com destaque para a megalópole que se estende pelas cidades de Boston, Nova York (foto A), Filadélfia, Baltimore e Washington, onde vivem mais de 35 milhões de pessoas. Ao longo das últimas décadas, entretanto, essa região perdeu de forma expressiva sua participação na produção industrial do país. No início do século passado, mais de 75% da produção industrial estadunidense era gerada no nordeste do país; hoje, essa produção não chega a 50%. Essa desconcentração da atividade industrial está ligada à forte crise que afetou as principais indústrias da região, sobretudo as grandes siderúrgicas e as automobilísticas, assim como suas respectivas cadeias produtivas. Contribuíram para essa crise fatores como o aumento dos custos de produção na região (impostos, aluguéis, salários), a acirrada concorrência externa, sobretudo do mercado europeu e asiático, e o sucateamento dos grandes complexos siderúrgicos. Com a decadência econômica e o fechamento de inúmeras fábricas, a região passou a ser conhecida como Rust Belt ou Cinturão da Ferrugem (foto B).

Prédio de siderúrgica desativada em Detroit, no estado de Michigan, em 2015.

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US Air Force Photo/Alamy Stock Photo/Latinstock

Nesse mesmo período, uma nova dinâmica econômica se estabeleceu no território dos Estados Unidos com a canalização de grandes investimentos para as regiões Sul e Oeste. Esses investimentos criaram novas áreas industriais ligadas principalmente aos setores de alta tecnologia, típicos da Terceira Revolução Industrial (informática, microeletrônica, robótica, aeroespacial, biotecnologia, química fina). O avanço dessas atividades promoveu um grande dinamismo econômico nessas regiões, que passaram a formar o chamado Sun Belt ou Cinturão do Sol (veja mapa abaixo).

Unidade 5

Vários fatores contribuíram para isso. Com os estímulos oferecidos pelo governo, a costa Oeste recebeu um grande número de indústrias bélicas de alta tecnologia, criadas estrategicamente para ampliar o poderio militar do país durante o conturbado período da Guerra Fria. A principal área industrial dessa região está no eixo São Francisco-Los Angeles, estado da Califórnia, que se destaca pela presença de um parque industrial diversificado, com indústrias de alta tecnologia (microeletrônica e informática), tal como as que se concentram no tecnopolo do Vale do Silício (veja mapa abaixo), além de petroquímicas, automobilísticas, aeronáuticas, navais e outras. Na parte Sul, por sua vez, destacam-se as avançadas indústrias ligadas ao setor aeronáutico e aeroespacial. Em Houston, no Texas, encontra-se a sede da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos; em Cabo Canaveral, estado da Flórida, está instalado o Centro Espacial John F. Kennedy, base de lançamento de foguetes. Mas no Sul também se destacam as indústrias petrolíferas. Com a descoberta e a exploração de enormes campos de petróleo no Texas e no Golfo do México, ocorridas ainda nas primeiras décadas do século XX, surgiram grandes companhias petrolíferas, como a Texaco (Texas Company) e a Exxon Mobil Corporation, ambas no Texas, empresas que atualmente controlam boa parte da produção mundial de petróleo.

Lançamento de foguete na base localizada em Cabo Canaveral, Flórida, em 2014.

Estados Unidos: organização do espaço econômico N

CANADÁ

O

SILICON ALLEY

Seattle

L

ELECTRONIC S HIGHWAY

Portland

SILICON FOREST

Boston Detroit Nova York Salt Lake City

San Francisco SILICON VALLEY

SOFTWARE VALLEY

Chicago Denver

SILICON MOUNTAIN

Raleigh

OCEANO PACÍFICO

Atlanta SILICON PRAIRIE

Ciudad Juárez

San Antonio

MÉXICO

420 km

Regiões industriais

RESEARCH TRIANGLE PARK

El Paso Mexicali

40° N

Filadélfia Baltimore

St. Louis

Wichita

Phoenix

Los Angeles San Diego Tijuana

Renan Fonseca

Pittsburgh

Dallas

Houston

OCEANO ATLÂNTICO Cabo Canaveral

Nova Orleans

Golfo do México

Miami

SILICON BEACH

Matamoros

100° O

Indústrias Petroquímica Siderúrgica

Metalúrgica Mineração

Química Automobilística

Têxtil Eletrônica e telecomunicações

Mecânica Alimentos

Papel Aeronáutica

Aeroespacial (Nasa) Tecnopolos

Manufacturing Belt Sun Belt Centro industrial Indústria montadora estadunidense – Maquilladoras Mão de obra mexicana Fluxos de investimentos dos Estados Unidos Fontes: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 75. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS national geographic: América do Norte e Central. São Paulo: Abril, 2008. v. 6. p. 38. 1 atlas. Escalas variam.

As potências econômicas

121


As indústrias maquilladoras Outro fator que também contribuiu para o impulso econômico e industrial do Sun Belt foi a criação das chamadas maquilladoras, indústrias de capital estadunidense que passaram a se instalar no território mexicano a partir da década de 1960. São empresas especializadas na montagem final de determinados produtos, de automóveis e eletroeletrônicos a brinquedos e roupas, cujas peças são produzidas em fábricas localizadas em várias partes dos Estados Unidos.

Omar Torres/AFP/Getty Images

Atraídas pela concessão de incentivos fiscais, pelo baixo custo da mão de obra (formada principalmente por mulheres) e pela fragilidade dos sindicatos, pouco organizados, essas empresas conseguiram diminuir seus custos de produção e ampliar, por conseguinte, a competitividade e a lucratividade. Atualmente, existem várias dessas empresas instaladas ao longo dos mais de dois quilômetros da fronteira mexicana com o vizinho do norte, nas quais estão empregados mais de um milhão de trabalhadores mexicanos.

Indústria maquilladora localizada no estado de Guanahuato, México, em 2014.

O espaço agrário nos Estados Unidos Estados Unidos: principais produtos agropecuários Culturas Produção nacional (milhões de toneladas) 353

Milho

89

Soja

58 8

% na produção mundial

Ranking mundial

35%

1o

32%

1o

Trigo

8%

3o

Laranja

12%

2o

Criações Produção nacional (bilhões de cabeças) 2

Gilberto Alicio

0,9

0,6

Aves

9%

2o

Bovinos

6%

4o

Suínos

7%

2o

Fonte: FOOD and Agriculture Organization (FAO). Disponível em: <http://faostat.fao.org/site/339/default.aspx>. Acesso em: 27 ago. 2015.

122

Os avanços científicos e tecnológicos alcançados pelos Estados Unidos também se estenderam ao campo, provocando grandes mudanças na organização das atividades agrárias praticadas no país. A incorporação de novas tecnologias no campo, ocorridas a partir das primeiras décadas do século passado, promoveu um intenso processo de modernização agrária, caracterizado pelo uso intensivo de máquinas, implementos e insumos agrícolas (tratores, colheitadeiras, arados mecânicos, adubos, fertilizantes, vacinas e rações para o gado) e pelo desenvolvimento de técnicas, como irrigação, melhoramento genético, biotecnologia, entre outras. Apoiado em políticas governamentais que asseguraram grandes investimentos em pesquisas agropecuárias, esse processo de modernização aumentou a produtividade e a rentabilidade das terras. Isso explica a posição de maior produtor agrícola mundial alcançada pelo país (veja gráfico ao lado). Além da tecnificação, essa grande produção agropecuária também se deve ao elevado aproveitamento do espaço agrário. Juntas, as áreas destinadas à agricultura e à pecuária ocupam quase a metade do território dos Estados Unidos.


Com o avanço da modernização agrária, ocorreu a substituição de boa parte da mão de obra: nos Estados Unidos, apenas 1,5% da população economicamente ativa (PEA) encontra-se empregada em atividades agropecuárias, enquanto a agropecuária brasileira emprega aproximadamente 15% da PEA do país.

População urbana

Unidade 5

Esse intenso processo de modernização do campo foi acompanhado pelo aumento da concentração fundiária no país, sobretudo a partir de 1950. Muitos agricultores que não investiram na modernização de suas terras perderam competitividade no mercado e acabaram vendendo suas propriedades, que foram incorporadas a grandes fazendas. Dessa Evolução da população rural e urbana (1900-2015) forma, tanto o processo de moderniPopulação (%) zação como o aumento da concen90 tração fundiária contribuíram para a 80 diminuição da população rural do país 70 (veja gráfico ao lado). 60

Outro aspecto marcante da produção agropecuária nos Estados Unidos diz respeito à sua distribuição espacial. Algumas extensas regiões do país, conhecidas como belts (cinturões), são especializadas em determinada produção, como milho, trigo, algodão etc. Observe o mapa abaixo.

50 40 População rural

30 20

Gilberto Alicio

10 0 1900

1910 1920

1930 1940

1950

1960 1970

1980

1990

2000 2010 2015

Anos Fontes: U. S. Census Bureau. Disponível em: <www.census.gov/population/www/ censusdata/files/table-4.pdf>. Acesso em: 25 ago. 2015. UNITED Nations Population Division. World Population Prospects 2015. Disponível em: <http://esa.un.org/unpd/wup/cd-rom/>. Acesso em: 25 ago. 2015.

N

CANADÁ

O

L S

E. Cavalcante

Estados Unidos: produção agropecuária

Principais produtos e criações Algodão Amendoim N 40°

Arroz Frutas cítricas Fruticultura Madeira Milho Soja

OCEANO PACÍFICO

Ranching belt Wheat belt Cotton belt Dairy belt Corn belt Culturas tropicais Policultura

Tabaco OCEANO ATLÂNTICO

Trigo Uva Xarope de ácer Aves Bovinos

MÉXICO

Ovinos

Golfo do México 105° O

Ranching belt: área dominada pela pecuária extensiva, muito influenciada pelo clima semiárido. Wheat belt (trigo): monoculturas altamente mecanizadas cultivadas em extensas planícies. Cotton belt (algodão): extensas monoculturas cultivadas em região de clima mais quente. Dairy belt: região com predomínio de pecuária leiteira e policultura intensiva.

390 km

Suínos

Corn belt (milho e também soja): lavouras, em geral, plantadas em pequenas e médias propriedades do meio-leste. Cinturão das frutas e lavouras tropicais: destaque para os cultivos de arroz, cana-de-açúcar e beterraba. Policultura: hortaliças, frutas, legumes, cereais (milho, trigo, arroz, cevada).

Fonte: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. 7. 1 atlas. Escalas variam.

Xarope de ácer: extraído da seiva bruta de árvores do gênero Acer (conhecido no Brasil como bordo), que possui propriedades por lhe atribuir um sabor adocicado. É usado como adoçante natural em confeitarias e é rico em minerais.

As potências econômicas

g18_ftd_lt_3nog_u05_114a125.indd 123

123

5/26/16 3:23 PM


Alemanha: a grande potência europeia A Alemanha se destaca como a principal potência econômica da Europa e a quarta do mundo, superada apenas pelos Estados Unidos, pela China e pelo Japão. Seu processo de industrialização ocorreu depois do Reino Unido e da França, de maneira que se efetivou somente um século mais tarde. No final do século XIX, a Alemanha já liderava, junto com os Estados Unidos, o desenvolvimento das tecnologias que promoveram a Segunda Revolução Industrial. Isso ocorreu após a unificação territorial e política conquistada com a vitória obtida na guerra Franco-Prussiana (1870-1871). Antes, o território estava fragmentado em diversos reinos, principados e cidades-estado. Derrotada, a França perdeu para a Alemanha as províncias da Alsácia e Lorena, ricas em carvão mineral e minério de ferro. A maior disponibilidade de tais recursos (fontes de matérias-primas e energia), associada à facilidade de transporte fluvial, favoreceu o crescimento da atividade industrial nos vales dos rios Reno e Ruhr. Nessas áreas, a concentração de capitais gerada com as importantes rotas de comércio aí estabelecidas desde o final da Idade Média também contribuiu para a expansão do setor industrial.

Guerras mundiais: destruição e reconstrução O crescimento da atividade industrial alemã foi drasticamente interrompido com a participação direta do país nas duas grandes guerras mundiais (como estudaremos na unidade 7). A derrota sofrida nesses conflitos resultou em graves consequências de ordem política, econômica e social. Além de empobrecida e fisicamente destruída, a Alemanha recebeu severas punições ao final da Primeira Grande Guerra (1914-1918), entre elas, o pagamento de vultosas indenizações aos países vencedores, as restrições militares e a perda das províncias da Alsácia e Lorena, devolvidas à França.

david soulsby/Alamy Stock Photo/Latinstock

Abaixo, vista do complexo industrial automobilístico, em Munique, Alemanha, em 2014.

Derrotada mais uma vez na Segunda Grande Guerra (1939-1945), a Alemanha sofreu de novo grandes prejuízos. Além da destruição material e do enorme número de vítimas, o país sofreu novas perdas territoriais e se fragmentou politicamente, dando origem à República Federal da Alemanha (RFA) ou Alemanha Ocidental, capitalista, sob a influência direta dos Estados Unidos; e à República Democrática Alemã (RDA) ou Alemanha Oriental, socialista, sob a influência direta da, já extinta, União Soviética (veja mapa na página 168).

124


Separadas por mais de quarenta anos, período que durou a Guerra Fria, as duas Alemanhas trilharam caminhos bem distintos. A Alemanha Ocidental, organizada sob o capitalismo, tornou-se economicamente mais dinâmica e competitiva. Beneficiada com a ajuda financeira concedida pelo Plano Marshall, o país conseguiu se reconstruir com rapidez no pós-guerra. Na Alemanha Oriental, por sua vez, a economia planificada e controlada pelo Estado crescia lentamente em virtude da baixa produtividade gerada pela defasagem tecnológica.

Houve resultados positivos, como o crescimento econômico de certas áreas até então estagnadas e a maior disponibilidade de recursos minerais e energéticos imprescindíveis para garantir o abastecimento do enorme parque industrial alemão, que representa cerca de 31% do PIB do país e emprega aproximadamente um terço da população economicamente ativa. De fato, a força dessa indústria garante ao país o status de grande potência econômica e comercial, assumindo, por isso, posição de liderança entre os países que compõem a União Europeia (UE) e também nas relações políticas e diplomáticas em âmbito internacional.

Unidade 5

Com a reunificação política e territorial, em 1990, a Alemanha enfrentou grandes desafios para superar as diferenças socioeconômicas construídas ao longo de décadas. Apesar dos intensos investimentos realizados no lado leste, passadas mais de duas décadas da reunificação, as diferenças socioeconômicas ainda persistem. A taxa de desemprego, por exemplo, é quase três vezes maior no lado leste, já a renda per capita é maior no lado oeste, que também desfruta de melhor padrão de vida. Alemanha: indústria, recursos minerais e energéticos Mar Báltico

N

O

Kiel

Mar do Norte

Rostock

L S

Hamburgo Schwedt

Bremen Hannover

Berlim K K Brunswick

Bielefeld Magdebourg Dortmund

Essen Colônia

K

Kassel Siegen

Erfurt

Leipzig

K K

Dresden

Chemnitz

Coblence

Frankfurt Mayence

Recursos minerais e energéticos K Potássio Carvão Gás natural Linhita Petróleo

Nuclear Termelétrica Gasoduto Oleoduto

Indústrias Siderúrgica Metalúrgica Petroquímica Têxtil Química Mineração Automóveis

Cimento Cerveja Farmacêutica Eletroeletrônica Mecânica Aeronáutica Estaleiros

Sarrebruck

50° N Nuremberg

Mannheim Karlsruhe

Stuttgart Augsbourg

Ingolstadt Munique

90 km

10° L Fontes: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. 90. 1 atlas. Escalas variam.

O parque industrial alemão A indústria alemã é uma das mais diversificadas do mundo, sendo a mais importante de toda Europa, com destaque para o setor siderúrgico, metalúrgico, petrolífero, químico-farmacêutico, automobilístico, mecânico, eletroeletrônico, entre outros. Nesses setores atuam alguns dos maiores conglomerados econômicos do globo, empresas conhecidas no mundo todo e que dominam uma fatia expressiva da produção e do mercado internacional. Do ponto de vista espacial, o parque industrial alemão se encontra relativamente espalhado pelo território. Algumas das maiores concentrações industriais do país estão nas áreas polarizadas pelas cidades de Dortmund e Düsseldorf (oeste), Munique e Stuttgart (sul), Berlim, Dresden e Leipzig (leste), Hamburgo, Bremen e Hannover (norte). Veja o mapa acima.

ATLAS national geographic: Europa III. São Paulo: Abril, 2008. v. 4. p. 12. 1 atlas. Escalas variam.

As potências econômicas

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E. Cavalcante

Regiões industriais

125

5/26/16 3:24 PM


Reino Unido Nos séculos XVIII e XIX, o Reino Unido (mapa abaixo) consagrou-se como maior potência econômica mundial e centro do maior império colonial do mundo – o Império Britânico. O status de grande potência foi alcançado, principalmente, em razão do pioneirismo industrial inglês, afinal, a Inglaterra foi o berço do processo de industrialização. Vários fatores de ordem econômica, política, social e natural contribuíram para o nascimento da indústria inglesa, entre os quais:

Reino Unido

••a consolidação de um Estado liberal e a ascensão da burguesia na vida política, com forte representação no Parlamento;

N O

L S

ESCÓCIA 55° N

IRLANDA DO NORTE

Mar do Norte

IRLANDA INGLATERRA OCEANO ATLÂNTICO

PAÍS DE GALES

E. Cavalcante

Londres 140 km

5° O

Localizado no noroeste da Europa, o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, comumente chamado apenas de Reino Unido, compreende o território de quatro nações: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, além de outras possessões distribuídas pelo mundo.

G8: seleto grupo internacional de países que reúne as sete economias mais industrializadas e desenvolvidas do mundo, mais a Rússia.

126

••a

concentração de capital acumulado com o mercantilismo e a disponibilidade de matérias-primas obtidas com a exploração dos territórios coloniais;

••as inovações tecnológicas, como a invenção, o apri-

moramento e a disseminação do uso das máquinas a vapor;

••a existência de expressivas minas de carvão mineral

e de ferro no território inglês, fontes de energia e matéria-prima para o abastecimento das indústrias;

••a

disponibilidade de mão de obra e a existência de um mercado consumidor urbano em expansão, decorrentes de mudanças na estrutura fundiária que expulsaram boa parte da população do campo para as cidades.

Fonte: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. XXXIV. 1 atlas. Escalas variam.

A potência se enfraquece Se até o início do século XX o Reino Unido se manteve como potência hegemônica incontestável, o país perdeu a posição de liderança econômica e política que até então exercia no cenário internacional. Já nas primeiras décadas do século passado, a economia britânica, não conseguindo acompanhar os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade, foi superada pelo acelerado crescimento econômico dos Estados Unidos. A perda de poder se estendeu ao pós-guerra quando os britânicos, enfraquecidos pelos grandes danos materiais sofridos, perderam seu vasto império colonial. Atualmente, o Reino Unido detém a quinta maior economia mundial, com PIB de 2,94 trilhões de dólares (dados de 2014). Embora menos expressivo do ponto de vista econômico, o Reino Unido ainda mantém o status de potência mundial, sobretudo em razão de sua importância no cenário geopolítico internacional. Desde os tempos da Guerra Fria, o governo britânico tem sido um aliado incondicional dos Estados Unidos apoiando, inclusive, as intervenções militares promovidas segundo os interesses de Washington, como ocorreu nas duas invasões ao Iraque (1990 e 2003) e na ocupação do Afeganistão (2001). A forte influência do Reino Unido nas questões internacionais também se atribui ao fato de o país ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, além de integrar a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e o G8, e de ocupar também posição de liderança no bloco da União Europeia.


Na distribuição da atividade econômica e industrial, o Reino Unido apresenta diferenças regionais bem acentuadas. Nas regiões de industrialização mais antiga, sobretudo aquelas localizadas próximo às bacias carboníferas, encontram-se setores em crise e decadência. É o que ocorre, por exemplo, com a indústria têxtil, a siderúrgica e a naval, instaladas na região central do país. Em contrapartida, Reino Unido: indústria, recursos indústrias mais avançadas tecnologicamente (setor químicominerais e energéticos -farmacêutico, aeronáutico, automobilístico, eletroeletrônico, entre outros) estão se desenvolvendo em centros industriais Stornoway mais dinâmicos, como Bristol (sudoeste da Inglaterra) e Glasgow (na Escócia).

A cidade de Londres, capital da Inglaterra e do Reino Unido, maior aglomeração urbano-industrial do país e sede de grandes bancos e instituições financeiras, é a principal porta de entrada de investimentos estadunidenses na Europa.

L S

Aberdeen Mar do Norte

Dundee

OCEANO ATLÂNTICO

Regiões industriais Recursos minerais e energéticos Sn Estanho Carvão Nuclear Termelétrica Gasoduto

N O

Glasgow

Edimburgo

55° N

Newcastle

Unidade 5

A partir da década de 1980, houve também grande desenvolvimento do setor petroquímico com a descoberta e exploração de importantes campos de petróleo e de gás natural no mar do Norte. No setor energético, destaca-se a produção de energia nuclear, que responde por aproximadamente 17% da matriz energética do país.

E. Cavalcante

Território e economia no Reino Unido

Belfast Armagh Leeds Liverpool Manchester

Indústrias Siderúrgica Petroquímica Têxtil Química Mineração Automóveis Aeronáutica Eletrônica Estaleiros

Sheffield Norwich

Birmingham

Londres

Bristol Southampton Sn

Exeter

Chichester

120 km

França Uma das grandes forças imperialistas do passado, a França se manteve na vanguarda do desenvolvimento industrial tendo sido, logo após a Inglaterra, o segundo país a vivenciar o processo da Revolução Industrial. No início do século XIX, grandes investimentos no setor manufatureiro sustentaram o crescimento de indústrias têxteis e mineradoras, que se instalaram principalmente nas proximidades das ricas bacias carboníferas e ferríferas da Alsácia-Lorena (na fronteira com a Alemanha) e de Pas-de-Calais (no norte do território francês).

Fontes: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. 90. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS national geographic: Europa I. São Paulo: Abril, 2008. v. 3. p. 88. 1 atlas. Escalas variam.

O impulso da atividade industrial se estendeu ao longo do século XIX apoiado no desenvolvimento dos transportes e na expansão do mercado consumidor em seus centros urbanos. Arruinada, ao final da Segunda Guerra Mundial, a economia francesa se recuperou rapidamente no período pós-conflito, apoiada por dois fatores principais: a ajuda financeira direta dos Estados Unidos (via Plano Marshall) e a entrada do país na Comunidade Econômica Europeia (CEE). Embrião da atual União Europeia, esse bloco econômico entrou em vigor em 1958 com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico dos países signatários (Itália, Alemanha Ocidental, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo e França). E isso se deu por meio da construção de um mercado comum regulado por políticas econômicas conjuntas que estabeleceram, entre outras medidas, a adoção de impostos alfandegários externos comuns. Assim, o crescimento da economia francesa ao longo das últimas décadas esteve fortemente apoiado no aprofundamento de suas relações econômicas e comerciais com o mercado europeu. Por conta disso, essa economia depende em grande parte da União Europeia: hoje, cerca de 60% de suas exportações estão voltadas para os países do bloco. As potências econômicas

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127

5/26/16 3:27 PM


A economia francesa na atualidade Com um PIB de aproximadamente 2,83 trilhões de dólares, a França é a sexta potência econômica do mundo e a terceira maior do continente europeu, superada apenas pelas economias da Alemanha e do Reino Unido. Atualmente, o setor de serviços representa cerca de 79% do seu PIB. A agropecuária, embora moderna e muito produtiva, com elevado aproveitamento das terras, responde por apenas 2% do PIB. O país ocupa a posição de maior produtor agropecuário do continente europeu, destacando-se a produção de cereais, beterraba açucareira, frutas, laticínios, entre outros. A produção industrial, por sua vez, representa 19% do PIB, com destaque para a existência de França: indústria, recursos um parque industrial bastante diversificado e evoluído minerais e energéticos tecnologicamente. Dunkerque N

O

Lille Le Havre Vernon Pontivy Rennes

Paris Troyes

Nantes

L S

Metz

Entre os setores industriais mais importantes estão o siderúrgico, o petroquímico, o automobilístico, o aeroespacial, o mecânico e o de máquinas e equipamentos. O mapa ao lado mostra a distribuição da atividade industrial na França.

OCEANO

ATLÂNTICO

Montluçon

Regiões industriais

Angoulême

Bordeaux

ClermontFerrand

Recursos minerais e energéticos Lyon

Carvão Gás natural Hidrelétrica 45° N

Tarbes

Mazamet

Nuclear

E. Cavalcante

Termelétrica Marselha 130 km

Mar Mediterrâneo

Gasoduto Oleoduto

Indústrias Siderúrgica

Tabaco

Metalúrgica

Vidro

Petroquímica

Cimento

Têxtil

Papel

Química

Mecânica

Mineração

Vinho

Automóveis

Aeronáutica

Pneus

Estaleiros

Fontes: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. 90. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS national geographic: Europa III. São Paulo: Abril, 2008. v. 5. p. 11. 1 atlas. Escalas variam.

Indústria e energia na França Ao longo das últimas décadas, a França teve que aumentar a oferta interna de energia como forma de sustentar seu crescimento econômico e garantir o funcionamento e a expansão do seu parque industrial.

Sylvain Oliveira/Alamy Stock Photo/Latinstock

Usina de produção de energia nuclear de Belleville, França, em 2014.

Todavia, com o potencial hidráulico de seus rios quase que completamente explorado e o esgotamento de boa parte de suas minas de carvão, o país foi obrigado a encontrar alternativas para a questão energética. Em relação aos combustíveis fósseis, o país ampliou a exploração das reservas de gás natural na região montanhosa dos Pirineus, perto da fronteira com a Espanha, recorrendo também às importações de petróleo provenientes principalmente do Oriente Médio e do norte da África. Ainda assim, diante de sua demanda crescente por energia, o país investiu prioritariamente na construção de dezenas de usinas nucleares ao longo das últimas décadas. Atualmente, as centrais nucleares respondem por cerca de 77% da matriz energética francesa, o que faz da França o país com maior dependência desse tipo de energia no mundo.

128

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Japão Localizado no Extremo Oriente, o Japão é formado por quatro ilhas principais (Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kyushu) e mais de quatro mil ilhas menores. Com aproximadamente 378 mil km2 de extensão Japão: características físicas territorial, o Japão se situa em uma região Altitude (em metros) de grande instabilidade geológica conhecida Mais de 2 000 como círculo de fogo do Pacífico. Em razão De 1 000 a 2 000 De 500 a 1 000 dos movimentos tectônicos e das forças De 200 a 500 orogênicas ocorridas em época geológica De 0 e 200 recente, o relevo do país é bastante montanhoso com dezenas de vulcões ativos e intensa atividade sísmica (veja mapa ao lado).

L

ri

ina

no

Mar do Japão

Unidade 5

K i t ak

ami

Ishi

ka

S

Sh

lago Biwa

Ton e

Kiso

35° N

I.Ryukyu OCEANO PACÍFICO

E. Cavalcante

As planícies litorâneas e os baixos planaltos ocupam apenas 25% do território e apresentam elevada densidade demográfica, contrastando com as áreas centrais montanhosas, bem menos povoadas. A população japonesa é bastante numerosa; são aproximadamente 127 milhões de habitantes e uma média de 335 hab/km2, o que coloca o país entre os mais densamente povoados do mundo.

N O

220 km

135° L

Naha

Fonte: LACOSTE, Yves (Org.). Atlas 2000. Paris: Nathan, 1999. p. 86. 1 atlas. Escalas variam.

Isolamento, industrialização e imperialismo No século XVI, durante o início da expansão colonial europeia, o Japão se manteve aberto às relações internacionais, permitindo a entrada de comerciantes e negociadores europeus (portugueses, espanhóis, holandeses) em seu território. Mas, a partir do século XVII, sob o domínio dos xogunatos, foram tomadas medidas para promover a reconstrução do país afetado por diversas guerras internas. Para impedir a influência externa no arquipélago, os japoneses também expulsaram os estrangeiros e fecharam seus portos aos navios de outras nações. Por mais de dois séculos e meio, o Japão, então um país agrário e de estruturas feudais, permaneceu praticamente isolado do resto do mundo. Foi só depois de 1868, com o fim do xogunato de Tokugawa e a ascensão do imperador Mutsuhito, que o país se abriu ao comércio exterior, iniciando de maneira efetiva seu processo de industrialização e modernização. Ao longo desse novo reinado (chamado Era Meiji), que se estendeu até 1912, os imperadores implantaram grandes reformas estruturais no país: extinguiram os domínios feudais; reestruturaram as forças armadas visando o futuro expansionismo na região do Pacífico; reformaram e melhoraram radicalmente o sistema educacional para a qualificação da mão de obra; investiram na ampliação da infraestrutura (portos, ferrovias, minas); desenvolveram o setor industrial, estimulando a formação de grandes conglomerados, conhecidos no Japão como zaibatsus.

Xogunato: sistema de governo vigente no Japão do século XII ao XIX, em que o poder concentrava-se nas mãos dos comandantes militares (os xoguns) e era transferido aos seus descendentes. A crescente importância dos xoguns neste período chegou a submeter a autoridade do imperador. Zaibatsus: empresas ou conglomerados que atuam no setor industrial, de comércio e de finanças, originadas de famílias tradicionais do Japão. Com o passar dos anos, o enriquecimento dessas organizações possibilitou a incorporação de indústrias menores, que se transformaram em grandes conglomerados. Entre os principais estão a Mitsui, a Mitsubishi, a Sumitomo e a Daiichi.

Com um vertiginoso processo de industrialização em andamento, o Japão passou a enfrentar sérias limitações de matérias-primas e de recursos minerais e energéticos, escassos em seu território. Para suprir essa deficiência, o país se fortaleceu militarmente e promoveu sua expansão imperialista anexando os territórios da Coreia e Taiwan (1895), da Manchúria, norte da China (1931), da Indochina (1941), além de inúmeras ilhas do Pacífico. As potências econômicas

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129

5/26/16 3:31 PM


A reconstrução econômica no pós-guerra Ao continuar sua política expansionista, o Japão estabeleceu alianças com os demais países do Eixo (Alemanha e Itália) e participou da Segunda Guerra Mundial saindo quase que completamente destruído desse conflito. Com a rendição do país, após o lançamento das bombas atômicas sobre Nagasaki e Hiroshima, o Japão também perdeu grande parte dos territórios que havia conquistado na região do Pacífico a partir do final do século XIX. Desde então, os japoneses se empenharam na execução de um grande projeto de reconstrução nacional, que, décadas mais tarde, transformaria o país numa das maiores potências econômicas do mundo. Essa recuperação extraordinária da economia japonesa se deu apoiada, sobretudo, na grande ajuda financeira concedida pelos Estados Unidos no pós-guerra. Ao promover a reconstrução da economia japonesa, essa ajuda atendeu plenamente aos interesses estratégicos de Washington, isso porque, ao ampliar sua presença e influência na região do Pacífico, os Estados Unidos contiveram um possível avanço do socialismo no Extremo Oriente. Além da ajuda financeira dos Estados Unidos, outros fatores também contribuíram de maneira decisiva para a rápida expansão da economia japonesa, entre os quais: ••a aplicação maciça de verbas públicas em todos os setores da educação, sobretudo no ensino técnico voltado para a qualificação da mão de obra; ••a canalização dos investimentos para o setor produtivo (sob a proteção militar dos Estados Unidos e com seu exército transformado em força de autodefesa no pós-guerra, a prioridade do Japão foi investir na expansão de sua infraestrutura – energia, transportes, comunicações – e de seu parque industrial); ••a grande disponibilidade de mão de obra relativamente barata e qualificada para o trabalho, já existente mesmo antes da guerra e que se tornou ainda maior com o êxodo rural ocorrido no pós-guerra; ••a obediência, a disciplina e a dedicação dos trabalhadores japoneses para com as empresas, aliadas a longas jornadas de trabalho, foram fatores que serviram muito bem aos interesses da classe empresarial. Países: crescimento médio anual do PIB (em %) Período

Japão

Estados Unidos

Alemanha

Reino Unido

França

1961-1970

9,3

4,2

3,7

6,2

1971-1980

4,5

3,3

2,9

2,0

3,7

1981-1990

4,7

3,3

2,3

2,7

2,4

1991-2000

1,1

3,4

2,0

2,5

2,0

2001-2010

0,8

1,6

1,0

1,5

1,0

2011-2014

0,7

2,1

1,4

1,6

0,8

Fonte: THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank. worldbank.org/data/reports. aspx?source=worlddevelopment-indicators>. Acesso em: 28 ago. 2015.

130

Favorecida por esse conjunto de fatores, a economia japonesa se recuperou de maneira extraordinária nas décadas seguintes à derrota na Segunda Guerra, sustentando um ritmo de crescimento econômico bem superior ao alcançado por outras grandes economias mundiais (veja tabela acima). Na década de 1960, o país já despontava como terceira maior economia mundial, alcançando o posto de segunda maior economia na década de 1980, posição que manteve até o início deste século, quando foi superada pela emergência econômica da China.


Um parque industrial complexo

JTB Photo/UIG/Getty Images

O Japão possui um parque industrial extremamente complexo, diversificado e evoluído do ponto de vista tecnológico, destacando-se na produção de bens de capital, bens intermediários e, sobretudo, de consumo. Entre os principais setores industriais do país estão o naval, o siderúrgico, o petroquímico, o automobilístico, o eletroeletrônico, o têxtil e o alimentício.

Unidade 5

Em virtude da insularidade do seu território, seu interior montanhoso e também do grande volume de suas importações (matérias-primas) e exportações (produtos manufaturados), o parque industrial japonês se desenvolveu principalmente nas estreitas planícies costeiras, próximas aos grandes portos, como Yokohama, Kobe e Chiba (na baía de Tóquio). Grande parte de sua produção industrial se concentra no eixo Tóquio-Nagoya-Osaka, o mais importante da megalópole japonesa (veja mapa abaixo). Complexo industrial e portuário de Nagoya, Japão, em 2015.

A estagnação econômica Embora o Japão tenha sustentado um crescimento econômico acelerado durante décadas seguidas, o país vem apresentando sérios problemas financeiros agravados pela desaceleração de sua economia (veja novamente os dados do crescimento econômico do país a partir de 1991, na tabela da página anterior). Sua estagnação econômica decorre, de certa forma, da própria prosperidade dos anos anteriores. Com o aumento da riqueza gerada quando a economia ainda estava aquecida, os investidores realizaram grandes Japão: população, transporte e economia especulações no mercado financeiro e imobiliário, o N que provocou exagerada alta no valor das ações O L Regiões industriais Rodovia principal Indústrias S Ferrovia principal (negociadas na Bolsa de Tóquio) e no preço dos Metalúrgica imóveis. Mas no início da década de 1990, os banSapporo Habitantes por km Têxtil Hokkaido cos restringiram o crédito fazendo desabar o preço Mais de 200 Tecnologia Química De 50 a 200 das ações e dos imóveis. Os prejuízos, então, se Mecânica De 10 a 50 alastraram pela economia provocando desaceleraAutomóveis De 0 a 10 Estaleiros ção do crescimento, aumento do desemprego e Eletroeletrônica queda dos salários. Sendai Cidade com: 2

Mais de 5 milhões de habitantes De 1 a 5 milhões de habitantes Tóquio Kawasaki Nagoya Yokohama Osaka Kyoto

Hiroshima

Kobe

Fukuoka

Fontes: LACOSTE, Yves (Org.). Atlas 2000. Paris: Nathan, 1999. p. 86. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS national geographic: Ásia II. São Paulo: Abril, 2008. v. 8. p. 92. 1 atlas. Escalas variam.

Kitakyushu

OCEANO PACÍFICO

Shikoku

Kyushu 200 km 135° L

500 km

As potências econômicas

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35° N

E. Cavalcante

Paralelamente a isso, a economia japonesa também passou a ser afetada pela forte concorrência dos produtos asiáticos (de eletroeletrônicos a automóveis) fabricados em países como China, Malásia, Indonésia, Filipinas, Tailândia, Vietnã, entre outros. Com preços mais baixos, esses produtos se tornaram mais competitivos no mercado mundial, comprometendo justamente as exportações japonesas, sustentáculo do crescimento econômico daquele país.

131

5/26/16 3:03 PM


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Diferencie os tipos de colonização estabelecidas no Norte e no Sul dos Estados Unidos.

7. Caracterize as disparidades econômicas entre Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental, após 40 anos de Guerra Fria.

2. O que foi a Guerra da Secessão nos Estados Unidos? Em que ela resultou?

8. A reunificação política e territorial da Alemanha, em 1990, apresentou pontos positivos e negativos. Cite alguns deles.

3. Qual foi a importância da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais para a economia dos Estados Unidos? 4. O que são as maquilladoras? 5. Cite três palavras ou expressões-chave para cada um dos belts do território estadunidense: a ) whealt belt; b ) corn belt; c ) dairy belt; d ) ranching belt; e ) cinturão das culturas tropicais.

6. Como a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais comprometeram o desenvolvimento industrial da Alemanha?

9. Além dos financiamentos via Plano Marshall, que outro fator promoveu a recuperação econômica da França após a Segunda Guerra Mundial? 10. Embora a economia do Reino Unido tenha enfraquecido nos últimos anos, o país ainda se destaca como uma potência mundial no cenário geopolítico. Explique por que isso ocorre. 11. Por que é possível dizer que a economia da França depende fortemente da União Europeia? 12. Quais mudanças ocorreram no Japão após o término do xogunato Tokugawa?

Expandindo o conteúdo 13. Analise o texto e responda às questões a seguir. [...] As rápidas mudanças no cenário econômico mundial têm amplas e inevitáveis repercussões geopolíticas. [...] Dada a multiplicidade e a amplitude dos desafios mundiais, tais mutações exigem que se repense a questão da cooperação internacional. Nem tudo muda da mesma forma e no mesmo ritmo. A paisagem militar é a de uma ordem unipolar, que se estabeleceu desde a desintegração da União Soviética, em 1991, quando os Estados Unidos se cristalizaram como hiperpotência global. Nenhum país do mundo tem nada semelhante à capacidade americana de projetar poder militar, operando em qualquer ponto do planeta onde seus interesses estratégicos ou econômicos estiverem sob ameaça. E isso, aparentemente, não deve mudar nas próximas décadas. A paisagem econômica, contudo, está crescentemente desconectada da paisagem militar. Neste plano, os Estados Unidos não conseguem alcançar seus objetivos sem barganhar com outros importantes protagonistas como a União Europeia e a China, principalmente [...]. No plano mais geral das relações internacionais, a liderança americana torna-se mais tênue e matizada. Washington já não pode liderar sem uma teia de acordos ou o recurso

132


mediação das instituições internacionais. Hoje, a única forma de lidar com problemas como o terrorismo, tráfico de drogas, pandemias, proliferação nuclear ou mudanças climáticas é por meio da cooperação entre governos. [...] NOVAS potências redesenham a geografia econômica mundial. Clube Mundo, São Paulo, ano 18, n. 1, p. 9, mar. 2010.

a ) Liste algumas palavras-chave que sintetizem o principal assunto tratado nesse texto. b ) O texto aborda a mudança da hegemonia econômica de um país para uma composição das relações internacionais mais cooperativas. Extraia do texto o trecho que indica essa ideia. c ) De acordo com os assuntos estudados no texto pesquise em jornais e revistas, impressos ou na internet:

• notícias

Unidade 5

atuais que atestem a seguinte afirmação do texto: “Nenhum país do mundo tem nada semelhante à capacidade americana de projetar poder militar, operando em qualquer ponto do planeta onde seus interesses estratégicos ou econômicos estiverem sob ameaça. E isso, aparentemente, não deve mudar nas próximas décadas”.

• notícias atuais que exemplifiquem a cooperação entre governos na resolução de questões, como descrito no seguinte trecho: “Hoje, a única forma de lidar com problemas como o terrorismo, tráfico de drogas, pandemias, proliferação nuclear ou mudanças climáticas é por meio da cooperação entre governos”.

14. Observe as imagens abaixo de parte da cidade de Kamaishi no Japão.

A 2011

B 2012

Toru Yamanaka/Yasuyoshi Chiba/ Toshifumi Kitamura/AFP Photo

C 2013

a ) Essa sequência de imagens registra a organização do Japão na recuperação das perdas diante do desastre natural de 2011, com a ocorrência de um maremoto seguido de tsunami. Observe, nas imagens, como parte da cidade de Komaishi foi recuperada em um curto período de tempo. b ) Outro exemplo de recuperação do Japão foi o ocorrido após a Segunda Guerra Mundial. Descreva, no caderno, quais foram os principais fatores que contribuíram para a rápida recuperação econômica desse país. As potências econômicas

133


Filme de Kenneth Branagh. Cinderela. EUA. 2015

Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

O imperialismo hollywoodiano

O texto a seguir aborda a influência cultural do cinema estadunidense no mundo.

[...]

Filme de Joel Coen e Ethan Coen. Onde os fracos não têm vez. EUA. 2008

Quando viajei pela primeira vez para os Estados Unidos com meus filhos, o mais velho perguntou-me se iríamos ver as latas de lixo que ele estava habituado a ver nos becos que apareciam nos desenhos do Pica-Pau, do Pernalonga e, principalmente, do Tom e Jerry. Reais ou imaginários, os objetos e os personagens surgidos no cinema ficam retidos na memória seletiva da criança. E dos adultos também. O que vemos nos filmes são objetos de desejo de muitos. Os chamados gadgets, que poderíamos traduzir por “bugigangas”, transformam-se em algo indispensável para nossas casas. Os filmes americanos levam seus personagens de caubóis a gângsteres, do mocinho ao bandido, até os confins do nosso imaginário. O corretor de programa usado no computador já incorporou, via nosso léxico deglutido de Hollywood, as palavras “gângsters” e “caubói”, aportuguesadas é claro. Por que não “bandido”, como usei algumas linhas atrás? [...]

Filme de Steven Spielberg. Indiana Jones e o reino da caveira de cristal. EUA. 2008

Filme de Colin Trevorrow. Jurassic World: o mundo dos dinossauros. EUA. 2015

Hollywood passou a ditar o comportamento mundial de certas camadas da sociedade. As mulheres inglesas, francesas, brasileiras, japonesas começaram a usar os modelos de sapato das estrelas. No Japão, os alfaiates que não seguiam os modelos dos ternos americanos corriam o risco de perder clientes. No Brasil, os modelos Ford ou Chevrolet mais vendidos eram os que apareciam em filmes de sucesso. Inclusive na arquitetura imitávamos um estilo californiano/espanhol. Artacho Jurado, um construtor de São Paulo, por outro caminho, ligou uma parte da arquitetura da cidade à americanização hollywoodiana. Construiu na cidade mansões e casas nos moldes dos subúrbios americanos que eram vendidas com o automóvel na garagem. Construiu o edifício Bretagne, localizado na avenida Higienópolis, em São Paulo, e trouxe o caubói Roy Rogers para inaugurá-lo em 1959. Americanização via Hollywood. [...] TOTA, Antonio Pedro. Os americanos. São Paulo: Contexto, 2009. p. 261-262.

Filme de Christopher Nolan. Interestelar. EUA. 2014

Em seu livro O império norte-americano das comunicações, o sociólogo Herbert Schiller (1919-2000) definiu o conceito de imperialismo cultural como o conjunto de processos por meio dos quais a camada dirigente de uma sociedade é levada a moldar suas instituições sociais de forma a corres­p onder aos valores e estruturas das sociedades dominantes do sistema, servindo-lhe, muitas vezes, como promotor dos mesmos. Trata-se, portanto, da imposição de valores, hábitos de consumo e influências culturais, que se tornam uma espécie de padrão a ser seguido pelas sociedades dominadas. Sendo assim, reflita sobre as questões a seguir:

a ) Qual o papel dos meios de comunicação na propagação do imperialismo cultural? b ) Como podemos exemplificar a presença desse imperialismo cultural em nosso cotidiano? Como isso interfere em nossos hábitos culturais?

134


Lincoln

Para assistir

Título: Lincoln Diretor: Steven Spielberg Atores principais: Daniel Day-Lewis, Sally Field e David Strathairn Ano: 2012 Duração: 150 minutos

Unidade 5

O filme retrata a política do presidente estadunidense Abraham Lincoln durante a Guerra de Secessão, ocorrida entre 1861 e 1865. Ao longo do filme também é abordada a questão da escravidão dentro do território dos Estados Unidos.

Filme de Steven Spielberg. Lincoln. EUA. 2012

A Geografia no cinema

Origem: Estados Unidos

••A DAMA de ferro. Direção: Phyllida Lloyd. Paris Filmes, 2012. O filme apresenta parte da trajetória política da ex-Primeira Ministra da Inglaterra Margaret Thatcher. Ao longo do filme são retratados importantes momentos políticos vivido por Thatcher, como a Guerra das Malvinas.

••O GRANDE ditador. Direção: Charles Chaplin. United Artist, 1940. Um clássico do cinema interpretado e dirigido por Charles Chaplin, esse filme apresenta uma crítica ao totalitarismo e, sobretudo, às duas Grandes Guerras Mundiais. A principal mensagem transmitida à sociedade é que a guerra é desnecessária.

••TRABALHO interno. Direção: Charles Ferguson. Sony Pictures, 2010. Documentário que explica as raízes da crise econômica que abalou o mundo em 2008.

Para ler

••ALVES, Júlia Falivene. A invasão cultural norte-americana. São Paulo: Moderna, 2004.

••HOBSBAWN, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX – 1914-1991. Tradução Marcos Santarrita. 10. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

••NUNES, João Osvaldo Rodrigues; NUNES, Manira Mie Okimoto. Japão. São Paulo: Ática, 2005.

••PORTELA, Fernando; RUA, João. Estados Unidos. 13. ed. São Paulo: Ática, 2005 (Viagem pela Geografia).

••TOTA, Antonio Pedro. Os americanos. São Paulo: Contexto, 2009. Para navegar

••FOLHA de S.Paulo. Disponível em: <http://tub.im/t5gix4>. Acesso em: 15 mar. 2016. ••ORGANISATION for Economic Cooperation and Development (OECD). Disponível em: <http://tub.im/65pd2h>. Acesso em: 15 mar. 2016.

••REVISTA Pangea. Disponível em: <http://tub.im/826g9z>. Acesso em: 15 mar. 2016.

As potências econômicas

135


Questões do Enem e Vestibular

Anote as respostas no caderno.

1. (EsPCex-SP) Sobre o desenvolvimento industrial dos Estados Unidos, leia as afirmativas abaixo:

c ) pelo emprego do ouro na produção tecnológica de ponta nas indústrias do Vale do Silício.

d ) pelo seu poder econômico que permitiu concentrar o ouro produzido em vários lugares do mundo.

I. O sudeste iniciou o processo industrial do País impulsionado pelos importantes centros comerciais e bancários daquela região e pela mão de obra imigrante de origem europeia;

II. Com o fim da guerra civil, o eixo industrial se deslocou do sudeste para o nordeste do País, impulsionando o crescimento de importantes centros urbanos como o de Nova York; III. No nordeste e na região dos Grandes Lagos, desenvolveram-se as indústrias de bens de produção, baseadas no carvão e no minério de ferro, e nasceu a indústria automobilística; IV. Após a Segunda Guerra Mundial, o sul e o oeste do País passaram a receber crescentes investimentos industriais também atraídos pelos campos petrolíferos do Golfo do México e da Califórnia. Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas. E. a ) I e II. b ) I e III. c ) II e III. d ) II e IV. e ) III e IV.

2. (UEG-GO) O maior estoque de ouro do mundo, mantido pelo governo americano, está guardado em Fort Knox, no estado de Kentucky, sob um forte esquema de segurança. Lá, está depositada grande parte das reservas de quase 9 mil toneladas mantidas pelos EUA, avaliada em US$ 550 bilhões. Disponível em: <www.economia.ig.br/mercados/veja-onde-estao-guardadosos-maiores-depositos-de-ouro-do-mundo/n15970933600.html>. Acesso em: 20 ago. 2012.

O fato de os EUA possuírem as maiores reservas de ouro mundial se explica: D. a ) pela manutenção do padrão-ouro que regula o sistema financeiro internacional, estabilizando o dólar. b ) pela produtividade incomum do metal retirado na chamada “corrida do ouro da Califórnia”.

136

3. (UFPR-PR) A fronteira do México com os Estados Unidos tem protagonizado distintos processos de natureza social, econômica e espacial. Sobre essa realidade, considere as seguintes afirmativas: E. 1. Observa-se um intenso processo migratório ilegal do México com destino aos Estados Unidos, desencadeando ações radicais por parte do governo americano, como a construção de um muro para marcar a fronteira e dificultar o ingresso de migrantes clandestinos nos EUA. 2. Há uma importante relação industrial entre os dois países, sobretudo por meio da ação das maquiladoras, indústrias americanas instaladas do lado mexicano que se aproveitam de isenções tarifárias, importam componentes dos Estados Unidos, executam a montagem dos produtos utilizando-se do baixo custo da mão de obra mexicana e exportam os produtos acabados para os EUA, com preços normalmente abaixo daqueles praticados pelas indústrias que produzem em território americano. 3. Os problemas existentes entre ambos os países podem ser atribuídos à separação física estabelecida por essa fronteira: o México compõe a América Central e os Estados Unidos a América do Norte. 4. A importância da fronteira entre EUA e México em relação à migração e ao processo de localização das maquiladoras se justifica pelo fato de as maiores cidades mexicanas estarem localizadas na região de fronteira, inclusive a capital, Cidade do México. 5. As remessas de dólares que os imigrantes fazem para suas famílias no país de origem contribuem com expressiva parcela da economia mexicana.


d ) localizado no nordeste dos Estados Unidos, constitui-se numa área de antiga concentração industrial, destacando-se as indústrias de bens de produção pela abundância de matérias-primas, energia e mão de obra e pela facilidade de transporte.

a ) 1 e 3. b ) 2 e 4. c ) 3 e 4. d ) 2, 3 e 5. e ) 1, 2 e 5.

4. (FATEC-SP) É lógico que os EUA devem fazer o que lhes for possível para ajudar a promover o retorno ao poder econômico normal no mundo, sem o que não pode haver estabilidade política nem garantia de paz. (Plano Marshall 5. VI. 1947)

Esse plano: D. a ) assegurava a penetração de capitais norte-americanos no continente europeu, sobretudo em sua parte oriental. b ) garantia, aos norte-americanos, o retorno a uma política isolacionista, voltada unicamente para os seus interesses internos. c ) pretendia deter as ameaças soviéticas sobre os países do Oriente Médio, cuja produção de petróleo era vital para as economias ocidentais. d ) era um instrumento decisivo na luta contra o avanço do comunismo na Europa arrasada pelo pós-guerra. e ) representava uma tomada da tradicional política da “boa vizinhança” dos EUA em relação à América Latina.

5. (CEFET-CE) São as principais características do Vale do Silício, nos Estados Unidos: A. a ) localizado no oeste dos Estados Unidos, próximo a importantes centros de pesquisa, forma um complexo industrial com destaque para os ramos típicos da Terceira Revolução Industrial. b ) também conhecido por cinturão (belt), constitui-se na principal área produtora de cereais dos Estados Unidos, sobretudo de milho e trigo, além de pecuária intensiva. c ) formado por erosão glacial, constitui-se numa área de preservação permanente, onde se destacam as faias, as sequoias e as bétulas, espécies típicas da floresta boreal.

e ) é uma das principais áreas de extração mineral, sobretudo de silício, cobre e ferro, altamente prejudicada pela degradação do meio ambiente.

6. (PUCCAMP-SP) O Manufacturing Belt no Nordeste americano apresentava, na década de 50, cerca de 69% da produção industrial dos Estados Unidos, baixando essa participação, três décadas depois, para 48%. Milhões de trabalhadores migraram para o Sul e o Oeste que despontavam como áreas mais dinâmicas. O mesmo Manufacturing Belt, orgulho dos americanos, ganhava uma nova designação pejorativa – o Rust Belt – o “cinturão da ferrugem”. Assinale a alternativa que melhor se relaciona ao texto: E. a ) A sociedade industrial norte-americana se reestrutura frente às novas exigências do mercado mundial. b ) A terceirização das atividades econômicas no Leste americano tem promovido o intervencionismo do Estado, para garantir a estabilidade do emprego de milhares de americanos. c ) Os investimentos das grandes transnacionais americanas no exterior esvaziaram a produção industrial e aumentaram o desemprego. d ) A redução contínua das taxas de natalidade e o crescente aumento da imigração tem provocado sucessivas crises sociais na classe operária norte-americana. e ) O espaço geoeconômico norte-americano está se reorganizando com o surgimento de novos polos industriais.

