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Você EDUCA de ACORDO com o que ADORA


Filipe Fontes

“Você EDUCA de ACORDO com o que ADORA: Educação tem tudo a ver com religião”


F683v

Fontes, Filipe Costa Você educa de acordo com o que adora : educação tem tudo a ver com religião! / [Filipe Fontes]. – São José dos Campos, SP: Fiel, 2017. 50 p. ISBN 9788581323985 1. Educação cristã de crianças. 2. Educação - Aspectos religiosos - Cristianismo. I. Título. CDD: 268.432

Catalogação na publicação: Mariana C. de Melo Pedrosa – CRB07/6477 VOCÊ EDUCA DE ACORDO COM O QUE ADORA: educação tem tudo a ver com religião Por Filipe Fontes Copyright © 2017 Editora Fiel

1ª Edição em Português: 2017 Livro produzido em parceria com a Associação Internacional de Escolas Cristãs e com o Sistema Mackenzie de Ensino Caixa Postal 1601 CEP: 12230-971 São José dos Campos, SP PABX: (12) 3919-9999 www.editorafiel.com.br

Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Fiel da Missão Evangélica Literária Proibida a reprodução deste livro por quaisquer meios, sem a permissão escrita dos editores, salvo em breves citações, com indicação da fonte.

Diretor: James Richard Denham III. Editor: Tiago J. Santos Filho Diagramação: Rubner Durais Capa: Wirley Corrêa ISBN: 978-85-8132-398-5


SUMÁRIO

Apresentação (Mauro Meister)..........................................................7 Prefácio do autor.................................................................................9 Introdução..........................................................................................13 1. A crítica da crítica.......................................................................17 1.1. O conceito de religião.........................................................20 2. Educação e religião em Deuteronômio 6.1-9..........................27 3. Dois exemplos práticos..............................................................35 3.1. Na abordagem do conteúdo...............................................35 3.2. Nas relações interpessoais no ambiente escolar..............40 Conclusão...........................................................................................43


APRESENTAÇÃO

É comum ouvir que a distinção entre educação cristã e educação secular seja o ambiente ou o propósito desta educação. Logo, muitos pensam que educação cristã é aquela que acontece no ambiente da igreja com propósitos puramente religiosos. A educação secular seria aquela que acontece fora da esfera da igreja e com propósitos que não envolvem qualquer aspecto religioso. De maneira bem direta, pensam que educação cristã é o que acontece na Escola Dominical e a educação secular acontece nas outras escolas. Se você pensa assim, precisa ler este livro! O professor Filipe demonstra neste breve texto que esta divisão não tem fundamento bíblico ou filosófico, a começar do fato que “a educação é, por natureza, um em-


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preendimento religioso”. Isto implica que, nem mesmo aquela educação que chamamos de secular, deixa de ser religiosa na sua raiz, essência e propósitos, mesmo que fora da esfera da igreja. Assim, recomendo a cuidadosa leitura para todos aqueles que precisam de uma apresentação ao conceito pleno de uma educação escolar cristã. O texto servirá para despertar os desapercebidos, sejam pais de alunos, professores e líderes religiosos que ainda imaginam que a educação é neutra e não carrega ideias e conceitos religiosos, não importa onde ela seja ministrada. A Associação Internacional de Escolas Cristãs (ACSI) e o Sistema Mackenzie de Ensino (SME), em parceria com a Editora Fiel, trazem o texto ao público brasileiro na esperança de que nossa terra veja dias mais justos no seu futuro por meio da educação escolar cristã bem refletida e executada. Mauro Meister Diretor Executivo da ACSI Assessor Teológico Filosófico do SME

