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solteira mais longo do que o imaginado, mais uma responsabilidade amontoada em uma pilha de pratos que já parece ter um quilômetro de altura, e a sombria perspectiva de haver décadas de tarefas acumuladas à sua frente: infinitas pilhas de roupas sujas, louça para lavar, chão empoeirado e narizes escorrendo; todas as situações que a fazem se sentir sobrecarregada. Nossa tendência, como seres humanos, é nos perguntar: “Quais passos devo dar para fazer isso funcionar ou para fazer o problema desaparecer?”. A prova disso está nas páginas — páginas da internet sobre como se tornar mais competitivo no mercado (seja o mercado de trabalho, seja o de encontros pessoais). Nas prateleiras das livrarias, enfileiram-se inúmeros livros sobre o que comer para combater o câncer, como superar uma perda, como criar bem seus filhos, como cuidar de seu próprio jardim, como criar suas galinhas, como costurar suas próprias roupas, como decorar a casa com móveis reformados de segunda mão (obrigada por isso, Pinterest), como educar seus filhos em casa, como criar um blog sobre isso e, depois de tudo, ainda ter o jantar pronto sobre a mesa quando seu marido chegar em casa. Fazemos bem em buscar conselhos. Isso chama-se sabedoria. No entanto, há algo sobre estar no limite do desespero que clama por mais do que uma mera instrução. O Salmo 107 ilustra uma situação de tormenta. Em barcos, negociando em alto mar, alguns homens são literalmente atingidos por uma tempestade. Dizem as Escrituras: “Andaram, e cambalearam como ébrios, e perderam todo tino” (Salmos 107.27). Sua reação diante de tamanho desespero foi clamar ao Senhor. Eles não recorreram a manuais, nem a coletes salva-vidas, mas suplicaram honesta e desesperadamente a 12

Vislumbres da Graça - Gloria Furman  

Editora Fiel

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