7. (UFSCAR-SP) Sobre a atual organização industrial dos Estados Unidos, é correto afirmar que: C.

As potências econômicas

137

Unidade 5

Assinale a alternativa correta.


a ) o Nordeste apresentou um sensível declínio do setor industrial e está em franca decadência econômica. b ) a região das planícies centrais substituiu as tra­d icionais atividades agrícolas pela indústria. c ) as regiões Sul e Oeste formam o “Sun Belt” (cinturão do Sol), que se destaca pela presença de indústrias de alta tecnologia. d ) a região da fronteira com o Canadá transformou-se em uma área industrial degradada, chamada Rust Belt (cinturão da ferrugem). e ) as Rochosas apresentam forte crescimento industrial, graças à descoberta de inúmeras reservas minerais.

8. (Fuvest-SP) As regiões delimitadas no mapa constituem as principais áreas agrícolas dos Estados Unidos da América. As culturas que se destacam nas regiões numeradas são: A. N O

1

L S

2

OCEANO

3

PACÍFICO

E. Cavalcante

40° N

OCEANO ATLÂNTICO

Golfo do México

750 km

100° O

a ) 1 – trigo de primavera; 2 – milho; 3 – algodão; b ) 1 – cana-de-açúcar; 2 – trigo de primavera; 3 – milho; c ) 1 – trigo de inverno; 2 – trigo de primavera; 3 – cana-de-açúcar; d ) 1 – fumo; 2 – cana-de-açúcar; 3 – trigo de inverno; e ) 1 – trigo de inverno; 2 – arroz; 3 – algodão.

9. (UFU-MG) Considerando a Alemanha após a Queda do Muro de Berlim, assinale a alternativa correta. B. a ) Em termos energéticos, a reunificação fortaleceu o país, pois o território da antiga Alemanha Oriental é muito rico em petróleo

138

e gás natural, o que justifica seu atual desenvolvimento industrial. b ) Reunificada, a Alemanha for taleceu sua condição de potência mundial e Berlim voltou a ser a capital do país, centro de importantes decisões, dada à força econômica alemã no cenário internacional. c ) A extensa rede hidroviária, os investimentos em pesquisa, a qualificação da mão de obra, as altas taxas de natalidade e de população rural foram os fatores responsáveis pelo desenvolvimento da economia alemã. d ) A base do desenvolvimento econômico alemão está em sua autossuficiência em produtos agropecuários, colocando-o, inclusive, como o maior exportador europeu de cereais como o trigo, milho e centeio e de beterraba.

10. (UEL-PR) Um fator que contribuiu decisivamente para o processo de industrialização na Inglaterra do século XVIII foi: A. a ) a acumulação de capital resultante da exploração colonial praticada pela Inglaterra através do comércio. b ) a concorrência tecnológica entre ingleses e americanos, que estimulou o desenvolvimento econômico. c ) a expulsão das tropas napoleônicas do território inglês, que uniu os interesses nacionais em torno de um esforço de desenvolvimento. d ) o movimento ludista na Inglaterra com a destruição das máquinas consideradas obsoletas, ao incentivar a invenção de novas máquinas. e ) a abertura de mercados na Alemanha e na França para a lnglaterra, por meio de um acordo comercial conhecido por Pacto de Berlim.

11. (PUC-SP) A principal área industrial da Europa Ocidental é a região: B. a ) de Lille, no norte da França; b ) do Ruhr, na República Alemã; c ) da Sicília, no Sul da Itália; d ) de Manchester, na Inglaterra; e ) da “mesetas”, na Espanha.


(01), (02), (04), (08) e (16). Total: 31.

(01) O Japão é uma monarquia constitucional e é formado por cerca de mil ilhas, e as quatro maiores e principais são Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kyushu. (02) A atividade sísmica é muito intensa em toda a nação e o seu ponto mais elevado do relevo é o monte Fuji, um vulcão inativo. (04) O relevo do país é predominantemente montanhoso e com picos que ultrapassam três mil metros de altitude. (08) Quase 60% da eletricidade é gerada por usinas termelétricas e o restante provém de centrais nucleares, hidrelétricas e geo­ térmicas. (16) O Japão possui reservas minerais variadas que incluem zinco, ouro, prata e cobre, mas algumas não são suficientes para suprir a demanda interna e o país importa matérias-primas, sendo uma das nações mais industrializadas do planeta.

13. (UEL-PR) A economia japonesa do pós-guerra apresentou um dos maiores índices de crescimento da renda nacional de todo o mundo, tornando o Japão o segundo país em importância dentro do capitalismo, devido, dentre outros aspectos, E. a ) ao crescimento da indústria de bens de consumo duráveis, à vocação agrícola e ao controle dos capitais internacionais oriundos dos planos de recuperação pós-1945. b ) à estabilidade da moeda, ao crescimento populacional e à grande quantidade de mão de obra barata com baixo grau de exigência salarial. c ) ao excelente nível de produtividade agrária, à exportação de matérias-primas baratas – fio de seda, minério de ferro etc. – e à importação de tecnologia. d ) ao excesso de produtos essenciais – petróleo, gás natural etc. – a alta taxa de escolaridade e o crescimento do mercado consumidor interno. e ) à importação em larga escala, ao desenvolvimento da indústria pesada – siderurgia, produtos químicos, automóveis etc. e ao alto índice de exportação.

14. (Cesgranrio-RJ) A Era Meiji (1868-1912) representou para o Japão uma série de grandes mudanças sócio-político-econômicas. Com relação a essas grandes transformações, assinale a única opção correta: B. a ) Implantou-se o poder dos “xoguns”, que eram senhores feudais interessados no fortalecimento da figura do Imperador como Chefe de Estado. b ) Reestruturaram-se as Forças Armadas, de acordo com padrões ocidentais, visando ao futuro expansionismo na Ásia de Sudeste e no Pacífico. c ) Criaram-se condições para a formação dos zaibatsus, isto é, dos grandes monopólios pertencentes a antigos clãs feudais e ao capital norte-americano. d ) Foi aprovada uma Constituição, em 1889, que aboliria os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e os entregaria aos “Samurais” do Imperador. e ) Houve a contratação de técnicos europeus para reestruturar a indústria de tecidos, já existente no país desde o século XVIII, nas cidades de Kyoto e Tóquio.

15. (UFMG-MG) A respeito do Japão, qual a afirmativa errada? E. a ) A situação de Arquipélago, em região de contato de correntes marinhas quentes e frias, é favorável à atividade da pesca. b ) A existência de relevo montanhoso na maior parte do território limita a existência de agricultura. c ) Seu território faz parte de uma área instável da crosta terrestre, o que explica a ocorrência de terremotos e erupções vulcânicas. d ) Enquanto o sul do arquipélago possui clima subtropical, o Nor te está sujeito ao clima temperado com invernos muito rigorosos. e ) A riqueza mineral do território é um dos principais fatores de crescimento industrial japonês.

As potências econômicas

139

Unidade 5

12. (UEPG-PR) Sobre o Japão e algumas de suas características, assinale o que for correto.


140 Tuul and Bruno Morandi/ Photolibrary/ Getty Images

unidade

Economias emergentes


Os países emergentes são aqueles que nas últimas décadas se destacaram na economia global, em sua industrialização e em seu nível de participação no comércio mundial. São países subdesenvolvidos que se sobressaíram em relação aos demais países pobres, alguns deles destacando-se, inclusive, em relação às maiores economias do mundo. Nos países emergentes, considerados Novos Países Industrializados (NPI), o processo de industrialização ocorreu tardiamente, após a década de 1950, por meio de incentivos estatais e privados (das empresas multinacionais) e do auxílio das potências mundiais, a exemplo daquelas estudadas na unidade anterior. Entre os novos países industrializados estão China, Índia, Rússia, Brasil, África do Sul, Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Hong Kong) e Novos Tigres Asiáticos (Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas e Vietnã).

••Melhorias na economia nem sempre vêm acompanhadas

por desenvolvimento humano. Você sabe como essa característica pode ser identificada nos países emergentes? Como essa foto expressa essa característica? Converse com os colegas sobre esse aspecto e depois compartilhem o que vocês sabem.

Essa é uma paisagem de Mumbai, na Índia, em 2015. A Índia é um país subdesenvolvido que vem alcançado crescimento econômico significativo nas últimas décadas. Porém, essa paisagem nos revela que tal crescimento e riqueza, representados pelos edifícios em expansão, ao fundo da imagem, não têm proporcionado grandes melhorias nas condições de vida da população mais pobre, como observamos no bairro carente no primeiro plano da imagem.

141


China

DESERTO DE TAKLA MAKAN

Ho g- ) an elo Hu mar (A

o

g r e -H lo )

China: altimetria

A China é o único país socialista do mundo que se encontra em acelerado processo de crescimento econômico. Há mais de meio século sob o comando do Partido Comunista Chinês (PCC), o país mantém um governo de partido único, centralizado e autoritário. Seus dirigentes exercem controle absoluto sobre quase todas as questões políticas internas, impondo forte censura aos meios de comunicação, reprimindo violentamente qualquer tipo de manifestação popular e N impedindo a formação de sindicatos, entiO L dades de classe etc. Com essas e outras S medidas, as liberdades democráticas mal existem no país.

Hua n

( Am PLANALTO Minyakonka DO TIBETE (7 590 m) é s T ) Everest ng azul H IM A Ya ( L A IA (8 848 m) ng

Kia

Xun

Trópico de Câncer

Jia

a

30° N

ng

OCEANO PACÍFICO

Altitude em metros 4 800 3 000 1 800 1 200 600 300 150 0 Pico

590 km 90° L

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 46. 1 atlas. Escalas variam.

China: densidade demográfica N O

L S

Urumqi

Pequim

Chengdu

Wuhan

Xangai

Ilustrações: Leonardo Mari

Guangzou Shenzhen

590 km

142

90° L

Além disso, se destaca também pela sua numerosa população. Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, o que representa um quinto da população mundial, é o país mais populoso do mundo. Como 76% dessa população encontra-se em idade economicamente ativa (entre 15 e 59 anos), a China também dispõe de uma mão de obra muito numerosa. Em decorrência das condições naturais de seu território, sua população está distribuída de maneira bastante irregular.

30° N

Chongqing Kunming

Se, no âmbito político, o governo comunista controla o país com “mão de ferro”, no plano econômico as reformas implantadas por esse mesmo governo ao longo das últimas décadas, como veremos adiante, foram responsáveis pelo intenso crescimento da economia chinesa. Com um Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 10,3 trilhões de dólares, a China ocupa atualmente a posição de segunda maior economia mundial, atrás apenas dos Estados Unidos (que têm PIB de 17,4 trilhões de dólares).

Trópico de Câncer OCEANO PACÍFICO

Habitantes por km2 População das cidades Mais de 100 (milhões) De 26 a 100 De 1 a 5 De 6 a 25 De 5 a 10 De 3 a 5 10 ou mais Menos de 3

• Observe e compare os mapas, identificando a distribuição da população no território da China e as regiões de maior e menor concentração demográfica. Explique a relação entre essa distribuição e as características naturais do território chinês.

Fontes: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 117. 1 atlas. Escalas variam. UNITED Nations Population Division. World Population Prospects 2015. Disponível em: <http://mirror.unhabitat.org/pmss/listitemdetails. aspx?publicationid=3387>. Acesso em: 25 ago. 2015.


A China comunista No auge do imperialismo promovido pelas potências europeias durante o século XIX, a China ficou submetida aos interesses externos. Após ter sido obrigada a abrir seus portos ao comércio europeu, o território chinês foi partilhado entre potências estrangeiras, como Inglaterra, Alemanha, Rússia e Japão. A reação contra a dominação estrangeira se deu no início do século XX, com a organização de um movimento nacionalista liderado pelo Partido Popular Nacional (Kuomintang), que, por meio de um processo revolucionário, derrubou a monarquia e proclamou e instituiu a república em 1912. Nas décadas seguintes, o país emergiu em uma guerra civil desencadeada entre o governo nacionalista e os partidários do Partido Comunista Chinês (PCC), que havia sido criado em 1921, inspirado nos ideais da Revolução Russa.

Unidade 6

Em 1937, após os japoneses declararem guerra e conquistarem quase dois terços do território chinês, os nacionalistas se uniram aos comunistas para expulsar os invasores. Com a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, em 1945, as forças comunistas, de base camponesa e sob a liderança de Mao Tse-Tung, tomaram o poder dos nacionalistas e instauraram, em 1949, a República Popular da China, sob regime comunista.

As transformações econômicas Nas décadas seguintes, o governo comunista chinês realizou grande esforço para promover o crescimento econômico do país, baseado na coletivização das terras e no processo de industrialização, seguindo o mesmo modelo de planificação econômica adotado pelos soviéticos. Embora ambicioso, os resultados desse plano econômico, conhecido como o Grande Salto para a Frente (1957-1961), foram muito limitados e não atingiram as metas esperadas.

A mudança crucial, porém, ocorreu após a adoção de um conjunto de medidas de liberalização da economia, tomadas com o intuito de atrair a entrada de capitais e tecnologias estrangeiras. Para tanto, o governo chinês criou as chamadas Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), assim como promoveu a abertura de importantes cidades portuárias aos investimentos externos (veja mapa na página seguinte). Favorecidas pela redução ou mesmo isenção de impostos e também por uma legislação mais flexível, essas áreas se tornaram alvo de grandes investimentos estrangeiros, sobretudo do Japão e dos Estados Unidos.

O pôster abaixo retrata uma campanha do governo chinês pelo plano Grande Salto para a Frente, a fim de estimular a população a trabalhar pelo crescimento econômico do país. Pictures from History/Bridgeman Images/Easypix

A estagnação econômica chinesa foi superada somente com as reformas estruturais implantadas no campo e na cidade a partir de 1978, quando o líder supremo Deng Xiaoping assumiu o comando do país após a morte de Mao Tse-Tung. Essas reformas, conhecidas como as “quatro modernizações”, estenderam-se a quatro áreas prioritárias: agricultura, indústria, defesa, ciência e tecnologia. Tais medidas estimularam a economia como um todo: ampliou o potencial do mercado consumidor interno; a produtividade das empresas aumentou sensivelmente; elevou a competitividade do setor produtivo; e melhorou a qualidade dos produtos, além de reduzir seus preços.

Economias emergentes

143


A entrada de tais investimentos no país também se deve a outras inúmeras condições favoráveis, entre elas: • a grande disponibilidade de mão de obra relativamente qualificada e a baixo custo (mal remunerada); • a existência de um gigantesco mercado consumidor interno (cerca de 1,4 bilhão de habitantes); • a abundância de recursos minerais utilizados como matérias-primas e fontes de energia; • a moderna infraestrutura (portos, ferrovias, rodovias etc.) implantada nessas áreas por meio de maciços investimentos do governo; • a desoneração dos custos de produção por meio de facilidades fiscais e tributárias, além de incentivos ao setor exportador; • a legislação ambiental pouco rígida e até certo ponto permissiva em relação às atividades poluidoras. ChinaFotoPress/Stringer/Getty Images

Com a abertura da economia chinesa ao capital internacional, a produção industrial teve um enorme incremento, transformando de forma rápida o país em uma grande potência econômica. Voltado também para o abastecimento do enorme mercado consumidor interno, mas, em especial, para o mercado externo, o parque industrial da China é altamente diversificado, destacando-se em vários setores, como siderúrgico, metalúrgico, petroquímico, naval, assim como no de bens de consumo duráveis e não duráveis (eletroeletrônico, automobilístico, têxtil, calçados, brinquedos etc.). Com o gigantismo de sua indústria, a China se tornou a maior exportadora mundial de mercadorias. Atualmente, responde por mais de 11% do fluxo total mundial (94% desse total compostos por manufaturados), que em valores chega a cerca de 2,2 trilhões de dólares ao ano. Seus principais parceiros comerciais são os países da União Europeia, os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul. Entre os dez maiores portos do mundo, seis estão localizados na China (veja novamente o gráfico da página 47), o que indica a intensa movimentação comercial do país. Ao lado, porto localizado em Qingdao, China, em 2014.

China: organização econômica N O

Harbin

L S

Changchun Shenyang Fushun Anshan Dalian Pequim Urumqi

CHINA

Lhasa

Gilberto Alicio

Tianjin Qingdao Taiyuan Jinan Lianyungang Lanzhou Zhengzhou N 30° Xangai Nanquin Xi’an Wuhan Ningbo Pudong Wenzhou er Chongqing ânc eC Fuzhou d Chengdu o ic Changsha Tr ó p Xiamen Shantou OCEANO Guangzou Shenzhen PACÍFICO Zhuhal Kunming Hong Kong Beihai Zhanyang Hainan

Baotou

90° L

520 km

Área de difusão industrial Centro industrial Zona Econômica Especial (ZEE) Cidade aberta ao capital estrangeiro Centros: polos de crescimento regionais Periferia integrada ao centro, muito densamente povoada e industrializada Periferia associada ao centro, densamente povoada, atividade agrícola dominante Periferia marginalizada, pouco povoada, expansão das frentes pioneiras

Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 105. 1 atlas. Escalas variam.

144

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24/5/16 2:43 PM


Crescimento econômico e desigualdades regionais na China O crescimento econômico ocorrido na China ao longo das últimas décadas tem aprofundado suas desigualdades regionais. A enorme prosperidade econômica ocorrida nas províncias costeiras, onde se encontram as ZEEs e as cidades portuárias abertas ao capital estrangeiro, contrasta com a estagnação econômica e a pobreza das províncias do interior do país. Essas desigualdades se tornam marcantes quando analisamos, de forma comparativa, dados sobre o valor da riqueza produzida no país. Nas províncias costeiras com uma economia desenvolvida, por exemplo, a renda per capita da população chega a ser cinco vezes maior em relação às províncias com menor desenvolvimento econômico e pobres do interior.

Unidade 6

A essas diferenças socioeconômicas se somam os grandes contrastes demográficos. Enquanto a faixa leste do território apresenta densidades demográficas que superam 600 hab/km2, o vasto interior do país, com predomínio agrário, é pouco povoado (veja mapa na página 142). Ainda em relação à população, apesar do crescimento econômico, aproximadamente 11% (cerca de 157 milhões de pessoas) vivem abaixo da linha da pobreza, com menos de 1,90 dólar por dia, sofrendo com a carência de alimentos e a falta de infraestrutura (moradias) e de serviços básicos (energia, água potável etc.). Ainda assim, em 2014, a China figurava como a segunda maior economia do mundo, o que evidencia o contraste entre crescimento econômico e desenvolvimento social.

David Pollack/Corbis

Desde o início da década de 1970, o governo chinês exerceu rígido controle da natalidade com a “política de filho único” (casais com mais de um filho são punidos com a perda de benefícios sociais e até pagamentos de multas). Essa política antinatalista foi implantada por meio de uma série de medidas como a divulgação e o incentivo ao uso de métodos contraceptivos, a liberalização do uso de pílulas anticoncepcionais e até, de forma mais drástica, a esterilização de mulheres que já tiveram filho (ao lado, cartaz de campanha antinatalista na China). Depois de quatro décadas de controle da natalidade, a população chinesa passou a envelhecer, o que vem obrigando o governo a rever a política demográfica no país. Atualmente, cada casal pode ter até dois filhos.

Crescimento econômico e problemas ambientais

ChinaFotoPress/Getty Images

O modelo de desenvolvimento econômico adotado pela China se apoia na utilização crescente de fontes energéticas não renováveis. Cerca de 84% da matriz energética do país depende da queima de combustíveis fósseis (carvão e petróleo) em usinas termoelétricas. O restante da energia consumida provém da queima de gás natural e também de usinas hidrelétricas e nucleares. Com o grande consumo de carvão e petróleo, tornou-se um dos países que mais contribuem para a emissão de dióxido de carbono na atmosfera. Diante disso, o grande desafio da China nas próximas décadas será manter seu elevado ritmo de crescimento econômico por meio de políticas ambientais que assegurem a substituição de sua matriz energética altamente poluidora, ainda sustentada por fontes não renováveis, por uma mais limpa e baseada em fontes renováveis. Um exemplo disso é o aproveitamento de seu potencial hidráulico, com a construção de várias usinas hidrelétricas, como a de Três Gargantas, em Heibei, no rio Yang-Tsé (veja a fotografia ao lado, de 2014), a maior do mundo.

Economias emergentes

145


Índia Com aproximadamente 3,3 milhões de km 2, a Índia é o terceiro maior país da Ásia em extensão territorial, ficando atrás apenas da Rússia e da China. Também é o segundo mais populoso do mundo, com cerca de 1,3 bilhão de habitantes, mantendo um ritmo de crescimento demográfico relativamente elevado, em torno de 1,3% ao ano.

Índia: colonização N O

L S

Délhi

Trópico de Câncer

Bombaim

Baía de Bengala

15° N

Expansão territorial britânica (1757-1914) Madras

Domínio britânico Estado principesco muçulmano Estado principesco não muçulmano Colônia portuguesa Colônia francesa

OCEANO

E. Cavalcante

ÍNDICO

Colônia da coroa separada da Índia

Estado de Madras

430 km 75° L

Como ex-colônia do antigo Império Britânico das Índias Orientais, desde meados do século XIX, a maior parte do território indiano ficou submetida aos interesses econômicos ingleses e também de outras potências europeias que estabeleceram entrepostos comerciais em seu litoral (veja mapa ao lado). O país conquistou sua independência política somente em 1947, depois de uma longa campanha liderada por Mahatma Gandhi (1869-1948). Gandhi e seus seguidores convocaram o povo a lutar pacificamente contra o colonialismo britânico por meio da não violência, o que incluía desobediência civil e boicote aos produtos ingleses. Fonte: WORLD history atlas. 2. ed. London: Dorling Kindersley, 2005. p. 248. 1 atlas. Escalas variam.

Após a independência, o governo indiano procurou desenvolver a economia do país por meio de uma vigorosa política de industrialização. Grandes investimentos estatais foram direcionados para setores considerados estratégicos para o desenvolvimento da atividade industrial (mineradoras, siderúrgicas, metalúrgicas, químicas e de armamentos). Esse modelo de desenvolvimento, estatal e centralizado, favoreceu o crescimento acelerado da indústria nacional num primeiro momento, mas se mostrou ineficaz a longo prazo. No decorrer das décadas de 1970 e 1980, a economia indiana perdeu fôlego em razão da queda da competitividade do setor produtivo no mercado externo. Com o aumento das importações, que comprometeu o desempenho da balança comercial, a acumulação de déficits aumentou o endividamento externo do país. Índia: indústria, recursos minerais e energéticos N O

L S

Regiões industriais

Renan Fonseca

Recursos minerais e energéticos Gás natural Hidrelétrica Petróleo Oleoduto Indústrias Metalúrgica Siderúrgica Petroquímica Química Têxtil Mineradora Mecânica Automobilística Aeronáutica Conservas Eletrônica e telecomunicações Estaleiros

146

Nova Délhi Jaipur Kanpur Ahmadabad

Trópico de Câncer Jamshedpur

Calcutá

Mumbai Pune

ÍNDIA Vishakhapatnam

15° N

OCEANO ÍNDICO Bangalore

A Índia dispõe de importantes jazidas minerais em seu subsolo, com destaque para as reservas de ferro, bauxita e manganês, entre outras, cuja exploração abastece a crescente demanda do parque industrial em expansão, especialmente das grandes indústrias de base (siderúrgicas, metalúrgicas, petroquímicas). Cerca de 98% da matriz energética do país se apoia na utilização de fontes não renováveis, sobretudo pela queima de carvão mineral (56% do total), petróleo (28%) e gás natural (7%), em usinas termelétricas. Embora a biomassa seja a principal fonte de energia renovável utilizada no país, o território indiano apresenta grande potencial hidráulico, porém, muito pouco aproveitado. As usinas hidrelétricas respondem por apenas 4,6% de toda energia gerada no país.

Madras Madurai

75° L

340 km

Fontes: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. 152-155. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS national geographic: Ásia II. São Paulo: Abril, 2008. v. 8. p. 30. 1 atlas. Escalas variam.


Mesmo com uma das economias que mais cresceram nas últimas décadas, o país apresenta profundos contrastes socioeconômicos. Aproximadamente 21% de sua população (algo em torno de 275 milhões de pessoas) vive abaixo da linha internacional de pobreza, ganhando menos de 1,90 dólar por dia, o que explica os elevados índices de fome e subnutrição no país, bem como as precárias condições de vida de grande parte da população.

dbimages/Alamy Stock Photo/Latinstock

Ao atraírem muitos investimentos estrangeiros, essas medidas promoveram a retomada do crescimento econômico, sobretudo com a expansão da atividade industrial e o aumento das exportações. Com isso, a economia indiana vem sustentando uma das maiores taxas de crescimento mundial ao longo dos últimos anos, a exemplo de 2014, cuja taxa foi de 7,4%. Atualmente, seu PIB soma em torno de 2 trilhões de dólares, o que faz da Índia a décima primeira economia do mundo, destacando-se como uma das grandes potências emergentes.

Unidade 6

Na tentativa de superar tais problemas, no final da década de 1980, o governo indiano recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Em troca de novos empréstimos e da renegociação de sua dívida, o país foi obrigado a promover uma série de reformas e ajustes econômicos estruturais. O Estado reduziu sua participação e seu controle sobre a economia (empresas estatais foram privatizadas), eliminou barreiras alfandegárias e diminuiu o protecionismo, como forma de facilitar e incentivar a entrada de capital externo.

Acima, moradias precárias em Nova Délhi, Índia, em 2014.

A investida tecnológica Em Bangalore, estão localizadas empresas e instituições de desenvolvimento de equipamentos e soluções informáticas de alta tecnologia. Abaixo, edifícios International Tech Park em Bangalore, em 2014.

imageBROKER/Alamy Stock Photo/Latinstock

Ao longo dos últimos anos, a Índia vem se transformando em um importante polo mundial de inovações tecnológicas. A existência de profissionais altamente qualificados e relativamente mal remunerados, de acordo com o padrão internacional, aliada aos elevados investimentos em instituições de pesquisa, como o Instituto Indiano de Tecnologia (IIT), com 16 unidades espalhadas pelo território, fez da Índia um grande exportador mundial de softwares (o maior do mundo) e de outros produtos, como eletrônicos, químico-farmacêuticos etc. A principal cidade na produção de softwares é Bangalore (centro-sul do país), conhecida como o Vale do Silício Indiano, que concentra grande parte das empresas de alta tecnologia, sobretudo de informática e telecomunicações. O país abriga gigantes multinacionais como IBM, Microsoft, Motorola, Siemens, Nokia, Alcatel, entre outras. Outro setor de atividade muito importante é o de telemarketing, em que empresas indianas funcionam como call centers, contratadas pelas de outros países (terceirização) para prestar serviços de informações telefônicas, como suporte técnico, atendimento ao consumidor, propagandas, oferecimento de produtos e serviços etc.

Economias emergentes

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147

5/27/16 2:24 PM


Rússia Com mais de 17 milhões de km2, o território da Rússia é o mais extenso do mundo. Embora sua população seja bastante numerosa, com aproximadamente 142 milhões de habitantes, a densidade demográfica média do país é baixa, de apenas 8 hab/km2. Desde o colapso da antiga União Soviética, em 1991 (assunto que será tratado na unidade 7), a Rússia se tornou a principal herdeira do poder até então exercido pelos soviéticos, ingressando em um complexo processo de transição política e econômica. No plano político, as reformas caminharam no sentido de eliminar o autoritarismo de partido único pelo estabelecimento de um Estado democrático, com eleições livres e pluralidade partidária. No plano econômico, o país promoveu uma drástica mudança para a economia de mercado com a privatização dos meios de produção e a gradativa extinção da propriedade estatal coletiva. A transição para a economia capitalista, no entanto, desencadeou uma profunda crise nos setores produtivos, lançando o país em uma forte recessão econômica. Com isso, houve aumento do desemprego, queda da renda per capita, aumento dos preços e do endividamento externo, queda acentuada da produção industrial e do PIB. Rússia: indicadores econômicos Indicadores PIB (bilhões de US$) Crescimento anual do PIB (%) PIB per capita (em US$) Taxa de inflação (%) Dívida externa (bilhões de US$) Fontes: THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank. worldbank.org/data/reports. aspx?code=ny.gdp.mktp.kd. zg&id=af3ce82b&report_ name=popular_indicators&popula rtype=series&ispopular=y>. Acesso em: 10 ago. 2015.

1990

2000

2014

517

260

1 860

-3,0

10,0

0,6

3 485

1 772

12 736

15,9

37,7

7,2

146

679

A situação econômica da Rússia passou a melhorar após a década de 1990. A abertura econômica e a desvalorização da moeda russa, o rublo, estimularam a entrada de investimentos estrangeiros, melhorando a produtividade e a competitividade do setor produtivo, promovendo também um grande aumento das exportações. Atualmente, a Rússia é a décima maior economia mundial, com PIB superior a 1,86 trilhão de dólares.

Indústria, recursos minerais e energéticos

THE CENTRAL Bank of the Russian Federation. Disponível em: <www.cbr.ru/eng/statistics/ print.aspx?file=credit_statistics/ debt_an_new_e. htm&pid=svs&sid=itm_49496>. Acesso em: 31 ago. 2015.

A recuperação da produção industrial e econômica da Rússia tem sido favorecida, entre outros fatores, pela enorme disponibilidade de recursos minerais e energéticos em seu vasto território. O país dispõe de extensas bacias sedimentares com imensas jazidas de combustíveis fósseis (petróleo e gás natural) e de escudos cristalinos que concentram enormes reservas minerais (ferro, carvão, bauxita, cobre, entre outros).

Abaixo, exploração de carvão na região da Sibéria, Rússia, em 2015.

Uma das maiores e mais importantes áreas de exploração mineral do país encontra-se próximo aos montes Urais, cordilheira de montanhas que se estende longitudinalmente do Cazaquistão até a costa do oceano Ártico e marca fisicamente a separação entre a Europa e a Ásia. A atividade mineradora nessa região, rica em minério de ferro, bauxita, petróleo, carvão e gás natural, favoreceu o desenvolvimento de um grande parque industrial, com destaque para empresas siderúrgicas, metalúrgicas, refinarias e petroquímicas. Serguei Fomine/Global Look/Corbis/Latinstock

148


Outras importantes áreas industriais também estão instaladas em torno dos grandes centros urbanos, como Moscou (capital) e São Petersburgo, cidades localizadas na porção ocidental do território, região mais populosa do país, assim como na porção asiática, próximo às maiores jazidas de carvão e petróleo (veja mapa abaixo). Para viabilizar a exploração de seus recursos minerais e energéticos, a Rússia dispõe de uma gigantesca infraestrutura formada por extensas redes de oleodutos, gasodutos, além de milhares de quilômetros de hidrovias e ferrovias (o país detém a segunda maior rede ferroviária do mundo, com cerca de 87 mil quilômetros de linhas férreas, o que a deixa atrás apenas dos Estados Unidos).

Rússia: indústria, recursos minerais e energéticos Cí

rc

ul

o

N

Po

la

OCEANO GLACIAL ÁRTICO rti

co

O

Murmansk

S

São Petersburgo Arkhangel’sk Moscou

Fe

Rostov Volgogrado Krasnodar

Mar Negro

Au

Ni

Nijni Novgorod

Zn

Perm

Mirnyy

Magadan

Cu

60° N

Yakutsk

Fe

Samara

Mar de Okhotsk

Chelyabinsk Orenburg

Pevek

Sn

Norilsk

Kazan

Regiões industriais Recursos minerais e energéticos Carvão Pb Chumbo Gás natural Cu Cobre Petróleo Sn Estanho Fe Ferro Hidrelétrica Ni Níquel Nuclear Au Ouro Termelétrica Zn Zinco Gasoduto Bauxita Oleoduto

L

Petropavlovsk

Cu

Novosibirsk Mar Cáspio

Au

E. Cavalcante

Cu

Pb

Yuzhno-Sakhalinsk

Irkutsk

Au

80° L 610 km

Vladivostok

1 860 km

Indústria Aeronáutica Automóveis Química Mecânica Metalúrgica Têxtil Madeireira Floresta Lavoura Pastagem Áreas congeladas Região montanhosa Rodovia principal Aeroporto internacional

Fontes: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. 123. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS national geographic: Europa II. São Paulo: Abril, 2008. v. 4. p. 53. 1 atlas. Escalas variam.

Se, do ponto de vista econômico, a Rússia deixou de fazer frente às grandes potências mundiais, o país ainda sustenta sua importância no cenário geopolítico internacional como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU. E também se configura como uma potência militar, com poderoso arsenal bélico, superado somente pelos Estados Unidos (veja tabela ao lado). Grande parte das ogivas atômicas ainda estão instaladas nas bases militares russas, em mísseis de médio e longo alcance, herança da corrida armamentista do período da Guerra Fria. O domínio da avançada tecnologia espacial, desenvolvida também naquele período, contribui para a manutenção de seu status de grande potência.

EUA

Arsenal bélico

Rússia

2 080

Ogivas nucleares

1 780

500

Submarinos

2 079

1 597

Mísseis de longo alcance (intercontinentais)

1 643

10

Porta-aviões

1

1,5

Soldados (em milhão)

1

610

Gastos militares (em milhões de US$)

84

Fontes: STOCKHOLM International Peace Reserch Institute (SIPRI). Disponível em: <http://books.sipri.org/files/FS/SIPRIFS1504.pdf>. UNITED States Navy. Disponível em: <www.navy.mil/navydata/fact_display. asp?cid=4200&tid=200&ct=4>. THE NUCLEAR Threat Initiative (NTI). Disponível em: <www.nti.org/>. BULLETIN of the Atomic Scientists. Disponível em: <http://thebulletin.org/sevendecades-after-hiroshima-there-still-nuclear-taboo8591>. TIMATKOV, Alexey. Russian Navy. Ria Novosti, Moscou, 13 maio 2013. Disponível em: <http://en.rian.ru/infographics/20130513/181118560/ Russian-Navy.html>. Acessos em: 22 set. 2015.

Economias emergentes

149

Unidade 6

A Rússia também apresenta enorme potencial hidráulico favorecido pela extensa rede hidrográfica. Embora existam importantes usinas hidrelétricas instaladas nas bacias de seus principais rios, como o Volga e o Ienissei, as fontes hidráulicas representam apenas 6% da energia consumida no país, cuja matriz energética está apoiada em recursos não renováveis: gás natural (54% do total), petróleo (22%) e carvão mineral (13%).


Tigres Asiáticos Tigres e Novos Tigres Asiáticos N O

Seul

COREIA DO SUL

OCEANO PACÍFICO

L S

er nc Câ de co i p Tró

Tigres Asiáticos Novos Tigres Asiáticos Taipé TAIWAN Hong Kong Hanói Manila

FILIPINAS

TAILÂNDIA

Bancoc

r ado Equ 0°

VIETNÃ Mar da China Meridional

Mar de Andaman

Mar das Filipinas

Kuala MALÁSIA Lumpur SINGAPURA E. Cavalcante

ÉSIA INDON Jacarta 120° L

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 51. 1 atlas. Escalas variam.

650 km

A partir da década de 1970, alguns países do Sudeste Asiático, até então de economia essencialmente agrária, com escassos recursos minerais ou combustíveis fósseis, de população pouco numerosa e alto índice de analfabetismo, passaram por um rápido processo de industrialização e crescimento econômico. Por conta da projeção econômica alcançada por eles no cenário mundial, esses países – Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Hong Kong – se tornaram conhecidos como Tigres Asiáticos (veja o mapa ao lado). O crescimento econômico que alcançaram, embora guardadas suas particularidades, ocorreu com uma forte participação do Estado, mediante a adoção de um conjunto de medidas estratégicas voltadas para o desenvolvimento da atividade industrial e também para o aumento das exportações. Entre outras medidas, a política de desenvolvimento adotada por esses países incluiu:

• grandes investimentos em infraestrutura (transporte, energia etc.); • incentivo direto às exportações com diminuição dos impostos sobre os produ-

tos exportados; • adoção de medidas protecionistas (tarifárias) contra a concorrência estrangeira; • aumento da carga tributária (impostos), como forma de conter o consumo e elevar o nível da poupança interna; • aplicação de maciços investimentos em educação, necessários para aumentar a qualificação da mão de obra e sustentar o crescimento econômico.

kikujungboy/Shutterstock.com

Por meio dessas medidas, Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Hong Kong criaram uma nova estrutura econômica, alcançando resultados espetaculares. Houve um vertiginoso crescimento de suas economias, acompanhado pela melhoria nas condições de vida de seus habitantes, com aumento da renda salarial, diminuição do desemprego, queda acentuada do analfabetismo e da pobreza (veja tabela na página seguinte). Como o modelo de desenvolvimento econômico esteve calcado no aumento das exportações e em grandes superávits comerciais, esses países se converteram em verdadeiras plataformas de exportação. Hong Kong foi colônia britânica por mais de 150 anos, sendo devolvida à China em 1997. Desde então, um acordo orienta que esse território fique por 50 anos sob o sistema econômico capitalista e administração autônoma, para que, depois desse período, seja exercida a plena soberania chinesa. Ao lado, vista de Hong Kong, em 2015.

150

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24/5/16 2:46 PM


Tigres e Novos Tigres Asiáticos: panorama socioeconômico PIB em 2014 (em bilhões de US$)

Indonésia

256

888

47

44

439

0,684

3 515

7,2

Filipinas

102

284

37

84

252

0,668

2 843

4,6

50

1 410

319

97

151

0,898

27 970

Países

Coreia do Sul Singapura

Variação do PIB (%)

IDH em 1980-1990 1990-2000 2000-2014 2014

Taxa de analfabetismo em 2014 (%)

7

308

225

146

221

0,912

56 287

4,1

Vietnã

93

186

467

447

0,666

2 052

6,6

Malásia

31

327

76

114

248

0,779

10 830

6,9

Tailândia

67

374

165

45

204

0,726

5 561

6,5

7

291

165

123

69

0,910

40 170

23

902

46 500

1.5

2 346

97

42

257

0,755

11 613

9,6

Hong Kong Taiwan Brasil

203*

Os efeitos positivos da política econômica adotada nesses países também foram favorecidos por fatores internos e externos. No plano interno, dispunham de mão de obra barata e relativamente qualificada, condição para os baixos custos de produção interna que aumentaram a produtividade e a competitividade de seus produtos no mercado internacional. Foi essa expansão quantitativa e qualitativa do setor produtivo que garantiu a obtenção dos elevados saldos comerciais que sustentaram o crescimento dessas economias. A existência de governos autoritários ou ditatoriais também garantiu a implantação da política econômica.

Ng Hock How/Moment/ Getty Images

No plano externo, o contexto econômico e geopolítico internacional nas décadas de 1970 e 1990 também favoreceu a atração de investimentos estrangeiros aos Tigres Asiáticos. Por um lado, a proximidade desses países em relação ao Japão, que se encontrava em plena ascensão econômica (como estudamos na unidade 5), atraiu capital e empresas japonesas em busca de novos mercados. Por outro lado, os Estados Unidos também fizeram grandes investimentos financeiros em tais países com o objetivo de criar uma sólida economia capitalista naquela parte da Ásia. Isso era estrategicamente necessário para inibir uma possível expansão do regime socialista na região, já implantado em países como Coreia do Norte, Vietnã, Laos e Camboja, sob a influência dos soviéticos e dos chineses no auge da Guerra Fria. Durante a década de 1980, grandes investimentos do Japão e também dos próprios Tigres Asiáticos se dirigiram para outros países da região cuja economia também passou a crescer de maneira acelerada. Assim, países como Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas e Vietnã se industrializaram rapidamente, tornando-se conhecidos, por isso, como os Novos Tigres Asiáticos (veja novamente o mapa da página 150).

Fontes: UNITED Nations Population Division. World Population Prospects 2015. Disponível em: <http://esa.un.org/ wpp/excel-data/excel_files/1_ population/wpp2012_pop_f01_1_ total_population_both_sexes.xls>. Acesso em: 31 ago. 2015. THE WORLD Bank. Disponível em: <www.worldbank.org>. Acesso em: 31 ago. 2015. *INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov. br/estimativas_de_populacao/ estimativas_2015/estimativa_ dou_2015.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2015. CENTRAL Intelligence Agency (CIA). The World Factbook. Taiwan. Disponível em: <www. cia.gov/library/publications/ the-world-factbook/geos/tw. html>. Acesso em: 18 abr. 2016. PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/ content/dam/undp/library/ corporate/hdr/hdr%202015/ humandevelopmentreport_ en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016.

Abaixo, vista que denota a prosperidade de Kuala Lumpur, Malásia, em 2012.

Economias emergentes

151

Unidade 6

PIB per capita (em US$) 2014

População (em milhões) 2015


Contexto geográfico

Ponto de vista

BRICS: contradições e preocupações O acrônimo BRIC vem sendo usado desde o início da década de 2000 para denominar o grupo de países emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia e China. Com a adição da África do Sul em 2010, passou a formar o BRICS (do inglês South Africa). Essa denominação teve origem em um relatório elaborado pelo economista britânico Jim O’Neill, que afirmava aos seus investidores serem pertencentes a esse grupo as mais promissoras economias do mundo, com vistas para os próximos 10 e até mesmo 50 anos, quando superariam economias como a dos Estados Unidos, do Japão e da Alemanha. Os BRICS, de fato, passaram a apresentar crescimento econômico acelerado, fortalecimento de suas moedas, sempre impulsionados pela pujante economia chinesa, que ao final da década de 2000 crescia a assustadoras taxas de aproximadamente 10% ao ano. O grupo mostrou-se ainda mais fortalecido com a rápida recuperação em relação à crise financeira global, ocorrida em 2008, quando Estados Unidos e União Europeia passaram por sérias dificuldades. No entanto, a formação desse grupo é bastante heterogênea. Segundo dados de 2014, em uma ponta está a China, com um PIB de aproximadamente 10 trilhões de dólares, e na outra está a África do Sul, cujo PIB está em torno de 350 bilhões de dólares. Veja essas disparidades na tabela abaixo. Fontes: INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/ populacao/estimativa2015/estimativa_ dou.shtm>. Acesso em: 31 mar. 2016. THE WORLD Bank. Disponível em: <http://databank.worldbank.org>. Acesso em: 31 mar. 2016. UNITED Nations Population Division. World Population Prospects 2015. Disponível em: <http://esa.un.org/wpp/excel‐data/ excel_files/1_population/wpp2012_pop_ f01_1_total_population_both_sexes.xls>. Acesso em: 31 mar. 2016. PROGRAMA das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de desenvolvimento humano de 2015. O trabalho como motor do desenvolvimento humano. Nova York, 2015. Disponível em: <www.undp.org/ content/dam/undp/library/corporate/hdr/ hdr%202015/humandevelopmentreport_ en.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2016.

BRICS: números que impressionam – 2014 Brasil Área (km²) População* (milhões hab.) PIB (bilhões US$) PIB per capita (US$) IDH

Rússia

Índia

China

África do Sul

8 515 767

17 098 240

3 287 260

9 600 000

1 219 090

203

143

1 311

1 376

55

2 346

1 860

2 067

10 360

350

11 613

12 736

1 631

7 594

6 478

0,755

0,798

0,609

0,727

0,666 * Dados de 2015.

Essa heterogeneidade passa a se acentuar, na atualidade, com a desaceleração da economia chinesa, motor do grupo, provocando também o arrefecimento das demais economias, principalmente daquelas dependentes de exportação de produtos primários, como Brasil, Rússia e África do Sul. Observe na tabela a seguir. BRICS: variação do PIB (em %) 2000

Fonte: THE WORLD Bank. Disponível em: <http:// databank.worldbank.org>. Acesso em: 31 mar. 2016.

2005

2010

2014

Brasil

4,3

3,1

7,6

0,1

Rússia

9,9

6,4

4,5

0,6

Índia

3,8

9,3

10,3

7,3

China

8,4

11,3

10,6

7,3

África do Sul

4,2

5,3

3,0

1,5

152

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Além disso, questões políticas e geopolíticas também ressaltam as diferenças entre os países do bloco. O texto a seguir apresenta exemplos disso. [...]

Mas é em termos geopolíticos que a coisa pega. China e Rússia, antigas potências comunistas adversárias, hoje se aliam contra o avanço americano em suas esferas de influência. Um exemplo é a Organização para Cooperação de Xangai (OCX), firmada em 2001 entre os dois países mais Cazaquistão, Tadjiquistão, Quirguistão e Uzbequistão para atuar como contrapeso a Washington e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região. A OCX se articulou ativamente contra a presença de bases militares americanas no Uzbequistão e a iniciativa do governo George W. Bush de instalar um escudo antimísseis na Europa Oriental e na Ásia Oriental, voltado contra China e Rússia. Já a Índia e a China, que no passado foram à guerra por questões de fronteira, hoje são parceiros comerciais, mas a Índia desconfia das relações estratégicas de Pequim com seu maior adversário, o Paquistão. E a África do Sul, que tenta criar uma agenda na África, se vê às voltas com a “invasão” chinesa no continente. Finalmente, o Brasil vê seu desejo de liderar a América do Sul ameaçado por projetos chineses na região, como a ferrovia que ligaria o Atlântico, no Brasil, ao Pacífico, no Peru. [...]

RIA Novosti/BRICS/SCO Photohost/Latinstock

CAMARGO, Cláudio. Da euforia à irrelevância. Clube Mundo, São Paulo, ano 23, n. 6, p. 9, out. 2015.

Unidade 6

As disparidades mais graves, entretanto, não são de natureza econômica, mas políticas e geopolíticas. China e Rússia, por exemplo, têm regimes ditatoriais ou autoritários, enquanto que Brasil, Índia e África do Sul são democracias representativas. China, Rússia e Índia são potências nucleares; já o Brasil e a África do Sul há tempos abdicaram da bomba atômica. Brasil, Índia e África do Sul defendem a reforma do Conselho de Segurança da ONU, mas China e Rússia, que têm assentos permanentes no órgão, não estão empenhadas em mudança alguma.

••Verifique em

jornais, revistas ou na internet a atual situação dos Brics e o panorama econômico e geopolítico de cada país. Traga as informações obtidas para a aula e converse com os colegas, tendo como base a análise apresentada nestas páginas.

Na fotografia ao lado, vemos os líderes dos países que formam o BRICS, reunidos na África do Sul, em 2015. Da esquerda para a direita: o Primeiro Ministro da Índia, Monmohan Singh, o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

Economias emergentes

153


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Quais são os países emergentes? Por que são chamados dessa forma? 2. Em que consistiu a chamada reforma das “quatro modernizações” na China? Quais foram as repercussões dessas medidas na economia chinesa? 3. Explique o que são Zonas Econômicas Exclusivas (ZEE’s). 4. Cite os fatores que contribuíram para o investimento estrangeiro no território chinês. 5. Quais as implicações iniciais dos investimentos em industrialização para a economia indiana?

6. A Índia abriga importantes polos tecnológicos. Descreva os fatores que contribuíram com esse panorama. 7. O que contribuiu para reverter o quadro de profunda depressão na economia da Rússia, a partir da década de 1990? 8. Descreva a importância dos recursos minerais para o desenvolvimento industrial da Rússia. 9. Quais motivos impulsionaram os Estados Unidos a fazer vultosos investimentos nos países dos Tigres Asiáticos?

Expandindo o conteúdo 10. Os gráficos a seguir apresentam a demanda de energia total do mundo em diferentes momentos históricos, assim como a quantidade referente a alguns dos maiores países consumidores. Analise os gráficos com base nas questões apresentadas na página seguinte. Demanda energética

1990

1965

Índia 53 mil

Coreia do Sul 7 mil

Alemanha 256 mil

México 25 mil

Itália 79 mil Irã 17 mil

China 129 mil

Espanha 91 mil

Estados Unidos 1 287 mil

Brasil 22 mil Japão 149 mil

Arábia Saudita 20 mil França 115 mil

Índia 181 mil

Reino Unido 197 mil

Canadá 116 mil

Alemanha 350 mil

Coreia do Sul 90 mil

Reino Unido 211 mil

Irã 70 mil

Brasil 124 mil Itália 155 mil

Consumo mundial em 1965: 3 766 milhões Tep (toneladas equivalentes de petróleo).

Japão 432 mil Arábia Saudita 85 mil

México 106 mil

Consumo mundial em 1990: 8 108 milhões Tep.

154

Estados Unidos 1 968 mil

China 680 mil

Canadá 252 mil França 219 mil

Ilustrações: E. Cavalcante

Espanha 27 mil


Unidade 6

a ) Analise os três momentos históricos representados e verifique: • •quais são os países que apresentam maior demanda de energia em 1965; • •quais são os países que mantêm sua demanda praticamente estável a partir de 1990; • •quais são os países que apresentam intenso aumento no consumo de energia entre cada período representado. b ) Quais países emergentes estão presentes nessas representações? c ) Quais países representados nos gráficos não fazem parte do grupo de países desenvolvidos nem dos países emergentes? d ) Elabore um texto argumentativo estabelecendo a relação entre a evolução do consumo de energia e o desenvolvimento econômico de um país. Para tanto, você pode escolher um dos países estudados nas unidades 5 ou 6, ou tratar dos grupos, como os dos países que são potências econômicas ou dos que formam o grupo dos países emergentes. Nesse texto, é possível relacionar os momentos históricos marcados pelos gráficos de consumo de energia aos acontecimentos que marcaram a evolução da economia dos países. Esse texto pode ser elaborado individualmente ou em duplas. 2011 Espanha 149 mil Coreia do Sul 255 mil

Estados Unidos 2 285 mil

Irã 212 mil

Japão 500 mil

Itália 172 mil

Alemanha 320 mil

E. Cavalcante

Reino Unido 209 mil

Índia 524 mil

Brasil 254 mil

México 169 mil China 2 432 mil

Arábia Saudita 201 mil

Canadá 316 mil

França 252 mil

Consumo mundial em 2011: 12 002 milhões Tep.

Fonte dos gráficos: WORLD watch: A dynamic visual guide packed with fascinating facts about the world. 2. ed. Harper Collins Publishers: Hong Kong, 2012. p. 102-103.

Economias emergentes

155


Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

Bem-vindo a Bollywood

[...] A indústria cinematográfica da Índia – conhecida como Bollywood porque muitos de seus filmes são rodados em Mumbai, antes chamada de Bombaim – é a maior do mundo, produzindo mais filmes e atraindo um público maior que o de Hollywood. Em 2003, enquanto nos Estados Unidos foram produzidos 600 filmes, os indianos rodaram 1,1 mil, um terço dos quais em hindi, a língua oficial da Índia. E os filmes indianos atraem um público global estimado em 3,6 bilhões de pessoas por ano, 1 bilhão a mais do que o cinema americano.

Filme de Amol Palekar. Paheli. Índia. 2005

Bollywood tornou-se um símbolo da Índia, como o chá Darjeeling ou o Taj Mahal. Seus filmes são populares no Oriente Médio, na Ásia Central, na África, na América Latina – e agora nos EUA e na Europa, com os imigrantes originários de países que adoram as produções de Bollywood, constituindo a maior parte dos espectadores e proporcionando mais de 60% de seus rendimentos fora da Índia. Com a recente onda em torno de filmes inspirados em Bollywood, como Casamento à Indiana, e a indicação de Lagaan a um Oscar em 2001, até Hollywood está começando a prestar atenção em sua rival. Mesmo assim, para a maioria dos ocidentais, tais filmes parecem excessivamente ingênuos e melodramáticos. Quase todos, obras fantasiosas com três horas de duração, nas quais a ação é interrompida por intermináveis canções e números de dança protagonizados pelos atores. E as histórias são inverossímeis, repletas de coincidências e expectativas pouco realistas. Além disso, os atores mudam de roupa (de sári a minissaia, de terno a túnica) e de cenário (das praias de Goa às montanhas da Suíça) inúmeras vezes durante uma única canção. O público, porém, parece não se importar com nada disso. Os fãs de Bollywood querem é entrar em um reino mágico, onde nada é impossível, onde o verdadeiro amor sai vitorioso e onde as circunstâncias são superadas pelos sentimentos. [...] MEHTA, Suketu. Bem-vindo a Bollywood. National Geographic, Brasil, São Paulo, ano 5, n. 59, p. 81-82, fev. 2005.

A imagem ao lado é do pôster de um filme produzido por Bollywood, em 2005, chamado Paheli.

156


O último imperador

O filme retrata a trajetória de Pu Yi, o último imperador da China. Declarado imperador aos três anos de idade, em 1908, Pu Yi viveu em Pequim até ser deposto pelo governo revolucionário. Título: O último imperador Diretor: Bernardo Bertolucci Atores principais: John Lone, Joan Chen e Peter O’Toole Ano: 1987 Duração: 165 minutos Origem: Estados Unidos, Itália e Inglaterra

Unidade 6

Filme de Bernardo Bertolucci. O último imperador. EUA, Itália e Inglaterra. 1987

A Geografia no cinema

Para assistir

• •A ESTRELA imaginária. Direção: Gianni Amelio. Imagem Filmes, 2006. Por meio da história vivida por um engenheiro italiano na China, o filme apresenta diversos aspectos que marcaram as transformações políticas, econômicas e sociais ocorridas no país.

