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MANUAL DO PROFESSOR DIGITAL PNLD 2018 LITERÁRIO

COM QUE ROUPA IREI PARA A FESTA DO REI? Tino Freitas e Ionit Zilberman

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1 Sobre o livro O livro Com que roupa irei para a festa do rei? foi escrito em versos e ilustrado com pinturas, colagens e costuras em tecidos. Na história, o rei da bicharada convida todos para uma festa à fantasia, na qual ele usaria uma roupa escolhida para homenagear outro rei. O arauto leva a notícia da festa à floresta e lança um desafio aos convidados, anunciando também um valioso prêmio: o bicho que fosse à festa fantasiado igual ao monarca receberia livros como recompensa. Os bichos passam então a imaginar com que “roupa de rei” sua majestade iria à festa e, solicitando ajuda ao alfaiate local, começam a criar seus originais trajes reais, os quais fazem alusão a diferentes realezas de nossa cultura: o rei do baião, o rei do rock, o rei da Espanha, entre outros. Mas o jabuti decide não vestir roupa alguma e, assim, consegue resolver o desafio. Sim, porque desta vez o rei da bicharada escolheu homenagear um personagem da história A roupa nova do rei, conto de fadas muito conhecido, escrito pelo dinamarquês Hans Christian Andersen. Nesse conto, o monarca acreditava vestir as roupas mais luxuosas do mundo, mas na realidade andava nu. Assim, ao desvendar o mistério e aparecer na festa nu como o rei da bicharada e como o rei do conto de fadas de Andersen, o jabuti, que demonstrara ser um bom leitor e ótimo em resolver problemas, acaba levando o grande prêmio. No desfecho, o jabuti aparece com cara de contentamento carregando os muitos livros que ganhou, que provavelmente o farão conhecer tantos outros enredos e personagens que, por sua vez, lhe propiciarão fazer cada vez mais interligações de conhecimentos e informações para desvendar diferentes mundos e futuros desafios. 2

Editora do Brasil

Prepare-se para a leitura!


2 Sobre os autores Nascido na cidade de Fortaleza, no Ceará, Tino Freitas é jornalista, músico, produtor cultural, escritor de livros infantis e mediador de projetos de leitura. Publicou diversos títulos, muitos dos quais estiveram entre os finalistas do Prêmio Jabuti (nos anos de 2011, 2013 e 2014) e ganharam o Selo Altamente Recomendável para Crianças pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). A obra Com que roupa irei para a festa do rei? recebeu o Prêmio Distinção da Cátedra Unesco de Leitura PUC-Rio em 2017. Neste livro, a sonoridade dos versos remete ao Tino músico, que por meio do ritmo canta a valorização da leitura e do livro ao atribuir a ele o status de prêmio e indicar como vencedor da situação um personagem que seria um bom leitor.

Andressa Anholete

Tino Freitas, o escritor

Ionit Zilberman nasceu na cidade de Tel Aviv, em Israel, e mudou-se para São Paulo com seus pais aos 6 anos de idade. Desde muito criança gostava de desenhar, e a vontade de ilustrar livros infantis nasceu ao estagiar em uma pequena livraria, na época em que estudava Artes Plásticas. Como ilustradora de livros infantis, já assinou mais de 40 obras destinadas a esse público. Utiliza diversas técnicas de desenho, colagem, pintura etc., escolhendo a que melhor combina com cada novo projeto. O livro Com que roupa irei para a festa do rei? foi a inspiração para a primeira experiência de pintura em tecido, compondo as expressões visuais que acompanham a narrativa.

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Arquivo pessoal

Ionit Zilberman, a ilustradora


Enquanto você lê... 1 Por que ler esse livro e falar sobre ele?

