Page 94

DEST INOS | T R A N C O S O E C A R A Í V A

Em certas épocas do ano, há por ali um trânsito intenso de helicópteros e pequenos aviões, meio de transporte preferido de alguns empresários que mantêm casa na região. Mas o dinheiro, que ergue construções belas, como o campo de golfe de 18 buracos sobre uma falésia e o Teatro L’Occitane, anfiteatro monumental, parece não ter sido o suficiente para macular a essência desencanada do lugar. Ao contrário, ajudou, por exemplo, a edificar um mercado estilizado na comunidade indígena Imbiriba, no caminho para o Espelho. Ali os pataxós expõem e vendem – com direito a transações com cartão de crédito – seu bonito artesanato. Nada, claro, que os ressarça das invasões de terra e da violência (como um hediondo massacre policial ocorrido nos anos 1950) que os habitantes da região enfrentam há séculos. Os índios estão mais presentes em Caraíva, a uma hora de Trancoso. O pataxó Dimauy, que não aparenta seus 24 anos, é um dos bugueiros que levam para passeios à linda Ponta do Corumbau (leia mais na página ao lado) e às ruas da reserva indígena Barra Velha. Antes do embarque, contudo, Dimauy já deixa claro que ocas e quarups não fazem parte da “nova” cultura pataxó a ser visitada. Igrejas evangélicas, onde o pastor demoniza a Lua e outros deuses, talvez.

094 A Z U L M A G A Z I N E | 0 4 . 2 0 1 5

course atop a seaside cliff, and monumental amphitheater, Teatro L’Occitane – seems not to have been harmful enough to tarnish the laid-back essence of the place. On the contrary, it has helped (for example) to build a stylized market place in the Imbiriba indigenous community, located along the road to Espelho. There, the Pataxó Indians display and sell their beautiful handcrafts – they even take credit cards. Nothing, of course, that could compensate them for the invasions of their lands and the violence against their people (such as a heinous police massacre that occurred in the 1950s) that the original inhabitants of this region have faced for centuries. Indians are more present in Caraíva, an hour’s drive from Trancoso. The Pataxó Indian named Dimauy, who is 24 but doesn’t look this age, is one of the dune buggy drivers that take tourists on rides to the beautiful Ponta do Corumbau (read more on the next page) and through the streets of the Barra Velha Indian reservation. Prior to setting off, however, Dimauy makes it clear that “ocas” (wigwams) and “quarups” (funeral rituals) are longer part of the “new” Pataxó culture. Evangelical churches, where the preacher demonizes the moon and other gods, perhaps are more indicative of the current culture. But even without coming across any Indians, one can experience a certain communion with nature in

Azul 24 completa  
Azul 24 completa  
Advertisement