••DESPACHADO para a Índia. Direção: John Jeffcoat. ShadowCatcher Entertainment, 2006.

Depois que a empresa de call center onde trabalha o transfere para a Índia,

Todd Anderson descobre como existe uma grande diferença entre as culturas orientais e ocidentais.

Para ler

• •ARBIX, Glauco (Org.) et al. Brasil, México, África do Sul, Índia e China: diálogo entre os que chegaram depois. São Paulo: Unesp, 2003.

• •FISHMAN, Ted C. China S.A.: como o crescimento da próxima superpotência

desafia os Estados Unidos e o mundo. Tradução C. E. de Andrade. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

• •FRIEDMAN, Thomas L. O mundo é plano: uma breve história do século XXI. Tradução Cristiana Serra e S. Duarte. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.

• •HAESBAERT, Rogério. China. São Paulo: Ática, 1994. (Princípios). • •STORY, Jonathan. China: a corrida para o mercado. Tradução Bazan Tecnologia e Linguística. São Paulo: Futura, 2004.

• •VESENTINI, José William; BOND, Rosana. A crise do mundo socialista. São Paulo: Ática, 2000. Para navegar

••BRASIL. Ministério das cidades. Disponível em: <http://tub.im/n8or6c>. Acesso em: 16 nov. 2015.

• •INTERNATIONAL Monetary Fund (FMI). Disponível em: <http://tub.im/2rx55n>. Acesso em: 16 nov. 2015.

• •O

ESTADO de S. Paulo. Disponível em: <http://tub.im/xsf628>. Acesso em: 16 nov. 2015. Economias emergentes

157


Questões do Enem e Vestibular 1. (UFPE-PE) Observe o mapa a seguir e indique verdadeira ( V ) ou falsa (F ) nas afirmações abaixo. N O

L S

Anote as respostas no caderno.

2. (ENEM-MEC) Os chineses não atrelam nenhuma condição para efetuar investimentos nos países africanos. Outro ponto interessante é a venda e compra de grandes somas de áreas, posteriormente cercadas. Por se tratar de países instáveis e com governos ainda não consolidados, teme-se que algumas nações da África tornem-se literalmente protetorados. BRANCOLI, F. China e os novos investimentos na África: neocolonialismo ou mudanças na arquitetura global? Disponível em: <http://opiniaoenoticia.com.br>. Acesso em: 29 abr. 2010. (adaptado).

E. Cavalcante

Tró pic od eC ânc er

PAÍS X

Equa dor 0°

1 460 km

105° L

Sobre o país indicado por X, é correto afirmar que: F-V-F-V-F.

••foi o responsável direto pela queda do Muro de Berlim, pois, ao adotar o modelo econômico de “economia de mercado”, inviabilizou a continuação do socialismo real no leste europeu e no continente asiático.

••possui

atualmente uma das economias que apresenta o maior crescimento do mundo, superando, inclusive, a taxa de crescimento econômico do Brasil.

••adota, atualmente, uma política cujos princípios

encaixam-se plenamente no paradigma econômico defendido pelos neoliberais, qual seja o de que “o Estado deve ser máximo e controlar o mercado”.

••o

governo do país adota um rígido controle dos salários e das regras trabalhistas. Essa medida permite que as empresas tenham, em geral, um reduzido custo com mão de obra, tornando os produtos baratos aos consumidores de outras partes do mundo.

••a

organização política do país permite, com ampla liberdade, a atividade político-partidária; daí a instalação do pluripartidarismo e de mecanismos amplos e institucionais de grupos de defesa de Direitos Humanos.

158

A presença econômica da China em vastas áreas do globo é uma realidade do século XXI. A partir do texto, como é possível caracterizar a relação econômica da China com o continente africano? D. a ) Pela presença de órgãos econômicos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, que restringem os investimentos chineses, uma vez que estes não se preocupam com a preservação do meio ambiente. b ) Pela ação de ONGs (Organizações Não Governamentais) que limitam os investimentos estatais chineses, uma vez que estes se mostram desinteressados em relação aos problemas sociais africanos. c ) Pela aliança com os capitais e investimentos diretos realizados pelos países ocidentais, promovendo o crescimento econômico de algumas regiões desse continente. d ) Pela presença cada vez maior de investimentos diretos, o que pode representar uma ameaça à soberania dos países africanos ou manipulação das ações destes governos em favor dos grandes projetos. e ) Pela presença de um número cada vez maior de diplomatas, o que pode levar à formação de um Mercado Comum Sino-Africano, amea­ç ando os interesses ocidentais.

3. (UPE-PE) A China é um país comandado por um partido único, o Partido Comunista, porém vem assumindo um perfil de desenvolvimento típico de sistema capitalista e desempenhando um estratégico papel na economia mundial. Com relação a esse assunto, analise as proposições a seguir:


2. As Zonas de Proteção às Exportações, áreas com economia mais voltada para o socialismo, ainda são áreas de pouco desenvolvimento na China. São regiões agrícolas localizadas na porção Nordeste e habitadas por população de maioria tibetana. 3. O estabelecimento de Zonas Econômicas Especiais na China, inicialmente nas zonas litorâneas, permitiu a abertura para os investimentos de capitais estrangeiros, elevando a produção global desse país mediante uma política efetiva de incentivos fiscais. 4. As migrações em massa de camponeses das zonas litorâneas, na porção leste, para os centros urbanos do interior da China, onde se concentram as indústrias têxtil, de calçados e de brinquedos, revelam as disparidades sociais e regionais ainda presentes nesse país. Estão CORRETAS: C. a ) 1 e 2. b ) 3 e 4. c ) 1 e 3. d ) 2 e 4. e ) 1, 2, 3 e 4.

4. (UFPE-PE) Leia atentamente o seguinte texto e indique verdadeira (V) ou falsa (F) nas afirmações abaixo: V-V-F-F-V. China e Índia são, respectivamente, os dois países mais populosos do mundo, com o primeiro concentrando cerca de 1,35 bilhão de pessoas e o segundo, 1,2 bilhão de pessoas. Uttar Pradesh, um estado indiano, possui sozinho 199.581.477 pessoas, mais do que toda a população brasileira. Somadas, as populações de China e Índia equivalem a pouco mais de um terço de toda a população mundial. MORAES, Gabriel Timóteo de. Questões demográficas na Índia e na China.

Sobre o tema tratado no texto, podemos afirmar que:

• •O governo da China criou, em 1978, a política do filho único, como uma tentativa de aliviar os problemas sociais, econômicos e ambientais do Estado. Essa política se baseia em uma série de legislações e incentivos econômicos que beneficiam as famílias com apenas um filho e punem economicamente as famílias que têm mais de uma criança.

• •A política do filho único, na China, encontrou

barreiras na tradição confuciana, segundo a qual cabe ao filho homem apoiar os pais na velhice. O resultado é um aumento do número de mortes e abandonos de meninas recém-nascidas.

••Na Índia, as políticas de controle demográfico

são extremamente rígidas, em parte devido a uma intensa reação pública em relação aos processos de vasectomias voluntárias iniciados na década de 1970, como forma de controle populacional.

••A distribuição espacial da população no terri-

tório chinês é consideravelmente homogênea, em face, sobretudo, da adoção do planejamento populacional e dos impedimentos legais de migrações adotadas pelo governo maoista.

• •O desafio para a Índia e a China é de encon-

trar um ponto de equilíbrio entre questões de desenvolvimento econômico, consumo de recursos e alimentos e equidade de gênero. Apresenta-se como impossibilidade que essas sociedades retornem à situação de que partiram, na segunda metade do século XX, quando suas explosões demográficas intensificaram-se.

5. (UFTM-MG) O país é referência mundial na exportação de serviços de tecnologia da informação (TI) e de negócios, que incluem atividades como gestão de servidores, programação e suporte técnico, concentrados em Bangalore, conhecida como a capital da tecnologia da informação. As empresas ganharam o mercado internacional no final da década de 1990, quando empresas americanas procuraram quem resolvesse os problemas relacionados ao Bug do Milênio, que faria os computadores deixarem de funcionar em 1o de janeiro de 2000. Mas, é um país com incríveis contrastes sociais, com a adoção de castas, Economias emergentes

159

Unidade 6

1. Nas últimas décadas, o conjunto de reformas desencadeadas na China transformou esse país numa das grandes potências mundiais com um modelo de crescimento que executa políticas estratégicas nacionais de industrialização ajustadas ao movimento de expansão da economia global.


grande número de analfabetos, predomínio de população rural e a presença de megacidades como Mumbai.

marcou a milenar história do país e impedia as pessoas de castas inferiores de ascender econômica e socialmente.

O Estado de S.Paulo, 29.04.2010. Adaptado.

d ) aos avanços alcançados pela sua indústria nos setores farmacêutico, de fibras ópticas, de satélites e informática.

O país a que se refere o texto é a: B. a ) China. b ) Índia. c ) África do Sul. d ) Alemanha. e ) Indonésia.

6. (Fuvest-SP) A economia da Índia tem crescido em torno de 8% ao ano, taxa que, se mantida, poderá dobrar a riqueza do país em uma década. Empresas indianas estão superando suas rivais ocidentais. Profissionais indianos estão voltando do estrangeiro para seu país, vendo uma grande chance de sucesso empresarial. Beckett et al., 2007. Em <www.wsj-asia.com/pdf>. Acessado em: junho/2011. Adaptado.

O significativo crescimento econômico da Índia, nos últimos anos, apoiou-se em vantagens competitivas, como a existência de: B. a ) diversas zonas de livre-comércio distribuídas pelo território nacional. b ) expressiva mão de obra qualificada e não qualificada. c ) extenso e moderno parque industrial de bens de capital, no noroeste do país. d ) impor tantes “cinturões” agrícolas, com intenso uso de tecnologia, produtores de commodities. e ) plena autonomia energética propiciada por hidrelétricas de grande porte.

7. (UEPB-PB) O grande crescimento da Índia desde os anos de 1990 coloca este país como um dos quatro gigantes emergentes, ao lado da Rússia, China e Brasil. O prognóstico econômico é de que a Índia atinja em meados deste século a terceira posição na economia mundial. Este fato se deve: D. a ) ao extraordinário crescimento de sua indústria cinematográfica, que hoje já ultrapassa a produção de Hollywood, sua grande concorrente. b ) ao crescimento de sua população que é hoje a segunda do mundo, com alto poder de consumo. c ) à eliminação da sociedade de castas que

160

e ) à resolução do conflito com o Paquistão pela Caxemira, o qual obrigava a Índia a desviar imensos recursos para a produção de armamentos, inclusive nucleares.

8. (UEL-PR) Com base nos conhecimentos acerca dos países denominados “Tigres Asiáticos”, considere as afirmativas a seguir. I. A denominação “Tigres Asiáticos” refere-se ao modo agressivo com que estes países protegeram suas economias dos investimentos estrangeiros. II. Os Tigres Asiáticos fecharam as relações econômicas exteriores e optaram por nacionalizar os meios de produção de bens e serviços. III. O modelo econômico adotado pelos Tigres Asiáticos é essencialmente exportador, com uma política de baixos impostos, investimentos em tecnologia e educação. IV. Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan têm em comum o acelerado desenvolvimento econômico, industrial e tecnológico apresentado a partir de 1970. Assinale a alternativa CORRETA. C. a ) I e II. b ) I e III. c ) III e IV. d ) I, II e IV. e ) II, III e IV.

9. (UNIFESP-SP) A industrialização do sudeste asiático ocorreu em duas etapas. Na primeira, surgiram os chamados tigres de primeira geração, que receberam capital do Japão. Na segunda, eles investiram nos tigres da segunda geração. Assinale a alternativa que lista corretamente os tigres asiáticos de primeira e de segunda geração. A.

a )

Primeira geração

Segunda geração

Coreia do Sul, Taiwan e Singapura

Indonésia, Malásia e Tailândia


Coreia do Sul, Malásia e Taiwan

Singapura, Indonésia e Tailândia

c )

Taiwan, Tailândia e Malásia

Coreia do Sul, Singapura e Indonésia

d )

Coreia do Sul, Singapura e Indonésia

Malásia, Tailândia e Taiwan

e )

Singapura, Indonésia e Tailândia

Coreia do Sul, Malásia e Taiwan

10. (UESC-SC) O papel dos países emergentes, no novo cenário geopolítico que se apresenta, neste período pós-crise financeira mundial, tem se modificado. Nesse contexto, é correto afirmar: B. a ) Os países que formam o BRIC passaram a fazer parte do G8 e a interferir, significativamente, na economia global. b ) Os participantes do BRIC apresentam uma situação econômica com índices de desenvolvimento semelhantes, uma melhoria do IDH e um maior acesso da população aos sistemas de comunicação. c ) O Japão adotou como seu parceiro comercial exclusivo a China, devido ao fato de o grande mercado interno desse país satisfazer às suas necessidades de exportação. d ) A Rússia expandiu seu desenvolvimento tecnológico a ponto de se tornar o maior exportador de tecnologia para os países subdesenvolvidos e de dominar, de forma absoluta, os programas de software. e ) O liberalismo econômico foi eliminado do quadro da economia mundial e os componentes do BRIC passaram a influenciar na tomada de decisão em outras esferas, como a política e a militar. 11. (UEM-PR) Sobre a nova divisão internacional do trabalho, assinale o que for correto. (01), (04) e (08). Total: 13.

(01) Os países industrializados centrais iniciaram sua industrialização ainda no século XIX, formando uma indústria nacional e consolidando um mercado interno. Como exemplo, podem-se citar os Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, entre outros. (02) As sete nações mais industrializadas são os Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Suíça, Japão, Finlândia e Holanda, que fazem parte do G-7. Em alguns casos, a

China integra esse grupo, que passa a ser denominado G-8. (04) Os Tigres Asiáticos têm aumentado sua participação nas exportações mundiais de bens manufaturados, constituindo uma indústria nacional voltada para o mercado internacional, abastecendo-o com produtos de tecnologia avançada. (08) Os países semiperiféricos, exportadores mais dinâmicos, que respondem por até 80% das expor tações dos países em desenvolvimento, de baixa, média e alta tecnologia, são apenas sete: China, Coreia do Sul, Malásia, Singapura, Taiwan, México e Índia. (16) A sigla ‘Bric’ reúne as iniciais de Brasil, Romênia, Indonésia e Chile, países que, apesar de serem considerados a elite dos mercados emergentes, com crescente importância na economia mundial, não contribuíram efetivamente, nos últimos anos, com o crescimento do produto global.

12. (UFRN-RN) Brasil, Rússia, Índia e China constituem um grupo de economias emergentes, que assumiram importância no mercado global. Esses países contribuíram nos últimos cinco anos com mais da metade do crescimento do produto global, ou seja, a soma do que foi produzido nos diferentes setores da economia, ampliando significativamente a participação destes no comércio mundial. Sobre a participação desse grupo de países na economia mundial, pode-se afirmar que: C. a ) A Rússia se destaca ofertando alimentos e matérias-primas para suprir as demandas de consumo da sociedade indiana. b ) A China se destaca pela elevada qualificação de sua mão de obra e pelo desenvolvimento industrial com rígido controle ambiental. c ) A Índia se destaca no setor de serviços de informática pela capacidade para formar profissionais nas áreas tecnológicas. d ) O Brasil se destaca como fornecedor de petróleo e gás natural, atendendo as demandas de consumo de energia da produção chinesa. Economias emergentes

161

Unidade 6

b )


unidade

162

GeopolĂ­tica


O estudo da geopolítica mundial tem como ponto central compreender os acontecimentos ocorridos no espaço geográfico que modificam ou interferem de maneira determinante em sua organização, assim como nas relações de poder estabelecidas entre os Estados e territórios do mundo. Na análise geográfica do espaço mundial, tratando-se de temas que envolvem relações de poder, conflitos armados, disputas territoriais, ações terroristas, tensões diplomáticas, entre tantos outros, podemos compreender os acontecimentos da história recente que transformaram o cenário geopolítico mundial e redesenharam, por várias vezes, o mapa do mundo. A queda do Muro de Berlim, mostrada nesta imagem, simbolizou o fim de um conturbado período histórico que se estendeu por quase toda a segunda metade do século XX: a Guerra Fria. A

O que você sabe sobre a Guerra Fria?

B

Que fatos assinalaram o seu início e o seu término?

C

Que acontecimentos importantes marcaram esse período?

Esta imagem retrata um momento histórico, em que se abre a passagem entre a Berlim Oriental e a Berlim Ocidental, marcando o final da Guerra Fria, em Berlim, em 1989.

INTERFOTO/Alamy Stock Photo/Glow Images

D A Guerra Fria significou uma grande ameaça para a humanidade?

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A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) No estudo desta unidade os conteúdos podem ser trabalhados com uma abordagem integrada com a disciplina de História.

Na Europa do final do século XIX e início do século XX, as disputas imperialistas e o acirramento das rivalidades entre as potências industriais promoveram o estabelecimento de alianças militares, que culminaram com a formação de dois blocos antagônicos: de um lado, a Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e Áustria-Hungria); do outro, a Tríplice Entente (Grã-Bretanha, França e Rússia).

Susan Law Cain/Shutterstock.com

Achille Beltrame. 1914. Ilustração. Coleção particular. Foto: De Agostini Picture Library/Getty Images

Os atritos e as divergências entre essas potências criaram, no continente, um clima de grande tensão, alimentado por razões diversas, entre as quais: ••as disputas pela posse de territórios coloniais; ••a exacerbação do nacionalismo de algumas populações, como as que se encontravam sob o jugo de impérios como o da Áustria-Hungria e o da Rússia e ansiavam pela independência; ••os revanchismos, como o que a França mantinha em relação à Alemanha em virtude da humilhante derrota sofrida na guerra franco-prussiana (1870-1871), da qual os alemães saíram vitoriosos. A

B

Gravura retratando o atentado ocorrido na Bósnia, em 1914, levando à eclosão da Primeira Grande Guerra Mundial (imagem A). Soldados em uma trincheira na França, durante a Primeira Guerra Mundial, em 1915 (imagem B).

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Tais questões colocavam o continente europeu à beira de uma guerra. E isso de fato ocorreu após o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, e de sua esposa, em junho de 1914, quando de sua visita a Sarajevo, capital da Bósnia (imagem A). O crime, cometido por um estudante sérvio pertencente a um grupo nacionalista que se opunha à presença austro-húngara nos Bálcãs, foi encarado como uma agressão pela Áustria-Hungria, que declarou guerra à Sérvia. A Alemanha fez o mesmo, declarando guerra à Rússia e à França. Em seguida, foi a vez de o governo britânico declarar guerra aos alemães. Em poucas semanas, o conflito que deveria ficar restrito aos Bálcãs se estendeu pelo continente e transformou-se em uma guerra europeia. Em 1915, a Itália rompeu os acordos com a Tríplice Aliança e entrou na guerra ao lado dos britânicos e dos franceses em troca de algumas colônias alemãs que seriam conquistadas ao término do conflito; promessa, aliás, não cumprida. Em seus primeiros anos, a guerra envolveu apenas nações europeias, embora vários países do continente assumissem oficialmente sua neutralidade em relação ao conflito, como Bélgica, Suíça e Luxemburgo. Mas, a partir de 1917, a guerra assumiu caráter mundial ao envolver países de outros continentes, como o Japão e os Estados Unidos, que nela entraram contra os alemães, lutando ao lado da Tríplice Entente. Os japoneses se envolveram no conflito com o objetivo de se apoderar dos territórios coloniais alemães na região do Pacífico, enquanto os Estados Unidos, tradicionais fornecedores de armamentos aos seus aliados que lutavam contra os alemães, ingressaram militarmente no conflito após a saída da Rússia, que foi motivada pela eclosão da Revolução Russa de 1917 (quadro na página seguinte). A participação dos Estados Unidos mudou completamente os rumos e o destino da guerra. O envio de um grande número de soldados e armas (tanques, navios e aviões de combate) assegurou a vitória sobre o exército alemão e seus aliados. A Alemanha assinou o armistício em 11 de novembro de 1918.


E. Cavalcante

Cír OCEANO GLACIAL ÁRTICO cu lo Po l ar Á ISLÂNDIA rtico (DINAMARCA)

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BÉLGICA LUXEMBURGO

IMPÉRIO AUSTRO-HÚNGARO

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ITÁLIA

ANDORRA ESPANHA

40°

N

GRÉCIA

590 km

CHIPRE (REINO UNIDO)

Mar Mediterrâneo

Fonte: LACOSTE, Yves (Org.). Atlas 2000. Paris: Nathan, 1999. p. 31. 1 atlas. Escalas variam.

Cír OCEANO GLACIAL ÁRTICO cul oP olar Ártic ISLÂNDIA o

N O

Mar do norte FINLÂNDIA NORUEGA SUÉCIA

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ALEMANHA

BÉLGICA

UNIÃO SOVIÉTICA (parte europeia)

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HOLANDA

OCEANO ATLÂNTICO

POLÔNIA

3

N 50° UCRÂNIA

TCHECOSLOVÁQUIA

PORTUGAL

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FRANÇA

A Primeira Guerra Mundial alterou radicalmente o traçado das fronteiras territoriais europeias. A dissolução do império austro-húngaro e o recuo dos limites territoriais da Alemanha deram origem a novos países. Observe os mapas e identifique a diferença entre os traçados das fronteiras do continente europeu antes e depois da guerra.

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2

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4

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Mar Negro

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Mar Mediterrâneo

590 km

Mar Cáspio

HUNGRIA

CHIPRE (RUN)

1 - ANDORRA 2 - LIECHTENSTEIN 3 - LUXEMBURGO 4 - MÔNACO 5 - SAN MARINO

Fonte: WORLD history atlas. 2. ed. London: Dorling Kindersley, 2005. p. 208. 1 atlas. Escalas variam.

A Revolução Russa e a criação da União Soviética (URSS) Os enormes gastos militares efetuados pela Rússia durante a Primeira Guerra Mundial comprometeram os investimentos internos, o que agravou as condições de vida da população. Essa situação gerou imensa insatisfação, expressa por meio de manifestações públicas e greves generalizadas. Em outubro de 1917, as manifestações culminaram em uma revolução que derrubou o governo czarista de Nicolau II e promoveu a ascensão dos bolcheviques ao poder, liderados por Vladimir Ilitch Uilianov, conhecido como Lênin. Inspirado nas ideias socialistas do pensador alemão Karl Marx, Lênin e seus partidários almejavam a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Para tanto, efetuaram medidas para romper com os alicerces que sustentavam a Rússia dos czares, promovendo

a socialização dos meios de produção, a estatização e a planificação da economia. No plano externo, o governo revolucionário negociou a saída pacífica da Primeira Guerra em um acordo assinado em 3 de outubro de 1918, sob a condição de liberar regiões até então controladas pelo regime czarista, áreas que mais tarde vieram a formar parte do território de novas nações independentes, como a Polônia e os países Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia). A revolução terminaria cinco anos mais tarde, em 1922, com a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), constituída formalmente pela união de quinze repúblicas soviéticas independentes, embora, na prática, possuísse governo e economia centralizados na capital Moscou. Geopolítica

165

E. Cavalcante

Europa: 1919

Unidade 7

Oficialmente, o término da Primeira Grande Guerra ocorreu em 28 de junho de 1919, com a assinatura do Tratado de Versalhes. Seu ponto central foi obrigar a Alemanha a aceitar o fato de ser considerada a única responsável pela eclosão da guerra e assumir todos os custos decorrentes da grande destruição causada pelo conflito. Além do pagamento de pesadíssimas indenizações de guerra, a Alemanha também foi obrigada a renunciar a suas colônias e ceder parte de seu território aos vencedores: a Alsácia-Lorena, por exemplo, foi devolvida à França, e partes da Alta Silésia foram devolvidas para a Polônia e a Tchecoslováquia. No campo militar, os alemães foram duramente punidos com a redução de suas forças armadas e de seu poderio bélico. O Tratado de Versalhes instituiu também a criação da Liga das Nações, organização de âmbito internacional que tinha como propósito defender a diplomacia e a paz entre os países, a fim de se evitar novos conflitos armados. Com sede em Genebra, na Suíça, a Liga das Nações permaneceu vigente até 1946, quando se autodissolveu.

Europa: 1914

Mer

O Tratado de Versalhes e a Liga das Nações


A Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

Chanceler: título atribuído (na Alemanha e na Áustria) ao chefe de governo; equivalente ao cargo de primeiro-ministro.

O cenário europeu desenhado nas décadas após a Primeira Guerra Mundial já acenava para a eclosão de um novo conflito no continente. A “paz forçada”, estabelecida com a assinatura do Tratado de Versalhes, a ascensão do socialismo soviético, a crise econômica de 1929 – chamada Grande Depressão – e o enorme sentimento nacionalista disseminado entre os alemães com o desfecho da guerra anterior criaram um clima de grande instabilidade política e econômica no continente europeu. Em 1933, o líder do partido nazista (extrema-direita) Adolf Hitler tornou-se chanceler da Alemanha. Alimentado por uma ampla campanha de propaganda conduzida para disseminar os objetivos e ideais nacionalistas do novo regime, o governo nazista extinguiu sindicatos e partidos de esquerda como forma de impedir o avanço do socialismo em território alemão, impôs forte censura sobre os meios de comunicação e retirou-se da Liga das Nações, rompendo com as cláusulas do Tratado de Versalhes para colocar em prática a retomada de uma vigorosa política militarista. Paralelamente ao rearmamento do país, Hitler arquitetou sua estratégia de guerra formando uma nova aliança militar com a Itália, do governo fascista de Benito Mussolini, e com o Japão, do imperador Hirohito, que já despontava como grande potência no extremo Oriente com planos de fortalecer seu expansionismo pela Bacia do Pacífico. Essa aliança militar ficaria conhecida pelo nome de Eixo.

Exército nazista alemão, em Nuremberg, Alemanha, em 1936 (foto A). Ataque nazista à Polônia, em 1939 (foto B). Desembarque de soldados americanos na Normandia, França, em 1944, conhecido como “Dia D” (foto C). Explosão da bomba atômica em Hiroshima, em 1945 (foto D). Vista de parte da cidade de Hiroshima, que ficou completamente destruída pela bomba atômica, em 1945 (foto E).

Na Europa, em 1938, os alemães iniciaram sua feroz campanha militarista anexando o território da Áustria e partes da Tchecoslováquia. Em 1939, após um ataque surpresa que tomou a Polônia em apenas um mês, a França e a Grã-Bretanha responderam à ocupação declarando guerra aos alemães. Estava decretado, assim, o início da Segunda Grande Guerra, conflito que arruinou quase que completamente o continente europeu, deixando um saldo de mais de 50 milhões de mortos. Nos primeiros anos do conflito, a guerra transcorreu em duas frentes principais: no centro da Europa, envolvendo principalmente os ataques alemães aos territórios vizinhos e a resposta oferecida pelos exércitos inglês e francês; e no front oriental, com o Japão atacando e anexando territórios da China e da Indochina Francesa (região onde hoje se encontram países como Vietnã, Laos e Camboja). Em 1940, a Itália, até então neutra, se juntou aos alemães e lançou sua ofensiva no norte da África (Tunísia, Líbia e Egito), campanha que terminou apenas em 1943 com a derrota do exército italiano para as tropas britânica e estadunidense. Everett Historical/Shutterstock.com

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Em julho de 1941, com o intuito de forçar um recuo japonês, os Estados Unidos impuseram um embargo sobre o petróleo e outros produtos essenciais ao esforço de guerra japonês. No dia 7 de dezembro, uma força-tarefa japonesa destruiu a frota americana estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, com um ataque furtivo que afundou 19 navios, inclusive seis encouraçados. Dias depois, os Estados Unidos estavam em guerra contra o Japão, a Alemanha e a Itália. DANIELS, Patricia S.; HYSLOP, Stephen G. Atlas da história do mundo. National Geographic Brasil. São Paulo: Abril, 2004. p. 298-299.

Se o avanço e as conquistas do poderoso exército alemão sobre os inimigos deram aos nazistas o sonho de uma grande vitória, a ofensiva das forças aliadas provocou uma reviravolta nos rumos da guerra. Atacados duramente em duas frentes opostas, no leste pelos soviéticos e no oeste por britânicos, franceses e estadunidenses, os alemães foram acuados e derrotados, perdendo boa parte dos territórios que haviam invadido. Em maio de 1945, quando as tropas soviéticas por fim invadiram Berlim, Hitler cometeu suicídio e a Alemanha se rendeu. A Itália, por sua vez, já havia assinado sua rendição em 1943, mas Benito Mussolini escapou, sendo capturado e executado, em 28 de abril de 1945, por guerrilheiros italianos da resistência ao fascismo.

Acima, bombardeio realizado pelos japoneses à frota marítima dos Estados Unidos, em Pearl Harbor, Havaí, em 1941.

Mesmo com a iminência de uma derrota, o Japão se manteve no conflito, apesar das grandes perdas sofridas. A rendição japonesa ocorreu somente após os Estados Unidos lançarem as bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, detonadas nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente. Em 2 de setembro daquele ano, o imperador Hirohito, a bordo do navio Missouri, assinou finalmente a rendição do seu país, colocando fim ao conflito da Segunda Guerra Mundial. Everett Historical/Shutterstock.com

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Geopolítica

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Unidade 7

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Os rumos da guerra mudaram drasticamente a partir de 1941, quando o conflito tomou proporções mundiais. Em 22 de junho daquele ano, os alemães romperam o acordo de não agressão com os soviéticos e lançaram uma grande ofensiva ao invadir o vasto território daquele país. Em dezembro do mesmo ano, os Estados Unidos também entraram na guerra, após serem surpreendidos por um impetuoso ataque aéreo proferido pela aviação japonesa sobre parte da frota naval estadunidense ancorada na base Pearl Harbor, no Havaí. A partir de então, a guerra passou a se desenrolar entre dois grandes campos de força: os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os Aliados (Grã-Bretanha, França, Estados Unidos e União Soviética).


O pós-guerra e a reordenação geopolítica na Europa Antes mesmo do término da Segunda Guerra Mundial, os líderes das principais nações aliadas, certos de que sairiam vitoriosos, já traçavam planos e acordos para uma nova ordem geopolítica e econômica a ser estabelecida logo após o cessar-fogo. Corbis/Latinstock

Em fevereiro de 1945, durante a Conferência de Yalta, realizada na Crimeia, às margens do Mar Negro, os países aliados, representados pelos seus respectivos líderes, decidiram secretamente a repartição das áreas de influência dos territórios ocupados no leste e no oeste europeu, de acordo com a posição de seus respectivos exércitos ao término da guerra.

Para além da divisão territorial, a Alemanha acabou ficando sob o jugo de nações que adotavam diferentes sistemas político-ideológicos: a zona controlada por três Estados capitalistas, no lado oeste, e a zona controlada pelo governo socialista soviético, no leste. Em 1949, o lado capitalista deu origem à República Federal da Alemanha, ou Alemanha Ocidental, tendo como capital a cidade de Bonn, enquanto o lado socialista formou a República Democrática da Alemanha, ou Alemanha Oriental, tendo Berlim como sua capital. Veja os mapas abaixo.

Alemanha dividida

Berlim dividida

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E. Cavalcante

Na fotografia acima, da esquerda para a direita, Winston Churchill, da Grã-Bretanha, Franklin Roosevelt, dos Estados Unidos, e Josef Stalin, da União Soviética, na conferência de Yalta, Crimeia, em 1945.

Na Conferência de Potsdam, ocorrida dois meses após a rendição alemã, em julho de 1945, os aliados se reuniram para acordar sobre tratados de paz e assuntos ligados ao futuro do pós-guerra. Uma das mais importantes decisões tomadas pelos aliados foi o estabelecimento de zonas de controle sobre o território da Alemanha ocupada. Assim, o território alemão foi dividido em quatro zonas de controle ou influência: a britânica, a francesa, a estadunidense e a soviética. A capital, Berlim, considerada de grande importância estratégica, também foi dividida em quatro zonas de ocupação permanecendo sob a tutela dos aliados.

Muro de Berlim Berlim

ALEMANHA OCIDENTAL

ALEMANHA ORIENTAL

52° 31’N

Zona 50° N

140 km

10° L

Britânica Francesa Estadunidense Soviética Limite entre as Alemanhas Ocidental e Oriental

Fonte: SCALZARETTO, Reinaldo; MAGNOLI, Demétrio. Atlas geopolítica. São Paulo: Scipione, 1997. p. 21. 1 atlas. Escalas variam.

168

6 km

13° 23’ L Fonte: HILGEMANN, Werner; KINDER, Hermann. Atlas historique. Paris: Perrin, 2003. p.20. 1 atlas. Escalas variam.


Bettman/Corbis/Latinstock

As economias europeias, que outrora estavam entre as mais prósperas e poderosas do mundo, encontravam-se em ruínas, completamente destruídas por anos de confronto com intensos combates e pesados bombardeios aéreos. Parques industriais, infraestrutura de transportes, usinas geradoras de energia, instalações aeroportuárias e boa parte das grandes cidades precisavam ser quase que totalmente reconstruídos.

Fotografia da cidade de Colônia, na Alemanha, em 1945, praticamente destruída por bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial.

Por outro lado, a União Soviética, embora tenha sofrido grandes perdas no conflito, também emergiu como grande potência mundial. A economia do país, que já prosperava rapidamente antes da guerra em virtude da pujante política de industrialização adotada pelo governo socialista, teve rápida retomada de seu crescimento, apoiada em grande parte na exploração dos recursos naturais disponíveis no território. Na área militar, apesar das perdas, a União Soviética também Europa: geopolítica no pós-guerra contava com um poderoso exército que ocupava Cír OCEANO GLACIAL ÁRTICO cul oP olar quase todo o Leste europeu. No plano político, os Árti ISLÂNDIA co soviéticos também consolidaram sua influência no Leste Europeu com a implantação de governos socialistas subordinados aos interesses de MosFINLÂNDIA NORUEGA cou, alguns deles impostos por meio de intervenSUÉCIA ções e uso de forças militares, como ocorreu na Hungria e na Tchecoslováquia. DINAMARCA IRLANDA Gree nwic h

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Mer idian o de

Com essa divisão de poder, a Europa ficou dividida entre dois campos de forças distintas e antagônicas: de um lado, os países capitalistas da Europa Ocidental, sob a influência direta dos Estados Unidos; de outro, os países socialistas da Europa Oriental, sob a influência direta da União Soviética (veja mapa ao lado).

HOLANDA BÉLGICA LUXEMBURGO

FRANÇA

ALEMANHA ORIENTAL

ALEMANHA OCIDENTAL SUÍÇA

POLÔNIA

50° N

TCHECOSLOVÁQUIA

ÁUSTRIA

HUNGRIA ROMÊNIA

PORTUGAL ANDORRA

ESPANHA

ITÁLIA

Mar Negro

IUGOSLÁVIA BULGÁRIA ALBÂNIA GRÉCIA

Fonte: SCALZARETTO, Reinaldo; MAGNOLI, Demétrio. Atlas geopolítica. São Paulo: Scipione, 1997. p. 23. 1 atlas. Escalas variam.

UNIÃO SOVIÉTICA

REINO UNIDO

OCEANO ATLÂNTICO

L S

E. Cavalcante

Unidade 7

Com a decadência econômica das potências europeias, o cenário geopolítico internacional do pós-guerra passou a ser marcado pela emergência de duas superpotências mundiais. De um lado, a ascensão dos Estados Unidos, sem dúvida alguma grandes beneficiados pelo fato de terem seu território longe do palco central da guerra. A indústria estadunidense, impulsionada pelo enorme crescimento do setor bélico que abasteceu o conflito mundial, prosperava em ritmo acelerado e colocava o país na condição de maior potência econômica do planeta. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos tornavam-se grandes credores da economia mundial ao fornecer gigantescas somas de capital necessárias para a reconstrução de boa parte da infraestrutura interna dos países europeus devastados pela guerra.

500 km 0°

Mar Mediterrâneo

TURQUIA

Europa Oriental ou Leste Europeu Europa Ocidental Países que sofreram intervenção soviética

Geopolítica

169


O acirramento das rivalidades no pós-guerra No intuito de aprofundar e expandir sua área de influência geopolítica pelo continente europeu, os Estados Unidos, que viam o fortalecimento político e militar dos soviéticos como uma séria ameaça à sua hegemonia no mundo, passaram a adotar medidas para conter o avanço do socialismo na Europa e também em outras regiões do mundo. Essa política foi colocada em prática a partir de 1947, quando os Estados Unidos lançaram as bases da Doutrina Truman. Em um discurso proferido em 12 de março de 1947, o presidente Harry Truman defendeu a concessão de créditos à Grécia e à Turquia, como forma de sustentar governos pró-ocidentais naqueles países e obviamente para conter o avanço do socialismo nessas regiões. Referindo-se à expansão do socialismo na Europa Oriental, Truman assim declarou em seu discurso: Plano Marshall: ajuda financeira aos aliados europeus

[...]

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

ISLÂNDIA

50

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FINLÂNDIA NORUEGA 300

IRLANDA 3 200 REINO 120 UNIDO

OCEANO ATLÂNTICO

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SUÉCIA 100

DINAMARCA 300

UNIÃO SOVIÉTICA

1 060 PAÍSES BAIXOS

ALEMANHA ORIENTAL BÉLGICA POLÔNIA 2 750 1 350 LUX. ALEMANHA TCHECOSLOVÁQUIA OCIDENTAL FRANÇA 720 SUÍÇA ÁUSTRIA HUNGRIA 2 750 ROMÊNIA ITÁLIA 100 IUGOSLÁVIA 1 500 BULGÁRIA

E. Cavalcante

ALBÂNIA Mar Mediterrâneo

50° N

Mar Negro

TURQUIA 720 GRÉCIA

220

560 km Estados que aderiram ao Plano Marshall

Fonte: SCALZARETTO, Reinaldo; MAGNOLI, Demétrio. Atlas geopolítica. São Paulo: Scipione, 1997. p. 20. 1 atlas. Escalas variam.

500 0

Créditos do Plano Marshall (milhões de dólares)

OCDE Para administrar e distribuir os fundos do Plano Marshall entre os países europeus, foi criada, em 1948, a Organização Europeia de Cooperação Econômica (OECE). Em 1961, essa instituição passou a se chamar Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que atualmente reúne 34 membros, países com economias de alta renda, exceto México, Chile e Turquia.

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Um dos principais objetivos da política externa dos Estados Unidos é a criação de condições para que nós próprios e outras nações possamos ter uma forma de vida livre de coerção. [...] [...] Não atingiremos nossos objetivos, no entanto, a menos que estejamos dispostos a ajudar os povos livres a manter suas instituições livres e a sua integridade nacional contra movimentos agressivos que visam impor-lhes regimes totalitários. [...] THE AVALON Project Documents in Law, History and Diplomacy. YALE Law School. Truman Doctrine. New Haven, 2008. Disponível em: <http://avalon.law.yale.edu/20th_ century/trudoc.asp>. Acesso em: 7 dez. 2015.

Para concretizar essa doutrina, os Estados Unidos colocaram em prática o Plano Marshall, elaborado pelo então secretário de Estado estadunidense George C. Marshall. Tratava-se de um amplo programa de ajuda financeira destinada a promover a recuperação econômica dos países europeus envolvidos no conflito.

Grandes empréstimos financeiros também foram concedidos para a reconstrução do Japão, com o mesmo objetivo de fortalecer a presença estadunidense na Bacia do Pacífico e conter o avanço do socialismo nos países daquela região. Na condição de grandes credores, os Estados Unidos reafirmaram sua hegemonia sobre as nações europeias que, dependentes de seus recursos, ficaram subordinadas aos interesses estratégicos do governo de Washington. Ao todo, os Estados Unidos destinaram mais de 13 bilhões de dólares em financiamentos a esses países (veja mapa acima). Em 1949, em resposta ao Plano Marshall, a União Soviética criou o Conselho para Assistência Econômica Mútua – Comecon (sigla do inglês Council for Mutual Economic Assistance) –, com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e tecnológico das repúblicas socialistas do Leste Europeu, como forma de evitar o avanço do capitalismo em toda a região. A estratégia adotada foi a de aprofundar o processo de planificação econômica entre os países socialistas, de modo a explorar as melhores vantagens e potencialidades de cada um deles, como a disponibilidade de recursos naturais e fontes energéticas. Isso aumentou o grau de dependência econômica entre os países-membros e, consequentemente, em relação à poderosa economia soviética.


A Guerra Fria Com a bipolarização do poder entre Estados Unidos (capitalista) e União Soviética (socialista), o mundo tomou conhecimento do antagonismo que passou a caracterizar as relações entre essas duas potências emergidas no cenário geopolítico do pós-guerra. Houve, a partir desse momento, a configuração do chamado mundo bipolar, isto é, um mundo com dois grandes polos de poder econômico, político e militar. Ao longo das décadas seguintes, o acirramento das tensões e disputas entre essas duas potências deu origem ao período que ficou conhecido historicamente como Guerra Fria, assim chamado pelo fato de essas potências terem evitado travar um confronto direto, pois isso provocaria com certeza uma catástrofe planetária, devido ao enorme poderio de destruição alcançado pelos seus respectivos arsenais de guerra, dotados inclusive de armas nucleares.

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N O

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Estados da Otan e aliados ocidentais Estados do Pacto de Varsória Estados neutros de economia de mercado

FINLÂNDIA

NORUEGA SUÉCIA

IRLANDA

OCEANO ATLÂNTICO

REINO UNIDO

DINAMARCA PAÍSES BAIXOS

BÉLGICA

ALEMANHA ORIENTAL POLÔNIA

UNIÃO SOVIÉTICA 50° N

ALEMANHA TCHECOSLOVÁQUIA OCIDENTAL FRANÇA SUÍÇA ÁUSTRIA HUNGRIA ROMÊNIA

LUXEMBURGO

PORTUGAL

ITÁLIA

ESPANHA

IUGOSLÁVIA

De Estetino, no [mar] Báltico, até Trieste, no [mar] Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente. Atrás dessa linha estão todas as capitais dos antigos Estados da Europa Central e Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sofia; todas essas cidades famosas e as populações em torno delas es-

Mar Negro

BULGÁRIA

ALBÂNIA

460 km

MALTA

TURQUIA E. Cavalcante

GRÉCIA

Mar Mediterrâneo

Fonte: SCALZARETTO, Reinaldo; MAGNOLI, Demétrio. Atlas geopolítica. São Paulo: Scipione, 1997. p. 22. 1 atlas. Escalas variam.

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Estados neutros de economia socialista Cortina de Ferro

A área de influência e atuação da OTAN e do Pacto de Varsóvia promoveu uma nítida divisão do continente europeu, opondo alianças de países ligados a uma ou outra potência. A expressão Cortina de Ferro, proferida em discurso pelo primeiro-ministro britânico Winston Churchill, em 5 de março de 1946 (leia texto abaixo), passou a ser utilizada para se referir à divisão do continente entre cada uma dessas alianças militares.

Unidade 7

O permanente estado de tensão mantido ao longo da Guerra Fria também motivou a formação de grandes alianças militares lideradas por Washington e Moscou. Em 1949, os Estados Unidos e seus aliados ocidentais formalizaram a criação da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar que vigora até os dias de hoje e reúne 28 países. A resposta soviética veio em 1955, com a assinatura do Pacto de Varsóvia, que estabeleceu o alinhamento entre os países ligados à União Soviética, ditando um compromisso de ajuda mútua em caso de agressões militares, em especial contra possíveis ataques dos países-membros da OTAN. Com a dissolução da União SoEuropa: área de atuação das viética, em 1991 (assunto que será estualianças militares (1947-1989) dado na página 178), o Pacto de Varsóvia Cír OCEANO GLACIAL ÁRTICO cu lo Po l foi extinto. a rÁ ISLÂNDIA

CHIPRE

tão no que devo chamar de esfera soviética, e todas estão sujeitas, de uma forma ou de outra, não somente à influência soviética mas também a fortes, e em certos casos crescentes, medidas de controle emitidas de Moscou [...]. CHURCHILL, Winston. The Sinews of Peace. In: KISHLANSKY, Mark A. Sources of World History. New York, Harper Collins, 1995. p. 298-302.

Geopolítica

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dpa/Corbis/Latinstock

Na Europa, a disputa ideológica entre as grandes potências teve como símbolo maior o Muro de Berlim, construído em agosto de 1961. A acelerada recuperação econômica da Alemanha Ocidental, beneficiada pelos grandes investimentos fornecidos pelos Estados Unidos, e o avanço do regime democrático contrastavam com as dificuldades econômicas e a instalação do autoritarismo do partido único na Alemanha Oriental. Por conta disso, as migrações populacionais para o lado Ocidental se intensificaram. Para conter esse fluxo demográfico, o governo Oriental ordenou a construção de um muro com cerca de 100 quilômetros de extensão, dividindo a cidade de Berlim em duas zonas: a socialista e a capitalista. O Muro de Berlim, como ficou conhecido, tornou-se o símbolo de um mundo dividido ideologicamente. Ao lado, construção de parte do Muro de Berlim, em 1961.

Guerra Fria, ideologia e conflitos Durante as quatro décadas seguintes de Guerra Fria, as duas superpotências se envolveram de maneira direta (com envio de tropas e armamentos) ou indireta (com repasse de dinheiro) em inúmeros conflitos ocorridos pelo mundo, tentando ampliar suas respectivas áreas de influência em escala mundial. Apenas cinco anos após o término da Segunda Guerra Mundial, as superpotências já se defrontavam indiretamente na Guerra da Coreia (1950-1953), que terminaria com o país dividido em Coreia do Norte (socialista) e Coreia do Sul (capitalista). As potências voltaram a se envolver na Guerra do Vietnã (1955-1975), quando os Estados Unidos intervieram diretamente naquele país num conflito interno que já se arrastava contra o colonialismo francês.

Tim Page/Corbis/Latinstock

Ação militar dos Estados Unidos no Vietnã, em 1965.

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Durante esse conflito, as tropas estadunidenses, formadas por cerca de 500 mil homens, foram enviadas para combater os guerrilheiros comunistas sul-vietnamitas (chamados pejorativamente de vietcongues) e o exército comunista do Vietnã do Norte. Após anos de combate, que consumiram gastos astronômicos, as tropas estadunidenses, embora bem mais equipadas, sofreram grandes perdas (58 mil soldados mortos) e se retiraram do país em 1973, dois anos antes do fim do conflito, que A crise dos mísseis terminaria com a vitória das tropas norOutro grave incidente que colocou em xete-vietnamitas comunistas. que as relações entre Estados Unidos e União Soviética ocorreu em 1962. Naquele ano, mísseis soviéticos foram instalados em uma base militar em Cuba, a pouco mais de 100 km de distância do território dos Estados Unidos (veja imagem na página seguinte). O episódio, conhecido como crise dos mísseis, elevou ao extremo o estado de tensão entre as grandes potências, que nunca estiveram tão próximas de uma possível guerra nuclear. A questão foi resolvida com manobras políticas e acordos diplomáticos em que a União Soviética aceitou retirar seus mísseis em troca do compromisso dos Estados Unidos de não invadir o território cubano e também de retirar seus mísseis instalados em bases na Turquia, apontados para a União Soviética.


Guerra Fria, descolonização e movimento dos não alinhados As consequências da Guerra Fria também se estenderam pelos territórios coloniais da África e da Ásia. O enfraquecimento das potências europeias, assoladas pela Segunda Guerra, despertou a luta por movimentos de independência de nações africanas e asiáticas. Com a ordem bipolar, os Estados Unidos e a União Soviética passaram a apoiar os movimentos de libertação dessas colônias em relação às potências europeias com o objetivo de ampliar suas respectivas esferas de influência no mundo. Em geral, esses movimentos de independência ocorreram por meio de violentos conflitos armados, provocando milhões de vítimas. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas, entre civis e militares, tenham morrido nos confrontos de descolonização. Além disso, as disputas internas pelo controle do poder nos países recém-independentes desencadearam profundos conflitos civis e lutas tribais, como as ocorridas na África, situação que provocou o agravamento das condições socioeconômicas desses países.

Unidade 7

Na Índia, a reivindicação por independência ocorreu de maneira diferente. O movimento pela independência, liderado por Mahatma Gandhi, se deu por meio de manifestações pacíficas, sem confrontos violentos. Uma das estratégias do movimento era desobedecer às leis impostas pelos britânicos e deixar de comprar mercadorias importadas ou produzidas por eles, a fim de forçar o desaquecimento da economia. Diante disso, a Inglaterra não teve alternativa senão ceder a independência à Índia, em 1947.

Base de San Cristóbal

CUBA

Gilberto Alicio

Bettman/Corbis/Latinstock

Durante o período da Guerra Fria, a grande maioria dos países do mundo foi impelida a se alinhar a uma ou a outra potência. No entanto, houve tentativas de não alinhamento a nenhuma das duas superpotências, a exemplo do que ocorreu na Conferência de Bandung (Indonésia, 1955). Na ocasião, cerca de 30 países africanos e asiáticos promoveram o movimento dos não alinhados, exigindo que os países periféricos participassem mais ativamente das decisões políticas internacionais, sem se submeterem aos interesses das grandes potências mundiais.

Ao lado, área de San Cristobal, em território cubano, onde mísseis e outros armamentos militares soviéticos foram instalados e causaram grande tensão entre URSS e Estados Unidos, em 1962.

Geopolítica

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Explorando o tema

A corrida armamentista e a corrida espacial

Yevgeny Khaldei/Corbis/Latinstock

Com a formação de alianças militares e o envolvimento em conflitos regionais, os Estados Unidos e a União Soviética iniciaram uma impetuosa corrida armamentista. Em tempos de bipolaridade, o status de poder se deslocou do plano econômico para o da supremacia bélica. As duas superpotências apostavam que, quanto mais bem aparelhadas militarmente, mais protegidas estariam do inimigo, e que por meio da força militar também poderiam ampliar suas respectivas áreas de influência no mundo. Por isso, ambas canalizaram grandes investimentos no desenvolvimento das mais avançadas tecnologias bélicas, como a fabricação de tanques de guerra, aviões de combate, submarinos e porta-aviões militares, mísseis de longo alcance, além de um poderoso arsenal de ogivas nucleares. Em resumo:

[...] a Guerra Fria encheu o mundo de armas num grau que desafia a crença. Era o resultado natural de quarenta anos de competição constante entre grandes Estados industriais para armar-se com vistas a uma guerra que podia estourar a qualquer momento; quarenta anos de competição das superpotências para fazer amigos e influenciar pessoas distribuindo armas por todo o globo, para não falar de quarenta anos de constante guerra de “baixa intensidade”, com ocasionais irrupções de grande conflito. [...] HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). Tradução Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. p. 250.

Apresentação do poderio militar da URSS, em desfile pelas ruas principais de Moscou, em 1963.

No auge da Guerra Fria, a apresentação de grandes desfiles militares e a realização de testes com armas nucleares tornaram-se meios com os quais as potências passaram a intimidar o inimigo e demonstrar sua superioridade na corrida armamentista. Nesse período, essas potências também já haviam criado seu serviço secreto de espionagem e inteligência; a Agência Central de Inteligência (CIA, fundada em 1947) nos Estados Unidos e o Comitê de Segurança de Estado (KGB, criado em 1954) na União Soviética. Esses serviços tinham entre seus objetivos obter informações secretas sobre o desenvolvimento de armamentos e tecnologias militares, estratégias e manobras de guerra etc. Número de armas nucleares nas décadas da Guerra Fria Período

União Soviética

Estados Unidos

1945-1954

150

1 703

1955-1964

5 221

29 463

1965-1974

17 385

28 537

1975-1984

37 431

23 459

1985-1991

35 000

19 008

Fonte: BULLETIN Of The Atomic Scientists. Disponível em: <http://bos.sagepub.com/ content/66/4/77/T2.expansion.html>. Acesso em: 31 ago. 2015.

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Corbis/Latinstock

A ameaça nuclear Além dos Estados Unidos e da União Soviética, outros países, ligados a uma ou a outra potência mundial, também investiram no desenvolvimento de armas nucleares como forma de ampliar seu poderio militar. Temendo que o desenvolvimento dessas armas se expandisse pelo mundo, tornando-se uma terrível ameaça para a manutenção da paz e da segurança mundial, as grandes potências articularam acordos para controlar o domínio das tecnologias necessárias para o desenvolvimento de armas nucleares. No final da década de 1970, foram estabelecidos acordos como o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e o Tratado para a Limitação das Armas Estratégicas, a fim de conter o aumento do arsenal nuclear. Acima, testes nucleares realizados em 1946, no Atol de Bikini, Micronésia, em meio ao oceano Pacífico.