Ionit Zilberman

O livro Com que roupa irei para a festa do rei? abre-se em ricas possibilidades de leitura por apresentar um trabalho com as linguagens verbal e visual, bem como com a combinação harmônica entre essas diferentes expressões, o que contribui para a construção de um todo carregado de sentidos a serem desvendados pelo leitor. O texto verbal é apresentado em versos e todo organizado em quartetos, com ritmo bem marcado e rimas finais recorrentes em praticamente toda a narrativa – o som final da palavra que encerra o segundo verso de cada quarteto rima com o da última palavra do quarto verso, por exemplo: euforia/fantasia (1o quarteto); rei/sei (2o quarteto); real/final (3o quarteto) e assim por diante. Esse cuidado com a composição dos versos ajuda a tornar o texto sonoro, ou seja, agradável de ser lido e, sobretudo, falado e ouvido. Tal sonoridade acaba não somente aproximando o leitor do texto e de seu significado, ou seja, daquilo que ele informa, como também o motiva a prestar atenção no modo de se dizer, sensibilizando-o para a relação forma-conteúdo, que é característica da linguagem poética. Assim como acontece com a linguagem verbal, o trabalho sobre a linguagem visual no livro também vai para além da simples representação daquilo que é contado. As ilustrações, pintadas e costuradas em tecidos – técnica que dialoga com o universo temático do enredo (em que roupas estão sendo criadas e cerzidas) –, fundem-se às cenas, passando a enriquecer e completar a história, sendo inclusive fundamentais para o desfecho dela, em que o verbal fica em suspensão, e a conclusão se dá pela interpretação de uma imagem (ilustração das páginas finais 36-37). Outro recurso de destaque é a intertextualidade. A narrativa é como um tecido que vai sendo bordado com motivos divertidos e costurado com múltiplas referências de nossa cultura. Apesar de poderem não ser total e prontamente acessadas pelos leitores, as remissões a tais elementos extratexto tornam o enredo rico, podendo ampliar a visão de mundo do leitor, que é instigado (ou pode ser motivado) a desvendá-las. Para que o leitor literário em formação consiga, contudo, reconhecer, acessar e significar todas essas relações – a verbovi4


sual, a de forma e conteúdo e a dialógica, que o livro estabelece com diferentes elementos de nossa cultura –, reconhecendo no desvendar das ideias concentradas de sentidos e referências, ou seja, no desvendar do poético, um percurso prazeroso, a mediação do professor se faz fundamental. Nesse sentido, vale destacar que dar privilégio ao trabalho com o poético na escola é promover um encontro do professor e do aluno como leitores aprendizes, o que dá espaço à construção [...] de uma pedagogia que mais aprende do que ensina, atenta a cada modulação que a leitura pode descobrir por entre o traçado do texto. Ensinar breve e fugaz que se concretiza no fruir e refluir do texto, sem pretensões de ter a palavra final, o sentido, a chave que soluciona o mistério. Mais do que falar e preencher, o texto ouve e silencia, para que a voz do seu parceiro, leitor, possa ocupar espaços e ensinar também. Redescobre-se, então, o verdadeiro sentido de uma ação pedagógica que é mais do que ensinar o pouco que se sabe, estar de prontidão para aprender a vastidão daquilo que não se sabe. A arte literária é um dos caminhos para esse aprendizado (PALO; OLIVEIRA, 2001, p. 14). Ao professor mediador cabe, então, motivar os alunos a querer desvendar o texto verbal e o visual em suas diversas camadas, tentando estabelecer relações entre as diferentes linguagens, bem como auxiliar a reconhecer e resgatar os elementos extratexto aos quais o texto faz referência, possibilitando que eles se tornem protagonistas da própria leitura e descubram como podem não apenas significar mas também ampliar sentidos daquilo que leem. Para tanto, recomenda-se que você planeje e adote procedimentos de leitura que possam conduzir um trabalho de mediação a ser desenvolvido antes, durante e depois da leitura, pensando em estratégias e procedimentos de leitura significativos, como os descritos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), na página 72, com o objetivo de propor investigações como as apresentadas logo a seguir e nas atividades indicadas na seção Agora que você já leu.

