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Rogério Martinez Wanessa Garcia

Ensino Médio Componente curricular

Geografia Ensino Médio Componente Geografia curricular

Manual do Professor

Geografia

Geografia

Manual do Professor

ISBN 978-85-8392-088-5

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contato

Manual do Professor

Geografia Ensino Médio Componente curricular Geografia

Rogério Martinez

Wanessa Pires Garcia Vidal

Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).

Licenciada em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).

Mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) – campus Marília.

Pós-graduada em Avaliação Educacional pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).

Atua como professor da rede pública no estado do Paraná.

Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR).

Realiza palestras e assessorias para professores em escolas públicas e particulares.

Atuou como professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental na rede particular no estado do Paraná.

Autor de livros didáticos para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Realiza palestras e assessorias para professores em escolas públicas e particulares. Autora de livros didáticos para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.

1a. edição

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São Paulo

2016

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Copyright © Rogério Martinez, Wanessa Pires Garcia Vidal, 2016

Diretor editorial Gerente editorial Editora Editora assistente Assessoria Gerente de produção editorial Coordenador de produção editorial Coordenadora de arte Coordenadora de preparação e revisão Supervisora de preparação e revisão Revisão Coordenador de iconografia e licenciamento de textos Supervisora de licenciamento de textos Iconografia Coordenadora de ilustrações e cartografia Diretor de operações e produção gráfica

Produção editorial Assistência editorial Projeto gráfico Capa Imagem de capa Edição de ilustrações Diagramação Tratamento de imagens Ilustrações Cartografia Revisão Assistência de produção Autorização de recursos Pesquisa iconográfica Editoração eletrônica

Lauri Cericato Flávia Renata P. A. Fugita Angela Carmela Di Cesare Margini Marques Teresa Cristina Guimarães Teresa Cristina Guimarães Mariana Milani Marcelo Henrique Ferreira Fontes Daniela Máximo Lilian Semenichin Viviam Moreira Iracema Fantaguci Expedito Arantes Elaine Bueno Priscila Pavane Massei Kibelkstis Marcia Berne Reginaldo Soares Damasceno Scriba Projetos Editoriais Kleyton Kamogawa, André W. Metz da Costa, Érika F. Rodrigues Laís Garbelini e Hatadani Marcela Pialarissi Rawin Cheasagul/Getty Images Rogério Casagrande Leda Cristina Silva Teodorico José Vitor Elorza Costa Alexandre Affonso, E. Cavalcante, Estúdio Meraki, Gilberto Alicio, José Vitor E. C., Leonardo Mari, Luciane Mori, Luiz F. Fogaça, Marcela Pialarissi, N. Akira, Paula Radi, Poliana Garcia, Renan Fonseca, Veronezi Studio E. Cavalcante, Gilberto Alicio, José Vitor E. C., Leonardo Mari, Paula Radi, Renan Fonseca Viviane Mendes Cristiano J. Silva, Daiana Melo e Tamires Azevedo Erick L. Almeida André Silva Rodrigues Luiz Roberto L. Correa (Beto)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Martinez, Rogério #Contato geografia, 1o ano / Rogério Martinez, Wanessa Pires Garcia Vidal. – 1. ed. – São Paulo : Quinteto Editorial, 2016. – (Coleção #contato geografia) “Componente curricular: geografia” ISBN 978-85-8392-087-8 (aluno) ISBN 978-85-8392-088-5 (professor) 1. Geografia (Ensino médio) I. Vidal, Wanessa Pires Garcia. II. Título. III. Série.

16-02543    

CDD-910.712

Índices para catálogo sistemático: 1. Geografia : Ensino médio

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à

910.712 Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

QUINTETO EDITORIAL S.A. Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD S.A. CNPJ 61.186.490/0016-33 Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

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Para conhecer seu livro Por que estudar Geografia? Estudar Geografia tem um amplo significado, não se resume a ler e interpretar os mapas. Os estudos sobre Geografia nos permitem aprender a olhar o mundo além do óbvio, das aparências. Significa desenvolver habilidades e elaborar conhecimentos que nos permitem compreender fenômenos naturais, sociais e suas inter-relações, realizar uma leitura analítica do mundo e questionar a realidade em que vivemos. Portanto, por meio desses estudos podemos nos preparar para participar de maneira ativa, crítica e consciente na transformação da nossa sociedade, em busca de um futuro melhor. Conheça, a seguir, a organização dessa coleção, de modo que você possa utilizá-la com dedicação e entusiasmo, aproveitando-a da melhor maneira possível em sua formação.

Abertura

As páginas de abertura de unidade marcam o momento inicial do estudo do tema proposto. Apresentam um recurso deflagrador, em geral, uma imagem, que traz uma mensagem ou informação sobre algo relacionado à unidade temática.

Loskutnikov/Shutterstock.com

O aprimoramento das técnicas, das pesquisas astronômicas e cartográficas possibilitou a invenção de ferramentas e instrumentos tecnologicamente mais precisos e modernos, que permitiram obter informações mais detalhadas e fidedignas a respeito do tamanho e da forma da Terra, assim como da nossa localização em sua superfície. A

Você já havia imaginado que a Terra possui um formato tão irregular tal como o que observamos na imagem da página ao lado, produzida a partir de avançados cálculos matemáticos?

B

De acordo com os conhecimentos já alcançados, o que sabemos sobre a dinâmica de nosso planeta e de seus movimentos?

Também traz questionamentos que podem conduzi-lo a uma reflexão sobre o assunto ou à busca de conhecimentos sobre ele.


Explorando o tema

Para tornar as aulas mais dinâmicas e facilitar sua aprendizagem, alguns assuntos são abordados por meio de seções especiais.

A seção Explorando o tema aprofunda o estudo sobre um determinado tema e pode abordá-lo na forma de infográficos, nos quais você tem a oportunidade de ampliar suas habilidades de leitura e interpretação.

Contexto geográfico

Ponto de vista

Interferências no clima Duas novas expressões – gerenciamento do clima e geoengenharia – estão aparecendo com mais frequência nos debates internacionais sobre a ciência e a política das mudanças climáticas. Uma das razões é o fracasso nas tentativas de implementação de políticas efetivas de redução de emissões de gases estufa. O que há de novo é que não é mais utópico pensar em intervir no clima regional ou mundial para evitar a contínua elevação da temperatura média global, as secas ou inundações intensas que se tornam mais frequentes à medida que as alterações climáticas se intensificam. Já pode ser viável usar aviões, balões ou canhões para espalhar partículas de aerossóis na estratosfera ou aumentar a nebulosidade do planeta semeando nuvens. Essas intervenções poderiam refletir parte da radiação solar de volta para o espaço e resfriar o planeta como forma de reduzir os efeitos das crescentes concentrações de gases do efeito estufa como o dióxido de carbono (CO2).

• De acordo com

Riscos – Alan Robock, pesquisador da Universidade Rutgers, Estados Unidos, tem alertado que os riscos podem superar os benefícios, mesmo que a geoengenharia funcione como esperado. Segundo ele, mudanças propositais no clima global poderiam amenizar a pressão social pela adoção de medidas de redução da emissão de gases do efeito estufa, além de descontrolar o clima ainda mais – um dos efeitos previstos é a redução das chuvas anuais – as monções – sobre a Ásia e a África, ameaçando a produção de alimentos para centenas de milhões de pessoas.

Abaixo, avião emitindo óxido de cálcio para

formar chuva na Contexto geográfico Tailândia, em 2015.

Estudo de caso

O intuito é amenizar a seca que remonta desde Aral, um mar em agonia 1987 e assola algumas províncias do país. Quando a ecologia for disciplina de primeiro grau nas escolas do mundo, os peque-

[...] FIORAVANTI, Carlos. Os donos da chuva. Revista Fapesp online, São Paulo, 20 ago. 2011. Disponível em: <http:// revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2011/08/036-037-186.pdf>. Acesso em: 30 set. 2015.

nos alunos com certeza aprenderão sobre a tragédia que se abateu sobre o mar de Aral. Dificilmente se encontrará um exemplo tão didático e revoltante da capacidade do homem de intervir desastrosamente na natureza quanto o da agonia desse que chegou a ser o quarto maior lago do mundo. Mar de Aral 60° L

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Mar de Aral

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CAZAQUISTÃO

Dario Pignatelli/Bloomberg/Getty Images

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IRÃ TURCOMENISTÃO E. Cavalcante

A seção Contexto geográfico apresenta a modalidade Ponto de vista, momento em que você é convidado a ler e interpretar textos que trazem críticas, entrevistas, opiniões de especialistas, sobre assuntos em questão e no qual você e seus colegas podem expressar opiniões sobre ele.

[...] Os adeptos da geoengenharia – um grupo que inclui a indústria de combustíveis fósseis e alguns cientistas que acham que o problema climático é tão urgente que requer intervenções drásticas – argumentam que existe a possibilidade de reduzir a temperatura do planeta de propósito, não como panaceia, mas como medida paliativa, enquanto outras medidas mais demoradas são colocadas em prática.

Unidade 9

o texto, os riscos de grandes intervenções no clima do planeta pela engenharia climática podem superar os seus benefícios? Justifique sua resposta e utilize argumentos sobre os efeitos positivos e negativos que os avanços tecnológicos podem oferecer.

[...] A geoengenharia ou engenharia climática, como é chamada a intervenção deliberada e de ampla escala no clima, oferece outras possibilidades. As mais simples incluem o aumento da refletividade das superfícies das construções e o reflorestamento em larga escala, já que as plantas absorvem muito CO2 enquanto crescem. Possibilidades mais refinadas consistem no espalhamento de íons de ferro no oceano para aumentar a fertilidade de algas marinhas, que sequestrariam CO2 e o levariam para o fundo dos oceanos.

TADJIQUISTÃO

AFEGANISTÃO 290 km

PAQUISTÃO

Os climas da Terra 207 Fonte: STUDENT atlas. 4. ed. London: Dorling Kindersley, 2006. p. 83. 1 atlas. Escalas variam.

CHINA

40° N

Localizado na Ásia Central, entre duas antigas repúblicas soviéticas – o Cazaquistão e o Uzbequistão –, o Aral ocupava originariamente uma área de 68 300 km 2, o equivalente a duas Holandas. Suas águas salgadas eram abastecidas principalmente por dois extensos rios, o Syr Darya e o Amu Darya, cujas bacias hidrográficas se estendem por outros países vizinhos – o Tadjiquistão, o Quirguistão e o Turcomenistão, além do Afeganistão e do Irã –, cobrindo uma área total que beira os dois milhões de quilômetros quadrados. [veja mapa ao lado] É uma região de terras áridas e semiáridas, e por isso mesmo a irrigação artificial lá é muito antiga: há indícios de que ela já era usada há mais de dois mil anos, sempre de forma sustentável. Mas a grande mudança nesse sentido começou na década de 1930, quando os governantes soviéticos decidiram transformar a área, economicamente inexpressiva, numa grande produtora de algodão. A fibra, chamada na época de “ouro branco”, era fonte certa de divisas numa época difícil da economia mundial.

As práticas de plantio tradicionais da região deram lugar a uma agricultura de irrigação intensiva, graças à construção de grandes canais – o maior deles, o Kara Kum, foi aberto em 1956 para desviar parte das águas do Amu Darya (foto a seguir). [...]

Tipos de drenagem As águas dos rios escoam pela superfície terrestre sempre das partes mais altas para as partes mais baixas do relevo até encontrar e lançar suas águas em outro rio, lago ou oceano. Quando a rede de drenagem se dirige do continente ao oceano, ela é chamada exorreica (em grego, exo significa fora). Nesse caso, a água drenada pelos rios da bacia se dirige para o mar – é isso o que ocorre com todos os rios brasileiros. Mesmo os rios que correm para o interior, como o Tietê, que deságua no rio Paraná, por exemplo, têm como destino final o oceano.

Blaine Harrington III/Alamy Stock Photo/Latinstock

Explorando o tema

Kazuyoshi Nomachi/Corbis/Latinstock

A seção Contexto geográfico também proporciona o Estudo de caso, no qual um exemplo relacionado ao tema é abordado e analisado, a fim de que você estude a realidade tal como se apresenta, tendo como base os estudos propostos.

Não se pode negar que houve algum sucesso: entre 1960 e 1980, a área respondeu por um aumento de 70% na produção total de algodão da União Soviética, e até hoje o Uzbequistão se destaca como potência algodoeira. Mas o custo social, econômico e ambiental desse feito é incalculável. Até 1960, a situação se manteve relativamente estável, mesmo com a irrigação tomando dos rios (e desperdiçando a maior parte no deserto, por deficiências estruturais das obras e pela evaporação) quase 50% do fluxo de suas águas. A partir daí, porém, o nível médio do mar começou a cair [...].

Cálculo e reconstituição da história geológica da Terra Nos anos 1990, a sangria contínua fez o mar dividir-se em dois, com um aumento drástico na salinidade das águas: antes de 10 gramas por litro, ela subiu para 45 gramas por litro – e, em algumas partes do Aral Sul, chegou a espantosos 98 gramas por litro. A média atual gira em torno de 33 gramas por litro.

Canais de irrigação retirando água do rio Amu Darya, no Uzbequistão, já no início da década de 1990.

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Unidade 6

Radioatividade: Com a descoberta da radioatividade, somente a partir do início do século paspropriedade que alguns Para auxiliar sua compreensão no decorrer dos textos, Mas se a rede químicos de drenagem, por motivo geográfico ou climático, foi possível calcular com maior precisão a idade da Terra e reconstituir os sado, elementos têm se dirigir para o interior do continente e não chegar ao mar,os ela é termos técnicos são explicados na forma de deendorreica emitir(emenergia chamada grego, endoesignifica dentro). Esse é o principais eventos ocorridos ao longo de sua história geológica. Os cientistas desvocabulários inseridos na página. caso, por exemplo, do rio Volga, o maior rio da Europa, que nasce partículas de seus átomos no norte da Rússia e deságua no mar Cáspio, isolado na Ásia Cenque, assim, mudam cobriram que determinados elementos químicos presentes nas rochas (urânio, tótral. Outro exemplo desse tipo de sua drenagem é a do rio Okavango (veja foto ao lado), que nasce no interior de Angola e dispersa suas composição. águas em um grande pântano localizado na bordario do deserto e dorádio) se desintegram no decorrer de milhões de anos, originando outros Kalahari, em Botsuana, sudoeste africano. Delta do Okavango, Botsuana, em 2015. Meteorito: blocono rochoso proveniente espaço elementos. A cada 713 milhões de anos, por exemplo, metade dos átomos de O regime dosdo rios sideral e que atinge As características naturais de umaaregião, como as feições Tipos de regime No decorrer das páginas de conteúdo, os boxes com textos e urânio do relevo, a estrutura geológica, os tipos de vegetação e as 235 existentes em uma rocha transforma-se em chumbo 207. Conhecendo superfície da Terra. Regime pluvial: as cheias e as vazan-

apresentam informações teóricas ou o número de átomos dessesimagens dois elementos, é possível calcular a idade dessa exemplificações que complementam os estudos e ampliam rocha com bastante precisão. sua compreensão sobre os assuntos em questão.

condições climáticas, interferem diretamente na dinâmica de uma bacia hidrográfica.

As condições climáticas, por exemplo, provocam alterações no regime dos rios, também chamado regime fluvial, o que causa variação sazonal no volume e no nível de águas ao longo do ano. Essa variação pode ocorrer principalmente pela quantidade de chuvas ou pela água proveniente do degelo de neve ou geleiras, como ocorre em regiões de clima frio ou de grandes altitudes (veja quadro ao lado).

tes dependem basicamente da quantidade de chuvas, ou seja, as cheias ocorrem na estação chuvosa e as vazantes, na estação seca. Regime nival: as cheias ocorrem pelo derretimento de neve. É mais comum em regiões de clima frio, com a ocorrência de neve no inverno e degelo no verão.

As rochas mais antigas encontradas por meio da datação radioativa foram descobertas no noroeste do Canadá e datam de mais ou menos 4 bilhões de anos. Assim, os cientistas concluíram que o planeta teria se formado cerca de 500 ou 600 milhões de anos antes, proporcionando o tempo necessário para que a superfície do planeta se esfriasse e ocorresse a solidificação das primeiras rochas.

Assim, durante certas épocas do ano, o volume de água que abastece uma bacia aumenta, e os rios atingem o nível mais alto, ocasionando o período das cheias. Em outras épocas do ano, porém, o volume de água que alimenta a bacia diminui, e os rios atingem o nível mais baixo, período das vazantes.

Regime glacial: as cheias ocorrem pelo derretimento de geleiras, caso comum dos rios localizados em latitudes elevadas, com inverno rigoroso e verão curto.

Regime misto: os rios recebem tanto águas das chuvas como de derretimento de neve ou geleiras.

Pedro S. Werneck/RW Cine

No Brasil, a maioria dos rios possui regime Abaixo, cratera pluvial, apresentando cheias nos períodos chuvosos e vazantes nas estações de seca. localizada nono estado do O rio Amazonas, entanto, possui regime misto, pois seu curso é abastecido pelas abundantes chuvas queEstados caem na região e Arizona, também pelo degelo de neve da cordilheira dos Andes, onde estão localizadas suas Unidos, em 2015. É nascentes e as de vários de seus afluentes. Ao lado, laguna McIntyre, nascente do rio formada pela queda de Amazonas, nos Andes, Peru, em 2009. um meteorito com cerca de 100 mil g18_ftd_lt_1nog_iniciais_003a005.indd 4 toneladas, que se

Os fragmentos de meteoritos que colidiram com a superfície do nosso planeta também ajudam os cientistas a estimar a idade da Terra. Amostras de meteoritos datam de aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Como os cientistas supõem que todos os corpos do Sistema Solar teriam se formado na mesma época, essa po135 deria ser a idade do nosso planeta. Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

O estudo dos fósseis, restos ou vestígios de animais e plantas que viveram há 5/23/16

3:04 PM


Atividades As páginas de atividades apresentam a seguinte organização: a seção Sistematizando o conhecimento, composta de questões por meio das quais você poderá retomar os textos e revisar seus estudos;

• a seção Expandindo o conteúdo, que apresenta diferentes atividades de análise e interpretação de novos temas e recursos.

Ao final da unidade, após as atividades, a seção Ampliando seus conhecimentos traz informações complementares relacionadas aos conteúdos.

Ampliando seus conhecimentos

A seção A Geografia no cinema apresenta sugestões de filmes que podem auxiliá-lo em seus estudos de maneira ainda mais prazerosa.

A seção Para assistir, Para ler, Para navegar conta com sugestões de filmes, livros e sites por meio dos quais você poderá ampliar seus conhecimentos sobre os assuntos estudados por meio de diferentes mídias.

Questões do Enem e Vestibular 1. (UFAL-AL) Observe atentamente a figura a seguir. Trata-se de um esboço de curvas de nível.

Geografia, ciência e cultura apresenta diferentes formas de expressão do conhecimento geográfico no campo das artes (telas, charges, fotografias etc.) e da literatura (poemas, textos literários, letras de músicas etc.).

10 20 30 40

30 40 50

Y E. Cavalcante

X

Identifique qual a forma de relevo que mais se aproxima do que está representado pelas curvas de nível no trecho XY. a)

60

3. (FATEC-SP) Considere um mapa a ser usado em sala de aula para representar diferentes temas geográficos. Assinale a alternativa que relaciona, corretamente, a escala, a área mapeada e o exemplo.

40 20 0

X

Anote as respostas no caderno.

2. (UFG-GO) Para atingir o objetivo de ler e interpretar mapas, o leitor necessita identificar e analisar os elementos de representação cartográfica. Dentre esses, a escala cumpre um papel importante, visto que é a partir dela que se tem: a ) a localização de um fenômeno na superfície terrestre. b ) a apresentação da superfície esférica no plano. c ) os diferentes fusos horários no globo. d ) a identificação dos diferentes hemisférios terrestres. e ) o nível de detalhe das informações representadas.

Y

Escala / Área Mapeada / Exemplo b)

60

a ) 1 : 5 000 / Grande / Brasil. b ) 1 : 500 000 / Pequena / Parque do Ibirapuera, SP.

40 20 0

c)

c ) 1 : 150 000 000 / Grande / Planisfério. X

d ) 1 : 250 000 / Pequena / Praça da Sé, SP.

Y

e ) 1 : 100 000 / Grande / Região Sudeste.

60

4. (CEFET-GO) Considere dois mapas do Brasil, s e n d o q u e o m a p a “A” t e m e s c a l a de 1/10 000 000 e o mapa “B”, escala de 1/50 000 000. Assinale a alternativa correta. a ) Ambos os mapas apresentam a mesma riqueza de detalhes. b ) O mapa “A” apresenta menor riqueza de detalhes que o mapa “B”. c ) O mapa “A” apresenta maior riqueza de detalhes que o mapa “B”. d ) O mapa “B” é proporcionalmente cinco vezes maior que o mapa “A”. e ) Os dois mapas possuem o mesmo tamanho.

40 20

No final de cada unidade há uma seção com Questões do Enem e Vestibular sobre os temas estudados nos capítulos à sua disposição com materiais selecionados para seus momentos de estudos complementares.

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d)

X

Y

60 40 20 0

X

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Ilustrações: Gilberto Alicio

e)

40 20 0

5. (UFPR-PR) Para se orientar na superfície do globo, o Homem criou uma série de noções espaciais, entre elas a chamada Rosa dos Ventos, que dá as direções pelos pontos cardeais, colaterais, subcolaterais e intermediários.

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Sumário Noções espaciais

unidade

.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Lo

10

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A forma da Terra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

Fusos horários no Brasil. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

Longe de ser uma esfera perfeita. . . . . . . . . . . 13

Movimento de translação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

Como se orientar e se localizar.. . . . . . 14

As estações do ano e as zonas térmicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

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Coordenadas geográficas.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 Os lugares e suas coordenadas geográficas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 GPS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

Contexto geográfico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18

Explorando o tema

Infográfico

...............

26

Como as auroras polares se formam

Atividades.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28

Estudo de caso - O GPS e algumas de suas aplicações no cotidiano

Ampliando seus conhecimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

O movimento de rotação e os fusos horários. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

Questões do Enem e Vestibular. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

unidade

Fusos horários.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

A Cartografia e suas linguagens

.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

As convenções cartográficas.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

Projeção cartográfica: diferentes formas de representar o mundo.. . . . . . . 47

Representação cartográfica do relevo.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

Projeções e distorções. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48

A Cartografia Temática. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Tipos de mapas temáticos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Mapas temáticos e suas representações. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

Escala cartográfica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 Trabalhando com escalas numéricas.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44

unidade

36

A evolução da Cartografia Os mapas na Antiguidade.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 Os mapas na Idade Média.. . . . . . . . . . . . . . . . . . 64

Explorando o tema.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 A ideologia nos mapas

Atividades.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Ampliando seus conhecimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 Questões do Enem e Vestibular. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

..............................................................................................

Explorando o tema

Infográfico

60

.. . . . . . . . . . . . .

72

Lixo espacial

Os mapas no Renascimento. . . . . . . . . . . . . . 65

Atividades.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

A tecnologia moderna e a produção dos mapas na atualidade.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66

Ampliando seus conhecimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

As fotografias aéreas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 As imagens de satélites.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 SIG e geoprocessamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71

Questões do Enem e Vestibular. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78


Terra: planeta em transformação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82 Explorando o tema. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 Cálculo e reconstituição da história geológica da Terra

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 Ponto de vista - Niède Guidon e os vestígios humanos mais antigos do Brasil

A estrutura da Terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 As rochas e a composição da litosfera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90

unidade

As forças endógenas e a

..................................................................

80

dinâmica interna da Terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 A teoria das placas tectônicas . . . . . . . . . . . . . . . . 93 As forças endógenas e as formas do relevo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94

As forças exógenas e a dinâmica externa do relevo . . . . . . . . . . . . . . 96 Intemperismo e erosão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 A ação antrópica no relevo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 Questões do Enem e Vestibular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

...............................

108

Escudos, dobramentos e bacias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110

O relevo brasileiro e suas formas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120

As formas de relevo continental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122

O relevo submarino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113

Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124

Relevo brasileiro: características estruturais . . . . . . . . . . . . . 114

Questões do Enem e Vestibular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126

Geologia e mineração no Brasil . . . . . . . 115 Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116 Estudo de caso - Terras raras...nem tão raras assim

Estabilidade tectônica e altimetria do relevo brasileiro. . . . . . . . . 118 Vulcanismo e sismicidade no território brasileiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119

Machu Picchu.

Anton_Ivanov/Shutterstock.com

unidade

A litosfera e a dinâmica do relevo


unidade

Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

.....................................................................................................

130

A água na Terra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132

Água: recurso ameaçado . . . . . . . . . . . . . . . . . 144

A dinâmica hídrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132

Explorando o tema. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146

Águas continentais, redes de drenagem e bacias hidrográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 Tipos de drenagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 O regime dos rios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 Dinâmica e aproveitamento das águas fluviais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136

A rede hidrográfica brasileira . . . . . . . . . . 138

A geopolítica das águas

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 Questões do Enem e Vestibular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152

unidade

Águas no Brasil: abundância ou escassez? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142

As águas oceânicas

...................................................................................................................

Oceanos: fonte de vida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158 Características e dinâmica dos oceanos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160 Temperatura e salinidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160 Os movimentos das águas oceânicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161

156

A degradação das águas oceânicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164 Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166 Estudo de caso - Aral, um mar em agonia

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170

Vytautas Kielaitis/ Shutterstock.com

Navio cargueiro na Lituânia, em 2015.

Questões do Enem e Vestibular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172


A atmosfera terrestre. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 O aquecimento desigual da Terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180

A circulação geral da atmosfera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181 El Niño

Infográfico

........................................

182

Ventos sazonais: monções e brisas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184

Tempo e clima . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 185

..............................................

176

Explorando o tema Infográfico 190 A previsão do tempo

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192 Ampliando seus conhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194 Questões do Enem e Vestibular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 196

unidade

Massas de ar, frentes e mudanças no tempo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186

Os climas da Terra

.....................................................................................................................

Os grandes conjuntos climáticos da Terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207 Ponto de vista - Interferências no clima

unidade

200

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 212 Estudo de caso - São Paulo: da garoa à tempestade

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 214 Ampliando seus conhecimentos. . . . . . 216

Os climas do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208

Questões do Enem e Vestibular . . . . . . . 218

As grandes paisagens naturais da Terra Natureza e biosfera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224 Paisagens, ecossistemas e biomas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 225

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 229 Ponto de vista - Quão rara é a Terra? Ação antrópica e degradação dos grandes biomas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 230

Hotspots: no alvo da preservação Infográfico

Bertrand Rieger/ Hemis/Corbis/ Latinstock

unidade

Atmosfera, tempo e clima

.......................................

222

Impactos nos grandes domínios naturais do Brasil. . . . . . . . . . 238 Perspectiva geográfico-espacial da questão ambiental no Brasil. . . . . . . . . . . 239

Contexto geográfico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 242 Estudo de caso - Reservas da Biosfera: patrimônio natural-ecológico

Explorando o tema. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 243 .......................

232

Os grandes domínios naturais do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234

Política ambiental no Brasil

Atividades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 Ampliando seus conhecimentos. . . . 246 Questões do Enem e Vestibular . . . . . . 248

Respostas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 252 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254 Lista de siglas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 256


unidade NASA/SPL/Latinstock

Noções espaciais

Ainda que a Terra pareça uma esfera perfeita vista do espaço, a imagem ao lado nos permite perceber que sua superfície possui muitas irregularidades. Esta é uma representação da Terra elaborada com base em cálculos matemáticos, que consideram a ação da força da gravidade na modelagem da superfície terrestre. As cores que variam entre o amarelo e o vermelho indicam as áreas em que a força da gravidade é maior, e as cores que vão do azul-claro ao azul-escuro indicam as áreas de força gravitacional menor.

10


O aprimoramento das técnicas, das pesquisas astronômicas e cartográficas possibilitou a invenção de ferramentas e instrumentos tecnologicamente mais precisos e modernos, que permitiram obter informações mais detalhadas e fidedignas a respeito do tamanho e da forma da Terra, assim como da nossa localização em sua superfície. Você já havia imaginado que a Terra possui um formato tão irregular tal como o que observamos na imagem da página ao lado, produzida a partir de avançados cálculos matemáticos?

B

De acordo com os conhecimentos já alcançados, o que sabemos sobre a dinâmica de nosso planeta e de seus movimentos?

Loskutnikov/Shutterstock.com

A

Imagem da Terra vista do espaço.

11


A forma da Terra

© 2016 King Features Syndicate/Ipress

Observe, nesta charge, que a tripulação de uma embarcação se depara com um grande abismo, considerado o “fim do mundo”. A charge retrata, de forma bem-humorada, uma situação imaginada em épocas passadas, quando se acreditava que a superfície do nosso planeta era plana, com mares que terminavam em enormes precipícios.

BROWNE, Dik. O melhor de Hagar, o horrível. São Paulo: L&PM, 1987. p. 52.

Eclipse lunar: fenômeno no qual há um alinhamento entre o Sol, a Terra e a Lua, e a sombra da Terra se projeta na superfície da Lua, de modo que a forma circular do nosso planeta pode ser observada.

Desde os primeiros anos na escola, porém, aprendemos que a Terra tem forma arredondada, como os astronautas observaram e comprovaram com as primeiras viagens tripuladas ao espaço, ocorridas há mais de cinquenta anos.

Utilize o texto apresentado nas Orientações para o professor que explica como Eratóstenes calculou as dimensões da circunferência terrestre.

Mas foi em 12 de abril de 1961 que o cosmonauta soviético Yuri Gagarin entrou para a história como o primeiro ser humano a fazer uma viagem ao espaço sideral, realizando uma volta completa na órbita do nosso planeta. Nessa viagem, ele constatou visualmente a forma esférica da Terra e proferiu a famosa frase que o consagrou pelo feito: “A Terra é azul!”.

A concepção de que o planeta possui forma esférica, no entanto, já era difundida entre os gregos há mais de dois mil anos. Por meio de observações astronômicas e da ocorrência de certos fenômenos celestes, como os eclipses lunares, o filósofo grego Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.) propôs explicações sobre a esfericidade do nosso planeta. O matemático e filósofo também grego Eratóstenes (276 a.C. - 195 a.C.) chegou inclusive a calcular, em 247 a.C., a distância da circunferência do globo terrestre. A medida obtida por Eratóstenes, cerca de 46 mil quilômetros, se aproximou bastante da medida calculada atualmente com recursos tecnológicos muito avançados, que é de 40 008 km.

a ) Foi com base nos conhecimentos matemáticos já dominados na época da Grécia Antiga, há mais de dois mil anos, que Eratóstenes calculou o tamanho da circunferência terrestre com certa precisão. b ) Pesquise em revistas, livros, enciclopédias, na internet etc. e verifique as operações e os procedimentos matemáticos por meio dos quais Eratóstenes realizou seus cálculos.

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Detlev Van Ravenswaay/SPL/Latinstock

Ao lado, representação artística da nave Vostok I, em órbita da Terra.


Unidade 1

Quando vista do espaço, como foi observada pelos astronautas em suas viagens, a Terra parece uma esfera perfeita. No entanto, ela possui um leve achatamento nos polos (como mostra a figura A): seu diâmetro equatorial (letra a) é cerca de 42 quilômetros maior que seu diâmetro polar (letra b).

A superfície terrestre geoide b

Como a superfície do planeta é bastante irregular devido aos altos e baixos do relevo terrestre, o modelo físico da forma da Terra assemelha-se ao de um geoide, como podemos observar na figura ao lado. Por conta da distribuição desigual da massa da Terra e da força da gravidade exercida diferentemente em sua superfície, o planeta possui esse formato geoidal. Para fins geodésicos e cartográficos, a esfera terrestre é representada como uma figura com superfície teórica regular, definida pelo nível médio dos oceanos, chamada elipsoide, como representa a figura B.

a

Ilustração produzida com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 17.

N. Akira

Longe de ser uma esfera perfeita

elipsoide

Claus Lunau/SPL/Latinstock

B

Ilustração conforme: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 17.

A bússola As primeiras bússolas inventadas pelos chineses há mais de dois mil anos eram bem diferentes dos modelos que conhecemos. Por volta do século XII, a bússola foi levada para a Europa, onde ganhou forma parecida com a que possui hoje. Trata-se de um instrumento simples, formado por uma agulha imantada, que, suspensa em uma caixa, pode girar livremente sempre apontando para a direção do polo norte magnético do planeta. As primeiras bússolas chinesas (imagem ao lado) eram constituídas por uma base de bronze quadrangular que representava a Terra. Sobre a base, o cabo de um objeto de pedra de magnetita imantada, em forma de concha, indicava a direção sul. Os escritos sobre a base indicavam as direções norte, sul, leste, oeste, nordeste, noroeste, sudeste e sudoeste.

Geodésia: ciência que se dedica ao estudo da forma e tamanho da Terra. Astrolábio: instrumento astronômico que mede a altura de um astro em relação à linha do horizonte, inventado no século II a.C. por Hiparco, astrônomo e matemático grego. Durante séculos, esse instrumento foi um dos mais importantes meios de orientação de que os navegadores dispunham para se orientar nos oceanos.

A. Gómez/Moment Open/Getty Images

Conhecer a forma de nosso planeta e os contornos de sua superfície delineados pelos continentes e oceanos, assim como muitas outras informações que foram acumuladas ao longo do tempo, como o desenvolvimento das técnicas de representação cartográfica, a invenção da bússola e do astrolábio, foi vital para que o ser humano aprimorasse sua capacidade de se orientar e se localizar na superfície terrestre.

Astrolábio que data do século XVI.

Andrea Paggiaro/Shutterstock.com

Noções espaciais

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Como se orientar e se localizar Historicamente, o ser humano sempre teve necessidade de se localizar e de se orientar no espaço geográfico. Essa necessidade remonta aos nossos ancestrais nômades que, há muitos milhares de anos, precisavam se deslocar constantemente em busca de abrigo, proteção ou alimento. Ao Rosa dos ventos longo da nossa história, surgiram outras necessidades, como traçar rotas de comércio, conduzir embarcações Na bússola e em outros instrumentos de orientação e localização (mapas, cartas náuticas e de por mares mais seguros, localizar territórios vizinhos navegação aérea etc.), existe a figura da rosa dos ou dominados por povos hostis, deslocar exércitos em ventos, que indica as direções cardeais, colaterais campos de batalha etc. e subcolaterais: direções cardeais: norte (N), sul (S), leste (L) e oeste (O); nos países de língua portuguesa o leste e o oeste também podem ser representados, respectivamente, pelas letras L e O; direções colaterais: nordeste (NE), sudeste (SE), noroeste (NO) e sudoeste (SO); direções subcolaterais: norte-nordeste (NNE), norte-noroeste (NNO), leste-nordeste (ENE), leste-sudeste (ESE), sul-sudeste (SSE), sul-sudoeste (SSO), oeste-sudoeste (OSO), oeste-noroeste (ONO).

•• •• ••

N

NO

NNO

NNE

ONO

NE

ENE

L ESE

OSO

SO

SSO

Ilustração conforme: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 5.

Explique aos alunos que nos países de língua inglesa a sigla da direção leste é E (East) e da direção oeste é W (West).

SSE

S

SE

Renan Fonseca

O

Embora com outras finalidades, a necessidade de se orientar e de se localizar no espaço geográfico nos acompanha até os dias de hoje, mesmo em situações corriqueiras do nosso cotidiano. Quantas vezes perguntamos a um amigo: “Onde fica a sua casa?”. Muitas vezes, as pessoas também nos perguntam: “Onde fica a agência bancária mais próxima?”. “Há algum restaurante aqui por perto?” Nessas situações, em geral, utilizamos pontos de referência conhecidos para explicar a localização correta de cada lugar. Por exemplo: “A minha casa fica em frente àquela praça, logo depois da escola”. “O restaurante mais próximo daqui fica logo depois da banca de revistas.” “Há uma agência bancária na próxima esquina, bem ao lado de um supermercado.” Quando viajamos para lugares distantes, podemos encontrar a direção correta consultando mapas rodoviários, que mostram as estradas, seguindo a sinalização indicada nas placas ou pedindo informações. Mas e quando um amigo nos fala: “Adoraria passar as férias no Canadá, ou quem sabe na Tailândia! Você sabe onde fica o Canadá? E a Tailândia?”. Nesse caso, podemos localizar esses países consultando um mapa, um atlas ou um globo terrestre.

Coordenadas geográficas Já vimos que existem muitas maneiras de nos orientar e localizar no espaço geo­ gráfico. Mas como localizar um determinado lugar na imensa superfície terrestre? A superfície do globo terrestre possui aproximadamente 510 milhões de quilômetros quadrados, distribuídos em seis continentes (América, Europa, África, Ásia, Oceania e Antártida), milhares de ilhas e cinco oceanos (Atlântico, Índico, Pacífico, Ártico e Antártico). Como saber, então, a localização exata de uma cidade? Ou, ainda, como encontrar uma ilha pequena e isolada na imensidão de um oceano? Para que seja possível localizar qualquer ponto nessa enorme superfície do planeta foi criado um conjunto de linhas imaginárias denominadas como paralelos e meridianos. Traçadas sobre a representação da esfera terrestre, essas linhas possuem medidas que funcionam como “endereços” de qualquer lugar. Vejamos a seguir.

14


Os paralelos são circunferências imaginárias dispostas perpendicularmente ao eixo de rotação terrestre, a partir da linha do equador. A linha do equador é o paralelo que circunda o planeta em sua porção mais larga, dividindo-o em dois hemisférios (do grego hemi = metade e sphaera = esfera): o Norte e o Sul. À medida que se distanciam da linha do equador em direção aos polos – Norte e Sul –, os paralelos diminuem de diâmetro.

No estudo do tema coordenadas geográficas, sugere-se que o professor resgate conhecimentos e noções sobre coordenadas cartesianas, trabalhados em Matemática.

Unidade 1

Os paralelos e as latitudes

A distância medida em graus de cada paralelo em relação à linha do equador determina a sua latitude. E ela pode variar de 0º (zero) grau na linha do equador a 90º Norte no polo Norte e 90º Sul no polo Sul (veja figura A).

Os meridianos e as longitudes Os meridianos são semicircunferências imaginárias traçadas de um polo a outro da Terra, no sentido norte-sul. Por convenção, estabeleceu-se como meridiano 0º aquele que passa pelo Observatório Astronômico de Greenwich, na cidade de mesmo nome, próxima de Londres, Inglaterra. Assim, o Meridiano de Greenwich, também chamado meridiano inicial ou de referência, divide a Terra em dois hemisférios: o Leste ou Oriental e o Oeste ou Ocidental. A distância medida em graus de cada meridiano, a partir de Greenwich, determina a sua longitude. Essa distância pode variar de 0º (Meridiano de Greenwich) a 180º leste e 180º oeste (veja figura B). Cada meridiano circunda apenas metade da esfera terrestre e tem na face oposta do globo o seu meridiano oposto, chamado antimeridiano. É por meio dessa rede de linhas imaginárias (paralelos e meridianos) que podemos encontrar a localização exata de qualquer ponto na superfície terrestre. Essas linhas fornecem duas medidas: a latitude (medida dos paralelos) e a longitude (medida dos meridianos), que, em conjunto, são chamadas coordenadas geográficas. As coordenadas geográficas de cada ponto na esfera terrestre são determinadas pela interseção (cruzamento) de uma latitude com uma longitude (veja figura C).

geográficas (latitudes e longitudes)

A Paralelos

(latitudes) Polo Norte 90º N

C Coordenadas

B Meridianos

(longitudes)

Ilustrações: N. Akira

Polo Norte 90º N

Polo Sul 90º S

Ilustrações produzidas com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 18.

Polo Sul 90º S Noções espaciais

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Os lugares e suas coordenadas geográficas Veja a seguir como encontrar a coordenada geográfica de um lugar: ao procurar no mapa abaixo a coordenada geográfica formada pelo cruzamento da latitude 15º S (sul) com a longitude 47º O (oeste), encontramos a cidade de Brasília, a capital do nosso país. Dizemos que essa localização é aproximada, pois a coordenada geográfica exata de cada lugar é dada em graus, minutos e segundos, que no caso de Brasília é de 15º 47’ 03’’ de latitude sul e 47º 55’ 25’’ de longitude oeste. O planisfério abaixo mostra o traçado de alguns paralelos e meridianos, suas respectivas latitudes e longitudes, e as coordenadas geográficas aproximadas de algumas cidades do mundo. Observe. Coordenadas geográficas 180°

160°

140°

120°

100°

80°

60°

40°

20°

20°

40°

60°

80°

100°

120°

140°

160°

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

L

Meridiano de Greenwich

O

80°

70°

Círculo Polar Ártico 60°

180°

N

S

70°

60°

Moscou

50°

50°

Nova York

40°

Tóquio

Cairo

Trópico de Câncer 40º 45’N

35º 40’N

Equador 23º 33’S

20°

São Paulo

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Capricórnio

OCEANO ÍNDICO

33º 55’S

46º 39’O

30° 20° 10°

10° 20° 30°

Santiago

40°

40°

10°

30°

139º 45’L

Los Angeles

20° 10°

73º 57’O

Sydney

151º 10’L

OCEANO PACÍFICO

50°

40° 50°

60°

60°

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Círculo Polar Antártico

Longitude Latitude

70°

180°

160°

140°

120°

100°

80°

60°

40°

20°

20°

70°

2 400 km 40°

60°

80°

100°

120°

140°

160°

180°

E. Cavalcante

30°

80°

Fonte: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. XII. 1 atlas. Escalas variam.

Verifique as coordenadas geográficas das demais cidades mostradas no mapa: Cidades

Coordenada geográfica Latitude

Longitude

São Paulo

23º33´S

46º39´O

Nova York

40º45´N

73º57´O

Tóquio

35º40´N

139º45´L

33º55´S

151º10´L

Sydney

Fonte: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. 295; 319; 329; 334.

16


O Sistema de Posicionamento Global, ou GPS (sigla da expressão em inglês Global Positioning System), é um sofisticado sistema de localização. Ele fornece de maneira muito precisa, por meio de um receptor eletrônico (aparelho chamado GPS), a localização e altitude de qualquer ponto na superfície do planeta com pequena margem de erro. Essas informações, que chegam ao aparelho de GPS por ondas de rádio, são fornecidas por uma rede de satélites que orbitam o planeta a cerca de 20 mil quilômetros de altitude (veja figura abaixo). Desenvolvido na década de 1950 pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o GPS servia inicialmente apenas para fins militares. Ele ajudava no melhor posicionamento das tropas estadunidenses nos territórios por elas ocupados, guiando bombas e mísseis em direção a alvos inimigos, entre outras aplicações.

Acima, aparelho de GPS instalado em um carro, orientando o trajeto a ser seguido.

Atualmente, porém, o GPS passou a ter várias outras aplicações. Por exemplo, com esse sistema a elaboração de mapas e cartas topográficas é muito mais precisa, devido à sua capacidade de informar a posição e a altitude de cada elemento na superfície terrestre (rios, montanhas, cidades, estradas etc.). Também é utilizado nas atividades do campo, para delimitar propriedades rurais, zonear as áreas de cultivo, orientar os aviões agrícolas que fazem a pulverização das lavouras, entre outras aplicações. Além disso, esse sistema é usado em veículos. Conectado a um computador de bordo com mapas de rodovias, avenidas e ruas armazenados em sua memória, o sistema fornece orientação instantânea ao motorista, indicando o caminho exato que deve ser feito para se chegar ao destino desejado. Com dados das companhias de trânsito, o sistema também fornece informações sobre congestionamentos e indica ao motorista as vias alternativas mais rápidas. As empresas de transporte o utilizam para o planejamento de rotas e rastreamento de veículos. O GPS também é utilizado no controle dos tráfegos aéreo e marítimo. alcance do satélite de GPS no 2

localização rejeitada alcance do satélite de GPS no 3

alcance do satélite de GPS no 1

N. Akira

1

localização do receptor de GPS

2 3

A imagem ao lado representa o sistema de localização por GPS via triangulação de informações enviadas por satélite. Ilustração produzida com base em: CHRISTOPHERSON, Robert W. Geossistemas: uma introdução à Geografia física. Tradução Francisco Eliseu Aquino et al. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. p. 21.

Noções espaciais

17

Unidade 1

hans engbers/Shutterstock.com

GPS


Contexto geográfico

Estudo de caso

s?/ Di vulga

ção

O GPS e algumas de suas aplicações no cotidiano

Cadê o Ônibu

Com o desenvolvimento tecnológico, as aplicações do GPS ganharam novas funções, alcançando uma parcela crescente de usuários. Combinada com certos aplicativos (programas) disponíveis na internet, essa ferramenta disponibiliza uma série de serviços que podem ser acessados em aparelhos celulares, tablets e computadores. Veja algumas dessas aplicações, por exemplo, no trânsito.

• Existem aplicativos que ajudam os passageiros das grandes cidades

99 Ta xi

s/ Div u

lg aç ão

a localizar as linhas de ônibus e a posição dos veículos, como mostrado ao lado. Com essa ajuda, os usuários podem verificar onde fica a linha mais próxima ou saber quanto tempo o ônibus levará para chegar ao ponto em que se encontram e ao destino.

• Os usuários de táxi podem utilizar aplicativos que permitem buscar

o veículo mais próximo do lugar em que estão, como vemos na imagem ao lado. Ao chamar o táxi, o usuário recebe informações sobre o modelo e a placa do carro, além do número do telefone celular para entrar em contato com o motorista. O trajeto do táxi também pode ser acompanhado em tempo real.

Fotomontagem formada pelas imagens Denys Prykhodov/ Shutterstock.com e Waze/Divulgação

• Usuários

18

conectados à rede social podem compartilhar informações sobre tráfego, condições das vias de circulação, obras e manutenções na pista, possíveis acidentes, tudo em tempo real. Em seu trajeto, cada usuário também pode informar sobre a ocorrência de semáforos quebrados, vias alagadas, presença de animais na pista etc.

Produtos, empresas e suas marcas citados nesta obra não representam recomendação ou indicação comercial. Eles foram mencionados apenas como recurso didático.


Unidade 1

Além do trânsito, o GPS alcançou as mais variadas atividades e passou a ser essencial em algumas delas. Veja as informações do texto a seguir. [...] Britain on View/Getty Images

Fora do carro, o GPS pode ter dezenas e centenas de aplicações e funcionalidades diferentes. Talvez a mais popular entre elas seja o uso em trekking e caminhadas. [...] Trilhas O uso do GPS em trilhas acabou criando grandes comunidades na internet sobre o assunto, com discussões sobre equipamentos, melhores caminhos e o aparecimento de uma oportunidade para aumentar o conhecimento do assunto por parte dos leigos. [...] Aos poucos os aventureiros se dão conta da importância da utilização do GPS em trilhas, passeios e corridas. Dessa forma, os aparelhos de localização deixam de ser vistos apenas como perfumaria e artigo de luxo, e se tornam indispensáveis na prática de alguns esportes, seja por questões de otimização ou por segurança. Mas o uso do GPS não se limita aos carros e trilhas. A tecnologia é comum também na prática da pesca e navegação marinha, além do uso em aviões de pequeno porte.

Alpinista utilizando GPS na região de Lake District, localizada no noroeste da Inglaterra, em 2012.

••De acordo com a

Pesca São várias as formas com que o GPS auxilia o pescador, seja profissional ou apenas por lazer. Obviamente, a primeira delas é a própria orientação espacial, ou seja, saber onde está. Mas o uso vai além, principalmente para traçar rotas seguras, indicação de velocidade, distância percorrida, estimativas de tempo, identificação de locais perigosos, pontos de interesse, e diversos detalhes extras. Isso tudo apenas com equipamentos simples, que já podem ajudar muito o pescador. [...] Aviação

leitura do texto, o GPS pode ser considerado um instrumento de orientação e localização revolucionário em relação aos instrumentos utilizados no passado? Justifique sua resposta. Fuse/Getty Images

[...] A navegação aérea exige precisão nas manobras para garantir sempre a segurança nas operações e procedimentos. E o GPS serve justamente como uma garantia nesse processo. No entanto, ainda é utilizado como auxílio secundário na navegação aérea, mas ajuda e muito os pilotos, principalmente de pequenas aeronaves. [...] RIBEIRO, Gustavo. Existe vida para o GPS fora do carro. Disponível em: <www.administradores.com.br/mobile/artigos/tecnologia/existe-vidapara-o-gps-fora-do-carro/29563/>. Acesso em: 25 jan. 2016.

Uso de aparelho GPS em cabine de avião.

Noções espaciais

19


O movimento de rotação e os fusos horários

Fotomontagem de Renan Fonseca formada pela imagem Michael D Brown/Shutterstock.com

O movimento de rotação que a Terra realiza em torno do eixo imaginário tem a duração de 23 horas, 56 minutos e 4 segundos. Esse é o tempo gasto para que o planeta realize uma volta completa (rotação) em torno dele mesmo. Como esse movimento ocorre no sentido anti-horário (de oeste para leste), ele produz a impressão de que são os astros, na esfera celeste, que se movem ao redor da Terra. É o chamado movimento aparente dos astros, que podemos perceber diariamente observando a posição do Sol, desde o nascente, no leste, até o poente, no oeste.

Noite

O movimento de rotação é responsável principalmente pela sucessão dos dias e das noites e, assim, pelas diferenças de horários que existem na superfície do globo. No decorrer do movimento de rotação, enquanto partes da superfície deixam de ser iluminadas, tornando-se noite nessas regiões, outras partes, antes no escuro, passam a receber os raios solares, tornando-se dia nessas áreas (veja a imagem ao lado).

Dia

PlusONE/Shutterstock.com

Imagem da Terra mostrando parte iluminada, onde é dia, e parte escura, onde é noite.

Fusos horários Para regulamentar as diferenças de horários entre as regiões do planeta, provocadas pelo movimento de rotação terrestre, foi criado um sistema de fusos horários. Por meio dele, os 360º (graus) da esfera terrestre foram divididos em 24 faixas, ou fusos horários (uma faixa para cada hora do dia). Cada fuso horário compreende, então, uma faixa imaginária que se estende por 15 meridianos ou 15º de longitude (360º ÷ 24 = 15º), de um polo ao outro do globo. Todas as regiões situadas em um mesmo fuso possuem a mesma hora, que vai mudando à medida que passamos de um fuso a outro. Como a Terra gira de oeste para leste, as horas aumentam para leste (direção onde o Sol surge primeiro no horizonte) e diminuem para oeste (direção onde o Sol se põe). Por isso, quando os relógios marcam meio-dia em um determinado lugar, todos os fusos situados a leste desse lugar têm horas adiantadas em relação a ele, enquanto os fusos a oeste têm horas atrasadas. A contagem das horas em todo o planeta tem como referência o horário de Greenwich. Assim, o fuso horário de Greenwich, também conhecido como fuso inicial ou fuso de referência, abrange a faixa que vai do Meridiano de Greenwich até 7º 30’ para o leste e 7º 30’ para o oeste. Veja o mapa na página seguinte. Turista fotografada na linha do Meridiano de Greenwich, no observatório de Greenwich, localizado nos arredores de Londres, Inglaterra, em 2015. Um dos pés está no hemisfério Ocidental e o outro, no hemisfério Oriental.

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5/20/16 2:44 PM


GMT*

Unidade 1

Fusos horários da Terra N O

L S

COREIA DO NORTE JAPÃO

ESTADOS UNIDOS

Linha internacional da data

Linha internacional da data

REINO UNIDO Londres

Tóquio IRÃ

ARGÉLIA

ÍNDIA

MIANMAR

VENEZUELA Equador

BRASIL

Zonas indicadas por hora inteira

2 080 km

Zonas com horário fracionado Limites entre fusos horários

Segunda-feira Domingo

ÁFRICA DO SUL

AUSTRÁLIA

Recua um dia

Avança um dia

E. Cavalcante

Sentido de rotação da Terra

Meridiano de Greenwich

Brasília

Fontes: DIVISÃO Serviço da Hora (DSHO). Disponível em: <http://pcdsh01.on.br>. Acesso em: 4 ago. 2015. ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 35. 1 atlas. Escalas variam.

* GMT (Greenwich Mean Time): fuso de referência para o horário mundial.

Na prática, muitos países fazem adaptações para ajustar os limites teóricos dos fusos horários às suas fronteiras e divisões político-administrativas internas. Isso ocorre na tentativa de se unificar as horas em todo o país ou de acordo com os limites internos de estados, províncias etc., evitando, por exemplo, que regiões muito povoadas e com intensas relações econômicas sejam divididas por dois fusos ou que países de pequenas extensões territoriais possuam mais de um horário. Alguns países também adotam horas fracionadas, a exemplo do Irã e da Índia, que, respectivamente, adotam fusos de + 3 h e 30 min e de + 5 h e 30 min em relação ao fuso de Greenwich.

Linha Internacional de Data N O

L S

Onde a Terra “muda” de data Com o objetivo de estabelecer uma base comum para a mudança das datas no planeta, foi criada uma linha imaginária chamada Linha Internacional de Mudança de Data ou Linha Internacional de Data (LID). Cruzar essa linha implica uma mudança obrigatória na data do calendário. Se um navio ou avião cruzar essa linha no sentido leste-oeste, passa-se um dia: deixa o lado leste na manhã de sábado (dia 5, por exemplo) e chega ao lado oeste, na manhã de domingo (já no dia 6). Se a viagem for feita no sentido contrário, de oeste para leste, haverá diminuição de um dia.

Equador 0°

2 370 km

Fontes: DIVISÃO Serviço da Hora (DSHO). Disponível em: <http://pcdsh01.on.br>. Acesso em: 4 ago. 2015. ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 35. 1 atlas. Escalas variam.

Linha Internacional de Data

Noções espaciais

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E. Cavalcante

Por conveniência, a Linha Internacional de Data foi estabelecida em uma das regiões menos povoadas do planeta, atravessando o oceano Pacífico no meridiano de 180º (antimeridiano de Greenwich), com alguns desvios estabelecidos para que certas ilhas não tenham parte de suas terras em uma data e parte em outra (ver mapa ao lado).

21

5/19/16 4:18 PM


Fusos horários no Brasil Devido à sua grande extensão territorial no sentido leste-oeste, o Brasil apresenta quatro fusos horários. Por estar localizado totalmente no hemisfério Ocidental, todos os fusos horários brasileiros possuem horas atrasadas em relação ao horário de Greenwich. Com duas horas de atraso em relação ao horário de Greenwich, temos o fuso que abrange algumas de nossas ilhas oceânicas, como Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Os outros três fusos do país estão na parte continental, incluindo o fuso de Brasília, adotado como hora oficial ou hora legal brasileira. Observe o mapa. Fusos horários do Brasil – 2014 – 5 horas*

– 4 horas*

– 3 horas*

– 2 horas* N

Boa Vista

O

AP Macapá

RR

Fortaleza

São Luís

AM

MA

PA

Teresina

CE

RN PB

Rio Branco

PI

Porto Velho

PE

Palmas

SE

TO

RO

João Pessoa Recife

AL Maceió Aracaju

Salvador DF Brasília Goiânia GO

Cuiabá

MS OCEANO PACÍFICO

Fernando de Noronha

Natal

BA

MT

OCEANO ATLÂNTICO MG Belo Horizonte

Campo Grande SP PR

ES Vitória

RJ São Paulo Rio de Janeiro

Tr ó p i c o de Capr icó

Curitiba SC

E. Cavalcante

RS

Florianópolis

450 km 50° O

Horário de verão – 2015 N O

L

AP

AM

S

MA

PA TO

RO MT

E. Cavalcante

Estados que adotam o horário de verão Estados que não adotam o horário de verão

PE

BA

DF GO

MG

MS

ES

SP

RJ

PR SC RS

Equador 0°

CE PI

AC

rnio

Porto Alegre

* Em relação ao horário de Greenwich

RR

Equador 0°

Belém

Manaus

AC

L S

Com as diferenças de horário entre as regiões do país, as emissoras de televisão possuem programações em horários diferenciados de acordo com os fusos do território nacional. Assim, quando uma partida de futebol começa a ser transmitida simultaneamente para todo o país a partir da cidade de São Paulo às 16 horas (horário de Brasília), nas cidades de Cuiabá, Manaus e Porto Velho, os relógios marcam 15 horas (1 hora a menos). No mesmo instante, na cidade de Rio Branco, que está dois fusos a oeste, os relógios estão marcando 14 horas. Mas, para quem mora em Fernando de Noronha, que tem hora adiantada em relação a Brasília, a partida se inicia quando os relógios marcarem 17 horas.

RN PB

AL SE

Fonte: DIVISÃO Serviço da Hora (DSHO). Disponível em: <http://pcdsh01. on.br>. Acesso em: 4 ago. 2015.

Durante alguns meses do ano, geralmente entre outubro e fevereiro, o governo brasileiro adota o horário de verão em vários estados do país. A medida consiste em adiantar os relógios em uma hora, com o objetivo de promover a economia de energia elétrica, aproveitando ao máximo a luz solar. Com os relógios adiantados em uma hora e o dia escurecendo mais tarde nessa época, as pessoas não precisam acender lâmpadas e ligar chuveiros e demais aparelhos elétricos justamente no chamado horário de pico, aquele no qual o consumo de energia é maior. A economia de energia nos horários de maior consumo pode evitar sobrecargas nos sistemas de produção e distribuição, riscos de grandes apagões ou, ainda, o racionamento de energia. O mapa ao lado mostra os estados que adotam o horário de verão.

675 km 50° O

Fonte: DIVISÃO Serviço da Hora (DSHO). Disponível em: <http://pcdsh01.on.br>. Acesso em: 14 out. 2015.

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5/19/16 4:24 PM


Como o eixo da Terra é inclinado cerca de 23º 27’ em relação ao seu plano de órbita, a incidência dos raios solares sobre a superfície do planeta varia de acordo com a época do ano, conforme a posição do globo em relação ao Sol. Essas diferenças na incidência dos raios solares sobre a superfície terrestre ao longo do ano dão origem às estações do ano: primavera, verão, outono e inverno.

Ilustração produzida com base em: ROONEY, Anne. A história da Matemática: desde a criação das pirâmides até a exploração do infinito. Tradução Mario Fecchio. São Paulo: M. Books do Brasil, 2012. p. 100.

Acervo da editora

Elipse: figura geométrica em forma de um círculo oval formada pela interseção de um plano oblíquo (inclinado) na figura de um cone, tal como mostra a imagem ao lado.

Polo Norte

Plano de órbita (ou plano orbital): plano imaginário sobre o qual um planeta ou astro, neste caso a Terra, descreve sua órbita.

José Vitor E. C.

Denomina-se translação o movimento que a Terra realiza em torno do Sol. A trajetória ao redor dessa estrela perfaz uma órbita em forma de elipse. Uma translação completa do planeta ao redor do Sol demora 365 dias e 6 horas. Esses 365 dias correspondem ao período de um ano no calendário que utilizamos. As 6 horas que sobram são acrescidas, a cada 4 anos, em um dia a mais no mês de fevereiro. Quando isso ocorre, o ano fica com 366 dias e é chamado ano bissexto.

Unidade 1

Movimento de translação

23o 27’

plano da órbita terrestre Polo Sul

Ilustração produzida com base em: CHRISTOPHERSON, Robert W. Geossistemas: uma introdução à Geografia física. Tradução Francisco Eliseu Aquino et al. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. p. 53.

Ilustrações: N. Akira

Estações do ano Entre 20 ou 21 de março, ocorre o início da primavera no hemisfério Norte e do outono do hemisfério Sul. É quando os raios solares incidem perpendicularmente sobre a linha do equador, iluminando por igual os hemisférios Norte e Sul. São os chamados equinócios (de primavera no hemisfério Norte e de outono no hemisfério Sul).

Entre 21 e 23 de junho, ocorre o início do verão no hemisfério Norte, quando os raios solares atingem perpendicularmente o Trópico de Câncer – é o chamado solstício de verão. Nesse mesmo período, ocorre o início do inverno no hemisfério Sul, quando os raios solares atingem com menor intensidade esse hemisfério – é o chamado solstício de inverno.

Entre 22 ou 23 de setembro, ocorre o início do outono no hemisfério Norte e da primavera no hemisfério Sul. É quando os raios solares incidem perpendicularmente sobre a linha do equador iluminando por igual os hemisférios Norte e Sul. São os chamados equinócios (de outono no hemisfério Norte e de primavera no hemisfério Sul).

Entre 21 e 23 de dezembro, ocorre o início do inverno no hemisfério Norte, quando os raios solares atingem com menor intensidade esse hemisfério – é o chamado solstício de inverno. Nesse mesmo período, ocorre o início do verão no hemisfério Sul, quando os raios solares atingem perpendicularmente o Trópico de Capricórnio – é o chamado solstício de verão. Ilustrações produzidas com base em: LUHR, James F. (Ed.). Earth: the definitive visual guide. New York: Dorling Kindersley, 2007. p. 48.

Esse símbolo indica que as imagens estão fora de proporção.

• No campo da Astronomia, a evolução do conhecimento científico foi marcada por duas

teorias: a Geocêntrica e a Heliocêntrica. Pesquise em revistas, livros, enciclopédias, na internet etc. informações sobre essas teorias e descreva suas principais características. Ilustre, por meio de desenho, o modelo astronômico de cada teoria. Noções espaciais

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23

5/19/16 4:24 PM


As estações do ano e as zonas térmicas As estações do ano se sucedem de maneira inversa entre os hemisférios Norte e Sul da Terra. Assim, a mesma data que marca a chegada do inverno no hemisfério Norte (solstício de inverno) assinala também o início do verão no hemisfério Sul (solstício de verão). O mesmo ocorre com os equinócios: a chegada da primavera no hemisfério Norte (equinócio de primavera) coincide com o início do outono no hemisfério Sul (equinócio de outono) e vice-versa. Zonas térmicas

N. Akira

C

É importante ressaltar, porém, que as estações do ano são mais marcantes nas regiões temperadas, que se localizam entre os trópicos e os círculos polares, como pode ser observado na ilustração ao lado.

B A

A

B

Devido ao formato esférico da Terra, a superfície do planeta não é aquecida de maneira uniforme pelos raios solares. As regiões localizadas próximas ao equador são atingidas pela energia solar de maneira perpendicular. No entanto, conforme nos distanciamos da região equatorial, a mesma quantidade de raios solares passa a incidir com outro ângulo de inclinação em áreas cada vez maiores da superfície terrestre, acarretando menor aquecimento dessas superfícies. Esse aquecimento desigual da superfície do planeta é responsável pela existência de diferentes zonas térmicas: zona tropical, zona temperada e zona polar.

C Ilustração produzida com base em: PICAZZIO, Enos (Ed.). O céu que nos envolve: introdução à Astronomia para educadores e iniciantes. São Paulo: Odysseus, 2011. p. 72. Disponível em: <www.astro.iag.usp.br/ OCeuQueNosEnvolve.pdf>. Acesso em: 8 set. 2015.

Sol da meia-noite O sol da meia-noite é um fenômeno natural que ocorre somente durante o verão nas regiões polares dos hemisférios Norte e Sul do planeta. A explicação para esse fenômeno está na inclinação do eixo da Terra em relação ao seu plano orbital.

15 h

18 h

Com o fim da primavera e o começo do verão, as horas de Sol vão aumentando dia após dia, até a chegada do solstício (dia que marca a chegada do verão). Nessa data, o Sol permanece visível no céu durante as 24 horas do dia, daí o nome sol da meia-noite.

• É possível simular o fenômeno do “sol da

meia-noite” utilizando uma lanterna e um globo terrestre. Em um ambiente escuro, projete o foco de luz da lanterna diretamente sobre um dos trópicos (solstício de verão) e simule o movimento de rotação do globo. Você vai observar que, durante o movimento de rotação do planeta, um dos polos permanece sempre iluminado (sol da meia-noite), enquanto o outro polo permanece escuro, onde se tem a chamada “grande noite polar”.

24

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5/19/16 4:24 PM


Unidade 1

A As estações do ano na zona tropical As regiões tropicais, situadas entre os trópicos de Câncer (hemisfério Norte) e de Capricórnio (hemisfério Sul), recebem grande intensidade de luz e calor do Sol ao longo do ano todo (veja novamente a figura na página ao lado). Assim, as temperaturas se mantêm constantemente elevadas ao longo de todas as estações do ano, inclusive durante o inverno. Nessas regiões, como ocorre em grande parte do território brasileiro, as estações do ano são geralmente marcadas por uma estação mais chuvosa e outra mais seca.

B As estações do ano nas zonas temperadas Nas regiões temperadas do globo, situadas entre os trópicos e os círculos polares, a quantidade de insolação varia muito ao longo do ano. Nessas regiões, as temperaturas são baixas durante o inverno, inclusive com a ocorrência frequente de neve; no outono e na primavera, as temperaturas são amenas (nem muito frio nem muito calor); e, no verão, as temperaturas se elevam, fazendo bastante calor. Por isso, nessas regiões, as quatro estações do ano apresentam características bem marcantes.

C As estações do ano nas zonas polares

21h

0h

3h

6h

9h

• Por quais zonas

térmicas se estende o território brasileiro?

Fotomontagem formada pelas imagens M Woike/Blickwinkel/Easypix e Acervo da editora

Nas regiões polares, situadas nas latitudes mais elevadas, os raios solares chegam de forma bastante inclinada, o que torna a insolação muito reduzida e mantém as temperaturas sempre muito baixas, em geral, abaixo de 0 ºC. Isso explica por que grande parte das regiões polares fica permanentemente coberta por extensas geleiras. Mesmo no verão, quando as temperaturas aumentam um pouco, em média, elas raramente ultrapassam 0 ºC.

12 h

Fotocomposição que apresenta a posição do Sol em diferentes momentos do dia em Vesteralen, na Noruega, em 2009, onde no verão se observa o Sol à meia-noite. Noções espaciais

25


Explorando o tema

Infográfico

Ventos solares: conjunto carregado de partículas e subpartículas emitidas continuamente pela coroa solar (envoltório luminoso do Sol).

As auroras são fenômenos óticos e luminosos que podem ser observados nas noites das regiões polares, na forma de luzes coloridas no céu. São provocadas pelo choque de partículas elétricas dos ventos solares com as moléculas de gases presentes na atmosfera, principalmente o nitrogênio e o oxigênio.

Como as auroras polares se formam Após viajarem cerca de 150 milhões de quilômetros, as partículas elétricas originárias do Sol são desviadas em direção aos dois polos e atraídas pelo campo magnético da Terra. Ao se chocarem com os gases atmosféricos provocam fenômenos luminosos na alta atmosfera, entre 80 e 500 quilômetros acima da superfície.

O campo magnético da Terra funciona como um escudo protetor contra os ventos solares (alta radiação). Se não fosse esse campo magnético, a alta radiação chegaria à superfície causando sérios problemas de saúde.

• Pesquise sobre o tema magnetismo

terrestre e ventos solares como forma de aproveitar os conhecimentos da Física que explicam a ocorrência das auroras polares.

26

Ilustrações produzidas com base em: AGÊNCIA Espacial Americana (NASA). Disponível em: <http://nasasearch.nasa.gov/search/news?affiliat e=nasa&channel=704&query=polar+aurora&so rt_by=date>. Acesso em: 14 dez. 2015.


Unidade 1

Auroras boreal e austral No hemisfério Norte o fenômeno das auroras recebe o nome de auroras boreais (luzes do norte). No hemisfério Sul ocorrem as auroras austrais (luzes do sul). Ao lado, vista de aurora austral em torno da Antártida. Essa imagem foi capturada pelo satélite Nasa Image, em 11 de setembro de 2005.

Um espetáculo de cores Devido à composição variada de gases na atmosfera terrestre, as auroras polares podem se formar com cores também variadas. As auroras vermelhas, por exemplo, surgem acima de 240 quilômetros da superfície, enquanto as auroras azuis se formam abaixo de 96 quilômetros.

Verde

Altitude (km)

240 km

Roxo

160 km

Azul

96 km

Condições ideais Ausência de nuvens

Lua nova

Céu escuro

21:00 - 2:00 Noções espaciais

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Fotomontagem de Veronezi Studio formada pelas imagens NASA/SPL/Latinstock e Frank Krahmer/Masterfile/Latinstock

Vermelho

27

5/19/16 4:25 PM


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Que características conferem à esfera terrestre o formato de um geoide? 2. Defina: a ) paralelos; b ) latitude;

c ) meridianos; d ) longitude.

3. Quando nos deslocamos de oeste para leste, passando de um fuso para outro, as horas aumentam ou diminuem? Explique por que isso ocorre. 4. Observe novamente o mapa de coordenadas geográficas, na página 16, e escreva a coordenada geográfica aproximada das cidades indicadas a seguir.

Veja o exemplo: Nova York: 40º N – 75º O. a ) Santiago; c ) Moscou; b ) Cairo; d ) Los Angeles.

5. Por que os limites práticos dos fusos não coincidem com os limites teóricos que estabelecem as 24 faixas horárias na superfície terrestre? 6. Qual é o principal fator que define e diferencia as quatro estações do ano no planeta Terra? Explique. 7. O que são solstícios e equinócios? 8. Por que as estações do ano ocorrem de maneira invertida entre os hemisférios Norte e Sul da Terra?

Expandindo o conteúdo 9. Leia o texto, analise a imagem e realize uma produção de texto. Embora em épocas passadas chegou-se a acreditar que a superfície terrestre fosse plana, algumas situações vividas no dia a dia mostravam outra realidade, ou seja, evidenciavam que o planeta possuía o formato esférico. A figura a seguir mostra um desses indícios, que Aristóteles, em 322 a.C., utilizava para argumentar que a Terra tinha formato esférico. Explique esse argumento com base na figura. I

II

III

Ilustração produzida com base em: MATSUURA, Oscar T. Atlas do universo. São Paulo: Scipione, 1996. p. 10.

linha do

horizon

te

ura da Terra

Leonardo Mari

curvat

28


Unidade 1

10. Leia o texto e responda às questões. [...] Em poucas décadas a partir de 1280, o mundo viu um crescimento extraordinário do comércio e, com ele, maior prosperidade para potências marítimas como Veneza, Espanha e Grã-Bretanha. Uma única invenção – a bússola magnética – tornou isso possível. A bússola foi o primeiro instrumento a permitir a navegadores no mar, em terra e – muito mais tarde – no ar determinar sua direção de modo rápido e preciso a qualquer hora do dia e da noite e sob praticamente quaisquer condições. Isso permitiu que mercadorias fossem transportadas de maneira eficiente e confiável através dos mares e abriu o mundo para a exploração marítima. A Terra nunca mais poderia ser vista da mesma maneira. [...] ACZEL, Amir D. Bússola: a invenção que mudou o mundo. Tradução Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. p. 7.

a ) Como funciona uma bússola? b ) Explique a afirmação do texto que diz que a bússola “abriu o mundo para a exploração marítima”. c ) O texto deixa entender que a bússola foi inventada somente por volta do século XIII. Pesquise dados que confirmem, ou não, essa informação e registre suas conclusões.

11. Analise a imagem e responda à questão. 60º

45º

30º

15º

•D

•C Oeste

I

15º

30º

45º

60º

75º

•B •A Acervo da editora

75º

Meridiano de Greenwich

Considerando que I está localizado sobre o Meridiano de Greenwich, imagine que você está na cidade A e precisa conversar, por videoconferência, com outras três pessoas. Uma delas está na cidade B, outra, na cidade C, e a terceira, na cidade D. O horário combinado para a conversa é 14 horas, no horário de Greenwich. Qual será a hora local da video­ conferência para cada um dos participantes?

Leste

12. Leia os textos e responda às questões.

Governo estuda ampliar horário de verão para economizar energia ALISKI, Ayr. Governo estuda ampliar horário de verão para economizar energia. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 5 fev. 2015. Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/ geral,governo-estuda-ampliar-horario-de-verao-para-economizarenergia,1630237>. Acesso em: 31 ago. 2015.

Hospital das Clínicas orienta sobre como se adaptar ao horário de verão HOSPITAL das Clínicas orienta sobre como se adaptar ao horário de verão. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 15 out. 2010. Disponível em: <www.estadao.com.br/noticias/vidae, hospital-das-clinicas-orienta-sobre-como-se-adaptar-aohorario-de-verao,625292,0.htm>. Acesso em: 31 ago. 2015.

a ) O que é o horário de verão? Qual é o objetivo do governo ao adotá-lo? b ) Quais vantagens ou desvantagens sobre o horário de verão as manchetes comentam? c ) Em sua opinião, o horário de verão é uma medida interessante? Justifique sua resposta.

13. Realize a pesquisa a seguir. Atualmente, o GPS possui diversas aplicações desenvolvidas pelo ser humano. Pesquise algumas dessas utilidades, escolha uma delas e redija um texto-resumo, explicando como esse sistema é aplicado em uma determinada atividade. O texto também deve conter as possíveis vantagens ou melhorias proporcionadas pelo GPS a essa atividade. Noções espaciais

29


Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura Estudos indicam que a civilização pré-colombiana maia possuía grandes conhecimentos astronômicos e matemáticos. Leia o texto a seguir e saiba um pouco mais sobre o conhecimento dos maias.

Como os maias sabiam tanto sobre astronomia?

• Com instrumentos

simples e de fácil acesso, como lunetas amadoras, é possível realizar observações noturnas do céu, como forma de investigar os astros que aparecem na abóbada celeste.

Enquanto estiveram no auge, entre os anos 200 e 900, os maias, que habitaram a América Central, foram uma das civilizações mais cabeças do planeta. Seus conhecimentos matemáticos e de astronomia estavam não apenas à frente de todos os outros povos vizinhos, mas também dos chineses e dos europeus. [...] Eles também eram excelentes observadores do céu. Em várias cidades maias, como Palenque, Sayil e Chichén Itzá, os centros astronômicos ocupavam áreas centrais. [...] Cruzando a matemática com a observação, os maias conseguiram conhecer, com uma precisão espantosa, a duração dos ciclos lunar, solar e do planeta Vênus. Eles calcularam que Vênus passa pela Terra a cada 583,935 dias – algo espantosamente próximo do número considerado correto hoje, que fica entre 583,920 e 583,940. Também definiram que o ciclo lunar dura 29,53086 dias (atualmente os astrônomos falam em 29,54059). Os maias registraram que o Sol completa seu ciclo em 365,2420 dias, enquanto que na atualidade esse número está definido em 365,2422. Com base nesses conhecimentos, eles criaram um conjunto de calendários complexos e interligados que, juntos, formavam um dos sistemas de contagem do tempo mais precisos de sua época. Documentos queimados

Hoje sabemos que os maias estavam certos em seus cálculos. Mas como foi possível que eles avançassem tanto sem usar nenhum tipo de lente? Entre os europeus, a astronomia só começou a avançar mais rápido lá pelo século 17, quando Galileu Galilei se apropriou da invenção do telescópio [...]. É difícil saber como os maias chegaram a essas conclusões porque, enquanto Galileu localizava manchas no Sol e identificava o planeta Júpiter, os espanhóis se empenhavam em destruir a civilização maia. Como os maias não tinham um reino unificado, foi um processo lento, em que cada cidade-Estado caiu sozinha. A última, Tayasal, foi derrotada em Em observatórios, como o de 1697. Todas elas foram saqueadas e tiveram Chichén Itzá, localizado em Yucatán, México, cujas ruínas bibliotecas e templos queimados. observamos na fotografia ao lado, [...]

YAY Media AS/Alamy Stock Photo/Latinstock

de 2012, os maias observavam a movimentação dos corpos celestes.

30

CORDEIRO, Tiago. Como os maias sabiam tanto sobre astronomia?. Superinteressante, São Paulo: Abril. n. 240a, jun. 2007. Disponível em: <http://super.abril.com. br/historia/como-os-maias-sabiam-tantosobre-astronomia>. Acesso em: 27 out. 2015. Tiago Cordeiro. Abril Comunicações S.A.


Unidade 1

A Geografia no cinema

1492: a conquista do paraíso

O filme narra a viagem do navegador e explorador genovês Cristóvão Colombo, que pretendia chegar às Índias pelo Oeste ou Ocidente, vislumbrando ampliar os mercados europeus e traçar uma nova rota para o comércio de especiarias. Utilizando instrumentos para a navegação, como bússola, astrolábio e mapas, ele chega à terra firme, mas muito mais distante do que as Índias: havia alcançado o “Novo Mundo”, a América. Filme de Ridley Scott. 1942: a conquista do paraíso. EUA, Inglaterra, França e Espanha. 1992

Título: 1492: a conquista do paraíso Diretor: Ridley Scott Principais atores: Gérard Depardieu, Sigourney Weaver, Armand Assante, Michael Wincott, Kevin Dunn Ano: 1992 Duração: 156 minutos Origem: Estados Unidos, Inglaterra, França e Espanha

Capa do filme: 1492: a conquista do paraíso

Para ler

••ACZEL, Amir D. Bússola: a invenção que mudou o mundo. Tradução Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

••CHERMAN, Alexandre; VIEIRA, Fernando. O tempo que o tempo tem: por que

o ano tem 12 meses e outras curiosidades sobre o calendário. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

••RAMOS, Fábio Pestana. No tempo das especiarias: o império da pimenta e do açúcar. São Paulo: Contexto, 2004.

••SIMAAN,

Arkan; FONTAINE, Joelle. A imagem do mundo: dos babilônios a Newton. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Para navegar

••FUNDAÇÃO Planetário da Cidade do Rio de Janeiro. Disponível em: <http:// tub.im/t8txoy>. Acesso em: 31 ago. 2015.

••OBSERVATÓRIO Nacional. Disponível em: <http://tub.im/eqt6td>. Acesso em: 31 ago. 2015.

••PORTAL do professor: estações do ano. Disponível em: <http://tub.im/qht6aq>. Acesso em: 31 ago. 2015.

••PORTAL do professor: Sistema de Posicionamento Global – GPS. Disponível em: <http://tub.im/hj7yre>. Acesso em: 31 ago. 2015.

••WORLD Time Zone. Disponível em: <http://tub.im/b773mq>. Acesso em: 31 ago. 2015.

Noções espaciais

31


Questões do Enem e Vestibular

janelas dos quartos não devem estar voltadas, respectivamente, para os pontos cardeais: A. a ) norte/sul. d ) oeste/leste. b ) sul/norte. e ) oeste/oeste. c ) leste/oeste.

3. (ENEM-MEC) Leia o texto abaixo. O jardim de caminhos que se bifurcam (....) Uma lâmpada aclarava a plataforma, mas os rostos dos meninos ficavam na sombra. Um me perguntou: O senhor vai à casa do Dr. Stephen Albert? Sem aguardar resposta, outro disse: A casa fica longe daqui, mas o senhor não se perderá se tomar esse caminho à esquerda e se em cada encruzilhada do caminho dobrar à esquerda.

I. O conhecimento especulativo produzido na antiguidade clássica e no medievo possibilitou concepções tanto aproximadas quanto distantes da forma real do planeta.

(Adaptado. Borges, J. Ficções. Rio de Janeiro: Globo, 1997. p. 96).