Unidade 7

O TNP visava a não transferência de tecnologia e de artefatos nucleares entre os países, evitando sua proliferação e o surgimento de novas potências nucleares, o que, em caso de uma guerra mundial, poderia dizimar a humanidade. Além disso, foram estabelecidos o uso pacífico e a regulamentação para sua utilização na geração de energia por meio das usinas nucleares. Os países que assinaram o acordo estão sujeitos às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que se certifica de que, nesses países, os programas nucleares tenham fins exclusivamente pacíficos, como a geração de energia, o tratamento de doenças, entre outros.

A União Soviética largou na frente na corrida espacial: em outubro de 1957, lançou o primeiro satélite artificial produzido pelo ser humano, o Sputnik; em abril de 1961, os soviéticos também enviaram o primeiro ser humano ao espaço, o cosmonauta Yuri Gagarin (1934-1968), que orbitou a Terra a bordo da nave Vostok 1, em abril de 1961.

ITAR-TASS Photo Agency/Alamy Stock Photo/Glow Images

Concomitantemente ao fortalecimento militar, as duas superpotências também ingressaram na corrida espacial, como forma de demonstrar sua superioridade no campo científico-tecnológico. Os investimentos e as pesquisas direcionadas ao conhecimento e à conquista do espaço sideral resultaram em importantes avanços, como a criação de foguetes e satélites espaciais, sondas de exploração não tripuladas e naves tripuladas.

Yuri Gagarin, cosmonauta soviético, em fotografia de 1961.

A partir de então, a corrida espacial começou a perder força, pois soviéticos e estadunidenses passaram a unir esforços para que a exploração espacial fosse ampliada em projetos de cooperação. A disputa terminaria com o fim da Guerra Fria.

Corbis/Latinstock

Para acompanhar os soviéticos, os Estados Unidos criaram a NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço), a agência espacial estadunidense. Dispondo de um generoso orçamento, a NASA investiu pesadamente em pesquisas espaciais, desenvolvendo foguetes e naves cada vez mais sofisticadas. Na corrida pela hegemonia espacial, ela colocou em prática o ambicioso plano de enviar o primeiro humano à Lua, feito ocorrido em julho de 1969, quando a nave Apolo 11 pousou na superfície lunar e os astronautas Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin pisaram em seu solo.

Edwin Aldrin caminhando em solo lunar, em 20 de julho de 1969. Geopolítica

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Infográfico

APOLO 11

A missão espacial Apolo 11 permitiu a chegada do homem à Lua e foi uma das maiores conquistas do século XX. A viagem levou mais de uma semana. A nave foi impulsionada pelo maior foguete já construído até hoje.

O lançamento

EM ÓRBITA

ALTURA 110,6 m ALTURA 190 km VELOCIDADE 28 000 km/h TEMPO 9 min20s.

3 O motor da terceira fase é acionado novamente para sair da força de atração exercida pela Terra (gravidade) e atinge uma velocidade de 40 000 km/h.

Torre de escape Módulo de comando O único que retornou à Terra.

ALTURA 180 km VELOCIDADE 23 000 km/h TEMPO 9min18s.

SEGUNDA ETAPA

O único que retornou à Terra.

Módulo de serviço Módulo lunar

Motor da terceira etapa

ponto de decolagem TERRA

1 Entrada na órbita terrestre.

Segunda etapa

SATURNO Com 2,7 milhões de kg de peso total, é o maior foguete já construído até agora.

ALTURA 65 km VELOCIDADE 9 800 km/h TEMPO 2min42s.

PARTIDA Em 16 de julho no Cabo Canaveral, EUA, às 13h32 UTC (Universal Time Coordinated, em português Tempo Universal Coordenado).

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2

Motor da segunda etapa

A nave realiza um giro ao redor da Terra para impulsionar-se.

A alunagem Plataforma de lançamento

Primeira etapa

Se desprendeu da primera etapa.

PRIMEIRA ETAPA

CABO CANAVERAL

Terceira etapa

O módulo lunar Eagle alunou no domingo, 20 de julho de 1969.

Ainda em posição horizontal, aciona-se o motor de descida.

Um radar é acionado para medir a distância e a posição do módulo em relação ao solo.

Um controle computadorizado assegura a aterrissagem da nave na posição vertical.

Motores da primeira etapa Superfície lunar Ilustração conforme: NASA (Agência Espacial Americana). Disponível em: <www.nasa.gov>. Acesso em: 25 abr. 2016.


Sol90 Images

As rochas trazidas pela Apolo 11 permitiram que fossem feitos estudos sobre a composição das rochas lunares. A maioria era basalto, uma das rochas mais resistentes na Terra.

Sol90 Images

Rochas

Os astronautas eram Neil A. Armstrong, Edwin E. Aldrin e Michael Collins. Armstrong deu o primeiro passo em solo lunar em 21 de julho de 1969. Suas pegadas permaneceram intactas no solo da lua por causa da ausência de vento.

MÓDULO ORBITAL DE COMANDO E SERVIÇO COLUMBIA Tanques de combustível

A VIAGEM

9

Módulo de Comando: habitação dos astronautas

O módulo de comando segue em órbita. O módulo lunar se separa com dois astronautas a bordo.

4 Altera seu posicionamento para permitir o acoplamento do módulo lunar.

Sol90 Images

Módulo de Serviço: sistemas vitais e motor

Unidade 7

A missão levou um total de 195 horas, 18 minutos e 35 segundos.

10 O motor é acionado para realizar a alunagem.

5 O módulo orbital se separa da terceira etapa, deixando aberta a parte que o continha.

I O retorno ocorreu em 24 de julho de 1969 O módulo de comando se separou do módulo de serviço antes de reingressar para a atmosfera terrestre. Partiu da Lua em 21 de julho, às 17h54, permanecendo menos de um dia em solo lunar: apenas 21 horas, 38 minutos e 21 segundos.

LUA

6 O módulo orbital gira 180° para acoplar-se ao módulo lunar e a terceira etapa é abandonada.

Ponto de desembarque da Apollo 11

7 Os módulos acoplados fazem uma correção de rota para assegurar que entrarão na órbita lunar.

MÓDULO LUNAR EAGLE (ÁGUIA)

8 Uma vez na órbita da Lua, o módulo gira sobre seu eixo. O freio é acionado pelo motor do foguete.

II A poucos metros do solo, a nave é direcionada pelo astronauta até encontrar o local mais adequado para o pouso. Quando os sensores indicam o contato com o solo, os motores de descida se apagam.

O módulo de serviço caiu no oceano Pacífico, próximo ao Hawai, às 1h50, onde foi resgatado.

Geopolítica

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O colapso do socialismo e o fim da União Soviética Durante mais de 60 anos, desde 1922, o regime socialista trouxe grande prosperidade social e econômica à União Soviética, colocando o país na condição de grande potência mundial, capaz de disputar com o mundo capitalista a hegemonia de poder no cenário geopolítico mundial. A partir da década de 1980, contudo, o socialismo começou a dar sinais de esgotamento. A prosperidade soviética foi abalada por uma intensa crise econômica e social, provocada por fatores como a defasagem tecnológica e a queda da produtividade industrial e agrícola. A situação econômica do país se deteriorou ainda mais em virtude dos enormes gastos militares durante a corrida armamentista e a corrida espacial. No plano político, a situação também se deteriorava em razão do excessivo autoritarismo do Estado, exercido pelos dirigentes do Partido Comunista (partido único) sobre todos os segmentos da vida social. Se, por um lado, a centralização do poder impedia a participação da opinião popular nos rumos do país, assim como a liberdade de pensamento e expressão (individual ou de grupos sociais), por outro lado favoreceu a obtenção de muitos privilégios por parte dos altos funcionários do governo. Isso se mostrou um grande problema para os governos socialistas, que defendiam a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Essa contradição gerou uma grande insatisfação popular entre os soviéticos e também em outros países socialistas, nos quais a população passou a questionar o regime em voga, clamando pela abertura política e econômica. Com o enfraquecimento da supremacia soviética, países do Leste Europeu não suportaram a pressão da opinião popular e começaram a promover reformas em sua estrutura política.

Manifestantes caminhando em direção à Praça Vermelha, protestando em favor da democracia, próximo ao local onde havia uma reunião de participantes do partido comunista, em Moscou, 1990.

Alimentadas por essas reformas, as manifestações populares se intensificaram tendo como auge a queda do Muro de Berlim, em 1989, acontecimento que deu início ao processo de reunificação da Alemanha. Os “ares” das reformas em andamento no Leste Europeu contagiaram ainda mais os soviéticos, o que, somado ao aprofundamento da crise socioeconômica e política, tornou insustentável o governo de Moscou e culminou na dissolução da União Soviética, em 1991. Chegavam ao fim a Guerra Fria e a ordem geopolítica bipolar que havia perdurado desde o final da Segunda Grande Guerra. Pascal Le Segretain/Sygma/Corbis/Latinstock

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A derrocada do socialismo no mundo e o fim da União Soviética deflagraram processos de independência que levaram à fragmentação do território soviético e à criação de novos Estados, provocando uma grande mudança no traçado do mapa político do Leste da Europa e da Ásia. A União Soviética foi desmembrada em 15 novos países que, com exceção das repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), formaram a Comunidade de Estados Independentes (CEI), como mostrado no mapa da página 78.

Um novo cenário geopolítico

Unidade 7

Com a desintegração da União Soviética, o cenário geopolítico mundial também se transformou radicalmente, o qual ficou marcado pelo predomínio do capitalismo em escala mundial e pela substituição de uma ordem bipolar (conflito Leste-Oeste) por uma nova ordem multipolar formada pela emergência de três centros ou polos de poder econômico: • Estados Unidos: se estabelecem como a maior potência econômica do mundo e também como a maior força bélica, posição que garante suas intervenções militares em várias partes do planeta. Por adotar uma política externa agressiva que interfere nos interesses de outros países, a hegemonia estadunidense sofre resistência em várias partes do mundo; • União Europeia: se destaca pelo enorme poder do bloco econômico, liderado por algumas das maiores economias mundiais, como Alemanha, França e Reino Unido; • Japão: configura-se como a grande potência econômica capitalista que exerce grande influência na região da Bacia do Pacífico, embora essa influência regional esteja cada vez mais ofuscada pelo crescimento econômico da China, segunda maior economia mundial. Mais recentemente, entretanto, o domínio da tríade (Estados Unidos, Japão e União Europeia) vem sendo acompanhado pela emergência de potências econômicas regionais. Como estudamos na unidade anterior, as duas últimas décadas foram marcadas pela ascensão das economias emergentes (China, Índia, Brasil, África do Sul e Tigres Asiáticos, por exemplo). O esquema abaixo representa o cenário geopolítico atual descrito acima. Mundo: geopolítica atual União europeia

Estados Unidos

Rússia Japão China

Renan Fonseca

Venezuela

Oriente Médio ÁFRICA

AMÉRICA DO SUL

Sudão

Brasil

ÁSIA Representação

Nigéria

Argentina

Malásia Tailândia África do Sul

Resistência à hegemonia estadunidense Tríade de poder (Estados Unidos, União Europeia, Japão) Outras nações capitalistas desenvolvidas Emergência de potências regionais

Índia

Austrália

ilustrativa sem escala.

Nova Zelândia

Fortalecimento da cooperação (econômica, política e militar) Sul-Sul Forte resistência à influência das potências ocidentais, à exceção de Israel, tradicional aliado dos Estados Unidos na região; área de grande instabilidade política e de interesse geopolítico por suas reservas petrolíferas

Fonte: BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 30.

Geopolítica

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Contexto geográfico

Estudo de caso

O dia em que o muro caiu [...] Eu estava em Berlim em 9 de novembro de 1989. Era o único correspondente brasileiro credenciado na sala de imprensa do Departamento de Relações Exteriores da Alemanha Oriental quando foi anunciada a grande queda. Tudo aconteceu às 18h45 locais. Gunter Schabowski, chefe do Comitê Municipal do Partido Comunista de Berlim Oriental, declarou encerrada uma entrevista concedida a cerca de trezentos correspondentes. Um dos jornalistas ainda encontrou uma brecha para fazer a última pergunta: “O governo pretende tomar alguma atitude em relação aos berlinenses que querem passar para o lado ocidental?”. Em tom casual, como quem faz uma declaração corriqueira, Schabowski responde: “Como? Vocês não sabiam? Está aberta a passagem para todos os que queiram se dirigir a Berlim Ocidental”. Inicialmente, muitos acharam que não tinham entendido direito. Houve um silêncio meio esquisito na sala, de alguns infinitos segundos. Todos ali sabíamos que, se a notícia fosse verdadeira, estávamos presenciando o fim da Guerra Fria e, provavelmente, do “breve século XX”, na expressão de Hobsbawm. Passado o primeiro instante de perplexidade, todos nos retiramos da sala, excitados, comunicamos a grande notícia aos nossos jornais, emissoras de TV e rádio, e nos dirigimos ao Checkpoint Charlie, o mais famoso posto fronteiriço do muro (o nome Charlie corresponde à letra C no jargão de pilotos e rádio-amadores). Era tudo verdade. A passagem está livre, apesar de ainda haver fiscalização de fronteira. O Muro de Berlim acabara de ruir. A notícia espalhou-se com espantosa rapidez. Em poucos minutos, as vias públicas que conduziam ao muro ficaram abarrotadas por pequenos e poluidores automóveis Trabants (“trabi”, na gíria local) ou por pessoas a pé. Mas ainda pairava um estranho silêncio na noite fria (pouco acima de zero grau): todos temiam que, de um momento para o outro, “alguém” decretasse o bloqueio da passagem. “Alguém”? Quem? O que estava acontecendo? Teria sido um golpe desferido pela ala mais “liberal” do Partido Comunista, contra uma “solução chinesa”, como a que massacrou pelo menos 2 mil jovens, estudantes e trabalhadores em Pequim, em abril? E se houvesse um contra golpe? Ninguém sabia nada. [...] O carnaval começou na Kurfurstendamm, a avenida principal de Berlim Ocidental, feito de fogos de artifício, de beijos e abraços de casais e famílias que se reencontraram após anos de separação. Mas foi um carnaval germânico: ninguém, nem os mais bêbados, ultrapassou a faixa reservada aos ônibus, até que fosse dada permissão para isso. Os postos fronteiriços logo se tornaram insuficientes para dar vazão ao fluxo de pessoas. As prefeituras das duas Berlim começaram a abrir passagens, com máquinas. Mas o processo escapou ao controle das autoridades, e o Muro começou a ser furiosamente destruído. Jovens armados de pás e picaretas atacaram o muro de concreto, comemorando cada pedaço de uma laje derrubada: o monstro Minotauro não estava dentro, era o próprio labirinto. Ao destruir o Muro de Berlim, metáfora da dilaceração da alma de uma nação, os jovens buscavam reconstruir sua própria integridade psicológica. Nesse contexto, mesmo os fatos mais prosaicos, os diálogos e gestos mais rotineiros pareciam emanar de um sonho. As horas passavam muito rapidamente, e ainda muito devagar. A precipitação de fatos históricos causava confusão na percepção normal da passagem

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do tempo. Éramos partícipes de um filme que narra, em algumas horas, minutos ou segundos, a epopeia de uma nação, do planeta no século XX. Em síntese, o tempo vivido adquire uma dimensão mitológica. Amanheceu o dia, e os principais monumentos históricos da antiga Berlim Oriental foram tomados pela multidão, como que num gesto de reafirmação cultural e política dos novos tempos. Os jovens, em particular, revelavam toda a sua ingenuidade: acreditavam que o capitalismo lhes iria assegurar liberdade, democracia, oportunidade de crescimento pessoal. Não passava pela cabeça de ninguém que no “outro lado” havia desemprego, miséria, desigualdade, racismo, preconceito social – tudo aquilo que, lenta, penosa e inexoravelmente seria revelado nos meses e anos seguintes. [...]

Unidade 7

Gradualmente, nos dias e semanas seguintes, a surpresa, a perplexidade e o excitamento foram cedendo lugar à nova rotina, aos arranjos políticos e às negociações que desembocariam na reunificação do país, em 3 de outubro de 1990. Mas, duas décadas depois, ao lembrar-me disso tudo, a sensação ainda é de vertigem.

Ewais/Shutterstock.com

ARBEX JUNIOR, José. O dia em que o muro caiu. Clube Mundo, São Paulo, ano 17, n. 6, p. 7, out. 2009.

Parte do muro ainda em pé se tornou uma galeria a céu aberto, onde artistas do mundo todo deixam registrada a sua arte. Acima, parte do muro que fica próximo ao centro de Berlim, Alemanha, em foto de 2009.

Geopolítica

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Qual é o objetivo do estudo da geopolítica?

a ) Estados Unidos; b ) URSS.

2. Quais são os motivos da entrada, em 1917, do Japão e dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial?

8. Em que consistiu o Plano Marshall? Quais foram seus objetivos geopolíticos?

3. O Tratado de Versalhes, assinado em 1919, instituiu severas punições à Alemanha. Cite algumas delas.

9. Descreva as principais características da OTAN e do Pacto de Varsóvia.

4. Quais foram as transformações ocorridas no território russo com o advento da Revolução Russa? 5. Cite os acontecimentos que transformaram a Segunda Guerra Mundial em um conflito de proporções mundiais. 6. Quais foram os acordos estabelecidos entre os Aliados na Conferência de Potsdam, em 1945? 7. Cite os fatores que promoveram a ascensão das duas superpotências pós-Segunda Guerra Mundial:

10. O enfraquecimento das potências euro p e i a s n o p e r ío d o p ó s-S e g u n d a Guerra Mundial despertou a luta por movimentos de independência das nações colonizadas. Como esse fato influenciou a descolonização da Índia? 11. Cite os objetivos do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). 12. Descreva resumidamente os fatores econômicos, políticos e sociais que promoveram o esgotamento do regime socialista e o fim da URSS.

Expandindo o conteúdo

Reporter#24728/Demotix/Corbis/Latinstock

13. Leia o texto a seguir e responda às questões.

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Moradores de um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, quiseram levantar um muro separando seus condomínios verticais de alto luxo de edifícios de gente modesta. O prefeito de San Fernando, na Grande Buenos Aires, Argentina, mandou construir um muro de 800 metros separando seu município da cidade vizinha, San Isidro. Foi o que imaginou como maneira de evitar a movimentação de criminosos instalados no município do prefeito Gustavo Posse, onde são elevados os graus de pobreza. Provocou uma gritaria geral e teve de recuar. [...]

Muro que divide a Índia e Bangladesh, com vigias para garantir que ninguém transgrida os limites em Agartala, na Índia, em 2014.


A Índia levantou uma cerca de quase três metros de altura para impedir o trânsito ilegal de migrantes provenientes da vizinha Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo. Bangladesh nasceu em 1971, após uma terrível guerra de secessão contra o Paquistão, na qual recebeu o apoio da Índia. As tentativas de cruzamento da fronteira continuaram e a repressão é feroz. Entre 2000 e 2007, foram mortos 700 cidadãos de Bangladesh que tentaram cruzar a cerca, que inclusive separa produtos agrícolas dos mercados onde são vendidos. O governo indiano copia iniciativas anti-imigração adotadas pelos países ricos. É a contaminação dos muros. Ela se espraia ao largo do mundo criando uma nova espécie de apartheid. Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, não aconteceu o “fim da história” anunciado por arautos de um liberalismo que se imaginava triunfante. Outros conflitos assumiram a mesma imagem de intolerância, sem fundo ideológico preciso, ou destituídos completamente de ideologia, mas com os mesmos elementos de maldades.

Unidade 7

As divisões no mundo continuaram a se multiplicar, à imagem do que aconteceu em Berlim. Muros ao norte do Rio Grande, separando Estados Unidos e México, a oeste da Jordânia, na fronteira israelense, a leste do Tigre, no Iraque, para impedir o fluxo de imigrantes ilegais ou de combatentes contra as forças americanas. O muro que separa Israel dos territórios palestinos ocupados terá nada menos que 730 quilômetros. O que se constrói entre Estados Unidos e México será ainda mais longo: 1.120 quilômetros. Um muro, no interior de Bagdá, tem cinco quilômetros. Foi construído pelos americanos para isolar redutos sunitas mais radicais. Há novos muros e projetos de mais muros por todas as partes, entre nações, comunidades religiosas ou grupos étnicos rivais. A China construiu uma “zona de segurança” próxima da Coreia do Norte e fechou sua fronteira com o Paquistão na Cachemira. É separada da Coreia do Sul por uma linha de demarcação. A Tailândia pretende adotar alguma espécie de separação (outro muro?) isolando seu sul muçulmano do norte da Malásia, com outra cor religiosa. A Arábia Saudita “impermeabilizou” suas fronteiras com o Iêmen, ao sul, e o Iraque, ao norte. Na Irlanda do Norte, apesar do sucesso do processo de pacificação interna, existem até hoje cerca de meia centena de “linhas de paz” separando católicos e protestantes. Uma “linha verde” separa gregos e turcos da ilha de Chipre, no Mediterrâneo Oriental. Tudo isso um dia cairá? A China construiu a Grande Muralha, no terceiro século antes de Cristo, para conter os hunos. Mas, pouco a pouco, o tempo fez o seu trabalho e a Grande Muralha tornou-se cartão postal, objeto de turismo. [...] Quem primeiro usou a expressão “novo apartheid” foi o ex-presidente Jimmy Carter, dos Estados Unidos. Falava do muro que Israel constrói na linha de demarcação com os territórios palestinos ocupados. A filósofa Hannah Arendt, de origem judaica, disse que o sionismo fracassou porque não conseguiu que os judeus convivessem com os palestinos. Tal fracasso se manifesta hoje como demolição das esperanças de paz no Oriente Médio. [...] Mas, como lembra o presidente mexicano, muro de nada adianta. Mesmo assim, continuam a ser levantados. Talvez uma antevisão do futuro: ricos cercados de muros procurando proteção contra legiões de pobres. Uma horrível antiutopia. CARLOS, Newton. Um mundo feito de muros. Clube Mundo, São Paulo, ano 18, n. 4, p. 4, ago. 2010.

a ) Qual é a ideia geral do texto? b ) O que significa a expressão “contaminação dos muros”? Qual é a sua opinião sobre isso? c ) Caracterize o que seria um novo apartheid. d ) Em sua opinião, a construção de muros é uma medida que pode reduzir ou ampliar os conflitos no mundo? Justifique sua resposta elaborando um texto argumentativo. Geopolítica

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Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

As obras literárias e os conflitos geopolíticos

Diversas obras da literatura mundial retratam aspectos que caracterizavam determinados contextos sócio-históricos. Além das duas Guerras Mundiais, vários conflitos geopolíticos já foram temas de obras literárias produzidas em diferentes lugares do mundo. O romance O caçador de pipas, por exemplo, conta uma história de amizade entre dois garotos afegãos, Amir e Hassan, em Cabul, na década de 1970. O livro retrata a fuga de Hassan para os Estados Unidos após a invasão do Afeganistão pela União Soviética e seu retorno à terra natal vários anos depois. O texto abaixo é um trecho dessa história.

Editora Nova Fronteira

Qurma: prato originário do sul da Ásia e da Ásia Central, que leva iogurte, creme de leite, nozes e leite de coco.

[...] Todo ano, no primeiro dia em que começa a nevar, faço a mesma coisa: saio bem cedo, pela manhã, ainda de pijama, apertando os braços contra o peito para enfrentar o frio. Vejo a entrada, o carro de meu pai, o muro, as árvores, os telhados e as colinas cobertos por mais de um palmo de neve. Sorrio. O céu está limpo e azul, e tudo é tão branco que os meus olhos chegam arder. Enfio um punhado de neve na boca, fico ouvindo aquele silêncio abafado que só é rompido pelos grasnidos dos corvos. Desço degraus, descalço, e chamo Hassan para vir ver também. O inverno era a estação favorita de todas as crianças de Cabul, pelo menos daquelas cujos pais tinham condições de comprar um bom aquecedor de ferro. E o motivo era simples: as escolas fechavam durante a estação gelada. Para mim, a chegada do inverno significava não ter que fazer longas divisões nem dar o nome da capital da Bulgária, e o princípio de um período de três meses jogando cartas com Hassan perto da lareira, indo ver filmes russos no cinema Park na terça-feira de manhã, comer qurma de nabo doce com arroz na hora do almoço, depois de uma manhã inteira fazendo bonecos de neve. E pipas, é claro. Soltar pipas. E correr para apanhá-las. [...] Adorava o inverno em Cabul. Adorava por causa do suave tamborilar na minha janela à noite, quando estava nevando; por causa do barulhinho da neve fresca debaixo das minhas galochas pretas; do calor do fogareiro de ferro fundido enquanto o vento assobiava pelos quintais e pelas ruas. [...]

Editora Record

HOSSEINI, Khaled. O caçador de pipas. Tradução Maria Helena Rouanet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. p. 54-55.

O diário de Anne Frank foi escrito pela própria Anne durante a Segunda Guerra Mundial, quando a garota tinha 13 anos. O livro retrata os sentimentos e as preocupações da adolescente no período em que ela e sua família judia permaneceram escondidos dos nazistas alemães em um porão. As obras apresentadas nesta seção promovem um diálogo com a Literatura. Como sugestão de trabalho, incentive os alunos a lerem os livros. Como essas obras foram adaptadas para o cinema, mantendo seus nomes originais, também é possível programar a apresentação de tais filmes aos alunos.

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A Geografia no cinema

A lista de Schindler

Título: A lista de Schindler Diretor: Steven Spielberg

Esse emocionante filme conta como Oskar Schindler, empresário e membro do Partido Nazista, ajudou a salvar a vida de vários judeus poloneses presos em um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

Principais atores: Liam Neeson, Ben Kingsley e Ralph Fiennes Ano: 1993 Filme de Steven Spielberg. A lista de Schindler. EUA. 1993

Duração: 195 minutos Origem: Estados Unidos

Para assistir

• •ADEUS, Lênin! Direção: Wolfganger Becker. Westdeutscher Rundfunk, 2003. O filme retrata a história da família Kemer, em 1989, em Berlim Oriental, durante a queda do Muro de Berlim e o fim do regime socialista.

Unidade 7

• •ARGO. Direção: Ben Affleck. Warner Bros, 2012. Durante a revolução iraniana, em 1979, a embaixada estadunidense no Irã é

invadida. Tony Mendez, um funcionário do governo estadunidense, especialista em infiltrações, precisa libertar os funcionários da embaixada que se encontram refugiados em Teerã.

• •A VIDA dos outros. Direção: Florian Henckel Von Donnersmarck. Wiedemann

& Berg Filmproduktion, 2007.

O filme retrata a história do agente do partido comunista alemão Gerd Wiesler, que passa a vigiar a vida de um dramaturgo em busca de indícios de conspiração comunista.

Para ler

• • A

DIVISÃO da Alemanha. Deutsche Welle (DW). Redação DW Brasil, 5 abr. 2013. Para visualizar o artigo, acessar o link: <http://tub.im/ssn8m9>.

• • BRENER, Jayme. O mundo pós-guerra fria. São Paulo: Scipione, 1997. • • COELHO, Lauro Machado. O fim da União Soviética: dez anos que abalaram o mundo. São Paulo: Ática, 1996.

• • GORENDER, Jacob. O fim da URSS: origens e fracasso da Perestroika. São Paulo: Atual, 2003. • • VESENTINI, José William; BOND, Rosana. A crise do mundo socialista. São Paulo: Ática, 2000.

Para navegar

• • ALTO Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Disponível em: <http://tub.im/s2twut>. Acesso em: 2 mar. 2016.

• • BRASIL.

Ministério das relações exteriores (MRE). Disponível em: <http:// tub.im/auy68d>. Acesso em: 2 mar. 2016.

• • INSTITUTO

Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: <http://tub.im/kdp2qw>. Acesso em: 2 mar. 2016.

• • ORGANIZAÇÃO

das Nações Unidas (ONU). Disponível em: <http://tub.im/ ije3pn>. Acesso em: 2 mar. 2016. Geopolítica

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Questões do Enem e Vestibular 1 . (IFBA-BA) “As luzes se apagam em toda a Europa”, disse Edward Grey, secretário das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, observando as luzes de Whitehall na noite em que a Grã-Bretanha e a Alemanha foram à guerra. “Não voltaremos a vê-las acender-se em nosso tempo de vida”. Em Viena, o grande satirista Karl Kraus preparava-se para documentar e denunciar essa guerra num ex traordinário drama-reportagem a que deu o título de Os Últimos Dias da Humanidade. Ambos viram a guerra mundial como o fim do mundo, e não foram os únicos. “[...] A humanidade sobreviveu. Contudo, o grande edifício da civilização do século XX desmoronou nas chamas das guerras mundiais, quando suas colunas ruíram. Não há como compreender o breve século XX sem ela. Ele foi marcado pela guerra. Viveu e pensou em termos de guerra mundial, mesmo quando os canhões se calavam e as bombas não explodiam. Sua história e, mais especificamente, a história de sua era inicial de colapso e catástrofe devem começar com a da guerra mundial de 31 anos. [...]” HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 30.

Para o historiador Eric Hobsbawm, as duas guerras mundiais ocorridas no século XX se referem a um mesmo processo, que se inicia em 1914 e se encerra em 1945. Esta análise se sustenta historicamente no fato de que: B. a ) a Inglaterra e a França romperam a paz logo após o final da Primeira Guerra para impedir a política expansionista do nazismo alemão nos territórios da União Soviética, resultando num novo conflito de extensão mundial. b ) o aprofundamento do nacionalismo nos paí­s es derrotados na Primeira Guerra, resultante das duras penalizações a eles impostas pelos vencedores, criou condições para a retomada dos acirramentos e dos conflitos armados. c ) a Liga das Nações, criada no fim da Primeira Guerra, uniu os países vencidos contra os vencedores com o objetivo de manter vivas as rivalidades econômicas e militares

186

Anote as respostas no caderno.

que acabariam desembocando na Segunda Grande Guerra. d ) a Alemanha não assinou o tratado de paz proposto pelos países vencedores no final da Primeira Grande Guerra, mantendo ataques periódicos às bases militares que protegiam as fronteiras da França, alimentando novas rivalidades. e ) o Tratado de Versalhes, assinado no fim da Primeira Guerra, promoveu a chamada “paz armada”, caracterizada pela corrida armamentista dos países europeus que procuravam estar suficientemente fortes para a retomada dos ataques.

2. (UTFPR-PR) Em 1935, a Alemanha havia reiniciado a produção de armamentos e restabelecido o serviço militar obrigatório, contrariando o Tratado de Versalhes. Em 1938, anexou a Áustria; logo em seguida incorporou a região dos Sudetos, que abrigava minorias alemãs, na Tchecoslováquia, e assinou um acordo de não agressão e neutralidade com a União Soviética. Estava plantada a semente da Segunda Guerra Mundial, que eclodiu em 1o de setembro de 1939, com o(a): B. a ) participação efetiva de tropas nazistas na Guerra Civil Espanhola, por meio da invasão de Madri. b ) invasão da Polônia por tropas nazistas e a ação da Inglaterra e da França em socorro dos seus aliados, declarando guerra ao Terceiro Reich. c ) rompimento do Pacto Germânico-Soviético com a invasão do território russo por tropas nazistas. d ) saída dos invasores alemães do território dos Sudetos na Tchecoslováquia para invadir a Hungria. e ) tomada do “corredor polonês”, que desembocava na cidade livre de Dantzig, pelos aliados nazistas, principalmente italianos. 3. (Fuvest-SP) Esta guerra, de fato, é uma continuação da anterior. Winston Churchill, em discurso feito no Parlamento em 21 de agosto de 1941.


Entre esses problemas, identificamos: A. a ) o crescente nacionalismo econômico e o aumento da disputa por mercados consumidores e por áreas de investimentos; b ) o desenvolvimento do imperialismo chinês da Ásia, com abertura para o Ocidente; c ) os antagonismos austro-ingleses em torno da questão da Alsácia-Lorena; d ) a oposição ideológica que fragilizou os vínculos entre os países, enfraquecendo todo tipo de nacionalismo; e ) a divisão da Alemanha, que a levou a uma política agressiva de expansão marítima.

4. (PUC-RJ) A Segunda Grande Guerra (19391945), por suas dimensões, perdas humanas e materiais e por seus impactos, provocou uma série de modificações no cenário das relações internacionais. Considerando essas modificações, avalie as afirmações abaixo. I ) Houve a configuração da bipolaridade de interesses e disputas entre blocos de países liderados pelos governos dos EUA e da URSS. II ) Assistiu-se ao incremento das lutas de descolonização em regiões asiáticas e africanas. III ) Concretizou-se a hegemonia britânica sobre a exploração de reservas petrolíferas no Oriente Médio. IV ) Proibiu-se o uso de armas nucleares, devido ao impacto causado pelo lançamento das bombas atômicas sobre o Japão. V ) Encerraram-se, em função do Holocausto, as perseguições e conflitos políticos por motivos étnicos, religiosos ou raciais. Assinale:

C.

a ) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. b ) se apenas as afirmativas II e IV estiverem corretas. c ) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas. d ) se apenas as afirmativas III e V estiverem corretas.

e ) se apenas as afirmativas IV e V estiverem corretas.

5. (UFAL-AL) Após a Segunda Guerra Mundial uma série de fatos novos foi responsável por uma ordem mundial que teve a duração de, aproximadamente, quatro décadas. Sobre essa ordem considere a lista a seguir: B. I ) Começou a tomar força a discussão sobre a existência de um grupo de países capitalistas, dependentes e com grande atraso tecnológico, que passou a denominar-se Terceiro Mundo. II ) Uma forte onda de superprodução abalou as bolsas de valores dos países centrais e, por consequência, provocou crises sucessivas nos países capitalistas industrializados. III ) O planejamento de Estado implantado na União Soviética estendeu-se aos países da Europa Oriental que se tornaram satélites da potência soviética. IV ) O Globo ficou dividido em duas grandes áreas de influência político-ideológica responsável pelo desaparecimento de órgãos supranacionais como a OTAN e o Pacto de Varsóvia. Está correto o que se afirma SOMENTE em a ) I e II. b ) I e III. c ) I e IV. d ) II e III. e ) III e IV.

6. (Fuvest-SP) O Plano Marshall, aplicado pelo governo nor te-americano após a Segunda Guerra Mundial, visava à: D. a ) ratificação do Tratado do Atlântico Norte. b ) preservação da paz mundial com a formação da Organização das Nações Unidas (ONU). c ) concessão de apoio político e econômico aos países do Terceiro Mundo. d ) recuperação econômica da Europa para neutralizar o expansionismo soviético. e ) formulação de princípios que impediam a intervenção dos EUA nas questões internacionais. 7. (ENEM-MEC) Do ponto de vista geopolítico, a Guerra Fria dividiu a Europa em dois blocos. Essa divisão propiciou a formação de alianças Geopolítica

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Unidade 7

A afirmativa acima confirma a continuidade latente de problemas não solucionados na Primeira Guerra Mundial, que contribuíram para alimentar antagonismos e levaram à eclosão da Segunda Guerra Mundial.


antagônicas de caráter militar, como a OTAN, que aglutinava os países do bloco ocidental, e o Pacto de Varsóvia, que concentrava os do bloco oriental. É importante destacar que, na formação da OTAN, estão presentes, além dos países do oeste europeu, os EUA e o Canadá. Essa divisão histórica atingiu igualmente os âmbitos político e econômico que se refletia pela opção entre os modelos capitalista e socialista. Essa divisão europeia ficou conhecida como: A. a ) Cortina de Ferro. b ) Muro de Berlim. c ) União Europeia. d ) Convenção de Ramsar. e ) Conferência de Estocolmo.

8. (UFMS-MS) Assinale a alternativa que melhor define a Guerra Fria. B. a ) Política de “paz armada”, desenvolvida pelas potências internacionais no período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, da qual resultaram tratados de alianças como a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança. b ) Estado de tensão permanente entre o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o bloco socialista, liderado pela União Soviética, re sultante da disputa entre essas duas potências por uma posição hegemônica no contexto internacional, no período posterior à Segunda Guerra Mundial. c ) Tensão militar ocorrida entre Inglaterra e Alemanha, no final do século XIX, motivada pela disputa, entre os dois Estados Nacionais, pelo controle do comércio do Mar do Norte. d ) Estratégia desenvolvida pelos Estados Unidos, no âmbito de sua política internacional, visando conter a expansão imperialista da União Soviética, nação que emergiu da Segunda Guerra Mundial como a maior potência econômica e militar do mundo. e ) Choque ocorrido entre os países industrializados europeus entre o final do século XIX e o início do século XX, em razão da disputa por colônias na África e na Ásia. 9. (UFSC-SC) Sobre as relações geopolíticas no mundo atual, assinale a(s) proposição(ões) correta(s). (08), (16) e (32). Total: 56. (01) Após a Segunda Grande Guerra, o mun-

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do dividia-se ideologicamente em três grandes blocos: países de economia agroexportadora, sob influência soviética; países industrializados, sob hegemonia norte-americana; e ainda os países de economia planejada ou planificada, não filiados a blocos hegemônicos. (02) Na atualidade, com a denominada globalização, não existem propriamente países dominados e países dominantes, mas um mundo em constante transformação onde a cooperação entre eles se dá de maneira profunda e intensa. (04) Com o grande desenvolvimento econômico da maioria dos países africanos e latino-americanos associado ao fenômeno da globalização, as fronteiras dos países hegemônicos se tornaram mais permeáveis a entrada de pessoas e produtos, exceto alguns produtos com alta intensidade tecnológica, restritos aos países mais avançados. (08) Durante os anos 1950 e nas duas décadas seguintes à Guerra Fria, estabeleceu-se um marco diferencial entre grandes blocos de poder: os países que compunham o primeiro mundo (ricos e industrializados), o segundo mundo (países de economia planificada) e o terceiro mundo (países pobres e agroexportadores). (16) A Guerra Fria foi caracterizada como uma divisão entre os países que compunham a área de influência dos Estados Unidos e outros sob hegemonia da União Soviética. (32) Na América Latina, durante a Guerra Fria, um dos países que fez frente à influência norte-americana foi Cuba, que levou a cabo sua revolução em 1959.

10. (UFMG-MG) Os anos posteriores à Segunda Guerra Mundial foram tensos entre as grandes potências mundiais. Considerando-se a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Pacto de Varsóvia, criados nesse período, é CORRETO afirmar que: B. a ) a OTAN visava a apaziguar os conflitos relacionados à divisão da cidade de Berlim, bem como a proteger os países sob sua inf luência econômica das ameaças de invasão externa e de conflitos militares.


c ) ambos foram estabelecidos, simultaneamente, para defender os interesses dos países que disputavam, após a Segunda Guerra, uma reordenação dos espaços europeu e americano. d ) os países signatários do Pacto de Varsóvia se aliaram e, para defender seus interesses financeiros, formaram um bloco econômico, a fim de competir com a Alemanha, a Inglaterra e os Estados Unidos.

11. (UPE-PE) As grandes guerras mundiais provocaram dificuldades nas relações internacionais, gerando ressentimentos e disputas diplomáticas. Os Estados Unidos procuraram fazer valer sua influência no mundo e confirmar suas conquistas políticas. Na Conferência de Potsdam, as divergências eram evidentes entre os aliados. Nessa perspectiva, as relações entre as nações: A.

a ) permaneceram tensas, destacando-se o enfraquecimento do poder da Inglaterra e a s p e rd a s e u ro p e i a s p rove n i e nte s d a 2a guerra mundial. b ) tiveram um momento de paz, com acordos que fortaleceram a economia mundial e a democracia nos países do Ocidente. c ) ajudaram a debilitar o poder político da União Soviética, liderada por Stálin e o Par tido Comunista, com um socialismo totalitário. d ) facilitaram o soerguimento imediato da Alemanha com o auxílio de empréstimos norte-americanos e a vitória da democracia parlamentar. e ) modificaram-se, trazendo o fim dos governos totalitários com suas ideias imperialistas e sua violência política contra seus opositores.

12. (UERJ-RJ) Falamos a todo momento em dois mundos, em sua possível guerra, esquecendo quase sempre que existe um terceiro. É o conjunto

daqueles que são chamados, no estilo Nações Unidas, de países subdesenvolvidos. Pois esse Terceiro Mundo ignorado, explorado, desprezado como o Terceiro Estado deseja também ser alguma coisa. ALFRED SAUVY. Adaptado de France-Observateur, 14/08/1952.

Com essas palavras, o demógrafo e economista francês Alfred Sauvy caracterizou, na década de 1950, a expressão Terceiro Mundo. No contexto das relações internacionais a que se refere o texto, esse conceito foi utilizado para a crítica da: C. a ) luta pela descolonização. b ) expansão do comunismo. c ) bipolaridade da Guerra Fria. d ) política da Coexistência Pacífica.

13. ( UFSM-RS) Para o historiador britânico Eric Hobsbawm, o período que vai de 1914 – começo da Primeira Guerra Mundial – até 1991 – fim da União Soviética – apresenta uma unidade histórica que permite identificá-lo como “o breve século XX”. Assinale verdadeira (V) ou falsa (F) em cada afirmação a respeito da história desse período.

• •A Guerra Mundial de 1914 a 1918, marcada por tecnologias militares, como a metralhadora, a infantaria e a trincheira, foi a primeira guerra industrial da história e contribuiu para criar um mercado seguro para novas mercadorias destinadas a produzir destruição, transformando a guerra em atividade econômica completa, envolvendo interesses militares, industriais e políticos.

• •Após

a Primeira Guerra, a crise econômica e política mundial favoreceu a emergência dos regimes nazifascistas na Europa e, especialmente na Alemanha, com a “política da manteiga e do canhão”, o governo nazista promoveu o aumento da produção de alimentos e de armas, desenvolveu a indústria automobilística e equipou militar e tecnologicamente a Alemanha para mais uma guerra.

• •O lançamento, feito em 1945 pelos EUA, de

duas bombas atômicas que devastaram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, Geopolítica

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Unidade 7

b ) ambos desenvolveram políticas que incentivaram a chamada corrida armamentista, que, durante o período da Guerra Fria, colocou o Planeta sob a ameaça de uma guerra nuclear.


mais do que representar o fim da Segunda Guerra, significou o começo da Guerra Fria e a inauguração da Era Atômica, marcada sobretudo pelo desenvolvimento de tecnologias destinadas à produção de artefatos nucleares de destruição.

• •O fim da Guerra Fria e da política da bipola-

ridade não assinalou o fim da corrida armamentista e da utilização da energia nuclear para fins militares, como foi demonstrado na invasão do Iraque pelos EUA, sob o argumento de que o estado iraquiano possuía armas de destruição de massa que ameaçavam a segurança norte-americana e a paz mundial.

A sequência correta é: E. a ) V - V - F - F. b ) F - F - V - V. c ) V - F - F - F. d ) F - V - F - V. e ) V - V - V – V.

14. (ENEM-MEC) Os 45 anos que vão do lançamento das bombas atômicas até o fim da União Soviética não foram um período homogêneo único na história do mundo. [...] Dividem-se em duas metades, tendo como divisor de águas o início da década de 70. Apesar disso, a história deste período foi reunida sob um padrão único pela situação internacional peculiar que o dominou até a queda da União Soviética. HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

O período citado no texto e conhecido por Guerra Fria pode ser definido como aquele momento histórico em que houve: E. a ) corrida armamentista entre as potências imperialistas europeias ocasionando a Primeira Guerra Mundial. b ) domínio dos países socialistas do Sul do globo pelos países capitalistas do Norte. c ) choque ideológico entre a Alemanha Nazista/União Soviética Stalinista, durante os anos 1930. d ) disputa pela supremacia da economia mundial entre o Ocidente e as potências orientais, como a China e o Japão. e ) constante confronto das duas superpotências que emergiram da Segunda Guerra Mundial.

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15. (Fuvest-SP) As bombas atômicas, lançadas contra Hiroshima e Nagasaki em 1945, resultaram na morte de aproximadamente 300.000 pessoas, vítimas imediatas das explosões ou de doenças causadas pela exposição à radiação. Esses eventos marcaram o início de uma nova etapa histórica na corrida armamentista entre as nações, caracterizada pelo desenvolvimento de programas nucleares com finalidades bélicas. Considerando essa etapa e os efeitos das bombas atômicas, analise as afirmações abaixo. I ) As bombas atômicas que atingiram Hiroshima e Nagasaki foram lançadas pelos Estados Unidos, único país que possuía esse tipo de armamento ao fim da Segunda Guerra Mundial. II ) As radiações liberadas numa explosão atômica podem produzir mutações no material genético humano, que causam doenças como o câncer ou são transmitidas para a geração seguinte, caso tenham ocorrido nas células germinativas. III ) Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, várias nações desenvolveram armas atômicas e, atualmente, entre as que possuem esse tipo de armamento, têm-se China, Estados Unidos, França, Índia, Israel, Paquistão, Reino Unido e Rússia. Está correto o que se afirma em: E. a ) I, somente. d ) II e III, somente. b ) II, somente. e ) I, II e III. c ) I e II, somente.

16. (PUC-SP) Apesar de os combates da Segunda Guerra, ocorrida entre 1939 e 1945, terem transcorrido principalmente na Europa e no Oceano Pacífico, ela pode ser considerada “mundial”, pois: C. a ) os países participantes envolveram suas colônias americanas, africanas e asiáticas nos conflitos e estenderam as ações armadas a todos os continentes e oceanos. b ) não era possível a nenhum país manter-se neutro diante do choque entre os membros do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os Aliados (liderados por Inglaterra e França). c ) os seus efeitos políticos e econômicos atingiram as diversas partes do planeta e provocaram alterações importantes nas relações internacionais, durante e após os conflitos.


d ) todos os países do Ocidente tiveram parte de sua população envolvida nos confrontos e computaram mortos e feridos durante o conflito e mesmo após seu desfecho.

um país tecnopolo, através da exportação de tecnologia de ponta e de mão de obra especializada obtidas através do ingresso de capitais sul-coreanos.

e ) os únicos países que se mantiveram afastados da luta foram Estados Unidos e União Soviética, as chamadas superpotências, que representavam a força do capitalismo e do socialismo.

d ) pelo retorno aos padrões religiosos, com a abertura de templos ortodoxos e a expansão do islamismo, o que garantirá sua aproximação com a OPEP.

(...) Com o colapso da URSS, a experiência do socialismo realmente existente chegou ao fim (...) mesmo onde os regimes comunistas sobreviveram e tiveram êxito, abandonaram a ideia de uma economia única, centralmente controlada e estatalmente planejada, baseada num Estado completamente coletivizado, ou uma economia de propriedade coletiva praticamente operando sem mercado (...) HOBSBAWN, Eric. Era dos extremos: o breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 481.

(...) A queda do comunismo representou a fragmentação de alguns países da Cortina de Ferro. No final dos anos 80, com a economia em crise e os Estados satélites querendo abandonar o comunismo, as repúblicas que faziam parte da União Soviética começaram a caminhar para a separação. O colapso da URSS deu origem à Rússia e mais 14 nações (...) Jornal O Globo – edição n o 27.856, ano LXXXV, de 12 de nov. de 2009, seção O Mundo, p. 35.

Com a queda do socialismo real, o entusiasmo inicial, em países da antiga Cortina de Ferro, no sentido de recuperar sua posição no cenário internacional, cedeu espaço às crises, aos problemas como criminalidade e desemprego e à desconfiança constante na Rússia. A inserção da Rússia no novo cenário geopolítico internacional chama a atenção: E. a ) pela manutenção do estado autoritário e repressor, apesar das transformações econômicas e sociais que incluíram a Rússia no Grupo dos Oito. b ) pela sua volta ao mercado capitalista que, após um processo de privatização de todas as empresas estatais, concentrou nas mãos de grupos organizados importantes conglomerados econômicos, estabilizando o quadro político-econômico atual. c ) pela sua rápida modernização econômica para atrair o novo mercado, tornando-se

18. (UERN-RN) Com o fim do bloco socialista, há uma nova reorganização geopolítica no mundo. Sobre o processo de reorganização mundial do pós-Guerra Fria, assinale a afirmativa INCORRETA. C. a ) Em 1991, em meio às transformações que ocorriam no mundo como resultado do fim da ordem bipolar, os representantes dos 12 membros da CEE assinaram o Tratado de Maastricht, estabelecendo, entre outras diretrizes, a implantação do euro como moeda única. b ) A nova ordem mundial é caracterizada pela multipolarização assentada na força econômica de determinados países. Os novos padrões de poder compreendem, portanto, a disponibilidade de capitais, o avanço tecnológico, a qualificação da mão de obra e o nível de produtividade. c ) Nos países do Leste Europeu, a transição da economia planificada para a economia de mercado ocorreu de forma semelhante entre as nações. Alguns países tiveram seus territórios fragmentados e novos territórios foram gerados. É o caso da Iugoslávia que, utilizando de forma pacífica, não apresentou graves conflitos e conseguiu se dividir segundo linhas étnicas e culturais. d ) A Rússia vivenciou uma grave crise econômica na transição do sistema socialista para o capitalista. O agravamento da crise levou à renúncia de Boris Ieltsin, em 1999. Entretanto, Vladimir Putin, funcionário do antigo serviço secreto russo na época da URSS, assumiu o poder e conseguiu controlar a crise. Sua reorganização econômica junto com seu poderio bélico e sua força política conseguiram mantê-la com status de potência. Geopolítica

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Unidade 7

17. (Cesgranrio-RJ)

e ) pelo recrudescimento de questões étnicas e territoriais que, sob a bandeira do nacionalismo, muitas vezes levaram a conflitos internos ou à guerra.


unidade Carl Court/Getty Images

Esta imagem mostra as homenagens aos mortos e feridos no atentado terrorista em Bruxelas, na Bélgica, ocorrido em 22 de março de 2016. Nesse dia, bombas foram detonadas no aeroporto e na estação do metrô de Bruxelas, atentado assumido pelo grupo extremista Estado Islâmico.

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Conflitos no mundo


A disputa pela soberania sobre territórios e pela definição de novas fronteiras tem ocasionado numerosos conflitos pelo mundo. Muitos desses conflitos também são gerados pelas divergências entre povos de culturas diferentes. Essas questões geradoras de instabilidades têm estado cada vez menos isoladas, repercutindo mundialmente e influenciando aspectos econômicos, políticos e militares no atual mundo globalizado. A Muitos conflitos têm ocorrido entre dife-

rentes povos do mundo. Você sabe quais são as principais causas desses conflitos? B Sabe quais são as consequências econô-

micas e sociais para as populações envolvidas? C Conversem com os colegas sobre os mais

recentes conflitos no mundo de que vocês têm notícia.

193


Israel e a questão palestina Localizada no Oriente Médio, a região da Palestina tem sido palco de um dos conflitos de maior repercussão em todo o mundo. Trata-se do confronto entre árabes e judeus pela posse dos territórios ocupados por esses dois povos, cujas raízes são tão antigas quanto a própria ocupação daquelas terras. Há cerca de 2 mil anos a.C., os hebreus, que depois passariam a ser chamados de judeus, ocupavam as terras da Palestina. Devido à sua posição geográfica, que a situa estrategicamente entre a Europa, a Ásia e a África, essa região foi alvo de muitas disputas, e foi submetida ao domínio de vários reinos e impérios. Os assírios Diáspora judaica e os babilônios, por exemplo, dominaMar do ram e escravizaram os hebreus séculos Mar Norte Báltico 1290 antes da era cristã. Sob o domínio dos Colônia OCEANO 1100 romanos desde o início da era cristã, os ATLÂNTICO hebreus (judeus) foram expulsos de EUROPA 1394 suas terras e se dispersaram pelo mun1350 1450 Milão do em um movimento conhecido como Ravena ÁSIA Gênova 500-800 Mar Negro diáspora judaica (veja mapa ao lado). 1492 Roma N

O

L

S

N 40°

Tarraco

Edessa

Atenas Cartago

Babilônia

E. Cavalcante

Merid iano d e Green wich

1492

ÁFRICA

Mar Mediterrâneo

Cyrene

Fonte: WORLD religions. Disponível em: <http:// worldreligions.psu.edu/ lecture_index.htm>. Acesso em: 15 set. 2015.