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PREFÁCIO DO AUTOR

Você educa de acordo com o que adora nasceu como uma palestra ministrada em encontros do núcleo Brasil da ACSI (Associação Internacional de Escolas Cristãs). Depois de três ministrações diferentes e alguns aprimoramentos, por incentivo do Dr. Mauro Fernando Meister, presidente da ACSI Brasil, ela foi transformada no texto que agora você tem em mãos. Para manter a estrutura e a fluência originais, optei por apresentar o texto sem citações diretas. Obviamente, ele é original. Mas isso está longe de significar que cada uma de suas ideias também o sejam. Neste particular sou devedor de muita gente. O título é uma adaptação declarada do livro do Dr. Greg Beale, publicado pela Editora Vida Nova: Você


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se Torna Aquilo que Adora. A proposta de redefinição do conceito de religião deve muito à apologética pressuposicionalista e ao movimento neocalvinista holandês, que conheci através do contato com os professores Davi Charles Gomes e Fabiano de Almeida Oliveira, respectivamente. Certamente, há significativas contribuições deles em minha apropriação e uso deste conceito. Se você quiser se aprofundar neste assunto, um tratamento mais detalhado pode ser encontrado no texto Diagnosticando os sintomas de nosso tempo: Parte 1 – Um ensaio crítico sobre os ídolos da modernidade, do professor Fabiano, publicado no volume 2, de 2011, da Revista Fides Reformata. O argumento de que a história das religiões evidencia que a definição mais comum de religião na atualidade não corresponde aos fatos da realidade, eu devo a uma palestra do Pr. Guilherme de Carvalho sobre idolatria na modernidade, cujo título não consegui recuperar antes desta publicação. Já minhas percepções sobre Deuteronômio 6 – passagem bíblica usada para fundamentar a tese defendida no texto – foram refinadas em conversas com o professor Tarcízio José de Freitas Carvalho, meu colega no Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, que possui formação na área de Antigo Testamento. A todos eles ex10


PREFÁCIO DO AUTOR

presso minha gratidão, assumindo a responsabilidade por qualquer imprecisão no uso das ideias que lhes pertencem. Agradeço também ao amigo Wellington Castanha de Oliveira pela leitura do manuscrito e pelas sugestões, que tornaram o texto mais acessível e mais agradável. Minha expectativa, ao tornar pública esta versão escrita da palestra, é auxiliar os educadores cristãos na compreensão da natureza fundamentalmente religiosa da educação. Acredito que essa compreensão pode, por um lado, ajudá-los a lidar com uma crítica comumente sofrida pelo engajamento no projeto de educação cristã escolar – a de tentar unir duas coisas que deveriam permanecer separadas: educação e religião. Por outro, estimulá-los, tanto a este engajamento quanto a uma vivência religiosa que impacte a sua atividade pedagógica. Esta última é minha expectativa maior. Se, de alguma forma, este texto ajudar pessoas a amarem a Deus, eu me darei por satisfeito!

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INTRODUÇÃO

Há alguns anos tenho participado ativamente do projeto de educação cristã escolar no Brasil. Durante este tempo, tenho visto este projeto crescer e atrair a simpatia de muitas pessoas. Mas também o tenho visto sofrer algumas críticas. Talvez a mais frequente seja a da tentativa de forçar a união de duas coisas que deveriam permanecer separadas: educação e religião. A crítica, propriamente, não me causa incômodo. Mas dois fatores relacionados a ela, sim. O primeiro é que, não poucas vezes, ela é feita por cristãos, que deveriam estar conscientes de que a educação é, por natureza, um empreendimento religioso. Uma das crenças básicas do cristianismo é a de que o mundo e o homem foram


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criados por Deus (Gênesis 1.1, 26-28). E uma das implicações básicas dessa crença é a de que existe uma relação necessária, tanto entre Deus e o mundo (Salmo 19.1-7; Salmo 24.1-2; Hebreus1.3), quanto entre Deus e o homem (Gênesis 2.3; Romanos 1.18-32; Romanos 2.14-16). O homem e o mundo existem coram Deo [diante de Deus]. À luz desse pressuposto é inconcebível pensar que qualquer aspecto da vida e do mundo possa se desenvolver à parte de uma relação com Deus, ou seja, de forma não religiosa. O segundo fator é que ela costuma colocar dúvidas na mente de muitas pessoas e desestimular algumas das que estão engajadas no projeto. Os educadores não cristãos costumam se ver como pessoas que exercem a atividade pedagógica de modo neutro, pelo menos em relação à religião, e acusam os educadores cristãos de não manterem essa neutralidade desejável. Essa visão possui certo peso cultural, e leva muitos educadores cristãos a questionarem a validade do projeto de educação cristã escolar, e a sentirem-se desestimulados quanto ao engajamento nele, à medida em que são obrigados a justificá-lo constantemente. Foram esses dois fatores que mais estimularam este texto. Ele é dirigido a interessados em educação em ge14


