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Rosiane de Camargo • Wellington Santos

A I R Ó T S HI

HISTÓRIA Ensino Fundamental Anos Iniciais

4

o

ano


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ÃO

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PA LÔ

Manual do Professor

A I R Ó T S HI Rosiane de Camargo

99Licenciada em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) 99Pós-graduada em História do Brasil pela Faculdade Padre João Bagozzi 99Autora de materiais didáticos

Wellington Santos

99Bacharel em História pela Universidade de São Paulo (USP) 99Autor e editor de materiais didáticos

4

o

ano

Ensino Fundamental Anos iniciais

história

São Paulo, 2017 4a edição Palavra de origem africana que significa “contador de histórias, aquele que guarda e transmite a memória do seu povo”.


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

© Editora do Brasil S.A., 2017 Todos os direitos reservados

Camargo, Rosiane de Akpalô história, 4o ano / Rosiane de Camargo, Wellington Santos. – 4. ed. – São Paulo : Editora do Brasil, 2017. – (Coleção akpalô)

Direção-geral: Vicente Tortamano Avanso

Bibliografia. ISBN 978-85-10-06742-3 (aluno) ISBN 978-85-10-06743-0 (professor) 1. História (Ensino fundamental) I. Santos, Wellington. II. Título. III. Série. 17-11659

CDD-372.89 Índices para catálogo sistemático: 1. História : Ensino fundamental 372.89

4a edição, 2017

Rua Conselheiro Nébias, 887 São Paulo, SP – CEP 01203-001 Fone: +55 11 3226-0211 www.editoradobrasil.com.br

Direção editorial: Cibele Mendes Curto Santos Gerência editorial: Felipe Ramos Poletti Supervisão editorial: Erika Caldin Supervisão de arte, editoração e produção digital: Adelaide Carolina Cerutti Supervisão de direitos autorais: Marilisa Bertolone Mendes Supervisão de controle de processos editoriais: Marta Dias Portero Supervisão de revisão: Dora Helena Feres Consultoria de iconografia: Tempo Composto Col. de Dados Ltda. Coordenação editorial: Priscilla Cerencio Coordenação pedagógica: Josiane Sanson Assistência editorial: Andressa Pontinha, Mariana Tomadossi e Rodrigo Souza Coordenação de revisão: Otacilio Palareti Copidesque: Gisélia Costa, Ricardo Liberal e Sylmara Beletti Revisão: Alexandra Resende, Ana Carla Ximenes, Elaine Cristina da Silva e Maria Alice Gonçalves Coordenação de iconografia: Léo Burgos Pesquisa iconográfica: Odete Ernestina e Priscila Ferraz Coordenação de arte: Maria Aparecida Alves Assistência de arte: Carla Del Matto Design gráfico: Estúdio Sintonia e Patrícia Lino Capa: Patrícia Lino Imagem de capa: Maurício Negro Ilustrações: Alex Argozino, Christiane S. Messias, Dam Ferreira, Desenhorama, Elder Galvão, Erik Malagrino, Fabio Nienow, Hugo Araújo, José Wilson Magalhães, Marcos de Mello, Paula Haydee Radi, Rodval Matias e Simone Matias (aberturas de unidade) Produção cartográfica: Alessandro Passos da Costa, DAE (Departamento de Arte e Editoração), Sonia Vaz e Studio Caparroz Coordenação de editoração eletrônica: Abdonildo José de Lima Santos Editoração eletrônica: Armando F. Tomiyoshi Licenciamentos de textos: Cinthya Utiyama, Jennifer Xavier, Paula Harue Tozaki e Renata Garbellini Controle de processos editoriais: Bruna Alves, Carlos Nunes, Jefferson Galdino e Rafael Machado


Sumário

Apresentação.................................................. V Estrutura da coleção........................................ VI O Livro do Aluno.....................................................................VI O Manual do Professor......................................................... VIII O Material do Professor – Digital.......................................... VIII

Quadros de conteúdos e correspondências........ IX Pressupostos teórico-metodológicos............. XXIII A interdisciplinaridade........................................................ XXIV A formação cidadã............................................................... XXV A educação para o respeito às diferentes identidades socioculturais.................................................... XXVI A História e a memória........................................................ XXVI A cultura imaterial............................................................... XXVI O uso de recursos audiovisuais em sala de aula..................XXVII

Proposta didático-pedagógica..................... XXXII Inclusão digital e o uso de TICs..........................................XXXII Sobre a avaliação discente................................................XXXIII A prática docente.............................................................XXXIV

Projeto Katindun........................................XXXV Leitura 1 – Marina e Mariana........................................... XXXIX Leitura 2 – Histórias tecidas em seda................................... XLIII

Referências...................................................XLVI


Apresentação

Esta coleção tem o objetivo de ser um instrumento para a emancipação do aluno, que é agente na transformação social de seu meio de convívio. Nas páginas desta coleção, o aluno não é visto como tábula rasa, sobre a qual conteúdos preestabelecidos devem ser decalcados. Ele é compreendido como indivíduo que tem conhecimentos e particularidades, e que a partir de sua realidade e de suas experiências produzirá conhecimento histórico. E, da mesma forma que um aluno do Ensino Fundamental I tem consolidado o processo de letramento e alfabetização em língua portuguesa, ao final desse ciclo, propomos que esteja alfabetizado também historicamente. Para que essa proposta se efetive, os conteúdos presentes nos cinco volumes desta coleção são, em certo sentido, modelares e apresentam procedimentos, técnicas e tecnologias da disciplina de História que os alunos devem estar aptos a utilizar. Assim, essa “alfabetização histórica” se consolidará pela transposição dos conteúdos modelares apresentados no livro para a realidade em que o aluno está inserido. Ao longo dos cinco volumes buscamos, em diálogo constante com a Base Nacional Comum Curricular, instrumentalizar os alunos para que possam compreender os processos históricos vivenciados pelos diferentes sujeitos que compõem as sociedades. Do 1o ao 5o ano, os alunos, progressivamente, passarão da visão de si como sujeitos históricos para a compreensão de que também são sujeitos históricos coletivos, ou mesmo corporativos. Passarão do trabalho com base em fontes documentais materiais ao trabalho com base na imaterialidade, que está presente na comunidade em que ele está inserido ou na realidade que ele, por simples curiosidade, procura conhecer. Dessa forma, pretendemos consolidar as habilidades necessárias para que os alunos compreendam as relações entre passado e presente e sejam capazes de estabelecer uma relação dinâmica com os diferentes objetos históricos encontrados no cotidiano. Cabe aqui mostrar caminhos, possibilidades e estratégias para que os alunos construam, em parceria com seus professores, um conhecimento efetivo sobre o mundo no qual estão inseridos, reconhecendo os conflitos e as relações existentes em nossa sociedade. Certamente, este manual não pretende esgotar os assuntos tratados; suas experiências e conhecimentos específicos sobre os temas apresentados são de fundamental importância para o amplo aproveitamento deste material. Afinal, somente o professor, na prática cotidiana, poderá observar e avaliar o desempenho dos alunos, confirmando propostas ou alterando rotas, sempre em prol de melhores resultados. Os autores

V


Estrutura da coleção O Livro do Aluno Cada Livro do Aluno é dividido em quatro unidades; os livros do 1o ao 3o ano têm três capítulos cada e os de 4o e 5o anos, quatro capítulos cada. Todos são compostos de textos teóricos, imagens, atividades e seções que oferecem diversas contribuições à formação educacional dos alunos. O Livro do Aluno é organizado conforme descrito a seguir. UN

IDADE

1

O fim do Período Imperial

A abertura da unidade traz uma ilustração relacionada ao assunto a ser estudado. O objetivo é despertar o interesse dos alunos, servindo tanto para você iniciar a abordagem do conteúdo como para avaliar o conhecimento prévio deles sobre o tema e, assim, estruturar estratégias de ensino. Para orientar a interpretação dessa imagem, os alunos são convidados a dialogar com algumas questões iniciais, trocando experiências e revelando o que já sabem do tema a ser estudado.

1

O fim do Período Imperial

Todo capítulo inicia-se com uma atividade lúdica, pensada para iniciar o estudo com leveza. Algumas perguntas sobre a atividade podem ser feitas, objetivando a participação oral do aluno no levantamento de hipóteses e na interação social em sala de aula.

Pesquisa histórica Traz atividades orientadas que estimulam a pesquisa histórica.

VI

Glossário Apresenta a explicação de palavras consideradas importantes para o entendimento do texto e para o enriquecimento vocabular do aluno na própria página em que aparecem.

Direto da fonte Seção destinada a atividades de análise e interpretação de fontes históricas de diferentes tipos.

Atividades Localizada ao final de cada um dos capítulos, traz atividades com diferentes graus de complexidade para verificação da aprendizagem dos conteúdos trabalhados.

Um pouco mais sobre Nesta seção são abordadas curiosidades e informações extras sobre o assunto que está sendo estudado. Os textos informativos, seguidos de atividades, aprofundam e complementam o conteúdo. O trabalho sobre leitura é importante para que o aluno amplie a habilidade de leitura e a capacidade de interpretar diversos textos com os quais irá se deparar dentro e fora da escola.

# Digital A seção trabalha conteúdo disciplinar e cultura digital, valorizando a formação ética do aluno no âmbito da cultura digital.


Hora da Leitura O objetivo desta seção é oferecer aos alunos uma oportunidade de interagir com a literatura por meio de textos de diferentes gêneros e que se relacionam com História. É acompanhada de atividades de interpretação do assunto da unidade e de inferência sobre ele.

Como eu vejo Seção com visual atrativo e linguagens variadas que abrange temas que propiciam a reflexão do aluno sobre aspectos culturais e éticos da vida social e o compartilhamento dessa reflexão, constituindo um espaço para a divulgação da diversidade de saberes e vivências culturais, o desenvolvimento de valores humanos e a formação cidadã.

Como eu transformo Reafirma os valores discutidos na seção Como eu vejo e estimula ações a ser praticadas pelos alunos com a perspectiva de transformar o mundo dentro da escala espacial, social e cultural possível.

História em ação

Apresenta o trabalho de um profissional que utiliza conhecimentos históricos em seu cotidiano, de acordo com o tema estudado na unidade.

Para ir mais longe Seção que traz sugestões de livros, sites e filmes com o objetivo de ampliar o repertório do aluno e incentivá‑lo a buscar mais conhecimento, complementando assim seu aprendizado.

Caderno de cartografia Nos livros do 4o e 5o anos trazemos um material de apoio que complementa o aprendizado de cartografia histórica. Nele são apresentados mapas para serem consultados durante a realização das atividades do Livro do Aluno ou das indicadas no Manual do Professor e para esclarecer dúvidas referentes à localização, à orientação ou a algum tema que possa ser cartografado.

Encartes

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Nesta unidade vimos

Seção que apresenta, de forma sucinta e objetiva, os principais conceitos e conteúdos trabalhados ao longo da unidade.

No final do Livro do Aluno é possível encontrar o material para recorte que será utilizado em algumas atividades. Atividades de recorte, colagem e dobradura são importantes para treinar a coordenação motora fina dos alunos, que é a capacidade de usar, de forma eficiente e precisa, os pequenos músculos, produzindo assim movimentos delicados e específicos.

Revendo o que aprendi Esta seção traz atividades estruturadas de acordo com os objetivos de aprendizagem previstos para a unidade e possibilita uma revisão dos temas estudados. Essas atividades podem se constituir em uma forma de avaliação do aprendizado dos alunos. VII


O Manual do Professor Este Manual, que acompanha o Livro do Aluno, é dividido em duas partes. As primeiras páginas trazem informações que contribuem para a compreensão de como a coleção foi estruturada e para sua formação continuada. Além da apresentação e desta introdução, você encontrará o que segue. <<Quadros de conteúdos: sistematizam os conteúdos da disciplina de História a serem trabalhados ao longo dos cinco anos do Ensino Fundamental, relacionando‑os com os objetos de conhecimento e as habilidades previstas na terceira versão da Base Nacional Comum Curricular. <<Pressupostos teórico-metodológicos: contêm a proposta metodológica da obra, as estratégias escolhidas para o trabalho interdisciplinar e as sugestões de formas de avaliação de aprendizagem dos alunos, além de indicações que o auxiliam na percepção de como esta coleção está alinhada com a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular. <<Proposta didático-pedagógica: detalha a proposta didático-pedagógica da coleção; <<Projeto Katindun: projeto de leitura que integra literatura infantil à parte do conteúdo da disciplina que será trabalhado ao longo do ano. Em seguida, você visualizará a reprodução das páginas do Livro do Aluno, em tamanho reduzido na parte central e, nas laterais e na parte inferior, o conteúdo específico com sugestões para o desenvolvimento de sua prática docente cotidiana. São orientações, propostas de encaminhamentos e sugestões de atividades complementares e de ampliação de conteúdo. Todo esse apoio foi pensado para estar sempre disponível para você, página a página, no momento da aula. Veja a seguir como ele foi organizado. <<Objetivos da unidade: apresentação dos principais objetivos da unidade com base nos conteúdos selecionados. <<Orientações: propostas de encaminhamentos, sugestões e respostas relacionadas aos conteúdos e às atividades estudadas. <<Temas em estudo: indicação, no início de cada capítulo, dos assuntos que serão abordados e dos objetivos de aprendizagem dele.

VIII

<<Olhar interdisciplinar: proposta de abordagem interdisciplinar suscitada por algum conteúdo do Livro do Aluno. <<Desenvolvendo habilidades: relação entre os conteúdos propostos e as habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular. <<Avaliação: indicações de formas de avaliação contínua e propostas de complementação para os alunos que não tiverem atingido os objetivos de aprendizagem propostos no capítulo. <<Avaliação de aprendizagem: traz orientações de como trabalhar as atividades metacognitivas propostas ao final da seção Nesta unidade vimos.

O Material do Professor - Digital A coleção é composta também do Material do Professor – Digital, que tem o objetivo de apoiar e aprimorar seu trabalho como docente, além de proporcionar abordagens alternativas em sala de aula. Este material poderá ser utilizado de forma complementar ao livro impresso, auxiliando você em todo o processo de aprendizagem: do planejamento às etapas finais. O material está organizado em quatro planos de desenvolvimento, cada um correspondente a um bimestre. Em cada plano, uma seleção de habilidades é destacada dentre as desenvolvidas no Livro do Aluno no período e é proposta uma série de atividades para desenvolvê-las. Um dos elementos do plano que favorece tal iniciativa são as sequências didáticas, conjuntos de aulas organizados de forma flexível para se adequar a sua realidade cotidiana e ser diretamente aplicado em sala de aula. Outro elemento que compõe esse material são as propostas de acompanhamento de aprendizagem, que oferecem um modelo de avaliação com 15 questões para cada bimestre, o que lhe servirá de parâmetro para verificar se os alunos se apropriaram das habilidades elencadas para aquele período. Todas as questões contam com respostas e possíveis encaminhamentos mediante o desempenho dos alunos. Acreditamos que o Material do Professor – Digital será de grande ajuda e, aliado à sua prática, proporcionará uma experiência diferenciada na vida escolar dos alunos.


Quadros de conteúdos e correspondências História 1o ano Habilidades preconizadas na BNCC EF01HI01 Identificar aspectos do seu crescimento, por meio do registro das lembranças particulares ou de lembranças dos membros de sua família. EF01HI02 Identificar a relação entre as suas histórias e as histórias das famílias.

EF01HI05 Identificar semelhanças e diferenças entre jogos e brincadeiras atuais e de outras épocas e lugares. EF01HI06 Conhecer as histórias da família e da escola e identificar o papel desempenhado por diferentes sujeitos em diferentes espaços.

EF01HI03 Descrever e distinguir os seus papéis e responsabilidades relacionados à família e à escola.

EF01HI07 Identificar mudanças e permanências nas formas de organização familiar, de modo a reconhecer as diversas configurações de família, acolhendo-as e respeitando-as.

EF01HI04 Identificar as diferenças entre o ambiente doméstico e o ambiente escolar, reconhecendo as especificidades dos hábitos e das regras que os regem.

EF01HI08 Reconhecer o significado das comemorações e festas escolares, diferenciando-as das datas festivas comemoradas no âmbito familiar.

CONTEÚDO DO LIVRO DO ALUNO •• Atributos e características que constituem

o “eu”

Capítulo 1: Como eu sou

Unidade 1: Quem sou eu?

•• Principais características físicas de cada

indivíduo •• Identificação das principais características

físicas do “outro” •• Diferenciação do “eu” em relação ao “outro”

OBJETOS DE CONHECIMENTO

HABILIDADES DESENVOLVIDAS

•• As fases da vida

e a ideia de temporalidade (passado, presente, futuro) •• A vida em família e os diferentes vínculos e configurações

EF01HI01 EF01HI06

•• As fases da vida •• Percepção de aspectos do crescimento de

uma pessoa em diferentes registros

Capítulo 2: Tempo de ser criança

•• Atributos e características que constituem o

“eu” e o “outro” •• Noções de temporalidade (passado, presente, futuro) •• Utilização de fontes históricas para obter informações do passado •• Comparação entre os modos de vida das crianças no passado e no presente •• Família como primeiro grupo social •• Noção de ser social com base no conceito

Unidade 2: Vivendo em família

Capítulo 1: As famílias

de pertencimento a uma família •• Relações de parentesco na família •• Diferenciação entre as composições familiares •• Hábitos e costumes das famílias •• Convivência e interações entre pessoas •• Árvore genealógica

•• As fases da vida

e a ideia de temporalidade (passado, presente, futuro)

EF01HI01

•• Os vínculos pessoais:

as diferentes formas de organização familiar e as relações de amizade •• A vida em família e os diferentes vínculos e configurações

EF01HI02 EF01HI06 EF01HI07

IX


•• Família do aluno •• Deveres e responsabilidades civis das

famílias no Brasil (ou papel social da família)

Unidade 2: Vivendo em família

Capítulo 2: Viver em família

•• Vínculos pessoais e afetivos •• Hábitos e costumes familiares •• Características familiares •• Papéis sociais na família •• Festas familiares •• Valores e cultura familiar •• Experiências pessoais e em grupos sociais •• Convivência e participação em família

•• Os vínculos pessoais:

as diferentes formas de organização familiar e as relações de amizade •• A vida em família e os diferentes vínculos e configurações •• A escola, sua representação espacial e sua história individual

EF01HI02 EF01HI03 EF01HI06 EF01HI07 EF01HI08

•• Espaços que caracterizam o ambiente

escolar e suas funções •• Escola como grupo social e ambiente de

Capítulo 1: A escola

Unidade 3: Frequentando a escola

convívio •• Profissionais que trabalham na escola e suas funções •• Papéis sociais de adultos e crianças na escola •• Diferenciação de educação escolar e familiar •• Conceituação de educação •• Percepção da educação como contínua •• Atitudes de cortesia para a convivência em diferentes ambientes

•• Os vínculos pessoais:

as diferentes formas de organização familiar e as relações de amizade •• A escola e a diversidade do grupo social envolvido

EF01HI03 EF01HI04

•• Diversidade cultural como aprendizagem

escolar •• Jogo educativo •• Atividades realizadas na escola •• Escola como espaço de produção de

Capítulo 2: Quando estou na escola

conhecimento e convivência •• Diferença entre escolas do passado e do

presente •• Análise de fonte histórica •• Comemorações e festas escolares como

situações de diversão e aprendizagem •• Diversidade cultural nas festas escolares •• Identificação de festas realizadas em sua

•• A vida em casa,

a vida na escola e formas de representação social e espacial: os jogos e brincadeiras como forma de interação social e espacial •• A escola, sua representação espacial e sua história individual

EF01HI05 EF01HI07 EF01HI08

escola •• Brincadeira como processo cultural •• Função da brincadeira •• Brincar como atividade importante na

Capítulo 1: Brincar e se relacionar Unidade 4: Jogos e brincadeiras na infância

infância •• Brincar como forma de descoberta do corpo e da comunicação com os outros •• Vínculos pessoais e relações de amizade •• Diversidade cultural nos jogos e brincadeiras •• Diferentes formas de brincar em diferentes lugares •• Existência e necessidade de regras para jogos e brincadeiras •• Brincadeiras de ontem e de hoje •• Resgate de memórias

Capítulo 2: É tempo de brincar

X

•• Faz de conta como jogo da imaginação •• Noção de permanência temporal por meio

do estudo de jogos e brincadeiras do passado •• Brincadeiras como ação cultural •• Uso da imaginação como forma de brincar

•• A vida em casa,

a vida na escola e formas de representação social e espacial: os jogos e brincadeiras como forma de interação social e espacial

EF01HI05

•• A vida em casa,

a vida na escola e formas de representação social e espacial: os jogos e brincadeiras como forma de interação social e espacial

EF01HI05


História 2o ano Habilidades preconizadas na BNCC EF02HI01 Reconhecer espaços de sociabilidade e identificar os motivos que aproximam e separam as pessoas em diferentes grupos. EF02HI02 Identificar e descrever práticas e papéis sociais que as pessoas exercem em diferentes comunidades. EF02HI03 Selecionar situações cotidianas que remetam à percepção de mudança, pertencimento e memória. EF02HI04 Selecionar e comparar objetos e documentos pessoais como fontes de memórias e histórias nos âmbitos pessoal, familiar e escolar. EF02HI05 Selecionar objetos e documentos pessoais e de grupos próximos ao seu convívio e compreender sua função, seu uso e seu significado. EF02HI06 Identificar e organizar, temporalmente, fatos da vida cotidiana, usando noções relacionadas ao tempo (antes, durante, ao mesmo tempo e depois).

EF02HI07 Identificar e utilizar diferentes marcadores do tempo presentes na comunidade, como relógio e calendário. EF02HI08 Compilar histórias da família e de conhecidos registradas em diferentes fontes. EF02HI09 Identificar objetos e documentos pessoais que remetam à própria experiência ou à da família, e discutir as razões pelas quais alguns objetos são preservados e outros são descartados. EF02HI10 Identificar diferentes formas de trabalho existentes na comunidade em que vive, suas especificidades e importância. EF02HI11 Identificar impactos no meio ambiente causados pelas diferentes formas de trabalho existentes na comunidade em que vive.

CONTEÚDO DO LIVRO DO ALUNO •• Nome como identidade

Capítulo 1: Meu nome, minha história

social •• Introdução aos conceitos de sujeito e documento histórico •• Significado dos nomes •• Objetos e documentos pessoais como fontes históricas •• História pessoal •• Noções de anterioridade,

Unidade 1: Minha vida, minha história

Capítulo 2: A minha e a sua história

posteridade e ordenação •• Construção do conceito

de sujeito histórico. •• Memória e objetos

pessoais •• Documentos pessoais: Certidão de Nascimento

OBJETOS DE CONHECIMENTO

HABILIDADES DESENVOLVIDAS

•• Formas de registrar e narrar histórias

(marcos de memória materiais e imateriais) •• O tempo como medida •• As fontes: relatos orais, objetos, imagens (pinturas, fotografias, vídeos), músicas, escrita, tecnologia e inscrições nas paredes, ruas e espaços sociais

EF02HI05 EF02HI06 EF02HI09

•• A noção do “eu” e do “outro”:

registros de experiências pessoais e da comunidade no tempo e no espaço •• Formas de registrar e narrar histórias (marcos de memória materiais e imateriais) •• As fontes: relatos orais, objetos, imagens (pinturas, fotografias, vídeos), músicas, escrita, tecnologia e inscrições nas paredes, ruas e espaços sociais

EF02HI04 EF02HI05 EF02HI09

•• A noção do “eu” e do “outro”:

Capítulo 3: Histórias de família

Unidade 2: O cotidiano das pessoas

Capítulo 1: Minha rotina

•• Histórias de família •• Pertencimento e memória •• Objetos de memória

familiar •• Famílias do passado

•• Organização do tempo •• Atividades cotidianas •• Rotina •• Vida em comunidade

comunidade, convivências e interações entre pessoas •• Formas de registrar e narrar histórias (marcos de memória materiais e imateriais) •• As fontes: relatos orais, objetos, imagens (pinturas, fotografias, vídeos), músicas, escrita, tecnologia e inscrições nas paredes, ruas e espaços sociais •• A noção do “eu” e do “outro”:

comunidade •• O tempo como medida •• A sobrevivência e a relação com a

natureza

EF02HI01 EF02HI02 EF02HI03 EF02HI05 EF02HI08 EF02HI09 EF02HI01 EF02HI02 EF02HI06 EF02HI07 EF02HI10

XI


Capítulo 2: Pessoas à minha volta Unidade 2: O cotidiano das pessoas Capítulo 3: Quando vou à escola

•• Espaços de sociabilidade •• Diferentes pessoas da

comunidade •• Papéis sociais •• Situações cotidianas •• Profissionais que atuam na comunidade •• A escola e o bairro •• Noções de tempo:

sequência e simultaneidade •• Diferentes formas de registro

•• A noção do “eu” e do “outro”:

comunidade, convivências e interações entre pessoas •• As fontes: relatos orais, objetos, imagens (pinturas, fotografias, vídeos), músicas, escrita, tecnologia e inscrições nas paredes, ruas e espaços sociais •• A sobrevivência e a relação com a natureza

EF02HI01 EF02HI02 EF02HI03 EF02HI08 EF02HI10 EF02HI11

•• A noção do “eu” e do “outro”:

EF02HI01

comunidade, convivências e interações entre pessoas •• O tempo como medida •• A sobrevivência e a relação com a natureza

EF02HI02

EF02HI10

•• O tempo como medida

EF02HI06

EF02HI03 EF02HI06

•• Percepção da passagem

Capítulo 1: O tempo

do tempo pela observação •• Anterioridade, simultaneidade e posterioridade •• Divisão dos períodos do dia •• O tempo da natureza •• Observação da passagem

Unidade 3: A passagem do tempo

Capítulo 2: Tempo para cada atividade

Capítulo 3: Um mundo de mudanças

do tempo •• Organização do tempo •• Uso de marcadores

de tempo (relógio, calendário) •• Montagem de linha do tempo •• Passagem do tempo •• Mudanças e

permanências •• Tecnologia e seus impactos no mundo •• Profissões do passado e do presente •• Permanências e

Capítulo 1: Os lugares mudam com o tempo

Unidade 4: Conviver e transformar

mudanças •• Diferentes atividades humanas •• Transformação da paisagem •• Situações cotidianas •• Profissionais que atuam na comunidade

•• A noção do “eu” e do “outro”:

comunidade •• A sobrevivência e a relação com a natureza

EF02HI06 EF02HI07

EF02HI03 EF02HI10 EF02HI11

•• A noção do “eu” e do “outro”:

comunidade, convivências e interações entre pessoas •• As fontes: relatos orais, objetos, imagens (pinturas, fotografias, vídeos), músicas, escrita, tecnologia e inscrições nas paredes, ruas e espaços sociais •• A sobrevivência e a relação com a natureza

EF02HI10

•• A sobrevivência e a relação com a

EF02HI10

EF02HI03 EF02HI09 EF02HI11

•• O trabalho e a

Capítulo 2: Transformações pelo trabalho

Capítulo 3: Mudanças cotidianas XII

•• O tempo como medida

comunidade •• Diferentes tipos de

trabalho •• Atividades humanas no passado •• Reutilização de materiais •• Redução dos impactos

ambientais •• Uso de energia limpa •• Tradições culturais

natureza

•• A sobrevivência e a relação com a

natureza

EF02HI11

EF02HI11


História 3o ano Habilidades preconizadas na BNCC EF03HI01 Identificar os grupos populacionais que formam a cidade e o município, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc. EF03HI02 Selecionar, por meio da consulta de fontes de diferentes naturezas, e registrar acontecimentos ocorridos ao longo do tempo na cidade em que vive. EF03HI03 Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes. EF03HI04 Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados. EF03HI05 Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados.

EF03HI06 Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes. EF03HI07 Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam. EF03HI08 Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com os do passado. EF03HI09 Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções. EF03HI10 Identificar as diferenças entre os espaços públicos e o espaço doméstico, compreendendo a importância dessa distinção. EF03HI11 Identificar diferenças entre formas de trabalho realizadas na cidade e no campo, considerando também o uso da tecnologia nesses diferentes contextos. EF03HI12 Comparar as relações de trabalho e de lazer do presente com as de outros tempos e espaços, analisando mudanças e permanências.

CONTEÚDO DO LIVRO DO ALUNO •• Convivência social •• Grupos de convívio •• Formas de interação •• Conceito de comunidade

Capítulo 1: Viver juntos

Unidade 1: A vida em grupos

Capítulo 2: As minhas, as nossas comunidades

•• Noção de pertencimento a

diferentes grupos sociais •• Noções de pluralidade cultural •• Formas de comunicação para facilitar a interação social •• Convivência social •• Comunidade escolar •• Grupos de convívio •• Noção de pertencimento a

diferentes grupos sociais •• Lugares de memória na

cidade do aluno •• Comunidade de imigrantes

OBJETOS DE CONHECIMENTO

HABILIDADES DESENVOLVIDAS

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: formação cultural da população •• A cidade e suas atividades: trabalho, cultura e lazer

EF03HI01 EF03HI03 EF03HI07 EF03HI12

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: formação cultural da população

EF03HI01 EF03HI07

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes •• Diferentes pontos de vista

Capítulo 3: Histórias compartilhadas

de um mesmo evento •• Memórias compartilhadas •• Relato como fonte da história local •• Conceito de História •• Fontes históricas •• Patrimônio cultural

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• Os patrimônios históricos e culturais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: os lugares de memória (ruas, praças, escolas, monumentos, museus etc.) •• A cidade e suas atividades: trabalho, cultura e lazer

EF03HI02 EF03HI03 EF03HI04 EF03HI05 EF03HI06 EF03HI12

XIII


•• Vida dos primeiros seres

humanos •• Desenvolvimento da

Capítulo 1: Em contato com a terra

Unidade 2: A vida no campo

Capítulo 2: As comunidades tradicionais

agricultura •• Desenvolvimento de técnicas e ferramentas agrícolas •• Importância da terra para os seres humanos •• Diferenciação entre agricultura familiar e empresas agrícolas •• Comunidades indígenas •• Calendário indígena •• Comunidade ribeirinha •• Comunidade pantaneira •• Comunidade quilombola •• Dia da Consciência Negra

e as lutas por direitos •• Paisagens naturais e a

Capítulo 3: Paisagens sertanejas

adaptação humana •• Comunidades do sertão brasileiro •• Adaptações para viver em regiões de seca •• Migração devido à seca •• Cultura sertaneja

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças •• A cidade e suas atividades: trabalho, cultura e lazer

EF03HI01 EF03HI08 EF03HI12

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: formação cultural da população •• A cidade e suas atividades: trabalho, cultura e lazer

EF03HI01 EF03HI03 EF03HI07 EF03HI12

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: formação cultural da população

EF03HI01 EF03HI03 EF03HI07

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes

Capítulo 1: Cidade para todos

Unidade 3: A construção das cidades

das cidades •• Diferenciação entre cidades do passado e do presente •• Moradias em condomínios fechados

•• Noções sobre o

Capítulo 2: Perto da fábrica

XIV

•• Conceito de cidade •• Diferentes características

desenvolvimento da industrialização •• Trabalhadores das fábricas no Brasil •• Papel das indústrias no processo de organização e crescimento das cidades •• Situação dos trabalhadores nas primeiras fábricas no Brasil

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: formação cultural da população •• A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças

EF03HI01 EF03HI03 EF03HI07 EF03HI08

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: os lugares de memória (ruas, praças, escolas, monumentos, museus etc.) •• A cidade e suas atividades: trabalho, cultura e lazer

EF03HI01 EF03HI05 EF03HI11 EF03HI12


•• História das cidades •• Marcos históricos das

Unidade 3: A construção das cidades

Capítulo 3: A história das cidades

cidades •• Uso dos espaços na cidade •• Patrimônios históricos e culturais nas cidades •• Diferenciação entre cultura material e imaterial •• Formas de trabalho na cidade no passado e no presente •• Uso de tecnologia no trabalho •• Formas de lazer no passado e no presente

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• Os patrimônios históricos e culturais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: os lugares de memória (ruas, praças, escolas, monumentos, museus etc.) •• A cidade e suas atividades: trabalho, cultura e lazer

EF03HI02 EF03HI04 EF03HI05 EF03HI06 EF03HI11 EF03HI12

•• Percepção do que forma o

município •• Compreensão da definição

Capítulo 1: Vivemos no município

de município •• Identificação de

características do seu município •• Reconhecimento de espaços públicos •• Reconhecimento de espaços domésticos

•• A cidade e seus espaços: espaços

EF03HI09

públicos e espaços domésticos

EF03HI10

•• A administração do

município •• Os representantes dos

Unidade 4: A organização do município

Capítulo 2: Os poderes municipais

poderes Executivo e Legislativo no município •• A divisão de poderes no Brasil: Legislativo, Executivo e Judiciário •• Conceito e função de cada um dos três poderes •• A formação dos municípios •• Histórias dos municípios •• História do município do

aluno

Capítulo 3: A formação dos municípios

•• Colonização e povoamento

do Brasil •• Marcos de memória associados às estruturas administrativas no Brasil Colonial •• Diferentes grupos sociais na formação da sociedade brasileira

•• A cidade e seus espaços: espaços

públicos e espaços domésticos

EF03HI09

•• O “eu”, o “outro” e os diferentes

grupos sociais e étnicos que compõem a cidade: os desafios sociais, culturais e ambientais da cidade em que se vive •• Os patrimônios históricos e culturais da cidade em que se vive •• A produção dos marcos da memória: os lugares de memória (ruas, praças, escolas, monumentos, museus etc.) •• A produção dos marcos da memória: formação cultural da população

EF03HI01 EF03HI04 EF03HI05 EF03HI06 EF03HI07

XV


História 4o ano Habilidades preconizadas na BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano, no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças ocorridas ao longo do tempo. EF04HI02 Identificar mudanças ocorridas ao longo do tempo, com base nos grandes marcos da história da humanidade, tais como o desenvolvimento da agricultura e do pastoreio e a criação da indústria, colocando em questão perspectivas evolucionistas. EF04HI03 Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente. EF04HI04 Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas. EF04HI05 Relacionar os processos de ocupação do campo a intervenções na natureza, avaliando os resultados dessas intervenções. EF04HI06 Identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização.

CONTEÚDO DO LIVRO DO ALUNO

EF04HI07 Identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial. EF04HI08 Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema e internet) e discutir seus significados para os diferentes estratos sociais. EF04HI09 Identificar as motivações dos processos migratórios em diferentes tempos e espaços e avaliar o papel desempenhado pela migração nas regiões de destino. EF04HI10 Analisar diferentes fluxos populacionais e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira. EF04HI11 Identificar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares, elementos de distintas culturas (europeias, latino-americanas, afro-brasileiras, indígenas, ciganas, mestiças etc.), valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local e brasileira. EF04HI12 Analisar, na sociedade em que vive, a existência ou não de mudanças associadas à migração (interna e internacional).

OBJETOS DE CONHECIMENTO

HABILIDADES DESENVOLVIDAS

•• A ação das pessoas e dos grupos

•• Produção de marcos de

memória

Capítulo 1: Todos têm história

•• Memórias individuais e

coletivas •• Percepção temporal:

passado e presente •• Estudo da História como prática investigativa

Unidade 1: Para entender a História

sociais no tempo e no espaço: grandes transformações da história da humanidade (sedentarização, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras) •• O passado e o presente: a noção de permanência e as lentas transformações sociais e culturais •• Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos •• Os processos migratórios do final do século 19 e início do século 20 no Brasil •• As dinâmicas internas de migração no Brasil a partir dos anos 1960

EF04HI01 EF04HI03 EF04HI11 EF04HI12

•• A ação das pessoas e dos grupos •• Objetos pessoais como

Capítulo 2: As pistas sobre o passado

XVI

fontes históricas •• O trabalho do historiador •• Fontes históricas como vestígios de feitos humanos •• Mudanças e permanências nas vivências humanas de acordo com os tempos e espaços

sociais no tempo e no espaço: grandes transformações da história da humanidade (sedentarização, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras) •• Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos •• Os processos migratórios do final do século 19 e início do século 20 no Brasil •• As dinâmicas internas de migração no Brasil a partir dos anos 1960

EF04HI01 EF04HI11


•• Fontes históricas •• Patrimônios históricos e

Capítulo 3: Os documentos patrimoniais

culturais •• Marcos de memória

materiais e imateriais •• O trabalho do

arqueólogo

Unidade 1: Para entender a História

•• Diversidade cultural

Capítulo 4: O tempo de cada um

•• Passagem do tempo •• Marcadores de tempo

cronológico •• Vivências cotidianas •• Cronologia •• Documentos históricos

•• A ação das pessoas e grupos

sociais no tempo e no espaço: grandes transformações da história da humanidade (sedentarização, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras) •• O passado e o presente: a noção de permanência e as lentas transformações sociais e culturais

EF04HI01 EF04HI03

•• A ação das pessoas e grupos

sociais no tempo e no espaço: grandes transformações da história da humanidade (sedentarização, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras)

EF04HI02

•• A ação das pessoas e dos grupos

sociais e étnicos que compõem cada país e cidade •• Vestígios da humanidade •• Primeiros grupos humanos •• Comunidades do passado •• Primeiras migrações •• Povoamento da América

sociais no tempo e no espaço: grandes transformações da história da humanidade (sedentarização, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras) •• A circulação de pessoas e as transformações no meio natural •• Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos •• Os processos migratórios do final do século 19 e início do século 20 no Brasil •• As dinâmicas internas de migração no Brasil a partir dos anos 1960

•• Comunidades na

•• A ação das pessoas e dos grupos

•• Diferentes grupos

Capítulo 1: Os vestígios da humanidade

Unidade 2: A vida em conjunto

Capítulo 2: As comunidades na Pré-História

Pré‑História •• Tecnologia na Pré‑História •• Vestígios humanos na África •• Linguagem como forma de interação social

sociais no tempo e no espaço: grandes transformações da história da humanidade (sedentarização, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras) •• O passado e o presente: a noção de permanência e as lentas transformações sociais e culturais

EF04HI01 EF04HI02 EF04HI04 EF04HI05 EF04HI11

EF04HI01 EF04HI02 EF04HI03

•• A formação das cidades •• O crescimento das

cidades •• Área urbana e área rural •• A cidade e suas

Capítulo 3: O surgimento da agricultura

atividades: trabalho, cultura e lazer •• Organização social para o trabalho •• Primeiras formas de comércio •• A invenção do comércio e a circulação de produtos •• Os patrimônios históricos e culturais da cidade em que se vive

•• A ação das pessoas e dos grupos

sociais no tempo e no espaço: grandes transformações da história da humanidade (sedentarização, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras) •• O passado e o presente: a noção de permanência e as lentas transformações sociais e culturais •• A circulação de pessoas e as transformações no meio natural

EF04HI01 EF04HI02 EF04HI03 EF04HI05

XVII


•• A organização e a

formação das cidades •• O surgimento das

Unidade 2: A vida em conjunto

Capítulo 4: As cidades

Capítulo 1: O comércio e as transformações

Capítulo 2: O mundo em expansão

primeiras cidades •• O crescimento das cidades •• Técnicas e tecnologias que ajudaram a desenvolver as cidades •• A importância da água no surgimento e desenvolvimento das cidades

Capítulo 3: A expansão marítima e o comércio

sociais no tempo e no espaço: grandes transformações da história da humanidade (sedentarização, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras) •• O passado e o presente: a noção de permanência e as lentas transformações sociais e culturais •• A circulação de pessoas e as transformações no meio natural

•• A relação entre

•• O passado e o presente: a noção de

diferentes cidades •• Os fluxos migratórios •• O comércio relacionado com o crescimento das cidades e a expansão das fronteiras •• O processo de transformação das cidades •• Os diferentes registros escritos do passado

permanência e as lentas transformações sociais e culturais •• A circulação de pessoas e as transformações no meio natural •• A invenção do comércio e a circulação de produtos •• As rotas terrestres, fluviais e marítimas e seus impactos na formação de cidades e nas transformações do meio natural •• O mundo da tecnologia: a integração de pessoas e as exclusões sociais e culturais

•• A circulação de

produtos no mundo atual e no passado •• A importância da

Unidade 3: O mundo em movimento

•• A ação das pessoas e grupos

navegação na história do comércio •• Técnicas e tecnologias aplicadas à navegação no passado •• As Grandes Navegações e a expansão dos territórios português e espanhol

•• A circulação de pessoas e as

transformações no meio natural •• A invenção do comércio e a circulação de produtos

EF04HI01 EF04HI02 EF04HI03 EF04HI04 EF04HI05 EF04HI06

EF04HI03 EF04HI04 EF04HI05 EF04HI06 EF04HI07 EF04HI08

EF04HI04 EF04HI05 EF04HI06

•• A invenção do comércio e a circulação

de produtos •• As rotas terrestres, fluviais e marítimas e

seus impactos na formação de cidades e nas transformações do meio natural •• O mundo da tecnologia: a integração de pessoas e as exclusões sociais e culturais •• Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos

EF04HI06 EF04HI07 EF04HI08 EF04HI10 EF04HI11

•• A circulação de pessoas e as •• O processo de

Capítulo 4: A ocupação do interior

XVIII

povoamento do Brasil Colonial •• A importância da mineração no processo de interiorização do Brasil •• O tropeirismo e o comércio pelo interior do Brasil

transformações no meio natural •• A invenção do comércio e a circulação

de produtos •• As rotas terrestres, fluviais e marítimas e seus impactos na formação de cidades e nas transformações do meio natural •• O surgimento da espécie humana na África e sua expansão pelo mundo •• Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos

EF04HI05 EF04HI06 EF04HI07 EF04HI09 EF04HI10 EF04HI11


•• A importância das

Capítulo 1: Vindo de muito longe

atividades econômicas para o povoamento do Brasil •• Os diferentes fluxos de pessoas por conta de atividades econômicas •• A abolição da escravatura e o fluxo da população de ex‑escravos pelo Brasil

•• O mundo da tecnologia: a integração de

pessoas e as exclusões sociais e culturais •• O surgimento da espécie humana na

África e sua expansão pelo mundo •• Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos •• Os processos migratórios do final do século 19 e início do século 20 no Brasil •• As dinâmicas internas de migração no Brasil a partir dos anos 1960

EF04HI08 EF04HI09 EF04HI10 EF04HI11 EF04HI12

•• A invenção do comércio e a circulação

de produtos •• As rotas terrestres, fluviais e marítimas e •• Diversidade étnica na

formação do Brasil •• Os diferentes contextos

Capítulo 2: É gente de todo lugar Unidade 4: Movimento de pessoas no Brasil

de imigração na História do Brasil •• Os imigrantes que chegam ao Brasil na atualidade •• O fluxo de brasileiros pelo mundo

seus impactos na formação de cidades e nas transformações do meio natural •• O mundo da tecnologia: a integração de pessoas e as exclusões sociais e culturais •• O surgimento da espécie humana na África e sua expansão pelo mundo •• Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos •• Os processos migratórios do final do século 19 e início do século 20 no Brasil •• As dinâmicas internas de migração no Brasil a partir dos anos 1960

EF04HI06 EF04HI07 EF04HI08 EF04HI10 EF04HI11 EF04HI12

•• Os processos migratórios para a

Capítulo 3: O Brasil em movimento

•• Os fluxos recentes de

migração pelo Brasil

formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos •• Os processos migratórios do final do século 19 e início do século 20 no Brasil •• As dinâmicas internas de migração no Brasil a partir dos anos 1960

EF04HI10 EF04HI11 EF04HI12

•• Os diferentes meios de

comunicação •• A participação da

Capítulo 4: Os meios de comunicação na história

comunidade imigrante na transformação da comunicação local •• A interatividade nos novos meios de comunicação •• A importância do rádio na comunicação

•• O mundo da tecnologia: a integração de

pessoas e as exclusões sociais e culturais

EF04HI08

XIX


História 5o ano Habilidades preconizadas na BNCC EF05HI01 Identificar os processos de formação das culturas e dos povos, relacionando-os com o espaço geográfico ocupado. EF05HI02 Identificar os mecanismos de organização do poder político com vistas à compreensão da ideia de Estado. EF05HI03 Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos. EF05HI04 Associar a noção de cidadania com os princípios de respeito à diversidade e à pluralidade. EF05HI05 Associar o conceito de cidadania à conquista de direitos dos povos e das sociedades, compreendendo-o como conquista histórica. EF05HI06 Comparar o uso de diferentes linguagens no processo de comunicação e avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a elas.

EF05HI07 Identificar os processos de produção, hierarquização e difusão dos marcos de memória e discutir a presença e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociedade na nomeação desses marcos de memória. EF05HI08 Identificar formas de marcação da passagem do tempo em distintas sociedades, incluindo as populações indígenas. EF05HI09 Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a vida cotidiana no tempo presente, por meio do acesso a diferentes fontes, incluindo orais. EF05HI10 Inventariar os patrimônios materiais e imateriais da humanidade e analisar mudanças e permanências desses patrimônios ao longo do tempo.

CONTEÚDO DO LIVRO DO ALUNO

Capítulo 1: Direitos e cidadania

Unidade 1: A cidadania em construção

Capítulo 2: Direitos para todos

Capítulo 3: Cidadania na História

Capítulo 4: Cidadania sempre

•• Direitos e deveres •• Os direitos das crianças •• Cidadania brasileira •• Estatuto da Criança e do

Adolescente •• Direitos universais •• Os direitos dos outros •• Direitos dos idosos •• Lei de inclusão de pessoa com

deficiência •• Lei Maria da Penha •• Respeito à diversidade •• Direitos e deveres •• Cidadania na Antiguidade

Clássica •• Revolução Francesa •• As práticas cidadãs •• Patrimônio público •• Patrimônio imaterial

OBJETOS DE CONHECIMENTO

HABILIDADES DESENVOLVIDAS

•• Cidadania, diversidade cultural

EF05HI04

e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas

•• Cidadania, diversidade cultural

e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas •• As tradições orais e a valorização da memória •• Cidadania, diversidade cultural

e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas •• As tradições orais e a valorização da memória •• Cidadania, diversidade cultural

e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas •• As tradições orais e a valorização da memória

EF05HI05

EF05HI04 EF05HI05 EF05HI09

EF05HI04 EF05HI05 EF05HI09 EF05HI04 EF05HI05 EF05HI06

•• O papel das religiões e da

Unidade 2: A religiosidade na história

XX

Capítulo 1: O desafio da tolerância

•• Respeito à diversidade •• Tolerância •• Exercício da cidadania •• Liberdade religiosa

cultura na formação dos povos antigos •• Cidadania, diversidade cultural e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas •• As tradições orais e a valorização da memória

EF05HI03 EF05HI04 EF05HI05 EF05HI06


•• O papel das religiões e da

Capítulo 2: Outras religiões

•• Diversidade religiosa •• Tradição religiosa indígena •• A tradição religiosa africana e sua

contribuição para a formação da identidade cultural brasileira

cultura para a formação dos povos antigos •• Cidadania, diversidade cultural e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas •• As tradições orais e a valorização da memória

EF05HI03 EF05HI04 EF05HI05 EF05HI06

•• As diferentes formas de

Unidade 2: A religiosidade na história

Capítulo 3: Religiões pelo mundo

•• O papel das religiões e da religiosidade pelo mundo cultura para a formação dos •• Politeísmo e monoteísmo povos antigos •• Cidadania, diversidade cultural •• A importância da oralidade e respeito às diferenças sociais, na transmissão das tradições culturais e históricas religiosas e do conhecimento •• Diferenças e semelhanças entre as •• As tradições orais e a valorização da memória religiões

EF05HI03 EF05HI04 EF05HI05 EF05HI06

•• O papel das religiões e da •• A religiosidade nas civilizações da

Antiguidade Clássica •• A importância da religião para a Capítulo 4: organização da sociedade As religiões •• Politeísmo fazendo história •• A importância da religião para a criação de um patrimônio imaterial •• Como definimos povo •• Os primeiros grupos humanos

Capítulo 1: O que é um povo

•• O processo de sedentarização das

sociedades •• A importância do espaço geográfico na organização dos grupos humanos •• Como surgiu o comércio

cultura na formação dos povos antigos •• Cidadania, diversidade cultural e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas •• As tradições orais e a valorização da memória •• Os patrimônios materiais e imateriais da humanidade

EF05HI03 EF05HI04 EF05HI05 EF05HI06 EF05HI10

•• O que forma um povo?: da

sedentarização aos primeiros povos •• As formas de organização social e política: a noção de Estado •• O papel das religiões •• Os patrimônios materiais e imateriais da humanidade

EF05HI01 EF05HI02 EF05HI10

•• O que forma um povo?: da

Unidade 3: Muitos povos, diferentes culturas

Capítulo 2: Primeiros povos

•• As primeiras formas de registro

dos povos antigos •• Diferentes sistemas de escrita

•• Organização social •• A importância da política

Capítulo 3: Formas de se organizar

Capítulo 4: As aldeias que se tornam estados

•• A prática da cidadania na

transformação da sociedade •• A prática política na Antiguidade Clássica •• A participação política nas sociedades indígenas •• Organização social •• Formas e sistemas de governo •• Mudanças e permanências

sedentarização aos primeiros povos •• As tradições orais e a valorização da memória •• O surgimento da escrita e a noção de fonte para a transmissão de saberes, culturas e histórias

EF05HI01 EF05HI06 EF05HI07 EF05HI08

•• O que forma um povo?: da

sedentarização aos primeiros povos •• As formas de organização social e política: a noção de Estado •• Cidadania, diversidade cultural e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas •• Os patrimônios materiais e imateriais da humanidade •• As formas de organização social

e política: a noção de Estado

EF05HI01 EF05HI02 EF05HI04 EF05HI05 EF05HI10

EF05HI02

XXI


•• Diferentes formas de organizar o

Capítulo 1: O tempo na História

•• As tradições orais e a tempo na história da humanidade valorização da memória •• Os marcadores de tempo nas •• O surgimento da escrita e sociedades antigas a noção de fonte para a •• A percepção dos indígenas sobre transmissão de saberes, culturas e histórias o tempo e seus marcadores

EF05HI08

•• A importância da tradição oral na

transmissão do conhecimento

Capítulo 2: A memória e a História Unidade 4: Os patrimônios da humanidade

Capítulo 3: O que são marcos históricos

•• Os contadores de história nas

sociedades do presente e do passado •• A memória e os relatos pessoais •• O relato pessoal como fonte histórica •• A importância dos marcos de

memória para as narrativas históricas •• O estabelecimento de marcos de memória

•• As tradições orais e a

valorização da memória •• O surgimento da escrita e a noção de fonte para a transmissão de saberes, culturas e histórias

EF05HI06 EF05HI07 EF05HI08 EF05HI09

•• As tradições orais e a

valorização da memória •• O surgimento da escrita e

a noção de fonte para a transmissão de saberes, culturas e histórias

EF05HI07 EF05HI09

•• As tradições orais e a

valorização da memória

Capítulo 4: Muito além dos documentos

XXII

•• Patrimônio material e imaterial •• Patrimônio histórico, natural e

cultural

•• O surgimento da escrita e

a noção de fonte para a transmissão de saberes, culturas e histórias •• Os patrimônios materiais e imateriais da humanidade

EF05HI09 EF05HI10


Pressupostos teórico-metodológicos Esta coleção busca atender aos propósitos de compreensão do papel do professor no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com essa proposta, o docente é visto não somente como um indivíduo que analisa situações e identifica melhores recursos e estratégias para atingir objetivos predeterminados mas é compreendido também como agente ativo na concepção do fazer historiográfico, ampliando os próprios conhecimentos (promovedor do saber) e o de seus alunos (intermediador do saber). Para isso, o professor também participa dos projetos de pesquisa propostos aos alunos, considerando que a escola é produtora de uma cultura específica, assim como está inserida no mundo e ligada a outras culturas, como a universitária, a mercadológica, a popular, a tecnológica etc. Nesse jogo de construção do saber histórico, destaca-­ ‑se a articulação entre memória e história. Em razão de sua pouca idade, não é possível aos alunos articular memória e história, de modo que a primeira seja dissociada da segunda. Portanto, estudar História, para eles, precisa ser uma experiência calcada em suas referências de vida, sejam elas advindas das produções culturais (hábitos, costumes, linguagens, conceitos morais, éticos e religiosos etc.), sejam da cultura material (objetos, corpos, locais etc.) – ou seja, o docente é visto como parte de uma proposta voltada à “alfabetização histórica”. Assim, nesta coleção, duas ideias se articulam de forma complementar. A primeira é a visão de que o aluno é protagonista na produção do conhecimento, com autonomia e liberdade de reflexão, tendo na experimentação e na sua vivência o mecanismo para aprender e para produzir conhecimento. A segunda é a compreensão de que o aprendizado de História nos anos iniciais se consolida com o domínio pelo aluno de habilidades relacionadas à sua capacidade de aplicar os conhecimentos produzidos em História, na sala de aula, à sua realidade, como a identificação de diferentes sujeitos, o reconhecimento de diferentes marcos de memória ou a capacidade de trabalhar com base em diferentes fontes documentais e reconhecer a memória individual como uma dessas fontes. Além de promover uma leitura contextualizada do passado, a coleção pretende atender às demandas estabelecidas pelos documentos oficiais, consolidando as competências estabelecidas para o ensino de História para os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental I. Tais competências são trabalhadas ao longo dos volumes por meio de textos teóricos e atividades que colo-

cam o aluno como agente na produção do conhecimento e conferem sentido a esse conhecimento produzido, articulando-o aos espaços de vivência do aluno. Essa forma de trabalhar condiz com o que preconiza a historiadora e professora Márcia Maria Menendes Motta: [...] é preciso reconhecer, antes de tudo, que o passado ou o presente estudado foi ou tem sido vivido por grupos diversos, que construíram e constroem embates, concepções de vida, visões de mundo e projetos de sociedade. É fundamental reconhecer, ainda, que a história não se satisfaz com a narrativa. Não basta, portanto, redigir um acontecimento, relendo o documento ou o testemunho oral como se ele fosse a “fonte da verdade”, porque, para se fazer história, é preciso estar atento aos aspectos aparentemente sem importância, detalhes muitas vezes desprezíveis, termos e palavras sem sentido em uma primeira aproximação. Aprender a fazer história significa também aprender a cruzar fontes, produzir embates entre elas e conflitos de interpretações sobre uma evidência; para tanto, é preciso fazer perguntas novas às fontes velhas, em um incessante processo de escape de uma resposta previamente definida e dada como certa [...]. (MOTTA, 2012, p. 29).

Assim, o estudo de História aqui proposto visa promover discussões por meio de situações-problema apresentadas nas atividades. Isso porque é no conjunto das atividades que é feita a aplicação do conhecimento escolar na realidade do alunado. Outro aspecto a ser considerado é a relação da cultura material com os estudos de História. Para alunos do Ensino Fundamental, nada é mais palpável do que os objetos que eles podem ver e tocar e com os quais se relacionam no dia a dia. A preservação da memória ocorre tanto por meio do estímulo aos estudos locais, com objetos e recortes cronológicos específicos relativos ao cotidiano dos alunos, como por meio do resgate das histórias de vida dos moradores das áreas próximas às escolas, como preconizam, respectivamente, Sônia Regina Miranda (2004) e Moacir Gigante (1994). XXIII


Valorizar as comunidades locais, inserindo-as em narrativas mais amplas que consideram o desenvolvimento histórico nacional, leva o aluno a se sentir participativo do processo histórico. Para evitar equívocos no processo de ensino e aprendizagem, pode-se promover o estudo das estruturas sociais das quais façam parte pessoas que os alunos conhecem, como a própria família e outros moradores da cidade em que vivem. Dessa maneira, eles tornam-se capazes de aproximar os assuntos abordados pelo texto de seus contextos pessoais. Para que esses estudos locais sejam bem-sucedidos, esta coleção sugere o uso das fontes orais (entrevistas), “uma vez que a fonte oral é capaz de ampliar a compreensão do contexto, de revelar os silêncios e as omissões da documentação escrita, de produzir outras evidências, captar, registrar e preservar a memória viva” (FONSECA, 2003, p. 155). Tendo em vista o conjunto de formulações apresentado, a coleção trabalha a História em suas múltiplas facetas: como produção socialmente construída, como área do conhecimento inserida nas questões relativas ao tempo (histórico e dos alunos), como processo de rupturas e continuidades – estas últimas observáveis na cultura material e nos hábitos e tradições, tanto locais como nacionais – e como instrumento crítico acerca da realidade local e nacional vivenciada por alunos. Essa realidade é, portanto, pensada como elemento que auxilie no entendimento de que o presente é feito em função do acúmulo de experiências passadas, ainda que estas proponham a preservação ou a mudança, pertençam elas às esferas pessoais e individuais ou sociais e coletivas. Por conseguinte, a História é aqui desenvolvida sobre pressupostos que estimulem, ainda que de maneira simples e de acordo com a idade das crianças, a ação coletiva em busca da apreensão de suas realidades e da resolução dos problemas enfrentados por elas.

A interdisciplinaridade Entendemos como interdisciplinar a proposta de promover a construção do conhecimento articulando as diferentes disciplinas do currículo escolar. Assim, quando propomos, por exemplo, o trabalho sobre os primeiros grupos de convivência ou os primeiros espaços de sociabilidade, o fazemos de forma que tais conteúdos possam ser articulados com habilidades. Essa relação entre as disciplinas faz com que os conhecimentos escolares se articulem entre si, possibilitando aos alunos os compreender como algo que possui valor absoluto, mas que também se articula com outros conhecimentos, ampliando seu sentido. Ao mesmo tempo, tal interdisciplinaridade possibilita ao aluno estabelecer XXIV

relação entre o conhecimento escolar e a realidade que o cerca. Além disso, a interdisciplinaridade promove o rompimento de categorias de pensamento que compartimentam o conhecimento. Assim, a potencial interdisciplinaridade existente entre a História e as demais disciplinas do currículo escolar, nesta coleção, é efetivada por meio do trabalho com base em fontes históricas e pela articulação com o processo de alfabetização e letramento. A interdisciplinaridade representa uma possibilidade de articulação entre os conhecimentos que se apresentam fragmentados nas diversas disciplinas. Segundo Heloísa Lück: A interdisciplinaridade propõe uma orientação para o estabelecimento da esquecida síntese dos conhecimentos, não apenas pela integração de conhecimentos produzidos nos vários campos de estudo, de modo a ver a realidade globalmente, mas, sobretudo, pela associação dialética entre dimensões polares, como, por exemplo, teoria e prática, ação e reflexão, generalização e especialização, ensino e avaliação, meios e fins, conteúdo e processo, indivíduo e sociedade etc. Mediante uma tal síntese, a pessoa consciente de que faz parte do objeto conhecido, já mesmo por conhecê-lo, ao ver a realidade, vê-se nela e não fora dela, enquanto mera observadora. Consequentemente, a lógica formal do princípio da certeza é substituída pela lógica paradoxal do princípio da dúvida. (LÜCK, 1994, p. 51-52).

Assim, em consonância com o que é estabelecido pela BNCC e pelos pressupostos teóricos escolhidos para a construção desta coleção, procuramos articular a interdisciplinaridade em dois níveis distintos: o primeiro nível de articulação é com as outras disciplinas que compõem o currículo do Ensino Fundamental I e o segundo nível de articulação se dá com as outras disciplinas que se dedicam à organização do estudo do passado. Apesar de o historiador ser o profissional que mais se dedica às análises das fontes históricas, outros pesquisadores também têm utilizado fontes que remontam ao passado como base para seus estudos. Disciplinas como Sociologia, Antropologia, Filosofia, Arte, Ciências e Literatura recorrem ao passado em busca de explicações ou de entendimento acerca da construção do saber das respectivas áreas. Estabelecendo relações de reciprocidade e de ajuda mútua, todos esses campos do conhecimento humano agregam-se para dividir e ampliar os conhecimentos adquiridos em suas pesquisas, com suas metodologias específicas. É nesse espectro que se dá o segundo nível de articulação da interdisciplinaridade nesta coleção.


Em diversas atividades, os alunos são desafiados a acionar suas competências leitoras, adquiridas também nas aulas de Língua Portuguesa – disciplina fundamental para qualquer tipo de estudo, pois ela permite ao aluno compreender e interpretar os textos, seja pelo conhecimento das normas gramaticais que regem a língua, seja pela compreensão dos conteúdos textuais. Podem ser, ainda, desafiados a ler e a interpretar adequadamente mapas, de maneira semelhante à que fazem nas aulas de Geografia. A interdisciplinaridade propicia a apreensão global do fenômeno histórico estudado, configurando-se como elemento ativador da curiosidade dos alunos.

A formação cidadã De acordo com o princípio descrito no artigo 205 da Constituição brasileira, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e com a Base Nacional Comum Curricular, os conteúdos a serem ministrados no Ensino Fundamental têm a finalidade de formar os alunos para o exercício consciente da cidadania. Leia a seguir a descrição de “cidadão” do historiador Jaime Pinsky. Afinal, o que é ser cidadão? Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranquila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais. [...] (PINSKY, 2005, p. 9).

A educação escolar deve estar comprometida com a cidadania e, para isso, deve fundamentar-se em quatro princípios básicos: dignidade do ser humano, igualdade de direitos, participação e corresponsabilidade pela construção e pelo destino da coletividade. Os conteúdos devem ser significativos para os alunos e estar adequados às diversas formas de aprender de cada um. Você pode mobilizar os conteúdos de Ciências Humanas e da Natureza para questões e temas importantes, eleitos de acordo com a realidade dos alunos. Temas relacionados a direitos humanos, pluralidade cultural, o

papel do homem e o da mulher na sociedade, saúde, meio ambiente e outros possibilitam discussões e reflexões que dizem respeito ao desenvolvimento de condutas e a valores que se traduzem em atividades e atitudes práticas na construção da cidadania. A escola forma para a vida e para a vivência plena da cidadania. Essa é uma sentença constantemente pronunciada por educadores. Nela está embutida a ideia da formação para os valores, como o respeito, a solidariedade, a responsabilidade, a honestidade etc. Nela está também o conceito de formação das atitudes, isto é, da predisposição do sujeito para atuar de certa maneira. (MORETTO, 2002, p. 90-91).

