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“Este livro inflamará e extasiará seu coração pelo evangelho e pelas doutrinas da graça que sublinha. O Dr. Lawson tem feito algo pelo qual serei perenemente grato – demonstrar conclusivamente que as verdades do calvinismo e da fé reformada estão radicadas na história da igreja, desde os apóstolos até a emergência de Martinho Lutero no século dezesseis. Naturalmente, sempre indagamos se isto condiz com a verdade, porém poucas tentativas se têm feito para demonstrá-lo, e, noutras páginas, não se poderia achar um zelo tão contagioso. Poucos escritores podem combinar história da igreja, exposição e sã doutrina da maneira como ele faz. Não comece a leitura deste livro, a não ser que esteja preparado para descobrir que não conseguirá desistir dele. Este livro é assim tão bom!” – Dr. Derek W. H. Thomas Professor de Teologia Sistemática e Prática, Reformed Theological Seminary Ministro de ensino, First Presbyterian Church, Jackson, Mississippi

“Ler Os Pilares da Graça de Steven Lawson é como tomar um helicóptero num giro por uma região montanhosa – uma emocionante visão de uma série de picos majestosos, todos eles apontando para o céu. Cada capítulo oferece uma perspectiva informativa, fascinante e acessível de um significativo mestre da gloriosa graça de Deus, desde Clemente até Calvino. Leia este livro e descubra que ser cristão, e reformado, é estar radicado na igreja através dos séculos.” – Dr. Joel R. Beeke Presidente, Puritan Reformed Theological Seminary Grand Rapids, Michigan

“A abordagem de Steven Lawson nos conduz a uma área controversa e um tanto negligenciada no tocante ao desenvolvimento das doutrinas da graça antes de João Calvino. De especial valor é sua grande coleção de citações, as quais mostram que de fato existiram umas poucas e notáveis tulipas no jardim da igre-


ja, antes que a Reforma vicejasse. Gosto especialmente de seu desafio para que imitemos estes heróis. Para mim, é um prazer recomendar este volume. Espero ansiosamente o próximo da série.” – Dr. Curt Daniel Pastor, Faith Bible Church, Springfield, Illinois, Autor, The History and Theology of Calvinism

“Percorrendo testemunha após testemunha, no palco da história, Steven Lawson enfileira o testemunho de vinte e três exemplares específicos da graça soberana de Deus, desde Clemente de Roma até Calvino de Genebra. Seguindo uma magistral visão, com o peso de fontes originais e de úteis contextos dessas testemunhas, o resultado é clareza e unidade. Steven Lawson deve ser altamente recomendado. Cada estudo é útil para os grupos de estudos e bibliotecas da igreja local, para o enriquecimento pastoral ou o treinamento de oficiais ou como recurso para ilustrações, reunidas por um pastor experiente. Podemos alegrar-nos com este excelente trabalho, pois realmente exibe aquilo que sempre foi crido por toda parte e em todas as épocas de um Cristianismo genuíno e vibrante. Tomo o Dr. Lawson em oração, para que este livro cultive novas gerações de colunas.” – Dr. David W. Hall Senior pastor, Midway Presbyterian Church, Powder Spring, Georgia

“O Dr. Lawson produziu um autêntico tour de force com esta visão histórica do testemunho da igreja em prol das deleitosas doutrinas da soberania divina. Desde o volumoso livro do Dr. Gill, este empreendimento nunca fora tentado, e o estudo de Gill é de várias formas seriamente obsoleto. Daí a necessidade desta obra cativante e judiciosa. Aqui, Lawson mostra ao leitor a maneira como estes fios de ouro da graça têm percorrido sua trajetória através da vida da igreja nas


eras da patrística, medieval e da Reforma. Contrariando o pensamento popular, pode-se ver que as eras anteriores à Reforma não foram desprovidas dos poderosos testemunhos destas grandes verdades. Este livro deve ser lido por alguém interessado na forma como estas verdades bíblicas foram recebidas pela igreja.” – Dr. Michael A. G. Haykin de história e espiritualidade bíblica, The Southern Baptist Theological Seminary, Louisville, Kentucky Diretor do Andrew Fuller Center for Baptist Studies

“Muito obrigado, Dr. Lawson, por seus esforços em reunir este rico tesouro de ensino bíblico sobre as doutrinas da graça ao longo dos séculos. Ensino de homens fiéis, aos quais Cristo designou e o Espírito dotou para a edificação dos santos na prestação de seu serviço. Todos nós lhe somos gratos devedores.” – Dr. J. Ligon Duncan III Pastor, First Presbyterian Church, Jackson, Mississippi

“Neste importante livro, o Dr. Lawson documentou o ensino de muitos dos teólogos, mestres da igreja e pensadores cristãos mais importantes destes séculos, mostrando que estes homens de fato tiveram muito a dizer sobre a graça salvífica de Deus – e grande parte disso será de profundo estímulo para os evangélicos de hoje.” – Dr. R. Albert Mohler Jr. Presidente, The Southern Baptist Theological Seminary, Louisville, Kentucky


S T E V E N J . L AW S O N

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volume dois

L O N G A L I N H A de V U LT O S P I E D O S O S Tr a d u ç ã o

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Lawson, Steven J. Pilares da graça : 100 - 1564 D.C / Steven J. Lawson ; tradução Valter Graciano Martins. -- São José dos Campos, SP : Editora Fiel, 2013. -- (Longa linha de vultos piedosos ; v. 2) Título original: Pillars of grace Bibliografia. ISBN 978-85-8132-165-3 1. Graça (Teologia) - Ensino bíblico 2. Graça (Teologia) - História das doutrinas I. Título. II. Série. 13-10001

CDD-234.1

Índices para catálogo sistemático: 1. Graça : Teologia dogmática cristã 234.1

Pilares da Graça Traduzido do original em inglês Pillars of Grace por Steven Lawson

Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Fiel da Missão Evangélica Literária

Copyright © 2011 by Steven Lawson

meios, sem a permissão escrita dos editores,

Proibida a reprodução deste livro por quaisquer salvo em breves citações, com indicação da fonte.

Publicado originalmente em inglês por Reformation Trust, uma divisão de Ligonier Ministries 400 Technology Park, Lake Mary, FL 32746 Copyright © 2012 Editora Fiel Primeira Edição em Português: 2013

Diretor: James Richard Denham III Editor: Tiago J. Santos Filho Tradução: Valter Graciano Martins Revisão: Márcia Gomes Diagramação: Rubner Durais Capa: Rubner Durais ISBN: 978-85-8132-165-3

Caixa Postal 1601 CEP: 12230-971 São José dos Campos, SP PABX: (12) 3919-9999 www.editorafiel.com.br


Para

R. C. SPROUL Teólogo formidável, professor eminente, autor prolífico, pastor amado, guardião do evangelho. Há meio século o Dr. Sproul tem trazido as profundas verdades da teologia reformada dos muros da academia ao cotidiano do povo nos bancos da igreja. Ele tem sido a preeminente figura usada por Deus nesta geração, como luzeiro no atual ressurgimento do calvinismo bíblico. Tendo sido aluno do Dr. Sproul, tenho para com ele uma imensa dívida em diversos sentidos. Desde a teologia sistemática e pregação expositiva, até o ministério pastoral e vida cristã, sua influência tem sido indelevelmente estampada em mim para meu bem. No devido tempo, creio que a história o revelará como o Martinho Lutero de nossos dias. “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Rm 11.36).