INTRODUÇÃO

ral, mas principalmente, àqueles que se valem da crítica anteriormente mencionada contra o projeto de educação cristã escolar, e aos que estão engajados neste projeto. Seu objetivo é propor uma reflexão sobre a relação entre educação e religião. E sua expectativa é dupla. De um lado, esperamos que os críticos, principalmente os cristãos, encontrem uma oportunidade para criticarem a sua própria posição. Utilizamos o termo crítica aqui, em seu sentido original, que ao contrário do uso atual mais comum, não é questionar um pensamento divergente, mas, principalmente, tomar consciência das condições [pressupostos] que possibilitam o nosso próprio pensamento. De outro lado, esperamos que aqueles que estão engajados no projeto de educação cristã escolar encontrem neste texto conforto epistêmico [teórico, racional] e estímulo para se manterem nele. O texto foi estruturado em três partes. Na primeira, propomos uma crítica da crítica. Procuramos mostrar que a crítica mais frequente ao projeto de educação cristã escolar se fundamenta numa definição inadequada do conceito de religião. Na segunda, fundamentamos biblicamente a tese defendida na primeira parte: a de que a relação entre 15


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educação e religião não é facultativa, mas necessária. Na terceira e última parte, oferecemos dois exemplos práticos da relação necessária entre educação e religião.

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CAPÍTULO 1

A CRÍTICA DA CRÍTICA

Como afirmamos anteriormente, uma das críticas que o projeto de educação cristã escolar sofre, com frequência, é a de que ele procura unir duas coisas que deveriam permanecer separadas: educação e religião. Algumas vezes, essa crítica é feita por pessoas que acreditam na possibilidade de uma educação neutra, ou seja, que é possível planejar e fazer educação sem qualquer influência de outras dimensões da vida humana, tais como a política, a economia, a cultura e a religião, por exemplo. Não pretendemos gastar muito tempo com essa postura. Ela é anacrônica e revela o quanto as discussões acadêmicas podem estar distantes da vida cotidiana. No cenário acadêmico atual, com boas razões, a possibilidade de uma educação neutra é, não apenas


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amplamente questionada, mas, de certa forma, ridicularizada até, quando descrita como postura ingênua. Outras vezes, porém, a crítica é feita por pessoas que estão conscientes da impossibilidade de uma educação neutra. Os educadores mais antenados – aqueles que costumam acompanhar as últimas discussões acadêmicas – assumem facilmente que existe uma relação necessária entre a educação e várias dimensões da existência humana. Eles afirmam com facilidade, por exemplo, que existe uma relação necessária entre educação e cultura. Ninguém encontra resistência por afirmar que a cultura de uma determinada pessoa ou grupo interfere no modo como estes educam. E nem por afirmar o contrário: que a educação é um instrumento de construção da cultura de uma pessoa ou grupo. Eles também afirmam com facilidade que existe uma relação necessária entre educação e política. É senso comum, no ambiente acadêmico atual, não apenas que os diferentes modelos de educação veiculam diferentes ideias políticas, mas também que a educação contribui para a formação da postura política das pessoas. Semelhantemente, esses educadores afirmam, sem grandes dificuldades, que existe uma relação necessária entre educação e economia. Discutem 18