Quanto à cena descrita acima, considere que I – o sol nasce à direita dos meninos; II – o senhor seguiu o conselho dos meninos, tendo encontrado duas encruzilhadas até a casa. Concluiu-se que o senhor caminhou, respectivamente, nos sentidos: A. a ) oeste, sul e leste. b ) leste, sul e oeste. c ) oeste, norte e leste. d ) leste, norte e oeste. e ) leste, norte e sul.

II. As representações cartográficas produzidas na Europa medieval eram descoladas da mentalidade da época, na qual predominava uma cosmografia baseada em expedições voltadas ao conhecimento do mundo natural.

IV. A imagem da Terra vista do espaço, sintetizada na frase de Yuri Gagarin: “a Terra é azul”, contribuiu para aprofundar a ideia da fragilidade e finitude do planeta. Estão corretas apenas as afirmativas: B. a ) I e II. d ) I, II e III. b ) II e IV. e ) I, III e IV. c ) III e IV.

4. (UFBA-BA) Cada ponto do espaço geográfico possui uma localização que pode ser rigorosamente determinada.

180˚ 150˚ 120˚ 90˚

60˚ 45˚ 30˚

60˚

30˚

32

60˚

90˚

N

120˚ 150˚ 180˚

O

75˚

L

60˚

S 45˚

OCEANO ATLÂNTICO

30˚

OCEANO PACÍFICO

15˚

AMÉRICA

0˚ Equador OCEANO PACÍFICO

2. (ENEM-MEC) “Casa que não entra sol, entra médico.” Esse antigo ditado reforça a importância de, ao construirmos casas, darmos orientações adequadas aos dormitórios, de forma a garantir o máximo conforto térmico e salubridade. Assim, confrontando casas construí­ das em Lisboa (ao norte do Trópico de Câncer) e em Curitiba (ao sul do Trópico de Capricórnio), para garantir a necessária luz do sol, as

30˚

Trópico de Câncer

15˚

15˚

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

75˚ Círculo Polar Ártico

Trópico de Capricórnio

30˚ 45˚ 60˚

Círculo Polar Antártico

0˚ OCEANO ÍNDICO

15˚ 30˚ 45˚

75˚

ANTÁRTIDA 60˚

30˚

60˚

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

75˚ 180˚ 150˚ 120˚ 90˚

E. Cavalcante

III. As representações da superfície da Terra, a partir do Renascimento, tinham estreitas relações com conhecimentos experimentais e ampliaram a concepção predominante na antiguidade clássica sobre a forma do planeta.

Meridiano de Greenwich

1. (UEL-PR) Durante séculos, houve controvérsias sobre a forma do planeta e sua representação. A ideia do contorno da Terra, na Grécia Clássica, foi influenciada por concepções filosóficas acerca da esfera, considerada a mais perfeita das formas. No medievo, o uso das sagradas escrituras como fonte de conhecimento sobre o planeta gerou críticas severas aos defensores de concepções pagãs. No século XVI, a primeira circum-navegação comprovou a esfericidade do planeta, passível de visualização desde 1960, com a corrida espacial e o desenvolvimento da televisão. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, considere as afirmativas a seguir.

Anote as respostas no caderno.

30˚

60˚

90˚

3 990 km

120˚ 150˚ 180˚

Com base na afirmação, na análise do mapa e nos conhecimentos sobre a localização geo­ gráfica dos lugares e suas relações espaciais, pode-se afirmar: (02), (04), (08) e (16). Total: 30.


(02) III apresenta, pela sua posição geográfica, menor grau de latitude em relação a I e maior grau de longitude em relação a II. (04) A intersecção entre as coordenadas geo­ gráficas — latitude e longitude —, medidas em graus, permite a localização de qualquer lugar na superfície terrestre. (08) O Sistema de Posicionamento Global (GPS) cal­c ula a posição dos satélites por meio de sinais e determina, com exatidão, a localização de qualquer ponto na superfície da Terra, fornecendo a altitude do lugar e as coordenadas geográficas. (16) As relações entre os diversos lugares do espaço geográfico ocorrem por meio de fluxos e/ou de redes, que se espalham por todo o planeta, em escalas hierárquicas e densidades diferenciadas. (32) O controle do continente asiático pelo imperialismo europeu, no século XIX, foi dificultado devido ao desconhecimento, por parte dos exploradores, das técnicas e dos equipamentos necessários à orientação geográfica.

5. (PUC-MG) Observe as coordenadas geográficas a seguir.

4

10°

20°

1

20°

N

5

Gilberto Alicio

2

10° 3 10°

20°

6 20°

10°

Assinale a afirmativa INCORRETA. D. a ) Os pontos 4, 5 e 6 estão localizados a Oeste do Meridiano de Greenwich. b ) Os pontos 3 e 4 estão localizados nas mais altas latitudes representadas. c ) Os pontos 1, 2 e 3 estão localizados no Hemisfério Sul. d ) Os pontos 2 e 4 estão localizados nas latitudes mais próximas do Equador.

6. (UEAL-AL) Cada uma das 24 partes iguais em que foi dividido o globo terrestre, segundo os meridianos, é denominada fuso horário. Teori­ camente, cada fuso horário tem uma distância longitudinal correspondente a: E. a ) 25º. c ) 10º. e ) 15º. b ) 24º. d ) 30º. 7. (UNEMAT-MT) Um investidor da bolsa de valores residente na cidade de Tóquio (Japão), localizada no fuso horário de 135 E, lembrou, às 23:00 horas daquela cidade, que precisaria comprar soja no horário de pico do pregão da Bolsa de São Paulo, localizada no fuso de 45 W, pois, de acordo com informações da meteorologia, as condições de tempo que seguiria no Brasil contribuiriam para a diminuição da oferta do produto e, consequentemente, elevariam sensivelmente os preços. Considerando os mecanismos geográficos dos diferentes fusos horários no planeta Terra, daria tempo para o investidor proceder à referida transação econômica? D. a ) em função do movimento de Revolução da Terra, com giro de sul para norte registrava-se naquele mesmo instante 17 horas em São Paulo, portanto, tempo hábil para o investidor proceder tal operação financeira. b ) em função do movimento de Rotação da Terra, com giro observado de leste para oeste, naquele mesmo instante registrava-se 11 horas em São Paulo, portanto, tempo hábil para o investidor proceder tal operação financeira. c ) em função dos movimentos de Translação e Rotação da Terra acontecerem conco­ mitantemente, e possuírem a mesma característica quanto ao ângulo dos seus movimentos, já se fazia noite nas duas cidades mencionadas. d ) em função do movimento de Rotação da Terra, com giro de oeste para leste, naquele mesmo instante registrava-se 11 horas em São Paulo, portanto, tempo hábil para o investidor proceder à operação financeira. e ) em função do movimento de Translação da Terra, com giro de norte para sul, registrava-se naquele mesmo instante 17 horas, por tanto tempo hábil para o investidor proceder à operação financeira. Noções espaciais

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Unidade 1

(01) I e II situam-se em hemisférios contrários, em função de suas respectivas posições longitudinais, porém apresentam ambientes climáticos semelhantes.

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5/19/16 4:30 PM


8. (PUC-RS) Considerando que na cidade de Torres, litoral do Rio Grande do Sul, o sol nasce, pela manhã, em média, 30 minutos antes que na cidade de Uruguaiana, situada na margem esquerda do rio Uruguai, no mesmo estado, é correto afirmar que: C. a ) a cidade de Torres encontra-se na mesma longitude que a cidade de Uruguaiana, porém em latitude diferente. b ) a cidade de Uruguaiana está situada a leste de Torres, na região da Depressão Periférica. c ) a cidade de Torres está situada numa longi­ tude a leste da cidade de Uruguaiana, com uma distância longitudinal inferior a 15°. d ) a cidade de Torres está situada ao sul da cidade de Uruguaiana, numa distância latitudinal superior a 15°, portanto em outro fuso horário. e ) ambas estão situadas na mesma latitude, porém devem estar separadas por uma distância de 15° de longitude. 9. (UTFPR-PR) Por possuir uma grande extensão no sentido leste-oeste, o Brasil abrange três fusos horários, sendo que o horário de Brasília é adotado como a hora legal do país. A esse respeito analise as afirmações abaixo:

I. A hora de Brasília encontra-se 3 horas defasada em relação à hora de Greenwich, sendo que durante o horário de verão, no Brasil, essa diferença diminui para 2 horas.

II. Geralmente, o horário de verão é adotado apenas nos estados brasileiros mais distantes da linha do equador porque, nos locais mais ao norte do país, a variação do fotoperíodo (parte do dia iluminado pela luz solar) é pequena entre as estações. III. Durante a vigência do horário de verão de 2006/2007, os relógios dos Estados do centro-sul foram adiantados em 1 hora. Logo, se os relógios em Brasília marcassem 14 horas, nessa situação, no Acre seriam 15 horas e, nos estados da região nordeste, mais ao leste, seriam 12 horas. IV. O horário de verão apresenta muitos benefícios em relação à economia no consumo de energia, e por isso é adotado também em muitos

países da Europa e América do Norte, que encontram-se em latitudes mais elevadas que o Brasil. Estão corretas apenas as afirmações: A. a ) I, II e IV. d ) I, II e III. b ) II e IV. e ) I e II. c ) III e IV.

10. (PUC-RS) Três jovens amigos estão localizados em pontos diferentes da Terra: Paulo está a 165° Leste de Greenwich; Pedro permanece a 45° Oeste de Paulo, e Clara está a 2° Oeste de Greenwich. Sabendo que no Meridiano Inicial são 18 horas do dia 5 de janeiro, a hora legal e o dia em que Paulo, Pedro e Clara estão são, respectivamente, E.    Paulo Pedro Clara 16h – dia 5 a )   4h – dia 6   2h – dia 6 b )   5h – dia 6   3h – dia 6   5h – dia 5 c ) 17h – dia 5 15h – dia 5 18h – dia 6 d )   7h – dia 6   9h – dia 5 18h – dia 6 e )   5h – dia 6   2h – dia 6 18h – dia 5 11. (UTFPR-PR) Durante a translação da Terra e em função da sua obliquidade e esfericidade, o ângulo de incidência dos raios solares se modifica durante o ano. Assinale a única alternativa correta sobre os fenômenos observados quando ocorrem os equinócios durante o ano. A. a ) A incidência do Sol é vertical sobre o equador e mais oblíqua perto dos polos. b ) A incidência do Sol é perpendicular ao trópico de Câncer e oblíqua no equador. c ) A incidência do Sol é perpendicular ao trópico de Capricórnio e oblíqua na latitude 23ºS. d ) A duração do dia é maior que a duração da noite no Hemisfério Sul. e ) A duração do dia é menor que a duração da noite no Hemisfério Sul. 12. (UERJ-RJ) República Popular da China (2013) Superfície territorial

9 600 000 km 2

Longitude do ponto extremo oeste do território

74 o leste

Longitude do ponto extremo leste do território

134 o 30’ leste Fonte: IBGE

34

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13. (UEM-PR) É CORRETO afirmar que, devido ao movimento de translação da Terra, B. a ) o globo terrestre foi dividido em 24 fusos horários e quinze meridianos. b ) só há duas ocasiões em que os dois hemisférios recebem a mesma quantidade média de insolação, essas épocas do ano são conhecidas como equinócios. c ) quando é solstício de primavera no hemisfério norte, é equinócio de outono no hemisfério sul, pois, nessa época do ano, a Terra encontra-se inclinada em relação ao plano de sua órbita. d ) na calota polar sul, na latitude 90° S, a noite dura 12 meses. e ) dias de solstícios e de equinócios apresentam a mesma duração do dia claro, pois o sol encontra-se perpendicular à linha do Equador nesses dias.

14. (UFRGS-RS) Um menino que mora em uma cidade localizada sobre a linha do equador (latitude 0°) quer construir uma casa para a morada de pássaros, de forma que possa aproveitar melhor a entrada de raios de Sol. O menino deve colocar a entrada da casa orientada no sentido E. a ) norte, pois assim terá Sol na maior parte do ano. b ) oeste, pois terá sempre o Sol da manhã nas estações de inverno e verão. c ) sul, pois terá sempre o Sol na estação do inverno, mas não no verão. d ) norte, pois terá sempre o Sol na estação do inverno, mas não no verão. e ) leste, pois sempre terá o Sol da manhã nas estações de inverno e verão.

15. (UFRGS-RS) Como consequência dos movimentos de rotação e translação, realizados pelo planeta Terra, há uma variação na incidência dos raios solares sobre a superfície terrestre, no decorrer do ano. A esse respeito, considere as seguintes afirmações. I. Os raios solares atingem a superfície da Terra durante o dia e, à noite, a superfície se resfria. II. A incidência de radiação solar diminui em direção às regiões de alta latitude. III. A incidência da radiação solar, nas regiões localizadas em zonas temperadas, varia muito ao longo do ano. Quais estão corretas? E. a ) Apenas I. b ) Apenas II. c ) Apenas III. d ) Apenas II e III. e ) I, II e III.

16. (UFSJ-MG) “Uma lua espetacular durante boa parte do dia. Não havia mais dia e eu não havia percebido. O céu avermelhado e cristalino por algumas horas e uma longa noite em seguida. Pôr e nascer do sol reunidos num único e breve esforço de luz, próximos ao meio dia verdadeiro. (...) Manhã e entardecer eram agora próximos”. Amir Klink, Parati: entre dois polos. São Paulo, Companhia das Letras, 1998, p. 108.

O fenômeno descrito indica que o barco de Amir Klink se encontrava em uma região D. a ) localizada da Zona Tropical sob influência do Sol da Meia-Noite. b ) de baixa latitude e exposta a clima frio e noites maiores que os dias. c ) sob o domínio do Solstício de verão e sujeita a pequenas variações entre o dia e a noite. d ) de latitude elevada, com grande variação da iluminação solar ao longo do ano. Noções espaciais

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Unidade 1

Apesar de ser um país mais extenso do que o Brasil, a China possui apenas um horário oficial para todo o território nacional. Caso os chineses adotassem o sistema internacional baseado no horário de Greenwich, o número aproximado de fusos horários que haveria no país seria de: B. a ) 2 b ) 4 c ) 6 d ) 8

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RosaIreneBetancourt 1/Alamy Stock Photo/Latinstock

unidade

A CartograďŹ a e suas linguagens

Na imagem, pessoa consultando um mapa em Paris, na França, em 2014.

36


Ao longo da história, as representações cartográficas têm evoluído, acompanhando o desenvolvimento tecnológico da nossa civilização. Novas técnicas e ferramentas foram e continuam sendo desenvolvidas e podem ser utilizadas na confecção de mapas e cartas cada vez mais diversos, fidedignos à realidade e de fácil entendimento. • Muitas pessoas consultam mapas em diferentes ocasiões. Algumas utilizam essas representações como ferramenta de trabalho. Como os mapas podem ser úteis em situações do dia a dia? O que um mapa precisa apresentar para ser interpretado e compreendido?

37


As convenções cartográficas Como forma de comunicação gráfica que representa a realidade em um plano bidimensional, os mapas possuem uma linguagem visual própria – chamada linguagem cartográfica –, que se distingue de outras formas de representação gráfica. Essa linguagem, criada com o objetivo de facilitar a leitura e compreensão das informações dos mapas, abrange um variado sistema de signos (linhas, cores, símbolos, figuras geométricas, desenhos, texturas etc.). Esse sistema se expressa na forma de legenda – parte do mapa que contém o significado de toda a simbologia utilizada em sua representação. É por meio dessa simbologia que conseguimos identificar, por exemplo, a localização de cidades, portos e aeroportos, o traçado de rodovias e ferrovias, o curso de rios, o tipo de clima ou vegetação de certa área, o tipo de lavoura cultivada em uma região, a movimentação dos fluxos migratórios em um território etc. Embora não exista uma padronização obrigatória para cada informação representada em um mapa, existem várias convenções básicas que, de acordo com a simbologia utilizada, auxiliam o leitor a compreender imediatamente o fenômeno representado. Um exemplo clássico de convenção é o uso da cor azul para representar rios, lagos, mares e oceanos.

Linhas

Rio permanente Rio temporário Trecho de rio navegável Altitude em metros

Cores/ texturas

Figuras

1 200 800 500 200 0

Diamante Cobre Ferro Ouro

Ferrovia Rodovia Limite interestadual Limite internacional Uso do solo Floresta Lavoura Pastagem Áreas congeladas Região montanhosa Capital federal Capital estadual Cidade Povoado

Oleoduto Gasoduto Fluxo aéreo Fluxo marítimo Habitantes por km2 Mais de 100 De 26 a 100 De 6 a 25 De 3 a 5 Menos de 3 Aeroporto Porto Hidrelétrica Termelétrica

Ilustração produzida com base em: MARTINELLI, Marcelo. Mapas da Geografia e Cartografia Temática. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2010. p. 40-41.

Ainda que as possibilidades de representação dos fenômenos sejam muitas, dada a quantidade e variedade de convenções existentes, a escolha da simbologia utilizada em um mapa é muito criteriosa. Muitas vezes, o próprio fenômeno representado determina essa escolha. Assim, no caso de fenômenos representáveis por uma linha, como o traçado das rodovias e ferrovias em um terreno, são utilizadas linhas com determinadas cores e espessuras para representá-los e identificá-los.

38

Renan Fonseca

O quadro abaixo apresenta algumas das convenções cartográficas mais utilizadas nos mapas.


400

A

300

300

200

A Cartografia dispõe de algumas técnicas para representar as altitudes existentes no relevo. Uma delas é a elaboração de mapas e cartas topográficas traçadas com base nas curvas de nível. As curvas de nível são linhas que unem os pontos do relevo de mesma altitude (figura A), tendo como referência o nível do mar (0 metro de altitude). Observe a sequência de imagens ao lado, que mostra esse tipo de representação cartográfica.

350

250

Unidade 2

Representação cartográfica do relevo

250 200

440 400 350

325

B

300 250

O traçado das curvas sobre o relevo representa a união dos pontos de mesma altitude, mantendo entre si sempre a mesma distância vertical (figura B).

As tonalidades de cores frias (verde e amarelo, por exemplo) são utilizadas para representar as altitudes mais baixas; já as tonalidades de cores quentes (laranja, vermelho e marrom), para indicar as altitudes mais elevadas (figura C). É pela maneira como as curvas de nível estão dispostas em um mapa que identificamos os pontos altos e baixos do terreno e podemos ler as variações altimétricas do relevo. Assim, se as curvas de nível estiverem mais próximas umas das outras, significa que a declividade do terreno é maior; portanto, mais íngreme é o relevo (próximo ao ponto B). Se as curvas de nível estiverem mais distantes umas das outras, a declividade do terreno é menor; portanto, mais plano e suave é o relevo (próximo ao ponto A). Por meio das curvas de nível de uma representação cartográfica (mapa ou carta) é possível traçar um perfil topográfico (figura D) e com isso visualizar a forma do relevo de uma determinada área. O perfil topográfico mostrado ao lado foi elaborado com base no traçado da reta AB, indicada na figura C.

200

250

300

325

400

440 350 300 250

200

C

Altitude em metros

A

400

B

350 300 250 200

D

Perfil topográfico Ilustrações: N. Akira

Os mapas hipsométricos (do grego húpsos, “altura, elevação”; e métron, “medida”) representam as altitudes do relevo por meio de uma convenção de diferentes tonalidades de cores, previamente estabelecidas, para representar o relevo conforme as diferentes faixas de altitude.

200

Altitude em metros 450 400 350 300 250 200

A

B

Ilustrações conforme: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 15. 1 atlas. Escalas variam.

A Cartografia e suas linguagens

39


A Cartografia Temática Desde os primeiros anos na escola, aprendemos que os mapas são representações gráficas, em tamanho reduzido, de um espaço real. No entanto, o espaço geográfico é repleto de informações que podem ser mapeadas, daí a dificuldade de se representar todas essas informações em um único mapa. Por exemplo, um mapa que represente vários fenômenos de uma só vez, como o clima, o relevo, a vegetação etc., teria a sua leitura prejudicada e talvez até fosse incompreensível. Por isso a necessidade de se elaborar mapas com temas específicos, os chamados mapas temáticos, que fornecem informações sobre um determinado tema ou fenômeno específico, como os mapas agrícolas, climáticos, geológicos, econômicos, populacionais etc.

Tipos de mapas temáticos

• Identifique no

mapa os principais elementos da representação cartográfica: título, legenda, escala, orientação e fonte de informação.

De acordo com o tema abordado, os mapas temáticos podem ser agrupados da seguinte maneira: • mapas demográficos: representam fenômenos como distribuição da população, fluxos migratórios, religiões, grupos étnico-linguísticos etc.; • mapas físicos: mostram fenômenos naturais, como clima, vegetação, relevo, estrutura geológica, hidrografia, correntes marítimas etc.; • mapas econômicos: representam fenômenos econômicos, como espacialização da produção agropecuária, industrial e de mineração, fluxos comerciais, redes de transportes etc.;

• mapas Brasil: principais grupos indígenas – 1500

Equador 0°

Atual limite do território brasileiro Atual divisão político-administrativa brasileira Tupi-guarani Pano Jê Tucano Aruaque Charrua Cariba Outros grupos Cariri

Capricórnio Trópico de OCEANO PACÍFICO

E. Cavalcante

históricos: mostram fatos históricos, como o processo de ocupação ou colonização de um país ou continente, o domínio territorial e a distribuição geográfica de determinados povos em épocas passadas (ver exemplo ao lado) etc.

OCEANO ATLÂNTICO

50° O

360 km

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 20. 1 atlas. Escalas variam.

40

g18_ftd_lt_1nog_u02_036a046.indd 40

5/20/16 3:26 PM


Mapas temáticos e suas representações Unidade 2

Ao representar a localização espacial de um fenômeno, os mapas respondem a uma pergunta crucial: onde esse fenômeno ocorre? Muito mais do que mostrar a posição de algo no espaço, os mapas fornecem respostas para várias questões importantes. Observe o quadro abaixo e os exemplos a seguir. Ao representar o aspecto qualitativo de um fenômeno, os mapas indicam: O quê? Qual? Ao representar quantidades (aspecto quantitativo de um fenômeno), os mapas indicam: Quanto? Ilustrações: E. Cavalcante

Ao representar determinada ordem (as pecto ordenado de um fenômeno), indicam: Em qual sequência? Fluxos migratórios

Ao representar certa dinâmica (aspecto dinâmico de um fenômeno), respondem: Que movimento realiza no espaço e em que tempo?

50

100

200 500 mil habitantes

Ilustrações produzidas com base em: MARTINELLI, Marcelo. Mapas da Geografia e Cartografia Temática. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2010. p. 36. MARTINELLI, Marcelo. Gráficos e mapas: construa-os você mesmo. São Paulo: Moderna, 1998. p. 110.

N

Ti

Pb

Fe

Fe

Al

L S

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Capricórnio

Ni

Cu U Ag Pb Zn

Al

Ouro

O

Cu Zn

Co

U Au

30° S

Prata Titânio

Cu Cobre

W Tungstênio

Sn Estanho

U Urânio

Fe Ferro

Zn Zinco

OCEANO ÍNDICO

W Sn

710 km

135° L

Mn Manganês

Diamantes

Ni Níquel

Carvão e linhito

Região Sul: estrutura geológica N

Eon

Era Cenozoica Mesozoica Paleozoica Neoproterozoica Paleoproterozoica

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 96. 1 atlas. Escalas variam.

Idade

O

MS

SP

L

Trópico de Capricórnio

S

65 Ma

PR

250 Ma 540 Ma

25° S

1000 Ma 2 500 Ma

SC

RS OCEANO ATLÂNTICO

190 km 50° O

A Cartografia e suas linguagens

41

E. Cavalcante

Representações ordenadas: As representações ordenadas expressam fenômenos que variam conforme certa ordem ou hierarquia de grandeza (tamanho, intensidade), ou determinada sequência temporal (do mais antigo ao mais recente). Por exemplo, os mapas que mostram a relação hierárquica das cidades em uma determinada rede urbana. Outro exemplo é o mapa ao lado, que apresenta a estrutura geológica de uma área e sua datação. Observe que a estrutura geológica dos terrenos datam de eras e períodos diferentes, de modo que podemos perceber quais são os mais antigos e quais são os mais recentes.

Al Mn

U

Arqueano Proterozoica Fanerozoica

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 130. 1 atlas. Escalas variam.

Austrália: recursos minerais

E. Cavalcante

Representações qualitativas: As representações qualitativas expressam fenômenos que se diferenciam pela sua natureza (tipo), indicando sua localização ou extensão no espaço. O mapa ao lado, que mostra a distribuição dos recursos minerais e energéticos no continente australiano, é um exemplo de representação qualitativa. Nele, as figuras são diferenciáveis pelo símboTipos de minerais lo dos elementos químicos que representam a Al Alumínio Au localização pontual dos diversos tipos de miAg Pb Chumbo nerais encontrados naquele território. Co Cobalto Ti


América do Sul: pluviosidades médias

Representações quantitativas: As representações quantitativas expressam fenômenos que se diferenciam em quantidades ou ordens de grandeza. Um exemplo é o mapa ao lado, que mostra a quantidade de chuvas na América do Sul. Nele, a quantidade de chuvas está representada por cores que variam do verde-claro (áreas menos chuvosas, consequentemente, mais secas) ao azul (áreas mais chuvosas, portanto, mais úmidas).

N O

L S

Equador 0°

Representações dinâmicas: As representações dinâmicas expressam mobilidade espacial ou temporal de um fenômeno no espaço geográfico. Os movimentos populacionais (fluxos migratórios), os fluxos de mercadorias (petróleo, carvão, minérios, produtos agrícolas etc.) e os fluxos de informações e de capitais são alguns exemplos de fenômenos que se manifestam de maneira dinâmica no espaço. Como exemplo, temos os mapas que mostram a direção e a intensidade dos fluxos migratórios que ocorrem no interior de um país ou mesmo entre países e continentes, como em um mapa de fluxos de mercadorias (veja abaixo). Nessa representação, as setas indicam tanto a direção (origem e destino) dos fluxos de mercadorias quanto a intensidade desses fluxos, indicada pela largura de cada uma (setas mais largas indicam fluxos mais intensos).

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Capricórnio OCEANO ATLÂNTICO

Dezembro a fevereiro (mm)

E. Cavalcante

2 400 1 800 1 200 6 00 3 00

850 km

60° O Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 59. 1 atlas. Escalas variam.

Mundo: fluxos de mercadorias – 2014 r0

°

180°

Eq

ua

do

OCEANO PACÍFICO

5

1 06

0 17

América do Norte 1 251

18

5

99

39

17

9 Polo Norte Geográfico

Ásia

134

3 093

CEI 131 7

218

38 5

11

127

2

7

15

29

504

540

179

28

173

214

América do Sul e Central

119

Além de dinâmico, o mapa ao lado também representa um fenômeno quantitativo, por meio da espessura das setas.

2

379

8

73

694

900

22

Europa 4 665

148 201

229 18

302

79

17

114

OCEANO ATLÂNTICO

Oriente Médio

221

42

Inter-regional

36 18

43

207

OCEANO ÍNDICO

África 98

2 230 km

E. Cavalcante

Comércio de mercadorias (em bilhões de dólares) Intrarregional

Mer id G r e ia n o d enw e ic h

Fonte: WORLD Trade Organization (WTO). Disponível em: <www.wto.org/ english/res_e/statis_e/ its2015_e/its2015_e. pdf>. Acesso em: 9 nov. 2015.

16

113


Escala cartográfica

numerador: indica a medida no mapa (em centímetro)

Unidade 2

Sabemos que todo mapa constitui a representação gráfica de um espaço real em tamanho reduzido. A representação desse espaço, seja uma cidade, seja um país ou continente e, até mesmo, toda a superfície terrestre, exige que suas dimensões reais sejam reduzidas para caber em um pedaço de papel. Essa redução se expressa por meio de uma escala – parte do mapa que indica a relação de proporção entre as suas dimensões e as dimensões reais da área representada. A escala de um mapa pode ser representada de duas maneiras: na forma numérica ou na forma gráfica. 1 Escala numérica: representada na forma de fração (por exemplo, : lê-se um 10 000 sobre dez mil) ou na forma de razão (1 : 10 000: lê-se um para dez mil). Veja abaixo.

denominador: indica a medida na realidade (em centímetro). Neste exemplo, a escala indica que a distância real foi reduzida 10 mil vezes

1 10 000 ou 1 : 10 000

Escala gráfica: representada por meio de uma reta graduada em segmentos iguais (semelhante a uma régua), que expressa as medidas reais correspondentes a cada segmento da representação. Essa escala tem a vantagem de informar as medidas reais representadas de maneira direta. Veja o exemplo.

0

5

10

15 km

Essa escala informa, por exemplo, que cada centímetro na representação equivale a 5 quilômetros na realidade.

Simplificando escalas Com o uso de um esquema de conversão de unidades (figura abaixo), podemos transformar a medida de uma escala numérica (dada em centímetros) e encontrar sua medida correspondente em metros ou quilômetros. ✕

10

10

10

10

10

10

km

hm

dam

m

dm

cm

mm

quilômetro

hectômetro

decâmetro

metro

decímetro

centímetro

milímetro

÷ 10

÷ 10

÷ 10

÷ 10

÷ 10

A escala cartográfica é uma relação matemática entre as dimensões do objeto real e as do desenho (mapa) representado em um plano. Por isso, sugere-se explorar noções e conhecimentos trabalhados em Matemática, para auxiliar os alunos na compreensão deste conteúdo.

÷ 10

Para transformar centímetros em metros, temos que deslocar duas casas decimais da direita para a esquerda e colocar uma vírgula. Por exemplo, em uma escala de 1 : 200 000 (1 centímetro = 200 000 centímetros), temos: 200 000 centímetros

2 000,00 = 2 000 metros

Para transformar essa mesma escala (1 : 200 000) em quilômetros, basta deslocar cinco casas decimais para a esquerda e colocar a vírgula. Nesse caso, temos: 200 000 centímetros

2,00000 = 2 quilômetros

A Cartografia e suas linguagens

43


Trabalhando com escalas numéricas A escala numérica de um mapa é expressa pela seguinte fórmula matemática: E = D/d em que: E = escala D = distância real d = distância no mapa Vamos imaginar a seguinte situação: um motorista quer saber a distância real (D) entre duas cidades. Em um mapa rodoviário na escala (E) de 1 : 2 000 000, ele verifica com uma régua que a distância no mapa (d) entre essas duas cidades, em linha reta, é de 8,5 centímetros. Nesse caso, ele pode calcular a distância real aproximada entre essas cidades da seguinte maneira: D=d

D = 8,5

E (Distância real = distância medida no mapa ✕

escala)

2 000 000 cm

D = 17 000 000 cm convertendo temos: D = 170 km Sabendo a distância real (D) entre essas duas cidades e também a distância entre essas cidades no mapa (d), podemos calcular a escala do mapa da seguinte maneira: E = D ÷ d (Escala = distância real ÷ distância no mapa) Utilizando o mesmo exemplo acima, temos: E = 17 000 000 cm ÷ 8,5 cm = 2 000 000 então: E =1 : 2 000 000 Sabendo a escala do mapa (E) e a distância real (D), também podemos calcular a distância entre essas cidades no mapa (d) da seguinte maneira: d = D ÷ E (distância no mapa = distância real ÷ escala) Utilizando novamente o exemplo acima, temos: d = 17 000 000 cm ÷ 2 000 000 cm então: d = 8,5 cm

O tamanho da escala A escala determina não apenas o tamanho da área representada em um mapa, como também a riqueza de detalhes existentes na representação. Para representar áreas muito extensas da superfície, temos de utilizar escalas que reduzem bastante os elementos representados. Os planisférios, por exemplo, são elaborados em escalas muito pequenas (1 : 100 000 000, 1 : 150 000 000, 1 : 250 000 000). Mas elas não permitem representações muito detalhadas da superfície. Em um planisfério, não é possível encontrar as ruas nem os bairros de uma cidade, e uma metrópole pode se tornar apenas um ponto. Para representar pequenas áreas, devemos utilizar escalas que não reduzam tanto o espaço representado. As plantas de uma cidade, por exemplo, são elaboradas em escalas grandes (1 : 5 000, 1 : 10 000, 1 : 20 000). Essas escalas permitem a representação de áreas com alto grau de detalhamento e podem mostrar até mesmo o traçado das ruas e dos bairros de uma cidade. Veja o quadro na página seguinte.

44


Paris: diferentes escalas Merid iano de Green wich

menor a escala do mapa menor a riqueza de detalhes 1 50 000 000 1 100 000 000

ou

1 : 50 000 000

escala pequena

N O

L S

Paris

Unidade 2

Quanto maior o denominador:

45° N

ou

1 : 100 000 000

1 : 31 000 000

OCEANO ATLÂNTICO

185 km

Mar Mediterrâneo

N O

OCEANO ATLÂNTICO

escala e o nível de detalhes no mapa, para representar os pontos turísticos de uma cidade você elaboraria um mapa em escala grande ou em escala pequena? Justifique sua resposta.

Merid iano de Green wich

• Sabendo a relação entre a

L S

1 : 14 000 000

Paris

85 km

N O

L S

Paris

1 : 6 000 000

Quanto menor o denominador: maior a escala do mapa maior a riqueza de detalhes

10 000 1 50 000

ou

1 : 10 000

ou

1 : 50 000

35 km

N O

Cergy

L S

Garges-lès-G. Argenteuil Nanterre Paris Versailles Marnela-Vallée St-Quentin-en-Yv. Fonte dos mapas: LACOSTE, Yves (Org.). Atlas 2000. Paris: Nathan, 1999. p. 12. 1 atlas. Escalas variam.

Créteil Melun-Sénart

18 km

1 : 3 000 000 Ilustrações: E. Cavalcante

1

escala grande A Cartografia e suas linguagens

45


Mapas, cartas e plantas A palavra mapa, provavelmente de origem cartaginesa, surgiu na época das grandes navegações europeias. Ao discutir as rotas de comércio, os caminhos e as localidades geográficas, os comerciantes e navegadores rabiscavam essas informações em toalhas de mesa, conhecidas como mappas. A palavra carta, por sua vez, vem de um termo egípcio que significa papel, derivado do papiro. Nos dois casos, foi o material utilizado na confecção das representações que deu nome a elas. Para além da origem etimológica, a diferença entre mapas, cartas e plantas pode ser assim resumida: • mapa: representação gráfica, em uma superfície plana e rigorosamente situada em um sistema de coordenadas geográficas, dos diferentes aspectos naturais e culturais de uma parte ou de toda a superfície terrestre (de outro planeta ou de um satélite natural). Em geral, é elaborado em escala pequena e, por isso, sem grande detalhamento dos elementos do terreno; • carta: representação dos aspectos naturais e culturais da superfície terrestre, geralmente elaborada em escala média ou grande, que mostra com precisão e grande riqueza de detalhes os elementos do terreno, como a carta abaixo; • planta: representação cartográfica geralmente em escala muito grande (maior que a das cartas e dos mapas), destinada a fornecer informações muito detalhadas e minuciosas do terreno, como a planta de uma casa, de uma rua ou de um bairro.

Floresta, mata e bosque Mangue Curso de água intermitente

Instituto de Terras, Cartografia e Geociências/Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos/Governo do Estado do Paraná

Lago ou lagoa intermitente Terreno sujeito a inundação Estrada pavimentada Estrada sem pavimentação Caminho

550 m

Reprodução da carta que mostra parte do município de Paranaguá, Paraná, na qual se observam detalhes como o traçado das ruas e diferentes construções.

46


Unidade 2

Projeção cartográfica: diferentes formas de representar o mundo O globo geográfico pode ser considerado a representação mais fiel do nosso planeta, pois conserva com certa exatidão tanto a forma esférica como as dimensões da superfície terrestre. Devido a sua forma tridimensional, seu manuseio requer prática e seu formato esférico não permite que toda a superfície terrestre seja observada de uma só vez. Os planisférios, por sua vez, têm a vantagem de mostrar toda a superfície terrestre ao mesmo tempo, além de serem simples de manusear. Sua elaboração, no entanto, esbarra em um problema crucial: qualquer tentativa que se faça para representar uma superfície esférica (tridimensional) em uma superfície plana (bidimensional) causa, inevitavelmente, as chamadas distorções. Elas são alterações que ocorrem nas formas, nas áreas ou nas distâncias da superfície terrestre quando transpostas para representações bidimensionais. Essas distorções, no entanto, variam conforme o tipo de projeção cartográfica utilizada na elaboração do mapa. São as projeções cartográficas que, apoiadas em cálculos matemáticos, permitem transpor a superfície esférica do globo sobre uma rede plana de paralelos e meridianos na qual se pode traçar o mapa. Temos, assim, a possibilidade de projetar a superfície tridimensional do nosso planeta na superfície de uma figura geométrica plana. Conforme a figura geométrica utilizada em sua elaboração, as projeções cartográficas podem ser agrupadas em três categorias principais: cilíndricas, cônicas e planas ou azimutais. Projeção cônica: os paralelos e os meridianos são projetados sobre a figura de um cone, com um dos paralelos alinhado a um dos paralelos da esfera terrestre.

Projeção plana ou azimutal: os paralelos e os meridianos são projetados a partir de um determinado ponto que tangencia a superfície terrestre.

Ilustrações: N. Akira

Projeção cilíndrica: os paralelos e os meridianos são projetados sobre a figura de um cilindro, que serve como base para planificar a esfera.

Ilustrações produzidas com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 21. 1 atlas. Escalas variam.

A Cartografia e suas linguagens

47


Projeções e distorções De acordo com as distorções que apresentam, seja na forma, no tamanho ou nas distâncias das áreas representadas, as projeções também podem ser classificadas em conformes, equivalentes ou equidistantes. Projeções conformes: Essas projeções preservam as formas da superfície terrestre (continentes e ilhas), mas apresentam distorções no tamanho das áreas representadas. Nelas, todos os ângulos da representação se mantêm exatamente iguais aos do globo. A mais conhecida desse tipo de projeção é a de Mercator, elaborada pelo geógrafo e cartógrafo belga Gerardus Mercator, em 1569 (observe abaixo). Nessa projeção, as distorções que ocorrem nas áreas representadas são mínimas na região equatorial, mas aumentam consideravelmente em direção aos polos. Observe, por exemplo, que a Groenlândia, no extremo norte do continente americano, parece ser muito maior que o Brasil, quando na realidade é cerca de quatro vezes menor que o nosso país. Projeção de Mercator 160°

140°

120°

100°

80°

60°

40°

20°

20°

40°

60°

80°

100°

160°

140°

N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Groenlândia

120°

O

L S

Círculo Polar Ártico

60°

40° Trópico de Câncer

OCEANO ATLÂNTICO

20° OCEANO PACÍFICO

Trópico de Capricórnio

E. Cavalcante

OCEANO PACÍFICO

BRASIL

Meridiano de Greenwich

Equador

OCEANO ÍNDICO

0° 20°

40°

1 835 km

60°

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 23. 1 atlas. Escalas variam.

Projeções equivalentes: As projeções equivalentes preservam o tamanho das áreas da superfície terrestre (continentes e ilhas), mas apresentam distorções nas formas representadas. Nelas, os ângulos da representação ficam deformados em relação aos do globo. Entre as projeções equivalentes mais conhecidas, destaca-se a de Peters, elaborada pelo cartógrafo alemão Arno Peters, em 1974 (página seguinte). Nessa projeção, as formas da superfície parecem visivelmente distorcidas, como se os continentes tivessem sido mais alongados no sentido norte-sul e mais achatados no sentido leste-oeste, conforme podemos perceber ao observarmos os contornos do continente americano.

48


Projeção de Peters 140°

120°

100°

80°

60°

40°

20°

Groenlândia

Círculo Polar Ártico

20° 0° 40° 60° 80° OCEANO GLACIAL ÁRTICO

100°

120°

140°

160° 80°

N O

60°

L

Unidade 2

160°

S

40°

Trópico de Câncer

20°

OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO

Equador

BRASIL Trópico de Capricórnio

Meridiano de Greenwich

OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO

20°

40° 2 100 km

Fonte: ATLAS des colléges. Paris: Hachette, 1996. p. 100. 1 atlas. Escalas variam.

Mundo: Brasil ao centro

o Po l a r Á r t i c o

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Groenlândia 20° O

OCEANO ATLÂNTICO

Ilustrações: E. Cavalcante

Ao lado, temos uma projeção equidistante em que o Brasil aparece representado ao centro.

Círcul

OCEANO PACÍFICO

Eq

ua

do

r

BRASIL

OCEANO ÍNDICO

C

Projeções equidistantes: As projeções equidistantes preservam as distâncias lineares a partir de um ponto tomado como centro da projeção a qualquer outro lugar, daí a denominação equidistante. No entanto, provocam distorções nas formas e também nas áreas representadas. São muito utilizadas para fins geopolíticos e estratégicos, uma vez que permitem representar qualquer país no centro da projeção e enfatizar sua posição privilegiada como se fosse o centro do mundo.

írc

ulo

Po l a r A n t á r t

ico

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Fonte: OLIVEIRA, Cêurio de. Curso de Cartografia moderna. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1993. p. 63.

3 525 km

• •Observe novamente as projeções representadas nesta página e na página anterior e compare a forma e a

extensão do território brasileiro e da Groenlândia que aparecem destacados. Com base nessa observação, imagine que você precise de uma projeção que apresente menos distorções em relação ao tamanho real das áreas representadas. Qual das projeções mostradas anteriormente melhor atenderia ao seu interesse? A Cartografia e suas linguagens

49


Explorando o tema

A ideologia nos mapas

Muito mais do que transmitir informações sobre as características naturais, humanas, econômicas ou culturais da superfície terrestre, os mapas também são instrumentos políticos e ideológicos que expressam e disseminam ideias, valores e concepções de mundo. Para compreender melhor o papel ideológico deles, tomemos como exemplo o caso das projeções cartográficas que estudamos anteriormente.

Por representar a Europa na parte superior do mapa (como se fosse o centro do mundo) e com dimensão exageradamente maior do que seu tamanho, a projeção de Mercator passou a expressar o que muitos estudiosos chamam de “visão eurocêntrica” do mundo. Essa visão é tão disseminada entre nós que, ainda hoje, achamos estranho observar um mapa-múndi em que a Europa não esteja no centro e na parte superior do mapa, com a América situada a oeste e a Ásia, a leste.

Continentes e oceanos

N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

O

L S

Círculo Polar Ártico

ÁSIA EUROPA OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

AMÉRICA ÁFRICA

Equador

0° Trópico de Capricórnio

OCEANO PACÍFICO

Meridiano de Greenwich

OCEANO ÍNDICO

OCEANIA

2 080 km

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 33-34. 1 atlas. Escalas variam.

Mas essa visão eurocêntrica de mundo passou a ser muito criticada a partir da década de 1970, sobretudo após a divulgação da projeção de Arno Peters. Ao representar as dimensões reais da superfície terrestre, Peters teve a intenção de destacar a importância dos países menos desenvolvidos do hemisfério Sul, até então muito marginalizados no cenário político e econômico mundial.

50

E. Cavalcante

Eurocentrismo: expressão que se refere a uma determinada maneira de ver o mundo, na qual a Europa constitui o centro, sendo todo o resto sua periferia. Dessa maneira, a cultura, os acontecimentos e os interesses europeus aparecem como sendo superiores aos demais, e referência de qualidade.

Desde que foi criada, no século XVI, a projeção de Mercator tornou-se a mais utilizada na elaboração de planisférios, ainda hoje amplamente divulgados em livros e atlas. Elaborada em plena expansão marítima, em que as potências europeias se lançavam na conquista de novos territórios além-mar, a projeção que Mercator idealizou tinha a intenção de facilitar a navegação pelos grandes oceanos do planeta, tarefa até então muito perigosa e arriscada. A partir dessa projeção, contudo, os cartógrafos puderam desenhar mapas que indicavam a direção e a rota corretas a serem seguidas pelos marinheiros em suas longas viagens ultramarinas.


Leia o texto a seguir, que trata desse assunto. [...] Unidade 2

Além de finalidade técnica, como obter a conformidade, equivalência e equidistância, por exemplo, os mapas podem ser usados também com fins ideológicos, estratégicos ou políticos, para isso contribuindo com o sistema de projeção adotado. Alguns mapas da Idade Média, do tipo Orbis Terrarum, traziam o Oriente, com a Terra Santa, na parte superior. Não era o norte que ficava para cima e sim o leste, significando que a luz divina, representada pelo Sol, que nasce no leste, escorregaria de cima para baixo e atingiria todos os continentes. Além disso, há também a ideia de que o que fica para cima é superior. Fato semelhante também pode ser interpretado com o uso intenso da Projeção de Mercator de 1569, tendo em vista que as acentuadas deformações das áreas em altas latitudes fazem com que a Europa, além de estar no centro do mundo e na parte de cima (hemisfério norte), também apareça maior do que é na realidade. Ora, a Europa, como “conquistadora do mundo”, esparramaria, então, de cima para baixo, toda sua influência cultural, por exemplo. Por sua vez, o hemisfério sul, que fica na parte de baixo dos mapas, seria algo secundário, submisso, de menos importância, ainda mais porque nele está situada grande parte do “terceiro mundo”. [...] Há inclusive a questão: estaria errado um mapa que mostrasse o hemisfério sul para cima? Claro que não. É só uma questão de ponto de vista. Obviamente que muitas pessoas iriam dizer que o mapa está de cabeça para baixo, por já terem fixado uma outra imagem do mundo, mas não estaria errado o hemisfério sul ficar sobre o hemisfério norte. Em tal caso, os hemisférios ocidental e oriental também mudariam de posição: o primeiro ficaria à direita, e o segundo à esquerda. São modos diferentes de ver o mundo por meio dos mapas, quebrando com certos estereótipos e criando uma outra perspectiva sob a qual a Geografia pode ser estudada. [...]. DUARTE, Paulo Araújo. Fundamentos de Cartografia. 2. ed. Florianópolis: Ed. UFSC, 2002. p. 109-110.

OCEANO ÍNDICO

N

Trópico de Capricórnio

ARGENTINA

BRASIL REP. DEM. DO CONGO

INDONÉSIA Equador

O

AUSTRÁLIA

Meridiano de Greenwich

ÁFRICA DO SUL

S L

E. Cavalcante

Mundo – Divisão política

OCEANO PACÍFICO

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

ÍNDIA Trópico de Câncer

JAPÃO

EGITO CHINA

RÚSSIA Círculo Polar Ártico

ARGÉLIA

IRÃ

ESTADOS UNIDOS FRANÇA REINO UNIDO

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Alasca (EUA) 2 100 km

Fonte: ATLAS des colléges. Paris: Hachette, 1996. p. 100. 1 atlas. Escalas variam.

A Cartografia e suas linguagens

51


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Qual é o principal objetivo das convenções cartográficas? Cite dois exemplos dessas convenções.

des aparecem em certo mapa distantes 20 centímetros uma da outra, descubra a escala aproximada desse mapa.

2. Explique a convenção de cores utilizada na representação das altitudes do relevo terrestre.

7. Dê exemplos de escalas em que a representação apresente: a ) menor riqueza de detalhes; b ) maior riqueza de detalhes.

3. O que é mapa temático? Dê exemplos.

8. Com base no que você estudou, explique esta afirmação: A escala não determina apenas o tamanho da área representada em um mapa, mas a riqueza de detalhes existentes na representação.

4. Qual é a diferença entre escala numérica e escala gráfica? 5. Ao consultar um mapa rodoviário você verifica que a distância entre duas cidades, medida no mapa em linha reta, é de 12 centímetros. Sabendo que a escala do mapa é de 1: 300 000, calcule a distância real aproximada entre essas duas cidades.

9. Com base nos textos estudados e nas representações cartográficas apresentadas, escreva um texto sobre a utilização das representações cartográficas como instrumentos políticos e ideológicos, e explique por que a projeção de Mercator é conhecida por transmitir uma visão eurocêntrica do mundo.

6. Sabendo que a distância real entre duas cidades é de 180 km, e que essas cida-

Expandindo o conteúdo Sudeste: altitudes do relevo

10. Observe ao lado o mapa de altitudes e responda às questões. O L a ) Em que faixa de altitude está cis S an Fr localizada a nascente do rio Jequitinhonha? E o Tietê? ha hon tin i u q b ) De que maneira os pontos mais Je elevados da área foram repreO sentados? MG 18° S c ) Quais porções da área representada apresentam terrenos mais ES íngremes? Bandeira d ) Como é possível identificar a (2 890 m) declividade em uma carta topol I R A do Su Altitude em metros Q U Earaíba I T N gráfica? P RJ MA N

co

BA

Ara g

Pa r

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E. Cavalcante

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DF

DA Negras R RA Pedra Agulhas (2 787 m) da Mina (2 798 m) Tróp ico de Cap ricó

OCEANO ATLÂNTICO

rnio

1 200 800 500 200 100 0

Rios permanentes 220 km

45° O

Pico

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 88. 1 atlas. Escalas variam.

52

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5/19/16 4:30 PM


11. Leia o texto a seguir, observe o mapa e responda às questões. [...]

Comente com os alunos que no primeiro parágrafo do texto o autor se refere à linha do equador e não ao país localizado na América Latina. Unidade 2

Tradicionalmente, a cartografia oferece uma imagem do planeta focalizada no Equador e centrada na Europa e África. Essa imagem, reproduzida à exaustão nos planisférios, tende a perpetuar determinadas noções simplistas ou mesmo enganosas. Esses mapas “marginalizam” especialmente as molduras continentais e insulares do oceano Pacífico [...]. Elas também criam a falsa impressão de que a América do Norte e a Ásia estão muito distantes entre si. A geopolítica opera com mapas e projeções cartográficas menos usuais, capazes de revelar determinadas realidades pouco enfatizadas. Uma delas é a extraordinária proximidade entre as superpotências nucleares (os Estados Unidos e a Rússia, herdeira militar da União Soviética) e a importância estratégica do Polo Norte e das terras geladas que o circundam. O simples uso de uma projeção polar-norte mostra os motivos que determinam a instalação de uma série de bases militares na parte setentrional da Rússia, no Canadá, Alasca e Groenlândia. [...] SCALZARETTO, Reinaldo; MAGNOLI, Demétrio. Atlas geopolítica. São Paulo: Scipione, 1996. p. 7.

Polo norte: bases militares 180°

Tóquio JAPÃO

OCEANO PACÍFICO Alasca (EUA)

tic

o

lo P o

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Círcu

CANADÁ

RÚSSIA

80° N

Groenlândia (DINAMARCA)

Ottawa

ISLÂNDIA

OCEANO ATLÂNTICO

NORUEGA

Reykjavik

FINLÂNDIA Helsinque

Oslo SUÉCIA

Estocolmo REINO UNIDO Londres

Moscou

Bases militares da Otan ou dos Estados Unidos Bases militares da antiga União Soviética Congelamento parte do ano Congelamento permanente

1 280 km

E. Cavalcante

Boston

Ár

la

r

ESTADOS UNIDOS

0° Fonte: SCALZARETTO, Reinaldo; MAGNOLI, Demétrio. Atlas geopolítica. São Paulo: Scipione, 1996. p. 7.

a ) Como o texto caracteriza as representações tradicionais da Cartografia? b ) O mapa acima foi confeccionado com base em qual projeção? c ) Em qual porção esse tipo de projeção apresenta maiores distorções e em qual apresenta menores distorções?

d ) Com base na escala do mapa, calcule a distância aproximada, em linha reta, entre Moscou (Rússia) e Boston (EUA). e ) Cite possíveis vantagens na visualização de alguns fenômenos representados em mapas elaborados com base em projeções menos usuais. A Cartografia e suas linguagens

53


Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

Johannes Vermeer. 1668. Óleo sobre tela. 51,5 x 45,5 cm. Museu do Louvre, Paris (França)

Desde épocas passadas, o globo terrestre exerce verdadeiro fascínio nas pessoas. Quando nos deparamos com um globo terrestre, normalmente temos vontade de tocá-lo, manuseá-lo. É muito comum observarmos pinturas e gravuras de épocas passadas e encontrarmos nelas um globo terrestre, transmitindo a ideia de sabedoria, domínio e conquistas. O texto e as imagens a seguir são exemplos disso. A

O globo terrestre é muito mais do que um objeto escolar. É um ícone desde a Idade Moderna e assim permanece em nossa época, tal o número de vezes em que ele aparece em nossa vida. É um símbolo que nos traz muitas mensagens silenciosas mas permanentes. Examinando [...] pinturas famosas [...] percebemos que os globos terrestres são apresentados sempre como sinônimo de conhecimento e progresso do homem. Expressa status e cultura de quem ao seu lado se encontra; ou seja, um globo serve mais do que apenas para encontrar lugares ou ensinar Geografia. [...] [...] o globo terrestre, desde sua primeira construção, não mais hipoteticamente, mas como forma real da Terra (século XVI), é sempre visto como conhecimento, sapiência, domínio do homem sobre a natureza, da humanidade sobre o mundo. Note que representar algo nos dá a sensação de que o conhecemos e dominamos.

Gerrit Dou. 1647. Óleo sobre painel. 43 x 34,5 cm. Pinacoteca dos Mestres Antigos, Dresden (Alemanha)

[...] B

A Geografia, com seus símbolos – globo, mapa, bandeira –, ajuda a construir a noção de pertencimento. Veja como é comum, quando um esportista vence uma competição, comemorar com a bandeira de seu coração! Se não fosse tão incômodo, poderiam utilizar o mapa do país!? Repare como a Geografia sempre se relaciona com o Estado, com o poder, com a política. A ideia de civismo, de amor à pátria é muito explorada pelos governantes por meio da manipulação dos símbolos de caráter geográfico. [...] SCHÄFFER, Neiva Otero et al. Um globo em suas mãos: práticas para a sala de aula. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2003. p. 21-23.

Ao lado são apresentadas duas telas nas quais se observa a presença do globo terrestre. A presença do globo nas telas O astrônomo, de 1668 (imagem A), e O pintor em sua oficina, de 1647 (imagem B), registram, por meio dessas expressões artísticas, a importância desse instrumento de representação e localização há séculos.

54


Unidade 2

Dersu Uzala

No fim do século XIX, o capitão do exército russo Vladimir Arseniev, junto com uma pequena tropa, é enviado pelo governo soviético para realizar o mapeamento topográfico de algumas áreas da Sibéria. Durante a expedição, Vladimir Arseniev encontra Dersu Uzala, um caçador mongol que vive nas florestas. O capitão percebe que Dersu conhece bastante o local e, para facilitar sua expedição, sugere que se junte à tropa até o fim da missão.

Filme de Akira Kurosawa. Dersu Uzala. Japão e Rússia. 1975

A Geografia no cinema

Título: Dersu Uzala Diretor: Akira Kurosawa Atores principais: Maksim Munzuk, Yuri Solomin, Svetlana Danilchenko, Dmitri Korshikov, Suimenkul Chokmorov, Vladimir Kremena, Aleksandr Pyatkov Ano: 1975 Duração: 141 minutos Origem: Japão e Rússia

Para assistir

• •INSTRUMENTOS de Geografia. Realização: TV Ontário. Canadá, 1993. Exibi-

Série de seis programas que apresentam a história e a importância dos mapas e ção no Brasil: TV Escola.

explicam os principais conceitos da Cartografia. 1. Os símbolos dos mapas (9’10”). 2. A escala dos mapas (8’47”).

• •TECENDO o saber. Realização: Fundação Roberto Marinho/Fundação Vale do

Rio Doce/lnstituto Paulo Freire. Brasil, 2006. Exibição no Brasil: Canal Futura; TV Cultura; TV Globo.

Série de episódios que tratam de diversos assuntos, entre eles a Cartografia.

No episódio “Mapas, artes e empadinhas”, são abordados temas ligados à Cartografia, entre eles, escala, croqui e maquete.

Para ler

• •IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. • •GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. Rio de Janeiro: FTD, 2011.

• •BANQUERI, Eduardo. Guias de campo: orientação e mapas. São Paulo: Escala Educacional, 2007.

• •MARTINELLI,

Marcello. Mapas, gráficos e redes: elabore você mesmo. São Paulo: Oficina de Textos, 2014.

Para navegar

• •GIRARDI, Eduardo Paulon. Atlas da questão agrária brasileira. Disponível em: <http://tub.im/jix9g8>. Acesso em: 2 set. 2015.

• •GRUPO de Estudos: Dinâmicas Ambientais e Geoprocessamento – UERJ-FFP. Disponível em: <http://tub.im/urm5gz>. Acesso em: 2 set. 2015.

• •MUNDOGEO. Disponível em: <http://tub.im/dwvgni>. Acesso em: 2 set. 2015. ••LE MONDE Diplomatique. Mapas variados. Disponível em: <http://tub.im/qviwcb>. Acesso em: 2 set. 2015.

A Cartografia e suas linguagens

55


Questões do Enem e Vestibular 1. (UFAL-AL) Observe atentamente a figura a seguir. Trata-se de um esboço de curvas de nível. 10 20 30 40

Y E. Cavalcante

X

30 40 50

Identifique qual a forma de relevo que mais se aproxima do que está representado pelas curvas de nível no trecho XY. D. a )

60

20

X

2. (UFG-GO) Para atingir o objetivo de ler e interpretar mapas, o leitor necessita identificar e analisar os elementos de representação cartográfica. Dentre esses, a escala cumpre um papel importante, visto que é a partir dela que se tem: E. a ) a localização de um fenômeno na superfície terrestre. b ) a apresentação da superfície esférica no plano. c ) os diferentes fusos horários no globo. d ) a identificação dos diferentes hemisférios terrestres. e ) o nível de detalhe das informações representadas. 3. (FATEC-SP) Considere um mapa a ser usado em sala de aula para representar diferentes temas geográficos. Assinale a alternativa que relaciona, corretamente, a escala, a área mapeada e o exemplo. C.

40

0

Anote as respostas no caderno.

Y

Escala / Área Mapeada / Exemplo b )

60

a ) 1 : 5 000 / Grande / Brasil. b ) 1 : 500 000 / Pequena / Parque do Ibira­ puera, SP.

40 20 0

c )

c ) 1 : 150 000 000 / Grande / Planisfério. X

d ) 1 : 250 000 / Pequena / Praça da Sé, SP.

Y

e ) 1 : 100 000 / Grande / Região Sudeste.

60

4. (CEFET-GO) Considere dois mapas do Brasil, s e n d o q u e o m a p a “A” t e m e s c a l a de 1/10 000 000 e o mapa “B”, escala de 1/50 000 000. Assinale a alternativa correta. a ) Ambos os mapas apresentam a mesma riqueza de detalhes. C. b ) O mapa “A” apresenta menor riqueza de detalhes que o mapa “B”. c ) O mapa “A” apresenta maior riqueza de detalhes que o mapa “B”. d ) O mapa “B” é proporcionalmente cinco vezes maior que o mapa “A”. e ) Os dois mapas possuem o mesmo tamanho.

40 20 0

d )

X

Y

60 40 20 0

Y

60

Ilustrações: Gilberto Alicio

e )

X

40 20 0

56

X

Y

5. (UFPR-PR) Para se orientar na superfície do globo, o Homem criou uma série de noções espaciais, entre elas a chamada Rosa dos Ventos, que dá as direções pelos pontos cardeais, colaterais, subcolaterais e intermediários.


II. Na representação, a Europa está situada ao Sul da África, valorizando a situação do continente africano frente aos outros continentes.

Unidade 2

Utilizando-se de uma Rosa dos Ventos para analisar o alinhamento AB marcado no cartograma abaixo, no qual 1 cm gráfico representa 90 km de terreno, é correto afirmar que a dire­ ção do alinhamento e a escala numérica fracionária do cartograma são, respectivamente: E.

III. A Groenlândia tem a sua área representada proporcionalmente às áreas de outros países, apesar de sua forma ter sido alterada. IV. A África e a Europa estão localizadas no Hemisfério Ocidental, e o Brasil no Hemisfério Oriental. As afirmativas corretas são, apenas,B. a ) I e II. d ) I, III e IV. b ) I e III. e ) II, III e IV. c ) II e IV.

E. Cavalcante

N

A 0

90

180 km

a ) SSE para WNW (Su-sudeste para Oesnoroeste) – 1/90. b ) SE para NNW (Sudeste para Nor-noroeste) – 1/9 000. c ) SSE para NW (Su-sudeste para Noroeste) – 1/900 000. d ) ESE para NW (Es-sudeste para Noroeste) – 1/90 000. e ) ESE para WNW (Es-sudeste para Oes-noroeste) – 1/9 000 000.

6. (PUC-RS) INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no planisfério de Peters e nas afirma­ tivas que tratam da representação cartográfica.

7. (ENEM-MEC) Existem diferentes formas de representação plana da super fície da Terra (planisfério). Os planisférios de Mercator e de Peters são atualmente os mais utilizados. Mercator

Peters Ilustrações: E. Cavalcante

B

Apesar de usarem projeções, respectivamente, conforme e equivalentes, ambas utilizam como base da projeção o modelo: C. a )

d ) O

O

L

L

Trópico de Capricórnio

OCEANO ÍNDICO

OCEANO PACÍFICO

b )

O

L

e )

O

Trópico de Câncer

E. Cavalcante

OCEANO ATLÂNTICO

L 3 900 km

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

I. O mapa foi construído através da projeção cartográfica cilíndrica e equivalente, em uma escala pequena, pois a área representada é muito grande.

c ) O

L

A Cartografia e suas linguagens

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Ilustrações: E. Cavalcante

Equador 0° OCEANO PACÍFICO

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8. (UPM-SP)

b ) Os mapas do tipo temático contêm informações sistematizadas e selecionadas. c ) Os mapas primitivos eram gravados em pedra ou argila.

E. Cavalcante

d ) Os mapas medievais eram confeccionados sob forte influência religiosa e representavam o céu e a terra. e ) O mapa-múndi é uma representação cartográfica que possui uma escala grande, pois neste tipo de mapa são reunidas muitas informações. 4 460 km

11. (FEJAL-AL) Assinale, entre as alternativas a seguir, o sistema de projeção indicado no mapa reproduzido adiante. B.

A projeção acima possui formas distorcidas, mas suas áreas são mais preservadas. Segundo alguns analistas, essa projeção passa uma ideia de igualdade, valorizando as nações pobres e quebrando a visão de superioridade das nações ricas situadas no hemisfério norte. Identifique a nomenclatura correta da projeção apresentada. B.

c ) Mollweide.

e ) Equidistante.

9. (PUC-RS) Um cartógrafo, ao mapear um alinhamento montanhoso, precisou calcular a represen­ tação numa escala de 1 : 12 500 000. Obser­vando outro mapa do mesmo local, percebeu que o alinhamento estava reduzido a 1,5 na escala de 1 : 10 000 000. Qual será a representação no mapa desse alinhamento na escala de 1 : 12 500 000, em cm? A. a ) 1,2. d ) 12. b ) 1,5. e ) 18. c ) 1,8. 10. (UFAM-AM) A palavra mapa, de provável origem cartaginesa, significa “toalha de mesa”. Os navegadores e comerciantes, ao discutir sobre rotas em locais públicos, rabiscavam diretamente nas toalhas (mapas), surgindo daí o documento gráfico tão conhecido atualmente. Com relação aos mapas e às escalas assinale a alternativa que reúne informações INCORRETAS: E. a ) Para representar a realidade em um mapa, é preciso estabelecer uma correspondência entre as dimensões do terreno e as dimensões do papel.

L Greenwich 70° 60° 50° 40° 30° 20° 10° 0° 10° 20° 30°

E. Cavalcante

b ) Peters.

d ) Azimutal equidistante.

a ) Mercator.

O Greenwich

40° 50°

4 460 km

60° 160˚

140˚

120 ˚

100˚

80˚

60˚

40˚

20˚

20˚

40˚

60˚

80˚

100˚

120˚

140˚

160˚

a ) Azimutal.

c ) Policônico.

b ) Cilíndrico.

d ) Ortográfico.

180˚

70° 80°

12. (EsPCEx-SP) Sobre escala cartográfica, leia as afirmativas abaixo: I. Existem dois tipos de escala cartográfica: a numérica e a geográfica; II. Na escala 1 : 5 000, podemos visualizar mais detalhes do que na escala 1 : 500 000, portanto a primeira é mais adequada para representar grandes superfícies terrestres, como, por exemplo, uma região ou país; III. Em um mapa de escala 1 : 2 000 000 a distância gráfica de 3 cm entre dois pontos, em linha reta, corresponde a uma distância real de 60 km; IV. A escala 1 : 500, muito utilizada na construção de plantas urbanas, é maior do que a escala 1 : 1 000 000, que é utilizada, por exemplo, para representar um continente ou mesmo o Mundo. Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas. E.

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d ) II e III.

b ) I, II e III.

e ) III e IV.

c ) I, II e IV.

13. (ULBRA-RS) A cartografia é a parte da ciência que trata da concepção, produção, difusão, utilização e estudo das representações cartográficas. Identifique com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo. ••Em um mapa de escala 1 : 5 000 000, a dis­tân­ cia no terreno entre dois pontos é de 50 km, o que correspondente a 1 cm no mapa. • •Em todas as projeções cilíndricas, os meridianos e os paralelos são representados por segmentos de reta, sendo que os meridianos são linhas que representam os valores de longitude. • •A rede cartográfica ou geográfica dá-nos a indicação das coordenadas geográficas. • •Os meridianos são linhas semicirculares, isto é, linhas de 190°, que vão do Polo Nor­te ao Polo Sul e cruzam com os paralelos. A sequência correta das afirmações, de cima para baixo, é a seguinte: E. a ) V-V-V-V.

d ) F-V-V-V.

b ) V-F-V-V.

e ) V-V-V-F.

c ) F-F-V-V.

14. (Unioeste-PR) As projeções cartográficas permitem a elaboração de representações, em um plano, das mais diversas informações da superfície terrestre. Sabe-se que é um trabalho complexo, pois a Terra tem um diâmetro equatorial de 12 756 km, montanhas com mais de 8 000 m de altura e fossas abissais com mais de 11 000 km de profundidade. Representar todas essas variações em um mapa ou carta é uma atividade que exige o uso de técnicas adequadas para os objetivos desejados. Com relação às projeções cartográficas, assinale a alternativa correta. C. a ) Ao confeccionar um mapa o cartógrafo deve adotar a projeção cartográfica adequada para seus objetivos, pois nenhum mapa deve apresentar distorções, já que todos os mapas são exatos. b ) As projeções equidistantes mantêm as formas da Terra, mas distorcem as distâncias entre os pontos, especialmente em áreas próximas aos polos.

c ) As projeções podem ser classificadas, quanto ao método utilizado, na elaboração dos mapas como sendo cilíndricas, cônicas e azimutais (ou planas). d ) A projeção cilíndrica equivalente de Peters é uma das mais famosas do mundo, pois essa projeção mostra o etnocentrismo europeu, deixando a Europa destacada no centro do mapa. e ) Durante a Guerra Fria as projeções mais utilizadas foram as cônicas, pois estas representam de forma adequada todo o globo terrestre.

15. (UFPR-PR) Utilizando o celular e um programa de acesso a mapas on-line, você localizou um ponto de interesse a aproximadamente 2,5 cm de distância do local onde se encontrava. Considerando que o programa indicava a escala aproximada de 1 : 3 000, calcule a distância a ser percorrida em linha reta até esse ponto de interesse. C. a ) 125 m. c ) 75 m. e ) 35 m. b ) 120 m. d ) 65 m. 16. (UCS-RS) Os mapas representam as superfícies terrestres. A fim de que se possa visualizá-las numa folha de papel ou na tela de um computador, usamos escalas. Uma escala constitui a relação de redução entre as dimensões apresentadas no mapa e seus valores reais correspondentes no terreno representado. Considere que, em uma planta urbana a distância entre dois bairros é representada por 20 cm. Sabe-se que a distância real em linha reta entre eles é de 4 km. Com base nessas informações, pode-se deduzir que a escala neste caso corresponde a: D. a ) 1 : 5.

d ) 1 : 20 000.

b ) 1 : 80.

e ) 1 : 8 000 000.

c ) 1 : 2 000.

17. (UFRGS-RS) Um geógrafo precisa representar uma porção da superfície terrestre de 10 km de largura por 20 km de comprimento numa folha de papel de 22 cm por 44 cm. Qual escala permite representar de forma adequada e legível essa superfície numa folha dessas dimensões? C. a ) 1 : 10 000.

d ) 1 : 250 000.

b ) 1 : 25 000.

e ) 1 : 500 000.

c ) 1 : 50 000. A Cartografia e suas linguagens

59

Unidade 2

a ) I e II.


60

Walter Meayers Edwards/National Geographic/Getty Images

unidade

A evolução da Cartografia


Os mapas são artefatos culturais, assim como as ferramentas, as embarcações ou as canções. Os diferentes grupos humanos, ao registrarem o espaço, os recursos, os domínios e trajetos por meio da confecção de mapas, marcaram boa parte da história de seu povo nas representações cartográficas, que se tornaram expressões culturais de cada época. • •A imagem desta página mostra a importância que o registro das características do espaço tem para o ser humano. Você conhece outros exemplos disso, ocorridos ao longo da história e na atualidade?

Mapa construído no século passado, com gravetos de palmeiras e conchas que representam as Ilhas Marshall, na Oceania. Por meio desse tipo de representação, utilizada há centenas de anos, muitos povos dos arquipélagos do Pacífico registravam a localização das ilhas utilizando conchas e a direção das correntes marítimas com gravetos, a fim de facilitar a navegação.

61


Os mapas na Antiguidade A arte de produzir mapas é uma das formas de representação gráfica mais antigas da humanidade, e provavelmente foi desenvolvida antes mesmo da escrita. Por isso, podemos dizer que a história dos mapas se confunde com a própria história humana. Estudos e documentos históricos encontrados em várias partes do mundo comprovam que os mapas fizeram parte da cultura de muitos povos antigos, como dos árabes, babilônios, romanos, egípcios, chineses, indianos, entre tantos outros. Cada um desses povos, porém, desenvolveu uma expressão cartográfica própria que, com maior ou menor grau de complexidade, foi produzida de acordo com as necessidades, os domínios técnicos e os materiais disponíveis em cada cultura. Embora os registros cartográficos dos povos de épocas tão remotas, em geral, tenham sido produzidos de maneira rudimentar, se comparados aos padrões atuais, a produção dos primeiros mapas pode ser considerada o marco inicial de uma longa jornada de conhecimentos em direção ao que hoje chamamos de Cartografia. O aperfeiçoamento das técnicas de representação cartográfica ao longo da história permitiu que os seres humanos ampliassem cada vez mais o conhecimento sobre o mundo, alargando as possibilidades de ocupação e apropriação do espaço geográfico, como veremos no decorrer desta unidade.

GA-SUR: entre os mais antigos Elaborado há cerca de 4 500 e 2 500 a.C. pelos babilônios, o mapa de Ga-Sur está entre os mais antigos de que se tem conhecimento. Trata-se de um esboço rústico, gravado em uma pequena placa de argila cozida (8 cm ✕ 7 cm), que representa o curso de um rio, provavelmente o atual Eufrates, entre duas cadeias de montanhas de uma região no norte da Mesopotâmia, atual Iraque. Observe na imagem que as direções cardeais (Norte, Leste e Oeste) estão indicadas nas partes laterais.

Autor desconhecido. c. 4500-2500 a.C. Gravura em placa de argila cozida. 8 x 7 cm. Museu Semítico de Harvard, Cambridge (EUA)

8 cm

Norte

Oeste

7 cm Imagem do mapa de Ga-Sur representado em suas proporções originais.

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montanhas

Luiz F. Fogaça

Babilônios: povo da Babilônia, império fundado em 1867 a.C. e localizado entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje se localiza o Iraque.

rio

Leste


No mundo oriental, os chineses, precursores da Cartografia, se destacaram na elaboração de mapas desde o século III a.C., muito antes que a produção cartográfica se desenvolvesse na Europa. Naquela época, eles já utilizavam mapas não só como meios de orientação e localização, mas também para fins de delimitação de fronteiras, administração e controle do território, cobrança de impostos, estratégia militar, definição de rotas de comércio e de navegação etc. Unidade 3

Por volta dessa mesma época, os egípcios, que já dominavam métodos de medição de áreas e distâncias por meio de instrumentos e cálculos matemáticos, faziam registros cadastrais de suas terras em documentos parecidos com cartas geográficas.

Um dos nomes mais famosos da Cartografia grega foi o do matemático e astrônomo Cláudio Ptolomeu (90 a 168 d.C.), que viveu em Alexandria, no Egito (veja imagem ao lado). Sua vasta obra foi escrita em vários volumes, sendo que um deles, dedicado exclusivamente à Geografia, reunia uma coletânea de mapas e é considerado o primeiro atlas da história. Entre esses mapas, há um mapa-múndi com coordenadas geográficas traçadas a partir de uma projeção. Os mapas originais de Ptolomeu se perderam, mas foram reconstituídos com base nas explicações registradas com detalhes em sua obra.

Autor desconhecido. 1825. Gravura. Coleção particular

No mundo ocidental foram os gregos que mais se destacaram e contribuíram para o desenvolvimento da Cartografia. Com os seus conhecimentos astronômicos, matemáticos e geodésicos, eles foram os pioneiros na utilização de métodos científicos nos registros cartográficos. Muitos desses conhecimentos gregos, como a concepção esférica da Terra (unidade 1), a criação dos primeiros sistemas de coordenadas, a introdução das latitudes e longitudes que formam a rede de coordenadas geográficas e a idealização dos mais antigos sistemas de projeções, determinaram o processo evolutivo da Cartografia ocidental durante séculos, possibilitando a produção de mapas cada vez mais precisos e fidedignos.

Cláudio Ptolomeu. 1486. Gravura colorida. Biblioteca Nacional de Paris, França. Foto: The Art Archive/Alamy Stock Photo/Glow Images

Cláudio Ptolomeu.

Representação do mapa do mundo de Ptolomeu (90 a 168 d.C.) que foi reconstituído de acordo com suas descrições, no século XV. A evolução da Cartografia

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Os mapas na Idade Média Na Idade Média, houve um retrocesso na produção cartográfica europeia. Os avanços científicos até então alcançados no campo da Cartografia foram postos de lado e os mapas, influenciados pela expansão do cristianismo, passaram a ser elaborados com base em concepções religiosas, muitas vezes de acordo com explicações bíblicas.

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Um exemplo desse retrocesso foi a produção de mapas muito simplificados quanto aos elementos e à simetria das terras representadas. Em geral, esses mapas colocavam Jerusalém – a terra santa cristã – no centro, como se estivesse no centro do mundo. Nessa época, muitos dos mapas difundidos por religiosos cristãos representavam o mundo na forma de um anagrama circular bastante simples, formado por duas letras: um “T” inscrito dentro de um “O”, daí a denominação de mapas T-O (Orbis Terrarum, ou globo terrestre). A letra “T” simbolizava as águas que dividiam as terras conhecidas: a Ásia, na parte superior, onde também estaria o paraíso terrestre, a Europa e a África, na parte inferior; todas rodeadas por um grande oceano representado pela letra “O”.

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Idade Média: período que se estendeu da queda do Império Romano, no século V, à tomada de Constantinopla pelos turcos-otomanos, no século XV. Iluminura: elaborada ilustração feita nas páginas e nas letras maiúsculas iniciais dos textos medievais.

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Ao lado, observamos um exemplo de mapa T-O bastante simplificado, elaborado pelo bispo espanhol Isidoro de Sevilha (560 d.C.- 636 d.C.). Is

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Autor desconhecido. 1265. Biblioteca Britânica, Londres (Inglaterra)

Mapas e religiosidade Para ilustrar um livro de salmos, produzido provavelmente em Londres no século XIII, figura a imagem de um mapa conhecido como Mapa do salmo. Trata-se de uma iluminura baseada na perspectiva dos mapas medievais do estilo T-O, com detalhes que revelam concepções religiosas e bíblicas do mundo. As terras estão assim representadas: a Ásia, na parte superior; a Europa, no canto inferior à esquerda; e a África, no canto inferior à direita. Veja algumas explicações da leitura desse mapa.

3

2 1 Jerusalém, a cidade santa, como centro do mundo.

8 4

2 Rostos de Adão e Eva. 3 Cristo com os braços abertos “guardando” o mundo.

1

4 Arca de Noé, simbolizando a história bíblica do dilúvio.

7

5

5 Roma. 6 Mar Mediterrâneo. 7 Rio Nilo.

6

64

8 Mar Vermelho.


As viagens mediterrâneas no final da Idade Média e o avanço das Grandes Navegações deram novo impulso ao desenvolvimento de uma Cartografia europeia com bases científicas. Foi o fim do longo período medieval em que a produção de mapas permaneceu praticamente “adormecida” pelos propósitos religiosos e teológicos. Entre os séculos XIII e XVI, a produção cartográfica foi marcada pela elaboração dos chamados mapas portulanos – cartas náuticas elaboradas com o objetivo de orientar e tornar mais segura a navegação marítima. Isso era cada vez mais indispensável, pois os europeus se lançavam na conquista de territórios e riquezas além-mar. Com as anotações de rotas feitas pelos mestres navegantes, somadas ao imenso volume de descrições de terras encontradas pelos exploradores que acompanhavam as expedições, os mapas portulanos puderam ser atualizados, aperfeiçoados e difundidos, o que permitiu que os europeus retomassem a vanguarda da produção cartográfica naquele período. Mas foi somente no século XVIII, com o surgimento das ciências especializadas, que a Cartografia alcançou o status de ciência. A partir de então, começaram a surgir os primeiros mapas temáticos (cartas geológicas, climáticas, agrícolas, urbanas etc.), tendo como base o traçado de mapas já existentes.

Grandes Navegações: conjunto de viagens marítimas realizado principalmente por portugueses e espanhóis, entre os séculos XV e XVI, que tinha como objetivos principais expandir o comércio, obter uma quantidade cada vez maior de metais preciosos e ampliar os domínios territoriais.

O estudo do tema sugere que o professor contextualize o avanço das técnicas de representação cartográfica com os conhecimentos históricos. A produção cartográfica europeia desse período histórico, compreendido entre os séculos XV e XIX, esteve intimamente ligada às navegações além-mar e à conquista de domínios coloniais.

Os mapas portulanos

Representação portulana que registra os contornos litorâneos conhecidos, em 1544. Battista Agnese. c. 1540. Iluminura em velino. Coleção particular. Foto: The Protected Art Archive/Alamy Stock Photo/Glow Images

Os portulanos eram mapas manuscritos desenhados em pergaminhos, geralmente em pele de carneiro. Não dispunham de um sistema de coordenadas geográficas (latitudes e longitudes), mas apresentavam um conjunto de retas direcionais, também chamadas linhas de rumo, traçadas a partir de uma rosa dos ventos desenhada na própria representação. Por meio dessas linhas e com o auxílio de uma bússola, os navegadores puderam traçar a rota correta de suas viagens e conduzir as embarcações com maior segurança nas longas jornadas além-mar. Veja um desses mapas abaixo.