Antes de ler o livro yyPromova um momento em sala de aula para que os alunos investiguem, em grupos, o livro como objeto artístico, observando todos os elementos verbais e visuais que o compõem, a fim de 5


[...] estabelecer expectativas (pressuposições antecipadoras dos sentidos, da forma e da função do texto), apoiando-se em seus conhecimentos prévios sobre gênero textual, suporte e universo temático, bem como sobre saliências textuais, recursos gráficos, imagens, dados da própria obra (índice, prefácio etc.) (BRASIL, 2017, p. 72). y Se achar oportuno, faça perguntas que mobilizem conhecimentos prévios nessa investigação: “Reparem em como o texto é distribuído nas páginas. Essa forma de organizar e agrupar o texto em grupos de linhas que não se estendem até o final da página lembra algum outro texto que vocês já conhecem? Se sim, qual?” Espera-se que os alunos associem a forma de dispor o texto – em versos – ao gênero poema. “Vocês já leram algum outro livro parecido com esse, em que texto e ilustração se combinam?” É muito provável que os alunos já tenham tido contato com livros que apresentem texto e imagem. Aproveite o momento para incentivá-los a compartilhar com os colegas suas experiências prévias de leitura, recomendando a leitura dos livros de que mais gostaram.

y Instrua-os a folhear o livro, localizando informações básicas, como título da obra, nome do autor e da ilustradora, nome da editora que o publicou, texto de quarta capa, entre outros.

Ionit Zilberman

y Incentive-os a analisar a forma pela qual o texto é distribuído nas páginas, fazendo perguntas relacionadas à organização dele, a fim de levar os alunos a perceber, mesmo antes de ler, que a narrativa é estruturada em verso e não em prosa (as linhas não vão até o final da mancha gráfica). y Depois, leia o texto da quarta capa do livro e abra espaço para que os alunos conversem mais sobre as hipóteses de leitura. Explore o significado de algumas palavras que talvez eles desconheçam nesse texto, incentivando-os a depreender os sentidos delas pelo contexto. É possível, por exemplo, que eles não conheçam palavras como monarca e traje, as quais também aparecerão internamente no texto. As discussões sobre os possíveis sentidos de tais palavras podem auxiliá-los depois, na hora da leitura.

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Durante a leitura y Peça aos alunos que façam uma primeira leitura silenciosa do texto, escrevendo no caderno as palavras cujos significados desconheçam. Instrua-os, contudo, a tentar inferir os sentidos pelo contexto e prosseguir a leitura, informando que, ao final, tais anotações serão retomadas e possíveis dúvidas sanadas coletivamente. Vale ressaltar que: Para ler, não é preciso que a criança conheça todas as palavras do texto. Deixá-la ler, levando-a a refletir sobre as estratégias de leitura e conteúdo do texto, é fundamental. Se resolverem todos os problemas de antemão, não se está ensinando a criança, mas exigindo dela apenas o que já sabe (CAGLIARI, 1989, p. 170). y Ainda durante essa primeira leitura do texto, incentive-os a confirmar as inferências feitas antes da leitura, checando as adequações das hipóteses e formulando novas, a serem avaliadas no final da leitura ou das releituras.

y É possível também propor leituras dramatizadas em grupos. Para tanto, combine com os alunos quem assumirá a voz do narrador e as vozes dos demais personagens. Auxilie-os no reconhecimento de cada mudança e/ou continuidade de fala ao longo da história e dê tempo para que examinem bem o texto antes de pedir que iniciem a leitura dramatizada, levando em conta que:

Ionit Zilberman

y Faça uma leitura expressiva do texto, tentando reforçar, na entoação ou mesmo na mudança de timbre ou ritmo, os movimentos que marcam as mudanças de vozes, com o objetivo de tornar reconhecíveis a voz do narrador e a voz (e respectiva continuidade de fala) de cada personagem.

Para a criança ler um texto é preciso deixar, antes, que o estude, decifre-o e treine sua leitura. Ela não pode lê-lo diretamente. Isso frustra a criança que lê, os colegas que ouvem e a professora, que percebe que não sabe ensinar como ler corretamente (CAGLIARI, 1989, p. 161).