Ao estudarmos a natureza, a cultura, as paisagens e as relações sociais de diversos povos em tempos distintos percebemos as diferenças entre eles. Conhecendo e compreendendo essas diferenças, passamos a respeitá-las. A postura do professor de respeito às diferenças culturais desenvolve nos alunos o respeito a si mesmo e aos outros, dentro e fora da escola, e o trabalho é desenvolvido com foco na valorização e no respeito à opinião do outro. Assim, passamos a entender a troca de experiências e o debate como forma de aprendizagem. O grande desafio da escola é superar a discriminação e valorizar a diversidade étnico-cultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro. Para tanto, a escola deve ser local de diálogo e de aprendizagem da convivência, onde se respeita as diferentes formas de expressão cultural. Os conteúdos devem possibilitar a valorização da diversidade cultural, grande riqueza de qualquer nação, bem como atitudes de respeito. A observação, a interpretação e a compreensão das transformações socioespaciais são imprescindíveis para o aluno refletir sobre a sociedade em que vive, repensá-la, repudiar as injustiças e exigir o cumprimento de seus direitos. Os cidadãos sentem que pertencem à realidade com a qual têm ligação afetiva. São, portanto, responsáveis e corresponsáveis por ela, e devem assumir seus deveres na construção de um mundo mais justo e humanitário. E, para isso, o estudo da história local é de suma importância. A cidadania deve estar voltada à garantia de igualdade, de direitos e de oportunidades iguais a todos. A formação do aluno para o exercício da cidadania compreende a capacitação para o autocuidado, assim como a compreensão da saúde como direito e responsabilidade pessoal e social. Envolve discussões sobre trabalho insalubre, poluição, saneamento básico, qualidade de vida, entre outras.

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A educação para o respeito às diferentes identidades socioculturais Compreender a formação de nossa sociedade como uma construção plural, na qual todas as matrizes culturais e étnico-raciais foram e são igualmente importantes, e, ao mesmo tempo, entender que as diversas culturas advêm de processos históricos, é fundamental para o ensino de História em nosso país. Concordamos com Hebe Mattos (2003, p. 129) quando ela afirma que “a História se apresenta como disciplina-chave” para o desenvolvimento de um trabalho em que, em vez de “reforçar culturas e identidades de origem, resistentes à mudança, mais ou menos ‘puras’ ou ‘autênticas’”, se busque “educar para a compreensão e o respeito à dinâmica histórica das identidades socioculturais efetivamente constituídas”. E, para que isso seja possível, é preciso que as histórias da África, dos africanos e das populações negras e indígenas no Brasil, em toda sua complexidade, sejam pesquisadas e trabalhadas por professores e alunos nas aulas de História. O ensino da História da África, da cultura afro-brasileira e dos povos indígenas faz parte das ações afirmativas no combate ao racismo e à discriminação étnica. A manifestação de racismo (preconceito de raça) – como uma ideologia que defende a classificação hierárquica dos seres humanos e os agrupa em razão de sua etnia – e a discriminação étnica – que se manifesta por meio de ações diretas como humilhações, indiferença ou cerceamentos de acesso às garantias constitucionais – são criminalizadas no Brasil desde o final da década de 1980 e, assim, passíveis de acusação e prisão. A criminalização é de fato um avanço, porém é necessária e urgente a mudança de mentalidade, que não acontece abruptamente, e sim ao longo de gerações, e pode ocorrer por meio do enfrentamento dessa questão, que permeia, muitas vezes veladamente, a sociedade como um todo. No combate a manifestações preconceituosas, a escola constitui um espaço estratégico, pois a promoção de debates e discussões propicia mais visibilidade ao tema, como afirma Isabel Santos: [...] no cotidiano escolar a educação antirracista visa à erradicação do preconceito, das discriminações e de tratamentos diferenciados. [Na escola], estereótipos e ideias preconcebidas, estejam onde estiverem (meios de comunicação, material didático e de apoio, corpo discente e docente etc.) precisam ser duramente criticados XXVI

e banidos. É um caminho que conduz à valorização da igualdade nas relações. E para isso, o olhar crítico é ferramenta mestra. (SANTOS, 2001, p. 105).

A História e a memória Um dos principais objetivos específicos do ensino de História se relaciona à constituição da noção de identidade. Assim, é primordial estabelecer relações entre identidades individuais, sociais e coletivas, entre elas as que se constituem como nacionais. O estudo da História desempenha um papel importante na formação cidadã, uma vez que articula pesquisa e reflexão sobre as relações construídas socialmente e sobre as relações estabelecidas entre indivíduos, grupos e o mundo social. Nesse processo, a memória ocupa lugar de centralidade. Evidencia-se também o estudo da memória enquanto prática de representação social e, portanto, essencial para o estudo das formas de resgate de memórias coletivas, há tempo esquecidas no espaço público pela memória oficial. A memória é uma construção, representação seletiva do passado, que nunca é somente aquela do indivíduo, mas de um indivíduo inserido num contexto familiar, social e nacional.

A cultura imaterial O trabalho sobre o patrimônio imaterial, sua inclusão no currículo escolar, tem o potencial de propiciar ao aluno conhecer, valorizar e ser crítico tanto com relação à sua cultura quanto à do outro, não a aceitando como imposição, mas como diferente. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), patrimônio imaterial são todos os usos, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – bem como instrumentos, objetos, artefatos e lugares – que as comunidades e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural. Tal como a memória, nesta coleção, a cultural imaterial ocupa um espaço privilegiado na formação das identidades e, por isso, também se caracteriza como ponto de partida para a aprendizagem histórica com base em uma realidade próxima à do aluno, como espaço de reflexão crítica acerca da realidade social e como referência para o processo de construção das identidades.


Segundo Isabel Barca, ser historicamente letrado implica: Saber ler fontes históricas diversas, primárias e secundárias, com diversos suportes e com perspectivas diferenciadas; Saber confrontar as fontes nas suas mensagens, nas suas intenções e na sua validade relativa; Saber entender – ou procurar entender – o “Nós” e os “Outros”, em diferentes tempos, em diferentes espaços; Saber levantar novas questões, procurar novas respostas, novas hipóteses de investigação; Procurar perspectivar o presente e o futuro à luz da compreensão e das competências da pesquisa histórica. (BARCA, 2006, p. 30).

E tais habilidades se dão pelo trato direto com as fontes, que, ao serem trabalhadas como evidências do passado, favorecem a cognição histórica, permitindo que o aluno faça inferências e crie hipóteses sobre como pensavam e viviam as pessoas em outras épocas. O Patrimônio Imaterial pode se enquadrar no patamar das experiências e das investigações e contribuir para consolidar a investigação feita pelos alunos, porque possibilita que suas crenças, os saberes guardados na família, na comunidade, sejam considerados e relativizados diante de outras experiências do passado e do presente. [...] aprender História é aprender a olhar a realidade, entendendo a historicidade da experiência vivida e relacionando-a com outras experiências do passado e do presente, podendo-se reconhecer que a relação com o passado é um elemento imprescindível aos esquemas de conhecimento e interpretação da realidade presente. [...] é necessário levar as crianças e os jovens a estudar História a partir da reflexão sobre os problemas de seu tempo, trabalhando a partir de diferentes documentos e da memória, aprendendo a construir a argumentação e produzir suas próprias narrativas históricas. Assim, o ensino de História deve partir da compreensão e reconstrução da vida cotidiana das crianças e dos jovens, de forma que possam compreender essa dimensão na vida de outros seres humanos. (SCHMIDT, CHIESA, GARCIA, 2006, p. 83).

O uso de recursos audiovisuais em sala de aula As imagens são importantes fontes para o estudo de História. O trabalho referente a elas e a outros documentos audiovisuais visa constatar que não há uma única maneira de estudar e interpretar as fontes históricas. Os documentos visuais podem representar ideias, objetos, pessoas, acontecimentos, entre outros, possibilitando que você trilhe caminhos de modo a facilitar ao aluno a compreensão e o conhecimento do mundo em que vivemos. Há formas de representação que unem a imagem e a escrita, como histórias em quadrinhos; outras que unem a imagem e a fala, como filmes e documentários; e outras, ainda, que recorrem somente à imagem, como fotografias, desenhos, pinturas e esculturas. Fontes importantes e necessárias ao dia a dia na sala de aula, as imagens podem ser amplamente utilizadas. Para que os alunos possam desenvolver habilidades ligadas à observação de imagens, é necessário propor uma análise crítica delas, promovendo o desenvolvimento gradativo de habilidades ligadas a esse tipo de prática recorrente nas aulas de História. Bianca Zucchi ressalta o seguinte: Assim como os historiadores utilizam as imagens como fontes de informações sobre o passado, os alunos também podem, de acordo com os interesses didáticos de cada atividade proposta pelo professor, fazer o mesmo: tornar as imagens uma fonte de informação sobre os temas históricos que estudam. Esse recurso didático pode ser uma forma de atrair a atenção dos alunos e pode levá-los a se sentir capazes de analisar os diferentes tipos de imagens que veem todos os dias. Como todos os outros tipos de fontes históricas, os diferentes tipos de imagem têm suas peculiaridades de análise e seus limites. Nas variadas fontes imagéticas que a historiografia já coletou, muitas vezes faltam dados importantes, por exemplo: data, local, nome do fotógrafo; algumas pinturas despertam dúvidas nos especialistas com relação a sua datação ou autoria etc. Devemos considerar também o fato de hoje em dia existir a possibilidade de manipulação de imagens por programas de computador, o que poderia sugerir informações errôneas. Mas, apesar de algumas limitações, as imagens são uma fonte riquíssima de pesquisa. (ZUCCHI, 2012, p. 121-122).

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Quando, em sala de aula, propomos a análise de diferentes tipos de imagem é necessário ter clareza dos objetivos didáticos da atividade e de que forma se relacionam com o conteúdo estudado. Em seguida, é preciso escolher um tipo de imagem que seja adequado aos objetivos didáticos e à faixa etária dos alunos e estabelecer uma relação de comparação, de observação de continuidades e rupturas com relação ao passado. A imagem a ser analisada deve ser observada atentamente pelos alunos. Pensando nessa necessidade, priorizamos a apresentação de imagens em tamanhos grandes, que permitam a você utilizá-las para análise sempre que considerar adequado. Em seguida, você pode solicitar aos alunos que descrevam a imagem. É preciso estimulá-los com perguntas como: Que tipo de imagem está sendo mostrada? Quais são suas cores? Quem a produziu? Quais são seus principais elementos? É possível fazer essa atividade oralmente e pedir aos alunos que façam algumas anotações no caderno. Para complementar, seguindo um roteiro de análise prévio, você deve chamar a atenção para aspectos da imagem que se referem mais diretamente ao conteúdo estudado, em especial àqueles sobre os quais os alunos não tenham falado nos primeiros momentos da atividade. É importante estimulá-los a desenvolver um senso crítico com relação às imagens às quais são expostos diariamente; a perceber que as imagens comunicam ideias, valores, posturas, crenças, estereótipos etc., e que também são carregadas de historicidade, tendo em vista que sempre foram e são produzidas por indivíduos localizados no tempo. Tudo isso pode ajudá-los a extrair informações desse tipo de fonte. Ao trabalhar com documentos visuais, busca-se alcançar os mesmos objetivos que ao trabalhar com documentos escritos, porém são essenciais alguns procedimentos específicos: <<contato inicial – a primeira impressão que o aluno terá da imagem; <<descrição – decomposição da imagem, relato do que é aparente, pois só dessa maneira o aluno conseguirá, depois, observar aquilo que não é visível, o que a imagem representa historicamente; <<registro – anotação de todos os elementos, todas as emoções e tudo o que não foi compreendido; <<interpretação – argumentação, comparação e levantamento de informações complementares etc. É preciso também diferenciar a fonte histórica de sua interpretação. A imagem – fotografia, pintura, desenho ou mapa – é construída, pois alguém a criou em determinado momento e com uma intenção. É fundamental conversar sobre isso com os alunos.

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Fotografias Ao trabalhar imagens, o uso de fotografias é uma excelente oportunidade de aproximar o aluno do tema. Atualmente, o acesso a máquinas fotográficas e a manipulação desse tipo de imagem é muito fácil, sendo bem provável que alguns alunos já tenham câmeras fotográficas ou celulares com essa função. Se possível, estimule-os a usar esses dispositivos para se expressar, sempre de maneira adequada. O uso pode aumentar o interesse dos alunos pelos temas estudados e ajudar no rendimento deles. [...] duas perguntas são essenciais para organizar estudos cujo suporte didático seja a fotografia: 1. Como selecionar as imagens fotográficas para um trabalho na sala de aula? 2. Como realizar a “leitura” de fotografias com os alunos? Na seleção de imagens, um primeiro ponto a levar em conta é a escolha de “imagens fortes” como documento. Em razão da quantidade de fotos com que os alunos têm oportunidade de ter contato em seu cotidiano, é importante trabalhar com poucas, que sejam representativas de “imagens fortes”, capazes de causar um impacto visual, para motivá-los, e de trazer informações substantivas sobre o tema ou gerar questionamentos. Para os historiadores, normalmente é recomendável selecionar séries fotográficas sobre uma temática, iniciativa não aconselhável em uma proposta pedagógica. Neste caso, torna-se mais apropriado o trabalho com uma ou duas fotos, dependendo da situação, para que possam ser exploradas com cuidado, iniciando o aluno nas análises de leitura interna e externa (como ocorre com as demais análises sobre usos de documentos [...]) e incluindo a análise da verbalização inerente ao observador da fotografia. Tem sido usual recorrer ao uso da fotografia nas séries iniciais do ensino fundamental, conforme atestam vários relatórios de alunos estagiários. As fotografias da criança em outras idades, da família, de amigos são utilizadas para o estudo da “história de vida do aluno”, “história da família”, “história do bairro”, temas importantes para criar o sentimento de identidade, de pertença a um grupo ou comunidade. As fotos, transformadas em recursos didáticos, favorecem a introdução dos alunos no método de análise de “documentos históricos” e, em se tratando da fase inicial da alfabetização, contribuem para que identifiquem ano, nome de lugares e de pessoas ou grupos sociais, além de favorecerem a compreensão do antes e depois e a interiorização do conceito de geração.


Em fases posteriores da escolarização, o uso da fotografia pode favorecer o entendimento das mudanças e permanências, por intermédio de um estudo comparativo. Uma proposta frequente, ao estudar-se a história local, é apresentar fotos do mesmo lugar em momentos diferentes. Com base em fotos de dois períodos, os alunos podem identificar o espaço (nome e lugar específico da cidade) e as mudanças ocorridas (identificar todos os elementos possíveis que forneçam essas informações de mudanças e permanências), além das diferenças entre as fotos no aspecto mais técnico (dependendo da idade dos alunos), apontando as finalidades das fotografias – para que foram feitas. [...] (BITTENCOURT, 2009, p. 368-369).

Filmes Entre as imagens, os filmes têm sido amplamente utilizados e, nesta obra, são sugeridos ao final das unidades títulos para ser trabalhados com os alunos. Os filmes exigem cuidado especial, pois precisam ser entendidos como documento, mas também como produto cultural e comercial, como explica Bittencourt: Ao trabalharmos com o filme em sala de aula, é necessário oferecermos ao aluno informações básicas sobre o contexto da produção e outros dados que ele poderia ter dificuldade em obter e que facilitarão o seu estudo. No trabalho pedagógico com filmes, é preciso levantarmos várias questões a serem discutidas com os alunos, apresentando previamente um roteiro para a interpretação do filme. Todavia, lembramos que, muitas vezes, tanto professores quanto alunos se deparam com a necessidade de pesquisas que lhes permitam maiores aprofundamentos nos assuntos relativos ao filme. A seguir apresentamos algumas questões que orientam o trabalho com filmes: Contexto da produção – Quando e onde o filme foi produzido? Quem o produziu e dirigiu? Quanto custou? Há relação entre o filme e a situação econômica, política, social e cultural vivida à época? Que relação há entre o filme e a trajetória do cineasta? A repercussão – Como o filme foi recebido pelo público? E pela crítica? Como foi divulgado? Onde foi exibido? Participou de concursos? Foi premiado? O tema e o enredo – De que trata o filme? Quais as cenas marcantes? Que relação existe entre o título e o enredo? Que fatos ou processos históricos se relacionam

com o enredo? Como os elementos históricos são apresentados: cenário, figurino, linguagem etc.? Personagens – Que conflitos vivem? Expressam as características, o modo de viver, de falar, a mentalidade, o gestual de uma época? Símbolos – Há símbolos presentes no filme, como objetos que remetem a ideias, valores? Em caso afirmativo, eles são atuais? Em que situação eles aparecem? Como eles são explorados na trama? Linguagem cinematográfica – Há uma ordem cronológica nas cenas? Há uma noção de continuidade nas cenas? As cenas são rápidas ou longas? Como o espaço é apresentado? Como é explorada a relação do som com a imagem? Como é usada a luz? São usados efeitos especiais? A psicologia das personagens ou a dramaticidade das cenas são exploradas por meio de recursos técnicos? (BITTENCOURT, 2009, p. 353).

Esses questionamentos precisam ser simplificados para os alunos. O ideal é que você já selecione previamente algumas informações pertinentes ao filme e as explique aos alunos antes de exibi-lo. É importante que os alunos, desde cedo, percebam algumas questões sobre os filmes, como o assunto, os personagens principais e suas características etc.

História em quadrinhos Para o trabalho de leitura de histórias em quadrinhos, o guia para o planejamento do professor alfabetizador do Programa Ler e Escrever, criado pela Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo, orienta o professor para que: •Antes • da aula, selecione uma história em quadrinhos para ler com sua turma e providencie as cópias. ••Distribua as cópias e explique: enquanto você lê, cada um precisa acompanhar em sua cópia. Insista em que devem também prestar atenção nos desenhos, nas expressões das personagens e nas cenas. ••Pergunte aos alunos se conhecem a personagem da tirinha e o que sabem sobre ela. Essa conversa inicial é importante para os alunos compartilharem informações que ajudam a compreender a história [...]. Proponha que tentem contar o que acontece na história apenas observando os desenhos. Trata-se de uma forma interessante de favorecer o uso da imagem para antecipar o significado de um texto. [...] ••Inicie a leitura, indicando sempre qual é o quadrinho e qual o balão que está lendo. Sugira também

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que os alunos identifiquem qual das personagens está falando e pergunte como sabem. É um jeito de ajudá-los a se localizar na leitura (saber qual quadrinho vem antes, qual vem depois etc.) e perceber algumas características dos balões (que têm uma espécie de seta que aponta para a personagem que fala, que o formato do balão, o formato e o tamanho das letras podem indicar emoções e a intensidade com que se fala). [...] ••Após a leitura de cada quadrinho, sugira que os alunos antecipem o que virá a seguir. Em geral, os elementos inesperados são os principais responsáveis pela graça dessas historinhas. Assim, as antecipações aumentam a surpresa, quando as crianças constatam que a personagem não fez o que elas esperavam. ••Interrompa de vez em quando a leitura para pedir aos alunos que ainda não leem convencionalmente que tentem localizar determinada palavra num balão – nessa atividade deverão pôr em jogo seus conhecimentos sobre as letras e seus sons. Mas embora seja recomendável realizar atividades assim, tenha sempre em vista que a finalidade da leitura é a diversão com a historinha. Com muitos momentos de localização de palavras você corre o risco de esvaziar a atividade de seu objetivo principal. ••Terminada a leitura, converse com as crianças sobre o que entenderam da história, se acharam engraçada, o que aprenderam sobre as personagens e assim por diante. ••Você também pode pedir que os alunos contem a história, como se fosse um reconto. (SÃO PAULO, 2006, p. 82-83)

Os alunos também podem ser estimulados a produzir trabalhos em diferentes linguagens, entre elas as histórias em quadrinhos que tanto os fascinam, sobremaneira nesta faixa etária. Criar uma história em quadrinhos pode ser uma excelente ferramenta didática para desenvolver a criatividade. Esse recurso pode ser usado tanto em uma disciplina quanto de forma multidisciplinar. Cada disciplina pode atender a um aspecto. Por exemplo: em Língua Portuguesa, podem ser criados o roteiro e os diálogos; Arte pode se responsabilizar pelas imagens, tipos de balões a serem usados e cenário; Ciências pode compor os poderes do herói (se tiver um) etc. Assim, cada área será responsável por uma parte da produção. As dicas de Campos a seguir são importantes para a produção de história em quadrinhos:

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•Trabalho • em equipe: é muito difícil responsabilizar só uma pessoa por toda a produção. A maior parte das histórias em quadrinhos conta com roteiristas, desenhistas e escritores. Sendo assim, recomenda-se a produção em equipes. ••Desenvolvimento da história: o primeiro passo é uma história com começo, meio e fim. Tendo a história escrita, pode-se definir o número de quadros necessários para sua execução. Recomenda-se a opção, inicialmente, por histórias curtas e, depois, gradativamente, passar para histórias mais longas. ••Grade: é importante saber ao certo quantos quadros serão utilizados. Os quadros podem ter tamanhos diferentes. ••Desenhos: dificilmente o aluno conseguirá repetir de forma idêntica os desenhos do mesmo personagem em cada quadro. É preciso apenas repetir as características principais para que o personagem possa ser identificado. ••Ordem: usando lápis, inicia-se a história em quadrinhos com a colocação dos diálogos, pois isso dá uma ideia do espaço necessário para o texto e quanto sobrará para fazer o desenho. Em seguida, faz-se um rascunho, tipo rabisco, dos desenhos, dos balões e da divisão dos quadros; nesse passo, é possível corrigir textos muito grandes ou outros problemas. Depois disso, é o momento da arte-final, ou seja, a finalização dos desenhos e das letras com caneta ou lápis mais forte e, por último, a pintura. (CAMPOS, 2009, p. 55-56).

Obras de arte A arte é peça fundamental na educação dos sentidos, ela possibilita a construção do “eu” e aproxima os alunos da cultura universal. Dessa forma, a arte é um instrumento de cidadania em diferentes contextos. Mais do que ver, ler uma obra de arte é direcionar um olhar crítico a ela e estabelecer um diálogo entre a verdade da obra e a verdade de quem a interpreta. Propomos que, com o avançar da experiência artística, os alunos possam educar seu olhar em quatro etapas: <<olhar aleatório – simplesmente para identificar a obra selecionada; <<olhar descritivo – investigar elementos formais, como cores, linhas, texturas; <<olhar intelectual – observar elementos, como ritmo, equilíbrio e profundidade;


<<olhar interpretativo – transportar-se no tempo e espaço a fim de conhecer os acontecimentos marcantes do período da criação da obra pesquisando e relacionando tema, título, simbologias predominantes, vida e outras obras do autor. É importante refletir que essas etapas de análise não aconteçam isoladamente, pois cada olhar ressignifica os anteriores e se agrega à interpretação estética do aluno.

Mapas A linguagem cartográfica representa os fenômenos geográficos e históricos. O conhecimento dessas áreas está impregnado da leitura e da interpretação de mapas. Por meio da linguagem cartográfica podemos produzir, expressar e comunicar ideias e conhecimentos. Utilizar essa ferramenta básica significa desenvolver no aluno a capacidade de representar e analisar o espaço geográfico.

A aprendizagem cartográfica envolve um sistema de símbolos e proporcionalidade, uso de signos ordenados e técnicas de projeção. Os alunos devem representar o espaço e codificá-lo lendo as informações nele expressas. Na proposta desta coleção, a Cartografia está contextualizada no decorrer do desenvolvimento dos conteúdos, de modo que o aluno compreenda e utilize essa linguagem. Gradualmente, situações diferenciadas, decodificação e leitura de mapas possibilitam a ele a apropriação das convenções cartográficas. Compreender e utilizar a linguagem cartográfica, sem dúvida alguma, amplia as possibilidades dos alunos de extrair, comunicar e analisar informações em vários campos do conhecimento – além de contribuir para a estruturação de uma noção espacial flexível, abrangente e complexa. (SANTOS, 2007, p. 73).

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Proposta didático-pedagógica Esta coleção procura estabelecer vínculos diretos entre os conteúdos fornecidos no corpo do texto, o teor, a forma de apresentação das atividades e os aspectos que, de alguma maneira, remetam à vida dos alunos, como na apresentação dos assuntos relativos à datação temporal. Compreendemos que trazer os conhecimentos vivenciados pelos alunos para a sala de aula enriquece o processo pedagógico e dinamiza as atividades e o próprio aprendizado do conteúdo assimilado dos textos. Outra proposta que norteou a produção dos temas e capítulos desta coleção é a de, com base no estudo das experiências pessoais ou ligadas a fatos regionais vivenciados pelos alunos, levá-los a se aproximar, do ponto de vista cognitivo, de experiências de grupos humanos diferentes do seu, inclusive com relação à localização geográfica e temporal. Por exemplo, por meio do estudo de festas e manifestações culturais regionais, promove-se o contato com expressões de outras culturas ocorridas no passado, estabelecendo, dessa forma, uma comparação entre as diferenças e similaridades dos diversos eventos. Quanto às imagens que ilustram a coleção, elas desempenham uma função, fazem parte do projeto pedagógico, em conjunto com os textos e as atividades – sempre respeitando a idade e a fase de desenvolvimento das crianças –, e podem ser consideradas veículos de divulgação de informações úteis e eficazes. Em determinados momentos, para o acompanhamento adequado da leitura dos textos e da realização das atividades, os alunos são solicitados a utilizar materiais de apoio, como dicionários, sites, revistas, jornais, livros, entre outros, bem como a realizar trabalhos individuais e em grupo, pesquisas etc. O objetivo dessas pesquisas é estimular o desenvolvimento da autonomia deles e aprimorar seu senso de organização e de respeito mútuo. Todos os materiais e estratégias aqui propostas foram pensadas para que os próprios alunos consigam identificar as etapas e os objetivos pretendidos pelas respectivas produções didático-pedagógicas. Cabe ao professor avaliar corretamente cada etapa cumprida pelos alunos e o resultado das produções de acordo com os preceitos didáticos fornecidos pela coleção.

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Inclusão digital e o uso de TICs As transformações pelas quais o processo de ensino e aprendizagem tem passado nos últimos anos foram muitas, assim como os suportes em que o conhecimento é produzido e divulgado também passou por modificações. E, em uma relação de dupla determinação, essa transformação acabou influenciando a forma como o conhecimento é produzido. A sedimentação do uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na vida das pessoas fez com que o conhecimento passasse a ser produzido de forma totalmente nova: compartilhada. A relação entre sujeito e conhecimento não se dá mais de forma passiva e lenta. Atualmente o conhecimento é produzido, tratado, compartilhado e consumido em um ciclo contínuo e infinito, que se alimenta de si e se altera constantemente. Esse novo paradigma da produção do conhecimento passou a permear também a educação, exigindo uma alteração profunda da natureza do livro didático. Sendo assim, o uso de TICs na sala de aula deve ser repensado. Uma inovação é como ver algo novo nas coisas às vezes conhecidas, deve-se pensar em ações que promovam novos papéis para a escola, ações em que a utilização das TICs no contexto educacional estabeleça uma rede dialógica de interação com o intuito de promover a ruptura do distanciamento entre sujeito-sociedade. O computador ligado à internet propicia ao professor atuar de forma diferente em sala de aula, é possível instigar os alunos a desenvolver pesquisas, investigações, críticas, reflexões, aprimorar e transformar ideias e experiências, não é preciso que professores se tornem donos da verdade e do conhecimento, mas sim parceiros de seus alunos, andando juntos em busca de um mesmo propósito o conhecimento e a aprendizagem. RAMOS, Patrícia Edí. O professor frente às novas tecnologias de informação e comunicação. Seduc. Disponível em: <www.seduc. mt.gov.br/Paginas/O-professor-frente-às-novas-tecnologias-deinformação-e-comunicação.aspx>. Acesso em: nov. 2017.


Partindo desse pressuposto, os recursos educacionais devem ser algo que permita aos alunos e professores interagir e compartilhar conhecimento de forma constante e eficiente, enquanto os pais acompanham essa jornada, auxiliando sempre que for possível e necessário. Por isso, a coleção traz em todos os seus volumes a seção #Digital, que apresenta não somente formas de produção compartilhada de conhecimento por meio de TICs como também questões éticas e de segurança que envolvem o uso dessas tecnologias por crianças e adolescentes.

Sobre a avaliação discente A avaliação está intimamente relacionada à forma como o professor entende sua disciplina, seus objetivos educacionais, e, portanto, os resultados que devem ser alcançados pelos alunos. Desse modo, a historiadora Circe Bittencourt afirma: A avaliação está relacionada a conceitos de aprendizagem e articula-se com um tipo determinado de compreensão de disciplina escolar: tem certas características se a disciplina escolar é entendida apenas como transmissora de conteúdos e outras se a disciplina escolar é concebida como produtora de conhecimentos. Exames, provas, arguições, testes, entre outros, compõem uma variedade de formas de controlar o que está sendo ensinado e aprendido Entre os problemas da avaliação encontra-se a definição do objeto efetivo do que se pretende avaliar, uma vez que, por intermédio de provas, o sistema avaliatório concentra-se no controle sobre o domínio quantitativo dos conteúdos explícitos, relegando a segundo plano a avaliação em uma perspectiva qualitativa, que inclui, ou deveria incluir, a verificação da aprendizagem no conjunto dos objetivos educacionais mais amplos. (BITTENCOURT, 2008, p. 44).

Sabemos que, nas aulas de História, é mais importante os alunos alcançarem habilidades do ponto de vista qualitativo que do quantitativo. Assim, apreender corretamente um conceito ou um processo histórico de forma profunda é considerado mais eficaz do que somente decorar nomes e datas tradicionais. Sem dúvida, essas mudanças teóricas e metodológicas ainda estão em processo e são responsáveis, também, por transformar o modo como os professores passaram a entender o processo de avaliação, que tende a ser mais contínuo.

Sob o ponto de vista de uma avaliação contínua, é recomendável que você inicie o processo de avaliação logo no primeiro contato com os alunos, buscando entender o que já sabem da disciplina ou do tema que será estudado. Com base nisso, você pode desenvolver procedimentos didáticos mais adequados aos conhecimentos deles. Durante o processo de ensino e aprendizagem, e não somente no final dele, você pode aproveitar diversas oportunidades em sala de aula para avaliar se os alunos estão alcançando os objetivos educacionais parciais propostos. Momentos em que haja correções de atividades em conjunto, debates, esclarecimento de dúvidas, perguntas e comentários feitos por eles em sala de aula, trabalhos em grupo, análise de documentos históricos etc., também podem servir de instrumentos de avaliação parcial. As avaliações parciais são importantes para que você possa, se necessário, redirecionar metodologias, atividades, trabalhos e até mesmo alguns objetivos educacionais parciais para adequar o processo educativo às necessidades dos alunos e garantir que eles obtenham os melhores resultados possíveis nesse processo. Com relação à necessidade de avaliações parciais e às dificuldades que os alunos podem apresentar, Catani e Gallego afirmam: Ao se entender que a aprendizagem não ocorre num ritmo homogêneo e linear de domínio de conteúdos escolares, mas por ensaios, tentativas e erros, hipóteses, recuos e avanços, na organização em ciclos, torna-se essencial acompanhar o desenvolvimento dos alunos mediante contínuas avaliações parciais da aprendizagem e recuperações paralelas durante todos os períodos letivos e ao final também. Ao ter outros referenciais para nortear a prática de organização escolar, não se nega que haja alunos com problemas específicos de aprendizagem ou outros: o que se nega é que tais problemas tenham como solução apenas a repetência. (CATANI; GALLEGO, 2009, p. 36).

Algumas possibilidades oferecidas pela coleção são as seções Atividades e Revendo o que aprendi. Por meio delas, você pode avaliar se os alunos alcançaram os objetivos pretendidos em cada etapa do processo educativo e no final do estudo de cada capítulo. Fazer correções coletivas ou individuais das questões dessas atividades pode auxiliá-lo a diagnosticar eventuais dúvidas ou temas que não foram corretamente compreendidos por eles, procurando sanar suas dificuldades e garantir que tenham um melhor aproveitamento.

XXXIII


A prática docente Podemos compreender a prática docente como um conjunto de conhecimentos metodologicamente construídos sobre determinado assunto em determinado momento histórico. Hoje a educação está orientada para uma formação global do aluno, que permita a ele mobilizar os conhecimentos produzidos para tomar decisões pertinentes. Essa nova prática docente vem sendo incentivada desde as transformações propostas pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e é reiterada pela BNCC com a reestruturação do processo de ensino e aprendizagem na sua forma didático-pedagógica, uma vez que há uma dinâmica contemporânea baseada em conceitos de educação, competência, habilidades e formação profissional reformulados. De acordo com Maria Helena Michels, o professor deve: [...] trabalhar em parceria com a comunidade escolar, resolver problemas da escola, achar soluções criativas a problemas concernentes ao processo ensino-aprendizagem de seus alunos, até mesmo às situações da comunidade em que a escola está inserida. (MICHELS, 2006, p. 414).

Dessa forma, a prática docente está direcionada à capacidade de observar realidades e propor estratégias para encontrar saídas para questões relativas ao trabalho docente, bem como para as necessidades da escola e da comunidade escolar. Parte importante da consolidação dessa estratégia é o levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre os temas a serem tratados.

XXXIV

A prática de levantamento dos conhecimentos prévios é alicerçada na concepção didática de Jean Piaget, que vê no processo de adaptação e equilíbrio do aparato cognitivo dos seres humanos a possibilidade eficaz de ensino-aprendizagem. De forma resumida, de acordo com Piaget, os seres humanos aprendem na prática e em contato com o mundo que os rodeia. As situações práticas novas que nos são apresentadas causam uma espécie de desequilíbrio em nossas estruturas cognitivas chamado de “assimilação”. Por meio desse processo e em contato com experiências que já foram processadas pelo cérebro, o indivíduo consegue colocar o novo objeto ou fato em seus esquemas mentais, o que possibilita ao cérebro voltar ao estado de equilíbrio anterior. Esse processo é denominado “acomodação – ou seja, com base nos conhecimentos já existentes, novos conhecimentos podem ser assimilados. Isso possibilita que os alunos passem da assimilação de conhecimentos mais simples para a construção de conhecimentos mais complexos. Além disso, com base em objetos, ideias e situações que eles já conhecem, o processo de acomodação pode ser mais eficaz e rápido, propiciando uma aprendizagem mais efetiva. Por meio de um diálogo com os alunos, no qual eles são convidados a falar de suas experiências, ou seja, por meio do chamado saber do senso comum, você deve, ao longo do processo educativo, confrontar esse conhecimento com aqueles cientificamente construídos, auxiliando os alunos a estabelecer uma relação benéfica entre o que já sabiam e o que aprenderam. Dessa forma, você pode atuar como um mediador entre o saber científico e o universo dos alunos, auxiliando-os a apreender conteúdos e, aos poucos, levando-os a construir conceitos históricos que serão utilizados ao longo de sua vida escolar.


KATINDUN projeto

O que é Katindun? “A hora, transformada em ora, pede demissão do relógio e vai trabalhar na

gramática como conjunção ou advérbio.” Gianni Rodari

Katindun é uma expressão de origem africana, mais especificamente da língua e cultura iorubas, que significa “ler brincando”. A leitura de obras literárias pode e deve retomar seu papel e seu poder de entreter sem objetivos diretos, sem direcionamentos preestabelecidos, ganhando na sua característica intrínseca de provocar o prazer de viajar na imaginação e a reflexão sobre o viver e sobre as relações humanas.

Escritor, jornalista, pedagogo e poeta italiano, nascido na Itália em 1920 e falecido em 1980. Recebeu o Prêmio Hans Christian Andersen em 1970 e nunca parou de imaginar e escrever histórias para crianças de todas as idades.

Qual é a proposta? “[...] ao povo permite-se que aprenda a ler, não se lhe permite

que se torne leitor.”

Uma coleção de livros para o Ensino Fundamental I tem inúmeros e claros objetivos. Entre eles, um dos mais significativos é o de alfabetizar as crianças nas principais áreas do conhecimento tendo como propósito inicial os primeiros anos desse segmento do Ensino Fundamental I e dando sequência a esse processo nos outros anos, nos quais o aluno já se apresenta preparado para desafios leitores mais aprofundados. Para isso, serão utilizadas inúmeras ferramentas e, no caso deste projeto, enfocamos uma das principais: a leitura e a literatura como fomentadoras da alfabetização e do letramento, com vista à formação de um cidadão com pensamento crítico e capacitado para navegar pelos prazeres da arte e suas infinitas descobertas.

Fabio Sgroi

Magda Soares

Como será feito? “Afinal de contas, a criança gosta de se sentir desafiada e não aceita o

tatibitate muitas vezes imposto a ela.” Antonella F. Catinari

O Projeto Katindun atua em três eixos principais (os três Ls), que norteiam todo o desenvolvimento das propostas. XXXV


KATINDUN

projeto

Universo

Universo das

Universo da

Apropriação do prazer da leitura e da descoberta fomentando o uso da criatividade e da imaginação como elementos fundamentais na formação de leitores.

Documentos de apoio aos processos de formação de leitores, que representem as garantias das diretrizes do ensino e da prática de literatura nos anos escolares.

A escolha de múltiplas possibilidades do universo literário, principalmente da produção brasileira, textual e imagética, reiterando sua importância na formação do jovem.

LÚDICO

LEGISLAÇÕES

“Não se trata, pois, no eixo Educação literária, de ensinar literatura, mas de promover o contato com a literatura para a formação do leitor literário, capaz de apreender e apreciar o que há de singular em um texto cuja intencionalidade não é imediatamente prática, mas artística. O leitor descobre, assim, a literatura como possibilidade de fruição estética, alternativa de leitura prazerosa. Além disso, se a leitura literária possibilita a vivência de mundos ficcionais, possibilita também ampliação da visão de mundo, pela experiência vicária com outras épocas, outros espaços, outras culturas, outros modos de vida, outros seres humanos.” BRASIL. MEC. Base Nacional Comum Curricular. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_ publicacao.pdf> (acesso em: ago. 2017).

LITERATURA

Unindo estas diretrizes, tomando-as como pontos de partida e cruzando-as, podemos vislumbrar o objetivo maior do projeto. A ideia de se conectarem os campos da alfabetização e do letramento é imprescindível para que a criança possa perceber que aquilo que ela está aprendendo tem emprego prático e não está dissociado do mundo com o qual se relaciona. A educadora Magda Soares afirma que aprender a ler e escrever palavras (alfabetização) e a integração das estratégias de leitura e escrita (letramento) são fundamentais à formação da criança.

Como o projeto Katindun pode ser utilizado? “A leitura deve servir às crianças e não servir-se delas.”

1 Leitura Alfabetização Letramento

Gianni Rodari

As formas de aplicação do Projeto Katindun são desenvolvidas livro a livro, em cada sugestão de leitura proposta, considerando-se as principais disciplinas, reiterando-se a ideia da interdisciplinaridade e suas inter-relações temáticas e ampliando o uso da literatura para além do tradicional (disciplina ligada ao ensino da Língua Portuguesa, suas normas e seus usos). A função dos projetos de leitura é sugerir caminhos e demonstrar experiências nas mais diversas áreas do conhecimento. Dois eixos principais norteiam as sugestões e práticas propostas:

2 Escritura

“Inventar histórias também é coisa séria.”

Desenvolvimento de capacidades (habilidades) Fomento e incremento das competências necessárias XXXVI

Gianni Rodari


Quais são os objetivos do Projeto Katindun? Fabio Sgroi

“[...] nenhuma outra forma de ler o mundo

dos homens é tão eficaz e rica quanto a que a leitura permite.” Nelly Novaes Coelho

A formação pressuposta no Projeto Katindun é humanista, independentemente dos agentes motivadores e/ou provocadores da leitura. Estes agentes serão os educadores, professores, pais ou quem assumir esse papel nas configurações familiares contemporâneas e, por isso, devem contar histórias (usando os livros que sugeriremos como referência ou como instrumentos que indiquem caminhos e possibilidades) para as crianças, a fim de que elas se tornem capazes de criar – inventar – as próprias narrativas e pratiquem a escritura. O objetivo é desenvolver as linguagens lógica e estética por meio do contato efetivo com as histórias, logrando a liberação da criatividade, da imaginação e da fantasia, as quais devem exercer papel fundamental no processo educacional, já que as palavras têm um caráter libertador. De que maneira ou maneiras pode o educador se colocar a serviço da imaginação infantil? Não fazendo prevalecer sobre a criança seus saberes, desejos e, muitas vezes, suas angústias. Sinalizar caminhos é mais um dos objetivos do Projeto, cujo foco, reitera-se, está na leitura de literatura, na referência do universo lúdico – informativo e enriquecedor – e eminentemente prazeroso. É importante também lembrar que nunca se pode estar plenamente seguro daquilo que uma criança absorve e aprende vendo televisão ou jogando algum game no tablet ou no celular. Não há como desprezar esses novos meios e suportes, sob pena de correr o risco de menosprezar a capacidade da criança de reinterpretar de maneira criativa aquilo com que ela se relaciona, os meios dos quais adquire, individualmente, informações e posicionamentos éticos e estéticos. As crianças são muito mais sagazes e é possível apoiá-las para que percebam mais claramente a riqueza que há nos textos escritos dos livros e no desenvolvimento e criação de um novo texto por elas escrito, revelando a capacidade delas de se tornarem também autoras.

Algumas ferramentas importantes... “Não há palavra compreensível se nela nos aprofundarmos.” Paul Valéry

Quando se fala em trazer o lúdico ao universo da leitura, não podemos nos esquecer do uso do bom humor como instrumento do aprendizado e da delícia de compartilhar. Muitas vezes, isso é esquecido em alguns ambientes escolares. Algumas escolas ainda hoje acreditam que devem ser sérias se pretendem ensinar. A escola é uma aliada importante na formação de leitores críticos, definitivamente. Já escrevia – em 1823! – Giacomo Leopardi, um dos mais importantes autores da língua italiana:

“A ideia de que a educação deve ser uma coisa tétrica está entre as mais

difíceis de se combater.”

XXXVII


O lúdico e o riso auxiliam no combate à noção de que somente através de uma certa (controladíssima) austeridade é que pode ocorrer o processo educativo. Nessa mesma chave, o riso pode ser subversivo na melhor acepção da palavra, no sentido de que possibilita o rompimento de alguns paradigmas que reduzem a leitura a um instrumento somente de acumulação e não de desenvolvimento de dúvidas e geração de novos caminhos a serem buscados, enfrentados e conquistados. O humor é um meio de explorar a realidade, assim como o medo. Pode haver aqui, nestes dois sentimentos, uma inversão (divertida ou temerosa), do ponto de vista do leitor, dos modos tradicionais de funcionamento do mundo. O medo, esse terrível e ao mesmo tempo fascinante sentimento, é um precioso bem para a formação da criança leitora. Ele nos atrai e nos afasta ao mesmo tempo, possibilitando inúmeros reflexos de nós mesmos e dos outros, acentuando diferenças e questionando crenças preestabelecidas que, na maioria das vezes, não se justificam. Outro item de suma relevância no Projeto Katindun é a necessidade de se diluir a ideia antiga de que a arte é somente para os “iniciados”. Poesia e música e pintura e cinema... enfim, as artes são caminhos que podem ser facilmente trazidos para um universo mais comum à vida das crianças, desde que os despindo de sua “aparente” glória, de sua superficialidade, seu caráter efêmero, fazendo com que essas ações do ser humano façam sentido na vida delas e tragam, ainda, novas possibilidades. É possível que, no uso da literatura em sala de aula, o aluno não consiga compreender todas as várias possibilidades de leitura de uma obra literária, nem mesmo possa tornar-se coautor dela, uma vez que a literatura divide espaço com várias outras demandas e disciplinas, o que torna o seu tempo de apreciação relativamente escasso.

“[...] a literatura para a maior parte das pessoas não há de ser um objeto de

conhecimento concreto, mas um instrumento de cultura e uma fonte de prazer. [...] Portanto, não se trata de ‘saber’; trata-se de ler literatura e amá-la.”

Fabio Sgroi

Gustave Lanson (1894)

Por não terem ciência de que é necessário dispender tempo e esforço para se conectar ao universo literário, os pequenos muitas vezes questionam se somente eles sentem dificuldade para compreender determinada obra. Isso fortalece o distanciamento do hábito da leitura. É importante fazer com que a criança note que aquele é um esforço necessário sim e que será muito bem recompensado, não na forma de pontos de determinada matéria, mas no cômputo geral da percepção das coisas, de si e de seu entorno. A LEITURA PODE SER DESCOMPROMISSADA, ASSIM SE TORNA LIVRE E ESTIMULANTE.

XXXVIII


KATINDUN projeto

História | 4

o

ano

Leitura 1

Marina e Mariana

de Georgina Martins e Salmo Dansa

Editora Lafonte

Como superar as pequenas desavenças e valorizar o que realmente importa? O elo entre Marina e Mariana revela que uma amizade pode nos ensinar mais do que imaginamos, não importa quando nem como, apenas pelo que ela não nos deixa esquecer.

1 Para conhecer o livro

Marina e Mariana estavam brigadas – não se lembravam ao certo o motivo da briga, mas não se falavam há anos. Logo elas, amigas desde quando ainda eram crianças, de um tempo que não volta mais... mas cheio de acontecimentos fortes, intensos e registrados na memória de cada uma delas. É a força duradoura desta amizade que leva Mariana a procurar a amiga para fazerem as pazes. Quem testemunha e conta essa reconciliação é o amigo em comum das duas velhinhas: um cão. Uma história de belas imagens marcadas pelo tempo e pelos valores de uma amizade.

2 Estimulando a leitura

Fábio Sgroi

Antes de começar a leitura de Marina e Mariana com os alunos, apresente a eles um trecho do Soneto do amigo, de Vinicius de Moraes, disponível na íntegra no site oficial do poeta: <www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/soneto-do-amigo> (acesso em: 25 out. 2017). Pergunte aos alunos quais impressões a respeito do tema Amizade o poeta sugere. Converse com eles sobre a força da amizade, que mesmo depois de pequenas brigas ou até mesmo ausência por causa da distância, ainda permanece. Mostre também aos alunos a canção “Amizade sincera”, de Renato Teixeira, disponível em: <www. letras.mus.br/renato-teixeira/271360> (acesso em: 25 out. 2017). Aproveite a letra desta música (na descrição do vídeo) para conversar com os alunos sobre os valores de uma grande amizade.

XXXIX


3

Leitura

A história narrada em Marina e Mariana desperta impressões e reflexões não apenas sobre amizade, mas em relação a nossas memórias: as relações de afeto com aquilo que já vivenciamos e o fato de fazerem parte de nossa vida. Antes de ler o trecho a seguir para a turma, explique o enredo da narrativa: duas vizinhas idosas, amigas desde a infância e que estão sem se falar há anos, se reencontram para conversar. Quem testemunha tudo e conta a história (o narrador) é o cachorro de uma delas. O trecho destacado conta exatamente o momento desse reencontro.

Vi logo que as duas ficaram muito emocionadas, afinal não se falavam há muitos anos. Marina sentou-se ao piano e começou a tocar a música preferida de Mariana. Há muito tempo eu não via Mariana tão feliz assim. Até eu cantei!

Fábio Sgroi

Marina e Mariana, de Georgina Martins e Salmo Dansa. São Paulo: Larousse, 2011, p. 12-13.

Explique aos alunos que esse trecho da história mostra que, mesmo depois de muito tempo, certas ocasiões estão marcadas na memória das duas amigas. Provavelmente algo muito agradável aconteceu às duas quando estavam juntas e a música as faz rememorar essas ótimas lembranças. Conte aos alunos que nossa memória registra momentos de diferentes maneiras, ainda que fiquem esquecidos por anos. É assim que os registros históricos são feitos: eles dão forma a algo que acontece em determinado momento para que possa ser lembrado e conhecido no futuro. Estamos acostumados a ver esses registros principalmente em documentos escritos, dos quais normalmente tomamos conhecimento nos livros. Aproveite o conteúdo da Unidade 1 – Para entender a História, e converse com os alunos sobre outras formas de registrarmos nosso cotidiano, que também faz parte da história, ainda que não figure em livros. Dentre essas maneiras estão a fotografia, a música e outras formas de arte. Quando desenhamos ou fotografamos algo, criamos uma música e expressamos nossa relação com o momento que vivemos, estamos registrando nossa história – seja na materialização do ocorrido, seja na memória. Peça aos alunos que se organizem em duplas. Cada um deve escolher uma forma (ou mais de uma) para registrar algo que tenha relação com o parceiro de dupla. Pode ser um desenho que revele uma situação que viveram juntos, a letra de uma música de que o amigo gosta (ou só uma parte dela), fotografias em que estão juntos e marcaram determinada ocasião etc. Diga aos alunos que não devem revelar ao parceiro da dupla qual é o acontecimento que vão registrar. Dê um tempo determinado para a elaboração do registro, depois cada um deve revelar ao outro o que fez ou escolheu e trocar as lembranças daquela ocasião. Caso alguma dupla esteja à vontade, peça que contem o resultado de suas trocas ao restante da turma.

4

Ampliação da leitura

Faça a leitura do livro Marina e Mariana junto com os alunos. Mostre as ilustrações sem pressa para que eles possam perceber todos os detalhes. As imagens deste livro são muito importantes para a narrativa e para as propostas aqui sugeridas. Outro ponto a destacar são os textos da biografia dos autores que estão nas orelhas da obra. Uma vez terminada a leitura da narrativa,

XL


leia as biografias com eles para que compreendam o processo de criação do livro: primeiro foram criadas as imagens e, depois, o texto. Aproveite o relato de Salmo Dansa, ilustrador e também autor, para retomar o tema Memória e registro histórico com os alunos. Destaque essa relação quando ele conta que fez as imagens da obra com negativos fotográficos antigos, e que a ideia de fazer arte com esse material surgiu quando ele olhava fotografias e percebia a intensa relação delas com suas memórias, sua história. Lembre-se de explicar aos alunos o que são negativos fotográficos, algo incomum atualmente, desde o surgimento da fotografia digital. Não por acaso, o autor escolheu negativos fotográficos para ilustrar uma história que fala de memória e amizade. Assim, ele conseguiu dizer algo sem que ficasse explícito e que não se resume a suas memórias: as ilustrações evocam as memórias do leitor e a relação dele com as próprias memórias. Para trabalhar esses conceitos, sugira aos alunos que observem fotografias antigas com seus pais, responsáveis, amigos ou parentes, especialmente com as pessoas mais velhas da família. Peça que escolham algumas dessas fotografias e escrevam os relatos que surgiram sobre as memórias que despertaram. Se possível, eles devem trazer algumas fotografias para a sala de aula e compartilhá-las com a turma. Promova uma atividade pedindo aos alunos que não revelem o que está registrado nas fotografias nem as lembranças que elas despertaram. Depois distribua, aleatoriamente, as fotografias entre os alunos de modo que nenhum fique com uma fotografia que tenha trazido. Peça então a cada aluno que conte ao resto da turma a impressão que tem da foto que recebeu: Onde acha que foi tirada? O que ela retrata? É muito antiga? O que as pessoas retratadas parecem sentir? Elas fizeram você se lembrar de algo? Em seguida, peça ao dono da fotografia que conte a história real da imagem. Aproveite e converse com eles sobre a função da imagem como registro, mas lembre-se de explicar que tudo que foi imaginado pelo colega poderia ser real ou uma versão da mesma história.

5

Mergulho para o professor

Para saber mais sobre fotografia como fonte histórica, acesse os textos disponíveis em:

• Fotografia: Importante fonte histórica. Disponível em: <http://sites.unicentro.br/jornalago ra/fotografia-importante-fonte-historica> (acesso em: 21 out. 2017).

• Fotografia, história e cultura fotográfica: aproximações. Disponível em: <http://revistaseletro nicas.pucrs.br/ojs/index.php/iberoamericana/article/viewFile/1336/1041> (acesso em: 21 out. 2017). Para entender melhor a relação entre Arte e História, e o papel dessas áreas de conhecimento no estudo das sociedades, acesse: • Arte e História. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/artes/a-arte-na-historia. htm> (acesso em: 21 out. 2017). • Arte e História no estudo das sociedades. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/ historiag/arte-historia.htm> (acesso em: 21 out. 2017). Conheça também a página Brasiliana Fotográfica, um portal que reúne fotografias históricas do acervo da Fundação Biblioteca Nacional e do Instituto Moreira Salles. Disponível em: <http://brasilianafotografica.bn.br/brasiliana> (acesso em: 21 out. 2017). Apresente aos alunos o Museu da Pessoa, que é virtual e colaborativo, e tem em seu acervo muitas histórias da vida real. Nele, além de visitante, toda pessoa pode também tornarse parte do acervo ao registrar a história de sua vida, e também ser um curador, ao criar suas próprias coleções de histórias, imagens e vídeos. Disponível em: <www.museudapessoa.net/ pt/entenda/o-museu-da-pessoa> (acesso em: 21 out. 2017).

XLI


Quem é

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É especialista em Teoria e Crítica da Literatura Infantil e Juvenil e professora do curso de Pós-Graduação em Literatura Infantil e Juvenil da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordena e atua em projetos de formação de professores. Estreou como autora de livros para crianças em 1999.

Arquivo pessoal

Georgina Martins?

Quem é

É artista plástico e mestre em Design (PUC-Rio). Trabalhou como diretor de arte e ilustrador nas áreas de publicidade, vídeo, revistas e, a partir de 1997, passou a ilustrar livros para crianças e jovens. Já ilustrou mais de 60 livros. Recebeu o Prêmio de Ilustração e vários selos Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), além do White Havens, da Internationale Jugendbibliothek München – IJB. Suas ilustrações fizeram parte de importantes exposições, como: Utopia – 27o Congresso do IBBY, Colômbia; Traçando histórias – Feira do Livro de Porto Alegre; e Bienal Internacional de Ilustrações da Bratislava (BIB). Em 2008, fez duas exposições individuais na Alemanha: “Salmo Dansa. As Bruxas de Grimm – Die Brüder Grimm in Brasilien”, no Brüder Grimm-Museum Kassel, e “Marina e Mariana”, na IJB. Sua versão de “João e Maria” participou da coletiva Marchen in Bildern aus aller Welt, na IJB, onde também recebeu uma bolsa de três meses para desenvolver pesquisa sobre livros-imagem. Para conhecer mais o trabalho desse autor e ilustrador, acesse o site: <www.behance.net/ salmodansa> (acesso em: 6 dez. 2017).

XLII

Arquivo pessoal

Salmo Dansa?


KATINDUN projeto

História | 4

o

ano

Leitura 2

Histórias tecidas em seda de Lúcia Hiratsuka

1

Para conhecer o livro

2

Estimulando a leitura

Editora Cortez

Em três maravilhosas histórias de origem oriental, a autora transporta os leitores para um mundo de imaginação e fantasia, repleto de poesia e emoção. Uma tradição cultural, forte e bela, que marca presença constante na cultura brasileira.

O livro traz três histórias do universo oriental, baseadas em contos maravilhosos e tradicionais do Japão e do Oriente. O pássaro do poente, a primeira delas, narra a história de um jovem que salva uma cegonha e ela, como agradecimento, transforma-se em mulher e casa-se com ele, tecendo lindas peças estampadas em uma seda única e ímpar. Na segunda narrativa, Hashikazuki é uma menina que ganha da mãe um vaso, que se prende à cabeça dela; depois de passar por inúmeras dificuldades, ela descobre que naquele vaso, chamado hashi, há vários presentes, que a salvarão e a farão muito feliz. No terceiro e último conto, Tanabata é um jovem que encontra um lindo tecido mágico, que pertence a uma moradora do céu; ele o esconde para que ela permaneça com ele, mas, ao descobrir isso, ela parte; mesmo assim, o jovem a segue e tem de cumprir algumas difíceis tarefas, mas não consegue, e eles só podem se ver durante um dia no ano, ocasião de uma tradicional festa no Japão.

Namazu é um peixe gigante que vive em tocas no fundo do mar do Japão. Segundo consta, somente o deus Kashima consegue imobilizar um Namazu com a ajuda de uma grande rocha, conhecida como kaname -ishi (pedra fundamental), que empurra o peixe para as profundezas do mar. Nos momentos em que o deus se distrai ou se cansa de cuidar do Namazu, o peixe move sua gigantesca cauda, provocando um terremoto no mundo humano.

Fábio Sgroi

Com base na sinopse acima, já é possível recontar as histórias aos alunos. Vale narrar outras de mesma origem, como a lenda do Namazu, a seguir:

Lenda popular japonesa.

XLIII


Conte aos alunos que muitas lendas antigas tentavam explicar aquilo que os homens não conseguiam compreender. Para que se aprofundem no assunto, vale propor uma pesquisa sobre os mitos, por exemplo, da criação do mundo: há indígenas, orientais, americanos e muitos outros. Organize a turma em grupos e determine que cada um pesquise a origem de um mito determinado por você. Os alunos deverão apresentar o resultado ao restante da turma, em forma de contação de história, utilizando recursos como figurino, sons e objetos diversos. Sobre os mitos de origem japonesa, há uma vasta bibliografia que eles podem consultar em: <http://mundo-nipo.com/cultura-japonesa/mitos-e-lendas/>. (acesso em: 11 dez. 2017).

3

Leitura

Leia com os alunos um trecho da primeira história – O pássaro do poente –, em que o marido, intrigado, descobre o mistério da esposa ao lhe pedir mais um tecido:

[...] – Você faria mais um tecido? – perguntou à esposa, sem perceber que ela estava magra e abatida. Pela terceira vez Otsû trancou-se no quarto. E Yosaku cada vez mais curioso. “Como ela faz tecidos tão bonitos? E se eu der uma espiada?” O som do tear espalhavase pela casa. Era impressão? A música pareceu-lhe soar triste. O terceiro dia chegou. “Uma olhadinha só. Que mal pode haver?” O homem aproximou-se da porta. Abriu uma fresta, o suficiente para ver o que se passava lá dentro. Os fios pareciam ter vida. Rápidos, moviam-se, entrelaçavam-se uns nos outros, como uma dança, sem pausa. E em frente ao tear estava uma cegonha, que arrancava com o bico as próprias penas e ia entremeando-as aos fios, formando as delicadas estampas. [...]

Fábio Sgroi

Histórias tecidas em seda, de Lúcia Hiratsuka. São Paulo: Cortez, 2010, p. 14.

Aproveite o que se discute na Unidade 4 – Movimento de pessoas no Brasil, Capítulo 2 – É gente de todo lugar para salientar a importância das culturas estrangeiras na formação do Brasil contemporâneo. Faça perguntas sobre a origem de cada aluno da turma e destaque a diversidade presente. Tantas são as origens brasileiras, por isso é importante ressaltar que, de cada uma dessas populações, foi herdado algo de seus milenares saberes. As lendas japonesas, como as do livro, sempre nos podem ser úteis para repensarmos nossas atitudes e reiterarmos valores humanos saudáveis. É muito difícil que na turma não haja representantes de algumas culturas diversas. Sugira aos alunos que peçam a seus parentes que lhes contem histórias antigas e as escrevam para depois serem lidas em sala de aula. Nessa leitura, eles poderão utilizar recursos musicais, cenográficos ou o que lhes for de interesse. Pode-se criar um belo livro com essas histórias. Como complemento, leia para eles a lenda do povo nheegatu, da Amazônia, sobre a origem do mundo:

Antes tudo era a noite. A grande noite que tomava conta do mundo. Então o deus Tupana, ou Tupã, o deus trovão, criou os céus e as águas. Certo dia, ele desceu dos céus onde morava e o sol rachou sua pele de tão quente que ela caiu de seu corpo formando as terras. Já havia terra, mas não havia gente; assim, quando o sol voltou no dia seguinte XLIV


chegando ao meio do céu, ele moldou em um pouco de barro uma figura de gente e soprou em seu nariz. Essa figura cresceu, mas não falava, até que Tupana soprou novamente em sua boca e ele começou a falar. Origem popular.

Esta é uma das versões do mito de origem do homem. Em cada cultura há inúmeros outros, que tratam da origem também das coisas e dos animais, como no livro Histórias tecidas em seda.

4

Ampliação da leitura

Releia com a turma os três contos do livro. Observe bem as imagens feitas pela autora – neste caso, ela escreveu os textos e fez as ilustrações. Analise os traços e a técnica utilizada (aquarela). Reflita com os alunos sobre essas escolhas. A autora, de ascendência japonesa, criou imagens com base em um repertório visual nipônico. Sugira que eles preparem encenações teatrais sobre as histórias. Para isso devem estudar antes o tipo de vestimenta, arquitetura etc. Peça que se organizem em grupos e montem as cenas, que deverão ser apresentadas, se possível, para todo o colégio. Recorra à música tradicional japonesa como recurso de trilha sonora.

5 Mergulho para o professor

Se possível, visite a página eletrônica da Japan House (www.japanhouse.jp/saopaulo), local de exposições e de fomento e incentivo à cultura japonesa e brasileira recém-criado em São Paulo. Nele se encontram as influências dos nipônicos na cultura brasileira e o que se está produzindo hoje nesse país tão distante fisicamente e ao mesmo tempo tão próximo de nossos hábitos. Há sempre muito a aprender com esses intercâmbios. Em São Paulo, inclusive, há um bairro que agrega a comunidade japonesa e oriental, o bairro da Liberdade, que pode ser conhecido em: <www.cidadedesaopaulo.com/sp/o-que-visitar/atrativos/pontos-turisticos/200-liberdade>. (acesso em: 11 dez. 2017).

Quem é

Nasceu em Duartina e mora em São Paulo desde os 16 anos. Em 1988, depois de se formar em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes, recebeu uma bolsa de estudos para a Universidade de Educação de Fukuoka no Japão. Como tema de pesquisa escolheu o ehon, ou seja, o livro ilustrado. Lá fez uma exposição de desenhos de personagens do folclore e paisagens brasileiras, que fez muito sucesso. Escreve e ilustra seus livros, e uma parte de seu trabalho é voltada para a pesquisa de mitos e lendas do Japão. Muitas dessas histórias ela ouvia na infância pela voz da avó.

Arquivo pessoal

Lúcia Hiratsuka?

XLV


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XLVI

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XLVII


PA LÔ AK CO LE ÇÃ O

A I R Ó T S HI Rosiane de Camargo

 Licenciada em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)  Pós-graduada em História do Brasil pela Faculdade Padre João Bagozzi  Autora de materiais didáticos

Wellington Santos

 Bacharel em História pela Universidade de São Paulo (USP)  Autor e editor de materiais didáticos

4

o

ANO

Ensino Fundamental Anos Iniciais

HISTÓRIA

Manual do

Professor

São Paulo, 2017 4a edição Palavra de origem africana que significa “contador de histórias, aquele que guarda e transmite a memória do seu povo”.