• •Verifique que os

litorais eram representados de maneira detalhada, por serem as áreas mais conhecidas pelos navegadores. Observe que as regiões mais interioranas dos continentes são menos detalhadas nessas representações. Por quê? Como elas são caracterizadas?

As áreas interioranas eram menos conhecidas na época. Elas eram decoradas com brasões e bandeiras dos reinos conquistadores ou ilustradas com figuras de rios, montanhas, povos, animais e plantas conhecidos dessas áreas. A evolução da Cartografia

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Unidade 3

Os mapas no Renascimento


A tecnologia moderna e a produção dos mapas na atualidade O enorme progresso técnico-científico ocorrido a partir de meados do século XX promoveu uma verdadeira revolução na Cartografia. Com o desenvolvimento das novas tecnologias da informação (informática, satélites espaciais, telecomunicações etc.) ampliaram-se as possibilidades técnicas de coleta, armazenagem, transmissão e processamento de dados e informações da superfície terrestre. Muitos dos métodos tradicionais utilizados na elaboração dos mapas, que até então dependiam diretamente de pesquisas realizadas em campo, foram substituídos pelas novas tecnologias do sensoriamento remoto. Sensoriamento remoto é o nome dado ao conjunto de tecnologias utilizadas na obtenção à distância de imagens e outros tipos de dados e informações sobre a superfície terrestre. Esses dados e informações são captados em diferentes níveis de altitudes por meio de sensores instalados principalmente em aviões ou em satélites orbitais artificiais. Entre os equipamentos mais utilizados para isso estão os radares e as câmeras fotográficas especiais, instalados em aviões, e vários tipos de sensores eletrônicos, como os scanners acoplados a satélites artificiais. Esses dispositivos são capazes de captar a energia refletida pela superfície terrestre e registrar os elementos existentes no terreno por meio de fotografias aéreas ou imagens orbitais.

As fotografias aéreas

Fotomontagem de N. Akira formada pela imagem Rogério Reis/Pulsar

Aerofotogrametria: conjunto de técnicas por meio das quais se registram informações fidedignas (forma, dimensão e posição) dos elementos sobre a superfície terrestre por meio de fotografias aéreas.

As primeiras fotografias aéreas foram tiradas com o auxílio de balões em meados do século XIX, ainda de maneira rudimentar. Nas primeiras décadas do século XX, com o advento da aviação militar, a produção dessas imagens teve um grande impulso, embora seu uso ainda fosse restrito a fins militares, sobretudo durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Desde então, muitos progressos técnicos e novos processos foram desenvolvidos e incorporados aos levantamentos da aerofotogrametria. Com isso, a qualidade das imagens melhorou e suas possibilidades de usos e aplicações se diversificaram. Veja, a seguir, o processo de obtenção de uma fotografia aérea.

linha de voo

A aeronave sobrevoa a área a ser fotografada com uma câmera fotográfica de alta resolução acoplada a um compartimento na sua parte inferior. A câmera recebe os comandos de um computador instalado dentro do avião, para produzir fotografias sequenciais e parcialmente sobrepostas da superfície terrestre. Como resultado, imagens aéreas registram os elementos do terreno, em uma visão vertical (esquema ao lado).

Ilustração produzida com base em: MOREIRA, Maurício A. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologias de aplicação. 3. ed. Viçosa: Ed. UFV, 2007. p. 150.

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Ao fornecer informações que mostram, com alto grau de detalhamento, as diferentes formas de ocupação do espaço e uso do solo, as fotografias aéreas tornaram-se muito importantes, sendo utilizadas para fins de mapeamento (elaboração de plantas, cartas e mapas), planejamento e gestão territorial.

Getmapping/SPL/Latinstock

Unidade 3

As fotografias aéreas tornaram-se ferramentas imprescindíveis para elaborar os mais diferentes tipos de mapas, como os que mostram o traçado da rede hidrográfica, o uso do solo, a ocupação do espaço urbano, a rede de transportes etc. Essas fotografias também são empregadas na elaboração de cartas topográficas, conhecidas como cartas-base, que mostram o conjunto dos elementos artificiais (construções, cidades, lavouras, estradas, pontes etc.) e naturais (vegetação, rios, lagos, morros, montanhas etc.) existentes no espaço geográfico.

José Vitor Elorza/ASC Imagem

Veja, ao lado, o exemplo de uma fotografia aérea que mostra uma área rural em Wiltshire em 2012, na Inglaterra, e verifique os elementos que podem ser observados na imagem.

Outra grande vantagem das fotografias aéreas é que elas permitem identificar e mapear as formas do relevo. Isso é possível quando sobrepomos duas fotografias aéreas tiradas em sequência e observamos essas imagens por meio de um estereoscópio, aparelho que permite a visão tridimensional do relevo (imagem ao lado). Esses aparelhos, no entanto, também podem ser substituídos por sofisticados programas de computador que executam a mesma função, porém a um custo bem elevado.

A evolução da Cartografia

67


As imagens de satélites Outro marco que mudou radicalmente os rumos do sensoriamento remoto foi a conquista espacial ocorrida a partir da década de 1960. Desde então, o lançamento de satélites artificiais ao espaço e o desenvolvimento da informática tornaram possível a obtenção sistemática de imagens orbitais de toda a superfície do planeta, inclusive dos lugares mais remotos e de difícil acesso aos seres humanos.

• O esquema

explica como ocorre o processo de obtenção das imagens de satélites. Observe o destaque dado aos diferentes tipos de cobertura do solo.

energia solar refletida

energia solar incidente

água

construções

rodovia floresta Ilustração produzida com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 26.

solo

pastagens Cada elemento da superfície terrestre (construção, lavoura, água, solo, floresta) absorve e reflete essa energia em diferentes comprimentos de onda, conforme suas características físicas, químicas e biológicas. Devido a essas variações, cada elemento ou objeto da superfície vai sendo registrado na forma de sinais elétricos, de acordo com a quantidade de energia refletida. Toda essa variação de energia refletida é, então, captada pelos sensores dos satélites, capazes de registrar não apenas as ondas da luz visível ao olho humano, mas também as ondas que se propagam em outras frequências, como na faixa do infravermelho e do ultravioleta. Esses sinais são convertidos em dados numéricos e transmitidos às estações de recepção em terra.

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Fotomontagem de N. Akira formada pela imagem João Prudente/Pulsar

Essas imagens são obtidas por meio de sensores ultrassensíveis que, acoplados aos satélites artificiais que giram em torno da Terra, são capazes de captar a radiação solar refletida pelos elementos da superfície do globo. Veja o esquema abaixo.


Os sensores orbitais captam imagens da superfície terrestre em diferentes tipos de canais. Os canais pancromáticos, por exemplo, geram imagens em tons de cinza que variam do branco ao preto. Em geral, os elementos da superfície que absorvem mais energia aparecem na imagem em tons escuros, enquanto os elementos que refletem mais energia aparecem em tons claros.

Unidade 3

As imagens coloridas, por sua vez, são geradas a partir de sensores que captam as cores primárias (azul, verde e vermelho). Essas cores podem ser combinadas de diferentes maneiras para realçar cada um dos elementos que aparecem na imagem e, assim, facilitar a sua leitura e interpretação. Outra característica que difere os sensores orbitais diz respeito à sua resolução, ou seja, a capacidade que o sensor possui de “enxergar” os elementos da superfície terrestre. Os sensores de alta resolução, por exemplo, são utilizados para gerar imagens bem detalhadas da superfície, como as ruas e as construções do quarteirão de uma cidade (imagem A). Já os sensores de baixa resolução fornecem imagens de áreas bem mais extensas da superfície, porém com menor nível de detalhamento (figura B). A

Geoeye/SPL/Latinstock

Imagem dos arranha-céus na área da Marina Bay em Singapura obtida a partir do satélite Ikonos. A imagem está na cor natural e com grande resolução espacial, o que permite a visualização detalhada dos elementos da superfície, como construções, estradas, embarcações etc.

MDA Information Systems/SPL/Latinstock

B

O círculo em destaque indica a área mostrada na imagem A.

Imagem de Singapura obtida a partir do satélite Landsat. A imagem foi processada na faixa do infravermelho em que a vegetação verde aparece em laranja, as florestas, em marrom, as construções, em azul e cinza e a água, em preto. Como a resolução espacial é mais baixa, o nível de detalhamento da superfície é bem menor. A evolução da Cartografia

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As imagens de satélites e suas aplicações As imagens fornecidas pelos satélites orbitais são produtos da mais avançada tecnologia de sensoriamento remoto de que dispomos atualmente. Entre as vantagens dessa tecnologia estão a grande nitidez com que as imagens são produzidas e também o imenso volume de imagens fornecidas, já que os satélites operam continuamente durante vários anos até serem desativados. Além de servirem de base para a elaboração e atualização de mapas precisos e detalhados de toda a superfície do planeta, as imagens de satélites possuem inúmeras outras aplicações.

A

B

NASA/SPL/Latinstock

As imagens de satélites de recursos terrestres, como os das séries Landsat e Ikonos (norte-americanos), o Spot (francês) e o CBERS (do consórcio sino-brasileiro), por exemplo, são muito utilizadas no monitoramento de extensas áreas da superfície terrestre. Elas podem fornecer informações sobre desmatamentos e focos de queimadas em florestas, degradação de matas ciliares e nascentes de rios, alterações em geleiras e glaciares, existência de jazidas minerais no subsolo, processos de ocupação e expansão de áreas urbanas, modificações em ambientes costeiros etc.

INPE

NASA/SPL/Latinstock

Imagens do satélite Landsat mostram o rio Jamari (imagem A, em 1984) e as alterações em seu entorno, com a construção da barragem de Samuel e o crescimento do município de Candeias do Jamari (imagem B, em 2011).

Os satélites meteorológicos, como os norte-americanos das séries GOES e NOAA e o europeu Meteosat, fornecem imagens sobre movimentação das massas de ar, nebulosidade e formação de nuvens, deslocamento de frentes frias etc. Com isso, as previsões meteorológicas estão se tornando cada vez mais precisas. Pode-se saber, por exemplo, a ocorrência de chuvas ou secas mais prolongadas com antecedência, assim como a formação de grandes tempestades (furacões, ciclones, tornados). Essas informações auxiliam a população a se prevenir e ajudam a amenizar os impactos que esses fenômenos costumam provocar. Ao lado, imagem do satélite GOES-13 mostrando a circulação das massas de ar sobre a América do Sul em 17/11/2015.

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SIG e geoprocessamento Com o desenvolvimento de novas tecnologias, a Cartografia vem incorporando novos métodos e técnicas. O geoprocessamento é um desses exemplos, pois emprega técnicas matemáticas e de computação para coletar, organizar e interpretar de maneira simultânea o conjunto das diversas informações geográficas.

casas

Os Sistemas de Informações Geográficas – SIGs – são as ferramentas (hardwares, softwares, bancos de dados informatizados etc.) que integram e operam o imenso volume de informações e dados geográficos coletados pelos pesquisadores. Com isso, as informações coletadas pelos sensores nos satélites podem ser sintetizadas e interpretadas na forma de vários tipos de mapas (digitais ou não), relatórios, gráficos estatísticos, entre outros documentos e registros. A figura ao lado ilustra o processo de elaboração de um mapa com a sobreposição de vários tipos de informações geográficas contidas em um SIG.

ruas

superfície

Luciane Mori

As possibilidades de aplicações de um SIG são cada vez mais abrangentes, principalmente para fins de planejamento territorial (urbano e rural) e para estudos e análises ambientais, demográficas, socioeconômicas etc. Os órgãos públicos podem utilizar as informações de um SIG para, por exemplo, combater epidemias ao mapear focos de doenças, como a dengue.

Unidade 3

poços

Ilustração produzida com base em: LENG, Laura. Managing natural resources with GIS. 3. ed. New York: ESRI, 2001. p. 4.

A busca por meios mais eficazes e econômicos de observar a Terra motivou o homem a desenvolver os satélites de sensoriamento remoto. Mas os altos custos dessa tecnologia tornam os países em desenvolvimento dependentes das imagens fornecidas por equipamentos de outras nações. Na tentativa de reverter esse contexto, os governos do Brasil e da China assinaram em 06 de julho de 1988 um acordo de parceria envolvendo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a Cast (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial) para o desenvolvimento de um programa de construção de dois satélites avançados de sensoriamento remoto, denominado Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite, Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). [...] A união entre os dois países é um esforço bilateral para derrubar as barreiras que impedem o desenvolvimento e a transferência de tecnologias sensíveis impostas pelos países desenvolvidos. A parceria conjunta rompeu os padrões que restringiam os acordos internacionais à transferência de tecnologia e o intercâmbio entre pesquisadores de nacionalidades diferentes.

CBERS/INPE

A pesquisa espacial brasileira

INSTITUTO Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Disponível em: <www.cbers.inpe.br/>. Acesso em: 11 set. 2015.

Representação do satélite CBERS 4, produzido pela parceria sino-brasileira.

A evolução da Cartografia

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Infográfico

Explorando o tema GRANDES AMEAÇAS

Desde o lançamento do primeiro satélite (Sputnik 1), em 1957, o espaço sideral em torno da Terra foi povoado por uma grande quantidade de resíduos. Baterias de satélite que explodiram, partes de foguetes e naves espaciais ficaram vagando em torno da Terra, formando uma verdadeira lixeira cósmica. O perigo da presença desses objetos é a possibilidade de colisão, pois viajam a velocidades de 30, 50 ou de 70 mil quilômetros por hora (km/h).

Detritos espaciais Qualquer objeto artificial inútil orbitando a Terra é considerado lixo espacial. Os foguetes usados apenas uma vez podem ficar vagando na órbita da Terra, assim como peças de naves ou dispositivos eliminados intencionalmente dos aparatos espaciais acabam entrando em órbita da Terra.

Tamanho dos objetos Estão acumulados mais de 11 mil objetos catalogados e mais milhões de minúsculas partículas cuja quantidade é estimada.

Menos de 1 cm Partículas muito pequenas, mas que podem provocar danos superficiais.

+ 30.000.000

De 1 cm a 10 cm Essas partículas podem causar perfurações nos satélites em órbita.

+ 100.000

Mais de 10 cm

Sol90 Images

Partículas que causam danos irreparáveis. Esses são os objetos que estão catalogados.

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Lixo espacial

+ 11.000

Fonte: AGÊNCIA Espacial Americana (NASA). Disponível em: <www.nasa.gov/mission_pages/station/ news/orbital_debris.html>. Acesso em: 29 jan. 2016.


Há maneiras diferentes de se tratar o problema. Uma delas seria trazer esse lixo para a Terra e eliminá-lo. Atualmente, o que se tem feito é alterar a rota desses objetos, retirando-os da órbita da Terra e da trajetória dos satélites, a fim de evitar danos. Veja.

VELA

Como nos barcos, a vela se desenrola quando o satélite para de funcionar. Assim, o vento solar o desvia para fora da órbita da Terra.

SONDA ESPACIAL

CABO

A sonda entra em colisão com o satélite, desviando-o da órbita terrestre e direcionando-o a outra órbita predeterminada.

Um cabo arrasta o satélite a órbitas inferiores. Então, ele se desintegra ao atingir a atmosfera terrestre.

PROCEDÊNCIA E LOCALIZAÇÃO Cerca de 95% dos objetos que vagam pelo espaço sideral é lixo. A NASA vem estudando modelos de foguetes que não alcancem a órbita terrestre e que caiam na Terra, para evitar a geração de mais lixo espacial.

2 000

ÓRBITA POLAR

toneladas de lixo estão a menos de 2 000 km da Terra. A maioria são satélites que não funcionam ou são partes descartadas de foguetes.

ALTA ÓRBITA

400 km – Nela operam o ISS (International Space Station – Estação Espacial Internacional) e o Telescópio Hubble. Há também um painel residual do Hubble.

100.000 km – É a órbita mais alta de operação dos satélites astronômicos.

ÓRBITA BAIXA

Entre 700 e 2000 km – Nesta órbita estão os satélites de telecomunicações e de monitoramento ambiental.

ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA

36.000 km – Nessa órbita funcionam os satélites espiões e há considerável quantidade de lixo espacial. A evolução da Cartografia

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Unidade 3

O que se pode fazer?


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Precursores da Cartografia, os chineses se destacaram na produção de mapas desde o século IV a.C. Quais eram as utilidades dos mapas para os chineses já naquela época? 2. Cite algumas contribuições da Cartografia desenvolvida pelos povos gregos que levaram a uma produção de mapas mais fidedignos. 3. Caracterize a estagnação da produção cartográfica na Idade Média.

4. O que eram os mapas portulanos? Qual a importância deles para os europeus entre os séculos XIII e XVII? 5. Quando e como foram obtidas as primeiras fotografias aéreas de que se tem registro? 6. Quais as vantagens das fotografias aéreas em relação ao mapeamento das altitudes do relevo? 7. O que é sensoriamento remoto? 8. Como são obtidas as imagens de satélite?

Expandindo o conteúdo

DigitalGlobe/ScapeWare3d/Getty Images

9. Analise a imagem de satélite e responda às questões.

B

C

B

C

D

A A

Imagem de satélite da localidade de Joso, no leste do Japão, em 2015.

a ) Identifique os elementos que podem ser visualizados nessa imagem. b ) O que aparece representado, respectivamente, pelas letras A, B, C e D? c ) Descreva a configuração do espaço urbano (concentração de moradias e tamanho da aglomeração) e do espaço rural (tamanho das propriedades e provável atividade econômica desenvolvida).

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10. Leia o texto, responda às questões e pesquise.

As pesquisas espaciais e você

Unidade 3

A pesquisa espacial produz mais do que foguetes, satélites e veículos lançadores. Vários materiais, inicialmente desenvolvidos para uso específico dos sistemas espaciais, passaram a fazer parte do nosso cotidiano. São os chamados spin-offs. Velcro, lentes com proteção UVA/UVB, microchips e teflon são exemplos de materiais inicialmente desenvolvidos para uso dos sistemas espaciais e acabaram encontrando aplicações na Terra. Spin-off é a expressão inglesa usada para denominar casos nos quais as tecnologias, desenvolvidas no contexto dos programas espaciais, são usadas em atividades fora desse setor. A produção de lançadores em países desenvolvidos, por exemplo, possibilitou o aparecimento de vários produtos, como materiais carbonosos para altas temperaturas hoje utilizados como isolantes nas centrais nucleares para geração de energia elétrica e nos discos de freios de todos os aviões militares, comerciais de grande porte e nos carros de Fórmula 1. Foi a partir da pesquisa espacial, também, que surgiram as camadas antirreflexão para televisores; óculos com proteção solar; aços de ultra-alta-resistência utilizados em blindagens, grandes eixos, trens de pouso de aviões e de helicópteros e roupas com proteção para altas temperaturas e para manuseio de produtos químicos de alta toxicidade. [...] AGÊNCIA Espacial Brasileira (AEB). Disponível em: <www.aeb.gov.br/o-espaco-em-nossa-realidade>. Acesso em: 11 set. 2015.

Espuma de viscoelástico, que hoje é utilizada na fabricação de travesseiros, foi desenvolvida para dar mais conforto aos astronautas.

Comida desidratada foi desenvolvida para alimentar os astronautas no espaço, por ser mais leve e ter maior durabilidade. Hoje estão presentes em qualquer supermercado.

pechy2/Shutterstock.com

TAGSTOCK1/Shutterstock.com

WhiteJack/Shutterstock.com

Observe abaixo outros exemplos das pesquisas espaciais em nosso dia a dia.

Tecidos antichamas, com os quais são confeccionadas as roupas dos astronautas, hoje são utilizados para as roupas de bombeiros e pilotos de carros de corrida.

a ) De acordo com o texto, as pesquisas científicas espaciais não estão restritas em sua aplicabilidade. Explique essa ideia e dê exemplos. b ) Você considera importante a transposição do resultado das pesquisas científicas para outras áreas? Por quê? c ) Amplie seus conhecimentos sobre as Pesquisas Espaciais Brasileiras, visitando o site <http://tub.im/r73iz5>, com destaque para o link “Programa Espacial Brasileiro”. Elabore um texto resumindo as informações mais importantes e interessantes sobre esse tema. A evolução da Cartografia

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Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

A beleza artística das imagens de satélite

Desde 1972, após o lançamento do primeiro satélite do programa Landsat, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), em parceria com a Agência Espacial Americana (NASA), coleta imagens orbitais para fins de monitoramento e pesquisa científica. As imagens registradas atraíram a atenção também por sua beleza artística, uma vez que retratam paisagens inusitadas da Terra, como mares, rios, desertos, florestas, áreas de pastagem, áreas cobertas de gelo, entre outros. A partir disso, foi criada a coleção “A Terra como arte” (Earth as Art, em seu título original), que já está em sua terceira edição. Veja abaixo algumas imagens selecionadas da coleção.

NASA

NASA

NASA

A imagem ao lado, de 2005, retrata o redor da ilha sueca de Gotland, localizada no mar Báltico. A imagem lembra a pintura A noite estrelada (1889), de Van Gogh. Esse efeito ocorre quando correntes profundas levam nutrientes para a superfície, contribuindo com o crescimento e a reprodução de grandes quantidades de fitoplâncton.

A imagem acima, capturada em 2002, se assemelha a vasos sanguíneos de um órgão. A fotografia retrata os tortuosos caminhos das águas do delta do rio Yukon, que percorre parte do território canadense, atravessa o Alasca e deságua no mar de Bering, no oceano Pacífico.

Esta imagem de satélite, de 2001, mostra a formação geológica denominada estrutura de Richat, também conhecida como “Olho da África”. De acordo com pesquisas científicas, essa estrutura geológica, localizada em meio ao deserto do Saara, na Mauritânia, África, é o resultado de erupções vulcânicas ocorridas no período Cretáceo e que, ao longo do tempo, foram erodidas.

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A Geografia no cinema

Inimigo do Estado Unidade 3

O advogado Robert Dean, sem saber, leva consigo a prova do assassinato do congressista Phillip Hammersley. Essa prova envolve o nome de importantes políticos do governo dos Estados Unidos. Ao longo do filme, ocorre uma impressionante perseguição que envolve a monitoração por meio de imagens de satélite. Título: Inimigo do Estado

Para assistir

Filme de Tony Scott. Inimigo do Estado. EUA. 1998

Diretor: Tony Scott Principais atores: Will Smith, Gene Hackman Ano: 1998 Duração: 132 minutos Origem: Estados Unidos

••CARTOGRAFIA e novas tecnologias (Cartografia na escola). Ministério da Educa-

ção. TV Escola – Salto para o Futuro. 50 min. Disponível em: <http://tub.im/w83tic>. Acesso em: 11 set. 2015.

Apresentando o tema “Cartografia e novas tecnologias”, o vídeo mostra a Cartografia produzida pelo INPE e pelo IBGE, e como os trabalhos gerados por eles podem ser utilizados em sala de aula.

••RONDON e a Cartografia TV Universidade – Universidade Federal de Mato Grosso. 15:31 min. Disponível em: <http://tub.im/t2f58p>. (Parte 1). 15:21 min. Disponível em: <http://tub.im/h7uimg>. (Parte 2). Acessos em: 11 set. 2015.

Documentário apresentado em duas partes e produzido pelo jornalista Cacá de Souza, que foi financiado pela Lei de Incentivo à Cultura. Este documentário retrata as contribuições de Marechal Cândido Rondon para a Cartografia.

Para ler

• •DUARTE, Paulo A. Fundamentos de Cartografia. Santa Catarina: UFSC, 2008. • •FLORENZANO, Teresa Gallotti. Imagens de satélite para estudos ambientais. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2007.

••KNAUSS, Paulo et al. Brasil: uma cartografia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2010. Para navegar

• •CARTOGRAFIA Histórica (Biblioteca Digital da USP). Disponível em: <http:// tub.im/brsx4g>. Acesso em: 2 set. 2015.

••CENTRO

de Sensoriamento Remoto (Ministério do Meio Ambiente). Disponível em: <http://tub.im/j2akgx>. Acesso em: 2 set. 2015.

••EMPRESA Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Monitoramento por satélite. Disponível em: <http://tub.im/b4mvim>. Acesso em: 2 set. 2015.

••INSTITUTO Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Disponível em: <http://tub. im/beywtn>. Acesso em: 2 set. 2015.

••NATIONAL Aeronautics and Space Administration (NASA). Disponível em: <http:// tub.im/9ya5ha>. Acesso em: 2 set. 2015.

A evolução da Cartografia

77


Questões do Enem e Vestibular

Martin Waldseemüller. 1507. Gravura. Biblioteca do Congresso, Washington (EUA)

1. (UFPR-PR) Observe a imagem do mapa de Waldseemüller e leia o texto a seguir. B.

(Martin Waldseemüller, 1507.)

“Este mapa é de fundamental significação na história da cartografia. Sintetizou a revolução dos vinte anos precedentes na geografia e ampliou a imagem contemporânea do mundo, proporcionando uma visão essencialmente nova do mesmo. [....] Seu histórico é conhecido indubitavelmente a partir do tratado geográfico Cosmographiae Introductio que acompanhou sua publicação em 1507. [...] Este mapa tem uma importância histórica única. Nele o Novo Mundo recebe o nome de América pela primeira vez. Colombo aparentemente nunca abandonou sua convicção de que as ilhas das Índias Ocidentais que descobriu eram próximas à costa leste da Ásia. Vespúcio, entretanto, descobriu a verdade, ou seja, que era um novo mundo. Waldseemüller aceitou esta visão e propôs – para honrar Vespúcio – conceder seu nome à nova terra.” (WHITIFIELD, Peter. The image of the world: 20 centuries of World Maps. San Francisco: Pomegranate Artbooks & British Library, 1994, p. 48–49.)

Com base no mapa, no texto e nos conheci­ mentos sobre a epopeia dos descobrimentos na Época Moderna, é correto afirmar: a ) O mapa de Waldseemüller foi elaborado para reforçar a concepção bastante difundida durante a Idade Média de que a Terra era plana, contribuindo assim para afirmar a tese da impossibilidade de atingir o Orien­ te navegando para o Ocidente. b ) O uso da expressão “descoberta da Amé­ rica”, para designar o ocorrido em 1492, re­vela uma construção a posteriori da his­ toriografia, que assim estabelece uma repre­

78

Anote as respostas no caderno.

sentação simbólica da presença europeia no continente pela primeira vez na Era Moderna. c ) Afirmar que Vespúcio foi o responsável pela “descoberta do Novo Mundo” significa eviden­ ciar um traço da mentalidade greco-romana da Antiguidade, que prescrevia a experimen­ tação científica como método para obter o conhecimento da verdade das coisas. d ) A verificação empírica da verdade dos “des­ cobrimentos” possibilitou, ao longo do século XVI, uma nova epistemologia para as ciências humanas, que passou a fundar-se no teste­ munho direto dos acontecimentos como critério para o estabelecimento dos fatos. e ) Pelo relato sobre os “descobrimentos”, ex­ plicitado no texto, fica evidente que havia, no período da publicação do mapa de Waldseemüller, uma nítida separação entre a perspectiva de análise geográfico-carto­ gráfica e a abordagem histórica dos even­ tos da expansão marítima.

2. (UTFPR-PR) No século X X surgiram novas tecno­logias que revolucionaram e dinamizaram a cartografia, nas formas de aquisição de da­ dos e representação espacial das superfícies. Das novas tecnologias e suas características, é INCORRETO afirmar que: D. a ) o sensoriamento remoto constitui-se num importante sistema aéreo ou espacial de informações. b ) o GPS (Sistema de Posicionamento Global) é um sofisticado sistema eletrônico, que se apoia em uma rede de satélites e permite a localização instantânea em qualquer pon­ to da Terra. c ) o geoprocessamento é a tecnologia que abrange o conjunto de procedimentos de en­ trada, manipulação, armazenamento e aná­ lise de dados espacialmente referenciados. d ) no sensoriamento remoto, capta-se a res­ posta espectral das super fícies e com objetos apenas na região visível do espec­ tro eletromagnético para, entre outras fina­ lidades, estudar o ambiente terrestre. e ) o SIG (Sistema de Informação Geográfica) constitui-se por softwares que têm como finalidade integrar bancos de dados, pro­ cessar e analisar dados georreferenciados.


a ) A energia captada pelos sensores são ondas eletromagnéticas. b ) A radiação eletromagnética captada pelos sensores não necessita de um meio para se propagar. c ) A energia captada pelos sensores pode ser de uma fonte externa ao alvo (por exem­ plo: reflexão a luz solar) ou interna (por exemplo: energia térmica emitida pelo alvo). d ) As diferentes formas de ocupação do solo na Terra podem ser captadas pelos senso­ res, devido ao fato de emitirem ou de ab­ sor verem radiação eletromagnética com diferentes velocidades de propagação. e ) O sensoriamento remoto permite a detecção de alterações na superfície da Terra como, por exemplo, aquelas causadas pela ação antrópica, auxiliando no planejamento de políticas ambientais.

4. (IFBA-BA) A projeção cartográfica é a base para a elaboração dos mapas. De acordo com o mapa abaixo, é correto afirmar: E. ANTÁRT I DA

S L

O N

AUST RÄLI A

Trópico de Capricórnio

AMÉ RIC A DO SU L

OCEANO ÍNDICO

ÁF RI CA

OCEANO PACÍFICO

Equador 0° OCEANO PACÍFICO

Trópico de Câncer

E. Cavalcante

OCEANO ATLÂNTICO

ÁSIA

4 560 km

E UROPA

AMÉRICA DO NORTE

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

a ) O mapa, elaborado pelo historiador alemão Arno Peters, indica uma projeção cilíndrica equivalente, que aumenta as distorções nas áreas situadas nas baixas latitudes. b ) É um mapa-múndi físico, que possui os me­ ri­d ianos como linhas convergentes e os para­lelos como linhas retas, o que expli­c a a cen­tralidade do continente africano. c ) Foi concebida no século X VI pelo belga Mercator, e se caracteriza por ser uma projeção equidistante, bastante utilizada nas Grandes Navegações.

d ) Trata-se de uma projeção cilíndrica, que evidencia uma visão de mundo eurocêntri­ ca e privilegia a forma dos continentes. e ) O mapa-múndi de Peters pretende demons­ trar uma visão geopolítica dos países sub­ desenvolvidos, pois representa um retrato mais fiel do tamanho das áreas, apesar de comprometer a forma dos continentes.

5. (CEFET-MG) Os chamados Sistemas de Infor­ mação Geográficas auxiliam na solução de diversos problemas referentes à análise do espaço geográfico na sociedade contemporâ­ nea. Nesse contexto, lista-se: C. I. Avaliação de recursos naturais. II. Medição da fertilidade do solo. III. Determinação do hipocentro de terremotos. IV. Planejamento de rota da coleta do lixo urbano. As atividades que não se aplicam a essa geo­ tecnologia são: c ) II e III. a ) I e IV. b ) I e III. d ) II e IV.

6. (IFCE-CE) Os sistemas de informações geo­ gráficas (SIGs) são o resultado da utilização conjunta de mapas digitais, crescentemente elaborados com ajuda do sistema de posicio­ namento global (GPS) e de bancos de dados informatizados, para coletar e processar da­ dos sobre a geografia do planeta. Com rela­ ção à aplicação e à utilização dos SIGs, são feitas as seguintes afirmações. C.

I. Planejar a distribuição e calcular os custos dos serviços prestados pela prefeitura no território municipal. Ex.: gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos.

II. Melhorar a qualidade do sistema de transporte coletivo e do tráfego urbano. Ex.: trajetos ur­ banos mais rápidos para circulação de trans­ portes de passageiros. III. Executar a arrecadação das taxas e dos im­ postos. Ex.: Imposto Predial e Territorial Urbano. Está(ão) correta(s): a ) Apenas I. b ) Apenas II. c ) Apenas I e II.

d ) Apenas II e III. e ) I, II e III.

A evolução da Cartografia

79

Unidade 3

3. (UEM-PR) O sensoriamento remoto realizado por sensores a bordo de plataformas orbitais constitui um importante sistema de aquisição espacial de informações. Baseado nessa in­ formação, assinale a alternativa incorreta. D.


Arctic-Images/ Corbis/Latinstock

unidade

A litosfera e a dinâmica do relevo

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A Terra é um planeta ativo. Tanto em suas camadas mais internas quanto em suas porções externas, nada é estático. Essa dinâmica da Terra lhe confere as diferentes feições que possui atualmente, e continua alterando suas formas de relevo. As erupções vulcânicas e os terremotos são exemplos de como ocorre esse processo de alteração. Por isso, o ser humano tem observado esses fenômenos cada vez mais de perto a fim de compreender a complexa dinâmica da litosfera.

• Observações, análises e muitos outros estudos são ne-

cessários para que o ser humano compreenda fenômenos como o mostrado nesta imagem. Assim, tem ampliado seus conhecimentos sobre a litosfera, principalmente, sobre como ela funciona internamente. O que você sabe sobre a dinâmica interna da Terra? O que mais gostaria de compreender?

Pesquisador coletando informações nas proximidades de uma erupção ocorrida na Islândia, em 2014.

81


Terra: planeta em transformação Desde a sua formação, o nosso planeta já passou por grandes mudanças decorrentes de processos e fenômenos naturais, ocorridos ao longo de milhões de anos. Alguns desses fenômenos naturais são facilmente percebidos, como os intensos terremotos que sacodem a crosta terrestre e as grandes erupções vulcânicas que lançam lavas na superfície do planeta, capazes de causar transformações repentinas e significativas nas paisagens terrestres. Força da gravidade: força de atração mútua que os corpos (matéria) exercem uns sobre os outros e sobre a Terra.

Mark Garlick/SPL/Latinstock

Ilustração conforme: REES, Martin (Ed.). Universe: the definitive visual guide. New York: Dorling Kindersley, 2008. p. 116-117.

Várias outras transformações, ao contrário, são provocadas por processos naturais que atuam continuamente desde épocas muito remotas. Durante milhões de anos, por exemplo, as forças provenientes do interior do planeta criaram grandes cordilheiras de montanhas; já as forças externas, como as das chuvas e dos ventos, atuam permanentemente na superfície, modelando diferentes aspectos do relevo terrestre. Alguns desses processos, no entanto, ocorrem tão lentamente que são perceptíveis apenas depois de muitos anos. Todas as grandes transformações naturais ocorridas desde a formação da Terra fazem parte de sua história geológica, iniciada há alguns bilhões de anos (veja tabela na página ao lado). As teorias científicas mais aceitas atualmente, segundo a hipótese nebular, sustentam que todos os corpos celestes do Sistema Solar, do qual a Terra faz parte, teriam se formado há 4,6 bilhões de anos. Essa formação teria ocorrido a partir de resíduos de uma nebulosa solar primitiva, uma nuvem concentrada de matéria interestelar composta, basicamente, de gases (hidrogênio e hélio) e poeira cósmica (rochas, ferro e gelo), como representa a imagem ao lado.

Formação e evolução da Terra

Richard Bizley/SPL/Latinstock

Ilustração conforme: PALMER, Douglas. Young Earth. In: PREHISTORIC life: the definitive visual history of life on Earth. New York: Dorling Kindersley, 2009. p. 14-15.

Ao se formar, a Terra era extremamente quente. Os elementos mais pesados existentes no planeta, como o ferro e o níquel, migraram para o seu interior, formando o núcleo. Os materiais mais leves flutuavam em sua superfície incandescente. Os gases gerados pelo impacto dos materiais que colidiam com a Terra eram retidos à sua volta pela força da gravidade, originando uma atmosfera primitiva. Ao longo de milhares de anos, a Terra foi lentamente se esfriando. Há cerca de 4 bilhões de anos, a superfície do planeta começou a enrijecer, dando início à formação de sua crosta, constituída, em seus primórdios, por blocos rochosos, embriões dos primeiros continentes. Com o esfriamento, a crosta terrestre se tornou mais espessa e uma grande quantidade de gases e vapores foi lançada do seu interior por intensas e ininterruptas erupções vulcânicas. Os gases e vapores se condensaram, se transformando em chuvas que caíram durante muito tempo sobre a superfície, dando origem aos primeiros oceanos. Há cerca de 3,5 bilhões de anos, o planeta já possuía uma crosta rochosa, os primeiros oceanos e uma atmosfera primitiva.

82


A tabela do tempo geológico apresenta os principais eventos da história geológica da Terra. Ela deve ser lida de baixo para cima, seguindo a ordem cronológica dos eventos, isto é, dos mais antigos aos mais recentes.

Éon

Era

Cenozoica

Período

Época

Quaternário

Recente ou Holoceno Pleistoceno

Idade (milhões de anos) 0,01 1,6

Plioceno

5

Mioceno

Neogeno

24

Oligoceno

Terciário

37

Eoceno

Paleogeno

58

Paleoceno

66

Cretáceo

Fanerozoico

Mesozoica

144

Jurássico

208

Triássico

245

Permiano Carbonífero Paleozoica

286

Pensilvaniano

320

Mississipiano

360

Devoniano

408

Siluriano

438

Ordoviciano

505

Cambriano

Pré-Cambriano

*Uma proposta de pesquisa que aborde conhecimentos da Biologia pode ser sugerida para complementar o estudo sobre o surgimento da vida na Terra. Nessa pesquisa os alunos podem investigar as teorias já propostas para explicar a origem da vida em nosso planeta. São exemplos as seguintes teorias: abiogênese, biogênese, cosmozoica e de Aleksandr Oparin (uma das mais recentes).

545

Proterozoico 2 500 Arqueano 4 000 Hadeano 4 600

Fonte: WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos de Geologia. Tradução Harue O. Avritcher. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 21.

Quando comparamos a longa história geológica da Terra ao período de 365 dias do nosso calendário, podemos ter uma ideia da dimensão de cada uma das grandes eras geológicas. Observe essa comparação representada a seguir. Realize também uma leitura comparada dessa representação e da tabela acima. *

Pré-Cambriano

Era Paleozoica

Surgimento e extinção dos dinossauros

Surgimento das primeiras rochas

Era Mesozoica

Mais antigas evidências de vida N. Akira

Início da Era Cenozoica

Surgimento das plantas terrestres

Surgimento dos anfíbios

Surgimento dos seres humanos

••O surgimento

dos primeiros ancestrais humanos, ocorrido provavelmente entre 1 e 4 milhões de anos atrás, é considerado um fato recente ou antigo na história geológica da Terra? Observe a figura e elabore sua conclusão.

Ilustração produzida com base em: TEIXEIRA, Wilson et al (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. p. 558-559.

A litosfera e a dinâmica do relevo

83

Unidade 4

Tempo geológico


Explorando o tema Radioatividade: propriedade que alguns elementos químicos têm de emitir energia e partículas de seus átomos que, assim, mudam sua composição. Meteorito: bloco rochoso proveniente do espaço sideral e que atinge a superfície da Terra.

Cálculo e reconstituição da história geológica da Terra

Com a descoberta da radioatividade, somente a partir do início do século passado, foi possível calcular com maior precisão a idade da Terra e reconstituir os principais eventos ocorridos ao longo de sua história geológica. Os cientistas descobriram que determinados elementos químicos presentes nas rochas (urânio, tório e rádio) se desintegram no decorrer de milhões de anos, originando outros elementos. A cada 713 milhões de anos, por exemplo, metade dos átomos de urânio 235 existentes em uma rocha transforma-se em chumbo 207. Conhecendo o número de átomos desses dois elementos, é possível calcular a idade dessa rocha com bastante precisão. As rochas mais antigas encontradas por meio da datação radioativa foram descobertas no noroeste do Canadá e datam de mais ou menos 4 bilhões de anos. Assim, os cientistas concluíram que o planeta teria se formado cerca de 500 ou 600 milhões de anos antes, proporcionando o tempo necessário para que a superfície do planeta se esfriasse e ocorresse a solidificação das primeiras rochas. Os fragmentos de meteoritos que colidiram com a superfície do nosso planeta também ajudam os cientistas a estimar a idade da Terra. Amostras de meteoritos datam de aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Como os cientistas supõem que todos os corpos do Sistema Solar teriam se formado na mesma época, essa poderia ser a idade do nosso planeta. O estudo dos fósseis, restos ou vestígios de animais e plantas que viveram há milhões de anos e ficaram preservados em meio às rochas, também ajuda os cientistas a reconstituir a história geológica da Terra. Como os fósseis são encontrados em camadas de rochas que se formaram pela deposição de sedimentos nas partes mais baixas do relevo, os cientistas utilizam o princípio da sobreposição para deduzir a idade relativa dessas rochas e fósseis. Claire Cordier/Dorling Kindersley/Getty Images

Abaixo, cratera localizada no estado do Arizona, Estados Unidos, em 2015. Foi formada pela queda de um meteorito com cerca de 100 mil toneladas, que se chocou com a Terra há aproximadamente 50 mil anos. O impacto formou uma depressão com 200 metros de profundidade e 1 200 metros de diâmetro.

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280 a 335 milhões de anos Ilustração produzida com base em: PALMER, Douglas. Young Earth. In: PREHISTORIC life: the definitive visual history of life on Earth. New York: Dorling Kindersley, 2009. p. 39.

Unidade 4

250 a 280 milhões de anos

Fotomontagem de Renan Fonseca formada pelas imagens Sinclair Stammers/SPL/Latinstock, George Bernard/SPL/Latinstock, Patrick Dumas/Look at Sciences/SPL/Latinstock, Sinclair Stammers/SPL/ Latinstock, Natural History Museum, London/SPL/Latinstock

Por meio desse princípio, as camadas rochosas mais profundas se depositaram primeiro, sendo, portanto, mais antigas do que as rochas mais superficiais, que se depositaram posteriormente. Assim, os fósseis que são enconaté 180 milhões trados nas camadas rochosas de anos mais profundas indicam que essas espécies viveram em épocas anteriores aos fósseis que estão 180 a 250 milhões nas camadas superiores (como de anos mostra o esquema ao lado).

335 a 540 milhões de anos

De osso a rocha A maioria dos esqueletos de dinossauro que você vê em museus existe devido às rochas sedimentares. Esses fósseis começaram a surgir quando um dinossauro morreu em um ambiente que tinha muito sedimento móvel, como um oceano, leito de rio ou lago. Um local assim é uma zona bêntica: a parte mais profunda de um corpo-d´água. Esse sedimento rapidamente enterrou o dinossauro, oferecendo ao seu corpo proteção contra a decomposição. Enquanto as partes macias do dinossauro eventualmente se decompuseram, suas partes duras (ossos, dentes e garras) permaneceram. Mas um osso enterrado não é a mesma coisa que um fóssil. Para se tornar um fóssil o osso precisa se tornar rocha. As partes orgânicas do osso, como as células sanguíneas, colágeno (uma proteína) e gordura, eventualmente, se decompõem. Mas as partes inorgânicas do osso, ou as partes compostas de minerais como o cálcio, têm mais

poder de permanência. Elas permanecem após o desaparecimento dos materiais orgânicos, criando um mineral frágil e poroso no formato do osso original. Outros minerais reforçam esse osso, fundindo-o em um fóssil. [...] Com o passar de milhões de anos, o sedimento ao redor desses ossos reforçados se torna rocha sedimentar. A erosão, as marés e outros processos naturais continuam a depositar mais sedimento, e esse sedimento também se torna rocha. Enquanto eles podem reter a pressão da rocha circundante, os ossos permanecem ocultos e preservados de forma segura. Após milhões de anos, algum processo natural, como a mudança gradual da superfície do planeta, pode revelar essas camadas e os fósseis que elas contêm. [...] WILSON, Tracy. How stuff works: Como tudo funciona. UOL. Disponível em: <http://ciencia.hsw.uol.com.br/fossil2.htm>. Acesso em: 16 set. 2015.

Gary Hincks/SPL/Latinstock

Formação de fósseis

Ilustração conforme: LUHR, James F. (Ed.). Earth: the definitive visual guide. New York: Dorling Kindersley, 2007. p. 23.

A litosfera e a dinâmica do relevo

85


Contexto geográfico

Ponto de vista

Beto Barata/Estadão Conteúdo

Niède Guidon e os vestígios humanos mais antigos do Brasil

Niède Guidon, em 2011.

Em 1973, a brasileira Niède Guidon, então pesquisadora do Centre National de La Recherche Scientifique (CNRS) em Paris, era assistente da grande arqueóloga francesa Annete Emperaire, que procurava vestígios do homem mais antigo das Américas. Annete já havia estado na Patagônia e, em solo brasileiro, seu maior interesse era a região de Lagoa Santa, nos arredores de Belo Horizonte, onde se acreditava estarem os resquícios mais antigos de ocupação humana em terras nacionais. “Detesto essa pesquisa para ver quem é o mais antigo. Gosto do Piauí por causa das pinturas (rupestres), que são muito bonitas”, disse então Niède a Annete. “Preparo tudo para você ir a Lagoa Santa, mas vou para o Piauí.” Foi e nunca mais saiu da região de São Raimundo Nonato, no sudeste do estado. Para sua surpresa, além de incontáveis manifestações de arte pré-histórica em mais de mil sítios arqueológicos descobertos, deparou “que ironia” justamente com o que dizia tanto odiar: indícios de presença humana no Nordeste muito mais antigos do que jamais alguém esperaria achar. Segundo Niède, o material arqueológico resgatado até agora no Piauí “alvo de controvérsias entre os estudiosos” indica que o homem chegou à região há cerca de 100 mil anos. A pesquisadora acredita que o Homo sapiens deve ter vindo da África por via oceânica, atravessando o Atlântico. Houve uma grande seca na África e o homem teria ido para o mar procurar comida. Tempestades o empurraram oceano adentro. “O mar estava então 140 metros abaixo do nível de hoje, a distância entre a África e a América era muito menor e havia muito mais ilhas”, disse Niède [...] As teses de Niède

N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO O

EUROPA

ÁSIA

40 mil anos

67 mil anos

AMÉRICA DO NORTE 20 mil anos

Trópico de Câncer

OCEANO ATLÂNTICO

100 mil anos 130 mil anos

0° OCEANO ÍNDICO

AUSTRÁLIA 40 mil – 60 mil anos

Meridiano de Greenwich

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

ÁFRICA

Trópico de Capricórnio

2 230 km

L S

Círculo Polar Ártico

Equador

E. Cavalcante

A teoria do estreito de Bering

13 mil anos

AMÉRICA DO SUL

Fonte: INSTITUTO Ciência Hoje. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/especiais/genetica-e-arqueologia-de-maos-dadas/ homem-moderno-nasceu-na-africa/?searchterm=None>. Acesso em: 4 ago. 2015.

86


[...] As pesquisas nos sítios pré-históricos do Piauí levaram a arqueóloga a defender ideias polêmicas, mas instigantes sobre a evolução humana. “Estamos demonstrando que o homem, em um determinado momento, começa a inventar as mesmas tecnologias, seja aqui, seja na Europa, na Ásia ou na África”, comentou. “Não podemos esquecer que o Homo sapiens apareceu na África por volta de 130 mil anos, período em que esse continente passou por uma seca muito grande, que quase dizimou integralmente nossa espécie. Foi aí que eles começaram a migrar. Por mar, onde foram buscar alimento”, diz Niède. Empurrados por tempestades, parando de ilha em ilha, numa época em que África e América estavam mais próximas, os primeiros humanos se espalharam pelo globo. Essa é a hipótese de Niède. A descoberta de vestígios muito antigos do Homo erectus, “hominídeo extinto que é um dos antepassados do Homo sapiens”, no México e na Ilha das Flores, na Indonésia, indica que a navegação é mais antiga do que se pensa, segundo a arqueóloga. Uma das dificuldades dos pesquisadores é datar as ossadas humanas encontradas na serra da Capivara. Quase não há matéria orgânica nos esqueletos, um entrave para a datação por carbono 14. Novos métodos de análise, no entanto, podem em breve contornar esse obstáculo. “Paleontólogos que trabalham no Acre descobriram macacos que passaram da África para o Brasil há 20 milhões de anos”, disse. “Se os macacos passaram, será que o Homo sapiens não foi capaz de passar?”

Datação por carbono 14: método por meio do qual se identifica o número de isótopos de carbono 14, que decaem em um ser vivo a partir de sua morte, e compara-se com o número de isótopos de carbono 12, que se mantêm constantes mesmo após a morte do organismo. Por meio dessa comparação e tendo conhecimento de outras informações, é possível calcular, de maneira muito aproximada, há quanto tempo um organismo esteve vivo, dentro de um período máximo de 50 mil anos passados. Glaciação: período durante o qual a temperatura da Terra cai, congelando as águas superficiais e provocando o aumento das calotas polares e das geleiras das altas montanhas, podendo cobrir grandes extensões do planeta. A última glaciação teve início há cerca de 100 mil anos.

[...] PIVETTA, Marcos. Niède Guidon. Pesquisa Fapesp on-line. São Paulo, 15 jun. 2008. Disponível em: <http://revistapesquisa2.fapesp.br/2008/06/01/niede-guidon/>. Acesso em: 16 set. 2015.

Andre Dib/Pulsar

De acordo com essa teoria, o Homo sapiens, ancestral do Homo sapiens sapiens, como é classificado o homem moderno, teria se desloca do da África para outros continentes e alcançado a América por volta de 20 mil anos atrás, pelo estreito de Bering. Nessa época, o estreito estava congelado, pois a Terra encontrava-se em um período de glaciação, o que formou uma espécie de ponte, permitindo a passagem desses ancestrais provenientes do continente asiático, conforme indicado no mapa.

• Esta seção apresenta

duas teorias sobre a chegada da espécie humana na América. A teoria do estreito de Bering é a mais aceita pela comunidade científica. O que a teoria defendida por Niède Guidon muda na história do ser humano e, principalmente, do homem americano?

Ao lado, pintura rupestre encontrada no Parque da Serra da Capivara, que pode datar de 30 mil anos, em foto de 2013.

A litosfera e a dinâmica do relevo

87

Unidade 4

se chocam com a arqueologia mais tradicional, dominada pela visão dos norte-americanos, que situam a chegada do homem nas Américas há cerca de 13 mil anos, vindo da Ásia via estreito de Bering.


A estrutura da Terra Vimos que, no início de sua história geológica, a superfície da Terra era coberta por material incandescente, que lentamente foi se esfriando e se solidificando, até dar origem às primeiras rochas da crosta terrestre. A crosta terrestre, também chamada litosfera, o manto e o núcleo formam a estrutura interna da Terra. Essas três partes se diferenciam, principalmente, quanto à profundidade, temperatura e composição química e mineralógica, como veremos a seguir. crosta continental

manto superior

manto inferior 2 900 km descontinuidade de Gutenberg núcleo externo

5 100 km núcleo interno

6 400 km

manto

E. Cavalcante

k ir a

650 km

crosta continental crosta oceânica

Fonte: LUHR, James F. (Ed.). Earth: the definitive visual guide. New York: Dorling Kindersley, 2007. p. 55.

descontinuidade de Mohorovicic

manto superior

Composição química da Terra

núcleo

crosta oceânica

Estrutura interna da Terra

N. A

Crosta terrestre: camada superficial e rígida do planeta com profundidade média variando entre 30 a 80 km, sendo mais espessa nos continentes e mais fina sob o assoalho oceânico. Quanto à composição químico-mineralógica, a crosta divide-se em crosta superior ou continental, com predomínio de rochas compostas de silício (Si) e alumínio (Al); e crosta inferior ou oceânica, com predomínio de rochas formadas por silício (Si) e magnésio (Mg). Manto: camada intermediária – entre a crosta e o núcleo – com cerca de 2 870 km de espessura e temperaturas que chegam a 2 000 ºC. Devido ao intenso calor, os minerais que compõem o manto, como ferro, magnésio e silício, são fundidos, tornando o magma fluido. Na parte superior do manto, chamada astenosfera, ocorrem movimentos de convecção (veja explicação na página 93): o magma mais aquecido do interior é impulsionado em direção à parte inferior da crosta, retornando para o interior do planeta à medida que fica menos quente. Núcleo: parte central do planeta formada basicamente por níquel (Ni) e ferro (Fe). Divide-se em duas partes: núcleo externo, com espessura média de 2 255 km e temperaturas que chegam aos 3 000 ºC, em estado plástico; e núcleo interno, com cerca de 1 220 km de raio e que, mesmo com temperaturas em torno de 5 000 ºC, encontra-se em estado sólido em razão da grande pressão.

Dióxido de silício Óxido de alumínio Ferro e óxidos de ferro Óxido de cálcio Óxido de magnésio Óxido de níquel Outros

Ilustração produzida com base em: TEIXEIRA, Wilson et al (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. p. 85.

Análises químicas mostram que as rochas da crosta terrestre são ricas em dióxido de silício, também conhecido como sílica. As rochas da crosta continental apresentam maior concentração de alumínio, sódio e potássio, enquanto as rochas da crosta oceânica, mais densa, são ricas em ferro, cálcio e magnésio. Amostras de materiais trazidos do interior do planeta pelos vulcões mostram que essa região é formada principalmente por magnésio e ferro, minerais que, por serem mais densos, se separaram da camada superficial da crosta, pela ação da gravidade. Embora não existam amostras de materiais disponíveis para análise, acredita-se que o núcleo do planeta seja formado principalmente por ligas de ferro e níquel, composição semelhante à dos meteoritos que se formaram junto com o Sistema Solar.

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Russell Curtis/Science Source/Getty Images

Até hoje, a perfuração mais profunda já realizada pelo ser humano atingiu apenas 12 km abaixo da superfície. Por isso, o conhecimento dos cientistas sobre o interior do nosso planeta provém de investigações indiretas, que se baseiam, principalmente, no monitoramento das ondas sísmicas provocadas pelos terremotos.

Onda sísmica: propagação, no solo, da energia liberada por um sismo. Sismógrafo: aparelho que registra a ocorrência e a intensidade dos sismos.

A energia liberada pelos tremores emite ondas que se propagam em várias direções pelo interior do planeta e podem ser captadas por sismógrafos instalados em diferentes pontos da superfície. Ao comparar a ocorrência de um tremor registrado simultaneamente por vários sismógrafos, os cientistas conseguem detectar variações na velocidade e na direção das ondas sísmicas que percorrem o interior do planeta.

Ondas P

As ondas primárias (P) propagam-se no sentido longitudinal do plano, no qual são exercidas forças compressivas (impulsos de compressão e distensão) no material. As ondas primárias se propagam em matéria sólida, líquida e gasosa, com elevadas velocidades, e, por isso, são as primeiras a serem detectadas pelos sismógrafos.

As ondas secundárias (S) se propagam no sentido transversal do plano, no qual provocam deformações ou cisalhamento do material devido ao movimento perpendicular em relação à direção do deslocamento da onda. A onda secundária se propaga somente em matéria sólida e possui menor velocidade que as ondas primárias. Ilustrações conforme: LUHR, James F. (Ed.). Earth: the definitive visual guide. New York: Dorling Kindersley, 2007. p. 57.

N. Akira

Propagação de ondas sísmicas nas camadas internas da Terra

Ondas S

Imagem de sismógrafo registrando atividade sísmica na ilha de Sumatra, Ásia, em 2014.

Fotomontagem de Renan Fonseca formada pela imagem Gary Hicks/SPL/Latinstock

Essas variações, provocadas por mudanças na temperatura, densidade e composição dos materiais, revelam que a Terra possui estruturas internas diferentes (veja esquema abaixo). As variações na velocidade das ondas indicam o que os cientistas chamam de descontinuidades e assinalam o limite entre uma camada e outra. O limite entre a crosta e a parte superior do manto, por exemplo, é marcado pela descontinuidade de Morohovicic (Moho), a uma profundidade de 100 a 150 km. Já o limite entre o manto inferior e o núcleo superior é determinado pela descontinuidade de Gutenberg, a 2 900 km de profundidade.

Unidade 4

As investigações sobre o interior do planeta

Ilustração produzida com base em: LUHR, James F. (Ed.). Earth: the definitive visual guide. New York: Dorling Kindersley, 2007. p. 57.

A litosfera e a dinâmica do relevo

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As rochas e a composição da litosfera A crosta terrestre é formada por uma diversidade de rochas, entre elas, basalto, arenito, granito, mármore e argila. Uma rocha pode ser definida como um agregado natural de um ou mais minerais, que são elementos químicos geralmente sólidos e de composição química definida, formado por processos inorgânicos. De acordo com as propriedades físico-químicas dos minerais que compõem as rochas, algumas características as diferenciam: cor, brilho, textura, dureza. Segundo a origem ou o processo de formação, as rochas podem ser classificadas em: magmáticas ou ígneas, sedimentares e metamórficas. Formação de rocha magmática

Rochas magmáticas ou ígneas: São as rochas mais abundantes da crosta terrestre, formadas pela solidificação do magma proveniente do manto, podendo ser intrusivas ou extrusivas. As rochas magmáticas intrusivas são formadas pela solidificação do magma ainda no interior da crosta terrestre. Nesse caso, o magma se esfria e se solidifica de maneira mais lenta, com tempo suficiente para que os minerais se agrupem e formem cristais, que podem ser vistos a olho nu (imagem A). As rochas magmáticas extrusivas, também chamadas vulcânicas, são formadas pela solidificação do magma na superfície do planeta. Ao atingir a superfície, o magma se esfria e se solidifica rapidamente ao entrar em contato com a água ou ar, de modo que nesse tipo de rocha não conseguimos distinguir, a olho nu, os minerais que a compõem (imagem B). B

Imageman/ Shutterstock.com

Tyler Boyes/ Shutterstock.com

A

Formação de rocha sedimentar

O granito (rocha magmática intrusiva), visto na foto A, e o basalto (rocha magmática extrusiva), visto na foto B, são considerados rochas maciças e muito utilizadas na construção civil. No caso do granito, o uso é ornamental, e o basalto, quando britado, é utilizado para calçamento e na composição do concreto.

Rochas sedimentares:

Litificação: processo também chamado de diagênese, no qual materiais não consolidados se transformam em rochas sólidas e coesas.

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michal812/ Shutterstock.com

C

D danymages/ Shutterstock.com

Ilustrações: Luciane Mori

São rochas formadas por sedimentos e detritos de rochas preexistentes. Ao serem erodidos e transportados pela água e pelo vento, os sedimentos de rocha se depositam nas partes mais baixas do relevo em sucessivas camadas. À medida que os sedimentos vão se acumulando, ao longo de milhões de anos, as camadas mais profundas são pressionadas para o interior da crosta. Submetidos à pressão das camadas superiores, os sedimentos são compactados, solidificam-se, passando pelo processo de litificação, e se transformam em uma nova rocha (imagens C e D). O arenito (foto C), o calcário, a areia e o carvão mineral são exemplos de rochas sedimentares economicamente importantes. O carvão mineral (foto D) é uma rocha sedimentar formada pelo acúmulo de sedimentos orgânicos (restos de plantas).


Rochas metamórficas:

Formação de rocha metamórfica

Luciane Mori

O mármore (foto E) é uma rocha derivada do metamorfismo do calcário (rocha sedimentar). Já o gnaisse (foto F) é uma rocha derivada do metamorfismo do granito (rocha magmática intrusiva).

Ilustrações produzidas com base em: LUHR, James F. (Ed.). Earth: the definitive visual guide. New York: Dorling Kindersley, 2007. p. 80-81.

O ciclo das rochas As rochas vêm sendo continuamente formadas, transformadas e destruídas por fenômenos e processos geológicos oriundos do interior do planeta (endógenos) e também por aqueles que atuam na superfície terrestre (exógenos). Uma rocha magmática, por exemplo, fica exposta ao processo de intemperismo, que provoca a decomposição química e física de seus minerais (1). Os materiais e as partículas desagregados dessa rocha são, então, transportados pelos agentes erosivos (ventos, chuvas, rios e geleiras) para as áreas mais baixas dos terrenos, onde se acumulam em pequenos ou em grandes depósitos que, ao serem compactados, dão origem às rochas sedimentares (2).

As rochas sedimentares, por sua vez, quando submetidas ao aumento de temperatura e pressão, podem se transformar em rochas metamórficas (3). Se essa rocha metamórfica for empurrada para o interior da crosta, pode se fundir e novamente se transformar em magma (4) e depois dar origem a uma nova rocha ígnea. Ocorre, assim, o ciclo das rochas. Do mesmo modo, se por soerguimento essa rocha metamórfica for exposta à decomposição na superfície, pode dar origem a uma nova rocha sedimentar e o ciclo da rocha se repete. O esquema abaixo ilustra essas e outras possibilidades de efetivação desse ciclo. Intemperismo: conjunto de processos que atuam sobre as rochas, provocando a decomposição química dos seus minerais e sua desagregação física.

1 rocha ígnea extrusiva

erosão

transp orte

soerguimento

dep osi ção

rocha ígnea intrusiva aumento de pressão e temperatura

magma

4

extrusão vulcânica

2

soerguimento

litificação

rocha sedimentar

3

rocha metamórfica

Ilustração conforme: NATURAL History: the ultimate visual guide to everything on Earth. New York: Dorling Kindersley, 2010. p. 62.

A litosfera e a dinâmica do relevo

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Unidade 4

F Tyler Boyes/ Shutterstock.com

E

Fotomontagem de Renan Fonseca formada pela imagem Gary Hicks/SPL/Latinstock

RF Company/Alamy Stock Photo/Glow Images

Tanto as rochas magmáticas quanto as sedimentares podem ser submetidas, por processos geológicos diversos, a condições de intensa temperatura e pressão, diferentes daquelas nas quais se formaram, de modo que os minerais das rochas podem sofrer alterações em suas propriedades físico-químicas originais (cor, textura, estrutura, composição mineralógica etc.) e dar origem a uma nova rocha (imagens E e F).


As forças endógenas e a dinâmica interna da Terra Em 1915, o geógrafo e climatologista alemão Alfred Wegener lançou uma teoria revolucionária, conhecida como Teoria da Deriva Continental. Segundo ela, ao longo da história geológica da Terra, os continentes nem sempre ocuparam a mesma posição e configuração que ocupam hoje.

Deriva dos continentes De acordo com a teoria de Wegener, a Terra passou pelas seguintes alterações:

E PANG

A

OCEANO TETHYS

Há 250 milhões de anos (final da Era Paleozoica).

LAUR

ÁSIA

OCEANO PACÍFICO

OCEANO TETHYS

GONDW ANA

Há cerca de 200 milhões de anos (final do Triássico).

EUROPA

AMÉRICA DO NORTE

ÁSIA

OCEANO ATLÂNTICO NORTE

OCEANO PACÍFICO

Observe, a seguir, as áreas de ocorrência dos fósseis de plantas e animais que se tornaram evidências da teoria de Wegener.

OCEANO ÍNDICO

ÁFRICA

AMÉRICA DO SUL

ÍNDIA AUSTRÁLIA

OCEANO ATLÂNTICO SUL

ANTÁRTICA

Fóssil de Mesosaurus.

Há cerca de 65 milhões de anos (início do Terciário).

AMÉRICA DO NORTE

ÁSIA OCEANO PACÍFICO

ÁFRICA AMÉRICA DO SUL

OCEANO ÍNDICO

AUSTRÁLIA

ANTÁRTICA

Ilustrações: Renan Fonseca

Configuração atual dos continentes.

AMÉRICA DO NORTE

OCEANO ATLÂNTICO NORTE

EURÁSIA ÁFRICA

OCEANO PACÍFICO

AMÉRICA DO SUL

OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO SUL

Ilustração produzida com base em: NATURAL History: the ultimate visual guide to everything on Earth. New York: Dorling Kindersley, 2010. p. 25.

ÁFRICA ÍNDIA

AMÉRICA DO SUL

AUSTRÁLIA

José Vitor E. C.

OCEANO PACÍFICO

EUROPA

OCEANO ATLÂNTICO

Sinclair Stammers/ SPL/Latinstock

AMÉRICA CENTRAL

Fóssil de Cynognagthus.

Chris Howes/Wild Places Photography/Alamy Stock Photo/Glow Images

OCEANO PANTALASSA

Ainda de acordo com essa teoria, as massas continentais estiveram unidas há cerca de 200 milhões de anos, formando um supercontinente chamado Pangeia. Desde então, a Pangeia começou a se fragmentar em continentes menores, que se separaram até atingir a distribuição e a configuração atual. Para sustentar essa teoria, Wegener apoiou-se em um conjunto de evidências geográficas e geológicas, entre elas: • o encaixe quase perfeito da costa leste da América do Sul e da costa oeste da África; • a existência de fósseis de animais e de plantas semelhantes nesses continentes; • a ocorrência de certos tipos de rochas, depósitos minerais e formações geológicas semelhantes em certas regiões da América do Sul e da África; • a evidência de que uma glaciação, ocorrida há cerca de 300 milhões de anos, teria atingido o sudeste do Brasil, o sul da África, a Índia, a Antártida e o oeste da Austrália.

ANTÁRTICA

AUSTRÁLIA

ANTÁRTICA

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Fóssil de planta Glossopteris.

Fóssil de Lystrosaurus.

Colin Keates/ Dorling Kindersley/ Getty Images

Ilustrações produzidas com base em: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. Tradução Rualdo Menegat et al. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 67. TEIXEIRA, Wilson et al (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. p. 98-99.

Martin Land/SPL/ Latinstock

Nova configuração dos continentes na Terra, em aproximadamente 50 milhões de anos.


A teoria das placas tectônicas Martyn F. Chillmaid/SPL/Latinstock

Apesar das evidências encontradas por Wegener, sua teoria não foi aceita por grande parte dos cientistas de sua época. Faltava encontrar explicações científicas para responder à principal interrogação da teoria: afinal, que mecanismos ou forças seriam capazes de mover os continentes?

Placas tectônicas da Terra N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO O

L S

Círculo Polar Ártico 5,4 5,8

2,3

6,9 5,5

Placa do Pacífico

5,6

Equador

9,2

2,5

8,8 10,1

Placa de Nazca

18,3 OCEANO PACÍFICO

7,7

1,6 2,0

Placa Filipina 2,7

Placa Africana

Placa do Pacífico 0° 4,0

7,4

Placa 3,3 Antártica

Círculo Polar Antártico

Placa Sul-Americana

1,6

4,0

10,5

OCEANO ÍNDICO

6,2

Placa Indoaustraliana

11,1

10,3

OCEANO PACÍFICO

5,4

7,0 16,1

Trópico de Capricórnio

7,9

3,7 2,8

11,7

7,6

Placa Arábica

OCEANO ATLÂNTICO

Meridiano de Greenwich

Trópico de Câncer

7,4 7,4

3,7

1,3

5,7

Limite entre as placas litosféricas 2 230 km 0°

Estudos indicam que o calor existente no interior do planeta provoca a movimentação de grandes correntes de massas pastosas, chamadas correntes de convecção. Elas circulam de maneira muito lenta e ininterrupta em movimentos ascendentes e descendentes no interior do manto, como ocorre com a água no experimento acima.

Direção e velocidade em cm/ano do movimento entre as placas tectônicas

Fontes: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 12. 1 atlas. Escalas variam. TEIXEIRA, Wilson et al (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. p. 102.

O movimento das correntes de convecção, em contato com a parte inferior da crosta, produz forças que deslocam as placas tectônicas em várias direções, como mostra a ilustração a seguir. A O ciclo de convecção começa com o desequilíbrio térmico entre a parte mais profunda (mais aquecida) do núcleo e a sua parte superior (menos aquecida) da crosta. Devido a essa diferença térmica, as massas quentes e pastosas tendem a subir para a parte externa e menos aquecida do manto.

B

B Ao atingirem a parte superior, essas massas perdem calor e se tornam mais densas, formando uma corrente descendente em direção ao interior da Terra.

A C

David Hardy/ SPL/Latinstock

E. Cavalcante

Placa Euroasiática

1,8

Placa Norte-Americana

Unidade 4

Uma explicação plausível para essa questão surgiu somente na década de 1960, mais de trinta anos após a morte de Wegener, a partir do desenvolvimento da chamada Teoria da Tectônica de Placas. Segundo essa teoria, a crosta terrestre não é uma camada rochosa inteiriça, mas é formada por várias partes, chamadas placas tectônicas ou litosféricas, que se estendem pelos continentes e pelo fundo dos oceanos. Essas placas se movimentam de forma lenta e contínua em diferentes direções sobre o manto terrestre, distanciando-se e aproximando-se umas das outras e, às vezes, resvalando umas nas outras. Veja o planisfério a seguir.

C Quando atingem as partes mais profundas do manto, são novamente aquecidas e impulsionadas para cima, dando continuidade ao ciclo.

Ilustração conforme: WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos de Geologia. Tradução Harue O. Avritcher. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 15.

A litosfera e a dinâmica do relevo

93


As forças endógenas e as formas do relevo As bordas ou faixas de contato entre as placas litosféricas, sujeitas às forças provocadas pelas correntes de convecção, constituem zonas de grande tensão e instabilidade tectônica. Essas zonas são afetadas por intensas atividades geológicas, como erupções vulcânicas, terremotos e movimentos tectônicos. Essas atividades atuam na formação e transformação do modelado terrestre, criando novas formas de relevo e transformando as que já existem. Verifique, a seguir, os fenômenos geológicos e tectônicos que ocorrem nas zonas de contato entre as placas.

Movimentos convergentes

Fossa oceânica: rebaixamento resultante do encontro entre placas tectônicas, ocorrido no fundo oceânico. Orogênese: processo de soerguimento e formação de grandes montanhas, ocorrido em tempo geológico recente.

Quando as correntes de convecção realizam movimentos convergentes, as placas tectônicas colidem uma com a outra, como ocorre entre a placa Sul-Americana (continental) e a de Nazca (oceânica). Nesse caso, a placa oceânica, mais fina e mais densa, é empurrada para baixo e mergulha em direção ao manto, onde se funde devido às altas temperaturas. Esse fenômeno, conhecido como subducção, origina as chamadas fossas oceânicas, como a do Peru-Chile, na costa pacífica da América do Sul. A placa continental, por sua vez, mais espessa e menos densa, é pressionada para cima, formando grandes dobramentos orogênicos (montanhas) na crosta, acompanhados por intensas atividades vulcânicas e sísmicas em sua borda de contato. Foram esses dobramentos, iniciados no final da era Mesozoica, há cerca de 70 milhões de anos, que deram origem às grandes cadeias montanhosas do planeta (veja esquemas e fotos abaixo). RosaBetancourt 0 people images/Alamy Stock Photo/Latinstock

A cordilheira dos Andes, na América do Sul, é formada por dobramentos ocasionados pelo encontro de placas. Ao lado, vista panorâmica dos Andes, no parque Torres del Paine, no Chile, em 2014.

Ilustração produzida com base em: PALMER, Douglas. Young Earth. In: PREHISTORIC life: the definitive visual history of life on Earth. New York: Dorling Kindersley, 2009. p. 20.

A cordilheira do Himalaia também é formada por dobramentos orogênicos. Ao lado, vista de montanhas da Cordilheira do Himalaia, no Nepal, em 2013.

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Ilustrações: José Vitor E. C.

Philip Game/Alamy Stock Photo/Latinstock

Ilustração produzida com base em: NATURAL History: the ultimate visual guide to everything on Earth. New York: Dorling Kindersley, 2010. p. 14.


Movimentos divergentes Quando as correntes de convecção realizam movimentos divergentes, as placas tectônicas se afastam uma da outra. Como as bordas dessas placas estão localizadas, em geral, no fundo dos oceanos, onde a crosta é mais fina, a pressão do magma abre fendas no assoalho oceânico, aflorando com as intensas atividades vulcânicas.

Arctic-Images/Corbis/Latinstock

Unidade 4

Ao longo de milhões de anos, o acúmulo do magma forma grandes cadeias montanhosas submarinas, chamadas de dorsais. A dorsal meso-Atlântica, por exemplo, se formou com a expansão do assoalho oceânico provocado por movimentos divergentes, como o que ocorre entre a placa Norte-Americana e a Euroasiática (veja esquema e foto a seguir).

Linha da falha divergente no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia, em 2014.

Ilustração produzida com base em: NATURAL History: the ultimate visual guide to everything on Earth. New York: Dorling Kindersley, 2010. p. 14.

Movimentos conservativos Quando duas placas são pressionadas uma contra a outra, elas também podem realizar movimentos horizontais, deslizando lateralmente em direções opostas. Esse tipo de movimento, também chamado conservativo, provoca grandes fissuras e falhas ao longo da zona de contato entre as placas. Quando conseguem romper a resistência das rochas, as placas se deslocam produzindo vibrações (terremotos), às vezes de grande intensidade, que se propagam na forma de ondas sísmicas (estudadas na página 89) pelo interior da crosta.

Ilustrações: José Vitor E. C.

Kevin Schafer/Minden Pictures/Latinstock

A falha de San Andreas, que se estende por mais de 1 200 quilômetros pela costa oeste dos Estados Unidos, constitui uma zona de contato entre as placas Norte-Americana e Pacífica, que se deslocam lateralmente em direções opostas (veja esquema e foto abaixo).

Ilustração produzida com base em: NATURAL History: the ultimate visual guide to everything on Earth. New York: Dorling Kindersley, 2010. p. 14.

Falha de San Andreas, localizada no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, em 2014. A litosfera e a dinâmica do relevo

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As forças exógenas e a dinâmica externa do relevo A fisionomia do relevo terrestre também é modelada pela ação de forças exógenas, ou externas, que atuam de maneira contínua sobre o relevo, esculpindo-o e dando novas feições ao modelado terrestre ao longo do tempo geológico. As ações dos ventos, da água das chuvas, dos rios, dos oceanos e das geleiras são exemplos dessas forças exógenas.

Intemperismo e erosão A ação dos agentes exógenos na superfície terrestre se manifesta por meio dos processos de intemperismo, que ocorrem em três fases: desagregação (decomposição), transporte e deposição (sedimentação). O intemperismo abrange o conjunto de processos físicos, químicos e biológicos que atuam na desagregação ou decomposição das rochas expostas na superfície da crosta. O intemperismo físico ocorre principalmente pela variação de temperatura, provocando a dilatação e a contração dos materiais constituintes das rochas. À medida que elas esquentam e esfriam, repetidamente, seja pela sucessão dos dias e das noites, seja ao longo das estações do ano, os minerais se fragmentam e as rochas vão se decompondo. Outro tipo de intemperismo físico ocorre pela quebra das rochas provocada pela pressão das raízes das plantas que penetram e crescem em suas fissuras (veja foto A). Alguns estudiosos preferem utilizar o termo intemperismo biológico para se referir a esse processo, por ser causado pela ação de seres vivos.

Exemplo de intemperismo físico ocasionado pela ação da vegetação.

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B

Exemplo de intemperismo químico em rocha calcária.

Tony Craddock/SPL/Latinstock

A

Zandria Muench Beraldo/Corbis/Latinstock

O intemperismo químico, por sua vez, ocorre, por exemplo, pela ação da água das chuvas, que se infiltra e percola as rochas. Em contato com a rocha, a água dissolve os minerais nela presentes, provocando a decomposição química dos elementos que a formam (veja foto B).


Quando a força desses agentes erosivos não é mais suficiente para continuar o transporte do material intemperizado, os sedimentos se acumulam nas partes mais baixas do relevo, em áreas de deposição, também chamadas bacias de sedimentação.

Arkaitz Saiz/www.auroraphotos.com/Corbis/Latinstock

Dessa maneira, se por um lado a remoção dos materiais modifica as formas da superfície, provocando o rebaixamento e o aplainamento do modelado, por outro, a acumulação desses materiais cria novas formas de relevo em outros lugares, como as planícies fluviais formadas pela deposição de sedimentos transportados pelas águas dos rios. As imagens a seguir mostram como ocorrem esses processos.

Os processos de intemperismo e de erosão podem ser percebidos com base em uma atenta observação do meio. Solicite aos alunos que relacionem tais processos aos deslizamentos de terra, como os que geralmente ocorrem em várias regiões do país após chuvas mais intensas, e também ao assoreamento de lagos e cursos de rios.

Unidade 4

Depois de decomposto, o material intemperizado (sedimentos e pequenos fragmentos de rochas que originam os solos) fica sujeito à ação de outros processos erosivos. Assim, podem ser transportados de um lugar para outro pela ação dos ventos (erosão eólica), das águas das chuvas (erosão pluvial), dos rios (erosão fluvial) e oceanos (erosão marinha) ou, ainda, da neve e das geleiras (erosão glacial).

A formação do solo Os solos formam-se pelo processo de decomposição das rochas. Esse processo é desencadeado pela ação química e física conjunta da energia solar, da água, dos ventos e dos microrganismos (fungos e bactérias), além de animais como minhocas e formigas. parte do solo rica em microrganismos e matéria orgânica

rocha decomposta

Luciane Mori

André Dib/Pulsar

As formações rochosas conhecidas como arcos resultam da ação dos ventos ao longo de milhões de anos. Os ventos transportam muitas partículas sólidas (areia e poeira), que colidem contra o relevo, desgastando-o e esculpindo-o. Acima, formação de arcos em Utah, Estados Unidos, em 2013.

rocha em fragmentação

rocha não desagregada

Ilustração produzida com base em: NATURAL History: the ultimate visual guide to everything on Earth. New York: Dorling Kindersley, 2010. p. 15.

Nas áreas de maior declividade, as águas dos rios fluem com maior velocidade, desgastando mais intensamente o modelado terrestre. Quando os rios passam por áreas de menor declividade, a velocidade de suas águas diminui e os sedimentos por ela transportados acumulam-se nas planícies, dando origem, por vezes, aos meandros. Acima, rio de planície em Araguaiana, Mato Grosso, em 2014. A litosfera e a dinâmica do relevo

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5/19/16 4:39 PM


A ação antrópica no relevo A ação humana ou antrópica também interfere diretamente na transformação do relevo terrestre. Essas transformações tornaram-se mais intensas com o aprimoramento de técnicas e ferramentas de trabalho que ampliaram a capacidade humana de modificar o espaço geográfico. Assim, essas transformações estão ligadas ao desenvolvimento das atividades humanas praticadas tanto nas áreas agrícolas, quanto nas áreas urbanas.

As ravinas consistem na formação de pequenas fissuras no solo causadas pelo escoamento superficial da água das chuvas em áreas desmatadas e expostas à ação de enxurradas. Também formadas pela ação erosiva da água das chuvas, as voçorocas são enormes valas que cortam o solo formando paredes íngremes e que podem alcançar vários metros de profundidade. No fundo das voçorocas pode ocorrer o afloramento de água, quando essas valas atingem o lençol freático. Ao lado, voçoroca em Cacequi, Rio Grande do Sul, em 2015.

Gerson Gerloff/Pulsar

No desenvolvimento das atividades agrárias, por exemplo, a ação antrópica pode acarretar desmatamentos predatórios e a degradação dos solos pelo uso de técnicas inadequadas de cultivo, acelerando a ação dos processos erosivos com a formação de ravinas ou voçorocas, como mostrado a seguir.

Entre outras interferências provocadas pela ação humana no relevo podemos destacar também o aplainamento de terrenos, a construção de aterros, a abertura de túneis em obras de engenharia, o desmonte de morros e serras para a escavação de jazidas minerais etc.