ÍNDICE PRÓLOGO, DE J. LIGON DUNCAN III................................................... 13 DOS FUNDAMENTOS NA BÍBLIA AOS PILARES NA HISTÓRIA DA IGREJA PREFÁCIO......................................................................................... 23 PRESERVANDO AS DOUTRINAS DA GRAÇA 1. AS COLUNAS DA GRAÇA SOBERANA............................................... 37 DOS PAIS DA IGREJA AOS REFORMADORES PROTESTANTES 2. O PRIMEIRO ENTRE OS PAIS........................................................... 69 PAI APOSTÓLICO: CLEMENTE DE ROMA 3. PORTADOR DE DEUS...................................................................... 89 PAI APOSTÓLICO: INÁCIO DE ANTIOQUIA 4. O DEFENSOR DA FÉ........................................................................105 PAI APOLOGISTA: JUSTINO MÁRTIR 5. OPOSIÇÃO AO GNOSTICISMO........................................................125 PAI APOLOGISTA: IRINEU DE LYONS 6. PAI DA TEOLOGIA LATINA.............................................................145 PAI AFRICANO: TERTULIANO DE CARTAGO


7. O MESTRE DA RETÓRICA...............................................................165 PAI AFRICANO: CIPRIANO DE CARTAGO 8. CONTRA O MUNDO......................................................................187 PAI AFRICANO: ATANÁSIO DE ALEXANDRIA 9. RESISTINDO O ARIANISMO...........................................................209 PAI CAPADÓCIO: BASÍLIO DE CESAREIA 10. O EXPOSITOR DA TRINDADE........................................................229 PAI CAPADÓCIO: GREGÓRIO DE NAZIANZO 11. CONSCIÊNCIA IMPERIAL.............................................................249 PAI LATINO: AMBRÓSIO DE MILÃO 12. GUARDIÃO DA GRAÇA................................................................271 PAI LATINO: AGOSTINHO DE HIPONA 13. ERUDITO ESPANHOL ...................................................................327 PRIMEIRO MONÁSTICO: ISIDORO DE SEVILLE 14. CAMPEÃO DA PREDESTINAÇÃO...................................................349 AURORA MONÁSTICA: GOTTSCHALK DE ORBAIS 15. FILÓSOFO-TEÓLOGO...................................................................371 ESCOLÁSTICO INGLÊS: ANSELMO DA CANTUÁRIA 16. REFORMADOR MONÁSTICO........................................................399 ÚLTIMO MONÁSTICO: BERNARDO DE CLAIRVAUX


17. DOCTOR PROFUNDUS.................................................................425 ESCOLÁSTICO INGLÊS: THOMAS BRADWARDINE 18. A ESTRELA DA MANHÃ DA REFORMA..........................................447 PRÉ-REFORMADOR INGLÊS: JOHN WYCLIFFE 19. PRECURSOR ARDENTE.................................................................469 PRÉ-REFORMADOR BOÊMIO: JOHN HUS 20. A FORTALEZA EM PROL DA VERDADE...........................................493 REFORMADOR ALEMÃO: MARTINHO LUTERO 21. ZURIQUE REVOLUCIONÁRIA ......................................................539 REFORMADOR SUÍÇO: ULRICH ZWINGLIO 22. PRÍNCIPE DOS TRADUTORES.......................................................567 REFORMADOR INGLÊS: WILLIAM TYNDALE 23 TEÓLOGO DA ALIANÇA.................................................................605 REFORMADOR SUÍÇO: HEINRICH BULLINGER 24. O TEÓLOGO DOS SÉCULOS...........................................................633 REFORMADOR FRANCÊS: JOÃO CALVINO EPÍLOGO, DE R. ALBERT MOHLER.....................................................683 UMA CONTINUIDADE IMPREVISTA


Prólogo

DOS FUNDAMENTOS NA BÍBLIA AOS PILARES NA HISTÓRIA DA IGREJA

Q

uando você cotejar este livro e começar a familiarizar-se com seu propósito, provavelmente se sentirá tentado a pensar que o Dr. Steven J. Lawson está simplesmente mostrando aquilo que homens não inspirados ensinaram no curso dos primeiros quinhentos anos da história da igreja, e isso não prova que a Bíblia ensina a soberania de Deus na salvação. Se esse é o caso, eis meu conselho: procure uma cópia de Os Fundamentos da Graça do Dr. Lawson, volume 1 da série Longa Linha de Vultos Piedosos, e leia-o. Os Fundamentos constituem um grande esforço no estudo de toda a Bíblia, demonstrando que “Deus salva pecadores”. Nele, o Dr. Lawson alinha 812 páginas de exposição bíblica, documentando plenamente o ensino da Bíblia sobre a salvação através da graça soberana. Ele atravessa o rico e variado terreno da Bíblia para introduzir os leitores ao verdadeiro Deus e seu amor soberano


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e salvífico em toda a Bíblia. Ele mostra não só que as doutrinas da graça são incontestavelmente bíblicas, mas que são verdades que geram alegria, mudam a vida, exaltam a Cristo, glorificam a Deus, motivam missões, encorajam o evangelismo e promovem o discipulado. J. I. Packer insiste que todos os dogmas do calvinismo – aquele sistema fielmente bíblico de teologia que jubilosamente abraça a rica e confortante mensagem de Deus, que avilta o ego, honra a Cristo e exalta a Deus pela soberania na salvação e em todas as coisas – se reduzem a um contundente brado: “Deus salva pecadores.”1 Cada uma destas palavras é importante para se entender o que a Bíblia ensina sobre a salvação. Primeiro, Deus salva pecadores. Deus salva, não o homem. Não salvamos a nós mesmos. Somente Deus pode salvar. Segundo, Deus salva pecadores. Ele não nos faz potencialmente salváveis. Ele não nos capacita a salvarmos a nós mesmos. Ele salva. Terceiro, Deus salva pecadores. Ele salva uma multidão que ninguém pode enumerar dentre um mundo de seres humanos que estão mortos em pecado e em oposição à sua bondosa e soberana regra. Ele salva pessoas que uma vez o odiaram, o ignoraram e o resistiram. Na salvação, Deus não ajuda os que se ajudam, porque nenhum pecador pode ajudar-se. Não somos “inerentemente bons” e numa posição de “conquistar com uma pequena ajuda” de Deus. Não temos “nenhuma esperança, salvo em sua soberana misericórdia”.2 Packer conclui: “Este é o ponto da soteriologia calvinista que os “cinco pontos” se preocupam em estabelecer... isto é, que os pecadores não se salvam em nenhum sentido, mas que a salvação, do princípio ao fim, toda e inteira, passada, presente e futura, é do Senhor, a quem seja toda a glória eternamente.”3 1  J. I. Packer, “Introductory Essay”, in John Owen, The Death of Death in the Death de Christ (Londres: Banner of Truth, 1959), 4. 2  Presbyterian Church in America, The Book of Church Order, 6a Ed., first Membership vow (Atlanta: Committee for Christian Education and Publications, 2009), 80. 3  Packer, “Introductory Essay”, 4–5.