1


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

© Editora do Brasil S.A., 2017 Todos os direitos reservados

Camargo, Rosiane de Akpalô história, 4o ano / Rosiane de Camargo, Wellington Santos. – 4. ed. – São Paulo : Editora do Brasil, 2017. – (Coleção akpalô)

Direção-geral: Vicente Tortamano Avanso

Bibliografia. ISBN 978-85-10-06742-3 (aluno) ISBN 978-85-10-06743-0 (professor) 1. História (Ensino fundamental) I. Santos, Wellington. II. Título. III. Série. 17-11659

CDD-372.89 Índices para catálogo sistemático: 1. História : Ensino fundamental 372.89

4a edição, 2017

Rua Conselheiro Nébias, 887 São Paulo, SP – CEP 01203-001 Fone: +55 11 3226-0211 www.editoradobrasil.com.br

2 2

Direção editorial: Cibele Mendes Curto Santos Gerência editorial: Felipe Ramos Poletti Supervisão editorial: Erika Caldin Supervisão de arte, editoração e produção digital: Adelaide Carolina Cerutti Supervisão de direitos autorais: Marilisa Bertolone Mendes Supervisão de controle de processos editoriais: Marta Dias Portero Supervisão de revisão: Dora Helena Feres Consultoria de iconografia: Tempo Composto Col. de Dados Ltda. Coordenação editorial: Priscilla Cerencio Coordenação pedagógica: Josiane Sanson Assistência editorial: Andressa Pontinha, Mariana Tomadossi e Rodrigo Souza Coordenação de revisão: Otacilio Palareti Copidesque: Gisélia Costa, Ricardo Liberal e Sylmara Beletti Revisão: Alexandra Resende, Ana Carla Ximenes, Elaine Cristina da Silva e Maria Alice Gonçalves Coordenação de iconografia: Léo Burgos Pesquisa iconográfica: Odete Ernestina e Priscila Ferraz Coordenação de arte: Maria Aparecida Alves Assistência de arte: Carla Del Matto Design gráfico: Estúdio Sintonia e Patrícia Lino Capa: Patrícia Lino Imagem de capa: Maurício Negro Ilustrações: Alex Argozino, Christiane S. Messias, Dam Ferreira, Desenhorama, Elder Galvão, Erik Malagrino, Fabio Nienow, Hugo Araújo, José Wilson Magalhães, Marcos de Mello, Paula Haydee Radi, Rodval Matias e Simone Matias (aberturas de unidade) Produção cartográfica: Alessandro Passos da Costa, DAE (Departamento de Arte e Editoração), Sonia Vaz e Studio Caparroz Coordenação de editoração eletrônica: Abdonildo José de Lima Santos Editoração eletrônica: Armando F. Tomiyoshi Licenciamentos de textos: Cinthya Utiyama, Jennifer Xavier, Paula Harue Tozaki e Renata Garbellini Controle de processos editoriais: Bruna Alves, Carlos Nunes, Jefferson Galdino e Rafael Machado


Querido aluno,

Marcos de Mello

Você, com certeza, tem muitas histórias para contar: de seu dia a dia, dos anos que já passaram e tantas outras que poderiam estar em um livro. Isso acontece porque a história é construída diariamente, seja a sua, seja a de sua cidade, de seu país. A História é resultado da ação dos seres humanos em diferentes tempos e espaços. Para estudar a história da humanidade, entender como os diversos lugares do planeta foram ocupados e modificados, é preciso buscar pistas, encontrar vestígios. Este livro possibilita a você conhecer a história dos seres humanos e refletir sobre como eles buscaram formas de sobreviver, de adaptar-se e de modificar o meio em que vivem desde que surgiram. Foi assim que cidades e novas formas de organização foram gradualmente criadas – e ainda são até hoje. Desejamos a você uma boa viagem pela história da humanidade. Os autores

3 3


Sumário UNIDADE

1

Para entender a história ............... 6 Capítulo 1: Todos têm história ................ 8 Memórias compartilhadas ................................ 8 É muita história... ............................................ 9

UNIDADE

2

A vida em conjunto .....................38 Capítulo 1: Os vestígios da humanidade ......................................40 Vamos criar um fóssil?..................................... 40

Capítulo 2: As pistas sobre o passado ..............................................14

África: berço da humanidade ......................... 41

Os objetos pessoais ......................................... 14

Os primeiros seres humanos na América ....... 43

Os vestígios ...................................................... 15 As fontes históricas ......................................... 16

Da África para o mundo ................................. 42

Capítulo 2: As comunidades na Pré-História .......................................46

Capítulo 3: Os documentos patrimoniais...........................................20

Como era antes?.............................................. 46

Cápsula do tempo ........................................... 20

As culturas dos seres humanos ....................... 48

O patrimônio cultural ..................................... 21

 #Digital: Sociedade da informação........ 49

Capítulo 4: O tempo de cada um ..........26

Capítulo 3: O surgimento da agricultura .............................................52

Tempo escolar.................................................. 26 A contagem do tempo .................................... 27 História e cronologia....................................... 28

Os primeiros grupos humanos........................ 47

Uma cena da Pré-História ............................... 52 O domínio das técnicas agrícolas ................... 53 O domínio das técnicas de criação ................. 54

 Hora da leitura: Ao alcance da mão .......... 32  História em ação: Preservação de

Capítulo 4: As cidades ..........................58

documentos ................................................. 33

A cidade em uma imagem .............................. 58

 Revendo o que aprendi .............................. 34  Nesta unidade vimos .................................. 36  Para ir mais longe ....................................... 37

A formação das cidades .................................. 59 O desenvolvimento das cidades ..................... 60

       4 4

Hora da leitura: O menino e a onça ......... 64 História em ação: Homem de Ötzi ............. 65 Como eu vejo: O cinturão verde ................ 66 Como eu transformo .................................. 68 Revendo o que aprendi .............................. 69 Nesta unidade vimos .................................. 72 Para ir mais longe ....................................... 73


UNIDADE

3

O mundo em movimento .............74

UNIDADE

4

Movimentos de pessoas no Brasil ...................................110

Capítulo 1: O comércio e as transformações ......................................76

Capítulo 1: Vindo de muito longe .......112

Como vou à cidade vizinha? ........................... 76

O trem de ferro ............................................. 112

Conexão entre as cidades ............................... 77

O café veio para ficar .................................... 113

Comércio e expansão de fronteiras ............... 78

O café e as ferrovias ...................................... 117

Registros escritos ............................................. 81

Capítulo 2: É gente de todo lugar.......120

Capítulo 2: O mundo em expansão .......84

A culinária de outros povos .......................... 120

De onde veio, como chegou? ......................... 84

Brasileiros de muitas origens ........................ 121

A circulação de produtos e culturas ............... 85

O contexto da imigração .............................. 122

Capítulo 3: A expansão marítima e o comércio .........................................90 A arte de navegar ........................................... 90 As viagens marítimas ...................................... 91 O comércio português .................................... 92

Capítulo 4: A ocupação do interior ......96

Novos imigrantes........................................... 124 Do Brasil para o mundo ................................ 125

Capítulo 3: O Brasil em movimento .....128 Olhar outro lugar .......................................... 128 De onde veio?................................................ 129

Você conhece o Brasil? .................................... 96

Capítulo 4: Os meios de comunicação na História ...........................................134

Do litoral para o interior ................................ 97

Vamos fazer uma televisão? ......................... 134

A mineração e o povoamento ........................ 98

A imprensa imigrante ................................... 135

Tropeirismo e comércio nas minas ............... 100

O rádio e a televisão ..................................... 136

 Digital: Se está na internet

 Hora da leitura: Uma viagem

é confiável? ........................................... 138

feita à terra do Brasil ................................ 104

 História em ação: Numismática – O estudo das moedas ................................ 105

 Revendo o que aprendi ............................ 106  Nesta unidade vimos ................................ 108  Para ir mais longe ..................................... 109

 Hora da leitura: A menina que descobriu o Brasil ....................................................... 142

     

História em ação: O Museu da Imigração ... 143 Como eu vejo: Febre amarela ................. 144 Como eu transformo ................................ 146 Revendo o que aprendi ............................ 147 Nesta unidade vimos ................................ 150 Para ir mais longe ..................................... 151

Caderno de cartografia ......................... 152 Referências ............................................. 157 Encartes .................................................. 159

5 5


Objetivos da unidade

UN

IDADE

1

•• Identificar diferenças e seme‑

Para entender a história

Simone Matias

lhanças entre história viven‑ ciada e narrada. •• Reconhecer a História como resultado da ação humana no tempo e no espaço. •• Identificar e utilizar medi‑ ções e marcadores de tempo cronológico. •• Entender os conceitos de temporalidade e espacialidade. •• Reconhecer mudanças e permanências nas vivên‑ cias sociais dentro das comunidades. •• Reconhecer a necessidade de valorizar e preservar os patri‑ mônios socioculturais. •• Valorizar e respeitar as dife‑ renças culturais.

6

Orientações Veja a imagem de abertura com os alunos explorando as mu‑ danças e as permanências do telefone. Muitos alunos desco‑ nhecem os modelos mais antigos. Explique a eles que o telefone foi inventado no século 19, mas foi a partir de meados do século 20 que se tornou um importante meio de comunicação e seu uso e sua forma se

6

transformaram ao longo do tempo. Se julgar apropriado, peça aos alunos que entrevistem um parente com mais de 50 anos para que relate suas experiências em comunicação no pas‑ sado e o uso de aparelhos telefônicos. É possível criar um ro‑ teiro de perguntas para os alunos usarem na entrevista. Como por exemplo:


Orientações As respostas podem ser registradas no caderno para serem retomadas ao final da unidade como verificação da aprendizagem.

Que objeto está representado? Para que ele é usado? 9 Por quais mudanças esse objeto passou ao longo do tempo? E o que não mudou? 9 Como as mudanças mostradas nesse objeto estão relacionadas ao título da unidade?

9

Respostas 99É o telefone, usado para comunicação de longa dis‑ tância. Na atualidade, alguns tipos têm outras funções, como armazenamento de informações, fotografias e gravação de vídeos. 99O formato, o peso e a possi‑ bilidade de mobilidade desse objeto mudaram bastante, além da ampliação de suas funções. Ainda assim, a função de comunicação permaneceu. 99Espera­‑se que os alunos debatam a ideia de que as mudanças tecnológicas e o uso e a função dos objetos fazem parte da história.

7

Quais eram as facilidades e dificuldades em se comunicar com alguém que estava distante? Dos aparelhos telefônicos re‑ presentados na ilustração, quais fizeram parte de sua história de vida? Que outros meios de comunicação eram utilizados por você para transmitir uma mensagem para alguém distante?

7


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Conceito de História. •• Definição de sujeito histórico. •• Conceito de marcos de

1

memória. •• Memórias individuais e coletivas. •• Percepção de passado e presente. •• Mudanças e permanências nas sociedades.

Todos têm história

Memórias compartilhadas Quando contamos histórias, podemos nos divertir e ainda aprender muito.

Orientações

1

Que tal contar uma história com os colegas? � Procure lembrar de um acontecimento que você tenha vivido no ano passado na companhia de colegas da turma. Pode ser um passeio da escola, um trabalho escolar em grupo, algo aprendido nas aulas etc. � Conte a história desse acontecimento com começo, meio e fim. Se foi um passeio, por exemplo, fale sobre a preparação e as expectativas, aonde vocês foram, o que viram, o que fizeram lá, como foi a volta do passeio e como isso foi compartilhado na sala de aula. � Depois de contar a história, os colegas devem acrescentar a ela detalhes daquilo que lembram, tornando-a mais completa. � Para finalizar, conversem sobre a experiência de lembrar juntos desse acontecimento.

2

Agora responda: Que recurso você usou para contar a história?

Dam Ferreira

O objetivo desta abertura de capítulo é proporcionar a reflexão sobre as memórias cole‑ tivas relacionadas ao ano letivo anterior e incentivar a narrativa de alguns acontecimentos do 3o ano. Caso haja algum aluno novo na turma, dê­‑lhe oportunidade para que conte algo sobre si mesmo e sua escola anterior. Converse com os alunos sobre a importância da escuta atenta e respeitosa, que é uma opor‑ tunidade de socialização. Dessa forma, eles poderão refletir sobre a dimensão social da memória.

Resposta 2. Espera­‑se que os alunos men‑ cionem que essas recorda‑ ções são um resgate das me‑ mórias vivenciadas no ano anterior.

8

Desenvolvendo habilidades EF04HI01 EF04HI03 EF04HI11 e EF04HI12 Com os textos,

imagens e atividades deste capítulo, os alunos dão conti‑ nuidade à construção das noções de sujeito histórico e ser social, já iniciadas nos anos anteriores. Ao conceituar a His‑ tória com os alunos, o objetivo é levá­‑los a compreender essa ciência como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, começando pela identificação de mudanças 8

e permanências ao longo do tempo. Para isso, é essencial tomar como base a vivência dos alunos e a observação das transformações na sociedade em que ele está inserido. Ao observar essas transformações, os alunos poderão iden‑ tificar diversos aspectos culturais que fazem parte da identi‑ dade brasileira e foram herdados tanto dos habitantes locais, os indígenas, como de outros povos que vieram para o país.


Orientações

É muita história...

Pergunte aos alunos o que entendem por História e o que imaginam que ela estuda. Escu‑ te­‑os e, se possível, registre na lousa as respostas. Após a leitura do texto, conversem sobre a importância da História para o conhecimento humano. Ao conceituar História como ciência, discuta com a turma quais assuntos do pas‑ sado despertam a curiosidade de cada um. Registre alguns dos temas citados na lousa e, posteriormente, em uma roda de conversa, aborde alguns desses assuntos com materiais apropriados, que ampliem os conhecimentos prévios dos alunos. Utilize a leitura da imagem para abordar os costumes her‑ dados, que também são objetos de estudo da História. No caso desta fotografia, a tradição de tomar o chimarrão ou mate, bastante comum nos estados da Região Sul (Rios Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), é passada de geração em ge‑ ração. Explique aos alunos que o costume de beber chimarrão é uma herança de indígenas que habitavam a área equivalente aos atuais estados do Paraná e do Rio Grande do Sul e Uruguai, país que faz fronteira com o Brasil. Mate é uma palavra indí‑ gena que significa “cuia”, em referência ao recipiente onde colocavam a erva para fazer o chimarrão.

Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Na atividade da página anterior, cada um contou alguma experiência que teve na escola durante o 3o ano. Para fazer esse relato do passado, você buscou lembranças, memórias de um tempo que viveu. Ao narrar essas lembranças, você compartilhou vivências e provavelmente se iden‑ tificou com muito do que foi dito pelos colegas. As recordações compartilhadas fazem parte da memória coletiva.

9

Família reunida para tomar chimarrão. Santa Maria, Rio Grande do Sul, 2016. Em momentos como este, muitas histórias são contadas, e outras surgem.

Muitas vezes, porém, o que é lembrado por uma pessoa de um jeito é lembrado por outra de maneira diferente. Em outros casos, a pessoa passa por uma situação, mas, ao recordá‑la, mistura informações do que realmente experimentou com outras das quais só ouviu falar. Memória é a capacidade de guardar e recuperar informações do passado. Os re‑ latos que fazemos utilizando nossas memórias é uma das formas de transmitir para outras pessoas nosso conhecimento do passado, ou seja, é uma das maneiras de reconstruir uma história e de contribuir para o estudo de História. A História como ciência é a área do conhecimento que investiga as vivências humanas no decorrer do tempo, em uma relação estabelecida entre o passado e o presente da humanidade. Nesse caso, a palavra é escrita com letra maiús‑ cula – História – para diferenciar esse significado de outros, como “histórias em quadrinhos” ou “histórias infantis”.

9

9


Orientações Ao estudarmos História, conhecemos um pouco do passado das pessoas, dos grupos, das comunidades, dos espaços ao longo do tempo e da origem de expressões culturais, como danças e festas, e podemos relacionar tudo isso com o que vivemos hoje. No passado as pessoas também trabalhavam, construíam moradias e se alimen‑ tavam, mas não viviam exatamente como vivemos hoje em dia. Essa diferença pode ser explicada porque cada época e lugar tem algumas características próprias. � Atualmente, como no passado, as pes‑ soas constituem família. Geralmente, as famílias do passado costumavam ser mais numerosas do que as do presente.

9

Retrato de família. Brasil, 1915.

� Assim como nos dias atuais, no passado era comum a realização de festas popu‑ lares em espaços públicos. Muitas destas festas são herdadas de povos que vieram morar no Brasil. A Cavalhada, por exem‑ plo, é de origem portuguesa.

Cavalhada em Pirenópolis, Goiás. Daniel Cymbalista/Pulsar Imagens

9

� Em algumas construções é possível perceber as diferenças entre as técni‑ cas utilizadas antigamente e as atuais. Nelas é possível perceber influências estrangeiras, como o estilo enxaimel, típico dos alemães. A História é construída pelos seres humanos, que transformam, ao longo do tempo, o meio em que vivem e o próprio modo de vida. Os historiadores são pesquisadores que investigam e estudam os diversos aspectos da vida humana em diferentes tempos. Para realizar seu ofício, esses profissionais se baseiam em várias fontes históricas.

9

Casa em estilo enxaimel em Pomerode, Santa Catarina.

Glossário Ofício: trabalho, profissão.

10

Orientações Proposta de atividade Após a leitura das fotografias desta página, proponha aos alunos uma pesquisa sobre os elementos de diferentes culturas que estão presentes na comunidade onde vivem e resultaram dos processos de migração interna ou externa. A pesquisa pode ser conduzida em grupos ou individualmente e feita em livros, sites ou utilizando conversas com moradores locais. 10

Coleção particular

O estudo da História

Cecilia Heinen/Flickr.com

Ao estudar História, os alunos analisam imagens e pesquisam diferentes fontes históricas que contribuem para o desen‑ volvimento da habilidade de selecionar situações cotidianas que indicam mudanças, per‑ manências, pertencimento, memória individual e coletiva. Esses elementos são essenciais para os alunos aprofundarem conhecimentos sobre os grupos sociais aos quais estão inte‑ grados e para formularem hipóteses sobre costumes e re‑ lações estabelecidas com outras comunidades. Conhecer o trabalho do his‑ toriador ajuda os alunos a en‑ tender que a História é o estudo das ações humanas no tempo e no espaço. Explique aos alunos que o trabalho do historiador é científico e segue processos e métodos inerentes a essa ciência. Historiadores investigam fontes e elaboram, com base nelas, uma versão do passado e uma explicação para deter‑ minados fatos. Essa explicação não é única nem imutável – um mesmo assunto pode ser avaliado por diferentes historia‑ dores e, portanto, ter mais de uma versão ou interpretação. Esclareça para eles que a escrita da História não se funda‑ menta somente na investigação dos historiadores; outras ciên‑ cias também contribuem para o processo, como a Antropologia, a Geografia e a Arqueologia.

1. Pesquise quais povos ajudaram a formar o município onde está localizada a escola, de onde vieram e que mudanças provocaram nele. Anote quais aspectos culturais (danças, ar‑ tesanato, arquitetura, alimentação etc.) denotam essas dife‑ rentes culturas. Apresente o resultado em sala e, juntos, organizem cartazes com as pesquisas concluídas.


As transformações nas sociedades Os historiadores estudam as transfor‑ mações e as permanências que ocorrem nas sociedades ao longo do tempo. Observe algumas delas:

Glossário

Marcos de Mello

Orientações

Permanência: elementos que se mantêm praticamente sem alteração ao longo do tempo.

Analise com os alunos o papel dos costumes e vivências nos grupos sociais. O futebol, por exemplo, é uma prática esportiva de diferentes povos e culturas. Investigar a história do futebol nos ajuda a conhecer alguns aspectos da sociedade brasileira. Peça a eles que leiam as le‑ gendas do infográfico para que compreendam as relações entre passado e presente, o que pos‑ sibilita a reflexão sobre marcos históricos. Além disso, cite as mudanças que ocorreram nos meios de transporte e na forma que as pessoas se relacionam umas com as outras e com os espaços que ocupam. Outra sugestão é aprofundar os conceitos de mudanças e permanências, tendo em vista que as formas de locomoção entre os espaços sofreram alte‑ rações ao longo do tempo.

Ao investigar as diversas mudanças, percebemos também o que não mudou, ou seja, as permanências em um lugar e em uma comunidade. Assim, podemos entender melhor nossa sociedade no presente. 11

Na pesquisa, espera-se que os alunos identifiquem que os locais e sociedades são formados por diferentes processos, os quais são objetos de estudo da História. Se possível, podem ser feitas visitas a pontos históricos do município para que os alunos observem os bens culturais herdados dos antepassados que fazem parte da história local.

11


Orientações

Atividades

1. a) Em duplas, pesquisem mudanças e permanências nas instituições escolares ao longo dos anos. Para isso, busquem imagens, objetos e outras informações que re‑ presentem diferentes mo‑ mentos e tempos escolares.

Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo

Proposta de atividades

1 1

9

b) Com a pesquisa concluída, compartilhem as descobertas em uma roda de conversa. As respostas às duas atividades dependem da pesquisa. Se possível, sugira que elaborem um painel ilustrativo sobre o tema no qual destaquem a importância da História para compreendermos os fatos e as relações temporais.

Observe as imagens a seguir e faça o que se pede. 2

Aula de Educação Física na Escola Normal, em São Paulo, São Paulo, 1908.

9

Aula de Educação Física na quadra escolar, em São Paulo, São Paulo, 2014.

a) Identifique a atividade realizada pelas pessoas em ambas as imagens. Aula de Educação Física.

b) Quantos anos se passaram entre uma fotografia e outra? 106 anos. c) Compare as imagens e indique: � uma semelhança; Os alunos poderão indicar que as duas fotografias mostram crianças praticando atividades físicas na escola.

� uma diferença. As fotografias registram épocas diferentes. Entre as diferenças os alunos poderão citar: o tipo de atividade física praticada (exercícios físicos/jogo de vôlei), as diferenças no local (desenho da quadra) e nas vestimentas e a presença de turma mista na imagem atual.

d) Uma fotografia é do presente e a outra, do passado. Ao compará-las, estamos estudando História? Explique. Sim, a História estuda transformações e permanências no tempo.

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Avaliação No decorrer do estudo deste capítulo é importante que os alunos tenham compreendido que a História é construída com base nas experiências dos seres humanos no tempo e no espaço. Os historiadores estudam essas vivências pela análise e observação das mudanças e permanências nas sociedades e nos espaços.

12

É importante observar se ainda há alunos que demonstram dificuldade em usar os conceitos já trabalhados; se houver, será necessário retomá­‑los.

Fernando Favoretto/Criar Imagem

1. c) Explique aos alunos que em determinadas es‑ colas havia separação entre gêneros.


Orientações 2

3. O objetivo desta atividade é investigar memórias pessoais e familiares, dar oportuni‑ dade aos alunos de construir novos conhecimentos sobre eles mesmos com base na pesquisa de materiais e re‑ latos sobre a própria história. Oriente­‑os a buscar infor‑ mações com seus familiares: relatos e documentos como fotografias e Certidão de Nascimento – para a coleta de dados relevantes como data, horário, nome dos avós e local de nascimento. Re‑ tome o conceito de objetos e documentos pessoais como fontes de memórias e histó‑ rias pessoal e familiar. Converse com os alunos sobre as emoções que sen‑ tiram durante esta ativi‑ dade para ampliar o desen‑ volvimento de habilidades socioemocionais.

Estudar o passado e observar as mudanças da sociedade ao longo do tempo nos ajuda a compreender o presente. Com base nessa afirmação, faça o que se pede. a) Assinale a alternativa correta referente à noção de passado. Tempo atual, o que estamos vivendo. X

Tempo que já passou, anterior a hoje. Tempo que virá depois de hoje.

b) Complete as frases. � Uma das ciências que investigam o passado é a História

.

� Entre os profissionais que investigam o passado da humanidade estão os historiadores 3

.

Você investigará um acontecimento de sua história pessoal: seu nascimento. Leia as instruções. 1. Procure pistas que lhe deem informações sobre seu nascimento e anote onde as encontrou. Resposta pessoal. O aluno poderá responder: em documentos, fotos, vídeos e outros tipos de registro.

2. Pergunte a respeito de seu nascimento a seus responsáveis e anote o que eles lembram do acontecimento. Resposta pessoal.

3. Com as informações coletadas, escreva no caderno um pequeno texto que descreva seu nascimento. Nele deve constar a data, o local e outras informações que possibilitem a quem ler o texto saber como se deu esse acontecimento. 4. Depois, em sala de aula, conte aos colegas como foi a experiência de investigar seu passado. 13

13


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Objetos pessoais como fontes

2

históricas. •• O ofício do historiador. •• O trabalho com as fontes históricas.

As pistas sobre o passado

Orientações

Os objetos pessoais

Analise os itens que os alunos selecionaram para contar a his‑ tória do colega e reflita com eles sobre como escolheram o que colocar na caixa. O objetivo é identificar se o aluno tem dificuldade em deter‑ minar quais objetos podem ser considerados fontes históricas. Durante a atividade, os alunos entram em contato com alguns procedimentos dos historiadores para construir cientificamente a História: escolha da pessoa cuja história será contada, seleção e análise dos docu‑ mentos utilizados na pesquisa, levantamento de hipóteses e apresentação da história. Após o registro das descobertas, com‑ partilhem as ideias verificando os possíveis acertos e as hipó‑ teses aproximadas.

1. 2.

3.

4. 5.

Dam Ferreira

6.

Vamos brincar de historiador? Para isso, siga as instruções abaixo. Reúna‑se com alguns colegas e forme um grupo. Cada grupo deve escolher um dos membros para contar uma história da vida dele e providenciar uma caixa (de sapatos ou outra maior). Somente os membros do grupo podem ouvir a história. O aluno escolhido, na data marcada pelo professor, deverá trazer e colocar na caixa alguns objetos pessoais relacionados à história que ele contou, como fotografias, brinquedos e livros. Para a realização da atividade, o professor trocará as caixas entre os grupos. Cada grupo deve analisar os objetos e, com base neles, elaborar algumas hipóteses sobre a história do dono desses objetos. Com essas hipóteses, cada grupo deverá escrever uma pequena história.

7. Para terminar, cada grupo deve apresentar a história elaborada ao resto da turma. Então, em uma roda de conversa, todos debaterão a importância da análise dos objetos e como essa análise aproximou‑se da história vivida pelo colega. 14

Desenvolvendo habilidades EF02HI04 e EF02HI05 A atividade de abertura deste capítulo

leva os alunos a retomarem habilidades trabalhadas no 2o ano: identificar os objetos e documentos pessoais como fontes de memória e compreender sua função, seu uso e seu significado. EF04HI01 No momento atual do processo de aprendizagem, esses documentos os ajudam a compreender a História como resultado das ações humanas. 14

 o decorrer do capítulo, os alunos vivenciam o processo de des‑ N cobrir a si mesmos e se perceber como sujeitos históricos, tendo como ponto de partida suas vivências e interações sociais. EF04HI11 Ao abordar as fontes históricas, é possível resgatar as contribuições das diferentes culturas que formam não apenas as famílias, mas a sociedade brasileira. Isso pode ser verificado na imagem da página 17, que retrata um exemplo de fonte imaterial e pode suscitar o debate sobre a origem das diferentes manifestações culturais do Brasil.


Orientações

Os vestígios

Proposta de atividade

Biblioteca Estense, Modena

Museu Arqueológico Nacional de Pesto, Capaccio. Foto: Album/Prisma/Fotoarena

De certa forma, o trabalho do historiador é parecido com o do detetive. Nas his‑ tórias policiais, o detetive analisa a cena do crime e procura pistas para solucionar um mistério, por exemplo: Quem é o criminoso? Qual foi o motivo do crime? Ao estudar o passado, o historiador também se depara com enigmas: O que aconteceu? Por que aquelas pessoas agiram daquela maneira naquela situação? Quais foram as consequências daquelas ações? Para descobrir o que ocorreu no passado, o historiador procura pistas. Ele as encontra em vestígios, isto é, em marcas do passado que permanecem no presente. Ao analisar um pote de barro de centenas de anos, por exemplo, o historiador pode obter informações sobre o que as pessoas daquela época comiam ou como cozinha‑ vam; em registros escritos, é possível conhecer um pouco como pensavam as pessoas que os produziram.

9 9

Documento escrito e ilustrado, século 15. A imagem mostra um grupo de guerreiros chegando à cidade de Áquila, na Itália.

A leitura do texto possibilita aos alunos o contato com novas palavras que ampliam o voca‑ bulário específico da disciplina. Peça a eles que pintem no texto as palavras vestígios, hipó‑ teses, métodos e análise. Na sequência, peça que digam o que entendem de cada termo; explique a eles que todos os termos se relacionam ao ofício do historiador. O significado das palavras pode ser buscado na internet ou em dicionários impressos. Peça aos alunos que regis‑ trem no caderno os conheci‑ mentos construídos e converse com eles sobre a produção de vestígios; investiguem quais são os vestígios que cada aluno produz no cotidiano. Liste na lousa as informações verificando e confirmando as hipóteses.

Vaso encontrado na cidade de Pesto, Itália, produzido há cerca de 2400 anos. Esse item era usado como suporte para incenso.

Todos os vestígios – tudo o que foi produzido ou modificado pelos seres humanos e que pode fornecer informações sobre a história da humanidade – são chamados de fonte histórica. Por meio deles, o historiador obtém informações a respeito dos acontecimentos ou da sociedade do passado que ele está estudando. Na atividade anterior, você encontrou objetos dentro de uma caixa e tentou ima‑ ginar o significado deles para o respectivo dono. De modo parecido, o historiador questiona o passado e imagina possíveis respostas, ou seja, ele levanta hipóteses. Mas, para saber se essas respostas fazem sentido, ele precisa investigar os vestígios utilizando métodos rigorosos de análise das fontes. 15

15


Orientações Vamos conhecer alguns tipos de fontes históricas? Imagine que você tenha pesquisado a história de sua escola e seguido os passos descritos abaixo. Para começar, você entrevistou a di‑ retora. Perguntou o que ela sabia da escola, pediu que citasse alguns aconteci‑ mentos que ela considerava importantes e gravou ou anotou as respostas. Assim, você usou um dos tipos de fonte históri‑ ca: a fonte oral.

9

Fontes orais são as informações guardadas na memória e transmitidas de uma pessoa a outra em conversas, relatos, entrevistas e narrativas.

Além da entrevista, a diretora mostrou a você uma pasta de arquivo em que havia outras fontes para investigar a história da escola. Na pasta havia papéis, cadernos e livros em que estavam registrados a data de fundação e outros dados da insti‑ tuição. Esses e outros documentos são fontes escritas.

9

Fontes escritas são os documentos oficiais (Certidão de Nascimento ou de Casamento, Passaporte, Carteira de Trabalho, Carteira de Identidade, Boletim Escolar, Registro de Imóvel etc.), leis governamentais, diários, cartas, livros, revistas, jornais e muitos outros.

A diretora também mostrou fotogra‑ fias e um desenho usado como referência para a construção do prédio da escola. Essas imagens são fontes visuais ou iconográficas.

9

Fontes iconográficas são imagens, como fotografias, quadros, gravuras, pinturas, desenhos, filmes e mapas.

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Orientações Proposta de atividade Organize a turma em cinco grupos. Cada um deve pesquisar imagens que retratem um tipo de fonte: material, imaterial, es‑ crita, visual e oral. Agende uma data para que tragam para a sala de aula as imagens selecionadas na pesquisa e proponha a confecção de 16

um painel explicativo. É importante que, além das figuras, os alunos representem conceitualmente cada elemento pesqui‑ sado. Com o painel pronto, os grupos podem apresentar suas descobertas. Aproveite para observar a oralidade e a aplicação dos conceitos que estão sendo trabalhados.

Ilustrações: Erik Malagrino

As fontes históricas

Analise com os alunos as imagens que acompanham o texto e, em seguida, proponha a leitura dirigida. Peça a eles que sublinhem as passagens que indicam as fontes utilizadas du‑ rante a pesquisa com a diretora da escola. Agende uma visita à diretoria para que os alunos conheçam esse espaço e o observem com olhar investigativo. Elabore com eles um roteiro de perguntas com o objetivo de conhecerem melhor a instituição. Com essa proposta, os alunos terão a oportunidade de utilizar a lei‑ tura e escrita como ferramentas na construção da autonomia de pesquisa e aprendizagem. Caso tenham acesso a do‑ cumentos da escola que cola‑ borem para o entendimento de acontecimentos importantes, retorne com a turma para a sala de aula e organizem uma linha do tempo (já trabalhada no 2o ano) que represente esses fatos.


Que outros vestígios poderiam ser analisados para contar essa história? O prédio, os uniformes, os móveis e os objetos são algumas fontes materiais que poderiam ser analisadas para contar a história da escola.

9

Fernando Favoretto/Criar Imagem

Orientações

Fontes materiais são objetos em geral, como móveis, brinquedos, ferramentas de trabalho, roupas, monumentos, esculturas.

Delfim Martins/Pulsar Imagens

Podem ser utilizadas ainda fontes audiovisuais com registros de fontes imateriais produzidas no espaço escolar ao longo do tempo.

9

As fontes audiovisuais são filmes e vídeos relacionados ao que se está pesquisando.

Fontes imateriais são aquelas que não podem ser “tocadas”, manuseadas. Elas se manifestam nos hábitos, nas práticas e na cultura das pessoas, e assim podem nos fornecer informações. Entre elas estão as lendas, os costumes, a dança, o teatro, as brincadeiras de rua e tudo aquilo que esteja relacionado à cultura de uma comunidade.

Cesar Diniz/Pulsar Imagens

9

Ao observarem fotografias que representam diferentes momentos e comportamentos humanos os alunos passam a olhar para a História como ciência que investiga fatos e ações. Enfatize a importância das fontes históricas imateriais; é importante eles perceberem que os comportamentos e costumes fazem parte dessa categoria e são transmitidos de uma geração a outra. Analise com a turma as duas primeiras fotografias e conversem sobre o que está representado nas imagens. É im‑ portante os alunos identificarem o tipo de carteira retratada e se ela se parece com as que usam; é também fundamental que identifiquem que a primeira fotografia mostra o passado. Na terceira fotografia é possível explorar os movimentos representados e a diversidade cultural. Investigue os conhe‑ cimentos prévios deles sobre a dança exibida e outros detalhes da imagem. Por fim, expliquelhes que muitas de nossas manifestações culturais são fruto da mistura de elementos culturais trazidos pelos diversos povos que formaram a socie‑ dade brasileira. Complemente a informação enfatizando que a manifestação retratada nessa imagem é de origem africana. Então, incentive-os a citar ou‑ tros exemplos que conhecem ou vivenciam em sua comunidade.

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Esta atividade também é uma oportunidade de avaliar o desenvolvimento de novas habilidades e verificar se todos os alunos entendem as práticas investigativas para que consigam construir uma aprendizagem significativa.

17


Orientações

b) Espera­‑se que os alunos identifiquem, pela análise das imagens, as transforma‑ ções ocorridas com a escrita mecanizada, assim como o processo de aperfeiçoamento da orientação espacial, com a confecção de mapas cada vez mais sofisticados. Nesta etapa de análise das imagens como possíveis fontes históricas, eles devem atentar para todas as infor‑ mações relacionadas, o que inclui a leitura das legendas que criaram.

Atividades Observe as imagens e faça o que se pede.

Galeria de Arte de Wolverhampton. Foto: Bridgeman Images/Easypix Brasil

1

Resposta pessoal. Espera-se que os alunos identifiquem como máquina de escrever ou de datilografia e que citem que ela é um antigo instrumento mecânico que imprime letras, números e símbolos. Nos dias de hoje, entre outras utilidades, o computador exerce função semelhante ao também produzir materiais escritos para impressão.

Biblioteca da Universidade Northwestern, Evanston

1. a) Espera­‑se que os alunos escrevam legendas que con‑ ceituem os objetos ilustrados incluindo nome, funciona‑ lidade e semelhanças com outros materiais. Reflita com eles sobre o propósito de um texto como a legenda: a escrita tem uma função so‑ cial e em algumas situações uma imagem não consegue expressar de forma plena a mensagem desejada.

Resposta pessoal. Espera-se que os alunos identifiquem como mapa antigo e reconheçam que os mapas são representações gráficas que reúnem informações sobre determinado território, como a distância de uma região a outra, a proporção geográfica, entre outros. Atualmente ainda há mapas, porém com precisão maior.

a) Crie uma legenda para cada imagem com as seguintes informações: � identificação dos objetos; � função deles; � exemplos de outros objetos com funções semelhantes. b) Que informações sobre o passado podemos obter analisando os objetos das imagens? c) Que tipo de fonte histórica cada objeto representa? Máquina de escrever: fonte material. Mapa: fonte visual ou iconográfica. 18

Avaliação Neste capítulo é fundamental os alunos compreenderem o que são fontes históricas, assunto já abordado em anos ante‑ riores, e que o trabalho com esses vestígios do passado pos‑ sibilita a obtenção de informações sobre períodos históricos, pessoas e sociedades. As atividades propostas desenvolvem nos alunos a capa‑ cidade de estabelecer relações entre passado e presente e 18

reconhecer mudanças e permanências sociais por meio do es‑ tudo de registros documentais. Para finalizar, proponha a confecção de um jogo da memória com palavras relacionadas a fontes históricas. Elabore com a turma uma lista de palavras como: entrevista, mapa, fotografia, documento, pintura, brinquedo, livro, festa etc. Quando os alunos citarem as palavras, investigue se conseguem conceituar cada uma delas.


Orientações Durante a atividade aproveite para discutir a evolução dos brinquedos de acordo com os contextos históricos. Chame a atenção dos alunos para os ma‑ teriais e vestimentas e explique­ ‑lhes que de acordo com os recursos e costumes de cada época, as bonecas são confec‑ cionadas com características que remetem às diferentes socie‑ dades que as produziram. Para ilustrar as mudanças e permanências nas tradições relacionadas a brincadeiras, peça aos alunos uma pesquisa sobre brinquedos do passado que permanecem na atualidade. Eles devem trazer imagens que representem esses brinquedos e elaborar, na sala de aula, uma linha do tempo que registre as transformações pelas quais pas‑ saram. É importante os alunos observarem que alguns mate‑ riais podem ter sido substituídos por outros, assim como pode ter havido mudanças no design e nas tecnologias empregadas.

A análise das fontes possibilita a identificação de diferenças e semelhanças ao longo do tempo. Observe as imagens e faça o que se pede. 2

3

GeniusKp/Shutterstock.com

Coleção particular. Foto: Bridgeman Images/Easypix Brasil

1

Coleção particular. Foto: De Agostini Picture Library/Fotoarena

2

a) Que objetos são esses? Bonecas. b) Para que servem? As bonecas servem para brincar ou como enfeite (decoração).

c) Preencha o quadro com as características semelhantes ou diferentes entre os objetos das imagens. Formato Material

Modelo

Têm formato semelhante. São feitos com materiais diferentes: madeira, louça e plástico, PVC, vinil.

As roupas, as cores e os acessórios são diferentes uns dos outros.

d) Com base nos dados de cada imagem e em suas respostas, escreva no caderno uma pequena história das transformações pelas quais esses objetos passaram. Resposta pessoal. Essa atividade pode ser a produção de um texto coletivo.

19

Para a confecção do jogo, disponibilize folhas de papel cor‑ tadas em oito partes iguais. Os alunos devem registrar duas vezes cada palavra escolhida. Quando todos terminarem, dis‑ ponibilize um tempo para eles jogarem.

19


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Patrimônio cultural. •• Bens materiais e imateriais. •• Sítio arqueológico. •• Conservação e preservação

3

do Patrimônio Cultural. •• Diversidade cultural.

Orientações

Os documentos patrimoniais

Cápsula do tempo

O objetivo da atividade da cápsula do tempo é levar os alunos a perceber que há vários registros de sua história pessoal e coletiva que podem ser guar‑ dados e, posteriormente, servir de fonte de estudos. É impor‑ tante lembrá-los, entretanto, que os documentos históricos são guardados, geralmente, em museus, bibliotecas e outros estabelecimentos que têm a função de preservar a memória. A cápsula pode ser feita com uma caixa de papelão, de plástico ou ainda com um tubo de PVC grosso com tampas dos dois lados, que serão coladas para garantir a vedação. Após guardar os documentos, a cápsula deve ser lacrada e guardada na escola até a data da abertura. Para finalizar a atividade, converse com os alunos sobre o item 5. Escreva na lousa o levantamento feito e proponha o registro no caderno.

Você já ouviu falar em cápsula do tempo? A cápsula do tempo é um recipiente no qual são guardados itens que podem for‑ necer informações do presente para as pessoas no futuro. Ela é geralmente enterrada e se estabelece uma data determinada para ser desenterrada e aberta.

Agora você e os colegas criarão uma cápsula do tempo do 4º ano. O que vocês colocarão nela?

Dam Ferreira

1

1. Pensem em fontes que, no futuro, darão indícios de como vocês vivem e se organizam hoje. 2. O professor anotará as sugestões na lousa. 3. Depois, escolham juntos os itens que acreditam ser os mais importantes e significativos. 4. Providenciem os documentos e objetos escolhidos, coloquem-nos em uma caixa – que deverá ser lacrada – e deixem-na guardada até o próximo ano, quando vocês finalizarão a primeira etapa do Ensino Fundamental. Na data que vocês estipularem, uma turma de 4o ano da sua escola poderá abrir a caixa. 5. Para finalizar, conversem sobre o que os alunos que abrirem a caixa poderão aprender sobre essa turma com base nas fontes históricas que vocês guardaram na cápsula. 20

Desenvolvendo habilidades

20

EF03HI04 e EF03HI05 As habilidades já trabalhadas no 3o ano

EF04HI01 Os temas deste capítulo referem-se ao patrimônio

continuam a ser desenvolvidas por meio dos textos e atividades deste capítulo, preparados para ajudar os alunos a perceber que os patrimônios são registros de memória, além de um meio para estudar e entender os acontecimentos do passado.

cultural e sua conservação, levando os alunos a desenvolver a percepção de que os espaços são construídos e recons‑ truídos pelos seres humanos em diferentes tempos. EF04HI03 Ao identificar o patrimônio e buscar os sítios arqueo‑ lógicos, é possível perceber as interferências que ocorreram no local, quais são as permanências e as mudanças no de‑ correr do tempo.


Orientações

O patrimônio cultural

Verifique se todos com‑ preendem que patrimônios culturais também são fontes históricas. Pergunte aos alunos quais construções de sua cidade podem revelar informações sobre a história do município. Como é uma questão específica, deve ser pesquisada com ante‑ cedência para que, na falta de resposta dos alunos, você possa dar exemplos.

Vimos que as fontes históricas podem fornecer pistas do passado. Você conhece alguma fonte histórica declarada como patrimônio cultural? Patrimônio cultural é o conjunto de bens históricos, artísticos, arquitetônicos, imateriais e naturais cuja conservação é de interesse público. Pode ser regional, nacional ou mesmo de toda a humanidade.

9

Pintura rupestre. Parque Nacional da Serra da Capivara, Brasil.

9

Fachada da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Proposta de atividade Nereu Jr./Pulsar Imagens

Alexandre Macieira/Tyba

Marcos Amend/Shutterstock.com

O patrimônio cultural pode ser classificado de muitas formas, uma delas é com base na divisão em bens materiais e imateriais. � Bens materiais: são de natureza concreta, como construções, monumentos, pinturas, esculturas, livros, joias, móveis, vestimentas, sítios arqueológicos, par‑ ques nacionais, documentos escritos e visuais, entre outros.

9

Locomotiva a vapor do século 19 na Estação Ferroviária de Tiradentes, Minas Gerais.

� Bens imateriais: são os conhecimentos, costumes e tradições que fazem parte

9

Passistas de frevo no Marco Zero, localizado na Praça Barão do Rio Branco. Recife, Pernambuco.

Marco Antonio Sá/Pulsar Imagens

Sérgio Pedreira/Pulsar Imagens

Leo Caldas/Pulsar Imagens

do cotidiano de determinada comunidade e influenciam no modo de ser desse grupo. Entre eles, podemos citar as tradições orais, as crenças e rituais, as danças, as técnicas de preparar pratos típicos e o artesanato.

9

Samba de roda Raízes de Acupe. Santo Amaro, Bahia.

Sugira uma pesquisa de imagens que representem pa‑ trimônios históricos da cidade. Verifique se os alunos já tiveram a oportunidade de conhecer os locais pesquisados. Se possível, promova uma visita para al‑ guma localidade diretamente re‑ lacionada à pesquisa. Informe à turma que nem todos os prédios antigos ou festividades fazem parte do patrimônio histórico cultural. Para saber mais, consulte: <http://portal.iphan.gov.br/>.

9

Produção de panelas de barro. Vitória, Espírito Santo.

As fontes materiais e imateriais de interesse público que são importantes para um povo ou uma comunidade podem ser consideradas patrimônio cultural. 21

21


Orientações

O cuidado com os patrimônios Para um bem – seja material, seja imaterial – ser declarado patrimônio, ele precisa estar relacionado à cultura da comunidade da qual faz parte. Os patrimônios também fazem parte do acervo cultural de uma localidade, pois são fontes históricas importantes para ela. Eles são encaminhados à preservação quando lhes é conferida importância local, nacional ou internacional. Alguns órgãos são responsáveis tanto pela definição do que será considerado patrimônio como pela preservação dele. Aristeu Chagas/Fotoarena

Explique aos alunos que há órgãos oficiais que estudam e catalogam os bens materiais e imateriais em todo o território brasileiro e, se possível, os leve ao laboratório de informática para visitarem o site do Iphan. Proponha a navegação orien‑ tada no site para que se familia‑ rizem com as informações desse espaço virtual. Ao falar da preservação de patrimônios, pergunte aos alunos se percebem a conser‑ vação de prédios e culturas em sua região e de que modo. Em seguida, conversem sobre a pergunta que finaliza o texto e incentive­‑os a se expressar livre‑ mente para respondê-la. É importante esclarecer que os bens culturais não devem ser danificados e, caso estejam sendo ameaçados, deve­‑se denunciar aos órgãos competentes.

9

Há sedes do Iphan em todos os estados brasileiros, porém a matriz fica em Brasília. Salvador, Bahia, 2017.

Em cada município e estado brasileiro, há um órgão voltado à preservação do patrimônio cultural. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é responsável pela preservação do patrimônio do Brasil, enquanto a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) trata do patrimônio mundial. Muitos países preocupam‑se em preservar o patrimônio cultural para o futuro. Além dos órgãos governamentais, cada pessoa é responsável pela conservação desse patrimônio. O que podemos fazer para preservar os bens culturais? 22

Orientações Proposta de atividade Esta atividade simula uma escavação arqueológica. Preparação Cave um buraco, forre­‑o com um pouco de areia e enterre um objeto que os alunos possam encontrar – um pote de argila, por exemplo. 22

Material:

•• 4 palitos de churrasco; •• barbante;

•• pás de jardineiro; •• pincel.

Procedimento 1. Indique o local aproximado da escavação. 2. Após a localização, desenhe um quadrado de 1 m² em volta do local.


Orientações Um pouco mais sobre

9

1

André Dib/Pulsar Imagens

Você já ouviu falar em sítios arqueológicos? São locais nos quais são encontra‑ dos vestígios de povos que habitaram ali há muito tempo. Neles os pesquisadores costumam encontrar artefatos, construções, túmulos etc. Por meio desses objetos, podemos conhecer um pouco da vida das pessoas que lá viveram. Um exemplo de vestígio ar‑ queológico são os sambaquis. Nesses locais os povos indígenas de antigamente acumulavam restos de alimentos, conchas e ossos, formando grandes depó‑ sitos. Por meio deles podemos conhecer, por exemplo, alguns hábitos alimentares dos indíge‑ nas no passado. Outro exemplo de vestígio arqueológico são as pinturas rupestres, feitas geralmente 9 Sambaqui no sítio arqueológico de Garopaba do Sul. Jaguaruna, Santa Catarina, 2017. Os sambaquis podem ser encontrados em nas paredes de cavernas. Elas diversos pontos do litoral brasileiro. retratam algumas cenas que deviam ser comuns na época, como a caça de animais selva‑ gens. Assim, podemos conhe‑ cer melhor como esses povos viviam e o que faziam. Os sítios arqueológicos são importantes exemplos de pa‑ trimônio histórico. Eles contêm informações de um passado dis‑ tante e, por isso, é importante preservá‑los.

Ricardo Ribas/Fotoarena

Os sítios arqueológicos

Em sítios arqueológicos é possível estudar a formação de uma civilização e os passos da humanidade na região. Proponha a reflexão expressa ao final do texto e oriente uma pesquisa em duplas para descobrir se há sítios arqueoló‑ gicos nas proximidades de onde moram. Se possível, leve a turma ao laboratório de informática e encaminhe a atividade acom‑ panhando a busca pela infor‑ mação específica do tema em estudo. Caso todos verifiquem que não há nenhum sitio arqueoló‑ gico na região em que moram, expanda a pesquisa para outras regiões do território brasileiro. Em propostas desse tipo o aluno escolhe e estabelece critérios de pesquisa e ações que serão importantes para a prática investigativa autônoma. A atividade também favorece o desenvolvimento da leitura e da escrita como ferramentas de estudo para a ampliação dos conhecimentos em diferentes áreas.

Pinturas rupestres na Gruta do Janelão, Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Januária, Minas Gerais, 2017. Arte rupestre feita provavelmente há 10 mil anos.

Existem sítios arqueológicos no estado onde você mora? Em dupla, pesquise e traga o resultado para a sala de aula. Depois de todas as duplas apresentarem as respectivas descobertas, debata com os colegas, em uma roda de conversa, a importância do patrimônio histórico. 23

3. Peça aos alunos que coloquem quatro palitos formando um quadrado e usem barbante para uni­‑los. 4. Após essa preparação, permita que eles cavem o local. 5. Em seguida, o local deve ser marcado traçando­‑se duas pa‑ ralelas, uma em cada lado do quadrado, que se cruzem no ponto onde o objeto foi encontrado. Eles devem marcar a

distância de cada linha do ponto até cruzar com um dos lados do quadrado. 6. Após retirar o objeto, incentive-os a limpá­‑lo cuidadosamente. Ao final da atividade, converse com eles sobre a importância dos procedimentos adotados para a preservação do objeto.

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Orientações

Atividades

B

C

D

E

D

A arte kusiwa – arte gráfica e pintura corporal – faz parte das tradições do grupo indígena wajãpi. Os desenhos são feitos com tinta extraída de plantas e têm diferentes significados.

B

O modo artesanal de fazer queijo, com leite cru, das regiões da Serra da Canastra e da Serra do Salitre, em Minas Gerais, constitui um conhecimento tradicional da identidade cultural dessas regiões.

E

O modo de fazer renda irlandesa das rendeiras da cidade de Divina Pastora, Sergipe, é uma tradição cultural local, na qual se trabalha em grupos.

C

Roda de capoeira é um círculo de pessoas reunidas para jogar capoeira, manifestação cultural afro-brasileira que combina luta, música e dança. A capoeira é praticada em quase todo o território nacional.

A

O frevo é parte da tradição musical do Carnaval de Olinda e Recife, em Pernambuco.

24

Olhar interdisciplinar Língua Portuguesa

24

Como consolidação do texto, proponha a eles o preparo da receita de um prato que represente a cultura e as tradições de um grupo étnico ou social que viva na mesma localidade que o grupo escolar. Esta atividade prática, além de trabalhar com a cultura local, integra conteúdos de Língua Portuguesa e grandezas e medidas estudadas em Matemática.

Escolha uma receita que seja simples de ser preparada em sala de aula. Confirme com eles se os ingredientes solicitados são de fácil acesso e peça que os tragam. Para estimular o aprendizado em língua portuguesa, pro‑ ponha a observação dos verbos que compõem o modo de pre‑ paro da receita e informe aos alunos que na escrita de receitas é comum a linguagem objetiva e o uso do modo imperativo.

Marco Antônio de Sá/Pulsar Imagens

SÈrgio Bernardo/JC Imagem/Folhapress Cesar Diniz/Pulsar Imagens

A

Andre Dib/Pulsar Imagens

As imagens a seguir mostram alguns exemplos de patrimônio imaterial brasileiro. Relacione a imagem à frase que a explica.

1

Sylvia Masini/Arquivo da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo

1. Explique aos alunos que muitos dos desenhos ku‑ siwas se referem à criação da humanidade, represen‑ tando os mitos da origem do ser humano. Aproveite a oportunidade para verificar os conhecimentos dos alunos sobre comunidades indígenas e informe que no Brasil há grupos de diferentes etnias, com costumes e culturas diversificadas.


Na atividade anterior, você viu alguns exemplos de patrimônio imaterial: dança e música (frevo), alimento (queijo), artesanato (renda), desenho e pintura (arte kusiwa) e uma expressão cultural que envolve arte marcial, esporte e música (capoeira). E na região onde vive? Que costumes e tradições fazem parte do patrimônio imaterial? Em grupo, converse com o professor e os colegas e, em seguida, apresente à turma um exemplo daquilo que vocês conversaram.

3

Observe as imagens e faça o que se pede a seguir.

Rubens Chaves/Pulsar Imagens

2

1

2

Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Orientações 2. A valorização da diversidade proporciona o desenvolvi‑ mento do pensamento cria‑ tivo e crítico. Faça, previa‑ mente, um levantamento das tradições e costumes da região onde a escola está lo‑ calizada – atividades relacio‑ nadas à música, dança, vesti‑ mentas, artesanato, comidas típicas etc. Durante a aula, mencione as práticas culturais que você descobriu incenti‑ vando­‑os a partilhar o que sabem e corrigindo eventuais preconceitos.

Respostas Casario e Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída no século 18. Largo do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, Bahia, 2016.

9

4

3

9

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, cuja primeira construção data de 1773. Coruripe, Alagoas, 2015.

Museu Casa dos Contos, construído entre 1782 e 1784. Ouro Preto, Minas Gerais, 2015.

9

Andre Dib/Pulsar Imagens

Rubens Chaves/Pulsar Imagens

9

3. a) Sim. Os alunos podem usar como referência as datações das legendas ou as caracterís‑ ticas arquitetônicas para justi‑ ficar a resposta. b) Sugestões de resposta: o tipo de fachada, janelas e portas que são parecidos e confi‑ guram construção em um mesmo período ou em pe‑ ríodos próximos. c) Essas construções são patri‑ mônios que fazem parte da história local e são fontes de estudo dessa história.

Fachada do Museu de Sant’Ana, instalado na antiga Cadeia Pública construída em 1730. Tiradentes, Minas Gerais, 2015.

a) Todas as construções parecem ser históricas? Explique. b) Registre os elementos semelhantes na arquitetura de cada construção. c) Qual é a importância dessas construções para a sociedade local e nacional?

25

Avaliação Ao final deste capítulo, é importante os alunos identificarem o que são os patrimônios culturais materiais e imateriais e com‑ preenderem as razões para que assim sejam considerados.

25


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• A percepção da passagem do

4

tempo. •• Os principais marcadores cotidianos de tempo cronológico. •• Cronologia.

Orientações

O tempo de cada um

Tempo escolar

O objetivo da atividade é levar os alunos a refletir sobre a possibilidade de reorganizar o tempo conforme as neces‑ sidades específicas de cada grupo. Eles são incentivados a compreender que o tempo cronológico foi estabelecido por seres humanos e, por isso, pode ter diferentes características ou atender a necessidades especí‑ ficas de grupos distintos. Antes de iniciar a ativi‑ dade, combine detalhes com os alunos: O calendário será somente escrito ou também será ilustrado? Será permitido usar os nomes dos meses tra‑ dicionais? O interessante é ser criativo.

Dam Ferreira

Imagine que você e os colegas receberam a missão de criar um novo calendário com base em suas experiências na escola. Vocês podem criar o mês das provas, o mês das aulas ao ar livre, os meses das férias... São tantas possibilidades! O professor organizará a turma em grupos e, no final, todos apresentarão seus calendários aos demais colegas.

Resposta 1. Resposta pessoal. É impor‑ tante que os alunos justifi‑ quem as escolhas feitas na elaboração do calendário.

1

O que foi mais difícil de fazer no calendário de seu grupo?

26

Desenvolvendo habilidades EF04HI01 , EF04HI02 , EF04HI03 Os temas de estudo deste capí‑

26

tulo ampliam a percepção dos alunos sobre temporalidade, as relações estabelecidas no tempo/espaço e as interações pessoais. É importante eles compreenderem que o tempo histórico se refere ao que permaneceu e ao que mudou, às diferenças e se‑ melhanças entre os períodos comparados e ao que acontece ao mesmo tempo em outro lugar. Dessa forma, os alunos podem analisar, na sociedade em que vivem, a presença ou ausência de acontecimentos associados aos contextos históricos vividos

e podem estabelecer relações entre o passado e o presente fa‑ vorecendo suas projeções sobre o futuro e as ações e interações humanas estabelecidas. Conceituar a cronologia e entender como foram criadas as formas de medir e datar o tempo possibilita que os alunos com‑ preendam como podemos estudar a história da humanidade e, com base, por exemplo, nos marcos históricos, reflitam sobre como e quando os seres humanos fizeram determinadas mudanças e transformações que até hoje repercutem em nossa sociedade.


Orientações

A contagem do tempo

Pergunte aos alunos de que formas é possível medir o tempo de um dia e o tempo de uma hora. Em seguida, veri‑ fique quais tipos de relógio eles conhecem. Observe se todos com‑ preendem que é possível verificar o posicionamento do Sol para perceber a passagem do dia. Pergunte também quem utiliza relógio ou aparelhos celulares como instrumentos de medição do tempo. Com essas indagações, os alunos identificam as diferentes formas de medir e marcar o tempo cronológico em suas vivências cotidianas e refletem sobre elas.

ampulheta

Ilsutrações: Alex Argozino

Com base nas observações da natureza, os seres humanos criaram formas de medir e organizar o tempo, como os relógios e os calendários. Os relógios atuais marcam o tempo em segundos, minutos e horas.

relógio de vela clepsidra egípcia

relógio mecânico de pêndulo

relógio digital relógio solar

Os calendários indicam a passagem do tempo em dias, semanas, meses e anos. Há ainda outras divisões de tempo que assinalam períodos maiores: � 10 anos = década; � 100 anos = século; � 1000 anos = milênio. Essas periodizações são muito usadas em História e facilitam a localização dos acontecimentos no tempo. O tempo contado e marcado em relógios e calendários é chamado de tempo cronológico. No estudo da História, a contagem do tempo nos permite identificar a data ou o período aproximado de determinado evento. Por exemplo, entre os assuntos abor‑ dados neste livro, estão alguns marcos da história da humanidade. Pense nestas questões: Há quanto tempo as terras que hoje chamamos de Brasil são habitadas? Quando será que os seres humanos desenvolveram formas de cultivar alimentos? Será que as máquinas como conhecemos hoje sempre existiram? Essas e outras questões são investigadas pelos historiadores. Alguns marcos representaram grandes mudanças para a humanidade, não só no tempo em que ocorreram mas até o presente. Com a possibilidade de datar ou indicar um período, é possível, além de identifi‑ car esses marcos, analisar historicamente os acontecimentos que os antecederam ou foram consequência deles. Por isso, para o estudo da História, a cronologia é muito importante.

Proposta de atividade Peça aos alunos que subli‑ nhem as palavras que caracte‑ rizam a passagem do tempo: segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, década, século e milênio. Também solicite a eles que expliquem a equivalência entre esses marca‑ dores temporais, por exemplo: 60 segundos equivalem a 1 minuto.

27

27


Orientações

História e cronologia

As questões do terceiro parágrafo conduzem os alunos à compreensão de nossa ne‑ cessidade social de controlar ou marcar o tempo. Com as hipóteses apresentadas, re‑ tome a leitura para que eles entendam a importância da or‑ ganização temporal do registro de acontecimentos na prática investigativa. Reforce a importância da cronologia para a História e peça a eles que registrem no ca‑ derno algumas situações vividas relativas à noção de tempo que foram significativas para eles – é importante manterem a ordem cronológica como referencial para o registro. Por fim, conclua que os acontecimentos históricos são compreendidos por meio de pesquisa e análise de registros documentais acumulados ao longo do tempo. O historiador tem o cuidado de investigar os fatos levantados localizando informações que caracterizam o período em estudo.

9

Percebemos a passagem do tempo de diversas maneiras, entre as quais está a observação da natureza. A sucessão de dias e noites, o ciclo de vida das plantas e dos animais, as mudanças nas estações do ano e as alterações em nosso corpo são algumas das formas de notar que o tempo passa. Em diversas situações sentimos a necessidade de medir o tempo. Já imaginou como seria se não houvesse um horário para começar e terminar a aula? Ou se o professor não pudesse marcar uma data para a entrega de um trabalho? Ou se não fosse possível medir o tempo necessário para assar um bolo? Como seria se não pudéssemos medir o tempo de uma partida de futebol? Para identificarmos momentos no tempo ou medirmos a duração de um acon‑ tecimento, a cronologia é necessária, ou seja, o estudo das divisões do tempo e o estabelecimento de datas com base na ordem de ocorrência dos eventos. Para a História, a cronologia é muito importante. O historiador precisa saber qual acontecimento veio antes e qual veio depois. Ele precisa conhecer o tempo de dura‑ ção de cada período histórico. Assim, a contagem do tempo e o uso do calendário são indispensáveis no estudo da História. 28

28

Um exemplo de mudança é o uso de telefones. Os orelhões são de uma época em que se usava menos aparelhos telefônicos, tinha‑se menos acesso à telefonia pessoal e nem existia a telefonia móvel (celular).

Rob Byron/Shutterstock.com

Fernando Favoretto/Criar Imagens

Quando estudamos História, deparamos com datas que marcam os eventos. Fa‑ lamos em passado, presente e futuro, e em mudanças e permanências. Todos esses assuntos estão relacionados ao tempo e à sua passagem.


Orientações O objetivo desta atividade é ampliar as reflexões dos alunos na análise de fontes iconográ‑ ficas. Para isso, é preciso ofe‑ recer instrumentos a eles a fim de que encontrem as informa‑ ções necessárias, estimulando possíveis interpretações.