Yuan Yongdong/Xinhua Press/Corbis/Latinstock

Algumas dessas interferências, no entanto, podem acarretar a ocorrência de sérios problemas socioambientais, a exemplo dos deslizamentos de terra (veja próxima página) provocados pela ocupação desordenada de encostas de morros em áreas urbanas.

Ao lado, construção de túnel por onde deve passar uma rodovia em Sanya, China, em 2015.

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5/20/16 7:41 AM


Deslizamento de terra O ser humano vem interferindo cada vez mais intensamente no espaço geográfico. Os deslizamentos de terra são consequências dessa interferência, resultados de ocupações desordenadas, observadas em muitas cidades brasileiras. A ocorrência de tais deslizamentos pode causar catástrofes, com perdas de vidas e de bens materiais. Veja no esquema abaixo como os deslizamentos podem ocorrer e como é possível percebê-los.

4

O solo encharcado, pesado, desliza para as áreas mais baixas, carregando consigo partes do terreno, casas e árvores.

5

3

Além disso, as construções reduzem as áreas de escoamento e infiltração, e as enxurradas tendem a ser mais intensas.

Unidade 4

Em geral as encostas possuem solo pouco profundo que, com chuvas intensas, é rapidamente encharcado, tornando a área pouco estável.

Áreas de encostas indevidamente ocupadas são alteradas com retirada da vegetação, cortes e aplainamento do terreno.

A grande quantidade de terra e lama deslocada pode somar dezenas de toneladas e soterrar construções e cursos de água nas áreas mais baixas do relevo.

2 4

Wagner Méier/Fotoarena/Folhapress

1

3 5 Sinais do deslizamento:

Estúdio Meraki

1

Inclinação anormal de árvores.

Rachaduras nas construções.

Formação de minas de água no terreno.

Rebaixamento do terreno.

A litosfera e a dinâmica do relevo

99


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Os primeiros ancestrais do ser humano surgiram no planeta Terra entre 1 e 4 milhões de anos atrás. Por que é correto afirmar que o tempo de sua história é insignificante em comparação ao tempo da história do planeta? 2. No caderno, escreva o nome das eras geológicas nas quais ocorreram os seguintes fenômenos: I – surgimento dos dinossauros; II – surgimento dos seres humanos. 3. Caracterize as partes que compõem a estrutura interna da Terra. 4. A perfuração mais profunda na crosta atingiu quantos quilômetros abaixo da superfície? 5. Quanto ao processo de formação, como as rochas podem ser classificadas? Caracterize os três tipos de rochas que resultam dessa classificação.

6. Em quais evidências geográficas e geológicas Alfred Wegener se apoiou para defender a teoria da Deriva Continental? Por que, apesar das evidências encontradas por ele, sua teoria não foi aceita pela maioria dos cientistas de sua época? 7. O Brasil está localizado em qual placa tectônica? Sabendo que o Brasil está localizado no centro dessa placa, explique por que não há ocorrências de vulcões e terremotos intensos em nosso território. 8. A formação das grandes cadeias montanhosas do mundo, também chamadas dobramentos modernos, como os Andes (América do Sul), os Alpes (Europa) e o Himalaia (Ásia), está associada a quais movimentos tectônicos? Explique. 9. Caracterize intemperismo e erosão.

Expandindo o conteúdo 10. Analise a imagem e responda às questões. a ) Compare esta imagem ao mapa das placas tectônicas da página 93. b ) Identifique a placa mostrada no centro da imagem ao lado. c ) Nesta imagem, os pontos amarelos representam as áreas de ocorrência de terremotos e os pontos vermelhos, as áreas de ocorrência de vulcões. Por que as bordas ou faixas de contato entre as placas são consideradas zonas de tensão e instabilidade tectônica? d ) Pesquise o nome dado à área que circunda­ essa grande placa devido à intensa atividade sísmica e vulcânica que apresenta.

100

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11. Leia o texto, analise as imagens e realize a atividade proposta.

Unidade 4

[...] O dinamismo da superfície da Terra é fruto da atuação antagônica de duas forças ou de duas fontes energéticas – as forças endógenas ou internas e as forças exógenas ou externas. Do jogo dessas duas forças opostas resulta toda a dinâmica da crosta terrestre ou litosfera. As pressões exercidas pelo manto e núcleo da Terra modificam as estruturas que compõem a litosfera e que sustentam as formas superficiais desta, ou seja, as formas do relevo ou modelado terrestre. Em contrapartida, as forças externas, ou seja, a energia solar através da atmosfera, exercem o papel de desgaste e de esculturação das formas produzidas pelas ações das forças endógenas. Esse processo de criação de formas estruturais pelas forças endógenas e de esculturação pelas forças exógenas é permanente ao longo do tempo e do espaço. Desse modo, agora e durante a história da origem e evolução da Terra, esses mecanismos de natureza estrutural vêm alterando permanentemente as fisionomias do relevo terrestre com velocidade e instabilidade ora maiores, ora menores. [...]

Fotos: NASA

ROSS, Jurandyr L. Sanches (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Ed. USP, 1995. p. 17-18.

A

B

Em 26 de dezembro de 2004, uma onda gigante, denominada tsunami, atingiu o litoral de diversos lugares banhados pelo oceano Índico. Essa onda foi ocasionada por um maremoto, ou seja, um abalo sísmico ocorrido em subsolo oceânico. As imagens acima mostram a paisagem da cidade de Lhoknga, localizada no oeste da ilha de Sumatra, na Indonésia. A imagem A, de 10 de janeiro de 2003, mostra a paisagem antes do avanço da onda gigante. A imagem B, de 29 de dezembro de 2004 (3 dias após o tsunami), mostra Lhoknga transformada. No centro dessa imagem, podemos reconhecer uma mesquita, que se manteve intacta.

Os terremotos e vulcões, assim como a força das águas, realizam transformações na superfície terrestre. Elabore um texto explicativo que estabeleça a relação entre as afirmações do texto do geógrafo Jurandyr L. Sanches Ross e a ocorrência de fenômenos como o exemplificado acima. A litosfera e a dinâmica do relevo

101


Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura A humanidade sempre explorou a litosfera terrestre em busca das rochas e de seus minerais. A utilização desses recursos naturais possibilitou a realização de diversas atividades humanas, como a construção de moradias, a fabricação de utensílios domésticos e até mesmo a confecção de joias e monumentos artísticos. Um dos mais imponentes monumentos históricos da humanidade, o Taj Mahal, localizado na Índia, foi construído todo em mármore, rocha metamórfica abundante na superfície terrestre. Além do mármore, esse monumento possui ornamentos feitos com jade, rubi e corais. Leia o texto abaixo e conheça um pouco mais sobre essa grandiosa construção.

Taj Mahal: uma joia de palácio [...] Totalmente construído em mármore branco incrustado com pedras preciosas e de uma simetria impecável, é difícil acreditar que o imponente Taj Mahal seja um mausoléu. Quase todos os grandes monumentos do mundo são produto da fé religiosa ou da vaidade de um povo, mas o Taj Mahal constitui exceção – é um monumento ao amor. Quando sua esposa preferida, Mumtaz Mahal, morreu ao dar à luz o seu décimo quarto filho, o imperador Shah Jahan mandou construir um monumento que superasse em beleza tudo o que o mundo pudera contemplar. Após vinte anos, essa joia talhada em mármore estava pronta para guardar a tumba de sua amada. O destino reservaria ainda algumas desilusões para o imperador. O seu desejo era construir um mausoléu em mármore negro na outra margem do Rio Yamuna, para guardar a sua própria tumba. Mas seu ambicioso filho, Aurangzeb, sedento pelo poder, mandou matar seus próprios irmãos e aprisionou Shah Jahan no Forte Vermelho, de onde este passou os últimos anos de sua vida apenas contemplando à distância o majestoso Taj Mahal.

danm12/Shutterstock.com

[...]

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Taj Mahal, Índia, em 2015.

CARRETA, Álvaro Antônio. Na Índia, todos os séculos agora. Clube Mundo, São Paulo, ano 4, n. 5, p. 10, set. 1997.


Filme de Roger Donaldson. O inferno de Dante. EUA. 1997

A Geografia no cinema

O inferno de Dante

Unidade 4

O geólogo Harry Dalton investiga uma série de evidências geológicas ocorridas na tranquila cidade de Dante, nos Estados Unidos. Essas evidências levam o geólogo e a prefeita local a acreditarem que um vulcão adormecido há muitos anos possa entrar em erupção a qualquer momento e destruir a cidade. Buscando alertar os cidadãos de Dante sobre a possível catástrofe, o geólogo enfrenta as barreiras impostas pelos interesses econômicos de empresários que vivem na cidade. Para assistir

••TERREMOTO:

a falha de San Andreas. Direção: Brad Peyton. Warner Bros, 2015. A cidade da Califórnia é atingida por um terremoto e um bombeiro percorre o estado com um helicóptero para resgatar a filha, que tenta sobreviver em São Francisco.

• •VOLCANO: a fúria. Direção: Mick Jacksons. Fox Filmes, 1997.

Ninguém poderia imaginar que a cidade de Los Angeles seria abalada por uma erupção vulcânica. Nesse interessante filme você conhecerá a luta de um técnico da defesa civil que busca salvar a vida de milhões de pessoas em meio a essa catástrofe natural.

Título: O inferno de Dante Diretor: Roger Donaldson Atores principais: Pierce Brosnan, Linda Hamilton e Charles Hallahan Ano: 1997 Duração: 108 minutos Origem: Estados Unidos

Para ler

••BRANCO, Samuel M.; BRANCO, Fábio C. A deriva dos continentes. São Paulo: Moderna, 2004.

••FRANÇA, George Sand. Tremores em casa. Ciência Hoje, São Paulo, v. 53, n. 316, p. 4, 23 jul. 2014. Disponível em: <http://tub.im/xobofo>. Acesso em: 16 ago. 2015.

• •MALIN, Stuart. História da Terra. Barueri: Impala, 1991. ••TEIXEIRA, Wilson et al (Orgs.). Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Nacional, 2009. • •WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos da Geologia. Tradução Harue Ohara Avritcher. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

• •WINCHESTER, Simon. Krakatoa: o dia em que o mundo explodiu. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

Para navegar

• •BRASIL. Ministério de Minas e Energia (Companhia de Pesquisa de Recur-

sos Minerais). Disponível em: <http://tub.im/hf54mm>. Acesso em: 8 set. 2015.

• •U.S. Geological Survey (USGS). Disponível em: <http://tub.im/8i4mws>. Acesso em: 8 set. 2015.

• •OBSERVATÓRIO Sismológico. Disponível em: <http://tub.im/pmg24h>. Acesso em: 8 set. 2015.

••INSTITUTO Brasileiro de Mineração. Disponível em: <http://tub.im/ybixee>. Acesso em: 8 set. 2015.

••MUSEU de Geociências – USP. Disponível em: <http://tub.im/a5mg9x>. Acesso em: 8 set. 2015. A litosfera e a dinâmica do relevo

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Questões do Enem e Vestibular 1. (FURG-RS) Relacione as eras geológicas com os eventos da coluna à direita. C. I Mesozoico.

1 - A formação das grandes bacias sedimentares brasileiras.

II Cenozoico. III Arqueozoico.

2 - Surgimento dos seres humanos.

IV Paleozoico. V Cenozoico-Quaternário.

3 - Origem da vida. 4 - Origem das Angiospermas. 5 - Surgimento dos desdobramentos modernos.

Assinale a alternativa que apresenta todas as relações corretas. a ) I-3, II-1, III-4, IV-5 e V-2. b ) I-1, II-2, III-3, IV-4 e V-5. c ) I-4, II-5, III-3, IV-1 e V-2. d ) I-5, II-2, III-4, IV-3 e V-1. e ) I-4, II-5, III-1, IV-2 e V-3.

2. (UEM-PR) Sobre a crosta terrestre, sua constituição e dinâmica, assinale o que for correto. 01) O Pangeia, segundo o modelo proposto pela tectônica de placas, era um único continente cercado por um oceano, o Pantalassa. A (01), (04) e (08). 0 2) A litosfera corresponde à base sólida da crosta, de constituição basáltica no contato com o manto superior. 0 4) A falha de San Andreas é o resultado do deslocamento tangencial entre a placa do Pacífico e a placa Norte-Americana. 0 8) A teoria da deriva continental e a descoberta da expansão dos fundos oceânicos levaram à elaboração da Teoria das Placas Tectônicas. 16) A crosta terrestre é relativamente uniforme ao longo de sua extensão, variando entre 15 e 20 quilômetros de espessura, tanto na parte continental quanto na oceânica. a ) 13.

b ) 24.

c ) 28.

d ) 15.

e ) 19.

3. (UECE-CE) Analise as descrições a seguir, considerando os tipos de rocha, seus processos de formação e ambientes de ocorrência. I . Estas rochas podem ser formadas por processos diagenéticos e a partir dos fragmentos de outras rochas. B.

104

Anote as respostas no caderno.

II . Rochas desse tipo podem se formar lentamente no interior da terra a partir do resfriamento do magma. III . Estas rochas podem se formar a partir dos processos de metamorfismo sofridos por outros tipos de rocha. Assinale a opção que relaciona corretamente os tipos de rochas às suas características. a ) I – ígneas; II – metamórficas; III – sedimentares. b ) I – sedimentares; II – ígneas intrusivas; III – metamórficas. c ) I – metamórficas; II – magmáticas; III – sedimentares. d ) I – magmáticas; II – sedimentares extrusivas; III – metamórficas.

4. (UEL-PR) Sobre a classificação das rochas, é correto afirmar: D. I . As rochas metamórficas resultam de uma rocha preexistente (protólito) no estado sólido. II . As rochas sedimentares são formadas pelos agentes de intemperismo e pedogênese. III . As rochas metamórficas são formadas pelo acúmulo de material sedimentar. IV . As rochas ígneas são formadas pelo resfriamento de material rochoso fundido. Assinale a alternativa correta. a ) Somente as afirmativas I e II são corretas. b ) Somente as afirmativas I e III são corretas. c ) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d ) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. e ) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

5. (PUC-RJ) Terremotos são gerados pelos movimentos naturais das placas tectônicas da Terra, que causam ajustes na crosta terrestre, afetando a organização das sociedades. Em relação aos sismos naturais, é correto afirmar que eles são causados por: A. a ) forças endógenas incontroláveis. b ) energias exógenas excepcionais. c ) forças antrópicas descontroladas. d ) energias antrópicas excepcionais. e ) forças endógenas e antrópicas.


7. (UFPE-PE) A atividade vulcânica compreende todos os fenômenos associados com o derrame sobre a superfície terrestre dos materiais magmáticos procedentes do interior da Terra. Sobre esse assunto, é INCORRETO afirmar que: B. a ) o vulcanismo é um fenômeno endógeno exclusivo de áreas de colisão de placas litosféricas, em face da ação das correntes de convecção do manto. b ) além da erupção de gases aquecidos e lavas fundidas, procedem dos vulcões vastas quantidades de materiais fragmentados que são produzidos pela expansão de gases. c ) o magma, ao se solidificar nas fissuras rochosas preexistentes, origina diques mais ou menos espessos. d ) as erupções variam muito de caráter, de acordo com a pressão e a quantidade de gás e a natureza da lava posta em liberdade. e ) no Estado de Pernambuco, há evidências de atividades vulcânicas, ocorridas em épocas pretéritas, na Zona da Mata; os solos dessas áreas vulcânicas são, em geral, bons para a agricultura.

8. (UFAM-AM) Os agentes internos que participam na formação do relevo são: D. a ) os abalos sísmicos, os solos e a ação dos ventos. b ) o vulcanismo, o intemperismo e os abalos sísmicos. c ) o tectonismo, o clima e a ação da água. d ) o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos. e ) o tectonismo, os abalos sísmicos e os solos. 9. (PUC-RS) A superfície terrestre apresenta uma infinidade de paisagens com distintas feições, como planaltos, vales, planícies, morros testemunhos, colinas, falésias. Um dos agentes endógenos que auxiliam no modelado terrestre é: D. a ) a ação da chuva. d ) o vulcanismo. b ) a ação dos ventos. e ) o intemperismo. c ) a erosão glacial.

10. (PUC-CAMPINAS) A construção civil sofreu grande evolução durante o século XX no sentido de produzir edificações cada vez mais seguras, principalmente, nas regiões sujeitas a abalos sísmicos frequentes em áreas: C. a ) com fortes processos de intemperismo físico-químico que tornam as rochas do subsolo mais susceptíveis a fraturas e decomposição. b ) com latossolos pouco consolidados que, submetidos a pressões internas do núcleo terrestre, acabam sofrendo movimentos de acomodação de camadas. c ) de contato de placas tectônicas que, ao entrarem em atrito, provocam movimentação mais ou menos intensa na crosta terrestre. d ) onde, no passado, ocorreram glaciações que recobriram a litosfera por milhares de anos; o degelo há poucos milhares de anos desequilibrou a crosta terrestre. e ) onde a litosfera apresenta grande espessura e, por tanto, maior possibilidade de apresen­tar fraturas e falhas tectônicas. 11. (CEFET-SP) E os Andes petrificados como braços levantados... representam uma verdadeira muralha no oeste da América do Sul. Sobre a Cordilheira dos Andes, são feitas as afirmações a seguir: B. A litosfera e a dinâmica do relevo

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Unidade 4

6. (FUVEST-SP) O vulcanismo é um dos processos da dinâmica terrestre que sempre encantou e amedrontou a humanidade, existindo diversos registros históricos referentes a esse processo. Sabe-se que as atividades vulcânicas trazem novos materiais para locais próximos à superfície terrestre. A esse respeito, pode-se afirmar corretamente que o vulcanismo: D. a ) é um dos poucos processos de liberação de energia interna que continuará ocorrendo indefinidamente na história evolutiva da Terra. b ) é um fenômeno tipicamente terrestre, sem paralelo em outros planetas, pelo que se conhece atualmente. c ) traz para a atmosfera materiais nos estados líquido e gasoso, tendo em vista originarem-se de todas as camadas internas da Terra. d ) ocorre quando aberturas na crosta aliviam a pressão interna, permitindo a ascensão de novos materiais e mudanças em seus estados físicos. e ) é o processo responsável pelo movimento das placas tectônicas, causando seu rompi­ mento e o lançamento de materiais fluidos.

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I . Ergueram-se na era Cenozoica, a partir da movimentação das placas tectônicas, e por isso representam a forma de relevo mais recente do continente; constituem-se em uma região de forte instabilidade, sujeita a terremotos e vulcanismo.

II . Exercem forte influência sobre os climas regionais, pois representam um dos fatores do aparecimento do clima desér tico no Atacama.

III . A constituição geológica da região andina possibilitou o aparecimento de grandes reservas de cobre, ouro e prata.

IV . Representam uma área anecumênica encravada na porção central do continente. Está correto somente o que se afirma em: a ) I e II. b ) I, II e III. c ) I e III. d ) II, III e IV. e ) III e IV.

12. (CEFET-MG) A morfologia externa da crosta terrestre é constantemente transformada pelos agentes de relevo. Sobre essa dinâmica, é INCORRETO afirmar que os agentes: A. a ) modeladores atuam de forma contínua ao longo do tempo. b ) internos influenciam na formação da Cordilheira dos Andes. c ) exógenos arquitetam a litosfera, dobrando estruturas geológicas. d ) externos geram impactos sobre as rochas, modificando seus aspectos. e ) endógenos correspondem a processos construtores do modelado da superfície da Terra. 13. (Unioeste-PR) O solo é a camada superficial da crosta terrestre que resulta da ação simultânea e integrada do clima e organismos sobre um material de origem que ocupa determinada paisagem ou relevo, durante certo período de tempo. Sobre esse tema assinale a alternativa correta. E. a ) A argila, o silte e a areia são as partículas minerais que formam a maioria dos solos brasileiros. Nos Latossolos Vermelhos da região Oeste do Paraná, formados a partir das rochas magmáticas extrusivas básicas, a fração areia é a partícula mais comum.

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b ) Na formação do solo a ação do intemperismo químico, físico e biológico é simultânea e uniforme em profundidade, distinguindo-se os diferentes horizontes dos solos. c ) A ação e os efeitos do intemperismo sobre as rochas e os solos na superfície terrestre não variam mediante as diferentes zonas climáticas, altitude e formas de relevo. d ) Os solos são formados por uma série de camadas sobrepostas, de aspecto e consti­ tuição diferentes, aproximadamente parale­ las à superfície e denominadas de regolito. e ) O material de origem é a matéria-prima a partir da qual os solos se desenvolvem, podendo ser de natureza mineral ou orgânica. Os Latossolos são solos profundos, de origem mineral e correspondem aos solos de maior ocorrência no Brasil.

14. (UDESC-SC) A Teoria da Deriva dos Continentes foi enunciada pelo cientista alemão Alfred Lothar Wegener, em 1912. Segundo este autor a Terra teria sido formada inicialmente por um único e enorme supercontinente que foi se fragmentando e se deslocando continuamente desde o período Mesozoico, como se fosse uma espécie de nata flutuando sobre um magma semilíquido e passeando em diferentes direções. E. Assinale a alternativa que contém o nome com o qual foi batizado este supercontinente inicial. a ) Gaia. b ) Placas Tectônicas. c ) Folhelhos de Wegener. d ) Riftis. e ) Pangeia.

15. (UFRGS-RS) Observe o mapa abaixo. B. 180˚

120˚

60˚

60˚

120˚

N

180˚

O 60˚

2 5

4

1

L S

30˚

E. Cavalcante

3

30˚

60˚

4 455 km Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar, 2004. p. 66.

Assinale a afirmação correta com relação aos pontos de 1 a 5 que constam no mapa.


16. (UESC-BA) Os conhecimentos sobre o tectonismo e sua atuação possibilitam afirmar: A. a ) As correntes de convecção são responsáveis pelo deslocamento das placas convergentes que, quando se chocam, dão origem às falhas ou aos dobramentos. b ) As dobras se formam quando as pressões verticais atuam sobre as rochas de maior resistência. c ) O vulcanismo é o fenômeno exógeno que ocorre no interior das placas tectônicas, atua na formação do relevo, mas só dá origem às depressões. d ) A ausência de falhas geológicas no sul e no sudeste brasileiro pode ser explicada pela formação antiga do relevo. e ) As falhas geológicas dão origem a várias formas de relevo, como escarpas e vales amplos e abertos. 17. (UEL-PR) O Himalaia, os Andes e as Rochosas são exemplos de cadeias montanhosas: A. a ) originadas de dobramentos de idade cenozoica. b ) resultantes de blocos falhados de idade proterozoica. c ) originadas de dobramentos de idade paleozoica. d ) resultantes de falhamentos do cristalino de idade mesozoica. e ) originadas de fraturamentos e diaclasamentos de idade cenozoica. 18. (UPM-SP) As zonas sísmicas do globo estão associadas: A.

a ) às áreas de contacto das placas tectônicas. b ) à presença de estruturas geológicas muito antigas. c ) à formação das bacias sedimentares. d ) aos escudos cristalinos ou maciços antigos. e ) aos dobramentos antigos.

19. (Cesgranrio-RJ) O relevo das terras emersas é extremamente diversificado. Nesse relevo, o que se denomina de DOBRAMENTOS MODERNOS OU RECENTES corresponde a: D. a ) depressões absolutas. b ) depressões relativas. c ) bacias sedimentares. d ) cadeias montanhosas. e ) dorsais submarinas.

20. (FJF-MG) Leia o fragmento de texto a seguir:

C.

Tais mudanças nas partes superficiais do globo pareciam, para mim, improváveis de acontecer se a Terra fosse sólida até o centro. Desse modo, imaginei que as partes internas poderiam ser um fluido mais denso e de densidade específica maior que qualquer outro sólido que conhecemos, que assim poderia nadar no ou sobre aquele fluido. Desse modo, a superfície da Terra seria uma casca capaz de ser quebrada e desordenada pelos movimentos violentos do fluido sobre o qual repousa. Benjamin Franklin, 1782, em uma carta para o geólogo francês Abbé J. L. Giraud-Soulavie in PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

Sobre a estrutura interna da Terra, pode-se AFIRMAR que: a ) a crosta é uma camada única constituída de uma placa tectônica, dividida em duas seções. b ) a litosfera é a camada mais densa e se mantém em movimento devido às correntes convectivas. c ) as camadas da Terra são separadas umas das outras por áreas denominadas descontinuidade. d ) ela é formada por camadas alternadas, de densidades semelhantes, que diminuem da superfície para o centro. e ) o núcleo divide-se em duas partes: superior e inferior e seu material é o magma.

A litosfera e a dinâmica do relevo

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Unidade 4

a ) O ponto 1 situa-se entre as placas tectônicas Sul-Americana e Nazca. b ) O ponto 2 localiza-se numa área de separação de placas tectônicas, responsável pela formação de uma dorsal oceânica. c ) O ponto 3 localiza-se numa área de colisão entre as placas Africana e Indo-Australiana. d ) O ponto 4 localiza-se numa área de expansão do assoalho oceânico, responsável pela formação da Cordilheira dos Andes. e ) O ponto 5 localiza-se numa área de formação de arco de ilhas, que corresponde a uma zona de subducção.

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unidade

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Estruturas geolรณgicas e o relevo terrestre


A dinâmica do nosso planeta também está expressa nas mais diversas formas de relevo que observamos nas paisagens.

Bas Vermolen/Moment/Getty Images

As forças internas e externas da Terra atuam continuamente, esculpindo as formas de relevo continental e submarino do nosso planeta. No entanto, a exploração de recursos e a transformação do espaço promovidas pelo ser humano têm interferido cada vez mais na configuração do relevo terrestre. • Ao observar as formas de relevo na imagem surgem as seguintes questões: como essas formas surgiram? Ao longo de quanto tempo vêm sendo transformadas? Quais forças atuam em sua modelagem? Com os colegas, tente responder a essas questões.

Parque Nacional do Grand Canyon, Arizona, Estados Unidos, em 2013.

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Escudos, dobramentos e bacias De acordo com sua origem e formação geológica, o relevo continental apresenta três grandes estruturas ou províncias geológicas, sendo elas: escudos cristalinos ou crátons, dobramentos orogênicos modernos e bacias sedimentares. Observe o mapa a seguir e verifique as características dessas estruturas. Mundo: estruturas geológicas OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Escudo de Angara

Escudo Fino-Escandinavo

OR

TE

Escudo Canadense

L S

ON

Círculo Polar Ártico

N O

TIC

Fs. das Aleutas

DO

AT L

ÂN

Fs. Kurilas

Fs

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OCEANO ÍNDICO

a

DOR Círculo Polar Antártico

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

RT

ICA

O-ARÁBICO

Meridiano de Greenwich

ÍNDIC

Plataformas e escudos Pré-cambriano Direção das cadeias Falha Fossa submarina

TLÂNTICO SUL DO A

Fs. Kermadec

Cobertura sedimentar Quaternário Dobramentos jovens (alpinos) Dobramentos antigos (caledonianos e hercinianos)

AL

Trópico de Capricórnio

AL

RS

acama . At Fs

Escudo Brasileiro

OCEANO PACÍFICO

RS

Escudo Guiano

ala

DO

tem

E. Cavalcante

RS

Escudo Guineano

OCEANO ATLÂNTICO

DO

Equador 0°

Gua

DO

Fs. OCEANO PACÍFICO

Fs. de Tonga

Fs. do Japão

AL

Trópico de Câncer

TÁ SAL Í NDICO-A N

1 950 km

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 57. 1 atlas. Escalas variam.

Escudos cristalinos ou crátons: são as formações rochosas mais antigas da crosta, surgidas no Pré-cambriano, entre 550 milhões e 4,5 bilhões de anos atrás. Por serem muito antigas e estarem localizadas em áreas de grande estabilidade tectônica, os escudos apresentam terrenos intensamente desgastados pelos processos erosivos e altitudes moderadas, abrigando depressões e planaltos relativamente baixos e maciços arredondados. Dobramentos modernos ou cadeias orogênicas: grandes cadeias montanhosas, formadas pela movimentação das placas tectônicas, como os Andes, na América do Sul, o Himalaia, na Ásia, e os Alpes, na Europa. Como essas montanhas começaram a ser soerguidas há apenas 65 milhões de anos (início do período Terciário), tempo muito recente na história geológica do planeta, elas também são chamadas de dobramentos modernos ou dobramentos terciários. Por estarem localizadas nas bordas de contato entre as placas, são terrenos de grande instabilidade tectônica, com intensas atividades vulcânicas e sísmicas, dobramentos e falhamentos.

Subsidência: movimento descendente (rebaixamento) de blocos rochosos na crosta terrestre que ocorre durante eventos tectônicos.

110

Bacias sedimentares: grandes depressões do relevo, com superfícies relativamente planas, preenchidas por espessas camadas de sedimentos rochosos ou de origem orgânica – estes últimos podem formar depósitos de carvão e petróleo. Essas bacias começaram a se formar nos últimos 540 milhões de anos pela intensa deposição de sedimentos de origem continental, marinha e glacial nas partes mais baixas do relevo, associada principalmente aos processos de subsidência do terreno.


Devido ao fato de serem constituídas por rochas de diferentes tipos e idades, essas estruturas geológicas condicionam a grande variação nas formas e nas altitudes do relevo terrestre. Os terrenos de idade geológica muito antiga, como os escudos cristalinos, ficaram muito mais expostos ao intemperismo e aos processos erosivos, o que explica suas formas mais rebaixadas, arredondadas e aplainadas, a exemplo dos Montes Apalaches, nos Estados Unidos, dos Cárpatos, na Europa, dos Montes Urais, na Rússia, e dos planaltos existentes no território brasileiro.

Unidade 5

Os terrenos de idade geológica mais recente, como os dobramentos modernos, ainda em processo de formação e pouco desgastados pela erosão, apresentam as maiores elevações do relevo continental. Como exemplo, temos a cordilheira do Himalaia, na Ásia, a cordilheira dos Andes, na América do Sul, os Alpes, na Europa, e as montanhas Rochosas, na América do Norte. O mapa hipsométrico abaixo apresenta as altitudes do relevo continental. Mundo: altimetria OCEANO GLACIAL ÁRTICO Mt. Gunnbjorn (3 700 m)

IS

AS

DESERTO DE GOBI

O

HI

MA

B

PLANALTO DO TIBETE

LAI

A

Everest (8 848 m)

OCEANO PACÍFICO

Neblina (2 994 m)

Kilimanjaro (5 892 m)

PLANÍCIE AMAZÔNICA

Profundidade em metros Círculo Polar Antártico

ER

GRANDE DESERTO DE VITÓRIA

EN

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DESERTO DE KALAHARI AK

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Aconcágua (6 962 m)

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Meridiano de Greenwich

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Trópico de Capricórnio

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OCEANO ÍNDICO

E. Cavalcante

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Altitude em metros

0 – 1 000 – 2 000 – 4 000

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OCEANO PACÍFICO

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OCEANO ATLÂNTICO

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Mt. Kosciusko (2 228 m)

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

2 080 km

Pico

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 33. 1 atlas. Escalas variam.

Perfil topográfico

• Compare o perfil

Planalto do Tibete

Altitude (metros) 4 800

Montanhas Rochosas

3 000

Cadeia do Atlas

1 800 1 200 600

Japão

0 OCEANO PACÍFICO

– 1 000

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

E. Cavalcante

– 2 000

– 4 000

A

A

B

B

do relevo com a mesma área no mapa da estrutura geológica da Terra. Que relações podem ser estabelecidas entre as áreas de maiores e menores altitudes e suas bases geológicas?

Ilustração produzida com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 33.

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

111


As formas de relevo continental Escarpa: rampa ou aclive íngreme de terrenos, que ocorre nas bordas de planaltos e serras.

As formas do relevo continental são constantemente modeladas (formadas e transformadas) pela ação conjunta e contínua dos fenômenos e processos endógenos e exógenos, que ocorrem no planeta ao longo do tempo geológico. De acordo com as características morfológicas e altimétricas do modelado terrestre, o relevo continental apresenta quatro formas principais: cadeias montanhosas, planícies, planaltos e depressões.

DEA/C. SAPPA/Getty Images

Cadeias montanhosas: constituem as maiores elevações do relevo terrestre. Podem se originar de movimentos tectônicos (dobramentos e falhamentos) ou de atividades vulcânicas. Suas vertentes, muito íngremes, sofrem intensos processos erosivos e geram grandes quantidades de sedimentos, que vão para as áreas mais baixas do relevo situadas ao seu redor.

Paisagem das montanhas Atlas, no Marrocos, África, em 2015. Andre Dib/Pulsar

Planícies: são formas de relevo relativamente planas, de origem sedimentar, que recebem grande quantidade de materiais erodidos dos terrenos situados em maiores altitudes. Constituem áreas de deposição, nas quais os processos de sedimentação superam os de erosão. Em geral, as planícies são formadas pela deposição de sedimentos trazidos pelas águas dos rios (planícies fluviais) ou dos oceanos (planícies marítimas ou costeiras). Paisagem do Pantanal em Poconé, Mato Grosso, em 2014.

Cesar Diniz/Pulsar

Planaltos: são formas de relevo com altitudes variadas, geralmente delimitadas por escarpas íngremes, podendo apresentar diferentes formas, como serras, chapadas, morros ondulados etc. Neles, os processos de degradação (erosão) superam os de agradação (sedimentação), ou seja, os planaltos fornecem grande quantidade de sedimentos para as áreas ao redor, como planícies e depressões. Paisagem de planalto em Cunha Porã, Santa Catarina, em 2015.

João Prudente/Pulsar

Depressões: são formas de relevo rebaixadas em relação ao nível dos terrenos vizinhos. Muito desgastadas pelos processos erosivos, em geral, as depressões possuem superfícies planas ou onduladas. Elas podem estar localizadas tanto abaixo do nível do mar (depressão absoluta), quanto acima do nível do mar (depressão relativa).

Paisagem de relevo de depressão em Venturosa, Pernambuco, em 2012.

112


O relevo submarino Assim como o relevo continental, o relevo do fundo dos oceanos possui formas diferenciadas. As principais são: plataforma continental, talude e planície abissal, que se distinguem conforme a profundidade, a distância da costa e a configuração do fundo do mar. A seguir, esquema que representa o relevo submarino.

fossa oceânica

cadeia meso-oceânica

planície abissal

plataforma continental

monte submarino

guyt

Unidade 5

ilha vulcânica

Luciane Mori

talude

Fossa marinha: área mais profunda do oceano, com forma alongada e estreita e declividade muito acentuada. Algumas fossas chegam a ter mais de 10 000 metros de profundidade. Elas são formadas nas regiões onde uma placa tectônica oceânica mergulha sob outra.

Plataforma continental: superfície relativamente plana, que se estende do litoral ao talude, formada por rochas sedimentares. Possui cerca de 70 km de largura e profundidade média de 200 metros. Talude: relevo muito inclinado, que mergulha abruptamente da borda oceânica até a profundidade máxima de 2 000 metros. Planície abissal: porção mais profunda da crosta oceânica. Nela, encontram-se formas de relevo variadas, como as dorsais meso-oceânicas e as fossas marinhas.

Perfil do relevo submarino

margem continental

Leonardo Mari

Profundidade (km) margem continental

plataforma continental talude continental

plataforma continental nível do mar

talude continental

Ilustrações produzidas com base em: WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos de Geologia. Tradução Harue O. Avritcher. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 363.

0 cadeia oceânica

2

sopé continental

fossa oceânica

4

SCROGGIE, Justin et al. Planeta Terra e o universo. Tradução Cláudio Coutinho de Biasi. Rio de Janeiro: Reader’s Digest, 2005. p. 112-113. (Enciclopédia interativa do saber, v. 3).

6 8 10 0

500

1 000

1 500

2 000

2 500

3 000

3 500

4 000

4 500

5 000

Distância (km)

Formas do relevo litorâneo Luciane Mori

Veja algumas das principais formas que compõem o relevo litorâneo.

Ilustração produzida com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 98.

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

113


Relevo brasileiro: características estruturais O relevo brasileiro remonta ao Pré-Cambriano, com a formação de antigas estruturas geológicas marcadas por formações litológicas com mais de 4 bilhões de anos, à exceção das bacias sedimentares recentes, como a do Pantanal Mato-grossense. Por serem tão antigas, essas estruturas foram intensamente desgastadas e esculpidas por processos erosivos, os quais carregaram grandes quantidades de sedimentos que foram depositados nas bacias sedimentares. Assim, podemos dizer que as estruturas e formações geológicas do território brasileiro são muito antigas, mas as formas do relevo, do ponto de vista geológico, são mais recentes, pois vêm sendo criadas e recriadas permanentemente nos últimos milhões de anos pelos agentes erosivos externos, como a água, os ventos, as chuvas etc. O mapa abaixo mostra a estrutura geológica do relevo brasileiro. Brasil: estrutura geológica N O

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1

Equador 0°

7 8

E. Cavalcante

1

Crátons pré-brasilianos 1 - Amazônico 2 - São Francisco 3 - Sul-rio-grandense OCEANO Coberturas sedimentares correlalivas ao brasiliano PACÍFICO Faixas de dobramentos do ciclo brasiliano 4 - Brasília 5 - Paraguai-Araguaia 6 - Atlântico Bacias sedimentares fanerozoicas 7 - Amazônica 8 - do Maranhão 9 - do Paraná

2

4

5

1

6

OCEANO ATLÂNTICO

6

9

5

Trópico de Cap ricórnio

3 365 km

50° O

Fonte: ROSS, Jurandyr L. S. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Ed. USP, 1995. p. 47.

Os crátons ou escudos cristalinos (das Guianas e do Brasil) cobrem cerca de 36% do território do país e apresentam grande complexidade de rochas, com predomínio das muito antigas (metamórficas, magmáticas intrusivas e sedimentares). Algumas formações são do Pré-Cambriano e início do Paleozoico (há mais de 500 milhões de anos); nelas, predominam rochas como gnaisses e granitos. Os dobramentos antigos, formados em diferentes idades do Pré-Cambriano, dividem-se em três cinturões orogênicos (Atlântico, Brasília e Paraguai-Araguaia), que se encontram intensamente desgastados, embora ainda guardem características montanhosas. Esses terrenos passaram por várias fases de dobramentos, o que acarretou metamorfismos e intrusões em algumas áreas, alternados por longos períodos de intenso processo erosivo.

As bacias sedimentares ocupam boa parte do território brasileiro e são formadas por espessas camadas de sedimentos provenientes do desgaste das rochas, de organismos vegetais ou animais ou mesmo de camadas de lavas vulcânicas solidificadas, que se depositaram durante um longo período de tempo, do Paleozoico ao Cenozoico. A disposição horizontal e pouco inclinada desses depósitos evidencia a ausência de movimentos orogenéticos expressivos desde tempos geológicos remotos.

114

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5/19/16 4:41 PM


Geologia e mineração no Brasil O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de minérios. Grande parte da nossa riqueza mineral está concentrada em terrenos de origem cristalina (escudos e crátons), com destaque para as jazidas de ferro, manganês, cobre, chumbo, zinco, estanho e ouro. Essas jazidas minerais se originaram em rochas plutônicas, formadas a partir da solidificação do magma no interior da crosta.

O território brasileiro possui grande potencial em jazidas minerais ainda não descobertas, além daquelas que já estão sendo exploradas, como as de ferro, bauxita, ouro e estanho.

As bacias sedimentares, por sua vez, abrigam importantes depósitos de carvão mineral, petróleo e gás natural. Muitos deles se concentram em sucessivas camadas de sedimentos que, ao longo de milhões de anos, se acumularam nas áreas rebaixadas das bacias brasileiras. Os depósitos de carvão mineral existentes no Sul do país, por exemplo, tiveram origem em antigas florestas e pântanos cobertos por extensas geleiras, que se formaram na região há cerca de 300 milhões de anos, entre o Carbonífero e o Permiano. Veja, a seguir, mapa da distribuição desses recursos no território brasileiro.

Os desafios da mineração no Brasil são: baixar os custos; ampliar o acesso à energia gasta na exploração mineral; ampliar os investimentos em pesquisa geológica e em infraestrutura, como estradas, portos e gasodutos; buscar um modelo de mineração compatível à sustentabilidade ambiental.

Brasil: recursos minerais e petróleo

Rochas plutônicas: também chamadas rochas intrusivas, ou seja, que se formam por intrusão de magma em meio a outras rochas preexistentes.

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OCEANO ATLÂNTICO N

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OCEANO PACÍFICO

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PR OCEANO PACÍFICO

Ilustrações: E. Cavalcante

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Chumbo Cobre Cromo Estanho Ferro

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Manganês Nióbio Níquel Ouro Urânio

Bacia de Sergipe-Alagoas

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Bauxita Carvão Diamante

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RS

Principais recursos minerais

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AM

ES

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L

AP

Extração no oceano Extração no continente Bacia de exploração Plataforma continental

RJ

PR SC

Bacia de Santos

RS

Bacia do Espírito Santo Bacia de Campos

OCEANO ATLÂNTICO

745 km 50° O

350 km 50° O

Fontes: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 35. 1 atlas. Escalas variam. ATLAS nacional do Brasil digital. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2005. (CD-ROM).

Fonte: PETROBRAS. Disponível em: <www.petrobras.com.br/pt/quemsomos/principais-operacoes>. Acesso em: 5 ago. 2015.

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

115

Unidade 5

A mineração é uma das mais importantes atividades econômicas do Brasil. Segundo informações do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o nosso país é o sexto maior em mineração do mundo.


Contexto geográfico

Estudo de caso

Terras raras... nem tão raras assim Há dezessete elementos químicos que, pela dificuldade de serem encontrados em elevada concentração na superfície terrestre, são chamados terras raras. Atualmente, esses elementos são indispensáveis para a indústria de alta tecnologia. Ainda que sua exploração seja questionada pela viabilidade econômica e ambiental, tem ocasionado uma corrida entre países do mundo, na qual a China está bem à frente. Esses elementos não são tão raros, pois podem ser encontrados em diferentes partes da Terra e podem ser mais abundantes do que outros minerais, como ouro e cobre. Sua famosa raridade está no fato de que, muitas vezes, são encontrados associados a outros minérios como ferro e bauxita, inclusive no rejeito da extração desses minerais, e a dificuldade e o custo de sua separação são tão elevados que acaba sendo inviável sua exploração em larga escala. Na imagem, vemos amostras de alguns desses elementos e, no quadro na página seguinte, algumas informações sobre suas reservas e usos.

Gadolínio (Gd) Utilizado na fabricação de lâmpadas fluorescentes, chips de memória, agente de contraste em imagens de ressonância magnética.

Samário (Sm) Elemento utilizado em ímãs e lasers, aumentando a eficiência na transmissão de energia.

116


✓ Sob

o domínio da China não estão apenas as maiores reservas do mundo, mas o complexo processo de extração desses minerais que em geral se encontram associados a outras elementos.

✓A

descoberta de uma mina com 22 milhões de toneladas em Minas Gerais coloca o Brasil como detentor da segunda maior reserva do mundo de terras raras.

✓ As terras raras são utilizadas em produtos de alta tecnologia, inclusive aqueUnidade 5

les que já se tornaram necessidades da vida moderna, como celulares, lâmpadas fluorescentes etc.

✓ Bastam alguns gramas desses elementos para colocar em funcionamento um aparelho celular. Já na construção de turbinas eólicas, são utilizadas duas toneladas de terras raras.

Praseodímio (Pr) Muito importante na fabricação moderna de ímãs, lasers, aditivos em lentes de soldagem, motores elétricos híbridos.

Cério (Ce) Agentes oxidantes, telas de LCD, disco rígido de computadores, catalisadores de fluidos em refinarias de petróleo.

Lantânio (La)

Peggy Greb/US Departament of Agriculture/SPL/Latinstock

Muito importante no refino do petróleo, além de utilizado na fabricação de vidros de alto índice de refração, eletrodos de baterias, lentes de câmeras.

Neodímio (Nd) Utilizado na fabricação de turbinas eólicas e responsável, entre outras funções, por fazer os smartphones vibrarem.

a ) Pesquise quais são os 17 elementos químicos que compõem o conjunto de terras raras no mundo, suas principais propriedades e seu aproveitamento industrial. b ) Com base no texto, comente a seguinte afirmação: “A evolução tecnológica passa pela mineração”.

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

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117

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Estabilidade tectônica e altimetria do relevo brasileiro O território brasileiro está localizado na porção central da placa Sul-Americana, bem distante de suas bordas de contato. Essa localização confere ao nosso país uma relativa estabilidade tectônica, pois as áreas fortemente afetadas pelas atividades vulcânicas e sísmicas são as que se encontram nas bordas de contato das placas tectônicas. A ausência de movimentos orogênicos recentes, ou seja, de dobramentos modernos, associada à idade muito antiga do modelado brasileiro, já bem desgastado pelos processos erosivos, explica o predomínio de baixas altitudes no nosso relevo.

Brasil: altimetria

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1 200 800 500 200 100 0

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Capão Doce (1 340 m)

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Observe o mapa hipsométrico ao lado, que mostra as altitudes do relevo brasileiro.

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Almas (1 836 m)

Barbado (2 033 m)

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Serra Branca (1 154 m)

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Bandeira (2 890 m)

OCEANO ATLÂNTICO

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Morro Boa Vista (1 827 m)

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E. Cavalcante

OCEANO PACÍFICO

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Neblina (2 994 m)

Caburaí (1 456 m)

Roraima (2 739 m)

AA

Cerca de 41% das terras brasileiras encontram-se em altitudes inferiores a 200 metros, e menos de 1% do território possui altitude acima de 1 200 metros. As maiores elevações do relevo brasileiro se situam nas regiões serranas do extremo Norte, como o pico da Neblina, no estado do Amazonas, e nas serras e nos planaltos das regiões Sul e Sudeste, como a serra do Mar. De maneira N geral, as serras e os planaltos mais O L elevados do nosso país são faixas de S dobramentos e falhamentos orogêniAP Araguari Equador cos muito antigos e, portanto, já bas0° tante desgastados pela erosão. azonas

400 km 50° O

Rios permanentes

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 88. 1 atlas. Escalas variam.

Pico

O relevo escarpado da serra do Mar se originou a partir de grandes falhamentos ocorridos em épocas geológicas recentes, provavelmente no período Terciário. Acima, vista dessa serra no estado do Paraná, em 2014.

Perfil topográfico Altitude (metros) Serra Parima

1 200

Serra dos Pirineus

800 Rio Xingu

E. Cavalcante

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Rio Amazonas

AA

Serra da Serra da Canastra Mantiqueira Rio Parnaíba do Sul OCEANO ATLÂNTICO

BB

Ilustração produzida com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. 1 atlas. Escalas variam.

118

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5/19/16 4:43 PM


Vulcanismo e sismicidade no território brasileiro

Dr. Marli Miller/Visuals Unlimited/Corbis/Latinstock

Sill: corpo intrusivo magmático entre duas camadas, ou derramamento de lavas em forma de lençol. Também conhecido por filão.

Já em relação às atividades vulcânicas, os últimos derrames de lava em território brasileiro ocorreram entre o final do período Terciário e início do Quaternário, dando origem a algumas de nossas ilhas oceânicas, como a de Fernando de Noronha. No final da Era Mesozoica, ocorreram outros derrames de lava, como os de Serra Negra (São Paulo), Cabo Frio e Itatiaia (Rio de Janeiro) e Lajes (Santa Catarina). Porém, foi no final do período Cretáceo que ocorreu o maior derramamento de lava conhecido da história geológica da Terra. O texto a seguir trata desse episódio.

Os derrames e sills básicos da Formação Serra Geral da Bacia do Paraná representam um dos mais volumosos vulcanismos continentais do planeta, com uma área superior a 1 200 000 km 2, abrangendo regiões do Sul e Centro-Oeste do Brasil e do Paraguai, Uruguai e Argentina, e também uma contraparte na África, áreas hoje separadas pelo oceano Atlântico. Os derrames foram gerados entre 133 e 129 milhões de anos atrás, sendo constituídos notadamente por lavas basálticas. Em certos locais, os derrames sucessivos de lavas basálticas possuem centenas de metros de espessura, fato verificado na região central da Bacia do Paraná, onde uma perfuração atravessou 1 700 m de basalto (Presidente Epitácio, SP). [...]

Vista do Parque dos Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul, em 2014.

Luis Salvatore/Pulsar

O vulcanismo na Bacia do Paraná

Unidade 5

A relativa estabilidade tectônica do território brasileiro explica a ausência de atividades vulcânicas e sísmicas de grande intensidade no Brasil. Ainda assim, pequenos tremores de terra têm sido registrados com certa frequência em várias regiões do país. Muitos desses tremores, quase sempre imperceptíveis para as pessoas e registrados apenas por sismógrafos, resultam de movimentos e acomodações das rochas nas partes superficiais da crosta. Alguns abalos sísmicos mais intensos também já atingiram o nosso país, sem causar, no entanto, maiores danos. Eles ocorreram devido à propagação de fortes tremores ocorridos na região dos Andes.

A origem do vulcanismo Serra Geral é ainda debatida, sendo creditado à presença de anomalias térmicas no manto (plumas), seguidas por ruptura da crosta continental, ou ainda à existência de fissuras profundas na crosta. Esse vulcanismo, por sua vez, associou-se à fragmentação do supercontinente Gondwana, que culminou com a formação do assoalho do oceano Atlântico, processo que continua até hoje. As ilhas de Fernando de Noronha (12,3 milhões de anos) e Trindade (3,5-2,5 milhões de anos) são alguns dos marcos vulcânicos, hoje afastados do eixo da Cadeia Meso-Atlântica, que ilustram a expansão do assoalho oceânico. A beleza da paisagem dos derrames da Formação Serra Geral pode ser desfrutada numa visita aos paredões de rocha basáltica [...] que afloram no sul do Brasil, no litoral de Torres, nos canhões do Parque dos Aparados da Serra, ou ainda nas cataratas do rio Iguaçu, que têm sua origem na erosão diferencial dos basaltos. TEIXEIRA, Wilson et al (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. p. 367.

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

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O relevo brasileiro e suas formas A grande diversidade de formas do relevo brasileiro reflete os intensos processos de erosão e sedimentação transcorridos em tempos geológicos mais recentes (Era Cenozoica), associados a fenômenos tectônicos (dobramentos e falhamentos do período Terciário) ocorridos em estruturas geológicas formadas por rochas muito mais antigas. A classificação mais atual do relevo do nosso país leva em consideração os processos que originaram o modelado brasileiro, e distingue a existência de três formas principais de relevo: planaltos, planícies e depressões. Essa classificação considera três importantes critérios ou fatores para explicar as formas de relevo: morfoestrutural, que considera a origem geológica dos terrenos; morfoclimático, que considera a ação dos climas pretéritos; e morfoescultural, que considera a influência dos agentes erosivos externos. De acordo com essa proposta, o relevo brasileiro apresenta 28 compartimentos agrupados em três unidades geomorfológicas distintas. Veja o mapa abaixo. Unidades do relevo brasileiro (Jurandyr L. S. Ross) N

5

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5

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Depressões 8

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26

OCEANO

7 9

18

ATLÂNTICO

3

OCEANO

21

PACÍFICO

Bacias sedimentares 1 - Planalto da Amazônia oriental 2 - Planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba 3 - Planaltos e chapadas da bacia do Paraná Intrusões e coberturas residuais de plataforma 4 - Planaltos e chapada dos Parecis 5 - Planaltos residuais norte-amazônicos 6 - Planaltos residuais sul-amazônicos Cinturões orogênicos 7 - Planaltos e serras do Atlântico leste-sudeste 8 - Planaltos e serras de Goiás-Minas 9 - Serras residuais do Alto Paraguai Núcleos cristalinos arqueados 10 - Planalto da Borborema 11 - Planalto sul-rio-grandense

7

Trópico d

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12 - Depressão da Amazônia ocidental 13 - Depressão marginal norte-amazônica 14 - Depressão marginal sul-amazônica 15 - Depressão do Araguaia 16 - Depressão cuiabana 17 - Depressão do Alto Paraguai-Guaporé 18 - Depressão do Miranda 19 - Depressão sertaneja e do São Francisco 20 - Depressão do Tocantins 21 - Depressão periférica da borda leste da bacia do Paraná 22 - Depressão periférica sul-rio-grandense

Planícies

E. Cavalcante

22 11

Fonte: ROSS, Jurandyr L. S. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Ed. USP, 1995. p. 53.

27

365 km

23 - Planície do rio Amazonas 24 - Planície do rio Araguaia 25 - Planície e pantanal do rio Guaporé 26 - Planície e Pantanal Mato-grossense 27 - Planície das lagoas dos Patos e Mirim 28 - Planícies e tabuleiros litorâneos

50° O

Planaltos: superfícies irregulares e intensamente desgastadas pela erosão, em geral, com altitudes acima de 300 metros. Podem apresentar formações diversas, como serras e chapadas. Planícies: superfícies bastante planas, geralmente com altitudes abaixo de 200 metros, formadas pelo acúmulo de sedimentos de origem lacustre, fluvial ou marinha, depositados em épocas geológicas recentes. Depressões: terrenos de inclinação suave, rebaixados em relação ao seu entorno, mais planos que os planaltos, em geral, com altitudes entre 200 e 350 metros.

120

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Perfis topográficos A-B Altitude (metros) Planaltos residuais 3 000 norte-amazônicos

A

B

2 000 Depressão marginal norte-amazônica

1 000 0

Equador 0°

Planalto da Amazônia oriental Rio Amazonas

Depressão marginal sul-amazônica

Planaltos residuais sul-amazônicos

A

B

C-D Altitude (metros) 3 000 Planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba

1 000 0

Rio Parnaíba

Planalto da Borborema Depressão sertaneja

D

Tabuleiros litorâneos

Unidade 5

2 000

Equador 0°

C

Oceano

C

D

E-F Planaltos e chapadas da bacia do Paraná

Pantanal mato-grossense

1 000 0

Equador 0°

Ilustrações: E. Cavalcante

Altitude (metros) 2 000

Planaltos e serras do leste-sudeste Depressão periférica

E

Rio Paraná

Oceano

E

F

F

Ilustrações produzidas com base em: ROSS, Jurandyr L. S. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Ed. USP, 1995. p. 54-55; 63.

L

Equador

S

Planalto das Guianas Planalto Central Planalto Meridional Planalto Atlântico Planície Amazônica Planície Costeira Planície do Pantanal OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Ca pricórnio

830 km 50° O

Fonte: AZEVEDO, Aroldo de. Brasil: a terra e o homem. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1970. v. 1. p. 186.

Unidades do relevo brasileiro (Aziz Ab’Sáber)

B

N O

L

Equador 0°

S

PLANALTO DAS GUIANAS

PLANÍCIES E TERRAS BAIXAS AMAZÔNICAS PLANALTO DO MARANHÃO-PIAUÍ PLANALTO NORDESTINO

PLANÍCIE DO PANTANAL

OCEANO

PLANALTO MERIDIONAL

PACÍFICO

nio e Capricór Trópico d

PLANALTO URUGUAIORIO-GRANDENSE

SE DO RRA LE S E ST PL E- AN SU A DE LTO ST Í C IE E SE TER RAS B AIXAS L ITO RÂ N

PLANALTO CENTRAL

AN

Já na década de 1950, Aziz Ab’Sáber propôs outra classificação baseada no critério morfoclimático, que explica as formas do relevo a partir da ação do clima. Além disso, os conceitos de planaltos e planícies foram definidos com base nos processos de erosão e sedimentação. Segundo Ab’Sáber, os planaltos são terrenos nos quais os processos de erosão superam os de sedimentação, e as planícies são terrenos em que os processos de sedimentação superam os de erosão (mapa B).

N O

OCEANO ATLÂNTICO

830 km 50º O

S EA

Planalto das Guianas Planalto Brasileiro Planícies Subdivisões do Planalto Brasileiro

PL

Antes da proposta elaborada por Jurandyr Ross, outras classificações do relevo brasileiro foram utilizadas. Na década de 1940, por exemplo, Aroldo de Azevedo classificou as unidades do relevo considerando suas formas e principalmente suas variações altimétricas. Assim, definiu as planícies como superfícies planas e com altitudes inferiores a 200 metros, e os planaltos como formas de relevo mais irregulares situadas acima de 200 metros de altitude. Sua classificação dividiu o território brasileiro em seis grandes unidades de relevo, empregando terminologias geomorfológicas (planaltos e planícies) para cada uma delas (mapa A).

Unidades do relevo brasileiro (Aroldo de Azevedo)

A

Ilustrações: E. Cavalcante

Outras classificações do relevo brasileiro

Fonte: ATLAS geográfico escolar. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006. p. 107. 1 atlas. Escalas variam.

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

121


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Quais são as três grandes estruturas geológicas do relevo continental da Terra? Descreva as principais características de cada uma delas.

página 113 e pesquise em revistas, livros, enciclopédias, na internet etc. as principais características de cada uma dessas formas. Registre o resultado de sua pesquisa na forma de um resumo.

2. Aponte a relação que existe entre a idade das estruturas geológicas e as altitudes do relevo continental.

5. “Podemos dizer que as estruturas geológicas do território brasileiro são antigas, mas as formas do relevo, do ponto de vista geológico, são mais recentes.” Justifique essa afirmação.

3. Compare a altimetria do relevo continental, mostrada no mapa da página 111, com a estrutura geológica representada no mapa da página 110. Com base nessa comparação, responda: a ) As grandes cadeias de montanhas estão associadas à formação de qual estrutura geológica? b ) As coberturas sedimentares do período Quaternário estão associadas às estruturas geológicas mais antigas ou mais recentes?

6. Que fatores explicam o predomínio de baixas altitudes no relevo brasileiro? 7. Com relação aos processos de erosão e deposição, diferencie planícies e planaltos. 8. A mais atual classificação do relevo brasileiro considera três importantes critérios para explicar as formas do relevo. Quais são esses critérios? O que eles levam em conta?

4. Observe novamente as formas do relevo litorâneo mostradas na imagem da

Expandindo o conteúdo 9. Observe as imagens e responda às questões. B

Paisagem da cordilheira dos Andes, no Peru, em 2013.

Wagner Tavares/Pulsar

imageBROKER/Alamy Stock Photo/Latinstock

A

Paisagem de relevo de planalto em Aiuruoca, Minas Gerais, em 2013.

a ) Qual dessas formas de relevo é mais antiga: os planaltos brasileiros ou a cordilheira dos Andes? b ) Quais evidências geológicas podem confirmar essa afirmação?

122


10. Observe, compare o mapa e o perfil topográfico e responda às questões. Perfil topográfico Altitude (metros) 800 600 400

E. Cavalcante

200 0

Bahia: altimetria N

PE

B

PI

MA

O

L

22 A

AL

E T

SE

A

AN

IN

IAM

13

P. D

Bahia

Paraguaç

CHA

Gra

nde

São Fran

SA. GERAL DE GOIÁS

C

cisco

TO

S

12° S

u

Almas (1 836 m)

Salvador

31

GO

Unidade 5

Ilustração produzida com base em: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 170.

a ) As cartas hipsométricas e os perfis topográficos são formas bastante usuais de representação do relevo. Quais informações são privilegiadas em cada uma dessas representações? b ) Qual segmento do mapa corresponde ao perfil topográfico acima? c ) Quais dos segmentos indicados no mapa passam por uma maior variedade de altitudes?

Barbado (2 033 m)

D Altitude em metros

F

1 200 800 500 200 100 0

MG

Monte Pascoal (536 m)

E. Cavalcante

Rios permanentes

OCEANO ATLÂNTICO

44

Pico ES

120 km

42° O

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 170. 1 atlas. Escalas variam.

Serra do Sincorá, município de Ibicoara, Bahia.

Vista geral de planície litorânea em Prado, Bahia.

III

Chapada Diamantina, município de Palmeiras, Bahia.

Claus Meyer/Tyba

Luis Salvatore/Pulsar

II

Luiz Cláudio Marigo/Tyba

I

Fabio Colombini

11. De acordo com o que você estudou sobre as formas do relevo brasileiro, associe corretamente as formas de relevo mostradas nas fotografias aos respectivos números indicados no mapa acima. IV

Depressão do rio São Francisco, município de Paulo Afonso, Bahia.

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

123


Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

As ilhas artificiais de Dubai

A utilização de técnicas cada vez mais avançadas tem possibilitado que o ser humano transforme intensamente as paisagens terrestres, produzindo o espaço geográfico. A cidade de Dubai, uma das maiores dos Emirados Árabes Unidos, país localizado no Oriente Médio, possui alguns exemplos disso. Quem observa sua paisagem em meio ao deserto da Arábia tem a impressão de estar vendo uma miragem, formada pelo contraste entre o deserto e a extensa área ocupada por diferentes construções, permeada por edifícios modernos e luxuosos. Em Dubai, parte da riqueza acumulada pela exploração do petróleo vem sendo investida na construção de edifícios gigantescos, que chegam a ter 100 andares. Além dessas impressionantes obras arquitetônicas, o que se destaca em Dubai é a construção de arquipélagos artificiais em meio às águas do Golfo Pérsico. Esses verdadeiros relevos artificiais são o resultado de técnicas de engenharia moderna que extraem milhares de toneladas de areia do fundo do oceano que são depositadas, gradativamente, em lugares estratégicos, dando origem às ilhas.

A imagem abaixo mostra parte das ilhas artificiais construídas em Dubai. Mike Theiss/National Geographic Creative/Corbis/Latinstock

Imagem de Dubai mostrando parte do arquipélago artificial com formato de palmeira, em 2014.

As ilhas artificiais de Dubai são projetadas para abrigar moradias, construções comerciais e, principalmente, imponentes complexos hoteleiros de luxo, que pretendem atrair milhares de turistas todos os anos.

124


Limite vertical

Porém, três anos depois do acidente, a equipe de alpinistas liderada pela irmã de Peter passa dificuldades ao escalar o K2, a segunda maior montanha do mundo. A mais de 8 mil metros de altitude e com temperaturas extremamente baixas, a equipe não consegue retornar. Urgentemente, Peter Garrett precisa formar uma equipe e enfrentar novamente uma perigosa escalada para salvar sua irmã.

Título: Limite vertical Diretor: Martin Campbell Principais atores: Chis O’Donnell, Robin Tunney e Bill Paxton Ano: 2000 Duração: 124 minutos Origem: Estados Unidos

Unidade 5

Após um terrível acidente ocorrido em uma escalada, no qual perdeu seu pai, o alpinista Peter Garrett abandonou sua profissão.

Filme de Martin Campbell. Limite vertical. EUA. 2000

A Geografia no cinema

Para assistir

••EVEREST. Direção: Baltasar Kormákur. Universal Pictures do Brasil, 2015.

Dois grupos de alpinistas, no ano de 1996, resolvem escalar o monte Everest, mas a vida de todos é colocada em risco por uma grande nevasca. Todos lutam para manter-se vivos em meio a muitos obstáculos quase impossíveis de serem superados.

••O INGLÊS que subiu a colina e desceu a montanha. Direção: Christopher Monger.

Touchstone, 1995. O filme retrata a história de dois cartógrafos que recebem a missão de descobrir se a elevação do relevo existente em uma pequena cidade consiste em uma montanha ou apenas uma colina.

Para ler

••KRAKAUER, Jon. Na natureza selvagem. Tradução Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

••GUERRA, Antonio J. Teixeira; CUNHA, Sandra B. (Org.). Geomorfologia do Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

••LONDON,

Jack. O chamado selvagem. Tradução Luiz Antonio Aguiar. São Paulo: Melhoramentos, 1996.

Para navegar

••COMPANHIA

de Pesquisa de Recursos Minerais – Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Disponível em: <http://tub.im/sfh5x9>. Acesso em: 9 set. 2015.

••GEOMORFOLOGIA. Disponível em: <http://tub.im/a3eevm>. Acesso em: 9 set. 2015. ••UNIÃO da Geomorfologia Brasileira (UBG). Disponível em: <http://tub.im/nj4uww>. Acesso em: 9 set. 2015.

••INSTITUTO Oceanográfico (IOUSP). Disponível em: <http://tub.im/jevss3>. Acesso em: 9 set. 2015.

••SOCIEDADE Brasileira de Geofísica (SBGF). Disponível em: <http://tub.im/u97xk4>. Acesso em: 9 set. 2015.

••BRASIL em relevo. Disponível em: <http://tub.im/cd5jpz>. Acesso em: 9 set. 2015. Estruturas geológicas e o relevo terrestre

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Questões do Enem e Vestibular 1. (Fuvest-SP) Do ponto de vista tectônico, núcleos rochosos mais antigos, em áreas continentais mais interiorizadas, tendem a ser os mais está­ veis, ou seja, menos sujeitos a abalos sísmicos e deformações. Em termos geo­m orfológicos, a maior estabilidade tectônica dessas áreas faz que elas apresentem uma forte tendência à ocorrência, ao longo do tempo geológico, de um processo de: A. a ) aplainamento das formas de relevo, decorrente do intemperismo e da erosão. b ) formação de depressões absolutas, gerada por acomodação de blocos rochosos. c ) formação de canyons, decorrente de intensa erosão eólica. d ) produção de desníveis topográficos acen­ tuados, resultante da contínua sedimentação dos rios. e ) geração de relevo serrano, associada a fatores climáticos ligados à glaciação. 2. (UTFPR-PR) As estruturas geológicas da crosta terres­tre refletem os processos que as originaram e ajudam a reconstituir a história do planeta. Em relação a esse assunto é correto afirmar que: B. a ) O s e s c u d o s c r i s t a l i n o s c o n s t i t u e m o embasa­mento fundamental das terras emersas, pois se originaram de dobramentos modernos. b ) As bacias sedimentares resultam da ação com­b inada dos proce s sos de str utivos de ero­­são e dos processos construtivos de acumulação ou sedimentação. c ) O núcleo da Terra encontra-se em estado pastoso. d ) O manto é o envoltório rochoso da Terra. e ) Os vulcões são gerados por violentos movimentos de massas no interior do núcleo. 3. (UEM-PR) Com relação ao relevo submarino e à mor­fologia litorânea, assinale o que for correto.

(01) e (04). Total: 05

( 01) Na margem continental sul-americana, no Oceano Pacífico, o encontro das crostas oceânica e continental coincide com o encontro convergente das placas Sul-Americana e de Nazca. Nessa borda, ocorre a formação de fossas marinhas.

Anote as respostas no caderno.

( 0 2) A região pelágica corresponde à crosta continental propriamente dita, que é geologicamente distinta da crosta oceânica. Nessa região, onde ocorre encontro de placas transcorrentes, surgem as grandes cordilheiras nas bordas continentais, entre elas, podem-se destacar as cordilheiras dos Andes e do Himalaia. ( 0 4) A plataforma continental é relativamente plana e constitui a continuação da estrutura geológica do continente abaixo do nível do mar. Por apresentar profundidade média de 200 metros, recebe luz solar, propiciando o desenvolvimento de vegetação marinha, bem como a concentração de cardumes, o que favorece a pesca. ( 0 8) O fiorde é a mais notável ação erosiva do movimento das águas oceânicas no litoral. Sua origem está relacionada aos impactos das ondas, diretamente contra formações rochosas cristalinas ou sedimentares, muito comuns no Nordeste brasileiro e no litoral do Rio Grande do Sul. ( 16) As barras são barreiras próximas à praia que diminuem ou bloqueiam o movimento das ondas. Sua origem pode ser biológica, quando constituídas por carapaças de animais marinhos, ou arenosas, quando formadas por uma restinga que se consolida em rochas sedimentares.

4. (UEM-PR) Sobre as relações entre estruturas geológicas e o relevo, assinale o que for correto. (02), (08) e (16). Total: 26

( 01) O relevo de serras que caracteriza a região Sul do Brasil foi produzido por choque entre as placas tectônicas sul-americana e africana. ( 0 2) Dois tipos de estruturas geológicas compõem o relevo brasileiro: escudos cristalinos e bacias sedimentares. ( 0 4) No território brasileiro, ocorrem duas grandes bacias sedimentares, caracterizadas por movimentos orogênicos que ocorreram durante o Terciário. ( 0 8) A Cordilheira dos Andes é um exemplo de dobramentos modernos que ocorrem nas bordas convergentes das placas tectônicas. (16) Os escudos cristalinos são constituídos por rochas muito antigas, que foram, ao longo do tempo, modeladas pelo intemperismo e erosão.

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Respostas na página 252.

6. (UEM-PR) Sobre os recursos minerais do Brasil e a sua utilização, assinale o que for correto. (02), (08) e (16). Total: 26 ( 01) O Brasil se destaca mundialmente pela importância das suas reservas de prata, cobre, urânio e chumbo. ( 02) As indústrias da construção civil, siderúrgica e metalúrgica utilizam os minerais como fonte importante de matérias-primas. ( 04) O Brasil detém o primeiro lugar em reservas de minério de ferro no mundo, mas ocupa o sexto lugar na produção mundial, dado o baixo teor de ferro presente nesse minério. ( 08) O alumínio é um metal extraído da bauxita e muito empregado na produção de diversos itens, como carros, aviões, janelas etc. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de bauxita. ( 16) A Vale do Rio Doce é a maior companhia mineradora que atua no país. Ela possui capitais públicos e privados nacionais e a participação de diversas empresas estrangeiras. 7. (UFU-MG) O território brasileiro é formado, basicamente, por duas unidades geológicas: os escudos cristalinos e as bacias sedimentares, cuja ação dos agentes modeladores deu origem a três formas básicas de relevo denominados de planaltos, planícies e depressões. C.

b ) Os planaltos são áreas onde predominam os processos de erosão sobre a deposição de sedimentos, podendo ser classificados em planaltos cristalino e sedimentar como os Planaltos Residuais Norte-Amazônico e os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná. c ) Nas depressões caracterizadas por serem áreas baixas, circundadas por regiões de relevo mais elevado, onde predomina o processo de sedimentação, como nas planícies, causado pelo desgaste do relevo no entorno. d ) O relevo brasileiro, na classificação de Jurandyr Ross, é constituído, predominantemente, por planaltos e depressões, estando as planícies restritas a vales de importantes rios e à extensa faixa costeira.

8. (UEL-PR) O relevo corresponde ao conjunto de formas apresentadas na superfície terrestre. Essas formas são definidas pela estrutura geológica combinada com as ações da dinâmica interna e externa da Terra. Em 1985, o professor Jurandyr Ross elaborou uma classificação do relevo brasileiro com base em três fatores geomorfológicos: Respostas na página 252. 1. morfoestrutura – origem geológica; 2. paleoclima – ação de antigos agentes climáticos; 3. morfoclima – influência dos atuais agentes climáticos. Essa classificação associa o passado geológico e o passado climático com os atuais agentes escultores do relevo. Com base nesta associação, o professor Ross identificou três tipos de relevo. a ) Indique cada tipo de relevo e descreva suas características. b ) De que forma essas características influenciam a vida nas cidades?

9. (UNIFESP-SP) Observe o mapa. N O

L S

Planaltos Depressão Planícies

(Ross, 2000. Adaptado.)

Equador 0°

Gilberto Alicio

Sobre a estrutura geológica e modelado brasileiro, assinale a alternativa correta. a ) As planícies, ao contrário dos planaltos, são áreas onde predominam os processos de sedimentação sobre a erosão, sendo o acúmulo de sedimentos realizado pela ação da água dos rios, mares ou lagos. São exemplos no Brasil a Planície do Rio Amazonas e as Planícies e Tabuleiros Litorâneos.

1 050 km

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

127

Unidade 5

5. (Unicamp-SP) Rocha é um agregado natural composto por um ou vários minerais e, em alguns casos, resulta da acumulação de materiais orgânicos. As rochas são classificadas como ígneas, metamórficas ou sedimentares. a ) Quais são os processos de formação das rochas metamórficas? b ) A Região Sul do Brasil destaca-se na produção de carvão mineral, que é extraído de rochas sedimentares do período Carbonífero. Que condições ambientais permitiram a acumulação desse material orgânico e que processos levaram à posterior formação do carvão mineral?


Assinale a alternativa que contém as formas de relevo predominantes em cada porção do território brasileiro indicada, de acordo com a classificação de Ross. C. a ) Faixa litorânea: depressões. b ) Amazônia Legal: planícies. c ) Fronteira com o Mercosul: planaltos. d ) Região Sul: planícies. e ) Pantanal: planaltos.

10. (UFG-GO) O relevo terrestre é dinâmico. Ele se forma e modifica-se em virtude de fatores internos e externos. Considerando a dinâmica do Planalto Central brasileiro, constata-se que a transformação desse relevo ocorre por causa: a ) do soerguimento da crosta terrestre produB. zido pelo tectonismo. b ) dos processos erosivos mais intensos do que os de deposição de materiais provocados pelo intemperismo. c ) do rebaixamento do relevo em virtude de movimento das placas tectônicas. d ) da sedimentação de materiais em detrimento dos processos de degradação oriundos de atividade fluvial. e ) dos falhamentos formados em decorrência de um sistema de fraturas ocorrido na crosta terrestre.

11. (ENEM-MEC) As plataformas ou crátons correspondem aos terrenos mais antigos e arrasados por muitas fases de erosão. Apresentam uma grande complexidade litológica, prevalecendo as rochas metamórficas muito antigas (Pré-Cambriano Médio e Inferior). Também ocorrem rochas intrusivas antigas e resíduos de rochas sedimentares. São três as áreas de plataforma de crátons no Brasil: a das Guianas, a Sul-Amazônica e a do São Francisco. ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1998.

As regiões cratônicas das Guianas e a Sul-Amazônica têm como arcabouço geológico vastas extensões de escudos cristalinos, ricos em minérios, que atraíram a ação de empresas nacionais e estrangeiras do setor de mineração e destacam-se pela sua história geoló­gica por: A. a ) apresentarem áreas de intrusões graníticas, ricas em jazidas minerais (ferro, manganês). b ) corresponderem ao principal evento geológico do Cenozoico no território brasileiro.

128

c ) apresentarem áreas arrasadas pela erosão, que originaram a maior planície do país. d ) possuírem em sua extensão terrenos cristalinos ricos em reservas de petróleo e gás natural. e ) serem esculpidas pela ação do intemperismo físico, decorrente da variação de temperatura.

12. (FGV-RJ) Sobre a formação geológica do território brasileiro, assinale a alternativa correta: A. a ) O Brasil não apresenta dobramentos modernos, mas apresenta vestígios de antigos dobramentos do Pré-Cambriano. b ) As províncias Mantiqueira, Borborema e Tocantins resultam de processos orogenéticos ocorridos no Cenozoico. c ) As camadas rochosas da bacia sedimentar do Paraná atestam a ocorrência de extensos derrames vulcânicos durante o Pré-Cambriano. d ) As províncias Guiana Meridional, Xingu e São Francisco figuram entre as principais bacias sedimentares brasileiras. e ) A Serra do Mar foi formada pelo ciclo orogenético ocorrido no Quaternário. 13. (UFPR-PR) No dia 11 de março de 2011, ocorreu na região central da Serra do Mar para­n aense um conjunto de escorregamentos, desencadeados em virtude de elevados índices pluviométricos concentrados nesse dia, associados à umidade acumulada dos dias antecedentes. Os escorregamentos, predominantemente, situaram-se nas posições superiores e íngremes das encostas. O volume de material desprendido nesse episódio, por meio dos escorregamentos, consistiu de blocos rochosos, solo e troncos de árvores, que foram transportados e seguiram caminho de fluxo em direção às áreas de planície, resultando em mortes e grandes danos por destruição total ou parcial de casas, ruas, estradas, pontes e lavouras. Sobre esse evento ocorrido na Serra do Mar do estado do Paraná, identifique as afirmativas a seguir como verdadeiras (V) ou falsas (F): C.

• •Os

solos nas posições superiores das encostas da Serra do Mar paranaense apresentam-se pouco espessos, característica que contribuiu para os escorregamentos, levando a uma rápida saturação hídrica pelo evento de chuva, o que promo­v eu o desencadeamento dos processos.


dos fatores que agravou a ocorrência dos escorregamentos nesse evento na Serra do Mar paranaense foi a ocupação urbana nas áreas mais elevadas, pois exercem grande peso nas encostas. • •A declividade da encosta afeta diretamente na sua estabilidade frente aos processos de e scorregamento, motivo pelo qual a maior parte deles ocorreu nas áreas mais declivosas. • •Consensualmente, sabe-se, no meio científico, que, devido ao aquecimento global promovido pela ação do homem, os valores de precipitação aumentarão na Serra do Mar, ampliando cada vez mais a ocorrência desses processos e a sua área de influência. Identif ique a alternativa que apre senta a sequên­c ia correta, de cima para baixo. a ) V – F – V – V.

ou cadeias de morros com topos em crista, características das regiões Sudeste e Sul do Brasil.

• •Planaltos são superfícies planas com altitu-

des acima de 1 000 metros, formados pela acumulação recente de material de origem marinha e fluvial, ocupando quase um terço do território brasileiro.

• •Depressões são superfícies com 100 a 500 metros de altitude, situadas abaixo do nível altimétrico das regiões adjacentes, como as colinas e morros da Depressão Central do Rio Grande do Sul.

• •Tabuleiros são superfícies com 20 a 50 me-

tros de altitude, em contato com o oceano, geralmente com topo plano e limite abrupto em direção ao mar, típicos da região costeira do Nordeste brasileiro.

b ) F – V – V – V.

A sequência correta das afirmações, de cima para baixo, é:

c ) V – F – V – F.

a ) F – V – F – V.

d ) F – F – F – V.

b ) V – F – F – V.

e ) V – V – F – F.

c ) F – F – V – V.

14. (UFRGS-RS) A combinação de chuvas fortes com moradias inseguras já tornou rotineiras as tragédias nas grandes cidades brasileiras. Os deslizamentos nas encostas, muitas vezes responsáveis por tais tragédias, são condicionados por fatores geomor fológicos, entre outros. D. Considere os seguintes fatores geomorfológicos.

1. declividade e forma da encosta

2. relevo com porções côncavas na convergência dos fluxos de água

3. relevo com porções convexas na divergência dos fluxos de água Quais estão relacionados aos deslizamentos das encostas? a ) Apenas 1. b ) Apenas 2. c ) Apenas 3. d ) Apenas 1 e 2. e ) Apenas 1 e 3.

15. (UFRGS-RS) Identifique com V (verdadeiro) ou com F (falso) as afirmações abaixo, referentes às formas do relevo brasileiro. C. • •Chapadas são superfícies com no máximo 100 metros de altitude, formadas por morros

d ) F – V – V – F. e ) V – V – F – F.

16. (PUC-MG) A ideia propagada, por muito tempo, de o território brasileiro ser absolutamente estável geologicamente e, portanto, livre de terremotos, é errônea. A sismicidade brasileira é modesta se comparada à da região andina, mas é significativa, visto que aqui já ocorreram vários tremores com magnitude acima de 5 o na Escala Richter, como os eventos em Pacajus (CE, 1980) e em João Câmara (RN, 1986). Esses fatos indicam que o risco sísmico em nosso país não pode ser ignorado. Explica a baixa sismicidade brasileira em relação à região andina: A. a ) a distância em relação às bordas leste e oeste da Placa Tectônica Sul-Americana. b ) a baixa altitude média do relevo brasileiro, formado predominantemente por planícies. c ) a inexistência de atividade vulcânica, causadora dos abalos sísmicos de maior intensidade. d ) a causa desses tremores ser justificada pela atividade mineradora no território brasileiro.