Prólogo – Dos Fundamentos na Bíblia Aos Pilares na História da Igreja

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Em Fundamentos da Graça, o Dr. Lawson nos mostra esta verdade – “Deus salva pecadores” – do antigo ao novo Testamento, desde a Lei e os Profetas, desde os Evangelhos e as Epístolas, do Gênesis ao Apocalipse. Permita-me dar apenas um exemplo desta verdade bíblica tão amplamente demonstrada em Fundamentos. Em Efésios 2.8-10, o apóstolo Paulo quer que entendamos que Deus mesmo nos salvou. Ele expressa isso com veemência e de uma maneira notável: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” Nestes três versículos, Paulo lida com o texto, de seis formas distintas, para dizer-nos que nossa salvação não se deve a nós, mas que é toda de Deus. Note como ele faz isso: Primeiro, ele enfatiza que somos salvos pela graça de Deus. Isto é, a causa de nossa salvação pertence ao gracioso favor salvífico de Deus para conosco, a despeito de nossa pecaminosidade, a qual nos faz merecedores de juízo. Note que Paulo justapõe “pela graça sois salvos” com “isto não vem de vós”. Esta é sua maneira de dizer que a salvação vem de Deus, não de nós. “Vocês não querem entender a origem, a causa de sua salvação?” Ele afirma: “Não olhem para si mesmos. Não olhem para o interior. Ergam os olhos para Deus. Contemplem o imerecido favor que Deus lhes exibiu. Isso é o que e quem os salvou – não algo em vocês, algo sobre vocês ou algo que vocês fizeram.” Não merecemos a misericórdia salvífica de Deus. Nós mesmos nos desqualificamos da comunhão com Deus por nossa rebelião, nossa insurgência contra ele, nossa alienação dele, nossa indiferença para com ele, nosso andar segundo o mundo, a carne e o Diabo. E, no entanto, o Senhor nos salva por sua graça e esbanja conosco seu favor perdoador. Segundo, Paulo diz que recebemos nossa salvação pela fé. “Porque pela graça sois salvos mediante a fé.” A salvação não é algo que alcançamos pelo agir; antes, é algo que recebemos pelo crer. Paulo está enfatizando nossa recepção passiva de algo da parte de Deus. Não obtivemos a salvação porque a detivemos por nossos


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próprios esforços e assim ela passou a ser nossa propriedade pessoal. Não é algo que realizamos por nossa própria força e destreza, ficando de pé até tarde da noite e trabalhando arduamente e sem cessar. Simplesmente a recebemos de Deus. Recebemos nossa salvação pela fé e não por fazermos algo. Em outras palavras, somos salvos através do instrumento da confiança. Simplesmente confiamos em Deus. Temos de erguer bem alto nossas mãos e dizer: “Senhor Deus, não há nada que eu possa fazer.” Nas palavras do grande hino “Rocha Eterna”, temos afirmado: “Rocha eterna, só na cruz eu confio, ó meu Jesus!” Expressando de forma simples: somos salvos não por nosso agir e não por nossa dignidade, mas pela graça de Deus, e simplesmente, humildemente, jubilosamente recebemos essa salvação pela confiança, pela fé, pelo crer na promessa de Deus. Terceiro, como se ainda não tivesse sido bem claro, Paulo declara que nossa salvação é dom de Deus. Temos de entender a salvação como um dom de Deus, não como um direito, uma obrigação, ou um pagamento devido pelo nosso desempenho. Olhemos bem como ele expressa isto: “Porque pela graça sois salvos mediante a fé. E isto não vem de vós, é dom de Deus...” O ponto enfático de Paulo é: a totalidade de nossa salvação está no dom de Deus – não nosso dom para conosco, e sim o dom de Deus para conosco; não algo que merecemos, e sim uma concessão gratuita. Ele indaga: “Vocês querem conhecer como obtiveram a salvação?” Ele mesmo responde: “Ela vem do dom, da concessão, da graça de Deus.” Então, nós que pela graça confiamos em Cristo, temos de ver nossa salvação como um dom gratuito de Deus, que recebemos simplesmente pela fé. Quarto – e é muito importante notarmos isto, especialmente à luz dos pontos de vista exegeticamente infundados e teologicamente errôneos da assim chamada nova perspectiva sobre Paulo –, o apóstolo prossegue em sua ênfase, dizendo que nossa salvação não é, em nenhum sentido, efetuada pelas obras. Ele diz: “...não de obras, para que ninguém se glorie”. Na verdade, Paulo está dizendo “A propósito, caso não estejam percebendo minha intenção, deixem-me repetir a mesma coisa, e desta vez na negativa –, sua salvação não se deve às suas obras, aos seus feitos.” Em outras palavras, se quisermos ver como somos salvos, não


Prólogo – Dos Fundamentos na Bíblia Aos Pilares na História da Igreja

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devemos olhar em nós mesmos, em nossas obras. Não somos salvos por nossos esforços, feitos ou ações pessoais. Quinto, no versículo 10, Paulo diz que nossa salvação é o produto do lavor de Deus. “Porque somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras...” Eis uma afirmação extraordinária! O ponto é este: A salvação não é o produto de nossa habilidade; ao contrário, é o produto do lavor de Deus. Não somos salvos pelo que fazemos, e sim pelo que ele fez. De fato, não somos salvos por nossas boas obras; e mais, somos salvos a fim de realizar obras boas. Não somos salvos por fazer o que é certo aos olhos de Deus, mas somos salvos para fazer, com alegria e entusiasmo, com gratidão pela livre graça de Deus, tudo o que ele criou para ser feito originalmente no paraíso. Mesmo a possibilidade de fazermos algo para ser salvos é totalmente excluída pela linguagem de “criação” que Paulo emprega. Podemos ser criados para agir. Mas não podemos criar a nós mesmos pela ação. Não podemos criar-nos absolutamente. Assim, falando da salvação como uma obra em que Deus nos cria outra vez em Cristo Jesus, Paulo está afirmando, da maneira mais forte possível, a soberania divina e o poder monergístico operando em nossa salvação. Nossas obras podem e devem resultar da ação salvífica de Deus, porém não são a sua causa nem a podem causar. A ordem da salvação não é “faça isto e viva”, e sim “viva e faça isto”. Sexto, para que não empreendamos uma dedução errônea de que Deus tenha olhado para o futuro, visto nossa fé em Cristo e nossas subsequentes boas obras, e assim baseado nossa salvação na fé e obediência previstas, Paulo nos informa que Deus nos salva por graça e nos cria em Cristo (não por nossas obras), a fim de que façamos as obras que ele preordenou que fizéssemos desde a eternidade pretérita. “Porque somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou de antemão, para que andássemos nelas.” Paulo está dizendo que, mesmo as boas obras que ora fazemos, foram preparadas de antemão, por nosso gracioso Deus. Ele não nos salva porque prevê que praticaríamos boas obras. Não, a mensagem é muito mais gloriosa e confortante do que isso. Aliás, ela é muito mais atordoante e espantosa. Deus nos salva para “andarmos” em boas