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Depois da leitura yyRetome com os alunos as expectativas levantadas antes e ao longo da leitura do texto, possibilitando que conversem entre si e chequem a adequação das hipóteses. yyEstimule-os a recuperar as palavras que anotaram como desconhecidas durante a leitura e pergunte se conseguiram inferir seus significados pelo contexto. Converse sobre cada palavra e, se necessário, proponha que consultem seu respectivo sentido em um dicionário, tentando reconhecer aquele mais adequado ao contexto. Faça a mediação das buscas das palavras no dicionário, chamando a atenção dos alunos para a forma de apresentação de significantes e significados e esclarecendo as dúvidas por eles levantadas a respeito na consulta; isso porque, como aponta Cagliari: É preciso estimular as crianças a perguntar e a entender os significados das palavras dentro dos contextos em que aparecem. Antes de pedir às crianças que usem o dicionário para conhecer esses significados, é preciso ensiná-las a consultá-lo e a interpretar suas explicações; do contrário, a consulta pode confundi-las. (CAGLIARI, 1989, p. 171). yySe achar pertinente, vá elaborando na lousa uma lista com as palavras pesquisadas no dicionário e seus respectivos sentidos. Peça aos alunos que a copiem no caderno. Eles podem também reservar algumas páginas para ir fazendo um glossário com as palavras que forem conhecendo durante as leituras realizadas na sala de aula ao longo do ano. yySe achar oportuno, sugira que recontem, de memória, individual ou coletivamente, a narrativa lida, solicitando que utilizem marcadores temporais e prestem atenção no encadeamento lógico da sequência narrativa a fim de garantir a coesão e a coerência da história recriada, considerando que “pedir aos alunos que contem a mesma história com as próprias palavras (sem roteiro!) [...] é fazer uma interpretação criativa, não repetitiva, do texto” (CAGLIARI, 1989, p. 181). yyPergunte se conhecem os reis que cada bicho elegeu para se fantasiar. Eles podem, por exemplo, investigar as alusões feitas aos reis em duplas: enquanto um fica com o livro aberto nas páginas 26 e 27 (em que os personagens aparecem fantasiados), o outro vai passeando pelas páginas anteriores e tentando associar os versos relacionados a cada personagem atrás da cortina com a imagem dele já fantasiado naquelas 8


páginas. Por exemplo: ler a quadrinha relacionada à onça (“Serei o rei do futebol...”), tentar encontrar a onça vestida com a camisa 10 da Seleção Brasileira na página 26 e descobrir de que rei a onça está fantasiada (o rei do futebol, Pelé). y Leia as informações paratextuais sobre o autor e a ilustradora, nas páginas 38 e 39 do livro, e converse um pouco com os alunos a respeito dos ofícios desses profissionais, bem como sobre as respectivas ligações explicitadas entre a vida deles e a obra em questão. Abra espaço para que os alunos comentem seus gostos pessoais e vivências familiares que acham que poderão influenciar suas trajetórias, aparecendo em suas faturas artísticas e/ou profissionais.

Ionit Zilberman

Além de estimular a imaginação e sensibilizar o olhar para a construção poética da linguagem em sua força verbal e visual, bem como para a importância da relação entre essas expressões na construção dos sentidos do texto, a obra Com que roupa irei para a festa do rei? ultrapassa a realidade imediata do leitor, motivando-o a envolver-se com a leitura pelo trabalho expressivo e pelo desenvolvimento da narrativa. Ler esse livro é, portanto, um bom passo para a formação do leitor literário como apreciador de textos que não têm a funcionalidade comunicativa ou informativa como primeiro objetivo, mas servem como objetos artísticos que motivam a livre fruição estética.