Estruturas geológicas e o relevo terrestre

129

Unidade 5

• •Um


unidade

130

Hidrosfera e a dinâmica das åguas continentais


A água atua de maneira muito importante na dinâmica da Terra, por exemplo, na modelação do relevo, nos aspectos climáticos, nas diversas atividades desenvolvidas pelo ser humano, como produção de alimentos, navegação, geração de energia etc. No entanto, a água precisa ser cada vez mais valorizada e cuidada pelo fato de ser fundamental para a nossa existência, assim como de muitas outras formas de vida em nosso planeta. Em muitos lugares do mundo há pessoas desprovidas de água para beber, cuidar da higiene ou produzir alimentos. A Na região em que você mora, há problemas

com falta de água? B Na sua opinião, esse é um problema que

Rajesh Kumar Singh/AP Photo/Other Images

não vai atingir você e sua família?

Esta imagem retrata a essencialidade da água para um ser humano. O nosso organismo, composto de 70% de água, resiste a apenas três dias sem esse precioso líquido.

131


A água na Terra A água é certamente uma das substâncias mais singulares da natureza. Sua origem na Terra remonta à própria formação do planeta, ocorrida há cerca de 4,6 bilhões de anos. A partir do resfriamento progressivo da Terra, ainda nos seus primórdios, os vulcões expeliram grandes quantidades de vapor de água e gases durante centenas de milhões de anos, dando assim origem a uma atmosfera primitiva (veja figura A).

C

Christian Jegou Publiphoto Diffusion/SPL/Latinstock

A

B

Ilustrações conforme: PLANETA Terra. Rio de Janeiro: Abril, 1996. p. 6. (Ciência e Natureza).

••Contrapondo a teoria de que a água estava presente na Terra já no início de sua

formação, outras hipóteses sugerem que a água pode ter sido trazida por corpos celestes (asteroides, cometas, meteoritos) que se chocaram com nosso planeta nos primórdios de sua história. Pesquise em revistas, livros, enciclopédias, na internet etc, sobre essas teorias, escolha a que você considerar mais interessante e traga para os colegas de sala.

A dinâmica hídrica Ponto de saturação: quantidade máxima de vapor de água que o ar pode conter a determinada pressão e temperatura.

132

A água está em constante movimento na natureza, participando ativamente da transformação e modelagem das paisagens terrestres (veja imagem na página seguinte). Em razão do calor emitido pelos raios solares, parte da água da superfície terrestre é aquecida e evapora para a atmosfera (1). O vapor de água da atmosfera se condensa e forma nuvens carregadas de gotículas de água (2). Quando as nuvens atingem o ponto de saturação, elas se precipitam para a superfície na forma de chuva, neve, granizo etc. (3). Ao atingir a superfície, a água segue, por força da gravidade, para as partes mais baixas do relevo, alimentando córregos, rios, lagos e oceanos (4). Uma parte dessa água se infiltra no solo e abastece os lençóis freáticos ou subterrâneos, também chamados aquíferos (5). Parte da água da superfície é novamente aquecida pela radiação solar, evapora e retorna para a atmosfera, dando continuidade ao ciclo da água.

Lynette Cook/SPL/Latinstock

Mark Garlick/SPL/Latinstock

À medida que as temperaturas foram lentamente baixando, o vapor de água da atmosfera se condensou e formou as nuvens e as chuvas abundantes, que caíram durante muito tempo na superfície terrestre (veja figura B). Essas chuvas moldaram as rochas e deram origem aos oceanos, mares, rios, lagos e depósitos subterrâneos, além de permitir a vida na Terra (veja figura C).


Claus Lunau/SPL/Latinstock

Ciclo da água na natureza

2 3

1 4

Unidade 6

5

Anualmente, cerca de 119 mil km3 de água se precipitam sobre os continentes. Desse total, aproximadamente 72 mil km3/ano retornam à atmosfera por meio da evapotranspiração. O restante do volume de água, ou seja, 47 mil km3, denominado excedente hídrico, está distribuído entre as águas continentais superficiais e subterrâneas. O volume de águas subterrâneas, bem maior que o volume de águas superficiais, corresponde a cerca de 96% de toda a água doce líquida encontrada na Terra.

Ilustração conforme: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. Tradução Rualdo Menegat et al. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 315.

Onde está a água Desde o seu surgimento, o volume total de água no planeta permanece praticamente o mesmo, algo em torno de 1,36 bilhão de quilômetros cúbicos. Todo esse volume de água está distribuído de maneira desigual pela hidrosfera, na forma de oceanos, mares, rios, lagos, geleiras, depósitos subterrâneos etc. Veja, nos gráficos abaixo, como está distribuída a água na Terra.

Terra: distribuição da água 2,5% águas doces

Água doce per capita (m3)

Terra: água doce rios e lagos 0,3%

Evapotranspiração: processo simultâneo de perda de água pelo solo por evaporação e de perda de água das plantas pela transpiração.

outros reservatórios 0,9% 23 637

8 834

4 897

4 752

águas salgadas 97,5%

Fonte: TEIXEIRA, Wilson et al (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. p. 422.

Leste da Ásia e Pacífico

Fonte: TEIXEIRA, Wilson et al (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. p. 422.

Europa e Ásia Central

1 202 642 América Latina Oriente Médio Sul da e Caribe e África do Norte Ásia

África Subsaariana

Ilustrações: E. Cavalcante

aquíferos 29,9%

geleiras 68,9%

Fonte: WORLD watch: a dynamic visual guide packed with fascinating facts about the world. 2. ed. Harper Collins Publishers: Hong Kong, 2012. p. 91.

• Identifique as duas maiores fontes de água doce no planeta Terra. O que se pode concluir sobre a maior ou menor disponibilidade de água doce entre as regiões do mundo?

Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

133


Águas continentais, redes de drenagem e bacias hidrográficas Ainda que as águas continentais representem apenas 2,5% do volume total de água existente no planeta, elas constituem um recurso de inestimável importância econômica e social. Essas águas, encontradas na forma de rios, lagos, aquíferos e geleiras, estão distribuídas em redes ou sistemas de drenagens que se organizam na forma de bacias hidrográficas (veja ilustrações abaixo). Situada entre divisores de água, como são chamadas as porções mais altas do relevo (morros, colinas, serras e montanhas), cada bacia hidrográfica capta a água que se precipita sobre suas vertentes ou encostas, encaminhando-a para o interior da bacia, tanto pela superfície quanto pelo subsolo, em direção aos vales e canais fluviais (córregos, riachos e rios) situados nas partes mais baixas do relevo. Além das águas das chuvas, também chamadas águas pluviais, os rios e lagos que compõem as redes hidrográficas são abastecidos pelas águas subterrâneas, quando o lençol freático atinge a superfície formando nascentes. Em regiões de clima árido e semiárido, ocorre o contrário, ou seja, são os rios que se formam durante os curtos períodos chuvosos que transmitem água ao subsolo. Em regiões de climas frios, os rios e lagos também são abastecidos pelas águas provenientes do derretimento de neve ou geleiras. Veja abaixo o esquema de uma bacia hidrográfica e conheça suas principais partes. Esquema de uma bacia hidrográfica divisor de águas

A

Enquanto a rede de drenagem é o conjunto de rios interligados que drenam as águas de uma porção da superfície terrestre (imagem A), a bacia hidrográfica corresponde à rede de drenagem mais a área drenada pelo rio principal e o conjunto de seus afluentes (imagem B).

Ilustrações: N. Akira

B

Ilustração produzida com base em: CHRISTOPHERSON, Robert W. Geossistemas: uma introdução à Geografia física. Tradução Francisco Eliseu Aquino et al. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. p. 432-433.

134


Blaine Harrington III/Alamy Stock Photo/Latinstock

Tipos de drenagem

Mas se a rede de drenagem, por motivo geográfico ou climático, se dirigir para o interior do continente e não chegar ao mar, ela é chamada endorreica (em grego, endo significa dentro). Esse é o caso, por exemplo, do rio Volga, o maior rio da Europa, que nasce no norte da Rússia e deságua no mar Cáspio, isolado na Ásia Central. Outro exemplo desse tipo de drenagem é a do rio Okavango (veja foto ao lado), que nasce no interior de Angola e dispersa suas águas em um grande pântano localizado na borda do deserto do Kalahari, em Botsuana, no sudoeste africano.

Unidade 6

As águas dos rios escoam pela superfície terrestre sempre das partes mais altas para as partes mais baixas do relevo até encontrar e lançar suas águas em outro rio, lago ou oceano. Quando a rede de drenagem se dirige do continente ao oceano, ela é chamada exorreica (em grego, exo significa fora). Nesse caso, a água drenada pelos rios da bacia se dirige para o mar – é isso o que ocorre com todos os rios brasileiros. Mesmo os rios que correm para o interior, como o Tietê, que deságua no rio Paraná, por exemplo, têm como destino final o oceano.

Delta do Okavango, Botsuana, em 2015.

O regime dos rios As características naturais de uma região, como as feições do relevo, a estrutura geológica, os tipos de vegetação e as condições climáticas, interferem diretamente na dinâmica de uma bacia hidrográfica. As condições climáticas, por exemplo, provocam alterações no regime dos rios, também chamado regime fluvial, o que causa variação sazonal no volume e no nível de águas ao longo do ano. Essa variação pode ocorrer principalmente pela quantidade de chuvas ou pela água proveniente do degelo de neve ou geleiras, como ocorre em regiões de clima frio ou de grandes altitudes (veja quadro ao lado). Assim, durante certas épocas do ano, o volume de água que abastece uma bacia aumenta, e os rios atingem o nível mais alto, ocasionando o período das cheias. Em outras épocas do ano, porém, o volume de água que alimenta a bacia diminui, e os rios atingem o nível mais baixo, período das vazantes.

Tipos de regime Regime pluvial: as cheias e as vazantes dependem basicamente da quantidade de chuvas, ou seja, as cheias ocorrem na estação chuvosa e as vazantes, na estação seca. Regime nival: as cheias ocorrem pelo derretimento de neve. É mais comum em regiões de clima frio, com a ocorrência de neve no inverno e degelo no verão. Regime glacial: as cheias ocorrem pelo derretimento de geleiras, caso comum dos rios localizados em latitudes elevadas, com inverno rigoroso e verão curto. Regime misto: os rios recebem tanto águas das chuvas como de derretimento de neve ou geleiras. Pedro S. Werneck/RW Cine

No Brasil, a maioria dos rios possui regime pluvial, apresentando cheias nos períodos chuvosos e vazantes nas estações de seca. O rio Amazonas, no entanto, possui regime misto, pois seu curso é abastecido pelas abundantes chuvas que caem na região e também pelo degelo de neve da cordilheira dos Andes, onde estão localizadas suas nascentes e as de vários de seus afluentes. Ao lado, laguna McIntyre, nascente do rio Amazonas, nos Andes, Peru, em 2009. Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

135


Dinâmica e aproveitamento das águas fluviais Eclusa: obra de engenharia construída no curso de um rio ou em canais marítimos, para permitir a movimentação de embarcações em trechos com desníveis do nível da água, formados por corredeiras e cachoeiras.

Esquema de eclusa

Os rios drenados em regiões com chuvas regulares mantêm seu curso perene durante o ano todo e nunca secam. Já os rios que percorrem regiões áridas e semiáridas costumam secar nos períodos de longas estiagens – por isso, são chamados temporários. Existem alguns rios que, mesmo atravessando regiões semiáridas ou desérticas, mantêm seu curso perene, pois são abastecidos pelas chuvas que caem em sua nascente, localizada em regiões chuvosas. No Brasil, por exemplo, o rio São Francisco atravessa grande parte do sertão semiárido, mas seu curso se mantém perene devido às chuvas que caem na região de sua nascente, em Minas Gerais. O mesmo acontece com o rio Nilo, na África, que mantém seu curso regular o ano todo, ainda que a maior parte dele atravesse extensas áreas do deserto do Saara. O relevo também interfere diretamente nas características dos cursos fluviais. Os rios drenados em terrenos mais planos apresentam pouca declividade e desnível em seu curso, sendo, por isso, mais favoráveis à navegação. Isso ocorre com os rios localizados na região Amazônica, por exemplo, onde desempenham um papel importante no transporte de pessoas e mercadorias.

Delfim Martins/Pulsar

válvula de dreno

A

válvula de enchimento

Já os rios que fluem em terrenos irregulares apresentam desníveis acentuados em seu curso e possuem maior potencial para a geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas. Nesse tipo de rio, a navegação pode ser realizada somente nos trechos em que não há cachoeiras ou corredeiras, nas represas formadas pelos reservatórios de hidrelétricas ou com a construção de eclusas.

Ilustração produzida com base em: DEPARTAMENTO Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Disponível em: <www1.dnit.gov.br/hidrovias/eclusa.htm>. Acesso em: 30 set. 2015.

B

As imagens acima mostram o rio Tapajós, em Santarém, Pará, com nível elevado (foto A), em agosto de 2014, e no período da vazante (foto B), em novembro de 2014. Nessas imagens, as construções podem ser usadas como referência para percebemos a diferença do nível das águas entre uma época e outra.

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Delfim Martins/Pulsar

válvula de enchimento

lustrações: Paula Radi

válvula de dreno


A fisionomia e os tipos de canais fluviais A declividade do relevo, a estrutura geológica, o solo, o clima e a vegetação interferem diretamente na fisionomia dos cursos fluviais, sobretudo na largura, na profundidade e na forma dos canais ao longo do rio. Veja os exemplos.

Canal anastomosado: em regiões planas e geralmente úmidas e alagadas, nas quais as águas do rio não têm energia para transportar os sedimentos mais grossos e pesados, esses materiais se acumulam no leito e formam ilhas assimétricas e barras arenosas. Com isso, as águas se dividem em múltiplos canais, que se ramificam e se cruzam de maneira assimétrica (anastomosada) (veja imagens C e C’). Canal entrelaçado: em algumas regiões, em geral de condições climáticas mais secas, em terrenos com maiores declividades e onde as margens são facilmente erodidas, as águas dos rios transportam grande quantidade de sedimentos que obstruem a corrente e ramificam-na, formando canais entrelaçados (veja imagens D e D’).

B

Unidade 6

Canal meandrante: em terrenos planos e com pouca declividade, as águas dos rios escoam com pouca velocidade, o que favorece a formação de leitos com curvas sinuosas e semelhantes entre si, chamadas meandros. Nesse tipo de canal, há grande deposição de sedimentos e formação de bancos de areia em sua margem convexa, onde as águas fluem mais lentamente (veja imagens B e B’).

A

C

D

Ilustrações: Paula Radi

Canal retilíneo: comum em regiões em que o relevo apresenta desníveis acentuados e as águas dos rios escoam com maior velocidade sem apresentar grandes desvios. Muitas vezes, esses canais se formam em terrenos com formação rochosa homogênea, que oferece resistência à erosão fluvial (veja imagens A e A’).

C’

Rio com canal anastamosado no Amazonas, em 2013.

Hemis/Alamy Stock Photo/Latinstock

Rio com canal meandrante na França, em 2014. Marcos Amend/Pulsar

Rio com canal retilíneo no Paraná, em 2014.

B’

sam oakes/Alamy Stock Photo/Latinstock

A’

Mauricio Simonetti/Pulsar

Ilustração produzida com base em: TEIXEIRA, Wilson et al (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. p. 197.

D’

Rio com canal entrelaçado no Nepal, em 2013.

Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

137


A rede hidrográfica brasileira O Brasil se destaca como um dos países que detêm abundantes reservas de água doce, com extensos rios, lagos e depósitos subterrâneos. Essa disponibilidade hídrica deve-se, principalmente, ao predomínio de climas úmidos e chuvosos (equatorial, tropical e subtropical) em grande parte do território brasileiro. Por outro lado, o clima semiárido atua em extensas áreas do nosso país, sobretudo no sertão nordestino, que apresentam carência hídrica em razão dos baixos índices pluviométricos (veja mapa ao lado).

Pluviosidade média no Brasil N O

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PE

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Precipitação média anual em mm*

OCEANO ATLÂNTICO

MG

O predomínio de climas chuvosos e as características da estrutura geológica do nosso território favorecem o escoamento superficial do excedente hídrico, formando uma das mais extensas redes hidrográficas do mundo. As águas dos rios brasileiros são utilizadas no abastecimento da população, na irrigação de terras agricultáveis, na atividade pesqueira, no transporte de mercadorias e pessoas, e também na geração de energia hidrelétrica.

ES

MS SP

RJ

PR

Trópico de Capricór nio

SC

* Considerando o período de 1931-1990.

OCEANO PACÍFICO

RN PB

RS

575 km

50° O Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 25. 1 atlas. Escalas variam.

Regiões hidrográficas do Brasil N O S

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E. Cavalcante

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Paraguaçu

Cada uma dessas regiões abrange uma ou mais bacias hidrográficas, como mostra o mapa ao lado. Observe a área de cada uma dessas regiões e conheça suas principais características.

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OCEANO ATLÂNTICO

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Atlântico Nordeste Ocidental Parnaíba Atlântico Nordeste Oriental São Francisco Atlântico Leste Atlântico Sudeste Paraguai Paraná Uruguai Atlântico Sul

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O Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) divide a rede hidrográfica brasileira em 12 regiões hidrográficas, delimitadas com o intuito de facilitar a aplicação de políticas públicas voltadas aos recursos hídricos.

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Amazônica OCEANO PACÍFICO Tocantins-Araguaia

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Região hidrográfica

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• Comparando os mapas

desta página, que conclusões podemos estabelecer em relação à disponibilidade hídrica entre as regiões hidrográficas brasileiras?

385 km

50° O Fonte: AGÊNCIA Nacional das Águas (ANA). Disponível em: <www.ana.gov.br/ bibliotecavirtual/arquivos/20061107162314_Brasil_RegioesHidrograficas_nivel01_ imagem.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2015.

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Região hidrográfica da Amazônia: ocupa cerca de 45% do território brasileiro e impressiona pela presença de rios extensos, entre eles o rio Amazonas, o mais extenso e volumoso do mundo. A enorme vazão desse rio se explica pelo clima chuvoso da região e pela presença de afluentes que, por estarem nos dois hemisfé­rios, captam duas cheias anuais: as cheias do hemisfério Norte, que enchem os afluentes da margem esquerda, e as do hemisfério Sul, que abastecem os afluentes da margem direita.

Região hidrográfica do Tocantins-Araguaia: ocupa cerca de 11% do território do país. Seus principais rios correm do sul para o norte em relevos de planaltos irregulares, o que facilita o represamento de suas águas para a geração de energia elétrica. Parte desse potencial é explorada pela Usina Hidrelétrica de Tucuruí, a segunda maior do país, instalada no baixo curso do rio Tocantins, no estado do Pará.

Ricardo Lima/Futura Press

Com o avanço da fronteira agrícola na região, sobretudo com o cultivo de grãos, muitos dos seus rios representam grande potencial para a formação de polos e projetos de irrigação agrícola ao longo de suas margens. Mesmo com extensos trechos navegáveis utilizados para escoar parte da produção agrícola, a movimentação de cargas pelos seus rios encontra dificuldades naturais, como a diminuição do volume das águas durante os períodos de seca e a descontinuidade dos trechos navegáveis, em razão da existência de cachoeiras e corredeiras.

Unidade 6

Ernesto Reghran/Pulsar

O relevo predominantemente plano da região favorece a navegação, muito utilizada para o transporte de pessoas e mercadorias. A região também apresenta elevado potencial hidrelétrico, pois muitos afluentes do Amazonas possuem nascente em pla­naltos elevados, tanto ao sul (planalto Central) quanto ao norte (planalto das Guianas), que tem sido explorado com a construção das usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte. Boa parte desses rios também é explorada pela atividade pesqueira, voltada para a subsistência das populações ribeirinhas e para o abastecimento regional. Encontro dos rios Negro (águas escuras) e Solimões (águas mais claras), próximo a Manaus, no Amazonas, em 2014.

Vista do vertedouro da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, em Tucuruí, Pará, em 2014.

Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

139


Zig Koch/Pulsar

Região hidrográfica do São Francisco: ocupa cerca de 7,5% do território brasileiro. Seu principal rio, o São Francisco, nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, e atravessa extensas áreas do sertão semiárido, mantendo-se perene. Suas águas são muito utilizadas para a geração de energia, com várias usinas hidrelétricas instaladas em seu curso, entre elas as de Sobradinho e o complexo de Paulo Afonso. Também são utilizadas para a irrigação, sobretudo, no sertão semiárido, região marcada por períodos de seca e reduzidos índices pluviométricos. Destaca-se também para a navegação, com mais de 1 300 quilômetros de trechos navegáveis. No entanto, o tráfego de embarcações está sendo prejudicado pelo assoreamento do seu leito, provocado pela devastação das matas ciliares e erosão causada pelo manejo inadequado das lavouras cultivadas no entorno. Irrigação agrícola com a utilização das águas do Rio São Francisco em Petrolina, Pernambuco, em 2014.

Thomaz Vita Neto/Pulsar

Região hidrográfica do Paraná: abrange cerca de 10% do território brasileiro e apresenta rios típicos de planalto, com excelente potencial hidrelétrico. As usinas instaladas nesses rios geram cerca de 48% da energia produzida no país, atendendo à demanda dos estados mais populosos e industrializados. A instalação dessas usinas, no entanto, provocou alterações significativas na dinâmica dos cursos fluviais devido aos imensos reservatórios que se formaram com a construção das grandes barragens. Nessas barragens, as eclusas possibilitaram a formação de extensas hidrovias, como a do Tietê-Paraná, muito utilizada para o transporte de cargas, especialmente de produtos agrícolas. Localizada em uma das regiões de maior produção agrícola do país, as águas desses rios também são muito aproveitadas na irrigação de lavouras.

Barcaça transportando cargas pelo rio Tietê (hidrovia Tietê-Paraná) em Barbosa, São Paulo, em 2013.

Região hidrográfica do Paraguai: essa região, que ocupa cerca de 4,3% do território nacional, drena a maior planície inundável do planeta, o Pantanal. Devido ao relevo bastante plano, muitos dos seus rios possuem curso em meandros e fluem com baixa velocidade, transportando grande carga de sedimentos. Esses rios compõem um complexo sistema fluvial, caracterizado pela ocorrência cíclica de cheias e vazantes ao longo do ano. Durante as cheias, os rios transbordam e alagam extensas áreas da planície. Com as vazantes, as águas dos rios baixam e se formam inúmeras lagoas de água salobra, conhecidas como baías ou salinas.

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Unidade 6

Renata Mello/Pulsar

Região hidrográfica do Atlântico Sudeste: ocupa áreas da região mais industrializada e urbanizada do país. As águas de seus principais rios são aproveitadas principalmente para o abastecimento urbano e industrial, entre eles o Paraíba do Sul, que abastece a região do Vale do Paraíba, localizada entre São Paulo e Rio de Janeiro, as duas maiores cidades brasileiras.

Complexo industrial e ocupação urbana nas margens do Rio Paraíba do Sul, em Barra Mansa, Rio de Janeiro, em 2013.

Regiões hidrográficas do Nordeste Ocidental, Parnaíba e Atlântico Leste: em conjunto, essas três regiões hidrográficas abrangem cerca de 8% do território nacional e abastecem toda a porção setentrional e oriental do Nordeste brasileiro. Muitos dos seus rios nascem e correm por extensas áreas do sertão semiárido, apresentando, por isso, cursos temporários, o que explica o baixo potencial hidrelétrico deles. As águas desses rios são utilizadas, principalmente, para o abastecimento da população e para a irrigação de lavouras.

Zig Koch/Pulsar

Regiões hidrográficas do Uruguai e Atlântico Sul: em conjunto, essas regiões hidrográficas drenam boa parte do extremo sul do Brasil, apresentando rios com regime pluvial, com precipitações médias anuais em torno de 1 500 mm. Os rios que têm direção para o oeste, rumo ao interior, desembocam no rio Uruguai e atravessam importantes áreas agroindustriais, com destaque para as lavouras de arroz e a prática da pecuária, principalmente suinocultura e avicultura. Já os rios que têm direção contrária, para o leste, despejam suas águas no oceano Atlântico e atravessam importantes áreas urbano-industriais, como a Grande Florianópolis, Joinville, Blumenau e Itajaí, em Santa Catarina, e a Grande Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Vista aérea do Cais Mauá e da Usina do Gasômetro, na margem do Rio Guaíba, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 2014. Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

141


Águas no Brasil: abundância ou escassez? Do ponto de vista dos recursos hídricos, sabemos que o nosso país ocupa uma posição privilegiada e conta com uma rede hidrográfica bastante extensa e expressivas reservas subterrâneas de água. Entretanto, a distribuição desses recursos é bastante desigual no território, visto que certas regiões apresentam excesso na oferta de água, caso da Amazônia equatorial, e outras sofrem com graves problemas de escassez de água, como o sertão semiárido do Nordeste. Além disso, existe uma grande disparidade entre os recursos hídricos e a distribuição da população no território brasileiro. O maior potencial hídrico do país está na região Norte, a menos populosa, enquanto as regiões mais densamente povoadas, justamente as que possuem maior demanda por água, como o Sudeste, o Nordeste e o Sul, apresentam menor potencial hídrico (veja o gráfico a seguir). Ainda que a escassez de água na região do semiárido brasileiro seja decorrente de seus baixos índices pluviométricos, o problema agrava a estrutura social e econômica que prevalece na região, dificultando que grande parte da população tenha acesso à água.

0

1

2

3

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Norte

Potencial hídrico (em mil km3/ano)

Regiões

Nordeste

Leonardo Mari

Brasil: disponibilidade hídrica

••Ao analisar a

disponibilidade hídrica e a distribuição da população brasileira entre as regiões do país, que conclusões podem ser estabelecidas?

Centro-Oeste Sudeste Sul 0

10

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30 População

40

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Potencial hídrico

Principais problemas e desafios hídricos nas regiões brasileiras Região Norte: problemas com saneamento básico e manejo da biodiversidade terrestre e aquática. Região Nordeste: escassez de água e salinização de mananciais, doenças transmitidas pela água e desigual distribuição dos recursos hídricos disponíveis. Região Sudeste: baixa disponibilidade de água per capita e problemas com o tratamento de recuperação dos mananciais disponíveis. Região Sul: desafios de proteção dos recursos hídricos em razão da intensa urbanização e do uso agrícola. Região Centro-Oeste: desafio de proteção da biodiversidade, com vistas à sustentabilidade dos recursos disponíveis.

142

80

População 90 (em milhões)

Fontes: REBOUÇAS, Aldo da C.; BRAGA, Benedito; TUNDISI, José Galizia (Orgs.). Águas doces no Brasil: capital ecológico, uso e conservação. São Paulo: Escrituras, 2006. p. 31. INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/ populacao/trabalhoerendimento/pnad2014/brasil_ defaultxls_unidades.shtm>. Acesso em: 22 set. 2015.

Já nas regiões mais populosas do país, como o Sudeste, os problemas de acesso à água estão ligados ao excessivo consumo e aos altos níveis de degradação dos recursos hídricos, que limitam o volume de água potável disponível para a população. Devido à intensa poluição e contaminação dos rios Tietê e Pinheiros e seus afluentes, nos trechos que atravessam a capital paulista, por exemplo, boa parte da água que abastece a Grande São Paulo precisa ser captada em bacias hidrográficas distantes. No entanto, isso não impede a constante ameaça de racionamento de água na capital paulista, ao mesmo tempo que encarece o preço final desse recurso ao consumidor. O quadro ao lado apresenta uma síntese dos principais problemas e desafios da gestão dos recursos hídricos em cada uma das grandes regiões brasileiras.


Aquífero Guarani MT

GO

BRASIL Cuiabá

DF

Brasília Goiânia

N O

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BOLÍVIA

MG MS

Campo Grande

PARAGUAI

Ele concentra cerca de 32 mil km3 de água (volume equivalente à água de todos os rios do mundo) e ocupa mais de 1,087 milhão de km2 em extensas áreas da bacia do Paraná, no Brasil, estendendo-se também pelos territórios da Argentina, do Paraguai e do Uruguai (veja mapa ao lado).

Olímpia

BACIA DO PARANÁ

Trópico de Capricórnio

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BACIA CHACO-PARANAENSE

São Paulo

PR

Assunção

ARGENTINA

SP

Os aquíferos, como são chamados os reservatórios de água subterrânea, constituem a maior reserva de água em estado líquido do planeta. O maior desses aquíferos, o Guarani, localiza-se parcialmente em território brasileiro e é mais um dos fatores que contribuem com a abundância de água doce em nosso país.

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Aquífero Guarani

Iguaçu

Curitiba

SC

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26º S

Florianópolis

RS Porto Alegre

Área do Aquífero Guarani

Montevidéu

275 km

55° O

E. Cavalcante

URUGUAI Buenos Aires

Fonte: AGÊNCIA Nacional das Águas (ANA). Disponível em: <www.ana.gov.br/bibliotecavirtual/arquivos/20100223172711_ PEA_GUARANI_Port_Esp.pdf>. Acesso em: 11 ago. 2015.

Unidade 6

OCEANO ATLÂNTICO

O aquífero está localizado em uma camada de rochas areníticas (sedimentares), que possuem alto poder de absorção de água. Suas águas não fluem como em um imenso reservatório líquido, mas ocupam os poros e as fendas de uma camada de rochas areníticas que fica encharcada, semelhante a uma esponja. O arenito está recoberto, em quase toda a área do aquífero, por uma espessa camada de basalto, proveniente da Formação Serra Geral. Nas bordas do aquífero ocorrem as áreas de afloramento do arenito, por onde penetram as águas das chuvas, que contribuem para a alimentação desse reservatório de águas subterrâneas.

Seção hidrogeológica 800 m

Campo Grande

Olímpia

B

A nível do mar 0 m

Paula Radi

BAURU SERRA GERAL

- 800 m

GUARANI

MS

N O

Olímpia 135 km

Área do Aquífero Guarani

L S

SP

B

E. Cavalcante

A

Campo Grande

MG

Fonte: AGÊNCIA Nacional das Águas (ANA). Disponível em: <www.ana.gov.br>. Acesso em: 11 ago. 2015.

A grande quantidade de águas do aquífero Guarani tem despertado interesses mundiais, por ser considerada a maior reserva de água doce disponível para uso futuro. Assim, os países por onde ele se estende já têm se organizado, por exemplo, com a assinatura do Projeto Aquífero Guarani. Tal projeto visa controlar a extração das águas, desenvolver pesquisas de modo a formar um banco de dados comum sobre o aquífero e prevenir a contaminação desse manancial. Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

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143

5/23/16 3:07 PM


Água: recurso ameaçado Embora a água seja um dos recursos naturais mais abundantes do nosso planeta, a ponto de cobrir três quartos de sua superfície, esse recurso está no foco das grandes preocupações que assolam o mundo atual. A razão para isso é que a água potável – própria para o consumo humano – tem se tornado um recurso cada vez mais escasso em muitas regiões do planeta. Estudos de organizações internacionais, como a ONU, calculam que cerca de 700 milhões de pessoas em todo o planeta, cerca de 10% da população mundial, a maioria vivendo em países menos desenvolvidos economicamente, enfrentam problemas de acesso à água potável em quantidade suficiente para garantir saúde e desenvolvimento social e econômico. Teoricamente, a quantidade de água disponível para o consumo humano seria suficiente para abastecer e satisfazer as necessidades de toda a população mundial. Ocorre, no entanto, que a água se encontra distribuída de maneira desigual pelo mundo, ou seja, enquanto algumas regiões apresentam grande disponibilidade e até excesso de água, outras regiões são marcadas pela irregularidade e falta de chuvas, como as áreas dominadas por climas desérticos e semiáridos, que sofrem com a escassez crônica de água. Disponibilidade de água no planeta OCEANO GLACIAL ÁRTICO

N

Círculo Polar Ártico

O S

PORTUGAL

ESTADOS UNIDOS

CHINA

Trópico de Câncer

LÍBIA ÍNDIA

Trópico de Capricórnio

2500

6000

15000 70 000 684 000

AUSTRÁLIA

ÁFRICA DO SUL

Círculo Polar Antártico

Dados não disponíveis

2 080 km

Consumo doméstico de água

30% descarga em vaso sanitário

E. Cavalcante

10% cozinha e água de beber

20% lavagem de roupa

35% higiene pessoal

Ainda que fatores de ordem natural, como a falta de chuvas e certas condições geográficas, limitem a disponibilidade de água em várias regiões do planeta, a escassez de água potável no mundo está ligada a fatores de ordem política, econômica e social. Um desses fatores diz respeito ao aumento excessivo da demanda doméstica ocasionado tanto pelo crescimento da população mundial, que triplicou ao longo do século passado, quanto pela utilização crescente da água na agricultura e na indústria. O gráfico ao lado mostra, de modo geral, como é composto o consumo doméstico de água para os padrões de um país industrializado.

5% limpeza

Fonte: CLARKE, Robin; KING, Jannet. O atlas da água. Tradução Anna Maria Quirino. São Paulo: Publifolha, 2005. p. 31.

144

E. Cavalcante

Equador 0°

NÉSIA

OCEANO ÍNDICO

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Disponibilidade de água (m3/ano/hab.) 1000 1700

INDO

Meridiano de Greenwich

BRASIL

0

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

Fonte: LE MONDE Diplomatique. Cartes. Disponível em: <www.mondediplomatique.fr/ cartes/ disponibiliteeau>. Acesso em: 7 ago. 2015.

L

RÚSSIA

POLÔNIA


O aumento na demanda tem levado a uma intensa exploração dos recursos hídricos disponíveis, como rios, lagos e lençóis subterrâneos. Mas o aumento do consumo de água também está ligado ao desperdício que ocorre tanto no campo quanto nas cidades, provocado por maus hábitos ou técnicas ineficientes. No campo, por exemplo, o desperdício ocorre principalmente na irrigação de lavouras. Boa parte da água lançada nas plantações, sobretudo em dias ensolarados e de muito calor, acaba evaporando antes mesmo de alcançar as plantas e molhar o solo (veja foto A). Já nas cidades, o desperdício da água ocorre na forma de vazamentos domiciliares e nas redes de distribuição, além de hábitos como lavar calçadas, tomar banhos demorados, deixar as torneiras abertas desnecessariamente, entre outros.

Unidade 6

A disponibilidade de água potável também vem diminuindo devido à intensa poluição e degradação dos recursos hídricos. Nos últimos cinquenta anos, a poluição dos mananciais reduziu as reservas hídricas em cerca de um terço. Nas regiões mais urbanizadas e industrializadas do planeta, os mananciais vêm sendo contaminados pela descarga de esgotos domésticos e resíduos industriais tóxicos, que são lançados diretamente e sem qualquer tratamento nos cursos de água. Com o crescimento desordenado das grandes cidades, parte da população acaba se instalando em loteamentos irregulares às margens de córregos, rios e represas, sem rede de esgoto. A formação desses aglomerados, além de destruir as matas ciliares que protegem a nascente dos mananciais, aumenta os níveis de contaminação e poluição das águas, a exemplo do que ocorre com as grandes represas que abastecem a cidade de São Paulo (veja foto B). No campo, os agrotóxicos e os produtos químicos (inseticidas, herbicidas e fungicidas), lançados em quantidade excessiva nas lavouras, contaminam o solo e chegam aos lençóis subterrâneos, contaminando suas águas. Os rios e os lençóis, por sua vez, têm sido explorados de maneira muito intensa, principalmente, para irrigação e dessedentação do gado bovino.

Uso de água em irrigação no espaço rural de São Gonçalo do Abaeté, Minas Gerais, em 2014.

Delfim Martins/Pulsar

A

Rubens Chaves/Pulsar

Em resumo, o aumento exponencial do consumo, o desperdício e a degradação dos recursos hídricos são fatores que têm provocado a escassez de água potável em várias regiões do planeta.

B

Ocupação das margens da represa Billings, em São Paulo, em 2013. Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

145


Explorando o tema

A geopolítica das águas

A expressão geopolítica da água designa as rivalidades políticas sobre a repartição e a exploração dos recursos hídricos. Tais rivalidades existem não somente entre países cujos territórios são atravessados por um mesmo rio, mas também no interior de um mesmo Estado, gerando tensões entre regiões que buscam tirar proveito dos recursos das bacias hidrográficas mais ou menos próximas. As “rivalidades hidráulicas” se exacerbaram pela combinação de uma série de fatores: o expressivo incremento da população e das áreas irrigadas, o grande desperdício de água e o aumento da poluição dos mananciais. Contribuíram também os enormes avanços dos meios tecnológicos postos à disposição das sociedades pelas empresas de engenharia civil, que permitiram a realização de grandes obras, como barragens e canais, pelas quais se modificou sensivelmente os cursos dos rios e seus débitos.

Fotomontagem de E. Cavalcante formada pela imagem Planetaobserver/SPL/Latinstock

No mundo atual, 260 bacias hidrográficas são reconhecidas como internacionais. As águas de 13 delas são utilizadas em conjunto por cinco ou mais países. Quase metade da população mundial vive numa bacia hidrográfica dividida entre dois ou mais países. Alguns exemplos: a bacia do Danúbio drena territórios de 11 Estados, a do Nilo banha 10, as do Níger e Congo, 11, e a do Amazonas, 7. Existem zonas potencialmente hidroconflitivas em todos os continentes, mas elas apresentam situações mais dramáticas nas áreas onde a água é naturalmente escassa – isto é, em regiões áridas e semiáridas. Um dos melhores exemplos são as tensões que se verificam na região da MeRios Tigre e Eufrates sopotâmia envolvendo as bacias dos rios Tigre e Eufrates, cujas águas são de grande interesse para Turquia, Síria e Iraque. Os dois rios têm suas nascentes nas úmidas regiões montanhosas da Anatólia oriental, no sudeste da Turquia (veja mapa ao lado). O Tigre, ao deixar o território turco, atravessa o Iraque, enquanto o Eufrates cruza áreas do território sírio antes de drenar terras do Iraque. Pouco antes do estuário, no Golfo Pérsico, as águas de ambos os rios se juntam formando o canal de Chatt-el-Arab.

250 k m

Fonte: Elaborado com base em ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 48. 1 atlas. Escalas variam.

146

O mapa ao lado apresenta uma das principais áreas de conflito geopolítico envolvendo a questão da água.


Unidade 6 Khaled Al-Hariri/Reuters/Latinstock

O curso dos rios tem implicações geopolíticas. A Turquia, que exerce soberania sobre o alto vale dos dois rios, beneficia-se de uma situação hídrica muito mais favorável que a de seus vizinhos situados a jusante. Dados sobre determinados usos desses rios iluminam alguns aspectos das questões hídricas que envolvem os três países.

Vista do canal de água corrente captada do rio Eufrates e levada para a região semidesértica do leste da Síria, em 2010.

A Turquia controla 98% do débito do Eufrates e 45% do débito do Tigre. Quanto à dependência de água, isto é, dos recursos hídricos gerados fora do país, os números indicam que a Síria possui um índice de 80%; o Iraque, de 53% e a Turquia, apenas 1%. Em relação ao uso da água no setor agrícola a Síria, com 95%, e o Iraque, com 92%, colocam-se bem acima da média mundial, que é de 70%. Já a Turquia, com 74% está próxima da média. A Síria é o país que mais usa água para produção hidrelétrica (41%), enquanto os números para a Turquia e Iraque são, respectivamente, 25% e 1%. O Eufrates e seus afluentes são as principais fontes de água da Síria e neles está depositada a esperança do país de aumentar a produção de alimentos para sua crescente população. Mais de 80% da população do Iraque depende do uso da água dos dois rios. As reivindicações dos três países, praticamente incompatíveis, se tornam mais complicadas por conta de conflitos étnicos e reminiscências históricas. Sírios e iraquianos reivindicam direitos ancestrais sobre os recursos hídricos. Os primeiros alegam que o Eufrates é um curso fluvial internacional e que as disputas que o envolvem deveriam ser negociadas internacionalmente. Os iraquianos, por sua vez, advogam os mesmos direitos que incluiriam a anterioridade do uso dos recursos hídricos, tomando como referência a longínqua civilização suméria.

Civilização suméria: civilização mais antiga de que se tem registro e que desenvolveu no sul da Mesopotâmia, atual sul do Iraque e do Kuwait. Historiadores modernos afirmam que os sumérios se fixaram na região por volta de 5 500 anos a.C.

[...] OLIC, Nelson Bacic. A questão da água na Mesopotâmia. Revista Pangea, São Paulo, 21 jun. 2010. Disponível em: <www.clubemundo.com.br/pages/revistapangea/show_news.asp?n=378&ed=4>. Acesso em: 23 set. 2015.

Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Relacione a origem da água na Terra com o processo de formação do nosso planeta. 2. Explique a importância da energia solar para a dinâmica do ciclo hidrológico na Terra. 3. Diferencie bacia hidrográfica de rede de drenagem. Dê exemplos. 4. Quais são os tipos de canais fluviais mais propícios à acumulação de sedimentos? Justifique sua resposta. 5. Quais são os fatores naturais que contribuem para que o Brasil tenha abundantes reser vas de água doce na maior parte de seu território? 6. Observe o mapa da página 138, identifique a(s) região(ões) hidrográfica(s) do estado em que você vive e, em seguida:

a ) descreva as principais características de uma dessas bacias hidrográficas; b ) descreva como você, no dia a dia, se beneficia de forma direta ou indireta das águas dessa região hidrográfica.

7. “A disponibilidade de água na Terra seria suficiente para abastecer toda sua população, mas isso não ocorre devido a dois importantes fatores.” Justifique a afirmação acima identificando os dois fatores a que ela se refere. 8. Explique a evolução do consumo de água doce no planeta entre o século passado e o atual. 9. A expressão “estresse hídrico” caracteriza a situação em que a demanda de água por habitante é maior que a oferta das reservas hídricas. Observe novamente o mapa da página 144 e descreva a localização das regiões do mundo que apresentam maior estresse hídrico.

Expandindo o conteúdo 10. Leia o texto, analise-o e responda às questões.

Fotomontagem formada pelas imagens isaravut e R A Mukerjea/Shutterstock.com

Brasil exporta cerca de 112 trilhões de litros de água doce por ano

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A atuação no mercado de commodities coloca em pauta a exportação indireta de recursos hídricos. Contêineres saem diariamente de portos na costa brasileira abarrotados de carne bovina, soja, açúcar, café, entre outros produtos agrícolas exportados para o mundo. Mas dentro deles há um insumo invisível, cujo valor ultrapassa cálculos estritamente econômicos. Ao longo do ano, o Brasil envia ao exterior cerca de 112 trilhões de litros de água doce, segundo dados da Unesco – o equivalente a quase 45 milhões de piscinas olímpicas ou mais de 17 mil lagoas do tamanho da Rodrigo de Freitas. Tantos litros são o total dos recursos hídricos necessários para produzir essas commodities. E colocam o país como o quarto maior


Água ✕ Produção

“A alocação dos recursos hídricos, além de ambiental, é uma questão econômica, porque quando a água é escassa é preciso destiná-la para onde haverá maiores benefícios para a sociedade. Mas sendo a água um bem público, o mercado não é o único determinante. A água deve ser usada para produzir alimentos para a população, para culturas ligadas a biocombustíveis ou para plantações de commodities para exportação? Isso é uma escolha política”, aponta Arjen Hoekstra, criador do conceito de “pegada hídrica” [...]. A pegada hídrica tem ajudado a mudar o entendimento de que a água é algo finito e gratuito. O desafio agora, segundo especialistas, é melhorar a precisão dos números para, assim, adotar o conceito no comércio formal.

carne bovina

15 400 L

Pegada hídrica: quantidade de água consumida por uma pessoa, grupo ou empresa para produzir algum bem (produto) ou serviço.

carne de frango

Unidade 6

A exportação desse recurso, ainda que indiretamente, tende a crescer num cenário de escassez global, pressionando o país a pensar em políticas públicas voltadas à gestão hídrica. [...]

1 kg de Marcela Pialarissi

exportador de “água virtual”, atrás apenas de Estados Unidos (314 trilhões litros/ano), China (143 trilhões litros/ano) e Índia (125 trilhões litros/ano).

ovo

[...] LOBO, Thais. Brasil exporta cerca de 112 trilhões de litros de água doce por ano. O Globo, Rio de Janeiro, 11 set. 2012. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/brasilexporta-cerca-de-112-trilhoes-de-litros-de-agua-doce-por-ano-6045674>. Acesso em: 23 set. 2015.

a ) O que o texto quer dizer quando menciona que a colocação do Brasil no ranking dos exportadores de água virtual não se deve a questões internas, mas, sobretudo, à escassez de água no mundo? b ) Você concorda com a afirmação de que o Brasil dispõe de água em abundância e não precisa se preocupar com a água embutida nas commodities que exporta? Verifique, no gráfico ao lado, a quantidade de água gasta na produção de alguns produtos.

pão

arroz

4 330 L

milho 3 300 L

leite

c ) Em sua opinião, a água utilizada tem sido pensada, em nosso país, como um insumo? Justifique sua resposta. d ) Visite o site <http://tub.im/3wtc9p> e saiba um pouco mais sobre esse conceito. Como será a sua pegada hídrica?

cana-de-açúcar

1 827 L 1 670 L 1 220 L 1020 L 210 L

Ilustração produzida com base em: WATER Footprint Network. Disponível em: <www.waterfootprint.org/?page=files/productgallery>. Acesso em: 11 ago. 2015.

Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

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Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

A água retratada na Arte

A água já foi o tema de muitas obras de arte produzidas por artistas de diferentes lugares do mundo. Paisagens formadas, por exemplo, por rios, mares e neve já foram retratadas em telas, letras de músicas, poesias, entre outras expressões artísticas. Talvez isso aconteça porque, além de constituir a substância mais abundante na superfície terrestre, a água é essencial para o desenvolvimento de qualquer tipo de vida. A seguir veja dois exemplos de expressão artística que têm a água como tema principal.

Vincent van Gogh. 1888. Óleo sobre tela. 44 x 53 cm. Museu Pushkin, Moscou (Rússia)

Tela intitulada Regatta at Argenteuil, na qual Claude Monet (1840-1926) retrata parte do rio Sena em Argenteuil, na França.

Claude Monet. c. 1872. Óleo sobre tela. 48 x 75 cm. Museu de Orsay, Paris (França)

O tema abordado nesta página pode ser complementado com um trabalho envolvendo a disciplina de Arte. Como sugestão, peça aos alunos que pesquisem outras obras de arte (pinturas, esculturas etc.) que tenham a água como tema central. Outra possibilidade de trabalho é a realização de uma atividade prática para que os alunos produzam obras de arte que tenham a água como tema inspirador.

Tela de Vincent van Gogh (1853-1890). Este exemplar faz parte de uma série de telas resultantes de sua estadia em Saintes-Maries-de-la-Mer, litoral sul da França.

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Sozinha e mãe de três filhos, Erin Brockovich trabalha em um escritório de advogacia. Nesse trabalho, Erin descobre que várias doenças desenvolvidas pelos habitantes de uma pequena cidade têm relação com os crimes ambientais cometidos por uma grande empresa, entre eles a poluição das águas. O filme retrata a luta incessante de Erin a favor dos moradores e contra a empresa poluidora.

Para assistir

Título: Erin Brockovich: uma mulher de talento Diretor: Steven Soderbergh Atores principais: Julia Roberts, Albert Finney e Aaron Eckhart Ano: 1999 Duração: 131 minutos Origem: Estados Unidos

• •HISTÓRIAS do Rio Negro. Direção: Luciano Cury. Downtown Filmes, 2007.

O filme retrata a estreita relação entre a população ribeirinha, o Rio Negro e a Floresta Amazônica. Ao longo do documentário, diversos aspectos do modo de vida e da cultura dos ribeirinhos são mostrados por meio de uma grande riqueza de imagens.

• •AS MONTANHAS da Lua. Direção: Bob Rafelson. Carolco Pictures, 1990.

No final do século XIX dois exploradores britânicos procuram a localização da nascente do rio Nilo, na África. O filme mostra as aventuras dessa jornada.

Para ler

• •AGUIAR,

Laura; SCHARF, Regina. Como cuidar da nossa água. São Paulo: Bei, 2010.

• •BRANCO, Samuel M. Água: origem e preservação. São Paulo: Moderna, 2005. • •CLARK, Robin; KING, Janet. O atlas da água. Tradução Anna Maria Quirino. São Paulo: Publifolha, 2005.

• •PEREIRA, Luís Fernando. Faces do sertão: Brasil de pedra, seca e água. São Paulo: Escala, 2007.

Para navegar

• •ASSOCIAÇÃO

Brasileira de Águas Subterrâneas (ANA). Disponível em: <http://tub.im/anon3u>. Acesso em: 23 set. 2015.

••ASSOCIAÇÃO Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH). Disponível em: <http://tub. im/kkm9xy>. Acesso em: 23 set. 2015.

••BRASIL. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Disponível em: <http://tub.im/zk5ozi>. Acesso em: 23 set. 2015.

••WORLD Water. Disponível em: <http://tub.im/wzdqr6>. Acesso em: 23 set. 2015. • •INTERNATIONAL Union of Geological Sciences (IUGS). Disponível em: <http:// tub.im/3ioisw>. Acesso em: 23 set. 2015.

Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

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Unidade 6

Erin Brockovich: uma mulher de talento Filme de Steven Soderbergh. Erin Brockovich: uma mulher de talento. EUA. 2000

A Geografia no cinema


Questões do Enem e Vestibular 1. (Unicamp-SP) Ao considerar a influência da infiltração da água no solo e o escoamento superficial em topos e encostas, é correto afirmar que: a ) a maior infiltração e o menor escoamento superficial retardam o processo de intemperismo físico e aceleram a erosão. D. b ) a menor infiltração e o menor escoamento superficial inibem a erosão e favorecem o intemperismo químico. c ) a menor infiltração e o maior escoamento superficial aceleram o intemperismo físico e químico e retardam o processo de erosão. d ) a infiltração e o escoamento super ficial aceleram, respectivamente, os processos de intemperismo químico e de erosão.

Anote as respostas no caderno.

Assinale a alternativa que contém a associação correta. a ) I-A; II-C; III-D; IV-B; V-E b ) I-B; II-D; III-C; IV-A; V-E c ) I-C; II-A; III-D; IV-B; V-E d ) I-D; II-A; III-B; IV-E; V-C e ) I-E; II-C; III-D; IV-B; V-A

3. (FGV-SP) O aquífero Guarani, representado na figura abaixo, tem sido divulgado como importante reserva estratégica internacional de água doce. Porém, suas características físicas, fundamentais para o planejamento de sua exploração e conservação, são menos difundidas. C. N O

2. (UEL-PR) Entende-se por rede de drenagem o traçado produzido pelas águas fluviais, modelando a topografia.

L S

BACIA DO PARANÁ PARAGUAI

São Paulo

Associe as figuras da coluna da esquerda, que representam redes de drenagem, com as respectivas nomenclaturas, à direita. C.

Assunção

ARGENTINA

uaran

Curitiba

i

Florianópolis

Sistema A qu íf

G ero

BACIA CHACO-PARANAENSE

o do

I.

Porto Alegre

id fin

(A) Radial E. Cavalcante

nd e

(B) Centrípeto

III. (C) Dendrítico

IV. (D) Anastamosado

Gilberto Alicio

V. (E) Paralelo

Limite i

II.

Buenos Aires 275 km

OCEANO ATLÂNTICO

URUGUAI

Montevidéu

Afloramento do Sistema Aquífero Guarani Sistema Aquífero Guarani em confinamento

Sobre essas características, assinale a alternativa mais correta: a ) É constituído basicamente de condutos cársticos que não apresentam propriedade filtrante, o que representa maior risco de contaminação. b ) É alimentado a partir da liberação da água decorrente da fusão das rochas que compõem o manto litosférico. c ) É constituído basicamente de arenitos de porosidade intergranular e é alimentado, principalmente, a partir das superfícies das depressões periféricas. d ) É constituído de grandes lagos subterrâneos intercalados entre camadas de rochas argilíticas e basálticas. e ) Trata-se de um aquífero de fraturas, em que as águas se armazenam nas fissuras das rochas.

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5/19/16 4:50 PM


5. (UFG-GO) Os divisores de água constituem uma importante referência para a delimitação de uma bacia hidrográfica. Ao utilizar como parâmetro a distribuição das bacias hidrográficas brasileiras, nota-se que os rios formadores das bacias amazônica e tocantins-araguaia são originários de três divisores de água principais. Esses divisores são os seguintes: A. a ) Cordilheira dos Andes, Planalto das Guianas e Planalto Brasileiro. b ) Serra do Espinhaço, Serra Geral e Chapada Diamantina. c ) Planalto da Borborema, Planalto Meridional e Serra da Mantiqueira. d ) Serra da Canastra, Planalto Meridional e Planalto Atlântico. e ) Planalto Atlântico, Planalto da Borborema e Serra do Espinhaço. 6. (UTFPR-PR) Com relação aos recursos hídricos, a alternativa INCORRETA é: D. a ) Os fatores meteorológicos determinam o ciclo hidrológico, responsável pela constante circulação e reabastecimento de água. b ) Uma bacia hidrográfica corresponde a um conjunto de terras drenadas pelas águas de um rio principal e seus afluentes. c ) As bacias hidrográficas podem ser separadas por morros, cristas ou elevações, chamados de divisores de água, que delimitam uma ou mesmo duas bacias hidrográficas. d ) O curso de um rio pode ser dividido em três partes: curso superior, próximo à foz, onde o rio tem o seu início; curso médio, onde predominam o trabalho de transporte e de modelado das vertentes; curso inferior, onde predominam os processos de sedimentação.

e ) Os rios são correntes líquidas que resultam da concentração de água em vales. Eles podem se originar de fontes subterrâneas que se formam com as águas das chuvas, do transbordamento de lagos ou do derretimento de neves e geleiras.

7. (CEFET-GO) A hidrografia brasileira, basicamente constituída de rios e lagos, pode ser considerada a mais densa do mundo. Dentre as características descritas, assinale a alternativa incorreta. A. a ) Os padrões de drenagem dos rios brasileiros são endorreicos e arreicos. b ) O regime de alimentação dos rios brasileiros é pluvial e não registra regimes nival ou glacial. Somente o rio Amazonas depende, em parte, do derretimento da neve na cordilheira dos Andes. c ) A grande maioria dos rios é perene, isto é, nunca seca totalmente. Apenas alguns rios nordestinos são intermitentes. d ) O padrão de drenagem dos rios brasileiros é exorreico. e ) A hidrografia brasileira é bastante utilizada como fonte de energia, mas muito pouco para a navegação. 8. (UTFPR-PR) Considerando os aspectos da hidrografia do Brasil, analise as proposições a seguir e assinale a alternativa que contém todas as corretas. C. I ) A estrutura geológica e o relevo do território brasileiro fazem com que a hidrografia do país seja rica em rios, mas pobre em lagos. II ) O padrão de drenagem dos rios brasileiros é exorreico, ou seja, eles deságuam no mar. III ) As estimativas efetuadas em 2005 indicam que as reservas de água subterrâneas já descobertas e mapeadas no Brasil constituem uma reserva grande para uso futuro. IV ) No Brasil, o consumo de água per capita multiplicou-se por mais dez ao longo do século XX, acompanhando a industrialização e a urbanização do país, permitindo que a grande maioria dos cidadãos brasileiros tenha acesso à água tratada. V ) A utilização intensiva dos rios brasileiros provocou esgotamento do potencial hidráulico, restando poucos rios de planalto a serem explorados para a geração de energia. Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

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Unidade 6

4. (UEL-PR) Sobre as grandes bacias hidrográficas brasileiras, é correto afirmar que: E. a ) A bacia do Amazonas é a que apresenta maior índice de poluição. b ) A bacia do Tocantins possui o maior número de usinas hidrelétricas. c ) A bacia do Paraná possui número reduzido de hidrelétricas. d ) A bacia do São Francisco apresenta o maior índice de poluição. e ) A bacia do Atlântico Sul, trecho Nor te-Nordeste, apresenta escassez hídrica.


11. (ENEM-MEC) Em nosso planeta a quantidade de água está estimada em 1,36 X 10 6 trilhões de toneladas. Desse total, calcula-se que cerca de 95% são de água salgada e dos 5% restantes, quase a metade está retida nos polos e geleiras. O uso de água do mar para obtenção de água potável ainda não é realidade em larga escala. Isso porque, entre outras razões, A.

Estão corretos somente: a ) III, IV e V. b ) II, IV e V. c ) I, II e III. d ) I, III e V. e ) II, III e IV.

9. (PUC-MG) “É um rio de planície; seu imenso volume d’água sofre interferência da dinâmica climática e dos afluentes caudalosos. Seus formadores apresentam particularidades que os diferenciam: um nasce em área de relevo mais desgastado, carreando dominantemente resíduos orgânicos; o outro nasce em relevo de formação mais recente e transporta grandes cargas de sedimentos.”

a ) o custo dos processos tecnológicos de dessalinização é muito alto. b ) não se sabe como separar adequadamente os sais nela dissolvidos. c ) comprometeria muito a vida aquática dos oceanos. d ) a água do mar possui materiais irremovíveis.

Identifique o rio especificado no texto e assinale a opção correspondente. A.

e ) a água salgada do mar tem temperatura de ebulição alta.

a ) Amazonas.

12. (UFAM-AM) A região Amazônica conta com inúmeros pequenos cursos de água que recebem denominações locais. Os cursos de água estreitos que possibilitam “varar”, ou seja, estabelecer ligação entre rios ou os ligam aos lagos, denominam-se: B.

b ) Paraná. c ) São Francisco. d ) Paraguai.

10. (ENEM-MEC) “Águas de março definem se falta luz este ano.”

a ) riachos.

Esse foi o título de uma reportagem em jornal de circulação nacional, pouco antes do início do racionamento do consumo de energia elétrica, em 2001. No Brasil, a relação entre a produção de eletricidade e a utilização de recursos hídricos, estabelecida nessa manchete, se justifica porque: A. a ) a geração de eletricidade nas usinas hidrelétricas exige a manutenção de um dado fluxo de água nas barragens. b ) o sistema de tratamento da água e sua distribuição consomem grande quantidade de energia elétrica. c ) a geração de eletricidade nas usinas termelétricas utiliza grande volume de água para refrigeração. d ) o consumo de água e de energia elétrica utilizadas na indústria compete com o da agricultura. e ) é grande o uso de chuveiros elétricos, cuja operação implica abundante consumo de água.

b ) igarapés. c ) furos. d ) paranás-mirins. e ) brejos.

13. (ENEM-MEC) Algumas medidas podem ser propostas com relação aos problemas da água: C.

I ) Represamento de rios e córregos próximo às cidades de maior porte.

II ) Controle da ocupação urbana, especialmente em torno dos mananciais.

III ) Proibição do despejo de esgoto industrial e doméstico sem tratamento nos rios e represas.

IV ) Transferência de volume de água entre bacias hidrográficas para atender as cidades que já apresentam alto grau de poluição em seus mananciais.

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a ) I e II.

c ) II e III.

b ) I e IV.

d ) II e IV.

e ) III e IV.

14. (ENEM-MEC) Considerando a riqueza dos recursos hídricos brasileiros, uma grave crise de água em nosso país poderia ser motivada por: E. a ) reduzida área de solos agricultáveis. b ) ausência de reservas de águas subterrâneas. c ) escassez de rios e de grandes bacias hidrográficas. d ) falta de tecnologia para retirar o sal da água do mar. e ) degradação dos mananciais e desperdício no consumo. 15. (ENEM-MEC) A falta de água doce no Planeta será, possivelmente, um dos mais graves problemas deste século. Prevê-se que, nos próximos vinte anos, a quantidade de água doce disponível para cada habitante será drasticamente reduzida. Por meio de seus diferentes usos e consumos, as atividades humanas interferem no ciclo da água, alterando: B. a ) a quantidade total, mas não a qualidade da água disponível no Planeta. b ) a qualidade da água e sua quantidade disponível para o consumo das populações. c ) a qualidade da água disponível, apenas no subsolo terrestre. d ) apenas a disponibilidade de água superficial existente nos rios e lagos. e ) o regime de chuvas, mas não a quantidade de água disponível no Planeta. 16. (FGV-SP) O clima tropical úmido e uma estrutura tectônica favorável contribuem para que o Brasil disponha das maiores reservas de água doce superficiais e subsuperficiais do planeta. A despeito deste fato, os índices de mortalidade infantil, ainda altos no país (cerca de 25%, segundo o IBGE), associam-se, em grande parte, com a qualidade da água ou o acesso insuficiente a ela. Além disso, algumas regiões estão sob constante risco de racionamento. Assinale a alternativa que melhor explique o contexto descrito. B.

a ) O Brasil depende de tecnologia estrangeira relacionada ao tratamento adequado da água, o que eleva o custo da gestão dos seus recursos hídricos. b ) A alta concentração da demanda em algumas regiões e a insuficiência de saneamento ambiental no País. c ) As recentes alterações climáticas, sobretudo o aquecimento global. d ) A ausência de leis e instituições que regulamentem e amparem a gestão dos recursos hídricos. e ) A falta de higiene e o desperdício, indicando que a mortalidade infantil e a escassez de água ocorrem por questões culturais e pelo baixo nível educacional.

17. (UFPR-PR) Nas últimas décadas, foi deflagrada a crise mundial da água, ocasionada pela diminuição da disponibilidade de água por habitante e pela poluição. As afirmativas a seguir abordam esse assunto. A. I. O rio Amarelo, que atravessa a maior região agrícola japonesa, está poluído por produtos químicos agrícolas, pelos esgotos urbanos e pelos resíduos industriais. II. As bacias do rios Nilo, Tigre e Eufrates e rio Jordão (Oriente Médio) têm sido motivos de disputas e tensões em áreas de escassez de chuva e água. III. A agricultura é o setor que mais utiliza os recursos hídricos, principalmente para a irrigação. O crescimento populacional requer o aumento da produção de alimentos e, consequentemente, da produção agrícola. Portanto, maior consumo de água. IV. A cidade do México, construída sobre o aquífero Guarani, apresenta problemas na estabilidade de edifícios, provocado principalmente pela extração em excesso da água do aquífero. V. O uso inadequado, a distribuição desigual dos recursos hídricos sobre a Terra e as diferenças de consumo entre países e setores econômicos deixam preocupação em relação ao abastecimento de água para as gerações futuras. a ) II, III e V.

c ) II e V.

b ) I, III e V.

d ) I e III.

e ) II, III e IV.

Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

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Unidade 6

As duas ações que devem ser tratadas como prioridades para a preservação da qualidade dos recursos hídricos são:

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unidade

As águas oceânicas


A imensa massa de água que forma os oceanos e mares da Terra sempre impressionou e desafiou o ser humano por causa de sua dinâmica e riquezas. Para adentrar em águas desconhecidas e avançar por “mares nunca dantes navegados”, o ser humano formulou muitas perguntas e hipóteses, e encontrou respostas que ampliaram o conhecimento da nossa civilização a respeito de navegação, de localização e de orientação, da vida marinha e da exploração de recursos minerais em subsolo oceânico. A O que você sabe sobre as águas dos oceanos e

mares? B O que lhe chama mais a atenção a respeito das

águas oceânicas e do que existe sob elas?

Recifes de corais, em primeiro plano, e, ao fundo, ilha nas Maldivas, em 2014.

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Oceanos: fonte de vida Os oceanos cobrem, aproximadamente, 70% da superfície terrestre e concentram cerca de 97,5% do volume de água existente no planeta. Toda essa água desempenha um papel essencial na regulação e manutenção dos ciclos naturais que condicionam a existência da vida na Terra. Segundo pesquisas científicas, os primeiros organismos vivos do nosso planeta (bactérias e algas unicelulares) surgiram nos oceanos. Historicamente, o ser humano se fixou próximo às regiões costeiras para aproveitar as águas dos oceanos e mares para diversas finalidades, como pesca, navegação etc. Atualmente, cerca de metade da população mundial, aproximadamente 3,7 bilhões de pessoas, vive em áreas litorâneas ou em suas proximidades. Entre outros fatores, as águas oceânicas são importantes porque:

••apresentam um imenso potencial econômico

A

anandoart/Shutterstock.com

para o desenvolvimento da atividade pesqueira em várias regiões do planeta (veja foto A). Além da pesca, que providencia grande quantidade de peixes e de outras espécies marinhas para o consumo de milhões de pessoas, os oceanos fornecem sal, dissolvido em suas águas, e também recursos minerais, como petróleo e gás natural, encontrados em depósitos no substrato oceânico; ••constituem vias de transportes por onde circulam navios cargueiros que transportam grande parte das mercadorias, como matérias-primas (minerais, gêneros agrícolas) e produtos industrializados, comercializados atualmente entre vários países de diferentes continentes (veja foto B); ••representam um enorme potencial para o desenvolvimento do turismo, sobretudo em regiões costeiras, que se destacam pela beleza de suas praias. Nessas regiões, a atividade do turismo gera muitos empregos e movimenta intensamente a economia local.

Vytautas Kielaitis/Shutterstock.com

B

Atividade pesqueira na Tailândia, em 2015 (foto A), e transporte de carga no Mar Báltico, próximo à Lituânia, em 2015 (foto B). Estreito: canal natural de água que une dois mares ou oceanos separados por duas massas de terra. Entre os estreitos mais conhecidos estão o de Gibraltar, que liga as águas do Oceano Atlântico ao mar Mediterrâneo; o estreito de Bering, entre o extremo norte do continente americano e o leste da Ásia; o estreito de Bósforo, que liga as águas do mar Negro ao mar de Mármara, limite da Europa com a Ásia na Turquia; e o estreito de Dover, no canal da Mancha, entre a Inglaterra e o norte da França.

Os mares Os mares são porções do oceano localizadas próximo ao litoral ou no interior dos continentes. Conforme sua localização geográfica, os mares podem ser: abertos ou costeiros: aqueles que possuem extensa ligação com os oceanos vizinhos, como o mar do Caribe, o mar do Norte e o mar da China. interiores: aqueles que se ligam ao oceano por meio de estreitos ou canais artificiais. Por exemplo, o mar Mediterrâneo, entre a Europa e a África, e o mar Vermelho, entre a África e o Oriente Médio. fechados: aqueles que se encontram no interior do continente, sem ligação direta com o oceano, como o mar Cáspio e o mar de Aral.

••

•• ••

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Ao observarmos um mapa-múndi ou um globo terrestre, podemos perceber que os cinco oceanos que cobrem a superfície terrestre: Atlântico, Pacífico, Índico, Ártico e Antártico, apesar dos nomes diferentes, estão todos interligados e formam uma imensa massa de água. Esses oceanos, no entanto, apresentam águas com características distintas de salinidade, temperatura e movimentos. Oceanos e mares da Terra OCEANO GLACIAL ÁRTICO

N O S

Círculo Polar Ártico Mar Mar do Báltico Norte

Trópico de Câncer

L

OCEANO ATLÂNTICO

Mar Mediterrâneo

Mar Negro

Mar de Aral Mar Cáspio

Mar Vermelho

Mar do Caribe

Mar do Japão Mar Amarelo Mar da China

Equador

OCEANO PACÍFICO

0° OCEANO ÍNDICO

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

2 400 km 0° Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 33. 1 atlas. Escalas variam.

Águas oceânicas e o equilíbrio da vida na Terra As águas oceânicas atuam no equilíbrio térmico do globo, distribuindo parte do calor acumulado nas regiões equatoriais e do frio existente nas regiões polares. Elas também retêm bastante calor irradiado pelo Sol e transmitem parte desse calor para a atmosfera terrestre, regulando o clima em todo o planeta. Além disso, essas águas são ricas em fitoplâncton, minúsculas plantas unicelulares (algas) que flutuam na superfície dos oceanos. Esses seres vivos microscópicos desempenham um papel vital na manutenção dos complexos sistemas naturais que regulam e sustentam a vida no nosso planeta. Durante seu ciclo de vida, os fitoplânctons produzem a energia de que necessitam por meio da fotossíntese, capturando gás carbônico (CO2 ) e liberando oxigênio para a atmosfera. Assim, a renovação e a manutenção dos níveis de oxigênio na atmosfera terrestre dependem, em grande parte, dos fitoplânctons, sem os quais a quantidade de CO2 também seria maior.

NG Images/Alamy Stock Photo/Latinstock

E. Cavalcante

Círculo Polar Antártico

Unidade 7

OCEANO PACÍFICO

Meridiano de Greenwich

Trópico de Capricórnio

Na imagem de satélite ao lado, do Mar Amarelo (veja localização no mapa acima), as manchas em tons de azul mais claro revelam a presença de fitoplânctons nas águas oceânicas, em 2015. As águas oceânicas

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Características e dinâmica dos oceanos As águas oceânicas possuem temperatura e salinidade próprias que as diferenciam das águas continentais. O movimento dessas águas também lhes confere uma dinâmica que as faz atuar em diferentes aspectos da Terra.

Temperatura e salinidade A temperatura das águas oceânicas varia de acordo com a profundidade, sendo mais aquecidas na superfície, onde recebem diretamente a radiação solar, e menos aquecidas conforme a profundidade vai aumentando. Abaixo dos três mil metros de profundidade, a temperatura se estabiliza próximo a 0 ºC (zero grau Celsius). A temperatura dessas águas também varia conforme a latitude, sendo mais elevada na região equatorial, acima de 25 ºC, e mais baixa nas zonas polares, variando entre 0 ºC e 3 ºC. Composição química das águas oceânicas*

água 965,6 g

potássio cálcio 0,38 g bicarbonato 0,14 g 0,40 g outros magnésio 0,28 1,2 g sulfato 2,6 g

cloreto 18,9 g

sódio 10,5 g

E. Cavalcante

*Informações referentes a 1 litro de água.

Fonte: GARRISON, Tom. Fundamentos de Oceanografia. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010. p. 130.

Na composição das águas oceânicas, está presente, principalmente, o cloreto de sódio (NaCl), mais conhecido como sal de cozinha. Outros sais minerais, como sulfato, magnésio, cálcio e potássio, também estão dissolvidos nessas águas, porém, em pequenas quantidades. a-plus image bank/Alamy Stock Photo/Latinstock

A salinidade média das águas oceânicas é de aproximadamente 35 gramas de sais para cada litro de água (veja gráfico ao lado). No entanto, a quantidade de sais diluídos nas águas oceânicas varia conforme a latitude. Nas regiões tropicais, por exemplo, a salinidade aumenta devido ao processo de evaporação, que é intenso por causa da maior insolação. Já nas latitudes mais elevadas, a salinidade diminui devido aos baixos índices de evaporação e ao derretimento de água doce das geleiras. Na foz dos grandes rios, como do Amazonas, por exemplo, a salinidade também diminui em razão do grande volume de água doce despejado no mar. Há duas hipóteses prováveis para a origem da salinidade das águas oceânicas. Uma delas sugere que a salinidade decorre da dissolução de sais minerais contidos nas rochas continentais, que chegam até os oceanos carregados pelas águas dos rios. Outra hipótese sustenta que a salinidade seria proveniente da incorporação da água juvenil, ou água magmática, que foi liberada do interior da Terra pelas intensas atividades vulcânicas ocorridas durante o resfriamento do planeta, nos seus primórdios.

As águas do mar Morto, na fronteira entre Israel, Jordânia e Cisjordânia, possuem salinidade dez vezes superior à de qualquer outro mar ou oceano do mundo. Isso se deve, principalmente, à pouca quantidade de água que esse mar recebe de suas fontes alimentadoras e à intensa evaporação de suas águas, ocasionada pelas altas temperaturas da região em que se localiza. Por causa da elevada salinidade, poucos microrganismos conseguem sobreviver em suas águas, daí sua denominação. Mar Morto, visto ao lado, em Israel, em 2014.

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goodcat/Shutterstock.com

Águas oceânicas: água de beber? Hoje, existem técnicas sofisticadas de dessalinização da água do mar para torná-la própria ao consumo humano. Ela pode ser realizada por meio de diferentes técnicas, entre elas, a destilação e a osmose reversa. Na destilação, a água é aquecida até se transformar em vapor, que é destilado como água doce. Na osmose reversa, empregam-se membranas semipermeáveis para reter o sal e obter água potável. Essa é a técnica mais empregada por ser economicamente mais vantajosa. Ainda assim, a dessalinização da água é um processo muito caro, o que explica sua reduzida utilização, mesmo em regiões que enfrentam escassez severa de água e dispõem dessas fontes hídricas. Entre os países que mais se destacam na produção de água dessalinizada estão o Cazaquistão, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e os Estados Unidos. Ao lado, usina de dessalinização em Arrecife, Espanha, em 2014.

As águas oceânicas interagem diretamente com os processos atmosféricos, atuando como mecanismo regulador das temperaturas no nosso planeta. Em meio aos oceanos, existem gigantescas porções de água salgada, denominadas correntes marítimas, que se diferenciam principalmente pela temperatura (quente ou fria) e salinidade de suas águas. Essas correntes se deslocam sempre na mesma direção e com a mesma velocidade. O planisfério a seguir mostra as principais correntes marítimas e a direção em que elas se movimentam.

Unidade 7

Os movimentos das águas oceânicas

• Como as

correntes que passam pelo litoral brasileiro influenciam as águas litorâneas do nosso país?

Paula Radi

Correntes marítimas da Terra N O

Círculo Polar Ártico

L S

Corrente do Alasca

Corrente do Labrador

Corrente da Califórnia Corrente da Flórida

Corrente do Pacífico Norte Corrente de Kuroshio

Corrente do Atlântico Norte

te rren

Co

olfo

Trópico de Câncer

Corrente Norte Equatorial Corrente Equatorial Equador

Corrente Sul Equatorial Trópico de Capricórnio

OCEANO PACÍFICO

Corrente de deriva de oeste

Corrente Norte Equatorial Corrente do Brasil Corrente do Peru ou Humboldt

Correntes quentes Correntes frias

do G

Corrente das Canárias Corrente da Guiné Corrente Sul Equatorial

OCEANO ATLÂNTICO

Corrente de Falkland

Corrente Norte Equatorial Corrente de Benguela

Meridiano de Greenwich

Corrente de Kamchatka

Corrente das Agulhas

Corrente Sul Equatorial OCEANO ÍNDICO

Corrente de deriva de oeste 2 400 km

Fonte: STRAHLER, Alan; STRAHLER, Arthur. Introducting Physical Geography. 4. ed. New Jersey: John Wiley & Sons, 2006. p. 175.

As águas oceânicas

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As correntes marítimas quentes se formam nas regiões tropicais e se deslocam em direção às zonas polares, onde se resfriam. Já as correntes marítimas frias se formam nas zonas polares e se dirigem para os trópicos, onde se aquecem. A direção das correntes marítimas é determinada pela ação conjunta dos ventos e do movimento de rotação da Terra. Nas proximidades da linha do equador, os ventos alísios que sopram de nordeste (hemisfério Norte) e sudeste (hemisfério Sul) conduzem as correntes de leste para oeste. Já nas regiões de latitudes médias, os ventos sopram de oeste para leste, conduzindo as correntes marítimas nessa mesma direção.

As correntes marítimas e o clima Impulsionadas pela ação dos ventos, pelo movimento de rotação do planeta e pelas características das próprias massas líquidas (temperatura, salinidade, densidade e pressão), certas correntes marítimas carregam as águas quentes das regiões tropicais para as regiões mais frias do planeta, aumentando suas temperaturas. Por outro lado, há correntes que trazem águas frias de áreas de latitudes elevadas para as regiões mais aquecidas dos trópicos. A corrente do Golfo, por exemplo, leva águas aquecidas do golfo do México para o litoral europeu, amenizando o rigor do inverno no norte da Europa. A corrente de Humboldt, também chamada corrente do Peru, por sua vez, traz águas frias e ricas em nutrientes (plânctons) para a costa oeste da América do Sul, o que, além de amenizar as elevadas temperaturas tropicais da região, também contribui para tornar as águas da região ricas em peixes.

Já as marés são provocadas pela força gravitacional que a Lua e o Sol (este em menor escala) exercem sobre a Terra. Nos períodos em que a água do mar avança sobre o litoral, ocorrem marés altas ou preamar; e nos períodos em que ela recua, ocorrem marés baixas ou baixa-mar. As marés altas e baixas ocorrem em intervalos de seis horas e seus movimentos mudam as paisagens litorâneas.

Giulio Ercolani/ Alamy Stock Photo/ Latinstock

A baixa temperatura da corrente de Humboldt reduz a evaporação e, consequentemente, a umidade da massa de ar que atua na costa do Chile. Essas condições influenciam na formação do clima seco do deserto do Atacama, como observamos na paisagem de 2014.

Além das correntes marítimas, as águas oceânicas realizam outros movimentos, entre eles, as ondas e as marés. As ondas são movimentos das águas oceânicas impulsionados pelos ventos que sopram na superfície dessas águas. O tamanho das ondas varia principalmente de acordo com a profundidade das águas, ou seja, quanto menor a profundidade, maior o tamanho da onda. Também varia com a velocidade dos ventos, pois as altas velocidades produzem ondas maiores.

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Rubens Chaves/Pulsar

A dinâmica das águas na modelação do relevo litorâneo Em conjunto, esses movimentos tornam os oceanos grandes agentes transformadores do relevo litorâneo, exercendo um duplo trabalho sobre o relevo das regiões costeiras. De um lado, o movimento das águas oceânicas provoca o desgaste e a erosão (ou abrasão) do relevo litorâneo, criando diferentes formas ao longo da costa. As falésias, como são chamados os paredões rochosos abruptos à beira-mar, são formadas pelo choque das ondas sobre o relevo, o que causa o solapamento de sua base e o desmoronamento do material sobrejacente. Ao mesmo tempo, as águas oceânicas transportam sedimentos que se depositam ao longo da costa, realizando um intenso trabalho de acumulação marinha, criando praias arenosas (foto ao lado), entre outras formações.

A

Unidade 7

B

Vista aérea de parte da orla da cidade de Natal, Rio Grande do Norte, em 2014, com destaque para a praia do Forte em primeiro plano. Observe o processo de abrasão das ondas marinhas no desgaste das formações rochosas (A) e também o processo de acumulação de sedimentos marinhos depositados na praia (B).

Ressurgência e piscosidade Quando as correntes marítimas profundas e de temperatura fria ascendem para a superfície dos oceanos, ocorre o fenômeno oceanográfico da ressurgência, também conhecido como afloramento (ou upwelling, na língua inglesa). Esse fenômeno, que acontece em certas regiões costeiras, ocorre principalmente pela ação de ventos constantes, que afastam grandes volumes de águas superficiais da costa, possibilitando a subida de correntes subjacentes frias que circulam em maior profundidade (figura abaixo). Por isso, as águas oceânicas em que ocorre o fenômeno da ressurgência, a exemplo da costa do Peru, na América do Sul, da Califórnia, nos Estados Unidos, e do Marrocos, Senegal e Namíbia, na África, estão entre as mais piscosas do mundo. No Brasil, o fenômeno ocorre na região de Cabo Frio, litoral do Rio de Janeiro.