Direto da fonte Portinari, o pintor de um tempo Candido Portinari (1903‑1962) foi um pintor brasileiro que retratou bas‑ tante o modo de vida do Brasil da primeira metade do século 20 (1901‑2000), incluindo até os tipos de brincadeiras, como mostra a obra Futebol, de 1935.

Respostas

Observe a pintura de Candido Portinari e, no caderno, faça o que se pede.

a) Espera-se que os alunos mencionem o campo de terra aplainado, as árvores cortadas, a cruz de madeira, as crianças brincando, o espaço compartilhado com os animais. Ao fundo da tela há uma casa, um cemitério, uma plantação e gado pastando.

Coleção particular. Reprodução autorizada por João Candido Portinari

1

b) Brincam de futebol. c) Há dois animais, uma cabra e um cavalo. Eles estão soltos. d) Não. É um lugar com poucas construções.

9

e) Sim. Comente com os alunos que toda obra de arte é um registro histórico da pers‑ pectiva do artista e reflete o momento histórico vivido por ele. Por se tratar de uma pin‑ tura, esta obra é uma fonte histórica iconográfica.

Cândido Portinari (1903‑1962). Futebol, 1935. Óleo sobre tela, 97 cm × 130 cm.

a) Descreva a paisagem da imagem. b) O que as crianças estão fazendo? c) Que animais estão retratados? Eles estão presos ou soltos? d) É um lugar com muitas construções? e) Esse quadro pode ser considerado uma fonte histórica? Se sim, de que tipo? 29

Orientações Muitos artistas exploraram o universo infantil. Os pintores brasileiros Ivan Cruz e Candido Portinari, por exemplo, criaram inúmeras pinturas para representá-lo. Aproveite a oportunidade para trazer novas imagens e ampliar o repertório artístico e cul‑ tural dos alunos. Se possível, traga reproduções das obras de Portinari: Meninos brincando, 1955; Cambalhota, 1958; Meninos soltando pipas, 1947; Moleques pulando cela, 1958. Façam a análise atenta dos elementos das pinturas, verifiquem

os materiais utilizados e as brincadeiras representadas. Estimule a percepção visual das feições e sentimentos que podem ser observados nos quadros. Como atividade complementar ao es‑ tudo de cronologia, crie uma linha do tempo com essas mesmas obras para que os alunos visualizem o desenvolvimento artístico do pintor. Para mais informações, consulte: <www.portinari.org.br/>. 29


Orientações

Atividades

1. Aproveite a leitura do texto com os alunos para retomar a reflexão sobre o uso de brincadeiras de faz de conta como forma de diversão e vivência criativa. Pergunte a eles como imaginam que pode ser uma máquina do tempo e o poder que uma máquina desse tipo represen‑ taria. Observe as hipóteses le‑ vantadas por eles e verifique se eles identificam as três di‑ mensões temporais: passado, presente e futuro.

Leia a história em quadrinhos de Calvin e Haroldo e responda às questões. Calvin & Hobbes, Bill Watterson © 1987 Watterson / Dist. by Andrews McMeel Syndication

1

Olhar interdisciplinar Língua Portuguesa A atividade 1 pode servir de base para uma produção textual com o tema viajando no tempo. É uma oportunidade para você avaliar se os alunos desenvol‑ veram conceitos relacionados à percepção temporal e se conse‑ guem expressar compreensão sobre temporalidade usando de coerência e coesão na orga‑ nização de ideias. Você pode escolher diferentes gêneros para essa produção: poema, prosa, narrativa, texto jornalístico, entre outros.

a) Qual é o assunto dessa história em quadrinhos? É uma brincadeira em que os personagens viajam no tempo.

b) Se você pudesse viajar no tempo, para que época iria? Resposta pessoal.

c) Como você imagina que será o futuro de nosso planeta? Resposta pessoal.

d) Na história em quadrinhos, por que a cronologia é importante para a viagem de Calvin e Haroldo? A cronologia é necessária para determinar o momento no tempo para o qual pretendem se transportar. 30

Avaliação O conceito de tempo perpassa o cotidiano, além de ser uma ferramenta da História que se faz visível em instrumentos como relógios e calendários. É importante que o aluno construa essas percepções.

30

Ao final dos temas deste capítulo, esperamos que os alunos tenham compreendido que o tempo é medido de acordo com padrões criados pelas sociedades e nem sempre, na vivência das diferentes organizações sociais, os seres humanos usaram ins‑ trumentos para medir o tempo.


Orientações

1

9

2

Mulher em 1885.

9

Mulher em 1952.

3

9

Jose Coello/Westend61/Easypix Brasil

Observe as imagens a seguir. Mirrorpix/Getty Images

Donna Beeler/Shutterstock.com

2

Ao observarem as vesti‑ mentas femininas e a postura das mulheres nas imagens, os alunos têm a possibilidade de marcar temporalmente o com‑ portamento retratado.

Proposta de atividades Peça aos alunos que calculem os espaços temporais entre uma fotografia e outra da atividade 2 para compreenderem que as mudanças no vestuário feminino revelam a influência de outros povos e da mídia no comporta‑ mento e na moda. Também é possível propor uma atividade de pesquisa na qual os alunos busquem imagens que ilustrem o ves‑ tuário masculino ao longo do tempo. A pesquisa pode ser feita com acompanhamento no laboratório de informática para que você faça as intervenções necessárias e os ajude na busca por imagens e explicações que acrescentem informações à tarefa investigativa.

Mulher em 2015.

a) Qual é a data de cada imagem? 1885, 1952 e 2015

b) O que está sendo representado nas fotografias? Mulheres em diferentes épocas.

c) Quais são as diferenças e as semelhanças entre as imagens? Semelhanças: todas são mulheres; diferenças: postura, modo de se vestir e de se pentear.

d) As diferenças se referem a questões da sociedade em que as pessoas vivem? Explique. Sim. As roupas e a postura mostram mudanças e permanências na sociedade, além de aspectos culturais.

e) Qual fotografia é mais antiga? Fotografia 1. 31

31


Orientações O objetivo desta seção é dar aos alunos acesso aos vários gêneros textuais, pois eles são fonte de informação e oportuni‑ dade de aprendizado.

Hora da leitura

Respostas

Ao alcance da mão De onde vêm as histórias? Elas não estão escondidas como um tesouro na gruta de Aladim ou num baú que permaneceu no fundo do mar. Estão perto, ao alcance de sua mão. Você vai descobrir que as pessoas mais simples têm algo surpreendente a nos contar. [...] É do cotidiano que brota a magia, a brincadeira que vai transformando uma coisa em outra. [...] Você testemunha grandes e pequenos episódios que estão acontecendo à sua volta. Um dia será chamado a contar a alguém. Então verá que o tecido das vidas mais comuns é atravessado por um fio dourado: esse fio é a história.

1. Espera­‑se que os alunos res‑ pondam que as histórias re‑ sultam das vivências indivi‑ duais e coletivas. 2. Espera­‑se que os alunos res‑ pondam que todos os acon‑ tecimentos do cotidiano – mesmo aqueles que apa‑ rentemente tenham pouca importância – fazem parte da história de cada pessoa. As pessoas com as quais nos relacionamos e as mudanças que vivenciamos integram nossa história. 3. Resposta pessoal. O objetivo desta atividade é levar os alunos a refletir sobre o fato de sermos testemu‑ nhas da história e sobre os re‑ latos que são transmitidos de geração a geração.

Ecléa Bosi. Velhos amigos. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2003. p. 9-10.

1

De acordo com o texto, de onde vêm as histórias?

2

O que faz parte da história de cada pessoa?

3

Se você fosse convidado a contar algum episódio que testemunhou, o que gostaria de contar? Como contaria e a quem?

32

Orientações O processo de reflexão, suscitado pela leitura proposta, faz com que os alunos desenvolvam a percepção de si e do outro em suas vivências cotidianas, identificando seu lugar nos es‑ paços que ocupam. Leva­‑os a perceber também as diferentes linguagens que facilitam o processo do fazer histórico. Nesse sentido, cada aluno tem condições de identificar semelhanças e diferenças entre histórias vividas por ele e por outras pessoas 32

e estabelecer relações entre os sujeitos em diferentes tempos e espaços. Explique aos alunos que a humanidade sempre produziu re‑ gistros documentais, os quais necessitam ser preservados. Com o desenvolvimento de novas tecnologias digitais, é possível preservá­‑los de forma virtual e acessível ao maior número de pessoas.

Marcos De Mello

De onde vêm as histórias? Você já se perguntou isso? A autora Ecléa Bosi responde à pergunta no texto a seguir. Leia‑o.


Orientações

HISTÓRIA

Os museus e institutos de preservação da memória de um povo são instituições respon‑ sáveis pela conservação dos conhecimentos históricos de diferentes civilizações. Pesquise com os alunos quais são as instituições que cuidam da preservação da cultura e da história da região em que vivem. Se possível, organize uma visita a um desses locais. Outra possibilidade é agendar uma entrevista com um represen‑ tante de uma instituição para que ele conte como é o trabalho que desenvolve. Dessa forma, os alunos obterão informações que ampliarão os conhecimentos sobre a cidade ou região em que estão inseridos. Muitas cidades têm centros culturais ou bibliotecas munici‑ pais que disponibilizam docu‑ mentos antigos que podem ser consultados virtualmente, possibilitando o acesso aos do‑ cumentos históricos. Proponha uma busca na internet para que percebam o uso das tecnolo‑ gias a favor do conhecimento histórico.

em ação

Preservação de documentos

Sergey Malgavko/Sputnik/AFP

Arquivos são um conjunto de documentos mantidos por uma pessoa ou por uma organização. O Arquivo Público do Paraná, por exemplo, é mantido pelo governo desse estado e reúne documentos para a preservação da memória dos paranaenses. Outros estados também têm os próprios arquivos. Os documentos servem de fonte de informação sobre o passado e são importan‑ tes para o trabalho do historiador. Mas, por serem geralmente feitos de papel, eles podem estragar‑se com o tempo. Por isso os arquivistas, que são os profissionais que trabalham em arquivos, tomam cuidados especiais para preservá‑los. Os documentos se deterioram com mais rapidez sob a ação da luz, do calor e da umidade. Por isso devem ser mantidos em um ambiente fresco, seco e com pouca ou nenhuma luz. É preciso evitar insetos, roedores e mofo, porque eles também danificam os documentos. Às vezes os documentos ficam muito estragados e precisam ser recuperados. Esse é um trabalho delicado, que exige muita técnica.

9

Atividades de restauração de antigos documentos no Departamento de Restauração Artística de Bakhchisaray, Crimeia, 2017.

Atualmente é muito comum a digitalização dos documentos para que eles possam ser consultados em dispositivos como o computador ou o tablet. 33

33


Orientações

Revendo o que aprendi

Proponha aos alunos a cons‑ trução de uma linha do tempo com acontecimentos ocorridos na escola para ilustrar e validar o uso da marcação temporal. Utilize como marcadores temporais o início das aulas, as festividades, o início das férias escolares, os passeios feitos pela turma e outras atividades que tenham caráter pedagógico e socioemocional no cotidiano escolar.

Ryan Fletcher/Shutterstock.com

G. Cigolini/De Agostini Picture Library/Universal Images/Fotoarena

RossHelen/iStockphoto.com

Tsjap/iStockphoto.com

Proposta de atividade

Observe as fotografias e preencha o quadro indicando as mudanças e as permanências em cada objeto.

DircinhaSW/Moment Open/Getty Images

1. Nesta atividade espera­‑se que os alunos sejam capazes de identificar algumas das trans‑ formações dos objetos ao longo do tempo e de reco‑ nhecer que o uso geral deles permaneceu o mesmo.

1

O QUE MUDOU

2

Plip Pilosian/Shutterstock.com

O objetivo desta seção é rever os temas estudados em toda a unidade. Você pode usá­‑la para avaliar a aprendizagem do aluno.

O QUE PERMANECE

Telefone

Tornou-se menor e móvel, pode A função de comunicação permaser levado de um lugar para outro. nece a mesma.

Automóvel

Ficou mais rápido, confortável e aerodinâmico.

A função de transporte de pessoas continua a mesma. Outros elementos que não mudaram: quatro rodas, faróis, direção etc.

Fogão

Os fogões a lenha foram substituídos por modelos a gás ou elétricos.

Ainda são utilizados para cozinhar alimentos.

Explique com suas palavras a importância da cronologia para o estudo da História. A cronologia permite a datação dos acontecimentos e a medição de intervalos de tempo, essenciais para a História.

34

Orientações A revisão do aprendizado é uma oportunidade para veri‑ ficar os conhecimentos que foram construídos pela turma e os temas que devem ser revisados ou reapresentados, de modo que todos alcancem os objetivos da unidade. Ao propor a atividade sobre identificação e caracterização dos objetos, discuta as mudanças e permanências na função de cada um e estimule uma discussão sobre o acesso a esses 34

bens. Pergunte aos alunos: Será que todas as pessoas têm ob‑ jetos modernos como os representados nas imagens? O fato de haver tecnologia significa que todos têm acesso aos carros, telefones e eletrodomésticos mais modernos e funcionais? Esta atividade pode gerar um debate sobre consumismo versus ne‑ cessidades reais.


Orientações Observe as imagens a seguir e classifique as fontes históricas apresentadas.

A

B

fonte oral

D

fonte material

fonte escrita

E

fonte iconográfica

F

fonte audiovisual

fonte imaterial

Observe as fotografias e, em seguida, faça o que se pede.

Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Paul_Brighton/iStockphoto.com

4

C

Ilustrações: Desenhorama

3

9

Artigos de couro à venda na Feira de Caruaru. Pernambuco, 2015.

9

3. Retome a discussão sobre a função de cada tipo de re‑ gistro documental. Se de‑ sejar, amplie a atividade no caderno oferecendo outros exemplos para que sejam identificados. 4. Espera­‑se que os alunos classifiquem os patrimô‑ nios culturais em materiais e imateriais. Ambos têm fun‑ damental importância para a formação e manutenção da cultura de um país ou região. Oriente­‑os para que ob‑ servem atentamente as ima‑ gens de modo que tenham condições de reconhecê­‑las e de elaborar uma legenda com informações comple‑ mentares sobre cada uma. Retome a função da legenda, verifique se os alunos conse‑ guem fazer a produção tex‑ tual sem grandes dificuldades e auxilie aqueles que necessi‑ tarem de apoio.

Acarajé, comida típica do estado da Bahia, Brasil.

a) O que está representado nessas imagens e por que os elementos retratados são importantes para o Brasil? b) No caderno, crie uma legenda para cada imagem descrevendo os respectivos tipos de patrimônio brasileiro que elas representam. Se necessário, pesquise para obter mais informações sobre cada patrimônio. 35

35


Orientações

99

Nesta unidade vimos

Podemos estudar História por meio de diversas fontes: escritas, materiais, iconográficas, audiovisuais e orais.

A cronologia é importante para datar acontecimentos e medir intervalos de tempo.

A disciplina de História estuda as mudanças e as permanências ao longo do tempo em diferentes espaços.

Para finalizar, responda: O que mudou e o que permaneceu com relação ao telefone representado na imagem de abertura da unidade? 9 Como eram os objetos, as construções e as pessoas que estão à sua volta alguns anos atrás? 9 Qual é a relação entre a sequência de imagens da abertura da unidade e a compreensão da passagem do tempo? 9

36

Avaliação de aprendizagem Nesta unidade os alunos fizeram diferentes atividades de lei‑ tura e reflexão com o propósito de reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço. As atividades propostas os levaram a desenvolver habilidades de uso de ferramentas de pesquisa e de construção de marca‑ ções temporais necessárias para a compreensão dos conceitos.

36

Muitas das atividades tiveram a função de avaliação formativa, valorizando os registros dos processos de aprendizagem. Para finalizar, proponha aos alunos uma produção de texto com o tema “O que sei sobre História”, para que demonstrem os saberes construídos por meio dos estudos realizados.

Erik Malagrino

Esta seção apresenta, de forma sucinta e objetiva, os con‑ teúdos trabalhados ao longo da unidade. Aproveite as imagens e frases para fazer uma breve re‑ visão dos conteúdos, identificar possíveis dúvidas dos alunos e saná­‑las. Você pode fazer uma leitura dirigida com os alunos para que eles identifiquem, na imagem e no texto, o que foi abordado na unidade. Os tópicos relembram os temas estudados e podem ser usados para a avaliação porque se referem à aprendizagem requerida dos alunos no final da unidade.


Orientações Preservando o patrimônio Estimule a reflexão dos alunos sobre o fato de cada sociedade ser detentora de um conjunto de bens culturais que devem ser conhecidos e conser‑ vados de modo que as gerações subsequentes também tenham acesso às informações social‑ mente construídas. Peça aos alunos que com‑ ponham um desenho que represente os bens culturais que eles têm e gostariam que fossem passados para as outras gerações. Ao final da produção, confeccione um livro com as representações.

Para ir mais longe Livros Editora Moderna

9 Preservando o patrimônio, de Maria Helena Martins.

9 Qual a história da História?, de Lílian Lisboa Miranda e

Silmara Rascalha Casadei. São Paulo: Cortez, 2010. “O fogo passou a trazer um pouco de iluminação para as noites escuras [...] e permitiu que os alimentos pudessem ser cozidos”. Esse e muitos outros acontecimentos são narrados nesse livro com base na curiosidade de um grupo de alunos e professores, que, juntos, procuram entender a história da humanidade.

Cortez Editora

São Paulo: Moderna, 2002. “Você já pensou que cada um de nós tem um conjunto de lembranças, de histórias e de objetos que são significativos do nosso modo de ser e de viver? Essa é a herança que deixamos para as gerações futuras”. É assim que esse livro se inicia. Ele aborda o tema do patrimônio tanto pessoal como coletivo e a importância disso para nossa vida.

Sites 9 Iphan: <http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/218>. Nessa página, o Iphan oferece informações sobre o patrimônio cultural do Brasil e o classifica por tipos, entre os quais estão: patrimônio material, imaterial e arqueológico. 9 Museu da Pessoa: <www.museudapessoa.net>. Nesse site você tem acesso à história de pessoas que ali registraram seus depoimentos. Qualquer pessoa pode contribuir com ele deixando seu relato de vida. Ao clicar em Coleções virtuais, você encontrará histórias, contadas em imagens, vídeos ou áudios, de temas variados, como história indígena, de esportes e de famílias. 9 Museu do ferro de passar: <www.museudoferrodepassar.com.br>. O site mostra as transformações pelas quais esse objeto de uso doméstico passou ao longo do tempo. A galeria de imagens dele reúne mais de 500 fotografias.

37

Respostas 99Mudanças: forma, peso, mobilidade, ampliação das funções.

99A abertura apresenta uma linha do tempo do telefone e, por‑

Permanência: função de comunicação a distância. 99Resposta pessoal. Os alunos podem exemplificar com mu‑ danças que perceberam nos últimos anos.

tanto, demonstra mudanças e permanências desse objeto no tempo, ainda que, neste caso, sejam percebidas apenas na parte estética.

37


Objetivos da unidade

UN

2

A vida em conjunto

Simone Matias

•• Identificar o fóssil como fonte

histórica. •• Identificar mudanças e permanências no modo de vida dos seres humanos ao longo do tempo. •• Identificar o continente africano como local de origem dos seres humanos. •• Compreender o processo de migração dos primeiros grupos humanos. •• Relacionar a migração dos primeiros grupos humanos com a ocupação do planeta. •• Conceituar nomadismo e sedentarização. •• Reconhecer as diferentes teorias de ocupação da América. •• Conceituar Pré-História e identificar suas principais características. •• Reconhecer o desenvolvimento da agricultura e a criação de animais como marcos históricos. •• Relacionar o processo de sedentarização com a formação das primeiras cidades. •• Relacionar o desenvolvimento do comércio e da escrita ao processo de sedentarização e formação de núcleos urbanos.

IDADE

38

Orientações Inicie a unidade lendo a imagem de abertura com os alunos. Pergunte a eles o que representam os espaços em amarelo, se eles conseguem diferenciar o mar e a terra, se compreendem que os diferentes espaços têm características próprias e são habitados por populações com singularidades culturais. Ao tratar da diversidade, aproveite para dizer que a variedade da fauna e da flora dos oceanos e continentes propicia 38

uma grande riqueza natural a cada lugar e pode, ainda, facilitar a vida humana. Observe atentamente como os alunos falam e se posicionam, pois isso servirá como um diagnóstico do conhecimento prévio e das primeiras impressões que têm a respeito dos assuntos que serão desenvolvidos nas próximas páginas. Se possível, registre essas informações para resgatá-las futuramente ao analisar a aprendizagem deles.


Orientações Esta unidade aborda o surgimento dos seres humanos na África e sua dispersão pelo mundo, trazendo informações sobre o período denominado Pré-História. A imagem e os questionamentos de abertura têm o objetivo de levar os alunos a um contato inicial com o que será discutido no decorrer da unidade.

Todas as pessoas da imagem são iguais? 9 A população mundial hoje é bem maior do que era no passado. Explique essa afirmação. 9 Como você imagina que as pessoas chegaram a lugares tão distantes e passaram a viver neles? 9

Respostas 99Espera-se que os alunos

39

tenham identificado, ao observar a imagem, que as pessoas não são iguais. O objetivo desta atividade é que eles percebam que há bastante diversidade étnica. Se os alunos tiverem dificuldade em justificar, solicite a eles que verifiquem as diferenças de vestimentas, hábitos e etnia, por exemplo. Aproveite para abordar a importância e a necessidade do respeito e da valorização das diferenças. 99Os alunos deverão levantar hipóteses. Eles poderão mencionar, por exemplo, as melhorias na condição alimentar, a facilidade de migração dos seres humanos pelo planeta, a ausência de inimigos naturais ou condições do meio que poderiam colocar limites ao crescimento populacional. 99Resposta pessoal. Não há necessidade de abordar as teorias de povoamento neste momento. Apenas instigue os alunos a refletir sobre essa questão. O objetivo desta atividade é verificar o conhecimento prévio deles e perceber se têm noção do conceito de migração.

39


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Compreensão dos princi-

1

pais vestígios históricos da humanidade. •• Gênese da humanidade de acordo com a teoria evolucionista. •• Primeiros grupos humanos. •• Migrações humanas e a ocupação do planeta. •• Diferentes comunidades do passado. •• Diferenças entre nômades e sedentários. •• Teorias do povoamento da América.

Vamos criar um fóssil?

Como fazer 1. Faça duas camadas de argila molhada com cerca de dois dedos de espessura cada uma.

40

2. Coloque a folha sobre uma das camadas de argila e espalhe um pouco de polvilho sobre ela.

3. Cubra com a outra camada de argila molhada e espere cinco dias para a argila secar.

4. Depois, separe as partes com muito cuidado. 5. O seu fóssil está pronto!

Glossário Fóssil: resto ou molde petrificado de seres vivos que habitaram a Terra em épocas remotas, formado pelo acúmulo de sedimentos ao longo do tempo.

40

Desenvolvendo habilidades EF04HI11 A imagem de abertura possibilitará uma rica reflexão sobre povoamento e di-

versidade cultural. Ambos os temas serão trabalhados durante as aulas com o objetivo de o aluno desenvolver a capacidade de identificar, nos lugares em que vive e em sua história familiar, elementos de culturas distintas (europeias, latino-americanas, afro-brasileiras, indígenas etc.), valorizando o que é próprio delas e a contribuição de cada uma na formação da cultura local e nacional.

Desenhorama

Material: � argila escolar; � polvilho; � folha de árvore ou planta ornamental.

Orientações Esta atividade visa apresentar de forma lúdica um tipo de fonte histórica bastante recorrente para a investigação da história e comum a diversos profissionais, como historiadores, arqueólogos, paleontólogos, antropólogos e botânicos, que buscam compreender o passado dos seres humanos e do planeta. O fóssil é uma fonte histórica bastante usada na investigação da história de épocas mais antigas. Por meio da reprodução dele, os alunos estudarão os processos naturais de fossilização. Explique que a parte da experiência na qual ficou fixado o material (a parte de baixo) representa o fóssil. A parte de cima é o molde do objeto fossilizado. Muitas vezes, somente o molde é estudado pelos cientistas, pois, com o passar dos anos, materiais como ossos, conchas e restos de flora podem desaparecer. É importante que os alunos tenham em mente que o processo de fossilização exige um tempo bem maior para ocorrer e depende de uma série de fatores ambientais.

Os vestígios da humanidade


Orientações

África: berço da humanidade

Leia o texto com os alunos. Ao chegar à pergunta “Você imagina onde e quando teria começado a história da humanidade?”, deixe que eles se manifestem e comentem o tema. É possível que apresentem versões religiosas da origem da vida na Terra. A seguir, confirme ou não as respostas dos alunos, deixando claro que o livro apresenta a hipótese científica, que se baseia na observação e estudo da natureza e na pesquisa e análise dos achados arqueológicos. Ilustrações: Rodval Matias

Os fósseis são vestígios preservados de animais e plantas. Como suas características podem ter sido conservadas por milhares, até milhões, de anos, eles são uma importante fonte de informações para estudarmos os primeiros habitantes de nosso planeta. Você imagina onde e quando teria começado a história da humanidade? Há séculos os cientistas buscam respostas a essa pergunta. A hipótese científica mais aceita até este momento é a da evolução humana por meio da seleção natural, chamada teoria evolucionista. Segundo essa teoria, o ser humano atual seria descendente de antepassados muito diferentes, mas que foram evoluindo ao longo de milhões de anos. Isso porque cada geração seria ligeiramente diferente da anterior. Essas mudanças tornaram a espécie gradualmente mais adaptada ao meio em que vive, ou seja, com mais chances de sobrevivência. Observe algumas dessas mudanças:

9 9

Homo habilis – surgiu na África há cerca de 2 milhões de anos. Fazia instrumentos de pedra, construía cabanas e possivelmente desenvolveu linguagem rudimentar.

Homo erectus – descendente do Homo habilis, surgiu na África há cerca de 1,9 milhão de anos. Fabricava instrumentos de pedra mais sofisticados, cobria-se com pele de animais e alguns deles sabiam utilizar o fogo. Migrou para os locais em que hoje é a Europa e a Ásia.

Do Homo erectus descendem outras espécies, como o Homo neanderthalensis e o Homo sapiens. 9

Homo neanderthalensis – viveu onde hoje é a Europa e parte da Ásia. Fabricava instrumentos de pedra e ossos, construía abrigos e tinha rituais funerários. Foi extinto há cerca de 30 mil anos.

9

Homo sapiens – surgiu há cerca de 200 mil anos na África e migrou para outros lugares. Conviveu com o Homo neanderthalensis. É a espécie da qual fazemos parte.

41

EF04HI01 EF04HI02 EF04HI04 EF04HI05 . Neste capítulo, os alunos continuam a com-

preender a História como resultado das ações humanas com base no estudo da origem dos seres humanos na África e sua dispersão pelo mundo durante um longo processo de migração. Além disso, eles deverão identificar as relações entre os indivíduos e a natureza, as necessidades de intervenção e adaptação e o significado do nomadismo e sedentarização entre os primeiros grupos humanos.

41


Orientações

Da África para o mundo

Hugo Araújo

Peça aos alunos que leiam o texto e a imagem para começarem a compreender os movimentos migratórios dos primeiros grupos humanos. Proponha a análise do mapa da página 152 e solicite a eles que produzam, com base nos conhecimentos que possuem, um pequeno texto em que possam descrever as viagens de migração e as dificuldades que os primeiros grupos humanos devem ter encontrado nessa trajetória. Neste momento, explore as hipóteses levantadas, pois servirão como base para a verificação das aprendizagens. Peça que identifiquem no mapa a localização do Brasil para que possam começar a compreender como ocorreu a ocupação do território que hoje habitam.

Os pesquisadores estimam que as primeiras migrações ocorreram há aproximadamente 2 milhões de anos e que, há cerca de 50 mil anos, quase todas as regiões do planeta já haviam sido povoadas como resultado das diferentes rotas migratórias. Observe no mapa Mundo: expansão humana, da página 152, os trajetos seguidos pelas levas migratórias dos seres humanos. É difícil determinar com exatidão as razões que levaram os diferentes grupos a migrar. Entre as hipóteses levantadas pelos cientistas estão as mudanças climáticas e a escassez de alimentos. Imagine, por exemplo, que o frio se tornasse muito intenso e o lugar em que um grupo vivesse fosse coberto de gelo. Então, esse grupo teria de se deslocar para um lugar mais quente a fim de garantir sua sobrevivência.

9

Representação de população pré-histórica.

Nômades e sedentários Algumas comunidades do passado eram nômades, isto é, não tinham lugar fixo de moradia, e viviam, em geral, da caça e coleta de frutos e raízes. Quando o alimento se esgotava em um local, elas saíam em busca de outro mais favorável a seu modo de vida. Outras, por sua vez, eram sedentárias, isto é, fixavam residência em um local de modo permanente. Em geral, elas viviam da agricultura e da criação de animais – cujas técnicas já dominavam –, além de praticarem a caça e a coleta. Havia ainda grupos seminômades, que permaneciam em um local durante longo tempo e depois migravam para outros lugares. Se praticavam agricultura, podiam levar com eles mudas e sementes. É importante notar que as migrações podem causar grandes mudanças nos locais de destino. Fixando-se em determinado lugar, um povo pode precisar desmatar a floresta para a produção de alimentos, fazer construções e abrir estradas, por exemplo. É uma característica das sociedades humanas transformar o meio em que vivem de acordo com suas necessidades e seu modo de vida. 42

Orientações Explique aos alunos que o povoamento do planeta foi possível porque os seres humanos conseguiram estabelecer uma relação com a natureza, da qual tiravam recursos e alimentos que pudessem garantir sua sobrevivência. Instrua-os a estabelecer as relações existentes entre os alimentos que eram consumidos pelos primeiros grupos humanos que ocuparam a América e aqueles que consumimos hoje. Destaque a importância 42

do milho e da mandioca, citados no texto e oriundos da culinária indígena, que ainda são muito utilizados na alimentação do povo brasileiro e ajudam a caracterizar a cultura e os hábitos alimentares desse país. A citação da cultura e do modo de vida dos povos indígenas é uma oportunidade de levar os alunos a valorizar a formação da cultura brasileira com base em diferentes matrizes culturais.


Orientações

Os primeiros seres humanos na América

Converse com a turma sobre a ideia de que as pessoas podem interpretar os fatos históricos de diferentes maneiras; entretanto, os cientistas e historiadores pesquisam muitas fontes e materiais para elaborar hipóteses e comprová-las. Proponha a análise dos movimentos mostrados no mapa da página 152 e pergunte qual seria, na visão deles, a forma de ocupação territorial mais fácil. Leve-os a refletir sobre os modos de locomoção pelos espaços sem os recursos e meios de transporte atuais. Assim, eles deverão elaborar questões e hipóteses, e precisarão argumentar defendendo suas ideias e proposições. Além disso, aproveite para retomar a discussão sobre a África como ponto de partida dos movimentos migratórios, reafirmando a importância do continente como lugar de origem da humanidade.

John Doebley

Os seres humanos surgiram na África e de lá, em um processo que durou milhares de anos, ocuparam diversas regiões do planeta; entre elas, as terras que hoje chamamos de América. Os pesquisadores trabalham com três grandes teorias sobre o povoamento desse continente. De acordo com a primeira, grupos humanos teriam chegado ao continente americano pelo Estreito de Bering. Atualmente o Estreito de Bering é uma pequena parte do oceano que separa a Rússia do Alasca; mas estima-se que no passado, há mais de 11 mil anos, o nível do mar teria baixado, fazendo emergir um caminho terrestre, que ligava a Ásia ao continente americano, por onde grupos humanos teriam feito a travessia do Alasca. Uma segunda teoria afirma que alguns grupos saíram da Ásia e passaram por ilhas do Oceano Pacífico até chegar à América. Há 12 mil anos, eles teriam chegado à costa oeste da América do Sul, onde hoje é o Chile. De acordo com uma terceira teoria, a América teria sido povoada por povos vindos de onde hoje é a Austrália, há 6 mil anos, e mais tarde da Melanésia. É importante observar que uma teoria não invalida a outra. A América pode ter sido alcançada por diferentes grupos, de diferentes lugares, em diferentes épocas. Glossário O povoamento da América causou importantes Emergir: sair da água; vir à tona. mudanças no meio ambiente, como a domesticaMelanésia: região da Oceania que ção de espécies animais e vegetais. Plantas como inclui os territórios das Ilhas Molucas, o milho e a mandioca, por exemplo, foram sendo Nova Guiné, Ilhas Salomão, Vanuatu, Nova Caledónia e Fiji. adaptadas para o consumo humano ao longo de milhares de anos.

9

Muitos cientistas acreditam que, no passado, o milho era semelhante ao teosinto, uma espécie de capim. Por causa da atividade agrícola, ele foi lentamente se transformando até atingir o aspecto atual.

43

Proposta de atividade Solicite aos alunos que perguntem a um familiar como consomem a mandioca e o milho em seu cotidiano. Combine um dia para a apresentação da pesquisa e, após todos falarem, peça a eles que verifiquem como cada família prepara e consome esses alimentos, percebendo as diferentes variações existentes em sua apresentação (alimentos in natura ou industrializados).

43


Orientações

Atividades

1. Instrua os alunos a retomar a leitura, recuperando os dados necessários para o preenchimento do quadro comparativo.

1

Complete o quadro com as informações sobre os prováveis ancestrais humanos. ONDE VIVIA

2. Aproveite a oportunidade para explorar o uso do dicionário como fonte de busca e pesquisa. Explique aos alunos que este material serve de apoio para a compreensão e ampliação do repertório linguístico.

Fazia instrumentos de

de anos.

pedra e construía cabanas.

África,

Há cerca de

Fabricava instrumentos de

Europa e

1,9 milhão

pedra mais sofisticados e se

Ásia

de anos.

cobria com pele de animais.

Europa

Há 350 mil anos.

Conviveu com o Homo sapiens. Fabricava instrumentos de pedra e ossos, construía abrigos e tinha rituais funerários.

Homo habilis

Homo erectus

Homo neanderthalensis

2

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Há 2 milhões

África

3. Tão importante como descrever os movimentos migratórios é compreender que existem diferentes teorias que explicam a ocupação desses espaços. Nesta atividade também é possível retomar a leitura cartográfica como forma de reconhecimento dos espaços e continentes.

ÉPOCA EM QUE VIVEU

e Ásia

Explique o significado das palavras a seguir. a) Nômade: pessoa ou grupo que não tem lugar fixo de moradia ou que se muda com frequência.

b) Sedentário: pessoa ou grupo que tem moradia em um lugar fixo.

c) Seminômade: grupo que migra periodicamente, em geral vivendo em moradias temporárias.

3

No caderno, explique o que a Teoria do Estreito de Bering afirma sobre o povoamento da América.

44

Orientações Proposta de atividade Peça aos alunos que pesquisem o significado das expressões: Homo habilis – homem habilidoso, capaz de manipular utensílios. Essa característica lhe dava a vantagem de intervir no ambiente e modificá-lo usando ferramentas que facilitavam atividades. 44

Homo erectus – homem ereto. Locomovia-se com habilidade e com a cabeça erguida. Sua capacidade intelectual era maior, possibilitando a exploração de diferentes territórios. Homo neanderthalensis – o nome refere-se ao local em que foi encontrado o primeiro esqueleto desse grupo (Vale de


Orientações 4. Quando um arqueólogo encontra vestígios de uma civilização, ele descobre elementos que permitem aprofundar o estudo de determinados grupos de convívio, contribuindo para a construção de um conhecimento que poderá explicar a origem das primeiras comunidades humanas. Saber como ocorreu o povoamento do planeta ainda é um dos maiores desafios da ciência. Constantemente novos sítios arqueológicos são estudados e novas descobertas, feitas. Por isso, é importante explicar aos alunos que o estudo da História é dinâmico, pois novas fontes e fatos podem modificar nosso conhecimento do assunto, dos acontecimentos e das relações existentes entre o passado e o presente.

Elisabeth Daynes/Science Photo Library/Latinstock

Observe as imagens e, em seguida, responda às questões. Kevin Fujii /Houston Chronicle/AP Photo/Glow Images

4

9

Ossos fossilizados de 3,2 milhões de anos, pertencentes a Lucy, encontrada na Etiópia, África. Museu de Ciência Natural em Houston, Texas, Estados Unidos.

9

Reconstrução do espécime de Australopithecus afarensis (Lucy). Daynes Studio, Paris, França.

a) Qual é a importância de descobertas como essa para a história da humanidade? Espera-se que os alunos respondam que essas descobertas trazem informações sobre como eram nossos ancestrais, contribuindo para sabermos como aconteceu o surgimento, a dispersão e a evolução dos humanos.

b) Que informações sobre a história da humanidade foram reveladas com essa descoberta? Os alunos devem observar as legendas para responder. A resposta deve fazer referência à presença de hominídeos há 3,2 milhões de anos na Etiópia, África.

c) É possível afirmar que já se sabe tudo sobre o surgimento do ser humano e de sua dispersão pelo planeta? Espera-se que os alunos respondam que não, pois outras descobertas podem trazer novas informações e mudar o que se sabe hoje.

45

Neander, atual Alemanha). Sua inteligência era superior à dos demais grupos humanos. Faça um painel com o resultado da pesquisa e pergunte: Que características nos torna humanos? Os alunos podem mencionar: uso da inteligência, expressão de sentimentos, desenvolvimento de diferentes linguagens e capacidade de modificar o ambiente.

Avaliação Ao final deste capítulo é importante que os alunos tenham compreendido que os achados arqueológicos até agora indicam que os seres humanos surgiram na África e se espalharam pelo restante do planeta em um longo processo migratório. 45


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Vestígios dos primórdios da

2

humanidade na África. •• Organização dos primeiros grupos humanos. •• Desenvolvimento de tecnologia na Pré-História. •• Cultura como característica dos seres humanos. •• Desenvolvimento da linguagem como forma de interação social.

As comunidades na Pré-História

Como era antes? Você imagina como era a rua onde você mora antes de as pessoas habitarem seu bairro? Tente imaginar esse lugar muito antes das construções e de tudo o que você vê agora.

Orientações

Dam Ferreira

O objetivo desta atividade é proporcionar ao aluno uma situação em que ele possa pensar historicamente. As questões propostas como roteiro para a elaboração do texto permitirão que ele formule hipóteses de como era, no passado, o espaço em que se encontra atualmente. A intenção é que ele relacione as mudanças ocorridas à intervenção humana ao longo do tempo. Investigue se os alunos perceberam que ocorreram mudanças ao redor deles e quais foram elas, independentemente de serem transformações pequenas ou grandes.

1 No caderno, descreva como você imagina esse lugar. Veja algumas sugestões de perguntas que podem ser respondidas em seu texto: � Como era a paisagem? � Havia animais? Se sim, quais? � Como eram as primeiras pessoas que habitaram esse lugar? De onde vieram? Como viviam? Como modificaram o local? 46

Desenvolvendo habilidades EF04HI01 , EF04HI02 , EF04HI03 As leituras e atividades deste

capítulo trazem as tecnologias desenvolvidas pelas primeiras comunidades do passado ao abordar o modo de vida dos primeiros habitantes da Terra. Ao estudar “Os primeiros grupos humanos” e “A tecnologia na Pré-História”, os alunos terão a possibilidade de identificar, com base nos grandes marcos da história da humanidade, as mudanças ocorridas ao longo do tempo. 46

Por meio da atividade de abertura, os alunos poderão identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir como elas interferem na vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente. E, com base na identificação de mudanças ocorridas ao longo do tempo, continuam a construir o conceito de história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço.


Olhar interdisciplinar

Os primeiros grupos humanos

Geografia CM Dixon/Print Collector/Getty Images

Ao longo de milhares de anos, os homo sapiens vêm passando por modificações físicas e culturais. No decorrer desse tempo, os humanos desenvolveram a linguagem, ocuparam espaços, adaptando-se às condições climáticas, aprenderam a usar os recursos da natureza para atender às suas necessidades e assim criaram diferentes modos de viver. Para sobreviver aos variados espaços físicos e climas, os seres humanos desenvolveram diferentes formas de obter 9 Interior de cabana pré-histórica no assentamento de Skara alimentos, construir abrigos, vestir-se e Brae, Orkney, Escócia. Na imagem podemos observar a lareira no centro, camas feitas de pedra nos lados esquerdo fazer ferramentas e utensílios para o uso e direito e uma cômoda de pedra na parede à frente. cotidiano. O período histórico que se estende desde o aparecimento dos primeiros seres humanos até o momento em que eles desenvolveram a escrita é chamado de Pré-História. As fontes de pesquisa desse período são principalmente os vestígios materiais encontrados nas escavações e explorações de áreas habitadas por nossos antepassados, como esqueletos humanos, ossadas de animais, restos de fogueira, pinturas rupestres e instrumentos de pedra.

A tecnologia na Pré-História

Explore a imagem da cabana e selecione outras imagens que representem moradias construídas pelos seres humanos em períodos remotos com o objetivo de se proteger, a fim de que os alunos percebam as mudanças delas, das cavernas às cabanas e às casas, sempre observando que as construções se alteram no tempo e no espaço dependendo dos aspectos geográficos da região, dos conhecimentos e tecnologia dos grupos e dos aspectos culturais. Mencione a diversidade de materiais utilizados pelos primeiros habitantes para a construção das moradias: folhas, peles de animais, pedras, galhos e ossos. Posteriormente outras formas de moradia serão mostradas para identificar o processo de sedentarização.

De Agostini Picture Library/Fotoarena

Museu Cívico de História Natural, Verona. Foto: Luisa Ricciarini/Leemage/AFP

Diante dos desafios a serem enfrentados para a sobrevivência, diversos grupos humanos na Pré-História, em diferentes épocas e locais, desenvolveram ferramentas com pedras, madeira, fibras de plantas, ossos, chifres, dentes e pele de animais. Com esses e outros materiais que estivessem disponíveis, eles fabricavam instrumentos com os quais podiam caçar, pescar, preparar a pele de animais para se vestir ou construir tendas; se defender e armazenar produtos e líquidos.

9

Cutelo (tipo de faca) de pedra lascada, encontrado na região da atual Dinamarca.

9

Pilão encontrado na região da Nigéria.

47

47


Orientações Em geral, os alunos associam tecnologia somente a aparelhos eletrônicos. Explique que a tecnologia é um conjunto de saberes técnicos que permitem a execução de determinada atividade. Entre as tecnologias dos primeiros grupos humanos, estão os utensílios e ferramentas que facilitaram ou permitiram atividades como a caça, a pesca, o cultivo de alimentos, o domínio do fogo e a invenção da roda. Os seres humanos sempre buscaram meios de inventar e construir ferramentas que pudessem facilitar as atividades cotidianas. Esses recursos foram deixados nos territórios ocupados e hoje são estudados pelos arqueólogos.

Nesse período também foram descobertos meios de produzir e conservar o fogo. Todo processo que envolve conhecimento técnico e aplicação desse conhecimento é chamado de tecnologia. Sendo assim, os seres humanos, desde sua origem, desenvolvem e usam a tecnologia para sua sobrevivência. Fabio Colombini

O desenvolvimento desses conhecimentos exigiu planejamento, organização, divisão do trabalho e troca de informações. Os vestígios materiais dão indícios de como esses grupos humanos viviam e se organizavam. Pontas de flechas e lanças são pistas de que caçavam animais. Restos de fogueiras indicam que dominavam o uso do fogo. O uso do fogo foi essencial para mudanças no modo de vida dos antigos seres humanos. Aprender a utilizá-lo possibilitou, além do aquecimento, o cozimento de alimentos, a defesa contra o ataque de animais e a iluminação da escuridão da noite. 9 Vestígios de fogueira de povos pré-históricos. Parque Nacional da Serra da Isso provocou grandes mudanças nos hábitos de Capivara, São Raimundo Nonato, Piauí. nossos antepassados. Ao viver em grupos e dividir os espaços coletivamente, os seres humanos foram transformando a si e ao meio natural, e encontraram novas formas de usar a natureza a seu favor.

Olhar interdisciplinar

As culturas dos seres humanos

Ciências Proponha aos alunos um debate sobre a importância do fogo para os seres humanos e como a vida dos primeiros grupos pode ter sido modificada após sua descoberta. Pergunte a eles quais aspectos podem ter sido melhorados com a descoberta do fogo e permita que todos se posicionem sobre o uso do fogo em seu cotidiano. Espera-se que os alunos citem exemplos de uso do fogo para atividades domésticas que envolvem aquecimento, iluminação e preparo de alimentos. Se eles não falarem sobre o uso do fogo para a indústria e locomoção de veículos, como navios e trens, informe-os a respeito. Além dos benefícios do fogo, é importante falar sobre o risco de queimadas nas florestas e a poluição do ar.

48

O desenvolvimento da linguagem e outros modos de comunicação estão entre as formas humanas de partilhar conhecimentos, experiências e sentimentos. Esta é a grande diferenciação dos seres humanos para os outros animais: a cultura. Cultura refere-se ao modo de vida de uma sociedade em todos os seus aspectos, como linguagem, ideias, crenças, organização, instituições, costumes, leis, técnicas, instrumentos, entre outros. Assim, a música, o esporte, o trabalho e a língua são exemplos de manifestações culturais.

A cultura faz parte de tudo o que foi criado pelos seres humanos, portanto é o resultado de seu trabalho e de seus pensamentos. E, por meio da linguagem, os humanos são capazes de transmiti-la de uma geração a outra. O desenvolvimento da linguagem não está relacionado apenas à fala e à escrita, mas também a outras formas de comunicação ou representação, como as diferentes formas de expressão artística. Pintura, desenho, música e escultura estão entre os modos de comunicar ou representar algo do mundo em que vivemos. 48

Orientações Proposta de atividade Proponha uma atividade de construção de réplicas dos utensílios feitos pelos nossos ancestrais. Peça aos alunos que comparem as tecnologias desenvolvidas desde os primórdios da humanidade até os dias atuais para que percebam o processo de evolução e transformação. Com antecedência, pesquise imagens que representem ferramentas e utensílios desenvolvidos na era pré-histórica e objetos da atualidade. Distribua aos alunos imagens de


Orientações

9

Nas perguntas introdutórias, espera-se que os alunos citem ferramentas de comunicação e pesquisa que utilizam a internet ou a base de comunicação da telefonia móvel. As redes sociais também podem ser citadas nas respostas. Para a quarta pergunta introdutória, se achar conveniente, elabore situações que auxiliem os alunos a pensar nas possíveis respostas: cartas, telégrafos, bibliotecas, enciclopédias etc. Nas atividades finais, auxilie-os indicando alguns sites previamente escolhidos. Dessa forma, a atividade será mais fácil e tornará a aula mais dinâmica. Ressalte quais informações presentes no site são confiáveis, como conteúdos fundamentados em estudos sérios ou disponíveis de forma parecida em outras páginas.

Thipjang/Shutterstock.com

A linguagem desenvolvida pelos humanos foi muito importante para a interação, para a organização de tarefas e de trabalho e para encontrar meios de viver em grupo.

As pinturas encontradas nas paredes das cavernas, atualmente chamadas de rupestres, eram também um meio de comunicação. Muitas delas retratavam aspectos do lugar em que as pessoas viviam.

# Digital

Desenhorama

Sociedade da informação Se você precisasse conversar com alguém que está em outra cidade ou país, o que faria? Mandaria mensagem pela internet? Talvez por telefone? Agora imagine se nada disso existisse. Como você faria para se comunicar com alguém que está em outro lugar? Recursos tecnológicos, como computadores, internet e smartphones, facilitaram bastante a troca de informações. Se temos uma dúvida, pesquisamos rapidamente na internet e encontramos inúmeras páginas com informações variadas. Mas você sabe como descobrir se a informação daquela página é confiável? Vamos fazer uma pesquisa de maneira um pouco diferente? Utilize na internet as ferramentas de busca disponíveis para encontrar páginas que contenham informações sobre pinturas rupestres no Brasil e anote as respostas às seguintes perguntas: � Quantos sites você encontrou com essas informações? � Em todos eles são apresentadas as mesmas informações? � Quais informações são idênticas e quais são diferentes? � Qual dos sites você acredita que é o mais confiável? Por quê? Os registros devem ser trazidos para a sala de aula. O professor realizará uma roda de conversa para debater o assunto. 49

objetos que poderão ser reproduzidos em sala de aula. Solicite que tragam para a sala de aula pequenas pedras, pedaços de madeira, argila escolar e barbante para confeccionarem réplicas desses utensílios. Organize uma mostra em um espaço acessível a um grande número de pessoas. Além da exposição dos objetos, é importante que elaborem um texto explicando a finalidade do evento e os conhecimentos construídos por meio do estudo desse tema em sala de aula. 49


Orientações

Atividades Observe as imagens e, em seguida, preencha o quadro com as informações sobre cada objeto. 1

2

Museu Britânico, Londres. Foto: Erich Lessing/Album/Fotoarena

1

3

Oronoz/Album/Fotoarena

Museu Arqueológico Nacional da Espanha, Madri. Foto: ASF/Album/Fotoarena

1. O objetivo desta atividade é mostrar instrumentos do passado, ressaltando sua funcionalidade e características, e possibilitar a comparação com objetos do presente. Esta atividade pode ser realizada coletivamente para que os alunos possam, juntos, levantar os dados solicitados. Lembre-se de que as datas dos objetos pré-históricos são aproximadas e geralmente estão em séculos. Leve em consideração que os alunos necessitarão de conhecimentos matemáticos para calcular o tempo; se possível, traga mais imagens que exemplifiquem instrumentos musicais desse período.

9

Ponta de flecha de rocha.

9

Cabeça de machado de rocha.

OBJETO 1

Possíveis usos

Material utilizado para confecção

OBJETO 2

9

Flauta de osso.

OBJETO 3

ferramenta para

ferramenta de

instrumento

caça

corte

musical

pedra

pedra

osso

flecha de metal

machado de metal

flauta doce

Objetos similares atuais

ou martelo

50

50

Avaliação

Orientações

Ao final deste capítulo, espera-se que os alunos tenham compreendido o processo de organização dos seres humanos em grupo e o desenvolvimento da tecnologia, o que garantiu que sobrevivessem e desenvolvessem formas de se comunicar. É importante que os alunos tenham compreendido que os seres humanos ocupam os espaços e os modificam com base em seus conhecimentos e necessidades.

Proposta de atividade Aproveite a oportunidade para avançar no tempo e comparar os objetos da atividade 1 com os artefatos indígenas brasileiros. Leve o grupo a perceber que diferentes povos em diversos períodos desenvolvem, segundo suas necessidades, tecnologias como forma de intervenção no meio.


Orientações 2

2. Espera-se que com essa reflexão os alunos percebam que o espaço geográfico está em constante transformação devido às relações sociais nele estabelecidas com base nas necessidades humanas. Essas transformações ocorrem desde que o ser humano percebeu que poderia retirar do espaço natural elementos importantes para sua sobrevivência e também fixar moradia, transformando o território segundo suas necessidades.

Para obter alimentos e conseguir sobreviver, os primeiros grupos humanos modificavam o ambiente natural? Espera-se que os alunos concluam que sim, pois, ao caçar e coletar, construir tendas, usar cavernas para se proteger e outras ações, possivelmente eles modificavam o ambiente.

3

Leia o texto a seguir e, depois, responda às perguntas. É amplamente reconhecida a importância de promover e proteger a memória e as manifestações culturais representadas, em todo o mundo, por monumentos, sítios históricos e paisagens culturais. Mas não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. Há muito mais, contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas festas e em diversos outros aspectos e manifestações, transmitidos oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao longo do tempo. A essa porção imaterial da herança cultural dos povos, dá-se o nome de patrimônio cultural imaterial.

3. Retome os conceitos de cultura imaterial e de patrimônio, e identifique o que é considerado material e imaterial. Peça aos alunos que escrevam no caderno uma lista de elementos do folclore brasileiro. Eles poderão mencionar lendas, personagens folclóricos, cantigas, adivinhas, provérbios e festividades. Em seguida, peça que leiam as respectivas listas verificando semelhanças e diferenças entre elas.

Patrimônio Cultural Imaterial. Unesco. Disponível em: <www.unesco.org/new/pt/brasilia/ culture/world-heritage/intangible-heritage>. Acesso em: jun. 2017.

a) O que faz parte da cultura de um povo? Manifestações culturais, como monumentos, sítios históricos e paisagens culturais, além da cultura imaterial.

b) O que faz parte da cultura imaterial? Tradições, folclore, saberes, língua, festas e outras manifestações orais.

4

Existem diferentes tipos de manifestações culturais. Pense no local onde você mora e cite exemplos de cultura material e imaterial. Resposta pessoal. Os alunos poderão citar manifestações da cultura popular como festas e tradições, além de instrumentos, artefatos, construções, língua etc.

51

Solicite imagens de alguns desses utensílios, com a identificação do período e da comunidade indígena a que pertencem. Como ampliação, você pode solicitar que pesquisem instrumentos musicais desses grupos, além de músicas indígenas, para que possam conhecer e valorizar as manifestações artísticas dos povos nativos. Ao retomar a discussão sobre linguagem musical como forma de expressão de pensamentos

e sentimentos, os alunos poderão perceber que cada comunidade desenvolve a própria maneira de se relacionar com o mundo e isso caracteriza uma forma de pertencimento social. Você pode também pedir a eles que elaborem cartazes com as informações e imagens pesquisadas e façam ainda alguns artefatos ou instrumentos musicais indígenas.

51


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Ação das pessoas e grupos

3

sociais no tempo e no espaço. •• Desenvolvimento da agricultura. •• Mudanças nos grupos após o desenvolvimento da agricultura. •• Desenvolvimento da pecuária. •• Início do processo de sedentarização. •• Mudanças no meio ambiente após o desenvolvimento da agricultura. •• Domesticação de animais.

O surgimento da agricultura

Uma cena da Pré-História Que tal representar o que você aprendeu até agora usando uma técnica semelhante à da arte rupestre?

� guache; � esponja;

Como fazer

Orientações

1. Amasse o papel kraft e cole-o no papelão.

Explique aos alunos que, nas paredes das cavernas, os seres humanos deixaram registros de sua passagem pelo território, são mensagens de como caçavam, pescavam e se relacionavam com outras comunidades. Essas imagens são chamadas de pinturas rupestres. Em geral, os registros rupestres eram feitos com os dedos, e a tinta podia ser feita com carvão, cal, terra verde, fragmentos de óxido de ferro, água ou sangue, além de misturas com pós de sementes e gordura animal.

� cola; � pincel fino. Fotografias: Fernando Favoretto

Material: � papelão; � papel kraft;

2. Coloque guache na esponja e passe pela borda do papel kraft.

3. Passe guache por toda a palma da mão e carimbe-a no papelão.

4. Com o pincel, pinte pessoas e animais.

52

Desenvolvendo habilidades EF04HI01 , EF04HI02 , EF04HI03 , EF04HI05 O conceito de que

a História está em permanente construção permeia também este capítulo, o qual aborda o desenvolvimento da agricultura, um importante marco para a humanidade.

52

Neste capítulo são abordadas as transformações ocorridas com o desenvolvimento da agricultura e a criação de animais, que proporcionaram alterações nas relações humanas, nos hábitos, nas estruturas sociais e no meio ambiente.


Orientações

O domínio das técnicas agrícolas

Pergunte aos alunos se acreditam que a agricultura é importante para os seres humanos e por quê. Pergunte também que produtos provêm de atividades agrícolas. A intenção é que eles percebam que a origem de muitos dos produtos industrializados é agrícola, ou seja, são obtidos, por meio da agricultura. Explique aos alunos que, na época provável do desenvolvimento da agricultura, o planeta passou por uma grande mudança climática. A temperatura se elevou e houve aumento do número de espécies vegetais, o que pode ter facilitado a observação da germinação. Com o fim da última glaciação, os grandes animais, como mamutes e bisões, migraram em busca de regiões mais frias – em geral mais distantes e menos propícias à sobrevivência humana – e os grupos de caçadores precisaram buscar novas e diferentes fontes de alimento.

Hugo Araújo

Muitos alimentos que consumimos diariamente são produzidos no campo por meio da agricultura. Atualmente é possível encontrar tipos diferentes de alimentos mesmo em regiões das quais eles não sejam típicos. No entanto, há mais de 10 mil anos, quando os seres humanos dominaram as técnicas agrícolas, as plantas e animais com os quais eles tinham contato eram nativas da região em que eles habitavam ou escolhiam viver. O domínio das técnicas agrícolas ocorreu provavelmente por meio da observação da natureza. Ao notar que as sementes coletadas que caíam no chão germinavam e originavam novas plantas, os humanos perceberam que era possível cultivá-las. O domínio das técnicas agrícolas proporcionou mais e melhores chances de sobrevivência aos grupos humanos. Além disso, aumentou a oferta de alimentos e resultou em mudanças significativas na organização social, como é possível observar na ilustração a seguir, que representa essas mudanças.

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Representação de comunidade nômade praticando agricultura.

As mudanças no espaço O processo iniciado com o desenvolvimento da agricultura proporcionou grandes mudanças no modo de vida dos grupos humanos em diversas partes do mundo. Os seres humanos estabeleceram novas relações com o meio ambiente e, assim, começaram a viver mais tempo em determinados espaços mais propícios para as plantações. As áreas de plantio se tornaram locais de moradia mais permanentes do que os abrigos construídos por grupos nômades. Por isso, o processo desencadeado pelo desenvolvimento da agricultura é associado também ao processo de sedentarização dos seres humanos. Com essa alteração no modo de vida, os seres humanos passaram a construir abrigos e moradias com material mais resistente e durável, como pedras, argila socada, entre outros. 53

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Orientações

O domínio das técnicas de criação

Proposta de atividades

O plantio de alimentos pelos grupos humanos atraía alguns animais, que começaram a viver próximo às áreas de cultivo. Esses animais foram domesticados e passaram a auxiliar os seres humanos em diversas funções, como na locomoção, na agricultura, na criação de outros animais e na caça, servindo ainda como fonte de alimentos. Hugo Araújo

1. Como a criação de animais facilitou a vida das primeiras comunidades sedentárias? A domesticação de animais garantiu maior quantidade de alimento, além de peles e lãs, úteis para a confecção de vestimenta. A criação de animais favoreceu também a locomoção e o trabalho das pessoas. 2. Quais foram os benefícios dos grupos sociais que fixaram moradia, em comparação aos nômades? A sedentarizarão proporcionou maior controle da produção de alimentos por meio do cultivo e da domesticação de animais. As moradias passaram a ser construídas com material mais resistente, para durarem mais, protegerem os moradores das variações climáticas.

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Representação de comunidade praticando agricultura e criando animais.

Manter esses animais vivos e próximos dos agrupamentos humanos rendia reserva de alimentos, de lã e de peles, úteis à sobrevivência humana. O desenvolvimento de técnicas de criação de animais fez parte de um lento processo, que durou milhares de anos. Nesse processo, a procriação garantia a multiplicação das crias. Cada agrupamento humano criou diferentes formas de sobrevivência. O desenvolvimento dessas técnicas ocorreu de modo e em ritmo distintos nas diversas regiões habitadas pelos seres humanos. As plantas e os animais domesticados também variavam de acordo com o espaço e o clima de cada lugar. A expansão da agricultura causou e ainda causa muitas mudanças no meio ambiente. A necessidade de terras para o cultivo e pastoreio tem levado ao desmatamento de florestas e, com isso, a mudanças climáticas. Além disso, o cultivo de um mesmo produto muitas vezes favorece o aumento de algumas pragas na lavoura. 54

Olhar interdisciplinar Arte É essencial o uso de diferentes recursos para a aprendizagem, de forma que os alunos se sintam motivados a aprender. Proponha à turma a confecção de réplicas de cabanas e casas feitas com diferentes materiais. Para isso, solicite aos alunos que tragam pedaços de tecido, argila, pedrinhas, folhas e galhos. 54

Organize a turma em grupos para que cada um deles represente um tipo de moradia. No final, promova uma exposição para que todos possam analisar e perceber que havia moradias úteis para ser habitadas por pouco tempo e fáceis de ser construídas e reconstruídas e aquelas que podiam e podem abrigar pessoas durante mais tempo ou permanentemente.


Orientações Explique aos alunos que se acredita que o lobo foi o primeiro animal a ser domesticado. Essa domesticação provocou alterações genéticas que deram origem a algumas espécies de cachorros como conhecemos nos dias de hoje.

Um pouco mais sobre A domesticação dos cães e a sedentarização dos povos

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Cães farejadores em busca de sobreviventes em prédio que desabou no centro do Rio de Janeiro.

Igor Akimov/Dreamstime.com

Daniel Marenco/Folhapress

Atualmente é comum termos cães como animais de estimação. Além de serem companheiros fiéis em casa, são importantes em muitas tarefas – guiando pessoas com deficiência visual como cão-guia e como cães farejadores, ajudando em resgates de pessoas ou na busca de drogas em bagagens, por exemplo.

9

Estudos arqueológicos recentes mostram que os cães domesticados acompanham o ser humano há mais de 30 mil anos. Acredita-se que os primeiros cães eram lobos cinzentos que se aproximavam dos humanos atraídos pelos restos de alimentos deixados próximo aos acampamentos. Quando os seres humanos mudavam de local, esses lobos os seguiam em busca de mais alimento. Com o passar do tempo, os seres humanos perceberam que a presença desses animais era positiva e deixaram os mais dóceis para o convívio com o grupo, e os mais ariscos para proteção dos acampamentos, pois eles alertavam sobre a presença de animais selvagens que poderiam ser uma ameaça, como outros lobos ou grandes felinos. Além disso, os cães passaram a auxiliar em outras tarefas – como na caça e no pastoreio de animais, impedindo que as criações fossem atacadas –, e até começaram a fazer parte dos exércitos. Na Roma Antiga, por exemplo, era tão comum a presença de cachorros cuidando das vilas romanas que arqueólogos encontraram em escavações mosaicos com a inscrição “CAVE CANEM”, que quer dizer “cuidado com o cão”, semelhante aos avisos que vemos hoje no portão de muitas casas.

Os lobos domesticados deram origem aos cães. Levante hipóteses para explicar por que os cães são, em sua maioria, diferentes dos lobos.