Dispersão judaica EGITO após o século II Área de assentamento 1492 judaico após 1150

Declaração de Balfour Na chamada Declaração de Balfour, de 2 de novembro de 1917, o governo britânico dá, aos representantes do judaísmo sionista, apoio para a constituição de uma “pátria nacional” judaica na Palestina. “Caro Lorde Rothschild, alegro-me em poder comunicar-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia pelo movimento judaico-sionista, apresentada e aprovada pelo gabinete oficial: ‘A construção de uma pátria para os judeus na Palestina é vista pelo governo de Sua Majestade com bons olhos. Sua Majestade fará tudo o que for de seu alcance para facilitar os caminhos rumo a esse objetivo. [...] PHILIPP, Peter. 1977: apoio britânico ao movimento sionista. Deutsche Welle, Bonn. Disponivel em: <www.dw.de/1917-apoio-britânico-aomovimento-sionista/a-365813>. Acesso em: 7 dez. 2015.

194

Alexandria

Jerusalém

490 km

Migrações

Mar Vermelho

Expulsões

Entre o século VII e o século XV, após a longa ocupação romana, a Palestina foi ocupada pelos povos árabes, também chamados de palestinos. Esses povos, quase todos muçulmanos, permaneceram na região sob o domínio do Império Turco-Otomano até o início do século XX, quando passaram para o controle do protetorado britânico.

O movimento sionista Mesmo dispersos pelo mundo durante tanto tempo, os judeus preservaram sua identidade histórico-cultural e sempre alimentaram o sonho de constituir um território judaico soberano e independente. No final do século XIX, surgiu na Europa o movimento sionista, que defendia a imigração dos judeus para a Palestina (antiga terra dos hebreus). Esse movimento propunha a criação de um Estado judeu nos arredores do Monte Sião (daí a origem do nome sionismo), uma das colinas que cercam as terras da cidade de Jerusalém, considerada sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos. Vítimas de perseguições e massacres sistemáticos, comunidades judaicas espalhadas em várias partes do mundo se deslocaram, então, para aquela região, estabelecendo-se em colônias agrícolas e em bairros judaicos. O movimento sionista se fortaleceu após a declaração de Balfour, em 1917 (texto ao lado), por meio da qual os britânicos apoiaram o retorno dos judeus, caso a Inglaterra conseguisse derrotar o Império Otomano que, mesmo enfraquecido, ainda dominava a região.


Contudo, a imigração de judeus para a Palestina se intensificou ainda mais com a perseguição promovida pelo regime nazista alemão, sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial e nas décadas seguintes (veja mapa abaixo).

N

Suécia 2 000 Grã-Bretanha Holanda Polônia 3 500 14 000 156 000 Alemanha Bélgica OCEANO 3 500 11 500 Tchecoslováquia ATLÂNTICO 20 500 França Suíça Áustria Hungria 26 000 4 000 24 500 Romênia 1 000 Itália 230 000 Iugoslávia 3 500 8 000 Bulgária 48 500 Espanha Grécia 500 3 500

URSS 125 000

55° N

Turquia 58 000

Síria Líbano 4 500 6 000 Iraque 129 500

Irã 60 000

País de origem e número de emigrantes arredondado em 500 e 1 000.

d ia

Ín

Egito 29 500

Unidade 8

Argélia 14 000

Imigração judaica para Israel (1949 - 1970)

L S

Tunísia 56 000

Marrocos 260 000

O

Paula Radi

Israel: imigração judaica para Israel

20

00

0 400 km

50° L

Fonte: SMITH, Dan. O atlas do Oriente Médio. Tradução Mário Vilela. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 39.1 atlas. Escalas variam.

A formação do Estado de Israel Em meados da década de 1940, quando os judeus somavam quase um terço da população da Palestina, os britânicos decidiram abandonar o plano de construção do estado judaico, deixando tal tarefa a cargo da ONU, que também herdou o imbróglio entre judeus e palestinos, que entraram em conflito pela disputa daquele território. Muito pressionada pela comunidade judaica internacional e também com o apoio dos Estados Unidos, que buscavam ampliar sua influência política na região, a Assembleia Geral da ONU aprovou em 1947 a partilha da Palestina, criando dois Estados: um árabe e outro judaico. Os territórios foram divididos de acordo com a população predominante em cada região (veja mapa A na página seguinte). A cidade de Jerusalém, considerada sagrada por judeus e árabes, permaneceu sob controle internacional. O plano, porém, foi rejeitado pelos palestinos, que teriam de ceder parte de seus territórios para os judeus, o que acirrou ainda mais os conflitos entre esses povos. Em 1948, os judeus declararam oficialmente a independência do Estado de Israel, ocupando cerca de 56% de toda a Palestina. A reação árabe foi praticamente imediata. Na tentativa de impedir a implantação do novo Estado, os exércitos dos países árabes vizinhos (Egito, Jordânia, Iraque, Líbano e Síria) declararam guerra a Israel. Mais bem preparado e equipado militarmente, Israel derrotou as forças árabes pondo fim à primeira guerra árabe-israelense. Conflitos no mundo

195


A luta pelo Estado da Palestina

Refugiados palestinos – 2014 Local do assentamento

Jordânia

2187

Gaza

1328

Cisjordânia

925 564

488 200 400 600 800 1 000 1 200 1 400 1 600 1 800 2 000 2 200

Refugiados (mil habitantes) Fonte: UNITED Nations Relief and Works Agency (UNRWA). Disponível em: <www.unrwa. org/sites/default/files/in_ figures_july_2014_ en_06jan2015_1.pdf>. Acesso em: 3 set. 2015.

A

Foi nesse contexto que surgiram movimentos e organizações político-partidárias em defesa da criação de um Estado Palestino, a exemplo da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), formada por vários grupos paramilitares controlados pelos países árabes. Com o fortalecimento dos grupos radicais dentro dessas organizações, como a organização política e militar Fatah (“conquista” em árabe), criada em 1964, seus membros passaram a cometer atentados terroristas contra Israel. B

Palestina: plano de partilha – 1947 N

LÍBANO Rio Jordão

O

Haifa

S

Gaza Faixa de Gaza

O

Mar Mediterrâneo

SÍRIA

S

Haifa

O

L S

Haifa

Telaviv

Telaviv Cisjordânia Jerusalém Hebron Gaza Mar Faixa Morto de Gaza

Cisjordânia Jerusalém Belém Hebron

(Território sírio anexado por Israel em 1981)

Cisjordânia Jerusalém Belém Hebron

Gaza Faixa de Gaza

Mar Morto

JORDÂNIA Península do Sinai

Mar Morto

EGITO

Estado judeu Estado palestino Países árabes Zona internacional Fronteira de Israel 36° L

SÍRIA Colinas de Golã

Nazaré

Mar Mediterrâneo

Nazaré

Nazaré

Eilat

30° N

Eilat 65 km

30° N

(Território egípcio ocupado por Israel entre 1967-1982)

JORDÂNIA

30° N

60 km

LÍBANO

N

L

SÍRIA

TRANSJORDÂNIA

EGITO

Palestina: partilha – 1967

N

LÍBANO L

Mar Mediterrâneo Telaviv

C

Palestina: partilha – 1949

Israel Países árabes Jerusalém dividida Movimento de refugiados palestinos 36° L

EGITO

ARÁBIA SAUDITA

Israel Países árabes Territórios ocupados por Israel Zona internacional Fronteira de Israel

85 km 36° L

Fonte dos mapas: SMITH, Dan. O atlas do Oriente Médio. Tradução Mário Vilela. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 37; 53. 1 atlas. Escalas variam.

O conflito árabe-israelense Em 1967, temendo uma nova reação dos países árabes, Israel organizou um grande ataque militar, que tomou, em menos de uma semana, a Faixa de Gaza e a península do Sinai, do Egito; a Cisjordânia e Jerusalém, da Jordânia; e as colinas de Golã, da Síria. Após a Guerra dos Seis Dias, como esse conflito ficou conhecido, Israel ampliou significativamente seu domínio territorial (mapa C). Em 1973, o Egito e a Síria tentaram recuperar os territórios que haviam sido perdidos na Guerra dos Seis Dias, dando início a uma nova ofensiva militar a Israel. No dia do feriado religioso judaico conhecido como Yom Kippur (Dia do Perdão), tropas egípcias e sírias atacaram Israel de surpresa, conseguindo grande vantagem nos primeiros dias de conflito, ao que parecia ser uma vitória fácil sobre o exército israelense.

196

Ilustrações: E. Cavalcante

0

o

Gilberto Alicio

Líbano

R i o Jor d ã

Síria

Com a vitória, Israel ampliou seus domínios sobre os territórios palestinos. A área da Faixa de Gaza passou a ser controlada militarmente pelo Egito, e a Cisjordânia, assim como a parte oriental de Jerusalém, passaram a ser controlados pela Jordânia (veja mapa B). Assim, o território reservado no início aos palestinos praticamente desapareceu, levando-os a se refugiarem em várias localidades no entorno da região, como mostra o gráfico ao lado. Desde então, os palestinos lutam pela criação de seu Estado, uma luta que atualmente é chamada de “questão palestina”.


Desde o final da década de 1980, a OLP abandonou a luta armada e o terrorismo para se empenhar na construção do Estado Palestino buscando uma solução para a coexistência pacífica entre árabes e israelenses na região. A OLP reconheceu oficialmente a existência do Estado de Israel, e este reconheceu a OLP como legítima representante do povo palestino. As negociações de paz iniciadas naquela época, os Acordos de Oslo (1993 e 1995), previam a retirada dos soldados e a devolução da maior parte da Faixa de Gaza e da Cisjordânia aos palestinos. Nessa ocasião, foi criada também a ANP (Autoridade Nacional Palestina), uma instituição estatal com a atribuição de administrar o futuro Estado Palestino. Impasses e divergências nas negociações, como o fato de Israel não aceitar o retorno dos refugiados que vivem nos países vizinhos nem de reconhecer a parte oriental da cidade de Jerusalém como futura capital palestina, impediram avanços mais promissores no processo de paz. As negociações se tornaram ainda mais difíceis após a vitória da direita conservadora, representada pelo partido Likud, nas eleições israelenses de 2001. Na tentativa de inviabilizar a devolução dos territórios aos palestinos, Israel retomou a construção de colônias judaicas em áreas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

David Rubinger/Corbis/Latinstock

A fotografia acima mostra soldados em combate na guerra do Yom Kippur no Egito, em 1973.

Unidade 8

Contudo, Israel teve uma rápida recuperação, impedindo o avanço das tropas egípcias e sírias. A fim de amenizar a tensão latente na região, a ONU aconselhou a devolução dos territórios árabes ocupados por Israel. No entanto, o governo israelense se recusou a isso, fato que resultou numa crise diplomática entre Israel e a ONU e desgastou a imagem daquele país perante a opinião internacional. No final da década de 1970, Israel e os países vizinhos assinaram os primeiros acordos que marcaram o início do processo de paz entre árabes e israelenses. Por meio desses acordos, Israel devolveu a península do Sinai ao Egito, que em troca reconheceu formalmente o direito de existência do Estado judeu, e também parte das colinas de Golã à Síria.

Na fotografia abaixo, vemos parte do muro construído pelos israelenses para separar os judeus dos palestinos, na cidade de Jerusalém, em 2011. Dan Porges/Photolibrary/Getty Images

A partir de então, os grupos extremistas árabes retomaram suas ações terroristas, promovendo ataques contra Israel. Com o argumento de se proteger desses ataques, o governo israelense iniciou a construção de uma barreira de segurança para isolar as comunidades judaicas e palestinas na Cisjordânia. Embora o controle da Faixa de Gaza tenha sido transferido para a Autoridade Nacional Palestina em 2005, o governo israelense vem aumentando a construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia. Assim, o conflito entre árabes e israelenses, que já se arrasta por mais de seis décadas, ainda parece longe de ser solucionado. Conflitos no mundo

197


Os mapas a seguir mostram a situação atual da Palestina e da Faixa de Gaza. Israel: território em 2013

Cisjordânia 35° L Mar Mediterrâneo

LÍBANO

O

R i o Jor d ã

o

N L S

Mar Mediterrâneo

SÍRIA Colinas de Golã

N

Jenin

O

L S

Tulkarm Nablus

Cisjordânia

Telaviv

Ariel

Mar Morto

Faixa de Gaza

Jericó ISRAEL

JORDÂNIA

36° L

N O

eia

Deserto da Jud

Colinas

da Jude

ia

S Cidade Velha

Portão de Herodes

L

Portão de Damasco

Igreja de Santa Ana Monastério das Flagelações

Mesquita Khanqah Igreja do Santo Sepulcro Patriarcado Grego católico

Portão de Jaffa

Igreja de Santa Verônica

E. Cavalcante

Haram Al-Sharif

Igreja do Redentor

Mesquita de Omar

Patriarcado Armênio Catedral de St. James

Sinagoga Serfadita

Muro das Lamentações

Portão do Templo

Portão Dung

Portão do Sion

Fonte: RUBENSTEIN, James M. The cultural landscape: an introduction to human geography. 8. ed. New Jersey: Pearson Education, 2005. p. 215.

198

Mesquita Al-Aqsa

Museu Islâmico

Sinagoga Hurva

Museu armênio

STOCKFOLIO®/Alamy Stock Photo/Latinstock

Portão Dourado

Domo da Rocha

Igreja Maronita Cidadela da torre de David Sinagoga Ha Ramban

180 m

Portão dos Leões

Igreja católica armênia

Portão Novo

Hebron

Mar Morto

20 km

Jerusalém Território sob controle israelense Território sob controle palestino Território sob controle israelense e palestino País árabe Colônias israelenses Muro, ou "Linha de segurança”, separando Israel da Cisjordânia Fonte dos mapas: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. 1 atlas. Escalas variam.

Cidade sagrada de Jerusalém

Jerusalém: bairros da cidade velha Jerusalém

E. Cavalcante

EGITO

Aeroporto de Jerusalém

Belém

30° N

70 km

JORDÂNIA

Ramallah

E. Cavalcante

Israel Território sob controle israelense Território sob controle palestino Território sob controle israelense e palestino Países árabes

32° N

Cisjordânia

Jerusalém Belém

Bairro cristão Bairro muçulmano Bairro judeu Bairro armênio Muralha da Cidade Velha Portões da cidade

Uma das mais antigas cidades do mundo, Jerusalém ou Yerushalaim, “cidade da paz em hebraico”, foi fundada há mais de 3 mil anos. Atualmente, com cerca de 840 mil habitantes, é considerada cidade santa para três das maiores religiões monoteístas do mundo: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. A cidade está dividida entre a cidade velha, histórica, e a cidade nova, onde vive a maior parte da população. A cidade velha, que reúne monumentos sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das principais causas das disputas entre judeus e árabes. Atualmente, a cidade velha está dividida em quatro bairros: o cristão, o muçulmano, o judeu e o armênio (veja mapa ao lado). Em sua história, a cidade velha foi atacada, dominada e destruída várias vezes pelos povos que disputaram o controle do seu território. Desde 1967, quando Israel passou a controlar a Cisjordânia, o governo israelense considera Jerusalém como a capital do Estado judeu. Contudo, a ONU reconhece Telaviv como a capital israelense, a fim de acalmar as tensões e os impasses pelo controle da cidade velha, principal entrave para os acordos de paz entre israelenses e palestinos. Vista panorâmica da cidade de Jerusalém, em 2014.


A questão Basca N

OCEANO ATLÂNTICO

L

LABOURD BAIXA NAVARRA Maule St. Jean-Pied-Port

Guernica Bílbao

SOULE

GUIPÚZCOA

43° N

NAVARRA

Vitória-Gasteiz

Pamplona

ÁLAVA

Ebro

Assim como outras minorias étnicas espalhadas pelo mundo, os bascos alimentam um sentimento nacionalista, ou seja, aspiram à conquista de soberania 2° 0 política e territorial em relação ao Estado ao qual estão subordinados. A ideia de um país basco começou a surgir com o Partido Nacionalista Basco, criado no final do século XIX. Havia um plano efetivo para a instituição do país basco em 1934, mas foi interrompido pela ditadura (vigente entre 1939-1975) imposta na Espanha pelo governo do general Francisco Franco. Nesse período, o Partido Nacionalista Basco foi considerado uma organização ilegal, sofrendo censura e perseguição política, o que também se estendeu ao povo basco, que foi impedido de falar e ensinar sua língua nas escolas, assim como de hastear sua bandeira e promover manifestações tradicionais de sua cultura.

Aragon

ESPANHA

30 km

Fontes: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. 89. 1 atlas. Escalas variam. LACOSTE, Yves (Org.). Atlas 2000. Paris: Nathan, 1999. p. 36. 1 atlas. Escalas variam.

Unidade 8

n

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Donostia (San Sebastian)

BISCAIA

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FRANÇA

Bayonne

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O

Paula Radi

Região do País Basco

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Há cerca de 5 mil anos, o povo basco habita uma área de quase 21 mil km2 entre o norte da Espanha e o sudoeste da França. Os bascos vivem espalhados em quatro províncias espanholas: Álava, Biscaia, Guipúzcoa e Navarra; e três províncias francesas: Labourd, Baixa Navarra e Soule (veja mapa ao lado). Ao longo dos séculos, os bascos receberam poucas influências culturais ou de miscigenação de outros povos, preservando assim suas características biológicas, étnicas, culturais e linguísticas. O euskara, a língua basca, é falado no cotidiano das famílias, nas escolas e no trabalho.

Nesse contexto de forte repressão política, surgiu um movimento separatista em prol da libertação dos bascos chamado Euskadi Ta Askatasuna ou “Pátria Basca e Liberdade”, mais conhecido como ETA, criado em 1959 por dissidentes do Partido Nacionalista Basco. Nas décadas seguintes, o ETA passou a defender a independência dos bascos por meio da luta armada, sobretudo com ações terroristas. Ao longo de sua história, os ataques do ETA provocaram a morte de mais de 800 pessoas, entre políticos, militares e civis, as maiores vítimas. Abaixo, manifestação popular em Madri, reivindicando o impedimento do ETA de participar das eleições, em 2011.

Conflitos no mundo

Lawrence JC Baron/Demotix/Corbis/Latinstock

Em 2006, o ETA declarou cessar-fogo, mas a duração desse ato foi de poucos meses. Em dezembro do mesmo ano, a organização promoveu o maior atentado terrorista de sua história. O episódio foi marcado pela explosão de um carro-bomba em um dos terminais do aeroporto de Madri, que destruiu parte das edificações e deixou dezenas de civis feridos e dois mortos. O uso da violência, no entanto, comprometeu a imagem da organização perante a opinião pública. O ETA perdeu prestígio e apoio popular, enfraquecendo-se politicamente. Em 2011, a organização divulgou comunicado informando seu fim definitivo. Ainda assim, a questão está longe de ser resolvida. Na Espanha, a esquerda nacionalista continua se articulando para criar novas organizações supostamente comprometidas a usar apenas meios pacíficos para atingir seus fins políticos. O governo espanhol, por sua vez, tem impedido a legalização de tais organizações.

199


Os conflitos na Caxemira Leia o texto a seguir. [...] Em 1947, arruinado financeiramente pela Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido viu-se forçado a se retirar do subcontinente índico. O fim da Índia Britânica significou, ao mesmo tempo, a divisão do antigo reino colonial em dois novos Estados independentes, a Índia e o Paquistão (na época, Paquistão Ocidental e Oriental, hoje Bangladesh). Milhões de hindus, muçulmanos e sikhs foram desalojados nesse processo. O número de vítimas fatais da violência de ordem religiosa é estimado em 1 milhão.

A fronteira índio-paquistanesa ao noroeste não foi claramente definida, causando conflitos que perduram até hoje [...]. [...] Atualmente, a desconfiança é uma constante nas relações bilaterais: em ambos os países, a maioria da população vê o vizinho como inimigo. [...] LUCAS, Grahame. Desconfiança marca 65 anos de separação entre Índia e Paquistão. Deutsche Welle, Bonn, 14 ago. 2012. Disponível em: <www.dw.de/desconfiança-marca-65-anos-deseparação-entre-índia-e-paquistão/a-16165737>. Acesso em: 7 dez. 2015.

Situada nas encostas da cordilheira do Himalaia, a região da Caxemira constitui um dos focos de maior tensão geopolítica no Sul da Ásia, alvo de conflitos que se arrastam há mais de 60 anos, como mostra o texto acima. Desde que deixaram de ser colônia do Império Britânico, em 1947, Índia e Paquistão disputam a posse da região que tem aproximadamente 220 mil quilômetros de extensão e abriga cerca de 10 milhões de pessoas. Logo após a retirada dos britânicos, indianos e paquistaneses entraram em guerra pela posse da região. O conflito terminou em 1948, quando o Paquistão ficou com um terço da Caxemira e a Índia com dois terços. O Estado Islâmico do Paquistão, no entanto, passou a reivindicar a anexação total da região ao seu território, já que os muçulmanos compõem a grande maioria da população caxemire. Além de não estar disposta a perder parte de seu território, a Índia ainda acusou o Paquistão de apoiar ações terroristas realizadas por grupos extremistas islâmicos favoráveis ao separatismo. O governo indiano reprime a ação de tais grupos para manter o controle sobre a região e também para evitar que uma eventual onda de movimentos separatistas se espalhe em certas regiões do país também habitadas por outras minorias étnicas, como a dos sikhs, que reivindicam autonomia sobre a província do Punjab. Fontes: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. XXXII. 1 atlas. Escalas variam. SMITH, Dan. Atlas dos conflitos mundiais. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007. p. 79. 1 atlas. Escalas variam.

A disputa pela região já levou esses países a se enfrentarem em outras duas guerras, ocorridas em 1965 e 1971. Assim como os conflitos entre grupos islâmicos paquistaneses e grupos hindus indianos, essas guerras deixaram milhares de vítimas. A questão geopolítica na região tornou-se ainda mais complexa com o envolvimento da China, que, desde 1962, também Caxemira: conflitos territoriais e fronteiriços se apossou de parte da Caxemira, após N guerra travada com os indianos. Território disputado entre Índia e Paquistão

Divisão entre as províncias indianas

PAQUISTÃO

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Território disputado entre China e Índia

Caxemira

Islamabad

Nova Délhi

NEPAL

200

E. Cavalcante

Território reivindicado pela China

Katmandu

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75° L

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CHINA

Punjab

ÍNDIA OCEANO ÍNDICO

O

BUTÃO Timfu BANGLADESH Daca

20° N

290 km

Assim, a disputa pela posse da Caxemira levou a uma crescente militarização na região, utilizada inclusive para justificar a corrida armamentista que levou o Paquistão e a Índia a desenvolverem armas nucleares, das quais a China já dispunha. A instabilidade política na região tem sido alvo de grande preocupação internacional, já que a eclosão de uma nova guerra entre esses países poderia ter consequências imprevisíveis.


Os curdos e o Curdistão Curdistão N

RÚSSIA

GEÓRGIA

Mar Negro

O

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AZERBAIDJÃO

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40° N

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Mar Cáspio

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Na Turquia, onde vive a maioria 200 km ISRAEL JORDÂNIA 40° L dos curdos (cerca de 13,6 milhões, o que representa 18% da população do país), surgiu o mais atuante grupo armado que luta pela formação de um Estado curdo independente: o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Criado no final da década de 1970, tornou-se uma organização separatista engajada na luta armada pela causa do povo curdo, que aspira a soberania política e territorial do Curdistão. A luta por essa soberania vem sendo reprimida de maneira violenta pelas forças governamentais, especialmente da Turquia, onde o governo considera o PKK uma organização terrorista. Estima-se que somente no conflito curdo-turco tenham morrido mais de 37 mil pessoas. A enorme resistência que os países da região colocam à criação de um Estado curdo não se justifica somente por causa da perda de parte de seu território. Essa região dispõe de imensas reservas de petróleo em seu subsolo. A Turquia extrai praticamente todo seu petróleo da região curda, enquanto cerca de 40% das reservas petrolíferas iraquianas também estão em áreas curdas. Com o objetivo de conter a luta dos curdos pela independência em seu território e de manter o controle sobre os campos de petróleo, o governo iraquiano, no final da década de 1980, promoveu ataques que destruíram mais de duas mil aldeias curdas e provocaram o massacre de milhares de pessoas, incluindo crianças e mulheres (as estimativas oscilam entre 50 e 100 mil mortos).

Área do Curdistão

E. Cavalcante

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Fonte: SMITH, Dan. O atlas do Oriente Médio. Tradução Mário Vilela. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 91. 1 atlas. Escalas variam.

Unidade 8

LÍBANO

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SÍRIA

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IRAQUE

CHIPRE Mar Mediterrâneo

Rio

Estimativas não muito precisas, pela falta de levantamentos estatísticos oficiais, sugerem que existam entre 26 e 40 milhões de curdos espalhados pelo território de vários países do Oriente Médio. Esse povo forma o maior grupo étnico sem Estado do mundo. O território ocupado pelos curdos, chamado Curdistão, estende-se por uma região montanhosa com 530 mil quilômetros quadrados, que abrange áreas do Irã, Iraque, Síria, Turquia, Armênia, Geórgia e Azerbaidjão (veja mapa ao lado).

Em meio à comemoração do primeiro dia da primavera para o povo curdo, representantes dessa nação protestam contra o governo da Síria e da Turquia, em 2015.

Ilyas Akengin/AFP Photo Ilyas Akengin/AFP Photo

A complexidade que envolve a questão curda está ligada à grande instabilidade política nessa conturbada região do Oriente Médio, marcada pela presença de países com os mais diversos problemas de ordem interna e externa. Com a eclosão da guerra civil na Síria, em 2011, as forças curdas também passaram a ser atacadas por grupos extremistas do Estado Islâmico que, apoiados por organizações terroristas, buscam tomar controle sobre regiões habitadas por maioria islâmica.

Conflitos no mundo

201


Os conflitos no Cáucaso O Cáucaso, região montanhosa situada a sudeste da Europa, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio (veja mapa abaixo), constitui uma das áreas de grande tensão geopolítica, marcada pela eclosão de uma série de guerras civis, conflitos separatistas e étnicos, além de confrontos fronteiriços pela disputa de territórios entre países vizinhos. A região abrange o território de três países – Armênia, Geórgia e Azerbaidjão –, além de várias repúblicas russas, como Ossétia do Norte, Chechênia, Daguestão e Inguchétia, com uma população de aproximadamente 21 milhões de pessoas, que se destaca pela grande diversidade étnico-cultural. São mais de 100 grupos étnicos com costumes, línguas e dialetos próprios que, em sua grande maioria, seguem a religião cristã ou islâmica. Essas diferenças étnico-religiosas estão na base da maioria dos conflitos que eclodem na região. Cáucaso: altitude RÚSSIA Karatchai-Tcherkess Abkhazia

N

Kabardino-Balkária

Mar Cáspio

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TURQUIA

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O

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Tbilisi

ARMÊNIA

AZERBAIDJÃO

Baku 40° N

Altitude em metros

Yerevan

Paula Radi

1 800 1 200 600 300 150 0

Nagorno Karabakh

Nakhichevan (parte do território do Azerbaidjão)

45° L

IRÃ 85 km

Fonte: ATLAS geográfico escolar: ensino fundamental do 6 o ao 9 o ano. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. p. 94. 1 atlas. Escalas variam.

Kasia Nowak/Alamy Stock Photo/Latinstock

Cáucaso: grupos étnicos Países Rússia

Nacionalidade do próprio país População russa Outras nacionalidades

Ucrânia Uzbequistão Cazaquistão Belarus Azerbaidjão Tajiquistão Turcomenistão Quirguistão Geórgia

Gilberto Alicio

Moldávia Armênia 0

10

20

30

40

50

60

70

80 90 100 Grupos étnicos (%)

Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 98. 1 atlas. Escalas variam.

202

Acima, representantes do povo armênio apresentando dança típica em Yerevan, Armênia, em 2015.


Esses conflitos se tornaram mais intensos a partir da desintegração da União Soviética no início da década de 1990. Até então, essa região esteve sob o domínio do governo soviético, que controlou com mão de ferro, pelo uso da força, qualquer tipo de rebelião nessas repúblicas. Com o fim da União Soviética, algumas dessas repúblicas se tornaram países independentes, formando novos países, e outras passaram ao controle da Rússia, principal herdeira do império soviético. Com o novo arranjo político-territorial e as diferenças étnico-religiosas existentes, foi praticamente inevitável a eclosão de grandes conflitos na região (veja mapa ao lado).

Cáucaso: áreas de conflitos N

Kalmikia

O

RÚSSI A

L S

Maikop Adigueia Karatchai-Tcherkess Gudauta

Kabardino-Balkária

Ingushetia

Abkhazia

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Sukhumi

Ossétia do Sul

Mar Cáspio

Daguestão

Tskhinvali Batumi

Adjaria

Akhalkalaki

Tbilisi

ARMÊNIA

AZERBAIDJÃO

Baku 40° N

Yerevan Principais atentados Nagorno Karabakh (1991-2011) TURQUIA Presença militar russa Presença militar estadunidense Nakhichevan Movimento separatista Linha férrea IRÃ Gasoduto 100 km 45° L Oleoduto

Fontes: LE MONDE diplomatique. Cartes. Disponível em: <www.mondediplomatique.fr/cartes/ corridors>. Acesso em: 27 ago. 2015. FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 98. 1 atlas. Escalas variam.

No Daguestão, outra república russa, grupos muçulmanos lutam para criar um Estado Islâmico, movimento também combatido pelas forças russas que buscam manter o controle da região, rica em reservas de petróleo. Na Geórgia, os conflitos separatistas envolvem as repúblicas da Ossétia do Sul (maioria persa e cristã) e da Abkházia (maioria muçulmana ortodoxa), que desde 1991 lutam contra os georgianos (cristãos) para se tornar independentes. Em 2008, a Geórgia lançou uma ofensiva militar contra os ossetas, o que levou à intervenção dos russos, que invadiram o território da Ossétia do Sul para desalojar tropas georgianas. A participação da Rússia no conflito, no entanto, provocou um acirramento das tensões com os Estados Unidos, que têm a Geórgia como aliada na região.

Homenagem às vítimas do atentado à escola na Ossétia do Norte, um ano após o ocorrido, em 2005. Mukagov Vladimir/ITAR-TASS/Corbis/Latinstock

Paula Radi

No início da década de 1990, o fortalecimento de um movimento separatista levou a Chechênia, de população majoritariamente muçulmana, a declarar sua independência em relação à Rússia. O governo russo, no entanto, não reconheceu a proclamação dos chechenos e respondeu com um violento ataque militar aos separatistas, que deixou um saldo de aproximadamente 80 mil mortos, e ficou conhecido como Guerra da Chechênia (1994-1996). Desde então, o conflito se encontra em estado latente, com os separatistas chechenos promovendo ataques terroristas contra alvos russos, como o que ocorreu em 2004, quando terroristas chechenos invadiram uma escola na república da Ossétia do Norte e detonaram explosivos, causando a morte de 344 pessoas, sendo 186 crianças.

A região de Nagorno-Karabakn é alvo de disputa entre a Armênia e o Azerbaidjão. Embora esteja encravada no território do Azerbaidjão, país de origem muçulmana, quase 80% de sua população é cristã e de origem armênia. Assim, desde o início da década de 1990, quando os soviéticos saíram da região, os armênios reivindicam a posse do território, fato que já levou esses países a se confrontarem militarmente entre 1992 e 1994. Apesar das negociações em curso desde o cessar-fogo, o impasse pelo controle da região ainda persiste. Conflitos no mundo

203


Territórios e conflitos na África Muitos dos conflitos existentes hoje no mundo envolvendo disputa por territórios, como aqueles que ocorrem em várias partes do continente africano, têm origem histórica ligada ao processo de expansão do capitalismo ao longo dos últimos dois séculos e suas implicações na delimitação das fronteiras dos Estados nacionais. Nas últimas décadas do século XIX, o continente africano, até então habitado por povos de diferentes grupos étnicos, passou a ser mais efetivamente ocupado e explorado pelas potências econômicas europeias. Em plena Revolução Industrial, países como Inglaterra, França, Bélgica, Holanda e Alemanha necessitavam de matérias-primas em grande escala e a baixos custos para abastecer seus parques industriais em expansão. Para assegurar seu suprimento esses países se apropriaram do vasto território africano (e também de extensas regiões do continente asiático) como forma de explorar os recursos naturais nele existentes e utilizar suas terras para o cultivo de grandes monoculturas tropicais, as chamadas plantations. Para isso, estabeleceram a divisão ou partilha do território africano em um acordo selado em 1885 durante a Conferência de Berlim (veja novamente o mapa da página 20).

Grupo de europeus posam ao lado de uma grande quantidade de marfim com seus escravos congoleses no Congo, em 1905.

As alterações resultantes dessa divisão desestruturaram a organização política, econômica e social da maioria dos povos africanos. As fronteiras traçadas de maneira arbitrária pelos europeus, por exemplo, ignoraram as diferenças étnicas dos inúmeros reinos e grupos tribais existentes no continente. Assim, em muitos casos, essa divisão colocou no território de uma mesma colônia antigos povos rivais, ou, separou povos com a mesma identidade histórico-cultural. Os colonizadores também escravizaram populações e impuseram suas línguas, costumes e valores morais e étnicos aos povos colonizados. Muitas vezes, os povos nativos sofreram intensa dominação cultural, sendo obrigados a aprender a língua do colonizador, a mudar seus hábitos alimentares e a se vestirem como os europeus. Os povos que tentaram resistir à colonização foram brutalmente reprimidos em violentos conflitos. Mais bem armados, os soldados europeus massacraram os movimentos de resistência que, em certos casos, exterminaram grupos tribais inteiros. O texto a seguir aborda as ações realizadas no Congo sob as ordens de Leopoldo II, rei da Bélgica, entre 1865 e 1909.

1905. Coleção particular. Foto: Universal History Archive/UIG/Getty images

[...] Os congoleses deviam pagar impostos, e os pagavam em espécie ou com trabalho, pois não existia legislação a respeito nem moeda própria. O país foi dividido em postos chefiados por civis ou militares encarregados de obter o máximo possível de marfim e borracha. Eles cobravam das aldeias todo tipo de tarefas, como: construções, transporte, plantio, coleta, caça, pesca, etc. As cotas eram cobradas segundo seu arbítrio e o pagamento era ínfimo, resumindo-se em punhados de sal e pedaços de tecido. [...] Esses administradores governavam suas áreas com plenos poderes e muita ganância, explorando a população com exigências excessivas, que eram cobradas implacavelmente. Enquanto mulheres, crianças e velhos eram acorrentados e mantidos como reféns, os homens deviam ir para a floresta coletar borracha e marfim. Os que falhavam na entrega de cotas eram mortos ou tinham dedos, mãos, pés ou narizes decepados. [...] MESGRAVIS, Laima. A colonização da África e da Ásia. 3. ed. São Paulo, Atual, 1994. p. 31.

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Somente a partir de meados do século XX, com o enfraquecimento político, econômico e militar dos países europeus devastados pelos conflitos da Segunda Guerra Mundial, é que a luta contra o colonialismo no continente ganhou impulso. Surgiram movimentos de independência em praticamente todas as colônias europeias na África, reivindicando a ruptura dos laços mantidos com as metrópoles.

REP. DEM. DO CONGO

N O

L S

ERITREIA

ETIÓPIA

Equador 0°

Unidade 8

Alguns desses rompimentos foram pacíficos, enquanto outros ocorreram por meio de violentos conflitos que se arrastaram por várias décadas, opondo a população local e os colonizadores. Os movimentos de independência das colônias africanas (e também a Ásia) após a Segunda Grande Guerra ficou conhecido, historicamente, como processo de descolonização. África: principais conflitos (1990-2008) Contudo, mesmo após a independência política, muiOCEANO Mar Mediterrâneo tos desses países mantiveATLÂNTICO ram praticamente os mesmos ARGÉLIA Tr óp ic o de Câ nc er limites territoriais traçados pelos colonizadores europeus. A desorganização étnico-culMALI CHADE tural herdada do traçado desSUDÃO sas antigas fronteiras tem sido BURKINA FASSO a causa de inúmeros conflitos NIGÉRIA territoriais e guerras civis que, ao longo da história, assolam muitos países africanos.

RUANDA OCEANO ÍNDICO

Alguns conflitos na África

• Conflito étnico entre hutus e tutsis na guerra civil •

de Ruanda, em 1994, provocou o genocídio de aproximadamente um milhão de pessoas (90% tutsis, grupo étnico minoritário no país). Conflito entre grupos separatistas cristãos contra o domínio muçulmano no Sudão se arrastou por duas décadas e resultou na morte de mais de 2 milhões de pessoas. O confronto desencadeou um movimento separatista cuja luta dividiu territorialmente o país com a formação do Sudão do Sul, em 2011. Conflitos entre rebeldes islâmicos e o governo da Argélia entre 1991 e 2002 deixaram um saldo estimado entre 150 e 200 mil mortos.

Tró pic o de Ca pr icó rn io

ÁFRICA DO SUL 610 km

0° Fontes: LE MONDE diplomatique. Cartes. Disponível em: <www.monde-diplomatique. fr/cartes/conflitsmdv49>. Acesso em: 22 fev. 2016. LE MONDE diplomatique: el altas geopolítico 2010. Valencia: Akai/Fundaciõn Mondiplo, 2010. p. 189. 1 atlas. Escalas variam.

• Conflitos armados na Nigéria ocorridos entre mu• • •

çulmanos e milícias cristãs, os dois principais grupos religiosos do país. Conflitos entre Burkina Faso e Mali, em 1974 e 1985, pela posse da região de Agacher, território rico em recursos minerais e gás natural. Guerra civil no Chade, iniciada em 2005, entre as forças governamentais e grupos rebeldes apoiados por milícias árabes. Guerra entre Etiópia e Eritreia (1998-2000), na região conhecida como Chifre da África, pela demarcação das fronteiras entre os dois países, deixou entre 50 e 300 mil pessoas mortas.

Conflitos no mundo

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E. Cavalcante

Fronteiras em litígio Conflito internacional Graves problemas internos Guerra civil Movimento separatista Negociações em curso ou finalizadas Principais campos de refugiados

Meridiano de Greenwich

Conflitos armados entre grupos rebeldes ou entre forças governamentais e grupos rebeldes Conflitos interétnicos e interconfessionais

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24/5/16 3:02 PM


Contexto geográfico

Ponto de vista

As desigualdades étnicas A intolerância em relação às diferenças étnicas e raciais fundamenta a prática do racismo, crença ou presunção tomada por certos indivíduos ou grupos sociais por se considerarem superiores a um ou vários indivíduos de outras etnias. É, portanto, um tipo de comportamento que manifesta uma ideia preconcebida, ou seja, um preconceito em que se idealiza comportamentos, como explica o texto a seguir. [...] O indivíduo racista parte de uma idealização de si mesmo para desvalorizar a pessoa ou grupo que considera inferior. Essa idealização resulta de uma impressão mental fixa, numa opinião preconcebida, derivada não de uma avaliação espontânea e sim de julgamentos repetidos rotineiramente. Aí, nesses julgamentos, o racista atribui, por suposição, características pessoais e de comportamento invariáveis a todos os membros de determinado grupo de pessoas. [...] LOPES, Nei. O racismo explicado aos meus filhos. Rio de Janeiro: Agir, 2007. p. 13.

Genocídio: extermínio de uma cultura, ou seja, de um povo/nação.

O racismo pode ocorrer ou se manifestar de diferentes maneiras: pelo preconceito, na forma de julgamento ou “juízo” preconcebido; pela discriminação, na forma de tratamento desigual; pela segregação, expressa na forma de separação física entre indivíduos ou grupos; pelo molestamento, por meio de agressões físicas ou verbais; ou, ainda, pelo genocídio, que busca a dizimação de grupos étnicos. Na história recente, um dos exemplos mais hediondos de racismo que podemos citar foi o que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial (conflito que estudamos na unidade 7), com o extermínio de milhões de judeus nos campos de concentração nazista. Alimentados pela doutrina fundada por Adolf Hitler, o nazismo pregava a superioridade racial dos alemães, que se consideravam representantes da “raça pura”. Com base nessas ideias, os nazistas promoveram o extermínio em massa de judeus, episódio que ficou conhecido como holocausto. Outro caso emblemático de racismo em nossa história foi o apartheid na África do Sul, regime de segregação racial que durante mais de quatro décadas, entre 1948 e 1994, promoveu uma violenta separação entre indivíduos brancos e negros.

Gerardo C.Lerner/ Shutterstock.com

Abaixo, monumento construído em Berlim, em homenagem aos mortos no holocausto, em foto de 2015.

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O governo da época, representado por uma minoria branca, cerceou os direitos da majoritária população negra, que não podia usar os mesmos vagões de trem, banheiros ou as mesmas escadas que os brancos usavam. Oficialmente, o regime de apartheid terminou com a eleição multirracial que elegeu o líder Nelson Mandela (1918-2013) como primeiro presidente negro da África do Sul, embora enormes cicatrizes deixadas por décadas de segregação ainda exponham complexas questões étnicas a serem superadas. A sociedade brasileira também é marcada historicamente por uma enorme desigualdade, sobretudo entre negros, pardos e brancos. Os indicadores socioeconômicos apresentados atualmente pela nossa população comprovam tais desigualdades. Ainda hoje, os negros e pardos no Brasil têm menor grau de escolaridade e ganham menos que os brancos. Além disso, os negros também encontram mais dificuldades no mercado de trabalho, sendo predominantes em atividades menos qualificadas e de baixo prestígio social. Por conta disso, propostas de ações afirmativas no combate à discriminação racial e na melhoria das condições de vida da população negra ganharam relevância e começam a ser implantadas no país, a exemplo do estabelecimento de cotas para negros no ensino superior e em concursos públicos. O quadro abaixo revela essa realidade, veja.

Renda familiar per capita

Emprego

Unidade 8

Preconceito e racismo na sociedade brasileira

Desemprego

2012 17%

50%

64%

39%

76% 83%

61% Fotos: Gerardo C.Lerner/Shutterstock.com

50%

36% 24%

10% mais pobres

1% mais ricos

Brancos

Pretos ou pardos

Brancos Formal

Média de anos de estudo

(pessoas de 25 anos ou mais)

Pretos ou pardos

Informal Alfabetizados

(pessoas de 15 anos ou mais)

94,7%

8,5

Brancos

Pretos ou pardos

82,2%

Brancos

Pretos ou pardos

Brancos

Pretos ou pardos

Fonte: INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/ visualizacao/livros/liv66777.pdf>. Acesso em: 14 mar. 2016.

De acordo com as informações do texto, discuta com os demais alunos as seguintes questões: a ) As medidas com finalidade de melhoria nas condições de vida de negros, pardos e populações mais carentes têm sido eficazes? Justifique sua resposta. b ) Como essas questões estão relacionadas ao problema da desigualdade?

Guilherme Casagrandi

6,7

Mandela foi vítima do apartheid, ficando exilado em uma prisão durante 30 anos. Depois de liberto, foi eleito presidente da África do Sul. Promoveu a reestruturação da nação sul-africana com base no extermínio do preconceito. Por seu honroso trabalho, é reconhecido no mundo todo, como demonstram os selos de diferentes países. Em 1993, pelo reconhecimento de sua luta pela igualdade racial, Mandela recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Conflitos no mundo

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Em que consistiu o movimento sionista? Qual foi o objetivo desse movimento?

esses países já os levou a quais consequências?

2. Descreva como foi a partilha da Palestina em 1947.

6. A instituição do Estado Curdo afeta não apenas interesses políticos e sociais, mas principalmente econômicos. Quais são os fatores que impedem a criação do Curdistão?

3. Como ficou o domínio do território da Palestina após a primeira guerra árabe-israelense? 4. Em que contexto se formou o ETA, movimento separatista pela criação do País Basco? Como podemos descrever esse movimento em sua atuação inicial e qual foi o encaminhamento dado a ele? 5. Qual a principal razão da divergência entre Índia e Paquistão? A divergência entre

7. Por que os conflitos no Cáucaso se intensificaram após a desintegração da URSS? 8. Quais foram as consequências étnicas e geopolíticas da divisão da África na Conferência de Berlim? 9. A independência das colônias africanas significou o fim dos conflitos étnicos ou de grupos rivais? Explique.

Expandindo o conteúdo 10. Analise o texto a seguir e realize as atividades propostas.

À beira de uma nova crise nuclear? [...] “Hoje, a preocupação é a proliferação nuclear horizontal. Enquanto as grandes potências nucleares tendem a se desarmar, novas potências nucleares surgem, e nós não sabemos com segurança se seríamos ou não capaz de detê-los”, afirmou Meier-Walser em entrevista à DW. Além das potências nucleares tradicionais, como os EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França e China, entraram na corrida armamentista países como Israel e Índia, e também outros mais instáveis politicamente, como o Paquistão e a Coreia do Norte. O vice-ministro norte-coreano, Pak Ki Yon, chegou a utilizar um tom de ameaça em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro último, ao afirmar que uma simples faísca bastaria para desencadear uma guerra nuclear na península da Coreia do Norte. [...] As armas nucleares representam um risco incalculável e é impossível saber se as novas potências nucleares irão se portar de maneira racional ou não, afirma Annette Schaper, especialista em Política de Administração de Segurança dos Estados, do Instituto de Pesquisa de Paz e Conflitos de Frankfurt. Ainda assim, é considerada improvável a hipótese de que a Coreia do Norte ou o Irã possam vir a fazer uso de seu arsenal nuclear, uma vez que certamente sofreriam retaliações. Ambos os países se colocam em isolamento internacional e adotam políticas não democráticas, e o sistema econômico da Coreia do Norte passa por dificuldades. “Em casos como esses, países isolados tendem a reagir de modo agressivo para se aproveitar politicamente de possíveis ameaças externas”, afirma Schaper. Os objetivos dessa estratégia são impor seus interesses a outras nações e utilizar internamente a ameaça de um inimigo externo como forma de trazer estabilidade ao regime.

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Kyodo/Reuters/Latinstock

Especialmente no caso do Irã e seu programa nuclear, a questão também envolve poder, prestígio e, principalmente, seu domínio na região do Oriente Médio: Annette Schaper vê um grande risco de que os países ameaçados, como a Arábia Saudita, comecem uma corrida armamentista em uma região já bastante instável. O Irã já está cercado por cinco novas potências atômicas, o que resulta em grande parte da ambição de sua política nuclear, como explica Reinhard Meier-Walser, da Universidade de Regensburg. Ele se refere ao medo que muitos países têm de que o Irã possa algum dia repassar seu conhecimento ou até mesmo equipamento para organizações como o Hisbolá e o Hamas, a quem o país apoia abertamente. [...] há o risco de países como Irã ou Paquistão se verem em uma situação de conflito, na qual as únicas saídas seriam fazer concessões ou lançar mão do arsenal nuclear. “Armas convencionais poderiam não ser suficientes para derrotar o inimigo”, diz. Para Meier-Walser, a solução seria o desarmamento em médio prazo de todos os países. RUTA, Christina. Meio século após crise nuclear Cuba – EUA, atenções se voltam ao Oriente Médio. Deutsche Welle, Bonn, 14 out. 2012. Disponivel em: <www.dw.de/ meio-século-após-crise-nuclear-cuba-eua-atenções-se-voltam-aooriente-médio/a-16303621-1>. Acesso em: 7 dez. 2015. © DEUSTCHE WELLE

Na fotografia, lançamento de foguete pelo governo norte-coreano, que disse se tratar de lançamento de um satélite. Alguns países acreditam ter sido um teste de míssil de longo alcance na Coreia do Norte, em fevereiro de 2016. Unidade 8

[...]

a ) Em que momento o texto descreve que o mundo esteve na iminência de viver um conflito nuclear, que poderia ter sido um verdadeiro desastre mundial? b ) O que o texto quer dizer com “Hoje, a preocupação é a proliferação nuclear horizontal”. c ) Como os países que detêm armas nucleares, e são politicamente instáveis, podem fomentar uma corrida armamentista na atualidade? Cite o caso do Irã. d ) O texto cita alguns países que detêm a tecnologia nuclear e preocupam o mundo em relação à sua instabilidade política, econômica e militar, como Paquistão e Coreia do Norte. Pesquise notícias recentes sobre conflitos envolvendo esses ou outros países. Leve as informações para a sala a fim de conversar com os colegas a respeito. Estabeleçam relações entre sua pesquisa e as informações do texto acima.

11. Na década de 1990, o cientista político estadunidense Samuel Huntington propôs a teoria conhecida como “choque de civilizações”. Segundo essa teoria, as identidades culturais e religiosas dos povos seriam a principal causa de conflitos no mundo após a Guerra Fria. Assim, escreveu: Minha hipótese é que a fonte fundamental de conflitos neste mundo novo não será principalmente ideológica ou econômica. As grandes divisões entre a humanidade e a fonte dominante de conflitos será cultural. Os Estados-nações continuarão a ser os atores mais poderosos no cenário mundial, mas os principais conflitos da política global ocorrerão entre países e grupos de diferentes civilizações. O choque de civilizações dominará a política global. As falhas geológicas entre civilizações serão as frentes de combate do futuro. HUNTINGTON, Samuel P. O choque de civilizações e a recomposição da ordem mundial. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997. p. 44.

De acordo com o que você estudou nesta unidade sobre os conflitos existentes no mundo, pode-se concluir que a teoria do choque de civilizações tem se concretizado? Que conflitos existentes no mundo podem ser utilizados para confirmar a validade de tal teoria? Escreva um texto discorrendo sobre essas questões. Conflitos no mundo

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Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

As charges e a questão palestina

As charges retratam temas polêmicos atuais, sobretudo aqueles que envolvem conflitos, como a questão Basca, da Caxemira e dos Bálcãs. Um dos principais conflitos que historicamente vêm causando repercussão global e tensão mundial é o conflito entre judeus e árabes, pelo domínio da Palestina no Oriente Médio. Grande diversidade de charges já foi produzida em diferentes lugares do mundo para transmitir uma crítica humorada sobre esse conflito. A imagem abaixo mostra uma charge produzida pelo chargista Jorge Braga, que aborda o embate entre judeus e palestinos.

Jorge Braga

A linguagem humorística dos cartuns estimula a reflexão dos alunos ampliando sua leitura de mundo de um modo mais significativo. Peça aos alunos que expressem suas opiniões a respeito da ideia que o autor dessa charge procurou transmitir sobre as divergências entre os povos representados (judeus e palestinos), inclusive na busca pela paz, representada pela pomba branca. Aproveite também esse recurso didático como estratégia para estabelecer um diálogo com as formas não verbais de linguagem, assunto abordado na disciplina de Língua Portuguesa. Por se tratar de uma produção artística, o tema também pode ser aproveitado para estimular os alunos a produzirem outras charges.

BRAGA, Jorge. Jornal O Popular, Goiânia, 23 mar. 2004. Disponível em: <www.opopular.com.br>. Acesso em: 10 maio 2016.

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Filme de Amos Gitaï. Aproximação. França, Itália, Israel e Alemanha. 2007

A Geografia no cinema

Aproximação

O filme retrata o drama vivido por Ana após a morte de seu pai na França. Depois da leitura do testamento, Ana precisa viajar para Israel e, nesta viagem, ela vivencia a retirada dos judeus da Faixa de Gaza pelos soldados israelenses.

Para assistir

• •HOTEL Ruanda. Direção: Terry George. Imagem Filmes, 2004. O filme apresenta a história real de coragem de Paul Rusesabagina que abriga mais de mil pessoas no hotel Milles Collines, onde trabalha, em Kigali, para salvá-las dos conflitos políticos que aconteciam em Ruanda em 1994.

• •LEMON tree. Direção: Eran Riklis. IFC Films, 2008. O filme aborda o conflito entre judeus e muçulmanos por meio do drama vivido entre Salma, uma viúva palestina, e o Ministro de Defesa de Israel.

Depois que o Ministro de Defesa de Israel se muda para a casa ao lado de Salma,

Título: Aproximação Diretor: Amos Gitaï Atores principais: Juliette Binoche, Liron Levo, Jeanne Moreau Ano: 2007 Duração: 115 minutos Origem: França, Itália, Israel, Alemanha

Unidade 8

a Força de Segurança Israelense declara que a plantação de limões de Salma coloca em risco a segurança do ministro.

• •THE square. Direção: Jehane Noujaim. Noujaim Films, 2013. O documentário acompanha a revolução egípcia pela perspectiva de seis manifestantes. Retrata que a Primavera Árabe é um processo contínuo, do qual ainda não é possível estabelecer conclusões.

Para ler

••DEZ

perguntas para entender o conflito entre israelenses e palestinos. British Broadcasting Corporation (BBC – Brasil). Redação BBC Brasil, 17 out. 2015. Para visualizar o artigo, acessar o link: <http://tub.im/kiopw3>. Acesso em: 7 mar. 2016.

• •ELLIS,

Deborah. A outra face: história de uma garota afegã. Tradução Luísa Baeta. São Paulo: Ática, 2009.

• •MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais: teoria e história. São Paulo: Saraiva, 2004.