O estudo do tema ressurgência pode ser ampliado com noções sobre cadeia alimentar, nível trófico e ecossistemas, abordados na disciplina de Biologia. Se possível, sugira aos alunos que pesquisem sobre os efeitos da degradação das águas oceânicas sobre os fitoplânctons e as consequências que isso representa para as relações bióticas dos ecossistemas aquáticos. Ilustração produzida com base em: PLANETA Terra. Rio de Janeiro: Abril, 1996. p. 121. (Ciência e Natureza).

Como as águas mais profundas e frias dos oceanos são ricas em nutrientes, elas estimulam o desenvolvimento de fitoplânctons, que servem de alimento aos pequenos animais e peixes, que, por sua vez, vão alimentar os peivento xes maiores, e assim por diante. corrente fria ressurgência

Leonardo Mari

Em biologia marinha dá-se o nome de fitoplâncton ao conjunto de organismos aquáticos microscópios que vivem em suspensão nas águas oceânicas e doces, e que, assim como as temperatura da água plantas terrestres, possuem capacidade fo(em ºC) tossintética. Como os fitoplânctons estão na 18 base da cadeia alimentar dos ecossistemas 16 aquáticos (nível trófico dos produtores), eles 14 servem de alimentos aos animais maiores, 12 desempenhando papel vital na manutenção da vida aquática.

terra firme

corrente profunda

As águas oceânicas

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A degradação das águas oceânicas Os oceanos têm sido utilizados como imensos depósitos de detritos e rejeitos gerados pelas diversas atividades humanas. A maior parte da poluição que atinge os oceanos provém das descargas dos rios, que transportam vários tipos de poluentes em suas águas – de esgotos domésticos e industriais sem tratamento, agrotóxicos e fertilizantes químicos aplicados em excesso nas lavouras a resíduos altamente tóxicos, como mercúrio, chumbo, cobre, níquel, entre outros metais pesados, originários de processos industriais diversos. Lixo jogado no mar e carregado pelas correntes marinhas que se acumulou em uma praia da Espanha, em 2013.

Além disso, os oceanos também recebem uma imensa quantidade de poluentes atmosféricos, levados dos continentes pelas correntes de ventos, e de resíduos sólidos, como plásticos, latas, garrafas, vidros e embalagens, lançados nas regiões costeiras. Parte desses poluentes acaba sendo carregada pelas correntes marítimas e afeta lugares bem distantes de onde foi lançada. Os sinais da degradação que atingem os oceanos já podem ser observados nas águas do Ártico e da Antártica, porções menos habitadas do planeta.

Fabien Monteil/Shutterstock.com

Outro grave problema ambiental que afeta o ecossistema marinho é a poluição gerada pelo petróleo. Essa poluição tem sido causada tanto por acidentes de grandes navios petroleiros, vazamentos em portos de embarque e desembarque e em plataformas de extração localizadas no oceano, como pela descarga intencional de petróleo durante a lavagem dos tanques e equipamentos dos navios. O intenso processo de poluição das águas oceânicas provoca danos significativos ao ecossistema marinho. Em certas zonas costeiras, a degradação de manguezais e recifes, considerados verdadeiros “berçários” dos oceanos, compromete a reprodução de inúmeras espécies da fauna marinha, como peixes, moluscos e crustáceos, gerando desequilíbrios em toda a cadeia alimentar oceânica.

E. Cavalcante

Poluição das águas oceânicas

Fonte: WORLD watch: a dinamic visual guide packed with fascinating facts about the world. 2. ed. Hong Kong: Harper Collins Publishers, 2012. p. 86.

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Poluição na Baía de Todos-os-Santos Passava um pouco de 11 horas da terça-feira 16 de outubro quando o barco pilotado pelo químico Jailson Bittencourt de Andrade parou junto a um banco de areia no canal que liga a baía de Aratu à imensidão de águas cor de esmeralda da baía de Todos-os-Santos. Na faixa de areia exposta pela maré baixa cerca de 40 mulheres e algumas crianças [...] andavam de cócoras olhando para o chão. Elas mariscavam. Com uma colher ou apenas com os dedos, desenterravam um pequeno molusco que chamam de chumbinho ou papa-fumo, pouco maior que a unha do polegar. [...] Atualmente, porém, é recomendável consumir com moderação os peixes e frutos do mar apanhados em Aratu, Itapagi, Suba e em outras áreas mais industrializadas da baía de Todos-os-Santos. Eles estão contaminados. Concentram alguns metais em níveis superiores aos aceitos por autoridades da saúde como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Muitos desses metais são elementos químicos que, em concentrações bem baixas, são essenciais para uma boa saúde, mas, em níveis altos, podem ser tóxicos. [...] [...] A análise química demonstrou que ao menos quatro elementos (arsênio, zinco, selênio e cobre) aparecem em concentrações relativamente altas em mariscos e ostras. Os moluscos mais contaminados, segundo artigo publicado em 2011 no Marine Pollution Bulletin, haviam sido apanhados em Aratu, próximo ao local em que as marisqueiras trabalhavam naquela manhã de outubro, e no estuário do rio Subaé, a noroeste dali.

Não é de hoje que as águas e o ambiente no entorno dessa baía pagam um preço alto por ela ter servido de porta de entrada para o Brasil. Desde que a expedição do navegador português Gaspar de Lemos aportou ali em 1o de novembro de 1501, Dia de Todos os Santos na tradição católica, houve sucessivas alterações. A fundação de Salvador em 1549 por Tomé de Souza, enviado do rei de Portugal para criar uma cidade-fortaleza e iniciar a ocupação das terras do Novo Mundo, forneceu os braços e os machados que transformaram em lenha e madeira a exuberante mata atlântica, abrindo espaço para a cana e os engenhos de açúcar, a unidade agroindustrial mais avançada do Brasil colonial. A mudança mais intensa, porém, ocorreria mais tarde, com a descoberta de petróleo no Recôncavo Baiano e a instalação em 1950 da refinaria Landulpho Alves, no município de Mataripe, que levariam o governo da Bahia a apostar na petroquímica como modelo de desenvolvimento econômico. [...] ZORZETTO, Ricardo. A saúde da baía. Pesquisa Fapesp on-line, São Paulo, nov. 2012. Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/11/12/a-saude-da-baia/>. Acesso em: 7 out. 2015.

Baía de Todos-os-Santos E. Cavalcante

[...]

Unidade 7

Era até de se esperar que fosse assim. A baía de Aratu, localizada cerca de 20 quilômetros ao norte de Salvador, abriga um dos três portos mais movimentados da baía de Todos-os-Santos. Aratu está cercada por indústrias químicas, petroquímicas, metalúrgicas e de alimentos, entre outras. A menos de 50 quilômetros a nordeste dela, está instalado o polo petroquímico de Camaçari, o maior da América do Sul. Já no estuário do rio Subaé, no extremo noroeste da baía de Todos-os-Santos, a principal fonte de contaminantes foi por um longo período a mineradora Plumbum. Desativada em 1993, ela lançou por quase três décadas quantidades apreciáveis de chumbo, cádmio, arsênio e zinco no Subaé. N O

L S

Bahia

Salvador 13° S

BAÍA DE TODOS-OS-SANTOS

OCEANO ATLÂNTICO

55 km

39° O Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 170. 1 atlas. Escalas variam.

As águas oceânicas

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Contexto geográfico

Estudo de caso

Aral, um mar em agonia Quando a ecologia for disciplina de primeiro grau nas escolas do mundo, os pequenos alunos com certeza aprenderão sobre a tragédia que se abateu sobre o mar de Aral. Dificilmente se encontrará um exemplo tão didático e revoltante da capacidade do homem de intervir desastrosamente na natureza quanto o da agonia desse que chegou a ser o quarto maior lago do mundo. Mar de Aral 60° L

N O

Mar de Aral

Rio

CAZAQUISTÃO

Lago Balkash

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UZBEQUISTÃO

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QUIRGUISTÃO

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E. Cavalcante

a

IRÃ TURCOMENISTÃO

TADJIQUISTÃO

AFEGANISTÃO 290 km

PAQUISTÃO

Fonte: STUDENT atlas. 4. ed. London: Dorling Kindersley, 2006. p. 83. 1 atlas. Escalas variam.

CHINA

40° N

Localizado na Ásia Central, entre duas antigas repúblicas soviéticas – o Cazaquistão e o Uzbequistão –, o Aral ocupava originariamente uma área de 68 300 km 2, o equivalente a duas Holandas. Suas águas salgadas eram abastecidas principalmente por dois extensos rios, o Syr Darya e o Amu Darya, cujas bacias hidrográficas se estendem por outros países vizinhos – o Tadjiquistão, o Quirguistão e o Turcomenistão, além do Afeganistão e do Irã –, cobrindo uma área total que beira os dois milhões de quilômetros quadrados. [veja mapa ao lado] É uma região de terras áridas e semiáridas, e por isso mesmo a irrigação artificial lá é muito antiga: há indícios de que ela já era usada há mais de dois mil anos, sempre de forma sustentável. Mas a grande mudança nesse sentido começou na década de 1930, quando os governantes soviéticos decidiram transformar a área, economicamente inexpressiva, numa grande produtora de algodão. A fibra, chamada na época de “ouro branco”, era fonte certa de divisas numa época difícil da economia mundial.

As práticas de plantio tradicionais da região deram lugar a uma agricultura de irrigação intensiva, graças à construção de grandes canais – o maior deles, o Kara Kum, foi aberto em 1956 para desviar parte das águas do Amu Darya (foto a seguir). [...]

Kazuyoshi Nomachi/Corbis/Latinstock

Não se pode negar que houve algum sucesso: entre 1960 e 1980, a área respondeu por um aumento de 70% na produção total de algodão da União Soviética, e até hoje o Uzbequistão se destaca como potência algodoeira. Mas o custo social, econômico e ambiental desse feito é incalculável. Até 1960, a situação se manteve relativamente estável, mesmo com a irrigação tomando dos rios (e desperdiçando a maior parte no deserto, por deficiências estruturais das obras e pela evaporação) quase 50% do fluxo de suas águas. A partir daí, porém, o nível médio do mar começou a cair [...]. Nos anos 1990, a sangria contínua fez o mar dividir-se em dois, com um aumento drástico na salinidade das águas: antes de 10 gramas por litro, ela subiu para 45 gramas por litro – e, em algumas partes do Aral Sul, chegou a espantosos 98 gramas por litro. A média atual gira em torno de 33 gramas por litro. Canais de irrigação retirando água do rio Amu Darya, no Uzbequistão, já no início da década de 1990.

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Hoje em dia, a bacia do Aral é assolada pela desertificação (que atingiu mais de 30 000 km 2 do leito do mar) e por constantes tempestades de poeira tóxica. A redução do nível do mar pôs à mostra imensos bancos de sal, que os fortes ventos levam até o Himalaia, e a água remanescente da irrigação formou lagos contaminados por agrotóxicos [...]. A profunda devastação afetou a antes próspera indústria pesqueira, que na primeira metade da década de 1960 empregava cerca de 60 mil pessoas. Diante da visão de várias embarcações encalhadas longe da margem, as autoridades abriram canais para levá-las ao mar aberto – e nada conseguiram, porque o nível do Aral baixava mais rapidamente do que sua capacidade de escavar as valas. Com isso, a atividade pesqueira esgotou-se em 1982, e as fábricas de processamento de peixe congelado trazidas de outras regiões para manter os pescadores locais empregados foram fechadas em 1991. O desastre ambiental provocou também um profundo impacto na população local. Com a contaminação da água pelo sal e substâncias existentes nos fertilizantes e pesticidas utilizados nas plantações, a tendência de os moradores da região apresentarem câncer de garganta é nove vezes maior do que a média mundial, e a mortalidade infantil ali observada é a maior entre as antigas repúblicas soviéticas. [...] Unidade 7

Por enquanto, as ações tomadas (ou a falta delas) indicam que o Aral continuará a encolher na sua parte sul. Já na parte norte, aparentemente o governo do Cazaquistão está empenhado em manter sua fração do lago. De qualquer forma, o que resta é um retrato melancólico do poder de destruição que a humanidade pode exercer sobre a natureza. [...] ARAIA, Eduardo. Aral, um mar em agonia. Revista Planeta, São Paulo, ed. 424, jan. 2008. Disponível em: <http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/unesco-planeta/aral-um-mar-em-agonia>. Acesso em: 25 set. 2015.

2014 NASA/Earth Observatory/Jesse Allen/SPL/latinstock

NASA/SPL/Latinstock

1999 NASA/SPL/Latinstock

1987 NASA/SPL/Latinstock

1973

As imagens de satélite acima mostram a gradativa diminuição do mar de Aral, ao longo de mais de 40 anos.

a ) Localize em um atlas a extensão da bacia hidrográfica que alimenta o mar de Aral. b ) Quais foram os principais impactos ambientais causados no mar de Aral nos últimos quarenta anos? Que reflexos socioeconômicos resultaram desses impactos?

Barcos encalhados no leito seco do mar de Aral, no Uzbequistão, em 2011.

Mario Pereda/Alamy Stock Photo /Glow Images

c ) De acordo com o texto, quais são as perspectivas futuras para o mar de Aral?

As águas oceânicas

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Qual é a porcentagem da população mundial que vive nas áreas litorâneas ou em suas proximidades? Há uma explicação histórica para essa ocupação? 2. Cite três exemplos que comprovam a importância econômica das águas oceânicas para o desenvolvimento das atividades humanas. 3. Qual é a importância dos oceanos para o equilíbrio térmico da Terra? 4. Se alguém dissesse que os oceanos são o pulmão do mundo, como você poderia justificar essa comparação? 5. Descreva as duas hipóteses que explicam a salinidade das águas oceânicas.

6. Consulte o mapa da página 161 e escreva o nome de duas correntes marítimas frias e duas correntes marítimas quentes. Descreva também em que regiões do mundo essas correntes atuam. 7. Descreva a relação entre áreas de ressurgência e a piscosidade das águas onde esse fenômeno ocorre. 8. Defina o que são ondas e marés. Dê exemplos de alterações do relevo costeiro dos continentes promovidas pela aç ão c o nju nta d e s s a din â m ic a d a s águas oceânicas. 9. O mar de Aral é considerado fechado, aberto ou de interior? Justifique sua resposta. 10. Destaque três causas que têm provocado a degradação das águas oceânicas.

Correntes de Humboldt e do Brasil N O

L S

Equador 0°

Expandindo o conteúdo 11. Analise o mapa e responda às questões. a ) Descreva a localização geográfica das correntes marítimas em destaque no mapa. b ) Caracterize essas correntes quanto à origem e temperatura.

Trópico de Capricórnio

OCEANO ATLÂNTICO

c ) Quais as possíveis interferências da corrente de Humboldt no clima da costa oeste do continente americano, de acordo com suas características? d ) Na região onde você mora, qual fator climático exerce maior influência sobre o clima: a continentalidade ou a maritimidade? Descreva também se alguma corrente marítima influencia o clima da sua região.

E. Cavalcante

OCEANO PACÍFICO

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Fonte: STRAHLER, Alan; STRAHLER, Arthur. Introducting Physical Geography. 4. ed. New Jersey: John Wiley & Sons, 2006. p. 175.

Corrente quente Corrente fria

60° O

730 km


12. Leia e interprete as manchetes e os textos a seguir. Estudo encontra poluição de plástico em 88% da superfície dos mares

Pulmão do mundo, oceanos são o maior desafio ambiental

ESTUDO encontra poluição de plástico em 88% da superfície dos mares. G1, Rio de Janeiro, 1o jul. 2014. Disponível em: <http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/07/estudo-encontrapoluicao-de-plastico-em-88-da-superficie-dos-mares.html>. Acesso em: 7 out. 2015.

PULMÃO do mundo, oceanos são o maior desafio ambiental. O Globo, Rio de Janeiro, 5 jun. 2012. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/ciencia/ pulmao-do-mundo-oceanos-sao-maior-desafioambiental-5122196>. Acesso em: 7 out. 2015.

Toneladas de lixo plástico sufocam oceanos do mundo, dizem pesquisadores [...] Nos últimos anos, especialistas vêm alertando para a maneira como a poluição plástica está matando uma enorme quantidade de pássaros e mamíferos marinhos e outras criaturas, e ao mesmo tempo maculando os ecossistemas oceânicos. Alguns objetos de plástico, como redes de pesca descartadas, matam ao prender golfinhos, tartarugas marinhas e outros animais. Fragmentos plásticos também se alojam na garganta e no trato digestivo de animais marinhos. Unidade 7

Os pesquisadores disseram que o lixo plástico chega aos oceanos pelos rios e pelas regiões costeiras densamente povoadas, assim como pelas embarcações que navegam em rotas comerciais. [...] DUNHAM, Will. Toneladas de lixo plástico sufocam oceanos do mundo, dizem pesquisadores. O Globo, Rio de Janeiro. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/mundo/toneladas-de-lixo-plastico-sufocam-oceanos-do-mundo-dizem-pesquisadores-14798724>. Acesso em: 7 out. 2015

a ) Que tema é comum às manchetes e ao texto? b ) De acordo com o texto, como está a situação ambiental dos nossos oceanos? Identifique palavras-chave que permitam chegar a essa conclusão. c ) O autor do texto concorda com a maneira como o ser humano vem tratando os mares e os oceanos? Justifique sua resposta. d ) Como a poluição oceânica pode interferir na atmosfera terrestre?

13. Reflita sobre o tema a seguir e produza um texto. A Terra possui uma imensa quantidade de água nos oceanos e mares, mas, ainda assim, muitas pessoas morrem de sede e conflitos ocorrem por causa de água. Depois dessa reflexão, produza um texto que comente as razões dessa contraditória questão, tendo como base o seguinte roteiro: • exponha a questão da desigual distribuição e acesso de água potável na Terra, dando exemplos; • explique a contradição entre a abundância de águas oceânicas e o fato de essas águas serem impróprias para consumo direto do ser humano; • relacione as razões que impossibilitam ao ser humano usufruir das águas oceânicas; • por meio de exemplos, descreva a atual postura do ser humano em relação à situação das águas continentais e das águas oceânicas na Terra, explicando como suas atividades têm degradado os oceanos e mares; • aponte as principais preocupações a respeito do futuro desse precioso elemento na Terra e como o ser humano pode ser prejudicado pela maneira como tem utilizado as águas oceânicas e seus recursos. As águas oceânicas

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Ampliando seus conhecimentos Sugere-se que o professor aproveite a oportunidade para promover uma Geografia, ciência e cultura Mokens: os ciganos do mar discussão sobre a diversidade e pluralidade étnica-cultural, como Habitantes do arquipélago de Megúria, na Tailândia, os mokens construíram sua forma de ampliar o identidade cultural atrelada às águas oceânicas. Muitos afirmam que os membros entendimento sobre o tema cultura.

desse povo podem ser considerados verdadeiros nômades dos oceanos. Isso porque, a bordo de suas casas flutuantes, chamadas kabang, os mokens chegam a passar meses seguidos sem ancorar em terra firme. Leia o texto a seguir e conheça um pouco mais sobre esse povo.

Justine Evans/Alamy Stock Photo/Glow Images

[...] A maior parte do povo moken ainda pratica os ritos e costumes da sua antiga cultura. São, desde sempre, nômades que navegam em águas calmas e, até recentemente, cheias de peixes e mariscos – a base da sua dieta. Eles trocam as sobras de suas pescarias por outros produtos que lhes são necessários, à medida que passam de ilha em ilha percorrendo o arquipélago de Megúria. Durante seis meses, o vento os leva ao sul; durante os outros seis, ao norte. E assim os mokens sobrevivem há mais de 3 500 anos. [...]

A pesca é uma atividade muito importante para os mokens.

O kabang é a casa e a identidade dos mokens. Segundo documentos históricos e lendas dos nômades do mar, há milhares de anos vê-se esse barco velejar nas águas asiáticas até o litoral da Austrália, sugerindo que o povo moken é, na verdade, originário da China. Sua língua atual possui palavras e expressões similares às dos indígenas australianos. Apesar da sua vida nômade, os mokens têm pouco contato com os habitantes do litoral da Tailândia ou da Birmânia (atual Mianmar). São, no entanto, bem conhecidos como nômades do mar, que passam suas vidas em seus kabangs e só desembarcam para enterrar seus mortos em santuários situados sobre as colinas ou para cuidar da manutenção de seus barcos. [...] PALMERS, Ane. Os moken, nômades do mar. Revista Planeta. São Paulo, dez. 2010. Disponível em: <http://revistaplaneta.terra.com.br/ secao/reportagens/os-moken-nomades-do-mar>. Acesso em: 25 set. 2015. Gail Palethorpe/Shutterstock.com

Mokens em uma ilha ao sul da Tailândia, em 2014.

Seu kabang é construído com a madeira dura de uma árvore que cresce na Ilha Surin. O tronco deve ter um diâmetro específico, nem mais nem menos. Dois homens abraçam a árvore escolhida. Se suas quatro mãos se juntam, significa que o tronco tem o tamanho ideal para a construção de um casco de kabang. Muito forte, essa madeira resiste a séculos de navegação nos mares tropicais. Dezessete tipos diferentes de madeira, além do bambu, fornecem os materiais principais para a construção do convés, do mastro e do timão, tudo sustentado por cordas de fibras vegetais. [...]

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O mundo em duas voltas

No século XVI, o navegador português Fernão de Magalhães realizou uma grande expedição ultramarina que resultou na primeira circum-navegação da Terra. Em 1997 a família Schürmann, a bordo de uma embarcação, decide realizar a mesma viagem realizada há séculos, pelo navegador português. Com grande riqueza de imagens e informações, o filme retrata essa fantástica expedição realizada pelos Schürmann.

Título: O mundo em duas voltas Diretor: David Schürmann Ano: 2007 Duração: 92 minutos Origem: Brasil

Filme de David Shürmann. O mundo em duas voltas. Brasil. 2007

A Geografia no cinema

Unidade 7

Para assistir

• •IMENSIDÃO azul. Direção: Luc Besson. Fox Filmes, 1988.

Baseado em fatos verídicos, o filme retrata o desafio de dois amigos em se tornarem exímios mergulhadores submarinos.

••OCEANOS. Direção: Jacques Perrin e Jacques Cluzaud. Playarte Pictures, 2010.

Documentário que retrata, por meio de imagens fascinantes, a beleza dos ocea­n os da Terra. Mistérios do fundo dos oceanos e os desafios da sobrevivência da vida marinha também são abordados ao longo deste documentário.

Para ler

• •SKINNER, Brian J.; TUREKIAN, Karl K. O homem e o oceano. São Paulo: Edgard Blücher, 1988.

• •ANTUNES, Celso. Os rios, os mares e os oceanos. São Paulo: Scipione, 1995. • •HIDDEN depths: atlas of the oceans. Londres: Harper Collins, 2007. • •GARRISON, Tom. Fundamentos de Oceanografia. Tradução Cíntia Miyaji et al. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

••KLINK, Amyr. Cem dias entre céu e mar. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. Para navegar

••UNITED

Nations (UN). Atlas of the Oceans. Disponível em: <http://tub. im/2di9zo>. Acesso em: 11 set. 2015.

• •INSTITUT

Océanographique. Disponível em: <http://tub.im/yoz2zb>. Acesso em: 11 set. 2015.

• •WOODS

Hole Oceanographic Institution (WHOI). Disponível em: <http://tub. im/25heos>. Acesso em: 11 set. 2015.

• •CENTROS

de Estudos do Mar – Universidade Federal do Paraná (CEM – UFPR). Disponível em: <http://tub.im/wteceu>. Acesso em: 11 set. 2015. As águas oceânicas

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Questões do Enem e Vestibular 1. (UESB-BA) Os oceanos e mares ocupam papel importante no equilíbrio dos subsistemas que compõem a Terra, executam movimentos com características peculiares e absorvem calor da superfície terrestre. Em relação aos oceanos e mares, pode-se afirmar: 05. (01) Possuem temperatura uniforme, devido à igual radiação do Sol na superfície das águas oceânicas. (02) Apresentam uma movimentação constante, sendo o movimento horizontal das marés o mais importante. (03) Têm salinidade variável, sendo mais baixa nas regiões tropicais do que nas demais zonas térmicas, devido ao elevado índice pluviométrico. (04) Possuem verdadeiros rios nas suas águas, que são as correntes marítimas, cuja origem está relacionada ao movimento de translação da Terra e ao relevo oceânico. (05) Possuem correntes marítimas que se movimentam no sentido anti-horário, no Hemisfério Sul, e no sentido horário, no Hemisfério Nor te, podem ser frias ou quentes e influenciam o clima de algumas regiões do planeta. 2. (UECE-CE) No que se refere à importância dos oceanos e mares, pode-se afirmar, corretamente, que: B. a ) A vida no mar é abundante e diversificada, localizando-se, principalmente, nas regiões abissais e no talude. b ) Eles são a fonte primária de água que chega aos continentes sob a forma de chuva ou neve. c ) É insignificante o papel dos oceanos e dos mares na dinâmica do ciclo hidrológico. d ) O Brasil não tem interesse na exploração dos recursos energéticos localizados na plataforma continental, por absoluta escassez desses recursos. 3. (UFPEL-RS) É correto afirmar que os espaços geográficos denominados Ártico e Antártico são caracterizados, respectivamente, como E. a ) portador de grande reserva petrolífera; espalhado pelo território de diversos países e por águas internacionais.

Anote as respostas no caderno.

b ) totalmente coberto por gelo permanente, que não derrete no verão; um território cuja disputa territorial foi suspensa por um tratado internacional. c ) cercado pelas águas confluentes dos ocea­ nos Atlântico, Pacífico e Índico; habitado por quatro milhões de pessoas, além de ursos, baleias e focas. d ) possuidor de um subsolo cheio de lagos, como o Vostok; possuidor de uma paisagem dominada por pinguins, focas e pássaros. e ) localizado nas terras e mares entre a Ásia e a América do Norte; habitado por pesquisadores que ocupam temporariamente bases científicas mantidas por diversas nações.

4. (UEPG-PR) A respeito das águas oceânicas e sua ação sobre o planeta, assinale o que for correto. (01), (02), (04), (08) e (16). Total: 31. (01) O fluxo de águas quentes das regiões tropicais para as de altas latitudes e o fluxo de águas frias das regiões polares em direção ao equador contribuem para o equilíbrio térmico do globo. (02) As regiões oceânicas oferecem condições para a formação de massas de ar que influenciam nas características climáticas do globo, a exemplo das massas Tropical marítima (Tm), Equatorial marítima (Em) e Polar marítima (Pm). (04) O fenômeno denominado El Niño, que ocorre na região do Oceano Pacífico tropical a intervalos irregulares, afetando o comportamento climático em grande parte do planeta, é um fenômeno oceânico. (08) A proximidade e o distanciamento dos oceanos são fatores influenciadores na distribuição geográfica das chuvas sobre áreas continentais, embora as correntes marítimas frias contribuam para a estabilidade da atmosfera e o surgimento de áreas desérticas. (16) A evaporação das águas dos oceanos é a principal fonte da umidade do ar atmosférico, pois eles cobrem por volta de 71% da superfície do globo terrestre.

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N O

OCEANO ATLÂNTICO

Mar Mediterrâneo

Mar Cáspio

Gilberto Alicio

Mar Negro

1 160 km

L S

Os mares podem ser classificados pelo menos em três tipos: os mares abertos, os mares interiores e os mares fechados. Os mares interiores, também denominados de continentais como o Mar Mediterrâneo e o Mar Negro, indicados no mapa, comunicam-se com os oceanos através de abertura denominada: a ) Estreito. d ) Desembocadura. b ) Foz. e ) Fiorde. c ) Estuário.

6. (ENEM-MEC) Por que o nível dos mares não sobe, mesmo recebendo continuamente as águas dos rios? A. Essa questão já foi formulada por sábios da Grécia antiga. Hoje responderíamos que: a ) a evaporação da água dos oceanos e o deslocamento do vapor e das nuvens compensam as águas dos rios que deságuam no mar. b ) a formação de geleiras com água dos ocea­ nos, nos polos, contrabalança as águas dos rios que deságuam no mar. c ) as águas dos rios provocam as marés, que as transferem para outras regiões mais rasas, durante a vazante. d ) o volume de água dos rios é insignificante para os oceanos e a água doce diminui de volume ao receber sal marinho. e ) as águas dos rios afundam no mar devido a sua maior densidade, onde são comprimidas pela enorme pressão resultante da coluna de água.

7. (UEL-PR) Leia o texto a seguir e responda às questões. A. Todos os dias Alexandre remava mar afora, desejoso em descobrir os segredos da fria cor-

rente marítima. Compunha tabelas de temperatura do mar e media a velocidade da maré. [...] Aimé descobriu novas plantas sem grande quantidade, que o compensaram pela sua escassez nos planaltos. Descobriu buganvílias de seis metros de altura, cujas folhas envolviam toda a árvore numa cor de rosa brilhante, delicado, eclipsando as florinhas pouco vistosas. E reconheceu uma zigófila, cujas folhas de delicado tecido se fechavam à aproximação da chuva. THOMAZ, M. Z. As viagens de Alexandre Von Humboldt. São Paulo: Melhoramentos, 1957, p. 178.

Alexandre Von Humboldt foi o primeiro pesquisador a caracterizar a corrente marítima proveniente do Pacífico, por isso ela recebeu o seu nome. Sobre essa corrente, é correto afirmar: a ) É considerada a corrente mais fria do mundo. b ) Trata-se de uma corrente fria, originada no continente ártico. c ) É intensificada em períodos de El Niño. d ) A temperatura de suas águas é igual à do Atlântico. e ) Esta corrente é conhecida como Nazca.

8. (UFF-RJ)

“Energia das ondas” Não só os surfistas desfrutam das grandes ondas no Brasil. Se tudo caminhar bem, o Brasil vai inaugurar no segundo semestre de 2006, no Estado do Ceará, a primeira central elétrica da América, a partir do aproveitamento da força das ondas do mar, produzindo 500 quilowatts de energia e contemplando 200 famílias. Estima-se que a potencialidade total dos oceanos do planeta é de um a dois terawatts, o suficiente para atender toda a demanda energética mundial. Usar de 10 a 20% “já seria colossal”, afirma o especialista Segen Estefen. Adaptado de JB Ecológico, ano 3, no 26.

Acerca da ocorrência de marés e de ondas do mar, assinale a alternativa correta. C. a ) As diferenças de temperatura, entre as águas super ficiais e aquelas profundas, provocam os movimentos de maré. b ) As correntes marítimas, tanto as frias quanto as quentes, são as principais responsáveis pela ocorrência de ondas. As águas oceânicas

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Unidade 7

5. (UFPB-PB) Observe o mapa. A.


c ) O principal fator causador das ondas é o vento, enquanto o das marés é a força gravitacional da Lua. d ) A produção de eletricidade a partir da energia das ondas já é uma realidade, sendo apenas projeto quanto às marés. e ) A formação de grandes ondas é decorrência direta das marés altas, facilitando a produção de eletricidade.

9. (UEL-PR) Leia o texto a seguir. Água também é mar E aqui na praia também é margem. Já que não é urgente, aguente e sente, aguarde o temporal Chuva também é água do mar lavada no céu imagem ANTUNES, A.; MONTE, M.; BROWN, C. Água também é mar. Memórias, crônicas e declarações de amor. EMI, 2000.

a ) os gravíssimos derramamentos de petróleo nos oceanos recebem muita atenção da mídia e das pessoas, pois são eles a principal causa da poluição oceânica. b ) uma usina nuclear é uma fonte geradora de energia adequada para as regiões litorâ­ neas, porque sua produção não apresenta risco de contaminação oceânica. c ) boa parte da complexa mescla que compõe os resíduos industriais acaba nos oceanos, porque a consciência sobre isso ainda é precária. d ) uma fonte de poluição oceânica foi atenuada com altos investimentos em insumos agrícolas biodegradáveis, que antes eram contaminantes persistentes.

Esse trecho faz menção ao ciclo hidrológico, sendo a chuva apresentada como “água do mar lavada”. Com a tecnologia dos tempos atuais, a água do mar pode ser tratada em grande escala a ponto de tornar-se potável.

e ) o oceano resiste bem à poluição terrestre, em razão de sua capacidade regeneradora. Sua dimensão é enorme se comparada à escala da ação humana.

Com relação à possibilidade de dessalinização, assinale a alternativa correta. E.

11. (PUC-RJ) A “crise ambiental oceânica” é resultado de uma série de fatores, dentre eles o desaparecimento da vida marinha.

a ) A principal consequência do processo de dessalinização de águas é a salinização de solos produtivos. b ) A salinidade é menos elevada em águas mais quentes, fator que favorece a dessalinização no Oriente Médio. c ) Devido à grande disponibilidade hídrica em todo o território, é desnecessário ao Brasil recorrer ao processo de dessalinização. d ) O processo de dessalinização tem por objetivo principal a retirada de vírus e bactérias das águas por meio de técnicas específicas. e ) O processo de dessalinização pode ser rea­ lizado em águas do mar e também em águas continentais salobras.

10. (PUC-SP) “Os oceanos recebem todo o impacto dos desperdícios humanos, seja por descarga deliberada, ou por arraste natural. Ao menos 83% de toda a poluição marinha deriva de atividades realizadas em terra firme.” Norman MYERS. Gaia: el atlas de la gestion del planeta. Londres: Gaia Books Limited, 1993. p. 78.

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Sobre esse fenômeno, pode-se afirmar que: C.

Nesse sentido, surgem “zonas mortas”, uma das contribuições para a extinção dos ecossistemas marinhos. Assinale a única alternativa CORRETA para as origens e causas das zonas mortas. D. a ) A contaminação das águas litorâneas pelo excesso de chorume (fósforo e oxigênio) contido nos depósitos de lixo litorâneos. b ) As zonas mortas concentram-se, principalmente, nos litorais do Atlântico e do Pacífico dos EUA; dos países africanos; do litoral antártico e dos países banhados pelo Mar de Aral, isto é, onde as atividades industriais e agrícolas são mais marcantes. c ) Nos últimos cinquenta anos, a população mundial dobrou, enquanto o consumo de frutos do mar aumentou cinco vezes. A natureza não está conseguindo repor os estoques pesqueiros além da capacidade de recuperação das populações.


e ) Uma zona morta surge quando a concentração de nitrogênio é insuficiente para a manutenção da vida, exceto pela presença de algumas bactérias.

12. (UESPI-PI) Nas áreas costeiras, a direção dos ventos muda, em geral, radicalmente no decorrer do dia. Esse fenômeno é explicado por dois fatores, a saber: A. a ) as diferenças barométricas e de temperatura entre o continente e o mar. b ) as inter ferências do relevo costeiro e a homogeneidade das isóbaras. c ) as diferenças de salinidade entre oceanos e rios, e as diferenças barométricas. d ) as influências das correntes marinhas e as interferências do calor latente. e ) as diferenças barométricas sazonais e a cobertura vegetal de áreas costeiras.

13. (UEPG-PR) Sobre recursos marinhos e ameaças à preservação dos mesmos, assinale o que for correto. (01), (02), (04) e (08). Total: 15. (01) Embora as ondas e marés sejam utilizadas para geração de energia, a vida nos ocea­ nos tem sido ameaçada e alguns dos fatores que para isso contribuem são o despejo de lixo atômico e lançamento de materiais plásticos ao longo de décadas nas bacias oceânicas. (02) O lançamento de esgotos não tratados e poluentes químicos industriais, agrícolas e domésticos no solo e rios, que acabam chegando aos mares, dificulta a sobrevivência de espécies marinhas. (04) O derramamento de óleo por navios petroleiros em acidentes, que ocorrem nos mares, é uma das causas da degradação dos ambientes marinhos. (08) Os desflorestamentos nos continentes fazem com que os rios despejem uma quantidade maior de sedimentos nos mares, que vão assorear as bacias oceânicas ameaçando os ecossistemas marinhos.

14. (UPM-SP)

A tragédia ecológica do Mar de Aral O Mar de Aral, um lago terminal alimentado por dois rios principais (Sirdaria e Amudaria), forma uma fronteira natural entre o Cazaquistão e o Uzbequistão. Era o quarto maior lago mundial em 1960; hoje, está em vias de desaparecer em um pequeno e sujo poço. A destruição do Mar de Aral é um exemplo de como uma tragédia ambiental e humanitária pode ameaçar rapidamente toda uma região. Tal destruição constitui um caso clássico de desenvolvimento não sustentado. Vale a pena estudá-lo, pois, de certa forma, prefigura o que poderá acontecer a nível planetário, se a humanidade continuar a desperdiçar recursos finitos como a água. Rama Sampath Kumar.

Considerando o texto, a respeito do “Mar de Aral”, assinale a alternativa correta. C. a ) O desmatamento das áreas periféricas e um for te assoreamento determinaram o problema ambiental em questão, diminuindo o nível de salinidade do Mar. b ) O Mar de Aral recebe detritos orgânicos e químicos, devido ao crescimento desordenado da industrialização e da urbanização não planejada na região, acelerando o processo de degradação. c ) Os principais problemas se devem ao uso de suas águas para a irrigação, principalmente das lavouras algodoeiras; a área foi reduzida à metade e a sua salinidade triplicou. d ) O Mar possui dois rios principais que o alimentam. Com o passar dos anos, algumas hidrelétricas foram construídas ao longo desses rios, reduzindo, substancialmente, o nível de suas águas. e ) O desastre ecológico ocorreu devido à ocupação ilegal das áreas de mananciais próximas ao Mar, dando lugar à especulação imobiliár ia, e ao apare cime nto de condomínios de alto padrão. As águas oceânicas

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Unidade 7

d ) Essas zonas são causadas pela redução do oxigênio decorrente da decomposição de algas, que proliferam devido aos resíduos orgânicos, ao fósforo e ao nitrogênio despejados no mar pelas atividades industriais e agrícolas.


176 Bertrand Rieger/Hemis/Corbis/Latinstock

unidade

Atmosfera, tempo e clima


Sempre curioso, para estudar e conhecer ainda mais a atmosfera terrestre e seus fenômenos, o ser humano passou a fazer observações meteorológicas e a pesquisar essa esfera de maneira mais sistemática e científica. Aventurar-se pelos céus também foi uma de suas conquistas. As ciências que estudam a atmosfera evoluíram muito, reunindo conhecimentos profícuos sobre fenômenos atmosféricos. Nas previsões do tempo houve grandes avanços, ampliando-se o nível de exatidão. Atualmente, essas previsões prestam um grande serviço à humanidade, seja auxiliando a realização de atividades econômicas, seja alertando as populações sobre a ocorrência de fenômenos extremos, a fim de protegê-las. A

Os fenômenos atmosféricos interferem em suas atividades cotidianas? Como?

B

Você faz uso de previsões meteorológicas? Já refletiu sobre a importância dessas previsões na prevenção de catástrofes?

Balão sobrevoando a Capadócia, região da Turquia, em 2009. Nessa região, os passeios em balões atraem turistas do mundo todo.

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A atmosfera terrestre A origem da atmosfera Estudos indicam que a atmosfera da Terra formou-se à medida que a Terra foi se esfriando, há cerca de 4 bilhões de anos. Grande parte dos gases e vapores de água liberados nesse processo de resfriamento desprendeu-se para o espaço sideral. Outra parte foi se aglomerando em torno do planeta, aprisionada pela força da gravidade. Os gases dessa atmosfera primitiva tinham uma composição química diferente, eram tóxicos. Foi o processo de fotossíntese, iniciado com o surgimento de plantas marinhas, que alterou esses gases da atmosfera e há milhões de anos possuem as características atuais. Aerossóis: partículas de poeira e microrganismos em suspensão, fuligem proveniente do escapamento dos veículos, das chaminés das fábricas e de queimadas. Os aerossóis podem ser de origem natural ou produzidos pelas atividades humanas.

A Terra é envolvida por uma camada de gases chamada atmosfera, que se mantém presa ao redor do planeta por causa da força da gravidade. Em sua composição química, predominam nitrogênio (78% do total) e oxigênio (21%) – os principais gases que respiramos e que são indispensáveis para a existência da vida na Terra. Outros gases estão presentes na atmosfera em proporções bem menores, entre eles, argônio, neônio, hélio, ozônio, hidrogênio e dióxido de carbono. Além dos gases, a atmosfera também apresenta vapor de água e aerossóis. Grande parte dos gases e materiais que compõem a atmosfera encontra-se mais próxima da superfície terrestre e, portanto, em baixas altitudes. Conforme a altitude aumenta, a concentração de gases na atmosfera vai se tornando mais rarefeita, diminuindo gradativamente, até se confundir completamente com o espaço cósmico, a cerca de 750 quilômetros de altitude. Da superfície terrestre ao espaço exterior, a atmosfera pode ser dividida em camadas, que se diferenciam principalmente por suas características físico-químicas, como espessura, massa, composição, temperatura etc., conforme mostrado no esquema a seguir. Realize a leitura desse esquema de baixo para cima. A partir da porção superior desta camada, inicia-se o espaço sideral. A exosfera é composta basicamente de moléculas de gás hélio e hidrogênio, e sua temperatura pode atingir mais de 1 700 oC.

725

exosfera Em razão da intensa absorção dos raios ultravioleta ocorridos nessa camada, a temperatura aumenta continuamente com a altitude. A porção da termosfera onde estão concentradas as maiores quantidades de elétrons é denominada ionosfera. Essa camada é importante na radiocomunicação, uma vez que pode absorver ou refletir ondas de rádio.

500

120

termosfera Nesta camada, a temperatura diminui conforme a altitude e pode atingir aproximadamente –90 oC na sua porção mais elevada.

Altitude (km)

100

mesosfera

Na estratosfera, a temperatura aumenta progressivamente com a altitude. A cerca de 22 km de altitude, concentra-se o gás ozônio, responsável por filtrar a radiação ultravioleta do Sol. Esse gás, por absorver parte da radiação solar, é o principal causador do aquecimento da temperatura nesta camada.

estratosfera

A temperatura média em torno de 15 oC e os gases que compõem esta camada da atmosfera favorecem o desenvolvimento da vida. Nesta camada, a temperatura, em geral, diminui cerca de 6,5 oC a cada quilômetro que se distancia do solo e nela ocorre grande parte dos fenômenos atmosféricos.

80

60

40

Luciane Mori

20

troposfera -150

-100

-50

0

50

Temperatura (ºC)

100

150

Ilustração produzida com base em: AYOADE, J. O. Introdução à Climatologia para os trópicos. Tradução Maria Juraci Z. dos Santos. São Paulo: DIFEL, 1986. p. 20-22.

178

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Em contato direto com a superfície terrestre e com ela interagindo intensamente, a troposfera é a camada da atmosfera que possui maior importância para os estudos geográficos. É nela que ocorre a maioria dos fenômenos meteorológicos (ventos, chuvas, tempestades, secas, geadas, nevascas etc.), que interferem diretamente na vida e nas atividades humanas. Além disso, a atmosfera atua no aquecimento do planeta, pois absorve, difunde e reflete o calor dos raios solares, mantendo a temperatura média na superfície do globo em torno de 15 o C. Sem a atmosfera, as temperaturas do planeta seriam bem mais baixas (em torno de –20 o C), o que limitaria, e muito, o desenvolvimento da vida. O esquema ao lado mostra, de maneira simplificada, o destino da radiação solar que incide sobre a Terra.

A radiação solar e a atmosfera terrestre

25%

refletida pelas nuvens

25%

absorvida pela atmosfera

5%

refletida pela superfície terrestre

45%

absorvida pela superfície terrestre

50 a 70%

lavoura de milho albedo:

20 a 25%

floresta tropical albedo:

dunas de areia albedo:

7 a 15%

30 a 60%

asfalto albedo:

cidade albedo:

5 a 15%

14 a 18%

solo arado (nu) albedo:

7 a 20%

Ilustrações: Marcela Pialarissi

gelo nas montanhas albedo:

Fotomontagem de Renan Fonseca formada pelas imagens William Radcliffe/Science Faction/Corbis/Latinstock

A fração da radiação solar que uma superfície reflete em relação ao que recebe denomina-se albedo. O albedo pode ser maior ou menor, podendo variar entre 0% e 100%, de acordo com a cor, a composição química e o estado físico dos elementos da superfície terrestre. Assim, quanto maior o albedo, maior é a quantidade de energia refletida por uma superfície, e vice-versa. Uma geleira, por exemplo, apresenta albedo elevado, pois sua cor branca reflete muita radiação solar. Já uma floresta tropical possui albedo menor, pois a cor verde-escuro absorve muita radiação e reflete pouca. Veja abaixo os índices de albedo de algumas superfícies.

Unidade 8

Albedo

Ilustração produzida com base em: LUHR, James F. (Ed.). Earth: the definitive visual guide. New York: Dorling Kindersley, 2007. p. 442.

Ilustrações produzidas com base em: MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês Moresco. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007, p. 35.

Atmosfera, tempo e clima

179


O aquecimento desigual da Terra Os diversos climas que se manifestam na superfície terrestre, assim como os fenômenos meteorológicos que ocorrem na troposfera (chuvas, ventos etc.), estão intimamente ligados à distribuição desigual da radiação solar no planeta. Como vimos, a Terra tem a forma de um geoide – uma esfera levemente achatada nos polos – e, por esse motivo, os raios solares não atingem toda a sua superfície com a mesma intensidade. Outros fatores, como a inclinação do eixo da Terra e o movimento de translação, que o planeta realiza ao redor do Sol, também atuam diretamente na distribuição desigual da insolação na superfície do globo. Como se sabe, o eixo imaginário em torno do qual a Terra realiza seu movimento de rotação possui uma inclinação de 23 o 27’ em relação ao plano de órbita ao redor do Sol. Por causa dessa inclinação, a incidência dos raios solares sobre o planeta também varia ao longo do ano, o que dá origem às quatro estações: primavera, verão, outono e inverno (veja novamente as páginas 23 a 25).

As temperaturas variam de maneira inversa conforme a latitude: Menor latitude = maior temperatura Maior latitude = menor temperatura

Atmosfera: dispersão de energia 90º _

déficit de energia polar

As transferências de energia são realizadas por ventos, correntes marítimas e sistemas meteorológicos, como os ciclones.

90º 60º N

B

Renan Fonseca

Polo Norte

Em virtude desse aquecimento desigual a Terra recebe mais energia entre os trópicos e menos nas regiões polares ao longo do ano. Isso ocasiona um desequilíbrio que impulsiona a circulação das massas de ar e dos ventos atmosféricos, transferindo o excedente de energia dos trópicos para os polos (veja o esquema ao lado).

+

– perda de energia (saída)

23º 27’ Trópico de Câncer

+

+

+ ganho de energia (entrada)

+

_

transporte do excedente de energia 0º em direção aos polos

B 60º S _ 90º

Ilustração produzida com base em: CHRISTOPHERSON, Robert W. Geossistemas: uma introdução à Geografia física. Tradução Francisco Eliseu Aquino et al. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. p. 98.

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Equador

23º 27’ Trópico de Capricórnio

_

déficit de energia polar

0º A

90º

Nas baixas latitudes equatoriais, por exemplo, os raios solares incidem de maneira quase perpendicular, atingindo a superfície dos continentes e oceanos de maneira direta e com maior intensidade, causando maior aquecimento nessas regiões do globo (A). Nessas áreas há um excedente de energia, pois há mais energia ganha do que perdida. À medida que a latitude aumenta em direção aos polos (norte e sul), a luz solar incide de maneira cada vez mais inclinada e difusa, diminuindo assim o aquecimento. Além disso, essas regiões refletem muita energia por conta das superfícies claras (gelo e neve possuem albedo elevado) e passam boa parte do ano recebendo pouca insolação. Isso explica por que as zonas polares apresentam as temperaturas mais baixas do planeta, tornando-se regiões onde há mais perda do que ganho de energia, ocasionando déficits (B).

Polo Sul

Além dos ventos atmosféricos, as correntes marítimas também contribuem para a circulação do calor na Terra. As correntes que se formam nas regiões tropicais levam calor em direção aos oceanos gelados das latitudes polares, amenizando as temperaturas e os rigores do clima nessas regiões. Já as correntes que se formam nas regiões polares trazem águas geladas para as regiões das baixas latitudes tropicais, evitando que essas áreas se aqueçam demasiadamente. Veja como isso ocorre, observando novamente o deslocamento das correntes marítimas frias e quentes pelo globo mostrado no mapa da página 161.


A circulação geral da atmosfera

Ilustração produzida com base em: LUHR, James F. (Ed.). Earth: the definitive visual guide. New York: Dorling Kindersley, 2007. p. 460.

N. Akira

A movimentação dos ventos em escala planetária segue um padrão regular denominado circulação geral da atmosfera. Ela funciona da seguinte maneira: nas áreas mais aquecidas pela radiação solar, o ar se dilata, torna-se menos denso e, portanto, mais leve, criando áreas de baixa pressão atmosférica. O ar mais leve é, então, impulsionado em movimentos ascendentes até atingir cerca de 10 mil metros de altitude, deslocando-se para o norte e para o sul, na forma de grandes correntes de ventos. Deslocando-se em altas altitudes, o ar fica cada vez mais frio, tornando-se mais A denso e mais pesado, e volta a soprar em direção à superfície terrestre, originando áreas de alta pressão (veja as figuras ao lado). A- As áreas de baixa pressão, também chamadas ciclones, são regiões receptoras de ventos. Nelas, os ventos são convergentes e ascendentes. B- As áreas de alta pressão, também chamadas anticiclones, são regiões dispersoras de ventos. Nelas, os ventos são descendentes e divergentes.

B

Unidade 8

A circulação geral da atmosfera segue padrões de ascensão e descida de ventos que sopram constantemente na forma de grandes correntes circulatórias, denominadas células. Temos três grandes células em cada hemisfério: as de Hadley, as de Ferrel e as polares. Nas células de Hadley (ou células tropicais) os ventos circulam entre o equador e os trópicos. Nas células de Ferrel (ou células de médias latitudes) os ventos circulam entre os trópicos e os círculos polares. Nas células polares os ventos sopram dos polos, onde a pressão atmosférica permanece sempre mais elevada por causa das baixas temperaturas. Essas células, por sua vez, formam três correntes de ventos superficiais: os ventos alísios, os ventos de oeste e os ventos polares (veja a figura abaixo).

Dinâmica global da atmosfera

Ilustrações: Acervo da Editora

Ventos de oeste: sopram dos trópicos em direção aos polos, na direção contrária aos ventos alísios. Ventos polares: sopram dos polos em direção às regiões subpolares (em torno de 60º de latitude).

célula polar célula de Ferrel

célula de Hadley

Gary Hincks/SPL/Latinstock

Ventos alísios: sopram dos trópicos em direção às baixas latitudes equatoriais; no hemisfério Norte, tem-se os chamados alísios de nordeste, e no hemisfério Sul, os alísios de sudeste. Os alísios carregam muita umidade, causando as chuvas intensas e tão comuns que ocorrem na região equatorial.

célula de Hadley

célula de Ferrel

Ilustração conforme: CAVALCANTI, Iracema Fonseca de A. et al (Orgs.). Tempo e clima no Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2009. p. 17.

célula polar

Atmosfera, tempo e clima

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Infográfico

El Niño Conhecido há séculos e relacionado a diferentes acontecimentos naturais, o estudo do fenômeno El Niño tem demonstrado à ciência como um evento local, que se inicia com o aquecimento das águas do oceano Pacífico, pode influenciar o clima a nível global e, portanto, quão complexo é o sistema climático da Terra. Tais estudos têm ampliado o conhecimento sobre a previsibilidade de novos eventos, o que até recentemente era considerado impossível. Também tem sido possível conhecer cada vez mais os efeitos negativos e positivos do El Niño.

Sol90 Images

Basicamente, o fenômeno do El Niño se manifesta como um aquecimento incomum das águas superficiais no oceano Pacífico na costa sul-americana, onde a água é geralmente mais fria entre junho e novembro. De acordo com estudos, é um fenômeno cíclico que se repete a cada 2 e 7 anos.

Até o momento as pesquisas científicas não conseguiram estabelecer uma relação comprovada entre o El Niño e o aquecimento global.

Como se forma o El Niño

A ocorrência do El Niño está profundamente ligada a um fenômeno chamado Oscilação do Sul, em que a pressão atmosférica do Pacífico Ocidental e do Pacífico Oriental sobe e desce alternadamente.

Durante o El Niño

Situação normal Área de baixa pressão: atrai os ventos.

circulação dos ventos Área de alta pressão: emite ventos.

chuvas intensas

água quente direção da corrente quente água fria nível do mar

A pressão atmosférica é mais baixa na Oceania e no Sudeste da Ásia do que no Pacífico Oriental. Os ventos que sopram na direção oeste carregam a água quente para a Oceania, provocando chuvas significativas e elevação do nível do mar. No Pacífico Oriental, ou seja, na costa sul-americana, sem a presença das águas quentes superficiais, as águas frias muito ricas em nutrientes ascendem das partes mais profundas do oceano.

Termoclina: limite a partir do qual a temperatura da água baixa bruscamente.

nível do mar

Na Oceania e no Sudeste da Ásia a pressão atmosférica é maior ou igual à do Pacífico Oriental. Os ventos não conseguem mover a água quente na direção oeste, impedindo que se elevem para a superfície as águas frias profundas ao longo da costa da América do Sul. Nessas condições ocorrem tempestades na porção leste do Pacífico.

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sensores de temperatura

sensores de temperatura

A necessidade de prever o fenômeno Por causa de sua influência no clima global, prever o fenômeno traz enormes benefícios. Onde as consequências são negativas, a prevenção pode auxiliar na redução das perdas. Nas regiões em que as consequências são positivas, elas podem ser potencializadas.

Boias fixas As boias são ancoradas ao fundo do oceano e têm a função de monitorar as propriedades da água, como velocidade das correntes, salinidade, temperatura em profundidades distintas, a umidade do ambiente externo, entre outras. Essas informações são emitidas para os satélites.

Estações maregráficas

1 300

é, aproximadamente, o número de boias de deriva em funcionamento nos mares do mundo.

Boias de deriva

Espalhadas por todo o oceano Pacífico, detectam variações em seu nível, um importante parâmetro para detectar a formação do El Niño.

São espalhadas pela superfície do oceano e ficam à deriva das correntes marítimas. Coletam informações sobre as propriedades da água, como as boias fixas, e as transmitem para os satélites.

Observadores voluntários Tripulações que, em suas embarcações navegam pelo Pacífico, transmitem informações de qualquer anomalia observada.

EFEITOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO EL NIÑO Há poucos anos, o fenômeno era associado apenas a eventos naturais catastróficos. Hoje, porém, com estudos sobre o fenômeno, sabe-se que a sua ocorrência também pode ser benéfica.

BENEFÍCIOS

4,9 milhões de dólares É o custo anual do sistema de monitoramento do fenômeno El Niño.

INCONVENIENTES

• Menos furacões

• Secas prolongadas • Grandes incêndios florestais • Tornados • Vida silvestre

• Vida silvestre Ilustrações conforme: INSTITUTO Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos(CPTEC). Disponível em: <http://enos.cptec.inpe.br>. Acesso em: 23 mar. 2016.

Lançado em 1999, em órbita da Terra a 830 km de altitude, é o principal coletor de dados enviados pelas boias. Esses dados são encaminhados para os centros de análise.

• Grandes enchentes

Os pesquisadores concordam que nos anos de atuação do El Niño há redução na quantidade de tempestades tropicais no Caribe.

âncoras

Satélite Argos

• Maior umidade

As regiões áridas e de baixos rendimentos agrícolas podem tornar-se mais produtivas com o aumento da precipitação.

Assim como em algumas comunidades o trabalho e a renda são prejudicados, em outras, como em comunidades que vivem da pesca e o extrativismo vegetal, ocorrem coletas extraordinárias.

A ocorrência de precipitações intensas e consequentes enchentes se intensifica em anos de atuação do El Niño.

A alteração nos padrões de temperatura e umidade afeta diretamente as comunidades que vivem de recursos primários, como a pesca e o extrativismo.

Atmosfera, tempo e clima

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Unidade 8

sensores de umidade

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Ventos sazonais: monções e brisas O modelo de circulação geral da atmosfera, descrito anteriormente, determina o padrão dos diferentes tipos de climas que atuam na superfície do planeta. Porém, um conjunto de vários outros fatores, como a distribuição das massas continentais e oceânicas, as correntes marítimas, as altitudes do relevo, criam padrões secundários de ventos que atuam regular e sazonalmente em determinadas regiões do planeta. Entre os exemplos mais clássicos estão as chamadas monções, que ocorrem em extensas regiões tropicais do globo, sobretudo na Ásia.

Ilustração conforme: STRAHLER, Alan; STRAHLER, Arthur. Introducing Physical Geography. Nova Jersey: John Wiley & Sons, 2006. p. 167.

Ga

B

A

C

Hi

nc

ks

/S

PL

/L

at

in

st

oc

k

O aquecimento diferencial das massas continentais e oceânicas, principal causa do fenômeno de monções, também é responsável pela formação diária das brisas marítimas e terrestres. O mecanismo das brisas funciona da seguinte maneira: durante o dia o calor do Sol incide ao longo da costa, aquecendo tanto o continente quanto o mar. Porém, como as terras se aquecem mais rapidamente que as águas, formam-se centros de baixa pressão atmosférica sobre o continente e, assim, os ventos sopram dos oceanos em direção ao continente (veja imagem C). À noite a situação se inverte, pois as terras se esfriam mais rapidamente do que as águas, formando centros de alta pressão sobre os continentes. Assim, os ventos passam a soprar em direção ao oceano (veja imagem D).

ar frio

ar quente

D ar quente

brisa terrestre

brisa marítima alta pressão

oceano

ar frio

baixa pressão

continente

baixa pressão

oceano

alta pressão

continente

Ilustrações: Paula Radi

Ilustrações produzidas com base em: CHRISTOPHERSON, Robert W. Geossistemas: uma introdução à Geografia física. Tradução Francisco Eliseu Aquino et al. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. p. 160.

ry

As monções resultam das diferenças térmicas e de pressão entre os continentes e oceanos conforme as estações se sucedem ao longo do ano. No verão, os continentes se aquecem mais rapidamente que os oceanos adjacentes, transformando-se em centros de baixa pressão. Nessa época do ano, os ventos oceânicos carregados de umidade sopram em direção aos continentes, formando as monções quentes e chuvosas de verão (veja imagem A). No inverno a situação se inverte e os continentes ficam relativamente mais frios que os oceanos. Assim, os continentes transformam-se em centros de alta pressão e os ventos secos passam a soprar em direção aos oceanos, formando as chamadas monções secas de inverno (veja imagem B).

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Peanuts, Charles Schulz © 1987 Peanuts Worldwide LLC./Dist. by Universal Uclick

Tempo e clima ••Quem o

personagem Snoopy chama de traiçoeiro: o tempo ou o clima? Justifique sua resposta.

SCHULZ, Charles M. Snoopy, doces ou travessuras? Tradução Cássia Zanon. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 64.

A charge acima faz uma menção humorística sobre o tempo atmosférico, embora muitas pessoas possam interpretar que a fala do personagem faz referência ao clima. As palavras “tempo” e “clima” possuem significados bem diferentes, embora sejam empregadas, muitas vezes, como sinônimos.

O clima, por sua vez, pode ser entendido como a sucessão habitual dos tipos de tempo meteorológico que predominam em determinado lugar, em cada época do ano. O clima expressa, portanto, as condições atmosféricas mais marcantes ao longo do ano (meses mais quentes ou mais frios, meses mais chuvosos ou mais secos etc.). Assim, quando dizemos que Manaus e Belém possuem clima quente e chuvoso, é porque essas cidades apresentam temperaturas elevadas e chuvas ao longo dos meses do ano. Porém, o comportamento do clima pode apresentar variações consideráveis ao longo do ano ou mesmo de um ano para o outro. No caso de Manaus e Belém, por exemplo, certos meses do ano podem ser bem mais chuvosos ou bem mais secos do que o esperado para aquela época. Ernesto Reghran/Pulsar

Unidade 8

Quando falamos do tempo (atmosférico), nos referimos ao estado momentâneo da atmosfera em determinado lugar e instante, ou seja, se está chovendo ou não, se está fazendo frio ou calor, se o céu está limpo ou nublado, se está ventando etc. As condições do tempo variam muito de um lugar para o outro, de modo que pode estar ensolarado e quente onde estamos e chuvoso em outros lugares, próximos ou distantes. As condições do tempo também são dinâmicas e podem mudar rapidamente. Quem já não foi surpreendido por uma chuva repentina?

Na imagem abaixo, vista de comunidade ribeirinha em período de cheia do rio Amazonas, Manaus, em 2015.

Atmosfera, tempo e clima

185


Massas de ar, frentes e mudanças no tempo As mudanças nas condições do tempo atmosférico decorrem, principalmente, do deslocamento de massas de ar que circulam pela troposfera. As massas de ar são gigantescas porções de ar que apresentam características semelhantes de temperatura, umidade e pressão. Elas se formam quando o ar atmosférico fica estacionado sobre uma porção homogênea da superfície, como uma floresta, um deserto, um oceano ou uma geleira, e adquire as condições atmosféricas que predominam nessa área. Assim, uma massa de ar que se forma sobre um deserto quente e árido apresentará as características próprias desse lugar, ou seja, pouca umidade, temperatura elevada e baixa pressão. Já uma massa de ar que se forma sobre uma geleira polar terá umidade reduzida, temperatura muito baixa e alta pressão. Levando-se em consideração a região de origem e suas características originais, as massas de ar podem ser classificadas em três tipos principais. Veja o quadro abaixo.

Massa de ar

Subtipo

Região de origem

Característica original

Equatorial continental (Ec)

Áreas continentais localizadas nas baixas latitudes equatoriais

Quente e geralmente úmida (quando formada sobre florestas equatoriais)

Equatorial marítima (Em)

Oceanos situados nas baixas latitudes equatoriais

Quente e úmida

Tropical continental (Tc)

Áreas continentais localizadas nas regiões dos trópicos

Quente e seca

Tropical marítima (Tm)

Oceanos situados nas regiões dos trópicos

Quente e úmida

Polar continental (Pc)

Antártida e áreas continentais próximas aos polos

Fria e seca

Polar marítima (Pm)

Oceanos situados nas zonas polares e suas proximidades

Fria e úmida

Equatorial (E)

Tropical (T)

Polar (P)

Fonte: AYOADE, J. O. Introdução à Climatologia para os trópicos. Tradução Maria Juraci Zani dos Santos. São Paulo: Difel, 1986. p. 100.

Nos mapas meteorológicos, as frentes frias são representadas por linhas contínuas e triângulos azuis que indicam a direção em que a frente se desloca. Já as frentes quentes são representadas por linhas contínuas e semicírculos vermelhos que indicam a direção em que a frente se desloca.

Ao se deslocarem, as massas de ar carregam consigo suas características originais, modificando as condições do tempo pelas regiões por onde passam. Uma massa de ar polar, por exemplo, provoca queda acentuada das temperaturas nas regiões por onde se desloca. Já uma massa de ar quente e úmida leva calor e chuvas por onde passa. Quando duas massas de ar com diferentes características físicas se encontram temos a formação das chamadas frentes de transição, que podem ser frias ou quentes. As frentes frias formam-se quando uma massa de ar frio, com alta pressão, avança e ocupa o lugar de uma massa de ar mais quente. A passagem de uma frente fria sobre uma região provoca queda acentuada da temperatura e chuvas, geralmente acompanhadas por trovoadas e ventos mais intensos.

186


As frentes quentes se formam quando uma massa de ar quente se desloca e ocupa o lugar de uma massa de ar mais frio. A passagem de uma frente quente também acarreta modificações nas condições do tempo atmosférico, porém com chuvas menos intensas e ventos moderados. As figuras abaixo ilustram a formação das frentes frias e das frentes quentes.

cirrus

km

km

6

ar quente levantado abruptamente

5 4

2

massa de ar quente

massa de ar frio (ativa)

ventos superficiais quentes

1 0

ar frio

FRENTE FRIA

Os fatores climáticos

cirrostratus

7

altostratus

6 5 4

massa de ar quente (condições estáveis)

3

nimbostratus

2

ascensão suave

stratus

massa de ar frio (passiva)

1 0

FRENTE QUENTE Ilustração produzida com base em: CHRISTOPHERSON, Robert W. Geossistemas: uma introdução à Geografia física. Tradução Francisco Eliseu Aquino et al. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. p. 214-215.

Vulcão Cotopaxi, com cume nevado por causa da altitude de 5 897 metros, no Equador, localizado entre os trópicos.

Patrick Escudero/ Hemis/Corbis/ Latinstock

Na superfície terrestre existem climas com características bem distintas, alguns deles bem quentes, outros muito frios, alguns bastante chuvosos, outros extremamente secos. Essa grande diversidade climática (que estudaremos mais adiante) decorre, em grande parte, da atuação de diversos fatores que interferem principalmente na temperatura e na umidade do ar atmosférico, influenciando diretamente as características climáticas de cada região. Vejamos alguns desses fatores e como eles atuam sobre o clima. • Altitude: a distância vertical de um lugar em relação ao nível do mar (sua altitude) também interfere diretamente em suas características climáticas. À medida que a altitude aumenta, o ar atmosférico vai se tornando cada vez mais rarefeito e sua capacidade de reter o calor irradiado da superfície terrestre também diminui, tornando-se cada vez mais frio. Por isso, quanto maior a altitude de um lugar na superfície terrestre, menor será sua temperatura média (a cada 100 metros de altitude que nos elevamos, a temperatura do ar diminui, em média, cerca de 1 ºC). Isso explica por que as montanhas mais altas do mundo, mesmo aquelas localizadas nas regiões mais quentes dos trópicos, apresentam seus cumes permanentemente cobertos por geleiras.

Unidade 8

cumulonimbus

7

Ilustrações: Luciane Mori

8

8

3

cirrus

9

9

Atmosfera, tempo e clima

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187

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Denominam-se isotermas (“iso”, de igual + “termo”, de calor) as linhas traçadas em mapas e cartas meteorológicas que unem os lugares da superfície terrestre que apresentam a mesma temperatura ambiente em determinado período.

• Latitude: de maneira geral, as temperaturas na superfície do planeta variam de forma inversa de acordo com a latitude, ou seja, a temperatura diminui conforme a latitude aumenta e vice-versa. Isso ocorre pela incidência diferenciada dos raios solares sobre a superfície esférica da Terra.

Como já estudamos no início desta unidade, a insolação é mais intensa nas baixas latitudes equatoriais, onde os raios solares incidem perpendicularmente à superfície, diminuindo gradativamente conforme as latitudes aumentam em direção aos polos (observe novamente a figura na página 180). O mapa a seguir mostra como a temperatura média do ar na superfície do globo varia de acordo com as latitudes. Observe e verifique como as temperaturas diminuem gradativamente da região equatorial em direção aos polos.

Isotermas: temperaturas médias em janeiro OCEANO GLACIAL ÁRTICO

N O

L S

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO

Equador 0°

Acima de 30° De 20° a 30° De 10° a 20°

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

De 0° a 10° De – 10° a 0° De – 20° a – 10° Abaixo de – 20°

1 890 km

Fonte: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. XX. 1 atlas. Escalas variam.

• Correntes

STEPHEN FLEMING/Alamy Stock Photo/Latinstock

marítimas: as extensas correntes marítimas que se movimentam pelos oceanos podem exercer grande influência sobre o clima de regiões situadas no interior dos continentes. Ao se deslocarem, as correntes marítimas são capazes de alterar as características das massas de ar, podendo provocar o aumento ou a diminuição da temperatura e da umidade atmosférica. As correntes marítimas quentes, por exemplo, levam calor e umidade às regiões por onde passam, enquanto as correntes frias provocam quedas de temperatura nas áreas por onde circulam.

A corrente fria de Humboldt, que se desloca pela costa do Chile e do Peru, provoca quedas nas temperaturas e a ocorrência de chuvas nas áreas litorâneas desses países. Com isso, as massas de ar que sopram do oceano chegam extremamente secas ao continente, dando origem ao deserto do Atacama, visto ao lado, no Chile, em 2014.

188

Paula Radi

Temperatura (°C)

OCEANO ÍNDICO

Meridiano de Greenwich

OCEANO PACÍFICO


• Maritimidade e continentalidade: a maior ou menor

L

Andre Dib/Pulsar

S

Unidade 8

N

O

E. Cavalcante

Norfolk e Lincoln: amplitude distância de um lugar em relação ao oceano tamtérmica anual bém interfere em seu clima. Isso ocorre porque a capacidade de reter calor da água é maior que a da terra. Os oceanos, por exemplo, demoram mais Lincoln para se aquecer, pois o calor proveniente da radia13 ° C 40° N ção solar se propaga até grandes profundidades. Norfolk 10,2 ° C Esse calor contido na água é liberado lentamente e OCEANO faz que a amplitude térmica nas regiões litorâneas PACÍFICO OCEANO seja menos acentuada: é o chamado efeito de maATLÂNTICO ritimidade. As regiões localizadas no interior dos 980 km 100° O continentes, por sua vez, se aquecem mais rapidaFonte: WORLD Meteorological mente, pois o calor se concentra próximo à superOrganization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo. int/093/m093.htm#N>. fície. Como a terra se esfria mais rapidamente, a amplitude térmica nas regiões Acesso em: 3 ago. 2015. interioranas é mais acentuada: é o chamado efeito de continentalidade. Veja o exemplo de duas cidades dos Estados Unidos no mapa acima. Amplitude térmica: entre a • Vegetação: as características climáticas que atuam em certas regiões do pla- diferença temperatura máxima e a neta também são influenciadas pelo tipo de vegetação natural ali existente. mínima registrada em um local em um determinado Em uma floresta tropical úmida, por exemplo, a radiação solar que incide diperíodo de tempo. retamente sobre a copa das árvores aumenta o calor, fazendo com que as plantas absorvam, por meio de suas raízes, grande quantidade de água contida no solo. Esse mesmo calor faz as plantas transpirarem, liberando a água de seu interior na forma de vapor. Na atmosfera, o vapor se condensa formando nuvens carregadas, que se precipitam na forma de pancadas de chuvas – são as chamadas chuvas de convecção. Assim, a própria floresta tropical é responsável, em grande parte, pelo clima chuvoso que atua sobre ela.

Ao processo de evaporação da água contida no solo e nas superfícies hídricas (rios, lagos, mares, oceanos), combinado com a perda de água contida nas plantas pela transpiração, dá-se o nome de evapotranspiração. Acima, vegetação exuberante da floresta Amazônica e vapor de água liberado formando nuvens, próximo a Parintins, no Amazonas, em 2014. Atmosfera, tempo e clima

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Explorando o tema

A previsão do tempo

Infográfico

Já nos acostumamos a acompanhar as previsões do tempo meteorológico em boletins divulgados nos mais diversos meios de comunicação: televisão, rádio, jornais e internet. Com essas previsões, ficamos sabendo se teremos chuvas ou não, se fará muito calor ou se teremos quedas de temperatura, se haverá riscos de tempestades e vendavais. Fornecidas diariamente pelos serviços meteorológicos, as previsões nos ajudam a organizar melhor as tarefas cotidianas, como a escolha de uma roupa mais adequada às condições do tempo, a programação de uma atividade esportiva ou um passeio ao clube ou à praia. Embora as previsões do tempo estejam cada vez mais confiáveis e seguras, essa é uma tarefa extremamente complexa para os meteorologistas. Isso porque a atmosfera é um sistema muito dinâmico e instável e, como tal, seu comportamento pode variar inesperadamente. Mesmo assim, as previsões realizadas atualmente alcançam índices de acerto bastante elevados, sobretudo no caso das previsões feitas de um dia para o outro. Isso se explica pelo avançado aparato tecnológico empregado no monitoramento das condições do tempo em todo o globo.

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3 1. Satélite de órbita polar 2. Radares aéreos 3. Radares marítimos 4. Boia meteorológica 5. Estação de recepção de satélites 6. Estação de superfície 7. Balão meteorológico 8. Centro meteorológico 9. Estação automática 10. Radar meteorológico 11. Satélite de órbita geoestacionária

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Satélites artificiais, aviões, balões e radares meteorológicos, estações meteorológicas (terrestres e marítimas) espalhadas pelo planeta, entre outros recursos, fornecem um vasto conjunto de dados e informações sobre temperatura, umidade, ventos, pressão atmosférica etc. que, ao serem processados em supercomputadores, asseguram uma maior precisão nas previsões do tempo meteorológico.

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Unidade 8

Atualmente, a previsão do tempo desempenha um papel imprescindível para o desenvolvimento de muitas atividades econômicas. Na agricultura, por exemplo, as previsões meteorológicas são utilizadas para o planejamento do plantio, para a colheita de certas lavouras e na prevenção de intempéries, como a ocorrência de secas, geadas, granizo etc. As previsões também são fundamentais para a navegação aérea e marítima, informando as condições meteorológicas e ocorrências de fenômenos como tempestades e vendavais, que auxiliam as tripulações de aeronaves e embarcações a traçarem rotas mais seguras. A previsão de furacões, tempestades e outros fenômenos meteorológicos de grande magnitude pode amenizar seus impactos sobre a população. 7

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Alexandre Affonso

Ilustração produzida com base em: FERREIRA, Artur G. Meteorologia prática. São Paulo: Oficina de Textos, 2006, p. 25.

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Atmosfera, tempo e clima

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Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Descreva, resumidamente, a formação da atmosfera terrestre.

rio brasileiro. Registre no caderno o resultado de sua pesquisa.

2. Qual é a camada atmosférica de maior importância para os estudos geográficos? Justifique sua resposta.

6. Explique como são formadas as monções de verão e as de inverno, e quais as interferências no clima dos locais em que elas ocorrem.

3. Defina o albedo e explique as diferenças de sua ocorrência entre os vários tipos de superfície. 4. A circulação geral da atmosfera é responsável por amenizar as extremas temperaturas da Terra, tornando as regiões tropicais menos quentes e as regiões polares menos frias. Explique como isso ocorre. 5. Pesquise em livros, revistas, jornais, na internet etc. informações sobre os efeitos que o fenômeno El Niño acarreta no clima e nas condições atmosféricas no territó-

7. Em certo experimento, um termômetro foi inserido em recipiente com água enquanto outro termômetro foi inserido em recipiente idêntico com a mesma quantidade de areia. Após os recipientes serem deixados expostos ao Sol, observou-se que o termômetro colocado na areia registrou temperatura maior que o termômetro deixado na água. Esse experimento ilustra a ocorrência de qual fator climático? Justifique sua resposta. Realize esse experimento e confirme sua resposta.

Expandindo o conteúdo 8. Analise as informações da tabela e a figura ao lado para responder às questões.

E. Cavalcante

ESTADOS UNIDOS Denver São Francisco

OCEANO ATLÂNTICO

Cidade (país)

Equ ado r

BRASIL

OCEANO PACÍFICO

Cuiabá

Salvador

Cuiabá (MT)

170 m 15° 30’ S

11,9 ºC

26,6 ºC

13° 0’ S

5,4 °C

25,4 ºC

Salvador (BA)

0m

Denver (EUA)

1 600 m

39º 45’ N

15,4 °C

10,1 ºC

0m

37º 35’ N

9,2 °C

14,7 ºC

São Francisco (EUA) Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 32. 1 atlas. Escalas variam.

Amplitude Temperatura Altitude Latitude térmica média média anual média mensal

Fontes: GEOPÉDIA. Rio de Janeiro, São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda, 1990. v. 2. p. 222, 226, 343, 351. WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int>. Acesso em: 14 ago. 2015.

a ) Cuiabá e Salvador possuem médias de temperatura anuais próximas e estão em latitudes próximas. Que fator climático explica a diferença de amplitude térmica entre essas duas cidades? b ) O mesmo se aplica para as cidades de Denver e São Francisco, nos Estados Unidos. Que outro fator atua na diferenciação das médias térmicas dessas cidades? c ) Explique como a maritimidade e a continentalidade podem influenciar o clima de um lugar. d ) Mesmo sob o efeito da continentalidade, as cidades de Cuiabá (MT) e Denver (EUA) apresentam médias térmicas bem distintas. Que outros fatores climáticos também explicam as diferenças de temperatura entre essas duas cidades?

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9. Leia as manchetes a seguir. A

Frente fria provoca chuva e queda na temperatura no Rio de Janeiro FRENTE fria provoca chuva e queda na temperatura no Rio de Janeiro. G1 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 24 jun. 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/ noticia/2015/06/frente-fria-provoca-chuva-e-queda-natemperatura-no-rio.html>. Acesso em: 30 set. 2015.

B

Antártida já foi paraíso tropical, diz cientista ANTÁRTIDA já foi paraíso tropical, diz cientista. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 jul. 2011. Disponível em: <www.estadao.com.br/noticias/geral,antartida-ja-foi-paraisotropical-diz-cientista,747346,0.htm>. Acesso em: 30 set. 2015.

a ) Qual das manchetes trata de tempo e qual trata de clima? b ) Diferencie tempo e clima. c ) Evidencie a importância da previsão meteorológica para o ser humano, dando exemplos de suas diversas aplicabilidades.

10. Leia o texto e responda às questões. [...] A seca devastou plantações por todo o mundo neste ano, incluindo milho e soja nos Estados Unidos, trigo na Rússia e na Austrália, e soja no Brasil e na Argentina. Isso contribuiu para um aumento de 6% nos preços globais dos alimentos de junho a julho, segundo dados da ONU.

Unidade 8

A Índia está experimentando sua quarta seca em doze anos, aumentando a preocupação com a confiabilidade da principal fonte de água doce do país, as chuvas das monções que geralmente caem de junho a outubro. Alguns cientistas alertam que essas calamidades fazem parte de uma tendência que provavelmente se intensificará nas próximas décadas, devido às mudanças climáticas causadas pela liberação humana de gases do efeito estufa. [...] E a Organização Meteorológica Mundial, uma divisão da ONU, alertou recentemente que a mudança climática deverá “aumentar a frequência, intensidade e duração das secas, com impactos sobre muitos setores, em particular alimentos, água e energia”. Os cientistas dizem que, além do aumento das temperaturas, a mudança climática parece estar tornando a Índia e seus vizinhos, Paquistão, Sri Lanka e Bangladesh, mais vulneráveis a monções erráticas. Estudos usando 130 anos de dados mostram grandes mudanças nas chuvas nas últimas décadas, disse B. N. Goswami, diretor do Instituto Indiano de Meteorologia Tropical, uma organização de pesquisa apoiada pelo governo. Os modelos climáticos sugerem que, apesar de as chuvas deverem aumentar nas próximas décadas, a região pode esperar períodos de seca mais longos e chuvas mais intensas [...]. “As chuvas pesadas normalmente têm duração curta, portanto a água escoa”, disse Goswami, que acrescentou que mais pesquisa é necessária para uma compreensão plena do impacto da mudança climática nas monções. “Chuvas fracas são importantes para recarregar as águas subterrâneas.” [...] BAJAJ, Vikas. Seca na Índia devasta plantações e agricultores e piora situação econômica do país. UOL Notícias, São Paulo, 9 set. 2012. Disponível em: <http://m.noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2012/09/09/seca-na-india-devastaplantacoes-e-agricultores-e piora-situacao-economica-do-pais.htm>. Acesso em: 30 set. 2015.

a ) O texto estabelece relações entre o clima e qual atividade humana? Copie o trecho do texto que confirma sua resposta. b ) O primeiro parágrafo do texto trata de uma escala geográfica de análise, estabelecida entre o local e o global. Descreva essa relação. c ) Como as monções têm se alterado, de acordo com o texto acima? d ) De que maneira essas alterações podem prejudicar a Índia e os países que dependem desse sistema de monções? Atmosfera, tempo e clima

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Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

Os sons do vento

O vento é um dos fenômenos da natureza mais imprevisíveis que já conhecemos. Ao longo de sua história na Terra, o ser humano nunca conseguiu dominar a sua força. De acordo com sua intensidade, o vento pode passar por você como uma leve brisa, assobiando e balançando as plantas do jardim, ou então transportar silenciosamente grãos de areia a quilômetros de distância, esculpindo as mais inusitadas formas de relevo terrestre. Mas, quando se desloca velozmente, com seu uivo misterioso, ele pode destruir o que estiver em seu caminho.