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obras, para agirmos com justiça, para vivermos em piedade, para praticarmos aquela santidade à qual ele nos predestinou desde antes que o mundo existisse. Portanto, nossa justiça não é o meio, o instrumento ou o caminho de nossa salvação; ela é parte da meta divina de nos salvar. Deus nos criou para sermos sua imagem, para sermos semelhantes a ele. Essa imagem foi danificada quando caímos no pecado. Na glorificação, essa imagem é plenamente restaurada, e por isso João podia dizer que na vinda de nosso Senhor “seremos como ele é” (1Jo 3.2). Assim, essas boas ações em que andamos, mui longe de ser a causa de nossa salvação, são seu alvo, sua meta. Nossa prática do bem é, em si mesma, parte do plano que Deus predestinou para nós. Paulo explana isto em Efésios 1.4, dizendo que Deus nos escolheu em Cristo “antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e inculpáveis perante ele”. E assim Paulo enfatiza que toda nossa salvação consiste na soberana e eterna obra de Deus. Aí está. Paulo ressalta seis vezes em três pequenos, porém importantíssimos, versículos, que somos salvos somente pela graça de Deus. Nossa salvação vem totalmente de seu salvífico, perdoador, transformador, imerecido e indisputável poder e favor. Recebemos esse favor salvífico através da confiança (e mesmo essa confiança é resultado do Espírito de Deus agindo em nós). Nada fazemos para ganhar a salvação ou merecê-la; simplesmente confiamos que Deus nos dá algo que não merecemos. Ela é o dom de Deus que nos é dado graciosamente, não uma dívida que ele nos deva. A salvação não é realizada por nós, nem resulta de nossas obras. Em vez disso, somos obra de Deus e salvos pela obra de Deus (não salvos por Deus em decorrência de nossas obras). Mesmo nossa vida cristã e nosso andar nas boas obras como pecadores salvos são resultado da obra de Deus. São consequência (não a causa) de algo que Deus pré-designou, preordenou, predestinou “antes que os montes nascessem” (Sl 90.2). A tese de Paulo é que a salvação é totalmente de graça. A totalidade de nossa salvação provém de Deus. Entender isto é absolutamente essencial para uma vida, ministério ou experiência cristã saudável. Esta é a verdade que o Dr. Lawson demonstra, extensamente, em seu primeiro livro.


Prólogo – Dos Fundamentos na Bíblia Aos Pilares na História da Igreja

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Qual, pois, é o propósito deste livro? De que trata e o que ele defende? Em Fundamentos da graça, o Dr. Lawson nos mostra como as doutrinas da graça estão solidamente radicadas no ensino de toda a Bíblia. Neste volume, Os Pilares da Graça, ele começa nos levando através dos muros da história da igreja a fim de mostrar-nos que a igreja, em seu auge, entendeu que a graça de Deus é soberana na salvação. Há pelo menos quatro benefícios de nos juntarmos ao Dr. Lawson neste brilhante estudo. Primeiro, há a simples e óbvia oportunidade de melhorarmos nosso conhecimento da história de nossa família cristã. Os cristãos ocidentais de nossos dias não são famosos por sua apreensão da história da igreja. Os protestantes conhecem pouco da história da igreja anterior à fixação das Noventa e Cinco Teses de Martinho Lutero na porta da igreja de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517. Os americanos, em particular, são pobres de conhecimento e de amor pela história em geral. E assim, essa ignorância nos faz ainda mais pobres. Mas, se andarmos com o Dr. Lawson através da vida e escritos dos grandes cristãos, desde Clemente de Roma até João Calvino, seremos enriquecidos com a nova apreensão dos tesouros que nos foram legados como membros da família do Deus vivo. O Dr. Lawson nos ajuda a remediar nossa pobreza nessa turnê bem escrita e de fácil leitura, do segundo ao décimo sexto séculos. Segundo, como o Dr. Lawson focaliza alguns dos comentários dos Pais da Igreja sobre a soberania de Deus, a depravação total, a eleição incondicional, a expiação limitada, a graça irresistível, a perseverança dos santos, entre outras, e como vemos a teologia da igreja pertinente à graça se desenvolvendo pelas fronteiras do tempo, lugar e cultura, ganhamos uma maior apreciação de que as doutrinas da graça não são invenção do século dezesseis, dezessete ou dezenove, ou produto de um estreito ramo da tradição cristã. Ao contrário, são parte de um legado teológico comum e católico (ou universal). Sim, elas nem sempre foram plenamente compreendidas. Sim, algumas vezes foram obscurecidas ou ignoradas. Mas o depoimento cumulativo da história é uma poderosa testemunha de sua universalidade. Terceiro, estudar as doutrinas da graça através dos escritos dos maiores mestres cristãos de outras eras nos ajuda a checar e confirmar nossa própria compreensão da Escritura. Deixe-me explicar. Os protestantes não creem que algum período da


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história da igreja seja determinante para a fé e a prática, diferentemente de nossos amigos católico-romanos. Valorizamos muitíssimo a confirmação, o testemunho e as lições oriundos da história da igreja, porém declaramos, enfaticamente, que somente a Escritura é nossa suprema regra de fé e vida. Não obstante, o estudo da história da igreja, ou do crescimento da igreja na compreensão do ensino da Escritura (o que os profissionais chamam “teologia histórica”), é muito útil e importante para nós. Por quê? Não porque algum escritor ou era da história cristã seja infalível ou inerrantemente autorizado, mas porque o estudo da teologia histórica nos permite aprender como outros cristãos, em outros tempos, interpretavam o ensino da Bíblia. Isto, por sua vez, pode servir para confirmar e testar nossa compreensão pessoal da Escritura. Eu amo como Hughes Oliphant Old (um eminente estudioso da história e do culto cristãos) expressa seu pensamento sobre o assunto: “Temos de nutrir interesse por eles [os Pais da Igreja], mas não neles mesmos... por causa do que eles nos põem em relevo sobre a Escritura.”4 Quarto, visto que a formulação da doutrina cristã sempre esteve envolvida em controvérsia, e que as disputas teológicas demandam dos participantes que afiem e clarifiquem suas articulações doutrinais, pondo em relevo mais plenamente as ramificações da doutrina em pauta, nosso estudo da história da igreja nos ajuda a entender melhor a doutrina bíblica e a apreciar mais plenamente sua significância devocional e prática. Assim, por exemplo, quando lemos os escritos de Agostinho em relação à controvérsia pelagiana, não podemos evitar o aumento de nosso conhecimento dos resultados em jogo, nos tornando mais familiarizados com as questões e categorias das doutrinas da graça. Vemos mais claramente as eternas consequências da verdade e do erro em conexão com este tema vital. Meu brilhante amigo Carl Trueman, professor de história da igreja no Westminster Theological Seminary, em Filadélfia, vê grande valor na leitura dos Pais da Igreja (o que os eruditos chamam “patrísticos”). Numa coluna no reformation21 weblog, ele ofereceu quatro razões pelas quais devemos ler os escritos dos primeiros mestres da igreja. Aqui estão suas sábias palavras: 4  Hughes Oliphant Old, Worship: Reformed According to Scripture (Lousville: Westminster John Knox, 2002), 171.