Agora que você já leu... 1 Sugestões de atividades A seguir, apresentamos algumas propostas de atividades baseadas no livro. Tais atividades são apenas possibilidades de abordagem e podem ser modificadas ou adaptadas conforme as necessidades dos alunos, os recursos da escola e o planejamento pedagógico. Apesar de estarem descritas nesta seção, o momento de aplicação de cada proposta também deve ficar a seu critério. Você pode selecionar algumas para trabalhar antes da leitura, por exemplo, as atividades 1 e 7, ou mesmo durante a leitura, como as atividades 4, 5 ou 9b. 1. Copie a seguinte quadra de versos na lousa: “Surgirá como o Rei da história / De um

grande dinamarquês, / Soberano dos contos de fadas, / Maravilhas do ‘era uma vez’”. 9


a) Em seguida, pergunte aos alunos o que enten-

Ionit Zilberman

deram de tais versos no contexto da história. Depois, explique-lhes que essa quadra faz referência a um conto de fadas muito conhecido, A roupa nova do rei, que foi criado por um escritor dinamarquês chamado Hans Christian Andersen, autor também de outras histórias muito difundidas popularmente, como A pequena sereia e Patinho feio. Leia então para os alunos uma versão do conto ao qual Com que roupa irei para a festa do rei? faz referência, texto que é facilmente encontrado na internet. Sem cobrar nomenclaturas, motive-os a reconhecer a relação dialógica – ou seja, a intertextualidade –, com o intuito de auxiliá-los no estabelecimento de “relações de intertextualidade e interdiscursividade que permitam a identificação e compreensão dos diferentes posicionamentos e/ou perspectivas em jogo” (BRASIL, 2017, p. 71). b) Comente com os alunos que o personagem jabuti conhecia a história do rei do conto de Andersen e, por isso, conseguiu vencer o desafio e ganhar o prêmio. Chame a atenção deles para o fato de o jabuti aparecer sempre com um livro nas mãos ao longo da narrativa, o que desde o início já indica seu interesse pela leitura. Converse com eles sobre a importância da leitura para a ampliação do repertório e da visão de mundo e explique-lhes que, quanto mais lemos, mais conseguimos descobrir as relações entre os textos ou mesmo estabelecer novas associações para fazer interpretações, desvendar sentidos e até resolver problemas, assim como o jabuti fez na história. c) Passe então a explorar com os alunos a construção do texto. Primeiro, faça perguntas que os motive a reconhecer o texto apresentado em versos e organizado em grupos de quatro versos cada (quadras ou quadrinhas). Comente que cada linha da quadra é um verso e cada quadra pode ser considerada uma estrofe se a narrativa for entendida como um poema (um poema narrativo). d) Escreva as três primeiras partes (quadras) do poema na lousa e leve-os a perceber a regularidade na semelhança de sons (homofonias finais ou rimas finais) entre a última palavra do segundo verso e a palavra que encerra o quarto verso de todas as quadras (com exceção da 7a). Você pode grifar com a mesma cor os sons semelhantes para os alunos observarem a regularidade mais facilmente. Em 10


seguida, peça a eles que investiguem, em duplas, essa regularidade no restante do texto e registrem no caderno os pares de palavras finais que rimam entre o segundo e o quarto versos de cada quadra. Pergunte o que essa recorrência de sons cria no texto e leve-os a perceber que ela ajuda a construir a sonoridade, deixando o texto agradável de ser lido e ouvido. Espera-se que os alunos reconheçam que essa regularidade acontece em quase todo o texto: euforia/fantasia (1a quadra); rei/sei (2a quadra); real/final (3a quadra); desinteresse/vencesse (4a quadra); desafio/rio (5a quadra); freguês/vez (6a quadra); vista/modista (8a quadra); morreu/seu (9a quadra); roupa/pouca (10a quadra); avô/ Ôôôôôô (11a quadra); macacão/cinturão (12a quadra); baião/gibão (13a quadra); nó/paletó  (14a  quadra); pontapés/10 (15a quadra); talvez/xadrez (16a quadra); sultões/campeões (17a  quadra);  tecido/escolhido (18a quadra); talento/contento (19a quadra); um/nenhum (20a quadra); fantasia/fidalguia (21a quadra); curioso/garboso (22a quadra); dinamarquês/era uma vez (23a quadra); alguma/nenhuma (24a quadra).