Pã: deus da mitologia grega que, na maioria das vezes em que é representado, carrega e toca um tipo de flauta.

Os ventos correm, voam, abatem-se, expiram, revivem, pairam, assoviam, rugem, riem: frenéticos, lascivos, desvairados, tomam conta da vaga irascível. Têm harmonia esses berradores. Tornam sonoro todo o céu. Sopram nas nuvens como num metal; embocam o espaço, e cantam no infinito, com todas as vozes amalgamadas dos clarins, buzinas e trombetas, uma espécie de tangeres prometeanos. Quem os ouve, ouve Pã. O que mais assusta é vê-los assim. Têm uma colossal alegria composta de sombra. Fazem nas solidões a batida dos navios. Sem tréguas, noite e dia, em todas as estações, no trópico, como no polo, tocando a trombeta delirante, vão eles, por meio do travamento da nuvem e da vaga, fazendo a grande caça negra dos naufrágios. São os donos das matilhas. Divertem-se. Fazem ladrar as ondas, que são os seus cães, contra as rochas. Combinam e desunem as nuvens. Amassam, como se tivessem milhões de mãos, a flexibilidade da água imensa. [...] HUGO, Victor. Os trabalhadores do mar. Tradução Machado de Assis. São Paulo: Nova Cultura, 2002. p. 176-177.

Nejron Photo/Shutterstock.com

Nesse trecho do livro Os trabalhadores do mar, considerado um clássico da literatura universal, o escritor francês Victor Hugo destaca o uso dos sentidos na percepção da paisagem (sons, ruídos e barulhos, sentimentos de alegria e de solidão, delírios etc.). Aproveite a oportunidade oferecida pelo texto e estimule os alunos a promoverem uma interpretação sensitiva da paisagem do lugar onde vivem.

No texto abaixo, retirado da obra Os trabalhadores do mar, Victor Hugo descreve os sons e os temores dos ventos. [...]

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Twister

Filme de Jan De Bont. Twister. EUA. 1996

A Geografia no cinema

Uma equipe de pesquisadores aventureiros viaja pelo interior dos Estados Unidos em busca de tornados. O objetivo do grupo é colher o máximo possível de informações científicas sobre esse fenômeno atmosférico e, assim, conhecer melhor as suas origens. Por meio de ricos efeitos visuais e sonoros, o filme retrata a destruição que os tornados podem acarretar por onde passam.

••VENTOS diabólicos. Direção: Gilbert M. Shilton. Estados Unidos, 2003. 90 min.

Após perder sua família em um furacão, o personagem do filme enfrenta seu passado ao saber que uma onda de tornados pode atingir o município onde mora, em Oklahoma.

Para ler

Título: Twister Diretor: Jan De Bont Atores principais: Helen Hunt, Bill Paxton Ano: 1996 Duração: 114 minutos Origem: Estados Unidos

••BANQUERI,

Eduardo. O tempo. São Paulo: Escala Educacional, 2007. (Coleção Guias de campo).

••BEER, Raquel. O El Niño cresceu. Veja, São Paulo, ano 48, n. 2440, p. 98-101, 26 ago. 2015. Para visualizar o artigo, acessar o link: <http://tub.im/oaorjm>.

••CHORLEY, Richard J.; BARRY, Roger G. Atmosfera, tempo e clima. 9. ed. Tradução Ronaldo Cataldo Costa. Porto Alegre: Bookman, 2013.

••DANIELS, P.; FALLOW, A.; KINNEY, K. Tempo e clima. Rio de Janeiro: Abril Livros, 1995. ••SACHS, Julian P.; MYHRVOLD, Conor L. Faixa de chuvas em transição: mapeando precipitações equatoriais desde 800 d.C., cientistas projetam como o clima tropical deve mudar nos próximos 100 anos. Scientific American Brasil, São Paulo: Moderna, ano II, n. 13, p. 34-39. Para visualizar o artigo, acessar o link: <http://tub.im/ pqv439>.

••STEINKE, Ercília Torres. Climatologia fácil. São Paulo: Oficina de Textos, 2012. ••TOLENTINO, Mário; FILHO, Romeu Rocha; SILVA, Roberto Ribeiro da. A atmosfera terrestre. São Paulo: Moderna, 2004.

Para navegar

••INSTITUTO Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Disponível em: <http://tub.im/ beywtn>. Acesso em: 14 set. 2015.

••CENTRO

de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). Disponível em: <http://tub.im/e76gn2>. Acesso em: 14 set. 2015.

••WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://tub.im/t8g86t>. Acesso em: 14 set. 2015.

••CLIMATEMPO. Disponível em: <http://tub.im/n6n2tq>. Acesso em: 14 set. 2015. ••INSTITUTO Nacional de Meteorologia (INMET). Disponível em: http://tub.im/ctbei7>. Acesso em: 14 set. 2015.

Atmosfera, tempo e clima

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Unidade 8

Para assistir


Questões do Enem e Vestibular 1. (UEM-PR) Sobre a atmosfera, a dinâmica climática e a representação dos fenômenos meteo­rológicos, assinale o que for correto. (04) e (08). Total: 12.

( 01) Isoietas são linhas que, num mapa, unem os pontos do globo terrestre que apresentam o mesmo valor de pressão, em determinado período de tempo. ( 0 2) O oxigênio, gás essencial para vida na Terra e para a fotossíntese das plantas, constitui-se por 78% dos gases da atmosfera, seguido pelo gás carbônico, com 21% e 1% de nitrogênio e demais gases. (04) A chuva orográfica é causada por barreiras de relevo que levam as massas de ar a atingirem elevadas altitudes, o que causa a queda da temperatura e a condensação do vapor em regiões com ocorrência de serras e de chapadas. (08) A umidade relativa do ar é a relação existente entre a umidade absoluta e a quantidade máxima de umidade que esse ar poderia conter a uma determinada temperatura. (16) Frentes são as áreas de transição causadas pelo deslocamento divergente entre duas ou mais massas de ar com características semelhantes.

2. (UFRR-RR) A Atmosfera envolve e acompanha a Terra em seus movimentos no espaço, e se formou logo após o surgimento do planeta, há 4,6 bilhões de anos. Ela filtra raios solares, fazendo com que as temperaturas na superfície terrestre sejam amenas, possibilitando o desenvolvimento da vida, e ainda nos protege contra choques de corpos celestes errantes que frequentemente colidem com a Terra. Esta proteção gasosa é dividida em camadas, sendo que aquela onde ocorre a maior parte dos fenômenos atmosféricos (calor, ventos, chuva) é chamada de: B. a ) Estratosfera. b ) Troposfera. c ) Mesosfera. d ) Termosfera. e ) Magnetosfera.

Anote as respostas no caderno.

3. (PUC-MG) Dentre os fatores que interferem na distribuição desigual da radiação solar, destaca-se o albedo, que se define como: A. a ) a capacidade que os diferentes componentes da superfície terrestre têm de refletir parte da radiação solar e não absorvê-la. b ) os diferentes comportamentos da terra e da água do ponto de vista térmico. c ) a quantidade da insolação na atmosfera nos diferentes períodos do ano. d ) o volume de radiação que o Sol envia para o sistema atmosférico e que é recebido pela superfície da Terra. e ) a maior ou menor insolação decorrente da duração dos dias ou das noites. 4. (UEM-PR) A circulação geral da atmosfera é responsável pela existência das grandes zonas climáticas. As correntes convectivas, que constituem um mecanismo de circulação geral, distribuem calor e umidade na superfície terrestre, gerando regiões de alta e de baixa pressão. Às latitudes correspondentes ao equador, ao Trópico de Capricórnio e ao Trópico de Câncer associam-se, respectivamente, áreas de: A. a ) baixa pressão, alta pressão e alta pressão. b ) baixa pressão, baixa pressão e alta pressão. c ) alta pressão, baixa pressão e baixa pressão. d ) alta pressão, alta pressão e baixa pressão. e ) baixa pressão, alta pressão e baixa pressão. 5. (Unicamp-SP) No período das grandes navegações, os marinheiros enfrentavam sérios problemas quando as caravelas entravam em zonas de calmaria. Em relação ao tema, pode-se afirmar que: B. a ) As caravelas possuíam estoque alimentar suficiente para permanecer vários meses estacionadas, para o caso de entrarem inadvertidamente em áreas de calmaria, que correspondem a porções de baixa pressão atmosférica. b ) As áreas de calmaria correspondiam a porções de alta pressão atmosférica, típicas das latitudes próximas aos trópicos, e, consequentemente, as caravelas permaneciam estacionadas, agravando as condições de vida dos marinheiros.

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c ) O oceano era conhecido como Mar Tenebroso, em razão da crença na existência de monstros marinhos, mesmo sabendo-se que o mar era seguro nas áreas de calmaria das porções equatoriais. d ) A viagem atrasava meses quando se atingia uma área de calmaria, pois as células de alta pressão não se deslocam ao longo do ano, o que causava problemas de desabastecimento e doenças temidas pelos navegadores, como o escorbuto.

a ) Os ventos alísios dirigem-se das áreas tropicais para as equatoriais, em sentido horário no hemisfério norte e anti-horário no hemisfério sul, graças à ação da Força de Coriolis, associada à movimentação da Terra.

6. (UEM-PR) Sobre a circulação atmosférica e o clima, assinale o que for correto. (01), (02) e (16). Total: 19. (01) Na superfície terrestre, a circulação do ar at­m osférico produz trocas de massas de ar entre as altas, as médias e as baixas latitudes. (02) A Zona de Convergência Inter tropical (ZCIT) apresenta deslocamento sazonal. Fica sobre o equador no outono e na pri­ mavera, mas migra para o Hemisfério Norte, quando é inverno no Hemisfério Sul, e vice-versa. (04) A variação longitudinal promove o aquecimento desigual da superfície terrestre. Esse aquecimento, combinado com o movimento de translação do planeta, condiciona a circulação geral das massas de ar. (08) As grandes cidades produzem na sua área central uma zona de alta pressão. Dela divergem os ventos que espalham os poluentes por uma área maior que a do perímetro urbano. (16) O circuito produzido pelos ventos alísios e contra-alísios redistribui calor e umidade entre as áreas equatoriais e subtropicais.

c ) Os ventos contra-alísios dirigem-se dos trópicos em direção ao equador, movimentando-se em sentido horário no hemisfério norte e anti-horário no hemisfério sul, graças à ação da Força de Coriolis.

7. (Unicamp-SP) Observe o esquema abaixo, que indica a circulação atmosférica sobre a superfície terrestre, e indique a alternativa correta. A.

Polo Norte 60° alta pressão

alta pressão

alta pressão

alta pressão

Gilberto Alicio

30°

30°

d ) Os ventos contra-alísios dirigem-se da área tropical em direção aos polos, provocando quedas bruscas de temperatura e eventual­ mente queda de neve, movimentando-se em sentido anti-horário no hemisfério sul e em sentido horário no hemisfério norte.

Unidade 8

b ) Os ventos alísios dirigem-se das áreas de alta pressão, características dos trópicos, em direção às áreas de baixa pressão, próximas ao equador, movimentando-se em sentido anti-horário no hemisfério norte e em sentido horário no hemisfério sul.

8. (UTFPR-PR) A zona de convergência intertropical – ZCIT está inserida numa região onde ocorre a interação de características marcantes atmosféricas e oceânicas. Identifique a alternativa que contém somente proposições corretas a respeito. C. I ) Zona de confluência dos Alísios. II ) Na escala planetária, está localizada no sistema de altas subtropicais. III ) Zona de máxima temperatura da superfície do mar. IV ) Zona de mínima convergência de massa. V ) Zona de máxima cobertura de nuvens convectivas, todas interagindo próximas à faixa equatorial. a ) I, II e IV. d ) III, IV e V. b ) II, III e V. e ) I, II e III. c ) I, III e V. 9. (UEL-PR) Sobre o “El Niño” é correto afirmar que: D. a ) É um grande causador de Tsunamis, juntame nte com os ciclone s no contine nte asiático.

60°

Atmosfera, tempo e clima

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b ) É causado pelo resfriamento das águas do Pacífico. c ) É causado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Atlântico norte e sul. d ) É causado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico central e oriental. e ) É causador de Tsunamis e ciclones extratropicais.

10. (UNIRIO-RJ) No continente asiático, a circulação atmosférica apresenta uma situação singular, como mostra o mapa a seguir: D.

ÁSIA

ÁSIA

N O

N

L

O

Ilustrações: Renan Fonseca

S

Equador 0°

L S

Equador 0°

OCEANO ÍNDICO

OCEANO ÍNDICO

3 465 km 80° L

INVERNO

3 465 km 80° L

VERÃO

Sobre o regime das monções, podemos afirmar que: a ) está associado à circulação das massas de ar de origem oceânica, que transferem calor para os continentes. b ) é explicado como um mecanismo normal de regulação climática, devido ao aquecimento das águas superficiais do oceano. c ) é explicado pela diferença de insolação nas áreas próximas ao equador, o que provoca grandes diferenças térmicas no continente. d ) está associado à “gangorra” dos centros de pressão, que se alternam sazonalmente entre o oceano e o continente. e ) é explicado pela radiação solar, que transforma energia radiante em calor, ao aquecer diretamente a atmosfera.

11. (UEM-PR) Sobre os ventos que ocorrem no planeta, assinale o que for correto. (01), (04) e (16). Total: 21. (01) As brisas são ventos que se originam a partir da diferença de temperatura entre a terra e o mar. Durante o dia, a terra se aquece mais rapidamente, formando um centro de baixa pressão, fazendo com que a brisa marinha sopre do mar para a terra. Durante a noite, essa situação se inverte, ou seja, a brisa continental sopra da terra para o mar.

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(02) O mistral é um vento úmido e quente, mais frequente no outono e no verão, que sopra da zona de convergência intertropical (ZCIT), do Pacífico em direção à Oceania. Esse vento causa fortes chuvas, principalmente na Austrália e Nova Zelândia. (04) Monções são ventos periódicos que se manifestam com maior intensidade na Ásia. Durante o verão, o vento sopra do oceano Índico para o Sudeste asiático e Índia, trazendo nuvens e chuvas para o continente. Já no inverno, as monções secas sopram do continente para o mar. (08) O siroco é um vento frio, muito úmido, que sopra das altas latitudes do hemisfério norte em direção aos países da península escandinava, na Europa, e para o Nor te da Sibéria, na Ásia. Esse vento causa fortes chuvas no curto verão nessas regiões. (16) O vento minuano é o nome dado à corrente de ar que tipicamente avança em direção ao Rio Grande do Sul e Sul de Santa Catarina. É um vento frio de origem polar. Ocorre após a passagem das frentes frias de outono e de inverno, geralmente depois das chuvas.

12. (PUC-MG) Em relação à dinâmica das massas de ar: E. I ) As massas estão sempre em movimento e, progressivamente, ocorrem mudanças em volume e nas suas características físicas. II ) As massas polares, ao se deslocarem para o domínio tropical, sofrem aumento de temperatura e redução de sua densidade, até perder suas características e desaparecer. III ) Ao se deslocarem, as massas entram em contato umas com as outras, apresentando linhas de descontinuidade. a ) se for correta apenas a afirmativa I. b ) se forem corretas apenas as afirmativas I e II. c ) se forem corretas apenas as afirmativas I e III. d ) se forem corretas apenas as afirmativas II e III. e ) se forem corretas as afirmativas I, II e III. 13. (UFPE-PE) Observe as proposições a seguir: B. 1. As zonas de alta pressão atmosférica são chamadas áreas anticiclonais. São áreas para onde convergem ventos e massas de ar.


3. A velocidade do vento é inversamente proporcional à diferença de pressão do ar atmosférico entre dois lugares. 4. Quando dizemos que a velocidade do vento é de, por exemplo, 2 m/s, significa que qualquer partícula desse ar, localizada no nível de observação considerado, percorre uma distância de dois metros a cada segundo. 5. O movimento de rotação terrestre, que gira no sentido oeste-leste, interfere na circulação geral da atmosfera, pois os ventos sofrem um desvio ocasionado pela força de Coriolis. No hemisfério sul o vento tende a se desviar para a direita e no hemisfério norte para a esquerda. Estão incorretas: a ) 1, 2 e 3. b ) 1, 3 e 5. c ) 2, 3 e 4. d ) 3 e 4 apenas. e ) 2, 4 e 5.

14. (UFC-CE) Cada lugar ou região da Terra possui um clima próprio, isso porque cada um desses locais ou regiões apresenta uma conjugação distinta dos fatores climáticos. Quanto aos fatores climáticos e seus efeitos é correto afirmar que: A. a ) a grande variação latitudinal do território brasileiro é um importante fator na diferenciação climática regional. b ) a variação na altitude é o principal fator de diferenciação nas zonas climáticas – polar, temperada e tropical. c ) quanto maior a latitude, de um lugar ou região, maiores são as temperaturas médias anuais deste local ou região. d ) a maritimidade é o principal fator de diferenciação climática, em cidades brasileiras lito­râneas de igual altitude, nas regiões Norte e Sul do Brasil. e ) as massas de ar oceânicas são secas, e as continentais são úmidas, as massas tropicais e equatoriais são frias, e as temperaturas polares, muito frias.

15. (UFPR-PR) Quanto ao atributo temperatura, assinale a alternativa que apresenta os dois fatores climáticos que são determinantes na existência de gradientes térmicos. A. a ) Altitude e latitude. b ) Maritimidade e massas de ar. c ) Massas de ar e continentalidade. d ) Maritimidade e altitude. e ) Altitude e continentalidade. 16. (EsPCEx-SP) Na configuração do deserto do Atacama, na costa do Chile e do Peru, é crucial a ação do seguinte fator climático: A. a ) corrente marítima fria. b ) elevada temperatura. c ) baixa amplitude térmica. d ) efeitos da continentalidade. e ) baixa latitude. 17. (UTFPR-PR) Analise as proposições, relacionadas aos ciclones e furacões, e assinale a alternativa que indica as INCORRETAS. A. I ) Os ciclones orográficos desenvolvem-se em níveis elevados (troposfera superior) e propagam-se para níveis inferiores até a superfície e ocorrem com mais frequência e intensidade no outono e no inverno. II ) Os ciclones extratropicais formam-se ao sul do Trópico de Capricórnio, assolando o mar em frente ao litoral das regiões Sul e Sudeste. III ) Os tornados são movimentos ciclonais de menor porte que os ciclones e geralmente acontecem no continente. Não passam de 1 km de extensão, com pequena força, não provocando grandes danos nos locais por onde passam. IV ) Os ciclones tropicais recebem diferentes denominações regionais, como é o caso do furacão (hurricane), para os que se formam no Atlântico Norte; tufão (typhoon), no Pacífico Norte. a ) I e II. b ) I, II e IV. c ) II e IV. d ) I e IV. e ) II, III e IV.

Atmosfera, tempo e clima

199

Unidade 8

2. A pressão atmosférica é menor nas regiões de baixas latitudes em função das maiores temperaturas aí existentes.


unidade moodboard/Alamy Stock Photo/Glow Images

Os climas da Terra

Os alpinistas necessitam de conhecimentos profundos sobre o clima e o tempo das altas montanhas que escalam, sem os quais podem arriscar a vida. Na imagem, alpinista escalando na Nova Zelândia.

200


Cada tipo climático é resultado da combinação de diversas características naturais e antrópicas do nosso planeta. O relevo, por exemplo, é constantemente esculpido pela ação dos ventos e das chuvas, que são fenômenos atmosféricos. Por outro lado, a altitude e as formas de relevo podem interferir no sistema climático em determinadas regiões do planeta. Conhecer, estudar e compreender os diferentes tipos climáticos da Terra faz parte da trajetória humana ao longo do tempo e nos mais diversos lugares do planeta.

• Você observa as características do clima no lugar onde vive? Quais delas mais interferem em seu dia a dia?

201


Os grandes conjuntos climáticos da Terra As características de todos os conjuntos climáticos que atuam na superfície terrestre são influenciadas pela maneira como os diversos fatores climáticos, como latitude, altitude, correntes marítimas e vegetação, combinam-se em cada região do planeta. Essas características também são influenciadas pela dinâmica das massas de ar e da circulação dos ventos em escala global. Considerando-se as regiões que apresentam condições climáticas semelhantes, é possível estabelecer classificações para distinguir os diferentes tipos de climas encontrados no mundo. O mapa abaixo representa uma classificação climática do mundo, elaborada a partir da proposta do geólogo e climatologista alemão Wladimir Köppen (1846-1940), que considera as médias (mensal e anual) de temperaturas e precipitações e suas variações sazonais. Observe o mapa e conheça, nas páginas seguintes, as principais características de cada um desses climas. Mundo: climas N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO O

Tiksi

Círculo Polar Ártico

L S

Anchorage

Kiev

Erdenet

Istambul

Denver

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Câncer

Riad

Singapura

Equador

0° OCEANO PACÍFICO

Brasília

Trópico de Capricórnio

Buenos Aires

Círculo Polar Antártico

Meridiano de Greenwich

E. Cavalcante

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ÍNDICO

Wellington

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Clima mediterrâneo Clima subtropical

Clima tropical Clima equatorial

Clima semiárido Clima desértico

ANTÁRTIDA Clima de altas montanhas Clima temperado

1950 km

Clima frio Clima polar

Fonte: REFERENCE atlas of the world. 9. ed. London: Dorling Kindersley, 2013. p. XX-XXI. 1 atlas. Escalas variam.

Por se tratar de uma classificação climática de grande escala, o mapa acima mostra apenas os climas que atuam nas grandes regiões do planeta, não considerando, portanto, as diferenças climáticas encontradas no interior de cada região, decorrentes de fatores locais, como grau de urbanização, cobertura vegetal, altitudes, formas de relevo etc.

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300

30

200

20

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10

300

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10

0

jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez Meses

0

Equador 0°

Buenos Aires (Argentina) P (mm) 400

T (°C) 40

300

30

200

20

100

10

0

jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez Meses

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/ city.html?cityId=294>.Acesso em: 11 ago. 2015.

0

Equador 0°

Os climas da Terra

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Unidade 9

T (°C) 40

E. Cavalcante

P (mm) 400

E. Cavalcante

Equador

Brasília (Brasil)

Fonte: Climatempo. Disponível em: <http://climatempo.com.br/climatologia/ 61/brasilia-df>. Acesso em: 11 ago. 2015.

Clima subtropical: ocorre predominantemente nas regiões situadas em latitudes médias dos trópicos (entre 25o N e 35o S). Caracteriza-se pela ocorrência de chuvas regulares e bem distribuídas ao longo do ano, com índices pluviométricos em torno de 1 250 mm e 2 000 mm. As temperaturas oscilam bastante ao longo do ano, com acentuada amplitude térmica. No verão, as temperaturas aumentam e as máximas ultrapassam 30 oC, mas diminuem muito no inverno, com a proximidade das massas polares, as temperaturas mínimas podem ficar abaixo de 0 oC. Nessa época, é comum a ocorrência de geadas e pode até mesmo nevar em certas regiões. Observe o climograma de Buenos Aires.

0

jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez Meses

Leonardo Mari

0

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/city. html?cityId=234>. Acesso em: 11 ago. 2015.

Clima tropical: domina extensas áreas compreendidas entre os trópicos sob a influência de massas de ar quentes (tropicais e equatoriais). Apresenta duas estações bem definidas ao longo do ano: uma mais chuvosa e mais quente, no verão, e outra mais seca, no inverno. Em geral, os índices pluviométricos variam entre 2 000 mm e 3 000 mm. As temperaturas se mantêm elevadas quase o ano todo, com médias térmicas superiores a 18 ºC e baixa amplitude térmica anual. Veja o climograma de Brasília.

T (°C) 40

E. Cavalcante

P (mm) 400

Leonardo Mari

Singapura

Leonardo Mari

Clima equatorial: ocorre nas regiões quentes das baixas latitudes equatoriais (entre 10o N e 10o S), dominadas pela ação das massas de ar quentes e muito úmidas. Apresenta temperaturas constantemente elevadas (médias térmicas mensais em torno de 27 oC) e reduzida amplitude térmica anual, ou seja, a diferença entre a temperatura máxima e a mínima varia pouco ao longo do ano. As precipitações são elevadas e bem distribuídas ao longo do ano, com média pluviométrica anual superior a 2 000 mm, chegando a mais de 3 000 mm nas áreas mais chuvosas. Observe o climograma de Singapura.

203

5/24/16 7:57 AM


Clima temperado: típico de regiões situadas em médias latitudes, principalmente entre os trópicos e os círculos polares. Apresenta as quatro estações do ano muito bem definidas pelas variações térmicas: invernos frios, verões quentes, primavera e outono amenos. As características desse clima variam bastante conforme a maior ou menor proximidade com os oceanos, como podemos observar nos climogramas abaixo.

P (mm)

Kiev (Ucrânia) P (mm)

T (°C)

T (°C)

400

40

400

30

300

30

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20

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10

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jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

0

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jan fev mar abr maio jun

– 10

Meses

Equador 0°

E. Cavalcante

Meses

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/city. html?cityId=298>. Acesso em: 11 ago. 2015.

jul ago set out nov dez

Leonardo Mari

Leonardo Mari

Wellington (Nova Zelândia)

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/city. html?cityId=207>. Acesso em: 11 ago. 2015.

Nas regiões litorâneas, temos o clima temperado oceânico (climograma de Wellington), que, influenciado pelo efeito de maritimidade, apresenta chuvas regulares e bem distribuídas entre os meses, com reduzida amplitude térmica ao longo do ano (verões relativamente frescos e invernos suaves). Já nas áreas mais interioranas, temos o clima temperado continental (climograma de Kiev), marcado por variações térmicas bastante acentuadas (inverno com frio intenso e muita neve e verão mais quente e relativamente chuvoso), em razão do efeito da continentalidade. Istambul (Turquia) T (°C) 40

300

30

200

20

100

10

0

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

0

E. Cavalcante

Meses

Equador 0°

Leonardo Mari

P (mm) 400

Clima mediterrâneo: típico das regiões costeiras localizadas em latitudes médias (entre 30 o N e 45 o S), encontrado principalmente nas áreas litorâneas banhadas pelo mar Mediterrâneo e em áreas próximas ao seu entorno, daí sua denominação. Apresenta duas estações do ano bem distintas: verões quentes e secos, invernos mais brandos e chuvosos. Os índices pluviométricos anuais, no entanto, são moderados e variam entre 350 mm e 900 mm. As médias térmicas anuais são pouco acentuadas, oscilando entre 18 o C e 25 o C, mas a amplitude térmica é relativamente elevada e pode chegar a 40 o C no verão e abaixo de 0 o C no inverno. Veja o climograma de Istambul.

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo. int/en/city.html?cityId=47>. Acesso em: 11 ago. 2015.

204

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5/19/16 5:35 PM


E. Cavalcante

Denver (Estados Unidos) P (mm)

T (°C)

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0

Equador 0°

0

Leonardo Mari

Clima semiárido: caracteriza-se por chuvas escassas e mal distribuídas ao longo do ano, com precipitação média anual que varia entre 500 mm e 750 mm. Pode ser encontrado tanto nas baixas latitudes dos trópicos, onde as temperaturas se mantêm elevadas o ano inteiro, quanto nas médias latitudes das zonas temperadas, onde as temperaturas diminuem bastante no inverno pela influência das massas de ar que sopram dos polos. Observe o climograma de Denver.

jan fev mar abr maio jun

– 10

jul ago set out nov dez

Meses

T (°C) 40

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Unidade 9

P (mm) 400

0

jul ago set out nov dez

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/city. html?cityId=216>. Acesso em: 11 ago. 2015.

Equador 0°

Anchorage (Estados Unidos) P (mm)

T (°C)

400

30

300

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0

0

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

E. Cavalcante

Meses

– 10

Meses Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/city. html?cityId=716>. Acesso em: 11 ago. 2015.

Equador 0°

Os climas da Terra

205

E. Cavalcante

Clima frio: predomina em regiões situadas entre os paralelos de 55 o e 60 o de latitude, áreas frequentemente dominadas pela ação de massas de ar polares. Apresenta invernos muito rigorosos e temperaturas negativas em boa parte do ano. As temperaturas variam de acordo com a latitude (quanto maior a latitude, menores são as temperaturas médias). Durante alguns meses, no ápice do verão, as temperaturas se elevam um pouco, mas permanecem amenas. As precipitações são regulares, com índices pluviométricos inferiores a 500 mm anuais, e chuvas concentradas no verão. Nos meses mais frios do inverno, as precipitações ocorrem na forma de neve. Observe o climograma de Anchorage.

Riad (Arábia Saudita)

Leonardo Mari

Clima desértico ou árido: marcado por chuvas muito escassas (índice pluviométrico sempre inferior a 250 mm anuais) e acentuada amplitude térmica. Durante o dia, por exemplo, as temperaturas são muito elevadas, chegando com frequência aos 40 oC, diminuindo rapidamente à noite, tendendo a ficar abaixo de 0 oC. Essa variação térmica acentuada se explica pela intensa aridez atmosférica e falta de vegetação, fatores que intensificam o efeito de continentalidade, fazendo com que essas áreas se aqueçam muito ao longo do dia e se esfriem bastante durante a noite. Os desertos podem ser quentes quando apresentam temperatura média anual superior a 18 oC, como é o caso do Saara, na África, ou frios como os que apresentam temperatura média anual abaixo de 18 oC, como o da Patagônia, na América do Sul. Veja o climograma de Riad.

Leonardo Mari

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http:// worldweather.wmo.int/en/city.html?cityId=271>. Acesso em: 11 ago. 2015.


Clima frio de montanha: típico das cadeias montanhosas mais elevadas do planeta, como o Himalaia (Ásia), os Andes (América do Sul) e os Alpes (Europa). De maneira geral, esse clima apresenta temperaturas baixas ao longo do ano, o que se explica pelo ar rarefeito que impede a propagação do calor em grandes altitudes, como já estudamos na página 187. As precipitações são regulares (acima de 1 000 mm anuais) e ocorrem na forma de chuvas nas regiões mais baixas e quase sempre na forma de neve nas altitudes elevadas. Isso explica a existência das geleiras que cobrem permanentemente o topo das montanhas mais altas. As características térT (°C) micas e pluviométricas desse clima, porém, podem 20 variar bastante de um lugar para outro, de acordo com a altitude e a localização das montanhas em 10 relação às zonas latitudinais e a maior ou menor proximidade com os oceanos. Observe o climogra0 ma de Erdenet.

P (mm) 400

300

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– 10 Equador

0

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

– 20

E. Cavalcante

Leonardo Mari

Erdenet (Mongólia)

Meses Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/city.html?cityId=1149>. Acesso em: 11 ago. 2015.

Tiksi (Rússia)

P (mm) 400

T (°C) –10

400

10

320

– 20

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0

240

– 30

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– 50

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0

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

P (mm)

Fonte: ATLAS national geographic: a Terra e o Universo. São Paulo: Abril, 2008. p. 27. v. 12.

206

T (°C)

jan fev mar abr maio jun

Meses

jul ago set out nov dez

– 40

Meses E. Cavalcante

Leonardo Mari

Antártida

Equador 0°

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather. wmo.int/en/city.html?cityId=1040>. Acesso em: 11 ago. 2015.

Leonardo Mari

Clima polar: ocorre nas latitudes elevadas das regiões polares do Ártico (no extremo norte) e da Antártica (no extremo sul). Caracteriza-se pelo frio intenso com temperaturas extremamente baixas durante boa parte do ano, nunca ultrapassando 10 oC, mesmo no verão, como podemos observar nos climogramas abaixo. O frio bastante intenso, por sua vez, reduz drasticamente a evaporação, o que limita a ocorrência de precipitações (menos de 200 mm anuais), que, em geral, ocorrem na forma de neve e se concentram no verão.


Contexto geográfico

Ponto de vista

Interferências no clima

[...] A geoengenharia ou engenharia climática, como é chamada a intervenção deliberada e de ampla escala no clima, oferece outras possibilidades. As mais simples incluem o aumento da refletividade das superfícies das construções e o reflorestamento em larga escala, já que as plantas absorvem muito CO2 enquanto crescem. Possibilidades mais refinadas consistem no espalhamento de íons de ferro no oceano para aumentar a fertilidade de algas marinhas, que sequestrariam CO2 e o levariam para o fundo dos oceanos. [...] Os adeptos da geoengenharia – um grupo que inclui a indústria de combustíveis fósseis e alguns cientistas que acham que o problema climático é tão urgente que requer intervenções drásticas – argumentam que existe a possibilidade de reduzir a temperatura do planeta de propósito, não como panaceia, mas como medida paliativa, enquanto outras medidas mais demoradas são colocadas em prática. Riscos – Alan Robock, pesquisador da Universidade Rutgers, Estados Unidos, tem alertado que os riscos podem superar os benefícios, mesmo que a geoengenharia funcione como esperado. Segundo ele, mudanças propositais no clima global poderiam amenizar a pressão social pela adoção de medidas de redução da emissão de gases do efeito estufa, além de descontrolar o clima ainda mais – um dos efeitos previstos é a redução das chuvas anuais – as monções – sobre a Ásia e a África, ameaçando a produção de alimentos para centenas de milhões de pessoas. [...]

• De acordo com

o texto, os riscos de grandes intervenções no clima do planeta pela engenharia climática podem superar os seus benefícios? Justifique sua resposta e utilize argumentos sobre os efeitos positivos e negativos que os avanços tecnológicos podem oferecer.

Abaixo, avião emitindo óxido de cálcio para formar chuva na Tailândia, em 2015. O intuito é amenizar a seca que remonta a 1987 e assola algumas províncias do país.

Dario Pignatelli/Bloomberg/Getty Images

FIORAVANTI, Carlos. Os donos da chuva. Revista Fapesp online, São Paulo, 20 ago. 2011. Disponível em: <http:// revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2011/08/036-037-186.pdf>. Acesso em: 30 set. 2015.

O desenvolvimento da energia nuclear, para fins pacíficos ou para a fabricação de poderosos armamentos, pode ser aproveitado como exemplo para ilustrar o lado positivo e o lado negativo que o desenvolvimento tecnológico pode nos oferecer.

Unidade 9

Duas novas expressões – gerenciamento do clima e geoengenharia – estão aparecendo com mais frequência nos debates internacionais sobre a ciência e a política das mudanças climáticas. Uma das razões é o fracasso nas tentativas de implementação de políticas efetivas de redução de emissões de gases estufa. O que há de novo é que não é mais utópico pensar em intervir no clima regional ou mundial para evitar a contínua elevação da temperatura média global, as secas ou inundações intensas que se tornam mais frequentes à medida que as alterações climáticas se intensificam. Já pode ser viável usar aviões, balões ou canhões para espalhar partículas de aerossóis na estratosfera ou aumentar a nebulosidade do planeta semeando nuvens. Essas intervenções poderiam refletir parte da radiação solar de volta para o espaço e resfriar o planeta como forma de reduzir os efeitos das crescentes concentrações de gases do efeito estufa como o dióxido de carbono (CO2).

Os climas da Terra

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207

5/19/16 5:36 PM


Os climas do Brasil Grande parte do território brasileiro se situa nas baixas latitudes das regiões tropicais. Devido a essa posição geográfica, no nosso país predominam climas quentes, que se diferenciam principalmente pelo maior ou menor volume de chuvas. Somente o extremo sul está na faixa de transição para a zona temperada e apresenta temperaturas mais baixas em relação ao restante do país, sobretudo durante o inverno. Além da latitude, as características climáticas do território brasileiro são influenciadas diretamente pela ação das massas de ar que atuam no país. Os mapas a seguir mostram a ação dessas massas de ar nos meses de verão e de inverno. Massas de ar: Inverno

Ilustrações: E. Cavalcante

Massas de ar: Verão

Fonte dos mapas: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 25. 1 atlas. Escalas variam.

Massa equatorial continental (mEc): quente, úmida e instável; provoca chuvas constantes na região Amazônica, principalmente entre o verão e o outono; no verão, carrega umidade para quase todo o país, ocasionando chuvas em outras regiões; no inverno, sua ação se restringe à parte ocidental da Amazônia, sua região de origem. Massa equatorial atlântica (mEa): quente e úmida; atua, sobretudo, no litoral das regiões Norte e Nordeste, provocando chuvas, mas perde umidade ao avançar para o interior. Massa tropical continental (mTc): quente e seca; tem origem na depressão do Chaco paraguaio e argentino, atuando em partes do centro-sul do nosso país, com maior intensidade no verão; quando mais intensa, essa massa de ar forma um bloqueio atmosférico que impede, por vários dias, o avanço das frentes frias na época do inverno. Massa tropical atlântica (mTa): quente e úmida; traz muita umidade oceânica e chuvas significativas em quase toda a faixa litorânea (do Nordeste ao Sul do país), avançando também para o interior do território. Massa polar atlântica (mPa): fria e úmida; atua principalmente nos meses de inverno, quando atinge a região Sul na forma de frentes frias, causando chuvas e quedas acentuadas das temperaturas; quando mais intensas, chegam a provocar queda de neve nas áreas serranas e mais frias da região.

208


Brasil: climas N O

RR

AP

Equador 0º

AM

PA

CE

MA

RN PB

PI

PE

TO

AC RO

MT

BA

SE

AL

DF GO MG

MS SP

Clima equatorial Clima tropical típico Clima tropical úmido Clima semiárido Clima subtropical

RS

OCEANO PACÍFICO

480 km 50° O

50

400

40

300

30

200

20

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0

jan fev mar abr maio jun

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0

Meses

Goiânia (GO) P (mm)

T (°C)

400

40

300

30

200

20

100

10

0 Fonte: Climatempo. Disponível em: <www.climatempo.com.br/climatologia/88/ goiania-go>. Acesso em: 29 jun. 2015.

T (°C)

Leonardo Mari

P (mm) 500

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

0

Meses

Os climas da Terra

209

Unidade 9

Macapá (AP)

Fonte: Climatempo. Disponível em: <www. climatempo.com.br/climatologia/39/ macapa-ap>. Acesso em: 29 jun. 2015.

Clima tropical típico: controlado pelas massas de ar tropical continental e tropical atlântica. Também recebe a influência da massa equatorial continental no verão e, às vezes, das massas polares mais intensas que chegam durante o inverno. Apresenta duas estações bem definidas: uma mais chuvosa (de outubro a abril) e outra mais seca (de maio a setembro). As temperaturas são elevadas com médias térmicas em torno de 26 o C. Os índices pluviométricos atingem cerca de 2 000 mm anuais, nas áreas mais secas, e 3 000 mm anuais, nas mais chuvosas. Veja o climograma de Goiânia.

E. Cavalcante

Trópico de Capricó rnio

SC

Clima equatorial úmido: controlado principalmente pela massa de ar equatorial continental (quente e úmida). Apresenta temperaturas elevadas o ano todo, com médias térmicas em torno de 24 o C e 26 o C. As chuvas são abundantes, com médias pluviométricas que passam de 3 000 mm anuais nas regiões mais chuvosas, índice que diminui um pouco nas áreas que apresentam uma curta estação seca. Observe o climograma de Macapá.

OCEANO ATLÂNTICO

ES RJ

PR

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 99. 1 atlas. Escalas variam.

L S

Leonardo Mari

Uma das classificações climáticas mais utilizadas atualmente reconhece a existência de cinco tipos de climas no Brasil: equatorial, tropical típico, tropical úmido, semiárido e subtropical. Essa classificação, baseada na metodologia proposta pelo geógrafo estadunidense Arthur Strähler, leva em consideração a dinâmica e as características das massas de ar que atuam no território brasileiro. Observe o mapa, verifique a área de atuação de cada um desses climas e conheça as suas principais características.


Salvador (BA) P (mm) 400

T (°C) 40

300

30

200

20

100

10

0

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

0 Fonte: Climatempo. Disponível em: <www.climatempo.com.br/ climatologia/56/salvador-ba>. Acesso em: 29 jun. 2015.

Meses

Petrolina (PE) P (mm)

T (°C)

400

40

300

30

200

20

100

10

0

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

0

Meses Fonte: Climatempo. Disponível em: <www.climatempo.com.br/ climatologia/258/petrolina-pe>. Acesso em: 29 jun. 2015.

Bagé (RS)

Ilustrações: Leonardo Mari

P (mm)

T (°C)

400

40

300

30

200

20

100

10

0

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

Meses

Chuva orográfica: também chamada chuva de relevo, ocorre quando uma massa de ar úmida encontra uma elevação do terreno (serra, montanha). Ao ser conduzida para altitudes mais elevadas, a umidade contida no ar se condensa, formando nuvens que provocam chuvas sobre o relevo.

210

Clima tropical úmido: controlado principalmente pela ação das massas de ar equatorial marítima e tropical marítima. Os ventos úmidos que essas massas trazem do oceano tornam o clima chuvoso, com índices pluviométricos elevados, em torno de 2 000 mm anuais. As temperaturas também se mantêm elevadas praticamente o ano inteiro, com médias térmicas em torno de 25 o C e 28 o C. Observe o climograma de Salvador.

Clima tropical semiárido: ocorre no sertão nordestino, região marcada por temperaturas elevadas (médias térmicas em torno de 27 oC) e chuvas escassas e mal distribuídas ao longo do ano, como visto no climograma de Petrolina. Os baixos índices pluviométricos, cerca de 750 mm anuais, decorrem da dinâmica das massas de ar que atuam sobre a região. As poucas chuvas, que se concentram entre os meses de dezembro e abril, são provocadas pela entrada da massa equatorial que vem da Amazônia e chega ao sertão já com pouca umidade. No inverno, a influência maior fica por conta das massas tropical atlântica e equatorial atlântica, que, após provocarem chuvas orográficas nas áreas litorâneas, também chegam bastante secas à região. Clima subtropical: predomina em todo o extremo sul do país, região influenciada pela ação das massas polares que chegam principalmente durante o inverno. Apresenta temperatura média de 14 oC a 22 oC com grande amplitude térmica, fato que caracteriza nitidamente cada uma das estações do ano: verões quentes, primaveras e outonos amenos, e invernos frios, com ocorrência de geadas frequentes e até mesmo de neve em certas áreas. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano, com pluviosidade anual de 1 250 mm a 2 000 mm. Observe o climograma de Bagé.

0 Fonte: Climatempo. Disponível em: <www.climatempo.com. br/climatologia/349/bage-rs>. Acesso em: 29 jun. 2015.

As estações meteorológicas do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) fornecem dados sobre temperatura e pluviosidade de localidades espalhadas por todas as regiões do país. Veja alguns desses dados: São Joaquim (SC), temperatura média anual de 18,9 o C; Apodi (RN), temperatura média anual de 34,1 o C; Taracuá (AM), pluviosidade média anual de 3 637,6 mm; Petrolândia (PE), pluviosidade média anual de 428,1 mm.

•• •• •• ••


Ilhas de calor e microclima urbano O microclima é a menor unidade de análise do clima, situado na baixa camada atmosférica, bem próxima ao solo e observado em pequena escala, tanto espacial quanto temporal. Pode-se observar microclimas em ambientes fechados, como em uma sala de aula, ou em áreas de algumas dezenas de metros quadrados, como ruas ou bairros de uma cidade. As ilhas de calor são fenômenos atmosféricos que vêm interferindo no microclima urbano. Esse fenôme-

no, estudado há muitos anos, é observado, principalmente, nas grandes cidades, onde as taxas de urbanização são elevadas, como em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Londres (Inglaterra), Nova York (Estados Unidos), entre outras. Diferenças sensíveis de temperatura, que variam de 3 ºC a 10 ºC, são medidas entre áreas centrais de concentração urbana e sua periferia ou imediações rurais. Veja o esquema abaixo.

Por causa da concentração das edificações, a radiação solar é absorvida pelo material das construções e liberada por ele em forma de energia calorífera, que varia de acordo com as propriedades térmicas e com o albedo (ver página 179) desse material, aquecendo o ar atmosférico. As edificações, além de irradiar ondas de calor, reduzem a circulação dos ventos, agindo como barreiras, o que dificulta as trocas atmosféricas e permite a acumulação de poluentes no centro urbano. Além disso, a incidência da radiação solar é alterada pela presença desses poluentes em suspensão na atmosfera. Eles contribuem com o aumento da temperatura do ar e com a condensação do vapor de água, provocando o aumento da precipitação, principalmente no verão, podendo desencadear as chamadas tempestades urbanas, muitas vezes acompanhadas de granizo, raios e ventos fortes.

absorção e retenção de calor

Luciane Mori

menor

CIDADE maior

Unidade 9

ZONA RURAL

transpiração das plantas e evaporação da água do solo

infiltração de água

Ilustração produzida com base em: PIVETTA, Marcos. Ilha de calor na Amazônia. Revista Fapesp online. São Paulo, out. 2012. Disponível em: <http:// revistapesquisa.fapesp.br/wpcontent/uploads/2012/10/078-081_ ilhascalor_200.pdf>. Acesso em: 30 set. 2015.

Nas áreas urbanas com vegetação preservada ou nas áreas rurais, onde há maior arborização e menor impermeabilização do solo, assim como menos poluentes na atmosfera, as temperaturas são mais baixas. A evapotranspiração das plantas e o albedo mais elevado mantêm as temperaturas amenas. É, principalmente, ao anoitecer que se percebem os efeitos da ilha de calor urbana, uma vez que a energia se acumula nas superfícies e vai sendo liberada lentamente para a atmosfera após o pôr do sol.

Os climas da Terra

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Contexto geográfico

Estudo de caso

São Paulo: da garoa à tempestade A terra da garoa virou a megalópole da tempestade. Em cerca de 80 anos, a quantidade de chuva anual que cai na Região Metropolitana de São Paulo, onde um em cada 10 brasileiros vive numa área equivalente a quase 1% do território nacional, aumentou 425 milímetros (mm), metade do que chove em boa parte do semiárido brasileiro. Saltou de uma média anual de quase 1 200 mm na década de 1930 para algo em torno dos 1 600 nos anos 2 000. Fazendo uma soma linear, é como se todo ano tivesse chovido 5,5 mm a mais do que nos 12 meses anteriores (veja gráfico na próxima página). A pluviosidade não apenas se intensificou como alterou seu padrão de ocorrência. Não está simplesmente chovendo um pouco mais a cada dia, um efeito que seria pouco perceptível na prática e incapaz de ocasionar alagamentos constantes na região. A quantidade de dias com chuva forte ou moderada cresceu, provocando inclusive tempestades no inverno, época normalmente seca. Em contrapartida, o número de dias com chuva fraca, menor do que 5 mm, diminuiu. [...] De forma geral, dois fatores principais podem estar relacionados com a alteração no regime de chuvas na região metropolitana: as mudanças climáticas globais, um fenômeno de grande escala, e o efeito ilha de calor, de caráter localizado e típico das megacidades. Os dois atuam em conjunto. Um potencializa os efeitos do outro e, em geral, é difícil traçar uma linha divisória entre ambos. [...]

E. Cavalcante

A temperatura superficial do oceano Atlântico no litoral paulista aumentou cerca de um grau entre os anos de 1950 e 2010. Passou de 21,5 oC para 22,5 oC. Pode parecer pouco, mas uma das consequências desse aquecimento é aumentar a taxa de evaporação da água do oceano, combustível que torna a brisa marinha ainda mais carregada de umidade. Esse processo tem repercussões sobre o clima acima da serra do Mar, no planalto onde fica a região metropolitana. Por que boa parte das chuvas Expansão da área urbana de São Paulo e região metropolitana na Grande São Paulo ocorre enN Franco da Rocha tre o meio e o final da tarde, deO L pois das 15 ou 16 horas? Essa é S a hora em que a brisa marinha, quente e úmida, vinda da BaiGuarulhos xada Santista, termina de subir a serra e atinge a megalópole Mogi das (figura na página seguinte). [...] Cruzes Osasco A estrutura interna das cidaSão Paulo 23° 32’S des, com muitos prédios altos, altera a direção dos ventos e pode até provocar a ascensão Santo da brisa marinha em certos André pontos da região metropolitana Expansão da e favorecer localmente a formaárea urbana Até 1949 ção de nuvens de chuvas. A poMS MG Até 1962 SÃO PAULO luição urbana, sobretudo os Até 1980 Até 1992 aerossóis, pode tanto favorecer PR Até 2010 Área verde como inibir a ocorrência de Embu-Guaçu Represa 10 km tempestades sobre as cidades, 46° 38’O dependendo de sua quantidade. Fonte: EMPRESA Paulistana de Planejamento Metropolitano (EMPLASA). Disponível em: <www.emplasa.sp.gov.br/emplasa/RMSP/rmsp.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2015.

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[...] Mitigar o efeito ilha de calor pode ser uma forma de reduzir os episódios de chuvas extremas nos centros urbanos. [...] A medida mais eficaz seria aumentar a cobertura vegetal da cidade. Segundo as simulações, se 25% da área da região metropolitana fosse tomada por árvores, a temperatura média poderia ser reduzida entre 1,5 oC e 2,5 oC. Um clima mais ameno reduziria o efeito ilha de calor e talvez não atraísse tanta chuva para a região. Hoje as áreas verdes não representam nem 10% da Grande São Paulo.

a ) De acordo com o texto, a alteração no regime de chuvas na região metropolitana de São Paulo pode estar relacionada a dois fatores: um de ordem global e outro de caráter localizado. Quais são, respectivamente, esses fatores?

Por tabela, se houvesse mais parques e menos áreas impermeabilizadas na maior metrópole brasileira, o efeito mais perverso das tempestades também seria minimizado: as chuvas intensas produziriam menos enchentes e alagamentos. [...] Brisa marinha e chuva em São Paulo

PIVETTA, Marcos. Da garoa à tempestade. Pesquisa Fapesp on-line. São Paulo, maio 2012. Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br/ wp-content/uploads/2012/05/Pesquisa_195-18.pdf?7d0101>. Acesso em: 30 set. 2015.

b ) Segundo o texto, qual seria a medida mais eficaz para reduzir os episódios de chuvas extremas nos grandes centros urbanos? SÃO PAULO

Unidade 9

SERRA DA CANTAREIRA BRISA MARINHA

Poliana Garcia

SERRA DO MAR OCEANO ATLÂNTICO

Evolução do total anual de chuvas na Região Metropolitana de São Paulo População (milhões de habitantes)

Precipitação (mm) 2 200 Chuva total Chuva ajustada linearmente Crescimento da população

2 000

20

1 800 15

1 600

1 400

10

1 200 5

Renan Fonseca

1 000

1930

1940

1950

1960

1970

1980

1991

2000

2010 Anos

Fonte: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Disponível em: <www.iag.usp.br/pos/meteorologia/portugues/biblio/ changes-extreme-daily-rainfall-s%C3%A3o-paulo-brazil>. Acesso em: 8 mar. 2016.

Os climas da Terra

213


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Observe novamente o mapa na página 202, que mostra a distribuição dos climas na superfície terrestre. Escolha um desses climas e descreva as áreas onde ele atua. 2. Dê exemplos de fatores climáticos (locais) e influências da dinâmica atmosférica global, nos seguintes tipos de clima: a ) clima polar; b ) clima temperado (continental e oceânico); c ) clima frio de montanha. 3. Dê exemplos de tipos climáticos em que ocorre: a ) acentuada amplitude térmica ao longo do ano; b ) baixa amplitude térmica ao longo do ano; c ) acentuada amplitude térmica diária.

4. Que características influenciam a ocorrência de climas quentes na maior parte do território brasileiro? 5. Observe novamente os mapas na página 208, que mostram a atuação das massas de ar sobre o território brasileiro. Identifique e descreva as massas de ar que atuam sobre o estado em que você mora durante o verão e também durante o inverno. Como essas massas de ar interferem nas condições do tempo meteorológico e do clima ao longo do ano? 6. Qual tipo climático atua no lugar onde você vive? Há diferenças entre as características desse clima descritas nesta unidade e as que você observa diariamente? A que você atribui isso?

Expandindo o conteúdo 7. Analise os climogramas. Mzuzu (Malauí, África) T (°C) 30

250

25

200

20

150

15

100

10

50

5

0

jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez

0

Meses

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/city.html?cityId=262>. Acesso em: 11 ago. 2015.

P (mm)

T (°C)

400

40

300

30

200

20

100

10

0

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

0

Meses

Ilustrações: Leonardo Mari

P (mm) 300

Atenas (Grécia, Europa)

Fonte: WORLD Meteorological Organization (WMO). Disponível em: <http://worldweather.wmo.int/en/city. html?cityId=177>. Acesso em: 11 ago. 2015.

a ) Quais são os meses mais quentes e os mais chuvosos em cada um dos climas representados nos gráficos? O período mais chuvoso de cada clima é também o mais quente? b ) Qual dos climas apresenta maior amplitude térmica entre o mês com média mais quente e o mês com média mais fria? c ) Que influências cada um desses tipos de clima pode exercer nas paisagens dos lugares onde atua? Descreva algumas delas no caderno.

214

Veja sugestão de atividade complementar (construção e análise de climograma) nas Orientações para o professor. Essa atividade explora as habilidades de elaboração, análise e interpretação de gráficos, favorecendo a possibilidade de um trabalho interdisciplinar com os conteúdos da área de Matemática.


8. Leia atentamente o texto a seguir.

Desafios das cidades frente às mudanças climáticas globais O estilo de vida urbano é um dos principais motores da mudança climática. A fragmentação da paisagem, o uso intensivo de energia, a pressão sobre os ecossistemas, a expansão urbana e do consumo são fatores que colocam as cidades no topo da lista de preocupações quando se pensa em políticas de mitigação para os efeitos das mudanças no clima. [...]

Segundo as estimativas do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, 2007), em 2008 atingimos uma marca simbolicamente expressiva do ponto de vista da população mundial. A partir dessa data, o mundo passou a ser predominantemente urbano. Até 2030, o número de pessoas vivendo em áreas urbanas deverá atingir o total de 5 bilhões de habitantes, e a maior parte destes estará vivendo em cidades de países em desenvolvimento.

As mudanças climáticas entram nesse contexto como um elemento adicional de preocupação, sobretudo nas grandes cidades brasileiras. Considerando os modos de vida, valores e práticas sociais, serão nas cidades onde os efeitos dessas mudanças serão mais sentidos, principalmente pelo fato de que o acúmulo de problemas e os conflitos ambientais ainda estão por ser superados. Ao mesmo tempo, as cidades serão as arenas das principais discussões, mudanças sociais e superação dos desafios colocados pelos novos cenários climáticos [...].

Unidade 9

[...]

INSTITUTO Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Desafios das cidades frente às mudanças climáticas globais. Vulnerabilidade das megacidades brasileiras às mudanças climáticas. Disponível em: <http://megacidades. ccst.inpe.br/sao_paulo/home/desafios.php>. Acesso em: 30 set. 2015. Steffen Hauser/botanikfoto/Alamy Stock Photo/Latinstock

No caso brasileiro, tal qual grande parte da América Latina, este processo de transição urbana ocorreu com particularidades importantes, pois se deu posteriormente aos países desenvolvidos, mas muito antes dos demais países em desenvolvimento. De fato, os dados do Censo Demográfico 2010 confirmam a tendência da urbanização precoce brasileira, com 84,4% da população vivendo em áreas urbanas.

Mudanças nos padrões de precipitação, eventos de extremos climáticos mais frequentes, ondas de calor ou agravamento nos períodos de estiagem prolongada hão de trazer danos sérios à população mais vulnerável [...].

Em algumas cidades já se observam práticas voltadas para a melhoria do meio ambiente urbano. Exemplo disso são os telhados verdes ou ecotelhados, construídos com a finalidade de ampliar as áreas verdes, contribuir com a qualidade do ar, reduzir o efeito das ilhas de calor urbano e melhorar a sensação térmica reduzindo a temperatura nas construções. Ao lado, prédios com telhados verdes em Mônaco, em 2014.

Agora, com os colegas de sala, realize um debate tendo como orientação as seguintes questões: a ) Que relação o texto estabelece entre o crescimento da população urbana e as alterações climáticas? b ) Como o texto descreve o estilo de vida urbano? Você concorda com essa posição? De acordo com sua resposta, acrescente ou critique essa colocação, dando exemplos. c ) A quais situações de vulnerabilidades e riscos as populações podem estar expostas? Existem medidas que surtam efeitos a médio e longo prazos e que possam prevenir essas situações? Dê exemplos. d ) Registre as conclusões do debate na forma de um texto argumentativo, que exponha a opinião de vocês. Os climas da Terra

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Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

Literatura de cordel

Descrições de paisagens e dos elementos que as compõem fazem parte de inúme-

Comente com os alunos ras histórias narradas por diferentes textos literários. O relevo, a vegetação e o clima, que a literatura de cordel tem raízes na por exemplo, são constantemente mencionados quando se procura caracterizar o cetradição oral, ou seja, na fala das pessoas e nário de um enredo. não no texto escrito. O A literatura de cordel, arte literária popular que está entre as mais importantes excordel brasileiro tem origem, sobretudo, na pressões culturais da região Nordeste do nosso país, é um exemplo de texto que Espanha e em Portugal. Essa arte literária descreve as paisagens e outros aspectos dessa região. Em muitas obras de cordel, o chegou ao Brasil trazida clima semiárido e suas repercussões nas paisagens e na vida dos nordestinos ocupela cultura dos colonizadores europeus. pam papel de destaque. As temperaturas elevadas e as chuvas escassas do Sertão Ao abordar o tema são mencionadas em muitos poemas produzidos por cordelistas. sobre a expressão literária regional, Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), conhecido como Patativa do Assaré, é um destacada nesta página com o exemplo da grande poeta brasileiro que, por meio do cordel, levou para todo o Brasil um pouco literatura de cordel, das características do meio e da vida no Nordeste. Veja, a seguir, um dos poemas aproveite a oportunidade oferecida pelo texto escritos por ele. para estabelecer um diálogo com a disciplina de Língua Portuguesa. O texto apresentado pode servir de inspiração para os alunos elaborarem suas próprias produções literárias, tendo como tema central os aspectos geográficos do lugar onde vivem.

Sertão E corre água em brobutão A mata com seu verdume E as fulô com seu perfume Se enfeita de vaga-lume Nas noite de iscuridão. (...) Meu sertão das vaquejadas Das festas de apartação Das alegres luaradas Das debulhas de feijão Das danças de São Gonçalo Das corridas de cavalo Das caçadas de tatu Onde o caboclo desperta

Conhecendo a hora certa Pelo canto do nambu (...) Sertão, minha terra amada De bom e sadio crima Que me deu de mão beijada Um mundo cheio de rima O teu só é tão ardente Que treme a vista da gente Nas parede de rebôco Mas tem milagre e virtude Que dá corage, saúde E alegria aos teus cabôco [...] ASSARÉ, Patativa do. Digo e não peço segredo. São Paulo: Escrituras Editora, 2001. p. 21-24.

Rogério Reis/Pulsar

Sertão, arguém te cantô Eu sempre tenho cantado E ainda cantando tô Pruquê, meu torrão amado Munto te prezo, te quero E vejo qui os teus mistéro Ninguém sabe decifrá A tua beleza é tanta Que o poeta canta, canta E inda fica o qui cantá (...) [...] (...) Depois que o podê celeste Manda chuva no Nordeste De verde a terra se veste

Paisagem de caatinga seca no Sertão nordestino em Cabaceiras, Paraíba, em 2015.

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Na natureza selvagem

Buscando aventuras, Christopher McCandless, um jovem aventureiro, parte para uma viagem por várias regiões dos Estados Unidos. Porém, depois de conhecer vários lugares, o jovem decide enfrentar o maior de todos os seus desafios: viajar para o Alasca e enfrentar os rigores do clima polar.

Filme de Sean Penn. Na natureza selvagem. EUA. 2008

A Geografia no cinema

Título: Na natureza selvagem Diretor: Sean Penn Atores principais: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Catherine Keener, Vince Vaughn, Hal Holbrook Ano: 2008 Duração: 148 minutos Origem: Estados Unidos

Para assistir

••MAR de fogo. Direção: Joe Johnston. Walt Disney, 2004. O filme retrata uma emocionante corrida de cavalos em meio ao deserto da Arábia, conhecido como Mar de Fogo. Nesta aventura, o campeão de corridas de cavalos Frank Hopkins enfrentará os obstáculos impostos pelo clima desértico. ••VIDAS secas. Direção: Nelson Pereira dos Santos. Manchete, 1963.

Unidade 9

Uma adaptação do grande clássico da literatura brasileira, escrito por Graciliano Ramos. O filme retrata a saga de uma família que migra de uma região para outra do Nordeste, fugindo da seca do sertão em busca de melhores condições de vida.

Para ler

••ANDRADE, Joaquim Correia de; PORTELA, Fernando. Secas no Nordeste. São Paulo: Ática, 1996.

••CALVINO, Ítalo. Marcovaldo ou as estações na cidade. Tradução Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

••CONTI, José Bueno. Clima e meio ambiente. 7. ed. São Paulo: Atual, 2011. ••FLANNERY, Tim. Os senhores do clima. Tradução Jorge Calife. 2. ed. São Paulo: Record, 2008.

••MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês Moresco. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007.

••MONTEIRO, Carlos Augusto Figueiredo; MENDONÇA, Francisco. O clima urbano. São Paulo: Contexto, 2003.

Para navegar

••MARINHA

do Brasil (MAR). Disponível em: <http://tub.im/tp7m7f>. Acesso em: 15

set. 2015.

••REDE Clima. Disponível em: <http://tub.im/u8sfiq>. Acesso em: 15 set. 2015. ••DEPARTAMENTO de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geo­física e

Ciências Atmosféricas da USP (DCA – IAG). Disponível em: <http://tub.im/rot8fr>. Acesso em: 15 set. 2015. Os climas da Terra

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Questões do Enem e Vestibular 1. (UFSM-RS) A insolação é parâmetro básico para a configuração dos grandes conjuntos climáticos, observando-se que, no Brasil, predominam climas quentes. Como consequência das características climáticas, é correto afirmar: D. a ) O território brasileiro caracteriza-se por uma homogeneidade biológica nos domínios florestais. b ) A instabilidade climática do Quaternário contribuiu tanto para a pequena diversidade biológica quanto para o baixo grau de endemismo das formações florestais brasileiras. c ) Nos planaltos e chapadas da Bacia do Paraná, as condições do clima subtropical, principalmente a elevada amplitude térmica anual, funcionam como fatores estimulantes; por isso, a biodiversidade é maior nesses locais do que nas florestas tropicais e equatoriais. d ) Nos planaltos e depressões do Brasil central, o domínio dos cerrados apresenta solos com baixa fertilidade, com acidez e com alta concentração de ferro e alumínio, condições agravadas pela característica do clima tropical. e ) A homogeneidade fisionômica da cobertura vegetal no domínio da caatinga ocorre devido à adaptação das plantas a fatores climáticos e pedológicos locais, fazendo desse domínio uma região ecologicamente pouco vulnerável. 2. (UEL-PR) Sobre o clima mundial, é correto afirmar que: D. a ) O globo foi dividido em quatro grandes zonas: tropical, temperada, supertropical e glacial. b ) As correntes marítimas e as massas de ar interferem pouco na Circulação Genérica da Atmosfera. c ) Os tipos climáticos existentes restringem-se a: equatorial, tropical, subtropical e polar. d ) A movimentação de algumas massas de ar, no Oceano Atlântico Nor te, pode gerar furacões. e ) A movimentação de algumas massas de ar, no Oceano Atlântico Sul, pode gerar furacões como o Andrew.

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Anote as respostas no caderno.

3. (UFMS-MS) Caracteriza-se pelo pequeno índice de pluviosidade, abaixo de 250 mm anuais, e pela sua irregularidade. Apresenta as maiores amplitudes térmicas diárias, em geral superiores a 40 ºC, não possui médias mensais abaixo de 0 ºC. Seus rios são temporários. Essa descrição se refere ao domínio climático: C. a ) dos desertos frios glaciais. b ) do Mediterrâneo. c ) dos desertos quentes. d ) das altas montanhas. e ) das altas montanhas equatoriais. 4. (UFMG-MG) Considerando-se a tropicalidade dos climas – e suas consequentes repercussões na vida humana – em vastas extensões do território brasileiro, é INCORRETO afirmar que: B. a ) a alternância típica das estações chuvosa e seca – verão e inverno – ainda influencia o calendário agrícola de amplas regiões, mes­ mo daquelas em que já se utiliza a irrigação. b ) a redução da intensidade da radiação solar e da duração do dia no inverno, embora pouco significativa, torna o sol alternativa energética inviável nessa estação do ano. c ) a umidade relativa do ar apresenta variação estacional semelhante à das chuvas, com ex­ pressiva redução durante os dias de inverno, o que implica efeitos sobre a saúde humana. d ) as diferenças de temperatura entre verão e inverno, embora reduzidas, aumentam com a latitude, sem que o frio se torne fator limi­ tante para a agricultura em muitas regiões. 5. (FATEC-SP) Considere o texto a seguir para responder à questão. A Região Sudeste do Brasil entrou em 2008 mantendo as características observadas no fim de 2007: sol e calor em excesso, nuvens e chuva de menos. Para as festas de Ano-Novo e para quem tirou férias da escola ou trabalho, o tempo foi perfeito. Fonte: www.interativo.climatempo.com.br

De acordo com os conhecimentos sobre o clima na região Sudeste do Brasil, assinale a alternativa que interpreta corretamente as informações apresentadas. C.


Sobre esse fenômeno, é correto afirmar que a Massa de Ar: a ) Polar provoca chuvas durante o verão no interior do Brasil, caracterizando o clima Tropical. b ) Polar, nos meses de inverno no Hemisfério Sul, pode atuar na Amazônia, baixando as temperaturas e provocando o fenômeno conhecido como friagem. c ) Equatorial Continental provoca chuvas no sul do Brasil, ocasionando o El Niño. d ) Tropical Marítima provoca geadas no Paraná durante o inverno. e ) Equatorial Marítima forma-se sobre o ocea­ no Atlântico e avança até o interior do Brasil, provocando chuvas nos meses de setembro e outubro na cidade de Brasília.

7. (UNIFEI-MG) O município de Itajubá, em Minas Gerais, situa-se numa região de Clima Tropical de Altitude. É correto afirmar que esse tipo climático: D. a ) Apresenta baixos índices pluviométricos associados à falta de uma vegetação mais densa. b ) Possui chuvas regulares durante o ano todo e temperaturas amenas, sob influência da massa polar atlântica.

8. (UFPI-PI) A dinâmica atmosférica sobre o espaço brasileiro está representada no esboço gráfico a seguir, tendo as letras A, B e C como símbolos indicativos das posições e trajetórias das principais massas de ar que atuam no Brasil. D. N O

L S

Gilberto Alicio

A

B

920 km

C

Essas massas são denominadas, respectivamente: a ) polar atlântica, polar pacífica e equatorial continental. b ) tropical atlântica, equatorial continental e tropical continental. c ) equatorial continental, polar atlântica e polar ártica. d ) equatorial continental, tropical atlântica e polar atlântica. e ) polar atlântica, tropical atlântica e polar continental.

9. (UFRR-RR) Observe atentamente o mapa a seguir: E.

N O

L S

800 km

Os climas da Terra

219

Unidade 9

6. (PUC-RS) As massas de ar que atuam sobre o território brasileiro são um dos principais fatores determinantes do clima em nosso país. B.

c ) Apresenta elevada evaporação e, devido à influência da massa equatorial continental, é quente e úmido. d ) Apresenta estações do ano bem definidas e temperaturas amenas, com verão chuvoso e inverno seco.

Renan Fonseca

a ) As características destacadas no texto são típicas do clima Mediterrâneo, predominante na região Sudeste, com muitos dias do ano com poucas nuvens no céu. b ) Nessa região, as características climáticas são típicas do clima Tropical, com verões quentes e secos e invernos frios e chuvosos. c ) Os ventos alísios, que sopram de leste para oeste no verão, impedem a formação de chuvas nas áreas litorâneas da região Sudeste. d ) Observam-se alterações climáticas, pois o clima Tropical predominante em toda a região Sudeste apresenta um período chuvoso, de dezembro a março. e ) As férias de verão coincidem, justamente, com o período mais seco na região Sudeste, fenômeno denominado veranico, típico do clima Subtropical.


Com base no mapa da página anterior, assinale a opção que indica corretamente a classificação de climas (que leva em consideração as massas de ar) de cada região numerada: a ) I – Tropical; II – Equatorial úmido; III – Subtropical úmido; IV – Tropical semiárido; V – Litorâneo úmido. b ) I – Equatorial úmido; II – Tropical semiárido; III – Tropical; IV – Subtropical úmido; V – Litorâneo úmido. c ) I – Tropical úmido; II – Tropical seco; III – Tropical semiárido; IV – Tropical litorâneo; V – Subtropical frio. d ) I – Tropical; II – Equatorial úmido; III – Tropi­ cal seco; IV – Tropical litorâneo; V – Subtropical frio. e ) I – Equatorial úmido; II – Tropical; III – Tropical semiárido; IV – Litorâneo úmido; V – Subtropical úmido.

10. (PUC-RS) INSTRUÇÃO: Responder à questão com base nas informações a seguir, referentes aos diferentes tipos de clima. A. Climograma I P (mm) 360

T (°C)

320 280 240

Analisando os climogramas I e II, é correto afirmar que representam, respectivamente, os climas: a ) tropical e polar. b ) equatorial e desértico. c ) temperado continental e mediterrâneo. d ) frio de montanha e temperado oceânico. e ) subpolar e subtropical.

11. (UFLA-MG) Em termos mundiais, considera-se a exis­tência de 4 grandes grupos climáticos. C o m b a s e n e s s a i n f o r m a ç ã o, r e l a c i o n e a 2a coluna (Tipo climático) de acordo com a 1a (Grupo climático) e, em seguida, assinale a alternativa CORRETA. B. Grupo climático

Tipo climático

1. Climas quentes e úmidos

• •Mediterrâneo e

2. Climas quentes e secos

• •Equatorial, tropical

3. Climas temperados

• •De montanhas

4. Climas frios

••Desértico e semiárido

subtropical

e monções e polar

a ) 1 – 2 – 3 – 4

c ) 4 – 1 – 2 – 3

b ) 3 – 1 – 4 – 2

d ) 2 – 3 – 1 – 4

12. (UFG-GO) Observe os mapas a seguir. E.

200 160

Atuação das massas de ar no Brasil: inverno e verão

40 30 20 10 0

80 40 0

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

VERÃO

INVERNO N O

mEa

Meses

N

L

O

S

mEa

Equador 0°

L S

Equador 0°

mEc

mEc

Climograma II OCEANO ATLÂNTICO

P (mm)

T (°C)

40

20

20

10

mTc

mTc

mTa

mTa 70° O

0

0

OCEANO ATLÂNTICO ricórnio Trópico de Cap

ricórnio Trópico de Cap

1 170 km

40° O

70° O

40° O

mPa

1 110 km

TUBELIS, A. ; NASCIMENTO, F. L. do. Meteorologia descritiva: fundamentos e aplicações brasileiras. São Paulo: Nobel, 1980. [Adaptado].

-20

jan fev mar abr maio jun

jul ago set out nov dez

Meses

220

-30

Ilustrações: Gilberto Alicio

-10

A dinâmica das massas de ar é um dos fatores que explica a caracterização climática de uma área. A leitura e a interpretação dos mapas indicam que o clima do território goiano é influenciado pela atuação da massa:

Ilustrações: Leonardo Mari

120


b ) Tropical atlântica no verão e Polar atlântica durante o inverno. c ) Equatorial continental no verão e Equatorial atlântica no inverno. d ) Tropical atlântica durante o ano todo. e ) Equatorial continental no verão e Tropical atlântica no inverno.

13. (EsPCEx-SP) Sobre domínios naturais e clima, leia as afirmativas abaixo: C. I. A vegetação mediterrânea apresenta espécies xerófilas e se adapta ao clima caracterizado por verões quentes e secos, sendo típica do norte da Europa e da África; II. A tundra é uma vegetação típica das áreas polares, onde as temperaturas podem chegar a –35 ºC. A reprodução rápida se limita aos meses da primavera e do verão; III. As florestas equatoriais possuem vegetação perene e latifoliada adaptada ao clima de elevadas temperaturas e umidade e com pouca amplitude térmica anual; IV. A vegetação desértica, caracterizada pela grande quantidade de herbáceas e de arbustos, como nas savanas, é adaptada ao clima desértico, que possui baixa amplitude térmica diária. Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas. a ) I e II. b ) I e III. c ) II e III. d ) II e IV. e ) III e IV.

14. (ULBRA-RS) Sobre o estudo dos climas do Brasil e suas características e ocorrências, quais afirmações são corretas? C.

I. A ocorrência dos climas no território brasileiro está relacionada a variáveis como a fisionomia geográfica, a extensão territorial, a altitude e a dinâmica das correntes e as massas de ar.

II. O clima equatorial ocorre na região amazônica e está sob a ação da massa de ar equatorial

continental com características de ar quente e geralmente úmido. III. O clima subtropical é influenciado pela massa polar atlântica, que determina temperatura média em torno de 18 °C e chuvas bem distribuídas anualmente. IV. O clima tropical caracteriza-se por elevadas temperaturas médias e chuvas irregulares e mal distribuídas durante o ano, com estações mal definidas. a ) I, II e IV. b ) II, III e IV. c ) I, II e III. d ) I e III. e ) I e II.

15. (UNIFESP-SP) Durante o inverno, pode ocorrer a chamada friagem, por meio da ação da: E. a ) Massa Tropical Atlântica, que diminui as chuvas no Rio Grande do Sul. b ) Massa Equatorial Atlântica, que abaixa as temperaturas em São Paulo. c ) Massa Equatorial Continental, que aumenta a temperatura no Ceará. d ) Massa Tropical Continental, que incrementa as chuvas em Brasília. e ) Massa Polar Atlântica, que reduz a temperatura no Amazonas.

16. (UEG-GO) A respeito dos grandes tipos climáticos do Brasil e suas características, é correto afirmar: B. a ) Equatorial: caracterizado por baixas temperaturas e chuvas abundantes o ano todo, ocorrendo no Norte do país. b ) Subtropical: registra as maiores quedas de temperatura no inverno e apresenta verões quentes, proporcionando as maiores amplitudes térmicas. c ) Tropical: clima quente, com duas estações marcantes, sendo o inverno frio e chuvoso e o verão quente e seco. d ) Tropical Úmido: clima quente, apresenta chuvas menos frequentes no inverno, ocorrendo em todo o litoral leste do Brasil. Os climas da Terra

221

Unidade 9

a ) Equatorial continental durante o ano todo.


unidade Michel Gounot/Godong/Corbis/Latinstock

As grandes paisagens naturais da Terra

O baobá é uma espécie vegetal natural da ilha de Madagascar, África, e de algumas porções da Austrália. Algumas de suas características peculiares são a altura, que pode chegar a 25 metros, e a capacidade de armazenamento de água em seu tronco, cerca de 120 mil litros. O baobá, assim como a maioria dos vegetais, é suscetível ao clima: perde suas folhas no período de seca e ganha copa verdejante com a chegada das chuvas. Na foto, baobás na ilha de Madagascar, em 2006.

222


O planeta em que vivemos possui uma imensa diversidade de paisagens naturais. Cada uma delas é resultante de uma complexa relação entre vários elementos, como localização geográfica (latitude e altitude), clima, tipo de solo etc. Essas paisagens naturais abrigam biomas e múltiplos ecossistemas, em que se destacam as formações vegetais. As mais diferentes formações vegetais têm se mantido na dinâmica da biosfera terrestre, ainda que passando por intensa interferência humana, seja degradando, preservando ou reconstituindo esses tão complexos e, ao mesmo tempo, delicados sistemas. A De que maneira o ser humano tem interfe-

rido nas formações vegetais do Brasil e do mundo? B Você sabe qual é a atual situação de conser-

vação das formações vegetais brasileiras?

223


Natureza e biosfera Nas unidades anteriores, estudamos separadamente cada uma das esferas que constituem as bases físicas do nosso planeta: ••litosfera, que compreende a estrutura rochosa do planeta; ••hidrosfera, que reúne toda a água existente na Terra, seja na forma líquida (rios, lagos, oceanos e mares), sólida (geleiras) ou gasosa (vapor de água); ••atmosfera, camada de gases que envolvem o nosso planeta e os sistemas climáticos.

Esquema da biosfera

Todos os elementos naturais que compõem cada uma dessas esferas mantêm ligações muito estreitas entre si, influenciando e sendo influenciados uns pelos outros. As águas oceânicas, por exemplo, interferem diretamente no comportamento da atmosfera, influenciando o clima em todo o globo. Os fenômenos meteorológicos (ventos, chuvas, nevascas etc.), por sua vez, agem continuamente sobre a superfície da litosfera, esculpindo e criando novas formas de relevo. 3

Fotomontagem de Marcela Pialarissi formada pelas imagens Vladitto/ Shutterstock.com, irabel8/Shutterstock. com, Anatoli Styf/Shutterstock.com e Sunshine Pics/Shutterstock.com

Essas múltiplas e complexas interações que ocorrem entre os elementos da litosfera, da hidrosfera e da atmosfera, aliadas à energia solar, proporcionam as condições naturais necessárias para a existência da biosfera.

1

2

Ilustração produzida com base em: SKINNER, Brian J. et al. The blue planet: an introduction to Earth system science. 2. ed. New York: John Wiley & Sons, 1999. p. 2.

Fotossíntese: processo físico-químico em que as células dos seres clorofilados utilizam gás carbônico e água para obter energia química (glicose) através da energia solar, liberando, nesse processo, o oxigênio. Quimicamente esse processo é representado da seguinte maneira: Luz CO2 + H2O

Glicose + O2 Clorofila

224

A biosfera, também chamada esfera da vida (do grego, bios = vida + sphaira = esfera, porção), compreende a porção do planeta que permite o desenvolvimento de todos os seres vivos, de bactérias e fungos microscópicos a plantas e animais, incluindo o ser humano. As condições naturais que garantem o desenvolvimento de todas essas formas de vida decorrem das trocas de energia e matéria, que ocorrem entre os elementos físicos, químicos e biológicos na interface litosfera-hidrosfera-atmosfera. Veja a figura ao lado.