Prólogo – Dos Fundamentos na Bíblia Aos Pilares na História da Igreja

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1. As doutrinas da Trindade e da Encarnação são basicamente interpretadas na igreja primitiva. Delineando as controvérsias, podemos aprender como e por que a formulação dos credos sobre estas doutrinas é importante. 2. O contexto pré-constantiniano de grande parte da teologia patrística oferece um paradigma de como os cristãos podem agir como minoria numa sociedade hostil ou indiferente. Com frequencia me sinto chocado pela diferença entre a abordagem dos apologistas da igreja primitiva dentro do império romano (“nos perseguem não porque os cristãos realmente se tornam os melhores cidadãos”) e a abordagem moderna de “não nos atrapalhem; somos cristãos”, onde o Cristianismo algumas vezes pode parecer pouco mais que um idioma cultural para protestar contra o comunismo, o secularismo etc. 3. A própria natureza alienada do mundo em que os Pais operaram nos desafia a pensar mais criticamente a nosso respeito em nosso próprio contexto. Por exemplo, podemos não simpatizar muito com o monasticismo radicalmente ascético; mas quando o entendemos como uma resposta do quarto século à velha questão: “com o quê um cristão comprometido se parece?”, numa época em que os cristãos estavam começando a viver uma vida muito fácil e respeitável, ao menos podemos usá-lo como uma bigorna sobre a qual elaborar nossa resposta ao mundo contemporâneo. 4. Como protestantes, não podemos querer entender o desenvolvimento histórico de nossa própria tradição, a menos que concordemos com a teologia patrística: Lutero, Calvino, Owen e companhia foram profunda e intensamente influenciados pela leitura dos escritos patrísticos.5 5  Carl R. Trueman, “The Fathers”, http://www.reformation21.org/blog/2007/04/the-father.php (acessado em 21 de abril de 2010).


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Por essas razões e mais uma dúzia, seu investimento de tempo e atenção na leitura de Os Pilares da Graça será amplamente recompensado. Deixe-me mencionar um ponto final. O Dr. Lawson ensinou este material a um grupo de homens em sua congregação antes de ministrá-lo à igreja em geral para nosso benefício e edificação. Como um colega pastor, isso desperta meu interesse. Apenas concluo que benção é ter uma congregação cujos oficiais e líderes masculinos se impregnam do conhecimento da verdade, da Bíblia, e da história da igreja, tal qual o Dr. Lawson propicia aqui. Colegas pastores, por todos os meios, usem este material para seu desenvolvimento pessoal no conhecimento e na graça. Usem-no para ilustrações e conteúdo em sua pregação. Estimulem o uso deste material no estudo bíblico com as mulheres e pequenos grupos para edificação do corpo de Cristo. Mas não deixem de ensinar aos homens, especialmente seus oficiais, a verdade contida aí. Toda sua congregação se levantará e os chamará benditos do Senhor por fazerem assim, pois os homens piedosos, assenhoreados pela graça e pela verdade, servirão tão bem às suas esposas, filhos, pais e membros, seus companheiros, que todos serão abençoados. Muito obrigado, Dr. Lawson, por suas labutas em cumular este rico tesouro de ensino bíblico sobre as doutrinas da graça ao longo dos séculos. Ensino de homens fiéis, aos quais Cristo designou e o Espírito dotou para a edificação dos santos na prestação de seu serviço. Todos nós lhe somos gratos devedores. Querido leitor, junte-se a mim agora numa épica jornada de edificação, guiados por este fiel pastor de almas. J. Ligon Duncan III First Presbyterian Church Jackson, Mississippi Agosto de 2010


Prefácio

PRESERVANDO AS DOUTRINAS DA GRAÇA

N

o auge do império romano, uma série de templos magnificentes pontuava a paisagem da região mediterrânea. Construídos proeminentemente no topo de colinas majestosas, essas obras-primas da arquitetura figuravam entre as maravilhas do mundo antigo. O aspecto mais proeminente desses esplêndidos edifícios era seus pilares, uma série de suportes esculpidos de belo mármore, guarnecidos com joias caras e embutidos com ouro puro. Tal colunata prenderia a atenção dos cidadãos romanos e dos viajantes estrangeiros que adentrassem um dos templos. Entretanto, o propósito primário dos pilares não era meramente estético, e sim funcional. Descansando seguramente num fundamento sólido, essas vigorosas colunas sustentavam toda a estrutura do templo. Desde as vigas no alto e os arcos de pedra até os muros sobranceiros, o teto abobadado e o telhado inclinado, cada parte do templo, de uma maneira ou de outra,


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era sustentada por esses blocos cilíndricos de mármore. Todo o edifício era suportado pela resistência delas. Se os pilares fossem sólidos, o templo se mantinha firme. Como resultado, esses pomposos pilares vieram a ser um símbolo de estabilidade e resistência. Esta é precisamente a imagem usada pelos autores bíblicos para retratar os líderes mais fortes da igreja primitiva – esses homens eram pilares. O apóstolo Paulo descreveu Pedro, Tiago e João como “colunas” na igreja de Jerusalém (Gl 2.9). Esses homens fortes, capacitados pelo poder de Deus, ajudaram a estabilizar a igreja do primeiro século, preservando a Palavra de Deus, e, consequentemente, fortalecendo a família da fé. De fato, Paulo escreveu que toda a igreja deve ser a “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15). Equivale dizer, a missão da igreja, como uma pomposa colunata, é simbolizar a verdade da fé cristã. Da mesma forma, Jesus Cristo usou essa imagem, dizendo que todos os crentes são “colunas” no templo celestial (Ap 3.12) – permanente, inamovível e seguro. Dando sequência a esta metáfora bíblica, o objetivo central deste livro – Os Pilares da Graça – é mostrar que os líderes-chave da igreja primitiva, além de atuarem como colunas, permaneceram firmes sobre o fundamento da Escrituras e preservaram a verdade. Especificamente, em seu momento na história, cada um desses homens resolutos sustentou as doutrinas da graça soberana. Esses esteios formaram uma colunata, século após século, em apoio à verdade da suprema autoridade de Deus na salvação do homem. Essa longa linha de vultos piedosos começou com os Pais da Igreja e se estendeu através dos Monásticos, Escolásticos, Pré-Reformadores e, eventualmente, dos próprios Reformadores. Entre eles estava uma ampla variedade de homens, incluindo pastores fiéis, pregadores piedosos, apologistas brilhantes, teólogos privilegiados, escritores prolíficos e mesmo bravos mártires. Cada coluna foi estrategicamente colocada pelo soberano arquiteto e edificador da igreja para seu tempo designado. Como homens saturados da Escritura, esses “pilares da graça” sustentaram o templo vivo de Deus. Eram os mais formidáveis mestres de seus dias e os mais fiéis defensores da ortodoxia cristã contra as muitas heresias que confrontavam a