e) Verifique se os alunos percebem que apenas na sétima quadra não ocorre rima

final entre o segundo e o quarto versos. Copie os versos na lousa e explore a construção diferente, perguntando se há também rimas finais nessa quadra. Se achar oportuno, peça a eles que procurem outras rimas finais elaboradas de forma diferente da recorrência verificada na atividade 4. Espera-se que os alunos indiquem as rimas finais entre as últimas palavras do primeiro e do segundo versos (cliente/insistente) e do terceiro e quarto versos (irei/rei). Provavelmente tal quebra se deu porque essa 7a quadra faz menção ao título do livro, que tem uma rima interna (irei/rei). Na 8a quadra, há também rima final entre as palavras que encerram o primeiro e o terceiro versos (fora/hora).

f) Converse com os alunos sobre o fato de que, apesar de ser organizado em versos,

o texto traz claramente a sequência que eles estão acostumados a verificar nos textos em prosa: começo, meio e fim. Indique na lousa essas três partes e peçalhes que recontem oralmente a história, apontando como ela é iniciada, desenvolvida e concluída. Verifique se percebem que o desfecho da história é dado visualmente e não verbalmente. g) Peça aos alunos que folheiem o livro prestando atenção em como ocorre a relação entre texto e imagem. Releia a parte das informações paratextuais da página 39, em que Ionit Zilberman conta o processo de produção das ilustrações. Em seguida, peça aos alunos que tentem descobrir pistas indicativas de que as ilustrações foram feitas em tecidos “de verdade”, como conta a ilustradora. Eles podem indicar, por exemplo, os botões dos panos colocados como cortinas sobre os desenhos dos animais, nas páginas 16 a 22, e os pontos feitos com linhas de costura, bem como os retalhos sobrepostos, nas páginas 24 e 25. 11


h) Outro aspecto importante da relação entre o verbal e o visual é a característica

de complementação dessas linguagens. Chame a atenção dos alunos para o fato de as ilustrações também ajudarem a construir o sentido da narrativa. Peça, por exemplo, que contem como ocorre o desfecho da história e expliquem como chegaram a essa conclusão. Espera-se que os alunos digam que, no desfecho, o jabuti recebe o prêmio e fica contente com a recompensa, assim como reconheçam que o final do livro é contado apenas por uma imagem (páginas 36-37).

2. Ainda reparando na relação entre texto e imagem, instrua-os a: a) procurar no livro elementos que lembrem outro gênero textual que conhecem e

no qual a relação entre o verbal e o visual também ajuda a construir os sentidos; Eles podem mencionar a onomatopeia que aparece na ilustração das páginas 32 e 33 (“Toc Toc!”) e o balão de fala que aparece na página 35 – ambos recursos que remetem aos gêneros textuais história em quadrinhos e tirinha, muito apreciados pelo público infantil.

b) inferir os sentimentos e emoções dos animais em diferentes momentos com base

no texto e na representação de suas fisionomias. Nas páginas 34 e 35, por exemplo, os porcos, o macaco e o leão parecem surpresos, enquanto o jabuti parece tranquilo.

3. Proponha aos alunos que identifiquem no livro substantivos que substituem outros

substantivos (sinônimos). Aproveite e pergunte a eles por que acham que tais substituições foram feitas. Se julgar oportuno, peça que reescrevam os trechos em que tais substituições ocorrem, mas mantendo-as. É possível, por exemplo, destacar a palavra monarca (página 6) substituindo rei; e a palavra traje (página 6) substituindo roupa. Espera-se que os alunos comentem que a escolha pela sinonímia geralmente ocorre para evitar repetições desnecessárias e indesejadas no texto. A quadra da página 6, sem as repetições, por exemplo, ficaria assim: “– O Rei escolheu sua roupa / Em homenagem a outro rei. / Que roupa usará o rei? / Isso nem eu mesmo sei”. Leia a quadra como aparece no livro e a reescrita com as repetições e converse com eles sobre as diferenças, perguntando qual construção preferem.