2

Em sua família há algum animal de estimação? Se houver, comente com o professor e os colegas como é sua relação com esse animal.

1. Espera-se que os alunos relacionem essa questão às mudanças naturais e de adaptação no decorrer do tempo e também ao cruzamento entre diferentes raças, que vai modificando e criando novas variedades de cães. 2. Resposta pessoal. O objetivo desta atividade é que os alunos percebam que a domesticação aproximou os humanos de alguns animais ao facilitar o convívio entre as duas espécies e que atualmente muitos animais de estimação são tratados como membros da família.

Cão-guia auxilia pessoa com deficiência visual.

1

Respostas

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Orientações

Atividades

Proposta de atividade O objetivo desta atividade é identificar a agricultura como marco histórico da mudança comportamental de grupos humanos. Além de reconhecer sua importância em períodos anteriores, é fundamental que o aluno perceba que a agricultura proporciona hoje alimentos e produtos essenciais para a vida de todos.

Observe a imagem a seguir. Vinicius Bacarin/Shutterstock.com

1

1. Faça uma lista de produtos de origem agrícola que você consome. É possível que os alunos reconheçam apenas as frutas, verduras e legumes como produtos oriundos da agricultura. Aproveite a oportunidade para falar de outros, consumidos por eles ou úteis na vida deles, que passam por processo de industrialização, como açúcar, farinha de trigo ou milho, óleo, algodão, soja, café, combustível etc. Este é um tema em que as disciplinas Geografia e Ciências se aproximam da História.

9

Colheitadeira em plantação de soja, Mato Grosso do Sul, 2017.

a) Que atividade econômica está sendo mostrada nessa imagem? Agricultura.

b) Os seres humanos sempre praticaram essa atividade? Explique. Não. A agricultura foi desenvolvida por volta de 10 mil anos atrás.

c) Qual é a importância do domínio da atividade mostrada para a formação das aldeias permanentes? Foi o desenvolvimento da agricultura que propiciou a sedentarização e a formação das aldeias permanentes. A agricultura garantia alimento e resultou em várias mudanças na vida dos grupos humanos daquele período.

d) Qual é a importância dessa atividade para nosso dia a dia? Boa parte dos alimentos que consumimos vem da agricultura.

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Avaliação Neste capítulo é importante que os alunos tenham compreendido a importância do desenvolvimento da agricultura e como essa nova forma de se relacionar com a natureza provocou grandes mudanças e transformações para os grupos humanos e para o meio ambiente.

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Orientações Observe a imagem e responda às questões: George Holton/Science Source/Fotoarena

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2. Nesta atividade, os alunos terão a oportunidade de ampliar os conhecimentos sobre a arte rupestre e a função que esse tipo de linguagem possuía para os grupos que conviviam antigamente.

Proposta de atividades 1. É possível afirmar que os animais domesticados conviviam pacificamente com as pessoas? Explique. Na imagem, os animais convivem pacificamente com o ser humano, sem demonstrar resistência ou agressividade.

9

2. Os animais representados são semelhantes aos animais da atualidade? Quais? Assemelham-se ao gado que conhecemos. Explique aos alunos que os animais, como os seres humanos, também passam pelo processo de evolução e que a maioria das espécies do passado não existe mais. No entanto, as formas físicas de alguns deles são parecidas com as dos animais que conhecemos. Lembre-os de que os arqueólogos e historiadores fundamentam seus estudos e afirmações não somente nas pinturas rupestres, mas também em diversos vestígios, encontrados em sítios arqueológicos.

Pintura em rocha de mais de 12 mil anos. Sítio arqueológico Tassili n’Ajjer, Argélia.

a) Como é chamado esse tipo de imagem? Pintura rupestre.

b) Geralmente, onde essas pinturas são encontradas? Em paredes de cavernas e rochas.

c) O que está representado na imagem? Uma cena de criação de animais

d) Com base nesse desenho, que hipótese podemos levantar sobre o grupo que o produziu? Que esse grupo conhecia e praticava a criação de animais.

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Orientações Proposta de atividade Solicite aos alunos que façam uma composição artística em que representem as atividades de agricultura e domesticação de animais na atualidade. Dê a eles uma folha de papel sulfite para que, nela, expressem suas ideias e conhecimento sobre o assunto numa linguagem bem próxima àquela utilizada pelos povos que habitavam as cavernas: a pintura.

No final, troque os desenhos entre os alunos de modo que ninguém fique com os próprios desenhos. Solicite a cada um que faça uma leitura da ilustração recebida e elabore hipóteses a respeito dela. O desenho também poderá servir como atividade de avaliação, pois é uma linguagem que permite à criança mostrar seus conhecimentos com liberdade de criação e expressão, sem perceber que está sendo avaliada.

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Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Sedentarização. •• Formação das primeiras

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cidades na Antiguidade.

•• Características das cidades. •• Desenvolvimento de tecno-

logia agrícola. •• Início da divisão do trabalho. •• Primeiras formas de comércio. •• Desenvolvimento das primeiras formas de escrita.

As cidades

A cidade em uma imagem Que tal montarmos uma exposição com imagens que representem sua cidade?

Orientações

Faça um desenho ou uma pintura em uma folha A4 colorida, no tamanho de 10 cm por 16 cm, que represente sua cidade.

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Siga o passo a passo abaixo.

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Siga as orientações do professor para organizar a exposição e convide colegas de outras turmas da escola para visitarem-na.

Desenhorama

O objetivo desta abertura de capítulo é que o aluno perceba que os espaços são construídos pelos seres humanos de acordo com suas necessidades. Cada localidade tem uma história e um marco inicial. Isso ocorre também com as cidades. Se desejar, solicite aos alunos que façam uma composição que contenha algumas imagens da cidade. Para a exposição dos trabalhos, peça que escrevam uma legenda que identifique a composição e os locais representados.

1

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Desenvolvendo habilidades EF04HI02 , EF04HI03 , EF04HI01 , EF04HI05 , EF04HI04 e EF04HI06 Por meio das leituras e atividades propostas, os

alunos perceberão que os primeiros grupos humanos que estabeleceram moradias permanentes em determinados territórios criaram uma nova forma de organização social e econômica que, ao se expandir, deu início ao processo de formação das cidades, como as que conhecemos hoje. 58

O conjunto de transformações iniciado no passado permitirá a discussão sobre como as diferentes comunidades foram formadas e desenvolveram técnicas de sobrevivência e organização fundando as aldeias. Essas informações serão importantes para que a turma amplie – com base na identificação de mudanças ocorridas ao longo do tempo – a percepção de que a História é resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço.


Orientações

A formação das cidades

Verifique com os alunos o que conhecem da formação de sua cidade: •• quantos anos ela tem; •• quem foram os primeiros habitantes e povos que contribuíram para a formação da cultura e história local; •• quais foram as primeiras atividades econômicas estabelecidas. Neste momento, esta será uma consulta dos conhecimentos prévios dos alunos. Aproveite para explicar os elementos que formam o município: área urbana e área rural, além dos serviços essenciais que devem ser prestados à população.

Atualmente a palavra cidade é usada para se referir a algumas partes do município, como a sede municipal e as áreas urbanas.

Iamlukyeee/Shutterstock.com

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Vista da cidade de Tóquio, Japão, 2015.

Maria Sidelnikova/Shutterstock.com

Há cidades grandes e pequenas; cada uma com características próprias. Entretanto, as cidades contemporâneas também têm aspectos em comum, como a concentração de residências, comércio e serviços, que as distingue das áreas rurais.

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Vista da cidade de Conegliano, Itália, 2017.

As cidades podem surgir e se desenvolver por diversos motivos. A cidade do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, foi fundada em 1565 para garantir a posse daquele território aos colonizadores portugueses, que expulsaram os invasores franceses. Sua fundação, portanto, tinha um objetivo militar. Por sua vez, a cidade de Joinville, em Santa Catarina, foi criada por volta de 1850 com o objetivo de receber imigrantes europeus que vinham trabalhar na região como agricultores. O objetivo de sua fundação foi econômico. Já a cidade de Goiânia foi construída em 1933 para ser a capital do estado de Goiás. O objetivo de sua construção foi, assim, político. As primeiras cidades de que se tem informações surgiram do processo de sedentarização que se seguiu ao desenvolvimento da agricultura. Os seres humanos sedentarizados começaram a organizar os agrupamentos em aldeias. Algumas delas cresceram em número de habitantes e passaram a influenciar as demais, formando-se as primeiras cidades. 59

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Orientações

O desenvolvimento das cidades

O acesso à água foi muito importante para a formação e crescimento das primeiras cidades, pois se formaram próximas aos rios. A escolha de locais com essas características se dava pelo aumento da possibilidade da sobrevivência da população local.

Robert Hoetink/Shutterstock.com

Algumas cidades surgiram na Mesopotâmia. Há cerca de 6 mil anos, já havia uma grande concentração de cidades nessa região, como, por exemplo, Jericó, situada na atual Palestina (8000 a.C.).

Olhar interdisciplinar

Glossário Aqueduto: grande construção suspensa ou subterrânea de canais condutores de água. Canal de irrigação: valeta escavada no chão que transportava as águas coletadas de um rio ou lago até os campos de cultivo. Mesopotâmia: região localizada no continente asiático, entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque.

Geografia e Ciências 9

As primeiras cidades da Mesopotâmia passaram por diversas transformações. Elas atraíam pessoas de diferentes povos, que passaram a viver na região, contribuindo culturalmente com a população local. As técnicas de produção agrícola e de controle das cheias dos rios tornaram-se bastante conhecidas e foram aprimoradas por esses povos, de modo a atender às características da região. Em algumas áreas, especialmente onde as chuvas eram mais irregulares, foram abertos canais de irrigação e aquedutos para transportar a água de rios e lagos. Por serem regadas com mais frequência, as áreas de cultivo expandiram-se, possibilitando o crescimento das cidades da Mesopotâmia.

A cidade de Jericó, localizada na região da Palestina, na Ásia, é considerada a cidade mais antiga conhecida. Estima-se que a aldeia, que posteriormente deu origem à cidade, tenha surgido há mais de 10 mil anos, às margens do Rio Jordão. Classic Image/Alamy/Fotoarena

Explique aos alunos que, da água existente no mundo, apenas 2,5% é constituída de água doce e 97,5% de água salgada, imprópria para consumo. Do percentual de água doce, apenas 0,3% corresponde a rios e lagos, o restante está em lençóis freáticos, geleiras e coberturas permanentes de neve. Assim, de toda a água doce do planeta, apenas uma pequena parte está disponível para consumo humano. Essa informação pode servir de guia para uma pesquisa sobre escassez de água e as medidas necessárias para se evitar uma crise mundial de água. A pesquisa pode servir para um debate em sala de aula sobre o papel de cada um nessa questão, abordando desperdício e medidas simples para tentar evitar esse problema.

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Ilustração que representa o método assírio de irrigação.

As primeiras cidades se formaram perto dos rios. A água transbordava na época das cheias e as margens dos rios ficavam cobertas de adubos naturais, que fertilizavam o solo, deixando a terra própria para plantio. A proximidade das cidades com os rios também fez prosperar a criação de animais, cujos rebanhos também tinham água garantida. 60

Orientações Proposta de atividade 1. Explique o motivo que deu origem à cidade em que você vive. Para responder a esta pergunta, leve a turma ao laboratório de informática e proponha uma pesquisa sobre a fundação da cidade, em que devem descobrir: 60

 quem foram os primeiros habitantes do local;  a data de fundação da cidade;  os principais povos que contribuíram para a formação da população local;  as principais atividades econômicas e culturais da localidade ou região.


Orientações Faziam parte das novidades tecnológicas dos meGlossário sopotâmios, nas áreas destinadas à agricultura, o desenvolvimento e o uso de ferramentas mais eficientes, Arado: tipo de ferramenta como arados e carroças puxados por força animal. agrícola com a qual se revolve a terra, facilitando a plantação das Esse conjunto de transformações proporcionou sementes e a penetração da água. também a divisão do trabalho. Assim, o número necessário de pessoas para realizar algumas das tarefas agrícolas e pastoris diminuiu, de modo que parte da população passou a se dedicar a outras atividades na cidade. O desenvolvimento tecnológico na agricultura possibilitou a muitos moradores das cidades se especializar em diferentes produtos e serviços. Ceramistas, tecelões e carpinteiros foram algumas das ocupações criadas nas cidades em expansão.

Os comerciantes

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Museu do Louvre, Paris. Foto: Erich Lessing/Album/Fotoarena

Museu Nacional do Iraque, Bagdá. Foto: A. De Gregorio/ De Agostini Picture Library/Fotoarena

Com o aprimoramento das técnicas de agricultura e de uso da água dos rios, as colheitas passaram a exceder as necessidades das aldeias. O que sobrava era armazenado para períodos de escassez e para ser trocado entre diferentes produtores. Ferramentas, sal, peles, madeiras e outros produtos também eram utilizados nas trocas. Inicialmente as trocas eram feitas entre os produtores. O aumento do volume e da diversificação dos produtos trocados é parte do processo de sofisticação da relação de trocas, que passou a ser intermediada por um novo personagem: o comerciante. Ao longo da história, os comerciantes têm exerde cerâmica utilizado para armazenar cido um papel importante no surgimento e desen- 9 Pote alimentos, c. 5000 a.C., Tell Hassan, Iraque. volvimento das cidades. Nas sociedades antigas, a principal atividade econômica era a agricultura e, por isso, a maioria das pessoas vivia no meio rural. Assim, as cidades cresciam geralmente no cruzamento de caminhos, tornando-se locais de troca de produtos. O controle da quantidade de produtos trocados e o estabelecimento dos valores dessas trocas estão entre os motivos que levaram algumas aldeias a desenvolver sistemas de contagem, de medidas e também algumas formas de escrita.

Com os instrumentos apropriados e a utilização de animais para a realização de algumas tarefas, os seres humanos desenvolveram novas habilidades, pois passaram a se dedicar também a outras atividades, como a produção de utensílios e a confecção de vestuário, necessárias à comunidade. A divisão do trabalho resultou no que atualmente percebemos nas sociedades modernas: a separação dos papéis sociais. Chame a atenção para a importância dos ceramistas, carpinteiros e tecelões das primeiras vilas; as técnicas desenvolvidas por eles fornecem informações sobre as características e cultura de cada comunidade, de acordo com o período e os recursos da época. Aproveite a leitura para conversar com a turma sobre as profissões ou atividades econômicas de seus familiares. Se possível, registre na lousa algumas delas para que visualizem a diversidade existente e notem que isso possibilita o crescimento econômico e social da cidade.

Tábua de argila com escrita suméria, utilizada para contabilizar os números de cabras e ovelhas, c. 2350 a.C.

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Peça também que selecionem imagens da cidade no passado e outras que representem a cidade no presente. Sugira a composição de um painel em que sejam expostas as informações coletadas.

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Orientações

Atividades

Mesmo que os alunos não encontrem todas as respostas para as questões, explique que, de acordo com as vivências de cada um, eles poderão redigir um bom texto caracterizando a cidade em que vivem. No final, proponha uma roda de leitura para que os alunos que assim o quiserem leiam suas produções. Desse modo, eles poderão comparar informações e impressões sobre o local em que vivem.

1

Relacione os motivos que levaram à expansão das cidades há mais de 4 mil anos. Entre outros, o aluno deve citar a criação e o desenvolvimento de técnicas e ferramentas agrícolas, como canais de irrigação, arados e carroças puxados por força animal.

1. O aluno deverá compreender que a agricultura se desenvolveu efetivamente com a produção de ferramentas que facilitaram o trabalho e por meio do desenvolvimento de técnicas de irrigação do solo.

2

2. Se a escola estiver localizada na área rural, o aluno poderá descrever a cidade sede do seu município. As respostas podem ser anotadas na lousa e depois produzido um texto coletivo. Mais informações podem ser obtidas em pesquisas ou entrevistas. 3. Os alunos poderão rever a importância do comércio na formação das primeiras cidades. O transporte de mercadorias e o processo de troca foi facilitado pelos pontos de encontro estabelecidos pelos primeiros negociantes, que, assim, desenvolveram novos tipos de atividade econômica.

O que você sabe de sua cidade? Para responder, elabore um texto descritivo no caderno com base no roteiro de questões a seguir. � Quando pensa em sua cidade, qual é a primeira imagem que vem a sua mente? � Como são as ruas, parques, praças e construções dela? � Há hospitais, escolas, unidades de saúde e outros serviços? � Como é o comércio? Há lojas, shoppings, supermercados, quitandas? O que mais? � Há uma parte mais antiga na cidade? O que pode ser encontrado nela? � Foi criado ou construído algo novo recentemente? O quê? � Ela está próxima ou distante do meio rural? � Como os habitantes dela vivem: moram e trabalham na própria cidade? � O que os habitantes da cidade produzem? Há fábricas? � O que eles compram fora da cidade? � Ela é grande ou pequena? � Com que outras características você a descreveria? Os textos finalizados serão lidos para toda a turma.

3

De que modo o comércio contribuiu para o crescimento das cidades? Para trocar produtos, as pessoas vinham do meio rural para as cidades. Assim, o comércio se tornou a principal atividade desses núcleos urbanos.

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Orientações Algumas comunidades antigas deixaram vestígios que indicam como viviam, por exemplo, como eram as relações delas com o trabalho e o comércio. Retome a observação das imagens que mostram a utilização de instrumentos na realização dos trabalhos e, se possível, de outras selecionadas previamente por você. Após a análise das imagens, proponha aos alunos que confeccionem, em massa de modelar ou argila, representações das 62

atividades econômicas desenvolvidas por seus familiares. Assim, se o responsável pelo aluno for pintor, ele poderá representar uma pessoa com um pincel; se for professor, uma lousa e caneta etc. O aluno deverá produzir um signo e lhe atribuir o significado. Sugira a exposição dos trabalhos, valorizando as atividades retratadas e reforçando a ideia de que produziram vestígios de como os grupos sociais atuais organizam a vida em comunidade: por meio da divisão do trabalho.


Orientações 4. Nas imagens representadas, é possível verificar o trabalho humano e o uso de instrumentos e ferramentas que facilitam a tarefa. Retome com os alunos a importância de investigar os vestígios deixados pela humanidade como forma de conhecer e compreender a organização do trabalho em comunidades diferentes da deles.

Observe as imagens a seguir e faça o que se pede. Museu do Louvre, Paris. Foto: Erich Lessing/Album/Fotoarena

Museu do Louvre, Paris. Foto: G. Dagli Orti/De Agostini Picture Library/Fotoarena

4

9 9

Relevo babilônico em terracota que mostra um carpinteiro trabalhando, c. 2000 a.C.

Estela funerária síria que mostra um comerciante carregando uma balança para pesagem de metais, c. 800 a.C.

a) Quais são as atividades econômicas representadas em cada imagem? Carpintaria e comércio.

b) De que maneira essas formas de trabalho se relacionam com a expansão das primeiras cidades? Espera-se que os alunos percebam que essas imagens são exemplos da diversificação das atividades ou da divisão do trabalho que contribuiu para o crescimento das cidades.

5

Relacione a formação das primeiras cidades à presença de rios na região. Os rios garantiam água potável, peixes e eram fontes de água potável. Depois das cheias, o solo das margens, fertilizado com adubo natural, estava preparado para a agricultura e a criação de animais. 63

Avaliação Neste capítulo, é importante que os alunos tenham compreendido o processo histórico de formação e crescimento das primeiras cidades. Se necessário, retome os tópicos principais e esclareça as dúvidas; aproveite também para avaliar a aprendizagem dos alunos.

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Orientações Antes de iniciar a leitura, explique aos alunos que, nas culturas indígenas, os mitos e as lendas cumprem a função de dar sentido aos fatos e eventos do cotidiano, explicando a origem dos fenômenos naturais. Muitas dessas histórias são passadas de geração em geração; cada comunidade indígena cria a própria explicação para a existência do ser humano e da natureza. Depois da leitura, faça uma roda de conversa para a interpretação do texto. Pergunte sobre as atitudes de vingança e chantagem mostradas na história. Assim, os alunos terão a oportunidade de se posicionar de maneira crítica e responsável. Proponha a pesquisa de outras lendas indígenas e combine com a turma uma data para apresentá-las. Se desejar, organize os alunos em grupos para que pesquisem lendas relacionadas à origem de alimentos, de práticas culturais ou de fenômenos naturais. Estimule a ampliação do repertório cultural deles.

Hora da leitura Mitos, lendas e contos fazem parte da tradição de muitos povos. Leia a seguir uma lenda kayapó que explica como esse povo teria conhecido o fogo e a arte de fiar algodão.

O menino e a onça – Como os Kaiapós conquistaram o fogo Há muito, muito tempo, os índios não conheciam o fogo, alimentavam-se de polpa de madeira, frutos silvestres e carnes, que preparavam sobre pedras aquecidas pelo Sol. Certo dia, dois meninos Kaiapós caminhavam pela floresta, quando um deles percebeu, sobre um rochedo, um ninho de araras-vermelhas. Pediu ajuda ao companheiro para encostar um tronco na rocha, conseguindo assim alcançar o ninho. Mas, ao subir, esbarrou numa pedra, que caiu e feriu o amigo. Com raiva, o menino atingido tirou dali o tronco, deixando o outro sem meios para descer. Após algumas horas, apareceu no local uma onça-macho. Ao ver a sombra do menino, a onça pôde localizá-lo sobre o rochedo, ao lado do ninho das araras-vermelhas, pássaros que sabiam carregar o fogo. Em troca de ajuda, a onça pediu que o menino lhe jogasse os filhotes. Concordando com a proposta, o índio pôde finalmente descer. Por haver permanecido muito tempo exposto ao calor, o menino ficou muito corado, fazendo a onça crer que se tratava do filho do Sol. Convidou-o para conhecer sua toca, onde a onça-fêmea passava o dia assando carne ao fogo e fiando algodão. [...] a onça-macho resolveu ensinar o menino a usar o arco e a flecha para que pudesse se proteger. [...] [...] a onça-macho [...] Pediu-lhe que voltasse à sua aldeia, levando o fuso e uma tocha, e cuidasse para que a tocha não se apagasse. Regressando aos seus, o indiozinho os ensinou a usar o fogo e depois a fiar o algodão. Walde-Mar de Andrade. Lendas e mitos dos índios brasileiros. São Paulo: FTD, 1999. p. 42.

1

Como os kayapós explicam a origem do fogo? Explicam, por meio de uma lenda, que o fogo foi presente de uma onça-macho a um menino kaiapó.

2 64

Vários povos têm lendas sobre a origem da humanidade e outras invenções e descobertas importantes. Faça uma pesquisa e escreva sobre uma dessas lendas. Resposta de acordo com a pesquisa de cada aluno.

Olhar interdisciplinar Artes, Língua Portuguesa e Ciências As lendas nos possibilitam entender o pensamento dos povos antigos e mostrar aos alunos que vivemos numa sociedade multicultural e pluriétnica. Sugira aos alunos que, em grupos, produzam a encenação de algumas das lendas apresentadas, por exemplo, a lenda do guaraná, a lenda da mandioca ou a da vitória-régia. Para a 64

dramatização, instrua os alunos a pesquisar mais informações sobre a lenda, escrever um roteiro com as falas e montar um cenário. Permita que ensaiem em algumas aulas, aliando essa atividade à programação de Língua Portuguesa e Arte. É possível também trabalhar com a disciplina de Ciências e buscar informações científicas sobre a origem e a importância dos


Orientações

HISTÓRIA

Proposta de atividades

em ação

1. Que materiais o homem de Ötzi utilizava para a confecção de seus objetos? Rocha, madeira, peles de animais e cobre.

Homem de Ötzi Em 1991, um casal de turistas que passeava pelos alpes de Ötztal, na Áustria, deparou-se com um cadáver mumificado. As autoridades locais levaram o corpo para um arqueólogo, que, após analisá-lo, descobriu que ele datava de cerca de 5 300 anos atrás. Meses depois, foi feita uma escavação mais completa no local da descoberta e foram encontrados restos de vestimenta, vários objetos e material orgânico, como sementes, folhas, madeira e musgo. Por mais de uma década, especialistas analisaram a múmia e os objetos encontrados e obtiveram mais informações de como era a vida desse homem pré-histórico. Conheça algumas delas a seguir. Museu de Arqueologia de Tirol do Sul, Bolzano. Foto: Wolfgang Neeb/ Bridgeman Images/Easypix Brasil

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O cabo do punhal que ele usava é de madeira bastante resistente e a ponta de rocha pode ter sido quebrada no passado ou durante a escavação.

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O machado dele é o mais intacto dessa época já descoberto. Ele tem uma lâmina de cobre presa a um cabo de madeira e pele de animal.

O homem de Ötzi tinha 1,59 metro de altura, fios de cabelos que mediam até 9 centímetros e provavelmente usava barba. Alimentava-se de plantas, grãos e animais.

9

O gorro usado por ele foi feito com pele de urso marrom.

3. Escreva uma frase que justifique por que o homem de Ötzi é classificado como uma múmia. Espera-se que o aluno escreva que múmias são corpos preservados. Assim, como o corpo do homem de Ötzi foi preservado pelo gelo, ele é classificado como múmia.

Museu de Arqueologia de Tirol do Sul, Bolzano. Foto: Wolfgang Neeb/Bridgeman Images/Easypix Brasil

Martin Shields/Alamy/Fotoarena

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Museu de Arqueologia de Tirol do Sul, Bolzano . Foto: Wolfgang Neeb/Bridgeman Images/Easypix Brasil

2. Os objetos encontrados com o homem de Ötzi indicam o domínio de algumas tecnologias. Quais? Lascagem de pedras, uso de metais, modelagem de cerâmica, domínio do fogo.

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alimentos e plantas mencionados nessa atividade. No dia agendado para a apresentação das peças, organize o espaço da sala de aula de modo que o cenário possa ser montado e que os alunos possam assistir ao teatro dos colegas.

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Orientações

Como eu vejo

A seção Como eu vejo traz a ilustração de um município fictício e um centro urbano cercado por um cinturão verde, onde são produzidos os alimentos a serem consumidos. Também há caminhões, um indicativo do fluxo de mercadorias. Com base nessa observação, os alunos poderão compreender que alguns produtos saem dos centros urbanos em direção aos cinturões verdes e outros fazem o caminho inverso. Faça a mediação da leitura do texto com a imagem e, sempre que possível, faça remissões aos conteúdos estudados nesta unidade, como produção de alimentos e instrumentos de trabalho no passado. Destaque também que, sem a existência de áreas rurais próximas ou cinturões verdes, a vida nas grandes cidades não seria possível ou teria um custo elevado.

O cinturão verde A maioria da população brasileira vive, atualmente, em cidades. Diversas cidades brasileiras são cercadas por cinturões verdes, ou seja, áreas formadas por parques, reservas ambientais, jardins e fazendas. Nesses locais são cultivados diversos produtos agrícolas que abastecem a cidade. Além de fornecer alimento, os cinturões verdes são importantes porque protegem as nascentes de água, melhoram a qualidade do ar e preservam plantas e animais da região.

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Orientações Uma possibilidade é realizar a atividade desta seção de forma interdisciplinar, articulando os conhecimentos e as habilidades de História com os de Geografia e Ciências. Em Geografia as habilidades EF04GE04 , EF04GE07 e EF04GE08 podem ser trabalhadas aqui, pois exploram a relação de interdependência entre o campo e a cidade (zonas urbanas

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e rurais) e destacam as características do trabalho realizado em cada um desses locais, os processos de produção e a transformação das matérias-primas e a circulação dos produtos. A habilidade EF04CI04 de Ciências também pode ser trabalhada, uma vez que os alunos podem elaborar cadeias alimentares simples para os produtos agropecuários apresentados.


Orientações

Fabio Nienow

Para a realização das atividades, peça aos alunos que recortem as imagens da página 159 e separem os produtos que são obtidos por meio da agropecuária e do extrativismo daqueles que são industrializados. Auxilie-os observando eventuais equívocos cometidos. Assim, conteúdos que ainda não estejam consolidados podem ser mais bem trabalhados nas atividades de fechamento da unidade. Para a atividade 2, explore os itens que são produzidos na comunidade em que a escola está inserida. Caso seja uma zona rural, pergunte quais produtos são produzidos ali e como eles são transportados e comercializados nos centros urbanos. Pergunte também qual é a origem dos produtos industrializados utilizados em suas comunidades. Caso a escola esteja em zona urbana, a identificação da origem dos produtos pode ser mais difícil, pois as avançadas técnicas de conservação possibilitam a vinda de muitos produtos de regiões distantes.

1. Recorte os produtos da página 159 e cole-os na imagem indicando quais deles saem do cinturão verde em direção à cidade e quais saem da cidade e abastecem o campo. 2. O município em que você mora é abastecido por um cinturão verde? 67

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Orientações Peça aos alunos que respondam ao questionamento inicial e verifique os hábitos e costumes da turma. Caso haja algum aluno que tenha em sua casa uma horta ou plantação, convide-o a compartilhar as experiências na produção e consumo dos próprios alimentos. Instrua-os a listar os comércios locais e auxilie-os na ampliação dessa lista propondo uma pesquisa sobre onde é possível encontrar alimentos naturais. Traga para a sala de aula um mapa da cidade e peça­‑lhes que localizem cada um dos comércios listados inicialmente. Em seguida, eles deverão criar dois símbolos: um para os locais que comercializam, em sua maioria, produtos industrializados e outro para os locais que comercializam, em sua maioria, produtos naturais. Para finalizar, converse com a turma sobre a criação do mapa e sua finalidade. Os alunos deverão criar estratégias para divulgar o mapa que acabaram de produzir.

Como eu transformo De onde vêm os alimentos que eu consumo? O que vamos fazer?

Para que fazer?

Elaborar um mapa com os comércios de produtos naturais e orgânicos.

Para incentivar o consumo de alimentos saudáveis e derivados dos produtores locais.

Com quem fazer? Com os colegas, o professor e as pessoas responsáveis pelos comércios da região.

Como fazer? 1

Elabore com os colegas e o professor uma lista dos comércios de alimentos conhecidos pela turma que sejam próximos ao local onde vocês moram.

2

Juntos, pesquisem quais são os principais produtos vendidos nesses locais e verifiquem em quais estabelecimentos há um grande número de alimentos naturais.

3

Organizem-se em grupos para cada um fazer uma pesquisa em um estabelecimento e descobrir de onde vêm os alimentos naturais vendidos nele. Siga as orientações do professor para descobrir como proceder.

4

No dia marcado pelo professor, tragam as informações obtidas para a sala de aula. Com elas, elaborem, todos juntos, um mapa dos arredores que indique os locais que vendem produtos naturais e quais deles são abastecidos por produtores da região.

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Exponham o mapa em um local em que um grande número de pessoas possa ver e consultar. Se possível, reproduzam as informações em um mapa menor a fim de que todos os alunos possam levar para casa e divulgar aos familiares.

Você considera importante consumir produtos de origem local? Por quê?

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Orientações

Revendo o que aprendi 1

Esta seção tem como objetivo revisar os temas estudados em toda a unidade. As atividades também podem ser usadas para avaliar o aprendizado do aluno.

Por que se considera que a humanidade surgiu na África? Porque no continente africano foram encontrados os indícios mais antigos de presença

1. Esta questão retoma a ideia de que a África é o berço da humanidade e os povos que ali viviam se espalharam para outros territórios. Aproveite para reforçar que os primeiros seres humanos são originários desse continente e que é importante valorizar e respeitar todos os povos.

humana.

Observe a imagem e faça o que se pede. Hugo Araújo

2

a) Na imagem aparecem dois marcos que transformaram a vida dos seres humanos pré-históricos. Circule-os. b) Nomeie esses marcos e explique a importância de cada um para a humanidade. Domínio do fogo: com o fogo, os seres humanos puderam utilizá-lo como fonte de calor para se aquecer, cozinhar alimentos, iluminar o ambiente e se defender de animais perigosos. Desenvolvimento da agricultura: possibilitou, além da produção de alimentos, a fixação das aldeias, dando início ao processo de sedentarização.

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Orientações 3. O dicionário pode ser um bom recurso para a aprendizagem de novas palavras e ampliação do vocabulário do aluno. Em diferentes ocasiões, use-o instruindo os alunos na leitura do verbete e auxiliando-os na construção do pensamento com base nas informações nele encontradas. Retome e amplie o conceito de tecnologia mostrando que ela não é somente algo novo. Desde que o ser humano passou a intervir no meio, ele desenvolveu técnicas para executar melhor suas tarefas cotidianas. Tudo isso é considerado tecnologia.

3

Sobre o conceito de tecnologia, faça o que se pede. a) Procure no dicionário o significado da palavra tecnologia e registre o significado dela. Tecnologia se refere ao processo integral de desenvolvimento de determinada técnica, ou seja, que envolve tanto o conhecimento técnico como a aplicação dele.

b) Explique por que o desenvolvimento tecnológico é importante para os seres humanos. A tecnologia possibilita aos seres humanos desenvolver novos produtos, ferramentas e equipamentos para suprir suas necessidades e facilitar seu trabalho.

4

Complete as frases com as palavras corretas. a) Entre os aspectos que diferenciam os seres humanos de outros animais estão a utilização do

fogo

para aquecimento, cozimento de

alimentos, defesa contra o ataque de animais e iluminação da escuridão da noite, além da comunicação pela b) As

pinturas rupestres

linguagem

.

são desenhos feitos em paredes de caver-

nas e rochas e estão entre as formas de comunicação humana. Observe a pintura rupestre a seguir. Andre Dib/Pulsar Imagens

5

9

70

70

Pinturas rupestres na Gruta do Janelão. Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, Januária, Minas Gerais, 2017.


Orientações a) O que a imagem mostra?

7. Aproveite para perguntar aos alunos a qual tipo de organização humana eles pertencem. Espera-se que respondam que fazem parte do grupo de sedentários. Esta aproximação com a vida deles facilita a compreensão dos movimentos populacionais desde o início dos tempos.

A imagem mostra um grupo de humanos caçando animais.

b) A pintura rupestre pode ser considerada fonte para o estudo da História? Explique. Sim, pois ela pode registrar informações importantes sobre a pessoa ou o grupo que a produziu.

8. Explique mais uma vez que os povos nômades apenas retiravam da natureza os alimentos de que necessitavam e, quando havia escassez desses alimentos, eles migravam para outros lugares. Já os sedentários buscaram formas de extrair da terra o que precisavam por meio de técnicas de produção, sem precisar mudar de território. Além de alimento, os grupos humanos também necessitavam de abrigo para se proteger das mudanças climáticas.

c) Levante hipóteses sobre o modo de vida do grupo que a desenhou. Resposta pessoal.

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Diferencie nômades e sedentários. Nômades: grupos que se deslocam de um lugar para outro e não têm moradia fixa. Sedentários: grupos que se fixaram em determinado território.

7

Quais eram os principais motivos das migrações humanas na Pré-História? As condições desfavoráveis, como mudanças climáticas ou falta de alimento.

8

O que você entende por cultura? Cite exemplos. Espera-se que o aluno faça referência a todos os aspectos do modo de vida de uma sociedade, como linguagem, ideias, crenças, organização, instituições, costumes, leis, técnicas, instrumentos, entre outros. Os exemplos podem ser: música, esportes, literatura, monumentos, arquitetura, arte, comidas típicas etc. 71

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Orientações Esta seção apresenta, de forma sucinta e objetiva, os conteúdos trabalhados ao longo da unidade. Aproveite para fazer uma breve revisão, identificar dúvidas dos alunos e esclarecê-las. Os tópicos, além de relembrar os temas estudados, são indicativos de avaliação, ou seja, referem‑se à aprendizagem necessária aos alunos no final desta unidade.

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Nesta unidade vimos

� Os vestígios mais antigos da presença humana foram encontrados na África. � O domínio das técnicas agrícolas e da criação de animais ampliou a possibilidade � � �

Hugo Araújo

de sobrevivência dos grupos humanos. Desde a origem, os seres humanos desenvolvem e usam a tecnologia para sobreviver. Da África, os seres humanos migraram para outros lugares do planeta. As primeiras cidades surgiram como resultado do processo de sedentarização que se seguiu ao desenvolvimento da agricultura, há cerca de 10 mil anos. A expansão das cidades gerou novas formas de organização social, como a especialização do trabalho, que deu origem ao comércio.

Para finalizar, responda: O planeta Terra sempre foi ocupado como é atualmente? Explique como ocorreu a ocupação do planeta. 9 Relacione a ocupação do planeta com a intervenção humana na natureza. 9

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Avaliação de aprendizagem Retome a observação da imagem de abertura, solicite aos alunos que respondam novamente às perguntas utilizando o conhecimento construído ao longo desta unidade e verifique mudanças e complementações nas respostas da turma. Essa retomada das questões poderá ser feita de forma oral ou escrita. Observe se, durante o estudo, os alunos produziram saberes e material suficiente para validar a aprendizagem construída. Com base nas propostas realizadas no decorrer da unidade, é 72

possível afirmar que muitas atividades serviram para nortear o trabalho pedagógico e a revisão de conteúdos que garantissem a aprendizagem de todos. É importante reforçar que uma avalição que considere o ponto inicial e o final de cada aluno considerará as diferentes formas de expressão e assegurará uma aprendizagem mais significativa, pois o aluno entenderá que está sendo avaliado pelo que é capaz de produzir. Assim, todas as informações deverão


Orientações A Pré-História passo a passo É possível afirmar que esse foi um período bem longo do desenvolvimento humano, pois começa com o surgimento do ser humano e vai até a invenção da escrita. Para estudá-lo, muitos profissionais da Geologia, Arqueologia e História se unem na procura de pistas que possam auxiliar a compreender o modo de vida dos primeiros povos que habitaram o planeta. Explore temas como domínio do fogo, uso de ferramentas e utensílios, tipos de moradia e abrigo em cavernas, alimentação, evolução humana e importância da descoberta dos sítios arqueológicos para o entendimento do passado. O livro também mostra, de forma ilustrada, uma linha do tempo em que o processo da evolução humana é expresso proporcionalmente aos meses do ano. Essa apresentação facilita a compreensão da linha evolutiva ao mesmo tempo que demonstra ao leitor que a evolução não foi simultânea em todas os territórios alcançados pelos grupos humanos. Depois de explorar o livro, proponha a elaboração de uma resenha que valorize, para outras pessoas, a importância dessa obra.

Para ir mais longe Livros Editora Claro Enigma

9 A Arqueologia passo a passo, de Raphael de Filippo. São Paulo:

Claro Enigma, 2014. “Arqueologia é o estudo dos vestígios materiais do passado dos homens”. Assim se inicia esse livro que relata, com muitas imagens e textos bem-humorados, como é feito o trabalho arqueológico.

Editora Claro Enigma

9 A Pré-História passo a passo, de Colette Swinnen. São Paulo:

Claro Enigma, 2014. “No caso da Pré-História, os vestígios de pedra, material não perecível, são parte essencial da documentação”. Nesse livro, você encontrará essa e muitas outras informações sobre a Pré-História.

Editora Moderna

9 A Pré-História, de Rosicler Martins Rodrigues. São Paulo:

Moderna, 2013. Nesse livro, texto e ilustrações recriam a vida na Pré-História e levam-nos a reflexões que nos fazem entender o tempo presente.  

Editora Ática

9 Pré-História, de Antonio Carlos Olivieri. São Paulo: Ática, 2008. Nesse livro, a conversa entre um cientista e seu sobrinho traz informações sobre o cotidiano na Pré-História.

Site 9 Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM): <www.fumdham.org.br>. Nesse site, você encontra várias e superinteressantes imagens de pinturas rupestres descobertas no Parque Nacional Serra da Capivara.

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fazer parte também de uma concepção de avaliação de caráter formativo, muito mais que somatório.

Respostas

99Os

seres humanos criaram maneiras de usar os elementos da natureza em seu benefício, para atender às suas necessidades de sobrevivência. Assim, eles modificam os espaços, mas nem sempre com resultados positivos.

99Não. Os seres humanos surgiram na África e, por meio de diversas migrações durante milhares de anos, ocuparam diferentes regiões do planeta. 73


Objetivos da unidade

UN

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O mundo em movimento

Simone Matias

•• Reconhecer mudanças e

permanências nas relações comerciais. •• Compreender a expansão das cidades por conta do crescimento das atividades econômicas, principalmente do comércio. •• Reconhecer a importância da escrita como registro das atividades comerciais. •• Compreender a necessidade da criação de diversas rotas comerciais no presente e no passado. •• Estabelecer relações entre viagens marítimas e desenvolvimento do comércio e das cidades. •• Identificar as trocas culturais decorrentes da expansão comercial e da criação de rotas. •• Compreender as relações comerciais de Portugal durante o Período Colonial do Brasil. •• Identificar aspectos da ocupação do interior do Brasil no Período Colonial. •• Compreender o processo de escravização no Brasil Colonial. •• Compreender como a mineração incentivou o processo de povoamento do interior do Brasil. •• Reconhecer o tropeirismo como movimento importante de integração entre diferentes regiões do Brasil Colonial.

IDADE

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Orientações Estimule os alunos a fazer uma descrição completa da imagem e, em seguida, explore alguns itens separadamente. Primeiro, chame a atenção deles para a barraca com produtos industrializados. O objetivo de apresentá-la é retomar a abordagem de conceitos como industrialização e tecnologia, que surgem em diferentes contextos temporais e históricos.

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Em seguida, aponte as pessoas que estão passeando ou comprando. Pergunte que forma de pagamento os compradores da imagem estão utilizando e quais produtos são comercializados. Esse é um ótimo momento para investigar as vivências que os alunos possuem em relações comerciais e, se possível, registrar as informações coletadas para que sejam comparadas, ao final da unidade, às descobertas que fizeram.


Orientações Respostas

Que atividade as pessoas da imagem estão realizando? 9 Como essa interação influencia a vida das pessoas? 9 Como a atividade que aparece na imagem está presente em seu cotidiano? 9

99As pessoas estão trocando, comprando ou vendendo produtos. 99A interação retratada na imagem, que é a comercial, tem como objetivo oferecer e obter bens e serviços que se deseja ou dos quais se necessita. Além disso, ela possibilita o diálogo ou a negociação entre duas ou mais pessoas que, portanto, têm a oportunidade de se conhecer. 99Espera-se que os alunos analisem o quanto o comércio está presente no cotidiano deles, mas que também ampliem essa percepção para compreender a importância dele em todas as atividades econômicas, não somente naquelas que eles vivenciam por meio das compras realizadas pelos pais ou responsáveis. Com a imagem é possível ainda refletir sobre a importância de se desfazer dos objetos que não usam mais e de comprar objetos usados, como mostra a ilustração. Essa é uma prática que deve ser incentivada em busca do desenvolvimento sustentável.

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Chame a atenção deles para a cena da ilustração em que uma moça escreve “promoção” em um cartaz. Pergunte-lhes que estratégias podem ser utilizadas para adquirir mercadorias por um bom preço. Por fim, procure descobrir quais são as práticas de interação comercial mais conhecidas pelos alunos: mercados, açougues, farmácias, shoppings centers, entre outros. 75


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Limite territorial e a relação

1

com o comércio. •• Origem do comércio e a circulação de produtos. •• Comércio e interação social. •• Desenvolvimento do comércio e das cidades. •• Surgimento da escrita e sua relação com o comércio.

O comércio e as transformações

Como vou à cidade vizinha?

Orientações

Ana e Leo fabricam pães. Embora eles os comercializem na região onde moram, hoje vão vendê-los na cidade vizinha.

Aproveite os encartes para discutir quão importantes são as rotas e os meios de transporte para a distribuição de mercadorias e a locomoção.

Ajude Ana e Leo a chegar até a outra margem do rio para conseguir vender seus pães. Utilize os recursos disponíveis na página 159. Dam Ferreira

1

Resposta 1. Os alunos poderão optar pelas alternativas oferecidas. Não há uma única resposta, pois dependerá da criatividade e atenção dos alunos.

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Desenvolvendo habilidades

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EF04HI07 Por meio das leituras dos textos “Conexão entre as

EF04HI05 , EF04HI04 e EF04HI06 A compreensão da expansão

cidades“ e “Comércio e expansão de fronteiras”, os alunos podem refletir sobre limites territoriais e circulação de pessoas e mercadorias. Esse conteúdo permite identificar a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial.

das fronteiras por conta do desenvolvimento do comércio também faz com que os alunos possam relacionar os processos de ocupação do campo e de construção das cidades a intervenções na natureza. Desse modo, eles também identificam as relações entre os indivíduos e a natureza, além das transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias.


Orientações

9

Os capítulos desta unidade tratam sobretudo de como o comércio esteve presente no surgimento e crescimento das cidades, o que só foi possível por conta das variadas rotas encontradas para a distribuição de mercadorias. O objetivo da leitura desta página é introduzir essa reflexão, que será concluída adiante, incentivando o aluno a perceber como a interação comercial acontece entre diferentes cidades no presente e no passado.

Olhar interdisciplinar Geografia

Alberto Ihlenfeld/Futura Press

A cidade onde você mora é vizinha de outras. Você já pensou no limite territorial entre elas? Como é possível ir de uma cidade a outra? Às vezes o limite territorial de uma cidade é marcado pela geografia local, como um rio ou uma montanha. Por exemplo, as cidades de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, estão divididas pelo Rio São Francisco. Há casos em que os limites entre os municípios e estados não são tão evidentes. Por exemplo, nas cidades de União da Vitória, no Paraná, e Porto União, em Santa Caaérea da Ponte Presidente Eurico Gaspar Dutra, que liga os tarina, há um trecho em que 9 Fotografia municípios de Petrolina (Pernambuco), à esquerda, ao de Juazeiro (Bahia), o único marco é uma antiga à direita. estrada de ferro. Os limites territoriais dividem os espaços tanto dentro das cidades quanto entre elas, mas não impedem os contatos nem a dinâmica comercial. As cidades estão repletas de vias que nos possibilitam chegar a muitos lugares, assim, é possível ir de um bairro a outro ou para além dos limites dela. As ruas e rodovias, as ferrovias, as rotas feitas nos rios, nos mares ou aéreas são caminhos para chegarmos a outras cidades e lugares. É por meio desses caminhos que ocorre o trânsito de pessoas, produtos, ideias e culturas, além da conexão das pessoas de diferentes cidades.

Evandro Teixeira/Tyba

Conexão entre as cidades

Aproveite a oportunidade para apresentar o mapa político do estado no qual a escola está localizada. Então, peça aos alunos que indiquem o município da escola no mapa e identifiquem quais são as possibilidades de transporte para outras cidades e territórios. Essa proposta possibilita abordar as rotas terrestres, fluviais, marítimas e aéreas e enfatizar como elas são importantes para que a dinâmica comercial seja facilitada, ou seja, para que os produtos sejam distribuídos.

Marco divisório entre União da Vitória (Paraná) e Porto União (Santa Catarina).

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EF04HI08 Para melhor controle das interações comerciais, o ser

humano desenvolveu sistemas de escrita, assunto explorado em “Registros escritos”, texto que introduz o tema das transformações ocorridas na comunicação, o qual será retomado nas unidades posteriores.

EF04HI03 Com a pesquisa histórica proposta, os alunos podem

identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir as interferências no modo de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente.

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Orientações

Comércio e expansão de fronteiras

Leia o texto e oriente a leitura do glossário para garantir a compreensão de todas as informações apresentadas. Por meio de uma discussão sobre o que foi lido, incentive os alunos a perceber que as aldeias mantinham relações umas com as outras a fim de trocar mercadorias e, assim, garantir as necessidades cotidianas de seus habitantes. Aproveite para explicar que as mudanças no modo de viver e se organizar dos grupos não ocorreram em intervalos pequenos de tempo. O desenvolvimento não é linear nem simultâneo. Por isso, as divisões de tempo criadas pelos historiadores baseiam-se em características comuns a determinado período. Uma das mais utilizadas, e também referência neste livro, é a divisão do tempo em: Pré-história (período anterior à invenção escrita até aproximadamente 4000 a.C.), Idade Antiga (desde a invenção da escrita, que ocorreu cerca de 4000 a.C. a 476 d.C.); Idade Média (de 476 a 1453); Idade Moderna (de 1453 a 1789); e Idade Contemporânea (de 1789 até os dias atuais).

Fototeca Gilardi/Akg-Images/Latinstock

Desde o surgimento das aldeias, na Pré-História, os grupos humanos buscavam tornar os espaços autossuficientes na produção de itens essenciais para a vida da população local. Ainda assim, as aldeias não eram necessariamente isoladas. Os povos do passado relacionavam-se uns com os outros por diversos motivos, por exemplo, para estabelecer relações de troca. Nascia, assim, o comércio. A intensidade das trocas comerciais varia de um lugar para outro. Em alguns povos da Antiguidade, como os fenícios, a principal atividade era o comércio. Eles estabeleceram uma rede comercial Glossário por todo o Mar Mediterrâneo, como podemos observar Autossuficiente: que no mapa da página 155. Muitos estudiosos consideram os tem quantidade suficiente fenícios os grandes mercadores daquele período. ou satisfatória para o próprio consumo, que não A dinâmica comercial, portanto, diferenciou-se de precisa buscar produtos ou acordo com o período histórico e as regiões. Entre os sécumatérias-primas em outro lugar. los 5 (de 401 a 500) e 15 (de 1 401 a 1 500), algumas regiFenícios: povo que a partir ões da Europa eram completamente rurais, e a maioria das de 3000 a.C. estabeleceupessoas vivia no campo, isolada em territórios chamados -se em uma região da costa feudos, onde produziam quase tudo de que necessitavam. do Mar Mediterrâneo, posteriormente chamada Ao final desse período aumentou o intercâmbio entre Fenícia (hoje a região os europeus e outros povos, principalmente devido ao corresponde à parte da Síria, Israel e Líbano). desenvolvimento da navegação marítima. Essa mudança levou a uma expansão da atividade comercial europeia.

9

Março: camponeses no trabalho em uma propriedade feudal, do livro de horas As mui ricas horas do duque de Berry, século 15. Nos feudos, o comércio era bastante reduzido, e em alguns casos nem existia, já que a maioria deles era autossuficiente.

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Orientações Proposta de atividades 1. Em sua opinião, que itens são essenciais para a vida de uma pessoa? Incentive os alunos a responder à questão utilizando recortes de revista ou jornais ou até mesmo ilustrações feitas por eles. Espera-se que respondam que, para a sobrevivência humana, são 78

necessários recursos como água potável, alimentos, moradia e vestimentas apropriadas para suportar as mudanças climáticas. Interrogue a turma sobre os elementos representados: eles também eram essenciais para a vida no passado? Com essa segunda indagação, é possível perceber se eles compreendem as mudanças e permanências no modo de vida das pessoas.


Olhar Interdisciplinar

A partir do século 11 (de 1001 até 1100), por exemplo, com o aumento da produção agrícola graças às melhorias tecnológicas empregadas no cultivo, a população cresceu e o comércio se fortaleceu, pois os excedentes agrícolas passaram a ser comprados e vendidos. Devido à intensificação comercial, muitas cidades começaram a cunhar moedas para facilitar as trocas. As regiões de Florença e Veneza, atuais cidades italianas, foram pioneiras na criação dessas moedas, que também eram usadas e aceitas fora de seus limites territoriais. O desenvolvimento comercial colaborou para a origem Glossário de feiras fixas ou itinerantes, nas quais comerciantes se encontravam para vender seus produtos. As feiras mais poEspeciarias: temperos de pulares desse período eram a de Champanhe, na França, origem vegetal – como cravo-da-índia, canela, anise a de Flandres, local correspondente ao atual território -estrelado, gengibre, nozda Bélgica. -moscada e pimenta-do-reino – utilizados como Alguns dos produtos comercializados nas feiras eram remédio e para conservar os trazidos de regiões distantes, como os tecidos de seda alimentos. e as especiarias do Oriente, que além de serem muito Itinerante: algo ou alguém que se desloca de um lugar apreciados garantiam bons lucros aos comerciantes. As para outro. rotas comerciais mostradas no mapa da página 156 eram Oriente: conjunto dos os caminhos utilizados principalmente por mercadores de países do sul e do leste da Ásia, incluindo a Índia, a Gênova e Veneza para levar os produtos do Oriente até China e o Japão. a Europa.

Língua Portuguesa

Coleção particular

Solicite aos alunos que busquem no dicionário as palavras excedente e cunhar, que aparecem no primeiro e no segundo parágrafos do texto, respectivamente. A busca por palavras desconhecidas no dicionário auxilia na ampliação do repertório linguístico. Excedente é aquilo que excede ou que sobra; e cunhar é estampar na moeda o relevo por meio do cunho. Após a leitura do texto, peça aos alunos que abram o livro na página 156 e observem o mapa Rotas e feiras medievais. A intenção é proporcionar o contato com a cartografia para que eles percebam as possibilidades de navegação do período citado. Todas as formas de leitura cartográfica possibilitam o desenvolvimento das noções de espaço e localização. Por fim, retome o texto e esclareça que as moedas já existiam mesmo antes dessa época, porém eram utilizadas apenas internamente, nos feudos e nas cidades. Com a expansão comercial, houve a necessidade de criar moedas que fossem aceitas também em outros territórios.

9

Feira medieval no século 13, s.d.

A expansão do comércio envolveu o deslocamento de pessoas e de mercadorias por longas distâncias, possibilitando o surgimento de diferentes rotas, bem como a origem e o crescimento de várias cidades. 79

2. Em sua opinião, nós vivemos em comunidades autossuficientes? É esperado que os alunos respondam que atualmente não vivemos mais em comunidades autossuficientes. Procure incentivá-los a justificar essa resposta, levando-os a concluir que as sociedades se organizaram a fim de que cada indivíduo realize uma atividade econômica e, por meio das transações comerciais e do dinheiro que recebe por seu trabalho, adquire aquilo de que necessita. 79


Orientações A seção Pesquisa histórica é uma oportunidade de aproximar os conhecimentos históricos do passado ao que é vivenciado pelos alunos nos tempos atuais. Para isso, proponha a realização da atividade, que deve ser feita em casa com a ajuda de um adulto. Ao fazer uma pesquisa e entrevista, os alunos compreenderão melhor conceitos apresentados até o momento no capítulo – conexão entre cidades, limite territorial, expansão de fronteiras – por meio da realidade da cidade onde moram. Esse exercício de localização espacial será muito importante para que o aluno se sinta pertencente a um território.

Pesquisa histórica Vamos conhecer um pouco melhor as fronteiras de seu município? Você precisará da ajuda de um adulto.

José Wilson Magalhães

1 Faça uma pesquisa para responder às perguntas a seguir.

a) Que municípios fazem divisa com o município em que você mora? b) Como são marcadas as fronteiras entre seu município e os vizinhos? c) Converse com pessoas que vivem na cidade há muito tempo e pergunte: � O que mudou na paisagem urbana desde que você mora neste local? � Quais dessas mudanças você acha mais marcantes ou importantes? � Como essas mudanças influenciaram a vida dos moradores?

2 Compartilhe as informações com os colegas e o professor. 80

Orientações É importante que os alunos compreendam que, assim como o alfabeto inventado pelos fenícios, vários outros sistemas de escrita foram desenvolvidos, servindo inclusive como fonte histórica para o estudo de povos antigos. Com base no alfabeto fenício foram desenvolvidos vários outros, como o hebraico, o árabe, o grego, o cirílico (russo), o devanágari (hindu), o romano, sempre adaptados às realidades locais. Os gregos, por exemplo, adotaram e adaptaram esse 80

alfabeto, inventando novas letras e excluindo os sons que não existiam em sua língua. Sendo assim, até a invenção do alfabeto como o conhecemos hoje, muitos povos se apropriaram dos sistemas existentes e os adaptaram à sua realidade. Mesmo atualmente, outras formas de representação existem independentes do alfabeto que utilizamos. Para exemplificar, leve imagens dos ideogramas japoneses e da caligrafia árabe.


Orientações Após realizar a leitura do texto, é importante aprofundar o tema e levar os alunos a perceber a importância da escrita nos dias de hoje. Para isso, enfatize a ideia de que a escrita tem uma função social, podendo representar diferentes interesses de comunicação, e solicite aos alunos que localizem no texto as palavras que caracterizam as funções da escrita no passado. Espera-se que eles citem: política, religião, filosofia, literatura e comércio. Em seguida, pergunte-lhes quais são as funções atuais da escrita e se existem novas necessidades para o uso desse sistema. Espera-se que os alunos percebam a evolução da escrita citando funções como expressar pensamentos e sentimentos, enviar mensagens, criar letras de músicas, explicar cálculos etc.

Rodval Matias

Atualmente, a escrita está em praticamente todo lugar. Na escola, escrevemos para coletar informações ou expressar ideias. No supermercado, precisamos dominar a escrita para ler os rótulos dos produtos ou para saber os preços. No ponto de ônibus, precisamos ler o letreiro para não correr o risco de tomar o ônibus errado. Você já pensou nas dificuldades enfrentadas por quem não domina a escrita? Entre os registros escritos mais antigos encontrados até agora estão os dos povos da região da Mesopotâmia (atual Iraque), que datam de cerca de 6 mil anos. São registros feitos em plaquetas de barro, com pictogramas. Outros povos também desenvolveram tipos próprios de escrita usando materiais e formatos diferentes. Estima-se que na China já havia formas de registro escrito há pelo menos 8 mil anos. Portanto, não podemos atribuir a 9 Tablete de argila com escrita cuneiforme, c.3300 a.C. Chama-se cuneiforme em referência à cunha, o invenção da escrita a um único povo. instrumento utilizado para grafar esses escritos no barro. Assim como no presente, a escrita do passado tinha várias funções. Glossário Alguns povos da Antiguidade desenvolveram formas de escrita para registrar informações sobre política, religião, Pictograma: desenho simplificado e estilizado filosofia ou literatura. que representava objetos No comércio, a escrita era utilizada para registrar as e pessoas da Pré-História e da Antiguidade. Essa transações de compra e venda dos produtos, as cidades forma de escrita pode ser a serem visitadas e as rotas utilizadas para chegar a deencontrada ainda hoje entre terminado destino. os indígenas da América e os esquimós, por exemplo. Ao longo dos séculos, os povos foram alterando e aperfeiçoando suas formas de escrever e de registrar as informações. Há cerca de 3200 anos, os fenícios, por exemplo, criaram um tipo de alfabeto baseado nos sons da fala, ou seja, fonético. Por ser mais simplificado, esse alfabeto agilizava a comunicação, facilitando também o trabalho dos comerciantes e navegadores.

Museu do Louvre, Paris. Fotografia: Photo Josse/Leemage/AFP

Registros escritos

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Partindo da ideia de que cada povo é capaz de conceber seu próprio sistema de escrita, proponha aos alunos que cada um desenvolva seu próprio sistema. Instrua-os a transformar cada letra do alfabeto em novos símbolos e, após disponibilizar um tempo para a atividade, sugira a cada um que mostre o sistema aos amigos e relate como o criou.

81


Orientações

Atividades

Proposta de atividade O objetivo da atividade seguinte é retomar o marco histórico da invenção da escrita, que propiciou a expansão do comércio.

1

Marque as alternativas corretas sobre o desenvolvimento do comércio. X

O desenvolvimento de formas de escrita foi facilitador para o comércio.

X

A cunhagem de moedas foi um fator importante para facilitar as trocas. As trocas comerciais não facilitaram a aproximação entre as cidades.

1. Como podemos observar a importância da escrita nas atividades comerciais da atualidade? Espera-se que os alunos respondam que, nas atividades comerciais da atualidade, é possível encontrar a escrita na identificação dos produtos oferecidos, no preço dos produtos, nos cálculos, na nota fiscal, na contagem de estoque, nas propagandas, nos avisos promocionais em panfletos etc.

X

As feiras fixas ou itinerantes facilitaram o comércio entre as cidades.

Os primeiros registros escritos foram feitos em forma de pictogramas. Para representar um animal, por exemplo, era necessário fazer um desenho desse animal ou algo que se parecesse com ele. Observe os exemplos de pictogramas a seguir e os associe aos significados correspondentes:

3

Sobre a escrita pictográfica, responda: Ilustrações: Paula Haydee Radi

2

mão

pássaro

pomar

Sol

cabeça

água

peixe

trigo

montanha

a) Você conhece alguma forma de pictograma atual? Quais? Os alunos poderão citar os símbolos dos aplicativos de redes sociais, as placas de trânsito, hospitais etc. Se necessário, eles podem pesquisar.

b) Como e para que são utilizados os pictogramas que você citou na pergunta anterior? Os emojis das redes sociais são usados na interação entre pessoas e grupos para comunicar sentimentos e emoções manifestados na conversa virtual. No caso das placas e símbolos, servem para dar instruções sobre o local ou a instituição.

82

Avaliação Neste capítulo, os alunos podem concluir que a comunicação sempre foi uma necessidade do ser humano. Com a invenção da escrita, novas formas de expressar pensamentos e se comunicar foram surgindo e se aprimorando. Procure explicar aos alunos como o uso das novas tecnologias fez surgir variados tipos de representação de ideias e possibilitou novas formas de interação entre sociedades de diversas 82

partes do mundo. Por mais que atualmente essa interação seja possível, a comunicação entre dois povos pode ser mais complexo quando eles utilizam línguas diferentes para se comunicar. Por essa razão, para facilitar a compreensão de conceitos essenciais, foram desenvolvidas e consolidadas formas de comunicação que pudessem ser utilizadas e compreendidas em qualquer lugar do mundo.


Orientações O Grande Bazar, localizado em Istambul, uma importante cidade da Turquia, é provavelmente o maior e um dos mais antigos mercados cobertos do mundo. Construído no século 15, tem mais de 3 mil lojas de todos os tipos espalhadas por seus corredores. Observe as fotografias desse mercado e faça o que se pede: DenizToprak/iStockphoto.com

4

Pessoas visitam o Grande Bazar de Istambul, Turquia, 2017.

Istambul: importante centro comercial NORTE

LESTE

OESTE

POLÔNIA

SUL

Mar Negro ITÁLIA

© DAE/Alessandro Passos da Costa

chris-mueller/iStockphoto.com

9

42° N

Respostas

Istambul

9

TURQUIA

Pessoas observam algumas das lojas do Grande Bazar de Istambul, Turquia, 2015. Cláudio Vicentino. Atlas histórico geral e Brasil. São Paulo: Scipione, 2011. p. 70.