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igreja. Havia muitos desses indivíduos, mas focalizaremos as figuras-chave que assumiram a liderança, oferecendo as penetrantes verdades da graça soberana. Seu compromisso com esse ensino bíblico merece nosso cuidadoso estudo enquanto delineamos a progressão de suas vidas e ministérios dentro da estrutura mais ampla dos primeiros dezesseis séculos da história da igreja. Este livro compõe o segundo volume de uma coleção intitulada Longa Linha de Vultos Piedosos. Seu intuito é demonstrar que essas figuras, que foram muitíssimo utilizadas na igreja primitiva e medieval, a um ou outro grau, sustentaram as verdades da graça soberana que foram mais tarde ensinadas na Reforma. Desde o primeiro século até chegar ao dezesseis, as figuras dominantes na igreja consistiram de homens fortes, comprometidos com esse ensino forte. Esse é o testemunho da história e a promessa central deste livro. Quais foram as figuras-chave que compuseram esse desfile de heróis espirituais que marcharam com as doutrinas da graça? Quem assumiu seus lugares divinamente designados, imediatamente após os últimos autores da Escritura? Quem foram esses líderes da igreja primitiva? Quem foram essas vozes medievais? Quem foram os Pré-Reformadores e os primeiros Reformadores? O que ensinaram com respeito à graça soberana de Deus na salvação? Este volume é devotado a delinear a triunfante procissão de vultos piedosos, de 30 d.C., com o nascimento de Clemente de Roma, a 1564, com a morte de João Calvino em Genebra.

SUMÁRIO DO ENSINO BÍBLICO Antes de começarmos a jornada, precisamos lembrar o que foi apresentado no volume um da série Os Fundamentos da Graça. Ali, a exemplificação bíblica para a soberania de Deus na salvação se fez com toda clareza – e creio que de modo convincente. A partir do legislador Moisés, nos primeiros livros da Bíblia, até o apóstolo João, no último livro, notamos que seguiu rumo ao palco da história humana uma eminente procissão de homens fiéis que registraram os ensinos da graça soberana por toda a Escritura.


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Seus nomes compuseram o rol denominado “uma grande nuvem de testemunhas”. A longa linha começou com os primeiros líderes de Israel – homens notáveis como Moisés, Josué e Samuel. Teve sequência com outros homens valentes, tais como Esdras e Neemias, e se estendeu aos poetas dos Livros de Sabedoria, reverenciados autores tais como Jó, Davi e Salomão. Para um ser humano, eles articularam cuidadosamente no texto inspirado da Escritura a soberania de Deus na salvação dos homens. Esta progressiva coluna, então, foi enfeixada pelos profetas maiores de Israel, os quais também ensinaram a suprema autoridade de Deus na redenção dos pecadores – Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Cada escritor empunhou o mesmo estandarte da verdade, isto é, os eternos propósitos de Deus em sua suprema vontade de salvar. Os profetas menores também foram recrutados para a cavalgada de autores bíblicos. Notáveis como Oséias, Amós, Jonas, Miquéias, Naum, Ageu, Zacarias e Malaquias. Eles também mantiveram firme a vontade determinante e a obra definida de Deus em sua graça salvífica. O Novo Testamento revela o mesmo. Desde Mateus até Apocalipse há uma sequência dessa sucessão, cada escritor bíblico registrando a graça soberana na salvação. Os quatro escritores do Evangelho – Mateus, Marcos, Lucas e João – se juntaram a esse rol enquanto registravam as profundas verdades que emanaram dos lábios de Jesus Cristo. Seu ensino dava inquestionável testemunho das doutrinas da graça. Mais adiante, os apóstolos foram divinamente comissionados a continuar escrevendo o texto inspirado. Pedro, Paulo e João logo se viram nesse desfile de mestres da graça soberana. Os autores bíblicos restantes – o autor de Hebreus e Judas – também assumiram seus lugares designados por Deus nesta longa linha de vultos piedosos. Começando com Moisés no deserto, e se estendendo a João, na ilha de Patmos, a Escritura proclama com voz de trombeta da soberania de Deus na salvação. Ela empunha um único estandarte da verdade. Ensina um único caminho da salvação. Assevera uma única operação divina pela qual a graça salvífica é aplicada a pecadores espiritualmente mortos. Os vários aspectos desta gloriosa


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verdade são conhecidos coletivamente como as doutrinas da graça, e toda a Escritura ensina estas insondáveis riquezas da soberana graça de Deus. O ALICERCE DOUTRINAL: A SOBERANIA DIVINA A soberania de Deus não é uma doutrina secundária relegada a um canto obscuro na Bíblia. Ao contrário, essa verdade é o próprio alicerce doutrinal de toda a Escritura. É o Monte Everest do ensino bíblico, verdade suprema que transcende toda a teologia. Desde seu primeiro versículo, a Bíblia assevera, e não usa termos incertos, que Deus reina. Em outras palavras, ele é Deus – não meramente de forma nominal, e sim em plena realidade. Deus faz o que lhe apraz, quando lhe apraz, onde lhe apraz, como lhe apraz e a quem lhe apraz. Salva pecadores sem nenhum merecimento. Todas as demais doutrinas da fé cristã devem ser postas em alinhamento com essa verdade básica. A soberania de Deus é o livre exercício de sua suprema autoridade na execução e administração de seus eternos propósitos. Deus tem de ser soberano, se é realmente Deus. Um deus que não é soberano, não é Deus em nenhum sentido. Esse seria um impostor, um ídolo, uma mera caricatura formada na imaginação caída do homem. Um deus que é menos que plenamente soberano é indigno de nosso culto, muito menos de nosso testemunho. Mas a Bíblia proclama para que todos ouçam que “o Senhor reina” (Sl 93.1). Deus é exatamente quem a Escritura declara. Ele é o Senhor soberano do céu e da terra, cuja suprema autoridade está sobre todos. Essa é a principal premissa da Escritura. Em parte alguma a soberania de Deus é mais claramente demonstrada do que na salvação dos perdidos. Deus é livre para outorgar sua misericórdia salvífica a quem lhe apraz. Ele diz: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Ex 33.19b; Rm 9.15). Ele não é obrigado a estender sua graça a qualquer pecador sem merecimento. Se decidisse não salvar ninguém, continuaria perfeitamente justo. Ele pode determinar salvar uns poucos e continuar sendo absolutamente santo. Ou ele poderia decidir salvar a todos. No entanto, Deus é soberano, e isso significa que ele é inteiramente livre