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frequentemente o quanto a situação econômica dos indivíduos e, mais especificamente, as circunstâncias advindas desta situação, interferem em seu aprendizado. Ao mesmo tempo, afirmam de maneira convicta que o desenvolvimento econômico é um dos resultados esperados da educação. O curioso é que, apesar de afirmar com tanta facilidade que existe uma relação necessária entre educação e diferentes dimensões da vida humana, como a cultura, a política e a economia, por exemplo, no ambiente acadêmico contemporâneo, pouco ou nada se fala sobre a existência de uma relação necessária entre educação e religião. Na verdade, se a necessidade desta relação fosse afirmada, muitos educadores esbravejariam algo do tipo: educação não tem nada a ver com religião! Outros, embora não esbravejassem, fariam questão de se pronunciar, escanteando o assunto: Isso é conversa para religioso! E, talvez, a maioria silenciasse, como quem ignora a relevância da discussão. O fato é que a necessidade da relação entre educação e religião é uma questão que costuma ser ignorada, quando não rejeitada. Temos uma suspeita sobre a razão mais fundamental pela qual isso acontece. Para nós, essa rejeição – teórica ou prática – possui natureza ideológica e tem como finalidade 19


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última afastar o cristianismo da esfera pública; das discussões que impactam o projeto pedagógico contemporâneo. Comprovar essa suspeita é uma tarefa importante, mas nesse breve texto daremos apenas um primeiro passo. Queremos trabalhar com as razões mais imediatas e não com as razões mais profundas; lidar com o argumento e não com a motivação. A questão posta neste texto é: como os educadores, apesar de afirmarem a existência de uma relação necessária entre a educação e várias dimensões da vida humana, conseguem negar a existência de uma relação necessária entre educação e religião? Que artimanha teórica (consciente ou não) permite que isso aconteça? É o que veremos a seguir.

1.1. O CONCEITO DE RELIGIÃO A razão pela qual, mesmo afirmando a existência de uma relação necessária entre a educação e várias dimensões da vida humana, os educadores em geral conseguem negar que exista uma relação necessária entre educação e religião é porque eles definem religião de maneira equivocada, ou, no mínimo, superficial. Esta não é uma exclusividade dos educadores. A maioria das pessoas, muitos de nós inclusive, define religião desta maneira. 20


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Imagine que alguém fosse solicitado a definir um indivíduo religioso. Ele não encontraria resistência, se o definisse como: alguém que crê na existência de um Deus pessoal que criou o universo e, então, procura se relacionar com esse Deus, através do conhecimento de um texto sagrado, de orações, da participação em determinados rituais, do convívio comunitário, etc. Ou então, como alguém que crê na existência de um mundo espiritual habitado por espíritos desencarnados, e que o mundo físico é o ambiente no qual esses espíritos, temporariamente encarnados, pagam por seus próprios erros, aperfeiçoando-se gradativamente, e, portanto, envolve-se de corpo e alma com a prática de boas obras em serviços sociais. Ou, finalmente, como alguém que sustenta a existência de uma força superior impessoal – uma espécie de harmonia universal – da qual o homem participa pelo contato com determinados elementos da natureza, e, por isso, se dedica incansavelmente a conhecer e a organizar a sua vida em torno do eventual impacto de cada um desses elementos naturais. Mas, se ele definisse o indivíduo religioso com a imagem de um professor universitário materialista, que sustenta que o conhecimento racional do mundo é o caminho 21


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definitivo para a experiência de valor e reconhecimento, e, por isso, dedica todo o seu tempo, recursos e energia no projeto de tornar-se culto; ou a de um indivíduo que entende que a segurança de um homem é derivada dos bens que possui, e, portanto, sente-se seguro quando visualiza os rendimentos de seus investimentos em seu extrato bancário, na tela do computador; possivelmente, ele encontraria resistência. A razão pela qual as primeiras imagens tendem a ser mais facilmente aceitas como definição de um homem religioso do que as últimas é que elas se assemelham no critério que costumamos usar para definir religião: o objeto com o qual o indivíduo estabelece uma relação. Em geral, costumamos definir religião como a crença e a devoção a um objeto transcendente, ou seja, que está além da realidade concreta. No entanto, quando consideramos o estudo das religiões enquanto manifestação social, aprendemos que, ao longo da história da humanidade, não apenas objetos transcendentes, mas também objetos imanentes – aqueles que são parte da realidade concreta – têm sido alvo de crença e devoção religiosas. Historicamente, muitos 22