• •MORAES, Marcos Antonio de; FRANCO, Paulo Sérgio Silva. Geopolítica: uma visão atual. Campinas: Átomo, 2009.

• •O’BRIEN,

Joanne; PALMER, Martin. O atlas das religiões: o mapeamento completo de todas as crenças. Tradução Mário Vilela. São Paulo: Publifolha, 2008.

• •SMITH, Dan. O atlas do Oriente Médio. Tradução Mário Vilela. São Paulo: Publifolha, 2008.

Para navegar

• •BRITISH Broadcasting Corporation (BBC – Brasil). Disponível em: <http://tub. im/8f589m>. Acesso em: 7 mar. 2016.

• • ORGANIZAÇÃO das Nações Unidas (ONU) – Questão Palestina. Disponível em: <http://tub.im/7b4r3i>. Acesso em: 7 mar. 2016.

Conflitos no mundo

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Questões do Enem e Vestibular 1. (PUC-SP) Diáspora é o termo que designa a dispersão dos hebreus por várias regiões do mundo, após serem expulsos de seu território no século II. Somente depois de 1948, com a criação do Estado de Israel, esse povo pôde voltar a se reunir num mesmo país. Entretanto, essa reconquista vem sendo, há quase meio século, motivo de contendas entre os israelenses e o povo ocupante daquela região. O ano de 1995, talvez, seja o marco do apaziguamento desses conflitos, uma vez que acordos têm sido realizados por seus líderes, sob a chancela da diplomacia internacional – o que, infelizmente, não impediu o assassinato do primeiro ministro de Israel. O povo que provocou a dispersão dos hebreus no século II e o povo que manteve o confronto com os israelenses desde 1948 são, respectivamente, B. a ) os egípcios e os iranianos. b ) os romanos e os palestinos. c ) os palestinos e os egípcios. d ) os romanos e os iranianos. e ) os egípcios e os palestinos.

2. (UEL-PR) Um dos grandes conflitos do Oriente Médio tem sido o confronto árabe-israelense, cujas origens remontam ao período que segue à: D.

a ) Segunda Guerra Mundial, quando os países vencedores apoiaram a Liga Árabe a invadir o território de Gaza. b ) Primeira Guerra Mundial, quando a Liga das Nações, pressionada pelos Estados Unidos, dividiu o território Palestino para criar o Estado de Israel. c ) Segunda Guerra Mundial, quando a ONU, através das forças de paz, obrigaram Israel a abandonar o Sinai, garantindo o controle do Canal de Suez ao Egito. d ) Primeira Guerra Mundial, quando a Liga das Nações aprovou a Declaração Balfour, colocando a Palestina sob o governo da Inglaterra. e ) Segunda Guerra Mundial, quando a ONU, retirando suas tropas da região, permitiu a ocupação da colina de Golan e dos territórios da Cisjordânia.

Anote as respostas no caderno.

3. (Cesgranrio-RJ) Quanto aos conflitos entre árabes e israelenses, podemos dizer que: A. I. se aceleram com a partilha da Palestina realizada pela ONU em 1947, que deu origem ao Estado de Israel e de que decorreu a guerra de 1948/49, que terminou com um acordo de cessar-fogo em que ficava estabelecida a divisão de Jerusalém e a fixação das fronteiras entre Israel e os países árabes. II. na década de 1960, os conflitos adquirem maior violência em função do aumento dos atos terroristas palestinos e da aliança militar e política entre Egito, Síria e Jordânia, o que leva ao bloqueio econômico de Israel e dá início à Guerra dos Sete Dias. III. na década de 1970, os conflitos determinam a explosão da Guerra do Yom Kippur, em 1973, de que resulta a fixação dos limites territoriais no Oriente Médio e o reconhecimento por parte de Israel, da OLP, comandada por Arafat, como representante legítima dos interesses palestinos. Assinale a opção que contém a(s) afirmativa(s) correta(s): a ) Apenas I.

d ) Apenas II e III.

b ) Apenas I e II.

e ) Apenas III.

c ) Apenas II.

4. (UFRR-RR) Em pleno século XXI, as religiões continuam tendo grande influência no contexto social e cultural de diversos países e em amplas regiões do planeta. O poder da fé é de tal magnitude que é capaz de influir em aspectos políticos, sociais e econômicos de nações cujas autoridades, leis ou fronteiras são fortemente delimitadas por questões religiosas. Além disso, variados conflitos no mundo nos últimos tempos têm sua origem em divergências religiosas. (...) Jerusalém é a cidade sagrada de três grandes religiões (...). Os três credos têm em Jerusalém marcos básicos de sua doutrina e de sua história. In.: Atlas Geográfico Mundial – para conhecer melhor o mundo em que vivemos – vol. 1 Mundo. Barcelona: Editorial Sol 90, 2005.

O texto acima apresenta Jerusalém como a cidade sagrada de três religiões. São elas: B.

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b ) judaísmo, cristianismo e islamismo. c ) judaísmo, budismo e islamismo. d ) judaísmo, confucionismo e islamismo. e ) judaísmo, xintoísmo e islamismo.

5. (UFGS-RS) A ocupação e colonização da Faixa de Gaza, Cisjordânia e das Colinas de Golan por Israel sobre seus vizinhos árabes, foi iniciada a partir da: A. a ) Guerra dos Seis Dias (1967). b ) Guerra do Yom Kippur (1973). c ) Revolução Islâmica (1979). d ) Intifada (1987). e ) Guerra do Golfo (1991). 6. (PUC-RJ) O Estado de Israel, que completou 60 anos em maio deste ano, teve suas fronteiras definidas a partir de várias guerras com países vizinhos. A esse respeito, avalie as afirmativas abaixo: C.

I. O plano de Partilha da ONU (Resolução 181) de 1947 previa a retirada das tropas do Império russo, a criação de um Estado judaico e de um Estado independente árabe-palestino na região da Palestina.

II. Os árabes rejeitaram o plano de partilha da Palestina aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas e atacaram o recém-formado Estado de Israel em 1948: era o começo dos conflitos árabe-israelenses e do dilema dos refugiados palestinos. III. A vitória israelense na Guerra dos Seis Dias (1967) permitiu a ocupação de quase toda a Palestina, isto é, do Sinai, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, de Jerusalém e do Iraque. IV. A partir de 1987, a população civil palestina começou a série de levantes (Intifada) contra a ocupação israelense usando paus, pedras e atentados. ASSINALE a alternativa correta. a ) Somente as afirmativas I e III estão corretas. b ) Somente as afirmativas I e II estão corretas. c ) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. d ) Somente as afirmativas II e III estão corretas. e ) Somente as afirmativas III e IV estão corretas.

7. (UEM-PR) Sobre o Oriente Médio, assinale o que estiver correto. (02), (08) e (16). Total: 26. (01) Localizado no Leste europeu, o Oriente Médio posiciona-se estrategicamente entre três continentes: Ásia, Europa e Oceania. (02) Na costa banhada pelo Mediterrâneo, estão países (como Jordânia, Síria e Líbano) que têm se destacado pela instabilidade que a criação do Estado de Israel, em 1948, trouxe para a região. (04) Na região central do Oriente Médio, localiza-se o deserto do Saara, considerado o maior do mundo. O clima quente e seco predominante no local impede a fixação do homem e o desenvolvimento de qualquer atividade agrícola. (08) A região já abrigou importantes civilizações do passado, como a egípcia e a da Mesopotâmia. Por isso, convive com diferenças étnicas, culturais e religiosas, resultado das influências que recebeu durante séculos, tratando-se de uma das áreas de ocupação mais antigas do mundo. (16) Marcante característica do Oriente Médio é o fato de ele ser o berço das três maiores religiões monoteístas do mundo: o islamismo, o cristianismo e o judaísmo. 8. (UFPB-PB) O Oriente Médio é uma região em constante tensão geopolítica de repercussão mundial, envolvendo divergências de várias ordens. Nesse contexto, identifique o acontecimento contemporâneo que vem gerando instabilidade geopolítica na região: D. a ) A invasão do Kuwait pelo Iraque, ocasionando, primeiramente, a entrada dos Estados Unidos e do Irã nesse conflito e, posteriormente, o rompimento diplomático entre essas duas últimas nações. b ) A retirada completa das tropas americanas do Iraque, gerando graves conflitos internos nesse país. c ) A invasão do Egito por Israel, ocasionando atentados terroristas nos territórios palestinos ocupados por Israel. d ) O programa nuclear do Irã, que, embora seja divulgado por esse país como pacífico, vem gerando uma séria tensão mundial. Conflitos no mundo

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Unidade 8

a ) judaísmo, hinduísmo e islamismo.


e ) O reconhecimento do Estado Palestino por Israel, contrariando os interesses dos Estados Unidos e de parte dos países ocidentais.

população curda chega a 26,3 milhões nos principais países onde esta população vive.

Com base na informação, é CORRETO afirmar que os curdos vivem principalmente: D.

9. (UPM-SP) A Questão Basca: grupo separatista ETA anuncia trégua permanente.

a ) Na faixa de gaza entre a Palestina e Israel em que os conflitos são frequentes mediante a disputa de territórios, o povo curdo sofre a violência e é excluso de direitos.

Silvana Aline Soares Simon (Divulgação Científica em Relações Internacionais) – 10/01/2011.

A imprensa internacional, nas últimas décadas, tem dado destaque às atividades do grupo basco ETA que, por meio de seus atentados, se chocava com o Estado espanhol. No último dia 10 de janeiro, 51 anos após o início de suas atividades, o grupo anunciou, no jornal independente basco Gara, uma trégua geral e permanente. A respeito do tema, é correto afirmar que: B.

b ) Na antiga Alemanha Oriental, com o fim da guerra fria os curdos ficaram sem pátria. c ) Nas Repúblicas Independentes da antiga União das Repúblicas Soviéticas como Lituânia, Estônia, Letônia, em que as disputas pelo território têm ocorrido com um grande número de genocídio. d ) Em países do Oriente Médio como Turquia, Síria, Irã, Iraque e Armênia em que os curdos não têm direitos políticos e são discriminados pelos governos.

a ) os bascos são um povo de origem desconhecida e estão divididos entre a Espanha e o norte de Portugal. Mesmo passando por longos períodos de dominação, lutam pelo reconhecimento internacional do seu país, por meio de um território definido. b ) em 1959 surgiu, no nordeste da Espanha e no sudoeste da França, o movimento ETA, um grupo de tendência socialista e com ideais separatistas. A ação do grupo centrou-se nas táticas de guerrilha urbana, praticando atentados contra autoridades governamentais ligadas ao ditador Francisco Franco.

e ) Em países do Oriente Médio como Arábia Saudita, Iraque, Iêmen, Israel, Líbano e Jordânia em que o petróleo tem sido um dos fatores pela disputa do território em que os curdos ficaram exclusos e sem pátria.

11. (UNEAL-AL) A Caxemira é um dos focos de conflito na atualidade. Ela é o pivô de uma disputa entre os seguintes países: C. a ) China e Índia.

c ) o ETA usa de práticas terroristas na França desde o final do século XIX, buscando garantir a liberdade religiosa, já que a maioria professa a religião muçulmana. d ) o povo Basco teria chegado à península ibérica há mais de 4000 anos. Devido às intensas perseguições, teve a sua cultura e a sua língua dizimadas ao longo do tempo, restando, hoje, pouco de sua cultura original. e ) na década de 1990, a ação terrorista basca matou militares, políticos, juízes, entre outras autoridades locais, trazendo, para a população, a sensação de possíveis conquistas por sua liberdade. O ETA recebe apoio irrestrito da população, porém não consegue atingir seus objetivos.

10. (UFT-TO) No mundo atual presenciamos conflitos étnicos, religiosos e povos sem um Estado-Nação definido, como no caso o povo curdo. A

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(TAMDJIAN, 2005).

b ) Paquistão e China. c ) Paquistão e Índia. d ) Índia, Paquistão e Afeganistão. e ) China, Índia e Paquistão.

12. (UENP-PR) Analise as assertivas abaixo referentes à Caxemira. A.

I. A Caxemira é uma região disputada tanto pela Índia quanto pelo Paquistão, em virtude de localizarem-se, nessa área, as nascentes dos rios Indo e Ganges, além de outras razões.

II. Índia e Paquistão travaram três guerras desde a independência da Inglaterra, em 1947. Duas delas foram por disputas da Caxemira. III. A Índia controla 40% da Caxemira; o Paquistão, um terço; a China, o resto. IV. Os muçulmanos são maioria na região e há 12 anos eles começaram a lutar pelo separatismo, num conflito que já matou mais de 33 mil pessoas. O Paquistão propõe um ple-


Estão corretas: a ) todas as assertivas. b ) apenas I e II. c ) apenas II e III. d ) apenas III e IV. e ) apenas I e IV.

13. (PUC-MG) A Guerra entre Rússia e Geórgia implica uma reflexão sobre nacionalismo e globalização. Sobre a construção do sentimento nacional no mundo globalizado, marque a única afirmativa CORRETA. D. a ) A “implosão” do império soviético nos anos 1990 coincide com o surgimento de uma nova geração de nações diferentes daquelas formadas ao longo das lutas anticoloniais. O sistema capitalista global caracteriza o mundo numa movimentação de unificação em torno das grandes potências. b ) O nacionalismo vem sendo esvaziado do seu sentimento de autonomia com a lembrança, de forma constante, de que o mundo se tornou menor e mais integrado, onde vínculos estreitos são forjados entre as economias e as sociedades, Estados e nações numa “comunidade internacional”. c ) A profecia da “aldeia global” de Mc Luhan vem sendo confirmada pela generalização dos meios de transporte de massa e de comunicação eletrônica. Certos símbolos, como o da Coca-Cola, tornaram-se universais, invertendo o nacionalismo por universalismo com a ideia de que todos somos um. d ) O desafio contemporâneo é marcado pelo paradoxo da tendência à globalização e à superação desta, criando laços estreitos das nações do mundo entre si por um lado, e, simultaneamente, pelos conflitos que se assentam sobre as identidades políticas e à fragmentação étnica por outro.

14. (UFG-GO) A geopolítica é uma disciplina que estuda os conflitos dos Estados nações e procura compreender, no mundo contemporâneo, a diversidade que se reflete em situações complexas e geradoras de guerras. Uma dessas situações é o interesse estratégico da Rússia em relação ao território da Geórgia, que tem

criado tensões no Cáucaso com o objetivo de: D. a ) controlar um antigo Estado-membro da Comunidade de Estados Independentes (CEI), que possui grande potencial militar e nuclear. b ) facilitar o deslocamento de suas exportações em direção ao Irã, que é um país aliado na produção de tecnologia nuclear. c ) obter o controle de Nagorno Karabach, região autônoma da Geórgia, que luta por sua independência. d ) garantir o escoamento seguro de óleo e gás, que atravessam o território georgiano por meio de oleoduto e gasoduto, até o Mar Negro. e ) manter sob domínio russo um território favorável à importação de petróleo pela via do Mar Cáspio.

15. (Fuvest-SP) África vive (...) prisioneira de um passado inventado por outros. Mia Couto, Um retrato sem moldura, in Leila Hernandez, A África na sala de aula. São Paulo: Selo Negro, p. 11, 2005.

A frase acima se justifica porque: E. a ) os movimentos de independência na África foram patrocinados pelos países imperialistas, com o objetivo de garantir a exploração econômica do continente. b ) os distintos povos da África preferem negar suas origens étnicas e culturais, pois não há espaço, no mundo de hoje, para a defesa da identidade cultural africana. c ) a colonização britânica do litoral atlântico da África provocou a definitiva associação do continente à escravidão e sua submissão aos projetos de hegemonia europeia no Ocidente. d ) os atuais conflitos dentro do continente são comandados por potências estrangeiras, interessadas em dividir a África para explorar mais facilmente suas riquezas. e ) a maioria das divisões políticas da África definidas pelos colonizadores se manteve, em linhas gerais, mesmo após os movimentos de independência. Conflitos no mundo

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Unidade 8

biscito para definir o futuro da área. A Índia prefere a mediação internacional.


unidade Protesto realizado em Washington, Estados Unidos, em 2009, em razão do Dia da Ação pelo Clima.

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Natureza, sociedade e meio ambiente


É fato que nos últimos séculos nossa sociedade tem explorado a natureza e tratado o meio ambiente como fonte de recurso inesgotável. O caminho para um meio ambiente mais saudável e preservado não passa apenas pelos protestos e campanhas de conscientização, passa pela análise das atuais políticas públicas voltadas a essas questões, por reflexões a respeito de um desenvolvimento sustentável e, sobretudo, por uma mudança de atitude. O que a inscrição “More trees please” (em inglês) está reivindicando?

B

Na sua opinião, apenas essa reivindicação resolveria os problemas ambientais mundiais?

C

Qual é a sua reivindicação pelo meio ambiente? Conte aos colegas.

Ryan Rodrick Beiler/Shutterstock/Glow Images

A

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A natureza como fonte de recursos As sociedades e suas técnicas Ainda que o desenvolvimento das técnicas, acompanhado do expressivo avanço do conhecimento científico dos últimos dois séculos, tenha se tornado uma característica marcante dos mais diversos setores da nossa sociedade, não podemos esquecer que nem todas as sociedades evoluíram tecnicamente da mesma forma. Ainda hoje, existem diversas delas que garantem sua subsistência por meio de técnicas rudimentares e pouco elaboradas. Como exemplo, temos as sociedades agrícolas tradicionais, que vivem da caça, da pesca e da coleta, e se dedicam quase que exclusivamente ao cultivo de subsistência, e as que sobrevivem do pastoreio nômade.

Ao longo de sua história na Terra, o ser humano vem acumulando e adquirindo novos conhecimentos e habilidades, assim como aprimorando e desenvolvendo instrumentos e técnicas de trabalho para extrair da natureza os recursos necessários à sua sobrevivência. Além disso, necessita garantir sua existência por meio da produção de alimentos, construção de moradias, fabricação de roupas, utensílios, ferramentas de trabalho etc. Nos últimos dois séculos, porém, com os constantes avanços científicos e tecnológicos da sociedade capitalista industrial, as condições técnicas foram aprimoradas a um ritmo jamais alcançado antes. Ao serem aplicadas no processo produtivo, essas técnicas ampliaram de forma extraordinária a capacidade humana de intervir e, consequentemente, de explorar com maior intensidade os recursos naturais. Podemos ter como exemplo os solos, crescentemente aproveitados para a formação de lavouras e pastagens e das fontes hídricas, cada vez mais exploradas para pesca, navegação, irrigação de cultivos, abastecimento de cidades ou, ainda, para a geração de energia elétrica. Tudo o que a sociedade humana utiliza para produzir os bens de que precisa ou de que faz uso são obtidos de elementos existentes na natureza, também chamados recursos naturais. A exploração desses recursos promovida pelas atividades humanas começou a se tornar mais intensa nos últimos 250 anos, com a Revolução Industrial. A expansão da produção econômica, apoiada principalmente no desenvolvimento das atividades industriais, promoveu o aumento da produção em larga escala, exigindo, como consequência, a utilização cada vez maior de matérias-primas e de fontes energéticas cuja exploração alcançou níveis sem precedentes em toda a história.

De maneira geral, os recursos naturais podem ser classificados ou agrupados em duas categorias:

• •recursos

naturais renováveis: aqueles que podem ser repostos ou recriados (renovados) pela natureza em um período de tempo relativamente curto, desde que utilizados de maneira racional. Entre esses recursos estão florestas, rios (foto A), lagos, oceanos, solos (foto B);

A

Thomaz Vita Neto/Pulsar

Com o advento da sociedade industrial e o desenvolvimento científico e tecnológico voltado para o aumento crescente da produção, arraigou-se na sociedade capitalista a ideia da natureza como fornecedora

••recursos naturais não renováveis: aqueles que não po-

dem ser repostos pela sociedade e que levam milhões de anos para serem repostos pela natureza. Os minerais, como bauxita, ferro, ouro etc. (foto C); e os combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás natural (foto D), são exemplos de recursos que vão se esgotando à medida que são extraídos da natureza.

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de recursos econômicos, vistos como bens que podem ser explorados a fim de gerar riquezas e lucros. Com essa mentalidade estritamente econômica, a natureza passou a ser tratada como um simples estoque de matérias-primas, fonte inesgotável de recursos necessários para sustentar e garantir a própria reprodução do modo de produção. Dessa forma, a lógica que sustenta o industrialismo econômico em expansão ao longo dos últimos séculos está centrada na concepção de natureza como recurso infinito e inesgotável. Isso significa, portanto, que o sistema econômico moderno está organizado e orientado para a utilização cada vez mais eficaz da natureza e de seus recursos. Assim, pode-se dizer que as raízes do intenso processo de degradação da natureza e o agravamento dos problemas ambientais que presenciamos em nossa época ligam-se diretamente a esse modelo econômico predatório do ponto de vista ambiental. Leia o texto abaixo.

C

Lakeview Images/Shutterstock.com

B

William Mullins/Alamy Stock Photo/Latinstock

HAWKEN, Paul; LOVINS, Amory; LOVINS, L. Hunter. Capitalismo natural. Tradução Luiz A. de Araújo e Maria Luiza Felizardo. São Paulo: Cultrix, 2009. p. 2.

Hidrelétrica localizada em Fronteira, Minas Gerais, em 2016 (foto A, página 218). Lavoura irrigada em área de clima extremamente seco em Idaho, Estados Unidos, em 2014 (foto B). Área de exploração de carvão na Nova Zelândia, em 2015 (foto C). Plataforma de exploração de gás natural no mar do Norte, litoral da Noruega, em 2014 (foto D).

D

Natureza, sociedade e meio ambiente

Kristian Helgesen/Bloomberg/Getty Images

A revolução industrial que deu origem ao capitalismo moderno expandiu extraordinariamente as possibilidades de desenvolvimento material da humanidade. E continua expandindo até hoje, se bem que a um custo elevadíssimo. A partir de meados do século XVIII, destruiu-se mais a natureza que em toda a história anterior. Se os sistemas industriais alcançaram apogeus de sucesso, tornando-se capazes de criar e acumular vastos níveis de capital produzido pelo homem, o capital natural, do qual depende toda a prosperidade econômica da civilização, vem declinando rapidamente, sendo que o índice de perdas cresce na mesma proporção dos ganhos em termos de bem-estar material. O capital natural compreende todos os conhecidos recursos usados pela humanidade: a água, os minérios, o petróleo, as árvores, os peixes, o solo, o ar etc. Mas também abrangem sistemas vivos, os quais incluem os pastos, as savanas, os mangues, os estuários, os oceanos, os recifes de coral, as áreas ribeirinhas, as tundras, e as florestas tropicais. Estes estão se deteriorando em todo o mundo num ritmo sem precedentes. [...].

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Unidade 9

[...]


Contexto geográfico

Ponto de vista

Florestas do mundo: fonte inesgotável de recursos? O texto a seguir aborda o modo como a nossa sociedade capitalista tem explorado as florestas do mundo todo. Nesse texto, podemos verificar como as florestas têm sido tomadas como recurso à disposição para suprir as necessidades da sociedade de consumo e as consequências ambientais desse panorama. As florestas são os maiores, mais biologicamente diversificados e mais críticos ecossistemas do planeta. Antes, elas cobriam cerca de dois terços da área da Terra e, atualmente, ainda cobrem cerca de um terço, aproximadamente 40 milhões de km 2 . Estendem-se dos trópicos ao extremo da tundra do Ártico e abrigam cerca de metade das espécies animais e vegetais do mundo. As florestas têm papel vital na reciclagem de água no planeta, protegendo os solos e mantendo o ciclo natural de carbono. O homem sempre viveu, plantou e destruiu florestas. Existem provavelmente poucas florestas de fato virgens, [...] [por causa da] escala e a velocidade do desmatamento nos últimos duzentos anos [...]. Cerca de 99% de mata virgem da Europa fora da Rússia desapareceu, além de 95% das matas da parte continental dos Estados Unidos. Elas foram convertidas em área de cultivo, urbanizadas ou foram substituídas por plantações comerciais. Grandes áreas continuam existindo nas florestas “boreais” do norte da Rússia, do Canadá e do Alasca e nas florestas equatoriais da Amazônia, da África central e do Sudoeste da Ásia. No entanto, hoje, muitas florestas estão desaparecendo rapidamente e podem sumir em uma década. As pressões são maiores nos países mais densamente povoados, onde os fazendeiros migrantes queimam florestas para abrir terras para o plantio. Na bacia amazônica, latifundiários estão desmatando a floresta para abrir espaço para o pasto e a produção de soja, enquanto o corte de árvores está aumentando na África. Ilhas da Indonésia, como Bornéu e Sumatra, sofrem tanto com o corte de árvores quanto com a desobstrução para plantações que visam a produção de óleo de palma. Ironicamente, um mercado em crescimento para o uso de óleo de palma é como um aditivo de biocombustível ecológico na Europa. No entanto, a escala do desmatamento não é a única questão. A remoção gradual das florestas e a penetração das estradas recortam as florestas em fragmentos que não são capazes de manter uma vasta diversidade de espécies, porque os animais grandes têm menos espaço para perambular e porque a fragmentação limita a habilidade de um ecossistema de se recuperar de catástrofes como incêndios. A ilegalidade é um dos grandes problemas em florestas grandes e remotas. Os direitos das comunidades indígenas de administrar as florestas muitas vezes são desrespeitados, além de as leis de conservação serem muito desprezadas. Estima-se que 80% de todo o corte de árvores na Indonésia seja hoje ilegal. Em países pobres, onde as florestas são um dos únicos recursos naturais de valor, a corrupção do governo e a arrecadação de dinheiro por parte de exércitos, grupos rebeldes e milícias muitas vezes contribuem para a destruição de florestas. A Libéria, Mianmar (antiga Birmânia) e Papua-Nova Guiné são exemplos recentes bem documentados. Seguindo uma decisão de 1998 de pôr fim ao corte de árvores em florestas naturais em suas próprias fronteiras, a China é hoje o maior importador de madeira de lei da floresta tropical. Porém, a madeira, em grande

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parte cortada ilegalmente, termina em produtos como mobília, vendida na Europa, no Japão e na América do Norte. Quando florestas são removidas, os solos muitas vezes sofrem mais erosão quando expostos pela primeira vez à chuva direta. Mas a longo prazo, a destruição das florestas pode diminuir o volume das chuvas, já que, especialmente nas exuberantes florestas tropicais, as árvores coletam e reciclam a chuva, enviando-a novamente para o ar através de um processo de evapotranspiração, que mantém os ventos úmidos e estimula a queda da chuva a favor do vento. Ao remover as árvores, as chuvas cessam. A perda das florestas tropicais da África ocidental é vista como uma das razões para o aumento do deserto do Saara. O desmatamento também pode alterar o clima global indiretamente. A ••O texto descreve as complexas relações de equilíbrio que se madeira cortada pode liberar gás carbônico na atmosfera, um gás estabelecem nos ecossistemas 2 estufa que acelera o aquecimento global. A perda de 1 km de floresdas grandes florestas tropicais ta geralmente libera 10 mil toneladas de carbono. Até 20% do aquedo mundo. A destruição dessas cimento global atual pode ser resultado do carbono liberado pelo florestas tem impactos sobre desmatamento. Nas últimas duas décadas, as florestas temperadas da os solos, o clima, a fauna e a flora. Identifique e comente os Europa e da América do Norte tiveram aumentos modestos de exefeitos que o desmatamento tensão, graças ao plantio de lotes comerciais. No mundo todo, mais provoca nesses ecossistemas e florestas estão sendo declaradas parques nacionais e reservas, mas as perturbações que causam os conservadores afirmam que muitos desses “parques de papel” sobre os complexos oferecem pouca proteção para a sobrevivência das florestas naturais. mecanismos naturais que asseguram a manutenção da vida na biosfera. LeoFFreitas/Moment/Getty Images

TERRA frágil: o que está acontecendo com o nosso planeta. Tradução Alyne Azuma. São Paulo: Senac, 2009. p. 122-125.

Área de desmatamento e queimada da Floresta Amazônica em 2011.

Natureza, sociedade e meio ambiente

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Unidade 9

[...]


A sociedade de consumo e o consumismo O modelo de acumulação capitalista calcado na obtenção de lucros se reproduz, em grande parte, no aumento crescente dos níveis de produção e de consumo de bens e serviços. Mas essa expansão da sociedade de consumo em escala também crescente pode ser apontada como uma das causas estruturais da degradação ambiental contemporânea promovida pelo capitalismo. A cultura do consumo, que se coloca como condição básica para a manutenção do mercado, depende do aumento da produção, o que, por sua vez, aumenta a pressão sobre os recursos naturais, acarretando os mais variados impactos e problemas ambientais, como discutiremos mais adiante. Embora o consumo seja condição vital para que as pessoas satisfaçam suas necessidades básicas de sobrevivência (alimentos, roupas, medicamentos, moradias, escolas, hospitais etc.), o modelo econômico e a lógica do mercado têm estimulado as pessoas a consumirem exageradamente, o que nos permite dizer, portanto, que estamos vivendo em um mundo cada vez mais consumista. Associado a um conjunto de práticas sociais, culturais e econômicas, esse comportamento consumista está inserido na lógica mercantil, sendo motivado por causas múltiplas. Na disputa pelo domínio de fatias cada vez maiores do mercado, os segmentos produtivos utilizam inúmeros mecanismos e estratégias de venda. Por meio do marketing, por exemplo, anúncios publicitários veiculados na mídia (rádio, televisão, jornais, revistas, outdoors etc.) procuram estimular o consumo, despertando nas pessoas o desejo de adquirir mais e mais produtos (leia texto a seguir).

Korkusung/Shutterstock.com

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não representam recomendação ou indicação comercial. Eles foram mencionados apenas como recurso didático.

A indústria da publicidade (ou propaganda comercial) teve início com a eclosão dos meios de comunicação, algo evidenciado a partir do início do século XIX. Até então, o trabalho da comunicação persuasiva para fins comerciais limitava-se praticamente a veículos impressos com tiragens limitadas e peças gráficas com distribuição local. Com revistas e jornais em escala industrial, emissoras de rádio e televisão espalhando-se pelos diferentes países, a comunicação publicitária passou a atender às demandas massivas de marketing dos anunciantes. Sua mensagem persuasiva e em massa estruturou-se de forma que impactasse as decisões dos consumidores, aliando-se aos propósitos de marketing. [...] Está ficando difícil evitar a propaganda. Os refúgios contra o comercialismo e o consumismo estão desaparecendo rapidamente. As mensagens comerciais estão estampadas na areia das praias, nos caixas dos bancos, nos bilhetes de estacionamentos, nos caminhões de entrega, nas bombas de posto de gasolina e até nas latas de lixo. GIACOMINI FILHO, Gino. Meio ambiente & consumismo. São Paulo: Senac, 2008. p. 217; 223.

Os anúncios publicitários que abarrotam as ruas do comércio são a expressão máxima da sociedade de consumo em que vivemos. Ao lado, vista de ruas comerciais de Tóquio, Japão, em 2015.

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A rapidez com que as inovações tecnológicas ocorrem também contribui para o aumento do consumo. Com as empresas lançando produtos cada vez mais sofisticados e avançados do ponto de vista tecnológico, as pessoas tendem a substituir produtos ainda novos pelos que acabam de chegar às lojas do comércio. Estrategicamente planejado pelas empresas, o lançamento de novos produtos que inundam as lojas do comércio aumenta em muito suas vendas gerando, portanto, novos hábitos consumistas.

As promoções são uma das estratégias de estímulo ao consumismo. Acima, fotografia de loja apostando em liquidações para atrair clientes em Londres, Inglaterra, em 2015. Unidade 9

Embora essas opções facilitem o acesso ao consumo, elas induzem ao consumismo, aumentando também o endividamento individual, uma vez que muitos consumidores acabam tendo dificuldades de efetuar o pagamento dos compromissos assumidos no ato da compra.

Bikeworldtravel/Shutterstock.com

Mas, para garantir essa expansão do consumo e estimular as pessoas a comprar cada vez mais, o mercado também se encarregou de criar inúmeras estratégias de venda. Os estabelecimentos comerciais, sobretudo as grandes redes, apostam na realização de promoções e liquidações e oferecem formas de pagamento “facilitadas” como crediários, prestações, parcelamento em cartões de crédito etc. As instituições financeiras, por outro lado, oferecem linhas de crédito, como financiamentos e empréstimos que permitem a aquisição de produtos sem que o consumidor tenha de fazer o pagamento imediato da compra.

Desigualdade e consumo no mundo Ainda que o nível de consumo da sociedade contemporânea continue se expandindo, ele ocorre de maneira bastante desigual entre os países do mundo. Como o consumo de uma população é determinado em grande parte pelo nível de sua renda, pode-se concluir que existem grandes diferenças de consumo entre os países ricos e desenvolvidos e os países subdesenvolvidos. Nos países ricos, a renda per capita anual da população está, em média, acima de 45 mil dólares, como ocorre nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca e Austrália. Já em países mais pobres, essa mesma renda não chega a 1 100 dólares Consumo desigual de calorias – 2011 ao ano, caso do Haiti, Bangladesh, Afeganistão, Serra Leoa, NíKcal/dia Estados Áustria 4 000 ger e Ruanda. Unidos 3 784 3 636

3 500 3 000

calorias abaixo do mínimo recomendado pode ocasionar à população? E o consumo de calorias acima do recomendado?

Bolívia 2254

2 500 2 000

• •O que o consumo de

Brasil 3 287

1 500

Quantidade recomendada de quilocaloria mínima a ser ingerida por uma pessoa diariamente.

Chade 2061

Zâmbia 1 937

Somália 1 696

1 000 Gilberto Alicio

O gráfico ao lado apresenta o consumo de calorias per capita, demonstrando a desigualdade no mundo em relação ao consumo alimentar. Observe-o.

500 0 Fonte: FOOD and Agriculture Organization (FAO). Disponível em: <http://faostat.fao.org/site/610/desktopdefault. aspx?pageid=610#ancor>. Acesso em: 3 set. 2015.

Natureza, sociedade e meio ambiente

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Explorando o tema

A crise ambiental contemporânea

[...] O excessivo crescimento tecnológico criou um meio ambiente no qual a vida se tornou física e mentalmente doentia. Ar poluído, ruídos irritantes, congestionamento de tráfego, poluentes químicos, riscos de radiação e muitas outras fontes de estresse físico e psicológico passaram a fazer parte da vida cotidiana da maioria das pessoas. Esses múltiplos riscos para a saúde não são apenas subprodutos casuais do progresso tecnológico; são características integrantes de um sistema econômico obcecado com o crescimento e a expansão, e que continua a intensificar sua alta tecnologia numa tentativa de aumentar a produtividade. [...] A tecnologia humana está desintegrando e perturbando seriamente os processos ecológicos que sustentam nosso meio ambiente natural e que são a própria base de nossa existência. [...] CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. Tradução Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix, 2004. p. 226-227.

Ao longo das últimas décadas, à medida que os problemas ambientais foram se agravando e seus efeitos começaram a colocar em risco os complexos mecanismos naturais que regulam e sustentam a vida na biosfera, muitos estudiosos passaram a assegurar que a humanidade está vivendo uma profunda crise ambiental. A emergência dessa crise ambiental contemporânea, que se distingue das questões ambientais do passado pelo fato de representar, agora, uma possível ameaça à própria sobrevivência humana, tem se caracterizado pelo surgimento e agravamento dos mais diversos problemas ambientais, como descrito no texto acima. A devastação indiscriminada dos ecossistemas terrestres decorrente do aumento de desmatamentos e queimadas predatórias, por exemplo, tem diminuído drasticamente os ecossistemas naturais, causando a extinção de muitas espécies animais e vegetais. Com a perturbação dos sistemas ecológicos, os desequilíbrios naturais comprometem diretamente as relações bióticas que asseguram a complexa biodiversidade em tais ecossistemas (foto A). Os gases expelidos pelas chaminés das fábricas e pelos escapamentos dos veículos automotores, assim como os gerados pelas queimadas realizadas em extensas áreas de florestas, aumentaram a concentração de poluentes atmosféricos (foto B). A concentração excessiva desses gases alterou a composição química da baixa atmosfera, perturbando os mecanismos que regulam as condições climátiA

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Ricardo Funari/Brazil Photos/LightRocket/Getty Images

Baixa atmosfera: referente à camada da atmosfera conhecida como Troposfera, onde há maior concentração de gases e ocorrência de fenômenos meteorológicos.


cas no mundo. Para muitos especialistas, o fenômeno do aquecimento global, por exemplo, está ligado ao aumento da concentração de certos poluentes atmosféricos, assunto que será tratado na próxima unidade. Os recursos hídricos também estão sendo seriamente afetados. A construção de usinas hidrelétricas ao longo do curso dos rios, por exemplo, tem alterado o fluxo natural das águas fluviais, interferindo no ciclo de cheias e vazantes e afetando diretamente o processo de procriação dos peixes na época da piracema. A flora e a fauna fluvial e lacustre também são afetadas pela poluição das fontes hídricas, provocada por esgotos domésticos e industriais, e pelos resíduos químicos aplicados nas lavouras. Os oceanos, por sua vez, são afetados pela poluição e pelo lixo, que são lançados de maneira indiscriminada em várias regiões do planeta (foto C), e também pela pesca predatória, prática que tem provocado a diminuição de inúmeras espécies de peixes e crustáceos, levando ao desequilíbrio os ecossistemas marinhos.

A excessiva exploração dos recursos hídricos ocasionada pelo aumento do consumo e também pelo desperdício, do mesmo modo que a degradação das reservas hídricas, contribuem para agravar o problema da escassez de água potável, que já afeta várias regiões do mundo. Por causa do manejo inadequado dos solos, extensas áreas agrícolas têm se tornado improdutivas. A perda de fertilidade do solo, o aumento de processos erosivos e até mesmo de desertificação são problemas que afetam a produção agrícola em vários lugares do mundo.

Vasta área devastada da Floresta Amazônica no Acre em 2014 (foto A). Poluição do ar por usinas termelétricas e indústrias, em Nizhny Tagil, Rússia, em 2014 (foto B). Derramamento de petróleo em Santa Bárbara, Estados Unidos, em 2015 (foto C). U.S. Coast Guard/Handout/Reuters/Latinstock

B

Joedson Alves/dpa/Corbis/Latinstock

O avanço da atividade mineradora em grande escala, por sua vez, tem aumentado enormemente a exploração de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral, e também de minerais, como o ferro, a bauxita, o níquel e o manganês. Como a disponibilidade desses recursos é limitada, alguns estudos apontam que muitos deles poderão se tornar escassos ao longo das próximas décadas, caso seja mantido esse ritmo de exploração. C

Natureza, sociedade e meio ambiente

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Unidade 9

A crise ambiental contemporânea também é marcada pela superexploração dos recursos naturais (renováveis e não renováveis), fato que tem causado grande preocupação em relação à exaustão e à escassez de recursos imprescindíveis à sociedade. Os desmatamentos e as queimadas realizadas para a exploração madeireira e também para a abertura de novas áreas agrícolas, vêm provocando a diminuição das áreas florestais.

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O despertar da consciência ecológica A preocupação com o agravamento dos problemas ambientais levou, a partir das décadas de 1960 e 1970, ao surgimento de movimentos ambientalistas organizados pela sociedade civil como forma de protestar, alarmar e cobrar mudanças para reverter o preocupante cenário de degradação da natureza promovido pela sociedade. A emergência dos movimentos ambientalistas eclodiu juntamente com um conjunto de outras manifestações de caráter social, das quais fazem parte o movimento das mulheres, dos negros e dos pacifistas, por meio de determinados segmentos sociais engajados na luta por melhores condições de existência e de vida no planeta. Uma característica singular dos movimentos ambientalistas e ecológicos, em comparação com outros movimentos sociais, reside no fato de que, na prática, nenhum outro movimento passou a questionar, de maneira tão ampla, temas tão distintos quanto aqueles que perpassam pela questão ambiental. DDT: pesticida Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT), do grupo dos organoclorados, que foi largamente utilizado no combate às pragas, principalmente nas atividades agrícolas, até a década de 1970. Porém, estudos realizados na época constataram que o DDT provoca envenenamento em seres vivos por meio da cadeia alimentar, uma vez que se acumula no organismo dos animais, bem como contamina o ambiente. Assim, a fabricação e a utilização do DDT foram proibidas em diversos países, inclusive no Brasil.

[...] Sob a chancela do movimento ecológico, veremos o desenvolvimento de lutas em torno de questões as mais diversas: extinção de espécies, desmatamento, uso de agrotóxicos, urbanização desenfreada, explosão demográfica, poluição do ar e da água, contaminação de alimentos, erosão dos solos, diminuição das terras agricultáveis pela construção de grandes barragens, ameaça nuclear, guerra bacteriológica, corrida armamentista, tecnologias que afirmam concentração de poder, entre outras. [...] PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. Os (des)caminhos do meio ambiente. São Paulo: Contexto, 1998. p. 12.

Os movimentos ambientalistas começaram a se fortalecer primeiro na Europa e nos Estados Unidos com a ocorrência de alguns grandes desastres ambientais antes da década de 1970, tais como: a contaminação do ar nas cidades de Nova York e Londres, entre 1952 e 1960; a intoxicação por mercúrio nas baías de Minamata e Niigata, entre 1953 e 1965, no Japão; o acidente com o navio superpetroleiro Torrey Canyon, ocorrido no canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, em 1967; a redução da vida aquática em alguns dos Grandes Lagos, nos Estados Unidos; a morte de aves causada pelos efeitos de pesticidas, como o DDT. Nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, esses movimentos chegaram um pouco mais tarde, já no final da década de 1970 e início dos anos 1980.

Bettman/Corbis/Latinstock

Paralelamente a acontecimentos como esses que despertaram a opinião pública, a questão ambiental também se tornou alvo de maior preocupação da comunidade científica, sobretudo com os avanços da ecologia e ciências correlatas, como a biologia, por exemplo. Uma nova literatura começou a questionar os limites da degradação ambiental no planeta, que, no plano político internacional, também se tornaram alvo de maior preocupação. Foi nesse contexto que a temática ambiental adquiriu projeção e ganhou espaço nas grandes discussões internacionais (leia quadro na página seguinte). Algumas pessoas se protegiam da poluição do ar por meio de máscara, em Londres, em 1953.

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••1968 – Clube de Roma (Roma, Itália) Especialistas de diversos países formulam projeções sobre o futuro do planeta e os

riscos ambientais promovidos pelo modelo de desenvolvimento vigente, baseado na exploração dos recursos naturais. O estudo publicado com o nome Os limites do crescimento alerta para os limites da exploração do planeta, algo até então inquestionável.

••1972 – I Conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente

(Estocolmo, Suécia) Grande discussão promovida por representantes de governos, instituições governamentais e não governamentais sobre o controle da poluição do ar, a proteção dos recursos marinhos, a preservação e o uso dos recursos naturais, entre outras.

••1987 – Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento A elaboração do documento Our Common Future (Nosso futuro comum), conhecido

como Relatório Brundtland, aponta para a necessidade de conciliar o crescimento econômico com a preservação do meio ambiente, chamado “desenvolvimento sustentável”.

••1992 – Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e

Desenvolvimento (Rio de Janeiro, Brasil) A ideia de desenvolvimento sustentável passa a ser tomada como meta para conciliar o crescimento econômico, a justiça social e a conservação ambiental. Fortalecimento da consciência ambiental e dos movimentos ecológicos.

••1997 – Protocolo de Kyoto (Japão) Instituição de metas para a redução progressiva na emissão de gases poluentes,

sobretudo daqueles que agravam o efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO 2). Os países mais ricos e industrializados deveriam se comprometer a reduzir a emissão desses gases; proposta recusada pelos Estados Unidos (que respondem por aproximadamente 25% da emissão total de CO2 na atmosfera).

••2002 – Conferência da Cúpula Mundial para o Desenvolvimento

Unidade 9

Sustentável – Rio+10 (Johanesburgo, África do Sul) Debates sobre a conservação ambiental e discussão de temáticas sociais, como a meta de redução do número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Em geral, as nações se recusaram a assumir compromissos e metas de curto prazo para a melhoria socioambiental, como a substituição dos combustíveis fósseis por fontes energéticas renováveis, como a eólica, a solar etc.

••2012 – Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 (Rio de Janeiro, Brasil)

Avaliação dos objetivos e das metas alcançadas nos últimos vinte anos em relação

Joedson Alves/dpa/Corbis/Latinstock

às questões ambientais, em especial, sobre as estratégias mais eficientes para se promover a sustentabilidade ambiental, além de combater e eliminar a pobreza extrema no mundo.

A fotografia ao lado mostra reunião de chefes e representantes de Estado na Rio+20, ocorrida no Rio de Janeiro, em 2012.

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O desenvolvimento sustentável

Greenpeace

Apesar dos interesses contraditórios que envolvem a temática ambiental, sobretudo no que se refere à questão econômica, a ação desses movimentos tem alimentado a ideia de que a preservação ambiental passa, sem sombra de dúvida, pelo estabelecimento de uma nova atitude em relação à natureza, ideia que se encontra nas bases da construção de uma sociedade ecologicamente sustentável. Miguel Schincariol/AFP/Getty Images

SOS Mata Atlântica

Projeto Tamar

O fortalecimento dos movimentos ecológicos pelo mundo, ao longo das últimas décadas, vem contribuindo para o estabelecimento de uma consciência ambiental em escala planetária. Ao atuarem em inúmeras frentes, como na proteção de florestas e outros ecossistemas, em defesa de espécies ameaçadas de extinção, na preservação do patrimônio natural e na denúncia de crimes ambientais, esses movimentos têm pressionado muitos governos e setores da sociedade a assumirem compromissos cada vez maiores em relação às questões de ordem ambiental.

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não figuram recomendação ou indicação comercial. Eles foram usados apenas como recurso didático.

Acima, logomarcas de alguns movimentos ambientalistas que atuam no Brasil e no mundo. Ao lado, fotografia de protesto coordenado pela ONG Greenpeace reivindicando políticas públicas mais eficientes relativas à questão da água, em São Paulo, em 2015.

A implantação de uma sociedade ambientalmente sustentável em escala planetária, no entanto, exigirá mudanças profundas que implicam o estabelecimento de novas relações no campo político e social, com a participação ativa de todos os segmentos envolvidos: governos, agentes econômicos e sociedade civil organizada. Governança: refere-se à maneira pela qual o poder é exercido na administração dos recursos sociais e econômicos de um país visando o desenvolvimento.

No âmbito da governança, será preciso que os governos se empenhem no desenvolvimento de ações concretas, voltadas para a amenização dos impactos ambientais, promovendo a adequação de suas legislações e a fiscalização mais efetiva dos crimes ambientais e priorizando projetos ambientalmente sustentáveis, além de se empenharem na criação de campanhas capazes de disseminar a conscientização ecológica. No âmbito da iniciativa privada, será preciso que o setor empresarial invista no desenvolvimento de tecnologias limpas, mais eficientes e menos poluidoras, como forma de minimizar os impactos ambientais. A construção de uma sociedade sustentável também depende diretamente da participação consciente dos cidadãos. São necessárias, pois, atitudes mais ativas, tanto nas discussões políticas para cobrar das autoridades competentes a solução para os problemas ambientais, quanto na adoção de atitudes que sejam compatíveis com a preservação dos recursos naturais, como a revisão de hábitos consumistas, por exemplo. Leia o texto da página seguinte sobre o conceito de desenvolvimento sustentável.

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[...] Embora seja um conceito amplamente utilizado, não existe uma única visão do que seja o desenvolvimento sustentável. Para alguns, alcançar o desenvolvimento sustentável é obter o crescimento econômico contínuo através de um manejo mais racional dos recursos naturais e da utilização de tecnologias mais eficientes e menos poluentes. Para outros, o desenvolvimento sustentável é antes de tudo um projeto social e político destinado a erradicar a pobreza, elevar a qualidade de vida e satisfazer às necessidades básicas da humanidade, que oferece os princípios e as orientações para o desenvolvimento harmônico da sociedade, considerando a apropriação e a transformação sustentável dos recursos ambientais. [...] A despeito das divergências existentes quanto ao conceito de desenvolvimento sustentável, alguns denominadores comuns sempre estão presentes: 1. igualdade: todos os povos devem ter acesso à possibilidade de melhorar seu bem-estar econômico, tanto suas gerações presentes quanto futuras; 2. administração responsável: os processos produtivos e financeiros devem ser responsáveis com relação a aquilo que é objeto de suas ações, sendo elaborados de forma a causar o menor prejuízo ambiental; 3. limites: o desenvolvimento deve ser encaminhado dentro dos limites tanto dos recursos naturais não renováveis, quanto da intervenção tolerável do ser humano sobre os ecossistemas;

Unidade 9

4. comunidade global: não há fronteiras nacionais ou geográficas para os prejuízos ambientais; somente as ações e a cooperação internacionais possibilitam reparar prejuízos já causados e assegurar um desenvolvimento seguro no futuro; 5. natureza sistêmica: o desenvolvimento deve considerar os inter-relacionamentos entre ecossistemas naturais e as atividades humanas. [...] Fica claro que o conceito dá margem a interpretações que de modo geral baseiam-se num desequilíbrio entre os três eixos fundamentais do conceito de sustentabilidade, que são: o crescimento econômico, a preservação ambiental e a equidade social. [...]

elevação da equidade elevação da autossuficiência local usar tecnologia apropriada satisfazer as necessidades humanas básicas garantir a participação e a transparência usar tecnologias apropriadas

A figura ilustra a maneira como se inter-relacionam os imperativos de âmbito social, ambiental e econômico para o desenvolvimento sustentável.

Tamires Azevedo

SEIFFERT, Mari Elizabete B. Gestão ambiental: instrumentos, esferas de ação e educação ambiental. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 24-26.

desenvolvimento

desenvolvimento

social

sustentar o crescimento econômico maximizar os ganhos privados ampliar os mercados externalizar os custos

econômico

desenvolvimento

ambiental

respeito à capacidade de suporte dos ecossistemas conservar e reciclar produtos para reduzir desperdícios

Fonte: SEIFFERT, Mari Elizabete B. Gestão ambiental: instrumentos, esferas de ação e educação ambiental. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 27.

Natureza, sociedade e meio ambiente

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. O que são recursos naturais? 2. Diferencie: a ) recurso natural renovável; b ) recurso natural não renovável. 3. Qual ideia o atual modo capitalista de produção faz da natureza? Como ela tem sido tratada em razão dessa visão? 4. Em que consiste o capital natural? 5. Comente qual é a relação entre o consumo, o consumismo e a crescente degradação dos recursos naturais. 6. Como os estabelecimentos comerciais e as instituições financeiras têm estimulado a expansão do consumo?

7. Comente as consequências da crise ambiental contemporânea, em relação: a ) aos recursos hídricos; b ) aos recursos florestais; c ) à atividade mineradora. 8. Cite uma das questões discutidas nas seguintes Conferências do Meio Ambiente, realizadas em: a ) Estocolmo (1972); b ) Rio de Janeiro (ECO-92 – 1992); c ) Johanesburgo (2002); d ) Rio de Janeiro (RIO+20 – 2012). 9. Quais são os principais objetivos e ações dos movimentos ecológicos?

Expandindo o conteúdo 10. Analise o texto e responda às questões propostas.

O preço oculto daquilo que compramos [...] Nosso mundo de abundância vem com uma etiqueta de preço oculta. Não podemos ver os custos ocultos das coisas que compramos e usamos diariamente – seu impacto no planeta, na saúde do consumidor e nas pessoas cujo trabalho nos proporciona conforto e supre nossas necessidades. Passamos pela vida cotidiana em meio a um mar de objetos que compramos, usamos e jogamos fora, desperdiçamos ou guardamos. Cada uma dessas coisas tem uma história e um futuro próprios, uma história pregressa e um destino que nossos olhos não veem, uma rede de impactos que ficaram ao longo do caminho, da extração e mistura inicial de seus ingredientes, desde a produção e o transporte até as sutis consequências de seu uso em nossos lares e locais de trabalho, no dia em que nos desfazemos dela. No entanto, o impacto oculto de todas essas coisas talvez seja seu aspecto mais importante. As tecnologias de produção e a química por elas utilizada foram escolhidas em uma época mais inocente, quando compradores e engenheiros industriais podiam se dar ao luxo de prestar pouca ou nenhuma atenção aos impactos adversos do que se produzia. Em geral, ficavam compreensivelmente satisfeitos com os benefícios: a eletricidade gerada pela queima de carvão, em quantidade suficiente para durar séculos; plásticos baratos e maleáveis feitos a partir de um mar aparentemente infinito de petróleo; o baú de tesouros dos compostos químicos sintéticos; chumbo barato que conferia brilho e vida às tintas. Não estavam cientes dos custos dessas escolhas bem-intencionadas para nosso planeta e seus habitantes.