Mar Mediterrâneo

0

24° L

315

4. O objetivo da atividade é que o aluno observe a importância da localização geográfica, da movimentação de pessoas e da variedade de produtos tanto no comércio nos tempos atuais quanto antigos. Leia o enunciado com os alunos, chame a atenção deles para as imagens e oriente­‑os na interpretação do mapa. Comente que Istambul, antiga Constantinopla, foi um importante centro comercial, pois as rotas que ligavam o Oriente ao Ocidente passavam pela cidade, estimulando a interação comercial. Em seguida, incentive-os a citar exemplos do próprio cotidiano. Se necessário, pergunte-lhes: Como é centro comercial próximo de onde vocês vivem? Na cidade, há shoppings centers? Onde eles estão localizados?

4. a) Espera-se que o aluno escreva uma frase que relate a dependência entre a quantidade/variedade de produtos oferecidos e a quantidade de pessoas que circulam e compram nos estabelecimentos comerciais em geral.

630 km

1 cm : 315 km

a) Escreva uma frase sobre a relação entre a quantidade de pessoas e a variedade de produtos oferecidos para o desenvolvimento do comércio. b) Observe o mapa com a localização de Istambul. Você considera que ela facilita o comércio? Por quê?

83

b) O aluno deve observar que Istambul encontra-se tanto no Oriente quanto no Ocidente, ainda que não seja tão preciso. O importante é que perceba que a localização é um grande facilitador, pois permite várias rotas em direção à cidade e, portanto, ao Grande Bazar mostrado nas imagens.

Após essa explicação, esclareça aos alunos que a esse tipo de linguagem foi dado o nome de símbolos universais. Peça a eles que façam uma pesquisa sobre esses símbolos e tragam o resultado para compartilhar com os colegas na sala de aula.

83


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Comércio e intercâmbio

2

cultural. •• Expansão comercial e interação entre os povos. •• Rotas comerciais do passado e do presente e a distribuição de mercadorias. •• Rotas terrestres, fluviais e marítimas e a formação de cidades.

O mundo em expansão

De onde veio, como chegou? Nos rótulos dos produtos que consumimos estão registradas diversas informações que nos possibilitam conhecê-los melhor. Vamos identificar de onde vêm os produtos que temos em nossa casa?

Orientações Antes de encaminhar a atividade, pergunte aos alunos quais produtos eles podem selecionar em casa para a pesquisa. Explique a eles a melhor maneira de registrar as informações solicitadas: fotografar etiquetas, embalagens e demais informações ou copiar os dados no caderno. Procure levar para a sala de aula um mapa-múndi. Durante a apresentação da pesquisa, ajude-os a localizar nos mapas as regiões brasileiras e os países de onde são provenientes os produtos. Juntos, identifiquem as possíveis rotas até a cidade onde vivem: são terrestres, fluviais, marítimas ou aéreas? Atravessam vários estados ou países? Por fim, incentive a turma a refletir sobre o período em que vivemos, no qual é possível ter acesso a produtos de diversos lugares do mundo.

1

Em casa, selecione cinco produtos diferentes que você utiliza no dia a dia e procure nas embalagens, nos rótulos ou nas etiquetas informações sobre o local em que foram produzidos. Resposta pessoal.

2

Preencha o quadro a seguir com as informações que você encontrou. PRODUTO

3

LOCAL DE PRODUÇÃO

Que rotas você imagina que esse produto percorreu até chegar à sua casa? Converse com os colegas e o professor e anote suas conclusões. Resposta pessoal.

84

Desenvolvendo habilidades EF04HI04 e EF04HI05 Este capítulo apresenta o desenvolvi-

mento das relações comerciais, que culminou na criação das rotas de comércio, na circulação de produtos e de culturas e no surgimento de cidades. Esse processo possibilitou o deslocamento de pessoas pelos espaços e também a fixação

84

delas em pontos de interações econômicas. Por meio desse conteúdo, os alunos podem compreender a fixação de comunidades humanas nas cidades e avaliar os resultados das intervenções na natureza tanto para o desenvolvimento das cidades quanto para a criação de rotas.


Orientações

Atualmente, o comércio entre diferentes regiões do planeta é constante e intenso. A quase todos os países chegam produtos de diversas regiões, mas também partem desses locais outros tantos produtos por diferentes meios e vias de transporte. A expansão do comércio mundial também possibilita o contato entre diferentes culturas, o que resulta em importantes transformações. Um exemplo disso no passado são as viagens que o mercador europeu Marco Polo fez para regiões da atual Ásia a partir de 1271. Ele ficou impressionado com o que encontrou, pois era um modo de vida bastante diferente da região onde ele vivia (Veneza). As histórias que retratam essa diversidade cultural estão descritas por ele no Livro das maravilhas. Nele, Polo cita a abundância dos novos produtos, como as especiarias, relata como as sociedades os utilizavam e narra como conheceu paisagens, animais e costumes bastante diferentes em relação à região onde morava. Os contatos desses viajantes e exploradores por rotas terrestres, fluviais ou marítimas possibilitaram o intercâmbio entre os povos, em especial após o ano de 1400. Além da circulação de produtos, acontecia a difusão de novas culturas e a troca de conhecimentos entre os mercadores e viajantes de diferentes sociedades. Conhecimentos científicos sobre Astronomia, Matemática, Cartografia e Medicina que existiam na Ásia foram compartilhados com os europeus. Alimentos, práticas religiosas e diferentes costumes e culturas foram sendo difundidos e incorporados ao cotidiano dos viajantes. E as sociedades que recebiam esses viajantes também eram influenciadas pelos costumes deles.

9

Granger/Fotoarena

A circulação de produtos e culturas

Explique aos alunos que a Cartografia é a ciência que estuda os mapas geográficos e o modo como são produzidos, portanto cuida da produção e da leitura dessa representação da realidade espacial. O domínio do uso desse recurso possibilitou aos navegadores e comerciantes ampliar as relações comerciais com outros povos no passado, e, ainda hoje, nos oferece diferentes recursos de exploração dos espaços. Converse com os alunos sobre a importância do conhecimento das rotas terrestres e marítimas para a circulação de produtos e pessoas na época da expansão do comércio. Procure também chamar a atenção para o fato de que hoje, com a evolução dos meios de transporte, as possibilidades de rotas aumentaram devido às vias aéreas. Em seguida, pergunte à turma: Por que conhecer a rota de um destino é importante? Espera-se que os alunos percebam que, ao identificar e planejar um caminho, as pessoas chegarão ao destino com mais facilidade.

Astrônomos no observatório de Istambul. Iluminura de manuscrito otomano do século 16.

85

EF04HI06 Durante a leitura dos textos e a realização das ativi-

dades, é importante que os alunos também percebam que muitas das vilas e cidades foram organizando seus espaços de maneira desordenada, alguns deles com boa estrutura para

a vida em sociedade e outros carentes de serviços essenciais. Desse modo, é possível identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização.

85


Orientações

Archives Charmet/Bridgeman Images/Fotoarena

Assim como acontece hoje em dia, no passado as mercadorias também precisavam ser transportadas de um lugar para o outro, o que ocorre por caminhos marítimos, fluviais ou terrestres. As rotas marítimas são percursos realizados pelo mar, geralmente por embarcações mais reforçadas.

Akg-images/Album/Oronoz/Fotoarena

Rotas de comércio do passado e do presente

Aproveite as imagens da página e incentive os alunos a observar os elementos que relacionam os meios de transporte utilizados para a condução de pessoas e mercadorias às classificações de rotas. Introduza o assunto comentando com a turma que a necessidade de transportar objetos e produtos sempre esteve presente na vida do ser humano, que, no início, usava o próprio corpo como meio de transporte, ou seja, caminhava e utilizava como rotas os rios e os trajetos mais acessíveis. Com o desenvolvimento de novas técnicas, foram criados equipamentos, como cestos e carroças, que facilitaram a locomoção desses objetos e ampliaram as possibilidades de distribuição de materiais em distâncias maiores. Quando o desenvolvimento da técnica se aliou aos avanços econômicos e científicos, surgiu a possibilidade de criar novas rotas terrestres e marítimas, que proporcionaram diferentes meios de locomoção e transporte de uma quantidade cada vez maior de mercadorias. Para finalizar, enfatize que, atualmente, existem inúmeras possibilidades de transportar pessoas e mercadorias para todos os cantos do mundo.

9

Marinha na Idade Média – embarcações do século 12. Aquarela de Rafael Monleon, produzida no século 19.

As rotas fluviais são percursos feitos pelos rios, por embarcações mais simples.

9

Transporte de madeira no Rio Sena. Ilustração em guache sobre papel publicada no livro Ordonnances Royaux de la Juridiction de la Prevote des Marchands de la Ville de Paris, de Antoine Verad, 1528.

Culture Club/Getty Images

As rotas terrestres são caminhos por terra, percorridos a pé ou por vários tipos de meios de transporte.

9

Ilustração de caravana árabe, feita para o poema Maqamat of al-Hariri, de al-Hariri of Basra (1054-1122).

86

Orientações Retome a terceira imagem da página 86 e o trecho do texto no qual os berberes, povo que habitava o Norte da África, são citados e discuta com os alunos o uso da tração animal como forma de transportar mercadorias e pessoas no passado. Converse com os alunos sobre a importância que esses animais tiveram no passado, em períodos nos quais não havia

86

tecnologia suficiente para a invenção de meios de transporte que não utilizassem a tração animal. Depois, proponha uma reflexão sobre quão agressiva à vida animal pode ser essa função. Por fim, enfatize que, atualmente, o uso de animais para puxar carroça é proibido em alguns estados do Brasil.


Orientações Após a leitura, comente com os alunos que muitos daqueles que criavam rotas comerciais e transitavam por elas com suas mercadorias decidiram se fixar em pontos estratégicos, onde as interações comerciais ocorriam. Eles então deixavam sua terra natal para fundar cidades nas quais comerciantes e pessoas de várias rotas se encontravam e podiam desenvolver transações econômicas. Esses lugares abrigavam não apenas o comércio da região, mas também uma intensa troca cultural, já que reuniam pessoas de diversos locais. Portanto, nesse processo de migração, deu-se um movimento de ocupação e modificação de espaços naturais. É importante que os alunos compreendam que, ao mesmo tempo que isso trouxe progresso e desenvolvimento econômico a essas populações, causou danos à natureza. Aproveite essa explicação para incentivar os alunos a discutir os problemas ambientais causados pela ocupação de territórios durante o surgimento de cidades. Cite exemplos de ocupação que eles possam relacionar à própria realidade: a construção de ruas, de estradas, de túneis, de prédios residenciais etc. Procure discutir com eles sobre crescimento planejado e sustentabilidade.

Desde os tempos antigos, as rotas comerciais conectavam cidades de diversas regiões, próximas umas das outras ou mais distantes. Conforme observamos no mapa da página 155, os fenícios destacaram-se como comerciantes entre os povos do mundo antigo, desenvolvendo a navegação marítima no Mediterrâneo e em parte do Oceano Atlântico. Atualmente, as rotas comerciais marítimas continuam sendo muito importantes. Diversos produtos que usamos no dia a dia são trazidos de países distantes, como Japão, China e Coréia do Sul, via mar. O transporte terrestre também existe desde a Antiguidade. Os antigos egípcios usavam uma rota que ligava o norte do Egito ao Porto de Elim, no Mar Vermelho. Havia um grande desafio para o Egito comercializar com outras regiões da África: atravessar o Deserto do Saara. Para conseguir tal feito, o povo que habitava o norte da África, os berberes, começou a transportar os produtos no lombo de camelos, pois esses animais podem ficar vários dias sem tomar água. Assim, era possível cruzar o deserto com caravanas de mais de mil desses animais.

Rotas comerciais no Brasil Na história do Brasil, o transporte terrestre também desempenhou uma função importante. Na época em que ainda não havia estradas de asfalto nem caminhões, em alguns lugares as mercadorias eram transportadas pelos tropeiros. Esses comerciantes utilizavam cavalos e mulas, principalmente entre as atuais regiões Sul e Sudeste do Brasil. Nos séculos 17 (1601-1700) e 18 (1701-1800), período da exploração de ouro em Minas Gerais, esses viajantes levavam alimentos do sul, como o charque (carne-seca) e outras mercadorias, para essa região mineradora. O transporte fluvial também se tornou muito importante na história do Brasil, principalmente a partir do século 19 (1801-1900). Nessa época foi intensificado o comércio ao longo de grandes rios, como o Amazonas e o São Francisco. Outra rota fluvial importante ligava Cuiabá, em Mato Grosso, a Montevidéu, no Uruguai. Por esse caminho, os artigos produzidos em Mato Grosso chegavam ao Oceano Atlântico e dali seguiam viagem, por via marítima, rumo a outros países. Por terra, rio ou mar, o transporte tem uma função importante para a história da humanidade. As rotas para levar os produtos de uma região a outra influenciaram na dinâmica comercial, possibilitando a troca cultural e comercial entre pessoas de diferentes regiões. Abrir uma rota, principalmente terrestre, também muda a paisagem natural de um ambiente, pois a vegetação é derrubada para dar lugar a pontes, povoados e cidades. 87

87


Orientações

Atividades

1. Os relatos escritos por Marco Polo possibilitaram e ainda possibilitam ao leitor entender como eram as regiões na época em que o autor as visitou. Aproveite a atividade para retomar com os alunos a importância dos relatos como fonte histórica, já que podem oferecer elementos para se conhecer a vida e as ações no passado. Em seguida, reforce que o relato não pode ser considerado a única forma de contato com a história de determinado povo ou lugar, pois as informações apresentadas nesse tipo de texto carregam as impressões pessoais de quem o escreveu.

1

A Pérsia é uma província muito grande e muito extensa [...] Ocupa [...] um lugar importante entre as províncias vizinhas, pois contém oito reinos. Há nesse país belos e grandes cavalos, que chegam a ser vendidos a duzentas libras tornesas cada um. Os mercadores levam-nos às cidades de Chisi e de Curmosa [Kormus], que ficam à beira-mar, de onde os transportam para as Índias. Há também belíssimos asnos, que são vendidos por até trinta marcos de prata [...]. Nas cidades, há, porém, ótimos artesãos, excelentes no trabalho da seda, do ouro e das plumas. Abundam no país o farelo, o trigo, a cevada, o milho e todo tipo de grão. Há também frutas e vinho. Marco Polo. As viagens de Marco Polo. Trad. Roberto Leal Ferreira. São Paulo: Martin Claret, 2015. p. 46.

a) Que informações Marco Polo fornece nesse trecho sobre a Pérsia, o atual Irã, naquele período? b) De acordo com as informações fornecidas, é possível que a região fosse um centro comercial? Explique. c) Você acha que as viagens de Marco Polo tinham somente interesse comercial? Justifique sua hipótese.

3. Essa retomada de conteúdo possibilita que aqueles que ainda não compreenderam a diferença entre as rotas possam identificá-las durante a resolução do exercício.

2

Respostas

Descreva com suas palavras a importância da movimentação de pessoas nas atividades comerciais. A circulação comercial possibilitou a troca de conhecimento entre os povos. Conheci-

1. a) Informa sobre a dimensão territorial, a importância da região, as mercadorias comercializadas, como cavalos e asnos, e sobre os trabalhos e trabalhadores da cidade.

mentos científicos sobre Astronomia, Matemática, Cartografia e Medicina que existiam na Ásia, por exemplo, foram compartilhados e conhecidos na Europa.

3

b) Sim, pois o autor dá informações sobre venda de cavalos e asnos e de outras mercadorias, referindo-se, portanto, ao comércio. c) Espera-se que os alunos respondam não, visto que Marco Polo relata muitas informações sobre a diversidade encontrada, demonstrando espanto e admiração.

Leia o texto a seguir, um pequeno trecho do livro de Marco Polo, e responda às questões no caderno.

Marque um X na resposta correta sobre cada tipo de rota. a) Rota terrestre caminhos por rios e lagos

X

caminhos realizados por terra

b) Rotas fluviais X

caminhos por rios

caminhos por mares e oceanos

c) Rotas marítimas caminhos por rios

X

caminhos por mares e oceanos

88

Orientações Proposta de atividade Por meio do trecho de um relato de Marco Polo, apresentado na atividade 1, os alunos entram em contato com formas de organização social e econômica do passado e, mediante um olhar crítico e cuidadoso, percebem como essas relações de alguma maneira também se estabelecem em seus espaços de convivência no presente. 88

Para impulsionar esse tipo de reflexão, proponha aos alunos que escrevam um texto no qual relatem as percepções sobre a cidade em que vivem, no mesmo formato do trecho de Marco Polo. Para inspirá-los, retome a leitura do texto, explorando mais uma vez os elementos apresentados que exemplificam e caracterizam a vida econômica e os costumes da Pérsia.


Orientações Leia o texto. Depois observe o mapa que mostra uma das rotas usadas pelos tropeiros e, em seguida, responda às questões.

Ronny Hein. Campos Gerais – Na terra dos tropeiros apud Maria Auxiliadora M. S. Schmidt. Histórias do cotidiano paranaense. Curitiba: Letra Viva, 1996. p. 38.

MATO GROSSO DO SUL

MINAS GERAIS

© DAE/Sonia Vaz

Caminho do Viamão

SÃO PAULO Sorocaba São Paulo rai

PARANÁ Ponta Grossa

PARAGUAI

s

Trópico de Capricórnio

s Ge

Os Campos Gerais são, historicamente, o trecho mais importante do chamado Caminho do Viamão. [...] Todas as cidades da região, nascidas como pousadas de tropeiros, guardam traços marcantes do movimento. A Rua das Tropas – a rua por onde as mulas, os peões e as novidades chegavam nas vilas – existe em muitas das localidades, como o bairro da Ronda, lembrança dos acampamentos de tropeiros que, à noite, mantinham sentinelas de ronda para proteger suas mulas do ataque dos animais.

Campo

4

Curitiba

SANTA CATARINA ARGENTINA

Lages

OCEANO ATLÂNTICO

Florianópolis

Vacaria RIO GRANDE DO SUL

Viamão Porto Alegre

NORTE

LESTE

OESTE

URUGUAI SUL

Caminho do Viamão Fronteiras atuais

0

50°O

179

358 km

1 cm : 179 km

Fonte: Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 94.

a) Que tipo de rota de comércio era usado pelos tropeiros? Rota terrestre.

b) Quais produtos eram comercializados pelos tropeiros? Mulas, cavalos, charque e outras mercadorias.

c) Na rota dos tropeiros de Viamão até Sorocaba, muitas cidades foram formadas no percurso. Algumas estão identificadas no mapa. Escreva o nome delas. Vacaria, Lages, Ponta Grossa.

d) Como a rota dos tropeiros influenciou na formação das cidades?

4. Após a leitura do enunciado, mencione aos alunos que os tropeiros eram condutores de tropas de cavalo ou mulas que percorriam extensas áreas transportando gado e mercadorias para comercialização. Ressalte a importância deles para a integração da economia brasileira e a troca cultural entre as diversas regiões do país. Os tropeiros costumavam fazer longos percursos e, no trajeto, faziam paradas, normalmente em pousadas, para descansar e realizar atividades comerciais. Um exemplo de troca cultural promovida durante essas paradas está relacionado às receitas que preparavam nas pousadas onde ficavam. Como carregavam alimentos que não necessitavam de refrigeração e se conservavam por muito tempo, os tropeiros costumavam cozinhar pratos especiais cujo preparo era ensinado às pessoas do local. Alguns deles ainda hoje são muito apreciados, como o feijão-tropeiro. Proponha aos alunos que pesquisem essas receitas em casa e tragam para a sala de aula para que sejam compartilhadas com os colegas.

Algumas cidades começaram a se formar como locais de pouso das tropas.

89

89


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Comércio e navegação. •• Relações comerciais e cultu-

3

rais entre continentes. •• Rotas marítimas, expansão territorial e comercialização de mercadorias. •• Comércio no Brasil colonial. •• Comércio de escravos no Brasil.

A expansão marítima e o comércio

A arte de navegar Você já pensou por que os barcos, mesmo carregando muito peso, não afundam? Para descobrir o motivo de alguns objetos boiarem e outros afundarem, faça a experiência a seguir.

Orientações Procure realizar a experiência desta página em sala de aula, assim todos os alunos poderão vivenciá-la. Aguarde a elaboração de hipóteses sobre a flutuação do barquinho de massinha na água. Essa atividade é uma boa oportunidade para perceber os conhecimentos que os alunos possuem acerca do tema. É importante que eles percebam que, se a massinha estiver em forma de bolinha, afundará; mas, se estiver na forma côncava, seu peso ficará mais bem distribuído, o que favorecerá a flutuação.

Material:

1. Com a massinha de modelar, faça uma bola duas vezes maior que a bola de gude. 2. Encha o balde ou a bacia com água. Coloque as bolas de gude na água e observe o que acontece com elas. 3. Faça a mesma coisa com a bola grande de massinha e observe o que acontece com ela. Em seguida, retire todas as bolas da água.

4. Modele a bola de massinha para que ela fique parecida com um círculo côncavo, como um barco. 5. Coloque o barco de massinha na água e veja o que acontece.

6. Retire o barco da água, coloque as bolinhas de gude dentro dele e devolva-o à água. Observe o que acontece. 7. Você sabe por que o barco não afundou? Elabore hipóteses.

90

Desenvolvendo habilidades EF04HI07 , EF04HI06 e EF04HI08 O conteúdo do texto “As via-

gens marítimas” permite aos alunos identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial e notar que esse processo possibilitou uma intensa troca cultural e transformações na

90

cultura oral. Outras transformações que os alunos podem identificar na expansão marítima são as ocorridas por conta do deslocamento de pessoas e mercadorias, como os processos de adaptação e marginalização.

Fotos: Dotta

� um balde ou bacia grande; � duas bolinhas de gude; � massinha de modelar. Como fazer


Orientações Até os séculos 14 (1301-1400) e 15, a maioria dos povos que habitavam a região onde hoje denominamos continente europeu conhecia o mundo apenas por meio dos relatos de comerciantes e viajantes. Ao retornar com mercadorias, esses viajantes traziam novos conhecimentos e curiosidades. Nesse período, as viagens e o comércio aconteciam principalmente por rotas terrestres e fluviais. Apenas poucas vezes ocorriam por rotas marítimas, via Mar Mediterrâneo, bem próximo da costa (chamada navegação costeira ou de cabotagem), como pode ser observado no mapa da página 156. Observando o mapa podemos perceber que o contato dos europeus com outros povos era restrito a algumas regiões da Ásia (Oriente) e do norte da África. Os genoveses e os venezianos compravam produtos de comerciantes árabes em Constantinopla, atual cidade de Istambul, na Turquia, e os revendiam em portos e feiras de algumas regiões da Europa. No século 15, reinos como Portugal e Espanha deram início à Expansão Marítima europeia mudou o conhecimento que se tinha do mundo. Por meio de novas rotas de navegação e comércio inauguradas a partir dessa época, povos que desconheciam a existência uns dos outros foram conectados entre si. Os primeiros a explorar novas rotas marítimas foram os portugueses. Eles começaram pela costa do continente africano, onde estabeleceram postos comerciais, as feitorias, e passaram a comercializar produtos (marfim, ouro e especiarias, entre elas a pimenta-malagueta) sem intermediários. Também passaram a adquirir artigos de luxo, como perfumes, tecidos e especiarias de povos de algumas regiões da Ásia. 9 Porto de Lisboa. Gravura de Theodore de Bry. A cidade portuguesa de Lisboa, atual capital de Portugal, situada à beira-mar, era o lugar de onde partiram as expedições marítimas para terras distantes. Essa cidade tornou-se um importante centro comercial, em cujo porto navegadores e comerciantes se encontravam para comercializar vinhos e azeites portugueses, bem como mercadorias vindas de vários lugares da Europa, África e Ásia.

Biblioteca do Serviço Histórico da Marinha, Vincennes

As viagens marítimas

Leia o texto e peça aos alunos que observem atentamente o mapa que está no caderno de cartografia, página 156. Em seguida, proponha a eles que escrevam no caderno o nome dos territórios utilizados para comercialização dos produtos, os quais tornavam-se áreas de grande concentração de atividades econômicas e interação entre os povos. Com essa proposta, espera-se que os alunos observem que as atividades econômicas eram realizadas próximas ao mar, o que resultava na formação de zonas portuárias nessas paradas. Aproveite a leitura do texto para comentar com os alunos que as grandes navegações foram motivadas pela busca por produtos, em outros continentes, que fossem úteis às atividades econômicas de um país. Para exemplificar, peça a eles que observem no texto o comércio das especiarias entre Europa e Ásia. Enfatize que, na época, as especiarias eram muito valorizadas na Europa, onde o clima não favorecia seu cultivo, e eram utilizadas para a conservação dos alimentos, como tempero culinário e, inclusive, para a preparação de remédios e óleos.

91

EF04HI11 e EF04HI10 O texto “O comércio português” introduz

os estudos sobre movimentos migratórios, que serão posteriormente tratados neste livro. Esse conteúdo possibilita que o aluno identifique elementos de distintas culturas (europeias, afro-brasileiras, indígenas, mestiças etc.) e valorize sua

contribuição para a formação da cultura local e brasileira. Por fim, também possibilita a análise de diferentes fluxos populacionais e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

91


Orientações Após a leitura do texto, proponha um círculo de conversa para que os alunos apresentem as informações que consideram mais importantes no texto. Nesse momento, é importante esclarecer que não houve um processo de descobrimento do Brasil. As terras do continente americano já eram conhecidas pelos europeus antes da chegada dos primeiros portugueses ao Brasil. Tal informação é essencial para que os alunos entendam os interesses de Portugal na exploração dessas terras. Procure também orientar a conversa para que eles reflitam sobre como a exploração de recursos naturais trouxe grandes perdas ao território brasileiro. Comente que para a exploração da madeira, por exemplo, muitas áreas de floresta foram devastadas. Por fim, não deixe de conversar com a turma sobre o escambo, forma de negociação que os portugueses utilizavam para empregar a mão de obra dos povos nativos, os indígenas.

A Expansão Marítima europeia, ocorrida entre os séculos 15 e 16, foi um grande empreendimento comercial em que Portugal e Espanha se destacaram. Envolveu, entre outras questões, fatores econômicos, como a busca de novos produtos e novos mercados. Observe as principais rotas no mapa da página 154.

O comércio português

Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro

Em busca de uma nova rota marítima, em 1500 os portugueses chegaram pela primeira vez às terras que mais tarde seriam chamadas de Brasil, no atual continente americano. Alguns anos antes, em 1492, os espanhóis, em uma viagem sob o comando de Cristóvão Colombo, já haviam chegado a esse continente, na região atual das Bahamas, no Mar do Caribe. A viagem portuguesa contava com uma esquadra composta de 13 navios, comandada por Pedro Álvares Cabral. Eles saíram de Portugal em direção às Índias, na Ásia, e num desvio da rota original chegaram à região onde hoje se localiza a cidade de Porto Seguro, na Bahia. Essa nova terra era habitada por indígenas de diferentes grupos. Desde os primeiros contatos, ainda nos anos iniciais de exploração, os portugueses procuraram se informar se havia algo de valor comercial por lá. Inicialmente, porém, não encontraram metais e pedras preciosas, então começaram a explorar o pau-brasil, uma madeira de cor avermelhada utilizada na fabricação de corantes para tingir tecidos, por isso muito valorizada nos reinos europeus. Para cortar as árvores e transportar a madeira até os navios, os portugueses usaram o trabalho dos indígenas, dando-lhes, em troca, objetos como machados, espelhos e colares. Essa troca, que não envolve moeda, chama-se escambo. Utilizaram o mesmo sistema de feitorias instalado na costa africana, e os mercadores não precisavam fixar residência no território – eles apenas abasteciam seus navios e retornavam a Portugal. Caso a madeira se esgotasse, o local era abandonado. 9 Exploração do pau-brasil na costa brasileira. Litogravura de André Thevet, 1575. 92

Orientações Aproveite o debate sobre o escambo, a leitura e a imagem da página 93 para propor uma visita ao laboratório de informática, onde os alunos deverão pesquisar se atualmente, no Brasil, há relatos de trabalho escravo. Durante a pesquisa, é provável que eles encontrem textos jornalísticos que denunciam situações de serviço escravo no Brasil. Aproveite a oportunidade para comentar o valor que todo tipo 92

de trabalho tem e o direito de todo trabalhador ser recompensado verdadeiramente pelos serviços que presta. A troca de serviços prestados por um pagamento justo deve ser tema em sala de aula para que os alunos identifiquem as relações estabelecidas entre os povos do passado e aquelas desenvolvidas em tempos atuais.


Orientações Na continuidade da leitura do texto “O comércio português”, explore ainda mais o conteúdo solicitando aos alunos que destaquem as informações mais relevantes. Para isso, peça a eles que circulem no texto os produtos que representaram as primeiras fontes de exploração da colônia portuguesa no Brasil: o pau-brasil e a cana-de-açúcar. Solicite ainda que pintem no texto a passagem que explica a expressão “comércio de gente”. Aproveite, então, para conversar sobre esse tipo de atividade econômica e a vinda dos povos africanos ao país. Peça aos alunos que observem atentamente a pintura que acompanha o texto e comentem o relacionamento estabelecido entre portugueses e africanos. Indique como a imagem retrata o africano escravizado como uma mercadoria a ser negociada. Esse é o momento de dar início à discussão de um tema que será apresentado neste livro: a formação e constituição do povo brasileiro por três matrizes culturais: indígena, africana e europeia.

Coleção particular

Durante os anos de exploração do pau-brasil, extensas áreas de mata nativa foram devastadas. Após 1530, os portugueses começaram a colonizar a região, formando povoados e vilas. A partir de então, a exploração local ocorreu por meio da agricultura, com o cultivo de cana-de-açúcar, uma planta asiática que se adaptou muito bem ao solo e ao clima do litoral brasileiro, especialmente no nordeste. A exploração de pau-brasil ainda persistia, mas já era bem menor devido à escassez ocasionada pela exploração excessiva dos anos anteriores. Diante dessa realidade, os portugueses precisavam de uma nova mercadoria para comercializar. Também havia a necessidade de atrair pessoas para povoar o Brasil. Foi assim que começou a produção e o comércio de açúcar na colônia portuguesa da América. Diferentemente da exploração madeireira, a cana-de-açúcar necessitava de equipamentos e pessoas para cuidar do solo, o que fez os colonos fixarem moradia no Brasil. Muitos colonos passaram a residir no Brasil, e as vilas e cidades foram crescendo e se desenvolvendo em torno dos engenhos, locais onde se produzia o açúcar. Inicialmente, foi utilizada a mão de obra indígena, com os nativos sendo capturados e escravizados. Depois foram os africanos. Assim, além de vender pau-brasil, açúcar e outras mercadorias, os portugueses passaram a comercializar pessoas escravizadas. Para realizar esse “comércio de gente”, os portugueses compravam os africanos capturados em diferentes regiões da África, que eram escravizados e embarcados em navios contra sua vontade, para trabalhar em novas terras, como o Brasil. Os africanos escravizados eram comercializados em mercados de escravos e levados para diferentes regiões do Brasil, onde deveriam executar diversos trabalhos em lavouras, na produção do açúcar, na mineração e na pecuária, além de serviços domésticos.

9

Augustus Earle. Portão e mercado de escravos em Pernambuco, 1824. Óleo sobre tela, 45 cm 68 cm.

93

93


Orientações

Atividades Observe as imagens a seguir. Uma representa parte do território que formou o Brasil nas primeiras décadas de exploração portuguesa, e a outra é uma charge atual, feita em 2000 em comemoração aos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil. Após observá-las, responda às questões.

1

9

2

Giácomo Gastaldi. Brasil, c. 1544-1550. Gravura, 26,5 cm 36,5 cm.

9

8o Salão Universitário do Humor de Piracicaba.

a) Qual atividade é mostrada na imagem 1? Quem realizava esse trabalho? Exploração/retirada de pau-brasil. Os indígenas.

b) Por que os portugueses se interessaram pela mercadoria da imagem 1? Porque servia para fabricar corantes, e roupas tingidas tinham um grande valor comercial nos reinos europeus.

c) Por que essa atividade comercial não exigia que os colonos permanecessem na colônia portuguesa? Porque quem fazia o trabalho de cortar a madeira e transportá-la até os navios eram os indígenas. Depois que o pau-brasil se esgotava, os portugueses abandonavam o local.

d) O que a charge da imagem 2 ironiza? Relacione-a com a imagem 1 para explicar sua resposta. Ela ironiza a exploração do pau-brasil, mostrando a quase extinção dessa árvore por meio do desmatamento predatório representado na imagem 1. 94

Avaliação É importante que os alunos finalizem essa etapa do conteúdo cientes de que o território da colônia brasileira, para os portugueses, possuiu apenas caráter de exploração de recursos naturais para comercialização em outros países. Espera­‑se que essa ideia tenha ficado em evidência quando os alunos realizaram a leitura do texto “O comércio português” e discutiram a retirada do pau-brasil e seu envio para a Europa. De qualquer forma, procure enfatizá-la. 94

Kayser

1

Coleção particular

Aproveite a atividade para relembrar aos alunos o que é charge: um tipo de desenho geralmente de caráter humorístico acompanhado de um texto breve. A charge é elaborada para discutir, de maneira crítica, acontecimentos importantes relacionados à política, economia, diferentes relações estabelecidas entre os grupos sociais e fatos da atualidade. Após a explicação, procure apresentar a relação desse tipo de publicação com a História. Explique que as charges, por tratarem de fatos atuais, representam um período histórico e podem ser consideradas fontes históricas. Se possível, traga para a sala de aula outras charges vinculadas a jornais locais para que os alunos observem os temas que estão sendo discutidos no momento e a relevância que eles possuem para a comunidade em que estão inseridos. Depois dessa apresentação e da resolução da atividade 1, proponha a criação de uma charge sobre o escambo e a relação de trabalho estabelecidos entre portugueses e indígenas, tema já estudado pelos alunos. Dessa forma, será possível observar se todos eles identificam as práticas de exploração utilizadas pelos europeus durante o início da colonização do território brasileiro. Para composição da charge, ofereça uma folha de sulfite. Ao final, sugira a confecção de um painel dentro da sala de aula para que os desenhos sejam apresentados.

Após essa constatação, conclua que, num primeiro momento, não houve intenção de povoar o espaço brasileiro, pois toda retirada de madeira era feita pelos indígenas e logo que os navios eram carregados, seguiam para Portugal. No entanto, com o cultivo da cana, houve necessidade de ocupar os territórios como forma de controle dos trabalhadores escravizados.


Orientações 2

Respostas

Observe o mapa da página 154 e responda: O que é mostrado nesse mapa?

3. Espera-se que os alunos mencionem que os mapas assemelham-se, pois ambos mostram rotas comerciais, mas também se diferenciam, pois, no mapa da página 154, as rotas indicam lugares mais distantes. Esses caminhos foram muito importantes, pois proporcionaram uma nova dinâmica comercial e o conhecimento de novos territórios. E entre os impactos possíveis, os alunos podem ainda listar questões específicas, ligadas à escravização indígena e africana.

As principais rotas europeias para diferentes lugares do mundo entre os séculos 15 e 16.

3

Considerando o mapa da página 154 e o da página 156, escreva no caderno um pequeno texto que responda às seguintes questões: � Em que esses mapas se assemelham? Em que se diferenciam? � Qual é a importância dos caminhos marítimos mostrados no mapa da página 154? � Como as mudanças nas rotas comerciais e nos contatos podem ter alterado a vida dos povos da época nos diferentes lugares mostrados no mapa da página 154? Levante hipóteses no texto.

4

Observe os anúncios de jornais do século 19 e responda às perguntas no caderno.

Acha-se fugido um mulato cabra de nome Raymundo Patricio, official de pedreiro e barbeiro, foi remettido do Pará em abril de 1859 pelo Sr. Manoel Joaquim de Faria, o qual foi aqui vendido ao Sr. Feliciano José Gomes, e este senhor vendeu ultimamente ao Sr. Francisco Mathias Pereira da Costa; tem os seguintes signaes: estatura regular, bastante grosso e barbado, olhos amarellados, falla com desembaraço, representa ter 35 a 40 annos: roga-se as autoridades policiaes a sua apprehensão; e quem o pegar,

4. a) Aos trabalhadores escravizados. Os anúncios serviam para divulgar informações sobre escravizados, como a fuga e a recompensa pela captura, assim como aluguel de escravizados.

dirija-se ao engenho Guerra, em Ipojuca, ou a rua do Apollo n. 30, escriptorio de Manoel Gouveia de Souza, que será generosamente recompensado. [...] A pessoa que tiver escravos e quizer alugar para trabalhar na estrada de ferro, pagando-se mil réis por dia, ou mesmo gente forra que se queira a sujeitar, dirija-se a rua estreita do Rosario n. 23, segundo andar.

b) Espera-se que os alunos façam referência ao período da escravidão, quando os escravos eram tratados como mercadorias que podiam ser compradas, vendidas e alugadas.

Gilberto Freyre. Os escravos nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX. São Paulo: Global. 2010. p. 90 e 85.

c) Atualmente são relacionados a bens materiais, serviços ou ofertas de emprego. No período da escravidão, os escravos eram tratados como mercadorias e, portanto, anunciados como tal.

a) A que se referem esses anúncios? Para que eles serviam? b) Quais informações sobre o período de escravidão podem ser identificadas com base nesses anúncios? c) Atualmente os anúncios de jornais impresso ou de internet estão relacionados a que assuntos? Em que esses anúncios são semelhantes ou diferentes dos anúncios do texto? 95

Olhar interdisciplinar Língua Portuguesa Esta atividade visa a um melhor entendimento dos textos, visto que apresentam uma grafia do século 19 e alguns termos pouco usados atualmente.

1. Algumas palavras dos anúncios diferem da grafia que usamos hoje. Pesquise como são escritas essas palavras atualmente. Depois, reescreva os anúncios de jornal usando a grafia atual das palavras, modificando os termos que considerar pouco comuns.

95


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Ocupação do interior do

4

Brasil no Período Colonial. •• Mineração no Brasil Colonial. •• Migração para a região mineradora e formação de cidades. •• Tropeirismo e comércio na região mineradora. •• Histórico da configuração geográfica do Brasil.

A ocupação do interior

Você conhece o Brasil? O Brasil nem sempre teve esse formato, com os limites territoriais e as divisões atuais. Trata-se de uma longa história, que já tem mais de 500 anos. Você conhece o Brasil? Teste seu conhecimento completando a imagem a seguir. Inicie buscando e nomeando o estado em que você mora. Depois nomeie os estados vizinhos e aqueles que você já conhece ou dos quais sabe o nome, até identificar todos.

Orientações

©DAE/Alessandro Passos da Costa

A atividade proposta na abertura do capítulo tem como objetivo a identificação dos estados brasileiros partindo do conhecimento que o aluno possui do estado em que mora. Durante a realização da atividade, circule pela sala de aula a fim de verificar se os alunos conseguem reconhecer o seu estado entre os outros estados do Brasil. Ao final, proponha o compartilhamento dos conhecimentos registrados, corrigindo eventuais equívocos e complementando as informações. Se necessário, apresente um mapa político do Brasil e refaça coletivamente a atividade. Esta atividade pode ser realizada de forma interdisciplinar com Geografia.

96

Desenvolvendo habilidades

96

EF04HI05 Neste capítulo, as leituras sobre a ocupação do terri-

EF04HI06 , EF04HI09 e EF04HI10  Com a leitura dos textos

tório brasileiro se ampliam e os alunos podem relacionar os processos de ocupação do interior do Brasil às intervenções na natureza que essa ocupação ocasionou.

“Do litoral para o interior” e “A mineração e o povoamento”, os alunos podem identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias e as motivações dos processos migratórios, além de avaliar o papel desempenhado pela migração nas regiões de destino e as contribuições que os diferentes fluxos populacionais deram para a formação da sociedade brasileira.


Orientações

Do litoral para o interior

Aproveite o texto, que identifica os indígenas como pertencentes a diferentes grupos étnicos, para conversar com os alunos sobre o trabalho dos jesuítas na época. Com o objetivo de disseminar a fé católica pelo mundo, além de oferecer proteção aos indígenas, eles realizavam a catequização, que acabava dissipando a diversidade cultural e a religiosidade das populações nativas. Após a conversa, proponha uma pesquisa sobre os diversos aspectos da religiosidade indígena. Explique à turma que os povos nativos possuíam diferentes crenças, entre elas a de que os fenômenos naturais poderiam simbolizar deuses, por exemplo o Deus da noite e o Deus da chuva. Instrua-os a buscar mitos e lendas e localizar o grupo étnico que os criou.

Museu Paulista da Universidade de São Paulo, São Paulo

Até o final do século 16, a população luso-brasileira estava concentrada no litoral do Brasil. O interior era habitado, em sua maior parte, por indígenas de diferentes grupos étnicos. Alguns deles eram originários dessas regiões, e outros se deslocaram para lá após serem expulsos do litoral pela colonização portuguesa. A partir desse período, de diferentes maneiras e por ações de diferentes grupos, iniciou-se o povoamento do interior. Assim, com o passar dos anos, as fronteiras foram sendo desenhadas até chegar à configuração que temos hoje. No início do século 17, as regiões mais distantes do litoGlossário ral, localizadas na porção nordeste do território, começaram a ser ocupadas com atividades de criação de gado e extração Matéria-prima: matéria retirada da natureza de matérias-primas, como cacau, canela, anis, gergelim, utilizada para fabricar entre outras. algum produto. Nas atuais regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul foram formadas missões jesuíticas, onde os padres da Companhia de Jesus fundavam aldeamentos indígenas no quais ensinavam os princípios de sua religião. Nesses aldeamentos os nativos estavam protegidos da escravização. Entre os grupos que contribuíram para a exploração do interior estão os bandeirantes, que participavam de expedições rumo ao interior para procurar metais preciosos, bem como capturar e escravizar indígenas. Geralmente, essas expedições partiam da Vila de São Paulo de Piratininga, a atual cidade de São Paulo, para várias direções interioranas. Por onde passaram, esses grupos ampliaram o território, sendo responsáveis pela descoberta de ouro e pela fundação de diversos povoados e vilas. Por outro lado, foram responsáveis também por acabar com muitos grupos indígenas.



Almeida Júnior. A partida da monção, 1897. Óleo sobre tela, 6,64 m 3,9 m. As monções eram expedições fluviais com o objetivo de abastecer as regiões do interior, buscar ouro e transportar metais preciosos da região onde hoje é Cuiabá, capital de Mato Grosso.

97

EF04HI07 No decorrer dos textos, os alunos têm a oportunidade

EF04HI11  Por meio do conteúdo apresentado até este capí-

de identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres e fluviais para a dinâmica da vida comercial no Brasil na época da mineração e ocupação do interior do Brasil colonial.

tulo, os alunos podem constatar que a sociedade brasileira é formada por elementos de diferentes culturas, graças a processos migratórios distintos. Eles podem observar seus lugares de vivência a fim de conhecer e valorizar essa diversidade.

97


Orientações

A mineração e o povoamento

Proposta de atividades

Durante todo o Período Colonial brasileiro, a produção de açúcar foi uma atividade econômica muito importante. Os comerciantes portugueses tinham um bom lucro com a venda desse produto na Europa. Para cultivá-lo, muitos portugueses vieram morar no Brasil; com isso, povoados, vilas e cidades foram sendo formados no entorno dos engenhos, principalmente na atual Região Nordeste. A prosperidade econômica proporcionada pela cana-de-açúcar começou a entrar em queda ao final do século 17, quando os holandeses deram início à produção de açúcar na América Central. A concorrência fez o preço do produto abaixar muito, e, consequentemente, os lucros também diminuíram. Desde o início da colonização, os portugueses buscaram formas de explorar a colônia e fazer com que as atividades aqui realizadas gerassem lucros para a metrópole. Por isso, a busca por ouro e metais preciosos sempre foi constante, e muitas rotas terrestres e fluviais foram abertas para procurar essas riquezas. Na década de 1690 começaram a aparecer notícias da descoberta de ouro no interior do Brasil, na região onde hoje é o estado de Minas Gerais. Para a Coroa Portuguesa, encontrar ouro significava uma possibilidade de superar a então crise econômica do reino, voltando a ter bons lucros com a colônia. A notícia da descoberta de ouro na região mineira provocou um grande e acelerado fluxo migratório de colonos para lá, que chegavam vindos de outras regiões da colônia e de Portugal. Todos desejavam enriquecer com o garimpo; assim surgiram novas formas de organização social, novas leis e novas relações de trabalho na região mineradora.

Faça a leitura de todo o texto “A mineração e o povoamento” enfatizando os elementos explorados pela Coroa portuguesa que levaram ao povoamento do território brasileiro: a cana­ ‑de-açúcar e a mineração. Para enriquecer a discussão, copie na lousa as seguintes questões:

Museu Paulista da Universidade de São Paulo, São Paulo

1. O que fez com que os portugueses buscassem outras formas de exploração do território, após a bem-sucedida exploração do cultivo da cana-de-açúcar? O cultivo em outras áreas do continente americano pelos holandeses fez com que o preço do açúcar na Europa diminuísse, e Portugal perdesse parte de seu lucro. Com isso, a Coroa passou a explorar o ouro e outros minérios. 2. Em sua opinião, ainda existe ouro na região de Minas Gerais? Espera-se que os alunos concluam que, pela grande exploração realizada após a chegada dos portugueses, é possível afirmar que restou pouco ouro na região. 3. Que consequências a exploração da mineração trouxe para a natureza? Muitas áreas naturais deram espaço às vilas e às cidades. Esse processo de intervenção na natureza prejudicou a fauna e a flora existentes.

9

Oscar Pereira da Silva. Entrada para as minas, 1920. Óleo sobre tela, 86 cm 126 cm. Nesta imagem, criada anos após o acontecimento retratado, o pintor procura mostrar a intensa migração para a região mineira, principalmente durante o século 18.

98

Orientações Proposta de atividade O plantio da cana e sua transformação em um produto para comercialização na Europa garantiu à Coroa portuguesa muitas riquezas, pois o açúcar sempre foi um artigo valioso de consumo em diferentes culturas. Aproveite a oportunidade para propor uma pesquisa sobre o uso desse alimento ao longo da história. 98


Orientações De acordo com as leis portuguesas, todo local onde Glossário se encontrava ouro, metais e pedras preciosas era propriedade da Metrópole. Nesses locais os funcionários do Período Colonial: período no qual o território Reino Português organizavam a atividade mineradora, brasileiro fez parte do distribuindo mais terras a quem tivesse maior número de Império Português, entre os escravos para explorá-las. anos de 1500 e 1822. Metrópole: território A expansão da atividade mineradora trouxe várias muque centraliza o poder danças para a sociedade colonial, entre elas: administrativo. Por exemplo, no Período Colonial, � a intensificação do povoamento na região das minas, Portugal era a metrópole tanto de colonos livres como de escravos; a quem o Brasil, a colônia, estava sujeito. � a abertura de novos caminhos em direção ao interior. O Rio de Janeiro, mais próximo das minas, tornou-se a nova sede administrativa da colônia em 1763, tal era a importância da mineração para a economia colonial; � o desenvolvimento de atividades agrícolas no interior para complementar o abastecimento da região das minas, que sempre dependia de alimentos trazidos de longe; � uma maior integração entre as diferentes capitanias da América portuguesa, que antes da extração do ouro eram relativamente isoladas umas das outras; � o surgimento de um novo tipo de colonização, predominantemente urbano, em contraste com a sociedade rural anterior, que havia se formado no litoral devido à produção de açúcar. Museu da Inconfidência, Ouro Preto

Proposta de atividade

9

Com os estudos desenvolvidos até o momento, é possível traçar uma linha do tempo que permita aos alunos organizar alguns fatos históricos cronologicamente. Proponha a eles a construção dessa linha. Para isso, peça-lhes que retomem textos anteriores para buscar datas importantes: “O comércio português”, na página 92, e “A mineração e o povoamento”, na página 98. É importante que localizem os seguintes marcos: 1492 (viagem de Cristóvão Colombo ao continente americano); 1500 (chegada dos primeiros portugueses ao Brasil); 1530 (início da colonização e surgimento dos primeiros povoados); 1690 (descoberta de ouro nas regiões do interior do Brasil); e 1763 (Rio de Janeiro torna-se sede administrativa da Colônia). Finalizado o exercício, explique aos alunos que existem lacunas temporais que serão estudadas em outros momentos.

Arnaud Julien Palliére. Vista de Vila Rica, 1820. Óleo sobre tela, 36,5 cm 96,8 cm. Com o tempo, as vilas e os povoados mineiros que foram se formando devido à chegada de muitas pessoas à região mineradora cresceram e deram origem a alguns dos municípios mineiros que existem atualmente.

99

99


Orientações

Tropeirismo e comércio nas minas

Proposta de atividade

Naquela época, o ouro e as pedras preciosas encontrados em Minas Gerais eram levados ao Rio de Janeiro e de lá enviados à Europa. Por ter atraído muita gente, a atividade mineradora causou problemas de abastecimento na região. Explorar metais e pedras preciosas era mais lucrativo aos mineradores que plantar ou criar animais destinados ao consumo e ao transporte. Isso fez com que os tropeiros, em número cada vez maior, transportassem da região onde hoje é o estado do Rio Grande do Sul para as minas mercadorias como carne-seca, mulas e cavalos. Outros tropeiros saíam do Recife e de Salvador por rotas fluviais ou terrestres, respectivamente, pelo Rio São Francisco ou às margens dele, abastecendo a região mineradora com açúcar, aguardente, tabaco, escravos e outras mercadorias. Ao longo de todos os caminhos, progressivamente foram surgindo povoados, que depois deram origem a várias cidades nos estados do sul do Brasil. Além das mercadorias e dos animais comercializados, os tropeiros levavam cartas e bilhetes a serem entregues a pessoas que moravam em cidades por onde eles passavam. Podemos perceber, portanto, que o tropeirismo foi um importante fator de integração entre as diferentes regiões brasileiras. A criação de gado no sul, ligada ao movimento dos tropeiros, contribuiu para alargar a fronteira da colônia, pois os colonos foram estendendo os pastos cada vez mais, ocupando regiões que, na época, pertenciam ao Reino da Espanha. In: Viagem Pitoresca Através do Brasil

Após a leitura do texto, retome a importância dos tropeiros para o abastecimento de vilas no Brasil colonial. Solicite aos alunos que circulem no texto os itens comercializados por eles. Em seguida, proponha a produção de uma história em quadrinhos que retrate uma viagem de um grupo de tropeiros de uma cidade a outra levando produtos para comercialização. Para isso, ofereça uma folha de sulfite e instrua-os a dividi-la em seis partes iguais para que os seguintes elementos apareçam: rota de viagem (terrestre ou fluvial); mercadorias existentes; parada em uma vila para negociações comerciais; troca cultural; compra de novas mercadorias; continuidade da viagem para outro destino. Se julgar interessante, organize todas as produções num livro.

9

Johann Moritz Rugendas. Caravana de negociantes indo para Tejuco, 1835. Litogravura colorizada, 23 cm   31,5 cm. Além de abastecer a região mineradora, os tropeiros também transportavam o ouro até o porto do Rio de Janeiro.

100

Orientações A exploração da mineração rendeu ao reino português muitas riquezas. Para a colônia, pouco dela restou. Porém, é possível encontrar diversas obras de arte que utilizam o ouro em sua composição na região de Minas Gerais. Aproveite o assunto para comentá-las com os alunos. Se preferir, selecione

100

antecipadamente imagens que ilustrem a arte barroca presente em Ouro Preto e nas cidades próximas às áreas de exploração do ouro. Como sugestão, procure apresentar à turma os artistas Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde.


Orientações Antes de analisar os mapas, explique aos alunos a divisão pelo Tratado de Tordesilhas.

Direto da fonte Colonização da América Portuguesa

Respostas

O avanço rumo ao interior nas diferentes regiões também contribuiu para que o território português na América fosse aos poucos adquirindo dimensões muito semelhantes ao Brasil atual. Observe os mapas e, depois, faça o que se pede: Século 16

1. Espera-se que os alunos percebam que no século 16 a ocupação era predominantemente litorânea sem ocupação além dessas áreas.

Século 17 60°O

60°O

NORTE

NORTE

Equador

2. Espera-se que os alunos percebam que o movimento de ocupação se expandiu no século 17 em direção ao interior do território.

Áreas sob a influência das cidades e vilas Áreas conhecidas e povoadas de maneira relativamente estável, mas sem nenhuma vila ou cidade Cidades ou vilas 1536 Ano de fundação

Belém (1616)

São Luís (1612)

Meridiano de Tordesilhas

SUL

Filipeia (1585) Igaraçu (1536) Olinda (1537) Terras pertencentes

a Portugal

Ilhéus (1536) Santa Cruz (1536) Porto Seguro (1535)

Terras pertencentes à Espanha

São Cristóvão (1590) Salvador (1549)

Paraíba Olinda

Terras pertencentes a Portugal Salvador

OCEANO ATLÂNTICO

Áreas sob a influência das cidades e vilas

São Paulo (1558) Rio de Janeiro (1566) São Vicente (1532) Santos (1545) Cananeia (1600) Itanhaém (1561)

751

3. As áreas de povoamento se espalharam por todo o território, ao sul, ao norte e para o interior em todas as direções.

OCEANO ATLÂNTICO

Vitória (1551) Espírito Santo (1551)

0

Meridiano de Tordesilhas

Natal (1599)

SUL Terras pertencentes à Espanha

LESTE

OESTE

Mapas: © DAE/Sonia Vaz

Equador

LESTE

OESTE

Cabo Frio (1616) Rio de Janeiro

Áreas conhecidas e povoadas de maneira relativamente estável, mas sem nenhuma vila ou cidade

1502 km

Cidades

1 cm : 751 km

0

Vilas

751

1502 km

1 cm : 751 km

1616 Ano de fundação

4. O mapa que mostra o povoamento do século 18.

1 Descreva a colonização Século 18 do Brasil no século 16.

2 Que direção o povoa-

60°O

Equador

3 Explique o mapa refe-

rente à colonização do século 18.

4 Compare esses mapas

com o da página 96. Qual deles mais se aproxima ao formato atual do Brasil?

São Luís

Belém

mento tomou a partir do século 17?

Oerias (1761)

NORTE

Paraíba Olinda

LESTE

OESTE

Salvador

SUL

Áreas sob a influência das cidades e vilas Áreas conhecidas e povoadas de maneira relativamente estável, mas sem nenhuma vila ou cidade Cidades

OCEANO ATLÂNTICO Mariana (1745) São Paulo (1711)

Cabo Frio Rio de Janeiro

Vilas

1711 Ano de fundação Fronteiras definidas em 1750

0

621

1242 km

1 cm : 621 km

Fontes dos mapas: Sérgio B. de Holanda (Org.). História geral da civilização brasileira. 4. ed. São Paulo: Difel, s.d. tomo I. v. I; Flavio de Campos; Miriam Dolhnikoff. Atlas História do Brasil. 3. ed. São Paulo: Scipione, 2006.

101

101


Orientações

Atividades

Leia o texto e comente que é um trecho do livro do padre jesuíta italiano André João Antonil, um observador da colônia portuguesa na América que relata em seus escritos as condições sociais e econômicas do Brasil no início do século 18. Assim, esse livro é uma fonte histórica que fornece informações sobre um período da História do Brasil.

1

O texto a seguir foi escrito por um religioso jesuíta que viveu no Brasil entre o final do século 17 e início do 18. Leia-o e depois faça o que se pede. A sede insaciável do ouro estimulou a tantos deixarem suas terras e a meterem-se por caminhos tão ásperos como são os das minas, que dificultosamente se poderá dar conta do número das pessoas que atualmente lá estão. Contudo, os que assistiram nela nestes últimos anos por largo tempo, e as correram todas, dizem que mais de trinta mil almas se ocupam, umas a catar, e outras a mandar catar nos ribeiros do ouro, e outras a negociar, vendendo e comprando o que se há mister não só para a vida, mas para o regalo, mais que nos portos do mar. Cada ano, vêm nas frotas quantidade de portugueses e de estrangeiros, para passarem às minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos e pretos, e muitos índios, de que os paulistas se servem. A mistura é de toda a condição de pessoas: homens e mulheres, moços e velhos, pobres e ricos, nobres e plebeus, seculares e clérigos, e religiosos de diversos institutos, muitos dos quais não têm no Brasil convento nem casa. André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil. 3. ed. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1982. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000026.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2018.

a) Qual é o assunto do texto? O aumento populacional no Brasil, principalmente na região das minas.

b) Por que, no século 18, as pessoas se interessavam em migrar para a região das Minas Gerais? Porque havia a possibilidade de enriquecer com a descoberta e mineração de ouro e pedras preciosas.

c) Com base no texto e nas informações anteriores, cite duas transformações causadas pela mineração naquele período. Os alunos podem mencionar que houve grande fluxo de pessoas para a região das minas, surgiram vilas e povoados que depois viraram cidades, e desenvolveram-se novas atividades econômicas, entre elas, o comércio.

d) Observando as imagens das páginas 98 e 100 e com base nas informações do texto, responda: Qual tipo de rota era usado pelos mineradores e comerciantes? Rotas terrestres. 102

Orientações Os historiadores buscam diferentes vestígios e fontes históricas para estudar os acontecimentos do passado. As pinturas também podem ser consideradas fontes de maiores detalhes sobre um período histórico. Para que os alunos tenham conhecimento disso, apresente na sala de aula fotografias de obras que retratem o período da história do Brasil estudado neste capítulo, incentivando-os a procurar semelhanças e diferenças na forma como os acontecimentos e marcos históricos são retratados. Como sugestão para busca de imagens, localize obras 102

de Johann Moritz Rugendas, como Venda no Recife, Capoeira, Porto de Estrela, Habitantes de Minas e Baía dos mineiros. Depois de selecionar as pinturas, apresente-as aos alunos e peça a eles que identifiquem a presença de africanos escravizados, indígenas e europeus. Reforce a ideia de que os povos africanos também são considerados imigrantes, embora a vinda deles para o Brasil tenha sido forçada. Por fim, solicite a eles que identifiquem, nas imagens, as diferentes atividades econômicas e culturais existentes nesse momento histórico.


Orientações Respostas

In: Viagem pitoresca ao Brasil. Coleção particular

1

2

9

9

Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro

Observe as imagens e responda às questões.

2

Carlos Julião. Negras vendedoras no Rio de Janeiro, c. 1776. Aquarela.

4. d) Espera-se que os alunos percebam que os povos escravizados não eram os beneficiários da exploração dos minérios, inclusive do ouro. Essa discussão pode favorecer a reflexão sobre as desigualdades no Brasil, originadas pela exploração de mão de obra escrava e pelas pouquíssimas oportunidades que os povos de origem africana tiveram no país.

Johann Moritz Rugendas. Lavagem de ouro, c. 18221825. Aquarela, 28,5 cm × 20,5 cm.

a) Quem são as pessoas que aparecem nas imagens? Que trabalho elas estão fazendo? São homens e mulheres escravizados. Na imagem 1 estão explorando ouro, e na 2 estão vendendo produtos.

b) Qual é a importância desses trabalhadores para o contexto da região das minas daquele período? Os trabalhadores da imagem 1 eram mineradores, função muito importante na extração do ouro e de metais dentro dos longos túneis das minas. Já os vendedores da imagem 2 auxiliavam os moradores vendendo produtos para suprir suas necessidades.

c) Na imagem 2, em quais locais as pessoas podem estar trabalhando? Explique. Provavelmente na rua, pois não aparece nenhum estabelecimento, e elas estão carregando os produtos.

d) No período retratado nas imagens, eram essas pessoas que gozavam da riqueza obtida com a mineração? A quem se destinava essa riqueza? Converse com os colegas e o professor e, juntos, elaborem hipóteses para responder a essa questão. 103

103


Orientações Aproveite a reflexão para concluir que, por conta desse pensamento, as comunidades indígenas acreditavam que, se preservada, a natureza estaria sempre oferecendo os elementos de que precisam para viver. Por fim, informe à turma que atualmente existem leis de proteção ambiental a terras ocupadas por aldeias com o objetivo de garantir o direito dos indígenas de viver de acordo com seus costumes e tradições, utilizando os recursos naturais necessários a sua sobrevivência.

Hora da leitura Uma viagem feita à terra Brasil Jean de Léry foi um francês que no século 16 visitou as terras brasileiras e, com os relatos dessa experiência, escreveu o livro História de uma viagem feita à terra do Brasil, que se destaca pela descrição da flora e da fauna brasileiras, assim como pela análise da vida dos indígenas da época. Certa vez, Jean de Léry conversou com um indígena sobre o comércio de pau-brasil. Leia o texto em que ele transcreve esse diálogo:

Os nossos tupinambás muito se admiram do trabalho a que se dão os europeus para a posse do arabutan [pau-brasil]. Certa vez um velho índio perguntou-me: – Que significa isso de virdes vós outros, peros [portugueses] e maíres [franceses], buscar tão longe lenha para vos aquecer? Não a tendes por lá em vossa terra? Respondi que tínhamos lenha, e muita, mas não daquele pau, e que não o queimávamos, como ele supunha, mas dele extraíamos tinta para tingir. Retrucou o velho: – E porventura precisais de tanto pau-brasil? – Sim – respondi –, pois em nosso país existem negociantes que têm mais panos, facas, tesouras, espelhos e mais coisas do que vós aqui podeis supor e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. – Ah! Tu me contas maravilhas – disse o velho e acrescentou, depois de alcançar bem o que eu dissera: – Mas esse homem rico não morre? – Sim, morre como os outros. – E quando morre para quem fica o que é dele? – Para seus filhos, se os tem, e, na falta, para os irmãos ou parentes próximos. – Na verdade – continuou o velho, que não era nada tolo – agora vejo que vós, maíres, sois uns grandes loucos, pois que atravessais o mar com grandes incômodos, como dizeis, e trabalhais tanto a fim de amontoardes riquezas para os filhos e parentes! A terra que vos alimentou não é suficiente para alimentá-los a eles? Nós aqui também temos filhos, a quem amamos, mas como estamos certos de após nossa morte a terra que nos nutriu os nutrirá também, cá descansamos sem o mínimo cuidado.