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para outorgar sua graça como bem quiser – a ninguém, a uns poucos, ou a todos. Do começo ao fim, a salvação é de Deus e, em última análise, para Deus. O apóstolo Paulo escreve: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36). Nesse abrangente versículo, Deus é declarado como sendo a fonte divina, o meio determinante e o fim designado de todas as coisas. Isto é supremamente verdadeiro na salvação. Segundo o texto, cada aspecto da operação da graça salvífica é iniciado e dirigido por Deus, e visa glorificá-lo. Cada dimensão da salvação é dele, através dele e para ele. Equivale dizer, a salvação se origina de sua vontade soberana, prossegue através de sua atividade soberana e conduz à sua glória soberana. A SOLIDARIEDADE DA TRINDADE Além disso, a soberania divina na salvação envolve cada uma das três pessoas da Deidade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo. As três pessoas operam em perfeita unidade para resgatar os mesmos pecadores destituídos de mérito. No seio da Trindade há um único propósito, um único plano e um único empreendimento salvífico. Aqueles que o Pai escolhe são precisamente aqueles que o Filho redime e os mesmos que o Espírito regenera. As pessoas da Deidade agem como um único Salvador. A Trindade não é fracionada em sua atividade salvífica. Não é dividida em sua diretriz e intento, como se cada pessoa da Deidade buscasse salvar um grupo diferente de pecadores. Ao contrário, cada pessoa da Trindade se propõe e irresistivelmente prossegue salvando uma e a mesma pessoa – a pessoa que Deus escolheu. Infelizmente, muitos creem de outro modo. Insistem que o Pai salva somente os poucos pecadores que previu iriam crer em Cristo, assim confundindo equivocadamente presciência (At 2.23; Rm 8.29,30; 1Pe 1.2,20), que significa “amor antecipado”, com mera previsão. Imaginam ainda que Cristo, hipoteticamente, morreu por todos os pecadores – um grupo diferente daqueles que o Pai salva – presumindo que há meramente um único significado para as palavras bíblicas mundo e todos. Alegam ainda que o Espírito salva ainda outro grupo, isto


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é, alguns pecadores com os quais ele insta. Infelizmente, confundem sua vocação salvífica interior (1Co 1.2,9) com uma convicção geral e não salvífica (Hb 6.4-5). Segundo este esquema furado, as três pessoas da Deidade se propõem a perseguir três diferentes grupos de indivíduos – uns poucos, todos e alguns. Assim, as pessoas da Deidade são dolorosamente divididas em sua atividade salvífica. Pior ainda, o pecador – não Deus – reina como o determinador de sua salvação. Mas a Bíblia ensina outra coisa. A Escritura revela uma unidade perfeita no seio da Trindade, uma unicidade perfeita entre o Pai, o Filho e o Espírito, em suas atividades salvíficas. A Palavra de Deus ensina que a Deidade age como um único salvador dos eleitos. A verdade é que o homem não é soberano na salvação – Deus é. Estes três membros operam juntos, com absoluta soberania, e resolutamente resolvem salvar a mesma pessoa para sua própria glória. Isto é realizado através do livre exercício da suprema autoridade dos três membros da Trindade. Considere a parte que cada um exerce nessa salvação coesa. A SOBERANIA DO PAI Antes da fundação do mundo, Deus escolheu indivíduos – embora sem mérito e sem dignidade – para que fossem objetos de sua graça salvífica (2Tm 1.9). O apóstolo Paulo escreve: “nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo” (Ef 1.4a). Equivale dizer, ele escolheu seus eleitos por si mesmo e para si mesmo – uma escolha soberana, não com base em quaisquer boas obras previstas ou fé da parte deles. Esta divina eleição teve origem em seu interior, por meio de sua própria e graciosa escolha (Rm 9.16). Por razões conhecidas somente de Deus, ele selecionou que queria salvar. Havendo escolhido seus eleitos, o Pai lhes deu ao Filho antes que o tempo tivesse início para que fossem sua herança real. Este dádiva foi uma expressão do amor do Pai para com o Filho (Jo 6.37,39; 17.2,6,9,24). Estes escolhidos foram selecionados para o mais elevado propósito – que louvassem para sempre o Filho e fossem conformados à sua imagem (Rm 8.29). Portanto, o Pai, na eternidade pretérita, comissionou o Filho para ingressar no mundo a fim de adquirir a salvação dos


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eleitos. E mais, o Pai enviou o Espírito Santo a fim de regenerar esses escolhidos. Assim, sua salvação foi preordenada e predestinada pela soberana vontade de Deus antes da fundação do mundo (Ef 1.5). Os nomes dos eleitos foram escritos no livro da vida do Cordeiro (Ap 13.8; 17.8). Sob a diretriz do Pai, as três pessoas da Deidade concordaram irrevogavelmente em executar a salvação das pessoas escolhidas. Esta é a graça soberana de Deus, o Pai, na eternidade pretérita. A SOBERANIA DO FILHO Tendo há muito recebido do Pai os nomes individuais dos eleitos, Jesus Cristo veio ao mundo para comprar sua salvação. Com um intento singular, Cristo se propôs a morrer por sua verdadeira igreja – aqueles que lhe foram dados pelo Pai na eternidade pretérita. Ele declarou: “dou minha vida pelas ovelhas” (Jo 10.15). Jungido por devoção à sua noiva eleita, Cristo “amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25b). Com este desígnio definido na cruz, Jesus, com seu sangue, comprou todos os que foram predestinados a crer nele (At 20.28). Ele não tornou a salvação meramente possível. Ele não fez uma redenção hipotética. Ao contrário, os salvou verdadeiramente. Cristo não foi ludibriado no Calvário, mas adquiriu todos aqueles pelos quais pagou. De fato, Jesus assegurou vida eterna às suas ovelhas. Nenhum daqueles por quem morreu perecerá jamais. Esta é a graça soberana de Deus, o Filho, dois mil anos atrás, em sua morte salvífica. A SOBERANIA DO ESPÍRITO Ademais, o Pai e o Filho enviaram o Espírito Santo ao mundo para aplicar a morte salvífica de Deus a todos os eleitos. Enquanto o evangelho é proclamado, o Espírito comunica uma vocação interior especial a esses escolhidos, aos eleitos pelo Pai e redimidos pelo Filho. O Espírito regenera poderosamente suas almas espiritualmente mortas, ressuscitando-as do túmulo do pecado à fé salvífica em Cristo (Ef 2.5-6). Jesus asseverou: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim” (Jo 6.37a). Este empreendimento salvífico é inalteravelmente definido, porque