1 Com a energia solar, a água e o gás carbônico contidos na atmosfera, as plantas são capazes de produzir seus alimentos, por meio do processo de fotossíntese. Ao se desenvolverem, as plantas (seres produtores) se tornam a base da cadeia alimentar terrestre, fornecendo energia para o restante do sistema. Essa energia flui pela cadeia alimentar à medida que os animais (seres consumidores) vão se alimentando uns dos outros.

2 Ao produzir seus alimentos por meio da fotossíntese, as plantas consomem gás carbônico e liberam oxigênio para a atmosfera. Em sua respiração, os animais utilizam o oxigênio produzido pelas plantas e devolvem gás carbônico à atmosfera. Assim, se estabelece uma intensa relação de interdependência entre os processos de fotossíntese e respiração: enquanto as plantas absorvem o gás carbônico e liberam o oxigênio, os animais consomem o oxigênio e devolvem o gás carbônico à atmosfera.

3 Bactérias, fungos e vermes (seres decompositores) transformam restos de animais e plantas mortos em nutrientes, que vão servir de alimentos para as plantas, fechando, assim, o ciclo de interação e troca de matéria e energia entre os elementos do sistema.


Paisagens, ecossistemas e biomas As intensas trocas de energia e matéria que os organismos vivos – componentes bióticos – mantêm entre si, e a interação que esses seres mantêm com os componentes abióticos do ambiente em que vivem (solo, rochas, água, vento, energia solar etc.), formam sistemas biológicos complexos denominados ecossistemas. Como as relações entre componentes bióticos e abióticos ocorrem em diferentes escalas espaciais, existem desde ecossistemas pequenos – como o de uma árvore em meio à floresta, na qual a planta mantém relações com o solo e as condições climáticas e ambientais locais, e também com as várias espécies de animais (fungos, formigas, aranhas, pequenos répteis e roedores etc.) que abriga em suas raízes, tronco, galhos e folhas – até ecossistemas gigantescos, como o da própria floresta, onde essa mesma árvore está inserida. Em uma escala global, toda a biosfera terrestre forma um único ecossistema, composto pelo conjunto de todos os ecossistemas menores que existem em sua superfície. Isso significa, portanto, que todos os ecossistemas terrestres estão interligados entre si, e que, por isso, qualquer alteração que ocorra em um ecossistema pode afetar, direta ou indiretamente, os demais ecossistemas ou até mesmo toda a biosfera. A poluição que é lançada em um rio, por exemplo, pode ser levada por suas águas a outros cursos de água, afetando, consequentemente, toda a bacia hidrográfica. Essa mesma poluição pode ainda chegar ao oceano e comprometer de certa forma a própria biosfera.

Unidade 10

Os grandes ecossistemas que existem na superfície terrestre formam o que os especialistas denominam biomas, regiões de grande extensão geográfica que apresentam grande homogeneidade em suas características naturais (solo, clima, relevo, fauna etc.). A combinação entre esses elementos naturais dá origem a biomas com paisagens que se diferenciam quanto ao tipo e à fisionomia de sua vegetação (florestas, campos, pradarias, desertos etc.). O tipo de vegetação em cada paisagem reflete, portanto, as características dos demais elementos naturais (clima, relevo, solo etc.) existentes em cada região do globo. Veja o mapa abaixo. Mundo: formações vegetais N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO O

Círculo Polar Ártico

L S

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ATLÂNTICO Equador

0° Meridiano de Greenwich

OCEANO PACÍFICO Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

OCEANO ÍNDICO

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 2 230 km

Tundra Floresta de coníferas

Floresta temperada caducifólia Vegetação mediterrânea

E. Cavalcante

Trópico de Câncer

Estepe e pradaria Deserto

Savana Floresta tropical

Alta montanha Deserto gelado

Fonte: ATLAS geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 61. 1 atlas Escalas variam.

As grandes paisagens naturais da Terra

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hannah russell/Alamy Stock Photo/Latinstock Richard Cavalleri/Shutterstock.com

Floresta tropical na Costa Rica, em 2015.

Florestas tropicais: são encontradas nas regiões quentes e úmidas das baixas latitudes tropicais e ocupam extensas áreas na América do Sul (Amazônia e mata Atlântica) e Central, na África (floresta do Congo) e no sudeste da Ásia. Essas florestas abrigam a mais rica biodiversidade do mundo, apresentando imensa variedade de espécies animais (mamíferos, aves, insetos, répteis, peixes etc.) e vegetais (árvores, samambaias, bromélias, trepadeiras, cipós etc.). Apresentam vegetação exuberante e bastante densa, o que as torna fechadas, com predomínio de espécies latifoliadas (árvores e plantas de folhas largas e grandes). Essas florestas também se apresentam estratificadas verticalmente em camadas, com árvores e arbustos de pequeno porte nos estratos mais baixos e outras que chegam a atingir mais de 40 metros de altura nos estratos mais altos.

Florestas temperadas: típicas das zonas climáticas temperadas do globo. Relativamente homogêneas, têm reduzida diversidade de espécies se comparadas com as florestas tropicais. Apresentam baixa densidade de espécies e são, por isso, mais abertas em seu interior (árvores mais espaçadas umas das outras). São formadas principalmente por árvores caducifólias (ou decíduas), assim chamadas por perderem as folhas nos meses mais frios do outono e do inverno. É um dos biomas mais devastados do mundo, mas, originalmente, se estendia por extensas áreas da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos.

John E Marriott/All Canada Photos/Getty Images

Floresta temperada no Quebec, Canadá, em 2013.

Florestas boreais ou de coníferas: ocupam as regiões frias e mais setentrionais do hemisfério Norte (entre as latitudes de 45º N e 70º N), encontradas no Alasca e no extremo norte da Europa, do Canadá e da Rússia, onde também são chamadas Florestas de Taiga. Sua vegetação apresenta aspecto homogêneo, com reduzida diversidade de espécies e predomínio de coníferas, que também dão nome a essas florestas. As coníferas são árvores em forma de cone, como os pinheiros, espécies que alcançam entre 90 e 100 metros de altura e apresentam folhas finas e pontiagudas muito resistentes ao intenso frio de inverno, quando permanecem cobertas de neve.

Floresta de Taiga no Canadá, em 2013.

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Larry Geddis/Alamy Stock Photo/Latinstock

Unidade 10

Savanas: formações típicas de regiões de clima tropical, com uma estação bastante chuvosa e outra bem mais seca. As savanas são formações complexas, compostas basicamente de gramíneas e capins que recobrem o solo, além de árvores e arbustos dispersos na paisagem. Muitas das espécies arbustivas e arbóreas apresentam casca grossa, tronco e galhos tortuosos. Abrigam uma fauna variada, composta de herbívoros, mamíferos e aves. No Brasil, as savanas recebem o nome de Cerrado, bioma que domina grande parte da porção central do país e que está seriamente ameaçado pelo avanço da atividade agrícola e pecuária.

Extensas pradarias nos Estados Unidos, em 2014. Prisma Bildagentur AG/Alamy Stock Photo/Latinstock

Estepes e pradarias: formados basicamente por vegetação herbácea (rasteira), com gramíneas e capins em abundância, arbustos isolados, e quase sempre sem árvores. São formações também conhecidas como campos, típicas das médias e altas latitudes encontradas em áreas de clima temperado e subtropical. Nas regiões onde o clima é mais frio e mais seco, surgem os chamados campos de estepes, com vegetação mais baixa e esparsa. Em regiões onde os índices de precipitação são um pouco mais elevados, temos os campos de pradarias, com capins que podem chegar a dois metros de altura. Por se desenvolverem em regiões de planícies, os campos são excelentes pastagens naturais, muito aproveitados para a criação de animais e também para o desenvolvimento de lavouras. No Brasil, os campos são encontrados no extremo sul do país.

Altas montanhas: as grandes cadeias montanhosas do globo se destacam pela existência de diferentes tipos de vegetação conforme a maior ou menor altitude. Nas partes mais baixas das montanhas, a vegetação é semelhante à que existe em seu entorno, como no caso de uma floresta tropical, se a montanha estiver em uma região de clima quente e chuvoso. À medida que a altitude aumenta e a temperatura diminui, aparecem sucessivamente a floresta temperada e a floresta de coníferas (pinheiros). Conforme a altitude continua aumentando, aparecem os chamados campos de altitude, adaptados ao clima mais frio e mais seco. Nas partes mais elevadas, o frio limita o desenvolvimento da vegetação e as geleiras cobrem permanentemente o cume das montanhas.

Alexander Chaikin/Alamy Stock Photo/Latinstock

Savana localizada na Tanzânia, em 2014.

Vegetação rala de alta montanha na Suíça, em 2015.

As grandes paisagens naturais da Terra

227


Design Pics Inc/Alamy Stock Photo/Latinstock

Tundras: se desenvolvem nas regiões dominadas pelo clima polar, sobretudo no Alasca, e no extremo norte do Canadá, da Europa e da Rússia. Sua vegetação, formada por musgos, liquens, capins e outras plantas herbáceas, possui curto ciclo vegetativo e se desenvolve somente na curta estação do verão polar, quando ocorre o degelo. Nessa época, as plantas crescem e florescem rapidamente, e lançam ao solo novas sementes, que irão germinar apenas no verão seguinte.

Mike DeCesare/Alamy Stock Photo/Latinstock

Paisagem da tundra no verão, no Alasca, em 2013.

Desertos: ocorrem em áreas marcadas por chuvas muito escassas e umidade extremamente reduzida. Podem ser encontrados tanto em regiões de climas áridos (desertos quentes) como nas zonas polares (desertos gelados). Em geral, os desertos quentes apresentam solos arenosos e pedregosos, com vegetação bastante reduzida, composta principalmente de plantas adaptadas à falta de água. Temos, por exemplo, as cactáceas, que possuem caules suculentos, raízes bem profundas que alcançam os lençóis subterrâneos e ausência de folhas para evitar a perda de água pela transpiração. Os desertos gelados são encontrados nas regiões extremamente frias do Ártico e da Antártica, áreas que permanecem cobertas por extensas geleiras e que apresentam fauna e flora adaptadas aos rigores de tais condições climáticas.

Hemis/Alamy Stock Photo/Latinstock

Paisagem do deserto de Arizona, Estados Unidos, em 2014.

Vegetação mediterrânea: ocorre em regiões de clima mediterrâneo, com verões quentes e secos e invernos amenos (entre 0 o C a 15 o C) e chuvosos. Essas características climáticas favorecem a formação de uma vegetação esparsa na paisagem, tendo três estratos distintos: arbóreo, arbustivo e herbáceo. As maiores ocorrências estão no sul da Europa, onde grande parte da vegetação original foi substituída por plantações de oliveira e videira, e também no Norte da África.

Vegetação mediterrânea na França, em 2014.

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Contexto geográfico

Ponto de vista

Quão rara é a Terra? Pablo Scapinachis/Shutterstock.com

Agora que temos a certeza de que existe um número enorme de planetas com características físicas semelhantes às da Terra, vale perguntar se eles têm, de fato, a chance de abrigar formas de vida e, se tiverem, que vida seria essa. Antes, alguns números importantes. Os melhores dados com relação à existência de outros planetas vêm do satélite da NASA Kepler, que anda buscando planetas como a Terra mapeando 100 mil estrelas na nossa região cósmica. [...] Como sabemos que o número de estrelas na nossa galáxia é em torno de 200 bilhões, a estimativa da missão Kepler implica que devem existir em torno de 10 bilhões de planetas com dimensões semelhantes às da Terra.

Aqui na Terra, a vida surgiu 3,5 bilhões de anos atrás. Porém, durante aproximadamente 3 bilhões de anos, a vida aqui era constituída essencialmente de seres unicelulares, pouco sofisticados. Digamos, um planeta de amebas. Apenas quando a atmosfera da Terra foi “oxigenada”, e isso devido à “descoberta” da fotossíntese por essas bactérias (cianobactérias, na verdade), é que seres multicelulares surgiram. Essa mudança também gerou algo de muito importante: quando o oxigênio atmosférico sofreu a ação da radiação solar é que se formou a camada de ozônio que acaba por proteger a superfície do planeta. Sem essa proteção, a vida complexa na superfície seria inviável. Fora isso, a Terra tem uma lua pesada, o que estabiliza o seu eixo de rotação: a Terra é como um pião que está por cair, rodopiando em torno de si mesma numa inclinação de 23,5 graus. Esta inclinação é a responsável pelas estações do ano e por manter o clima da Terra relativamente agradável. Sem nossa Lua, o eixo de rotação teria um movimento caótico e a temperatura variaria de forma aleatória. Juntemos a isso o campo magnético terrestre, que nos protege também da radiação solar e de outras formas de radiação letal que vêm do espaço, e o movimento das placas tectônicas, que funciona como um termostato terrestre e regula a circulação de gás carbônico na atmosfera, e vemos que são muitas as propriedades que fazem o nosso planeta especial. Portanto, mesmo que existam outras “Terras” pela galáxia, defendo ainda a raridade do nosso planeta e da vida complexa que nele existe. GLEISER, Marcelo*. Quão rara é a Terra? Folha de S.Paulo, São Paulo, 21 out. 2012. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelogleiser/1172152quao-rara-e-a-terra.shtml>. Acesso em: 2 out. 2015. Folhapress.

a ) Procure, no texto, os trechos que mencionam a contribuição e a importância de cada esfera da Terra na composição da vida em nosso planeta. b ) O que o autor do texto quer dizer com “defendo ainda a raridade do nosso planeta”? Você concorda com a opinião do autor? Marcelo Gleiser é professor de Física e Astronomia do Dartmouth College, em Hanover (Estados Unidos). É vencedor de dois prêmios Jabuti e autor, mais recentemente, de Criação imperfeita.

As grandes paisagens naturais da Terra

229

Unidade 10

Nada mal, se supusermos que basta isso para que exista vida. Porém, a situação é bem mais complexa e depende das propriedades da vida e, em particular, da história geológica do planeta.


Ação antrópica e degradação dos grandes biomas A maior parte dos grandes biomas terrestres já se encontra alterada de alguma forma pela interferência humana. Essa interferência, que tem se tornado cada vez mais intensa, já reduziu drasticamente a área original ocupada por certas paisagens naturais e também representa uma séria ameaça às áreas ainda preservadas. Mesmo preservados, também os lugares mais remotos e isolados do planeta, como as regiões polares, os desertos, o interior das grandes florestas e as altas montanhas, já receberam de alguma forma a interferência humana. O planisfério a seguir mostra a extensão das paisagens já alteradas pela ação humana. Compare-o com o mapa da página 225 e identifique as paisagens naturais mais devastadas e as mais preservadas. Mundo: áreas antropizadas N

OCEANO GLACIAL ÁRTICO O

Círculo Polar Ártico

L S

OCEANO ATLÂNTICO

Trópico de Câncer

Equador 0° OCEANO PACÍFICO Trópico de Capricórnio

Impacto das atividades humanas Muito elevado Elevado Médio Baixo

Círculo Polar Antártico

Meridiano de Greenwich

E. Cavalcante

OCEANO PACÍFICO

OCEANO ÍNDICO

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

2 080 km

Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 31. 1 atlas. Escalas variam.

As intensas alterações e transformações provocadas pelo ser humano nas paisagens terrestres têm interferido diretamente na dinâmica natural da biosfera, causando sérios danos ambientais nas mais diversas partes do planeta. A devastação de extensas áreas de florestas naturais pela urbanização crescente ou para a formação de novas áreas de lavouras e pastagens, por exemplo, provoca a redução desses ecossistemas, inclusive a perda irreparável de um valioso patrimônio natural formado pela vida animal e vegetal (fauna e flora). A substituição de florestas e de outras formações vegetais por lavouras e pastagens, por sua vez, tem acelerado os processos erosivos dos solos que, sem a proteção da vegetação nativa, ficam mais vulneráveis quando expostos à ação das chuvas e demais intempéries atmosféricas. Em muitas regiões agricultáveis, os solos e os lençóis freáticos também estão seriamente contaminados pelo uso excessivo de produtos químicos (agrotóxicos, adubos, pesticidas etc.) lançados em grande quantidade nas lavouras, para aumentar a sua produtividade.

230


A intensa exploração e degradação dos recursos hídricos, como estudamos na unidade 6, também tem ocasionado sérios danos aos ecossistemas terrestres. A poluição gerada pelo lançamento de esgotos domésticos e industriais diretamente no curso dos rios e lagos, nos mares e oceanos, provoca a morte de muitas espécies, afetando diretamente o equilíbrio biológico dos ambientes aquáticos.

Luciana Whitaker/Pulsar

Unidade 10

Os ecossistemas terrestres também estão sendo afetados pela intensa poluição atmosférica. A emissão de gases tóxicos, como o monóxido de carbono (CO), o dióxido de carbono (CO 2) e o dióxido de enxofre (SO 2), provenientes principalmente da queima de combustíveis fósseis (carvão e petróleo) e de florestas, reage com a composição química da atmosfera, gerando uma série de problemas ambientais, tanto em escala local, formando a chuva ácida, quanto em escala global, como o efeito estufa, fenômeno que estudaremos melhor no volume 3.

B

Westend61 GmbH/Alamy Stock Photo/Latinstock

A captação de água para fins de irrigação e abastecimento, por sua vez, tende a diminuir o volume de água no curso dos rios, com impactos diretos sobre o conjunto de todos os organismos (fauna e flora) da cadeia alimentar aquática. Em certos casos, a exploração intensa das águas provoca o rebaixamento do nível de muitos rios, afetando o equilíbrio de bacias hidrográficas inteiras e comprometendo seriamente as reservas hídricas, a exemplo do que ocorreu no mar de Aral, visto na unidade 7.

guentermanaus/Shutterstock.com

A construção de grandes represas para a geração de energia e de canais de água para a irrigação de extensos campos de cultivo também altera o curso e o fluxo natural dos rios, causando impactos na dinâmica hídrica dos cursos de água e comprometendo o equilíbrio dos A ecossistemas fluviais. A construção de represas no leito dos rios, por exemplo, impede que os peixes migrem para os locais de desova na época da piracema, o que compromete a reprodução e, consequentemente, a sobrevivência de muitas espécies.

C

Nas imagens, vemos desmatamento da Floresta Amazônica, em 2013 (foto A), rio poluído e perda da vida aquática no Rio de Janeiro, em 2015 (foto B), e poluição atmosférica na Alemanha, em 2015 (foto C). As grandes paisagens naturais da Terra

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231

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Mico-leão-dourado, nativo da Mata Atlântica.

Segundo a ONG Conservação Internacional, o critério mais importante na determinação dos hotspots é a existência de, no mínimo, 1 500 espécies de plantas endêmicas em um determinado ecossistema que esteja com mais de 75% de sua área original destruída.

Haroldo PaloJr/Kino.com.br

Infográfico

no alvo da preservação

“Ponto quente” termo inglês

Mata Atlântica:

os hotspots da

Extensão original: 1 233 875 km² Área restante: 8% Plantas endêmicas: 8 000 espécies Vertebrados endêmicos: 632 espécies

é a tradução do

hotspot. Podemos dizer que

biodiversidade são

áreas

com alta concentração e diversidade de espécies.

Conforme a classificação atual, existem 34 hotspots em nosso planeta. Veja quais são e sua localização no mapa a seguir.

19

8

Equador

18

9

28 27

7 15

4

1. Andes Tropicais 2. Tumbes-Chocó-Magdalena (Panamá, Colômbia, Equador, Peru) 3. Mata Atlântica (Brasil, Argentina, Paraguai) 4. Cerrado (Brasil) 5. Florestas Valdívias (Chile) 6. Mesoamérica (Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, Belize, México) 7. Ilhas do Caribe 8. Província Florística da Califórnia (EUA) 9. Floresta de Pinho-Encino de Sierra Madre (México, EUA) 10. Florestas da Guiné (África Ocidental)

232

3

33

24

25 14

22

1 5

29

17

10

2

Pontos de Hotspot

21

20

6

33

26

12 11

16

13

11. Província Florística do Cabo (África do Sul) 12. Karoo das Plantas Suculentas (África do Sul, Namíbia) 13. Madagascar e Ilhas do Oceano Índico 14. Montanhas do Arco Oriental 15. Florestas de Afromontane (África Oriental) 16. Maputaland-Pondoland-Albany (África do Sul, Suazilândia, Moçambique) 17. Chifre da África 18. Bacia do Mediterrâneo 19. Cáucaso 20. Ghats Ocidentais (Índia e Sri Lanka) 21. Montanhas do Centro-Sul da China

Paula Radi

Fonte: CONSERVATION Internacional do Brasil (CI Brasil). Hotspots revisitados. Disponível em: <www.conservation.org/ global/brasil/publicacoes/ Documents/ HotspotsRevisitados.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2015.

23

30

31

34 32

22. Sunda (Indonésia, Malásia, Brunei) 23. Wallacea (Indonésia) 24. Filipinas 25. Regiões da Indo-Birmânia 26. Himalaia 27. Região Irano-Anatólica 28. Montanhas da Ásia Central 29. Japão 30. Sudoeste da Austrália 31. Nova Caledônia 32. Nova Zelândia 33. Ilhas da Polinésia e Micronésia (incluindo o Hawaí) 34. Ilhas da Melanésia Oriental


Hotspots

mais ameaçados: o que restou

8% 7%

Filipinas; Sunda.

Bacia do Mediterrâneo; Nova Caledônia; Regiões da Indo-Birmânia; Chifre da África.

Baobá, espécie nativa da ilha de Madagascar.

Espécies-bandeira

Madagascar e Ilhas do Oceano Índico:

Extensão original: 600 461 km² Área restante: 10% Plantas endêmicas: 11 600 espécies Vertebrados endêmicos: 1 017 espécies

Montanhas do Centro-Sul da China:

Unidade 10

São espécies típicas de determinadas regiões do planeta, como a onça-pintada, no Cerrado e o baobá, em Madagascar. Essas espécies tornaram-se símbolos das campanhas de preservação dos ecossistemas em que vivem por representarem sua vulnerabilidade e exercerem atratividade junto à população. Têm papel importante na difusão da mensagem conservacionista e no alerta sobre a necessidade de proteger espécies menos conhecidas e seus hábitats.

Dudarev Mikhail/Shutterstock.com

5%

Mata Atlântica; Montanhas do Centro-Sul da China.

Extensão original: 262 446 km² Área restante: 8% Plantas endêmicas: 3 500 espécies Vertebrados endêmicos: 84 espécies

Onça-pintada, nativa das áreas de Cerrado.

Cerrado:

ImageGap/ Alamy Stock Photo/ Latinstock

Ricardo Azoury/Pulsar

Urso panda, nativo Extensão original: das Montanhas do 2 031 990 km² Centro-Sul da China. Área restante: 20% Plantas endêmicas: 4 400 espécies Vertebrados endêmicos: 289 espécies

As grandes paisagens naturais da Terra

233


Os grandes domínios naturais do Brasil O Brasil se destaca como um dos países com maior biodiversidade, concentrando enorme variedade de espécies animais e vegetais (veja os números no quadro ao lado). Essa biodiversidade tão rica se explica, em parte, pela variedade de paisagens naturais do nosso vasto território, cujas extensas áreas apresentam certa homogeneidade em suas características fisiográficas, ou seja, nos tipos de clima e solo, nas estruturas geológicas, nas formas de relevo, na rede hidrográfica etc. que, em cada conjunto, dão origem a diferentes compartimentos ou tipos de vegetação.

Em nosso país já foram descobertas e catalogadas cerca de: 713 espécies de mamíferos; mais de 41 mil espécies de plantas superiores; 100 mil espécies de invertebrados; 2 800 espécies de peixes de água doce; 1 826 espécies de aves.

• • • • •

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Disponível em: <www.mma.gov.br/mma-emnumeros/biodiversidadelinkaqui>. Acesso em: 17 ago. 2015.

Uma das classificações mais utilizadas para delimitar cada um desses grandes compartimentos paisagísticos encontrados no território brasileiro foi proposta pelo geógrafo Aziz Ab’Sáber. Levando em conta as formas do relevo e os tipos de clima, combinados com os aspectos fitogeográficos (tipos de vegetação), Ab’Sáber delimitou a existência de seis grandes domínios morfoclimáticos (morfo, que se refere às formas do relevo; climático, relativo ao clima). São eles: domínio Amazônico, domínio do Cerrado, domínio da Caatinga, domínio dos Mares de Morros, domínio das Araucárias e domínio das Pradarias. E. Cavalcante

Domínios morfoclimáticos brasileiros N O

L S

Equador 0°

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO PACÍFICO

Trópico de Ca pricórnio

Domínios morfoclimáticos Amazônico Cerrado Mares de Morros Caatinga Araucárias Pradarias Faixa de transição 50° O

Entre esses domínios, existem as chamadas faixas de transição, isto é, áreas que apresentam características naturais típicas de dois ou mais domínios morfoclimáticos, como o Pantanal, por exemplo, que reúne trechos de florestas, cerrados e campos naturais.

• Identifique no mapa os

domínios naturais que ocorrem no estado onde você mora. Com base nos dados do quadro acima podemos afirmar que o Brasil possui um grande patrimônio ambiental? Isso pode ser considerado uma grande riqueza para o nosso país? Justifique sua resposta.

420 km

Fonte: AB’SÁBER, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. Anexo.

234

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No entanto, grande parte da vegetação natural que recobria originalmente esses domínios já foi bastante alterada pelo desordenado processo de ocupação do nosso território, que ocorreu e ainda vem ocorrendo ao longo dos últimos séculos. A seguir, vamos conhecer melhor as características de cada um desses domínios morfoclimáticos e também as principais ameaças que têm sofrido. Domínio Amazônico: destaca-se pela presença da floresta equatorial Amazônica, a maior do mundo, que também se estende para os países vizinhos. É uma floresta bastante densa e heterogênea, com plantas de portes muito variados. Suas características se devem ao clima equatorial: quente e úmido, com chuvas abundantes o ano todo. A pluviosidade elevada abastece uma rede hidrográfica riquíssima formada por rios extensos e volumosos, igarapés e lagos de várzea. O relevo é formado principalmente por terras baixas, com predomínio de planícies e depressões. Nas últimas décadas, esse domínio natural vem sendo desmatado em ritmo acelerado devido ao avanço da ocupação na região, apoiada pela abertura de novas fronteiras agrícolas (formação de lavouras e pastagens) e pelo avanço da atividade madeireira, dos garimpos e das mineradoras.

Floresta Amazônica em Manaus, Amazonas, em 2014.

Unidade 10

Equador 0°

Rogério Reis/Pulsar

Domínio do Cerrado: segundo maior bioma do país em extensão, o Cerrado se destaca pela vegetação composta de árvores e arbustos de pequeno e médio portes, que podem aparecer dispersos na paisagem (campos cerrados) ou mais adensados na forma de matas (cerradões), e grande quantidade de gramíneas e outras plantas rasteiras que cobrem extensas áreas do solo. Suas árvores apresentam troncos tortuosos, cascas grossas, galhos retorcidos, folhas rígidas e raízes profundas, características adaptadas ao clima tropical típico, marcado por duas estações: uma chuvosa (entre outubro e abril) e outra seca (entre maio e setembro). As formas de relevo são variadas, com predomínio de planaltos, chapadas, além de serras e depressões. Ao longo das últimas décadas, o Cerrado vem sendo devastado em ritmo acelerado, devido principalmente ao avanço da pecuária bovina extensiva e à formação de grandes lavouras monocultoras, sobretudo de soja. O desmatamento já eliminou cerca de 50% da área ocupada originalmente pelo Cerrado.

E. Cavalcante

Marcos Amend/Pulsar

E. Cavalcante

Equador 0°

Paisagem de Cerrado em Pirenópolis, Goiás, em 2015. As grandes paisagens naturais da Terra

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235

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Luciana Whitaker/Pulsar E. Cavalcante

Equador 0°

Mares de Morros em Valença, Rio de Janeiro, em 2014.

Mauricio Simonetti/Pulsar

Espécies endêmicas: espécies de animais ou plantas cuja distribuição geográfica está restrita a uma pequena área.

E. Cavalcante

Equador 0°

Cesar Diniz/Pulsar

Caatinga no sertão da Paraíba, em 2015.

E. Cavalcante

Equador 0°

Domínio dos Mares de Morros: abrange as áreas dominadas pela presença de planaltos irregulares, com predomínio de serras e morros já bastante desgastados pela erosão, apresentando formas arredondadas, daí sua denominação. Na porção litorânea, o clima é bastante chuvoso devido aos ventos oceânicos que sopram carregados de umidade. Mais para o interior, o clima apresenta uma estação seca e outra chuvosa. Toda essa área era coberta, originalmente, pela floresta tropical, também denominada mata Atlântica, que cobria a faixa litorânea do país, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Um dos biomas mais ricos em biodiversidade do país, com grande número de espécies endêmicas, esse bioma é também o mais devastado e mais ameaçado. Atualmente, restam apenas cerca de 8% da área original de mata Atlântica, em trechos remanescentes que ainda conservam importante patrimônio da nossa flora e fauna. Domínio da Caatinga: região dominada pelo clima semiárido, o mais seco do país, marcado por chuvas escassas e concentradas em poucos meses do ano e temperaturas constantemente elevadas (médias térmicas anuais entre 25 ºC e 29 ºC). Adaptada a essas condições climáticas, se desenvolve uma vegetação de arbustos e árvores de pequeno porte, além de variadas espécies de cactáceas. Devido aos baixos índices pluviométricos (média de chuvas anual entre 268 mm e 800 mm), a região apresenta uma rede hidrográfica incipiente, marcada pela presença de muitos rios temporários, que secam completamente durante os meses de estiagens. No relevo, se destacam depressões, em terrenos bastante antigos e intensamente erodidos, além de chapadas e planaltos. Ocupada desde o período da colonização com a prática da pecuária extensiva, a vegetação da Caatinga já perdeu cerca de 46% de sua área original, sendo desmatada para a formação de lavouras, pastagens e extração da lenha. Domínio das Araucárias: abrange as áreas dominadas pelo clima subtropical, com verões quentes e invernos mais frios, e chuvas regulares e bem distribuídas ao longo do ano. O relevo é formado principalmente por planaltos elevados, com altitudes médias que variam entre 800 e 1 300 metros. É o domínio da mata das Araucárias (mata dos pinhais), vegetação aberta e espaçada, formada pela araucária ou pinheiro-do-paraná, árvore que chega a atingir 50 metros de altura, com galhos que crescem no topo da copa em forma de taça. Em meio às araucárias, também crescem outras espécies como ipês, imbuias, cedros e erva-mate. A expansão das lavouras e a exploração madeireira, destinada à fabricação de móveis e construção civil, no entanto, devastaram quase totalmente as matas de Araucárias. Atualmente, estão preservados apenas cerca de 3% de sua área original, sobretudo nas encostas mais elevadas dos planaltos e das serras da região.

Remanescentes de Mata de Araucárias em São Joaquim, Explique aos alunos que as plantas da Caatinga são adaptadas à Santa Catarina, em 2015. escassez de água. Algumas espécies, por exemplo, possuem raízes profundas para captar água nas camadas mais úmidas do subsolo, próximo ao nível freático; outras acumulam água em seus caules. Muitas espécies também perdem as folhas durante as secas, enquanto outras desenvolvem espinhos 236 (em vez de folhas) como forma de reduzir a perda de água por transpiração.

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Gerson Gerloff/Pulsar

Domínio das Pradarias: também chamados campos naturais, ocorrem principalmente no extremo sul do país como um prolongamento do bioma dos pampas, que se estende pela Argentina e pelo Uruguai, nas áreas dominadas pelo clima subtropical. Sua vegetação é composta basicamente de formações herbáceas (gramíneas, capins e outras plantas rasteiras), que chegam a alcançar até 50 centímetros de altura. Nos vales fluviais mais úmidos surgem as matas de galerias, que acompanham os cursos de água. O relevo apresenta topografia relativamente suave, com o predomínio de colinas onduladas, denominadas coxilhas. Tradicionalmente utilizados como pastagens naturais para a criação extensiva de ovinos e bovinos, os campos também vêm sendo ocupados e devastados pelas atividades agrícolas, sobretudo pela expansão das lavouras de arroz, soja e trigo. A introdução dessas lavouras tem causado problemas como a intensa degradação dos solos, sobretudo pela ocorrência de processos erosivos.

Equador 0°

Campos naturais em Jaquirana, Rio Grande do Sul, em 2015.

Luciano Candisani/Minden Pictures/Latinstock

E. Cavalcante

Explique aos alunos que os campos naturais também ocorrem na forma de manchas espalhadas em várias outras áreas do país, como os campos inundáveis na Amazônia (campos de várzea), e os campos de altitude, que ocupam as porções mais elevadas das regiões serranas do Sudeste (Serra da Mantiqueira) e do Planalto das Guianas (campos de Roraima).

Unidade 10

Pantanal: faixa de transição que ocupa áreas do sudoeste do Mato Grosso e do oeste do Mato Grosso do Sul, estendendo-se também pelos territórios da Bolívia e do Paraguai, onde recebe o nome de chaco. Seu relevo plano, com altitudes que variam entre 100 e 200 metros, forma uma imensa planície inundável, considerada o maior complexo de terras úmidas do mundo. Apresenta clima tropical típico, com duas estações distintas – uma seca e outra chuvosa. Na época das chuvas, entre novembro e abril, os rios que atravessam o Pantanal transbordam, inundando extensas áreas. A planície apresenta um mosaico de vegetação, com predomínio de formações herbáceas (gramíneas campestres) nas áreas mais baixas e sujeitas às inundações; de matas ciliares, que acompanham as margens dos rios; de florestas e cerrados nas partes mais elevadas do relevo; e até mesmo de caatingas nas áreas mais secas. Ocupado tradicionalmente pela criação extensiva de gado bovino, o domínio do Pantanal está ameaçado pelo avanço da pecuária, pelas carvoarias que queimam a vegetação nativa para a fabricação de carvão, e também pelo desenvolvimento de lavouras, principalmente de soja, cultivadas nos terrenos mais elevados.

E. Cavalcante Equador 0°

Área de Pantanal com formação de baías no Mato Grosso, em 2010.

Pantanal

As grandes paisagens naturais da Terra

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237

5/19/16 5:44 PM


Impactos nos grandes domínios naturais do Brasil Nas páginas anteriores, conhecemos as características dos grandes domínios naturais do território brasileiro e também algumas das principais interferências que levaram à devastação desses domínios e ainda hoje ameaçam a sua preservação. Detentor de um dos maiores e mais importantes patrimônios ecológico-naturais da Terra, historicamente o Brasil tem sido marcado pelo intenso processo de devastação de suas paisagens naturais. Basta lembrar que o início da ocupação portuguesa na América, ainda no século XVI, primeiro se apoiou na exploração predatória do pau-brasil, árvore abundante nas florestas tropicais ao longo da costa atlântica brasileira, mas que foi quase totalmente extinta em poucos séculos de exploração. Desde aquela época, as paisagens naturais brasileiras vêm sofrendo intenso processo de devastação decorrente, principalmente, do avanço da ocupação e do povoamento em direção ao interior do território, marcado pela exploração dos recursos florestais, pelo surgimento e crescimento de cidades e pela expansão das áreas de lavouras e pastagens para a criação de gado. Esse processo quase dizimou totalmente a mata Atlântica e a mata de Araucárias, hoje restritas a pequenas áreas, e continua avançando pelo interior do país, ameaçando extensas áreas do Cerrado e da Floresta Amazônica, paisagens que até poucas décadas atrás ainda se encontravam bastante preservadas. Veja os mapas a seguir.

E. Cavalcante

Brasil: vegetação natural N O

L S

Equador 0°

Floresta Amazônica Mata dos Cocais Mata Atlântica Mata de Araucárias Caatinga Cerrado Campos Campinarana (Campinas do Rio Negro) Complexo do Pantanal (Cerrado e Campos inundáveis) Vegetação Litorânea (Mangue, Restinga, Jundu)

Áreas alteradas (2010) OCEANO PACÍFICO

N

O

L S

Equador 0°

Trópico de Cap ricórnio

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO

E. Cavalcante

Trópico de Ca pricórnio

50° O

415 km

Fonte dos mapas: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 26. 1 atlas. Escalas variam.

Área devastada Área com vegetação 770 km 50° O

238

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Perspectiva geográfico-espacial da questão ambiental no Brasil Ao observar os mapas anteriores, constatamos que a degradação ambiental em nosso país é um problema que afeta indistintamente todos os nossos grandes domínios naturais e suas respectivas paisagens, ainda que as causas e consequências dessa degradação sejam muito distintas de uma região a outra do território. Por isso, é necessário analisar a questão ambiental em nosso país como resultado dos processos socioespaciais que marcaram a ocupação e a apropriação desse território pela sociedade ao longo do tempo e as implicações daí decorrentes.

A industrialização, a urbanização e os problemas ambientais urbanos A partir das décadas de 1940 e 1950, por exemplo, teve início em nosso país um intenso processo de industrialização, apoiado principalmente na instalação das indústrias de base (siderúrgicas e petroquímicas). Concentrado geograficamente no Sudeste, esse processo provocou grandes mudanças na organização do espaço brasileiro. Com a instalação dessas e de muitas outras indústrias, as cidades passaram a atrair um contingente cada vez maior de trabalhadores, levando a população urbana a crescer aceleradamente, sobretudo em decorrência da migração campo-cidade. Em 1940, por exemplo, a população urbana do país somava algo em torno de 12,8 milhões de pessoas, alcançando 52 milhões em 1970 e cerca de 110 milhões no início da década de 1990. Ou seja, houve um aumento de quase 100 milhões de pessoas em apenas 50 anos.

B

Unidade 10 Cesar Diniz/Pulsar

A

Paulo Fridman/Pulsar

Como resultado desse processo, as áreas que mais se industrializaram e se urbanizaram também passaram a apresentar problemas ambientais típicos das grandes aglomerações urbanas, que crescem sem planejamento urbano adequado. Dentre esses problemas, estão a intensa poluição atmosférica causada pela emissão de gases tóxicos lançados pelos escapamentos dos veículos e pelas chaminés das fábricas, a poluição dos cursos de água pelo lançamento de esgotos residenciais e industriais, a contaminação dos solos e das águas subterrâneas pelo manejo inadequado do lixo urbano, a degradação dos espaços urbanos pela ocupação desordenada das vertentes, várzeas e fundos de vale etc.

Nas imagens ao lado podemos observar problemas ambientais ocorridos no Brasil, como poluição atmosférica na Grande São Paulo, em 2011 (foto A) e poluição de curso fluvial por esgoto em Ruy Barbosa, Bahia, em 2014 (foto B). As grandes paisagens naturais da Terra

239


A mecanização do campo e os problemas ambientais A partir das décadas de 1960 e 1970, com a industrialização, houve também uma mecanização no campo brasileiro com a introdução de máquinas, implementos e insumos em muitas regiões agrícolas, o que transformou o nosso país em um dos maiores exportadores mundiais de grãos. Mas isso também teve consequências ecológicas devastadoras.

Desertificação e arenização são processos distintos. Considera-se como desertificação o processo de degradação das terras, ocorrido principalmente em áreas de climas semiáridos, decorrente da pressão das atividades humanas sobre os recursos naturais. O processo de arenização, por sua vez, consiste na formação de depósitos arenosos superficiais que dificultam a fixação da cobertura vegetal devido à intensa ação das águas e dos ventos, também provocado pela degradação ambiental.

O emprego de técnicas inadequadas de cultivo e o uso intensivo de máquinas pesadas, como tratores, arados mecânicos e colheitadeiras, por exemplo, causaram sérios problemas de degradação dos solos, sobretudo com a intensificação dos processos erosivos. Em algumas regiões agrícolas, o agravamento desses problemas está provocando inclusive processos de desertificação, o que já se verifica em certas áreas da Caatinga nordestina, ou de arenização, como se observa nos domínios das pradarias no sudoeste do Rio Grande do Sul (veja quadro ao lado). Por sua vez, a aplicação indiscriminada de produtos químicos nas lavouras (agrotóxicos, adubos, fertilizantes etc.) vem contaminando os solos e os mananciais, comprometendo seriamente a qualidade dos recursos hídricos (rios, córregos e lençóis subterrâneos) e o equilíbrio da fauna e flora desses ecossistemas.

O avanço da fronteira agrícola e a degradação ambiental A partir da década de 1970, o governo federal passou a incentivar a expansão da fronteira agrícola e econômica em direção ao Centro-Oeste e à Amazônia, sobretudo por meio de grandes obras de infraestrutura (abertura de estradas, ferrovias, construção de usinas hidrelétricas) e de projetos agropecuários, apoiados tanto em pequenas propriedades como em grandes latifúndios. Com essa expansão, extensas áreas de cerrados e florestas passaram a ser largamente substituídas por pastagens para a criação de gado bovino e por grandes lavouras monocultoras, como de soja e milho. Essa fronteira agrícola e econômica, que já devastou grande parte dos cerrados brasileiros, continua avançando em direção aos estados da região Norte, causando a devastação progressiva da Floresta Amazônica (veja mapa abaixo). Amazônia: arco do desmatamento N

OCEANO O ATLÂNTICO

Boa Vista RR

AP

L S

Macapá

Equador 0º

Belém

São Luís

Manaus PA

AM

Porto Velho

AC

RO

E. Cavalcante

Arco do

240

Floresta Cerrado Interferência humana OCEANO PACÍFICO

nt me a t a de s m

o

Rio Branco

MA PI

TO Palmas BA

MT Cuiabá GO 60º O

MS

DF

MG 330 km

Fonte: THÉRY, Hervé; MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Ed. USP, 2005. p. 70, 87. 1 atlas. Escalas variam.


Biopirataria: um problema ambiental no Brasil A biopirataria, nome dado ao comércio ilegal, exploração, manipulação ou exportação de animais e plantas silvestres, se tornou uma questão alarmante em nosso país, tanto que é considerado um grave problema ambiental. O texto a seguir discute essa questão, evidenciando o caso do tráfico de animais. O país perde muitas divisas com o tráfico da fauna silvestre que, por ser uma atividade ilegal, não gera empregos nem impostos. [...] Além disso, são muitos os riscos à saúde que o comprador pode submeter a si próprio e a sua família, pois o controle sanitário simplesmente não existe quando se trata do tráfico de animais. São eles potenciais transmissores de doenças graves e até mesmo desconhecidas, o que acarreta sérias consequências para a saúde pública no Brasil e para os países que os adquirem ilegalmente. Em termos econômicos, essa atividade clandestina é igualmente devastadora. Primeiro, porque recruta pessoas carentes para trabalhar em uma atividade ilícita como fonte alternativa de renda. Depois, é preciso lembrar a importância daqueles animais que se alimentam de insetos e fazem o controle biológico de pragas que prejudicam a lavoura. Além disso, a fauna também pode ser um grande atrativo para o turismo ecológico. Por fim, se 40% dos medicamentos do planeta são sintetizados ou produzidos a partir de espécies naturais, incluindo a fauna, e somente o Brasil concentra 10% da biodiversidade mundial, fica claro que a manutenção das florestas e das espécies que nelas vivem não é apenas uma questão ética, mas estratégica também do ponto de vista econômico. [...]

B

Aves silvestres sendo vendidas ilegalmente em beira de estrada em Eunápolis, estado da Bahia, 2010.

Lobo-guará sendo solto na Estação Ecológica Águas Emendadas Planaltina, Distrito Federal, ápos ter sido capturado para o tráfico, em 2011.

a ) Qual é o assunto principal do texto? b ) Que nome é dado à exploração e ao comércio ilegal de espécies vegetais e animais? c ) Explique a seguinte afirmação presente no texto:

“[...] é preciso lembrar a importância daqueles animais que se alimentam de insetos e fazem o controle biológico de pragas”. Qual é a relação dessa informação com os ecossistemas? d ) Que consequências negativas do tráfico de animais silvestres são descritas pelo texto?

As grandes paisagens naturais da Terra

241

Unidade 10

A

Carlos Terrana/Kino.com.br

Juca Martins/Pulsar

FUNDAÇÃO SOS Mata Atlântica. União pela fauna da Mata Atlântica. São Caetano do Sul: Hawaii, 2005. p. 51.


Contexto geográfico

Estudo de caso

Reservas da Biosfera: patrimônio natural-ecológico Desde os primórdios de sua história, o ser humano busca na natureza recursos necessários à sua sobrevivência. Graças ao aprimoramento e desenvolvimento de instrumentos e ferramentas de trabalho, o ser humano foi ampliando sua capacidade de intervir no meio natural e de explorar a natureza e seus recursos. A exploração desses recursos, no entanto, tem ocorrido não apenas em ritmo cada vez mais acelerado, mas também de maneira desordenada e insustentável, com consequências ambientais extremamente danosas e prejudiciais. Tais consequências vão de desequilíbrios ambientais no interior dos ecossistemas a perturbações que colocam em risco a sobrevivência de muitas espécies e ameaçam a biodiversidade do planeta. A cada dia, aumenta o número de espécies da fauna e da flora extintas e de tantas outras que se encontram seriamente ameaçadas pelo impacto das atividades humanas, muitas das quais ainda nem conhecidas ou estudadas pela ciência. Preocupada com a perda da biodiversidade terrestre e com a preservação do patrimônio natural, a Organização das Nações Unidas para Cultura, Ciência e Educação – Unesco –, em conjunto com vários outros organismos internacionais, deu início na década de 1970 a um amplo programa de cooperação científica internacional denominado Programa o Homem e a Biosfera (The Man and the Biosphere Programme – MaB). O objetivo central desse programa, voltado à conservação da biodiversidade, apoia-se principalmente na criação de uma rede mundial de áreas naturais protegidas: as chamadas Reservas da Biosfera. No presente, a prioridade dessas reservas é criar mecanismos e oportunidades para que as populações que vivem no seu interior ou nas suas imediações possam se relacionar de maneira mais equilibrada com o meio natural e, assim, conciliar a relação sociedade-natureza de modo que se apontem os rumos de um futuro sustentável no planeta. Alexandre Cappi/Pulsar

Existem Reservas da Biosfera implantadas em muitos países do mundo, inclusive no Brasil, que tem cinco grandes reservas em seu território: Amazônia Central, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica, incluindo o Cinturão Verde da cidade de São Paulo. Abaixo, paisagem da Reserva Biológica da Serra do Japi, parte do Cinturão Verde de São Paulo, em Jundiaí, em 2014.

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Explorando o tema

Política ambiental no Brasil

Ainda que o ritmo de devastação das paisagens naturais brasileiras tenha ocorrido de maneira intensa, gerando uma série de problemas ambientais, o Brasil possui uma das legislações ambientais mais avançadas do mundo. Essa legislação, que faz parte da Constituição Federal, estabelece o conjunto de direitos e deveres que a sociedade (cidadãos, empresas e governos) tem em relação ao meio ambiente, definindo normas para o uso e a exploração econômica dos recursos naturais. Um grande avanço da legislação ambiental brasileira diz respeito ao estabelecimento de mecanismos por meio dos quais todas as esferas do governo – federal, estadual e municipal – possam criar novas Unidades de Conservação.

E. Cavalcante

Principais Unidades de Conservação no Brasil N O

L

AP

RR

S

Equador

Veja sugestão de texto sobre as unidades de conservação ambiental no Brasil nas Orientações para o professor.

Unidade 10

Essas unidades, demarcadas em áreas que apresentam características naturais e ecológicas relevantes, são criadas pelo poder público com o objetivo de preservar a biodiversidade natural e reduzir ou mesmo evitar o impacto das atividades humanas sobre ecossistemas ainda preservados. Conforme o tipo de manejo e exploração definido para essas áreas, as Unidades de Conservação dividem-se em dois grupos: • Unidades de Proteção Integral: áreas de conservação que têm a finalidade principal de preservar a natureza, com utilização restrita de seus recursos naturais. São exemplos: Parques Nacionais, Reservas Biológicas e Ecológicas e Estações Ecológicas. • Unidades de Uso Sustentável: áreas de conservação que conciliam a conservação da natureza com o uso sustentável de parte dos recursos naturais, mantendo sua biodiversidade e seus recursos renováveis. São exemplos: Florestas Nacionais, Reservas Extrativistas, Áreas de Proteção Ambiental e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (veja o mapa abaixo).

AM CE

MA

PA

RN PB

PI AC RO

SE

TO

BA

MT

Florestas Nacionais Parques Nacionais Reservas Extrativistas Estações Ecológicas Áreas de Proteção Ambiental Reservas Biológicas Áreas de Relevante interesse Ecológico Reservas Ecológicas Corredores Ecológicos OCEANO PACÍFICO

PE AL

DF MG

GO MS

ES

OCEANO ATLÂNTICO

SP RJ Trópico de Capricór nio

PR

SC RS

50° O

420 km

Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. 1 atlas. Escalas variam.

As grandes paisagens naturais da Terra

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5/20/16 7:53 AM


Atividades

Anote as respostas no caderno.

Sistematizando o conhecimento 1. Ecossistema e bioma têm o mesmo significado? Justifique sua resposta. 2. Com relação à cadeia alimentar, dê exemplos de elementos produtores, consumidores e decompositores.

8. Copie o quadro a seguir no caderno e complete-o com as informações que faltam. Realize uma pesquisa, se necessário.

Bioma

Características principais

Exemplo de uma região do mundo com esse bioma

A

Áreas marcadas por chuvas muito escassas e umidade extremamente reduzida.

Gobi, na China.

Estepes e pradarias

B

C

3. Qual é o papel da fotossíntese no complexo sistema de uma cadeia alimentar? 4. Caracterize a interferência humana nos grandes biomas terrestres. Dê exemplos das áreas intensamente devastadas e das áreas mais preservadas. 5. Quais são os domínios morfoclimáticos brasileiros definidos pelo geógrafo Aziz Ab’Sáber? Descreva as principais características de um desses domínios.

Vegetação apresenta aspecto Florestas homogêneo, com boreais ou reduzida coníferas diversidade de espécies.

6. Qual é o objetivo central do programa da Unesco denominado Programa o Homem e a Biosfera (The Man and the Biosphere Programme – MaB)?

E

7. Qual é o objetivo principal da criação das áreas de Reservas da Biosfera?

D

Indonésia, Bornéu e Papua Nova Guiné.

F

Expandindo o conteúdo 9. Observe o gráfico e realize as atividades propostas.

Principais biomas da Terra 400

Floresta tropical Floresta pluvial temperada Floresta sazonal tropical

200

Floresta temperada

Floresta de espinho Savana Arbustos de espinho

100

Taiga Bosque Área úmida Área arbustiva

Deserto Fonte: ODUM, Eugene P.; BARRET, Gary W. Fundamentos de Ecologia. Tradução Pégasus Sistemas e Soluções. São Paulo: Cengage Learning, 2008. p. 433.

244

Tundra

0 40

30

20

10

0

Temperatura média (°C)

–10

–20

E. Cavalcante

Precipitação anual (mm)

300


a ) O que representa a área do gráfico que cada bioma ocupa? b ) Relacione os biomas que ocorrem em uma faixa de maior variação da temperatura média. c ) Com base em uma interpretação cuidadosa do gráfico, relacione a ocorrência de dois biomas com as médias de temperatura e precipitação.

10. Leia os textos a seguir.

A

[...] Historicamente, vários são os fatores responsáveis pela destruição desse bioma: a chegada dos portugueses e a extração do pau-brasil, principal produto da exportação da época e causa dos primeiros desmatamentos; depois vieram os ciclos da cana-de-açúcar e do café; a descoberta do ouro, assim, como outros ciclos econômicos que tiveram como característica a exploração predatória dos recursos naturais e florestais. [...] FUNDAÇÃO SOS Mata Atlântica. União pela fauna da Mata Atlântica. São Caetano do Sul: Hawaii, 2005. p. 13.

B

[...] a maior planície alagável do mundo, com seus mais de 200 mil km 2 (área quase equivalente ao estado de Roraima), 70% deles localizados no Brasil e o restante dividido entre Bolívia e o Paraguai. Essa imensa região permanece inundada metade do ano, em razão da dificuldade do escoamento da água das cheias dos rios por um relevo muito pouco inclinado. Tamanha abundância de água cria um ambiente único no grande leque de ecossistemas do território brasileiro: uma área com enorme variedade de espécies vegetais e animais, ou seja, de alta biodiversidade. [...]

C

Unidade 10

LEITE, Marcelo. Pantanal: mosaico das águas. São Paulo: Ática, 2006. p. 4.

[...] As feições do Bioma são muitas, a vegetação se adaptou a essas variedades [...] uma das áreas mais importantes do mundo em relação à biodiversidade que abriga. Na estação seca, os incêndios naturais alastram-se pela região, mas não alcançam todas as áreas. O problema é que o fogo também é usado pelo homem, para extirpar a vegetação nativa, abrir campos e semear pastagens e culturas como a soja e o algodão [...] LEITE, Marcelo. Brasil: paisagens naturais. São Paulo: Ática, 2007. p. 55.

a ) Identifique o bioma retratado em cada um dos textos e descreva os elementos que você utilizou para chegar a essa conclusão. b ) Nos textos A e C, os autores chamam a atenção para os impactos das atividades humanas nos referidos biomas. Reúna-se com mais um ou dois colegas da sala e identifiquem os trechos que tratam desse assunto. Discutam a degradação do meio ambiente provocada pela ação antrópica e escrevam suas conclusões no caderno, concernentes às perspectivas futuras desses biomas e à conservação desses ecossistemas, assim como da fauna e da flora que abrigam. As grandes paisagens naturais da Terra

245


Ampliando seus conhecimentos Geografia, ciência e cultura

A ação humana vem cada vez mais alterando drasticamente extensas áreas dos grandes biomas terrestres. Uma série de problemas ambientais decorrentes dessas alterações tem se tornado grave em diversos lugares do nosso planeta, como o desmatamento e a poluição atmosférica. Nas últimas décadas, a preocupação crescente com a conservação do meio ambiente vem estimulando muitas pessoas a denunciarem e criticarem ações predatórias ao meio natural e, ao mesmo tempo, divulgarem movimentos em prol da conservação da natureza. Uma das maneiras mais interessantes de manifestação em relação à questão ambiental são as charges, publicadas em jornais, revistas e na internet. A charge é um tipo de texto, algumas vezes verbal, outras vezes não verbal, que expressa opiniões sobre diversos assuntos, sobretudo relacionadas a questões sociais, políticas e ambientais. Na maioria das vezes, as charges transmitem uma carga de humor e ironia. Veja a charge a seguir, produzida pelo cartunista brasileiro Santiago. Santiago

A imagem abaixo destaca a crítica humorística por meio da linguagem de cartum. Como esse recurso permite ao leitor um olhar apurado no sentido do humor, sugerimos que o professor explore o papel informativo e argumentativo dessa charge como forma de estimular o conhecimento de mundo e a intertextualidade, estabelecendo, assim, um diálogo com a linguagem não verbal, assunto abordado na disciplina de Língua Portuguesa.

Problemas ambientais em charges

SANTIAGO. A natureza se defende. Rio de Janeiro: Europa, 1992. p. 111.

246


Planeta Terra: a Terra como você nunca viu

Filme de Aurélio Michiles. Planeta Terra: a Terra como você nunca viu. Inglaterra. 2009

A Geografia no cinema

Por meio de imagens espetaculares e grande riqueza de detalhes, esta coleção de documentários aborda a natureza e a vida selvagem existentes no planeta Terra. Temas como florestas, desertos e regiões polares são contemplados nesta coleção formada por cinco DVDs.

Para assistir

••O CINEASTA da selva. Direção: Aurélio Michiles. Brasil, 1997.

Documentário que conta a história de Silvino Santos, português que se estabeleceu em Manaus no início do século XX e a partir de então produziu vários documentários cinematográficos sobre a Floresta Amazônica.

••ANIMAIS unidos jamais serão vencidos. Direção: Reinhard Klooss e Holger

Tappe, 2010. O filme retrata os problemas enfrentados por um grupo de animais que se veem sem água em razão da construção de uma grande represa em meio à savana africana.

Título: Planet Earth (Planeta Terra): a Terra como você nunca viu Diretor: Aurélio Michiles Ano: 2009 Origem: Inglaterra

Para ler

••FURLAN, Sueli A.; NUCCI, João Carlos. A conservação das florestas tropicais. São Unidade 10

Paulo: Atual, 2004.

••NEIMAN,

Zysman. Era verde? Ecossistemas brasileiros ameaçados. 21. ed. São Paulo: Atual, 2002.

••YOUSSEF,

Maria da Penha B. et al. Atlas dos ambientes brasileiros. São Paulo: Scipione, 2005.

••MYLLER JR.; G. Tyler. Ciência ambiental. Tradução All Tasks. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

••SHIVA, Vandana. Biopirataria: a pilhagem da natureza e do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 2001.

Para navegar

••CONSERVATION

International do Brasil (CI Brasil). Disponível em: <http://tub.im/ a6jjbd>. Acesso em: 16 set. 2015.

••INSTITUTO

Socioambiental (ISA). Disponível em: <http://tub.im/u6iqgh>. Acesso em: 16 set. 2015.

••WORLD Wildlife Fund (WWF). Disponível em: <http://tub.im/onq3m8>. Acesso em: 16 set. 2015.

••BRASIL. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Disponível em: <http://tub.im/zk5ozi>. Acesso em: 16 set. 2015.

••BIBLIOTECA Virtual do Amazonas. Disponível em: <http://tub.im/qn9b9f>. Acesso em: 16 set. 2015.

As grandes paisagens naturais da Terra

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247

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Questões do Enem e Vestibular 1. (PUC-RJ) 2010 – Ano Internacional da Biodiversidade. Em relação ao termo Biodiversidade é correto afirmar que: B. a ) relaciona-se somente à fauna e à flora da zona tropical do planeta, pois nas regiões temperadas não há diversidade. b ) abrange toda a variedade das formas de vida, espécies e ecossistemas em uma região ou em todo o planeta. c ) é restringido às espécies uniformemente distribuídas por toda superfície da Terra, o que só ocorre com a fauna. d ) não se relaciona aos fungos e micro-organismos do meio ambiente, limitando-se às fauna das zonas tropicais. e ) refere-se à fauna, à flora e a pessoas que vivem em harmonia com o meio ambiente, como ameríndios e aborígines. 2. (UFAM-AM) Quanto à taiga siberiana, podemos afirmar que: A. I. Floresta relativamente homogênea, na qual predominam pinheiros. II. É a maior floresta do mundo. III. É denominada, também, de floresta boreal e possui folhas largas (latifoliadas) que regulam o metabolismo da transpiração nos períodos frios. Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s): a ) I e II.

d ) I, II e III.

b ) I e III.

e ) Apenas I.

c ) II e III.

3. (EsPCEx-SP) Sobre domínios naturais e clima, leia as afirmativas abaixo: C.

I. A vegetação mediterrânea apresenta espécies xerófilas e se adapta ao clima caracterizado por verões quentes e secos, sendo típica do norte da Europa e da África;

II. A tundra é uma vegetação típica das áreas polares, onde as temperaturas podem chegar a –35 ºC. A reprodução rápida se limita aos meses da primavera e do verão; III. As florestas equatoriais possuem vegetação perene e latifoliada adaptada ao clima de ele-

Anote as respostas no caderno.

vadas temperaturas e umidade e com pouca amplitude térmica anual; IV. A vegetação desértica, caracterizada pela grande quantidade de herbáceas e de arbustos, como nas savanas, é adaptada ao clima desértico, que possui baixa amplitude térmica diária. Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas. a ) I e II d ) II e IV b ) I e III e ) III e IV c ) II e III

4. (UEL-PR) Nestas áreas os rios geralmente congelam no inverno e com a primavera vem o degelo. A vegetação perde suas folhas no inverno para retornarem na primavera. Quase dois terços da população mundial ocupam estas regiões e com isso as alterações feitas no meio natural foram e continuam sendo significativas. C. Com base nos conhecimentos sobre o tema As Grandes Paisagens Naturais, é correto afirmar que o texto acima corresponde às regiões a ) tropicais. d ) de tundra. b ) intertropicais. e ) equatoriais. c ) temperadas.

5. (UFPA-PA) Sobre as paisagens naturais do mundo e a apropriação dos recursos naturais, é correto afirmar: E. a ) Os biomas tropicais, como a Amazônia no Brasil e a região do Congo na África, são caracterizados pelo clima equatorial quente úmido, solos pobres, vegetação latifoliada e hidrografia complexa. Nesses biomas coexistem atividades predatórias, como a pecuária extensiva e o extrativismo madeireiro, e atividades sustentáveis, como o extrativismo mineral e a pesca artesanal praticados pelas chamadas populações tradicionais. b ) A savana representa um bioma subtropical caracterizado pela alternância de inverno seco e verão chuvoso, vegetação arbustiva e relevo com pequenas ondulações. Essas características têm facilitado a expansão da pecuária extensiva e o cultivo de grãos em alguns países africanos e em regiões como o cerrado brasileiro. O avanço da fronteira

248

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5/19/16 5:49 PM


d ) As regiões cobertas por florestas boreais, como a Taiga siberiana, situadas nas baixas latitudes do hemisfério norte, abrangem o Norte da Europa e da Rússia. Estão sendo exploradas pela indústria de papel e celulose e mais recentemente têm servido à exploração de petróleo. e ) As regiões temperadas estão situadas nas médias latitudes dos hemisférios norte e sul e são caracterizadas por baixas médias térmicas, estações de ano bem definidas e vegetação com pequena variedade de espécies. Essas regiões foram exploradas desde a primeira revolução industrial para a produção de carvão vegetal e mais tarde cederam espaço para campos de cultivo e áreas urbanas.

6. (UEM-PR) Sobre a Serra do Mar e o litoral paranaense, assinale o que for correto. (02), (04) e (08). Total: 14. (01) O Estado do Paraná abriga, no seu trecho da Serra do Mar, cerca de 80% de toda a área remanescente de Mata Atlântica no Brasil. (02) Grande parte do litoral e da Serra do Mar, no Estado do Paraná, é protegida pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação. (04) No período colonial, Paranaguá se destacou economicamente pela atividade portuária e pela centralização de toda a atividade referente ao ouro na Capitania. (08) A área de influência do Porto de Paranaguá ultrapassa as fronteiras do Brasil. Ele opera cargas que são oriundas ou destinadas a outros países da América do Sul.

7. (UFT-TO) Observe os mapas abaixo:

D.

2 055 km

Analisando os mapas onde estão representados os biomas brasileiros é CORRETO afirmar que os conjuntos de biomas estão relacionados da seguinte forma: a ) floresta de araucária, ama zônica, mata atlântica, caatinga, pampas, costeiros. b ) floresta amazônica, mata atlântica, agreste, zona cacaueira, costeiros, mangues. c ) agreste, mata atlântica, Floresta amazônica, mangues, cerrado, pampas. d ) floresta amazônica, de araucária, caatinga, zona dos cocais, cerrado, mata atlântica. e ) caatinga, zona dos cocais, cerrado, mata atlântica, Floresta amazônica, zona cacaueira.

8. (USP-SP) Conforme proposta do geógrafo Aziz Ab’Sáber, existem, no Brasil, seis domínios morfoclimáticos. Assinale a alternativa correta sobre o Domínio Morfoclimático das Araucárias. A. a ) A urbanização e a exploração madeireira pelas indústrias da construção civil e do setor moveleiro tiveram papel central na redução de sua vegetação original. As grandes paisagens naturais da Terra

249

Unidade 10

c ) As regiões desérticas são caracterizadas pelo clima árido com baixo índice de chuvas, solos pobres, vegetação xerófita e rios intermitentes. Algumas dessas regiões, a exemplo do Oriente Médio e Norte da África, antes desvalorizadas, estão sendo apropriadas em função das descobertas de enormes reservas de petróleo, expansão da agropecuária irrigada e indústria automobilística.

(16) A expansão planejada dos núcleos urbanos no litoral, associada à implantação de sistemas de coleta e tratamento de esgoto, tem contribuído para a preservação dos ambientes de mangue.

Renan Fonseca

agropecuária sobre esse tipo de bioma tem intensificado o desmatamento, o empobrecimento do solo e o assoreamento dos rios.


b ) O manejo sustentável permitiu a expansão de parreirais em associação com a mata de araucária remanescente, na faixa litorânea. c ) As araucárias recobriam as planícies da Campanha Gaúcha no sul do país, tendo sido dizimadas para dar lugar à avicultura e à ovinocultura. d ) A prática da silvicultura possibilitou a expansão desse domínio morfoclimático para a porção oeste do Planalto Ocidental Paulista. e ) A expansão do processo de arenização no sul do país provocou a devastação da cobertura original de araucária.

9. (UEL-PR) Atualmente é difícil falar em domínios morfoclimáticos sem perceber que eles vêm sofrendo descaracterizações profundas ao longo dos anos pela ação antrópica. O domínio que abrange os estados de SP, MG, ES e RJ foi o mais atingido por essas transformações. É correto afirmar que esse domínio abrange: C. a ) Terras baixas com florestas equatoriais. b ) Planaltos subtropicais com araucárias. c ) Mares de Morros. d ) Chapadões com florestas de galerias. e ) Coxilhas e florestas de araucárias.

10. (UEL-PR) No momento em que descreveu a vegetação, Aimé viajava pelo Peru. Sobre os aspectos fisico-naturais dessa região, é correto afirmar: D. a ) O Peru não possui domínio morfoclimático similar ao do Brasil. b ) O domínio morfoclimático que ele descreve é similar ao que conhecemos por cerrado. c ) A área descrita é ficção, não podendo ser caracterizada como um domínio morfoclimático. d ) O domínio morfoclimático que ele descreve é o mesmo que conhecemos por amazônico. e ) Buganvílias são espécies encontradas somente na Europa. 11. (UFRJ-RJ) A vegetação natural de uma área é a expressão das características do solo, relevo e clima, e das interações entre esses elementos ao longo do tempo. Leia as afirmativas I, II e III, que descrevem os tipos de vegetação do Brasil. D.

250

I. É uma floresta densa e intrincada, as plantas crescem muito próximas umas das outras, e é comum a ocorrência de plantas parasitas. Desenvolve-se em região de clima quente e úmido. II. Constitui-se basicamente por vegetação arbustiva e herbácea. Desenvolve-se em clima tropical semiúmido. III. Predominam as espécies lenhosas e herbáceas, de pequeno por te, geralmente dotadas de espinhos. Desenvolve-se em área de clima semiárido. Assinale a única alternativa que contém todas as formações vegetais descritas: a ) I. Mata Atlântica, II. Caatinga e III. Mata de Araucária. b ) I. Pantanal, II. Cerrado e III. Floresta Amazônica. c ) I. Floresta Amazônica, II. Caatinga e III. Mata de Araucária. d ) I. Floresta Amazônica, II. Cerrado e III. Caatinga. e ) I. Mata de Araucária, II. Pantanal e III. Mangue.

12. (CEFET-PB) Devido a sua grande extensão territorial, o Brasil apresenta uma grande variedade de paisagens. Sobre as formações vegetais, suas características e utilização econômica, é CORRETO afirmar que: B. a ) o cerrado é uma formação vegetal que recobre a planície do pantanal Mato-Grossense e constitui-se em importante área de criação de gado e extrativismo vegetal. b ) a Mata Atlântica é uma formação vegetal exposta à umidade das massas de ar oceâ­ nicas, que sofreu primeiramente, a extração do Pau-Brasil e, posteriormente, a introdução da agroindústria da cana-de-açúcar. c ) o complexo do Pantanal localiza-se na região de clima semiárido e caracteriza-se pela vegetação arbórea. d ) a floresta equatorial, que recobre 40% do território brasileiro, caracteriza-se pela vegetação quase campestre, o que facilita sua utilização pela pecuária extensiva. e ) o domínio da caatinga possui espécies vegetais que apresentam adaptações a um ambiente de alta unidade atmosférica.


13. (CEFET-SP) A caatinga é o domínio morfoclimático brasileiro que apresenta, entre outras, as seguintes características: C. a ) extensa planície entrecortada por planaltos, solos profundos e escassez de chuvas. b ) presença de serras e chapadas cristalinas, solos humosos e rios de grande extensão. c ) existência de depressões e chapadas, solos rasos e pedregosos e rios intermitentes. d ) predomínio de chapadas e chapadões, solos ácidos e pouco férteis e rios intermitentes. e ) presença de mares de morros entrecortados por rios perenes e solos rasos e argilosos. 14. (UPM-SP) 35

600

30

500

25

400

20

300

15

200

10 5

100 0

jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez

(08) A devastação da Mata das Araucárias teve início com a colonização alemã e italiana, ainda no século XIX. Os colonos utilizavam a madeira para construção de casas e móveis e também desmatavam pequenos trechos para a prática da policultura de alimentos.

0

Meses

II

P (mm)

T (°C)

700

35

600

30

500

25

400

20

300

15

200

10

100

5

0

jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez

(16) Atualmente, a indústria madeireira instalada no Paraná, que dependia das Matas de Araucárias para seu suprimento de matérias-primas, alimenta-se sobretudo de florestas plantadas de pínus e eucalipto.

0

Meses P (mm)

T (°C)

700

35

600

30

500

25

400

20

300

15

200

10

100

5

0

jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez

0

Ilustrações: Gilberto Alicio

III

(02) Os capões de araucárias, manchas florestadas que assumem a forma circular, são originados pela ação da gralha-azul, ave da família dos corvídeos que transporta os pinhões, contribuindo com sua semeadura nas áreas campestres. (04) Na área onde ocorre a Mata das Araucárias, as condições climáticas, principalmente a amplitude térmica anual relativamente elevada, funcionam como fatores limitantes. Por isso a biodiversidade nesse ecossistema é menor do que nas florestas tropicais e equatoriais.

T (°C)

P (mm) 700

(16). Total: 30.

(01) O pinheiro, árvore símbolo do domínio das Araucárias, só se desenvolve no Paraná, não sendo encontrado em nenhum outro Estado. Altitude e características físicas do solo justificam a sua adaptação ao território paranaense.

Meses

No Brasil, os climogramas, caracterizados anteriormente, identificam, respectivamente, os domínios morfoclimáticos: D. a ) Amazônico, das Araucárias e das Pradarias. b ) da Caatinga, das Araucárias e Amazônico. c ) do Cerrado, Amazônico e das Araucárias. d ) do Cerrado, das Araucárias e Amazônico. e ) Amazônico, da Caatinga e das Pradarias.

16. (PUC-RS) Embora seja o segundo bioma mais ameaçado do planeta, grande parte da população brasileira vive neste espaço. Alguns estudiosos apontam que resta hoje menos de 8% do bioma original, em cuja faixa de abrangência se formaram as primeiras aglomerações urbanas, os polos industriais e as metrópoles. A. O bioma a que se refere o texto anterior é: a ) a Mata Atlântica. b ) a Caatinga. c ) o Pantanal. d ) a Mata de Cocais. e ) a Floresta Equatorial. As grandes paisagens naturais da Terra

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Unidade 10

I

15. (UEM-PR) No que se refere à Mata das Araucárias, formação vegetal típica do Paraná, assinale o que for correto. (02), (04), (08) e

251

5/20/16 7:56 AM


Noções espaciais

unidade

unidade

Respostas

Questões do Enem e Vestibular Estruturas geológicas e o relevo terrestre

1. B.

9. A.

1. A.

2. A.

10. E.

2. B.

3. A.

11. A.

3. (01) e (04). Total: 05.

4. (02), (04), (08) e (16).

12. B.

4. (02), (08) e (16). Total: 26.

13. B.

5. a ) As rochas metamórficas resultam da ação dos pro-

Total: 30.

5. D. 6. E.

15. E.

7. D.

16. D.

8. C. unidade

cessos diagenéticos, ou seja, elevadas pressões e temperaturas, que ocorrem em grandes profundidades na crosta terrestre. As rochas ígneas e sedimentares podem dar origem às rochas metamórficas quando soterradas ou cobertas, quando são submetidas às elevadas pressões e temperatura.

14. E.

A Cartografia e suas linguagens

b ) É formado devido ao soterramento de restos orgânicos (florestas) em áreas rebaixadas, que permitem a lenta acumulação destes sedimentos. Após a acumulação e soterramento, o material orgânico sofre processos diagenéticos (elevadas temperatura e pressão). O carvão mineral pode ser classificado de acordo com seu tempo de formação, do mais recente ao mais antigo: turfa, linhito, hulha e antracito.

1. D.

10. E.

2. E.

11. B.

3. C.

12. E.

4. C.

13. E.

6. (02), (08) e (16). Total: 26.

5. E.

14. C.

7. C.

6. B.

15. C.

8. a ) A classificação do relevo brasileiro segundo Jurandyr

7. C.

16. D.

8. B.

17. C.

Ross considera três tipos de relevo: os planaltos, que são formas residuais do intenso processo erosivo sobre o território e recobrem a maior parte da estrutura geológica do país; as depressões, que se constituem como bordas dos planaltos e, portanto, mais rebaixadas que estes; e as planícies, constituí­d as de rochas diferentes das outras unidades e cujo processo de sedimentação supera o de erosão.

unidade

9. A.

A evolução da Cartografia 4. E.

2. D.

5. C.

3. D.

6. C.

unidade

1. B.

A litosfera e a dinâmica do relevo

9. C.

1. C.

11. B.

10. B.

2. A. (01), (04) e (08).

12. A.

11. A.

13. E.

12. A.

14. E.

13. C.

15. B.

14. D.

16. A.

15. C.

17. A.

16. A.

Total: 13.

3. B. 4. D. 5. A. 6. D. 7. B. 8. D. 9. D. 10. C.

252

b ) O relevo determina a ocupação e a organização do espaço urbano, permitindo que seu planejamento otimize a vida urbana. Sua análise deve ser considerada para a ocupação de fundos de vale, sujeitos às inundações, como as ocorridas recentemente em Santa Catarina; na ocupação das áreas de encostas, que estão sujeitas ao processo de desmoronamento, como no caso do Rio de Janeiro.

18. A. 19. D. 20. C.


1. D.

10. A.

2. C.

11. A.

3. C.

12. B.

4. E.

13. C.

5. A.

14. E.

6. D.

15. B.

7. A.

16. B.

8. C.

17. A.

unidade

9. A.

unidade

unidade

Hidrosfera e a dinâmica das águas continentais

Os climas da Terra

1. D. 2. D. 3. C. 4. B. 5. C. 6. B. 7. D. 8. D. 9. E. 10. A. 11. B.

As águas oceânicas

12. E.

1. 05.

13. C.

2. B.

14. C.

3. E.

15. E.

4. (01), (02), (04), (08) e (16). Total: 31.

16. B.

unidade

5. A. 6. A. 7. A.

As grandes paisagens naturais da Terra

8. C.

1. B.

9. E.

2. A.

10. C.

3. C.

11. D.

4. C.

12. A.

5. E.

13. (01), (02), (04) e (08). Total: 15.

6. (02), (04) e (08). Total: 14.

14. C.

7. D.

unidade

8. A.

Atmosfera, tempo e clima

1. (04) e (08). Total: 12.

10. D.

2. B.

11. (01), (04) e (16). Total: 21.

3. A.

12. E.

4. A.

13. B.

5. B.

14. A.

6. (01), (02) e (16). Total: 19.

15. A.

7. A.

16. A.

8. C.

17. A.

9. C. 10. D. 11. D. 12. B. 13. C. 14. D. 15. (02), (04), (08) e (16). Total: 30. 16. A.

9. D.

253


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Lista de siglas CEFET-BA Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia

UESC-BA

Universidade Estadual de Santa Cruz

CEFET-GO Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás

UESPI-PI

Universidade Estadual do Piauí

CEFET-MG Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais

UFAL-AL

Universidade Federal de Alagoas

CEFET-PB Paraíba

Centro Federal de Educação Tecnológica da

CEFET-SP São Paulo

Centro Federal de Educação Tecnológica de

Cesgranrio-RJ Centro de Seleção de Candidatos ao Ensino Superior do Grande Rio ENEM-MEC

Exame Nacional do Ensino Médio

EsPCEx-SP

Escola Preparatória de Cadetes do Exército Faculdade de Tecnologia de São Paulo

FATEC-SP

Fundação Educacional Jayme de Altavila

FEJAL-AL FGV-RJ

Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro

FGV-SP

Fundação Getulio Vargas de São Paulo

FURG-RS Fundação Universidade Federal do Rio Grande do Sul Fundação Universitária para o Vestibular

Fuvest-SP

IFBA-BA Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia IFCE-CE Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará PUC-CAMPINAS Pontifícia Universidade Católica de Campinas PUC-MG

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

PUC-RJ

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

PUC-RS Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Universidade Federal do Amazonas

UFAM-AM

Universidade Federal da Bahia

UFBA-BA UFC-CE

Universidade Federal do Ceará

UFF-RJ

Universidade Federal Fluminense

UFG-GO

Universidade Federal de Goiás

UFJF-MG

Universidade Federal de Juiz de Fora

UFLA-MG

Universidade Federal de Lavras

UFMG-MG

Universidade Federal de Minas Gerais

UFMS-MS

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

UFPA-PA

Universidade Federal do Pará

UFPB-PB

Universidade Federal da Paraíba

UFPE-PE

Universidade Federal de Pernambuco Universidade Federal de Pelotas

UFPEL-RS

Universidade Federal do Piauí

UFPI-PI

Universidade Federal do Paraná

UFPR-PR

Universidade Federal do Rio de Janeiro

UFRJ-RJ UFRR-RR

Universidade Federal de Roraima

UFSM-RS

Universidade Federal de Santa Maria

UFSJ-MG

Universidade Federal de São João del-Rei

UFT-TO

Universidade Federal de Tocantins Universidade Federal de Uberlândia

PUC-SP

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

UFU-MG

UCS-RS

Universidade de Caxias do Sul

ULBRA-RS

UDESC-SC

Universidade do Estado de Santa Catarina

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

UFRGS-RS

Universidade Luterana do Brasil

UNEMAT-MT

Universidade do Estado do Mato Grosso Universidade Estadual de Campinas

UEAL-AL

Universidade Estadual de Alagoas

Unicamp-SP

UECE-CE

Universidade Estadual do Ceará

UNIFEI-MG

Universidade Federal de Itajubá

UEG-GO

Universidade Estadual de Goiás

UNIFESP-SP

Universidade Federal de São Paulo

UEL-PR

Universidade Estadual de Londrina

Unioeste-PR

Universidade Estadual do Oeste do Paraná

UEM-PR

Universidade Estadual de Maringá

UNIRIO-RJ Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

UEPG-PR

Universidade Estadual de Ponta Grossa

UPM-SP

UERJ-RJ

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

USP-SP

UESB-BA

Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

UTFPR-PR

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Universidade Presbiteriana Mackenzie Universidade de São Paulo Universidade Tecnológica Federal do Paraná

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