Resposta 1. De acordo com o texto, a ideia principal refere-se aos indígenas que acreditavam que a terra era fonte de recursos para sua sobrevivência, e não fonte de riqueza. Ele entendiam que morreriam e que não precisavam, portanto, deixar a seus filhos nada além do sustento que provém da natureza. A diferença entre eles e os europeus, da época destacada no texto, é que estes tinham um grande interesse em acumular riquezas para deixar de herança ou para outros propósitos.

Jean de Léry. História de uma viagem feita à terra do Brasil. In: Inês da Conceição Inácio e Tânia Regina de Luca. Documentos do Brasil Colonial. São Paulo: Ática, 1993. p. 39-41.

1

De acordo com o texto, qual é a diferença entre a visão dos indígenas e a dos estrangeiros sobre acumulação de riquezas?

104

Olhar interdisciplinar Artes Aproveite a reflexão suscitada pelo texto apresentado na seção Hora da leitura para apresentar o artesanato indígena, que é produzido com materiais acessíveis na natureza, seguindo a crença de que a terra concede tudo de que necessitam. Como

104

sugestão, apresente imagens de vasos e utensílios de argila, de colares feitos de sementes, de objetos feitos de palha etc. Incentive os alunos a observar os artesanatos e também os materiais que deram origem a eles.


Orientações

HISTÓRIA em ação

Numismática – o estudo das moedas

Granger/Fotoarena

Granger/Fotoarena

A troca de bens ou serviços por moedas é uma convenção que começou provavelmente no século 7 a.C. As moedas facilitaram o comércio. Para estipular diferentes valores e dar uma identidade visual a elas, costuma-se gravar no metal informações apropriadas à sociedade que a produz. Foi dessa forma que as moedas tornaram-se fontes históricas, pois elas trazem dados sobre a população que as utiliza. A ciência que estuda o significado das moedas chama-se Numismática. Observe as moedas a seguir:

Moeda grega, século 6 a.C.

9

Olhar interdisciplinar

Moeda romana, século 4.

Povarov/Dreamstime.com

Museu de Valores do Banco Central do Brasil, Brasília. Foto: Romulo Fialdini/Tempo Composto

9

Moeda estadunidense, 1851.

9

Moeda brasileira, 1729.

9

Moeda cubana, 1992.

9

Moeda de euro da Letônia, 2014.

Yaroslaff/Shutterstock.com

Andreylobachev/Dreamstime.com

9

Aproveite a seção História em ação para sugerir aos alunos que façam uma pesquisa sobre as moedas já existentes no Brasil. Oriente a pesquisa no laboratório de informática com o objetivo de apresentar a eles informações sobre as moedas e imagens delas, ampliando o conhecimento sobre o tema. Espera-se que eles encontrem a seguinte lista de moedas brasileiras: réis, mil réis, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzeiro real e real. É importante que eles concluam que, desde 1994, o Brasil adota o real como moeda oficial.

Matemática Proponha uma atividade na qual os alunos possam representar ações – como fazer compras e contar o troco – e refletir sobre o valor que o dinheiro tem nas relações de troca de serviços e mercadorias por valores financeiros. Por fim, enfatize que atualmente as interações comerciais não são realizadas apenas com notas e moedas, pois já é possível realizar essas transações por meio eletrônico.

105

105


Orientações

Revendo o que aprendi

As atividades da seção Revendo o que aprendi têm o intuito tanto de relembrar o que foi estudado ao longo da unidade, como também possibilitar àqueles que demonstraram dificuldades em construir algum conceito que tenham a chance de retomá-lo e enfim compreendê-lo. Por isso, retome com os alunos a importância que as rotas, desde a Antiguidade e também no Brasil Colônia, tiveram na ampliação das atividades comerciais entre as cidades e no desenvolvimento de novas relações sociais e de trocas culturais entre os povos.

1

Leia o texto a seguir e faça o que se pede. As origens da Lapa remontam aos primórdios do povoamento de São Paulo de Piratininga. [...] [...] Em 1805, período de incremento da produção de cana-de-açúcar, todo o movimento de tropas da rota que ligava a Vila de Itu a São Paulo e litoral foi desviado em razão das péssimas condições da ponte sobre o Rio Pinheiros. Aproveitou-se, então, a comodidade da ponte do Sítio do Coronel Anastácio de Freitas Troncoso. A qualidade do barro nas margens do Rio Tietê favoreceu em meados do século XIX o desenvolvimento de algumas olarias e o crescimento do povoado, reforçando a urbanização do bairro que começava a tornar-se industrial. [...] Origem da Lapa remonta aos primórdios do povoamento de São Paulo de Piratininga. Prefeitura de São Paulo, 27 out. 2009. Disponível em: <www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/ regionais/lapa/historico/index.php?p=328>. Acesso em: 13 out. 2017.

a) Quais são as atividades econômicas mencionadas no texto? Produção de açúcar e cerâmica (olarias).

b) Explique a importância do comércio para o crescimento do bairro da Lapa, em São Paulo. Com o desenvolvimento do comércio, novos caminhos foram abertos pelos tropeiros, que traziam produtos. Assim, foram tomando forma novas localidades, como o bairro da Lapa, que começou a desenvolver suas olarias por causa da boa qualidade do barro das margens do Tietê.

2

Assinale as alternativas relacionadas à expansão do comércio. X

Crescimento das cidades. Diminuição das áreas urbanas.

X

Deslocamento de pessoas e mercadorias.

X

Descoberta de outros povos e outras culturas. Exclusão do dinheiro nas transações comerciais.

106

Orientações Neste momento, é interessante cada vez mais comparar o conteúdo desenvolvido na unidade com a realidade dos alunos. Como sugestão, faça um levantamento dos bairros onde eles moram. É possível que muitos deles vivam no mesmo bairro. Se isso ocorrer, procure resumir essa informação em forma de gráfico de barras para que os alunos consigam visualizar essa semelhança. Então, proponha àqueles que vivem no mesmo 106

bairro ou comunidade que realizem um levantamento das características mais importantes do local em que vivem. Essa atividade possibilita aos alunos se perceberem como integrantes de uma comunidade e avaliarem criticamente o local em que vivem, inclusive percebendo-se capazes de sugerir ideias que o modifiquem.


3

DEA/G. DAGLI ORTI/De Agostini/Getty Images

Orientações Observe a imagem e faça o que se pede. a) Que tipo de escrita é essa? Explique. Escrita pictográfica, em que desenhos e símbolos estilizados representavam objetos e seres. 9

Tábua de escrita cuneiforme suméria, século 3 a.C.

b) Cite exemplos de uso atual desse tipo de escrita. Placas de sinalização, emojis etc.

4

Explique o que é: a) transporte marítimo – Transporte feito em embarcações que navegam sobre mares e oceanos.

b) transporte terrestre – Transporte feito em estradas terrestres ou ferroviárias por meio de veículos, no lombo de animais de carga, ou mesmo a pé.

c) transporte fluvial – Transporte feito em embarcações que navegam nos rios.

Observe a imagem a seguir e faça o que se pede.

Biblioteca Estense e Universitária, Modena

5

Proposta de atividade A retomada de conteúdo proposta na seção Revendo o que aprendi é necessária para que os alunos percebam que as ações humanas, em diferentes tempos e espaços, podem apresentar semelhanças. Os alunos, por exemplo, já compreenderam como se deu o processo de formação das primeiras vilas e cidades no Brasil colonial. Agora, com esse conhecimento, estimule-os a comparar esse conteúdo à realidade deles. Para isso, proponha a eles que pesquisem o processo de surgimento da cidade onde moram. Instrua-os a buscar em casa informações sobre a formação dos bairros e da cidade com os familiares ou conhecidos mais velhos. Depois, peça a eles que tragam para a sala de aula as descobertas relacionadas à fundação da cidade e à existência de imigrantes que contribuíram para o desenvolvimento das atividades econômicas e culturais.

Respostas 9

5. b) Espera-se que os alunos mencionem que, até o século 15, os europeus desconheciam algumas partes do mundo, por exemplo, as Américas.

Anônimo. Carta de Cantino, 1502. Manuscrito iluminado sobre pergaminho, 1,05 m × 2,2 m.

a) Em que ano foi criada a Carta de Cantino? Em 1502. b) Elabore uma hipótese para explicar por que esse mapa não representa todos os continentes do planeta. 107

107


Orientações Proposta de atividade

99

Como atividade final, solicite a composição de um livro que tenha como título O mundo em movimento, que também é o título de abertura desta unidade. Sugira que o livro tenha seis páginas para que, em cada uma delas, os alunos representem os temas mais importantes estudados na unidade, de acordo com suas impressões e interesses. É possível que os temas não sejam iguais para todos os alunos, então verifique o que de fato foi mais relevante para cada um. Proponha aos alunos que utilizem recortes de jornais e revistas para ilustrar o livro. Se quiserem, eles também podem fazer os próprios desenhos. Essa é uma atividade de livre expressão, na qual é proporcionada uma educação que respeita a singularidade e acredita na formação integral do ser.

Nesta unidade vimos

� As vias e os caminhos mantêm as cidades conectadas, possibilitando o trânsito de pessoas, produtos, ideias e culturas.

� Para chegar aos lugares em que ocorriam as trocas e o comércio, as mercadorias �

� �

Coleção particular

eram transportadas por rotas marítimas, fluviais e terrestres. A escrita foi desenvolvida em diferentes lugares há cerca de 6 mil anos e utilizada para diversos fins, como registrar as transações comerciais ou as viagens a novos lugares. As navegações contribuíram para o desenvolvimento do comércio e o contato entre diferentes povos e culturas. Os comerciantes levavam do Brasil – a colônia portuguesa na América – produtos como pau-brasil e açúcar para serem vendidos na Europa e traziam africanos escravizados para trabalhar na lavoura, na mineração e em muitos outros serviços. A mineração no século 18 está entre as causas do aumento da população na colônia portuguesa, contribuindo para o surgimento de povoados e vilas que depois se desenvolveram e tornaram-se cidades.

9

Augustus Earle. Portão e mercado de escravos em Pernambuco, 1824. Óleo sobre tela, 45 × 68 cm.

Para finalizar, responda: Qual é a importância do comércio em sua vida? 9 Qual é a relação do comércio com as mudanças ocorridas no modo de viver de diferentes sociedades no decorrer do tempo? Exemplifique. 9

108

Avaliação de aprendizagem

Respostas

Leia os tópicos que representam as ideias principais tratadas nesta unidade. Permita aos alunos que demonstrem os conhecimentos que construíram e as conclusões a que chegaram com as leituras e atividades propostas. Se desejar, faça pequenas intervenções repetindo falas dos próprios alunos para que eles percebam seu desenvolvimento. Em seguida, apresente as questões finais e solicite a eles que registrem as respostas no caderno.

99Espera-se

108

que os alunos respondam que o comércio é importante para que eles possam adquirir aquilo de que necessitam. 99Com o desenvolvimento do comércio, novas rotas precisavam ser criadas para que as mercadorias fossem distribuídas. Nesse processo, novas cidades surgiam e trocas sociais e culturais se intensificavam, o que afetou a maneira de viver de diversos povos.


Orientações A magia das especiarias

Para ir mais longe

A busca por especiarias na Índia impulsionou o desenvolvimento das grandes navegações europeias rumo à Ásia e à África. Durante o comércio desses produtos, ocorreram muitas interações culturais, o que também proporcionou o avanço científico desses povos. Para explicar o valor desses produtos, que eram e são tão importantes em todo mundo, o livro explica as diversas funções das especiarias: o preparo de pratos mais saborosos, a conservação de alimentos, o tingimento de roupas, a produção de medicamentos e perfumes. Além disso, apresenta características das especiarias mais comercializadas e mapas, que possibilitarão aos alunos rever as rotas utilizadas pelos navegadores. Ao final da leitura, traga para a sala de aula algumas especiarias e realize uma atividade na qual os alunos tenham de adivinhar, apenas por meio do olfato, cada especiaria apresentada.

9 O livro da escrita, de Ruth Rocha e Otávio Roth. São Paulo:

9 A magia das especiarias, de Janaina Amado e Luiz Carlos Figueiredo.

Editora LGE

São Paulo: Atual, 2013. “Imagine produtos capazes de encantar durante séculos milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro.” Esses produtos eram as especiarias, cobiçadas e valorizadas a tal ponto que estão entre as causas da expansão marítima dos séculos 15 e 16.

9 Portugal-Brasil, a aventura do descobrimento, de Jean Angeles e Gleydson Caetano. São Paulo: LGE, 2007. As navegações e a chegada dos portugueses às terras que mais tarde seriam chamadas de Brasil são contadas sob o ponto de vista de duas crianças, um personagem indígena e outro português.

9 Ilê Aiê: um diário imaginário, de Francisco Marques. São Paulo:

Formato, 2013. Em forma de diário imaginário, este livro relata a vida de um africano escravizado, desde a partida da África até sua jornada de trabalho no Brasil.

Editora Brinque-Book

Editora Atual

Melhoramentos, 2008. “Desde a declaração de um sentimento até a conclusão de um grande negócio, a escrita tem servido à comunicação entre os homens.” Essa afirmação faz parte da conclusão desse livro, que aborda a história da escrita, desde os primeiros registros até hoje.

Editora Formato

Editora Melhoramentos

Livros

9 Os tesouros de Monifa, de Sonia Rosa. São Paulo: Brinque-Book,

2009. Uma menina afrodescendente recebe como herança a missão de ser guardiã dos tesouros de sua família, deixados por sua tataravó, que veio da África. São cartas e histórias para ela conhecer seus antepassados.

109

109


Objetivos da unidade •• Reconhecer o cultivo do café

UN

IDADE

4

Movimento de pessoas no Brasil Simone Matias

como principal economia do Período Imperial. •• Relacionar a implantação das ferrovias com a economia cafeeira. •• Compreender o movimento abolicionista no Brasil. •• Valorizar a diversidade étnica na formação do povo brasileiro. •• Descrever e analisar os processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira. •• Identificar as motivações dos processos migratórios ocorridos no Brasil nos séculos 19, 20 e 21. •• Analisar a migração de brasileiros para o exterior. •• Apresentar alguns costumes e culturas oriundos dos processos migratórios. •• Analisar as dinâmicas das migrações internas do Brasil a partir da década de 1960. •• Identificar o papel da imprensa para os imigrantes dos séculos 19 e 20. •• Identificar as modificações nos meios de comunicação no Brasil durante o século 20. •• Conceituar e compreender o processo de exclusão digital.

110

Orientações Oriente os alunos na leitura da imagem, que é rica em detalhes étnicos e culturais. Aproveite a oportunidade e chame a atenção para os aspectos físicos dos personagens, as vestimentas e a ação de cada um deles. Leve-os a perceber que os diferentes personagens representam diversos povos que migraram para o Brasil.

110

Espera-se que os alunos percebam a pluralidade étnica como agente influenciador da cultura e dos costumes brasileiros. Faça uma analogia entre a contribuição desses povos e uma peça do quebra-cabeça da ilustração, mostrando que cada personagem contribui para a formação da Bandeira Nacional, que nesse caso simboliza a nação brasileira.


Orientações A bandeira, por sua vez, como um dos símbolos nacionais, está representando o Brasil.

O que a imagem que essas pessoas estão montando representa? 9 Quem são os personagens que compõem a cena e por que eles estão fazendo essa atividade? 9 Qual é a relação entre a cultura do Brasil e esses personagens? 9

Respostas 99Espera-se que os alunos identifiquem tratar-se de um quebra-cabeça no formato da bandeira do Brasil. 99Os personagens são representantes da miscigenada população brasileira construindo o Brasil. Oriente a leitura da imagem para que os alunos identifiquem a diversidade étnica do Brasil. Valorize o conhecimento deles sobre a formação do povo brasileiro. 99Espera-se que os alunos percebam que a diversidade étnica do país é como um quebra-cabeça, no qual cada grupo étnico contribui com diferentes aspectos culturais. Retome o conceito de cultura e aproveite a oportunidade para abordar as principais características culturais da região onde o aluno mora. Assim, ele poderá identificar os principais aspectos culturais comuns em seu cotidiano.

111

Orientações Proposta de atividade 1. Observe novamente a ilustração de abertura da unidade. Então, escolha dois personagens e responda: Em sua opinião, o que eles estão pensando ou sentindo ao fazer essa tarefa? Resposta pessoal. A observação pode começar, por exemplo, pela escolha dos dois personagens e pelas indicações feitas a respeito deles. Incentive-os

a perceber como cada um contribui para essa construção com sua característica cultural. Durante a atividade, é importante ficar atento aos sentimentos expressos pelos alunos, pois há uma relação natural entre a análise proposta e as emoções deles. Para conseguir expressar essas emoções, eles precisam ser empáticos, uma habilidade socioemocional que deve ser trabalhada nessa faixa etária. 111


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• A economia cafeeira no Brasil

1

durante o século 19. •• A escravidão e a abolição da escravatura no Brasil. •• A imigração decorrente do desenvolvimento das lavouras cafeeiras no século 19 e início do século 20. •• O trabalho dos imigrantes no campo e na cidade. •• O transporte ferroviário no Brasil.

Vindo de muito longe

O trem de ferro Trem de ferro O trem de ferro Quando sai de Pernambuco Vai fazendo xique-xique Até chegar no Ceará.

Orientações 1. O objetivo desta atividade é apresentar ao grupo uma brincadeira cantada que se relaciona com o tema do capítulo: a produção cafeeira e a construção das ferrovias. Leia com os alunos a canção Trem de ferro e explique que se trata de uma cantiga de roda que faz parte do folclore brasileiro. Pergunte o que eles sabem da importância das ferrovias na economia brasileira. As questões propostas na atividade 2 vão auxiliar nessa identificação.

Elder Galvão

Você conhece a cantiga do trem de ferro? É uma cantiga que faz parte do folclore brasileiro.

Cantiga.

1

Há muitas sugestões de como brincar com essa música. Uma delas é a seguinte: � Junte-se aos colegas, organizem-se em dois grupos e formem duas rodas, uma dentro da outra. � Enquanto todos cantam a música, a roda de dentro gira em sentido horário (o sentido dos ponteiros do relógio) e a roda de fora gira no sentido anti-horário (o sentido inverso).

2

Depois da atividade, conversem sobre a utilização do trem como meio de transporte. a) Você já viajou de trem? Se sim, conte como foi a viagem. b) Além de pessoas, o que mais o trem pode transportar?

Respostas 2. a) Resposta pessoal. b) Espera-se que o aluno identifique que os trens podem transportar pessoas e diferentes tipos de cargas.

112

Desenvolvendo habilidades EF04HI09 , EF04HI10 e EF04HI11 O objetivo do capítulo é ofe-

recer aos alunos as ferramentas de aprendizagem para eles compreenderem o processo de formação do povo brasileiro. Para isso, enfatiza os movimentos de migração ocorridos no país: os primeiros portugueses, posteriormente os africanos e, ainda, os diversos povos vindos, especialmente, da Europa, a partir do século 19. Os fluxos migratórios são tema 112

de estudo e análise para que os alunos possam desenvolver, de forma crítica, o conhecimento do processo de formação do Brasil, sua diversidade étnica e características culturais. EF04HI12 Dessa forma, eles estarão capacitados a desenvolver questionamentos, hipóteses e argumentos para descrever, comparar e analisar os processos históricos de transformação social e cultural do Brasil por meio da miscigenação.


Orientações

O café veio para ficar

Solicite aos alunos que localizem no texto os produtos que eram cultivados, exportados Deixe quepara os alunos levantem hip e foram importantes o prévios sobre o assunto. Não há r desenvolvimento da economia brasileira: cana-de-açúcar, arroz, algodão, tabaco e café. Explique que as pessoas que aqui fixavam moradia necessitavam de alimentos e produtos que garantissem suas necessidades. A agricultura expandiu-se e os proprietários de grandes lotes de terra passaram a cultivar produtos para venda interna e exportação. Nesse contexto, o café tornou-se o principal produto de exportação do Brasil no século 19.

Você já pensou por que, mesmo quem não toma café, costuma falar “café da manhã”? Essa é uma expressão popular que, como muitas outras, está relacionada com a História. Neste caso, está mais precisamente relacionada à economia cafeeira do Brasil, que movimentou o comércio durante o século 19 e início do século 20. Já vimos que a agricultura está presente no Brasil desde o início da colonização portuguesa. No século 19 cultivavam-se cana-de-açúcar, arroz, algodão, tabaco e café, entre outros produtos. Todos eram destinados à exportação, ou seja, para serem vendidos fora do Brasil. De origem africana, as primeiras mudas de café chegaram ao Brasil por volta de 1727, vindas da Guiana Francesa, região que faz fronteira com o Brasil ao norte. No início, o café foi plantado na região norte, em pequenas propriedades do Maranhão, e depois no nordeste. Já no século seguinte, espalharam-se as plantações nas regiões sudeste e sul, entre os atuais estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Assim, entre todos os cultivos da época, o café tornou-se o mais lucrativo para a economia brasileira durante o século 19 e o principal produto brasileiro de exportação. Sua produção e comércio geravam riquezas, contribuindo para o crescimento das cidades e regiões em que era plantado, bem como para a implantação das ferrovias, utilizadas para o escoamento e o transporte da produção.

Proposta de atividades

Mapoteca do Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, Brasília-DF

Peça aos alunos que leiam a imagem da página e pergunte:

9

1. Quais elementos são representados na obra? Árvores, plantações, casa e pessoas. 2. Quem a pintou? John Henry Elliot. 3. A que contexto histórico essa obra faz referência? Ao período da produção de café para a exportação.

John Henry Elliot. Vista do aldeamento de São Pedro de Alcântara em 1859, Província do Paraná, 1863. Aquarela 35 cm × 45 cm. Nesse aldeamento, fundado em 1855 no norte do atual estado do Paraná, os padres cultivavam café.

113

EF04HI08 Por fim, o capítulo também identifica como alguns

meios de comunicação tiveram significado para os diferentes estratos sociais, como foi o caso do uso desses meios pelos abolicionistas em prol de uma causa específica – a dos escravos.

113


Orientações

O café e a imigração

Explique aos alunos que muitas pessoas lutavam em prol da abolição da escravatura. Elas geralmente se uniam em grupos chamados de sociedades abolicionistas. Para divulgar a causa abolicionista, era muito comum essas sociedades fazerem cartazes, panfletos e jornais, nos quais escritores, jornalistas, advogados, comerciantes e diplomatas divulgavam suas ideias, posições políticas e ações com o objetivo de buscar cada vez mais adeptos para a causa. Por esses meios de comunicação, os abolicionistas também pressionavam o governo imperial a abolir a escravidão.

Coleção particular

Em 1850 foi aprovada uma lei que proibia o tráfico de escravos. Por causa dela, eles não podiam mais ser trazidos da África para o Brasil. Com isso, aumentou o comércio interno de escravos, o que provocou a movimentação deles para diferentes regiões do Brasil. Com menos oferta de escravos, o preço deles teve grande aumento. Além de essa situação ser economicamente pouco vantajosa para os grandes fazendeiros, a escravidão passou a ser criticada por alguns setores da sociedade brasileira, principalmente com a luta dos abolicionistas. Ainda assim, muitos cafeicultores, sobretudo os do Vale do Paraíba, em São Paulo, insistiam em manter o trabalho escravo. Para eles, perder escravos significava um grande prejuízo, já que, conforme o pensamento da época, tratava-se de uma mercadoria. Enquanto isso, alguns produtores de café já utilizavam mão de obra assalariada no oeste paulista, princiGlossário palmente de estrangeiros, que começaram a chegar ao Abolicionistas: defensores Brasil, em sua maioria, para trabalhar na lavoura cafeeira do fim da escravidão. em expansão.

9

Imigrantes japoneses trabalhando na colheita de café no interior paulista, início do século 20.

Entre 1870 e 1930, período da chegada do maior número de imigrantes, vieram para o Brasil pessoas de várias partes do mundo: italianos, alemães, japoneses, judeus, sírios, libaneses, portugueses, espanhóis, lituanos e eslavos (ucranianos e poloneses). 114

Olhar interdisciplinar Língua Portuguesa Pergunte aos alunos como eles imaginam que era a comunicação entre os trabalhadores imigrantes e os fazendeiros brasileiros. É possível que respondam que a comunicação era feita por meio de mímica, uso de símbolos etc. Peça ao grupo que pesquise, em diferentes línguas, algumas palavras e expressões utilizadas no cotidiano dos imigrantes, 114

como: bom dia, obrigada, desculpe, com licença, até logo, trabalho, comida, bebida, pagamento, água e descanso. Para isso, leve os alunos ao laboratório de informática e peça que formem grupos. Cada um dos grupos ficará responsável por pesquisar a lista de palavras de determinado idioma. É necessário representar o continente africano, asiático e europeu.


Orientações Este texto possibilita mostrar aos alunos como os imigrantes se deslocaram de uma região a outra, formando novas comunidades e se integrando em diferentes atividades econômicas. Explique-lhes que, nesse período, como as lavouras de café para exportação estavam se desenvolvendo, era necessária muita mão de obra e, por conta disso, vários imigrantes foram contratados para trabalhar nelas. Esclareça que, devido à baixa qualidade de vida desses trabalhadores no campo, muitos deles buscaram nas cidades melhores condições e salários. Esse processo, acompanhando o surgimento das primeiras indústrias no Brasil, contribuiu para o crescimento das cidades brasileiras. Para que eles possam compreender as relações de trabalho da época, explique ainda que o conceito de trabalho assalariado é recente, proveniente das relações de trabalho originadas e estabelecidas depois da Revolução Industrial.

Museu da Imigração, São Paulo

Em geral, essas pessoas desembarcavam no Porto de Santos e eram encaminhadas à Hospedaria dos Imigrantes, na cidade de São Paulo. Lá recebiam a documentação e as vacinas necessárias para se estabelecer no Brasil. Dali seguiam viagem por terra até os locais designados, onde iniciariam uma nova vida.

9

Imigrantes portugueses em frente à Hospedaria dos Imigrantes. São Paulo, São Paulo, 1938.

A situação dos imigrantes não era nada fácil. A princípio estabeleceu-se o sistema de parceria para o trabalho nas lavouras. Por esse sistema, o imigrante cultivava a terra de grandes fazendeiros e dava boa parte da produção a eles. Esse sistema não deu certo, pois os fazendeiros de café estavam acostumados ao regime de escravidão e tratavam os recém-chegados de forma semelhante aos seus antigos escravos, o que gerava conflitos e descontentamento. Diante dessa situação, muitos imigrantes preferiram migrar para as cidades, em busca de empregos nas fábricas recém-instaladas. O fracasso das parcerias e a necessidade de mão de obra fizeram o governo imperial adotar outro sisGlossário tema, a imigração subvencionada. Nesse sistema, o Governo imperial: governo do governo pagava todas as despesas de viagem, e os Brasil entre 1822 e 1889. fazendeiros se responsabilizavam pelas despesas iniciais Subvencionado: que recebe subsídio, ou seja, auxílio e de adaptação dos colonos. Dessa forma, os colonos financeiro dos poderes públicos. passaram a ter melhores condições de vida e remuneração pelo trabalho. Entre os muitos imigrantes que vieram para o Brasil no final do século 19 e início do 20, os italianos formam o grupo mais numeroso. Estabeleceram-se sobretudo nas lavouras, em São Paulo e no sul. Já os portugueses e espanhóis se concentraram mais nos centros urbanos, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os alemães, poloneses e ucranianos estabeleceram-se no sul, formando diversas colônias, o que contribuiu decisivamente para o crescimento populacional e econômico da região. Vieram também imigrantes de países árabes, como sírios e libaneses, para trabalhar no comércio, e, ainda, japoneses e lituanos, que se empregaram nas fazendas do interior de São Paulo. 115

Após a pesquisa, instrua-os a elaborar cartazes com as informações coletadas. Essa é uma forma de entrar em contato com outras culturas e ampliar o repertório linguístico e cultural.

115


Orientações O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão; foi um processo demorado, finalizado após muita luta e mudanças exigidas pelas novas relações comerciais, baseadas em produção de grande escala e consumidores. A abolição da escravatura não foi um projeto nacional. Por isso, após serem dispensados das fazendas, muitos ex-escravos migraram para as cidades em busca de trabalho e integração social, o que não ocorreu. Alguns passaram a viver em plena miséria nas cidades, enquanto outros se organizaram em pequenas comunidades nas regiões periféricas, com o intuito de sobreviver às novas dificuldades. Outros continuaram nas fazendas ou voltaram a trabalhar nelas.

Um pouco mais sobre A abolição da escravidão

Museu da Imigração, São Paulo

Como já vimos, a partir do século 16 os portugueses escravizaram os africanos e os comercializaram como mão de obra para trabalhar no Brasil. Os homens e mulheres escravizados trabalhavam – sem receber pagamento – para seus donos na agricultura, na mineração e nos afazeres domésticos. Havia ainda os chamados “escravos de ganho”, que eram vendedores ambulantes ou prestadores de serviço, gerando lucro a seus senhores. Como a escravidão baseava-se em uma relação de poder de uma pessoa sobre a outra, as pessoas escravizadas eram tratadas como se fossem mercadoria, submetidas a todo tipo de violência e autoridade. De acordo com a mentalidade da época, as punições eram uma forma de manter a ordem e a disciplina na colônia. Assim, os escravizados podiam ser castigados até a morte. Eles sempre lutaram para mudar a violenta situação a que eram forçados a se submeter. Como formas de resistência, destruíam os bens e as propriedades de seus senhores, boicotavam o trabalho, compravam sua liberdade (chamada alforria), fugiam, entre outros. A fuga era a prática mais comum.

9

“Enquanto no parlamento só se discursa e nada se resolve, os pretinhos raspam-se com toda ligeireza. O lavradores não podem segura-los”. Litografia de Ângelo Agostini, 10,5 cm × 23,5 cm. In: Revista Illustrada, Rio de Janeiro, ano 12, n. 446, p. 4-5, 30 set. 1887. 

A abolição da escravatura no Brasil aconteceu lentamente, após muitas lutas dos escravos e de grupos que queriam abolir essa prática, os abolicionistas. Esse lento processo se encerrou em 1888, quando foi decretada uma lei que pôs fim à escravidão. Porém, os ex-escravos não encontravam trabalho e muitos deles passaram a viver como mendigos nas ruas, sem direitos e condições de sobrevivência para iniciar uma nova vida.

1

Em grupos, façam uma pesquisa sobre o processo de abolição da escravatura no Brasil. Quais foram as leis e ações que levaram ao fim da escravidão e como ficou a situação dos escravos após serem libertados? Apresentem o resultado da pesquisa à turma.

116

Orientações Respostas 1. Ao propor a atividade de pesquisa, instrua os alunos a buscar em livros e na internet as leis criadas antes do fim da escravidão para que percebam como a abolição foi resultado de um longo processo. Espera-se que mencionem o nome e informações de três leis: •• Lei do Ventre Livre (1871) – filhos nascidos de mães escravas eram livres; 116

•• Lei do Sexagenário (1885) – liberdade aos escravos com mais

de 60 anos; •• Lei Áurea (1888) – abolição definitiva da escravidão. Analise com eles o fato de que, embora a Lei Áurea tenha abolido a escravidão, ela não garantiu aos ex-escravos condições dignas para sobreviver ou melhorar seu modo de vida.


Orientações

O café e as ferrovias

Coleção particular

Na segunda metade do século 19, a rede ferroviária brasileira começou a ser construída. Um dos principais motivos para isso foi a produção de café, que precisava ser transportada. Sem recursos para investir nessa área, o governo brasileiro cedeu permissão para que companhias particulares construíssem estradas de ferro e, depois, lucrassem com o uso delas. Esse sistema ficou conhecido como política de concessões a particulares. A maioria das companhias brasileiras, como a do empresário Barão de Mauá, usava capital estrangeiro, vindo principalmente da Inglaterra. Além de transportar o café, as estradas de ferro serviam para conectar os estados brasileiros. A Ferrovia Dom Pedro II, por exemplo, renomeada Estrada de Ferro Central do Brasil em 1989, ligava os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

9

Explique aos alunos que as estradas de ferro foram importantes para conectar territórios e transportar a produção agrícola, ampliando a rede comercial durante o Império. Os trens passaram a carregar uma grande quantidade de produtos e cargas, o que favoreceu o crescimento de alguns setores econômicos, como a exportação em grande escala. Sugira aos alunos que pesquisem a construção e implantação da Estrada de Ferro São Paulo Railway Company que, ainda hoje, apesar de funcionar parcialmente, liga a cidade de Jundiaí, interior do estado de São Paulo, à cidade de Santos, litoral paulista. Espera-se que com os dados pesquisados os alunos entendam que a evolução do sistema ferroviário está associada ao desenvolvimento das tecnologias e aos processos históricos e espaciais.

Trecho da estrada de ferro que ligava as cidades paulistas de Santos e Jundiaí, em 1867.

A política de concessões a particulares gerou alguns Glossário problemas, pois cada companhia usava uma bitola diBitola: medida-padrão, neste ferente. Assim, apesar de os trens serem cada vez mais caso, referente à distância utilizados, as diferentes estradas não podiam se conecentre um trilho e outro. tar umas às outras, pois cada trem só podia transitar na bitola para a qual fora feito. Essa situação só foi resolvida mais tarde, no século 20, quando o governo brasileiro comprou as companhias particulares. 117

Proposta de atividades Com os alunos, promova uma reflexão a respeito das leis pesquisadas na atividade 1. As questões a seguir devem incentivá-los nesse exercício.

1. Como um recém-nascido poderia viver em liberdade se sua mãe permanecia uma mulher escravizada? 2. Ao se tornarem sexagenários, os ex-escravos não podiam mais trabalhar e viver nas fazendas. Como, então, seria possível eles viverem? 117


Orientações

Atividades 1

Observe as duas imagens e depois responda às questões.

2. Nesta questão, é importante que os alunos percebam a relevância da ferrovia como meio de transporte e como ela favoreceu o crescimento da economia cafeeira.

Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo

Coleção particular

1. O período de escravidão marcou para sempre a história do Brasil. Mostre aos alunos gravuras e pinturas que retratem este momento histórico e inclua imagens que remetam à venda de escravos e às atividades que eles realizavam, tanto no campo como na cidade. Se possível, use obras dos artistas Jean Baptiste Debret e Johann Moritz Rugendas. Esses registros são fontes históricas importantes para que conheçamos o passado de nosso país.

9

Johann Moritz Rugendas. Colheita de café na Tijuca, 1835.

9

Imigrantes ensacando café, 1915.

a) Que mudanças podem ser percebidas nas relações de trabalho nas lavouras de café? Explique.

Aproveite para refletir sobre a situação dos trens que circulam em território nacional atualmente. Incentive os alunos a observar se, na cidade em que habitam, há trens e o que eles transportam.

O trabalho dos escravos passou a ser feito pelos imigrantes, pessoas vindas de fora do Brasil para morar e trabalhar aqui.

b) Quais eram as dificuldades enfrentadas por esses grupos de trabalhadores no Brasil? Com base nas informações que você leu no texto, explique com suas palavras. O aluno deverá citar os problemas relacionados ao sistema escravagista para os trabalhadores da imagem 1 e os problemas relacionados aos imigrantes para os trabalhadores da imagem 2.

2

Qual era a relação entre a produção brasileira de café e a utilização de trens no século 19? As ferrovias foram construídas para auxiliar no transporte do café produzido no interior até o porto, de onde ele era levado para outros países.

118

Avaliação No final do estudo deste capítulo, espera-se que o aluno tenha compreendido o contexto da economia cafeeira, com destaque para o fim da escravidão e a chegada de imigrantes. Ampliando a questão, pergunte aos alunos se o café faz parte do cotidiano de suas famílias e como é utilizado. Assim, eles terão a oportunidade de identificar costumes alimentares de diferentes famílias. É esperado que muitas pessoas consumam o café na primeira refeição do dia. Assim, 118

retome a ideia inicial do capítulo, que traz a expressão “café da manhã”. No entanto, também é possível que outras formas de consumo do café sejam mencionadas, como o uso dele em receitas de bolos e doces, ou na reutilização do pó de café como adubo. Muitos alunos podem conhecer apenas o café em pó, comprado no mercado ou na padaria. Se possível, apresente à turma a planta, o grão in natura e o pó torrado; a intenção é que eles


Orientações 3

Respostas

Observe o gráfico a seguir e, no caderno, faça o que se pede.

3. a) Não. De acordo com o gráfico, a exportação de açúcar e de algodão era maior do que a de café nesse período.

61,5

Café Açúcar Algodão

56,6

Porcentagem

48,8 43,8

18,4

26,7

24

21,2

1830

18,3 12,3

10,8

1820

b) Durante seis décadas (para esta atividade são necessários conhecimentos de Matemática).

41,4

30,1 20,6

45,5

Paula Haydee Radi

Principais produtos de exportação Principais produtos de exportação

7,5

1840

11,8

6,2

1850

9,5

c) Na década de 1880.

9,9

d) Espera-se que os alunos relacionem o aumento da produção de café à expansão das áreas de plantio e ao desenvolvimento das lavouras cafeeiras, citados no texto.

4,2

1860

1870

1880

Décadas Fonte: Flavio de Campos e MiriamDolhnikoff. Dolhnikoff. Atlas dodo Brasil. SãoSão Paulo: Scipione, 1993.1993. p. 25. p. 25. Fonte: Flavio de Campos e Miriam AtlasHistória História Brasil. Paulo: Scipione,

a) Na década de 1820, o café era o produto mais exportado? Justifique sua resposta. b) Durante quantas décadas do império o café foi o produto mais exportado pelo Brasil? c) Em que período a exportação do café foi maior? d) Levante hipóteses para explicar o aumento da produção e da exportação de café mostrado no gráfico. 4

O texto a seguir é o trecho de uma canção que os imigrantes alemães cantavam quando estavam a caminho do Brasil. O carro já está em frente à porta, Partimos com mulher e filharada, Emigramos para a terra prometida,

Ali se encontra ouro como areia. Logo, logo estaremos no Brasil.

Zuleika Alvim. Imigrantes: a vida dos pobres no campo. In: Fernando Novais e Nicolau Sevcenko (Org.). República: da Belle Époque à Era do Rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. v. 3, p. 218. (Coleção História da Vida Privada no Brasil).

a) Qual era a expectativa dos imigrantes em relação ao Brasil? Eles esperavam que fosse uma terra de fartura e bem-estar.

b) Em sua opinião, os imigrantes encontraram no Brasil a vida que imaginavam? Justifique sua resposta. Resposta pessoal, mas espera-se que os alunos respondam que não, pois os imigrantes tinham uma visão idealizada do Brasil. Não imaginavam que teriam de trabalhar em condições precárias, que aqui havia vários problemas a serem superados.

119

identifiquem as transformações pelas quais o café deve passar até que possa ser consumido. Essas informações serão úteis para que os alunos ampliem o conhecimento sobre processos de industrialização e de circulação de alimentos, considerando mudanças e permanências no tempo.

119


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Diversidade étnica e cultural

2

na formação da sociedade brasileira. •• Os diferentes tipos e contextos de imigração na História do Brasil. •• A imigração na atualidade brasileira. •• Brasileiros pelo mundo.

É gente de todo lugar

A culinária de outros povos

Os hábitos alimentares são um aspecto da cultura e dos costumes de um povo. Durante a brincadeira, verifique se os alunos demonstram o conhecimento adquirido por meio da pesquisa e o transmitem através de diferentes linguagens, entre elas, a dramatização e a escrita dos cardápios. Guarde os cardápios desenvolvidos para uma exposição no final do ano. Se possível, tire fotografia dos grupos atuando para registrar a situação de aprendizagem. Uma variação da proposta é elaborar um dos pratos pesquisados, como mais uma oportunidade de conhecer diferentes sabores e costumes.

Paul_Brighton/shutterstock.com

Uma das formas de perceber a diversidade cultural é analisar a culinária, pois cada povo tem seus próprios hábitos alimentares. Quando as pessoas mudam-se de país ou região, levam consigo esses hábitos. Vamos fazer uma brincadeira sobre isso?

Orientações

1

A turma deve organizar-se em quatro grupos.

2

Cada grupo deve fazer uma pesquisa sobre a culinária de um destes países: Itália, Japão, Líbano ou Polônia.

3

Escolham cerca de cinco tipos de ingredientes típicos de cada país (no mínimo três tipos e no máximo sete). Procurem e copiem algumas receitas que utilizem esses ingredientes.

4

Montem um cardápio com os pratos que vocês selecionaram.

5

Em sala de aula, montem uma cena teatral de um atendimento em um restaurante. Os membros do grupo devem ser os garçons e os demais alunos devem ser os clientes. Os garçons esclarecem as dúvidas dos clientes sobre os ingredientes e o modo de preparo dos pratos.

6

Em seguida, os alunos do próximo grupo assumem o papel de garçons e os demais serão os clientes.

9

Sarma (folhas de uva recheadas com arroz), borek (pastel recheado com queijo e espinafre) e fatayer (torta de carne), comidas típicas árabes.

Ao final da brincadeira, todos terão conhecido um pouco da culinária típica de cada país! 120

Desenvolvendo habilidades EF04HI06 , EF04HI07 e EF04HI10 Com base na compreensão

dos diferentes movimentos populacionais que formaram a nação brasileira, é possível levar os alunos a identificar os fluxos migratórios no passado e no presente e a importância dos caminhos utilizados para esse fim. EF04HI11 e EF04HI12 Com a leitura dos títulos Novos imigrantes e Do Brasil para o mundo, os alunos ampliam a 120

reflexão sobre movimentos migratórios na atualidade, reconhecendo esse fluxo em sua região. EF04HI08 Por fim, na seção Direto da fonte, eles percebem como os meios de comunicação, especialmente a propaganda, influenciaram a imigração do passado.


Orientações

Brasileiros de muitas origens

Apesar de a imigração europeia ter sido um projeto nacional, as condições de trabalho dos imigrantes muitas vezes foram análogas ao trabalho escravo. Muitos deles, insatisfeitos, abandonaram as lavouras e migraram para as cidades. Muitos dos imigrantes eram instruídos e exerciam atividades profissionais nos países de origem como ferreiros, marceneiros, costureiros, cozinheiros e sapateiros. Ao aplicar esses conhecimentos no Brasil, por meio de diversos ofícios, eles contribuíram para o enriquecimento e desenvolvimento de muitas cidades, especialmente das regiões Sudeste e Sul do Brasil.

Rawpixel.com/Shutterstock.com

Quando andamos pelas ruas de várias cidades do Brasil, é comum encontrarmos pessoas de olhos puxados, olhos claros, de pele escura, cabelo liso ou encaracolado. Enfim, há uma grande diversidade de características físicas. Isso acontece porque o 9 Cada grupo imigratório contribuiu de maneira diferente para formação da identidade do povo brasileiro. povo brasileiro formou-se por meio da mistura de vários povos: os nativos (indígenas), os africanos, os colonizadores portugueses e os imigrantes de diferentes origens. No final do século 19 e início do 20, as cidades cresceram muito, principalmente devido à chegada dos imigrantes europeus. Embora diversos imigrantes buscassem trabalho no campo, outros preferiam permanecer nas cidades. Contudo, a oferta de emprego nas cidades era menor do que no campo. Além disso, muitos ex-escravos que deixaram de trabalhar nas fazendas foram para as cidades em busca de melhores condições de vida. Lá também se concentravam vários italianos, que, decepcionados com as más condições de trabalho no campo, migravam para elas. Os imigrantes sírio-libaneses e seus descendentes dedicavam-se principalmente ao comércio. Inicialmente atuavam como mascates, isto é, vendedores ambulantes que viajavam de um lugar a outro oferecendo produtos como tecidos e bijuterias. Depois de juntar algum dinheiro, muitos deles acabavam indo para as grandes cidades, onde abriam as próprias lojas. No início do século 20, com a atividade industrial em completa expansão, grande parte dessa população conseguia trabalho nas fábricas. A vida dos imigrantes e seus descendentes não foi nada fácil. Muitos deles moravam em cortiços, que eram habitações insalubres e apertadas, onde várias famílias moravam juntas. Nesses locais, as condições de saneamento e higiene eram precárias. Algumas reformas urbanas foram feitas para acabar com os cortiços. No lugar deles, porém, surgiram moradias que os mais pobres não podiam pagar. Nesses casos, a população de baixa renda Glossário acabava sendo expulsa do centro da cidade e estabeleciaInsalubre: que é prejudicial se nos arredores dos grandes centros urbanos. Foi assim à saúde. que se originaram os primeiros bairros de periferia. 121

121


Orientações

O contexto da imigração

Esclareça aos alunos a origem do termo “branqueamento”, surgido no século 19 e fundamentado pela elite científica, que acreditava que o homem branco e europeu era superior aos africanos, indígenas e asiáticos. Explique a eles que, durante os anos da imigração em massa para o Brasil, a Europa enfrentava invernos muito rigorosos, precarização do trabalho nas cidades e guerras. Para atrair os europeus, foi usada a propaganda que vendia a ideia de prosperidade e fartura nas terras brasileiras. Era veiculada nos jornais europeus e oferecia às famílias trabalho para todos e uma pequena porção de terra. As viagens eram financiadas pelos fazendeiros e pelo governo imperial; as condições de pagamento geravam dívidas para os imigrantes e o consequente descontentamento deles.

Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, São Leopoldo

Durante o século 19, vários países da Europa vivenciavam um grande crescimento populacional, tanto nas cidades quanto no campo. Com a industrialização crescente, as máquinas passaram a substituir o trabalho de muitas pessoas, e altos impostos eram cobrados dos pequenos agricultores, que acabavam endividando-se e perdendo suas terras. Além das enchentes e das secas, guerras e perseguições políticas e religiosas dificultavam ainda mais a vida dos camponeses europeus. No Brasil, por outro lado, havia muitas terras ocupadas por grupos indígenas ou posseiros. Os posseiros eram pessoas pobres que não tinham onde morar, por isso instalavam-se em terras desabitadas. Com a lavoura cafeeira no máximo da produção, houve a necessidade de mão de obra para substituir o trabalho escravo. Mas as classes mais ricas do período não tinham interesse em contratar os indígenas, que já haviam trabalhado na colheita do café no início da produção. Também não havia interesse em contratar os posseiros, pois desejavam promover um “branqueamento” da população, que já estava bastante mestiça devido à união de portugueses com indígenas e africanos. Assim, havia muitas condições favoráveis à vinda de estrangeiros para o Brasil. Para divulgar o Brasil na Europa e atrair os imigrantes, o governo brasileiro, entre outras ações, apresentava o país como um lugar de muita fartura, com terras férteis e povo gentil. Ele passava a falsa impressão de que quem viesse para cá encontraria muitas oportunidades para melhorar de vida. As propagandas eram impressas em panfletos, anúncios de jornal e cartazes em vários países. Entretanto, a realidade encontrada pelos imigrantes ao chegar ao Brasil, principalmente os que foram para o sul ou para outras áreas rurais, era muito diferente: muitas vezes tinham de abrir matas fechadas para se estabelecer e enfrentar várias dificuldades para se adaptar.

9

122

122

Ernst Zeuner (1895-1967). Chegada dos imigrantes alemães em 1824, s.d. Óleo sobre tela, 30 cm × 41 cm.


Orientações Respostas

Direto da fonte No século 19, o governo brasileiro fez uma série de propagandas em vários países para atrair a atenção dos imigrantes, como nos exemplos a seguir.

b) Em ambos os cartazes há navios. É esperado que o aluno imagine tratar-se de longas viagens devido à distância e à tecnologia usada no período.

Acervo Memorial do Imigrante, São Paulo

Arquivo Histórico Municipal de Bento Gonçalves, Bento Gonçalves

1

1. a) Itália e Japão. Os alunos poderão identificar os países a partir da língua dos cartazes.

9

Tradução da frase do cartaz: “Na América Terras no Brasil para os italianos. Navios em partida todas as semanas do Porto de Gênova. Venham construir seus sonhos com a família. Um país de oportunidade. Clima tropical e abundância. Riquezas minerais. No Brasil vocês poderão ter seu castelo. O governo dá terras e utensílios a todos.”

9

c) O aluno deve sublinhar o trecho: Venham construir seus sonhos com a família. Um país de oportunidade. Clima tropical e abundância. Riquezas minerais. No Brasil vocês poderão ter seu castelo. O governo dá terras e utensílios para todos.

Proposta de atividade

Cartaz de propaganda do Brasil divulgado no Japão pela Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (Companhia Ultramarina de Desenvolvimento) na década de 1920.

Solicite aos alunos uma pesquisa sobre a origem de seus familiares. Caso descubram ascendência de imigrantes, convide-os a apresentar a história deles para os colegas na sala de aula. Oriente-os na elaboração de um roteiro de perguntas que aborde a trajetória e aspectos da cultura natal do imigrante. Fotografias também poderão ser mostradas para enriquecer o tema.

Após ter observado as imagens, responda às questões a seguir no caderno. a) Em quais países os dois cartazes faziam propaganda do Brasil? Como você descobriu quais são eles? b) Que tipo de transporte aparece nos dois cartazes? Você acha que as viagens para o Brasil eram demoradas ou rápidas? Explique. c) Os imigrantes se lançavam para uma nova terra em busca de oportunidades, com muita esperança de ter uma vida melhor. Sublinhe uma frase na legenda do primeiro cartaz que passa esse sentimento de esperança. 123

123


Orientações Os motivos da imigração são diferentes para cada grupo. Alguns migram em busca de novas oportunidades de trabalho, outros fogem de guerras, dificuldades econômicas ou de perseguições políticas e religiosas em seu país de origem. Há, também, a questão da integração mundial, que vem ocorrendo por meio do intercâmbio entre os povos. Essa conexão atrai pessoas que desejam estabelecer boas relações econômicas e comerciais em outros países. Muitos chineses e coreanos, por exemplo, quando chegaram aqui desenvolveram atividades na área comercial e alimentar, principalmente nos grandes centros urbanos. Desde o final do século 20, os imigrantes que chegam ao Brasil vêm principalmente de países da América do Sul e da África. Bolivianos, peruanos, angolanos e nigerianos migraram em busca de melhores condições de vida. O ano de 2010 marcou o início 9 Festa do Imigrante – em sua 20a edição –, que ocorre todos os anos no Museu da Imigração. São Paulo, São Paulo. da imigração haitiana para o Brasil. Nesse ano, um grande terremoto atingiu o Haiti, localizado em uma ilha da América Central, na região do Caribe. Como a catástrofe deixou inúmeros feridos e desabrigados, muitos fugiram da situação de caos, buscando abrigo no Brasil. Com a entrada da Síria no conflito do Oriente Médio, a partir de 2011, houve um grande fluxo de imigrantes sírios refugiados para outros países, entre eles o Brasil. Esses são apenas alguns exemplos dos muitos grupos que chegam a nosso país em situação provisória ou definitiva. Diferentemente do que acontece em alguns países da Europa, onde os imigrantes recém-chegados Glossário devem permanecer em um campo de refugiados, sem direito a trabalhar, no Brasil e em outros Campo de refugiados: local isolado países da América Latina, os refugiados podem onde o imigrante mora com outros grupos de refugiados de várias etnias. trabalhar e até estudar, pois têm os direitos de cidadão reconhecidos. Cada pessoa tem seus motivos para deixar seu país de origem, os imigrantes buscam formas de reconstruir suas vidas. Aqui esses grupos formam novas comunidades e bairros, ainda que enfrentem dificuldades de adaptação com a nova língua, a alimentação, a temperatura, os costumes locais e os muitos outros desafios, como arrumar emprego. 124

Olhar interdisciplinar Arte Aproveite para explorar o tema propondo aos alunos que façam uma composição artística com recortes, colagens e desenhos para representar a integração entre os povos que se movimentam pelo mundo. Ofereça diversos materiais, como revistas, jornais, papéis coloridos, sucata, obras de arte impressas, cartões-postais etc. 124

A linguagem artística possibilita aos alunos demonstrar sua criatividade e criar conexões entre os conhecimentos. Ao observar a atividade dos colegas, eles também percebem e identificam aprendizagens semelhantes e representações diferentes, o que os enriquecerá culturalmente, além de desenvolver atitudes de respeito e valorização do trabalho do outro. Organize

Paulo Lopes/Futura Press

Novos imigrantes

Oriente os alunos na investigação de fatos históricos ligados ao Brasil. Explique que o objetivo é que eles compreendam o significado das diferentes circunstâncias que possibilitaram os movimentos populacionais e a formação da nação brasileira.


Orientações

Do Brasil para o mundo

Proposta de atividades

Phil Wills/Alamy/Latinstock

Você conhece ou tem algum familiar morando fora do Brasil? Até agora falamos de grupos de vários países que em diferentes momentos vieram morar no Brasil, mas o contrário também ocorre. Os brasileiros, por diferentes razões, deixam o país para morar provisória ou definitivamente em diversos lugares do mundo. Isso ocorre há muito tempo, mas desde o final do século 20 esse movimento intensificou-se devido à crise econômica, à sensação de insegurança ou apenas para buscar melhores oportunidades de vida e trabalho. Outro fato que tem aumentado esse fluxo de Glossário migração externa são os intercâmbios estudantis Migração: é o movimento de pessoas ou culturais, por meio dos quais os estudantes que saem de casa para morar ou trabalhar em uma região ou em um trocam de país com o objetivo de estudar, aprender país diferente. Também ocorre quando a língua local e até trabalhar (mas sem prejudicar a pessoa troca de casa, situação na os estudos). Eles são recebidos em casas de famíqual dizemos que ela “migrou” de uma casa para outra. lias ou em alojamentos de escolas e universidades. Esses intercâmbios possibilitam entender melhor outra cultura, aprender novos costumes, conhecer pessoas e lugares diferentes, vivenciar experiências inovadoras e adquirir conhecimentos, o que aumenta as chances de ingresso no mercado de trabalho tanto no retorno ao Brasil como em outros países.

Solicite aos alunos que localizem no texto o trecho que indica os fatores que impulsionam a migração externa. Explique aos alunos que muitas pessoas, ao retornarem ao país de origem, conseguem melhores empregos, pois adquiriram conhecimentos exigidos por alguns setores da economia, como língua estrangeira e vivência com diferentes povos e culturas.

Aprender a falar e a escrever em uma língua estrangeira, adaptar-se a novos hábitos e acostumar-se a estar longe dos familiares e amigos estão entre os muitos desafios de viver fora do país.

9

1. Que fatores levam as pessoas a fazer intercâmbio cultural? Desejo de conhecer outras culturas e línguas, além de novos lugares e costumes. 2. Quais são os desafios para quem se aventura em outro país? Espera-se que os alunos apontem: aprender um novo idioma e compreender uma nova cultura, porque tanto a língua como a cultura podem ser bem diferentes dos vivenciados no país de origem. Outro grande desafio é a saudade de amigos e familiares. 3. Se você pudesse fazer um intercâmbio, para onde iria? Resposta pessoal. A resposta a esta pergunta possibilita aos alunos projetar seus desejos e anseios. Você poderá perceber também o que eles conhecem do mundo e como se localizam espacialmente.

Restaurante de comida brasileira localizado na cidade de Londres, no Reino Unido. Em 2017, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro estimou em 2,5 milhões de pessoas a comunidade de brasileiros que mora fora.

125

um painel com as composições finalizadas e o exponha em um local ao qual todos os alunos da escola tenham acesso.

125


Orientações

Atividades

4. Essa atividade pode ser feita no caderno, em folha avulsa ou em cartazes. Você deve avaliar a criatividade dos alunos e a viabilidade da proposta deles.

1

Por que motivos as pessoas deixam o país de origem e emigram? Miséria, falta de trabalho, guerras, perseguições políticas ou religiosas, dificuldades financeiras etc.

2

Marque as alternativas corretas que mostram os interesses do governo brasileiro em receber imigrantes no século 19. X

Povoar as terras, principalmente o sul do país. Trazer estudantes de fora.

X

Trazer mão de obra para substituir o trabalho escravo. Proporcionar melhores condições de vida aos estrangeiros.

X

3

Embranquecer a população.

Durante o século 19 foram feitas muitas propagandas que convidavam pessoas de outros países para morar no Brasil. Atualmente, as empresas investem bastante em publicidade para vender seus produtos. Em sua opinião, o que é importante para uma propaganda ter sucesso? Espera-se que o aluno destaque: os meios de comunicação em massa; informações claras e precisas; uso de diferentes linguagens (slogans, jingles) e pessoas famosas para chamar a atenção do consumidor. Se necessário, analise com os alunos propagandas impressas, ou não, que estejam sendo veiculadas no período para que percebam como esse mecanismo funciona.

4

Imagine que os habitantes do município em que você mora queiram receber pessoas de outros lugares para trabalhar e morar nele. Como você faria o anúncio para convidar essas pessoas? Seja criativo, tente convencer os leitores. Organize com os colegas os cartazes, panfletos ou fôlderes com esses anúncios.

126

Orientações Proposta de atividade Apresente à classe outras imagens que retratem este período de grande movimentação populacional. Selecione antecipadamente obras de arte e fotografias que ilustrem diferentes povos a caminho do Brasil. A ideia é que os alunos possam perceber outros elementos que possivelmente contribuem para o movimento de imigração e as dificuldades encontradas pelos povos que se aventuraram em terras desconhecidas. 126

Discuta as imagens com os alunos e peça que respondam a algumas questões no caderno. No roteiro podem constar itens como: •• data e local da viagem; •• quantidade de pessoas representadas; •• quais sãos sentimentos expressos;


Orientações 5. O objetivo desta atividade é estimular a prática investigativa por meio da análise de imagens que são fontes históricas e que representam aspectos de um período da história do Brasil. Retome o diálogo sobre a importante contribuição das fontes históricas visuais para a compreensão das relações existentes entre passado e presente.

Observe a imagem a seguir. Ela retrata os imigrantes italianos no porto esperando o navio para trazê-los ao Brasil. Galeria Nacional de Arte Moderna, Roma

5

9

Angelo Tommasi. Os emigrantes, 1895. Óleo sobre tela, 2,62 m × 4,33 m.

a) Que informações é possível obter analisando a imagem? Que os imigrantes traziam pouca bagagem, que há muitas famílias e parecem ser jovens.

b) Se você fosse um jornalista, que manchete de jornal criaria para essa imagem? Responda com base no que você já estudou sobre a imigração. Resposta pessoal. Não existe uma única resposta.

6

Você conhece algum costume tradicional dos imigrantes que esteja presente no cotidiano de sua região? Cite exemplos. Espera-se que os alunos identifiquem aspectos simples, como restaurantes de comida típica, cidades ou bairros de descendentes de imigrantes, expressões linguísticas do cotidiano (dependendo da região onde mora). 127

•• meio de transporte utilizado para a viagem; •• destino ao chegarem ao Brasil. É possível também solicitar aos alunos que digam qual imagem foi mais representativa ou impactante e que expliquem o motivo da escolha. Sugira a eles que escrevam legendas para as imagens.

Avaliação Neste capítulo é importante que os alunos tenham conseguido compreender e identificar as motivações dos processos migratórios em diferentes tempos e espaços, além de avaliar o papel desempenhado pela migração nas regiões de destino.

127


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Processos migratórios in-

3

ternos no Brasil a partir da década de 1950. •• Fatores que promovem a migração interna em diferentes fluxos. •• Migração e urbanização. •• Relação entre migração e trabalho no Brasil. •• Fluxos migratórios atuais.

O Brasil em movimento

Olhar outro lugar Como é chegar a um lugar pela primeira vez? O que podemos encontrar? Para pensar sobre isso, o professor sorteará alguns lugares no Brasil e fora dele que vocês não conheçam. Depois, em duplas, pesquisem imagens e informações sobre o assunto.

Orientações

1

Escrevam um relato sobre esse lugar. Utilizem as questões a seguir como roteiro. a) Qual é o nome desse local? b) Onde fica? c) Como é possível chegar lá? d) O que você encontrou sobre a paisagem desse local? e) O que mais chamou sua atenção? f) Esse lugar se parece com o lugar em que você mora? Por quê? g) Em que se diferencia do lugar em que você mora?

2

Para finalizar, apresentem aos demais colegas as informações que descobriram e as emoções que esse lugar desconhecido despertou em vocês. Marcos Amend/Pulsar Imagens

Proponha a atividade para casa. No dia combinado, solicite aos alunos que apresentem oralmente suas descobertas. Eles deverão registrá-las em uma folha avulsa e, se possível, trazer ilustrações para compartilhar com os colegas. Guarde o relato escrito por eles para fazer parte da avaliação posterior, de modo que percebam que pesquisas também podem ser avaliadas. Para a correção e menção de conceito, verifique se os alunos seguiram o roteiro e se conseguiram expor oralmente as respectivas ideias e impressões a respeito das informações coletadas.

9

Turistas percorrem a trilha da Gruta do Lago Azul. Bonito, Mato Grosso do Sul, 2017.

128

Desenvolvendo habilidades EF04HI10 , EF04HI11 e EF04HI12 Neste capítulo os alunos po-

derão identificar as motivações dos processos migratórios que ocorrem no Brasil atualmente e compreender que o país é formado por povos que se misturam e se agregam, propiciando a diversidade étnica e cultural. Esse resgate da História do Brasil possibilitará aos alunos se aproximar de suas histórias pessoais e identificar, nos lugares 128

onde vivem e em suas histórias familiares, diferentes elementos culturais que formam a cultura brasileira. Eles terão ainda a chance de ler textos e desenvolver atividades voltadas para os temas Migração, Trabalho e Infraestrutura nas grandes cidades.


Orientações

De onde veio?

Apresente aos alunos o conceito de fluxo populacional. Explique que esse é um fenômeno comum, que ocorre em determinadas regiões cujas atividades econômicas se tornam muito rentáveis naquele período histórico e atraem pessoas de outras regiões do país. Isso aconteceu, por exemplo: no nordeste, durante o ciclo da cana-de-açúcar; no sul, durante a expansão da pecuária; no centro-oeste e em Minas Gerais, no período da mineração; no norte, no ciclo da borracha (final do século 19 e início do 20); na região sudeste, durante a intensa produção cafeeira (também no final do século 19). O texto “De onde veio” possibilita aos alunos o estudo dos movimentos populacionais no Brasil, compreendendo que o país é formado por povos que se misturam e se agregam, o que propicia a diversidade étnica e cultural. Este resgate da história do país permitirá a eles que se aproximem de suas histórias individuais e identifiquem, em seus lugares de vivência e nas histórias de família, elementos das diferentes culturas que formam a cultura brasileira.