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Ainda que a composição e os impactos daquilo que compramos e utilizamos diariamente sejam, em sua maior parte, resultado de decisões tomadas há muito tempo, elas continuam determinando a prática diária no design dos processos de produção e na química industrial – e acabam em nossos lares, escolas, hospitais e locais de trabalho. O legado material que herdamos das invenções da era industrial do século XX – as quais tanto nos deixam maravilhados – tornou a vida imensuravelmente mais conveniente do que aquela que levavam nossas bisavós. [...] Como eram utilizados no ambiente de negócios do passado, as substâncias químicas e os processos industriais de hoje faziam todo sentido; hoje, porém, muitos não mais se justificam. Consumidores e empresas não podem mais se dar ao luxo de não rever decisões invisíveis sobre essas substâncias e processos – e suas consequências ecológicas. [...] GOLEMAN, Daniel. Inteligência ecológica: o impacto do que consumimos e as mudanças que podem melhorar o planeta. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. p. 2 e 3.

a ) Qual é a ideia geral do texto? b ) Explique em que consiste o “preço oculto” dos produtos que consumimos. c ) O modo de pensar de compradores e engenheiros industriais do passado se sustenta na atualidade? Elabore sua explicação relacionando-a ao despertar da consciência ecológica.

Unidade 9

Lute

11. Analise a charge e desenvolva um debate proposto com base nas questões a seguir.

LUTE. Jornal Hoje em dia, Belo Horizonte, 21 jun. 2012. Disponível em: <http://hojeemdia.com.br>. Acesso em: 10 maio 2016.

a ) Qual é a mensagem transmitida pela charge? b ) Vocês concordam que as ações de preservação do meio ambiente passam pela diminuição do consumo? c ) Em que consiste abandonar o modelo de consumismo desenfreado, citado na charge? Responda dando exemplos. d ) Na sua opinião, que tipo de atitudes podem reduzir o modo consumista em que vivemos na atualidade? Natureza, sociedade e meio ambiente

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Ampliando seus conhecimentos Aproveite a imagem da campanha ecológica apresentada nesta seção para conscientizar os alunos dos problemas ambientais. Leve-os a refletir sobre os problemas ambientais que ocorrem no lugar onde vivem. Como sugestão de trabalho, os alunos podem ser orientados a promover um concurso para eleger a melhor campanha ecológica. Peça que ilustrem um cartaz para uma campanha que tenha como tema um determinado problema ambiental, global ou local, escolhido por eles. Incentive-os a criar slogans e paródias, podendo desenvolver um trabalho interdisciplinar com a disciplina de Língua Portuguesa.

Geografia, ciência e cultura

A consciência ecológica e os movimentos ambientalistas

Atualmente vivemos uma crise ambiental como nunca havíamos presenciado ao longo da história da humanidade. À medida que os problemas ambientais foram se agravando, um número cada vez maior de movimentos ecológicos ou ambientalistas passaram a agir em defesa de diversas causas, como na preservação das florestas, da vida dos animais e ainda no combate às diferentes formas de poluição. De modo geral, os movimentos ambientalistas agem por meio de organizações não governamentais (ONGs). Utilizando imagens e mensagens interessantes, as campanhas ecológicas promovidas por essas ONGs procuram sensibilizar as pessoas e, sobretudo, disseminar a consciência ecológica na sociedade. A imagem abaixo mostra uma campanha ecológica desenvolvida pela WWF (Fundo Mundial para a Natureza), uma das ONGs mais conhecidas mundialmente, em Brasília, em 2011.

Marcello Casal Jr/Abr

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não representam recomendação ou indicação comercial. Eles foram mencionados apenas como recurso didático.

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A era da estupidez

O filme retrata o mundo devastado por uma série de desastres ambientais em 2055. Ao longo do filme somos levados a refletir sobre a responsabilidade individual e coletiva em relação a essa possível catástrofe global.

Filme de Franny Armstrong. A era da estupidez. Reino Unido. 2009

A Geografia no cinema

Título: A era da estupidez (The age of stupid) Diretor: Franny Armstrong Atores principais: Pete Postlethwaite, Jamila Bayyoud, Adnan Bayyoud e Piers Guy Ano: 2009 Duração: 100 minutos Origem: Reino Unido

Para assistir

••A HISTÓRIA das coisas. Direção: Annie Leonard. Estados Unidos, 2009. Após aproximadamente uma década de pesquisas relacionadas à produção

de bens de consumo, esse filme foi produzido abordando como tema central o consumo. Ao longo das imagens apresentadas verificamos a necessidade de criarmos um mundo sustentável.

Unidade 9

Para ler

••ADEODATO FILHO, Sérgio. A arte da reciclagem. São Paulo: Editora Horizonte, 2007.

••CAMARGO, Ana Luiza de Brasil. Desenvolvimento Sustentável: dimensões e desafios. Campinas: Papirus, 2003. (Coleção Papirus Educação).

••CHIAVENATO, Júlio José. Ética globalizada e sociedade de consumo. São Paulo: Moderna, 2004.

••DIAS,

Genebaldo Freire. 40 contribuições para a sustentabilidade. São Paulo: Gaia, 2005.

••GOLEMAN, Daniel. Inteligência ecológica: o impacto do que consumimos e as mudanças que podem melhorar o planeta. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

••GONÇALVES, Pólita. A cultura do supérfluo: lixo e desperdício na sociedade de consumo. Rio de Janeiro: Garamond, 2011. (Desafios do século XXI).

••TRIGUEIRO,

André. Mundo sustentável: abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação. São Paulo: Globo, 2005.

Para navegar

••AGENDA 21. Disponível em: <http://tub.im/wbxtxq>. Acesso em: 24 mar. 2016. ••AKATU. Disponível em: <http://tub.im/higwny>. Acesso em: 24 mar. 2016. ••BRASIL. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Disponível em: <http://tub.im/ zk5ozi>. Acesso em: 24 mar. 2016.

••INSTITUTO Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ciência para sustentabilidade (CCST) – INPE. Disponível em: <http://tub.im/mgavi2>. Acesso em: 24 mar. 2016.

Natureza, sociedade e meio ambiente

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Questões do Enem e Vestibular 1. (UFBA-BA) A antiga lenda grega de Pandora e da caixa que abriu libertando as pragas e desastres é um mito que podemos evocar na atualidade. Dessa forma, em uma aplicação do mito da caixa de Pandora, o desenvolvimento técnico-científico, médico e militar atual parece ter desencadeado forças de consequências perigosas que se voltam contra nós. Já temos sinais evidentes de advertência dados pelo ambiente global: terras cultiváveis estão sendo envenenadas por produtos químicos, o ar das grandes cidades é perigoso para respirar; florestas são derrubadas, rios e lagos estão cada vez mais poluídos por despejos de resíduos químicos. As vastas quantidades de poluentes que entram no oceano, quase um milhão de substâncias tóxicas, estão envenenando a vida marinha, especialmente as diatomáceas que absorvem o dióxido de carbono e produzem oxigênio. (MORAES, 2011, p. 168).

Com base nas informações do texto e nos conhecimentos sobre os grandes problemas ambientais ocorridos no mundo contemporâneo, pode-se afirmar: (01), (08) e (32). Total: 41. (01) O assoreamento dos rios e das nascentes é um problema causado pela perda do solo, pois a remoção da mata ciliar fa z com que as águas pluviais carreguem maior quantidade de sedimentos para os leitos fluviais, reduzindo, assim, a vazão e a profundidade dos canais de drenagem. (02) A poluição do ar nas grandes cidades localizadas em fundo de vales, como a cidade do México, agrava-se substancialmente, sobretudo durante o verão, uma vez que o ar mais aquecido favorece o aprisionamento dos poluentes em suspensão, concentrando-os nos níveis mais altos da atmosfera. (04) O Mar de Aral, localizado no extremo norte da Ásia, representa, na atualidade, um símbolo de preservação ambiental, no tocante ao uso de suas águas, pois conseguiu manter, ao longo das últimas

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Anote as respostas no caderno.

décadas, a extensão original de sua área geográfica, sem alterar a salinidade. (08) A silvicultura representa um agente modificador das florestas tropicais, uma vez que essa atividade substitui a mata original por outros tipos de árvores plantadas de forma homogênea, visando a atender, dentre outras, a produção de celulose. (16) Os grandes centros urbanos vêm apresentando, cada vez mais, uma redução das áreas verdes e um contínuo aumento da permeabilidade dos solos, dificultando o escoamento superficial e ocasionando uma diminuição do lençol subterrâneo. (32) Os oceanos recebem uma quantidade muito grande de poluentes, sobretudo nas desembocaduras dos canais fluviais, seja por descarga deliberada e transportada, seja por condições de arraste natural ou, ainda, por canais efluentes, comprometendo a qualidade das praias e a estrutura dos corais. (64) O processo de desertificação que vem se alastrando no sudeste do Rio Grande do Sul advém de fatores climáticos associados ao uso intensivo do solo agrícola para produção de cereais, em terrenos de estrutura geológica cristalina, gerando uma verdadeira degradação ambiental denominada de “arenização”.

2. (FATEC-SP) Foram necessários bilhões de anos, com uma complexidade e uma evolução irrepetíveis, para construir o patrimônio biológico de uma única espécie; nos próximos decênios, a intervenção do homem será responsável pelo desaparecimento de uma espécie viva a cada quarto de hora. Mas a cultura ecológica permanece à margem da política e da cultura oficial. No máximo toma-se posição, no discurso, a favor do meio ambiente, mas quando os problemas ambientais opõem-se às vantagens econômicas e à manutenção do emprego dentro da estrutura social existente, a tendência sempre é de minimizar a gravidade das consequências que recairão sobre as vidas futuras. O principal ponto a discutir


TIEZZI, Enzo. Tempos históricos, tempos biológicos. São Paulo: Nobel, 1988. Adaptado.

Conforme as ideias do texto, é correto afirmar que: D. a ) o crescimento sustentável é possível conservando-se os padrões de produção, emprego e consumo atuais. b ) os ritmos biológicos e geológicos são mais rápidos que os ritmos da produção capitalista de mercadorias. c ) a sociedade superdimensiona os problemas ecológicos para poder reduzir os empregos dos trabalhadores. d ) o crescimento desenfreado tem de ser reavaliado para decidirmos novas bases para nosso modo de vida. e ) a gravidade do problema ecológico é levada a sério na prática dos Estados e da maior parte da sociedade.

3. (UFPA-PA) A busca descontrolada do crescimento econômico pelas sociedades contemporâneas tem gerado o agravamento dos problemas socioambientais no planeta. Sobre esses impactos é correto afirmar que: B. a ) a proteção das águas dos rios, em áreas florestais, tem contribuído para o crescimento do uso irracional e aumento da poluição de seus recursos hídricos. b ) o incentivo à redução do desmatamento intensifica a preservação das espécies vegetais, em áreas de floresta, e, ao mesmo tempo, combate o aquecimento global. c ) o crescimento da pecuária, nas pradarias e nas savanas tropicais, contribui para a implantação de programas de preservação de organismos vivos de todas as origens. d ) as políticas e as práticas para o desenvolvimento sustentável alteram a composição atmosférica e intensificam o desaparecimento de corredores de biodiversidade no planeta. e ) o processo de desertificação no planeta,

intensificado pelas atividades econômicas, preserva os cursos de água e a vegetação ribeirinha presente nas estepes tropicais.

4. (UFG-GO) Quando nascemos fomos programados A receber o que vocês nos empurraram Com os enlatados dos USA, de 9 às 6. Desde pequenos nós comemos lixo Comercial e industrial Mas agora chegou nossa vez Vamos cuspir o lixo em cima de vocês. Somos os filhos da revolução Somos burgueses sem religião Nós somos o futuro da nação Geração Coca-Cola. (...) Renato Russo

O trecho acima, da música “Geração Coca-Cola”, evoca uma das principais características do mundo moderno: o consumismo. Com base nos conhecimentos sobre o assunto, julgue os itens. V-V-V-F.

• •O consumismo se caracteriza como um comportamento social em que o consumo deixa de ser meio e adquire status de finalidade.

• •A

globalização da economia fez surgir uma nova geografia do consumo: países e regiões com níveis de desenvolvimento econômico distintos consomem produtos e serviços semelhantes.

• •O modelo de consumo “mundializado” deixa

marcas evidentes no espaço das metrópoles, onde proliferam estabelecimentos comerciais de grande porte, como shopping centers, hipermercados etc.

• •A presença, num mesmo espaço geográfico

regional, do consumidor e do produtor do bem de consumo é necessária, porque os circuitos espaciais de produção são demarcados pelas fronteiras regionais.

5. (ENEM-MEC) “Uma criança nascida em um país altamente industrializado contribui mais para o consumo e para a poluição, ao longo de sua Natureza, sociedade e meio ambiente

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Unidade 9

hoje é o crescimento material sem limites nem objetivos. Para isso, é preciso rediscutir as relações de produção e trabalho, mas também o quê, como, onde, quando produzir etc.


c ) A preocupação dos empresários com a fabricação de bens que sejam ecologicamente sustentáveis, como forma de garantir a preservação da natureza e a futura continuidade do sistema capitalista.

vida, do que 30 a 50 crianças nascidas nos países em desenvolvimento.” O texto traz informações importantes sobre aspectos econômicos e sociais da sociedade, os quais podem influir no destino das próximas gerações. Depreende-se da análise do texto que: E.

d ) A exigência dos governos para que toda forma de produção e consumo seja ecologicamente sustentável, garantindo, assim, a saúde do planeta e a qualidade de vida das gerações futuras.

a ) as nações desenvolvidas mantêm controle rigoroso do equilíbrio entre oferta e consumo dos produtos. b ) os países mais pobres são os principais responsáveis pelo uso e pela degradação do meio ambiente.

e ) A apropriação capitalista do discurso sobre as questões ambientais (utilizando-se das atuais preocupações ecológicas que ganham força com os ambientalistas) para ampliar seus lucros, camuflando a verdade de que toda forma de consumo é de algum modo danosa à natureza.

c ) as nações desenvolvidas possuem uma população consciente em relação aos problemas ambientais. d ) o consumismo nos países subdesenvolvidos é relativamente maior do que nos países industrializados. e ) a degradação ambiental tem estreitas relações com o grau de desenvolvimento econômico dos países.

Renan Fonseca

6. (UEPB-PB) Um produto trouxe a seguinte etiqueta ilustrada a seguir:

7. (FGV-RJ) A partir da segunda metade do século passado, a mobilização em torno do ambiente foi divulgada e se consolidou por meio de estudos e das cúpulas, ou das conferências internacionais. Sobre essas conferências, pode-se afirmar: I. A primeira grande conferência internacional convocada especificamente para a discussão da problemática ambiental ocorreu em Estocolmo, em 1972. II. Na Rio-92, foram divulgadas as convenções sobre Mudanças Climáticas e sobre Diversidade Biológica, que figuram na agenda ambiental internacional. III. Na Rio+20, que ocorreu no Rio de Janeiro, em 2012, todos os países participantes ratificaram o novo Protocolo de Quioto, aderindo à nova ordem ambiental internacional. Está correto o que se afirma em: C. a ) I, apenas.

O apelo panfletário demonstra: E.

b ) II, apenas.

a ) A força adquirida pelos grupos ambientalistas, ao exigirem que todos os produtos sejam fabricados de forma a preservar o meio ambiente.

c ) I e II, apenas.

b ) A tomada de consciência ambiental pela população, sobretudo nas camadas mais jovens, a qual prioriza apenas o consumo de bens cuja produção seja ecologicamente correta.

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d ) II e III, apenas. e ) I, II e III.

8. (UEPB-PB) Sobre a globalização dos problemas ambientais é correto afirmar: B.

I. Após a Revolução Industrial, a Natureza passou a ser vista como uma fonte de recursos econômicos a ser explorada por meio de instrumentos


II. Nas últimas décadas do século X X, com o agravamento dos problemas ambientais, a sociedade se mobilizou para deter os efeitos nocivos das atividades econômicas, predatórias e poluentes. III. Os grupos ecológicos se multiplicaram e a pressão social resultou na aprovação pelos poderes públicos de leis de proteção ao meio ambiente. IV. No âmbito internacional, a preservação do meio ambiente passou a constituir elemento importante de um país para negociar a comercialização de seus produtos e recebimento de empréstimos. Está(ão) correta(s):

B.

a ) Apenas a proposição I. b ) Todas as proposições. c ) Apenas as proposições II e IV. d ) Apenas as proposições I e II. e ) Apenas as proposições I e III.

9. (UESPI-PI) Leia a notícia a seguir: Os municípios de Tianguá e Ibiapina, região da “Serra” da Ibiapaba, alcançaram na semana passada o Índice de Sustentabilidade Ambiental que faz parte do Programa Selo Verde 2010. Os municípios responderam a três questionários, sendo eles de Gestão Ambiental, Mobilização Ambiental e Desempenho Ambiental. A sustentabilidade ambiental: 1. é a expressão empregada para definir encostas de serras que não estão sendo submetidas a intensos processos erosivos lineares. 2. é o termo utilizado para definir atividades e ações dos seres humanos que visam suprir as necessidades atuais desses seres, sem comprometer o futuro das próximas gerações. 3. é um tema que se encontra diretamente relacionado ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, utilizando recursos naturais de maneira inteligente para que esses se mantenham no futuro.

4. consiste na exploração dos recursos vegetais de matas de maneira controlada, garantindo o replantio sempre que necessário. Está(ão) correta(s) apenas: E. a ) 2. b ) 3. c ) 1 e 3. d ) 2 e 4. e ) 2, 3 e 4.

10. (ENEM-MEC) A maior parte dos veículos de transporte atualmente é movida por motores a combustão que utilizam derivados de petróleo. Por causa disso, esse setor é o maior consumidor de petróleo do mundo, com altas taxas de crescimento ao longo do tempo. Enquanto outros setores têm obtido bons resultados na redução do consumo, os transportes tendem a concentrar ainda mais o uso de derivados do óleo. MURTA, A. Energia: o vício da civilização. Rio de Janeiro: Garamond, 2011 (adaptado).

Um impacto ambiental da tecnologia mais empregada pelo setor de transporte e uma medida para promover a redução do seu uso, estão indicados, respectivamente, em: C. a ) Aumento da poluição sonora — construção de barreiras acústicas. b ) Incidência da chuva ácida — estatização da indústria automobilística. c ) Derretimento das calotas polares — incentivo aos transportes de massa. d ) Propagação de doenças respiratórias — distribuição de medicamentos gratuitos. e ) Elevação das temperaturas médias — criminalização da emissão de gás carbônico.

11. (UNIMONTES-MG) Com o aumento da população urbana, a reciclagem aparece como alternativa para minimizar os impactos causados pela elevação do consumo. São vantagens ambientais da reciclagem, exceto: C. a ) redução da vida útil dos aterros sanitários. b ) diminuição da poluição do solo, água e ar. c ) redução do consumo de energia elétrica. d ) preservação dos recursos naturais que são usados como matéria-prima. Natureza, sociedade e meio ambiente

237

Unidade 9

cada vez mais sofisticados, criados pela ciência e pela tecnologia. Nesse processo, o meio ambiente foi submetido a uma contínua devastação, pondo em risco o equilíbrio do planeta e afetando a vida de toda a humanidade.


unidade Lixo acumulado à beira do mar próximo ao porto no Panamá, em 2015.

238

Os problemas ambientais


Lixo nos rios e no mar, substâncias tóxicas no solo e no ar. Esses são alguns dos problemas ambientais ocasionados pelo ser humano ao meio ambiente, como consequência do modo consumista pelo qual temos vivido. Esses problemas têm se intensificado cada vez mais nos últimos anos, deixando de ser questões locais para se tornarem problemáticas de âmbito global, como estudaremos nesta unidade. A Quais são os principais problemas ambientais de nos-

sa época? Quais são as causas e as consequências geradas por esses problemas? B Em sua opinião, é possível construir um mundo ambien-

talmente saudável mantendo o modelo econômico atual? C Você conhece algum problema ambiental que afeta o

Fotos593/Shutterstock.com

lugar onde mora? Quais são as causas de tal problema e o que poderia ser feito para evitá-lo?

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A degradação ambiental e seus impactos Temperatura recorde e aumento do degelo no Ártico preocupam comunidade científica TEMPERATURA recorde e aumento do degelo no Ártico preocupam comunidade científica. Diário de Canoas. Disponível em: <www.diariodecanoas.com.br/_conteudo/2014/12/noticias/mundo/111967temperatura-recorde-e-aumento-do-degelo-no-rtico-preocupam-comunidade-cientifica.ht ml>. Acesso em: 3 jul. 2015

Poluição de Nova Déli provoca danos pulmonares permanentes em crianças HARRIS, Gardiner. Poluição de Nova Déli provoca danos pulmonares permanentes em crianças. Folha de S.Paulo. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/06/1640872-poluicao-denova-deli-provoca-danos-pulmonares-permanentes-em-criancas.shtml>. Acesso em: 3 jul. 2015

Na unidade anterior, consideramos que o modelo de desenvolvimento econômico calcado no avanço do industrialismo, no consumismo desenfreado e na exploração cada vez mais intensa dos recursos naturais do planeta tem levado tanto ao agravamento quanto ao surgimento de novos problemas ambientais, como os destacados nas manchetes apresentadas acima. Diferente dos problemas ambientais existentes no passado, os sintomas da crise ambiental contemporânea adquiriram proporções jamais alcançadas, atingindo, inclusive, as áreas mais remotas e inóspitas do planeta, como as regiões polares, que já sofrem os efeitos das alterações climáticas desencadeadas pela intensa poluição atmosférica, assunto que veremos mais adiante. O exemplo do derretimento das geleiras polares no Ártico, decorrente do aquecimento atmosférico global, também nos revela outra face da problemática ambiental contemporânea, em que os problemas ambientais deixaram de se restringir ao âmbito local ou regional para se tornarem questões de ordem planetária. Os gases tóxicos lançados na atmosfera pelo escapamento dos veículos automotores e pelas chaminés das fábricas agravam os índices de poluição do ar nos grandes centros urbanos e, ao mesmo tempo, contribuem para a ocorrência do efeito estufa artificial, fenômeno que vem interferindo nas condições climáticas globais com impactos observados em várias partes do mundo. É por isso que muitos dos problemas ambientais da nossa época (aquecimento global, extinção de espécies, perda de biodiversidade, desertificação dos solos, chuva ácida, diminuição da camada de ozônio etc.) deixaram de ser uma preocupação restrita a um ou outro país, pois as consequências geradas por muitos desses problemas não respeitam as fronteiras nacionais. Temos, por exemplo, o caso das florestas canadenses afetadas pela ocorrência de chuvas ácidas, que se formam por meio dos poluentes atmosféricos lançados no território dos Estados Unidos. O mesmo se pode dizer da contaminação ou exploração das águas dos rios que passam pelos territórios de vários países (veja texto na página seguinte com o exemplo de degradação e recuperação do rio Reno), ou, ainda, dos nocivos efeitos dos acidentes nucleares, como o ocorrido em 1986, na usina de Chernobil (na extinta União Soviética, hoje localizada no território da Ucrânia), cuja nuvem radioativa se dispersou pelas correntes de ventos por milhares de quilômetros, afetando vários países da Europa Central.

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Contexto geográfico

Estudo de caso

Vida volta ao Rio Reno

Unidade 10

O Reno é uma essencial via de transporte da Europa e, às suas margens, encontram-se instaladas importantes indústrias, como vemos na fotografia abaixo em Duisburg, Alemanha, em 2014.

Integrada pela Suíça, França, Alemanha, Holanda e Luxemburgo, a Comissão Internacional de Proteção do Reno (IKSR) foi criada em 1950. Mas foi somente em 1963 que suas tarefas foram definidas: analisar o estado do rio, propor medidas de saneamento, preparar acordos internacionais e elaborar disposições das conferências ministeriais. [...] “Hoje a vida retornou às águas do Reno. Sua qualidade melhorou muito, a flora e o mundo animal se recuperaram, o programa para a volta do salmão mostra resultados. As empresas situadas à sua margem estão melhor preparadas para evitar incidentes com consequências para o rio, graças às recomendações de segurança da IKSR. Os acidentes com derrame de substâncias químicas nocivas diminuíram consideravelmente. Também o plano de ação contra enchentes tem sido implementado com êxito”, avaliou o ministro alemão do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, [...] elogiando a cooperação dos cinco países além das fronteiras nacionais. [...] O escoamento de substâncias tóxicas diminuiu entre 70% e 100%, conforme a altura do rio. As águas e esgotos de 95% das empresas privadas e municipais passam por estações de tratamento. Praticamente já não são encontradas nas águas do Reno dioxinas e DDT, substâncias altamente tóxicas. [...] SOLIZ, Neusa. Vida volta ao Rio Reno. Deutsche Welle, Bonn, 15 jul. 2003. Disponível em: <www.dw.de/vida-volta-ao-rio-reno/a-913125>. Acesso em: 8 dez. 2015. © DEUSTCHE WELLE.

imageBROKER/Alamy Stock Photo/Latinstock

Um dos principais rios da Europa, o Reno recuperou-se em grande parte da poluição que o transformara numa cloaca a céu aberto na década de 1970. Peixes e micro-organismos voltaram a povoar suas águas. O êxito reconhecido pelos ecologistas se deve a um programa de ação que uniu cinco países europeus. O rio mais caudaloso da Alemanha nasce nos Alpes Suíços e desemboca no Mar do Norte na Holanda. Tem 1  320 quilômetros de extensão, vários afluentes e uma bacia fluvial espalhada pela Europa, que abarca 250 mil quilômetros quadrados, com amplas ramificações na Bélgica e Holanda. Sua largura vai de 45 metros em Reichenau, na Suíça, passando por 200 metros na Basileia e 520 metros em Colônia, até atingir 900 metros em Wesel, não muito distante da fronteira com a Holanda. Suas águas são usadas para a obtenção de energia e outros fins e o Reno também é uma importante artéria para o transporte de mercadorias, comportando navios de até 3 500 toneladas nos trechos mais fundos. Duisburg, à margem do Reno, é o maior porto fluvial da Europa. Poluído por dejetos industriais e da lavoura, o Reno, que sempre esteve tão presente na literatura, no ideário e nos mitos alemães, tornou-se um rio sem condições de abrigar qualquer tipo de vida. A poluição atingiu seu auge nos anos 60 e 70. [...]

Os problemas ambientais

241


Amit Dave/Reuters/Latinstock

A degradação dos recursos hídricos

Ao lado, aglomeração de pessoas em busca de água em Natwarghad, Índia, em 2001.

Considerada durante muito tempo um recurso inesgotável, capaz de se renovar constantemente em seu contínuo ciclo na natureza, a água tem se tornado um recurso natural escasso e cada vez mais ameaçado em várias regiões do planeta. As atividades humanas vêm afetando a disponibilidade e a qualidade tanto das águas superficiais como das subterrâneas. A problemática ambiental que envolve esse recurso não está ligada apenas à sua escassez física, mas também à diminuição das reservas disponíveis (potáveis) para o consumo da população. Em muitas regiões, essa carência tem dado origem a conflitos entre países que disputam as poucas reservas hídricas disponíveis, sobretudo nas regiões áridas e semiáridas, onde a água é naturalmente escassa. As águas dos rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, por exemplo, são de grande interesse para países como Turquia, Síria e Iraque, e o mesmo ocorre com vários outros rios, como o Nilo, na África, cujas águas drenam o território de dez países. Embora o aumento do consumo e o desperdício venham provocando uma pressão cada vez maior sobre as fontes disponíveis, o intenso processo de poluição e degradação das reservas hídricas tem contribuído muito para a diminuição e a escassez de água em muitas regiões, nos países desenvolvidos e nos subdesenvolvidos. De maneira geral, as principais causas dessa degradação estão ligadas a fatores como o aumento do crescimento demográfico, o alto grau de urbanização e industrialização, o avanço das atividades agrícolas e pecuárias. Em várias regiões do mundo, o crescimento populacional acelerado causou o “inchaço” dos grandes centros urbanos, cuja ampliação na oferta de infraestrutura e serviços de saneamento básico não acompanhou a demanda gerada pelo crescente aumento demográfico. Com a deficiência das redes coletoras, grande parte do esgoto doméstico e industrial acaba sendo lançada diretamente nos cursos fluviais, sem qualquer tratamento, comprometendo a disponibilidade de água potável nos mananciais. Esses problemas afetam principalmente os países subdesenvolvidos, sobretudo os que têm uma economia mais pobre, onde a escassez de recursos nos cofres públicos impede a aplicação de grandes investimentos necessários para suprir a carência dos serviços de tratamento e abastecimento de água (veja mapa na página seguinte).

242


Os precários serviços de saneamento básico nas regiões mais pobres têm consequências diretas na qualidade de vida e na saúde de suas populações. O consumo de água contaminada favorece a proliferação de inúmeras doenças, como cólera, leptospirose, hepatite A, esquistossomose, entre outras, que vitimam milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo crianças.

Recep Canik/Anadolu Agency/Getty Images

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (2013), mesmo com uma tendência de redução, o número de casos de cólera no mundo ainda é elevado, levando à morte até 142 mil pessoas por ano. A falta de coleta regular dos resíduos sólidos (lixo) também contribui para a poluição das fontes hídricas. Despejados de maneira inadequada em ruas, terrenos abandonados, fundos de vale ou lançados diretamente nos cursos fluviais, esses resíduos provocam a contaminação e a degradação das águas, tornando-as impróprias para o consumo.

Mulher lavando roupas, com água de rio poluído na capital Nairóbi, Quênia, em 2014.

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Unidade 10

Mundo: população com acesso à água N

Círculo Polar Ártico

O

L

Rússia S

Ucrânia OCEANO ATLÂNTICO

Estados Unidos

Espanha

Turquia

OCEANO PACÍFICO

China

Egito

Trópico de Câncer

Índia Nigéria

100 95 83 70 22

Brasil Bolívia

Argentina

Meridiano de Greenwich

Parcela da população com acesso à água de “boa qualidade” (%)

Rep. Dem. do Congo

OCEANO ÍNDICO

INDONÉS

IA

Trópico de Capricórnio Austrália

Dados não disponíveis

Paula Radi

OCEANO PACÍFICO Equador 0°

1 640 km

50% da população não dispõe de instalações Países onde mais sanitárias adequadas

Fontes: ATLAS da mundialização: compreender o espaço mundial contemporâneo. Tradução Carlos Roberto Sanchez Milani. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 109. 1 atlas. Escalas variam. DURAND, Marie-Françoise et al. Atlas de la mondialisation. Paris: Sciences Po, 2007. p. 109. 1 atlas. Escalas variam. VARROD, P. Atlas géopolitique et culturel: dynamiques du monde contemporain. Paris: Dictionnaires Le Robert, 2003. p. 19.

Os problemas ambientais

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5/27/16 2:28 PM


Químicos agrícolas e eutrofização da água Nas áreas rurais, as atividades agrícolas também contribuem direta ou indiretamente para a degradação dos recursos hídricos. O uso de agrotóxicos, fertilizantes, pesticidas e outros produtos químicos, aplicados em larga escala para aumentar a produtividade das lavouras, provoca a contaminação dos solos, das águas superficiais e também das águas subterrâneas por meio das águas pluviais. Com as chuvas, as partículas dos compostos químicos contidas nos solos são carregadas, contaminando as águas de superfície (córregos, rios, lagos), assim como os lençóis freáticos abastecidos com as águas que se infiltram no solo. Em contato com as águas superficiais, esses produtos químicos liberam íons que servem de alimentos para as algas. Com maior disponibilidade de alimentos, as algas se proliferam em proporção muito maior que a normal. Quando morrem, elas liberam grande quantidade de detritos que serão decompostos por microrganismos aeróbicos, aqueles que utilizam oxigênio. Nesse processo, o oxigênio é retirado da água, causando a morte de animais e plantas aquáticas, fenômeno conhecido como eutrofização. Nas áreas urbanas, a eutrofização das águas ocorre principalmente pela matéria orgânica de esgotos domésticos e industriais lançados diretamente em córregos, rios e represas (veja foto abaixo). MShieldsPhotos/Alamy Stock Photo/Latinstock

Íon: na Química, um íon é uma molécula ou átomo que ganhou ou perdeu elétrons num processo conhecido como ionização.

Aspecto de eutrofização das águas desse rio em Nova Jersey, Estados Unidos, em 2015.

Contaminação das águas oceânicas As águas oceânicas, por sua vez, são contaminadas pelo despejo de grandes quantidades de resíduos sólidos, esgotos não tratados e poluentes químicos provenientes das atividades industriais e agrícolas. As áreas oceânicas mais atingidas pela poluição são aquelas próximas ao litoral e à foz de grandes rios, que concentram cidades populosas e instalações portuárias. Essas águas também são afetadas por derramamentos de petróleo. Todos os anos, milhões de litros de petróleo são derramados nos oceanos, em decorrência principalmente de vazamentos em plataformas de exploração e acidentes com petroleiros que provocam desastres ambientais de gravíssimas proporções. Mas nem toda contaminação por petróleo ocorre por acidente. A tripulação de muitos petroleiros, de maneira clandestina, também costuma lavar os tanques, despejando a água suja de petróleo diretamente no mar.

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O derramamento de petróleo nas águas oceânicas causa grandes prejuízos: peixes, aves e mamíferos marinhos podem morrer por intoxicação e, além disso, com o corpo coberto de óleo, não conseguem respirar e/ou manter a temperatura corpórea.

NOAA/Alamy Stock Photo/Latinstock

O petróleo que se espalha pela superfície dos oceanos forma uma camada que dificulta a passagem da luz, interrompendo a realização da fotossíntese pelas algas marinhas, causando a morte de espécies vegetais e animais que dependem dela para sua alimentação, desencadeando um grande desequilíbrio na cadeia alimentar marinha. As manchas escuras de óleo formadas nas águas oceânicas pelo derramamento de petróleo são conhecidas como marés negras (veja foto abaixo).

Além da poluição, outra grave questão que envolve os recursos hídricos é a superexploração da água decorrente do aumento do consumo (veja gráfico ao lado). Esse aumento no consumo pode ser verificado no crescimento da produção econômica, sobretudo do setor industrial (que utiliza a água como matéria-prima e também no processo de limpeza das máquinas), assim como no desperdício que ocorre na irrigação das lavouras e em vazamentos no sistema de distribuição e nos domicílios, e nos hábitos de consumo da população. Fonte: FOOD and Agriculture Organization (FAO). Aquastat. Disponível em: <www.fao.org/nr/water/aquastat/water_use/ image/WithTime_eng.pdf>. Acesso em: 24 fev. 2016.

Evolução do consumo mundial de água por setores (1900-2010) Consumo de água (km3) 4 500 4 000 3 500 3 000 2 500 2 000 1 500 1 000 500 0 1900

1920

Consumo urbano

1940

1960

Consumo industrial

1980

2000 2010 Anos

Consumo agrícola

Os problemas ambientais

245

Rafael Luís Gaion

Consumo e superexploração dos recursos hídricos

Unidade 10

Derramamento de petróleo remanescente do grande desastre ocorrido no litoral do México, em foto de 2015.


Contexto geográfico

Estudo de caso

A lenta agonia do lago Chade [...] Por conta da dimensão, ou apenas por tradição, muitos dos lagos existentes no interior de continentes são definidos como mares, a exemplo do que acontece com os mares Morto, Cáspio e Aral. Todos esses mares (ou lagos) têm algumas características comuns: uma delas é que suas margens são compartilhadas por mais de um país. A orla do Mar Morto é compartilhada entre a Jordânia e Israel; o Irã, a Rússia, o Casaquistão, o Azerbaijão e o Turcomenistão têm litorais junto ao Mar Cáspio; o Mar de Aral situa-se entre o Casaquistão e o Uzbequistão. Todos eles também são alimentados por rios de expressiva importância local ou regional: o rio Jordão deságua no Mar Morto, o Volga no Mar Cáspio e os Amu Daria e Sir Daria no Mar de Aral. A forma predatória como têm sido utilizadas as águas desses rios provoca enormes danos ambientais e sociais. O caso mais dramático é o do Mar de Aral, cujo volume e área reduziram-se a ponto de ocorrer a sua divisão em dois corpos de água distintos. No interior do continente africano, todas as superfícies líquidas que não possuem ligações com o oceano recebem a denominação de lagos, apesar de alguns deles serem relativamente extensos, como são os casos dos lagos Victória, Niassa, Tanganica e Chade. O Lago Chade está situado na borda meridional do Saara, local para onde convergem as fronteiras de quatro países: Níger, Chade, Nigéria e Camarões [veja o mapa abaixo]. É um lago de água doce, com profundidades inferiores a sete metros. Cerca de 90% das águas que o abastecem vêm do rio Chari e de seu afluente Logone, cujas nascentes situam-se nas regiões montanhosas da República Centro-Africana. Assim, é fundamentalmente da parte meridional que o lago recebe a maioria dos fluxos hídricos que o alimentam, já que a parte norte, situada nas áreas semiáridas do Sahel, contribui apenas com volumes pouco expressivos de água, originária de rios temporários. Grandes variações sazonais do volume de água em lagos são fenômenos comuns, mas ao longo das quatro últimas décadas a extensão do lago Chade diminuiu drasticamente. No início da década de 1960, sua área era de aproximadamente 25 mil km 2, superfície que se reduziu para 4 mil km 2 em 2001. Atualmente sua extensão não ultrapassa 1,5 mil km 2 . Hoje, o antigo grande lago não é senão um pântano coberto parcialmente por vegetação [veja imagens na página seguinte].

NASA/SPL/Latinstock

Lago Chade N O

L S

NÍGER 15° N

CHADE

Lago Chade

Altitude em metros

Ri

NIGÉRIA

o i

E.Cavalcante

ar

og o o L ne

CAMARÕES

Ch

Ri

220 km 15° L Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 44. 1 atlas. Escalas variam.

246

1 200 600 300 0 Rio temporário

Lago Chade, em 1960.


A persistente “sangria hídrica” da superfície lacustre é resultado de secas recorrentes, dramáticas, que afetaram especialmente a borda setentrional do lago, onde os agricultores tradicionalmente cultivam os solos úmidos quando do recuo das águas, durante a estação seca. Nas últimas décadas, as chuvas na região diminuíram em cerca de 40%. Mas o desastre ecológico é também consequência das práticas agrícolas e pastoris da população que vive no entorno do lago. Nos últimos cinquenta anos, essa população mais que dobrou, atingindo 25 milhões de pessoas. Paralelamente, o uso da irrigação quadruplicou nos últimos 25 anos, para responder às necessidades alimentares de um efetivo demográfico cada vez mais numeroso. Além disso, foram desenvolvidos pelos países ribeirinhos outros projetos hidráulicos nos rios que abastecem o lago, com vistas a aumentar a produção de alimentos e produzir energia. Pesquisadores americanos, apoiando-se em imagens de satélite e dados climáticos, analisaram o processo e compararam o peso dos fatores naturais e humanos causadores do ressecamento do lago. [...] Como reverter essa tendência? Reunidos desde 1964 na Comissão da Bacia do Lago Chade, os países ribeirinhos tentaram levar adiante uma gestão integrada dos recursos hídricos. [...]

Unidade 10

Um pouco mais tarde, negociou-se um projeto de grandes dimensões destinado a possibilitar o desvio de parte das águas de um afluente do rio Ubangui, importante curso fluvial da República Centro-Africana. De acordo com o projeto, essas águas seriam transferidas para um afluente do rio Chari, através de um canal de cerca de 300 quilômetros, desaguando finalmente no Lago Chade. Contudo, a conclusão do acordo ainda depende da anuência dos dois Congos (República do Congo e República Democrática do Congo), países que não possuem terras banhadas pelo lago mas serão afetados pela transposição das águas. Se tudo der certo, o Lago Chade será salvo. Nessa hipótese, ele se converterá num polo de cooperação regional. Caso contrário, estará destinado a figurar como uma fonte de tensões e conflitos inscrita em região assolada pela miséria.

Fotos: NASA/SPL/Latinstock

OLIC, Nelson Bacic. A lenta agonia do Lago Chade. Clube Mundo. São Paulo, ano 17, n. 16, p. 10, out. 2009.

Lago Chade, em 1973.

Lago Chade, em 2007.

Os problemas ambientais

247


Poluição atmosférica A poluição do ar consiste no lançamento e acúmulo de partículas sólidas e gases tóxicos que se concentram na atmosfera terrestre alterando suas características físico-químicas. De maneira geral, os poluentes atmosféricos podem ser produzidos por fontes primárias ou secundárias. Os poluentes primários são aqueles liberados diretamente das fontes de emissão, como os gases que provêm de queimadas em florestas ou da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão), lançados por escapamentos de veículos automotores e também pelas chaminés de fábricas, entre eles, monóxido de carbono (CO2), dióxido de carbono (CO2), dióxido de enxofre (SO2) e metano (CH4). Os poluentes secundários, por sua vez, são aqueles formados na atmosfera por meio de reações químicas entre poluentes primários e componentes naturais da atmosfera, como o ácido sulfúrico (H 2SO 4), ácido nítrico (HNO 3) e ozônio (O 3). A esses poluentes somam-se ainda materiais particulados que abrangem um grande conjunto de poluentes formados por poeiras, fumaças, materiais sólidos e líquidos, que se mantêm suspensos na atmosfera. Desde o início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, o nível de poluentes na atmosfera terrestre vem aumentando exponencialmente com o avanço da industrialização, dos meios de transportes e demais atividades econômicas que se desenvolvem apoiadas na queima de combustíveis fósseis. Milhares de toneladas de gases poluentes são lançados todos os dias na atmosfera terrestre, desencadeando uma série de problemas ambientais, com impactos que ocorrem tanto em escalas local e regional (como o fenômeno das inversões térmicas e das chuvas ácidas) quanto em escala global (como a diminuição da camada de ozônio e a ocorrência do efeito estufa).

A população chinesa é aconselhada constantemente a usar máscara para sair às ruas, evitar exercícios ao ar livre e, em dias críticos, é alertada a permanecer no interior de suas casas, por causa dos altos níveis de poluição do ar encontrados em diversas províncias do país. Foram registradas milhares de mortes, principalmente na última década, decorrentes de problemas respiratórios e cardiovasculares agravados pela poluição do ar. Ao lado, pessoas utilizando máscaras ao trafegar pela cidade de Beijing, China, em 2014.

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Lou Linwei/Alamy Stock Photo/Latinstock

A alta concentração de poluentes no ar forma uma camada de partículas em suspensão, parecida com uma neblina, conhecida como smog, fazendo que a visibilidade diminua. Também causa muitos problemas de saúde, principalmente relacionados ao sistema respiratório e cardiovascular. Em grandes centros urbanos dos países industrializados, é frequente os níveis de poluição do ar ultrapassarem os limites estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


Inversão térmica Em condições normais, o ar presente na Troposfera costuma circular em movimentos ascendentes. Isso ocorre em razão das diferenças de temperatura entre o ar mais aquecido e, portanto, mais leve, nas camadas mais baixas, e o ar mais frio e mais denso, nas camadas mais elevadas. Em regiões afetadas por intensa poluição atmosférica, como os grandes centros urbanos, a fuligem e os gases poluentes lançados pelas chaminés das fábricas e pelo escapamento dos veículos automotores tendem a se dispersar por meio dessas correntes ascendentes. Em dias mais frios, com baixas temperaturas e pouco vento, típicos do outono e do inverno, a ausência de corrente de ar dificulta a dispersão dos poluentes atmosféricos. Nessa situação, o ar em contato com a superfície mais fria também se resfria, ficando aprisionado pela camada de ar mais quente acima, o que impede a dispersão dos poluentes atmosféricos. Tem-se, assim, uma inversão da temperatura do ar atmosférico, a chamada inversão térmica, fenômeno que pode ser observado na forma de uma faixa cinza-alaranjada no horizonte dos grandes centros urbanos. Com a ausência dos ventos ascendentes, os poluentes atmosféricos deixam de se dispersar e concentram-se próximos à superfície, o que compromete a qualidade do ar e gera problemas de saúde aos habitantes das grandes cidades.

Chesnot/Getty Images

B

Nas imagens acima podemos observar diferentes paisagens de um mesmo lugar. Na fotografia A, de Paris, em 2015, o céu limpo mostra que os poluentes se dispersaram no ambiente. Já na fotografia B, observamos grande quantidade de poluentes retidos próximos à superfície, resultado da inversão térmica em Paris, em 2015. Os problemas ambientais

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Unidade 10

A

Antonshutterstock/Shutterstock.com

Quando expostas aos altos índices de poluição, muitas pessoas apresentam sintomas como dores de cabeça, coceira na garganta e irritação nos olhos, crises alérgicas e pulmonares, problemas que afetam principalmente crianças e idosos, mais sensíveis à poluição.


Chuva ácida Com um pH (potencial de hidrogeniônico) em torno de 5,4, a água das chuvas apresenta-se naturalmente pouco ácida. Porém, como mostra a imagem ao lado, quando gases tóxicos, como o dióxido de enxofre (SO 2) e o dióxido de nitrogênio (NO 2), são lançados na atmosfera por indústrias 1 , centrais termelétricas e escapamento dos veículos de transporte, a acidez da água da chuva aumenta. Esses gases reagem com o hidrogênio presente na atmosfera na forma de vapor de água, dando origem a uma precipitação com maior teor de ácido sulfúrico (H 2SO4) e de ácido nítrico (HNO 3) 2 .

Formação de chuva ácida

Essa chuva, ao ser precipitada na superfície terrestre, afeta lavouras e outras formas de vegetação 3 , prejudica a vida animal, contamina os lençóis freáticos, eleva a acidez do solo, corrói estruturas metálicas, construções e veículos, além de causar sérios problemas à saúde, pois libera metais pesados como o chumbo.

2 Designua/Shutterstock.com

3 1

As precipitações ácidas podem ocorrer em áreas distantes das fontes poluidoras, pois as correntes de ventos são capazes de transportar os poluentes atmosféricos por milhares de quilômetros. No leste canadense, por exemplo, as chuvas ácidas são, em grande parte, causadas pela emissão de poluentes provenientes do nordeste dos Estados Unidos (veja mapa abaixo).

Ilustração conforme: MILLER, G. Tyler. Ciência ambiental. Tradução All Tasks. São Paulo: Cengage Learning, 2008. p. 403.

Regiões industriais e áreas afetadas pela chuva ácida OCEANO GLACIAL ÁRTICO

N O

Círculo Polar Ártico

RÚSSIA

REINO UNIDO

L S

ALEMANHA ESTADOS UNIDOS

JAPÃO

CHINA ARÁBIA SAUDITA

Trópico de Câncer OCEANO ATLÂNTICO

BRASIL

Trópico de Capricórnio

Gilberto Alicio

ARGENTINA 1 830 km

NIGÉRIA INDO

Meridiano de Greenwich

OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO

ÍNDIA

NÉSIA

Equador 0°

OCEANO ÍNDICO

AUSTRÁLIA

ÁFRICA DO SUL 0°

Fontes: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 30; 50. 1 atlas. Escalas variam. SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 34. ed. São Paulo: Ática, 2013. p. 29; 33. 1 atlas. Escalas variam.

Países Com pouca ou nenhuma industrialização Semi-industrializados Recentemente industrializados Altamente industrializados

Regiões densamente industrializadas Áreas afetadas pela chuva ácida Áreas com probabilidade de chuva ácida

a ) Quais são as áreas de ocorrência de chuva ácida no mundo? Qual a relação dessa ocorrência e a localização das áreas altamente industrializadas? b ) Como o Brasil se apresenta neste panorama?

250


Contexto geográfico

Estudo de caso

Chuva ácida

Os cientistas resolveram verificar então o suprimento de cálcio disponível para os pássaros na natureza e necessário para a formação de cascas resistentes nos ovos. Aqueles pássaros usavam, normalmente, como fonte de cálcio caramujos que constituíam componente importante na dieta. Entretanto, os caramujos haviam praticamente desaparecido das florestas. O solo seco contém normalmente de 5 a 10 gramas de cálcio por quilograma. O cálcio daquela região havia caído para cerca de 0,3 grama por quilograma de solo, um nível muito baixo para que os caramujos sobrevivessem.

A queda no conteúdo de cálcio do solo da Europa e dos Estados Unidos da América foi atribuída à ocorrência de chuva ácida, principalmente da que contém ácido sulfúrico. Este é um exemplo de como a poluição ambiental pode afetar a natureza, sem que as pessoas se deem conta do problema. A chuva ácida é um fenômeno regional e ocorre na mesma região que gera os poluentes que a causa. Por isso mesmo a incidência é grande nas regiões altamente industrializadas e mais densamente povoadas. [...] FRANCISCO, Regina Helena Porto. Chuva ácida. Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC-USP), São Paulo. Disponível em: <www.cdcc.sc.usp.br/quimica/ciencia/chuva.html>. Acesso em: 8 dez. 2015. Nightman1965/Shutterstock.com

Em 1989 cientistas da Holanda noticiaram que um determinado pássaro canoro que habita as florestas daquele país estava produzindo ovos com a casca fina e porosa. Problema similar fora detectado nas décadas de 60 e 70, causado pelo inseticida DDT. Durante as investigações não foi encontrada nenhuma evidência de intoxicação.

Sem caramujos para comer, os pássaros passaram a se alimentar de sobras de alimentos de galinhas e de outros animais domésticos e sobras de piqueniques, muito comuns na Europa.

Unidade 10

Vegetação afetada pela ocorrência de chuva ácida no estado do Tennessee, Estados Unidos, em 2014. No detalhe, tronco e galhos secos e sem vida, afetados pela ação da chuva ácida.

blickwinkel/Alamy Stock Photo/Latinstock

Pássaro canoro: pássaros que tem órgãos vocais altamente desenvolvidos, como sabiás, canários, andorinhas, pardais, rouxinóis.

Os problemas ambientais

251


Diminuição da camada de ozônio Localizada na Estratosfera, entre 15 e 35 quilômetros de altitude, e com cerca de 10 quilômetros de espessura, a camada de ozônio tem a função de proteger a superfície terrestre dos nocivos raios ultravioleta emitidos pelo Sol. Em sua condição natural, essa camada filtra entre 70% e 90% da radiação ultravioleta, protegendo os ecossistemas naturais, sobretudo as plantas e os fitoplânctons que vivem nas águas oceânicas, assim como a saúde humana (a radiação ultravioleta é a principal causa de câncer de pele, que atinge grande número de pessoas em todo o mundo). No final da década de 1970, pesquisas científicas detectaram que a camada de ozônio estava sendo destruída, apresentando várias falhas ou rarefação (afinamento de espessura), principalmente sobre a região Antártica. Estudos posteriores concluíram que a destruição da camada de ozônio estava associada à emissão de certos gases industriais, em especial os clorofluorcarbonos (CFCs), até então utilizados em larga escala em sistemas de refrigeração (refrigeradores, condicionadores de ar) e na produção de aerossóis (sprays), isopores, solventes etc. Uma vez presentes na atmosfera, há reação química desses gases com o oxigênio livre, provocando a decomposição das moléculas de ozônio (O 3). Embora a maior parte desses gases seja proveniente de países industrializados do hemisfério Norte, eles circulam pelas correntes de ventos globais e chegam até a Antártica. Entre os meses de agosto e novembro, fatores climáticos sobre o continente antártico o tornam uma região suscetível à destruição do ozônio. Em busca de solução para o problema, foi assinado o Protocolo de Montreal, em 1987, documento que declarava o compromisso de se reduzir a produção de CFCs, buscando formas de substituí-lo. A alternativa encontrada foi a de substituir o CFC pela utilização de outros gases, como o hidrofluorcarboneto (HFC), que não agride a camada de ozônio dada a ausência do cloro em sua composição. Porém, esse gás é um potencializador do efeito estufa, o que contribuiu para a ocorrência de outros impactos ambientais. B

Fotos: NASA

A

As imagens acima representam o aumento do buraco na camada de ozônio, concentrado no polo Sul. A imagem A refere-se ao aspecto desse buraco em 1979 e a imagem B refere-se ao aspecto em 2015. A Unidade Dobson (do inglês Dobson Units – DU) descreve a espessura da camada de ozônio. Cada milímetro na camada de ozônio corresponde a 100 DU (Unidades Dobson). Sendo assim, um valor de 300 Unidades Dobson (DU) equivale a uma camada de ozônio de 3 milímetros de espessura.