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Produção de texto Mais fantasias reais yyProponha aos alunos que pesquisem informações e curiosidades sobre algum outro rei (ou rainha) que não tenham sido citados nessa história. É possível também pesquisar a vida de algum artista, cientista ou atleta chamado de rei ou rainha por suas conquistas profissionais. yyDepois peça a eles que utilizem os dados coletados na pesquisa para escrever uma quadrinha com estrutura semelhante à das apresentadas no livro, contando de que rei (ou rainha) se fantasiariam se fossem convidados para uma festa semelhante à da história. Não espere que sigam a métrica, mas é interessante orientá-los a manter as rimas finais entre as palavras que encerram o segundo e o quarto versos das quadras, recurso que já analisaram anteriormente. yyNos versos elaborados, os alunos devem falar um pouco sobre como seria a fantasia de rei (ou rainha) deles. Explique à turma que essas quadrinhas funcionarão como charadas a serem desvendadas em uma roda de leitura na sala de aula. yyInstrua-os a reler e revisar suas produções e colabore com eles na hora de corrigir e aprimorar as quadras, incentivando-os a conferir o funcionamento das rimas, rever as quebras dos versos, fazer cortes e acréscimos de textos e garantir a correção ortográfica. yyAo final do processo de revisão e reescrita, peça aos alunos que passem os textos a limpo em cartas ou fichas e as guardem, pois serão lidas no dia da roda de leitura. Caso considere necessário, elabore em papel-cartão cartas ou fichas com a mesma dimensão, nas quais os alunos possam escrever a versão final de seus textos. yyCombine antecipadamente data e horário em que eles lerão, de forma expressiva, as quadrinhas-charadas. Cada um deve fazer a leitura de seu texto com tom de voz e articulação adequados, para que todos consigam ouvir e entender as mensagens. Ao final de cada leitura, os colegas tentam adivinhar de que rei (ou rainha) seria a fantasia à qual a quadrinha faz referência. yyAs cartas ou fichas com as quadrinhas-charadas podem virar um jogo da turma. Peça a cada aluno que anote o nome do rei (ou da rainha) que é a resposta da charada por ele criada, escrevendo-o em letras menores, abaixo da quadrinha e de cabeça para baixo (como costumam ser exibidas as respostas de diagramas de palavras). 13


Assim, todos saberão associar os versos à respectiva figura real e poderão jogar o jogo quando quiserem, independentemente da carta ou ficha que vierem a sortear nas futuras rodas de charadas com essas cartas. Essa atividade contempla as seguintes habilidades descritas na BNCC para o componente curricular Língua Portuguesa: EF12LP05 ; EF01LP19 ; EF35LP27 ; EF35LP28 .

Relações interdisciplinares História Quem é esse rei? yyOrganize os alunos da turma em 7 grupos. Cada grupo ficará responsável por fazer uma pesquisa sobre o rei escolhido por um animal na história, conforme descrito a seguir. 1º grupo: bicho-preguiça (rei Momo, personagem mitológico) 2º grupo: tatu (rei da selva, personagem Tarzan) 3º grupo: tamanduá (rei do rock, Elvis Presley) 4º grupo: capivara (rei do baião, Luiz Gonzaga) 5º grupo: jacaré (rei da Espanha) 6º grupo: onça (rei do futebol, Pelé) 7º grupo: anta (rei do tabuleiro, peça do jogo de xadrez) yyInstrua-os a coletar imagens ou representações (no caso de personagens fictícios ou da peça do jogo), informações sobre a origem da realeza, bem como curiosidades a respeito de sua história. yyCom as imagens e informações pesquisadas, oriente os alunos na montagem de cartazes. Em dia e horário combinados, eles devem apresentar esses cartazes ao restante da turma e contar o que descobriram sobre cada realeza pesquisada. Dessa forma, eles conseguirão resgatar as alusões do texto a esses reis, o que atribui mais significado à narrativa, que pode ser relida após essa atividade. yyFale com os alunos sobre a importância de escutar com atenção as apresentações dos colegas e instrua-os a formular perguntas e solicitar esclarecimentos sempre que necessário. 14


yyExponha os cartazes no mural da sala de aula, a fim de que possam ser consultados mais vezes, ou verifique a possibilidade de afixá-los em espaços de maior circulação na escola, para que mais pessoas conheçam essas realezas. Essa atividade contempla as seguintes habilidades descritas na BNCC para o componente curricular Língua Portuguesa: EF03LP24 ; EF35LP18 ; EF35LP20 .