Muitos brasileiros não moram nos municípios onde nasceram, eles migraram para outras regiões do país levando consigo a cultura típica de sua região de origem. Essa mistura cultural ocorre devido às migrações internas, ou seja, o movimento de pessoas no próprio país. No Brasil há muitos migrantes e vários motivos para ocorrer esse tipo de movimentação interna, mas uma importante razão está relacionada às atividades econômicas, determinantes para os deslocamentos populacionais. A partir de 1930, os fluxos migratórios no Brasil passaram a ter relação com a industrialização crescente. Houve um processo chamado êxodo rural, ou seja, um grande número de pessoas que saiu do campo, na área rural, em direção às áreas urbanas dos respectivos municípios, as cidades. Esse movimento foi responsável por uma mudança na distribuição da população brasileira, que passou a se concentrar mais nas cidades. Entre os anos de 1950 e 1970 ocorreram muitos fluxos ou correntes migratórias, como é possível observar no mapa:

© DAE/Alessandro Passos da Costa

Brasil: fluxos migratórios (1950-1970) 50° O

RORAIMA 0°

AMAPÁ

Equador

Arq. de Fernando de Noronha

AMAZONAS

PARÁ

MARANHÃO

CEARÁ

PIAUÍ ACRE

ALAGOAS

TOCANTINS

RONDÔNIA

SERGIPE

BAHIA

MATO GROSSO DISTRITO FEDERAL

NORTE

OCEANO ATLÂNTICO

GOIÁS MATO GROSSO DO SUL SUL

Glossário Fluxo: movimento ou deslocamento contínuo de algo ou alguém.

MINAS GERAIS

LESTE

OESTE

RIO GRANDE DO NORTE PARAÍBA PERNAMBUCO

SÃO PAULO

ESPÍRITO SANTO RIO DE JANEIRO

PARANÁ

Trópico Capricórnide o

SANTA CATARINA RIO GRANDE DO SUL

Direção dos principais fluxos migratórios

0

427 1 cm : 427 km

854 km

Fonte: Gisele Girardi e Jussara Vaz Rosa. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 19.

Nesse período, a maior quantidade de deslocamento de pessoas ocorreu do Nordeste para outras regiões. Os nordestinos se mudavam para fugir das secas constantes que castigavam a região. Eles iam em direção às cidades do Sudeste, em busca de novas oportunidades de trabalho. Foi enorme o fluxo de migrantes nordestinos, então chamados de retirantes, em referência às pessoas que se “retiram” de um local e vão para outro. 129

129


Aproveite a oportunidade para dar aos alunos mais informações sobre a cultura nordestina e sua importância para a cultura brasileira. Comente, por exemplo, que os estados de Pernambuco, Maranhão e Bahia receberam muitos escravos africanos. Por meio da interação da população local com os demais povos que chegavam, originou­‑se o que conhecemos como cultura nordestina, que está representada no artesanato, ritmo, teatro, culinária, música, dança e literatura, entre outras manifestações.

Ao chegar ao local de destino, os retirantes trabalhavam principalmente nas indústrias e no comércio, o qual cresceu muito nas cidades. Além do Sudeste, muitos nordestinos migraram rumo ao Sul e ao Centro-Oeste. Já os migrantes que seguiram para o Norte buscavam melhores condições de vida e oportunidades de trabalho na agricultura, sobretudo nos garimpos da região amazônica. Nesse período, ainda ocorreu a construção de Brasília, a cidade que foi projetada para ser a capital do país. As obras da nova capital atraíram migrantes de diversas partes do país, especialmente do Nordeste. Os migrantes que chegavam a Brasília eram chamados de candangos. Após a construção da nova capital, muitos candangos ficaram na região e se estabeleceram no entorno da cidade. Também houve grande fluxo migratório do Sul e Sudeste em direção às regiões Centro-Oeste e Norte, em busca de áreas agrícolas e terras para a criação de gado, chamadas de novas fronteiras agropecuárias. Esse movimento, iniciado entre 1960 e 1970, ainda continuou durante as décadas seguintes, incluindo a Região Norte. Já entre 1970 e 1980, os governos propuseram grandes obras para incentivar o crescimento econômico da Região Norte, entre elas, a criação da Zona Franca de Manaus (polo industrial brasileiro) e a abertura da Rodovia Transamazônica. A queda na industrialização Brasil: fluxos migratórios – 1970-1980 Brasil: fluxos migratórios (1970-1980) do Sudeste e as novas possibilidades no Norte do país geraram RORAIMA AMAPÁ um grande fluxo migratório para a região. Observe o mapa: 50° O

Equador

Arq. de Fernando de Noronha

AMAZONAS

MARANHÃO

PARÁ

CEARÁ PIAUÍ

ACRE RONDÔNIA

ALAGOAS

TOCANTINS

MATO GROSSO

BAHIA

SERGIPE

DISTRITO FEDERAL

NORTE

OCEANO ATLÂNTICO

GOIÁS MINAS GERAIS

LESTE

OESTE

MATO GROSSO DO SUL SUL

RIO GRANDE DO NORTE PARAÍBA PERNAMBUCO

ESPÍRITO SANTO

SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO

PARANÁ

Trópico Capricórnide o

SANTA CATARINA RIO GRANDE DO SUL

Fonte: Gisele Girardi e Jussara Vaz Rosa. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 19.

Direção dos principais fluxos migratórios

0

477

954 km

1 cm : 477 km

Fonte: Gisele Girardi e Jussara Vaz Rosa. Atlas Geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 19.

Esses movimentos migratórios deslocaram muitas pessoas, mas essas regiões não estavam preparadas para receber um número tão grande de habitantes em tão pouco tempo. Regiões despreparadas para receber tantos migrantes podem gerar conflitos sociais, o que resulta na marginalização de uma parcela da população, criando áreas de extrema violência e muitas vezes de preconceito contra os moradores desses bairros 130

Olhar interdisciplinar Geografia Os textos, mapas e atividades deste capítulo permitem uma abordagem conjunta com Geografia para a melhor compreensão dos fluxos ou correntes migratórias. Por meio do trabalho com mapas, espera-se que os alunos desenvolvam as práticas de leitura e interpretação de diferentes registros escritos e iconográficos. 130

Esse tipo de fonte também oferece elementos para eles descreverem a história das migrações no espaço em que vivem, com base na análise dos movimentos migratórios representados nos registros cartográficos.

© DAE/Alessandro Passos da Costa

Orientações


Orientações com pouco infraestrutura. É importante ressaltar que tais problemas ocorrem em todas as cidades do Brasil e do mundo que tiveram crescimento populacional intenso e desordenado em pouco tempo, também denominado explosão demográfica.

Proposta de atividades

O vaivém das pessoas

Após a leitura do texto, observe com os alunos o mapa e a legenda. Eles devem localizar informações sobre os movimentos migratórios entre os estados.

A partir da década de 1980, as migrações entre as regiões do Brasil tiveram uma redução em relação às décadas anteriores. A migração de retorno, ou seja, a volta dos migrantes para as cidades de origem, foi um fenômeno bastante comum a partir dos anos 1990. Um exemplo significativo foi o retorno de muitos nordestinos que haviam migrado para o Sudeste. A expansão das fronteiras agrícolas nas regiões Centro-Oeste e Norte e o crescimento de polos industriais fora do eixo Rio-São Paulo vêm modificando as movimentações populacionais internas para outras áreas. Além da migração de retorno, outros focos migratórios têm sido comuns, como os exemplos a seguir. � Migração intrarregional: refere-se ao deslocamento de pessoas entre municípios de um mesmo estado ou entre estados de uma mesma região. � Migração pendular: essa movimentação de pessoas ocorre diariamente, como se fosse um pêndulo. As pessoas estudam ou trabalham em um município diferente de onde moram, deslocando-se diariamente de sua casa até o local em que desenvolvem essa atividade.

© DAE/Sonia Vaz

Brasil: fluxos migratórios – 1980-2000 Brasil: fluxos migratórios (1980-2000) RORAIMA AMAPÁ

Equador

AMAZONAS

Arq. de Fernando de Noronha

CEARÁ

MARANHÃO

PARÁ

RIO GRANDE DO NORTE PARAÍBA PERNAMBUCO

PIAUÍ ACRE

ALAGOAS SERGIPE

TOCANTINS RONDÔNIA

BAHIA MATO GROSSO

DISTRITO FEDERAL

OCEANO ATLÂNTICO

GOIÁS MINAS GERAIS MATO GROSSO DO SUL Direção dos principais fluxos migratórios Migrantes na população total (%)

20 a menos de 40 Mais de 40

3. Qual é o maior fluxo migratório ainda existente? Eixo Nordeste e Sudeste. 4. Compare os mapas das páginas 129 e 130 com o mapa da página 131 e escreva quais mudanças ocorreram entre 1960 e 2000. Espera-se que os alunos percebam que, em 40 anos, os fluxos migratórios aumentaram e novos fluxos surgiram, entre eles, as migrações entre estados e cidades vizinhas.

Explosão demográfica: expressão utilizada para indicar um rápido aumento populacional de uma região, gerando transformações sociais e econômicas no local. Pêndulo: objeto suspenso, preso a um fio, por exemplo, uma corrente, que oscila livremente num movimento de vaivém.

ESPÍRITO SANTO SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO

SANTA CATARINA

Trópic Capricóorndi e o

NORTE

PARANÁ

Menos de 10 10 a menos de 20

2. É possível perceber nesse mapa o fluxo de migração intrarregional no estado em que você mora? Resposta pessoal.

Glossário

50º O

1. Em quais estados se identifica a migração intrarregional? Amazonas e Pará, Amazonas e Roraima, Pará e Maranhão, Rondônia e Mato Grosso.

LESTE

OESTE

RIO GRANDE DO SUL

SUL 0

427 1 cm : 427 km

Fonte: Gisele Girardi e Jussara Vaz Rosa. Atlas Geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 19.

854 km

Fonte: Gisele Girardi e Jussara Vaz Rosa. Atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2011. p. 19.

131

Apresente aos alunos o mapa político do Brasil para que localizem o estado em que moram. Em seguida, peça que analisem o mapa como um todo. Solicite uma breve pesquisa dos termos referentes às pessoas que vivem nas demais regiões, como sulistas para os habitantes do sul, nortistas para os do norte, e o significado de retirantes e candangos. Espera-se que os alunos descrevam

retirantes como pessoas que se retiraram de um local, e candangos como trabalhadores que construíram Brasília. Informe que antigamente a palavra candango, de origem africana, implicava a ideia de pessoa sem valor. No entanto, o sentido que tomou atualmente refere-se à construção da identidade de pessoas que se constituíram como um povo e formaram uma cidade.

131


Atividades

Atividades

1. O objetivo desta atividade é desenvolver a prática investigativa como forma de compreensão da história individual e coletiva. O relato, considerado como fonte histórica, permitirá a aproximação dos alunos com os temas em estudo, pois revelará novas informações sobre as vivências pessoais que refletem na vida da comunidade e contribuem para a construção do conhecimento histórico.

1

Você conhece algum migrante? Se sim, entreviste essa pessoa para que ela conte-lhe sua história de migração. Em uma folha avulsa, escreva as informações solicitadas no roteiro a seguir. � Nome da pessoa, idade e profissão. � Ano em que a migração aconteceu. � Nome da cidade e estado de onde a pessoa partiu. � Motivo da mudança. � Principais dificuldades enfrentadas quando chegou ao local de destino. Traga a entrevista para a sala de aula e, em uma roda de conversa, compartilhe as informações com os colegas. Resposta pessoal.

2

O texto a seguir foi publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse órgão é responsável por coletar e divulgar informações sobre a realidade nacional, como o censo demográfico, uma pesquisa que traz várias informações sobre a população brasileira. Leia o texto e faça o que se pede. O Censo 2010 mostrou que 35,4% da população não residia no município onde nasceu, sendo que 14,5% (26,3 milhões de pessoas) moravam em outro estado. São Paulo (8 milhões de pessoas), Rio de Janeiro (2,1 milhões), Paraná (1,7 milhão) e Goiás (1,6 milhão) acumularam a maior quantidade de pessoas residentes que não nasceram lá [...]. Disponível em: <https://cnae.ibge.gov.br/en/95-7a12/7a12-vamos-conhecer-o-brasil/ nosso-povo/1471-migracao-e-deslocamento.html>. Acesso em: 17 out. 2017.

a) Os dados do texto coletados pelo IBGE comprovam a migração interna no Brasil? Explique. Sim. Os dados mostram que muitas pessoas não nasceram no município em que moram, o que demonstra que mudaram de lugar.

b) Qual é o estado com maior número de migrantes? De acordo com o que você estudou neste capítulo, por que isso ocorre? São Paulo. Espera-se que os alunos mencionem que a razão do grande fluxo migratório ocorrido para esse estado foi a industrialização.

132

Avaliação Nesta unidade, os alunos estudaram os fatores que geram os movimentos migratórios. Como sugestão de atividade proponha uma dinâmica: os alunos deverão simular a saída de sua cidade natal para outro estado ou país. Traga um mapa-múndi para a classe e prepare filipetas com nomes de cidades, estados e países de modo que cada aluno tenha um destino, e distribua-as de forma aleatória. Cada aluno deverá 132

escrever em uma folha avulsa argumentos para justificar sua mudança, tais argumentos deverão ser lidos para todo a classe. Peça que localizem no mapa o lugar de destino, analisem como a viagem poderia ser feita e o que esperar do novo local. Verifique se demonstram conhecimentos geográficos e culturais dos destinos citados nas filipetas, enriquecendo a conversa.


Orientações 3

Proposta de atividade

Retorne aos mapas das páginas 129, 130 e 131 e faça o que se pede. a) O que é mostrado nesses mapas?

Proponha aos alunos obter os dados sobre a origem das famílias dos colegas de turma. Escreva na lousa o seguinte roteiro: •• Em quantas famílias há pais e/ou mães vindos de fora da cidade? •• Em quantas famílias há mães e/ou pais vindos de fora do estado? •• Quantos avós vieram de outros municípios? •• Quantos avós vieram de outros estados? •• Quantos alunos nasceram nesta cidade e quantos nasceram em outra localidade? •• Que cidade e estado se destacaram como origem dos familiares? Registre as repostas na lousa e elabore, com os alunos, um gráfico de barras. Tenha em mente que é possível que nem todos consigam obter todas as informações. Mesmo assim, será uma ocasião propícia para retomar a ideia de respeito aos diferentes grupos sociais, compreendendo suas singularidades e valorizando as diferenças.

Os fluxos de migração entre 1950-1970 e entre 1970-1980.

b) Preencha o quadro indicando a direção das migrações nas décadas citadas. 1950 e 1970

1970 e 1980

Do Nordeste em direção às cidades do

Do Nordeste e do Sul em direção ao

Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte.

Norte; do Sul para o Centro-Oeste; e do Nordeste para o Sudeste.

c) Observe o mapa da página 131. Descreva se houve fluxo migratório, qual foi e se ele se refere ao estado em que você mora. Espera-se que os alunos respondam que ocorreu fluxo migratório em diferentes direções. A referência ao estado dependerá de onde o aluno mora.

4

As migrações são temas de diversas canções brasileiras. Com auxílio de um adulto, busque na internet a letra da canção Asa branca, de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga. Com base nela, responda às questões. a) Qual é a relação entre essa canção e o assunto abordado neste capítulo? Explique. Espera-se que o aluno mencione a mobilidade da população brasileira, especialmente dos retirantes nordestinos fugindo da seca.

b) Qual é o problema social descrito na música que levou ao movimento migratório? Espera-se que o aluno relate o problema da seca no Nordeste.

133

133


Temas em estudo

PÍTULO CA

•• Relação entre imigração e uso

4

dos meios de comunicação no Brasil ao final do século 19 e início do século 20. •• Meios de comunicação e interatividade entre as pessoas. •• Evolução dos meios de comunicação no Brasil. •• Exclusão digital ou tecnológica.

Os meios de comunicação na História

Vamos fazer uma televisão? Que tal fazer uma televisão de brinquedo para passar sua própria programação?

� uma caixa de papelão; � tinta guache de várias cores; � folha de plástico transparente; � tampas de garrafas PET; � fita adesiva; � tesoura sem ponta; � papel sulfite; � caneta e lápis de cor. Como fazer

Organize esta atividade com antecedência. Como variação da atividade de abertura, oriente a turma na apresentação de um programa de notícias da cidade. Em grupos, os alunos poderão pesquisar acontecimentos atuais para a redação de um texto jornalístico e apresentá-lo em formato de jornal. Outros programas podem compor a grade de apresentação, como programas humorísticos, culinários e esportivos.

1. Com a tesoura, corte o fundo da caixa de papelão em formato de tela. 2. Com a fita adesiva, cole o plástico transparente sobre o buraco que você recortou. Ele servirá de tela. 3. Em cada lado da caixa faça uma abertura fina e longa, de modo que possa passar uma folha de papel sulfite sem deixar muita folga. 4. Pinte a caixa da cor que quiser e cole as tampas para servirem de botões. 5. Cole as folhas de papel sulfite umas nas outras com fita adesiva, até formar uma longa faixa. 6. Faça desenhos nas folhas de papel sulfite, como se fossem os programas que você deseja apresentar na televisão. 7. Passe a faixa de papel sulfite pelas fendas laterais da caixa. Pronto! Agora é só ir passando a faixa com o desenho que você fez e narrar a programação.

134

Desenvolvendo habilidades EF04HI08 Este capítulo aborda os meios de comunicação e a

importância deles para a vida em sociedade. Na primeira atividade – Vamos fazer uma televisão –, inicia­‑se o processo de reflexão sobre esse meio de comunicação no cotidiano, seja como lazer, seja como fonte de informação.

134

 tema contribui para que os alunos compreendam que, O entre os saberes produzidos pela humanidade ao longo da História, a capacidade de comunicação e de diálogo se destacam, pois são instrumentos fundamentais para a promoção do respeito à pluralidade cultural, social e política.

Dam Ferreira

Material:

Orientações


Orientações Imagine que você tivesse de se mudar de país com sua família, provavelmente para nunca mais voltar. Ainda mais do que isso, imagine que as pessoas do país onde você fosse morar falassem outra língua e tivessem costumes diferentes dos seus. Assim era a situação da maioria dos imigrantes no Brasil do final do século 19 e início do 20, e ainda hoje são esses os problemas que enfrentam os imigrantes atuais. Uma das formas de o imigrante lidar com a saudade e o estranhamento é buscar a convivência com outras pessoas do país dele. Naquela época, por exemplo, em várias regiões do país formaram-se colônias de imigrantes, nas quais pessoas da mesma etnia – como italianos, alemães, japoneses, lituanos, poloneses, ucranianos etc. – partilhavam o mesmo espaço. Foi assim que surgiram, por exemplo, os bairros italianos da cidade de São Paulo, como Belenzinho, Bixiga, Bom Retiro e Brás. Mas eles também buscavam integrar-se uns aos outros por meio de jornais, escritos em língua estrangeira e voltados a eles e seus descendentes. Alguns desses jornais eram muito lidos. Em 1893, por exemplo, o jornal Fanfulla, da colônia italiana em São Paulo, teve uma tiragem de 15 mil exemplares. Só para ter uma ideia, o jornal O Estado de S. Paulo, um dos mais importantes do país no período, teve naquela mesma ocasião uma tiragem de 20 mil exemplares! Entretanto, nem todos os jornais voltados aos imigrantes eram escritos em língua estrangeira. O colono alemão, fundado em 1836 no Rio Grande do Sul, por exemplo, era escrito em português. No início do século 20, esses jornais cumpriam uma importante função política, pois publicavam notícias de interesse dos operários. Assim, em épocas de greve, esses pequenos jornais ofereciam um ponto de vista bastante diferente do apresentado pela grande imprensa.

Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, Porto Alegre

A imprensa imigrante

Relembre aos alunos o significado de comunidade, ou seja, um grupo de pessoas que compartilham os mesmos interesses, costumes, cultura ou hábitos. Leve-os a refletir sobre o fato de os imigrantes dos séculos 19 e 20 terem formado comunidades na tentativa de minimizar a saudade da terra natal e as dificuldades de interação. Analise com eles as informações do texto e a função social dos jornais impressos. Se possível, traga para a sala de aula alguns exemplares de jornais e os distribua aos alunos para que selecionem uma matéria ou notícia para leitura. Em seguida, pergunte quem já teve ou tem acesso a jornais e como eles podem usá-lo para se manter informados e adquirir novos conhecimentos.

Glossário Etnia: grupo de pessoas que pertencem a um mesmo povo ou compartilham a mesma cultura.

9

Reprodução de trecho da primeira edição de O colono alemão, 1836.

135

P or meio da leitura do texto “Rádio e televisão”, os alunos entenderão o contexto histórico e social e o objetivo da criação desses meios de comunicação, que era divulgar informações e oferecer cultura à sociedade. Assim, eles poderão identificar as transformações ocorridas neles.

135


Orientações No início do século 20, o rádio ainda era uma invenção relativamente nova. Os equipamentos da época eram muito caros, nem sempre havia como comprá-los e ainda não existiam as estações de rádio. Quem teria interesse em investir em uma estação de rádio se ninguém tinha dinheiro para comprar o aparelho e ouvir a programação? A primeira grande transmissão de rádio no Brasil 9 Família ouve o rádio. França, 1925. aconteceu no dia 7 de setembro de 1922, em comemoração aos 100 anos da Independência. Epitácio Pessoa, na época o Presidente da República, fez um discurso que alcançava Petrópolis e Niterói, no Rio de Janeiro e a cidade de São Paulo graças às potentes antenas instaladas no alto do Corcovado, o popular morro da cidade do Rio de Janeiro. Cerca de 80 aparelhos de rádio haviam sido trazidos dos Estados Unidos e espalhados por essas três cidades, muitos deles em locais públicos. No início, as transmissões de rádio destinavam-se a poucas pessoas, e as emissoras contavam com a mensalidade paga pelos ouvintes. A programação tinha função educativa e cultural. Na década de 1930, as leis brasileiras permitiram às emissoras que passassem comerciais na programação. Assim, com o dinheiro pago pelos anunciantes, o rádio tornou-se um negócio lucrativo, popularizando-se. Além de músicas, as pessoas ouviam programas de auditório e radionovelas. Os noticiários também atraíam bastante interesse, como o Repórter Esso, especializado em notícias internacionais. Por volta de 1950, a televisão surgiu no Brasil, com a criação da TV Tupi. No início, toda a programação desse canal tinha de ser improvisada, pois não havia gravações. Tudo era feito ao vivo, menos as imagens dos noticiários: as reportagens eram filmadas e os filmes eram transportados de avião e revelados às pressas, para dar tempo de aparecerem no noticiário. O Repórter Esso, que já existia no rádio, passou a ter uma versão para a TV. Mais tarde foram desenvolvidas técnicas de gravação, e a programação da televisão passou a ser mais profissional. Das radionovelas surgiram as telenovelas, que eram um verdadeiro sucesso, tanto quanto eram os programas de auditório. Assim como os jornais, o rádio e a TV tornaram-se importantes formas de comunicação e de formação da opinião pública.

Proposta de atividades Aproxime o tema da vivência pessoal fazendo outras questões para que respondam no caderno, como: 1. Com que frequência você escuta rádio? Qual seu programa preferido? 2. Você vê televisão aberta? Quais são seus programas preferidos? 3. Você tem acesso a programas pagos de televisão ou internet? Aos quais você assiste?

136

Orientações Proposta de atividade Oriente os alunos na criação de um programa de rádio e, assim, estimule o protagonismo deles. Organize-os em grupos; cada grupo será responsável por uma tarefa. Eles deverão escolher, com a participação de todos, quem será o locutor e a locutora, que tipo de música apresentarão, quem serão os 136

anunciantes, que notícias serão narradas e como será o programa de humor que poderá ser acrescentado para dar um sentido lúdico ao trabalho. Reforce que o programa de rádio deve atender ao público infantojuvenil. Portanto, as músicas, histórias, notícias e anúncios

Photo12/AFP

O rádio e a televisão

Após a leitura, solicite aos alunos que elenquem os pontos mais importantes do texto. Entre os registros possíveis, espera-se que os alunos destaquem: •• a primeira transmissão de rádio no Brasil; •• o pagamento de mensalidade para recebimento das transmissões de rádio; •• a entrada de anúncios publicitários; •• o início da televisão no país; •• os primeiros jornais para a televisão; •• o surgimento das telenovelas. Essa reflexão possibilitará aos alunos perceber que os programas e produtos consumidos hoje nem sempre foram assim.


Orientações

Comunicação e interatividade

Arquivo/Estadão Conteúdo/AE

No passado havia poucos canais de rádio e televisão, e os programas buscavam atrair o maior número de pessoas possível. Em 1942 foi criado o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, também conhecido pela sigla Ibope. Naquela época, seu principal objetivo era saber de quais programas as pessoas mais gostavam, ou seja, que tinham maior audiência. Hoje o Ibope também faz pesquisas sobre hábitos de consumo e intenção de voto durante as eleições. O rádio e a televisão buscavam apresentar os programas mais populares para atrair os anunciantes de publicidade e, com isso, mais dinheiro. Por isso as pessoas tinham poucas opções de canais para assistir ou estações para ouvir. Só com o passar do tempo o número de estações de rádio e de canais de televisão aumentou e a programação passou a ser mais variada. Atualmente, ao ligar o rádio podemos perceber que há estações especializadas em notícias, outras em esportes, e outras ainda em diferentes estilos de música etc. Isso também ocorre com os inúmeros canais, sobretudo da TV a cabo. Com o cinema acontece algo parecido. Existem inúmeros tipos de filmes: ação, aventura, comédia, drama, romance, animação, ficção científica, guerra, suspense, terror, entre outros. A internet aumentou 9 Entrada do Cinema Rivoli, na cidade de São Paulo, em 1958. a possibilidade de escolha. Podemos buscar e ver o que quisermos, na hora que desejarmos. Toda essa mudança na comunicação foi possível devido aos avanços das tecnologias de transmissão. Contudo, nem todas as pessoas têm acesso a essas novidades, pois moram em regiões pobres e acabam ficando fora do mundo virtual. Isso é chamado de exclusão tecnológica ou digital. Uma das maneiras de reduzir a exclusão digital é o governo de cada país aumentar os investimentos na área social, possibilitando à população mais empregos e melhores salários, o que facilita o acesso delas à internet e às informações digitais.

Proposta de atividade Com base na leitura do texto, faça um levantamento das preferências dos alunos simulando uma pesquisa. Utilize as perguntas da atividade anterior como parâmetro e insira novos itens. Nessa faixa etária, os alunos ainda demonstram interesse por desenhos animados, porém alguns já assistem a outros programas com a família, como novelas, programas esportivos, de culinária ou telejornais. Tabule os dados e os registre na lousa; construa um gráfico ou tabela para que possam analisar os resultados com olhar matemático. Como forma de garantir propostas pedagógicas interdisciplinares, ofereça situações de aprendizagem em que os alunos precisem recorrer a esses registros para resolver os problemas. Além disso, trabalhar temas que possibilitem aos alunos expressar suas ideias e gostos pessoais propicia que, observando singularidades e semelhanças, eles se percebam como parte da coletividade.

137

devem atender a essa faixa etária. Para cada atividade, os alunos deverão pesquisar e redigir pequenos textos, que serão narrados pelos locutores e anunciantes. A elaboração desta atividade requer tempo e aulas exclusivas. Sugira que a atividade seja gravada em áudio e vídeo como registro de aprendizagem. 137


Orientações Leia o texto com os alunos e explique-lhes que as atitudes indicadas são importantes para que, ao se deparar com informações falsas, consigam discernir aquilo em que podem ou não acreditar.

# Digital

Kheng Guan Toh/Shutterstock.com

No ano de 2015, havia cerca de 50 bilhões de páginas na internet. É muito conteúdo para ser lido, não é? Será que todas essas páginas apresentam conteúdos de confiança? Apesar de uma grande quantidade de sites fornecer conteúdos confiáveis, existem pessoas mal-intencionadas que criam páginas com o propósito de divulgar informações 9 O troll é uma figura do folclore de países falsas, difamar pessoas ou espalhar boatos. do norte da Europa. Trata-se de um ser Por isso, é muito importante atentar-se que adora irritar as pessoas. Na internet, o termo é usado para designar as pessoas ao que você lê na internet, para não divulgar que adoram pregar peças e trotes; daí informações equivocadas. Por lei, quem publitambém surgiu a expressão “trollagem”. ca e/ou divulga esse tipo de informação pode estar praticando crimes. Mas como é possível termos uma postura crítica em relação ao que é publicado na internet? Podemos adotar algumas atitudes:

Verifique se a informação é acompanhada de um link e se ele funciona. Notícias sem indicação da fonte têm grande chance de serem falsas.

A notícia foi publicada em vários veículos? Quanto mais registros houver de uma informação, maior a possibilidade de ela ser verdadeira.

Confira se o mesmo texto se repete em várias fontes. Textos idênticos indicam que pode ter havido “copia e cola” sem confirmação de veracidade.

Cheque a reputação das fontes. Sites confiáveis apresentam vários pontos de vista.

As informações estão claras e específicas? Se estiverem confusas ou mal escritas, desconfie.

138

138

Deb Clark/Shuttesrstock.com

Se está na internet é confiável?


Orientações Antes de encaminhar a atividade, escolha alguns sites que sejam confiáveis e outros que não sejam. Abra cada um deles com os alunos e peça-lhes que os observem e analisem. Esse momento é importante para checar se compreenderam bem quais são os métodos necessários para verificar se o conteúdo apresentado é confiável.

Qual é a data da publicação? A informação pode ser verdadeira, mas estar fora do contexto.

Kheng Guan Toh/Shutterstock.com

Além disso, ao ler uma notícia na internet é importante também atentar-se para:

Parece absurdo? É provável que seja.

A notícia está completa? Títulos podem ser distorcidos apenas para chamar a atenção. É importante seguir essas orientações ao buscarmos informações na internet para não obtermos informações incorretas. Vamos colocar em prática um pouco do que você aprendeu?

1

Faça uma pesquisa na internet para descobrir se as afirmativas a seguir são falsas ou verdadeiras. Informação

Verdadeiro

Falso

Os avestruzes enterram a cabeça na areia. A cor vermelha provoca a ira nos touros. Se ocorresse um ataque nuclear, as baratas seriam as únicas a sobreviver. Algumas abelhas morrem depois de ferroar alguém ou alguma coisa. 2

Leve seus registros para a sala de aula e apresente-os aos colegas. Suas respostas foram iguais ou diferentes da maioria da turma? 139

139


Orientações

Atividades

Proposta de atividade 1

O texto a seguir é um trecho de uma notícia do jornal A Folha da Manhã, de 25 de fevereiro de 1926: Arquivo/Folhapress

1. Explique aos alunos que todo jornal, seja de que tipo for, tem uma linha de pensamento e, por isso, representa interesses de determinado grupo social ou político. Para ilustrar essa afirmativa, traga para a sala de aula notícias do mesmo fato, divulgadas em diferentes jornais, para que os alunos possam analisá-las, comparando as informações e como foram publicadas. Para auxiliá-los na análise do material, escreva no quadro de giz alguns tópicos que nortearão a tarefa, como: •• título da notícia nos diferentes jornais; •• data, local e pessoas envolvidas no acontecimento; •• opinião de quem escreveu a notícia (aspecto que não deveria constar em uma notícia). Após a leitura e registro das semelhanças e diferenças, questione os alunos sobre o que perceberam e se é possível afirmar que as notícias podem trazer informações diferentes ou atender a interesses de um determinado grupo.

9

Texto publicado no jornal A Folha da Manhã, em 25 de fevereiro de 1926.

a) Qual é o assunto dessa notícia? Sobre o destino e a situação dos imigrantes que vinham ao Brasil.

b) Qual é o problema apontado pela notícia? Muitos imigrantes vinham para o trabalho na lavoura, mas acabavam parando nas cidades.

c) Em sua opinião, a Folha da Manhã pode ser considerada um jornal para os imigrantes? Justifique sua resposta. Não. Como ressalta aspectos negativos da imigração para a sociedade brasileira, o jornal não se dirigia aos imigrantes.

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Avaliação Durante os estudos dos meios de comunicação, os alunos poderão produzir os diferentes formatos deles. Nesse momento, proponha a eles a produção de um jornal impresso com notícias sobre a escola em que estudam. Converse sobre a importância desse jornal no espaço escolar. Verifique se já existem propostas desse tipo e se a circulação do material é acessível a todos os alunos. Para motivá-los, sugira que criem um nome para o jornal e 140

pensem em textos e atividades que poderiam compor o editorial, por exemplo: •• notícias de eventos ocorridos na escola; •• matérias sobre as próximas atividades culturais; •• entrevista com profissionais da unidade escolar; •• passatempos; •• dicas de leitura.


Orientações Proposta de atividade

Observe a charge atentamente e depois responda às questões. Ivan Cabral

2

Proponha uma tarefa para casa em que os alunos tenham que assistir a um programa de sua preferência em que haja intervalos comerciais. Solicite que escrevam no caderno os anúncios veiculados e os produtos anunciados. Instrua a turma a registrar também o tempo de duração do programa, quantos intervalos comerciais foram feitos e quantas vezes o mesmo comercial foi vinculado nesses intervalos. No dia combinado, organize uma roda de conversa para que os alunos apresentem os dados coletados. Faça a tabulação deles na lousa. Com essa informação, os anúncios poderão ser analisados e os alunos entenderão a intenção deles: incentivar o consumo de mercadorias produzidas para a faixa etária de quem está assistindo ao programa.

a) Você sabe o que é “rede social”? Se necessário, pesquise. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos mencionem as redes sociais de relacionamento on-line, como Facebook, WhatsApp e outras, em que as pessoas se conectam para se comunicar e compartilhar informações (de forma pública ou particular).

b) Quais redes sociais você conhece? De quais já ouviu falar? Resposta pessoal. A resposta estará de acordo com a tecnologia virtual vigente, podendo ser qualquer uma conhecida pelos alunos.

c) A crítica feita nessa imagem mostra o que você aprendeu sobre exclusão digital? Explique. Espera-se que os alunos respondam que sim. O personagem parece estar excluído das redes sociais digitais; a única rede que ele conhece ou pode usar é a rede de sentar-se ou dormir, que está compartilhando/dividindo com seus familiares.

141

Organize os alunos em grupos para que escrevam e produzam o material de acordo com as seções do jornal. Esta atividade deve ser usada na avaliação deles. Observe o conhecimento dos alunos sobre a função social de um jornal, o público-alvo, a linguagem utilizada, e se identificam a produção de textos como registro documental de um período histórico.

141


Orientações Esta seção possibilita a abordagem interdisciplinar com Língua Portuguesa por meio da apresentação de diferentes gêneros textuais, no caso, um texto de literatura infantil. Antes de propor a atividade, faça a leitura completa do texto informando que, na época retratada, era comum casamentos arranjados. Isso ajudará a entender o motivo pelo qual a mãe da personagem foi morar com o padrasto. Questões para interpretação do texto também podem ser trabalhadas antes, a fim de que tenham mais elementos e informações para elaborar a história. Dessa forma, apresente na lousa as seguintes questões:

Hora da leitura Muitas pessoas imigraram para o Brasil em diferentes períodos. Há vários livros que relatam as viagens e a nova vida das pessoas nas terras a que elas chegaram. Leia este relato: ARQUIVO/AGE/Estadão Conteúdo/AE

Minha história começa numa aldeia italiana, muitos e muitos anos atrás… E continua na cidade brasileira de São Paulo, muitos e muitos anos atrás… Atrás, onde?… Lá, no tempo e no espaço da minha memória. Eu tinha dez anos quando, com meu irmão Caetaninho, cheguei ao porto de Santos para reunir-me à metade brasileira de minha família: minha mãe, meu padrasto e os irmãozinhos nascidos no Brasil. […] Eu estava em São Paulo, eu estava em 1900. 9 Imigrantes italianos posam para fotografia na chegada ao Porto de Santos, São Paulo, 1957. Um novo mundo, um novo século, uma nova idade. O futuro era agora. E a menina que tinha vindo “fazer a América” ia crescer […] E o que era a América, afinal?… Para mim, era a rua Tamandaré, no bairro da Liberdade, na cidade de São Paulo, onde ficava a casa em que vim morar no Brasil. […] Essa era a minha América: uma rua da Liberdade, onde se concentrava uma pequena população da Baixa Itália, quase todos [...] vindos da Saracena, a aldeia em que nasci em 1890 [...]. Unidos pelas mesmas raízes e solidários nas necessidades comuns, conservavam esses patrícios os costumes e dialeto da região de origem, embora já se aclimatando aos novos hábitos e à língua do país de adoção.

1. O que a menina quis dizer com “o futuro era agora”? 2. Para você, o que ela quis dizer com “país de adoção”? 3. O Brasil pode ser considerado um país de adoção? Com essas questões, es­pe­ ra­‑se que os alunos observem que os períodos temporais são dinâmicos: o passado já passou, o presente acontece, mas o futuro está chegando. Também é esperado que entendam que o local que recebe imigrantes é um local que adota, que oferece ajuda.

Ilka Brunhilde Laurito. A menina que descobriu o Brasil. São Paulo: FTD, 1994. p. 5-8.

1

142

142

Invente uma história em quadrinhos com as informações que você leu no texto. Os itens a seguir devem fazer parte de sua história: Resposta pessoal. a) a aldeia na Itália; b) a viagem para o Brasil; c) a chegada à nova terra; d) a vida em São Paulo.


Orientações

HISTÓRIA em ação

O Museu da Imigração

Alf Ribeiro/Shutterstock.com

Você sabia que existem vários museus que contam a história da imigração no Brasil? Um deles é o Museu da Imigração, que fica no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo. Lá é possível conhecer um pouco da história dos imigrantes que vieram ao Brasil nos séculos 19 e 20. Antigamente, o Museu da Imigração era a Hospedaria dos Imigrantes. Os navios traziam essas pessoas até o Porto de Santos e dali elas eram levadas a essa hospedaria, onde permaneciam por cerca de uma semana até serem encaminhadas para os locais de trabalho, geralmente fazendas no interior de São Paulo. A hospedaria, que funcionou de 1887 a 1978, podia abrigar mais de mil pessoas ao mesmo tempo. Ela hospedou nesse período cerca de 2 milhões e meio de imigrantes de várias nacionalidades. Em 1998, o prédio da hospedaria foi transformado no Memorial do Imigrante, que funcionou até 2010. Depois de passar por uma reforma, o local se tornou um museu aberto ao público. Hoje é um importante ponto turístico da cidade de São Paulo, pois lá podemos conhecer vários elementos que resgatam a memória desses povos: as instalações da antiga hospedaria, fotografias, objetos pessoais e documentos. O museu também mantém uma coleção de documentos sobre a imigração, que podem ser acessados pela internet.

9

Retome com os alunos o conceito de museu. Lembre a eles que, nos museus, são arquivadas diferentes fontes históricas. Assim, os acervos dos museus podem ser de arte, história, ciência ou de culturas variadas. Em algumas dessas instituições, os arquivos são digitalizados. O uso de tecnologia para arquivo e disponibilidade dos registros documentais proporciona a pessoas de diferentes partes do mundo conhecer e interagir com as obras dessas instituições, mesmo estando em locais distantes delas. Para mostrar como isso ocorre, agende um horário no laboratório de informática e instrua a turma a entrar no site do Museu da Imigração (<www. museudaimigracao.org.br/>; acesso em: jan. 2018). Reserve um tempo para que os alunos investiguem todo o site e, em seguida, faça uma visita guiada com eles. Para que esta atividade seja bem-sucedida, visite o site com antecedência e selecione os campos que deseja estudar com os alunos. Como sugestão, acesse o acervo sobre imigração para que tenham acesso a fotografias desse período.

Fachada do Museu da Imigração, antiga Hospedaria dos Imigrantes, 2017.

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Orientações

Como eu vejo A febre amarela

Christiane S Messias

Explique aos alunos que a febre amarela é uma doença causada por vírus e que apresentou um surto recente, iniciado em 2016. É importante relacionar os conteúdos da unidade a este conteúdo. Portanto, destaque que a doença tem se espalhado pelo mundo e apresentado surtos desde a primeira metade dos anos 1600. Nos séculos 18 e 19, por exemplo, os Estados Unidos passaram por repetidas epidemias da doença, e acredita-se que tenha sido trazida nos navios procedentes das Índias Ocidentais e do Caribe. No Brasil, os primeiros casos ocorreram no século 17, em Pernambuco e na Bahia, e sua origem pode ter sido a mesma das epidemias ocorridas nos Estados Unidos. Por isso, é necessário dar a devida atenção aos fluxos humanos internos e externos, uma vez que as pessoas vindas de áreas de risco podem fazer ressurgir a doença em locais onde ela estava erradicada. Explore a forma pela qual o ciclo da doença ocorre e relacione-a aos fluxos humanos estudados.

A febre amarela é uma doença viral comum em países da África e da América do Sul. Ela é transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti, Haemagogus e Sabethes.

No Brasil, desde a década de 1940 produzem-se vacinas contra a febre amarela. Recomenda-se que as pessoas tomem duas doses da vacina na infância. Caso isso não ocorra, é possível tomá-la na idade adulta, com um intervalo de 10 anos entre cada dose.

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Olhar interdisciplinar Ciências e Geografia Você pode articular os conhecimentos abordados nesta seção com conteúdos de Ciências, em especial para consolidar o trabalho com a habilidade EF04CI08 , que trata da forma de transmissão de microrganismos – no caso o vírus da febre

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amarela – e medidas adequadas para a prevenção de doenças. Há também a possibilidade de trabalhar com a habilidade EF04GE04 de Geografia, explorando o fluxo de pessoas na relação de interdependência entre campo e cidade.


Orientações Mais de 130 países exigem que os visitantes se vacinem antes de entrar em seu território. O Brasil ainda faz parte da lista de países em que há risco de contaminação. Por isso, recomenda-se tanto a brasileiros como a estrangeiros, antes de viajar para áreas de risco, tomar a vacina.

Proposta de atividade 1. Como os ciclos da febre amarela se associam com os fluxos humanos no Brasil? Espera-se que os alunos respondam que o ciclo urbano tem origem quando pessoas infectadas com a doença vão para as cidades e são picadas pelo mosquito Aedes aegypti, ou seja, o deslocamento de pessoas entre zonas rurais e urbanas e pessoas que saem de áreas de risco para regiões não afetadas.

Outra forma de evitar a febre amarela em áreas de risco de contaminação é utilizar roupas que protejam o corpo contra picadas de insetos e aplicar repelente nas áreas expostas da pele.

CICLO DA DOENÇA: 4

2

Aedes aegypti pica outras pessoas e propaga a doença.

Pessoa picada pelos mosquitos Haemagogus ou Sabethes é infectada em zona rural.

1

Picada dos mosquitos Haemagogus ou Sabethes em macaco infectado.

3

Pessoa contaminada na área rural vai para área urbana e é picada pelo Aedes aegypti.

1. Numere as imagens na sequência correta do ciclo de transmissão da febre amarela. 2. Sublinhe, no texto, as medidas necessárias para evitar a propagação da doença.

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Orientações Converse com os alunos para verificar o que sabem sobre febre amarela e vacinação. Solicite-lhes que façam uma pesquisa e, se julgar conveniente, organize o assunto em tópicos e distribua um tópico para cada grupo – por exemplo: vacinação, vírus, formas de transmissão e prevenção da doença, áreas endêmicas, a relação entre os macacos e a febre amarela etc. Concluída a pesquisa, peça que selecionem as informações para confeccionar um gráfico sobre os casos de febre amarela ao longo dos últimos cinco anos no Brasil e na região em que moram. Cuide para que percebam as particularidades entre o campo e a cidade em relação à quantidade de casos. Para gravar as notícias, eles podem utilizar um gravador de telefone celular ou de computador. Após a gravação, permita­ ‑lhes que escutem os noticiários para que percebam possíveis melhorias e, ao final, pensem em formas de divulgação do jornal falado.

Como eu transformo Conhecendo e informando O que fazer? Um jornal falado.

Com quem fazer?

Para que fazer? Para informar e sensibilizar as pessoas sobre a febre amarela e, assim, reduzir os casos na comunidade em que se mora.

Com os colegas e o professor.

Como fazer? 1

Reúna-se com três colegas e, juntos, pesquisem mais informações sobre a febre amarela, formas de transmissão e prevenção e a distribuição da vacina. Em seguida, compartilhem-nas com a turma.

2

Selecionem informações acerca do quadro da febre amarela no país e na sua região nos últimos cinco anos. Procurem identificar a quantidade de casos registrados.

3

Elabore, com o professor e os colegas, um gráfico para divulgar as informações selecionadas. O que puderam descobrir? Lembrem-se de utilizar essas informações no jornal falado que vocês criarão.

4

Organizem, com o apoio do professor, uma notícia com as informações que coletaram, para ser divulgada no jornal falado.

5

Combine, com os colegas de grupo, como vocês apresentarão a notícia, quem falará e o que será falado. É interessante, durante o ensaio, registrar o tempo utilizado para informar cada notícia.

6

No dia combinado, faça a parte que ficou sob sua responsabilidade e ajude os colegas na gravação do jornal falado.

7

Decida, com a turma, as melhores formas de divulgação do jornal. Você O quecuida achou bem de montar de sua saúde? o livro Por da turma? quê? Por quê?

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Orientações

Revendo o que aprendi 1

Nesta seção, os alunos terão a oportunidade de revisar as aprendizagens. Por meio das atividades, pode-se, então, verificar quais ainda demonstram dificuldade em compreender alguns conceitos importantes para o estudo da história. Elas podem ser utilizadas de forma avaliativa.

Leia o texto e depois responda às questões: Mais de 50 milhões de europeus – população global da Itália hoje – deixaram o continente entre 1830 e 1930. Grande parte teve como destino a América do Norte [...] mas 11 milhões, ou seja 22% do total, foram para a América Latina, dos quais 38% eram italianos, 28% espanhóis, 11% portugueses, e 3% da França e Alemanha. Desses 11 milhões que foram para a América Latina, 46% foram para a Argentina, 33% para o Brasil, 14% para Cuba e o restante dividiu-se entre Uruguai, México e Chile.

1. Leia o texto e solicite que calculem o período de tempo apresentado no primeiro parágrafo. Espera-se que percebam que o processo de maior imigração para a América Latina durou cem anos. Retome o conceito de século para que todos desenvolvam a noção de contagem de tempo com vocabulário apropriado. Também é possível explorar mais o texto apresentando um mapa-múndi para localização de outros países da América Latina. Nesse momento, explique-lhes que essa parte do continente americano é denominada latina, pois as línguas faladas em seus territórios são originadas do latim. O texto apresenta números em porcentagem e, mesmo que a turma não domine esse conteúdo, ilustre com contagens simples dizendo que, a cada 100 habitantes de determinado país, uma quantidade migrava para a América Latina.

Zuleika Alvim. Imigrantes: a vida dos pobres no campo. In: Fernando Novais e Nicolau Sevcenko (Org.). República: da Belle Époque à Era do Rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. v. 3. p. 218. (Coleção História da Vida Privada no Brasil).

a) A quantidade de pessoas que imigraram para a América era grande ou pequena? Justifique sua resposta. Grande, pois é comparável à atual população da Itália.

b) Qual é o país da América Latina que mais recebeu imigrantes europeus? Argentina.

c) De que país era a maioria dos imigrantes europeus que vieram para o Brasil? Da Itália.

2

Liandra mudou do Brasil para Londres, na Inglaterra. Com base nessa informação responda: a) Como se chama o processo de mudança de um país para outro? Migração externa ou imigração.

b) Que dificuldades Liandra poderá enfrentar? Adaptação à língua e aos costumes locais, arrumar emprego, acostumar-se a um novo clima etc.

c) Suponha que Liandra tenha ido a Londres por meio de intercâmbio, para estudar por determinado tempo. Que benefícios ela pode ter? Ela poderá aprender novos costumes, conhecer pessoas e lugares diferentes, vivenciar experiências inovadoras e adquirir conhecimentos.

147

147


Orientações 3. Com esta atividade espera-se que os alunos façam a leitura de uma imagem e localizem elementos que identifiquem a movimentação de povos nordestinos para outros estados brasileiros. Retome o conceito de retirantes e discuta com a turma a terminologia sem o caráter pejorativo que, durante muito tempo, foi associado às pessoas do Nordeste que migraram para São Paulo.

Observe a imagem e faça o que se pede. Rodolpho Machado/Opção Brasil Imagens

3

9

Monumento aos retirantes, em exposição no Parque Dona Lindu. Recife, Pernambuco, 2015.

a) Qual é o nome dessa obra de arte? Monumento aos retirantes.

b) Procure no dicionário o significado do nome dessa arte e relacione-o com a migração. Retirantes são pessoas ou grupos que se retiram (saem) da região onde moram e vão para uma região aparentemente mais promissora.

c) Com base na questão anterior, como você explicaria o deslocamento representado nessa obra de arte? Espera-se que, entre as hipóteses, os alunos citem: busca de emprego/trabalho, melhores condições de vida, entre outras.

148

Orientações Proposta de atividade Como encerramento da unidade e do tema em estudo, faça uma dinâmica. Organize uma roda e ofereça um rolo de barbante. Inicie dizendo a primeira palavra que lhe vier à cabeça sobre o tema e enrole a ponta do barbante em seu dedo, jogando o rolo para um aluno. Ele deverá seguir a dinâmica falando uma palavra e, 148

depois, jogando o rolo para o colega. Desse modo, é construída uma teia entre os alunos. No final, pergunte aos alunos o que observaram durante o desenvolvimento da atividade. Espera-se que percebam a rede de ideias formada por meio das falas e que todas as palavras estão conectadas com o estudo desenvolvido.


Orientações 4. Nesta atividade os alunos poderão identificar as mudanças ocorridas nos meios de comunicação com a criação de novas tecnologias de informação, que garantem acesso às informações vinculadas pelas agências de publicidade.

Observe esta imagem e responda: Biblioteca Mario de Andrade, São Paulo

4

9

Propaganda de televisão publicada na revista O Cruzeiro, em 23 de setembro de 1950.

a) O que ela mostra? Uma propaganda de televisão.

b) Analisando-a, que informações podemos obter? Que os aparelhos de TV começaram a ser vendidos, assim mais pessoas podiam ter acesso a esse meio de comunicação.

c) Qual é a semelhança ou diferença dessa propaganda antiga em relação às propagandas atuais? Espera-se que os alunos percebam que hoje as propagandas mostram as inovações tecnológicas dos televisores, atualmente mais populares e acessíveis. Na época dessa propaganda, poucas pessoas tinham acesso a esses sofisticados aparelhos.

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Peça aos alunos que retirem do dedo o barbante e deixem a teia ainda aberta. Solicite que escrevam suas palavras numa filipeta, que pode ser feita com papel sulfite ou papéis coloridos; na sequência, oriente os alunos para que colem os papeis na teia.

Localize na escola um espaço em que a teia possa ficar visível aos alunos de outras turmas e eles possam observar as conexões formadas e relacionar imigração com formação do Brasil e diversidade cultural.

149


Orientações Finalize a revisão desta unidade com a leitura das frases. Peça aos que alunos retomem a imagem de abertura para resgatar as impressões iniciais e constatar a aprendizagem deles desde os conhecimentos prévios até o construído com as leituras e atividades desenvolvidas. Assim, ao fazer as perguntas seguintes ao texto, espera-se que a turma responda que as pessoas mostradas na abertura representam os povos que migraram para o Brasil e originaram a cultura brasileira. Retome a ideia de quebra-cabeça para que percebam que nossa cultura é a união e a transformação de costumes e tradições de diferentes povos, o que nos torna um país formado pela diversidade étnica, cultural e religiosa.

99

Nesta unidade vimos

O Brasil é um país formado por povos de diferentes etnias e culturas. Imigrantes de diferentes regiões do mundo vieram e ainda vêm morar no Brasil. Os processos migratórios externos e internos ocorrem por diferentes motivos. Migrações internas são o deslocamento populacional que ocorre dentro de um país. � Os meios de comunicação passaram por mudanças e transformações ao longo dos anos e hoje são mais populares. Galeria Nacional de Arte Moderna, Roma

� � � �

9

Angelo Tommasi. Os emigrantes, 1895. Óleo sobre tela, 2,62 m × 4,33 m.

Para finalizar, responda: O que representa o objeto que os personagens estão montando nas páginas 110 e 111? 9 De acordo com o que você estudou da imigração, quem são os personagens da imagem? 9 Como você poderia relacionar a cultura brasileira a esses personagens e ao quebra-cabeça? Explique. 9

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Avaliação de aprendizagem Durante o trabalho pedagógico, os alunos compararam tanto os meios de transporte do passado com os do presente como também os meios de comunicação antigos com os atuais, entendendo o papel de todos para conectar lugares e pessoas. Foram também incentivados a valorizar suas ações como sujeitos históricos, respeitando as diferenças culturais e evitando a discriminação. 150

Entre os objetivos gerais, espera-se que os alunos, no término desta unidade, possam identificar as características do deslocamento de imigrantes e migrantes e o contexto histórico que desencadeou a movimentação dessas populações. Para finalizar, proponha uma autoavaliação em que seja considerado todo o processo vivido por eles. Essa avaliação permitirá que cada um se posicione diante dos desafios propostos e analise como desenvolveu as tarefas apresentadas.


Orientações Meu avô árabe Esse livro possibilita ao leitor conhecer melhor a cultura árabe. Enfatize as conversas entre o avô e a neta e comente que as histórias de família são uma forma de transmissão oral de conhecimento. A leitura leva o leitor a visitar costumes e tradições que pertencem ao patrimônio imaterial de um povo e, por meio dela, vemos a manutenção e a preservação da história e de expressões culturais. Destaque os provérbios apresentados e explore mais uma vez provérbios da cultura brasileira. Assim, depois de trabalhar todas as informações do livro, os alunos poderão conversar com os avós ou parentes mais velhos sobre a história de vida deles. Peça que escrevam um texto narrando essa trajetória. Na data combinada, cada aluno lerá sua história para os colegas.

Para ir mais longe Livros Editora Panda Books

9 Meu avô árabe, de João Anzanello Carrascoza. São Paulo:

Panda Books, 2012. Por meio das várias conversas entre Yasmim e seu Jido, descobrimos muitos aspectos sobre sua origem árabe, sua terra natal e a cultura de seus antepassados. Logo no começo do livro, Yasmim explica que Jido é avô em árabe: “O nome verdadeiro dele é Amim. Ele nasceu muito longe do Brasil, em uma cidade que tem o nome de [...]: Damasco. Essa cidade é a capital de um país chamado Síria”. Editora DCL

9 Meu tataravô era africano, de Georgina Martins e Teresa Silva Telles. São Paulo: DCL, 2008. Inácio, ao fazer um trabalho para a escola, descobre que seu tataravô tinha vindo da África. Na conversa com o avô, ele soube de histórias contadas por sua bisavó e pôde contar-lhe o que descobriu na escola sobre a vinda dos africanos e o período da escravização.

Editora Panda Books

9 Como fazíamos sem..., de Bárbara Soalheiro. São Paulo: Panda

Books, 2006. Você imagina como as pessoas faziam antes de invenções como a geladeira, a televisão, a escova de dentes e muitas outras? Nesse livro, você vai conhecer essas e outras informações.

Site 9 A cor da cultura: <www.acordacultura.org.br>. Nessa página, você acessa o projeto educativo A cor da Cultura, que promove a valorização da cultura afro-brasileira.

Filme 9 Vídeos nas aldeias: <www.videonasaldeias.org.br/2009>. A página traz diversas produções audiovisuais indígenas. Nesse endereço eletrônico é possível acessar o vídeo-livro Cineastas indígenas para crianças e adolescentes e vários filmes da série Cineastas indígenas, bem como fazer download deles.

151

Respostas 99Espera-se que os alunos percebam que é um quebra-cabeça

99Espera-se que os alunos concluam que a cultura brasileira é

da bandeira do Brasil, um dos símbolos nacionais. Eles poderão mencionar que representa o Brasil, que é um dos símbolos pátrios ou outra informação que tenham. 99Espera-se que os alunos identifiquem facilmente diferentes povos que compõem a diversidade étnica do Brasil.

muito diversificada, formada por influência de vários grupos étnicos, motivo pelo qual se assemelha às peças desse quebra-cabeça – um mosaico de culturas.

151


152

ÁFRICA

Deslocamentos mais recentes

Deslocamentos mais antigos

Extensão das regiões glaciais há 20 mil anos

OCEANO ATLÂNTICO

Equador

E U RO PA

Meridiano de Greenwich

152

Mundo: expansão humana

4 228 km

LESTE

1 cm : 2 114 km

2 114

SUL

NORTE

AMÉRICA

OCEANO ATLÂNTICO

Fonte: Comissão Nacional para as comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Portugal na abertura do Mundo. 2. ed. Lisboa: CNCP, 1990. p. 20-21.

0

OESTE

OCEANO PACÍFICO

OCEANIA

Antiguidade dos assentamentos Mais de 100 mil anos De 50 mil a 100 mil anos De 20 mil a 50 mil anos De 10 mil a 20 mil anos

OCEANO ÍNDICO

ÁSIA

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Caderno de cartografia

© DAE/Alessandro Passos da Costa


153

153

Equador

PACÍFICO

OCEANO

0

OESTE

1 cm: 2 114 km

2 114

SUL

NORTE

4 228 km

LESTE

15 mil anos 10 mil anos 15 a 18 mil anos Migrações de feições africanas teriam cruzado Bering e aqui se estabelecido. Mais tarde, uma nova leva de colonizadores, com traços asiáticos, teria penetrado nas Américas e se tornado dominante.

DUAS MIGRAÇÕES

Estreito de Bering

As teorias de povoamento da América As teorias de povoamento da América

OCEANO

O ser humano teria vindo da África e chegado às terras que viriam a se tornar o Brasil navegando de ilha em ilha numa época em que o mar estava mais baixo.

PELO ATLÂNTICO

Uma única leva de humanos teria deixado a região da atual Sibéria e entrado no atual Alasca.

UMA MIGRAÇÃO

Fonte: Cláudio Vicentino. Atlas histórico: geral e Brasil. São Paulo: Scipione, 2011. p. 20-21.

ATLÂNTICO

0˚ © DAE/Alessandro Passos da Costa


154

SUL

NORTE

Java

Nagasaki

JAPÃO

0

LESTE

1 cm: 1 913 km

1 913

OCEANIA

Ilhas Molucas Nova Guiné

Filipinas

Macau

CHINA

Malacca Sumatra Bornéu

OESTE

Equador

Goa Calicute

ÍNDIA

ÁSIA

3 826 km

Expedições Espanholas Portuguesas Inglesas Francesas Holandesas Meridiano de Tordesilhas OCEANO PACÍFICO Acapulco

Cuba

ffin

Ba

da

San Julián

Rio

ata

Pr

AMÉRICA DO SUL

Bahamas

GROENLÂNDIA

Sofala

Kilwa

Nova Zembla

Madagascar

Macau

CHINA

ÁSIA

Java

Malacca Bornéu Sumatra

Goa Calicute

ÍNDIA

OCEANO ÍNDICO

Archangel

Mogadishu Malindi

Cado da Boa Esperança

Cabo de Serra Leoa

ÁFRICA

PORTUGAL ESPANHA

EUROPA

HOLANDA

FRANÇA

INGLATERRA

Islândia

Spitsbergen

OCEANIA

Nova Guiné

Ilhas Molucas

Filipinas

Nagasaki

JAPÃO

Fonte: Jeremy Black (ed.). World history atlas. Londres: Dorling Kindersley, 2008.

OCEANO ATLÂNTICO

Montreal

de

Ilha Grande de Chiloé

Lima

Panamá

AMÉRICA DO NORTE

rra

Te

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

Expansão marítima (1492 - 1597)

Meridiano de Greenwich

154 © DAE/Sonia Vaz


155

155

IBÉRIA

OCEANO ATLÂNTICO

Sabrata

Thenae

Malta

Leptis

Oea

Lilibeu

Sicília

LIA

ITÁ

Mótia

Cartago Adrumetum Tapso

Hippo Utica

Sardenha Tharrus Sulcis Nora

Córsega

Hipona

NUMÍDIA

ares Bale

Celtas

Fenícia Área de colonização fenícia Cidades fundadas pelos fenícios Rotas comerciais

Lixus

Cádiz

45°N

Meridia no Greenw de ich

Rotas comerciais dos fenícios

Creta

EGITO

Idálio Chipre

Cício

IMPÉRIO PERSA

Mar Negro

0

OESTE

Tiro

1 cm: 139 km

139

SUL

NORTE

Sídon

Biblos

Árados

278 km

LESTE

Fonte: Cláudio Vicentino. Atlas histórico: geral e Brasil. São Paulo: Scipione, 2011. p. 20-21.

Mar Mediterrâneo

GRÉCIA

MACEDÔNIA

TRÁCIA

© DAE/Alessandro Passos da Costa


Boston

Bergen Estocolmo

Dantzig

Hamburgo

para Nova Sarai

Leipzig

Bruges

Frankfurt Praga

Paris

45°N

Novgorod

Mar Báltico

Mar do Norte

Londres

OCEANO ATLÂNTICO

© DAE/Sonia Vaz

Merid ia Green no de wich

Rotas e feiras medievais

Mar Cáspio

Moncastro Bordeaux Guimarães Medina

Veneza

Milão Gênova Marselha

Mar Negro

Bolonha Florença

Barcelona Nápoles

Cádiz

para Bagdá

Atenas

Antióquia

Palermo

Ceuta

Principais rotas comerciais Venezianas Genovesas Catalãs Hanseáticas Principais rotas terrestres Feiras importantes

para Tabriz

Constantinopla

Roma

Toledo

Lisboa

Trebizonda

Túnis

Famagusta

ÁSIA

Mar Mediterrâneo ÁFRICA

NORTE

Alexandria

Trípoli LESTE

OESTE

0 SUL

229 1 cm: 229 km

458 km Mar Vermelho

Fonte: DUBY, Georges (Dir.). Atlas histórico mundial. Barcelona: Larousse, 2011. p. 55.

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Encartes

Ilustrações: Fabio Nienow

Peças para a atividade das páginas 66 e 67.

Ilustrações:Dam Ferreira

Peças para a atividade da página 76.

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Colar 159 159


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ISBN 978-85-10-06743-0

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