252


Assim, a atmosfera do planeta funciona como uma grande estufa natural (linha azul no esquema ao lado), pois vapores de água, gases e partículas de poeira em suspensão absorvem e retêm parte da radiação solar, mantendo a Terra aquecida. Essa redoma natural garante o equilíbrio térmico do planeta, ao manter a temperatura média do globo em torno de 15 ºC. Sem a ocorrência do efeito estufa natural, o planeta seria muito mais frio, com temperatura média em torno de –18 ºC (figura A). Mas a concentração excessiva de gases poluentes, principalmente do dióxido de carbono (CO 2), do metano (CH4), do óxido nitroso (N 2O) e dos clorofluorcarbonetos (CFCs), provenientes da queima de combustíveis fósseis, como gasolina, óleo diesel e carvão mineral, das queimadas realizadas em florestas, também em pastagens e lavouras após a colheita, vem intensificando a ação do efeito estufa. Lançados em grandes quantidades na atmosfera, esses gases têm maior capacidade de reter calor, mantendo os níveis de aquecimento da atmosfera e da superfície mais elevados que a média (figura B).

Efeito estufa natural

calor irradiado para o espaço calor retido na atmosfera radiação solar

B

Efeito estufa intensificado radiação solar

diminuição do calor irradiado para o espaço aumento do calor retido na atmosfera

Ilustração produzida com base em: A TERRA. São Paulo: Ática, 1995. p. 53. (Atlas visuais).

Unidade 10

A grande quantidade de gases poluentes emitidos na atmosfera vem intensificando o efeito estufa. Em condições naturais, o aquecimento do planeta Terra ocorre por causa da incidência da radiação solar que atinge a superfície terrestre. Grande parte dessa radiação é absorvida pela superfície; o restante é refletido de volta, enquanto uma parte menor escapa para o espaço.

A

Fotomontagem a partir de photobank.kiev.ua/ Shutterstock/Glow Images e Renan Fonseca

Efeito estufa

Poluição atmosférica, efeito estufa e aquecimento global Para um grupo numeroso de estudiosos, existe uma relação direta entre o aumento da poluição atmosférica e a elevação da temperatura média no globo terrestre. Ao longo do século passado, por exemplo, a temperatura média do planeta subiu aproximadamente de 0,8 o C, passando de 13,7 o C em 1900, para 14,5 o C em 2000. Segundo pesquisadores que estudam as mudanças climáticas no planeta, se a emissão dos gases causadores do efeito estufa não diminuir, as temperaturas deverão subir ainda mais, e podem aumentar entre 1,4 o C e 5,8 o C. Caso essas previsões se concretizem, a temperatura média do globo poderá chegar a 18 o C até o final deste século. O aumento da quantidade de chuvas, da frequência de tempestades e furacões, nevascas e geadas fora de época e de secas mais severas registradas em várias partes do mundo são alguns dos indícios que muitos cientistas apontam como consequências diretas do aumento da temperatura no clima da Terra. Embora imprevisíveis, as consequências do aquecimento global provocam alterações no clima e, por conseguinte, nos ecossistemas terrestres. As grandes florestas tropicais, por exemplo, podem ficar mais secas e até mesmo desaparecer em certas regiões, enquanto as florestas temperadas correm o risco de ser devastadas pela seca e pelo calor. O aumento da temperatura também pode provocar mudanças na distribuição geográfica de certas doenças. O derretimento das geleiras polares na região Ártica poderia aumentar o nível dos oceanos (veja na página seguinte). Os problemas ambientais

253


Infográfico

O clima global vem se alterando em um ritmo preocupante. As calotas polares estão retrocedendo e o nível dos oceanos tem se elevado em razão do aumento da temperatura global.

Oc

Os cientistas acreditam que isso ocorre porque a temperatura da Terra está aumentando muito rapidamente. A atividade humana, sobretudo a queima de combustíveis fósseis e a consequente acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera, tem influenciado essa tendência.

ea

P no

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ÁRTICO Latitude

66° N

Longitude

Superfície/área 14 100 000 km2 Profundidade

4 000 a 2 000

Temperatura

–50 oC no inverno

CORRENTES MARINHAS

Por que ocorre o degelo O degelo dos polos se deve, em parte, ao aumento dos gases de efeito estufa. Esses gases absorvem a radiação refletida pela superfície terrestre, aquecendo a atmosfera e aumentando ainda mais a temperatura da Terra. O derretimento dos glaciares fornece mais água aos oceanos e mares, que, consequentemente, aumentaram nos últimos anos, cerca de 15 a 20% de seu nível.

Uma das principais causas da modificação das correntes marinhas é a alteração da salinidade da água, que pode ser ocasionada com o derretimento das geleiras.

AMÉRICA DO NORTE

EFEITO O Ártico se aquece mais rapidamente que o restante do globo por causa da cor escura do solo e da água que, quando expostos, armazenam mais calor absorvido da atmosfera.

5 1

2

A luz solar é refletida pela superfície muito clara do gelo.

Nas áreas em que a camada de gelo é mais fina ou onde há rachaduras, o oceano aflora.

3

O gelo absorve o calor e a luz solar e libera partículas de carbono aprisionadas.

4

Bahia de Hudson

Uma vez no ar o CO2 é absorvido pela atmosfera.

Essas partículas ascendem até a superfície, transformadas em CO2.

Rotas de navegação são criadas nas rachaduras da camada de gelo, e conforme as embarcações se deslocam impedem que essas rachaduras se fechem, aumentando o processo de absorção de calor e liberação de CO2.

Oc

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80%

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do gelo da Groenlândia derrete um metro por ano.

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Projeções 2012 / 2030 A calota de gelo do mar no verão, atualmente em redução, tende a diminuir cada vez mais rápido no futuro.

Entre 1993 e 2003 algumas áreas litorâneas começaram a desaparecer e atualmente esse processo vem se acentuando.

2040 / 2060 No decorrer desse século o gelo continuará a se desprender cada vez mais da costa em direção ao oceano Ártico.

EUROPA

CORRENTE DO LABRADOR Nasce no Ártico, se desloca para o Sul levando água fria e blocos de gelo.

AVANÇO DA VEGETAÇÃO

2070 / 2090 Algumas hipóteses científicas indicam que, até o final deste século, o gelo desaparecerá do Ártico durante o verão.

Com o derretimento do gelo, o material orgânico é exposto e, em vez de refletir luz e calor solar, o absorve, contribuindo para o aumento da temperatura global.

ÁSIA

O AVANÇO DA ÁGUA

Mar de Barent

Acredita-se que o aumento da emissão de gases de efeito estufa poderá elevar a temperatura entre 3 oC e 9 oC nos próximos 100 anos.

O degelo acelerado tem elevado o nível do mar e provocado cada vez mais o avanço da água sobre as áreas litorâneas. À medida que o nível do mar se eleva as áreas litorâneas vão diminuindo.

Unidade 10

AUMENTO DE TEMPERATURAS

CORRENTE DO GOLFO Tem origem no golfo do México e transporta água quente até as latitudes mais altas.

Ilustrações produzidas com base em: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. Tradução Rualdo Menegat et al. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 605-606.

Sol90 Images

O derretimento do gelo será prejudicial à vida das pessoas e dos animais que vivem no Ártico.

50 m

70 %

das áreas litorâneas diminuem quando o nível do mar aumenta 50 cm.

da água doce do mundo está na Antártida.

A Antártida A Antártida perde aproximadamente 152 km3 de gelo a cada ano e a placa de gelo da zona ocidental está perdendo volume a um ritmo cada vez mais acelerado. Em média, se estima que seu degelo ocasioná um aumento no nível do mar de 0,4 mm por ano. Os efeitos desse degelo no clima poderiam ser, a longo prazo, desastrosos para muitas regiões do planeta.

Os problemas ambientais

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Contexto geográfico

Ponto de vista Aquecimento global: opiniões divergentes

Atmosfera: aumento da temperatura e concentração de CO2 CO² (em ppm*) 800

Gilberto Alicio

Temperatura (em °C) 20 19

700

18

600

17

500

16

400

15

300

14

200

13

100

0 1900

1950

2000

*Partículas por milhão ** Projeções

Fonte: INTERGOVERNMENTAL Panel on Climatage Change (IPCC). Disponível em: <www.ipcc. ch>. Acesso em: 20 ago. 2015.

2050**

0 2100** Anos

Na opinião de muitos especialistas, os dados apresentados no gráfico ao lado indicam a estreita correlação entre o aumento da concentração de CO 2 na atmosfera terrestre e o aumento da temperatura média no planeta. Outros pesquisadores, no entanto, questionam o argumento de que os poluentes atmosféricos estariam desempenhando um papel tão decisivo para o aquecimento global. Os textos a seguir apresentam pontos de vista e opiniões completamente divergentes sobre a questão do aquecimento global.

Texto 1: O argumento de que o aquecimento global pode ser intensificado pela ação humana na opinião de José Antonio Orsini, pesquisador do Inpe e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). [...]

“A Terra já foi tomada por geleiras e depois por secas”, diz Marengo. “São ciclos que se alternam.” Quando diz isso, Marengo não está dando razões aos descrentes – ao contrário. Quando um cientista como Marengo se refere ao aquecimento global, ele não está falando do ciclo natural de aquecimento e resfriamento da Terra. Antes, está falando apenas da diferença entre as consequências provocadas pelo ciclo natural e as consequências provocadas pelo homem. A tão famosa expressão “aquecimento global” pode ser traduzida para “incremento no aquecimento global provocado por atividades humanas, depois de descontado o aquecimento provocado por ciclos naturais de aquecimento e de resfriamento”. [...] Só em 2011, o homem jogou 31,6 gigatoneladas de CO 2 na atmosfera, o que é bastante: equivalente à massa da atmosfera dividida por 1 630 000. O homem joga CO 2 extra na atmosfera sempre que queima combustíveis fósseis (ou seja, liga o carro, aciona uma usina termoelétrica, fabrica plásticos), sempre que queima plantas (para destruir a floresta, para produzir carvão), sempre que apaga incêndios (vários extintores contêm CO 2), sempre que põe bolinhas dentro do refrigerante – enfim, sempre que vive. Hoje há 400 partes por milhão de CO 2 na atmosfera, comparados com 300 ppm nos séculos em que não existiam civilizações industriais. “O homem não cria o aquecimento global”, diz Marengo, “mas acelera o aquecimento global”. [...] Para usar uma analogia, é como se os gases de estufa funcionassem como um cobertor sobre a Terra, e esse ciclo de esquenta e esfria fosse consequência de um termostato ajustado para a espessura do cobertor. Esse sistema tem mantido a temperatura média da atmosfera na superfície do planeta em torno de 15 graus centígrados. Todo santo dia, o homem joga na atmosfera 70 milhões de toneladas de CO2, e está transformando o cobertor em um edredom – mas o termostato continua ajustado para um cobertor. “Precisamos aceitar que o clima está mudando por nossa culpa”, diz Marengo, “e precisamos ter a generosidade de nos adaptar por conta das próximas gerações”. [...] BICUDO, Francisco. O nome da diferença. Cálculo: Matemática para todos, São Paulo, ano 2, n. 19, p. 36-39, ago. 2012.

256


Texto 2: Argumentos que contestam a contribuição da ação antrópica para o aquecimento global, na opinião do meteorologista Luiz Carlos Molion, professor e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

2 não controla o clima global: O aquecimento seria causado pela radiação solar. O Sol tem períodos de atividade máxima e mínima se alternando a cada 50 anos (ciclo de Gleisberg). Essa variação de energia emitida é que aqueceria ou esfriaria o planeta Terra. • O aquecimento não é causado pelos humanos: Entre 1925 e 1946, quando o ser humano lançava menos de 10% do CO 2 que emite atualmente, houve um aquecimento de 0,4 °C no planeta. Por outro lado, entre 1947 e 1976, época de aceleração da produção industrial após a 2 a Guerra Mundial, houve um resfriamento global de 0,2 °C. Na última década, a concentração de gás carbônico na atmosfera aumentou, mas a temperatura global se estabilizou. Portanto, a variabilidade climática seria natural e não causada pelo homem [...]. • O clima global já mudou várias vezes: Há 7 mil e 3 mil anos atrás e entre os anos 800 e 1200 d.C., o clima teria estado até 10 °C mais quente. Nessa época, os vikings colonizaram áreas do Canadá e da Groenlândia que hoje são cobertas de gelo – a concentração de CO 2 , porém, era pelo menos 50% menor que a atual. Os céticos alegam que se há mais CO 2 na atmosfera hoje é porque o volume desse gás sempre reage com 800 anos de atraso em relação às variações de temperatura. É o tempo que leva para o oceano esquentar ou esfriar, liberando ou retendo CO 2 . • O gelo do planeta não está derretendo: A variação no volume de gelo flutuante do polo Norte seria causada por ciclos de aquecimento e resfriamento, que duram de 20 a 40 anos no oceano Atlântico Norte. Quando a água mais aquecida passa por baixo dos icebergs, derrete parte do gelo submerso. Com isso, a parte aérea – correspondente a 10% do volume do bloco – não derrete, mas desmorona. O gelo da superfície não derrete porque a temperatura do ar é inferior a -20 °C, mesmo no verão. • O nível do mar não está aumentando: O derretimento de icebergs não eleva o nível do mar, pois o gelo flutuante ocupa o mesmo volume depois de derretido. Dados de satélites mostram que o nível do mar subiu cerca de 5 cm entre 1992 e 2006 e está estabilizado desde então. E já houve oscilações muito maiores (de 12 a 50 cm, em certas regiões) por motivos que nada teriam a ver com o aquecimento global, como a influência da órbita da Lua nas marés e os fenômenos oceânicos conhecidos como El Niño e La Niña. [...]

Unidade 10

• O CO

Abaixo, charge da Terra fazendo menção ao seu estado que inspira cuidados, como uma pessoa quando está doente.

Christos Georghiou/ Shutterstock.com

JOKURA, Tiago. Argumentos contra a teoria do aquecimento global. Planeta Sustentável, São Paulo, abr. 2011. Disponível em: <http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/ principais-argumentos-contra-teoriaaquecimento-global-624801.shtml>. Acesso em: 8 dez. 2015. Tiago Jokura/ Abril Comunicações S.A.

Os textos emitem opiniões e embasamento científico para defender suas ideias principais. a ) Qual é a sua opinião sobre esse assunto? Com qual das argumentações você concorda? Por quê? b ) Exponha sua opinião aos colegas, apresentando argumentos sobre ela. Você pode citar informações de pesquisas, jornais, livros, internet, filmes às quais teve acesso.

Os problemas ambientais

257


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Que fatores têm levado ao surgimento ou ao agravamento de problemas ambientais?

5. Os derramamentos de petróleo estão entre as principais causas da degradação das águas oceânicas. Quais são as consequências desse tipo de poluição para a fauna e a flora marinhas?

2. Podemos dizer que os problemas ambientais na atualidade não têm apenas repercussão local, mas também mundial? Justifique sua resposta dando exemplos.

6. Diferencie os poluentes atmosféricos: a ) primários; b ) secundários.

3. Além do aumento do consumo e do desperdício, quais outros fatores têm contribuído para a escassez da água em diversas regiões do mundo?

7. Como se forma a chuva ácida? Quais são as consequências desse fenômeno nas paisagens?

4. Descreva de que maneira as atividades agrícolas têm provocado a degradação dos recursos hídricos.

8. Descreva, de maneira sintética, as duas posições antagônicas sobre a questão do aquecimento global, estudadas nesta unidade.

Expandindo o conteúdo Brasil: principais problemas ambientais N

Boa Vista

O

L S

Macapá

Equador 0°

Belém

Manaus

São Luís

Fortaleza

Teresina Rio Branco

Porto Velho

Natal João Pessoa Recife

Palmas

Maceió Aracaju Salvador

Cuiabá

Brasília Goiânia

OCEANO ATLÂNTICO

Belo Horizonte Vitória

Campo Grande

OCEANO PACÍFICO

São Paulo Curitiba Florianópolis

E. Cavalcante

Porto Alegre 440 km

50° O

Rio de Janeiro

9. Com base no mapa ao lado, elabore um texto descrevendo os principais problemas ambientais existentes no Brasil, indicando a localização geográfica dessas ocorrências no território. Em seguida, escolha um deles e discorra sobre as consequências desse problema para o meio ambiente e para a população. Você pode se basear nos estudos desta unidade ou desenvolver pesquisas complementares. Essa atividade pode ser realizada individualmente ou em dupla.

Trópico de Capricór nio

Poluição do ar e da água pelas atividades industriais Risco de contaminação por derramamento de petróleo e derivados Contaminação do solo e da água pelas atividades de garimpo e mineração Contaminação do solo e da água por agrotóxicos

Arco do desflorestamento Alto risco de desertificação Áreas afetadas por processo de arenização Capital do país Capital de estado

Fontes: ATLAS geográfico escolar: ensino fundamental do 6 o ao 9 o ano. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. p. 44. 1 atlas. Escalas variam. GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 38. 1 atlas. Escalas variam.

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10. Analise o texto de acordo com as questões. [...] Satélites de observação terrestre podem parar de funcionar – ou porque acabou o combustível ou porque foram atingidos por detritos espaciais, como, por exemplo, peças de dispositivos fora de uso ou perdidos. No espaço, as chances de que aconteçam colisões são grandes por causa do lixo espacial. [...] Em fevereiro de 2009, pela primeira vez na história da exploração do espaço, dois satélites ainda intactos colidiram em órbita. O Iridium-33 e o Kosmos-2251, satélites comerciais das potências espaciais EUA e Rússia, chocaram-se enquanto sobrevoavam a Sibéria, a [...] [uma altitude] de 790 quilômetros. “Era realmente de se esperar que isso acontecesse um dia”, disse Heiner Klinkrad, chefe do departamento de lixo espacial da ESA. Pois cada missão no espaço também deixa lixo para trás – desde chaves de fenda perdidas até destroços inteiros de satélite, passando por motores de foguetes descartados. Tudo isso está incluído no conceito de lixo espacial, explicam Klinkrad e Frank-Jürgen Diekmann, chefe da missão dos satélites de observação Envisat. “São principalmente as peças maiores que causam problemas a longo prazo”, diz Klinkrad. Pois elas podem provocar reações em cadeia, ou seja, colisões catastróficas de satélites que ameaçam, por sua vez, outros satélites.

[...] E como se livrar da sucata de satélites? [...] “É possível cortar o combustível e fazer baixar o satélite, de forma que ele é apanhado pela atmosfera e se incendeia”, explica Klinkrad. [...] Como uma queda controlada seria muito dispendiosa, essas maravilhas da comunicação são catapultadas para ainda mais longe, explica Klinkrad: “Retira-se o satélite desativado do anel geoestacionário para uma assim chamada órbita-cemitério”. [...] Até hoje, pelo menos mil objetos foram enterrados – ou estacionados – ali.

Abaixo, imagem computadorizada que mostra os detritos espaciais em órbita baixa da Terra (até 2 000 km de altitude). Esses detritos incluem milhares de naves espaciais quebradas ou fora de operação, peças descartadas e equipamentos perdidos por astronautas. European Space Agency/SPL/Latinstock

No catálogo da rede norte-americana de observação espacial Space Surveillance Network estão listados 13 mil destroços espaciais de grande porte. Segundo estimativas, o número de objetos inferiores a um centímetro pode chegar a mais de 700 mil. A maioria dos fragmentos provém de explosões.

[...] FUCHS, Richard. Cada vez maior, lixo espacial põe satélites em risco. Deutshe Welle, Bonn, abr. 2013. Disponível em: <www.dw.de/cada-vez-maior-lixo-espacial-p%C3% B5e-sat%C3%A9lites-em-risco/a-16768304>. Acesso em: 8 dez. 2015. © DEUSTCHE WELLE

a ) De acordo com o texto, a poluição ultrapassou os limites da superfície terrestre. Que tipo de poluição o ser humano tem ocasionado no espaço sideral? b ) Quais problemas o lixo espacial pode ocasionar? c ) De acordo com o texto, como esse problema tem sido resolvido? Os problemas ambientais

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Unidade 10

[...]


Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

A arte no lixo

Ao produzir suas obras de arte, um artista plástico pode utilizar os mais diversos materiais. Vik Muniz, artista plástico brasileiro, é conhecido internacionalmente por utilizar materiais inusitados em suas obras de arte, principalmente objetos descartados na forma de lixo. Em um projeto denominado Lixo extraordinário, desenvolvido pelo artista no aterro sanitário de Gramacho, localizado em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, diversas obras de arte foram produzidas utilizando o lixo acumulado.

Aproveite o estudo sobre a obra de Vik Muniz, apresentada nesta seção, para conscientizar os alunos sobre a questão do lixo. Além de proporcionar um diálogo com a disciplina de Artes, esse estudo pode ser complementado com uma oficina para que os alunos produzam suas próprias criações artísticas com a utilização de materiais considerados lixo reciclável. Como esse trabalho deu origem a um documentário, citado na próxima página, se possível, assista-o e analise-o com os alunos.

Ao lado, imagem da obra Atlas (Carlão), produzida por Vik Muniz, em 2008.

260

Vik Muniz. 2008. Técnica mista. 229,90 x 180,30 cm. Coleção particular. © MUNIZ, Vik/AUTVIS, Brasil, 2016

Com o auxílio de catadores que vivem do lixo depositado em Gramacho, Vik Muniz mostrou como é possível criar obras de arte com base em materiais descartados pela população. Esse projeto resultou em um livro e em um documentário (veja a página seguinte).


Lixo Extraordinário

O documentário apresenta o trabalho desenvolvido pelo artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, localizado no município de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro. Em conjunto com um grupo de catadores, Vik Muniz mostra como o ser humano é capaz de criar e transformar a realidade em que vive.

Filme de Lucy Walker. Lixo extraordinário. Brasil e Reino Unido. 2010

A Geografia no cinema

Título: Lixo Extraordinário Diretor: Lucy Walker Atores principais: Vik Muniz, Fabio Ghivelder e Isis Rodrigues Garros Ano: 2010 Duração: 99 minutos Origem: Reino Unido, Brasil

Para assistir

• •SANEAMENTO Básico, o Filme. Direção: Jorge Furtado. Columbia Pictures, 2007.

Um grupo de moradores de Linha Cristal, pequeno vilarejo localizado no sul

do Brasil, se reúne para produzir um filme a respeito da construção de uma fossa de tratamento do esgoto. Por meio de cenas de humor, o filme retrata os desafios enfrentados por esse grupo de moradores ao longo da filmagem.

••UMA verdade inconveniente. Direção: Davis Guggenheim. Paramount Vantage, 2006.

Unidade 10

O

documentário apresentado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore aborda a questão do aquecimento global. Ao longo do filme são apresentados diferentes pontos de vista sobre o assunto.

Para ler

• •BENSUSAN,

Nurit. Meio ambiente: e eu com isso? São Paulo: Peirópolis, 2009. (Coleção E eu com isso?)

• •DOW,

Kirstin; DOWNING, Thomas E. O Atlas da mudança climática: o mapea­m ento completo do maior desafio do planeta. Tradução Vera Caputo. São Paulo: Publifolha, 2007.

••FLORENZANO, Teresa Gallotti. Imagens de satélite para estudos ambientais. São Paulo: Oficina de Textos, 2002.

• •GORE, Al. A Terra em balanço: ecologia e o espírito humano. Tradução Elenice Mazzilli. São Paulo: Augustus, 2008.

Para navegar

• •BRITISH

Broadcasting Corporation (BBC – Brasil). Mudanças Climáticas. Disponível em: <http://tub.im/7px8bi>. Acesso em: 10 mar. 2016.

••PROGRAMA das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Disponível em: <http://tub.im/72a8q7>. Acesso em: 10 mar. 2016.

Os problemas ambientais

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Questões do Enem e Vestibular 1. (UEL-PR) O desenvolvimento não é um mecanismo cego que age por si. O padrão de progresso dominante descreve a trajetória da sociedade contemporânea em busca dos fins tidos como desejáveis, fins que os modelos de produção e de consumo expressam. É preciso, portanto, rediscutir os sentidos. Nos marcos do que se entende predominantemente por desenvolvimento, aceita-se rever as quantidades (menos energia, menos água, mais eficiência, mais tecnologia), mas pouco as qualidades: que desenvolvimento, para que e para quem? LEROY, Jean Pierre. Encruzilhadas do Desenvolvimento. O Impacto sobre o meio ambiente. Le Monde Diplomatique Brasil. jul. 2008, p. 9.

A situação apontada no texto remete a problemas no uso dos recursos naturais. Com base no texto, no enunciado e nos conhecimentos sobre o desenvolvimento capitalista, considere as afirmativas a seguir. I. O desenvolvimento do capitalismo industrial baseou-se no uso de fontes de energia limpa como principal elemento para a realização da produção. II. Elementos da natureza, como madeira e minérios, ser viram para estruturar mecanismos coloniais de dominação. III. No mundo atual, a consciência ecológica e a reciclagem de materiais são insuficientes para deter o consumo desenfreado dos recursos naturais. IV. O capitalismo é racional no espaço de cada unidade produtiva e anárquico no plano social, pois o capitalista contempla apenas o seu interesse individual. Assinale a alternativa correta. E. a ) I e II. b ) I e III. c ) III e IV. d ) I, II e IV. e ) II, III e IV.

2. (UPE-PE) A água é uma condição básica para a vida no planeta Terra. Mantém a biodiversidade e impulsiona os ciclos biogeoquímicos, por exemplo. Como tem, também, importância para a economia dos continentes, ela precisa

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Anote as respostas no caderno.

ser melhor gerenciada. Sobre os problemas referentes aos recursos hídricos em escala global, analise os itens a seguir: 1. Esses problemas podem ser muito bem sintetizados no conjunto de situações que resultam do crescimento populacional, da intensa urbanização e da contaminação de recursos hídricos superficiais e subterrâneos. 2. O aumento da população e a urbanização provocam uma intensa pressão de usos múltiplos dos recursos hídricos e impactos na qualidade da água. 3. A infraestrutura de baixa qualidade ou incompleta ocasiona distribuição ineficiente da água tratada e perdas de boa parte dela. 4. É necessário ampliar, em escala global, a mobilização pública no processo de decisão e desenvolver a capacidade de informação eficiente para melhorar a educação relacionada à água. 5. Todos os processos relativos à água estão inter-relacionados, são de natureza complexa, dinâmicos e demandam conhecimento multidisciplinar. Estão CORRETOS: E. a ) apenas 1 e 4. b ) apenas 2 e 5. c ) apenas 1, 2 e 3. d ) apenas 2, 4 e 5. e ) 1, 2, 3, 4 e 5.

3. (PUC-PR) Entre os principais efeitos causados pela devastação ambiental do Planeta Terra, podemos apontar o risco de escassez de água doce. Pesquisas indicam que, além da poluição das águas superficiais, as “causas antrópicas”, ou seja, as atividades humanas vêm provocando também a contaminação das águas subterrâneas. O(s) principal(is) foco(s) de contaminação das águas subterrâneas é (são), EXCETO: A. a ) Emissão de gases tóxicos. b ) Lixões e cemitérios. c ) Postos de gasolina e fossas. d ) Agrotóxicos e fertilizantes. e ) Rejeitos e aterros industriais.


a ) os resíduos causam a proliferação de microrganismos, que levará à escassez de oxigênio, proporcionando a morte de organismos aeróbicos, tanto autótrofos quanto heterótrofos. b ) os resíduos levarão à escassez de fósforo e nitrogênio, o que culminará com o desaparecimento das plantas e algas. c ) as bactérias degradam os resíduos, liberando nitratos e fosfatos, que são tóxicos aos peixes, causando, assim, a morte desses animais. d ) o excesso de fósforo e nitrogênio impedirá o crescimento das algas e, como consequên­ cia, haverá redução da fauna aquática que as consome. e ) os resíduos levarão à proliferação de organismos fotossintetizantes, que serão responsáveis pela produção excessiva de oxigênio, causando intoxicação e morte nos organismos aeróbicos.

5. (UERN-RN) Plástico, náilon, isopor e todo o lixo capaz de flutuar é um potencial viajante e colecionador de poluentes levado pelas águas da chuva, dos rios ou do mar. Porém, permanece no ambiente por longo tempo. Caixas e vasilhames se quebram, cordas emaranham, sacolinhas se rompem e todos os pedacinhos flutuantes prosseguem sua jornada. Por onde passam, deterioram a paisagem, contaminam as águas, causam impactos sobre a fauna e afetam a qualidade de vida. National Geographic. Ambiente. A viagem do Lixo. Abril de 2011. Ano 11, n.o 133, p. 22-23.

Analise as afirmativas sobre o percurso do lixo e seus respectivos impactos na natureza. C.

I. Tudo aquilo que se joga fora e não é recolhido tende a descer, a buscar as áreas baixas dos vales, à mercê dos ventos e da chuva.

II. O descarte direto de embalagens vazias, entulho, móveis e pneus nos mananciais é ínfimo no Brasil. III. Plásticos descartados nos rios ou carregados por enchentes viajam longas distâncias, de rio para rio, sempre na direção do mar. IV. O modo de alimentar-se leva algumas espécies a engolir fragmentos de plástico. A morte vem por asfixia ou inanição. V. A maré alta leva resíduos deixados nos areais. Parte vai para o alto-mar e parte volta, sujando mangues e estuários. VI. Tartarugas marinhas são grandes vítimas do plástico. Ingerem sacolinhas, garrafas e balões. E podem até crescer entaladas em embalagens. VII. O plástico em pedaços não é danoso aos animais e ao meio ambiente. Estão corretas as afirmativas: a ) II, VII. b ) I, III, IV, V. c ) I, III, IV, V, VI. d ) I, II, III, IV, V, VI, VII.

6. (UFG-GO) Leia o texto a seguir. […] A qualidade do ar da cidade não depende somente da quantidade de poluentes lançados pelas fontes emissoras, mas também da forma como a atmosfera age no sentido de concentrá-los ou dispersá-los. […] Assume-se que os fenômenos de dispersão e remoção dos poluentes sejam comandados pelas feições regionais da atmosfera […], pelos aspectos locais do clima urbano (ilhas de calor e circulação de ar) em consonância com as características da superfície urbana […]. TORRES, F. T. P.; MARTINS, L. A. Fatores que influenciam na concentração do material particulado na cidade de Juiz de Fora (MG). In: Caminhos da Geografia, Uberlândia (MG), v. 4, n o 16, p. 23-39, 2005. (Adaptado).

O fenômeno descrito no texto é comum nas grandes áreas urbanas. Considerando-se essas informações e levando-se em conta a circulação geral da atmosfera em uma cidade situada na Região Metropolitana de São Paulo, durante a estação do inverno, contribuem para a concentração de poluentes no ar as condições do: E. a ) tempo, relacionadas a grandes turbulências do ar. b ) clima, associadas ao encontro entre massas de ar. c ) clima, associadas a instabilidades atmosféricas. Os problemas ambientais

263

Unidade 10

4. (UFC-CE) Uma forma comum de poluição das águas é causada pelo lançamento de dejetos humanos nos rios, lagos e mares. Esses resíduos levam ao aumento da quantidade de nutrientes disponíveis no ambiente, fenômeno denominado eutroficação. Quando esses resíduos atingem uma massa de água, ocorre uma cadeia de eventos, que culminam com graves problemas. Sobre esses eventos e suas consequências, é correto afirmar que: A.


d ) as enchentes, que atrapalham a vida do cidadão urbano, corroendo, em curto prazo, automóveis e fios de cobre da rede elétrica.

d ) tempo, favoráveis à dispersão do material particulado. e ) tempo, caracterizadas por estabilidade atmosférica.

7. (UEL-PR) Determinadas condições atmosféricas são mais favoráveis à concentração de poluentes e desfavoráveis às operações dos aeroportos devido à má visibilidade. Essa situação ocorre quando a temperatura da camada de ar junto à superfície está mais fria do que a camada de ar imediatamente superior, o que dificulta a movimentação vertical da atmosfera. Este fenômeno recebe o nome de:

D.

a ) ilha de calor. b ) efeito Corilis. c ) microclima urbano.

e ) a degradação da terra nas regiões semiáridas, localizadas, em sua maioria, no Nordeste do nosso país.

9. (FGV-SP) “Diversos gases expelidos pelas indústrias, principalmente os óxidos de enxofre e ni­tro­ gênio, podem reagir com a luz solar e a umidade presentes na atmosfera. Quando isso ocorre, transformam-se em soluções diluídas dos ácidos nítrico e sulfúrico. Em ambientes saturados por esses elementos, as precipitações atmosféricas (chuva e neve) apresentam alto poder corrosivo e contaminam os solos, lagos e ocea­ nos. Por isso são chamados chuvas ácidas”. Sua distribuição geográfica está associada à presença de altos níveis de produção industrial. No mundo, as mais altas taxas de chuva ácida concentram-se: E.

d ) inversão térmica. e ) subsidência ciclonal.

8. (ENEM-MEC) 


a ) nos países subdesenvolvidos com industrialização recente: China, Indonésia e Birmânia e na região do mar Mediterrâneo, mar fechado, circundado por regiões altamente industrializadas.

Em 1872, Robert Angus Smith criou o termo “chuva ácida”, descrevendo precipitações ácidas em Manchester após a Revolução Industrial. Trata-se do acúmulo demasiado de dióxido de carbono e enxofre na atmosfera que, ao reagirem com compostos dessa camada, formam gotículas de chuva ácida e partículas de aerossóis. A chuva ácida não necessariamente ocorre no local poluidor, pois tais poluentes, ao serem lançados na atmosfera, são levados pelos ventos, podendo provocar a reação em regiões distantes. A água de forma pura apresenta pH 7, e, ao contatar agentes poluidores, reage modificando seu pH para 5,6 e até menos que isso, o que provoca reações, deixando consequências.

b ) no Golfo do México e no eixo industrial da região sudeste brasileira até Buenos Aires, na Argentina. c ) no arquipélago japonês e em países de industrialização recente: Taiwan, Singapura, Coreia do Sul e Filipinas. d ) nas regiões petrolíferas da Venezuela, do Golfo do México e do Oriente Médio. e ) na região dos Grandes Lagos, no Nordeste dos Estados Unidos e na Europa Centro-Ocidental.

Disponível em: <www.brasilescola.com>. Acesso em: 18 maio 2010 (adaptado).

O texto aponta para um fenômeno atmosférico causador de graves problemas ao meio ambiente: a chuva ácida (pluviosidade com pH baixo). Esse fenômeno tem como consequência: A. a ) a corrosão de metais, pinturas, monumentos históricos, destruição da cobertura vegetal e acidificação dos lagos. b ) a diminuição do aquecimento global, já que esse tipo de chuva retira poluentes da atmosfera. c ) a destruição da fauna e da flora e redução de recursos hídricos, com o assoreamento dos rios.

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10. (PUC-PR) A existência da espécie humana está diretamente ligada à preservação do ambiente natural. Essa integração tem sofrido diversas interferências negativas que começam a ameaçar a existência dos seres vivos. Diante desse cenário, pode-se AFIRMAR que:

I. O ritmo de crescimento da sociedade de consumo é superior e muito mais rápido do que a capacidade de regeneração natural dos recursos existentes no planeta e sabe-se que a poluição ambiental e os impactos que o meio tem sofrido não podem ser eliminados em curto prazo.

II. Os problemas ambientais adquiriram dimensões


A alternativa CORRETA é: D. a ) I, II e III. b ) II, III e V. c ) III, IV e V d ) I, II e V. e ) I, III e IV.

11. (ENEM-MEC) O efeito estufa não é fenômeno recente e, muito menos, naturalmente maléfico. Alguns dos gases que o provocam funcionam como uma capa protetora que impede a dispersão total do calor e garante o equilíbrio da temperatura na Terra. Cientistas americanos da Universidade da Virgínia alegam ter descoberto um dos primeiros registros da ação humana sobre o efeito estufa. Há oito mil anos, houve uma súbita elevação da quantidade de CO2 na atmosfera terrestre. Nesse mesmo período, agricultores da Europa e da China já dominavam o fogo e haviam domesticado cães e ovelhas. A atividade humana da época com maior impacto sobre a organização social e sobre o ambiente foi o começo do plantio de trigo, cevada, ervilha e outros vegetais. Esse plantio passou a exigir áreas de terreno livre de sua vegetação original, providenciadas pelos inúmeros grupos humanos nessas regiões com métodos elementares de preparo do solo, ainda hoje, usados e condenados, em razão dos problemas ambientais decorrentes. Aquecimento global e a nova geografia de produção no Brasil. Disponível em: <www.embrapa.br/publicacoes/tecnico/aquecimentoglobal.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2009. (com adaptações).

Segundo a hipótese levantada pela pesquisa sobre as primeiras atividades humanas organizadas, o impacto ambiental mencionado foi decorrente: B. a ) da manipulação de alimentos cujo cozimento e consumo liberavam grandes quantidades de calor e gás carbônico. b ) da queima ou da deterioração das árvores derrubadas para o plantio, que contribuíram para a liberação de gás carbônico e poluentes em proporções significativas. c ) do início da domesticação de animais no período mencionado, a qual contribuiu para uma forte elevação das emissões de gás metano. d ) da derrubada de árvores para a fabricação de casas e móveis, que representou o principal fator de liberação de gás carbônico na atmosfera naquele período. e ) do incremento na fabricação de cerâmicas que, naquele período, contribuiu para a liberação de material particulado na atmosfera.

12. (UNESP-SP) O efeito estufa é um fenômeno natural e consiste na retenção de calor irradiado pela superfície terrestre, pelas partículas de gases e água em suspensão na atmosfera que garantem a manutenção do equilíbrio térmico do planeta e da vida. O efeito estufa, de que tanto se fala ultimamente, resulta de um desequilíbrio na composição atmosférica, provocado pela crescente elevação da concentração de certos gases que têm a capacidade de absor ver calor. Qual das ações a seguir seria mais viável para minimizar o efeito acelerado do aquecimento global provocado pelas atividades do homem moderno? D. a ) Redução dos investimentos no uso de tecnologias voltada para a captura e sequestro de carbono. b ) Aumento da produção de energia derivada de fontes alternativas, como o xisto pirobetuminoso e os micro-organismos manipulados geneticamente. c ) Reduzir o crescimento populacional e aumentar a construção de usinas termelétricas. d ) Reflorestamento maciço em áreas devastadas e o consumo de produtos que não contenham CFCs (clorofluorcarbonetos). e ) Criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) pelo Brasil e do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) pelos EUA. Os problemas ambientais

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Unidade 10

globais e afetam a biosfera como um todo, pois a fumaça expelida pelos automóveis e fábricas, ou mesmo os dejetos lançados em mares e rios atingem e atingirão a humanidade e o seu meio, sem distinção. III. A camada de ozônio começa a ser recuperada com ações de proteção ao meio ambiente. Estudos mostram uma diminuição no buraco da camada de ozônio em virtude dos baixos índices do efeito estufa. IV. Na litosfera existem pequenas moléculas de ozônio cujo símbolo químico é O 2. Essas moléculas filtram os raios ultravioletas provenientes do sol, prejudiciais ao homem. V. Sabe-se que a camada de ozônio retém os raios ultravioletas, que são altamente nocivos aos vegetais clorofilados, responsáveis pela fotossíntese e, consequentemente, pelo equilíbrio necessário à preservação da vida na Terra.

265

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13. (UNIFESP-SP) O grande aquecimento global verificado nos últimos 25 anos aponta o homem como o principal responsável pelas mudanças climáticas observadas no planeta atualmente. Sobre esse assunto, é correto afirmar que: D. a ) os principais agentes do aquecimento global são o aumento de CO‚ e de gases contendo enxofre liberados diariamente. A quantidade de vapor-d’água atmosférico, que em princípio poderia também influenciar, não tem apresentado grandes alterações a longo prazo, pelas próprias características que possui o ciclo da água no planeta.
 b ) a destruição da camada de ozônio pelo uso continuado de CFCs (clorofluorcarbonos) é apontada, juntamente com o aumento da liberação de CO‚ por combustíveis fósseis, como um dos principais agentes promotores do aquecimento global. c ) poeira e pequenas partículas em suspensão eliminadas com a poluição configuram-se, juntamente com o vapor-d’água misturado ao enxofre, como os principais responsáveis pelo efeito estufa desregulado, que aumenta o aquecimento no planeta. d ) a contenção do uso de combustíveis fósseis e o controle da liberação de gás metano por material em decomposição e pelos lixões das áreas urbanas são apontados como fatores impor tantes para deter o aumento do aquecimento global. e ) o excesso de CO‚ liberado e o aquecimento global por ele provocado inibem, a longo prazo, a expansão das florestas. Além disso, o aumento das queimadas libera mais CO‚ e deixa vastas áreas descober tas, piorando o efeito estufa desregulado.

14. (ENEM-MEC) Discutindo sobre a intensificação do efeito estufa, Francisco Mendonça afirmava: C. A conservação do calor na Troposfera ocorre a partir da perda de energia da superfície terrestre. Esta, ao se resfriar, emite para a atmosfera radiações de ondas longas equivalentes à faixa do infravermelho, caracterizadas como calor sensível, que são retidas pelos gases de efeito estufa. O dióxido de carbono (CO2) é o principal gás responsável em reter o calor na baixa atmosfera, mas o vapor d’água, o metano, a amônia, o óxido nitroso, o ozônio, e o clorofluorcarbono (conhecido como CFC, que destrói a camada de ozônio na Tropopausa/Estratosfera) também

266

são gases causadores do efeito estufa. Além desses gases, a nebulosidade e o material particulado em suspensão no ar são importantes contribuintes no processo de aquecimento da Troposfera, uma vez que também atuam como barreira à livre passagem das radiações infravermelhas emitidas pela superfície. Climatologia, Ed. Oficina de Textos.

A partir da leitura do texto, conclui-se que a ) as ondas que causam o efeito estufa se constituem principalmente de curta frequên­ cia, como os raios X. b ) apenas o gás carbônico é capaz de reter calor suficiente para gerar o efeito estufa. c ) o efeito estufa envolve apenas as camadas externas que compõem a atmosfera. d ) gases lançados na atmosfera por atividades humanas, como indústrias, podem interferir no recrudescimento do efeito estufa. e ) o vapor de água permite a livre passagem dos raios infravermelhos, o que causa sua livre reflexão para o espaço exterior.

15. (PUC-PR) Os impactos ambientais decorrentes das atividades humanas têm causado grandes transformações no mundo. Quanto aos impactos ambientais na atmosfera, é correto afirmar: A. I. A poluição atmosférica ocorre apenas nas cidades onde há uma grande quantidade de indústrias. II. As massas de ar transportam a poluição para as mais diversas localidades, independentemente de elas emitirem poluição ou não. III. A chuva ácida decorre da concentração, na atmosfera, de dióxido de enxofre (SO 2) e óxidos de Nitrogênio (NO, NO 2 e N 2O), liberados na combustão de petróleo e carvão mineral. IV. A chuva ácida atinge prédios históricos como o Coliseu ou o Parthenon, mas não causa dano a essas construções. V. As florestas, quando são atingidas pela chuva ácida, podem desfolhar; as águas dos lagos podem se tornar acidificadas, o que pode reduzir a biodiversidade devido às alterações provocadas aos micro-organismos existentes nessas regiões atingidas. a ) Apenas as assertivas II, III e V são verdadeiras. b ) Apenas as assertivas III e V são verdadeiras. c ) Apenas a assertiva I é verdadeira.


16. (UEPG-PR) Sobre problemas ambientais do planeta, assinale o que for correto. (01), (02), (08) e (16). Total: 27.

(01) O efeito estufa, em condições normais, mantém o planeta aquecido, mas o excesso dos gases responsáveis pelo aquecimento global, a exemplo do dióxido de carbono lançado na atmosfera terrestre, tem aprisionado uma quantidade cada vez maior de calor junto à superfície da Terra. (02) O dióxido de carbono, responsável pelo maior percentual do efeito estufa do planeta, é originado pela queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral, gás natural) e pela destruição das matas, ocorrendo liberação desse gás nas queimadas. (04) O Brasil ainda não apresenta problemas relacionados à chuva ácida, que é provocada por emissões de usinas termoelétricas a carvão e por motores de veículos, uma vez que as usinas geradoras brasileiras são apenas hidroelétricas e a sua frota de veículos ainda é insignificante. (08) Além do dióxido de carbono outros gases provocam o efeito estufa, a exemplo dos clorofluorcarbonos (CFCs), metano, óxido de nitrogênio e ozônio. (16) A chuva ácida ocorre quando o dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio são lançados na atmosfera pelas usinas termoelétricas movidas a car vão e pelos motores de veículos e, em reação química na atmosfera, voltam na forma de chuva ou neve corrosivas, com alta concentração de ácidos, que destroem a fauna e a flora nos rios, atingem florestas e causam até corrosão em prédios e monumentos.

17. (UEPG-PR) Dentre os problemas ambientais, áreas de ocorrência e acordos internacionais relacionados ao assunto no mundo atual, assinale o que for correto. (02) e (08). Total: 10. (01) O aquecimento da Terra devido ao efeito estufa é fato que todos os países aceitam como incontestável, e todos os governantes acatam as regras impostas pelos acordos internacionais e encontros relacionados às mudanças climáticas globais.

(02) Processos de desertificação provocados pelo homem ocorrem em muitos lugares a exemplo dos Estados Unidos, México e muitos países da África e da Ásia. Apenas nas últimas décadas do século XX, com o agravamento dos problemas ambientais, a sociedade se mobilizou para deter os efeitos nocivos das atividades econômicas predatórias e poluentes. (04) Os acordos internacionais regulamentando testes nucleares e a emissão de poluentes revelam a preocupação dos países ricos de serem sempre favoráveis aos países menos desenvolvidos. (08) Os países desenvolvidos e em desenvolvimento são os mais afetados pelo problema da chuva ácida, como acontece no nordeste dos Estados Unidos, Europa Ocidental, China, área mais industrializada do Brasil, Sudeste Asiático, dentre outros locais.

18. (UERN-RN) Sobre os problemas ambientais no cenário mundial e sua dinâmica nos espaços urbanos e rurais, é correto afirmar que: D. a ) nas grandes cidades, o fenômeno da ilha de calor agrava a concentração de poluentes na atmosfera, dificultando a circulação do ar e provocando inúmeros problemas de saúde à população, especialmente no inverno. b ) os países subdesenvolvidos são os principais responsáveis pela maior par te dos gases tóxicos lançados na atmosfera. Nesses países, as políticas voltadas para a preservação ambiental são prioritárias e severas, com metas a cumprir, estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto. c ) no campo, as monoculturas fizeram com que a utilização de inseticidas no combate às pragas favorecesse a diminuição de predadores naturais, provocando desequilíbrios nas cadeias alimentares. Contudo, esse modelo agrícola minimiza a incidência da erosão nos solos. d ) as chuvas ácidas estão relacionadas à emissão de poluentes, especialmente pelas atividades industriais. Como na atmosfera não há barreira entre uma região e outra, é comum os poluentes emitidos numa cidade provocarem chuva ácida em regiões vizinhas. No Brasil, as chuvas ácidas provocaram muitos danos na Mata Atlântica da Serra do Mar entre as décadas de 70 e 80. Os problemas ambientais

267

Unidade 10

d ) Todas as assertivas são verdadeiras. e ) Apenas a assertiva IV é verdadeira.


unidade

1. (01), (08) e (16): Total: 25.

1. D.

2. E.

2. A.

3. (01), (04) e (16): Total: 21.

3. (01), (02) e (16): Total: 19.

4. E.

4. E.

5. C.

5. B.

6. A.

6. B.

7. A.

7. E.

8. E.

8. D.

9. B.

9. V-V-F-V-F.

10. B.

10. A.

11. B.

11. B.

12. E.

12. C.

13. (01), (04) e (16): Total: 21.

13. C.

14. D.

14. D.

15. (04), (08) e (16): Total: 28.

A globalização

1. A.

4. E.

2. E.

5. C.

3. E. 7. (01), (02), (04) e (16): Total: 23. 8. D.

10. B.

9. C.

11. D.

unidade

As potências econômicas

1. E. 2. D. 3. E. 4. D.

6. (01), (04) e (16): Total: 21.

Comércio internacional e blocos econômicos

5. A. 6. E. 7. C. 8. A. 9. B. 10. A. 11. B.

1. D.

4. A.

12. (01), (02), (04), (08) e (16): Total: 31.

2. D.

5. A.

13. E.

3. E.

14. B.

6. F-F-V-V-V.

15. E.

7. E. 8. (01), (02), (04), (08) e (16): Total: 31. 9. B. 10. E. 11. (01), (02) e (16): Total: 19. 12. A. 13. A.

268

O subdesenvolvimento

unidade

unidade

Capitalismo e espaço geográfico

unidade

Respostas

Questões do Enem e Vestibular


unidade

unidade

Economias emergentes

Natureza, sociedade e meio ambiente

1. F-V-F-V-F.

1. (01), (08) e (32). Total: 41.

2. D.

2. D.

3. C.

3. B.

4. V-V-F-F-V.

4. V-V-V-F.

5. B.

5. E.

6. B.

6. E.

7. D.

7. C.

8. C.

8. B.

9. A.

9. E.

10. B.

10. C.

11. (01), (04) e (08): Total: 13.

11. C. unidade

unidade

12. C.

GeopolĂ­tica

1. E.

1. B.

2. E.

2. B.

3. A.

3. A.

4. A.

4. C.

5. C.

5. B.

6. E.

6. D.

7. D.

7. A.

8. A.

8. B.

9. E.

9. (08), (16) e (32). Total: 56.

10. D.

10. B.

11. B.

11. A.

12. D.

12. C.

13. D.

13. E.

14. C.

14. E.

15. A.

15. E.

16. (01), (02), (08) e (16). Total: 27.

16. C.

17. (02) e (08). Total: 10.

17. E.

18. D.

18. C. unidade

Os problemas ambientais

Conflitos no mundo

1. B.

4. B.

2. D.

5. A.

3. A.

6. C.

7. (02), (08) e (16). Total: 26. 8. D.

10. D.

12. A.

14. D.

9. B.

11. C.

13. D.

15. E.

269


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Lista de siglas Centro Federal de Educação Tecnológica do

CEFET-CE Ceará

Centro de Seleção de Candidatos ao Cesgranrio-RJ Ensino Superior do Grande Rio ENEM-MEC

Exame Nacional do Ensino Médio

EsPCex-SP

Escola Preparatória de Cadetes do Exército Faculdade de Tecnologia de São Paulo

FATEC-SP FEI-SP

Faculdade de Engenharia Industrial

FGV-SP

Fundação Getulio Vargas de São Paulo

FGV-RJ

Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro

Fuvest-SP

Fundação Universitária para o Vestibular

IBMEC-RJ

Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais

IFBA-BA Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia PUCCAMP-SP Pontifícia Universidade Católica de Campinas PUC-MG

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

PUC-PR

Pontifícia Universidade Católica do Paraná

PUC-RJ

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

PUC-RS do Sul

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande

PUC-SP

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

UDESC-SC UECE-CE

Universidade do Estado de Santa Catarina Universidade Estadual do Ceará

UEG-GO

Universidade Estadual de Goiás

UEL-PR

Universidade Estadual de Londrina

UEM-PR

Universidade Estadual de Maringá

UERN-RN

Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

UESC-SC

Universidade Estadual de Santa Cruz

UESPI-PI

Universidade Estadual do Piauí

UFBA-BA

Universidade Federal da Bahia

UFC-CE

Universidade Federal do Ceará

UFF-RJ

Universidade Federal Fluminense

UFG-GO

Universidade Federal de Goiás

UFMG-MG

Universidade Federal de Minas Gerais

UFMS-MS

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

UFPA-PA

Universidade Federal do Pará

UFPB-PB

Universidade Federal da Paraíba

UFPE-PE

Universidade Federal de Pernambuco

UFPR-PR

Universidade Federal do Paraná

UFRN-RN

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

UFRR-RR

Universidade Federal de Roraima Universidade Federal do Rio Grande do Sul

UFRGS-RS

Universidade Federal de São Carlos

UFSCAR-SP UFSC-SC

Universidade Federal de Santa Catarina

UFSM-RS

Universidade Federal de Santa Maria

UFTM-MG

Universidade Federal do Triângulo Mineiro

UFT-TO

Universidade Federal de Tocantins Universidade Federal de Uberlândia

UFU-MG

Universidade Estadual de Alagoas

UNEAL-AL UNEMAT-MT UNESP-SP

Universidade Estadual Paulista Universidade Federal do Amapá

UENP-PR

Universidade Estadual do Norte do Paraná

UNIFAP-AP

UEPA-PA

Universidade do Estado do Pará

UNIFESP-SP

UEPB-PB

Universidade Estadual da Paraíba

UPE-PE

UEPG-PR

Universidade Estadual de Ponta Grossa

UPM-SP

UERJ-RJ

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Universidade do Estado de Mato Grosso

Universidade Federal de São Paulo

Universidade de Pernambuco

UTFPR-PR

Universidade Presbiteriana Mackenzie Universidade Tecnológica Federal do Paraná

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