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Deus “atrai” (6.44) a todos os que “deu” a Cristo. O Espírito lhes outorga arrependimento (2Tm 2.25) e opera a fé salvífica em seu interior (Fp 1.29; 2Pe 1.1). Neste ato eficaz, o Espírito abre os olhos espiritualmente cegos dos eleitos para que vejam a verdade (2Co 4.6). Ele abre seus ouvidos surdos para que ouçam sua voz (Jo 10.27). Abre seus corações fechados para que recebam o evangelho (At 16.14). Ativa suas vontades mortas para que creiam na mensagem salvífica (Jo 1.13). O Espírito vence toda resistência e triunfa no coração dos eleitos. Esta é a graça soberana de Deus, o Espírito, dentro do tempo. ETERNAMENTE GUARDADOS PELA SOBERANIA Uma vez convertidos, os eleitos são eternamente guardados pelo poder de Deus. Nenhum dos escolhidos do Pai jamais se perderá (Tt 1.1-2). Nenhum daqueles pelos quais o Filho morreu perecerá jamais (Rm 8.33-34). Nenhum dos regenerados pelo Espírito jamais cairá da graça (Tt 3.5-7). Todos os recipientes da graça salvífica de Deus serão conduzidos à glória para sempre (Rm 8.29-30). Essa amplitude da salvação retroage à eternidade pretérita e invade a eternidade futura. A salvação é uma obra indivisível da graça. Os que foram escolhidos por Deus antes que o tempo começasse permanecerão salvos para sempre. Todos os eleitos serão preservados por todas as eras por vir. Deus mesmo os guardará e fará que permaneçam inculpados diante de seu trono (Jd 24). Esta visão da graça soberana tira o fôlego, inspira temor, humilha a alma e produz regozijo. Acima de tudo mais, esta visão glorifica a Deus. Em cada uma das doutrinas da graça, a glória de Deus é central. Somente uma salvação que procede dele e é através dele pode ser para ele. A graça que elege redunda no “louvor da glória de sua graça” (Ef 1.6a). A graça que redime promove o “louvor de sua glória” (1.12b). A graça que regenera é “em o louvor da sua glória” (1.14b). Eis por que toda a graça salvífica é graça soberana. É essa visão da salvação que produz suprema glória unicamente a Deus. Humilhado por essa sublime verdade, Jonathan Edwards escreveu: “Os que têm recebido a salvação devem atribuí-la unicamente à graça soberana,


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e render a Deus todo o louvor, pois os diferencia dos demais [não salvos].” 1 Acaso esta não deveria ser também nossa resposta? Que todos nós caiamos de joelhos e afirmemos que “a salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus” (Ap 19.1). Que a verdade da soberania de Deus em nossa salvação faça com que lhe seja dado o supremo louvor. “A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Rm 11.36). OS PILARES SE ERGUEM DE FUNDAMENTOS SÓLIDOS Como afirmado supra, este é um sumário do ensino bíblico que foi cuidadosamente delineado no volume um, Os Fundamentos da Graça. O fato bíblico apresentado foi que toda a Bíblia, de Gênesis ao Apocalipse, ensina a soberania de Deus na salvação. Virtualmente, cada autor bíblico, bem como Jesus Cristo, ensina explicitamente estas verdades cardeais da soberana graça de Deus em salvar pecadores segundo seus eternos propósitos. A Bíblia fala com única voz, declarando que “a salvação pertence ao Senhor” (Sl 3.8a). As doutrinas da graça – depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e perseverança dos santos, mais a doutrina de cobertura da divina soberania e a necessidade da doutrina antitética, a reprovação divina – são as verdades basilares de nossa fé cristã. Quando entretecidas, formam a base que temos denominado de os “fundamentos da graça”. Os Pilares vigorosos devem apoiar-se sobre um fundamento sólido. É por isso que este volume se intitula Os pilares da graça. Aqui buscaremos descobrir o cerne das convicções daqueles homens, desde os Pais da Igreja aos Reformadores, cuja mensagem abraçou o ensino dos autores bíblicos. Século após século, esses líderes da igreja ministraram a Palavra de Deus e preservaram a verdade da graça soberana. A intenção deste livro é demonstrar que os líderes primários da igreja primitiva e medieval criam nas doutrinas da graça, de uma forma rudimentar, porém crescentemente consistente. Começando com os Pais Apostólicos do pri1  Jonathan Edwards, “The Sovereingnty of God in Salvation”, in The Works of Jonathan Edwards, Vol. II (1834; repr., Edinburgh: Banner of Truth, 1979), 854.


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meiro e segundo séculos, e prosseguindo através dos Reformadores do décimo sexto século, esses homens sustentaram essas verdades e as expressaram de seus púlpitos e com suas penas. As figuras dominantes no início da história da igreja foram de homens fortes com uma compreensão da graça soberana. Quem eram os vultos piedosos que formaram esta longa linha? Foram os primeiros pastores e teólogos da era cristã. Foram os filósofos e apologistas dos séculos embrionários da igreja, defensores da verdade que resistiram aos ensinos heréticos. Foram os homens fiéis que tomaram sua posição nos sólidos fundamentos da graça soberana. Foram os santos que tomaram posse de uma sublime visão de Deus. Foram os pilares da graça. Antes de começarmos esta jornada, deixo minha gratidão a muitas pessoas que têm me ajudado a fazer deste uma realidade. Expresso minha gratidão ao Dr. R. C. Sproul e Ministérios Ligonier, os quais percebem a importância deste material ser impresso; é ao Dr. Sproul que este volume é dedicado. Desejo ainda agradecer aos anciãos da Christ Fellowship Baptist Church, homens piedosos que têm sustentado a mim enquanto escrevo meu livro, e ao meu ministério de pregação além de nossa igreja. Greg Bailey, meu editor em Reformation Trust, munido de excelente conselho e redação especializada. Mark Hassler contribuiu com pesquisa excepcional das citações e notas finais. O Dr. Michael A. G. Haykin e o Dr. Curt Daniel leram o manuscrito, oferecendo inestimável contribuições históricas e teológicas. Kent Barton fez um magistral trabalho de ler os rascunhos de cada um desses pilares da fé. John Innabnit, colega e pastor na Christ Fellowship, também leu o manuscrito e fez muitas sugestões valiosas. É preciso dar reconhecimento especial a Kay Allen, minha assistente executiva na Christ Fellowship, que digitou todo o manuscrito e coordenou a inserção de outros. Além desses, Keith Phillips, outro colega pastor na Christ Fellowship, merece menção especial por suas imensas contribuições no aperfeiçoamento deste livro. Sem os esforços destes dois servos do Senhor, este livro não teria sido completado. Acima de tudo, desejo agradecer minha esposa, Anne, que é um pilar de apoio no lar.


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Delineemos agora o fluxo das doutrinas da graça através da história da igreja, do primeiro ao décimo sexto séculos. Veremos que mesmo em face de muita adversidade e oposição, Deus permanece fiel à sua causa, estabelecendo a verdade de sua Palavra no coração de seu povo. – Steven J. Lawson Mobile, Alabama Outubro de 2010


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