Ciências Que bicho é esse? yyOrganize os alunos da turma em oito grupos e escreva em oito papeizinhos os nomes dos animais que aparecem na história (bicho-preguiça, tatu, tamanduá, capivara, jacaré, onça, anta e jabuti). yySorteie um animal por grupo. Peça aos alunos que mantenham sigilo quanto ao animal sorteado para seu grupo. yySolicite, então, aos alunos de cada grupo que pesquisem informações e as principais características externas do animal sorteado, listando-as em forma de dicas. yyEm dia e horário combinados, eles devem ler as dicas que listaram para que o restante da turma descubra o animal que pesquisaram. yyA cada animal descoberto, os grupos ganham 1 ponto. Vence o jogo o grupo que tiver mais pontos ao final das oito rodadas. yyApós o término do jogo, proponha uma roda de conversa para que os alunos relembrem as características dos oito bichos pesquisados. Escreva o nome de cada animal na lousa e vá anotando as características citadas por eles. Ao final, faça perguntas que os provoquem a comparar as características externas (penas, pelos, escamas, bico, garras, antenas, patas etc.) e outras a respeito do modo de vida (o que comem, como se reproduzem, como se deslocam etc.) dos oito animais, organizando grupos de acordo com o resultado das comparações. Essa atividade contempla as seguintes habilidades descritas na BNCC para o componente curricular Ciências da natureza: EF02CI04 ; EF03CI04 ; EF03CI06 .

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Arte Criando a roupa do rei yyApós a leitura do livro e, se possível, depois de os alunos terem criado as quadrinhas com menção ao rei ou à rainha de que se fantasiariam, proponha que ilustrem uma cena do livro ou as quadrinhas por eles produzidas. yyInstrua-os a se inspirar na técnica explorada pela artista plástica Ionit Zilberman no livro Com que roupa irei para a festa do rei?, utilizando materiais de costura (como botões, linhas, retalhos de panos de cores e texturas diferentes) com os quais possam compor ilustrações ao integrá-los a pinturas e desenhos sobre tecidos. yySe houver, na escola, máquina fotográfica ou algum aparelho celular com câmera, auxilie os alunos a fotografar as ilustrações e imprimir as imagens ou mesmo escaneá-las para compor a ilustração com a quadra que criaram ou com a parte do livro que lhes tenha inspirado o desenvolvimento da arte visual. Caso não seja possível fotografar os trabalhos, peça a eles que utilizem a matriz da ilustração nas composições. yyCombine com os alunos uma forma de expor essas produções. É possível, por exemplo, organizar um livro com as quadras e ilustrações criadas e deixar um exemplar na biblioteca, para que outras pessoas da comunidade escolar apreciem os versos e as roupas da realeza confeccionados pelos alunos. Faça a mediação do processo de confecção do livro, incentivando a produção coletiva e colaborativa. Essa atividade contempla as seguintes habilidades descritas na BNCC para o componente curricular Arte: EF15AR04 ; EF15AR05 ; EF15AR23 .

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Referências BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – BNCC Versão Final. Brasília, 2017. ______. ______. Edital PNLD 2018 Literário Brasília. Brasília, 2018. CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização & linguística. São Paulo: Scipione, 1989. PALO, Maria José; OLIVEIRA, Maria Rosa. Literatura infantil: voz de criança. São Paulo: Ática, 2001.

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Manual do Professor - Com que roupa irei para a festa do rei?  
Manual do Professor - Com que roupa irei para a festa do rei?