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grupos humanos depositaram sua confiança e se devotaram a elementos da natureza, como os astros celestes, por exemplo: o sol, a lua e as estrelas, o que acontece ainda hoje em algumas tribos indígenas. Outros grupos humanos trataram determinados animais como objetos sagrados. Isso aconteceu no Egito Antigo, e, atualmente continua acontecendo em determinados ramos do hinduísmo. Finalmente, outros grupos humanos costumavam reconhecer alguns homens, ou funções particulares exercidas por eles, como dignos de confiança e devoção. Foi o que aconteceu na Roma Antiga, onde o imperador era adorado e servido como alguém que desfrutava da natureza divina. O que esses exemplos mostram é que definir religião como uma relação com objetos exclusivamente transcendentes não é adequado. A religião é uma relação que, historicamente, tem envolvido qualquer objeto, seja ele transcendente ou imanente. Como, então, é possível definir religião de modo mais adequado? Pelo tipo de relação que o indivíduo estabelece com um determinado objeto, independente de qual seja. O que há de comum entre todas as imagens de religião 23


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apresentadas no texto, até aqui, é que todas apresentam o homem em sua relação mais fundamental, sua relação com o absoluto. Religião é a relação de confiança e devoção estabelecida por um indivíduo ou grupo com um determinado objeto, da qual este indivíduo ou grupo esperam obter as respostas finais sobre: sentido, significado, valor, reconhecimento, prazer, segurança, etc. Retornemos à situação imaginária do início deste tópico. Quanto ao objeto, há diferença entre o indivíduo que crê na existência de um Deus pessoal e se devota a Ele, e um materialista que rejeita a existência de Deus e, por entender que valor e segurança são derivados do conhecimento racional, dedica-se inteiramente a esta experiência do mundo. O primeiro está envolvido numa relação com um objeto transcendente, enquanto o segundo está envolvido numa relação com um objeto imanente. No entanto, quanto ao tipo de relação, não há qualquer distinção entre eles. Tanto o primeiro, quanto o segundo creem e se devotam. O primeiro se devota a Deus, e faz isso porque crê que ele é a fonte de sentido, segurança e realização. O segundo se devota ao conhecimento, e faz isso porque crê que conhecer é o que lhe garante 24


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todas estas coisas. Da mesma forma, podemos dizer que a relação que um indivíduo tem com o dinheiro, quando experimenta segurança depois de consultar o alto rendimento de seus investimentos financeiros, quanto ao tipo, é semelhante à do homem que experimenta segurança depois de ter participado de uma reunião de oração. Eles têm objetos diferentes, mas ambos estão envolvidos em uma relação de natureza religiosa. Se é verdade que esta é a definição mais adequada de religião – como os seus estudos acadêmicos enquanto fenômeno social parecem mostrar – também é verdade que a crítica mais frequente ao projeto de educação cristã é inadequada. Pois, esta redefinição de religião possui, pelo menos, duas implicações: a primeira é que, a partir dela, a religião passa a ser vista não como uma experiência de algumas pessoas, mas como uma experiência comum a todos os seres humanos. A segunda é que, sendo ela compreendida como a relação da qual obtemos as respostas fundamentais da nossa existência, passa a ser vista como aquela que dirige a nossa experiência do mundo como um todo, incluindo o modo como fazemos educação. Em outras palavras: à luz desta definição, a relação entre religião 25


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e educação não é uma relação facultativa, mas uma relação necessária. Consequentemente, o projeto de educação cristã escolar, longe de estar tentando unir duas coisas que deveriam permanecer separadas, está simplesmente reconhecendo que elas sempre estiveram juntas. Educação jamais se separa de religião.

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